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One - 2a Parte

Estados Unidos, Califórnia, Carmel

O belo e dramático litoral do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

O belo e dramático litoral do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Depois da nossa “escala” em Monterey, já estávamos prontos para seguir caminho para o sul, nos caminhos da Route One. Era chegada a hora de conhecer a famosa região do Big Sur, considerada por muitos como a parte mais bonita da estrada que liga San Francisco à Los Angeles.

Percorrendo a rodovia One rumo à Los Angeles e ao Havaí! (em Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos)

Percorrendo a rodovia One rumo à Los Angeles e ao Havaí! (em Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos)


O Big Sur começa logo abaixo de Carmel e se estende por pouco mais de 100 quilômetros. Formado por encostas elevadas e algumas poucas praias, dirigir por ali nos dá a incrível sensação de estarmos em uma região isolada e selvagem, isso em pleno litoral do estado mais rico do país mais poderoso do mundo! Suas baías e canyons levam os nomes das famílias dos poucos pioneiros que se aventuraram por aqui, há pouco mais de um século.

O belo e dramático litoral do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

O belo e dramático litoral do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Se hoje já é trabalhoso vencer a estrada, estreita e cheia de curvas, imagino como era antes da sua construção. Foi só na década de 30, com a ajuda do dinheiro do New Deal, que os últimos viadutos vencendo as gargantas das encostas foram construídos e a estrada finalizada. Hoje, esses mesmos viadutos são atrações turísticas da estrada, belas obras de engenharia que ligam o sul ao norte.

Um dos muitos viadutos que cruzam os desfiladeiros do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

Um dos muitos viadutos que cruzam os desfiladeiros do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Impressionado com a beleza do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

Impressionado com a beleza do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Ao longo de todo o trecho há mirantes que nos permitem melhor observar as belezas naturais do Big Sur, quase sempre relacionadas ao mar. São as baías, enseadas e recôncavos, ondas brancas e água azul, praias de areia e de pedra, formações rochosas e recantos perdidos entre enormes rochedos. Uma verdadeira pintura. Uma não, várias! Uma atrás da outra.

Paisagem do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

Paisagem do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Entre os muitos parques estaduais criados para proteger essas belezas, merece destaque o Julia Pfeiffer, nome dado para homenagear uma corajosa e lutadora pioneira. Ele protege uma pequena alcova, uma baía, onde caem as águas da McWay Falls. Até há cerca de 30 anos, as águas da cachoeira caiam diretamente no mar, um caso bem raro de encontro de água doce e salgada. Mas um deslizamento de uma grande encosta a poucas centenas de metros dali acabou por mudar a paisagem, na minha humilde opinião para melhor, criando uma pequena praia na baía. Agora, as águas da cachoeira caem na areia e correm poucos metros para as águas azuis, quase caribenhas da Mcway Cove.

A belíssima praia de McWay Falls, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

A belíssima praia de McWay Falls, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Fotos mostram que, antes do deslizamento, as águas de McWay Falls caíam diretamente no mar, em parque na Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

Fotos mostram que, antes do deslizamento, as águas de McWay Falls caíam diretamente no mar, em parque na Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


O cenário é de tirar o fôlego e quase nem parece de verdade, de tão harmônico. Para melhor preservá-lo, o acesso à praia é proibido e nós só podemos admirá-lo do alto. Só podemos imaginar como seria descer ali e tomar um banho sob a cachoeira naquele cenário idílico. E, claro, podemos tirar muitas fotos também. Se não soubesse que a praia é relativamente nova, poderia jurar que a tal Julia Pfeiffer se banhava por lá todos os dias.

Visita à incrível praia onde caem as águas da McWay Falls, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

Visita à incrível praia onde caem as águas da McWay Falls, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Percorrendo trilha ao  lado da estrada que corta o Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

Percorrendo trilha ao lado da estrada que corta o Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Para chegar mais perto da água doce, podemos seguir rio acima e chegar até uma outra cachoeira, já no meio da mata. Depois de tanto mar, um pouco de mata e água doce sempre são uma boa alternativa.

Trilha leva à cachoeira em canyon no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

Trilha leva à cachoeira em canyon no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Um pouco mais ao sul, ainda dentro do Big Sur, chegamos ao hotel Treebones. Tínhamos chegado ali porque sabíamos que ele oferecia uma área de camping e estávamos loucos para estrear nossa barraca nova, comprada na REI de Seattle. Mas logo mudamos de ideia ao vermos as habitações que o hotel também oferecia.

Ficamos hospedados em um Yurt na nossa noite no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

Ficamos hospedados em um Yurt na nossa noite no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Eram os Yurts, uma construção de estilo mongol, super espaçosa e charmosa. Em formato circular, com uma confortável cama no meio, móveis rústicos ao redor e um teto solar. Pois é, a estreia da nossa barraca ficaria para o Hawaii e nós ficaríamos com uma noite de Gengis Khan em plena Califórnia. Aliás, até o conquistador mongol deve ter ficado com inveja, pois além do belo quarto, estávamos “armados” com queijos e vinhos trazidos diretamente do Napa Valley.

O espaçoso interior do nosso Yurt, no nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

O espaçoso interior do nosso Yurt, no nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


A maneira ideal para nunca mais esquecermos dessa magnífica região conhecida como Big Sur. Amanhã, Ra-uai!

A aconchegante arquitetura mongol do nosso Yurt no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

A aconchegante arquitetura mongol do nosso Yurt no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, Carmel, Big Sur, Estrada, Road Trip

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Noites Estreladas

Brasil, Minas Gerais, Aiuruoca

Céu estrelado e Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

Céu estrelado e Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


Todas as noites aqui no Vale do Matutu foram espetaculates. Estou me referindo ao céu estrelado. Com a lua nova, o céu sem núvens, longe da energia elétrica e a uma altitude considerável, nunca vimos tantas estrelas brilhando.

Céu estrelado no Vale do Matutu - MG

Céu estrelado no Vale do Matutu - MG


A única coisa que atrapalhava um pouco a observação do céu estrelado era o frio, muito próximo de zero grau! Mas nessa nossa última noite por aqui a Ana enfrentou o frio, armou o tripé e tirou belas fotos da noite estrelada. Até que ficou bem legal, não? Pelo menos passam parte da beleza que nos envolvia todas as noites...

Céu estrelado no Vale do Matutu - MG

Céu estrelado no Vale do Matutu - MG

Brasil, Minas Gerais, Aiuruoca, Vale do Matutu

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A Floresta Encantada

Brasil, Rio De Janeiro, Serra dos Órgãos

Riacho corta a mata úmida na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Riacho corta a mata úmida na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Durante nossa noite no Abrigo 4, aos pés da Pedra da Mina, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o tempo virou. O barulho dos pingos d’água caindo na lona da nossa barraca nos alertou dos humores de São Pedro. Nossa ideia era levantar ainda de madrugada e subir até o cume da montanha para assistir ao nascer-do-sol. As novas condições do tempo nos deram algumas horas a mais de sono.

Em manhã nublada e chuvosa, no topo da Pedra do Sino, ponto culminante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Em manhã nublada e chuvosa, no topo da Pedra do Sino, ponto culminante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Quando finalmente saímos dos sacos de dormir e da barraca, pouco depois das 7 da manhã, o camping estava envolto em neblina e sob chuva fraca. Imediatamente nos arrependemos de não ter estado no alto da montanha na véspera. Mas havíamos chegado tarde ontem, estávamos com fome e cansados. Acabamos optando por ver o sol se por da trilha mesmo e foi muito bonito. Querendo evitar a escuridão total, aceleramos para o Refúgio 4, uns 10 minutos trilha abaixo, para podermos escolher um lugar para armar a barraca. O nascer-do-sol seria lé em cima. Mas não foi. Preferimos o conforto da barraca á chuva, frio e neblina do cume.

Em manhã nublada e chuvosa, no topo da Pedra do Sino, ponto culminante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Em manhã nublada e chuvosa, no topo da Pedra do Sino, ponto culminante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Com o tempo aberto, junto com primos no topo da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)

Com o tempo aberto, junto com primos no topo da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)


Perdemos o dia nascendo, mas não o topo da montanha. Sem peso nas costas, resolvemos enfrentar as condições adversas e ir até o ponto mais alto da Serra dos Órgãos, o cume da Pedra do Sino, com 2.275 metros de altitude. Apesar do forte vento, rapidinho já estávamos lá. Na parte final, não enxergando mais do que uns poucos metros à nossa frente, não tínhamos ideia do quão perto (ou longe) estávamos do pilar que marca o cume da montanha. Quando parecia que chegaríamos, conseguíamos ver algumas pedras ainda mais altas. Mas, enfim, apareceu a pequena coluna de concreto. Éramos os únicos lá no alto. Quer dizer, nós, as gotas de chuva, a neblina e o vento forte. Impossível adivinhar a paisagem maravilhosa que a neblina impenetrável escondia.

Após dois dias de travessia desde Petrópolis, fim de tarde glorioso no topo da Pedra do Sino, ponto mais alto do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)

Após dois dias de travessia desde Petrópolis, fim de tarde glorioso no topo da Pedra do Sino, ponto mais alto do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)


Paisagem montanhosa que se vê do topo da Pedra do Sino com o dia aberto, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)

Paisagem montanhosa que se vê do topo da Pedra do Sino com o dia aberto, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)


Quer dizer, mais ou menos. Nada muito diferente do que havíamos visto durante todo o dia de ontem. Então, bastava um pouco de concentração e imaginação. Esquecer que as nuvens estavam lá e ver, realmente ver, a paisagem grandiosa repleta de picos de montanhas, todos abaixo de nós. Bem distante, a Baía da Guanabara, para o sul. E para o oeste, lá onde o sol se põe, o Castelo do Açu, bem pequenino. haja imaginação. E haja concentração, principalmente com o vento jogando água fria no nosso rosto. De qualquer maneira, eu já havia estado aqui uma vez, 14 anos atrás. As fotos estão meio borradas e desgastadas pelo tempo, mas dão uma boa ideia do que se pode ver do alto do Sino num dia limpo.

Passando por uma das muitas cachoeiras na área da portaria de Teresópolis do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Passando por uma das muitas cachoeiras na área da portaria de Teresópolis do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Sem esperanças que o tempo abrisse, tiramos nossas fotos lá no alto para registrar nossa passagem por lá e voltamos ao acampamento. Aí, foi só empacotar tudo e iniciar a última parte da nossa travessia da Serra dos Órgãos, a descida de 10 quilômetros e cerca de 1.000 metros verticais do Abrigo 4 até a portaria do parque em Teresópolis. Trilha muito bem marcada e fazendo um infinito ziguezague para descer as encostas da parte alta do parque rumo a mata úmida que domina a parte baixa da serra dos Órgãos.

Caminhando por trilha suspensa em meio à vegetação densa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, próximo a portaria de Teresópolis

Caminhando por trilha suspensa em meio à vegetação densa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, próximo a portaria de Teresópolis


Caminhando por trilha suspensa em meio à vegetação densa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, próximo a portaria de Teresópolis

Caminhando por trilha suspensa em meio à vegetação densa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, próximo a portaria de Teresópolis


Uma chuva fina nos acompanhou por quase todo o percurso. Conforme diminuía a altitude, a neblina foi rareando e passamos a poder ver mais longe. Sendo sábado de manhã, cruzamos com grupos e mais grupos de pessoas fazendo o caminho inverso. É muito comum que se faça apenas essa perna da travessia nos finais de semana: a subida da pedra do Sino, ida e volta por Teresópolis. Depois dos nossos dois dias de tempo maravilhoso no parque, ficamos com pena desses que já subiam enfrentando a chuva e sem muita chance de ter qualquer visibilidade lá no alto. Enfim, o que vale é a aventura. O sol é o bônus.

Placa informativa ao longo da trilha suspensa que atravessa trecho de mata úmida na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Placa informativa ao longo da trilha suspensa que atravessa trecho de mata úmida na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Trilha em meio à vegetação densa na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Trilha em meio à vegetação densa na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


No caminho, passamos pelas ruínas do antigo Abrigo 3 e nem percebemos as ruínas do Abrigo 2, já quase completamente cobertas pela vegetação. falando nela, foi a grande estrela dessa última parte da caminhada. Quanto mais descemos, mais a mata vai se adensando. De repente, já estamos numa verdadeira floresta. E num dia como hoje, com chuva fina, a mata parece ainda mais úmida do que já é. Vários riachos e muitas cachoeiras dão vida ao caminho e a cor verde nos cerca por todos os lados. Há as árvores mais altas, com as opas bem frondosas. Abaixo, o chamado sub-bosque, formado por palmeiras. É como se fosse uma floresta com vários andares. No “térreo”, um piso coberto por musgo, liquens e fungos. Disputam o espaço em cada raiz das árvores mais altas.

Muitas palemiras formam o chamado sub-bosque, sob a copa de árvores maiores, na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Muitas palemiras formam o chamado sub-bosque, sob a copa de árvores maiores, na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Muitas palemiras formam o chamado sub-bosque, sob a copa de árvores maiores, na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Muitas palemiras formam o chamado sub-bosque, sob a copa de árvores maiores, na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Também os galhos das árvores são recobertos de vegetação. São as bromélias! Centenas, milhares delas! Nunca havia visto tantas dessas plantas juntas. O visual era lindo e fiquei com vontade de ser botânico. A parte baixa do parque desse lado de Teresópolis é o mais desenvolvido em termos de infra estrutura e há várias pequenas trilhas para se explorar a região. Uma delas é uma trilha suspensa no meio das árvores e da vegetação, em passarelas de madeira. Ao longo dela, vários painéis informativos para nos ilustrar sobre a riqueza de vida ao nosso redor.

Chegando à portaria de Teresópolis, trecho final da travessia de 30 km e 3 dias através do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Chegando à portaria de Teresópolis, trecho final da travessia de 30 km e 3 dias através do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A mata úmida e desnsa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

A mata úmida e desnsa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


A neblina e a chuva fina se misturavam com a copa das árvores dando um tom mágico, quase sobrenatural, ao ambiente. Que iria subir a Pedra da Mina hoje já tinha passado por nós, então éramos os únicos a caminhar por ali naquela hora, já bem perto do almoço. Foi uma experiência fantástica, quase que como se estivéssemos em um outro mundo, numa outra realidade. mas, enfim, fomos chegando ao final da trilha, que acabou virando uma estrada asfaltada. mais alguns minutos e reencontramos nossa querida, valente e fiel Fiona. Estávamos em casa!

Milhares de bromélias penduradas nos galhos das árvores na mata úmida que ocupa a parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Milhares de bromélias penduradas nos galhos das árvores na mata úmida que ocupa a parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Chegando ao final da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Chegando ao final da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Molhados e com fome, mais do que nunca agrademos a escolha de ter deixado a Fiona por aqui e não ter de pegar o ônibus agora para a sede de Petrópolis. Ao invés disso, seguimos diretamente para o centro de Teresópolis, em busca de um bom lugar para comer. Queríamos comida farta e de boa qualidade, algo que estávamos merecendo depois de tanto esforço. Acabamos nos esbaldando numa excelente churrascaria da cidade. Como todos sabemos, a fome é o melhor tempero que existe e, talvez influenciado por isso, foi o melhor churrasco que tivemos por muito tempo! Final perfeito para nossa travessia quase perfeita. Um ótimo final, também, para o P.S. dos 1000dias. Agora, a Serra dos Órgãos e sua famosa “trilha mais bonita do Brasil” também já fazem parte do nosso roteiro pelo continente!

Após 30 km e três dias na montanha, o feliz reencontro com a nossa Fiona, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Após 30 km e três dias na montanha, o feliz reencontro com a nossa Fiona, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Brasil, Rio De Janeiro, Serra dos Órgãos, Parque, Pedra do Sino, Teresópolis, trilha

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Guerra e Paz

El Salvador, El Tunco

Praia de El Tunco, litoral de El Salvador

Praia de El Tunco, litoral de El Salvador


Meio “avariado” pela mistura de bebidas da noite anterior, a minha manhã foi bem longa hoje. A falta de energia elétrica fez que o ar condicionado desligasse logo cedo e, um pouco mais tarde, já estávamos sem água no banheiro também. “No worries!”, como diriam os australianos. Fui para a piscina e cair na água fria foi como entrar no paraíso. Depois, na brisa fresca da manhã, achei uma cadeira de balanço bem confortável na sombra de um coqueiro e lá fiquei, até que a energia elétrica voltasse. Daí pude observar que o hotel e a praia estavam bem diferentes do sossego de ontem. Centenas de pessoas chegavam para aproveitar o dia ou o início da temporada praiana, depois de passarem o natal em casa. Mais um motivo para eu voltar à tranquilidade do meu quarto, agora com ar condicionado.

Nosso hotel La Guitarra, em El Tunco, litoral de El Salvador

Nosso hotel La Guitarra, em El Tunco, litoral de El Salvador


Mais umas duas horas de sono e um Engov que a Ana me deu e eu já estada tinindo e com fome. Voltamos ao nosso café preferido na surf town, bem ao lado do rio que marca o fim de El Tunco e com vista para a praia e o mar e tivemos o nosso brunch saudável, salada de frutas com iogurte e granolas e sanduíche em baguete crocante. Saúde e paz nos cercavam de todos os lados, natureza exuberante e pessoas se divertindo ao fundo, música agradável nos altofalantes do café. Difícil imaginar cena mais tranquila e relaxante.

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador


Mais difícil ainda imaginar que esse país viveu uma longa e sangrenta guerra civil até pouco tempo. Pelo menos para mim, do alto dos meus quarenta e poucos anos. Fico imaginando que a maioria dos turistas daqui, ainda nos seus vinte e poucos, pouco ou nada sabem da história de El Salvador e só querem saber de pegar suas ondas no início do dia ou final da tarde. Alguns poucos devem ter lido algumas linhas sobre a guerra dos anos 80, mas linhas de livros são frias e vazias quando comparadas à realidade.

Felizmente, eu também não vivi essa realidade. Pelo menos, não de perto. Mas lembro-me de, quase diariamente, acompanhar as imagens e notícias da guerra, seja pelo Jornal Nacional, quando ainda era mais jovem, ou por jornais e revistas, já adolescente. Uma guerra sem fim e que parecia ser a eterna realidade desse pequeno país. Guerrilhas de esquerda tentando desapear do poder uma direita corrupta e violenta, sem nenhum apego aos direitos humanos, mas com apoio logístico e financeiro americano. O governo Reagan, na sua luta para vencer a Guerra Fria, principalmente aqui no seu “quintal”, tinha decidido que não queria uma outra Nicarágua na região. Nem que para isso precisasse sustentar um governo pavoroso como tinha o país naquela época. Sem esse apoio, certamente o governo teria caído e sabe-se lá o que teria ocorrido à El Salvador. Mas, na visão americana da época, certamente Honduras e Guatemala passariam a ser as bolas da vez, o “comunismo” chegando às portas dos Estados Unidos. Por isso, aqui, nesse pequeno país, se jogavam as grandes apostas de um mundo dividido. E eram os salvadorenhos que pagavam o pato.

Almoço saldável de Natal, em El Tunco, litoral de El Salvador

Almoço saldável de Natal, em El Tunco, litoral de El Salvador


Dois lances marcaram essa guerra, um no seu início e outro já perto do seu fim. Em 1980 era assassinado a sangue frio, em plena celebração da missa, o arcebispo de San Salvador, Oscar Romero. Inicialmente um clérigo conservador, o arcebispo começou a vociferar em alto e bom tom contra as torturas, esquadrões da morte e o governo que as acobertava quando um padre jesuíta, seu amigo pessoal, foi vítima dessa guerra suja. Como nada foi apurado e a imprensa censurada era proibida de noticiar qualquer coisa sobre o assunto, Oscar Romero começou a usar suas missas para cobrar mudanças nessa política. Alguns meses depois, sem cerimônia, foi assassinado no púlpito. Governos de todo o mundo reagiram, a imprensa mundial veio cobrir o funeral e todos fomos testemunhas, via TV, do massacre ocorrido durante o enterro, transformado em grande manifestação. Dezenas de pessoas caindo mortas frente a tiros indiscriminados desferidos por agentes à paisana. Nada disso impediu que os EUA aumentassem a sua ajuda militar ao governo, já que para eles a alternativa seria ainda pior. Já no final da década, o governo Reagan mergulhado no escândalo Irã-Contras, a ajuda minguando para as ditaduras centro-americanas, a guerrilha resolveu apostar na “Ofensiva Final”. Chegaram à periferia da capital, o governo por um fio, mas a ajuda americana não falhou nessa hora e o poderio das armas falou mais alto. Novo empate técnico, guerra sem vitoriosos, promessa de mais anos turbulentos pela frente.

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador


Felizmente, vivíamos o fim da Guerra Fria, vencida pelos EUA de Reagan e Bush. Isso acabou possibilitando um grande acordo regional que pôs fim não só à guerra em El Salvador, mas também na Nicarágua. Timidamente, a democracia voltava também à Honduras e Guatemala. De lá para cá, muito melhorou nesses países, mas sem dúvida o caminho a percorrer ainda é longo.

Mas, enfim, a guerra foi substituída pela paz. Certamente, não a paz nos padrões de países de primeiro-mundo. Mas, se comparado à situação de anarquia anterior, certamente podemos chamar de paz, sim senhor. E foi essa “paz” que possibilitou a volta do turismo a esses belos países. Hoje aqui, na praia de El Tunco, o cenário era de paz. A guerra só estava na cabeça de um turista ainda meio ressacado e que procurava, nos olhos dos salvadorenhos mais velhos que encontrava, algum resquício, algum sinal da situação anterior. “Como será que esse pacato senhor que vende cocos na praia viveu a década de 80?”. “Como terá sido o natal de 1985 na praia de El Tunco?”. Perguntas para as quais não tenho resposta. Só duvido que tenha havido o belo show de jazz que tivemos aqui no La Guitarra, esta noite. Vantagens de se viver na paz...

El Tunco, litoral de El Salvador

El Tunco, litoral de El Salvador

El Salvador, El Tunco, Praia

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Mercados e Estradas

Equador, Quito

Lanche rápido no Mercado de Comidas de Otavalo, no Equador

Lanche rápido no Mercado de Comidas de Otavalo, no Equador


Hoje resolvemos explorar a região ao norte de Quito, já chegando bem perto da fronteira com a Colômbia. Nossos planos eram ambiciosos: viajar até Otavalo, onde está um dos mais famosos mercados andinos do continente, explorar um pouco da bela natureza ao seu redor, seguir por estradas secundárias até Mindo, o melhor local do país para se observar pássaros e, na volta para Quito, passar por "Mitad del Mundo", onde há um museu e um monumento marcando o local por onde passa a linha do Equador. Aí, quem sabe, se ainda chegássemos à tempo, subir o teleférico para se ter as melhores vistas de Quito.

O famoso mercado de Otavalo, no Equador

O famoso mercado de Otavalo, no Equador


Logo no início já deu para perceber que seria meio difícil fazer isso tudo. A rodovia Panamericana, que liga Quito à Otavalo é completamente atravancada. Muitas curvas, muitas subidas, muitos caminhões, pista simples. Com muita paciência, fomos seguindo, felizes que a volta não seria por ali, mas pelas tais "estradas secundárias". O GPS sugeria que voltássemos para Quito pela Panamericana e, de lá, fôssemos para Mindo. Mas, de posse do mapa rodoviário do país, estava decidido a fazer o caminho alternativo e não ter de pegar aquela estrada outra vez.

O famoso mercado de Otavalo, no Equador

O famoso mercado de Otavalo, no Equador


O mercado de Otavalo ocorre diariamente, mas é no sábado que é maior e atrai milhares de turistas. Depois de Galápagos, é considerado a maior atração turística do país. Nós resolvemos ir na sexta mesmo, para fugir das multidões. Em dias de semana é bem mais tranquilo e ocupa "apenas" uma praça. Cheio daquelas malhas e casacos coloridos que são a cara dos Andes. Passeamos um pouco por ali e a Ana, a Laura e o Rafa não resistiram e compraram todos um belo chapéu Panamá, para protegê-los do sol. No resto do dia, estavam todos uniformizados, uma mistura de Indiana Jones e do boto do Ricceli.

A Laura experimenta chapéu no mercado de Otavalo, no Equador

A Laura experimenta chapéu no mercado de Otavalo, no Equador


Chapéu novo comprado no mercado de Otavalo, no Equador

Chapéu novo comprado no mercado de Otavalo, no Equador


Outra atração é o mercado de comida, cheio de cores, cheiros e formas, uma experiência para nossos sentidos. Passamos um bom tempo experimentando frutas, comidas exóticas e, claro, fotografando e socializando com os locais.

Amoras e morangos no Mercado de Comidas de Otavalo, no Equador

Amoras e morangos no Mercado de Comidas de Otavalo, no Equador


Um rápido almoço num charmoso restaurante vegetariano e estávamos prontos para seguir em frente. Próxima parada: a laguna de Cuicocha, formada numa antiga caldeira de vulcão. É possível percorrer uma trilha de 4 horas ao redor da laguna, mas nós fizemos só um pedacinho, o bastante para tirar fotos desse lugar incrível.

Visitando a laguna Cuicocha, uma antiga caldeira de vulcão, na região de Otavalo - Equador

Visitando a laguna Cuicocha, uma antiga caldeira de vulcão, na região de Otavalo - Equador


Aí, era hora de acelerar para a próxima atração, a pequena cidade de Mindo, no limite entre as terras altas e a floresta tropical, ecossistema preferido de centenas de espécies de pássaros e paraíso dos "birdwatchers". Mas as estradas secundárias eram, na verdade, terciárias e quaternárias e o nosso ritmo de deslocamento caiu bastante. Principalmente com a forte neblina que não nos deixava ver mais de 3 metros à frente.

Visitando a bela Laguna Cuicocha, uma antiga caldeira de vulcão, na região de Otavalo, no Equador

Visitando a bela Laguna Cuicocha, uma antiga caldeira de vulcão, na região de Otavalo, no Equador


Bem devagarzinho fomos descendo a serra até chegar abaixo do nível das nuvens. A paisagem era de um verde exuberante, rios e montanhas, matas e pequenas vilas. Nossa estrada de terra passava de uma vale para o outro, ziguezagueava encostas e ribanceiras, cruzava estreitas pontes de madeira. O visual era maravilhoso, bucólico e tropical. Para nós, acostumados agora com os desertos do Chile e Peru, o contraste era maior ainda.

Atravessando uma fortíssima neblina na região ao norte de Quito, no Equador

Atravessando uma fortíssima neblina na região ao norte de Quito, no Equador


Mas o tempo foi passando, passando, passando e Mindo se foi pelos ares. Nosso objetivo, agora, era chegar na Mitad del Mundo antes que fechasse, às 18:00. Pura ilusão. O relógio avançava inclementemente. Já estava escuro quando lá chegamos, enfim de volta ao asfalto. Teremos de voltar aqui alguma hora, possivelmente depois de Galápagos. O mesmo vale para a subida ao teleférico.

Procurando caminhos nas montanhas verdes ao norte de Quito, no Equador

Procurando caminhos nas montanhas verdes ao norte de Quito, no Equador


Voltamos ao nosso hotel e, de noite, fomos conhecer a agitada noite da Plaza Foch, o coração de Mariscal. Dezenas de bares, restaurantes e boates, todos lotados numa noite de sexta-feira. Por sugestão de um amigo, escolhemos o Tapas e Vinhos, bem em frente à praça.

Jantando em restaurante na Plaza Foch, em Mariscal, Quito - Equador

Jantando em restaurante na Plaza Foch, em Mariscal, Quito - Equador


Amanhã cedo vamos tentar marcar nossas subidas nos vulcões Cotopaxi e Timborazo, os maiores do mundo em suas respectivas "categorias" (vulcão ativo e vulcão extinto). Depois, é partir para o sul, às cidades de Baños e Cuenca e o que mais der tempo antes de partirmos para Galápagos, no dia 25 pela manhã. Vamos que vamos!

Mercado de Otavalo - Equador

Mercado de Otavalo - Equador

Equador, Quito, Cuicocha

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De Volta à Islândia

Islândia, Reykjavik, Seljalandsfoss

A incrível paisagem da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia

A incrível paisagem da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia


Voltamos hoje à Islândia vindos da Groelândia, mas o horário de chegada não foi dos mais agradáveis. Pousamos no aeroporto da capital Reykjavik perto das 4:30 da madrugada, quando o país inteiro ainda dormia. Aproveitamos o ônibus que faz a ligação com o centro da cidade e fomos até a rodoviária. Ali do lado havia companhias de aluguel de carro, mas não naquele horário. Não teve remédio a não ser esperar até as 8 da manhã, quando começaram a abrir.

O complicado mapa turístico e rodoviário do sul da Islândia, em estrada na saída de Reykjavik

O complicado mapa turístico e rodoviário do sul da Islândia, em estrada na saída de Reykjavik


Aproveitamos esse tempo para reler livros e mapas e relembrar nosso roteiro planejado para conhecer o país nos próximos 8 dias. A Islândia não é um país pequeno, com pouco mais de 100 mil k2. É o tamanho aproximado do estado de Pernambuco. Mas, mesmo com esse tamanho, a população é de apenas 320 mil pessoas, menos do que qualquer cidade brasileira de porte médio. Um terço dessas pessoas está na capital Reykjavik e 2/3 do total vive na região metropolitana da capital. Portanto, sobram menos de 100 mil pessoas para todo o resto do país, espalhados em pequenas cidades ao longo do seu litoral. No interior da Islândia, longe da capital, os habitantes não passam de poucos milhares.

AS duas principais rotas turísticas da Islândia: O 'Golden Circle' (circuito menor) e a 'Ring Road, que dá a volta completa no país, margeando seu principal campo de gelo, no sul da ilha

AS duas principais rotas turísticas da Islândia: O "Golden Circle" (circuito menor) e a "Ring Road, que dá a volta completa no país, margeando seu principal campo de gelo, no sul da ilha


São duas as principais rotas turísticas no país. A primeira e mais popular é o chamado “Golden Circle”, um looping com pouco mais de 100 km de distância ao redor da capital e que passa por cachoeiras, geisers e pontos históricos. Normalmente, os turistas o percorrem em apenas um dia e, com isso, tem um “gostinho” do país. Nós vamos sim fazê-lo, mas apenas no final da nossa temporada por aqui. Nossa ideia era sair o quanto antes da capital e dar uma volta inteira na Islândia, deixando os últimos dois dias para a região de Reykjavic.



Pois bem, esse nosso roteiro é conhecido como “Ring Road”, a estrada que dá a volta no país, sempre próxima do litoral. Para se aventurar pelo interior da Islândia, nas chamadas highlands, só no verão e com carro apropriado. Quando chegarmos do outro lado do país, de onde partem essas rústicas estradas para as terras altas, falo um pouco mais sobre isso.

Paisagem repleta de quedas d'água ao redor da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia

Paisagem repleta de quedas d'água ao redor da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia


Aproximando-se da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia

Aproximando-se da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia


Enfim, assim que abriu a locadora de carros, alugamos um e começamos nossa longa volta de quase 1.500 km ao redor do país, seguindo no sentido anti-horário. Nossa ideia era chegar hoje até a cidade de Vestmannaeyjar, na ilha de Heimaey, no sudoeste da Islândia. No caminho, paisagens grandiosas e muitas, muitas cachoeiras.

A imponente cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia

A imponente cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia


Pois é, são duas coisas que precisamos logo aprender aqui na Islândia. Primeiro, que as palavras são enormes e impronunciáveis. O negócio é logo arrumar algum apelido, ou então, escrever tudo detalhadamente. Lembrar das palavra inteiras, de cabeça, é simplesmente impossível! A segunda é que são infinitas cachoeiras ao longo da costa. A água nasce lá nas geleiras do interior, um reservatório quase infinito, e correm até a costa. Mas antes de chegar lá, despencam nas encostas que formavam o antigo litoral do país, até que erupções vulcânicas criassem uma planície costeira. Com a estrada, a “ring road”, está sempre próxima dessas encostas, sempre estamos passando por cachoeiras. Lindas! Mas, nem ouse pensar em dar um mergulho ou tomar um banho. Nascidas nas geleiras, já dá para imaginar a temperatura da água, não dá?

Admirando a cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia

Admirando a cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia


A mais bela e famosa dessas cachoeiras que passamos hoje é a Seljalandsfoss (“foss”, em islandês, quer dizer cachoeira). Bem próxima a estrada, podemos caminhar até o lago que ela forma em sua base. Mas do que isso, há uma trilha que nos leva para trás dela. O visual é mesmo lindo e só temos que nos cuidar com o vapor que nos atinge, pois ele também é congelante!

O moderno ferry que nos leva para Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

O moderno ferry que nos leva para Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


Depois da nossa parada por lá, saímos da ring road para ir até a costa. Daí saia o ferry para a ilha de Heimaey, local de paisagens lindíssimas, erupções vulcânicas bem recentes e lar do simpático puffin, um pássaro bem parecido com o pinguim lá do sul, mas que não tem nenhum parentesco com ele, além do bico e das duas asas! O ferry é bem moderno, o primeiro que vimos nesses 1000dias em que o bico do navio se abre para os carros entrarem. Foi apenas nossa primeira surpresa de tantas que teríamos nas próximas 24 horas...

Chegando à ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Chegando à ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Islândia, Reykjavik, Seljalandsfoss, cachoeira, Estrada

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O Esporte da Moda

Brasil, Santa Catarina, Guarda do Embaú

A Ana fica cada vez mais craque no standup paddle, na Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina

A Ana fica cada vez mais craque no standup paddle, na Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina


De tempos em tempos surge um novo esporte ou prática esportiva que toma de assalto as fotos de revistas, imagens de TV, praias e ares do Brasil e do mundo. De repente, está todo mundo fazendo, tentando fazer ou falando disso. São esportes que nos deixam mais próximos da natureza, refletem saúde e felicidade.

A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Não sou desse tempo, mas acho que o primeiro grande exemplo disso foi o surf. Totalmente inexistente por aqui até o final da década de 60, ele já reinava absoluto em nossas praias a partir das minhas mais antigas lembranças, em meados da década seguinte.

Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina

Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina


Não demorou muito e veio a asa delta, acho que no início da década de 80. Depois, mas não necessariamente nessa ordem, veio o wind surf e as pranchas de bodyboard. As bicicletas de bicicross, o paragliding e o jet ski. O ultraleve, o bungee jump e o base jump.

A Ana pratica standup paddle na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana pratica standup paddle na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


A Ana pratica standup paddle na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana pratica standup paddle na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Mais recentemente, foi a vez do kite surf. Em várias praias espalhadas pelas Américas que visitamos, era comum ver dezenas de pessoas deslizando rapidamente sobre a água, amarrados em suas asas e dando saltos acrobáticos, demonstrando perícia e coragem.

O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Quando vemos (ou víamos) esses novos esportes sendo praticados, a vontade era de fazer igual. Mas a maioria deles não é fácil e está muito além das habilidades e do bolso dos simples mortais. Ou requerem muito equilíbrio, ou muita coragem, ou bastante dinheiro. Ou uma combinação disso tudo. Seriam meses ou anos de treinamento para conseguirmos fazer igual ao que víamos na TV ou na foto da revista. Em resumo, na grande maioria dos casos, ficávamos só na vontade ou nas promessas...

A Ana recebe as últimas instruções para fazer standup paddle na na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana recebe as últimas instruções para fazer standup paddle na na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Mas, eis que apareceu mais um esporte da moda. Quando iniciamos os nossos 1000dias, ele ainda era bem restrito, conhecido apenas pelos mais antenados. Mas o esporte foi crescendo, ficando mais e mais conhecido, virando moda. Estou falando do standup paddle, aquela pranchona de surf em que ficamos em pé sobre ela remando em algum lugar de águas um pouco mais tranquilas. Foi nítido para nós como esse esporte, em questão de poucos anos, se espalhou e se popularizou por todo o continente.

Standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

Standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Além de nos levar para mais perto da natureza, como os outros esportes da longa lista acima também faziam, o standup paddle tem uma grande vantagem sobre todos eles: a acessibilidade. Acho que o único pré-requisito é não ter medo de água. Nem saber nadar é preciso, pois pode-se praticá-lo com um colete salva-vidas. Comprar uma prancha pode ser caro, carregá-la, muito complicado, mas a solução para essas duas questões é simplesmente alugá-la já no lugar onde se vai praticar o esporte. Um mínimo de equilíbrio, um pouco de força nos braços e pronto: todos podem fazer sem medo de ser feliz!

A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


É claro que, por estar na moda, quem aluga as pranchas aproveita para enfiar a faca. O preço é por hora e, se fizermos as contas, em muitos casos sai bem mais caro alugar uma pranchona dessa do que alugar um carro. Mas, se tem quem paga, nem dá para botar a culpa em quem aluga. Só está aproveitando para fazer o seu pé de meia. Eu e a Ana, já fazia tempo que queríamos praticar. Só estávamos esperando a hora certa no lugar certo. Tudo parecia indicar que seria na lagoa do Meio, lá na Praia do Rosa. Mas ali, o preço era tão aviltante que nós resistimos. Agora, aqui na Guarda do Embaú, tínhamos uma nova chance.

O fantástico cenário da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

O fantástico cenário da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Pois é, difícil imaginar um lugar mais perfeito para a prática desse esporte. Para iniciantes como nós, o melhor é fazer em águas mais calmas, sem ondas. Pois bem, é exatamente como é o rio da Madre, que separa a cidade da praia. Para aqueles que não sabem nadar, o rio dá pé na maioria dos lugares. E para quando nos sentirmos mais confiantes e querermos “mais emoção”, basta remar até a boca do rio, onde ele se encontra com o mar. Para quem é bom mesmo, não vai ser qualquer onde que vai te derrubar. Eu já vi muita gente remando de uma praia à outra, como se estivessem andando calmamente de bicicleta. A praia da Guarda tem espaço para todo mundo: dos iniciantes até aqueles que querem surfar com a pranchona.

O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Depois da queda, subindo novamente na prancha de standup paddle da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

Depois da queda, subindo novamente na prancha de standup paddle da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Aqui, depois de uma boa conversa e muita simpatia, a Ana conseguiu negociar um preço muito mais em conta. Tão bom que nós voltamos dois dias mais tarde para fazer de novo, agora com céu azul e muito sol. Um de cada vez, para podermos tirar fotos. Aos poucos, fomos acertando o equilíbrio e até nos arriscamos um pouco no mar também. Um tombo aqui, outro ali, mas não tem problema: da água não passamos!

A Ana fica cada vez mais craque no standup paddle, na Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina

A Ana fica cada vez mais craque no standup paddle, na Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina


Enfim, foi uma delícia, vontade de fazer mais e mais. Um pouco de prática evita tombos e dor nas costas. A remada passa a render muito mais e a sensação de integração com a natureza compensa o suor na testa. A pele fica queimada e os músculos, tonificados. Tudo de bom, mesmo. E que bom que fizemos aqui, na Praia da Guarda. Até adiamos nossa viagem para Florianópolis para o final do dia. A Ilha da Magia poderia esperar mais um pouco...

Standup paddle no paraíso chamado Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

Standup paddle no paraíso chamado Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Para finalizar, só uma curiosidade. Muitos daqueles esportes que citei no início, e outros também, chegaram até nós pela primeira vez de uma forma meio inusitada para os dias de hoje. Para quem viveu e se lembra dos anos 80, como esquecer os antológicos comerciais do cigarro Hollywood? Eles misturavam, na mesma peça publicitária, gente bonita, mulheres gostosas, as melhores músicas da década e muita ação em esportes novos no meio da natureza. Tudo isso para vender aquele veneno. Associavam o cigarro à saúde e ao sucesso. Felizmente, isso não é mais permitido, mas o lado ruim da lei é que ficamos sem propagandas que marcavam época. Então, só para relembrar e sem fazer apologia ao cigarro (que eu detesto!), segue um vídeo com várias dessas propagandas e vários dos esportes da moda naqueles anos. Se essa publicidade ainda fossem permitida, certamente teria havido uma propaganda da Hollywood com o standup paddle há uns 4-5 anos atrás. Qual teria sido a música?

Brasil, Santa Catarina, Guarda do Embaú, Praia, Rio

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Onde Nasceu Los Angeles

Estados Unidos, Califórnia, Los Angeles

A primeira igreja da cidade, ainda dos tempos espanhóis, em Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos

A primeira igreja da cidade, ainda dos tempos espanhóis, em Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos


Los Angeles, assim como várias das cidades costeiras da Califórnia, nasceu espanhola, mais uma missão franciscana nos limites da colônia para evangelizar a população indígena e garantir o povoamento e a segurança na fronteira norte da Nova Espanha (o Mèxico). O ano era 1781 e o nome de batismo, “La Reyna de Los Angeles”. Nascia assim a segunda maior cidade dos Estados Unidos enquanto, do outro lado do continente, na costa atlântica, uma nova nação travava uma guerra sangrenta para se livrar do jugo colonial.

Chegando ao pequeno downtown de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos

Chegando ao pequeno downtown de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos


Quarenta anos mais tarde, quando foi a vez do México se libertar da Espanha, a pequena Los Angeles ainda contava apenas com 600 habitantes. Não obstante, foi escolhida para ser a capital do estado da Alta California, o que gerou novo impulso de crescimento. Uma geração mais tarde e a guerra entre as duas jovens nações americanas terminaria de forma catastrófica para o México, que perdeu quase metade de seu território, enquanto os Estados Unidos se transformavam em uma nação continental. Entre suas novas posses, o atual estado da California e a futura megalópole de Los Angeles.

Enfrentando as congestionadas freeways de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos

Enfrentando as congestionadas freeways de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos


A chegada da ferrovia à cidade e a descoberta de petróleo nas imediações deram nova força ao crescimento de Los Angeles, que ultrapassou a marca de 100 mil habitantes na entrada do século XX. Nas primeiras décadas do século, um quarto do petróleo mundial era produzido na Califórnia, todo o movimento da indústria sendo capitalizado para a grande metrópole. Mas seria uma outra indústria, a do cinema, que marcaria para sempre a vida e a economia da cidade.

O belo prédio da Union Station, a estação de trens de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos

O belo prédio da Union Station, a estação de trens de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos


Em 1920, nada menos de 80% da indústria mundial de cinema se concentrava nas cercanias de Hollywood, o mais novo bairro incorporado de Los Angeles. Foi o dinheiro gerado e movimentado por ela que ajudou Los Angeles a atravessar de maneira mais ou menos incólume a Grande Depressão que se abateu sobre o resto do país. Mas a crise econômica também acabou fazendo suas vítimas por aqui. Como sempre ocorre em todos os lugares do mundo, num momento de dificuldades, é preciso achar algum culpado, geralmente alguma minoria étnica. Aqui, os “culpados” foram a larga população hispânica, a maioria da qual já vivia na cidade há mais de um século. Afinal, Los Angeles havia nascido espanhola e crescida mexicana. Dezenas de milhares de pessoas, muitas delas de famílias radicadas na cidade há gerações, foram simplesmente deportadas para o México, sem nunca mais poder retornar. Mais uma das grandes injustiças cometidas na construção de um grande país...

O pomposo interior da Union Station, no centro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos

O pomposo interior da Union Station, no centro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos


Mesmo com essa expulsão sumária de seus antigos moradores, a cidade ultrapassou o milhão de habitantes em 1930, um pouco antes de receber as Olimpíadas de 1932, a primeira a se converter em um sucesso comercial. A cidade continuou a se expandir horizontalmente, uma decisão sensata para uma área tão afeita a terremotos. O último deles foi em 94, causando mais de 70 mortes. Por isso, até hoje, para uma aglomeração urbana que supera os 10 milhões de habitantes, a concentração de prédios altos é surpreendentemente pequena, uma minúscula ilha de arranha-céus em meio a um mar de construções de poucos andares.

O pomposo interior da Union Station, no centro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos

O pomposo interior da Union Station, no centro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos


Hoje foi o nosso dia de dar uma olhada nessa história, onde a cidade nasceu e esse “ridículo” centro financeiro. Uso a palavra “ridículo” no sentido do tamanho, quando nos lembramos dos prédios de Manhatann ou Chicago. Já passamos aqui nos EUA por cidades vinte vezes menores que Los Angeles, mas com um downtown com mais prédios do que ela.

Olvera Street, no centro da histórica Los Angeles espanhola (Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos)

Olvera Street, no centro da histórica Los Angeles espanhola (Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos)


Enfim, para chegar até lá, finalmente tivemos o gostinho de suas freeways engarrafadas. Mas, para quem está acostumado com São Paulo, não dá para reclamar, não! Alguns poucos minutos parados e já estávamos no centro, procurando algum estacionamento. Outros minutos e já caminhávamos pelas praças e ruas da antiga Los Angeles mexicana, simpaticíssima e com cara de cidade do interior. Mais uma bela surpresa que essa metrópole reservou para nós, para ajudar a compor esse verdadeiro quebra-cabeça infinitamente mais complexo e interessante do que o jeito simplista que eu imaginava a cidade.

Comércio no Pueblo de Los Angeles, centro histórico da cidade, na Califórnia - Estados Unidos

Comércio no Pueblo de Los Angeles, centro histórico da cidade, na Califórnia - Estados Unidos


Começamos nosso tour pela pomposa Union Station, a principal estação de trem da cidade e do estado, cenário de diversos filmes de Hollywood. Foi a última grande estação de trem a ser construída no país e caminhar por seus grandes salões nos transporta para outra época. É também um lugar interessante para acompanhar o movimento da cidade, já que por lá transitam milhares de pessoas diariamente, vindas de todo o país, mas também pela própria cidade, já que ela está conectada com o sistema de metrô. Aliás, aqui foi o mais perto que chegamos do metrô da cidade que, em escala e alcance, se compara ao downtown, cabendo o mesmo adjetivo que usei acima para definir a aglomeração de prédios da cidade.

A mais antiga casa do Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos

A mais antiga casa do Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos


Depois da estação, fomos passear pelas ruas e ruelas da Reyna de Los Amgeles. A sensação era de se estar mesmo no México. Pelo menos hoje, não haviam por lá muitos turistas e o clima era de total tranquilidade. A rua principal é a Olvera St., toda rodeada de restaurantes mexicanos (claro!). Ali jantamos e nos regozijamos com aquele clima de interior. Tinha até uma orquestra tocando, para delírio das velhas senhoras que passavam por ali.

Orquestra e ouvintes na rua Olvera, a principal do Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos

Orquestra e ouvintes na rua Olvera, a principal do Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos


A rua desemboca na Plaza de Cultura y Artes, onde ocorriam festas típicas mexicanas de celebração do fim do ano. Aí também passamos um bom tempo vendo as crianças participarem das brincadeiras organizadas, observados por orgulhosos e felizes familiares. A língua mais ouvida era o espanhol e parecia mesmo que aquela terrível guerra de 165 anos atrás não havia ocorrido, que a cidade ainda era parte do estado da Alta California.

Menino participa de Piñada, brincadeira típica mexicana, em festa organizada no Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos

Menino participa de Piñada, brincadeira típica mexicana, em festa organizada no Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos


Hora de voltar para casa, passando ao lado do estádio/ginásio do Lakers, uma verdadeira instituição aqui na cidade. Já temos compromisso marcado ali, amanhã. Compramos ingressos para um jogo da NBA onde os Lakers vão receber os Bobcats. Será o gran finale de um dia que promete muitas explorações pela cidade. É aquele dia extra que resolvemos ficar em Los Angeles e que há de valer a pena!

Jantando em restaurante no Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos

Jantando em restaurante no Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, Los Angeles, história

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Isla Verde

Porto Rico, San Juán

Passeando na praia de Isla Verde, em San Juan - Porto Rico

Passeando na praia de Isla Verde, em San Juan - Porto Rico


Hoje fomos de táxi para a praia mais bonita de San Juan: Isla Verde. Na verdade, já fica no município ao lado, Carolina, parte da região metropolitana. Nosso guia a chamou de Copacabana daqui. Com todo o respeito, não tem comparação. Mas a praia é gostosa sim, águas verdes do Caribe, mas opacas pela areia que é movimentada pelas ondas. Duas coisas que chamaram nossa atenção: como a praia está bem próxima ao aeroporto, sempre há um grande boeing sobre nossas cabeças; segundo, há um cemitério à beira mar, ocupando uma parte da orla. Imagina se fosse em Copacabana, quanto não valeria o metro quadrado do cemitério! Só teria a fina flor enterrada lá. Na verdade, acho que os mortos já teriam sido despejados há muito tempo...

Aproveitamos a ida e a volta para nos informar ao máximo sobre o país com os motoristas de táxi, que sempre são uma ótima fonte de informações, embora às vezes meio enviesada. Mas aonde aprendemos mesmo foi no centro de informações turísticas, onde chegamos no início da noite. Fomos muito bem atendidos pela Bernice, que logo reconheceu nosso sotaque e resolveu falar em português conosco, para praticar a língua que tanto gosta. Ela conhece o Brasil, esteve no Rio e no Paraná. Até na Ilha do Mel ela já foi! Que coincidência! Conversamos quase uma hora sobre seu país, as atrações turísticas daqui e a situação política de Porto Rico. Foi uma aula e tanto! Gracias, Bernice!

Amanhã, nossa idéia é alugar um carro e ir conhecer um pouco do seu interior, seus parques e montanhas e suas praias mais isoladas. E vamos que vamos!

Porto Rico, San Juán, Praia

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Férias em Isla Mujeres - Abaixo D'Água

México, Isla Mujeres

Maravilhosa arraia-chita nada próxima de nós durante mergulho em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Maravilhosa arraia-chita nada próxima de nós durante mergulho em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


É claro que uma temporada em Isla Mujeres sem uma visita ao mundo subaquático seria incompleta. Nossa intenção, quando fomos para lá, era só descansar e não fazer nada, além de alguns posts para nossos blogs. Mas bastou uma conversa para mudarmos de ideia: tínhamos de mergulhar!

A caminho de um mergulho num mar com cara de piscina, na Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

A caminho de um mergulho num mar com cara de piscina, na Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


O que nos convenceu não foram os lindos corais que cercam a ilha. São lindos mesmo, mas já vimos coisa muito parecida por aí, em todas essa ilhas caribenhas que visitamos. Além disso, ainda vamos passar por Belize e Honduras e muitos outros mergulhos em corais nos esperam.

Início de mergulho em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Início de mergulho em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Mergulho em naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Mergulho em naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Não, as palavras mágicas não foram “corais pristinos”. Foram “arraias-chita”. Dezenas delas. E, melhor ainda, nadam em volta em um naufrágio muito legal de ser explorado. Em águas pouco visitadas, pois tem muita corrente e dificultam o mergulho de mergulhadores menos experientes. Enfim, o melhor dos mundos: duas grandes atrações e com pouca concorrência. Para melhorar ainda mais, o segundo mergulho seria feito num banco de corais que, como já disse acima, são muito bonitos.

Mergulho em naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Mergulho em naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Naufrágio repleto de peixes em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Naufrágio repleto de peixes em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Foi assim que, no nosso segundo dia na ilha, saímos cedo para mergulhar. Um longo caminho sobre um mar caribenho, mar meio batido as vezes, principalmente na parte mais profunda, onde o azul claro e translúcido é substituído por aquele azul escuro e misterioso. Deixamos a Ilha para trás, os prédios de Cancún para trás e chegamos novamente ao mar com cara de piscina. Ali, pouco mais de vinte metros abaixo da superfície, um mundo de maravilhas nos esperava.

Peixes nadam no interior de barco naufragado em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Peixes nadam no interior de barco naufragado em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Um incrível mergulho em naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Um incrível mergulho em naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Caímos na água, afundamos rapidamente para vencer a corrente e chegamos ao naufrágio. A visibilidade de quase 40 metros nos facilitava ver todo o navio, o espectro de um fantasma, imóvel, ali embaixo d’-água. Cheio de vida. Cheio não, lotado! Seus amplos espaços dão guarida a um sem número de cardumes de peixes diferentes. Nadar pelo seu convés, porão e diversas cabines é um verdadeiro colírio para os olhos, a vida transbordando ao nosso redor.

Muitos peixes em naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Muitos peixes em naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Muitos peixes nos acompanham durante mergulho em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Muitos peixes nos acompanham durante mergulho em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


A vida marinha é muito mais curiosa sobre nós que a vida terrestre. Eles não tem medo dos seres humanos, se interessam pelas nossas borbulhas e jeito meio destrambelhado. Os peixes se aproximam, nos cercam, olham nos nossos olhos, fazem cara de interrogação. É incrível estar lá, sensação total de interação com as outras espécies que dividem conosco o mesmo planeta. Aliás, como já disse em outro post, esse planeta é muito mais deles do que nosso. Afinal, o mundo é 70% água. E eles já estão por aqui há 500 milhões de anos, enquanto nós, talvez há um mísero milésimo desse tempo.

Dezenas de arraias-chita circundam naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Dezenas de arraias-chita circundam naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Dezenas de arraias-chita circundam naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Dezenas de arraias-chita circundam naufrágio em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Bom, além do naufrágio, nós estávamos atrás era das chitas. E elas não decepcionaram! Assim que chegamos ao barco, começamos a ver grupos de cinco, seis, dez delas, nadando em formação de esquadra ao redor do naufrágio. Lá de baixo, víamos suas barrigas brancas cortando o oceano azul. Subindo um pouco mais, já a víamos de lado, nadando com grande desenvoltura. Um espetáculo visual!

Maravilhosa arraia-chita nada próxima de nós durante mergulho em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Maravilhosa arraia-chita nada próxima de nós durante mergulho em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Arraia-chita circunda naufrágio durante mergulho em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Arraia-chita circunda naufrágio durante mergulho em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


O mais incrível é como elas tiram a corrente de letra. Para nós, era um esforço danado nadar contra ela, sempre buscando a proteção do barco afundado. Para elas, bastava umas duas ou três “batidas de asa” e já estavam lá. Uma classe danada. Isso quando simplesmente não inclinavam um pouco seu corpo e ficavam planando, imóveis. Como gaivotas no ar, sem sair do lugar. Um show de equilíbrio e aerodinâmica.

Jardim de corais no segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Jardim de corais no segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Uma enorme moréia no segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Uma enorme moréia no segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Na volta, viemos subindo agarrados na corda de ancoragem, senão seríamos levados a milhas de distância pela forte corrente. Agarrados na corda, parecíamos bandeiras em dias de vento. Subindo vagarosamente, o prazer foi observar as “esquadras” de chita por cima, seu tão característico padrão de camuflagem mais claro do que nunca, costas negras com pintas brancas. Que lindas!!! Poderia passar horas por lá e a vontade era largar a corda e mergulhar de novo. Doce ilusão. Como disse, a corrente nos levaria longe.

Queen Angel Fish e tartaruga socializam embaixo de um coral no nosso segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Queen Angel Fish e tartaruga socializam embaixo de um coral no nosso segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Ainda extasiados com esse mergulho sensacional, caímos na água uma segunda vez. Depois do primeiro mergulho, qualquer coisa que viesse seria lucro. E posso garantir que foi um “lucro” bem grande, hahaha. Um jardim colorido de corais e milhares de peixes e outras criaturas nadando ao nosso redor.

Um fotogênico Queen Angel Fish no nosso segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Um fotogênico Queen Angel Fish no nosso segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Entre essas outras criaturas, uma simpática e preguiçosa tartaruga, que tentava dormir apesar de um Queen Angel Fish ficar por ali, atrapalhando. Principalmente na hora que eu quis tirar uma foto, ela fazia questão de aparecer em primeiro plano. Fazia até pose!

Tartaruga descansa sob coral durante nosso segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Tartaruga descansa sob coral durante nosso segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


Peixe frade no segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Peixe frade no segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


É isso aí. Voltamos para Isla Mujeres atravessando aquele mar maravilhoso outra vez, muito felizes de termos decidido tirar umas férias das férias das férias, deixando o computador e as praias de lado e passando uma manhã inesquecível sob as águas caribenhas mexicanas, na melhor possível das companhias: chitas, tartarugas, moreias e peixes fotogênicos.

Final do segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

Final do segundo mergulho do dia em Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

México, Isla Mujeres, arraia, mar, Mergulho, Naufrágio

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