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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: México Há 2 anos: México

A Confusa Revolução

México, Guadalajara

Os dois mais famosos revolucionários mexicanos (em Guadalajara, no México)

Os dois mais famosos revolucionários mexicanos (em Guadalajara, no México)


Aproveitei o dia tranquilo de hoje em Tlaquepaque para trabalhar um pouco na internet e também me ilustrar sobre a Revolução Mexicana. Ficamos curtindo nosso hotel gostoso até o início da tarde para, só então, sairmos da caverna para comermos e passearmos pelas ruas gostosas do bairro.

Praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México, lotada num domingo

Praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México, lotada num domingo


Domingão, praça cheia por aqui. Artistas de rua tentando fazer o ganha-pão da semana, público animado em volta mas, dinheiro que é bom, pouco. Ao redor da praça, quem faz a festa são os vendedores ambulantes de comida. Toda sorte de pratos e petiscos mexicanos a venda, mas é o milho que faz mais sucesso.

Apresentação em praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

Apresentação em praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México


Na praça dos restaurantes, ao lado da praça da igreja, quem está à toda são as bandas de mariachis. Encostam-se às mesas, oferecem seus “serviços” (uma música cantada com muita empolgação) e, num dia como hoje, sempre conseguem clientes. A demanda é granda, mas a oferta também. São várias bandas disputando o espaço e os ouvidos. De longe, só se ouve a soma de todas elas, um som confuso e indefinível que soa como México.

Mímico faz sua apresentação dominical em praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

Mímico faz sua apresentação dominical em praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México


Ali do lado está a rua peatonal com suas lojas, restaurantes mais finos e galerias de arte. A gente segue junto com o fluxo, mas nos desviando do fluxo contrário. À nossa frente, um memorável entardecer. Ao lado, vamos alternando visitas a galerias com um olhar atento nos menus dos restaurantes. Escolhemos um para jantar mais tarde, nossa despedida com estilo desse bairro tão fascinante.

Espetos de milho vendidos em praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

Espetos de milho vendidos em praça de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México


Mas antes disso ainda temos tempo para vagar pelo bairro, tirar fotos, observar pessoas, admirar casas e construções antigas. Tempo também para pensar sobre o turbulento período da história do país entre 1910 e 1920, a década da Revolução Mexicana, com mais de 2 milhões de mortos.

Igreja em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

Igreja em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México


Difícil resumir algo que mal compreendi. São dezenas de personagens que ora são aliados, ora são inimigos, envolvidos num sem fim de batalhas, alianças, tramoias, traições e assassinatos. Entre boas intenções e ambições pessoais, o México foi se arrastando por uma década de guerras que, definitivamente, mudou a cara do país.

Rua das galerias de arte em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

Rua das galerias de arte em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México


Tudo começou para desalojar do poder Porfírio Diaz, que lá havia estado por mais de 30 anos. O cara-de-pau sempre foi contra a reeleição, mas através dela foi se perpetuando na presidência. O seu regime, conhecido como “porfiriato”, trouxe estabilidade política ao país ao mesmo tempo em que o modernizava economicamente. Mas, socialmente, foi uma lástima. A concentração de terras e as diferenças sociais nunca foram tão grandes. Por fim, ao fraldar mais uma eleição, em 1910, conseguiu unir contra ele revolucionários das mais distintas matizes.

Área de barzinhos em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

Área de barzinhos em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México


Entre tantos nomes, dois se destacam: Pancho Villa e Emiliano Zapata. O primeiro, um bandido fanfarrão que caiu nas graças do povo e foi transformado em revolucionário pelos acontecimentos. O segundo, esse sim um revolucionário legítimo, talvez meio sério demais, é dele o jargão “Tierra y libertad!” e a frase “Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos!”. Entre os grandes feitos de Pancho está a invasão dos Estados Unidos, quando atacou a cidade de Columbus, no Novo México. Os americanos passaram quase dois anos caçando o simpático bandido pelo norte do México, mas levaram um baile.

Produtos à venda nas galerias de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

Produtos à venda nas galerias de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México


Os dois “heróis”, assim como todos os outros grandes nomes do período morreram antes que o período revolucionário terminasse. Ou assassinados, como foi o caso de Villa e Zapata, ou no exílio, como foi com Porfírio Diaz e o General Huerta, o golpista que havia assassinado Madero, presidente que sucedeu Porfírio. Entre os assassinados também estão Carranza e Obregón. Todos esses nomes foram, em algum momento, amigos ou inimigos entre si.

Produtos à venda nas galerias de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

Produtos à venda nas galerias de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México


Ao final de tanto sangue, ao menos, o México passou por uma grande reforma agrária, os indígenas e as mulheres tiveram parte de seus direitos reconhecidos e a Igreja Católica perdeu o grande poder que tinha até então. A contrapartida foi que o México ficou com apenas um partido político de verdade, por mais de 50 anos. Um partido cujo nome é uma contradição em termos: Partido Revolucionário Institucional. Vai entender...

Pôr-do-sol na rua peatonal de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

Pôr-do-sol na rua peatonal de Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México


Bem, chega de elucubrações, viva México! Um brinde com vinho no restaurante delicioso que encontramos ao país, à cidade que estamos e ao bairro que nos acolheu. Amanhã, o brinde será com outra bebida. Vou dar uma pista: o nome da cidade é... Tequila!

Posando para fotos em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

Posando para fotos em Tlaquepaque, bairro de Guadalajara, no México

México, Guadalajara, Tlaquepaque

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O Esporte da Moda

Brasil, Santa Catarina, Guarda do Embaú

A Ana fica cada vez mais craque no standup paddle, na Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina

A Ana fica cada vez mais craque no standup paddle, na Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina


De tempos em tempos surge um novo esporte ou prática esportiva que toma de assalto as fotos de revistas, imagens de TV, praias e ares do Brasil e do mundo. De repente, está todo mundo fazendo, tentando fazer ou falando disso. São esportes que nos deixam mais próximos da natureza, refletem saúde e felicidade.

A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Não sou desse tempo, mas acho que o primeiro grande exemplo disso foi o surf. Totalmente inexistente por aqui até o final da década de 60, ele já reinava absoluto em nossas praias a partir das minhas mais antigas lembranças, em meados da década seguinte.

Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina

Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina


Não demorou muito e veio a asa delta, acho que no início da década de 80. Depois, mas não necessariamente nessa ordem, veio o wind surf e as pranchas de bodyboard. As bicicletas de bicicross, o paragliding e o jet ski. O ultraleve, o bungee jump e o base jump.

A Ana pratica standup paddle na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana pratica standup paddle na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


A Ana pratica standup paddle na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana pratica standup paddle na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Mais recentemente, foi a vez do kite surf. Em várias praias espalhadas pelas Américas que visitamos, era comum ver dezenas de pessoas deslizando rapidamente sobre a água, amarrados em suas asas e dando saltos acrobáticos, demonstrando perícia e coragem.

O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Quando vemos (ou víamos) esses novos esportes sendo praticados, a vontade era de fazer igual. Mas a maioria deles não é fácil e está muito além das habilidades e do bolso dos simples mortais. Ou requerem muito equilíbrio, ou muita coragem, ou bastante dinheiro. Ou uma combinação disso tudo. Seriam meses ou anos de treinamento para conseguirmos fazer igual ao que víamos na TV ou na foto da revista. Em resumo, na grande maioria dos casos, ficávamos só na vontade ou nas promessas...

A Ana recebe as últimas instruções para fazer standup paddle na na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana recebe as últimas instruções para fazer standup paddle na na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Mas, eis que apareceu mais um esporte da moda. Quando iniciamos os nossos 1000dias, ele ainda era bem restrito, conhecido apenas pelos mais antenados. Mas o esporte foi crescendo, ficando mais e mais conhecido, virando moda. Estou falando do standup paddle, aquela pranchona de surf em que ficamos em pé sobre ela remando em algum lugar de águas um pouco mais tranquilas. Foi nítido para nós como esse esporte, em questão de poucos anos, se espalhou e se popularizou por todo o continente.

Standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

Standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Além de nos levar para mais perto da natureza, como os outros esportes da longa lista acima também faziam, o standup paddle tem uma grande vantagem sobre todos eles: a acessibilidade. Acho que o único pré-requisito é não ter medo de água. Nem saber nadar é preciso, pois pode-se praticá-lo com um colete salva-vidas. Comprar uma prancha pode ser caro, carregá-la, muito complicado, mas a solução para essas duas questões é simplesmente alugá-la já no lugar onde se vai praticar o esporte. Um mínimo de equilíbrio, um pouco de força nos braços e pronto: todos podem fazer sem medo de ser feliz!

A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


É claro que, por estar na moda, quem aluga as pranchas aproveita para enfiar a faca. O preço é por hora e, se fizermos as contas, em muitos casos sai bem mais caro alugar uma pranchona dessa do que alugar um carro. Mas, se tem quem paga, nem dá para botar a culpa em quem aluga. Só está aproveitando para fazer o seu pé de meia. Eu e a Ana, já fazia tempo que queríamos praticar. Só estávamos esperando a hora certa no lugar certo. Tudo parecia indicar que seria na lagoa do Meio, lá na Praia do Rosa. Mas ali, o preço era tão aviltante que nós resistimos. Agora, aqui na Guarda do Embaú, tínhamos uma nova chance.

O fantástico cenário da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

O fantástico cenário da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Pois é, difícil imaginar um lugar mais perfeito para a prática desse esporte. Para iniciantes como nós, o melhor é fazer em águas mais calmas, sem ondas. Pois bem, é exatamente como é o rio da Madre, que separa a cidade da praia. Para aqueles que não sabem nadar, o rio dá pé na maioria dos lugares. E para quando nos sentirmos mais confiantes e querermos “mais emoção”, basta remar até a boca do rio, onde ele se encontra com o mar. Para quem é bom mesmo, não vai ser qualquer onde que vai te derrubar. Eu já vi muita gente remando de uma praia à outra, como se estivessem andando calmamente de bicicleta. A praia da Guarda tem espaço para todo mundo: dos iniciantes até aqueles que querem surfar com a pranchona.

O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Depois da queda, subindo novamente na prancha de standup paddle da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

Depois da queda, subindo novamente na prancha de standup paddle da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Aqui, depois de uma boa conversa e muita simpatia, a Ana conseguiu negociar um preço muito mais em conta. Tão bom que nós voltamos dois dias mais tarde para fazer de novo, agora com céu azul e muito sol. Um de cada vez, para podermos tirar fotos. Aos poucos, fomos acertando o equilíbrio e até nos arriscamos um pouco no mar também. Um tombo aqui, outro ali, mas não tem problema: da água não passamos!

A Ana fica cada vez mais craque no standup paddle, na Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina

A Ana fica cada vez mais craque no standup paddle, na Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina


Enfim, foi uma delícia, vontade de fazer mais e mais. Um pouco de prática evita tombos e dor nas costas. A remada passa a render muito mais e a sensação de integração com a natureza compensa o suor na testa. A pele fica queimada e os músculos, tonificados. Tudo de bom, mesmo. E que bom que fizemos aqui, na Praia da Guarda. Até adiamos nossa viagem para Florianópolis para o final do dia. A Ilha da Magia poderia esperar mais um pouco...

Standup paddle no paraíso chamado Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina

Standup paddle no paraíso chamado Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina


Para finalizar, só uma curiosidade. Muitos daqueles esportes que citei no início, e outros também, chegaram até nós pela primeira vez de uma forma meio inusitada para os dias de hoje. Para quem viveu e se lembra dos anos 80, como esquecer os antológicos comerciais do cigarro Hollywood? Eles misturavam, na mesma peça publicitária, gente bonita, mulheres gostosas, as melhores músicas da década e muita ação em esportes novos no meio da natureza. Tudo isso para vender aquele veneno. Associavam o cigarro à saúde e ao sucesso. Felizmente, isso não é mais permitido, mas o lado ruim da lei é que ficamos sem propagandas que marcavam época. Então, só para relembrar e sem fazer apologia ao cigarro (que eu detesto!), segue um vídeo com várias dessas propagandas e vários dos esportes da moda naqueles anos. Se essa publicidade ainda fossem permitida, certamente teria havido uma propaganda da Hollywood com o standup paddle há uns 4-5 anos atrás. Qual teria sido a música?

Brasil, Santa Catarina, Guarda do Embaú, Praia, Rio

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Reveillon!

Guatemala, Antigua

Muita festa na virada do ano em Antigua, na Guatemala

Muita festa na virada do ano em Antigua, na Guatemala


Mais um ano se passou! Normalmente, quando chega essa época, gostamos de olhar para trás, para os últimos doze meses e nos perguntar: “Valeu à pena ter vivido este ano?” “Siiimmm!” – é a resposta! Nosso primeiro ano passado inteiramente nas estradas valeu muito a pena!

Festa de reveillon em Antigua, na Guatemala

Festa de reveillon em Antigua, na Guatemala


Parece que foi ontem, mas ao mesmo tempo, parece que foi um século atrás, considerando tudo o que fizemos desde aquele 31 de Dezembro passados no interior da Paraíba, na Laje do Pai Mateus. Para quem não leu, aqui está o post: http://www.1000dias.com/rodrigo/reveillon-no-pai-mateus De lá para cá, viajamos por boa parte das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil, passamos por todos os países sul americanos com exceção de Uruguai e Venezuela, estivemos duas vezes no Caribe onde visitamos onze países e conhecemos todos os países da América Central, com exceção de Belize. Um belo ano!

Vestido para o reveillon em festa em Antigua, na Guatemala

Vestido para o reveillon em festa em Antigua, na Guatemala


Desta vez, quis o destino que passássemos o réveillon na bela e charmosa Antigua, um dos principais destinos turísticos da Guatemala. A cidade está lotada para a passagem de ano, turistas do mundo inteiro e também muitos guatemaltecos.

Celebração de Ano novo em Antigua, na Guatemala

Celebração de Ano novo em Antigua, na Guatemala


A nossa programação começou com uma ceia no hotel Euro Maya, de uma simpático casal formado por um guatemalteco e uma espanhola. Por isso mesmo, várias das participantes eram espanholas, amigas conterrâneas da anfitriã. Também estavam a Rosana, nossa mais nova amiga da cidade e dois penetras brasileiros, trazidos por ela, além de outros amigos do casal e hóspedes do hotel.

Ano Novo em Antigua, na Guatemala

Ano Novo em Antigua, na Guatemala


Os 25 dólares da entrada davam direito a um delicioso pernil e acompanhamentos, duas taças de vinho e duas taças de cava, além de um kit réveillon, composto por máscara, chapéu, apito, serpentina e outros apetrechos festivos. Devidamente alimentados, mamados e fantasiados, saímos todos para a Porta do Hotel para a contagem final, acompanhada com uvas, promessas e desejos. Ao final, foguetes para comemorar.

Fogos anunciam a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala

Fogos anunciam a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala


Os nossos desejos, como não poderia deixar de ser, além das tradicionais energias positivas enviadas a todos os familiares e amigos queridos, foram de mais um ano cheio de viagens e descobrimentos, novos amigos e experiências. Daqui a um ano, vamos conferir como foi...

Festejando a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala

Festejando a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala


Depois, ainda tivemos energia para passar um tempo num bar de amigos da Rosana com a melhor vista da cidade iluminada para as festas. A nossa primeira madrugada do ano foi quase toda acordada! Mas precisamos ir dormir para conseguirmos acordar antes das 11 da manhã. Este é o prazo para usufruirmos do prêmio que eu ganhei na rifa organizada no hotel onde tivemos a ceia. Ganhei um café da manhã com acompanhante num dos mais famosos e caros hotéis da cidade. Hehehe, nada como começar o ano ganhando um sorteio! Agora, só não posso perder o prêmio, se não dá azar...

Primeira madrugada de 2012 em Antigua, na Guatemala

Primeira madrugada de 2012 em Antigua, na Guatemala

Guatemala, Antigua,

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Subindo o Cerro Falkner

Argentina, San Martín de Los Andes

Aos 2.200 metros de altitude, no cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Aos 2.200 metros de altitude, no cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Depois da manhã em San Martín de Los Andes e de termos obtido informações sobre trekkings na região no Club Andino da cidade, estávamos prontos para partir para o sul. Seguíamos para Bariloche de volta, mas por um caminho diferente daquele que viemos. Agora, era a hora de percorrermos a Ruta de Los Siete Lagos, a mais famosa estrada turística dessa zona. Em parte asfaltada, em parte de rípio, ela vai margeando diversos lagos entre San Martín e Bariloche e daí recebe seu nome.

Visão da ruta de los siete lagos do cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Visão da ruta de los siete lagos do cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina



Mapa da nosso caminho hoje, quase metade da Ruta de Los Siete Lagos, de San Martín até o lago Falkner. Amanhã, seguiremos até Villa La Angostura

Mas hoje ela era secundária na nossa programação. Na verdade, iríamos conhecer apenas parte dela, já que só iríamos até o Lago Falkner, o terceiro da lista para quem parte de San Martín. Começamos pelo próprio lago Lácar, onde está San Martín, passamos pelo pequeno Lago Machónico e chegamos ao Falkner, que fica em frente ao Lago Villarino, o quarto da lista. A estrada passa justamente entre eles, cerca de 40 km ao sul de San Martín. Aí paramos em um rústico restaurante em frente ao Falkner que serve também de loja e administração de um camping que existe na área do lago.

Ainda dscendo o Cerro Falkner, visão do nosso camping em frente ao lago, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Ainda dscendo o Cerro Falkner, visão do nosso camping em frente ao lago, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


A simpática loja-restaurante no camping Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

A simpática loja-restaurante no camping Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Antes de subir a montanha, um lanche no restaurante do camping para ganhar energia, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Antes de subir a montanha, um lanche no restaurante do camping para ganhar energia, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Além da bela visão do lago em frente, também pudemos admirar a montanha ali do lado, nosso verdadeiro objetivo do dia. Com pouco mais de 2.200 metros de altura, o Cerro Falkner (tem o mesmo nome do lago!) domina a região, seu cume sem vegetação sobressaindo-se sobre os bosques abaixo. O lago está a 930 metros de altitude, então seriam quase 1.300 metros de desnível para chegarmos até seu cume na trilha indicada pelo pessoal do Club Andino.

Dia lindo sobre o Cerro Falkner no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Dia lindo sobre o Cerro Falkner no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Início da trilha para subir o Cerro Falkner, cruzando uma fazenda, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Início da trilha para subir o Cerro Falkner, cruzando uma fazenda, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Trecho de mata, início da trilha para subir o Cerro Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Trecho de mata, início da trilha para subir o Cerro Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Enquanto comíamos um último lanche ali no restaurante, seu dono nos deu mais informações sobre a trilha, tempo para realizá-la e onde estava seu início. Resolvemos que iríamos dormir ali no camping mesmo, mas de frente ao lago Villarino, que era gratuito, ao contrário camping do Falkner, pago. Por isso, resolvemos armar nossa barraca só na volta e deixar a Fiona no próprio restaurante, para ficarmos mais seguros, já que toda nossa bagagem estava ali.

Trecho de bosque da trilha que leva ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Trecho de bosque da trilha que leva ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Ainda sob a sombra das árvores, subindo o Cerro Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Ainda sob a sombra das árvores, subindo o Cerro Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Eu levei a Ana e a Rowan de carro até a cabeceira da trilha, um quilômetro à frente na estrada e voltei para deixar a Fiona no restaurante. Depois, uma corrida de 5 minutos até a trilha enquanto as meninas já iniciavam a subida. Não tínhamos tempo a perder. O início da trilha é através de uma propriedade e cruzamos com vacas e cavalos. Logo depois, caminhamos um bom tempo sob um bosque e foi nesse ponto que nos reunimos novamente.

Vista que tínhamos no início da subida do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Vista que tínhamos no início da subida do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Com o lago Falkner ao fundo, subindo o Cerro Falkner no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Com o lago Falkner ao fundo, subindo o Cerro Falkner no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Parte alta e já sem vegetação do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Parte alta e já sem vegetação do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


A partir daí a trilha vai alternando subidas mais suaves com outras mais íngremes, caminho bem claro para ser seguido, exceto em um ponto ou outro. Quase sempre protegidos pelas árvores, passamos em dois ou três pontos onde a vista se abre e podemos ver os lagos lá embaixo, o que nos ajuda a ter uma noção do quanto já subimos. Agora percebe-se claramente a estrada passando entre o Falkner e o Villarino, a área do camping, o restaurante e a nossa Fiona nos esperando lá embaixo.

Trecho final da subida do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Trecho final da subida do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


A bela vista que se tem do alto do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

A bela vista que se tem do alto do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Finalmente, ainda sob a sombras das árvores, a trilha se inclina de vez. Agora sim estamos subindo! É quando percebemos que a Rowan é uma andarilha formidável. Também, treinando nas highlands da Escócia... Ela disse que sempre caminhou com seu pai, um homem alto de pernas e passadas longas. Então, para acompanhá-lo, tinha mesmo de acelerar. Pelo visto, o treinamento funcionou e a Ana, para não ficar para trás, aqui andou mais forte do que nunca nesses 1000dias!

Com a Rowan, celebrando a chegada ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Com a Rowan, celebrando a chegada ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


No cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

No cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Admirando a bela vista do alto do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Admirando a bela vista do alto do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Por fim chegamos ao final do trecho de vegetação. Visto lá de baixo, parecia que já estaríamos muito perto do cume. Doce ilusão! Aqui do alto percebemos que ainda tinha muita subida pela frente, agora sim de forma íngreme e quase direta rumo ao cume. Talvez mais uns 400-500 metros em altitude, sem ziguezagues e sobre um solo arenoso e pouco firme. Pequenas pedras pintadas colocadas de espaço em espaço nos mostravam a rota a seguir. Sim, por que não havia mais caminho, mas um rota, uma direção a seguir. Para o alto e avante, mas seguindo as pedras brancas ou amarelas!

Início da descida do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina. Lá embaixo, o lago Falkner

Início da descida do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina. Lá embaixo, o lago Falkner


Com a Rowan, no alto do Cerro Falkner e com o lago Falkner ao fundo, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Com a Rowan, no alto do Cerro Falkner e com o lago Falkner ao fundo, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Com a Rowan, no alto do Cerro Falkner e com o lago Falkner ao fundo, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Com a Rowan, no alto do Cerro Falkner e com o lago Falkner ao fundo, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Ficamos surpresos com a quantidade de areia lá encima. Uma areia bem fina, quase um pó, acinzentada, que se misturava com as pedras e seixos do caminho. Em alguns trechos, parecia até que estávamos em uma praia! E quando ventava, ela se levantava e cobria nossos rostos, entrando nos olhos, boca e qualquer buraco que pudesse encontrar. Para a Ana que estava de lentes, uma preocupação a mais. Em compensação, talvez pela energia gasta para subir e pelo dia lindo que fazia, não sentíamos frio, mesmo com o vento e já estando acima dos 2 mil metros de altura.

Ainda no alto, descendo o Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Ainda no alto, descendo o Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Ainda no alto, descendo o Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Ainda no alto, descendo o Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


A vista, claro, foi ficando mais e mais espetacular. Os lagos pequenos lá embaixo, outros, mais distantes, aparecendo no nosso campo de visão. Bem longe, as montanhas nevadas dos Andes. Para o sul, o emblemático Cerro Tronador que, com seus 3.491 metros de altitude, bem na fronteira entre Argentina e Chile, é o mais alto da região de Bariloche. Mais alto do que ele só o vulcão Lanin, este na direção norte, com quase 3.800 metros de altura. As duas montanhas bem distantes, pois ali ao nosso lado, estava tudo abaixo de nós.

Parada para descanso e água na volta do cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Parada para descanso e água na volta do cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Trecho de bosque da trilha que leva ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Trecho de bosque da trilha que leva ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Trecho de bosque da trilha que leva ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Trecho de bosque da trilha que leva ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Finalmente chegamos ao cume. Muita celebração e depois, mais calmos, momento para fotos, para água e para as frutas que havíamos levado. Depois, com mais calma ainda, a chance de respirar fundo e contemplar aquela beleza toda. Com exceção da irritante poeira que se levantava quando o vento batia forte, sentíamos o ar puríssimo das montanhas, acompanhado também daquele frio característico das altitudes. Com os nossos músculos já relaxados depois do descanso no topo e o sol se aproximando do horizonte, estava na hora de voltarmos!

Com o dono do camping Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Com o dono do camping Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Fogareiro para esquentar o pequeno restaurante do camping Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Fogareiro para esquentar o pequeno restaurante do camping Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Cão dorme próximo ao fogareiro para se esquentar, no restaurante do camping Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Cão dorme próximo ao fogareiro para se esquentar, no restaurante do camping Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


A volta, claro, é muito mais fácil e rápida. Apenas algumas paradas estratégicas para fotos e água e logo já estávamos no trecho de mata. Outra hora de caminho e chegamos à estrada. Mais 15 minutos de asfalto e alcançamos o restaurante e a Fiona. Hora da merecida cerveja! E também de um pão bem gostoso que eles fazem ali mesmo. No frio de fim de tarde, um fogareiro no meio do cômodo de madeira servia para nos aquecer. Só tínhamos de disputar espaço com um cão que também buscava o calor!

A vista da nossa barraca no fim de tarde, a beira do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

A vista da nossa barraca no fim de tarde, a beira do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


De volta ao acampamento, fim de tarde no lago Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

De volta ao acampamento, fim de tarde no lago Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Ficamos amigos do dono do restaurante que se surpreendeu com nossa velocidade em subir e descer o Falkner. Ele havia olhado meio incrédulo para nós, quando perguntamos sobre a trilha mais cedo. Achava que já estava muito tarde no dia para subirmos a montanha. Agora, queria saber detalhes da subida. Quando lhe contamos intrigados sobre a quantidade de areia lá em cima, ele esclareceu o mistério. Aquilo não é areia, mas cinza. Cinzas vulcânicas. Cinzas vulcânicas chilenas! Dois anos antes houve uma grande erupção do outro lado dos Andes. Os ventos trouxeram a nuvem de cinzas sobre a cordilheira, para que caíssem aqui. No próprio restaurante, um metro de cinzas cobrindo tudo. A estrada permaneceu fechada por um bom tempo, a vegetação morreu, telhados e construções caíram sob o peso das cinzas. O número de turistas reduziu-se a zero. A última temporada foi morta.

A vista da nossa barraca no fim de tarde, a beira do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

A vista da nossa barraca no fim de tarde, a beira do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


O dia amanhece radianete em frente ao lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

O dia amanhece radianete em frente ao lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Pássaros sobrevoam a nossa barraca em frente ao lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Pássaros sobrevoam a nossa barraca em frente ao lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Agora, dois anos mais tarde, a natureza e a civilização recuperavam seus espaços. O lago estava belíssimo novamente. A floresta estava verde, a grama havia renascido e coberto os campos. A estrada havia sido limpa e as construções, refeitas. O próprio restaurante era todo de maneira nova. Os turistas estavam voltando e a vida parece estar retomando seu ritmo normal. Mas as cinzas continuam no alto da montanha, um lembrete de como tudo é efêmero e a realidade que julgamos eterna pode mudar num piscar de olhos. Principalmente se há um vulcão ali do lado...

De manhã cedo, nossa barraca ainda armada em frente ao lago Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

De manhã cedo, nossa barraca ainda armada em frente ao lago Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Depois de dormirmos acampados, manhã em frente ao lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Depois de dormirmos acampados, manhã em frente ao lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Depois dessa explicação toda, ele até nos deixou tomar banho por ali, o que foi mesmo uma dádiva. E aí, nos últimos minutos de claridade, corremos para o camping e armamos nossa barraca. Noite estrelada maravilhosa, mas com muito vento. Nossa barraca de frente ao lago nos proporcionava vistas fantásticas e foi difícil decidir se estava mais bonito no finalzinho da tarde ou na manhã de hoje, cada momento com suas cores distintas.

Fiona posa para foto com o Cerro Falkner ao fundo, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Fiona posa para foto com o Cerro Falkner ao fundo, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


O vento levanta cinzas vulcânicas que cobrem o cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

O vento levanta cinzas vulcânicas que cobrem o cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Fomos acordados pelos pássaros que também já retornaram depois dos estragos do vulcão. Depois, desmontamos, dobramos e guardamos nossa “casa” na nossa querida Fiona e fomos tomar o café da manhã na praia do lago Falkner, observados de longe pelo Cerro que subimos na véspera. Hoje o vento estava mais forte do que ontem e, aqui de baixo, podíamos observar bem o cume da montanha completamente tomado pela poeira das cinzas vulcânicas. Depois da experiência de ontem, sabíamos bem o que aquilo que víamos agora significava: estivéssemos lá naquele exato momento, estaríamos fritos! Pulmões e olhos completamente tomados pela cinza. Nem sei como iríamos respirar...

Com a Rowan comendo nosso café da manhã em praia do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Com a Rowan comendo nosso café da manhã em praia do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Com a Rowan comendo nosso café da manhã em praia do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Com a Rowan comendo nosso café da manhã em praia do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Mas, felizmente, estávamos era na beira do lago, canga estendida e tomando nossa café de pão, queijo, suco e bolachas. Acho que até um golinho de vinho tinha sobrado! Vinho no café da manhã é chique no “úrtimo”, hehehe! A Rowan ainda descolou um café lá com o nosso amigo do restaurante. E assim, renovados e felizes, estávamos prontos para retomar a ruta de Los Siete Lagos e seguir para Villa Trafull e Villa La Angostura.

O café da manhã da Rowan no restaurante do camping Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

O café da manhã da Rowan no restaurante do camping Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina


Com a Rowan, no cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Com a Rowan, no cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina

Argentina, San Martín de Los Andes, Camping, Falkner, Lago, Lanin, Montanha, Parque, Patagônia, trilha

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Deixando Fortaleza

Brasil, Ceará, Fortaleza

Em pleno Mercado Central em Fortaleza - CE

Em pleno Mercado Central em Fortaleza - CE


Hoje foi dia de deixar Fortaleza. Não muito longe daqui o Brasil foi "descoberto", alguns meses antes do descobrimento "oficial" de Cabral, pelo espanhol Pinzón. Mas os espanhóis não se interessaram muito por nossas terras. Quem se interessou, mais de um século mais tarde, foram os holandeses, que aqui construíram um forte, ou fortaleza. Não demorou muito e ela caiu em mãos luzitanas. E a cidade começou a crescer...

Visão externa do Mercado Central em Fortaleza - CE

Visão externa do Mercado Central em Fortaleza - CE


Foi a cultura do algodão, já no século XIX, que transformou a cidade na maior do estado. Nas últimas décadas foi o turismo que ajudou a dinamizar a economia da Fortaleza, que cresceu muito com a migração vinda do interior do estado e dos vizinhos para a cidade que teve o crescimento populacional mais rápido do nordeste.

Visão do Mercado Central em Fortaleza - CE

Visão do Mercado Central em Fortaleza - CE


Como último passeio em Fortaleza, escolhemos ir no vibrante Mercado Central, onde se encontra produtos típicos vindos de todos os cantos do estado. Ele está instalado num grande prédio com um enorme vão central de onde se pode observar o movimento em todo o mercado, nos seus diversos andares, lojas e estandes. Muito interessante! Mais uma vez, ficamos naquela vontade de comprar coisas mas, para quê? Levá-las para passear 700 dias pela América? Não, um dia temos de voltar aqui, e em outros mercados que temos visitado para fazer a decoração de nossa casa. Um dia...

Loja no Mercado Central em Fortaleza - CE

Loja no Mercado Central em Fortaleza - CE


De lá para a estrada. Chegamos em Fortaleza com chuva. Mas a despedida foi num belo dia ensolarado. Era a cidade nos desejando boa sorte para o que vem pela frente.

Visão do vão central do Mercado Central em Fortaleza - CE

Visão do vão central do Mercado Central em Fortaleza - CE

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São Luís com Muita Chuva

Brasil, Maranhão, São Luís

No quarto do hotel, desanimado com a chuva em São Luís - MA

No quarto do hotel, desanimado com a chuva em São Luís - MA


A chuva começou já na noite anterior. Foi ótima para embalar o sono. Fez o despertar e, principalmente, o levantar da cama ainda mais difícil. Mas o café da manhã chamava. Assim como a consciência pesada pelo dia que já começava...

Aproveitando a chuva para trabalhar no hotel em São Luís - MA

Aproveitando a chuva para trabalhar no hotel em São Luís - MA


A chuva nos fez desistir de um passeio matinal pelo centro. A gente se despediu da Mel e do Edu, que regressavam para São Paulo, e voltamos para o quarto, computadores em punho. Uma ótima oportinidade de tentar colocar as obrigações cibernéticas em dia.

Cruzamento alagado em São Luís - MA

Cruzamento alagado em São Luís - MA


E a chuva, cada vez mais forte, continuava. Fomos entrando pela tarde e a água caindo. Finalmente, a fome apertava. Resolvemos enfrentar as ruas alagadas da cidade e o toró que teimava em cair para dar um passeio de Fiona. Ver a orla e procurar algum lugar para comer.

Monumento em praia de São Luís - MA

Monumento em praia de São Luís - MA


As praias de São Marcos, Calhau e Caolho tem várias barracas cobertas. Mais do que barracas, são restaurantes, com áreas envidraçadas, protegidas do vento e com vista para a praia chuvosa. Numa delas, em Calhau, petiscamos deliciosos pasteizinhos e um escondidinho de carne. Depois, mais ruas alagadas e um cineminha no shopping. O filme, ruim como há muito não via um. "O Santuário", recomendo passarem longe dessa bomba.

Carros enfrentam ruas alagadas em São Luís - MA

Carros enfrentam ruas alagadas em São Luís - MA


De volta para o hotel. De noite, nova tentativa. Preparamo-nos para uma noite de música no Antigamente e depois, algum bar de reagge na lagoa. Mas a chuva só aumentava. Chuva de 10 dias concentrada em apenas um. Na portaria do hotel, o simpático atendente nos desanimou: com aquela chuva e àquela hora, a cidade e seus bares estariam desertos. O Antigamente (um bar tradicional do centro histórico) ficou para amanhã. É, veremos se a chuva nos permitirá ver São Luís, pois amanhã de noite partimos para Alcântara. Vamos ver... Que chova. Mas, outro dilúvio, aí já é demais.

Almoçando em barraca coberta e confortável na praia em São Luís - MA

Almoçando em barraca coberta e confortável na praia em São Luís - MA

Brasil, Maranhão, São Luís,

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Middle Caicos

Turks e Caicos, Middle Caicos

Feliz da vida, com o sol, o mar, a vida...

Feliz da vida, com o sol, o mar, a vida...


Acordamos cedo hoje, dessa vez para ver outra das atrações turísticas de North caicos: Flamingos! Até onde sei, o único lugar em que vivem naturalmente, fora da África. Para vê-los, só mais cedo, quando o sol ainda não está tão forte e eles vem se refrescar e pescar numa das lagoas daqui. Mas, acabamos descobrindo, para vê-los realmente, só com potentes binóculos. A olho nu, não passam de pequenos pontos rosas no meio do lago. E não dá para chegar mais perto. Por isso é mais fácil ser um fish watcher que um bird watcher.

Flamingos vistos bem de longe, em North Caicos

Flamingos vistos bem de longe, em North Caicos


Feito isso e após um reforçado café da manhã no hotel, na conta do cartão de crédito, rumamos para Middle Caicos, no nosso carrinho japonês e direção inglêsa. Uma pequena ponte e uma longa causeway ligam as duas ilhas. Se North já é despovoada (só umas 5 mil pessoas), imagina a Middle, que é maior e tem 10 vezes menos pessoas. Isso mesmo, moram lá umas 400 pessoas! O número de turistas também é pequeno. Acho que 1% das pessoas que vem a Provo seguem para lá. Com isso, ailha se mantém bem intocada, sua natureza e suas poucas vilas.

Vista de Dragon Cay, em Middle Caicos

Vista de Dragon Cay, em Middle Caicos


Água transparente em Middle Caicos

Água transparente em Middle Caicos


E, falando em natureza, que natureza!!! Que água de mar! Que praias! Uma delas, onde está a Dragon Cay, me lembrou muito Fernando de Noronha. Só que com a água ainda mais bonita, se é que isso é possível. E é, acreditem! Well, como já dizia o Friedman, there's no free lunch e zilhões de pernilongos nos azucrinaram em boa parte do tempo. Não fosse a insistência da Ana em comprar um Off logo de manhã e estaríamos fritos! Armados do Off, até que nos viramos bem. Nas praias, com o vento, até que eles ficavam mais longes, mas um pouco mais para dentro, só com Off mesmo.

Caminhada entre várias praias, em Middle Caicos

Caminhada entre várias praias, em Middle Caicos


Começamos com uma caminhada pelas colinas e falésias ao lado das praias. Vistas sublimes! Ótima temperatura. Até mesmo um outro lago com flamingos. E pernilongos enchendo o saco. Depois, um bom tempo se refrescando em Dragon Cay, talvez o ponto mais bonito do país (acima d'água!). Depois, uma passada rápida na Indian Cave, local de achados arqueológicos dos Tainos, a pobre tribo pacífica completamente extinta pelos espanhóis em apenas uma geração, através da escravidão e doenças. A Ana nem consegiu descer, por causa dos pernilongos. Eu os enfrentei, matei algumas dezenas (número completamente irrelevante perto do exército que me atacava) e tirei fotos do belo e fedegoso lugar. Fiquei imaginando como os Tainos lidavam com os pernilongos. Teriam algum Off natural? Ou, na verdade, teriam eles se transformados nesses mortíferos pernilongos, atacando inclementemente todos os forasteiros? Eram as minhas dúvidas enquanto fotografava o local, bêbado de Off (aqui, ele tem um cheiro bom!).

Pequeno istmo de areia que serve de ponte até Dragon Cay

Pequeno istmo de areia que serve de ponte até Dragon Cay


Pequeno istmo de areia que serve de ponte até Dragon Cay

Pequeno istmo de areia que serve de ponte até Dragon Cay


Indian Cave, em Middle Caicos. Milhões de mosquitos!!!

Indian Cave, em Middle Caicos. Milhões de mosquitos!!!


Seguimos então para Banbarra Beach, uma praia com um quilômetro de largura e que se mantém rasa, entre o joelho e a cintura, mar adentro, por mais de 500 metros, até se encontrar com uma ilha. Não aceitamos o desafio de caminhar até a ilha e ficamos ali, de barriga para cima, aproveitando a brisa e a água mais quentinha.

Nosso carro alugado nas Caicos

Nosso carro alugado nas Caicos


Na volta, ainda em Middle Caicos, paramos no Daniel's, um café que pertence a um casal que é uma lenda na ilha. Ela, canadense e ele, local. Organizam a comunidade em cooperativa para produzir artesanato tradicional (que de outra forma, se extinguiria), só produzem alimentos orgânicos e são ótimas pessoas. Conversamos longamente, regados a Presidente, uma popular cerveja dominicana por aqui. Falamos dos projetos deles na ilha e dos nossos, dos 1000 dias. Adoraram! Ela, nos anos 70 e 80, viajou muito pelo mundo, mochila nas costas. Foi ótimo ter estado com eles (foto jóia no blog da Ana)! Tão legal quanto conhecer essas paisagens lindas que temos conhecido, é poder conversar e interagir com esses personagens interessantíssimos que temos conhecido!

Barco que faz a ligação entre Provo e North Caico

Barco que faz a ligação entre Provo e North Caico


Depois, aceleramos na volta, para não perder nosso barco, o último do dia. Nos despedimos do Cliff e da Suzan, sua esposa e das funcionárias dominicanas, Maqui e Jaqueline, todos tão simpáticos e interessados nos 100dias. Depois, de volta ao rápido barco e a um táxi de haitianos e já estávamos no nosso hotel em Provo. Aqui chegando, fomos recebidos e batemos um longo papo com uma das funcionárias, também do Haiti. Ela adorou quando lhe disse que íamos ao seu país. Foi muito simpática conosco e até nos deu seu e-mail e contato por lá para, eventualmente, nos comunicarmos.

De noite, já readaptados à Disneylândia, fomos aproveitar o que ela nos oferece de bom: um belo jantar com música ao vivo da melhor qualidade: jazz. Conforto, classe, estilo. Que diferença da noite anterior. Cada uma com seus encantos, mas tão distintas entre si, ambas num mesmo país, menor que muitos municípios brasileiros. São as ambiguidades de um páís que tem a sua disneylandia, mas que também tem a sua alma. É o que o faz ficar mais interessante. E olha que só estou falando da parte em cima d'água porque se falar da parte embaixo d'água, aí vira uma covardia! By the way, amanhã é dia de mergulho!!!

Turks e Caicos, Middle Caicos, Caverna, Praia, trilha

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Falando Outras Línguas

Turks e Caicos, Providenciale - Provo

Placa trilíngue, em Provo, dá pista dos problemas sociais trazidos com a imigração haitiana. Nossa experiência com as pessoas do Haiti foram ótimas e estamos super ansiosos para visitar o país!

Placa trilíngue, em Provo, dá pista dos problemas sociais trazidos com a imigração haitiana. Nossa experiência com as pessoas do Haiti foram ótimas e estamos super ansiosos para visitar o país!


Vamos viajando e ficando mais descolados na comunicação em outras línguas. Tanto no espanhol como no inglês. A primeira, praticamos um tanto em Miami e agora aqui, em Turks e Caicos. Além da imigração haitiana, também há muitos dominicanos no país. Todos falam inglês, com mais ou menos sotaque. Mas, assim que reconhecemos um, mudamos para o espanhol e eles adoram. E assim, vamos praticando o nosso. Enfim, vamos ouvir e falar muito esse idioma nesta viagem. Vamos ver se, ao final, vamos ser craques em reconhecer os diferentes sotaques e, quem sabe, até imitá-los.

O inglês também melhorou muito, principalmente o entendimento. Só temos que nos acostumar, de vez em quando, com algum sotaque mais ardido. Mas, no geral, temos nos virado muito bem. A fluência nossa também melhora a olhos vistos (nesse caso, seria mais certo dizer "orelhas ouvidas"). É só deixarmos a vergonha e o perfeccionismo de lado.

A Ana, com um vocabulário menor que o meu, manda ver. É a vantagem de ser mais social e desavergonhada (no bom sentido!). No entendimento, muitas vezes ela é mais rápida do que eu também. Danada! Realmente, está bem interessante acompanhar o nosso desenvolvimento nas duas línguas. E continuará sendo!

Aqui em Provo, tivemos contato com outras duas línguas. Primeiro, o creoulle, uma espécie de francês bem distorcido, falado principalmente no Haiti. Por enquanto, o máximo que consigo entender são os números. Isso também vai ter de evoluir. A outra língua é o próprio francês. No táxi que nos trouxe de volta do porto hoje, havia três haitianos conversando em creoulle. A Ana ficou me testando, para ver o quanto eu entendia (afinal, sempre disse a ela que eu já falei francês e ela vive me testando, querendo me ouvir falar essa língua. Até hoje, sempre me esquivei) e, ao final da corrida, mais uma vez me chateou, dizendo que o tal do meu francês era estória da carochinha, só para impressioná-la nos tempos de namoro. Pois bem, não é que a funcionária que nos recebeu, também haitiana, ao descobrir que éramos brasileiros, resolveu mandar ver no francês (eles falam as duas línguas, creoulle e francês). Dessa vez, com a Ana ali do lado, olhos arregalados e atentos, resolvi enfrentar. E foi muito jóia, bem melhor do que a encomenda. Já deu para ver que, basta eu esquentar um pouco e tomar uma cervejinha e vou mandar muito bem! He he he, que moral que fiz com a amada esposa! Agora, depois dessa, fiquei bem curioso em chegar à Guiana Francesa.

Por fim, não sei se vocês já perceberam, mas não é só nós que estamos falando outras línguas. O site (os blogs) também! É só clicar nas bandeirinhas aí acima, inclusive para traduzir os comentários. Aqui, falamos até alemão e japonês!. É bem engraçado nos ler em outras línguas. Em geral, são boas traduções, mas às vezes há erros bizarros. Testem o post em que falo da barata na bota da Ana. Barata (o inseto) virou cheap. E como o google traduz primeiro para o inglês para depois traduzir para as outras línguas, todas as outras traduções carregam o mesmo erro. Só não consegui conferir isso na tradução japonesa, por motivos óbvios. Alguém aí consegue conferir isso para mim?

Turks e Caicos, Providenciale - Provo,

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O Segundo Vídeo

Brasil, Paraná, Superagui, Barra do Ararapira

Mais uma obra-prima da Ana!

Podem conferir no link abaixo que não é vírus.

http://www.youtube.com/watch?v=myc8YE2Jsrg&feature=channel

Brasil, Paraná, Superagui, Barra do Ararapira, Praia

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O Passado Mais Que Presente

Argentina, Cueva de Las Manos

Mãos esquerdas (a grande maioria) e direitas pintadas em um dos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Mãos esquerdas (a grande maioria) e direitas pintadas em um dos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Os estudiosos estão apenas começando a compreender o que as centenas de pinturas localizadas num paredão perdido de um canyon esquecido de uma remota região da patagônia argentina querem dizer. A Cueva de Las Manos é um dos mais surpreendentes sítios arqueológicos das Américas e deveria estar no roteiro de todos os viajantes que se aventuram pela região sul da Argentina.

Paredes e tetos pintados na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Paredes e tetos pintados na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Pinturas no teto da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas no teto da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Há cerca de 10 mil anos grupos indígenas começaram a ocupar essa área e deixar suas marcas em sítios da região. A Cueva de Las Manos é apenas o mais importante e conhecido desses sítios. A datação das pinturas mais antigas na pequena gruta e paredes do canyon ao seu redor é uma das indicações mais fortes de que o homem teria chegado às Américas bem antes do que diz a teoria ainda mais aceita, de que teriam entrado pelo estreito de Bering há cerca de 14 mil anos. Afinal, se já havia tribos aqui no sul da Patagônia pintando paredes há 10 mil anos, essa chegada ao continente deve ter sido bem anterior.

Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Painel com uma das maiores concentrações de mãos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Painel com uma das maiores concentrações de mãos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Como o próprio nome indica, o principal tema das pinturas do sítio arqueológico são “mãos”. Das pouco mais de 1.000 figuras, 800 são mãos e 90% delas são mãos esquerdas. A grande maioria dos desenhos é feita com a técnica chamada de “negativa”. O artista colocava sua própria mão sobre a parede ou teto e soprava sobre ela a tinta armazenada em um tubo. A parede ficava pintada, assim como a mão do artista, mas quando ela era retirada da parede, aí deixava a sua marca, uma área exatamente com a sua forma e livre de tinta. Por isso há uma quantidade bem maior de mãos esquerdas: os artistas seguravam o tubo com tinta com suas mãos direitas, pois eram destros!

Mãos no estilo negativo pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Mãos no estilo negativo pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Dezenas da mãos pintadas razão do nome dado à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Dezenas da mãos pintadas razão do nome dado à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Uma mão com seis dedos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Uma mão com seis dedos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Há também algumas mãos pintadas na técnica positiva, onde o artista simplesmente mergulhava sua mão na tinta e a colocava na parede. Como curiosidade, entre as 800 mãos pintadas, há uma de seis dedos, um dos pontos altos de toda visita por lá. Há também patas de animais, principalmente de choiques (as nossas emas), um dos itens principais no cardápio daquele povo.

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Os estudiosos dizem que a pintura de mãos corresponde a uma primeira fase desse antigo povo, provavelmente a mais longa, que teria durado milhares de anos. Na próxima fase, o principal tipo de pintura era a representação de animais, aspectos de sua vida e também de caçadas. Além dos choiques, também chamados de ñandus na Argentina, a outra refeição predileta desses antigos habitantes eram os guanacos. Mas também há peixes, pássaros e tartarugas representadas nas paredes. Por fim, numa última fase, bem mais recente, as pinturas se tornaram mais abstratas, linhas, círculos e caracóis. Pelo que se sabe, pessoas habitaram o local até o ano de 1.300 da nossa era. Depois, provavelmente, o clima cada vez mais seco não sustentava a vida de grupos humanos por ali. A caverna passou a ser apenas abrigo temporário de quem passava por ali e já não mais se interessa por pinturas. Foi preciso esperar até a metade do séc. XIX para que ela fosse “redescoberta”, agora por exploradores da patagônia. E foi apenas 100 anos mais tarde, na década de 50 do século passado, que a Cueva de Las Manos começou a atrair cada vez mais estudiosos e turistas.

Muitas pinturas nos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Muitas pinturas nos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


As pinturas são policromáticas e as cores mais comuns são o vermelho e o negro. Mas há também o branco e o amarelo. As tintas eram feitas de minerais, pedra moída, vegetais e até de sangue de animais. O efeito de todas essas cores na parede é lindo e, mesmo depois de tanto tempo, elas ainda estão bem vivas. Bem difícil acreditar que algumas têm quase 10 mil anos de idade! O clima seco patagônico certamente ajudou muito na conservação. A sensação que temos é que o passado está bem presente, ali, na frente dos nossos olhos e quase ao alcance de nossas mãos.

Além das mãos, também há pinturas abstratas (mais recentes) na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Além das mãos, também há pinturas abstratas (mais recentes) na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Detalhe de pintura na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Detalhe de pintura na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Uma outra coisa que logo nos chama a atenção é a quantidade de figuras, especialmente em algumas partes do sítio. Muitas vezes elas estão interpostas, uma acima da outra. Ao longo dos milênios, os artistas foram ficando sem espaço para pintar, aparentemente. Mas a força espiritual e a magia dessas pinturas e seus rituais não poderia parar. Tudo indica que elas tinham alguma conotação religiosa. Talvez o agradecimento de alguma caçada com sucesso ou batalha vitoriosa, talvez o pedido por mais chuva na próxima estação.

Uma das raras mãos amarelas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Uma das raras mãos amarelas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Pinturas negras e vermelhas (as mais comuns) no estilo negativo na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas negras e vermelhas (as mais comuns) no estilo negativo na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Infelizmente, algumas “pinturas” não são assim, tão antigas. Tem apenas algumas décadas de idade. Turistas que quiseram deixar suas marcas por lá também. Mas não são tantas assim. E hoje quase toda a parede é cercada. Além disso, só se pode entrar lá acompanhado de guias e em grupos pequenos. O guia caminha conosco desde a portaria até as primeiras pinturas num trecho de 500 metros e, depois, adiante, por outros 600 metros de passarela pelo trecho onde há paredes pintadas. Ao final, voltamos todos pelo mesmo caminho.

Plataforma de madeira construída para se poder admirar e estudar as pinturas rupestres da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Plataforma de madeira construída para se poder admirar e estudar as pinturas rupestres da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


As crianças suíças que nos acompanharam na visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

As crianças suíças que nos acompanharam na visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


No nosso caso, foi um pouco diferente. Eu e a Ana fomos disparando perguntas todo o tempo, enquanto o casal de argentinos que estava no nosso grupo não parecia tão interessado. Algumas fotos no início e depois preferiam fazer as famosas selfies. Além de nós, o casal de suíços com seus filhos. Os pais sim, estavam interessados, mas tinham de dividir sua atenção com os filhos que, ainda muito jovens, pareciam se divertir mais correndo para lá e para cá. Depois que passamos pelos trechos mais interessantes, eles já queriam regressar. O guia pensou bem, creio que concluiu que eu e a Ana éramos confiáveis e deixou que continuássemos até o fim sozinhos, enquanto ele retornava com os suíços e argentinos.

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Admirando a paisagem ao redor da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Admirando a paisagem ao redor da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


E assim, num golpe de sorte, depois de ter todas as explicações que queríamos, tivemos alguns momentos para desfrutar de toda aquela maravilha a sós. Se ontem de noite eram as estrelas que faziam a ligação desse mundo que desapareceu comigo, hoje era algo ainda mais palpável: essas centenas de mãos e cenas pintadas na parede, ali tão perto. Para cada uma que eu olhava, ficava imaginando o momento em que foram pintadas, o que passava na cabeça do artista, as questões e dúvidas que o afligiam, o que ele comeria no jantar, onde e como dormiria, como funcionava a sua sociedade. Enfim, se quisesse (e tivesse tempo!), poderia passar meses ali! Foram minutos mágicos!

Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Flores contra um céu bem argentino durante nossa visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Flores contra um céu bem argentino durante nossa visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Mas tínhamos de voltar. Além das pinturas nas paredes, a paisagem do canyon ao nosso lado era espetacular. As paredes do outro lado do vale, o oásis verde 80 metros abaixo de nós e as flores silvestres que cresciam ali do lado (viva a primavera!). Depois de tantas fotos de mãos e de figuras pintadas na parede, foi bom intercalar com fotos de paisagens, de flores e, claro, de selfies.

Uma selfie durante a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Uma selfie durante a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Muito felizes com a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Muito felizes com a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Fomos voltando vagarosamente, nos detendo nos lugares com maior concentração de figuras. Por fim, encontramos nosso guia novamente. Ele queria estar conosco quando regressássemos à portaria. De lá, ainda sedados com tanta coisa que tínhamos acabado de ver, 10 mil anos de história em nossos cérebros e mentes, caminhamos de volta para a Fiona através do canyon. Pausas no rio lá em baixo e no alto das paredes, já do outro lado. Depois, pé na estrada porque algumas centenas de quilômetros nos esperavam. Não iria faltar assunto para conversar durante a longa viagem...

Visita à incrível Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Visita à incrível Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Argentina, Cueva de Las Manos, arqueologia, história, Patagônia

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