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SHUFFLE Há 1 ano: Estados Unidos Há 2 anos: Estados Unidos

Bruxas

Estados Unidos, Maine, Portland-ME, Massachusetts, Salem, Boston

As famosas 'Bruxas de Salem', em Massachusetts, nos Estados Unidos

As famosas "Bruxas de Salem", em Massachusetts, nos Estados Unidos


Conforme temíamos, mas já esperávamos, a bateria da Fiona estava outra vez arriada, hoje de manhã. Outra vez também, nosso cabo de chupeta nos salvou, assim como a simpatia dos americanos, que prontamente emprestam seus carros para conseguirmos ligar a Fiona. A bruxa realmente estava solta. Depois de quase 90 mil km pelas Américas, finalmente tivemos nosso primeiro problema no carro (sem contar os pneus furados).

Portland, em Maine, nos Estados Unidos

Portland, em Maine, nos Estados Unidos


Então, com o carro já ligado e carregado das malas, deixei a Ana e a Bebel no centro de Portland e segui para uma concessionária Toyota, na região da cidade. Como sempre, o carro fez o maior sucesso na loja, todos os vendedores e funcionários muito interessados naquela Toyota que veio do Brasil, funciona à diesel e é equipada com snorkel e guincho. Examinaram rapidamente a bateria e concluíram: “Não tem jeito. Uma das células não carrega mais. Tem de trocar!”. E assim foi feito, Fiona de bateria nova, garantia de 4 anos, nos EUA e Canadá.

Lagosta, especialidade em Portland, no Maine, nos Estados Unidos

Lagosta, especialidade em Portland, no Maine, nos Estados Unidos


Com o carro novo em folha e pronto para cruzar o continente outras vez, fui encontrar esposa e afilhada no centro da cidade. Ainda deu tempo de eu dar uma andadinha por lá e tomar um delicioso frozen iogurt de morango, um verdadeiro deleite no calor abafado de mais de 30 graus que fazia na cidade. A Ana e a Bebel me contaram sobre o passeio na região do porto e o restaurante japonês em que almoçaram. Um pouco depois e já estávamos na estrada rumo à Boston, a cidade que já quero conhecer há quase 30 anos.

Delicioso Frozen Iogurt em Portland, em Maine, nos Estados Unidos. O merecido prêmio depois de consertar a Fiona

Delicioso Frozen Iogurt em Portland, em Maine, nos Estados Unidos. O merecido prêmio depois de consertar a Fiona


Bom, na verdade, eu ainda teria de esperar mais um pouco. Afinal, antes de Boston, ainda resolvemos passar em Salem, a famosa cidade das bruxas.

Visita à Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos

Visita à Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos


Pois é, em Salem se passou uma das histórias mais inacreditáveis da época da colonização dos Estados Unidos. Os peregrinos haviam chegado há apenas três gerações no novo continente e os colonizadores ainda levavam uma vida duríssima. Mas, seguindo a tradição inglesa, era uma sociedade que vivia sob o império da lei, num mundo relativamente racional, mesmo para os nossos padrões do século XXI.

O Museu das Bruxas de Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos

O Museu das Bruxas de Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos


Mas aí, na pequena e pacata Salem, um pouco ao norte da capital Boston, a jovem Abigail, garota de 11 anos de idade, começou a ter sintomas que hoje classificaríamos como de epilepsia. Logo depois, foi sua prima de 9 anos, Betty Paris, que também teve o mesmo comportamento. O doutor da cidade, ao examiná-las, não conseguiu identificar nenhuma causa médica para isso e resolvei dizer que, talvez, elas estivessem sob o efeito de bruxaria.

Visita ao Museu das Bruxas de Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos

Visita ao Museu das Bruxas de Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos


Foi a fagulha que deu início ao incêndio. Nunca na história do continente, a expressão “caça às bruxas” foi tão literal. Aliás, o mais provável é que a expressão tenha nascido desse episódio. Várias possíveis “bruxas” foram identificadas na cidade e as crianças parecem ter gostado da brincadeira, pois eram as primeiras a apontar as pobres velhinhas que viviam na vizinhança. Quando a primeira delas foi julgada e os jurados decidiram pela inocência (a racionalidade ainda imperava...), as crianças, que até então estavam mudas no julgamento, tiveram um ataque histérico e, apontando os dedos para a velhinha, gritaram: “Bruxa! Bruxa! Bruxa!”. A esta altura, já não eram duas, mais quase uma dezena delas, pois várias outras meninas tinham se juntado á Abigail e sua prima. O juiz ficou impressionado com a manifestação e mandou que os jurados “repensassem” seu veredito. E assim o fizeram, declarando a ré culpada.

As famosas 'Bruxas de Salem', em Massachusetts, nos Estados Unidos

As famosas "Bruxas de Salem", em Massachusetts, nos Estados Unidos


Ela foi apenas a primeira. A histeria aumentou e as bruxas (e bruxos) foram sendo presos às dezenas. As garotas os acusavam de, à noite, sob forma de espíritos, visitá-las e forçá-las a assinar o livro do demônio, para vender suas almas. Era o bastante para que fossem presos e jogados nas masmorras. A onda se estendeu para outras cidades e vizinhos se acusavam, tentando resolver velhas disputas simplesmente acusando seu adversários de bruxos.

Condenado à morte por esmagamento, acusado de bruxaria no final do séc XVII  em Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos

Condenado à morte por esmagamento, acusado de bruxaria no final do séc XVII em Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos


Pastor é enforcado por bruxaria em Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos

Pastor é enforcado por bruxaria em Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos


Vinte mortos (por enforcamento) depois, mais de cem pessoas na prisão e centenas de outros sob acusação, foi somente quando a própria esposa do governador foi acusada de bruxaria que, finalmente, o governador da província colocou um fim aos julgamentos. Isso porque, estando em um lugar que vivia sob leis “racionais”, esses julgamentos eram todos feitos pelo Estado, e não pela igreja, como era na inquisição europeia. Aqui, até pastores foram enforcados. Um bom exemplo de como as leis era seguidas é o caso de um senhor de posses de Salem que foi acusado e simplesmente se recusou a se declarar culpado ou inocente. Por isso, a lei dizia que não poderia ser julgado. A mesma lei dizia que, num caso desses, a pessoa deveria ser “convencida” a se declarar (culpado ou inocente), e o meio para esse “convencimento” era o esmagamento. Pois bem, ele foi colocado sob o enorme peso de muitas pedras por mais de dois dias, mas nada disse. Finalmente, suas costelas cederam e ele morreu. Mas, como ele não havia sido julgado, suas posses não foram tomadas pelo Estado (o que teria acontecido, caso fosse julgado e declarado culpado), e simplesmente foram herdadas pelos filhos. Filhos, aliás, que também tiveram a mãe enforcada (essa sim, com medo do esmagamento, se declarou inocente, foi julgada, condenada e executada). Anos depois, processaram o Estado e ganharam suas reparações.

Velejadores praticam seu esporte nas águas do Charles River, em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos

Velejadores praticam seu esporte nas águas do Charles River, em Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos


Bom, enfim, nós estivemos nessa famosa Salem e visitamos o Museu das Bruxas. Afinal, tantos séculos depois, é claro que os americanos sabem faturar com essa história, que atrai centenas de milhares de visitantes anualmente. Hoje, tanto tempo depois, é difícil acreditar que isso tenha ocorrido de verdade. Mas a representação feita da história no museu nos ajuda a tentar entender o que realmente aconteceu. Tempos difíceis e incompreensíveis para nós. Nada como viver num mundo mais “racional”. Até quando, só o futuro dirá... A história mostra que a irracionalidade chega de surpresa e sopetão, vira o mundo de cabeça para baixo e depois, desaparece novamente. Que o diga os judeus que viviam na “racional” Alemanha da década de 20 ou os mulçumanos na civilizada Iugoslávia da década de 90. Pois é, a irracionalidade está muito mais perto de nós que possamos imaginar...

Passeio pela orla do Charles River, na chegada à Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos

Passeio pela orla do Charles River, na chegada à Boston, capital de Massachusetts, nos Estados Unidos


Daí, seguimos para Boston, já bem no final da tarde. Fomos diretamente para Cambridge, onde estão duas das melhores e mais “racionais” universidades do mundo: Harvard e o MIT. Cruzamos o famoso Charles River, tiramos fotos e estamos ansiosos para que chegue o dia de amanhã, que será dedicado inteiramente à capital de Massachusetts. Antes disso, só temos de passar por uma noite onde os sonhos estarão cheios de bruxas...

Bruxas, principal atrativo de Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos

Bruxas, principal atrativo de Salem, em Massachusetts, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Maine, Portland-ME, Massachusetts, Salem, Boston, história

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O Incrível Banho de Vapor

Brasil, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas)

Entrada do P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Entrada do P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Nem tudo são flores nesta viagem. Muitas vezes, nos posts, só falamos das coisas boas, o que faz parecer que tudo vai às mil maravilhas. Realmente, tudo de bom relatado ocorreu, não inventamos nada. Mas temos nossas dificuldades também. Nesses pouco mais de 400 dias de viagem, eu fiquei doente duas vezes (notadamente aquela dos 42 graus de febre) e a Ana umas três ou quatro. Tivemos nossas pancadas, nossas dores, nossas luxações. Normal, para quem está na natureza quase o tempo todo.

A Pedra do ET, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

A Pedra do ET, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


A Ana, já há 4-5 dias, vem enfrentando uma forte crise alérgica. Muita tosse, muitos espirros, olhos lacrimejando, sinos entupidos, dor de cabeça. A crise tem resistido à medicação. Com isso, ela dorme mal. Mais uma vez, hoje, foi assim que ela acordou. Só que, dessa vez, ela não era a única a estar gemendo. Eu também, acometido de uma dor nas costas. Algum mal jeito. Parecíamos dois velhos, hehehe. Difícil estava conciliar a nossa condição com a programação de hoje, que era acordar bem cedo e seguir para um longo passeio no parque.

Estrada corta o cerrado no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Estrada corta o cerrado no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Eu tomei um coquetel de dorflex e tandrilax e melhorei. A Ana tomou seu coquetel também, um antiestamínico e um resfenol, e melhorou também. E assim, juntos com nosso guia Zezinho, seguimos para o parque. Vinte quilômetros de asfalto e depois, uns 110 de terra e areia, até voltar ao asfalto novamente. O conforto do amortecimento da Fiona ajudou bastante. Mas sem ar condicionado, proibido para a Ana!

Cachoeira São Romão vista por cima, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Cachoeira São Romão vista por cima, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Cruzamos uma vegetação totalmente de cerrado, cheio de formações rochosas ao fundo. Pedras como da Galinha ou do ET. Locais sem acesso, mas que tem um vasto potencial turístico, com certeza. Fico só imaginando quantas cavernas, quantos poços cristalinos, quantos segredos essa região ainda esconde... Nós seguimos para as que já são conhecidas, grandes cachoeiras no meio do parque.

Cachoeira São Romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Cachoeira São Romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Primeiro, a São Romão. Muita água caindo de uma altura de 25 metros. Admira-se a cachoeira de cima e depois, numa pequena trilha, vai-se até a parte de baixo, onde se pode nadar no rio, não muito próximo da queda d'água, que é muito forte. Mas, a grande atração, aquilo que valeu todo o passeio, os 110 km de areia e terra, as mais de 4 horas no carro entre ida e volta, é a visita à parte detrás da cachoeira. Infelizmente, o burrão aqui não levou a nossa máquina à prova d'água, então as lembranças desse local magnífico ficarão, para sempre, apenas em nossa memória. Mas, se alguém de vocês um dia for lá, não esqueçam da máquina!!!

Descansando na sombra, na praia da Cachoeira São romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Descansando na sombra, na praia da Cachoeira São romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


A gente entra atrás de uma cortina de água poderosa. Cortina não, parede! Esta água bate com força nas pedras abaixo e uma quantidade enorme de vapor é espirrada para trás, para dentro dessa pequena gruta por onde passamos. A água, ou vapor em alta velocidade nos deixa ensopados, invade nossos ouvidos e olhos. Cuidadosamenta vamos avançando até chegarmos numa parte mais profunda da gruta, onde o vapor não chega. Ali, podemos admirar, ficar embasbacados, de queixo caído, com a beleza da paisagem. Já tínhamos entrado num lugar assim perto de Ubajara - CE (ver post!), onde tiramos belas fotos. Mas lá, a escala era outra! Aqui, a quantidade de água era dez vez maior. Que visual incrível!

Uma das três quedas da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Uma das três quedas da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Foi tão incrível que, eu que tinha entrado lá com o Zezinho, voltei para a praia onde a Ana estava descansando e disse que ela deveria ir também, mesmo estando fragilizada pela crise alérgica. Aquela maravilha valia o risco! E para lá voltamos, ela com uma canga enrolada na cabeça para proteger os ouvidos. Lá embaixo, na gruta, ensopada, ela confirmou que valeu à pena. Um lugar absolutamete mágico!

O Zezinho, nosso guia, traz o Titanic, a balsa para atravessar o rio da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

O Zezinho, nosso guia, traz o Titanic, a balsa para atravessar o rio da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


De lá, ainda extasiados, seguimos para a Cachoeira da Prata, que na verdade são três quedas. Mesmo rio da São Romão, mesma quantidade de água. Belo visual, pode-se nadar no rio acima e abaixo da queda. O legal também é cruzar o rio à bordo do "Titanic", uma pequena balsa para pessoas e motos, puxada à mão através de uma corda. Do outro lado do rio, temos acesso à trilha que leva à parte de baixo das cachoeiras e a um refrescante banho de rio.

Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Depois, hora de enfrentar mais terra e areia de volta ao asfalto, onde chegamos já no escuro. Na chegada à pousada, pudemos fazer uma rápida consulta médica para a Ana com um xará meu, o Dr. Rodrigo, que se hospeda todas as quintas-feiras aqui, vindo de São Paulo, para medicar em Carolina. Foi muito atencioso conosco e, vamos ver se agora a Ana melhora...

Vegetação próxima à Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Vegetação próxima à Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Amanhã, é dia da Pedra Caída, a mais famosa atração da região. Fica num complexo turístico onde há outras cachoeiras, grandes tirolesas e se paga por tudo. Vamos ver...

Nadando no rio acima da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Nadando no rio acima da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Brasil, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas), cachoeira, Cachoeira da Prata, Chapada das Mesas, Parque, São Romão

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Show de la Naturaleza

Porto Rico, Fajardo

Vista do parque El Yunque, em Porto Rico

Vista do parque El Yunque, em Porto Rico


Hoje fomos conhecer a mais famosa atração natural de Porto Rico: o parque nacional El Yunque, onde está a montanha de mesmo nome e uma rica floresta tropical ao seu redor. São centenas de variedades de árvores, répteis, insetos, anfíbios, aves e mamíferos numa região que esbanja vida a cada metro quadrado.

Vista do parque El Yunque, em Porto Rico

Vista do parque El Yunque, em Porto Rico


Fica a uma meia hora aqui de Fajardo (e a 40 min de San Juan) e logo cedo já estávamos lá, para poder explorar o máximo possível. "Explorar" é modo de dizer porque já está tudo exploradíssimo. Inclusive, uma boa parte das trilhas do parque é asfaltada ou cimentada. É até meios estranho, quase surreal, passear pelo meio da floresta seguindo uma espécie de calçada. Deste modo, podemos explorar a floresta de chinelos! Nós e uma centena de outros turistas, alguns dos quais eu jamais imaginaria ver algum dia subindo algum morro ou atravessando alguma mata. Mas, vivendo e aprendendo, lá estavam esses valentes, 120 kg de puro hamburguer, "explorando" o parque. Confesso que fiquei boquiaberto.

Trilha em El Yunque - Porto Rico

Trilha em El Yunque - Porto Rico


Eu e a Ana começamos cedo e ainda pegamos as trilhas relativamente vazias. Resolvemos começar pela parte alta do parque, subindo as montanhas e depois, ir descendo e procurar algum rio ou cachoeira para nadar. Logo no alto da segunda montanha encontramos um casal de americanos que adoram uma caminhada. Já estiveram em muitos lugares, da África à América do Sul. Simpaticíssimos. Cada vez mais encontro americanos dos quais viro fã. Bom, encontro os outros também, mas isso é para outro post...

A grande maioria dos visitantes do parque é americana. A floresta tropical, para nós algo meio banal, para eles é uma coisa de outro mundo. Para nós, de outro mundo são as calçadas cruzando a floresta. Já para eles, isso é o que é o banal.

Cachoeira da Mina em El Yunque - Porto Rico

Cachoeira da Mina em El Yunque - Porto Rico


Bom, depois das montanhas, partimos para as cachoeiras. Na verdade, para nadar, só havia uma. E fila para chegar até lá. Fila pelas estreitas calçadas floresta abaixo. Filas com senhoras idosas e senhores acima do peso. Arfando ou não, o que importa é que chegavam à cachoeira. Mas apenas uma minoria entrava. Eu e a Ana incluídos. A primeira cachoeira da nossa viagem! Primeira de muitas! A água estava uma delícia. Nada como uma água fresca e doce, depois de tanta água salgada. Deu até para tomar uma ducha. Sem muita privacidade, mas quem está na água é para se molhar mesmo!

Banho na Cachoeira da Mina em El Yunque - Porto Rico

Banho na Cachoeira da Mina em El Yunque - Porto Rico


Além do exercício do passeio e das belas paisagens, uma aula de botânica e zoologia, através dos cartazes informativos espalhados pelas trilhas. Até aprendi que o único mamífero natural de Porto Rico é o morcego (várias espécies). O resto, é tudo importado. Além disso, nenhuma cobra venenosa (porque elas seriam, sem mamíferos predadores e apenas presas pequenas de sangue frio?)

Voltamos para Fajardo para mais um programa ecológico. Final de tarde, início da noite, seguimos de caiaque, através de um canal no mangue (nós e uma galera!) para uma laguna onde se pode observar perfeitamente o fenômeno da bioluminiscência de plânctons. O caminho através do mangue quase escuro já foi incrível. Vinte minutos de remadas depois, entrar na laguna foi ainda mais legal. E aí, ver aquela água brilhando quando fazíamos qualquer movimento foi mágico. Pena que não podíamos nadar para não matar as pobres criaturinhas. Mas, mesmo de fora d'água, eles (os plânctons) já são um show. O próprio programa, ir de caiaque através de um mangue escuro, já vale o esforço.

Não satisfeitos ainda com o dia, ainda fomos celebrar num boteco na beira da praia (na verdade, marina) com música típica, três senhores de mais de 60 anos dando um show de música portorriquenha.

Boteco com música ao vivo em Fajardo - Porto Rico

Boteco com música ao vivo em Fajardo - Porto Rico


Saboreando um pastellito de cangrejo e outro de pollo e me refrescando com uma Medalla Lite, pensei que há algumas palavras em castellano que me gustan mucho. Uma delas é "naturaleza". Sob o embalo daquela música tão bem tocada e cantada, ainda ecoava em mim o show da naturaleza que eu tinha acabado de assistir. E no distante horizonte, se levantava uma lua cheia esplendorosa. Amém.

Porto Rico, Fajardo, cachoeira, El Yunque, Montanha, Parque, Praia, trilha

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A Maior de Todas

Brasil, Paraná, Prudentópolis, Foz do Iguaçu

O Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR, com quase 200 metros de altura

O Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR, com quase 200 metros de altura


O programa hoje foi já sair de mala e cuia do hotel em Prudentópolis, logo pela manhã, seguir até a mais alta cachoeira da região sul do país, o imponente Salto São Francisco e, de lá, pegar a estrada até o outro lado do estado, na cidade fronteiriça de Foz do Iguaçu.

Mas, ainda na cidade, a primeira tarefa foi passar numa loja de fotografias para imprimir algumas que tínhamos tirado ontem, lá da família dona da propriedade onde fica o Salto São Sebastião. Promessa feita pela Ana, promessa cumprida pela Ana! Eles ficaram muitíssimo felizes ontem, quando a Ana disse que faria isso, e vão ficar mais ainda quando receberem o presente!

À caminho do Salto São Francisco, que aparece ao fundo (em Prudentópolis - PR)

À caminho do Salto São Francisco, que aparece ao fundo (em Prudentópolis - PR)


Feito isso, enfrentamos os cinquenta quilômetros de estrada de terra que ligam a cidade ao Salto São Francisco. Estrada belíssima, por sinal, que segue no topo de uma crista de morro dando uma ampla visão da região, inclusive do próprio Salto, que já é possível ver de longe, no meio das montanhas. Também... duzentos metros de queda, dá para ver beeeem de longe mesmo, hehehe.

Com a mãe no Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR

Com a mãe no Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR


O único trecho pior de estrada é a longa subida final. Para carros mais baixos é preciso paciência. Lá encima, um parque municipal que fica bem na fronteira de três municípios: Prudentópolis, Turvo e Guarapuava. Entrada gratuita, deixamos o carro num estacionamento e seguimos à pé por uma trilha muito bem cuidada por uns 400 metros, até chegar à beira de um enorme penhasco. Deste ponto se tem a mais bela visão dessa cachoeira maravilhosa. São exatos 196 metros de queda até um grande lago lá embaixo, que visto de tão alto parece pequenininho.

Final da queda de 200 metros do Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR

Final da queda de 200 metros do Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR


A trilha agora segue na beira da encosta, ou melhor, da própria parede que forma o canyon de onde despenca a cachoeira. A vista é incrível, não só da própria cachoeira, como das paredes do canyon e das montanhas ao longe. Cenário grandioso, coisa de cinema.

Essas tranquilas águas estão prestes a despencar por 200 metros! (em Prudentópolis - PR)

Essas tranquilas águas estão prestes a despencar por 200 metros! (em Prudentópolis - PR)


Ficamos ali aproveitando por um bom tempo aquela visão magnífica até que era hora de ir embora. Afinal, tínhamos mais 400 km pela frente, cruzando todo o estado até Foz do Iguaçu, já ao lado do Paraguai e da Argentina. Estrada simples, mas bem conservada, muitos caminhões e pedágios também. Enfim, com paciência fomos seguindo e, um pouco antes das nove estávamos chegando.

Fotografando o Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR

Fotografando o Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR


Em plena época de férias, a cidade e seus muitos hotéis estão bastante concorridos. Procura aqui, procura ali, acabamos encontrando o Lanville, onde ficaremos pelos próximos dias. O que não falta é o que fazer por aqui: parques, Itaipu, Paraguai, Argentina, etc... Depois de um jantar à base de picanha, ao lado do hotel, decidimos pelo menos a programação de amanhã: compras em Ciudad de Leste, no Paraguai. Vai ser a minha primeira vez nesse nosso vizinho sulamericano e rival nas quartas de final da Copa América. Para quem já viajou tanto mundo afora, já não era sem tempo!

Visitando o imponente Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR

Visitando o imponente Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR

Brasil, Paraná, Prudentópolis, Foz do Iguaçu, cachoeira, Salto São Francisco

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Aviso aos Navegantes

Equador, Quito, Cuenca, Chimborazo

(Post escrito dia 25/09)

Oi gente

Estamos saindo neste momento para Galápagos onde passaremos 8 dias incomunicáveis, sem internet
Os posts serão TODOS atualizados na volta, contando nossas aventuras e desventuras por lá.

Faltam também os posts dos dias 19 até ontem, com muita história para contar
Estivemos na mais bela cidade equatoriana, Cuenca e no magnífico Parque Nacional Caja, próximo à cidade
Depois, consegui terminar a duríssima subida da montanha e ex-vulcão Chimborazo. Assim, enquanto ontem estava aos 6.300 metros de altitude, hoje, se tudo der certo, estarei trinta metros abaixo do nível do mar, em Galápagos. São esses "contrastes" que fazem essa viagem tão incrível!

Abs a todos e não percam o Globo Reporter da próxima sexta, dia 30. Tem uma boa chance de aparecermos por lá!

Equador, Quito, Cuenca, Chimborazo,

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Praia do Presente

Brasil, Ceará, Fortaleza

Movimento na barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE

Movimento na barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE


Hoje o sol voltou a sorrir nos céus da cidade. É a velha Fortaleza que todos conhecemos e amamos! Aproveitamos para ir passar algumas horas agradáveis na Praia do Futuro, a mais badalada da capital cearense.

Fim de tarde na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE

Fim de tarde na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE


Ela tem esse nome engraçado... Praia do Futuro. Lembro-me da minha primeira vez em Fortaleza, há quase 20 anos. A Praia do Futuro fazia jus ao nome. Começava a ser ocupada e a promessa era de uma ocupação inteligente, grandes barracas, boa infraestrutura. Na época, estava só começando, tudo era promessa. Prometiam uma praia do futuro.

Piscina da barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE

Piscina da barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE


Pois é, 20 anos depois, a realidade superou as promessas. As barracas e infra da praia impressionam! São verdadeiros clubes à beira-mar, com acesso gratuito. Até piscina elas tem. E, claro, chuveiros, vestiários, cadeiras, cofres, muita comida, música ao vivo, espaço para shows, etc...

Cuidando da beleza na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE

Cuidando da beleza na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE


Nós ficamos na mais equipada de todas, a Crocobeach. A Ana aproveitou muito bem o espaço para massagem que eles tem. Ótimo preço, considerando tudo o que ela fez. De certo, no post dela, vai contar os detalhes...

Voando na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE

Voando na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE


Enfim, a Praia do Futuro hoje é uma realidade. As barracas fazem inveja à todas as praias do Brasil. Não é mais uma praia do futuro. É do presente mesmo!

Restaurantes no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE

Restaurantes no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE


De noite, fomos a outro orgulho da cidade: o espaço cultural Dragão do Mar. Homenagem àquele canoense que se mudou para Fortaleza em fins do séc XIX e foi um dos líderes na luta abolicionista no estado. No espaço, um pedaço renovado do centro antigo, caminha-se por passarelas por entre museus, livrarias, galerias e restaurantes. Muito jóia mesmo! É novo, pois não existia da última vez que estive aqui, há 11 anos. Andando por lá, mais uma vez percebi o quanto a cidade cresceu, no bom sentido. Jantamos no café Santa Clara, que bem poderia ser em São paulo ou Nova York. Fortaleza chique!

Uma das passarelas do Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE

Uma das passarelas do Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE


Depois desses dias por aqui, dirigindo em suas ruas, indo no Soho e neste café, na Praia do Futuro e no Beach Park, confesso que mudei a imagem que tinha da cidade. Para muito melhor!

O movimentado Café Santa Clara, no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE

O movimentado Café Santa Clara, no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE

Brasil, Ceará, Fortaleza, Praia do Futuro

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Rio com Chuva

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro

O bonde de  Santa Tereza, no Rio de Janeiro - RJ

O bonde de Santa Tereza, no Rio de Janeiro - RJ


A frente fria finalmente chegou por aqui. E parece que veio para ficar por um bom tempo. Ontem e hoje os dias foram nublados, alternando momentos de chuvisco com momentos de mormaço. Com a previsão desse jeito resolvemos trocar nossa caminhada na Serra dos Órgãos, entre Petrópolis e Teresópolis, por mais alguns dias por aqui. Melhor chuva no Leblon e Ipanema com um apartamento agradável para ficar do que chuva na montanha, carregando uma mochila e dormindo numa barraca. Uma pena, mas foi o melhor a fazer...

Aqui no Rio, passeamos pela orla e pelas movimentadas ruas da zona sul, encontramos e socializamos com amigos. Ontem de noite, estivemos no Belmonte do Leblon, com o Fabinho, Denize e Carlos.

Night no Belmonte do Leblon, no Rio de Janeiro - RJ, com o Carlos

Night no Belmonte do Leblon, no Rio de Janeiro - RJ, com o Carlos


Hoje, fomos passear no charmoso e tradicional bairro de Santa Tereza. Ao mesmo tempo que tem a alma completamente carioca, parece que estamos em outra cidade. Nada a ver com o centro, com Ipanema, com a Barra ou com a Lapa. É incrível a diversidade de bairros no Rio. cada um deles mereceria alguns dias de explorações.

Vista a partir de Santa Tereza, no Rio de Janeiro - RJ

Vista a partir de Santa Tereza, no Rio de Janeiro - RJ


Em Santa Tereza, apesar da chuvinha chata, ficamos num restaurante jóia com varanda com vista para o vale. A tarde passou bem devagar. Presença de muitos gringos, assim como em todos os outros bairros que estivemos por aqui. Não só turistas, mas também muitos que agora vivem na cidade. A gente os vê passeando com seus cachorros, fazendo compras em supermercados, frequentando bares por aí. O Rio vai ficando mais internacional, a olhos vistos. Imagino que até a Copa e a Olimpíada isso só vai aumentar. É o mesmo sentimento que tinha andando em Londres ou NY. Só que agora é no Brasil. Sentimento ambíguo, meio que de orgulho mas também com uma certa sensação de invasão. Xenofobia? Só me faltava essa...

Com o Fabinho em Santa Tereza, no Rio de Janeiro - RJ

Com o Fabinho em Santa Tereza, no Rio de Janeiro - RJ


Bem, amanhã, adeus ao Rio. Seguimos litoral acima. Próxima parada: Búzios. Qualquer mormaço já será muito bem vindo!

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro, Ipanema, Leblon, Santa Tereza

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Para Quem Gosta de Pôr-do-Sol

Belize, Caye Caulker

O incrível pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

O incrível pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize


Um dos pontos altos dos nossos dias em Caye Caulker era o entardecer. Diariamente, ao lado do canal de mar que divide a ilha em duas metades, um espetáculo de cores no céu, 50 tons entre o amarelo e o vermelho, para contrabalançar os 50 tons entre o azul e o verde do mar. Imperdível!

Assistindo ao pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

Assistindo ao pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize


O incrível pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

O incrível pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize


É claro que não éramos os únicos por ali! Um empresário local tratou de abrir um bar com música alta bem naquele ponto estratégico, que acabou se tornando o ponto predileto das dezenas de turistas que estão continuamente na ilha, todos querendo aproveitar aqueles minutos mágicos, ao som de algum rock e ao sabor de uma cerveja gelada.

Até a garça para para admirar o entardecer em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

Até a garça para para admirar o entardecer em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize


Fim de tarde dourado em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

Fim de tarde dourado em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize


Enquanto o sol desce preguiçosamente, podemos dar um mergulho no mar que mais parece um rio, forte que é a corrente, ora para um lado, ora para o outro, dependendo da maré. A mesma água que é de um verde transparente durante todo o dia, durante o pôr-do-sol, fica dourada também.

O incrível pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

O incrível pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize


O incrível pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

O incrível pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize


Quase da mesma cor do céu no horizonte, onde sempre há também algum barco querendo chegar ainda mais perto do astro-rei, seja levando turistas, seja algum pescador que, por alguns minutos, esquece do seu ofício e olha também para o céu.

Mais um magnífico pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais, em Belize

Mais um magnífico pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais, em Belize


Mais um magnífico pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais, em Belize

Mais um magnífico pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais, em Belize


Foi ali que conhecemos um simpático americano que veio pela primeira vez para cá ainda no século passado. Ele nos contou, e nos encheu de inveja, sobre como era a Caye Caulker dos anos 90, sem carrinhos de golfe, com apenas dois pequenos hotéis e com uma única quitanda onde todos se encontravam. Ele gostou tanto daqui que acabou comprando um terreno e construindo uma casa. Uma vez por ano, vem passar umas poucas semanas por aqui, dias que ele aguarda chegar ansiosamente, lá no seu escritório movimentado na cidade grande.

O sol toca o mar no final de tarde em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

O sol toca o mar no final de tarde em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize


O mar fica dourado durante o pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

O mar fica dourado durante o pôr-do-sol em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize


Muita coisa mudou desde então, mas não a beleza do mar e nem dos fantásticos entardeceres quando, desde sempre, todos param para alguns minutos de admiração e contemplação. A gente entrou nesse ritmo também aproveitando, a cada dia, por cada minuto, esse espetáculo cósmico. Viva o pôr-do-sol!

Rindo a toa durante o belo entardecer em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

Rindo a toa durante o belo entardecer em Caye Caulker, na grande barreira de corais de Belize

Belize, Caye Caulker,

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Onças!

Brasil, Mato Grosso, Porto Jofre

Uma magnífica onça nos observa enquanto navegamos no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Uma magnífica onça nos observa enquanto navegamos no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Nessas nossas andanças pelas Américas, uma das coisas que sempre procuramos é o contato com a natureza. Por isso, fazemos longas caminhadas em parques nacionais, subimos montanhas, mergulhamos em mares e rios, exploramos cavernas, cruzamos matas e desertos. As paisagens são sempre magníficas, em suas formas mais distintas, mas é o encontro com a vida selvagem, os verdadeiros habitantes dessas regiões lindas que visitamos, que nos dá a sensação verdadeira de estar ainda mais perto da natureza. Afinal, são eles que vivem ali há milhares de anos e encontrá-los nos deixa ainda mais perto do que era o mundo antes de chegarmos por aqui. São sempre encontros marcantes e inesquecíveis.

Pegada de onça em praia do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Pegada de onça em praia do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Emoção ao avistar nossa primeira onça em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Emoção ao avistar nossa primeira onça em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Normalmente, são os encontros com os bichos “grandes”, sempre em seu habitat natural, os mais emocionantes. Assim foi com as diversas espécies de tubarões no mar do Caribe e, mais ainda, com os gigantescos tubarões-baleia em Galápagos. Assim foi com golfinhos em Noronha e com baleias no México e no Alaska. Assim foi com tartarugas gigantes em Galápagos e Nicarágua ou com uma enorme sucuri na Venezuela. Assim foi com ursos e alces no Canadá e no Alaska. Esses e muitos outros encontros fizeram a nossa viagem pelo continente muito mais emocionante, interessante e verdadeira.

Onça descansa em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Onça descansa em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Mas há um tipo de animal que vinha nos despistando desde o início da viagem, por mais que o procurássemos: os grandes felinos. Basicamente, aqui na América temos duas espécies desses maravilhosos animais, que recebem os mais diferentes nomes conforme a região. O maior deles é a onça pintada, também conhecida por jaguar em todos os países de língua espanhola. O outro é o puma, cougar ou onça parda, nome dado aqui no Brasil. As duas espécies habitavam originalmente da Argentina aos Estados Unidos, embora já tenham sido extintos em muitas regiões, desde a chegada do homem branco.

Onça nos observa em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Onça nos observa em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Embora no Brasil as duas espécies sejam chamadas de “onças”, elas são apenas parentes distantes, pertencendo inclusive a gêneros distintos. A onça parda é do gênero “puma” e não sabe rugir. Já a onça pintada é do gênero “panthera”, o mesmo de tigres, leões e leopardos, os maiores gatos do mundo. Assim, é correto dizer que nossa onça pintada está muito mais próxima de um tigre asiático ou leão africano do que da sua vizinha onça parda. Esses dois animais convivem em muitas partes, mas a onça pintada é mais forte, alimenta-se de animais maiores e tende a afastar a onça parda de seu território. Já a onça preta, ou pantera, é apenas uma onça pintada de pele escura, uma variação genética que pode ocorrer até mesmo entre irmãos, assim como na espécie humana irmãos nascem com olhos claros ou escuros, filhos dos mesmos pais.

Uma magnífica onça nos observa enquanto navegamos no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Uma magnífica onça nos observa enquanto navegamos no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Um enorme bocejo de onça em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Um enorme bocejo de onça em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Em vários pontos da nossa viagem, estivemos em territórios desses dois animais. Chegamos a ver muitas pegadas de onças pardas, seja no Vale do Ribeira, seja num parque americano, mas isso foi o mais perto que chegamos deles. No Yucatán e na Guatemala, os jaguares estavam ali, pertinho, mas não os vimos. Na Península de Osa, na Costa Rica, por questão de meia hora perdemos a chance de ver um puma, que muitos outros turistas no mesmo parque puderam ver e fotografar. Ele ficou ali, parado, posando para fotos, mas nós íamos por outra trilha. Mais recentemente, na Amazônia, na reserva do Mamirauá, encontramos um especialista em onças pintadas, que nos ensinou muito sobre o animal, mas não tivemos a chance de sair com ele e seu radio transmissor para encontrar um desses vistosos animais dependurado em um galho da floresta alagada.

A incrível beleza da pele de onça, em barranco do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

A incrível beleza da pele de onça, em barranco do rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Uma magnífica onça nos observa enquanto navegamos no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Uma magnífica onça nos observa enquanto navegamos no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Enfim, apostávamos todas as nossas fichas em ter esse “encontro” aqui no Pantanal Norte que, nessa época do ano, é o melhor lugar do mundo para se avistar uma onça pintada. Esse fato se tornou ainda mais real para nós quando, alguns dias atrás, cruzamos e conversamos com outros turistas na trilha das cachoeiras, na Chapada dos Guimarães. Eles estavam vindo daqui e tinham presenciado uma cena incrível: uma onça caçando um jacaré! Se tivessem apenas nos contado, ficaria meio desconfiado, mas o felizardo conseguiu fotografar toda a cena, a onça se aproximando sorrateiramente pelas costas, em uma praia do rio, e avançando sobre o jacaré. A luta não demorou muito, o jacaré de porte médio, quase cem quilos, sem nenhuma chance. A onça vitoriosa ainda carregou sua presa para o outro lado do rio. Tudo isso numa incrível sequência de fotos que nos deixou com a mais pura e positiva inveja.

Uma onça ruge para nós no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Uma onça ruge para nós no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Pois bem, essa era a nossa chance! Por isso, não titubeamos em pagar o passeio de barco pelo rio Cuiabá. Com as águas mais baixas, aparecem praias e barrancos nas margens e é aí que se veem os animais, inclusive as onças. Nós ficamos no conforto e segurança do barco e podemos nos aproximar até poucos metros desses enormes felinos, se eles assim o permitirem. Os barqueiros já sabem onde esses encontros tem mais chance de ocorrer, pelo histórico dos últimos dias. Além disso, falam-se constantemente, ao longo do dia, para trocar informações, formando uma verdadeira rede.

Um enorme bocejo de onça em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Um enorme bocejo de onça em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Mesmo sabendo de tudo isso e também de todo o histórico de onças dos dias anteriores, a gente fica sempre com medo que hoje não seja o dia. Há casos de pessoas que tem a sorte de ver até 10 onças na mesma jornada, mas há o caso daqueles que não veem nenhuma! É sempre aquela questão de estar no lugar certo na hora certa. O que diferencia o Pantanal nessa época do ano, principalmente aqui no norte, é que há mais “lugares certos e horas certas”. Nossa chances são maiores.

A inconfundível silhueta de uma onça entre as folhagens de um barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

A inconfundível silhueta de uma onça entre as folhagens de um barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Onça nos observa em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Onça nos observa em praia no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Então, todos disfarçávamos a tensão até que, enfim, depois de mais de uma hora no rio, veio a notícia dada por um outro barqueiro: há uma onça na margem esquerda algumas curvas a frente. O Tatu, nosso barqueiro, acelera para lá enquanto a gente parece não acreditar que seja mesmo verdade. Até que os olhos treinados do Tatu a localizam, ele nos indica onde ela está e nós vemos, com os próprios olhos, o elusivo animal. É mesmo uma onça, enorme, linda, imponente, senhora de si, sagrada. Como diz o anúncio, a primeira onça, a gente nunca esquece!

Onça macho descança ao lado de onça fêmea em barranco do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Onça macho descança ao lado de onça fêmea em barranco do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Depois da primeira, ficamos mais relaxados. O que vier agora, é lucro. Bom, se pensarmos dessa maneira, posso dizer que ficamos milionários hoje! A segunda onça estava muito mais próxima, e essa pudemos nos aproximar e fotografar à vontade. Ela ficou ali, posando para fotos, bocejando, abrindo sua enorme boca, nos mostrando a língua e até rugindo um pouco, coisa que só as espécies do gênero panthera sabem fazer. É um animal enorme, que pode chegar aos 150 quilos! É menor que leões e tigres, mas é maior que o leopardo. Em compensação, tem a mordida mais forte na sua família, deixando tigres e leões para trás. Por isso, é o único felino que também costuma matar suas presas mordendo diretamente o crâneo, transformando-o em pedacinhos. Leões, tigres e leopardos preferem morder o pescoço, sufocando a vítima. A onça também sabe fazer isso, dependendo do tipo de presa. Para outras menores, como cães, basta um tapa para matar, nem precisando usar a potente mandíbula.

Onça macho descança ao lado de onça fêmea em barranco do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Onça macho descança ao lado de onça fêmea em barranco do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Aliás, vendo de perto esse animal, deu para ver que a chance que uma pessoa teria contra ela é absolutamente zero. Ela corre mais, nada mais, sobe melhor em árvores e é muito mais forte. Nós estaríamos na classe dos cães, um simples tapinha para nos mandar dessa para melhor. Felizmente para nós, elas parecem gostar de cachorros, mas não de seres humanos. Os casos de ataque a pessoas geralmente estão relacionados a defesa de filhotes ou a indivíduos velhos e desdentados, já sem forças para caçar presas normais. É o desespero da fome que os levar a baixar seu nível de paladar.

Onça macho descança ao lado de onça fêmea em barranco do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Onça macho descança ao lado de onça fêmea em barranco do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Ao longo do dia, tivemos vários outros encontros. Foram seis encontros no total, em praias ou barrancos. Num deles, vimos apenas a silhueta entre as folhagens, graças aos olhos treinados do Tatu. Mas quando ele nos aponta, fica inconfundível! Espero nunca ter esse encontro em terra firme, hehehe. Numa hora dessas, não podemos correr. A tática é levantar os braços, para parecer maiores, falar com firmeza, não tirar os olhos do animal e andar vagarosamente de costas, afastando-se aos poucos. Mas, mais do que tudo, reze! Pois se ela quiser te pegar, vai ficar difícil. Por sorte, na grande maioria das vezes, a onça se desinteressa e segue em caminho contrário.

Casal de onças 'namora' em barranco do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Casal de onças "namora" em barranco do Rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Dois dos encontros foram os mais especiais. Num deles, não havia uma, mas duas onças! Era um macho e uma fêmea e nós pudemos observar o namoro entre eles, a famosa “corte”. A fêmea fazia-se de desinteressada, mas não ia embora. O macho a rodeava, brincava um pouco com ela e se afastava. Alguns minutos de descanso e voltava à carga. Nós estivemos nesse lugar por três vezes, num período de quase duas horas. Pelo visto, o pobre macho tem de ser bem paciente enquanto a fêmea faz doce, hehehe.

Ainda despercebida, onça avança sobre grupo de capivaras em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ainda despercebida, onça avança sobre grupo de capivaras em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


O outro encontro foi ainda mais especial, o ponto alto do dia, da semana e do mês. Tivemos a chance de ver uma caçada! Do outro lado do rio, observamos com perfeição toda a ação, que durou uns poucos minutos. Uma família de capivaras estava no alto do barranco, descansando na sombra. A poucos metros dali, uma enorme onça espreitava, se aproximando silenciosamente. Nós víamos tudo, coração na mão e tentando abafar o barulho até da respiração. Uma parte da mente torcia para ver o ataque e sucesso da onça enquanto o outro queria, desesperadamente, avisar as pobres capivaras do perigo iminente. Nossa, o que fazer? Na dúvida, câmera e filmadora nas mãos, prontos para registrar tudo.

Ao perceberem a chegada da onça, capivaras se atiram no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ao perceberem a chegada da onça, capivaras se atiram no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


De repente, uma capivara se levantou, preocupada. Ela não sabia de onde vinha o perigo, mas sabia que estava por lá. Começou a emitir sons altos, quase um latido. Algo que nunca tinha visto, mesmo depois de já ter visto milhares de capivaras por toda a América. As outras capivaras se levantaram também enquanto a onça continuava a se aproximar, sem ruídos, escondida pelas folhagens.

Ao perceberem a chegada da onça, capivaras se atiram no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Ao perceberem a chegada da onça, capivaras se atiram no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Onça observa capivaras se jogarem no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Onça observa capivaras se jogarem no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Foi a hora do bote. A onça avançou em disparada os poucos metros que restavam, mas as capivaras tiveram tempo de se atirar ao rio, um salto de cinco metros de altura, toda a família em uníssono. Muita poeira se levantou, filtrando os raios de sol que já eram filtrados pela folhagem acima. A onça ficou um pouco confusa enquanto as capivaras se estatelavam nas águas do rio. Elas trataram de afundar e só reaparecer muitos metros adiante, enquanto a onça perdeu segundos preciosos pensando se pulava atrás delas ou não. No fim, desistiu, reconheceu a derrota e voltou para a mata. O Tatu nos disse que já viu onças pularem no rio e alcançarem as capivaras, mas essa avaliou que tinha perdido muito tempo. Não valia o esforço.

Onça observa capivaras escaparem de seu ataque em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Onça observa capivaras escaparem de seu ataque em barranco no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Fugindo de onça, capivaras nadam no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Fugindo de onça, capivaras nadam no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Para nós, foram vários segundos sem respirar, segundos que pareceram uma eternidade, o drama da vida passando em frente aos nossos olhos. Momentos que fizeram anos de procura valerem a pena. Tivemos a chance de ver um ataque e, ao final, entre mortos e feridos, salvaram-se todos! Na hora de ir embora, ainda passamos ao lado do grupo de capivaras, já no lado de cá do rio. Se nós estávamos excitados, imagina elas! Podia-se ver nos olhos. Tinham nascido novamente! Prontas para mais um dia de vida dura. Não deve ser fácil viver sabendo que, a qualquer momento, você pode virar comida de onça. De alguma maneira, esse medo ainda está escrito nos nossos códigos genéticos, afinal, foram duzentos mil anos fugindo dos grandes gatos nas planícies africanas. Hoje, deu para sentir de perto esses genes perdidos que todos carregamos desde então.

Do outro lado do rio Cuiabá, capivaras respiram aliviadas depois de escaparem de ataque de onça, na região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Do outro lado do rio Cuiabá, capivaras respiram aliviadas depois de escaparem de ataque de onça, na região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso


Enfim, voltamos para o hotel no fim do passeio plenamente satisfeitos. Tínhamos conseguido muito mais do que imaginávamos. O dia perfeito no Pantanal. Uma experiência que nunca mais esqueceremos, um momento que se destaca mesmo entre os tantos que vivemos todos os dias nessa jornada maravilhosa pelas Américas.

Onça observa capivaras se afastarem no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Onça observa capivaras se afastarem no rio Cuiabá, região de Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Pantanal Norte, no Mato Grosso

Brasil, Mato Grosso, Porto Jofre, Bichos, onça, Pantanal

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Peritos Morenos

Argentina, El Calafate

Depois da chuva, o sol ilumina o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Depois da chuva, o sol ilumina o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Um dos grandes argentinos de seu tempo, Francisco Pascacio Moreno nasceu em 1852, filho de uma família abastada de Buenos Aires. Desde criança e adolescente, levado pelo pai, saía a pesquisar no campo recolhendo artefatos e fósseis e, aos 14 anos, já tinha criado seu primeiro museu em uma sala da casa dos pais. Era a vocação de pesquisa de campo que seguiria por toda a sua vida.

Fotografia de Francisco 'Perito' Moreno

Fotografia de Francisco "Perito" Moreno


Busto de Francisco Moreno na região do glaciar Perito Moreno, região de El Calafate, no sul da Argentina

Busto de Francisco Moreno na região do glaciar Perito Moreno, região de El Calafate, no sul da Argentina


Em 1872, logo após sua graduação e de ter ajudado a fundar a Sociedade Científica Argentina, Francisco embarcou na sua primeira grande expedição exploratória e científica da Patagônia, mais especificamente da atual Província de Rio Negro, onde está Bariloche. Esse era um território praticamente novo e desconhecido dos argentinos. Como já contei em outro post, até aquela época o país, na prática, era muito menor do que é hoje. Contava apenas com as regiões próximas a Buenos Aires e com as províncias do norte. Toda a enorme região patagônica, apesar de reclamada pelo governo argentino (e chileno também!), era ocupada por indígenas hostis a Buenos Aires, os mapuches e os tehuelches. Foi a época da chamada “Conquista do Deserto”, uma série de campanhas militares para ocupar os pampas ocidentais e a patagônia. A expedição científica de Moreno foi a primeira a chegar aos novos territórios. Em 1876 ele chegou ao lago Nahuel-Huapi (Bariloche) e no ano seguinte descobriu o lago San Martín. No mesmo ano descobriu a linda montanha que os indígenas chamavam de Chaltén e que ele rebatizou de Fitz Roy, o comandante do barco de pesquisas Beagle (aquele onde viajou Charles Darwin em 1831-36). Foi uma forma de homenagear um dos seus ídolos da infância.


A Fiona também conheceu o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

A Fiona também conheceu o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Depois de uma viagem a Europa para apresentar o resultado de suas pesquisas, Moreno voltou para a Patagônia em 1881 em sua segunda grande expedição exploratória. Mas dessa vez ele foi capturado por índios tehuelches ainda em guerra com o governo central. Foi quando ele conheceu o grande cacique Inacayal, o último dos grandes líderes da resistência. Mas Inacayal era de outro bando e a tribo que capturou Moreno o condenou a morte. Na véspera da execução o explorador conseguiu escapar. Mesmo assim, por toda a sua vida, ele advogou em defesa dos direitos indígenas junto ao governo central. Foi por sua intervenção que o cacique Inacayal foi liberado da prisão militar onde estava depois de sua rendição em 1884. Inacayal viveu os anos restantes de sua vida na casa que seria transformada no Museu de História Natural de La Plata, o mais importante do gênero no continente, fundado por Francisco Moreno poucos meses após sua morte do cacique, em 1888.

Estrutura de passarelas para se observar o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Estrutura de passarelas para se observar o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Admirando o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Admirando o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Visita ao glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Visita ao glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Francisco Moreno fez várias outras expedições à Patagônia e isso o fez o maior conhecedor dessa região em sua época. Ele se tornou um “perito” e, aos poucos, passou a ser conhecido como Perito Moreno. Nessa época Chile e Argentina disputavam várias áreas da Patagônia e o tratado de 1881 entre as duas nações dizia, de forma genérica, que os Andes seriam a fronteira entre as duas nações. As bacias hidrográficas que corressem para o Pacífico seriam chilenas e as que corressem para o Atlântico seriam argentinas. Esse critério dava muitas margens de interpretação e as disputas foram levadas à arbitragem internacional. O “Perito” Moreno defendeu a causa argentina e os próprios árbitros ingleses reconheceram que foi sua defesa estudiosa e convincente que fez com que a Argentina ganhasse milhares de quilômetros quadrados na disputa. O Chile não contava com o seu próprio “Perito Moreno”... Foi também Francisco o idealizador do plebiscito realizado na colônia galesa de Trevelin, localizada em território disputado pelos dois países, sobre a questão da soberania, com ampla vitória argentina.

Turistas ficam minúsculos perto das paredes de gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Turistas ficam minúsculos perto das paredes de gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


1000dias no famoso glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

1000dias no famoso glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Turistas observam o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Turistas observam o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Como reconhecimento aos seus préstimos, o governo argentino presenteou Francisco com uma vasta área na região de Bariloche. Anos mais tarde, influenciado pela criação do Parque Nacional Yellowstone, nos EUA, Moreno doou essas mesmas terras de volta ao governo federal, mas com a condição que elas fossem protegidas e também transformadas em parque. Desde aquela época, nos primeiros anos do séc. XX, ele já via o turismo como a melhor maneira de sustentar financeiramente áreas de proteção ambiental. Ele não viveu para ver seu sonho implementado, mas o Parque Nacional Nahuel Huapi foi o primeiro a ser criado no sistema de parques argentino, em meados da década de 30. Poucos anos mais tarde, um outro parque, ainda mais ao sul, foi criado e batizado em sua homenagem: Parque Nacional Perito Moreno, justamente protegendo uma área que Francisco muito ajudou para que fosse argentina na disputa fronteiriça com os vizinhos chilenos.

A grandiosidade e a força do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

A grandiosidade e a força do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


A grandiosidade e a força do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

A grandiosidade e a força do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


As paredes de gelo de 60 metros de altura do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

As paredes de gelo de 60 metros de altura do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Esse parque, assim como a pequena cidade que é a base para quem quer chegar até lá, rebatizada Perito Moreno na década de 50, são apenas algumas das homenagens hoje visíveis a este grande explorador e cientista. Mas há uma outra, muito mais famosa e conhecida. É uma geleira colossal, o glaciar mais visto e visitado da América do Sul, uma atração que traz dezenas de milhares de visitantes de todo o mundo para a pequena cidade de El Calafate, no sul da Patagônia. Ironicamente, o Perito Moreno original talvez nunca tenha estado aí. Na verdade, ele foi o descobridor do Lago Argentino em 1877, o maior do país e onde desemboca a famosa geleira, mas por um azar do destino ele não se aventurou um pouco mais longe para encontrar essa verdadeira maravilha da natureza. O famoso glaciar foi batizado com seu nome em 1899, mas não consegui saber se os homônimos chegaram a se encontrar alguma vez antes que Francisco falecesse, em 1919, aos 67 anos.

O labirinto de torres de gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

O labirinto de torres de gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


As belas torres de gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

As belas torres de gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


A miríade de torres de gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

A miríade de torres de gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Bom, não sei se Francisco Moreno lá esteve, mas nós não poderíamos perder essa chance. Para quem quer conhecer toda a América, o glaciar Perito Moreno é absolutamente um “must”. Localizado a cerca de 80 km a leste de El Calafate, foi para lá que seguimos hoje de manhã, meio desanimados com o tempo chuvoso. Ao longo do dia, enquanto explorávamos o local, o tempo foi melhorando e o sol até chegou a dar as caras. Enfim, mesmo num dia com chuva, a visão desse glaciar é absolutamente fantástica e avassaladora. Um conjunto de passarelas nos permite vê-lo de diversos ângulos e alturas e, de onde quer que seja visto, a geleira impressiona e emociona. Milhões de toneladas de gelo em constante, inexorável e lento movimento rumo ao Lago Argentino, na ponta da chamada Península de Magallanes, onde está construída toda a infraestrutura para observá-lo.

Um pedaço da parede de gelo desaba sobre o lago em frente ao glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Um pedaço da parede de gelo desaba sobre o lago em frente ao glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Um pedaço da parede de gelo desaba sobre o lago em frente ao glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Um pedaço da parede de gelo desaba sobre o lago em frente ao glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


O gelo que caiu das paredes do glaciar Perito Moreno se acumulam nas águas do lago, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

O gelo que caiu das paredes do glaciar Perito Moreno se acumulam nas águas do lago, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


O Perito Moreno, assim como todos os glaciares dessa região, nasce no Campo de Gelo Sul. Por exemplo, ali também nascem o Viedma, onde estivemos ontem, e o Grey, que vamos visitar em breve, no Parque Torres del Paine, no Chile. O Perito está longe de ser o maior deles, mas seus números impressionam de qualquer maneira. Ele tem cerca de 60 quilômetros de comprimento e se move a uma velocidade próxima de 2 metros por dia. Sua linha de frente, ao desembocar no lago Argentino, tem quase cinco quilômetros! Ainda mais impressionante são suas paredes, que chegam a 70 metros de altura sobre o nível do lago. Mas isso é apenas um pedaço delas, pois abaixo da água o gelo chega a 170 metros de profundidade!

Um barco de dois andares quase desaparece quando comparado à linha de frente do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Um barco de dois andares quase desaparece quando comparado à linha de frente do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Um grande barco com turistas fica pequeno perto das paredes de gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Um grande barco com turistas fica pequeno perto das paredes de gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


O lago Argentino, onde deságua o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

O lago Argentino, onde deságua o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Uma característica importante do Perito Moreno é que ele é um glaciar de tamanho estável. Enquanto a maioria das geleiras tem retrocedido nas últimas décadas, essa manteve aproximadamente o mesmo tamanho desde que foi descoberto há 120 anos. Houve pequenas variações, diminuindo e aumentando poucas centenas de metros. O estranho é que, a apenas poucos quilômetros daqui, o Upsala, o outro grande glaciar que alimenta o Lago Argentino e que é maior que o Perito Moreno, está dramaticamente diminuindo. A possível explicação é que as áreas de acumulação de neve dos dois gigantes gelados se encontram em altitudes diferentes e, portanto, sob condições climáticas distintas.

O ponto onde o glaciar Perito Moreno faz contato com terra firme, quase isolando duas partes do lago Argentino, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

O ponto onde o glaciar Perito Moreno faz contato com terra firme, quase isolando duas partes do lago Argentino, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Um túnel de água liga as duas partes do lago quase bloqueadas pelo glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Um túnel de água liga as duas partes do lago quase bloqueadas pelo glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


A bandeira argentina tremula orgulhosamente sobre o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

A bandeira argentina tremula orgulhosamente sobre o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


O Upsala também pode ser visitado, só que de barco. Ambos fazem parte do Parque Nacional Los Glaciares, o mesmo em que estivemos vários dias caminhando na região de El Chaltén. Mas aqui mais ao sul, praticamente toda a visitação do parque gira mesmo em torno de sua maior estrela: o Perito Moreno. O aeroporto de Calafate recene aviões de grande porte e a estrada de asfalto que liga a cidade ao glaciar é muito bem cuidada, assim como as passarelas de madeira que levam os turistas aos pontos de observação. Os carros (e ônibus) ficam estacionados já dentro do parque em uma área a poucos quilômetros das passarelas e pequenos micro ônibus trazem os turistas nesse trecho final.

Placa de orientação para as passarelas de madeira que levam ao glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Placa de orientação para as passarelas de madeira que levam ao glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Visita ao fabuloso glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Visita ao fabuloso glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


As paredes de 60 metros de altura do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

As paredes de 60 metros de altura do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Aqui chegando, há um complexo turístico com lojas e um restaurante bem ao estilo americano, onde centenas de turistas se digladiam entre si. Do lado de fora, mapas mostram todas as rotas e caminhos do verdadeiro labirinto de passarelas. A frente do glaciar é tão grande que ela acaba se dividindo aqui perto e os caminhos nos levam para todas essas faces distintas de gelo.

O sol ilumina o gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

O sol ilumina o gelo do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


O fantástico glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

O fantástico glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Um arco de gelo se forma na frente do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina. Antes de pertirmos, ele seria destruído

Um arco de gelo se forma na frente do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina. Antes de pertirmos, ele seria destruído


Do alto dos mirantes, a gente perde um pouco a noção de escala dessa coisa tão gigantesca. Mas quando vemos alguns barcos grandes repletos de turistas navegando nas águas do lago e se aproximando cuidadosamente das paredes de gelo do glaciar, aí sim temos a noção extada de seu tamanho. Barcos grandes tornam-se barcos de brinquedo. Os icebergs que víamos flutuando na água e que pareciam pequenos, agora sim, comparados aos barcos, não são tão pequenos assim.. E o absoluto emaranhado de torres de gelo à nossa frente, gelo torcido e retorcido que forma um verdadeiro labirinto na superfície do glaciar e se estende por quilômetros a fio ganha um novo e real significado. Sem querer parecer prolixo, é de tirar o fôlego.

Visita ao glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Visita ao glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Linha de frente do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Linha de frente do glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Torres de gelo torcem e se retorcem no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

Torres de gelo torcem e se retorcem no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina


Por falar em tirar o fôlego, há uma outra característica, um “evento”, que torna o Perito Moreno ainda mais especial. É a chamada ruptura, algo que só ocorre de anos em anos., algumas vezes em intervalos de 2 anos, outras em intervalos muito maiores. Para os sortudos que já presenciaram, é algo que não se esquece nunca mais. Ela ocorre quando o Perito Moreno avança um pouco mais e chega a tocar a Península de Magalhães. Quando faz isso, a geleira isola uma parte do lago, o chamado Brazo Rico, do resto do Lago Argentino. Como o gelo se estende até o solo do lago, a água não consegue mais passar de um lado ao outro. E aí essa parte isolada, que não tem nenhum outro ponto de vazão de sua água, começa a encher, encher, encher...

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 1 de 10)

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 1 de 10)


Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 2 de 10)

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 2 de 10)


Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 3 de 10)

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 3 de 10)


O desnível entre o Brazo Rico e o Canal de Los Tempanos já chegou a incríveis 30 metros! Tempano é o nome que se dá aos blocos de gelo que se desprendem de um glaciar e o Canal de Los Tempanos é o canal que faz a ligação do Brazo Rico e o resto do Lago Argentino, sempre tão cheio de pedaços de gelo que ganhou esse nome. Pois bem, tamanho desnível de água causa uma pressão gigantesca e o dique natural de gelo acaba cedendo, desmoronando na verdade, e toda a água flui de um lado para o outro. É um evento de proporções quase cataclísmicas que pode ser visto em vários vídeos na Internet. Nem todas as vezes em que esse dique natural se formou houve uma diferença tão grande entre as colunas de água, mas sempre o seu rompimento é muito festejado. Primeiro, a força da água constrói um túnel no gelo. Depois, com sucessivos desmoronamentos, o túnel vai aumentando, formando arcos cada vez mais amplos. Até que a ponte natural sobre o arco desmorona. Aí, é preciso esperar mais alguns anos para o dique se formar novamente.

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 4 de 10)

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 4 de 10)


Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 5 de 10)

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 5 de 10)


Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 6 de 10)

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 6 de 10)


Hoje, quando estivemos no Perito Moreno, a glaciar está firmemente ancorado na Península Magallanes, mas há um túnel sobre ela que dá vazão à água. Ela corre de forma extremamente violenta ali embaixo e acho que uma nova ruptura não demorará a ocorrer. Mas não foi hoje. Teria sido muita sorte! Mas não ficamos a ver navios, não. O tempo todo ocorrem “pequenos” desabamentos na parede do glaciar, blocos com dezenas de metros e toneladas despencando na água, levantando muito vapor e fazendo barulhos ensurdecedores, para a alegria dos turistas. Mas o ponto alto foi a destruição de um belo arco de gelo com uns 20 metros de altura. Desde que chegamos estávamos de olho nele. Passeamos, fomos em todas as passarelas, mas estávamos sempre de olho. Até que, quando já pensávamos em partir, quem começou a partir foi ele.

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 8 de 10)

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 8 de 10)


Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 9 de 10)

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 9 de 10)


Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 10 de 10)

Um arco de gelo entra em colapso no glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina (foto 10 de 10)


Aí, foi um corre-corre, todos os turistas que perceberam o movimento tentando se posicionar para tirar fotos. Em menos de um minuto, aquela verdadeira obra de arte deixou de existir, virou pó, vapor e tempanos e sumiu nas águas violentas do Canal de Los Tempanos. Foi um gostinho que tivemos de uma verdadeira ruptura. Um lembrete de como tudo nesse mundo é fugaz e que, portanto, precisamos aproveitar cada momento como se fosse o último. É o que dá mais beleza às nossas vidas...

A Fiona também conheceu o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

A Fiona também conheceu o glaciar Perito Moreno, no parque Nacional Los Glaciares, região de El Calafate, no sul da Argentina

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