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Passeio na Capital

Nicarágua, Ometepe, Manágua, León

A moderna Catedral de Manágua, capital da Nicarágua

A moderna Catedral de Manágua, capital da Nicarágua


Atravessamos a Isla Ometepe hoje cedo em tempo de pegar o ferry das 09:00 da manhã, já com reserva antecipada para garantir o disputado espaço para a Fiona. De "volta" ao continente, era tempo de seguirmos ao norte do país. Passamos ao lado da histórica Granada, mas resolvemos deixá-la para a volta, daqui a uns 7-8 meses. A nossa primeira parada estava programada para a capital Manágua.

Bandeiras do país e da FSLN tremulam em Manágua, capital da Nicarágua

Bandeiras do país e da FSLN tremulam em Manágua, capital da Nicarágua


Durante boa parte da história do país, as duas mais importantes cidades da Nicarágua eram Granada e León. De tendências políticas opostas, elas disputavam continuamente o poder no país, conservadores contra liberais, muitas vezes levando a nação à guerra civil. Finalmente, em meados do século XIX, numa resolução por compromisso, as duas forças políticas aceitaram que a capital fosse transferida para uma terceira cidade, a pequena e pacata Manágua, situada entre León e Granada.

Estátua de revolucionário em Manágua, capital da Nicarágua

Estátua de revolucionário em Manágua, capital da Nicarágua


A tranquila vila logo cresceu para se tornar a maior cidade da Nicarágua, com um belo centro histórico,segundo relatos da época. Temos de nos fiar nesses "relatos" porque esse centro foi completamente destruído por um grande terremoto seguido por incêncio no final da década de 20 do século passado. Sobre as cinzas um novo centro foi construído, com o árduo esforço dos cidadãos de Manágua. A cidade era uma das mais dinâmicas da América Central quando um novo e devastador terremoto botou tudo abaixo, em 1972.

O grande lago de Manágua, capital da Nicarágua

O grande lago de Manágua, capital da Nicarágua


Enquanto o ditador Somoza soube aproveitar a desgraça para faturar milhões com a especulação imobiliária que se seguiu a tragédia, com novos bairros sendo criados em locais mais "seguros", cientistas advertiam que uma nova reconstrução do centro estaria fadada a ser destruída por novos terremotos. Assim, essa área central foi deixada como área livre de novas construções, um lembrete da força destrutiva da natureza, passada e futura. A antiga Catedral, interditada desde então, é a lembrança viva deste fato.

Silhueta gigante de Sandino, líder revolucionário do país (em Manágua, capital da Nicarágua)

Silhueta gigante de Sandino, líder revolucionário do país (em Manágua, capital da Nicarágua)


Resolvemos aproveitar as facilidades de um trânsito dominical para passarmos algumas horas na capital nicaraguense. Começamos nossa visita pela Laguna Tiscapa, uma antiga caldeira de vulcão em pleno centro de Manágua. Ali do lado, num promotório, a gigantesca silhueta de Sandino, o reverenciado herói nacional, observa toda a cidade. Com menos de 40 anos ele liderava um exército que por anos enfrentou os marines americanos sem se deixar capturar. Seu nome se tornou uma legenda na época, tanto na América Central como em todo o mundo. Comunistas da URSS ao México o glorificavam. Finalmente, com a saída dos gringos do país, Sandino estava negociando um acordo com o presidente liberal da época. Mas ao sair do palácio governamental após uma sessão de negociação, foi capturado pela Guarda Nacional de Somoza (o pai, fundador da dinastia) e morto em seguida. Pouco depois o presidente seria derrubado em um golpe e mais de 40 anos de feroz ditadura seguiriam. Fico imaginando o que diziam os livros de história da Nicarágua sobre essa interessantíssima figura (Sandino) na época em que a família Somoza ainda reinava no país...

Fotos de duas reverenciadas personagens do país: o poeta Dario e o revolucionário Sandino (em Manágua, capital da Nicarágua)

Fotos de duas reverenciadas personagens do país: o poeta Dario e o revolucionário Sandino (em Manágua, capital da Nicarágua)


A moderna Catedral de Manágua, capital da Nicarágua

A moderna Catedral de Manágua, capital da Nicarágua


Bom, daí seguimos para a moderna Nova Catedral de Manágua, uma construção meio com cara de Niemayer. Aliás, Manágua lembra Brasília, muitas avenidas e poucas esquinas. Uma parada para fotos e rápida caminhada pelo enorme prédio e continuamos nosso tour para o antigo centro, a antiga Catedral ainda torta desde o terremoto de 72.

A antiga Catedral de Manágua, semi-destruída pelo grande terremoto de 1972 em Manágua, capital da Nicarágua

A antiga Catedral de Manágua, semi-destruída pelo grande terremoto de 1972 em Manágua, capital da Nicarágua


Ali do lado, em frente ao enorme e poluído Lago de Manágua, o Puerto Salvador Allende, com restaurantes e bares à beira d'água. Entre estátuas e textos homenageando o antigo presidente chileno, além de Sandino e do poeta Dario, tivemos uma agradável refeição, admirando ao longe, do outro lado do lago, o cone vulcânico mais perfeito da América Central, do vulcão Momotombo. Local concorrido pela classe média da capital num domingo de tarde, éramos os úncos turistas à vista, o que tornou o passeio ainda mais interessante.

Clima de natal em Manágua, capital da Nicarágua

Clima de natal em Manágua, capital da Nicarágua


De estômagos cheios, demos adeus à politizada capital e seguimos para León, quase 100 km ao norte, nosso destino final hoje. Seguimos pela estrada velha, um pedaço dela de terra, quase sem movimento, se desconsiderarmos bovinos e equinos. Devagarzinho chegamos à antiga capital do país, um dos berços do sandinismo honrando suas centenárias tradições liberais. Instalamo-nos no Lazy Bones e ainda fomos passear, pela noite, pelas históricas ruas do centro da cidade. O nosso primeiro gostinho dessa bela cidade foram a decoração natalina da praça central e a enorme catedral, a maior da América central, iluminada para a noite

A Catedral de León, norte da Nicarágua, a maior da América Central

A Catedral de León, norte da Nicarágua, a maior da América Central


Amanhã devemos ficar aqui no centro mesmo, passeando pela cidade, seus museus e igrejas. E quando cansarmos ou ficarmos com preguiça, estaremos sempre perto do Lazy Bones, estrategicamente posicionado entre as principais atrações e prédios históricos.

Clima natalino: presépio na praça central de León, norte da Nicarágua

Clima natalino: presépio na praça central de León, norte da Nicarágua

Nicarágua, Ometepe, Manágua, León,

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O Apogeu do Império Inca

Peru, Cusco

Fim de tarde glorioso nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru

Fim de tarde glorioso nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru


Por volta do ano de 1400, enquanto cristãos ainda lutavam para expulsar os mulçumanos da Península Ibérica, numa guerra que já durava cinco séculos, o noroeste da América do Sul tinha um complicado mapa político. Essa região onde floresceram as primeiras e as mais avançadas civilizações desse continente estava toda dividida em pequenos reinos e áreas de influência. Certamente, o mais poderoso desses reinos era o Chimu, localizado onde hoje é o Equador. Entre os reinos de menor significância, estava um centrado na cidade de Cusco, no coração do altiplano peruano. Os nobres desse reino formavam uma rígida casta social conhecida como “Incas”. Séculos mais tarde, os conquistadores espanhóis generalizariam erroneamente esse nome para todo aquele povo e a civilização, destinada a se tornar a mais poderosa de todo o mundo pré-colombiano, para sempre ficou conhecida como civilização Inca.

As ruínas da antiga fortaleza de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru

As ruínas da antiga fortaleza de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru


Os incas haviam se estabelecido na região de Cusco há pouco menos de dois séculos e, desde então, vivam em constante guerra com seus vizinhos, sem nunca adquirir grande importância. Governados por uma monarquia autocrática e um imperador que mais se confundia com um deus, o atual governante já era o oitavo da dinastia e se chamava Viracocha. Tudo caminhava para que ele fosse sucedido pelo seu filho mais velho e os incas pareciam para sempre condenados ao anonimato e insignificância histórica. Foi quando um evento mudou para sempre a sua história.

Com o Gustavo, visitando as ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru

Com o Gustavo, visitando as ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru


Cusco estava sitiada pelos arquirrivais dos incas, os Chancas. Tudo parecia perdido e Viracocha e seu filho mais velho deram no pé, querendo salvar a própria pele. Coube então a outro filho do imperador, o jovem Pachacuti, liderar o exército do reino, salvar a cidade e dar uma tremenda sova nos Chancas. Viracocha reconheceu o valor do filho mais novo e tratou de mudar a linha sucessória, nomeando-o seu sucessor. Foi o grande feito de sua vida, pois Pachacuti estava destinado a ser o mais importante dos Incas, levando o obscuro reino a tornar-se o mais vasto império da Terra quando morreu, algumas décadas mais tarde.

A 'Pegada do Jaguar', nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru

A "Pegada do Jaguar", nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru


Os enormes monolitos das ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru

Os enormes monolitos das ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru


Pachacuti não só levou uma vida de conquistas, levando o império até o Pacífico, no oeste, até Bolívia, no leste, e até o Equador, no norte, como reorganizou a cidade de Cusco, transformando-a numa verdadeira capital imperial e construindo seus mais importantes marcos arquitetônicos, como palácios e templos, aqueles que ainda hoje estão de pé na cidade. Ele também institucionalizou a tradição de dar o comando do exército ao filho eleito como sucessor, para que ele já fosse aprendendo (e sendo testado!) como líder militar.

O casal 1000dias assediado por fotógrafos durante visita às ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru

O casal 1000dias assediado por fotógrafos durante visita às ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru


Pois seu filho não o decepcionou! Topa Inca, ainda com o pai em vida, derrotou e anexou o poderoso reino de Chimu, o único que ainda fazia frente aos Incas. Depois, já como imperador, no ano de 1480, criou uma grande frota que teria chegado às Ilhas Galápagos e, possivelmente, à Ilha de Páscoa. Mas foi no reinado de seu filho e sucessor, Huayna Capac, que o Tahuantinsuyu, como o império inca era conhecido em sua própria língua, chegou ao apogeu. Começava no norte da Argentina e do Chile e se estendia até o sul da Colômbia. Sua área de influência ia ainda mais além, descendo os Andes e entrando na Amazônia, chegando ao Acre e, muitos dizem, ao Pantanal! Não é a toa que os índios contatados pelos portugueses lá no Paraná, no início do séc. XVI, sabiam da existência de um rico e vasto império nas “montanhas ocidentais”.

A bela vista que se tem de Cusco do alto das ruínas de Saqsaywamán, no Peru

A bela vista que se tem de Cusco do alto das ruínas de Saqsaywamán, no Peru


A bela vista que se tem de Cusco do alto das ruínas de Saqsaywamán, no Peru

A bela vista que se tem de Cusco do alto das ruínas de Saqsaywamán, no Peru


O vasto império estava muito bem organizado, ligado por uma incrível rede de estradas que cortavam planícies, planaltos e montanhas. Tudo indicava que mais um século de glórias se seguiria, quem sabe o império chegando à América central, no norte, a ao Brasil, no leste. Mas um acontecimento completamente inesperado e imprevisível colocaria fim a essa expansão, de maneira abrupta e trágica. Ainda mais rápido do que havia se formado e crescido, o império se desfaleceria. Um inimigo cruel e impiedoso se aproximava, vindo do outro lado do Oceano. Seu nome: varíola. Seu portador: os conquistadores espanhóis.

O incrível encaixe das construções incas nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru

O incrível encaixe das construções incas nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru


Há três décadas Colombo já havia chegado ao Caribe. Há vinte anos, os europeus já tinham feito seus primeiros contados no norte da América do sul. No México, Cortez havia subjugado o Império Asteca há apenas 8 anos, botando de joelhos um reino com quase 20 milhões de habitantes. Alheio a tudo isso, Huayna Capac levava seu império até a Colômbia, junto com seu filho e provável sucessor. Ali, além de novas glórias militares, eles se encontraram com uma estranha e misteriosa peste que estava matando milhares de pessoas, muito antes que qualquer tribo sul-americana fosse atingida pelas espadas espanholas. Era a varíola, que não fazia distinção entre pobres e ricos, mulheres ou homens, simples agricultores ou poderosos imperadores. Huayna e seu filho preferido caíram doentes. No seu leito de morte, sabendo também que seu primogênito não sobreviveria, Huayna ainda teve a chance de escolher, entre os mais de cem filhos, um outro sucessor. Era costume entre os Incas ter muitas mulheres oficiais, além de dezenas de concubinas. Quanto mais filhos, melhor. Ter mais de cem deles era comum, entre imperadores e nobres poderosos. Huayna acabou dividindo seu império em dois, entre um filho “oficial”, Huascar, que ficaria com Cusco e as províncias do sul, e um filho com uma concubina, Atahualpa, que ficaria com Quito, a segunda cidade mais importante do império, e as províncias do norte. Essa divisão, somada com a impressionante mortandade causada pela varíola, marcaria o fim dessa gloriosa civilização.

Turistas visitam, no fim da tarde, as ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru

Turistas visitam, no fim da tarde, as ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru


Como os espanhóis sabiamente se aproveitaram disso, é um assunto que vou tratar nos próximos posts, enquanto conhecemos algumas das ruínas deixadas pelos incas, em Cusco e no Valle Sagrado. Ontem e hoje, por exemplo, visitamos duas das mais famosas ruínas dos tempos do maior de todos os Incas, o grande Pachacuti: a fortaleza de Sacsayhuaman e o Palácio de Qorikancha.

O Gustavo aproveita um escorregador natural nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru

O Gustavo aproveita um escorregador natural nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru


Com um nome tão complicado, Sacsayhuaman acabou ganhando um apelido dos turistas que o visitam: “sexy woman”. Desse modo, fica muito mais fácil lembrarmos do nome. Nossos amigos holandeses, por exemplo, logo disseram que estavam acampados perto do “sexy woman”, quando nos escreveram para ensinar como chegar até lá. Foi para a tal “mulher sexy” que fomos com o Gustavo, depois da visita ao acampamento dos overlanders, ontem de tarde.

Descansando em um dos muitos tronos reais nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru

Descansando em um dos muitos tronos reais nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru


Na verdade. Sacsayhuaman não foi uma criação de Pachacuti, pois templos e construções já existiam por lá antes mesmo dos Incas chegarem à região de Cusco no séc. XII. O beleza do local, num platô com vista para todo o vale onde hoje está a cidade já inspirava os primeiros habitantes há alguns milênios. Mas foi Pachacuti que expandiu suas fortificações e construções, transformando-a na grande fortaleza que conhecemos hoje.

O Gustavo fotografa o pátio interno do Templo Mayor Inca, o Qorikancha, em Cusco, no Peru

O Gustavo fotografa o pátio interno do Templo Mayor Inca, o Qorikancha, em Cusco, no Peru


Uma visita a este local está em todos os roteiros de quem visita Cusco. Com efeito, lá estive há 23 anos, uma das lembranças mais fortes que tinha daquela época. Daquela vez, fomos em um tour, pois Sacsayhuaman está longe demais para se ir a pé. Agora, com a Fiona, ficou mais fácil e chegamos no finalzinho da tarde, com os outros turistas já indo embora. Contratamos uma guia ali mesmo e, por uma hora, caminhamos pela fortaleza, ela nos dando as informações históricas e técnicas. O que mais impressiona é o tamanho das pedras usadas nas construções. Como foram levadas até lá encima por um povo que não utilizava a roda e nem tinha animais de carga continua um mistério. Assim como o é a precisão com que essas pesadas pedras foram cortadas e encaixadas entre si. Não é a toa que há tanta gente que ainda acredita na ajuda de seres extraterrestres para fazer isso. Pessoalmente, acredito que acabamos por desmerecer essas engenhosas antigas civilizações ao dar os créditos aos ETs, e não a elas, por essas incríveis construções.

Pátio interno do Templo Mayor Inca, o Qorikancha, em Cusco, no Peru

Pátio interno do Templo Mayor Inca, o Qorikancha, em Cusco, no Peru


Por fim, foi exatamente em Sacsayhuaman que se deram algumas das mais sangrentas batalhas entre incas e espanhóis, o local onde europeus sofreram grandes baixas e os incas aprenderam que seus rivais não eram invencíveis. Foi durante o famoso “Cerco de Cusco”, em que o irmão de Pizarro foi morto. Mas também foram mortos milhares de guerreiros incas que, durante dias, tiveram seus corpos comidos por aves de rapina. O nome complicado da fortaleza vem daí: “local onde se alimentam os falcões”. Alimentavam-se de pessoas mortas...

Jardins do palácio Qorikancha, em Cusco, no Peru

Jardins do palácio Qorikancha, em Cusco, no Peru


Hoje em dia, aí são feitos os festivais que comemoram o solstício de inverno, numa grande festa de cores e tradições incas. Para quem não chega justo nessa época, o maior atrativo é mesmo o encaixe das enormes pedras. Parecem coladas umas às outras e nem uma faca pode entrar entre elas. É mesmo incrível...

Foto em parede do Templo Mayor, no mesmo lugar de 23 anos atrás, em Cusco, no Peru

Foto em parede do Templo Mayor, no mesmo lugar de 23 anos atrás, em Cusco, no Peru


A mesma técnica perfeita de encaixe pode ser observada no Qorikancha, o Templo Mayor do Incas, onde estivemos hoje. Esse sim, obra de Pachacuti, desde a sua fundação. Aqui, a técnica perfeita de construção nos mostrou mais um segredo: são a prova de terremotos! E a prova disso veio num grande tremor de terra na década de 50.

Caminhando pelo Qorikancha, ou Templo Mayor Inca, em Cusco, no Peru

Caminhando pelo Qorikancha, ou Templo Mayor Inca, em Cusco, no Peru


Quando os espanhóis conquistaram a cidade, muitas das construções incas foram destruídas ou desmontadas, e suas pedras usadas para a construção de ruas, praças e grandes mansões dos conquistadores. Outras, foram simplesmente cobertas por construções espanholas, como foi o caso do Qorikancha, usado como base para uma igreja dominicana. E lá permaneceu praticamente esquecido por quase 400 anos quando um grande terremoto botou a baixo boa parte das edificações coloniais da cidade. Mas o que ruiu, eram apenas as construções espanholas. As construções incas continuaram de pé, praticamente intactas.

Caminhando pelo Qorikancha, ou Templo Mayor Inca, em Cusco, no Peru

Caminhando pelo Qorikancha, ou Templo Mayor Inca, em Cusco, no Peru


Esse acabou sendo o lado bom do grande terremoto. Foi como se a cidade se desnudasse e um grande tesouro arqueológico reapareceu. Certamente, o de maior destaque foi o Qorikancha, que hoje podemos todos visitar, um dos maiores atrativos de Cusco, reminiscência de um período de glórias que só conhecíamos pelos relatos espanhóis daquela época. Também ele faz parte das visitas “obrigatórias” para quem vem à Cusco.

Relíquia Inca no Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru

Relíquia Inca no Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru


Mas a cidade oferece muito mais, e nem tudo são ruínas. Praças, ruas charmosas e vizinhanças envolventes. Assuntos para o próximo post...

Visita ao Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru

Visita ao Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru

Peru, Cusco, história, Inca

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Um Dia em Jampa

Brasil, Paraíba, João Pessoa

Água de coco depois do cooper, na praia de Cabo Branco, em João Pessoa - PB

Água de coco depois do cooper, na praia de Cabo Branco, em João Pessoa - PB


João Pessoa é a terceira mais antiga capital do Brasil, tendo "nascido" em finais do séc XVI. Mas o seu nome é bem mais recente, homenagem a um famoso político local, presidente (governador) do estado, assassinado em 1930. Embora essa morte tenha sido muito bem usada politicamente pelo grupo de Vargas para se iniciar a revolução de 30, afinal João Pessoa era o candidato à vice em sua chapa, o asassinato do político paraibano estava muito mais ligado à questões de honra do que propriamente políticas. Essa história está muito bem retratada no famoso filme de Tisuka Yamasaki, "Paraíba Mulher Macho", do início da década de 80. João Pessoa era retratado por Walmor Chagas, sempre com seus eternos cabelos brancos.

Praia de Manaíra, em João Pessoa - PB

Praia de Manaíra, em João Pessoa - PB


João Pessoa havia mandado a polícia invadir escritórios de vários adversários políticos, teoricamente a procura de armas que seriam usadas num golpe de estado. No escritório de um advogado, ao invés de armas a polícia encontrou a correspondência íntima e amorosa do advogado e sua "namorada", uma poetisa famosa da época, que com suas idéias de "vanguarda" (até o voto feminino, ela defendia!), já escandalizava a conservadora sociedade paraibana. João Pessoa mandou publicar essas cartas na imprensa, o que deixou os amantes meio "expostos" em suas intimidades. Pouco depois, o advogado acertou suas contas com João Pessoa em uma confeitaria em Recife: dois tiros à queima roupa. A trágica história não acaba aí, claro. Ele foi preso e, poucos meses depois, assassinado junto com um parente seu, que nada tinha a ver com a história, na prisão. A polícia alegou que fora suicídio. Quem se suicidou de verdade, alguns dias depois, foi a poetisa, que havia se mudado para Recife para poder estar sempre visitando o seu amor. E toda essa trágica história acabou por ajudar bastante a levar Vargas para o poder. Mas o destino também acabaria por levar esse. Suicídio também. Shakespeare deveria ter nascido na Paraíba...

Belo visual da piscina de nosso hotel em João Pessoa - PB

Belo visual da piscina de nosso hotel em João Pessoa - PB


Pois bem, no calor do assassinato, a cidade de Parahyba mudou seu nome para João Pessoa. Ela já tinha uma longa tradição de homenagear pessoas com seus nomes. Chamou-se Felipeia, em homenagem ao rei espanhol (pois é, pouca gente se lembra, mas o Brasil já foi espanhol, na época que Portugal e Espanha eram um só reino) e chamou-se Frederikstadt, em homenagem ao manda-chuva holandês, na época de domínio deste país. Hoje, há movimentos na capital para se mudar novamente o seu nome, por meio de plebiscito. Não faltam nomes candidatos...

O famoso hotel Tropical Tambaú, em João Pessoa - PB

O famoso hotel Tropical Tambaú, em João Pessoa - PB


Apesar se hoje a cidade estar voltada para o mar, isso é fato recente. Ela nasceu na beira do rio, subiu o morro e lá ficou, quase a 8 km das praias. Ainda na década de 70, terrenos nas praias de Cabo Branco e Tambaú eram uma pechincha. Morar na praia era "pobre". Para os visionários da época que resolveram fazer um pequeno investimento, o futuro (hoje) lhes sorriu. De qualquer maneira, toda a parte histórica da cidade encontra-se no centro, bem distante da orla.

A belíssima Igreja de São Francisco, em João Pessoa - PB

A belíssima Igreja de São Francisco, em João Pessoa - PB


Foram "essas João Pessoas" que eu e a Ana conhecemos hoje. Primeiro, a da orla. Sol de rachar, caminhamos e corremos por Manaíra, Tambaú e Cabo Branco, três das principais praias da cidade, onde estão a maioria dos hotéis, inclusive o nosso, que fica bem em frente ao mais tradicional hotel da cidade, o Tropical Tambaú, que esse ano faz 40 anos de idade! Apesar disso, sua arquitetura continua impressionando, uma espécie de disco voador gigante, camuflado por grama, pousado bem na ponta de Tambaú. Ainda na orla, observamos atentos o local do show da noite, de Margareth Menezes.

Igreja São José, em João Pessoa - PB

Igreja São José, em João Pessoa - PB


De tarde fomos ao centro dar uma olhada na "lagoa" e nos prédios históricos. O mais belo deles é a Igreja de São Francisco, parte integrante do Convento de Santo Antônio. Um show de arquitetura barroca, patrimônio cultural brasileiro. A Igreja, hoje, é muito concorrida para casamentos mais chiques, enquanto boa parte do convento foi transformada em espaço cultural.

Um raro Cristo barroco com os pés separados, na Igreja São Francisco, em João Pessoa - PB

Um raro Cristo barroco com os pés separados, na Igreja São Francisco, em João Pessoa - PB


Por falar em cultura, de noite fomos ao movimentado show. Praia cheia e animada. O show faz parte de uma rica programação para o mês de Janeiro. Amanhã, por exemplo, lá estará Gabriel, o Pensador. Mas nós ficamos mesmo interessados é no show de fechamento, em fins de Janeiro: Mano Chao. Infelizmente, estaremos longe. Quem estava bem por perto era o secretário de cultura da cidade, que até deu uma canja no show de sua amiga. É o também cantor Chico Cezar. Foi jóia vê-los cantar, juntos, "Mama África".

Show da Margareth Menezes em João Pessoa - PB

Show da Margareth Menezes em João Pessoa - PB


No show da Margareth Menezes em João Pessoa - PB

No show da Margareth Menezes em João Pessoa - PB


Enfim, foi um dia cheio em Felipéia, Parahyba ou João Pessoa. Ou John People, como nós gostamos de falar (tem até um bar com esse nome!). Ou, melhor ainda, em "Jampa", que é o apelido usado por seus prórpios moradores. Se temos "Sampa" no sudeste, temos "Jampa" no nordeste.

Chapéu típico de festas maranhenses exposto em galeria do convento São Francisco, em João Pessoa - PB

Chapéu típico de festas maranhenses exposto em galeria do convento São Francisco, em João Pessoa - PB

Brasil, Paraíba, João Pessoa,

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Entrando em Belize

Belize, Corozal

O belo mar que circunda San Pedro, na grande bareira de corais de Belize

O belo mar que circunda San Pedro, na grande bareira de corais de Belize


Ontem foi o dia de deixarmos definitivamente a América do Norte para trás. Foram mais de doze meses entre os gigantes México, EUA e Canadá, além das mais desconhecidas e exóticas Bermudas e Groelândia. Um continente incrível, cheio de contrastes e belezas naturais. Foi inesquecível, mas nada de ficar olhando para trás! Agora, o nosso foco volta a ser a América Central. E estamos começando justamente pelo único país da região que não havíamos passado na nossa “subida”, Belize, uma espécie de América Latina que fala inglês.

Chegando à Belize!

Chegando à Belize!


A Fiona já está devidamente segurada em Belize

A Fiona já está devidamente segurada em Belize


A passagem pela fronteira foi muito tranquila. Até Agosto do ano passado, brasileiros necessitavam visto para entrar no país, mas felizmente essa exigência (e custo!) caiu. Avisados pelos nossos amigos do 4x1, que passaram por aqui há pouco mais de um mês, evitamos ir atrás dessa burocracia. Eles, que não sabiam disso ainda, pagaram 50 dólares pelo visto e ninguém avisou nada para eles, nem no consulado e nem na fronteira. Para nós, o único gasto foi comprar um seguro obrigatório para a Fiona. Quer dizer, para terceiros. Assim, com ela segurada e nossos passaportes com os devidos stamps (ganhamos uma permanência de 30 dias), estávamos prontos para conhecer mais um país nessa nossa jornada dos 1000dias.

Fomos recebidos de braços abertos em Corozal, a primeira cidade em Belize

Fomos recebidos de braços abertos em Corozal, a primeira cidade em Belize


Litoral de Corozal, em Belize

Litoral de Corozal, em Belize


Belize se diferencia de seus vizinhos da região por ter sido colonizado pela Inglaterra e não pela Espanha. O país ibérico foi a maior potência mundial durante o séc XVI e aproveitou esse período para ocupar quase todo o continente americano naquele século, incluindo aí toda a América Central. Mas essa supremacia mundial caiu no século seguinte e a potência decadente foi substituída por Inglaterra e França no comando dos mares. Mas esses países chegaram atrasados na partilha do continente americano. Restou a eles tomar da Espanha as pequenas ilhas do caribe, assim como a Jamaica e parte de Hispaniola (o Haiti). No continente propriamente dito, pelo menos informalmente, ingleses começaram a ocupar a costa leste da América Central.

Mapa de Belize, espremido por terra entre México e Guatemala e pela 2a maior barreita de corais do mundo, pelo mar. O Blue Hole fica no Lighthouse Reef

Mapa de Belize, espremido por terra entre México e Guatemala e pela 2a maior barreita de corais do mundo, pelo mar. O Blue Hole fica no Lighthouse Reef


Quem começou esse “trabalho” foram os piratas e corsários. Do litoral da Costa Rica à costa de Belize, eram esses bandidos de alto mar que dominavam o pedaço. Mas, por pressão espanhola, os ingleses resolveram ordenar a situação, reconhecendo a soberania espanhola mas, ao mesmo tempo, de maneira informal, continuando a explorar economicamente a região. Diversos tratados se seguiram e, de uma forma geral, a Inglaterra acabou por reconhecer que aqueles eram territórios espanhóis. Mas até hoje, na costa caribenha da América Central, a língua inglesa é mais popular que a espanhola, seja na Costa Rica, na Nicarágua ou em Honduras.

Arquitetura britânica em Corozal, no norte de Belize

Arquitetura britânica em Corozal, no norte de Belize


Belize foi uma exceção. Aqui, para alívio dos colonizadores ingleses, ex-piratas que agora trabalhavam na indústria madeireira, a Inglaterra resolveu “formalizar” o seu controle e derrotou a armada espanhola no início do séc XVIII, assumindo Belize como sua colônia, com o nome de Honduras Britânica. O rancor espanhol com a situação foi herdado por suas antigas colônias e desde o séc XIX que México, Guatemala e Honduras reclamam sua soberania sobre a região. Mas a Inglaterra permaneceu no controle da sua “British Honduras” até 81, quando o país ganhou sua independência com o nome de Belize e, depois disso, continuou a fornecer segurança internacional para o novo país, evitando qualquer aventura bélica dos apetitosos vizinhos. Atualmente, a situação se estabilizou e, aparentemente, todas as fronteiras foram reconhecidas. De qualquer maneira, as forças da rainha continuam por perto...

O famoso Blue Hole, em Belize, fica bem mais impressionante quando é visto de cima, como nessa foto da internet

O famoso Blue Hole, em Belize, fica bem mais impressionante quando é visto de cima, como nessa foto da internet


A língua inglesa é falada por todo o país, mas Belize é completamente multilíngue. Perto das fronteiras terrestres, o espanhol é muito popular. No interior, os dialetos Kek-chi e mo-pan, dos mayas, são a primeira língua. Pelo país inteiro, se fala o creolle, mescla de francês, inglês, dialetos africanos e indígenas (uma misturança só!) e, em algumas poucas cidades do litoral sul, a língua garifuna é que é a corrente. Garifuna é a língua falada por um povo com esse mesmo nome, descendente direto de uma mistura de negros e índios Carib, vindos da ilha de San Vincent e que se espalharam do litoral de Honduras à Belize. Tem uma história interessantíssima e, certamente, ainda vou falar deles em algum post mais para frente.

O sol nasce na baía de Corozal, em Belize

O sol nasce na baía de Corozal, em Belize


Em Corozal, com o sol nascendo, passageiros esperam o barco para San Pedro, em Belize

Em Corozal, com o sol nascendo, passageiros esperam o barco para San Pedro, em Belize


A mais conhecida atração turística do país é o famoso Blue Hole, um antigo cenote hoje localizado em pleno mar, em um atol do lado de fora da grande barreira de corais. Essa é a segunda maior barreira de corais do mundo, atrás apenas da australiana, um local cheio de ilhas paradisíacas e um verdadeiro sonho para mergulhadores de todo o mundo. Mas, evidentemente, as atrações turísticas não se resumem a isso. O país está cheio de impressionantes ruínas mayas, bem longe das multidões que costumam frequentar suas congêneres no México e na Guatemala. A experiência cultural de se poder conviver com a cultura maya atual, assim como com os garifunas também é um grande atrativo.

Nosso barco entre Corozal e San Pedro, já na grande barreira de corais de Belize

Nosso barco entre Corozal e San Pedro, já na grande barreira de corais de Belize


Chegando à grande barreira de corais em Belize

Chegando à grande barreira de corais em Belize


Nós resolvemos ir diretamente à cereja do bolo, para depois explorar as outras atrações. Assim, chegamos à Corozal no final da tarde de ontem e hoje, enquanto o sol nascia, já tomávamos o barco para San Pedro. Essa já é uma ilha que está em plena barreira de corais e dizem ter sido a inspiração da Madonna na sua música Isla Bonita. Mas isso deve ter sido há uns 20 anos... Hoje, o desenvolvimento urbano tomou conta da antiga ilha paradisíaca, vegetação nativa e areia tomadas por asfalto, casas, restaurantes e lojas. Para quem quer bastante agito e muitas festas, pode ser o lugar certo. Mas não para nós. Fomos até lá apenas para mudar de barco e seguir um pouco mais para o sul, para outra cayo chamado Caye Caulker. Parecido com a San Pedro da Madonna de 20 anos atrás. Assim nos disseram e vamos conferir...

San Pedro, lá em plena grande barreira de corais de Belize

San Pedro, lá em plena grande barreira de corais de Belize


Praia em San Pedro, cheia de restaurantes, piers e lojas, em Belize

Praia em San Pedro, cheia de restaurantes, piers e lojas, em Belize


Olhando no mapa, é fácil perceber que teria sido mais rápido pegar o barco em Belize City, a maior cidade do país, bem mais próxima de Caye Caulker. Mas nos disseram que não seria seguro deixar a Fiona por lá, nos esperando. Parece que a cidade é bem perigosa. Assim, deixamos a Fiona no nosso simpático hotel em Corozal, cujo proprietário é um figuraça e muito amável e partimos rumo à antiga Isla Bonita, de lá para a atual isla Bonita e, de lá, em poucos dias, ao famoso Blue Hole! Já estamos em Belize!!!

En San Pedro, embarcando para Caye Caulker, outra ilha na grande barreira de corais de Belize

En San Pedro, embarcando para Caye Caulker, outra ilha na grande barreira de corais de Belize

Belize, Corozal, história, San Pedro

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Pampulha e Mangabeiras

Brasil, Minas Gerais, Belo Horizonte

As luzes de Belo Horizonte - MG vistas do Mirante das Mangabeiras

As luzes de Belo Horizonte - MG vistas do Mirante das Mangabeiras


Após uma manhã de surf e trabalho na internet, levei a Ana para almoçar num dos mais famosos restaurantes de comida mineira, o "Dona Lucinha". Comida saborosa e bem "magra", hehehe. Uma cachaça que desceu como vinho ajudou a lubrificar a garganta antes do tutu, linguiça, couve e outras iguarias mineiras.

Aperitivo com cachaça, linguiça e pão de queijo no Dona Lucinha, em Belo Horizonte - MG

Aperitivo com cachaça, linguiça e pão de queijo no Dona Lucinha, em Belo Horizonte - MG


Para ajudar a digestão, caminhamos para a Praça da Liberdade para visitar um dos centros culturais da praça, o da TIM, ainda em fase de testes. Num futuro próximo, serão vários centros culturais, tornando a Praça da Liberdade uma referência de cultura no Brasil. Todos esses centros culturais ocuparão antigas secretarias de Estado em prédios históricos. Ponto positivo para a capital mineira para felicidade dos belorizontinos.

Crianças no Espaço TIM, em Belo Horizonte - MG

Crianças no Espaço TIM, em Belo Horizonte - MG


No Espaço TIM, entre várias exposições e assuntos, o que mais me chamou a atenção foi acompanhar a visita de crianças ao prédio. Meninos e meninas de sete anos, curiosidade em seu ponto máximo, vendo o planetário, exposições sobre línguagens, sobre a superpopulação da Terra e sobre o consumo de água. Muito divertido acompanhar suas perguntas e, mais ainda, suas respostas às indagações dos professores.

O Mineirão e o Mineirinho, em Belo Horizonte - MG

O Mineirão e o Mineirinho, em Belo Horizonte - MG


De lá, agora de carro, para a Pampulha e a igrejinha de São Francisco, de Portinari, Niemeyer, Burle Marx e JK. Nossa... que grupo! De novo, reminiscências da infância quando, com 10 anos, estudando BH na saula de aula, sentia-me orgulhoso de tanta gente importante envolvida na construção da minha cidade. A lagoa está bem mais limpa que no meu tempo. Num final de tarde em um dia ensolarado, Mineirão e Mineirinho ao fundo, aos olhos de um saudoso ex e eterno habitante da cidade, fica muito bonita. Ainda mais com a Ana posando para fotos.

Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte - MG

Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte - MG


Finalmente, pé na tábua para a Praça do Papa (lá se vão 30 anos!) e Mirante das Mangabeiras, acompanhar o pôr-do-sol e as luzes cintilantes da cidade no início da noite, num dos mais belos visuais de Belo Horizonte. Aliás, não é à tôa que a cidade tem esse nome.

Praça do Papa, nas Mangabeiras, em Belo Horizonte - MG

Praça do Papa, nas Mangabeiras, em Belo Horizonte - MG


De noite fomos a um aniversário. Era da Carol, que mora com a Karina que é a irmã do Dudu, que conhecemos por 30 min em Diamantina. Ele estava na mesma pousada que a gente, perguntou-nos sobre a Fiona, soube da viagem, conversa vai, conversa vem, nos deu o telefone de sua irmã em BH. Entramos em contato com ela que nos chamou para ir no aniversário da Carol, que mora com ela. Assim são os mineiros... calorosos e hospitaleiros.

Final de tarde em Belo Horizonte - MG

Final de tarde em Belo Horizonte - MG


No aniversário, eu, a Ana, a Carol, a Karina e outras cinco meninas. Ouvindo a conversa entre elas, nas diversas conversas paralelas, para mim era música aos ouvidos. Refiro-me ao sotaque, tão gostoso de ouvir e tão igual aos e-mails que às vezes recebo, mostrando a conversa entre mineiros. Aquela coisa de palavras juntadas, últimas sílabas comidas e muitas palavras no diminutivo. Incrível como os tais emails não são exagerados. Outra coisa engraçada, ou na verdade triste para mim é como, em outros estados, logo me reconhecem como mineiro, por causa do sotaque, mas aqui, ao contrário, me tomam como paulista ou qualquer outra coisa, mas não mineiro. Enfim, quase trinta anos de exílio me tornaram apátrida. Gosto de pensar que tenho um sotaque meio Jornal Nacional, sem sotaque. Mas, lá no fundo, queria era estar falando "uai", "sô" e "trem". Quem sabe com um pouco de treino?

A Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte - MG

A Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte - MG

Brasil, Minas Gerais, Belo Horizonte,

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Cachoeira do Frade

Brasil, Ceará, Ubajara (P.N de Ubajara)

Reverenciando a Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Reverenciando a Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Pela primeira vez nessa viagem, a Fiona andava em "comboio". Comboio de dois carros, hehehe. Estávamos indo para a Cachoeira do Frade, passando pela Cachoeira do Boi Morto (que nome!) no caminho, o casal do America Sin Fronteras atrás da gente.

Fiona ultrapassa pampa carregando um enorme porco, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)

Fiona ultrapassa pampa carregando um enorme porco, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)


Fiona atravessando a Cachoeira do Boi Morto, em Ubajara - CE

Fiona atravessando a Cachoeira do Boi Morto, em Ubajara - CE


A Cachoeira do Boi Morto, na verdade, é uma represa onde a água quase sempre está "sangrando". É possível passar de carro bem por onde a água sangra. Assim, quem foi à cachoeira foi a própria Fiona! Bom para dar uma lavadinha nela...

Pequena cachoeira à caminho da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Pequena cachoeira à caminho da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Com a Andrea, descendo o rio à caminho da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Com a Andrea, descendo o rio à caminho da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


De lá para nosso objetivo principal. Quem tinha dado as cordenadas era o Herbert. Morando há tanto tempo por aqui, ele já explorou toda a região e descobriu a tal Cachoeira do Frade logo depois da outra vez que passei por aqui. Deixamos os carros numa propriedade rural a 23 km de Ubajara e caminhamos mais um quilômetro morro abaixo, até um rio. Aí, é só descê-lo até as cachoeiras. São várias menores até a maior delas, no meio do canyon, a Cachoeira do Frade. Resolvemos descer diretamente pela trilha, para chegar lá rapidamente, e depois voltar pelo leito do rio, conhecendo as cachoeiras menores.

Escalada para chegar à Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)

Escalada para chegar à Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)


Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Com uma escalada aqui, outra ali, chegamos até ela. Primeiro até a parte de cima. Depois, a gente desce um paredão e chegamos em baixo. Fomos tomar uma ducha deliciosa quando descobrimos que era possível entrar atrás da cachoeira. Não só entrar como levar a máquina fotográfica também! Deste modo, além do banho delicioso, pudemos tirar fotos maravilhosas! A visão lá de trás, luz de fim de tarde filtrada pela água que caía, estava absolutamente mágica!

Tomando banho na Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Tomando banho na Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Fotografando por detrás da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)

Fotografando por detrás da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)


Difícil foi ir embora. Mas o dia estava no fim e precisávamos de luz para subir o leito do rio. Apesar de um pequeno tombo do Pablo, que tentava carregar a Andrea de um lado do rio para o outro para que ela não molhasse o tenis, chegamos lá em cima são e salvos.

Cachoeira do Frade vista por trás, em Ubajara - CE

Cachoeira do Frade vista por trás, em Ubajara - CE


Explorando a Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Explorando a Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Depois, por mais de uma hora, ficamos trocando fotos e mapas. Eles nos passaram os mapas de GPS de vários países da América do Sul por onde já passaram. Viva o mundo moderno! Agora a Fiona já sabe andar por quase todo o continente!

Feliz da vida na Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Feliz da vida na Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Finalmente, já escuro, nos despedimos. Eles dormiriam ali perto mesmo, já que têm por regra não dirigir de noite. Seguem amanhã para Canoa Quebrada. Nós, em direção oposta. Viemos dormir em Piripri, já no estado do Piauí, que tantas boas recordações nos traz. Ao lado desta cidade está o Parque Nacional de Sete Cidades, que visitaremos amanhã.

Bem feliz após a visita à Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Bem feliz após a visita à Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Cachoeira acima da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Cachoeira acima da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Ao Pablo e Andrea, uma boa viagem, cheia de aventuras e momentos memoráveis. O mesmo que esperamos para nós! Graças à internet, vamos sempre poder nos acompanhar. Como disse acima, viva a tecnologia!

Com a Andrea, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)

Com a Andrea, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)

Brasil, Ceará, Ubajara (P.N de Ubajara), cachoeira, Cachoeira do Frade, Serra do Ibiapaba, trilha

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Dia Molhado

Trinidad e Tobago, Speyside

Cachoeira que forma um belo poço, logo acima da Argyle, a maior de Tobago, próximo à Speyside

Cachoeira que forma um belo poço, logo acima da Argyle, a maior de Tobago, próximo à Speyside


Mais uma manhã de mergulhos aqui em Speyside, na pontinha leste de Tobago. São mais de vinte pontos de mergulho aqui por perto e nós tivemos a chance de, ao longo desses dois dias, conhecer quatro deles. Um dos grandes chamarizes dos mergulhos em Tobago é que os maiores corais-cérebro do mundo estão por aqui. E hoje, vimos alguns deles. Não o campeão, mas certamente alguns cérebros beeeem grandes.

Ao lado de coral-cérebro em Speyside - Tobago

Ao lado de coral-cérebro em Speyside - Tobago


A água estava mais limpa que ontem e os corais mais coloridos. Pena que nossa máquina não consiga captar as cores embaixo d'água. Sai tudo azul. Mas, ao vivo, posso garantir que é bem mais colorido, hehehe!

Peixe-frade durante mergulho em Speyside - Tobago

Peixe-frade durante mergulho em Speyside - Tobago


Grande tarpoon durante mergulho em Speyside - Tobago

Grande tarpoon durante mergulho em Speyside - Tobago


O que vimos também foram peixes maiores. Alguns tarpoons e barracudas, sempre curiosos com a nossa presença. Também algumas taratrugas, lagostas, camarões e os peixes coloridos de sempre. Também passamos por um local conhecido como "máquina de lavar roupa", por causa das fortes correntes. Bem gostoso, mas nada comparável com ontem.

Com os amigos de Berlim, na trilha para a cachoeira Argyle, a maior de Tobago, próximo à Speyside

Com os amigos de Berlim, na trilha para a cachoeira Argyle, a maior de Tobago, próximo à Speyside


De tarde, junto com nossos amigos publicitários de Berlin, o Matt e a Astrid, que conhecemos no barco do mergulho, fomos conhecer a mais alta cachoeira da ilha, a Argyle. Fica a pouco mais de 20 minutos de carro (nós fretamos um, com motorista) e depois, mais quinze minutos de caminhada.

Sabadão concorrido na cachoeira Argyle, a maior de Tobago, próximo à Speyside

Sabadão concorrido na cachoeira Argyle, a maior de Tobago, próximo à Speyside


Quando lá chegamos, fiquei meio decepcionado. Hoje é sábado, e a cachoeira tinha muita gente. Nem deu muita vontade de entrar na água. Mas tivemos a brilhante idéia de seguir rio acima e aí, tudo mudou! O rio é todo encachoeirado, formando várias piscinas. Mais quinze minutos de caminhada e chegamos à uma bela cachoeira com uma piscina muito mais atrativa. E vazia!

Cachoeira que forma um belo poço, logo acima da Argyle, a maior de Tobago, próximo à Speyside

Cachoeira que forma um belo poço, logo acima da Argyle, a maior de Tobago, próximo à Speyside


Oba! Ali pudemos passar um bom tempo nadando, tomando ducha, conversando sobre o trabalho deles (moraram mais de um ano em Xangai!). Muito legal! Depois, de volta para o carro e, no caminho para casa, paramos num restaurante no alto de um morro com uma linda vista do litoral. Os donos, ex-ingleses e ex-novaiorquinos, hoje vivem de um restaurante de comida saudável e natural, para sorte e felicidade de quem para por lá.

Almoçando com nossos amigos berlinenses em restaurante com uma bela vista! (próximo a Speyside - Tobago)

Almoçando com nossos amigos berlinenses em restaurante com uma bela vista! (próximo a Speyside - Tobago)


A conversa com o Matt e a Astrid rendeu até altas horas da noite, no chalé que eles alugaram no nosso hotel, com direiro à vista do mar. Bem diretoria! Depois, cada casal para a sua cama. Eles terão novo mergulho logo cedo enquanto eu e a Ana teremos carro alugado para explorar um pouco mais dessa pequena e charmosa ilha chamada Tobago. Será nosso último dia por aqui já que na segunda seguimos para St Martin.

King's Bay, pequena praia próxima a Speyside - Tobago

King's Bay, pequena praia próxima a Speyside - Tobago

Trinidad e Tobago, Speyside, Argyle, Mergulho, Tobago, trilha

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Enfim, Rumo ao Panamá!

Colômbia, Cartagena

Feliz com o início da viagem de veleiro de Cartagena, na Colômbia, até o Panamá

Feliz com o início da viagem de veleiro de Cartagena, na Colômbia, até o Panamá


Logo cedinho, lá estava o Patrício, meu amigo argentino, no lobby do meu hotel. Juntos compartimos um táxi para o porto da Contecar, a uns 15 km da cidade, local onde nossos carros já estão desde o dia 17 tentando embarcar para o Panamá. Com a inspeção anti-narcóticos marcada para as oito da manhã, a gente esperava firmemente que seria nossa última "visita" ao porto.

Pátio de carros no porto Contecar, em Cartagena, na Colômbia

Pátio de carros no porto Contecar, em Cartagena, na Colômbia


Só para aumentar um pouco a tensão, o site da Walenius, a companhia de navios que fará nosso transporte, estava fora do ar há 24 horas. Assim, não tinha como eu saber se o navio Aida tinha se atrasado mais uma vez ou não... Isso descobrimos ao falar com a polícia no porto. Ele não estava atrasado e a inspeção ocorreria! Viva!!! Mesmo apesar de sermos informados que teríamos de esperar umas duas horas para o início dela, já que os policiais estavam ocupados com outra inspeção, estavamos muito contentes.

A Fiona e La Chancha Viajera prontas para a inspeção antinarcóticos no porto da Contecar, em Cartagena, na Colômbia

A Fiona e La Chancha Viajera prontas para a inspeção antinarcóticos no porto da Contecar, em Cartagena, na Colômbia


Mas, meia hora depois, enquanto aguardávamos resignados na cafeteria, dois policiais apareceram e nos disseram que poderíamos começar já. Dito e feito! Fomos levados ao pátio onde nossos carros já nos aguardavam há 4 dias, levamo-os para uma área onde havia uma pequena sombra (o sol estava de matar!) e começamos a retirar toda a bagagem de dentro. Os policiais foram muito simpáticos mas não deram moleza não. Até um pneu tivemos de tirar dos carros, para passar pelo scanner.

O argentino Patricio e a simpática cadela que fez a inspeção antidrogas nos nossos carros, em Cartagena, na Colômbia

O argentino Patricio e a simpática cadela que fez a inspeção antidrogas nos nossos carros, em Cartagena, na Colômbia


Para complicar um pouco, o tempo mudou de sol para chuva e corremos para tampar nossa bagagens expostas com lona. Foi em nessa hora que chegou a simpática cadela para procurar drogas nas nossas bagagens e carros. Obviamente ela não encontrou nada (será que alguém é estúpido o bastante para tentar levar drogas daqui no carro?) e pudemos, com o arrefecimento da chuva, guaradr tudo novamente em seus lugares. Recebemos nossa documentação para o embarque do carro e, finalmente, a Fiona e a La Chancha Viajera (o carro do Patrício) estavam "listas" para seguir ao Panamá. Aleluia!!!

Prontos e felizes (eu e o argentino Patricio) depois da inspeção antinarcóticos em Cartagena, na Colômbia

Prontos e felizes (eu e o argentino Patricio) depois da inspeção antinarcóticos em Cartagena, na Colômbia


Bom, tudo certo para a Fiona, faltava agora eu e a Ana. Voltamos para a cidade, me despedi do grande Patrício (que segue com sua esposa para o Panamá em dois dias) e fui me encontrar com a Ana. Ligamos para o Marc, o capitão do nosso veleiro, e confirmamos nossa partida. Teríamos de estar na marina logo depois das quatro da tarde.

O pier da marina de Cartagena, na Colômbia, de onde saiu nosso veleiro para o Panamá

O pier da marina de Cartagena, na Colômbia, de onde saiu nosso veleiro para o Panamá


Aí, aproveitamos as horas restantes para trabalhar um pouco no ar condicionado do hotel, onde pudemos ficar até o fim da tarde. O gerente do Hotel Lee, o espanhol Luis, ficou muito nosso amigo. Enfim, depois de um último e tardio almoço, chegamos meio atrasados na marina. Ali já estavam todos os outros passageiros, os australianos figuraças Ben e Alex, o alemão Andy e o espanhol Johan, e também a "tripulação, o nosso capitão catalão Marc e sua ajudante colombiana Glória.

Os passageiros são levados para o veleiro que nos levará ao Panamá (na marina de Cartagena, na Colômbia)

Os passageiros são levados para o veleiro que nos levará ao Panamá (na marina de Cartagena, na Colômbia)


Adeus à Cartagena, na Colômbia. Próxima parada: Arquipélago de San Blás, no Panamá

Adeus à Cartagena, na Colômbia. Próxima parada: Arquipélago de San Blás, no Panamá


Levamos toda nossa bagagem de bote ao Lycka, nossa casa pelos próximos cinco dias e partimos no finalzinho da tarde. Foi muito emocionante deixar Cartagena para trás, depois de todos esses dias e desse trabalhão todo. Agora, cinco dias de tranquilidade total nos esperam, se São Pedro ajudar. Na verdade, primeiro temos de navegar por 40 horas em mar aberto, pouco mais de 300 km até o arquipélago de San Blás, já na costa panamenha. Aí sim a seção de relaxamento começa, três dias vagando (e vagabundeando) nessas ilhas paradisíacas. Ufff, acho que a gente merece!

Já embarcado no veleiro, deixando Cartagena, na Colômbia, rumo ao Panamá!

Já embarcado no veleiro, deixando Cartagena, na Colômbia, rumo ao Panamá!

Colômbia, Cartagena, barco

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A Fauna Natural de Ocean Harbour

Geórgia Do Sul, Ocean Harbour

Um gigantesco elefante-marinho macho e a pequena fêmea ao seu lado, na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Um gigantesco elefante-marinho macho e a pequena fêmea ao seu lado, na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Depois de conhecer a baía de Ocean Harbour de dentro d’água, era hora de conhecê-la por terra. Como todas as baías dessa ilha, há uma pequena planície que circunda a praia e que é ardorosamente disputada por diferentes espécies de animais. Um pouco mais além, montanhas e geleiras quase intransponíveis, um terreno que é inabitável, tanto para nós como para eles, essas mesmas espécies que disputam o terreno ao lado da praia.

O magnífico cenário de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

O magnífico cenário de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Hora de deixar a belíssima baía de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul, para trás

Hora de deixar a belíssima baía de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul, para trás


É por isso que a Geórgia do Sul, apesar de ser apenas uma ilha, na prática se comporta como se fossem várias delas. Cada baía, uma terra isolada, uma outra “ilha”. Para ir de uma praia a outra, de uma “ilha” a outra, só voando ou nadando. Animais que não sabem fazer nem uma coisa ou outra estão fadados a ficar sempre na mesma área da Geórgia do Sul. Aliás, é por isso também que não se desenvolveram ou evoluíram animais terrestres na Geórgia. Falta de espaço de evolução! Essa era a regra até a chegada do bicho-homem que, como todos sabemos, não é muito ligado nessa história de “regras da natureza”. Por isso, com ele trouxe vários animais terrestres que não eram (ou são) naturais da ilha. Assim como fez em todas as ilhas que conheceu ao longo dos últimos 50 mil anos de história.

Um lobo- marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. No fundo, o naufrágio do Bayard

Um lobo- marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. No fundo, o naufrágio do Bayard


Filhotes de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Filhotes de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Bem, os primeiros animais que vimos ao pisar em terra firme foram os mesmos que já havíamos visto desde nosso caiaque e também os mesmos que temos visto nas outras baías da Geórgia do Sul: lobos e elefantes-marinhos e os pássaros, como pinguins, skuas, gansos, gaivotas, shags e albatrozes. Enfim, a fauna natural da ilha. Depois, apurando mais os olhos, apareceu a fauna exótica. Mas antes de falar dela, quero falar da fauna “natural”, pois mesmo ela vimos em situações distintas das que vínhamos vendo até agora.

Um prion coleta material para fazer o seu ninho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Um prion coleta material para fazer o seu ninho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


O verdadeiro jardim em que se transformou o naufrágio Bayard, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

O verdadeiro jardim em que se transformou o naufrágio Bayard, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


A começar pelos shags imperiais, aquele pássaro com barriga branca e costas negras, mas que são diferentes dos pinguins porque sabem voar muito bem. A gente logo os reconhece pelas sobrancelhas amarelas e a mancha azul ao redor dos olhos. Pois bem, por aqui eles não fazem seus ninhos em rochedos, como nas outras baías que visitamos, mas no grande barco enferrujado e encalhado no meio da baía há mais de 100 anos, o Bayard. Já os tínhamos visto e fotografado do nosso caiaque, uma hora antes, mas foi em terra que descobrimos uma coisa. Ele pode até fazer seus ninhos no Bayard, mas o material de construção não está no navio, mas em terra. Então, ele voa para cá, junta alguns gravetos com seu bico e voa para lá, para seguir com a “obra”. Isso explica também o verdadeiro jardim em que se transformou o convés do antigo navio. É a fauna dando uma mãozinha para a flora!

Grupo de pinguins rei em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Grupo de pinguins rei em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Grupo de pinguins rei em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Grupo de pinguins rei em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Dos shags construtores para os pinguins. Sim, claro, já estamos até cansados de ver essa simpática ave nadadora em todas as baías que paramos. Aqui foi igual, pequenos grupos de pinguins rei (aqueles com as manchas amarelas) no gramado tomando um sol para variar. Belos como sempre. Havia também grupos de gentoo (aqueles mais “tradicionais”, apenas preto e branco). Embora com menos frequência, também já tínhamos visto os dois tipos de pinguim no mesmo lugar, mas nunca tão próximos.

Pinguins das espécies gentoo e rei parecem discutir na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de Melissa Bartlett)

Pinguins das espécies gentoo e rei parecem discutir na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de Melissa Bartlett)


Pois é, dessa vez, conseguimos ver algo que já queria ver faz tempo: pinguins de espécies diferentes interagindo. Custou, mas conseguimos! Dois deles acabaram se cruzando, mas não sei se gostaram muito disso não. Pelo menos visualmente, parece até que discutiram. Pois é, isso levanta a outra questão que me tem “atormentado”. Será que falam a mesma língua? Alguém vai saber me responder essa questão?

Lobo-marinho observa praia lotada de elefantes-marinho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho observa praia lotada de elefantes-marinho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Lobo-marinho observa elefantes-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho observa elefantes-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Dos pássaros para os mamíferos. Temos visto lobos-marinhos por todos os lugares. Essa é a época de chegarem às suas praias preferidas e estabelecer um território para poder receber suas pretendentes. Lutam, literalmente, com unhas e dentes por esse território, seu mais valioso ativo e “atrativo sexual”. O problema para eles é que, nesse ano, aparentemente a estação dos elefantes-marinhos atrasou e, quando eles chegam às praias, além de lidar com seus adversários da mesma espécie, ainda tem de lidar com os “antigos inquilinos” das praias que ainda não foram embora. E contras esses, não têm a menos chance. Um elefante-marinho macho é mais de 10 vezes mais pesado que um lobo-marinho, Assim, há de ter paciência...

Lobo-marinho descansa ao sol em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho descansa ao sol em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Lobo-marinho dorme na grama em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho dorme na grama em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Pois bem, aqui em Ocean Harbour os elefantes estão especialmente atrasados. É possível perceber nas feições dos lobos que chegam à praia e veem aquela muvuca de elefantes: “ai ai ai... e agora?”. Sorte daqueles que ainda conseguem um pedacinho... Pelo menos atrás das pedras da praia há um gramado fresquinho e apetitoso, pelo menos nesses dias de sol. Os elefantes preferem a praia mesmo e na grama descansam os lobos nascidos na estação passada e que ainda não foram para o mar em definitivo. Esses podem ainda descansar tranquilamente, pois ainda não se preocupam em procurar namoradas. Como eu disse, num dia ensolarado como hoje, aquela graminha estava mesmo atraente...

Fêmea de elefante-marinho desperta enquanto o macho dorme profundamente na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Fêmea de elefante-marinho desperta enquanto o macho dorme profundamente na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Um enrugado filhote de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Um enrugado filhote de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Por fim, sobraram os atuais reis da praia, os elefantes-marinhos. Passada a época de maior stress, quando os grandes machos também tinham suas batalhas titânicas por espaço e pelos enormes haréns, hoje reina a tranquilidade. Daqueles grandes confrontos de poucas semanas atrás, sobraram as cicatrizes no rosto dos machos, tanto vencedores como perdedores. O que vemos agora são haréns organizados ao redor de um grande macho, além dos elefantinhos recém-nascidos e dos nascidos há um ano.

Família de elefantes-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. O macho é muito maior do que a fêmea

Família de elefantes-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. O macho é muito maior do que a fêmea


Casal de elefantes-marinho namoram na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Casal de elefantes-marinho namoram na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Mesmo assim, em família, ainda se vê o “namoro” entre eles. Esses machos de até quatro toneladas são incansáveis, mas sabem ser gentis também. Quando não estão sobre as fêmeas, estão ao lado delas, abraçando-as candidamente. Assim, um ao lado do outro, é quando percebemos claramente a incrível diferença de tamanho entre os dois sexos. As “elefantas”, que são elas mesmas também muito grandes, maiores que os maiores lobos-marinhos, ficam absolutamente minúsculas perto do macho. Haja coragem...

Um elefante-marinho macho não parece se importar com as cicatrizes de antigas batalhas e dorme tranquilamente na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Um elefante-marinho macho não parece se importar com as cicatrizes de antigas batalhas e dorme tranquilamente na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Ocean Harbour, Bichos, elefante marinho, Lobo Marinho, pinquim

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Cervejas

Brasil, Paraná, Curitiba

Cerveja Teresópolis, em Ouro Preto - MG

Cerveja Teresópolis, em Ouro Preto - MG


Começamos o dia hoje resolvendo a principal pendência que nos trouxe de volta: os passaportes. Era oito da manhã quando estávamos já na Polícia Federal entregando a documentação. Serão entregues na próxima sexta-feira ou, com muita sorte, na quarta, antes do feriado. Tentei falar com o consulado canadense, mas só consegui máquinas, nada de gente. Amanhã, nova tentativa. A máquina fotográfica da Sony já está no conserto. E eu já tirei as radiografias para minha dentista. Nossa... até isso foi dolorido. De noite, novo encontro social, Ana madrugando. Aliás, a Ana também esteve no salão, depois de meses de espera. E assim vamos ticando nossa pendências
Ontem, foram fotos de praia. Hoje, para complementar, fotos de cerveja, grandes companheiras de praia, hehehe! Essa que abriu o post é uma das melhores que temos aqui no Brasil!

O trio de ferro das Bahamas: A lendária Kalik, a popular Sands e a internacional Guiness

Cervejas das Bahamas

Cervejas das Bahamas


Red Stripe, cerveja jamaicana, popular por todo o Caribe

tomando cerveja jamaicana em Provo - Turks e Caicos

tomando cerveja jamaicana em Provo - Turks e Caicos


Até Turks e Caicos tem sua cerveja: Turks Head

Cerveja de Turks e Caicos

Cerveja de Turks e Caicos


Cerveja sabor manga, nas Ilhas Virgens Americanas. Ruiiiiiimmmmmm.....

Cerveja com Gosto de Manga - USVI

Cerveja com Gosto de Manga - USVI


Cerpa na garrafa grande, uma delícia! Muito melhor que a Export, vendida no sul. Sorte dos paraenses!

A Cerpa grandona. Essa, só se acha aqui, no Pará! (na região de Algodoal - PA)

A Cerpa grandona. Essa, só se acha aqui, no Pará! (na região de Algodoal - PA)


Garrafona de 1 litro da Parbo, no Suriname. Boa e barata!

Parbo, a cerveja nacional do Suriname

Parbo, a cerveja nacional do Suriname


Stag, a cerveja forte de Trinidad. As meninas preferem Carib

Stag, cerveja produzida em Trinidad e Tobago

Stag, cerveja produzida em Trinidad e Tobago


Skol em garrafa verde. Quem já viu? Só em St. Kitts...

Cerveja homônima da nossa Skol, em St. Kitts, no Caribe

Cerveja homônima da nossa Skol, em St. Kitts, no Caribe


Nem só com cerveja se mata a sede no Caribe...

Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas

Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas

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