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A Trilha do Rio do Boi

Brasil, Santa Catarina, Praia Grande

1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Uma das regiões mais belas do Brasil se encontra na fronteira entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a poucos quilômetros do Oceano Atlântico. Aí estão os maiores cânions do país, escarpas rochosas com centenas de metros de altura que fazem a transição entre o planalto gaúcho e a Serra Geral e a planície litorânea. Nomes como “Itaimbezinho”, “Malakara” e “Fortaleza”, alguns dos cânions mais conhecidos dessa região, enchem os olhos de turistas e visitantes e frequentam o imaginário de aventureiros já há dezenas de anos.

Mapa do Parque Nacional Aparados da Serra, cercado por trechos do Parque Nacional da Serra Geral, nos dois lados da fronteira entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os principais canyons dos dois parques estão apontados no mapa

Mapa do Parque Nacional Aparados da Serra, cercado por trechos do Parque Nacional da Serra Geral, nos dois lados da fronteira entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os principais canyons dos dois parques estão apontados no mapa


Região dos parques Aparados da Serra e Serra Geral. A parte alta fica no Rio Grande do Sul e a parte baixa, onde está Praia Grande, em Santa Catarina. A trilha do Rio do Boi percorre o interior do canion Itaimbezinho

Região dos parques Aparados da Serra e Serra Geral. A parte alta fica no Rio Grande do Sul e a parte baixa, onde está Praia Grande, em Santa Catarina. A trilha do Rio do Boi percorre o interior do canion Itaimbezinho


Para proteger esse incrível patrimônio natural do país foi criado, já no final da década de 50, o Parque Nacional Aparados da Serra, hoje com cerca de 13 mil hectares. Em 1992, foi a vez do Parque Nacional da Serra Geral, com porções separadas ao norte e ao sul do Parque Aparados da Serra. Tomado em conjunto os dois parques, a área protegida chega aos 30 mil hectares, ou 300 km2 de campos, matas, florestas, rios, planaltos, planícies e claro, as grandes estrelas dos parques, cânions majestosos resguardados da exploração humana (exceto pelo turismo!).


Nosso guia dá as últimas instruções antes de iniciarmos a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Nosso guia dá as últimas instruções antes de iniciarmos a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


Ambos os parques se estendem pelos dois estados, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. De modo geral, podemos dizer que a parte alta, de planalto, se encontra em terras gaúchas, enquanto que a parte baixa, o fundo dos cânions, se encontra em terras catarinenses. Para visitar o trecho de planalto e se embasbacar com a vista lá de cima, a melhor cidade de apoio é Cambará do Sul, norte do rio Grande do Sul. Para quem quer se aventurar por dentro dos cânions, a cidade base é Praia Grande, sul de Santa Catarina. Apesar do nome, nada de praias por aqui. O mar está a cerca de 30 quilômetros de distância.

Colocando as caneleiras para se proteger de picadas de cobra, no início da trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Colocando as caneleiras para se proteger de picadas de cobra, no início da trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


Entrada do canyon do Itaimbezinho, trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Entrada do canyon do Itaimbezinho, trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


Para quem acompanha os 1000dias faz tempo, sabe que nós já visitamos os cânions na sua parte gaúcha, lá no alto. Foi em Julho de 2011, em pleno inverno. Temperatura gelada e paisagens deslumbrantes. Para quem quiser rever a história e as fotos, o post está aqui. Tem até uma foto em que aparece a cidade de Torres, ao fundo, bem distante. Naquela oportunidade, nós concentramos nossa visita no cânion Fortaleza, que fica dentro dos limites do parque da Serra Geral. Apesar de ser uma escolha difícil, esse é provavelmente o mais bonito dos cânions, quando vistos de cima. O Itaimbezinho, o mais famoso e turístico de todos eles, estava fechado naquele dia. Nós nos prometemos naquela época que, ainda durante os 1000dias, nós voltaríamos à região, agora para ver e caminhar pela base dos cânions.

A primeira de muitas travessias de rio na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

A primeira de muitas travessias de rio na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


Subindo a trilha ao longo do Rio do Boi, na parte baixa do canyon do Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Subindo a trilha ao longo do Rio do Boi, na parte baixa do canyon do Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Pode ter demorado, mas promessa feita é promessa cumprida! Agora, com a companhia do sobrinho João Pedro e sua namorada Bruna, finalmente voltamos para cá, do outro lado da fronteira, muitas centenas de metros abaixo de onde havíamos estado quase três anos antes. Já havíamos reservado, três dias atrás, um passeio para entrar no parque, pois para fazer a trilha mais famosa da região, a chamada Trilha do Rio do Boi, que entra dentro do cânion Itaimbezinho, é obrigatório a companhia de um guia credenciado. Saímos pela manhã de Torres, no litoral gaúcho, e menos de quarenta quilômetros de estradas já nos trouxeram para o município de Praia Grande, em Santa Catarina.

Divertindo-se no rio durante a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Divertindo-se no rio durante a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


A Bruna se refresca no rio durante a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

A Bruna se refresca no rio durante a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


Aqui chegando, fomos diretamente à agência que havíamos contratado para encontrar nossos guias e companheiros de caminhada. Ainda estamos no verão e esta é uma época concorrida por aqui. São várias agências na cidade e mais de cem turistas por dia dispostos a percorrer os quase 15 quilômetros da trilha. Ainda em pleno carnaval, fizemos muito bem em fazer a reserva com antecedência. Os grupos não podem ser muito grandes e, conforme o número de pessoas, seguem um ou dois guias conosco. Nosso grupo tinha cerca de 10 pessoas e por isso seguimos com dois guias, os simpáticos Fred e Aline, todos levando seu lanche, prontos para seis ou sete horas de caminhada.

Subindo a trilha ao longo do Rio do Boi, na parte baixa do canyon do Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Subindo a trilha ao longo do Rio do Boi, na parte baixa do canyon do Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Com o sobrinho João Pedro e a Bruna na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Com o sobrinho João Pedro e a Bruna na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


São 12 quilômetros de estrada de terra da cidade até a entrada do parque, já bem próxima da boca do cânion Itaimbezinho. Aí os guias nos dão as últimas orientações e todos vestimos nossas polainas, ou caneleiras. É uma medida de segurança para nos proteger de picadas de cobra. Até onde soube, é uma ocorrência extremamente rara por aqui, mas vale o ditado: muito melhor prevenir do que remediar. Outro ponto importante é estar usando calçados resistentes e que possam se molhar. Boa parte da trilha é sobre pedras e o tempo todo cruzamos o rio que corre no fundo do cânion (o “Rio do Boi”!), para lá e para cá. Totalmente impensável tirar e recolocar o tênis (ou botas) a cada travessia. O rio não é fundo, mas em algumas travessias, chega à altura da cintura. Ou seja, calças e bermudas também vão se molhar!

Todo cuidado é pouco em mais uma travessia do rio na Trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, na Praia Grande, em Santa Catarina

Todo cuidado é pouco em mais uma travessia do rio na Trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, na Praia Grande, em Santa Catarina


Uma das cachoeiras ao longo da trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Uma das cachoeiras ao longo da trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


O início da trilha é em uma mata fechada. Um pouco de barro aqui e ali, mas nada difícil de ser vencido. Caminhamos todos juntos, fila indiana, uma guia na frente e outra atrás. Por enquanto, só estamos esquentando. Até que, pouco mais de um quilômetro adiante, chegamos à primeira travessia. É onde começa toda a graça e beleza da caminhada. A mata se abre, passamos a caminhar sempre ao lado ou dentro do rio e as paredes cada vez mais altas do cânion Itaimbezinho se tornam visíveis. Um cenário para nenhum filme tipo “O Senhor dos Anéis” botar defeito!

O belo cenário da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em ]Praia Grande, em Santa Catarina

O belo cenário da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em ]Praia Grande, em Santa Catarina


Banho de cachoeira na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Banho de cachoeira na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


A cada travessia do rio, nova diversão. O leito do rio é cheio de pedras e a corrente é forte. Para não cairmos, a melhor tática é nos darmos a mão formando uma grande corrente humana. Mas nada impede que sigamos solitários, em busca de mais emoção. Já molhados, cair na água não é mais um problema. Talvez a melhor solução, apenas para variar, seja intercalar travessias de mãos dadas com outras solitárias.

O belo cenário da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em ]Praia Grande, em Santa Catarina

O belo cenário da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em ]Praia Grande, em Santa Catarina


Todos de mãos dadas, travessia de rio na trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Todos de mãos dadas, travessia de rio na trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


O banho no rio é sempre uma opção, mas o guia sabe onde estão os melhores lugares ao longo da caminhada. Nessa época do ano, a água não é fria, mas imagino que no inverno seja dureza. O melhor lugar para o banho é num trecho onde a correnteza nos leva através de uma rampa até uma piscina um pouco mais funda. Uma delícia!

Mais uma travessia de rio na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Mais uma travessia de rio na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


A Ana, o João e a Bruna na trilha do Rio do Boi, dentro do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

A Ana, o João e a Bruna na trilha do Rio do Boi, dentro do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Outros bons trechos, tanto para se refrescar como para admirara, são os pontos onde há cachoeiras. São várias delas, escorrendo pelas paredes do cânion. Quando chove, estão por toda parte. Nas épocas secas, restam apenas algumas. São os pontos de referência que temos, quanto já andamos e o quanto nos resta.

Trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


O belíssimo visual da trilha do Rio do Boi, dentro do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

O belíssimo visual da trilha do Rio do Boi, dentro do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


A partir da metade do caminho, começamos a cruzar com grupos que partiram mais cedo e já estão retornando. Mas, de maneira geral, estamos sós dentro daquela paisagem deslumbrante. O único “congestionamento” foi já perto do final da trilha, onde muitos grupos param para descansar, lanchar ou simplesmente admirar a paisagem.

O João e a Bruna em um dos trechos mais belos da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

O João e a Bruna em um dos trechos mais belos da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Caminhando entre os gigantescos paredões, aguns com centenas de metros de altura, na trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Caminhando entre os gigantescos paredões, aguns com centenas de metros de altura, na trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Na verdade, o caminho continua cânion adentro, mas os turistas desses passeios “normais” não são levados até lá. O cânion fica cada vez mais estreito e grandioso, seus paredões ultrapassando incríveis 700 metros de altura. Em tese, é possível ir até quase o fim e seguir a trilha parede acima, até a parte alta do cânion, já dentro do Rio Grande do Sul. Mas pouca gente faz isso. Na verdade, um pouco mais normal seria descer lá de cima, sentindo inverso. Mas é necessária uma autorização especial do parque, algo que precisa ser organizado com antecedência. Ainda não foi dessa vez, mas quem sabe na próxima vez que voltarmos aqui...

Entre os altos paredões do canyon Itaimbezinho, a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Entre os altos paredões do canyon Itaimbezinho, a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


A majestosa paisagem do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

A majestosa paisagem do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Temos, então, o longo caminho de volta, pouco mais de 7 quilômetros. Passamos a reconhecer as cachoeiras e curvas de rio que havíamos passado. Mas a vista é bem diferente da vinda. Ao invés do fundo do cânion, agora caminhamos olhando para a sua boca. As imensas paredes e escarpas e a mata que se agarra a elas se tornam ainda mais impressionantes.

Momento de descanso ao longo da maravilhosa trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Momento de descanso ao longo da maravilhosa trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Seis horas depois de começarmos a caminhar, estamos de volta ao nosso carro deixado na portaria do parque. Trilha fantástica, diversão garantida! Nem uma cobra no caminho, mas muitas cachoeiras e piscinas para nos banhar. Depois de tanto esforço e de um lanche pequeno, estamos com fome. Voltamos para a cidade e, antes de seguirmos viagem de volta ao litoral, encontramos uma boa lanchonete para recobramos a energia. Fome saciada, a Fiona nos leva novamente para a praia. Praia de verdade e não “Praia Grande”. Vamos iniciar nossas explorações do tão famoso e belo litoral de Santa Catarina. Primeira parada: Farol de Santa Marta!

1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Brasil, Santa Catarina, Praia Grande, cachoeira, cânion, Itaimbezinho, Parque, Rio, trilha

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Home, Sweet Home

Brasil, São Paulo, Campos do Jordão, Ubatuba

Deliciosa casa do Sérgio em Ubatuba - SP

Deliciosa casa do Sérgio em Ubatuba - SP


Após um jantar de gala e comemoração em alto estilo ontem de noite em Campos (fondue ao lado de uma lareira, 0 graus do lado de fora!), partimos meio atrasados hoje para tentar veo o jogo do Brasil já em Ubatuba. Antes de sair, uma última paradinha numa farmácia. Enquanto a Ana se divertia lá dentro fui abordado por um simpático sujeito atraído pela Fiona, seu guincho e seus adesivos. Tem sido assim outras vezes. Ela é uma ótima propaganda ambulante do nosso projeto. Falta só a gente avisar a montadora...

Depois, à toda para o litoral tentando driblar os radares. Estrada bem tranquila, como era de se imaginar, nesse dia e horário. Exceção ao centro de Taubaté, que atravessamos seguindo cegamente o GPS. Se não fosse por ele, acho que ainda estaríamos por lá. Bom, também se não fosse por ele, não teríamos nos arriscado em cruzar a cidade...

A descida da serra também foi vagarosa. Não por causa do trânsito, que como já disse era inexistente. Mas, primeiro, para quem conhece a estrada, sabe que não dá para acelerar muito na descida de Taubaté. Algumas curvas mais fechadas a Fiona quase tem de manobrar. Segundo que o ferio dela está esquentando muito.Assim, passamos a usar bastante o freio motor, variando entre primeira e segunda marchas. Um pouco de cautela não faz mal a ninguém. Principalmente para quem pretende rodar mais de 100 mil km neste carro, inclusive descer estradas pelos Andes à fora...

Em Ubatuba, após algumas tentativas frustradas, acabamos encontrando um simpático churrasquinho de gato para assistirmos o jogo. Deu sorte e faturamos o Chile. Que venha a Holanda. A de 94 ou 98 e não a de 74!

Depois, fizemos umas comprinhas e chegamos à casa do Sérgio, na Praia Vermelha. Depois de tanto tempo fora de casa, nada como chegar em uma que quase consigo chamar de lar. Só é estranho não cruzar com os familiares queridos pelos corredores ou salas. Principalmente os pais, que são a alma dessa casa.

De qualquer maneira, após 16 ou 17 temporadas, o sentimento é de home, sweet home.

Brasil, São Paulo, Campos do Jordão, Ubatuba,

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Atravessando o Rio Magdalena

Colômbia, Mompós, Cartagena

Um ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

Um ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


Para se ir de Mompós à Cartagena é preciso cruzar o Rio Magdalena. Aparentemente estão fazendo uma ponte mas o modo possível de fazer isso hoje é por ferry. Ao contrário dos rios brasileiros onde os ferries cruzam constantemente, aqui são poucos os horários para fazer a travessia. O primeiro é às seis da madrugada, totalmente fora de questão. O último é às cinco da tarde, o que significaria uma viagem noturna à Cartagena. Sobrou o ferry da uma da tarde para nós...

A Casa Amarilla, nosso hostal em Mompós, na Colômbia

A Casa Amarilla, nosso hostal em Mompós, na Colômbia


Demos aquela enrolada básica em Mompós e na nossa pousada Casa Amarilla e fomos enfrentar a fila da balsa. Aproveitamos o tempo de espera para desenrolar todo o cabo do nosso guincho e limpá-lo para depois enrolá-lo novamente. Além disso, passamos um bom tempo respondendo perguntas de camioneiros curiosos com o nosso carro brasileiro e nossa viagem pela América do Sul.

Fila para o ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

Fila para o ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


A viagem de ferry dura uns quarenta minutos rio acima, cruzando planícies alagadas repleta de pássaros. Uma paisagem belíssima que muito me lembrou o pantanal matogrossense.

Embarcados no ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

Embarcados no ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


Enfim, chegamos ao lado de lá do rio. Rompemos os "pedágios" particulares feitos por crianças (moda aqui na Colômbia) e seguimos para Cartagena. Pela primeira vez aqui na Colômbia, e logo duas vezes em menos de quinze minutos, fomos parados por policiais. Apesar da ultrapassagem em faixa dupla (na primeira das paradas), foram muito simpáticos conosco e nos deixaram seguir sem maiores problemas.

A linda paisagem na viagem de ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

A linda paisagem na viagem de ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


Já era noite quando chegamos à Cartagena de Indias. Atravessamos sua periferia horrorosa e chegamos ao belíssimo centro histórico. Foi só aqui que descobrimos que a cidade está em festa e, portanto, muito cheia. É a celebração da independência. Carnaval por cinco dias diretos. Na nossa terceira tentaiva de hotel, todos em Getsemaní, a vizinhança preferida dos mochileiros, conseguimos lugar. Estamos a apenas 300 metros da Plaza del Reloj, a principal entrada do centro histórico dentro dos famosos muros de Cartagena. Mas amanhã, antes dos obrigatórios programas turísticos, nossa prioridade será encontrar um barco para levar a Fiona ao Panamá. É chegada a hora...

No ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

No ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

Colômbia, Mompós, Cartagena,

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Da Chapada Para os Pirineus

Brasil, Goiás, Pirenópolis

Morro do Cabeludo, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO

Morro do Cabeludo, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO


Pouca gente fora de Goiás sabe, mas os Pirineus, essa famosa cadeia de montanhas, não fica entre a França e a Espanha, mas aqui pertinho de Goiânia, na pequena, histórica e charmosa Pirenópolis, ou cidade dos Pirineus.

Pirenópolis é um destino turístico super concorrido para os goianos e brasilienses. Cidade histórica, com origem no séc XVIII ligado à mineração, ainda em tempos coloniais, tem um casario antigo que lembra muito as cidades históricas mineiras, ou mesmo Parati, no Rio de Janeiro. Além do charme, o outro grande atrativo da cidade são suas belezas naturais, como as dezenas de cachoeiras e o P.E dos Pirineus.

Vista dos Pirineus, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO

Vista dos Pirineus, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO


Nosso objetivo era sair hoje de São Jorge, na Chapada, e chegar à Pirenópolis em tempo para visitar esse parque que dá nome à cidade. Das minhas lembranças de uma visita que fiz há uns oito anos, era um programa rápido e relativamente fácil de fazer...

Muitos 'chuvirinhos' no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO

Muitos "chuvirinhos" no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO


Saímos mais tarde que o planejado mas, mesmo assim, ainda tínhamos a intenção de dar uma paradinha no Vale da Lua, ao lado de São Jorge e a mais conhecida atração da Chapada dos Veadeiros fora dos limites do parque. Mas hoje era sábado e, assim que chegamos na estrada que dá acesso á atração, lá estavam dois ônibus abarrotados rumando para o Vale da Lua. Era a deixa que precisávamos para desistir do programa, ainda mais que seria uma visita de pouco tempo, mas paga do mesmo jeito. O Vale da Lua é para ser curtido durante a semana, longe das multidões e com tempo para admirar cada um de seus recantos.

Com o Chico, no alto do 'Pai', no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO

Com o Chico, no alto do "Pai", no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO


Passamos em Alto Paraíso, na nossa pousada Catavento, para pegar o carro do Chico e seguimos em comboio para Pirenópolis, passando pelo Distrito Federal e ao largo de Brasília. Impossível não lembrar da inesquecível Legião Urbana e de seu "Santo Cristo" ao passar ao lado de Planaltina e de Ceilândia. É fácil perceber que a crítica social contida naquela música continua mais atual do que nunca, especialmente nestas cidades da periferia de Brasília.

Com a tarde avançando, chegávamos perto de Pirenópolis e já podíamos observar os Pirineus. E não é que lembram mesmo as montanhas européias? É claro que numa escala muito menor! Foram europeus passando pela região que notaram a semelhança e contribuíram para a mudança de nome da antiga vila para o nome atual.

Uma das quedas d'água do Sorrizal, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO

Uma das quedas d'água do Sorrizal, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO


Não daria tempo de ir até a cidade para depois voltar ao parque. A saída era passar por lá primeiro. O problema é que nossos dois livros-guia advertiam que um guia (de carne e osso)era obrigatório. Não nas minhas memorias! Lembrava-me de trilhas curtas e bem indicadas. Dito e feito! Apesar das placas avisando sobre a necessidade de guia, essa ridícula regra não é seguida. As portarias aparentam estar abandonadas e seguimos tranquilamente até o pé do "Pai, Filho e Espírito Santo", as três montanhas principais dos Pirineus.

Um dos poços do Sorrizal, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO

Um dos poços do Sorrizal, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO


Encima do Pai está uma igreja e uma trilha de 15 minutos nos leva até lá, de onde se tem belíssimas vistas das paisagens ao redor. Há uma procissão em Julho em que as pessoas vem até aqui, à pé, desde Pirenópolis, a 20 km de distância. Isso sim é um belo esforço!

De lá seguimos, ainda dentro do parque, para o Sonrizal, uma sequência de pequenas quedas d'água (principalmente para quem está acostumado com as cachoeiras da Chapada!) e diminutos poços de água cristalina. A gente se refrescou rapidamente e seguimos para Pirenópolis, onde nos instalamos na Pousada Cavalhada, bem no centro histórico.

No mirante do Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO

No mirante do Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO


Fim de semana, cidade movimentada por goianos e brasilienses. Mais do que isso, estamos em período de festas que antecedem as famosas cavalhadas da cidade, então o centro se enche de pessoas montadas em seus cavalos enfeitados. Muito jóia! Comemos num dos muitos bons restaurantes de preços inflacionados da cidade e esticamos para uma boate onde se tocava "legítima" música goiana: jazz! Muito boa, a banda, e foi foi uma surpresa agradabilíssima encontrar essa boa música por aqui, em pleno interior de Goiás. Acabou embalando nosso sono tardio, já quatro da manhã. Vai ser difícil acordar para poder seguir explorando as belezas da cidade...

No mirante do Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO

No mirante do Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO

Brasil, Goiás, Pirenópolis, Parque, Pirineus, trilha

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Caminhos Entre as Américas

Panamá, Cidade do Panamá, Colômbia, San Andrés COL, Providencia

De volta ao Caribe na ilha de San Andrés, na Colômbia

De volta ao Caribe na ilha de San Andrés, na Colômbia


Chegou a hora de voltarmos à América do Sul. Com a Fiona devidamente “empacotada” no porto de Colón, faltava a gente fazer o caminho de volta ao nosso querido continente natal. E há muitos caminhos possíveis entre o norte e o sul.

De volta ao caribe, na ilha colombiana de San Andrés

De volta ao caribe, na ilha colombiana de San Andrés


Para quem está dirigindo por toda a América, o caminho “natural” seria dirigir entre Panamá e Colômbia. Seria... se houvesse estradas. Mas não há, o único trecho da rodovia pan-americana que nunca foi construído. Sorte do Darién, o nome dado ao trecho pantanoso e cheio de florestas que está entre os dois países, um dos terrenos mais virgens e inacessíveis do nosso continente. Já escrevi bastante sobre isso quando passamos por aqui na subida e quem quiser ver os detalhes, o link do post está aqui.

San Andrés, ilha colombiana no Caribe

San Andrés, ilha colombiana no Caribe


Enfim, já que não podemos atravessar com o carro, quais os outros caminhos? O mais comum entre os viajantes do continente é seguir de veleiro entre os dois países, passando pelo arquipélago paradisíaco de San Blás. Foi nossa escolha na vinda e não queríamos repetir a mesma rota. Para quem quiser ver os detalhes dessa bela viagem, o link do post está aqui.

Alegria de voltar ao caribe, na ilha de San Andrés, na Colômbia

Alegria de voltar ao caribe, na ilha de San Andrés, na Colômbia


Outra rota é a mais sem graça de todas: simplesmente, um voo entre Cidade do Panamá e Cartagena. A gente vê tudo lá de cima durante uma hora e pronto. Essa era nossa última opção, aquela que fomos obrigados a comprar no aeroporto de Santo Domingo e que tínhamos como um Az na manga.

Visual totalmente caribenho na ilha de San Andrés, na Colômbia

Visual totalmente caribenho na ilha de San Andrés, na Colômbia


A nossa rota preferida era outra. É possível voar num pequeno avião até a fronteira dos dois países, uma região conhecida como Zapzurro. Ali, atravessamos essa mitológica fronteira entre dois países e dois continentes a pé, ao lado do Mar do Caribe e, em seguida, com uma combinação de lanchas e ônibus, seguimos até Cartagena. Realmente, era meu sonho de consumo: tirar uma foto com um pé na América do Sul e outro na América do Norte, passar pela tal ponte natural formada há 3 milhões de anos, por onde passaram os animais que tentavam colonizar o continente vizinho, assunto de que tratei no post anterior.

Tranquilidade em San Andrés, ilha colombiana no Caribe

Tranquilidade em San Andrés, ilha colombiana no Caribe


Mas, infelizmente, já não conseguimos passagens nesse voo. Ele é feito com um avião pequeno, apenas três vezes por semana. As passagens se esgotam rapidamente. E não pudemos comprar antecipadamente porque ainda não tínhamos certeza que o embarque da Fiona daria certo. Como, aliás, não deu! Atrasou em uma semana. Com isso, teríamos perdido nossas passagens, como perderam os suíços que dividiram o contêiner conosco. Eles também iriam para Zapzurro e compraram as passagens com antecipação. Perderam o voo por causa do atraso no embarque do carro e agora, procuram um plano B. Irão por San Blás.

Vendedora de goiabada em San Andrés, ilha colombiana no Caribe

Vendedora de goiabada em San Andrés, ilha colombiana no Caribe


Nós até nos informamos sobre como chegar à Zapzurro sem o avião. Depois de três horas num 4x4, seriam sete horas numa lancha pequena, sem agenda fixa e que enfrenta mares revoltos. A descrição dos rigores dessa viagem na internet nos fez desistir de cruzar essa fronteira secreta. Mais um item para a lista de tudo o que NÃO fizemos e gostaríamos de ter feito nesses 1000dias...

Deliciosa refeição de rua em San Andrés, ilha colombiana no Caribe: Peixe, arroz de coco e patacones

Deliciosa refeição de rua em San Andrés, ilha colombiana no Caribe: Peixe, arroz de coco e patacones


Mas nós também tínhamos um Plano B bem atraente! Era voar para Cartagena, mas não diretamente. Faríamos uma escala de alguns dias nas ilhas de San Andrés e Providencia, em pleno Caribe! Pois é, logo após nos despedirmos do Caribe na República Dominicana e tentarmos imaginar quanto tempo passaria até voltarmos à região, eis que o destino nos “prega uma peça” e antecipa todas as nossas previsões mais otimistas!


Viajando do Panamá (A) para San Andrés (B), que apesar de estar no Caribe e em frente à Nicarágua, pertence à Colômbia (C) e, portanto, é América do Sul!

Essas ilhas são uma espécie de “aberração geográfica” no mapa político do continente. Elas estão ao lado da Nicarágua, que é um país da América central, têm uma aparência totalmente caribenha, mas pertencem à Colômbia, um país da América do Sul. Para complicar ainda mais, sua colonização foi inglesa, como foi o de boa parte da costa caribenha da América Central.

O dia nasce no cais de San Andrés, ilha colombiana no Caribe

O dia nasce no cais de San Andrés, ilha colombiana no Caribe


A princípio, ela era usada como base por piratas para atacarem os galeões espanhóis que voltavam para a Europa com as riquezas do Novo Mundo. Depois, vieram os colonizadores de fato, ingleses também. Os espanhóis não gostaram da história e invadiram a ilha para despejar seus habitantes. Mas eles sempre retornavam, assim que os espanhóis se retiravam das ilhas. Por várias vezes isso aconteceu até que, em um tratado no final do séc. XVIII, os ingleses reconheceram a soberania espanhola, em troca do direito dos insistentes moradores de continuarem por lá.

Sala de embarque em San Andrés para quem viaja para Providencia,  ilhas colombianas no Caribe

Sala de embarque em San Andrés para quem viaja para Providencia, ilhas colombianas no Caribe


Algumas décadas mais tarde e as guerras de independência alteraram o mapa político da região. Colômbia e Panamá formavam um só país e as ilhas, não tão longe dali, se uniram à nova nação. Já no final do séc. XIX, quando a Colômbia rejeitou a pressão americana para a construção do Canal no istmo, os americanos “ajudaram” os panamenhos a ganharem sua própria independência (e ceder a área do Canal para eles, claro!). Mas as ilhas de San Andrés e Providencia, ainda sem grande valor econômico e estratégico, essas permaneceram com a Colômbia.

Sala de embarque em San Andrés para quem viaja para Providencia,  ilhas colombianas no Caribe

Sala de embarque em San Andrés para quem viaja para Providencia, ilhas colombianas no Caribe


Isso explica a situação atual, essas ilhas tão distantes, mas pertencentes à nação sulamericana. Mas agora que razões econômicas começam a aparecer, sua posse está sendo contestada. Um grande veio de petróleo foi descoberto em suas imediações e a Nicarágua quer fazer valer o direito da proximidade. Além disso, como o sonho de construir um canal ligando os dois oceanos através desse país continua existindo, as águas territoriais na costa caribenha passam a ser de grande importância. A Nicarágua levou sua demanda aos tribunais internacionais e, no ano passado, veio o resultado, um tanto quanto esdrúxulo: a posse das ilhas e cayos que as circundam é colombiana, mas o mar é da Nicarágua. Com isso, os moradores de alguns dos cayos mais distantes nem mais podem sair para pescar... Os dois países reclamam da decisão e o processo promete se arrastar por mais algum tempo...

Cayo Cangrejo, pequena ilha ao lado de Providencia, no caribe colombiano

Cayo Cangrejo, pequena ilha ao lado de Providencia, no caribe colombiano


Alheios a tudo isso, voamos para San Andrés, a mais desenvolvida das ilhas. A ilha já está praticamente toda urbanizada, mas as praias continuam lindas, aquela cor que hipnotiza nossos olhos. Mas queríamos mesmo era ir para Providencia, a ilha aonde o desenvolvimento ainda não chegou e vive-se como se vivia há cinquenta anos. Um barco liga as duas ilhas, cobrindo os 90 quilômetros que as separam em cerca de 3 horas na ida e duas na volta. Isso porque, para ir para Providencia, navegamos contra as ondas e a viagem é um terror para aqueles que enjoam no mar. Na volta, a gente vem surfando, mamão com açúcar.

O quarto do nosso hotel em Providencia, ilha colombiana no Caribe

O quarto do nosso hotel em Providencia, ilha colombiana no Caribe


Em Providencia, ficamos na pousada do Betito, um figuraça que anda o tempo todo com uma sunga que já deve ter uns 30 anos. Muito simpático, nos deu um quarto com uma vista maravilhosa para o Cayo Cangrejo, um dos pontos onde o mar é mais bonito, dezenas de tons de azul até onde a vista alcança. Amanhã, é dia de exploramos esse paraíso! No outro dia, de tarde, voltamos para San Andrés, para poder ver também aquela ilha com mais calma. É, pensando bem, essa semana de atraso da Fiona não vai ser tão ruim assim...

Panamá, Cidade do Panamá, Colômbia, San Andrés COL, Providencia, Caribe, história

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De Volta à Arraial do Cabo

Brasil, Rio De Janeiro, Búzios, Arraial do Cabo

Entrando no mar na Prainha do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ

Entrando no mar na Prainha do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ


Ano passado, um mês antes de casarmos, ainda no mês de Abril, um primo se "antecipou" a mim e se casou antes, em Araruama. Eu e a Ana aproveitamos o grande evento e resolvemos dar uma "esticada" até Arraial do Cabo. Nosso intuito era mergulhar pois a cidade é famosa por isso. Acabou que o mergulho foi meia boca, mas nós acabamos nos apaixonando por algumas praias daqui e pela cor de suas águas. De tudo o que conheço no Brasil, é o que temos mais próximo do Caribe. Em alguns pontos, água bem azul, quase de neón. Da mesma cor que víamos do avião, voando de uma ilha caribenha para outra.

Prainha do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ

Prainha do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ


Bom, gostamos tanto das praias que resolvemos voltar. Estando tão perto, aqui em Búzios, cerca de uma hora de carro nos trouxe, através de Cabo Frio, até Arraial do Cabo. Em Arraial, direto para a Ponta do Atalaia, uma grande península que quase encosta numa ilha distante, também chamada de Cabo Frio. Quase na ponta da ponta está a linda praia que nos fez voltar: a Prainha do Atalaia. Areias branquíssimas no pé de uma encosta pouco acessível. Uma esburacada estrada de terra leva até a parte alta da encosta e uma trilha desce a ribanceira. O praia mais que compensa o esforço! As águas são verde claras e, ao longe, pode-se ver faixas de mar com cor do caribe. O porquê dessa mudança de cores, não sei. Só sei que o resultado é lindo!

Escunas lotadas de turistas argentinos, na Prainha do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ

Escunas lotadas de turistas argentinos, na Prainha do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ


Areias brancas, águas claríssimas, difícil acesso, tudo para ser um verdadeiro paraíso. Bem, quase. Na verdade, o acesso por terra pode ser difícil, mas por água não é não. Escunas trazem centenas de turistas, a maioria deles argentinos, para a praia. Eles chegam, passam uma meia hora na praia e são recolhidos novamente, em direção à próxima atração. Assim, a praia alterna momentos de idílica calmaria com momentos de correria, de botes carregando e descarregando turistas, de gritaria em castelhano. A população da praia variava de quatro ou cinco para cem pessoas, a cada meia hora. Os momentos com 4 pessoas compensaram todo o esforço, podem ter certeza!

Observando a ilha Cabo Frio da Ponta do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ

Observando a ilha Cabo Frio da Ponta do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ


De lá fomos passear na ponta da península, observar o pequeno canal que separa a península da ilha. Marzão lindo! Na verdade, dois marzões. De um lado para o outro do canal, ele muda completamente de cara. De um lado, uma baía, uma lagoa, cores inacreditáveis variando do verde para o azul. Do outro, o oceano de verdade, cor acizentada, cara de oceano mesmo. Tudo ali, ao alcance dos olhos. É só olhar para um lado e para o outro.

Visão de Arraial do Cabo - RJ

Visão de Arraial do Cabo - RJ


Na volta, paramos num restaurante com uma bela vista para a cidade. Pena que o porto esteja ali, enfeiando a cidade. Deve trazer seus empregos e movimento econômico, mas é feio para burro. No restaurante, camarão com catupiri. Um verdadeiro banquete para celebrar nossa volta à cidade. Delícia!

Linda flor em restaurante na Ponta do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ

Linda flor em restaurante na Ponta do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ


Acabamos nos empolgando por lá e voltamos mais tarde que o esperado para Búzios. O bom senso nos mandou dormir aqui mais uma noite e partir amanhã bem cedo para o Espírito Santo. Estamos tentando programar um mergulho em Guarapari e também subir o Pico da Bandeira, mas a chuva está embaçando! Vamos ver o que sai...

Feliz da vida, na Ponta do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ

Feliz da vida, na Ponta do Atalaia, em Arraial do Cabo - RJ

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Maravilhas de Paraguaná e o Início do Chavismo

Venezuela, Paraguaná

As casas coloridas da cidade de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

As casas coloridas da cidade de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Para nós que somos tão acostumados com a geografia paranaense, o reflexo e a tentação de dizer “Paranaguá” era grande, mas era mesmo para “Paraguaná” que estávamos indo, uma pequena península com forma de cabeça humana que fica no extremo norte da Venezuela. Há poucas dezenas de milhares de anos, era mais uma das ilhas que pontuam a costa nesse ponto, como Aruba ou Curaçao, mas a combinação de correntes marítimas e ventos tratou de construir, ao longo do tempo, uma estreita ponte que a liga ao continente. A ilha virou península!


Península de Paranaguá, extremidade norte da Venezuela, quase encostando em Aruba! Nós passamos pelas cidades históricas no centro da península, pelo balneário de Adicora e nas lagoas coloridas do norte

Falando em Aruba, do alto da maior montanha de Paraguaná, em dias de céu limpo, se pode ver muito bem a ilha holandesa. Até parece que foi ontem que estivemos por lá, e não há 17 meses. A tentação de revê-la, mesmo que de longe, foi grande, mas o dia não estava tão claro assim e a caminhada até o alto da bela montanha iria requerer umas cinco horas, tempo que não tínhamos, infelizmente. Sem essa alternativa, poderíamos nos concentrar nas outras tantas atrações que Paraguaná oferece, como as vilas históricas, as lagoas coloridas repletas de pássaros avermelhados e o litoral dos sonhos para quem gosta de kite e wind surf.

O Cerro de Santa Ana, maior montanha da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela. Lá do alto, pode-se ver Aruba!

O Cerro de Santa Ana, maior montanha da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela. Lá do alto, pode-se ver Aruba!


Foi a proximidade com as Antilhas Holandesas que marcou a história de Paraguaná. Por aqui passava o comércio, legal e ilegal, entre as ilhas e a Venezuela, desde os tempos de colônia até os de república. Ricas comunidades de comerciantes se estabeleceram e ainda hoje se pode admirar as pequenas vilas onde eles moravam. Esse foi o caminho que decidimos seguir, dando a volta pelo interior da península, passando ao lado do morro Santa Ana, o mais alto de Paraguaná e, finalmente, seguindo para o litoral e as lagoas coloridas.

Observando a igreja de Santa Ana, cidade histórica na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

Observando a igreja de Santa Ana, cidade histórica na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


A igreja de Moruy, pequena cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

A igreja de Moruy, pequena cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Cada uma das vilas tinha sua pracinha central e a charmosa igreja, entre elas algumas das mais antigas ainda de pé no país. Nós fomos fazendo nosso tour, tirando nossas fotos e fazendo as contas para controlar o combustível do carro. Principalmente agora que tínhamos decidido pelo caminho mais longo, para poder passar nas pequenas vilas. Estávamos bem no limite para podermos voltar até Coro quando descobrimos um pequeno posto ali mesmo. Melhor... com diesel! Finalmente, poderíamos abastecer pela primeira vez no país e ver com os próprios olhos como é encher o tanque gastando apenas 15 centavos de dólar. Atenção! Não estou falando do preço de um litro, mas de todos os litros necessários para encher o tanque da nossa Fiona.

Enchendo o tanque com 2,80 bolívares, ou 12 centavos de dólar, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

Enchendo o tanque com 2,80 bolívares, ou 12 centavos de dólar, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Praça central da pequena Santa Ana, cidade histórica na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

Praça central da pequena Santa Ana, cidade histórica na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


O preço do combustível é uma das facetas do chavismo, bolivarianismo ou socialismo do século XXI, alguns dos termos usados para descrever o sistema político e econômico implantado no país por Hugo Rafael Chávez, o carismático e polêmico líder que governou a Venezuela por quase quinze anos, desde 1998 até sucumbir frente ao câncer no final do ano passado.

A igreja de Buena Vista, cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

A igreja de Buena Vista, cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Após uma pujante década de 70, alavancada pelos altos preços do petróleo, a Venezuela enfrentava uma grave crise econômica na década de 80, depois da derrocada dos preços do barril de óleo enquanto os gastos internos continuavam os mesmos. A Venezuela se endividou e não tinha como pagar seus débitos. Na campanha presidencial do final da década, o tradicional político Carlos Andrés Perez prometeu repelir políticas neoliberais de corte de gastos, mas assim que venceu e assumiu o governo, parece ter mudado de ideia e recorreu ao FMI. O trágico resultado foi um aumento da pobreza e descontentamento social que culminou com manifestações em Caracas, reprimidas com violência e que resultaram em mais de cem mortos.

Propaganda nos muros de Moruy, pequena cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

Propaganda nos muros de Moruy, pequena cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Foi nesse clima cada vez mais tenso que um até então desconhecido militar, o Coronel Chávez, tentou um golpe militar no início de 1992. Várias instalações militares foram tomadas no interior do país, mas o objetivo de capturar o presidente Andres Peres e tomar as principais bases da capital falharam. Chávez acabou desistindo do golpe, ordenando a rendição dos revoltosos e evitando um banho de sangue. Mas negociou em troca um pronunciamento na TV quando, enfim, tornou-se conhecido na nação e conseguindo a simpatia de amplos setores da sociedade, decepcionados com os níveis de corrupção e ineficiência então vigentes no governo.

Flamingos e culhereiros na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

Flamingos e culhereiros na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Culhereiros na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

Culhereiros na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Mesmo preso, Chávez ajudou na organização de uma nova tentativa de golpe, no final daquele ano. Dessa vez, os revoltosos foram mais aguerridos e o número de mortes aumentou bastante. O governo conseguiu controlar a situação, mas o desgaste político era cada vez maior. Com forte pressão da sociedade, Carlos Andres Perez sofreu um processo de impeachment dois anos mais tarde.

Um culhereiro na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

Um culhereiro na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Nas eleições seguintes, foi eleito outro político tradicional, Rafael Caldeira. Entre as promessas de campanha, uma ampla anistia aos revoltosos de 1992. Promessa cumprida, Chávez e outros líderes foram postos em liberdade, mas impedidos de voltar ao exército. O governo de Caldeira também fracassou em melhorar a situação econômico-social da Venezuela e, nas próximas eleições, o agora político Chávez foi o grande vencedor. Agora de forma legal, chegava ao poder, com amplo apoio das classes menos abastadas, inclusive da classe média.

Culhereiro sobrevoa a Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

Culhereiro sobrevoa a Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Chávez não perdeu tempo. Convocou eleições para uma assembleia constituinte e obteve uma grande vitória eleitoral para composição dessa assembleia. Em pouco tempo, o país tinha uma nova constituição, o primeiro passo rumo ao “bolivarianismo”. Ao mesmo tempo, preços internacionais favoráveis para o petróleo possibilitaram ao governo multiplicar os gastos sociais, melhorando a vida das camadas mais pobres e, ao mesmo tempo, consolidando seu apoio. Ao mesmo tempo, as enormes receitas de exportação de petróleo lhe permitiram praticamente zerar o preço do combustível no mercado interno, aumentando ainda mais sua popularidade. O chavismo que se iniciava agradava a muita gente. Mas também incomodava, produção de alimentos em plena derrocada...

A colorida Laguna Cumaraguas, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

A colorida Laguna Cumaraguas, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Enfim, assunto para um próximo post. O fato é que, apesar dos inúmeros problemas derivados do tal socialismo do século XXI, encher o tanque com apenas 15 centavos nos faz bem felizes. E foi com o tanque cheio que seguimos para o litoral, para a cidade de Adicora. Antes de descermos por lá, seguimos mais ao norte, para lagoas famosas por suas cores e pelas cores dos pássaros que neles vivem. A alimentação rica em camarões pinta as penas dos flamingos e colhereiros de vermelho. É nessa hora que sentimos mais falta de um bom zoom na nossa máquina fotográfica, mas, enfim, “fazemos o que podemos”!

A colorida Laguna Cumaraguas, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

A colorida Laguna Cumaraguas, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Além dos pássaros, também a água ganha cores, dependendo do ângulo de incidência da luz do sol. Um espetáculo, quase um arco-íris avermelhado nas águas salgadas da lagoa que também é uma salina.

Chegando à Adícora, cidade no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

Chegando à Adícora, cidade no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Agora sim, de volta à Adicora, a praia onde o vento nunca para. Para aqueles que sabem ler o vento, difícil imaginar lugar melhor. A cidade está em uma pequena península e, embora o vento esteja dos dois lados, as ondas ficam apenas do lado sul. Nesse lado ficam os praticantes de kite surf, enquanto os amantes do Wind surf preferem as águas mais calmas da parte norte.

O farol de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

O farol de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Depois de passearmos um pouco pelas areias e admirar os esportes náuticos e a arquitetura da pequena vila, acabamos tomando a decisão de continuar a viagem. A ideia original era dormir por ali mesmo, mas resolvemos voltar para Coro e seguir para o sul, para a Serra de San Luis, região que exploraremos amanhã. Do mar para a montanha, do calor para o frescor, ainda conseguimos chegar a tempo de observar o pôr-do-sol lá de cima, numa paisagem e ambiente completamente diversos daqueles onde tínhamos passado todo o dia de hoje. E olha que são apenas 100 quilômetros entre um lugar e outro, dois mundos completamente diferentes.

As casas coloridas da cidade de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela

As casas coloridas da cidade de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela


Há apenas três dias no país e já andamos por metrópoles e cidades históricas, o maior lago do continente e um autêntico deserto, uma praia onde o vento nunca para e montanhas úmidas onde cresce vegetação tropical e precisamos de casacos. A viagem na Venezuela, onde encher o tanque do carro não custa nada, está mais intensa do que nunca!

O belíssimo entardecer na Sierra de San Luis, ao sul de Coro, no noroeste da Venezuela

O belíssimo entardecer na Sierra de San Luis, ao sul de Coro, no noroeste da Venezuela

Venezuela, Paraguaná, Adicora, Bichos, história, mar

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De Volta ao Pacífico

Costa Rica, Arenal, Manuel Antonio

Curtindo o mar em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica

Curtindo o mar em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica


Os dois oceanos que cercam nosso continente, o Atlântico e o Pacífico, sempre são uma referência para mim. Nessa nossa longa viagem pelas Américas, estamos sempre zanzando de um lado ao outro, de um oceano à outro, as vezes mais do lado de cá, as vezes mais do lado de lá. A cada vez que deixamos o mar para trás, fico imaginado quando vamos nos encontrar novamente, em que condições e em que país. Enfim, para mim os encontros com o mar são uma maneira de ver que o tempo está passando, que etapas foram vencidas ou que ainda temos muito chão pela frente.

Fazendo compras antes de sair de La Fortuna, região da Laguna Arenal, na Costa Rica

Fazendo compras antes de sair de La Fortuna, região da Laguna Arenal, na Costa Rica


Por exemplo, no dia 15 de Dezembro do ano passado, passamos uma deliciosa tarde em Venice Beach, em Los Angeles. Caminhamos pela praia e colocamos os pés na água fria. Vínhamos de uma temporada no Hawaii e estávamos “íntimos” do Oceano Pacífico. Aquela caminhada era uma despedida, um até logo para esse majestoso oceano. Fiquei imaginado quando seria a próxima vez... sabia que seria na Costa Rica, mas não sabia em quanto tempo. Antes disso, passaríamos pelo Oceano Atlântico, um outro mar, um outro mundo. Mas voltaríamos ao Pacífico...

Encontro com um simpático casal (um carioca e uma peruana que vive no Brasil) que reconheceram na rua a expedição 1000dias! Estamos ficando famosos, hehehe, (em La Fortuna, na Costa Rica)

Encontro com um simpático casal (um carioca e uma peruana que vive no Brasil) que reconheceram na rua a expedição 1000dias! Estamos ficando famosos, hehehe, (em La Fortuna, na Costa Rica)


Esse dia chegou. Hoje! Mas antes de lá chegar, tínhamos de deixar para trás as montanhas do país, percorrer a estrada cheia de curvas, reconhecer alguns trechos de estrada que percorremos há mais de 15 meses e, enfim, chegar ao mar querido. Para enfrentar o longo caminho, começamos com uma parada na quitanda, ainda na cidade de La Fortuna. De volta ao mundo tropical, frutas são boas, baratas, abundantes e irresistíveis!

Comprando um delicioso queijo local, ainda pertos de La Fortuna, na Costa Rica

Comprando um delicioso queijo local, ainda pertos de La Fortuna, na Costa Rica


A Ana foi fazer as rápidas compras enquanto eu e a Fiona aguardávamos. Esses poucos minutos na rua foram o suficiente para sermos reconhecidos por dois outros viajantes, um casal formado por um carioca e uma peruana que mora no Brasil. Simpaticíssimos, eles reconheceram a Fiona, pois são leitores do nosso site! Que legal! Disseram até ter usado algumas das nossas dicas de posts antigos. Que gostoso ter nossos 15 segundos de fama, hehehe.

Chegando às praias da região de Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica

Chegando às praias da região de Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica


Depois da “glória”, a estrada. Região montanhosa, lindas paisagens, muita neblina e também deliciosos queijos. Não resistimos e nos abastecemos, quijo parecido com aquele que tem no sul de Minas, de fazer nó. Junto com as frutas e algumas bolachas, foram nosso alimento pelas próximas horas, até que chegássemos na costa e na pequena cidade de Manuel Antonio.

Caminhando em praia de Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica

Caminhando em praia de Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica


A cidade fica na entrada de um pequeno parque nacional com o mesmo nome. É um dos menores, porém mais bonitos parques desse país repleto de áreas de conservação. Protege uma área de mata cheia de vida, como macacos, pássaros e bichos-preguiça, além de praias cinematográficas. Não fosse pelo parque, certamente teriam sido tomadas por condomínios ou hotéis. Felizmente, estão ali, quase virgens, seu aspecto natural quase intocado. O parque vai ser nosso programa de amanhã.

Praia de areia escura em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica

Praia de areia escura em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica


Hoje a gente se satisfez com as praias do lado de fora mesmo. Areias claras, águas quentes, orla cercada pela vegetação. Resumindo: uma maravilha! O Oceano Pacífico em todo o seu esplendor! Cada vez mais gosto desse Oceano, eu que sempre fui tão “Atlântico”. Mas, em um lugar como esse, difícil não se apaixonar.

Lindo entardecer em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica

Lindo entardecer em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica


Ainda mais com o fim de tarde que tivemos, o sol reaparecendo sob as nuvens nos minutos finais, uma bola de fogo avermelhada afundando vagarosamente no mar. Foi cinematográfico! Bastou um mergulho para nos sentirmos em casa novamente. Ainda bem que a “temporada pacífica” vai ser longa pois, depois de Manuel Antonio, seguimos para a Península de Osa, também desse lado do continente.

Fantástico pôr-do-sol em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica

Fantástico pôr-do-sol em Manuel Antonio, no litoral do Oceano Pacífico, na Costa Rica


Para celebrar o reencontro, ainda teve um jantar especial em um lugar meio “diferente”. Um antigo avião militar destinado à guerrilha dos Contras, que durante a década de 80 lutou contra o governo sandinista da Nicarágua e que tinha diversas bases na Costa Rica, foi transformado em um restaurante. Sem dúvida, um papel muito mais nobre que a do passado! Assim, tivemos a nossa melhor refeição em um avião desde o início dos 1000dias e voltamos para nossa hotel ansiosos pelo dia de amanhã, entre praias e animais silvestres, a cara desse belo país!

Restaurante em antigo avião militar destinado aos Contras, da Nicarágua, em Manuel Antonio, no litoral da Costa Rica

Restaurante em antigo avião militar destinado aos Contras, da Nicarágua, em Manuel Antonio, no litoral da Costa Rica

Costa Rica, Arenal, Manuel Antonio, La Fortuna

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Passando pela Pedra Azul

Brasil, Espírito Santo, Domingos Martins (P.E Pedra Azul)

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


Depois da visita à Reserva dos Muriquis, pegamos a estrada em direção à Vitória, de volta ao Espírito Santo. No caminho, nosso intuito era conhecer o Parque Estadual da Pedra Azul, onde uma gigantesca pedra atrai os olhares e a curiosidade de todos os que passam na BR-262, que liga Belo Horizonte à Vitória.

A famosa e gigantesca pedra no parque estadual da Pedra Azul, em Domingos Martins - ES

A famosa e gigantesca pedra no parque estadual da Pedra Azul, em Domingos Martins - ES


O programa com os Muriquis demorou mais do que havíamos imaginado e acabamos almoçando em Ipanema mesmo. Aí, quando chegamos à Pedra Azul, já era mais de quatro da tarde. Mas de nada adiantaria ter chegado antes. O Parque Estadual está fechado para uma reforma do centro de visitantes e só se pode ir até a portaria. Isso é mais do que o suficiente para se admirar a gigantesca pedra, uma visão tão incrível que nossos olhos custam a acreditar que aquilo realmente existe.

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


A sua face mais impressionante tem 500 metros de altura, uma big wall que deve ser o sonho de todos os alpinistas radicais. Da distância que olhamos, ela parece super lisa, nada fácil de ser escalada. Aliás, é isso que a distingue de tantas outras pedras gigantes que vemos por aí. Nessa região, então, existem às dezenas. Existe até um parque nacional no Espírito Santo em homenagem a elas, o P.N dos Pontões Capixabas. Mas nenhuma dessas pedras, pelo menos as que eu já vi, é tão bonita e chama tanto a atenção como a Pedra Azul. Parece que foi polida!

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


Eu e a Ana tiramos muitas fotos, de vários ângulos e nos informamos sobre as caminhadas dentro do parque, quando ele está aberto. A mais interessante sobe até meia altura, por trás da Pedra Azul e chega à uma série de poços naturais. Pelo menos na época das chuvas, há água o bastante para um mergulho, para quem não teme água fria. Na seca, as tais piscinas naturais secam.

Não foi dessa vez que tivemos a chance de caminhar por lá. Para mim, que já tinha visto a Pedra Azul da estrada várias vezes, mas nunca tinha chegado tão perto, valeu muito a pena ter ido lá. As trilhas, ficam para a próxima.

Casa no pé da Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Casa no pé da Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


De lá, seguimos até Domingos Martins para passar a noite. Esperávamos uma cidade bem charmosa, mas ficamos meio decepcionados. Na verdade, as pousadas mais estilosas estão lá perto da Pedra Azul e não na cidade. Acabamos ficando no tradicional Hotel Imperador, com quase 50 anos de idade. Dá para perceber que ele já teve seus momentos de glória. A gente não encontrou o charme que esperávamos, mas compramos um vinho bem gostoso e liquidamos com ele no quarto do hotel mesmo. Foi o bastante para que tudo ficasse mais aconchegante.

Brasil, Espírito Santo, Domingos Martins (P.E Pedra Azul), Montanha, Parque

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Na Boca da Pedra

Brasil, Rio Grande Do Norte, Passa e Fica (Pedra da Boca)

Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


No nosso planejamento da viagem pelo nordeste, além das óbvias atrações no litoral, sempre procuramos saber e conhecer regiões do interior, do sertão. Afinal, tínhamos uma "forte desconfiança" que o nordeste era muito mais do que um punhado de praias bonitas.

A Pedra da Boca, na fronteira do Rio Grande do Norte com Paraíba, próximo à Passa e Fica

A Pedra da Boca, na fronteira do Rio Grande do Norte com Paraíba, próximo à Passa e Fica


Lugares como a Chapada Diamantina e a Serra da Capivara já tem luz própria, até internacionalmente. Mas outros lugares, como a Serra do Catimbau e o Lajeado do Pai Mateus não são assim tão conhecidos e precisamos fazer uma certa pesquisa para chegar até eles. E assim fomos fazendo, descobrindo lugares interessantes no interior de todos os estados nordestinos. Na verdade, todos não. Faltava o Rio Grande do Norte.

Pronta para a caminhada até a boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Pronta para a caminhada até a boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


Foi quando começamos a receber dicas de outros viajantes pelo caminho. Falavam de uma tal de "Passa e Fica". Eu entendia "Pacifica", procurava no mapa, e nada. Depois da terceira vez que me indicaram, decidi achar de qualquer maneira. Google, internet, mapas, até que a ficha caiu. Pronto, achei a famosa Passa e Fica, fronteira de Rio Grande do Norte e Paraíba, do lado potiguar.

Subindo a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Subindo a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


E aqui chegamos hoje. Passamos diretamente pela cidade e fomos direto ao Parque Estadual, pertinho do centro. Mas, ironia, esse "pertinho" foi o bastante para cruzarmos a fronteira. O belo Parque da Pedra da Boca fica na Paraíba, apesar de estar colado em Passa e Fica. "Paci e Ência"...

Pedra da Caveira, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Pedra da Caveira, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


Lá chegando, fomos recebidos pelo Seu Tico, que vai nos guiar amanhã por uma trilha cheia de grutas e tocas, cenário incrível, dizem. Hoje, ele mandou que o filho nos levasse até a enorme boca na rocha que dá nome ao parque. A gente já vê ela bem de longe, afastando qualquer dúvida sobre o porquê do nome da pedra e do parque. Só falta um batonzinho.

Vista do caminho para a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Vista do caminho para a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


Em meia hora subimos os quase 200 metros de desnível que nos separavam da boca. Ela, que parecia pequenina lá de longe, é gigantesca lá de perto. Uns 80 metros de largura, 30 m de altura e uns 20 m de profundidade. Outra formação geológica incrível da mamãe natureza. Quando achamos que já vimos de tudo, ficamos de boca caída com o tamanho da boca da pedra.

Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


Lá ficamos por uma boa meia hora, tirando fotos, venerando a paisagem, tentando entender aquela coisa. Até o teto do lugar lembra, adivinhem... o céu da boca! Pois bem, lá de dentro da boca ficamos admirando o parque, que tem várias outras pedras mais baixas, inclusive uma com a cara de uma caveira. Observamos também o Rio Grande do Norte, ali do lado, literalmente a "um tirinho de espingarda" de distância.

Dentro da enorme 'boca', no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Dentro da enorme "boca", no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN


Que belo dia foi esse, amanhecer vendo as praionas da Pipa e entardecer vendo essas pedras gigantes em Passa e Fica. Amanhã, será o contrário: vamos amanhecer com as pedras e cavernas daqui e entardecer com as praias de Natal. E assim seguimos até onde o fôlego aguentar...

Descendo da Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

Descendo da Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN

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