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Diego Alvares Pinsan (08/08)
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Lenadro (08/08)
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Roberto (07/08)
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Lurdes (06/08)
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Vestido a carater no forte de San Marcos, em St Augustine, na Flórida - EUA
Vivendo e aprendendo. Ou, no nosso caso, viajando e aprendendo! Há apenas poucos dias descobrimos que a cidade mais antiga do país não foi fundada por ingleses e nem está nas famosas 13 colônias originais. Não! A primeira cidade americana está aqui, na Flórida, e foi fundada por espanhóis!
Entrada de galeria e museu em St Augustine, na Flórida - EUA
Estou falando de St Augustine, cidade fundada em 1568 na costa leste da Flórida, como parte da disputa entre espanhóis e franceses pela supremacia da região. A data precede em mais de 40 anos a chegada dos colonizadores ingleses mais ao norte. Os colonizadores podem ter demorado esse tempo todo, mas os piratas não! O mais famoso deles, sir Francis Drake, já aterrorizava os habitantes espanhóis de St Agustine duas décadas depois da fundação da cidade, saqueando e queimando a cidade.
O portão antigo da cidade de St Augustine, a mais antiga do país, na Flórida - EUA
Mas, enfim, os espanhóis expulsaram os rivais franceses, sobreviveram aos piratas ingleses e fizeram de St Augustine sua principal base na Flórida, por mais de 200 anos. Com as colônias inglesas em pleno desenvolvimento logo ali do lado, também tiveram de resistir a várias campanhas de conquista, vindas da Carolina e da Georgia. E quem ajudou os espanhóis nisso foram escravos fugidos das colônias inglesas. Eles eram recebidos de braços abertos em St Augustine, desde que jurassem aliança ao rei espanhol, e eram os mais valentes soldados nas guerras contra seus antigos senhores ingleses.
O Forte de San Marcos, na cidade de St Augustine, na Flórida - EUA
Mas, ao fim da guerra de 1763, a verdadeira primeira guerra mundial, envolvendo ingleses, franceses e espanhóis em várias partes do mundo, os ibéricos estiveram entre os derrotados e acabaram cedendo a Flórida aos ingleses. St Agustine foi britânica por 20 anos, mas o mundo deu as suas voltas novamente. Com a derrota inglesa na Revolução Americana, os espanhóis foram recompensados em sua ajuda aos revolucionários com a posse da Flórida (e de St Augustine!) outra vez.
A mais antiga escola dos Estados Unidos, em St Augustine, na Flórida
A última mudança de “status” da cidade se deu em 1820, quando os espanhóis venderam o estado para os Estados Unidos. A cidade virou definitivamente americana, mas a influência espanhola ficou marcada para sempre na arquitetura do charmoso centro histórico e na rica culinária de St Augustine.
Lendo placa informativa da mais antiga casa do país, em St Augustine, na Flórida - EUA
Nós chegamos nessa interessante cidade ontem de noite. Ao invés de ficarmos num daqueles hotéis de rede, achamos um simpaticíssimo hostel no centro da cidade, o Pirate Haus. Nada como um tratamento mais “pessoal” de vez em quando! Um hotel com alma, e não uma fria franchising. Além de nos indicar um restaurante brasileiro para jantar, o dono logo nos convenceu a ficar mais um dia na cidade. Savannah teria de esperar um pouco mais...
Praça de St Augustine, na Flórida - EUA
O jantar no restaurante brasileiro foi ótimo. Legítima feijoada preparada por uma legítima brasileira. Quem nos serviu foi o genro da cozinheira, também brasileiro. Mas quem fez mais festa foi o dono do restaurante, marido da cozinheira, italiano de mão cheia, fã incondicional do Brasil.
O Forte de San Marcos, na cidade de St Augustine, na Flórida - EUA
O dia de hoje foi devotado à exploração da cidade mais antiga dos Estados Unidos. Aqui estão vários “primeiros”. Por exemplo, a primeira casa do país, a primeira escola, o primeiro forte e por aí vai. O centro da cidade é uma delícia de se passear, ruas simpáticas, piso de pedra, casas que nos lembram as cidades históricas do México, Cuba ou Colômbia. Realmente, muito mais gostoso andar por aqui do que numa cidade americana típica, geralmente feita para automóveis e não para pessoas.
Show de música em taverna de St Augustine, na Flórida - EUA
Outro dos “primeiros”, um dos que mais gostei de conhecer, foi a primeira taverna. Aí, já há vários séculos, pessoas vem atrás das saudáveis atividades de beber e jogar. Para manter a tradição, fizemos o mesmo: testamos deliciosas cervejas locais enquanto nos divertíamos com um jogo interessante e simples de dados (mas sem apostas!). Tudo ao som de ótima música ao vivo! Aliás, é impressionante como temos encontrado música de qualidade nesse país. É de se tirar o chapéu!
Jogando dados e saboreando uma cerveja em taverna histórica de St Augustine, na Flórida - EUA
Depois de muito caminhar e aprender (há excelentes placas informativas em todos os lugares, outro aspecto de se tirar o chapéu aos americanos!), voltamos para nosso hostal. Mas de noite já estávamos na rua novamente, dessa vez para encontrar o Márcio e a Taciana. Ele foi colega do meu irmão mais velho no início da década de 80, em Belo Horizonte. Só o conhecia de nome. Mas meu irmão tinha mantido contato com ele e sabia que tinha acabado de se mudar para cá. Bastou um e-mail e um telefonema e conseguimos nos encontrar. Foi joia, dois casais contando suas aventuras de vida. A história da mudança deles para cá é bem interessante! Normalmente, são os filhos jovens que seguem os pais na mudança de endereço. Mas eles fizeram o contrário: os filhos vieram estudar nos EUA e ele vieram acompanhar, para manter a família unida.
Observandoa orla em St Augustine, na Flórida - EUA
Bom, amanhã, finalmente, deixamos a Flórida para trás e vamos conhecer um novo estado, a Georgia. Como dormimos aqui mais um dia, só vamos parar para almoçar em Savannah. O destino final será Atlanta, sede das Olimpíadas em 96 e uma das cidades que mais crescem no país. Além da sede da Coca-cola e da CNN, dizem ter um dos melhores aquários do mundo.Vamos conferir!
Encontro com o Márcio e a Taciana em St Augustine, na Flórida - EUA
A pacata cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
A vantagem de estarmos em um país pequeno é que tudo fica pertinho. Assim, com menos de uma hora de carro já chegamos a lugares completamente diferentes, passamos o dia e ainda temos tempo de voltar para a nossa “base”. Assim foi o nosso dia de hoje, saindo de San Salvador no final da manhã, chegando à Suchitoto 40 minutos mais tarde e voltando para a capital ainda na luz do dia, antes da cinco da tarde.
Igreja matriz de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
A pequena e pacata Suchitoto é a mais charmosa cidade do país. Ruas de paralelepípedo, construções centenárias, ótimos restaurantes, muitas galerias de arte e o frescor do clima de montanha atraem centenas de capitalinos nos finais de semana. Além disso, um enorme lago ao lado da cidade, um vulcão e algumas cachoeiras também atraem aqueles que gostam de ecoturismo.
Caminhando pelas tranquilas ruas da charmosa Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Hoje, terça-feira, tudo estava ainda mais tranquilo. Chegamos, caminhamos um pouco pelas ruas centrais ao redor da praça onde está a igreja matriz e, contaminados pela letargia que o ritmo da cidade inspira, desistimos de qualquer programa que requeresse um maior esforço físico. Dar a volta em alguns quarteirões já era o bastante, hehehe!
O lago Suchitlán, ao lado da cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Muito melhor ideia, encontramos um botequinho com ótima vista para o lago lá embaixo, na verdade uma represa artificial, e ficamos jogando conversa fora e fazendo planos de viagem. A preocupação era tanta que até deu tempo de jogarmos dama, coisa que não fazia há uns 25 anos!
Jogo de damas com vista para o lago Suchitlán, em Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador. A "Água" ganhou da "Cerveja"!
Depois, hora de ir conhecer o lago de Suchitlán mais de perto. Claro que fomos de Fiona ao invés da caminhada de meia hora. Água verdinha, bem bonita, mas imprópria para banho. Vários barcos oferecem passeios aos turistas, mas nada que nos animasse a sair do nosso ritmo. Preferimos ir tratar do estômago num dos muitos restaurantes da região. Já meio enfastiados da vista do belo lago, passamos reto pelos restaurantes com essa paisagem e fomos direto a outro no meio de uma fazenda. Ali, cada cliente tem direito a um quiosque particular, cercado de plantas e com redes próprias. Esperamos nossos pedidos balançando, ritmo baiano total. Carne muito boa acompanhado de “casamento” (feijão com arroz) nos fez sentir ainda mais no Brasil...
Lago de Suchitlán, ao lado de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Voltamos felizes para San Salvador à tempo da segunda sessão de massagem da Ana. Para completar o dia estressante, sessão de cinema no shopping, mais peripécias do Tom Cruise no mediano Missão impossível 4. O jantar foi um enorme balde de pipocas...
Passeio na cidade de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Bom, depois de um dia como o de hoje, estamos com pique para um dia mais corrido amanhã. Duas ruínas maias (San Andrés e Joyas de Cerón) e um lago maravilhoso numa antiga cratera gigante de vulcão nos esperam. Aí vamos dormir, nossa última noite no país antes de chegarmos à Guatemala, última parada na América Central. Alaska, estamos chegando...
Artesanato e lembranças em Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Aos 2.200 metros de altitude, no cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Depois da manhã em San Martín de Los Andes e de termos obtido informações sobre trekkings na região no Club Andino da cidade, estávamos prontos para partir para o sul. Seguíamos para Bariloche de volta, mas por um caminho diferente daquele que viemos. Agora, era a hora de percorrermos a Ruta de Los Siete Lagos, a mais famosa estrada turística dessa zona. Em parte asfaltada, em parte de rípio, ela vai margeando diversos lagos entre San Martín e Bariloche e daí recebe seu nome.
Visão da ruta de los siete lagos do cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Mapa da nosso caminho hoje, quase metade da Ruta de Los Siete Lagos, de San Martín até o lago Falkner. Amanhã, seguiremos até Villa La Angostura
Mas hoje ela era secundária na nossa programação. Na verdade, iríamos conhecer apenas parte dela, já que só iríamos até o Lago Falkner, o terceiro da lista para quem parte de San Martín. Começamos pelo próprio lago Lácar, onde está San Martín, passamos pelo pequeno Lago Machónico e chegamos ao Falkner, que fica em frente ao Lago Villarino, o quarto da lista. A estrada passa justamente entre eles, cerca de 40 km ao sul de San Martín. Aí paramos em um rústico restaurante em frente ao Falkner que serve também de loja e administração de um camping que existe na área do lago.
Ainda dscendo o Cerro Falkner, visão do nosso camping em frente ao lago, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
A simpática loja-restaurante no camping Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Antes de subir a montanha, um lanche no restaurante do camping para ganhar energia, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Além da bela visão do lago em frente, também pudemos admirar a montanha ali do lado, nosso verdadeiro objetivo do dia. Com pouco mais de 2.200 metros de altura, o Cerro Falkner (tem o mesmo nome do lago!) domina a região, seu cume sem vegetação sobressaindo-se sobre os bosques abaixo. O lago está a 930 metros de altitude, então seriam quase 1.300 metros de desnível para chegarmos até seu cume na trilha indicada pelo pessoal do Club Andino.
Dia lindo sobre o Cerro Falkner no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Início da trilha para subir o Cerro Falkner, cruzando uma fazenda, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Trecho de mata, início da trilha para subir o Cerro Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Enquanto comíamos um último lanche ali no restaurante, seu dono nos deu mais informações sobre a trilha, tempo para realizá-la e onde estava seu início. Resolvemos que iríamos dormir ali no camping mesmo, mas de frente ao lago Villarino, que era gratuito, ao contrário camping do Falkner, pago. Por isso, resolvemos armar nossa barraca só na volta e deixar a Fiona no próprio restaurante, para ficarmos mais seguros, já que toda nossa bagagem estava ali.
Trecho de bosque da trilha que leva ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Ainda sob a sombra das árvores, subindo o Cerro Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Eu levei a Ana e a Rowan de carro até a cabeceira da trilha, um quilômetro à frente na estrada e voltei para deixar a Fiona no restaurante. Depois, uma corrida de 5 minutos até a trilha enquanto as meninas já iniciavam a subida. Não tínhamos tempo a perder. O início da trilha é através de uma propriedade e cruzamos com vacas e cavalos. Logo depois, caminhamos um bom tempo sob um bosque e foi nesse ponto que nos reunimos novamente.
Vista que tínhamos no início da subida do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Com o lago Falkner ao fundo, subindo o Cerro Falkner no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Parte alta e já sem vegetação do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
A partir daí a trilha vai alternando subidas mais suaves com outras mais íngremes, caminho bem claro para ser seguido, exceto em um ponto ou outro. Quase sempre protegidos pelas árvores, passamos em dois ou três pontos onde a vista se abre e podemos ver os lagos lá embaixo, o que nos ajuda a ter uma noção do quanto já subimos. Agora percebe-se claramente a estrada passando entre o Falkner e o Villarino, a área do camping, o restaurante e a nossa Fiona nos esperando lá embaixo.
Trecho final da subida do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
A bela vista que se tem do alto do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Finalmente, ainda sob a sombras das árvores, a trilha se inclina de vez. Agora sim estamos subindo! É quando percebemos que a Rowan é uma andarilha formidável. Também, treinando nas highlands da Escócia... Ela disse que sempre caminhou com seu pai, um homem alto de pernas e passadas longas. Então, para acompanhá-lo, tinha mesmo de acelerar. Pelo visto, o treinamento funcionou e a Ana, para não ficar para trás, aqui andou mais forte do que nunca nesses 1000dias!
Com a Rowan, celebrando a chegada ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
No cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Admirando a bela vista do alto do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Por fim chegamos ao final do trecho de vegetação. Visto lá de baixo, parecia que já estaríamos muito perto do cume. Doce ilusão! Aqui do alto percebemos que ainda tinha muita subida pela frente, agora sim de forma íngreme e quase direta rumo ao cume. Talvez mais uns 400-500 metros em altitude, sem ziguezagues e sobre um solo arenoso e pouco firme. Pequenas pedras pintadas colocadas de espaço em espaço nos mostravam a rota a seguir. Sim, por que não havia mais caminho, mas um rota, uma direção a seguir. Para o alto e avante, mas seguindo as pedras brancas ou amarelas!
Início da descida do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina. Lá embaixo, o lago Falkner
Com a Rowan, no alto do Cerro Falkner e com o lago Falkner ao fundo, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Com a Rowan, no alto do Cerro Falkner e com o lago Falkner ao fundo, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Ficamos surpresos com a quantidade de areia lá encima. Uma areia bem fina, quase um pó, acinzentada, que se misturava com as pedras e seixos do caminho. Em alguns trechos, parecia até que estávamos em uma praia! E quando ventava, ela se levantava e cobria nossos rostos, entrando nos olhos, boca e qualquer buraco que pudesse encontrar. Para a Ana que estava de lentes, uma preocupação a mais. Em compensação, talvez pela energia gasta para subir e pelo dia lindo que fazia, não sentíamos frio, mesmo com o vento e já estando acima dos 2 mil metros de altura.
Ainda no alto, descendo o Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Ainda no alto, descendo o Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
A vista, claro, foi ficando mais e mais espetacular. Os lagos pequenos lá embaixo, outros, mais distantes, aparecendo no nosso campo de visão. Bem longe, as montanhas nevadas dos Andes. Para o sul, o emblemático Cerro Tronador que, com seus 3.491 metros de altitude, bem na fronteira entre Argentina e Chile, é o mais alto da região de Bariloche. Mais alto do que ele só o vulcão Lanin, este na direção norte, com quase 3.800 metros de altura. As duas montanhas bem distantes, pois ali ao nosso lado, estava tudo abaixo de nós.
Parada para descanso e água na volta do cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Trecho de bosque da trilha que leva ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Trecho de bosque da trilha que leva ao cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Finalmente chegamos ao cume. Muita celebração e depois, mais calmos, momento para fotos, para água e para as frutas que havíamos levado. Depois, com mais calma ainda, a chance de respirar fundo e contemplar aquela beleza toda. Com exceção da irritante poeira que se levantava quando o vento batia forte, sentíamos o ar puríssimo das montanhas, acompanhado também daquele frio característico das altitudes. Com os nossos músculos já relaxados depois do descanso no topo e o sol se aproximando do horizonte, estava na hora de voltarmos!
Com o dono do camping Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Fogareiro para esquentar o pequeno restaurante do camping Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Cão dorme próximo ao fogareiro para se esquentar, no restaurante do camping Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
A volta, claro, é muito mais fácil e rápida. Apenas algumas paradas estratégicas para fotos e água e logo já estávamos no trecho de mata. Outra hora de caminho e chegamos à estrada. Mais 15 minutos de asfalto e alcançamos o restaurante e a Fiona. Hora da merecida cerveja! E também de um pão bem gostoso que eles fazem ali mesmo. No frio de fim de tarde, um fogareiro no meio do cômodo de madeira servia para nos aquecer. Só tínhamos de disputar espaço com um cão que também buscava o calor!
A vista da nossa barraca no fim de tarde, a beira do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
De volta ao acampamento, fim de tarde no lago Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Ficamos amigos do dono do restaurante que se surpreendeu com nossa velocidade em subir e descer o Falkner. Ele havia olhado meio incrédulo para nós, quando perguntamos sobre a trilha mais cedo. Achava que já estava muito tarde no dia para subirmos a montanha. Agora, queria saber detalhes da subida. Quando lhe contamos intrigados sobre a quantidade de areia lá em cima, ele esclareceu o mistério. Aquilo não é areia, mas cinza. Cinzas vulcânicas. Cinzas vulcânicas chilenas! Dois anos antes houve uma grande erupção do outro lado dos Andes. Os ventos trouxeram a nuvem de cinzas sobre a cordilheira, para que caíssem aqui. No próprio restaurante, um metro de cinzas cobrindo tudo. A estrada permaneceu fechada por um bom tempo, a vegetação morreu, telhados e construções caíram sob o peso das cinzas. O número de turistas reduziu-se a zero. A última temporada foi morta.
A vista da nossa barraca no fim de tarde, a beira do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
O dia amanhece radianete em frente ao lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Pássaros sobrevoam a nossa barraca em frente ao lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Agora, dois anos mais tarde, a natureza e a civilização recuperavam seus espaços. O lago estava belíssimo novamente. A floresta estava verde, a grama havia renascido e coberto os campos. A estrada havia sido limpa e as construções, refeitas. O próprio restaurante era todo de maneira nova. Os turistas estavam voltando e a vida parece estar retomando seu ritmo normal. Mas as cinzas continuam no alto da montanha, um lembrete de como tudo é efêmero e a realidade que julgamos eterna pode mudar num piscar de olhos. Principalmente se há um vulcão ali do lado...
De manhã cedo, nossa barraca ainda armada em frente ao lago Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Depois de dormirmos acampados, manhã em frente ao lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Depois dessa explicação toda, ele até nos deixou tomar banho por ali, o que foi mesmo uma dádiva. E aí, nos últimos minutos de claridade, corremos para o camping e armamos nossa barraca. Noite estrelada maravilhosa, mas com muito vento. Nossa barraca de frente ao lago nos proporcionava vistas fantásticas e foi difícil decidir se estava mais bonito no finalzinho da tarde ou na manhã de hoje, cada momento com suas cores distintas.
Fiona posa para foto com o Cerro Falkner ao fundo, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
O vento levanta cinzas vulcânicas que cobrem o cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Fomos acordados pelos pássaros que também já retornaram depois dos estragos do vulcão. Depois, desmontamos, dobramos e guardamos nossa “casa” na nossa querida Fiona e fomos tomar o café da manhã na praia do lago Falkner, observados de longe pelo Cerro que subimos na véspera. Hoje o vento estava mais forte do que ontem e, aqui de baixo, podíamos observar bem o cume da montanha completamente tomado pela poeira das cinzas vulcânicas. Depois da experiência de ontem, sabíamos bem o que aquilo que víamos agora significava: estivéssemos lá naquele exato momento, estaríamos fritos! Pulmões e olhos completamente tomados pela cinza. Nem sei como iríamos respirar...
Com a Rowan comendo nosso café da manhã em praia do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Com a Rowan comendo nosso café da manhã em praia do lago Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Mas, felizmente, estávamos era na beira do lago, canga estendida e tomando nossa café de pão, queijo, suco e bolachas. Acho que até um golinho de vinho tinha sobrado! Vinho no café da manhã é chique no “úrtimo”, hehehe! A Rowan ainda descolou um café lá com o nosso amigo do restaurante. E assim, renovados e felizes, estávamos prontos para retomar a ruta de Los Siete Lagos e seguir para Villa Trafull e Villa La Angostura.
O café da manhã da Rowan no restaurante do camping Falkner, no parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Com a Rowan, no cume do Cerro Falkner, no Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Com o José, nosso guia no trekking do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Acordamos cedo para esperar o pessoal da agência passar no nosso hotel e juntos fomos checar os equipamentos e conhecer os outros participantes do nosso grupo. Resolvemos poupar a nossa barraca nova, que continuará nova, e levar a barraca deles, já incluída no preço. Além das nossas roupas, só resolvemos levar os sacos de dormir. Eu, meio no risco, já que o meu é bem fininho, mais praparado para uma noite na praia do que na alta montanha. Minha tática vai ser entrar nele com várias camadas de roupa e pronto!
Checando o equipamento para o trekking do El Mistí, em Arequipa - Peru
Últimas compras para o trekking do El Mistí, em Arequipa - Peru
Por uma grande coincidência, a maior parte do nosso grupo é de Quebec, no Canadá. Um grupo de três garotões, ainda universitários, e outros dois, com suas namoradas peruanas (de Lima). Também eles se surpreenderam de saber que havia mais gente de Quebec na América do Sul, hehehe. Feitas as devidas apresentações, inclusive do nosso guia José e seu assistente, Julio, seguimos em dois carros para o pé do vulcão, não sem antes parar num supermercado para as últimas compras. Água, chocolate, frutas secas, bolachas, isso é por nossa conta. O jantar de hoje e o café da manhã da madrugada, isso é trabalho para o José e o Julio.
Início de caminhada rumo ao topo do El Mistí, em Arequipa - Peru
O carro nos deixou a 3.350 metros de altura, quase 2,5 km abaixo do cume que todos almejamos. A partir daí, é confiar nas próprias pernas e pulmões. Bastou alguns metros de caminhada para perceber que apenas os estudantes de Quebec estão em forma. Os outros, acho que não tem muita idéia de onde estão.
Subindo o vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Subindo o El Mistí, em Arequipa - Peru
Andando algumas vezes em grupo, outras meio divididos, fomos nos aproximando do vulcão e ganhando altura. O José foi tomando o devido cuidado para que o ritmo fosse tranquilo, para que as pessoas se acostumassem com a altitude. Lá pelas tantas, os jovens quebequianos perderam a paciência e dispararam à frente. Eu ía e parava para fotos e filmagens. Esperava o grupo chegar e deixava eles partirem antes de mim, depois do descanso, para em seguida acelerar o passo e alcançá-los, para mais fotos e filmagens.
Local do Acampamento Base para o trekking do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Barraca armada para a noite antes do ataque ao cume do El Mistí, em Arequipa - Peru
E assim fomos subindo, a paisagem ficando cada vez mais linda e grandiosa, ar puro e cristalino de montanha, Arequipa ficando cada vez mais para baixo. Enfim, chegamos aos 4.600 metros de altitude, local do nosso acampamento. Montamos nossas barracas e presenciamos um fim de tarde glorioso. Junto com o escuro chegou também o frio. Já o esperávamos devidamente vestidos com três camadas de roupas.
Nosso acampamento antes do ataque ao cume do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Fim de tarde no acampamento antes do ataque ao cume do El Mistí, em Arequipa - Peru
O jantar foi servido, assim como o chá quente, um santo remédio para o frio, especialmente para as mãos geladas. As luzes de Arequipa já estavam acesas lá embaixo e a lua iluminava o cume do vulcão acima de nós. A altitude já era sentida por nós, especialmente pelas duas garotas peruanas que nem tiveram forças para saírem de suas barracas para jantar. Tudo indica que amanhã partiremos rumo ao cume num grupo menor, a Ana sendo a brava representante do sexo feminino.
Fim de tarde no acampamento antes do ataque ao cume do El Mistí, em Arequipa - Peru
Hora de "cena" no acampamento no vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Por falar nisso, o plano é acordar à uma da manhã, tomar o café que vai incluir um estimulante chá de coca e partir para a subida de mil e duzentos metros que nos falta. A idéia é chegar ao cume perto das nove da manhã, já aquecidos pelo sol quando chegarmos às partes de gelo e neve que deveremos cruzar. A grande expectativa deve compensar a curta, fria e desconfortável noite que nos espera...
As luzes da cidade de Arequipa vistas do nosso acampamento no vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Fazendo caiaque em Deception Island, na Antártida
Hoje pela manhã chegamos a uma das ilhas mais conhecidas da Antártida: Deception Island. Uma antiga caldeira vulcânica invadida pela água do mar após uma enorme erupção, a ilha foi inicialmente o paraíso dos caçadores de lobos marinhos, depois dos baleeiros, depois dos pesquisadores e hoje, dos milhares de turistas que a visitam anualmente. A razão para isso é muito simples: a antiga caldeira se transformou em uma enorme baía, quase um lago dentro de um anel de terra, ligado ao oceano por uma estreita e pitoresca passagem chamada Neptune’s Bellows. Essa baía é o melhor lugar da Antártida para um navio se proteger, a não ser nas raras ocasiões em que o vento sopra justamente no sentido da Neptune’s Bellows. Além disso, as atividades vulcânicas continuam (a última erupção foi em 1970) e água quente brota continuamente do solo na praia da baía conhecida como Whaler’s Bay. Ou seja, é possível tomar um banho de água quente em plena Antártida!
Os zodiacs cobertos de gelo e neve pouco antes de chegarmos à Deception Island, na Antártida
Caiaques congelados pouco antes de chegarmos à Deception Island, na Antártida
Foi este cenário incrível, quase mágico, o escolhido para nosso primeiro passeio de caiaque na Antártida. Depois de tantos dias sem remar, desde que partimos da Geórgia do Sul, o grupo estava ansiosíssimo para cair na água novamente. Ainda mais sabendo que, finalmente, estaríamos remando em águas antárticas. Um sonho prestes a se tornar realidade!
Os caiaques já estão prontos para nossa primeira sessão de remo na Antártica, aqui em Deception Island, uma antiga caldeira de vulcão
Os caiaques já estão prontos para nossa primeira sessão de remo na Antártica, aqui em Deception Island, uma antiga caldeira de vulcão
Mas, para isso, alguns passos ainda tinham de ser cumpridos. Para começar, hoje cedo os caiaques e zodiacs amanheceram cobertos de gelo e neve. Eles ficam estocados no convés na popa do navio e essa última noite fez muito frio. Nada de se estranhar, afinal estamos na Antártida. Bom, isso foi um trabalho para os bravos funcionários do Sea Spirit e, enquanto tomávamos nosso café da manhã, os botes e caiaques foram limpos e secos, prontos para nos receber.
Alegria do grupo rumo ao primeiro caiaque na Antártida! (em Deception Island)
Alegria do grupo para mais um caiaque, dessa vez em Deception Island, na Antártida
Depois, enquanto fomos nos arrumar e vestir toda a parafernália necessária para realizar essa atividade em águas tão geladas, os caiaques foram colocados na água e amarrados no zodiac que nos levaria até o ponto de embarque. Assim que ficamos prontos e saímos no convés, lá estavam nossos caiaques nos esperando, enfileirados atrás do zodiac sobre um mar prateado. Cena linda e inspiradora, as boas vindas de Deception Island para nós.
A bela paisagem de Neptune's Bellows, nome do estreito canal que dá acesso à baía de Deception Island, na Antártida
A bela paisagem de Neptune's Bellows, nome do estreito canal que dá acesso à baía de Deception Island, na Antártida
Animadíssimos, entramos no barco, a vontade de remar cada vez maior. Nada mais poderia nos impedir de fazer caiaque na Antártida. Será que não? A esta altura, o Sea Spirit já estava dentro da antiga caldeira, mar tranquilo e seguro, quase uma lagoa. Mas o nosso ponto de caiaque não era ali. O zodiac nos levaria novamente através da Neptune’s Bellows para que fôssemos remar ao lado dos enormes paredões que cercam esta estreita passagem.
Destroços de um antigo barco baleeiro em Deception Island, na Antártida
Enormes estalagtites de gelo nos paredões que circundam Neptune's Bellows, em Deception Island, na Antártida
O visual é mesmo magnífico, paredes de pedra com quase 100 metros de altura, cavernas cavadas na rocha pela ação milenar do oceano, geleiras penduradas nos penhascos chegando a formar enormes estalactites de gelo. Não poderia ser mais inspirador! O problema é que aqui o vento estava bem mais forte e o mar, agitado. Por mais devagar que o zodiac nos levasse, os caiaques estavam ficando inundados de água gelada. Por duas vezes, paramos e viramos os caiaques para tirar a água de dentro, mas ela teimava em voltar.
Por causa do mar revolto, os caiaques se enchem de água em Neptune's Bellows, em Deception Island, na Antártida
Tentando tirar a água do caiaque em Deception Island, na Antártida
Nós insistimos. O zodiac procurou algum lugar mais calmo e tranquilo entre aquelas grandes paredes, mas o mar estava muito agitado. Uma rápida reunião aconteceu e, acordado por todos, decidimos voltar. Do jeito que estava, com certeza alguém acabaria virando seu caiaque e, com a água perto do zero grau, essa não é uma boa perspectiva. Nosso primeiro caiaque na Antártida estava sendo cancelado... Tivemos a chance de ver aquela paisagem grandiosa de um ângulo que poucas pessoas tem a chance de ver, mas isso não compensava nossa decepção em voltar ao navio...
Puxando os caiaques de volta para a baía de Deception Island, na Antártida
Início do nosso caiaque na baía de Whaler's Bay, em Deception Island, na Antártida
Remando na grande baía de Deception Island, na Antártida, outrora a cratera de um vulcão!
Mas, eis que, ao passar novamente pela Neptune’s Bellows, o mar começou a se acalmar. A Val, nossa guia, olhou, pensou, confabulou com o guia que pilotava o zodiac e decidiu que ainda tínhamos uma chance. Iríamos fazer o caiaque na própria baía e de lá, remar até a praia. Foram as palavras mágicas para que todos voltássemos a sorrir.
Remando em Whaler's Bay, em Deception Island, na Antártida
Remando na grande baía de Deception Island, na Antártida, que um dia já foi a caldeira de um vulcão
E assim foi. Embarcamos em nossos caiaques em águas muito mais tranquilas, já longe das grandes paredes. Daí começamos a seguir a costa em direção á praia onde já desembarcavam os outros passageiros do Sea Spirit. No caminho, alguns pequenos icebergs e muitos patos nadando tranquilamente. Nas encostas geladas, pinguins nos observavam curiosos, perguntando-se de onde havíamos aparecido.
Remando na antiga cratera de um vulcão, hoje a baía de Deception Island, na Antártida
remando ao lado da praia em Deception Island, na Antártida
Para nós, remar em meio a um antigo vulcão em plena Antártida, a situação não poderia ser mais surreal. Estaríamos mesmo acordados? Os pingos de água gelada espirrados em nosso rosto eram um lembre que sim, aqui era mesmo real!
Remando na grande baía de Deception Island, na Antártida, outrora a cratera de um vulcão!
Um pinguim observa a Ana remar ao lado da praia de Deception Island, na Antártida
Cada vez mais perto da praia, logo nos chamou a atenção as ruínas de antigos prédios perto da praia. Em seguida, foi a estranha neblina na praia que atiçou nossa curiosidade. Em meio ao fog, alguns pinguins e guias nos esperando para o desembarque na areia. De onde viria toda aquela fumaça que chegava a tampar as pessoas? Era algo que não combinava com a paisagem gelada que nos cercava.
Do caiaque avistamos as ruínas de antiga estação baleeira em Deception Island, na Antártida
Na praia o vapor da água quente de origem vulcânica em Deception Island, na Antártida
Bom, não iria demorar muito tempo para descobrirmos. Já era hora de terminar essa nossa primeira sessão de caiaque e explorar um pouco essa ilha tão especial, dessa vez em terra firme. A gente se posiciona de forma perpendicular a praia e rema com toda a força em direção aos guias que nos esperam. Eles são aquela forma disforme e colorida no meio da fumaça e é para lá que vamos. As últimas remadas, já sentindo a areia no fundo do caiaque, são ajudas por braços que nos puxam. Chegamos em terra. Colocamos os caiaques um pouco mais para cima e passamos a observar com alma o estranho mundo que nos cerca. É tempo de explorar!
Nossos caiaques estacionados em meio ao vapor de água quente de origem vulcânica na praia de Deception Island, na Antártida
Após o caiaque, caminhando na praia em Deception Island, na Antártida
Com a Íris, Bebel e Mel no Leblon, bem cedinho - Rio de Janeiro (RJ)
Os dias continuam lindos no Rio, ensolarados e radiantes. Hoje começamos mais cedo. Acompanhamos a família Lemos Junqueira em excursão matutina à praia do Leblon. Logo cedinho, Pedro, Íris, Bebel e a simpática quadrúpede Mel foram dar um passeio e rápido mergulho aqui no início da praia. Eu e a Ana chegamos um pouquinho depois, em tempo de tomar conta da Mel enquanto a família, junta, entrava no mar. Depois, foi a nossa vez. Que bela maneira de começar um dia! É por essas e outras que sempre penso em, um dia, vir morar no Rio. Desde que seja nesse miolo Leblon-Lagoa-Ipanema. Para isso, preciso ganhar muito dinheiro pois tudo aqui é caro prá burro... “There’s no free lunch”, como diria o famoso economista.
Tomando conta da Mel no Leblon, Rio de Janeiro - RJ
A praia a esta hora, numa quarta-feira, é bem vazia e muito agradável. Para quem tiver a chance, recomendo muito.
Pedro, Bebel e Íris entrando no mar do Leblon, Rio de Janeiro - RJ
Depois, já na parte da tarde, após ficarmos presos no apartamento sem chave para sair, seguimos para outra das jóias da orla carioca: a Prainha. É a praia do Rio com mais cara de Ubatuba que eu conheço. Isolada, cercada de morros e pedras. Um delícia! Praia de ondas, faz a festa dos surfistas e de atores jovens globais. Para chegar lá, temos primeiro de cruzar a interminável Barra e seus infinitos condomínios. Chegando, parece que estamos em outra cidade, outro mundo. Principalmente em dias de semana porque nos sábados e domingos a Prainha lota e estacionar não é fácil.
Final de tarde na Prainha, no Rio Janeiro - RJ
Desta vez, até entramos no Parque Municipal da Prainha. Ali, fiquei sabendo que quase fizeram um condomínio no lugar, no final de década passada. Felizmente, associações de surfistas e a sociedade local se uniram contra essa idéia e o resultado foi esse. A Prainha continua lá, protegida por um parque. Muito legal mesmo!!!
Surfistas na Prainha, no Rio Janeiro - RJ
Já no finalzinho da tarde, seguimos para Guaratiba para almoçar e ter uma vista privilegiada da Restinga da Marambaia, trecho quase virgem do litoral do estado, protegido por uma base da marinha. Lembro dos feriados que FHC passava por lá e da inveja que sentia... Enfim, a vista é mesmo linda. Só que os restaurantes que queríamos ir estavam fechados, infelizmente. O famoso Restaurante do Bira ou o da sua mãe, Tia Palmira. Acabamos indo no Quintal da Praia, mais simples, barato, comida saborosa e sem vista.
Final de tarde na Marambaia, no Rio Janeiro - RJ
Para os próximos dias, milhões de possibilidades na Cidade Maravilhosa. Não é à toa que tem essa alcunha. Vamos ter de escolher e, infelizmente, muita coisa vai ficar para trás. Se pudéssemos ficaríamos um mês por aqui, sem repetir programas...
Monterrey, no norte do México, é famosa pelas montanhas que a circundam
Monterrey é a terceira maior cidade do país, o segundo maior pólo industrial e a mais rica entre as grandes metrópoles, se considerarmos o PIB/per capita. A orgulhosa cidade soube tirar proveito de sua maior proximidade com os Estados Unidos, o que lhe conferia grandes vantagens comerciais. Várias indústrias se instalaram por aqui exatamente para estarem mais próximas do seu principal cliente.
Sob a marquise de prédio público, em Monterrey, no norte do México
Admirando os vistosos murais em prédio público de Monterrey, no norte do México
Mas foi também essa vantagem competitiva em estar quase ao lado do mercado consumidor que lhe trouxe o maior dos problemas atuais: a violência ligada ao narcotráfico. O cartel que comandar essa área terá sempre um grande poder e por isso a disputa é grande. Soma-se a isso a política de enfrentamento do exército durante o último governo e a violência atingiu níveis alarmantes. Para padrões civilizados, os números realmente impressionam, mas para brasileiros acostumados com o número per capita de assassinatos em metrópoles como Rio de Janeiro ou Salvador, até que as estatísticas não diferem muito. Além disso, boa parte dessa violência está direcionada para aqueles que, de alguma forma, estão ligados ao tráfico. Raramente, algum turista é pego nesse verdadeiro “fogo cruzado”. Na verdade, a grande diferença da violência daqui e a dos grandes centros urbanos no Brasil é que aqui, por algum estranho motivo, eles tem uma certa predileção por cabeças cortadas. Devem ser resquícios da cultura asteca ou maia, ou uma tentativa de impressionar os rivais. Quem se impressiona mesmo é a imprensa, principalmente a estrangeira. O resultado: muito menos turistas na região.
A Catedral de Monterrey, no norte do México
Prédio público em estilo clássico, em Monterrey, no norte do México
Enfim, o negócio é não ter o azar de se estar no lugar errado na hora errada. Assim, para não dar sorte ao azar, nada de se meter em bairros estranhos e nem ficar circulando de noite por estradas e ruas desertas. Nós já passamos dois meses no México, ano passado, e vamos passar outro mês agora. Só tivemos boas experiências e tenho certeza que será o mesmo dessa vez. O país é muito maior e mais lindo que os problemas que enfrenta.
Estátuas parecem saudar a água de fonte, em passeio de Monterrey, no norte do México
Nosso dia de hoje, por exemplo, não poderia ter sido mais tranquilo e seguro. Caminhamos pelas ruas centrais da cidade, ainda no processo de adaptação à confusão tão característica do mundo latino. Tem as ruas onde pessoas disputam lugar com carros e aquelas em que são apenas para pedestres. Aí, a disputa é entre lojas e camelôs, Igualzinho um país que conheço... Tem também as praças e passeios mais amplos, longe de centros comerciais e da confusão. É onde podemos respirar melhor o ar, descansar os ouvidos e admirar os sempre pomposos prédios públicos e estátuas clássicas.
o velho e o novo, em Monterrey, no norte do México
São nesses espaços também que podemos observar o horizonte. Monterrey é conhecida por ser cercada de montanhas cheias de cachoeiras e canyons interessantes. Do centro da cidade, pode-se observá-las bem, as montanhas. Para um bom mineiro como eu, isso sempre acalma o coração. Amanhã, vamos até elas. Entre tantas opções e tendo de escolher apenas uma, já que nosso tempo urge, vamos ao Potrero Chico, meca dos escaladores em rocha. Dica valiosa do nosso anfitrião em Boulder, o Jeremy, ele mesmo um amante das montanhas e escaladas.
Estacionamento exclusivo para bruxas em Monterrey, no norte do México
Depois das ruas comerciais e das praças públicas, refugiamo-nos nas pacatas ruas de paralelepípedo do centro histórico, bem sossegadas e com charmosos pequenos hotéis e restaurantes. Um chá para diminuir o ritmo e uma boa conversa com a dona para sabermos mais da cidade e da vida na cidade. Fazia tempo que não visitávamos uma metrópole desse porte, acima dos 3 milhões de habitantes e, provavelmente, vai demorar muito tempo até a próxima. De vez em quando, faz falta. Mas por hora, Moterrey nos saciou.
Revoada de pássaros sobre rua histórica de Monterrey, no norte do México
História da criação da cidade, no topo do Mont Royal, em Montreal, no Canadá
Ontem de manhã, saímos do hotel dispostos a caminhar. Nosso objetivo era ir até o mais popular parque da capital, o Mont Royal, que cobre toda a área de uma montanha na região central da metrópole. É uma região cheia de trilhas que faz a alegria de caminhantes, corredores e ciclistas, especialmente nessa época do ano. Já no inverno, é o pessoal do cross-country ou as crianças do sledge que se divertem por lá. Lá do alto, uma das melhores vistas da cidade.
Fachada do imponente Museu de Belas-Artes de Montreal, no Canadá
No caminho, achamos um bom lugar para o café da manhã (ciabatta com presunto cru e queijo brie derretido – uma delícia!) e passamos pelo imponente Museu de Belas Artes da cidade, região de clima estudantil e jovial (a universidade é ali perto!).
Paz e amor no Museu de Belas Artes de Montreal, no Canadá
Enfim, chegamos ao parque, no pé da montanha, e iniciamos o longo caminho de trilhas e escadas para chegar ao ponto mais alto. Lá encima, além da vista que realmente é esplendorosa, aprendemos um pouco de história. Um dos monumentos, em forma de livro e bilíngue (tudo é escrito em francês e inglês na cidade), conta como Jacques Cartier, o “descobridor do Canadá”, chegou até o alto dessa montanha, guiado por amigos índios em Outubro de 1535. Ele ficou maravilhado com a paisagem que descortinava, o rio Saint-Laurent (São Lourenço, em português) correndo majestoso aos seus pés. Diante de tanta grandiosidade, chamou aquela montanha de “Mont Royal”. Não demorou muito para toda aquela região virar “Mont Real” e, finalmente, “Montreal”! Depois de saber, parece óbvio a origem do nome Montreal, mas confesso que nunca tinha atentado para isso. Vivendo e aprendendo...
Vista do alto do Mont Royal, em Montreal, no Canadá, com o estádio Olímpico ao fundo
Foram precisos outros 100 anos para que os franceses viessem ocupar a área. Por mais incrível que possa parecer, o que os trouxe até aqui e, na verdade, movimentou toda a colonização e ocupação do Canadá, foi o pequeno e simpático animal que conhecemos como castor. Durante os séculos XVII e XVIII, o comércio da sua pele, usada principalmente para fazer chapéus, movimentou milhões de “dinheiros” e milhares de pessoas, que corriam ao novo mundo em busca da preciosa mercadoria (os pobres castores).
Charmosa rua para pedestres no bairro Plateau Mont Royal, em Montreal, no Canadá
Tão lucrativo era esse comércio que as duas nações mais poderosas da época, Inglaterra e França, se digladiaram por mais de um século para ter o seu controle. E ter o seu controle significava ter a supremacia no Canadá. Finalmente, ao final das Guerra dos 7 Anos, em 1764, os dois países se acertaram e a parte francesa do Canadá (região de Quebec, onde está Montreal) foi reconhecida como sendo parte do Império Britânico (em troca, os franceses ficaram com Guadalupe, no Caribe...).
Hora da leitura sob a fonte, em Montreal, no Canadá
Mas a “pax britannica” não durou muito. Dez anos mais tarde, uma movimentação ao sul da fronteira chegou até Montreal. Era a Guerra de Independência americana e os revolucionários tentaram atrair para a luta a população francófila do Canadá. Chegaram a ocupar a cidade, em 1775, mas nem os esforços de benjamim Franklin foram suficientes para persuadir os habitantes da cidade. Eles se identificavam ainda menos com seus vizinhos do sul do que com os ingleses. Assim, quando tropas britânicas chegaram, os americanos partiram e a cidade continuou leal ao rei, sem mais se envolver na luta.
Muita arte pelas ruas de Montreal, no Canadá
Durante o século XIX a cidade se industrializou, finalmente sobrepujando em importância a cidade de Quebec, mais ao norte. Já no séc XX, logo após a 1ª Guerra Mundial, o que trouxe dinheiro à Montreal foi os americanos que fugiam da Lei Seca em seu país, vigente durante toda a Grande Depressão. A cidade era conhecida então como “Sin City”. Felizmente, também esses tempos ficaram para trás e Montreal passou a atrair outro tipo de público, como cidade de negócios e polo cultural e estudantil.
Charmosa rua para pedestres no bairro Plateau Mont Royal, em Montreal, no Canadá
Pois é, foi essa Montreal cultural e festiva que conhecemos um pouco esses dias, caminhando pela cidade. Eu sempre tinha ouvido falar que os canadenses celebravam o verão, principalmente pelo rigor do inverno, quando não só temperaturas congelantes predominam, mas principalmente pela falta da luz do dia, já às 16:30 já está escuro e o sol só se levanta depois das oito. Para nós, seres tropicais, acostumados com o calor e a luz do sol durante todo o ano, é difícil realmente captar como é morar num lugar assim, com variações tão grandes de temperatura e “tamanho” do dia. A gente “acha” que entende, mas só entende mesmo passando pela experiência.
Ruas cheias no centro de Montreal, no Canadá
Eu nunca vivi em um país assim, então, pertenço ao grupo que “acha” que entende, mas não entende não! Meio que por tabela, tivemos uma amostra disso, aqui em Montreal e, certamente, por todos os lugares que iremos passar no Canadá. Não poderemos vivenciar as diferenças entre verão e inverno, mas estamos vendo, ao vivo, com os olhos, ouvidos e narizes, a alegria com que esse povo recebe e vive o seu verão. São dezenas de festivais artísticos, milhares de pessoas nas praças e ruas, sorriso nos rostos da gente, uma incrível alegria de viver e sentir o verão, o calor e a luz. Em cada gramado da cidade, em cada pista de cooper, lá estão pessoas correndo, meditando, confraternizando, ou simplesmente vivendo aquele momento. A sensação que temos é que eles tem esses quatro meses para viver o ano inteiro. Portanto, não há um minuto a perder!
Ruas cheias no centro de Montreal, no Canadá
Foi assim ontem de manhã, no Mont Royal, durante a tarde, nas ruas do Plateau, um simpático bairro cheio de restaurantes e ruas de pedestre, ou nas ruas do bairro do nosso hotel, vizinhança universitária, durante o dia de hoje.
Restaurantes cheios em Montreal, no Canadá
Para mim, além de conhecer o centro histórico, os prédios importantes e o Parc Royal, o que mais me ensinou sobre o Canadá nesses dias foi simplesmente caminhar pelas ruas da cidade, observar seus restaurantes sempre cheios, ver as pessoas felizes e conversando. Essa exuberância de vida e da vida foi rejuvenescedora;
Um brinde à Montreal e ao Canadá!
Amanhã, felizes e já com saudades, deixamos a cidade. Ela passou a fazer parte de um seleto grupo de lugares em que nos imaginamos morando por mais tempo, uma temporada de dois anos, talvez. Ficar craque no francês e no inglês, nos esportes de inverno e, a cada verão, celebrar a vida e o sol. Quem sabe um dia...
Fim de tarde com Olimpiadas e vinho em Montreal, no Canadá
Aproveitando o sol do meio da tarde na Ponta das Canas, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Florianópolis é uma cidade de muitas cidades. Ao redor da maioria das praias da ilha nasceram pequenas vilas, algumas delas já centenárias. Todas com suas personalidades e vida própria. São bairros ou distritos de Florianópolis, mas cada uma é um mundo, uma alma distinta. A ilha se estica no sentido norte-sul e entre seus pontos extremos são pouco mais de 50 km de distância em linha reta. Por estradas, seriam 65 km, lá do sul do Ribeirão da Ilha até o norte da Lagoinha, os bairros que estão nas extremidades da Ilha de Santa Catarina. Esse é o nome oficial da ilha que todos conhecemos como Florianópolis ou simplesmente Floripa. Aliás, a cidade não se limita apenas à ilha, mas também se espalha pelo continente, o lar de boa parte dos florianopolitanos. Nome meio difícil. Mais fácil chamá-los de “manezinhos da ilha”, mesmo para os que moram no continente, do outro lado da ponte e do estreito.
Nossos circuitos pelo norte da ilha. Na primeira vez, fomos à praia dos Ingleses e voltamos pelo lado leste da ilha, contornando a lagoa. Na segunda, passamos por Ponta das Canas, Lagoinha, Praia Brava, Canasvieiras, Jurerê e Daniela
Pois é, foi essa incrível cidade de muitas cidades que começamos a explorar, a última capital no roteiro dos 1000dias. Nós chegamos na noite do dia 14 e logo nos instalamos no apartamento do Tio Walter, irmão da mãe da Ana. Ele não estava na cidade, mas as chaves de seu apartamento na região da Av. Beira Mar Norte, sim. Muito bem localizado a um quarteirão da principal avenida da cidade, na sua região central, essa será a nossa base pela próxima semana enquanto damos uma olhada em cada cantinho da Ilha da Magia, um dos apelidos preferidos de Florianópolis.
As praias do norte da ilha em que estivemos durante os 1000dias. Em Jurerê, estivemos duas vezes, uma de dia e outra de noite, apenas para jantar
Nossa ideia é ir cada dia para um canto da cidade. E o destino nos ajudou logo a escolher qual seria o primeiro. Nossos super queridos amigos, o casal Paula e Gustavo, lá de Curitiba, veio passar o final de semana aqui na cidade, lá no apartamento da família na praia dos Ingleses. Essa praia fica no norte da ilha e é uma das mais tradicionais da ilha. Nós fomos visitá-los, acabamos nos empolgando e ficamos por lá mesmo, dormindo no apartamento deles. Passamos o dia 16 juntos, dia de céu azul e muito sol e cerveja na praia. Só voltamos no final do dia, agora pelas pequenas estradas da parte leste da ilha, dando a volta na famosa e belíssima Lagoa da Conceição, um dos principais cartões postais de Florianópolis.
Em dia de céu azul e muita tranquilidade, caminhando para a praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Em dia de céu azul e muita tranquilidade, caminhando para a praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
No dia 19, nós voltamos para o norte da ilha, dessa vez sem a companhia do casal amigo (que já havia retornado a Curitiba) e com um ímpeto explorador muito maior. Passamos por quase todas as praias daquela região, começando pela Ponta das Canas e seguindo para a Lagoinha, Praia Brava, Canasvieiras, Jurerê e terminando com um mergulho em Daniela. Esse post, então, para fins de organização, será sobre nossas andanças nessa parte da ilha, a mais chique e desenvolvida de Florianópolis, mesmo que tenhamos passado por lá em dias diferentes. Aliás, teve até uma terceira vez, um jantar gostoso num dos muitos restaurantes de Jurerê Internacional, dessa vez acompanhados pelo tio Walter e a Silvia, sua namorada.
Com o Gustavo, na praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Com os amigos Gustavo e Paula na praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Com a Paula, em dia de muito sol na praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Enfim, lá fomos nós para praia dos Ingleses na tarde do dia 15. Localizada a mais de 30 km do centro, o nome da praia é referência a um naufrágio de um barco inglês que houve ali no final do séc. XVII. Muitos dos marinheiros sobreviveram e nadaram para a praia, onde passaram alguns anos vivendo da agricultura de subsistência, até que fossem resgatados. Foi apenas bem recentemente que restos do barco e utensílios que carregavam foram descobertos, o que deu credibilidade à história. Hoje a praia é praticamente uma cidade, com mais de 15 mil moradores. Há bancos, igrejas, supermercados, enfim, toda a infraestrutura para que se viva aí sem a necessidade de ir até o centro. Há trechos da praia bem tranquilos, ideais para as famílias, e há bares e badalação para os jovens. Não é a toa que é também uma das praias prediletas dos argentinos, logo após Canasvieiras.
Os queridos amigos Gustavo e Paula na praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Os queridos amigos Gustavo e Paula na praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Então, foi simplesmente uma delícia. Apesar do tempo estar tão bom e ser fim de semana, quase não havia movimento no bairro, pelo menos na área onde estávamos. Acho que por ser logo após o carnaval, todo mundo de volta às suas cidades depois de quatro dias de farra ou de descanso. O apartamento deles fica bem a esquerda da praia, próximo do morro que separa ingleses da Praia Brava e podíamos contar nos dedos as pessoas na praia. Passamos o dia aí, mergulhando, conversando e mergulhando no mar delicioso. Eu anda consegui dar uma corrida, cruzando os mais de 4 quilômetros da praia e voltando a tempo de um almoço tardio e delicioso. O tempo foi passando e nós fomos ficando, até que o sol se pôs e nasceu uma lua cheia maravilhosa, por detrás do mar, iluminado tudo e a todos. Foi um espetáculo! Só depois de muitas fotos e tentativas de fotos que tivemos a coragem de nos despedir. Eles voltariam para Curitiba e nós para o centro da cidade. Mas resolvemos fazer o caminho mais longo e demorado, pista simples, só para variar e também para passar na Avenida das Rendeiras, lá na Lagoa da Conceição, para jantarmos. Mas isso é papo para outro post, quando for falar daquela área da cidade, uma de nossas preferidas.
Dia lindo na praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Matando a fome na praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
No dia 19, pé na tábua, voltamos para o norte. Como já disse, dessa vez a intenção era explorar, rever praias que há muito não víamos ou conhecer aquelas onde nunca havíamos estado. Nas muitas vezes que já viemos à ilha, ficamos quase sempre no sul, nossa parte preferida de Florianópolis. O engraçado é que a primeira vez que eu vim à cidade, foi aqui para o norte que eu vim. E foi uma viagem muito especial para mim, a primeira viagem mais longa como estudante. O ano era 1989, meu segundo na faculdade, lá em Campinas. Até então, eu só tinha feito viagens com amigos até o litoral paulista, a poucas horas de distância de carro. Em família sim, já tinha feito “voos maiores”, mas aí não vale. Foi quando um amigo do curso convidou a mim e a outro colega para uns dias em Canasvieiras, na casa de seu avô. Não pestanejei! Com meu valente Gol 1.6 a ar, modelo 1982, encaramos os 800 km de estradas em pista simples (é... os tempos eram outros!) até a capital catarinense. Aqui passamos uns quatro dias, quase todos entre Canasvieiras, Ingleses e Jurerê (quando o internacional ainda engatinhava!), mas com uma memorável incursão ao sul da Ilha também, passando pela mítica Joaquina e chegando à distante Pântano do Sul. Mas o forte mesmo foi aqui no Norte.
A Ana fotofrafa a lua, que nasce majestosa no mar dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
A lua cheia nasce na praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Lua cheia e majestosa na praia dos Ingleses, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Um dos lugares que não passamos naquela vez e que eu nunca havia estado desde então foi a Ponta das Canas. Justamente nossa primeira parada dessa vez, no dia 19. Esse é o nome que se dá à pontinha da longa praia de Canasvieiras. O que a diferencia é que Ponta das Canas é muito mais tranquila, tanto o mar como o movimento. Uma das praias preferidas das famílias com filhos pequenos que vêm ao norte da ilha. Assim como Canasvieiras, a faixa de areia vem encolhendo ao longo do tempo, ação das correntes marítimas e de um processo de urbanização que não respeitou os limites da natureza. Lembro-me que o avô do meu amigo já reclamou disso naquela época, quase 30 anos atrás. Só posso dizer que o mar avançou ainda mais nessas três décadas, a olhos vistos.
Visão de Ponta das Canas, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Maré baixa na Ponta das Canas, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
A praia seguinte no nosso roteiro, bem perto daqui, foi da Lagoinha do Norte. Confesso que sempre me atraí por ela, acho que pelo fato de eu adorar a sua homônima no sul da ilha. Eu a olhava no mapa e pensava: quando for para o norte a próxima vez, tenho de conhecê-la! Pois essa hora chegou, finalmente! Ela não é uma Lagoinha do Leste, claro, mas é uma das mais belas praias do norte. Quase não há acessos para carros e o principal deles é justamente na barra da lagoa. Por sinal, a parte mais bonita da praia. O mar daqui também é tranquilo, protegido do oceano pelos costões de pedra. Talvez por ser menor que as outras, foi a praia mais cheia que vimos nesse dia.
Barcos e escunas para turistas ficam ancorados na baía de Ponta das Canas, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Banhistas aproveitam o tranquilidade da Ponta das Canas, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Mais alguns minutos dirigindo e chegamos à Praia Brava, a preferida dos surfistas nessa parte da ilha. Voltada para o oceano, seu mar é mesmo bravio, afasta as famílias e atrai os mais jovens. Aqui tomei o maior susto do dia, não pelo mar, mas pela urbanização da praia. Quando passei aqui em 89, a praia era completamente isolada. Quando a estrada chegava ao alto do morro que dá acesso à Praia Brava, só se via umas poucas casas de pescadores, algum bar mais rústico e aquele marzão. Mas no início da início da década de 90 um empreendedor comprou toda a área e desenvolveu um projeto urbanístico por aqui. Condomínios de prédios com a devida preocupação ecológica. Não duvido que toda a água e esgoto sejam tratados, nem que ruas e estacionamentos públicos sejam bem cuidados, mas o fato é que aquela visão selvagem que se tinha perdeu-se no tempo. Agora, o que se vê é um pequeno bairro composto de prédios em frente a uma praia que ganhou muito em conforto e civilidade, mas perdeu muito de seu charme.
Casas na Lagoinha do Norte, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
A praia da Lagoinha, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Rumamos então para a praia de Canasvieiras, aquela mesma em que eu tinha ficado em 1989. Essa é a praia preferida dos nossos hermanos argentinos, já desde quando estive aqui. Mas a frequência aumentou muito desde então, principalmente no auge do boom econômico argentino, quando ainda funcionava a paridade. Muitos vieram e se instalaram definitivamente. Na temporada de férias, ouve-se mais o castelhano que o português nas ruas e pode-se comprar jornais portenhos na banca da esquina. Os moradores locais também se adaptaram, principalmente aqueles que tem algum comércio, a aprenderam a falar a língua da maioria de seus clientes. Argentinos, e também uruguaios e paraguaios, parecem não se importar com o tamanho cada vez menor da faixa de areia. Nas grandes marés, em muitos trechos da praia ela simplesmente desaparece.
A boca da Lagoinha, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Carros estacionados junto à pequena lagoa que dá nome à praia da Lagoinha, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Já no caminho de casa, viemos pela orla e pela pequena estrada que sobe o morro em direção a Jurerê. É por aqui que passam os competidores do Ironman de Florianópolis, o maior evento do gênero na América Latina. Eles nadam 3.8 km no mar de Jurerê, pedalam 180 km em direção ao centro e ao aeroporto, ainda mais ao sul (duas voltas de 90 km) e fazem a maratona (42 km) entre Jurerê e Canasvieiras. O trecho mais duro da parte da corrida é exatamente vencer o morro íngreme entre as duas praias, tanto na ida como na volta. Depois de seis ou sete horas de prova, encarar uma subida dessas, correndo, não é para qualquer um!
A urbanizada Praia Brava, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
A urbanizada Praia Brava, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Caminhando na Praia Brava, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Localizado a 25 km ao norte do centro, boa parte disso em estrada de pista dupla, a praia está dividida em duas: Jurerê Tradicional e Jurerê Internacional. A parte “tradicional”, como o próprio nome indica, é a mais antiga, famílias já aí instaladas há gerações. No início da década de 80 foi iniciado um grande empreendimento imobiliário na parte oeste da praia, na época ainda bem pouco explorada. Aos poucos, grandes hotéis e mansões foram sendo construídas em um bairro muito bem planejado, com muito verde e ruas regulares. Chegaram os restaurantes de alto padrão e grandes casas de show. O novo bairro ganhou fama internacional, indicado por guias de turismo de todo o mundo.
A estreita faixa de areia de Canasvieiras, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
A estreita faixa de areia de Canasvieiras, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
O resultado é que temos a impressão de estarmos em Miami. Tem muita gente que gosta e fez daqui a sua segunda casa. Literalmente! Quase todas as propriedades são casas de veraneio e para alugar durante a temporada. Tem também aqueles que não gostam muito, preferindo praias com um toque mais “brasileiro”, o mato natural no lugar da grama bem aparada. Eu e a Ana jogamos mais nesse segundo time e nossa parte preferida da ilha fica mesmo no sentido inverso, no sul de Florianópolis. É para lá que costumamos ir quando viajamos para a Ilha da Magia, quase vizinha da nossa Curitiba. Isso não quer dizer que não saibamos admirar o que é bem feito. A limpeza e a ordem prosperam por aqui, assim como a grama aparada, as passarelas de madeira e os bons restaurantes. Normalmente, o que nos atrairia seria algum bom show de música ou para assistir ao Ironman, mas hoje viemos despretensiosamente mesmo, ver, passear, fotografar.
Caminhando nas passarelas de Jurerê Internacional, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Fim de tarde em Jurerê Internacional, praia no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Por fim, a nossa última praia do dia foi Daniela. Simpática no nome e simpática no cenário! Ela está voltada para o continente e tem as águas mais calmas e tranquilas entre as praias do norte. Para melhorar, restrições de construção deixam a praia com ares de intocada. Quando caminhamos na areia, as casas ficam escondidas pela vegetação, o que nos faz ter a impressão de estarmos em uma praia selvagem, longe da civilização. O bairro é bem tranquilo, mas ao mesmo tempo, está bem próximo de Jurerê para quem quiser um bom restaurante, alguma balada ou fazer compras no supermercado. É mesmo minha praia preferida nesse canto da ilha. Tanto que foi só aí que demos nosso mergulho no mar e fizemos uma caminhada mais longa. Fomos até a ponta de península, de onde se pode enxergar em direção ao sul e ver, ao longe, a ponte que liga a ilha ao continente.
Dando um mergulho na tranquila praia de Daniela, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
Seguindo em direção ao sul pela costa da ilha voltada para o continente, não há mais praias de verdade. Mas tem algo muito melhor do que isso, talvez o bairro mais charmoso de toda a ilha: Santo Antonio de Lisboa. Tanta história, tanto charme, que merece um post só para ele...
Dando um mergulho na tranquila praia de Daniela, no norte de Florianópolis, Santa Catarina
A famosa Pedra do Capacete, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Desde que estamos explorando o interior nordestino, com as honrosas exceções da Chapada Diamantina e do vale do São Francisco, um ponto comum liga todas as belas regiões visitadas: a raridade da água. Para quem estava acostumado com as abundantes cachoeiras de Minas, isso realmente chama a atenção. Principalmente em locais onde percebe-se facilmente que, em algum dia de um remoto passado, a água já foi abundante. As Serras da Capivara, das Confusões e do Catimbau e o Raso da Catarina são ótimos exemplos disso. Os canyons estão lá para mostrar que a água tinha força para alterar a geologia do local. Hoje, ela aparece apenas nos dias de chuva, ou nos poucos meses em que rios temporários renascem das cinzas.
Canyon do rio Soledade, região de Cabaceiras - PB
Eu e a Ana, após caminhadas sob um sol escaldante, sempre esperávamos encontrar água na próxima curva, mas isso não ocorria. Aqui na região do Lajedo do Pai Mateus já estávamos esperando a mesma coisa. Tanto que nosso plano inicial era de partirmos hoje. Para isso, teríamos de abdicar de algum passeio. O sacrificado seria o passeio do canyon. Não que não valesse à pena, mas se tínhamos de sacrificar algo, que fosse mais um canyon seco, depois de tantos que encontramos por aí. Ocorre que, com a maravilhosa aula de ontem nós perdemos o tempo de ir no Lajedo do Pai Mateus. Juntando a isso a vontade de permanecer no conforto do hotel mais um dia e o atraso na nossas obrigações cibernéticas, resolvemos viajar só amanhã. Esse dia a mais nos deu a chance e o tempo de visitar o canyon do rio Soledade.
Nadando no rio Soledade, em Cabaceiras - PB
Pois é, justo esse que nós iríamos pular, justo esse que está na caatinga mais seca que encontramos, foi justamente nesse que encontramos a bendita água que procurávamos. Banhar-se em plena caatinga é um prazer inesquecível e foi assim que começamos o dia! Que beleza!
Cabaceiras - PB
Revigorados, voltamos ao hotel, trabalhamos um pouco, almoçamos saldavelmente e seguimos para a pequena cidade histórica de Cabaceiras, a Roliude brasileira. É assim que se escreve mesmo! Mais de 20 filmes locados aqui nos últimos anos estão transformando a cidade em atração! Não é à tôa que os diretores escolhem filmar por aqui, claro! É como aquele vale próximo ao Grand canyon que aparece em todo faroeste que se preze. Os cenários daqui são cinematográficos! E a cidade, com sua charmosa igrejinha e o casario colorido pode representar muito bem uma típica cidade nordestina. Pronto, melhor receita para a roliude brasileira não pode haver!
Casario histórico em Cabaceiras - PB
Aí chegou o final de tarde e nós fomos à maior atração do nosso dia e de toda a região: o Lajedo do Pai Mateus. Agora já sabíamos o caminho e não precisávamos de guia. Quando lá chegamos, partia o único grupo de pessoas que tinha ido para lá. Resultado: eu e a Ana teríamos um entardecer à dois num dos lugares mais incríveis do sertão e do Brasil!
Fim de tarde no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
O nome do lajedo vem de um curandeiro que teria vivido na região entre o final do séc XVIII e início do XIX. Provavelmente de origem indígena, ou com alguma miscigenação com negros. Sabia curar tudo e morava embaixo do maior dos matacões lá de cima. Mateus escolheu bem o lugar para morar!
Dentro da Pedra do Capacete, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Para mim, o que torna o lugar ainda mais interessante e especial é saber que seres humanos tem frequentado o lajedo por 30 mil anos! É muito tempo! Bom, para os que não acreditam que já havia homens no continente nessa época, então, que seja... eles frequentam o lajedo há 10 mil anos! Continua muito tempo! Ai, se aquelas pedras falassem...
Belo fim de tarde no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Bom, se elas falassem, diriam que 10 ou 30 mil anos não é muito tempo não. Aliás, não é nada para elas! Afinal, essas rochas são do período pré-cambriano. Traduzindo, tem mais de 600 milhões de anos!!! Isso sim é velho!
A casa de Pai Mateus, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Com uma história dessa, quem é que vai dizer que o lajedo não é um lugar especial? AInda mais com aquelas pedras magníficas espalhadas em uma enorme laje de pedra. Cenário de outro planeta!
Conjunto de matacões, a Pedra do Capacete bem à esquerda, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Foi aí que eu e a Ana passamos nosso fim de tarde. Saboreando cada centímetro do visual, cada segundo daquela hora. Muitas fotos do mais famoso dos matacões, a Pedra do Capacete. E de outras, como a casa do Pai Mateus e a Pedra da Energização.
Observando o pôr-do-sol no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
Se eu fosse um místico, sei exatamente em que lugar do Brasil eu iria morar...
Um gigante ao lado da Pedra do Capacete, no Lajedo do Pai Mateus, região de Cabaceiras - PB
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