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federico pavez (08/05)
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Rubens Werdesheim (08/05)
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Paulo Pereira (07/05)
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Paulo Pereira (07/05)
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barbara (07/05)
Explorando o naufrágio Hilma Hooker, no sul de Bonaire
Depois do parque e de voltarmos ao nosso hotel (agora sem quarto!), carregamos nosso carro com o equipamento de mergulho e voltamos para o sul da ilha, para mergulharmos num dos mais conhecidos e visitados naufrágios do mundo, o Hilma Hooker.
Mergulhando no Hilma Hooker, que naufragou em 1985 no sul de Bonaire
O barco, um cargueiro com cerca de 80 metros de comprimento, foi construído na Holanda na década de 50. Depois de passar por vários donos e mudar de nome muitas vezes, foi comprado por colombianos. Sua função? Levar marihuana para os Estados Unidos. E assim, em uma das suas viagens, em 1985, teve problemas no leme e teve de aportar em Kralendijk, capital de Bonaire. Os oficiais, suspeitando do barco, do capitão e daquela tripulação meio estranha que tinham a documentação toda falha, resolveram dar uma geral no Hilma Hooker. Encontraram nada menos que 12 toneladas de maconha sob um fundo falso.
Explorando o naufrágio Hilma Hooker, no sul de Bonaire
O barco foi confiscado durante o inquérito que se seguiu. O problema é que, sem a manutenção necessária, ele estava fazendo água. O perigo era afundar ali mesmo e bloquear o principal porto da ilha. Assim, foi rebocado para um lugar mais seguro. Para a alegria das operadoras de mergulho locais, não demorou nem uma semana a mais para ele afundar, entre duas linhas de recifes, a uns 30 metros de profundidade. Assim, Bonaire ganhou um maravilhoso naufrágio para poder oferecer a seus turistas-mergulhadores.
Naufrágio do Hilma Hooker, no sul de Bonaire
E foi para lá que seguimos hoje, no nosso último mergulho em Bonaire. As águas limpas de Bonaire favorecem muito este mergulho, já que podemos ver, de uma certa distância, todo o barco afundado. É uma visão impressionante, aquele bichão deitado na areia, apoiado sobre seu mastro. A visão meio azulada confere um ar meio fantasmagórico àquela máquina que antes costumava rodar o mundo, acima d'água.
Naufrágio do Hilma Hooker, no sul de Bonaire
Sempre acho a visão de um naufrágio algo meio triste. Parace um enorme cadáver, silencioso, esperando por alguma ajuda que nunca chegará. Mas, ao mesmo tempo, é feliz também. Porque ele se torna um centro de vida, os corais e peixes adoram aquela nova adição ao fundo do mar e tratam logo de redecorá-la, um verdadeiro jardim subaquático.
Examinando a âncora do Hilma Hooker, no sul de Bonaire
Ficamos aí cerca de meia hora, até mais que o permitido para um mergulho não-descompressivo (o nosso acabou virando um mergulho descompressivo. Viva os computadores de mergulho!). Mesmo assim, não foi tempo suficiente para explorar todo o naufrágio. Quem sabe, na próxima vez em Bonaire... Mas, o que vimos já foi muito legal, incluindo a grande barracuda que nos acompanhou durante algum tempo.
Uma das escadas que levam ao interior do Hilma Hooker, no sul de Bonaire
Fim de mergulho, fim de Bonaire para nós. Voltamos para o hotel, tomamos uma ducha no chuveirão do jardim, pegamos nossa bagagem e fomos devolver o carro. A companhia nos levou até o aeroporto e embarcamos para a última etapa desse tour no ABC, exatamente o "C" de Curaçao.
Mergulhando no Hilma Hooker, que naufragou em 1985 no sul de Bonaire
Desembarcando no aeroporto de Willemstand, conhecemos um simpático casal de mergulhadores de Brasília, o André e a Wendy. Cada casal alugou o seu carro (só um pouco mais caro que o preço do táxi para o centro da cidade!) e fomos juntos para o hotel que a Ana já havia reservado pela internet.
Um dos banheiros do Hilma Hooker, no sul de Bonaire
Chegamos bem no dia da celebração do Dia das Bruxas, festa bem popular nesta parte do mundo. E eis que a principal balada da cidade era exatamente ao lado do nosso hotel! Para melhorar mais ainda, o funcionário de plantão no hotel àquela hora era o Andrikson, um negão gente boníssima que tinha convites para a tal festa. E assim, seguimos os seis, eu e a Ana, o Andre e a Wendy e o Andrikson e a Angélica (a namorada dele, das Ilhas Madeira, falante de português!) para a festa.
Uma grande barracuda nos acompanha durante mergulho no Hilma Hooker, no sul de Bonaire
Excelentes DJs, som alto de boa qualidade, cerveja holandesa gelada, novos amigos e dezenas de diabinhas e bruxas circulando com microssaias e meias arrastão, que excelente maneira de terminar esse dia que começou com um parque, passou por um naufrágio e mudou de ilha e de país. Mesmo para o padrão da nossa viagem, cheio de dias inesquecíveis, hoje foi um dia...hmmmm... especial! Um brinde ao ABC e ao dia das bruxas (com meia arrastão!).
Divertindo-se em balanço à beira de precipício, na Casa del Arbol, em Baños, no Equador
O primeiro programa do dia foi visitar a Laura na clínica onde ela está internada, quase ao lado da nossa pousada. Com o quarto todo envidraçado ela tem uma belíssima vista das montanhas que cercam Baños. A Ana aproveitou para fazer o seu exame de sangue e também descobriu estar com salmonela, mas numa dosagem bem menor e menos preocupante que a Laura. Já está se medicando para ficar 100% até Galápagos.
Placa comum em Baños, no Equador
Depois do café da manhã com salada de frutas com cereais e o delicioso "pan de yuca" (igualzinho ao nosso pão de queijo!), seguimos de Fiona montanha acima, eu a Ana e o Rafa. Queríamos chegar mais perto do majestoso vulcão Tungurahua, além de ter a belíssima vista lá de cima, da cidade e do vale.
Café del Cielo, em Baños, no Equador
Rodamos bastante pelas estradinhas na parte alta da montanha ao lado de Baños, sempre procurando o melhor ângulo para o vulcão. Na verdade mesmo, procurávamos QUALQUER ângulo em que pudéssemos vê-lo, pois o Tungurahua teimava em se esconder atrás das nuvens. E nessa procura acabamos chegando no Café del Cielo, um restaurante (e hotel) bem gostoso, localizado no alto de morro com uma visão provilegiada da cidade e, teoricamente, do vulcão também, se ele estivesse aberto.
Baños visto do Café del Cielo, no Equador
Admirando a região de Baños, no Equador
Ali lanchamos e ficamos amigo do simpático maître, que nos mostrou as piscinas de água quente ao ar livre do hotel. Tão jóias que prometemos voltar de noite para um banho e ainda sequestrar a convalescente Laura da clínica para trazê-la até ali.
A Casa del Arbol, em Baños, no Equador
Próxima parada: Casa del Arbol, ainda mais alta na montanha e com outra maravilhosa vista potencial para o Tungurahua. Ficou só no "potencial" novamente e a nossa diversão, enquanto esperávamos as nuvens darem uma trégua, foi um balanço colocado estratégicamente na beira de uma encosta bem íngrime. Parecia que estávamos voando enquanto segurávamos firmememte nas cordas do balanço, a nossa única segurança naquele momento.
Escondido entre as nuvens, o Tungurahua, o vulcão ativo de Baños, no Equador
Divertindo-se em balanço à beira de precipício, na Casa del Arbol, em Baños, no Equador
A Ana também conversou longamente com um simpático senhor que mora ali, o "guarda-vulcão". Junto com outros moradores ao redor da montanha, são esses "anjos" os responsáveis para dar o primeiro alerta em caso de sinais de atividade ou erupção desse vulcão que é o mais ativo do país nesses últimos anos. Como não é remunerado por isso, tenta fazer algum dinheiro nos finais de semana com o balanço, a bela "Casa na Árvore" e uma cervejinha gelada. Ele deu uma verdadeira aula para a Ana sobre vulcões, erupções e os diferentes tipos de cinzas que existem. Foi jóia!
Os tipos de cinza vulcânica da região de Baños, no Equador
Hora de voltar para a cidade, passamos nos famosos banhos termais da cidade para dar uma olhada nas piscinas. Não ficamos muito empolgados com o que vimos e decidimos que nosso banho seria mesmo nas apetitosas piscinas do Café del Cielo.
Com o Carlos, um dos guarda-vulcão de Baños, no Equador
E assim, apesar da noite chuvosa e nebulosa, carregamos a Laura lá para cima, para um jantar com vista para as luzes da cidade. Depois, com o frio que fazia, foram só eu e a Ana que nos animamos a entrar nas piscinas. Uma delícia! Tinha até uma Jaccuzzi. Se tivéssemos ido lá no dia anterior teríamos encontrado uma turma de motociclistas de Curitiba que vem percorrendo vários países da América do Sul. Já tínhamos ouvido falar deles pela internet e o nosso encontro aqui em Baños bateu na trave! Motociclista paranaenses... êta mundinho pequeno!
Banhos termais de Baños, no Equador
Jantando com a Laura (em recuperação!) no Café del Cielo, em Baños, no Equador
Para amanhã o médico da aura já deu alta e temos uma longa viagem para o sul do país, até a bela cidade de Cuenca. Já estávamos com saudades das estradas!
Delicioso banho de água quente ao ar livre em noite chuvosa e fria no Cafe del Cielo, em Baños - Equador
A longa estrada em direção à Fiambalá e ao Paso san Francisco, na Argentina
Bem em frente a Corrientes, do outro lado do rio Paraná, está a cidade de Resistência, já na província do Chaco. Enquanto a primeira é conhecida nacionalmente como a “Cidade dos Murais”, Resistencia é conhecida como a “Cidade das Esculturas”. São mais de 300 delas, espalhadas pelas ruas e praças da cidade. Desde as clássicas de heróis nacionais sobre seus cavalos, até as mais modernas e abstratas. Tem para todo gosto. A mais simpática delas, talvez, seja a que homenageia uma das personagens mais queridas da cidade, o cão Fernando. Esse simpático vira-lata viveu no centro da cidade na década de 60 e, com sua alegria contagiante e irremediável boemia, conquistou a simpatia de todos. Quando morreu, lojas e restaurantes fecharam suas portas em sinal de respeito e foi até mesmo organizado um cortejo fúnebre. Fernando foi imortalizado com uma estátua e tem sempre gente por lá tirando fotos!
Estátua do cão Fernando, uma lenda na cidade de Resistencia, na Argentina (foto da internet)
Bom, deixamos Resistencia para trás e seguimos em frente, na direção oeste, rumo ao poente, atravessando as intermináveis retas do Chaco. Nós já conhecíamos o Chaco do outro lado da fronteira, no Paraguai, região de clima e vegetação hostil à ocupação humana. Foi uma área de colonização tardia na Argentina, pois os nativos também eram bem aguerridos. Aliás, daí vem o nome “Resistencia”: a cidade teve de resistir a diversos ataques indígenas durante as primeiras décadas de sua fundação. Enfim, foram horas e horas de estrada até chegar a Santiago del Estero, a mais antiga e considerada a “mãe das cidades argentinas”.
Cruzando o centro-norte da Argentina, do Chaco aos Andes, de Resistência a Fiambalá, passando por Santiago del Estero, a primeira cidade do país
Na verdade, outros povoados foram fundados antes de Santiago, nas primeiras décadas do séc. XVI, mas nenhum deles resistiu muito tempo. A própria Buenos Aires, fundada na década de 30, não resistiu aos ataques indígenas. Seus primeiros habitantes acharam por bem empacotar tudo, subir o rio Paraná, enveredar pelas águas do rio Paraguai e, finalmente, se estabelecer onde é hoje a cidade de Assunción. Pelos próximos 2 séculos, a atual capital paraguaia seria o maior e mais importante centro urbano espanhol desse lado da América. Já a cidade de Santiago del Estero, fundada em 1553, resistiu bem às dificuldades iniciais, prosperou e é mesmo o mais antigo povoamento em solo argentino. Além disso, foi daí que saíram expedições que fundaram algumas das mais tradicionais cidades hermanas de hoje, como Córdoba, Salta e Tucumán. Por isso o apelido de “mãe de todas as cidades”.
Visão aérea da praça da Catedral de Santiago del Estero, a mais antiga cidade da Argentina (foto da internet)
Tantas horas de enfadonhas estradas serviram para refletir um pouco sobre os primeiros séculos de história desse país pelo qual estamos viajando, nosso eterno e simpático rival nos campos de futebol. Algumas décadas depois do descobrimento do Novo Continente por Colombo, os espanhóis já exploravam as suas duas costas, ávidos em busca de metais preciosos. Do lado do Pacífico, deram de cara com o Império Inca e trataram logo de se apoderar de suas grandes riquezas. Do lado de cá, encontraram uma enorme boca de rio, o caminho mais fácil de entrar continente adentro em busca dos almejados tesouros. Tão confidentes estavam no que iriam encontrar, e também num golpe de marketing para atrair mais europeus para cá, que não pensaram duas vezes em batizar o grande rio de “Rio de La Plata” e as novas terras de “Argentina”, que vem da palavra latina “argentum”, que quer dizer “prata”.
Região desértica no caminho para Fiambalá, na Argentina
Pois é, não importa a propaganda, não acharam nada por aqui. Aqui não, mas lá na Bolívia, em Potosi, acharam uma montanha inteira de prata (veja aqui o nosso post de quando passamos por lá!). Rapidamente, a sua exploração passou a ser a maior atividade econômica do planeta! Por quase dois séculos, foi a prata extraída a mais de 5 mil metros de altitude, nessa remota montanha perdida no meio dos altiplanos bolivianos que sustentou a economia de todo o império colonial espanhol e, em certa medida, também dos outros países europeus. Dezenas de milhares de pessoas eram necessárias para trabalhar toda essa riqueza e, para sustentar essas pessoas, era preciso comida, roupas, meios de transporte (mulas) e muito mais. E nada disso podia ser produzido nas alturas de Potosi. Por isso, cidades foram criadas e rotas se estabeleceram no noroeste da Argentina, com clima e condições muito mais amenas do que no altiplano. Cidades como Córdoba e Tucumán prosperaram, seus produtos seguindo diretamente para a Bolívia e também para Lima, de onde eram exportados para a Europa.
Apenas ao final da época colonial foi criado o Vice-reinado do Rio da Prata. Antes disso, todo o comércio exterior era direcionado a Lima, no Peru
Pois é, a rica economia agrícola que se desenvolveu, inicialmente para sustentar Potosi, ganhou força para exportar para a Europa também. Uma nova e importante fonte de renda para a metrópole, que ganhava com a taxação desse comércio. Para facilitar o controle, a Espanha determinou que todos os produtos deveriam ser exportados a partir de Lima, sede do vice-reinado que administrava quase toda a América do Sul. Com isso, algo produzido aqui em Córdoba tinha de ser levado através de milhares de quilômetros através de Potosi e da Cordilheira dos Andes, ao invés de seguir para a vizinha Buenos Aires e ser embarcada de lá. Por isso, cidades na rota, como Córdoba e Tucumán foram, por 200 anos, maiores e mais influentes que Buenos Aires, um excelente porto, mas que era proibido de exportar. Claro que muita gente percebeu isso e Buenos Aires virou o paraíso dos contrabandistas. Percebendo o grande filão, os portugueses do Brasil até fundaram a cidade de Colonia do Sacramento, na margem norte do Rio da Prata, apenas para abastecer e comercializar com os contrabandistas portenhos. Mas a Espanha insistiu com sua política centralizadora e foi apenas em meados do séc XVIII, quando Potosi finalmente perdeu sua força, que a metrópole resolveu criar o Vice-reinado do Rio da Prata, com sede em Buenos Aires. Estava preocupada com a evasão de divisas e a força que Portugal vinha adquirindo na região do Prata. Finalmente, nossos hermanos puderam entrar na economia formal, regularizar seus negócios e deixar de ser um rincão perdido e abandonado da América Espanhola.
A longa estrada em direção à Fiambalá e ao Paso san Francisco, na Argentina
Chega de história, de volta à estrada. Chegamos na mãe de todas as cidades já de noite, enfrentamos o trânsito caótico do centro, achamos um hotel e fomos comer no delicioso Mia Mama, restaurante na praça central. Apesar de tão antiga, a cidade foi destruída por um violento terremoto em 1817. Portanto, os prédios mais antigos, como a catedral, são posteriores a essa data. Pela manhã, caminhamos em uma praça, fizemos compras de víveres e seguimos viagem, agora para a nossa conhecida Fiambalá. Pouco mais de dois anos atrás, já tínhamos passado por lá, no nosso caminho para o Paso San Francisco, sobre os Andes. Naquela época, ele estava fechado pela neve e tivemos de voltar. Como somos teimosos, vamos tentar de novo!
Nossa pousada perto das deliciosas termas de Fiambalá, na Argentina
O caminho até Fiambalá é lindo, assim como são deliciosas as termas da cidade. Já conhecedores do terreno, seguimos diretamente para lá, mas dessa vez não demos a sorte de encontrar um quarto livre dentro das próprias termas, como da outra vez. Mas não faz mal, ficamos ali do lado, compramos uma garrafa de vinho e fomos matar saudades das piscinas no meio de montanhas de pedra com temperaturas perto de 40 graus. Uma delícia! Ficamos pulando de piscina em piscina, algumas mais quentes e outras nem tanto, por horas a fio, embalados pelo vinho argentino. Tudo pronto para, finalmente, com dois anos de atraso, cruzarmos o famoso San Francisco. Quanto às fotos aqui das termas de Fiambalá, também se perderam no roubo que sofreríamos alguns dias depois, em La Serena, no Chile. Mas não tem importância, temos as belas fotos da vez passada, e o lugar continua o mesmo. Para quem quiser conferir, essas fotos estão aqui. Melhor ainda: as fotos do dia seguinte, da nossa passagem pelo Paso San Francisco, uma das mais fantásticas paisagens que conhecemos nesses 1000dias, estas sobreviveram. Assunto para o próximo post!
A incrível cor da Laguna Verde, no lado chileno do Paso San Francisco, passagem andina entre Argentina e Chile
Almoção de domingo com amigos da Anita no quintal da casa em Princeton Junction, New Jersey - EUA
Os últimos três dias de viagem foram todos de despedidas: despedidas de Bermuda, da Bebel, Anita e família e, por fim, despedida de Nova York. Felizmente, ou infelizmente, depois de mais de 800 dias rodando pelas Américas, já ficamos meio acostumados com esse triste ritual. Afinal, estamos sempre deixando lugares e pessoas para trás, e o que nos dá forças nesses infelizes momentos é o que nos espera pela frente: mais lugares e pessoas interessantes!
A magnífica Horseshoe Bay, em Bermuda, num dia tranquilo
Comecemos do começo, o dia 28! Ainda estávamos em Bermuda e com a nossa scooter estacionada em frente ao nosso quarto. Ao meio dia, tínhamos de pegar o táxi para o aeroporto, mais ou menos o mesmo horário que tínhamos de devolver nosso veículo duas rodas. Então, unindo o agradável ao idílico (êta combinação boa!), aceleramos para a praia de Horseshoe Bay, a mesma que havíamos estado três dias antes.
Último mergulho em Bermuda, na praia de Horseshoe Bay
Mas dia 28, tinha uma diferença! E não estou falando do nosso meio de locomoção. Não, é algo bem maior do que isso. Do tamanho de três navios-cruzeiro que não estavam mais na ilha! Foram todos embora na véspera. Então, aquela praia lotada que tínhamos conhecido, onde mal havia espaço para espirrar, dessa vez estava vazia! Vazia e maravilhosa! Água com aquela cor que Deus pintou, areia rosada, temperatura agradável, fora de dentro d’água. Enfim, um paraíso! Era Bermuda fazendo a nossa despedida mais difícil...
Caminhando por uma Horseshoe Bay quase vazia, em manhã de sol em Bermuda
Pois é, foi uma visita relâmpago, pouco mais de meia hora, tempo bastante para fotos, a tradicional corrida de ida e volta na praia, o mergulho obrigatório e refrescante e até um encontro rápido com um grupo de brasileiros que vinha de Nova York. Depois, pé na tábua de volta ao hotel, para devolver nossa scooter e ir para o aeroporto.
Longa espera pelo voo de conexâo no aeroporto de Charlotte, na Carolina do Norte - Estados Unidos
Deve ter sido nossa última entrada nos Estados Unidos por via aérea durante esses 1000dias. A imigração foi feita no próprio aeroporto de Bermuda. Passamos pelo oficial, carimbamos os passaportes (que já estão quase sem folhas livres...) e já estávamos dentro dos Estados Unidos, apesar de ainda não termos saído do solo de Bermuda. Muito prático.
Aproveitando a espera no aeroporto de Charlotte, na Carolina do Norte - Estados Unidos para trabalhar
Na ida para Bermuda, tínhamos ido de voo direto. Agora, na volta, havia uma escala em Charlotte, em North Carolina. Até lá, fomos sem problemas. Mas, devido a uma enorme tempestade elétrica na região de Nova York, nós e uma galera ficamos por horas esperando que o voo para Newark fosse liberado. Um bom choque de realidade para nós, depois do mundo “perfeito” na praia de Bermuda, umas horas de chá de cadeira em aeroporto, só para mostrar como o mundo de verdade é... Que saudade da Fiona e da nossa autonomia! Felizmente, esse foi nosso último voo por um bom tempo! Ao menos, deu para aproveitar o tempo para trabalhar no computador.
Curtindo os últimos momentos com a Bebel na casa da Anita em Princeton Junction, New Jersey - EUA
Enfim, um pouco depois das dez da noite, nosso voo foi liberado. Estávamos agora numa corrida contra o tempo para pegar o último trem de Newark para Princeton Junction. Ficávamos fazendo as contas e batia na trave! Quando o avião finalmente levantou voo, vimos que ainda estávamos no jogo. Mas no sufoco! Chegando em Newark, cada minuto que a mala demorava para aparecer na esteira era angustiante. Finalmente, ela veio e corremos para o aerotrem. Estávamos muito encima da hora! O aerotrem veio e, feitas as contas, tínhamos 4 minutos de reserva. Pois é, íamos precisar, pois o aerotrem parou na penúltima estação e tivemos de esperar o próximo. Oh, sofrimento! Ele veio e chegamos à estação de trem exatamente 40 segundos antes do último trem, que parou por menos de um minuto na estação e se foi (conosco dentro, viva!). Eram 01:38 da manhã. Se não fosse nesse, o próximo, só às 05:30... Uma hora mais tarde e chegávamos à Princeton. A Anita, a esta hora, obviamente já estava no décimo sonho. Fomos de táxi mesmo. Difícil foi achar o caminho, já que estávamos sem o GPS da Fiona. Mas, com algum trabalho, chegamos à nossa casa nos EUA.
Deliciosa guloseima preparada pela Anita, de sobremesa, em Princeton Junction, New Jersey - EUA
Nossa ideia original era sair no dia seguinte, dia 29, para o Canadá. Mas, chegando na nossa cama só às três da manhã e com a possibilidade de um domingão tranquilo, com direito à almoço com amigos e a tarde em companhia da afilhada, prima e família nos fez mudar rapidamente de ideia. Assim, o dia de ontem foi para não fazer nada, muito bem hospedados na casa da prima. Falamos de novela com a Bebel, de Olimpíadas com o Larry, de Apple com a Anita, além de um almoço saboroso com sobremesa deliciosa (nectarinas assadas!) no amplo quintal da casa da família.
Servindo a deliciosa sobremesa de nectarina assada em Princeton Junction, New Jersey - EUA
Clima total de lar, doce lar. Ótimo para aliviarmos um pouco as saudades de casa e da família. Aliás, quem vai ajudar também é o I-Pad que compramos da Anita. De segunda mão, mas praticamente zero quilômetro, preço de prima para primo, finalmente me rendi à Apple. De agora em diante, estaremos bem mais conectados. Principalmente aqui nos EUA, ligados diretamente à AT&T.
Despedida da Anita e Fiona com a placa nova, (comprada em Miami!), em Princeton Junction, New Jersey - Estados Unidos
Hoje cedinho, foi a hora de nos despedirmos da Bebel. Ela seguiu para o início de sua segunda semana de summercamp e nós para o Canadá. De agora em diante, para falar de Avenida Brasil, só pelo Facebook. Vamos ver quanto tempo vai demorar para nos acostumarmos com o vazio no banco de trás da Fiona. Essa adolescente de sorrisos matreiros, tiradas precisas e manhas eventuais vai fazer falta...
Nossa despedida de Nova York, a caminho do Canadá
Despedimo-nos também da Anita, que tão gentilmente nos hospedou em sua casa, que virou nossa também. Aqui a Fiona literalmente morou, por mais de um mês. Aqui chegaram encomendas nossas, aqui ficaram roupas e caixas enquanto viajávamos por Caribe e Nova Inglaterra, daqui tínhamos até uma chave. Uma grande abraço para a Anita e o Larry, e para os filhos Luiza, Nina e Thomaz!
A inconfundível skyline de Manhattan, vista de New Jersey, nos Estados Unidos
Partimos então para o norte, rumo ao Canadá. A Fiona de placa nova, aquela que compramos lá em Miami. Depois de cruzarmos todo o país sem placa nenhuma e nunca termos sido incomodados pela polícia, achamos melhor, para cruzar a fronteira, colocar pelo menos uma delas. Como aqui nos EUA é a placa de trás que é obrigatória, foi essa que colocamos. Padrões americanos, mas números e informações brasileiras!
Estátua da Liberdade vsta do lado de New Jersey, nos Estados Unidos
Mas antes de irmos até a fronteira, ainda tínhamos um último compromisso, uma última despedida: Nova York! Estava no caminho e a gente queria que a Fiona também “conhecesse” a cidade. A dúvida era se entrávamos ou não em Manhattan e, com isso, atrasávamos em umas duas horas nossa longa viagem até a fronteira.
A inconfundível skyline de Manhattan, vista de New Jersey, nos Estados Unidos
Viemos primeiro para a orla do Hudson River, ainda em New Jersey, de onde se tem uma vista magnífica da skyline da Big Apple. Aí caminhamos um pouco, tiramos fotos e admiramos o panorama. Sobre entrar ou não na ilha (estávamos a um quilômetro do túnel de acesso!), um problema percebido durante a viagem acabou nos ajudando a decidir...
Monumento em honra ao 11/09, em New Jersey, em frente à Manhattan, nos Estados Unidos
Um problema não, dois! Tanto o i-Pad como nosso telefone pararam de funcionar. O primeiro, não conseguia se conectar na rede da AT&T. E o segundo, ficou misteriosamente sem créditos. Só conseguíamos mandar mensagens. E foi através delas que a Anita nos enviou o endereço da AT&T mais próxima de onde estávamos. Lá fomos e, uma hora mais tarde, com a ajuda de um simpático e prestativo vendedor, conseguimos resolver os dois problemas.
A Fiona também quis ver Manhattan, em Nova York - EUA
Mas essa hora a mais nos fez decidir que nossa despedida de Manhattan seria só dali, daquele verdadeiro cartão-postal, ao lado de um monumento aos mortos do 11/09. Adeus à esplêndida Manhattan e rumo ao norte! Dirigimos até o fim do dia, atravessando de sul a norte todo o estado de Nova Iorque. Resolvemos parar na última grande cidade antes da fronteira, Plattsburg, às margens do belíssimo lago binacional Champlain. Amanhã cedo, finalmente, chegaremos a este gigante do norte, o segundo maior país do mundo, o Canadá!
A equipe 1000dias completa, em frente à Manhattan, em Nova York - EUA
O incrível salto mortal de 25 metros de altura em La Quebrada, em Acapulco, no México
A viagem de hoje foi bem mais longa que a de ontem. Com um agravante: fomos alertados por diversas pessoas que não deveríamos viajar no escuro de maneira nenhuma! As estradas de Guerreiro, onde está a cidade de Acapulco, têm péssima reputação de segurança. Pela costa do estado entra boa parte da cocaína vinda da Colômbia em rota para os Estados Unidos. Vem por mar até aqui e segue por terra até o Tio Sam. Um lugar estratégico assim é muito disputado pelos poderosos e sangrentos cartéis de droga mexicanos. Seguindo a tradição milenar mexicana, aqui eles adoram cortar as cabeças de suas vítimas, para depois expô-las em lugar público, como demonstração de poder e para assustar rivais, policiais e o público em geral.
Acapulco, no México
Acapulco, tão famosa por atrações bem mais sadias antigamente, hoje também é conhecida por essa batalha sangrenta e pelas cabeças que vivem aparecendo por aí. Felizmente, os donos dessas cabeças geralmente são membros desses cartéis e não turistas incautos. Pelo sim e pelo não, resolvemos enfrentar os quase 400 km de estradas entre Puerto Escondido e Acapulco durante o dia, sem fortes emoções e chegamos à chamada Pérola do Pacífico ainda durante a tarde, com tempo suficiente para duas das grandes atrações da cidade.
Hotel Los Flamingos, em Acapulco, no México
A primeira foi encontrar e nos instalar no hotel Los Flamingos, também conhecido como hotel do Tarzan. Acapulco foi visitada e deixou muito impressionado em 1920 o Príncipe de Gales, futuro rei da Inglaterra, Eduardo VIII. Ele voltou para o velho continente falando muito bem das belezas da cidade. Com uma propaganda dessa, não demorou muito para que a nobreza europeia passasse a frequentar a cidade. Logo após a 2ª guerra mundial, foi a vez da “nobreza” americana, no caso, os ricos e famosos de Hollywood, tornarem a cidade o seu point de verão. Gente como Elizabeth Taylor, Frank Sinatra e John Wayne batia o ponto por ali. Até John e Jackye Kennedy resolveram passar em Acapulco sua lua de mel.
A piscina predileta do Tarzan, no Hotel Los Flamingos, em Acapulco, no México
Tarzan, Jane, Boy e Chita, no hotel Los Flamingos, em Acapulco, no México
Alguns gostaram tanto que resolveram ficar. O mais conhecido deles é Johnny Weissmiller, o primeiro e eterno Tarzan da época do cinema em preto e branco. Em sociedade, construiu um hotel no alto de um morro de frente ao mar, com uma vista fantástica. Aí se hospedavam seus amigos hollywoodianos. A cidade e seus hotéis perderam nas últimas décadas o glamour que tinham anteriormente, boa parte do seu público agora preferindo as praias de Cancun, mas mesmo com um ar decadente, o hotel Los Flamingos continua lá, todo decorado com fotos antigas de gente famosa, a maior parte delas com Weissmuller no seu auge, vestido de Tarzan, acompanhado da Jane ou da Chita. Muito legal e completamente vintage! Outra coisa que logo chamou a minha atenção foi a grande piscina que o Tarzan frequentava. Para quem não sabe, o excelente nadador, além de ganhar a medalha de ouro nas Olimpíadas, foi o primeiro homem da história a nadar os 100 metros livres abaixo da marca mágica de um minuto! Não naquela piscina, claro! Mas imaginá-lo nadando ali foi joia!
Belíssimo pôr-do-sol em Acapulco, no México
A outra atração que queríamos muito ver era o penhasco conhecido como La Quebrada. Para quem é um pouco mais velho e tem boa memória, o programa dominical da Globo Esporte Espetacular mostrava, durante a sua apresentação na década de 70, entre várias cenas de esporte, um homem escalando as pedras de um rochedo e saltando lá de cima, de ponta, no mar. Eu nunca me esqueci dessas cenas mágicas que assistia todos os domingos, quando criança. Pois é, foram filmadas aqui!
Escalando La Quebrada, em Acapulco, no México, para o mais famoso salto do mundo
Desde a década de 30 que garotos de Acapulco, numa competição de hombridade, disputavam que era capaz de saltar mais alto desses rochedos que formam uma estreita garganta, apenas sete metros de largura e pouco mais de 4 metros de profundidade, quando a onda entra. Pois bem, nesse lugar o rochedo forma vários trampolins naturais, alguns com mais de 30 metros de altura! Os saltos deve ser no momento certo, quando a onda esta entrando na garganta e a profundidade aumenta, senão é morte na certa! Essas competições começaram a atrair pessoas que queriam ver os saltos e um dia alguém teve a brilhante ideia de começar a cobrar por isso.
Os 35 metros de altura de La Quebrada, em Acapulco, no México
Desde então, o que era uma disputa virou em espetáculo, atraindo milhares de pessoas há gerações! Cinco vezes ao dia quase uma dezena de garotos acapulquenhos escalam as rochas, oram no Altar de Nossa Senhora Guadalupe lá encima e, para deleite e tensão dos turistas presentes, saltam acrobaticamente lá de cima, de alturas de 25 a 35 metros. Um espetáculo de perícia impressionante! Dão cambalhotas no ar e entram como um míssil na água para serem aplaudidos logo em seguida, quando reaparecem na superfície.
Oração antes do salto de 34 metros de La Quebrada, em Acapulco, no México
Foto antes do salto de 34 metros de altura em La Quebrada, em Acapulco, no México
Assistimos ao espetáculo das 21:30 e eu me rendi à condição de fã incondicional, coisa rara de acontecer. Tive o perfeito flashback daquelas aberturas do Esporte Espetacular de 35 anos atrás, só que agora estava ali, ao vivo e à cores. Vou até procurar no You Tube para ver se ainda encontro as cenas. Mas as cenas reais, estas gravamos e fotografamos. Incrível! Só faltou saber se o Tarzan saltou de lá alguma vez. Ela gostava de saltos, pelo menos nos filmes. Será?
A Ana com os herois saltadores de La Quebrada, em Acapulco, no México
Metrô de Sâo Paulo - Estação da Consolação
Depois de dois meses viajando, estava precisando de férias! Férias do site, férias dos posts, férias das fotos. Foi o que aconteceu nesses últimos dias aqui em São Paulo, capital. Aproveitei a dificuldade de se conectar na internet (a droga da Vivo está dando um baile na gente!) e descansei alguns dias. Quem quiser ver um relato mais detalhado desses nossos dias por aqui, basta dar uma olhada nos posts da Ana.
Visão de Praia Grande, no litoral sul de São Paulo
Queria só chamar a atenção para alguns pontos. No caminho de Peruíbe para cá, viemos pela Pe. Manoel da Nóbrega, rodovia de estrada dupla que liga a Imigrantes ao litoral sul de S. Paulo, desde São Vicente até Peruíbe, passando por Praia Grande, Mongaguá e Itanhaém. Todos em uma única, longa, quase interminável praia. Ela é toda urbanizada, balneário atrás de balneário, vários quarteirões de casas mais simples e uma linha de prédios na faixa litorânea. Eu nunca tinha entrado nessas cidades e confesso que tinha um certo preconceito contra essa parte do litoral. Bem melhor visitar o belo e chique litoral norte ou o selvagem e deserto litoral do extremo sul (Ilha do Cardoso ou Juréia).
Homem Aranha na Praia Grande - SP
Pois bem, após tantas passagens por lá, dessa vez resolvi entrar e ver mais de perto. Escohemos de sopetão, meio a esmo, o ponto de entrada. Calhou de ser em Praia Grande, na Vila Caiçara. Atravessados os quarteirões de casas, chegamos à orla e foi uma grata surpresa. Muito bem urbanizada, tudo bem arrumadinho, avenida, pista de cooper, calçadão, jardins, quiosques. Achei bem legal, para o que eu esperava. Tomamos uma cerveja, relaxamos um pouco e seguimos viagem. Numa próxima vez, entramos em Mongaguá ou Itanhaém.
Haroldo, Poia, Gegê, Kadu e Malu
Aqui em São Paulo, o período foi de muita socialização com família e amigos, todo mundo tratando a gente muito bem. Ganhamos vários almoços e jantares, o que contribuiu bastante para baixarmos a nossa média de gastos mensais. A temporada no Caribe nos deixou quebrados e estamos tentando nos recuperar agora. Aqui em S. paulo, além da comida, economizamos bastante por não ter de ficar em hotel ou pousada. Vamos ganhando fôlego para o que vem pela frente...
Estivemos com o Haroldo que, além de nos pagar um belo almoço ainda nos emprestou um carro menor. Bem mais fácil rodar em S. Paulo nele do que com a Fiona. Aliás, o Haroldo também nos emprestou sua garagem já que aqui no prédio onde estamos a Fiona não entra. Para ter um carro desses, uma garagem em casa não basta. É preciso ter um hangar!
Lelé e Carol
Estivemos visitando a Poia e o Gegê e conhecemos a Malu, recém chegada a este mundo, para fazer companhia ao Kadu. Estivemos com nossos padrinhos Rafa e Laura numa balada e também com os amigos Aymoré e Sandra, que nos receberam em casa (mais um jantar na faixa!). Quem também nos recebeu em casa foram os outros padrinhos, Kina e Lelé, com os filhos JP e Carol. Lá se foi uma garrafa de Green Label e outro belo jantar. Por fim, os tios Gogóia e Tio Carlos nos receberam duas vezes em casa. Mais dois almoços na aba! He he he, nesse ritmo poderíamos viajar dois mil dias!
Feira de turismo no Anhembi - São Paulo
Estivemos na Feira de Turismo do Anhembi onde deu para perceber o enorme business que o setor de turismo pode se tornar, no Brasil. Também foi fácil perceber que poderíamos ficar mil dias só no nosso gigantesco país. Infelizmente, aqui vale aquela máxima: quanto mais conhecemos, mais sabemos o quanto ainda não conhecemos. De certa forma, é um sentimento massacrante.
A cada dia aqui em São Paulo, ficamos impressionados com o tanto de coisas que essa cidade oferece. Restaurantes, bares, lojas, museus, parques... É um mundo em si mesmo. Poderíamos facilmente passar meses por aqui, sem repetir programas. Só não sei se nossos amigos e familiares nos bancariam por tanto tempo assim... O fato é que logo passaremos por aqui novamente. Ainda faltou muito dos programas planejados por fazer.
Amanhã deixamos São Paulo rumo à uma temporada no sul de Minas, meu querido estado natal. Muitas montanhas, cachoeiras, frio e comida mineira. Hmmmmmm!!!
Finalmente, aos pés da maior cachoeira do mundo, o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Há milhares de anos os nativos da região de Canaima, no sul da Venezuela, conhecem a montanha chamada Auyán Tepui. A palavra “tepui” quer dizer, na língua pemon, “Casa dos Deuses” e hoje, na geologia, é o nome dado a todas as montanhas em forma de mesa, com o topo plano e paredes abruptas. Elas são muito comuns no sul da Venezuela, mas as montanhas da Chapada Diamantina, por exemplo, também poderiam ser chamadas de “tepuis”.
Início da jornada de barco para o Salto Angel, região de Canaima, no sul da Venezueka
Trilha para ultrapassar as corredeiras do rio Caroni, a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Mas o nome “Auyán Tepui” muda o significado da palavra “tepui” e a expressão passa a significar “Casa do Diabo”. Era como os nativos pemons viam esse enorme tepui, um dos maiores que se conhece: um lugar amaldiçoado. Por isso, evitavam se aproximar dele e, muito provavelmente, nunca estiveram no seu topo. Mas isso não os impedia de conhecer as centenas de cachoeiras que desciam lá de cima, incluindo a maior delas, chamada de Kerepakupai Vená, ou “salto do lugar mais profundo”.
A caminho do Salto Angel, o magnífico visual dos tepuis, na região de Canaima, no sul da Venezueka
A maravilhosa paisagem no caminho para o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Esse foi o nome da mais alta cachoeira do mundo até que, no dia 9 de Outubro de 1937, o aviador americano Jimmy Angel resolveu pousar no topo do Auyán Tepui. Ele já havia sobrevoado a região quatro anos antes, seguindo os mapas de um explorador venezuelano e em busca de um rico veio de minério. Não achou o que procurava, mas viu aquela gigantesca cachoeira da qual nunca mais se esqueceu. Agora, acompanhado de sua esposa e mais duas pessoas, estava determinado a dar uma olhada mais de perto e, por isso, resolveu pousar seu pequeno avião no topo do tepui. Lá de cima, parecia um pouso seguro.
Começam a aparecer as primeiras cachoeiras nos tepuis a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
A maravilhosa paisagem no caminho para o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Mas não era. O hábil aviador conseguiu pousar sua aeronave com segurança, mas ela acabou atolando no barro e dali não mais sairia. Agora, ele e os outros três passageiros eram as primeiras pessoas a estar no alto desse tepui e tinham de arrumar alguma maneira de sair de lá. Foram onze dias, vários deles tentando encontrar um caminho de descida, até chegarem à uma aldeia indígena nas redondezas. Comida racionada, muita selva e mosquitos, chuva, mas eles chegaram vivos à civilização. Foi o relato dessa aventura e da enorme queda d´água que fizeram o mundo voltar seus olhos para essa maravilha da natureza. E a Kerepakupai Vená ganhou um novo nome: Angel Falls, ou Salto Angel, homenagem ao intrépido aviador americano.
No barco, a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
A primeira visão da Angel Falls, em Canaima, no sul da Venezueka
Depois dessa aventura, os exploradores não pararam mais de chegar. Um deles, da distante Letônia, Aleksandrs Laime, foi o primeiro a atingir a base da cachoeira, em 1946, e o topo dela, em 1955, quando também encontrou o avião de Jimmy Angel. Antes disso, em 1949, uma expedição mediu com precisão a altura da queda d’água: incríveis 979 metros (quase um quilômetro!!!), sendo pouco mais de 800 em queda livre, sem obstáculos ou pedras no caminho. Esse enorme paredão logo se converteu em um dos maiores desafios do alpinismo e, após várias tentativas, ele foi conquistado em 1971. Mesmo hoje, ainda se contam nos dedos as expedições que conseguiram escalar com sucesso esse paredão.
Chegando ao Salto Angel, no Pàrque Nacional Canaima, no sul da Venezueka
Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka
Um ano antes da conquista do paredão, em 1970, o avião pioneiro de Jimmy Angel foi retirado do tepui por helicópteros venezuelanos. O avião foi remontado e hoje está em exposição no aeroporto de Ciudad Bolívar, para quem quiser render-lhe homenagens. E é por esse aeroporto que passam quase todos os milhares de turistas que vêm ao país para conhecer a maior cachoeira do mundo, já que o acesso ao Parque Nacional Canaima, onde está o Auyán Tepui e o Salto Angel, é apenas aéreo.
Desembarcando, para fazer a trilha até o mirante do Salto Angel, região de Canaima, no sul da Venezueka
Já bem próximos do Salto Angel, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka
Aí passamos eu e a Ana, em 2007, também com o objetivo de ver a famosa cachoeira. Voamos para Canaima e pegamos o barco para ver o salto. No caminho de ida, lá estava ela, imponente e maravilhosa. Deixamos para fazer a trilha até o mirante na manhã seguinte, mas uma chuva torrencial durante toda a noite estragou nossos planos. A cachoeira estava tão forte no dia seguinte que só podíamos ver uma enorme nuvem de vapor e neblina no seu lugar. Tivemos de nos contentar com a visão longínqua da tarde anterior...
A maravilhosa paisagem no caminho para o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Atravessando o rio rumo ao mirante do Salto Angel, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka
Bom, aqui estamos novamente para mudar essa história! Chegamos novamente à Canaima ontem pela manhã e hoje, saímos com nosso grupo de canoa motorizada em tempo de chegar até a Isla Ratón e, de lá, fazer a trilha até o mirante do Salto Angel, ainda hoje. Nada mais de arriscar uma noite de chuvas!
Impressionado com a imponência do Salto Angel, a mais alta cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka
E assim foi, nós, o pessoal do Bodeswell e mais dois turistas, todos na canoa, enfrentando as quase cinco horas rio acima. Esse tempo inclui também uma caminhada de 40 minutos em um trecho em que as corredeiras do rio nos obrigam a caminhar por terra firme. Depois, todo mundo de volta ao barco para as horas restantes. É aí que começamos a nos aproximar do maravilhoso Ayuán Tepui, que de amaldiçoado, não tem nada! Muito pelo contrário, só pode ser abençoado, lindo que é com suas enormes paredes e centenas de cachoeiras escorrendo lá de cima, principalmente depois de uma chuva.
Impressionado com a imponência do Salto Angel, a mais alta cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka
Pois é, choveu mesmo durante nossa viagem, todo mundo encolhido na canoa, mas sem ter para onde fugir. Só podíamos aguentar firmes. A recompensa pelo esforço veio com o céu azul aparecendo no horizonte e aquela paisagem deslumbrante à nossa frente. Uma grandiosidade difícil de expressar em palavras.
Finalmente, aos pés da maior cachoeira do mundo, o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Finalmente, após mais uma curva de rio após as milhares que tínhamos feito, apareceu a cachoeira gigante. Mesmo depois ter visto tantas outras com mais de 100 metros ao longo do caminho, ver uma de quase 1.000 metros faz cair o queixo de todos. Um monstro! Que maravilha!
1000dias e o Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka
O barco nos levou diretamente ao início da trilha, do outro lado do rio onde está a Isla Ratón, que é onde ficam os refúgios para passarmos a noite. Agora, eram cerca de 40 minutos de caminhada pela mata, a mesma trilha aberta pelo explorador da Letônia há quase 70 anos, até o bendito mirante onde havíamos estado 6 anos atrás. No começo andei com o grupo, mas a ansiedade foi me vencendo e tratei de acelerar o passo.
O jason, a Angela e o Bode, no mirante do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Em 2007, na metade dessa trilha, começou a chover. Pelo menos, achávamos que era chuva, mas o guia já sabia que não. Era apenas a água da cachoeira trazida pelo vento. A tal “chuva” só foi aumentando e, quando chegamos ao mirante, o vento que vinha da cachoeira era tão forte que mal conseguíamos ficar de pé. Além disso, tudo o que se via era um manto branco. Hoje, ao contrário, nada de “chuva” no caminho, apenas o barulho que aumentava, aumentando também a ansiedade.
A pequena cachoeira aos pés do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Por fim, cheguei! Com seis anos de atraso, lá estava a magnífica cachoeira, um quilômetro de parede e queda d’água bem na minha frente. Tive alguns minutos de solidão contemplativa até que os outros começassem a chegar e, sem exceção, reverenciassem a mãe de todas as cachoeiras. Que visão!
Cachoeira que fica abaixo do Salto Angel, a maior queda d'água do mundo, em Canaima, no sul da Venezuela
O mirante ainda fica a uma boa distância da parede, já que mais de perto, nem conseguiríamos ver toda a paisagem. Dali, uma pequena trilha desce até o rio, para uma pequena cachoeira de uns vinte metros que fica um pouco abaixo da Angel Falls. Em dias calmos e com pouca água, pode-se até nadar na piscina natural ao pé dessa pequena cachoeira. Eu fui até lá, pelo menos para me aproximar um pouco mais do gigante. Não dava para nadar de jeito nenhum, mas pelo menos molhar o rosto nessa água sagrada, isso sim!
Na trilha para o Salto Angel, cogumelos com cara de mixirica, em Canaima, no sul da Venezueka
1000dias e Bodeswell, encontro de expedições no Salto Angel, Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka
Desse ponto, disse-me o guia, um rústico caminho leva até a parede, quase uma hora de caminhada sobre pedras escorregadias. Em dias como o de hoje, com tudo molhado, ninguém vai. De qualquer maneira, a visão mais impressionante é mesmo do mirante, onde todos chegamos.
Jantando no refúgio em frente ao Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Nossa cama no refúgio em frente ao Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Chegou a triste hora de partirmos, mas já estávamos felizes o suficiente por pegarmos o tempo aberto. Então, trilha para baixo, a canoa nos cruza para a outra margem, todos achamos uma rede no refúgio e nos aboletamos. Antes de dormir, um jantar a luz de velas e lanternas e todos de volta para a rede, sono embalado com o barulho da Angel Falls a dois quilômetros de distância. Que privilégio ter tido um dia como esse. Ahn, antes que eu me esqueça, choveu muito esta noite!
1000dias chega ao Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka
Muito sol e mar esverdeado no nosso segundo dia no arquipélago de San Blás, na costa do Panamá
O arquipélago de San Blás é formado por quase 400 pequenas ilhas, pouco mais de 10% delas habitadas por indígenas da etnia Kuna. Está localizado na costa norte (caribenha) do Panamá, a cerca de 100 km à leste de Colón, a cidade que fica na saída do Canal do Panamá. Ou seja, fica na parte do istmo entre Colón e a Colômbia.
Acordando no paraíso de San Blás, na costa do Panamá
As ilhas são realmente pequenas e, na maioria delas, pode-se dar a volta à pé em poucos minutos. Seus habitantes, os Kunas, não chegaram lá há muito tempo, em termos históricos. Espremidos entre os invasores espanhóis vindos do oriente e tribos rivais armadas com venenos mortais vindas da Colômbia, preferiram se refugiar neste arquipélago. Desde então, adaptaram-se a uma vida simples, mas orgulhosa de sua cultura, preservando seu modo de viver através dos séculos, mesmo com o contato cada vez mais frequente com a cultura ocidental. Hoje, formam uma comunidade semi-autônoma, senhores de suas ilhas e da sua sociedade.
Índias Kuna se aproximam do nosso veleiro para vender artesanato, em San Blás, na costa do Panamá
Índia Kuna, representante da tribo que há séculos habita San Blás, na costa do Panamá
As ilhas são sempre repletas de coqueiros e cercadas por águas tranquilas, esverdeadas e transparentes. As praias são de areia branca e fina. O cenário é absolutamente paradisíaco, aquela imagem clichê que temos todos em nossas mentes de como seria a ilha perfeita. Pois é, afinal, quem aqui chega descobre que a tal imagem clichê existe de verdade!
Muito sol e mar esverdeado no nosso segundo dia no arquipélago de San Blás, na costa do Panamá
Uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá
Neste paraíso passamos esses últimos dois dias, navegando entre as pequenas ilhas. Navegações curtas e muitos mergulhos nas águas tépidas para nos referscar do sol que São Pedro nos enviou. A nossa principal diversão era fazer snorkel pelas "redondezas", descobrir a vida marinha e bater recordes de profundidade (estava sempre com meu computador de mergulho!). Consegui chegar aos 18 metros sem pé de pato e só não fui mais fundo porque essa foi a maior profundidade que encontramos. A Ana também estava indo fundo, mas uma inflamação no ouvido não deixou que ela praticasse tanto, infelizmente.
Explorando barco afundado em uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá
Explorando barco afundado em uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá
Pelo menos nos locais onde estivemos ancorados, não havia muita riqueza de corais. Apenas no naufrágio, nossa última parada em San Blás. Um grande barco afundado em profundidades de no máximo 5 metros, o sonho dos praticantes de snorkel. É possível passar por seus corredores, examinar antigas estantes, portas e janelas e, aí sim, observar a abundância de corais de diversas cores, formas e consistências.
Uma arraia durante snorkel em San Blás, na costa do Panamá
O coral cérebro, durante snorkel em barco afundado em San Blás, na costa do Panamá
Foi também aí por perto que mais vimos vida animal. Um cardume de lulas do tamanho de camarões grandes, muitos peixes coloridos, uma arraia dorminhoca e até uma cobra marinha, algo que eu nem sabia que existia por aqui.
Explorando barco afundado em uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá
Encontro fortuito com a brasileira Dana, que está morando e trabalhando em San Blás, na costa do Panamá
Outro fato curioso (êta mundo pequeno!) foi termos encontrado, no nosso segundo ponto de ancoragem, uma amiga da Ana via internet e facebook. Foi a Dana, uma brasileira casada com um espanhol que há dois anos mora e trabalha por aqui, no barco do casal. Eles fazem charter pelo arquipélago. Um motorista traz o casal afortunado diretamente da Cidade do Panamá para um porto aqui perto e, por alguns dias, velejam por essas ilhas paradisíacas. Já não bastasse todo esse mimo, a Dana ainda é cozinheira profissional. Enfim, é uma semana de rei para os clientes, que chegam à san Blás sem a parte "chata" da navegação de 40 horas em mar aberto desde Cartagena.
O "ritual" de entrada no mar durante nossa estadia nas ilhas de San Blás, na costa do Panamá
Nosso cotidiano era nadar e mergulhar bastante e voltar para o barco para as refeições ou em busca de um pouco de sombra. Nadar até as ilhas, caminhar um pouco e tentar encontrar algum coco. No final da tarde, banho de shampoo e água do mar. Dormir cedo e acordar cedo.
Tomando banho de shampoo no fim de tarde em San Blás, na costa do Panamá
Bom, aí está chegando a hora de seguir em frente. Vamos navegar por toda essa noite para chegar em Portobelo, já no continente, pela manhã. Ao final, terão sido quase 450 km de navegação. É lá que faremos a imigração e seguiremos diretamente para Colón para tentar desembaraçar a Fiona antes do fim de semana. Depois de tanta vida boa, um pouco de stress para variar...
Belo fim de tarde em San Blás, na costa do Panamá
O enorme campo de sal em Salinas Grandes, na rota do Paso de Jama - Argentina
Hoje levamos a Fiona para sua primeira revisão fora do Brasil. Está fazendo 50 mil quilômetros de idade! Já é uma senhora, hehehe!
Fiona atravessa rio no P.N Nascentes do Parnaíba, município de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO
Uma senhora bem aventureira, diga-se de passagem. Já enfrentou rios e lagos, estradas de terra, barro, areia e asfalto de todas as qualidades. Esteve no alto de montanhas e dunas, na boca de cavernas e cachoeiras, em apertadas ruas de cidades históricas. Seu "passaporte" já tem carimbos de 7 países que falam português, espanhol, francês, inglês e holandês. Nada mal para essa jovem senhora.
Caminho do Céu, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG
Fiona enfrenta as duras estradas do Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
As cidades que efetuamos as revisões periódicas a cada 10 mil km dão uma boa idéia de onde ela tem andado. Comprada em Curitiba, a revisão dos 10 mil foi em Belo Horizonte (MG), a dos 20 mil em Feira de Santana (BA), a dos 30 mil em Boa Vista (AP) e a dos 40 mil em Rio Verde (GO) e agora aqui em Salta, Argentina. Além disso, ainda teve um alinhamento/balanceamento em Olinda (PE), pois não conseguimos fazer em Feira de Santana.
Longas praias desertas no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN, antes de chegar à Baía Formosa
Filhotes de gato abrigados sob a Fiona, após passeio no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão
Por enquanto, os únicos problemas foram dois pneus furados, um no Vale do Ribeira (SP) e outro na Serra das Confusões (PI). E teve também a luz do óleo que não apagava, resolvido com a troca do filtro, em Caxias (RS). De resto, ela sempre foi um porto seguro para nós, uma espécie de bolha de conforto enfrentando o calor do sertão nordestino, algum engarrafamento em São Paulo ou o frio do altiplano boliviano.
Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa
O feliz reencontro com a Fiona no nosso hotel em Paramaribo - Suriname
Sua tração 4x4 nos levou à lugares e estradas remotos, totalmente inatingíveis com carros de passeio. Certamente, a maior aventura foi cruzar do sul do Maranhão para o Jalapão, literalmete pelo meio do mato. Mas houve outras aventuras também como cruzar a Serra das Confusões e, mais recentemente, enfrentar altitudes de quase 4.500 metros. A última de todas, alguns dias atrás, foi enfrentar a neve na Quebrada de Humahuaca.
Pra vencer essa rampa, foi preciso ajuda do guincho, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão
Atravessando a bucólica fronteira entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no caminho entre as cidades mais frias do país
Enfim, a nossa querida companheira está mais firme do que nunca, pronta para mais 50 mil km, levando-nos até o Alaska e depois, de volta, até a Terra do Fogo. Vamos que vamos, Fiona!
Montanhas coloridas no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina
P.S Em tempo, correu tudo bem na revisão aqui em Salta. De observação, apenas os freios bem sujos. Não é para menos... temos pego cada estrada por aqui! Mas já está tudo limpinho agora. O alinhamento/balanceamento é que ficou para depois de amanhã, em loja especializada. Antes disso, amanhã, a Fiona nos promete levar com todo o conforto para os 4.200 metros de altitude, em San Antonio de Los Cobres
Fiona pronta para partir
Hotel Glória em Caxambu - MG
Houve um tempo, na primeira metade do século passado, em que era um programa muito comum nas classes mais abastadas se passar parte do ano em alguma das estâncias hidrominerais do sul de Minas. Era a "estação de águas". Cariocas e paulistas fugiam do calor em suas cidades natais e passavam temporadas em cidades como Poços de Caldas, Caxambu, Araxá, São Lourenço entre outras. Em várias delas foram construídos grandes hoteis que prosperaram por décadas, atendendo essa fiel clientela. Enquanto se curavam nas águas milagrosas de dia, se divertiam nos cassinos durante a noite. Foi uma época de ouro para essas cidades. De presidentes a artistas, o glamour cercava essas cidades durante a "temporada".
Aqui em Caxambu o hotel que atendia essa chique clientela era o Glória. O seu mais famoso cliente assíduo: Getúlio Vargas. Mas a proibição dos cassinos no Brasil e o avanço da medicina dos remédios tirou da moda as águas medicinais e todas essas cidades. Os hotéis decaíram, alguns chegaram a fechar.
Esse quase foi o destino do Glória. Ele veio se aguentando nas últimas décadas, com um ar meio decadente meio charmoso. Esteve a ponto de fechar as portas ano passado, afundado em dívidas e questões societárias. Mas um novo dono trouxe esperanças. O hotel está em processo de revitalização para alegria dos funcionários e da cidade.
E também de antigos hóspedes! Estive aqui acompanhado dos pais e do querido e saudoso irmão em 1983. Jamais me esqueci da mais limpa piscina em que havia nadado nem da saborosa água mineral servida nas refeições, mais gostosa que sucos de frutas.
Tanto tempo depois, cá estou com minha esposa querida para prestigiar esse patrimônio das Minas Gerais. Pena que por tão pouco tempo. Em plena segunda-feira, como dois dos poucos hóspedes presentes, somos tratados como reis!
Interior do Hotel Glória em Caxambu - MG
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