1 Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Viajando!

Brasil, Paraná, Curitiba

Caminho de terra entre Barra do Turvo e Iporanga

Caminho de terra entre Barra do Turvo e Iporanga


Hoje foi o dia! Mesmo com quase tudo arrumado, dia lindo com céu azul, ainda ficamos nos enrolando. Deu até para passear com a Diana uma última vez. Carregamos os eletrônicos no carro, tiramos fotos de despedida e partimos, GPSs prontos para registrar tudo. Depois de tanto tempo parado, mal cabia na minha felicidade e alívio de estar partindo. Até esqueci o problema do visto canadense, tanta coisa para acontecer e ver antes disso.

Fiona pronta para partir

Fiona pronta para partir


Pois bem, passando do lado do Marcelo, do nosso site, cogitei ligar para ele. Foi quando a Ana se ligou que o celular tinha ficado para trás. Que beleza! Imaginem o meu ânimo. Achei que nunca mais sairia de Curitiba. Ela, sentindo-se meio responsável, deu a brilhante idéia de me deixar no Marcelo enquanto ela buscava o celular. Topei na hora! Assim, mais uns acertos sobre o site e, meia hora depois ela estava lá, já com o celular. Finalmente partimos. Desta vez, para valer. Aleluia, irmãos!!!

Marcelo, responsável pelo site 1000dias

Marcelo, responsável pelo site 1000dias


O dia de céu azul fez a estrada ainda mais bonita. Cinquenta quilômetros mais tarde, ultrapassamos uma Defender toda adesivada, do Equador, em viagem pela América do Sul. Interpretamos como um sinal de boa sorte. Nunca tinha visto um carro do Equador no Brasil. Muito legal! Buzinamos, fizemos festa e logo retribuíram. Adorei tê-los visto, mas gostei também de ter escolhido viajar de Hilux. Mais rápida e confortável. Pelo menos,por enquanto!

Nossa primeira fronteira com a Fiona

Nossa primeira fronteira com a Fiona


Mais uns 80 quilômetros e deixamos a Régis para trás. Resolvemos chegar no Petar pelo caminho mais curto, via Barra do Turvo. Para isso, deveríamos enfrentar 30 km de estrada de terra. Mas a Fiona foi feita para isso, certo? A estrada, após período de chuvas, não seria fácil para carros mais baixos. Mas para a Fiona foi brincadeira de criança. Nada como carro alto!

Fiona enfrenta sua primeira estrada de terra

Fiona enfrenta sua primeira estrada de terra


Chegamos ao Petar pouco depois das três da tarde. Se fosse em outros tempos, poderíamos ainda pegar uma caverninha. Dentro de caverna, tanto faz se é dia ou noite. Mas, isso são outros e saudosos tempos... Agora é tudo controlado, "civilizado". O parque fecha às cinco e não tem conversa. Visitas, apenas devidamente acompanhados de monitores. Das trocentas cavernas existentes, apenas uma dezena delas abertas à visitação. E, mesmo estas, apenas trechos mais seguros. Continua um espetáculo mas, para quem viu antes, dá uma dor no coração. Tudo em prol da conservação, já que bandos de vândalos frequentavam o local em feriados, não deixando pedra sobre pedra.

Já marcamos nossos programas para os próximos dois dias. Serão intensos, mas sempre com monitores. Precisamos dançar conforme a música. Mesmo assim, tenho certeza que vai ser legal. O Petar está bem vazio, o tempo está ótimo e vamos até uma caverna que eu ainda não conheço, no Núcleo Caboclos. As outras que vamos, já conheço todas, mas elas valem mais visitas. E ainda temos um bóia-cross pela frente.

Merecida cerveja após a viagem de 3 horas entre Curitiba e Iporanga, onde está o Petar

Merecida cerveja após a viagem de 3 horas entre Curitiba e Iporanga, onde está o Petar


É a nossa viagem que começa a entrar no ritmo novamente...

Brasil, Paraná, Curitiba, Parque

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23 Meses Depois...

Venezuela, Santa Elena, Brasil, Roraima, Serra_do_Tepequem

As belezas do caminho para a Serra do Tepequem, no norte de Roraima

As belezas do caminho para a Serra do Tepequem, no norte de Roraima


No dia 15 de Julho de 2011 deixávamos o Brasil, lá em Foz do Iguaçu, a bordo da nossa Fiona. De lá para cá, foram oito países na América do Sul, os sete países da América Central e os três da América do Norte, todos eles no retrovisor da Fiona. Além disso, percorremos também um sem número de ilhas no Caribe, Galápagos, Havaí e Groelândia. Na bagagem, geleiras e desertos, montanhas e vulcões, metrópoles e vilarejos, o hemisfério norte e o sul. Baleias e tubarões, ursos e macacos e a inesquecível aurora boreal. Tudo isso para, finalmente, aqui em Santa Elena, na Venezuela, voltarmos à pátria querida, onde se fala o bom e velho português e se come arroz, feijão e farofa.

Fronteira de Venezuela e Brasil, em Santa Elena

Fronteira de Venezuela e Brasil, em Santa Elena


Estamos de volta ao Brasil para mais uma temporada nacional, cruzando a região norte em direção aos estados que ainda não passamos, como Rondônia e Acre. Mas antes de chegarmos lá, ainda tem muita coisa para ver em Roraima e Amazonas, estados já visitados, mas que ainda tem muito para nos mostrar. O retorno ao Brasil foi sim, emocionante. Mas os problemas mundanos logo começaram a aparecer...

Ao deixarmos Santa Elena, ainda do lado venezuelano, passamos pelo posto de combustível criado apenas para carros brasileiros. A gasolina ainda é bem mais barata que no Brasil, mas já muito mais caro que nos postos “normais” da Venezuela. Acontece que, num raio de 200 km, é só mesmo aqui que os carros brasileiros são autorizados a abastecer. Enfim, passamos por lá e estava super lotado. Desanimados, resolvemos abastecer do lado brasileiro mesmo, na cidade de Pacaraima

Posto para brasileiros lotado em Santa Elena, na Venezuela

Posto para brasileiros lotado em Santa Elena, na Venezuela


Os trâmites fronteiriços são bem rápidos, mas logo que entramos do lado de cá, descobrimos que o posto mais próximo estava em Boa Vista, centenas de quilômetros ao sul. A Fiona tinha combustível para uns 50 quilômetros, no máximo. Não tínhamos escolha: teríamos de voltar à Venezuela. Para complicar, quase já não tínhamos mais bolívares, mas eles aceitam reais nesse posto. Só que também não tínhamos muitos reais. Bom, para isso, basta ir no banco, afinal, estamos no Brasil. É, mais ou menos. Em Pacaraima, se você não é cliente do Bradesco, Banco do Brasil ou Caixa Econômica, você está lascado. Era o nosso caso. O meu cartão, que tira dinheiro em qualquer lugar do mundo, não tira em Pacaraima.

Buscando informações sobre a estrada para Uiramutã, em Roraima

Buscando informações sobre a estrada para Uiramutã, em Roraima


Tivemos de apelar para os bons e seguros dólares. Nunca tinha me imaginado trocando dólares no Brasil para conseguir reais, mas assim foi. Deu um trabalho danado achar alguém que trocasse. Não porque não queriam dólares, mas porque não tinham reais. Enfim, achei um cambista na rodoviária e trocamos. O montante exato para botarmos combustível e sobrevivermos no Brasil até chegarmos em Boa Vista, onde teria acesso aos bancos novamente.

Voltamos à Venezuela e, seguindo a orientação de pessoas de Pacaraima, fomos ao policial que toma conta da fila do posto para pedir para furar a fila. Eles dão prioridade á turistas por ali. Enfim, resolvemos esse problema e abastecemos a Fiona. Agora, podíamos seguir viagem.


De volta ao Brasil em Pacaraima (A), pensamos em ir até Uiramutã (B), mas o combustível não daria. Seguimos então para a Serra do Tepequem (C)

Para onde? Esse era o ponto! Faz tempo que queria conhecer as belezas naturais de Uiramutã, o município mais ao norte do Brasil. Fica em plena reserva Raposa da Serra do Sol e tem belíssimas cachoeiras. O problema é a dificuldade de acesso e a dependência do bom humor dos índios, senhores da região. Seriam quatro horas de estrada de terra para chegarmos lá. Aí, conversa com os caciques para ver qual cachoeira poderíamos visitar. E se fôssemos para lá, teríamos de seguir diretamente para Boa Vista, sob pena de ficarmos sem combustível outra vez.

As belezas do caminho para a Serra do Tepequem, no norte de Roraima

As belezas do caminho para a Serra do Tepequem, no norte de Roraima


Ou seja, não poderíamos ir à outro belo destino, a Serra do Tepequem. Enfim, resumindo, por causa do combustível e da data marcada para chegarmos à Boa Vista, de onde voaremos no dia 19 para o sul, tínhamos de escolher entre os dois destinos. A vontade e curiosidade maior eram por Uiramutã, mas a maior facilidade da Serra do Tepequem falou mais alto. Para lá, a estrada era de asfalto e as cachoeiras não precisam de salvo-conduto para serem visitadas. Uiramutã será sempre um ótimo motivo para voltarmos a esse canto tão isolado do Brasil.

Venezuela, Santa Elena, Brasil, Roraima, Serra_do_Tepequem,

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Que Sufoco!

Brasil, Tocantins, São Félix do Tocantins, Maranhão, Alto Parnaíba

Pra vencer essa rampa, foi preciso ajuda do guincho, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Pra vencer essa rampa, foi preciso ajuda do guincho, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Bem cedo hoje tivemos mais uma conversa com o Jaime. De novo, repassamos as dicas sobre o trajeto. Seriam 70 km de estradas e trilhas sem nenhuma casa ou ponto de apoio no caminho, até chegar à comunidade do Prata, no Tocantins. De lá, mais 30 km até São Félix, já por uma estrada encascalhada. A gente agradeceu muito pela hospedagem e nos despedimos. Era 07:30 e estávamos ansiosos por partir.

Com o Jaime, que nos recebeu na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA

Com o Jaime, que nos recebeu na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA


Preparando-se para partir, no segundo dia da travessia Maranhão-Jalapão (na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA)

Preparando-se para partir, no segundo dia da travessia Maranhão-Jalapão (na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA)


A primeira parte da viagem foi tranquila, chegar até o ponto de onde havíamos retornado ontem. Quando se sabe o caminho, ou se tem certeza de estar no rumo certo, a história é outra! Subimos a ladeira, pegamos à direita na bifurcação, seguimos até a cancela, esquerda na bifurcação, seguimos até a ponte com a cancela e chegamos à erosão que nos fez voltar. Até lá, pouco mais de 15 km. Desta vez, seguros de si, tiramos a erosão de letra. Aí, um quilômetro à frente, acabou a moleza...

Fiona enfrenta as estradas inclinadas de areia no P.N das Nascentes do Parnaíba, estremos sul do Maranhão

Fiona enfrenta as estradas inclinadas de areia no P.N das Nascentes do Parnaíba, estremos sul do Maranhão


Nesse ponto, a estrada vira à direita e, um pouco à frente, tem uma ponte em péssimo estado. O Jaime disse que não conseguiríamos passar por lá. Segundo ele, três jipes fizeram a trilha há uma semana (os últimos carros por aqui) e, nesta ponte, pelejaram, pelejaram e desistiram. Acabaram passando por esse caminho alternativo que ele nos sugeriu. Uma légua (usam muito essa medida por aqui; uma légua = seis quilômetros) por cima do mato até encontrar a estrada do Porto Alegre. Assim sendo, nem fomos até a tal ponte e seguimos os jipeiros, procurando passar por cima dos trilhos deixados por eles. Toda a paciência do mundo, bem devagarzinho, preocupado com tocos de madeira que furassem os pneus. Pelo GPS, a gente acompanhava a estrada do Porto Alegre lá longe, se aproximando. Após um bom tempo, fizemos contato visual com ela. Que felicidade!!! Mais outro tempo e a encontramos. Vitória! Uma estrada de verdade à nossa frente.

Fiona enfrenta trilha de areia no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Fiona enfrenta trilha de areia no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Mas a alegria durou pouco. A estrada logo se deteriorou, cheia de erosões. Fomos driblando elas até chegarmos num ponto onde ela simplesmente sumia, no meio de um campo de areia e árvores. Será que a gente tinha perdido alguma saída? Voltamos para trás e viemos novamente, devagar. Não, era por ali mesmo... Lá estavam os rastros dos jipes. Indo de um lado para o outro neste campo de areia, deu para ver que eles também haviam se perdido por lá. Eu e a Ana, por meia hora, caminhando pelas redondezas, procuramos a outra ponta da estrada. E achamos!!! YES! O problema agora era chegar lá, passando por moitas, areias e troncos... E mais, logo no início, uma rampa subindo uma grota, cheia de buracos...

A Chapada das Mangabeiras, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

A Chapada das Mangabeiras, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Uma coisa de cada vez! Estudamos o melhor caminho, a Ana veio fora do carro, e eu com a Fiona passando por cima dos obstáculos, acelerado. Passamos! Agora, para subir a rampa, usamos nossas pranchas de alumínio. Deu algum trabalho, mas passamos. Estávamos de novo na estrada!!!

Tentando vencer rampa esburacada no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Tentando vencer rampa esburacada no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Mas não dava para relaxar. Logo vieram mais erosões e mais grotas. Bem que o Jaime avisou: "O problema desse caminho é que vocês vão ter de passar por umas grotas cavernosas. Mas, com jeito passam". Se a ponte não estivesse ruim, já sairíamos na frente de tudo isso. Bom, viemos passando por elas até que a pior de todas apareceu. Uma rampa de uns vinte metros e inclinação que chegava a quase 60 graus. E o pior, com dois buracos lá no alto. Impossível desviar deles, já que a largura da passagem na grota era a mesma largura da Fiona.

Tentando vencer rampa esburacada no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Tentando vencer rampa esburacada no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Mas não tínhamos alternativa. Era seguir ou seguir. A idéia de retornar era mais amedrontadora ainda. Marcha reduzida, lá fomos nós. A Fiona foi que foi mas, lá no alto, ponto máximo da inclinação, duas rodas nos buracos, foi demais para ela. Aí, foi aquele filme clássico de lutas marciais: "Retroceder, Nunca! Render-se, Jamais!" Pé no freio, não voltei nem um centímetro. Mas, qualquer acelerada, as rodas aumentavam mais ainda o buraco. E assim, com a Fiona quase pendurada e inclinada a 60 graus, eu segurando ela no câmbio e nos dois freios, a Ana desceu do carro, abriu o porta-malas dela, pegou o material do guincho, e montou-o numa árvore próxima. Dessa vez, contra o guincho e o motor, quem pediu água foi a rampa!

Pra vencer essa rampa, foi preciso ajuda do guincho, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Pra vencer essa rampa, foi preciso ajuda do guincho, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Logo depois dela, apareceu a estrada que vinha da segunda ponte. Puxa, se ela não estivesse arrebentada... Daí para frente, muita areia em alguns trechos e erosões em outras, sempre com algum desvio escondido no mato. Por fim, chegamos à terceira e última ponte. Aí, uns minutos de descanso e refresco no rio. Aparentemente, nada mais nos impediria...

Feliz após subir a temível 'ladeira nova', no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Feliz após subir a temível "ladeira nova", no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Mais outra ilusão. Outra légua à frente, depois de muita areia e charcos, mais uma bifurcação. Uma que o Jaime não nos previniu. Resolvemos seguir o bendito GPS (desde o encontro com a estrada de Porto Alegre, estávamos na rota dele). Só para descobrir que, outra légua à frente a estrada sumia novamente. De novo, passamos uma meia hora procurando a continuação. Percebemos que os jipeiros também tinham chegado até lá. Mas os rastros também não íam para frente. A tarde começava a chegar e nós preocupados, sem quase nada de comida, sobre onde dormiríamos. Retornar, agora, tinha ficado mais impossível ainda.

A terrível 'ladeira nova', no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

A terrível "ladeira nova", no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Não até a bifurcação. Foi o que fizemos. A estrada estava bem razoável, mas com poucos rastros. Estava cada vez mais certo que aquele era outro caminho que me levaria a algum lugar, não São Félix, mas algum lugar. Qualquer lugar já estaria bom, àquela altura. A Ana, mais otimista, achava que estávamos certos. Até que, para nossa felicidade, essa estrada juntou-se com outra e lá estavam os rastros! Obaaa!

GPS mostra nosso caminho 'alternativo' (em azul), fora da estrada (em rosa), no momento em que entramos no Tocantins

GPS mostra nosso caminho "alternativo" (em azul), fora da estrada (em rosa), no momento em que entramos no Tocantins


Foi aí que apareceu o último ponto de referência dado pelo Jaime, o que comprovou de forma definitiva que estávamos, de novo, no caminho certo: a mãe de todas as ladeiras! Ao vê-la de baixo, impossível não se assustar: "Mas, dá para subir isso???" Os rastros comprovavam que sim. Reduzida na Fiona novamente e lá fomos nós. Força, força, força e chegamos no alto! Yupiiiee.... naaaaaão!!!! Foi fazermos a curva e a segunda parte da ladeira, pior do que a primeira, nos esperava! Nossa senhora...

Estrada inclinada para a esquerda, no P.N. Nascentes do Parnaíba, região de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Estrada inclinada para a esquerda, no P.N. Nascentes do Parnaíba, região de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


Respiramos fundo, subimos à pé para analisar, a Ana ficou lá encima fotografando e filmando e eu desci para buscar a Fiona. Ela veio que veio e chegamos ao topo! Lá de cima, vista fantástica do P.N das Nascentes do Parnaíba e da Chapada das Mangabeiras.

Preparando-se para cruzar um rio, no P.N. Nascentes do Parnaíba, região de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Preparando-se para cruzar um rio, no P.N. Nascentes do Parnaíba, região de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


Lá encima, antramos no Tocantins e a estrada finalmente ficou um pouco melhor, apenas areia e inclinações laterais. Só tivemos chance de um último susto: ao atravessar um rio, ele era muito mais fundo que imaginávamos e a Fiona ameaçou ficar. Mas no fim, passou e ainda saiu lavada e renovada do outro lado, hehehe. Quem não gostou foi a Ana, que tinha descido do carro para filmar e ficou do lado de lá. Eu falei que a Fiona não passava mais pelo rio. Mas, como forma de solidariedade, eu passei a pé para a outra borda e voltamos juntos para a Fiona.

Fiona atravessa rio no P.N Nascentes do Parnaíba, município de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Fiona atravessa rio no P.N Nascentes do Parnaíba, município de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


Poucos quilômetros à frente, a estrada encascalhada que liga Mateiros à São Félix. Para nós, uma verdadeira autoestrada. E, logo ali, a comunidade do Prata. Casas! Pessoas! Civilização! Que coisa diferente, hehehe! Para nós, uma miragem! Que alívio! Meia hora depois, chegávamos à São Félix, onde fomos diretamente para a Pousada Capim Dourado, dica do amigo Luís. Ainda tínhamos umas duas horas de luz e queriamos muito, mas muito mesmo, alguma água, rio, cachoeira ou fervedouro para relaxar. A gente merecia!

Flõr de cerrado no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Flõr de cerrado no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Mas, mais do que nós, quem merece boa parte dos méritos é a Fiona! Aguentou bravamente! Areia, terra, barro, charco, mato, troncos, galhos, pedras, buracos, ladeiras, grotas e tudo mais, ela aguentou tudo sem reclamar, garantindo para nós uma bolha de conforto naquele mundão hostil. Quando saíamos dela para procurar o caminho, cavar ou simplesmente olhar, as mutucas e o calor infernal atacavam. De volta para ela, lá estava nosso universo particular, refrescante. Fiona e seus pneus, nosso muito obrigado pela aventura com final feliz!

Fiona no cerrado do P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Fiona no cerrado do P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Brasil, Tocantins, São Félix do Tocantins, Maranhão, Alto Parnaíba, Estrada, Jalapão, Nascentes do Parnaíba, Parque, Riozinho

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Fiona a Las Nubes

Argentina, Salta, San Antonio de los Cobres

Caminhando sobre o sal em salinas Grandes, no norte da Argentina

Caminhando sobre o sal em salinas Grandes, no norte da Argentina


Passamos uma boa parte do dia de ontem tentando decidir como ir até San Antonio de Los Cobres, em plena puna argentina. "Puna" é o nome que se dá aqui ao altiplano argentino, uma região conectada com o altiplano boliviano com altitude superior aos 3 mil metros.

Estrada através da Quebrada del Toro para San Antonio de Los Cobres - Argentina

Estrada através da Quebrada del Toro para San Antonio de Los Cobres - Argentina


Fiona atravessa belas paisagens no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina

Fiona atravessa belas paisagens no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina


Tínhamos 3 opções: seguir com o mundialmente famoso "Tren a Las Nubes", ir de van ou com a nossa Fiona. A opção do trem foi a que sempre tínhamos imaginado. Mas o alto preço de 170 dólares por pessoa, mais o fato de ficarmos quase umas quinze horas dentro do trem, entre a ida e a volta, nos desanimou. A vantagem era que poderíamos ficar no vagão restaurante. O tempo passaria mais rápido, assim como nosso dinheiro... A segunda opção, de van, sairia pela metade do preço e poderíamos ver outras coisas pelo caminho, além de ver tudo o que se vê do trem também. Quer dizer, tudo menos uma "coisinha": o viaduto La Polvorilha, justamente a maior atração do percurso. Disseram que a estrada de terra para lá estava "muy mala".

Montanhas coloridas no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina

Montanhas coloridas no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina


Vegetação típica das terras altas argentinas na região de Salta

Vegetação típica das terras altas argentinas na região de Salta


Optamos então, claro, pela nossa Fiona! Afinal, se viemos até aqui de carro, porque não subir com ela? Parar onde quiséssemos para tirar fotos, acordar às 08:30 ao invés de 4 da madrugada, gastar um quinto do preço e ver muito mais coisas do que os passageiros do trem e das vans nos pareceram argumentos bem convincentes, hehehe.

Ponto mais alto da estrada, no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina

Ponto mais alto da estrada, no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina


A cidade de San Antonio de Los Cobres - Argentina

A cidade de San Antonio de Los Cobres - Argentina


O único obstáculo para isso foi encontrar combustível! A Agentina vive crise de abastecimento e, embora o pior da crise já tenha passado, muitas vezes ainda é bem difícil achar díesel, principalmente nos postos YPF. Procura daqui e dali e finalmente achamos, num posto Esso. Taí uma situção que não tínhamos imaginado passar. Pelo menos, não por aqui. É uma agonia ficar vendo o medidor do combustível baixar, baixar e não encontrar lugar para comprá-lo. Por via das dúvidas, estamos sempre andando com nosso galão de 35 litros cheio, no portamala.

Caminhando sobre o sal em salinas Grandes, no norte da Argentina

Caminhando sobre o sal em salinas Grandes, no norte da Argentina


Bom, já eram quase 11 da manhã quando, finalmente, conseguimos partir. A estrada segue o mesmo caminho do trem, subindo a Quebrada del Toro. O cenário é maravilhoso, montanhas coloridas, cardones (cactus) fotogênicos e aquele ar limpo que só existe na altitude. As cores ficam mais vivas, as formas e contornos mais definidos e tudo parece um enorme quadro. Que bom estarmos no nosso próprio carro e podermos parar quando e onde queríamos!

Caminhando para o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

Caminhando para o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


Equilibrando-se em riacho congelado ao pé do viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

Equilibrando-se em riacho congelado ao pé do viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


A estrada por fim chegou no seu ponto mais alto, superando os 4 mil metros! Esse é um ponto histórico pois foi aí que um carro argentino estabeleceu o recorde mundial de altitude há quase cem anos, em 1915! Muito antes dos Fords T existirem! Incrível! Aí também demos carona para uma vendedora que mora em San Antonio. Ela se deu bem duplamente: ganhou uma carona e ainda vendeu duas grandes e deliciosas tortillas de queso, que devoramos no caminho! Enquanto nos alimentávamos, cruzamos e ultrapassamos o trem, que tinha saído às 6 da manhã! Vê-lo correr por entre aquela paisagem maravilhosa a 4 mil metros de altitude foi uma cena e tanto!

O impressionante viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

O impressionante viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


Subindo o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

Subindo o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


Da rústica San Antônio seguimos diretamente para o Viaduto la Polvorilla por uma estrada de terra que nem estava "tan mala". Chegamos com bastante tempo antes do trem para podermos fotografá-lo por baixo, de onde ele é ainda mais bonito e imponente. São mais de 60 metros de altura cruzando um vale a 4.200 metros de altitude, com uns 200 metros de comprimento. Um verdadeiro feito da engenharia!

No viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

No viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


O Tren de Las Nubes sobre o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

O Tren de Las Nubes sobre o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


Depois, devagarzinho, subimos à pé a encosta para esperar o trem lá encima. Quem também esperava eram dezenas de vendedores ambulantes, com seus tecidos, comidas e lhamas para serem fotografadas. Uns quinze minutos mais tarde chegou o trem. Dele desceram dezenas de turistas para tirar suas fotos e comprar suas lembranças. Vendo essa cena, foi aí mesmo que tive certeza de que tomamos a decisão correta: muito melhor ter vindo com a "Fiona de Las Nubes"!

Turistas desembarcam no viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

Turistas desembarcam no viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


O trem partiu para o longo caminho de volta e nós também, mas por um caminho diferente. Cruzamos uns 70 km da puna por uma estrada de rípio, sempre com montanhas nevadas no horizonte, paisagem cinematográfica, e chegamos à estrada que leva ao Paso de Jama, que liga o país ao Chile. À poucos quilômetros dali está a "Salina Grande", uma gigantesca planície de sal a 3.600 metros de altitude. Que coisa magnífica, aquela vastidão branca com as montanhas ao fundo! Entramos nela com a Fiona, quase ninguém por ali, sensação de sermos os únicos no mundo.

Explorando Salinas Grandes, uma enorme planície salgada no norte da Argentina

Explorando Salinas Grandes, uma enorme planície salgada no norte da Argentina


O enorme campo de sal em Salinas Grandes, na rota do Paso de Jama - Argentina

O enorme campo de sal em Salinas Grandes, na rota do Paso de Jama - Argentina


Claro que não somos! Essa é uma rota super comum para brasileiros que seguem para o Atacama, no Chile. Um galpão em meio à salina é a prova disso. Em seus vidros, dezenas de adesivos de expedições brasileiras. Agora, tem mais um lá, o nosso!

Adesivos de expedições brasileiras à caminho do Paso de Jama, fronteira da Argentina com o Chile (em Salinas Grandes)

Adesivos de expedições brasileiras à caminho do Paso de Jama, fronteira da Argentina com o Chile (em Salinas Grandes)


Estávamos à meros duzentos quilômetros da fronteira, mas seguimos em direção contrária. Queremos ir para o Chile pelo Paso de San Francisco, que nos informaram ser o mais belo de todos. Fica mais ao sul e no caminho para lá ainda tem muita coisa que queremos conhecer. Deste modo, descemos 2 quilômetros de altitude pela estrada que serpenteia montanha abaixo até a cidade de Purmamarca. Aí, encontramos a estrada nossa velha conhecida, aquela de Tilcara, onde vimos neve pela primeira vez na viagem. De lá seguimos para Jujuy e daí para Salta, dessa vez pela autoestrada, mais longa mas bem mais rápida que a pequena "ciclovia" que pegamos da outra vez.

Trilha de carro atravessa parte de Salinas Grandes, no caminho para o Paso de Jama - Argentina

Trilha de carro atravessa parte de Salinas Grandes, no caminho para o Paso de Jama - Argentina


Chegamos em Salta ainda antes do trem. Felizes com o maravilhoso dia que tivemos, memória cheia de paisagens incríveis e cada vez mais atrasados com nossas postagens no site. Tanto que vou tirar o dia de amanhã para trabalhar. É a dura vida de um viajante blogueiro...

Estrada serpenteia montanha abaixo, por cerca de 2 mil metros, entrando pelo Paso de Jama Argentina adentro

Estrada serpenteia montanha abaixo, por cerca de 2 mil metros, entrando pelo Paso de Jama Argentina adentro

Argentina, Salta, San Antonio de los Cobres,

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Pelas Belas Praias da Baja California

México, Loreto, Santa Rosalía

Praia Requesón ocupada por trailers de americanos, região de Mulegé, na Baja California - México

Praia Requesón ocupada por trailers de americanos, região de Mulegé, na Baja California - México


Começamos o dia com um passeio a pé pelo simpático centro histórico de Loreto, espremido entre a praça da igreja e a orla do Malecón. Muitos restaurantes gostosos, casas charmosas, uma rua peatonal na sombra de árvores e uma praça ainda com pouco movimento pela manhã. A “Capital Histórica de Todas as Californias” parece ter parado no tempo, há uns 200 anos. Ainda bem!

Alameda peatonal em Loreto, na Baja California - México

Alameda peatonal em Loreto, na Baja California - México


Vegetação característica da região de Loreto, na Baja California - México

Vegetação característica da região de Loreto, na Baja California - México


Depois, hora de pegar estrada e seguir no nosso incansável rumo norte. A próxima cidade no caminho é Mulegé, também na orla do Mar de Cortez. O caminho entre as duas cidades primeiro passa um longo trecho de deserto, para depois seguir ao lado do mar. É exatamente neste trecho que estão as mais belas praias da península da Baja California.

Litoral entre Loreto e Mulegé, no Mar de Cortez, na baja California - México

Litoral entre Loreto e Mulegé, no Mar de Cortez, na baja California - México


A magnífica praia de Requesón, próxima a Mulegé, na Baja Califórnia - México

A magnífica praia de Requesón, próxima a Mulegé, na Baja Califórnia - México


Depois de acompanhar um longo trecho de litoral rochoso e belíssimo, chegamos a um local que mais parece uma pintura: a praia Requesón. É uma estreita faixa de areia branca que liga a costa com uma ilha logo em frente, separando uma baía de águas calmas e cristalinas em duas. Muito linda! Nessa faixa de areia estão alguns trailers estacionados, americanos que ficam acampados em grande estilo por lá por até 10 dias.

Praia Requesón, em Mulegé, na Baja California - México

Praia Requesón, em Mulegé, na Baja California - México


Caminhando na belíssima praia Requesón, próxima à Mulegé, na Baja California - México

Caminhando na belíssima praia Requesón, próxima à Mulegé, na Baja California - México


Esse é um programa muito popular entre californianos (do norte!) mais descolados. Empacotam tudo em suas casas rodantes e vem para a Baja California acampar em alguma das belas praias que existe nessa área de Mulegé. Por aqui, foram pequenas comunidades provisórias, todos com seus cachorros, uma boa parte deles já aposentada, só curtindo a vida. No Requesón havia uns 5-6 traillers, mas nas praias mais adiante, vimos mais de uma centena.

Paciente cão tenta pescar no Mar de Cortez, praia de Requesón, em Mulegé, na Baja California - México

Paciente cão tenta pescar no Mar de Cortez, praia de Requesón, em Mulegé, na Baja California - México


Nós também fomos até a praia, com a nossa Fiona. Até chegamos a cogitar em acampar por ali mesmo, fazer parte daquela pequena comunidade por um dia. Mas o vento frio e forte que soprava hoje nos desanimou. A água estava convidativa, mais quente do que do lado de fora, mas a sensação térmica causada pelo vento não animava. Conversamos um pouco com os americanos de bem com a vida que ali estavam e seguimos viagem.

Encontro com um simpático grupo de americanos em restaurante em praia próxima à Mulegé, na Baja California - México

Encontro com um simpático grupo de americanos em restaurante em praia próxima à Mulegé, na Baja California - México


Logo em seguida, mais praias apareceram, sempre com seus trailers por ali. Numa das primeiras, tinha um restaurante mais roots, onde resolvemos parar para um brinde àquela beleza toda. Logo ficamos amigos de outro grupo de americanos felizes, em seu caminho em direção à Los Cabos, no extremo sul da península. Todos de San Diego, até nos convidaram para ficar em suas casas, mas vamos passar por lá antes que retornem de sua própria viagem.

O farol de Mulegé, na Baja California - México

O farol de Mulegé, na Baja California - México


Visitando a Missión Santa Rosalía, em Mulegé, na Baja California - México

Visitando a Missión Santa Rosalía, em Mulegé, na Baja California - México


Algumas paradas em outras praias mais adiante e finalmente chegamos à Mulegé, construída bem num ponto onde um oásis encontra o mar. A cidade também oferece bons restaurantes e pousadas charmosas, mas a gente já tinha decidido seguir mais à frente. Mas ainda visitamos o farol, que fica bem no encontro do rio com o mar e também a bela missão jesuítica de Santa Rosalía.

Visitando a Missión Santa Rosalía, em Mulegé, na Baja California - México

Visitando a Missión Santa Rosalía, em Mulegé, na Baja California - México


Essa fica um pouco mais afastada da costa, no alto de um morro de onde se tem uma bela vista do rio, do oásis, do deserto que o cerca e do mar ao fundo. Sabiam muito bem aonde construir suas igrejas, esses jesuítas! Passamos aí algum tempo para tirar fotos e explorar o prédio histórico, quase os únicos turistas por ali. A única companhia era de três italianos, também maravilhados com a beleza do lugar.

Dirigindo no final da tarde entre Mulegé e Santa Rosalía, na Baja California - México

Dirigindo no final da tarde entre Mulegé e Santa Rosalía, na Baja California - México


Da missão para a cidade de Santa Rosalía, uma hora de estrada mais ao norte. Chegamos lá de noite, depois de acompanhar um fim de tarde belíssimo no deserto. Nessa cidade mineira, parecida com uma vila dos filmes de faroeste, a gente se instalou no Hotel Frances, um casarão no alto do morro que já foi um grande bordel. Bordel da época clássica, daqueles dos filmes de faroeste também. Ele é dessa época, e foi criado no início do século passado para atender aos trabalhadores da mina da cidade, explorada por uma empresa francesa. Hoje, o hotel e seus quartos são um charme só, pé direito bem alto, tudo feito de madeira e quartos sem janelas, com paredes revestidas de longos tecidos avermelhados. Tudo para garantir a intimidade dos clientes. De hoje e de outrora, hehehe!

Uma linda 'jacaroa de olhos azuis', em restaurante de praia próxima à Mulegé, na Baja California - México

Uma linda "jacaroa de olhos azuis", em restaurante de praia próxima à Mulegé, na Baja California - México

México, Loreto, Santa Rosalía, Baja California, deserto, missões jesuíticas, Mulegé, Praia, Requesón

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Em Natal

Brasil, Rio Grande Do Norte, Natal

Chegando na praia de Ponta Negra, em Natal - RN

Chegando na praia de Ponta Negra, em Natal - RN


Chegamos em Natal ontem de noite e a primeira árdua tarefa foi encontrar um lugar para ficar. Na primeira vez que aqui estive, em 93, o lugar onde os turistas ficavam era a Praia dos Artistas. Era uma outra Natal. Ponta Negra já era uma praia frequentada, mas com apenas poucos hoteis, caros demais para um estudante "pobresito". Na segunda, vim num pacotão da CVC (pois é, até eu!) que incluía Noronha e Natal no mesmo programa. Não façam isso! Vindo de Noronha, Natal fica completamente ofuscada! Estávamos em 96 e a CVC já nos colocou num hotel em Ponta Negra. Era um lugar razoavelmente tranquilo.

O Morro do Careca, na praia de Ponta Negra, em Natal - RN

O Morro do Careca, na praia de Ponta Negra, em Natal - RN


Finalmente, estive aqui em 2000, pela última vez. Nessa época, a grande maioria das pessoas já ficava em Ponta Negra. Mas a vida noturna ainda se dava na Praia dos Artistas. Bons restaurantes, bares simpáticos. Agora, onze anos mais tarde, a cidade "se mudou" para Ponta Negra. Ouço que, quando o sol se põe, o centro "morre". Enquanto isso, Ponta Negra ferve. Pois bem, aqui chegamos, em pleno verão. São centenas de pousadas e hoteis. Literalmente. Ruas abarrotadas de acomodações, acomodações abarrotadas de turistas. Quanto mais perto da praia, mais caro e mais difícil de achar vagas. Depois de muita procura, tínhamos achado hoteis com vagas para esta noite, e outros com vagas para as noites seguintes. Não teve remédio: seguindo recomendação deles próprios, garantimos o pernoite de hoje num lugar e as noites seguintes em outro, na mesma rua, quarteirões diferentes.

Praia de Ponta Negra lotada, em Natal - RN

Praia de Ponta Negra lotada, em Natal - RN


Hoje cedo, fomos passear em Ponta Negra. O céu e o mar estavam maravilhosos. Deu até uma certa dor na consciência, sabendo da chuvarada e tragédias no sudeste. A praia, como era bem previsível, estava lotada, coisa que, de certa forma, nos faz sentir no lugar errado. É, estamos muito mal acostumados...

Chegando no Morro do Careca, na praia de Ponta Negra, em Natal - RN

Chegando no Morro do Careca, na praia de Ponta Negra, em Natal - RN


Com ou sem gente, a praia continua linda. Caminhamos até o Morro do Careca, a enorme duna no canto da praia. Das outras três vezes que aqui estive, tive o prazer de subi-la e me jogar lá de cima, seja em louca disparada, seja praticando o "skibunda". Com dezenas de milhares de pessoas fazendo a mesma coisa, a duna estava desmanchando. Não teve remédio: ela foi interditada! Está mais bela, agora. Mas dá uma vontade....

Morro do Careca, praia de Ponta Negra, em Natal - RN

Morro do Careca, praia de Ponta Negra, em Natal - RN


Praia de Ponta Negra, em Natal - RN

Praia de Ponta Negra, em Natal - RN


De tarde, fomos saciar uma vontade que há muito nos perseguia: comer numa boa churrascaria. Enquanto lidávamos com nossos instintos carnívoros, a Fiona tomava um merecido banho. Ficou limpinha, praticamente nova! A gente até se empolgou e completamos o mapa da viagem na sua porta. Havia já um bom tempo que não atualizávamos os "pontinhos verdes" que, supostamente marcam os lugares por onde já passamos.

Banho na caçamba da Fiona, em Natal - RN

Banho na caçamba da Fiona, em Natal - RN


Por falar nisso, amanhã deverá haver nova atualização, pois vamos fazer um bate-volta à Pirangi, local de belas praias e do maior cajueiro do mundo, um monstro que ocupa todo um quarteirão. E olha que é um quarteirão grande!

Mapa da viagem na Fiona atualizado (em Natal) - RN

Mapa da viagem na Fiona atualizado (em Natal) - RN

Brasil, Rio Grande Do Norte, Natal,

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O Gato, a Farofa e as Cachoeiras

Chile, VictoriaChile, Radal Siete Tazas

Os belos Saltos de Laja, no sul do Chile

Os belos Saltos de Laja, no sul do Chile


Acordamos no nosso hotel de estrada, a Hosteria Los Aromos, com o barulho dos caminhões trafegando pela rodovia. O hotel está localizado a uns 20 km ao norte de Victoria, ainda na região de Araucania, o que significa que faltam menos de 600 km para chegarmos à capital Santiago. Aí precisamos chegar até o dia 26, quando tomamos um voo pela manhã para o Ceará, no Brasil. Ou seja, temos seis dias para percorrer esse espaço, o que nos dá uma certa folga.

Gato descansa e se espreguiça sobre uma tela no quintal de nosso hotel de estrada entre Victoria e Los Angeles, no sul do Chile

Gato descansa e se espreguiça sobre uma tela no quintal de nosso hotel de estrada entre Victoria e Los Angeles, no sul do Chile


Gato descansa e se espreguiça sobre uma tela no quintal de nosso hotel de estrada entre Victoria e Los Angeles, no sul do Chile

Gato descansa e se espreguiça sobre uma tela no quintal de nosso hotel de estrada entre Victoria e Los Angeles, no sul do Chile


Começamos a curtir essa “folga” tomando nosso café da manhã bem tranquilamente. Hotel simples, café simples, pão, manteiga e leite. Tudo fresquinho. Mas a principal diversão não foi o café, mas ficar observando um gato que se espreguiçava sobre nossas cabeças. Ele havia se instalado confortavelmente sobre aquelas redes bem trançadas usadas para filtrar a luz do sol, criar uma área de meia sombra. Estendida sobre o pátio do hotel, pelo menos durante o frescor da manhã o gato preferia ficar sobre ela, bem tranquilo, apenas vendo a vida passar. Gatos chilenos, gatos brasileiros, são iguais no mundo inteiro, hehehe.

Gato descansa e se espreguiça sobre uma tela no quintal de nosso hotel de estrada entre Victoria e Los Angeles, no sul do Chile

Gato descansa e se espreguiça sobre uma tela no quintal de nosso hotel de estrada entre Victoria e Los Angeles, no sul do Chile


Gato descansa e se espreguiça sobre uma tela no quintal de nosso hotel de estrada entre Victoria e Los Angeles, no sul do Chile

Gato descansa e se espreguiça sobre uma tela no quintal de nosso hotel de estrada entre Victoria e Los Angeles, no sul do Chile


Depois do show do gato enquanto saboreávamos nosso café, pé na estrada, rumo norte. Não demorou muito e passamos por Los Angeles. Não aquela famosa, lá na California, que nos surpreendeu tanto (post aqui), mas sua homônima chilena, cidade com mais de 250 anos de idade e que foi muito importante na época das guerras contra os índios mapuches. Localizada bem ao norte da fronteira com o antigo território indígena, o rio Bio Bio, ela sempre foi importante base de operações espanholas. Hoje, é a grande metrópole da região, com mais de 100 mil habitantes. Pouco para interessar ao turista, mas serve de base para se explorar o belíssimo Parque Nacional Laguna del Laja, localizado na direção leste, já bem perto dos Andes. Com seu vistoso vulcão e a lagoa e cachoeiras formadas pelo rio Laja, atrai muitos mochileiros que vão aí percorrer suas trilhas. Mas explorá-lo não estava nos nossos planos dessa vez...

Passando por Los Angeles, no sul do Chile, homônima da famosa cidade americana

Passando por Los Angeles, no sul do Chile, homônima da famosa cidade americana


Quando muito, planejamos apenas uma parada na cachoeira mais famosa do rio, já bem longe do parque e quase junto da Ruta 5, a estrada que nos leva para o norte. São os chamados “Saltos del Laja”, que alguns chilenos ousam comparar com as Cataratas do Iguaçu, pelo menos quando o rio está bem cheio. A comparação é obviamente exagerada, mas nem por isso os Saltos del Laja deixam de ser bem bonitos.

Chegando aos Saltos de Laja, no sul do Chile, em pleno feriado nacional, junto com centenas de outros visitantes

Chegando aos Saltos de Laja, no sul do Chile, em pleno feriado nacional, junto com centenas de outros visitantes


Muitos turistas aproveitando o feriado para visitar os Salos de Laja, no sul do Chile

Muitos turistas aproveitando o feriado para visitar os Salos de Laja, no sul do Chile


Tão bonitos que são a principal atração turística da região entre os próprios chilenos. Ainda mais num dia de feriado nacional como é hoje, céu azul e sol radiante. Nós não sabíamos disso e nos surpreendemos com a quantidade de pessoas e ônibus de turismo estacionados perto das cachoeiras. Antigamente, a rodovia Panamericana passava justamente ali e era possível admirar as quedas d’água de dentro do carro. Um desvio foi feito recentemente, mas a popularidade do passeio só aumentou, famílias inteiras vindo fazer seus piqueniques perto da cachoeira, uma infinidade de carros de lanche e lojas de artesanato tentando faturar com o movimento.

Mirante de observação dos Saltos de Laja, no sul do Chile

Mirante de observação dos Saltos de Laja, no sul do Chile


Enfim, uma legítima farofa. Farofa com um belo visual de fundo, mas ainda assim, farofa. Como os gatos, ela também é universal, seja no Brasil, Chile ou Cazaquistão. Não a comida em si, algo bem brasileiro que até hoje espanta os gringos. Acham que nós gostamos de comer areia. Refiro-me ao seu sentido figurado. No caso, aqui, é o frango sem farofa, mas com a música alta ali do lado, a multidão se espremendo em um mesmo espaço, mesmo que haja tanto espaço vazio a poucas centenas de metros dali. É da natureza humana...

Atacando um delicioso Mote con Huesillo, nos Saltos de Laja, no sul do Chile

Atacando um delicioso Mote con Huesillo, nos Saltos de Laja, no sul do Chile


A famosa e refrescante bebida Mote con Huesillo, em Saltos de Laja, no sul do Chile

A famosa e refrescante bebida Mote con Huesillo, em Saltos de Laja, no sul do Chile


Nós resolvemos nem descer aos pés das cachoeiras. Vê-la e fotografá-la ali de cima já foi interessante o suficiente. A parte de cima da queda d’água estava bem mais tranquila e foi ali que nos refrescamos com um delicioso mote com huesillo, a bebida não alcoólica preferida dos chilenos. É feita com pêssegos em conserva re-hidratados (o mote) com trigo (o huesillo). Essa mistura inusitada fica uma delícia e é vendida em todos os lugares. Foi o ponto alto de nossa parada por ali, tomar um copo cheio desse refresco e ficar admirando as “Cataratas do Iguaçu” lá embaixo.



Depois, de volta à estrada. Foram mais quatrocentos quilômetros para o norte, Santiago cada vez mais perto. O nosso objetivo era a principal atração do dia, uma Reserva Nacional (quase um parque) chamada Radal Siete Tazas. Foi por ela que deixamos o Parque Laguna del Laja para trás. Lendo e os informando sobre as duas regiões, acabamos nos interessando mais pelas tais Siete Tazas. É uma região de rios e florestas, já na região pré-andina, a leste da Ruta 5, região de Curico. Um dos rios atravessa um estreito canyon, formando diversas piscinas naturais em seu caminho. Essas piscinas são as “taças” que dão nome à reserva, todas elas unidas por belas quedas d’água. A temperatura é bem agradável, própria para um mergulho. Enfim, um visual e clima de chapada aqui no meio do Chile. Não podíamos perder isso!

A cachoeira conhecida como Véu de Noiva, na região do parque Radal Siete Tazas, no sul do Chile

A cachoeira conhecida como Véu de Noiva, na região do parque Radal Siete Tazas, no sul do Chile


Chegamos no final do dia, que também era final de feriado. Estávamos, para nossa felicidade, no contra fluxo. Nossa ideia era acampar por lá e, após nos decepcionarmos com a estrutura e movimento de alguns campings privados, resolvemos tentar armar nossa barraca dentro da reserva mesmo, em uma área própria para isso. Para nossa grata surpresa, o local era lindo e estava praticamente vazio. Tão legal que já decidimos imediatamente passar duas noites por aí. Não só pelo lugar agradável do camping, mas pela única cachoeira que tivemos tempo para ainda ver hoje, a Véu da Noiva (como o gato e a farofa, esse nome de cachoeira também é universal!). Água bem verdinha e uma piscina convidativa na base da cachoeira. Nem me lembro mais quando vimos algo parecido, acho que foi no Mato Grosso, Chapada dos Guimarães. Sem dúvidas, era ali mesmo que iríamos ficar!

A cachoeira conhecida como Véu de Noiva, na região do parque Radal Siete Tazas, no sul do Chile

A cachoeira conhecida como Véu de Noiva, na região do parque Radal Siete Tazas, no sul do Chile

Chile, VictoriaChile, Radal Siete Tazas, Bichos, cachoeira, Los Angeles, Saltos del Laja

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Do Nível do Mar Para o Nível do Céu

Peru, Puerto Maldonado, Cusco

Encontro com lhamas na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontro com lhamas na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Hoje deixamos Puerto Maldonado para trás e retomamos a nossa “volta” por Peru e Bolívia. Um circuito com cerca de 3 mil quilômetros de extensão saindo do Brasil pelo Acre, na cidade de Assis Brasil, e voltando ao país por Rondônia, na cidade de Guajara-Mirim. No caminho, um pouco de tudo: a Amazônia peruana, as cidades incas de Cusco e Machu Picchu, as belezas do lago Titicaca com suas ilhas flutuantes, a confusão contagiante da capital boliviana de La Paz e uma das mais temidas estradas do continente, a Carretera de La Muerte, também na Bolívia. No meio disso tudo, a incrível beleza dos Andes e do altiplano, o planalto mais alto das Américas. Enfim, um prato cheio para qualquer aventureiro. E o melhor de tudo: esse circuito pode ser feito de carro, por nós, brasileiros. Basta um pouco de disposição, um mês de calendário e a vontade de conhecer paisagens e culturas completamente diversas das que estamos acostumados aqui no Brasil!


Nosso roteiro planejado por Peru e Bolívia, saindo do Brasil pelo Acre e voltando por Rondônia. No caminho, Cusco, a região do Titicaca, La Paz e a famosa Estrada da Morte

É claro que nós não poderíamos deixar esse circuito de fora dos 1000dias! Já tínhamos estado no Peru e Bolívia nessa viagem, mas deixamos as regiões cobertas por esse roteiro para fazer agora, justamente quando tínhamos planejado conhecer os estados do Acre e Rondônia, pontos de entrada e saída desse roteiro. Para melhorar mais ainda, vamos receber uma “visita”, o Gustavo, diretamente de Curitiba, que vai voar para Cusco para passar 10 dias conosco explorando as atrações da região. Com datas para chegar e partir, tratamos de adaptar nosso caminho e calendário a elas, o que não é difícil em uma região com tantas alternativas. Planos feitos, começamos o tal circuito há uma semana, saindo de Porto Velho para uns dias no Acre e, de lá, já em território peruano, para Puerto Maldonado. Mas aí, a Ana caiu de cama e tivemos de botar as barbas de molho por alguns dias. Agora, com ela recuperada, tratamos de refazer o roteiro, sempre levando em conta as datas do Gustavo e recomeçamos a trip. Primeira tarefa: deixar a Amazônia para trás, onde está Puerto Maldonado, e subirmos os Andes, em direção à cidade de Cusco.

Encontrando as primeiras lhamas! Realmente, já estamos altos, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontrando as primeiras lhamas! Realmente, já estamos altos, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Encontro com lhamas na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontro com lhamas na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


A distância da fronteira do Brasil até Cusco é de quase 700 km. Uma distância mais curta que de Curitiba ao Rio de Janeiro! Pouca gente se dá conta, mas estamos muito perto desse mundo completamente diferente do nosso! Bem, desses 700 km, já tínhamos feito 230 km, a distância até Puerto Maldonado. Até aí, só mudou a língua, pois a paisagem e a altitude ainda são as mesmas da Amazônia brasileira. Estávamos curiosíssimos para conhecer a estrada que nos levaria dos 200 metros para os 4 mil metros de altitude, tudo isso nos meros 470 km que faltavam para Cusco.

Encontro com lhamas na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontro com lhamas na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Como de costume, começamos a viagem do dia mais tarde que o recomendável, mas nada que a Fiona não pudesse recuperar. Já imaginava começar a ver os Andes lá no horizonte logo no início da viagem, mas para minha surpresa, só havia mata e mato no horizonte, nada de montanhas. E assim foi durante algumas horas. Já tínhamos dirigido por mais de 200 km e a altitude continuava a ser de 300 metros. Comecei a achar que essa história dos Andes eram balela, conversa para boi dormir.

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Foi quando, finalmente, começamos a subir um vale e as montanhas apareceram lá na frente. Não pareciam tão altas, mas é que, na verdade, não conseguíamos ver o que havia por trás delas. Pois elas subiam, subiam e subiam. Estávamos a 200 km de Cusco e, finalmente, chegávamos aos 500 metros de altitude.

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Pois, a partir daí, não paramos mais de subir. Ultrapassamos a altura da nossa Curitiba (900 m), a mais alta capital brasileira, e continuamos a subir. Ultrapassamos a altura de Campos do Jordão (1.750 m), a mais alta cidade brasileira, e continuamos a subir. Ultrapassamos o Pico da Neblina (3.000 m), a mais alta montanha do nosso país, e continuamos a subir. Ultrapassamos a altura de Cusco (3.400 m) e não paramos de subir!!! Não, ainda tinha muita montanha para subir! Tivemos certeza que estávamos altos quando, ao nosso redor, se viam rebanhos de lhamas, e não mais de vacas! Esses animais tipicamente andinos são a certeza que estávamos no caminho certo!

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


O altímetro passou batido pelos 4 mil metros! Lhamas e alpacas de todas as cores nos saudavam. Crianças curiosas nos saudavam. A fisionomia delas também não mentia: estávamos nos Andes! Ultrapassamos os 4.500 metros, a neve e o frio lá fora gritando: “Vocês estão chegando!”. O motor da Fiona já não responde tão rápido, embora ela mantenha nosso conforto do lado de dentro. Já não usamos ar condicionado, mas calefação! Não somos apenas nós que sentimos falta de ar, mas o motor da nossa companheira também. Menos oxigênio, menos combustão. Mas ela se esforça e continua subindo. Finalmente, chegamos ao ponto mais alto da estrada!

Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Sair dos 300 metros e chegar aos 4.700 metros de altitude em poucas horas, não é para qualquer um. É comum sentir dores de cabeça e náuseas, mas nossos corpos já tem, em sua memória, os registros dessa altitude e os efeitos não são tão fortes em nós. Mas somente porque estamos passando por lá rapidamente, sem fazer esforço (que fica todo com a Fiona). Mas se fôssemos ficar por ali algumas horas, a dor e o mal estar viriam seguramente! É uma certeza fisiológica. Então, nada de enrolar lá encima. Descemos para algumas fotos, alguns minutos de admiração com aquele cenário fantástico e exótico e começamos a descer em direção á Cusco.

As magníficas paisagens andinas na subida da cordilheira na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

As magníficas paisagens andinas na subida da cordilheira na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


As magníficas paisagens andinas na subida da cordilheira na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

As magníficas paisagens andinas na subida da cordilheira na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Ainda são mais de 100 km de estradas. Aos poucos, a luz do dia é substituída pela escuridão da noite. Adeus paisagens. É o preço da nossa saída tardia. O corpo e o cérebro agradecem os metros que descemos. É como mergulhar no oxigênio. Até a Fiona já rende mais novamente. Por fim, já de volta aos “civilizados” 3.500 metros de altitude, lá estão as luzes de Cusco, a gloriosa capital do Império Inca. Tão perto do nosso Brasil. Agora, só falta achar um hotel para um merecido descanso depois de termos saído da altitude do mar e chegarmos à altitude dos céus. Aliás, os anjos daqui têm caras de lhamas, hehehe.

As lhamas, perfeitamente adaptadas às grandes altitudes andinas do altiplano peruanos na Carretera Transoceanica,viajando à Cusco, no Peru

As lhamas, perfeitamente adaptadas às grandes altitudes andinas do altiplano peruanos na Carretera Transoceanica,viajando à Cusco, no Peru

Peru, Puerto Maldonado, Cusco, Bichos, Estrada, Estrada do Pacífco, Rodovia Transoceânica

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Perdendo-se em Guanajuato (e os Morangos!)

México, Guanajuato

Movimento de fim de tarde na rua peatonal de Guanajuato, no México

Movimento de fim de tarde na rua peatonal de Guanajuato, no México


Além da belíssima paisagem em alguns dos trechos da curta viagem entre Morelia e Guanajuato, tivemos outra ótima surpresa na estrada hoje. Bem suculenta, eu diria! A estrada passa ao lado de Irapuato, que vem a ser a principal região produtora de morangos do México. Assim, ao lado da pista, vários quiosques oferecem essa fruta e derivados a preços bem módicos. Para os fãs de morango, como eu, não poderia ser melhor!

A bela paisagem na viagem entre Morelia e Guanajuato, no México

A bela paisagem na viagem entre Morelia e Guanajuato, no México


Em Irapuato, terra dos morangos no México

Em Irapuato, terra dos morangos no México


Nós não sabíamos disso e foi com surpresa que vimos os cartazes oferecendo “fresa com crema”. Não deu tempo de pararmos no primeiro, pois os olhos demoraram a acreditar no que viam. Mas do segundo quiosque não passamos! Ao contrário, paramos e nos esbaldamos! Morango da melhor qualidade, servido num copo enorme com creme, tudo ao preço de 10 pesos, menos de um real e cinquenta. Além disso, doces, geleias e tortas. Para mim, a fruta com crema já estava bom demais. Quem passar por aqui, não perca!

Comendo um delicioso 'Fresa con Crema', em Irapuato, no México

Comendo um delicioso "Fresa con Crema", em Irapuato, no México


Suculenta 'fresa con crema' em Irapuato, no México

Suculenta "fresa con crema" em Irapuato, no México


Eu ainda me lambuzava quando saímos da estrada principal rumo à Guanajuato. Poucos quilômetros mais à frente e a pequena cidade apareceu no nosso horizonte, escondida entre as montanhas. Estávamos ansiosos por chegar nessa cidade tão recomendada pelo guia e pelas pessoas que a conhecem. Mas também havíamos sido alertados sobre a dificuldade de andar lá de carro.

Primeira visão de Guanajuato, no México

Primeira visão de Guanajuato, no México


Bom, com quase quatrocentas cidades no currículo, a maioria delas à bordo da Fiona, tinha certeza que iríamos tirar de letra. Não poderia ser pior que algumas das cidades que cruzamos na Bolívia, onde a Fiona tinha quase a mesma largura das ruas, sem contar que dividíamos o parco espaço com feiras, bichos e “cholas”. Ou pior que o caos que reina no trânsito de algumas cidades sul-americanas, onde vale a lei do maior ou do mais corajoso. Por fim, para orientação, em tempos de GPS, fica tudo mais fácil, seja em Nova York ou em Teresina.

Os famosos túneis de Guanajuato, no México

Os famosos túneis de Guanajuato, no México


Pois é, vivendo e aprendendo. Bastaram 5 minutos na cidade para descobrir que ela é diferente de tudo o que já tinha visto e que o problema não estava na largura das ruas (estreitas, mas passáveis) nem no caos no trânsito (as cidades mexicanas são bem organizadas!) e nem no GPS. Quer dizer, o problema está no GPS sim, mas não é culpa dele! Ocorre que a maioria do trânsito no centro da cidade se dá por tuneis construídos sobre a cidade colonial, com algumas toneladas de terra, cimento e prédios sobre nós. Os tuneis se cruzam, formando uma verdadeira rede subterrânea, excelente e prática para quem sabe para onde está indo.

Túneis cortam a cidade de Guanajuato, no México

Túneis cortam a cidade de Guanajuato, no México


Caminhando com o Ricardo em Guanajuato, no México

Caminhando com o Ricardo em Guanajuato, no México


Não era o nosso caso, tentando ler placas que indicavam o nome de bairros, parques ou monumentos que não conhecíamos. Além disso, embaixo da terra não há pontos de referência e ficamos andando em círculos. Era uma felicidade quando saíamos dos túneis para conseguir olhar alguma coisa e tentar reconhecer algo. Mas logo estávamos abaixo da terra novamente. Então, de repente, saímos numa rua com um nome vagamente conhecido e, um quarteirão à frente, lá estava o hostal que procurávamos. Bingo!

Uma das muitas pracinhas em Guanajuato, no México

Uma das muitas pracinhas em Guanajuato, no México


Um bom começo! O problema era parar o carro nas ruas estreitas. Encostei, a Ana desceu e descobriu que havia vagas. Mas, e agora, como voltar com o carro para frente do hostal, para descarregar? Não tinha a menor ideia de como havíamos chegado ali e, muito pior, não tinha a menor chance de eu acertar o caminho para chegar lá de novo. Dar a volta no quarteirão? Hehehe, você só pode estar brincando! Que quarteirão? A primeira esquina que eu virar já vou cair num túnel e, depois disso, é capaz de eu só reaparecer na superfície na Cidade do México...

Bistrô em praça de Guanajuato, no México

Bistrô em praça de Guanajuato, no México


Bom, o que não tem remédio, remediado está. A Ana ficou por lá e eu saí para dar a tal “volta no quarteirão”. Caí num túnel antes mesmo que tinha imaginado no “worst case scenario” e logo estava fora da cidade. Respirei fundo, fiz meia volta volver e, dessa vez, parei logo na entrada. Botei o primeiro guia que me apareceu para dentro do carro e dei-lhe as coordenadas: “Estou no Hostal Casa del Tio e quero ir para o estacionamento mais próximo de lá!”. Aí, com um profissional dentro da Fiona, as coisas mudaram de figura. O Ricardo, o guia, me levou suavemente pela rede de túneis e já saímos na boca de um estacionamento. De lá para o hostal foram mais dois quarteirões, onde a Ana me esperava ansiosa.

Interior do Mercado de Guanajuato, no México

Interior do Mercado de Guanajuato, no México


Nesse tempo, fui ficando amigo do Ricardo, que nos levou à pé para ver outro hostal, mas acabamos ficando com o primeiro mesmo, muito bem localizado. O dono tinha um hotel maior, já mais afastado, onde a Fiona poderia ficar guardada. Ainda bem, pois o estacionamento do centro me cobraria 300 pesos diários. O problema seria conseguir chegar lá. “Seria”, se não estivéssemos com o Ricardo, hehehe! Assim, fomos até o estacionamento, voltamos de Fiona até o “Casa del Tio”, descarregamos tudo em tempo recorde (para não segurar o trânsito atrás de nós) e seguimos até o outro hotel, onde ficou a Fiona.

A Catedral de Guanajuato, no México

A Catedral de Guanajuato, no México


Todos instalados, podemos finalmente começar a curtir a cidade. O Ricardo veio nos guiando de volta, agora à pé, atravessando o centro da charmosa e labiríntica cidade. Passamos pelo Mercado Municipal, por praças e igrejas, por ruas movimentadas e peatonais e em frente a bares e restaurantes. Já foi o bastante para nos apaixonarmos por essa cidade única, vontade crescendo de ficarmos aqui mais do que havíamos planejado Ainda mais quando descobrimos que haverá em Guanajuato uma etapa do campeonato mundial de rally daqui a dois dias, de noite. Bem que a Fiona estava chamando uma estranha atenção, pintada e adesivada do jeito que é, quando estávamos atravessando o centro...

Lua cheia em Guanajuato, no México

Lua cheia em Guanajuato, no México


Bom, e parece que vai ser assim mesmo, vamos ficar um pouquinho mais por aqui para aproveitar as belezas e a vida que existe na cidade. A vida e a morte também, pois o mais famoso museu de Guanajuato é de múmias! E aí, vou ter tempo e posts de sobra para poder contar da história desse lugar que também nós já chamamos de “mágico”. Viva Guanajuato!

Cercada de montanhas, a bela Guanajuato, no México

Cercada de montanhas, a bela Guanajuato, no México

México, Guanajuato, Irapuato

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As Duas Metades do Mundo

Equador, Quito, Mitad del Mundo

Separados por um hemisfério! (no museu Intiran, em Mitad del Mundo, no Equador)

Separados por um hemisfério! (no museu Intiran, em Mitad del Mundo, no Equador)


Nessa viagem pelas américas, já passamos pela Linha do Equador várias vezes. As primeiras, nem contam, indo e voltando de avião para os Estados Unidos, no comecinho da viagem. A vez seguinte foi a mais marcante, cruzando a linha imaginária em Macapá, onde há um grande monumento para o Equador e onde tiramos várias fotos. Foi também a primeira vez da Fiona no hemisfério norte. Essa história pode ser acompanhada aqui, num distante 01/03/2011: http://www.1000dias.com/rodrigo/macapa/

Na Mitad del Mundo, sobre a linha do Equador

Na Mitad del Mundo, sobre a linha do Equador


Em seguida, na nossa volta das Guianas, passamos pelo Equador no estado de Roraima. Ali temos um monumento muito mais modesto, quase que perdido no meio da estrada. Muito tempo depois chegamos aqui ao país Equador (adivinha de onde vem o nome?). Assim que encontramos o Rafa e a Laura aqui em Quito, fizemos um day-trip para Otavallo, no norte, e cruzamos mais uma vez a linha na ida e na volta. Na verdade, na volta, queríamos passar no monumento em Mitad del Mundo, mas quando passamos por lá já estava fechado. Por fim, em Galápagos, de barco, passamos quatro vezes pela linha do Equador e, numa delas, até fizemos um brinde.

Monumento oficial da Linha do Equador, em Mitad del Mundo - Equador

Monumento oficial da Linha do Equador, em Mitad del Mundo - Equador


Um lado no hemisfério sul, outro lado no hemisfério norte, em Mitad del Mundo - Equador

Um lado no hemisfério sul, outro lado no hemisfério norte, em Mitad del Mundo - Equador


Mas nenhuma dessas vezes anteriores se compara à visita de hoje ao complexo chamado "Mitad del Mundo". Aí, além de um vistoso monumento, há lojas, restaurantes e museus com muita informação sobre paralelos e meridianos, norte, sul, leste e oeste, inclinação da Terra, geografia e muito mais. É uma das atrações mais visitadas do país e das mais fotografadas também. Tivemos a sorte de passar por lá num dia/horário menos movimentado e fizemos a nossa parte: muitas fotos, inclusive aquelas mais tradicionais, sobre a linha, um pé no hemisfério norte e outro no sul. Na hora, tentamos inventar um pouco, inovar, mas isso é tarefa difícil num lugar onde milhares de fotos são tiradas diariamente.

O museu Intiran, em Mitad del Mundo, no Equador

O museu Intiran, em Mitad del Mundo, no Equador


Observando as técnicas de 'encolhimento de cabeças' no museu Intiran, em Mitad del Mundo, no Equador

Observando as técnicas de "encolhimento de cabeças" no museu Intiran, em Mitad del Mundo, no Equador


Ali perto, do lado de fora do complexo, tem um museu muito interessante, o Inti-ran, em homenagem ao sol e aos povos do Equador. O museu jura que, na verdade, a linha do Equador passa por ali e não no complexo ao lado, distante uns diuzentos metros. Medição feita por GPS, dizem! Assim, eles tem também seu pequeno monumento e sua linha vermelha pintada no chão representando o Equador. Mais interessante, um guia nos leva pelo jardim cheio de estátuas e informações e nos mostra várias curiosidades sobre a linha do Equador. Entre elas, o fato de que, sobre o Equador, quando esvaziamos a água da pia, a água sai pelo ralo sem fazer redemoinho! Supostamente, esse redemoinho muda de sentido quando mudamos de hemisfério. E, sobre o Equador, nada de redemoinhos!

O famoso teste da água na pia, no museu Intiran, em Mitad del Mundo, no Equador

O famoso teste da água na pia, no museu Intiran, em Mitad del Mundo, no Equador


Tentando colocar o ovo em pé na Linha do Equador, no museu Intiran, em Mitad del Mundo, no Equador

Tentando colocar o ovo em pé na Linha do Equador, no museu Intiran, em Mitad del Mundo, no Equador


Depois de outros testes (como colocar um ovo em pé, o que a Ana conseguiu depois de bastante esforço!), voltamos para Quito, no hemisfério sul. De uma só vez, visitamos duas "mitad del mundo", mas voltamos ao nosso hemisfério natal. Quando cruzarmos a linha novamente, amanhã, dessa vez será por um bom tempo. Afinal, muitos e muitos meses de aventuras nos aguardam no hemisfério norte.

Tradicional foto sobre a Linha do Equador, em Mitad del Mundo - Equador

Tradicional foto sobre a Linha do Equador, em Mitad del Mundo - Equador

Equador, Quito, Mitad del Mundo,

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