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Dani (18/07)
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Robinson (18/07)
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Delicioso banho de cachoeira na Gran Sabana, na Venezuela
Depois de desatolar o caminhão e partirmos do Salto Aponwao, ainda restava um longo caminho pela frente e, principalmente, muitas paradas. O objetivo final do dia era chegarmos à cidade de Santa Elena, na fronteira com o Brasil, mas no caminho tínhamos muitas cachoeiras para conhecer e nos banhar e as lindas paisagens de tepuis para admirarmos e fotografarmos. Entre eles, o mais famoso de todos, o Monte Roraima, na fronteira tríplice entre Brasil, Venezuela e Guiana. Enfim, um dia cheio à frente de nós, do jeito que a gente gosta!
É sempre possível achar flores na Gran Sabana, na Venezuela
É sempre possível achar flores na Gran Sabana, na Venezuela
Foram quarenta quilômetros de terra e areia até voltarmos a rodovia principal e, de lá, pouco mais de 170 km de asfalto até Santa Elena, os primeiros 25 já conhecidos, de nossa infrutífera tentativa de conseguir combustível ontem pela manhã. Estaríamos cruzando toda a parte sul da Gran Sabana, região conhecida pela quantidade e beleza de suas cachoeiras e também pelos tepuis, claro!
Uma das muitas cachoeiras ao longo da estrada que cruza a Gran Sabana, na Venezuela
Ao contrário do Salto Aponwao, todas essas cachoeiras estão a poucos minutos da rodovia, algumas delas, inclusive, justo ali do lado. Tem para todos os gostos: as gigantes, apenas para se admirar, as pequenas, convite irrecusável a um bom banho, as de cor esverdeada, as de cor avermelhada, as com muito movimento e as desertas, ainda segredos a serem descobertos.
Uma das muitas cachoeiras ao longo da estrada que cruza a Gran Sabana, na Venezuela
Nós já tínhamos algumas indicações sobre quais as mais belas ou gostosas para um mergulho, como a Golondrina, mas não resistíamos a dar uma olhada em cada uma delas. Estão todas sinalizadas na estrada, então não é difícil encontrá-las.
Uma das muitas cachoeiras ao longo da estrada que cruza a Gran Sabana, na Venezuela
E assim foi, fomos fazendo nossas paradas e fotografando. As primeiras foram cachoeiras de médio porte, muito bonitas, mas não ficamos tentados a nadar. Muita água, muita sombra e pouca praia. Na época da seca, devem ser mais agradáveis.
Pelo visto, é comum as pessoas usarem as cachoeiras da Gran Sabana, na Venezuela, como banheiro...
Pelo visto, é comum as pessoas usarem as cachoeiras da Gran Sabana, na Venezuela, como banheiro...
Mas outras coisa nos chamou a atenção nessas cachoeiras, todas com uma certa infraestrutura turística: as insistentes placas pedindo às pessoas que usassem os banheiros e não as cachoeiras para suas “necessidades fisiológicas”. Pelo visto, faz parte de uma tentativa de mudança da cultura local... Espero que tenham sucesso, hehehe!
Refrescando-se em um delicioso rio próximo a estrada que corta a Gran Sabana, na Venezuela
Com tanta água nessas primeiras cachoeiras, acabamos achando foi um trecho de rio mais calmo, e aí sim tomamos nosso banho, ainda para limpar a lama lá do caminhão de Aponwao. Foi um mergulho delicioso, sensação total de estramos em alguma das chapadas no Brasil. Água avermelhada, vegetação rasteira, muito sol, uma maravilha!
Refrescando-se em um delicioso rio próximo a estrada que corta a Gran Sabana, na Venezuela
Tomamos o banho de rio, mas ainda não tínhamos esquecido do banho de cachoeira. Foi quando encontramos o lugar ideal: a Kawi Meru (“meru” é “cachoeira” na língua pemon). Aqui, o rio corre sobre um leito de pedras avermelhado, cor de jaspe, muito parecido cum uma das cachoeiras mais famosas da Gran Sabana, a “Quebrada Jaspe”. Estivemos lá em 2007, mas a Kawi Meru dá de dez a zero!
Rio de pedras vermelhas na Gran Sabana, na Venezuela
Primeiro, porque tem muito menos pessoas. Segundo, porque tem muito menos mosquitos. Terceiro, porque é muito menos escorregadia. Quarto, porque tem menos vegetação ao redor e a luz e calor do sol entram com mais facilidade. Finalmente, no quesito beleza, aí acho que dá um empate, gol de honra da Quebra Jaspe, hehehe.
Vendo de perto uma das cachoeiras da Gran Sabana, na Venezuela
Enfim, aí ficamos mais de uma hora, nos deliciando naquelas águas maravilhosas. Aí também cruzamos turistas brasileiros, sinal de que estávamos muito pertos da pátria-mãe! Vieram de Manaus para uns dias por aqui e esse salto era o ponto mais ao norte que chegariam. Não foi difícil reconhece-los, já que um deles usava a camisa do Corinthians. Quem diria que, um dia eu ficaria feliz em ver essa camisa?
Delicioso banho de cachoeira na Gran Sabana, na Venezuela
Pois é, essa maravilhosa cachoeira saciou nossa vontade. Ainda vimos outras mais para o sul, mas nos contentamos em fotografá-las de longe. Nosso foco agora tinha mudado: cada vez mais pertos do Monte Roraima, agora o que nos interessava eram os tepuis!
Delicioso banho de cachoeira na Gran Sabana, na Venezuela
Em busca de ar, depois de ir a 25 metros de profundidade no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Um dos mais belos filmes que vi na minha adolescência foi “Big Blue”, ou “Imensidão Azul”, em português. Conta, de maneira romantizada, a história real de Jacques Mayol, um dos maiores apneístas do século XX. Apneísta, para quem não sabe, é o praticante de mergulho livre, sem tanques, só no pulmão mesmo. Seus lindos mergulhos nas águas azuis do mediterrâneo, ou mesmo em lagos congelados no alto dos Andes, tão bem retratados no filme, sempre foram uma inspiração para mim.
Saltando no magnífico cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Desde então, sempre gostei de medir o quão fundo eu conseguia ir, só com as nadadeiras e uma máscara. A brincadeira ficou um pouco mais séria quando, junto com a Ana e um irmão, fizemos um curso de apnéia com a Carol Schrappe, nossa amiga, instrutora e recordista sul-americana da categoria. Com as técnicas devidas, aumentamos muito os nossos antigos limites.
Nadando no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Nesses 1000dias, sempre que temos alguma chance, praticamos um pouco. Foram poucas oportunidades, mas bem marcantes, sempre em lugares lindos. E a melhor delas ocorreu aqui, no Yucatán, em um cenote que havíamos mergulhado há poucos dias e que prometemos voltar, dessa vez sem tanques de ar comprimido. Estou falando do maravilhoso Pit, com os raios de sol que entram de forma quase mágica em suas águas azuis, iluminando toda a gigantesca câmara, com quase 40 metros de profundidade.
Fotografando a Ana durante mergulho de apneia no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México
A ideia era saír de Playa del Carmen bem cedo, rumo ao sul do Yucatán, para já chegar perto da fronteira com Belize, mas com uma parada estratégica nesse cenote. Só que acabamos demorando um pouco mais, primeiro para nos despedir de nossos amigos viajantes argentinos e depois, já perto da entrada do cenote, num reencontro com o Luis, nosso instrutor de cave diving. Ao final, só chegamos ao cenote perto das quatro da tarde, sem os raios de sol, mas tendo toda aquela maravilha da natureza apenas para nós. Um verdadeiro privilégio!
Raios de sol entram no incrível poço do Cenote The Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México
O Pit é realmente um lugar fantástico. Lá de baixo dessa câmara enorme que tem iluminação natural, parte um túnel para as profundezas. Perto dos 80 metros de profundidade, esse túnel se abre para uma outra câmara, essa sim gigantesca, três vezes mais ampla que a câmara que conhecemos. Poucos foram os seres humanos que tiveram o privilégio de lá chegar, umas três dezenas, talvez, e menos ainda os que atravessaram esse lugar secreto, chegando ao túnel do outro lado, agora já abaixo dos 100 metros de profundidade. Daria para contar nos dedos das mãos. O Luis foi um deles e nos contou a maravilha que é chegar a um lugar tão amplo como esse, água absolutamente transparente, tão bem escondido pela mãe-natureza. Deve ser demais... Quem sabe, um dia...
Mapa do cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México. Nós ficamos no salão de cima, mas embaixo há outro 3 vezes maior!!!
Mas o dia de hoje era para apneia ou mergulho livre, nada tão radical assim. Com aquela piscina encantada só para nós, eu e a Ana pudemos brincar como crianças, ora pulando do alto de uma pedra até a água, ora mergulhando a toda velocidade em direção ao fundo do cenote. Câmera nas mãos, filmadora amarrada na cabeça, mergulho solo, mergulho acompanhado, enfim, teve para todos os gostos.
A Ana faz apnéia no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Começamos indo até 10 metros de profundidade e depois, aos poucos, fomos aumentando. Perto dos 13 metros, lá estava aquela barreira mágica da haloclina, onde água doce e salgada se encontram, onde passamos da água fresca para a água morna, da água leve para a água pesada. A única semelhança é que as duas são incrivelmente transparentes e, através delas, lá no fundo, a 30 metros de profundidade, podemos ver a “terceira camada”, feita de ácido sulfídrico. É como se fosse uma neblina abaixo d’água, um visual de cemitério em meio às águas do paraíso. Surreal mesmo!
Voltando das profundezas do cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México
As profundidades foram aumentando e, ao final, a Ana chegou aos 18 metros e eu fui aos 26 metros. O estranho é que, lá embaixo, em meio à agua quente do mar e sob uma pressão equivalente a 3,5 atmosferas, a sensação é de grande conforto. Não falta ar e a vontade é de ficar por ali mais um tempo, ou de ir um pouco mais fundo. Ainda bem que a razão fala mais alto e sabe que, bem... é mais razoável começar a subir e iniciar o longo caminho de volta até a atmosfera salvadora e redentora. Somente quando voltamos à agua fria e doce acima dos 13 metros é que temos a real noção do quanto estamos sedentos de ar. Os últimos metros parecem uma eternidade e quando finalmente afloramos na superfície ... uffff... que delícia de ar!
Lá embaixo, vendo aquela neblina tão perto, que vontade de descer mais um pouquinho. Que saudade que ficamos da Carol, a nossa fada sininho que, durante nosso treinamento lá na pedreira de Sorocaba, sempre descia conosco e, lá no fundo, nos convidava a descer um pouco mais. Depois, subia conosco, pedindo e passando calma e tranquilidade, nos dando toda a segurança do mundo. Se você estivesse aqui, certamente eu teria dado um mergulho refrescante naquela neblina lá do fundo. Mas, só a chance de ter chegado tão perto já fez dessa nossa tarde uma das mais deliciosas desses últimos tempos. Que mágico ter estado aqui!
Encontro com a Ana a mais de 10 metros de profundidade, a caminho da atmosfera, depois de mergulho de apneia no cenote Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Visitando as ruínas mayas de Copán, em Honduras
Finalmente, depois de tantas ruínas mayas espalhadas por El Salvador, México, Belize e Guatemala, chegava a hora de conhecer a última delas no nosso roteiro centro-americano: Copán, em Honduras. Confesso que já estava meio enfadado de tantos templos e pirâmides no meio da selva e não esperava muito de Copán. Estava indo para lá mais pela obrigação de não deixar para trás um dos pontos turísticos mais conhecidos do país. Além disso, depois de conversar com algumas pessoas que já haviam estado por aqui, a impressão era de que, depois de Tikal, Caracol ou Palenque, seria difícil me impressionar com alguma outra coisa maya.
Admirado com as estelas e esculturas nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Conjunto de hieroglifos mayas em estela no sítio arqueológico de Copán, em Honduras
Pois é... nada como estar completamente errado nas expectativas. Copán foi uma das maiores surpresas que tivemos nesses últimos tempos, o sítio maya que, de longe, tem as esculturas mais bem elaboradas dessa civilização, além de uma quantidade enorme de hieróglifos em seus monumentos, estelas e templos. Com toda essa riqueza de dados e informações, a história de Copán é uma das mais bem estudadas dentre as antigas cidades mayas.
Ruínas mayas de Copán, em Honduras
Escultura decorativa do campo de juego de pelotas nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Nós chegamos aqui no meio da tarde de ontem e, antes mesmo de irmos à cidade buscar algum hotel, resolvemos explorar as ruínas. Ainda havia tempo hábil para isso e deixamos a manhã de hoje para conhecer o Museu de Esculturas, com várias das peças encontradas durante as escavações e trabalhos arqueológicos. A cidade ao lado do sítio arqueológico tem o sugestivo nome de “Copán Ruinas” e é uma das mais charmosas do país, cheia de restaurantes e pousadas atraentes. Se estivéssemos no México, certamente ela seria um dos “Pueblos Magicos”.
Araras coloridas voam entre turistas nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Arara e esquilo dividem o mesmo puleiro nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
As primeiras surpresas agradáveis foram ainda antes de entrar no sítio. Quase não havia turistas, que costumam visitar a cidade pela manhã, e guias e vendedores ambulantes não nos assediam por aqui, esperando que nós os abordemos. Soma-se a isso a sombra das frondosas árvores da entrada e tínhamos um clima bucólico e tranquilo, apenas o barulho dos pássaros ao longe. Por falar em pássaros, as araras vermelhas e multicoloridas foram muito comuns por aqui na época dos mayas e, depois de passar por perigo de extinção nas últimas décadas, estão sendo reintroduzidas no local. Com isso, é bem comum ouvi-las e vê-las voando por perto. Parecem arco-íris ambulantes, saídas de algum anúncio da Suvinil. Não é difícil entender porque faziam parte do panteão maya.
Diversas estelas e esculturas em grande praça nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
O maio dos juegos de pelota nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Depois de caminhar por uma longa alameda cercados por essas araras, chegamos diretamente á grande praça do sítio arqueológico, cercada por templos e palácios e preenchida por incríveis estelas e esculturas. “Estelas” são blocos de pedra marcados por hieróglifos com datas e relatos de eventos importantes, como batalhas, coroações de monarcas, nascimento e morte de grandes reis. São uma fonte inesgotável de informações para os historiadores de hoje. Em Copán, são dezenas de estelas, o mais rico acervo do mundo maya, com a história dos dezoito monarcas da dinastia que comandou Copán durante seus tempos de glória, entre os séculos V e IX da nossa era.
Representação realista de uma cerimônia maya em Copán, em Honduras
Árvores crescem sobre as ruínas mayas de Copán, em Honduras
Copán estava localizada no extremo sul do mundo maya, um polo irradiador da cultura na fronteira da civilização. A ocupação do local já vem do primeiro milênio antes de Cristo, mas foi a chegada de um nobre do norte, provavelmente de Tikal, que deu origem a umas das mais bem sucedidas dinastias mayas. K’inich Yax K’uk’ Mo’ começou a reinar em 426 d.C. e ele e seus descendentes jamais esqueceram suas origens, mantendo sempre firme sua aliança com Tikal. Mas, ao longo do tempo, Copán foi ganhando luz própria, tendo sua própria área de influência, seu estilo arquitetônico e as mais avançadas técnicas na arte da escultura.
Pose de rainha maya nas ruínas de Copán, em Honduras
As incríveis estelas e esculturas mayas nas ruínas de Copán, em Honduras
Templos foram sendo erigidos e a população foi crescendo ao longo do tempo, chegando a superar os 20 mil habitantes. A eterna aliança com Tikal representava também uma permanente inimizade com Calakmul, que disputava com a primeira o título de mais poderosa cidade maya. Com isso, Calakmul tratou de armar cidades próximas à Copán, para lhe fazer concorrência. Uma delas, Quirigua, uma antiga cidade vassala, se sublevou em 738 d.C., capturando o grande rei 18 Rabbit de Copán que, seguindo o costume da época, foi sacrificado na cidade vizinha, no mais duro golpe sofrido por Copán na sua história. Mas ela se recuperaria, com novos monarcas e, menos de 20 anos mais tarde, novos templos já estavam sendo erigidos novamente. O fim veio, assim como em outras cidades do Período Clássico, em meados do século IX, quando a escassez de alimentos e a superpopulação formaram uma mistura explosiva que destruiu monarquias, nobreza e enviou a população de volta ao campo e às matas.
Algumas esculturas ainda mantêm parte da cor avermelhada original nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Escultura maya nas ruínas de Copán, em Honduras
A Copán abandonada passou a ser reocupada pela floresta e destruída pelo rio que mudava seu curso, até que, no séc XIX, foi redescoberta por exploradores e estudiosos. O curso do rio foi alterado artificialmente para que cessasse a destruição, enquanto a mata foi cortada e templos reparados. Escavações vem sendo feitas desde então, revelando incríveis segredos arqueológicos, como templos mais antigos escondidos sobre templos mais novos. Um desses, o templo de Rosalila, ainda com as cores originais, foi descoberto sob uma enorme pirâmide e uma réplica sua construída no Museu de Esculturas. Poder observar esse templo com sua cor vermelho-viva nos ajuda a imaginar como eram as cidades naquele tempo, cheio de cores que hoje, já quase não se vê. De uma hora para outra, o “nosso mundo maya” ficou muito mais colorido. E real! Graças à Copán!
A incrível réplica do Templo de Rosalila, no Museu de Esculturas, nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
A incrível réplica do Templo de Rosalila, no Museu de Esculturas, nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Ontem, nós percorremos as ruínas, seus palácios, templos, pirâmides e juegos de pelota. Duas coisas se sobressaem: as esculturas e a famosa “escalinata hieroglifa”. Essa última é o maior painel de hieróglifos da civilização maya, uma escadaria com cerca de 30 degraus completamente coberta de hieróglifos que contam toda a história da cidade e de seus governantes. Há pouco mais de uma década, a escadaria foi coberta por um enorme toldo, para protegê-la da chuva e do sol, que vinham danificando-a. Além disso, já há um bom tempo, não se pode caminhar sobre ela. O que podemos fazer é ficar ali, de frente, na sombra, venerando aquele verdadeiro tesouro, imaginando quanta coisa aqueles degraus já viram, certamente muito mais do que está escrito ali. Impossível não viajar no tempo e dar asas á imaginação, tentando ver aquele mundo diferente de 1.500 anos atrás, a escada um caminho entre hoje e essa época perdida.
Placa mostra como seria a escalinata hieroglifa na época de ouro de Copán, em Honduras
A famosa "escalinata hieroglifa", protegida por um grande toldo, nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
A outra coisa são as esculturas, muito mais elaboradas que as que tínhamos visto em outras ruínas. São deuses e monarcas representados em pedra, cheio de detalhes e expressões, algumas delas ainda com o resto das cores originais. Um espetáculo! Tão distintas são as esculturas de Copán que foi criado um museu apenas para elas, que vistamos na manhã de hoje. Mas acho que são as esculturas deixadas nos jardins e praças da cidade, ou encrustadas nas paredes de edifícios, no seu lugar original e perto dele, as que mais chamam a atenção, exatamente por parecerem ainda mais verdadeiras, no ambiente para o qual foram desenhadas e esculpidas.
Peças do Museu de Esculturas, nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Uma das esculturas nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Realmente, foi uma surpresa e tanto para nós. Ainda bem que nos demos ao trabalho de cruzar o país para aqui chegar. Para qualquer pessoa que queira, minimamente, conhecer o mundo maya, uma visita à Copán é obrigatória. Mas, além de obrigatória, é muito prazerosa. Não apenas pelas próprias ruínas e suas inesquecíveis esculturas, mas pela charmosa cidade de Copán Ruínas. Parece uma cidade histórica mineira, ruas de pedra, vida que passa bem devagar, pousadas charmosas e restaurantes saborosos, com mesas nas varandas e vista para a pequena cidade cercada de montanhas. Um colírio para os olhos e para o espírito.
A charmosa cidade de Copán Ruinas, em Honduras
Praça central da cidade de Copán Ruinas, em Honduras
Na pressa que estamos, não tivemos tempo para explorar as outras atrações da região, como rios encachoeirados e fontes de água quente que formam piscinas termais. Tudo a menos de uma hora da cidade, uma excelente base para explorações mais detalhadas. Nós tivemos de seguir em frente, deixar a Honduras mais visitada pelos turistas para trás e tentar conhecer um pouco daquilo que se esconde por trás das atrações mais conhecidas. Nosso próximo destino é a pacata cidade de Gracias, também no meio de montanhas e que já foi, nos seus primórdios, a primeira capital de toda a América Central. No próximo post, um pouco de sua história e também desse simpático país que começamos a conhecer...
Uma das faces da réplica em tamaho natural do Templo Rosalila, no Museu de Esculturas, nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Nossos mais novos amigos em Seattle, o David, a Corine e a filha Thalia (no estado de Washington, nos Estados Unidos)
Hoje, após nosso passeio pelo centro de Seattle e ao Gold Rush Museum, seguimos apressados a um dos pontos prediletos de turistas e habitantes locais na cidade: o Pike Public Market. Um verdadeiro universo em si mesmo, paraíso de fotógrafos e fãs de salmão, visita obrigatória para quem vem à Seattle, ele não poderia faltar em nosso programação. Mas nós chegamos com pouco tempo, aceleramos por seus corredores, tiramos um punhado de fotos e saímos correndo. Tudo porque tínhamos um compromisso no final da tarde, do outro lado da cidade. Mas voltaremos aqui, com mais calma, com o devido respeito que esse maravilhoso lugar merece. A Ana encontrou um show de um DJ que ela quer muito ver, no dia 31. Decidimos, então, sair de Seattle amanhã, para conhecer os parques nacionais do Mount Rainier e do vulcão Saint Helens e retornar no dia do show. O PriceLine já nos garantiu no mesmo hotel pelo mesmo bom preço e teremos nova chance de voltar ao Pike Market para fazê-lo justiça.
Pike Public Market, o famoso mercado de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Quanto ao compromisso, a história dele começa há alguns dias, quando nos preparávamos para atravessar o North Cascades National Park, naquele dia em que pegamos muita neve na estrada. Pouco antes de entrarmos na zona montanhosa, paramos num posto de gasolina numa cidadezinha perdida do mundo, chamada Mazama. Até tivemos de sair da estrada principal e andar alguns quilômetros até chegar lá. Só fiz o desvio para não arriscar os próximos 100 km de estrada sem diesel e sem cidades. Um punhado de casas, um posto e nada mais. Pois é, não é que, enquanto abastecíamos, apareceu um cara falando em português, impressionado em ver a Fiona por ali (sempre ela!)!
Nossos mais novos amigos em Seattle, o David, a Corine e a filha Thalia (no estado de Washington, nos Estados Unidos)
Era o David, um americano que morou alguns anos no Brasil. Mora em Seattle e tem uma propriedade por lá. Mais interessante ainda, ele voltou do Brasil para cá em seu carro, uma Land Rover com o lindo nome de “Tudo Azul”. Junto com a esposa, que não estava ali, demoraram mais de dois anos nessa longa viagem. Enfim, já deu para perceber que rolou uma empatia total, né? Ele fez a sua viagem há cerca de dez anos e estava super interessado na nossa (e nós na dele, claro!). Contou que até hoje não conseguiu regularizar a pobre Tudo Azul aqui nos Estados Unidos. Estava, inclusive, trazendo ela para essa região perdida do mundo, com menos chance de ser pega por um policial mais encrenqueiro. Conversamos por um bom tempo, mas combinamos de nos reencontrar em Seattle, agora para conhecer sua esposa e companheira de aventuras, a Corine, e a jovem filha do casal, a Thalia, de quatro anos.
Nossos mais novos amigos em Seattle, o David, a Corine e a filha Thalia (no estado de Washington, nos Estados Unidos)
E hoje foi esse reencontro. Primeiro, num dos parques na costa norte da cidade, finalzinho da tarde. Se não estivesse chovendo, poderíamos ver as montanhas nevadas do outro lado da baía. De lá, seguimos para um restaurante de comida mexicana, lá da nossa saudosa Oaxaca. O restaurante acabou de ser premiado, saindo em diversos jornais. Por isso mesmo, estava bem concorrido. Mas nós chegamos cedo e pudemos desfrutar da boa comida, além da deliciosa companhia. Foram três horas de muita conversa, troca de experiências e boas risadas. Momentos que ajudaram a tornar muito mais humana essa nossa primeira visita à cidade. É sempre bom ter amigos locais e nós ganhamos três grandes amigos. Quer dizer, a Thalia ainda é pequenina, mas viva que nem ela só! Foi um enorme prazer ter compartido essa noite com os três!
Fim de tarde em Tahai, ao lado de Hanga Roa, a única cidade de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), no Oceano Pacífico
Hoje de manhã embarcamos para a Ilha de Pascoa, um sonho antigo sendo finalmente realizado. Para trás ficaram o Chile e a América do Sul, as alegrias e as tristezas dos últimos dias. Nosso foco, ao menos nos próximos quatro dias, deve e vai mudar completamente. De um continente para uma ilha, de uma cultura americana para uma polinésia, das rodas da Fiona para o esforço dos nossos pés. Enfim, uma viagem dentro de uma viagem.
Um mundo de oceano separa esses dois mundos, essas duas viagens. São pouco mais de 3.500 km de distância, em mais de quatro horas de voo desde Santiago, a capital do Chile. Para nós, nãos é a primeira vez que nos embrenhamos tanto nesse Oceano Pacífico nesses 1000dias explorando a América. Não é a primeira, mas será a última, o que faz essa viagem ainda mais especial. Já havíamos estado em Galápagos e no Havaí, mas é mesmo a Ilha de Pascoa a mais isolada de todas elas, praticamente um terço do caminho até a Nova Zelândia ou Austrália.
Os três conjuntos de ilhas no Oceano Pacífico que visitamos nos 1000dias: Havaí, Galápagos e Ilha de Páscoa
Pois é, pode parecer longe de avião, imagina de barco. E foi assim mesmo, de barco, que seus habitantes originais chegaram à ilha, há cerca de 1.200 anos, vindos de outras ilhas polinésias. O mesmo povo que também chegou ao Havaí, à Nova Zelândia e àquela infinidade de ilhas que compões arquipélagos como a Micronésia, a Melanésia ou a Polinésia. Mas pelo menos nesses arquipélagos, as distâncias não eram tão grandes. O que impressiona mesmo é a chegada a locais tão isolados e perdidos no oceano, como a Ilha de Pascoa e o Havaí. Mas o fato é que esses valentes guerreiros do mar lá chegaram, como nos testemunham tanto seus descendentes que ainda vivem aí como grandes obras que são a marca registrada da ilha.
As migrações polinésias pelas ilhas do Pacífico. Teriam chegado à América?
Quem olha no mapa a rota desses antigos navegantes se pergunta: se vieram até aqui, porque não chegaram também à América do Sul? Será que não? A existência de batata-doce, uma planta tipicamente americana, no Havaí e de construções com a marca registrada dos Incas na Ilha de Pascoa parecem mostrar que pelo menos algum contato houve. Algo que, até hoje, nossa ciência e historiadores ainda não conseguiram esclarecer.
No aeroporto de Santiago. no Chile, embarcando para a Ilha de Páscoa
O magnífico cenário da cordilheira dos Andes, ao redor de Santiago, no Chile, no nosso voo para a Ilha de Pascoa
Enfim, o que se sabe é que, por quase mil anos, os habitantes de origem polinésia prosperaram na Ilha de Pascoa.. Mas a superpopulação, a destruição das florestas da ilha e alguma mudança climática levaram aquela civilização a implodir. Guerras internas devastaram os diversos clãs e os antigos e míticos Moais, as gigantescas estátuas de pedra retratando rostos humanos, foram todos derrubados ou destruídos. Esse caos na ilha coincidiu com a chegada dos primeiros europeus, em meados do séc. XVIII. O contato com essa nova civilização foi ainda mais destruidora para os povos originários, que chegaram bem perto da extinção.
O continente fica para trás, rumo à Ilha de Páscoa, no meio do Oceano Pacífico!
Chegando à Ilha de Páscoa, em pleno Oceano Pacífico
Felizmente, a partir do início do séc. XX a população começou a se recuperar, mas não mais com o sangue puro de outrora. Houve miscigenação com imigrantes europeus e também com polinésios de outras ilhas, como o Taiti. Parte da cultura se perdeu nesse processo e hoje, lentamente, os descendentes tentam reaprender o que foi esquecido.
Aterrisando na Ilha de Páscoa, no meio do Oceano Pacífico
Ainda no aeroporto, comprando as entradas para o Parque Nacional da Ilha de Páscoa
Desde o final do séc. XIX que a ilha pertence ao Chile. Desde o final da década de 60 que ela passou a receber turistas, depois que Páscoa passou a fazer parte de uma rota aérea que liga o Chile à Oceania. Hoje, são cerca de 65 mil deles anualmente e a ilha luta para manter suas antigas tradições semi-esquecidas em meio a tantos visitantes.
Mapa da Ilha de Páscoa, mostrando a localização de Hanga Roa, do aeroporto, dos vulcões, estradas, trilhas e das ruínas da ilha
Para essa ilha voamos hoje e certamente, durante os próximos dias, vamos aprender muito mais sobre sua história, geografia, cultura e gente do que aprendemos nos guias de turismo. Por enquanto, sabemos que é uma ilha de formato triangular, antigos vulcões extintos em cada uma das pontas, seus cerca de 6.700 habitantes concentrados na única cidade da ilha, Ranga Roa, de leste a oeste, pouco mais de 20 km, de norte a sul, não passa de 12 km, altitude máxima de 500 metros, apenas uma praia de verdade, muitas cavernas e ruínas para serem exploradas.
Recepção calorosa do nosso hotel, ainda no aeroporto da Ilha de Páscoa
Chegando ao aeroporto da Ilha de Páscoa.
Nosso tempo por aqui será de 5 dias. A maioria dos turistas fica um pouco menos do que isso, mas há aqueles que vem para ficar um mês, conhecem toda a ilha a pé ou de bicicleta e até aprendem um pouquinho da língua. Mas as companhias turísticas oferecem day-tours que passam pelos pontos mais importantes da Ilha de Páscoa em cerca de 8 horas, Nós ainda não decidimos nosso roteiro, mas pretendemos mergulhar, caminhar muito, alugar um carro algum dia e até fazer algum tour, para ter uma primeira visão da ilha.
Caminhando pela orla de Hanga Roa, a única cidade de Rapa Nui ou Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico
Hanga Roa, a única cidade de Rapa Nui ou Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico
É bom vir para cá já com o hotel reservado, embora não seja impossível encontrar por aqui. Mas vai ser mais trabalhoso e, muito provavelmente, mais caro. Depois de longa pesquisa, nós reservamos no Residencial Vaianny e a Joana, a proprietária, ficou de nos pegar no aeroporto. Então, decolamos já tranquilos, a história do vidro quebrado na noite anterior temporariamente esquecida. Foi lindo ganhar altura sobre Santiago e ver as montanhas nevadas dos Andes ficarem para trás.
A paisagem não deixa dúvida: a Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico, tem origem vulcânica!
Surfista aproveita as ondas no mar de Hanga Roa, a única cidade de Rapa Nui ou Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico
Alguns minutos depois, cruzávamos a costa chilena e agora, era a América do Sul que ficava para trás. Com tanto tempo de voo, dá até para assistir um filme. A Ana assistiu o filme chileno “No”, sobre o plebiscito que deu fim à ditadura de Pinochet e gostou muito. Vou ter de assistir na volta! Eu li um pouco e dormi, para despertar com o avião já sobrevoando a Ilha de Páscoa. Emocionante, ver aquele pontinho no meio do oceano azul, infinito!
Escultura no litoral de Hanga Roa, a única cidade de Rapa Nui ou Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico
O primeiro Moai, a gente nunca esquece! (em Hanga Roa, a única cidade de Rapa Nui ou Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico)
O nome “ilha de Pascoa” foi dado pelos europeus porque (adivinhem!), ela foi descoberta num domingo de Páscoa. Sempre tiveram muita criatividade! O nome original, cada vez mais usado, é Rapa Nui. Será o nome que vou usar daqui em diante. Pois bem, chegamos ao aeroporto de Rapa Nui, compramos nossas entradas para o parque nacional que ocupa mais de um terço da ilha (a entrada é muito mais barata aqui no aeroporto!) e fomos recebidos no saguão pela Joana, que nos presenteou com um colar de flores, tradição polinésia, para já irmos entrando no clima.
As ruínas de Tahai, a 15 minutos de caminhada de Hanga Roa, a única cidade de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), no Oceano Pacífico
Depois, ele nos levou, de carro, para um rápido tour em Hanga Roa, a pequena cidade-capital de Rapa Nui, pelo menos para a gente já ter uma certa noção de direções e, por fim, nos levou par a pousada para nos instalarmos. Agora, já sabíamos onde era a igreja, o banco (sim, tem ATM na ilha!), o correio, o mercado, a rua de restaurantes e a praia.
As ruínas de Tahai, a 15 minutos de caminhada de Hanga Roa, a única cidade de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), no Oceano Pacífico
Pouco tempo depois, já estávamos caminhando por ali, nosso primeiro passeio de verdade em Rapa Nui, para respirar o ar e nos sentirmos na ilha. Fomos para a orla, admiramos a linda paisagem de pedras e areia, alguns surfistas pegando onda e o imponente vulcão ali do lado. Para lá, vamos de carro um outro dia. O caminho era no sentido oposto, rumo aos nossos primeiros Moais e Ahus.
Um dos Moais de Tahai. ao lado de Hanga Roa, a única cidade de Rapa Nui ou Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico
Ainda vou falar disso depois, mas “Ahus” são altares de pedra e “Moais” são as típicas estátuas de Rapa Nui, homenagens que se faziam aos ancestrais. Foi a construção desses Moais que girava toda a economia da ilha, movimentava quase toda a população e, no final, foi responsável pela destruição das florestas e a decadência da civilização.
Admirando os incríveis Moais de Tahai, ao lado de Hanga Roa, a única cidade de Rapa Nui ou Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico
Esses Moais já faziam parte do meu imaginário há décadas e quando vemos o primeiro deles, é simplesmente emocionante! É nesse momento que realmente acreditamos: “Sim, estou aqui, no meio do Oceano Pacífico, na famosa Ilha de Pascoa!”.
Um belíssimo pôr-do-sol em Tahai, ruína ao lado de Hanga Roa, a única cidade da Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico
Pois é, essa vai ser nossa casa pelos próximos 4 dias (um já foi...). Vamos ver e aprender muito. Mas agora, só queríamos relaxar e admirar o fim de tarde com todos aquels Moais a nossa frente. Pode ser normal para quem vive aqui, mas para nós, isso é muito, muito especial!
Junto aos Moais de Tahai, admirando o nosso primeiro pôr-do-sol na Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico
Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage
Engana-se que achou que nossa última grande emoção programada para essa viagem à Antártida tenha sido o “polar plunge”, o salto nas águas geladas descrito no último post. Não, esse não foi o último desafio. Ainda restava um, bem à nossa frente. Estou falando da famosa Drake Passage, nome dado ao trecho de oceano que separa a península antártica da América do Sul. Para chegar a Ushuaia, na Terra do Fogo, local do nosso desembarque final, temos de cruzar essa temida região de mares bravios.
Navegando nas tranquilas águas da Drake Passage, entre a Antártida e a América do Sul
O roteiro mais comum dos barcos que levam turistas à Antártida parte de Ushuaia e segue diretamente para a península antártica. Neste caso, os passageiros enfrentam a Drake Passage duas vezes, uma na ida e outra na volta. Muitas vezes, a experiência da ida e tão ruim que alguns passageiros resolvem pagar um pouco mais e retornam da Antártida de avião. Nosso caso foi diferente. Ao invés de embarcarmos em Ushuaia, começamos nossa viagem de Buenos Aires e seguimos diretamente para as Malvinas, Geórgia e Antártida. Em outras palavras, demos a volta na Drake Passage. Mas agora na volta, não tinha remédio: tínhamos mesmo de cruzar bem pelo meio da famosa passagem.
Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage
Não há navegador no mundo que não conheça esse lugar ou, ao menos, sua má fama. É muito provavelmente o trecho mais perigoso de todos os oceanos da Terra. Uma procura rápida no YouTube vai mostrar diversos vídeos de navios grandes e pequenos sendo castigados por ondas enormes. Tudo dentro dos barcos deve ser amarrado e os passageiros passam um dia inteiro trancados em seus quartos, boa parte deles passando muito mal. Pode parecer ruim, mas para mim era uma das atrações dessa viagem e eu torcia para ter uma verdadeira experiência por aqui, na Drake Passage. A não ser que esteja de ressaca, não costumo passar mal em alto-mar e ansiava para passar por esse “teste”. A coisa mais parecida que já tinha vivenciado tinha sido a travessia de barco entre as duas ilhas que formam a Nova Zelândia, num distante ano de 1998. Bem no dia da nossa travessia (viajava com um primo pelo país, de carro), o mar tinha virado e nenhum barco se atrevia a fazer a travessia. Apenas um, o maior deles, com capacidade para centenas de passageiros e carros, se aventurou. Dois terços dos passageiros passaram mal e por onde andávamos dentro do navio havia gente vomitando. Jamais esquecerei da cena de uma família toda, pais e dois filhos, vomitando juntos. “Família que vomita junto permanece junta”, já diz o velho ditado. Enfim, estava imaginando algo parecido para essa nossa travessia pelo Drake...
Novamente em alto-mar, descansando no salão do Sea Spirit
Tudo tranquilo na ponte de comando do Sea Spirit, já ao final da Drake Passage, chegando à América do Sul
São pouco mais de 800 km entre a Antártida e a Terra do Fogo. É onde se dá o encontro dos dois maiores oceanos da Terra, o Atlântico e o Pacífico. Por aí circula a corrente marinha circumpolar antártica. Esse verdadeiro “rio marinho” tem a força de 600 rios Amazonas. É isso mesmo, SEISCENTAS vezes mais água se movimentando que no rio mais caudaloso do mundo. Não foi sempre assim, claro. Antártida e América do Sul se acomodavam juntas no grande continente austral de Gondwana. Quando ele começou a se partir, há pouco mais de 100 milhões de anos, esses dois continentes se separaram, mas a península antártica sempre esteve muito próxima do sul da América do Sul, separados apenas por um mar raso. Flora e fauna se comunicavam entre os dois vizinhos próximos. Até que, 40 milhões de anos atrás, a geologia do local mudou. A passagem se aprofundou bastante possibilitando que enormes correntes marinhas fluíssem por aí desimpedidas. Era o nascimento da tal corrente gelada circumpolar que praticamente aprisionou o frio polar sobre a Antártida. Até então, esse frio seguia para o norte e de lá retornava com o calor dos trópicos. A Antártida ainda vivia sob um clima subtropical. Mas a criação da Passagem de Drake e da corrente circumpolar selou seu futuro gelado. Situação que segue inalterada até hoje.
Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul
Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul
Talvez por isso que foram precisos outros 300 anos desde que Magalhães descobriu o Oceano Pacífico através do estreito que leva seu nome (entre a Terra do Fogo e o continente americano) para que os navegadores se aventurassem ainda mais ao sul, explorando as águas turbulentas que marcam o encontro do Atlântico com o Pacífico. O primeiro a ir parar lá, levado pelos ventos, foi um dos maiores navegantes de todos os tempos, o pirata-corsário inglês Francis Drake, ainda no séc. XVI. Por isso o nome Drake Passage. Mas ele tratou de sair de lá rapidinho. Exploradores mesmo, só muito mais tarde...
Nossa posição atravessando a Drake Passage, já a meio caminho entre a Antártida e a América do Sul
A cada seis horas, um novo boletim sobre as condições do tempo, mar e ventos
Pois bem, e agora era a nossa vez! Todo mundo com um olho no mar e outro na previsão de tempo. O Sea Spirit recebe previsões atualizadas e detalhadas a cada 6 horas e disponibiliza esses dados, na forma de mapas e gráficos, para os passageiros. Foi quando, para alívio geral e tristeza minha, configurou-se a notícia. Justo o nosso dia de travessia caiu naqueles menos de 5% de dias em que o mar se acalma por lá. Mais do que isso, ele se acalmou de verdade, de um modo que tripulantes que já passaram por ali dezenas de vezes nunca haviam visto.
Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage
A temível e terrível Drake Passage mais parecia um lago. A Drake Passage virou o Drake Lake. Isso nos deu tempo para curtir a viagem, fazer festas, passear pelo navio, ler livros e jornais, beber e se divertir e até admirar um esplendoroso pôr-do-sol. Mas não posso negar que fiquei meio decepcionado. Ao reclamar com um dos guias dizendo que eu preferiria um mar bravio, ele me lançou um olhar que misturava surpresa, indignação e desprezo e respondeu: “Você não tem ideia do que está falando!”. É... fiquei mesmo sem a ideia da verdadeira Drake Passage. Motivo para voltar?
Aproveitando o conforto e tranquilidade do quarto para ler um livro, no Sea Spirit, a caminho de Ushuaia
Retornando ao Brasil por Chuí, no Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai
Há quase três anos, no dia 4 de Março de 2011, eu e a Ana cruzávamos o rio Oiapoque, lá no Amapá, em direção à Guiana Francesa (post aqui). Mais de 120 mil quilômetros depois, cá estamos no outro extremo do litoral brasileiro, na pequena cidade de Chuí, fronteira entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, país de onde viemos hoje pela manhã. Se tivéssemos seguido pelo caminho mais curto entre as duas cidades, teriam sido cerca de 5,5 mil quilômetros, além de uma travessia de barco entre Macapá e Belém, já que não existe ligação rodoviária de uma capital à outra. Mas nós resolvemos pegar alguns “atalhos”, dar uma passadinha no Alasca e na Patagônia, e o nosso percurso ficou um pouco mais longo. Valeu por cada centímetro a mais de estradas pelo continente!
Nosso caminho de quase 3 anos e 120 mil km entre o Oiapoque e o Chuí, os dois pontos extremos do litoral brasileiro. O caminho mais curto, sem passar pelo Alaska e Patagônia, teria menos de 6 mil km!
Retornando ao Brasil por Chuí, no Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai
Nós saímos hoje pela manhã de Punta del Diablo, ainda no litoral uruguaio, depois de uma belíssima caminhada na praia ainda com o sol nascendo. Foi um início de dia marcante para uma jornada que prometia ser especial. Afinal, era o dia de regressarmos em definitivo para o Brasil. Cada vez mais, e não dá para brigar com a realidade, os 1000dias estão acabando. Terminamos hoje nosso roteiro no último país que nos faltava nessa viagem, o Uruguai. Foi também o término de nossa fase internacional. De agora em diante, já de volta a nossa país, só nos falta percorrer o litoral dos estados do sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O friozinho na barriga só vai aumentando.
Nossa última fronteira durante os 1000dias, em Chuí, entre o Uruguai e o Brasil
Bem vindo ao Brasil! (em Chuí, no Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai)
Pois é, além desse friozinho ao cruzar a fronteira, também foi emocionante chegar a esta pequena cidade no extremo sul do país que tantas vezes ouvimos falar em nossas aulas de geografia no ginásio. “Do Oiapoque ao Chuí”, cantam versos e prosas que vangloriam a extensão de nossa pátria. Pois foi só no finalzinho de nossa viagem que viemos a conhecer esse verdadeiro marco geográfico de nossa cultura. Ele sempre esteve tão mais perto de nós do que sua antípoda, o Oiapoque, mas foi pelo último que passamos e conhecemos primeiro. Chegou, enfim, a vez de Chuí.
Entramos no Brasil novamente, em Chuí, no Rio Grande do SUl
1000dias de volta ao Brasil, agora em definitivo (em Chuí, no Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai)
A pequena cidade fica exatamente na fronteira. Na verdade, para ser mais correto, ela fica “através” da fronteira! No lado brasileiro, chama-se Chuí e tem 6 mil habitantes. No lado uruguaio, chama-se Chuy e é um pouco maior, com 10 mil habitantes. Uma avenida passa justo sobre a linha fronteiriça que é o canteiro central dessa via. De um lado, a Avenida Brasil, do outro, a Avenida Uruguai.
Adesivo dos 1000dias na fronteira mais austral do Brasil, em Chuí, no Rio Grande do Sul
Vindos do Uruguai, chegamos a Chuí, no Rio Grande do Sul, cidade mais austral do Brasil
Chuy, do lado uruguaio, é uma grande duty free, ou zona franca de impostos. Com isso, os brasileiros são todos atraídos para o lado de lá, com mercadorias bem mais baratas. Vão e voltam sem se preocupar com a burocracia, que só é exigida para quem se afasta das duas cidades. Para quem vê a harmonia entre elas hoje, fica difícil imaginar que essa já foi uma fronteira complicadíssima, com a história cheia de conflitos militares.
Cidade de Chuí, no Rio Grande do Sul. De um lado, Brasil, do outro, Uruguai
O primeiro farol do Brasil, próximo à barra do rio Chuí, no Rio Grande do Sul
Como já disse em outros posts, desde a fundação de Colonia do Sacramento pelos portugueses, no final do séc. XVII, que os territórios da chamada Banda Oriental, que equivalem hoje ao Uruguai e parte do Rio Grande do Sul, foram disputados pelas coroas espanhola e portuguesa. O Tratado de Madrid, de 1750, dizia que a fronteira entre os dois países seria estabelecida na região de Cabo Polonio. Pois é, Cabo Polonio podia ser brasileira! Como é que fomos perder isso? Imperdoável, hehehe! Enfim, esse tratado, como tantos outros, não foi cumprido e a fronteira oficial variava para o sul e para o norte. Em 1761, o espanhol Cevallos, o mesmo que desalojou os portugueses de Colonia por duas vezes, estendeu os domínios espanhóis até a atual Rio Grande, mais de 200 quilômetros ao norte da fronteira atual!
Chegando à barra do rio Chuí, no Rio Grande do Sul
O rio Chuí, que marca a fronteira entre Brasil e Uruguai, no Rio Grande do Sul
Por fim, foi decidido que toda a região entre o Taim (150 km ao norte da fronteira atual) e Chuí seria território neutro, devendo os soldados ficar fora dessa área. Mas colonos portugueses trataram de ocupá-la e o Chuí fala português desde então. Uma nova e derradeira ocupação luso-brasileira ocorreu em 1819, mas uma década mais tarde forças uruguaias expulsaram as forças imperiais de Dom Pedro I. Finalmente, em 1851, as fronteiras foram demarcadas como as conhecemos hoje. Desde então, a tensão na fronteira foi diminuindo, diminuindo, até a situação de amizade de hoje, uma fronteira que é marcada não por uma cerca ou muro, mas com uma avenida aberta, com carros e pedestres indo e vindo livremente.
A Ana, o Rodrigo e a Ixa, mãe do Rodrigo, na ponte sobre o rio Chuí, no Rio Grande do Sul, que marca a fronteira entre Brasil (lado esquerdo) e Uruguai (lado direito)
A Ana com seus sogros, o Joca e a Ixa, na barra do rio Chuí, fronteira entre Brasil e Uruguai, no Rio Grande do Sul
Nós não ficamos muito tempo na cidade. Fomos logo para a barra do rio Chuí, a 11 quilômetros do centro. Ali perto está o primeiro farol da costa brasileira. Está também uma pequena ponte sobre o rio ligando os dois países fronteiriços. Sobre a ponte, víamos perfeitamente o encontro do Chuí com o mar dividindo a praia em duas, uma uruguaia e outra brasileira. É ali que começa o Brasil e o nosso imenso litoral. E começa justo com uma praia longa. A mais longa do mundo. É a Praia do cassino, com mais de 200 quilômetros de extensão. Vai daqui até a cidade de Rio Grande. Vai ser por ali que seguiremos viagem. Uma praia desse tamanho dificilmente é conhecida a pé. Mas com a ajuda das rodas da Fiona é outra história...
A barra do rio Chuí, no Rio Grande do Sul. Do lado esquerdo está o Brasil e na margem direita, o Uruguai
Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa
Depois do "terrorismo" de ontem, de que seria impossível passar com o carro, começamos cedo nossa maratona hoje. Café da manhã às 07:30, com vista para o rio Oiapoque e para a Guiana Francesa, lá do outro lado, nos deram a inspiração necessária.
A densa floresta da Guiana Francesa vista de Oiapoque - AP
Depois, mãos à obra! Primeiro, arrumamos um lugar para a Fiona tomar um banho. Afinal, depois dos 160 km de barro, ela não estava nada apresentável. Certamente, nem a aduana brasileira nem a francesa iriam gostar... Banho dado, seguimos para a Polícia Federal onde nos disseram que nossos passaportes não precisavam ser carimbados e que nosso carro prcisava ser levado à Receita Federal.
Nosso hotel em Oiapoque - AP
Antes de seguir para lá, fomos até a única empresa com balsas para levar o carro para o outro lado. Como suas balsas estão sendo usadas na construção da ponte, só tem dois horários fixos para fazer a travessia: às 11 da manhã e às 4 da tarde. O preço, para um único carro na balsa: 200 euros ou 500 reais. Sem margem de negociação.
Monumento que marca o início do Brasil, em Oiapoque - AP
Como queríamos atravessar e já seguir para Cayenne, nossa corrida foi para resolver tudo até às onze. Aceleramos para a Receita e lá foi preenchido um formulário de "exportação temporária" de produtos (a Fiona e nossos eletrônicos). Assim, quando voltarmos ao país, esses produtos não serão considerados uma importação, o que geraria impostos, mas apenas o retorno da exportação temporária. Os trâmites demoraram um pouco mais do que gostaríamos, porque eles, há dois anos trabalhando ali, nunca tinham visto caso semelhante. Aliás, lá na empresa de balsa, também não! Isso só foi nos deixando mais preocupados...
Construção da ponte entre Brasil e Guiana Francesa, em Oiapoque - AP
Enquanto eu ficava na Receita, a Ana foi à internet, para nova troca de emails com o cônsul em Macapá e também com nosso corretor de seguros em Curitiba. Juntando todos os documentos que tínhamos, achamos mais prudente atravessar para o lado de lá numa voadeira primeiro, conversar com a polícia francesa para, só depois, levar a Fiona. Afinal, pagar 200 euros para atravessá-la e ter de pagar outros 200 para voltar, se algo desse errado, seria demais!
Viagem de voadeira entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa
Com isso, acabamos desistindo da balsa das 11:00. Atravessamos de voadeira e fomos curtindo o belo visual do rio, da mata e da enorme ponte sobre nossas cabeças. Lá chegando, com a ajuda do dono da voadeira, seguimos direto para a PAF (Polícia da Fronteira), já notando a enorme diferença entre a organizada Saint Georges e a caótica Oiapoque. Mas não tínhamos muito tempo para passear não. Chegando à PAF, uma bela surpresa: já estavam nos esperando, tudo pronto para me dar o meu visto. Mas ficaram meio decepcionados quando souberam que o carro não tinha vindo. O visto só seria dado quando o carro viesse e fôssemos entrar em definitivo no país. Quando ao carro, disseram que tínhamos de ir na douane (aduana).
Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa
E para lá seguimos. Como no Brasil, eles também não estavam acostumados com isso. Ao contrário da PAF, não nos esperavam. Com meu francês enferrujado, fui explicando a história para eles. Por fim, perguntaram se eu tinha seguro internacional. Disse que sim, mas que estava em português. Eles perguntaram se eu estava seguro que ele era válido, ao que respondi com um sonoro "Oui, je suis!" Aí, eles falaram "Bom, se para você está bem, para nós também!"
Yes! Oba! Pegamos a voadeira de volta e vinte minutos mais tarde estávamos no Brasil. Aí, tivemos tempo para fotos, encher o tanque da Fiona, almoçar, mexer na internet. Foi quando apareceu um outro casal, com duas crianças pequenas e um adolescente. Eles viram a Fiona e vieram falar conosco. Também são viajantes e estão, os cinco, numa viagem de 14 meses pelo Brasil, do Oiapoque ao Chuí! Os cinco numa Toyota como a nossa, uma prima da Fiona. Muito parecido mesmo, até com uma capota que também entra água, hehehe. Eles viajam e vão fazendo apresentações de teatro por onde passam. Super interessante! O pai é palhaço e a mão, bailarina. O filho adolescente "trancou" a escola por um ano e agora, aprende muito mais pelas estradas do Brasil. Os menores, um casal, são gêmeos, cinco anos de idade. Toda essa linda aventura está no blog deles. Recomendo uma boa olhada: http://www.triopirathiny.blogspot.com/ ! Nossa... é incrível a energia positiva que eles passam. Super do Bem! Foi ótimo tê-los encontrado e trocado informações.
Balsa com a Fiona passa sob a ponte em construção entre os dois países, na nossa travessia para a Guiana Francesa
Pena que foi tão rápido. Afinal, não podíamos perder a balsa. Sob uma chuva amazônica, embarcamos e, uma hora mais tarde a Fiona colocava "seus pés", pela primeira vez, em solo estrangeiro. Primeira parada: douane. Não demorou cinco minutos. Toda aquela história contada em Oiapoque, pelo visto, era só falta de informação. Pelo menos para nós, foi rápido e tranquilo.
Depois, de volta à PAF. Aí, quando menos esperávamos, surgiu o problema! O meu visto foi dado rapidamente. Já a Ana, com seus dois passaportes, criou uma certa confusão. O guarda queria nos convencer que, caso ela usasse seu passaporte italiano, não poderia usar o brasileiro no Suriname, pois não teria o carimbo de saída da Guiana Francesa nele. E, se fosse usar o italiano para entrar no Suriname, teria de conseguir um visto em Cayenne, pois europeus precisam de visto por lá. Se fosse para entrar com o brasileiro no Suriname, aí teria de usá-lo também na Guiana Francesa. Neste caso, precisava de um visto, custo de 60 euros. Claro que eu achei tudo um papo furado, que ela poderia usar um passaporte aqui e outro no Suriname. Afinal, qual a vantagem de ter dupla cidadania???
Fotografando a densa mata guianense, um pouco antes de chegar à Saint Georges, na Guiana Francesa
Bom, mas o cara tanto falou e nos complicou que, no fim, já estávamos falando para ele colocar o visa no brasileiro mesmo. E aí, veio a surpresa. O passaporte brasileiro da Ana está vencido desde Julho!!! Ai ai ai. Ainda bem que ela tem o italiano... Mas agora, não tem remédio. Em Cayenne, vamos precisar tirar o visto do Suriname para ela. Ou então, conseguir um passaporte brasileiro novo. O que for o mais rápido. E isso tem de acontecer enquanto o meu visto, de nove dias, tenha validade. Vai ser uma corrida, já que no meio do caminho ainda tem carnaval. Sabe-se lá se estas coisas vão funcionar segunda e terça. O carnaval em Cayenne é animado! Coisa séria!
Bom, tudo isso comeu nosso tempo e já quase escurecia. Resolvemos dormir na simpática Saint Georges de L'Oyapoque mesmo. Uma cidadezinha toda arrumadinha, com cara de européia, plantada no meio da Amazônia! Visão sui generis!
Nunca o GPS foi tão literal!!! (na nossa travessia entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa
Essa confusão toda não nos impediu de beber um vinho (garrafa pequena!) em comemoração ao início da fase internacional terrestre da nossa viagem! Salût! Quanto à Guiana Francesa, agora podemos dizer que entrar foi fácil. Difícil vai ser sair... Êêê, Ana...
Esta estadia no PETAR tem reavivado minha memória. A primeira vez que estive aqui foi numa viagem memorável, há 20 anos. A cada caverna ou rio que entro aqui, agora, aquelas memórias se tornam mais presentes, mas saborosas de se relembrar e reviver. Quero aqui fazer uma homenagem a três personagens que compõem aquelas memórias:
Primeiro ao Tomás, estudante de Eng. de Alimentos na Unicamp. Foi ele que me trouxe para cá. Fizemos um acordo: eu entrava com a condução e o combustível e ele, grande conhecedor do parque já naquela época, entrava como guia, me levando a alguns dos lugares mais incríveis que já vi na vida. E olha que, modéstia às favas, eu já estive e vi muita coisa por aí, nesse mundão. Durante 3 dias e 3 noites (outra coisa que não se pode mais fazer por aqui: cavernas de noite. Uma pena!), nós quatro (vieram mais duas pessoas) andamos sem parar por este parque. Estivemos em lugares que há muito já estão proibidos para visitantes, como a Casa de Pedra (maior boca de caverna do mundo, com mais de 200 metros!) por dentro, rapel na famosa "Dívida Externa" e, para mim o mais incrível, subir as três cachoeiras da caverna Ouro Grosso. Cenário para deixar Indiana Jones no chinelo! Foi, realmente, inesquecível e muito especial. Espero que o plano de manejo reabra essas maravilhas para os felizardos que se dispuserem a vê-las. Quanto a mim, só posso agradecer ao Tomás!
Outra homenagem é ao Purgamóvel. Esse é o "carinhoso" nome que meus colegas do curso de economia deram ao meu valente Golzinho 1.6, refrigeração a ar, modelo 1982. Esse valente me levou são e salvo a lugares que, ainda hoje, parecem inacessíveis a carros pequenos. Não sei se foram as estradas que pioraram ou se foi o meu desprendimento em jogar o carro em pedras e buracos que diminuiu. Sei que o Purgamóvel nos trouxe até o distante Núcleo de Caboclos e depois, pelas várias estradas da região. Além disso, em outras aventuras, atravessou a Ilha Bela para me levar ao outro lado da ilha, estrada para carros 4x4. E muitas outras. Vinte anos mais tarde, a Fiona segue o caminho do Purgamóvel. O que só me faz valorizar ainda mais aquele valente!
Por fim, quero homenagear uma das pessoas que veio comigo e com o Tomás. Também da Engenharia de Alimentos, esse cara era absolutamente incansável, física e psicologicamente falando. Sempre daquele jeito meio caladão, meio cool. Eu me considero um cara bem resistente, várias maratonas terrestres e aquáticas nas costas. Centenas de quilômetros de trilhas no bolso. Mas aqui, após passar por três cachoeiras dentro de uma caverna, roupas encharcadas e o sol a mais de um quilômetro de distância através de uma trilha tortuosa e molhada, eu só pensava em roupas secas e um chuveiro quente. Ao menos, uma pausa para descansar. Mas esse cara estava ali, pronto para continuar a explorar, olhos brilhando com a possibilidade de descobrir novos caminhos, quem sabe uma galeria inexplorada ao final da caverna. Alguns garrafões após a 3a cachoeira, ele queria continuar. Somente após muita insistência do Tomás, com toda a minha torcida, ele se convenceu que era hora de voltar. Fiquei impressionado com aquele vigor e, ao mesmo tempo, um cara tão cool.
Nossos caminhos deixaram de se cruzar, exceto pelo fato dele ter namorado uma ex-namorada minha. Mas fiquei acompanhando suas aventuras de longe. Transamazônica de bicicleta, a temida parade sul do Acocágua (o primeiro brazuca a conseguir isso, junto com outro ex-unicampeiro, o Ibitinga), entre outras. Por fim, veio o Everest. Primeiro com e depois sem oxigênio. Mas, aquela resolução de sempre querer mais, desta vez pregou uma peça. Quis o destino que ele ficasse por lá, perto dos 8 mil metros de altura. Faço aqui a minha homenagem silenciosa e reverente ao Vitor Negretti. Sempre que o cansaço ameaça me vencer, lembro da atitude dele, serena, querendo continuar. E ganho uma força extra.
Aproveitando o dia de sol no teto do catamaran de Ilha Grande para Angra dos Reis - RJ
Há cinco anos, numa tarde ensolarada na Ilha do Mel, depois de um dia muito gostoso pelas praias da ilha, eu e a Ana demos nosso primeiro beijo. Era o pontapé inicial numa bela história que hoje faz aniversário num dia frio e nublado aqui em Curitiba. Dois anos mais tarde, aproveitando a mesma data, demos um passo adiante e nos tornamos noivos. O "evento" foi num restaurante especializado em fondues aqui em Curitiba, com a presença da família dela e também da minha, via telefone. Hoje, três anos depois, voltamos ao mesmo restaurante para celebrar, um verdadeiro banquete de fondues variados e vinho francês. O duplo aniversário merecia!!!
Também hoje, numa bela coicidência, chegou nosso novo passaporte. Azul, moderno e com chip. Não vou ficar com o meu por muito tempo. Na segunda-feira ele segue para São Paulo, para o consulado canadense. A produção do "dossiê" está em fase final. Depois, falo mais disso. Além do passaporte, pegamos a Nikon também, novinha em folha e pronta para mais 20 mil fotografias, com o devido cuidado com a areia das praias e desertos...
A homenagem no post de hoje não poderia ser outra, né? Algumas fotos do casal nesses primeiros 450 dias de viagem:
Início da viagem, apaixonados em Miami
Balada no Nikki - South Beach
Primeira vez no Caribe, já entrando no clima praiano
Felizes na praia - Harbour Island - Bahamas
Enfrentando juntos o friozinho das montanhas do sul de Minas
Pôr-do-sol no Pico do Gavião em Andradas - MG
Sempre à procura de belas cachoeiras!
A bela Cachoeira do Bicame, na Lapinha, região da Serra do Cipó - MG
Juntos até embaixo d'água!
Mergulhando na Laje de Santos - SP
Devidamente abençoados!
Tradicional foto com o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro - RJ
A hora certa, no lugar certo, com a pessoa certa!
Felizes da vida, no Riacho Doce, fronteira da Bahia com Itaúnas - ES
O clima inspirador do sul da Bahia...
Pôr-do-sol em Caravelas - BA
Como diz a música: "Almoça junto todo dia..."
Almoçando no Daniel, na ilha de Boipeba - BA
Sem conforto, mas com muuuita vista!
No nosso local de acampamento, ao lado da queda da Fumaça, próxima à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA
Olha só a devoção!
Viva a Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Admirando, juntos, ao espetáculo diário da natureza. De cadeira cativa!
Autofoto assistindo ao pôr-do-dol em Jericoacoara - CE
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