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mabel (21/07)
No comentário anterior, tinha esquecido de comentar...uma cachoeira quas...
Rubens Werdesheim (21/07)
super fotos !!! é bacana conhecer tudo... peixes, pássaros...mamíferos...
mabel (20/07)
Nunca imaginei que haviam tantos lugares assim para se ver...e perto de n...
mabel (20/07)
LINDO!!!!!!!!!!! Relato maravilhoso, parece que estamos juntos....
samuel beker mororó aragão (20/07)
Nossa senhora..... Deus existe!!! que maravilha da natureza., mesmo já t...
Bico de proa do barco em direção à Abrolhos - BA
Hoje foi dia de chuva. Bastante chuva. Conforme a previsão. Além disso, o ouvido da Ana não melhorou. Passamos o dia na pousada. Rearrumamos a Fiona. Sempre que encerramos uma temporada de mergulhos é tempo de rearrumação da Fiona.
Chegando em Abrolhos - BA
Ficamos aproveitando a internet para botar coisas em dia e planejar os próximos. Há muita coisa para fazer na região, mas a maioria pede dias de sol. Amanhã, a previsão é de mais chuva. Depois melhora. Se rumarmos para o norte agora, muita coisa fica para trás e não poderemos voltar. Se ficarmos aqui esperando, o tempo vai passando. Esse é o nosso dilema.
Pronta para o mergulho noturno em Abrolhos - BA
Início de mergulho noturno em Abrolhos - BA
Por fim, resolvemos avançar um pouco. Até Itamaraju. Fica perto o suficiente de atrações como o Corumbau e o Parque do Monte Pascoal, já significa um avanço rumo ao norte e, se decidirmos voltar para Curumuxatiba, nem é tão fora de mão, só um pouco.
Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA
Itamaraju é daquelas cidades maiores que ficam na BR-101 nas quais eu jamais imaginei parar na minha vida. Cidades como Teixera de Freitas, Eunápolis ou Itabuna. São cidades de passagem cujo único significado para mim é que estou chegando perto da praia, de Porto Seguro, de Ilhéus, de Caravelas, etc...
Mergulhando no mar em Abrolhos - BA
Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA
Pois bem, paguei minha língua e viemos dormir em Itamaraju. Encontramos uma cidade simpática com um povo amável que quer sempre ajudar e um hotel jóia, bem profissional. Um belo lugar para se pernoitar a caminho de algum lugar mais longe e evitar de se dirigir de noite por essas estradas.
Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
O chato é que, de noite, o ouvido da Ana piorou. Ela falou com a Patrícia, sua mãe e médica também e juntas, descobriram que o médico de Caravelas fez o diagnóstico correto mas receitou o remédio errado. Amanhã cedinho, vamos à uma farmácia e tudo vai se resolver!
Veleiro em baía de Abrolhos - BA
O belo e forte luar refletido no mar em Abrolhos - BA
Não podemos controlar o tempo (tarefa de São Pedro), mas posso controlar as fotos que coloco no meu post. Assim, resolvi ilustrar esse com belas fotos ainda não usadas de nossa estadia em Abrolhos. Para amanhã, fotos fresquinhas!
O João fotografando, em Abrolhos - BA
João tirando fotos em Caravelas - BA
Fiona a caminho do Salar de Uyuni, na Bolívia
O início da manhã foi de despedidas. Os bravos ciclistas alemães partiam no sentido oposto, contra o vento e ganhando altitude. O que lhes dava ânimo era a descrição pormenorizada que eu tinha feito da piscina de água quente, algumas lagunas à frente. O objetivo deles hoje é chegar até lá e, quem sabe, tomar um banho noturno!
Ciclistas alemães continuam sua travessia do Salar de Uyuni, na Laguna Colorada - Bolívia
Para o mesmo lado que nós partia o grupo de turistas que estava em três jipes . Entre eles, os três brasileiros e também um chileno amigo do Cristóbal. Como todos os grupos que viajam através de uma agência, o plano deles era fazer o percurso em 3 dias. A gente queria chegar já hoje em Uyuni, sem mais delongas, por isso a despedida.
Formações rochosas no caminho entre a Laguna Colorada e o Salar de Uyuni, na Bolívia
Demos a volta na Laguna Colorada, tiramos mais fotos desse lugar fenomenal e seguimos em frente, por entre montanhas, vulcões fumegantes e aquela paisagem desoladora e magnífica de outro planeta. Num trecho do altiplano surgem formações rochosas que parecem brotar do chão, com formas as mais variadas possíveis. Outro ponto obrigatório para fotos, ainda mais com a paisagem cheia de neve que temos nessa época.
Laguna Honor, umas das lagunas altiplânicas no caminho para o Salar de Uyuni, na Bolívia
A partir daí, começamos a passar numa sequência de lagunas, cada uma mais bonita do que a outra, mas todas com dois pontos em comum: nomes estranhos e centenas de flamingos em suas águas. A mais interessante delas é a Laguna Hedionda, onde podemos chegar muito perto dessas aves avermelhadas e até das mais jovens, que ainda são acizentadas. Para quem gosta de observar pássaros, difícil imaginar lugar melhor na Terra!
Laguna Hedionda, lar de centenas de flamingos, no caminho para o Salar de Uyuni, na Bolívia
É impressionante a quantidade de grandes lagunas e de água nessa região que beira os 4 mil metros de altitude. Isso me fez lembrar algo que li nesses dias. Pouca gente no Brasil sabe mas houve uma guerra na América do Sul de porte e importância tão grandes como a "nossa" Guerra do Paraguai. E praticamente na mesma época! Foi a chamada "Guerra do Pacífico", com o Chile lutando contra as forças combinadas de Peru e Bolívia. Eu ainda vou falar dessa guerra mais para frente, quando voltarmos ao norte do Chile em alguns dias. Mas o fato é que a Bolívia perdeu sua saída para o mar nesta guerra, território que passou a ser chileno, e nunca mais se conformou com isso. Até hoje a relação entre os dois países é meio estremecida por causa desse fato.
Observando os flamingos da Laguna Hedionda, a caminho do Salar de Uyuni, na Bolívia
Observando os flamingos da Laguna Hedionda, a caminho do Salar de Uyuni, na Bolívia
Pois bem, no final da década de 70 e início de 80 houve uma negociação entre os dois países que quase mudou novamente a geografia da região. O Chile queria devolver parte do território conquistado para a Bolívia, que voltaria a ter acesso ao mar, mas em contrapartida queria toda a região da Laguna Colorada para ele. Para turismo? Não!!! Queria usar essa água sagrada das lagunas para suas minas de cobre, um processo de exploração que pede muita áua. Nossa... imagina! Queria ver algum ecologista da época ir argumentar com o Pinochet, no auge do seu poder, que não se deveria fazer isso... Bom, graças à Deus e ao Peru, que entrou na negociação e acabou melando tudo que isso não aconteceu e as lagunas continuam lá encima, maravilhosas, para quem tem a sorte de passar por lá.
Um "zorro", ou raposa, vem nos observar no caminho entre as lagunas altiplânicas e o Salar de Uyuni, na Bolívia
Alguns vulcões ainda estão ativos no altiplano boliviano (a caminho do Salar de Uyuni)
Depois das lagunas chegamos ao nosso primeiro salar da região, o Chiguana. AInda no alto, antes de baixar até ele, duas imagens surpreendentes. A primeira foi a de um trem cruzando o salar. O trem deveria ter uns 200 metros de comprimento. Mas no meio daquela imensidão branca, ele praticamente sumia, ficava ridiculamente minúsculo. É até difícil localizá-lo na foto que acompanha esse post. A segunda foi a visão do Tunupa, no horizonte. O Tunupa é um vulcão que fica no extremo norte do Salar de Uyuni. A gente chegava pelo lado sul e ainda estávamos muito longe do início do Salar de Uyuni. Mas o Tunupa já estava lá, ao alcance dos nossos olhos, a mais de 200 quilômetros de distância. Visão incrível desse vulcão de 5.400 metros de altura, quase 2 mil metros acima do salar. Como já disse em outro post, tamanhos e distâncias nos enganam por aqui.
Um longo trem fica minúsculo ao atravessar o Salar de Chiguana, ao sul do Salar de Uyuni, na Bolívia
Nosso Hotel de Sal em Puerto Chuvica, no Salar de Uyuni, na Bolívia
Cruzamos o Salar de Chiguana e, mais uma hora ou duas chegamos à Puerto Chuvica, na extremidade sul do Salar de Uyuni. Aí, por causa do horário, refizemos nossos planos e deixamos a travessia de Uyuni, passando pela ilha Incahuasi para amanhã. Achamos um lindo refúgio feito de sal e aí nos instalamos, bem em frente ao gigantesco salar. É incrível estar num lugar onde o chão e as paredes são feitos de sal. Passamos um final de tarde contemplativo no meio desse mundo que é tão exótico para nós, tomamos algumas cervejas e fomos dormir embalados nas nossas camas de sal. Amanhã, finalmente, será o dia de enfrentar esse oceano branco à nossa frente!
Brindando com a Krasna e o Cristóbal no Hotel de Sal de Puerto Chuvica, no Salar de Uyuni, na Bolívia
Mergulhando na parte interna do navio-cruzeiro Bianca C, naufragado em 1961 em Granada
Granada é considerada a “capital dos naufrágios do Caribe”, tal a quantidade de barcos afundados em águas mergulháveis ao redor da ilha. A gente já tinha ouvido falar disso, mas nessa correria nossa pelas ilhas caribenhas, chegamos aqui completamente esquecidos desse fato. Nossa última etapa nesse longo giro pela região, clima de final de viagem, já pensando no retorno a NY, estávamos meio perdidos por aqui, seguindo na inércia...
Em Grande Anse, embarcando para os mergulhos do dia (em Granada, no Caribe)
Mas ontem de manhã, antes de seguir para o Fort George, passamos no escritório de turismo e bastou um minuto folheando as várias revistas para relembramos o tesouro escondido nos mares granadinos. O problema é que só teríamos mais um dia no país, hoje, e ainda pensávamos em rodar de carro pelo interior. Sem contar que voaríamos no dia seguinte pela manhã, e não se deve mergulhar com menos de 24 horas antes de viagens de avião. Confabulamos e, dali mesmo, já ligamos para uma operadora para marcar uma sessão de mergulhos para hoje de manhã. Nossa ideia foi combinar tudo: o mundo subaquático com as montanhas e cachoeiras do interior de Granada, num dia corrido e intenso, daqueles que a gente adora!
Explorando a piscina do Bianca C, o enorme navio-cruzeiro naufragado em Granada
E assim foi. Bem cedinho, já estávamos motorizados e seguindo para Grande Anse, a mesma praia que estivemos ontem de tarde. Aí estão os grandes hotéis de Granada e também as operadoras de mergulho, quase sempre dentro de algum resort. O mergulho escolhido por nós não deixava por menos: simplesmente, o Bianca C, conhecido como o “Titanic do Caribe”! Um navio-cruzeiro italiano que começou a operar logo depois da 2ª Guerra Mundial e que, em 1961, trazia centenas de cliente para um giro pelo Caribe. Quando estava aportado em St. George’s, uma de suas caldeiras explodiu, matando um tripulante e condenando o navio. A tripulação e passageiros foram retirados do barco e o Bianca C foi rebocado por uma fragata inglesa para longe do porto, onde pode naufragar em paz.
Mergulhando na parte externa do enorme naufrágio Bianca C, em Granada
Para a sorte dos mergulhadores do futuro (nós!), eram águas mergulháveis, isso é, com profundidade de até 70 metros. Pois é, não é um mergulho para qualquer um, pois é preciso mais treinamento para mergulhos profundos. Mas, definitivamente, vale a pena! O navio tem cerca de 200 metros de comprimento e está dividido em dois, com quase toda a estrutura ainda em pé, apesar dos 50 anos de ação do mar. São necessários vários mergulhos para se conhecer todo o naufrágio, ainda mais que, nessa profundidade, o consumo de ar é muito maior e o tempo que podemos ficar por lá é muito menor, para mergulhos não-descompressivos.
Mergulhando na parte externa do enorme naufrágio Bianca C, em Granada
Mas nós só tínhamos um mergulho. A ideia era só dar uma geral no naufrágio. Não iríamos até o fundo, na areia, pois com isso ganharíamos mais tempo e ar nos “andares acima”. Mergulhando um pouco acima dos 40 metros, teríamos 15 minutos de fundo e poderíamos ver uma boa parte do exterior do navio, de seus decks, dar uma olhada rápida em seu interior e até “mergulhar” na antiga piscina que fazia a festa dos turistas.
Escada de aparência fantasmagórica dentro do naufrágio do Bianca C, em Granada
E assim foi. O Oscar, nosso guia, nos levou diretamente para a piscina, sua armações de metal retorcidas pela ação do tempo. De lá, começamos a navegar ao lado do barco, uma estrutura gigantesca e fantasmagórica naquela água azul própria de mergulhos profundos. Eram dezenas de aberturas para se olhar para dentro do barco, uma tentação enorme de fazer a penetração e explorar aquela gigantesca “caverna artificial”.
Mergulhando na parte interna do navio-cruzeiro Bianca C, naufragado em 1961 em Granada
Mas não tínhamos tempo para isso, infelizmente. Entramos em um dos decks, mais espaçosos, eu fotografando e a Ana filmando. A visibilidade era de uns 20 metros, tudo muito azul. Difícil ter uma ideia de toda a grandiosidade do lugar pela foto, que não consegue capturar tudo. Mesmo os nossos olhos, a gente só vê um pedaço. Apenas nadando por lá é que se tem a ideia.
Chegando ao naufrágio Veronica L, em Granada
Logo já estávamos subindo para a superfície. O Bianca C foi se transformando apenas numa sombra e depois sumiu sob nós. Mas continua lá embaixo, imóvel, esperando novas visitas e explorações. Pelo menos até que o mar e a natureza acabem com seu trabalho de desmontá-lo.
Mergulhando no pequeno cargueiro Veronica L, em Granada
Mergulhando no pequeno cargueiro Veronica L, em Granada
Já nós, seguimos lentamente para o segundo ponto de mergulho, enquanto corria o chamado “tempo de superfície”, para que pudéssemos mergulhar novamente. O ponto escolhido foi outro naufrágio, este em águas rasas e o barco bem menor. Um pequeno cargueiro chamado Veronica L.
Entrando no compartimento de carga do Veronica L, em Granada
Respirando em uma bolha de ar a quase 10 metros de profundidade, no naufrágio Veronica L, em Granada
Aí tivemos mais de 40 minutos para explorar o barco e os corais ao seu redor. Aliás, a paisagem formada por esses corais parecia cenário de outro planeta. Acho que esses escritores e diretores de filmes de ficção científica vem ao fundo do mar, para buscar inspiração. Até o James Cameron confessou isso, com o seu “Avatar”.
uma enorme e linda moréia verde ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada
uma enorme e linda moréia verde ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada
Quanto ao pequeno Veronica L, duas cosias foram muito legais. Primeiro, ainda do lado de fora, uma gigantesca, talvez a maior que eu já tenha visto, moreia verde. Estava quase toda fora da toca, inchada, ameaçadora. Ao contrário das moreias pintadas, menores, dessa aí não tive coragem de me aproximar muito não. Como pode um bicho ser, ao mesmo tempo, tão bonito e tão feio?
Peixes nadam sobre corais que mais parecem um cenário de outro planeta, ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada
A outra coisa muito interessante foi uma bolha de ar que se formou dentro do naufrágio, depois das milhares de visitas de mergulhadores. Assim, a quase dez metros de profundidade, pudemos tirar nossos reguladores e conversar lá embaixo. Um ar pesado, com o dobro da pressão da nossa atmosfera ao nível do mar, faz os sons ficarem meio estranhos. Muito joia!
A belíssima praia de Grande Anse, ao sul de St. George's, em Granada, no Caribe
Era meio dia quando voltamos à praia de Grande Anse. Apenas o tempo de um lanche rápido e dirigirmos rapidamente para o parque de Grand Etang, no interior montanhoso de Granada. Assunto para o próximo post...
Depois dos mergulhos, lanchando na praia de Grande Anse, ao sul de St. George's, em Granada, no Caribe
Belíssima laguna no 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Começamos cedo a caminhar hoje. Barracas montadas deixadas para trás, barrigas alimentadas depois do café quentinho que nos esperava no barraca-restaurante. Viva a mordomia, hehehe!
Segundo dia de caminhada no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Belíssima laguna no 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Continuamos a seguir vale acima e não demorou muito para que chegássemos na primeira das muitas lagunas que veríamos hoje. Após passarmos por duas que eram "somente" muito bonitas, chegamos à outra que era de beleza impressionante! Com uma cor de esmeralda, no meio daquelas montanhas, era uma visão de encher os olhos, aquela massa d'água naquela altitude. A única coisa a se lamentar era a temperatura geladíssima da água, o que não nos animava a dar um mergulho. Tivemos de nos contentar com as fotos que tiramos, nosso esforço para tentar registrar um pouco daquela beleza infinita.
Segundo dia de caminhada no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Cachoeira e montanha nevada no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Um pouco mais à frente chegamos à uma bifurcação no caminho. Era um side-tour para chegarmos até o campo base do Alpamayo, uma das mais bonitas montanhas do mundo. Subimos uma forte encosta e fomos recompensados pelo almoço preparado lá encima.
Hora do almoço no 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Aproximando-se da montanha Alpamayo no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Depois, caminhada agradável até o a base dessa montanha maravilhosa, picos nevados para quase todos os lados e nós no meio. Por fim, uma última subida, até os 4.400 metros, ainda nos pés do Alpamayo e das outras montanhas vizinhas, dessa vez para chegar até outra laguna de águas verde-esmeralda.
A incrível laguna que fica aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
A incrível laguna que fica aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
No meio daquelas montanhas nevadas, era um cenário impressionante. Coisa de cartão-postal, desses que achamos que tem muito photoshop na foto. Mas não, era real, tudo ao vivo e a cores, visão em 3D, 360 graus. Emocionante!
Laguna a 4.400 m de altitude, aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Entre as apachetas em homenagem à laguna e ao Alpamayo, a 4.400 metros de altitude, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
De lá, após o deleite de todos, voltamos em direção à bifurcação. Mas, antes de descer a encosta, um atalho já nos levava vale acima, onde estava pronto nosso segundo acampamento. Num local ainda mais bonito que o da noite anterior.
Flores que crescem a mais de 4 mil metros de altitude, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Flores a mais de 4 mil metros de altitude, no trekking de Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz - Peru
Hoje não tinha venda de cerveja, mas pelo menos uma eu tinha carregado comigo na mochila. Gelei ela rapidamente num riacho e a bebericamos com prazer. Em seguida, jantar quentinho para nós.
O magnífico local do nosso segundo acampamento no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Hora do jantar na barraca-restaurante do nosso segundo acampamento no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Do lado de fora das barracas, além do frio, outro espetáculo incrível. Er a a lua que iluminava as montanhas nevadas à nossa frente. Que visão maravilhosa! Para celebrar, vinho dentro da nossa barraca! Aproveitando que o peso era carregado pelas mulas, trouxemos duas garrafas de vinho, uma para cada noite. A de hoje foi em homenagem ao cenário que nos rodeava!
A maravilhosa cena das montanhas nevadas iluminadas pelo forte luar, no segundo acampamento do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Pilotando o nosso Boeing, em visita à fábrica da companhia, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
No começo do século passado, logo após a invenção dos aviões, vários empreendedores americanos mergulharam de cabeça na nova indústria que nascia. O sobrenome de cada um deles se confunde com a própria história da aviação, pois passaram a ser o nome das empresas que, ao longo dos últimos 100 anos, revolucionaram a lógica do transporte pelo nosso planeta.
A tradicional foto com o fundador da companhia, na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Entre esses pioneiros, destacam-se William Boeing, James McDonnell e Donald Douglas. De suas empresas sairiam os aviões civis que transportaram gerações de pessoas em voos transoceânicos e transcontinentais. Os períodos mais lucrativos dessas empresas sempre vieram em tempos de guerra, quando o governo americano fazia enormes encomendas, mas eram as dificuldades dos tempos de paz que faziam as empresas, no seus esforços pela sobrevivência financeira, mais inovarem e avançarem na tecnologia do transporte civil. Daí vieram as famílias de aviões MD, DC-x e 7x7.
Diversos aviões novos, esperando pela pintura na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
A nova concorrência vinda da Europa (Airbus) tornou o mercado ainda mais competitivo e as empresas americanas passaram por um processo de fusões, primeiro entre a Douglas e a McDonnell, ainda no final da década de 60 e depois, essa empresa sendo adquirida pela Boeing, na década de 90. Hoje, o espírito dessas três empresas sobrevive justamente naquela de maior sucesso, a Boeing, cuja sede é aqui em Seattle.
Bandeiras de todos os países que já compraram aviões da Boeing, expostas no salão de visitantes da empresa, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Seu fundador, William Boeing, já vinha de uma família rica. Seu pai, imigrante alemão, havia feito fortuna na indústria da madeira, e assim começou também o filho. Mas ao participar de uma feira em 1909, conheceu e se fascinou prontamente por uma estranha máquina que podia voar, o aeroplano. Ele rapidamente comprou uma daquelas máquinas da primeira empresa de sucesso do setor, a Glenn Martin (que hoje é parte da gigante aeroespacial Locheed-Martin), e teve aulas de pilotagem com seu fundador, Martin. Coincidência ou não, foi justamente trabalhando para Martin, em sua companhia, que os engenheiros McDonnell e Douglas se conheceram. Todos esses pioneiros muito se respeitavam, mas suas respectivas companhias foram concorrentes atrozes enquanto seus fundadores estiveram vivos.
Hall de exposições na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Boeing gostou tanto dos aeroplanos e, ao mesmo tempo, viu tantos problemas no avião que comprara, que decidiu abrir sua própria companhia. Estava nascendo um dos maiores gigantes econômicos do capitalismo. A Boeing nasceu como uma empresa que fabricava e voava com seus próprios aviões, Mas o governo americano, acusando uma prática monopolista, obrigou a empresa a se dividir, na década de 30. A parte de fabricação de aviões seguiu chamando Boeing enquanto a empresa de transporte é a que hoje conhecemos como United Airlines.
A poderosa e moderna turbina Rolls Royce, exposta na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Tão grande e poderosa se tornou a Boeing, especialmente após a 2ª Guerra, que sua performance influenciava toda a economia de Seattle. Essa dependência já não é tão marcante hoje, embora a companhia ainda represente parcela significativa do PIB e empregos na cidade e região. Na verdade, virou até atração turística e milhares de pessoas visitam suas instalações todos os meses.
A poderosa e moderna turbina Rolls Royce, exposta na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Hoje foi a nossa vez! Cerca de 30 quilômetros ao norte da cidade está a principal fábrica da Boeing, onde se encontram as linhas de montagem de vários de seus aviões. Todos eles feitos no maior prédio do mundo, muito maior, em termos de volume, que a pirâmide de Queops ou o Burj Khalifa, em Dubai. Cada uma de suas várias portas tem quase o tamanho de um campo de futebol, pois por aí passam aviões com mais de 70 metros de envergadura.
O gigantesco prédio da fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos. Cada porta é do tamanho de um campo de futebol!
A visita é feita de forma guiada e não se pode levar máquinas fotográficas nem telefones celulares. Temos de guardar tudo é na memória mesmo, as informações e as imagens fantásticas de uma linha de produção de aviões gigantes. Ver quatros deles em fila, em diferentes estágios de construção, sempre com dezenas de trabalhadores no seu interior ou ao redor, é uma imagem inesquecível! Mais impressionante é ver, em um mesmo prédio, várias dessas linhas de produção, uma para cada modelo produzido pela Boeing.
A estrela atual da companhia, exposto na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Maquete do avião da concorrente, exposto na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
O atual xodó da companhia é o novíssimo jato 787, mais moderno e bem mais econômico que os antecessores. É em seu sucesso comercial que a Boeing joga todas as suas fichas e parece que as vendas vão muito bem. A fabricação desse modelo está completamente globalizada e aqui em Seattle é feita apenas a montagem final das partes, que vem da Europa, Ásia e de outros estados americanos. Avião bonito e elegante, a vontade que dá é pegar aquele lá no finalzinho da linha de montagem, quando só está faltando a pintura final da companhia que o comprou, e já sair voando.
Avião exposto na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Além da visita à fábrica, também podemos visitar um pequeno museu, ali no prédio de visitantes. Muitas informações históricas da companhia e de todo o setor. Podemos ver as potentes turbinas Rolls-Royce (imagina a Fiona com uma dessas, hehehe!), entrar na cabine de um jato e fingir pilotar um avião e até mesmo admirar os produtos da principal concorrente da Boeing na atualidade, a europeia Airbus. Aí deu para ver também como a indústria está constantemente evoluindo, embora pareça que o transporte pouco evoluiu nas últimas décadas. Um gráfico ali exposto me mostrou que isso não é verdade e o exemplo dado não poderia ter sido melhor para minha própria experiência. O gráfico mostrava os voos da longa rota entre Londres e Sydney e o número de escalas necessárias para se ir de uma cidade à outra ao longo dos últimos 60 anos. Obviamente, o número de escalas foi diminuindo. Quando eu fiz esse voo, em 1998, era necessário apenas uma escala. Pois bem, hoje já não mais! Voa-se da Inglaterra à Austrália em um voo direto, cortando o tempo total em algumas horas.
Evolução dos voos e diminuição das escalas, no longo trajeto entre Londres e Sydney, em painel na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Enfim, mesmo para aqueles que não entendem muito de aviões, o programa é muito interessante. Caminhar por aquele prédio que tem o tamanho de uma cidade, ver tantos boeings emparelhados (na fábrica) ou desmontados (no museu) e aprender um pouco da história desses incríveis empreendedores que ajudaram a moldar a sociedade em que vivemos é uma chance que não se pode perder. Minha esperança, depois de ver de perto toda essa história e evolução é que o mesmo aconteça com a indústria espacial privada, que dá agora seus primeiros passos. Se evoluir como evoluiu a aviação, acho que não vou ter de esperar minha próxima encarnação para dar um pulinho do lado de fora da atmosfera e ver, lá de cima, todo o nosso continente de uma vez só. Será?
A Ana se fazendo de pilota de jatos, em visita à fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Peça de ouro exposta no famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia
Conforme tínhamos combinado no dia anterior, o Angelo e a Joana foram de manhã no apartamento do Douglas e da Clara para nos apanhar para um passeio pela cidade. Realmente, esses nossos amigos colombianos estão nos acostumando muito mal! O Angelo, dono de uma empresa de transporte, gosta muito de carros e ficou muito interessado na nossa viagem de carro até o Alaska. Sonha em fazer algo parecido, em menor escala.
O famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia
Seguimos diretamente para uma das maiores atrações da capital colombiana, o Musel del Oro. Como o próprio nome diz, a atração principal do museu são as peças de ouro pré-colombianas encontradas no que é hoje a Colômbia. São 55 mil peças, 6 mil delas em exibição, que fazem desse museu o maior do mundo em peças do metal dourado. Caminhar por suas galerias repletas de peças de ouro é, no mínimo, impressionante. Não só pela qualidade das peças e técnica que os artífices daquela época desenvolveram, mas pela quantidade de ouro que ali existe. Ficamos imaginando que aquilo é só a ponta do iceberg, pois sabemos que os espanhóis "passaram a mão" em quase tudo o que encontraram, matando e escravizando quem encontravam em seu caminho. Ou seja, a maior parte do ouro daquela época foi derretido e enviado para a Europa, ou então remodelado para adornar as igrejas coloniais.
Peça de ouro exposta no famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia
O museu mostra também como eram as técnicas de trabalho nos metais preciosos, além de nos ensinar sobre a vida, costumes e crenças dos habitantes dessas outras épocas. É uma viagem a um mundo distante que se liga diretamente a nós através das peças expostas. Muito legal mesmo! Nossa... qual será o valor patrimonial desse museu? Uma coisa que o diferencia de muitos outros é que fotografias e filmagens são permitidas lá dentro. Assim, vai dar para mostrar um pouco do que vimos.
Subindo o Cerro Monserrate em Bogotá, na Colômbia
Com o Angelo e a Joana no Cerro Monserrate, em Bogotá, na Colômbia
De lá seguimos para o teleférico que nos leva ao alto do Cerro de Monserrate. Além da bela e ampla vista que temos de Bogotá, ainda podemos visitar o santuário que há lá encima e visitar a feira de produtos colombianos. Entre eles, uma vasta gama de produtos feitos com a folha de Coca. Até vinho de coca tém! Como na Bolívia e Peru, esses produtos são liberados por aqui. Só não se pode levá-los para países vizinhos, como o Brasil, Equador ou Argentina. Pelo menos, oficialmente não.
Visitando o Santuário de Monserrate em dia nublado, em Bogotá, na Colômbia
Aproveitamos também para almoçar num dos belos restaurantes que existem por lá. Nada como um bom vinho (de uva!) com aquela vista magnífica!
Produtos da folha de coca vendidos em Monserrate, em Bogotá, na Colômbia
Na volta, passamos por duas regiões muito legais de Bogotá. Uma é a Mariscal, cheia de bares e lojinhas. Um dos bares, o "Alô Brasil", é da pátria amada! Segundo o dono, o único da capital que é mesmo de um brasileiro. Os outros dois ou três que existem são restaurantes e pertencem a colombianos mesmo. Até um copinho de cachaça tomamos, para celebrar o encontro.
Com o Angelo e a Joana em restaurante no Cerro Monserrate, em Bogotá, na Colômbia
A outra região é a Zona T (de Turismo). Região chique, cheia de lojas de marca, gente bacana, carros vistosos e bares iluminados. Cara de primeiro mundo. Num desses bares encontramos a Viviana e o Andrés, bateirista do The Hall effect. Como sempre, muito amáveis conosco! A gente nem sabe como retribuir tanta amabilidade assim! Pelo menos, já tá todo mundo convidado para ir ao Brasil!
Bar brasileiro no bairro Mariscal, em Bogotá, na Colômbia
De volta para a casa do Douglas e Clara, que já estamos considerando como nossa, foi a vez da Ana fazer um jantar, a sua famosa pasta com molho gorgonzola. Uma delícia, fez muito sucesso. Exceto pelo cheiro forte do queijo, que a Amelie não gosta. Mas da comida ela gosta, hehehe!
Passeando em Bogotá no carro do Angelo (Colômbia)
A requintada Zona T, em Bogotá, na Colômbia
Amanhã é nosso último dia inteiro por aqui. Compramos nossas passagens para o Caribe, nossa terceira ida para essas ilhas fantásticas. A Fiona vai ficar por aqui, na garagem do Douglas, enquanto nós vamos conhecer Aruba, Bonaire e Curaçao, ou simplesmente "ABC". Vamos seguir o alfabeto mesmo, começando por Aruba no dia 21. No dia 30, retornamos para Bogotá vindos de Curaçao. Então, Caribe, aí vamos nós!
Reencontro com o Andres e a Viviana em bar em Bogotá, na Colômbia
Estrada cruzando o sertão da Bahia em direção à Chapada Diamantina
Hoje deixamos Mangue Seco e o mar para trás. Depois de tanto tempo na costa, desde Vitória no Espírito Santo até a fronteira de Bahia e Sergipe, já era hora de voltarmos ao interior. Serão três semanas no sertão, até voltarmos para a costa em Recife, em tempo de voarmos para Fernando de Noronha, no dia 10 de dezembro.
Despedida de Mangue Seco (BA), na travessia para Pontal (SE)
Logo cedo, o Givaldo foi nos buscar de barco. Que tristeza deixar Mangue Seco... Mas, é assim que tem sido em todos os lugares e já estamos acostumados. Durante a travessia para Sergipe o Givaldo foi dando uma aula de pescaria e de técnicas de navegação de barcos pesqueiros. Aula prática, pois tinha um pesqueiro à vela ali do lado, apostando corrida com a gente.
Barco à vela de pescador, durante a travessia Mangue Seco (BA) - Pontal (SE)
A Fiona nos esperava e logo deixamos Sergipe para trás. Vamos voltar com mais tempo depois de Noronha! Voltamos para a Bahia e seguimos rumo à Feira de Santana, o principal entroncamento rodoviário do estado. Parece que todas as estradas passam por lá. Pois é, até Feira a viagem foi tranquila mas depois, um trânsito infernal até a bifurcação da estrada, uns 60 km depois. A grande maioria dos caminhões seguem pela BR-116, em direção ao sul do país. E uns poucos felizardos seguem na Salvador-Brasília. Estrada muito boa e vazia. Uma reta só!
Mapa da nossa viagem entre Mangue Seco e Lençóis (BA)
Não demorou muito e já estávamos em pleno sertão. Vegetação totalmente distinta daquela do litoral. Ao invés de coqueiros, cactus! Lá fora, longe do confortável ar condicionado da Fiona, 37 graus!!!
Vegetação de caatinga no interior da Bahia
Primeira visão da Chapada Diamantina, em Lençóis - BA
No fim de tarde, avistamos a Chapada Diamantina, com sua silhueta inconfundível Emocionante revê-la! Já estive aqui 3 vezes, a primeira há vinte anos, a última há dez anos. É um lugar especial, sem dúvida. Quando algum gringo me pergunta qual lugar deve conhecer no Brasil, a Chapada Diamamntina sempre, sempre, sempre está na minha lista. Seja de dez lugares, de cinco ou de três.
Visão de Lençóis - BA
A gente se instalou na Pousada Casa da geléia e fomos passear e jantar nas simpáticas ruas de paralelepípedo de Lençóis, a mais famosa cidade da região. Cidade histórica, casario antigo, pousadas e restaurantes charmosos. Uma graça!
Casario antigo em Lençóis - BA
De noite, já na pousada, tivemos uma longa conversa com o Lúcio, grande conhecedor da região. Ele nos ajudou a montar um roteiro de dez dias por aqui. E não achem que é muito não! É pouco! Acho que seria preciso um mês para explorar tudo o que o parque e a região oferecem: cachoeiras, montanhas, cavernas, lagos subterrâneos, caminhadas e até um mini-pantanal. Além de várias cidades históricas e charmosas e muita comida boa. O lugar é o paraíso do turismo. Pelo menos, do turismo que eu gosto de fazer...
Roda de capoeira em Lençóis - BA
Então, é isso. Amanhã começamos nosso tour pela Chapada. Depois, teremos só mais dez dias para cruzar o sertão. Mas, como já disse, depois de Noronha, voltaremos à ele.
Tomando vinho em rua charmosa de Lençóis - BA
Na praia do fim do fim do fim da estrada, região de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Mesmo sem muitas esperanças do tempo melhorar, partimos para nossas explorações da Península do Kenai, a região à sudoeste de Anchorage que é um verdadeiro playground dos habitantes da maior cidade do Alaska. Na verdade, havia uma luz no final do túnel, ou pelo menos no meio dele, pois os sites de previsão (que costumam acertar tudo por aqui) diziam que no dia 17 não choveria, inclusive com alguns períodos de céu claro. Para o dia 16 e dia 18 em diante, os prognósticos eram desanimadores...
A bela paisagem no caminho para Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Ontem, dia 16, eles acertaram direitinho. Tempo nublado e frio entremeado de chuvas. Mesmo assim, a estrada é muito bonita, passando ao largo de fiordes, cruzando montanhas nevadas e passando por um vale que costuma registrar ventos fortíssimos. Na época certa, que não é agora, pode-se até ver baleias beluga nadando nos fiordes. Mas com esse frio e chuva, nem elas se animam muito.
Dia nublado, especial para fotos em PB, em Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Bom, o tempo podia estar ruim do lado de fora da Fiona, mas do lado de dentro estava muito confortável. Ela deslizou através dos ventos fortes e nos levou são e salvos até a cidade de Homer, no extremo sul da península. Ali, com a fome apertando, deixamos o hotel para depois e seguimos até a pontinha de uma longa ponta de areia e pedras que se estende fiorde adentro por quase cinco quilômetros (uma antiga “moraine” de uma geleira desaparecida faz 10 mil anos), onde encontramos um delicioso restaurante, com vista para o mar e para as montanhas escondidas atrás das nuvens.
Dia nublado, especial para fotos em PB, em Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Sabemos disso porque, no decorrer do almoço, as nuvens se afastaram um pouco e as tais montanhas e suas geleiras apareceram, mostrando o quão grandiosa era a paisagem. Aproveitamos a melhora no tempo para caminhar um pouco pela praia de pedras da “spit”, que é o nome em inglês dessa ponta que entra mar adentro. Com o tempo tão nublado, tudo ganhava tons acinzentados, paisagem e luz ideais para uma sessão de fotos em preto e branco, bem com a cara do dia!
Maré baixa em praia de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Voltamos para o centro, achamos um hotel ao lado do hidroporto de onde saem os hidroaviões em direção a Katmai e aí ficamos até o dia seguinte. Katmai, do outro lado do fiorde, é o Parque Nacional onde se tiram aquelas fotos mais famosas de ursos, quase o símbolo do Alaska. Estou falando daquele rio em que os grizzlies se posicionam ao lado das cachoeiras e corredeiras de um rio e abocanham em pleno ar os salmões que tentam seguir rio acima, para seu local de desova. O único meio de acesso é por hidroaviões e na temporada, centenas de turistas desembolsam algumas centenas de dólares para assistir a este espetáculo, no conforto e segurança de um mirante ao lado do rio. Ali, passam horas se maravilhando com as dezenas de ursos em raro momento de convivência pacífica, pois tem salmão para todo mundo.
O belo fiorde onde está Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Vimos essas fotos em diversos cartazes espalhados pelas Oficinas de Turismo de todo o Alaska. Além disso, dez entre dez documentários sobre ursos ou sobre o Alaska também mostram essa cena. Infelizmente, são somente essas ”lembranças” que levaremos para casa, já que o mau tempo e o alto preço do passeio nos desestimularam a fazer o investimento. Além disso, ainda vamos passar em outros rios com ursos, aqui no Alaska. Sem a famosa cachoeira, mas com algumas corredeiras também.
A belíssima região de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Hoje o dia amanheceu mais promissor, conforme a previsão. Como já havíamos desistido de Katmai, o programa foi dirigir pelas estradas cênicas aqui da região. E começamos justamente pela que mais me interessava, a estrada do fim do mundo. Como todo mundo já sabe (pelo menos, quem lê o 1000dias.com sabe, hehehe), a maior estrada do mundo é a Rodovia Panamericana, que liga a Patagônia ao Alaska. Mas, e aqui no Alaska, para onde ela vai? A resposta é discutível. A Rodovia Panamericana, desde a Columbia Britânica, no Canadá, se confunde com a Alaska Highway. Pouco depois de entrar no Alaska, em Delta Junction, a Alaska Highway termina oficialmente, bifurcando-se: um lado para Fairbanks e o outro para Anchorage. Quando nós viemos para o Alaska, seguimos para Fairbanks. A partir dessa cidade, a rodovia muda de nome e segue para o norte, até Prudhoe Bay, já na costa do Oceano Ártico. Nós seguimos até a metade desse caminho e, para muitos, esse seria o final da Rodovia Panamericana.
Uma das muitas geleiras na região de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Mas existe também outra opinião. Como na bifurcação em Delta Junction, o ramo principal da estrada segue para Anchorage, esse sim seria a continuação da Rodovia Panamericana. Aliás, é a mesma estrada (mesmo número, a 1) que entra no Alaska e vem para Anchorage. Seria aí o fim? Não! A rodovia 1 segue em frente, entra na Península do Kenai e chega até Homer, onde estamos! A 1 acaba na cidade, mas a estrada continua, com o nome de “East End Road”. Foi por aí que seguimos, contornando o fiorde e nos maravilhando com as montanhas e geleiras ao seu redor. O asfalto terminou, mas uma estrada de terra seguia em frente. Finalmente, chegamos a uma placa que dizia: “Não continue! Daqui para frente, a estrada não tem manutenção!” Nós seguimos em frente. A estrada descia uma enorme ribanceira, própria para carros tracionados e chega a uma praia. Pronto, este é o fim do fim do fim da estrada! Chegamos ao final da Rodovia Panamericana!
A fiona chega ao fim do fim do fim da estrada, na região de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Passeio na região de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
O cenário não poderia ser mais propício. Uma praia de pedras ao lado de um fiorde maravilhoso. Ao fundo, picos nevados separados por geleiras titânicas. Típica paisagem do limite da civilização. Para o lado de lá, a natureza bela e selvagem. Para o lado de cá, quase 50 mil km de estradas até a Terra do Fogo. Foi emocionante ter estado aí, com a nossa Fiona linda ao nosso lado, um ar meio blazè diante da importância daquele momento.
Admirando o mar de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Delicioso entardecer em praia de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Sem dúvida, esse foi o ponto alto da nossa visita a Homer, mas ouve outros também. Percorremos várias estradas cênicas por ali, sempre em meio a nomes russos que batizam praias, estradas e estabelecimentos. Lembrança constante que esse pedaço da América quase já foi Ásia e que, se não fosse pelo excelente negócio realizado pelos EUA em 1867, hoje, ao invés de dizer “Good morning”, “Thank you”, “Please” ou “Beer” (as principais expressões de qualquer língua!), teria de apender a falar “Dobroye utro”, “Spasibo”, “Pajalusta” e “Piva”.
Influência russa nos nomes dessa região do Alaska (em Homer, na Península do Kenai)
A cidade de Homer e sya londa "spit", na Península do Kenai, no sul do Alaska, vistos do alto do mirante
Subimos no alto do morro nas costas da cidade e daí pudemos admirar a “spit” entrando pelo fiorde. Magnífica! Lá de cima, parece tão pequena, principalmente quando comparada com a paisagem infinita ao seu redor. Mas quando descemos lá outra vez e voltamos à mesma praia de pedras de ontem, agora com o tempo bem melhor, não tem nada de pequeno não! Outra vez, caminhamos pela praia, sentimos o cheiro delicioso do mar e revimos o Oceano Pacífico, tão gelado aqui em cima. A última vez tinha sido na Baja California, onde a água já era fria, mas permitia um banho. Aqui, nem pensar! Mas as gaivotas, essas eram as mesmas. Seja no Pacífico, seja no Atlântico, seja no sul, seja no norte, elas estão sempre na praia. “Êta passarinho encardido, sô!”, como diriam lá na minha terra, que nem mar tem.
As gaivotas estão em toda a América. Até em Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Perseguindo gaivotas em praia de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Não foi só o tempo que mudou com relação a ontem. A maré também. E as marés do Alaska estão entre as maiores do mundo. A prova viva estava ali na nossa frente. Os mesmos locais fotografados pareciam de planetas diferentes. É por isso que esses fiordes sustentam uma vida tão variada, tanto de água doce como de água salgada. Na maré baixa, prevalece a influência dos rios que descem continuamente das geleiras, trazendo água limpa, nutritiva e gelada. Na maré alta, é o mar que domina. Um encontro de ecossistemas que atrai a migração de peixes, pássaros e mamíferos aquáticos de todas as partes.
Maré baixa na praia do Farol em Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Maré baixa na praia do Farol em Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
É, o Alaska é mesmo especial e a Península do Kenai, mesmo para padrões “alaskianos”, se destaca. Hoje, pudemos ver e entender um pouquinho disso tudo, com a ajuda de São Pedro. Aproveitamos ao máximo, pois amanhã o dia será feio. Mesmo assim, vamos para o outro lado do Kenai, para a cidade de Seward. Vamos ver...
Barco navega pelo fiorde de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
O cenário grandioso de Elephant Island, na Antártida (foto de Steve Denver)
Pouco mais de 1.300 quilômetros de alto mar e de deixarmos a Geórgia do Sul para trás, a primeira terra firme apareceu no nosso horizonte. Nosso sentido era o sudoeste e o rumo era o continente antártico e aquelas primeiras montanhas no horizonte indicavam que estávamos cada vez mais perto do nosso objetivo. Ainda não era a própria Antártida, mas um arquipélago de ilhas conhecido como South Shetland Islands. As tais montanhas que víamos pertenciam à ilha mais ao norte desse arquipélago, com o sugestivo nome de “Ilha Elefante”, ou “Elephant Island” em inglês.
Nosso roteiro pelos mares do sul entre Falkland, Geórgia do Sul, Península Antártica e Ushuaia
Nosso roteiro e pontos de parada na região da Península Antártica
É claro que o nome da ilha não tem nada a ver com os simpáticos paquidermes africanos e indianos. Na verdade, é uma referência aos gigantescos pinípedes (as populares focas) que costumam aparecer nas poucas praias de pedra da ilha, os mesmos elefantes marinhos que tanto vimos na Geórgia do Sul. Eles não são tão comuns por aqui, mas chamaram a atenção dos primeiros exploradores há cerca de 200 anos. Esses intrépidos aventureiros não pararam por aqui, mas o apelido que deram para a ilha pegou e assim ela ficou conhecida.
A paisagem escarpada de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida
A costa gelada de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
O panorama de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Desde então, Inglaterra, Chile e Argentina têm reclamado soberania sobre ela e todo o arquipélago, mas o Tratado Antártico definiu que este é um território internacional, próprio a pesquisas científicas e livre de exploração comercial. Aqui tivemos nosso primeiro contato com ares e mares antárticos, a emocionante sensação de estar a menos de 250 km da ponta norte da Península Antártica. Ainda faltam esses quilômetros para chegar lá, mas a sensação já é a de estar no continente branco, uma paisagem dominada por montanhas nevadas, enormes geleiras, animais típicos da Antártida e a certeza de estar muito longe da civilização.
Guias prontos para os passeios de zodiacs, em Point Wild, Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)
A escocesa Rowan e a americana Sara, felizes de estarem de volta ao mar, em Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)
Um zodiac e seus passageiros quase desaparecem perto da imensidão gelada de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Ao longo do dia fomos conhecer dois pontos da ilha. De manhã, uma passeio de zodiac ao redor das encostas rochosas e dos icebergs que flutuam por aqui num local chamado “Point Wild”. De tarde, outro passeio de zodiac, mas agora com direito a desembarque numa praia rochosa de Cape Lookout, já na costa oeste da ilha. Nas duas oportunidades, muita chance de ver de perto parte da rica fauna antártica, como pinguins, focas e até um emocionante encontro com baleias. Vou falar desses encontros nos próximos posts (teve até nossa primeira foca leopardo!!!) porque agora quero falar de história e de gelo.
de zodiac, dando a volta em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida
observando a beleza selvagem de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida
Caminhando na praia rochosa de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida
Foi em Point Wild que ocorreu um fato jamais esquecido na história das grandes aventuras de exploração do mundo e que tornou a isolada Elephant Island para sempre celebrada nos anais das grandes proezas humanas. Foi aqui que, após meses vagando sobre uma enorme plataforma de gelo flutuante, a tripulação do Endurance pode, pela primeira vez em mais de um ano, pisar em terra firme. Mas a aventura ainda estava muito longe de terminar...
Shackleton e sua tripulação presos em Elephant Island
Saída para a longa viagem entre Elephant Island, na Antártida, para a Geórgia do Sul
Eu já contei essa história em outro post, quando visitamos o túmulo de Shackleton na Geórgia do Sul. Sir Ernest Shackleton era o líder da expedição exploratória inglesa que pretendia, entre 1915 e 1916, realizar a primeira travessia transantártica da história. O objetivo nunca foi atingido e, na verdade, a grande aventura (e o grande feito!) foi conseguir sobreviver durante tanto tempo neste ambiente inóspito que são as regiões polares do sul do planeta. Resumindo a história, o Endurance, o navio da expedição, ficou preso no gelo antártico muito antes de chegar ao continente e ficou ao sabor das correntes marinhas que carregavam a plataforma de gelo. Após algum tempo o movimento do gelo acabou destruindo e engolindo o Endurance e, muito tempo depois, acabou por trazer toda a tripulação do barco afundado até aqui, a Elephant Island.
O Sea Spirit ancora na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
A mar semi-congelado da baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Blocos de gelo são deixados pelo mar em pequena praia de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Naquela época, há quase cem anos, as chances de resgate nessa ilha eram nulas. Em plena 1ª Guerra Mundial, o tráfego de navios por esta região era inexistente. Shackleton resolveu partir para o tudo ou nada e, junto com outros cinco tripulantes, a bordo de um pequeno bote salva-vidas, o James Caird, partiu em 24 de Abril de 1916 numa tentativa quase suicida de chegar até a Geórgia do Sul. Lá ele sabia que existia estações baleeiras que poderiam ajudar a organizar um resgate. Milagrosamente, duas semanas mais tarde e depois de cruzar mais de 1.200 km de mar aberto, além da épica travessia caminhando pelas montanhas da Geórgia do Sul, ele chegou à civilização. Mas seria apenas no dia 30 de Agosto de 1916 que ele conseguiria chegar de volta à Elephant Island com um barco de resgate para salvar sua tripulação.
Uma geleira encontra o mar em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
A água do mar escorre de rochedo em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida
Portanto, seus homens tiveram de sobreviver por aqui por mais de 4 meses! Só podemos dar o real valor à façanha conhecendo de perto o local onde eles sobreviveram. Difícil imaginar local mais inóspito. Era inverno e, por aqui, nessa época do ano, quase não há luz do sol, uma espécie de noite interminável. A temperatura está sempre muito abaixo de zero e os ventos não param. Obviamente, não há madeira na ilha para se construir um refúgio e tudo o que aqueles homens tinham eram o pouco que tinham salvo do Endurance além de dois outros botes salva-vidas que foram desmontados para se montar um abrigo mais rústico. A praia de pedra onde ficaram é minúscula e constantemente fustigada pela maré de águas geladas. É inacreditável que tenham sobrevivido por tanto tempo...
Nosso zodiac enfrenta um mar semi-congelado na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Início do desembarque nas águas geladas de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
A comida vinha da caça dos poucos pinguins e focas que encontravam por aqui. Nessa época do ano, não são muitos os animais que dão a cara por essas bandas. A gordura das focas também servia de combustível para as poucas lamparinas que tinham para conviver com a escuridão interminável. O líder dos homens, muito bem escolhido por Shackleton, era Frank Wild. Por sua incrível competência e liderança (ninguém morreu e nunca houve brigas!), o local está batizado com o seu nome: Point Wild
Estátua que homenageia a tripulação do Endurance que sobreviveu alguns meses na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Estátua em homenagem aos tripulantes do Endurance que passaram vários meses em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
Nós não desembarcamos ali, apenas demos a volta de zodiac. Do barco, além das pedras, pinguins, gelo e o pequeno espaço onde viveram esses valentes, também avistamos uma estátua, uma marca humana algo destoante em meio àquela natureza selvagem. Logo imaginei que o busto, hoje cercado apenas de pinguins chinstrap, era uma homenagem a Wild ou ao próprio Shackleton. Que nada! O homenageado é Luis Pardo, um capitão da marinha chilena. Foi ele que, enfim, conseguiu resgatar os náufragos em Elephant island. Shackleton já havia tentado 3 vezes com barcos da Geórgia do Sul, mas as condições do inverno dificultavam o resgate. Enfim, já em Punta Arenas, conseguiu apoio da marinha chilena. A bordo do Yelcho, ele guiou Pardo através do mar gelado e conseguiu salvar todos os homens de sua tripulação. O capitão chileno recusou um prêmio em dinheiro oferecido pela Inglaterra, dizendo que apenas cumprira uma tarefa designada pela marinha de seu país.
Um pequeno pedaçõ da geleira desaba nas águas da baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida, causando muito barulho, nuvens e ondas,
Nosso guia nos ensina os segredos contados pelo gelo que flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Examinando um bloco de gelo que flutuava nas águas de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
O mar continua muito gelado ao redor de Point Wild. Mas agora, já em Novembro, as condições são muito melhores do que no auge do inverno, em Agosto. Mesmo assim, nossos zodiacs têm de driblar os blocos de gelo que flutuam pela baía. Quase todos eles são provenientes das enormes geleiras que escorrem das altas montanhas de Elephant island. Vimos e ouvimos vários “desabamentos” de gelo sobre o mar, algo que sempre nos causa calafrios na espinha. Nosso guia, um glaciologista, aproveitou a oportunidade para nos ensinar mais sobre o gelo, a história que ele conta, sua origem no alto das montanhas, processo de formação e final de vida no mar. Alguns pedaços são do tamanho de bolas de futebol enquanto outros, os maiores, chegam ao tamanho de pequenas casas.
Sol ilumina um enorme iceberg tabular nas costas de Elephant Island, na Antártida (foto de Melissa Bartlett)
Um belo e majestoso iceberg flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Um belo e majestoso iceberg flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Grandes? Não, grande é outra coisa, é aquilo que flutua na entrada da baía, um autêntico e gigantesco iceberg tabular, vindo diretamente das plataformas de gelo da Antártida. Com dezenas de metros de altura e centenas de metros de lado, isso é apenas a parte visível, já que a grande maioria de sua massa, cerca de 8/9 dela, está escondida abaixo da superfície do mar. Até o nosso Sea Spirit fica pequeno perto deles.
Um enorme iceberg tabular pouco antes de afundar na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
De volta ao Sea Spirit após passeio de zodiac em Point wild, Elephant Island, na Antártida
Iceberg tabular se vira, afunda e deixa apenas uma pequena parte de seu corpo fora da água na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
Passageiros observam incrédulos a iceberg que afundou na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
Pois bem, com nossos zodiacs, a gente chegou mais perto desses magníficos e belos gigantes. Não tanto como gostaríamos, mas perto o suficiente para admirar e fotografar a sua beleza. Não chegamos mais perto pelo risco que há deles se virarem e causarem grandes ondas. Pelo menos, foi o que disse nosso guia, embora não acreditássemos muito nesse perigo. Bem, nossa incredulidade não durou muito. Meia hora mais tarde, todo mundo já a bordo do Sea Spirit, eis que o gigantesco iceberg realmente se virou. Parece que de propósito, diante dos olhos atônitos de dezenas de turistas e tripulantes. Um verdadeiro espetáculo de proporções titânicas. Felizmente, nenhum zodiac por perto. Teria sido difícil escapar de um banho gelado, bem gelado! A visão desse enorme iceberg se virando foi apenas uma das muitas e incríveis surpresas que tivemos nesse dia. Houve muitas outras, devidamente relatadas nos posts seguintes...
O Sea Spirit fica pequeno quando comparado às encostas geladas de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
O Sea Spirit fica pequeno perto dos enormes blocos de gelo na região de Point Wild, Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)
Tropas argentinas se preparam para mais uma batalha na Conquista do Deserto, nome dado à guerra conttra os indígenas pelo controle da Patagônia (imagem da Internet)
Deixando El Bolsón para trás e rumando para o sul, estamos mergulhando de vez na Patagônia. Na verdade, essa região geográfica de nome tão famoso se estende muito mais para o norte (veja no mapa abaixo!), ocupando praticamente metade do território argentino e uma boa parte do sul do Chile. Mas é apenas ao sul de El Bolsón e de uma linha imaginária que liga essa cidade à Península Valdés, na costa atlântica, que o governo oferece subsídios para empreendedores e habitantes. Uma espécie de estímulo para que a região se desenvolva economicamente e seja ocupada por mais pessoas. Entre esses subsídios, até o combustível é mais barato. Bom para nós, turistas motorizados! Principalmente agora que os trechos de estrada serão muito mais longos cortando essa vasta região quase desabitada.
Mapa da Patagônia, ocupando boa parte da Argentina e do Chile. Mas é apenas ao sul da linha vermelha onde está El Bolsón que o combustível passa a ser subsidiado pelo governo
Para nós que nascemos no final do séc. XX, estamos acostumados com o mapa da Argentina mostrando esse grande país, o segundo maior da América do Sul e um dos maiores do mundo em extensão geográfica. Até imaginamos que foi sempre assim. Intuitivamente, pensamos que desde tempos coloniais, ainda sob domínio espanhol, os países que hoje conhecemos já existissem ali, pelo menos em seus contornos geográficos. Mas a intuição está errada. A América espanhola tinha outras divisões: Colômbia e Venezuela de um lado e todo o resto de outro, formando o vice-reinado do Perú. Foi apenas na segunda metade do séc. XVIII que foi criado o vice-reinado do Prata, embrião não só de Argentina, mas também de Uruguay e Paraguay, além de partes da Bolívia e Chile.
Mapa francês de 1862 mostra a Patagônia como terra de ninguém, apesar de reinvidicada pela Argentina. A Terra do fogo e extremo sul tem a mesma cor das Falkland e parecem pertencer à inglaterra (imagem da Internet)
Quando veio o processo de independência no início do séc. XIX, os países, ao menos em teoria, tomaram suas formas mais ou menos parecidas com o que vemos hoje. Mas na prática, não era assim. Toda a região patagônica, tanto no lado argentino como chileno, nunca havia sido ocupada de fato pelos espanhóis. Pela pouca atratividade econômica dessas terras, assim como por uma resistência ferrenha dos povos nativos, eles permaneceram virtualmente independentes ao longo de todo o período colonial. E assim continuaram também por boa parte do séc. XIX. Nosso “enorme” país vizinho, a Argentina, se compunha apenas das regiões vizinhas a Buenos Aires e do norte do país, região que se desenvolveu em épocas coloniais para fornecer alimentos à Potosí, na Bolívia, principal centro econômico da América espanhola ao longo de séculos. Toda a metade sul do país era território desconhecido e habitado por indígenas gigantes (os “patagones”) e hostis.
Antes do tratado de 1881 o Chile ainda reinvidicava o controle de boa parte da Patagônia, incluindo todo o cone sul do continente (imagem da Internet)
No papel, eram terras argentinas. Pelo menos, nos “papéis argentinos”. Para os chilenos, era território chileno, como mostram mapas históricos daquele país. O Chile se imaginava dono de toda a “patagônia oriental”, correspondente ao sul argentino de hoje, do Atlântico ao Pacífico. Só faltava combinar isso também com os europeus. Um mapa francês de 1862 mostra toda a Patagônia como terra de ninguém, embora o próprio mapa admita que a área fosse reivindicada pelos argentinos. A Terra do Fogo, nesse mesmo mapa, parece pertencer à Inglaterra ou ao Chile, talvez. Sinal claro de que, assim como temiam argentinos e chilenos naquela época, as potências europeias estavam sim interessadas no sul do nosso continente.
Vestido com roupas mapuches, o advogado e auto-proclamado imperador do Reino da Araucania e Patagônia, o francês Orélie Antoine de Tounens (imagem da Internet)
Tanto é assim que, em 1860, um advogado (e aparentemente louco) francês, Orélie Antoine de Tounens, já há alguns anos radicado no Chile, decidiu declarar o “Reino da Araucania e Patagonia” tendo ele como rei, claro! Ele se entendeu com alguns índios mapuches, vestiu-se como eles e se imaginou imperador. O seu país nunca foi reconhecido por nenhum outro, mas ele fez tanto barulho que acabou incomodando as autoridades chilenas que acabaram por prendê-lo, dois anos mais tarde, e um manicômio. Solto com a ajuda do cônsul francês, voltou a seu país para procurar apoio. Por duas vezes voltou a seu reino, tentando ressuscitá-lo. Acabou morrendo e deixou o trono para um amigo. Por mais incrível que possa parecer, até hoje os descendentes desse amigo, que montaram um “governo de exílio na França”, reivindicam o trono perdido.
Território do "Reino da Araucania e Patagônia", proclamado pelo francês Orélie de Tounens em 1860 (imagem da Internet)
Por mais pitoresca que possa parecer essa história, ela ajudava a assustar os governos chileno e argentino da época. Daí a estratégia chilena de criar a cidade de Punta Arenas no sul do continente, a fim de consolidar suas pretensões territoriais. Foi o único povoamento que realmente se desenvolveu naquela parte remota do mundo naqueles tempos. Outra ideia chilena foi a de estimular a ocupação patagônica pelos índios mapuche, da Araucania (região no sul do Chile). Notavelmente guerreiros, eles foram o único povo capaz de resistir ao avanço do império inca a também aos colonizadores espanhóis. Agora seriam usados para legitimar as pretensões territoriais do Chile sobre a tal “patagônia oriental”.
Um grupo de índios mapuche posa para foto ao final do século XIX (imagem da Internet)
Desde tempos imemoriais, essa região já era ocupada pelos índios tehuelches, um povo nômade e de grande estatura (o que levou a criação da lenda dos patagones, os “gigantes” avistados pelos primeiros exploradores europeus). Povo pacífico e que vivia da caça de guanacos e emas, não foram páreo para os aguerridos mapuches. Na primeira metade do séc. XIX, a patagônia central sofreu um rápido e muitas vezes violento processo de “araucanização”, enquanto os tehuelches que não eram assimilados eram empurrados mais para o sul. Mas os tehuelches não eram as únicas vítimas do avanço mapuche.
Bando de mapuches ataca povoado argentino na fronteira dos Pampas e da Patagônia (imagem da Internet)
Nos pampas orientais, fronteira de ocupação argentina de então, criollos (miscigenação de espanhóis e indígenas) e os primeiros imigrantes europeus estabeleciam seus ranchos e povoados. Estes eram continuamente atacados por guerreiros mapuches em busca de gado e cavalos que eram revendidos no Chile. Aí, os mapuches adquiriam de comerciantes chilenos e ingleses armas para continuar sua guerra no leste. Muito comum também nesses ataques era a captura de crianças e mulheres que serviriam de esposas ou escravos dos guerreiros mapuches. São inúmeros os relatos escritos dessa época de europeus escravizados nas planícies patagônicas. Esses ataques indígenas na fronteira aumentaram muito de escala durante a Guerra do Paraguay, entre 1864 e 1870, o maior conflito armado já ocorrido nesse continente e que manteve as tropas argentinas ocupadas no norte do país.
Julio Roca, comandante das tropas argentinas na conquista da Patagônia. Mais tarde, seria duas vezes presidente do país (imagem da Internet)
Com o fim da guerra, políticos argentinos pressionavam para resolver de uma vez por todas os problemas na fronteira sul do país. Aos poucos e depois de muitos debates parlamentares, foi organizada uma expedição militar liderada pelo general Julio Rocca, futuro presidente do país por duas vezes. O primeiro alvo foi a região dos pampas orientais, rico em pastagens e ainda bem próximo do centro de poder. Na época, a campanha foi vista como uma batalha entre a civilização e a barbárie e o objetivo era a total submissão dos índios, senão a sua aniquilação. Afinal, diziam os políticos e jornais da época, a tentativa de assimilação feita durante décadas não dera nenhum resultado. Com mais armamentos e estratégia militar muito superior, as forças indígenas pouco puderam resistir, centenas de guerreiros mortos e milhares de mulheres e crianças capturadas. Sem os pampas, os indígenas perderam o seu melhor território, o único mais propício para a criação de gado e cavalos.
O cacique Pincén, conhecido como o ""terror dos fortes militares" (imagem da Internet)
O passo seguinte seria a conquista de toda a Patagônia. Mas aí a dificuldade seria maior, pois o Chile também reivindicava aquela área. Mas uma excelente oportunidade histórica foi muito bem aproveitada pelos argentinos. O Chile se envolvia no final da década de 70 em outra guerra, a segunda mais sangrenta do continente. De um lado, os chilenos, do outro a aliança de peruanos e bolivianos. A chamada Guerra do Pacífico, entre 1879 e 1883 tinha por maior objetivo as quase inesgotáveis minas de cobre no norte do Atacama. O Chile venceu a guerra e, de quebra, privou a Bolívia de seu litoral e chegou a ocupar Lima, a capital peruana, por alguns anos. Mas enquanto a guerra corria na sua fronteira norte, sua fronteira leste, com a Argentina, ficou desguarnecida. Os chilenos temiam que os argentinos se juntassem à aliança de Perú e Bolívia e quiseram negociar com o vizinho antecipadamente. Os argentinos souberam aproveitar o momento e negociaram um tratado que fixava a fronteira entre os dois países ao longo da cordilheira dos Andes. Sem saída no momento, o Chile aceitou e a Argentina garantiu para si a posse da “patagônia oriental” chilena.
Expansão territorial argentina após a Guerra do Paraguay. Até então, o governo central controlava apenas a área em azul claro. A "Conquista do Deserto" expandiu as fronteiras do país rumo ao sul do continente (imagem da Internet)
Livres do Chile, nossos vizinhos partiram para a ocupação do território na campanha chamada de “Conquista do Deserto”. Os índios resistiram o quanto puderam, mas ao final da campanha boa parte tinha sido morta ou capturada. Poucas décadas depois, os tehuelches estavam extintos e os mapuches sobreviveram apenas no Chile. Ao mesmo tempo, em menos de uma década, a Argentina tinha praticamente duplicado seu território de fato. E assim chegamos, finalmente, ao final do séc. XIX, nas fronteiras dos países como conhecemos hoje, a Bolívia sem mar, o Chile uma longa e estreita faixa de terra entre os Andes e o Pacífico e a Argentina como segundo mais extenso país da América do Sul, um dos maiores do mundo. A Patagônia na qual mergulhamos a partir de hoje praticamente toda “hermana” e seus antigos habitantes, apenas fantasmas do passado.
Pequeno grupo de índios tehuelches em fotografia de 1897, depois da conquista do deserto. Algumas décadas mais tarde e eles estariam extintos. (imagem da Internet)
Realmente, é difícil imaginar um fim tão triste para uma raça que por milhares de anos vagou livre e orgulhosa pelas infinitas planícies patagônicas. Os mais de dez mil prisioneiros foram forçados a caminhar até Buenos Aires, muitos morrendo na dura marcha. Na capital, homens e mulheres foram imediatamente separados. Não deveriam ter mais a chance de “se reproduzir”. Os pouco menos de dois mil guerreiros ainda vivos foram enviados para uma prisão em uma ilha no Rio da Prata de onde pouquíssimos conseguiriam sair vivos. As mulheres também foram separadas de seus filhos e enviadas para trabalharem como servas nas casas de famílias mais abastadas e de classe média da capital. As crianças aprenderam um novo idioma e esqueceram o antigo. Na sua maioria, também viveriam como servos. Alguns poucos grupos restantes ainda vagaram livres, por poucas décadas, no extremo sul do continente. Eram uma curiosidade histórica perseguida por estudiosos e sociólogos do início do séc. XX. Poucas vezes na história a civilização havia se imposto de forma tão rápida e efetiva sobre a barbárie...
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