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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Rio De Janeiro Há 2 anos: Rio De Janeiro

A Incrível Floresta Petrificada

Argentina, Pico Truncado

Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Há 150 milhões de anos, o nosso planeta era bem diferente de hoje. O supercontinente de Pangea, que unia todos os continentes atuais, havia se partido apenas 30 milhões de anos antes. Agora, já quase no final da era jurássica, era a própria Gondwana que começava a se romper. Esse supercontinente reunia as atuais América do Sul, África, Índia, Antártida e Austrália. Ela também se dividiria em dois blocos, o Oceano Índico nascendo entre eles, América do Sul e África de um lado e os restantes do outro. A Patagônia, na atual Argentina e por onde estamos viajando nos dias de hoje, estava localizada na “Gondwana Ocidental”.

Estrada de rípio que nos leva ao Bosque Petrificado, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina. A linha de poeira ao fundo é um carro se movimentando

Estrada de rípio que nos leva ao Bosque Petrificado, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina. A linha de poeira ao fundo é um carro se movimentando


Chegando ao Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Chegando ao Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Naquela Patagônia frequentada por enormes dinossauros, o clima era bem diferente do atual. Muito mais úmida, enormes florestas cresciam onde hoje é quase um deserto. Entre as árvores que aqui cresciam, um bosque com enormes araucárias. Pois é, o mundo era diferente, mas também haviam coisas parecidas! Árvores muito semelhantes com as que hoje crescem no nosso Paraná, lá no sul do Brasil, eram comuns na Patagônia. Araucárias com 50 metros de altura e mais de mil anos de idade, diâmetro algumas vezes superando os dois metros.

Flores crescem no deserto onde está o Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Flores crescem no deserto onde está o Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Árvore torcida pelo vento quase constante no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Árvore torcida pelo vento quase constante no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Outra semelhança naquele mundo longínquo era a existência de vulcões. E um deles, bem ativo, fruto dos primeiros sinais de que as placas tectônicas de Nazca e América do Sul estavam para colidir (o que, um dia, levantaria os Andes), estava bem próximo de um pujante bosque de araucárias gigantes. Era nesse bosque que os jovens e pequenos mamíferos corriam para se esconder dos enormes dinossauros, a família de animais que ainda dominaria o nosso planeta por muitas dezenas de milhões de anos. Mas naquele dia específico, o bosque de araucárias não conseguiu defender os mamíferos e nem a si próprio. O perigo era muito mais terrível que os dinossauros.

Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Uma enorme explosão sacudiu o vulcão e toda a região ao seu redor. A onda de choque criada por essa explosão foi devastadora, uma espécie de tufão com ventos que corriam a centenas de quilômetros por hora. Tão forte que derrubou, de uma só vez, todo o bosque de árvores gigantes. Mas quilo era só o começo do pesadelo. Horas depois, uma chuva de cinzas que duraria semanas cobriu todas as planícies ao redor do vulcão. Metros e metros, toneladas e toneladas de detritos, sufocaram as árvores, vegetação e animais que, porventura, ainda estivessem vivos.

Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Árvores que parecem ter caído ontem, mas que foram fossilizadas há 150 milhões de anos, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Árvores que parecem ter caído ontem, mas que foram fossilizadas há 150 milhões de anos, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Toda essa cinza vulcânica criou sob si um ambiente anaeróbico, evitando assim que as árvores gigantes apodrecessem. Sem a ajuda dos micróbios e fungos decompositores, os tecidos orgânicos levariam muito mais tempo para se desfazer, desmanchar-se. Alguns milhares de anos, talvez. Tempo mais do que o suficiente para que o ambiente acima das cinzas se recuperasse. Agora, ainda com muita umidade, pântanos e rios se formaram por ali. A água entrou no solo levando consigo diversos minerais contidos nas cinzas vulcânicas. Com paciência milenar, essa mesma água também ocupava os pequenos espaços deixados pela matéria orgânica das árvores que se desfaziam. Rica em minerais, a água evaporava novamente, mas os minerais ocupavam as pequenas cavidades antes ocupadas pela matéria orgânica. Aos poucos, as ainda duras paredes de celulose que delimitavam as células vegetais agora continham minerais. Basicamente, pedra. Com mais paciência ainda, a própria celulose se desfazia e também ela era substituída por água rica em minerais e, mais tarde, apenas pelos próprios minerais.

Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Resumidamente, esse é o processo conhecido como “petrificação”, uma das formas de fossilização. Árvores de madeira, nos seus mínimos detalhes microscópicos até suas características macroscópicas, tudo isso transformado em pedra. Todo esse milagre ocorrendo abaixo de muitos metros de cinza, agora já transformada em solo.

Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Antigas araucárias com 150 milhões de anos no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Antigas araucárias com 150 milhões de anos no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Muitos milhões de anos se passaram e a Terra continuava a mudar. Dinossauros morreram e os mamíferos se tornaram os senhores do planeta. América do Sul e África se separaram criando o Oceano Atlântico. No oeste do novo continente que agora tinha personalidade própria, esse em que viajamos atualmente, a enorme cordilheira dos Andes se levantava, bloqueando os ventos úmidos do Pacífico e mudando completamente o clima na Patagônia. Rios secaram, bosques sumiram, fauna e flora se adaptaram para um clima desértico, o próprio solo mudou, ficando mais arenoso. Faltava apenas o capítulo final dessa história...

Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Esse papel coube aos fortes ventos que agora desciam secos das montanhas e varriam as estepes em direção ao oceano Atlântico. Some a força deles com eventuais e raras chuvas e alguns cursos de água e temos um trabalho de erosão que, sempre com a paciência dos milênios, limpou o solo onde estava o antigo bosque de araucárias gigantes. As árvores reapareceram para o mundo, mas agora eram de pedra. Toda uma floresta de árvores caídas e petrificadas. Das raízes aos galhos mais altos. Dos enormes troncos às frágeis folhas e sementes, as populares pinhas. Um dos raros casos no mundo de um bosque petrificado que continua em seu lugar de origem. O mais comum é que árvores, ainda em vida, sejam levadas por rios até pântanos e aí afundem e, com o tempo, se petrifiquem. Aqui não, estão exatamente no local onde nasceram, cresceram e caíram.

Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Passeio no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Passeio no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Mais incrível ainda, doce coincidência providenciada pela mãe-natureza, os minerais que petrificaram as árvores e que dão cor a essas rochas têm uma cor muito parecida com a das árvores originais. Assim, esses gigantes de pedra não têm apenas a forma e desenho de árvores de verdade, mas também a própria cor. A nossa sensação ao vê-las é que elas caíram ali ontem ou, quando muito, no ano passado. Mas jamais há estonteantes 150 milhões de anos, quando ainda existiam dinossauros e a Gondwana. Absolutamente incrível!

Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Restos de antigas araucárias com 150 milhões de anos transformadas em pedra uma erupção vulcânica, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


parece madeira de verdade, mas é uma árvore transformada em rocha há 150 milhões de anos, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

parece madeira de verdade, mas é uma árvore transformada em rocha há 150 milhões de anos, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Pois bem, foi esse lugar mágico e com tanta história que visitamos na tarde de hoje. É o Bosque das Árvores Petrificadas, um parque nacional no meio da Patagônia, quase 300 km ao sul de Comodoro Rivadavia. O acesso é pela Ruta Provincial 49, 60 km de boa estrada de rípio que parte da Ruta 3. A região é desértica e isolada, sem cidades ou vilas por perto, sensação de estarmos no meio do nada.

Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Examinando de perto antigas árvores de 150 milhões de anos transformadas em pedra no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Há um pequeno centro de visitantes com explicações sobre o que aconteceu por ali desde que aquele vulcão explodiu. Aliás, ela ainda está no horizonte, hoje uma dócil e inofensiva montanha aplainada pelo tempo. O carro fica estacionado ali e nós percorremos uma trilha demarcada de cerca de dois quilômetros. O caminho nos leva para bem perto das árvores de pedra. No início, apenas alguns pedaços delas, tocos, mas depois, árvores inteiras, muitas dezenas de metros. Perfeitas, como se ainda vivessem até a véspera. Aparece até um sentimento de raiva do lenhador que fez aquilo tudo. Para quem não sabe, araucárias são quase sagradas hoje em dia, no Paraná, e derrubá-las sem um motivo muito justo é crime inafiançável.

Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Antigas árvores com 150 milhões de anos de idade transformadas em pedra, no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


As estranhas montanhas na região do Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

As estranhas montanhas na região do Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


O parque foi criado para proteger esse tesouro natural, para impedir que cada visitante resolva levar uma “lembrancinha” para casa. Essa pilhagem ocorria até uma década atrás. Antes disso, talvez 10 mil anos antes, quem “pilhava” o local eram os primeiros humanos a chegarem à Patagônia. As pedras fantasiadas de árvores eram sua matéria-prima para confecção de pontas de flecha. Vários exemplares podem ser vistos no pequeno centro de visitantes, assim como as pinhas petrificadas.

Visita ao deserto patagônico no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Visita ao deserto patagônico no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


A grandiosidade da paisagem e do deserto patagônico no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

A grandiosidade da paisagem e do deserto patagônico no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina


Tivemos esse lugar só para nós por quase duas horas. Não só as árvores como a paisagem magnífica ao seu redor, para um lado as estepes sem fim, para o outro, montanhas escavadas e esculpidas pelo tempo. Ar puríssimo da Patagônia, jurássico, cretáceo e o paleoceno, todos convivendo em um mesmo lugar e ao mesmo tempo. Difícil imaginar uma tarde mais espetacular para nosso último dia do ano. Só faltava decidir aonde iríamos dormir, mas nossa vontade era ficar por ali mesmo, imersos naquela magia.

Descanso merecido e inspirado no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Descanso merecido e inspirado no Monumento Natural Bosques Petrificados, região de Caleta Olivia, no sul da Argentina

Argentina, Pico Truncado, trilha, Parque, Plantas, árvores petrificadas

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No Maranhão e Pequenos Lençóis

Brasil, Maranhão, Paulino Neves (Pequenos Lençóis)

Dunas avançam sobre lagoa nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Dunas avançam sobre lagoa nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


Deixamos Parnaíba para trás hoje rumo a mais um estado na nossa jornada pelo Brasil e Américas: o Maranhão. Na verdade, técnicamente, já tínhamos estado nele ontem, quando visitamos o Delta do Parnaíba ou Delta das Américas, como preferem os maranhenses. A belíssima enseada do Feijão Bravo, por exemplo, fica no Maranhão.

Ponte do Pirangi, sobre o rio Parnaíba, que liga o Piauí ao Maranhão

Ponte do Pirangi, sobre o rio Parnaíba, que liga o Piauí ao Maranhão


Mas, para a Fiona, foi a primeira vez. Cruzamos a ponte do Pirangi, sobre o rio Parnaíba e cá estávamos no nosso 16o estado, o último do nordeste. Lembro-me das aulas de geografia, ainda no ginásio, quando os livros e professores nos explicavam que, na verdade, o Maranhão é um estado de transição entre o nordeste e o norte do Brasil, apresentando características dessas duas regiões. Chegou a hora de conferir essa história!

Dunas e lagoas nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Dunas e lagoas nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


Um pouco depois de entrar no estado, a estrada se bifurca. Para a esquerda, seguimos para São Luís, a capital. É o caminho asfaltado, próprio para carros de passeio. Para a direita também se chega à São Luís. Mas só carros altos e tracionados. Esse caminho passa pela pela famosa região dos Lençóis Maranhenses, a mais extensa região de dunas do Brasil. Adivinhem qual a rota tomamos!

Fim de tarde nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Fim de tarde nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


A estrada nos leva até Tutoia, no extremo oeste do Delta das Américas. Até pouco tempo atrás, aqui começava a "aventura" para quem se dirigia aos Lençóis, vindos do Piauí. Mas a estrada para Paulino Neves foi asfaltada recentemente, e ficou fácil dirigir mais 30 km em direção a oeste. Da outra vez que estive aqui, até tentei seguir para Paulino Neves com a Maria (a pampa 4x4). Mas a passagem por um rio profundo me fez desistir logo da ideia. A Maria ficou me esperando em Tutoia e eu fiz o que a maioria dos turistas fazia: seguia na Toyota que fazia o transporte para Paulino Neves e de lá para Barreirinhas. Depois de explorar os Lençóis, voltávamos para Tutoia e pegávamos a rota mais longa para São Luís.

Dunas nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Dunas nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


Pois bem, agora os carros chegam até a pequena Paulino Neves. A maioria das pessoas passa direto por aqui, em direção à Barreirinhas. É só o tempo de estacionar e pegar a tal Toyota. Mas há um tesouro secreto aqui também, que muito vale uma visita: os Pequenos Lençóis.

Explorando as dunas dos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Explorando as dunas dos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


Nas dunas dos Pequenos Lençóis, com o oceano ao fundo,  região de Paulino Neves - MA

Nas dunas dos Pequenos Lençóis, com o oceano ao fundo, região de Paulino Neves - MA


Como o próprio nome diz, são os Lençóis Maranhenses em menor escala. Basta vinte minutos de caminhada para se chegar lá. Eu e a Ana, depois de nos instalarmos na famosa Pousada da Dona Mazé, conhecida de todos os aventureiros que passaram por aqui, fizemos essa caminhada. Era final de tarde e a luz estava fantástica. Já estamos ficando craques em dunas e essas foram as mais imponentes que já vimos até agora, entrecortadas por lagoas que refletiam o sol de fim de tarde. Maravilhoso!

Magnífico pôr-do-sol nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Magnífico pôr-do-sol nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


Foi ótimo para a gente já ir entrando "no clima". Amanhã pela manhã, devemos seguir para Barreirinhas. O caminho passa através de grandes areais e campos alagados. A dica é seguir a Toyota de linha que faz esse caminho todos os dias. O motorista sabe por onde é mais raso passar. E vamos que vamos, rumo ao nosso Saara, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

Assistindo ao pôr-do-sol nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Assistindo ao pôr-do-sol nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Brasil, Maranhão, Paulino Neves (Pequenos Lençóis), Praia, Dunas, Pequenos Lençóis, Estrada, Dona Mazé

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Natal Longe de Casa

Brasil, Alagoas, Penedo

Celebrando o natal em Penedo - AL, ao lado do São Francisco

Celebrando o natal em Penedo - AL, ao lado do São Francisco


Chegamos já de noite na nossa Pousada Colonial, em Penedo, toda decorada para o natal. Do nosso quarto no segundo andar, piso de madeira e pé direito bem alto tínhamos uma bela visão do Velho Chico, poucos metros à nossa frente.

Missa do Galo em Penedo - AL

Missa do Galo em Penedo - AL


Eu e a Ana fomos "ceiar" num dos restaurantes mais tradicionais da cidade, com o apropriado nome para uma data como hoje de Oratório. No caminho, passamos por uma das muitas, belas e históricas igrejas dessa cidade colonial, onde se realizava a Missa do Galo, o que nos fez entrar ainda mais no clima natalino.

Missa do Galo em Penedo - AL

Missa do Galo em Penedo - AL


Apesar de longe das nossas famílias, a tecnologia do mundo atual ajuda bastante a encurtar essas distâncias. Sentados no restaurante, nos refestelando com uma deliciosa Tilápia, o simpático e amigo Velho Chico ali do lado, falamos com nossos pais e irmãos. Ali, soubemos que as flores que mandamos entregar (via internet e telefone) em suas casas haviam chegado em seus destinos. Com a ajuda da interent a Ana rapidamente achou floriculturas em Ribeirão e em Curitiba. Com a ajuda do celular, ela fez as encomendas. Com a ajuda do cartão de crédito e do doc eletrônico, ela pagou. E assim, a mais de 3 mil quilômetros de distância, conseguimos presentear nossos entes queridos.

Ceia natalina: Tilápia! (em Penedo - AL)

Ceia natalina: Tilápia! (em Penedo - AL)


Falar com eles nos fez sentir mais próximos. Mesmo que tão distantes. É... viajar esses 1000dias há cem, cinquenta, mesmo dez anos atrás seria bem mais difícil!

Falando com os pais no natal, em Penedo - AL

Falando com os pais no natal, em Penedo - AL

Brasil, Alagoas, Penedo,

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A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Mt. Lassen, a Neve e Novos Amigos

Estados Unidos, Califórnia, Lake Tahoe

Cão meio triste com a neve em estrada próxima à Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos

Cão meio triste com a neve em estrada próxima à Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos


Ontem, após nosso passeio pela neve do Mt. Shasta, nós seguimos viagem para outro vulcão, mais ao sul, também na região da Sierra Nevada. Estou falando do Mount Lassen, o único vulcão a entrar em erupção nos Estados Unidos (sem contar o Alaska e Hawaii) durante o século XX, além do Mt. St. Helens, claro! Foi no ano de 1915 e suas cinzas foram parar a mais de 300 km de distância. Ele passou mais alguns anos mandando sinas de fumaça, mas desde então parace estar dormindo. Mas não se enganem, os cientistas americanos dizem que, dentre todos os vulcões do noroeste americano, ele é o que tem mais chances de entrar em erupção novamente, no curto prazo.


Nosso percurso nos últimos dias: Do litoral para o Mt. Shasta, cruzando a Sierra Nevada. Daí para o Mt. Lassen e Susanville. Finalmente, para Truckee e Squaw Valley, já no Lake Tahoe

Mas não foi por isso que nós passamos por lá rapidamente. Na verdade, nosso plano era conhecer o parque nacional criado em sua volta, tanto para proteger suas belezas como também a área devastada pela erupção de quase 100 anos atrás, para futuros estudos. Só que, para variar, a estrada que corta o parque já estava fechada para a estação. Além disso, uma teimosa neblina teimava em encobrir a montanha. Com a estrada fechada até abril do ano que vem, quase todos os hotéis em volta do parque também fecham. Resolvemos então seguir viagem até a próxima cidade, Susanville, já na rota para o Lake Tahoe.

Fiona, depois de uma noite de neve em Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos

Fiona, depois de uma noite de neve em Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos


Hoje cedo, a surpresa! A Fiona amanheceu branquinha de neve, capô e vidros completamente cobertos. Deu até dó ter de ligar o limpador de para-brisas para limpá-la. Claro que tiramos umas fotos antes disso, a primeira vez que vimos nossa querida Fiona dessa maneira. Mesmo com a neve, ela pegou de primeira e pegamos a estrada para o sul.

Vidro da Fiona coberto de neve em Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos

Vidro da Fiona coberto de neve em Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos


Limpando a neve da Fiona em Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos

Limpando a neve da Fiona em Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos


No caminho, muita neve ao redor da estrada. O cenário pode ser muito comum para na região, vastas planícies branquinhas, o gado se esforçando para achar alguma grama para comer, pinheiros com os galhos carregados de neve, lagos congelados. As outras pessoas que encontramos na estrada não pareciam dar a mínima para isso. Mas para nós, brasileiros que somos, era como um conto de fadas!

Gado pasta em campo nevado próximo à Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos

Gado pasta em campo nevado próximo à Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos


Não resistimos a parar várias vezes para tirar mais fotos. Um cão brincando na neve, motivo para parar! Um carro “fantasiado” de morro de neve, motivo para parar! Um galho de árvore com uma enorme quantidade de neve, motivo para parar! Nesse último caso, a Ana até desceu do carro e foi “ajudá-lo”. Afinal, nós lemos que uma das causas de morte de árvores é quando elas não aguentam o peso de tanta neve em seus galhos... Pelo menos para essa aí, não custava dar uma mãozinha, né?

Ym fusca coberto de neve em estrada próxima à Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos

Ym fusca coberto de neve em estrada próxima à Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos


Enfim, seguimos viagem para nosso destino final, a famoso Lake Tahoe. A fome apertava e resolvemos parar logo na primeira cidade da região, Truckee. A ideia era um lanche rápido e avaliar se ficaríamos por lá ou não. A neve continuava a cair, o nosso livro-guia recomendava a cidade, mas nós não ficamos muito impressionados, não. De qualquer maneira, queríamos comer. Então, achamos um restaurante joia e fizemos o pedido.

A Ana derruba um bloco de nece de cima de uma árvore em uma estrada próxima à Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos

A Ana derruba um bloco de nece de cima de uma árvore em uma estrada próxima à Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos


A Ana derruba um bloco de nece de cima de uma árvore em uma estrada próxima à Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos

A Ana derruba um bloco de nece de cima de uma árvore em uma estrada próxima à Susanville, na Sierra Nevada, Califórnoa, nos Estados Unidos


Quando começamos a conversar em português, atraímos a atenção do casal ao nosso lado. O Don e a Barbara ficaram muito curiosos conosco e, ao saber da viagem, o interesse só aumentou. Logo já dividíamos a mesma mesa e, em seguida, o Don já nos oferecia uma garrafa de vinho. A conversa continuou a fluir e agora foi a vez deles oferecerem champagne. Ao final, nossa parada rápida de 20 minutos se estendeu por quase duas horas. Muita conversa e dois novos amigos! Em compensação, perdemos a luz do dia e a chance de ver, ainda hoje, as águas do Lake Tahoe. Foi no final da tarde que nos despedimos e foi só no escuro que chegamos ao Squaw Valley, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1962. Como chegamos exatamente uma semana antes da abertura oficial da temporada de inverno e de esqui, os preços ainda estavam muito camaradas. Com uma chance dessa, resolvemos ficar por três noites, aproveitando o belo visual de neve. Assim, teremos dois dias para conhecer um dos mais famosos cartões postais da Califórnia!

Nossos amigos Don e Barbara, que nos ofereceram vinho e champagne em um restaurante de Truckee, na região do Lake Tahoe, na Califórnia, nos Estados Unidos

Nossos amigos Don e Barbara, que nos ofereceram vinho e champagne em um restaurante de Truckee, na região do Lake Tahoe, na Califórnia, nos Estados Unidos

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Vale de Colchaga

Chile, Pichilemu

Degustando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Degustando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Deixamos o litoral de Chile para trás e rumamos para o interior do país mais uma vez. Para hoje, o nosso plano é chegar até a cidade de Rengo, sem muito apelo turístico, mas que nos atrai por um motivo bem específico. Aí moram a Andrea e o Pablo, o casal chileno que encontramos viajando lá no Ceará, bem no início dos 1000dias. Passamos um dia de explorações juntos na região de Ubajara e, depois disso, sempre mantivemos contato. Eles até se hospedaram na casa da mãe da Ana quando passaram em Curitiba e nós ficamos na casa da mãe deles quando passamos em Santiago. Agora, finalmente, chegou a hora de nos ver novamente, dessa vez na casa própria deles.



Mas antes disso, ainda tínhamos um último lugar para visitar. O Valle de Colchagua é a mais tradicional área de produção de vinho do Chile e fica justamente no caminho entre Pichilemu e Rengo. Nós até já tínhamos passado por aí quando viemos ontem para o litoral, mas nem paramos já que queríamos chegar logo na praia. Além disso, já tínhamos nos programado para fazer essa visita no dia seguinte, hoje. Dito e feito, passamos algumas deliciosas horas explorando a região, procurando e visitando vinícolas antes de seguirmos viagem até Rengo no final do dia.

Os jardins da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Os jardins da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Chegando à vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Chegando à vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


O solo argiloso, água abundante, muitas horas de sol, ar seco e noites frias se combinaram para criar as condições quase perfeitas para o desenvolvimento das videiras, As uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenere crescem muito bem no vale e alguns dos melhores e mais famosos vinhos do país saem daqui. São dezenas de vinícolas, algumas pequenas e familiares, outras já com reputação internacional, que se espalham pela região que tem como principal cidade e base de exploração a tranquila Santa Cruz.

Videiras da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Videiras da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Videiras da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Videiras da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


É na cidade, a apenas 170 km ao sul da capital, onde estão as principais acomodações de Colchagua e de onde saem os tours e excursões que levam turistas pelas vinícolas próximas a bebericar, testar e degustar o principal produto da região: o vinho tinto. Mais do que isso, muitas vinícolas oferecem também refeições diversas, variando do orgânico ao piquenique, dos aperitivos e acompanhamentos às refeições mais requintadas. Vai tudo depender do tamanho do bolso do freguês.

Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Para nós, boa parte da diversão e do prazer foi localizar alguma vinícola que estivesse aberta à visitação hoje. A maioria está sempre de braços abertos aos turistas nos finais de semana, quando muita gente vem de Santiago. Nos dias de semana, o melhor, para se garantir, é fazer reserva com antecipação. Se vier em um tour, eles mesmo já terão feito a reserva na vinícola. Mas no nosso caso, aparecendo totalmente de surpresa, por duas vezes demos com vinícolas “não preparadas” para visitas. Mesmo assim, apenas o fato de dirigir por estradas secundárias no meio de plantações de videiras e aquele ar bucólico e romântico já fazia valer o passeio. Casas centenárias transformadas em hotéis-fazenda ou pousadas-boutique eram uma tentação difícil de resistir. Mas estávamos mesmo procurando era uma vinícola aberta.

Arte em barris, na vinícola Estampa, Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Arte em barris, na vinícola Estampa, Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Barris de vinho em um andar, mesas de degustação em outro, na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Barris de vinho em um andar, mesas de degustação em outro, na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Por fim, encontramos uma, a Estampa. Éramos os únicos por ali, visita totalmente inesperada naquela hora do dia, mas mesmo assim eles nos deixaram dar uma olhada rápida em suas instalações, nos enormes tonéis de aço que armazenam o precioso líquido vermelho que produzem. Do lado de fora, filas e mais filas de videiras, o nome das espécies sempre muito bem marcados em placas. Tudo muito lindo, mas depois de tantas visitas à vinícolas nesses 1000dias, já sabemos o que mais nos interessa: os vinhos, claro!

Conversando, aprendendo e degustando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Conversando, aprendendo e degustando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Vinho para degustar na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Vinho para degustar na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Então, vamos a eles! Eu estava super bem intencionado e decidido a deixar apenas a Ana aproveitar o momento da degustação. Afinal, era eu que dirigia. Mas confesso que não consegui resistir, situação tão especial como essa nos permite quebrar, bem de leve, uma regra ou outra. Assim, também dei uns goles e provei dos belos vinhos ali produzidos. Uma delícia! Aproveitamos para comprar uma garrafa para nossos amigos chilenos e não chegar à casa deles de mãos abanando. E como estamos indo para uma festa de aniversário no Ceará em 3 dias, levar umas garrafas para lá também nos pareceu uma boa ideia. Por fim, também somos filhos de Deus, então reabastecemos o estoque da Fiona. Sairemos do Chile em poucos dias, mas levaremos um pedacinho dele conosco, hehehe. Só não sei quanto tempo vai durar...

Comprando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Comprando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

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A Volta ao Brasil Pelo Rio Amazonas (1990)

Peru, Iquitos

O movimentado porto de Iquitos, na beira do rio Amazonas, no Peru (foto de Julho de 1990)

O movimentado porto de Iquitos, na beira do rio Amazonas, no Peru (foto de Julho de 1990)


Várias vezes durante os 1000dias passamos pela região amazônica. Com a Fiona ou de barco, quase sempre no Brasil, mas também em outros países, já que esse incrível ecossistema se estende por uma vasta região da América do Sul, incluindo países como as Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia e Peru. Neste último, passamos pela cidade de Puerto Maldonado quando percorríamos a rodovia interoceânica, a estrada que liga o Acre com Cusco, no Peru. Mas a nossa experiência amazônica peruana foi meio conturbada, já que a Ana adoeceu na cidade e ficamos mais entre hospitais e farmácias do que entre árvores e macacos (veja o post aqui). De qualquer maneira, a cidade-símbolo da Amazônia peruana não é Puerto Maldonado, mas Iquitos, mais ao norte, muito maior e mais isolada. Iquitos é a maior cidade do mundo onde não se pode chegar por estradas. Incrustrada no meio da selva e na orla do maior rio do planeta, com mais de 300 mil habitantes, ali só se chega de avião ou de barco.


O nosso roteiro pela América do Sul em 1990. O trechos entre Bauru e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e entre Puno, Cusco e Arequipa, no Peru, foram de trem. Os outros trechos, de ônibus. Para retornar de Lima, avião para Iquitos e barco até Tabatinga, no Amazonas

Talvez por isso, ela nunca esteve no roteiro da Fiona ou dos 1000dias. Mas eu já estive lá uma outra vez, durante meu primeiro mochilão pelo continente, em Julho de 1990. Eu viajava com meu primo Haroldo e o amigo Marcelo e já relatei outras partes dessa mesma viagem aqui no site dos 1000dias, especialmente aqueles trechos interessantes do continente em que eu e a Ana não passamos dessa vez. Foi assim com a nossa passagem pelo Trem da Morte, quando subimos a montanha Chacaltaya, ao lado de La Paz, e quando percorremos a Trilha Inca, a caminho de Machu Picchu. Depois de conhecer as ruínas arqueológicas mais famosas do continente, nós fomos para Arequipa, no sul do Peru e, de lá, para a capital, Lima. Daí seguimos para Huaraz, na belíssima Cordillera Blanca, e Trujillo, no norte. Durante os 1000dias nós estivemos em todos esses lugares e por isso não relato aqui como foi a nossa experiência por eles naquele tempo. Faltava, então, retornar ao Brasil e foi então que passamos por Iquitos, numa travessia que incluiu aviões e barcos, não só para conhecer Iquitos, mas também as maiores cidades da região norte do nosso país.

Em 1990, nós voltamos do Peru para o Brasil de barco pelo rio Amazonas, saindo de Iquitos (onde só se chega voando ou navegando!) para Tabatinga, no Amazonas, fronteira com Leticia, na Colômbia

Em 1990, nós voltamos do Peru para o Brasil de barco pelo rio Amazonas, saindo de Iquitos (onde só se chega voando ou navegando!) para Tabatinga, no Amazonas, fronteira com Leticia, na Colômbia


Já naquele tempo, a viagem a Machu Picchu era uma espécie de batismo de fogo para jovens estudantes brasileiros que pretendiam conhecer o mundo. O roteiro era quase sempre o mesmo, seguindo por terra (trem e ônibus) do Brasil ao Peru, através da Bolívia, e retornando pelo mesmo caminho. Alguns viajantes preferiam (se pudessem!) voar na volta, tanto de La Paz como de Lima, para aqueles poucos que esticavam a viagem até lá. Na época, nós quisemos fugir um pouco desse lugar-comum e inovar. Numa época sem internet, debruçados sobre mapas e guias, idealizamos uma volta alternativa, de barco, pela região amazônica. Bastaria chegar até Iquitos e, de lá, navegando pelo rio Amazonas, chegar até Manaus e Belém. Planos feitos, mãos a obra. Quando passamos por Lima, ainda antes de seguirmos para o norte do país, conseguimos comprar passagens aéreas para Iquitos. Nosso problema, além do dinheiro, era o tempo, pois tínhamos de retornar às aulas universitárias do início do 2º semestre. Uma corrida só! O bom de passagens aéreas, de trem ou de ônibus, é que podemos marcar datas e, quase sempre, confiar nelas. Estávamos para aprender que o mesmo não se pode dizer das viagens de barco, especialmente na região amazônica.

Chegando no aeroporto de Iquitos, no meio da amazônia peruana (foto de Julho de 1990)

Chegando no aeroporto de Iquitos, no meio da amazônia peruana (foto de Julho de 1990)


Uma deliciosa casa de sucos e saladas de frutas em Iquitos, no Peru (foto de Julho de 1990)

Uma deliciosa casa de sucos e saladas de frutas em Iquitos, no Peru (foto de Julho de 1990)


Na data marcada, voamos para Iquitos. Aí conhecemos um outro Peru, completamente diferente daquele pelo qual vínhamos viajando nas últimas semanas. Somem os Andes, entra a floresta amazônica. Desaparece o frio, um calo úmido ocupa seu lugar. A típica fisionomia andina dos indígenas também é substituída pelos traços conhecidos dos índios amazônicos. O único elo é a língua espanhola. Aliás, que estranho que foi para nós, já no aeroporto, nos sentir na Amazônia, mas escutar todo mundo falar espanhol. O cérebro quase entra em parafuso. Iquitos, como eu já disse, é uma grande metrópole, cerca de 300 mil habitantes, e está completamente isolada das outras cidades do país e do planeta, pelo menos por vias terrestres.

O Haroldo observa o movimentado porto de Iquitos, na beira do rio Amazonas, no Peru (foto de Julho de 1990)

O Haroldo observa o movimentado porto de Iquitos, na beira do rio Amazonas, no Peru (foto de Julho de 1990)


Barco lotado chega a Iquitos, na beira do rio Amazonas, no Peru (foto de Julho de 1990)

Barco lotado chega a Iquitos, na beira do rio Amazonas, no Peru (foto de Julho de 1990)


Naquela época, o turismo do ayahuasca (o famoso chá psicodélico amazônico), que atrai tanta gente a Iquitos nos dias de hoje, ainda não havia se desenvolvido e nosso principal objetivo na cidade era tomar o barco em direção ao Brasil. Mal encontramos uma pousada e corremos ao porto para tentar descobrir horários e comprar passagens. Foi quando descobrimos que, teoricamente, há barcos todo o tempo, mas que na prática, só saem quando estiverem cheios, de carga e de pessoas. Há vários barcos descendo o rio, mas o problema é acertar qual vai sair primeiro. Ficamos sempre com medo de nos comprometer com algum (pagar!) para depois descobrir que outros vão sair antes. Viagens marcadas para hoje podem muito bem esperar uma semana para zarpar. É o ritmo amazônico, mas nós não tínhamos tempo para nos adaptar a ele. O resultado é que íamos constantemente ao porto em busca de informações mais precisas e na torcida (e desespero!) para que zarpássemos o quanto antes. E entre uma visita e outra, fomos relaxando e curtindo o tempo naquela cidade tropical.

Embarcando no barco Iris, em Iquitos, no Peru, rumo a Tabatinga, no Brasil (foto de Julho de 1990)

Embarcando no barco Iris, em Iquitos, no Peru, rumo a Tabatinga, no Brasil (foto de Julho de 1990)


Foram quase três dias de espera até que nosso barco, o Íris, zarpasse. Nesse tempo, nunca tomei tantos suco e comi salada de frutas na minha vida. Uma delícia! Saúde pura! A cidade e sua praça central, a sempre presente “Plaza de Armas”, parecem bastante o Brasil. Além da língua, claro, a diferença está na quantidade impressionante de moto-táxis nas ruas da cidade. Centenas, milhares! Na verdade, são triciclos, e acho que todo mundo se locomove dessa maneira por ali, inclusive nós. Deve ser mais barato levar esses veículos para lá, todos de barco, já que não há estradas. Sem contar o próprio combustível, já que são muito mais econômicos que carros. Por fim, o próprio calor amazônico, uma constante por ali. No triciclo, estamos sempre com um ar condicionado natural, o vento! Não só os veículos são abertos, mas os restaurantes, sempre com grandes terraços e sob a sombra de árvores. Até as igrejas, onde assistimos a um coral amazônico, são mais amplas, abertas e tropicais.

Navegando na parte peruana do rio Amazonas, de Iquitos, no Peru, a Tabatinga, no Brasil  (foto de Julho de 1990)

Navegando na parte peruana do rio Amazonas, de Iquitos, no Peru, a Tabatinga, no Brasil (foto de Julho de 1990)


Mas, por fim, partimos, com dois dias de atraso desde a primeira promessa do capitão. Para nós, acabou saindo mais barato investirmos em uma cabine do que comprar três redes para dormir em um dos dois decks do barco. Para os três, foi a primeira experiência no rio Amazonas, que tanto havia frequentado nossas aulas de geografia durante a adolescência. A emoção de estar lá, vendo-o com os próprios olhos, é até difícil de descrever. O rio é absolutamente enorme, mesmo estando a mais de 1.000 quilômetros da foz. Uma massa de água, imparável, rasgando a floresta ao meio. Uma hora depois de partirmos, a calma de navegar quase sozinhos no meio do rio e da floresta contrastava com o caos reinante no porto de Iquitos. Ali, um movimentado porto amazônico, barcos chegam e saem todo o tempo em docas improvisadas nas encostas do rio. Todo o tempo, centenas de pessoas entram e saem dos barcos, chegam e partem da cidade, rio acima ou rio abaixo. Um verdadeiro formigueiro humano que, depois de algumas visitas ao porto, passamos a compreender. Dentro do caos, uma certa ordem. Mas apenas aos olhos mais treinados.

Navegando por pequenos braços do rio Amazonas, na região de Iquitos, no Peru (foto de Julho de 1990)

Navegando por pequenos braços do rio Amazonas, na região de Iquitos, no Peru (foto de Julho de 1990)


Vitórias-régia em pequenos braços do rio Amazonas, na região de Iquitos, no Peru (foto de Julho de 1990)

Vitórias-régia em pequenos braços do rio Amazonas, na região de Iquitos, no Peru (foto de Julho de 1990)


Agora ali, no meio do rio, a calma é verdadeira. Sempre há botos cinza a nos guiar. O local mais gostoso do barco é o telhado, longe da confusão dos decks e da música alta. Por falar nisso, a cabine é terrivelmente barulhenta, quase em cima do motor. Abafada também, só ficamos ali de noite. A comida servida no barco não é das melhores, mas trouxemos bastante frutas da cidade. O banheiro é quase inusável e o melhor a fazer, se conseguirmos, é segurar. Os passageiros são quase todos peruanos e muitos deles nem sabem o que é ou onde é o Brasil, mesmo estando em um barco que vai descer o rio até a fronteira. “Brasil? Es uma ciudad?”.

Navegando por pequenos braços do rio Amazonas, na região de Iquitos, no Peru (foto de Julho de 1990)

Navegando por pequenos braços do rio Amazonas, na região de Iquitos, no Peru (foto de Julho de 1990)


Passageiros fazem força para tentar desatolar nosso barco do leito do rio Amazonas, na região de Iquitos, no Peru (foto de Julho de 1990)

Passageiros fazem força para tentar desatolar nosso barco do leito do rio Amazonas, na região de Iquitos, no Peru (foto de Julho de 1990)


Muitas vezes, o barco sai do curso principal do rio para entrar em algum afluente. Aí, em algum pequeno povoado ou fazenda, entram e saem pessoas, é descarregado ou carregado algo. É quando nos sentimos mais pertos da infinita floresta que nos rodeia. Pequenas canoas transitam para lá e para cá. Casas são flutuantes ou se sustentam sobre palafitas. São verdadeiramente os trechos mais interessantes da viagem, mas foi aí também que tudo mudou. O barco fez uma aproximação errada da orla do rio e simplesmente atolou. Pois é, atolados no rio mais caudaloso do mundo, parecia até piada. Piada também foi quando quase todos os passageiros desceram e tentaram empurrar o barco. Ele, obviamente, nem se mexeu. Para nós, ao menos, foi divertido, nadar no rio Amazonas que ali não tinha nem um metro de profundidade. A diversão acabou e o barco, muito carregado de combustível, continuava atolado. Chegou um rebocador para ajudar e nada. Chegou outro e nada. Estávamos completamente presos no meio do nada, centenas e centenas de quilômetros de florestas para todos os lados.

O sol nasce no rio Amazonas, durante nossa navegação entre Iquitos, no Peru, e Tabatinga, no Brasil (foto de Julho de 1990)

O sol nasce no rio Amazonas, durante nossa navegação entre Iquitos, no Peru, e Tabatinga, no Brasil (foto de Julho de 1990)


Foi quando um outro barco que seguia para a fronteira passou por ali. Com ajuda de barquinhos, todos os passageiros e suas bagagens foram transferidos. Só que agora, não tínhamos nem cabines e nem redes. A solução foi dormir no piso mesmo, embaixo das dezenas de redes penduradas no convés. Foram “apenas” mais 18 horas de viagem e não tinha outra solução. Melhor do que ficar ali, parados na floresta. Agora, mais do que nunca, com exceção de umas poucas horas de sono durante a noite, ficávamos no telhado do barco admirando a beleza grandiosa ao nosso redor. O nascer-do-sol sobre o rio Amazonas foi absolutamente espetacular e inesquecível, as água do rio pintadas de fogo pela luz da aurora. Que incrível!

O sol nasce no rio Amazonas, durante nossa navegação entre Iquitos, no Peru, e Tabatinga, no Brasil (foto de Julho de 1990)

O sol nasce no rio Amazonas, durante nossa navegação entre Iquitos, no Peru, e Tabatinga, no Brasil (foto de Julho de 1990)


Por fim, chegamos à Santa Rosa, uma pequena vila peruana construída sobre uma ilha do rio na chamada “fronteira tríplice”. Dou outro lado do rio, Colômbia e Brasil, Leticia e Tabatinga. Na pequena Santa Rosa, fizemos nossos papéis de saída e brincamos bastante com duas simpáticas e espertas meninas que haviam viajado conosco. Ficamos também impressionados com as cores de uma espécie de papagaio que vivia na casa do policial da fronteira. Verde, vermelho e amarelo! Uma ave tricolor ali na tríplice fronteira. Papéis prontos, atravessamos o rio de voadeira e voltamos, enfim, ao Brasil. Tabatinga não é a mais bela das cidades, muito pelo contrário. Mas era o primeiro pedacinho do Brasil em que pisávamos depois de 30 dias de andanças por Bolívia e Peru. Típica cidade de fronteira, uma tensão quase constante no ar. Tráfico de drogas e mercadorias são comuns por ali, mas para quem não está metido nisso, a preocupação maior é o forte calor. Estamos sempre procurando algum ventilador para nos aliviar um pouco.

Um papagaio todo colorido em Santa Rosa,  fronteira entre Peru e Brasil, no rio Amazonas (foto de Julho de 1990)

Um papagaio todo colorido em Santa Rosa, fronteira entre Peru e Brasil, no rio Amazonas (foto de Julho de 1990)


Fazendo amizade com simpáticas crianças peruanas na fronteira entre Peru e Brasil, no rio Amazonas (foto de Julho de 1990)

Fazendo amizade com simpáticas crianças peruanas na fronteira entre Peru e Brasil, no rio Amazonas (foto de Julho de 1990)


Tabatinga está grudada em Leticia. Juntas, são quase 100 mil habitantes. Mas Leticia é infinitamente mais turísticas, uma das cidades mais procuradas na Colômbia por visitantes estrangeiros. Todos em busca de uma experiência na exótica Amazônia. Nós, depois de mais de dois dias navegando nas águas do maior rio do mundo e dos três dias esperando em Iquitos, já estávamos satisfeitos com a experiência. O que precisávamos mesmo era sair dali, pois o semestre letivo já começava a 4 mil quilômetros de distância, lá na UNICAMP, interior de São Paulo. Checando preços e alternativas, descobrimos que o barco e o avião custariam mais ou menos a mesma coisa até Manaus. Com a diferença de que uma viagem demoraria três dias e a outra, três horas. Com a pressa que estávamos, não foi difícil escolher. Voamos no dia seguinte, na extinta Varig. O mesmo raciocínio valeu para o trecho entre Manaus e Belém, alguns dias mais tarde. Só que dessa vez, voamos na extinta Vasp. As passagens podiam ser pagas em três vezes sem juros! Nos últimos 20 anos, nós nos esquecemos disso, mas a inflação daquela época era de 10% ao mês! Pagar em três vezes era um senhor desconto! Foi assim que voltamos à nossa Campinas, depois de um belo giro por Bolívia, Peru e Amazônia, um super primeiro mochilão que me fez pegar gosto pela coisa e que, para sempre, me serviria de referência nas muitas viagens que se seguiram nos anos e décadas seguintes. Como se diz por aí: “a primeira vez, a gente nunca esquece!”.

A fronteira tríplice entre Brasil (Tabatinga), Peru (Santa Rosa) e a famosa Leticia (Colômbia), na amazônia. Foi por aí que voltamos ao Brasil na viagem de 1990, vindos de barco de Iquitos, na amazônia peruana

A fronteira tríplice entre Brasil (Tabatinga), Peru (Santa Rosa) e a famosa Leticia (Colômbia), na amazônia. Foi por aí que voltamos ao Brasil na viagem de 1990, vindos de barco de Iquitos, na amazônia peruana



P.S Para quem se interessar, os relatos dessa viagem de 1990 que estão no site dos 1000dias são:

1 - A viagem no Trem da Morte
2 - A subida do Chacaltaya, em La Paz
3 - A Trilha Inca até Machu Picchu
4 - Viajando pelo rio Amazonas do Peru ao Brasil (este post!)

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Férias das Férias

Santa Lúcia, Castries, Rodney Bay

Época de flores em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Época de flores em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Dia 20 era o nosso dia de subir uma das Pitons. Quase todos os turistas que resolvem fazer esse enorme esforço escolhem a maior delas, onde há uma trilha e guias, a Gros Piton. Os mais aventureiros escolhem a escalaminhada da Petit Piton, onde até cordas são necessárias. Essa foi a nossa escolha. Hoje, 05:30 da madrugada, estávamos prontos para a programação de 4 horas. Nós estávamos, mas nosso guia não. Simplesmente não apareceu e nós voltamos para a cama para outras deliciosas e merecidas horas de sono. Vamos embora sem ter estado no topo de uma das Pitons. De alguma maneira, isso não é ruim. Elas continuarão com aquele ar de misteriosas, de proibidas, de sagradas para nós. A visão aqui de baixo já foi inesquecível e a visão lá de cima é um bom motivo para voltarmos...

Uma bela tartaruga durante mergulho em Soufriere, sul de Santa Lúcia, no Caribe

Uma bela tartaruga durante mergulho em Soufriere, sul de Santa Lúcia, no Caribe


Ainda no final da manhã a Ana foi mergulhar novamente. Vai contar a história no seu post, mas entre outras coisas, esteve um bom tempo com uma grande tartaruga.

Uma bela tartaruga durante mergulho em Soufriere, sul de Santa Lúcia, no Caribe

Uma bela tartaruga durante mergulho em Soufriere, sul de Santa Lúcia, no Caribe


Já eu, iniciei meu período de férias das férias. Por três dias, do dia 20 até hoje, tivemos um delicioso descanso, sem muitas atividades, fora uma gostosa caminhada no dia de hoje, no parque de Pigeon Island, aqui em Rodney Bay, onde passamos os últimos dois dias, no norte de Santa Lúcia.


Nosso percurso em Santa Lúcia

Logo depois da Ana voltar do mergulho, um pouco de sol na piscina e uma cerveja gelada para começar bem o período sabático, saímos de viagem novamente. Nosso destino era o norte da ilha, mas começamos indo para o sul, até a ponta de Santa Lúcia. Lá está um farol, na cidade de Vieux Fort, de onde se tem uma ampla visão do marzão que nos separa da próxima ilha da cadeia, São Vicente.

Visita à ponta sul de Santa Lúcia, em Vieux Fort

Visita à ponta sul de Santa Lúcia, em Vieux Fort


De lá, ao lado do aeroporto internacional de Santa Lúcia, seguimos pela estrada para Castries, a capital da ilha. Chegamos por uma estrada alternativa, no alto do morro, de onde tivemos uma visão belíssima da cidade. Não é à toa que o Governador-Geral resolveu construir sua casa por ali, hehehe.

Vista de Castries, capital de Santa Lúcia

Vista de Castries, capital de Santa Lúcia


Cruzamos Castries, passamos pelo aeroporto regional de onde voaremos amanhã e chegamos, no fim da tarde, à Rodney Bay, o centro turístico dessa área bem mais movimentada da ilha, onde bacanas do mundo inteiro vem passar temporadas em resorts ou, melhor ainda, aportam seus “barquinhos”.

Casa do governador-geral de Santa Lúcia, em Castries

Casa do governador-geral de Santa Lúcia, em Castries


Na verdade, o mais caro resort de todos está no sul, ali perto de Soufriere. É onde ficava a Amy Winehouse, tomando todas e dando suas populares baixarias, enquanto fazia seus shows maravilhosos. Mas é no norte que se concentram a maioria dos resorts.

Com a Marília em sua casa na marina de Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Com a Marília em sua casa na marina de Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Mas nós não tivemos de ficar em nenhum resort. Ao contrário, ficamos muito melhor instalados! Nossos amigos lá de Barbados, a Rosa e o Roberto, tinham nos passado o contato de um casal aqui em Santa Lúcia. A brasileira Marília e o inglês David nos receberam na casa deles, bem na marina de Rodney Bay.

Com a Marília na marina de Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Com a Marília na marina de Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Eles têm uma história de vida interessantíssima, que nos fez ver que ainda temos de comer muito feijão. O David trabalha numa firma de consultoria e, por isso, vivem mudando de lugar. Ele já passou pela Polônia Comunista, por lugares “sem graça” como Londres e Paris, pelas brasileiras Rio, São Paulo e Paraíba e por lugares um pouco mais inóspitos como a Líbia, Iraque, Líbano e Paquistão. Sim, lá no Paquistão estiveram na vizinhança do Bin Laden duas semanas antes de matarem o líder terrorista. Na Líbia, eram vizinhos do Khadafi, no Líbano e no Iraque, seus hotéis foram bombaerdados um pouco depois de saírem de lá. Enfim, quanta experiência!

Ruínas da antiga fortificação inglesa em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Ruínas da antiga fortificação inglesa em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Além disso, a Marília conviveu com gente como a Madre Tereza de Calcutá, na Venezuela, ou Paulo Francis, em Nova York, Nara Leão e Chico, no Rio dos anos 60, o parente feioso Paulo Zulu e todos os jornalista do Pasquim dos anos 70.

Ruínas da antiga fortificação inglesa em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Ruínas da antiga fortificação inglesa em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Enfim, passamos dois dias maravilhosos ouvindo suas histórias e nos divertindo com o humor inglês do David, embalados com bom uísque e vinho, mimados até não poder mais com um delicioso quarto e refeições em bons restaurantes. Fica difícil saber se devemos agradecer aos nossos anfitriões, que nos deram uma aula sobre como passar nossa curta vida aqui na Terra, ou à Rosa e ao Roberto, o simpático casal que nos colocou em contato com eles! Brincadeiras à parte, agradecemos aos dois casais, pessoas que só conhecemos porque estamos viajando por esse enorme continente, sempre abertos a conhecer pessoas novas, gente que vive diferente das pessoas que passam boa parte da vida dentro de um escritório.

Caminhando em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Caminhando em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Parte alta de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Parte alta de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


O dia 21 foi assim, conversando boa parte do dia com a Marília, e socializando também com o David de noite. Quando muito, um pulinho na praia da Rodney Bay, onde fomos até o boteco no final da praia e, ao longo de algumas cervejas, ficamos amigos da dona e de seus ajudantes, todo mundo sangue muito bom, o melhor escritório do mundo bem em frente, a paisagem cinematográfica da praia, mar azul, veleiros e iates e a Pigeon Island ao fundo.

É possível ver as Pitons no horizonde, do alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

É possível ver as Pitons no horizonde, do alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Aliás, foi aí que fomos passar o dia de hoje. Um parque nacional que protege uma península que já foi uma ilha, até que aterrassem uma pequena passagem há três décadas. Pigeon Island teve papel fundamental na história de Santa Lúcia e de todo o Caribe e hoje toda a área é um parque, protegendo não só a natureza, mas também as ruínas da antiga fortaleza.

No alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

No alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Foi aqui que, depois de muitas idas e vindas, os ingleses conseguiram se estabelecer “solidamente”. Construíram uma bela fortaleza e daí conseguiam vigiar Fort-de-France, a principal base naval francesa no Caribe, em Martinica, 40 km ao norte.

Uma das muitas placas informativas sobre a história de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Uma das muitas placas informativas sobre a história de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Na Guerra dos Sete Anos, na década de 1760, franceses e ingleses estavam, em verdade, disputando a supremacia mundial, assim como foi a guerra entre eles. Os ingleses venceram e os franceses perderam sua posses no Canadá e na Índia (o que atesta o caráter mundial da disputa). Pois bem , alguns anos mais tarde veio a chance da desforra, a Guerra de Independência Americana. Franceses logo se aliaram aos revolucionários e Washington teve ajuda decisiva do exército comandado pelo general francês Lafayette. Não é à toa que, até hoje, os americanos tem essa dívida de gratidão com os franceses.

É possível ver as Pitons no horizonde, do alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

É possível ver as Pitons no horizonde, do alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Pois bem, essa também foi uma “guerra mundial” e boa parte dela se deu Caribe. Enquanto em terra, na América do Norte, Washington e seu amigos franceses ao final venceram, no Caribe a história foi outra. Aqui, ingleses, de maneira geral, venceram a aliança de americanos, franceses, espanhóis e holandeses.

No alto do antigo forte em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

No alto do antigo forte em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Por exemplo, boa parte dos suprimentos para os revolucionários americanos passavam pela ilha de Sint Eustatius (nós passamos por lá, podem ver nos posts!), inclusive mercadorias contrabandeadas da própria Inglaterra. Os ingleses tomaram essa ilha dos holandeses, num ataque surpresa, destruindo boa parte das instalações comerciais pertencentes à comunidade judaica da ilha. Inclusive, e isso não era comercial, à mais antiga sinagoga do continente. Um ano mais tarde, em 1782, os franceses retomaram a ilha para os holandeses.

No alto do antigo forte em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

No alto do antigo forte em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Mas, a grande batalha pela posse do Caribe era outra. Franceses e espanhóis planejavam tomar a Jamaica, principal base inglesa na região. Mas quando a esquadra francesa zarpou de Fort-de-France, na Martinica, os ingleses logo saíram em seu encalço. Estavam estacionados em Pigeon Island, sob comando do Almirante Rodney, o mesmo que havia tomado Sint Eustatius. Ele mesmo subia, todos os dias, ao ponto mais alto de Pigeon Island para, com sua luneta, observar os franceses da Martinica.

Experimentando chapéus em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Experimentando chapéus em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Depois de muita espera, saiu com sua frota poucas horas depois dos navios franceses zarparem e, alguns dias depois, os derrotou em uma batalha ao largo das ilhas de Les Saints, em Guadalupe. Foi uma vitória decisiva que manteve a posse da Jamaica e, mais do que isso, a supremacia inglesa em todo o Caribe.

Gato descansa tranquilamente à beiramar, em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Gato descansa tranquilamente à beiramar, em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


A fortaleza onde Rodney ficava hoje é um parque. Por aí caminhamos por algumas horas, lendo todos os painéis explicativos e nos deliciando com a mesma visão que tinham os ingleses, 235 anos atrás. Ao final, relaxamos no lendário restaurante em que a inglesa Josset Agnes recebia velejadores de todo o mundo nas décadas de 50 a 70 do século passado. Um lugar sagrado na comunidade! A atriz acabou voltando para morrer na Inglaterra, quase centenária, mas seu sonho de preservação foi consolidado com a transformação de toda a área em um parque.

Pequena e bela praia em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Pequena e bela praia em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia


Amanhã partimos para San Vincent, de avião. Fim de mais uma etapa nessa perna caribenha, muitas histórias novas aprendidas (o Caribe é um mundo à parte!) e, mais importante do que tudo isso, dois dias de agradável e enriquecedora convivência com esse casal incrível, que nos recebeu tão bem, a Marília e o David.

Com o David e a Marília, nossos queridos anfitiões em Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Com o David e a Marília, nossos queridos anfitiões em Rodney Bay, norte de Santa Lúcia

Santa Lúcia, Castries, Rodney Bay, Mergulho, trilha, Parque, história

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Maui nos Dá as Boas-vindas!

Hawaii, Maui-Kihei

Criança faz malabarismo com fogo durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Criança faz malabarismo com fogo durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


O voo entre as vizinhas Big Island e Maui, no pequeno bimotor da empresa regional, dura cerca de meia hora. Foi com tristeza que vimos a Big Island ficar para trás, tantas coisas ainda por ver e fazer, mas com felicidade sobrevoamos Maui, nossa segunda ilha nesse tour pelo Havaí. Aqui, amanhã de noite, se juntarão a nós a Laura e o Rafa, nossos queridos padrinhos e companheiros de viagem em ilhas no meio dos oceanos.

Maui e as ilhas adjacentes, no Havaí

Maui e as ilhas adjacentes, no Havaí


Maui é a segunda ilha mais nova do Havaí, após a caçula Big Island. Já se afastou do hotspot que cria as ilhas do arquipélago, mas não ainda a uma distância suficiente para garantir que seus vulcões estejam extintos. Pelo menos, não tecnicamente, mas que já estão bem preguiçosos, isso estão. Tanto que a taxa com que a ilha é “derretida” pelo mar já é bem mais alta do que a taxa de criação de novas terras por seus combalidos vulcões. Tanto é assim que a erosão causada pelo oceano já dividiu a ilha original em quatro ilhas menores. Maui é o nome da maior ilha desse grupo, ainda formada por dois grandes vulcões e uma extensa planície que une esses dois gigantes. Mais algumas dezenas de milhares de anos e o mar tomará isso de volta também e a atual Maui será novamente dividida. Lá do alto, chegando de avião, dá para perceber bem essa geografia. E olhando o mapa do Hawaii, é quase possível ouvir Maui dizer para a Big island: “Você se acha grande? Aproveite o vigor da juventude, pois eu sou você amanhã...”

Um dos vulcões que formou a ilha de Maui, no Havaí

Um dos vulcões que formou a ilha de Maui, no Havaí


Maui pode não ser mais a maior ilha do arquipélago, mas certamente é a mais chique. A quantidade de campos de golfe que se vê lá de cima é um bom indicativo disso. Uma das consequências (ou causas?) disso é que tudo aqui é mais caro. Dos hotéis aos restaurantes, da gasolina ao entretenimento. É a ilha dos ricos e famosos e a quantidade de ferraris que se vê nas ruas impressiona. Com muito custo, achamos um hotel um pouco mais em conta, desses das grandes cadeias americanas, localizado na cidade de Kihei, na costa oeste da ilha. Vamos usá-la como base para todas as nossas explorações de Maui, já que as distâncias aqui não são tão longas como na Big Island.

Chegando à ilha de Maui, no Havaí

Chegando à ilha de Maui, no Havaí


Nosso avião pousou no aeroporto de Kahului, do outro lado da planície que liga (ou separa?) os dois antigos vulcões e ali mesmo pegamos o nosso carro. É um jipão do mesmo modelo do que tínhamos em Big Island, só que agora é branco. Na verdade, era um jipe menor, mas tanto choramos que eles fizeram um upgrade para nós, sem aumentar o preço. Por aqui, não precisaremos da tração, mas do tamanho sim. Afinal, a partir de amanhã à noite, seremos quatro. Quanto ao nosso roteiro na ilha, uma conversa com o rapaz da companhia de carros confirmou o que já havíamos pensado: com apenas quatro dias, nem vale a pena dar um pulo nas ilhas vizinhas de Molokai ou Lanai; Maui já tem atrações suficientes.

Chegando à Maui, no Havaí

Chegando à Maui, no Havaí


Mal chegamos ao nosso hotel e o telefone tocou. Era o Sidney, nosso grande amigo que nos recebeu tão bem em San Francisco. Quis o destino que, mesmo sem saber, marcássemos uma viagem para o Havaí exatamente na mesma época. Ele está viajando para cá com a Ane, sua irmã com quem também estivemos em San Francisco, com o Marco, um amigo que também conhece a Ana, lá do Brasil, além de outro pessoal, americanos mesmo. Mas ao invés de viajarem pelas quatro ilhas, como nós, vão se concentrar apenas na Big island e no Kauai. A gente quase se encontrou no aeroporto de Kona, mas lá no Kauai esse reencontro não vai escapar!

Tarde movimentada na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Tarde movimentada na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


Pois é, o Sidney ligava para perguntar aonde estávamos. Eles tinham acabado de chegar à Kona. Outra coincidência deliciosa, vamos chegar praticamente no mesmo horário em Kauai e o encontro já está marcado, no aeroporto mesmo. Vai ser joia! Antes de desligar, o Sidney ainda nos deu uma bela dica: ele já esteve aqui em Maui, em outra viagem, e se lembrou que todos os domingos rola uma festa noturna bem legal, numa praia chamada Little Beach. Outra vez a sorte, ela fica pertinho do nosso hotel!

Maravilhoso fim de tarde com p céu avermelhado, na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Maravilhoso fim de tarde com p céu avermelhado, na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


Assim, já tínhamos programa para hoje! Chegamos ao hotel, instalamo-nos no nosso quarto cavernoso (o preço em conta tem seu “preço”!) e fomos aproveitar um happy hour no restaurante do hotel vizinho, bem em frente à praia. Sushis pela metade do preço e cervejas com preços abaixo do extorsivo, o que não é coisa fácil por aqui. Muito bem alimentados, seguimos então para a praia da festa.

Maravilhoso fim de tarde com p céu avermelhado, na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Maravilhoso fim de tarde com p céu avermelhado, na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


A Little Beach fica no meio de um parque estadual. O carro chega até um estacionamento de onde caminhamos uns 300 metros até Big Beach, uma longa praia de areias amareladas. Já final de dia, as pessoas estavam saindo da praia, mas estranhamente, o estacionamento ainda estava bem cheio. Sinal de que os donos dos carros estavam em outro lugar! É, a tal festa faz sucesso mesmo!

Criança faz malabarismo com fogo durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Criança faz malabarismo com fogo durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


A Little Beach fica ao lado da Big Beach. Para chegar até lá, caminhamos até o fim da praia, subimos um barranco e descemos do lado de lá. É uma praia para os amantes do nudismo, mas nesse dia de festa, é invadida também por aqueles que usam sunga, bermuda ou um biquíni. Fica todo mundo ali, peladões e os vestidos, socializando como se fosse a coisa mais normal do mundo. E ali naquele ambiente, para falar a verdade, parece normal mesmo! O sol se pondo de um lado, pintando o céu com cores espetaculares, e um pessoal fazendo uma batucada bem gostosa do outro, clima totalmente Hawaii.

Garota mostra suas habilidades pirotécnicas durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Garota mostra suas habilidades pirotécnicas durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


O sol de pôs e sua luz foi substituída pela luz das tochas de fogo. Homens, mulheres e até um menino se revezaram, por mais de uma hora, em malabarismos com fogo, um verdadeiro show de luzes e perícia que emprestava um tom ainda mais tropical e praiano à festa. Foi muito joia! Maui não poderia ter nos recebido de maneira mais simpática. A tal ilha mais chique do Havaí também tem o seu lado relax. Só precisamos achá-lo! E hoje, graças ao Sidney, nós achamos!

Rapaz se apresenta durante festa noturna na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Rapaz se apresenta durante festa noturna na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Hawaii, Maui-Kihei, Praia

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Curtindo o Frio

Brasil, Santa Catarina, Urubici

Gelo na estrada da Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC

Gelo na estrada da Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC


Frio lá fora, tempo nublado, quarto quentinho, já viu a vontade que dá de sair da cama, né? O estímulo maior é o café da manhã, que se encerra às 09:30. Diante desse imperativo, não tem remédio. Mas logo já estávamos de volta ao quarto para trabalhar um pouco, dando um tempo para o tempo melhorar.

Estrada bucólica na região de Urubici - SC

Estrada bucólica na região de Urubici - SC


Mas as nuvens eram insistentes e resolvemos sair assim mesmo. Resolvemos fazer um circuito pela região, dando uma volta na serra e no Parque Nacional de São Joaquim. É no ponto mais alto desse parque (e de toda a região sul do país), o Morro da Igreja, que foi medida a temperatura mais baixa do Brasil. Algo próximo de 17 graus NEGATIVOS! Isso mesmo, coisa de primeiro mundo, hehehe.

A gelada Cachoeira do Avencal, em Urubici - SC. Nadar, nem pensar!

A gelada Cachoeira do Avencal, em Urubici - SC. Nadar, nem pensar!


Bem, hoje estava frio, mas nem tanto assim! Fomos primeiro na mais bela cachoeira da região, bem pertinho de Urubici, chamada Avencal. Cachoeira mais para ser vista do que para ser nadada. Principalmente no inverno. A parte de baixo é atingida por uma trilha de pouco menos de um quilômetro que nos leva à garganta onde chega a cachoeira depois de uma queda de mais de 100 metros. Paisagem cinematográfica! E a água é geladíssima. Com o céu nublado e a temperatura de 10 graus do lado de fora, não sobrou estímulo nenhum para entrar na água... Na parte de cima da cachoeira, de onde temos uma visão magnífica do canyon por onde corre a água, pode-se chegar de carro. O máximo que temos de andar é uns 100 metros, até os dois mirantes de observação.

Pinturas rupestres e a Cachoeira do Avencal ao fundo, em Urubici - SC

Pinturas rupestres e a Cachoeira do Avencal ao fundo, em Urubici - SC


No caminho para a parte alta da cachoeira, ainda passamos numa parede cheia de pinturas rupestres. Na verdade, pintura não, arte rupestre, já que eles não usavam tinta, era tudo técnica de baixo relevo. A mais bela delas é uma espécie de máscara, que já está ali há uns 3 mil anos, a admirar e guardar aquela linda paisagem à sua frente. Como sempre acontece quando vejo arte rupestre, fico imaginando o momento em que foram feitas, quem eram e como viviam aqueles artistas. Esse elo direto entre nós e eles, a arte na minha frente, ganha contornos quase mágicos, um tipo de máquina do tempo.

A majestosa Cachoeira do Avencal, em Urubici - SC

A majestosa Cachoeira do Avencal, em Urubici - SC


Dali seguimos para Bom Jardim da Serra, onde está a famosa Serra do Rio do Rastro. No caminho, chuva, placas pedindo cuidado com o gelo na pista (muito estranho ver placas assim no Brasil!) e caminhões transpotando enormes peças na carroceria, o que atravancou o trânsito e nos fez perder uns 40 minutos preciosos na estrada. Enfim, chegamos ao mirante de onde se pode observar os paredões da serra despencando abruptamente até a planície lá embaixo, já quase no nível do mar. É uma visão magnífica que fica ainda mais linda com a estrada serpenteando por entre os paredões para vencer a montanha. Essa estrada é uma das grandes obras de engenharia rodoviária do país, certamente uma das mais belas do Brasil.

A famosa estrada da Serra do Rio do Rastro, na região de Urubici - SC

A famosa estrada da Serra do Rio do Rastro, na região de Urubici - SC


Enfrentando o frio no mirante da Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC

Enfrentando o frio no mirante da Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC


Apertados pelo tempo, ficamos lá em cima bem menos do que gostaríamos e fomos logo descendo a estrada. Mas não demorou muito e já estávamos parados novamente. Desta vez, embasbacados diante de uma cascata de gelo enorme que se formou em uma das encostas. Afinal, não é todo dia que temos esse tipo de visão no Brasil, um país que era para ser tropical. Nova sessão de fotos e já fomos acelerando novamente, afinal ainda tínhamos de completar a nossa volta do parque, subindo por outra serra igualmente famosa, a Serra do Corvo Branco.

Cascata de gelo na Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC

Cascata de gelo na Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC


Fiona na Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC

Fiona na Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC


Atravessamos rapidamente a planície lá em baixo em direção ao norte, até a tal serra. A Corvo Branco é bem menos utilizada que a Rio do Rastro, pois não é asfaltada. Muitos dizem ser até mais bonita. À bordo da nossa Fiona, certamente a terra não seria problema. E não foi mesmo, perto do que já passamos antes. A paisagem é realmente belíssima, mesmo em um fim de tarde ainda mais escuro pela falta de sol. Foi o tempo de completarmos a subida, com uma ou outra parada para tentativas de fotos, que a noite tomou conta do céu. Lá no alto, a subida termina de forma apoteótica, no maior corte em rocha já feito no Brasil, com quase cem metros de altura. Ficamos só imaginando a beleza daquilo tudo num dia de céu azul. Não tivemos essa sorte, mas o que vimos, na penumbra da quase-noite já foi incrível!

Chegando num fim de tarde nublado na Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC

Chegando num fim de tarde nublado na Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC


De lá, já no rumo de Urubici, passamos na entrada da estrada para o Morro da Igreja. Era sete da noite, estávamos a 1.100 metros de altura e a temperatura era de 8 graus. Quem sabe, por um milagre, não estaria nevando lá encima? Fomos subindo acompanhando atentamente os marcadores de nosso GPS e da Fiona. Uma marcava a altitude e o outro, a temperatura. 1300, 1400, 1500; 7 graus, 6 graus, 5 graus. E nós na maior torcida! Enfim, chegamos aos 1.800 metros com 2 graus de temperatura. Mas, ao invés de neve, tinha era muita névoa e vento. Vento forte e frio!!! Brrrrrrr A temperatura aparente deveria ser quase uns 10 graus abaixo de zero! Minhas orelhas congelaram rapidinho! Felizmente, o conforto da Fiona estava ali do lado...

Trecho final e asfaltado da subida da Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC

Trecho final e asfaltado da subida da Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC


Depois desse frio todo, do longo percurso ao redor do parque e para seu ponto mais alto e das lindas paisagens do dia, só nos restava voltar para Urubici. Um chuveiro quente delicioso nos aguardava. E uma cama quentinha também. Amanhã, com pilhas novas, vamos atrás do frio novamente...

O maior corte feito em rocha no Brasil, com quase 100 metros, no alto da Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC

O maior corte feito em rocha no Brasil, com quase 100 metros, no alto da Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC

Brasil, Santa Catarina, Urubici, Rio do Rastro, Corvo Branco, Avencal

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A Floresta Encantada

Brasil, Rio De Janeiro, Serra dos Órgãos

Riacho corta a mata úmida na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Riacho corta a mata úmida na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Durante nossa noite no Abrigo 4, aos pés da Pedra da Mina, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o tempo virou. O barulho dos pingos d’água caindo na lona da nossa barraca nos alertou dos humores de São Pedro. Nossa ideia era levantar ainda de madrugada e subir até o cume da montanha para assistir ao nascer-do-sol. As novas condições do tempo nos deram algumas horas a mais de sono.

Em manhã nublada e chuvosa, no topo da Pedra do Sino, ponto culminante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Em manhã nublada e chuvosa, no topo da Pedra do Sino, ponto culminante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Quando finalmente saímos dos sacos de dormir e da barraca, pouco depois das 7 da manhã, o camping estava envolto em neblina e sob chuva fraca. Imediatamente nos arrependemos de não ter estado no alto da montanha na véspera. Mas havíamos chegado tarde ontem, estávamos com fome e cansados. Acabamos optando por ver o sol se por da trilha mesmo e foi muito bonito. Querendo evitar a escuridão total, aceleramos para o Refúgio 4, uns 10 minutos trilha abaixo, para podermos escolher um lugar para armar a barraca. O nascer-do-sol seria lé em cima. Mas não foi. Preferimos o conforto da barraca á chuva, frio e neblina do cume.

Em manhã nublada e chuvosa, no topo da Pedra do Sino, ponto culminante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Em manhã nublada e chuvosa, no topo da Pedra do Sino, ponto culminante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Com o tempo aberto, junto com primos no topo da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)

Com o tempo aberto, junto com primos no topo da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)


Perdemos o dia nascendo, mas não o topo da montanha. Sem peso nas costas, resolvemos enfrentar as condições adversas e ir até o ponto mais alto da Serra dos Órgãos, o cume da Pedra do Sino, com 2.275 metros de altitude. Apesar do forte vento, rapidinho já estávamos lá. Na parte final, não enxergando mais do que uns poucos metros à nossa frente, não tínhamos ideia do quão perto (ou longe) estávamos do pilar que marca o cume da montanha. Quando parecia que chegaríamos, conseguíamos ver algumas pedras ainda mais altas. Mas, enfim, apareceu a pequena coluna de concreto. Éramos os únicos lá no alto. Quer dizer, nós, as gotas de chuva, a neblina e o vento forte. Impossível adivinhar a paisagem maravilhosa que a neblina impenetrável escondia.

Após dois dias de travessia desde Petrópolis, fim de tarde glorioso no topo da Pedra do Sino, ponto mais alto do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)

Após dois dias de travessia desde Petrópolis, fim de tarde glorioso no topo da Pedra do Sino, ponto mais alto do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)


Paisagem montanhosa que se vê do topo da Pedra do Sino com o dia aberto, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)

Paisagem montanhosa que se vê do topo da Pedra do Sino com o dia aberto, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro (foto antiga, do ano 2000)


Quer dizer, mais ou menos. Nada muito diferente do que havíamos visto durante todo o dia de ontem. Então, bastava um pouco de concentração e imaginação. Esquecer que as nuvens estavam lá e ver, realmente ver, a paisagem grandiosa repleta de picos de montanhas, todos abaixo de nós. Bem distante, a Baía da Guanabara, para o sul. E para o oeste, lá onde o sol se põe, o Castelo do Açu, bem pequenino. haja imaginação. E haja concentração, principalmente com o vento jogando água fria no nosso rosto. De qualquer maneira, eu já havia estado aqui uma vez, 14 anos atrás. As fotos estão meio borradas e desgastadas pelo tempo, mas dão uma boa ideia do que se pode ver do alto do Sino num dia limpo.

Passando por uma das muitas cachoeiras na área da portaria de Teresópolis do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Passando por uma das muitas cachoeiras na área da portaria de Teresópolis do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Sem esperanças que o tempo abrisse, tiramos nossas fotos lá no alto para registrar nossa passagem por lá e voltamos ao acampamento. Aí, foi só empacotar tudo e iniciar a última parte da nossa travessia da Serra dos Órgãos, a descida de 10 quilômetros e cerca de 1.000 metros verticais do Abrigo 4 até a portaria do parque em Teresópolis. Trilha muito bem marcada e fazendo um infinito ziguezague para descer as encostas da parte alta do parque rumo a mata úmida que domina a parte baixa da serra dos Órgãos.

Caminhando por trilha suspensa em meio à vegetação densa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, próximo a portaria de Teresópolis

Caminhando por trilha suspensa em meio à vegetação densa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, próximo a portaria de Teresópolis


Caminhando por trilha suspensa em meio à vegetação densa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, próximo a portaria de Teresópolis

Caminhando por trilha suspensa em meio à vegetação densa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, próximo a portaria de Teresópolis


Uma chuva fina nos acompanhou por quase todo o percurso. Conforme diminuía a altitude, a neblina foi rareando e passamos a poder ver mais longe. Sendo sábado de manhã, cruzamos com grupos e mais grupos de pessoas fazendo o caminho inverso. É muito comum que se faça apenas essa perna da travessia nos finais de semana: a subida da pedra do Sino, ida e volta por Teresópolis. Depois dos nossos dois dias de tempo maravilhoso no parque, ficamos com pena desses que já subiam enfrentando a chuva e sem muita chance de ter qualquer visibilidade lá no alto. Enfim, o que vale é a aventura. O sol é o bônus.

Placa informativa ao longo da trilha suspensa que atravessa trecho de mata úmida na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Placa informativa ao longo da trilha suspensa que atravessa trecho de mata úmida na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Trilha em meio à vegetação densa na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Trilha em meio à vegetação densa na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


No caminho, passamos pelas ruínas do antigo Abrigo 3 e nem percebemos as ruínas do Abrigo 2, já quase completamente cobertas pela vegetação. falando nela, foi a grande estrela dessa última parte da caminhada. Quanto mais descemos, mais a mata vai se adensando. De repente, já estamos numa verdadeira floresta. E num dia como hoje, com chuva fina, a mata parece ainda mais úmida do que já é. Vários riachos e muitas cachoeiras dão vida ao caminho e a cor verde nos cerca por todos os lados. Há as árvores mais altas, com as opas bem frondosas. Abaixo, o chamado sub-bosque, formado por palmeiras. É como se fosse uma floresta com vários andares. No “térreo”, um piso coberto por musgo, liquens e fungos. Disputam o espaço em cada raiz das árvores mais altas.

Muitas palemiras formam o chamado sub-bosque, sob a copa de árvores maiores, na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Muitas palemiras formam o chamado sub-bosque, sob a copa de árvores maiores, na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Muitas palemiras formam o chamado sub-bosque, sob a copa de árvores maiores, na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Muitas palemiras formam o chamado sub-bosque, sob a copa de árvores maiores, na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Também os galhos das árvores são recobertos de vegetação. São as bromélias! Centenas, milhares delas! Nunca havia visto tantas dessas plantas juntas. O visual era lindo e fiquei com vontade de ser botânico. A parte baixa do parque desse lado de Teresópolis é o mais desenvolvido em termos de infra estrutura e há várias pequenas trilhas para se explorar a região. Uma delas é uma trilha suspensa no meio das árvores e da vegetação, em passarelas de madeira. Ao longo dela, vários painéis informativos para nos ilustrar sobre a riqueza de vida ao nosso redor.

Chegando à portaria de Teresópolis, trecho final da travessia de 30 km e 3 dias através do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Chegando à portaria de Teresópolis, trecho final da travessia de 30 km e 3 dias através do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A mata úmida e desnsa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

A mata úmida e desnsa da parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


A neblina e a chuva fina se misturavam com a copa das árvores dando um tom mágico, quase sobrenatural, ao ambiente. Que iria subir a Pedra da Mina hoje já tinha passado por nós, então éramos os únicos a caminhar por ali naquela hora, já bem perto do almoço. Foi uma experiência fantástica, quase que como se estivéssemos em um outro mundo, numa outra realidade. mas, enfim, fomos chegando ao final da trilha, que acabou virando uma estrada asfaltada. mais alguns minutos e reencontramos nossa querida, valente e fiel Fiona. Estávamos em casa!

Milhares de bromélias penduradas nos galhos das árvores na mata úmida que ocupa a parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Milhares de bromélias penduradas nos galhos das árvores na mata úmida que ocupa a parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Chegando ao final da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Chegando ao final da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis


Molhados e com fome, mais do que nunca agrademos a escolha de ter deixado a Fiona por aqui e não ter de pegar o ônibus agora para a sede de Petrópolis. Ao invés disso, seguimos diretamente para o centro de Teresópolis, em busca de um bom lugar para comer. Queríamos comida farta e de boa qualidade, algo que estávamos merecendo depois de tanto esforço. Acabamos nos esbaldando numa excelente churrascaria da cidade. Como todos sabemos, a fome é o melhor tempero que existe e, talvez influenciado por isso, foi o melhor churrasco que tivemos por muito tempo! Final perfeito para nossa travessia quase perfeita. Um ótimo final, também, para o P.S. dos 1000dias. Agora, a Serra dos Órgãos e sua famosa “trilha mais bonita do Brasil” também já fazem parte do nosso roteiro pelo continente!

Após 30 km e três dias na montanha, o feliz reencontro com a nossa Fiona, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

Após 30 km e três dias na montanha, o feliz reencontro com a nossa Fiona, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, portaria de Teresópolis

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