0 Blog do Rodrigo - 1000 dias

Blog do Rodrigo - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Übersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jidö)

lugares

tags

Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão

paises

Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: Rio De Janeiro Há 2 anos: Rio De Janeiro

Dia de Descanso

Brasil, Amazonas, Presidente Figueiredo

As corredeiras do Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM

As corredeiras do Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM


Depois de dias puxados de estrada e aproveitando o domingão de páscoa chuvoso e cidade ainda cheia, resolvemos tirar um dia de folga. Logo cedo, mudamos de pousada, tomamos um belo café da manhã e ficamos bem folgados no nosso quarto, ouvindo o barulho da chuva, dormindo, vendo TV, namorando e lendo sobre as belezas da região. O dia passou bem devagar, para a nossa alegria.

Passeando em Presidente Figueiredo - AM

Passeando em Presidente Figueiredo - AM


Por fim, já no meio da tarde, o sol apareceu e a consciência começou a pesar um pouco, de ficar no quarto. Sem falar da fome. Fomos de carro na mais famosa atração da cidade, o parque muncipal onde estão as corredeiras do rio Urubuí.

Crianças se divertem nas corredeiras do Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM

Crianças se divertem nas corredeiras do Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM


Confesso que eu não estava botando muita fé nesta atração. Imaginei um balneário cheio de gente e umas piscinas naturais pouco atrativas. Pois é, quebrei a cara! As corredeiras são muito legais e eu fiquei impressionado que algumas pessoas se jogam nelas e passam nadando, sem colete ou sem bóia. Se eu não tivesse visto, jamais imaginaria que fosse possível.

Rapaz nos mostra como enfrentar as corredeiras do Urubuí sem bóias ou coletes! (em Presidente Figueiredo - AM)

Rapaz nos mostra como enfrentar as corredeiras do Urubuí sem bóias ou coletes! (em Presidente Figueiredo - AM)


Rapaz nos mostra como enfrentar as corredeiras do Urubuí sem bóias ou coletes! (em Presidente Figueiredo - AM)

Rapaz nos mostra como enfrentar as corredeiras do Urubuí sem bóias ou coletes! (em Presidente Figueiredo - AM)


Bom, depois de ver gente fazendo, é claro que fiquei atiçado e vou ter de fazer também. Mas hoje, fomos despreparados, sem roupa de banho. mas antes de ir embora, voltaremos e vamos fazer um vídeo bem legal, além de fotos. Mas, neste caso, com certeza, o vídeo dá uma idéia melhor de como são as corredeiras.

Rapaz nos mostra como enfrentar as corredeiras do Urubuí sem bóias ou coletes! (em Presidente Figueiredo - AM)

Rapaz nos mostra como enfrentar as corredeiras do Urubuí sem bóias ou coletes! (em Presidente Figueiredo - AM)


No local há várias churrascarias e lá fomos nós atrás da nossa almojanta. Todas elas estavam com a TV ligada mostrando o jogo do Fla-Flu. Incrível a força do futebol carioca aqui no norte do país. O Flamengo ganho, conseguindo ir para a final do 2o turno carioca. Ou seja, era só uma semifinal de 2o turno de campeonato regional. Não obstante, para os torcedores daqui, era como se fose a final da Copa do Mundo. Verdadeira explosão de felicidade com a vitória do Flamengo. Até eu, cruzeirense orgulhoso do meu time, acabei me contagiando com a alegria geral. Foi bom para embalar nossa picanha!

Explosão de alegria com a vitória do Flamengo! (em Presidente Figueiredo - AM)

Explosão de alegria com a vitória do Flamengo! (em Presidente Figueiredo - AM)


E assim, descansados, estamos prontos para a maratona dos próximos dias por aqui. Cachoeiras, trilhas, grutas, lagos e rios, aí vamos nós!

Visitando o parque das corredeiras do Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM

Visitando o parque das corredeiras do Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM

Brasil, Amazonas, Presidente Figueiredo,

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Um Dia em Reykjavik

Islândia, Reykjavik

Banhistas nas águas quentes da Blue Lagoon, na região de Reykjavik, na Islândia

Banhistas nas águas quentes da Blue Lagoon, na região de Reykjavik, na Islândia


Inicialmente, nosso plano era ir para a Groelândia no início de Junho, quando já estaríamos em Nova Iorque. Mas, como expliquei no post anterior, pelos altos preços de uma viagem independente, acabamos por optar por um pacote de passagens e hotéis. Só que estamos bem no intervalo dos pacotes de inverno e de verão. Para ter alguma chance de ver a famosa aurora boreal, tínhamos de tentar chegar lá no inverno e a nossa última chance era no pacote que começava dia 26 de Abril. Perdendo esse, só no final do ano. Ou então, pacote de verão, sem nenhuma chance de ver as “luzes do norte”. O problema passou a ser chegar à Islândia a tempo de pegar o voo para a Groelândia. Foi quando descobrimos que era possível viajar para a Islândia saindo diretamente Orlando!

Enfrentando o frio para entrar na Blue Lagoon, na região de Reykjavik, na Islândia

Enfrentando o frio para entrar na Blue Lagoon, na região de Reykjavik, na Islândia


Pois bem, viemos de Orlando ontem de noite e chegamos em Reykjavik às sete da manhã. Como nosso voo para a Groelândia era só no final da tarde, ganhamos um dia na capital da Islândia. Depois, na volta da Groelândia, teremos mais uma semana inteira por aqui e aí sim teremos tempo para ver o país.

Tomando banho nas águas quentes da Blue Lagoon, na região de Reykjavik, capital da Islândia

Tomando banho nas águas quentes da Blue Lagoon, na região de Reykjavik, capital da Islândia


Corrida como está nossa viagem, mal tivemos tempo para planejar o que fazer ou ver por aqui. Começamos a resolver isso ainda no aeroporto. Na oficina de turismo, conseguimos vários livros e mapas do país, para planejar nossa viagem da semana que vem. E, para hoje, eles nos indicaram que fôssemos à Blue Lagoon, ou Lagoa Azul, um lago de águas quentes de cor azulada, muito popular entre turistas e islandeses, que adoram relaxar em suas águas mesmo quando a temperatura do lado de fora está abaixo de zero. Para facilitar as coisas, há um ônibus diretamente do aeroporto para lá. Mais tarde, o mesmo ônibus pode nos levar à cidade, onde está o aeroporto doméstico de onde parte nosso voo para a Groelândia. Mais prático que isso, impossível!

Banho quente de cachoeira na Blue Lagoon, na região de Reykjavik, capital da Islândia

Banho quente de cachoeira na Blue Lagoon, na região de Reykjavik, capital da Islândia


E assim fizemos. De mala e cuia seguimos para a Blue Lagoon, um moderno complexo construído ao lado dessa maravilha da natureza. Antes de ver a lagoa, fomos ao vestiário para trocar de roupa e tomar banho. Depois, já de calção, fomos enfrentar os 3 graus que fazia lá fora para podermos entrar na tal lagoa. Ainda no interior envidraçado e aquecido do prédio, enquanto tomávamos coragem para enfrentar o frio, admiramos a impressionante beleza desse lago azul e esfumaçado à nossa frente, com várias cabecinhas de pessoas que já estavam instaladas dentro dele.

Rosto coberto de argila rica em mineirais, na Blue Lagoon, na região de Reykjavik, capital da Islândia. Dizem que faz bem para a pele!

Rosto coberto de argila rica em mineirais, na Blue Lagoon, na região de Reykjavik, capital da Islândia. Dizem que faz bem para a pele!


A Islândia está localizada justamente sobre o encontro de duas enormes placas tectônicas. O atrito entre elas, cada uma movendo-se para um lado, gera uma enorme energia sob o solo da ilha. Algumas vezes, essas energias titânicas se revelam na forma de terremotos. Outras vezes, em grandes erupções vulcânicas. Outra forma de manifestação, essa bem menos violenta, são as centenas de fontes de água quente espalhadas pelo país. A Blue Lagoon é apenas a mais famosa e popular delas e os islandeses souberam bem aproveitar esse fenômeno.

Tomando vinho na Blue Lagoon, na região de Reykjavik, capital da Islândia

Tomando vinho na Blue Lagoon, na região de Reykjavik, capital da Islândia


Nós também, correndo para a água. Lá ficamos pelas próximas duas horas, tempo dividido em caminhadas pelo lago, banhos de cachoeira, sessões de saunas seca e à vapor, degustação de vinho com água até o pescoço e até um tratamento para a pele com uma argila recolhida do fundo do lago, rica em minerais.

Dia gelado e água quentinha na Blue Lagoon, na região de Reykjavik, capital da Islândia

Dia gelado e água quentinha na Blue Lagoon, na região de Reykjavik, capital da Islândia


Difícil foi vencer a preguiça e a inércia para sair daquele paraíso Queríamos aproveitar cada minuto, ainda mais que o dia estava feio e frio, o que fazia a água quente ainda mais aconchegante. Mas precisávamos ir, pois tínhamos um compromisso em Reykjavik! Pois é, mal chegamos ao país e já tínhamos um compromisso por lá. Que chique!

Chegando à Reykjavik, capital da Islândia

Chegando à Reykjavik, capital da Islândia


Pegamos o ônibus para o aeroporto doméstico, já bem no centro da cidade e ali guardamos nossas mochilas. Algum tempo depois, foi nos buscar o Sighmatur, nosso amigo islandês que conhecemos no barco ente Manaus e Santarém em Maio de 2011, há exatamente um ano. Ele estava no final de sua viagem de 80 dias ao redor do globo e foi quem nos ensinou que, para chegar à Groelândia, teríamos de passar por Islândia ou Dinamarca.

Almoçando com o Sighvatur, em Reykjavik, na Islândia

Almoçando com o Sighvatur, em Reykjavik, na Islândia


Nossa, como o tempo passou rápido! E que diferença vê-lo aqui, agasalhado no frio islandês, depois de tê-lo visto no calor amazonense. É... realmente, Amazonas e Islândia são duas galáxias diferentes! Unidas por 1000dias de jornada. Ou, no caso dele, por apenas 80!

Reencontro com o Sighvatur, em Reykjavik, na Islândia

Reencontro com o Sighvatur, em Reykjavik, na Islândia


Ele nos levou num restaurante joia para almoçarmos. Botamos a conversa em dia, o tanto quanto possível no pouco tempo que tínhamos. Além disso, com um mapa do país em mãos, ele nos sugeriu um roteiro de viagem ao redor da ilha, para os sete dias que teremos por aqui. Melhor do que qualquer guia que comprássemos numa livraria.. Que ótimo! Depois, nos levou de volta ao aeroporto. Já estávamos encima da hora para nosso voo para Nuuk, a menor capital do mundo r, ainda assim, a maior cidade da longínqua Groelândia. Ainda não consigo acreditar que estamos indo para lá...

Nosso voo da Islândia para a Nuuk, capital da Groelândia

Nosso voo da Islândia para a Nuuk, capital da Groelândia

Islândia, Reykjavik, Lago, Blue Lagoon

Veja todas as fotos do dia!

Gostou? Comente! Não gostou? Critique!

O Maior Rio, a Maior Ponte, o Maior Lago

Guatemala, Rio Dulce

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala


Para o sul! Esse é nosso rumo atual! A Terra do Fogo é logo ali, na esquina, mas temos que fazer “umas escalas” antes de chegar até lá, uns pequenos desvios. E a primeira escala foi na cidade de Rio Dulce, enquanto o primeiro desvio será para Livingston, no litoral caribenho da Guatemala, acessível apenas por barco.


O lago Izabal, Rio Dulce e a região de Livingston

A maior ponte do país e da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala

A maior ponte do país e da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala


Por muito tempo, a cidade de Rio Dulce era o ponto mais longe até onde chegavam as estradas. Daqui para frente, apenas o rio que leva ao litoral e ao exterior, via marítima, para Honduras ou Belize. Por isso, mesmo estando ainda em pleno território guatemalteco, era chamado de “Puerto Fronteras”. A antiga placa com essa denominação ainda está lá, abaixo da ponte.

A estrada que atravessa Rio Dulce, na Guatemala

A estrada que atravessa Rio Dulce, na Guatemala


Caminhando pelas movimentadas e barulhentas ruas de Rio Dulce, na Guatemala

Caminhando pelas movimentadas e barulhentas ruas de Rio Dulce, na Guatemala


Pois é, agora há uma ponte e Rio Dulce deixou de ser o final da estrada. A longa ponte, a maior da América Central, cruza esse mesmo rio Dulce que dá nome à cidade e faz a ligação entre o norte e o sul, entre a região do Petén, de onde viemos, e a estrada para Honduras, para onde vamos.

Posto de combustível para barcos, em Rio Dulce, na Guatemala

Posto de combustível para barcos, em Rio Dulce, na Guatemala


Um veleiro nas águas do Rio Dulce, na Guatemala

Um veleiro nas águas do Rio Dulce, na Guatemala


O rio Dulce, o rio com maior volume de água no país, liga o lago Izabal ao Golfo do México, através de outros lagos menores, de um lindo canyon e de belíssimas paisagens. Esse será nosso caminho para Livingston, a cidade que fica na foz do rio e que foi fundada pelo povo garifuna há mais de 200 anos. O rio tem um trânsito movimentado, especialmente na época dos furacões. Isso porque até mesmo a marinha norte-americana reconheceu que este é o lugar mais seguro para barcos e veleiros para se esconderem desses perigosos fenômenos naturais. O rio é amplo e profundo o suficiente para os barcos e o canyon protege o lago da entrada dos ventos e ondas criadas pelos furacões. Desse modo, basta haver o primeiro sinal de furacão, ainda lá perto da costa africana, que centenas de barcos espalhados pela costa caribenha da América Central correm para cá, para a segurança do rio Dulce. É só olhar a foto do satélite para entender o porquê...

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala


São centenas de barcos e veleiros em Rio Dulce, na Guatemala

São centenas de barcos e veleiros em Rio Dulce, na Guatemala


Por essa característica, na encruzilhada de rotas e estradas e como porto seguro para barcos, Rio Dulce se tornou um lugar muito especial e movimentado. Na suas margens, dezenas de marinas e acomodações para tripulações de barcos; nas suas ruas, caóticos e barulhentos mercados, com produtos vindos dos quatro cantos do país e do exterior. O constante fluxo de caminhões que usam a estrada e a ponte aumenta ainda mais o movimento ao passarem justamente no centro da cidade. Some a esta balbúrdia o calor escaldante dessa época do ano e terá a imagem de uma típica cidade latina, desordem generalizada, todos os espaços disputados por veículos, pedestres, feirantes e animais andando à solta.

Quase na água, o mais popular backpacker de Rio Dulce, na Guatemala

Quase na água, o mais popular backpacker de Rio Dulce, na Guatemala


Lago Izabal, em Rio Dulce, o maior da Guatemala

Lago Izabal, em Rio Dulce, o maior da Guatemala


Pode até ser interessante de ser observado, mas não por muito tempo. A gente chegou em pleno horário de rush (o “rush”, aqui, vai das 10 da manhã às 5 da tarde, ininterruptamente!) e percebeu o quão desacostumados estamos com esse ambiente barulhento e caótico. Prontamente, desistimos de ficar em qualquer hotel por ali e passamos a buscar uma opção. Uma delas era o popular backpacker (acomodação para mochileiros) na orla do rio, mas do outro lado da ponte. A descrição não nos animou muito e resolvemos tentar uma outra alternativa: os pequenos hotéis perto do lago Izabal, alguns quilômetros fora da cidade, na direção oeste.

Brincadeiras e lavação de roupa no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala

Brincadeiras e lavação de roupa no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala


Novas amigas na beira do lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala. A cerveja na mão parece, mas não é uma Btahma. É uma Brahva!

Novas amigas na beira do lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala. A cerveja na mão parece, mas não é uma Btahma. É uma Brahva!


Dito e feito. A tranquilidade e o silêncio do nosso pequeno hotel, quando comparados á balbúrdia do centro da cidade, fazia-nos lembrar do paraíso! Uma vez instalados e depois de uma gelada e refrescante vitamina de frutas, fomos caminhar até a orla do lago, a menos de um quilômetro dali. Fomos até o Castillo de San Felipe, uma antiga fortaleza espanhola construída bem na entrada do lago para proteger a região de ataques de piratas e corsários, mas ela já estava fechada. Eram 5 da tarde.

Fim de tarde no maior lago da Guatemala, o Izabal, em Rio Dulce

Fim de tarde no maior lago da Guatemala, o Izabal, em Rio Dulce


Esperando o horário do barco que nos levaria de Rio Dulce à Livingston, na Guatemala

Esperando o horário do barco que nos levaria de Rio Dulce à Livingston, na Guatemala


Não faz mal. Descemos até o píer sobre o lago para de lá assistirmos o entardecer. O Izabal é o maior lago da Guatemala, um verdadeiro mar de água doce, e apenas a sua visão já nos dava um frescor psicológico. É claro que a brisa vinda do lago ajudava, hahaha. A gente não ficou tentado a nadar em suas águas, que ali nem pareciam tão convidativas assim, pelo mato e pelo barro, mas ali do lado, dezenas de crianças se divertiam nas águas enquanto suas mães aproveitavam uma das maiores máquinas de lavar roupa do mundo. Era o cenário bucólico do nosso entardecer. Duas das crianças, na verdade uma menina tomando conta de sua priminha, até se aproximaram de nós, por curiosidade e, claro!, ficaram amigas da Ana. Minha esposa passou a dividir sua atenção entre a gelada Brahva (a versão local da Brahma!) que tomava e a doce companhia das crianças.

Pronta para partir para Livingston, em Rio Dulce, na Guatemala

Pronta para partir para Livingston, em Rio Dulce, na Guatemala


O Castillo de San Felipe, uma antiga fortaleza espanhola no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala

O Castillo de San Felipe, uma antiga fortaleza espanhola no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala


Na manhã seguinte, deixamos a Fiona estacionada no nosso hotel mesmo e a dona nos levou de carro de volta ao caótico centro da cidade, onde pegaríamos a lancha que faz a linha entre Rio Dulce e Livingston. Antes de seguir rio abaixo, a lancha ainda sobe o rio alguns quilômetros, até o lago Izabal e o Castillo de San Felipe, para que viajantes possam vê-lo e fotografá-lo da água. É uma espécie de bônus para quem paga pela passagem (cerca de 25 dólares). Depois da sessão de fotos, toda velocidade corrente abaixo, passando outra vez sob a maior ponte do país, deixando o maior lago para trás e seguindo pela magnífica “estrada” que é o rio mais caudaloso da Guatemala. Livingston, aí vamos nós!

El Castillo de San Felipe, um forte espanhol no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala

El Castillo de San Felipe, um forte espanhol no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala

Guatemala, Rio Dulce, Izabal

Veja todas as fotos do dia!

Faz um bem danado receber seus comentários!

Para o Mar e Avante!

Brasil, Espírito Santo, Itaúnas, Bahia, Caravelas

Praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia

Praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia


Hoje, foi só o tempo de nos despedirmos da Tuquinha e do Klayvan, tirarmos algumas fotos de Itaúnas e já estávamos na estrada rumo à Bahia! Finalmente, o Sudeste ficou para trás e entramos na região Nordeste. Exatamente no dia 200 da nossa jornada.

O enorme tronco na praça central de Itaúnas - ES

O enorme tronco na praça central de Itaúnas - ES


Primeira parada: a praia de Costa Dourada, uma das primeiras do estado. Mesmo num dia como hoje, totalmente nublado, a praia é linda. Enormes falésias coloridas, mas aonde predomina o tom alaranjado, dão nome à esta praia. Uma verdadeira muralha que chega aos 10 metros em alguns pontos, vista do mar quando o sol ainda está baixo e incidindo quase que frontalmente parece dourada aos olhos dos marinheiros distantes. Na maré alta, o mar chega até as falésias, mas na maré baixa uma faixa de areia aparece, cor amarelada. O visual é mesmo lindo.

Falésias coloridas na praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia

Falésias coloridas na praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia


Havia muito tempo que não vinha aqui. Antes, era uma praia bem isolada. Hoje, são mais de dez pousadas e muitas casas em volta. Uma vila, praticamente. Ouço que, no verão, são centenas de pessoas na praia. Difícil imaginar... Hoje, além de mim e da Ana, apenas três meninas se banhavam no mar.

No alto das falésias na praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia

No alto das falésias na praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia


De lá para o asfalto da BR-101. No caminho, uma parada nas plantações de eucaliptos. Algumas em fase de colheita, outras ainda inteiras, emprestando um certo clima da Bruxa de Blair ao sul da Bahia. É incrível como a monocultura do eucalipto está cada vez mais dominante por aqui. Quando vemos um coqueiral, é até emocionante! Também seria injusto em não reconhecer que há trechos de mata nativa protegidos, aqui e ali. Fazem um bem danado aos olhos e aos pulmões...

Clima de Bruxa de Blair em plantação de Eucaliptos próximo à Costa Dourada, extremo sul da Bahia

Clima de Bruxa de Blair em plantação de Eucaliptos próximo à Costa Dourada, extremo sul da Bahia


Chegando ao asfalto, empinamos o nariz rumo ao norte. Próxima parada: a cidade de Caravelas, principal ponto de partida para o arquipélago de Abrolhos. É para lá que nós vamos, amanhã, em busca de baleias, naufrágios e muitos peixes e corais. Esta época do ano não é a de melhor visibilidade embaixo d'água, mas é a melhor em cima, para se avistar nossos amigos cetáceos. Nossa ansiedade é enorme!

Colheita de eucaliptos, próximo à Costa Dourada - BA

Colheita de eucaliptos, próximo à Costa Dourada - BA


O tempo parece que vai ser bom. Pelo menos, melhor do que tem sido. Vamos num barco grande, que acomoda umas 15 pessoas. Saímos amanhã bem cedo com retorno previsto para domingo de tarde. Aparentemente, sem muita chance de nos comunicar pela internet. Portanto, não estranhem um silêncio dos blogs nos próximos dias. Certamente, voltaremos com muitas histórias e fotos, de cima e de baixo da água (serão 11 mergulhos!). Todos ao mar!

Praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia

Praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia

Brasil, Espírito Santo, Itaúnas, Bahia, Caravelas, Costa Dourada

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Na Cidade dos Saltos

Brasil, Tocantins, Palmas, Ponte Alta

Garotos se divertem pulando da ponte em em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO

Garotos se divertem pulando da ponte em em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO


Nosso objetivo final do dia de hoje era chegar na capital de Tocantins, a cidade de Palmas, onde um amigo nosso de Curitiba, recém mudado para lá, comemorava aniversário. Foi no antigo restauranre do Marco Aurélio, lá em Curitiba, que fizemos nossa festa de despedida de amigos e família, dois dias antes do início da nossa viagem. Que bela coincidência, reencontrá-lo aqui em Palmas, justo no seu aniversário!

Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO

Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO


Mas, antes de Palmas, passamos na cidade de Ponte Alta de Tocantins, cidade que se intitula o "Portal do Jalapão". É até lá que o asfalto chega, vindo de Palmas. De Ponte Alta até Mateiros, são longos 170 km de estrada encascalhada, cortando todo o cerrado da região em longuíssimas retas de se perder de vista. No caminho, através de estradas secundárias, pode se visitar algumas cachoeiras menos famosas, além de atrações bem conhecidas, como a Cachoeira da Velha e as dunas, que foi de onde viemos hoje, em sentido contrário.

Garotos se divertem pulando da ponte (um deles está dando um mortal!) em em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO

Garotos se divertem pulando da ponte (um deles está dando um mortal!) em em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO


A principal atração turística da cidade é exatamente o que lhe deu o nome, a ponte alta sobre o rio, de onde garotos locais se divertem pulando e fazendo acrobacias. Pode-se pular da própria ponte, de uma altura próxima de 10 metros, ou de uma plataforma que fica no alto de uma pequena torre sobre a ponte, com altura aproximada de 15 metros. Eu e a Ana paramos para almoçar num restaurante ao lado do rio e assistimos de camarote o show dos garotos, que pulavam de ponta e davam até saltos mortais lá de cima, em incrível demonstração de habilidade.

Pulando da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO

Pulando da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO


Vendo todos aqueles saltos, a minha coceira foi aumentando, aumentando. Além disso, o calorzão típico de Tocantins era um estímulo. Não me aguentei e decidi saltar também, de bermudas e chinelos, para proteger meus pés. Primeiro, um salto do alto da própria ponte, para ir esquentando... Uma delícia!

Pulando do corrimão da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO

Pulando do corrimão da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO


Em seguida, um salto um pouco mais alto, de cima do corrimão da ponte. Foi aí que resolvi colocar os chinelos, para evitar o tapa na água. Estimulado pelos meninos locais, nem tive muito tempo para pensar. Foi subir e pular.

Escalando a torre da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO

Escalando a torre da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO


Agora, do mais alto de todos! O problema é chegar lá encima. Temos quase que escalar uma estreita prancha de madeira apodrecida pelo tempo. O maior problema é quando os carros atravessam a ponte e toda a estrutura treme. Agarrado à prancha com firmeza, só ficava ouvindo as provocações dos moleques de 8 anos de idade, dizendo que subiam aquilo correndo, com o pé nas costas, hehehe.

Tentando chegar à plataforma da torre da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO

Tentando chegar à plataforma da torre da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO


Lá no alto, não tem volta! Descer pela prancha podre é ainda mais ariscado. E aguentar a gozação da platéia, então, nem pensar! Fazia muito tempo que eu não saltava desta altura, mas o rio lá embaixo era muito convidativo. Com a Ana à postos para fotografar, joguei-me no vazio. O legal de se pular dessa altura é que, durante a queda, dá tempo de pensar! A gente vê o rio se aproximando velozmente e se prepara para o choque, racionalmente. Muito legal!

Saltando do alto da torre da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO

Saltando do alto da torre da ponte em Ponte Alta do Tocantins, entrada do Jalapão - TO


Bom, depois dessa aventura que me fez voltar a ser adolescente, rumamos para Palmas. Ficamos num hotel no centro, o Eduardo's Palace, ao lado da Praça dos Girassóis, a maior das Américas! Do alto do hotel, uma bela vista da cidade, das montanhas de um lado e do rio do outro. Depois do hotel, fomos diretamente para a casa do Marco. Na verdade, ele veio nos buscar de moto, para nos guiar até sua casa. Lá, ele e a esposa, Carol, além dos filhos Leo e Arthur nos receberam muitíssimo bem, com direiro à banquete (o Marco é cozinheiro de mão cheia!), whisky e vinho de primeira qualidade. A comemoração seguiu até quase às três da manhã, muita conversa para ser colocada em dia. Amanhã, nosso dia vai começar tarde...

Comemoração do aniversário do Marco Aurélio em sua casa, em Palmas - TO

Comemoração do aniversário do Marco Aurélio em sua casa, em Palmas - TO

Brasil, Tocantins, Palmas, Ponte Alta,

Veja todas as fotos do dia!

Faz um bem danado receber seus comentários!

Fotos, Internet e Cidades Pequenas

Brasil, São Paulo, Juréia

A Lan House de Iporanga

A Lan House de Iporanga


Estamos sendo obrigados a nos readaptar à algumas realidades do Brasil e provavelmente de toda América Latina: a internet ou, mais precisamente, a falta dela. No nosso primeiro giro pelo Caribe, coincidência ou não, tivemos acesso gratuito à internet de qualidade em todos os lugares que ficamos. Exceto em St. Thomas, onde quiseram nos cobrar. Aqui, por enquanto, é o contrário. Ou não há ou, quando há, é de uma velocidade sofrível, enervante, desesperante. Quando muito, é possível transmitir os posts, mas as fotos, nem pensar. Foi o que ocorreu aqui no hotel ontem de noite: eu e a Ana transmitimos os posts sem fotos.

Hoje cedo, fui em busca de uma Lan House. Foi gostoso passear pela vila cedinho. É de uma tranquilidade reconfortante. Incrível como, na cidade grande, a gente perde a noção de como a vida pode ser muito mais simples, mais lenta e mais saborosa. Para aqueles que já andaram por esse Brasil, a vila aqui é daquele tipo que a praça central é um campo de futebol. Logo em frente, a tradicional igreja. Na esquina, um Banco do Brasil. E aqui e acolá, uma lojinha, um mercadinho familiar, um pequeno e simples restaurante. Cedo há uma pequena feira onde todo mundo se conhece. E atrás da feira, um rio passa preguiçosamente, o que empresta ainda mais tranquilidade à vila. Em quanto tempo será que passa um dia por aqui, me indago. "Acho que demora uma semana!". Bom, quanto à Lan House, só abre de tarde. É quando seguem as fotos dos posts. Imagino que lá a internet seja mais rápida. Na verdade, torço!

Ana fotogrando a praia da Juréia

Ana fotogrando a praia da Juréia


E é justo agora que mais precisamos de internet. A Ana está com vários vídeos prontos para serem despachados. Além disso, nos últimos dois dias a quantidade de fotos aumentou muito. Não que estejamos em lugares mais bonitos que os anteriores. Mas é que finalmente botamos a Nikon para trabalhar. A Ana com ela e eu com a Sony. E a Nikon é fogo: se um chimpanzé tirar uma foto, já vai ficar boa; na mão da Ana, então, várias obras de arte. E depois, cabe a mim, não só a tarefa de decidir quais fotos ficam e quais vão, mas também organizá-las (nomes, tags, legendas). Fico sempre naquela dúvida cruel: mais fotos e mais trabalho (e raiva, nos lugares com internet precária) ou menos fotos e mais tranquilidade?

Fotografando Cananéia

Fotografando Cananéia


Andando de carro na praia da Juréia

Andando de carro na praia da Juréia

Brasil, São Paulo, Juréia,

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

Mariana

Brasil, Minas Gerais, Mariana

Bela vista do centro histórico de Mariana - MG

Bela vista do centro histórico de Mariana - MG


Além do mergulho, a Mina da Passagem também é um ponto turístico muito importante da região. Enquanto estávamos por lá, nos preparando para mergulhar ou nos secando após o mergulho, dezenas de pessoas passarm por nós, visitando a parte seca da mina. Nós nos tornamos "outra" atração turística para eles. A mina impressiona: são dezenas de quilômetros de túneis, escavados primeiramente à mão e depois com muita dinamite. Um verdadeiro labirinto que deixa os visitantes tontos. A idéia de pessoas vivendo e trabalhando ali é bem claustrofóbica.

Trenzinho de acesso à Mina da Passagem em Mariana - MG

Trenzinho de acesso à Mina da Passagem em Mariana - MG


A entrada e a saída são feitas num pequeno trem, misto de trem fantasma e montanha russa. Lá embaixo, o guia leva os turistas para um pequeno passeio onde é possível nadar nas águas transparentes da mina, que tem temperatura constante de 21-22 graus ao longo do ano. No fim do passeio, o guia ainda ensina técnicas de garimpagem e de como usar uma bateia para separar o ouro do barro e da terra.

No trenzinho de acesso à Mina da Passagem em Mariana - MG

No trenzinho de acesso à Mina da Passagem em Mariana - MG


Depois do mergulho, fomos aproveitar o sol de fim de tarde para passear no belo centro histórico de Mariana, a primeira capital das Minas Gerais. Fundada no finzinho do séc. XVII, a cidade tem uma miríade de igrejas (duas torres) e capelas (uma torre) espalhadas pelas suas simpáticas rua de pedra. Transitar com a Fiona por essas ruas estreitas de cidades históricas não é tarefa fácil e sempre a primeira coisa a fazer é estacionar e sair caminhando.

Igreja do Carmo em Mariana - MG

Igreja do Carmo em Mariana - MG


Como já conhecíamos a cidade, foi um passeio rápido e um lanche gostoso à base de empadas na praça do agito. Transitamos entre as igrejas e capelas, inclusive pela mais antiga de Minas, que tem um orgão alemão bem famoso. Pena não termos estado lá durante o concerto, que é feito duas vezes por semana.

Casario e suas sacadas, em Mariana - MG

Casario e suas sacadas, em Mariana - MG


A simpática e tranquila Mariana ficou para trás e amanhã temos encontro marcado com sua irmã mais nova, porém bem mais famosa: Vila Rica, ou Ouro Preto, como foi rebatizada...

A história de Mariana - MG

A história de Mariana - MG

Brasil, Minas Gerais, Mariana, Mina da Passagem

Veja mais posts sobre Mina da Passagem

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

Plaza Francia e a Face Sul do Aconcágua

Argentina, Aconcágua

1000dias em Plaza Francia, em frente à mítica parede sul do Aconcágua, a 4.300 metros de altitude (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)

1000dias em Plaza Francia, em frente à mítica parede sul do Aconcágua, a 4.300 metros de altitude (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)


O Aconcágua é a maior montanha do mundo fora da Ásia. Ligeiramente abaixo dos 7 mil metros, é também a alta montanha mais fácil de ser escalada. Essas duas características se combinam para fazer dela um cume bastante popular e foi apenas o aumento acentuado das tarifas para se entrar no parque e ter o direito de tentar subi-la que conseguiu controlar o número cada vez maior de alpinistas ou simplesmente turistas que queriam se arriscar nas altas altitudes. Com os preços atuais, muita gente já começa a preferir pagar um pouco mais e ir até o Himalaia, onde as montanhas são ainda mais altas.

O belo cenário do Parque Provincial do Aconcágua, perto do acampamento Confluencia, região de Mendoza, no oeste da Argentina

O belo cenário do Parque Provincial do Aconcágua, perto do acampamento Confluencia, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Início da caminhada do acampamento Confluencia para Plaza Francia, campo base da parede sul do Aconcágua (região de Mendoza, no oeste da Argentina)

Início da caminhada do acampamento Confluencia para Plaza Francia, campo base da parede sul do Aconcágua (região de Mendoza, no oeste da Argentina)


O problema maior é que a facilidade em se chegar ao cume é extremamente relativa. É verdade que é possível caminhar até o alto, sendo desnecessário qualquer conhecimento mais técnico de alpinismo, pelo menos para quem segue pela rota normal. Mas só chegará ao cume quem tiver passado pelo adequado processo de aclimatação às grandes altitudes, algo que requer muitos dias na região. Alguns organismos não se adaptarão e quem não souber reconhecer isso e insistir é um forte candidato a entrar no rol de estatísticas de mortos nessa montanha. Além disso, mesmo para quem estiver aclimatado, o cume só será atingido em condições favoráveis de tempo e o tempo na montanha é notório por sua instabilidade. Em condições excepcionalmente boas, pessoas já chegaram ao cume do Aconcágua calçando apenas um tênis e até cães foram até lá também, acompanhando seus donos. Mas em dias de clima ruim, e eles são a maioria, ninguém chega ao alto, nem o mais experiente dos alpinistas.

Ponto onde a trilha se bifurca, um lado seguindo para Plaza de Mulas, na rota normal, e o outro seguindo para Plaza Francia, a nossa opção, onde está a parede sul do Aconcágua. (região de Mendoza, no oeste da Argentina)

Ponto onde a trilha se bifurca, um lado seguindo para Plaza de Mulas, na rota normal, e o outro seguindo para Plaza Francia, a nossa opção, onde está a parede sul do Aconcágua. (região de Mendoza, no oeste da Argentina)


Ponto onde a trilha se bifurca, um lado seguindo para Plaza de Mulas, na rota normal, e o outro seguindo para Plaza Francia, a nossa opção, onde está a parede sul do Aconcágua. (região de Mendoza, no oeste da Argentina)

Ponto onde a trilha se bifurca, um lado seguindo para Plaza de Mulas, na rota normal, e o outro seguindo para Plaza Francia, a nossa opção, onde está a parede sul do Aconcágua. (região de Mendoza, no oeste da Argentina)


O topo do Aconcágua foi atingido pela primeira vez em 1897. Antes disso, os Incas usavam suas encostas mais altas como local de adoração e sacrifício. Múmias já foram encontradas acima dos 5 mil metros, mas não há indícios que tenham chegado ao cume da montanha. Foi apenas a partir do séc. XX que os 6.962 metros de altitude dessa montanha começaram a ser visitados com uma frequência cada vez maior por seres humanos. Estabeleceu-se uma “rota normal”, um caminho em que se podia chegar ao cume apenas caminhando. É claro que os verdadeiros alpinistas não iriam se satisfazer com isso e novos caminhos, cada vez mais difíceis, foram sendo estabelecidos. Agora sim, rotas apenas para profissionais, paredes de gelo e rocha que só seriam vencidos com muita técnica, bons equipamentos e a aquiescência de São Pedro. Enquanto a face noroeste da montanha, onde está a rota normal, foi deixada para os turistas interessados em caminhar até o topo do continente, a magnífica face sul virou território dos melhores e mais famosos alpinistas do mundo. E mesmo entre eles, a taxa de sucesso é baixíssima. Enquanto do lado de lá, o Aconcágua é considerada a mais fácil montanha de alta atitude do mundo, do lado de cá, ela está entre as mais desafiadoras.

Um pequeno descanso na caminhada até Plaza Francia, no Parque Provincial do Aconcágua, na região de Mendoza, no oeste da Argentina

Um pequeno descanso na caminhada até Plaza Francia, no Parque Provincial do Aconcágua, na região de Mendoza, no oeste da Argentina


Grandes pináculos de rocha fazem parte do cenário do Parque Provincial do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Grandes pináculos de rocha fazem parte do cenário do Parque Provincial do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


A face sul do Aconcágua é uma enorme parede com cerca de 2,5 quilômetros de altura. Não é um paredão único, mas uma sequência de pequenas paredes, algumas de gelo, outras de rochas, muitas delas com gelo e rocha misturados. Técnicas e equipamentos para essas duas superfícies são distintos e os escaladores que quiserem enfrentar essa rota terão que dominar todas essas técnicas e levar para cima o peso de todos esses equipamentos. Essa é a parte fácil da história. A difícil são os constantes desabamentos e avalanches, tanto de gelo como de rocha. Por isso, os caminhos tentam passar longe das canaletas, onde a queda de rocha e gelo é mais comum. Mas eles ocorrem por toda a parede e o melhor para os alpinistas é passar o menor tempo por lá, fazer a escalada o mais rapidamente possível. Mesmo com pressa, é impossível acelerar muito nessas altitudes e condições, com o frio chegando a trinta graus negativos durante a noite, ventos de quase 200 km/h. São escaladas que levam cerca de 4-5 dias e, em muitos momentos, o alpinista estará exposto ao bom ou mau humor da natureza.

O relevo pintado de vermelho e amarelo na região do monte Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

O relevo pintado de vermelho e amarelo na região do monte Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Caminhando no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Caminhando no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Com todas essas dificuldades, não é difícil entender porque mais de mil pessoas chegam ao cume a cada ano, tentando pela rota normal, enquanto que, pela face sul, são comuns os anos em que absolutamente ninguém chega ao topo da parede. O número de alpinistas que tentam fica entre uma e duas dúzias, mas, muitas vezes, devido às condições de tempo desfavoráveis, muitos deles nem chegam de fato a iniciar suas tentativas. Ficam no acampamento base, chamado de Plaza Francia, admirando aquele enorme paredão, ouvindo o som quase constante de avalanches e prestando atenção nas previsões climáticas no rádio. Alguns dos mais famosos alpinistas brasileiros já passaram pela experiência, voltando para casa de mãos vazias, mas vivos para poder tentar algum outro ano.

Muitas cores e até uma cachoeira de gelo em um paredão de rocha no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Muitas cores e até uma cachoeira de gelo em um paredão de rocha no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Trilha entre Plaza Francia e Confluencia, no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Trilha entre Plaza Francia e Confluencia, no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Infelizmente, nem todas as histórias terminam bem. Quando eu estive no Aconcágua da outra vez, na temporada 98/99, estava fazendo um ano uma das mais tristes tragédias do alpinismo brasileiro. No ano anterior, Mozart Catão, o primeiro brasileiro a chegar ao cume do Everest junto com Waldemar Nicleviz, liderava uma expedição para vencer a face sul do Aconcágua. Nunca uma expedição brasileira havia chegado tão perto disso. Dos cinco alpinistas, dois haviam desistido e esperavam no campo base. Os outros três, liderados por Mozart, estavam a menos de 800 metros do cume. Entre eles, Othon Leonardos, um jovem alpinista que meu irmão havia conhecido dois anos antes, no mesmo Aconcágua, mas na rota normal. Costumavam jogar ping-pong no refúgio que há em Plaza de Mulas e Othon se destacava por sua animação e bom humor constantes. Agora, ele seguia de perto um dos maiores alpinistas brasileiros, Mozart, quase já ao fim de mais um dia de escaladas na face sul, talvez o penúltimo antes de chegar ao cume. Mas a natureza tinha outros planos. Uma pequena avalanche atingiu Mozart em cheio e ele despencou da montanha para nunca mais ser achado. Othon e o outro alpinista, Alexandre Oliveira, também haviam caído vários metros, mas estavam pendurados em uma corda que havia se enroscado em uma pedra. Alexandre estava mais abaixo, quase inconsciente, enquanto Othon havia quebrado suas duas pernas. Mesmo pendurado, conseguiu buscar o rádio em sua mochila nas costas e pedir ajuda ao campo base. Infelizmente, naquele lugar e naquelas condições, não havia ajuda possível. Othon ainda ficou conversando por duas horas com seus colegas em Plaza Francia, que tentavam animá-lo de todas as formas. Mas acabou por sucumbir ao terrível frio da montanha, não sem antes enviar mensagens para os pais e entes queridos.

Uma rocha e os rastros de seu deslizamento nas encostas de uma montanha no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Uma rocha e os rastros de seu deslizamento nas encostas de uma montanha no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Caminhando entre Plaza Francia e Confluencia, no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Caminhando entre Plaza Francia e Confluencia, no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Quatro anos depois, foi a vez de Rodrigo Ranieri e Vitor Negrete finalmente conquistarem a temida parede para o alpinismo brasileiro. Na subida, por incrível que pareça, acabaram passando pelos corpos congelados e ainda pendurados de Othon e Alexandre. Rodrigo, que já esteve no Himalaia e no topo do Everest diversas vezes, sempre disse que o maior desafio vencido da carreira foi mesmo a face sul do Aconcágua, menos pelas dificuldades técnicas, mas principalmente pelo perigo constante das avalanches e deslizamentos. Agora, tantos anos mais tarde, o mais provável é que a corda que sustentava Othon e Alexandre tenha finalmente se rompido, devido ao frio e envelhecimento. Mas, para mim, é impossível olhar essa parede e não me lembrar dessa triste história, assim como também do sucesso dos meus amigos Rodrigo e Vítor, contemporâneos da minha época de Unicamp.

Uma prima da urtiga, adaptada às grandes altitudes do Parque Provincial do Aconcágua, na região de Mendoza, no oeste da Argentina

Uma prima da urtiga, adaptada às grandes altitudes do Parque Provincial do Aconcágua, na região de Mendoza, no oeste da Argentina


Uma prima da urtiga, adaptada às grandes altitudes do Parque Provincial do Aconcágua, na região de Mendoza, no oeste da Argentina

Uma prima da urtiga, adaptada às grandes altitudes do Parque Provincial do Aconcágua, na região de Mendoza, no oeste da Argentina


Hoje pela manhã, aqui no acampamento de Confluencia, todas essas histórias estavam em minha cabeça. Assim como a vontade de chegar pela primeira vez à Plaza Francia e ver de perto essa paisagem espetacular, a tão famosa face sul da maior montanha do continente. Da outra vez que estive aqui (vou contar a história no próximo post), segui diretamente para Plaza de Mulas e de lá para o cume. Plaza Francia foi apenas uma vontade, adiada por quinze anos. Hoje, dia de céu azul, nada mais me impediria de vê-la de perto, de frente, de baixo.

Vegetação adaptada ao frio a grandes altitudes da região do Aconcágua,  Província de Mendoza, no oeste da Argentina

Vegetação adaptada ao frio a grandes altitudes da região do Aconcágua, Província de Mendoza, no oeste da Argentina


Vegetação adaptada ao frio a grandes altitudes da região do Aconcágua,  Província de Mendoza, no oeste da Argentina

Vegetação adaptada ao frio a grandes altitudes da região do Aconcágua, Província de Mendoza, no oeste da Argentina


Eu e a Ana saímos cedo, mas sem pressa. Tínhamos todo o dia para chegar até lá, observar e fotografar, lanchar, e voltar para Confluencia, onde ficaria nossa barraca e sacos de dormir. Caminharíamos leves, apenas o lanche, a máquina fotográfica e um par de casacos na mochila. Quase onze quilômetros para ir e o mesmo percurso de volta. Sairíamos dos 3.400 metros de altitude de Confluencia para chegar aos 4.250 metros de Plaza Francia, numa longa subida, lenta e gradual, em meio a algumas das mais belas paisagens do Parque Provincial do Aconcagua. Apenas aqueles que pretendem (e pagam por isso) subir a face sul é que podem acampar em Plaza Francia. Os outros, como nós, só podem passar o dia por lá, mas devem retornar e dormir em Confluencia.

Arbusto com flores amarelas no nosso caminho para Plaza Francia, quase aos 4 mil metros de altitude, no Parque Provincial do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Arbusto com flores amarelas no nosso caminho para Plaza Francia, quase aos 4 mil metros de altitude, no Parque Provincial do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Perfil da caminhada até Plaza Francia, campo base para quem for enfrentar a famosa Parede Sul do Aconcágua, nos Andes argentinos, região de Mendoza

Perfil da caminhada até Plaza Francia, campo base para quem for enfrentar a famosa Parede Sul do Aconcágua, nos Andes argentinos, região de Mendoza


Logo no início da caminhada chegamos à bifurcação da trilha. Para a esquerda, Plaza de Mulas, o campo base da rota normal. Para a direita, Plaza Francia, nosso objetivo de hoje. As duas trilhas seguem pelos braços do rio Horcones, o Superior e o Inferior, que se juntam exatamente nessa bifurcação, conforme se vê muito bem no mapa da região que mostrei no post anterior.

A imponente Parede Sul do Aconcágua começa a aparecer por detrás de uma montanha mais baixa, no nosso caminho para Plaza Francia (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)

A imponente Parede Sul do Aconcágua começa a aparecer por detrás de uma montanha mais baixa, no nosso caminho para Plaza Francia (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)


A imponente Parede Sul do Aconcágua começa a aparecer por detrás de uma montanha mais baixa, no nosso caminho para Plaza Francia (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)

A imponente Parede Sul do Aconcágua começa a aparecer por detrás de uma montanha mais baixa, no nosso caminho para Plaza Francia (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)


Bom, como disse, eu e a Ana pegamos o caminho da direita, sempre ao lado do rio. Passamos por cachoeiras coloridas e a estranha flora de altitude. Vegetação rasteira, mas com muitas flores nessa época do ano. Brancas, amarelas, vermelhas. Tem até uma parente da urtiga e, com tantos espinhos em suas folhas, caules e flores, dá até medo de chegar perto. Mas são lindas e ajudam a dar cor a um ambiente que é quase estéril, principalmente quando vamos ganhando mais altitude.

O glaciar Horcones, quase escondido por terra e rocha que traz consigo desde a Parede Sul do Aconcágua (Parque Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)

O glaciar Horcones, quase escondido por terra e rocha que traz consigo desde a Parede Sul do Aconcágua (Parque Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)


O glaciar Horcones, quase escondido por terra e rocha que traz consigo desde a Parede Sul do Aconcágua (Parque Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)

O glaciar Horcones, quase escondido por terra e rocha que traz consigo desde a Parede Sul do Aconcágua (Parque Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)


Pode não haver muita vida por lá, mas a beleza é grandiosa. Picos e paredões coloridos para onde quer que se olhe. Diferentes camadas geológicas, compostas de diferentes minérios e expostas pelo tempo, tem cores distintas, os tons variando entre o amarelo e o vermelho e as dezenas de combinações possíveis entre eles. Tudo isso com pitadas de branco e marrom. É lindo, quase uma paleta de cores.

Cada vez mais próximos de Plaza Francia e da parede sul do Aconcágua, na região de Mendoza, no oeste da Argentina

Cada vez mais próximos de Plaza Francia e da parede sul do Aconcágua, na região de Mendoza, no oeste da Argentina


Finalmente, ainda antes de chegarmos à Plaza Francia, o Aconcágua aparece com todo o seu esplendor! (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)

Finalmente, ainda antes de chegarmos à Plaza Francia, o Aconcágua aparece com todo o seu esplendor! (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)


É muito estranho pensar, principalmente quando já estamos acima dos 4 mil metros, que tudo isso estava abaixo do mar, não há muito tempo em termos geológicos. Mas os fósseis marinhos incrustados nas rochas estão ali para nos lembrar disso. Mesmo no cume do Aconcágua já foram encontrados exemplares de antigas criaturas marinhas. Foi o choque de placas tectônicas que começou a levantar os Andes nas últimas dezenas de milhões de anos. O que era leito marinho, com o tempo, se tornou a mais alta montanha dessa parte do globo. E algum dia, tudo vai estar no leito do mar novamente, enquanto outras montanhas serão criadas em outros lugares. Perto da eternidade, o Aconcágua é tão passageiro como nós.

Finalmente, ainda antes de chegarmos à Plaza Francia, o Aconcágua aparece com todo o seu esplendor! (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)

Finalmente, ainda antes de chegarmos à Plaza Francia, o Aconcágua aparece com todo o seu esplendor! (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)


A Ana tendo ao fundo a imponente parede sul do Aconcágua, pouco antes de chegarmos à Plaza Francia, no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

A Ana tendo ao fundo a imponente parede sul do Aconcágua, pouco antes de chegarmos à Plaza Francia, no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Falando nele, após algumas horas de caminhada, ele finalmente começou a aparecer, escondido ainda atrás de montanhas muito mais baixas, porém muito mais próximas de nós. Era a mitológica parede sul, cada vez mais perto de nós. Agora, já estávamos acima dos 4.200 metros, bem mais altos que o cume do Lanín, a última montanha que havíamos subido, poucos dias atrás (post aqui). Enquanto lá, 300 metros abaixo da altitude em que nos encontrávamos agora, a sensação era a de se estar no topo do mundo, aqui era o contrário. Ao nosso redor, apenas montanhas mais altas. E à nossa frente, uma parede com mais de dois quilômetros de altura! Estávamos praticamente no fundo do vale!

O glaciar Horcones, disfarçado sob entulho, que nasce nas encostas do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

O glaciar Horcones, disfarçado sob entulho, que nasce nas encostas do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Prestando a devida reverência à imponente parede sul do Aconcágua, a 4.300 metros de altitude, na região de Mendoza, no oeste da Argentina

Prestando a devida reverência à imponente parede sul do Aconcágua, a 4.300 metros de altitude, na região de Mendoza, no oeste da Argentina


Ao nosso lado, o rio Horcones havia se transformado no glaciar Horcones, um rio de gelo praticamente escondido sob toneladas de rochas e detritos. É o material que ele arranca e carrega das altas montanhas, especialmente da face sul do Aconcágua, onde nasce. Vendo todas aquelas rochas sendo trazidas lá de cima, fica mais fácil acreditar que a montanha está mesmo se desfazendo e que, um dia, voltará a estar abaixo do mar. Mas não enquanto o choque de placas tectônicas continuar a empurrá-la para cima. É a natureza agindo dos dois lados ao mesmo tempo, criando e erodindo montanhas. Nesse balanço de forças, por enquanto, o Aconcágua continua a subir.

Chegando à Plaza Francia, acampamento para os poucos alpinistas que se arriscam na parede sul do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Chegando à Plaza Francia, acampamento para os poucos alpinistas que se arriscam na parede sul do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Uma das muitas geleiras penduradas na parede sul do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Uma das muitas geleiras penduradas na parede sul do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Nós chegamos ao mirante de observação da montanha. Visão absolutamente magnífica! Há outros excursionistas por aqui. A maioria deles não segue adiante, lancha no mirante mesmo e retorna para Confluencia. Nós queríamos ir um pouco mais adiante. Plaza Francia está ainda mais perto da base da montanha. A visão que se tem de lá do Aconcágua nem é tão bela como a que se tem do mirante, mas a sensação de se estar ainda mais perto, esta é imbatível. Além do mais, agora que já chegamos até aqui, quero ver de perto o local onde acampam os bravos alpinistas que enfrentam a face sul.

Admirando os dois quilômetros de altura da imponente parede sul do Aconcágua, a 4.300 metros de altitude, na região de Mendoza, no oeste da Argentina

Admirando os dois quilômetros de altura da imponente parede sul do Aconcágua, a 4.300 metros de altitude, na região de Mendoza, no oeste da Argentina


A Ana admira a impressionante parede sul do monte Aconcágua, em Plaza Francia, região de Mendoza, no oeste da Argentina

A Ana admira a impressionante parede sul do monte Aconcágua, em Plaza Francia, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Continuamos a contornar o glaciar, que aqui faz uma curva bem aberta. Já podemos observar e ouvir alguns pequenos desabamentos na parede. Lembro-me perfeitamente da descrição feita pelo Rodrigo e o Vítor em uma palestra deles em que estive presente. Uma palestra depois de uma tentativa que fizeram de subir a montanha e que desistiram, acho que em 2001. Sempre as avalanches, o maior temor dos alpinistas que vem até aqui. A cada vez que ouvíamos um barulho, o coração disparava. E olha que estávamos longe! Fico só imaginado como é estar naquela parede e ouvir esse barulho dezenas de vezes ao dia, ao seu lado. Não deve ser fácil... Essa não é a minha praia! A minha praia termina exatamente em Plaza Francia, demarcada por uma placa, local ainda totalmente seguro de deslizamentos, pelo menos nos meses de verão.

1000dias em Plaza Francia, em frente à mítica parede sul do Aconcágua, a 4.300 metros de altitude (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)

1000dias em Plaza Francia, em frente à mítica parede sul do Aconcágua, a 4.300 metros de altitude (Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina)


A Ana admira a impressionante parede sul do monte Aconcágua, em Plaza Francia, região de Mendoza, no oeste da Argentina

A Ana admira a impressionante parede sul do monte Aconcágua, em Plaza Francia, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Em Plaza Francia, fizemos nosso lanche, essa paisagem maravilhosa à nossa frente, trilha sonora de avalanches. Foi de tirar o fôlego, um dos pontos altos (no caso, literalmente!) dos 1000dias. O ponto mais alto do continente que temos explorado nos últimos quatro anos, sem parar, bem ali na nossa frente, quase ao nosso alcance, a uns meros quilômetros. Chegar até aqui, foi fácil. Difícil mesmo foi dar as costas e iniciar o caminho de volta...

Área de acampamento conhecida como Paza Francia, em frente à parede sul do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Área de acampamento conhecida como Paza Francia, em frente à parede sul do Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina


Solo cristalizado na região de Plaza Francia, no Parque Provincial Aconcágua, na província de Mendoza, no oeste da Argentina

Solo cristalizado na região de Plaza Francia, no Parque Provincial Aconcágua, na província de Mendoza, no oeste da Argentina


Mas tínhamos de fazê-lo. A tarde chegava e a temperatura caía, a sombra tomando conta do vale. Iniciamos a volta, a paisagem bem diferente da ida, pois agora olhávamos para o lado oposto. Paisagem distinta, luz diferente, já no final de tarde. Céu azul, tudo lindo, nítido, colorido. Distraídos e inebriados, mal vimos o tempo e a distância passarem. Logo estávamos chegando de volta à nossa “casa” em Confluencia. No caminho de volta, ficamos amigos de uns poloneses. Depois de Plaza Francia, amanhã eles seguirão para Plaza de Mulas. De lá, tentarão o cume. Infelizmente, não é o nosso caminho. Adoraríamos seguir para lá também, principalmente a Ana que ainda não conhece. Mas amanhã nossa rota é para baixo, de volta à Fiona. Mas nos próximos posts, como numa viagem no tempo, vamos para cima também, para Plaza de Mulas e ao cume do Aconcágua. Foi o caminho que fiz 15 anos atrás. Como num passe de mágica, ele também vai fazer parte desses 1000dias por toda a América. Merece!

Após visitar Plaza Francia, retornando ao acampamento de Confluencia, no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Após visitar Plaza Francia, retornando ao acampamento de Confluencia, no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina

Argentina, Aconcágua, trilha, Parque, Montanha, Plaza Francia

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Se Movimentando Nas Bahamas

Bahamas, New Providence - Nassau, Eleuthera - Harbour Island, Long Island - Stella Maris

No saguão do aeroporto de Nassau, indo para Long Island

No saguão do aeroporto de Nassau, indo para Long Island


Mais uma vez, tivemos de madrugar. O nosso vôo era às 07:40 e, para chegar ao aeroporto tínhamos um longo curto caminho. Cinco minutos nos separavam desde a pousada até o porto. Mas eram cinco minutos puxando nossa tralha de mergulho, toda acomodada em uma caixa devidamente encaixada em um carrinho. Além disso, mochila grande nas costas (eu carrego a da Ana, que é mais pesada e ela carrega a minha) e mochila pequena no peito, com máquina fotográfica, lap top, livro, documentos e uma muda de roupa. Deixamos um bilhete para o John e seguimos vagarosamente pela rua esburacada, cuidando para não derrubar o carrinho de duas rodas com a caixa de mergulho e aproveitando, como vingança dos dias anteriores, para acordar os galos da cidade, já que o sol ainda não raiou.

No porto, uma pequena espera e logo tomamos o táxi náutico. O táxi terrestre já nos espera do outro lado. No aeroporto, longa negociação com a atendente da Bahamas Air, que quer cobrar excesso de bagagem. O equipamento de mergulho, tão eficiente embaixo d'água, que sempre nos poupa na hora de não alugarmos equipamento e nos dá segurança e conforto lá embaixo, na hora de ser transportado acima d'água se transforma num estorvo, principalmente nas viagens de avião nacionais. Jogamos o maior lero e conseguimos embarcar sem pagar. Não tínhamos conseguido na vinda.

A bordo do avião para Long Island - Bahamas

A bordo do avião para Long Island - Bahamas


Voamos para Nassau e de lá para Long Island. Para quem olhar no mapa, verá que é um caminho meio português (com todo respeito aos nossos irmãos lusitanos). Esse é um problema de viajar em Bahamas: não há vôos diretos entre as ilhas; sempre precisamos voltar para Nassau, mesmo que isso signifique duplicar o caminho e o tempo. A julgar pelo número de passageiros, até dá para entender. Os vôos tem menos de 10 pessoas. Mesmo aviões pequenos ficam bem vazios. Depois de Long Island, iremos para Turks e Caicos. Novamente, voltaremos para Nassau e voltaremos de novo, passando sobre Long Island, em direção a Providenciales (principal cidade daquele país). O que ocorre numa escala estadual, nas Bahamas, também ocorre numa escala nacional, no Caribe. Para seguir de Turks e Caicos, ao lado de Porto Rico, para este país, vamos fazer escala em Miami(?!?). Haja paciência...

Bom, mesmo neste vôo de Eleuthera para Nassau, demos uma volta. Mas foi bem vinda. Fomos primeiro para um aeroporto no sul da ilha para depois seguir viagem. O avião vôa bem baixo, o bastante para admirar a água transparente que cerca essa ilha ccom mais de 100 km de cumprimento e menos de 2 km de largura. Na água, de tão transparente, é até possível observar as sombras dos peixes maiores. Tubarões?

Em Nassau, temos tempo para, depois de despachar as malas para Long Island (sem pagar novamente, após novo 171 - viva!), ir passar algumas horas em Cable Beach. Quem nos leva é a Dede, uma motorista de táxi que cresceu em Miami e que é uma figuraça, meio rasta. Ela não só nos levou como também nos buscou e deve nos encontrar novamente, no nosso próximo pitstop por lá. Em Cable Beach, com o tempo bem nublado, aproveitamos para passar 90 min na internet, num Starbucks, que fica muito mais em conta que qualquer internet café.

O tempo na internet era necessário para eu resolver um problema que já me atrapalhava há dias. Meu cartão Visa deixou de funcionar. Simplesmente, parou. Lá de Eleuthera foi impossível eu conseguir falar com alguém. Só se pagasse muito caro pela ligação internacional. Mas consegui de Nassau, primeiro com alguma atendente da Visa em Miami, falando um português esforçado mas sofrível e depois com alguém do Banco Real. Tudo a partir de um telefone público no aeroporto. Apesar de reclamar bastante da tecnologia em Eleuthera, hoje fiquei admirado com ela. Enfim, descobri que foi minha própria agência que bloqueou meu cartão!!!

Aí, entrou em cena outro anjo da guarda. Via internet, conectei-me com a Beth, que trabalhava comigo em Curitiba. Com alguns telefonemas, ela descobriu a razão do imbroglio e o resolveu. O banco queria ter sido avisado da viagem ao exterior e em quais países passaria. Não sei o que ele achou da lista de 50 países, mas disse que o cartão voltaria a funcionar. Ainda não testei. Mas, de qualquer maneira, muito obrigado, Beth!!!

Depois de um mormaço na praia, voltamos ao aeroporto. Na sala de espera, conhecemos mais pessoas interessantes: um americano que já vive aqui há mais de 15 anos e um bahamense, como sempre, muito simpático. Tratam muito bem as pessoas de fora. Depois, o embarque é meio confuso. Colocam os oito passageiros num teco-teco, mas a hélice esquerda não funciona. Resolvem nos levar para um avião ainda menor, agora só um teco. E o teco funciona, para alegria nossa. Com alguns solavancos, atravessamos as nuvens e 90 min depois chegamos em Long Island.

Avião para Long Island. A hélice não funcionou e tivemos de trocar para um avião menor

Avião para Long Island. A hélice não funcionou e tivemos de trocar para um avião menor


E eu, pelo menos enquanto o avião vôa abaixo das nuvens, aproveito para procurar tubarões na águas transparentes abaixo de mim. E aproveito também para viajar nas Bahamas. Se movimentar por aqui já é uma viagem...

Bahamas, New Providence - Nassau, Eleuthera - Harbour Island, Long Island - Stella Maris,

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

"Shit Happens"

Argentina, Salta, Purmamarca

Pneu destruído entre as cidades de Amaicha e Santa Maria, na Argentina

Pneu destruído entre as cidades de Amaicha e Santa Maria, na Argentina


Bem cedo saímos de Belén, pois tínhamos um longo caminho pela frente. Nossa idéia era seguir até Cafayate, de lá para Salta, Jujuy, Purmamarca, já na Quebrada Humahuaca e, finalmente, ir até Susques, a última cidade argentina antes do Paso de Jama, fronteira com o Chile. Muitas e muitas horas de estrada.

Batizando o triângulo da Fiona entre as cidades de Amaicha e Santa Maria, na Argentina

Batizando o triângulo da Fiona entre as cidades de Amaicha e Santa Maria, na Argentina


Tudo começou bem. Rapidamente deixamos para trás os únicos 40 km de estrada de terra de todo o trajeto. Passamos por Santa Maria e Cafayate era o próximo "objetivo". Foi quando ouvimos um barulho estranho. Seria o pneu ou apenas ranhuras no asfalto? Foi o tempo de eu indagar a Ana e o barulho multiplicou-se por dez, além do carro puxar forte para a direita. Encostamos, descemos do carro e vimos o tamanho do "desastre": não era um pneu furado, era um pneu destruído.

Tentando de todos os jeitos tirar a trava do estepe, entre as cidades de Amaicha e Santa Maria, na Argentina

Tentando de todos os jeitos tirar a trava do estepe, entre as cidades de Amaicha e Santa Maria, na Argentina


Bem, nada está tão ruim que não possa ser piorado. O estepe da Fiona fica embaixo do carro e é protegido por uma trava que compramos. A trava é tão boa que nem nós conseguíamos abri-la. Muita sujeira entrou dentro dela que a chave não mais funcionava. De tanto tentarmos, quebrou. Que beleza!

Na estrada, passava um carro a cada dez minutos. Paramos um deles, que seguia para Santa Maria. Em seguida parou outro, que ía em direção contrária, para a pequena cidade de Amaicha. Era um mecânico que nos garantiu que, na sua oficina, conseguiria tirar aquela trava. O homem que seguia para Santa Maria estava com muita pressa e eu fui com ele até lá, atrás de uma "gomeria" (borracharia). A Ana ficou na estrada, depois de me assegurarem que era seguro ela ficar. Voltei com o borracheiro que levou o pneu arrebentado embora enquanto eu, dessa vez, ficava com a Ana. Mais um tempo se passou e o borracheiro voltou, agora com um pneu bem menor que os da Fiona, pelo menos para podermos rodar um pouco. E assim conseguimos seguir para Amaicha, para a oficina daquele mecânico que tínhamos conversado.

Na oficina em que serramos a trava do estepe da Fiona, para finalmente podermos utilizá-lo! (em Amaicha - Argentina)

Na oficina em que serramos a trava do estepe da Fiona, para finalmente podermos utilizá-lo! (em Amaicha - Argentina)


Assim, num bairro da periferia dessa pequena cidade da Argentina, com uma serra elétrica, tiramos a maldita trava para sempre. Ai colocamos o estepe, que também é menor que os pneus que usamos no carro, mas muito maior que o pequeno pneu careca que estávamos usando até lá. Desta maneira, depois de uma 3 horas desde o início dos nossos problemas, retomamos a viagem, dessa vez para ir até Salta, onde tínhamos de chegar antes das oito da noite, quando as lojas fecham.

Finalmente, a Fiona está na estrada novamente, chegando em Salta - Argentina

Finalmente, a Fiona está na estrada novamente, chegando em Salta - Argentina


Chegamos 15 minutos antes do prazo numa grande loja de pneus. Ali compramos dois pneus novos, para serem colocados na traseira. O nosso estepe, com 150 km de vida, entrou na transação. O outro, careca, que nos salvou na estrada, foi deixado de presente. E o pneu ainda bom, retirado da traseira esquerda, virou nosso estepe. Assim, agora temos 5 pneus do mesmo tamanho, os dois de trás, novos, de uma marca diferente. Feita a compra e as devidas trocas, seguimos viagem para Jujuy e Purmamarca, onde chegamos perto das onze da noite.

Loja de pneus em Salta - Argentina

Loja de pneus em Salta - Argentina


Ali achamos um hotel bem gostoso, para que pudéssemos ter uma noite mais tranquila do que o dia que tínhamos tido. Na cama, antes de dormir, ao invés de reclamar do pneu destruído, meu pensamento era mais de agradecimento. Afinal, se a mesma coisa tivesse acontecido um dia antes, aí sim estaríamos encrencados. Afinal, estávamos numa estrada onde não passava absolutamente ninguém, a 4 mil metros de altitude, a quase cem quilômetros de distância de qualquer pessoa, onde as temperaturas baixam a dez graus negativos durante a noite. É, aí sim poderia reclamar...

O pneu novo da Fiona, comprado em Salta - Argentina

O pneu novo da Fiona, comprado em Salta - Argentina

Argentina, Salta, Purmamarca,

Veja todas as fotos do dia!

Gostou? Comente! Não gostou? Critique!

Página 1 de 161
Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet