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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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A Outra Argentina

Argentina, San Marcos Sierra

Chá no final da tarde em San Marcos Sierra, na Argentina

Chá no final da tarde em San Marcos Sierra, na Argentina


Nós, que já viajamos tanto pelo Brasil, sabemos muito bem a quantidade de lugares maravilhosos e dignos de visita que existem em nosso país. Ao mesmo tempo, tendo viajado por tantos países e conhecido tanta gente interessada em visitar o Brasil, sabemos que o nosso país é muito “menor” na cabeça de quase todos eles. Não estou falando de área, mas de atrações turísticas. Para eles, ou quase todos eles, o Brasil é o Rio, Salvador, Foz do Iguaçu, Pantanal e Amazônia. Quem sabe, até dá para ver em uma semana. Nós estivemos em todos esses lugares e adoramos! Mas há dezenas de outros lugares tão interessantes como esses mais famosos, e os estrangeiros não fazem a menor ideia disso.



O mesmo raciocínio vale para os outros países, principalmente os maiores, como México, Canadá, Estados Unidos e a Argentina que estamos visitando agora. Por isso, uma das nossas prioridades quando vamos a um país desses é nos informar e tratar de sair do lugar comum. Sim, vamos aos lugares famosos também, mas temos e queremos conhecer o “resto” do país. Afinal, se sabemos o que os gringos estão perdendo quando não vão à Chapada Diamantina, Jericoacoara ou Ilha do Mel, não queremos passar pelo mesmo aqui na Argentina! Buenos Aires, Bariloche, Mendoza, Patagônia e Salta são os preferidos de brasileiros na terra dos hemanos, mas bastou um mês por aqui que já tivemos gostinho da outra Argentina. E ainda vamos ver muito mais!

Caminhando na bucólica San Marcos Sierra, na Argentina

Caminhando na bucólica San Marcos Sierra, na Argentina


Por exemplo, a região das Missiones foi uma surpresa incrível, um dos pontos altos neste país. E nos últimos dois dias, a gente se maravilhou com os parques de Ischigualasto e Talampaya. Hoje seria o dia de conhecer mais uma dessas joias escondidas nas terras hermanas, a pequena cidade de San Marcos Sierras, encravada no meio das serras cordobenses. Chegamos aqui ainda ontem de noite, depois de viajar muitas horas diretamente de Talampaya. Bastou acordar cedo e caminharmos um pouco pelas pacatas ruas de terra do local para termos certeza que o esforço tinha valido a pena.

Igreja na praça de San Marcos Sierra, na Argentina

Igreja na praça de San Marcos Sierra, na Argentina


A pequena San Marcos ganhou fama nacional no final da década de 60 e início de 70 quando se tornou uma das mecas hippies do país. Como todos sabemos, esse era o movimento do “faça amor, não faça guerra” e tudo o que eles queriam era fugir do stress da cidade grande e encontrar um lugar bonito e perto da natureza que pudessem dividir com seus companheiros. Costumavam ter muito bom gosto, como atestam os nossos próprios hippies brasileiros, que naquela época chegaram à lugares como Arembepe ou São Thomé das Letras. Pois bem, os daqui chegaram a San Marcos, no alto da serra, cercado por vales férteis, rios encachoeirados e muita vegetação.

Árvores e casas coloridas em San Marco Sierra, na Argentina

Árvores e casas coloridas em San Marco Sierra, na Argentina


O movimento hoje já não é tão forte, mas a filosofia e aspectos saudáveis ficaram. A região é conhecida pela produção de comida orgânica e mel; a cidade continua pacata, casas coloridas e ruas de terra; nas esquinas, encontram-se muitas lojas de artesanato e restaurantes de comida natural; o ar é puro, o barulho que se ouve é o dos pássaros e o programa predileto é ir tomar banho de rio ou assistir o pôr-do-sol.

Arquitetura de San Marcos Sierra, na Argentina

Arquitetura de San Marcos Sierra, na Argentina


Fiona na pacata praça central de San Marcos Sierra, na Argentina

Fiona na pacata praça central de San Marcos Sierra, na Argentina


Enfim, tudo o que queríamos para passar um dia bem tranquilos e relaxados. A sensação é a de estarmos em alguma cidade do interior de Minas, talvez lá perto de Diamantina. Aliás, como nas cidades mineiras, aqui se come muito bem e a gente já percebeu isso logo no jantar de ontem quando encontramos uma pizzaria com massa caseira frequentada por vários dos bacanas da cidade.

Uma das muitas piscinas naturais na região de San Marcos Sierra, na Argentina

Uma das muitas piscinas naturais na região de San Marcos Sierra, na Argentina


Hoje, começamos com um café da manhã bem natureba que logo emendamos com uma caminhada pelas ruas pacatas e a bucólica praça central. Aí, descolamos um mapa das atrações nas redondezas e, já a bordo da Fiona, tratamos de ir buscá-las. A minha saudade de Minas só seria satisfeita depois de um bom banho de rio! Ainda mais depois da aridez dos parques onde estivemos nos dois dias anteriores.

Um delicioso mergulho em um dos rios da região de San Marcos Sierra, na Argentina

Um delicioso mergulho em um dos rios da região de San Marcos Sierra, na Argentina


No caminho para o rio, demos carona para três hippies da atualidade. Eles (no caso, elas!) continuam vindo para cá para frequentar alguma das muitas comunidades alternativas que se espalham por aqui. Algo no estilo Alto Paraíso, lá de Goiás. Dizem que a região é muito “energética” e, como não poderia deixar de ser, as visões de duendes e discos voadores não são incomuns. Também tem muito bom gosto esses simpáticos seres de outros planetas ou dimensões!

Uma das muitas piscinas naturais na região de San Marcos Sierra, na Argentina

Uma das muitas piscinas naturais na região de San Marcos Sierra, na Argentina


Nós nos divertimos uma boa hora numa piscina natural formada por um dos rios da região. Na alta temporada, certamente teríamos concorrência por lá, tendo até de pagar entrada. Mas hoje, estávamos sós e a sensação de estar em Minas ficou ainda mais forte, sol brilhando, céu azul, águas limpas e com temperatura agradável.

Um delicioso mergulho em um dos rios da região de San Marcos Sierra, na Argentina

Um delicioso mergulho em um dos rios da região de San Marcos Sierra, na Argentina


Essa sensação ficou ainda mais forte quando voltamos para a cidade e nos instalamos em um dos restaurantes em frente à praça. Passamos mais de hora por ali, começando com um chá e pulando para cerveja, tudo acompanhado de saudáveis sanduíches, só vendo a vida passar bem devagar à nossa frente.

Chá no final da tarde em San Marcos Sierra, na Argentina

Chá no final da tarde em San Marcos Sierra, na Argentina


O cruzeiro de San Marcos Sierra, na Argentina

O cruzeiro de San Marcos Sierra, na Argentina


Por fim, eu me animei e fui fazer uma das caminhadas mais populares da cidade, que é subir o Morro do Cruzeiro. A Ana ficou lá embaixo enquanto eu acelerei morro acima até a pequena cruz de madeira que há no topo, razão do nome do tal morro. Cheguei bem a tempo de ver a beleza do fim de tarde, as últimas luzes iluminando a pequena cidade totalmente arborizada ali embaixo.

Do alto do cruzeiro, o final de tarde na arborizada San Marcos Sierra, na Argentina

Do alto do cruzeiro, o final de tarde na arborizada San Marcos Sierra, na Argentina


Do alto do cruzeiro, o final de tarde na arborizada San Marcos Sierra, na Argentina

Do alto do cruzeiro, o final de tarde na arborizada San Marcos Sierra, na Argentina


No dia seguinte, já de saída para Córdoba, ainda passamos em outra atração famosa da cidade, o único Museu Hippie do mundo. Aí se pode ver roupas da época, as capas dos discos mais famosos e painéis explicativos sobre o modo de vida desses amantes da paz. Infelizmente para nós, hoje era o dia de descanso deles e ficamos só na vontade. Como também ficamos na vontade de passar mais uns dias tranquilos por ali, mas o nosso compromisso em Buenos Aires não pode esperar. De qualquer forma, saímos felizes por ter conhecido mais esse pedacinho tão bonito dessa outra Argentina, justamente a que mais queremos conhecer!

O famoso Museu Hippie de San Marcos Sierra, na Argentina

O famoso Museu Hippie de San Marcos Sierra, na Argentina

Argentina, San Marcos Sierra, trilha, Rio

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Pela Praça e Praias de Palmas

Brasil, Tocantins, Palmas

Passeando na Praça dos Girassóis, em Palmas - TO

Passeando na Praça dos Girassóis, em Palmas - TO


Depois da noitada de ontem, o dia começou devagar. Levantamos em tempo de nos esbaldar no café da manhã do hotel, mas voltamos para a cama depois. Quando levantamos em definitivo, já era mais de uma da tarde! Acho que batemos o recorde da viagem até agora, hehehe!

Palácio Araguaia, sede do governo de Tocantins, em Palmas - TO

Palácio Araguaia, sede do governo de Tocantins, em Palmas - TO


Aí, combinamos com o Marco de fazer uma rodada pelas praias de Palmas, ainda nesta tarde. Mas, antes disso, formos passear na Praça dos Girassóis, quase do lado do nosso hotel. É nela que estão as sedes dos poderes estaduais e muitas secretarias e autarquias. Mas, o que mais chama a atenção na praça é, sem dúvida, seu tamanho! Também, ela simplesmente é a maior praça das américas! Quiçá do mundo, embora as Praças Vermelha (em Moscou) e da Paz Celestial (em Pequim) também sejam sérios concorrentes à este posto.

Maquete da maior praça das américas, a Praça dos Girassóis, em Palmas - TO

Maquete da maior praça das américas, a Praça dos Girassóis, em Palmas - TO


Palmas é uma cidade que cresce rapidamente. Está fazendo 22 anos, praticamente a mesma idade do estado de que é capital, que foi criado pela constituinte de 88. Em 90, tinha uma população de 25 mil habitantes; quando estive aqui, em 2000, já tinha 130 mil; e hoje, é algo como 250 mil habitantes. Para quem chega na cidade, impossível não lembrar de Brasília: as mesmas super avenidas, a mesma divisão em setores e quadras, os mesmos espaços vazios. Não é à tôa, as duas cidades foram planejadas e construídas praticamente do zero. Deste modo, assim como sua "irmã mais velha", não é uma cidade para se andar à pé, já que tudo é longe e o calor impera o ano inteiro. Mas, tendo carro, o trânsito ainda é tranquilo e o deslocamento fica fácil. Construída ao lado do rio Tocantins, que neste ponto está represado formando um grande lago, é no rio que estão as mais próximas opções de lazer, com suas praias fluviais. E assim, planejamos nosso dia na cidade: praça e praias, sempre de carro. Com ar condicionado, claro!

Admirando mural dentro do Palácio Araguaia, em Palmas - TO

Admirando mural dentro do Palácio Araguaia, em Palmas - TO


Quer dizer, na praça, nossa vizinha, fomos à pé mesmo (embora tenha dado uma dúvida, hehehe). Realmente, é gigantesca, cheia de grandes espaços vazios. Na sua única elevação fica o Palácio Araguaia, sede do governo. De lá se pode ver as montanhas, de um lado, e o Tocantins, do outro. Tiramos fotos, admiramos os belos murais dentro do palácio, estudamos a maquete da praça gigante. Depois, era hora das praias!

Praia do Caju, em Palmas - TO

Praia do Caju, em Palmas - TO


Já junto com o Marco, Carol e filhos, fomos à mais distante Praia do Caju, que é também a mais popular. Barracas apinhadas, campeonato de forró (os ganhadores seriam premiados com uma caixa de Nova Skin) e o rio ali do lado, cheio de gente também, mesmo sem a proteção das redes. Pois é, redes são colocadas nas outras praias para proteger os banhistas de ataques de piranhas, que segundo nos contaram, são bem comuns por aqui. Pelo menos hoje, não houve ataques. Nós, ainda com a memória da paradisíaca e deserta Prainha do Rio Novo fresca na cabeça, prefirimos ficar só observando. Mas o Marco e seu filhinho Arthur passaram um bom tempo dentro d'água.

O Marco e o Arthur se refrescando no rio Tocantins, na Praia do Caju, em Palmas - TO

O Marco e o Arthur se refrescando no rio Tocantins, na Praia do Caju, em Palmas - TO


Ana e Carol de bate-papo em barraca da Praia do Caju, em Palmas - TO

Ana e Carol de bate-papo em barraca da Praia do Caju, em Palmas - TO


Um pouco antes do pôr-do-sol corremos (de carro!) para a praia do Prata, já um pouco mais chique e organizada que a Caju, e com rede de proteção. Chegamos bem em tempo para a Ana tirar belas fotos do céu avermelhado, tão característico do cerrado.

Campeonato de forró na Praia do Caju, em Palmas - TO

Campeonato de forró na Praia do Caju, em Palmas - TO


Já no início da noite, fomos à mais central Praia da Graciosa, com uma orla charmosa com vários restaurantes. Bem ao lado da Ponte Fernando henrique, de 8 quilômetros, que cruza toda a represa em direção à cidade de Paraíso.

Pôr-do-sol na Praia do Prata, em Palmas - TO

Pôr-do-sol na Praia do Prata, em Palmas - TO


Foi um dia bem tranquilo, de explorações da mais nova capital brasileira e de suas diversas classes sociais. A grande maioria dos moradores, à exemplo do Marco, são forasteiros que vieram tentar a sorte nesta cidade cheia de novas oportunidades. É um lugar em que quase se pode sentir o cheiro de dinheiro no ar mas que, ao mesmo tempo, preserva um ar de simplicidade e segurança de cidade do interior. Até quando essa combinação interessante vai se manter, essa é a questão. Não só a questão, é o verdadeiro charme de Palmas!

Praia da Graciosa, em Palmas - TO

Praia da Graciosa, em Palmas - TO

Brasil, Tocantins, Palmas, Praia do Caju, Praça dos Girassóis

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Um Dia na Ilha

Brasil, Paraná, Ilha do Mel

Inicio da manhã, início da volta na Ilha

Inicio da manhã, início da volta na Ilha


Eu e a Ana adoramos a Ilha do Mel. Afinal, foi onde começamos a namorar e onde nos casamos (veja as histórias em http://www.icasei.com.br/roana). Posso dizer que a conhecemos bem , várias de suas pousadas e muitos dos seus personagens. Como ela está bem perto de Curitiba, a gente vinha para cá sempre que podia e até fizemos um curso de surf (ou tentamos) nas suas praias. Foi numa semana em que as famosas "paralelas" rolaram soltas, fazendo a festa dos surfistas locais e de outras cidades também (a notícia se espalha logo e todo mundo corre para cá!).

Pois bem... o que fazer por aqui, então? Primeiro, o mais óbvio, rever e se despedir dos amigos. Tomar o delicioso suco "Seu Angelo", na pousada do Tissot (Astral da Ilha), ser muito bem tratado pelo Zeco e sua equipe, na Grajagan, bater papo com o Rômulo e o Carlinhos na Bee House, enfim refazer, uma última vez, pelo menos nos próximos 1000 dias, as coisas que adoramos por aqui.

Mas, eu ainda queria fazer algo novo, diferente. E resolvi convidar a Ana para dar uma volta na Ilha inteira, em apenas um dia. Cansativo, mas uma proeza memorável. Não é para qualquer um. A parte "gorda" da Ilha, quase toda uma reserva biológica e onde está a Fortaleza dos Remédios, tem cerca de 17 km de perímetro, um dos quais é mangue. Nos outros 16, praias quase sempre desertas, pelo menos de humanos. Queria dar essa volta e depois, caminhar até a praia de Encantadas e voltar nadando até Brasílía. E, no caminho, ainda subir o Morro da Baleia e o Morro do Farol.

Ana aproveitando os primeiros raios de sol, na volta da Ilha

Ana aproveitando os primeiros raios de sol, na volta da Ilha


Partimos bem cedo para a empreitada. Tivemos duas grandes sortes nesse dia. Primeiro, a maré, que era de lua, estava no seu ponto mais baixo às 9 da manhã, bem na hora que atingimos a região de mangue. Atravessá-lo ficou muito mais fácil. Em segundo, não é a época das terríveis butucas. Perto de novembro, elas tornam a vida de qualquer um que se aventure por aquele lado da Ilha um verdadeiro inferno. Falo por experiência própria. Ser atacado por dezenas delas, por horas a fio, atravessando um mangue é de lascar! Bom, hoje não era o caso e a nossa travessia transcorreu sem problemas. Muito pelo contrário, tiramos fotos lindas, nclusive da parte mais difícil, na travessia do mangue quase seco pela maré baixa. E ainda tivemos a chance de observar uma fauna variada. Cobras(coral, passeando pela areia!) e lagartos, siris e carangueijos, botos e tartaruga (morta, coitada), gaviões, gaivotas e urubus. E até mesmo um par de flamingos rosas (ou seriam garças?).

Pássaros rosas aproveitando a maré baixa

Pássaros rosas aproveitando a maré baixa


Foram 4 horas de caminhada, quase 20 km desde a Grajagan até o istmo e, de lá, contornando no sentido horário, até a Fortaleza. Lá, abençoadas cervejinhas para relaxar e subimos, renovados, o Morro da Baleia. Embalados, fomos direto até o Farol, uns 5km a frente. Sempre filmando e fotografando muito. O dia, variando constantemente entre nublado e ensolarado, nos fornecia sombra e belos momentos para fotografias. Por fim, já satisfeitos com o que tínhamos feito e visto até então e iluminados pela sombra do farol, decidimos que aquilo já era o suficiente. Encantadas e a travessia aquática até Brasília (que recomendo muito aos que sabem nadar) ficaram para o dia 999 da viagem. Para o dia 4 já estava bom demais! Nossos pés agradeceram...

Atravessando o mangue na maré seca

Atravessando o mangue na maré seca

Brasil, Paraná, Ilha do Mel, Praia, trilha

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Susto na Fronteira

Guiana Francesa, Saint Laurent

Deixando para trás Saint Laurent e a Guiana Francesa

Deixando para trás Saint Laurent e a Guiana Francesa


Vamos ter de passar por muitas fronteiras nesses 1000 dias. A maioria delas, com a Fiona, mas algumas sem, especialmente nas ilhas do Caribe. Para passar por todas elas, a documentação básica é um passaporte válido por 6 meses, vacina de febre amarela, dinheiro e/ou cartão de crédito. Para os países que formos sem a Fiona, passagens aéreas saindo do país ou da região. Para os países continentais, aonde passaremos com a Fiona, um seguro internacional e a carteira de motorista internacional. E para alguns poucos países, um visto de entrada.

A Ana, que tem dupla nacionalidade, brasileira e italiana, consegue entrar em todos os países, ora usando um, ora usando outro. Eu, brasileiro puríssimo, preciso de visto para México, Estados Unidos, Canadá e Guiana Francesa. Os dois primeiros, consegui antes do início da viagem. O da Guiana, consegui em Macapá, em situação especial. O do Canadá, ainda falta resolver. A Ana, que descobriu que seu passaporte brasileiro está vencido, precisou fazer um visto para o Suriname, como italiana. Conseguimos fazer isso em Cayenne.

Bom... agora a nossa querida Fiona. Seguro internacional não é das coisas mais baratas. Paga-se por um período específico. Como só ficamos sabendo com certeza a data de entrar na Guiana com duas semanas de antecipação, foi aí que compramos o seguro. A nossa companhia, apesar de internacional, não está muito acostumada com seguros para as Guianas. Imagino que eu tenha sido o primeiro... Junte-se a isso o período de carnaval e o resultado é que o carro está segurado, mas eu só tenho um vago email escrito em português que diz que o carro está segurado no exterior ("extensão de perímetro").

Barco Gabrielle, que faz a travessia entre a Guiana Francesa e o Suriname

Barco Gabrielle, que faz a travessia entre a Guiana Francesa e o Suriname


Foi com isso que chegamos à Guiana Francesa, e era o que me deixava mais preocupado na época. Bom, por alguma grande sorte, ou por falta de costume mesmo, o cara na fronteira simplesmente confiou em mim e nós passamos.

Agora, hoje, já não foi bem assim. Para sair da Guiana, a policial fronteiriça já nos atazanou bastante. Depois de consultar seus superiores por teleone, disse que só nos deixaria passar porque estávamos saindo. Se estivéssemos entrando, ela não deixaria de jeito nenhum. Queria, no mínimo, algo escrito em inglês, com os países especificados. Ao final, já nossa amiga, alertou: "Vão ter problemas do lado de lá..."

Apesar da reza durante a travessia, ela acertou na mosca. O simpático policial surinamês disse que a Fiona não poderia entrar. As alternativas eram voltar para a Guiana ou comprar um seguro ali mesmo. A primeira opção foi logo descartada, afinal, meu visto tinha vencido hoje. A segunda opção, bem, hoje era sábado e tudo estava fechado. Quem sabe na segunda-feira...

Chegando à Albina, no Suriname

Chegando à Albina, no Suriname


Ou seja, teríamos de passar algumas noites na "simpática" Albina. Para quem não se lembra ou não quer "googar" essa cidade, Albina é o local onde, no natal de 2009, houve tumultos em que a comunidade local atacou a comunidade brasileira matando alguns e estuprando algumas. Um belo local para eu passar o fim de semana com minha linda esposa...

O guarda até nos emprestou seu celular para eu falar na linha internacional da companhia de seguros. Eles ficaram de mandar um fax com algum documento. Não sei se chegaram a mandar, mas o fato é que um anjo na forma de chefe do guarda apareceu por lá. O tal anjo entendia um pouco de português. Mostrei para ele o histórico de emails trocados com a companhia e, por milagre, ele resolveu nos deixar passar.

Assim, quase duas horas depois de chegarmos ao Suriname, conseguimos passar e deixar Albina para trás, rumo à Paramaribo, a capital do país. Não sei se sentia mais alegria por ter deixado aquele pesadelo para trás ou raiva da companhia por ter passado esse susto. Bom, o fato é que passamos e agora a briga continua para termos o tal documento em inglês antes de chegarmos à fronteira da Guiana. Como uma amiga disse que sempre gosto de fazer o "jogo do contente", vou ser positivo: o documento vai chegar!

Guiana Francesa, Saint Laurent,

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Relaxamento Merecido

Brasil, Tocantins, São Félix do Tocantins

O fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

O fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


Depois dos suados 100 km de trilhas pelo P.N das Nascentes do Parnaíba e pelo Parque Estadual do Jalapão, chegamos no fim de tarde á São Félix. A viagem, que imaginávamos demorar umas quatro horas, demorou o dobro. Mas estávamos dispostos a ainda aproveitar o resto do dia.

Tarefa bem fácil e prazerosa, tenho de admitir. Bem pertinho da cidade, nem 10 min de carro, está o Fervedouro do Alecrim, para muitos o mais bonito dos muitos que existem no Jalapão. "Fervedouro" é o nome que se dá por aqui às nascentes de água em que ela parece brotar do solo, formando piscinas circulares, chão de areia, geralmente cercado por bananeiras, que adoram solo úmido.

Nadando no fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Nadando no fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


Pare quem nunca esteve num, fotos e explicações detalhadas não vão chegar nem perto de mostrar o que eles são na realidade. É o tipo da coisa que você tem de experimentar, ao vivo e à cores. É sensacional! De fora, parece ua formação meio estranha, um círculo de areia no meio de uma piscina natural de águas cristalinas. É a circularidade que mais chama a atenção. Parece algo feito pelo homem. Mas, quando se entra num deles e se caminha até o círculo de areia, aí é que está a graça...

Divertindo-se no fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Divertindo-se no fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


Eu já conhecia um, aqui mesmo do Jalapão, na região de Mateiros, onde estive há onze anos. Então, deixei a Ana entrar primeiro e fiquei observando e me divertindo com a reação dela. Mesmo já tendo explicado, ela (como qualquer um que nunca esteve em um fervedouro) ainda não tinha "captado". Assim, quando ela deu o primeiro passo dentro do círculo de areia e reagiu com um grito de surpresa, foi muito divertido. Tudo devidamente filmado, hehehe!

Tentando afundar no fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Tentando afundar no fervedouro Alecrim, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


Aos poucos, ela foi se acostumando e perdendo o medo e a aflição. Eu entrei também e passamos uma hora por ali, brincando de tentar afundar dentro da areia. Tarefa impossível! A água nos joga para cima novamente. É como se estivéssemos em uma cama elástica. Impressionante! Incrível também ´o tamanho minúsculo dos grãos de areia que formam a piscina. Quase impossível percebê-los.

A prainha, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

A prainha, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


De lá, já ficando escuro, seguimos para a vizinha prainha, uma praia de rio que tem até iluminação. Ficamos por um tempo, mas a fome nos levou de volta à pousada Capim Dourado, onde um jantar encomendado nos esperava. A Ana ainda teve forças para socializar no bar em frente, enquanto eu, no quarto, colocava as fotos e os pensamentos em ordem. Nossa, que dia... Quantas histórias... E, ao fim de tudo, relaxado pelas águas daquele lugar mágico que é o fervedouro, dormi o sono dos justos...

Brasil, Tocantins, São Félix do Tocantins, Fervedouro do Alecrim, Jalapão

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No Centro de Quito

Equador, Quito

Crianças de escola passeiam pelo centro de Quito, no Equador

Crianças de escola passeiam pelo centro de Quito, no Equador


Finalmente, depois de tantos dias entre idas e vindas para Quito, chegou a hora de conhecer o famoso centro da cidade que foi a primeira no mundo a ser declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, ainda na década de 70.

Plaza San Francisco, em Quito, no Equador

Plaza San Francisco, em Quito, no Equador


A história de Quito começa muito antes da chegada dos espanhóis à América. Fundada pela tribo Quitu, foi ocupada pela tribo Caras em cerca de 900 d.C. Por cerca de 500 anos seus reis governaram a próspera cidade quando foi a vez dos Incas chegarem do sul. Os Caras e seus aliados resistiram bravamente e a guerra foi sanguinária até que, em 1462, finalmente foi conquistada. Os Incas então a transformaram na sua cidade mais importante da parte norte do império, o centro administrativo da região e sua principal base para a expansão rumo ao que é hoje a Colômbia.

Centro de Quito, no Equador, com a estátua da Virgen sobre a colina Panecillo ao fundo

Centro de Quito, no Equador, com a estátua da Virgen sobre a colina Panecillo ao fundo


Foi quando chegaram os espanhóis e a história mudou completamente de rumo. Foi nessa região que se deu a mais prolongada resistência inca, mas com a execução do seu último líder em 1535, nada mais poderia impedir a hispanização da cidade. Ordens religiosas foram chegando, igrejas sendo construídas, assim como imponentes prédios públicos. É esta Quito que fomos conhecer hoje em companhia da nossa falante amiga Maria.

Com a Maria, em frente à magnífica igreja da Companhia de Jesus, em Quito, no Equador

Com a Maria, em frente à magnífica igreja da Companhia de Jesus, em Quito, no Equador


Começamos pela central Plaza Grande, onde está o Palácio do Governo e a casa arcebispal e passamos logo para a mais bela igreja da cidade. Na verdade, o mais belo exemplar barroco de todo o continente, a igreja da Companhia de Jesus. Foram necessários mais de 150 anos para terminar essa verdadeira jóia arquitetônica, justo um pouco antes dos jesuítas serem expulsos da cidade e de toda a américa espanhola. Infelizmente, fotografias não são permitidas no seu interior, mas qualquer busca na internet vai mostrar em fotos essa maravilha que pudemos ver com os próprios olhos. A quantidade de ouro e de peças trabalhadas em cada detalhe dentro dessa igreja é realmente impressionante!

A bela igreja do Monasterio de San Francisco, em Quito, no Equador

A bela igreja do Monasterio de San Francisco, em Quito, no Equador


Caminhamos mais um pouco pelas ruas até chegar ao Convento de San Francisco, outra das grandes atrações da cidade. Em seu interior, transformado em museu, podemos ter uma boa idéia do que foi a chamada "Escola Quitenha de Pintura e Escultura, um dos mais belos e fecundos movimentos artísticos de nosso continente nos séculos XVIII e XIX.

Quito vista do alto do Panecillo, no Equador

Quito vista do alto do Panecillo, no Equador


De lá, de táxi, para a colina conhecida como Panecillo, onde está uma grande estátua da famosa Virgen de Quito, um dos marcos arquitetônicos da cidade. Lá de cima, uma vista magnífica da cidade e dos vulcões que a cercam de todos os lados. Até o Cotopaxi se pode ver, meio escondido no meio das nuvens.

Com a Maria no centro de  Quito, no Equador. Ao fundo uma belíssima foto do Panecillo com o imponente Cotopaxi atrás

Com a Maria no centro de Quito, no Equador. Ao fundo uma belíssima foto do Panecillo com o imponente Cotopaxi atrás


De volta à Plaza Grande, passando no caminho pela Igreja São Domingos e também pela Calle Ronda, famosa pelos seus restaurantes que só abrem de noite. Àquela hora, completamente vazia. A mesma rua em que estivemos jantando na nossa primeira noite em Quito. Um pouco mais à frente, o bonito prédio da primeira universidade do país, hoje transformado em centro cultural. No seu pátio central, uma inesperada surpresa para nós: um pé de Araucária! Uma araucária em Quito, quase sobre o Equador, quem diria?!?

Uma araucária no centro de Quito!!! (no prédio da antiga universidade)

Uma araucária no centro de Quito!!! (no prédio da antiga universidade)


Mas, falando em jantar, o almoço foi numa das galerias da Plaza Grande, cheia de restaurantes charmosos. A digestão foi feita na caminhada morro acima até a catedral da cidade, uma enorme construção em estilo gótico, o que soa bem estranho para uma cidade sulamericana. A catedral pode não combinar muito com o resto do centro histórico, mas a visão de seu interior meio cavernoso iluminado por magníficos vitrais vele muito à pena.

Os belos vitrais da catedral de Quito, no Equador

Os belos vitrais da catedral de Quito, no Equador


A catedral gótica de Quito, no Equador

A catedral gótica de Quito, no Equador


Por fim, voltamos para Mariscal, em tempo de lá acompanhar o jogo de estréia das eliminatórias sulamericanas para a Copa do Brasil. O Equador deu um baile na Venezuela, para alegria e festa das milhares de pessoas que lotavam os bares e ruas ao redor da Plaza Foch, o centro nevrálgico deste bairro boêmio de Quito.

La Mariscal lotada para ver o jogo de Equador x Venezuela, pelas eliminatórias da Copa do Brasil (em Quito, no Equador)

La Mariscal lotada para ver o jogo de Equador x Venezuela, pelas eliminatórias da Copa do Brasil (em Quito, no Equador)


Enquanto o jogo acontecia, a Ana e a Maria se esbaldaram numa famosa loja de chocolate da capital, a "Republica del Cacao". A Ana não cabia em si com tantas guloseimas ao seu redor! Foi aí também a nossa despedida da Maria, de malas prontas para o Brasil na última etapa de seu giro mundial em pouco mais de 100 dias.

Com a Maria, se deliciando na 'Republica del Cacao', em Quito, no Equador

Com a Maria, se deliciando na "Republica del Cacao", em Quito, no Equador


Para amanhã, o programa é seguir de Fiona (novinha em folha, depois de revisão) para a Mitad del Mundo, o parque que se construíu poucos quilômetros ao norte de Quito exatamente sobre a Linha do Equador, a linha imaginária que divide o mundo em norte e sul. Pois é, está quase na hora de adentramos o hemisfério norte mais uma vez. Agora por um bom tempo...

Foto de dspedida da Maria, em Quito, no Equador. Ela parte para o Brasil e nós para a Colômbia

Foto de dspedida da Maria, em Quito, no Equador. Ela parte para o Brasil e nós para a Colômbia

Equador, Quito,

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Chico e Xapuri

Brasil, Acre, Xapuri

A casa de Chico Mendes, em Xapuri, no estado do Acre

A casa de Chico Mendes, em Xapuri, no estado do Acre


Na noite do dia 22 de Dezembro de 1988, na pequena Xapuri, no sul do Acre, Chico Mendes conversava com sua esposa e brincava com a filha de quatro anos de idade, na sala da casa simples onde moravam na cidade. Nessa época, o seringueiro, sindicalista e ambientalista já tinha ganho fama internacional por sua luta em defesa da floresta e da criação de reservas extrativistas. Porém, os prêmios, homenagens e notoriedade que havia recebido não o tinham afastado de sua vida simples em Xapuri, e nem das constantes ameaças de morte que recebia na região.

Visitando o Memorial de Chico Mendes, em Xapuri, no estado do Acre

Visitando o Memorial de Chico Mendes, em Xapuri, no estado do Acre


Frase de Chico Mendes, em em memorial em sua homenagem, em Xapuri, no estado do Acre

Frase de Chico Mendes, em em memorial em sua homenagem, em Xapuri, no estado do Acre


Chico era filho de imigrantes cearenses e já havia nascido em Xapuri. Desde criança, acompanhava o pai nas longas incursões pela floresta, sempre em busca das seringueiras de onde extraíam o látex, matéria-prima para a confecção da borracha. Assim, desde cedo, não só aprendeu o seu ofício, mas também os segredos da floresta amazônica. Como era norma por ali, não teve chance de aprender a ler e escrever, já que não existiam escolas nos seringais. Isso mudou no início da vida adulta, quando Chico conheceu e se tornou discípulo de Euclides Távora, um comunista das antigas, que havia lutado ao lado de Prestes, na Intentona de 1935. Falhado o golpe, Távora mudou-se para a Bolívia, onde participou da Revolução de 1952. Finalmente, voltou para o Brasil, pelo Acre, onde se estabeleceu em Xapuri, dedicando-se a alfabetizar os seringueiros. Um de seus alunos foi exatamente Chico Mendes.

Visitando a casa de Chico Mendes, onde ele viveu e foi assassinado, em Xapuri, no estado do Acre

Visitando a casa de Chico Mendes, onde ele viveu e foi assassinado, em Xapuri, no estado do Acre


Agora, Chico já não era mais um seringueiro “típico”, pois sabia ler, escrever e pensar longe. Essa transformação veio justamente quando a classe mais precisava de um líder. Afinal, estávamos na década de 70, quando havia um grande estímulo oficial à imigração e “desenvolvimento” do Acre. Traduzindo, a floresta estava sendo devastada para dar lugar à criação de grandes fazendas de gado. Sem a floresta, quem também perdia eram os seringueiros, expulsos das terras onde trabalhavam há gerações. Junto a outros líderes locais, Chico Mendes começou a organizar a resistência a esse movimento. As duas principais armas eram os “empates” e a atração da opinião pública nacional e internacional para o que se passava por ali.

Praça central de Xapuri, no estado do Acre

Praça central de Xapuri, no estado do Acre


Os “empates” eram manifestações onde as pessoas protegiam as árvores com seus próprios corpos, impedindo que retroescavadeiras e tratores fizessem seu trabalho sujo. A tática teve seu mérito de salvar partes da floresta e, mais que tudo, em unificar a população em torno de uma causa. Mas o principal mérito foi o de atrair a atenção da mídia e de organizações estrangeiras. A fama e a pressão internacional fez com que bancos estrangeiros retirassem seu apoio a “projetos de desenvolvimento” na região, o que muito enfureceu os grandes proprietários de terra de Xapuri. A resposta veio através de ameaças, processos judiciais, violência e assassinatos.

O Nilson, primo de Chico Mendes, nos mostra uma seringueira no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

O Nilson, primo de Chico Mendes, nos mostra uma seringueira no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Passeio na mata do Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

Passeio na mata do Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Pois bem, mesmo depois dos diversos prêmios internacionais, lá estava Chico Mendes na sua casinha simples em Xapuri, brincando com sua filha. Já era tarde, hora de tomar um banho e dormir. A casa não tinha banheiro interno, o chuveiro ficava do lado de fora, no quintal. Com a toalha nos ombros, Chico começou a descer a pequena escada nos fundos da casa, mas não chegou até o fim dela. Na sombra de uma árvore, lhe esperava em tocaia um capanga de um fazendeiro da região. Dois tiros de escopeta lhe atingiram em cheio. Chico ainda teve tempo de voltar para dento de casa e morrer nos braços da esposa e da filha. Morria um grande brasileiro que, entre seus principais legados, teve o mérito de idealizar e ajudar a implantar as chamadas Reservas Extrativistas, que hoje se espalham pelo país e que, ao mesmo tempo, protegem o meio ambiente e os que nele trabalham, de maneira sustentável, em comunhão com a natureza.

O Nilson nos mostra como se extrai o látex de uma seringeira, no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

O Nilson nos mostra como se extrai o látex de uma seringeira, no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


O látex escore de uma seringeuira no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

O látex escore de uma seringeuira no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


A forte pressão internacional fez com que o crime fosse resolvido, ao contrário de tantos outros que o precederam. O mandante era mesmo um fazendeiro e o capanga, o seu próprio filho! Foram julgados e condenados. Alguns anos depois, fugiram da cadeia! Mas nova pressão internacional praticamente obrigou a justiça brasileira a recapturá-los. Presos, cumpriram sua sentença e hoje, vivem em liberdade. Inadvertidamente, deram ainda mais fama à sua vítima, fazendo com que sua luta prosperasse ainda mais. Os seringais do Acre agradecem à Chico Mendes, aos seus ideais e sua luta, mesmo depois de sua morte.

Uma gigantesca Samaúma no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

Uma gigantesca Samaúma no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Hoje, nós fomos à Xapuri conhecer essa história mais de perto. A casa onde o líder seringueiro vivia ainda está lá. Sua simplicidade espanta e comove. É difícil imaginar onde e como viveria Chico se ainda estivesse vivo, mas o fato é que, pelo mesmo até àquela época, toda a fama não o tinha afastado de suas raízes. É de tirar o chapéu! Em frente à casa, um memorial ajuda a contar a história, com várias fotos e frases marcantes de Chico Mendes. São visitas rápidas, mas de grande valor.

A lua brilha através da copa das árvores no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

A lua brilha através da copa das árvores no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Em seguida, seguimos para o Seringal Cachoeira, a poucas dezenas de quilômetros da cidade. Foi justamente esse o Seringal que foi desapropriado do fazendeiro mandante do crime, alguns meses antes do assassinato. Ainda hoje está lá, um monumento de preservação em honra ao líder assassinado. Mais interessante ainda, lá vive e trabalha o simpático primo de Chico, Nilson Mendes. Ele leva turistas e visitantes à passeios pela floresta, para mostrar os segredos das árvores e ervas que ali crescem e, claro, nos ensinar como se extrai o látex das seringueiras.

Visita ao Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

Visita ao Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Nosso chalé no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

Nosso chalé no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Há uma deliciosa pousada, que pertence à comunidade, no local. Assim, ficamos muito bem instalados no meio da mata. Nós chegamos ali já no final da tarde, bem no momento que o Nilson saía com dois outros visitantes para um passeio. Mais do que depressa, juntamo-nos ao grupo e tivemos uma verdadeira aula de ciências naturais. A quantidade de remédios que existe ali dentro é impressionante. É de partir o coração quando pensamos na quantidade de plantas e conhecimento que já se perdeu até hoje, com a intensa destruição de florestas, não só por aqui, mas por todo o planeta. Enfim, a esperança é a última que morre e a própria existência do Seringal Cachoeira nos mostra que ainda há pelo quê lutar! Passar duas horas caminhando por ali, acompanhado de uma verdadeira enciclopédia que é o Nilson Mendes, essa é uma experiência que eu recomendo a todas as pessoas!

Saindo de Xapuri, no estado do Acre, a caminho da fronteira com o Peru

Saindo de Xapuri, no estado do Acre, a caminho da fronteira com o Peru


Chegando à fronteira do Brasil e Peru, em Assis Brasil, no Acre

Chegando à fronteira do Brasil e Peru, em Assis Brasil, no Acre


Quanto a nós, depois desse dia intenso, descansamos felizes em meio ao seringal que tão bem representa a vida e a morte desse incrível homem de nome Francisco. No dia seguinte, de almas purificadas, seguimos nossa viagem de conhecimento e auto-conhecimento pelas Américas. Uma vez mais, era hora de deixar o Brasil para trás e voltarmos às terras dos nossos hermanos e vizinhos. A Estrada Interoceânica, ou Carretera Transoceânica, como eles a chamam, liga o Brasil ao Peru, um novo caminho para nos levar de volta até os Andes. Assim, fomos até Assis Brasil, na fronteira, passamos pela ponte e, num passe de mágica, estávamos no Peru! Cusco é “logo ali”, mas no caminho ainda tem a simpática Puerto Maldonado. Pelo próximo mês, nossa língua volta a ser o castelhano!

De volta ao Peru, na Carretera Transaoceanica, a caminho de Puerto Maldonado

De volta ao Peru, na Carretera Transaoceanica, a caminho de Puerto Maldonado

Brasil, Acre, Xapuri, história, floresta

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Um Pulo na Serra da Bocaina

Brasil, Rio De Janeiro, Parati

Escorregando pela Cachoeira do Escorrega, em Parati - RJ

Escorregando pela Cachoeira do Escorrega, em Parati - RJ


Há dezoitos anos, ainda nos áureos tempos de estudante, fiz a travessia da Serra da Bocaina acompanhado apenas da minha mochila (a mesma que viaja comigo hoje!!!). Em tempos pré-internet, não foi fácil arrumar um mapa e dicas da trilha. Com muito custo, consegui que um amigo de um amigo desenhasse um mapa para mim, com alguns pontos de referência. A trilha começa em São josé do Barreiro, em São Paulo, no alto da serra e termina pertinho do mar, já no estado do Rio, na pequena localidade de Mambucaba, próximo à Angra dos Reis.

No poço do Tarzan, em Parati - RJ

No poço do Tarzan, em Parati - RJ


Foram dois dias de caminhada, primeiro pelos campos no alto da Serra e depois pela sombra e umidade da Mata Atlântica, descendo a serra pelo caminho calçado de pedras feito por escravos dois séculos antes. No caminho, muitas cachoeiras e água limpa, pura e cristalina. Consegui que um amigo de Queluz me levasse até o início da trilha de carro, economizando uns bons quilômetros de caminhada. Depois, foi tudo na raça, à procura dos poucos pontos de referência que eu tinha. O mais importante e também a mais bela cachoeira da trilha e da região, a cachoeira do Veado, com muita água e mais de 100 metros de altura. Linda! Outro ponto de referência, inesquecível para mim, foi a Alameda dos Vagalumes, ao lado do lugar de acampamento. Só fui realmente entender a razão do nome quando anoiteceu... Nunca vi tantos vagalumes na minha vida. Foi realmente impressionante! Maravilhoso mesmo.

No poço do Tarzan, em Parati - RJ

No poço do Tarzan, em Parati - RJ


Pois bem, era essa trilha que queria fazer com a Ana mas parece que não teremos tempo. Seria um trampo também, ter de deixar o carro lá em cima e depois, tentar voltar de ônibus para reencontrar a Fiona. Vamos ver se ainda conseguimos ir pelo menos na parte de cima do parque, semana que vem, depois do nosso pulo em Curitiba.

Antes disso, aproveitando o embalo do nosso dia maravilhoso na escuna do qual chegamos de volta às 15:30, fomos visitar a parte de baixo do parque, aqui pertinho de Parati, do lado da estrada de Cunha. Quando descemos a estrada ontem, no finalzinho, já estava escuro. A imagem que tínhamos do parque era a da queimada que tínhamos visto. Precisávamos mudar isso!

E assim foi. Subimos a estrada até a famosa cachoeira do Escorrega e de lá fomos ao Poço do Tarzan. Água fresca, bem gostosa, depois de passar o dia na água salgada do mar. A quantidade e diversidade de verde da mata atlântica, que cerca o rio em que estávamos, sempre impressiona. Foi um final de tarde delicioso. Mais ainda por ter sido no mesmo dia do passeio de escuna. Só mesmo um lugar tão especial como Parati para poder proporcionar duas experiências tão distintas num mesmo dia. E para completar, a cidade ainda é um charme!

Parati - RJ

Parati - RJ


Bom, voltando à Serra da Bocaina, o passeio serviu para nos deixar uma lembrança muito mais agradável do parque: em vez do fogo destruindo a vegetação, a água maravilhosa da cachoeira rodeada por uma viçosa mata atlântica, Viva a Bocaina! Depois deste post, fiquei com mais vontade ainda de ir com a Ana na parte alta do parque. Semana que vem...

Parati - RJ

Parati - RJ

Brasil, Rio De Janeiro, Parati, cachoeira, Serra da Bocaina

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On the Move

Porto Rico, Fajardo, Ilhas Virgens Americanas, St Thomas - Charlotte Amalie, St John - Cruz Bay

Mais um dia de transferência, de aeroportos, de mudança de país. Coisa chata. Não vejo a hora de viajar na Fiona e passar longe dos aeroportos e suas burocracias. Aí, acho que vai ser chato a hora de passar as fronteiras. Mas, deixo para falar disso quando chegar a hora (e vai demorar!). Vou falar agora de um típico dia de transferência nesta fase da viagem, em que estamos de avião.

Nosso vôo era entre San Juan e Charlotte Amalie, capital das Ilhas Virgens Americanas, saindo às 10:15. Vôo doméstico, tudo dentro do commonwealth americano (quem sabia que existia isso?). Saímos às 07:15 de Fajardo, enfrentando a primeira grande chuva da nossa viagem que já está no dia 35. Uma hora depois estávamos devolvendo nosso carro em Isla Verde, bem perto do aeroporto. O pessoal da locadora nos levou até lá. No balcão da American Eagle, a grata surpresa: para vôos domésticos, a primeira mala custa 25 dólares e a segunda (nossa caixa de mergulho, uma verdadeira e literal mala sem alça!) custa 35 dólares. Assim, juntando eu e a Ana, lá se foram 120 dólares num vôo de menos de 40 min. Sensação de dinheiro jogado fora. Que saudade da Fiona.

Bom, por causa da chuva e de uma misteriosa flight attendant que não aparecia, passamos algum tempo empatados no aeroporto. Finalmente embarcamos, de maneira meio rústica, cada passageiro recebendo um guarda-chuva para atravessar a pista do aeroporto. Quem não recebeu guarda-chuva foram as malas que chegaram encharcadas no destino final. Nossas mochilas inclusive. E parte das roupas dentro delas.

Chegando em Charlotte, táxi até o porto. Custo extra para nós, carregando mochilas e caixas. Quarenta dólares por dez quilômetros numa van com mais 6 pessoas.. Aí, ferry até St. John, outra ilha do país (ver post seguinte!). Seis dólares por pessoa mais 2,5 dólares por volume (portanto, cinco para mim e cinco para a Ana). Finalmente, chegando em St. John, mais um táxi compartido até nosso hotel. E lá se vão mais 16 dólares. Eram duas da tarde. Em pouco menos de 7 horas tínhamos deixado nosso hotel em Fajardo e chegado no nosso destino, um carro, um avião, dois aeroportos, dois táxis e um ferry depois. De um país para outro. Na verdade, nenhum dos dois são países; tudo parte do commonwealth americano, vôo doméstico, taxas para bagagem. Melhor dizer, de uma ilha para outra. Ou, ainda mais corretamente, de uma ilha para outra para outra.

Depois, o alívio de estar muito bem instalados novamente, leves para caminhar, a bagagem no quarto do hotel. E um novo lugar para explorar, novas pessoas para conhecer, novas paisagens para ver, uma nova cultura para vivenciar. É... pode dar trabalho, mas vale a pena!

Porto Rico, Fajardo, Ilhas Virgens Americanas, St Thomas - Charlotte Amalie, St John - Cruz Bay, viagem

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Subindo e Descendo o Villarrica - 1a Parte

Chile, Pucón

O vulcão Villarrica, na sua parte mais alta, tem sempre as encostas bastante inclinadas (região de Pucón, no sul do Chile)

O vulcão Villarrica, na sua parte mais alta, tem sempre as encostas bastante inclinadas (região de Pucón, no sul do Chile)


Hoje, no mundo, cientistas estimam em cerca de 1.500 o número de vulcões geologicamente ativos nos seis continentes. No fundo do mar, o número é provavelmente bem maior, mas ninguém sabe ao certo. Desses 1.500 vulcões, por volta de 600 tiveram erupções que ficaram registradas pelo homem. Os outros 900 deixaram pistas que mostram que ainda são potencialmente ativos.

Nosso guia Hector dá as últimas instruções ao grupo antes do início da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Nosso guia Hector dá as últimas instruções ao grupo antes do início da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


Nosso guia Hector, um biólogo especializado em extremófilos, carrega cordas e material de primeiros socorros em sua pesada mochila, um pouco antes do início da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Nosso guia Hector, um biólogo especializado em extremófilos, carrega cordas e material de primeiros socorros em sua pesada mochila, um pouco antes do início da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


O Chile é o segundo país do mundo em número de vulcões, perdendo apenas para a Indonésia. Ambos se encontram no chamado “Círculo de Fogo do Pacífico”, onde se concentram a maioria dos vulcões conhecidos do planeta. No Chile, estima-se o número de vulcões em 2 mil, mas a maioria já está extinta. Ativos, são cerca de 125, sendo que metade deles teve alguma atividade vulcânica nos últimos 450 anos, tempo em que começaram a se fazer registros das erupções.

Com o Haroldo na base do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile, 22 anos depois de termos subido o vulcão pela primeira vez

Com o Haroldo na base do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile, 22 anos depois de termos subido o vulcão pela primeira vez


O primeiro trecho da subida do Villarrica, de 1.280 m a 1.600 metros de altitude, pode ser feito a pé ou de teleférico! (região de Pucón, no sul do Chile)

O primeiro trecho da subida do Villarrica, de 1.280 m a 1.600 metros de altitude, pode ser feito a pé ou de teleférico! (região de Pucón, no sul do Chile)


De todos esses, o mais ativo, e provavelmente o mais conhecido, é o Villarrica. Localizado 775 km ao sul de Santiago, ao lado do lago de mesmo nome e a poucos quilômetros de Pucón, essa montanha de 2.850 metros de altitude já teve 49 grandes erupções desde que começaram os registros, em 1558. Isso dá uma média de uma erupção a cada 10 anos de intervalo, número que impressiona até mesmo aos vulcanólogos. Mas o que atrai mesmo os turistas é outra peculiaridade: o Villarrica é um dos poucos vulcões do mundo a ter, permanentemente, um lago de lava no interior de sua cratera e que pode ser acessado e visto por turistas.

A Ana, de teleférico, passa pelo Rodrigo, a pé, no início da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

A Ana, de teleférico, passa pelo Rodrigo, a pé, no início da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


Na parte inicial da subida do vulcão Villarrica, o Rodrigo acena para a Ana, que passa de teleférico sobre ele, na região de Pucón, no sul do Chile

Na parte inicial da subida do vulcão Villarrica, o Rodrigo acena para a Ana, que passa de teleférico sobre ele, na região de Pucón, no sul do Chile


Por isso, uma verdadeira indústria de turismo de vulcões se desenvolveu em Pucón. São dezenas de agências que oferecem passeios até o cume da montanha, de onde se tem uma vista magnífica de toda a região, além, é claro, de uma visão privilegiada do lago de lava fervente. Em anos “normais”, quase 15 mil turistas chegam ao cume da montanha depois da árdua caminhada, a maioria deles durante os meses de verão. Chamo de “anos normais” aqueles em que o vulcão não entra em atividade mais violenta e a montanha fica interditada para o turismo. Fumaça, ele solta todos os dias, mas lava escorrendo por suas encostas, como já disse acima, na média é um ano em cada dez.

Uma selfie no teleférico que sobe um trecho da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Uma selfie no teleférico que sobe um trecho da subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


O Haroldo e o resto do grupo enfrentando as encostas nevadas do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

O Haroldo e o resto do grupo enfrentando as encostas nevadas do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


A maior erupção conhecida da montanha foi em 1971, quando morreram 200 pessoas nas cidades próximas. Desde o século XVI, o número de mortos chega a 300. A última erupção a gerar rios de lava foi em 84, mas as medidas cada vez mais eficazes de precaução do governo impediram que houvesse qualquer morte nessa erupção. Depois disso, houve erupções menores em 2000 e 2005 (passamos por lá um ano antes que ele entrasse em erupção novamente, em março de 2015). Essas erupções serviram para encher de lava novamente sua cratera de 200 metros de diâmetro. O lago de lava fica entre 100 e 150 metros abaixo da linha da cratera, que é até onde os turistas chegam. Se ele estiver mais baixo, não se pode ver a lava, apenas ouvir seu contínuo rugido.

Subindo o vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)

Subindo o vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)


Subindo o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)

Subindo o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)


Sem dúvida nenhuma, o Villarrica é a principal atração turística de toda a região. Seja apenas como uma magnífica referência no horizonte, para quem quiser apreciá-lo apenas de baixo, seja como o desafio a ser vencido, para quem se anima a fazer a caminhada até seu cume e ser recompensado com as visões que essa aventura possibilita. Eu me encaixo no segundo grupo de pessoas e foi exatamente a subida do Villarrica a minha mais forte experiência quando passei por Pucón em 1992. As memórias, não só da subida do vulcão e de sua cratera de lava borbulhante, mas também da divertida descida fazendo “skibunda” jamais saíram da minha cabeça, mesmo depois de duas décadas. Por isso, voltar a Pucón durante os 1000dias e subir novamente o Villarrica, agora acompanhado pela Ana, sempre foi uma verdade inquestionável para nós. Ainda mais quando uma feliz coincidência possibilitou que o meu primo Haroldo estivesse na região nos mesmo período em que nós planejávamos passar por aqui.

Tempo para descansar na longa subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Tempo para descansar na longa subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


Quanto mais alto estamos no vulcão Villarrica, mais bela fica a vista que temos da região de Pucón, no sul do Chile

Quanto mais alto estamos no vulcão Villarrica, mais bela fica a vista que temos da região de Pucón, no sul do Chile


Naquela viagem de 1992, eu estava justamente acompanhado pelo Haroldo e por um outro amigo, o Pfeifer. Juntos, subimos e escorregamos pelas encostas do Villarrica e a possibilidade de subir novamente o vulcão junto com o Haroldo não poderia ser desperdiçada. Assim, tratamos de ajustar nossa viagem para passar por aqui bem na data do triatlo que ele faria na cidade de Pucón. Ele fez a prova e, na manhã seguinte (hoje!), estava prontíssimo para subir conosco o Villarrica. Aliás, na verdade foi ele que marcou com a agência de turismo e, mais do que isso, nos presenteou com o passeio. Nosso único trabalho foi chegar aqui a tempo!

Enfrentando as encostas geladas do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Enfrentando as encostas geladas do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


Enfrentando as encostas geladas do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Enfrentando as encostas geladas do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


Apesar dos milhares de turistas que sobem a montanha anualmente e das dezenas de agências de turismo que oferecem o passeio, ele não é, de maneira nenhuma, uma tarefa fácil e isenta de riscos. Muito pelo contrário! É preciso estar em forma, pois são mais de mil metros verticais de subida, a maioria deles caminhando na neve. O tempo normal da subida e descida é de 6 horas, um esforço que não é para qualquer um. Além disso, não é incomum que essas pessoas sejam obrigadas a desistir na metade do caminho por causa do mal tempo. Não só porque o esforço seria ainda bem maior, mas principalmente pela segurança. Os casos de mortes de turistas são raros, mas eles ocorrem. Principalmente quando, devido ao frio, a neve se transforma em gelo e a montanha fica muito escorregadia. Um pequeno escorregão pode se transformar em tragédia.

Um dos muitos grupos a subir o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Um dos muitos grupos a subir o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Na temporada e em dias de bom tempo, são centenas de pessoas, divididas em dezenas de grupos, a subir o vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Na temporada e em dias de bom tempo, são centenas de pessoas, divididas em dezenas de grupos, a subir o vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


Por uma triste coincidência, as duas vezes em que estive no Villarrica foram pouco tempo depois de algumas dessas tragédias. O guia que nos levou em 1992 presenciou e até tentou ajudar nesse terrível acidente no final do ano anterior. Um turista que caminhava em um grupo que já estava bem mais alto na montanha caiu e veio escorregando pela encosta gelada do vulcão. Nosso guia deixou seu grupo e correu para tentar interceptá-lo. Mas a velocidade com que ele vinha era tão grande que o guia não se atreveu a ficar na frente. Seria um strike. O pobre turista continuou a escorregar até chegar em um barranco onde decolou para morrer na queda. Esse havia sido o último acidente fatal na montanha até que, em março de 2012, outra tragédia ocorreu.

Já acima dos 2 mil metros de altitude, um promotório na encosta do vulcão Villarrica é um excelente mirante natural para o resto do mundo que ficou lá embaixo, na região de Pucón, no sul do Chile

Já acima dos 2 mil metros de altitude, um promotório na encosta do vulcão Villarrica é um excelente mirante natural para o resto do mundo que ficou lá embaixo, na região de Pucón, no sul do Chile


Dessa vez, foram dois turistas, em acidentes separados, no mesmo dia. A madrugada havia sido gelada e a neve havia virado gelo. Em um grupo, um mexicano escorregou e levou consigo um chileno. O mexicano morreu e o chileno quebrou vários ossos. Pouco tempo depois, em outro grupo, foi a vez de um brasileiro escorregar. Ele simplesmente sumiu na montanha. O problema foi que o tempo fechou e as equipes de resgate não conseguiram encontrá-lo por dois dias. Quando finalmente o tempo melhorou, ele foi encontrado dentro de uma greta no gelo. Muito provavelmente havia sobrevivido à queda, mas morreu de frio nos dias seguintes.

Hora do descanso e do lanche durante a subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)

Hora do descanso e do lanche durante a subida do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)


Enfim, são histórias que nos fazem perceber que subir o vulcão é uma coisa séria. Podemos e devemos nos divertir muito, mas não devemos achar que tudo não passa de brincadeira. Pessoas morrem atropeladas todos os dias e é por isso que devemos sempre olhar para os dois lados da rua quando atravessamos. Na montanha é a mesma coisa. Há de se respeitá-la, mesmo nos momentos de alegria e descontração.

Com o Haroldo no cume do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Com o Haroldo no cume do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Chile, Pucón, trilha, Parque, vulcão, Villarrica

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