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SHUFFLE Há 1 ano: Rio De Janeiro Há 2 anos: Rio De Janeiro

Entramos!

Brasil, Amapá, Oiapoque, Guiana Francesa, Saint Georges

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa


Depois do "terrorismo" de ontem, de que seria impossível passar com o carro, começamos cedo nossa maratona hoje. Café da manhã às 07:30, com vista para o rio Oiapoque e para a Guiana Francesa, lá do outro lado, nos deram a inspiração necessária.

A densa floresta da Guiana Francesa vista de Oiapoque - AP

A densa floresta da Guiana Francesa vista de Oiapoque - AP


Depois, mãos à obra! Primeiro, arrumamos um lugar para a Fiona tomar um banho. Afinal, depois dos 160 km de barro, ela não estava nada apresentável. Certamente, nem a aduana brasileira nem a francesa iriam gostar... Banho dado, seguimos para a Polícia Federal onde nos disseram que nossos passaportes não precisavam ser carimbados e que nosso carro prcisava ser levado à Receita Federal.

Nosso hotel em Oiapoque - AP

Nosso hotel em Oiapoque - AP


Antes de seguir para lá, fomos até a única empresa com balsas para levar o carro para o outro lado. Como suas balsas estão sendo usadas na construção da ponte, só tem dois horários fixos para fazer a travessia: às 11 da manhã e às 4 da tarde. O preço, para um único carro na balsa: 200 euros ou 500 reais. Sem margem de negociação.

Monumento que marca o início do Brasil, em Oiapoque - AP

Monumento que marca o início do Brasil, em Oiapoque - AP


Como queríamos atravessar e já seguir para Cayenne, nossa corrida foi para resolver tudo até às onze. Aceleramos para a Receita e lá foi preenchido um formulário de "exportação temporária" de produtos (a Fiona e nossos eletrônicos). Assim, quando voltarmos ao país, esses produtos não serão considerados uma importação, o que geraria impostos, mas apenas o retorno da exportação temporária. Os trâmites demoraram um pouco mais do que gostaríamos, porque eles, há dois anos trabalhando ali, nunca tinham visto caso semelhante. Aliás, lá na empresa de balsa, também não! Isso só foi nos deixando mais preocupados...

Construção da ponte entre Brasil e Guiana Francesa, em Oiapoque - AP

Construção da ponte entre Brasil e Guiana Francesa, em Oiapoque - AP


Enquanto eu ficava na Receita, a Ana foi à internet, para nova troca de emails com o cônsul em Macapá e também com nosso corretor de seguros em Curitiba. Juntando todos os documentos que tínhamos, achamos mais prudente atravessar para o lado de lá numa voadeira primeiro, conversar com a polícia francesa para, só depois, levar a Fiona. Afinal, pagar 200 euros para atravessá-la e ter de pagar outros 200 para voltar, se algo desse errado, seria demais!

Viagem de voadeira entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa

Viagem de voadeira entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa


Com isso, acabamos desistindo da balsa das 11:00. Atravessamos de voadeira e fomos curtindo o belo visual do rio, da mata e da enorme ponte sobre nossas cabeças. Lá chegando, com a ajuda do dono da voadeira, seguimos direto para a PAF (Polícia da Fronteira), já notando a enorme diferença entre a organizada Saint Georges e a caótica Oiapoque. Mas não tínhamos muito tempo para passear não. Chegando à PAF, uma bela surpresa: já estavam nos esperando, tudo pronto para me dar o meu visto. Mas ficaram meio decepcionados quando souberam que o carro não tinha vindo. O visto só seria dado quando o carro viesse e fôssemos entrar em definitivo no país. Quando ao carro, disseram que tínhamos de ir na douane (aduana).

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa


E para lá seguimos. Como no Brasil, eles também não estavam acostumados com isso. Ao contrário da PAF, não nos esperavam. Com meu francês enferrujado, fui explicando a história para eles. Por fim, perguntaram se eu tinha seguro internacional. Disse que sim, mas que estava em português. Eles perguntaram se eu estava seguro que ele era válido, ao que respondi com um sonoro "Oui, je suis!" Aí, eles falaram "Bom, se para você está bem, para nós também!"

Yes! Oba! Pegamos a voadeira de volta e vinte minutos mais tarde estávamos no Brasil. Aí, tivemos tempo para fotos, encher o tanque da Fiona, almoçar, mexer na internet. Foi quando apareceu um outro casal, com duas crianças pequenas e um adolescente. Eles viram a Fiona e vieram falar conosco. Também são viajantes e estão, os cinco, numa viagem de 14 meses pelo Brasil, do Oiapoque ao Chuí! Os cinco numa Toyota como a nossa, uma prima da Fiona. Muito parecido mesmo, até com uma capota que também entra água, hehehe. Eles viajam e vão fazendo apresentações de teatro por onde passam. Super interessante! O pai é palhaço e a mão, bailarina. O filho adolescente "trancou" a escola por um ano e agora, aprende muito mais pelas estradas do Brasil. Os menores, um casal, são gêmeos, cinco anos de idade. Toda essa linda aventura está no blog deles. Recomendo uma boa olhada: http://www.triopirathiny.blogspot.com/ ! Nossa... é incrível a energia positiva que eles passam. Super do Bem! Foi ótimo tê-los encontrado e trocado informações.

Balsa com a Fiona passa sob a ponte em construção entre os dois países, na nossa travessia para a Guiana Francesa

Balsa com a Fiona passa sob a ponte em construção entre os dois países, na nossa travessia para a Guiana Francesa


Pena que foi tão rápido. Afinal, não podíamos perder a balsa. Sob uma chuva amazônica, embarcamos e, uma hora mais tarde a Fiona colocava "seus pés", pela primeira vez, em solo estrangeiro. Primeira parada: douane. Não demorou cinco minutos. Toda aquela história contada em Oiapoque, pelo visto, era só falta de informação. Pelo menos para nós, foi rápido e tranquilo.

Depois, de volta à PAF. Aí, quando menos esperávamos, surgiu o problema! O meu visto foi dado rapidamente. Já a Ana, com seus dois passaportes, criou uma certa confusão. O guarda queria nos convencer que, caso ela usasse seu passaporte italiano, não poderia usar o brasileiro no Suriname, pois não teria o carimbo de saída da Guiana Francesa nele. E, se fosse usar o italiano para entrar no Suriname, teria de conseguir um visto em Cayenne, pois europeus precisam de visto por lá. Se fosse para entrar com o brasileiro no Suriname, aí teria de usá-lo também na Guiana Francesa. Neste caso, precisava de um visto, custo de 60 euros. Claro que eu achei tudo um papo furado, que ela poderia usar um passaporte aqui e outro no Suriname. Afinal, qual a vantagem de ter dupla cidadania???

Fotografando a densa mata guianense, um pouco antes de chegar à Saint Georges, na Guiana Francesa

Fotografando a densa mata guianense, um pouco antes de chegar à Saint Georges, na Guiana Francesa


Bom, mas o cara tanto falou e nos complicou que, no fim, já estávamos falando para ele colocar o visa no brasileiro mesmo. E aí, veio a surpresa. O passaporte brasileiro da Ana está vencido desde Julho!!! Ai ai ai. Ainda bem que ela tem o italiano... Mas agora, não tem remédio. Em Cayenne, vamos precisar tirar o visto do Suriname para ela. Ou então, conseguir um passaporte brasileiro novo. O que for o mais rápido. E isso tem de acontecer enquanto o meu visto, de nove dias, tenha validade. Vai ser uma corrida, já que no meio do caminho ainda tem carnaval. Sabe-se lá se estas coisas vão funcionar segunda e terça. O carnaval em Cayenne é animado! Coisa séria!

Bom, tudo isso comeu nosso tempo e já quase escurecia. Resolvemos dormir na simpática Saint Georges de L'Oyapoque mesmo. Uma cidadezinha toda arrumadinha, com cara de européia, plantada no meio da Amazônia! Visão sui generis!

Nunca o GPS foi tão literal!!! (na nossa travessia entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa

Nunca o GPS foi tão literal!!! (na nossa travessia entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa


Essa confusão toda não nos impediu de beber um vinho (garrafa pequena!) em comemoração ao início da fase internacional terrestre da nossa viagem! Salût! Quanto à Guiana Francesa, agora podemos dizer que entrar foi fácil. Difícil vai ser sair... Êêê, Ana...

Brasil, Amapá, Oiapoque, Guiana Francesa, Saint Georges,

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Hora do Banho (e da Guerra)

Chile, Iquique

O esperado banho para tirar o sal e a lama da travessia do salar de Uyuni (em Iquique, no norte do Chile)

O esperado banho para tirar o sal e a lama da travessia do salar de Uyuni (em Iquique, no norte do Chile)


Dia nublado, mais do que previsível nessa época do ano, totalmente favorável ao cobertor, à preguiça e à leitura. Nossa única obrigação foi arrumar um lugar para dar um banho na Fiona. Afinal, depois de cruzar os maiores salares do mundo, ela estava cheia de sal, em cada buraco ou reentrância. E, como todos sabem, sal é o maior inimigo de qualquer lataria de carro, como bem sabem aqueles que moram em qualquer cidade litorânea. Atrai e captura qualquer umidade do ar e logo aparecem os pontos de ferrugem.

Como ela estava hiper super mega blaster tomada pelo sal, poeira e lama, resolvemos dar dois banhos. Primeiro, num lava rápido de um posto, muita água e pressão para tirar o sal grosso. Depois, num shopping, banho na carroceria e parte interna. Ao final, um novo carro pronto para os novos desafios à frente. Menos salares, hehehe!

O esperado banho para tirar o sal e a lama da travessia do salar de Uyuni (em Iquique, no norte do Chile)

O esperado banho para tirar o sal e a lama da travessia do salar de Uyuni (em Iquique, no norte do Chile)


Enquanto isso, dedicamo-nos aos posts, atualização do site e leituras, além do passeio no shopping, o que é igual em qualquer lugar do mundo. A Ana até descolou um corte de cabelo. Cinema é que não deu, só opções bem fraquinhas...

Quanto às leituras, me concentrei na Guerra do Pacífico. Em resumo, foi mais ou menos assim: com a independência das ex-colônias espanholas na América, as fronteiras entre elas ficaram bem indefinidas, um diz-que-me-disse que não chegava à lugar nenhum. Afinal, na época da Espanha, tudo era dela e não era preciso definir limites.

O esperado banho para tirar o sal e a lama da travessia do salar de Uyuni (em Iquique, no norte do Chile)

O esperado banho para tirar o sal e a lama da travessia do salar de Uyuni (em Iquique, no norte do Chile)


Uma dessas áreas "confusas" era a fronteira de Chile e Bolívia. A cidade de Antofagasta era claramente boliviana, mas não havia nada, nenhum documento ou tratado que dissesse e a área à sua volta era boliviana. Pois bem, enquanto aqui era somente um deserto, nenhum problema. Mas quando as riquezas começaram a aparecer, vieram também as disputas. O Chile acabou aceitando que aquele pedaço de terra era mais boliviano que chileno, mas eram os chilenos, com capital britânico, que exploravam as minas de salitre do local. Os bolivianos só ficavam com as taxas e impostos.

O dinheiro começou a aumentar, assim como a ganância dos governos. Os bolivianos quiseram aumentar sua fatia de impostos e, quando as empresas se recusaram a pagar, ameaçaram com expropriação. No dia marcado para isso, quem apareceu foi o exército chileno, em defesa de suas empresas. Começava a guerra. A Bolívia, chamando uma cláusula de um tratado secreto de ajuda recíproca com o vizinho Peru, chamou-o para a guerra. Meio a contragosto, mas fiel ao tratado, o Peru veio em seu auxílio. O problema é que Peru e Bolívia tinham exércitos desmobilizados e despreparados, ao contrário do Chile, com exército profissionalizado e dinheiro inglês para se financiar.

O resultado foi uma lavada do Chile nos aliados, Bolívia e Peru. A primeira perdeu Antofagasta (que fica mais de 100 km ao sul de Iquique) e seu acesso ao mar. Até hoje não aceita essa condição e tem na sua Constituição uma cláusula que obriga todos os seus líderes a lutar para retomar seu acesso marítimo. O segundo perdeu não só uma parte de seu território, como as cidades de Iquique e Arica, como teve até suas maioeres cidades ocupadas militarmente pelo Chile, inclusive Arequipa e a capital, Lima. O Chile retrocedeu, depois de algum tempo de ocupação, mas manteve algumas cidades. Algumas se "tornaram" chilenas, como Iquique e Arica, mas outras sempre continuaram peruanas no espírito. Tanto que, em plesbiscito na década de 1920, a cidade de Tacna votou para voltar a ser peruana, algo que ocorreu em seguida...

Os territórrios dos países antes (em cores) e depois (linhas pretas) da Guerra do Pacífco

Os territórrios dos países antes (em cores) e depois (linhas pretas) da Guerra do Pacífco


A consequência da guerra, vista aqui do futuro, não foi boa para ninguém. O Peru saiu humilhado e perdeu várias cidades, aparentemente para sempre. A Bolívia ficou enclausurada dentro do continente, condição de que não se conforma até hoje, mais de um século mais tarde. E o Chile, que durante pouco mais de meio século gozou das riquezas das terras conquistadas, vindas da exploração do salitre, hoje já não conta com essa receita, já que há muito não há mais sentido econômico nessa exploração. Ao mesmo tempo, endividou-se de tal maneira com a Inglaterra que passou por um longo período de dependência econômica da terra da rainha, condição que todos nós sabemos não é das melhores. Além disso, para evitar que a Argentina aderisse aos aliados na guerra, acabou desistindo de suas pretensões territóriais sobre boa parte da Patagônia, algo de que muito se arrepende hoje.

Enfim, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, mas com cicatrizes que perduram até hoje. Cicatrizes que nós, brasileiros, podemos estudar, tentar entender, mas realmente sentir, jamais. Pensamentos que passam pela cabeça enquanto um forte jato de água tira o sal da Fiona.

Chile, Iquique,

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Estreito de Magalhães, Reencontros e a Terra do Fogo

Chile, Punta Arenas, Porvenir

Nosso reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Nosso reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Para seguirmos de Punta Arenas para a Terra do Fogo, são duas opções: na primeira, precisamos dirigir para o nordeste por 170 km, contornando o Estreito de Magalhães até o ponto onde ele é mais estreito, apenas 2,5 km de largura, para aí cruzá-lo de balsa numa rápida travessia em direção à ilha. Na segunda, pegamos o barco em Punta Arenas mesmo para uma travessia de duas horas e meia até a pequena cidade de Porvenir, o maior povoado no lado chileno na Terra do Fogo.

Atravessando o Estreito de Magalhães, de Punta Arenas à terra do Fogo, no sul do Chile

Atravessando o Estreito de Magalhães, de Punta Arenas à terra do Fogo, no sul do Chile


Atravessando o Estreito de Magalhães, de Punta Arenas à terra do Fogo, no sul do Chile

Atravessando o Estreito de Magalhães, de Punta Arenas à terra do Fogo, no sul do Chile


Nossa escolha foi pela segunda opção já que quando formos deixar a Terra do Fogo em alguns dias, vamos seguir por essa rota do norte da ilha. Assim, conhecemos os dois lados dessa que é a maior ilha da América do Sul. Um grande barco para passageiros e veículos faz essa ligação (direto de Punta Arenas) uma vez ao dia, partindo logo após o almoço, embora devamos estar na fila bem antes disso, principalmente aqueles que forem embarcar veículos. Então, hoje de manhã ainda tivemos tempo de um bom café da manhã no nosso hotel, de passearmos um pouco mais pelas ruas centrais da cidade e depois, irmos esperar o embarque para cruzar o famoso Estreito de Magalhães.

Punta Arenas vista do barco que nos levava à Terra do Fogo, no sul do Chile

Punta Arenas vista do barco que nos levava à Terra do Fogo, no sul do Chile


A Fiona no ferry que nos leva de Punta Arenas à Terra do Fogo, no sul do Chile

A Fiona no ferry que nos leva de Punta Arenas à Terra do Fogo, no sul do Chile


Uma grande viagem como esta que estamos fazendo tem vários pontos altos. Por exemplo, o encontro com diferentes culturas ou a chance de ver e estar em paisagens naturais absolutamente deslumbrantes. Para mim, tão ligado em história e geografia, há também um outro tipo de experiência que chega a me emocionar. Estou falando em ver com os próprios olhos lugares que já conhecia desde a adolescência pelos livros do colégio, verdadeiros ícones geográficos ou históricos que agora ganham um sentido muito mais concreto, real, palpável. Navegar pelos rios Amazonas ou São Francisco, caminhar pelas ruínas maias ou incas, deslumbrar-se com paisagens fantásticas como o Grand Canyon ou a tundra canadense, tudo isso me traz de volta antigas páginas de livros que me encantavam na adolescência. A história do mundo ou a geografia da América, agora sim, fazem mais sentido do que nunca fizeram.

O Estreito de Magalhães, ao norte da Terra do Fogo e passando por Punta Arenas, e o Canal de Beagle, ao sul da ilha e passando por Ushuaia, duas das principais ligações entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A Passagem de Drake está mais ao sul

O Estreito de Magalhães, ao norte da Terra do Fogo e passando por Punta Arenas, e o Canal de Beagle, ao sul da ilha e passando por Ushuaia, duas das principais ligações entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A Passagem de Drake está mais ao sul


Foi exatamente esse o sentimento que tive ao cruzar hoje o Estreito de Magalhães. Com cerca de 570 km de extensão e apenas 2 km no seu trecho mais estreito, essa passagem natural que liga os dois maiores oceanos da Terra leva o nome de seu descobridor, o português Fernão de Magalhães que, trabalhando para a coroa espanhola, navegou por essas águas há quase cinco séculos, em Novembro de 1520. Esse intrépido navegador chefiava a expedição que foi a primeira a circunavegar o planeta, provando de uma vez por todas que a Terra era redonda. No seu caminho, talvez o maior obstáculo fosse justamente a América, praticamente fechando de norte a sul a passagem dos barcos.

Atravessando o Estreito de Magalhães, de Punta Arenas à terra do Fogo, no sul do Chile

Atravessando o Estreito de Magalhães, de Punta Arenas à terra do Fogo, no sul do Chile


Barco da travessia Punta Arenas - Terra do Fogo, no sul do Chile

Barco da travessia Punta Arenas - Terra do Fogo, no sul do Chile


Para as pessoas de hoje, acostumadas desde pequenas a ver mapas, globos e fotografias do espaço, é muito difícil imaginar um mundo em que, simplesmente, não se sabia o que havia do outro lado do mar. Os europeus do séc. XV não tinham ideia da existência do Oceano Pacífico. E olha que estamos falando do maior oceano da Terra! Para descobrir o Pacífico, os europeus tiveram primeiro de descobrir a América e depois, ao perceber que havia um outro oceano do lado de lá, tentavam desesperadamente encontrar uma forma de chegar a esse “novo” mar de barco. Era isso que procurava Fernão de Magalhães, assim como vários outros navegadores de seu tempo. As gigantescas bocas do rio Amazonas e Prata foram exploradas com esse intuito, mas até 1520 a passagem para o Oceano Pacífico continuava a eludir os exploradores.

No ferry entre Punta ARenas e Terra do Fogo, no sul do Chile, reencontro com o ciclista Pedro, que havíamos conhecido na Península Valdes

No ferry entre Punta ARenas e Terra do Fogo, no sul do Chile, reencontro com o ciclista Pedro, que havíamos conhecido na Península Valdes


Foi quando Fernão de Magalhães encontrou sua preciosa passagem secreta. Ao norte, as terras continentais da América; ao sul uma terra desconhecida de onde se via a fumaça de incontáveis fogueiras. Eram os indígenas locais tentando se aquecer e resistir ao clima rigoroso daquele lugar que o navegante português chamou de “Terra da Fumaça”. Foi apenas mais tarde que o nome foi mudado para o muito mais sonoro “Terra do Fogo”. Fernão de Magalhães não sabia que tratava-se apenas de uma ilha. Ele especulou que aquelas terras eram apenas parte de algo muito maior, a mítica “Terra Australis”.

Nosso primeiro dia na Terra do Fogo. Depois de atravessar de ferry de Punta Arenas para Porvenir, seguimos para a pinguinera na Baía Inútil, de lá para Cameron e fomos dormir em Russfin (170 km)

Nosso primeiro dia na Terra do Fogo. Depois de atravessar de ferry de Punta Arenas para Porvenir, seguimos para a pinguinera na Baía Inútil, de lá para Cameron e fomos dormir em Russfin (170 km)


Foi apenas um século mais tarde que navegantes holandeses determinaram que, sim, a Terra do Fogo era somente uma ilha. Aliás, a maior da América do Sul. Com 48 mil km2 de área, ela é só um pouco maior que a segunda na lista, a nossa Ilha de Marajó, com 40 mil km2. Se considerarmos toda a América, a Terra do Fogo fica atrás de Cuba, Hispaniola (Rep. Dominicana + Haiti), Newfoundland, no Canadá e quatro ilhas árticas também pertencentes ao Canadá. Outra curiosidade, é uma das três únicas ilhas do continente compartidas por duas nações, no caso, Argentina e Chile. As outras são Hispaniola e a pequena Saint Martin (França e Holanda). Pouco mais de 60% da ilha, sua parte ocidental, pertence ao Chile, e o restante, a parte oriental, à Argentina. A parte argentina é mais desenvolvida e onde estão os dois principais centros urbanos da Terra do Fogo, a famosa Ushuaia e a menos conhecida Rio Grande.

Estrada ao lado do Estreito de Magalhães, na Terra do Fogo, no sul do Chile

Estrada ao lado do Estreito de Magalhães, na Terra do Fogo, no sul do Chile


Estrada corta a Terra do Fogo, no sul do Chile

Estrada corta a Terra do Fogo, no sul do Chile


Mas, voltando às águas azuis do Estreito de Magalhães, essa foi a principal passagem entre os dois grandes oceanos até a abertura do canal do Panamá, no início do séc. XX. O outro canal aqui na região que rivaliza em fama com o Estreito de Magalhães é o Canal de Beagle, descoberto e explorado pelo famoso navio em que viajou Charles Darwin em 1830. Aliás, seu nome é uma referência ao próprio nome do navio. Ele passa ao sul da Terra do Fogo, é igualmente estreito, mas bem mais curto, com cerca de 200 km de extensão. As duas maiores cidades da região estão justamente ao longo dessas passagens, Punta Arenas às margens do Estreito de Magalhães e Ushuaia na orla do Canal de Beagle. Por causa do forte vento e também das marés, os navios grandes que cruzam de um oceano a outro aqui pelo sul da América preferem passar por um terceiro caminho, a notória Passagem de Drake, ainda mais ao sul. Apesar de ter sabidamente um dos mares mais violentos do planeta, ao menos aí há bastante espaço para se manobrar sem o perigo de ser jogado contra a costa.

Pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


A Fiona e outro carro expedicionário em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

A Fiona e outro carro expedicionário em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Placa informativa em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Placa informativa em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Pois bem, bastante coisa para eu pensar, refletir e me emocionar enquanto cruzava as águas do estreito. O barco é bem grande, muitos passageiros e carros, chance para ver TV, comer no restaurante ou ficar ali, no convés, admirando a história e geografia da região. Afinal, são mais de duas horas de viagem. Entre os carros viajando, alguns jipes de expedicionários como nós. E entre os passageiros, uma bela surpresa: o Pedro, o ciclista catarinense que havíamos conhecido na Península Valdes. Que mundo pequeno! Enquanto nós cruzamos para a patagônia andina, voltamos rapidamente para a Ilha do Mel e exploramos os parques nacionais Los Glaciares e Torres del Paine, ele enfrentou o forte vento frontal e lateral e pedalou 1.500 km pela ruta 3 até Punta Arenas. Agora, quis o destino, estávamos no mesmo barco em direção à Terra do Fogo, exatos 30 dias após nosso encontro em Puerto Piramides. Que incrível! São coincidências assim que ainda dão mais brilho às viagens.

Reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Observando pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Observando pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Já quase no meio da tarde, completamos nossa travessia e chegamos à pequena Porvenir. Com apenas 5 mil habitantes, a maioria deles descendentes de croatas e chilotas, é a maior cidade chilena na ilha. A cidade é fruto da corrida do ouro que ocorreu aqui no final do séc. XIX, atraindo imigrantes de longe. “Chilota” é o nome que se dá aos habitantes da ilha chilena de Chiloé (ainda vamos lá!), perto de Puerto Montt, 1.000 km ao sul de Santiago. Já os croatas, eram imigrantes que já haviam chegado a Buenos Aires quando as notícias do ouro chegaram à capital portenha. Eles, que já haviam vindo do outro lado do oceano, resolveram “esticar” mais um pouco. Quando o ouro acabou, muitos imigrantes partiram, mas alguns poucos se estabeleceram por aqui mesmo, principalmente nas fazendas de ovelhas.

Reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Foram essas duas atividades econômicas, o ouro e a exploração da lã, que enfim trouxeram colonizadores para essa região esquecida da América. Aqueles indígenas observados por Fernão de Magalhães em 1520 puderam passar outros três séculos em suas terras originais, vivendo como viveram seus antepassados e sem terem a concorrência do homem branco. A única tentativa de ocupação ocorreu em 1580 no povoado de Rey Felipe, do outro lado do canal, mas foi malsucedida. Em 1830 o Beagle passou por aqui e recolheu quatro indígenas que foram levados para a Europa, onde se encontraram com o rei da Inglaterra e viraram celebridades. Três deles retornaram na viagem seguinte do Beagle. Foram suas últimas décadas felizes. No final do século, com a chegada dos imigrantes, os nativos foram perseguidos e massacrados, em mais uma daquelas trágicas histórias de encontro de civilizações. Vou falar mais disso em algum próximo post...

Caminhando em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Caminhando em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Riona costa da Terra do Fogo, no sul do Chile

Riona costa da Terra do Fogo, no sul do Chile


Quando desembarcamos em Porvenir, pegamos logo a estrada de rípio (asfalto, só na parte argentina) rumo à nossa primeira atração: uma pinguinera. Não é uma pinguinera “qualquer”, parecida com tantas outras que existem perto de Punta Arenas ou na costa sul da Argentina. Essa é uma pinguinera de pinguins rei, aqueles com manchas amarelas que vimos tanto na Geórgia do Sul. Eles quase não são vistos tão perto da América do Sul, em lugares mais facilmente acessíveis. A gente estava curioso por revê-los e também por vê-los pela primeira vez em um ambiente tão diferente. Aqui, ao contrário do gelo e das rochas que preponderavam no ambiente da Geórgia do Sul, há uma grama alta, quase uma relva, além de um riacho de água doce.

Turistas observam pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Turistas observam pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Nosso reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Nosso reencontro com pinguins rei em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


A pinguinera fica na Bahia Inutil, nome dado no séc. XIX por um navegador inglês. Ele reclamou que ela não servia nem para ancorar um navio e nem como abrigo para tempestades. Enfim, uma baía inútil e o nome pegou. Os pinguins rei não concordam com ele e frequentam a área há milhares de anos. A prova disso são os fósseis. Não só dos pinguins, mas também de antigos habitantes indígenas que gostavam de comer os pinguins como sobremesa e que chegaram aqui há pelo menos 6 mil anos. O prato principal eram os guanacos, também muito comuns na Terra do Fogo. Com o desaparecimento desses indígenas no século passado, a preocupação dos pinguins passou a ser outra. Até o início da década de 90, era comum que visitantes os “raptassem” para levá-los para outros países. Com a criação do parque, eles estão, enfim, protegidos. Para nós, que vimos colônias com 200 mil casais dessas belas aves, ver algumas dezenas delas foi apenas “curioso”. Principalmente porque estavam no meio do verde e não do branco. Mas para quem vem aqui (a maioria das pessoas) e os vê pela primeira vez, o impacto é muito maior. Pudemos perceber isso bem nos semblantes das outras poucas pessoas que estavam visitando o parque, um casal de expedicionários e dois chilenos.

Fim de tarde em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Fim de tarde em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Fim de tarde em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Fim de tarde em pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile


Nós ficamos até a hora em que a luz ficou bem legal para fotografar. Ou seja, quase nove da noite. Depois, saímos em disparada, pois ainda precisávamos encontrar lugar para dormir, coisa bem rara nessa metade ocidental da Terra do Fogo. Como disse, as estradas são todas de rípio e a paisagem lembra muito a das estepes patagônicas. Lindo e grandioso, mas já quase não tínhamos luz para fotografar. Passamos por uma árvore completamente torta pelo vento (que reina absoluto nessas planícies intermináveis), um dos cartões postais da Terra do Fogo chilena, mas a pressa para chegar a algum lugar era tão grande que nem nos detivemos para fotografá-la. A foto que aparece nesse post é dos nossos amigos Tina e Marco, os suiços que repartiram o contêiner conosco na travessia da América Central para a Colômbia. Eles passaram por esse mesmo lugar alguns poucos dias depois de nós. Nesse caso, o destino não quis que nos reencontrássemos...

Uma das casas de Cameron, pequeno povoado na Terra do Fogo, no sul do Chile

Uma das casas de Cameron, pequeno povoado na Terra do Fogo, no sul do Chile


A famosa árvore torta pelo vento, um dos símbolos da Terra do Fogo, no sul do Chile. Quando passamos por aí, já não havia luz. Essa foto foi tirada dias depois pelos nossos amigos suiços, Marco e Tina

A famosa árvore torta pelo vento, um dos símbolos da Terra do Fogo, no sul do Chile. Quando passamos por aí, já não havia luz. Essa foto foi tirada dias depois pelos nossos amigos suiços, Marco e Tina


Enfim, seguimos até Cameron, a segunda maior cidade chilena da ilha, com não mais que uma centena de habitantes. Mas não havia hospedaria. Seguimos então para o vasto interior da Terra do Fogo, dezenas de quilômetros sem encontrar alma viva, pelo mesmo alma humana. Mesmo com a preocupação de encontrar lugar para dormir antes que a noite chegasse, a sensação de liberdade de estar naquele lugar tão isolado era incrível. E assim, distraídos com esse deleite de comunhão com a natureza, eis que chegamos a Russfin, uma fazenda transformada em pousada. No meio do nada. Não poderíamos esperar coisa melhor! Ainda descolamos um jantar e uma enriquecedora conversa com pescadores de mosca chilenos, os únicos outros hóspedes do local. Absolutamente sensacional! A Terra do Fogo nos acolhia de forma inesquecível na nossa primeira noite por aqui!

Feli com a beleza do fim de tarde em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Feli com a beleza do fim de tarde em uma pinguinera na Terra do Fogo, no sul do Chile

Chile, Punta Arenas, Porvenir, história, Cameron, geografia, Estreito de Magalhães, Terra do Fogo, Russfin

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A Intensa Córdoba

Argentina, Córdoba

Plaza San Martín, centro de Córdoba, na Argentina

Plaza San Martín, centro de Córdoba, na Argentina


Na manhã do dia 24 deixamos a tranquila San Marcos Sierras rumo à capital da província e segunda maior cidade do país. Com quase 1,5 milhões de habitantes, Córdoba tem ares de metrópole, história de metrópole e arquitetura de metrópole, embora seu imponente centro histórico possa ser conhecido a pé, em um passeio de um dia (sem contar tempos de visitas aos inúmeros museus, claro!).

Plaza San Martín, centro de Córdoba, na Argentina

Plaza San Martín, centro de Córdoba, na Argentina


Iglesia del Sagrado Corazón - Padres Capuchinos, em Córdoba, na Argentina

Iglesia del Sagrado Corazón - Padres Capuchinos, em Córdoba, na Argentina


Nós não fizemos os 160 km que separam a pequena cidade da grande metrópole diretamente. No meio do caminho estava a casa da Cristina e do Anibal, os pais da nossa amiga Marianela, que havíamos conhecido há poucos dias lá em San Juan. Eles nos tinham convidado para visitá-los e, promessa feita, promessa cumprida! Passamos uma deliciosa tarde de chás e conversas com eles, assunto que vou tratar no próximo post, quando for falar do período mais triste e trágico da história recente argentina, que os dois viveram na pele.

Café da manhã na casa da mãe do Jorge, em Córdoba, na Argentina

Café da manhã na casa da mãe do Jorge, em Córdoba, na Argentina


Com a irmã e sobrinha do Jorge, na casa deles em Córdoba, na Argentina

Com a irmã e sobrinha do Jorge, na casa deles em Córdoba, na Argentina


Enfim, já quase escurecia quando chegamos à Córdoba. Aí, seguimos diretamente para a casa da família do Jorge, um outro amigo que fizemos nesses 1000dias. Ele, junto com a sua querida namorada Belen, viajaram por toda a América Latina com um lindo projeto de fazer as pessoas rirem, principalmente as crianças. Os dois são artistas, fazem teatro de marionetes e levavam ou viajavam em seu palco ambulante: um autêntico Citroen 2CV, um dos mais tradicionais carros argentinos. Nós os conhecemos em Playa del Carmén, no México (veja o post aqui) e, desde então, mantemos algum contato pela internet. Eles já estavam de volta da viagem há algum tempo e, ao saber que passaríamos por perto, nos convidaram para ficar com eles.

Junto com o Jorge e seu possante veículo, que o levou até o México! (em Córdoba, na Argentina)

Junto com o Jorge e seu possante veículo, que o levou até o México! (em Córdoba, na Argentina)


Despedida de nosso amigo Jorge e sua família, em frente a sua casa em Córdoba, na Argentina

Despedida de nosso amigo Jorge e sua família, em frente a sua casa em Córdoba, na Argentina


O Jorge voltou a morar na casa da sua mãe e foi aí que nos receberam, toda a família, com muito carinho. Por aqui passamos duas noites, sempre uma delícia trocar um hotel por um lar, o que nos fazer sentir mais perto de casa. Por mais que estejamos acostumados com a rotina de viagem e de hotéis, nada substitui a convivência familiar. Até as pequenas coisas, como pedir uma pizza para comer em casa, todo mundo junto, como foi nosso primeiro jantar em Córdoba na casa deles. Só para jogar conversa fora, botar o papo em dia e falar de planos futuros. Muito joia!

Iglesia del Sagrado Corazón - Padres Capuchinos, em Córdoba, na Argentina

Iglesia del Sagrado Corazón - Padres Capuchinos, em Córdoba, na Argentina


Hoje pela manhã, enquanto os dois foram trabalhar, nós fomos com a Fiona para o centro da cidade, para ver de perto a mais bem conservada arquitetura colonial do país. Combinamos que, de noite, depois do trabalho, eles nos levariam para sentirmos um gostinho da afamada night cordobense.

A Catedral de Córdoba, na Argentina

A Catedral de Córdoba, na Argentina


Interior da Catedral de Córdoba, na Argentina

Interior da Catedral de Córdoba, na Argentina


Então, tratamos de encontrar um estacionamento no centro para começar a gastar sola de sapato. Córdoba foi fundada no final do séc. XVI e logo se tornou um importante centro na rota que unia a Argentina com o Peru, passando por Potosi. Como já disse em outro post, todo o comércio das colônias sul-americanas com a Espanha era centralizado em Lima. Assim, se esquecermos o contrabando (que não era pouco!), tudo o que se produzia em terras portenhas viajava no lombo de burro através do continente, passando por cidades como Córdoba.

O Cabildo, ou prefeitura de Córdoba, na Argentina

O Cabildo, ou prefeitura de Córdoba, na Argentina


Pátio interno do Cabildo de Córdoba, na Argentina

Pátio interno do Cabildo de Córdoba, na Argentina


Outro grande impulso à vida da cidade foi a chegada dos Jesuítas, já no início do séc. XVII. A mais importante ordem religiosa daqueles tempos transformou Córdoba em sua capital nessa parte do mundo, fundando, organizando e controlando todas suas missões religiosas a partir daqui. Na própria cidade, tinham uma área só para eles, a famosa “Manzana Jesuítica”, uma das principais atrações turísticas da cidade nos dias de hoje. Aí tinham sua bela igreja, seus colégios e até a primeira universidade do país e a terceira do continente.

Manzana Jesuítica, em Córdoba, na Argentina

Manzana Jesuítica, em Córdoba, na Argentina


O belo interior da igreja do sagrado Coração de Jesus, em Córdoba, na Argentina

O belo interior da igreja do sagrado Coração de Jesus, em Córdoba, na Argentina


Falando em universidades, Córdoba sempre se destacou pela vida estudantil, hoje sede de inúmeras outras universidades onde estudam milhares de pessoas. E vida estudantil, todos sabem, é sempre sinônimo de muita agitação. Agitação cultural e política! Por isso a cidade tem tantos bares, teatros, museus e restaurantes. E por isso também sempre foi palco de manifestações e movimentos que mudariam a cara do país. Como no caso da reforma universitária no início do séc. XX, ou do movimento que derrubou Perón na década de 50, ou do movimento que o trouxe de volta no início da década de 70, o famoso “Cordobazo”. Foi por isso também que Córdoba (e seus estudantes!) foi uma das cidades que mais sofreu com a repressão violenta do período militar do final da década de 70.

Caminhando em rua comercial de Córdoba, na Argentina

Caminhando em rua comercial de Córdoba, na Argentina


Propaganda de bar em Córdoba, na Argentina

Propaganda de bar em Córdoba, na Argentina


Bom, foi isso que fizemos durante todo o dia de hoje: caminhar pelas ruas e história da cidade. O cuidado era só não conseguir um belo torcicolo, de tanto olhar para cima, para admirar a arquitetura monumental dos prédios e fachadas.

O cachorro não parece muito preocupado com o ônibus do city-tour de Córdoba, na Argentina

O cachorro não parece muito preocupado com o ônibus do city-tour de Córdoba, na Argentina


Na Plaza San Martín, centro da cidade, destacam-se o Cabildo e a Catedral. Os dois prédios demoraram quase 200 anos para serem construídos, entre os sécs. XVI e XVIII e merecem ser vistos, por fora e por dentro! Aliás, a catedral certamente se destaca mais pelo seu belo interior enquanto, no Cabildo, o que chama a atenção são os seus arcos de pedra.

Manifestações de rua, muito comuns na Argentina de hoje (em Córdoba)

Manifestações de rua, muito comuns na Argentina de hoje (em Córdoba)


A mais bela igreja, entre tantas que que há, é a do sagrado Coração, dos irmãos Capuchinos. Arquitetura gótica, cheia de torres bem pontudas que parecem querer cortar o céu. Foi aí do lado, no Paseo Bom Pastor que presenciamos uma das mais curiosas cenas do dia, uma excursão de freiras bem animadas que queria ver e fotografar tudo virando, elas mesmas, alvo de fotografias!

Freiras posam para foto em Córdoba, na Argentina

Freiras posam para foto em Córdoba, na Argentina


Placa informativa sobre a terrível história da Passagem Santa Catalina, em Córdoba, na Argentina

Placa informativa sobre a terrível história da Passagem Santa Catalina, em Córdoba, na Argentina


Nosso último programa no centro, além de um delicioso almoço em um dos cafés da cidade, foi visitar a “Pasaje Santa Catalina”. Apesar do nome tão simpático, a história é pesadíssima por aí. Era onde se puniam escravos e indígenas que se revoltavam e onde estava a delegacia da cidade. O que nos atraiu foi um museu que homenageia as vítimas da repressão dos anos 70. Como já disse antes, esse será o assunto do próximo post...

O famoso Palacio Ferreyra, em Córdoba, na Argentina

O famoso Palacio Ferreyra, em Córdoba, na Argentina


Museu de Bellas Artes, em Córdoba, na Argentina

Museu de Bellas Artes, em Córdoba, na Argentina


Ao lado do centro e ainda bem perto para podermos caminhar até lá está o bairro de Nova Córdoba, construído no início do século passado para abrigar a nascente burguesia. Lá está o belíssimo museu de Bellas Artes e o Palacio Ferreyra, uma enorme mansão que simboliza o glamour daquela época. Também aí está o principal parque da cidade, com jardins verdes por onde correm e passeiam as pessoas que querem fugir do caos urbano. Foi o que fizemos também, descansando e respirando o ar puro do Parque Sarmiento, antes de voltar para a Fiona e irmos encontrar o Jorge e a Belen.

Passeando no Parque Sarmiento, o principal de Córdoba, na Argentina

Passeando no Parque Sarmiento, o principal de Córdoba, na Argentina


Paseo Bom Pastor, em Córdoba, na Argentina

Paseo Bom Pastor, em Córdoba, na Argentina


De noite, voltamos todos juntos para o centro da cidade, mas tivemos a honra de vir no valente Flecha Negra, o carrinho que os levou até o México. Eles nos levaram até uma vizinhança lotada de bares e escolhemos um para tomarmos nossa cervejas e continuarmos a conversa da noite anterior. Assunto inesgotável, claro! Só que eles tinham de trabalhar no dia seguinte, então voltamos para casa ainda em horário civilizado, enquanto a cidade ainda fervia de movimento. Córdoba não tem força econômica de Rosário, a terceira maior cidade do país, mas sua força cultural é imbatível.

Com a Belen, prontas para sair na noite de Córdoba, na Argentina

Com a Belen, prontas para sair na noite de Córdoba, na Argentina


Com nossos amigos Jorge e Belen, na agitada noite de Córdoba, na Argentina

Com nossos amigos Jorge e Belen, na agitada noite de Córdoba, na Argentina


No dia 26, pela manhã, era hora de continuarmos nossa viagem. Despedimo-nos mais uma vez dos nossos amigos e da amável família que nos recebeu tão bem. Estávamos com baterias carregadas e prontos para enfrentar os hotéis novamente. Se bem que, para o dia de hoje, era mais um amigo que nos esperava!

Com nossos amigos Jorge e Belen, na agitada noite de Córdoba, na Argentina

Com nossos amigos Jorge e Belen, na agitada noite de Córdoba, na Argentina

Argentina, Córdoba, Arquitetura

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Atravessando o País

Guatemala, Antigua, Cobán

A magnífica paisagem do interior da Guatemala no caminho para Cobán

A magnífica paisagem do interior da Guatemala no caminho para Cobán


Dia de botar o pé na estrada, após três noites em Antigua. Nosso rumo é o norte, até a maravilha natural de Semuc Champey. Para isso a rota “normal” seria voltar para a Cidade da Guatemala e de lá pegar a estrada para Cobán. Digo “normal” porque esse é o caminho das autoestradas e por onde seguem as vans com turistas. Mas, se olharmos no mapa, fica claro que estamos dando uma volta maior e não tomando a rota direta.

A maior e mais profunda travessia de rio feita pela Fiona até agora, no caminho para Cobán, na Guatemala

A maior e mais profunda travessia de rio feita pela Fiona até agora, no caminho para Cobán, na Guatemala


Estando de Fiona, resolvemos ignorar a tal rota “normal”, a mesma aconselhada pelo nosso GPS e seguir mesmo por dentro, cortando o país e deixando as autoestradas de lado.

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala


O lado bom da escolha foi ver um outro lado da Guatemala. Passamos por dentro de diversas cidades não turísticas, pelo meio de feiras movimentadas e ruas apertadas. Atravessamos paisagens lindíssimas, subindo e descendo vales e seguindo pela cristas de cadeias montanhosas. Cortamos fazendas de café e, por estradas de terra, trechos curvilíneos descendo encostas íngremes com verdadeiros penhascos logo ali do lado. Frio na barriga gostoso!

A Fiona vai fazendo ondas na travessia de rio no caminho para Cobán, na Guatemala

A Fiona vai fazendo ondas na travessia de rio no caminho para Cobán, na Guatemala


O lado ruim foram trechos de estradas esburacados. Ou então, uma sucessão infindável de “túmulos” (o modo como chamam quebra-molas aqui), de se perder a paciência. Com isso, o tempo de viagem aumentou e como não tínhamos saído cedo (pra variar!), ficou meio tarde para chegarmos ao destino final. Resolvemos então ficar em Cobán, a metrópole regional do departamento de Alto Verapaz, onde está Semuc Champey. O problema é que o único hotel que gostamos de lá estava lotado.

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala


Mas não perdemos a viagem! O restaurante do hotel era ótimo, o El Bistro, de comida alemã. Pois é, até a 2ª Guerra Mundial a região tinha forte colonização alemã e muitos dos costumes ficaram. O engraçado era ver o pessoal que trabalhava lá, bem guatemaltecos, mas com roupa típica alemã, até o chapéu! Os alemães mais indígenas que já vi! Muito simpáticos, até indicaram um lugar para ficarmos, na pequena San Pedro Charchá, 6 km à frente, já no nosso caminho de amanhã.

A ponte levada pelas chuvas no caminho para Cobán, na Guatemala

A ponte levada pelas chuvas no caminho para Cobán, na Guatemala


Digno de nota na viagem de hoje foi a maior e mais profunda travessia de rio que a Fiona já enfrentou. Após uns 30 km de estradas de terra chegamos a um rio onde a ponte tinha caído há mais de um ano, numa grande cheia. Carros altos e tracionados podem passar pelo rio mesmo, num percurso de uns cem metros. Uma pessoa vai à frente, de guia, mostrando o melhor caminho. Confesso que quando vi a água passar sobre a cintura dele, fiquei meio preocupado. Mas, já estávamos na água, e quem está na água é para se molhar! A Fiona enfrentou o rio valentemente, água quase no meio das portas, mas não entrou nem uma gota na cabine. Mais uma lembrança que guardaremos para sempre dessa linda e querida Guatemala.

Aqui é possível perceber a estrada pelo rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Aqui é possível perceber a estrada pelo rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Guatemala, Antigua, Cobán, viagem

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Manaus, o Perrengue e os Jipeiros

Brasil, Amazonas, Manaus

O famoso Teatro Amazonas. Estamos mesmo de volta a Manaus, a capital do estado

O famoso Teatro Amazonas. Estamos mesmo de volta a Manaus, a capital do estado


Acordamos hoje já na encruzilhada dos rios Negro e Solimões que, juntos, formam o gigantesco Amazonas. O barco fez a curva por aqui, subiu um pouco o rio Negro e aportou em Manaus. Ainda era madrugada e nós passamos mais umas duas horas nas nossas redes, esperando o dia clarear de vez. Finalmente, recolhemos nossas coisas, dobramos as redes e descemos para terra firme. Estávamos de volta ao porto de Manaus, depois de 26 meses!

Dormindo no barco até que amanhecesse em Manaus, no Amazonas

Dormindo no barco até que amanhecesse em Manaus, no Amazonas


Chegada a Manaus, no Amazonas

Chegada a Manaus, no Amazonas


Logo numa primeira vista, ainda lá no porto, já deu para ver que coisas importantes aconteceram por aqui nesse período. Para começar, a gigantesca ponte que atravessa o Rio Negro está pronta. Da outra vez, ainda não havia sido inaugurada. Cedinho, com a luz do sol batendo em cheio, estava bem bonita. Não resistimos a umas fotos! A outra era a famosa placa que marca a altura de todas as cheias anuais do Rio Negro. Lá estava a marcação da cheia de 2012, recorde absoluto! Não estava aqui da outra vez, pois ainda era 2011...

Chegada a Manaus, no Amazonas. Ao fundo, a enorme ponte que cruza o Rio Negro

Chegada a Manaus, no Amazonas. Ao fundo, a enorme ponte que cruza o Rio Negro


Quadro com a marca das cheias do rio, no porto de Manaus, no Amazonas. O recorde foi quebrado em 2012!

Quadro com a marca das cheias do rio, no porto de Manaus, no Amazonas. O recorde foi quebrado em 2012!


Saímos do porto e a nossa primeira missão era resgatar a Fiona, lá no estacionamento do aeroporto. Com tempo de sobra e querendo economizar alguns reais, tratamos de nos informar qual ônibus nos levaria até lá. Como hoje é domingo, são menos ônibus circulando e o que vai ao aeroporto é bem raro. Acabamos pegando um que nos deixaria nas imediações. Não demorou muito e lá estávamos nós. Mas, “imediações” é modo de falar, pois ele nos deixou a dois quilômetros do lugar...

Prédio histórico em Manaus, no Amazonas

Prédio histórico em Manaus, no Amazonas


Para quem acha que nossa viagem é só alegria, aqui vai a história de um perrengue. Lá estávamos nós parados num ponto de ônibus no fim do mundo, sem muita esperança de que passasse algum logo por ali. Resolvi fazer um pouco de exercício e deixei a Ana por lá, com as malas, e fui correndo para o aeroporto. Mesmo de papete e sol quente na cabeça, não demoro mais de 15 minutos para fazer essa distância, os pouco mais de 2 quilômetros. Dito e feito: bem suado, passo pela nossa querida Fiona no estacionamento, verifico que ela está em ordem e vou pagar a fatura para tirá-la de lá. Primeira surpresa: só aceitam pagamento em dinheiro. Meus cem reais na carteira não são suficientes para a semana que ela ficou lá...

O famoso Teatro Amazonas. Estamos mesmo de volta a Manaus, a capital do estado

O famoso Teatro Amazonas. Estamos mesmo de volta a Manaus, a capital do estado


Vou aos caixas eletrônicos e, segunda surpresa, a porcaria do Itaú está fora do ar. Os outros três caixas por lá não aceitam meu cartão e nem o cartão de crédito. Procuro uma bendita loja no aeroporto que possa trocar dinheiro pelo cartão de crédito. Todos os funcionários dizem que, infelizmente, seus chefes não permitem. Não tem remédio, tenho de pegar um táxi e ir buscar a Ana que a essa altura, já deve estar bem preocupada com a demora.

Tempos movimentados no Brasil! (em Manaus, no Amazonas)

Tempos movimentados no Brasil! (em Manaus, no Amazonas)


Pois é, estava mesmo. Agora, pelo menos, estamos os dois juntos. Os dois juntos e sem dinheiro. O táxi tem de nos levar até a cidade, onde há caixas eletrônicos que funcionam. Aí, retiramos o bendito dinheiro e voltamos para o aeroporto. Resultado da brincadeira do táxi, corrida pelo preço oficial da tabela, ida e volta para a cidade: 108 reais. E não tem choro ou gritaria que resolva. Preço padrão, sem chance de negociação, já que não depende do motorista, mas da empresa. Mas nos oferecem uma vantagem: podemos pagar com cartão! A vontade, é claro, é mandar enfiar o cartão, com todo o respeito, naquele lugar. No balcão do estacionamento, agora com dinheiro, a vontade é a mesma também. E no balcão de reclamações da Infraero, uma vez mais. Ali, deixamos a sugestão de que, quem sabe, para a Copa do Mundo, não seria uma boa ideia que cartões de crédito e débito fossem aceitos num aeroporto que vai receber gente do mundo inteiro...

Delicioso café da manhã tradicional em feira de Manaus, no Amazonas

Delicioso café da manhã tradicional em feira de Manaus, no Amazonas


Enfim, perrengues acontecem. Até mesmo numa viagem dos sonhos. O ar condicionado da Fiona nos ajuda a esfriar a cabeça e voltamos ao centro da cidade, para encontrar um hotel. Encontramos um delicioso, um boutique hotel a uma quadra da praça onde está o Teatro Amazonas. Um achado, e com ótimo preço. Da outra vez que estivemos em Manaus, ela ainda não havia sido inaugurado (outra coisa que mudou!) e, dessa vez, viemos direto para cá! Muito bem instalados e já relaxados, pudemos ir aproveitar essa bela cidade.

Deliciosa tapioca com tacumá e queijo coalho, em Manaus, no Amazonas

Deliciosa tapioca com tacumá e queijo coalho, em Manaus, no Amazonas


Deliciosa tapioca com tacumá e queijo coalho, em Manaus, no Amazonas

Deliciosa tapioca com tacumá e queijo coalho, em Manaus, no Amazonas


Começamos com um passeio pela praça e ao redor do famosos teatro e seguimos para a feirinha tradicional de domingo. Especial para comer um típico café da manhã amazonense: tapioca com queijo coalho e Tucumã, uma fruta local. Uma delícia! Tão boa que mereceu repeteco! Acompanhado de suco de fruta fresca, era como se começássemos o dia novamente, agora com o pé direito.

Café da manhã na feira, em Manaus, no Amazonas

Café da manhã na feira, em Manaus, no Amazonas


Depois de mais umas voltas caminhando, entramos em contato com o Claudionor, do jipe clube da cidade. Quem tinha nos passado o contato dele foi o Ricardo, lá de Boa Vista, Roraima. Queríamos encontrar com ele para falar das condições da estrada que liga Manaus a Porto Velho, considerada uma das piores do Brasil. Nós queremos (e vamos!) ir para a Rondônia, mas como chegar lá com a Fiona tem sido nossa maior preocupação nessas últimas semanas, já que o caminho e as rotas são uma incógnita.

Propaganda dos benefícios do guaraná, em feira em Manaus, no Amazonas

Propaganda dos benefícios do guaraná, em feira em Manaus, no Amazonas


Em teoria, existe uma estrada. Até o início da década de 80, passava até ônibus por lá. Mas a estrada acabou, virou coisa de jipeiro. Tentamos a todo custo descobrir o estado atual dela pela internet, mas as informações são muito desencontradas. Sem essa estrada, a alternativa é botar a Fiona numa balsa e subir o Rio Madeira. Mas todo o processo pode demorar até 10 dias! Não temos todo esse tempo, já que temos encontro marcado com um amigo em Cusco, que é nosso próximo destino depois de Rondônia, via Acre. Outra alternativa é levar a Fiona até Santarém, seguir até Cuiabá na péssima estrada que liga as duas cidades e seguir para Porto Velho. Uma volta dos diabos! Enfim, temos mesmo é de enfrentar e passar por essa misteriosa estrada que segue diretamente para Porto Velho, aqui de Manaus. Por isso, queríamos falar com os jipeiros daqui.

Jantas com integrantes do jipe clube de Manus, no Amazonas

Jantas com integrantes do jipe clube de Manus, no Amazonas


O Claudionor nos atendeu super bem, fez festa ao telefone e logo organizou um encontro numa pizzaria, não só conosco mas com vários outros integrantes do jipe clube. De noite, veio nos encontrar no hotel e fomos seguindo ele até o restaurante. Foi um encontro joia, muita gente, muitas perguntas, muitas histórias. Todo mundo querendo saber da nossa viagem e nós querendo saber da bendita estrada. Alguns dos jipeiros já tinham feito ele por inteiro e nos deram todas as dicas. Melhor, disseram que passaríamos com certeza! Tiramos um baita peso da cabeça e finalmente ficamos seguros do caminho a seguir.

Caloroso encontro  com integrantes do jipe clube de Manus, no Amazonas

Caloroso encontro com integrantes do jipe clube de Manus, no Amazonas


Enfim, o dia que começou meio complicado terminou em pizza e festa, a Fiona o centro das atenções. Muito obrigado a todos os novos amigos de Manaus. Pela pizza e pelas dicas. BR-319, aí vamos nós! Três dias de aventura em plena selva amazônica, mas levamos comida para uma semana, just in case... Se não dermos notícias em cinco dias, nossos amigos daqui se comunicam com o jipe clube de Porto Velho e organizam um resgate, uns saindo daqui, outros de lá e nos encontram em algum lugar. Vamos que vamos!

Com o Claudionor, do jipe clube de Manaus, no Amazonas

Com o Claudionor, do jipe clube de Manaus, no Amazonas

Brasil, Amazonas, Manaus,

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Nossa Rotina em Mamirauá

Brasil, Amazonas, Tefé, Mamirauá

Mesmo com a manhã chuvosa, pronta para mais um dia de explorações na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Mesmo com a manhã chuvosa, pronta para mais um dia de explorações na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


Na chegada ao aeroporto de Tefé, a principal cidade no Médio Solimões, oeste do Amazonas, lá estava o pessoal da Pousada Uacari para nos receber. Não somente a nós, mas aos outros turistas que chegavam para a temporada de 5 dias na reserva. A Pousada Uacari trabalha com pacotes que incluem pensão completa. Pode ser de dois dias (fim de semana), cinco dias (segunda a sexta) e uma semana (de segunda a domingo). Boa parte dos visitantes chega à região de avião, é pega no aeroporto e transferida para o porto da cidade, de onde segue de voadeira para a pousada, a cerca de uma hora de distância.

Em Tefé, pronto para seguir para a Reserva de Mamirauá, no Amazonas

Em Tefé, pronto para seguir para a Reserva de Mamirauá, no Amazonas


A caminho da Reserva de Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

A caminho da Reserva de Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


A única outra alternativa é chegar em Tefé de barco, já que não há estradas que liguem a cidade ao resto do país. Quando chegamos ao porto, transferidos do aeroporto, encontramos alguns turistas que tinham optado por esse caminho. Essa foi a nossa opção para o final da temporada, na sexta-feira, quando desceremos o Rio Solimões por quase dois dias, confortavelmente instalados em alguma rede no convés de um dos muitos barcos que fazem esse percurso.

Porto de Tefé, no Amazonas

Porto de Tefé, no Amazonas


Tranporte de passageiros no rio Solimões, na região de Tefé, no Amazonas

Tranporte de passageiros no rio Solimões, na região de Tefé, no Amazonas


Agora com todo o grupo reunido, seguimos na canoa motorizada até a pousada, localizada nos meandros de rios e “lagos” entre o Rio Solimões e Rio Japurá, que se encontram justamente em Tefé. Após muitas curvas de um rio todo ladeado por uma floresta exuberante, avistamos as casas da pousada, erguidas sobre grandes troncos amarrados entre si e à borda do rio. Isso mesmo, a Pousada Uacari é flutuante! Uma ótima ideia em uma região onde o nível das águas varia mais de dez metros entre o inverno e o verão e que, durante o período de cheia, não possui um mísero centímetro quadrado de terra firme.

A bela Pousada Uacari, em plena Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

A bela Pousada Uacari, em plena Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


Nosso quarto na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Nosso quarto na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


Depois de todos instalados em seus confortáveis quartos, hora para um briefing sobre como funciona a pousada e sobre como será nossa rotina ao longo dos próximos dias. O café é sempre servido bem cedo, para que logo estejamos todos a bordo de pequenas canoas à remo ou motorizadas para o passeio da manhã. Voltamos para um pequeno descanso na pousada e em seguida é servido o almoço, sempre com comida típica da região. Pausa para a merecida siesta e, no meio da tarde, mais uma oportunidade de passeio pelos rios e floresta alagada de Mamirauá. No final do dia, nos espera o jantar e, para quem ainda estiver com pique, a possibilidade de assistir a alguma palestras ou filmes.

Delicioso café da manhã na Pousada Uacari, na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas

Delicioso café da manhã na Pousada Uacari, na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas


Um saboroso almoço na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Um saboroso almoço na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


Nessa época do ano, com os rios cheios, os passeios são todos fluviais. Não há nenhuma chance de fazer alguma trilha, já que ninguém aprendeu a caminhar sobre a água. Os passeios na água podem ser feitos de duas maneiras: em um grupo grande, nas canoas motorizadas, ou em dupla, acompanhado de um guia, em canoas a remo. As canoas motorizadas são usadas para nos levar a distâncias maiores, como às comunidades ribeirinhas ou a um lago nas proximidades. Quando saímos nelas, ficamos apenas nas águas abertas, rios ou lagos, observando a floresta de longe. Já quando saímos nas pequenas canoas a remo, ficamos por perto mesmo, mas é quando temos a chance de entrar dentro da floresta alagada e por ela navegar, chegando mais perto do que nunca da flora e fauna local.

A 'frota' de barcos da Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

A "frota" de barcos da Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


Entrando de canoa na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Entrando de canoa na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


As noites, como já disse, eram devotadas a documentários e palestras. Assistimos uma sobre a Amazônia e outra sobre a própria Reserva do Mamirauá, contando a história, características geográficas e informações sobre fauna e flora. Muito interessante. Mas a que mais nos empolgou foi uma palestra sobre as onças pintadas do parque, dada pelo maior especialista no assunto que, para nossa sorte, estava esses dias por lá. Nós, que estamos procurando esse animal por todo o continente (e ainda não achamos...) ficamos vidrados! Aí aprendemos como a onça se adapta a um ambiente sem terra firme, caminhando apenas sobre árvores a aproveitando-se do fato que é excelente nadadora. Que animal formidável! No futuro, com a ajuda de radio-transmissores, o plano é implantar um turismo por aqui especialmente voltado para o avistamento desses felinos furtivos. Já vi tudo: vamos ter de voltar!

Palestra de recepção na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Palestra de recepção na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


Palestra sobre a região amazônica, na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, egião de Tefé, no Amazonas

Palestra sobre a região amazônica, na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, egião de Tefé, no Amazonas


Enfim, ficamos muito bem instalados nesses cinco dias por aqui. Os quartos tem varandas com redes de onde admiramos o rio e floresta à nossa frente. A sensação de contato com a natureza, mesmo sem sair da pousada, é enorme. Afinal, estamos cercados de sons e cheiros da floresta o tempo todo. No céu, pássaros passam todo o tempo. Ao longe, macacos gritam. E, das palafitas e pontes que ligam as construções da pousada, podemos admirar visitantes inofensivos, como sapos ou caranguejos fluviais, e aqueles nem tão amistosos, como os jacarés que adoram descansar sob a construção da cozinha. Todas as noites, nova sessão de fotos, para alegria dos turistas presentes.

De noite, um sapo vem nos visitar na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

De noite, um sapo vem nos visitar na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


De noire, um jacaré descansa sob uma das construções da Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

De noire, um jacaré descansa sob uma das construções da Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Melhor que isso, só ver a chuva cair, do conforto dos nossos quartos, varandas ou do restaurante. Água caindo sobre água, seguida pelo sol e pelos cantos da floresta, natureza no seu estado mais puro. Foi atrás disso que viemos, aqui em Mamirauá. E foi o que achamos...

A varanda do nosso delicioso quarto na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

A varanda do nosso delicioso quarto na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Brasil, Amazonas, Tefé, Mamirauá, Parque, Bichos

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Seismiles

Chile, Copiapo, La Serena

Chegando ao Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Chegando ao Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


A noite foi gelada nos mais de 3,5 mil metros de altitude do Salar de Maricunga, onde está o posto da polícia fronteiriça chilena, local onde dormimos. Na verdade, dentro do nosso quarto ao lado da máquina de raio X, estava bem quentinho, graças ao aquecedor gentilmente emprestado pelo oficial. Mas para a Fiona, que ficou ao relento, deve ter sido dureza! Tanto que não foi fácil despertá-la pela manhã. A gente tinha deixado ela virada para o sol e, hoje cedo, após algum tempo se esquentando, ela finalmente deu partida. Difícil também foi abrir a porta do bagageiro, do lado de trás. A fechadura tinha congelado! Mas com jeitinho, tudo se acerta...

Deixando a alfãndega chilena no Paso San Francisco, a caminho do Parque Nevado Tres Cruces, região de Copiapo

Deixando a alfãndega chilena no Paso San Francisco, a caminho do Parque Nevado Tres Cruces, região de Copiapo


Atravessando o Salar Maricunga, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Atravessando o Salar Maricunga, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Nós arrumamos o nosso “quarto”, recolhemos os colchões e cobertores emprestados e deixamos tudo pronto para que o posto fronteiriço voltasse a funcionar normalmente. Afinal, os primeiros viajantes já deveriam estar chegando e não iria ficar bem se nos vissem de pijamas circulando por ali. Empacotamos nossas bagagens, carimbamos nossos passaportes, fizemos os papéis da Fiona e seguimos viagem. Em direção a Fiambalá, na Argentina...



Não, não tinha dado nada errado! Não estávamos voltando para a terra dos hermanos. Na verdade, só pegamos a estrada de volta por uns dez quilômetros, até o entroncamento com uma pequena rota alternativa, que cruzava o Parque Nacional Nevado de Tres Cruces. É um caminho chamado “Circuito Seismiles” e que acaba encontrando com a estrada principal pouco mais de 100 quilômetros adiante, rumo a Copiapó, a maior cidade dessa região chilena.

Rota cruza o deserto de altitude entre os vários picos com mais de 6 mil metros de altura, na região do Paso San Francisco, entre Chile e Argentina

Rota cruza o deserto de altitude entre os vários picos com mais de 6 mil metros de altura, na região do Paso San Francisco, entre Chile e Argentina


Tripé para fotografar o deserto e as paisagens do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Tripé para fotografar o deserto e as paisagens do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Nossa ideia era conhecer esse parque de montanhas gigantes e que dão nome ao circuito. A razão é simples: várias delas tem mais de 6 mil metros de altitude, inclusive aquela que dá nome ao próprio parque, o Nevado Tres Cruces, com 6.749 metros. Mais alto que ela, só o Ojos del Salado, com seus 6.864 metros. Além disso, tem também as irmãs menores, o Incahuasi (6.640 m), o San Francisco (6.016 m), o El Muerto (6.488 m) e o Cerro El Toro (6.168 m), sem contar as montanhas que ficam na faixa dos 5 mil metros. Enfim, um verdadeiro paraíso para alpinistas, escaladores ou admiradores de montanhas. Imagina só: no meio desses gigantes, mais de três quilômetros abaixo, uma pequena e rústica estrada para carros tracionados. Que beleza!!!

Pose para foto ao lado do Ojos del Salado, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Pose para foto ao lado do Ojos del Salado, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


O grandioso Ojos del Salado, segunda maior montanha do continente no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

O grandioso Ojos del Salado, segunda maior montanha do continente no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Hoje o dia estava bem mais claro que a tarde de ontem e assim pudemos admirar o Ojos del Salado em todo o seu esplendor. Uma montanha magnífica, o mais alto vulcão ativo do mundo. Limpo como estava hoje, até parece que poderíamos subi-lo. Doce ilusão! Além de ter de esperar mais alguns meses, é preciso planejar muito bem essa subida: comida, guia, uma semana de aclimatação e muita paciência e determinação. Hoje, o que pudemos fazer foi admirá-lo respeitosamente de longe e apenas sonhar com o cume. Algum dia...

Apontando o Ojos del Salado, segunda mais alta montanha das Américas, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Apontando o Ojos del Salado, segunda mais alta montanha das Américas, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Fiona prepara-se para subir montanha no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Fiona prepara-se para subir montanha no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Bom, já que não podíamos subir montanhas a pé, resolvemos subir uma com a Fiona! Percebemos rastros de carro que subiam um promontório ao lado da Laguna Santa Rosa, conhecida pelos seus belos flamingos e, se eles podiam, nossa Fiona também poderia! Dito e feito, chegamos lá em cima e ficamos extasiados com a vista, não só da Laguna e seus pássaros, mas de toda a região ao redor. Aí ficamos por uma boa hora, tirando fotos e simplesmente admirando aquele belo mundo ao nosso redor, tão diferente do que temos visto pelos últimos meses. Essa região andina é mesmo especial.

Fiona sobe montanha no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Fiona sobe montanha no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Fiona sobe montanha no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Fiona sobe montanha no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Depois da contemplação, descemos de carro para a orla da Laguna, para podermos chegar mais perto dos flamingos que se esbaldavam em suas águas. Temos encontrado esses pássaros em diversos lugares do continente, mas foi aqui que, sem dúvida, tiramos as mais belas fotos dessas magníficas aves, seja voando e plainando sobre a lagoa, seja confraternizando entre amigos. Foi inesquecível!

O vasto Salar Maricunga, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

O vasto Salar Maricunga, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


O magnífico cenário do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

O magnífico cenário do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


A grandiosidade do Salar Maricunga e do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

A grandiosidade do Salar Maricunga e do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Além dos flamingos, encontramos também um zorro, nome dado por aqui à nossa raposa. Bem destemida, ela se aproximou bastante de nós, certamente em busca de alguma comida. Deve ser acostumada aos turistas que passam por ali. Há um refúgio ao lado da Laguna Santa Rosa, um ponto de apoio para aqueles viajantes mais intrépidos que percorrem as trilhas do parque. Para quem não tem medo de altitude (e de frio!), deve ser um lugar maravilhoso para se caminhar durante alguns dias.

Ao longe, flamingos na Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Ao longe, flamingos na Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Flamingo sobrevoa a Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Flamingo sobrevoa a Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Aproveitamos ao máximo o momento, mas precisávamos seguir em frente. A estrada vale abaixo começou meio escabrosa, um estreito ziguezague serpenteando uma encosta inclinada. Aos poucos, ficou um pouco mais tranquila e pudemos admirar as gigantescas dunas de areia que nos cercavam. Por fim, as vicunhas sumiram e apareceram os primeiros burricos, sinal inequívoco que já havíamos baixado bastante e chegado perto da civilização. Com efeito, logo após os burricos apareceram os primeiros casebres, famílias pioneiras colonizando aquela paisagem ainda pouco hospitaleira. Outra meia hora e o rio já estava mais caudaloso, sustentando uma vegetação mais viçosa. As casas já pareciam mais bem cuidadas e confortáveis.

A belíssima Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

A belíssima Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Admirando as paisagens maravilhosas do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Admirando as paisagens maravilhosas do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Por fim, deixamos aquele estranho mundo da altitude para trás e chegamos à estrada principal novamente, aqui embaixo já asfaltada. Sim, era mesmo a civilização, com seus caminhões e sinais de trânsito. Copiapó era logo ali. Vinte e cinco meses depois do imaginado, chegávamos a esta cidade chilena. Bem na hora de um almoço tardio em um agradável restaurante da praça principal.

Os flamingos da Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Os flamingos da Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Os flamingos da Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Os flamingos da Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Flamingo dá m rasante na Lagoa Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Flamingo dá m rasante na Lagoa Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Depois de atravessar aquele mundo quase deserto nos últimos dois dias, foi estranho dirigirmos nas ruas movimentadas de uma cidade, pedestres e carros disputando um espaço apertado. Quase um choque. Procurar um lugar para estacionar? Que estranho! Enfim, o almoço nos trouxe de volta ao planeta Terra.

Em meio às montanhas, a Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Em meio às montanhas, a Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Admirando a Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Admirando a Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Admirando a Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Admirando a Laguna Santa Rosa, no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Depois de fazer a digestão caminhando pela praça, fizemos as contas e decidimos que ainda tínhamos tempo de seguir viagem, recuperando o dia a mais que havíamos levado na travessia do Paso San Francisco. Nada como mudar de planos todos os dias. Uma das vantagens de uma viagem de carro onde nunca reservamos hotéis. O dia é cada vez mais longo aqui no hemisfério sul, tanto pelo avançar da estação como pelo aumento da latitude. Uma ótima pedida para pegar estrada. Assim, demos uma esticada até La Serena, já no litoral do Pacífico.

Um zorro (raposa) chega perto de nós no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Um zorro (raposa) chega perto de nós no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Um zorro (raposa) chega perto de nós no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Um zorro (raposa) chega perto de nós no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Chegamos lá de noite, mas o barulho do mar foi animador. A última vez nesse oceano havia sido lá na América Central. Estávamos com saudades! Achamos um hotel e fomos ver o mar mais de perto. Antes disso, enquanto eu pagava a conta, a Ana descarregou nossa bagagem, coisa que normalmente não fazemos. O usual, para paradas mais curtas, é apenas levar nossas mochilas menores, com uma muda de roupa, bolsa de toalete e eletrônicos. Ainda não sabíamos, mas essa ação dela nos pouparia um aborrecimento ainda maior no dia seguinte.

Aviso de descida íngrime (descida dos Andes!) no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Aviso de descida íngrime (descida dos Andes!) no Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Burros vivem no deserto do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Burros vivem no deserto do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Depois, um jantar já bem perto da praia, respirando a brisa marinha. Depois de passarmos perto dos 5 mil metros, aquele ar nos enchia de oxigênio. Vamos estar próximos do mar pelas próximas semanas e isso é sempre alentador. Fomos dormir cedo pois o dia havia sido longo e o de amanhã também prometia. Mais do que imaginávamos...

Já na descida dos Andes, a Fiona atravessa os desertos do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Já na descida dos Andes, a Fiona atravessa os desertos do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile


Já na descida dos Andes, a Fiona atravessa os desertos do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Já na descida dos Andes, a Fiona atravessa os desertos do Parque Nacional Nevado Tres Cruces, região do Paso San Francisco, próximo à Copiapo, no Chile

Chile, Copiapo, La Serena, Montanha, Lagoa, Paso San Francisco, Estrada, Andes, Ojos del Salado

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Temporada de Fazenda

Brasil, São Paulo, Ribeirão Preto

Balde de goiabada na fazenda em Ribeirão Preto - SP

Balde de goiabada na fazenda em Ribeirão Preto - SP


Hoje completamos cinco dias de Ribeirão, divididos entre a casa dos meus pais na cidade e a fazenda da família, a 20 km da cidade. Dormimos primeiro na cidade, embora boa parte do dia passássemos na fazenda. Depois, a gente se mudou de mala e cuia para lá, para melhor aproveitar o céu estreladíssimo e os barulhos noturnos do campo. Hoje voltamos para cá, já que pretendemos partir amanhã cedo para Delfinópolis.

Grupo caminhando na na fazenda em Ribeirão Preto - SP

Grupo caminhando na na fazenda em Ribeirão Preto - SP


Os dias na fazenda foram muito tranquilos e saudáveis. Fizemos várias caminhadas rurais em estradas de terra através de plantações de cana e campos arados, aproveitando os dias lindos já que o sol e o calor dominaram a semana. Que diferença da chuva e frio de Curitiba! Além das caminhadas, também fiz várias corridas no fim de tarde. Com a luz do pôr-do-sol a paisagem ficava ainda mais bela. A região tem o relevo todo ondulado com colinas e planícies que possibilitam ver longe. Ao contrário das montanhas de Minas, aqui toda a terra é arada e plantada. Nos dias de hoje, o plantio de cana é totalmente soberano, mas também pode se ver milho, café e outras culturas. De longe, é tudo um tapete com várias tonalidades de verde e também o marrom quase vermelho das terras aradas. Também há matas que cercam os riachos da região, além de colunas de árvores que seguem as estradas de terra por onde passam os enormes treminhões carregados de cana de açúcar.

Com cavalos na fazenda em Ribeirão Preto - SP

Com cavalos na fazenda em Ribeirão Preto - SP


Na quarta fizemos um grande passeio à cavalo. Fazia alguns anos que eu não cavalgava tanto. Pude experimentar novamente o inesquecível sentimento de liberdade de galopar e sentir o vento no rosto e o cheiro da terra, tudo sob um belíssimo céu de fim de tarde.

Caminhando entre açudes na fazenda em Ribeirão Preto - SP

Caminhando entre açudes na fazenda em Ribeirão Preto - SP


Todos os dias nadávamos no açude e também na piscina. Por fim, um banho no tradicional chuveirão, o mesmo que o meu avô já se refrescava há mais de 50 anos.

Com os sobrinhos na fazenda em Ribeirão Preto - SP

Com os sobrinhos na fazenda em Ribeirão Preto - SP


Muito gostoso também foi o convívio familiar. Pais, irmãos, sobrinhos, tios, primos, filhos de primos, todos passando a tradicional temporada de Julho na fazenda. Na hora das refeições é sempre aquela confusão engraçada e calorosa, todo mundo sob o mesmo teto, diversas conversas cruzando entre si, mas todos se entendendo. Esses momentos sempre foram um dos pontos altos da temporada anual de encontro familiar rural.

Jantar na fazenda em Ribeirão Preto - SP

Jantar na fazenda em Ribeirão Preto - SP


O susto desses dias foi a Bebel, uma das quase sobrinhas (filha de primo) que foi atingida por um coice de cavalo e foi parar no hospital. No final, felizmente, tudo terminou bem, exceto pelo roxo na perna e os pontos na cabeça. Mas esses sinais vão logo sumir também. Mas ficou o ensinamento que a vida na fazenda também tem seus perigos...

Fazenda bem movimentada em Ribeirão Preto - SP

Fazenda bem movimentada em Ribeirão Preto - SP


A rica vida rural desses dias acabou não deixando muito tempo para a cidade. Um chopp com o Guto, Sôssa, Leo e Karen na quarta e uma balada de virar a noite na sexta, com o Haroldo, Marcos e Guto. A balada foi em honra da Ana que já não aguentava mais dormir antes das duas da manhã. Por isso, esticamos até o cachorro-quente depois das cinco. O dia raiava quando fomos todos deitar, já de barriga cheia. Com isso, cumpri minha obrigação de marido, pelo menos por 15 dias. Acho que é esse o combinado...

Cachorro-quente às cinco da manhã em Ribeirão Preto - SP

Cachorro-quente às cinco da manhã em Ribeirão Preto - SP

Brasil, São Paulo, Ribeirão Preto,

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No Verde Sertão de Quixadá

Brasil, Ceará, Quixadá

Pedra da Galinha Choca e Açude do Cedro, em Quixadá, no sertão do Ceará

Pedra da Galinha Choca e Açude do Cedro, em Quixadá, no sertão do Ceará


Mais uma vez, deixamos o litoral para trás rumo ao sertão que aprendemos a amar durante esta viagem. O destino, dessa vez, era Quixadá, no "árido" interior cearense. Árido? Que nada! Verdinho da Silva! Na verdade, em todas as nossas andanças pelos sertões de todos os estados do nordeste, com exceção do Maranhão, onde não estivemos ainda, mal vimos a "caatinga" no seu sentido literal (mata branca). Muito pelo contrário, estava sempre verdinha. Aqui e acolá, vimos um pouquinho de secura, mas isso foi a exceção. E assim foi no Ceará!

Planície sertaneja verdinha, vista do alto da Pedra dos Ventos, em Quixadá, no sertão do Ceará

Planície sertaneja verdinha, vista do alto da Pedra dos Ventos, em Quixadá, no sertão do Ceará


A razão da nosso ida à Quixadá não foi seguir o Nando Reis, que seguiu para lá depois de Canoa Quebrada, para nova apresentação. Essa foi uma coicidência de roteiros para a alegria da Ana. Na verdade, fomos atrás das montanhas da região, enormes monolitos que parecem brotar do solo, prontos para desafiar escaladores e poetas. Mais uma vez, fomos comprovar que o sertão vai muito além daquela imagem errônea que nós temos no sul de que é tudo um deserto feio e monótono, infinitas planícies permanentemente castigadas pela seca, habitadas por gente pobre, eterno fluxo de migrantes para o sul.

Autofoto no alto da Pedra dos Ventos, em Quixadá, no sertão do Ceará

Autofoto no alto da Pedra dos Ventos, em Quixadá, no sertão do Ceará


Ao contrário, sua gente é bonita e orgulhosa das belezas de sua terra. Com certeza, acostumados à uma vida dura de eterna luta com os rigores da natureza, mas felizes com as alegrias que esta mesma terra difícil lhes traz.

Quixadá, no sertão do Ceará, em meio a rochas e montanhas

Quixadá, no sertão do Ceará, em meio a rochas e montanhas


Quixadá está encravada no meio desses monolitos. A primeira imagem, ainda de longe, parece um cartão postal. Verde como está, agora, fica mais bonita ainda. Difícil se imaginar em pleno sertão! A gente se instalou no belo hotel Pedra do Vento, no alto de uma encosta na montanha de mesmo nome. A altitude empresta um ar serrano. No jantar, a Ana até estava usando casaco! Que delícia! Ar puro e fresco de montanha, depois de tanto tempo!

Açude do Cedro, o primeiro do Brasil, em Quixadá, no sertão do Ceará

Açude do Cedro, o primeiro do Brasil, em Quixadá, no sertão do Ceará


Também é na cidade que se encontra o Açude do Cedro, mandado construir por D. Pedro II, mas terminado apenas nos primeiros anos do séc XX. Foi o primeiro açude de grande porte no Brasil e a primeira obra para combater a seca no nordeste. Ele se abastece apenas com água da chuva!

A barragem do Cedro, em Quixadá, no sertão do Ceará

A barragem do Cedro, em Quixadá, no sertão do Ceará


Falando em chuva, ela não faltou hoje! Tanta chuva que até desistimos do repeteco do show do Nando Reis. Preferimos descansar no hotel para nos preparar para as andanças e explorações do dia seguinte. Até uma escalada, da Pedra da Galinha Choca, estava prometida!

Chuva no sertão de Quixadá, Ceará

Chuva no sertão de Quixadá, Ceará

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