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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Aconcágua 99: Preparativos e Aclimatação

Argentina, Aconcágua, Mendoza

A luz de fim de tarde ilumina a face noroeste do Aconcágua entre nuvens, visto a partir dos 5 mil metros de altitude do Pico do Bonete, em frente à montanha, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

A luz de fim de tarde ilumina a face noroeste do Aconcágua entre nuvens, visto a partir dos 5 mil metros de altitude do Pico do Bonete, em frente à montanha, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)



Nós não subimos o Aconcágua durante os 1000dias. Esse post conta a história de minha outra viagem para cá, no final de 1998, início de 1999. Como não tivemos tempo de tentar subir a montanha dessa vez, achei interessante contar como foi chegar ao ponto mais alto das Américas, mesmo que tendo sido em outra viagem. A história virá em duas partes, com fotos da época. Meu companheiro daquela vez foi o Haroldo, um primo que também esteve conosco em diversas oportunidades durante os 1000dias. A última, quando subimos o vulcão Villarrica, conforme relatado nesse post

O ano de 1998, para mim, foi de altos e baixos. Ou, para ser mais exato, de baixos e altos. Cronologicamente, foi assim que funcionou, em sentido figurado e no literal também. Comecei o ano perdendo o emprego e o chão. Terminei o ano no meio de uma fantástica viagem que me levou pelos quatro cantos do mundo. Entre tantos lugares visitados, fui do ponto mais baixo da Terra, o Mar Morto, a 427 metros abaixo do nível do mar, ao ponto mais alto das Américas, o cume do Aconcágua, a 6.962 metros de altitude. Como disse, baixos e altos...

Mapa 3D da região do Aconcágua, na Argentina. Aí percebe´se claramente que a trilha se divide em Confluencia, à direita seguindo para Plaza Francia (nosso caminho de agora) e à esquerda para Plaza de Mulas (caminho que fiz em 1999)

Mapa 3D da região do Aconcágua, na Argentina. Aí percebe´se claramente que a trilha se divide em Confluencia, à direita seguindo para Plaza Francia (nosso caminho de agora) e à esquerda para Plaza de Mulas (caminho que fiz em 1999)


Mapa de trilhas e altitudes da região do Aconcágua, a maior montanha das Américas, nos Andes argentinos. Nós caminhamos de Horcones até Confluencia no 1o dia. No 2o dia, fomos até Plaza Francia, em frente à Parede Sul e retornamos à Confluencia. No 3o dia

Mapa de trilhas e altitudes da região do Aconcágua, a maior montanha das Américas, nos Andes argentinos. Nós caminhamos de Horcones até Confluencia no 1o dia. No 2o dia, fomos até Plaza Francia, em frente à Parede Sul e retornamos à Confluencia. No 3o dia


A crise econômica mundial causada pelo colapso da moeda da Tailândia, no final de 97, atingiu o Brasil com violência. Muitas empresas financeiras quebraram, inclusive aquela em que eu havia trabalhado por 3 anos. Fiquei sem emprego, mas com boas economias guardadas. Por algum tempo, fiquei na grande dúvida entre aplicar esse dinheiro em um MBA no exterior (cheguei a fazer provas e quase enviei as applications) ou dar uma bela de uma volta ao mundo. O sangue português dos grandes descobrimentos falou mais alto e optei pela segunda opção. Europa, Oceania, Ásia e norte da África, tudo isso em oito meses. O natal de 98 foi passado em Belém, cidade onde nasceu e cresceu Jesus, em Israel. No auge da détente entre israelenses e palestinos, Yasser Arafat passou a poucos metros de mim e outro bando de turistas. Poucos dias antes, eu havia visitado e nadado no Mar Morto, um antigo sonho de criança. Agora, meu objetivo era outro, quase inverso. Já há alguns meses, vinha combinando com um primo de nos encontrarmos na Argentina para subir o Aconcágua, a montanha que havíamos visto tão rapidamente sete anos antes, quando viajamos por Argentina e Chile. Daquela vez, só o vimos da janela do ônibus que nos levava de Mendoza a Santiago. Mas foi o bastante para nos prometermos voltar algum dia. Esse dia havia chegado!

Preenchendo papéis e registros na entrada do Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Preenchendo papéis e registros na entrada do Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Com o Haroldo, entrando no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Com o Haroldo, entrando no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


O Haroldo, meu primo, já havia passado seu mês de férias viajando comigo na Nova Zelândia. Foi em Abril de 98. Agora, oito meses mais tarde, em 28 de Dezembro, a gente se reencontrava no aeroporto de Buenos Aires. Ele trazia cerca de 60 kg de bagagem do Brasil. Não só suas roupas e equipamentos para subir o Aconcágua, mas também boa parte dos meus. Afinal, eu não andava pelo mundo carregando esse peso todo. Ele também trazia uma parte da comida que levaríamos à montanha, aquela mais rica em energia, como frutas secas, chocolates e leite em pó. O resto, como macarrão e sopa, compramos juntos em Mendoza, para onde voamos, já reunidos, no mesmo dia. Foi em Mendoza também que alugamos nossas botas duplas e grampões, essenciais para enfrentar o frio e o gelo nas altas altitudes. Barraca e sacos de dormir também haviam sido trazidos pelo Haroldo. Por fim, em Mendoza pagamos pelo “permiso” para subir a montanha (na época, uns 70 dólares. Hoje, o preço é quase dez vezes maior!), compramos nossas passagens de ônibus para Puente del Inca (onde começava a caminhada) e contratamos mulas para levar boa parte do peso da nossa bagagem até Plaza de Mulas, o campo base para se subir o Aconcágua pela rota normal.

Perfil da caminhada até Plaza de Mulas, campo base para a rota normal de ascenso do Aconcágua, nos Andes argentinos, região de Mendoza

Perfil da caminhada até Plaza de Mulas, campo base para a rota normal de ascenso do Aconcágua, nos Andes argentinos, região de Mendoza


Nós iríamos tentar o Aconcágua sem guias ou expedição organizada. Naquela época, isso era mais comum, embora já houvesse muitas expedições comerciais também. Nos últimos quinze anos, agências que oferecem esse serviço se multiplicaram e eu diria que hoje, a maioria das pessoas que tenta o Aconcágua está nesses grupos. Outra coisa que mudou foram os preços e as regras, tudo bem mais controlado. O aumento de preço veio para controlar a quantidade de acessos que aumentava sem parar. Tudo bastante concentrado nos meses entre Dezembro e Fevereiro, quando as condições climáticas na região são mais amenas. Naqule ano, foram cerca de 4 mil pessoas. Esse número chegou a dobrar até 2010, mas o aumento de preços funcionou. Agora, na temporada 2013/14, foram pouco mais de 5 mil pessoas. O “permiso” é mais caro para quem vai sem grupo organizado, um estímulo para que se siga com agências e guias. A razão disso é a segurança, guias experientes sabem cuidar melhor de nós do que nós próprios, especialmente em uma região onde o tempo muda tão rapidamente e que eles conhecem muito melhor do que nós. Além disso, agora, em cada acampamento, precisamos nos registrar e fazer exames médicos. Pessoas continuam a morrer no Aconcágua, mas tenho certeza que seria muito pior sem essas novas regulações.

Cruzando o rio Horcones a caminho de Confluencia, o primeiro acampamento na trilha normal do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Cruzando o rio Horcones a caminho de Confluencia, o primeiro acampamento na trilha normal do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Com o Haroldo, prontos para iniciar a caminhada rumo a Confluencia e Plaza de Mulas, no parque do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Com o Haroldo, prontos para iniciar a caminhada rumo a Confluencia e Plaza de Mulas, no parque do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Bom, seja pela aventura, pelo preço ou pela liberdade, eu e o Haroldo, naquela época, preferimos ir sozinhos. Lemos tudo o que pudemos sobre a montanha, conversamos com pessoas que já haviam estado lá e montamos nosso plano de ataque. Como estávamos sós, tínhamos a liberdade de mudar esses planos conforme íamos subindo a montanha e nos aclimatando, de acordo com nosso cansaço, adaptação à altitude, estado de ânimo e condições meteorológicas na montanha. De maneira geral, tudo isso concorreu para que acelerássemos nossos planos iniciais. Nossa adaptação foi mais rápida do que havíamos imaginado e não queríamos perder as chances de bom tempo que o Aconcágua estava nos fornecendo.

Primeiro dia de caminhada, quase chegando em Confluencia, no parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Primeiro dia de caminhada, quase chegando em Confluencia, no parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Nós havíamos feito todas as compras e burocracias na tarde do dia 28, em Mendoza. No dia 29, bem cedo, embarcamos para Puente del Inca, onde chegamos perto do meio dia. Aí encontramos nossa mula que seguiria, numa grande tropa, diretamente para Plaza de Mulas. Fizemos a divisão de bagagens e ficamos apenas com a barraca, sacos de dormir, um pouco de roupa e comida. O grosso seguiu com ela. Despachada a mula, caminhamos uns quatro quilômetros até a entrada do parque e outros dois até o posto de guarda-parques. Já estávamos ganhando altitude! Dos 2.800 metros de Puente del Inca até quase os 3 mil do posto de entrada da trilha, onde fizemos nossas últimas burocracias. Dia de céu azul, a tarde apenas começando, estávamos ansiosos para, finalmente botar o pé na trilha de verdade. E assim foi, viemos caminhando tranquilamente pelo vale do rio Horcones, esse mesmo trecho que eu e a Ana fizemos agora em 2014, até Confluencia. A diferença é que Confluencia era um pouco mais adiante, depois que as trilhas para Plaza Francia e Plaza de Mulas de dividem, logo após cruzarmos o rio Horcones novamente, agora para a margem esquerda de quem está subindo. A trilha havia sido tranquila e nós, agora, já estávamos acima dos 3.400 metros de altitude. Armamos nossa barraca, lanchamos e combatemos a dor de cabeça que se iniciava com dois excedrins cada um. Na época, não tínhamos neosaldina!

Acampado em Confluencia, a caminho de Plaza de Mulas e do Aconcágua, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Acampado em Confluencia, a caminho de Plaza de Mulas e do Aconcágua, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Acampamento de Confluencia, a caminho de Plaza de Mulas e do Aconcágua, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Acampamento de Confluencia, a caminho de Plaza de Mulas e do Aconcágua, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


No dia seguinte, véspera de réveillon, seguimos em frente. Muita gente, já naqueles dias, preferia passar duas noites em Confluencia para ajudar no processo de aclimatação. Aproveitavam para fazer um bate-volta e ir conhecer Plaza Francia. Foi o que não fizemos e só agora, 15 anos mais tarde, é que tive a chance de chegar perto da majestosa face sul do Aconcágua e sua temida parede de mais de dois quilômetros de altura. Nós estávamos era com pressa de chegar em Plaza de Mulas e ver de perto o que nos esperava, a rota normal em direção a Nido de Condores, Berlin e o cume do Aconcágua. Esse segundo dia de caminhada é mais longo que o primeiro e mais chato também. Atravessamos a chamada “Playa Ancha”, um interminável vale formado pelo leito quase seco do rio Horcones, chão formado por pedras e mais pedras que requerem concentração par não cair. Além disso, temos de cruzar riachos o tempo todo. Vamos ganhando altura bem lentamente até que damos de cara com a “Encosta Brava”. O nome já dá uma pista do que se trata. Uma pirambeira que vamos vencendo com muita determinação e ziguezagues. Lá no alto, já estamos a 4.300 metros de altitude. De um lado, ao pé da montanha, o acampamento de Plaza de Mulas, já com algumas dezenas de barracas. Do outro, uns 25 minutos de caminhada, o Hotel Refugio, mais refúgio do que hotel, mas considerado o hotel mais alto do mundo. Para ele seguimos, pois nossa ideia era armar nossa barraca ali do lado.

Acampado ao lado do refúgio em Plaza de Mulas, 4.300 metros de altitude, aos pés do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Acampado ao lado do refúgio em Plaza de Mulas, 4.300 metros de altitude, aos pés do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


O refúgio em Plaza de Mulas, o hotel mais alto do mundo, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

O refúgio em Plaza de Mulas, o hotel mais alto do mundo, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Estar perto do hotel fazia parte da nossa estratégia para conquistar a montanha. A melhor maneira de adaptar nosso organismo às grandes altitudes é fazer a tática do sobe-desce. Subimos cada vez mais altos para nosso corpo tomar contato com o ar rarefeito e descemos em seguida para descansar em lugares mais baixos. Com isso o organismo começa a se adaptar biologicamente, por exemplo, começando a produzir mais glóbulos vermelhos para carregar com mais eficiência o oxigênio cada vez mais escasso. Em algum momento da nossa programação, devemos subir até um ponto mais alto, armar nossa barraca por lá e descer para ganhar energias para o ataque final. Depois, subimos novamente, agora com muito menos peso, pois a barraca já está no alto. Dormimos uma noite por lá e atacamos o cume. Estratégia perfeita, mas requer duas barracas, pelo menos para os dias em que a barraca estiver armada no alto e nós estivermos mais abaixo. Duas barracas ou uma barraca e um hotel! Bingo! Para quem vai de expedição paga, essa logística não é preocupação. Jamais vai ter de carregar barraca e sempre haverá alguma lhe esperando quando chegar em qualquer acampamento. Para quem vai sozinho como nós, ou carrega a barraca o tempo todo, ou leva duas barracas, ou conta com um hotel. Foi a nossa opção! Então, ainda em Mendoza, já compramos 3 noites de hotel e várias refeições. Por isso, além de ter de carregar menos comida aqui para cima, como éramos clientes deles, poderíamos usar o tempo todo suas instalações. Isso incluía a cozinha coletiva, as mesas do restaurante e o delicioso salão aquecido com um fogareiro. Foi aí que jogamos incontáveis partidas de crapô, um jogo de cartas, para passar o tempo. Também nos divertíamos na mesa de ping-pong, conhecíamos outras pessoas e, se pagássemos 10 dólares, tínhamos até direito a um rápido banho quente. Pequenos confortos como esses nos recompõe a energia e ajudam muito no desafio de subir a montanha.

Rumo ao Pico do Bonete, atravessando os gelos penitentes, nossa primeira caminhada de aclimatação na regiaõ de Plaza de Mulas, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Rumo ao Pico do Bonete, atravessando os gelos penitentes, nossa primeira caminhada de aclimatação na regiaõ de Plaza de Mulas, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Rumo ao Pico do Bonete, atravessando os gelos penitentes, nossa primeira caminhada de aclimatação na regiaõ de Plaza de Mulas, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Rumo ao Pico do Bonete, atravessando os gelos penitentes, nossa primeira caminhada de aclimatação na regiaõ de Plaza de Mulas, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Agora em 2014, descobrimos que esse hotel-refúgio foi desativado há alguns anos. Uma pena, pois a energia lá era muito boa, um pouco de conforto a 4.300 metros de altitude. Não tem preço! Em compensação, grandes agências montam seus próprios pequenos hotéis, sob lona, tanto em Plaza de Mulas como em Confluencia. Com chuveiro, cozinha e restaurante. Mas duvido que seja como era o hotel-refúgio. Espero, sinceramente, que ele seja reaberto nos próximos anos. Aparentemente, foi até dilapidado pelo último concessionário e a falta de manutenção vem mostrando seus efeitos. Mas a estrutura ainda está lá e um pequeno investimento o recuperaria. Ainda bem que não o vi nesse estado e minhas memórias são daquela doce temporada de 98/99.

Um pouco acima dos 5 mil metros, no cume do Pico do Bonete, na nossa primeira caminhada de aclimatação na região de Plaza de Mulas, parque do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Um pouco acima dos 5 mil metros, no cume do Pico do Bonete, na nossa primeira caminhada de aclimatação na região de Plaza de Mulas, parque do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Pois então, chegamos até ele, armamos nossa barraca e começamos a usufruir da mordomia, principalmente do calor acolhedor do fogareiro. A noite foi fria na barraca, mas tínhamos roupas o suficiente, nossa bagagem trazida pela mula já nos esperava por lá. Nem precisei tomar excedrin para dormir, mas o Haroldo tomou os seus. Na manhã do dia 31, acordamos bem e queríamos dar prosseguimento ao nosso processo de aclimatização. Para isso, precisávamos caminhar. A escolha óbvia, o que quase todos ali fazem, era subir em direção a Nido de Condores, o próximo acampamento no caminho até o cume. Nós conseguíamos ver a trilha de longe subindo a encosta do Aconcágua. Era amedrontadora, não por ser perigosa, mas pelo tamanho inacabável da tal encosta. Um infinito ziguezague segue encosta acima, as pessoas quase sumindo na distância, apenas pequenos pontinhos que mais pareciam formigas se movendo em câmara lenta. Saber que teríamos de subir aquela encosta várias vezes nos dava preguiça só de pensar. Saímos dos 4.350 metros de Plaza de Mulas para subir até os 5.550 metros de Nido. Tudo isso em um só ziguezague. É massacrante, só de ver.

Festa de reveillon no refúgio em Plaza de Mulas, o hotel mais alto do mundo, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Festa de reveillon no refúgio em Plaza de Mulas, o hotel mais alto do mundo, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Foi quando o Eduardo apareceu para nos salvar. Ele era a pessoas que estava tomando conta do hotel-refúgio naquela temporada e conhecia muito bem a região. Sugeriu que subíssemos outra montanha, para variar. O Pico do Bonete tem 5.100 metros de altura e fica atrás do refúgio e de frente para o Aconcágua. Pode-se caminhar até lá em cima, trilha razoavelmente bem marcada. Uma opção muito melhor que a encosta para Nido. Prontamente compramos a ideia e fomos para lá no início da tarde, com a ideia de voltar assim que ficássemos demasiado cansados ou que a dor de cabeça atrapalhasse. Mas, na verdade, não foi assim. Mal demos os primeiros passos e já resolvemos tomar nosso excedrin. Dor de cabeça, ninguém merece! Um pouco mais adiante, cruzamos com os gelos penitentes, uma das marcas registradas dessa região. São pequenas torres de gelo que parecem caminhar em uma procissão, em fila indiana. Daí o nome, “penitentes”. São uma pequena geleira e podemos caminhar entre eles. Esses que vimos não eram grandes, dois metros no máximo, mas em outros lugares eles podem ficar bem maiores. Mais uma hora de caminhada e chegamos ao pé da montanha. Depois, foi só subir, subir e subir. No fim da tarde, cheguei ao cume, feliz. De volta aos 5 mil metros, uma marca bem importante nesse nosso caminho para o topo do Aconcágua, quase dois quilômetros mais alto. O Haroldo chegou um pouco depois, quando o tempo já tinha fechado. Nossa primeira nevasca nas alturas. Bom para testar nossas roupas! Quando começamos a descer, o tempo voltou a abrir e o Aconcágua, grandioso e magnâmico, apareceu na nossa frente. Que lindo! Difícil acreditar que poderíamos chegar lá no alto daquele gigante!

Trilha, pontos de parada e altitudes no caminho entre Plaza de Mulas e o cume do Aconcágua, na Argentina. Nós atacamos o cume desde Nido de Condores

Trilha, pontos de parada e altitudes no caminho entre Plaza de Mulas e o cume do Aconcágua, na Argentina. Nós atacamos o cume desde Nido de Condores


Um ótimo último dia do ano para nós, mas ele ainda não havia acabado e iria melhorar. O hotel organizou um grande churrasco-festa de réveillon e a gente se esbaldou! Que privilégio, passar a última noite do ano naquele lugar, naquela altitude e com aquela festa. Do lado de fora, céu estrelado e o Aconcágua a nos observar. Foi mágico! Nossa noite se esticou e resolvemos tirar o dia seguinte, o primeiro do ano de 1999, de folga. Estávamos merecendo. Tudo o que fizemos, além de jogar crapô e nos esquentar no fogareiro, foi caminhar os 25 minutos até o acampamento de Plaza de Mulas. Fomos vestindo (e estreando) nossas botas duplas alugadas em Mendoza. Nossa... que dificuldade! Nada como um calçado mais leve e ágil. Foi um bom exercício, mas imaginar ter de calçar aquilo e caminhar até o cume do Aconcágua foi desanimador. Tanto que, no dia seguinte, na primordial etapa do “porteio”, deixamos as botas duplas para trás e voltamos para as muito mais confortáveis botas simples.

Montanhas nevadas cercam Plaza de Mulas, acampamento aos pés do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Montanhas nevadas cercam Plaza de Mulas, acampamento aos pés do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


De Plaza de Muilas, visão do vale do rio Horcones, no parque do Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

De Plaza de Muilas, visão do vale do rio Horcones, no parque do Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Pois é, o dia 2 foi nosso dia de porteio. Carregamos nossa barraca, sacos de dormir, comida e fogareiro mais de 1.200 metros verticais para cima, até Nido de Condores. Vencer aquela encosta e os infinitos vai-e-vens da trilha foi um sufoco danado. Chegando em Cambio Pendiente, 250 metros abaixo de Nido de Condores, e justamente aonde a trilha deixa de ser tão inclinada, achei que não conseguiria dar mais nenhum passo. Era a altitude pesando no coração e no pulmão. Achei que já estava bem por não ter de tomar mais excedrin, mas estava enganado. Enfim, o Haroldo seguiu na frente e, quando finalmente cheguei lá, ele já estava montando nossa barraca. Estávamos um pouco adiantados na temporada, o maior número de pessoas só vem depois do réveillon. Assim, eram apenas outras dez barracas no acampamento. A ideia do Haroldo era montar a barraca e descer, mas eu queria passar a noite por lá, dar uma forçada no processo de aclimatação. Não chegávamos a um acordo, mas São Pedro estava do meu lado e enviou uma nevasca que convenceu o Haroldo a ficar. Tivemos uma noite duríssima, o excedrin nos salvando da dor de cabeça, mas nada ajudando contra a sensação de falta de ar que tínhamos durante o sono. Acordamos diversas vezes arfantes, mas tenho certeza que o esforço acelerou bastante as mudanças necessárias no nosso metabolismo.

Iniciando a caminhada rumo a Nido de Condores, acampamento avançado na encosta do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Iniciando a caminhada rumo a Nido de Condores, acampamento avançado na encosta do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Acordamos dia 3 bem cansados. Minha ideia na noite anterior era acordar e caminhar até Berlin, quase aos 6 mil metros, um último exercício de aclimatação. Depois, voltaríamos diretamente para Plaza de Mulas, para o conforto do hotel-refúgio. Mas a noite mal dormida nos fez mudar de ideia. Nada de Berlin, desceríamos imediatamente. A cada passo para baixo, era como se mergulhássemos no oxigênio renovador. Um belo sanduíche de hamburguesa e o calor do fogareiro do hotel ajudaram mais ainda na nossa recuperação. O resto do dia foi devotado ao crapô e ao descanso. Aliás, o dias seguinte também. Duas noites com cama e colchão completaram nosso processo de recuperação de energias. No dia 6, cedinho, estávamos prontos para subir novamente. Mas, dessa vez, iríamos mais para o alto. O cume era o limite e nossa maior preocupação era que a barraca, com todo o nosso material dentro, tivesse resistido à noite de ventos muito fortes que tínhamos passado. Isso, só iríamos descobrir quando chegássemos lá em cima...

Pausa para descanso na subida entre Plaza de Mulas e Nido de Condores, acampamentos ao longo da trilha normal para o cume do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Pausa para descanso na subida entre Plaza de Mulas e Nido de Condores, acampamentos ao longo da trilha normal para o cume do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

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A Fauna Exótica de Ocean Harbour

Geórgia Do Sul, Ocean Harbour

Renas galopam pelos gramados de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Renas galopam pelos gramados de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


A fauna natural de Ocean Harbour é mesmo impressionante, mas o que mais chama nossa atenção por aqui é a chamada “fauna exótica”. O mais claro exemplar desses alienígenas, porém não o único, são as renas. Pois é, como vieram parar aqui? Claro, trazida pelo homem! E quem teve essa brilhante ideia? Aquele mesmo senhor norueguês, Carl Larsen, que também teve a extremamente lucrativa e trágica ideia de vir caçar baleias por aqui. Aliás, por falar em baleias, também aqui em Ocean Harbour encontramos centenas de ossos desses pobres animais, da época em que apenas a gordura de seu corpo era aproveitada e o resto, descartado como carcaça inútil. Os ossos, mais resistentes ao tempo, espalhados pela praia, são o mais claro lembrete da barbárie de outrora. O outro lembrete é o Bayard, encalhado no meio da baía e aos poucos, disfarçado pela ação centenária dos shags. Mas os ossos, ninguém disfarça e teremos de dar mais tempo ao tempo...

Muitos ossos de baleia em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Muitos ossos de baleia em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


A Sarafina encontra alguns dos muitos ossos de baleia espalhados pela praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

A Sarafina encontra alguns dos muitos ossos de baleia espalhados pela praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Mas, voltando às renas, percebendo a semelhança do clima da ilha com o norte da sua terra natal, a distante Noruega, Larsen concluiu que as mesmas renas que viviam tão bem por lá também poderiam viver por aqui. Forneceriam carne e diversão através da caça aos baleeiros que aqui viviam. E assim as renas foram trazidas para cá, primeiro para Ocean Harbour e depois para outras áreas da ilha. Longe de qualquer predador natural, como o lobo, elas obviamente adoraram a casa nova. Só não se pode dizer se a casa nova gostou dos novos moradores...

Manada de renas em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Manada de renas em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Pois é, as renas se transformaram em uma dor de cabeça ecológica para a ilha. Destroem a vegetação, pisoteiam ninhos de pássaros e, desde a partida dos últimos baleeiros, deixaram de ter qualquer preocupação. Proliferam-se tranquilamente. Mesmo depois de morrer, é fácil perceber que não são daqui. Apesar das skuas tentarem, as carcaças desses animais não são apetitosa para ninguém por ali. Sua decomposição é muito mais demorada e hoje, ao caminhar pelos campos de Ocean Harbour, vimos várias delas, expostas, sinal claro de que algo está errado.

Uma skua sobre uma carcaça de rena em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Uma skua sobre uma carcaça de rena em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Carcaça de rena em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. sem urubus por perto, elas duram muito mais tempo...

Carcaça de rena em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. sem urubus por perto, elas duram muito mais tempo...


Mas nem tudo corre as mil maravilhas para as renas. Como expliquei no início do post, elas não podem circular a vontade. As baías são fechadas e elas não conseguem ir de um lugar ao outro. Após 100 anos na ilha, as renas de Ocean Harbour jamais viram (ou cruzaram) com as renas de outras baías. E se elas não fizeram isso até hoje, não poderão mais fazer...

Manada de renas em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de Mitch Jasechko)

Manada de renas em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de Mitch Jasechko)


Isso porque os humanos de hoje são diferentes dos humanos de 100 anos atrás. Os de hoje têm um pouco mais de visão ecológica. E decidiram que as renas não pertencem a este lugar e que são excessivamente danosas aos habitantes originais. E qual a solução para esse problema? Simples, o extermínio! Numa operação que envolveu veterinários, caçadores e até helicópteros, as renas das outras partes da ilha foram exterminadas. Todas elas transformadas em carne para ser vendida em supermercado a preços de ocasião. Não só isso. São servidas também para os turistas, que contribuem dessa maneira para reativar o equilíbrio natural da Geórgia do Sul. As renas mortas ano passado estão congeladas em Port Stanley. Quando os navios passam por lá, inclusive o Sea Spirit, eles se abastecem. E hoje de noite, no nosso restaurante a bordo, adivinha qual foi o prato principal? Isso mesmo, rena assada! As renas que circulavam livres há gerações por aqui, mortas e congeladas há um ano, hoje foram nosso prato principal. Duro, né? Não a carne, que estava bem saborosa, mas a solução encontrada para consertar uma grande burrada feita há um século.

Jantando carne de rena no Sea Spirit, na Geórgia do Sul (foto de Michelle DuBroy)

Jantando carne de rena no Sea Spirit, na Geórgia do Sul (foto de Michelle DuBroy)


Pode parecer desumano, mas a fauna e flora local agradecem. As mudanças em apenas um ano sem rena foram visíveis. E com isso, o destino dessas pobres renas que sobraram aqui em Ocean Harbour já está selado. Tem mais alguns meses de vida e, a partir do ano que vem, servirão de jantar para a próxima leva de turistas. Não deixa de ser um destino muito diferente do imaginado por Carl Larsen, um século atrás...

Grupo de renas em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de JP Salakari)

Grupo de renas em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de JP Salakari)


As renas, infelizmente, não foram os únicos animais introduzidos pelo homem na pristina Geórgia do Sul. Os primeiros baleeiros que aqui se instalaram também trouxeram porcos, galinhas e perus, para sua dieta balanceada. E cães e gatos, para fazer companhia. E mesmo sem querer, claro que trouxeram os ratos, que sempre pegam carona nos barcos. Quando partiram, boa parte desses animais ficaram por aqui. Mas os rigores da Geórgia do Sul deram cabo de quase todos eles. Sem a ajuda dos seres humanos, foram perecendo um a um. Aparentemente, foram os gatos os que mais duraram. Por mais de uma década, eventuais visitantes ainda os viam. Mas também eles sucumbiram.

Rena solitária observa o pequeno cemitério em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de JP Salakari)

Rena solitária observa o pequeno cemitério em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de JP Salakari)


Apenas uma espécie resistiu. A mais brava e valente de todas elas. Justamente aquela que não foi importada de propósito. Estou falando dos ratos, claro! Como as renas, acharam aqui seu paraíso. Uma vegetação fácil de se esconder, ausência de predadores naturais (exceto os gatos que duraram poucas décadas) e uma fartura de ovos de pássaros. O seu grande sucesso foi a grande tragédia desses pássaros que não haviam evoluído com um predador tão competente por perto e contra ele não tinham nem defesas nem técnicas eficientes. O resultado de luta tão díspar só poderia ser o desastre. A única coisa que evitou o desastre total foi a impossibilidade, mesmo para os valentes ratos, de se movimentar numa ilha repleta de geleiras e montanhas.

Uma das centenas de renas que vive na área de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de Mitch Jasechko)

Uma das centenas de renas que vive na área de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de Mitch Jasechko)


Assim, ao mesmo tempo em que decidiram eliminar as renas da ilha, os cientistas resolveram fazer o mesmo com os ratos. É claro que as renas são vítimas muito mais fáceis desse extermínio. Mas os cientistas resolveram sim, enfrentar os ratos. E na maior operação desse tipo já feita na história, partiram para cima dos roedores. Com ajuda de venenos inteligentes e de helicópteros, envenenaram já um bom pedaço da Geórgia do Sul. Não pode sobrar nenhum parzinho sequer, pois basta dois ratos para que eles virem milhares em pouco tempo. Contra o ceticismo de muitos, aparentemente a operação foi um sucesso, embora não se possa ter certeza absoluta. Observações continuam sendo feitas e, quando o grau de certeza for absoluto, vão partir para as próximas áreas. O investimento foi grande e, por isso mesmo, as medidas restritivas para visitar a ilha aumentaram. Tudo para evitar ao máximo novos ratos caronistas.

A linda paisagem de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

A linda paisagem de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


A pressa para eliminar os roedores aumentou porque até aqui, na distante Geórgia do Sul, as geleiras estão retrocedendo. Mais um pouco e áreas antes completamente isoladas terão ligação terrestre. E quando toda a ilha tornar-se um ecossistema único e interligado, vai ficar ainda mais difícil, senão impossível, exterminar os ratos. Estão numa corrida contra o tempo. E nessa corrida, é fácil saber para quem torcer. Podemos até ficar com pena das renas, mas de ratos, não dá para ter dó! Depois disso, com o fim das renas e dos ratos, só faltam as baleias voltarem. E aí sim, teremos a boa e velha Geórgia do Sul que Carl Larsen conheceu. Será que nossos netos verão isso?

Momento de descanso em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Momento de descanso em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Ocean Harbour, Bichos, rena

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Saara na Venezuela

Venezuela, Coro, Paraguaná

Caminhando pelos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela

Caminhando pelos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela


Poucos quilômetros ao norte da cidade de Coro, na Venezuela, está uma das mais inusitadas paisagens do país: um pedacinho do Saara em plena América do Sul, um verdadeiro deserto com autênticas dunas de areia.

As dunas invadem a estrada nos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela

As dunas invadem a estrada nos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela


Subindo nas dunas de Médanos de Coro, no noroeste da Venezuela

Subindo nas dunas de Médanos de Coro, no noroeste da Venezuela


O Parque Nacional Médanos de Coro está localizado no estreito istmo que liga o continente à península de Paraguaná, uma antiga ilha. “Médanos” quer dizer “dunas” e o nome não poderia ser mais apropriado, já que a área, ao lado da cidade de Coro, é formada por dunas de areia que chegam à 40 metros de altura. Lembram muito a região dos Lençóis Maranhenses, mas sem aquelas lindas lagoas. É uma área menor também, cerca de 5 quilômetros de largura por 30 quilômetros de comprimento.

Subindo as dunas de Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela

Subindo as dunas de Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela


Passeio nas dunas de Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela

Passeio nas dunas de Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela


Saímos de Coro logo cedo, rumo à Paraguaná. Bem, na verdade não foi tão cedo assim, já que perdemos mais de uma hora na cidade buscando um posto de combustível que tivesse diesel. Vou falar disso no próximo post, uma das facetas do chavismo, combustível quase de graça, mas difícil de ser encontrado. Enfim, com tanque vazio mesmo, seguimos para a península e, poucos minutos de estrada, chegamos ao inusitado deserto.

Estrada passa pelas dunas dos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela

Estrada passa pelas dunas dos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela


A paisagem desértica dos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela

A paisagem desértica dos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela


O caminho passa bem no meio das dunas, uma luta constante para manter a estrada aberta já que as montanhas de areia estão em constante movimento. Ali, encontramos um local para deixar a Fiona no acostamento e enfrentamos, de chinelo, as areias quentes da duna que escalamos. Lá do alto, Coro ainda bem próxima no horizonte, a belíssima visão da vastidão desértica. Não é nada difícil esquecermos que estamos na Venezuela e fomos parar em algum outro lugar. Se os espanhóis tivessem chegado por aqui, na primeira vez, o nome do país poderia ter sido outro, pois não há nada que lembre Veneza nesses médanos...

A paisagem desértica dos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela

A paisagem desértica dos Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela


Em outros tempos, mais turísticos, o deserto estaria cheio de visitantes, caminhando, à cavalo ou mesmo montando camelos, que foram importados para cá. Mas nessa época meio confusa para o país, éramos apenas nós e outro pequeno grupo, que estacionou seu carro algumas dunas à frente. Nós tiramos nossas fotos do deserto sem nenhuma dificuldade de evitar “estranhos” nas nossas fotos. Respiramos fundo, curtimos aquela bela paisagem e voltamos à Fiona, antes que ela mesma se transformasse em mais uma duna de areia. Estávamos apenas começando o passeio do dia...

Passeio nas dunas de Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela

Passeio nas dunas de Médanos de Coro, na entrada da península de Paraguaná, no noroeste da Venezuela

Venezuela, Coro, Paraguaná, deserto, Médanos de Coro

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De Banff para Lake Louise

Canadá, Banff National Park, Lake Louise

Mesmo com o dia nublado, a incrível beleza de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

Mesmo com o dia nublado, a incrível beleza de Lake Louise, em Alberta, no Canadá


Nosso plano de acordar cedo para subir a pé a Sulphur Mountain e chegar a tempo lá encima para voltar de graça no bondinho naufragou antes de começar. O tempo não estava bom e a montanha, completamente encoberta pelas nuvens. O lado bom foi que ganhamos horas deliciosas de sono atrasado (sempre!) na cama quentinha.

Fiona limpinha e de mapa atualizado, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá

Fiona limpinha e de mapa atualizado, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá


Depois, decidimos mesmo por seguir viagem, a Fiona limpinha e de mapa atualizado, toda orgulhosa (e nós dela, claro!). O topo da Sulphur Mountain fica para a próxima, quando o preço da gondola estiver menos extorsivo. Ficamos passando vontade, mas muita coisa bela nos esperava na curta viagem até Lake Louise, ainda dentro do parque, mas na parte norte, já quase na fronteira com o Jasper National Park.

Caminhando pelas passarelas através do belíssimo Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá

Caminhando pelas passarelas através do belíssimo Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá


Paramos logo na primeira atração, o Johnston Canyon. Nós e mais algumas centenas de turistas, todos atraídos pelas propaladas belezas desse canyon e do rio que corre em seu interior. Em pleno feriadão canadense, não tem muita chance de acharmos algum lugar mais tranquilo, então o negócio é entrar no clima.

Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá

Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá


Uma trilha quase inteiramente construída sobre passarelas nos leva através da estreita passagem que o rio construiu ao longo dos últimos milênios. Muito bem construída, estamos sempre ao lado de grandes paredes de pedra, sobre precipícios e com o rio de águas verdes e geladas ao nosso lado. A cada curva, novas chances de fotografias. Muito lindo! Só tínhamos de disputar espaço com os muitos chineses que percorriam o mesmo caminho. Aliás, nos impressiona muito aqui nesse lado do Canadá a quantidade de turistas chineses. Até ficamos amigos de uma deles e ela nos explicou que boa parte está no país fazendo intercâmbio, nas universidades. Aproveitam o feriado para conhecer um pouco mais do Canadá, onde vivem já há alguns anos, enquanto dura o curso.

Encontro com um casal de gaúchos no Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá

Encontro com um casal de gaúchos no Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá


Quem encontramos também foi um simpático casal de gaúchos. Como eu tinha dito no post anterior, ela também achou Banff muito parecida com Gramado, pelo clima e arquitetura. E agora, nesse passeio do canyon, se lembrava de Canela. Cada um com sua beleza, mas o rio daqui certamente é mais bonito, pela limpeza das águas. Durante o longo caminho pela passarela, passamos por duas belas cachoeiras, sempre muito fotogênicas. Pena mesmo era a fila indiana (de chineses!) para fotografá-las. Imagino que vir aqui num dia de semana, sem concorrência, deve ser ainda mais espetacular...

Água azul e cachoeiras no Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá

Água azul e cachoeiras no Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá


Voltamos para o carro e seguimos viagem. Paisagem sempre muito bonita, apesar do tempo nublado. Não demorou muito e chegamos à Lake Louise, um dos mais famosos cartões postais do Canadá mas, antes de ir ver o lago, ainda fomos achar acomodação para nós. Em pleno feriado, não era tarefa fácil. No fim, achamos um meio estranho, mas com uma deliciosa e tentadora piscina de águas quentes, promessa de relaxamento no final do dia.

A segunda grande cachoeira, no surpreendente Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá

A segunda grande cachoeira, no surpreendente Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá


Com pouso garantido, corremos para o Lake Louise. O tempo piorou e, além das nuvens, agora tínhamos frio e chuva. Mesmo assim, a primeira visão do lago é fantástica, difícil de acreditar no que os olhos veem. Um grande lago de cor verde esmeralda em meio a montanhas, Não é a toa que esse lugar foi recomendado para nós por todos os canadenses que conhecemos nesses 1000dias pelas Américas “Não deixem de ir no Lake Louise!”. Bem, aqui estávamos e já completamente hipnotizados pela beleza do lugar. Amanhã voltamos com mais calma e, se São Pedro permitir, com o tempo mais favorável...

Admirando o Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá

Admirando o Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá


Antes de voltarmos para o hotel, ainda fomos conhecer outro lago, o Lake Moraine. Por incrível que pareça, suas águas ainda são mais bonitas que as do Lake Louise. Aqui, a cor é de um verde mais escuro que, de alguma maneira, parece mais natural, menos pintado. As montanhas em volta também são maravilhosas e era o tempo nublado que, mais uma vez atrapalhava. Tiramos fotos e prometemos voltar no dia seguinte. Merece!

Mesmo com o dia nublado, a incrível beleza do Lake Moraine, perto de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

Mesmo com o dia nublado, a incrível beleza do Lake Moraine, perto de Lake Louise, em Alberta, no Canadá


Então, voltamos para nosso quarto esquisito, de lá para o ótimo restaurante do hotel e, em seguida, para o relaxamento na piscina e na jaccuzzi de água bem quente. Músculos relaxados para nossa caminhada ao redor do Lake Louise, suas montanhas e geleiras. Faça chuva ou faça sol. Mas com sol seria melhor...

Um verdadeiro cartão postal, Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

Um verdadeiro cartão postal, Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

Canadá, Banff National Park, Lake Louise, trilha, Parque, Lake Moraine, Johnston Canyon

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Toniná

México, Ocosingo, San Cristobal De Las Casas

Totem maya em toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México

Totem maya em toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México


Nem tudo eram flores no mundo dos mayas. Mesmo antes dos efeitos combinados da explosão populacional e das graves secas que levaram a civilização ao colapso no início do séc X da nossa era, não era ser fácil ser um maya. Quem nascia nas classes menos abastadas, levava uma vida de muito trabalho, ora ajudando a construir, no muque, uma nova pirâmide-mausoléu para o rei de plantão, ora deixando as colheitas e a família de lado para ajudar seu príncipe numa nova conquista militar. E tudo isso torcendo para que seu sacerdote estivesse acertando nos desígnios dos deuses, tanto na melhor hora de plantar como na melhor hora de guerrear.

Chegando às impressionantes ruínas de Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México

Chegando às impressionantes ruínas de Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México


É, vida de pobre nunca foi fácil em lugar algum. Mas, no caso dos mayas, o rei e os nobres também tinham seus problemas. Eram eles os principais “prêmios” nas constantes guerras entre as cidades vizinhas. A captura de um “peixe graúdo” era sempre muito celebrada no mundo maya. E o ponto alto dessa celebração era o sacrifício dessa captura em honra aos deuses, o que certamente trairia chuvas para melhores colheitas e novas vitórias militares, para novos sacrifícios aos deuses.

Explorando as ruínas mayas de Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México

Explorando as ruínas mayas de Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México


Os nobres e reis capturados em guerra eram despidos de suas armas, amarrados e forçados a se curvar frente aos seus captores. Depois, seguindo rituais próprios de cada cidade, teriam “árduos” momentos finais e, finalmente, seriam mortos, decepados, degolados, jogados em algum precipício ou o que seja, dependendo de quem fosse os vitoriosos.

Ruínas de Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México

Ruínas de Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México


Por algum motivo ainda não bem explicado, a sociedade e o mundo maya passaram por alguma transformação no final do séc VIII, quando a casta militar passou a ter ainda mais importância que a casta religiosa. Foi quando, aparentemente, as guerras (e os sacrifícios) passaram a ser mais recorrentes. Foi exatamente nessa época que ganhou proeminência a cidade maya de Toniná, cujas ruínas estão ao lado de Ocosingo.

Grifos mayas em Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México

Grifos mayas em Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México


Essa foi a principal rival política da mais famosa Palenque, onde estivemos ontem. Vários dos soberanos de Palenque foram capturados e vieram a morrer aqui, na praça central de Toniná, “homenageando” os deuses e sacerdotes da cidade. A cidade vivia o seu auge quando, junto com as outras grandes cidades do período, foi completamente abandonada ao longo de uma geração, em meados do séc X.

Admirando a mesma paisagem que os mayas admiravam há 1.200 anos, em Toniná, ao lado de  Ocosingo - Chiapas, no sul do México

Admirando a mesma paisagem que os mayas admiravam há 1.200 anos, em Toniná, ao lado de Ocosingo - Chiapas, no sul do México


Visitar Toniná hoje é glorioso. Suas ruínas são colossais, ainda mais altas que as de Palenque. E, ao contrário dessa, é bem pouco visitada por turistas. Assim, podemos ficar praticamente sozinhos neste imponente sítio arqueológico, subindo e descendo estreitas escadas que nos levam ao alto de templos ou percorrendo túneis labirínticos por baixo de antigos palácios. Lá do alto, a visão do vale que nos rodeia é grandiosa e não é à toa que os soberanos dessa cidade deveriam se sentir os reis do mundo, observando tudo e à todos lá de cima.

Sítio arqueológico de Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México

Sítio arqueológico de Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México


Como em Palenque, um museu no próprio sítio arqueológico nos brinda com muitas informações históricas e também com os principais achados na cidade, na forma de murais, utensílios domésticos, placas com os já familiares grifos mayas e toda a sorte de tesouros arqueológicos. Chama a atenção os desenhos com os reis e nobres inimigos capturados, geralmente ajoelhados e amarrados, em posição subserviente. Pouco antes de serem separados de suas cabeças...

Entrando no museu de Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México

Entrando no museu de Toniná, em Ocosingo - Chiapas, no sul do México


Foi uma delícia a visita e caminhar por essas ruínas tão bem conservadas nos levou para este outro mundo, tão próximo e tão longínquo ao mesmo tempo. A organização da cidade é impressionante, assim como as habilidades arquitetônicas deste povo. Custa a acreditar que construíram isso tudo sem a ajuda de animais ou de ferramentas de metal. Trator e caminhão, então, nem pensar!

Uma das muitas peças encontradas em Toniná e exposta no museu do sítio (perto de Ocosingo - Chiapas, no sul do México)

Uma das muitas peças encontradas em Toniná e exposta no museu do sítio (perto de Ocosingo - Chiapas, no sul do México)


Após a visita, seguimos diretamente para San Cristobal de Las Casas, enfrentando mais duas horas de topes (lombadas) e curvas. Finalmente chegamos nessa bela e vibrante cidade, a mais bonita de Chiapas. Mas isso é assunto para outro post...

Crânios deliberadamente deformados desde criança, costume maya em Toniná, perto de Ocosingo - Chiapas, no sul do México

Crânios deliberadamente deformados desde criança, costume maya em Toniná, perto de Ocosingo - Chiapas, no sul do México

México, Ocosingo, San Cristobal De Las Casas, Chiapas, mayas, Toniná

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O Sol Brilha no País Sem Generais

Costa Rica, Zancudo

Pôr-do-sol maravilhoso na praia de Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica

Pôr-do-sol maravilhoso na praia de Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica


A Costa Rica teve uma história muito parecida com as dos outros países centro-americanos, pelo menos até meados do séc XX quando uma importante mudança constitucional a tornou um oásis em meio a um continente envolto numa sucessão de sangrentos golpes, guerras e revoluções.

Dia de sol em Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica

Dia de sol em Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica


Quando os espanhóis aqui chegaram, ainda no tempo de Colombo, cerca de 400 mil índios habitavam o que é hoje o território da Costa Rica. Um século mais tarde, após as guerras de conquista, a ocupação de seu território e completa desorganização do seu antigo meio de vida e a devastação pelas doenças trazidas da Europa, esse número tinha se reduzido para 20 mil. Outro século se passou e seus últimos territórios foram ocupados, sobrando apenas 5 mil indígenas. Enfim, o mesmo padrão de destruição de todas os antigos povos americanos.

Lavando o pé depois de passeio na praia de Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica

Lavando o pé depois de passeio na praia de Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica


Mais um século e chegamos à época da independência. A América Central nunca foi um território de grande importância no mundo colonial espanhol, espremida entre as "jóias da corôa", o México e os vice-reinados do Peru e de Nova Granada (Colômbia e Venezuela). Assim, a independência foi sem guerras ou batalhas. Inicialmente, os países que hoje formam a região tentaram se agrupar numa grande república chamada Confederação Centro-Americana, com exceção do Panamá, que se juntou ao ideal bolivariano de uma grande nação na América do Sul. Os dois sonhos tiveram vida curta e logo se esfacelaram no conjunto de países que hoje conhecemos.

Belo fim de tarde na praia de Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica

Belo fim de tarde na praia de Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica


A sequência da história foi bem parecida para todos: uma sucessão de golpes militares e curta vida de governos civis, a sociedade sempre dividida entre "liberais" e "conservadores", quase sempre representando os interesses da classe dominante dividida. As repúblicas centro-americanas certamente sofreram mais diretamente que as nações sulamericanas as influências e interesses da grande potência que crescia um pouco mais ao norte, talvez pela menor distância, talvez pela menor força econômica e política. Por aqui, uma simples companhia, a United Fruit Company, derrubava e criava novos regimes e presidentes da noite para o dia. O principal produto da companhia? Banana! Enfim, não é à tôa que se criou o jargão "República de Bananas". Ela realmente existiu!

Fiona acomodada entre os coqueiros de Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica

Fiona acomodada entre os coqueiros de Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica


Aqui na Costa Rica não era diferente. Até que, em meados da década de 40, após uma tentativa de golpe (mais uma) e guerra civil particularmente sangrentas, uma constituinte decidiu, entre outras coisas, além de dar direitos políticos à mulheres, negros, indígenas e minorias étnicas, acabar com o exército e forças armadas. Isso mesmo, a Costa Rica optou por ser um país sem generais, almirantes ou brigadeiros. Coincidência ou não, o país experimentou desde então, o maior período de democracia contínua dentre todos os países da região, estes sim ainda "guardados" por seus respectivos exércitos.

Belo fim de tarde na praia de Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica

Belo fim de tarde na praia de Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica


O maior desafio à essa política veio na década de 80 quando seu vizinho, a Nicarágua, se afundava em guerra civil, os "contras" tentando derrubar o governo esquerdista dos sandinistas (difícil saber para quem torcer...). Ainda em plena época da Guerra Fria, o governo americano pressionava o país para que bases dos tais "contras" operassem livremente no norte do país. Tempos difíceis para a Costa Rica, sabiamente administrados por Oscar Arias, que não só conseguiu desmantelar as tais bases como organizar uma grande negociação que resultou no fim da guerra no país vizinho. A Costa Rica pôde continuar um país desmilitarizado e sem exércitos e seu presidente foi laureado com um Nobel da Paz.

Conversando pelo Skype com a família (viva a tecnologia!) em Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica

Conversando pelo Skype com a família (viva a tecnologia!) em Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica


Pois bem, nessa Costa Rica estamos hoje. No país onde o sol brilha figurativamente há quase 60 anos, hoje ele brilhou literalmente. Eu e a Ana passamos um delicioso dia na praia, correndo, nadando, repousando e nos instruíndo sobre o país. No final da tarde, com um belíssimo pôr-do-sol sobre o Oceano Pacífico, confortavelmente instalados sob o teto de sapé do bar-restaurante da pousada, refrescados por uma deliciosa e incessante brisa trazida pelo mar, pude conversar longamente com meus pais e irmão, através do skype. Pode ser difícil chegar aqui de carro, mas a internet e a tecnologia wifi chegaram. Tecnologia que consegue, num só lugar, juntar os melhores aspectos da civilização e do paraíso "selvagem". Um paraíso onde o sol brilha já há bastante tempo.

Socializando no bar da pousada beira-mar em Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica

Socializando no bar da pousada beira-mar em Zancudo, no litoral Pacífico da Costa Rica

Costa Rica, Zancudo, Praia

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As maiores Aves da Terra

Geórgia Do Sul, Prion Island

Dois Southern Royal Albatrosses nos céus de Prion Island, na Geórgia do Sul

Dois Southern Royal Albatrosses nos céus de Prion Island, na Geórgia do Sul


Todos sabemos que a maior ave da Terra nos dias de hoje é o avestruz africano. Com seus 2,5 metros de altura e quase 200 kg, ele é imbatível no reino das aves. Mas não foi sempre assim. Até pouco mais de 300 anos atrás, o título pertencia a outro pássaro, acertadamente chamado de “ave elefante”. Natural de Madagascar, media mais de 3 metros e chegava aos 500 quilos! Infelizmente, foi extinto pelo homem, tanto através da caça como por doenças importadas para a ilha em galinhas e outras aves domesticadas.

Um filhote de southern royal albatross na grama alta de Prion Island, na Geórgia do Sul

Um filhote de southern royal albatross na grama alta de Prion Island, na Geórgia do Sul


Um filhote de Southern Royal Albatross dscansa na grama alta de Prion Island, na Geórgia do Sul

Um filhote de Southern Royal Albatross dscansa na grama alta de Prion Island, na Geórgia do Sul


Entre as aves que ainda existem, depois do conhecido avestruz, temos os menos populares casuares e emus australianos e as emas que se espalham pela América do Sul. Mas todas essas aves, além do grande tamanho e peso, tem outra coisa em comum: elas não voam! De tão pesadas, as asas perderam essa função que, pelo menos para nós, leigos, é fundamental em um pássaro: a arte de voar.

Vários albatrozes descansam na grama alta de Prion Island, na Geórgia do Sul

Vários albatrozes descansam na grama alta de Prion Island, na Geórgia do Sul


Pois bem, entre as que voam, pode-se medi-las pelo peso, altura ou envergadura de asas. A mais pesada ave a voar é provavelmente o nosso tuiuiú, tão comum no Pantanal. Entre as mais altas, algumas espécies de flamingos. E entre as de maior envergadura, condores, cisnes, águias e, em primeiro lugar, albatrozes. Enquanto seu rivais mais próximos podem chegar aos 3 metros de envergadura, ao maiores albatrozes chegam a incríveis 4 metros de ponta a ponta das asas.

Giant petrels voam nos céus de Prion Island, na Geórgia do Sul

Giant petrels voam nos céus de Prion Island, na Geórgia do Sul


O nome “albatroz” se refere a uma família de pássaros e não apenas a uma espécie. Na verdade, a família se divide em quatro gêneros e esses se dividem entre 15 e 22 espécies, já que os cientistas ainda não estão certos se algumas espécies realmente deveriam ser classificadas como tal ou apenas como sub-espécies que ainda podem produzir descendentes férteis entre si. Todos esses gêneros e espécies vivem nas regiões frias do planeta, a maioria em torno da Antártida, mas algumas também na região norte do Pacífico.

Albatrozes sobrevoam o mar em frente de Prion Island, na Geórgia do Sul

Albatrozes sobrevoam o mar em frente de Prion Island, na Geórgia do Sul


Essa preferência por clima frio tem uma explicação muito clara. É aí que venta sempre e os albatrozes usam suas enormes asas muito mais para planar do que para batê-las no ar como forma de propulsão. Na verdade, eles só fazem isso para alçar voo ou para pousar, na água ou na terra. Sua perfeição em voar está em como ler, entender e se utilizar do vento para se locomover.

Um albatroz descansa entre um terino e outro para aprender a voar, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um albatroz descansa entre um terino e outro para aprender a voar, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Um Southern Royal Albatross aproveita o vento para praticar aulas de voo, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um Southern Royal Albatross aproveita o vento para praticar aulas de voo, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Esses fantásticos planadores naturais podem voar mais de 1.000 km em um só dia sem bater as asas nem uma única vez. Eles parecem já saber onde está o vento e, quando vão do sul para o norte, voam no sentido anti-horário, o mesmo do vento, o mesmo quando voam do norte para o sul, agora no sentido horário. Não só sabem do bento, mas sabem exatamente onde estão, pois dividiram o oceanos em “lotes”, uma para cada espécie, e não invadem o “lote” vizinho. Uma das espécies, a maior de todas, o “Wandering Albatross” (albatroz vagante, em português), sabe até a profundidade do mar abaixo, pois só se alimenta em lugares com profundidade maior que 1.000 metros.

Um Wandering Albatross nos céus de Prion Island, na Geórgia do Sul

Um Wandering Albatross nos céus de Prion Island, na Geórgia do Sul


A maior ave alada do mundo, um Wandering Albatross nos céus de Prion Island, na Geórgia do Sul

A maior ave alada do mundo, um Wandering Albatross nos céus de Prion Island, na Geórgia do Sul


Todo o esforço que fazem ao planar é curvar-se para um lado ou outro, quando querem mudar de direção, ou para frente e para trás, quando querem acelerar ou frear. Nós vimos essa técnica perfeita com nossos próprios olhos, enquanto vários deles voavam ao lado do Sea Spirit em alto mar. Nem uma batida de asas, por minutos e minutos a fio. Quase sempre, eram os albatrozes de sobrancelha, uma das espécies mais comuns da família.

Um Wandering Albatroz, a ave alada com a maior envergadura de asas do mundo, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um Wandering Albatroz, a ave alada com a maior envergadura de asas do mundo, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Um Southern Royal Albatross parece ser do tamanho do Sea Spirit, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um Southern Royal Albatross parece ser do tamanho do Sea Spirit, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Hoje, aqui em Prion Island, era a nossa chance de ver de perto as duas maiores espécies de albatrozes, o Wandering Albatross, que chega a ultrapassar os 4 metros de envergadura, e o Southern Royal Albatross (albatroz real meridional), apenas um pouco menor. Eles são conhecidos por fazerem seus ninhos de apenas um ovo nessa ilha, em meio a grama alta, e uma passarela foi construída para nos dar acesso e visão a esses ninhos.

Um Southern Royal Albatross aprende a voar em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um Southern Royal Albatross aprende a voar em Prion Island, na Geórgia do Sul


Um wandering Albatross pousa em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um wandering Albatross pousa em Prion Island, na Geórgia do Sul


Não demorou muito para encontrarmos os primeiros, das duas espécies. Eles vivem como bons vizinho e, nessa época do ano os filhotes, já enormes estão aprendendo a voar. Foram chocados ano passado e já não veem a hora de partir para alto mar, onde o instinto os chama.

Um Wandering Albatross tenta aperfeiçoar sua técnica de voo em Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de JP Salakari)

Um Wandering Albatross tenta aperfeiçoar sua técnica de voo em Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de JP Salakari)


Um Southern Royal Albatross pratica a técnica de voo em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um Southern Royal Albatross pratica a técnica de voo em Prion Island, na Geórgia do Sul


No céu, os pais voam tranquilamente, ensinando os filhos como se deve fazer. Alguns deles já arriscam seus voos e treinam também suas aterrisagens meio desengonçadas. Tem de aperfeiçoar isso, assim como a alçada de voo, pois em breve estarão em alto mar onde não mais estarão os pais para ensinar. É o momento de maior gasto de energia, já que quando estão plainando tranquilamente, o batimento cardíaco cai ao mesmo nível de quando dormem. Alguns estudiosos chegam a pensar que eles realmente tirem alguns cochilos voando, embora isso ainda não tenha sido provado.

Um filhote de Southern Royal Albatroz abre suas enormes asas aproveitando a corrente de vento enquanto aprende a voar, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um filhote de Southern Royal Albatroz abre suas enormes asas aproveitando a corrente de vento enquanto aprende a voar, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Um filhote de Southern Royal Albatroz abre suas enormes asas aproveitando a corrente de vento enquanto aprende a voar, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um filhote de Southern Royal Albatroz abre suas enormes asas aproveitando a corrente de vento enquanto aprende a voar, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Enfim, ali de camarote assistimos dois ou três albatrozes tentando alçar voo. Eles se aproveitam da corrente de ar, abrem suas asas e começam a flutuar sem sair do lugar. Levantam uns poucos metros e voltam aos mesmo lugar. Que visão maravilhosa! Ou então, apenas abrem as longas asas aprendendo a sentir o vento. Depois, passam um tempo descansando, asas fechadas novamente.

Um filhote de Southern Royal Albatroz abre suas enormes asas aproveitando a corrente de vento enquanto aprende a voar, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um filhote de Southern Royal Albatroz abre suas enormes asas aproveitando a corrente de vento enquanto aprende a voar, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Uma 'esquadrilha' de albatrozes nos céus de Prion Island, na Geórgia do Sul

Uma "esquadrilha" de albatrozes nos céus de Prion Island, na Geórgia do Sul


Dá até para perceber emoções humanas nesses belos pássaros: timidez, vergonha, orgulho, medo, sentem tudo isso enquanto dão seus primeiros passos rumo à liberdade do voo. Ficávamos ali torcendo para eles se encherem de coragem e voarem. Alguns sim, outros apenas tentavam e voltavam ao descanso. Foram 30 minutos tensos, aflitivos, de torcida. Uma verdadeira benção de estar aqui na hora certa e poder assistir esse espetáculo.

A lua parece um farol nessa foto de longa exposição no mar ao redor de Prion Island, na Geórgia do Sul

A lua parece um farol nessa foto de longa exposição no mar ao redor de Prion Island, na Geórgia do Sul


A noite cai sobre a grandiosa paisagem ao reor de Prion Island, na Geórgia do Sul

A noite cai sobre a grandiosa paisagem ao reor de Prion Island, na Geórgia do Sul


Até que a tarde foi caindo e era hora de voltar ao Sea Spirit. Nosso simpático ornitólogo, o Jim, tinha até lágrimas nos olhos de ter tido a chance de ver esses momentos. Todos muito felizes, com as fotos e lembranças guardadas para sempre. Não é todo dia que se vê a maior ave alada do mundo aprender a voar! A noite merecia até uma comemoração. Não só pelos albatrozes, mas também pelos pinguins, pelos lobos e elefantes-marinho. O dia de hoje foi simplesmente espetacular, o melhor e mais intenso até hoje dessa viagem pelos mares do sul. A lua iluminava as montanhas nevadas a frente e ficamos ali, no convés, a ver aquele céu maravilhoso. Até arriscamos algumas fotos, mas a longa exposição necessária para captar boas imagens não combina muito com o eterno balanço do navio. Mas o que nos importava não era a qualidade da foto, mas o registro da nossa alegria. E isso foi feito!

Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)

Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)

Geórgia Do Sul, Prion Island, Bichos, pássaros, albatroz

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Serra dos Órgãos - 2a Parte

Brasil, Rio De Janeiro, Serra dos Órgãos

No início da caminhada no 2o dia da travessia, admirando as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No início da caminhada no 2o dia da travessia, admirando as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Depois de umas três horas curtindo a região do Castelo do Açu, o camping e o refúgio já vazios, era a nossa hora de partir. O dia estava lindo e tínhamos muitas horas de caminhada pela frente. Esse segundo dia da travessia da Serra dos Órgãos é o mais belo de todos, mas muito duro também.

Foto aérea do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro e da trilha que atravessa o parque

Foto aérea do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro e da trilha que atravessa o parque


No início da caminhada no 2o dia da travessia, admirando as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No início da caminhada no 2o dia da travessia, admirando as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A distância a ser percorrida não é longa, por volta dos sete quilômetros do Castelo do Açu até o Abrigo 4, aos pés da Pedra do Sino. A variação de altitude entre o ponto inicial e o final também parece favorável, pois saímos dos 2,200 metros do Castelo e chegamos aos quase 2.100 metros do Refúgio 4. Mas esses números são totalmente enganosos.

No 2o dia de caminhada, ainda antes de descer para o Vale da Luva, admirando as montanhas mais famosas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No 2o dia de caminhada, ainda antes de descer para o Vale da Luva, admirando as montanhas mais famosas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Quadro de distâncias entre os  principais pontos de referência na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, entre Petrópolis e Teresópolis. O percurso total é de quase 30 Km

Quadro de distâncias entre os principais pontos de referência na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, entre Petrópolis e Teresópolis. O percurso total é de quase 30 Km


O problema está no meio do caminho, no que acontece entre o Açu e a Pedra do Sino. A Serra dos Órgãos não tem um platô no seu topo. A caminhada se alterna entre vales e montanhas e por quatro vezes descemos quase até os 2 mil metros para, logo depois, voltarmos a subir até os 2.200 metros. Com isso, se somarmos todas essas subidas, esses 7 quilômetros escondem uma ascensão quase tão grande como aquela do 1o dia, seja para quem partiu de Petrópolis, seja para que começou sua caminhada em Teresópolis.

No 2o dia de caminhada, ainda antes de descer para o Vale da Luva, admirando as montanhas mais famosas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No 2o dia de caminhada, ainda antes de descer para o Vale da Luva, admirando as montanhas mais famosas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Além disso, como estamos em grandes altitudes, praticamente não há árvores e caminhamos sempre com o sol a pino. A exceção são os fundos de vales que passamos, como o Vale da Luva ou o Vale das Antas, onde pequenas matas florescem ao longo de nascentes e riachos.

Atravessando o pequeno riacho no Vale da Luva, parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Atravessando o pequeno riacho no Vale da Luva, parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Atravessando o pequeno riacho no Vale da Luva, parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Atravessando o pequeno riacho no Vale da Luva, parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Pode ser duro, mas é absolutamente lindo, desde que o tempo esteja aberto. Nesse caso, a visão é sempre ampla, a Baixada Fluminense e a Baía da Guanabara à nossa direita (para quem segue em direção a Teresópolis), e as montanhas mais famosas e fotogênicas do parque à nossa frente, como a Pedra do Sino e o Morro do Garrafão, sempre a nos guiar a direção.

Uma bela e delicada orquídea no Vale da Luva, 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Uma bela e delicada orquídea no Vale da Luva, 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Uma bela e delicada orquídea no Vale da Luva, 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Uma bela e delicada orquídea no Vale da Luva, 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Já quando o tempo está fechado e a neblina toma conta da paisagem, algo muito normal de ocorrer por aqui, a história é outra. Como boa parte da trilha é feita sobre rocha, o caminho não fica marcado no chão. São colocadas algumas setas de orientação, assim como totens de pedra sobre rochas mais altas. Mesmo assim, é incrivelmente fácil sair do caminho correto. Sem a visão mais ampla da paisagem para nos orientar, no caso de neblina, as chances de se perder no caminho são enormes, mesmo para aqueles que já fizeram a trilha algumas vezes. O segredo está em reconhecer logo o erro e voltar até a última seta ou tóten. Se insistirmos no erro achando que vamos voltar ao caminho correto, as chances de darmos em algum penhasco ou beco sem saída são enormes! Foi nesse trecho que meu grupo se perdeu quando estivemos aqui há uns 12 anos, mas o tempo estava aberto e conseguimos ver a trilha um pouco mais adiante. Mas se estivesse nublado, estaríamos em maus lençóis!

No alto do Morro da Luva, seguindo em direção a Cachoeirinha, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No alto do Morro da Luva, seguindo em direção a Cachoeirinha, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Vegetação muito comum nos campos de altitude, a mais de 2 mil metros de altura, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Vegetação muito comum nos campos de altitude, a mais de 2 mil metros de altura, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Enfim, hoje o céu estava claro e o sol brilhava radiante. Ao longe, víamos outros grupos que haviam partido antes de nós. Estavam um vale e uma montanha à nossa frente, mas eram uma boa referência. Mais tarde, também começamos a cruzar com grupos que faziam o sentido contrário. Mas não eram muitos não, já que estamos numa sexta-feira de Agosto. Amanhã sim, o movimento deve ser maior.

Indicação da trilha no alto do Morro da Luva, no 2o dia da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Indicação da trilha no alto do Morro da Luva, no 2o dia da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


O Castelo do Açu, de onde partimos duas horas antes, visto do alto do Morro da Luva, no 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

O Castelo do Açu, de onde partimos duas horas antes, visto do alto do Morro da Luva, no 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Saindo do Castelo do Açu, são quase 30 minutos até o Morro do Marco. Ele é facilmente reconhecido pela enorme pirâmide de pedras no seu topo, o tal do “marco”. que dá nome ao lugar. Depois, são outros 30 minutos, agora de descida, até o fundo do Vale da Luva. É um local encantador, coberto por uma mata nebular. Há uma nascente e um pequeno riacho onde podemos matar a cede e até nos refrescar um pouco. Mas a maior beleza é a flora do local, com diversas espécies de orquídeas endêmicas. Para quem pensa em fazer a travessia do parque em apenas dois dias e uma noite, aqui é o melhor lugar para se acampar.

No alto do Morro da Luva, admirando o Garrafão e a Pedra do Sino, no 2o dia da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No alto do Morro da Luva, admirando o Garrafão e a Pedra do Sino, no 2o dia da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Novamente a lua nos acompanhou no final de tarde em mais um dia de caminhadas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Novamente a lua nos acompanhou no final de tarde em mais um dia de caminhadas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Depois do refresco, subida novamente. São mais 30 minutos até o topo do Morro da Luva, onde a vista fica grandiosa novamente. Lá na frente, a Pedra do Sino, e já bem atrás de nós, o Castelo do Açu. É aqui um dos locais onde a trilha se perde num labirinto de rochas e vegetação rala e rasteira. Temos de ficar de olho nas indicações. O problema é que muitos tótens foram montados um pouco fora da trajetória e isso acaba por nos confundir. Quando descemos do lado de lá, temos de atravessar um pequeno riacho. Eu atravessei ele logo e não consegui achar o caminho do lado de lá. Tentamos, olhamos, vasculhamos e nada. Até que seguimos a opinião da Ana e voltamos ao riacho. Ao invés de atravessá-lo, o correto era seguir pelo seu leito por algum tempo. Finalmente, as indicações voltaram a aparecer e ficamos seguros que tínhamos voltado ao caminho correto. Um pouco mais adiante e mais abaixo, chegamos à Cachoeirinha, outro ponto de referência importante na rota.

O Garrafão e a região conhecida como Portais de Hercules, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

O Garrafão e a região conhecida como Portais de Hercules, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Nuvens vêm subindo o vale e já chegam ao Garrafão, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. A diferença de tempo entre uma foto e outra é de uma hora

Nuvens vêm subindo o vale e já chegam ao Garrafão, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. A diferença de tempo entre uma foto e outra é de uma hora


Aí nos refrescamos novamente e aproveitamos para lanchar. Bem à nossa frente, subindo o vale do lado de lá, mais um ponto importantíssimo da rota: o “Elevador”. Esse é o nome que se dá a um trecho que é vencido com a ajuda de uma escada formada por grampos de ferro fincados na rocha com dezenas de metros de altura. Não estamos subindo propriamente uma parede, mas a inclinação gira em torno de 70 graus e sem os degraus, a tarefa seria muito mais difícil, senão impossível, pelo menos para quem não tem cordas, como é o nosso caso. Mesmo com os degraus, o peso da mochila nas costas se prova um desafio nessa parte. mas, com calma e paciência, vamos vencendo os degraus e chegando a uma rampa rochosa que nos levará ao topo de mais uma montanha, o Morro do Dinossauro, um dos pontos mais elevados da travessia. Tão elevado que é daí que temos a melhor visão do Garrafão e da Pedra do Sino. O Castelo do Açu já está pequenino lá atrás!

A pequena Cachoeirinha, em mais um dos vales que temos de atravessar nesse 2o dia de caminhadas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

A pequena Cachoeirinha, em mais um dos vales que temos de atravessar nesse 2o dia de caminhadas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Lanchando aos pés da Cachoeirinha, no caminho entre o Castelo do Açu e a Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Lanchando aos pés da Cachoeirinha, no caminho entre o Castelo do Açu e a Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Descendo o Dinossauro, chegamos ao Vale das Antas. Ele é ainda mais verde que o Vale da Luva, também cheio de orquídeas. Aí está a nascente do rio Soberbo. Também é um local muito agradável para se descansar e refrescar, mas o camping é proibido pela fragilidade do ecossistema presente. Esse é o ponto mais baixo da caminhada de hoje, o único lugar que ficamos abaixo dos 2 mil metros de altitude.

Nossa primeira visão do chamado 'Elevador', um dos trechos mais íngrimes na trilha que atravessa o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro.

Nossa primeira visão do chamado "Elevador", um dos trechos mais íngrimes na trilha que atravessa o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro.


Com a ajuda de grampos de ferro fincados na rocha, subindo o Elevador, com inclinações próximas de 70 graus, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Com a ajuda de grampos de ferro fincados na rocha, subindo o Elevador, com inclinações próximas de 70 graus, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Subindo o vale do lado de lá, chegamos ao Dorso da Baleia. A Pedra do Sino e sua enormes paredes de rocha estão bem a frente de nós, numa visão de estarrecer. Já tínhamos iniciando nossa caminhada há seis horas e chegávamos ao final de tarde. A partir das duas da tarde, observamos uma formação de nuvens subir pelo vale e chegar ás montanhas. Começávamos a temer que o tempo ficaria encoberto, mas pelo menos até agora, as nuvens se mantinham abaixo de nós, mais ou menos na altura do Dedo de Deus, aos 1.600 metros.

Com a ajuda de grampos de ferro fincados na rocha, subindo o Elevador, com inclinações próximas de 70 graus, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Com a ajuda de grampos de ferro fincados na rocha, subindo o Elevador, com inclinações próximas de 70 graus, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Caminhando no Morro do Dinossauro, cada vez mais próximos do Garrafão e da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Caminhando no Morro do Dinossauro, cada vez mais próximos do Garrafão e da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Antes de descermos a grota que separa o Dorso da Baleia da Pedra do Sino, mostrei para a Ana a nossa rota adiante, que segue por uma aresta lateral da gigantesca montanha de pedra à nossa frente. Dali de longe era difícil crer que havia uma trilha naquela passagem tão estreita e espremida entre a parede de pedra e o penhasco aos eu lado. Mas era ali mesmo que passaríamos.

Mais um momento de descanso, lado no Morro do Dinossauro e admirando o trecho da trilha que tínhamos acabado de fazer, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Mais um momento de descanso, lado no Morro do Dinossauro e admirando o trecho da trilha que tínhamos acabado de fazer, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


No alto do Morro do Dinossauro e de frente ao Vale das Antas, admirando o Garrafão e a Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

No alto do Morro do Dinossauro e de frente ao Vale das Antas, admirando o Garrafão e a Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Quando passamos pela grota e chegamos à aresta, ela não parece assim, tão amedrontadora. É estreita sim, mas a vegetação ao nosso lado nos impede de ver o penhasco que está ali, a menos de um metro de distância. Vamos subindo e escalaminhando através da aresta, dando a volta na montanha, até que aparece à nosa frente o a passagem mais temida da Travessia da serra dos Órgãos: o “cavalinho”.

Mapa topográfico da trilha no nosso 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, do Castelo do Açu à Pedra do Sino. Nesse tipo de mapa, linhas próximas significam terreno mais íngrime

Mapa topográfico da trilha no nosso 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, do Castelo do Açu à Pedra do Sino. Nesse tipo de mapa, linhas próximas significam terreno mais íngrime


Sobre o Dorso da Baleia, já podemos ver a aresta (marcada em amarelo) por onde vamos subir a Pedra do Sino, parte final do 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Sobre o Dorso da Baleia, já podemos ver a aresta (marcada em amarelo) por onde vamos subir a Pedra do Sino, parte final do 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Esse é o nome que se dá para uma pedra que interrompe a aresta e o nosso caminho. Eles continuam do lado de lá e temos de passar por cima da tal pedra. Será que foi ela que inspirou Tom Jobim e Vinícius de Moraes? O problema maior é que as agarras para se montar na pedra estão do lado do abismo, e não do lado da parede. Assim, quando tentamos subir nela, fica explícito, salta os nossos olhos, o tamanho do desfiladeiro ao nosso lado. Pode ser psicológico, mas um escorregão e um pouco de azar combinados seriam morte certa. Por isso, o recomendável é que se tenha uma corda de segurança por aqui. Passa primeiro alguém com mais experiência, fixa a corda e auxilia os que vem de trás.

Já na aresta da Pedra do Sino, podemos ver a 'Pedra do Cavalinho' (marcada em amarelo na foto), ao lado de um precipício e obstáculo mais perigoso ao longo da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Já na aresta da Pedra do Sino, podemos ver a 'Pedra do Cavalinho" (marcada em amarelo na foto), ao lado de um precipício e obstáculo mais perigoso ao longo da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A difícil transposição da Pedra do Cavalinho, na aresta da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. Aqui, feita com a sempre recomendada ajuda de cordas, equipamento que nós não tínhamos (foto da Internet)

A difícil transposição da Pedra do Cavalinho, na aresta da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. Aqui, feita com a sempre recomendada ajuda de cordas, equipamento que nós não tínhamos (foto da Internet)


Não era o nosso caso, pois como já disse, não tínhamos corda. Então, tirei minha mochila e passei primeiro. Já na segurança do lado de lá, peguei as mochilas que a Ana passou para mim. Depois, com toda calma e cuidado, ajudei a minha esposa, os meus braços fazendo as vezes da corda de segurança. Assim, ela passou para o lado de cá e nosso último grande desafio dessa travessia ficava para trás! Daqui em diante, era só continuar a seguir a aresta, que acaba se tornando uma trilha normal, até a bifurcação entre o caminho que leva ao cume da Pedra do Sino e àquele que leva ao Abrigo 4.

Mapa do nosso 2o dia na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, trecho entre o Castelo do Açu e o Abrigo 4, aos pés da Pedra do Sino

Mapa do nosso 2o dia na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, trecho entre o Castelo do Açu e o Abrigo 4, aos pés da Pedra do Sino


O 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, termina com mais um belíssimo pôr-do-sol visto da aresta da Pedra do Sino

O 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, termina com mais um belíssimo pôr-do-sol visto da aresta da Pedra do Sino


Nós chegamos aí cansados e bem nos últimos momentos de luz do sol. Titubeamos um pouco e acabamos por decidir ver o entardecer dali mesmo. Subiríamos a Pedra do Sino na manhã seguinte, pois o Abrigo 4 é bem próximo desse ponto e ainda tínhamos de montar nossa barraca. Trocamos o Pôr-do-sol lá no cume pelo nascer-do-sol no dia seguinte. Pelo menos na hora, foi o que nos pareceu mais sensato...

O 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, termina com mais um belíssimo pôr-do-sol visto da aresta da Pedra do Sino

O 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, termina com mais um belíssimo pôr-do-sol visto da aresta da Pedra do Sino

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Os Canyons de Talampaya

Argentina, Talampaya

Um dos mirantes no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Um dos mirantes no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Se ontem só começamos nosso programa no parque às duas da tarde, já que tivemos de dirigir 300 km para chegar lá, hoje já estávamos cedinho na entrada do Talampaya. Isto mesmo, mudamos de parque, do Ischigualasto para o Talampaya, mas os dois são vizinhos e protegem uma área contígua.

Mapa do Parque Nacional Talampaya, na Argentina. Nós fizemos todos esses circuitos a pé.

Mapa do Parque Nacional Talampaya, na Argentina. Nós fizemos todos esses circuitos a pé.


Com o nosso grupo, início da caminhada no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Com o nosso grupo, início da caminhada no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Os dois parques foram criados mais ou menos na mesma época, meados da década de 70, com o objetivo de proteger um dos principais sítios de fósseis do mundo, além da natureza belíssima. Inicialmente, ambos eram parques provinciais, mas no final da década de 90 Talampaya passou à administração federal. A linha que divide os dois parques é a mesma que divide as províncias de San Juan e La Rioja, mas mesmo estando assim, separados, juntos foram elevados a Patrimônio Natural Mundial pela UNESCO, em 2000.

Com o nosso grupo, início da caminhada no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Com o nosso grupo, início da caminhada no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Aproveitando a sombra para uma pausa na caminhada através do árido Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Aproveitando a sombra para uma pausa na caminhada através do árido Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Um aspecto importante que diferencia os dois parques é a maneira de visitação. Enquanto em Ischigualasto entramos em caravana de carros no parque e assim percorremos o circuito turístico lá dentro, as opções em Talampaya são mais variadas. Aqui, também podemos fazer um circuito de carro, mas tem de ser num veículo do próprio parque. Outra opção é fazer um percurso de bicicleta, o que nos dá um contato mais próximo com a natureza da região. Por fim, há um circuito que pode ser percorrido a pé, cerca de 13 km passando por lugares inacessíveis para quem opta pelo carro ou pela bicicleta.

Entrando em um dos canyons do Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Entrando em um dos canyons do Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Entrando em um dos canyons do Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Entrando em um dos canyons do Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Tudo isso aprendemos ali na portaria mesmo, pouco depois das 8 da manhã. Já havia uns cinquenta turistas esperando pela abertura dos portões, o que até nos assustou um pouco. Muita gente trazida de ônibus por agências de turismo de San Juan ou da capital de La Rioja. Só ficamos mais tranquilos quando descobrimos que a grande maioria optou pelo passeio no caminhão com ar condicionado. Sobrou um pequeno grupo que acabou se dividindo entre a bicicleta e a caminhada. Depois de conversar com um guia local, optamos pela segunda opção, pé no chão mesmo, o que percebemos ter sido uma opção acertadíssima ao final do dia.

Admirando os rochedos durante nossa caminhada no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Admirando os rochedos durante nossa caminhada no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Admirando os rochedos do Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Admirando os rochedos do Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Para aqueles que optaram pela caminhada, nós e mais seis pessoas, pudemos entrar no parque com o nosso carro, ao menos pelos primeiros 13 km de estrada de terra, cortando uma árida planície. Já bem perto de um enorme rochedo, o tal do Talampaya, aí deixamos o carro numa base avançada do parque e começamos a caminhar, guiados pelo animado e inteligente Sergio. Junto conosco, apenas argentinos, uma turma de La Plata e outra de Quilmes, todos interessadíssimos em natureza e cheios de energia para gastar.

Nosso guia nos fotografa no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Nosso guia nos fotografa no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Nosso guia nos mostra e explica sobre inscrições rupestres no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Nosso guia nos mostra e explica sobre inscrições rupestres no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


O Sergio resolveu nos levar para fazer um circuito grande, entrando pela Quebrada Don Eduardo, nome que homenageia um antigo morador, e voltando pelo monumental Canyon Talampaya, delineado por gigantescas paredes avermelhadas com mais de 100 metros de altura. Um circuito com pouco mais de 13 km para fazermos em 6 horas de passeio, com tempo bastante para as explicações do Sergio, para as fotos, as paradas estratégicas nos lugares sombreados e para um lanche em um mirante. No caminho, muita geologia, vida selvagem e inscrições rupestres.

Caminhando no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Caminhando no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Pequeno descanso durante caminhada no incrível Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Pequeno descanso durante caminhada no incrível Parque Nacional Talampaya, na Argentina


O único trecho mais difícil, justamente pelo calor, é caminharmos do local onde deixamos os carros até a encosta do rochedo e do canyon. A partir daí, vamos sempre na sombra e o visual que nos cerca é tão magnífico que ninguém pensa em cansaço. Mais cansativo ainda deve ter sido pelo pessoal da bicicleta, que passou por nós nesse trecho. O solo é formado por areia solta e deu para ver que eles estavam fazendo força!

Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Paisagem rochosa e avermelhada do Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Paisagem rochosa e avermelhada do Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Depois de descansarmos um pouco na sombra de uma frondosa árvore no início da Quebrada Don Eduardo, o Sergio passou a nos conduzir por trilhas estreitas em pequenos canyons e gargantas rochosas. Era aí que morava o Don Eduardo que se recusou a sair daí mesmo quando a área passou a ser protegida, tornando-se folclórico na região. Completamente isolado do mundo moderno, não deveria ser fácil sobreviver por ali. Até os filhos se foram, mas lar é lar!

Pequenos cactus no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Pequenos cactus no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Encontro com o Ñandú, equivalente à nossa ema, no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Encontro com o Ñandú, equivalente à nossa ema, no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Muito antes de Don Eduardo, quem também viveu por ali foram os primeiros americanos, há milhares de anos. O clima deveria ser um pouco mais úmido, como atesta a erosão feita por rios e riachos bem mais caudalosos que os atuais. Esses povos deixaram suas marcas e sua arte inscrita nas rochas, o que o Sergio foi nos mostrando ao longo do caminho. Se os fósseis tão mais comuns em Ischigualasto, as marcas da antiga ocupação humana são bem mais comuns por aqui. Provavelmente pela proteção natural que os próprios rochedos e canyons forneciam.

Maras, um grande roedor que vive no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Maras, um grande roedor que vive no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Encontro com guanacos durante caminhada no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Encontro com guanacos durante caminhada no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Quem dividia este ambiente com esses antigos moradores era a mesma fauna que ainda observamos hoje. No ar se destacam os pássaros grandes, como condores e águias. Na terra, além de pequenos lagartos, vimos também raposas (os “zorros” aqui na Argentina), guanacos (primos das lhamas e vicunhas), maras (um grande roedor) e ñandús (que são as nossas emas). Não parecem ter muito medo de nós, humanos, já que faz tempo que a caça é proibida. Mas não deveria ser assim a uns poucos milhares de anos, quando todos esses animais faziam parte da dieta dos nossos antepassados.

O grupo sobe para um dos mirantes do Parque Nacional Talampaya, na Argentina

O grupo sobe para um dos mirantes do Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Os enormes paredões avermelhados do Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Os enormes paredões avermelhados do Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Nós, depois de mais de uma hora seguindo por pequenos canyons bem estreitos e pitorescos, chegamos ao mirante onde fizemos nosso lanche, visão bem ampla dos vales abaixo para nos embalar. Ficamos só imaginado aquela paisagem toda quando havia mais água por aqui. O próprio caminho que percorremos, hoje completamente seco, deve ter sido cavado por uma água em fúria. Se bem que o Sergio nos disse que, embora quase nunca chova por aqui, quando chove, é muito intenso. Aí, por algumas poucas horas, riachos, corredeiras e cachoeiras ressuscitam, uma lembrança rápida de antigos tempos gloriosos.

Pausa para fotos e lanche do nosso grupo no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Pausa para fotos e lanche do nosso grupo no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Um dos vales do Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Um dos vales do Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Depois do lanche, descemos para o outro lado do vale e começamos a voltar pelo imponente Canyon de Talampaya. O que havia de estreito na Quebrada Don Eduardo, havia de amplidão nesse canyon delimitado por paredes altíssimas. Até cruzamos um pequeno riacho por aí e brincamos muito com o eco das nossas vozes. As paredes reverberavam nossos gritos ainda mais altos do que o original! Incrível!

Curtindo a beleza do cenário do Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Curtindo a beleza do cenário do Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Um dos mirantes no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Um dos mirantes no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Aí também encontramos muito da fauna que vimos nesse passeio e também o caminhão que faz o tour com os turistas. Passam lá longe, eles descem, tiram umas fotos e seguem em frente. Foi quando tivemos certeza que a nossa opção pela caminhada tinha sido muito melhor, poder caminhar até as imensas paredes, olhar para cima e ter consciência da nossa insignificância na paisagem. É sempre bom nos colocar em perspectiva, hehehe!

Entrando em um vale seco cercado por gigantescas paredes no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Entrando em um vale seco cercado por gigantescas paredes no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Encontro com um raro riacho no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Encontro com um raro riacho no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Quando finalmente saímos desse canyon e voltamos ao vale onde havíamos começado nossa caminhada, muitas horas mais cedo, aí era o lugar conhecido como Porta de Talampaya, as paredes do canyon formando uma entrada digna de gigantes. Mesmo os antigos dinossauros iriam se apequenar por aqui. Se bem que, é bom lembrar, os dinossauros são mais antigos do que essa paisagem!

As gigantescas pareds avermelhadas da Puerta de Talampaya, no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

As gigantescas pareds avermelhadas da Puerta de Talampaya, no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


As gigantescas pareds avermelhadas da Puerta de Talampaya, no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

As gigantescas pareds avermelhadas da Puerta de Talampaya, no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Falando em dinossauros, eles ainda estariam no nosso caminho. Após caminharmos de volta aos nossos carros e dirigirmos até a saída do parque, ali do lado da portaria existe um pequeno museu, ou exposição ao ar livre. É o chamado “Parque Triássico”, onde podemos caminhar por entre esses antigos seres que dominaram a Terra por tanto tempo. Várias espécies que viviam por aqui foram reconstruídas em maquetes tamanho natural e muito bem feitas. Só é estranho vê-los no meio de uma paisagem desértica, pois não era assim quando viviam. Mas, enfim, é muito legal vê-los tão de perto!

As gigantescas pareds avermelhadas da Puerta de Talampaya, no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

As gigantescas pareds avermelhadas da Puerta de Talampaya, no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Entrada para a 'Trilha do Triássico', no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Entrada para a "Trilha do Triássico", no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


E com isso, terminamos nossa visita a esses incríveis parques perdidos aqui no deserto do meio oeste argentino, uma atração ainda tão pouco conhecida dos brasileiros. Aliás, sobre isso vou falar no próximo post, essa “outra” Argentina, tão incrível e ainda tão desconhecida de seus vizinhos (nós!), que preferem se manter no eixo Buenos Aires – Bariloche.

Dinossauros encontrados no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Dinossauros encontrados no Parque Nacional Talampaya, na Argentina


Dinossauros encontrados no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Dinossauros encontrados no Parque Nacional Talampaya, na Argentina

Argentina, Talampaya, trilha, Parque, dinossauro, geologia

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Friozinho em Pernambuco

Brasil, Pernambuco, Triunfo, Serra Talhada, Gravatá

Região serrana em Gravatá - PE

Região serrana em Gravatá - PE


Para nós, no sul, é sempre estranho pensar num clima frio no nordeste. Não combina com aquela imagem que vemos na TV do árido dertão. Pois bem, Pernambuco e os recifences também tem a sua versão de Campos de Jordão. Na verdade, mais de uma. São cidades serranas que no inverno tem mínimas de até 10 graus e que, mesmo no verão, durante a noite tem clima muito agradável, compatível com um bom vinho e mesmo um fondue!

Hotel em Triunfo - PE

Hotel em Triunfo - PE


O ponto mais alto do estado, com quase 1.300 metros de altitude, fica na cidade de Triunfo, a quase 500 km de Recife. E foi para lá que nós seguimos depois de nossa visita ao Vale dos Dinossauros, perto de Sousa, no sertão paraibano. Com uma combinação de estradas de asfalto em bom e mal estado e também de estradas de terra cruzando a serra entre os dois estados, chegamos em Triunfo já de noite. Três estados num só dia, já que tínhamos amanhecido em Juazeiro do Norte, no Ceará.

Casario colorido em Triunfo - PE

Casario colorido em Triunfo - PE


Em Triunfo ficamos no hotel do Sesc, no alto do morro. Friozinho gostoso que a Ana aproveirou para usar manga comprida! De manhã cedo, até umas dez da manhã, tudo o que víamos era neblina. Impossível se imaginar em pleno sertão pernambucano! Aí, finalmente, ela se levantou e pudemos observar o centro da cidade lá embaixo. Ainda demos uma volta de carro por lá para fotografar o belo casario colorido, marca registrada da cidade.

Museu em Serra Talhada - PE

Museu em Serra Talhada - PE


Nosso próximo objetivo foi a cidade vizinha de Serra Talhada. Para chegar lá descemos uma bonita serra. A temperatura muda bruscamente enquanto descemos e logo voltamos àquele calor característico do sertão. Em Serra Talhada queríamos visitar o museu do Cangaço para aprender mais de Lampião e Maria Bonita. Mas demos azar de chegar lá perto do meio dia, horário que o museu fecha. Só deu para dar uma olhadinha em algumas fotos da época.

Pub trazido da Inglaterra em nosso hotel em Gravatá - PE

Pub trazido da Inglaterra em nosso hotel em Gravatá - PE


Aí, uma longa viagem em direção ao leste, atravessando boa parte deste comprido estado. Chegamos a 80 km de Recife, na cidade de Gravatá. Esta é a "Campos de Jordão" preferida dos pernambucanos. Muitos hoteis e resorts que lotam na temporada (inverno!). Nós escolhemos o Hotel Highlander, em meio a uma linda paisagem serrana. Já no final de tarde, fizemos amizade com o simpático proprietário do hotel, o Fonseca, e com ele tivemos uma longa conversa sobre viagens, hotéis e outros assuntos. Muito jóia!

Com o Cláudio Fonseca, o simpaticíssimo proprietário do Hotel Highlander, em Gravatá - PE

Com o Cláudio Fonseca, o simpaticíssimo proprietário do Hotel Highlander, em Gravatá - PE


Por fim, com o frio aumentando e para comemorar nossos 19 meses de casados, comemos um fondue de queijo acompanhado de um bom vinho chileno. Uma ótima e estratégica passagem pelas montanhas de Pernambuco para nos preparar para outra longa temporada praiana que começa amanhã num lugarzinho bem "mais ou menos": Fernando de Noronha.

Celebrando o 19o mês de casamento com um fondue de queijo em Gravatá - PE

Celebrando o 19o mês de casamento com um fondue de queijo em Gravatá - PE

Brasil, Pernambuco, Triunfo, Serra Talhada, Gravatá, Lampião, Maria Bonita

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