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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Rio De Janeiro Há 2 anos: Rio De Janeiro

Para o Alto e Avante!

Brasil, Rio De Janeiro, Angra dos Reis, Ilha Grande

A aniversariante curtindo a vista maravilhosa do alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

A aniversariante curtindo a vista maravilhosa do alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Aniversário da Ana! Resolvemos comemorar em alto estilo. Ou, mesmo sem muito estilo, pelo menos no alto, lá no alto. A segunda maior montanha da Ilha Grande é o Pico do Papagaio, com quase mil metros de altura. Há uma trilha bem sinalizada que sai da estrada que liga Abraão a Dois Rios e que leva ao pico. Foi para lá que eu e a Ana rumamos, logo cedinho.

O Pico do Papagaio, visto do catamaran de Ilha Grande para Angra dos Reis - RJ

O Pico do Papagaio, visto do catamaran de Ilha Grande para Angra dos Reis - RJ


Faz tempo que queria ir lá com a Ana. Mas, da outra vez que estivemos na Ilha, ficamos hospedados do outro lado da Ilha, na Praia Vermelha. Muito longe para este passeio. Desta vez, ficamos esperando o bom tempo. E a previsão já dizia que seria hoje. Por increça que parível, ela acertou! A noite estava encoberta e o dia nasceu ensolarado! Viva, foi o presente de S. Pedro!

Energia para a subida do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

Energia para a subida do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Só tínhamos um pequeno problema: queríamos pegar o catamaran das 12:30, para podermos viajar para o Rio e chegarmos em boa hora. O próximo barco era só às 17:00. Então, saímos cedinho, já desocupando o quarto da pousada. Caminhada morro acima pela estrada até o início da trilha. Até ali já conhecíamos e passou rapidinho.

Início da trilha do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

Início da trilha do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Depois, pé na trilha, subindo pirambeiras e descansando nos trechos planos. Apesar de muito nos recomendarem irmos acompanhados de um guia, ele realmente não é necessário. A trilha está muito bem marcada. Mas, pensando bem, tivemos um guia sim. Um guia quadrúpede! Um simpático vira-lata que nos viu comprando água na padaria e dispensando o conselho de levar um guia resolveu nos levar. Eu que no início não dava nada por ele foi me surpreendendo, me surpreendendo e, lá pelas tantas, dei o braço a torcer: realmente, ele iria conosco até lá em cima! Na falta de melhor nome, apelidamos ele de “Dog”. Não só foi até lá em cima como, em vários trechos da mata, ele se embrenhava no mato para fuçar bastante e depois reaparecia, todo lampeiro. Uma graça!

O Dog, nosso companheiro de caminhada, no alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

O Dog, nosso companheiro de caminhada, no alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Buenas, seguimos a trilha sem sobressaltos exceto um. Um sobressalto beeeeeem sonoro. Começamos a ouvir um barulho de motosserra lá na frente. Motosserra? Ali, em pleno parque? Muito estranho. Fomos nos aproximando e o barulho aumentava. Por trás da motosserra, ouvia algumas vozes. Cada vez mais estranho. Olhei para trás, procurando a Ana e vi que ela carregava um galho grande.”Hmmmm... defesa pessoal”, imaginei. Realmente, não estava gostando da idéia de encontrar madeireiros ilegais ali, só eu e o Dog para proteger a loira linda atrás de mim. Bom, cada vez mais atentos, fomos seguindo. Até que percebemos que o barulho, na verdade, eram de um gripo enorme de macacos. Bugios Gritadores, é o nome. O líder grita muuuito alto. Chega a ser amedrontador. Só não ficamos com medo porque, no dia anterior lá no Centro de Visitantes, conversamos muito sobre ele e seu instinto gritador. Foi uma experiência incrível, no meo daquela mata, ouvir aquela gritaria toda, tão perto de nós.

Com o Dog, no alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

Com o Dog, no alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Após os macacos, seguimos até o cume. Saímos às 07:30 e chegamos à 10:15 lá em cima. Vista impressionante do mar, da baía e da própria Ilha Grande, com suas praias como a Lopes Mendes e a enseada do Abraão. Ficamos uns 15 min lá em cima, só nos três (não esqueçam do Dog!), admirando a vista.

No cume do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

No cume do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Depois, tempo de voltar em disparada. Só tínhamos duas horas. Viemos acelerados pela trilha e depois pela estrada. Até que, já perto de Abraão e também do prazo fatal, a gente se separou. Eu fui correndo para a pousada pegar nossa bagagem onde fui recebeido em grande festa pelas atendentes, que não tinham acreditado que conseguiríamos. Consegui até uma chuverada rápida no chuveirão do jardim. A Ana foi comprar as passagens e a gente se encontrou no píer. Cinco minutos depois, zarpava o catamaran. Foi em cima!!!

No alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

No alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Relaxamos no teto durante a volta e, chegando em Angra, descolamos um banho de chuveiro no Hotel Kuxixo, onde tínhamos ficado hospedados. O pessoal foi muito amável conosco. Gente boníssima. O dono do hotel até nos fez prometer que, após ficar admirado e emocionado com nossa viagem, passássemos em Aparecida para agradecer Nossa Senhora, depois dos 1000dias. Promessa feita, será cumprida! Mas ela vai ter de nos proteger!

Descendo a trilha do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ

Descendo a trilha do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ


Depois, direto para o Rio, para o alto Leblon, no apartamento do Pedro, Íris e Bebel. Tivemos tempo de ir comprar vinhos, uma torta, a Íris fez uma deliciosa pasta e celebramos juntos, em família, a aniversário da minha lindona.

Aproveitando o dia de sol no teto do catamaran de Ilha Grande para Angra dos Reis - RJ

Aproveitando o dia de sol no teto do catamaran de Ilha Grande para Angra dos Reis - RJ


E agora, temos alguns dias pela frente para explorar essa cidade que adoramos tanto...

Celebrando o aniversário da Ana no apartamento do Pedro e da Íris, no Rio de Janeiro - RJ

Celebrando o aniversário da Ana no apartamento do Pedro e da Íris, no Rio de Janeiro - RJ

Brasil, Rio De Janeiro, Angra dos Reis, Ilha Grande, Praia, trilha, Montanha, Abraão, Pico do Papagaio

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Alarme Falso

Brasil, Paraná, Curitiba

Queijos e vinho na última noite em Curitiba

Queijos e vinho na última noite em Curitiba


Pois é, alarme falso. Depois de ir dormir as três e meia da madruga e acordar meio tarde, dia nublado, fomos ficando, ficando e decidimos adiar mais um dia a nossa partida, por vários motivos.

Primeiro, o nosso mergulho em Santos, na quarta seguinte, ficou meio duvidoso. O dono da agência está no Mar Vermelho. Depois, tínhamos de comprar e furar a tampa da caixa de mergulho da Ana. A velha, depois de tantos aviões no Caribe, estava detonada. Finalmente, um problema na nossa conta telefônica da TIM que teríamos de resolver hoje.

E mais uma coisa a me atazanar: obter o visto para o Canadá está muuuuito complicado. Os despachantes acham a situação muito esquisita, um cara desempregado, sem passagens de avião ou reservas de hotéis que quer um visto válido por três anos... melhor ir lá no consulado pessoalmente. Só que, para isso, é preciso marcar horário. Meia hora falando com uma máquina ao telefone e, quando vamos chegar numa pessoa a linha está ocupada e cai automaticamente. Aí, novo interubano, nova tentativa, nova linha ocupada. Um saco! E tudo isso entre 11:00 e 12:30. Um verdadeiro inferno. Próxima data para entrevista (a máquina nos diz, depois de nos aconselhar uma centena de vezes a procurar um despachante!), só dia 27 de Junho. Estou quase desencanando e tentando esse visto só em Seattle. Se ao menos eu soubesse com certeza que isso é possível...

Bom, resolvemos o lance da tampa da caixa, fizemos mais uma visita ao Alcides e Cida, solucionamos a questão da TIM, compramos queijos, pegamos um vinho da nossa "coleção" e celebramos nossa última noite em Curitiba em alto estilo. A Fiona toda carregada, tivemos uma celebração bem gostosa, sem peso na consiência, nada por fazer, carro pronto para partir. Amanhã, dia 20, Ana, Rodrigo e Fiona na estrada!

Brasil, Paraná, Curitiba,

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O Deserto e os Fervedouros

Brasil, Tocantins, Mateiros

Visitando o mais tradicional fervedouro do Jalapão, próximo à Mateiros - TO

Visitando o mais tradicional fervedouro do Jalapão, próximo à Mateiros - TO


Hoje o dia amanheceu chuvoso e, meio desejosos de um pouco de sossego depois de tanta correria, aproveitamos para decidir passar mais um dia no Jalapão, bem tranquilos. Ficamos na pousada pela manhã, trabalhando na internet e, quando a chuva finalmente parou, fomos almoçar na Dona Rosa, comida caseira famosa em Mateiros. Ali o Wesley foi nos encontrar, para juntos seguirmos para os feverdouros para uma tarde relaxante. O Wesley é um goiano que mora em Palmas e que conhecemos na pousada em São Félix. Aqui em Mateiros, também ficamos na mesma pousada.

Fervedouro e as tradicionais bananeiras, próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO

Fervedouro e as tradicionais bananeiras, próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO


Deve haver mais de uma dezena de fervedouros conhecidos na região do Jalapão, a maioria deles em terrenos particulares não abertos à visitação. É água nascendo prá todo lado! Soma-se a isso os rios caudalosos e as veredas e vem a curiosidade: mas porque então a região é conhecida como "Deserto do Jalapão"? A Ana, por exemplo, quando eu falava da minha viagem de 2000 por aqui, dezenas de quilômetros sem cruzar com ninguém, ficava me imaginando cruzando dunas e dunas de areia, quase como o Saara. Tenho certeza que outras pessoas tem a mesma ideia, do tanto que se fala do tal "deserto"...

As chapadas próximas à Mateiros, região do Jalapão - TO

As chapadas próximas à Mateiros, região do Jalapão - TO


Pois é, o tal "deserto" não tem nada a ver com ausência de vegetação, como são os desertos mais conhecidos, mas com ausência de pessoas! O Jalapão tem a menor densidade populacional do país, se equivalendo com a Amazônia! É só isso, falta de gente! Porque, além de água, vegetação tem muita também! Principalmente agora, no fim do período de chuvas, o cerrado está viçoso, florescendo. Uma beleza! Nada a ver com um deserto, hehehe.

Estradas encascalhadas do Jalapão, próximo à Mateiros - TO

Estradas encascalhadas do Jalapão, próximo à Mateiros - TO


Então, voltando aos fervedouros, para lá seguimos, diretamente ao mais tradicional deles, o único que eu tinha visitado onze anos atrás. Esse, não tem nem nome oficial, é simplesmente "o" fervedouro. Fica à pouco menos de 30m km de Mateiros, na mesma entrada para o Povoado de Mumbuca. Certamente não é tão belo como o Fervedouro do Alecrim, em São Félix, mas também tem seus encantos. As mesmas bananeiras de sempre ao seu redor e uma pressão de água subindo ainda mais forte.

Pressão da água faz a areia 'rebolar' no fervedouro próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO

Pressão da água faz a areia "rebolar" no fervedouro próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO


Lá ficamos os três, por um bom tempo, encantados com o fenômeno de não conseguir afundar naquele solo nebuloso de areia. Como disse no outro post, não adianta explicar, não adianta mostrar fotografia, tem de experimentar!

Relaxando no fervedouro próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO

Relaxando no fervedouro próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO


De lá seguimos para outro, ali perto, do Soninho. É um dos maiores. Mas o dono está "regulando" a visitação apenas para seus clientes. Num mesmo lago, tem três ou quatro "bocas" de água nascendo. Depois desse, voltamos para Mateiros. De noite, rolou mais uma pizza na Pizzaria do Carioca, cujo dono, o Dázio, virou amigo nosso, amante de viagens que ele é.

Fim de tarde no cerrado próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO

Fim de tarde no cerrado próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO


Amanhã, deixamos Mateiros para seguir no rumo de Ponte Alta, a porta de entrada do Jalapão (no nosso caso, será a porta de saída...). No caminho, duas das mais famosas atrações "terrestres" da região: a Serra do Espírito Santo e as dunas avermelhadas. Depois, vamos seguir até o Rio Novo para acampar em uma de suas praias, bem próximo à Cachoeira da Velha. Que beleza de dia!

Brasil, Tocantins, Mateiros, fervedouro

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Seguindo em Frente

Brasil, Minas Gerais, Perdões, Carrancas

Banco de lavar defuntos - fazenda de Perdões

Banco de lavar defuntos - fazenda de Perdões


Por mais que queiramos seguir para o próximo destino que promete novas aventuras e belezas, é sempre muito difícil para nós partir, deixar algum lugar que ainda oferece coisas para se fazer, ver ou experimentar. Fica ainda mais difícil quando estamos bem instalados e sendo tão bem tratados. Foi o caso de Perdões, onde ficamos na fazenda da Nê e do Azão. Queríamos ter saído cedinho para poder aproveitar o dia em Carrancas. Mas, para quem tem mais de 900 dias pela frente, é sempre difícil justificar uma saída às pressas, ainda mais de um lugar tão gostoso. Deste modo, fomos ficando, ficando e só saímos bem de tarde.

Com os fazendeiros Aroldo e Ana em Perdões - MG

Com os fazendeiros Aroldo e Ana em Perdões - MG


Depois da longa confraternização na cozinha ontem, da noite gélida muito quentinha no conforto da cama e dos vários cobertores, do silêncio só quebrado por algum animal ao longe, acabamos levantando tarde. Depois, sessões de fotos e arrumação da Fiona. A quantidade de pó dentro da caçamba era alarmante e pediu não só um banho mas também a compra de uma lona para embrulhar a bagagem. Afinal, a idéia é pegar muita estrada de terra pela frente.

Fiona tomada pelo pó e poeira em Perdões - MG

Fiona tomada pelo pó e poeira em Perdões - MG


O tempo foi passando e acabamos ganhando mais um almoço mineiro naquele maravilhoso fogão à lenha. Finalmente, rumo à cidade e à internet da Comemorare, a casa de festas da Nê e Azão. Antes disso, nova sessão de fotos da cidade.

Pracinha em Perdões - MG

Pracinha em Perdões - MG


Depois da internet, visita de despedida à Tia Marlúcia que está tão bem instalada numa casa antiga restaurada, bem no centro da cidade. Deliciosas conversas sobre antigamente e, já no final de tarde, conseguimos partir. Antes disso, numa última gentileza, o Azão já conseguiu programar para nós uma visita, amanhã cedinho, a uma cachoeira bem pouco visitada de Carrancas. Diz ser uma beleza. Vamos conferir amanhã.

Tia Marlúcia e Ana Elisa em Perdões - MG

Tia Marlúcia e Ana Elisa em Perdões - MG


Viemos por um caminho alternativo, passando pela pequena Ribeirão Vermelho. Ali, cruzamos o rio numa bela ponte de ferro, compartilhada por carros e trens! Mas só passa um de cada vez. É claro que são os trens que têm preferência.

Aqui em Carrancas já estamos muito bem instalados na Pousada Senna. Com internet e tudo! Nossa estadia por aqui não poderia ter começado melhor: o dono da pousada é extremamente simpático (a Ana começa a perceber que eu não exagerava quando me vangloriava do jeito hospitaleiro dos mineiros!) e o lugar onde jantamos, o Massaroca, tem uma comida, uma trilha musical e uma sobremesa deliciosas.

Amanhã, muita cachoeira e água fria!!!

Fotografando na fazenda de Perdões - MG

Fotografando na fazenda de Perdões - MG

Brasil, Minas Gerais, Perdões, Carrancas,

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Um Mágico Encontro na Floresta

Estados Unidos, Washington State, Olympic National Park

Um grande Elk macho se alimenta na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Um grande Elk macho se alimenta na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Tempo chuvoso pela manhã, ficamos na dúvida se começávamos o dia pela mata ou pela praia. Depois de pouco pensar, decidimos pela mata, afinal, a floresta mais úmida do continente combina com chuva mesmo. E ainda dávamos uma chance para o tempo melhorar um pouco até chegarmos à praia, todas atrações do Olympic National Park, aqui no extremo noroeste dos Estados Unidos.

Chegando à floresta temperada úmida de Hoh, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Chegando à floresta temperada úmida de Hoh, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


A Hoh Temperate Rainforest, ou floresta temperada (de climas frios) úmida de Hoh é uma das maiores atrações do parque e, durante a temporada, está sempre lotada de turistas, ao menos nas proximidades do centro de visitantes. Não era o caso, hoje, e poucos foram os felizardos que cruzamos por lá.

A magnífica Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

A magnífica Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Como eu já disse, chovia. Nada mais comum para um lugar que recebe, em média, cerca de 4 metros de chuva por ano. Para se ter uma ideia, isso é o dobro da média de uma das cidades mais chuvosas do Brasil, a querida “Ubachuva”. Mas era uma chuva fraca, quase uma garoa. Protegidos pelas árvores e densa folhagem da mata, ela não nos atrapalhava em nada.

A floresta de Hoh é tão úmida que galhos e troncos estão sempre cobertos de musgos, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

A floresta de Hoh é tão úmida que galhos e troncos estão sempre cobertos de musgos, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


A floresta é maravilhosa, como tantas outras que temos visto nessa viagem. Mas aqui, com tanta umidade, a mata tem uma peculiaridade: quase todos os troncos e galhos são cobertos por musgos e líquens, um verdadeiro tapete verde que deixa tudo aveludado. Até parece que as árvores estão vestidas para o frio, hehehe.

A magnífica Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

A magnífica Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Fomos “recebidos” por uma daquelas gigantes, umas das maiores e mais velhas árvores da floresta, uma Sitka Spruce de mais de 70 metros de altura. Ela fica ali, tão silenciosa e tão soberana, vendo os séculos passarem. Quase virou lenha no início do século passado, quando a península começou a ser explorada pelo homem branco. Em pouco tempo, muitas gigantes centenárias foram ao chão, assim como boa parte da fauna quase foi extinta. Felizmente, alguns conservacionistas conseguiram convencer o governo a criar um parque nacional por ali, antes que fosse tarde demais. Hoje, pelas fotos de satélite, nem é preciso desenhar os limites do parque, pois a diferença entre as áreas exploradas e as protegidas é visível a olho nu. É impressionante o poder destrutivo da nossa espécie...

Admirando a gigantesca Sitka Spruce de 600 anos e 70 metros de altura, na Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Admirando a gigantesca Sitka Spruce de 600 anos e 70 metros de altura, na Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Mas nem só de machadadas cai uma gigante. Uma forte ventania pode ter o mesmo efeito. Assim, logo ali do lado outra gigante repousa, deitada. Provavelmente, há muitas décadas. Podemos caminhar por toda a extensão do tronco e, aí sim, podemos confirmar que essas árvores chegam aos 80 metros de altura. Caída, uma verdadeira floresta cresceu sobre o seu tronco. Ela tem nutrientes armazenados capazes de sustentar gerações de árvores menores. É lindo demais!

Orientações para o caso de encontrarmos um puma na Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Orientações para o caso de encontrarmos um puma na Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Depois dessas boas vindas, fomos fazer alguma trilha pela floresta. Logo no início do caminho, o aviso sobre os pumas e de como proceder se encontrarmos um. São raros aqui por perto, mas estão por aí. Depois de tantos ursos, os pumas não parecem tão ameaçadores, mas é sempre bom saber as dicas desse raro encontro.

Primeira visão da manada de Elks, na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Primeira visão da manada de Elks, na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Puma, talvez não encontrássemos, mas logo dois turistas que terminavam a trilha que estávamos apenas começando nos alertaram. “Há uma grande manada de elks andando por aí”. “Elks” são uma espécie de veado, parecidos com as renas do Papai Noel. Existiam aos milhares na região, mas foram caçados quase até a extinção. A criação do parque e programas de acompanhamento os salvaram e hoje eles já são bem mais comuns na área do parque, Só aqui, pois basta colocarem uma pata para fora dos limites que já se tornam alvos dos caçadores.

Aproximando-se dos Elks na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Aproximando-se dos Elks na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Eles não costumam ficar tão perto do centro de visitantes, onde começam as trilhas. Mas hoje, aparentemente, um grande grupo estava por aqui, talvez por estarmos fora de temporada. Eu e a Ana partimos ansiosos e, pouco à frente, outro grupo de pessoas nos alertou sobre eles. Aceleramos o passo, mais ansiosos ainda. Mas a ansiedade foi sendo substituída pela decepção enquanto percorríamos a trilha circular de um quilômetro e nada encontrávamos. Só vimos um turista percorrendo a trilha em sentido contrário, também procurando pela manada, cara meio desanimada.

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Completamos a volta e nada! Partimos para uma segunda volta, quem sabe? Fomos até o trecho mais “suspeito” e nada, além da bela floresta, claro. Quem sabe em outra trilha, talvez? Os animais estão sempre se movimentando... Foi aí que, quando já iniciávamos a volta, a Ana viu uns galhos se movendo estranhamente. Fixou os olhos e mandou que eu ficasse quieto. Não eram galhos, mas chifres! Lá estava a manada!

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


A partir daí, a sorte começou a sorrir para nós! Ficamos um tempo por ali, a tirar fotos e admirar aqueles incríveis animais. Mas eles estavam bem longe e não podíamos sair da trilha. Voltamos ao ponto inicial e pegamos outra trilha, na direção em que os animais caminhavam. Bingo! Não demorou muito e encontramos o mesmo grupo, agora já bem mais perto de nós. Novas fotos, nova contemplação! Até eles sumirem na mata outra vez. Voltamos e resolvemos arriscar pegar uma terceira trilha...

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Foi o auge! Agora, cruzamos com eles cara a cara. Mantendo a devida distância, ficamos ali, maravilhados. Que experiência, cruzar esses animais, tão de perto, em meio à floresta. Que bom é ver, com os próprios olhos, que outras espécies dividem o mesmo planeta conosco. Não estamos sós! Eles nos olham nos olhos. Imagino que avaliam o perigo. Algumas fêmeas são mais assustadiças. Ao machos, cheios de pose, certamente sabem que são bem mais forte do que nós. E realmente são. Acidentes acontecem e temos de guardar distância, perceber os sinais de que os bichos estão incomodados. Mas, com minha esposa tão lindaa perto, que animal se assustaria, hehehe!

Cara a cara com um Elk na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Cara a cara com um Elk na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Assim, apenas a floresta foi testemunha desse incrível e pacífico encontro. Saímos de lá leves, felizes e com uma exultação contida, além de muitas fotos na máquina. Um verdadeiro presente do destino Um momento mágico e inesquecível nesses 1000dias de viagem pela América.

Emocionante encontro com Elks na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Emocionante encontro com Elks na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Estados Unidos, Washington State, Olympic National Park, trilha, Parque, Bichos

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Já Estamos no Suriname!

Guiana Francesa, Saint Laurent, Suriname, Paramaribo, Albina

Primeira visão de Paramaribo, no Suriname

Primeira visão de Paramaribo, no Suriname


O horário da balsa que cruza o rio Maroni saindo de St. Laurent, na Guiana Francesa e chegando em Albina, no Suriname, era 08:30. Animados que estávamos para conhecer mais um país, acordamos bem cedinho para ainda passar na feira da cidade, antes da balsa. O café da manhã tinha sido comprado na noite anterior e seria "tomado" durante a travessia.

Neblina toma conta de Saint Laurent, na Guiana Francesa

Neblina toma conta de Saint Laurent, na Guiana Francesa


Assim, numa manhã cheia de neblina, passeamos pelo movimentado mercado de Saint Laurent, observando frutas conhecidas com nomes diferentes e frutas desconhecidas para nós. Pitoresco também é observar a mistura de raças, de negros à chineses, de indianos à brasileiros e até mesmo os branquelos franceses. Os negros daqui são realmente negros, e não a mistura que temos no Brasil.

Passeando na feira de Saint Laurent, na Guiana Francesa

Passeando na feira de Saint Laurent, na Guiana Francesa


Mas não demoramos muito. Afinal, sabíamos que a balsa é pequena e que não cabem muitos carros. Se perdêssemos essa, ainda tinha mais uma chance, uma hora mais tarde. Depois, só amanhã, já com o visto vencido. Chegamos meia hora antes e éramos o quinto carro. Exatamente a conta para entrar na balsa!

Valorizando os produtos da terra! (em Saint Laurent, na Guiana Francesa)

Valorizando os produtos da terra! (em Saint Laurent, na Guiana Francesa)


Outra coisa que foi a conta foi o tempo de chateação na alfândega, que já expliquei no post anterior. A policial ainda teve de pedir que a balsa esperasse um pouco, a Fiona e a Ana já embarcadas, até que ela me devolvesse meus documentos.
Connection: close

O dia nublado emprestou um ar meio lúgubre à nossa partida. Mais ainda, parecia antever os problemas à frente, na alfândega surinamesa. Como relatado no post anterior, apesar dos problemas e das duas horas de negociações, acabamos passando.

Aí, foram 150 km de estrada cheia de buracos, defeitos e desvios. Ela, que foi destruída na guerra civil no final da década de 80, vem sendo reconstruída aos poucos. Pelo movimento que vimos na estrada, parece que agora vai. Enfim, pacientemente e devorando o café da manhã durante a viagem, fomos nos aproximando da capital Paramaribo. Usei esse tempo de estrada relativamente vazia para ir me acostumando com a direção na mão inglesa. Dirigir na mão contrária num carro com a direção do lado esquerdo é sempre meio estranho. Principalmente nas ultrapassagens. Mas, com cuidado vai.

Trânsito de mão trocada em Paramaribo, no Suriname

Trânsito de mão trocada em Paramaribo, no Suriname


Finalmente, chegamos à enorme ponte que cruza o rio Suriname e nos leva diretamente à Paramaribo. Viemos em busca de um hotel com garagem, para que pudéssemos deixar a Fiona por aqui para mais um tour pelo Caribe. Optamos pelo "Eco-Resort", ao lado do rio e razoavelmente perto do centro. Fui logo pedindo pela garagem, mas quando disse que queria deixar o carro por um mês, a atendente respondeu que precisaria falar com a gerente. Mesmo ela ficou sem resposta, diante de tanto tempo. Ficou de perguntar para a gerente geral, que só estaria no hotel na segunda. Assim, mais um fim de semana de futuro indefinido, só na torcida. Se não arrumarmos lugar para a Fiona, seguiremos direto para a Guiana e de lá para o Brasil. Não é o que gostaríamos...

A grande ponte que cruza o rio Suriname, em Paramaribo, no Suriname

A grande ponte que cruza o rio Suriname, em Paramaribo, no Suriname


Depois do dia difícil, acabamos passando a tarde chuvosa no hotel e só saímos de noite, chuvosa também, para jantar. AInda não deu para ver muito, mas algo já chama muito a atenção: ver e ouvir o povo daqui falando holandes. Ver um loiro fluente em holandes, tudo bem, mas um chines ou um negro, é muito estranho! Hehehe. Com o tempo, acho que vamos nos acostumar... Eu tinha a falsa impressão que teria muito mais coisa escrita em inglês, pelas ruas ou placas. Mas não tem não! Tudo nessa língua incompreensível para brasileiros. Para quem sabe um pouco de alemão, ainda dá para ter uma remota idéia. Pelo menos, não é difícil encontrar pessoas que falem inglês... Bem, amanhã, faça chuva ou faça sol, vamos às ruas!

Guiana Francesa, Saint Laurent, Suriname, Paramaribo, Albina,

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Reencontro no Alabama

Estados Unidos, Mississippi, Tupelo, Alabama, Tuscaloosa

Com a Jenn e o Andrew, em restaurante de Tuscaloosa, no Alabama - EUA

Com a Jenn e o Andrew, em restaurante de Tuscaloosa, no Alabama - EUA


Em Agosto de 1998 eu estava iniciando um mochilão pelo sudeste da Ásia, vindo da Austrália e Nova Zelândia, onde tinha viajado com um primo. A parte australiana, de Sydney à Darwin, já havia siso “solo”, mas para quem já mochilou pela Austrália, sabe que a gente nunca fica “solo” de verdade. Ficamos hospedados sempre nos “backpacker’s”, juntos com outras centenas de viajantes (os mochileiros movimentam milhões de dólares na economia australiana!) e, enfim, sempre estamos com alguém, nesse ou naquele trecho da viagem.

Chegando ao estado de Mississipi, nos Estados Unidos

Chegando ao estado de Mississipi, nos Estados Unidos


Enfim, após alguns deliciosos dias em Darwin, parti para um trecho mais aventuroso da viagem. Voei para Timor, na Indonésia, que na época ainda englobava Timor do Leste (hoje independente). O país estava em pleno furacão da crise asiática, a moeda derretendo, população das grandes cidades em polvorosa (no mal sentido!) e turistas, amedrontados, desaparecidos do país. Pois foi exatamente esse ambiente que fez da minha passagem por lá alguns dos melhores meses da minha vida.

Interseção de estradas secundárias no interior do Alabama, nos Estados Unidos

Interseção de estradas secundárias no interior do Alabama, nos Estados Unidos


Com 100 dólares por mês, se vivia como um rei. E como rei éramos tratados também em todos os lugares, pousadas, restaurantes, vilas, todos felizes de estarmos por lá, movimentando seu comércio, justo quando mais precisavam de nós. Podia-se contar turistas nos dedos e um deles era o simpático americano-argentino Andrew Dewar. Juntos com uma inglesa, e depois com um casal de escoceses, cruzamos as ilhas do sul do país, passando por Flores, Sumbawa, Komodo, Lombok e Gili Islands e, finalmente, chegando à Bali, aí sim ainda com turistas. Viajávamos no teto de ônibus, no convés de barcos, em vans apertadas. Foi um período inesquecível.

A enorme universidade em Tuscaloosa, no Alabama - EUA

A enorme universidade em Tuscaloosa, no Alabama - EUA


Quatorze anos mais tarde, chegou a hora de rever o músico Andrew, hoje respeitável professor universitário na Universidade do Alabama. Casado com Jen, música e professora também, eles nos convidaram para ficar na casa deles em Tuscaloosa. Saímos de Graceland, cruzamos o Mississipi passando pela cidade natal de Elvis e chegamos ao Alabama, estado que eu só conhecia pelo filme de Forrest Gump. Já no estado, deixamos a autoestrada para trás e seguimos por um atalho por estradas secundárias, cortando as lindas e verdes paisagens do Alabama, maior clima de interiorzão. Ao longo da estrada, fazendas, pequenas cidades e postos de gasolina familiares. Paramos em um para abastecer e comer algo e tinha até um enorme cartaz glorificando o General Lee, principal líder militar sulista na Guerra de Secessão. Achei bem legal!

Aproveitando para trabalhar, na casa do Andrew em Tuscaloosa, no Alabama - EUA

Aproveitando para trabalhar, na casa do Andrew em Tuscaloosa, no Alabama - EUA


Em Tuscaloosa fomos otimamente recebidos pelo antigo amigo e pela simpaticíssima esposa. Moram numa casa joia, no meio de uma imensa área verde. Nosso plano era ir embora no dia seguinte, mas conseguimos marcar a revisão de 80 mil km da Fiona na concessionária Toyota para o dia seguinte, assim resolvemos ficar mais um dia inteiro por aqui. Foi ótimo para poder aumentar o tempo de convivência com os dois, que ficaram nos pajeando na cidade.

Lugar popular para se comer sanduíches de pernil em Tuscaloosa, no Alabama - EUA

Lugar popular para se comer sanduíches de pernil em Tuscaloosa, no Alabama - EUA


Na primeira noite, um jantar delicioso num dos bons restaurantes da cidade e, depois, bar com ótima música, vários dos músicos alunos dos nossos anfitriões professores. Hoje o almoço foi num lugar mais raiz, onde comemos um típico sanduiche de pernil do Alabama. Uma casinha que jamais teríamos achado se não estivéssemos com “guias locais”. Finalmente, no jantar de hoje, comida japonesa, pude devolver a gentileza do jantar anterior.

Fiona volta da revisão dos 80 mil km (casa do Andrew e da Jenn em Tuscaloosa, no Alabama - EUA)

Fiona volta da revisão dos 80 mil km (casa do Andrew e da Jenn em Tuscaloosa, no Alabama - EUA)


Bagagem da Fiona guardada na garagem da casa do Andrew e da Jenn em Tuscaloosa, no Alabama - EUA

Bagagem da Fiona guardada na garagem da casa do Andrew e da Jenn em Tuscaloosa, no Alabama - EUA


Ao longo do dia, enquanto aguardávamos a Fiona, pudemos trabalhar na internet e até fazer um cooper pelo parque ali do lado da casa deles. Quanto à Fiona, nessa importante revisão que é a dos 80 mil km, ela até ganhou filtros novos, trazidos pelo Rafa e entre para nós em Cuba. Afinal, aqui na América do Norte, não há “fionas” à diesel, e portanto, não há peças específicas para esse tipo de motor.

Correndo com o Andrew no parque ao lado da sua casa em Tuscaloosa, no Alabama - EUA

Correndo com o Andrew no parque ao lado da sua casa em Tuscaloosa, no Alabama - EUA


Amanhã, depois desse ótimo descanso por aqui, viajamos para New Orleans, uma das cidades americanas que mais queria conhecer! Bourbon Street, aí vamos nós!

O belo parque ao lado da casa do Andrew em Tuscaloosa, no Alabama - EUA

O belo parque ao lado da casa do Andrew em Tuscaloosa, no Alabama - EUA

Estados Unidos, Mississippi, Tupelo, Alabama, Tuscaloosa,

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Dia Intenso

Brasil, Minas Gerais, Delfinópolis (P.N. Serra da Canastra)

Chegando na 'Casinha Branca' no alto da serra, em Delfinópolis - MG

Chegando na "Casinha Branca" no alto da serra, em Delfinópolis - MG


Começamos bem por aqui! Nosso primeiro dia em Delfinópolis teve de tudo: muita estrada poeirenta com lindas vistas de serras e vales; cachoeiras com muita ou pouca água, sempre frias e cristalinas; trilhas sombreadas com muito ar puro; bastante conversa fiada e instrutiva com gente da terra, acompanhada de cerveja gelada e deliciosos petiscos mineiros; e até mesmo um jantar caseiro acompanhado de música tradicional ao vivo!

Começamos o dia de barriga cheia depois do café da manhã na Mariângela. seguindo o conselho dela, subimos de carro pela estrada do Complexo do Claro e do Paraíso até um mirante perto do alto da serra, onde além da vista maravilhosa tínhamos também sinal de celular. Em Delfinópolis, nem pensar em TIM. Só Vivo. No alto da serra, aparece o sinal.

Explorando rio e a vista no alto da serra em Delfinópolis - MG

Explorando rio e a vista no alto da serra em Delfinópolis - MG


Depois, passamos pelo "Condomínio de Pedra", formações rochosas que parecem castelos-fantasma. Um pouco mais à frente, passamos por uma ponte sobre o rio do Paraíso e Claro, mas lá no alto. Largamos o carro e seguimos para o rio para o primeiro banho do dia. Água cristalina, muitos poços e vista para todo o vale. Maravilhoso! E tudo na faixa, o que é coisa rara hoje em dia aqui em Delfinópolis. Em quase todas as cachoeiras se cobra entrada, até 15 reais por pessoa. Para quem for visitar 10 grupos de cachoeiras, lá se vai uma fortuna! Que diferença com 10 anos atrás! É o progresso, dizem...

Enorme aranha em rio no alto da serra em Delfinópolis - MG

Enorme aranha em rio no alto da serra em Delfinópolis - MG


Fortalecidos pelo rio, seguimos até a "Casinha Branca", um dos pontos de referência da região, quase no alto da serra e com uma vista de encher os olhos. Depois, sempre à brdo da fiel Fiona, descemos a serra do lado de lá, no localmente famoso Vale da Gurita.Vamos até a Cachoeira do Ouro onde conhecemos o simpático proprietário, o Lopes. É ele mesmo que prepara e nos server deliciosos petiscos, entre eles uma porção de pernil e outra de pão de queijo. Melhor ainda é misturar as duas num delicioso sanduíche de pernil com pão de queijo! Hmmmmm!!!

Com o Lopes na Cachoeira do Ouro em Delfinópolis - MG

Com o Lopes na Cachoeira do Ouro em Delfinópolis - MG


Depois de tanta conversa, ele nos convida nos mostra a bela cachoeira do Ouro. Um tesouro escondido no meio da mata, água verde-esmeralda, um convite à contemplação. Ele insiste para que nademos mas o tempo urge, infelizmente, e temos de seguir para a próxima parada.

Cachoeira do Zé Carlinhos em Delfinópolis - MG

Cachoeira do Zé Carlinhos em Delfinópolis - MG


É a cachoeira do Zé Carlinhos, uma velha conhecida minha. Só que antes, quano eu vinha aqui, era preciso uma caminhada de 45 min para chegar lá, atravessando o rio numa ponte tipo Indiana Jones. Agora, é a Fiona que passa o rio e nos deixa a 100 metros da cachoeira. Ao contrário da cachoeira do Ouro, ela é bem mais caudalosa e tem uma lago enorme. Uma delícia para nadar. O canyon acima da cachoeira também é um convite à exploração. Vale um dia inteiro só para isso, desde que bem equipado. Algum dia, quem sabe? Hoje, já no final da tarde, o mais sensato foi iniciar o longo caminho de volta, com direito a assistir um incrível nascer da lua, amarelada, gigante. É a décima-quinta lua desde que casamos (também na lua cheia!). Foi emocionante lembrar isso...

Atravessando rio com a Fiona em Delfinópolis - MG

Atravessando rio com a Fiona em Delfinópolis - MG


Para terminar o dia, jantamos num restaurante tradicional de comida caseira, na cidade. É o restaurante da Gerusa, conhecida de todos na cidade. Lá, encontramos outro conhecido das antigas, bem amigo do Guto, o Serjão, que se encantou com e se mudou para Delfinópolis, casando e tendo uma filhinha linda por aqui. Juntos, assistimos todos, embevecidos, a um show de música tradicional, inclusive com a própria Gerusa cantando. Muito jóia mesmo!

O Sejão reforçou o conselho da Mariângela: amanhã, vamos explorar a região do Paraíso Selvagem. Adivinhem as atrações! CACHOEIRAS!!! Muitas cachoeiras. Obaaaa!

Brasil, Minas Gerais, Delfinópolis (P.N. Serra da Canastra),

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Muita Paciência...

Brasil, Amazonas, Igapó-Açu, Humaitá

Aos poucos, a BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho, vai ficando mais e mais estreita

Aos poucos, a BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho, vai ficando mais e mais estreita


Logo que deixamos o Igapó-Açu e iniciamos o trecho de hoje na BR-319, já deu para notar que seria diferente. Até o ponto em que dormimos ontem, ainda há um certo tráfego de carros. Daqui para frente, só uns gatos pingados, e olhe lá!

Aos poucos, a BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho, vai ficando mais e mais estreita

Aos poucos, a BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho, vai ficando mais e mais estreita


A estrada fica bem estreita, muito mais parecida com uma trilha do que com uma rodovia. Em muitos pontos, mal passa a Fiona entre os galhos das árvores que insistem em retomar seu antigo espaço. O piso é quase sempre de terra, mas o asfalto nunca some. Aqui e ali, vemos manchas de cinza, até mesmo a antiga pintura da faixa amarela no centro da estrada. Depois, a terra e as pedras tomam novamente seu lugar. E o asfalto aparece novamente, por alguns poucos metros...

Aos poucos, a BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho, vai ficando mais e mais estreita

Aos poucos, a BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho, vai ficando mais e mais estreita


O problema disso, essa alternância de asfalto-terra-buracos-pedras-asfalto é que não podemos acelerar. Como sabem os conhecedores de estradas, muito melhor uma estrada pura de terra que uma estrada de asfalto destruído. A velocidade raramente passa dos 40 km/h, a média ficando perto dos 20 km/h. Qualquer empolgação, qualquer descuido e lá se vai a suspenção ou os pneus...

Atravessando uma das centenas de pontes da BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Atravessando uma das centenas de pontes da BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


À cada poucos minutos, uma ponte sobre algum igarapé. As pontes são todas de madeira, mas estão em ótimo estado, algumas com aquele cheiro de nova. Devem ter sido refeitas bem recentemente, agora que a temporada de chuva acabou. Em alguns dos igarapés, vemos as pontes antigas, completamente acabadas. Fico imaginando como era quando era sobre elas que os carros passavam. Vi alguns vídeos na internet: aterrador.

Atravessando uma das centenas de pontes da BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Atravessando uma das centenas de pontes da BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Era isso que eu via nos meus pesadelos. Pontes podres nas quais precisaria equilibrar a Fiona. Mas não foi assim. Graças à manutenção da equipe da Embratel. Aliás, cruzamos com o jipe deles hoje, um dos raros encontros nos pouco mais de 200 km que percorremos.

Cruzando com o jipe que faz a manutenção das torres da embratel na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Cruzando com o jipe que faz a manutenção das torres da embratel na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


A cada trinta e poucos quilômetros, uma torre da Embratel dá o sinal de civilização na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

A cada trinta e poucos quilômetros, uma torre da Embratel dá o sinal de civilização na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


O principal sinal de civilização que encontramos são as torres da Embratel. A cada hora, ou pouco mais do que isso, lá está ela, um sinal de que dirigimos mais trinta e poucos quilômetros. Embaixo de cada torre, uma pequena casa. São nessas casas que dormem quem se aventura nessa rodovia. Monta seu acampamento ou rede na varanda e fica protegido da chuva ou vento.

Sinal de vida (embora não houvesse ninguém por lá!) na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Sinal de vida (embora não houvesse ninguém por lá!) na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Outro sinal da civilização são placas de propriedade. Antigas chácaras doadas pelo INCRA na época da colonização, hoje completamente entregues à mata. Mas as propriedades continuam lá e seus donos fazem questão de se fazer notar. Quem sabe um dia, quando (se) o asfalto voltar... Uma dessas placas até anunciava uma pousada! A construção estava lá, mas não havia o menor sinal de vida...

Brincando com borboletas na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Brincando com borboletas na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Com paciência seguimos, pensativos, horas à fio. O que quebra o marasmo são os animais alados. Entre eles, algumas milhões de borboletas amarelas. Quando o dia esquenta, elas começam a voar, infinitas. Quando nos ultrapassam, é um lembrete do quão devagar estamos dirigindo. Para me divertir, acelero, tento apostar corrida com elas. Algumas vezes, reúnem-se às centenas em alguma poça na estrada. É a chance de pararmos o carro e a Ana ir lá, no meio delas, para tirarmos algumas fotos.

Muitos pássaros ao longo da BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Muitos pássaros ao longo da BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Um lindo casal de araras coloridas na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Um lindo casal de araras coloridas na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Os outros animais alados são os pássaros. Muitas vezes, solitários, de cima de uma árvore, observam aquele estranho animal de quatro rodas que passa por ali, lento e barulhento. Outras vezes, os vemos em enormes revoadas, centenas deles, lá no alto. Alguma migração, ou apenas admirando a selva amazônica lá de cima. Mas são os casais de pássaros os que mais chamam nossa atenção. Tucanos, com aquele bico pesado, de voo tão improvável, mas que, contra qualquer lei da gravidade, dão um show de aerodinâmica. Ou as araras, vermelhas ou azuis, ou vermelhas e azuis, colorindo aquele mundo verde que nos cerca.

Encontrando tráfego na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Encontrando tráfego na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Aos poucos, quando mais para o sul chegamos, mais a floresta vai se afastando da estrada, sendo substituída por pastos e por gado. Não é uma cena feliz. Aquelas vacas não parecem estar no lugar certo. Cadê a floresta que estava aqui? Quantas árvores derrubadas para que possamos comer nosso churrasco? Aqui, mais do que em qualquer lugar, fica claro que algo está errado nessa equação.

Cada vez mais gado na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Cada vez mais gado na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Preparando acampamento em torre da Embratel na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Preparando acampamento em torre da Embratel na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Por fim, o dia está terminando. Precisamos achar algum lugar para descansar, para dormir, para passar a noite. A opção óbvia são as torres da Embratel. Acabamos de deixar uma para trás, temos de dirigir mais uma hora até a próxima. Coragem! Os sinais de civilização estão aumentando do nosso redor, sob a forma de fazendas e gado. Mas ainda tem muita estrada pela frente. Lá no horizonte, acima da copa das árvores, aparece a bendita torre. Entre vê-la e chegar até lá, são mais uns 20 minutos.

A torre da Embratel onde dormimos em nossa segunda noite na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

A torre da Embratel onde dormimos em nossa segunda noite na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Minha rede já está estendida na casinha da Embratel, na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Minha rede já está estendida na casinha da Embratel, na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


O portão está trancado, mas há uma abertura na grade. A Fiona vai ficar do lado de fora, mas nós entramos. Chegamos até a varanda da casinha. Fazemos nosso jantar. Eu armo a minha rede, amarrada nos buracos do concreto. A Ana prefere o chão. Quer dizer, o chão não, pois ela tem um colchão inflável. Antes de dormirmos, aproveitamos o incrível céu estrelado que nos envolve. Cercados pela selva, naquela pequena ilha de civilização, alguns barulhos de telefone dentro da casa fechada. Falta apenas mais um dia para voltarmos ao asfalto. Estamos perto do mundo novamente. Mas ali, sós, acampados e isolados, estamos mais longe do que nunca do mundo. Estrelas e barulhos da mata nos cercam. Estamos na Amazônia!

Céu completamente strelado na nossa noite na torre da Embratel, na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Céu completamente strelado na nossa noite na torre da Embratel, na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

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Um Longa Tarde em Punta Arenas

Chile, Punta Arenas

Degustando uma boa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile

Degustando uma boa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile


Ontem de noite chegamos à maior cidade do sul do planeta, Punta Arenas. Com 130 mil habitantes e localizada aos 53 graus de latitude sul, não há nada similar nessa altura meridional do planeta. Nem África nem Austrália (com exceção da Tasmânia) sequer alcançam os 40 graus de latitude sul e o extremo meridional da Nova Zelândia está bem longe da marca dos 50 graus. Curiosamente, no lado norte do planeta, a situação é bem diferente e grandes metrópoles como Londres, Berlin e Moscou estão localizadas em latitudes semelhantes e mesmo superiores.

Dirigindo no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Dirigindo no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


Mas aqui no sul, Punta Arenas reina absoluta. A cidade foi fundada em 1848 como uma colônia penal chilena. Após o insucesso na tentativa de desenvolver Fuerte Bulnes, 60 kms ao sul de Punta Arenas, os chilenos tentaram novamente em uma área que era então conhecida como Sandy Point, nome dado pelo explorador inglês John Byron no século anterior. De “Sandy Point” para “Punta Arenas”, foi um pulo. A fundação da cidade mais austral do mundo naquela época era um esforço chileno de garantir sua soberania sobre o estratégico Estreito de Magalhães, então cobiçado por Argentina e também pelas potências europeias.

Arquitetura clássica em Punta Arenas, no sul do Chile

Arquitetura clássica em Punta Arenas, no sul do Chile


O primeiro impulso para o desenvolvimento da nova cidade veio de longe. Eram os anos da corrida do ouro na Califórnia e dezenas de milhares de americanos da costa leste queriam chegar ao novo eldorado. O problema é que, naquela época, o oeste americano ainda era ocupado por indígenas hostis e muitos preferiam chegar à Califórnia pelo caminho mais longo (e seguro!), de barco. Ainda não havia o canal do Panamá e muitos barcos vinham dar a volta aqui, no extremos sul do continente. Punta Arenas, estrategicamente colocada bem na viradinha da América, logo se tornou um importante porto de parada e reabastecimento.

A bela arquitetura ao redor da Plaza Muñoz Gamero, no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

A bela arquitetura ao redor da Plaza Muñoz Gamero, no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


Plaza Muñoz Gamero, no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Plaza Muñoz Gamero, no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


O segundo e mais importante impulso veio da criação de ovelhas. Em 1876 alguém teve a brilhante ideia de importar 300 ovelhas das Ilhas Malvinas para a Terra do Fogo. A região se mostrou um verdadeiro paraíso para esses simpáticos animais e a produção de lã no sul da patagônia conquistou os mercados mundiais. Enormes fortunas foram feitas e estâncias gigantescas com dezenas de milhares de animais se espalharam pelo sul do continente. Essas enormes propriedades estavam dos dois lados da fronteira (Chile e Argentina), mas os barões que as controlavam moravam em Punta Arenas. Cheia de dinheiro, a cidade foi tomada de enormes prédios públicos, palacetes e suntuosas mansões. São essas construções em estilo clássico que caracterizam o charmoso centro da Punta Arenas atual, mesmo um século após o início do declínio desse ciclo econômico.

Fernão de Magalhães, na Plaza Muñoz Gamero, centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Fernão de Magalhães, na Plaza Muñoz Gamero, centro de Punta Arenas, no sul do Chile


Por fim, também foi importante, econômica e socialmente, a corrida do ouro do final do século XIX, dessa vez não tão longe como na Califórnia, mas aqui ao lado, na Terra do Fogo. Não havia tanto ouro assim, mas a região se encheu de imigrantes e muitos deles acabaram ficando, mesmo com o fim do metal precioso. Uma boa parte desses novos moradores eram croatas da Dalmácia. Ainda hoje, formam uma importante comunidade étnica na cidade, com muita influência nos costumes, como comida e cultura geral.

Arquitetura clássica em Punta Arenas, no sul do Chile

Arquitetura clássica em Punta Arenas, no sul do Chile


Placas espalhadas pelo centro contam eventos históricos ocorridos em Punta Arenas, no sul do Chile

Placas espalhadas pelo centro contam eventos históricos ocorridos em Punta Arenas, no sul do Chile


Assim, eis que o pequeno povoamento que havia nascido como colônia penal havia se transformado em uma promissora e rica metrópole 50 anos mais tarde, na virada do séc. XIX para o XX. Bem na época em que se dava a última grande era exploratória da humanidade, a conquista da Antártida. Todos os grandes exploradores daquela época, gente como Amundsen e Shackleton, eram frequentadores assíduos dessa cidade, pois ela funcionava como importante base de lançamento de expedições para o continente gelado. Caminhando hoje pelas ruas centrais da cidade, é muito comum encontrar placas azuis informativas contando sobre eventos que se passaram em determinado prédio. Hotéis, bancos, restaurantes e bares frequentados por esses gigantes naquela ocasião ainda estão de pé e nos fazem viajar no tempo até uma época gloriosa e romântica de aventuras e descobrimentos, uma Punta Arenas que ainda parece viva, mesmo um século mais tarde.

Adesivo de movimento separatista em Punta Arenas, no sul do Chile

Adesivo de movimento separatista em Punta Arenas, no sul do Chile


A Ana fica amiga de outros hóspedes do nosso hotel em Punta Arenas, no sul do Chile

A Ana fica amiga de outros hóspedes do nosso hotel em Punta Arenas, no sul do Chile


Para nossa surpresa, não foi fácil encontrar vaga nos hostels da cidade, ontem de noite. Aparentemente, há movimento todo o ano, mas agora no verão é ainda mais complicado. Por fim, encontramos um lugar joia, um pouco mais afastado do centro. Hoje cedo, exploramos a rota para o extremo sul do continente (post anterior) e foi só de tarde que passamos a explorar a própria cidade. Como a luz do sol vai até tarde por aqui nessa época do ano, ainda tivemos bastante tempo para nossas caminhadas, com direito a café e restaurante.

Balcão de um café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Balcão de um café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


Detalhes da decoração de charmoso café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Detalhes da decoração de charmoso café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


A maioria dos prédios mais vistosos se localiza ao redor e nas proximidades da praça Muñoz Gamero. A estátua no meio dela é de Fernão de Magalhães, mas o nome homenageia um dos primeiros comandantes da colônia penal, trucidado em um motim em 1851. O tamanho e opulência das mansões ao redor da praça dão uma boa ideia da força da exportação de lã no final do séc. XIX.

Detalhes da decoração de charmoso café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Detalhes da decoração de charmoso café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


Degustando uma boa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile

Degustando uma boa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile


Nós encontramos um charmosíssimo café nas ruas centrais e aí ficamos, experimentando cervejas e quitutes. Estávamos com saudades de um pouco de urbanidade depois de tantos dias no mato ou em cidades pequenas. Passamos por Bariloche ou El Calafate no último mês, mas nem de longe elas possuem esse ar cosmopolita que sentimos aqui em Punta Arenas. Nossa última cidade grande de verdade havia sido Buenos Aires, dois meses atrás, antes de embarcarmos para a Antártida. Agora, queríamos sentir o prazer de andar em uma calçada ao lado de uma avenida larga e movimentada ladeada por prédios clássicos e entremeada de cafés, restaurantes e boulangeries.

Suco natural e cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile

Suco natural e cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile


Deliciosa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile

Deliciosa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile


Depois do café e de mais uma caminhada a esmo por toda essa história que nos cercava, voltamos ao nosso hotel. Mas foi só para tomar banho e sairmos novamente, agora em busca de um bom restaurante. Sinceramente, olhando para frente em nosso roteiro, não sei quando encontraremos novamente uma cidade em que vamos precisar de carro para sair de noite (Montevidéu, talvez...), então, tínhamos mesmo de aproveitar. E o restaurante que encontramos, o La Marmita, fez jus a todas nossas expectativas. O engraçado foi chegar lá as 10 da noite com o dia ainda claro...

Chegando a restaurante em Punta Arenas, no sul do Chile

Chegando a restaurante em Punta Arenas, no sul do Chile


O delicioso restaurante La Marmita, em Punta Arenas, no sul do Chile

O delicioso restaurante La Marmita, em Punta Arenas, no sul do Chile


Além do excelente vinho chileno (claro!), a entrada foi de dar água na boca: lasanha de berinjela e abobrinha com camarão! Para não deixar cair o nível, pedimos um prato principal cada um, devidamente trocados e compartidos: Salmão com camarão e cordeiro com luche (um tipo de alga). Um verdadeiro banquete para comemorar nosso último jantar no continente. Amanhã, partimos para a Terra do Fogo, a maior ilha da América do Sul e uma das três únicas da América a serem compartidas entre duas nações: Chile e Argentina.

Isso é só a entrada do nosso 'banquete' no restaurante La Marmita, em Punta Arenas, no sul do Chile

Isso é só a entrada do nosso "banquete" no restaurante La Marmita, em Punta Arenas, no sul do Chile

Chile, Punta Arenas, Arquitetura, história, cidade, Patagônia

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