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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Praia do Forte

Brasil, Bahia, Salvador, Praia do Forte

Pôr-do-sol na Praia do Forte - BA

Pôr-do-sol na Praia do Forte - BA


Demorou um pouco mais para conseguirmos partir hoje já que toda a bagagem estava fora do Fiona. Com paciência e muito jeitinho arrumamos toda a nossa casa, bem mais limpa depois do banho, e partimos de Salvador depois de nos despedirmos mais uma vez da Mônica. Afinal, já tínhamos nos despedido na hora do café da manhã e só partimos quando ela já estava em casa para o almoço.

Praia de Itapoã, em Salvador - BA

Praia de Itapoã, em Salvador - BA


Rumo ao litoral norte, deixando Salvador para trás. Antes disso, uma paradinha em Itapoã para fotos, já que no dia de Arembepe nossos planos de passar a tarde em Itapoã tinham ido por água abaixo.

Praia de Itapoã, em Salvador - BA

Praia de Itapoã, em Salvador - BA


Depois, rápida viagem até a Praia do Forte, a uns 50 km de Salvador. Eu tinha estado com a Ana lá (aqui) há pouco mais de um ano. Na época, ainda trabalhava e tive um congresso no Iberostar, um dos grandes resorts da região. Esquemão diretoria, tudo pago, só mordomia. Mal saímos do hotel e só viemos um dia até a vila, caminhando, bem rapidinho.

Igreja da Praia do Forte - BA

Igreja da Praia do Forte - BA


Desta vez, estamos mais simplezinhos e viemos para uma pousada simpática, chamada Pousada dos Artistas. A vila, que estamos conhecendo de verdade só agora, parece um shopping a céu aberto. Lembra-me a Disneylandia, apesar de nunca ter estado lá, juro! Cheio de lojinhas, restaurantes e pousadinhas, tudo muito arrumadinho. Turismo bem família, todo mundo andando naqueles mistos de quadriciclos e bicicletas nas ruas por onde carros são proibidos. Bem diferente de onde temos passado...

Maré baixa na Praia do Forte - BA

Maré baixa na Praia do Forte - BA


A praia é cheia de pedras mas o visual é bem bonito. A principal atração do local são o Projeto Tamar e as piscinas naturais, que vamos visitar amanhã. Hoje, só deu tempo de caminhar pela praia até um ponto onde não há pedras e podemos nadar. Água bem gostosa, praia com temperatura agradável, sem vento. E um pôr-do-sol magnífico que valeu a caminhada.

Saindo do mar na Praia do Forte - BA

Saindo do mar na Praia do Forte - BA


Amanhã, depois das piscinas e o Tamar, partimos rumo ao Mangue Seco, fronteira de Bahia e Sergipe. Terra de Tieta do Agreste...

Brasil, Bahia, Salvador, Praia do Forte, Itapoã

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Belezas e Tragédias

Peru, Huaraz

A linda paisagem da região de Huaraz, no Peru

A linda paisagem da região de Huaraz, no Peru


Deixamos Lima rumo à Huaraz, a "capital" da Cordillera Blanca, no norte do Peru. Essa região, ainda bem pouco frequentada por brasileiros, é considerada a mais bela do país e uma das mais bonitas do mundo. Certamente, não tem o apelo histórico da região de Cusco, mas as suas montanhas e vales atraem alpinistas e andarilhos de todo o mundo em busca dos trekkings que são realizados na região.

Encostas de montanhas inteiramente cultivadas na região de Huaraz, no Peru

Encostas de montanhas inteiramente cultivadas na região de Huaraz, no Peru


A cidade de Huaraz fica no vale que separa a Cordillera Blanca da Cordillera Negra. Como os próprios nomes parecem indicar, a diferença é que na primeira há muita neve enquanto na outra quase não há, apesar de também ter grandes alturas. Ocorre que a Cordillera Negra recebe diretamente os ventos salgados que vem do Pacífico, protegendo sua irmã branquinha desses mesmos ventos. O sal, que perto da costa é o responsável pela formação dos grandes desertos, aqui é o responsável pela falta de neve. E assim temos montanhas tão próximas umas das outras, algumas nevadas e outras onde só se vê rochas.

A estrada que leva à Huaraz, no Peru

A estrada que leva à Huaraz, no Peru


Outra característica da região, essa bem mais triste, é a constância de grandes catástrofes. Além de grandes terremotos, a região ainda sofre com avalanches e enchentes causadas pelo transbordamento de lagos glaciares. Em 1942, um desses lagos, localizado bem alto nas montanhas, aos pés de um glaciar, recebeu uma grande avalanche e acabou rompendo seu dique natural. Uma enorme quantidade de água veio descendo vale abaixo até chegar em outro lago, destruindo com sua força também o dique natural deste outro lago. Os dez milhões de metros cúbicos de água dos dois lagos combinados desceu ainda mais rapidamente o vale abaixo destruindo tudo à sua frente, inclusive uma boa parte de Huaraz. Quem estava no lugar errado na hora errada não teve chances...

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru


Mas essa tragédia nem chegou aos pés do grande terremoto do início da década de 70, que matou quase 80 mil pessoas e quase não deixou pedra sobre pedra em Huaraz. Mas boa parte dos mortos veio da pequena Yungay, que naquele dia recebia gente de todas as vilas vizinhas para a sua tradicional feira. Yungay se localiza bem em frente ao Huscarán, a mais alta montanha da Cordillera Blanca, com 6.700 metros de altura. O grande terremoto teve a força de soltar muitas milhões de toneladas de granito e gelo combinado da montanha que despencaram para o chão e encosta abaixo com uma força avassaladora. Os quinze quilômetros que separavam a montanha da cidade foram percorridos em meros quatro minutos, debaixo de um som absolutamente ensurdecedor. As pessoas em Yungay tiveram pouco tempo para reagir. A maioria ficou estatelada, esperando a morte certa chegar. Algumas centenas ainda tiveram o ímpeto de correr para o prédio da igreja, o mais forte da cidade. Mas nem a igreja poderia resistir à força do que vinha da montanha. Foi varrida do mapa, assim como quem ali estava. Na verdade, o prédio acabou protegendo as palmeiras da Plaza de Armas que estavam à sua frente. Ainda hoje, enterradas praticamente até as copas, as árvores são as testemunhas mudas dessa tragédia que, em questão de minutos, matou 20 mil pessoas. Os poucos sobreviventes, menos de duas dezenas, foram os que correram e tiveram tempo de subir no morro do cemitério. Que ironia, foi justo no terreno dos mortos que restaram os últimos vivos...

Laguna altiplânica na estrada que vai à Huaraz, no Peru

Laguna altiplânica na estrada que vai à Huaraz, no Peru


Bom, chega de tragédias. Da outra vez que estive em Huaraz, só pude fazer dois tours, um para as geleiras do Pastoruri, hoje fechadas ao turismo e o outro para a bela lagoa Llanganuco, incluindo uma visita a Yungay. Dessa vez, o nosso objetivo era fazer algum dos trekkings. Tem para todo o gosto, de diários até aqueles que duram mais de 10 dias. Optamos pelo mais famoso, o trekking de Santa Cruz, que dura de três a quatro dias. Resolvemos fazer com mordomia, isso é, com burros carregando o peso maior e com cozinheiro para não nos preocuparmos com comida. Além disso, montam e desmontam nossas barracas. A nossa única preocupação é caminhar com um pouco de água e tirar belas fotos. Nada mal, né? Já está tudo acertado para amanhã de manhã, num grupo que inclue mais quatro pessoas que ainda vamos conhecer. Então, é isso aí, amanhã começamos a andar por uma das mais belas regiões do mundo!

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru

Peru, Huaraz,

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A Outra Las Vegas e a Mais Antiga Cidade dos EUA

Estados Unidos, New Mexico, Las Vegas-NM, Taos

Escultura do patrono da igreja de San Francisco de asis, em Taos, no Novo México, nos Estados Unidos

Escultura do patrono da igreja de San Francisco de asis, em Taos, no Novo México, nos Estados Unidos


Depois da nossa temporada em Boulder, no Colorado, era a hora de rumar para o sul, para um novo estado. O penúltimo da nossa estadia aqui nos Estados Unidos. Estou falando do Novo México, por onde já passamos uma vez e nos maravilhamos com Santa Fé, no começo do ano passado. Agora, passamos aí pertinho, outra vez. Mas o destino era outro: a cidade de Las Vegas. Não aquela famosa, dos cassinos, que fica em Nevada, mas uma outra, mais antiga e charmosa, a primeira Las Vegas do país.

Fiona em frente ao nosso hotel na histórica Las vegas, no Novo México, nos Estados Unidos

Fiona em frente ao nosso hotel na histórica Las vegas, no Novo México, nos Estados Unidos


Até por isso, na verdade, a “outra” Las Vegas é aquela famosa. Essa aqui é a original. Nascida no tempo que o Novo México ainda fazia parte do velho México. Essa é a explicação da cidade ter uma grande praça central, cercada de prédios pomposos, bem ao estilo espanhol. Aliás, para quem não é fã de cassinos e nem está atrás de mega shows ou baladas, a Las Vegas do Novo México é bem mais charmosa que a Las Vegas de Nevada. Tão simpática que já atraía grandes nomes do faroeste americano, gente como Wyatt Earp, Jesse James e Billy the Kid. Todos eles frequentaram Las Vegas nos áureos tempos da ferrovia, momento em que a cidade viveu seu auge.

Estátua na praça central de Las Vegas, no Novo México, nos Estados Unidos

Estátua na praça central de Las Vegas, no Novo México, nos Estados Unidos


Tradicional hotel da pequena  Las Vegas, no Novo México, nos Estados Unidos

Tradicional hotel da pequena Las Vegas, no Novo México, nos Estados Unidos


A ferrovia se foi e a cidade se acalmou. Desde a década de 50 que ela parou de crescer, retendo o charme de antigamente. A praça central é uma delícia, assim como o hotel Plaza, o mais tradicional de Las Vegas. Com um enorme pé direito, cada um de seus antigos quartos é um deleite e uma viagem no tempo. Nós viemos só para passar a noite, mas como decidimos visitar o pueblo de Taos, mais ao norte, acabamos dormindo uma segunda noite.


Nossa rota de Boulder (CO) para Las Vegas (NM) e depois, de volta para Taos

Pois é, depois de termos chegado à Las Vegas, resolvemos retroceder um pouco e visitar a histórica Taos, um pouco ao norte. O que nos fez retroceder foi descobrir que essa pequena cidade é, nada mais nada menos, a mais antiga cidade continuamente habitada dos Estados Unidos.

Lago completamente congelado perto da histórica Las Vegas, no Novo México, nos Estados Unidos

Lago completamente congelado perto da histórica Las Vegas, no Novo México, nos Estados Unidos


Taos foi ocupada aproximadamente no ano 1200, mas ninguém sabe ao certo. O que se sabe é que os primeiros habitantes vinham do norte, da região do Four Corners. Exatamente daquela área que visitamos recentemente, que deixou belíssimas cidades hoje protegidas pelo Mesa verde National Park. Resumindo, os habitantes de Taos são descendentes dos pueblos, a civilização que tanto me surpreendeu alguns dias atrás. Diante disso, nós não poderíamos deixar de ir lá!

A tradicional e centenária igreja de San Francisso de Asis, em Taos, no Novo México, nos Estados Unidos

A tradicional e centenária igreja de San Francisso de Asis, em Taos, no Novo México, nos Estados Unidos


Oferendas nos muros da tradicional igreja de San Francisco de asis, em Taos, no Novo México, nos Estados Unidos

Oferendas nos muros da tradicional igreja de San Francisco de asis, em Taos, no Novo México, nos Estados Unidos


A estrada secundária que liga as duas cidades passa ao lado de lagos congelados e chega na “Nova” Taos. “Nova” é jeito de dizer porque ela é do tempo da colonização espanhola, do século XVII. Ou seja, mais antiga que 99,9% das outras cidades americanas. A cidade tem um centrinho histórico atraente, mas o prédio mais interessante fica na periferia, uma igreja multicentenária, também do tempo espanhol, em honra a São Francisco de Assis. Arquitetura típica da região, construção em adobe. Nos muros ao redor, diversos sacos de papel, homenagens à parentes e familiares mortos e enterrados no município. Um charme só, tanto na sua simplicidade interna como na sua formosura externa.

A tradicional e centenária igreja de San Francisso de Asis, em Taos, no Novo México, nos Estados Unidos

A tradicional e centenária igreja de San Francisso de Asis, em Taos, no Novo México, nos Estados Unidos


Conhecida a nova, partimos para a velha, toda em adobe, casas geminadas em legítimo estilo Pueblo, chegando a ter cinco andares, uma mistura de pombal com colmeia, tendo ao fundo a belíssima montanha de Taos, um centro de esqui da região.

Chegando ao mais antigo pueblo dos Estados Unidos, Taos, no Novo México, nos Estados Unidos

Chegando ao mais antigo pueblo dos Estados Unidos, Taos, no Novo México, nos Estados Unidos


Para nossa grande sorte, chegamos lá bem em dia de festa. Não é muito comum ao longo do ano, mas nessa época até que tem bastante, nos disseram. Poderíamos assistir a danças sagradas, mas a nossa sorte tinha um preço: em dias de festa, máquinas fotográficas são estritamente proibidas. Assim, a experiência maravilhosa que lá tivemos ficará para sempre marcada em nossas memórias, mas não teremos uma bendita foto de lá. Ainda perguntamos se poderíamos fotografar depois que a festa acabasse, mas eles foram irredutíveis. A proibição não era apenas para a festa, mas para o “dia de festa”.

O pueblo de taos, no Novo México, nos Estados Unidos (foto obtida na internet)

O pueblo de taos, no Novo México, nos Estados Unidos (foto obtida na internet)


Na verdade, isso só me fez admirá-los ainda mais. Não estão atrás de dinheiro ou de comercializar sua cultura. Ao contrário, querem é preservar suas tradições. Querem poder dançar tranquilamente sem que desconhecidos fiquem ali, fotografando seus rostos, poses ou fantasias. Não estão na disneylandia ou em algum comercial de TV, mas na casa de seus antepassados. Há 800 anos!

Traje das danças sagradas do pueblo de Taos, no Novo México, nos Estados Unidos (obtido na internet)

Traje das danças sagradas do pueblo de Taos, no Novo México, nos Estados Unidos (obtido na internet)


Andar pelo Pueblo de Taos foi como sair dos EUA e entrar em outro país. Ruas de terra e cachorros andando livres pelas ruas. Para quem conhece o Tio Sam, sabe que isso não existe por aqui. Pelo menos, não fora de Taos. Realmente, o visual e o sentimento era de estarmos em alguma cidade da América Latina. Depois de tanto tempo, foi como estar mais perto de casa.

Visitando Taos, a cidade mais antiga dos Estados Unidos, com mais de 700 anos, no Novo México

Visitando Taos, a cidade mais antiga dos Estados Unidos, com mais de 700 anos, no Novo México


A tal festa consistia em dois ou três grupos de indígenas cantando e dançando em lugares diferentes da pequena cidade. Formavam um grupo compacto, homens ao centro e mulheres em volta, cantando em seu idioma milenar. Para nossos ouvidos destreinados, parece até que só há vogais nesses cânticos. Mas, o mais legal são as fantasias, peles e cabeças de animais, na sua maioria bisões, mas alguns elks também. Os indígenas, principalmente os homens no centro, depois de horas cantando e dançando, parecem estar em transe. Algo devem ter tomado antes.

O céu pintado de vermelho durante um memorável pôr-do-sol nas imediações de Taos, no Novo México, nos Estados Unidos

O céu pintado de vermelho durante um memorável pôr-do-sol nas imediações de Taos, no Novo México, nos Estados Unidos


Para nós, parecia tudo um filme. Um filme muito real, no cenário perfeito e com os atores certos. Difícil explicar a sensação, mas foi, de longe, o mais intenso contato que tivemos com a cultura indígena desse país. A mais verdadeira, a mais real, a mais realista, a mais emocionante. A cada momento, a gente se olhava e dizia: “Nossa! Que sorte estarmos aqui! Que benção ter a chance de presenciar isso! Que oportunidade fantástica! Cadê nossa máquina fotográfica??? Socoooorroooo!!!”.

Aquecendo-se na fogueira, em pleno campo nevado, nas imediações de Taos, no Novo México, nos Estados Unidos

Aquecendo-se na fogueira, em pleno campo nevado, nas imediações de Taos, no Novo México, nos Estados Unidos


Pois é, ficamos mesmo sem fotos de um dos momentos mais incríveis desses 1000dias. Depois, procuramos alguma coisa pela internet, mas verificamos que os índios são mesmo rigorosos com suas proibições. Não achamos nenhuma foto. Ao mesmo tempo que queria achar, que legal que não achei! Não é a toa que eles já eram tão temidos pelos espanhóis (a cada 20 anos, havia uma revolta e matavam o padre de plantão, além de botar fogo na igreja) e pelos americanos (mataram o governador do Novo México, assim que os americanos tomaram o estado dos mexicanos). O espírito aguerrido vem de longe! E a cultura ainda está aí, nas casas, nas danças e até nos cachorros que andam livres nas ruas. E tem mais: o idioma deles não tem forma escrita. Linguistas até se interessaram em fazer, mas os anciões do povo simplesmente proibiram. Se há milhares de anos ele é apenas falado, passado de pai para filho, para quê escrevê-lo agora? Que personalidade!

O céu pintado de vermelho durante um memorável pôr-do-sol nas imediações de Taos, no Novo México, nos Estados Unidos

O céu pintado de vermelho durante um memorável pôr-do-sol nas imediações de Taos, no Novo México, nos Estados Unidos


De volta para Las Vegas, ainda tivemos uma última e deliciosa surpresa. Ao cruzar um trecho de montanhas nevadas, fomos presenteados por um espetacular pôr-do-sol. O céu vermelho, pegando fogo, sobre a neve branca. Um grupo de esquiadores e motoristas de moto sobre a neve se reuniam ao redor de uma fogueira, em meio a um campo nevado, para admirar o espetáculo. Eu e a Ana ficamos na estrada mesmo, parados no acostamento, embasbacados com o show de luzes, cores e tons no céu. Nos meus pensamentos, a trilha sonora desse momento especial eram os cânticos indígenas da língua sem consoantes e que não pode ser escrita. Que rico ter vivido o dia de hoje...

Um espetacular pôr-do-sol nas imediações de Taos, no Novo México, nos Estados Unidos

Um espetacular pôr-do-sol nas imediações de Taos, no Novo México, nos Estados Unidos

Estados Unidos, New Mexico, Las Vegas-NM, Taos, história, cultura indígena

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Viajando para as Bermudas

Estados Unidos, New Jersey, Princeton Junction, Bermuda, Hamilton

Chegando á Bermuda, em pleno Oceano Atlântico

Chegando á Bermuda, em pleno Oceano Atlântico


Quase todo mundo já ouviu falar das Bermudas, principalmente por causa do famoso “Triângulo”, mas poucos saberiam apontá-la no mapa. Eu, por exemplo, não sabia, pelo menos até iniciarmos nossa jornada pela América. E olha que fui um leitor inveterado dos livros sobre o misterioso e fatal Triângulo, quando estava entrando na adolescência.

Mapa mostrando o famoso 'Triângulo das Bermudas', onde navios e aviões somem sem deixar pistas, segundo a lenda...

Mapa mostrando o famoso "Triângulo das Bermudas", onde navios e aviões somem sem deixar pistas, segundo a lenda...


Bermuda (ou “Bermudas”, no plural, em português) deve seu nome ao seu descobridor, o espanhol Juan de Bermudez, que aportou na ilha em 1505. Os espanhóis não deram muita bola para a ilha e foram os ingleses, um século mais tarde, que a ocuparam e colonizaram. Desde então a ilha manteve-se unida à Grã-Bretanha e à Rainha e hoje continua sendo território britânico, embora goze de grande autonomia. Ao longo do tempo, os ingleses aprenderam a lidar com o calor, reduzindo o tamanho de suas calças, para que ficassem mais ventiladas, Nascia aí o short conhecido como “Bermuda”, vestimenta preferida de dez entre dez surfistas.

Mapa de Bermuda, uma ilha no meio do Atlântico, em forma de camarão

Mapa de Bermuda, uma ilha no meio do Atlântico, em forma de camarão


Ao contrário do que muita gente pensa, Bermuda não faz parte do Caribe, estando muito mais ao norte, na altura do estado americano da Carolina do Norte, do qual dista cerca de 1.000 km. É a terra firme mais próxima da ilha. Geograficamente, então, pertence à América do Norte. E se está na América do Norte (ou mesmo se estivesse no Caribe...), está no nosso roteiro.

Em meio à névoa e ao Oceano Atlântico, aparecem as misteriosas Bermudas!

Em meio à névoa e ao Oceano Atlântico, aparecem as misteriosas Bermudas!


Não é caro voar para lá, saindo de Nova York. O problema maior é arrumar algum lugar para ficar, principalmente nessa época do ano, considerada a alta estação. Nós compramos nossas passagens há poucos dias, saindo hoje e voltando dia 28. Mas não conseguimos vaga em nenhum dos hotéis que tentamos, via internet. Então, a solução era conseguir por lá mesmo.

Navio-cruzeiro ancorado em Hamilton, capital de Bermuda

Navio-cruzeiro ancorado em Hamilton, capital de Bermuda


A Anita nos deixou na estação de trem de Princeton Junction pela manhã, antes de levar as crianças para o summer camp. Mais uma vez, dissemos apenas um “Até logo!”, ao invés do “Adeus!”. Muito mais fácil assim! Foram 50 minutos até Newark, onde quase perdemos a estação. Teria sido um vexame, passar reto por lá e só descobrir depois, mais para frente. O trem para só por uns 30 segundos e nós saímos esbaforidos pela porta, carregando nossas mochilas, com 35 segundos, apenas porque o cobrador percebeu nossa corrida e segurou as portas. Uffff, foi por pouco!

Uma das tranquilas ruas centrais de Hamilton, capital de Bermuda

Uma das tranquilas ruas centrais de Hamilton, capital de Bermuda


Enfim, o trecho de aero-trem foi muito mais tranquilo e logo já estávamos fazendo check-in e esperando o nosso voo. Ainda estava difícil acreditar que realmente viajaríamos para as enigmáticas Bermudas. Na minha fase crédula, aos 12 anos, não conseguia entender como alguém poderia viver em Bermuda. Afinal, chegar lá de avião ou de barco era tarefa perigosíssima, arriscando-se a ser abduzido por extraterrestres ou simplesmente desaparecer em algum buraco do espaço-tempo. Achava essas hipóteses mais críveis do que as que diziam que algum antigo cristal da civilização perdida da Atlântida estava destruindo os barcos.

Front Street, a principal avenida de Hamilton, capital de Bermuda

Front Street, a principal avenida de Hamilton, capital de Bermuda


Já um pouco mais velho, o ceticismo foi tomando conta da minha personalidade. O mundo ficou mais em graça. Mas ficou mais seguro também. Comecei a duvidar do que lia em livros ou jornais (ainda era uma época pré-internet, então, quando apareceu a wikipedia, eu já não acreditava em nada mesmo, hehehe) e o bom senso passou a ser meu guia maior. No caso do triângulo das Bermudas, por exemplo, essa é uma das áreas com tráfego mais movimentado de barcos e aviões do mundo. Ou seja, seria até normal o número de acidentes ser maior por aqui do que em outra parte. Não é porque há mais atropelamentos na Av. Paulista do que em uma rua de uma pequena vila no interior do Piauí que poderemos dizer que exista uma maldição na movimentada avenida de São Paulo, certo? Pior, boa parte dos misteriosos acidentes no Triângulo não passavam de invenções ou “romantizações” de fatos que não ocorreram, ou ocorreram sim, em outra parte do globo.

Palácio do Governo em Hamilton, capital de Bermuda

Palácio do Governo em Hamilton, capital de Bermuda


Enfim, voamos tranquilamente sobre o tal triângulo e, duas horas mais tarde, em meio à névoa e ao oceano, lá apareceram as pequenas ilhas que formam as Bermudas. Lá de cima, apesar do céu encoberto, já deu para ver a beleza do mar que cerca uma pequena ilha completamente urbanizada.

Catedral Anglicana em Hamilton, capital de Bermuda

Catedral Anglicana em Hamilton, capital de Bermuda


Passamos pelo alfândega sem problemas, apesar da oficial ter feito questão de verificar nossas passagens aéreas saindo do país. No campo “endereço”, simplesmente colocamos o nome de um hotel qualquer, da lista que tínhamos pesquisado. Já no saguão do aeroporto, como não havia nenhum quiosque de informações turísticas para nos ajudar a achar um hotel de verdade, apelamos para o motorista de taxi. Ele ficou estupefato de termos entrado no país sem uma reserva de hotel. Disse que já tinha visto vários turistas sendo mandados de volta para casa, por causa disso. Quando soube do nosso “artifício” de ter colocado um hotel qualquer, aí disse que foi isso que nos salvou...

Marina em Hamilton, capital de Bermuda

Marina em Hamilton, capital de Bermuda


Bom, passado o susto e três ligações telefônicas mais tarde, enquanto já estávamos a caminho de Hamilton, a capital de Bermuda, encontramos o nosso Inn. Finalmente, estava tudo certo para nossa temporada “bermudesa”.

Um dos parques de Hamilton, capital de Bermuda

Um dos parques de Hamilton, capital de Bermuda


Hoje, pelo adiantado da hora, tudo o que pudemos fazer foi caminhar pela simpática capital, que se pode conhecer em menos de uma hora caminhando. A organização e limpeza da cidade, o modo como as pessoas se vestem e se portam e outros detalhes, tudo mostra que realmente não estamos no Caribe. Em compensação, o enorme cruzeiro ali aportado mostra que pode não ser o Caribe, mas que se parece, parece!

Escultura em meio a jardim de parque em Hamilton, capital de Bermuda

Escultura em meio a jardim de parque em Hamilton, capital de Bermuda


Além do passeio pelas ruas da cidade, seus parques, monumentos e igrejas, a gente também definiu nossa programação por aqui. Bermuda é o único país do nosso roteiro, além de Groelândia, que não era coberto por nenhum dos livros-guia que tínhamos. Então, foi só aqui que começamos a conhecer mais profundamente o país e o que ele oferece. Como era de se esperar, muitas praias e oportunidades de mergulho! E se gostássemos de golfe, as opções também seriam muitas. Mas, não é o caso, hehehe. Amanhã, de ônibus, vamos para as praias mais bonitas daqui. No dia seguinte, mergulho, de ônibus também. Isso porque, uma das coisas interessantes que acabamos de descobrir, não existe aluguel de carros por aqui. Acho que tem medo que estrangeiros não saberiam dirigir, na mão contrária, pelas estradas estreitas da ilha. Para quem quiser alugar seu próprio transporte, ou é um carro com motorista ou uma scooter. Quem sabe não alugamos uma?

Estátua pensativa, em parque de Hamilton, capital de Bermuda

Estátua pensativa, em parque de Hamilton, capital de Bermuda

Estados Unidos, New Jersey, Princeton Junction, Bermuda, Hamilton, ilha, história, Bermudas, Triângulo das Bermudas

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No Fim do Caminho Tinha Uma Pedra

Brasil, São Paulo, Petar

Colocando o estepe na Fiona, no PETAR

Colocando o estepe na Fiona, no PETAR


A Fiona foi batizada hoje. Ou melhor, ela nos batizou. Ao chegar no início da trilha para a Temimina, após muitos quilômetros de terra, valetas e pedras, percebemos o pneu furado. Pela quantidade de ar saindo do pneu, deve ter sido logo ali, uma pedra mais cortante, um azar inesperado. Da mesma maneira que a marinha inglesa aprendeu que não há navios inafundáveis após o naufrágio do Rhone (ver posts das Ilhas Virgens Britânicas), nós acabamos de aprender que não há pneus infuráveis. E olha que eu estava quase achando isto, pneus enormes a lameiros que eu tinha comprado. Pois é, furadinho da silva, logo na primeira trilha de terra de verdade que nós pegamos. Vivendo e aprendendo, foi um excelente aprendizado prático para nós.

Medindo a pressão do pneu furado da Fiona, no PETAR

Medindo a pressão do pneu furado da Fiona, no PETAR


A primeira providência foi testar o nosso compressor de ar, ainda virgem na embalagem. Funcionou! Depois, o nosso kit para conserto de pneus, também na embalagem. Aí, o erro: fiquei com medo de não saber usar direito e acabar estragando ainda mais o pneu. Ponderei com a Ana e o Edson que nós deveríamos seguir para a caverna e, quando voltássemos, de tarde, a gente encheria o pneu com o compressor e seguiríamos até um borracheiro. Eles concordaram comigo.

Fiona com o pneu no chão, no PETAR

Fiona com o pneu no chão, no PETAR


Ótima idéia na teoria, mas não na prática. Quando voltamos o pneu estava no chão, como era de se esperar. Todo faceiro, já fui logo colocando o compressor. Mas, naquele estado, com o peso do carro encima dele, o compressor não vencia. O ar que entrava saía pela lateral do pneu. Por mais que insistíssemos, nem uma mísera libra de ar ficava lá dentro.

Fiona sem o pneu furado, no PETAR

Fiona sem o pneu furado, no PETAR


Pneu furado da Fiona, no PETAR

Pneu furado da Fiona, no PETAR


Aí, não teve remédio. Forramos o chão e o barro embaixo da Fiona de folhas de bananeira, eu entrei lá embaixo e, pelejando muito, tiramos a tranca do estepe e ele próprio lá de baixo, levantamos a Fiona com o macaco e trocamos o gigantesco e pesado pneu. Amarramos o pneu furado no teto do carro, sobre uma nova cama de folhas de bananeiras e seguimos para o borracheiro. Uma hora de aula prática sobre como trocar o pneu desse carro teve valor inestimável. Fácil, não é. Mas com jeitinho, vai. Ainda mais com a valorosa ajuda da esposa multitarefa e do guia companheiro. E aprendemos também a hora certa de usar o compressor.

Pneu furado no teto da Fiona, no PETAR. O Edson deu a maior mão para gente!

Pneu furado no teto da Fiona, no PETAR. O Edson deu a maior mão para gente!


Pneu consertado, lições aprendidas, voltamos já de noite para a pousada. Após um banho quente e devorado um jantar, seguimos para uma festa em volta de uma fogueira, com nossos novos amigos paulistanos, companheiros de pousada. Foi bem legal para relaxar, mesmo tendo que ficar ouvindo toda sorte de músicas sertaneja. O fato dela ser ao vivo e aquela fogueira ali na frente contribuíram bastante para que se pudesse aguentá-las. Bom, falo isso por mim porque a maioria absoluta das pessoas em volta da fogueira, uma molecada de São Paulo, estava adorando.

Pneu furado no teto da Fiona, no PETAR. O Edson deu a maior mão para gente!

Pneu furado no teto da Fiona, no PETAR. O Edson deu a maior mão para gente!


E assim, embalados pela fogueira sertaneja e pelas lembranças de um dia que teve caverna, onça e pneu furado, só fomos dormir perto das duas. E dormimos o sono dos justos.

Pneu furado no teto da Fiona, no PETAR. O Edson deu a maior mão para gente!

Pneu furado no teto da Fiona, no PETAR. O Edson deu a maior mão para gente!

Brasil, São Paulo, Petar, Fiona, Parque

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Amarelos e Vermelhos

Canadá, Victoria

Detalhe do belo portal chines no coração da Chinatown de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Detalhe do belo portal chines no coração da Chinatown de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Ocupada há milhares de anos pelos povos nativos, Victoria e toda a Columbia Britânica são relativamente novas para o mundo ocidental. Foi apenas no final do século XVIII que esse litoral começou a ser explorado por nações como Rússia, Inglaterra, Espanha e França, todas em busca de oportunidades de comércio de pele de lontra, além da mítica “passagem noroeste”, um caminho mais curto entre o Atlântico e o Pacífico que por gerações encantou aventureiros, mas que ao final, não passava de um sonho (pelo menos em épocas pré-aquecimento global).

escola pública chinesa na Chinatown de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

escola pública chinesa na Chinatown de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Para se ter uma ideia, isso foi 300 anos após Colombo ter chegado ao Caribe. Nessa época, os Estados Unidos já tinham conseguido sua independência, as cabeças já rolavam nas guilhotinas francesas e os primeiros movimentos revolucionários começavam a agitar a América Latina. Essa região ao noroeste da América do Norte tornou-se um novo centro das atenções e cobiça das grandes nações. A confusão política na França acabou afastando essa nação da nova “corrida” e uma enfraquecida Espanha, mesmo após tantas viagens exploratórias pela região, não ousou se contrapor à poderosa Inglaterra. Mais ao norte, russos e ingleses finalmente chegaram a um acordo sobre esferas de influência, o embrião das atuais fronteiras de Canadá e Alaska. Mas mesmo com os rivais europeus afastados, a Inglaterra não pôde respirar aliviada, pois agora era sua antiga colônia e nova aspirante à potência mundial que se interessava por essa nova fronteira: os Estados Unidos. Foi a chamada “questão do Oregon”, que quase levou as duas nações à guerra em meados do séc XIX.

Caminhada pela mais antiga Chinatown do país, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Caminhada pela mais antiga Chinatown do país, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Foi nesse contexto conturbado que nasceu a cidade de Victoria. Por décadas, toda aquela região ao norte da California tinha vivido numa espécie de “dupla nacionalidade”, com comerciantes americanos e ingleses disputando cada rota ou oportunidade. Com o crescimento do comércio, as tensões aumentavam. Parte da sociedade americana clamava por guerra (“América para americanos!”). Com suas posições mais ao sul em perigo, a Inglaterra construiu um novo forte onde hoje está Victoria, como que para afirmar: “Daqui para o norte, é meu!”. Muitas negociações se seguiram e, enfim, o território foi dividido entre as duas nações ao longo do paralelo 49, o mesmo que já separava EUA e Canadá ao leste das Montanhas Rochosas. Outro fator que também contribuiu para evitar essa guerra foi que os EUA já estavam envolvidos em outra disputa, no sul, contra o México. Não achou prudente lutar em duas frentes de batalha ao mesmo tempo, numa delas contra a mais poderosa nação no mundo daquela época. Assim, enquanto no sul os EUA levaram quase a metade do território original mexicano, no norte eles abriram mão de boa parte de suas pretensões iniciais. Foi a única disputa territorial ao longo da história americana em que eles tiveram de abrir mão de suas aspirações.

O belo portal chines no coração da Chinatown de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

O belo portal chines no coração da Chinatown de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Voltando à Victoria, o forte virou cidade e passou a dominar todas as rotas comerciais da região, ganhando importância política e econômica. Logo se tornou a capital dessa nova província e também principal porto de entrada dos novos imigrantes, notadamente os asiáticos. Japoneses, chineses e indianos afluíam aos milhares, em busca das novas oportunidades de trabalho que se colocavam. As grandes empresas, como as mineradoras, preferiam trazer imigrantes chineses do que contratar trabalhadores locais, de origem inglesa. Esses, tinham a “péssima mania” de se reunir em sindicatos, fazer greves e exigir seus direitos enquanto os chineses, esses sim eram bons trabalhadores, sem limites de jornada de trabalho e muito menos domingos ou feriados.

Foto de antiga família da Chinatown de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Foto de antiga família da Chinatown de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Essa disputa acirrada pelos postos de trabalho foi um dos fatores no forte racismo que se criou contra os “amarelos”. Os chineses, hostilizados pela sociedade local, acabaram se reunindo em seus próprios guetos, formando os bairros conhecidos como Chinatown. A Chinatown de Victoria é a mais antiga e tradicional do Canadá. Foi justamente aí que nos hospedamos na cidade e onde começamos nossas explorações no dia de hoje. Hoje, ela é ocupada por imigrantes de 1ª, 2ª e 3ª geração de diversos países asiáticos, como a própria China, Coréia, Vietnã, Filipinas, etc... Diversas lojas, mercados e restaurantes compõem a paisagem, mas são mesmo as marcas e formas chinesas as que mais chamam a atenção, pela sua arquitetura e tradição.

Palácio do Governo Provincial, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Palácio do Governo Provincial, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


The Empress, o hotel mais famoso de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

The Empress, o hotel mais famoso de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Depois de uma boa caminhada por aí, seguimos para outra das grandes atrações da cidade, o Beacon Hill Park. Os planejadores ingleses de cidades na segunda metade do século XIX tinham como norma reservar uma milha quadrada para espaços públicos para cada oito milhas destinadas à ruas, avenidas e residências. Dentro dessa boa política, toda uma área no alto de uma colina (a Beacon Hill) foi reservada para um grande parque, numa região quase central da cidade.

Enormes trepadeiras com cores de Outono sobem prédio no centro de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Enormes trepadeiras com cores de Outono sobem prédio no centro de Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


No caminho para lá, sempre caminhando, passamos por três dos mais importantes marcos arquitetônicos da Victoria. O majestoso Palácio do Parlamento Provincial, escudado por uma estátua da rainha Vitória (que deu nome à cidade!), o suntuoso Empress Hotel, o mais tradicional de Victoria, construído pela companhia ferroviária para fomentar o turismo na cidade, e pelo melhor museu de toda a província (sorry, Vancouver!), o Royal BC Museum. Pelo adiantado da hora, resolvemos deixar o museu para amanhã, antes de viajarmos, e continuamos seguindo para o Beacon Hill, logo ali atrás.

As cores características do Outono no Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

As cores características do Outono no Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


O parque é realmente um oásis no meio da cidade. Adorado por seus frequentadores, agora no Outono ele ganha cores espetaculares, dignas da região da Nova Inglaterra. Não é por menos, pois foi de lá que foram trazidas várias Mapple Trees que hoje coloriam de vermelho esse belíssimo parque. E não foram só as Mapple Trees que foram “importadas”. Várias plantas de diversas partes do mundo, incluindo a maior de todas elas, as árvores sequoias, foram plantadas aqui. Aliás, no final do séc XIX, era muito chique ter a maior árvore do mundo plantada em seu jardim. Por toda a cidade foram plantadas essas gigantes avermelhadas. Hoje, apenas 120 anos mais tarde, elas ainda vivem na sua infância, mas já dão mostra do colosso que um dia serão. Quem viver mais uns 300 anos poderá conferir!

Tranquilidade em um dos lagos do Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Tranquilidade em um dos lagos do Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Pavão posa para fotos sobre um galho de sequoia no Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Pavão posa para fotos sobre um galho de sequoia no Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Demos uma boa volta pelo parque, admirando não só as cores da flora, mas também da fauna. Uma colorida coleção de aves perambula livre pelo parque, de patos à pavões. Nada mais apropriado para um parque pintado com todas as cores e tons entre o verde e o amarelo e entre o amarelo e o vermelho. As aves soltas são a evolução do antigo zoológico que ali existia, numa época em que os pobres animais viviam toda a sua vida encarcerados em jaulas diminutas. Basta ver as suas fotos para perceber a tristeza em que viviam. Felizmente, pelo menos por aqui, essa barbaridade é coisa do passado.

Passeio no belo Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Passeio no belo Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Uma jovem sequoia de apenas 130 anos no Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Uma jovem sequoia de apenas 130 anos no Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


No caminho para casa, depois de passar pelo ponto mais alto do parque, de onde se pode observar o mar aberto e toda a glória do Oceano Pacífico, seguimos pela orla, mesmo caminho de vários corredores e caminhantes com seus cães. Fico sempre impressionado com a limpeza desses caminhos, nem um mísero cocô de cachorro para contar a história. Todos devidamente ensacados em sacolas de plástico biodegradável distribuídas gratuitamente em alguns pontos. Um show de cidadania do poder público e também dos donos de cachorros, pois os cães daqui fazem tanto cocô como os brasileiros. Mesmo assim, podemos andar tranquilamente pelas calçadas. Vantagens de uma sociedade mais “civilizada”, pelo menos nesse ponto.

As cores características do Outono no Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

As cores características do Outono no Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Descanso sobre um tapete de folhas vermelhas no Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Descanso sobre um tapete de folhas vermelhas no Beacon Hill Park, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá


Uma última parada antes de voltarmos à Chinatown e ao nosso hotel foi na casa onde viveu Emily Carr, uma importante pintora e escritora canadense que tão bem retratou as culturas nativas e as paisagens da Columbia Britânica. Temos visto quadros seus espalhados pelos museus das grandes cidades do país e agora que conhecemos de perto as paisagens que ela magistralmente retratou, fomos lá prestar nossas homenagens. Entre as muitas qualidades que não tenho está a arte da pintura, o que só mais me faz admirar quem tem. Ao menos, divido com ela a profunda admiração pelas paisagens fantásticas dessa parte do mundo e acabo me sentindo coautor de seus belos quadros, pelo menos na vontade, hehehe.

Casa onde viveu a famosa pintora Emily Carr, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Casa onde viveu a famosa pintora Emily Carr, em Victoria, capital da British Columbia, no oeste do Canadá

Canadá, Victoria, Parque, história, British Columbia, Vancouver Island, Emily Carr, Chinatown, Beacon Hill

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Montanhas e Muita Neve

Geórgia Do Sul, Stromness

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Nosso primeiro dia na Geórgia do Sul teve como foco principal a vida selvagem. Os pinguins de Salisbury Plain e albatrozes de Prion Island, além dos elefantes e lobos-marinho dos dois lugares são atrações espetaculares e mesmo a incrível beleza da paisagem naqueles lugares ficou em segundo plano. Hoje, no nosso segundo dia nessa ilha perdida do Atlântico Sul, as prioridades iriam se inverter: primeiro, as belezas naturais e a história do lugar, e segundo, a vida selvagem, que aqui na Geórgia do Sul, está em todos os lugares.

Descida para a baía de Stromness, na Geórgia do Sul

Descida para a baía de Stromness, na Geórgia do Sul


Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


A primeira atividade do dia foi um longo trekking partindo de Fortuna Bay e chegando na baía de Stromness. Para isso, temos de cruzar as montanhas que separam as duas baías, a gente indo por terra e o Sea Spirit dando a volta pelo mar para nos recolher do outro lado. A ideia desse trekking é repetir o último trecho da grande travessia da ilha realizada em 1915 por Ernest Shackleton e dois de seus companheiros. Eles tentavam desesperadamente chegar à “civilização” para buscar ajuda a seus companheiros que ficaram presos na Antártida, depois que sua expedição exploratória havia terminado em fracasso. Ainda vou falar dessa história mais adiante, mas o fato é que Shackleton e seus companheiros conseguiram chegar à costa sul da Geórgia num barco a remo e daí precisaram caminhar até a costa norte onde se encontravam as estações baleeiras, Primeiro, caminharam até Fortuna Bay, já na costa norte e depois, seguiram para Stromness pelo mesmo caminho que fizemos hoje.

mapa que mostra o caminho percorrido por Shackleton para chegar a Stromness. Nós fizemos o último trecho, a partir de Fortuna Bay. Exposto no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul

mapa que mostra o caminho percorrido por Shackleton para chegar a Stromness. Nós fizemos o último trecho, a partir de Fortuna Bay. Exposto no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul


Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul

Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul


Stromness era uma importante estação baleeira naquela época, mas hoje não passa de uma pequena cidade-fantasma, as ruínas das antigas instalações sendo comidas aos poucos pelo tempo. Aí chegou Shackleton, sendo recebido pelo incrédulo administrador local. E aí chegamos nós, recebidos pelo Sea Spirit e uma refeição quente, muito benvinda depois do frio e da neve que enfrentamos.

Zodiacs levam os passageiros de volta ao Sea Spirit, em Stromness, na Geórgia do Sul

Zodiacs levam os passageiros de volta ao Sea Spirit, em Stromness, na Geórgia do Sul


Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul

Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul


O segundo programa do dia foi visitar Grytviken, também uma antiga estação baleeira e hoje a “capital” da ilha. Tem até igreja, correio, museu o cemitério onde está enterrado o valente Shackleton. Vou tratar de Grytviken e desse tenebroso período de caça às baleias no próximo post, enquanto nesse vou me deter na nossa caminhada da manhã.

Uma bela cachoeira na praia de Fortuna Bay, na Geórgia do Sul

Uma bela cachoeira na praia de Fortuna Bay, na Geórgia do Sul


Zodiacs levam os passageiros para Fortuna Bay Geórgia do Sul, para a caminhada até Stromness

Zodiacs levam os passageiros para Fortuna Bay Geórgia do Sul, para a caminhada até Stromness


Ainda ontem a Cheli, líder da nossa expedição, nos explicou sobre a programação de hoje e sobre quem estaria interessado em fazer o trekking. Para sua surpresa, mais da metade de nós estávamos. Para esses, o café da manhã seria servido ainda mais cedo, já que a ideia era estar já na praia de Fortuna Bay antes das 8 da manhã, para iniciarmos o trekking com cerca de 5 quilômetros, primeiro montanha acima, depois montanha abaixo e or fim, um longo vale.

A neve na praia de Fortuna Bay parece incomodar o elefante-marinho (Geórgia do Sul)

A neve na praia de Fortuna Bay parece incomodar o elefante-marinho (Geórgia do Sul)


Sob neve, início da nossa caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Sob neve, início da nossa caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Com tempo frio e fechado, caminhando rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Com tempo frio e fechado, caminhando rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


O dia que amanheceu bonito logo fechou, deixando-nos todos ansiosos e com medo que a aventura fosse cancelada pois seria a nossa única chance de caminhar um pouco mais por essa ilha de paisagens fantásticas. Felizmente, não foi. Ao contrário, a neve pelo caminho até emprestaria um clima ainda mais real do que enfrentaram Shackleton e seus companheiros nas suas últimas horas de caminhada. E assim foi, ao chegarmos à praia, nevava forte e até os elefantes-marinho pareciam reclamar.

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul


Com a neve e o frio, nada de ficarmos parados. Grupo todo reunido na praia, partimos logo rumo ao interior da ilha, o Damien, nosso guia historiador a frente. Não demorou muito para chegarmos à encosta da montanha e começarmos a subir. Quanto mais alto, mais neve, a paisagem cada vez mais parecida com aquilo que todos imaginamos que deva ser uma paisagem polar.

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul


Caminhando na neve entre Fortuna Bay e Stomness, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)

Caminhando na neve entre Fortuna Bay e Stomness, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)


Caminhando na neve rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Caminhando na neve rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


Nessa época do ano, o normal seria já vermos toda essa paisagem aberta, sem neve. Apenas as montanhas estariam cobertas de branco. Mas não hoje. A neve até parou um pouco, mas nesse ponto, todo o solo já estava branco. Quando chegamos ao ponto mais alto da nossa travessia, o Damien até mostrou o que seria um lago citado por Shackleton em seu relato. Hoje estava congelado e coberto de neve. Mas resolvemos todos acreditar no nosso guia de que aquilo que víamos era sim, um lago.

O Damien nos mostra onde deveria haver um lago no alto da montanha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

O Damien nos mostra onde deveria haver um lago no alto da montanha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Conversando com nosso guia Damien no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Conversando com nosso guia Damien no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Conforme caminhávamos, o Damien ia nos contando detalhes do trekking original, os homens já extenuados e esfomeados num último esforço para salvar suas vidas a as dos companheiros que ficaram para trás. Felizmente, nossas condições eram melhores, um bom café da manhã no estômago e um almoço nos esperando lá embaixo.

Foto do grupo de caminhantes no ponto mais alto da trilha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo de caminhantes no ponto mais alto da trilha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Repetindo Shackleton, cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Repetindo Shackleton, cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Aí no alto, fizemos a tradicional pose para a foto de todo o grupo, o amarelo vivo de nossas jaquetas ainda mais vivo contra o branco que nos cercava. Devíamos estar a quase 500 metros de altitude, exatamente do ponto onde, com o tempo aberto, passa a ser possível observar Stromness. Imagino a alegria de Shackleton ao ver a fumacinha saindo das casas lá embaixo.

Tentando avistar Stromness, na Geórgia do Sul

Tentando avistar Stromness, na Geórgia do Sul


A Ana mostra que estamos chegando a Stromness, na Geórgia do Sul

A Ana mostra que estamos chegando a Stromness, na Geórgia do Sul


Enfrentando o frio e a neve no caminho entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Enfrentando o frio e a neve no caminho entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Pois é, mais ainda era um longo caminho até lá embaixo. Com tanta neve assim, até o Damien, que já fez esse trekking várias outras vezes, se equivocou e começou a descer pelo lado errado da encosta. Mas logo percebeu o erro, subimos de volta e tomamos o caminho correto. O mesmo ocorreu quase 100 anos atrás, mas eles já haviam descido demais para voltar. Por isso, tomaram uma rota bem mais difícil e tiveram de enfrentar um ou outro penhasco com a ajuda das cordas que tinham.

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Início da descida para Stromness, na Geórgia do Sul

Início da descida para Stromness, na Geórgia do Sul


O Damien também levava sua corda, mas ela não foi necessária. Fomos enfrentando a neve fofa e funda ao descer a montanha, sempre fazendo um ziguezague para tornar a descida menos íngreme e mais segura.

O Damien nos conta detalhes da caminhada de Shackleton cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

O Damien nos conta detalhes da caminhada de Shackleton cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Descendo na neve em direção a Stomness, na Geórgia do Sul

Descendo na neve em direção a Stomness, na Geórgia do Sul


Já lá embaixo, passamos ao lado da cachoeira onde Shackleton e seus companheiros tiveram de usar a corda, já que chegaram pelo outro lado. Uma visão e tanto, uma cachoeira no meio de tanta neve. Pausa para mais fotos e também para respirar um pouco.

Os rastros de nossa descida pela encosta nevada da montanha rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Os rastros de nossa descida pela encosta nevada da montanha rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


A enorme vastidão nevada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

A enorme vastidão nevada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Uma cachoeira gelada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Uma cachoeira gelada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Agora já estávamos em baixo e era só seguir ao lado do rio até o mar, onde está Stromness. Antes de chegarmos lá, ainda cruzamos com marcas na neve. Eram as inconfundíveis pegadas de pinguim! Com efeito, três minutos adiante e lá estavam eles, um grupo de pinguins gentoo no meio da neve. Agora sim, estavam no seu ambiente predileto, hehehe! Um deles, até trabalhava para construir o seu ninho. Buscava gravetos lá longe e os empilhava cuidadosamente num ninho já quase pronto.

As inconfundiveis pegadas de pinguins na neve, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

As inconfundiveis pegadas de pinguins na neve, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Apesar da neve, um pinguim gentoo continua a construir seu ninho perto de Stromness, na Geórgia do Sul

Apesar da neve, um pinguim gentoo continua a construir seu ninho perto de Stromness, na Geórgia do Sul


Depois dos pinguins, uma claro sinal que estávamos cada vez mais pertos, passamos por pequenos lagos que haviam se transformado em verdadeiros espelhos, refletindo aquela paisagem grandiosa que nos cercava. Agora sem vento e sem neve, sua superfície estava parada e era um verdadeiro convite a novas fotografias.

Um pequeno lago se transforma num grande espelho, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Um pequeno lago se transforma num grande espelho, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


O fantástico cenário da nossa caminhada para chegar a Stromness, na na Geórgia do Sul (foto de Wayne Purcell)

O fantástico cenário da nossa caminhada para chegar a Stromness, na na Geórgia do Sul (foto de Wayne Purcell)


Por fim, um último encontro com filhotes de elefante-marinho. Esses sim nunca saem de muito perto da água. Havíamos chegado às ruínas de Stromness. Pelo estado de decadência em que se encontram, está proibido o acesso. Só podemos ver pelo lado de fora e a aparência é mesmo de uma cidade-fantasma. Seus únicos frequentadores, que parecem ignorar os avisos de não entrar, são lobos e elefantes-marinho. Mas isso é para outro post...

Filhotes de elefante-marinho nos observam em Stromness, na Geórgia do Sul

Filhotes de elefante-marinho nos observam em Stromness, na Geórgia do Sul


Lobo-marinho não parece se importar com a placa na antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho não parece se importar com a placa na antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Stromness, trilha, Montanha, Trekking, Fortuna Bay

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Temimina

Brasil, São Paulo, Petar

Entrada da caverna Temimina, no PETAR

Entrada da caverna Temimina, no PETAR


O programa de hoje foi no Núcleo Caboclos, onde estive hospedado há vinte anos. Fica no município de Apiaí, a 30 km daqui. Estrada de terra, quase uma hora de viagem. Saímos cedinho, para encontrar o Edson já em Apiaí, onde ele mora. De lá, mais uns 20 km de asfalto até nova estrada de terra, descendo até o Caboclos. Por ser assim, tão isolado, ele é muito menos frequentado.

Montanhas entre Apiaí e Iporanga

Montanhas entre Apiaí e Iporanga


Caminho entre Apiaí e Iporanga

Caminho entre Apiaí e Iporanga


Lá chegando, uma desagradável surpresa: a Fiona tinha um pneu furado. O barulho do ar vazando podia ser ouvido de longe. Conto sobre isso no post seguinte. A trilha para a Temimina tem cerca de três kms. Trilha de verdade, se comparada com as trilhas do dia anterior. No meio do mato e da mata. O Edson foi abrindo caminho pelas folhagens e teias de aranha e nós atrás dele. Após a chuva dos últimos dias, os únicos rastros na trilha eram dos animais que estiveram por lá nas últimas horas. Vimos rastros de porcos, roedores e de onças. Muito rastro de onça. Inclusive com filhote. Tenho certeza que elas nos observavam. O cheiro de urina, para marcar território, ainda estava fresco. Mas, infelizmente, não conseguimos ver nenhuma.

Vencida a mata densa, as onças e uma íngreme descida com ajuda de cordas chegamos à mais bela das cavernas da região. A entrada da Teminina é absolutamente linda. Um rio sereno margeando um paredão de pedra, um desabamento do lado direito, o teto de pedra a quarenta metros de altura, bastante luz entrando pelo lado do desabamento. Conforme seguíamos o rio, a caverna vai se fechando. A visão da enorme a larga boca da caverna é inesquecível. Do teto, gigantescos estalactites desciam, em formas grotescas. Pareciam raízes de árvores, principalmente quando cobertos de musgos ou bromélias.

Entrada da caverna Temimina, no PETAR

Entrada da caverna Temimina, no PETAR


Seguindo caverna adentro, ela se mantém ampla, larga e alta. Lá dentro, o rio continua a correr sereno, formando verdadeiras praias de areia lá dentro. Algumas pobres sementes, inclusive de palmiteiros, tiveram o azar de germinar lá dentro, naquela escuridão eterna. Crescem albinos e duram enquanto durarem as reservas energéticas da semente. São uma visão incomum, quase surreal, dentro de uma caverna.

Próximo às paredes, diversos espeleotemas. Os que me chamam mais a atenção são os ninhos de pérolas. Um branco e outro, não muito longe dali, vermelho. Mas, o que mais me chamou a atenção foi o "chuveirão". Como o próprio nome diz, um verdadeiro chuveiro, com fluxo de água constante, caindo de uma altura de 5 metros sobre uma pequena banheira circular. É possível jurar que aquilo foi feito pelo homem. Perfeito demais! Mas é apenas mais uma dessas formações de caverna, que a natureza faz tão diligentemente num piscar de olhos de 50 mil anos . Com esse tempo todo, dá para ela caprichar nas formas...

Saída da Teminina, no PETAR

Saída da Teminina, no PETAR


Apesar da concorrência forte e dos percalços do dia (meu tênis arrebentou, esqueci a lanterna, o pneu furou, entre outras coisas), esse foi nosso passeio predileto aqui no Petar. Tanto a bela trilha como a caverna maravilhosa, a única das que estivemos agora que eu ainda não conhecia. Para coroar tudo, a visão desse chuveiro por lá foi espetacular!

Só faltou homenagear o Edson, nosso guia nesses dois dias. Logo se acostumou conosco e entendeu o nosso humor. Nas trilhas, nos divertíamos contando e rindo das nossas próprias piadas e tiradas. As onças devem ter se assustado com aquelas três figuras passando por aquela trilha molhada, rindo uns dos outros. Perdemos a onça mas não perdemos a piada!

Brasil, São Paulo, Petar, Parque, Caverna

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Pelas Charmosas Ruas de Cusco

Peru, Cusco

Com o Gustavo, caminhando em rua do centro de Cusco, no Peru

Com o Gustavo, caminhando em rua do centro de Cusco, no Peru


Durante o dia de hoje, além de visitarmos o antigo palácio Qorikancha (ver post anterior), fizemos uma das melhores coisas que se pode fazer em Cusco: caminhar sem rumo por suas ruas, ruelas, praças e ladeiras. Por aqui, respira-se história por todo lado, afinal estamos numa cidade com mais de 800 anos. Além disso, inspira-se contemporaneidade, pois vemos pessoas de todos os cantos do mundo, alguns apenas visitando, outros passando uma temporada mais longa, apaixonados por essa cidade tão cativante. Para receber e entreter gente tão diversa, são inúmeros bares e restaurantes, comida de 1ª categoria das mais diversas cozinhas, do barato ao descolado, do caro ao requintado.


Em Cusco, ficamos hospedados em frente à Plaza San Francisco (A), bem pertinho da Plaza de Armas (B). Mas a nossa vizinhança preferida foram as ruelas e escadarias do bairro de San Blás, ao redor da pequena igreja com o mesmo nome(C)

Há também as igrejas coloniais, museus sobre os mais diversos assuntos, lojas de produtos típicos ou internacionais e um sem número de agências de viagem para nos ajudar ou empurrar algum passeio entre as infinitas possibilidades por aqui e ao redor da cidade. Enfim, estamos numa cidade internacional, uma das mais esplendorosas urbes do séc XV e fortíssima candidata ao título imaginário de “capital do continente”.

Pátio interno de museu em Cusco, no Peru

Pátio interno de museu em Cusco, no Peru


Artesãs trabalham em pátio interno de museu em Cusco, no Peru

Artesãs trabalham em pátio interno de museu em Cusco, no Peru


Para ajudar a conhecer tantas atrações espalhadas na cidade e região, vende-se um bilhete com desconto que dá acesso à várias delas. Ontem, quando fomos à Sacsayhuaman (uma das atrações incluídas no tal bilhete), resolvemos comprá-lo. Hoje, para fazer valer o investimento, tratamos de visitar outras atrações que já estão incluídas. São pequenos museus aqui no centro de Cusco. As outras (e mais empolgantes) atrações estão espalhadas pelo Valle Sagrado, aonde iremos amanhã.

Visita a um dos muitos museus de Cusco, no Peru

Visita a um dos muitos museus de Cusco, no Peru


A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru

A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru


Entre os museus, o que mais me atraiu foram os históricos. Um deles, sobre o vida de Topa Inca, filho do grande Pachacuti. Foi em seu reinado que os incas teriam chegado à Galápagos e Ilha de Páscoa, algo que ainda é matéria em discussão. De qualquer maneira, para mim foi uma grande surpresa, pois jamais imaginei que eles tivessem sido navegadores. Quem sabe, se tivessem um pouco mais de tempo, não teriam chegado à China? Quais teriam sido as consequências históricas desse encontro?

A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru

A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru


Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru

Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru


Outro museu tratava da história da cidade na época colonial, já sob domínio espanhol. Aqui, o que mais me interessou foi o relato da revolta liderada por Tupac Amaru II. Esse foi o “nome de guerra” de um mestiço que se dizia descendente direto do último dos imperadores incas, Tupac Amaru, morto pelos espanhóis em 1572. A revolta de Tupac Amaru II foi a maior enfrentada pelos espanhóis no séc XVIII, em toda a América Latina. Ele liderou um exército com dezenas de milhares de indígenas e mestiços e centenas de espanhóis foram mortos. Entre eles, o governador da província, executado por seu próprio escravo, sob as ordens de Tupac Amaru. Mas ao final, ele foi capturado e os espanhóis não tiveram dó. A sentença do julgamento, exposta no museu, impressiona. Tupac Amaru teve de assistir a sua esposa e filho mais velho serem mortos em praça pública. Depois, teve sua língua cortada. Finalmente, amarrado a quatro cavalos, foi esquartejado. Tenho a impressão que a jurisprudência evoluiu um pouco, desde então... Um enorme quadro no museu nos “ajuda” a visualizar a cena, ocorrida bem ali, na Plaza de Armas, no mesmo lugar onde, duzentos anos antes, fora executado o Tupac Amaru original.

Representação bastante clara da morte por esquartejamento  do líder revolucionário Tupac Amaru, em museu de Cusco, no Peru

Representação bastante clara da morte por esquartejamento do líder revolucionário Tupac Amaru, em museu de Cusco, no Peru


Além de museus e igrejas, fomos também à uma agência de viagens, a Aita Peru, indicada por um amigo que nos segue no Facebook. Muito eficiente mesmo, a Hilaria nos ajudou com hotéis e reservas para os próximos dias. Com isso, estamos com nosso roteiro fechadíssimo. Amanhã, dormimos em Ollantaytambo. Depois, Águas Calientes e Ollantaytambo novamente. Por fim, a caminhada em Choquequirao, onde a Hilária ficou de nos arrumar um “arriero” (condutor de mulas). Programação decidida e fechada, pudemos relaxar e aproveitar as horas seguintes caminhando sem destino pelo centro de Cusco.

Foto tradicional nas ruas de Cusco, no Peru, com uma lhama e algumas cholas

Foto tradicional nas ruas de Cusco, no Peru, com uma lhama e algumas cholas


Experimentando chapeu em lojinha de Cusco, no Peru

Experimentando chapeu em lojinha de Cusco, no Peru


Quer dizer, “sem destino” é modo de falar, pois tínhamos um “destino” sim! Era o bairro de San Blas, do outro lado da Plaza de Armas. É um dos bairros mais antigos e tradicionais da cidade, construído sobre uma colina que se ergue por ali. São ruas estreitas e escadarias por onde não quase não passam carros. Muitos restaurantes e pousadas e uma simpática praça, justamente onde está a pequena igreja de San Blás. Sem dúvida, a mais charmosa vizinhança da cidade, um enorme prazer simplesmente caminhar por suas ruelas.

Caminhando pelas ruas e escadarias do bairro de San Blas, em Cusco, no Peru

Caminhando pelas ruas e escadarias do bairro de San Blas, em Cusco, no Peru


A deliciosa e tradicional cerveja local, em Cusco, no Peru

A deliciosa e tradicional cerveja local, em Cusco, no Peru


Aí tivemos um delicioso almoço tardio e daí, numa rua mais alta, admiramos a cidade de Cusco e seus telhados vermelhos. Longe das multidões da Plaza de Armas e da confusão da região do Mercado Central, aqui vimos um lado mais autêntico da cidade e, se não fosse pela Fiona, concluímos que seria o lugar certo para nos hospedarmos. Quem sabe, da próxima vez. Só vai ser difícil escolher entre as tantas pousadas.

Praça de San Blas, em Cusco, no Peru

Praça de San Blas, em Cusco, no Peru


Bonecas a venda na praça de San Blas, em Cusco, no Peru

Bonecas a venda na praça de San Blas, em Cusco, no Peru


Foi aqui que vimos também que nem todo mundo em Cusco gosta de tantos turistas em suas ruas e restaurantes. Uma frase simples e emblemática escrita na parede, nos fez parar e pensar. Difícil não concordar com ela, principalmente quando, com tantos restaurantes espalhados pelo centro histórico, é tão difícil encontrar alguma mesa que esteja ocupada por gente local. Isso vinha me incomodando e, ao ler a frase, encontrei a tradução do que me afligia. Mesmo sabendo, ainda que não querendo, que nós também somos parte disso...

Nem todos concordam com todo esse turismo em Cusco, no Peru

Nem todos concordam com todo esse turismo em Cusco, no Peru

Peru, Cusco, história, cidade

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O Incrível Banho de Vapor

Brasil, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas)

Entrada do P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Entrada do P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Nem tudo são flores nesta viagem. Muitas vezes, nos posts, só falamos das coisas boas, o que faz parecer que tudo vai às mil maravilhas. Realmente, tudo de bom relatado ocorreu, não inventamos nada. Mas temos nossas dificuldades também. Nesses pouco mais de 400 dias de viagem, eu fiquei doente duas vezes (notadamente aquela dos 42 graus de febre) e a Ana umas três ou quatro. Tivemos nossas pancadas, nossas dores, nossas luxações. Normal, para quem está na natureza quase o tempo todo.

A Pedra do ET, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

A Pedra do ET, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


A Ana, já há 4-5 dias, vem enfrentando uma forte crise alérgica. Muita tosse, muitos espirros, olhos lacrimejando, sinos entupidos, dor de cabeça. A crise tem resistido à medicação. Com isso, ela dorme mal. Mais uma vez, hoje, foi assim que ela acordou. Só que, dessa vez, ela não era a única a estar gemendo. Eu também, acometido de uma dor nas costas. Algum mal jeito. Parecíamos dois velhos, hehehe. Difícil estava conciliar a nossa condição com a programação de hoje, que era acordar bem cedo e seguir para um longo passeio no parque.

Estrada corta o cerrado no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Estrada corta o cerrado no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Eu tomei um coquetel de dorflex e tandrilax e melhorei. A Ana tomou seu coquetel também, um antiestamínico e um resfenol, e melhorou também. E assim, juntos com nosso guia Zezinho, seguimos para o parque. Vinte quilômetros de asfalto e depois, uns 110 de terra e areia, até voltar ao asfalto novamente. O conforto do amortecimento da Fiona ajudou bastante. Mas sem ar condicionado, proibido para a Ana!

Cachoeira São Romão vista por cima, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Cachoeira São Romão vista por cima, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Cruzamos uma vegetação totalmente de cerrado, cheio de formações rochosas ao fundo. Pedras como da Galinha ou do ET. Locais sem acesso, mas que tem um vasto potencial turístico, com certeza. Fico só imaginando quantas cavernas, quantos poços cristalinos, quantos segredos essa região ainda esconde... Nós seguimos para as que já são conhecidas, grandes cachoeiras no meio do parque.

Cachoeira São Romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Cachoeira São Romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Primeiro, a São Romão. Muita água caindo de uma altura de 25 metros. Admira-se a cachoeira de cima e depois, numa pequena trilha, vai-se até a parte de baixo, onde se pode nadar no rio, não muito próximo da queda d'água, que é muito forte. Mas, a grande atração, aquilo que valeu todo o passeio, os 110 km de areia e terra, as mais de 4 horas no carro entre ida e volta, é a visita à parte detrás da cachoeira. Infelizmente, o burrão aqui não levou a nossa máquina à prova d'água, então as lembranças desse local magnífico ficarão, para sempre, apenas em nossa memória. Mas, se alguém de vocês um dia for lá, não esqueçam da máquina!!!

Descansando na sombra, na praia da Cachoeira São romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Descansando na sombra, na praia da Cachoeira São romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


A gente entra atrás de uma cortina de água poderosa. Cortina não, parede! Esta água bate com força nas pedras abaixo e uma quantidade enorme de vapor é espirrada para trás, para dentro dessa pequena gruta por onde passamos. A água, ou vapor em alta velocidade nos deixa ensopados, invade nossos ouvidos e olhos. Cuidadosamenta vamos avançando até chegarmos numa parte mais profunda da gruta, onde o vapor não chega. Ali, podemos admirar, ficar embasbacados, de queixo caído, com a beleza da paisagem. Já tínhamos entrado num lugar assim perto de Ubajara - CE (ver post!), onde tiramos belas fotos. Mas lá, a escala era outra! Aqui, a quantidade de água era dez vez maior. Que visual incrível!

Uma das três quedas da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Uma das três quedas da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Foi tão incrível que, eu que tinha entrado lá com o Zezinho, voltei para a praia onde a Ana estava descansando e disse que ela deveria ir também, mesmo estando fragilizada pela crise alérgica. Aquela maravilha valia o risco! E para lá voltamos, ela com uma canga enrolada na cabeça para proteger os ouvidos. Lá embaixo, na gruta, ensopada, ela confirmou que valeu à pena. Um lugar absolutamete mágico!

O Zezinho, nosso guia, traz o Titanic, a balsa para atravessar o rio da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

O Zezinho, nosso guia, traz o Titanic, a balsa para atravessar o rio da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


De lá, ainda extasiados, seguimos para a Cachoeira da Prata, que na verdade são três quedas. Mesmo rio da São Romão, mesma quantidade de água. Belo visual, pode-se nadar no rio acima e abaixo da queda. O legal também é cruzar o rio à bordo do "Titanic", uma pequena balsa para pessoas e motos, puxada à mão através de uma corda. Do outro lado do rio, temos acesso à trilha que leva à parte de baixo das cachoeiras e a um refrescante banho de rio.

Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Depois, hora de enfrentar mais terra e areia de volta ao asfalto, onde chegamos já no escuro. Na chegada à pousada, pudemos fazer uma rápida consulta médica para a Ana com um xará meu, o Dr. Rodrigo, que se hospeda todas as quintas-feiras aqui, vindo de São Paulo, para medicar em Carolina. Foi muito atencioso conosco e, vamos ver se agora a Ana melhora...

Vegetação próxima à Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Vegetação próxima à Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Amanhã, é dia da Pedra Caída, a mais famosa atração da região. Fica num complexo turístico onde há outras cachoeiras, grandes tirolesas e se paga por tudo. Vamos ver...

Nadando no rio acima da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Nadando no rio acima da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

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