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SHUFFLE Há 1 ano: Rio De Janeiro Há 2 anos: Rio De Janeiro

Pico da Bandeira, a Cada 10 Anos

Brasil, Minas Gerais, Alto Caparaó, Espírito Santo, Pedra Menina

No cume do Pico da Bandeira, PN do Caparaó - MG/ES

No cume do Pico da Bandeira, PN do Caparaó - MG/ES


Abril de 1990. Depois de mais de 25 anos, finalmente o Brasil é governado por um presidente eleito de forma direta, pelo povo. Logo na primeira semana de seu governo, uma de suas medidas acaba com sua popularidade, alcançada durante a campanha presidencial: o confisco das poupanças. Mas houve outra medida, pouco conhecida das pessoas, que me causou mais raiva ainda do nosso eloquaz presidente.

Cachoeira do Aurélio, na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES

Cachoeira do Aurélio, na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES


Eu, meu primo Haroldo e os amigos Renato e Sakanaka, aproveitando um feriado, rodamos 800 km lá de Campinas, onde estudávamos, até Alto Caparaó, principal porta de acesso ao Parque Nacional do Caparaó e ao Pico da Bandeira somente para descobrir que o parque havia sido fechado para uma reestruturação no IBAMA. Nenhuma visita seria permitida, apesar do parque e do tempo estarem em ótimas condições. Ordem do amado presidente.

Aproximando-se das Duas Meninas, na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES

Aproximando-se das Duas Meninas, na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES


Após várias conversas com pessoas locais, todas insatisfeitas com o fechamento do parque, botamos em prática nosso plano B. Era madrugada quando invadimos o parque pelo rio que corre abaixo da portaria. Amanhecia e já estávamos bem acima, vencendo a enorme subida que leva até a Tronqueira, ponto mmais alto de acesso por carro. Tínhamos o parque apenas para nós, mas sempre com medo que fôssemos descobertos. Não fomos, dormimos no Terreirão, ponto de acampamento mais alto e chegamos ao pico na madrugada seguinte, bem a tempo de ver o nascer-do-sol mais bonito que já vi na minha vida. Apesar da proibição do nosso valente presidente.

Visão do acampamento da Pedra Queimada, local de início da trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES

Visão do acampamento da Pedra Queimada, local de início da trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES


Novembro de 1999. Quase dez anos depois daquele inesquecível nascer-do-sol, estava no cume do Bandeira novamente. O companheiro dessa vez era o primo Dadinho. Era quase meio-dia, a vista era magnífica mas as nuvens vinham se aproximando. Decidimos subir também o Pico do Cristal. No meio do caminho, atravessando a crista que liga as duas montanhas, a neblina tomou conta de tudo. Tão forte que fez desaparecer uma montanha inteira. Por mais que tentássemos, simplesmente não achamos mais o Pico do Cristal. Incrível! Resolvemos voltar e logo achamos uma bonita trilha descendo o morro. Fomos seguindo por ela, toda a paisagem escondida atrás da neblina, a trilha meio diferente, mas o importante era descer. Finalmente, a neblina se abriu um pouco e lá embaixo vimos as casinhas do Terreirão. Êpa! Não era o Terreirão! Para nossa surpresa e grande tristeza, era outro lugar. Concluímos ser a Casa Queimada, acampamento do lado capixaba do parque. Ufff... não tinha remédio, precisamos subir tudo novamente, até quase o cume do Bandeira para pegar a trilha correta e descer do lado mineiro.

Observando a paisagem e as montanhas na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES

Observando a paisagem e as montanhas na trilha capixaba de acesso ao Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó - MG/ES


Outubro de 2010. Estranha coincidência; mais dez anos se passaram e cá estava eu no Bandeira novamente. Sem nunca ter planejado assim, verifiquei que essa montanha que tanto adoro me atrai a cada dez anos. Para minha felicidade, percebo que estou na mesma forma de 20 ou 10 anos atrás. Exceto pelos cabelos brancos, o tempo não tem passado muito por mim, hehehe.

Feliz da vida no cume do Pico da Bandeira, PN do Caparaó - MG/ES

Feliz da vida no cume do Pico da Bandeira, PN do Caparaó - MG/ES


Desta vez, estou acompanhado da minha amada esposa. Não precisamos invadir o parque, e optamos por subir pelo lado capixaba, pela mesma Casa Queimada que eu havia observado, decepcionado, 10 anos antes. A subida foi ótima e conto com mais detalhes no próximo post.

Descansando no cune do Pico da Bandeira, PN do Caparaó - MG/ES

Descansando no cune do Pico da Bandeira, PN do Caparaó - MG/ES


Na chegada ao lado mineiro, fim da nossa travessia, eu vinha pensando nessa história de vir a cada 10 anos, e me vangloriando pela boa forma. Foi quando encontramos com dois senhores, perto dos seus 60 anos, em ótima forma. Conversa vem, conversa vai, um deles me conta sobre o seu pai, o Seu Jaber Werner, de 94 anos! Ele também estava ali e quando o filho o chamou, veio correndo, literalmente, até nós. Conversamos bastante com ele, que nos contou que sobe o Bandeira desde 1930, há 80 anos! A última vez tinha sido com quase 80 anos de idade. Desde então, não foi mais tão alto no parque, mas continua frequentando. Vendo ele se movimentando lá na Tronqueira, e conversando animadamente conosco, não tive dúvidas. Se ele quiser subir mais uma vez, sobe!

Com os novos amigos, Cícero, Ademar e o nonagenário Jaber Werner (esbanjando saúde), na Tronqueira, na trilha mineira de acesso ao Pico da Bandeira, no PN do Caparaó - MG/ES

Com os novos amigos, Cícero, Ademar e o nonagenário Jaber Werner (esbanjando saúde), na Tronqueira, na trilha mineira de acesso ao Pico da Bandeira, no PN do Caparaó - MG/ES


E assim, as minhas três subidas, a cada 10 anos, perderam boa parte do seu charme e valor. Percebi que estou ainda no início da caminhada, que tenho muito por fazer até realmente poder me orgulhar da minha boa forma. No mínimo, mais quatro subidas ao pico, sempre a cada 10 anos. Para quem me conhece, sabe que agora isso virou um desafio. Podem me cobrar daqui a dez anos...

Visão das montanhas quase chegando à Tronqueira, na trilha mineira de acesso ao Pico da Bandeira, no PN do Caparaó - MG/ES

Visão das montanhas quase chegando à Tronqueira, na trilha mineira de acesso ao Pico da Bandeira, no PN do Caparaó - MG/ES


Enfim, sinto-me muito aventurado de ter estado no cume do Bandeira mais uma vez, agora com a Ana. E mais ainda de ter conhecido este senhor, o Jaber, que se tornou um exemplo de vivacidade e boa forma, já nonagenário. É como quero estar quando chegar lá.

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...e a Mais Bela Aurora!

Alaska, Tok

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska


Foi com dor no coração que deixamos a saída para Valdez à nossa direita e seguimos viagem para Tok. Seria um “pequeno” desvio , ida e volta, de algumas centenas de quilômetros para a cidade que todos recomendaram de que não deixássemos de ir. Estrada bonita, geleiras, possibilidade de avistamento de vida selvagem e por aí vai. A cidade ganhou fama mundial depois do maior desastre ecológico da história, quando o Exxon Valdez derramou sua gigantesca carga de óleo, arruinando um meio ambiente quase virgem e paradisíaco, matando milhões de peixes, aves e mamíferos e causando a fúria de ecologistas por todo o mundo. Esses mesmos ecologistas previram que a região demoraria décadas para se recuperar, mas a Natureza surpreendeu a todos com a rápida renovação do ecossistema e da vida marinha. Ao mesmo tempo, o desastre dificultou em muito a vida dessas empresas petrolíferas, que tiveram que passar a lidar com leis muito mais rígidas em seus novos projetos de investimento. Há males que vem para bem...


Nosso novo roteiro até Haines, de onde pegamos o ferry. Agora, vamos passar pela lendária Dawson City!

Mas a previsão de tempo para os próximos dias estava muito ruim e seguir até lá para tomar mais chuva na cabeça nos pareceu mais teimosia do que inteligência. Assim, tratamos de armar um plano B que não fica muito a dever ao plano A, não. Nosso ferry sai de Haines no dia 25 e queremos chegar lá um pouco antes, para poder aproveitar também as belezas da cidade. Ao não irmos para Valdez, ganhamos uns dias extras para conhecer outros lugares e a decisão óbvia era seguir para longe da chuva. Nossa melhor chance era para o norte e para o interior do continente. E não é que, justamente lá, perdido nesse verdadeiro fim de mundo quase polar, está a cidade quase lendária de Dawson, uma vila saída dos tempos do faroeste, criada em apenas 2 anos, na época da corrida do ouro de 1898? Seria um desvio de pouco mais de 500 km na nossa rota original. Mas conheceríamos novas estradas, novas paisagens e, acima de tudo, a cidade mais interessante dessa parte do continente. Enfim, um bom negócio!

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska


Para chegar lá, tínhamos de ir por partes. Dawson fica no Yukon Territory, no Canadá. Está ligado à cidade de Tok, no Alaska, através da famosa rodovia “Top of The World Road”, que fica ao norte da Alaska Highway. Ao norte da Alaska Highway? Pois é, só isso já dá uma ideia de onde estávamos nos metendo. A estrada só funciona na temporada e, descobrimos hoje, que ela vai fechar amanhã, dia 21. Ou seja, acertamos na mosca!

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska


Pois bem, a primeira parte da nossa jornada, depois de passarmos por Anchorage, terminava na pequena Tok. Essa foi a primeira cidade que passamos no Alaska, no nosso caminho para Fairbanks e para o extremo norte. Tínhamos dado uma parada rápida na Oficina de Turismo, onde a simpática atendente nos deu várias dicas valiosas sobre o Estado. Passamos por lá justamente na véspera do escritório fechar, pelo menos até Maio de 2013. Outra vez, na mosca!

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska


Bom, dessa vez, já experientes em Alaska, não precisávamos mais da Oficina de Turismo. Mesmo que ela ainda estivesse aberta, não teríamos pressa. Com isso, pudemos curtir bastante a estrada da bifurcação de Valdez até lá. A parte mais impressionante é quando passamos ao lado de uma titânica geleira que parece invadir um vale muito abaixo da estrada. Lugar lindo! Como muitos outros lugares do Alaska, os principais frequentadores são os caçadores. Essa atividade está muito mais entranhada na cultura local do que havíamos imaginado. Aos poucos, vamos nos acostumando com pessoas vestidas em suas roupas camufladas, veículos off-road que carregam equipamentos e as vítimas abatidas e caminhões repletos de carcaças e chifres de alces, elks, caribous e veados. Acho que quem não se acostuma nunca são os pobres cervídeos. Afinal, seu genoma nunca os preparou a se esquivar de balas disparadas a mais de 200 metros de distância por rifles com mira telescópica. Não me parece muito justo, mas... assim é por aqui.

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska


Bom, voltando à viagem, chegamos já no escuro a Tok, arrumamos um pequeno hotel e fomos logo checar a previsão. Noite clara, sem lua e boas chances de aurora. Viva!!! Ainda não tinha falado, mas esse foi também um dos grandes motivos para voltarmos a essas bandas. Assim, começamos a checar os céus com os nossos olhos, de tempos em tempos. Um pouco depois da meia noite e, bingo! Lá estavam elas, as norhern lights, a Aurora Boreal, o aviso de que o show cósmico estava para começar!

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok


Não perdemos muito tempo! Entramos na Fiona e nos afastamos das poucas luzes de Tok e chegamos a um ponto onde só estávamos nós quatro: eu, a Ana, a Fiona e o Universo. Tinha as estrelas também, mas nem a lua convidamos!

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok


Bom, até hoje pela tarde, eu achei qu já tinha visto a Aurora. Ledo engano. Aquilo era outra coisa. A verdadeira Aurora, essa conhecemos hoje. Até então, tinha sido sempre muito lindo, especialmente para um habitante dos trópicos, completamente virgem nesse assunto. Mas confesso que as fotos ficavam mais bonitas que a realidade. Com um tempo de exposição mais longo nas fotos, o verde ficava mais forte do que era na realidade. Ficava uma falsa impressão que o céu ficava mesmo com aquelas cores fortes. Na verdade, era sempre mais tênue.

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok


Bom, isso foi até essa noite. Agora, a Natureza resolveu nos mostrar com quantos paus se faz uma canoa. Dessa vez, o que se vê nas fotos não chega a metade do que vimos com os olhos. Um verdadeiro balé de cores e formas, (nada de tênue não!) sobre nossas cabeças. Uma mágica que nos fez chorar de emoção, tamanha era a nossa incredulidade em ver tudo aquilo. Pela primeira vez, vimos outras cores com clareza. Vermelho, roxo, um azul meio esbranquiçado e, claro, muito verde.

Um verdadeiro show cósmico, na Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Um verdadeiro show cósmico, na Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska


Ficamos ali extasiados, sem fôlego, sem palavras, diante do espetáculo absolutamente indescritível se desenrolando ao nosso redor. Gente...sabe tudo aqui que sempre falaram da Aurora? Pois é... é muito melhor! Nosso desvio, o tempo ruim no sul, tudo isso já valeu a pena. E ainda temos Dawson pela frente. Com mais promessa de Aurora. Não dá para reclamar...

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Alaska, Tok, Aurora Boreal

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Despedida do Oceano Pacífico

Chile, Pichilemu

Praia tranquila no início da manhã em Pichilemu, no litoral central do Chile

Praia tranquila no início da manhã em Pichilemu, no litoral central do Chile


No dia 28 de Novembro de 1520, os três navios restantes sob as ordens de Fernão de Magalhães terminaram a travessia do Canal de Magalhães e adentraram um novo oceano. A expedição espanhola sob as ordens de um navegante português foi a primeira a navegar no lado leste deste oceano que os europeus estavam apenas começando a conhecer na última década. Tendo navegado sob duras condições meteorológicas no extremo sul do continente, os europeus se animaram com as águas calmas e pacíficas daquele novo mar. Por isso, Magalhães logo o batizou de Oceano Pacífico.

Oceano Pacífico, circundado pela América a leste, Ásia e Oceania a oeste e Antártida, ao sul, é o maior dos oceanos da Terra

Oceano Pacífico, circundado pela América a leste, Ásia e Oceania a oeste e Antártida, ao sul, é o maior dos oceanos da Terra


O maior oceano da Terra, com cerca de 165 milhões de km2, tinha passado despercebido pelos povos europeus nos últimos milhares de anos. Mesmo sendo maior do que todos os continentes somados e representando um terço de toda a superfície do planeta, foi apenas em 1512 que duas expedições portuguesas chegaram ao Oceano Pacífico, vindos do sul da Índia e navegando até as ilhas Maluku. Em maio do ano seguinte, saindo da atual Malásia, os portugueses chegaram ao sul da China. Nesse mesmo ano, mas em setembro, foi a vez do espanhol Vasco Nuñez de Balboa cruzar a pé o Istmo do Panamá e atingir o Oceano Pacífico, a primeira vez que um europeu chegava ao lado leste desse mar. Foi ele que batizou o novo oceano de “Mar do Sul”, mas o nome não pegou.

Nosso 'escritório' em Mancora, no litoral norte do Peru

Nosso "escritório" em Mancora, no litoral norte do Peru


Correndo na praia em Montañita, no Equador

Correndo na praia em Montañita, no Equador



O nome que realmente pegou foi mesmo “Oceano Pacífico”, dado pela expedição de Magalhães, a primeira a cruzar esse novo oceano de leste a oeste. Depois disso e pelos próximos 50 anos, o Pacífico também era chamado de “Mare Clausum” (ou “mar fechado”) pelos espanhóis, que o consideravam como propriedade sua. Seus galeões navegavam das Filipinas ao México intocados e soberanos, enquanto o Canal de Magalhães era vigiado para que nenhum barco de outra potência marítima entrasse em “águas espanholas”. Mas isso não iria durar para sempre. Um dos maiores navegantes de todos os tempos, odiado por espanhóis e idolatrado na Inglaterra, Sir Francis Drake, sob as ordens da rainha, navegou pelo Estreito de Magalhães em 1578, abrindo o novo oceano também para as outras nações europeias. Em breve, holandeses os seguiriam. A trilha de pilhagem e destruição deixada pelo famoso pirata nas bases espanholas na costa do Pacífico deixaram claro para eles que o Pacífico jamais seria assim, tão “pacífico”.

El Tunco, litoral de El Salvador

El Tunco, litoral de El Salvador


Pura saúde no café da manhã na praia em Zipolite, no litoral Pacífico do México

Pura saúde no café da manhã na praia em Zipolite, no litoral Pacífico do México


Mas a história do maior oceano da Terra começa muito antes que europeus começassem a brigar pela sua posse. Antes deles, navegantes chineses e mulçumanos já faziam bom uso de suas águas. E muito antes disso, hábeis navegantes polinésios, num raro caso de migração transoceânica, partindo de ilhas na costa da Ásia, haviam atingido o Havaí, a Ilha de Páscoa e, possivelmente, a costa da América do Sul. Na verdade, mesmo antiga, a história da ocupação humana do Pacífico não passa de um mero piscar de olhos na muito mais longa história do próprio oceano. Assim como montanhas, continentes, rios e lagos, oceanos nascem, crescem e morrem. Mas o tempo aí não se conta em centenas ou milhares, mas em milhões de anos.

O Oceano Pacífico originou-se do Oceano Pantalássico, que circundava o super-continente de Pangea.

O Oceano Pacífico originou-se do Oceano Pantalássico, que circundava o super-continente de Pangea.


É de conhecimento de quase todos, exceto entre os religiosos muito fervorosos que acham que o planeta tem pouco mais de 5 mil anos de idade, que todos os continentes que hoje conhecemos já estiveram unidos em um super-continente chamado Pangeia. Já expliquei em outro post que desde que a Terra é Terra, continentes se juntam e se separam, com configurações distintas e diferentes oceanos entre eles. Pangeia é apenas a última vez em que eles se reuniram, entre 300 e 200 milhões de anos atrás. Nessa época, havia apenas um oceano no planeta, a enorme massa d’água que cercava por todos os lados o super-continente de Pangeia. Chamava-se Oceano Pantalássico ou Paleo-Pacífico, pois dele nasceria o Oceano que hoje conhecemos.

Em Bahía Drake, embarcando para o Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Em Bahía Drake, embarcando para o Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Magnífico pôr-do-sol na Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Magnífico pôr-do-sol na Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Esse mundo de geografia simples (apenas um continente e um oceano!) começou a mudar quando Pangeia se quebrou em Laurásia, ao norte, e Gondwana, ao sul. Entre os dois novos super-continentes, um novo oceano, chamado de Tétis, surgiu. Mas ele não teria vida longa. Gondwana se partiu em pedaços menores e a divisão entre África e América do Sul daria origem ao Oceano Atlântico, enquanto que a divisão entre África de um lado e Austrália, Índia e Antártida do outro, daria origem ao Oceano Índico. Migrando para o norte, em direção à Europa, a África reduziria o outrora grandioso Oceano de Tétis no mísero Mar Mediterrâneo. E enquanto tudo isso ocorria, o Oceano Pantalássico se transformava no Oceano Pacífico que tem, segundo os estudiosos, cerca de 150 milhões de anos de idade.

De ré, embarcando em balsa para cruzar a Caleta Gonzalo, no parque Pumalín, trecho da Carretera Austral no sul do Chile

De ré, embarcando em balsa para cruzar a Caleta Gonzalo, no parque Pumalín, trecho da Carretera Austral no sul do Chile


Passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá

Passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá


E aí, podemos perguntar: “Ué... e por que já não era o Oceano Pacífico antes, na época de Pangeia?”. Porque os solos dos oceanos estão em constante renovação. Hoje, por exemplo, a placa tectônica do Pacífico afunda sobre a placa onde está o Japão (lembram-se do terremoto e maremoto de 2011?) e também sobre a placa das Américas. O Pacífico está diminuindo por quase todos os lados, alguns centímetros por ano. O solo entra nas entranhas da Terra e sai de volta, na forma de lava vulcânica, pelas dezenas de vulcões do chamado ‘Cinturão de Fogo do Pacífico” e centenas de vulcões conhecidos e desconhecidos no leito do mar. Enfim, os cientistas dizem que, devido a essa renovação constante, não há nada no fundo do Pacífico que tenha mais de 150 milhões de anos.

Pontos ao longo da costa americana onde chegamos ao Oceano Pacífico durante os 1000dias. Devido ao frio, foi apenas nas costas do México, América Central, Peru, Equador e Chile, além das ilhas oceânicas, que conseguimos dar um mergulho

Pontos ao longo da costa americana onde chegamos ao Oceano Pacífico durante os 1000dias. Devido ao frio, foi apenas nas costas do México, América Central, Peru, Equador e Chile, além das ilhas oceânicas, que conseguimos dar um mergulho


Enfim, foi ao longo desse “senhor” de 150 milhões de anos que nós viajamos centenas e centenas de quilômetros ao longo desses 1000dias. Desde as águas geladas do Alaska, passando pelo o litoral quase tropical do oeste da América Central e chegando novamente às aguas geladas, agora na patagônia chilena. Isso sem esquecer das temporadas nas ilhas paradisíacas do Havaí, Galápagos e Páscoa, todas no coração do Oceano Pacífico. Esse mar foi personagem principal e atuante na nossa jornada, seja com a Fiona, seja de barco ou de avião. Nele nadamos, nele mergulhamos, ou simplesmente admiramos sua beleza vasta, quase infinita para os olhos, do alto de algum penhasco, montanha ou da praia mesmo. Foi atrás dele que o sol muitas vezes se escondeu, proporcionando pores-do-sol espetaculares e inesquecíveis. Foi aí que vimos tubarões e pinguins em Galápagos, baleias no México e no Canadá, ou leões-marinhos nos Estados Unidos. Foram em suas praias que nos esquentamos no Equador e Peru ou na Costa Rica e Nicarágua e nos esfriamos no Canadá e Estados Unidos. Foram em suas águas que navegamos no Alaska e no sul do Chile. Ou seja, personagem principal mesmo!

Admirando as pasisagens da Inside Passage, trecho entre Sitka e Ketchikan, no sudeste do Alaska

Admirando as pasisagens da Inside Passage, trecho entre Sitka e Ketchikan, no sudeste do Alaska


Chegando à selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Chegando à selvagem Ruby Beach, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Para nós, brasileiros, mar é o Oceano Atlântico. É ele que banha nossas costas, do Oiapoque ao Chuí. Como bom mineiro, passei incontáveis férias em suas praias, primeiro naquelas entre São Paulo e Espírito Santo e, mais tarde, esticando até os estados do Nordeste e Sul do Brasil. Com tanto tempo de praia, uma relação se formou. Pode parecer petulante, mas o Atlântico é quase como um “brother” para mim e gosto de pensar que, a cada vez que ponho os pés nele, onde quer que seja, ele também me reconheça; “Lá vem o Rodrigo!” – ele diz. Relação de respeito e amizade, agora não mais apenas do Chuí ao Oiapoque, mas da Terra do Fogo a Massachusetts. É sempre o mesmo Oceano Atlântico, aquele que conheço desde criança.

Fotografando uma iguana na praia em Tortuga Bay, na Ilha de Santa Cruz, em Galápagos

Fotografando uma iguana na praia em Tortuga Bay, na Ilha de Santa Cruz, em Galápagos


A Ana nada na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

A Ana nada na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Com o Pacífico é diferente. É outro mar. Não nos conhecemos desde criança. Quando chego perto, sei que é “outro bicho”. Mais velho e maior que o Atlântico, há algo de diferente ali, no ar, na água, abaixo dela, no horizonte. Não sei definir exatamente o que é, mas é diferente. Isso não quer dizer que seja pior ou melhor. É simplesmente diferente. Com um, a intimidade foi construída desde a infância, com o outro, é uma relação de respeito, de estudo. Um amigo da fase adulta nunca será igual a um amigo que vem desde os tenros anos.

Um banho de luz no fim de tarde na Pescadero Beach, na rodovia One, entre San Francisco e Santa Cruz, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos

Um banho de luz no fim de tarde na Pescadero Beach, na rodovia One, entre San Francisco e Santa Cruz, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos


Pois bem, esses 1000dias serviram, entre tantas outras coisas, para que nós conhecêssemos muito melhor esse vasto oceano. Desde a primeira vez que o vimos, aqui mesmo no Chile, em 20 de Agosto de 2011, em Iquique (post aqui), até a manhã de hoje, foram 30 meses de convivência, de idas e vindas, de águas quentes e frias, de mergulhos e caminhadas, de trechos de carro e de barco. De maneira geral, foi ao seu lado que seguimos para o norte e nos refestelamos em suas praias no Peru e no Equador. Depois, já na América Central, foi a vez de aproveitarmos suas praias na Costa Rica, Nicarágua e El Salvador e, finalmente, México. Nos Estados Unidos, nos afastamos para voltar ao leste e o reencontro só se deu no Alaska. É claro que já não dava para tomar banho de mar por lá, mas foi onde fizemos um dos mais belos trechos desses 1000dias, navegando pela costa do estado até o Canadá. Foi lindo!

Um mirante avançado para melhor admirar as grandes ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Um mirante avançado para melhor admirar as grandes ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Reencontro com o Oceano Pacífico na cidade de La Serena, no Chile

Reencontro com o Oceano Pacífico na cidade de La Serena, no Chile


Aí sim, fomos conhecer a costa americana do Oceano Pacífico. O ponto alto foi a rodovia One, de San Francisco a Los Angeles, sempre com o mar ao lado. Daí voamos para o Havaí, cercado de Oceano Pacífico por todos os lados. Uma overdose, no bom sentido, das mais belas paisagens desse mar. Tão belo como havia sido nossa temporada em Galápagos e como seria também na Ilha de Páscoa, locais onde a temperatura desse mar é muito mais agradável do que costuma ser aqui na costa do continente.

Movimento da manhã em praia de Pichilemu, no litoral central do Chile

Movimento da manhã em praia de Pichilemu, no litoral central do Chile


De volta à América do Sul, fomos até a Terra do Fogo pelo meio do continente, mas a volta para o norte, em terras chilenas, foi sempre ao lado do mar. Outras vez, juntos com a Fiona, cruzamos de ferry trechos lindos desse mar. Mas a água estava fria demais para um mergulho, mesmo nas praias da Ilha de Chiloé. E aqui chegamos na pequena Pichilemu, capital do surf chileno, local da nossa despedida do Oceano Pacífico, escolhida a dedo porque nos dá a chance de um bom mergulho.

O majestoso Oceano Pacífico em Pichilemu, no litoral central do Chile

O majestoso Oceano Pacífico em Pichilemu, no litoral central do Chile


Pois é, a água é fria por aqui também. Mas nada que impeça alguns minutos dentro d’água. Foi o que fiz hoje pela manhã, bem longe da Playa Principal e de suas multidões e salva-vidas. A praia de Infiernillo, onde está nossa pousada, é muito mais tranquila. Quer dizer, suas areias são, enquanto a água é um pouco mais agitada. Bem do jeito que eu gosto. Bem com a cara do Pacífico. Respirei fundo e para a água eu fui. Nada de pensar muito, pelo menos até me acostumar com a temperatura. Água bem limpa, dessas que se vê o pé, mesmo na parte mais funda. Depois, dois ou três jacarés para aproveitar as ondas. Sentimento total de despedida, nó na garganta e tudo. Mas o dia de sol e a beleza que me circundava não me deixava ficar triste. De volta às areias para me esquentar um pouco e ver o mar de outro ângulo.

Nossa despedida do Oceano Pacífico nesses 1000dias, em Pichilemu, no litoral central do Chile

Nossa despedida do Oceano Pacífico nesses 1000dias, em Pichilemu, no litoral central do Chile


A Ana faz festa. Dois rapazes vestidos de marinheiro se aproximam. Os salva-vidas aqui do Chile são da marinha e se vestem de marinheiros. Perguntam se eu não sabia da proibição. Eu me faço de tonto e digo que não. Eles me perdoam por ser gringo e, educadamente, me explicam que não é permitido nadar ali. Se quiser voltar ao mar, que seja no meio da multidão, a um quilômetro dali, na Playa Principal. Eu agradeço. Aquele banho de mar já tinha sido minha despedida. Mar agora, só lá no Ceará, daqui a três dias, com meu “brother” Atlântico, sem passar frio ou ter de dar explicação para alguém vestido de marinheiro. Por falar nisso, está na hora de pegarmos estrada novamente, rumarmos para o norte. Olho uma última vez para o mar. Pacífico, adeus!

Enfrentando a água fria do Oceano Pacífico em Pichilemu, no litoral central do Chile

Enfrentando a água fria do Oceano Pacífico em Pichilemu, no litoral central do Chile

Chile, Pichilemu, Praia, viagem, história, geografia, Oceano Pacífico

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O Magnífico Rio Celeste

Costa Rica, Tenorio

Admirando a surpreendente Cascata do Rio Celeste, no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica

Admirando a surpreendente Cascata do Rio Celeste, no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica


Choveu boa parte da noite e o dia amanheceu com mais água ainda. Bem cedo descemos para o nosso café, com o intuito de chegar no parque quando ele abrisse, às 08:00. A Ana chegou a ficar na dúvida se iria, enfrentar mais uma trilha barrenta, a chuva e, ao final, só encontrar um rio cor de barro. Mas resolveu tentar, pelo menos ir até a entrada do parque e perguntar como ficava a cor do rio num dia desses...

Driblando o barro em trilha no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica

Driblando o barro em trilha no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica


No café, lá estavam o caal de suiços e o alemão. O Marcel e a Liz prontos para o parque e o alemão Lutz pronto para ir embora, decepcionado com o tempo. Queria sol. Não adiantou a moça do hotel dizer que aquela chuva não era o bastante para mudar a cor do rio. Ele queria era sol mesmo. Partiu para o litoral.

A primeira visão da Cascata do Rio Celeste, no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica

A primeira visão da Cascata do Rio Celeste, no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica


Os outros, nós e os suiços, fomos para o parque. Eu e a Ana ainda passamos um tempo na portaria, aproveitando do wifi deles para poder postar algo. A simpática Liz, sabendo das dificuldades da Ana com o joelho, deixou com ela seu par de sticks de caminhada. Um anjo em nosso caminho, disse a Ana.

Visitando a maravilhosa Cascata do Rio Celeste, no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica

Visitando a maravilhosa Cascata do Rio Celeste, no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica


Enfim, fomos enfrentar a chuva fina e o barro. A trilha é boa parte plana, sempre entre a floresta exuberante. As subidas, dá para tirar de letra. Pouco mais de um quilômetro até a primeira grande atração: a fantástica cachoeira do Rio Celeste. A primeira vez que a vemos é incrível, aquele poço azul no meio do verde da vegetação. Aos poucos, os olhos vão se acostumando com aquela visão de conto de fadas. A gente chega até a borda para se maravilhar com a paisagem. O tempo chuvoso e falta do calor do sol não estimulam muito o banho. Aliás, o banho ali está proibido, infelizmente. E não dá nem para tentar se fazer de bobo. Havia quase uma dezena de operários ali construindo um novo mirante para observação. Tiramos nossas fotos e seguimos...

Uma das lagoas formadas pelo Rio Celeste no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica

Uma das lagoas formadas pelo Rio Celeste no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica


A próxima parada é num mirante para o vulcão. Hoje, apenas neblina. Seguimos a trilha, sempre ao lado do rio azul. Passamos por um ponto onde a água parece ferver com tantas borbulhas. Sinal que o vulcão ali perto ainda vive e expele seus gases e químicos. Aliás, é isso que dá a cor ao rio!

Área de borbulhas e fortes odores no Rio Celeste, no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica

Área de borbulhas e fortes odores no Rio Celeste, no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica


Percebemos isso um pouco mais adiante quando chegamo ao encontro de dois rios que formam o Rio Celeste. Um deles vem carregado de cobre e o outro de ácido sulfúrico. O encontro gera uma reação química que precipita o sulfato de cobre, que é o que dá cor ao Rio Celeste. É incrível ver o "azul" aparecer ali, na nossa frente!

O ponto em que, por uma reação química, o rio se torna 'celeste' no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica

O ponto em que, por uma reação química, o rio se torna "celeste" no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica


Mas a trilha ainda não acabou. Seguimos mais um pouco, agora para outro lado, e chegamos aos poços termais. Piscinas de água quente ao lado do rio de águas frias e azuis ali do lado. Fantástico! Parte da água do rio entra nas piscinas naturais também. A água fria e a quente demoram a se misturar e nadar nelas é uma confusão tátil. "Manchas" de água fria e quente atravessam nosso corpo. Os braços em água quente, as pernas em água gelada. E vice-versa! Muito legal!!! Fora a paisagem que nos rodeia, a mata punjante de vida da Costa Rica.

Banho em águas termais ao lado do rio gelado no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica

Banho em águas termais ao lado do rio gelado no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica


Depois do banho, acelerados de volta para a entrada do parque. A Ana sempre comos bastões de caminhada, cuidando para não forçar os joelhos. Na entrada, encontramos novamente o Marcel e a Liz e muito lhes agradecemos a ajuda. Eles seguiriam suas explorações do país enquanto eu e a Ana tínhamos um outro destino: a Nicarágua!

1000dias na Cascata do Rio Celeste, no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica

1000dias na Cascata do Rio Celeste, no Parque Nacional Tenorio, no norte da Costa Rica

Costa Rica, Tenorio, trilha, Parque, Rio Celeste

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Arenal, o Vulcão e os Banhos

Costa Rica, Arenal

Caminhada no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

Caminhada no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


No ano de 1968, o então tranquilo vulcão Arenal despertou de um longo sono para uma série de violentas erupções. Localizado no centro norte da Costa Rica, o furioso vulcão destruiu completamente a cobertura vegetal ao seu redor, soterrou três vilas próximas e matou dezenas de pessoas. Desde então, ele tem estado em quase constante atividade, considerado o mais ativo vulcão do país e um dos mais estudados do mundo. Mais do que isso, tornou-se uma das principais atrações turísticas da Costa Rica, tanto para estrangeiros como para a população local, que vêm atrás não só da impressionante visão de rios de lava descendo pelas laterais da montanha, mas também por causa das diversas fontes de águas termais da região.

A bela paisagem do Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

A bela paisagem do Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


O vulcão Arenal, o mais ativo da Costa Rica

O vulcão Arenal, o mais ativo da Costa Rica


Entre esses milhares de visitantes anuais, hoje estávamos eu e a Ana. O jovem vulcão (tem menos de 10 mil anos – um garoto!) tem estado bem mais calmo nesses dois últimos anos, apenas pequenas fumarolas escapando pelo seu cume, mas a beleza da paisagem continua impressionante, a montanha cônica quase ao lado do enorme lago que tem o mesmo nome: Arenal.

Chegando ao Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

Chegando ao Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


Depois daquele delicioso café da manhã em meio à pássaros coloridos e exóticos, seguimos pela estrada que margeia o lago rumo ao sul e ao vulcão. Não demorou muito para, logo após uma curva, ele aparecer imponente no horizonte. Quanto mais ao sul seguíamos, maior ele ficava, logo tornando-se a referência soberana na paisagem.

início de caminhada no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

início de caminhada no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


Um parque foi criado ao redor da montanha para melhor controlar o acesso ao vulcão. Chegar muito próximo é proibido e pessoas já morreram tentando fazer isso. Afinal, sem muito aviso, ele costuma expelir rochas com mais de uma tonelada a quilômetros de distância. Quem estiver embaixo, já era! O parque protege também uma área de florestas que foi poupada das erupções, assim como também a vegetação que teima em crescer sobre antigos rios de lava.

Observando o vulcão mais ativo do país, no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

Observando o vulcão mais ativo do país, no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


O vulcão fumegante do Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

O vulcão fumegante do Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


O parque foi nosso primeiro objetivo de hoje. Resolvemos fazer uma caminhada em forma de looping, unindo duas das mais populares trilhas da área, mas antes disso, seguimos diretamente para o mirante do vulcão, o ponto mais próximo da montanha que podemos chegar de carro. Foi a chance da Fiona chegar perto do Arenal também, hehehe.

É possível perceber os antigos caminhos de lava no vulcão do Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

É possível perceber os antigos caminhos de lava no vulcão do Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


belíssimas flores crescem nos terrenos formados por lava vulcânica, no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

belíssimas flores crescem nos terrenos formados por lava vulcânica, no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


Depois disso, seguimos a pé mesmo, ignorando os avisos de que aquela era uma área de risco. Afinal, o vulcão tem estado de bom humor. Mesmo assim, a recomendação é que o carro seja estacionado já voltado para a saída, em caso de necessidade de uma rápida evacuação. Mas não foi o caso hoje e pudemos caminhar tranquilamente.

belíssimas flores crescem nos terrenos formados por lava vulcânica, no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

belíssimas flores crescem nos terrenos formados por lava vulcânica, no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


A trilha leva até outro mirante, dessa vez encima de um antigo fluxo de lava. Percebe-se claramente por onde eles desceram a montanha, marcas de tempos mais violentos. Sobre esse novo solo, o que mais chama a atenção são as lindas flores que crescem, aproveitando-se de nutrientes bem “fresquinhos”.

Uma enorme Ceiba no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

Uma enorme Ceiba no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


Uma colônia de aranhas no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

Uma colônia de aranhas no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


A segunda parte do caminho foi dentro da mata, já sem a visão do majestoso Arenal, mas aproveitando a sombra de árvores centenárias, o lar de dezenas de espécies de insetos, pássaros e animais. Observamos desde uma colônia de aranhas até uma preguiçosa bicho-preguiça, instalada confortavelmente no galho alto de uma árvore. É nessas horas que sentimos falta de um zoom mais potente na nossa máquina fotográfica...

Caminho na mata do Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

Caminho na mata do Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


Encontro com um bicho-preguiça no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica

Encontro com um bicho-preguiça no Parque Nacional Arenal, na Costa Rica


Terminada a trilha, estávamos prontos e ansiosos para a segunda atração do dia: um banho em águas termais. O vulcão pode até estar mais calmo na sua parte exterior, mas a profusão de rios de águas quentes na área mostra que, pelo menos no interior da terra, ele está mais vivo do que nunca. Melhor para nós, para os outros turistas e para os muitos empreendimentos que se desenvolveram ao redor desses rios, construindo atrativas piscinas para receber os visitantes.

A incrível combinação de águas termais de uma floresta, perto de La Fortuna, região do lago Arenal, na Costa Rica

A incrível combinação de águas termais de uma floresta, perto de La Fortuna, região do lago Arenal, na Costa Rica


Piscina de águas termais perto de La Fortuna, região do lago Arenal, na Costa Rica

Piscina de águas termais perto de La Fortuna, região do lago Arenal, na Costa Rica


Nós escolhemos um mais tranquilo para passar a tarde. Alí, só entra um número limitado de pessoas por horário e, durante a estação, uma reserva deve ser feita com bastante antecipação. Mas nessa época do ano é mais tranquilo e o único horário mais concorrido é o noturno. Como nós fomos no meio da tarde, tivemos de repartir as várias piscinas e cachoeiras de água quente ou fria com menos de dez outros afortunados.

Delicioso banho de águas termais perto de La Fortuna, região do lago Arenal, na Costa Rica

Delicioso banho de águas termais perto de La Fortuna, região do lago Arenal, na Costa Rica


Estava uma delícia! Diretoria total! Ainda mais tomando cervejas geladas ou rum punches, sossegados, no meio daquelas piscinas limpinhas de água quente. Aliás, para combater o calor das águas, além das bebidas geladas, temos também esguichos e pequenas cascatas de água fria. Foram quase duas horas de intenso prazer e relaxamento.

Água quente e cerveja gelada em complexo de águas termais perto de La Fortuna, região do lago Arenal, na Costa Rica

Água quente e cerveja gelada em complexo de águas termais perto de La Fortuna, região do lago Arenal, na Costa Rica


Depois da vida mansa, seguimos mais alguns quilômetros para o sul até a principal cidade da região, La Fortuna. Cidade quase sem charme, dessas que cresceram rapidamente para atender a forte demanda turística. Ainda bem que seguimos os vários conselhos que recebemos e dormimos lá no hotel do alemão, ao invés de ter esticado até aqui. Mas hoje, depois da caminhada no parque e das horas relaxando nas piscinas de água quente, só precisávamos de uma cama macia e com bom preço. Não foi difícil encontrar isso em La Fortuna, nem um bom jantar. Amanhã, depois das horas de sono, estaremos prontos para a viagem até o litoral, nossa volta ao Oceano Pacífico desde aquela tarde gostosa lá em Los Angeles, ainda no ano passado. Certamente, a água aqui será mais quente...

Cachoeira de água fria em piscina de água quente, perto de La Fortuna, região do lago Arenal, na Costa Rica

Cachoeira de água fria em piscina de água quente, perto de La Fortuna, região do lago Arenal, na Costa Rica

Costa Rica, Arenal, trilha, Parque, vulcão, La Fortuna

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Vulcão Osorno, Petrohué e os Lagos

Chile, Puerto Varas

Maravilhado com o cenário formado pelo lago Llanquihue e o vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

Maravilhado com o cenário formado pelo lago Llanquihue e o vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


Saímos de mala e cuia hoje, de Puerto Varas, no sul do Chile. A ideia era passar todo o dia explorando as atrações ao redor do lago Llanquihue, o segundo maior do país, e ainda seguir para Pucón no fim da tarde. Estamos no coração da chamada “Região dos Lagos”, uma das mais belas aqui do Chile, e o que não falta são atrações para serem vistas, exploradas, fotografadas e admiradas. Lagos, florestas, cachoeiras, vulcões e pequenas cidades, enfim, tem para todo o gosto. Então, tratamos de partir cedo, depois de um delicioso café da manhã no nosso hostel na cidade.

Nossa rota ao redor do lago Llanquihue, no sul do Chile, de Puerto Varas a Frutillar, passando pelo vulcão Osorno, Saltos de Petrohué e Lago de Todos os Santos, na rota para Bariloche, na Argentina

Nossa rota ao redor do lago Llanquihue, no sul do Chile, de Puerto Varas a Frutillar, passando pelo vulcão Osorno, Saltos de Petrohué e Lago de Todos os Santos, na rota para Bariloche, na Argentina


A caminho do vulcão Osorno, toda a grandeza do lago Llanquihue, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

A caminho do vulcão Osorno, toda a grandeza do lago Llanquihue, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


Nosso primeiro objetivo é, literalmente, a maior atração turística dessa parte do Chile. Refiro-me ao magnífico vulcão Osorno que, com seus mais de 2.600 metros de altitude, reina soberano às margens do lago Llanquihue. Ontem já tínhamos tido um belo aperitivo dessa incrível montanha, o privilégio de assistir o entardecer pintar o vulcão de cores avermelhadas. Hoje, queríamos chegar mais perto do gigante e é justamente pela manhã que as condições climáticas costumam ser mais firmes nas altas altitudes do vulcão. O dia costuma começar calmo, mas com a tarde chegando, o vento ao redor do cume acelera e nuvens poderiam atrapalhar a visão. Então, foi para lá mesmo que seguimos em primeiro lugar.

Chalés na orla do lago Llanquihue, com vista privilegiada para o vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

Chalés na orla do lago Llanquihue, com vista privilegiada para o vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


O magnífico vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

O magnífico vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


Na verdade, nós já tínhamos visto o Osorno uma vez nessa viagem. Foi de longe, lá do outro lado da cordilheira, quando passamos pela cidade argentina de El Bolsón. Aí chegamos aos 2.260 metros de altitude do Cerro Piltriquitrón (veja post e fotos aqui) e de lá fotografamos o vulcão Osorno sabendo que, um dia, chegaríamos aqui. Pois é, 33 dias depois, a hora chegou! E, para nossa sorte, num dia lindo de céu azul!

A Ana fotografa o magnífico vulcão Osorno enquanto damos a volta no lago Llanquihue, região de Puerto Varas, no sul do Chile

A Ana fotografa o magnífico vulcão Osorno enquanto damos a volta no lago Llanquihue, região de Puerto Varas, no sul do Chile


O vulcão Osorno se destaca sobre uma linha de nuvens, na orla do lago Llanquihue, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

O vulcão Osorno se destaca sobre uma linha de nuvens, na orla do lago Llanquihue, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


Viemos contornando o lago Llanquihue no sentido anti-horário, pela sua costa sul. A estrada está quase sempre na orla do lago e as vistas são lindíssimas, tanto do lago como do vulcão. Muitos hotéis e chalés para turistas estão exatamente ao lado do lago para poder aproveitar esse cenário de cinema. Além disso, diversos mirantes nos permitem parar e fotografar com calma o vulcão. Um espetáculo a cada curva.

O lago Llanquihue e o vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

O lago Llanquihue e o vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


O cume nevado do vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

O cume nevado do vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


Por fim, perto da pequena cidade de Enseada, entramos no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, o mais antigo do Chile. Ele foi criado em 1926 justamente para proteger a belíssima natureza dessa região que faz fronteira com a Argentina, seus vulcões, lagos e florestas. Sim, é tudo no plural mesmo, pois há outros vulcões além do Osorno e outros lagos além do Llanquihue, como se vê nas fotos desse post.

Sobre a copa das árvores se destaca o cume nevado do vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

Sobre a copa das árvores se destaca o cume nevado do vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


A Fiona nos leva para bem perto do vulcão Osorno, já bem alto nas encostas da montanha, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

A Fiona nos leva para bem perto do vulcão Osorno, já bem alto nas encostas da montanha, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


Uma estrada de rípio sai da estrada principal asfaltada que dá a volta no lago e sobe em direção ao vulcão. Em boas condições, ela vai ziguezagueando encosta acima, deixando para trás e para baixo a linha da floresta até atingir uma pequena estação de esqui, chamada La Burbuja. Estamos aproximadamente a 1.200 metros de altitude. A vista para o Llanquihue, lá embaixo, é sublime, assim como é a vista para o cume da montanha, quase 1,5 quilômetros ainda acima de nós. Quanto mais perto do Osorno, mais insignificante nos sentimos!

Alto nas encostas do vulcão Osorno, o belíssimo visual do lago Llanquihue, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

Alto nas encostas do vulcão Osorno, o belíssimo visual do lago Llanquihue, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


Bem alto nas encostas do vulcão Osorno, na na região de Puerto Varas, no sul do Chile

Bem alto nas encostas do vulcão Osorno, na na região de Puerto Varas, no sul do Chile


Desse ponto sai um teleférico de cadeirinhas que sobe mais umas duas centenas de metros, mas ela estava desligada. É daqui também que partem os grupos que sobem até o cume do vulcão. São seis horas de caminhada, entre ida e volta, e é preciso botas com grampões para caminhar no gelo e na neve, além, é claro, de um bom casaco e de cordas de segurança. As escaladas são sempre feitas em grupos com um guia local. Nós chegamos a pensar em fazer essa excursão, mas como vamos subir o Villarrica amanhã, achamos que um cume de vulcão já estava de bom tamanho. O Villarrica, dizem, tem o cume mais impressionante e interessante.

Nuvens de altitude no cume do vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

Nuvens de altitude no cume do vulcão Osorno, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


Alto nas encostas do vulcão Osorno, já bem próximos da linha de neve, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

Alto nas encostas do vulcão Osorno, já bem próximos da linha de neve, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


A razão disso é simples: o Osorno não tem uma cratera ou caldeira em seu cume. Na verdade, ele é considerado um vulcão bem ativo em tempos históricos, mas já está calmo há quase 150 anos. Sua última erupção foi em 1869, a última das 11 erupções ocorridas desde 1575, quando os espanhóis chegaram por aqui e começaram a fazer anotações. Ocorre que nenhuma dessas erupções foi em seu cume, mas em fissuras laterais, nas encostas da montanha. O cume mesmo, esse já está calmo há milhares de anos e o gelo e a neve escondem qualquer vestígio de cratera. Para quem quiser realmente a sensação de ver um vulcão clássico, com cratera e tudo, o Villarrica é mesmo uma melhor opção. Mas, falando de erupções do Osorno, adivinhem quem estava aqui por perto e testemunhou uma das últimas a ocorrer? Sim, sempre ele, o inglês Charles Darwin! Já perdi a conta de quantos lugares nós estivemos nessa viagem em que o famoso cientista também esteve. Em janeiro de 1835, a bordo do Beagle, que fazia sua 2ª viagem ao continente e estava ancorado em Ancud, na costa norte da Ilha de Chiloé, Darwin presenciou a uma bela erupção lateral do vulcão Osorno. Sujeito de sorte!

Visita aos Saltos de Petrohué, no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales,  região de Puerto Varas, no sul do Chile

Visita aos Saltos de Petrohué, no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, região de Puerto Varas, no sul do Chile


Turistas se admiram com a força e a beleza das águas dos Saltos de Petrohué, no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales,  região de Puerto Varas, no sul do Chile

Turistas se admiram com a força e a beleza das águas dos Saltos de Petrohué, no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, região de Puerto Varas, no sul do Chile


Canyons cavados pela lava vulcânica do vulcão Osorno e hoje ocupados pelas águas do rio Petrohué, no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales,  região de Puerto Varas, no sul do Chile

Canyons cavados pela lava vulcânica do vulcão Osorno e hoje ocupados pelas águas do rio Petrohué, no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, região de Puerto Varas, no sul do Chile


Bem, nós não quisemos esperar a cadeirinha começar a funcionar e continuamos nosso tour pela região. Descemos a encosta do vulcão e seguimos para os Saltos de Petrohué, quase nos pés do Osorno. O Petrohué é um rio que nasce no Lago de Todos os Santos e que, como o lago, tem uma cor incrível, parecido com uma esmeralda. Em um ponto, ele atravessa um canyon estreito em meio a rocha vulcânica, cavado muito tempo atrás por lava fervente de uma das erupções laterais do Osorno. Aí ele forma saltos e cachoeiras num lindo espetáculo que atrai centenas de turistas. A maioria deles em passeios organizados por agências de turismo, ônibus e mais ônibus que vêm de Puerto Varas e Puerto Montt.

Visita aos Saltos de Petrohué, no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales,  região de Puerto Varas, no sul do Chile

Visita aos Saltos de Petrohué, no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, região de Puerto Varas, no sul do Chile


Os Saltos de Petrohué, no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales,  região de Puerto Varas, no sul do Chile

Os Saltos de Petrohué, no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, região de Puerto Varas, no sul do Chile


Há também aqueles que estão vindo de Bariloche, lá do outro lado dos Andes! Isso mesmo, estamos numa rota turística que une as duas cidades, numa viagem que envolve quatro trechos de ônibus intercalados com três trechos de barco e que demora cerca de 12 horas. Já falei dessa viagem quando estávamos do lado de lá e de como ela é cara, perto de 200 dólares. Melhor viajar pela rota mais longa, porém em tempo bem mais curto, toda de ônibus, e que custa cinco vezes menos. Com o dinheiro e tempo economizados, pode-se pagar por um bom passeio de barco no Lago de Todos os Santos, que é a parte mais bela da viagem entre as duas cidades.

Navegando no Lago de Todos os Santos, vindo de Bariloche, na Argentina, para Puerto Varas, no Chile. Foto de 1992, quando o Rodrigo tinha um pouco mais de cabelo

Navegando no Lago de Todos os Santos, vindo de Bariloche, na Argentina, para Puerto Varas, no Chile. Foto de 1992, quando o Rodrigo tinha um pouco mais de cabelo


Vinte e dois anos depois, reencontro com as águas cor de esmeralda do belíssimo Lago de Todos os Santos, na rota entre Puerto Varas, no sul do Chile, e Bariloche, na Argentina

Vinte e dois anos depois, reencontro com as águas cor de esmeralda do belíssimo Lago de Todos os Santos, na rota entre Puerto Varas, no sul do Chile, e Bariloche, na Argentina


Falo isso porque fiz exatamente essa rota através dos lagos há 22 anos. Na época, era bem mais barato, embora a alternativa de ônibus já fosse mais em conta. Enfim, hoje, depois dos Saltos de Petrohué, seguimos de Fiona até o Lago de Todos os Santos, onde a estrada acaba. Rever o lago depois de duas décadas foi emocionante. Não é a toa que o ex-presidente americano Theodore Roosevelt, uma dos maiores viajantes de todos os tempos, se encantou por ele e disse que o Todos os Santos era o lago mais belo do mundo. Sua cor nos hipnotiza, assim como as montanhas que o cercam. O vulcão Osorno, o Cerro Tronador, com mais de 3 mil metros de altitude, bem na fronteira dos dois países (também tem uma foto dele no post sobre o Piltriquitrón!) e o peculiar vulcão Pontiagudo.

O vulcão Pontiagudo visto do Lago de Todos os Santos, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

O vulcão Pontiagudo visto do Lago de Todos os Santos, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


A silhueta inconfundível do vulcão Pontiagudo, na região de Puerto Varas, no sul do Chile

A silhueta inconfundível do vulcão Pontiagudo, na região de Puerto Varas, no sul do Chile


Sim, ele tem mesmo esse nome e não é difícil deduzir a razão! Tem 2.400 metros de altitude e chegar ao seu cume é muito mais difícil do que nos outros cumes da região, apesar de não ser tão alto. Os primeiros a chegar lá foram um suíço e um chileno, em 1937, mas o chileno despencou e morreu na descida. De lá para cá, foram menos de 100 aventureiros a atingir a façanha. Um deles, ainda na juventude, o milionário ecologista Douglas Tompkins, quem tento falei ultimamente (post aqui). Enfim, ali da praia do Lago de Todos os Santos, temos uma ótima visão desse vulcão que também já dorme há mais de 150 anos.

Um hotel aos pés do vulcão Osorno, na pequena Petrohué, na rota entre Puerto Varas, no sul do Chile, e Bariloche, na Argentina

Um hotel aos pés do vulcão Osorno, na pequena Petrohué, na rota entre Puerto Varas, no sul do Chile, e Bariloche, na Argentina


A Ana caminha em praia do Lago de Todos os Santos, na rota entre Puerto Varas, no sul do Chile, e Bariloche, na Argentina

A Ana caminha em praia do Lago de Todos os Santos, na rota entre Puerto Varas, no sul do Chile, e Bariloche, na Argentina


É possível se hospedar por aí mesmo, belos hotéis na orla do lago Todos os Santos. Ou então, pegar o barco até Peulla, na outra ponta do lago e já quase na fronteira com a Argentina, e se hospedar por lá. A gente, na nossa corrida diária, se satisfez com a vista, as fotografias e o ar respirado por ali. Muito vento nos fez desistir da ideia de um banho no lago (o que eu fiz da outra vez!), mas pelo menos molhamos os pés, só para não deixar passar batido!

Testando as águas geladas do Lago de Todos os Santos, na rota entre Puerto Varas, no sul do Chile, e Bariloche, na Argentina

Testando as águas geladas do Lago de Todos os Santos, na rota entre Puerto Varas, no sul do Chile, e Bariloche, na Argentina


Praia lotada do lago Llanquihue em Frutillar, no sul do Chile

Praia lotada do lago Llanquihue em Frutillar, no sul do Chile


Depois, Fiona novamente, para continuarmos nossa volta do Llanquihue. Dessa vez, fomos diretamente para Puerto Octay, vila turística no norte do lago, e de lá para a simpática Frutillar (adoro esse nome!). Aí, nos rendemos à fome, afinal já estávamos no meio da tarde, e encontramos um bom restaurante na frente da praia. Praia lotada, todo mundo querendo aproveitar as águas plácidas do Llanquihue, seja para algum mergulho, seja num passeio de barco. E o vulcão Osorno, exatamente do outro lado do lago, sempre a nos vigiar, sereno. Não conheço o Monte Fuji, no Japão, mas dizem que ele é igualzinho o Osorno. Se for, deve ser muito bonito! Pois foi assim, a observar e ser observado pelo Monte Fuji das Américas, que terminamos nossas explorações dessa região tão linda. Daqui, diretamente para Pucón, também na beira de um lago e também aos pés de um vulcão, ainda hoje. Temos um primo para encontrar e um vulcão para subir. O show não pode parar, já dizia o poeta...

Turistas se divertem nas águas do lago Llanquihue, aos pés do majestoso vulcão Osorno, na pequena Frutillar, no sul do Chile

Turistas se divertem nas águas do lago Llanquihue, aos pés do majestoso vulcão Osorno, na pequena Frutillar, no sul do Chile

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Do Tapajós ao Carimbó

Brasil, Pará, Alter do Chão

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA


Depois do magnífico passeio na FLONA-Santarém e da longa viagem de volta para Alter do Chão (quanto mais queremos chegar, mais as coisas parecem longe!), era chegada a hora do esperado banho de rio. Já era noite, mas isso não era empecilho! Bem em frente à nossa pousada tem uma escadaria que desce diretamente para o rio. Nos meses de verão, são uns 7 ou 8 degraus até a areia da praia, mas agora, no inverno, o rio está quase no degrau mais alto da escada. A temperatura da água beira o morno e há uma iluminação no local. Resumindo, nadar no rio é gostoso a qualquer hora, mesmo de noite. A lua nova já estava alta no céu e iluminava o rio com sua luz prateada. Visual incrível e inesquecível! Nadamos, nadamos, nadamos e, nada de fotos! Questão de prioridade, hehehe. Quando muito, posso mostrar a foto do local durante o dia...

Visão da nossa varanda pela manhã, ainda com neblina sobre o rio, em Alter do Chão - PA

Visão da nossa varanda pela manhã, ainda com neblina sobre o rio, em Alter do Chão - PA


Após o rio, o revigorante banho frio na pousada, um pouco de internet e rumo ao bar Espaço Cultural Alter do Chão. No cardápio de hoje: apresentação de Carimbó! Nossa, que sorte a nossa! Na primeira vez que passamos no Pará, estivemos em Belém e cercanias. Procuramos à todo custo algum lugar para poder ouvir e curtir essa música típica do estado, mas não demos sorte com os dias de semana. Estávamos nos lugares certos, mas na hora errada! Agora, aqui, quando menos esperávamos, eis que paramos neste bar ontem e eles nos avisaram da apresentação hoje. Coisas do destino! E, para não brincar com o destino, até mudamos nossa programação. Desistimos de dormir na FLONA (esse programa vai ficar para o dia que voltarmos à Alter, na estação seca) e voltamos para cá, para poder ir ao bar. E lá estávamos!

O bar é uma delícia, todo aberto, para ajudar a suportar o calor da região. Comemos mais um pirarucu delicioso, dessa vez temperado com leite de coco, e bebemos o famoso Guaraná Baré, típico do Pará. Aí, o show começou e mudamos para a outra bebida típica do estado, a Cerpa de garrafa grande! Afinal, estávamos totalmente no clima paraense, hehehe!

CD do Boto Tucuxi, presente do Seu Camargo

CD do Boto Tucuxi, presente do Seu Camargo


A música é muito legal e um convite a dançar. Os passos imitam, ou tentam imitar, botos tucuxis caçando peixes. As mulheres são os peixes e os homens são os botos, cercando suas presas. Muito jóia! Filmamos e isso já está na longa fila de vídeos para a Ana fazer.

Outra coisa legal no bar foram os frequentadores. Além dos poucos turistas nacionais e estrangeiros que passeiam por essas bandas nessa época, o bar estava cheio de "expatriados", brasileiros e gringos que se mudaram para Alter do Chão, de tão fãs dessa cidade e suas belezas. Nossa... cada figura! Gente de todo o Brasil! Apresentam-se dizendo seus nomes e seus estados de origem. Uma verdadeira Babilônia dentro do bar.

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA


Enfim, foi uma noite e tanto. Mas, para quem tem uma Transamazônica pela frente, não era aconselhável ficar até muito tarde. Fomos embora um pouco depois das duas, quando uma nova banda subia ao palco. Para amanhã, nossos planos de partir às sete foram adiados em duas horas. Afinal, para quê a pressa? Principalmente depois desse dia (e noite!) completo em Alter e região.

Brasil, Pará, Alter do Chão,

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Chegando à Carretera Austral

Chile, Chile Chico, Cochrane

A bela Laguna Verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile

A bela Laguna Verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile


Depois do almoço e passeio pela simpática Los Antiguos, na Argentina, foi a hora de enfrentarmos mais uma fronteira nessa nossa jornada pelas Américas. Já foram mais de cem nesses quatro anos, em aeroportos, portos e, principalmente, fronteiras terrestres entre as diversas nações do nosso continente. Na verdade, contando com a passagem de hoje, já cruzamos 123 alfândegas e acho que um dia vou fazer um post só sobre isso. A passagem de hoje também transformou a dupla Argentina-Chile na nossa campeã empatada de cruzamento de fronteiras durante os 1000dias. Hoje foi a oitava vez que passamos de um país ao outro, mesmo número de trânsitos entre Canadá e EUA (incluindo o Alaska!). Mas a dupla sul-americana deve atingir a liderança isolada, pois ainda precisamos voltar ao Brasil, ou seja, pelo menos mais uma vez vamos cruzar de um país ao outro, no caso, do Chile à Argentina.

Mapa mostrando todo o percurso da Carretera Austral e os acessos a esta estrada do lado argentino. Nós viemos por Chile Chico, o acesso rodoviário mais ao sul. Caminhando e de bicicleta, é possível chegar diretamente em Villa O'Higgins

Mapa mostrando todo o percurso da Carretera Austral e os acessos a esta estrada do lado argentino. Nós viemos por Chile Chico, o acesso rodoviário mais ao sul. Caminhando e de bicicleta, é possível chegar diretamente em Villa O'Higgins




Isso quer dizer que já estamos bem experientes nessa chatice toda. Papéis, documentos, checagens, etc... Em alguns lugares é mais fácil e simples, em outros, mais complicado e demorado. Entrar no Chile costuma cair na segunda categoria, pois eles são muito estritos com a entrada de alimentos e materiais orgânicos. Mas, de novo, já temos experiência com isso e já vamos logo preenchendo todos os formulários conhecidos e abrindo o porta-malas da Fiona, torcendo para que uma olhada baste e não seja necessário passar as malas pelo raio-X. A torcida funcionou e até que passamos rapidamente, para padrões chilenos. Los Antiguos e nossa querida Argentina ficaram para trás e nós entramos na pequena cidade de Chile Chico, a primeira dentro do Chile.

Chegando a Chile Chico, nossa porta de entrada para o Chile e sua Carretera Austral

Chegando a Chile Chico, nossa porta de entrada para o Chile e sua Carretera Austral


Uma charmosa alameda em Chile Chico, cidade chilena na fronteira com a Argentina e porta de entrada mais ao sul para a Carretera Austral

Uma charmosa alameda em Chile Chico, cidade chilena na fronteira com a Argentina e porta de entrada mais ao sul para a Carretera Austral


Assim como Los Antiguos, Chile Chico também fica às margens do lago Buenos Aires. Só que do lado de cá da fronteira ele muda de nome, passando a ser chamado de General Carrera. Até bem pouco tempo atrás, a única maneira de se chegar por estradas até a cidade era pelo território argentino. A alternativa para os chilenos mais patriotas era vir de balsa desde Rio Ibañez, na costa norte do lago General Carrera. Mas também essa rota é relativamente nova e, antes disso, a própria Rio Ibañes igualmente só era acessível através do território argentino. Na verdade, toda essa região do Chile era praticamente isolada do resto do país e mesmo cidades maiores como Coyhaique ou Cochrane só eram servidas por pequenos aeroportos ou barcos que tinham de enfrentar fiordes estreitos e gelados. O caminho para se chegar aqui eram mesmo as estradas argentinas.

O lago General Carrera, em Chile Chico, cidade chilena na fronteira com a Argentina e porta de entrada mais ao sul para a Carretera Austral

O lago General Carrera, em Chile Chico, cidade chilena na fronteira com a Argentina e porta de entrada mais ao sul para a Carretera Austral


O lago General Carrera, em Chile Chico, cidade chilena na fronteira com a Argentina e porta de entrada mais ao sul para a Carretera Austral

O lago General Carrera, em Chile Chico, cidade chilena na fronteira com a Argentina e porta de entrada mais ao sul para a Carretera Austral


Foi quando, no final da década de 70, os chilenos resolveram construir sua “Carretera Austral”, um caminho com pouco mais de 1.200 km de extensão ligando Puerto Montt, então a fronteira rodoviária sul do país, com Villa O’Higgins, no coração da patagônia chilena, entre enormes glaciares, montanhas, vulcões, florestas e um intrincado sistema de lagos e fiordes. Não é a toa que esta estrada demorou tanto tempo para sair dos planos e virar realidade, paisagens quase intransponíveis no seu caminho. Hoje ela própria se tornou uma atração turística e milhares de viajantes vêm de longe para conhecê-la, dirigir e pedalar em suas curvas, subidas e descidas. Nós somos apenas mais dois deles e a nossa porta de entrada para chegar até o famoso caminho foi Chile Chico.

A estrada de ripio que liga Chile Chico à Carretera Austral, no sul do Chile

A estrada de ripio que liga Chile Chico à Carretera Austral, no sul do Chile


Nosso estreito caminho margeia o lago General Carrera a caminho da Carretera Austral, no sul do Chile

Nosso estreito caminho margeia o lago General Carrera a caminho da Carretera Austral, no sul do Chile


Eu vou falar dessa região do sul do Chile e da Carretera Austral no próximo post, mas o fato é que percorrê-la por inteiro sempre esteve nos nossos planos, desde que saímos de Curitiba em 2010. No nosso roteiro, fazia mais sentido percorrê-la de sul a norte e, por isso, queríamos entrar no país o mais próximo possível de sua extremidade austral, em Villa O’Higgins. Observando o mapa da fronteira entre Argentina e Chile, logo se percebe que são inúmeras as possibilidades de se chegar à Carretera Austral vindos do leste e que a passagem mais ao sul é exatamente esta que cruzamos, de Los Antiguos a Chile Chico. Na verdade, se estivéssemos sem a Fiona, apenas mochilas nas costas e, quem sabe, um par de bicicletas, poderíamos ter cruzado até mesmo mais ao sul e já sairmos em Villa O’Higgins. É uma rota bem aventureira, partindo de El Chaltén e envolve duas travessias de balsa (onde não passam carros!) e muitos quilômetros de caminhadas (ou pedaladas). Enfim, com a Fiona não era uma opção. Então, optamos por essa mesmo de Chile Chico, o que vai nos obrigar a dirigir para o sul um pedaço para depois retornarmos pelo mesmo caminho.

O lago General Carrera, o maior do país, no sul do Chile

O lago General Carrera, o maior do país, no sul do Chile


O maior lago do país, General Carrera, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile

O maior lago do país, General Carrera, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile


O maior lago do país, General Carrera, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile

O maior lago do país, General Carrera, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile


Além de ser a entrada mais ao sul para carros, tínhamos um outro estímulo para vir por este caminho: ficamos sabendo que esse novíssimo trecho de estrada ligando Chile Chico à Carretera Austral é um dos mais belos da patagônia chilena. Quando a Carretera Austral foi construída, toda uma rede de estradas vicinais e de acesso também foram pensadas e implementadas. São outros 1.200 km de pequenas estradas de rípio ligando o caminho principal à vilas mais isoladas e cidades na fronteira. Foi só nesse milênio que Chile Chico finalmente se uniu ao resto do país, pelo menos através de um caminho rodoviário totalmente chileno. A estrada bem estreita e curvilínea em alguns pontos serpenteia ao lado do lago General Carreras, subindo e descendo encostas e outros acidentes naturais. Mesmo quase sem trânsito de veículos, é muito prudente usar a buzina antes de várias dessa curvas sem visibilidade e sem espaço de passagem para dois carros mais largos, como é o caso da Fiona.

Fazendas e agricultura no belo cenário andino na orla do lago General Carreira, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile

Fazendas e agricultura no belo cenário andino na orla do lago General Carreira, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile


Fazendas e agricultura no belo cenário andino na orla do lago General Carreira, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile

Fazendas e agricultura no belo cenário andino na orla do lago General Carreira, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile


Fazendas e agricultura no belo cenário andino na orla do lago General Carreira, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile

Fazendas e agricultura no belo cenário andino na orla do lago General Carreira, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile


Enfim, estávamos loucos para conhecer a tal estrada. Mas ainda conseguimos segurar nossa ansiedade e passarmos pouco mais de uma hora conhecendo a própria Chile Chico, uma pequena vila bem simpática e cheia de alamedas. O General Carreras está sempre ali, ponto de referência e alvo de fotos. É exatamente esse grande lago que, com sua enorme quantidade de água, gera uma espécie de microclima na região que favorece o plantio de frutas dos dois lados da fronteira. No lado chileno, ao longo dos pouco mais de 60 km de estrada até a Carretera Austral, foi comum vermos fazendas e plantações espremidas entre o lago e a estrada.

A Ana busca os melhores ângulos para fotografar as belezas da Carretera Austral, no sul do Chile, região de Chile Chico

A Ana busca os melhores ângulos para fotografar as belezas da Carretera Austral, no sul do Chile, região de Chile Chico


A bela Laguna verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile

A bela Laguna verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile


Depois de percorrermos a cidade e tirarmos nossas fotos, ainda com combustível suficiente para chegarmos à Cochrane, botamos o pé (e as rodas) na estrada. Poucos minutos depois e já estávamos longe de qualquer sinal de civilização, apenas o belíssimo lago ao nosso lado. Aí, com toda a calma do mundo, até porque o rípio e as curvas não permitiriam de outra forma, fomos percorrendo os 60 km de rípio, máquina fotográfica sempre a postos.

A bela Laguna verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile

A bela Laguna verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile


A bela Laguna verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile

A bela Laguna verde, no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile


A parte mais bela desse trecho é quando nos afastamos um pouco do lago General Carreras para contornarmos um outro lago, bem menor dessa vez. É a Laguna Verde, a cor das suas águas em profundo contraste com o azul escuro do lago Carreras. Mesmo menor, ela é ceifada de ilhas e a paisagem fica ainda mais bela. A vontade era parar por ali mesmo, armar nossa barraca e passar mais tempo nesse lugar tão belo e isolado.. Mas não tínhamos planejado isso e nem trazido comida extra. Então, tivemos de nos satisfazer apenas com as fotos mesmo.

Atravessando região andina no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile

Atravessando região andina no caminho entre Chile Chico e a Carretera Austral, no sul do Chile


A Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile

A Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile


Por fim, chegamos ao fim do lago e da estrada de acesso. Isso queria dizer duas coisas: primeiro, que tínhamos chegado à Carretera Austral. Segundo, que nosso companheiro de viagem, agora, deixaria de ser o lago, que ficou para trás, e passaria a ser o rio Baker, que nasce no General Carreras e desemboca no Oceano Pacífico. Suas águas são ainda mais belas que as do lago, uma mistura quase mágica entre o azul e o verde, algo que nos parecia impossível num rio desse tamanho.

A incrível cor azul do rio Baker, escoadouro do lago General Carrera, ao lado da Carretera Austral, no sul do Chile

A incrível cor azul do rio Baker, escoadouro do lago General Carrera, ao lado da Carretera Austral, no sul do Chile


A incrível cor azul do rio Baker, escoadouro do lago General Carrera, ao lado da Carretera Austral, no sul do Chile

A incrível cor azul do rio Baker, escoadouro do lago General Carrera, ao lado da Carretera Austral, no sul do Chile


A vista pode ter ficado mais bonita, mas a estrada não. Agora já estávamos na Carretera Austral, com um trânsito bem maior que em sua estrada de acesso. O resultado é um rípio bem desgastado, costelas de vaca intermináveis e uma dó danada dos amortecedores da Fiona. Aparentemente, esse é o pior trecho da estrada nesse quesito e, com muita paciência e ritmo ainda mais lento, seguimos para o sul até Cochrane.

Rio Baker, caudaloso, azul e gelado, ao lado da Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile

Rio Baker, caudaloso, azul e gelado, ao lado da Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile


Cenário florido na Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile

Cenário florido na Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile


A última tarefa do dia foi encontrar um lugar para dormir. Mesmo com apenas 3 mil habitantes, Cochrane é uma “metrópole” regional e possui várias pousadas. A Carretera Austral chegou aqui em 1989, finalmente ligando a cidade com o resto do país. Hoje, quase todos os visitantes são turistas percorrendo a famosa estrada. Na terceira ou quarta tentativa, encontramos um lugar bem acolhedor, a casa de uma família que imigrou da antiga Iugoslávia. Aí encontramos não apenas um quarto bem quentinho, mas também uma cozinha para fazermos nosso jantar.

A simpática dona da nossa pousada em Cochrane, no sul do Chile

A simpática dona da nossa pousada em Cochrane, no sul do Chile


O charmoso fogão da nossa pousada em Cochrane, no sul do Chile

O charmoso fogão da nossa pousada em Cochrane, no sul do Chile


Agora sim, alimentados e acomodados, nos sentíamos em plena Carretera Austral. Amanhã, seguiremos até Villa O’Higgins, passando no caminho por Caleta Tortel. São dois dos maiores símbolos dessa região tão bela e isolada que apenas nos últimos vinte anos se ligou ao resto do país. Para sorte dos visitantes que aqui chegam!

Em Cochrane, placa de distâncias da Carretera Austral, no sul do Chile

Em Cochrane, placa de distâncias da Carretera Austral, no sul do Chile

Chile, Chile Chico, Cochrane, Lago, Estrada, Patagônia, Carretera Austral

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Para Quem Gostas de Fuscas

México, Cozumel

A bordo da nossa 'ferrari conversível', na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

A bordo da nossa "ferrari conversível", na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Durante a minha infância, na década de 70, simplesmente metade dos carros nas ruas brasileiras eram Fuscas. O sucesso desse simpático carro criado ainda na década de 30 por Ferdinand Porshe, com patrocínio de Adolf Hitler, foi mundial e o transformou no automóvel mais vendido da história. Ele ultrapassou o recorde do lendário Ford T em 1973 e, quando finalmente saiu de linha, trinta anos mais tarde, haviam sido vendidos mais de 21,5 milhões de exemplares.

O nosso super fusca converível, na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

O nosso super fusca converível, na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Os países onde o saudoso carro mais perdurou foram no Brasil e no México. No Brasil, a produção foi até o ano de 86, mas em 1993 ele foi ressuscitado a pedido do presidente Itamar Franco, um dos grandes fãs do automóvel. Foram mais 45 mil Fuscas produzidos nessa nova fase, até o ano de 96, quando o carro foi aposentado de vez. No México, no entanto, o Fusca sobreviveu até 2003! É por isso que esse país atrai tanto os amantes do Fusca. Nas cidades menores, ainda é muito comum ver o simpático carro rodando pelas ruas.

Eu nunca fui especialmente fã do Fusca, preferindo carros um pouco mais modernos. Mas sou obrigado a admitir que, diversas vezes, fiquei admirado com a força desse veículo em enfrentar as estradas precárias do interior do Brasil. Quantas vezes já não passei por estradas apropriadas apenas para carros 4x4 que um fusquinha tirava de letra! Com seu motor traseiro, não havia ladeira de terra ou cheia de pedras que ele, valentemente, não enfrentasse!

O nosso super fusca converível, na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

O nosso super fusca converível, na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Além disso, nostálgico que sou, nunca vou esquecer que esse foi o primeiro carro que meu pai teve, ainda na década de 50, na Alemanha. Desde então, é seu carro predileto! Quando voltou ao Brasil, em 1960, trouxe o Fusca com ele. Teve um certo trabalho de vencer as burocracias portuárias mas, ao final, pode continuar rodando com seu carro “alemão” por muitos anos nas ruas de Belo Horizonte e pelas estradas do interior de Minas. O mesmo carro que, ainda na Europa, emprestou ao seu pai, meu avô, para que, junto com a minha avó e outro casal, viajassem por dois meses pelos países da Europa. Imagina só, que delícia: dois meses de Fusca na Europa do final dos anos 50! Eu daria tudo para voltar no tempo e acompanhar essa viagem épica! É... e as pessoas ainda perguntam de quem eu puxei por ter tido essa ideia maluca de viajar pelas Américas de carro...

De fusca, rodando pela ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

De fusca, rodando pela ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Pois é... em honra ao meu avô, ao meu pai, ao meu padrinho de batismo (também um fã incondicional do Fusca!) e ao meu irmão (cujo primeiro carro, lá em 86, também foi um poderoso 1.600!), hoje, aqui em Cozumel, alugamos um Fusca. Um Fusca conversível! Muito chique! Foi a nossa Ferrari por um dia. A gente se divertiu com ele pelas ruas e estradas da ilha, eu na frente, de motorista, e as amigas inseparáveis atrás, cabelos ao vento. Um capítulo inesquecível desses 1000dias pela América. O venerável Fusca também fez parte dessa aventura!

De fusca conversível, rodando por toda a ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

De fusca conversível, rodando por toda a ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

México, Cozumel, história, Fusca

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As Ondas do Kalalau

Hawaii, Kauai-Kalalau

Tentativa de enfrentar o mar e as ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Tentativa de enfrentar o mar e as ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Passamos hoje um dia espetacular na praia do Kalalau. No próximo post relato como foi, entre banhos de cachoeira, caminhadas e pescarias. Agora, vou falar apenas de um dos aspectos que me convenceram de que essa é a mais bonita praia que já vi em meus rápidos 43 anos de idade.

Enormes ondas estouram nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Enormes ondas estouram nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Estou falando do mar e, especialmente, das ondas. Se já estavam grandes ontem, hoje estavam ainda maiores e mais ameaçadoras. Não é sempre assim. Tem época do ano que, ouço, isso é um aquário. Agora no inverno, ao contrário, é a época das ondas grandes na costa norte de todas as ilhas havaianas, incluindo o Kauai.

Mar violento e grandes ondas na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Mar violento e grandes ondas na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Mar violento ao fundo e tranquilidade total na praia, em Kalalau, na ilha de Kauai, no Havaí

Mar violento ao fundo e tranquilidade total na praia, em Kalalau, na ilha de Kauai, no Havaí


Mas, mesmo nessa época, todos os dias são diferentes. Hoje, por exemplo, estava mais forte do que ontem. Aparentemente, estava mais forte do que todos os dias anteriores da temporada. Quem disse foi uma das duas pessoas que vi entrar no mar e que saiu de lá com os olhos arregalados. “Nossa, quase morri ali!”. E ele tem estado na praia e entrado diariamente no mar há duas semanas.

Mar violento e grandes ondas na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Mar violento e grandes ondas na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


A outra pessoa que entrou, foi logo atrás desse primeiro. Mas o mar e as ondas os separaram rapidamente. Dez minutos depois da primeira pessoa ter saído do mar, saiu a segunda. Obviamente, essa demora não foi por sua vontade, mas pela vontade e humor das fortes correntes e ondas. Numa aparente tranquilidade que escondia uma seriedade, ele falou ao amigo: “You left me there alone to die?”.

Um mirante avançado para melhor admirar as grandes ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Um mirante avançado para melhor admirar as grandes ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Essa fúria do lado de dentro contrasta com a tranquilidade e beleza do lado de fora. Praia enorme, areia boa para caminhadas, mar azul, espuma branca, visual bucólico. Não há problemas em molhar os pés, mas um metro a mais que se entre, cuidado com a corrente! As ondas aqui estouram (ou explodem) perto da praia. Não são ondas “surfáveis”. Desmoronam rapidamente, por inteiro. As maiores, algo entre três e quatro metros, uma parede de água despencando a meros 20 metros da areia, aonde a profundidade mal ultrapassa o metro e meio. Isso antes da onda passar, pois logo atrás dela, o mesmo lugar estará a 4-5 metros de profundidade para, logo depois, “esvaziar” novamente.

Um mirante avançado para melhor admirar as grandes ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Um mirante avançado para melhor admirar as grandes ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Enfim, um verdadeiro espetáculo para quem vê de fora e algo meio tenso para quem vê “de dentro”. Eu, fascinado que sou por água, mar e ondas, metido a desbravador, me achando o “amigo dos oceanos”, claro que quis ver as tais ondas dos dois ângulos. Pelo lado de fora, tratei de achar um “mirante avançado”, em cima das pedras. Ali vi o mar bombardeando as encostas, consumindo pouco a pouco a ilha que, um dia, voltará a ser mar.

Não é a toa que os barcos não chegam até a praia nessa época do ano, na kalalau beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Não é a toa que os barcos não chegam até a praia nessa época do ano, na kalalau beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Engraçado também foi ver um barco se aproximando. Enquanto no verão, é possível vir até aqui pelo mar e desembarcar tranquilamente, agora os barcos só ficam a uma distância segura. Os turistas vêm, fotografam e se vão. O Kalalau, no inverno, é daqueles que caminham. E só!

Grandes ondas estouram perto da praia em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Grandes ondas estouram perto da praia em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Voltando às ondas, ontem eu tive o prazer em enfrentá-las. Como disse, estavam menores, mas meu ouvido reclamou um pouco da diferença de pressão ao passar abaixo delas. Por cima, nem pensar!

Uma grande onda não estoura, ela explode na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Uma grande onda não estoura, ela explode na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Tentativa de enfrentar o mar e as ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Tentativa de enfrentar o mar e as ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Hoje, estive ensaiando entrar por algum tempo. O coração mandava ir enquanto as pernas se recusavam. Espírito de aventura contra espírito de autopreservação. Por fim, a coragem me levou mar adentro, pelo menos até a frente das ondas. Mas não através delas. Ensaiei, respirei fundo, combati demônios interiores, mas não fui além. Aquela vozinha sensata dentro da cabeça, mais os conselhos da Ana e do Rafa falaram mais alto.

Batendo em retirada das enormes ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Batendo em retirada das enormes ondas de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Afinal, eu e a Ana tínhamos uma caminhada pela frente ainda hoje e o mar estaria lá amanhã, para uma nova tentativa. Enfim, aquela popular “amarelada”. Enquanto andávamos em direção às montanhas (estávamos fazendo uma trilha para uma cachoeira), eu olhava para trás, via o mar e as ondas e só conseguia pensar: “Que sensacionais! Só espero que não fiquem ainda maiores, pois amanhã, nada de sensatez!”

O Rafa pergunta: 'Amarelou?'. 'Pois é... tá f...!' (Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí)

O Rafa pergunta: "Amarelou?". "Pois é... tá f...!" (Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí)

Hawaii, Kauai-Kalalau, Praia, Parque, Kauai, Kalalau, onda

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