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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Rio De Janeiro Há 2 anos: Rio De Janeiro

Transamazônica, Dia 2

Brasil, Pará, Transamazônica

Caminhão luta para não atolar na Transamazônica - PA

Caminhão luta para não atolar na Transamazônica - PA


De novo, o dia nasceu radiante! São Pedro resolveu caprichar durante nossa passagem pela Transamazônica. Trechos que estavam intransponíveis há apenas alguns dias hoje mal faziam cócegas na Fiona!

A cidade de Medicilândia, onde passamos nossa primeira noite na Transamazônica - PA

A cidade de Medicilândia, onde passamos nossa primeira noite na Transamazônica - PA


Após conversarmos mais um pouco com o pessoal do nosso hotel, o Sinuelo, partimos para mais um dia de travessia pela rodovia. Nossos planos eram chegar até Novo Repartimento, pouco mais de 400 km à frente, local onde a rodovia se bifurca, a perna sul indo para Marabá e a perna norte para Tucuruí.

Chegando ao Rio Xingu, na Transamazônica - PA

Chegando ao Rio Xingu, na Transamazônica - PA


A primeira etapa era até Altamira, a maior cidade nesse trecho da Transamazônica. Conforme nos foi explicado e fomos observando na prática, a cada dez quilômetros encontraríamos uma pequena "agrovila". Em outros trechos, essa distância pode ser de quinze quilômetros. E, de tempos em tempos, uma cidade maior, uma "agrópolis". Tudo parte do planejamento da época de colonização da região, feito pelos militares na década de 70. Na prática, algumas agrovilas minguaram, restando poucas casas, enquanto outras cresceram e viraram cidades, como Medicilândia. Também as agrópolis cresceram mais ou menos. A que mais se desenvolveu foi Altamira.

O Rio Xingu, na Transamazônica, região de Altamira - PA

O Rio Xingu, na Transamazônica, região de Altamira - PA


Falando nisso, ficamos impressionados com o grau de ocupação por toda a rodovia. Ao contrário de estradas realmente isoladas, como algumas que passamos nas Guianas, na Transamazônica sempre há movimento de pessoas, motos ou carros. Se o automóvel quebrar, não será preciso andar mais do que uns poucos quilômetros para encontrar alguma casa. Nossa experiência pelo trecho paraense da rodovia mudou completamete a idéia que tínhamos dela, de algo no meio da selva. Que nada!

Fazendo hora para esperar a balsa para atravessar o Rio Xingu, na Transamazônica - PA

Fazendo hora para esperar a balsa para atravessar o Rio Xingu, na Transamazônica - PA


Enfim, partimos para Altamira, vencemos os dois ex-atoleiros da semana passada, que agora só estavam dificultando os caminhões, observamos as agrovilas e chegamos ao asfalto que antecede a grande cidade. Passamos rapidamente por ela e seu centro movimentado e seguimos em direção à travessia do Rio Xingu, 65 km à frente, ainda aproveitando o pouco de asfalto após Altamira.

Balsa sobre o Rio Xingu, na Transamazônica - PA

Balsa sobre o Rio Xingu, na Transamazônica - PA


Mais alguns ex-atoleiros no caminho e chegamos ao imponente rio. Nossa, como tem água na bacia amazônica! Cada afluente do Rio Amazonas é um verdadeiro mar! Coitado do Nilo, do Mississipi ou do Danúbio perto de cada um desses afluentes principais. Acho que ninguém tem mais dúvidas de que esse é um dos maiores patrimônios do Brasil no médio prazo.

Balsa sobre o Rio Xingu, na Transamazônica - PA

Balsa sobre o Rio Xingu, na Transamazônica - PA


Atravessamos o rio de balsa, aproveitando para fotografar bastante o Xingu. Não sei se voltaremos a vê-lo durante essa viagem, o que fez esse momento ainda mais especial. Não muito longe daqui vão construir a barragem e a Usina de Belo Monte. Fico a imaginar como isso vai mudar a vida das pessoas e da própria natureza que vivem ligadas a este rio. Com certeza, para o bem ou para o mal, muita coisa vai mudar...

Anapu, uma das maiores cidades ao longo da Transamazônica no seu trecho paraense

Anapu, uma das maiores cidades ao longo da Transamazônica no seu trecho paraense


Continuamos seguindo rumo ao leste, alternando trechos bons da rodovia com trechos cheios de buracos, onde temos de ziguezaguear entre as crateras, valetas e ex-atoleiros. Um pouco de chuva complicaria bastante. Por fim, chegamos à Pacajá, local do nosso lanche. Ali, fomos informados que o trecho mais adiante estava em pior estado. Mais uma vez, ex-atoleiros e muitos buracos, agora com bastante poeira. Após quase 400 km de estradas de terra, o mais importante era manter a paciência, para não acelerar demais e acabar por danificar o carro.

Gado, visão comum ao longo da Transamazônica - PA

Gado, visão comum ao longo da Transamazônica - PA


O trecho mais chato foram os últimos 30 km, já chegando em Novo Repartimento. Muita poeira e muitos caminhões em sentido contrário. O tráfego multiplicou-se por dez, aparentemente porque algum atoleiro havia sido liberado e uma fila enorme de caminhões parados pôde continuar viagem. Mais tarde descobrimos que esse atoleiro estava um pouco à frente de N. repartimento, no caminho que faremos amanhã.

Grande árvore morta ao lado da Transamazônica - PA

Grande árvore morta ao lado da Transamazônica - PA


Por fim, chegamos e nos instalamos no Hotel Colinas. De noite, foi hora de celebração! Não pelo quase fim da travessia amazônica, mas pelos dois anos de casados, completados neste 9 de Maio. O tempo passou extremamente rápido desde aquele inesquecível dia na Ilha do Mel (www.icasei.com.br/roana). Com a Ana meio adoentada (uma alergia respiratória), a comemoração foi com suco de acerola e laranja numa churrascaria de posto de gasolina, em Novo Repartimento. Para nós, foi como se estivéssemos em Paris. Afinal, o que vale é a companhia! Aliás, falando em companhia, lembramos muito do Marcelo e da Su, nossas companhias nesta data há exatamente um ano, em Miami. Podem ver no blog! Logo logo, estaremos lá novamente, desta vez com a Fiona. Afinal, se ela está tirando a Transamazônica de letra, a Panamericana também vai ser moleza, hehehe

Celebração do aniversário de dois anos de casados numa churrascaria na cidade de Novo Repartimento, na Transamazônica - PA

Celebração do aniversário de dois anos de casados numa churrascaria na cidade de Novo Repartimento, na Transamazônica - PA

Brasil, Pará, Transamazônica, Xingu

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Outros Mundos

Brasil, Minas Gerais, Januária (P.N Cavernas do Peruaçu)

Pinturas rupestres no 'Painel', no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Pinturas rupestres no "Painel", no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Além das fantásticas cavernas, o outro grande atrativo do Parque Cavernas do Peruaçu são as centenas de pinturas rupestres que se espalham por todo o parque.

Pinturas rupestres no 'Painel', no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Pinturas rupestres no "Painel", no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Eu já tinha visto pinturas rupestres mas confesso que essas me impressionaram. Não só pela quantidade de pinturas mas também pela qualidade e diversidade dos desenhos, figuras e símbolos retratados.

Pinturas rupestres no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Pinturas rupestres no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


As cores ainda estão vivas e parecem falar conosco. Elas nos evocam uma outra época, uma outra civilização, uma outra realidade, um outro mundo. O que mais me toca, lá no fundo do pensamento e da alma, é que essas pinturas são um elo direto, uma ligação entre nós e quem as pintou. Um atmo de tempo nos separa. O mesmo local, a mesma visão, tempos diferentes. A ligação parece tão forte! Ainda mais quando pensamos que esses 10 mil anos, em escalas geológicas, não são mais do que um espirro, um esbirro, um soluço. E eu cito "tempo geológico" porque é nisso que pensamos quando estamos no parque, admirando essas cavernas que já vem se formando há milhões de anos. Para elas que nos fitam impassíveis enquanto nós as veneramos, foi apenas ontem que as pinturas foram feitas, e apenas anteontem que uma preguiça gigante entrava na caverna para beber a água do mesmo Peruaçu que ainda hoje corta a caverna.

Pinturas rupestres no 'Painel', no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Pinturas rupestres no "Painel", no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Nós ficamos eternos momentos ali, admirando aquelas obras de arte, literalmente viajando na maionese, tentando encontrar alguma maneira de transpor aquele mágico portão do tempo e entrar naquele outro mundo tão perto de nós, em que as pessoas viviam de forma tão diferente, com conhecimentos distintos, entendimentos diversos mas, no fundo, com as mesmas preocupações nossas, desde as mais mundanas (o que será que tem para jantar?) até as mais "filosóficas" (quem somos?, para onde vamos?, etc...).
Enfim, mundos diferentes mas ainda somos os mesmos...

Mirante do Buraco dos Macacos, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Mirante do Buraco dos Macacos, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Brasil, Minas Gerais, Januária (P.N Cavernas do Peruaçu), trilha, Parque, arte, pinturas rupestres, Peruaçú

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Um Mergulho Complicado

Brasil, Espírito Santo, Guarapari

Usando a lanterna no mergulho no naufrágio Victory 8B, em Guarapari - ES

Usando a lanterna no mergulho no naufrágio Victory 8B, em Guarapari - ES


Hoje foi dia de mergulho. E não foi um mergulho fácil não. Fomos dar uma olhada mais de perto no principal naufrágio da costa capixaba, o Victory 8B. Tivemos de enfrentar muita corente, água fria e pouca visibilidade. Mesmo assim, achei uma experiênia incrível! Afinal, um mergulho quando é ruim, já é bom. Imagine ainda num super naufrágio de mais de 90 metros...

Preparando-se para o mergulho no Victory 8B, em Guarapari - ES

Preparando-se para o mergulho no Victory 8B, em Guarapari - ES


Saímos de Iriri rumo ao norte meio atrasados, para variar. Acelerando onde podíamos, fomos curtindo um pouco da costa: Anchieta, Ubu, Meaípe e a própria Guarapari. Finalmente, chegamos ao Perocão, logo acima de Guarapari, de onde sai o barco da Acquasub, a operadora de Vitória que contratamos. Já estavam nos esperando, com todo mundo no barco. na verdade, já até tinham nos ligado na estrada.

Guarapari - ES, vista do nosso barco de mergulho

Guarapari - ES, vista do nosso barco de mergulho


O simpático e eficiente Ivan, da Acquasub, nos deu as boas vindas assim como o Edu, que era quem eu tinha falado ao telefone. Logo já estávamos no mar, em direção ao principal objetivo do dia, o Victory 8B. Ele foi um cargueiro pequeno, pouco menos de 100 metros, que foi afundado deliberadamente no início da década para criar um ótimo ponto de mergulho a cerca de 6 milhas de Guarapari. Quando é feito assim, o barco é preparado, abrindo-se passagens mais amplas para o trânsito de mergulhadores e à entrada de luz. Além disso, ele foi afundado em pé, tornando as coisas lá embaixo mais "lógicas", teto em cima, piso em baixo e paredes nas laterais. E assim ficou por um bom tempo. Só que a natureza não é muito fã da "lógica humana". Assim, bem recentemente, fortes ressacas foram virando o barco, separando proa de popa e deixando tudo num ângulo de quase 45 graus. Adeus lógica referencial! Agora, uma parede pode parecer o piso e o que era teto pode ser uma parede. Uma janela virou escotilha e um alçapão pode parecer uma porta. Os mergulhadores do estado, tão acostumados com o "antigo" Victory, estão tendo de aprender a mergulhar em um "novo" naufrágio, mais natural dessa vez. Com os devidos cuidados, claro, pois ainda não se tem certeza sobre que partes do navio estão realmente estáveis agora.

Peixe morcego na Ilha Escalvada, em Guarapari - ES

Peixe morcego na Ilha Escalvada, em Guarapari - ES


Bom, após alguns problemas com o nosso barco, chegamos ao ponto de mergulho. O Ivan enfrentou uma forte corrente para amarrar a corda lá embaixo e pulamos todos seguindo a corda guia até o naufrágio. A corrente é vencida com os braços, que nos puxam pela corda. O frio é logo esquecido, já que temos de nos preocupar com a corrente e estamos curiosos com o que vai aparecer no final da corda. A visibilidade é de pouco mais de 5 metros. De repente, aparece a chaminé do barco. Oas poucos, vamos podendo vislumbrar mais do antigo cargueiro. Realmente, o barco está virado. A hélice e os porões estão a cerca de 35 metros de profundidade. Fundo assim, mergulhando com ar normal, não temos muito tempo, num mergulho não descompressivo, como era o caso. Pouco menos de 15 minutos. Lá embaixo, protegido pelo navio, a corrente é mais fraca. Mesmo assim, dificulta o nosso passeio. Nossas lanternas iluminam os buracos e entradas do navio. Aqui e ali damos uma entrada. Os peixes parecem se divertir com as nossas dificuldades. Para eles, a corrente é brincadeira. Mas o frio parece que deixou eles embaixo do cobertor. Nossos companheiros de mergulho, todos experientes no Victory, nos dizem que havia bem menos peixes que o habitual. Para mim, que não tinha estado lá antes, sem poder comparar, parecia ótimo.

1000dias mergulhando em Guarapari - ES

1000dias mergulhando em Guarapari - ES


Aliás, como os peixes, eu me divertia com a corrente, ora tentando enfrentá-la, ora pegando uma carona nela. Entrar por uma janela e sair por uma porta do outro lado também é sempre um desafio estimulante. Frio, nem pensava nisso. Só foi bater mais tarde. Mas enquanto eu me divertia, a Ana passava por dificuldades. O frio e a corrente, a profundidade e a pouca visibilidade deixaram ela meio cansada, aflita. Segurou forte na minha mão e ficamos parados um tempo, para que ela se acalmasse. Depois, mais uma voltinha e uma penetração na cabine de comando e já era hora de subir, pausadamente, pela corda.

Lagosta na Ilha Escalvada, em Guarapari - ES

Lagosta na Ilha Escalvada, em Guarapari - ES


Lá em cima, comentários gerais sobre as condições difíceis e sobre o novo estado emborcado do navio. Já estão querendo rebatizá-lo de Victory 8B para Victory 8C - hehehe.

Segurando no cabo para enfrentar a forte corrente, em Guarapari - ES

Segurando no cabo para enfrentar a forte corrente, em Guarapari - ES


O segundo mergulho foi mais tranquilo. Atrás da ilha Escalvada, protegido da corrente, no lugar bem mais raso. A visibilidade era a mesma mas foi mais fácil observar peixes e crustáceos, já que não tínhamos de nos preocupar com a corrente. Para mim, com essa "falta" de preocupação, pude me concentrar no frio que estava passando. Mergulhei com uma camada de roupa apenas, enquanto os outros tinham duas. Paciência.

Relaxando depois do mergulho no Victory 8B, em Guarapari - ES

Relaxando depois do mergulho no Victory 8B, em Guarapari - ES


Findo o mergulho, hora de se esquentar ao sol na frente do barco. E bastante tempo para pensar nas memórias frescas e fantasmagóricas de um naufrágio que atrai tantos mergulhadores à Guarapari. Viva o Victory 8B! Ou 8C, sei lá...

Tripulantes e mergulhadores do barco da Acquasub, em Guarapari - ES

Tripulantes e mergulhadores do barco da Acquasub, em Guarapari - ES

Brasil, Espírito Santo, Guarapari, Mergulho, Victory 8B, Escalvada

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Bonaire

Bonaire, Kralendijk

Admirado com o lincrível pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Admirado com o lincrível pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire


A ilha de Bonaire, ao contrário de Aruba e Curaçao que já são semi-independentes, ainda está completamente ligada à Holanda. É como uma província. Mas a moeda oficial e corrente é o dólar. A língua formal é o holandes, mas as pessoas falam mais o papiamento, um pouco mais "cantado" que em Aruba. Inglês também é entendido em todos os lugares, assim como o espanhol, em boa parte deles.

Mapa de Bonaire, mostrando todos os pontos de mergulho ao longo da costa

Mapa de Bonaire, mostrando todos os pontos de mergulho ao longo da costa


A ilha é considerada um paraíso para os mergulhadores. Não tanto pela beleza subaquática, que é bonita mas não espetacular, mas pela facilidade de se praticar essa atividade. São dezenas de pontos de mergulho ao redor da ilha, quase todos eles com acesso diretamente da praia. Basta nadar um pouco para atravessar a parte rasa e chegar aos recifes, onde a profundidade abaixa para trinta metros em média, numa descida suave. O forte da vida subaquática são os corais e bichos pequenos, incluindo aí muitos peixes coloridos. Arraias, tartarugas e tubarões são vistos de vez em quando, mas não são assíduos frequentadores. A temperatura da água é muito agradável, por volta dos 30 graus, e nem é preciso roupa para mergulhar (também não há águas-viva!). Luvas são proibidas!

Sala-cozinha do nosso studio em Kralendijk, em Bonaire

Sala-cozinha do nosso studio em Kralendijk, em Bonaire


Como os pontos são todos próximos da praia, aqui não precisamos de barco e sim de carro para se chegar até as praias. A exceção é a ilhota de Klein Bonaire, para onde só se vai de barco. Mas, com tantos outros pontos na ilha principal, nem é preciso ir até lá, para quem fica poucos dias. E assim, como não precisamos de barco, também não precisamos de guia! Isso faz de Bonaire o lugar de mergulhos mais baratos que já conheci. Por 130 dólares, eu e a Ana vamos mergulhar 6 vezes! Muito barato! Não estou somando aí o preço do aluguel do carro, que sai por uns 40 dólares diários, mais combustível.

Preparado para nosso primeiro mergulho em Kralendijk, em Bonaire. É só atravessar a rua...

Preparado para nosso primeiro mergulho em Kralendijk, em Bonaire. É só atravessar a rua...


Todos os pontos de mergulho ao redor da ilha estão devidamente sinalizados por pedras amarelas ao longo da estrada que margeia toda a costa de Bonaire. Sempre tem algum lugar para estacionar, deixamos o carro destrancado (sem nada de valor dentro!), escondemos a chave no mato e mergulhamos. Simples assim! A carteira e documentos ficam em casa. Aparentemente, a polícia não liga para isso (estarmos sem documentos). Aliás, não vimos polícia em lugar nenhum da ilha.

O primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro de Kralendijk

O primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro de Kralendijk


Um enorme pneu em mergulho em Kralendijk, em Bonaire

Um enorme pneu em mergulho em Kralendijk, em Bonaire


Muitos hotéis já tem o esquema dos tanques de ar. É só passar no drive-thru e pegar os seus (e deixar os usados). Para os hotéis que não tem essa facilidade, as lojas de mergulho tem. Passamos lá, pegamos tanques cheios e deixamos os vazios. Não tarda 2 minutos. E aí, estamos livres para ir mergulhar em qualquer lugar da ilha, a hora que quisermos. Não é à tôa, então, o apelido de "Divers Paradise"!

àgua bem limpa em mergulho em em Kralendijk, em Bonaire

àgua bem limpa em mergulho em em Kralendijk, em Bonaire


Uma anêmona, no nosso primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro da capital  Kralendijk,

Uma anêmona, no nosso primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro da capital Kralendijk,


No nosso primeiro mergulho, nem de carro precisamos! Simplesmente saímos do hotel, caminhamos 30 metros e já estávamos dentro d'água. Ontem eu tinha feito snorkel no mesmo lugar, com meu computador para medir as profundidades. Incrível como água limpa nos engana! Sem perceber, já estava indo a 20 metros de profundidade! Pena que a nossa professora de apnéia e recordista sulamericana de mergulho profundo não estava aqui para me acompanhar e ajudar a bater meu recorde. Muito mais fácil aqui do que na pedreira escura lá de Sorocaba...

Banho de mar no pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Banho de mar no pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire


Agora devidamente equipados, ficamos uma hora lá embaixo, visibilidade de mais de 20 metros, observando peixes e corais coloridos. Sentimento de completa tranquilidade, completamente zens. Diferente de Galápagos, quando estávamos sempre prontos a perseguir como loucos algum tubarão-baleia. Aqui, de certa forma, estamos mais próximos da essência do mergulho.

Maravilhoso pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Maravilhoso pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire


Depois do mergulho, já meio da tarde, fomos pegar nossa S-10. Com ela vamos a todos os cantos dessa ilha, às praias e também ao interior, onde há um belo parque para ser explorado (nem só de mergulhos vive a ilha!). E, finalmente, no final do dia,uma surpresa: um dos mais bonitos pores-do-sol (é assim?) de toda a viagem. Céu completamente dourado sobre o mar azul. Inesquecível! Quem vê as fotos, até parece montagem, que estamos em frente a algum outdoor ou quadro. Não! É verdade mesmo! Assim foi nosso entardecer!. Um ótimo agouro do que nos espera nos próximos dias, aqui no paraíso dos mergulhadores!

Parece um quadro, mas é o maravilhoso pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Parece um quadro, mas é o maravilhoso pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Bonaire, Kralendijk, Mergulho

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A Maior Montanha do Mundo e o Trambiqueiro

Alaska, Denali National Park

O Denali aparece soberano no horizonte (Denali National Park, no Alaska)

O Denali aparece soberano no horizonte (Denali National Park, no Alaska)


Todo mundo sabe que o Everest é a maior montanha do mundo. Mas... será mesmo? O que faz duma montanha a mais alta do mundo? A partir de que ponto devemos fazer a medida de sua altura? A resposta pode parecer óbvia, mas não é.

Dia de sol e céu azul no Denali National Park, no Alaska

Dia de sol e céu azul no Denali National Park, no Alaska


Por exemplo, há cerca de duas décadas, medições feitas por satélite afirmavam que o K2, no Paquistão, era mais alto que o Everest. Aparentemente, até o satélite se confunde, pois as novas medições nunca foram validadas e o Everest jamais perdeu o seu trono. Mas não é apenas o K2 que está na disputa. Muita gente afirma que a maior montanha do mundo é o vulcão Mauna Kea, no Havaí. Apesar de ter “apenas” 4.200 metros acima do nível do mar, tem outros 6 mil para baixo, até o ponto onde efetivamente começa a montanha, de onde começou a subir, há cerca de 2 milhões de anos. Isso lhe dá, no total, 10.200 metros de altura, quase 1,5 quilômetro mais alto que o Everest.

Observando a vastidão do Denali National Park, no Alaska

Observando a vastidão do Denali National Park, no Alaska


Outro pretendente ao título de mais alta montanha é o Chimborazo, no Equador, montanha que tive a honra de subir, durante esses 1000dias. O truque lá é dizer que o cume do Chimborazo é o ponto da Terra mais longe do centro do planeta. Isso porque a Terra é mais gordinha ao longo do Equador do que em latitudes mais altas, onde está o Everest.

A estrada nos leva para na direção do Mt. McKinley, no Denali National Park, no Alaska

A estrada nos leva para na direção do Mt. McKinley, no Denali National Park, no Alaska


Por fim, chegamos aonde eu queria chegar: e o Denali, no Alaska? Pois é, ele também é um pretendente a este título de maior montanha do mundo! E eu, que já estive pertinho do Everest, do Aconcágua (a mais alta das Américas), do Chimborazo e que ainda vou lá no Mauna Kea, posso dizer: visualmente, foi o Denali que mais me impressionou! A razão disso é que ela é a que mais se eleva em relação ao terreno que a cerca, portanto a que mais se destaca, para quem a vê de longe, como parte de uma paisagem maior. No Everest, a montanha se ergue pouco menos de 4 quilômetros em relação ao campo base, um pouco mais do que se ergue o Aconcágua e o mesmo que o Chimborazo. O Mauna Kea também, para quem o vê de longe, se ergue seus 4,2 quilômetros acima do mar, que é o que podemos ver.

A montanha, ao vivo e no painel explicativo, no Denali National Park, no Alaska

A montanha, ao vivo e no painel explicativo, no Denali National Park, no Alaska


Já o Denali, está assentado em um terreno com pouco mais de 500 metros de altitude. E a montanha chega aos 6.700 metros de altitude. Ou seja, são mais de seis quilômetros de desnível! É impressionante! A primeira vez que o vemos, ele está a mais de 100 quilômetros de distância, mesmo assim, parece já muito mais alto que outras montanhas que estão ali, pertinho de nós. É até difícil acreditar que ele ainda está tão longe assim. Mas depois, vamos chegando mais perto, e mais perto e mais perto e a imagem da montanha colossal vai crescendo sem parar, até ocupar todo o nosso horizonte. Uma coisa incrível!

O monte Denali, no Denali National Park, no Alaska

O monte Denali, no Denali National Park, no Alaska


A gente pôde se aproximar porque estávamos num passeio com o ônibus do parque, a única maneira de percorrer a estrada que entra no Denali National Park. Vou falar mais desse passeio no post seguinte, mas o fato é que pudemos ir até a cerca de 30 km da montanha e eu fiquei realmente boquiaberto. Tivemos muita sorte com o tempo, sol e céu azul numa paisagem branquinha coberta pela neve fresca. Cenário deslumbrante! Tivemos sorte também com a nossa guia, apaixonada pela história do Alaska e do Denali e que foi enriquecendo nossa jornada com um monte de histórias.

O ponto mais próximo que chegamos do Denali, ainda a 30 km de distância, no Denali National Park, no Alaska

O ponto mais próximo que chegamos do Denali, ainda a 30 km de distância, no Denali National Park, no Alaska


Foram vários casos, mas os que mais me interessaram foram aqueles sobre os alpinistas que tentaram subir o Denali, há pouco mais de 100 anos. Entre eles, destaca-se Frederick Cook, um verdadeiro trambiqueiro, embora também fosse um grande explorador. Nossa simpática guia nos explicou que, na virada dos séc. XIX para XX, a “profissão” de explorador era a mais glamorosa que existia. Os grandes exploradores eram o equivalente às estrelas de cinema de hoje. Jornais e revistas cobriam suas aventuras e desventuras, que eram seguidas por milhões de ávidos leitores. Foi uma época onde surgiram nomes inesquecíveis como Amundsen, Scott, Peary, Shackleton, entre outros. E entre esses outros, estava Cook.

A neve já cobre quase todas as montanhas no Denali National Park, no Alaska

A neve já cobre quase todas as montanhas no Denali National Park, no Alaska


Na época, o maior objetivo dos exploradores eram as regiões polares, ainda desconhecidas. As montanhas ocupavam um distante segundo lugar, entre seus objetivos. Cook, que era médico, esteve em duas expedições polares, ainda nos últimos anos do séc XIX. Ao Polo Norte, esteve junto com Peary e, ao Polo Sul, esteve junto com Amundsen. Esse último foi-lhe grato e fiel por toda a sua vida, pois foram os conhecimentos médicos de Cook que ajudaram a manter viva toda a tripulação do barco em que também estava Amundsen, durante o inverno em que ficaram presos ao gelo, próximos ao continente antártico.

O ponto mais próximo que chegamos do Denali, ainda a 30 km de distância, no Denali National Park, no Alaska

O ponto mais próximo que chegamos do Denali, ainda a 30 km de distância, no Denali National Park, no Alaska


Foi nessa viagem também que, de passagem pela Terra do Fogo, ficou amigo de Thomas Bridges, missionário inglês que produziu o primeiro dicionário da língua local. Ele morreu logo depois e Cook ficou com seus manuscritos. De volta à civilização, tentou publicá-los como se fossem seus trabalhos. Era apenas o início de uma longa carreira de controvérsias...

Rota de subida mais usada do Denali. Os alpinistas chegam de avião à uma geleira próxima e daí começam a subida (Denali National Park, no Alaska)

Rota de subida mais usada do Denali. Os alpinistas chegam de avião à uma geleira próxima e daí começam a subida (Denali National Park, no Alaska)


Já no início do séc. XX, o aventureiro Cook desejava ser o primeiro homem a chegar ao Polo Norte. Era uma expedição custosa e Cook precisava de patrocínio. Para isso, resolveu fazer algo mais “fácil e barato”, para alavancar sua fama e, com isso, atrair investidores. Decidiu que subiria a mais alta montanha da América do Norte, até então algo não conseguido. Em 1903 chegou ao Alaska e, depois de alguns meses de tentativas, tornou-se o primeiro homem a circunavegar a montanha, um grande feito. Mas não conseguiu encontrar uma rota para subi-la.

Apesar de parecerem próximos, os picos norte e sul da montanha estão a 5 km de distância um do outro (Denali National Park, no Alaska)

Apesar de parecerem próximos, os picos norte e sul da montanha estão a 5 km de distância um do outro (Denali National Park, no Alaska)


Três anos mais tarde, voltou à carga, dessa vez com uma expedição mais bem planejada. Mesmo assim, meses tentando e nada. Quando desistiram e se aproximavam do litoral para embarcar e voltar para casa, Cook teve um ímpeto, deixou seus companheiros por lá, foi acompanhado apenas de um tratador de cavalos e sumiu continente adentro. Duas semanas mais tarde retornou com uma foto, mapas e a história da conquista da montanha. Apesar da desconfiança dos seus companheiros, sua conquista foi aclamada mundo afora e ele, recebido com honras e desfile em Nova York. Sua fama abafou completamente as vozes daqueles que diziam ser impossível ter subido a montanha em tão pouco tempo.

Visita ao Denali National Park, no Alaska

Visita ao Denali National Park, no Alaska


Cook pode, então, juntar seu dinheiro para seguir ao objetivo que tanto almejava: o Polo Norte. De maneira secreta, para surpreender seu agora rival, Robert Peary, partiu no final de 1907 e, em Abril do ano seguinte, chegou lá. Ou, pelo menos, diz que sim. Quase um ano antes de Peary, que também afirmava ter sido o primeiro. O problema para Cook é que agora, ele enfrentava uma voz discordante com muita fama também. Peary e seus seguidores trataram de desqualificar seu rival, apresentando uma série de dúvidas sobre a viagem de Cook. Não só isso, deram força também àqueles que duvidavam da conquista do Denali. Pois é, com relação à montanha, seus detratores descobriram que os mapas de Cook não o levaram ao alto do Denali, mas a uma montanha de pouco mais de 3 km de altura, hoje conhecida como Fake Peak (pico falso). Foram capazes de produzir uma fotografia exatamente como a que Cook tinha tirado. Sua história caiu por terra. E com ela, sua reputação. Também a conquista do Polo Norte foi desacreditada.

Caminhando um pouco no parque e aproveitando a vista magnífica do Denali National Park, no Alaska

Caminhando um pouco no parque e aproveitando a vista magnífica do Denali National Park, no Alaska


Cook desistiu da vida de aventureiro e foi trabalhar na indústria petrolífera. Anos mais tarde, foi preso, acusado de propaganda enganosa, por superestimar, em cartas à investidores, as reservas de óleo de sua companhia. Recebeu uma pena duríssima para esse tipo de crime, sendo condenado a muitos anos de prisão. A ironia é que, ao final, com novas descobertas, a quantidade de óleo era até maior que aquela que ele havia atestado. O grande Amundsen (que morreu em 28) o visitou várias vezes na prisão, onde esteve até 1940, quando recebeu o perdão presidencial de Roosevelt. Morreu poucos meses mais tarde, esquecido do público, em casa.

Bela foto da bandeira ameicana com o Denali ao fundo, no Denali National Park, no Alaska

Bela foto da bandeira ameicana com o Denali ao fundo, no Denali National Park, no Alaska


Alheio a tudo isso, lá está o Denali. Continua crescendo, ano a ano para, quem sabe um dia, assumir definitivamente o título de montanha mais alto do mundo. Em tempo: o Aconcágua e o Chimborazo podem estar diminuindo de tamanho, mas o Everest, o K2 e o Mauna Kea continuam a crescer também...

O colossal Denali ainda está a 30 km de distância! (Denali National Park, no Alaska)

O colossal Denali ainda está a 30 km de distância! (Denali National Park, no Alaska)

Alaska, Denali National Park, Parque, montanha, Denali, McKinley

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North Shore. Cadê as Ondas?

Hawaii, Oahu-North Shore

Saindo incólume de uma grande tubo na praia de Pipeline, em Oahu, no Havaí

Saindo incólume de uma grande tubo na praia de Pipeline, em Oahu, no Havaí


Nosso grande objetivo aqui na ilha de Oahu, além de conhecer a capital Honolulu, era ir ver a mais famosa “north shore” do mundo. Afinal, é na costa norte da ilha que estão localizadas algumas das mais concorridas praias do circuito de surf mundial: Waimea e a mitológica Pipeline. Durante boa parte do ano o mar é tranquilo por lá, mas no inverno o bicho pega! E agora é o inverno...

A famosa praia de Waimea num dia completamente sem ondas, na costa norte de Oahu, no Havaí

A famosa praia de Waimea num dia completamente sem ondas, na costa norte de Oahu, no Havaí


Engraçado, na minha infinita ignorância, sempre achei que todo dia era dia de onda grande aqui no Havaí. Mas ao começar a ler sobre o arquipélago, um pouco antes de vir para cá, aprendi que não. É só no inverno que o “swell” bate de verdade e são nesses meses que são realizados todos os torneios de surf importantes do Hawaii. Agora, por exemplo, justamente nesses dias, está sendo realizado o torneio de Pipeline. Pipeline é a praia conhecida por ter os mais perfeitos tubos do surf mundial.

Hoje, a praia de Waimea nem precisava de salva-vidas! (em Oahu, no Havaí)

Hoje, a praia de Waimea nem precisava de salva-vidas! (em Oahu, no Havaí)


Pois bem, é por isso que queríamos ficar hospedados lá encima, na north shore. Nós e a torcida do Corinthias e do Flamengo, claro. Assim, as boas opções estavam todas ocupadas e as caras opções estavam muito além do nosso orçamento. Ficamos mesmo em Honolulu, dispostos a dirigir até a costa norte os dois dias inteiros que ficaremos por aqui. E o primeiro dia foi hoje.

Torneio de Pipeline parado por falta de ondas, em Oahu, no Havaí

Torneio de Pipeline parado por falta de ondas, em Oahu, no Havaí


A falta de ondas adiou por alguns dias o Pipeline, em Oahu, no Havaí

A falta de ondas adiou por alguns dias o Pipeline, em Oahu, no Havaí


Assim, ainda de manhã, para lá fomos. Tomamos a rota mais rápida, que cruza pelo interior da ilha. Depois de deixarmos a urbanidade e as grandes avenidas de Honolulu para trás, nos vimos num clima mais bucólico e tranquilo, mas o que nos interessava mesmo era ver o mar no horizonte. Finalmente ele apareceu e, um pouco depois, chegávamos à Waimea, que tantas vezes tinha visto em reportagens no Fantástico, durante a adolescência. Dia perfeito, com céu azul, muito sol, mar limpo e... sem ondas.

Pelo menos no cartaz, lá estão as famosas ondas de Pipeline, em Oahu, no Havaí

Pelo menos no cartaz, lá estão as famosas ondas de Pipeline, em Oahu, no Havaí


Pois é, a praia mais parecia uma lagoa. Salva-vidas dormindo na sombra e crianças brincando no mar. Cadê as ondas? Nem sombra delas... Será que essa é uma outra Waimea ? Tem tantas com esse nome, aqui no Havaí... Não, era a Waimea certa sim. O dia é que era o errado.

Tabela do torneio de Pipeline, com brasileiros presentes, em Oahu, no Havaí. Também aparece um tal de Kelly Slater...

Tabela do torneio de Pipeline, com brasileiros presentes, em Oahu, no Havaí. Também aparece um tal de Kelly Slater...


A esperança é a última que morre e seguimos para a vizinha Pipeline. Logo que chegamos, a ausência de um trânsito mais pesado era a pista de que algo não estava certo. A facilidade de encontrarmos estacionamento, então, terminava com qualquer chance. Enfim, a estrutura do evento estava lá montada. Uma foto gigantesca mostrando uma enorme onda em forma de tubo era a prova de que, nos bons dias, elas realmente existem.

Até os cães apreciam as ondas de Pipeline, em Oahu, no Havaí

Até os cães apreciam as ondas de Pipeline, em Oahu, no Havaí


Mas não hoje. Ao menos, ali em Pipeline, havia ondas sim, pequenas. E uma grande quantidade de surfistas treinando, tentando tirar água de pedra. Alguns, muito bons. Belas manobras, segurança total no que faziam, verdadeiros voos sobre a água. Bonito de se ver. Imagina então, num dia de ondas grandes...

Surfistas fazem belas manobras nas ondas de Pipeline, em Oahu, no Havaí

Surfistas fazem belas manobras nas ondas de Pipeline, em Oahu, no Havaí


Surfistas fazem belas manobras nas ondas de Pipeline, em Oahu, no Havaí

Surfistas fazem belas manobras nas ondas de Pipeline, em Oahu, no Havaí


Um cartaz avisava que o campeonato estava parado em espera das ondas que prometiam chegar em alguns dias. Na chave do torneio, surfistas de todo o mundo, inclusive brasileiros. No caminho deles, Kelly Slater, o multi-campeão do torneio, lenda viva do esporte. Aliás, o torneio desse ano está sendo feito em homenagem ao único outro surfista que pode ser comparado a Slater nas últimas décadas. Falo de Andy Irons, outro multi-campeão, mas que implesmente adoeceu, teve convulsões, a febre aumentou e ele morreu. No auge da vida, da saúde e da fama. Prata da casa aqui do Havaí, era e continua sendo um ídolo e o Pipeline desse ano é mais uma forma de homenageá-lo.

Em dia de mar tranquilo, o tradicional remo havaiano substitui o surf na north shore de Oahu, no Havaí

Em dia de mar tranquilo, o tradicional remo havaiano substitui o surf na north shore de Oahu, no Havaí


Sem as ondas, ficamos ali admirando a bela vista, pegamos um sol numa praia vizinha e até fizemos snorkel (a Ana e o Rafa) ali perto. Nossa esperança de ver as ondas grandes e os surfistas em ação ficam para amanhã, embora a previsão não seja animadora. Agora, já sabemos o caminho, o local para estacionar e até onde comer. Comidinha de feira!

Local de snorkel na Shark Cove, costa norte de Oahu, no Havaí

Local de snorkel na Shark Cove, costa norte de Oahu, no Havaí


O Rafa averigua o fundo do mar durante snorkel na Shark Cove, na North Shore de Oahu, no Havaí

O Rafa averigua o fundo do mar durante snorkel na Shark Cove, na North Shore de Oahu, no Havaí


Isso mesmo! Bem em frente à Pipeline tem um carrinho de lanches que vende guaraná, açaí, caldo de cana e um legítimo pastel de queijo desses que se come em feiras no Brasil. Para mim e para a Ana, longe da terrinha a quase 20 meses, foi irresistível! Pastel com guaraná, que coisa mais boa, hehehe!

Comida bem brasileira em carrinho de lanches em frente à Pipeline, em Oahu, no Havaí

Comida bem brasileira em carrinho de lanches em frente à Pipeline, em Oahu, no Havaí


O carrinho, claro, é de brasileiros. Enquanto comíamos nosso pastel, comia ali também os dois brazucas que competem em Pipeline. E logo apareceu mais um casal, dessa vez turistas. Ninguém perde a chance de comer um pastel em Pipeline! Mas, para quem quer algo mais típico daqui, e não daí, tem outros carrinhos na região, também. O mais famoso é o Giovanni’s, com um suculento prato de camarão que faz muito sucesso entre famosos e anônimos como nós. Uma delícia!

Olha só como se escreve 'coxinha' em inglês e quanto vale um pastel (em dólares!) em Pipeline, na costa norte de Oahu, no Havaí

Olha só como se escreve "coxinha" em inglês e quanto vale um pastel (em dólares!) em Pipeline, na costa norte de Oahu, no Havaí


Então tá, depois do pastel e do camarão e sem as ondas, resolvemos seguir em frente, rumo ao centro de cultura polinésia, assunto do próximo post. Amanhã, voltaremos para cá. Na pior das hipóteses, se as ondas ainda não aparecerem, o nosso pastel estará garantido. Não vamos perder a viagem.

Matando as saudades de um delicioso pastel brasileiro, em Pipeline, na costa norte de Oahu, no Havaí

Matando as saudades de um delicioso pastel brasileiro, em Pipeline, na costa norte de Oahu, no Havaí

Hawaii, Oahu-North Shore, Praia, Pipeline

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Os Primeiros Dias em Martinica

Martinica, Fort-de-France

Caminhando pela magnífica praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Caminhando pela magnífica praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Depois de descoberta por Colombo e ter as frágeis tentativas de ocupação por parte dos espanhóis repelidas pelos índios Caribs, a ilha teve de esperar outros 130 anos para que os europeus tentassem novamente. Dessa vez, foram os franceses, que chegaram decididos a colonizar a ilha e se instalaram no norte, fundando a cidade que seria a capital de Martinica até 1902, St. Pierre. Menos de duas décadas mais tarde, os colonizadores já haviam atravessado a ilha de norte a sul e construído um forte numa enorme baía na costa sudoeste, o que viria a se transformar em Fort-de-France, a atual capital de Martinica. No processo, foram derrubando as florestas para fazer espaço para suas plantations de cana-de-açúcar, tocadas à mão-de-obra negra escrava. Os Caribs até tentaram resistir, mas os que não foram mortos, fugiram para a vizinha Dominica.

Despedida de Roseau e de Dominica, no Caribe

Despedida de Roseau e de Dominica, no Caribe


Firmemente instalados na ilha, os franceses só viram sua supremacia ameaçada no perído entre a Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, quando os ingleses ocuparam a ilha por diversas vezes. Para os proprietários das plantations, foi até um bom negócio, pois passaram a ter acesso ao rico mercado inglês e de suas colônias.

Deck superior do ferry entre Dominica e Martinica

Deck superior do ferry entre Dominica e Martinica


É dessa época a mais famosa personagem da história de Martinica. A jovem Maria Josefina era filha de um grande aristocrata local. Depois de um rápido casamento com um rico oficial do exército, quando teve duas filhas, a bela moça se engraçou com um desconhecido militar francês, sete anos mais novo do que ela, que estava servindo em Martinica. Seu nome: Napoleão Bonaparte.

Chegando em Fort-de-France, capital da Martinica, a mais urbanizada ilha do leste do Caribe

Chegando em Fort-de-France, capital da Martinica, a mais urbanizada ilha do leste do Caribe


Pois é, o tal Napoleão logo começou a se destacar como líder militar durante várias campanhas já no governo revolucionário. Ao fim, foi ele que acabou por botar ordem na casa, depois que a Revolução Francesa se deteriorou em desordem e matanças intermináveis. Nuna esqueceu seu primeiro amor e com ela se casou, em 1804, tornando-se Imperador da França e fazendo de Maria Josefina a imperatriz.

Loja de rede francesa em Sainte Anne, no sul de Martinica

Loja de rede francesa em Sainte Anne, no sul de Martinica


Consta que foi por influência dela que Napoleão reinstituiu a escravidão nas ilhas francesas do Caribe, que havia sido abolida durante o governo revolucionário. Ela estava defendendo os interesses de sua família, grande proprietária de terras. É por isso que sua figura não é muito popular na Martinica, cuja população é composta, na sua maioria, por descendentes de escravos. Pois é, já é difícil se imaginar escravo. Agora, se imaginar escravo que ganha a sua liberdade para, anos depois, ser re-escravizado, isso é mais difícil ainda...

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, em Fort-de-France, capital da Martinica

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, em Fort-de-France, capital da Martinica


Josefina também perdeu sua popularidade com o líder francês. Depois de cinco anos sem conseguir lhe dar um descendente, o casamento terminou em divórcio. Mas, ironia do destino, a filha do primeiro casamento de Josefina acabou se casando com o irmão de Napoleão. Eles sim tiveram filhos e foi um deles que, quatro décadas mais tarde, seria coroado imperador com o título de Napoleão III (by the way, nunca houve um “Segundo”!).

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, na pousada deles em Anse Mitan, ao sul de Fort-de-France, na Martinica

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, na pousada deles em Anse Mitan, ao sul de Fort-de-France, na Martinica


O fim definitivo da escravidão, nos anos de 1840, trouxeram dificuldades para a economia da ilha. Mas Martinica nunca deixou de ser a mais desenvolvida economia do leste do Caribe. Hoje, é mais urbanizada ilha da região e, tecnicamente, é um departamento francês, assim como Guadalupe e qualquer outro na França continental. Elege seus deputados, senador e vota para presidente. Enfim, aqui é a França, aqui é a Europa.

Praia de Grande Anse, no sudoeste de Martinica

Praia de Grande Anse, no sudoeste de Martinica


Nós saímos ontem cedinho de Roseau, na Dominica, de ferry. Ainda tivemos um tempo para fotografar a capital dominicana e logo já víamos a ilha do mar, suas cidades espremidas entre as montanhas e o oceano. Algum tempo depois, já chegávamos à costa de Martinica, onde duas coisas logo chamaram a atenção: o infame Mt Pelée, o vulcão responsável pela grande tragédia de 1902 (trato disso no próximo post) e a grande urbanização da ilha.

Tempo de relaxar e ler sobre o país, na praia de Grande Anse, no sudoeste da Martinica

Tempo de relaxar e ler sobre o país, na praia de Grande Anse, no sudoeste da Martinica


Desembarcados, no processo de encontrar uma locadora de automóveis, todas fechadas para almoço, ficamos amigos de outro casal que também procurava seu carro. São os simpáticos suecos Douglas e Maria. Ele é um imigrante da República dos Camarões e ela tem a aparência mais sueca possível, com uma certa influência norueguesa, para ficar ainda mais loira. Enfim, formam um casal muito interessante. Recém casados, em lua-de-mel, estamos curiosos para ver os filhos!

A bela igreja de Anse D'Arlet, no sudoeste da Martinica

A bela igreja de Anse D'Arlet, no sudoeste da Martinica


Quando as locadoras abriram, não quiseram alugar um carro para eles, já que o Douglas não tem carteira e a Maria tem menos de dois anos de direção. Assim, oferecemos uma carona para eles até a pousada que já tinham reservado, numa grande península do outro lado da baía onde está Fort-de-France. Aí nos despedimos e nós continuamos dando a volta na tal península, passando pelas simpáticas Grande Anse e Anse D’Arlet, duas pequenas e pitorescas vilas em frente ao mar.


Nosso trajeto em Martinica

Mas resolvemos seguir viagem até Sainte-Anne, a cidade mais ao sul de Martinica, já na faixa central da ilha. Ali está a praia considerada a mais bonita do país, Les Salines. Depois de uma grande dificuldade em achar local para dormir (os hotéis simplesmente deixam de funcionar na época de baixa estação!), uma simpática senhora a quem pedíamos informações (meu francês já está tinindo!) simplesmente pegou o seu carro e nos guiou até um hotel que ela sabia que estava funcionando. Merci Beucoup!

Um  delicioso recanto na estrada pouco antes de chegar em Le Marin, no sul de Martinica

Um delicioso recanto na estrada pouco antes de chegar em Le Marin, no sul de Martinica


A bela praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica

A bela praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Hoje passamos o dia desfrutando dessa praia maravilhosa, uma longa faixa de areias brancas ladeada por uma coluna de árvores e coqueiros, e em frente a um mar azul típico do Caribe. Ali pertinho, a famosa “Diamond Rock”.

A famosa 'Diamond Rock', usada como 'navio' pelos ingleses, em suas guerras contra Napoleão (sul da Martinica)

A famosa "Diamond Rock", usada como "navio" pelos ingleses, em suas guerras contra Napoleão (sul da Martinica)


Essa ilha, na verdade um grande rochedo a poucos quilômetros da costa, foi tomada por ingleses na época napoleônica. Aí instalaram uma base e menos de duas centenas de marujos a fizeram inexpugnável. Tratavam-na, mesmo oficialmente, como um navio, o “unsinkable HMS Diamond Rock”. De lá, ficavam atacando os navios comerciais franceses que tentavam transitar por aquela movimentada costa. Depois de muitas tentativas infrutíferas de desalojá-los, um comandante francês teve a brilhante ideia: fez chegar à ilha alguns barris do exelente rum produzido em Martinica. Na mesma noite, estavam todos bêbados e não conseguiram resistir ao ataque francês. O “navio” não foi afundado, mas ao menos, foi conquistado!

Vendedora de praia com estilo, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Vendedora de praia com estilo, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Tarde preguiçosa na praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Tarde preguiçosa na praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Bom, como ia dizendo, nós passamos um dia delicioso na praia, ora caminhando, ora nadando, ora não fazendo absolutamente nada, numa das muitas sombras na praia. Uma delícia! Aproveitamos também para trabalhar e tentar botar um pouco o site em dia, tarefa nada fácil! Muito bem acompanhados de queijos e vinho nacionais, sempre inspiradores, trabalhamos nos nossos respectivos computadores, para relatar o passado e planejar o futuro. Amanhã, seguimos para St. Pierre, no norte, aos pés do Mt. Pelée. E nossa passagem para Sta Lúcia também já está comprada. Vamos no dia 17.

Hora de trabalhar, com ajuda de queijos e vinhos, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Hora de trabalhar, com ajuda de queijos e vinhos, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Martinica, Fort-de-France, Praia, história

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Um Dia (e uma Noite) em Mangue Seco

Brasil, Bahia, Mangue Seco

Bancos de areia no rio em Mangue Seco - BA

Bancos de areia no rio em Mangue Seco - BA


A grande maioria dos turistas que vem para Mangue Seco, vem apenas para passar o dia. Na verdade, nem o dia, pois chegam no meio da manhã e já partiram no meio da tarde. Vem de Aracaju, do Sauípe, da Praia do Forte e até mesmo de Salvador.

Bugues carregados de turistas chegam em Mangue Seco - BA

Bugues carregados de turistas chegam em Mangue Seco - BA


Pois não é que eles perdem exatamente o melhor da festa que é a tranquilidade do final de tarde, a beleza do pôr-do-sol e a serenidade da noite estrelada! É uma pena para eles, mas uma grande felicidade para os afortunados que aqui ficam até o final do dia.

Homenagem à Tieta, nas dunas de Mangue Seco - BA

Homenagem à Tieta, nas dunas de Mangue Seco - BA


Tive essa mesma sensação em Boipeba quando passamos alguns dias maravilhosos na pequena Moreré e quando fomos embora, ao pegar um barco na vila de Boipeba percebemos que aquela confusão na hora do almoço era tudo o que os turistas que vem de Morro em excursão conhecem daquela ilha maravilhosa. Bom, cada um, cada um...

Sombra e água fresca na praia em Mangue Seco - BA

Sombra e água fresca na praia em Mangue Seco - BA


Hoje eu e a Ana tivemos o da que pedíamos à Deus fazia tempo: simplesmente, fomos para a praia maravilhosa e lá ficamos o dia inteiro sem fazer nada além de ler, palavras cruzadas, pequenas caminhadas, muitos mergulhos refrescantes, cerveja gelada e água de côco. Vidinha totalmente estressante. Bom, falando sério, a única coisa mais "agitada" era quando passavam as dezenas de bugues carregando os turistas de day-trip. Era só eles passarem e o sossego voltava a reinar.

Fazendo cooper na praia em Mangue Seco - BA

Fazendo cooper na praia em Mangue Seco - BA


O mar é daquele tipo que adoramos, cheio de ondas, que vai afundando aos poucos. Água quente, claro. Praia enorme, se extendendo até onde a vista alcança. Ladeado de coqueiros e dunas brancas. Cenário de cinema. Ou de novela. Tiêta que o diga...

Final de pescaria em Mangue Seco - BA

Final de pescaria em Mangue Seco - BA


O pôr-do-sol foi de cima da duna. Maravilhoso, se pondo em cima do rio que separa a Bahia de Sergipe. Do outro lado, a lua quase cheia iluminava o encontro do rio com o mar. E também uma cabana construída num banco de areia no meio do rio. Cena idílica total!

Admirando o fim de tarde em Mangue Seco - BA

Admirando o fim de tarde em Mangue Seco - BA


Posto o sol, era hora de correr duna abaixo, iluminado pela lua cheia. Uns trinta metros de altura, inclinação de uns 50 graus. Sensação de voar, de liberdade, de sonho. Quando chegamos lá embaixo, demos pela falta de nossas havaianas. "Hmmmm..." - pensei - "é o destino conspirando para que eu tenha o prazer de descer de novo!". Bom, antes de descer de novo, tive de subir de novo! Os quinze segundos de descida se transformam em árduos três minutos de subida. Lá estavam os chinelos, sem entender nada, largados ao leo. Uma última visão do lindo visual, do rio prateado pela lua e nova descida mágica, poucos segundos de êxtase e vontade incontrolável de gritar.

Lua quase cheia em Mangue Seco - BA

Lua quase cheia em Mangue Seco - BA


Uma bela despedida do mar. Um mergulho no sertão nos espera. Mar de novo, só daqui a três semanas, em pleno Oceano Atlântico, na paradisíaca Fernando de Noronha. Até lá, muita estrada, muito interiorzão. E vamos começar em grande estilo: Chapada Diamantina, aí vamos nós!

Pôr-do-sol do alto da duna em Mangue Seco - BA

Pôr-do-sol do alto da duna em Mangue Seco - BA

Brasil, Bahia, Mangue Seco,

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A Mais Bela Praia do Mundo

Hawaii, Kauai-Kalalau

Pela manhã, caminhando pela praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Pela manhã, caminhando pela praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


A beleza cênica da praia de Kalalau realmente impressiona. Posicionada em plena Na’Pali Coast, ela está cercada de montanhas que parecem alcançar ao céu como enormes torres de sustentação. Essas montanhas, por sua vez, estão cobertas de vegetação que se aproveita da umidade de uma das áreas mais chuvosas do mundo. De certa maneira, até lembram um pouco da nossa Serra do Mar, com a diferença que aqui as montanhas são mais íngremes, formando verdadeiros penhascos e paredões que mergulham sobre o mar.

Pela manhã, caminhando pela praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Pela manhã, caminhando pela praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


A praia é longa, com quase um quilômetro de extensão. A faixa de areia é larga, uma das extremidades cercada por grandes paredões. É por esse paredão que escorre uma cachoeira, o lugar perfeito para um banho de água doce depois de um mergulho no mar. No mesmo paredão, mais adiante, já no final da praia, uma grande caverna. Dentro da caverna, um lago. Mas qualquer tentação de querer entrar ali logo termina quando descobrimos a enorme colônia de morcegos lá dentro, que utilizam o tal lago como se fosse seu banheiro. Enfim, muito belo e sadio, de longe.

Indo conhecer a caverna na praia de Kalalau, em Kauai, no Havaí

Indo conhecer a caverna na praia de Kalalau, em Kauai, no Havaí


Além de uma cachoeira, também tem uma caverna nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Além de uma cachoeira, também tem uma caverna nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Dependendo da época do ano, o mar pode ser calmo ou violento. Agora, no inverno, é a época das ondas, então não convém muito que se vá além das canelas, principalmente em dias mais nervosos. Em compensação, a faixa de areia é tranquilíssima, propícia a uma boa caminhada, ao relaxamento puro e simples ou a outras atividades lúdicas.

Dia ensolarado e tranquilo na praia de Kalalau, em Kauai, no Havaí

Dia ensolarado e tranquilo na praia de Kalalau, em Kauai, no Havaí


Não há construções na praia, o que ajuda a lhe conferir um aspecto ainda mais natural e selvagem. Agora em dezembro, os únicos frequentadores são aqueles que se dispõe a caminhar os 17 quilômetros de trilha para chegar até lá. Quase todos com suas barracas nas costas e víveres na mochila para lá passar um ou mais dias. Ao longo da praia, escondido sobre árvores, muitas áreas de camping. Quem chega primeiro logo ocupa os lugares mais próximos da cachoeira ou com vista para o mar.

A cachoeira que escorre nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

A cachoeira que escorre nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Uma praia tão maravilhosa e isolada da civilização atrai gente das mais diferentes tribos. Tem aqueles que adoram um acampamento, os que odeiam a civilização, os esportistas que tentam ir e voltar no mesmo dia, os naturalistas, os que um dia tomaram alguma coisa e nunca mais voltaram, os turistas perdidos e aqueles que, como nós, se acham acima dessas divisões, mas que, no fundo, tem um pouco de tudo isso.

Com o Rafa, caminhando na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Com o Rafa, caminhando na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Ver e interagir com todos esses tipos diferentes é um dos charmes de se ir ao Kalalao. A gente se instalou quase no começo da praia, longe da cachoeira, que já estava toda tomada. Algumas pessoas vêm para cá e passam semanas, ou mesmo meses. Em teoria, isso não é permitido pelo parque, mas na prática, a teoria é outra. Enfim, ficamos em um local mais tranquilo, a bela praia na nossa frente. Num cenário assim, tão idílico, não foi difícil tomar a decisão de passar mais um dia por ali, nem que isso representasse bastante economia da nossa comida prevista para apenas a metade do tempo.

Admirado com a grandeza da paisagem na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Admirado com a grandeza da paisagem na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Admirando o mar da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Admirando o mar da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Logo cedo, sentados na praia, a gente se divertiu com uma moça que, nua, dançava na areia. Em pé ou deitada, mas sempre com estilo, dava seus passos de hulahula e fazia poses para os helicópteros que sobrevoavam a praia e mesmo para um barco que passava ao largo. A presença de plateia parecia incentivá-la. Fazia festa também para as poucas pessoas que ali estavam, nós inclusive. Um de seus namorados, aparentemente, preferiu enfrentar o mar bravio do que as carícias da moça. Foi um daqueles que passou um susto sobre as ondas, que eu descrevi no post anterior. Já a moça, a sua loucura era só dançar pelada. Quando convidada a entrar no mar, pareceu bem sana ao recusar: “Eu não sou louca...”.

Luz do sol filtrada pelas nuvens e montanhas, na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Luz do sol filtrada pelas nuvens e montanhas, na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


O grandioso background da praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

O grandioso background da praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Depois desse show matinal, nós fomos caminhar na praia. Foi quando conhecemos a caverna dos morcegos e pudemos admirar as gigantescas ondas quebrando contra os rochedos ou na própria areia. Eu ainda ameacei entrar no mar, mas melhor não. Exatamente como fizera a moça um pouco antes, loucura, só com muita responsabilidade.

estréia da nossa barraca nova em kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

estréia da nossa barraca nova em kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Acampando de frente ao mar, na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Acampando de frente ao mar, na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Em seguida, nos separamos. Eu e a Ana fomos fazer uma caminhada de duas milhas até uma cachoeira próxima, enquanto o Rafa e a Laura resolveram passar o dia por ali mesmo. O Rafa, amante de pescarias, conseguiu uma vara emprestada e foi reforçar a nossa dieta. Pescou um peixe maior e outro menor. Esse, como forma de agradecimento, foi doado ao dono da vara, um desses que está na praia há bastante tempo e que foi a segunda pessoa a entrar no mar (e a quase morrer...), na descrição do post passado. Já o peixe grande, esse ficou para o nosso jantar.

Caminhando na mata em direção a uma cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Caminhando na mata em direção a uma cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Percorrendo trilha entre a praia e a cachoeira, em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Percorrendo trilha entre a praia e a cachoeira, em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Enquanto isso, eu e a Ana desbravamos a trilha, cheio de atalhos e variantes. Pergunta daqui, erra dali, acabamos achando nosso caminho. Na trilha, cruzamos com um outro camping, esse bem mais perto do rio que do mar. Gente mais do mato ainda. Alguns, pareciam ter nascido por ali, outros que mal balbuciavam alguma palavra. Difícil imaginá-los em outro ambiente que não ali, na parte campestre do Kalalau. Fiquei até com a impressão que els tinham um certo desprezo pelo pessoal que acampava perto da praia, por serem civilizados demais.

Cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Delicioso mergulho em piscina natural próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Delicioso mergulho em piscina natural próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Nós achamos a cachoeira e as piscinas naturais e tomamos uma banho delicioso, cercado de montanhas, água na temperatura certa. Aquele paraíso tão perto do outro, três quilômetros trilha abaixo. Aqui, mais uma vez, cheguei à conclusão que, entre, entre o rio e o mar, entre a cachoeira e a praia, entre a água doce e a salgada, fico com os dois! E o Kalalau é o lugar perfeito para se ter os dois!

Chegando de volta à praia de Kalalau, depois de caminhada até uma cachoeira, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Chegando de volta à praia de Kalalau, depois de caminhada até uma cachoeira, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


delicioso fim de tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

delicioso fim de tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Voltamos à praia já no fim da tarde, mais uma vez impressionados com a beleza grandiosa do cenário. Lá, fomos recebidos pelo Rafa com um grande sorriso, segurando o fruto da sua pescaria. Ali mesmo, perto das nossas barracas, ele e a Laura ainda conseguiram uns limões de um limoeiro. O peixe já tinha tempero! Faltava só a grelha. Fomos os quatro em busca de lenha e gravetos, o Rafa improvisou um espeto e, com simplicidade e perícia, grelhou o peixe com maestria!

O Rafa grelha um peixe que ele mesmo pescou durante a tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí. Que luxo!!!

O Rafa grelha um peixe que ele mesmo pescou durante a tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí. Que luxo!!!


Fogueira para o peixe e fogareiro para o macarrão no nosso banquete na segunda noite em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Fogueira para o peixe e fogareiro para o macarrão no nosso banquete na segunda noite em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Foi só o aperitivo do macarrão que se seguiria, agora feito pela Ana no nosso fogareiro novo. Depois de um dia economizando comida, tiramos a barriga da miséria. Tudo ao som das ondas do Kalalau, não poderia ter sido mais perfeito. Ao redor da fogueira, muita conversa se seguiu e um consenso apareceu entre quatro grandes viajantes que, juntos, conhecem praias pelo mundo afora, do Caribe à Tailândia, da Turquia à Noronha, da Austrália à Riviera: o Kalalau é a praia mais bonita que conhecemos. Felizes aqueles que podem vir aqui conferir...

Últimas luzes na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Últimas luzes na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Hawaii, Kauai-Kalalau, Praia, trilha, cachoeira, Parque

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Show!

Colômbia, Bogotá, Girardot

Show do The Hall Effect no hotel Paraíso, em Girardot, na Colômbia

Show do The Hall Effect no hotel Paraíso, em Girardot, na Colômbia


Quando chegamos ao local do show, ele já havia começado. Umas 2-3 mil pessoas perambulavam pelos gramados do hotel, em frente ao palco onde se revezavam bandas mais e menos famosas. Ali do lado, numa enorme piscina, perambulavam poucas centenas que tinham pago um valor maior no ingresso. A gente, com nossa super pulseira VIP, circulava livremente por ali, assim como por trás do palco e por dentro do hotel, onde a organização nos providenciou um quarto para um rápido banho.

Com o Andres e a Viviana antes do show do The Hall Effect, em Girardot, na Colombia

Com o Andres e a Viviana antes do show do The Hall Effect, em Girardot, na Colombia


A Viviana, namorada do bateirista Andres, nos ciceroneava pelo show, assim como os outros acompanhantes e equipe de apoio da banda. Há muito tempo não éramos tão bem tratados!. Aproveitamos o restante da luz do dia para tirar algumas fotos do local e fomos nos preparar para a parte noturna do show.

Preparativos para o concerto Rock in Paraíso, em Girardot, na Colômbia

Preparativos para o concerto Rock in Paraíso, em Girardot, na Colômbia


Foi justo aí, início da noite, que o The Hall Effect tocou. Um verdadeiro show! Músicas muito boas, excelente qualidade técnica. Não é à tôa que vem fazendo tanto sucesso no país. A platéia foi ao delírio. E, depois do show, foi interessante ver a tietagem encima dos integrantes da banda, o Andres (bateirista), o Douglas (baixista), o Charry (guitarrista) e o Oscar (vocalista). Muitas pessoas querendo fotos e autógrafos.

Esperando pelo show do The Hall Effect, em Girardot, na Colômbia

Esperando pelo show do The Hall Effect, em Girardot, na Colômbia


Depois do show deles, ficamos entre a piscina e o gramado, comendo, bebendo e curtindo as outras bandas como a colombiana Bomba Estereo e a venezuelana Amigos Invisibles. Tudo muito jóia. Outro ponto alto foi a participação de alguns integrantes do famoso Orixas, cubanos radicados nos EUA. Muito bons!

Junto com a banda The Hall Effect, no hotel Paraiso, em Girardot, na Colômbia

Junto com a banda The Hall Effect, no hotel Paraiso, em Girardot, na Colômbia


A impressão que ficamos é que se pudéssemos levar todas essas bandas para o Brasil, seria o maior sucesso. Mas aqui, conversando com nossos novos amigos músicos, confirmamos que o intercâmbio cultural entre nosso país e o resto da América Latina é praticamente nulo. São dois mundos distintos, o Brasil e o os outros países da América Latina. Por aqui não chegam músicas daí, por aí não chegam músicas daqui. Uma pena! Tirando o lixo cultural que, infelizmente, transita por todos os lugares, todos sairíamos ganhando. Quem sabe no futuro... A Ana já está fazendo mil planos para promover ese intercâmbio, hehehe. Quer criar um eixo cultural Curitiba-Bogotá. Quem sabe?

Com o Andres, a Viviana,  o Sharry e a Mari depois do show do The Hall Effect, em Girardot, na Colombia

Com o Andres, a Viviana, o Sharry e a Mari depois do show do The Hall Effect, em Girardot, na Colombia


Bom, eram quase três da manhã quando fomos dormir no nosso quarto, a Fiona! O pessoal da banda já voltou nessa mesma hora para Bogotá. Afinal, o motorista reserva tinha dormido e estava pronto para trabalhar. No caso da Fiona, os dois motoristas não dormiam há 24 horas! Melhor dormir um pouco, né? Conosco ficaram o Douglas e sua esposa Clara, que trabalhou na organização do show. Amanhã cedinho, vamos todos juntos para a casa deles, onde insistiram muito que ficássemos.

Show do The Hall Effect no hotel Paraíso, em Girardot, na Colômbia

Show do The Hall Effect no hotel Paraíso, em Girardot, na Colômbia

Colômbia, Bogotá, Girardot, The Hall Effect, Bomba Stereo, Orixas, Amigos Invisibles

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