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SHUFFLE Há 1 ano: El Salvador Há 2 anos: El Salvador

Liworibo e o Salto Aponwao

Venezuela, Gran Sabana

Admirando o Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela

Admirando o Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela


Começamos a nossa aventura pela Gran Sabana venezuelana! Um lugar bem conhecido dos brasileiros do norte, principalmente do Amazonas e de Roraima, que aproveitam feriados e férias para conhecer as savanas e cachoeiras do sul da Venezuela. Uma terra de muitas belezas naturais cortada basicamente por uma única estrada, a 10, que sai de Santa Helena de Uairén, na fronteira com o Brasil, vai até Ciudad Guayana, 600 km ao norte e continua rumo ao Mar do Caribe. Nós percorremos esta estrada no sentido contrário, já que vínhamos de Ciudad Bolívar. Adiantamos parte do percurso dirigindo 5 horas até a cidade mineradora de El Callao, na fronteira norte da Gran Sabana.

Atravessando o centro garimpeiro de El Dorado, antes de entrar na Gran Sabana, na Venezuela

Atravessando o centro garimpeiro de El Dorado, antes de entrar na Gran Sabana, na Venezuela


El Callao se desenvolveu em torno da região mais rica em ouro na Venezuela. Durante mais de 300 anos os espanhóis buscaram o El Dorado ao longo do Rio Orinoco, porém foi apenas em 1849 que os garimpeiros espanhóis encontraram os ricos veios de ouro do Rio Yuruarí. Mais de 15 toneladas de ouro eram retiradas por ano nos idos de 1880 e a Venezuela se tornou a maior produtora de ouro do mundo, só perdendo o posto para a África do Sul anos mais tarde. Ainda assim calcula-se que 10% das reservas de ouro do mundo estão em terras venezuelanas e andando pelas ruas de El Callao fica bem fácil acreditar nisso.

Passando pelo centro mineiro de El Callao, a caminho da Gran Sabana, na Venezuela

Passando pelo centro mineiro de El Callao, a caminho da Gran Sabana, na Venezuela


Passando pelo centro mineiro de El Callao, a caminho da Gran Sabana, na Venezuela

Passando pelo centro mineiro de El Callao, a caminho da Gran Sabana, na Venezuela


Fizemos umas comprinhas básicas na cidade, água e frutas e seguimos viagem pela Gran Sabana, com paisagens lindas! No caminho pararíamos em um posto de gasolina para colocar diesel, mas a fila gigantesca nos fez desistir. Tínhamos combustível justo para chegar à Santa Helena e contávamos com um posto no km 88 ou ainda com o posto das Rápidas de Kamoirán, no km 171. Nenhum deles tinha diesel, portanto ficamos apenas com uma pequena folga para desviar até o Salto Aponwao.

Gran sabana, na Venezuela. O Brasil é logo ali!

Gran sabana, na Venezuela. O Brasil é logo ali!


O Salto Aponwao está dentro do Parque Nacional Canaima, um dos maiores parques nacionais do país. Só para terem uma ideia do tamanho, é o mesmo parque onde está localizado o Salto Angel, com acesso apenas via aérea. Localizado no norte da Gran Sabana, para chegar até ele é necessário estar em um veículo alto, preferencialmente com tração 4 x 4.

Placa informativa de estrada secundária na Gran Sabana, na Venezuela

Placa informativa de estrada secundária na Gran Sabana, na Venezuela


A Fiona nos leva através da Gran Sabana, na Venezuela

A Fiona nos leva através da Gran Sabana, na Venezuela


Saímos da estrada principal no km 140 e seguimos em direção à vila de Kawanayén. Rodamos 28 km até a região de Parupa e aí encontramos a trilha de areia e terra que nos leva até a Vila de Liworibo, onde está o Salto Aponwao. Lá chegando encontramos um dos moradores da vila pemón arikuna, o guia Omar.

O Luis, nosso guia na região do Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela

O Luis, nosso guia na região do Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela


A esta altura já havíamos decidido acampar por ali, compramos um enlatado na venda local, antes que fechasse, e subimos na curiara de Omar, (canoa motorizada) para cruzar o Rio Aponwao. Os tours mais curtos e fáceis te levam ao salto direto de canoa, mas nós preferimos caminhar. Andamos uns 15 minutos na canoa e 40 minutos cruzando a savana em uma trilha plana e fácil até o mirante do Chinak Merú, como é chamado o Salto Aponwao na língua pemón.

Pronto para ir conhecer o Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela

Pronto para ir conhecer o Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela


Caminhando na Gran Sabana, a caminho do Salto Aponwao, na Venezuela

Caminhando na Gran Sabana, a caminho do Salto Aponwao, na Venezuela


Uma cachoeira incrível, um rio que despenca do alto dos seus 105 metros e forma uma cortina d´água única em meio à Gran Sabana.

O Salto Aponwao, o maior da Gran Sabana, na Venezuela

O Salto Aponwao, o maior da Gran Sabana, na Venezuela


Eu imaginava que poderíamos nos banhar nela, ledo engano! Há uma trilha que desce até o pé da cachoeira e quando o rio está mais baixo forma-se uma prainha onde é possível tomar banho. Não foi o caso hoje, a nuvem de água deixava todo o vale úmido e escorregadio, não muito convidativo para uma caminhada.

O Salto Aponwao, o maior da Gran Sabana, na Venezuela

O Salto Aponwao, o maior da Gran Sabana, na Venezuela


Caminhando nas vastidões da Gran Sabana, na Venezuela

Caminhando nas vastidões da Gran Sabana, na Venezuela


Voltamos com o sol baixando, uma luz linda e pouco tempo para conhecer as outras pequenas cachoeiras da região, mas com tempo, lugares não faltam para serem explorados. No caminho Omar, sabendo dos nossos planos de acampar, nos convidou para dormir em sua casa (com alguma gorjeta voluntária) na Vila Indígena Pemón de Riwo Riwo. Nós estávamos curtíssimos de dinheiro e fomos sinceros com ele, ainda assim, pela amizade e pela companhia ele manteve o convite e abriu as portas da sua casa. A casa está vazia, pois ele se mudou com esposa e filhos para morar na casa da sua sogra, que já precisa de cuidados. Com visão e tino para o turismo, Omar (38) e sua esposa Natália (49) estão planejando transformar a casa “extra” da família em um albergue simples para turistas como nós que chegam por ali.

O Luis, nosso guia, e sua esposa Stefany, moradores da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

O Luis, nosso guia, e sua esposa Stefany, moradores da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Na casa cozinhamos uma sopa e um macarrão que eu sempre trago no carro, para os casos de emergência, e montamos nosso pequeno acantonamento, com isolantes térmicos e sacos de dormir. De noite faz frio na savana, ainda mais depois do temporal que caiu! Tomamos um banho rápido no rio que circunda a comunidade e, assuntando sobre combustível, descobrimos que um caminhão de suprimentos chegava na vila. A vila de não mais de 15 casas conta com uma igreja católica e uma escola. A professora do primário é a líder comunitária, a pessoa com maior grau educacional entre os integrantes do vilarejo. O mercador, dono do caminhão, é seu namorado e assim a vila tem este privilégio! Ele vende de tudo um pouco, luvas, botas, cordas, colchões, pequenos móveis, galões e o principal, ele faz o fornecimento do diesel para o gerador de luz da comunidade. Papo vai e papo vem, conseguimos negociar com o mercador e a professora a compra de um galão de 20 litros de diesel para a Fiona! Isso custaria aqui na Venezuela em torno de 30 centavos de real, mas aqui no meio da savana tudo fica mais caro, nos custando então 100 bolivares! Leia-se: a bagatela de 7 reais!

Nossa casinha na aldeia perto do Salto Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

Nossa casinha na aldeia perto do Salto Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Enquanto o Ro capotou de cansado em casa, eu saí em busca do diesel e acabei sendo intimada a desatolar o caminhão do nosso amigo mercador. O seu motorista havia se prontificado a levar uns indiozinhos para a vila vizinha, há 15 minutos dali. Ele pegou o caminho errado e acabou atolando! Que azar! Ele não queria deixar as mercadorias todas sozinhas, mas estava chovendo e já estava escuro, seria impossível tirá-lo de lá hoje! Então eu fui até lá com as crianças avisá-lo que tiraríamos o caminhão pela manhã e dei uma carona para os 5 jovens até a vila vizinha, onde está a sede do parque.

Nosso 'acampamento' na casa do Luis, na Gran Sabana, na Venezuela

Nosso "acampamento" na casa do Luis, na Gran Sabana, na Venezuela


De volta à comunidade encontrei Omar e Natália e passamos longas horas conversando. O casal tem 5 filhos e leva uma vida muito simples na vila. Há alguns quilômetros dali Omar e seus familiares plantam mandioca, batata e alguns poucos vegetais. A pesca e a caça estão cada vez mais escassas e a venda de artesanatos e o trabalho como guia são a única renda que eles possuem. Natalia já esteve no Brasil acompanhando sua sobrinha que estava grávida e foi a Boa Vista para o parto. Elas reuniram as poucas economias que tinham e conseguiram carona para chegar até a capital de Roraima. Complicações no estágio final da gravidez fizeram que sua sobrinha ficasse quase um mês no hospital e ali ambas tiveram todo o apoio e atendimento necessário. Ela conta que ficou impressionada com a qualidade do atendimento, enfermeiras sempre preocupadas e médicos muito atenciosos. Ganhou roupas, comida e até salão de beleza das amigas que fez no hospital.

O Luis, nosso guia, e sua esposa Stefany, moradores da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

O Luis, nosso guia, e sua esposa Stefany, moradores da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Para Natália o Brasil é um paraíso, cheio de pessoas educadas e muito gentis. Estava sempre muito curiosa para ver fotos de Boa Vista e querendo entender melhor o mapa do Brasil. Eu mostrei algumas fotos, o mapa e ensinei um pouco de português, enquanto Omar me perguntava sobre o trabalho e a vida no Brasil. Com a experiência de Natália sem dúvida Boa Vista lhes parece uma ótima saída desta vida paupérrima que vivem aqui. Quem dera fosse sempre assim, pensei... uma vida no campo às vezes lhes pode sair muito melhor do que a vida de imigrante em uma capital brasileira. Que a vida lhes guie pelo melhor caminho!

Fim de tarde na região do Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela

Fim de tarde na região do Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela


Com o combustível extra que conseguimos, voltamos a pensar em ir até Kawanayén, a pequena vila em meio a uma paisagem incrível de tepuis que foi construída ao redor de uma Missão de Padres Capuchinhos. Kawanayén, a 70km de estrada de terra desde a estrada principal, estava no nosso plano original, mas sem combustível disponível já havíamos desistido. Omar e Natalia se animaram em nos acompanhar, não apenas pelo passeio, mas por que Kawanayén é muito mais barata para comprar suprimentos, comida, etc. Sairíamos bem cedo, entre 6 e 7 da manhã para dar tempo de irmos até lá, retornarmos e ainda seguirmos até Santa Helena, parando em algumas cachoeiras no caminho. Nosso cronograma estava apertado, mas daria tempo. Porém não contávamos que seria tão difícil desatolar o caminhão.

Caminhão atolado perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

Caminhão atolado perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


A Fiona guincha um caminhão atolado perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

A Fiona guincha um caminhão atolado perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Na manhã seguinte ficamos umas 3 horas trabalhando para tirar o caminhão de mais de 9 toneladas da lama! A roda estava quase toda afundada, calçamos com as nossas pranchas de alumínio, pedras, puxamos com o guincho e nada! Estouramos uma das nossas cintas tentando tirá-lo dali... Só depois de muito cavar, muitas pedras e muita paciência foi que conseguimos fazer ele se mover!

A prancha de aluminio nos ajuda a desatolar o caminhão perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

A prancha de aluminio nos ajuda a desatolar o caminhão perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Controlando o motor do guincho da Fiona durante operação paa desatolar um caminhão, perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

Controlando o motor do guincho da Fiona durante operação paa desatolar um caminhão, perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Celebração após desatolarmos um caminhão perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela

Celebração após desatolarmos um caminhão perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela


Ao final, nos despedimos de Omar e Natália sem poder leva-los até Kawanayén. Ajudamos com o que pudemos, comidas e roupas que tínhamos, além de um extra pela casa. Hoje é dia dos pais e a vila está em festa o dia inteiro! Missa na igreja pela manhã, famílias e amigos reunidos para o almoço e uma gincana organizada pela professora durante a tarde iam animar o Dia dos Pais. Uma pena não podermos ficar. Fomos presenteados com esta experiência na Gran Sabana! O encontro com Omar e Natália e a convivência, mesmo que rápida, com o pessoal da tribo foi marcante e muito especial! Espero poder voltar aqui e encontrar Omar e sua família muito bem, com uma bela pousadinha, transformando para melhor a sua vida e a da vila sem precisar sair da sua terra e sem perder as suas raízes.

Nessa época, há muitas flores na Gran Sabana, na Venezuela

Nessa época, há muitas flores na Gran Sabana, na Venezuela

Venezuela, Gran Sabana, El Callao, Gran Sabana, Iboribó, Liworibo, Riwo Riwo, Salto Aponwao

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Maratona Serra do Cipó

Brasil, Minas Gerais, Serra do Cipó (P.N da Serra do Cipó)

Ontem a noite conhecemos no Eco Hostel 2 Gustavos. Um é o dono da pousada, gente boa pra caramba e outro é agente regional do Instituto Estrada Real, outro figura que entende muito aqui de toda a região. Ele trabalhou durante anos em agências de ecoturismo em Serra do Cipó e também como consultor de ecoturismo. Não tinha ninguém melhor para nos ajudar a resolver o roteiro que faríamos aqui na região. Foi uma noite de boas conversas e muitas perguntas para os Gustavos e acabamos saindo com uma consultoria completa!

Ana com os Gustavos, no Hostel de Tabuleiro - MG

Ana com os Gustavos, no Hostel de Tabuleiro - MG


Daí nasceu a Maratona Serra do Cipó, que ganhou o slogan “O máximo do mínimo”. Afinal, como faríamos para conhecer o máximo de coisas no mínimo de tempo, passando pelas 3 principais cidades e atrações da região em apenas 4 dias? O roteiro definido foi o seguinte:

MARATONA SERRA DO CIPÓ

1º DIA – 18/08/10
Cidade base: Tabuleiro, Distrito de Conceição do Mato Dentro.
Cachoeira Rabo de Cavalo – 170m, 2 horas de caminhada.
Cânion do Peixe Tolo – 3h30 de caminhada para chegar até o final do cânion, vamos ver até onde conseguiremos chegar.

2º DIA – 19/08/10
Cidade base: Tabuleiro, Distrito de Conceição do Mato Dentro.
Cachoeira de Congonhas – 107m de altura, 2 horas de caminhada.
Cachoeira do Tabuleiro – 273m de altura, a maior de Minas Gerais e 3ª maior do Brasil!

3º DIA – 20/08/10
Cidade base: Serra do Cipó, Distrito de Santana do Riacho.
Trekking de 20km que desce de Palácio, na parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó até a portaria do meio, passando por:
- Cachoeira de Congonhas de Cima ou dos Guedes
- Cachoeira de Congonhas de Baixo
- Cachoeira do Gavião
- Cachoeira das Andorinhas

4º DIA – 21/08/10
Cidade base: Lapinha, Distrito de Santana do Riacho.
- Cachoeira do Bicame – 15km em 2h30 de caminhada.
- Travessia da represa de canoa para ver as Pinturas Rupestres.

Será que vamos conseguir? Temos que correr! Vem com a gente!

Brasil, Minas Gerais, Serra do Cipó (P.N da Serra do Cipó), cachoeira, Conceição do Mato Dentro, parque nacional, Serra do Cipó, Serra do Intendente, Trekking, trilha

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Cânion do Talhado

Brasil, Alagoas, Piranhas, Sergipe, Canindé do São Francisco

passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Vamos hoje conhecer a principal atração da região do Xingó, o Cânion do Rio São Francisco. O passeio já é um esquemão, Catamarãs lotados partem de um píer com mais de 120 pessoas de 3 em 3 horas. Odiamos este tipo de excursão, sem tempo e desavisados caímos como dois patinhos na lagoa, literalmente.

Nosso catamarã lotado no passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Nosso catamarã lotado no passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Durante a navegação passamos por áreas em que a guia do barco dizia ser o leito natural do rio e de tempos em tempos entrávamos em lagos, regiões alagadas mais amplas. Eu confesso, não entendo nada de represas ou engenharia, mas a quem ela quer enganar dizendo ser o leito natural? O rio subiu pelo menos uns 60m de altura, fazendo que alguns pontos tenham até 150m de profundidade, como ela pode afirmar isso? Vi um quadro, óleo sobre tela, retratando a cachoeira que ficava no local onde foi construída a barragem. Lindíssima, grandiosa e mesmo com o belo quadro digo ser ainda inimaginável, visto que hoje no lugar dela vemos milhões de toneladas de concreto. O impacto ambiental deve ter sido imenso, algo que não deve nem ter sido contabilizado quando se deu a sua construção. Fato é que a hidrelétrica está lá, trouxe “progresso” e hoje cumpre seu papel no fornecimento de energia à região.

Usina de Xingó, no rio São Francisco, entre Sergipe e Alagoas

Usina de Xingó, no rio São Francisco, entre Sergipe e Alagoas


Outro cenário difícil de imaginar é o Grandioso Cânion do São Francisco antes da represa. Se hoje já encontramos trechos com paredes de mais de 30m de altura, imaginem antes? Deveria ser o cânion mais profundo do Brasil! Desculpem, eu poderia apenas descrever o passeio, mas é difícil ver tão de perto a grandiosidade da natureza e não ficar abismada com as interferências humanas nesta paisagem.

passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


O catamarã nos leva pela represa, rio e lagos até o conhecido Cânion do Talhado, local onde o rio estreita entre paredes imensas de rochas que parecem talhadas a mão.

Nadando nas águas verdes do rio durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Nadando nas águas verdes do rio durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Paisagem maravilhosa, sobre as verdes águas do São Chico. Eu achava que elas seriam mais transparentes, mas é claro, depois fui entender que ali na represa elas ficam mais turvas, tanto pelo processo de decomposição das árvores que foram inundadas, até pelo próprio represamento da água. Na parte baixa do rio, onde as águas são correntes, elas são mais transparentes e também mais frias.

Árvores alagadas na represa de Xingó durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Árvores alagadas na represa de Xingó durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


No Talhado há uma parada de uma hora em um píer construído em uma reentrância do cânion. Todos descem ali, pegam suas bóias, bisnagas e salva-vidas e vão para a área de banho, um verdadeiro piscinão de ramos! O pior é que descobri depois que ali, justamente por ser uma espécie de baiazinha, a água não circula muito... pelo menos a água não ficou amarela.

Área para banho durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Área para banho durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Pessoal, não desanimem! Mesmo com o piscinão de ramos e muitos metros a menos no cânion, a paisagem é belíssima e o passeio vale a pena. Dica: não economizem na cerveja para agüentar o barco-lotação e entrem no clima, vocês podem conhecer pessoas ótimas e super animadas durante o passeio.

Amizade com família campineira durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Amizade com família campineira durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Brasil, Alagoas, Piranhas, Sergipe, Canindé do São Francisco, cânion, hidrelétrica, Rio São Francisco, Talhado, Xingó

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Civilização Moche

Peru, Trujillo

Painéis coloridos no templo da Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru

Painéis coloridos no templo da Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru


Trujillo foi fundada por Francisco Pizarro e recebeu este nome em honra à sua terra natal. A cidade possui uma linda Plaza de Armas, ampla e arborizada em meio à um centro lotado, com o trânsito meio caótico. Aqui pela primeira vez alguém veio nos avisar para termos cuidado com roubo, principalmente com a famosa mão leve. Quando menos se espera, sua carteira ou bolsa que estava em cima da mesa desaparece sem você nem perceber. Estamos sempre atentos, mas de forma geral nos sentimos bem seguros viajando por estas cidades mais turísticas.

Igreja da Plaza de Armas de Trujillo, no Peru

Igreja da Plaza de Armas de Trujillo, no Peru


Esta região também é conhecida por possuir um dos maiores complexos de templos e ruínas construídas em adobe da América Latina, a antiga cidade de Chan Chan. Antes de visitarmos estas ruínas, resolvemos conhecer um outro conjunto de templos que começaram a ser escavados há menos tempo, que nos foi indicado pela Vânia, nossa amiga búlgara do trekking. A Huaca del Sol e a Huaca de La Luna são templos da Civilização Moche, que viveu nesta região no período de 500 a.C. e desenvolveu aqui uma cultura riquíssima e um patrimônio arquitetônico dos mais bem preservados de todo o Perú.

A Huaca del Sol, que só agora começa a ser escavada e estudada, em Trujillo - Peru

A Huaca del Sol, que só agora começa a ser escavada e estudada, em Trujillo - Peru


A Huaca del Sol é a maior das construções, porém ainda não está aberta à visitação. Os trabalhos começaram recentemente e podemos apenas avistá-la de longe. Acredita-se que ela seria a sede administrativa das capital mochica. Visitamos então a Huaca de La Luna, a visita é feita com o acompanhamento obrigatório de uma guia muito bem treinada e que nos faz mergulhar de cabeça na história e cultura deste povo.

A nossa excelente guia Milagro, que muito nos ensinou sobre a cultura Moche, na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru

A nossa excelente guia Milagro, que muito nos ensinou sobre a cultura Moche, na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru


À base do Cerro Blanco encontra-se a Huaca de La Luna, sede religiosa da capital do Valle Moche. Estes não escolheram este local por acaso, acredita-se que cultuavam as montanhas como uma divindade, provavelmente por atrelarem a elas as chuvas e a fertilidade dos terrenos para agricultura. Integrado ao templo está um afloramento rochoso que se parece com o Cerro Blanco, esta pedra sagrada era utilizada como palco para os sacrifícios humanos feitos em rituais para este Deus.

Placa informativa na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru

Placa informativa na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru


As imagens encontradas no templo remetem sempre à um Deus furioso, ele seria o responsável pelas terríveis tempestades e ressacas que abatem até hoje a região, o conhecido fenômeno El Niño. Para apaziguar a ira deste Deus, eram oferecidos homens guerreiros que se sacrificavam participando de uma competição, sempre feita por 2 homens e o que perdia era sacrificado. A cerimônia porém era longa, estes homens participariam por legítima vontade, doando a sua vida para que seu povo pudesse viver em paz com seu Deus. Antes de ser morto, os homens eram entregues ao sacerdote, que os preparavam para a cerimônia, que incluía uma boa dose do cactos alucinógeno São Pedro. O sacrifício era feito no altar da pedra sagrada à qual apenas o governante e os sacerdotes tinham acesso, ninguém mais presenciava os sacrifícios. O sangue deste guerreiro era colocado em uma taça, erguida pelo governante para alguns poucos que o esperavam em um outro pátio cerimonial, em geral sacerdotes e alguns nobres da elite que tinham a permissão de assistir essa parte da cerimônia.

Painel representando os sacrifícios humanos realizados na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru

Painel representando os sacrifícios humanos realizados na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru


A estrutura do templo é muito interessante. Ela possui 5 diferentes níveis, um construído sobre o outro, sempre um pouco maior e utilizando o anterior como base, completando com tijolos de adobe os espaços vazios. A estrutura portanto ganha quase uma forma de uma pirâmide invertida, com os pisos superiores maiores que os inferiores. Cada geração ou dinastia construiria um novo pavimento, marcando o seu tempo e com as suas características.

A nossa excelente guia Milagro, que muito nos ensinou sobre a cultura Moche, na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru

A nossa excelente guia Milagro, que muito nos ensinou sobre a cultura Moche, na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru


Além de ser uma estrutura anti-sísmica, esse formato de construção permitiu a boa conservação das pinturas e esculturas em alto e baixo relevo das paredes que ficaram cobertas. As cores amarelo, vermelho, azul e negro eram predominantes e as imagens representavam a imagem deste Deus, com cabelos e barbas que lembram ondas do mar e arredor dele raias e um peixe de água doce.

Painéis coloridos no templo da Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru

Painéis coloridos no templo da Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru


A fachada principal é ainda mais impressionante! Uma imensa parede totalmente decorada com motivos marinhos, divindades menores como polvos, serpentes marinhas e outros animais. Outra parede curiosa é a conhecida como “painel complexo” (se não me falha a memória), e ela representaria cenas cotidianas da sociedade mochica, assim como cenas religiosas, animais e plantas.

Um belo, complexo e misterioso painel na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru

Um belo, complexo e misterioso painel na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru


Já viemos para a Huaca de La Luna sabendo que encontraríamos um templo com pinturas preservadas e etc. Mas confesso que a visita nos surpreendeu positivamente, não apenas pela riqueza arqueológica e arquitetônica do sítio, mas como pela qualidade do trabalho desenvolvido pelos pesquisadores e que foi foi repassado com maestria pela Milagro, nossa guia. Hoje este sítio possui o apoio financeiro para pesquisa da Coroa Espanhola e da empresa de bebidas nacional que produz as cervejas Callao, entre outras. Um patrimônio histórico valiosíssimo que deve ser desvendado e mantido.

Trabalho de conservação na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru

Trabalho de conservação na Huaca de La Luna, em Trujillo - Peru

Peru, Trujillo, arqueologia, Huaca de La Luna, Moche, Mochica

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Valle de La Luna

Chile, San Pedro de Atacama

Magnífica lua cheia no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Magnífica lua cheia no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


Enfim, chegamos à São Pedro do Atacama! Fizemos a nossa aduana onde encontramos um brasileiro radicado no Chile à 30 anos, trabalhando na vigilância sanitária aduaneira e mais um casal de paulistas que pegaram o carro e bateram para cá. 20 dias de férias, até aqui já foram sete. Sempre bacana encontrar pessoas com esse pique e espírito viajante!

Paisagem desértica do Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Paisagem desértica do Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


Tão logo chegamos descobrimos que a cidade está se preparando para um feriado prolongado. Segunda-feira é dia da Virgem de Assunção, feriado no Chile, Perú e Bolívia... talvez até no Paraguai. As pousadas estavam todas com suas reservas “full” (leia com sotaque espanhol), uma das palavras inglesas que eles adotaram com gosto por aqui, “estamos full!”. Conseguimos nos hospedar hoje na La Ruca, pousadinha bacana com uma boa área social e internet, e a Léo (gerente) nos ajudou a encontrar um hostal mais simples para ficarmos sábado e domingo, dias mais lotados. Solucionado o problema, saímos para explorar.

Enorme duna no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Enorme duna no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


O Vale da Lua é a mais conhecida atração, há apenas 15 minutos de carro da cidade. Um pequeno museu conta a história geológica da região e aponta as principais atrações do parque. Formações rochosas como as Três Marias, paredões areníticos e suas imensas dunas, cavernas e cânions. Ao final do dia todos fazem uma espécie de peregrinação ao topo da duna para assistir ao pôr-do-sol. É curioso como este fenômeno acontece, independente de onde esteja, o ser humano repete rituais de contemplação à mãe natureza.

Assistindo o pôr-do-sol no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile. A lua cheia, atrás, é testemunha!

Assistindo o pôr-do-sol no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile. A lua cheia, atrás, é testemunha!


Enquanto o sol se punha de um lado, a lua cheia nascia do outro, um espetáculo duplo e inesperado. Aproveitamos o holofote natural para continuarmos a explorar o Vale da Lua, agora com menos turistas e mais privacidade. Entramos em uma gruta, que aos poucos ia se estreitando até virar uma pequena caverna. Sem lanterna, sem lua, sem nada, fomos tateando para encontrar o nosso o caminho. Cruzamos com dois chilenos que nos deram a direção e seguimos apenas com a luz do celular. Quando saímos apenas a lua e as estrelas reinavam no céu, estava tudo tão claro que decidimos continuar.

Pôr-do-sol no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Pôr-do-sol no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


Entramos no cânion, estreito e convidativo. Caminhamos na areia entre paredes de 20m de altura, ouvindo o estalar das pedras que começavam a se contrair pela diferença de temperatura que a noite trazia. Entramos cada vez mais, imaginando quantas gerações não passaram por ali, repetindo esse ritual, até chegar ao final em uma imensa duna! Nós dois acompanhados apenas pela lua cheia, estrelas e o contorno das montanhas.

A lua cheia ilumina o canyon no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

A lua cheia ilumina o canyon no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


O Rodrigo que já estava totalmente de bode por ter que compartilhar o Atacama com milhares de turistas, finalmente relaxou. Encontramos o nosso canto e um momento em que o Atacama nos recebeu de forma especial.

Noite de lua cheia no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Noite de lua cheia no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile


A noite, no restaurante, encontramos uma pessoa que, sem nem imaginar, ajudou a formar em nós esse espírito curioso e viajante. Uma conhecida repórter brasileira que participou de nossas vidas por muitos anos e hoje estava ali, na mesa ao lado. Engraçado, ao vivo e a cores a admiração fica ainda mais clara! Quem sabe o Atacama nos reserva mais uma grande surpresa?

Início da noite no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Início da noite no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile

Chile, San Pedro de Atacama,

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Welcome to Tobago!

Trinidad e Tobago, Crown Point

Fim de tarde no pier de Pigeon Point, em Crown Point - Tobago

Fim de tarde no pier de Pigeon Point, em Crown Point - Tobago


Tobago é a irmã mais nova, mais caribenha e mais baiana de Trinidad. Com apenas 300km2, foi aclamada pelos espanhóis que, todavia não se deram ao trabalho de ocupá-la. Assim, a partir do início do século XVII várias nações tentaram colonizá-la, holandeses, franceses, ingleses e até os courlanders, pequeno ducado no que hoje é a Letônia. Foram tantas batalhas travadas entre estas pequenas colônias formadas na ilha, inclusive contra os índios que a habitavam, que no início do século XVIII Togabo foi declarada um território neutro, o que deu ainda mais espaço para a ilegalidade, prato cheio para os piratas. Só em 1763 os ingleses resolveram colocar ordem no galinheiro e tomar a frente na colonização da ilha, trazendo para cá escravos que iniciaram a cultura de cana de açúcar e algodão.

Bela praia no caminho para Pigeon Point, em Crown Point - Tobago

Bela praia no caminho para Pigeon Point, em Crown Point - Tobago


Em 1963 a ilha foi atingida pelo Furacão Flora, que devastou suas plantações, casas e estradas. Desde então o governo vem fazendo um trabalho orientado ao turismo, criando um novo mercado até então pouco explorado por seus moradores. Um paraíso para os birdwatchers e mergulhadores, Tobago possui o seu próprio ritmo, mais easy going e vem conquistando facilmente milhares de turistas todos os anos.

Pigeon Point, em Crown Point - Tobago

Pigeon Point, em Crown Point - Tobago


As praias mais procuradas ficam no extremo oeste da ilha, próximas à Crown Point, onde fica também o aeroporto internacional. Bem estruturada Crown Point oferece desde simples pousadas a grandes e luxuosos resorts à beira mar. Restaurantes, internet café e ATMs também são facilmente encontrados.

Mapa de Crown Point, em Tobago

Mapa de Crown Point, em Tobago


Store Bay é a praia mais acessível, com uma pequena faixa de areia e suas águas tranqüilas, está equipada com praça de alimentação, banheiros limpos e duchas por uma contribuição módica de TT$ 1,00, menos de R$ 0,30.

Praia de Store Bay, em Crown Point - Tobago

Praia de Store Bay, em Crown Point - Tobago


A apenas 20 minutos de caminhada dali está o Pigeon Point, uma das praias mais procuradas da região. Suas águas cristalinas e areias claras são ótimas para snorkeling ou apenas para relaxar na sombra dos coqueiros. Há também um deck muito bacana, que além de uma bela vista da praia, também oferece passeios de barcos com fundo de vidro sobre o Buccoo Reefs e piscinas naturais próximas da costa.

Trnaquilidade em Pigeon Point, em Crown Point - Tobago

Trnaquilidade em Pigeon Point, em Crown Point - Tobago


É cobrada uma justa taxa de 3 dólares (TT$ 18,00) para manutenção da infra-estrutura, banheiros, chuveiros, etc. Nós viemos caminhando pela praia e nem vimos a entrada “oficial” do parque, sem saber que teríamos que pagar passamos direto e reto, só depois vimos que todos usavam uma pulseirinha. Já era final de tarde, acho que não ficaram muito preocupados conosco, apenas tomamos um refresco e pegamos nosso rumo de volta.

Clima romântico no pier de Pigeon Point, durante o fim da tarde (Crown Point - Tobago)

Clima romântico no pier de Pigeon Point, durante o fim da tarde (Crown Point - Tobago)


Ah, esqueci de contar que hoje provei o famoso Roti, comida típica indiana que faz um sucesso danado por aqui. Roti de frango com molho curry, parece uma massa de panqueca, um pouco mais pesada do que a que conhecemos, mas muito gostosa. Só acho o curry meio enjoativo, mas isso já é mais pessoal. Voltamos para a Golden Thristle, nossa casa em Crown Point, com alguns aperitivos e beliscos comprados no minimart para o jantar. Amanhã cedo já marcamos nossa ida para Speyside com o nosso amigo suuuper cool, Brian, o taxista.

Pier de Pigeon Point, em Crown Point - Tobago

Pier de Pigeon Point, em Crown Point - Tobago

Trinidad e Tobago, Crown Point, beach, Pigeon Point, Praia, Store Bay, Tobago

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Los Volcanes de Antigua

Guatemala, Antigua

Descendo do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Descendo do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


Nas proximidades de Antigua estão quatro vulcões: el Volcán de Água, Fuego, Acatenango e o Pacaya. O Vulcão de Água (3.766m) está inativo e é o mais próximo da cidade, porém de mais difícil acesso. Curiosamente este vulcão, mesmo inativo, é um dos que mais provoca desastres na região. De tempos em tempos sua cratera colapsa derramando toda a água que se acumula dentro dela, destruindo vilas inteiras com a gigantesca massa de água! Dá para entender de onde surgiu o seu nome.

A grandiosa paisagem com duas encostas vulcânicas observadas do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

A grandiosa paisagem com duas encostas vulcânicas observadas do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


O Volcán de Fuego (3.763m) é um dos vulcões mais ativos da América Central. "Chi'gag", seu nome em cakchiquel, significa "onde está o fogo", nos vilarejos próximos pode-se ver o vermelho da lava em noites sem nebulosidade. Os registros de suas violentas erupções datam desde 1524, quando o conquistador espanhol Pedro de Alvarado, pode vê-lo em atividade. Sua última erupção foi em 2010, um dia depois de uma terrível tormenta tropical Ágatha, que fez o Volcán de Água lavar os povoados das suas encostas. Neste episódio 152 pessoas morreram e 100 ficaram desaparecidas com a passagem do Agatha em toda a Guatemala.

Restos da última erupção do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Restos da última erupção do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


Unido ao Volcán de Fuego está o Acatenango (3.976m), um estratovulcão com dois picos, a união dos dois é conhecida como La Horqueta. Embora ligado ao de Fuego, este é um vulcão inativo, se tornando o melhor mirante da cratera sempre ativa do seu irmão Fuego. Este é o trekking preferido dos aventureiros que vão até Antigua, normalmente feito em dois dias, pois nas noites estreladas é quando melhor se vê a lava e pequenas erupções.

Caminhando em meio à fantasmagórica paisagem vulcânica no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Caminhando em meio à fantasmagórica paisagem vulcânica no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


Nosso primeiro plano era fazer este trekking, mas infelizmente o tempo não estava ajudando e não adiantaria de nada subir e ficar a ver nuvens. Então decidimos ir ao maior competidor do Fuego, no quesito “vulcão mais ativo da América Central”. Pacaya está a 47km de Antigua e entrou em atividade há milhares de anos. Depois de quase um século adormecido, voltou a atividade em 1965 e desde então não parou mais. É o vulcão mais indicado para aqueles que querem ver atividade vulcânica, lava, fumaça, calor. A sua última erupção foi em maio de 2010 e matou um jornalista e um jovem, além de 3 crianças desaparecidas.

Passando por fendas criadas por um rio de lava no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Passando por fendas criadas por um rio de lava no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


O tempo estava péssimo, subimos com muita nebulosidade, chuva e vento. Biron (leia-se Bairon), um jovem super astuto que trabalha no estacionamento que usamos em Antigua, nos acompanhou até lá e foi contando todas as histórias dos desastres acontecidos na região. Chegando lá, tivemos que contratar um guia local (150 quetzales = uns 25 dólares), obrigatoriedades do parque. Esperneamos, mas essa obrigatoriedade começou desde o último incidente. Biron 2 (sim, o guia local também chama “Bairon”), nos contou como foi o dia da erupção.

Com o Byron, que nos acompanhou até o vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Com o Byron, que nos acompanhou até o vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


A caminhada começa por um morro vizinho, conhecido como Cerro Chino. Biron estava lá, com familiares, olhando o vulcão, tirando fotos com a lava que escorria tranquilamente por sua canaleta. Eis que ouviram a primeira explosão e, experientes, não pensaram duas vezes, desceram correndo as ladeiras, usando todos os atalhos possíveis. Ao lado deles estava a equipe de televisão que fazia uma reportagem sobre o vulcão. Eles avisaram a equipe para descer imediatamente, porém eles decidiram descer até onde estava o carro, no terreno da antena da emissora. Chegando lá, o carro havia pegado fogo e ali mesmo o repórter foi atingido por uma pedra incandescente e morreu na hora. O cinegrafista conseguiu escapar. Nós ainda vimos a cruz colocada no local onde o repórter foi encontrado... Literalmente, uma fatalidade.

Início da caminhada no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Início da caminhada no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


Desde então o Pacaya se acalmou e para a infelicidade dos dois viajantes aqui, toda a lava já secou e restaram apenas dois resquícios da sua atividade, um buraquinho quente, onde o povo gosta de derreter um marshmellow ou assar uma salsicha e uma linda caverna. A gruta, além de nos proteger um pouco da ventania e da chuva, ainda recebe um pouco de calor do rio de lava que corre ali por perto.

Esquentando-se numa das fontes de calor no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala. Sinal de que a lava ainda está ali perto!

Esquentando-se numa das fontes de calor no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala. Sinal de que a lava ainda está ali perto!


O trekking valeu a pena, nos exercitamos e conhecemos mais um pouco da cultura e da história da Guatemala. Fato curioso foi que descobri que meu tio esteve aqui em 1986, um ano antes de uma grande erupção com coluna de cinzas que chegou a 8km de altura. Anos depois quem passou por aqui foi a minha irmã, quando participou do Jamboree Panamericano de 1997 e 98 foi outro ano de grande atividade, quando o vulcão lançou cinzas sobre a capital, fechando o aeroporto por 3 dias. Será que teremos uma nova erupção do Pacaya no ano que vem, para manter a tradição? Ficaremos atentos.

Caldeira de lava com pouco mais de um ano de idade, no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Caldeira de lava com pouco mais de um ano de idade, no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Guatemala, Antigua, Fuego, Pacaya, Trekking, vulcão

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Um dia em Caraíva

Brasil, Bahia, Caraíva

Céu azul em Caraíva - BA

Céu azul em Caraíva - BA


Um dia em Caraíva é uma das histórias que podemos equiparar com um dia em um paraíso. Primeiro você deve escolher: rio ou mar? Ambos estão ali, ao seu alcance e deliciosos te esperando.

Frente da pousada em Caraíva - BA

Frente da pousada em Caraíva - BA


Acordamos e logo temos um belo café da manhã servido na varanda à beira mar da pousada. Iogurte, granola, mel, pão integral, suco de cacau, bolo de cenoura e banana terra grelhadinha, sem gordura, que saúde!

Café da manhã na Pousada da Praia, em Caraíva - BA

Café da manhã na Pousada da Praia, em Caraíva - BA


Estávamos meio indecisos, rio ou mar, então escolhemos os dois! Caminhamos pela praia para a barra do rio Caraíva, com a maré ainda baixa. A paisagem é completamente diferente da que vimos ontem. Na lua cheia a maré vai para os seus extremos, extremamente alta ou extremamente baixa. Agora pela manhã, ainda na baixa, as águas do mar deram espaço às águas ferruginosas do rio, que por sua vez formaram uma paisagem maravilhosa entre bancos de areia e ilhas de corais. O verde do mar se mostra apenas ao longe, onde o rio já não as alcança.

O rio em Caraíva - BA

O rio em Caraíva - BA


Caminhamos e exploramos cada ilha, inclusive tentando fazer a menor delas resistir à subida da maré, lembrando dos tempos de criança. Infelizmente o nosso castelo e suas muralhas não resistiram à fúria das ondas e acabaram se rendendo.

O momento do ataque final! (em Caraíva - BA)

O momento do ataque final! (em Caraíva - BA)


Nas barraquinhas às margens da barra encontramos as nossas amigas cariocas e ali passamos o dia vendo a paisagem se transformar. Aos poucos as águas verdes do mar tomam conta e vão vencendo a correnteza do rio. O rio antes vermelho já parece verde, antes calmo, já é corredeira. Nossa atividade, além de tomar uma cervejinha gelada em longas conversas com as meninas, é fazer uma hidroginástica brigando com as águas do mar que vão rio adentro.

As novas amigas cariocas, Ana, Gracie e Lu, em Caraíva - BA

As novas amigas cariocas, Ana, Gracie e Lu, em Caraíva - BA


Observar a terra em movimento é uma atividade corriqueira neste pedacinho do paraíso. As ilhas já foram completamente inundadas e o cenário já é outro, o sol começa a se despedir e o então começa o ritual de ver o sol se pôr, às margens do rio lá atrás do manguezal. A mula atravessa o rio verde a nado enquanto nós vamos comer um pastel de queijo ou camarão no Bar do Pará.

Meio de transporte em Caraíva - BA

Meio de transporte em Caraíva - BA


Depois de um reconfortante banho, encontramos novamente nossas amigas para assistir de camarote o nascer da lua no mar. A lua amarela torna prata os verdes mares e cheia de si vence quaisquer nuvens para iluminar toda a vila de Caraíva. Rodamos a ilha e vamos para a beira da lagoa, provar mais um pouco da culinária local.

Fim de tarde em Caraíva - BA

Fim de tarde em Caraíva - BA


Um dia em Caraíva. Um dia para respirar, sentir e viver cada segundo intenso na relação com a natureza. Um lugar especial, que a comunidade luta para conservá-la com as mesmas características. Espero poder encontrá-la assim ainda por muito tempo.

Autofoto em Caraíva - BA

Autofoto em Caraíva - BA

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Chegamos à Colombia!

Colômbia, Ipiales, Equador, Mitad del Mundo

Chegando à fronteira entre Equador e Colômbia

Chegando à fronteira entre Equador e Colômbia


Nosso dia começou cedo, fechamos as coisas para logo colocar o pé na estrada. Caminho longo pela frente entre a cidade de Quito e a colombiana Popayán. Pelo menos esse era o nosso plano, até descobrirmos que o nosso celular tinha desaparecido!

Voltamos ao hotel, procuramos por tudo, no quarto, no carro e não encontramos. Ligamos e deu na caixa postal. A única possibilidade seria que ele estivesse lááá na cidade da Mitad del Mundo e que tivesse sido encontrado por uma boa alma que o tivesse devolvido. Todos aqui já nos preparavam... infelizmente a cultura do povo equatoriano não é esta, quando encontram algo pensam "opa que sorte!" e não que o dono pode estar desesperado atrás dela. Enfim, fomos lá e perdemos umas 2 horas procurando o maldito celular... em cada lugar que fomos, com a segurança, a administração, no Inti-Ran, e tudo. Enfim... perdemos o celular, a agenda e as fotos. Difícil não pensar que ele deve ter sido surrupiado, no hotel ou na mitad del mundo por descuido nosso... Sabe Deus!

Paisagem equatoriana chegando perto da fronteira com a Colômbia

Paisagem equatoriana chegando perto da fronteira com a Colômbia


Seguimos viagem totalmente de bode... mas o que não tem remédio, remediado está. Ficamos sem celular por uns 3 ou 4 meses e economizamos nas contas o que precisamos para comprar outro.

A viagem para a Colômbia sempre foi um marco importante na viagem para mim. Aquela história de que as FARCs sequestram turistas nas estradas para pedir resgate sempre ficava no meu imaginário. Recentemente soubemos que a estratégia deles mudou, eles sequestram os turistas, mas apenas por uns 2 ou 3 dias educativos, dão palestras sobre o que é a FARC e depois os liberam. Se for assim, na paz, até que é uma atividade cultural diferente, né?

Viagem entre o Equador e Colômbia

Viagem entre o Equador e Colômbia


Dirigimos todo o norte do Equador, dentre vales e montanhas verdes, região onde a população negra é maior e pode se notar da janela do carro. À direita passamos por um dos últimos nevados, o vulcão Cayambe, terceiro maior do país com 5790m. Se não tivéssemos passado os últimos 10 dias no litoral "desaclimatando", eu ia convencer o Rodrigo a ir comigo até o topo! O seu glacial começa aos 5.000m, a apenas 20 minutos do estacionamento. Mas como saímos tarde não podíamos fazer este detour hoje, precisávamos acelerar o passo para chegar à fronteira. Pudemos ver a montanha da estrada, linda e imponente!

Vista do belo vulcão Cayambe, na viagem entre o Equador e Colômbia

Vista do belo vulcão Cayambe, na viagem entre o Equador e Colômbia


Chegamos lá a tarde e pegamos uma fila considerável na imigração. Trâmites meio lentos com uma única fila para quem entra e quem sai do país. Feito isso seguimos para a aduana que foi super tranquila, fizeram a documentação da Fiona e nos liberaram para seguir viagem. Já eram quase 17h e não queríamos pegar estrada no escuro (vai que as FARCs estão lá! rs). Então acabamos ficando ali mesmo, a 5 minutos da fronteira, na cidade de Ipiales. Encontramos um hotel, comemos uma pizza e compramos uns minutos de ligação, um dos maiores negócios de rua da Colômbia, para bloquear o nosso celular no Brasil. Em todo canto tem alguém vendendo minutos de chamadas de celular, fixo, nacional ou internacional. Fazia tempo que eu não via algo assim!

Praça central de Ipiales, na Colômbia

Praça central de Ipiales, na Colômbia


Ipiales é conhecida por ser sede de um grande santuário, o Santuário de Las Lajas. A igreja parece uma mansão de filme do Conde Drácula, com acesso por uma estreita e longa ponte que cruza um vale profuuuundo. Infelizmente só fiquei sabendo da sua existência depois que fomos embora... queria matar o Rodrigo que me disse ter ligo algo sobre. Dá uma olhada nas fotos no google, o lugar parece sensacional! Mas esse, infelizmente, entrou para a lista dos lugares que não fomos.

Colômbia, Ipiales, Equador, Mitad del Mundo, Estrada, fronteira

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Carimbó

Brasil, Pará, Alter do Chão

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA


Música e dança típica do Pará, o Carimbó é um ritmo que originalmente mistura elementos da cultura indígena e negra. O nome deriva dos tambores utilizados para marcar o ritmo, curimbó, feitos de madeira de árvore.

Nos anos 60 e 70, pela influência do merengue e outros ritmos latinos, receberam notas de instrumentos elétricos (como a guitarra) e daí surgiu a lambada, que virou febre no final da década de 80. Não é facilmente encontrado no sul, mas só em SP já existem mais de 36 festivais de cultura nortista onde o Carimbó tem lugar de destaque.

Nós já estávamos atrás de uma apresentação há tempos, na Ilha do Marajó e em Algodoal, locais mais tradicionais do ritmo e onde deveria ser fácil encontrá-los. Porém em Algodoal só teriam apresentações no final de semana e em Marajó, pelo menos em Soure, nos disseram ser difícil encontrar nos dias de hoje, a cultura está se perdendo e sendo substituída pelo forró.

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA


Ontem ficamos sabendo que iria acontecer uma apresentação de Carimbó no Espaço Cultural Alter do Chão. O nosso plano inicial era ir dormir hoje em uma comunidade da FLONA, mas eu não perderia por nada este show! Uma banda tradicional formada por senhores e jovens de Santarém e Alter e infelizmente sem a presença do nosso novo amigo, Seu Carmargo, que estava tocando na festa de dia das mães. Muito atencioso ainda deu uma escapada de lá para me entregar os CDs de Sairé que havia me dito ontem, de sua banda Espanta Cão e do Boto Tucuxi.

Bar cheio de jovens, paraenses e outros adotados de todos os lados. Rio, São Paulo, Argentina, Itália, Pernambuco e onde mais imaginar, é um espaço super cosmopolita que reúne pessoas ligadas à cultura indígena e à cultura local. Eu fiquei observando a dança, tentando aprender de longe, quando arrisquei os primeiros passos, logo ganhei a companhia do Kleyton. Um manauara que adotou o Pará como casa. Ele viajou o Brasil inteiro, conhece o norte e o nordeste como ninguém, foi difícil acharmos um lugar que ele não tivesse ido, rsrs!

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA

Banda de Carimbó se apresentando em Alter do Chão - PA


Kleyton me tirou para dançar, me ensinou alguns passos e o princípio básico da dança. “Imagine que eu sou o boto e você é o peixe, e eu estou tentando te cercar e você está tentando fugir”, sempre girando em círculos e pisando à frente, ele vai conduzindo a dança sem precisar nem encostar na dama. É uma delícia! O passo à frente e o corpo mais curvado são referências da cultura indígena e as vestes tradicionais mais ligadas à cultura negra. Nas apresentações mais formais, as mulheres usam saias longas e colorida, blusa lisa e colar de contas. O homem com calça e blusas brancas e chapéu de palha.

Um ritmo contagiante e fácil de dançar, o Carimbó é diversão na certa! O cacique e sua esposa estavam lá, misturados aos jovens, crianças e gringos, todos totalmente entrosados. Ao mesmo tempo na cidade ainda estava acontecendo o baile do dia das mães e uma cerimônia de preparo do aiwaska, na comunidade do Santo Daime. Ficamos lá até as duas horas sem nem sentir o tempo passar... Como diz Dona Onete, o Carimbó arrepiou!

Brasil, Pará, Alter do Chão, Carimbó, Curimbó, Rio Amazonas, Rio Tapajós

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