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lalau (27/07)
MAURO JOSE DA SILVA (26/07)
OQUE FOI ANA QUE ACONTECEU COM RODRIGO, QUE NAO CONSEGUIU COLOCAR OS PAPO...
Pati Beche (23/07)
guria, muito louco isso! a gente tava no DPNY, niver de 15 anos de namoro...
Dani (23/07)
Ai, que tia corujona! Não é por nada, mas o blog dessa semana ficou MA...
Paulinha Ribas (22/07)
amigalhe, to vendo passagens! me chama no msn ou skype quando vc estiver ...
Estranhas plantas crescem a mais de 4 mil metros de altitude, na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
A Cordilheira dos Andes, cordilheira mais longa do mundo, não poderia deixar de fazer parte desta terra de tão diversas paisagens naturais. A coluna vertebral da América do Sul vem desde o sul da Argentina até as ilhas caribenhas e tem mais de 400km de extensão aqui na Venezuela. Tivemos a incrível experiência de sair do nível do mar, em Chichiriviche, e em menos de 7 horas, entrar em um mundo andino, de montes escarpados, vales verdes, num clima ameno e saudável das montanhas.
Fiona na rodovia transandina, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Na subida decidimos fazer uma parada estratégica na pequena vila de Timóteo, a 2.800m de altitude. Ficamos em um hotel simples mas bem charmosinho com aquele clima de cabines alpinas e aproveitamos um belo fim de tarde com os ares frescos deste vale. Foi ótimo para que o nosso corpo pudesse se acostumar com a altitude, ainda assim a mudança foi rápida e na primeira noite foi difícil dormir. Mente alerta pela menor oferta de oxigênio, ou seria pela ansiedade do que estava por vir?
Um belo fim de tarde em Timotes, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Na manhã seguinte subimos, subimos e subimos pelas curvas da sinuosa 1, a nossa velha conhecida estrada Panamericana. O destino que tínhamos em mente era Mérida, a maior cidade da região e que todos os turistas utilizam como base. Mas se você está com um carro alugado ou com o seu próprio carro como nós, este é o último lugar que precisará chegar. As maiores e melhores atrações dos Andes Venezuelanos estão antes de chegar à Mérida e nós fomos descobrindo tudo no caminho.
A rodovia transandina e a beleza do páramo, paisagem comum na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Pico El Águila (4.118m)
A estrada mais alta da Venezuela passa pelo Pico El Águila, que acima dos 4.000m tem paisagens maravilhosas para ambos os lados da cordilheira, montanhas nevadas e um dos biomas mais lindos da região andina, os páramos.
A igrejinha no topo do pico El Aguila, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Pico El Aguila, a mais de 4 mil metros, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Os páramos são a zona de transição entre a região onde imperam as florestas tropicais e as grandes altitudes, onde já existe neve. Os paramos são responsáveis por coletar a maior parte da umidade e água de chuva em seu terreno esponjoso e com sua flora formada principalmente por gramíneas, rosáceas e pequenos arbustos.
Um grilo sobrevive a 4 mil metros de altitude, na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Antes de chegar ao Pico El Águila está a Laguna Guacho, há apenas 15 minutos de caminhada da estrada principal, um detour rápido e prazeroso para ver e sentir de perto o ar fresco dos Andes.
Lagoa a 4 miil metros de altitude, na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
No pico vale uma parada para um chocolate quente, um sanduíche com embutidos feitos na charcuteria espanhola da cidade vizinha e um belo copo de morangos com creme! Em qualquer biboca eles vendem essa iguaria, morangos orgânicos, suculentos e saborosos com creme e calda de morango. Hummm!
Morango com creme, típico da região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Ali conhecemos Juan, um artesão colombiano que se enamorou das montanhas e das mulheres venezuelanas e aqui ficou. Ele trabalha vendendo seus artesanatos em uma lojinha no pico e mora em Mucuchíes, um povoado ao sul. Depois de uma apresentação de música em sua flauta de cano de pvc, demos uma carona para ele e paramos para conhecer o lindo e encarcerado Condor, a maior ave das Américas, negra e imponente com seu colar branco e que já está em extinção no país.
Um solitário, vistoso e encarcerado condor, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Este condor está em cativeiro e acabou de perder sua companheira, colocada ali para uma tentativa de procriação. O tiro saiu pela culatra, uma ave imensa e potente como esta só poderia mesmo morrer de tristeza dentro de uma gaiola.
Uum vistoso condor em sua "gaiola", na egião dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Caminhando por um belíssimo vale na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Dormimos nossa segunda noite na cidade de Apartaderos, a mais de 3.300m sobre o nível do mar. Lá conhecemos Dona Glória e sua famosa fábrica de Embutidos El Águila. Dona Glória é espanhola da Galícia e vive aqui na Venezuela há mais de 30 anos. Migrou de um negócio muito bem sucedido no mundo da moda para o mercado de carnes e embutidos, um sonho antigo do seu marido. Resgatando uma antiga tradição espanhola, eles seguem os padrões de qualidade e utilizam os ingredientes originais vindos diretamente da Espanha para preparar e curtir suas peças de Jamón Serrano, chorizo, copa e salame. Visitamos a fábrica, suas estufas de defumação e secagem e não pudemos deixar de nos deliciar nos produtos finais dessa arte gastronômica. Abusei tanto que acabei tendo a minha primeira gastrite um dia depois!
Visita a uma fábrica de embutidos na vila de Apartaderos, na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Dona Glória nos recebeu em sua casa, tomamos um chá e ela nos falou sobre a situação política atual, sua visão do que está acontecendo no país e nos deu uma aula de amor e esperança, de quem acredita, mesmo em meio à tantas adversidades, que a situação irá melhorar e logo a Venezuela entrará nos trilhos novamente.
A galega Dona Glória, a simpática proprietária da fábrica de embutidos em Apartaderos, vila na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
Nosso terceiro dia de explorações na região, de volta aos 4 mil metros foi no Parque Nacional Sierra Culata, uma das áreas mais lindas da região! A sinuosa estrada que cruza a Sierra Culata passa por uma zona de páramo com vistas para todas as montanhas nevadas dos arredores. Aproveitamos do macro ao micro, das grandes montanhas a perder de vista às pequenas plantas de flores amareladas, cavalos, vacas e cachorros ermitões que vivem nesse ambiente inóspito. Lindo!
O mais alto parque nacional da Venezuela, ma região dos Andes, perto de Mérida
O cavalo não parece se importar com a altitude e a baixa temperatura na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
As flores também estão adaptadas às altitudes de 4 mil metros, região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
No caminho à Mérida passamos pela cidade de Mucuchíes, destino alternativo dos venezuelanos que já conhecem essas paragens. A igrejinha de pedra é o seu cartão postal, ponto de foto obrigatório.
Capela de pedra em Mucuchies, na região dos Andes venezuelanos, perto de Mérida
A simpática Plaza Milla, na região central de Mérida, na Venezuela
Finalmente chegamos à Mérida, uma cidade fundada em 1558 entre trancos e barrancos pelo espanhol Juán Rodriguez Juárez. A pequena vila situada entre os rios Chama e Albarregas, hoje já se expandiu e se tornou o centro econômico da região.
Admirando o vale de um dos rios que contornam Mérida, na Venezuela
Depois de passarmos por tantos povoados com seu charme rural em meio às montanhas, Mérida perde um pouco a graça. Tiramos um dia para passear por suas principais praças e pontos turísticos, como a Plaza Bolívar, Plaza Milla, e a estátua mais antiga do herói Simón Bolívar que data de 1842, exposta no Parque de Las Cinco Repúblicas.
Um gigantesco pedestal para um pequeno busto de Bolívar, em Mérida, na Venezuela
O Teleférico de Mérida é uma das atrações mais conhecidas da cidade, porém estava fechado para reforma e só pudemos apreciar suas torres e cabos ao longe. A montanha mais alta do país, o Pico Bolívar (5.007m) está pertinho de Mérida e, ao lado do Pico Humboldt (4.942m), é uma ótima pedida para aqueles que querem se aventurar em um trekking de 2 ou 3 dias.
Um belo visual de Mérida, na Venezuela, e das montanhas que a cercam, as mais altas do país
A belíssima Laguna Macubaji, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Na pressa acabamos não nos aventurando em grandes trekkings pra o Pico Bolívar ou o Humboldt, mas a nossa despedida dos Andes Venezuelanos ainda incluíram uma visita ao Parque Nacional Sierra Nevada, que de nevado não tem nada a não ser sua história de glaciares e seus lindos lagos andinos que ficaram para contar a história. Eu estava totalmente indisposta do estômago, com uma ajudinha da altitude e acabei apreciando-os apenas do carro. O Rodrigo aproveitou para fazer um trekking rápido e foi até o fundo de um vale para ver algumas das suas várias cachoeiras.
Uma das cachoeiras de águas geladas do Parque Nacional Laguna Negra, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Foram 5 dias explorando os vilarejos e paisagens do páramos venezuelano, um choque de paisagens, sensações e sentidos para quem vinha de um cenário totalmente tropical e caliente como o Parque Nacional Morrocoy. Da praia para a montanha e da montanha para as planícies quentes e úmidas dos Llanos Venezuelanos, essa diversidade de paisagens faz da Venezula um dos mais atrativos destinos da América do Sul.
A bela paisagem do Parque Nacional Laguna Negra, perto de Apartaderos, na região de Mérida, nos Andes venezuelanos
Fantástico entardecer no Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
O Oregon, o Beaver State, possui uma das menores densidades demográficas dos estados americanos. Um povo progressista, à frente do seu tempo em temas ambientais, sociais, de sustentabilidade e ao mesmo tempo super relaxado, tranquilo. O estado foi contemplado com uma costa coberta pela floresta úmida, interior repleto de montanhas e uma extensão da North Cascades Range, uma natureza exuberante, com pouca divulgação turística.
Caminho coberto por folhas na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
A incrível beleza da floresta refletida em uma represa na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Sua principal cidade atrai mentes geniais e geniosas, artistas e alternativos, então se um dia você cair de paraquedas, vier a trabalho, estudo ou pegar uma conexão torta pela região, aqui vão algumas dicas do que você pode conhecer no Oregon.
O magnífico Diamond Lake, na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Riacho com pequenas cascatas no Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Existe um mundo maravilhoso a poucas horas de carro de Portland, florestas nacionais recortadas por estradas e trilhas cênicas, ao lado de rios, cachoeiras e águas termais. Porém você nunca irá encontrá-los se não se permitir explorar e sair um pouco das estradas convencionais. A Interstate 5 é a estrada que cruza o estado de norte a sul, interligando Washington à Califórnia. O nosso destino principal é o Crater Lake National Park, mas vamos escolher o caminho mais bonito, que nem sempre é o mais rápido.
A rota mais bonita entre Portland e o Crater Lake
Da I-5 pegue o desvio na altura da cidade de Cottage Grove, pela Row River Road. Você irá cruzar a pequena cidade e o lago de Dorena, a estrada ganhará outro nome Brice Creek Road ou NF-22, seguida pela NF 2213 e NF-38 (Steamboat Road). Nessa estrada você pode cruzar algumas atividades madeireiras, foi uma das rotas mais alternativas que encontramos nos lower 48. Estrada de terra entre a floresta de coníferas, veadinhos, buracos (sim! Existem estradas esburacadas nos Estados Unidos!), até chegar à OR 138.
Já quase no inverno, apenas os patos ainda tem coragem de continuar nadando nas limpas e gélidas águas do Diamond Lake, na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Nós começamos a viagem tarde e quando chegamos à esta estrada fomos direto para o Diamont Lake, região com camping, um resort e motel para passarmos a noite. Acordar ao lado desse lago com um dia maravilhoso como este foi uma grata surpresa, já que há dias estávamos enfrentando o mau tempo peculiar à região nessa época do ano. Dia ensolarado, perfeito para explorarmos a região.
Mt. Thielsen, um antigo vulcão erodido pelo tempo, na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
O magnífico Diamond Lake, na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
A Oregon Route 138, conhecida também como N. Umpqua Highway, é uma estrada cênica que cruza a Floresta Nacional de Umpqua, uma floresta belíssima, com cenários idílicos serpenteando o Rio Umpqua e suas árvores amareladas no outono. Ao longo da estrada inúmeras trilhas levam a diferentes cachoeiras, nós selecionamos algumas das mais bonitas com a ajuda e dicas dos locais:
Whitehorse Falls - milepost 65,9 - a pequena cachoeira em meio à floresta forma um spray mágico no ar, a luz do sol filtrada pelas gotículas de água forma um cenário ainda mais encantado. Ela está ao lado do estacionamento e uma área de camping e piquenique, super fácil acesso.
Whitehorse Falls, na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
O mata filtra os raios de sol na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Watson Falls – milepost 60,5 – uma trilha de um quilômetro nos leva até o mirante da cachoeira que é a quarta maior do Oregon, com 82m de altura. No fundo de um cânion a queda se forma em meio a um paredão rochoso em formato de ferradura. Belíssima!
Trilha na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
A mais alta cachoeira da região, a Watson Falls, na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Toketee Falls – milepost 58,6 – a trilha de apenas 700 m entre a floresta de folhas amareladas termina em uma plataforma de onde podemos observar ao longe a Toketee Falls. Um conjunto de 3 quedas com 36m de altura, que se despejam em um lago muito convidativo para um mergulho, não fosse a temperatura da água congelante e a ausência de uma trilha para chegar às margens dele. Curiosidade, Toketee é um nome Chinook, tribo indígena que habitava a região, e significa “cheia de graça”.
Toketee Falls, a mais bela cachoeira na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Warm Springs Falls - antes de seguirmos para o Crater Lake decidimos ainda fazer um pequeno detour para as hot springs, águas termais com acesso por uma trilha de apenas 500m, mas um tanto quanto íngreme. As águas termais surgem no topo da cachoeira em piscinas naturais e desce em níveis, formando pequenas piscinas com diferentes temperaturas. A vista para a floresta e o rio, em um cenário praticamente intocado pelo homem, não tem preço!
Banho em piscina natural de água quente em plena natureza da Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Ali é comum a prática do naturalismo, ou nudismo, casais, homens e mulheres vão se banhar sem roupa numa boa. Se isso te incomoda, o sinal já avisa, não vá até lá. O acesso é pela OR-138, pela Rd 2610, depois 600 e 680. Seguindo as placas não será difícil achar. Foi uma ótima parada para um relax antes de pegarmos a Oregon Route 230, que conecta a OR-138 ao Crater Lake National Park, uma estrada cênica com lindas vistas.
Banho em piscina natural de água quente em plena natureza da Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Aviso para quem pretende ir ás hot springs na Umpqua National Forest, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Aceleramos o passo para o Crater Lake, a esta altura já sabíamos que a Crater Rim Road estava fechada pela neve. Não nos restava muita opção a não ser dar a volta pela OR-230 e acessar o parque pela entrada sul. Subimos a mais de 2.000m de altitude já sem muitas esperanças, a floresta estava tomada pela neblina e o sol parecia já estar nas últimas. Quando chegamos lá em cima, porém, atravessamos as nuvens e chegamos a um dos lugares mais fantásticos da viagem! O lago mais profundo dos Estados Unidos e o segundo mais profundo da América do Norte.
Admirando a beleza perfeita do Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
O lago foi formado na explosão do Mount Mazama, um mega vulcão que entrou em erupção em torno de 7.700 anos atrás. Calcula-se que a sua explosão foi pelo menos 20 vezes maior que a do seu vizinho do norte, Mount St Helens e a imensa caldeira foi exposta formando o Crater Lake.
Fantástico entardecer no Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
O lago possui 655m de profundidade e a água mais pura e cristalina, que reflete um azul intenso e espelhava o céu de final de tarde. O alaranjado, rosa, lilás, roxo e azul mesclados às poucas nuvens brancas no céu enganavam os nossos olhos e mente, em um espelho perfeito formado na profunda cratera vulcânica. Emudecidos, e sem acreditar que isso ainda seria possível, tivemos o final de tarde mais espetacular dos 1000dias. Já vimos o sol se pôr no Pacífico, no Atlântico, sob os Andes e as montanhas da Groelândia, mas este final de tarde superou todas as nossas expectativas! Lindo! Mágico!
Um fim de tarde com luzes e cores incríveis no Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Um fim de tarde com luzes e cores incríveis no Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
O maravilhoso Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
A região recebe uma imensa quantidade de neve nesta época do ano e fecha para o inverno. Porém durante o verão a estrada que dá a volta no lago está aberta e pode ser percorrida, com trilhas e mirantes para o lago.
Crater Lake, o resultado de uma gigantesca explosão vulcânica sete mil anos atrás, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Mágico fim de tarde no Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Dois dias de estradas, cascatas, rios, águas termais, montanhas e lagos e uma das naturezas menos civilizadas dos Estados Unidos. Um tour maravilhoso pelas estradas do Oregon que vale cada quilômetro dirigido, cada minuto dispensado. Mas se você ainda tem mais alguns dias e quer explorar um pouco mais deste estado, a cidade mais Shakespeareana dos Estados Unidos e uma das mais lindas cavernas da costa oeste, aguarde e leia o próximo post.
Fim de tarde a mais de 2 mil metros de altitude, o céu fica colorido em Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Cachoeira do Capivari, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi criado em 1961 e possui 65.514 hectares. As cidades base para conhecer a região da são as cidades de Cavalcante, ao norte, Alto Paraíso e São Jorge, esta última mais próxima da portaria do parque.
Vista de Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros - GO
Uma coisa que logo descobrimos por aqui é que as principais atrações da não estão dentro do parque e sim nos seus arredores. É meio complicado de entender, como lugares tão maravilhosos podem ser vizinhos de um Parque Nacional e não pertencerem a ele? Uma situação complicada, parque antigo e formado para preservar principalmente o entorno do Rio Preto, principal rio do parque nacional, que era explorado por garimpeiros.
Trilha para a Cachoeira Sta Bárbara, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Hoje as regras do parque são uns dos maiores entraves para o desenvolvimento turístico. Este Parque Nacional possui algumas regras diferentes dos demais e por motivos que ainda desconhecemos o ICM Bio acaba dificultando o acesso às suas atrações. A única portaria existente fica na cidade de São Jorge e há anos está planejada uma portaria para a cidade de Cavalcante, que ainda não foi aberta. A nossa primeira ideia era fazer uma travessia do parque entre Cavalcante e São Jorge, mas quando chegamos aqui nos deparamos com todas as restrições burocráticas. O parque exige o acompanhamento de guias, entrar no parque por trilhas “alternativas” pode nos custar multas de R$ 900,00 por pessoa e o guia ainda teria sua carteirinha de guia suspensa por 6 meses. Deste modo as trilhas não possuem manutenção e qualquer tentativa fica realmente travada.
Cachoeira Ave Maria, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Sendo assim tivemos que procurar uma nova programação. O Marcelo, dono da Pousada Sol da Chapada, onde estamos hospedados, nos ajudou a montar um roteiro com as principais atrações do entorno.
Cachoeira no Canyon do Capivari, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Hoje fomos conhecer a Cachoeira Santa Bárbara. Dentro do território Kalunga, na Comunidade do Engenho. Águas límpidas, transparentes, que dependendo da incidência da luz ficam azulzinhas. Caminhada fácil de uns 20 minutos e chegamos às águas já mais frias das que andávamos acostumados.
A bela Cachoeira Santa Bárbara, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Depois seguimos para a Cachoeira da Capivara, aonde acontece o encontro das águas dos rios Capivari e Tiririca. Este encontro forma uma linda cachoeira e abaixo dela o cânion do rio Capivara, entre paredões de pedra estreitos, com uma paisagem fantástica.
Canyon do Capivari, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Após estas trilhas e banhos revigorantes voltamos ao Engenho para um almoço delicioso no restaurante de Januária. A Comunidade Kalunga é formada por negros, descendentes de antigos escravos que foram trazidos para a região para o garimpo e fundições que cunhavam moedas no tempo do Brasil Colônia. Reza a lenda que algumas destas comunidades mais distantes foram formadas por escravos fugidos, que se isolaram completamente do mundo a ponto de temer o cadastramento do Programa Luz para Todos, achando que teria ainda alguma ligação com a escravidão.
Com a Januária, na Comunidade do Engenho, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
O Engenho é uma comunidade mais próxima da cidade, apenas 30km, portanto o que encontramos ali é uma vila de kalungas já bem modernos, vivendo em seus sítios e casas de adobe ou até alvenaria, luz, eletrodomésticos e tudo. “Hoje todos querem ser kalungas”, nos disse nosso guia, pois são a menina dos olhos do governo. Além da demarcação do território, existem diversos programas para a manutenção de seus costumes, além de auxílios para estudo e etc. Vários descendentes tinham vergonha de assumir sua origem e este orgulho está sendo resgatado. Ao mesmo tempo, pessoas que nunca viveram dentro da comunidade e já nem tem raízes, querem encontrar um bisavô, tataravô kalunga para receber o auxílio do governo.
Comunidade do Engenho, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Ainda assim quem gosta de explorar e conhecer comunidades mais isoladas, pode ir até o Vão do Moleque ou até o Vão de Almas e irá encontrar kalungas que mantém seu estilo de vida e até desconfiam do turismo, pois querem só continuar levando a sua vidinha tranquila. O turismo comunitário é sempre uma situação delicada, ainda mais em lugares que não estão acostumados e/ou preparados para receber o turista. Não pela infra-estrutura, mas principalmente pela invasão de novos costumes, que podem alterar o modo de vida da comunidade.
Almoço na comunidade do Engenho, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
A Chapada dos Veadeiros é um território imenso, suas belezas naturais e culturais merecem atenção, não apenas do governo, como de nós turistas. Muitos destes lugares só serão preservados de tiverem a atenção do eco-turista, que ajudará a trazer renda para territórios antes queimados e transformados em pasto. Cavalcante está trabalhando para isso, já possui infra-estrutura e atrações lindíssimas que estão apenas começando a ser exploradas. Nós estamos fazendo a nossa parte, mas eles ainda estão esperando por você.
Explorando o Canyon do Capivari com o nosso guia, o Pedrão, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Playa Frontón, o melhor segredo da península de Samaná, litoral norte da República Dominicana
Para quem nunca ouviu falar da República Dominicana, este é um país localizado na ilha de Hispaniola no Caribe, mais conhecida como o lugar onde fica a praia e os Resorts All Inclusive de Punta Cana. Sim, Punta Cana não está em uma ilha perdida no meio do Caribe, ela faz parte de um dos maiores países caribenhos com uma história e cultura riquíssimas, montanhas, cavernas secas e inundadas e inclusive praias ainda mais bonitas do que aquela dos resorts.
Vista do alto do Pico Duarte, na República Dominicana
A ilha de Hispaniola é uma das duas ilhas do Caribe dividida por dois diferentes países: a República Dominicana e o Haiti. Nós programamos 20 dias na ilha e dividimos nosso tempo entre ambos, mas 20 dias foram poucos para ver tudo! Confesso a vocês que na nossa correria habitual não tivemos tempo de preparar este roteiro, chegamos lá com uma ideia do que gostaríamos de conhecer, mas foi assuntando com os locais que fechamos os detalhes e o roteiro final.
Roteiro na Rep. Dominicana e Haiti, clique para ver o mapa ampliado
Nosso roteiro começou pela capital Santo Domingo, a primeira cidade das Américas ainda existente. Não sei se vocês lembram ou sabem disso, mas, depois de gritar “Terra à vista!”, foi nesta ilha que os espanhóis desembarcaram pela primeira vez no continente americano. A cidade tem edifícios coloniais belíssimos na charmosa Zona Colonial, dentre os vários “primeiros” do país estão a primeira casa onde viveu Cristóvão Colombo nas Américas e a primeira Catedral do continente.
As pombas não parecem se importar muito com o imponente Colombo, na Zona Colonial de Santo Domingo, capital da República Dominicana
A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana
Santo Domingo é o hub para todo o transporte rodoviário da ilha, daqui saem os ônibus para Punta Cana, Santiago, segunda maior cidade do país, e ao Haiti. Nossa curiosidade e ansiedade de chegar neste país não nos deixou esperar nem mais um dia! Após explorações e um mergulho nos arredores de Santo Domingo, nos mandamos para a controversa capital haitiana, a cidade de Port-au-Prince. “O que vocês vão fazer lá?”, escutávamos de todos os lados. “É perigoso, é feio, não tem nada para fazer e ver no Haiti!” e nós apenas respondíamos, ok, queremos ver isso com os nossos olhos. Programamos 7 noites e 8 dias no Haiti e, mesmo sem falar creole e nem francês, se pudesse mudaria tudo para ficar mais tempo no país. Não se preocupe, detalharei tudo nos próximos posts!
Detalhes de haitianos no mercado de Cabaret, antiga Duvalierville, ao norte de Port-au-Prince, no Haiti
Voltando à República Dominicana, entramos pelo norte do país, utilizando a simpática cidade de montanha de Jarabacoa como base. Dela partimos para um trekking de 2 dias até o cume do Pico Duarte (3.086m), ponto mais alto do Caribe. Além da montanha a região possui lindas cachoeiras, raftings, parapente e uma infinidade de atividades em meio à natureza. Lá mesmo alugamos um carro e rumamos ao norte para conhecer as mais lindas praias do país.
Mulas descansam na área do refúgio do Pico Duarte, na República Dominicana
Exploramos a costa de carro em um dia, apressadíssimos para chegar no que seria a cereja do bolo, a Península de Samaná. Foram dois dias e duas noites que desbancaram qualquer mordomia que um hotel all inclusive possa dar até ao mais preguiçoso dos turistas. Na boa, quem veio à Punta Cana e não dirigiu mais 3 horinhas para chegar até aqui não sabe o que perdeu.
As incríveis cores da Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana
Voltamos a Jarabacoa e Santo Domingo, de onde pegamos um ônibus para conhecer, afinal, a tão afamada Punta Cana. Tínhamos que ir até lá conferir, mesmo sabendo que não era muito a nossa praia. Não pagamos a tarifa mais barata que achamos e mesmo assim caímos em um dos dos hotéis mais pops, o Bávaro Dominican Beach. Pense em alguém que queria morrer... EU! Sinceramente, eu não nasci para isso não... se é para ficar preso em um hotel all inclusive, que seja um 5 estrelas, bem chique! Não pode bancar um 5 estrelas, como nós? Então invista direito estes dólares e encontre melhores restaurantes, praias e paisagens mais paradisíacas, entre em contato com a cultura local e seja feliz sem regras estúpidas, bebidas talibãs e buffets pasteurizados.
Chegando ao litoral na costa norte da República Dominicana
Depois deste breve “rolé” pela ilha de Hispaniola fechamos, nos 1000dias, todos os países do Caribe. Estas Ilhas-países são um pedacinho da África no continente americano, com o seu melhor e o seu pior. Pobreza, corrupção, distorções e contrastes sociais, que nos deixam tão embasbacados quanto a criatividade e a alegria do seu povo, a qualidade da sua música, seus vulcões, mergulhos e a beleza de suas praias. Caribe, agora que já te conheço só posso dizer que quero voltar e será logo!
A grandiosa paisagem que se vê do alto da Citadelle, no norte do Haiti
Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
O Badlands National Park é uma das áreas de pradarias mais preservadas dos Estados Unidos. São 244 mil acres de parque nacional, sendo 64 mil destes considerados “National Wilderness Area”, totalmente intocadas. A história geológica destas terras data de mais de 65 milhões de anos, vendo passar por suas pradarias e montanhas animais da megafauna como entelodontes e oreodontes. Caçadores nômades pré-históricos caçavam bisões e mamutes e deixaram para trás pegadas que nos contam sua história e modo de vida.
Voltando ao Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
As maravilhosas paisagens do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Badlands, ou “terras ruins” na tradução livre, vem da expressão Oglala “Mako Sica”. Os colonizadores concordaram com eles e mantiveram o nome das terras ruins, já que buscavam áreas propícias para plantio e criação de gado. Um terreno assim, tão acidentado só poderia ser terrível, não é mesmo? Para sorte de todos nós eles não insistiram e deixaram essa terra de lado, mantendo uma área de extrema beleza natural totalmente preservada, um dos últimos refúgios para vida selvagem neste canto das Great Plains.
Coelho nos observa no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
No parque conseguimos encontrar Mountain Goats, Big Horn Sheeps, Veados, Coyotes e até animais maiores como o American Buffalo, também conhecido como Bison. Estas terras continuam sendo a casa de nações indígenas das tribos da Grande Nação Sioux e a porção sul do parque é administrada pela tribo Oglala-Lakota.
Espécie de cabra montanhesa comum no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Vindos do leste pela estrada Interestadual 90 (I-90), pegamos a Badlands Loop Road (Highway 240) pela entrada nordeste e a primeira parada é no Big Badlands Overlook. Um cenário seco formado por pelo menos 6 camadas diferentes de rochas em diferentes tonalidades de amarelo, terracota, cinza e quase branco.
Solo colorido no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Paisagem do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Cada uma dessas camadas foi depositada em intervalos de milhões de anos que também ajudam os geólogos e palenteólogos a remontar a história desta região. A água, os movimentos das camadas tectônicas e o vento ajudaram a dar forma e a esculpir cânions, montanhas, vales e chapadas que juntos formam uma paisagem incrível! Já vimos formações parecidas no Vale da Morte, do Atacama (Chile) e no Death Valley, Califórnia (EUA), mas cada uma possui características que as tornam únicas e obrigatórias para os amantes da natureza.
Cabra montanhesa descansa em platô no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Pequeno veado no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Adiante vale uma parada rápida para caminhar entre as montanhas e formações nas trilhas Door e Window e se estiver com pique vale também cruzar a Notch Trail (2,4km), caminhando por um cânion até o mirante para uma vista sensacional do White River Valley.
Terreno desértico do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Seguindo a estrada encontramos o Visitor Center, que reúne muitas informações interessantes sobre o parque no pequeno museu. A cada mirante, placa informativa e paisagem grandiosa vamos entrando na história do parque e captando a energia do Badlands.
As pradarias do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
O final de tarde é especial, não apenas para boas fotos, como também para ver os animais selvagens. A cada 10 minutos encontrávamos ou um Big Horn Sheep, ou veadinhos, coelhos e mountain goats. O coiote é mais difícil de ver, ele se mescla bem nas pradarias e é muito rápido, mas até ele tivemos a sorte de encontrar!
Coiote circula no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Magnífico fim de tarde no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Estávamos ansiosos pelo encontro com um bisão. Conversamos com o cara do motel na cidadezinha de Wall e ele nos disse que era difícil ver algum, ele mesmo só havia visto de longe. Sem perder as esperanças voltamos ao parque no dia seguinte, antes do sol quente do meio-dia e pegamos a Sage Creek Road.
Bisão solitário no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Esta continuação da Badlands Loop Road é área onde geralmente os bisões são vistos. No caminho passamos pela Praire Dog Town, uma área plana, quase sem vegetação e totalmente esburacada por esse roedor chamado de “dog praire”. O “tic, tic” vira a trilha sonora da pradaria, enquanto nos divertimos vendo os bichinhos comendo e correndo assustados para suas casinhas.
Praire Dog no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Praire Dog no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Eis que de longe vimos alguns carros parados e uma manada de bisões perto da estrada. Detalhe: eles estavam cercados! Pois é, ainda existem alguns proprietários de terras que chegaram à região antes da área se tornar parque e adivinhem? Eles criam búfalos! Animais imensos, com comportamento tão pacato quanto o de um boi ou uma vaca, mas tão selvagens que chegam a ser imprevisíveis. Se encanam com você, sai da frente!
Encontro com bisões no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Encontro com bisões no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Eles parecem usar um casaco de pele sobre os ombros, tamanho o frio que enfrentam nos meses mais gelados. Bem, vimos, mas não estávamos muito contentes de tê-los visto assim, atrás das grades. Seguimos viagem e 10 km à frente cruzamos dois bisões selvagens, soltos próximos da estrada! Lindo, forte e imponente o maior deles posou para nossa foto por um bom tempo, parecendo pouco se importar com a nossa presença. Quando o Rodrigo tentou se aproximar, ele se afastou como quem diz, “fica na sua, que eu fico na minha!”
Tentando socializar com um bisão no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Missão cumprida aqui no Badlands, mais um parque nacional obrigatório para os viajantes intrépidos e amantes da natureza. Agora seguimos para as Black Hills para conhecer um dos principais cartões postais dos Estados Unidos!
Um enorme bisão no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Mirante no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos
Pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)
O oásis de San Ignacio, porta de entrada sul do Deserto de Vizcaíno, é uma ilha verde de alegria e bonança. Porém os que estão ali não querem ver palmeirinhas, água e uma missão jesuíta. A maioria está em busca de aventuras mais áridas, dias quentes, noites frias e uma boa aula de história de quem foi, afinal, o antigo povo califórnio.
O mágnifico cenário da Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)
San Ignacio é uma ótima base para explorar a região. O centro da cidade está em torno da Misión de San Ignacio de Kadakaamán, estabelecida pelos jesuítas e construída por dominicanos em 1786.
A missão de San Ignacio, na Baja California - México
Um passeio pela praça e temos uma rápida visão da cidade e do tipo de turismo que acontece por aqui. Tours para avistamento de baleias, trekkings e cavalgadas para as grutas próximas são os principais atrativos. O pequeno museu ao lado da igreja dá uma introdução bacana sobre os estudos já realizados nas grutas e cavernas desta área. Hoje qualquer tour mais longo estaria descartado. Com a ajuda do INA – Institudo Nacional de Antropologia - e usando o melhor celular do campo (o bom e velho rádio!), deixamos contratado um guia para nos levar à Cueva del Palmerito na Sierra de Santa Martha.
Atravessando o deserto na estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio, na Baja California - México
Foi pouco mais de uma hora de San Ignacio ao pequeno povoado de Santa Marta. Dirigimos deserto adentro, passando por paisagens espetaculares, o Volcán de las Tres Vírgenes de um lado e um imenso deserto de cactos do outro.
Chegando à Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)
No rancho, finalmente conhecemos a personagem que iria nos acompanhar pelas próximas horas, nosso guia Nacho. Don Nacho deve ter em torno de 65 anos, ele não lembra bem... já foi casado e enviuvou, sua esposa era fraca do coração. A segunda esposa (na verdade ele está apenas juntado) foi raptada da casa dos pais do outro lado da serra, já que o sogro disse à Nacho que o casamento a ele não interessava. Ela fugiu no lombo de uma mula com o amor da sua vida. Tiveram três filhos, além dos 3 que ele já tinha do primeiro casamento. Nacho diz que a juventude de hoje casa muito cedo, com 16 anos já casam e o problema é que do mesmo jeito que casam, separam: “muy rápido”.
O Nacho, noso simpático guia na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)
Ele viveu a vida toda aqui, já viajou até San Diego, Los Angeles e San Francisco - USA, uns amigos deles o convidaram e ele foi lá ver como é que era. Na mesma simplicidade que ele nos conta isso, ele nos confirma, adora viver aqui no Deserto de Vizcaíno. Foi aqui que ele nasceu, assim como seus pais e seus avós e foi aqui que se criou, brincando e trabalhando com a terra. Aqui ele não precisa pagar imposto, água (até por que quase não tem!) e nem luz, que é gerada por um painel solar instalado pelo governo.
Flor de cactus na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)
Ele nos levou rumo à Sierra Santa Martha em uma hora de caminhada, matuto e pensativo. Eu não aguentava e o provocava o tempo todo, queria aspirar um pouco de sua sabedoria do deserto. Que plantas se pode comer? Quais tem mais água e qual é remédio? Ele lembra que quando era criança chovia muito mais por aqui. Agora tem 2 anos que não chove, o deserto não era assim tão seco. “E sobre esses homens que pintavam nas cavernas, o que o senhor sabe?” Ele não sabia muito não, mas diz a lenda que esses índios eram gigantes!
Observando as pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)
Chegamos à Cueva El Palmerito e logo entendemos o porquê dessa lenda. As pinturas rupestres encontradas aqui nos arredores de Vizcaíno são únicas no mundo! Homens e mulheres pintados estão um pouco maiores do que o tamanho natural! Assim como os veados, borregos, tartarugas e onças. Milhares de pinturas de indígenas usando calças e longas camisas coloridas em vermelho, negro, amarelo e branco.
As incríveis pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)
As pinturas mais antigas são datadas de 9.000 anos (ou 7.000 a.C.) e requeriam diversos tipos de mão de obra. A confecção das tintas provenientes de diferentes plantas, ferramentas e andaimes, já que os pesquisadores não acreditam (?!?!) que eles eram mesmo gigantes. Antropólogos acreditam que as pinturas murais eram feitas em momentos de encontros de tribos. Estes ameríndios eram nômades e este seria um momento especial de reunião de indígenas da mesma etnia. As pinturas dão asas à imaginação, ficamos meia hora deitados no chão de onde tínhamos a melhor vista, tentando imaginar e entender o que eles queriam dizer.
As impressionantes pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)
Quase todos estão com as mãos ao alto, dizem que seria a posição que eles ficavam ao redor da fogueira. Alguns homens parecem mais fortes, guerreiros, as mulheres são representadas com os seios laterais, “saindo” das axilas e os chefes da tribo com seus adornos e mantos especiais. Uma imagem que nos chama atenção foi a de um homem (ou mulher?) que estaria usando um capuz, deixando o rosto escuro e o corpo todo coberto. Seria este o próprio xamã? Feiticeiro? Pajé?
Feiticero retratado em pintura rupestre na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)
A cena mais famosa deste painel é a briga dos dois veados, grandes e imponentes. O puma perto deles fica parecendo mais um gatinho. Tempos muito longínquos, que nem em uma viagem de chá de cactos nós conseguiríamos realizar como seria seu cotidiano e quais seriam os seus pensamentos sobre o futuro nesta terra. Será que conseguiriam eles imaginar um dia o mundo de hoje?
Ave de rapina voa nos ares de San Ignacio, na Baja California - México
Voltamos caminhando com os nossos pensamentos e ao som de uma moda mexicana cantada pelo Don Nacho, com profundo gosto e alegria. Chegamos a tempo de pegar um final da tarde no platô de San Ignacio, com uma linda vista do oásis verde no deserto. Um dia quem sabe conseguiremos viajar no tempo e bater um papo com esses caras, eles deviam ser no mínimo, bem interessantes.
O oásis na região de San Ignacio, na Baja California - México
Encostas da praia da Ferradurinha, em Búzios - RJ
Noite de muito trabalho, manhã de muito sono, até por que com previsão de chuva nós nos damos este direito. Quase 10h da manhã levantamos atrasados para o café e o que encontramos olhando pela janela do quarto??? SOL! Céu azul e muito sol! Inacreditável. “Vamos nos agilizar para aproveitarmos o pouco de sol que teremos hoje na praia”, logo pensamos. O nosso roteiro de hoje incluía várias outras praias mais distantes da península, por isso resolvemos levar a Fiona passear. Praia da Ferradura, Ferradurinha, Geribá e Praia da Tartaruga.
Praias do Forno e da Foca, em Búzios - RJ
Iniciamos o nosso roteiro pelos mirantes de Búzios, onde pudemos enxergar melhor a nossa façanha de ontem. Foi realmente uma boa caminhada que demos, sem nem notar. No caminho para a Praia da Ferradura fomos explorando novas vizinhanças com casas magníficas e chegamos à Lagoinha, uma área de pedras onde a maré cheia forma uma bela piscina natural. A placa no local nos esclarece que a lagoa é ponto de interesse geológico, pois ali foi possível medir a idade das pedras que a formam, que remontam à época em que Búzios era colada à África, no antigo continente chamado Godwana.
Dia de sol em em Búzios - RJ. Praia Brava ao fundo
Ponta da Lagoinha, em Búzios - RJ
Vista linda, céu claro, vamos em frente, pois a praia nos espera! Chegamos à Praia da Ferradura, uma baía tão fechada que parece até uma lagoa de água salgada. Dali, seguimos para Ferradurinha, praia que já foi eleita pelo Guia 4 Rodas a segunda mais bonita do Brasil. Não duvido, é belíssima, mas uma pena que pequenas enseadas acabam sendo alvo fácil do lixo despejado no mar. Caminhamos pelas pedras e decidi pular ali mesmo e ir nadando até a praia.
Voltando a nado para a praia da Ferradurinha, em Búzios - RJ
Durante a natação, quase me engalfinhei num plástico, se engolisse água engoliria partículas plásticas... as mesmas, Pedro, que comentamos outro dia durante o jantar. O plástico que está nos mares vai se decompondo, porém como não é biodegradável, ele se decompõe sendo reduzido a partículas, micro-partículas, que são engolidas pelos peixes e consequentemente por nós, que comemos os peixes. Quando será que o povo vai entender a necessidade da mudança dos hábitos? A necessidade da reciclagem do lixo? Teremos peixes e seres mutantes antes mesmo desta mudança ocorrer.
Praia da Ferradurinha, em Búzios - RJ, depois de um banho de mar
Depois de curtir algumas horinhas ali na Ferradurinha fomos conhecer a praia de Geribá, praiona com ondas, linda!
Caminhando na praia de Geribá, em Búzios - RJ
Só fiquei meio triste, pois vimos ali 2 pinguins nas últimas e um já morto. Infelizmente estes pingüins se perderam da corrente fria que estava levando o bando todo para o sul. Quando ele se perde, acaba se aproximando do continente em busca de alimento e as águas quentes começam a enfraquecê-lo. Foi o que explicou para nós um pescador. Quando o pingüim ainda está forte, os pescadores resgatam, avisam o Ibama que os leva até o alto mar. Quando já o encontram fraco nem adianta resgatá-lo, pois ele não vai agüentar, o coitado vai ficar ali até a morte.
Pinguim perdido, na praia de Geribá, em Búzios - RJ
Bem, voltando para o que é bom. Saímos de Geribá e fomos conhecer a nossa última praia aqui em Búzios, a Praia da Tartaruga. Uma enseada cheia de pescadores, principalmente os mergulhões que deram um show de pesca no cardume que estava sendo cercado pelos pescadores.
Barcos de pesca no fim de tarde na praia da Tartaruga, em Búzios - RJ
Um pôr-do-sol maravilhoso, aquela brisa gostosa de fim de tarde, rendeu até uma soneca no colo do Rodrigo. Para fechar o dia nesta terra tomada por argentinos, uma legítima pizza italiana. Espero que o sol continue nos acompanhando nestas praias da vida.
Mar e céu azuis, na Ponta da Lagoinha, em Búzios - RJ
Muita arte nas ruas de Valparaiso, no Chile
Valparaíso é a cidade boêmia, adorada por artistas e poetas talvez, justamente, pela idiossincrasia de sua arquitetura, sua beleza e sua arte. O ar decadente de zona portuária somado ao encanto dos seus 42 cerros, suas ladeiras e vistas panorâmicas faz dela uma cidade cheia de personalidade. Muros pintados de todas as cores, com todos os estilos de street art contrastando com os bondes antigos que ainda circulam levando e trazendo cidadãos e turistas entre as vielas e prédios antigos do centro.
Os antigos trólebus ainda andam nas ruas de Valparaiso, no Chile
Desde 1990 a cidade é a sede do Congresso Nacional Chileno. Sua história sempre esteve relacionada ao mar, sendo um importante porto de passagem dos navios que se aventuravam à Costa Pacífica dando a volta no sul do continente a caminho do Perú, nos tempos da Colônia Espanhola, e mais tarde como parada e abastecimento para os que seguiam à costa californiana durante a corrida do ouro. No início do século XX dois acontecimentos balançaram a economia da cidade, o primeiro literalmente, um terremoto que acabou com Valparaíso. O segundo a inauguração do Canal do Panamá. Assim Valpo seguiu aos trancos e barrancos, como importante capital política, crescendo recentemente como porto de exportação de frutas.
Valparaiso, no Chile, vista do alto do cerro Artilleria
Nós chegamos à Valparaíso em um domingo à noite e esperando que os bares e a boemia estariam a todo vapor nos cerros subimos o Cerro Artilleria atrás das charmosas guest houses que encontramos em nosso guia. Foi uma forma curiosa de conhecer a cidade: noite escura, becos e ruas vazias, rodando e buscando nas paredes dos edifícios caindo aos pedaços e casas antigas a numeração dos hostels indicados. Na maioria deles, nem luz, nem campainha atendiam e dados os últimos acontecimentos, era essencial um lugar com estacionamento.
Um dos muitos cerros de Valparaiso, no Chile
Mesmo sendo tarde e cansados não nos demos por vencidos, o agito deve estar no Cerro Alegre, pensei, lá é o lugar boêmio da cidade. Subimos então o Cerro Alegre e nada, ninguém, uma cidade fantasma e abandonada. O único hostel que achamos aberto não tinha garagem e estacionamento próximo, além de um preço nada amigável, foi aí que decidimos nos entregar ao bom e velho Ibis, que aqui na verdade era novinho e muito bem localizado. Nada melhor do que chegar em casa, cama confortável, banho quentinho e decoração idêntica, aqui ou em Maringá e o melhor de tudo, com estacionamento seguro para a Fiona.
São vários cerros na cidade de Valparaiso, no Chile
A nossa primeira impressão da cidade poderia ter sido das piores, mas ao revés, os ares misteriosos dos cerros e a quietude da cidade nos surpreendeu de tal forma que não víamos a hora de sair para explorá-la. Saímos sem expectativas, sem planos e sem guias, nos deixando levar pelas aparências, curiosidades e cores que víamos em cada esquina. Começamos pela Plaza Sotomayor, praça central da parte baixa da cidade rodeada por antigos prédios imponentes.
Plaza Sotomayor, no centro de Valparaiso, no Chile
Demos um pulo no Muelle Prat onde barcos saíam lotados de turistas para passeios pelo porto prometendo belas vistas de Valparaíso desde o mar. Andamos, subimos o Cerro Concepción, nos enfiamos em um beco com escadarias e caímos dentro do Paseo Iugoslavo, já no Cerro Alegre, onde está o Palácio Baburizza, que com sua arquitetura art nouveau, abriga o Museu de Belas Artes. Segunda feira e, é claro, o museu estava fechado.
Subindo escadaria para um dos cerros de Valparaiso, no Chile
Muita arte nas ruas de Valparaiso, no Chile
Continuamos nos perdendo pelas ruas entre o Cerro Alegre e o Concepción, que durante o dia parecem muito mais receptivas e amigáveis, com belas vistas para o mar afunilando em suas ladeiras. Convites para conhecer La Sebastiana, uma das casas onde viveu Pablo Neruda, não faltavam espalhados por pinturas nos postes do cerro. Ela fica no cerro vizinho o Bellavista, mas não quis ter que lidar com a frustração de chegar lá e dar de cara com a porta, no dia internacional dos museus fechados.
O nome do grande poeta Neruda está por toda parte em Valparaiso, no Chile
No meio da tarde relaxamos e almoçamos em um restaurante no alto do Paseo Iugoslavo com belas vistas para os cerros, o porto e a cidade baixa. Mal sabíamos que estávamos escolhendo um dos preferidos da área, o Norma´s, também pudera, seu charmoso deck de madeira e as amplas vistas não poderiam ser mais convidativas.
Restaurante com uma bela vista de Valparaiso, no Chile
Queijo camembert derretido co geleia de framboesa, em Valparaiso, no Chile
Descemos o cerro novamente nos perdendo entre suas galerias de escadas, de arte e de fotografia. Os antigos elevadores (funiculares) que nos desculpem, mas não troco andar por estas ruas por uma carona corta-caminhos. Resolvemos sair correndo para o Cerro Artillería, estrategicamente localizado para a proteção da cidade e para um belíssimo pôr do sol no Paseo 21 de Mayo.
Um dos muitos funiculares que dão acesso aos cerros de Valparaiso, no Chile
Cruzamos a zona comercial próxima ao porto e subimos a mesma ladeira que nos levou ao topo na noite de ontem. Com pressa para não perder o pôr-do-sol um funicular até que ia bem, mas este fechava às 18h e tivemos que ir a pé mesmo. Do alto uma das vistas mais lindas de Valparaíso e sua vizinha mais jovem e moderna, Viña del Mar.
Valparaiso, no Chile, vista do alto do cerro Artilleria
Viña del Mar é o balneário preferido dos santiaguinos mais descolados. A Cidade Jardim é totalmente o oposto de Valparaíso. O charme caótico desta é substituído pela impecável organização, limpeza e jardinagem da primeira. Palmeiras e flores na orla, intercalados por fontes de água, esculturas, restaurantes, sorveterias e áreas de exercício, delineados pelo mar e por longas pistas de corridas e bicicleta. Atravessando a movimentada avenida beira mar, a Avenida Peru, estão os condomínios mais caros de Viña.
A praia de Viña del Mar, no Chile
O sempre tradicional futebol de praia, em Viña del Mar, no Chile
A orla muito bem cuidade de Viña del Mar, no Chile
O vento frio ainda soprava e as águas geladas do Pacífico não estavam muito amigáveis para um mergulho. Assim a nossa passagem por lá foi rápida e indolor! Uma manhã passeando na orla, um almoço à beira mar e logo pegávamos a estrada para Santiago, a apenas 160km dali.
Voltando para a parte baixa de Valparaiso, no Chile
Caminhando para a Vila Hippie em Arembepe - BA
Arembepe, localizada no litoral norte baiano, é uma praia cercada por arrecifes que formam uma paisagem especial, junto ao mar verde e quente tão peculiar à região. A cidadezinha guarda também um dos únicos remansos hippies que permanece até hoje com as características originais do movimento. Casas de taipa e sítios à beira mar e à beira do rio, a Vila Hippie de Arembepe possui um restaurante e um centro de cultura hippie para os visitantes, com muitos artesanatos desenvolvidos pela comunidade. Um lugar que ficou parado no tempo, onde aquela vida idílica ainda parece possível.
Choupana na Vila Hippie em Arembepe - BA
A vila hippie é vizinha de uma base do Projeto TAMAR, já que a praia foi escolhida pelas tartarugas como ponto de desova e reprodução. Agora estamos na época de desova, contamos pelo menos uns 20 ninhos sinalizados pelo Tamar para proteção e pesquisa.
Ponto de desova de Tartarugas em Arembepe - BA
A vila de pescadores de Arembepe já possui uma vida mais movimentada, fica 1 km antes de chegar ao Tamar e oferece restaurantes deliciosos de frutos do mar, dentre eles o Mar Aberto, considerado por muitos o melhor restaurante de frutos do mar de Salvador.
Piscina natural em Arembepe - BA
Saímos cedo de Salvador, passamos pela praia de Itapoã e seguimos direto para Arembepe, conhecendo também um outro lado da cidade de Salvador, que não pára de crescer. Chegamos na hora do almoço, hora certa para provar o delicioso Bobó de Camarão do Mar Aberto. Em poucos minutos o restaurante estava lotado de pessoas, principalmente executivos das indústrias próximas que levam seus parceiros e clientes para impressionar e melhorar as relações comerciais à base da bela culinária baiana e algumas caipirinhas à beira mar.
Maravilhoso Bobó de Camarão no restaurante Mar Aberto, em Arembepe - BA
Uma caminhada até a vila hippie, que até então tínhamos a informação que seria há 3km da vila de pescadores. Eu estava preguiçosa que só, depois de um bobó de camarão daqueles, mas Rodrigo me convenceu a caminhar para fazer a digestão, e eu pensei, ok, são só uns 6 km. Nós caminhamos, caminhamos, caminhamos e caminhamos mais um pouco pela praia, na areia fofa e praia inclinada, deliciosa para andar. Passamos pelo Projeto Tamar e Rodrigo não quis entrar, já que iremos até a Praia do Forte. Passamos também por umas casas de taipa, sinalizei ao Rodrigo que deveria ser a vila hippie, mas ele que supostamente já conhecia disse que não era lá. Acreditei e seguimos andando até encontrarmos um grupo de pessoas que nos sinalizou que a vila seria ainda mais a frente, próximo a um trapiche. Eu já não agüentava mais andar, quando chegamos lá e descobrimos que estávamos em Emissário, há 6km da vila de Arembepe! Eu queria matar o Rodrigo, teimoso, que não acreditou em mim! Andamos 12km para chegar a um lugar que estava a apenas 1km! Ok, caminhar faz bem, é só o que quero pensar...
Explorando a Vila Hippe em Arembepe - BA
Chegando à vila tivemos o privilégio de ver uma roda de capoeira com batismos de vários alunos, cada um recebendo seu cordão azul e amarelo. O professor era exigente, para entregar o cordão ele derrubou umas 2 meninas acelerando o passo, sem esquivar as duas levaram um belo pé na orelha, literalmente! Mas logo depois levantaram e estavam lá na roda, jogando novamente. Bravíssimas!
Roda de Capoeira em Arembepe - BA
Acabamos chegando a Salvador mais tarde do que planejamos e não conseguimos ver o final da tarde em Itapoã e nem comer o acarajé dito o melhor da cidade. Corremos para casa tomar banho para encontrarmos Monica e Yasmin. Fomos conhecer a Marina Bahia, um lugar delicioso que possui vários restaurantes à beira da baía. Jantamos na pizzaria Fiona, em homenagem à nossa princesa ogra companheira de estrada. Tivemos uma noite deliciosa e super agradável com nossas anfitriãs e ainda esticamos para um bailinho de carnaval no Tom do Sabor, onde encontramos Lívia e seus amigos. Marchinhas antigas de carnaval embalaram a noite, divertidíssima, enquanto trocávamos experiências de viagem com Lívia e Luana, duas viajantes apaixonadas. Voltamos para casa 4h30 da manhã já com o sol nascendo, valeu a pena e o Ro acompanhou firme e forte, afinal vir à Salvador e não pular “carnaval” é quase como se não tivéssemos passado por aqui.
Night no Tom do Sabor, em Rio Vermelho, Salvador - BA
Garçon fazendo graça em praia de Montego Bay, na Jamaica
Montego Bay, um dos lugares que fez parte do meu imaginário desde a adolescência mergulhada em reggae com as amigas do colégio. A trilha sonora das minhas viagens às praias paranaenses e catarinenses foi Bob Marley e outros grupos de Reggae. Todo o ano em Curitiba tinha o Ruffles Reggae Festival, na pedreira com atrações como Inner Circle, Big Mountain, Jimmy Cliff, Pato Banton, e outros do reggaeiros do momento.
Arquitetura na praça central de downtown - Montego Bay, na Jamaica
Saímos pelas ruas de MoBay para conhecer um pouco de sua cultura, história e praias. O cansaço de ontem nos levava direto à praia “associada” ao Wexford Hotel. Sim... Infelizmente aqui em Montego Bay quase todas as praias são pagas. Em frente à única praia gratuita conhecemos David, um negão rasta que trabalha no nosso hotel e nas horas vagas trabalha como guia de turismo da cidade.
Monumento aos escravos punidos com morte ou chicotadas na revolta de 1831, em Montego Bay, na Jamaica
Nós íamos conhecer, hoje ou amanhã, o centro histórico da cidade, também conhecida como MoBay´s Downtown. Uma cidade grande, população majoritariamente negra e muito violenta, segundo os guias e sites de turismo. Nós andamos com David para lá e para cá, rodando todas as ruas e as principais atrações do Centro Histórico de Montego Bay sem problema algum. Tudo bem, foi culpa minha cairmos nas mãos dos primeiros “hustlers” tão anunciados.
Arquitetura na praça central de downtown - Montego Bay, na Jamaica
David grudou em mim, mas de uma forma simpática, tranquila, veio conversando me deixando na dúvida de suas intenções finais. Quando tive a certeza que era essa mesmo a intenção, eu já estava convencida que seria bacana caminhar com ele pelas ruas da cidade, ouvindo suas explicações e conhecendo um pouco mais do jeito e da cultura Jamaicana.
A principal cerveja jamaicana, a famosa Red Stripe, em Montego Bay, na Jamaica
A Jamaica é conhecida pela quantidade de vendedores e ambulantes que ficam perturbando os turistas para guia, venda de algum pacote turístico, artesanato e diferentes tipos de drogas. O que você quiser você encontra, só tome cuidado, eles podem te deletar para a polícia logo após a venda e quem vai se dar mau é você.
Heróis na Jamaica, incluindo o imperador da Etiópia, Haile Selassie (em Montego Bay)
No Centro Histórico conhecemos o National Heroes Monument feito em homenagem à “Christmas Rebellion”, liderada por do Sam Sharpe, pastor batista e libertário, que lutou para a emancipação dos escravos na Jamaica. Movimento que influenciou mundialmente a libertação de escravos onde morreram mais de 600 jamaicanos que lutaram na batalha da revolução (1831-32). Estimam-se que mais de 60 mil pessoas estavam envolvidas nesta guerra.
Placa comemorativa da rebelião de escravos de 1831, em Montego Bay, na Jamaica
Pouco mais tarde, quando chegamos à Igreja da Paróquia de St James, Antoine grudou no Rodrigo, discutindo disfarçadamente com David em Patois (leia-se: patoás), língua nativa que surgiu da mistura do inglês, dialetos africanos, resquícios do espanhol e francês que passaram pela ilha.
Com o David, em frente à bela igreja anglicana de Montego Bay, na Jamaica
A igreja era a sede da St James Parish, paróquia de qual faz parte a atual cidade. O país foi assim dividido, por parishes e estados. Esta família era dona de toda a área, doando no último século um grande trecho de terra ao estado um hospital, construído com verba canadense. Na igreja também vemos uma estátua que simboliza as duas gêmeas britânicas, a boa e a má, personagens de uma história (ou lenda) da cidade. A boa teria utilizado seus poderes de cura e oração para ajudar a centenas de negros que sofriam das moléstias do trabalho escravo. A má, por sua vez, teria no seu currículo de malvadezas, o assassinato dos seus 6 maridos.
A fruta nacional do país, em Montego Bay, na Jamaica
Passando pela igreja, fizemos um caminho alternativo com David para chegar ao Farmmer´s Market, imensa feira de rua na Up Town onde os fazendeiros expõem suas frutas, legumes e diferentes artesanatos. No caminho trocamos uma ideia as crianças curiosas, lindas meninas e meninos de um dos mais caros colégios da cidade e chegamos ao mercado.
Chamando a atenção em escola de crianças em Montego Bay, na Jamaica
No mercado todos oferecem ao David a ganja que paira pelo ar, assim como aquele clima de feira livre. Peixes, galinhas, legumes, frutas e verduras dominam as negociações no meio da rua. Passamos pela Bush Doctor, uma das curandeiras das antigas que pode indicar milhares de chás e medicações feitas direto das plantas e raízes jamaicanas para todos os tipos de problemas e doenças.
Visitando o mercado central de Montego Bay, na Jamaica
Rodrigo já estava indignado por David estar conosco. Como já disse aqui, ele odeia guias, ainda mais quando sente que o cara tá dando uma de espertão. Pois é, David, acompanhado de Atoine, ao final do tour obviamente queria receber 60 ou 80 dólares pelo tour de menos de duas horas! Rodrigo ficou furioso, mas aos poucos negociamos e chegamos a 40 para o primeiro guia, que nos acompanhou mais tempo, e 20tão para o grude.
Praia e águas caribenhas em Montego Bay, na Jamaica
Voltamos à Hip Strip e chegamos à tarde na Walter Fletcher Beach, dentro do Aquasol Theme Park. O acesso a este parque estava incluído na diária do nosso hotel, que nos oferecia cadeiras de praia, guarda-sol e infra-estrutura de bar e banheiros. Conversando com todos os jamaicanos, Aquasol era a melhor praia, já que Doctor´s Cave e outras eram todas fechadas por seus hotéis “all inclusive”, apenas acessíveis perante o pagamento de uma bela entrada. “O Aquasol é o lugar, se vocês querem ver a nossa cultura e não apenas turistas europeus e americanos, lá é o lugar”.
Jamaicanos vão à praia em Montego Bay
Não tenho dúvida que eles tinham razão, encontramos muitos jamaicanos com suas famílias em um delicioso final de semana de férias. O bar tocava todos os tipos de reggae, rip rop e pop. O parque de diversões aquático estava sempre lotado de crianças e a praia, mesmo cheia, tinha aquele delicioso charme caribenho. Águas claras, quentes e tranqüilas, com uma raia logo ali para uma deliciosa nadada para alongar no final da tarde.
De volta ao mar do Caribe em Montego Bay, na Jamaica
O Jamaica Jazz and Blues Festival trazia uma das principais atrações da ilha nesta sexta-feira: o show da famosa cantora Celine Dion. Toda a ilha estava lá esta noite, mas é difícil pagar 130 dólares por pessoa para ir a um show que você não é muito fã. Decidimos fazer algo mais tranquilo, saímos para conhecer o tal Margarita Ville, mas já era tarde e estava meio caído. Acabamos comendo um último sanduíche no Burguer King para matar aquele repentino apetite noturno.
Salva-vidas sem muito trabalho na tranquila praia em Montego Bay, na Jamaica
Alguém me perguntou: Sempre quis ir à Jamaica, como é a infra-estrutura? Respondo antecipadamente, não sei em outros lugares, mas a famosa Montego Bay possui infra-estrutura até demais! Imensos Resorts “all inclusive” com toda uma hip strip de bares, restaurantes e hotéis de praias privadas para serem “exploradas”. Estamos ansiosos para conhecer um lado mais íntimo do país, sem turistas, com muito reggae e tranquilidade, onde possamos sentir que estamos conhecendo a verdadeira Jamaica.
Nosso primeiro pôr-do-dol na Jamaica, em Montego Bay
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