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Flavia (05/06)
Ter encontrado vocês foi um presente! Que viagem gostosa.. admiro vocês...
clenilça alves da silva(cleo) (05/06)
boa tarde ana e rodrigo ,belas imagems e imprecionante,como a beleza no b...
Joana (05/06)
Galinhos é show! E a Aninha é a melhor!!! Vim pra cá em Outubro de 201...
valmisson (03/06)
adorei seu blog. muito divertido e agradavel de se ver e se deliciar nas ...
mario sergio silveira (02/06)
Fervedouro e as tradicionais bananeiras, próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO
Uma ressurgência de água com uma pressão tão grande e areias rosadas e tão finas que só fazem rebolar. “Fervedouros de verdade são os que rebolam”, nos disse um morador da região. Quando perguntamos quantos deles existem, este morador nos disse serem mais de 20 fervedouros, em cada sítio ou terreno pode-se encontrar algum. Lá na casa dele mesmo tem, mas a pressão é menor, então a areia não rebola como este daqui.
Pressão da água faz a areia "rebolar" no fervedouro próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO
Há 30 km de Mateiros fica “O Fervedouro” perto do povoado de Mumbuca. Este fervedouro sempre foi único aqui no Jalapão, um dos únicos conhecidos e por isso também o mais visitado. Fácil perceber isso quando falamos com o caseiro que toma conta do local. Quanto perguntamos o nome do fervedouro ele disse “Este aqui é O FERVEDOURO”, insistimos e ele emendou “é o FIRMEZA”, sabe Deus por que escolheu este nome, mas deve para deixar claro que este foi o primeiro, pioneiro no turismo de fervedouros jalapaneses, firmeza mano?
Visitando o mais tradicional fervedouro do Jalapão, próximo à Mateiros - TO
Firmeza mesmo, a areia deste fervedouro é mais densa e um pouco mais grossa que o de São Félix. A água mais rasa e a pressão ainda mais forte fazia a areia rebolar mais (borbulhar) e a sensação de estarmos afundados em uma areia movediça também era ainda maior.
Visitando o mais tradicional fervedouro do Jalapão, próximo à Mateiros - TO
Ali ao lado está o fervedouro do Sozinho, propriedade particular liberada para visitação apenas para a Korubo Expedições. Pelo que entendi o dono da Korubo é o dono do terreno onde está este fervedouro, antes liberado para todos, hoje apenas para quem participa de suas expedições. Insistimos ao caseiro que queríamos visitá-lo, ver ao menos, dizem que este é o maior de todos os fervedouros. Porém ele deve seguir as regras, o último caseiro foi demitido, pois desrespeitou as regras do patrão, liberando por módicos 8 reais a entrada de “terceiros”.
Fim de tarde no cerrado próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO
Vemos que a região ainda tem um grande potencial para ser explorada, bem conversadinho e com bastante tempo poderíamos ficar 10 dias aqui só procurando novos fervedouros em fazendas e sítios. Espero que os proprietários aprendam a preservá-los e explorá-los da forma correta, afinal é uma riqueza natural apenas encontrada no Jalapão.
Fervedouro e as areias borbulhantes, próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO
Fontes de águas termais se encontram com o enorme Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
O Lago Yellowstone ocupa parte da gigantesca caldeira do vulcão de mesmo nome. A caldeira do supervulcão tem 49 x 72 km e ocupa a área central do parque. O lago possui 32 km de comprimento e mais de 22 km de largura e é o maior lago de altitude dos Estados Unidos. Ele é tão grande que nem conseguimos enxergar a outra margem. Nele vivem lontras e 11 espécies nativas de peixe. Ao redor dos 226 km que margeiam o lago se encontram marinas, lodges, campings e tours de barco ao redor do lago. É um convite aos pescadores de plantão.
Fontes de águas termais se encontram com o enorme Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
O West Thumb é só um pedacinho deste imenso lago, formada por uma “pequena” erupção há mais ou menos 174 mil anos. Pare um minuto e olhe ao redor. Toda essa água que vemos é apenas parte da baía criada por esta “pequena” erupção! Todas as coisas aqui no Yellowstone são assim, possuem proporções mamutescas! A atividade vulcânica ainda existe no fundo desta baía e uma das evidências disso está nesta área de geysers conhecida como West Thum Basin, um cenário lindo às margens da baía. Impressionante ver a formação das rochas às beira do lago que se parecem com arrecifes coralíneos. Estas, porém, são formadas pelas colônias de bactérias que foram depositadas por milhares de anos pelas fontes de água termal.
Maravilhosa piscina transparente e esverdeada, de água fervente, ao lado do Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Tão próximas e tão distintas (as duas fervem!), próximas oa Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Seguimos ao norte margeando o lago e entramos na região do Haydenn Valley, uma das áreas destacadas pelos rangers para avistarmos vida selvagem. Eis que de repente surge um veado, chamado aqui de mule dear, imenso na nossa frente! Ele caminhava e comia tranquilo na beira da estrada, quando foi cercado por fotógrafos e turistas curiosos (inclusive eu, é claro!).
Um veado passeia tranquilamente pelas estradas movimentadas do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Adiante outra surpresa, um bisão lindo e solitário não muito longe da estrada e despegado da manada que estava reunida do outro lado do rio na imensa planície do Yellowstone River. Passamos pelo vulcão de lama e o caldeirão sulfuroso, cada parada com placas bem ilustrativas e informativas sobre a atividade vulcânica e formação geológica de todo o parque.
O bisão selvagem, um dos símbolos do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Manada de bisões no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
A bucólica paisagem do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Nesta área as colinas ao fundo estão em franco crescimento, pressionadas pelos rios de lava que correm sob essas terras. Voltando para West Yellowstone, nossa base na entrada oeste do parque, ainda tivemos a sorte de ver um coiote na estrada entre a Canyon Village e Norris Geyser Basin! As melhores horas para ver animais são ou bem cedo, quando o sol está nascendo ou quando o sol está se pondo. Bingo! Lá estava o coiote mesclado às gramas da savana!
Um furtivo coiote no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Veja também os posts:
- Yellowstone em 3 dias
- Yellowstone - Old Faithful Area
- Grand Canyon e Mamooth Springs
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Caminhando pelas ruas de Washington, capital dos Estados Unidos
Visitar uma cidade ou um lugar pela segunda vez sempre tem um sabor diferente. A ansiedade de conhecer “tudo ao mesmo tempo agora”, é substituída pelo prazer de reencontrar lugares e, de alguma forma se sentir mais íntimo da cidade. No nosso caso essa intimidade parece ser aumentada pelo fato de estarmos há bastante tempo longe de casa, é quase como reencontrar um velho amigo, aquela cara conhecida, sorriso reconfortante, mas ainda assim cheio de histórias novas para contar.
Caminhando pelas ruas de Washington, capital dos Estados Unidos
Nós chegamos à Washington no início da tarde, foi o nosso debut no priceline.com, indo parar no Marriot Wardman Park, à meia quadra do metrô e ao lado do zoológico. Deixamos a Fiona descansando e, após um almoço no Medaterra, saímos animadíssimos rumo ao transporte mais democrático e prático difícil de ser encontrado pela Latino América: o metrô! Coisa de primeiro mundo, em poucos minutos estávamos descendo no Farragut West Metrô, a três quadras da Casa Branca.
Depois de tanto tempo, estamos andando de metrô novamente! (em Washington, capital dos Estados Unidos)
A cada passo a memória se deleitava em identificar ruas, nomes, esquinas e cenas cotidianas de uma grande cidade que há tempos vivia adormecida no meu subconsciente. Gente correndo de lá para cá na agitada capital, mas dessa vez não apenas de terno e gravata, mas com seus tênis e ipods. A primavera não apenas colori as floreiras e os guarda-roupas dos capitalinos, mas empresta à seriedade da terra dos senadores e políticos americanos um ar mais alegre, despojado e informal.
Celebrando com Frozen Marguerita (mais barata, na hora do happy hour!) a chegada à Washington, capital dos Estados Unidos
A avidez por informação e novidade vai me inundando e tudo que era tranquilidade, se torna curiosidade e vontade de multiplicar o calendário mundial, mudar as regras, incluir 30 horas no dia, 10 dias por semana, 530 dias no ano. Assim poderíamos rever a cidade, os antigos museus e suas novas coleções, os novos museus com suas relíquias e reencontrar velhos e novos amigos.
A famosa Casa Branca, residência do presidente americano em Washington, capital dos Estados Unidos
Na falta do tempo vamos direto ao que interessa e finalmente saímos da virtualidade, em um delicioso happy hour no Circa, com Claudia do blog Aprendiz de Viajante (@aprendizviajante) e Teté do Escapismo Genuíno (@viajantete). Viemos nos acompanhando mutuamente há quase dois anos na twittolândia e blogosfera viajante, ambas são muito ativas e a Cláudia é uma das cabeças de um movimento para reunir e fomentar a troca de informações entre os blogueiros de viagem e turismo na world wide web.
Encontro com a blogueira e amiga Cláudia, do blog "Aprendiz de Viajante", em Washington, capital dos Estados Unidos
Cláudia mora há anos em DC, casada com um americano e com dois filhos lindos, se divide entre consultorias na área de tecnologia e o seu blog de viagens, cada vez mais profissional. Teté é publicitária, baiana acariocada que foi criada entre o Perú e os EUA e começou a escrever sobre viagens quando morou na ilha de Chipre! Ela trabalha com planejamento e faz freelas e home office acompanhando o maridão Gustavo, paraquedista profissional, nas viagens pelo mundo. É tão bacana ver que existem outras formas de viver... ninguém aqui diz que é fácil, mas sim é possível!
O encontro das blogueiras Tetê (Escapismo Genuíno), Ana (1000Dias) e Cláudia (Aprendiz de Viajante) em bar de(Washington, capital dos Estados Unidos
O fim de tarde embalado por diferentes vidas, viagens e muitas risadas, logo se transformou em noite e se estendeu na casa onde Teté e Gustavo estão passando esta temporada em DC. Nos despedimos prometendo um reencontro pronto em breve, não longe daqui, na casa de mais dois companheiros de viajosfera, Mauricio e Oscar (@MauOscar), que vivem no estado vizinho do Delaware. Já na saída Teté nos presenteou com um livro do casal de viajantes sulistas do “Mundo por Terra”, que deram a volta ao mundo em 1033 dias, passando pela Ásia, África e Oceania, num super incentivo para escrevermos também a nossa história. Espero poder devolver o presente à altura daqui alguns anos.
Chegando à Washington, capital dos Estados Unidos
Paredes com quase mil metros de altura no Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
A estrada entre San Cristóbal a Oaxaca é longa. São mais de 700km subindo montanhas e cruzando vales no altiplano mexicano e cruzando a divisa de estados para chegar no nosso próximo destino.
Porém, essa viagem não seria completa se não fizéssemos uma paradinha em um dos maiores monumentos naturais do planeta, o Cânion do Sumidero.
Chegando ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
O cânion formado há aproximados 12 milhões de ano é uma falha geológica que se abriu na Serra Norte de Chiapas há apenas 5km de Tuxtla, a capital do estado. Com uma profundidade que chega há 300m e paredões com mais de 1000m de altura, o cânion hoje possui um rio navegável, sendo esta a melhor forma de visitá-lo.
Nossa lancha chega ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
Barcos partem de um porto próximo à Tuxtla ou no porto turístico de Chiapa del Corzo. A dica que recebemos foi de sairmos de Chiapa del Corzo mesmo, onde há muita procura e por isso os preços dos passeios são mais baratos. O tour de barco leva em torno de 2h, 2h30 e nos leva à entrada do cânion, passando ao lado das imensas paredes, até chegar ao lago da barragem, motivo pelo qual o rio tornou-se navegável.
Lanchas que levam turistas ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
O Rio Grijalva foi represado para a construção da Hidroelétrica de Chicoasén que está entre as plantas com maior geração de energia do país. O cânion faz parte da cultura local e é um símbolo natural do estado, estando presente no escudo de Chiapas.
Emblema do estado de Chiapas, o Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
Uma história curiosa e meio macabra sobre o cânion, foi que durante a ocupação espanhola, a tribo de etnia Chiapa (ou soctona, em seu idioma), preferiu realizar um suicídio em massa a se entregar aos conquistadores. Eles se atiraram dos paredões, direto para as corredeiras rápidas e cheias de pedra do rio, literalmente “voando” para a sua liberdade no inframundo.
Garça corcunda no Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
Durante o passeio avistamos aves como garças brancas, cinzas, uma colônia imensa de abutres, que possuem um papel muito importante na limpeza do ambiente natural, detonando todas as carcaças que sobram por lá. Um dos animais mais impressionantes que tivemos a sorte de observar foi um imenso crocodilo, que tomava um solzinho na beira do rio.
Um enorme e ameaçador crocodilo na entrada do Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
São mais de 150 crocodilos vivendo na extensão do cânion. Segundo o barqueiro eles são violentos e podem dar um salto de mais de 4m para atacar sua presa ou os turistas importunos. No início dos passeios eles se agitavam mais com a passagem de barcos, hoje já estão mais tranquilos e acostumados, deixando a lancha se aproximar para observá-los. O animal era imenso, totalmente pré-histórico! Foi a primeira vez que eu vi um crocodilo “ao natural”, ou melhor, fora de um zoológico. É emocionante, ainda mais um deste tamanho!
Um enorme e ameaçador crocodilo na entrada do Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
No percurso visitamos também uma pequena gruta natural onde foi colocada a estátua e uma santa e a formação impressionante conhecida como Árvore de Natal, quando a mescla das gotículas de água e a formação calcária das rochas formaram cortinas de pedra recobertas com musgo e vegetação que lhe dão um aspecto perfeito de um pinos, quando visto de frente. Lindíssimo!
Formação conhecida como Árvore de Natal, com quase 200 metros de altura, no Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
Retornamos aproveitando cada minuto daquela beleza surrealista, a (des)proporção do tamanho das paredes e o estreito do rio que formam uma paisagem única!
As enormes paredes do Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
Chegamos novamente o porto de Chiapa del Corzo. Uma das primeiras cidades do estado, sua arquitetura antiga com belas ruazinhas e casas em estilo coloniais, igrejinhas e praças animadas, hoje estavam preparadas para uma das maiores celebrações religiosas do ano!
Igreja matriz de Chiapa del Corso, no sul do México
A festa do Santo que Pula começa neste domingo pela manhã, marcada por celebrações religiosas, missas, etc, e termina com milhares de pessoas nas ruas, bebendo e comemorando, utilizando seus trajes típicos e fantasias.
Muitas cores nas fantasias durante festa em Chiapa del Corso, no sul do México
As mulheres com vestidos floridos, rendados, longos e rodados e os homens com uma roupa tradicional bem colorida, usam uma máscara com um rosto pequenininho e um ornamento redondo na cabeça com pelos dourados e espetados.
Festa em Chiapa del Corso, no sul do México
Estes grupos fazem um roteiro pela cidade passando por todas as igrejas e terminando no alto da Igreja Santo Domingo, onde está montado um palco com música ao vivo e diversas barraquinhas estão vendendo bebidas, comidas e doces. É um carnavalzão, todos comemoram juntos, homens e mulheres, crianças, adultos e velhinhos, uma festa linda e animada! Levamos a maior sorte!
Fantasias típicas na festa em Chiapa del Corso, no sul do México
Aquela dúvida e vontade de ficar novamente me arrastam pelas ruas, feliz e encantada com a festa. Por mim novamente ficaríamos acompanhando a festa do dia todo! Mas temos um tempo curto e meu amor me lembra que precisamos seguir. Pegamos a estrada novamente, cruzamos Tuxtla e seguimos em direção à Oaxaca.
Festa em Chiapa del Corso, no sul do México
No caminho passamos pela região de La Ventosa, parque eólico gigantesco em uma região de ventos fortes que chegam a tirar o carro do prumo! Rodrigo seguia com e punho forte e de olho no nosso objetivo. Anoiteceu e novamente a nossa regra de ouro foi quebrava. Dirigimos durante a noite, por uma serra de intermináveis curvas, subidas e descidas até chegar novamente em um plano, nos vales de altitude onde está localizada a cidade de Oaxaca.
O gigantesco parque eólico em La Ventosa, em Oaxaca, no México
Já eram quase dez horas da noite quando chegamos. Ruas vazias de uma cidade plana e bem planejada. Nos instalamos em um hotel e saímos comer o que encontrássemos na rua. Encontramos um carrinho de cachorro quente, ao lado de uma linda igreja e uma exposição imensa de esculturas em homenagem aos imigrantes. A primeira impressão já foi maravilhosa, amanhã teremos muito a explorar e conhecer na capital oficial e cultural do estado de Oaxaca.
Visita ao Canyon del Sumidero, em Chiapa del Corso, no México
Os únicos tótens de pedra coloridos em San Agustín, na Colômbia
As cavalgadas têm sido cada vez mais presentes durante a viagem, pelo menos para mim. É uma forma diferente de conhecer os lugares e estar próximos da natureza. Rodrigo, que passavas longas férias e finais de semana em fazendas, tem muito mais jeito para a coisa do que eu. A cavalgada de hoje entre montanhas e plantações de café o fez relembrar e matar as saudades dos bons tempos de infância na Fazenda Cruzeiro.
Passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia
Ricardo, nosso guia da cavalgada de hoje, nos levou para conhecer três diferentes sítios arqueológicos em San Agustín, onde encontramos outras tumbas com templos e estátuas funerárias como as que vimos dentro do Parque Arqueológico de San Agustin ontem. Sempre em lugares de cerros e montanhas com belas vistas, o que deu um certo trabalho para os cavalos que tiveram que nos carregar ladeira acima e ladeira abaixo vááárias vezes. Chegou a dar pena, coitados!
Paisagem verde e montanhosa da região de San Agustín, na Colômbia
Na primeira delas encontramos uma cultura bem diferente do que estávamos esperando, uma senhora que faz a leitura do Calendário Maia. Carlos e Marcela haviam comentado conosco e recomendaram que fizéssemos uma consulta. É claro que eu não ia perder esta! Descobri finalmente o meu “signo” no calendário maia, eu sou o UAC AHAW, o “Sol Rítmico” e o Rodrigo o “Dragão Lunar”.
O Calendário Maia (em San Agustín, na Colômbia)
Segundo ela a minha missão no mundo é espalhar amor incondicional e trabalhar pela ascensão do planeta. A ação é iluminar, a permanente irradiação de luz e boas energias que o sol possui, clareia e gera vida ao seu redor. Sinônimo de vida, alegria, plenitude, união e totalidade. Bacana demais!
Consulta ao Calendário Maia, em San Agustín, na Colômbia
Não é por nada, mas quando estou nos bons dias eu me sinto bem assim mesmo! Hahaha! Saí de lá me achando O SOL! Enquanto isso o “rítmico” tem como ação o equilíbrio, a conciliação de extremos e a busca pela igualdade. Curioso que ela comentou que quando algo não vai bem na minha vida, eu devo sentir uma dor no meu ombro direito. Imaginem... é claro que pode ser pura viagem, mas quando estávamos no ano anterior a essa viagem, com várias situações incertas, grandes definições pela frente e situações de muita angústia, me apareceu uma dor desgraçada no ombro direito! Eu cheguei a ir ao médico ver o que era e não apareceu nada muito conclusivo... Agora eu sei, era o meu lado “rítmico” me avisando. Rsrs!
Visitando totens de pedra milenares durante passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia
Como agradecimento ao seu trabalho, que é voluntário, até comprei uma pulseira do sol para que eu sempre me lembre da minha missão. Continuamos a cavalgada, iluminando tudo e todo que via pela frente (rsrs), até que chegamos a um lugar especial. Um dos únicos lugares em que as estátuas estão com a sua pintura original, nas cores amarela, vermelho e preto. Aqui está a estátua que crêem ligar os pontos com sacrifícios de crianças para os Deuses. No templo ao lado está a estátua de uma mulher com a sua filha no colo e também por isso alguns crêem que a criança era enterrada com sua mãe quando esta morria. Prática conhecida em outras civilizações antigas no Perú, como a Lima, por exemplo.
Os únicos tótens de pedra coloridos em San Agustín, na Colômbia
O passeio teve que ser rápido, sorte que os cavalos eram bons e estavam dispostos a boas galopadas, pois percorremos mais de 20km em 3 horas com 3 ou 4 paradas! Isso tudo por que hoje ainda precisávamos pegar estrada de San Agustín até Cali, 2 horas adiante de Popayán. Ainda aproveitamos que estamos na nossa pau-pra-toda-obra Fiona para conhecer rapidamente o Estreito do Rio Madalena, um dos maiores rios do país que passa em um estreito de pedra de apenas 1,5m de largura! Lugar lindo!
Rio Magdalena na região de San Agustín, na Colômbia
Na estrada de volta encontramos os mesmos militares em serviço, super simpáticos já nem nos pararam. Levamos o azar de um caminhão atolar nessa estrada, que são 5 a 6 horas de carro em estrada de terra, com uma buraqueira desgracida e muita lama depois das chuvas. Outro trecho dela estava em obras e ficamos parados por mais uma hora praticamente... as quais eu aproveitei para dormir tranquilamente enquanto o Rodrigo socializava com os outros motoristas da fila.
Passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia
8 horas depois, enfim chegamos à Cali! Já era noite e eu escolhi um hostal bem backpacker no centro novo, o Iguana Hostal. Azuuuuis de fome, saímos caminhando pelas ruas (também em obras) até encontrar um pub inglês, todo enfeitado para o Halloween. Uma banda (de dois) ótima estava tocando um repertório bem variado de rock e pop, e com a barriga cheia finalmente pudemos relaxar e curtir a nossa primeira grande cidade colombiana. Começamos bem e mal sabíamos as surpresas que Cali nos reservava.
Vejam a seguir, cenas dos próximos capítulos! Rsrs!
Os gigantescos dutos de água das turbinas da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai. Por cada um deles passam, em média, o volume correspondente à metade das cataratas do Iguaçu!
Construída entre 1973 e 1982, Itaipu Binacional é a maior hidrelétrica em geração de energia no mundo! Foi ultrapassada recentemente pela Três Gargantas, na China, em potencia instalada. Esta só não nos ultrapassou em geração de energia, pois não possui um rio tão forte e cauladoso como o Rio Paraná.
Entrando nas instalações da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
A Itaipu é considerada uma das 7 maravilhas modernas, devido à grandiosidade da sua obra. Idealizada pelo engenheiro Gomurka Sakaria, indiano e projetada por um consórcio de empresas estrangeiras, uma americana e outra italiana, que dispunham de todo conhecimento técnico e tecnologia para uma obra desta magnitude.
Observando fotos da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
Para sua construção chegaram a ser empregados mais de 40 mil trabalhadores diretos. Durante o primeiro ano foram construídas as estradas de acesso e toda a infra-estrutura do acampamento pioneiro para os trabalhadores e engenheiros que a partir deste ano praticamente se mudariam para a região até o término da obra. Este acampamento transformou Foz do Iguaçu, que até então possuía 20 mil habitantes para uma cidade de 101.447 habitantes.
Corredor com mais de um quilômetro dentro das instalações da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
Ela foi construída em um trecho do rio onde o cânion era mais profundo, indicando a força que a água exercia nas suas margens. Ali havia uma ilha conhecida por “Itaipu” que em tupi quer dizer “Pedra que canta”. Para que fosse erguida a barragem, um canal de 2 km teve que ser escavado para desviar o leito do rio. Em 1978 a construção do desvio foi finalizada e se iniciava então a construção da barragem principal.
Grande explosão para a construção da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
O ritmo de construção foi absurdo! Era construído o equivalente a um prédio de 10 andares por hora! Toneladas de concreto eram despejadas na barragem, misturadas à toneladas de gelo, técnica utilizada para retardar a secagem e diminuir a incidência de bolhas de ar no concreto. Mais bacana ainda foi ver toda esta obra e saber que o meu sogro esteve neste canteiro de obras acompanhando cada passo da construção. Engenheiro, ele trabalhava na empresa responsável pela colocação dos guindastes que levavam as caçambas de concreto para os pontos de concretagem ao longo da barragem. Ele nos contou que chegou a subir dentro de uma caçamba e cruzou a barragem pelos ares! Que coragem!
O centro de comando da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
A primeira turbina levou 4 meses para ser deslocada de São Paulo até o canteiro de obras e ao final deste ano, em 5 de dezembro de 1982, foi inaugurada a Itaipu Binacional. Construída em um consórcio entre os governos brasileiro e paraguaios, que fizeram o aporte inicial de 10 bilhões de dólares para a formação da companhia. A partir daí conseguiram um empréstimo internacional, que propiciou o início dos trabalhos. Toda a companhia é 50% brasileira e 50% paraguaia, no quadro de funcionários, na energia gerada e na divisão das dívidas, que ainda estão sendo pagas pelos próximos 10 anos. Todo a receita da Itaipu é utilizada para pagamento de despesas, quadro funcional, royalties para as cidades atingidas pela inundação e do empréstimo feito, sendo, portanto uma empresa sem lucro financeiro algum. Hoje a Itaipu é responsável pela geração de 16% da energia utilizada pelo Brasil, já incluindo o percentual importado pelo Brasil do excedente paraguaio.
O rotor, com algumas dezenas de toneladas, é uma das menores peças que formam o coração da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
É impossível olhar toda esta maravilha da engenharia e não pensar no impacto ambiental causado. A maior e mais notável perda foi a imersão das Sete Quedas, na região de Guaíra, Paraná. Uma maravilha natural perdida para sempre. Ficamos pensando que hoje, considerando os aspectos ambientais, a construção de uma usina como esta seria praticamente impossível. O lago de Itaipu é um imenso espelho d´água e ainda não pode ser mensurado exatamente qual é o impacto que este espelho exerce na alteração do clima, que tende a ficar mais quente, ampliando o aquecimento global.
A represa vista do alto da barragem da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
Ainda assim ficamos felizes em saber que, mesmo naquela época, houve uma preocupação com a fauna local. O fechamento das comportas do canal de desvio, para a formação do reservatório da usina, deu início à operação Mymba Kuera (que em tupi-guarani quer dizer “pega-bicho”). A operação salvou a vida de 36.450 animais que viviam na área a ser inundada pelo lago.
O centro de comando da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
Encontrar o equilíbrio entre o desenvolvimento, o progresso e a preservação ambiental não é fácil. Ao mesmo tempo que o mundo precisa se desenvolver para suprir a super-população humana com uma infra-estrutura básica, a interferência do homem na natureza precisa ser reduzida com urgência. Esta fórmula ainda não foi encontrada e sem dúvida não será enquanto a população mundial continuar a crescer a taxas absurdas. A necessidade de energia e alimento continuará devastando, inundando e destruindo a natureza. Somos parte desta problemática e não adianta ficarmos sentados esperando uma solução, então deixo aqui uma pergunta para reflexão, como nós podemos mudar isso?
Formações rochosas na Baie Rouge, região de Marigot - St Martin, no Caribe
Dia de definições. Primeiro definimos que não iríamos para Anguila, já que o tempo amanheceu nublado e chuvoso. Aproveitamos então a manhã nebulosa para definir as nossas passagens aéreas para as ilhas vizinhas. Fomos à boulangerie usar a internet que quebra o maior galhão, mas é meio capenga para compras online. Então decidimos comprar as passagens em uma agência de turismo local, que só abria as 14h30.
Restaurantes na Marina Royale, em Marigot - St Martin, no Caribe
Nosso plano era usarmos a manhã para resolver estas coisas e aproveitar a tarde para rodar a península conhecida como Terres Basses (terras baixas). Esta é uma vizinhança milionária, portanto não circulam muitos ônibus por ali. Decidimos então alugar uma bicicleta. Esta foi uma das piores decisões do dia, andamos mais de 40 minutos indo e voltando nas ruas lotadas do centro procurando a tal da loja de aluguel de bicicletas. Achamos o endereço, mas não havia nada. Descobrimos que havia mudado de endereço e um senhor muito simpático e prestativo nos levou até o novo endereço, também fechado. Quase uma hora se foi nessa brincadeira, já eram 14h30, verificamos preços e deixamos as passagens aéreas reservadas na agência de viagens.
Marina Royale, em Marigot - St Martin, no Caribe
Depois de toda esta andança, o sol saiu a toda, só para nos provocar! Vamos à praia na Terres Basses sem bicicleta mesmo. A península seria facilmente explorada em uma tarde de bike, mas ficamos na dependência do busão que só ia até a primeira praia, Baie Rouge.
A bela praia de Baie Rouge, região de Marigot - St Martin, no Caribe
Uma vez na praia, ufa... tudo fica “nice and easy”, como gostam de dizer por aqui. Aquele azul maravilhoso, grãos de areia graúdos e dourados, praia tranquila. Passamos o final de tarde ali, lendo, nadando, vendo a mulherada de top less, enquanto organizávamos os pensamentos e as definições pendentes. Tudo azul na Baie Rouge!
Mar típico do Caribe na Baie Rouge, região de Marigot - St Martin
Assistimos o sol dourando as águas azuis até quase se pôr, mas aproveitamos ainda a luz para encontrar nossa lotação. Algo me disse, “não vamos esperar, melhor sairmos andando e para-la quando estiver passando”. Bingo, andamos mais de 1km na estrada e nada de vans. Por outro lado levamos uma bela sorte, um casal parou o carro e nos ofereceu carona. Ele americano e ela belga, estão paassando uma temporada por aqui e se identificaram com a nossa situação, pois já passaram por isso muitas vezes. Ele trabalha em barcos, depois de mais alguns meses de trabalho embarcado está planejando suas próximas férias, Bahamas ou Turquia. Curioso foi que eu a tinha visto andando no centro pela manhã e já tinha simpatizado, nada é por acaso.
Pôr-do-sol na Baie Rouge, região de Marigot - St Martin, no Caribe
Rua no centro de Havana, em Cuba
Foram pouco menos de 15 horas de ônibus de Santiago de Cuba à Havana, com direito a duas paradas. A primeira, nada agradável, foi na cidade de Guaiamiro. Acordamos com o ônibus todo esfumaçado, parecia que estava pegando fogo! Era o ar condicionado que havia quebrado. Levou alguns minutos para entendermos o que estava acontecendo, pois estávamos em um sono profundo. Como eu tinha passado mal o dia inteiro, tomei um paracetamol que tinha uma dose de dramin junto e aí já viram eu dormi até no banco da praça esperando os motoristas darem um jeito no tal ar-condicionado.
Salão da rodoviária de Santa Clara, em Cuba
A segunda parada foi em Santa Clara, onde ocorreu uma das últimas e mais importantes batalhas da Revolução Cubana, liderada pelo argentino Che Guevara. Lá está o memorial sobre o Che e sua estátua. Infelizmente a parada foi de apenas 10 minutos e logo tivemos que seguir. Há males que vem para o bem, com o ar condicionado quebrado, o motorista resolveu pisar mais fundo já que as janelas eram travadas e o calor estava começando a pegar.
Homenagem a Che em Santa Clara, em Cuba
Chegamos pouco antes do meio dia e fomos direto para a casa da Dona Margarita. Quando ligamos para reservar ela nos disse que não teria lugar, mas gostou tanto do casal aqui que rearranjou seus hóspedes para outra casa e liberou um quarto para ficarmos, que amor! Super acolhidos e bem instalados, resolvemos ir ao mercadão de El Vedado para comprar frutas e legumes para uma sopa, receita da família para dietas e enfermos.
Reencontro com a Dona Margarita em Havana, em Cuba
Fiquei cozinhando com a agradável companhia da Dona Margarita que continuou me contando histórias da sua vida, sobre seus filhos e viagens. Há poucos dias ela completou 83 anos e continua ativa e muito independente! Todos os dias vai comprar frutas e verduras frescas para o café da manhã de seus hóspedes, diz que o segredo para a sua saúde é manter-se ocupada e trabalhando sempre!
Rua de Havana, em Cuba, com o Capitólio ao fundo
Aproveitamos aquela luz mágica de final de tarde para passear pela Havana Vieja, suas ruelas e seus edifícios antigos. Nos perdemos nas ruas da verdadeira Havana, a parte “feia” que poucos turistas gostam de conhecer, onde a realidade da revolução se mostra clara e cruamente, onde a simplicidade se mistura com as cores e a alegria desse povo maravilhoso.
Moradia no centro histórico de Havana, em Cuba
Sentamo-nos na Plaza Vieja, tomamos um refresco enquanto observávamos os colegiais passando e a sessão de fotos de uma noiva. Revisitamos a Plaza de Armas onde me diverti pesquisando e barganhando na compra de um livro que Laura havia encomendado, um álbum de figurinhas da revolução cubana.
Escolares atravessam a Plaza Vieja, no centro de Havana, em Cuba
Processo de restauração da Plaza Vieja, co centro de Havana, em Cuba
Todas as barraquinhas têm, a maioria é cópia do original, algumas bem feitas, outras nem tanto. Alguns deles possuíam o álbum original, todo podre caindo aos pedaços, semi-restaurado com fitas crepes. Este, pela autenticidade custaria 100 dólares ou mais! Enquanto a cópia bem fiel e inteirinha custou apenas 15. Bela compra, quem sabe um dia não faço uma cópia para mim também! Rsrs!
Prédios na Plaza Vieja, centro histórico de Havana, em Cuba
"Confraternização" em recanto do centro histórico de Havana, em Cuba
Hoje foi aquela típica tarde de despedida. Revisitamos lugares que havíamos gostado, descobrimos novos lugares que já não poderiam mais ser visitados, como o Museu de Guayasamín, pelo menos não desta vez. Aproveitei para comprar algumas lembranças e levar para nosso cicerone no México o melhor chocolate de Cuba, que se mantém até hoje com a mesma receita trazida pelos primeiros espanhóis que aqui chegaram.
Famosa loja de chocolate no centro de Havana, em Cuba
Fechamos a noite no Jazz Café, bar tradicional com uma das melhores bandas de jazz da cidade, esperando Rafael e Laura chegarem para sua última noite em Cuba. O vôo deles quase foi cancelado e depois de um grande “forfé” eles conseguiram pegar outro vôo que saiu de Santiago depois da meia noite. Passaram a noite no avião e no aeroporto, já que a peregrinação para o Brasil começava as 4am no mesmo aeroporto.
Show no concorrido Jazz Café, em Havana - Cuba
Nós terminamos a noite no Submarino Amarillo, um bar temático dos Beatles e super transado. Pasmem, ele também é estatal! Impossível acreditar que Fidel tenha aprovado verba para construção de um lugar tão legal como este! rsrsrs! Fomos dormir sem nos despedir de nossos companheiros de viagem, o que só me faz crer que este será mais um até logo, os esperamos no próximo destino!
Decoração de bar em homenagem aos Beatles em Havana - Cuba
Despedida do Alê, Dani e Lucas, na casa deles em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá
Duas coisas parecem incabíveis durante uma viagem como a nossa: reclamar e parar. Reclamar do que? Estamos realizando todos os nossos sonhos como nunca imaginamos que poderíamos fazer. Pois é galera, mas vocês já devem ter ouvido falar que viajar cansa. Manja aqueles viajantes que voltam das férias mais cansados do que saíram? Aí dizem, “cansados no corpo, mas renovados na mente”. É por aí, nós estamos vendo muita coisa nova, aprendendo sobre o mundo, culturas, natureza e pessoas. A mente está renovadíssima, até demais eu diria, quase em curto com tanta informação nova. O corpo... este já se acostumou com uma cama diferente a cada dia, mas anda cansado desta vida cigana que arranjamos para ele. Eis que em meio aos cansaços e reclamações surge a oportunidade ideal para fazermos um dos pecados capitais dos viajantes: parar.
O queridíssimo Lucas, filho da Dan e do Alê, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá
Sim, nós paramos. Por dois dias, nós paramos. Paramos de correr, dirigir, conhecer, viajar, paramos de nos cobrar em fazer tudo e conhecer tudo ao mesmo tempo agora. Paramos para dormir descentemente, comer saudavelmente e principalmente, paramos para curtir algo que sentimos muita falta, os amigos!
Recebidos pelo Alê e pela Dani com delicioso jantar em sua casa em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá
Quando começamos a planejar esta viagem comentamos com o Alê e a Dani que iríamos nos encontrar na Costa Rica, país que os dois já moraram e onde nasceu o filho Lucas. Eles tinham acabado de voltar para o Brasil e nos deram várias dicas do país centro-americano da ondas, vulcões e praias paradisíacas. O que não imaginávamos, e nem eles, é que quando chegássemos ao Canadá iríamos encontrá-los morando aqui, em Toronto!
Os amigos que nos receberam tão bem em sua casa em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá
O casal trabalha em uma multinacional, vivem viajando e têm oportunidades como esta, de serem transferidos para outros países. A Dani já viveu na Suíça, junto com o Alê na Costa Rica e há 6 meses eles foram transferidos para cá. Moram hoje em Markham, um subúrbio bacana nos arredores da metrópole.
Reencontro com o Alê, antigo amigo, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá
Passamos um final de semana maravilhoso na casa do casal que já conheço há quase 10 anos. 10 anos de muitas festas, churrascos, shows, viagens e histórias juntos. Chegamos na quinta-feira a noite e junto conosco chegou a chuva. Na sexta-feira aproveitamos o dia útil e fizemos o tínhamos que fazer: revisão dos 90 mil km da Fiona, cortamos os cabelos, lavamos roupas, etc.
Adeus, barba e cabelo, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá
A noite, um jantar especial em uma pizzaria em Toronto e um passeio pela rua mais longa do mundo, a Young Street. 1.800 milhas de rua, que vira estrada e volta a ser rua atravessando toda a província de Ontário. Não sei qual foi o critério para definir que ela é uma rua e não uma estrada, mas a fama de rua mais longa do mundo está garantida anyway.
Assistindo à derrota brasileira na final olímpica, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá
A parada foi providencial, tempo chuvoso, olimpíadas e amigos reunidos, quer situação mais perfeita? O sábado foi de muitas emoções acompanhando os jogos brasileiros nas Olimpíadas. O Brasil perdeu no futebol masculino e levou a prata. As meninas do vôlei deram um show e levaram o ouro, o coraçãozinho brazuca aqui vibrou a cada ponto!
Alegria delas e nossa nas Olimpiadas (em Toronto, no Canadá)
À tarde enquanto as meninas foram ao shopping, os meninos ainda assistiram a final do Boxe, onde o brasileiro levou prata. Final do dia com churrasquinho, cervejinha, lutas de espadas e um super encontro com o Homem Aranha! O Lucas está lindo e esperto demais! O time dele do Summer Camp ganhou no futebol, ele nos ensina a pronúncia das palavras em inglês, dá as dicas sobre o ipad e é ligeiro demais na espada! Amigos, obrigada por tudo, foi demais reencontrar vocês!!!
O Lucas na sua roupa predileta, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá
Reencontro de amigas na casa da Dani, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá
Amanhã o dia será de explorações em Toronto e tristes despedidas dos amigos. Que seja só um até logo, esperaremos vocês na nossa casa de rodas lá na Costa Oeste! Vancouver, Califórnia ou onde vocês escolherem, estaremos esperando com a Fiona de portas abertas!
O queridíssimo Lucas, filho da Dan e do Alê, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá
Gigante entre as gigantes, pé de Samaúma na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
A Floresta Nacional do Tapajós é uma unidade de conservação criada em 1974 com o objetivo principal de preservar os recursos naturais encontrados nesta região, sejam eles minerais, animais ou vegetais. A FLONA Tapajós possui 554 mil hectares de Floresta Amazônica e fica localizado entre o Rio Tapajós e a BR 163, famosa Cuiabá- Santarém. Além do trabalho de preservação o ICM-Bio estimula pesquisas científicas sobre este bioma e desenvolve um trabalho de manejo sustentável da floresta junto às populações tradicionais da área de reserva.
Placa indicativa da trilha na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
As maiorias destas comunidades localizam-se às margens do Rio Tapajós, tendo acesso por barco ou estrada. As mais procuradas para visitação são as comunidades ao norte do parque, São Domingos, Maguari e Jamaraquá, que já possuem serviço de guias locais. A reserva foi aberta à visitação já como parte do plano de desenvolvimento sustentável da comunidade, que abriu trilhas para suas principais atrações e treinou mateiros locais para a recepção dos turistas.
Portaria da FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Nós fomos conhecer a comunidade de São Domingos. O Seu Luiz é o coordenador do projeto de visitação desta vila, porém estava em outra atividade. A partir do contato com o guarda-parque na sede do ICM-Bio, pagamos a taxa de 5 reais por pessoa e contatou o Seu Chico, nosso guia.
Instruções para queimadas na área da FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Seu Chico conhece muito bem a mata, participou da abertura do planejamento e abertura da trilha. Disse que levaram em torno de 10 dias para abrir a trilha que possui 14km de extensão, passa por duas áreas distintas de floresta e diversas árvores centenárias e gigantescas.
Caminhando na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
A primeira hora de caminhada é pela parte baixa e de solo mais arenoso. Ali encontramos muitas seringueiras e a vegetação típica da floresta úmida, porém em tamanhos menores. Como o solo possui menos nutrientes a própria matéria orgânica gerada pela floresta é que a mantém viva. Esta região é habitada pela população ribeirinha há anos, parte desta área já é de floresta secundária mesclada com árvores plantadas para o extrativismo. As seringueiras que vimos aqui foram plantadas pelo tio de Chico há mais de 80 anos, quando era criança. Ele, seus filhos e netos sobrevivem da extração do látex das mesmas árvores, incrível!
Seringueira com cicatrizes, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
A partir da segunda hora de caminhada chegamos à floresta primária, solo riquíssimo e embora seja menos densa, suas árvores são imensas e frondosas. A primeira gigante que vemos é uma árvore de piquiá, madeira boa para movelaria , além de possuir um óleo bom para massagem e queimaduras.
Guarúba, uma das gigantes da floresta, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Continuamos andando, tentando absorver o máximo de conhecimento possível que o Chico tem a nos passar. Ele nos contou sobre o inventário de madeira que está fazendo para a cooperativa de movelaria da comunidade. Foram mais de 2 mil árvores inventariadas com o acompanhamento de um técnico do ICM-Bio, para que sejam retiradas 80, sendo em torno de 5 unidades por ano. Eles definem quais podem ser retiradas, madeiras de lei como cedro e ipê, quantas de cada qualidade e em que período. Um belo trabalho.
Guariúba, enorme árvore na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Seguimos maravilhados pela trilha, vimos a Carapanaúba, árvore de onde se extrai o remédio da malária, Guaruba, outra das árvores gigantes, com mais de 50m de altura. Ainda assim ela não chega aos pés do Tauarí, árvore de raízes imensas e aqui encontramos 5 delas, uma ao lado da outra, e elas estão se unindo, formando uma única parede de madeira.
Dois pés de Tauarí fundidos, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
A trilha é circular, começa atrás da sede da portaria da FLONA e termina atrás da igreja da vila. O ponto central da trilha é a principal atração, descoberta apenas 6 meses depois que a trilha estava em uso, uma Samaúma gigante, com 50m de altura e raízes colossais. Ao lado dela fica uma cabana de palha de coco coruá, usada no período de seca para excursões que dormem uma noite no meio da floresta.
Gigantesco tronco de Samaúma, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
A partir daí, 7 km se foram e 7 km ainda estão por vir. Vimos ainda guariúbas, árvore de raízes vermelhas, cedros, apuís abraçadeiras e muitos babaçus. Demos a grande sorte de encontrar com um bando de bugios gritadores fazendo um barulho ensurdecedor. Estávamos ao lado deles, mas estavam muito no alto nas árvores, não conseguimos avistá-los. Para fechar a experiência amazônica faltavam apenas duas coisas, um temporal dentro da floresta úmida e uma cobra. O primeiro não demorou a começar, foi mais de uma hora embaixo de chuva. Para fechar uma caninana, cobra não venenosa, daquele tipo constritora, que esmaga suas presas. Ela tinha uns 3 metros e estava bem no meio da trilha, morta. Confesso que deu um alívio, mas foi bacana vê-la de pertinho.
Uma Caninana de quase três metros, morta, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
Chegamos na igreja, a chuva tinha acabado de se dissipar. Caminhamos pela principal rua da comunidade até o carro e logo nos avisaram de um bicho preguiça que estava com seu filhote ali por perto. O Seu Luiz fez questão de nos receber na sua casa, revisar os nomes das árvores que conhecemos com Chiquinho, saber se havíamos gostado e sido bem recebidos. Nos deu um panfleto da Flona e nos vendeu o artesanato que está desenvolvendo com sementes, palhas e plantas da floresta. Além de nos mostrar o couro da sucuri de 6 m que ele encontrou por ali.
Couro de sucuri de cinco metros, na casa do Seu Luiz, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
É a Floresta Amazônica às margens do Rio Tapajós. Não encontramos apenas as espécies nativas, como pudemos conhecer de perto a cultura desta comunidade, quase tão nativa quanto a floresta.
Couro de sucuri na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA
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