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A Boipeba do Moreré

Brasil, Bahia, Moreré (Boipeba)

Fim da caminhada, chegando em Moreré, na ilha de Boipeba - BA

Fim da caminhada, chegando em Moreré, na ilha de Boipeba - BA


Ontem chegamos à Valença, cidade ao sul de Salvador, muito populosa e dizem alguns tão ou mais violenta que a capital. Cidade portuária que serve como base para alcançarmos de barco Boipeba e Morro de São Paulo, duas ilhas já bem conhecidas do litoral baiano. Aqui vemos um povo que vive em uma realidade tão diferente da vida que temos na cidade grande. Não é a toa que os conceitos de vida, moral, certo e errado e até mesmo de estética são tão distintos. Ao mesmo tempo todos eles têm contato com essa outra cultura através dos turistas ou até da novela, que nestas comunidades acaba tendo o papel de apresentar ao povo o mundo fora daqui e qual delas será a vida normal? Depende. Depende em que redoma você escolher viver.

O porto de Valença - BA

O porto de Valença - BA


O barqueiro da lancha rápida que nos leva de Valença para Boipeba não estava muito contente, ele reclamava na lancha dizendo, “todos pensam que essa vida aqui é fácil, parece bonito, mas não é não, isso aqui também é estressante, cansativo”. Enquanto alguns do barco concordavam dizendo “eu sei, já trabalhei com isso, fiquei 20 anos nesta vida”, outro dizia, “é meu filho, mas existem trabalhos muito piores”. O homem com chapéu da Capitania dos Portos, que já havia trabalhado com isso, contou um causo de quando seu barco foi sequestrado por 4 homens encapuzados neste mesmo trecho que estávamos atravessando e entraram em um canal menor, “Se o barco encalhar aqui você leva bala!” Levaram todos os pertences dos turistas, 10 mil dólares, câmeras e todos os objetos de valor. E então, ali logo ao lado fica o paraíso que estamos procurando, doido não?

Jovens trabalham no  porto de Valença - BA

Jovens trabalham no porto de Valença - BA


Eu já estive em Morro de São Paulo, mas Boipeba acabou ficando para esta próxima viagem. Finalmente, quase 10 anos depois chego aqui e a primeira impressão que tive foi que estava chegando em Morro. Um paraíso que já fora descoberto há muito tempo. No verão tanto as ilhas quanto as praias do continente com mais estrutura ficam abarrotadas de turistas brasileiros e estrangeiros.

Lancha entre Valença e Boipeba - BA

Lancha entre Valença e Boipeba - BA


O portinho onde desembarcamos já lotado de pousadas e restaurantes. Embora carros não transitem na ilha, quase todas as ruas são calçadas. A arquitetura é aquela de cidade pequena e simples que cresceu desordenadamente e infelizmente sem muito charme. Porém Boipeba possui um outro lado, mais intocado, mais rústico e muito conhecido por sua beleza natural. Adivinhem? É para lá que nós vamos!

Uma 'ambulancha', em Boipeba - BA

Uma "ambulancha", em Boipeba - BA


Cruzamos a cidade da Velha Boipeba e chegamos até o ponto do trator, onde deveríamos pegar uma carona no trator da escola ou fretá-lo para nos levar até a vilazinha do Moreré. O trator da escola saiu adiantado hoje, então perdemos a carona e tivemos que escolher entre uma caminhada de 4km por uma estrada de areia fofa, com mochilas nas costas e o sol no coco ou pagar 40 reais pelo frete do trator. Pô, o que são 4km? Vamos a pé, só tem uma ladeirinha que ficará rapidinho para trás. Almoçamos no restaurante do Dan uma comidinha caseira com tempero delicioso e pé na estrada.

Placa informativa entre Boipeba e Moreré, na ilha de Boipeba - BA

Placa informativa entre Boipeba e Moreré, na ilha de Boipeba - BA


Foram pouco mais de 40 minutos caminhando, a ladeira foi subestimada, mas valeu a pena. Agora sim estamos chegando na Boipeba que eu imaginava! Mareré é uma vilazinha de pescadores com apenas 7 pousadas, quase todas à beira da praia, alguns poucos restaurantes e toda a tranqüilidade do mundo!

Praia de Moreré, na ilha de Boipeba - BA

Praia de Moreré, na ilha de Boipeba - BA


A maré estava cheia, chegamos, nos acomodamos na Pousada Mangueira enquanto ela baixava um pouco e fomos caminhar na Praia da Bainema. Uma praia maravilhosa logo ali, passando o mangue, o rio e cruzando por trás do morro onde fica a Fazenda dos Odebrecht. Água quentinha, verdinha, praia comprida com milhares de coqueiros.

Fim de tarde na praia de Bainema, próximo à Moreré, na Ilha de Boipeba - BA

Fim de tarde na praia de Bainema, próximo à Moreré, na Ilha de Boipeba - BA


O Ro foi correr e eu fiquei fazendo meus exercícios na praia, enquanto o sol baixa aos poucos. Um banho de mar e a caminhada de volta, mais tarde trabalho e um lanchinho natureba de pastéis assados de berinjela na Da Luz. Depois de transitarmos entre diferentes mundos, encerramos assim este dia saudável, na nossa redoma do dia, na Boipeba do Moreré.

Pôr-do-sol entre coqueiros da praia de Bainema, próximo à Moreré, na Ilha de Boipeba - BA

Pôr-do-sol entre coqueiros da praia de Bainema, próximo à Moreré, na Ilha de Boipeba - BA

Brasil, Bahia, Moreré (Boipeba), Boipeba, Moreré, Praia, Trekking, trilha, Valença

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Martha´s Vineyard

Estados Unidos, Massachusetts, Cape Cod

Falmouth, cidade no sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Falmouth, cidade no sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Uma ilha localizada ao sul de Cape Cod, Martha´s Vineyard é um dos destinos preferidos dos cidadãos mais abastados da costa leste americana. A ilha possui em torno de 15 mil habitantes e, além de Bill Clinton e Barak Obama, outros mais de 100 mil turistas e veranistas passam por aqui com suas famílias todos os anos.

Antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Sua tradição como ilha de veraneio começou em 1830 com os grandes acampamentos de congregações metodistas. Eles lotavam a ilha todos os verões em tendas, que ao passar dos anos viraram cottages e formaram uma nova cidade, que parece nascida em um conto de fadas.

Foto antiga de acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Foto antiga de acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Hoje, os mais de 300 “gingerbread” cottages com sua arquitetura em estilo Campground Gothic Revival, ainda são residências particulares e uma das principais atrações turísticas da ilha. Um deles foi transformado em museu com exposição de fotos, mobílias e roupas utilizadas nos antigos acampamentos. A Cottage City seu início à atual Oak Bluffs, o principal centro econômico e turístico da ilha.

Charmosos cottages centenários de antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Charmosos cottages centenários de antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Cottages centenários de antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Cottages centenários de antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Oak Bluffs está a poucos passos do imperceptível limite municipal da cidade de Tisbury, conhecida também como Vineyard Heaven. Lá chegamos no ferry das 9h vindo de Falmouth e após alguns minutos de pesquisa decidimos que utilizaríamos o transporte público para nos locomover na ilha.

Ferry para Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Ferry para Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Ônibus público em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Ônibus público em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Também pudera, aluguel de carro não sairia por menos de 150 dólares para as 5 horas que tínhamos para explorar a área. Uma moto custaria 99 dólares “plus taxes” e a bicicleta em torno de 60 dólares para nós 3. A bicicleta era a nossa escolha, mas o tempo chuvoso e o tiozinho das informações turísticas nos ajudou na decisão: ônibus de linha com ar condicionado e horários bem organizados por 2 dólares a viagem! Até aqui, no paraíso dos ricos e famosos, todos têm uma opção!

Pegando ônibus em Edgartown, em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Pegando ônibus em Edgartown, em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Em um lugar tão elitizado como o “The Vineyards” o custo de vida chega a ser 60% mais alto que na média nacional americana, com lojas, restaurantes e hotéis deliciosos e preços pra lá de salgados.

Bela paisagem em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Bela paisagem em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Nos anos 30 a ilha começou a ser frequentada por nada mais nada menos que a Família Kennedy. Todos os anos a família se reunia em Hyannis, costa sul de Cape Cod, em sua mansão de veraneio. Jackie Onassis, ou melhor, Jacqueline Kennedy Onassis, manteve uma casa até o ano de sua morte, em uma das regiões mais bonitas de rochedos coloridos ao norte da ilha, também conhecida como Gay Head.

Caminhando em Edgartown, pequena cidade em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Caminhando em Edgartown, pequena cidade em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


A relação dos Kennedy com a região não vive só de glórias e boas memórias. As atenções do mundo se voltaram a esta ilha quando Ted Kennedy, irmão mais novo de John, sofreu um acidente de carro onde sua secretária foi vítima fatal, enterrando a sua chance de se candidatar à presidência americana. Também foi aqui na costa de Martha´s, que morreram J. F. Kennedy Jr, sua mulher e sua cunhada, em um acidente de avião em 16 de julho de 1999. A história, relatos e fotos dessa íntima ligação dos Kennedy com Cape Cod pode ser vista em uma das mansões da família que foi transformada no museu J. F. Kennedy, na cidade de Hyannis.

Igreja Metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Igreja Metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Com dia chuvoso o nosso passeio foi mais cultural e gastronômico. Depois de visitar a Cottage City em Oak Bluffs, seguimos de ônibus para Edgartown, primeira vila inglesa da ilha, fundada nos idos de 1600. A antiga base baleeira, hoje é um centro cultural com diversas galerias de arte, restaurantes deliciosos e boutiques de grandes marcas.

Caminhando em Edgartown, pequena cidade em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Caminhando em Edgartown, pequena cidade em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


O final da tarde foi na prazerosa marina de Tisbury, lotada de bacanas americanos naquele clima “ver e ser visto”, aproveitando a trégua da chuva para tomar “uns bons drink” com sua turma de amigos.

Caminhando pela orla movimentada em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Caminhando pela orla movimentada em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


O nosso tour histórico valeu à pena! Mas com mais tempo e sorte com o clima, a melhor opção aqui é pegar uma bicicleta e sair rodando a ilha, parando pelas praias, belas paisagens e ainda aproveitando a boa gastronomia à disposição nas cidades.

Esperando o ferry de volta, em bar na orla de Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Esperando o ferry de volta, em bar na orla de Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Voltamos a Falmouth ainda a tempo de pegar a estrada em direção à Conneticut, fugindo do trânsito de saída de Cape Cod e acelerando a nossa chegada à Lakeville, mais um dos recantos de verão do leste dos Estados Unidos.

A concorrida ponte que dá acesso à península de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

A concorrida ponte que dá acesso à península de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Massachusetts, Cape Cod, cidade histórica, ilha, Martha´s Vineyard, Praia

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O arranha-céu cor-de-rosa

Bahamas, Paradise Island

Praia de Paradise Island - Nassau - Bahamas

Praia de Paradise Island - Nassau - Bahamas



Ontem citei no meu post a Ilha da Fantasia, como um lugar quase inalcançável, até por que na vida real ele só era um set de um filme produzido há alguns anos. Convenhamos, estes lugares assim só existem em filmes!

Hoje fomos conhecer a Paradise Island, uma ilha próxima de Nassau fácil de chegar de táxi ou atravessando em ferry boats. Optamos pela segunda opção, já que era mais barato e com certeza tinha um visual muito mais bacana. Já no caminho os guias nos mostram as casas de estrelas do rock como Mick Jagger e de Hollywood como Sean Conery. Vimos até a antiga casa de Charles Chaplin, vendida por sua neta para Nicolas Cage, que também possui um Cay (pequena ilha) aqui nas Bahamas. Todas localizadas em uma parte totalmente privada da ilha, sem estradas ou qualquer acesso por terra, nem o serviço de limpeza pública consegue chegar lá. E o que os atrai à Bahamas? Não apenas suas águas azul turquesa, mas também o fato do país ser tax free, afinal quem quer ficar pagando imposto sobre casas de 10 milhões de dólares?

Praia de Paradise Island - Nassau - Bahamas

Praia de Paradise Island - Nassau - Bahamas



Chegando a Paradise Island caminhamos direto para Cabbage Beach e a vista que temos é novamente inacreditável. Água maravilhosamente azul, transparente e areias brancas super macias. Esta é a praia da maioria dos Resorts, portanto estava cheia e com uma quantidade absurda de jet skis na água, não sei como eles não se trombavam, já que não tem organização nenhuma de tráfico marinho. Caminhando pela praia, não poderíamos deixar de conhecer o Atlantis Resort, este arranha-céu cor-de-rosa horroroso, uma arquitetura com gosto um tanto quanto duvidoso, mas que por dentro conseguiu reunir em um só lugar todo tipo de entretenimento possível e imaginável. Dentro da área de lazer do hotel eles criaram a maior lagoa artificial de água salgada do Caribe! Nela você pode ir à praia, andar de pedalinho, fazer snorkeling, tomar banho de cachoeira e por fora ver tudo isso através dos aquários que passam pelos corredores do hotel conhecendo as diversas espécies de peixes, tubarões, raias, lagostas, anêmonas, corais e tudo que o mar do caribe oferece de mais bonito. Tudo isso com Atlantis, a cidade perdida, como cenário. É uma obra faraônica, tudo é gigantesco. Ali, logo ao lado das cachoeiras, você pode jogar no cassino ou entrar em uma de suas diversas boates ou restaurantes. Realmente eu fiquei impressionada! Embora este tipo de turismo seja o extremo oposto do que gosto, eu tive que tirar o chapéu.

Resort Atlantis - Nassau

Resort Atlantis - Nassau

Aquário do Atlantis - Nassau

Aquário do Atlantis - Nassau



Saindo do Atlantis, passamos por uma Marina que além de casas e barcos bacanérrimos, possui um centro comercial com bares, restaurantes e boutiques de luxo. Todas as casas coloridinhas em estilo colonial inglês, tudo isso para fechar com chave de ouro, até onde conheço hoje, o que mais se assemelha com a Ilha da Fantasia.

Para não sair do clima chegando a Nassau fomos conhecer o Café Matisse. Chegamos lá com as roupas praianas pensando apenas em comer uma sobremesa no final da tarde. O dono, um bahamense descendente dos colonizadores ingleses e que já morou um ano no Brasil, nos recebe à porta perguntando-nos qual seria a nossa reserva. “Não temos reservas”, falamos, e em um minuto já estávamos em uma mesa deliciosa no jardim do restaurante. Sabe aquela sensação de estar no lugar perfeito na hora errada? Cardápio de dar água na boca, mas nós tínhamos acabado de almoçar! Todos em volta super arrumados e nós de saída de praia? Hahaha! A saída foi relaxar a aproveitar. Comemos uma entrada deliciosa, terrine de parmesão grana com folhas e amendoins verdes, um vinho francês merlot-cabernet e uma sobremesa de morangos especial! Sendo assim, fomos obrigados a comemorar os nossos 11 meses e 1 dia de casados ao lado da elite branca bahamense.

Ana saboreando um vinho frances no Café Matisse - Nassau

Ana saboreando um vinho frances no Café Matisse - Nassau

Bahamas, Paradise Island, Praia

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Búzios – Iriri

Brasil, Espírito Santo, Iriri

Praia Areia Preta, em Iriri - ES

Praia Areia Preta, em Iriri - ES


Um dia de trânsito pela BR 101 entre Búzios e Iriri, trânsito mais lento do que imaginávamos. Pouco menos de 360km e 5 horas nos separavam do nosso sétimo estado brasileiro. Aos poucos vamos ficando mais distantes de casa e nos sentindo cada vez mais livres. Este nosso período na região sudeste foi e ainda está sendo ótimo, mas é também um pouco angustiante. Quando planejamos a viagem de 1000dias por toda América, pensamos em cada passo, cada país, cada cultura e criamos a expectativa de estarmos à frente sempre, mais longe, mais distantes, mais embrenhados nas veias do continente americano.

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo


Chegando a Iriri já começamos a sentir o calor do nordeste. Nos instalamos na Pousada Recanto da Pedra, na praia da Costa Azul e almoçamos à beira mar. Mesmo com o tempo um pouco nublado o mormaço nos animou a dar uma bela caminhada pela praia da Areia Preta, Costa Azul e a Praia dos Namorados, todas muito próximas umas às outras, com areias avermelhadas e águas tranqüilas.

A pequena praia Costa Azul, em Iriri - ES

A pequena praia Costa Azul, em Iriri - ES


Trabalhamos no site e na nossa programação da semana. Entramos novamente em contato com a operadora de mergulho em Guarapari, ansiosos para saber se conseguiremos mergulhar amanhã. O mar estava muito agitado e a visibilidade esta semana estava horrorosa, mas o vento está começando a diminuir e a água está começando a limpar, amanhã vamos mergulhar!

Falando no telefone na praia Areia Preta, em Iriri - ES

Falando no telefone na praia Areia Preta, em Iriri - ES


Um final de tarde super gostoso na Praia da Costa Azul, uma corridinha na praia e um banho de mar já no escuro nos lembram como é bom nos sentirmos livres. Estamos nos aproximando do final desta etapa, finalizando a região sudeste e em algumas semanas iniciaremos uma das regiões mais belas do Brasil, o nordeste! Antes disso ainda temos Dunas de Itaúnas e o aniversário de um certo companheiro de viagem.

Brasil, Espírito Santo, Iriri, Praia

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A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Dicas Práticas de Cuba

Cuba, Havana, Santiago de Cuba

Meio de transporte comum em Camaguey, em Cuba

Meio de transporte comum em Camaguey, em Cuba


Não somos e não temos a intenção de ser um guia de turismo, mas algumas dicas podem ser valiosas para organizar e agilizar a sua viagem para Cuba.

CÂMBIO
O sistema econômico é um tanto quanto esquisito. Hoje o país possui duas moedas, a Moneda Nacional (25 pesos = 1 CUC) e os CUCs ou Pesos Convertibles (CUC$ 1,00 = US$ 1,10 ). Notaram que um dólar vale 10% menos que um CUC? Sim, existe uma taxa sobre a moeda americana. A dica é viajar para Cuba com euros que não são taxados e valem 1 Euro = 1,26 CUCs (cambio variável).

HOSPEDAGEM EM CASAS DE FAMILIA
Dentro do sistema socialista e comunista uma das formas que os cubanos têm de fazer dinheiro é recebendo turistas em suas casas. Existem as casas legais, licenciadas pelo governo e é claro, também existem as ilegais. A diferença de custo deve ser de uns 10 CUCs e sem dúvida é o conforto e a qualidade. A casa mais famosa de Havana é a Casa de Ana e Pepe, estão super bem indicados no Trip Advisor e sempre lotados, por isso Pepe trabalha também como agente de turismo, agenciando as casas em Havana e outras cidades e é claro, cobrando uma comissão deles por isso. A comissão é em torno de 5 CUCs, então se você agendar direto o valor deve ser um pouco mais barato do que o citado. Segue abaixo a lista das casas onde ficamos hospedados em cada uma das cidades.

Reencontro com a Dona Margarita em Havana, em Cuba

Reencontro com a Dona Margarita em Havana, em Cuba



La Havana – Casa de Dona Margarita
Endereço: Calle 21, 1252. Entre Calles 20 e 22. Bairro El Vedado.
Tel.: (537) 8302601
Preço: CUC $ 30,00 + 6 CUCs de café da manhã.

Cienfuegos – Casa de Omar e Ileana
Endereço: Avenida 52, 4309. Entre calles 43 e 45.
Tel.: 0 4355.0408
Preço: CUC $ 25,00 + 5 CUCs de café da manhã.

Trinidad – Casa de Humberto e Magalys
Endereço: Alameda Jesus Menéndez, 15. Entre Calles Lino Pérés e Camilo Cienfuegos.
Tel.: 0 4199.3192
Preço: CUC $ 25,00 + 5 CUCs de café da manhã.

Camagüey – Casa de Mirian Guerra de La Cruz
Endereço: Calle Joaquin de Agüero, 525. Entre 25 de Julio e Perucho Figueredo. Reparto Vigía.
Tel.: 0 3228.2120/ 0 5270.3252
Preço: CUC $ 20,00 + 5 CUCs de café da manhã.

Santiago de Cuba – Casa de Georgina Martinez
Calle Pérez Carbó, 1570. Entre Aguilera e Lico Bergue.
Tel.: 0 2262.5354
Preço: CUC $ 25,00 + 5 CUCs de café da manhã.

ALUGUEL DE CARRO

Com o nosso carro em Playa Ancón, em Trinidad - Cuba (foto de Laura Schunemann)

Com o nosso carro em Playa Ancón, em Trinidad - Cuba (foto de Laura Schunemann)


Nosso amigo e companheiro de viagem fez uma pesquisa e negociações com as empresas de locação de carro e a que ficou mais em conta foi a Cubacar, embora comparada com outros lugares ainda seja muito caro. Pagamos 75 dólares/dia + 15 dólares de seguro diário + 3 dólares por dia para adicionar um segundo condutor e 100 dólares de taxa de retorno, pois entregaremos o carro em Santiago e não em Havana. Viabilizou porque estamos em 4 pessoas, senão viajar de ônibus seria a melhor opção. Outra companhia que pode ser pesquisada é a Rex. Vale a pena reservar com antecedência, os carros estavam completamente esgotados em Havana, para locação para os próximos três dias para irmos à Viñales. Acabamos encontrando um carro médio (econômico estava esgotado) na Cubacar em frente ao Terminal da Via Azul do El Vedado.

LINHAS AÉREAS

O incrível mar na costa sul de Cuba, voando para Havana

O incrível mar na costa sul de Cuba, voando para Havana


As companhias aéreas de Cuba oferecem poucos horários de vôo, então é obrigatória a compra das passagens com antecedência, mesmo que você tenha tempo para a sua viagem. É comum os vôos mais requisitados ficarem lotados, sem possibilidade de compra com mais de um mês de antecedência. As companhias disponíveis são a Cubana de Aviación, Aero Caribbean e a jovem Aerogaviota.

Check in – vôos nacionais duas horas antes do horário do vôo e três horas em vôos internacionais. Chegar com antecedência para o check in é obrigatório. A oferta de horários e aeronaves é baixa, portanto as companhias aéreas fecham o check in dos passageiros e abrem a lista de espera uma hora antes, para dar tempo dos passageiros chegarem ao aeroporto e embarcarem.

ÔNIBUS

Parada na rodoviária de Santa Clara, em Cuba

Parada na rodoviária de Santa Clara, em Cuba


São duas principais companhias de ônibus em Cuba, a Via Azul e a Astro. A Via Azul é mais confortável e mais cara do que a Astro, que é o transporte mais acessível, mas ainda assim a Via Azul é bastante utilizada pelos cubanos. Algumas agências de turismo conseguem organizar transfers com a Transtur, empresa voltada apenas para turistas, que trabalha mais com grupos e fretes. A Transtur costuma ser mais rápida, sem muitas paradas, mas tem menos opções de horários. No site da Via Azul podem ser feitas reservas online, melhor opção que comprar em agências de viagem, que muitas vezes não repassam a reserva à central, como aconteceu conosco. Em qualquer uma delas a dica é levar água, algum biscoito e deixar os casacos de frio à mão, pois o ar condicionado é congelante!

Horários: achei uma página bem simples, mas que tem várias informações sobre transporte em Cuba. Sua última atualização foi em Julho de 2011, mas já ajuda a dar uma boa noção de horários de passagens e tem alguns telefones úteis.

TRANSPORTE ROOTS

Esperando o trem passar, na viagem entre Trinidad e Camaguey, em Cuba

Esperando o trem passar, na viagem entre Trinidad e Camaguey, em Cuba


Se o seu negócio é preço baixo e você não se importa de passar um dia ou quem sabe até três em transito, existem as opções de trem e caminhão. Além de mega lotado, o trem é antigo e por isso um percurso de 15 horas às vezes pode levar três dias, pois a locomotiva quebra e pára para reparos no caminho. Detalhe, não tem nem um vagão restaurante ou ambulantes ao redor do trem para vender uma cervejinha.

Transporte por caminhão, o mais popular em Cuba (estrada entre Pinar del Rio e Havana)

Transporte por caminhão, o mais popular em Cuba (estrada entre Pinar del Rio e Havana)


O caminhão é a opção mais roots, é como a maioria dos cubanos viajam, alguns com banco outros só na caçambona mesmo. Conhecemos dois brazucas que fizeram em três dias de Havana para Santiago em caminhão e carona. Eles gastaram apenas 5 CUCs, mas confessaram que foi um perrengue e a volta seria de ônibus.

Cuba, Havana, Santiago de Cuba, dicas, Guia, hospedagem, roteiro

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A Ilha Encantada

Brasil, Maranhão, Ilha de Lençóis

AS dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

AS dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


A Ilha de Lençóis é rodeada de histórias fantásticas, lendas e crendices. A principal delas é a lenda de Dom Sebastião, que remonta a história do Rei português que foi dado como desaparecido em uma batalha no Marrocos no final do século XVI. Dom Sebastião morreu jovem e não deixou um descendente para o trono. Assim, quem estava na linha sucessória era o então Rei da Espanha que unificou os reinos. Isso gerou um movimento nacionalista entre os portugueses, que desde então sonham com o retorno do salvador da pátria, Dom Sebastião.

Exibição no Memorial de Dom Sebastião, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Exibição no Memorial de Dom Sebastião, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Reza a lenda que Dom Sebastião vive em um reino encantado sob as dunas da Ilha de Lençóis. Nas noites de lua cheia, ele sai de seu castelo e aparece para o povo como um touro gigante. Neste dia podem-se ouvir os tambores rufando para o rei. Os mais antigos ainda evitam sair de casa ou caminhar na direção das dunas nas noites de lua cheia, principalmente no dia 13 de Junho, que seria a principal data de sua aparição. Coincidência ou não é a mesma data que começam em todo o estado as festanças do Bumba meu Boi (corrigido).

Exibição no Memorial de Dom Sebastião, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Exibição no Memorial de Dom Sebastião, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Alguns pescadores contam que já viram luzes azuis correndo pelas praias e dunas nas noites de lua cheia. Seriam elas mais um sinal de Dom Sebastião? Estas histórias permaneceram na ilha durante todos estes anos, sendo passadas através de gerações de pai para filho. A chegada da energia elétrica, porém trouxe consigo novos hábitos que não existiam, como o de assistir televisão e ouvir música. Antes da luz as pessoas saíam às ruas para conversar no final do dia, trocavam experiências e ouviam as histórias e lendas que os antigos contavam. Hoje preferem ficar em suas casas assistindo às novelas.

Nossa pousada na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Nossa pousada na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Foi criado na ilha o Memorial de Dom Sebastião. Idealizado, construído e doado por um maranhense doutorando pela UFRJ, que teve sua tese defendida sobre as histórias e lendas da Ilha de Lençóis. Neste memorial encontram-se livros, fotos, ornamentos e representações desta cultura, além de uma pequena biblioteca para uso da comunidade. Ele é mantido por doações de visitantes e pelo trabalho de alguns voluntários da comunidade, que valorizam a manutenção desta memória que faz parte da cultura e da vida dos ilhéus.

Casa que abriga o Memorial do rei Sebastião na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Casa que abriga o Memorial do rei Sebastião na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Como o Sebastianismo veio parar aqui na Ilha de Lençóis não se sabe ao certo, para mim é mais um indício de que a ocupação da ilha é mais antiga do que se pode imaginar.

Brasil, Maranhão, Ilha de Lençóis, Dunas, Reentrâncias Maranhenses

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Cruzando Cuba

Cuba, Havana, Cienfuegos

Uma das quedas d'água da Cascata del Nicho, próxima à Cienfuegos, em Cuba

Uma das quedas d'água da Cascata del Nicho, próxima à Cienfuegos, em Cuba


Nesta viagem cruzaremos a ilha de Cuba da capital Havana à Santiago de Cuba passando por suas principais cidades históricas como Cienfuegos, Trinidad, Camaguey, Santa Lucia e Santiago em 8 dias. Os últimos dois dias Laura e Rafa já terão nos abandonado e seguiremos para a Provincia de Pinar del Rio, na cidade de Viñales. Pepe, agente de turismo que possui uma pousada em Havana, já havia nos ajudado a organizar as casas de família onde ficaremos hospedados em cada uma dessas cidades. Hoje começamos a nossa aventura overland!


Roteiro por Cuba

A maratona começou cedo, no aeroporto de Nueva Gerona, pegando o vôo para Havana. Quase perdemos o vôo, pois mesmo sendo nacional é solicitado chegar duas horas antes. Foi uma vergonha, tiveram que desfazer o check in de um cara, pois como tínhamos agendado e “somos turistas mal informados”, tínhamos prioridade. Chegando a Havana foram mais duas horas de burocracias para retirar o carro que já tínhamos deixado reservado há umas duas semanas, aquela famosa agilidade estatal que bem conhecemos no Brasil.

Antigos aviões de guerra em campo próximo à Cascata del Nicho, região de Cienfuegos, em Cuba

Antigos aviões de guerra em campo próximo à Cascata del Nicho, região de Cienfuegos, em Cuba


Carro alugado e malas no bagageiro, subimos todos no carro e pé na estrada! Rafa e Laura, piloto e co-pilota foram comandando a boléia, com uma ótima trilha sonora cubana ao fundo. A rodovia de Havana para Cienfuegos estão em um bom estado, são uns 300km, pouco mais de três horas. O que mais nos chama atenção é como a estrada é vazia! Como a grande maioria dos cubanos não tem carro, as estradas ficam praticamente desertas, com alguns caminhões, ônibus e carros do governo rodando a trabalho.

Parada técnica com nosso carro, no caminho para Cienfuegos, em Cuba

Parada técnica com nosso carro, no caminho para Cienfuegos, em Cuba


Passamos pela entrada de Cienfuegos e seguimos direto para a Cascata del Nicho, dica de Pepe. Como tínhamos apenas algumas horas a tarde, um encontro com a natureza no interior de Cuba ajudaria a diversificar a imagem que temos do país. Um paraíso que um dia já foi base das tropas rebeldes, hoje se tornou um Parque Estadual e preserva um dos mais lindos conjuntos de cascatas da ilha!

Delicioso banho num dos poços da Cascata del Nicho, próxima à Cienfuegos, em Cuba

Delicioso banho num dos poços da Cascata del Nicho, próxima à Cienfuegos, em Cuba


A entrada é de 5 CUC´s para extrangeiros e oferece toda infra-estrutura, restaurante, banheiros, trilha bem marcada e vários poços naturais para banho em água transparente e refrescante! A paisagem é curiosa, formando cortinas de rocha e pequenas grutas por onde as cascatas deslizam. Belíssima paisagem e banho refrescante para acordar do dia de estradas e burocracias.

O Rafa encontra um carangueijo de água doce na Cascata del Nicho, próxima à Cienfuegos, em Cuba

O Rafa encontra um carangueijo de água doce na Cascata del Nicho, próxima à Cienfuegos, em Cuba


Chegamos à casa de Dona Ileana e Omar no final da tarde, eles já estavam preocupados se chegaríamos ou não. Já haviam dispensado outros turistas segurando a nossa reserva. Ela nos preparou um delicioso jantar e nos contou histórias ótimas de Cuba, explicando como as coisas realmente funcionam em um país tão cheio de regras e restrições, mas essas são histórias para um próximo post.

Caminhada na região da Cascata del Nicho, próxima à Cienfuegos, em Cuba

Caminhada na região da Cascata del Nicho, próxima à Cienfuegos, em Cuba

Cuba, Havana, Cienfuegos, cachoeira, Estrada

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Black Hills e Mount Rushmore

Estados Unidos, South Dakota, Black Hills

O famoso Mount Rushmore, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

O famoso Mount Rushmore, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Uma das melhores coisas das viagens de carro são as descobertas que fazemos no caminho. Temos um roteiro macro definido, objetivos e prazos que vão se desenhando durante a viagem, mas na maioria das vezes não sabemos no detalhe onde iremos parar e tudo o que iremos ver. As surpresas do caminho e a flexibilidade do roteiro é que fazem essa jornada ainda mais interessante.

Belíssima plantação de girassóis ao lado do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Belíssima plantação de girassóis ao lado do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Hoje foi um desses dias, uma surpresa chamada Black Hills apareceu no nosso caminho. Nós sabíamos que iríamos até o Mount Rushmore, famosa escultura dos presidentes norte- americanos. Sabíamos também que em algum lugar por ali existia uma grande escultura inacabada em homenagem a um Grande Chefe Indígena Americano, mas teríamos que encontrá-la. O que não sabíamos é que ambas estão localizadas em uma região super turística chamada Black Hills.

A Fiona passa sobre o Mount Rushmore, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

A Fiona passa sobre o Mount Rushmore, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


As Black Hills são um oásis verde de rios e montanhas no meio das grandes planícies e pradarias em South Dakota, quase na fronteira com o Wyoming. Estradas cênicas, parques estaduais, grandes manadas de bisões, além das controversas esculturas mamutescas que amputam as montanhas negras.

Vestimenta típica da nação Sioux, durante apresentação de música e dança em frente ao monumento Crazy Horse, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Vestimenta típica da nação Sioux, durante apresentação de música e dança em frente ao monumento Crazy Horse, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Ao redor do Mount Rushmore se construiu um novo mercado turístico na região, que de forma impressionante cria monumentos, museus e toda a estrutura de hotéis, restaurantes e gift shops explorando ao máximo o produto e sua grande reputação. Nós geralmente passamos ilesos por essas coisas, mas a nossa sede por encontrar ursos nos fez cair em um programa meio “cara-pálida”. Placas apontavam a quilômetros de distância uma fazenda onde poderíamos dirigir e ver ursos, o Bear Country USA.

Veados descansam no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Veados descansam no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Entramos e em menos de 5 minutos nos arrependemos. Pensamos que seria algo parecido com um safári, mas caímos mais em um zoológico! Enquanto dirigimos pela rua principal os animais estão divididos por espécies, cada um no seu quadrado, mas nenhum com espaço suficiente para ser feliz. Elks, Reindeer (dois tipos diferentes de veados), lobos árticos, bighorns, dall sheeps, mountain goats estavam lá soltos, todos bem alimentados e preguiçosos.

Cabra montesa no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Cabra montesa no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Lobos tiram uma pestana no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Lobos tiram uma pestana no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Puma se espreguiçando no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Puma se espreguiçando no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Os pumas estavam dentro de cercas e os tão esperados ursos, soltos em uma grande área gramada entre troncos, lagos e pedras. Eles estavam lá, lindos e formosos. Vimos de perto, abrimos a janela do carro para fotografar, o que é proibido e levamos até uma cheiradinha mais de perto, na traseira da Fiona.

Urso Preto no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Urso Preto no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Urso se refresca no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Urso se refresca no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Passamos reto no zoo de filhotinhos, mas sinceramente, depois de passar pelo Badlands e ver a maioria desses animais livres, é até um insulto vê-los neste regime semi-aberto.

Urso Preto no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Urso Preto no Bear Park, em Rapid City, região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Nossa porta de entrada das Black Hills foi o famosíssimo Mount Rushmore. Construído pelo escultor Gutzon Borglum entre 1927 e 1941, um dos maiores monumentos do mundo foi feito em comemoração aos 150 anos de democracia americana.

Chegando ao Mount Rushmore, a famosa montanha dos presidentes, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Chegando ao Mount Rushmore, a famosa montanha dos presidentes, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Quatro dos principais presidentes americanos George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln podem ser vistos da estrada antes mesmo de chegar ao gigantesco memorial construído nos seus arredores. Como tínhamos um dia longo pela frente, pulamos o cerimonial presidencial e seguimos direto para o Custer State Park.

O famoso Mount Rushmore, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

O famoso Mount Rushmore, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Visto de perfil, Washington, um dos presidentes esculpidos no Mount Rushmore, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Visto de perfil, Washington, um dos presidentes esculpidos no Mount Rushmore, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Subimos a Iron Mountain Road, estrada construída para aproveitar ao máximo o cenário das Black Hills com túneis alinhados ao Mt Rushmore, as melhores vistas para os presidentes e pontes em caracol. Um feito da engenharia, uma atração por si só.

Atravessando um dos estreitos túneis na estrada cênica que corta a região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Atravessando um dos estreitos túneis na estrada cênica que corta a região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Na sua continuação pegamos um trecho mais plano da estrada conhecida como Wildlife Loop Road, onde é mais fácil, mesmo que não garantido, encontrar algumas manadas de bisões. O final da estrada passa pelas formações rochosas pontiagudas, um paraíso para escaladores, conhecida como Needles Highway. Eu morro de vontade de escalar, voltar aos treinos de escalada e ficar pendurada nesses paredões de pedra, mas a correria nunca nos permite.

A belíssima região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

A belíssima região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Já no final do dia fizemos um pequeno detour e seguimos até o monumento do Crazy Horse. Esta região é o lar da Grande Nação Sioux, tribos indígenas que foram aos poucos dizimadas e expulsas de suas terras. Lutando para proteger o seu povo, o líder Crazy Horse foi esfaqueado pelas costas durante uma negociação com os colonizadores. Uma de suas famosas frase ele expressa esse sentimento: “My lands are where my dead lie buried.”, tradução livre “Minhas terras são aquelas onde os meus antepassados descansam.” Ficou seu exemplo de luta pelo povo indígena como símbolo de resistência.

O gigantesco monumento em construção de Crazy Horse, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

O gigantesco monumento em construção de Crazy Horse, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


O local escolhido por chefes indígenas é uma montanha sagrada para a Grande Nação Sioux. Provocados pelos homens brancos que haviam construído o Mt Rushmore, o chefe Lakota Standing Bear (Urso em Pé), sugeriu a contratação do Korczac, escultor que havia trabalhado com Borglum e já tinha reconhecimento nacional por sua obra.

Modelo de como deverá ficar o monumento  Crazy Horse, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos, quando estiver pronto

Modelo de como deverá ficar o monumento Crazy Horse, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos, quando estiver pronto


O americano de origem polonesa abraçou a causa e mesmo sem nenhuma ajuda financeira carregou a obra faraônica por mais de 30 anos, no início sozinho, mais tarde com a ajuda da sua esposa e sete filhos. A escultura continua em execução, apenas o rosto do chefe indígena Crazy Horse está pronto depois de 50 anos de trabalhos. A iniciativa continua sendo privada, sem nenhum tipo de ajuda ou financiamentos públicos. A família ainda está à frente do projeto e segue os passos do pai, um grande sonhador que acreditava na iniciativa e poder de realização individual. A Fundação Crazy Horse aceita doações e o valor pago como entrada é o que dá continuidade ao trabalho. A estátua do Grande Líder Indígena Crazy Horse terá mais de 170m de altura, sendo que só o rosto possui 26 metros! A retirada de pedras à base de dinamite é um trabalho infindável, não há previsão para término, mas chutar aí em torno de 100 ou 200 anos não seria exagero.

Índios fazem perfomance de dança típica Sioux, em frente ao monumento em construção de Crazy Horse, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Índios fazem perfomance de dança típica Sioux, em frente ao monumento em construção de Crazy Horse, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


No final da tarde ainda pudemos assistir a um pequeno show de dança indígena apresentado por integrantes da Grande Nação Sioux, como pano de fundo o monumento do Crazy Horse em um belo fim de tarde. Um dia movimentado e bem cansativo, mas cheio de descobertas!

Vestimenta típica da nação Sioux, durante apresentação de música e dança em frente ao monumento Crazy Horse, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos

Vestimenta típica da nação Sioux, durante apresentação de música e dança em frente ao monumento Crazy Horse, na região das Black Hills, em South Dakota, nos Estados Unidos


Esses tempos atrás alguém “tuitou” uma frase do Paul Theroux, “Tourists don’t know where they’ve been, travelers don’t know where they’re going.”, que na tradução livre diz “Turistas não sabem onde eles estiveram, viajantes não sabem para onde irão.” Sempre me considerei uma viajante e não apenas uma turista, mas essa frase nunca fez tanto sentido como agora, durante esta viagem. Não sabemos para onde vamos, só sabemos que vamos e que com certeza será um lugar especial.

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Macapá à Oiapoque

Brasil, Amapá, Macapá, Oiapoque

Além do asfalto, são 160 km de terra e barro na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP

Além do asfalto, são 160 km de terra e barro na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP


A distância de Macapá à Oiapoque é em torno de 560km, sendo 160 destes em estrada de terra esburacada e enlameada, neste período chuvoso. Todos nos assustaram bastante que alguns trechos seriam praticamente intrafegáveis e que mesmo com a tração 4x4 teríamos que pagar um trator para nos rebocar, serviço já oferecido na estrada. Pegamos chuva praticamente a viagem inteira, a estrada não possui postos de combustíveis, apenas um restaurante em uma bifurcação da estrada há 120km de Oiapoque.

Muito barro na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP

Muito barro na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP


Passaram por nós umas 20 Toyotas Hilux, a maioria há uns 70km/h, nem aí para os buracos. Nós queremos que a Fiona agüente firme os mais de 100mil km por toda a América, então nossa média foi de 40 ou 50km/h, quase 8 horas de viagem. A única coisa que realmente precisamos foi de muita paciência. A estrada está em construção, já foi feita uma terraplanagem, vimos o pessoal fazendo a topografia mesmo embaixo de chuva, mas ainda assim tem muitos buracos. O tempo para fazer os 160km no final vai depender da sua pressa e cuidado que quer ter com o carro.

Fazendo topografia para asfaltamento da estrada entre Macapá e Oiapoque - AP

Fazendo topografia para asfaltamento da estrada entre Macapá e Oiapoque - AP


O interior do Amapá possui diversas reservas indígenas e alguns parques nacionais para preservação da Floresta Equatorial. Passamos por um longo trecho de Reservas Indígenas Açuá e diversas aldeias à beira da estrada. Os índios estavam jogando futebol, pescando, criando gado, cortando lenha, crianças brincando na chuva, enfim, seguindo suas vidas já muito adaptadas a cultura do homem branco, como a maioria dos índios que vemos no sudeste e nordeste do Brasil. Este é o trecho de mata mais preservada, embora em alguns lotes ainda vejamos vestígios de queimadas e de desmatamento. Vai saber se são permitidos ou não.

Paisagem na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP

Paisagem na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP


No entanto, no primeiro trecho da estrada, ainda no asfalto, passamos por muitas fazendas. Trechos desmatados para pasto ainda sem nenhuma cabeça de gado e alguns com plantação dos malditos eucaliptos. Eu fiquei me perguntando, será que é desmatamento recente e ainda estão formando o pasto? Ou será que todos os bois foram vendidos? Tanta mata, tanta riqueza natural reduzida à capim! Impossível não ficar indignada, mas se estão seguindo a lei, será que devo ficar indignada? Duvido que esse desflorestamento à margem de uma BR seja criminoso, então será que devo também achar normal?

Mata queimada na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP

Mata queimada na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP


Entre tantas dúvidas e desconforto foi que me surgiu uma ideia, pode parecer esdrúxula, mas em longo prazo ela poderia funcionar. É um tema a ser discutido por antropólogos, teólogos e líderes religiosos: meio ambiente e religião. Os mandamentos e regras de cada religião surgiram por demandas naturais do ambiente de cada povo, são regras de convívio em sociedade, alimentação, higiene, etc. Não cabe a mim entrar em detalhes técnicos, até por que não sou especialista no tema, mas a fé move montanhas! Os 10 mandamentos e as principais regras de cada religião deveriam ser revisados para a inclusão de preceitos básicos para a preservação do meio ambiente e por conseqüência do ser humano. Duvido que Deus, ou os seus representantes mais próximos (Jesus, Maomé, Moisés, entre outros), não estejam preocupados com a situação atual do nosso mundo, vendo que seus filhos estão se encaminhando para um holocausto natural, e não pensem em fazer nada. Na prática o que ganharíamos com isso? Milhares de padres, pastores, rabinos, monges, pessoas do mais alto gabarito, com credibilidade na sua comunidade, ensinando e pregando para que as pessoas não cometessem mais este tipo de pecado ou delito contra a natureza. Ao longo dos tempos a religião funcionou muito bem para educar a sociedade, tirá-la das trevas e fazê-la muito mais digna, por que não aproveitar de sua experiência para este novo impasse? Enfim, pode ser uma grande viagem, mas eu ainda acho que poderia funcionar.

Plantação de Eucaliptos na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP

Plantação de Eucaliptos na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP


Final da tarde chegamos à Oiapoque, ainda com chuva, nos instalamos em um hotel às margens do Rio Oiapoque. A Guiana Francesa ali à nossa frente, do outro lado do rio. Amanhã será o grande dia, quando finalmente saberemos se o nosso plano A, de cruzar as Guianas, será possível ou não.

Chegando perto da fronteira! (na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP)

Chegando perto da fronteira! (na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP)

Brasil, Amapá, Macapá, Oiapoque,

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La Guajira e os Wayuus

Colômbia, La Guajira

As paisagens grandiosas da península La Guajira, na Colômbia, no extremo norte da América do Sul

As paisagens grandiosas da península La Guajira, na Colômbia, no extremo norte da América do Sul


La Guajira, departamento colombiano que faz fronteira com a Venezuela, nunca esteve nos nossos planos de viagem. Passaríamos por ela a caminho de Maracaibo sem nem saber direito o que deixaríamos para traz não fosse uma conversa com os nossos amigos expedicionários suíços Tina e Marcos. Seu primeiro destino na América do Sul seria justamente Punta Gallinas, a ponta mais ao norte da América do Sul, na península de La Guajira. Ficamos curiosos, mas como teríamos pouco tempo não criamos esperanças.

Mapa da península La Guajira, extremo noirte da América do Sul, em agência de viagem em Riochacha, maior cidade da região, na Colômbia

Mapa da península La Guajira, extremo noirte da América do Sul, em agência de viagem em Riochacha, maior cidade da região, na Colômbia


Dias mais tarde, ainda antes de chegarmos à Colômbia continental, encontramos um grupo de mergulhadores na ilha de Providência e dois deles me falaram novamente sobre La Guajira. “Vocês irão passar por lá, tem que fazer um tour para conhecer o povo indígena wayuu e os desertos coloridos de La Guajira!”, ficamos novamente tentados a conhecer, afinal eram mais duas pessoas falando do mesmo lugar. Já em San Andrés, na recepção de um hostal encontramos uma revista cuja a reportagem de capa eram os desertos da península mais ao norte da América do Sul. Era um sinal, impressionante como em uma mesma semana este lugar se tornara um assunto recorrente.

Cruzando o deserto da península de La Guajira, na Colômbia, extremo norte da América do Sul

Cruzando o deserto da península de La Guajira, na Colômbia, extremo norte da América do Sul


Assim que tiramos a Fiona do porto de Cartagena fizemos o nosso caminho em direção à Venezuela, paramos em Taganga e Tayrona com uma pressa maior do que a normal, era o nosso inconsciente trabalhando para incluirmos esse destino no roteiro. Retornamos das trilhas no Parque Nacional Tayrona e dirigimos até a cidade de Riohacha, capital de La Guajira.

Praia em Riochacha, cidade na entrada da península de La Guajira, no norte da Colômbia

Praia em Riochacha, cidade na entrada da península de La Guajira, no norte da Colômbia


Todas as informações que tínhamos nos diziam que a península era um lugar inóspito e fácil de se perder. Desertos, lagos de sal e centenas de caminhos que podem te deixar andando em círculos. Além disso esta mesma semana foi encontrado o carro de um casal de expedicionários espanhóis que teriam sido sequestrados na região e ainda não tinham notícias do seu paradeiro. Seria uma grande aventura ir até lá sem um guia, mas nós não tínhamos tempo para nos perder, atolarmos e nos encontrarmos. Decidimos contratar um guia local que além de nos ensinar os caminhos, nos ajudaria a mergulhar na cultura wayuu nestes 2 dias que teríamos por ali.

O belíssimo deserto na parte norte da península de La Guajira, na Colômbia

O belíssimo deserto na parte norte da península de La Guajira, na Colômbia


Os wayuus são 45% da população de todo o departamento e apenas 30% deles fala espanhol. Eles são de origem arawak, o mesmo povo que desceu para popular a Amazônia e que subiu em canoas para colonizar as ilhas do Mar do Caribe. Vivendo em um ambiente árido e hostil eles conseguiram se isolar e resistir à colonização europeia por muito mais tempo que as outras populações indígenas da Colômbia e da Venezuela. Não é à toa que são conhecidos como uma tribo guerreira e arredia aos arijunas, nós brancos, pessoas estranhas e que não conhecem e seguem a cultura wayuu. Seu território não tem limites políticos, ele é mais antigo do que qualquer definição colonial e até hoje os clãs transitam livres entre os países sul-americanos.

O pouco trânsito que encontrávamos nas estradas da península La Guajira, na Colômbia

O pouco trânsito que encontrávamos nas estradas da península La Guajira, na Colômbia


Os wayuus que vivem à beira do mar tem sua economia baseada na pesca, extração de sal e recentemente do turismo que está começando a descobrir a região. No interior o clima desértico e a falta de chuva tornam difíceis os cultivos, sendo a criação de gado e chivos (cabras), a principal atividade. Quando encontram solo apropriado e água, as culturas mais comuns são o milho, o feijão, a mandioca, o pepino, melão e melancia.

Ovelhas pastam no deserto da península de La Guajira, na Colômbia

Ovelhas pastam no deserto da península de La Guajira, na Colômbia


Um rancho no deserto da península La Guajira, na Colômbia

Um rancho no deserto da península La Guajira, na Colômbia


Contratamos nosso guia por uma agência local a Wayuu Tours. Claudia e Shirley são wayuus modernas que nasceram e viveram na cidade de Riohacha, mas mantém suas raízes, usando os vestidos tradicionais, passando a língua e os conhecimentos para seus filhos e tratam de ajudar a sua comunidade organizando tours pela península, levando trabalho e fazendo girar a economia na região. Assim além de Alex, ganhamos a companhia também de Edwin, sobrinho de Alex e filho de Shirley, que está aprendendo com o tio os caminhos de La Guajira. Há alguns meses ele guiava um grupo de turistas, perdeu a entrada da estrada para Punta Gallinas e foi parar lá em Nazareth, povoado no outro lado da península.

o Edwin e seu sobrinho Alex, nossos guias na península La Guajira, na Colômbia

o Edwin e seu sobrinho Alex, nossos guias na península La Guajira, na Colômbia


“É muito fácil se perder”, diz Alex, que vive há 43 anos na região e conhece a península como a palma de sua mão. “Estes espanhóis devem ter entrado aqui sozinhos e aqueles que vivem nas montanhas os sequestraram”, completa. Ele se referia às montanhas da Sierra Nevada, reduto das FARCs nesta região do país. As FARCs logo negaram a autoria do sequestro e dias mais tarde finalmente os espanhóis fizeram contato com a sua família esclarecendo a questão. Eles teriam sido sequestrados nas proximidades do Tayrona e seu carro abandonado lá no deserto para confundir a investigação.

Um dos muitos pequenos cemitérios espalhados pelo deserto da península La Guajira, na Colômbia

Um dos muitos pequenos cemitérios espalhados pelo deserto da península La Guajira, na Colômbia


Nós estávamos seguros e tranquilos, saímos de Riohacha com tudo organizado por eles, dormiríamos em chinchorros, redes grandes e de puro algodão feitas pelos wayuus, e provaríamos da culinária regional. Entramos na península pela cidade de Uribia, a capital indígena de La Guajira. Uribia irá receber o encontro de culturas indígenas de vários cantos da América do Sul no final do mês de junho, quando a cidade vira um grande acampamento de várias etnias, idiomas e culturas. Fomos até o centro da cidade apenas para cumprir um pedido da polícia local, que devido aos últimos acontecimentos quer saber quem entra e quem sai da península, com quem estão acompanhados e muito atenciosos deixam até os seus celulares em caso de qualquer emergência.

O trecho asfaltado da longa estrada que nos leva para a península La GUajira, no norte da Colômbia

O trecho asfaltado da longa estrada que nos leva para a península La GUajira, no norte da Colômbia


A estrada de terra que segue ao lado do caminho de trem para o norte da península La Guajira, na Colômbia

A estrada de terra que segue ao lado do caminho de trem para o norte da península La Guajira, na Colômbia


Início do labirinto de pequenas estradas que nos leva ao deserto no norte de La Guajira, na Colômbia

Início do labirinto de pequenas estradas que nos leva ao deserto no norte de La Guajira, na Colômbia


O asfalto chega até Uribia e daqui em diante seguimos pouco menos de 30km por estrada de terra paralela à linha férrea que faz o transporte de carvão mineral extraído nas minas de Cerrejón, 150 km ao sul, até o Puerto Bolívar na baía de Portete. Foi lá pelo km 24 que entramos no emaranhado de caminhos de areia, estradas rurais e o grande deserto de La Guajira. O cenário semiárido nos lembra muito o sertão nordestino, mas mais deserto e mais pobre. De tempos em tempos éramos parados por pedágios das famílias que vivem nestas terras. Uma cordinha e uma mulher ou uma criança sentados à beira da estrada. Às vezes duas mulheres e 8 crianças, as meninas sempre vestidas com o vestidinho wayuu e os meninos com a camiseta e um shorts.

Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia

Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia


Quase todos eles falavam apenas o wayuunaiki, dávamos 100 ou 200 pesos colombianos, Alex trocava cumprimentos e passávamos. A alegria deles com as poucas moedas era clara, estavam vendo que aquela tática funcionava. Alex chegou a dar uma dura em alguns marmanjos preguiçosos, que preferiam ficar ali com uma corda e suas mochilas na sombra ao invés de estudar ou trabalhar. Todos aqui se conhecem, são pouco mais de 26 clãs em toda a Guajira, todos são primos, irmãos ou tios de alguém. Demos a volta na baía de Portete, passando por um terreno enganoso que do alto parecia um deserto seco e firme, mas por baixo era puro sal e lama!

Trilhas de carro cortam o deserto de La Guajira, no extremo norte da Colômbia e da América do Sul

Trilhas de carro cortam o deserto de La Guajira, no extremo norte da Colômbia e da América do Sul


Já quase chegando na Baía Honda eis que vemos um carro que nos parecia familiar, uma Landcruiser marrom parada em um dos “pedágios”. Era Bode, o namorado suíço da Fiona! Marcos e Tina se aventuraram pela península sozinhos, estavam cobertos de lama de atoleiros salgados e rios que tentaram cruzar. Eles entraram na península pelo litoral, passaram por Cabo de La Vela e estavam buscando o caminho para Punta Gallinas.

O incrível reencontro com os suiços Marco e Tina, em pleno deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia

O incrível reencontro com os suiços Marco e Tina, em pleno deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia


Cruzando o deserto da península La Guajira, na Colômbia

Cruzando o deserto da península La Guajira, na Colômbia


No mesmo dia em que nos separamos na estrada para Taganga Tina teve um acidente, descendo da sua barraca no teto do carro ela caiu e ficou pendurada pelo dedo, preso em um anel no carro. Imaginem o estrago! Depois de uma noite com cuidados do “Dr. Marcos” decidiram procurar ajuda profissional e ela foi ao hospital para um curativo descente. Pobre Tina! Ainda assim, experimentando pela primeira vez os ventos sul americanos, estava estampado em suas caras a alegria de estarem livres por este mundão!

Nossos amigos, Marco e Tina, a bordo do Boudi, na península La Guajira, na Colômbia

Nossos amigos, Marco e Tina, a bordo do Boudi, na península La Guajira, na Colômbia


Daqui em diante Marcos e Tina nos acompanharam, ganharam tempo e perderam algumas aventuras nessa terra distante. Tudo bem, o plano deles será continuar por pelo menos mais uma semana perdidos por aqui, entre dunas e praias, wayuus e chivos. By the way, o espanhol deles já melhorou muito, pois aqui mal encontram quem fale espanhol, quem dirá inglês! Paramos para almoçar em um lugar que de fora não daríamos nada, mas dentro era uma simpática casa, com sombra e água fresca, um peixe delicioso, arroz e patacones.

A simpática índia gaiju que nos serviu o almoço na durante a jornada pela península La Guajira, na Colômbia

A simpática índia gaiju que nos serviu o almoço na durante a jornada pela península La Guajira, na Colômbia


Dirigimos por mais 3 horas passando por paisagens maravilhosas, cemitérios e mais cemitérios e inclusive caixões abertos à beira da estrada! Eu hein!? Vimos coelhos, flamingos, patos rosados e até zorros, as raposinhas do deserto. Passamos pelas dunas, belíssimas e finalmente chegamos à praia de Baía Hondita nos últimos minutos do dia, a tempo de ver o sol se pôr no mar.

As incríveis dunas na parte norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia

As incríveis dunas na parte norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia


Encontro do deserto com o mar, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia

Encontro do deserto com o mar, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia


Encontro de viajantes, brasileiros e suiços, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia

Encontro de viajantes, brasileiros e suiços, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia


O sol se põe na praia mais ao norte da América do Sul, na península La Guajira, na Colômbia

O sol se põe na praia mais ao norte da América do Sul, na península La Guajira, na Colômbia


Demos um mergulho merecido depois de tanto pó e buraqueira! Enquanto Tina e Marcos montavam seu acampamento e o azul da noite chegava, mais um espetáculo se desenhava à nossa frente, o alinhamento de Júpiter, Marte e Vênus! Aquelas três estrelas mais brilhantes no céu ainda iluminado pelo astro-rei à distância. Incrível!

Um raro alinhamento de Jupiter, Venus e Mercurio nos sauda no extremo norte da América do Sul, a península La Guajira, na Colômbia

Um raro alinhamento de Jupiter, Venus e Mercurio nos sauda no extremo norte da América do Sul, a península La Guajira, na Colômbia


Nosso acampamento na Baía Hondita não poderia ser mais confortável. O Rancho de Chander tem uma infraestrutura simples, mas quase luxuosa para os padrões locais. Enquanto o jantar era preparado conhecemos o simpaticíssimo casal italiano Elisiana e Marcos. Eles chegaram aqui de barco, vindos de Riohacha até Cabo de la Vela de carro e daí seguiram por mar, caminho que chegamos a pensar em fazer. As duas horas de lancha com vento contra foram impiedosas e finalmente eles podiam sentar tranquilos e tomar uma polar para relaxar. Polar, sim! Aqui os produtos venezuelanos são mais baratos e fáceis que os colombianos, assim já vamos entrando no clima.

Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia

Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia


Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia

Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia


O casal que vive em Luxemburgo e trabalha no mercado financeiro aproveitou a oportunidade de viagem para o casamento de um amigo, para conhecer um pouco mais do litoral caribenho da Colômbia. O sangue latino e a alegria contagiante nos fez melhores amigos em poucas horas de conversa. Encontrando nossas afinidades culturais, aproveitamos as férias para lavar a alma das quadradices germânicas ou implicâncias francônicas, dos apaixonados pelo jeitinho latino de ser! Uma lua cheia e muchas polarcitas después, Elisiana e Marcos foram para seu confortável quarto, enquanto eu e o Ro experimentamos os deliciosos e espaçosos chinchorros, nunca dormi tão bem em uma rede na minha vida! Melhor assim, pois a manhã seguinte nos reserva muitas outras aventuras!

A Ana ainda dorme no nosso quarto na península de La Guajira, na Colômbia

A Ana ainda dorme no nosso quarto na península de La Guajira, na Colômbia

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