1 Blog do Rodrigo - 1000 dias

Blog do Rodrigo - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Ubersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jido)

lugares

tags

Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão

paises

Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela

mais vistos

mais comentados

novos comentários

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: Costa Rica Há 2 anos: Costa Rica

Fiona a Las Nubes

Argentina, Salta, San Antonio de los Cobres

Caminhando sobre o sal em salinas Grandes, no norte da Argentina

Caminhando sobre o sal em salinas Grandes, no norte da Argentina


Passamos uma boa parte do dia de ontem tentando decidir como ir até San Antonio de Los Cobres, em plena puna argentina. "Puna" é o nome que se dá aqui ao altiplano argentino, uma região conectada com o altiplano boliviano com altitude superior aos 3 mil metros.

Estrada através da Quebrada del Toro para San Antonio de Los Cobres - Argentina

Estrada através da Quebrada del Toro para San Antonio de Los Cobres - Argentina


Fiona atravessa belas paisagens no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina

Fiona atravessa belas paisagens no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina


Tínhamos 3 opções: seguir com o mundialmente famoso "Tren a Las Nubes", ir de van ou com a nossa Fiona. A opção do trem foi a que sempre tínhamos imaginado. Mas o alto preço de 170 dólares por pessoa, mais o fato de ficarmos quase umas quinze horas dentro do trem, entre a ida e a volta, nos desanimou. A vantagem era que poderíamos ficar no vagão restaurante. O tempo passaria mais rápido, assim como nosso dinheiro... A segunda opção, de van, sairia pela metade do preço e poderíamos ver outras coisas pelo caminho, além de ver tudo o que se vê do trem também. Quer dizer, tudo menos uma "coisinha": o viaduto La Polvorilha, justamente a maior atração do percurso. Disseram que a estrada de terra para lá estava "muy mala".

Montanhas coloridas no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina

Montanhas coloridas no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina


Vegetação típica das terras altas argentinas na região de Salta

Vegetação típica das terras altas argentinas na região de Salta


Optamos então, claro, pela nossa Fiona! Afinal, se viemos até aqui de carro, porque não subir com ela? Parar onde quiséssemos para tirar fotos, acordar às 08:30 ao invés de 4 da madrugada, gastar um quinto do preço e ver muito mais coisas do que os passageiros do trem e das vans nos pareceram argumentos bem convincentes, hehehe.

Ponto mais alto da estrada, no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina

Ponto mais alto da estrada, no caminho para San Antonio de Los Cobres - Argentina


A cidade de San Antonio de Los Cobres - Argentina

A cidade de San Antonio de Los Cobres - Argentina


O único obstáculo para isso foi encontrar combustível! A Agentina vive crise de abastecimento e, embora o pior da crise já tenha passado, muitas vezes ainda é bem difícil achar díesel, principalmente nos postos YPF. Procura daqui e dali e finalmente achamos, num posto Esso. Taí uma situção que não tínhamos imaginado passar. Pelo menos, não por aqui. É uma agonia ficar vendo o medidor do combustível baixar, baixar e não encontrar lugar para comprá-lo. Por via das dúvidas, estamos sempre andando com nosso galão de 35 litros cheio, no portamala.

Caminhando sobre o sal em salinas Grandes, no norte da Argentina

Caminhando sobre o sal em salinas Grandes, no norte da Argentina


Bom, já eram quase 11 da manhã quando, finalmente, conseguimos partir. A estrada segue o mesmo caminho do trem, subindo a Quebrada del Toro. O cenário é maravilhoso, montanhas coloridas, cardones (cactus) fotogênicos e aquele ar limpo que só existe na altitude. As cores ficam mais vivas, as formas e contornos mais definidos e tudo parece um enorme quadro. Que bom estarmos no nosso próprio carro e podermos parar quando e onde queríamos!

Caminhando para o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

Caminhando para o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


Equilibrando-se em riacho congelado ao pé do viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

Equilibrando-se em riacho congelado ao pé do viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


A estrada por fim chegou no seu ponto mais alto, superando os 4 mil metros! Esse é um ponto histórico pois foi aí que um carro argentino estabeleceu o recorde mundial de altitude há quase cem anos, em 1915! Muito antes dos Fords T existirem! Incrível! Aí também demos carona para uma vendedora que mora em San Antonio. Ela se deu bem duplamente: ganhou uma carona e ainda vendeu duas grandes e deliciosas tortillas de queso, que devoramos no caminho! Enquanto nos alimentávamos, cruzamos e ultrapassamos o trem, que tinha saído às 6 da manhã! Vê-lo correr por entre aquela paisagem maravilhosa a 4 mil metros de altitude foi uma cena e tanto!

O impressionante viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

O impressionante viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


Subindo o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

Subindo o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


Da rústica San Antônio seguimos diretamente para o Viaduto la Polvorilla por uma estrada de terra que nem estava "tan mala". Chegamos com bastante tempo antes do trem para podermos fotografá-lo por baixo, de onde ele é ainda mais bonito e imponente. São mais de 60 metros de altura cruzando um vale a 4.200 metros de altitude, com uns 200 metros de comprimento. Um verdadeiro feito da engenharia!

No viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

No viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


O Tren de Las Nubes sobre o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

O Tren de Las Nubes sobre o viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


Depois, devagarzinho, subimos à pé a encosta para esperar o trem lá encima. Quem também esperava eram dezenas de vendedores ambulantes, com seus tecidos, comidas e lhamas para serem fotografadas. Uns quinze minutos mais tarde chegou o trem. Dele desceram dezenas de turistas para tirar suas fotos e comprar suas lembranças. Vendo essa cena, foi aí mesmo que tive certeza de que tomamos a decisão correta: muito melhor ter vindo com a "Fiona de Las Nubes"!

Turistas desembarcam no viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina

Turistas desembarcam no viaduto La Polvorilla, na região de San Antonio de Los Cobres - Argentina


O trem partiu para o longo caminho de volta e nós também, mas por um caminho diferente. Cruzamos uns 70 km da puna por uma estrada de rípio, sempre com montanhas nevadas no horizonte, paisagem cinematográfica, e chegamos à estrada que leva ao Paso de Jama, que liga o país ao Chile. À poucos quilômetros dali está a "Salina Grande", uma gigantesca planície de sal a 3.600 metros de altitude. Que coisa magnífica, aquela vastidão branca com as montanhas ao fundo! Entramos nela com a Fiona, quase ninguém por ali, sensação de sermos os únicos no mundo.

Explorando Salinas Grandes, uma enorme planície salgada no norte da Argentina

Explorando Salinas Grandes, uma enorme planície salgada no norte da Argentina


O enorme campo de sal em Salinas Grandes, na rota do Paso de Jama - Argentina

O enorme campo de sal em Salinas Grandes, na rota do Paso de Jama - Argentina


Claro que não somos! Essa é uma rota super comum para brasileiros que seguem para o Atacama, no Chile. Um galpão em meio à salina é a prova disso. Em seus vidros, dezenas de adesivos de expedições brasileiras. Agora, tem mais um lá, o nosso!

Adesivos de expedições brasileiras à caminho do Paso de Jama, fronteira da Argentina com o Chile (em Salinas Grandes)

Adesivos de expedições brasileiras à caminho do Paso de Jama, fronteira da Argentina com o Chile (em Salinas Grandes)


Estávamos à meros duzentos quilômetros da fronteira, mas seguimos em direção contrária. Queremos ir para o Chile pelo Paso de San Francisco, que nos informaram ser o mais belo de todos. Fica mais ao sul e no caminho para lá ainda tem muita coisa que queremos conhecer. Deste modo, descemos 2 quilômetros de altitude pela estrada que serpenteia montanha abaixo até a cidade de Purmamarca. Aí, encontramos a estrada nossa velha conhecida, aquela de Tilcara, onde vimos neve pela primeira vez na viagem. De lá seguimos para Jujuy e daí para Salta, dessa vez pela autoestrada, mais longa mas bem mais rápida que a pequena "ciclovia" que pegamos da outra vez.

Trilha de carro atravessa parte de Salinas Grandes, no caminho para o Paso de Jama - Argentina

Trilha de carro atravessa parte de Salinas Grandes, no caminho para o Paso de Jama - Argentina


Chegamos em Salta ainda antes do trem. Felizes com o maravilhoso dia que tivemos, memória cheia de paisagens incríveis e cada vez mais atrasados com nossas postagens no site. Tanto que vou tirar o dia de amanhã para trabalhar. É a dura vida de um viajante blogueiro...

Estrada serpenteia montanha abaixo, por cerca de 2 mil metros, entrando pelo Paso de Jama Argentina adentro

Estrada serpenteia montanha abaixo, por cerca de 2 mil metros, entrando pelo Paso de Jama Argentina adentro

Argentina, Salta, San Antonio de los Cobres,

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

Enquanto Isso, no Cotopaxi...

Equador, Quito, Cotopaxi

Madrugada no refúgio do Cotopaxi, antes de descer para o estacionamento (Equador)

Madrugada no refúgio do Cotopaxi, antes de descer para o estacionamento (Equador)


Ainda durante a viagem de volta do Chimborazo para a pousada Papagayo, fiquei sabendo que a Ana e o Rafa não tinham subido o Cotopaxi. Na verdade, não puderam nem tentar. Aparentemente, o Rafa tinha passado mal. Pensei logo na salmonela que a Laura tinha pego lá em Baños. Será que ela estava se manifestando agora no Rafa?

Mas foi só chegar na Papagayo e a dúvida se desfez e o verdadeiro culpado apareceu. Que salmonela que nada! O problema foi a altitude mesmo. O Rafa e a Ana subiram sem problemas do estacionamento até o refúgio do Cotopaxi, a 4.800 metros. Lá, jantaram e foram dormir para se preparar para a escalada da madrugada seguinte.

Paisagem na 'Avenida dos Vulcões', região do Cotopaxi, durante passeio à cavalo (Equador)

Paisagem na "Avenida dos Vulcões", região do Cotopaxi, durante passeio à cavalo (Equador)


O tempo que estava terrível de noite se abriu de madrugada, assim como ocorreu no Chimborazo. Quando acordaram, não havia vento e se podia ver com perfeição as luzes de Quito. Mas o Rafa acordou com uma terrível dor de cabeça e náuseas. O remédio para isso é descer. Como estavam só com um guia, não teve remédio. Desceram todos de madrugada mesmo, ao invés de subir. Pouco antes das cinco da manhã estavam de volta à pousada Papagayo.

Passeio à cavalo vestida à carater! (região do Cotopaxi - Equador)

Passeio à cavalo vestida à carater! (região do Cotopaxi - Equador)


Quando eu cheguei, pouco depois do meio-dia, só encontrei o Rafa, que me relatou a história. A Ana estava num passeio à cavalo pelas redondezas. Ainda cheia de adrenalina que tinha acumulado para a subida do vulcão, ela não aguentou ficar esperando ou dormindo na pousada e preferiu fazer um programa alternativo. Algum tempo depois que cheguei, chegava ela vestida à carater, sobre um belo de um cavalo, num rápido galope. A história do Cotopaxi e da cavalgada, certamente ela vai contar com mais detalhes no seu post.

Junto com o guia Xavier, depois de um passeio à cavalo pela região do Cotopaxi (Equador)

Junto com o guia Xavier, depois de um passeio à cavalo pela região do Cotopaxi (Equador)


Com os três juntos novamente, já estávamos todos prontos para voltar à Quito para encontrar a Laura e finalmente nos reunirmos outra vez. E assim foi, não demorou muito para que estivéssemos todos juntos no Hotel Eugenia, no agitado bairro Mariscal, em Quito. Naquela noite, nossa última antes da tão aguardada e planejada viagem à Galápagos, nossos padrinhos nos deram um belo presente: um jantar no badalado e delicioso restaurante de frutos do mar Zazu. Ali, falamos todos de nossas respectivas aventuras passadas e, principalmente, daquela que nos esperava à partir de amanhã: o live aboard de 7 dias pelas ilhas de Galápagos e os mergulhos com raias-manta, tubarões-martelo e, o maior de todos os objetivos, o encontro com o tubarão-baleia. Galápagos, aí vamos nós!

Delicioso ceviche no restaurante Zazu, em quito, no Equador

Delicioso ceviche no restaurante Zazu, em quito, no Equador

Equador, Quito, Cotopaxi, Montanha, vulcão

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Descendo o Rio Preguiças

Brasil, Maranhão, Barreirinhas

No barco, durante viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

No barco, durante viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Hoje foi o dia da preguiçosa descida pelas águas escuras do rio Preguiças, desde Barreirinhas até a pequena vila de Atins, já bem próxima do encontro do rio com o mar. Fomos com o barco de linha, junto com outros poucos turistas e com muitas pessoas da região, levando e trazendo suas cargas do dia à dia.

viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


O barco sai por volta das dez da manhã. Digo "por volta" porque tudo depende da maré. Com a maré muita baixa, o barco encalharia em alguns pontos, principalmente na passagem de um pequeno igarapé que faz um atalho evitando uma enorme volta de rio. Dependendo do número de paradas e pit-stops pelos pequenos povoados ao longo do rio, a viagem demora entre quatro e cinco horas. Outro fator determinante é se a maré estiver subindo ou descendo.

No barco, durante viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

No barco, durante viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Hoje, o barco saiu pouco antes das onze, pegando maré subindo (corrente contrária) em boa parte do caminho. Em compensação, pudemos pular algumas das paradas, já que não havia passageiros para alguns locais. Foram cerca de quatro horas agradáveis de viagem, em que aproveitamos para conhecer outros passageiros e admirar a belíssima paisagem do rio, sua orla e a vegetação que o cerca. Natureza exuberante, uma grande variedade de palmeiras e mangue, entrecortado por dunas que avançam em direção ao rio. Um espetáculo!

Margem e vegetação ao longo do rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Margem e vegetação ao longo do rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


A Ana ficou bem amiga de dois garotos, o Luciano e o Devanilson, e foi trocando uma idéia com eles durante quase toda a viagem. Eu fui me distraindo com a conversa deles e dos outros passageiros, um grupo de turistas paulistas viajando entre São Luís e Fortaleza, um casal recém chegado da Europa, o pessoal da região.

As primeiras dunas a aparecer, em Vassouras, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

As primeiras dunas a aparecer, em Vassouras, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Passamos e paramos nos povoados de Vassouras, onde aparecem as primeiras dunas, Mandacaru, onde está o grande farol da região e outros povoados menores. Em cada parada, descia para pegar uma cerveja gelada. Em suma, para quem não está apertado de tempo, é uma viagem magnífica e tranquila, dessas que a vida passa bem devagar, ritmo preguiçoso. Não é à tôa que o rio tem o nome que tem!

Passageiro em viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Passageiro em viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Chegando em Atins, o Buna nos esperava no porto. Levou-nos para seu rancho, um oásis delicioso de arquitetura rústica e acolhedoura. Deixamos nossas coisas no nosso chalé e fomos caminhar na praia, ignorando a chuva que se aproximava. Praia de rio, que aos poucos, vai se transformando em praia de mar. É tudo tão amplo, tão vasto, que fica difícil saber onde começa um e onde acaba o outro. Principalmente na maré seca, quando bancos de areia aparecem, uma planície alagada de areia emerge e a gente, simplesmente não sabe para onde ir, onde é a praia, onde é o mar, onde é o mundo.

Cais de Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Cais de Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Atravessamos um canal mais profundo, tomamos banho de chuva, banho de rio que já está virando mar, aproveitamos nossa total solidão num mundo onde víamos quilômetros de areia e água misturados para todos os lados, tudo mesclado com nuvens chuvosas e uma estranha luz que era filtrada por elas. Pena que não estivéssemos com a máquina fotográfica neste momento. Mas não sei se conseguiríamos fotografar de verdade aquela paisagem. Como disse, era de uma amplidão quase infinita. Pelo menos do nosso ângulo de réles seres humanos.

Cais de Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Cais de Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Amanhã, com chuva ou com sol, vamos caminhar por aí. Os Lençóis nos aguardam...

Despedindo-se do Luciano e Devanilson, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Despedindo-se do Luciano e Devanilson, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Brasil, Maranhão, Barreirinhas, Lençóis Maranhenses, Mandacaru, Vassouras

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

Forbidden Plateau

Canadá, Campbell River, Tofino

Trilha cheia de maravilhosos lagos no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Trilha cheia de maravilhosos lagos no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


“Forbidden Plateau”! Aí está um belo nome, que parece saído de um filme do Indiana Jones ou do Conan, o Bárbaro. Mas é um lugar de verdade, a parte alta, ou platô, do Strathcona Provincial Park, no coração de Vancouver Island. Ontem nós já tínhamos ido na parte baixa do parque e hoje foi a vez de conhecer essa outra parte, com um nome tão pomposo.


Nosso circuito em Vancouver Island até agora, incluindo os dois passeios no Strathcona Park

Saímos de mala e cuia do nosso hotel em Campbell River, rumo à entrada do parque que nos levaria ao Forbidden Plateau. Nossa ideia era passar o dia por lá e, já no fim de tarde, seguir viagem para o sul, seguindo tão longe quanto pudéssemos, no caminho para Tofino, onde ficaremos por alguns dias. Tofino é o principal pico de surfistas no Canadá. Além de praias e ondas, também é famosa pela suas matas com árvores centenárias, além de estreitos canais, baías e fiordes perfeitos para a prática de caiaque.

O mapa das trilhas no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

O mapa das trilhas no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


Cada lago é um novo cartão postal, no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Cada lago é um novo cartão postal, no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


Mas antes de chegar lá, ainda tínhamos um local proibido para explorar. O Forbidden Plateau é o local mais alto da ilha, onde estão diversas montanhas ideais para a prática de esqui. O mais importante resort para prática desse esporte está lá, no Mount Washington. Mas nessa época do ano a neve ainda não chegou e é a caminhada que passa a ser a principal atividade da área. Sem neve e com diversos lagos alpinos, o Forbidden Plateau, todo entrecruzado de trilhas, é o paraíso dos trekkers.

Pássaros nos acompanham no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Pássaros nos acompanham no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


Numa segunda-feira normal de outubro, o tempo seria chuvoso e não haveria alma-viva no parque. Só que hoje era feriado, o dia de Thanksgiving aqui no Canadá. Além disso, o tempo estava radiante, um dos mais belos dias dos últimos meses. Assim, quando chegamos lá encima, no estacionamento em frente à entrada principal do Forbidden Plateau, eram mais de cem carros. Todo mundo querendo aproveitar essa colher de chá de São Pedro. Nós fomos diretamente ao centro de visitantes, que só estava aberto por causa do sol e do feriado. A simpática park ranger nos mostrou um mapa, nos apontou as trilhas e disse que éramos abençoados de termos pego aquele dia lá encima.

No fundo, o Mt Washington e suas pistas de esqui (ainda sem neve!), visto do Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

No fundo, o Mt Washington e suas pistas de esqui (ainda sem neve!), visto do Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


Cada lago é um novo cartão postal, no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Cada lago é um novo cartão postal, no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


São realmente dezenas e dezenas de quilômetros de trilhas ou rotas pelo parque. Aquelas mais perto do estacionamento estavam cheias. Impressionante a quantidade de idosos aproveitando o ar puro da montanha. Todos numa forma danada! Um estímulo para que cheguemos lá com essa força toda, hehehe! Além da terceira idade, quem estava lá em grande número eram os cachorros. Outra coisa que nos deixou muito bem impressionados: não vimos um mísero cocô de cachorro nas trilhas. Tudo devidamente “cuidado” pelos seus respectivos donos. É o que eu chamo de senso de responsabilidade primeiromundística!

Um verdadeiro jardim ao longo das trilhas do Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Um verdadeiro jardim ao longo das trilhas do Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


Nós planejamos fazer o maior caminho possível nas cinco horas que tínhamos com luz do dia. Um looping passando por diversos lagos e florestas. Uma paisagem absolutamente maravilhosa, principalmente nessa época do ano, com as cores de Outono adornando as árvores, a relva, as campinas e todo o parque. Em alguns lugares, nem parecia de verdade!

Cada lago é um novo cartão postal, no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Cada lago é um novo cartão postal, no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


Aqui, tenho de, mais uma vez, prestar minhas homenagens aos lagos canadenses. Quando penso que já vi de tudo, basta chegar ao Forbidden Plateau para aprender que não, que há ainda muita beleza para ser descoberta e admirada! Não sei se era o céu azul, se eram as cores vermelhas da relva, o verde da mata, o esmeralda das águas, mas realmente, os lagos daqui estavam especiais. E falar isso depois de ver tantos outros lagos maravilhosos nesse país, é porque verdadeiramente estavam!

Cores de Outono no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Cores de Outono no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


Trilha cheia de maravilhosos lagos no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Trilha cheia de maravilhosos lagos no Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


Quase vinte quilômetros se foram, primeiro disputando espaço com outros felizardos, depois completamente a sós com a minha amada esposa, algumas dezenas de fotografias e muitos e muitos momentos de contemplação e estupefação. Ficamos com uma vontade danada de ter trazido nossa barraca para ter dormido ao lado de um desses lagos maravilhosos, nos locais preparados para camping, mas não viemos preparados. E olha que aqui nem urso tem! Quando muito, uma marmota ou um esquilo. Nada potencialmente antropófago. Pois é, mas um programa que ficará para a próxima vinda ao Canadá. Difícil vai ser ter um outro dia como esse, nesse lugar que tanto chove.

Admirando um dos muitos lagos do Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Admirando um dos muitos lagos do Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


Pausa para descanso em um dos muitos lagos do Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Pausa para descanso em um dos muitos lagos do Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá


Por falar nisso, era hora de seguir viagem. Seguir até Tofino, quem sabe. Queríamos aproveitar esses raros momentos de céu azul nessa famosa cidade praiana. A West Coast do Canadá é “carinhosamente” chamada de “Wet Coast”. Dá para imaginar porque... Então, mandei o cansaço às favas e seguimos até lá, onde chegamos pouco depois das oito da noite, Assim, já acordamos aqui para poder aproveitar o dia de amanhã. Pelo caminho ficaram algumas atrações, como a Cathedral Cove, com as maiores e mais antigas árvores da ilha. Mas teremos de passar por lá novamente, no nosso caminho para Victoria. Tenho certeza que as árvores que já estão lá há centenas de anos poderão esperar mais dois ou três dias. Já o escasso sol, esse acho que não podemos nos dar ao luxo de fazer esperar...

caminhada pelos lagos do Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

caminhada pelos lagos do Forbidden Plateau, a parte alta do Strathcona Provincial Park, em Vancouver Island, oeste do Canadá

Canadá, Campbell River, Tofino, British Columbia, Parque, Strathcona, trilha

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

Descanso com Trabalho

Colômbia, Bogotá

Com a Amelie em almoço em restaurante de Bogotá, na Colômbia

Com a Amelie em almoço em restaurante de Bogotá, na Colômbia


Mais uma vez São Pedro cooperou com o site (mas não conosco) e enviou um dia chuvoso, próprio para se ficar em casa sem dor na consciência. Conseguimos fazer mais alguns posts e enviar mais fotos, mas muito trabalho ainda resta para colocar o site em dia. Com paciência, chegamos lá...

Almoço com a Joana, Douglas, Amelie e Clara em Bogotá, na Colômbia

Almoço com a Joana, Douglas, Amelie e Clara em Bogotá, na Colômbia


Conhecemos hoje a simpática Amelie. No início meio tímida, logo ficou muito amiga da Ana. Taí a razão de eu ter feito mais posts do que ela, hehehe. O nome dela vem do belo filme da Amelie Poulan, filme que também nos inspirou na nossa "valsa de casamento". Com uma coincidência dessa, só podia acabar em amizade, hehehe!

O Douglas, Amelie e Clara durante almoço em Bogotá, na Colômbia

O Douglas, Amelie e Clara durante almoço em Bogotá, na Colômbia


Nossa única saída do dia foi para almoçar. Juntos com a simpaticíssima família que nos acolhe e também com o Angelo e a Joana. O Angelo é o dono da empresa de transporte que trabalha com o The Hall Effect. Ficamos amigos na nossa longa viagem de Cali até Girardot. Eles também estão nos tratando muito bem e já combinamos que amanhã vão nos levar para passear na cidade. Primeiro, ao Museu del Oro e depois ao Cerro Monserrate. Com ou sem chuva, porque dois dias em casa, aí já é demais!

Colômbia, Bogotá,

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

Navajo Land

Estados Unidos, Arizona, Monument Valley

Quadro exposto no Museu Navajo, no Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos

Quadro exposto no Museu Navajo, no Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos


Hoje o nosso destino era o famoso Monument Valley, localizado no norte do Arizona, bem no coração da terra dos Navajos, ou “Navajo Country” Essa é a tribo mais numerosa de indígenas americanos da atualidade, com cerca de 300 mil membros, língua e cultura próprias e um território que se estende por três estados americanos. Além do Arizona, o Navajo Country também incorpora áreas do Novo México e Utah, além da famosa fronteira quádrupla, ou “Four Courners”, ponto imaginário onde se encontram esses três estados e também o Colorado.

Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos

Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos


Ao visitar o Monument Valley hoje, fizemos uma interessante parada no Museu da Nação Navajo. É ali que se compra o ingresso para visitar o Monument Valley, que é gerido pelos Navajos, já que se localiza em território sagrado para a tribo, local ancestral que os Navajos tèm ocupado e venerado por centenas de anos. Não foi o nosso primeiro contato com essa etnia, mas certamente o mais esclarecedor. Já tínhamos dormido em um dos mais importantes trading posts dos Navajo, na saída do Grand Canyon. Depois, ao viajar entre Arizona e Utah, dirigimos por horas através de sua reserva e de paisagens belíssimas. Mas era só agora que tínhamos a oportunidade e tempo de aprender um pouco mais da história sofrida desse povo.

Mapa da Nação Navajo, em quadro exposto no Museu Navajo, no Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos

Mapa da Nação Navajo, em quadro exposto no Museu Navajo, no Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos


Registros arqueológicos e estudos linguísticos indicam que os Navajo chegaram à região há cerca de 600 anos, vindos do noroeste da América do Norte. Chegaram como um povo nômade, mas o contato com os pueblos (vamos conhecer melhor essa cultura no Mesa Verde National Park, amanhã) os transformaram em um povo agricultor, principalmente de feijão e milho. Com a chegada dos espanhóis no México e o crescimento do comércio, agora os Navajo passaram a ser grandes criadores de cabras e ovelhas, assim como hábeis artesãos de algodão e lã.

Rain God Mesa, no centro do Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos

Rain God Mesa, no centro do Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos


Infelizmente, nem só de comércio se dava o “choque de civilizações”. Ao contrário, a principal faceta dessa relação era a guerra. Primeiro, contra os espanhóis, depois com os mexicanos e, por fim, com os novos senhores daquelas terras, os americanos. Enquanto com os dois primeiros, houve um certo equilíbrio de forças, com perdas e massacres para ambos os lados, contra os americanos e sua onda ocupatória e expansionista, o povo Navajo não resistiu mais de duas décadas. Novos colonos não paravam de chegar e, atrás deles, a cavalaria americana. Em 1863, os últimos bandos de Navajos foram derrotados e toda a etnia completamente subjugada. O que se seguiu foi um dos mais tristes capítulos da ocupação do oeste americano, a chamada “Long Walk”, ou longa marcha, em que 9.000 mil índios Navajo, a maioria mulheres e crianças, foram expulsos de suas terras ancestrais e obrigadas a caminhar cerca de 500 quilômetros até sua nova reserva, no Novo México. Foi um massacre, tanto a caminhada como o período em que ficaram em sua nova reserva, centenas deles sucumbindo à doenças e à fome generalizada. Por fim, quatro anos mais tarde, foi-lhes permitido retornar para uma área próxima do Monument Valley e, com o tempo, voltaram para cá também. Apesar de toda a área ser transformada em uma reserva, os conflitos com rancheiros e empresas de mineração continuaram por décadas, até quase a metade do século XX.

As belas paisagens do Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos

As belas paisagens do Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos


A situação melhorou um pouco com a importante participação Navajo na 2ª Guerra Mundial. Os índios empregados no exército desenvolveram um código que jamais seria quebrado pelas forças japonesas. Imagina... se navajo já é difícil, imagina navajo em código! Os japoneses não tinham a menor chance. Com isso, as diversas divisões do exército podiam se comunicar por rádio e telex sem que suas mensagens fossem quebradas, Em cada regimento, um navajo para poder fazer a transcrição das mensagens!

Participação dos navajos na 2a Guerra Mundial, em quadro exposto no Museu Navajo, no Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos

Participação dos navajos na 2a Guerra Mundial, em quadro exposto no Museu Navajo, no Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos


Hoje, eles são os senhores dessa terra, com seu próprio governo e até polícia. A língua e a cultura são valorizadas e um conselho tenta conciliar as ricas tradições com as exigências da sociedade moderna. As cicatrizes da opressão a que foram submetidos ainda estão aí, mas nenhuma sociedade pode sobreviver olhando apenas para o passado. Esse, claro, não pode ser esquecido, e é essa a função do museu que visitamos hoje. Mas são os desafios do século XXI e como dar oportunidade à nova geração que está crescendo, sem deixar que sejam navajos, mas ao mesmo tempo não fiquem presos ao passado que é a grande questão que se coloca. Para os Navajo, para os Maori, para os Guaranis ou para os Bosquímonos...

Carro de polícia da Nação Navajo, no Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos

Carro de polícia da Nação Navajo, no Monument Valley, no Arizona, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Arizona, Monument Valley, história, Navajo

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Viajando Pelas Granadinas

São Vicente E Granadinas, Bequia, Union Island

Mapa estilizado de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Mapa estilizado de São Vicente e Granadinas, no Caribe


As ilhas Granadinas são uma cadeia de ilhotas que ligam São Vicente, ao norte, com Granada, ao sul. São uma espécie de “Caribe em menor escala”, ou então, o “Caribe do Caribe”. Com suas águas transparentes, baías paradisíacas e praias idílicas, são o sonho de todos os velejadores do planeta e muitos vem para cá, para passar uma temporada. É muito comum que europeus e americanos viajem para São Vicente, ou então uma ilha um pouco mais ao norte, como Santa Lúcia ou Martinica, e façam um charter (aluguel) de um veleiro ou catamarã por umas duas semanas, boa parte delas passadas entre essas belas e isoladas ilhas por onde estamos viajando. Depois, devolvem o barco no sul do arquipélago e voam de volta para casa, felizes da vida.

Curtindo a belíssima Port Elizabeth, em Bequia, ilha de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Curtindo a belíssima Port Elizabeth, em Bequia, ilha de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Para quem não sabe velejar ou não tem essa bala toda, a alternativa é viajar de ferry entre elas. Quase que diariamente, um fast ferry sai de São Vicente e percorre todas as ilhas principais das Granadinas, até Union Island. Aí é uma boa base para explorar ilhas ainda menores, que serviram de cenário para filmar blockbusters como “Piratas do Caribe” Além disso, por estar na fronteira entre dois países, Union Island também é um ótimo lugar para se encontrar outros viajantes, gente que está cruzando o Caribe em busca de paz, aventura ou trabalho.

Pier do nosso hotel em Port Elizabeth, em Bequia, ilha de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Pier do nosso hotel em Port Elizabeth, em Bequia, ilha de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Hoje, ainda tivemos toda a manhã para aproveitar em Bequia. Passamos a maioria do tempo no restaurante-varanda do nosso hotel, praticamente à beira-d’água, cenário de sonho. Um ótimo lugar para se inspirar para os posts e também para a vida. Eu ainda tive o pique de, quase correndo, caminhar pela estrada até o ponto mais alto da ilha, de onde tive uma visão panorâmica de Port Elizabeth, a capital de Bequia, e também do litoral recortado e das praias selvagens do outro lado da ilha.

Rua principal de Port Elizabeth, em Bequia, ilha de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Rua principal de Port Elizabeth, em Bequia, ilha de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Depois, já no início da tarde, mochila nas costas, caminhamos pela tranquila Port Elizabeth e abordamos o fast ferry, que não passa mais de 5 minutos parado em cada ilha. Se bobear, perdeu!

O Fast Ferry que faz a linha entre São Vicente e as principais ilhas  Granadinas, no Caribe (em Port Elizabeth - Bequia)

O Fast Ferry que faz a linha entre São Vicente e as principais ilhas Granadinas, no Caribe (em Port Elizabeth - Bequia)


Das ilhas maiores das Granadinas, ele só não parou em Mustique, que é dominada por um grande e caríssimo resort. Seguimos diretamente para Canouan, de lá para Mayreau e, finalmente, para Union Island. Normalmente, seguimos dentro da cabine fechada e com ar condicionado do ferry, mas a Ana conseguiu, na última etapa, seguir do lado de fora do barco, aproveitando para tirar fotos das magníficas praias desertas de cada ilha, assim como de veleiros e do tranquilo porto de Union Island.

Navegando entre as ilhas Granadinas, em São Vicente e Granadinas, no Caribe

Navegando entre as ilhas Granadinas, em São Vicente e Granadinas, no Caribe


Chegamos na pequena cidade de Clifton, mesmo nome do simpático hotel em que ficamos hospedados. Apesar de bem menor que Port Elizabeth, em Bequia, não demorou muito para perceber que a cidade vibra mais, tripulações de veleiros aproveitando o seu pouco tempo em terra firme para compras ou para se divertir e relaxar e gente de fora que acabou gostando daqui e se estabelecendo com algum restaurante.

Praça central de Clifton, capital de Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Praça central de Clifton, capital de Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Nós fizemos algumas compras de frutas, caminhamos pela cidade (não dura mais de 5 minutos!) e organizamos nossa ida para Tobago Cays amanhã e nossa passagem para Carriacou, ilha já no lado de Granada, para depois de amanhã. Faremos as duas viagens com a mesma pessoa, em sua “possante” voadeira.

A simpática vendedora de frutas em Clifton, capital de Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

A simpática vendedora de frutas em Clifton, capital de Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Finalmente, já escurecendo, pudemos ir para o bar e relaxar. Comi a melhor pizza em muitos meses, preparada por uma francesa que se mudou para cá e a Ana ficou muito amiga de uma argentina, a Eugenia, perdida pelo mundo. Ela tinha ido morar na Espanha e, depois de um tempo, “mochilou” para Marrocos e Saara Ocidental, de onde seguir num pequeno barco para Cabo Verde. Mas a grande aventura veio em seguida, cruzar todo o Oceano Atlântico até o Caribe num pequeno barco com apenas 5 pessoas. Foram 17 dias sem ver terra firme! Isso sim é aventura, hehehe!

Com a argentina Eugenia, em Clifton, capital de Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Com a argentina Eugenia, em Clifton, capital de Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Bom, a gente é mais modesto e amanhã vamos ficar apenas uns 40 minutos na voadeira até chegarmos ao mais belo cenário dos filmes de pirata: Tobago Cays. E a terra firme vai estar sempre à vista...

Cartaz com propaganda de Tobago Cays, em Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Cartaz com propaganda de Tobago Cays, em Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

São Vicente E Granadinas, Bequia, Union Island, Canouan, Clifton, Mayreau, Mustique, Port Elizabeth, Praia

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

No Maranhão e Pequenos Lençóis

Brasil, Maranhão, Paulino Neves (Pequenos Lençóis)

Dunas avançam sobre lagoa nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Dunas avançam sobre lagoa nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


Deixamos Parnaíba para trás hoje rumo a mais um estado na nossa jornada pelo Brasil e Américas: o Maranhão. Na verdade, técnicamente, já tínhamos estado nele ontem, quando visitamos o Delta do Parnaíba ou Delta das Américas, como preferem os maranhenses. A belíssima enseada do Feijão Bravo, por exemplo, fica no Maranhão.

Ponte do Pirangi, sobre o rio Parnaíba, que liga o Piauí ao Maranhão

Ponte do Pirangi, sobre o rio Parnaíba, que liga o Piauí ao Maranhão


Mas, para a Fiona, foi a primeira vez. Cruzamos a ponte do Pirangi, sobre o rio Parnaíba e cá estávamos no nosso 16o estado, o último do nordeste. Lembro-me das aulas de geografia, ainda no ginásio, quando os livros e professores nos explicavam que, na verdade, o Maranhão é um estado de transição entre o nordeste e o norte do Brasil, apresentando características dessas duas regiões. Chegou a hora de conferir essa história!

Dunas e lagoas nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Dunas e lagoas nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


Um pouco depois de entrar no estado, a estrada se bifurca. Para a esquerda, seguimos para São Luís, a capital. É o caminho asfaltado, próprio para carros de passeio. Para a direita também se chega à São Luís. Mas só carros altos e tracionados. Esse caminho passa pela pela famosa região dos Lençóis Maranhenses, a mais extensa região de dunas do Brasil. Adivinhem qual a rota tomamos!

Fim de tarde nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Fim de tarde nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


A estrada nos leva até Tutoia, no extremo oeste do Delta das Américas. Até pouco tempo atrás, aqui começava a "aventura" para quem se dirigia aos Lençóis, vindos do Piauí. Mas a estrada para Paulino Neves foi asfaltada recentemente, e ficou fácil dirigir mais 30 km em direção a oeste. Da outra vez que estive aqui, até tentei seguir para Paulino Neves com a Maria (a pampa 4x4). Mas a passagem por um rio profundo me fez desistir logo da ideia. A Maria ficou me esperando em Tutoia e eu fiz o que a maioria dos turistas fazia: seguia na Toyota que fazia o transporte para Paulino Neves e de lá para Barreirinhas. Depois de explorar os Lençóis, voltávamos para Tutoia e pegávamos a rota mais longa para São Luís.

Dunas nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Dunas nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


Pois bem, agora os carros chegam até a pequena Paulino Neves. A maioria das pessoas passa direto por aqui, em direção à Barreirinhas. É só o tempo de estacionar e pegar a tal Toyota. Mas há um tesouro secreto aqui também, que muito vale uma visita: os Pequenos Lençóis.

Explorando as dunas dos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Explorando as dunas dos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


Nas dunas dos Pequenos Lençóis, com o oceano ao fundo,  região de Paulino Neves - MA

Nas dunas dos Pequenos Lençóis, com o oceano ao fundo, região de Paulino Neves - MA


Como o próprio nome diz, são os Lençóis Maranhenses em menor escala. Basta vinte minutos de caminhada para se chegar lá. Eu e a Ana, depois de nos instalarmos na famosa Pousada da Dona Mazé, conhecida de todos os aventureiros que passaram por aqui, fizemos essa caminhada. Era final de tarde e a luz estava fantástica. Já estamos ficando craques em dunas e essas foram as mais imponentes que já vimos até agora, entrecortadas por lagoas que refletiam o sol de fim de tarde. Maravilhoso!

Magnífico pôr-do-sol nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Magnífico pôr-do-sol nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA


Foi ótimo para a gente já ir entrando "no clima". Amanhã pela manhã, devemos seguir para Barreirinhas. O caminho passa através de grandes areais e campos alagados. A dica é seguir a Toyota de linha que faz esse caminho todos os dias. O motorista sabe por onde é mais raso passar. E vamos que vamos, rumo ao nosso Saara, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

Assistindo ao pôr-do-sol nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Assistindo ao pôr-do-sol nos Pequenos Lençóis, região de Paulino Neves - MA

Brasil, Maranhão, Paulino Neves (Pequenos Lençóis), Dona Mazé, Dunas, Estrada, Pequenos Lençóis, Praia

Veja todas as fotos do dia!

Não nos deixe falando sozinhos, comente!

Nas Cachoeiras do Prata

Brasil, Goiás, Cavalcante

Cachoeira Rei da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Cachoeira Rei da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO


A programação hoje foi conhecer o rio da Prata, seu canyon e sua longa sequência de cachoeiras. Para muitos, um dos pontos altos da Chapada dos Veadeiros, fica a mais de 60 km de Cavalcante, por estradas de chão.

Trilha para o rio Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Trilha para o rio Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO


Fica no mesmo sentido da comunidade do Engenho, mas bem mais distante. A viagem é bela, através das vastidões sem fim do cerrado de alta altitude, em época de floração. Um pouco mais de uma hora e já estávamos lá, no ponto onde acaba a estrada e começa a trilha.

Caminhando no rio da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Caminhando no rio da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO


As cachoeiras estão divididas em dois grupos: parte baixa e parte alta. Esta última é de mais fácil acesso, mas são as primeiras as mais bonitas. Carros tracionados conseguem chegar mais perto, facilitando bastante a vida dos visitantes. Foi o caso da Fiona, por supuesto! Mesmo assim, ainda foi preciso caminhar quase uma hora pelos campos floridos até chegar na mais bela das cachoeiras do Prata e da Chapada, que atende pelo sugestivo nome de Rei do Prata.

Explorando a Cachoeira Rei da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Explorando a Cachoeira Rei da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO


A cor da água é aquela que já estamos acostumados, o verde esmeralda. O poço é enorme e ficamos mais de uma hora nadando e mergulhando por ali. Mais uma vez, uma das minhas diversões foi admirar a força da cachoeira por baixo d'água. Como a água é transparente, é possível ver o turbilhão causado pela cachoeira, descendo a uns 3 metros de profundidade. Eu entrava no meio desse turbilhão, sentia-me como se estivesse numa máquina de lavar roupa e saía lá do outro lado, meio desorientado. Bem legal!

Canyon do Rio da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Canyon do Rio da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO


Dessa cachoeira, seguimos rio abaixo, admirando várias outras quedas d'água até chegar num ponto onde o canyon (e a água) desabam abruptamente. A visão é magnífica, da queda d'água e do vale lá embaixo. Uma vontade louca de continuar explorando mas, à partir desse ponto, só com equipamento...

Observando o canyon da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Observando o canyon da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO


Mirante para o canyon da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Mirante para o canyon da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO


Voltamos para a Fiona naquela bela caminhada de 1 hora e subimos para a parte mais alta do rio, onde havia mais umas quatro ou cinco cachoeiras. Escolhemos a mais bonita e ali tivemos novo banho. A fome era enganada com deliciosas mexiricas trazidas pelo Zé Pedrão, produção própria.

Uma das mais belas cachoeiras no Rio da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Uma das mais belas cachoeiras no Rio da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO


Belo poço no rio da Prata,na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Belo poço no rio da Prata,na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO


Eram 5 da tarde quando deixamos as cachoeiras para trás e chegamos à casinha sede da propriedade. Ali, um saboroso almoço caseiro, feito no fogão à lenha. Bela maneira de terminar um dia saudável. Aí, já no escuro, retornamos para Cavalcante. Amanhã é dia de seguirmos para o sul, para a famosa Alto Paraíso, principal destino turístico da Chapada e místico de todo o planalto central. Veremos...

Belo fogão à lenha, na casa onde almoçamos no Rio da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Belo fogão à lenha, na casa onde almoçamos no Rio da Prata, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO

Brasil, Goiás, Cavalcante, cachoeira, Chapada dos Veadeiros, Parque, Rei do Prata, trilha

Veja todas as fotos do dia!

Quer saber mais? Clique aqui e pergunte!

O Tempo Não Para

Brasil, Paraná, Curitiba

Sanduíche de Luiza, em Curitiba, no Paraná

Sanduíche de Luiza, em Curitiba, no Paraná


Fazer longas viagens altera completamente a nossa percepção do tempo ou, mais especificamente, da passagem do tempo. A ausência de rotina nos tira referências com as quais nossa mente percebe que os dias e os meses estão passando. Quando uma segunda-feira é igual a um sábado que é igual a uma quinta-feira que é igual a um feriado, dias da semana e mesmo do mês perdem o sentido prático, se tornam apenas uma palavra a mais, pronta para ser esquecida na próxima esquina.

Buscando a Luiza na escola, em Curitiba, no Paraná

Buscando a Luiza na escola, em Curitiba, no Paraná


Buscando a Luiza na escola, em Curitiba, no Paraná

Buscando a Luiza na escola, em Curitiba, no Paraná


Outro fator que nos faz parecer que o tempo está parado são as notícias que chegam do Brasil. Francamente, sempre que abrimos algum dos portais de internet com notícias do nosso país ou mesmo do mundo, nada parece ter mudado. Algum escândalo político, alguma briga de futebol, guerra na Síria, réus do Mensalão, nada parece estar mudando. Quando se acompanha essas notícias diariamente, podem parecer que estão se movendo, como uma novela. Mas quando se dá uma olhada rápida, apenas umas poucas vezes por mês, sinceramente, parece tudo igual.

Voltando da escola, na cadeirinha, rm Curitiba, no Paraná

Voltando da escola, na cadeirinha, rm Curitiba, no Paraná


Brincando com a Luiza, em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza, em Curitiba, no Paraná


Paradoxalmente, a intensidade de nossa viagem, a quantidade e variedade de coisas que vemos e fazemos a cada dia, nos faz parecer que o tempo está voando. Em uma vida dita “normal”, são poucos os dias espetaculares que temos a cada ano, dos quais vamos guardar boas memórias pelas próximas décadas. Pois bem, na nossa vida de viagens, se passa ao contrário: são poucos os dias “normais” ou, na verdade, o normal para nós é ter um dia espetacular. Com isso, memórias incríveis e inesquecíveis vão se acumulando, disputando o espaço limitado de nossos neurônios. Quando visitamos um incrível vulcão e achamos que aquilo vai nos marcar para sempre, na semana seguinte já estamos caminhando sobre uma geleira e as memórias do vulcão já estão apertadinhas lá embaixo, junto com aquelas do mergulho, da cachoeira e do museu. A sensação é que já se passaram alguns meses desde o tal vulcão, apesar de ter sido apenas há alguns dias.

Com a Luiza na Fiona, em Curitiba, no Paraná

Com a Luiza na Fiona, em Curitiba, no Paraná


Com a Dani e a Luiza em Curitiba, no Paraná

Com a Dani e a Luiza em Curitiba, no Paraná


É claro que a memória não se perde, mas aquela emoção, o sentimento vívido de ter estado lá encima, isso foi, de certa forma, substituído por sentimento igualmente intenso e emocionante de se estar caminhando sobre um rio de gelo que desce da montanha. Felizmente, temos sempre muitas fotos e histórias para tentar reavivar um pouco a emoção e o sentimento de ter estado encima do vulcão, mas a percepção de que muito tempo passou, isso não muda.

Tentando ganhar a confiança da sobrinha, em Curitiba, no Paraná

Tentando ganhar a confiança da sobrinha, em Curitiba, no Paraná


Brincando com a Luiza, em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza, em Curitiba, no Paraná


Enfim, vivemos sempre nessa espécie de confusão mental sobre a passagem (ou não) do tempo. Tentando conciliar as duas percepções aparentemente opostas, a sensação é de ter vivido vários anos em apenas um ano verdadeiro, ao mesmo tempo em que esse tal ano verdadeiro não parece ter passado. Mas a realidade nua e crua é que ele passou sim. Uma olhada mais cuidadosa no espelho e uma contagem dos fios de cabelos brancos acaba rapidamente com o sonho do tempo parado. Não, ele está passando sim! A comparação das fotos do início e do fim da viagem é inclemente, hehehe Acho até que ter vivenciado tantos anos em apenas 3 anos dessa nossa viagem tão intensa teve também seus reflexos nos fios de cabelo. Aparentemente, eles também sentiram mais a passagem do tempo...

A Dani e a Luiza, em Curitiba, no Paraná

A Dani e a Luiza, em Curitiba, no Paraná


A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná

A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná


Agora, na nossa rápida passagem por Curitiba para recarregar as energias e fazer algumas das burocracias inadiáveis (ver post anterior) para podermos seguir viagem até o sul do continente, novamente as idiossincrasias da passagem do tempo apareceram. As mesmas ruas, as mesmas avenidas, as mesmas pessoas correndo para restaurantes para aproveitar seu intervalo de almoço nos respectivos empregos. Nada parece ter mudado, o tempo parece ter estado congelado nesses últimos quatros anos, ao mesmo tempo em que fomos e voltamos do Alaska, numa viagem aparente de 40 anos. Será que fomos mesmo? Não terá sido tudo um belo e longo sonho alimentado por imagens de lugares que queremos tanto conhecer? Será que se eu botar minhas antigas roupas sociais e seguir para o escritório que um dia trabalhei, terei mesmo alguma prova de que o tempo passou nesses últimos 4 anos?

Depois de mais de dois anos, reencontro com a mãe, a irmã e a sobrinha em Curitiba, no Paraná

Depois de mais de dois anos, reencontro com a mãe, a irmã e a sobrinha em Curitiba, no Paraná


Almoço com o pai, irmã e sobrinha, em Curitiba, no Paraná

Almoço com o pai, irmã e sobrinha, em Curitiba, no Paraná


A resposta para essa pergunta é um sonoro “sim”! Sim, aqui mesmo, em Curitiba, temos a prova viva de que o tempo está passando, que ele não para nunca e que, enquanto explorávamos os rincões do continente, também em Curitiba e na vida “normal” as coisas mudam. Essa prova viva tem até nome próprio: Luiza!

Sanduíche de Luiza, em Curitiba, no Paraná

Sanduíche de Luiza, em Curitiba, no Paraná


Na verdade, Luiza é o nome da nossa sobrinha, filha da irmã mais nova da Ana. Quando saímos de viagem, no final de Março de 2010, a Dani já estava grávida da Luiza e, pouco mais de três meses depois, ela veio ao mundo quando estávamos em Ilhabela, no litoral de São Paulo. Corremos de volta a Curitiba, para também lhe dar as boas-vindas a este mundo, e logo retomamos nossos 1000dias, subindo em direção aos estados do nordeste e do norte do país.

Brincando com a sobrinha em Curitiba, no Paraná

Brincando com a sobrinha em Curitiba, no Paraná


Embevecido! (em Curitiba, no Paraná)

Embevecido! (em Curitiba, no Paraná)


Depois, meio planejado, meio coincidência, passamos de volta em Curitiba no nosso caminho para o Paraguai e a etapa internacional da nossa viagem justamente quando a pequena Luiza fazia 1 ano de idade. Deu até para participar da primeira festa de aniversário.

Essa tinha sido nossa última vez, ao vivo, com nossa querida sobrinha. Desde então, contatos, só pelo Skype. Pela telinha do computador, fomos vendo ela crescendo, fazendo dois anos e depois, três. Ao mesmo tempo, para ela, nós viramos os tios que moravam dentro do computador. Fazia festa às vezes, mas em outras, achava meio entediante falar com aquelas pessoas de quem não se lembrava de ter estado. Para nós, ver aquela menina crescendo e ficando mais esperta a cada contato era a prova mais concreta de que o tempo estava, sim, passando e, pior, que nós estávamos perdendo coisas importantes aqui na nossa cidade.

A Luiza e o Alfred, em Curitiba, no Paraná

A Luiza e o Alfred, em Curitiba, no Paraná


Agora, no nosso caminho para o sul do continente, tínhamos de passar por aqui de qualquer maneira. A história de renovar o passaporte ou fazer a cirurgia do dente eram só boas desculpas para vermos nossa sobrinha outra vez. Estava mais do que na hora dela saber que nós também existíamos fora da tela do computador!

Reencontrando amigos em Curitiba, no Paraná

Reencontrando amigos em Curitiba, no Paraná


Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná


E assim, logo no nosso primeiro dia na cidade, já fomos buscar ela no colégio. Ela nos olhou meio desconfiada, olhos arregalados ao perceber que éramos de carne e osso. Depois, aos poucos, tratamos de ganhar sua confiança, um presentinho aqui, uma brincadeira ali. De pouco em pouco, encontros quase diários, fomos ficando mais e mais amigos. Tios de verdade!

Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná


Foram duas semanas aqui em Curitiba, revendo amigos e correndo atrás de papelada, planejando o resto da viagem e curtindo estar num mesmo lugar por tanto tempo. E o mais doce de toda a estadia: ver, rever e re-rever nossa querida sobrinha, a prova inconteste que estamos mesmo envelhecendo, que o tempo está passando e que o mundo e a vida podem ser tão divertidos em Curitiba como também no resto do continente! Logo estaremos na estrada novamente, mas agora, quando nos falarmos no Skype, não seremos mais apenas os tios do computador... Melhor assim!

A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná

A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná

Brasil, Paraná, Curitiba,

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

Página 904 de 161
Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet