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Poconé e a Transpantaneira

Brasil, Mato Grosso, Poconé, Porto Jofre

Início oficial da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Início oficial da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Ainda no final da tarde de ontem, deixamos a Chapada dos Guimarães para trás, seguindo para o sul. Foram pouco mais de 60 quilômetros até a capital Cuiabá, a qual apenas cruzamos mais uma vez, e outros 120 quilômetros até Poconé, portal de acesso ao Pantanal Norte. Será apenas quando voltarmos do Pantanal, em dois dias, que vamos parar na capital, na nossa terceira passagem pela cidade, já na nossa rota para o Mato Grosso do Sul.


O roteiro da Transpantaneira, saindo de Poconé (A), ao sul de Cuiabá e chegando à Porto Jofre (B). A ideia original era que a estrada chegasse à Corumbá, no Mato Grosso do Sul

A pequena e pacata cidade de Poconé está no meu radar desde meados da década de 90, por causa do grupo mineiro Skank e seu hit “Samba Poconé”. Desde então, meu imaginário criou uma cidadezinha meio nordestina em pleno Pantanal, cheia de bares onde se dançava forró e onde a noite ia longe. Pura imaginação pois, como disse, a Poconé de verdade é bem pacata. Nós dormimos por aqui duas vezes, na ida e na volta e, na segunda noite, fiz questão de sair para uma cerveja, mas realmente, por mais que eu tivesse idealizado, essa não é uma Itaúnas pantaneira.

Portal de entrada de Poconé, no Mato Grosso

Portal de entrada de Poconé, no Mato Grosso


Igreja matriz de Poconé, no início da rodovia transpantaneira, no Mato Grosso

Igreja matriz de Poconé, no início da rodovia transpantaneira, no Mato Grosso


Não, a fama real de Poconé não vem de seu forró ou samba. Vem do fato dela ser o ponto inicial de uma das mais singulares rodovias brasileiras, a Transpantaneira. Essa estrada foi mais uma tentativa do governo militar nos anos 70, assim como a Transamazônica, de colonizar e levar o “progresso” aos mais isolados rincões do território brasileiro. A ideia original era atravessar todo o Pantanal, ligando Poconé à Corumbá, na época parte de um mesmo e único Mato Grosso. Mas a rodovia parou pela metade, nas margens do rio Cuiabá, no que viria a ser a fronteira do Mato Grosso e Mato grosso do Sul, assim que o estado foi desmembrado, alguns anos depois.

A Fiona passa sobre uma das mais de cem pontes da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

A Fiona passa sobre uma das mais de cem pontes da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


A Fiona passa sobre uma das mais de cem pontes da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

A Fiona passa sobre uma das mais de cem pontes da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Dizem que os construtores da estrada não esperavam tantas dificuldades, principalmente na época das cheias. São cerca de 140 km de estradas de terra e quase 120 pontes, quase todas de madeira. A construção parou exatamente na travessia do mais largo rio da jornada, o que requeria investimentos maiores. Que sorte para a flora e fauna desse lugar de características únicas no mundo, a maior planície alagável do planeta.

Fiona atravessa ponte na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Fiona atravessa ponte na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


A Fiona se enche de pó ao cruzar a  Transpantaneira, região de Poconé, no Mato Grosso

A Fiona se enche de pó ao cruzar a Transpantaneira, região de Poconé, no Mato Grosso


Sorte da natureza, sorte nossa também. A parte construída da estrada é nosso melhor acesso às belezas e segredos do Pantanal, dando-nos a chance de chegar mais perto dessa região sem depender de passeios caros e demorados. Na época da seca, justamente agora, é possível a qualquer carro percorrer essa estrada, desde que se tenha paciência por dirigir por longos trechos de estrada reta e poeirenta. A recompensa será a visão de diversas espécies de animais, entre aves e peixes, mamíferos e répteis, todos em seu ambiente natural, vivendo como viviam já há milhares de anos nessas mesmas planícies alagadas.

Pássaros bloqueiam a rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Pássaros bloqueiam a rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


A Ana filma revoada de pássaros na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

A Ana filma revoada de pássaros na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Para nós, o ideal seria mesmo podermos seguir diretamente até Corumbá, sem ter de dar a longa volta rodeando o Pantanal. Fizemos várias pesquisas na internet para saber se isso era possível, mas quase não há informações. O rio Cuiabá pode ser cruzado de balsa, mas isso deve ser agendado com antecedência e não é muito barato. Depois, do lado de lá, há uma rede de pequenas estradas de fazendas e, acompanhados de um guia ou com muita raça, coragem, GPS e mantimentos, é possível seguir para o sul e, eventualmente, chegar à região de Corumbá. Tem de ser feito na época da seca, mas foi só quando chegamos aqui que conseguimos um pouco mais informações sobre esse incrível e desconhecido roteiro. Mas aí, nossa programação já era outra. Essa grande aventura, a chance de conhecer um Pantanal que poucos conhecem, vai ter de esperar...

Gaviões nos esptreitam na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Gaviões nos esptreitam na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Um tucano nos observa enquanto dirigimos pela Transpantaneira, região de Poconé, no Mato Grosso

Um tucano nos observa enquanto dirigimos pela Transpantaneira, região de Poconé, no Mato Grosso


Um lindo pássaro nos observa em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no  Mato Grosso

Um lindo pássaro nos observa em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso


Enfim, só a chance de percorrer a Transpantaneira ida e volta já foi um presente. Como disse acima, essa é uma das melhores maneiras de se ver o Pantanal de forma independente, para quem não tem um bom barco de pesca. Ao longo da estrada, são inúmeras as chances de ser ver pássaros como o famoso tuiuiú, os milhares de jacarés que disputam espaço nas praias e lagoas, as simpáticas capivaras e até animais como búfalos, veados, antas e as enormes emas. Para quem tem muita sorte, até onças são avistadas na estrada, embora esse seja um encontro mais raro. Mas, para quem gosta de pássaros, não é preciso nenhuma sorte: são dezenas de espécies e elas estão por todos os lados.

O belo cenário da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

O belo cenário da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Fim de tarde na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Fim de tarde na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Já a paisagem, ela é mais bela na época das cheias, quando a água ocupa boa parte da planície. Mas aí, a própria estrada pode ser interrompida e apenas veículos grandes e/ou tracionados que costumam percorrer esses quilômetros enlameados. Além disso, com tanta água por ali, fica mais difícil avistar a vida selvagem, que não precisa mais se acumular em poucos pontos de água, como é agora.

Grupo de turistas sai de barco para passeio em rio ao lado da Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Grupo de turistas sai de barco para passeio em rio ao lado da Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Excursão de turistas na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Excursão de turistas na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


A maior parte do turismo no Pantanal é feito na sua porção sul, do lado do Mato Grosso do Sul. Os turistas viajam para as fazendas localizadas na região e de lá, em excursões, percorrem os rios de barco ou as planícies de cavalo. Não é um turismo barato e quase sempre tudo é feito através de pacotes, que inclui transporte, acomodação e pensão completa. Difícil escapar de grupos e do “esquema”. Uma alternativa são as excursões de pesca, para quem gosta dessa atividade. Os barcos entram no coração do pantanal e, para quem tem disposição de passar alguns dias navegando e comendo peixe, pode ser uma boa alternativa.

Um jacaré nada solitário em lagoa ao lado da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Um jacaré nada solitário em lagoa ao lado da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Um jacaré em meio a folhagens ao lado da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Um jacaré em meio a folhagens ao lado da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Mas, para quem quer depender das próprias rodas, a melhor opção é mesmo a Transpantaneira, do lado norte do Pantanal. Mas dormir ao longo da estrada também não é barato. Diárias acima de 400 reais em hotéis que nem são luxuosos são a norma, a única alternativa sendo ir e voltar no mesmo dia ou então, enfrentar uma noite em uma barraca. Aqui, pelo menos, é mais fácil escapar dos pacotes, e como estamos com nossas próprias rodas, é possível nos programarmos para apenas uma noite mais cara, ao invés de termos de comprar pacotes de três, quatro ou até sete dias. Pagando quinhentos reais por dia, uma semana vai sair mesmo bem caro...

Uma das muitas revoadas de pássaros na nossa passagem pela Transpantaneira, região de Poconé, no Mato Grosso

Uma das muitas revoadas de pássaros na nossa passagem pela Transpantaneira, região de Poconé, no Mato Grosso


São dezenas de espécies de pássaros ao longo da Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

São dezenas de espécies de pássaros ao longo da Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Enfim, aqui no Pantanal norte, acho que uma noite é o mínimo que se deveria ficar. Afinal, além de percorrer toda a estrada, certamente o ponto alto da viagem é um passeio de barco, o que costuma tomar várias horas. A maioria dos hotéis está localizada na primeira metade da estrada e esses passeios são realizados em um rio que está a meio caminho entre Poconé e Porto Jofre, no rio Cuiabá. Portanto, boa parte dos turistas só vai até aí. Mas, sinceramente, as maiores belezas estão mesmo na parte final da estrada e o passeio de barco no próprio rio Cuiabá é muito mais promissor. Há uns poucos hotéis ao redor do quilômetro 100, onde nós ficamos, e um hotel bem caro bem no final da estrada, em Porto Jofre. Daí, saem passeios de barco que percorrem o rio e seus afluentes e é onde as chances de se ver onças são maiores, principalmente nessa época do ano. Na verdade, é o melhor lugar do mundo para se ver onças e nós, que estamos percorrendo a América atrás delas, depois de 3 anos sem conseguir, estávamos colocando todas as fichas nessa oportunidade.

Um lindo pássaro voa sobre a Fiona na Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Um lindo pássaro voa sobre a Fiona na Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Tuiuius atravessam calmamente a rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Tuiuius atravessam calmamente a rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Por isso, toda a nossa programação girou em torno disso. Tínhamos de fazer esse passeio de barco, portanto tínhamos de passar uma noite por ali. A melhor opção eram os hotéis mais próximos de Porto Jofre e, para chegarmos até lá, o melhor é fazer a estrada bem cedinho, quando as possibilidades de avistamento de animais são bem maiores. Ou então, no final da tarde e início da noite. Com esses horários e ideias em mente, montamos a programação: uma noite em Poconé, saímos bem cedinho para fazer a estrada, vamos até Porto Jofre para conhecer toda a Transpantaneira e retornamos um pouco, até nosso hotel. No dia seguinte, vamos cedinho para Porto Jofre e fazemos nosso passeio de barco de dia inteiro. Por fim, no final da tarde, já escurecendo, percorremos toda a estrada de volta, para chegarmos de volta à Poconé e aos preços civilizados novamente!

Um grupo de emas no início da Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Um grupo de emas no início da Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Tuiuius sãos comuns ao longo da Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Tuiuius sãos comuns ao longo da Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


E assim foi. Logo cedo saímos de Poconé e, quanto mais nos afastamos da cidade e mais pontes atravessávamos, mais entrávamos no Pantanal, sensação de estarmos longe da civilização e em plena natureza. Logo de início, já vimos as gigantescas emas, os maiores pássaros das Américas e não demorou muito para começarmos a avistar os tuiuiús, os mais pesados pássaros do mundo a voar. Com sua grande mancha vermelha na altura do pescoço, são mesmo inconfundíveis, marca registrada do Pantanal, seja no Brasil, seja na Bolívia, onde já o tínhamos visto. É mesmo um pássaro enorme, principalmente quando está voando, com suas asas abertas. Ver um bicho desse tamanho, mas com destreza de levar pequenos ramos em sua boca para construir seus ninhos, trabalho sempre em equipe (casal!) foi mesmo emocionante!

Um tuiuiu constroi seu ninho ao lado da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Um tuiuiu constroi seu ninho ao lado da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Um casal de tuiuius descansa em seu ninho na Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Um casal de tuiuius descansa em seu ninho na Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


O lindo voo do tuiuii, na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

O lindo voo do tuiuii, na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Além dos tuiuiús, são cegonhas, tucanos, araras, periquitos, gaviões, martins-pescador e um sem número de espécies que fazem a alegria de ornitólogos e bird-watchers do mundo inteiro. Mesmo para leigos como nós, ver uma revoada de andorinhas é uma coisa, mas uma revoada de enormes cegonhas é outra!

São milhares de jacarés ao longo da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

São milhares de jacarés ao longo da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Capivara em meio a jacarés ao lado da Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Capivara em meio a jacarés ao lado da Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Além dos pássaros, o que mais se vê são jacarés. Às centenas! Um verdadeiro congestionamento deles nas praias que se formam ao longo dos lagos ao lado da estrada. O interessante é que aqui no Pantanal, eles não estão no topo da cadeia alimentar. Eles são comida costumeira de onças, essas assim as rainhas do pedaço. Mesmo tuiuiús e capivaras não parecem temer esses répteis de cara feia, pois caminham entre eles tranquilamente. Por mais de uma vez, vimos capivaras descansando tranquilamente entre dezenas de jacarés. Acho que são tantos peixes no cardápio que eles nem olham para os mamíferos e aves.

Encontro com jacarés na Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Encontro com jacarés na Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Uma capivara nos observa na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Uma capivara nos observa na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Falando em mamíferos, eu esperava ver mais capivaras, mas nem foram tantas assim. Ficamos muito mal acostumados com os llanos, na Venezuela, onde tínhamos visto milhares delas. Aliás, também influenciados pelos llanos, estávamos esperando ver uma infinita planície alagada por aqui, mas talvez pela época do ano, achamos tudo bem seco, uma lagoa aqui e outra ali. Foi só chegando mais Perto de Porto Jofre que começou a aparecer aquela paisagem mais clássica do Pantanal, mas ainda longe daquelas imagens cinematográficas que passavam na antiga novela da Rede Manchete, que marcou época na TV.

Encontro com um veado ao lado da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Encontro com um veado ao lado da rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Encontro noturno com búfalos na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Encontro noturno com búfalos na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Mas, voltando aos mamíferos, além das capivaras, também observamos uns poucos veados, duas enormes antas, alguns porcos do mato e os poderosos búfalos. Esses, vimos de noite, já na nossa viagem de volta, horário em que costumam ocupar a estrada. Aí, é preciso negociar com a manada a passagem da Fiona, sensação de estarmos na África. Levam boa vida por aqui, perto dos terrenos alagadiços que tanto amam e longe dos leões, seus únicos inimigos naturais. Já as antas, essas não, são arredias e tratam logo de correr para se esconder. Afinal, sua inimiga natural, a onça, pode estar ali por perto.

Encontro com uma anta na Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Encontro com uma anta na Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Encontro com coruja na Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Encontro com coruja na Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


Uma linda arara azul em nosso hotel na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso

Uma linda arara azul em nosso hotel na rodovia Transpantaneira, entre Poconé e Porto Jofre, no Mato Grosso


E assim foi nossa passagem por essa estrada, parte da nossa experiência pantaneira, cujo ponto alto seria mesmo o passeio de barco. A noite foi num hotel bem gostoso e simples, longe de tudo e de todos, céu estrelado e comida caseira. Bem cedinho, fomos acordados pelo canto estridente das araras azuis, que se reúnem àquela hora nas palmeiras do hotel. Não muito longe dali, a meio caminho do rio Cuiabá, foi onde encontramos a pesada e assustada anta e também uma enorme coruja, bem tranquila, no alto de sua árvore. Encontros bem especiais, mas que apenas antecipavam outro encontro ainda mais especial que nos aguardava ao longo dos barrancos do rio Cuiabá. Mas isso é outra história...

Chegando à Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no  Mato Grosso

Chegando à Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso


Encontro com turistas espanhóis em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no  Mato Grosso

Encontro com turistas espanhóis em Porto Jofre, no final da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso

Brasil, Mato Grosso, Poconé, Porto Jofre, Bichos, Estrada, Pantanal, Transpantaneira

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Fim de Tarde em El Bolsón

Argentina, El Bolsón

Estamos na belíssima El Bolsón, na Argentina

Estamos na belíssima El Bolsón, na Argentina


Chegamos à El Bolsón já no meio da tarde, devido a partida tardia de Bariloche. Não importa, o dia vai longe por aqui e ainda tínhamos muitas horas de luz. Pelo que havíamos lido da cidade, a simpatia já era imediata e nossa ideia era passar um bom tempo em El Bolsón. Então, a primeira tarefa foi encontrar uma boa pousada. Não demorou e encontramos uma, a casa toda cercada de flores, quarto aconchegante e a promessa de um café da manhã delicioso e sadio. Tudo o que queríamos! Uma conversa com o proprietário sobre os programas ao redor da cidade e o tempo necessário para fazer cada um deles nos ajudou a fazer nossa programação. Deixamos o longo trekking à imponente montanha Piltriquitrón para a manhã seguinte e hoje saímos de carro em direção à zona campestre de El Bolsón.

Plaza Pagano, no centro de El Bolsón, na Argentina

Plaza Pagano, no centro de El Bolsón, na Argentina


O colossal Cerro Piltriquitrón visto do centro de El Bolsón, na Argentina

O colossal Cerro Piltriquitrón visto do centro de El Bolsón, na Argentina


Essa cidade com cerca de 20 mil habitantes é uma espécie de antítese de Bariloche. Enquanto aquela se caracteriza por um excessivo comercialismo, El Bolsón prima por um modo de vida sustentável, ligado à natureza e à vida em comunidade. Desde a década de 70 que essa região atrai aqueles que buscam uma vida mais tranquila e sadia, longe da correria dos grandes centros urbanos. Hippies e naturalistas ajudaram a desenvolver a agricultura orgânica e comunitária por aqui, a cidade se auto declarou “zona livre de energia nuclear”, parques e reservas foram criadas ao redor do centro para preservar a natureza. Uma parte considerável da população vive na zona rural e o centro da cidade não tem prédios ou shopping centers. As ruas são largas e arborizadas e uma grande praça, na verdade um pequeno parque, atrai jovens e idosos todos os finais de tarde justo no centro da cidade.

Monumento na PLaza Pagano, em El Bolsón, na Argentina

Monumento na PLaza Pagano, em El Bolsón, na Argentina


Na Plaza Pagano, o mapa turístico de El Bolsón, na Argentina

Na Plaza Pagano, o mapa turístico de El Bolsón, na Argentina


El Bolsón fica em um vale profundo escavado por uma enorme geleira na última era glacial. Embora esteja tão longe do oceano, sua altitude é de apenas 300 metros, em marcante contraste com as montanhas que a cercam. De um lado, as montanhas pré-andinas quase sempre com os cumes nevados. Do outro, o maciço rochoso conhecido como Piltriquitrón que, com seus quase 2.300 metros de altitude, domina a paisagem e atrai nossos olhares como um poderoso ímã quando passeamos na Plaza Pagano, aquele parque central a que me referi há pouco. Amanhã, se der tudo certo, vamos vê-lo mais de “perto”.

Admirando a Cascata Escondida, perto de El Bolsón, na Argentina

Admirando a Cascata Escondida, perto de El Bolsón, na Argentina


Turistas visitam a Cascata Escondida, perto de El Bolsón, na Argentina

Turistas visitam a Cascata Escondida, perto de El Bolsón, na Argentina


A Cascata Escondida, a poucos quilômetros de El Bolsón, na Argentina

A Cascata Escondida, a poucos quilômetros de El Bolsón, na Argentina


Mas hoje nosso programa era outro, bem mais light. Armados com um mapa da região que conseguimos no centro de informações turísticas, nós nos embrenhamos nas estradas de rípio que levam às diversas comunidades rurais e bairros afastados de El Bolsón. Buscávamos por duas belas cachoeiras que fazem parte do diversificado patrimônio natural da cidade: a cascata Escondida e a cascata Mallín Ahogado.

No meio do bosque, onde chega a luz do sol, um verdadeiro jardim de flores! (região de El Bolsón, na Argentina)

No meio do bosque, onde chega a luz do sol, um verdadeiro jardim de flores! (região de El Bolsón, na Argentina)


No meio do bosque, onde chega a luz do sol, um verdadeiro jardim de flores! (região de El Bolsón, na Argentina)

No meio do bosque, onde chega a luz do sol, um verdadeiro jardim de flores! (região de El Bolsón, na Argentina)


Ambas ficam na direção norte, onde está também está uma extensa rede de refúgios espalhados pelas montanhas pré-andinas, bases para formidáveis trekkings pela região. Nós acabamos optando pelo Piltriquitrón, amanhã, e hoje só tínhamos tempo para caminhadas curtas. Mas dirigir por essa área e observar essas montanhas de longe só nos fez aumentar a vontade de, um dia, retornar para fazer esses caminhos com calma.

Trilha que leva à base da Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Trilha que leva à base da Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


Chegando à Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Chegando à Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


A Cascata Escondida, desde que se tenha o mapa e as orientações, não está tão escondida assim. No fundo de um vale estreito que atingimos com 10 minutos de caminhada, a esta hora que chegamos lá já não havia mais sol. Difícil então encarar a temperatura da água. Mas cruzamos um grupo que havia chegado antes de nós e havia tomado um belo banho. Para nós, serviu para refrescar nossas mentes e respirar o ar puro daquele bosque. Depois da viagem rápida à Ilha do Mel, começamos a entrar no nosso ritmo novamente!

Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


Água gelada, só molhamos os pés na Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Água gelada, só molhamos os pés na Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


De volta à Fiona, seguimos para a próxima cascata, alguns quilômetros rio acima. Ao contrário da outra, que ficava dentro de um parque municipal, a Mallín Ahogado fica em uma propriedade particular. Pagamos uma módica taxa, deixamos a Fiona estacionada e vamos caminhar por uma trilha cercada de flores. Basa estarmos um pouco aqui na patagônia para nos lembrar que estamos na primavera. A quantidade de flores não nos deixa esquecer!

Admirando a Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Admirando a Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


Em meio à vegetação, a Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Em meio à vegetação, a Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


Numa área mais ampla e sem as encostas de um vale por perto, o sol ainda batia nas águas da cascata e aqui, ao menos, molhamos nossos pés e mãos. Essa cascata é mais bela que a Escondida, forma uma pequena piscina e faltou só um pouco de coragem para um mergulho. Mas os minutos de contemplação já fizeram valer o passeio. Mas resolvemos retornar à cidade pois ainda queríamos ver o final de tarde na Plaza Pagano.

No fim de tarde, muito movimento na PLaza Pagano, parque central de El Bolsón, na Argentina

No fim de tarde, muito movimento na PLaza Pagano, parque central de El Bolsón, na Argentina


Piquenique em família na PLaza Pagano, em El Bolsón, na Argentina

Piquenique em família na PLaza Pagano, em El Bolsón, na Argentina


Exatamente como haviam nos dito, a praça estava mesmo cheia, famílias levando seus cães para passear, músicos se apresentando, casais fazendo um piquenique e o majestoso Piltriquitrón nos observando a todos. Foi uma delícia de fim de tarde, bem preguiçoso, aliás, todos inspirados pelo sol que demora um tempão para se abaixar atrás do horizonte. De alma elevada e espírito sossegado, só faltava finalizar nossa jornada com um belo jantar. E assim foi, uma deliciosa sopa de abóbora acompanhada de pão e bom vinho. Complementado por uma noite muito bem dormida no nosso quartinho aconchegante, dificilmente o Piltriquitrón nos escapa amanhã...

A bela vista que se tem de PLaza Pagano, no centro de El Bolsón, na Argentina

A bela vista que se tem de PLaza Pagano, no centro de El Bolsón, na Argentina

Argentina, El Bolsón, cachoeira

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Honolulu, a Capital Imperial

Hawaii, Oahu-Honolulu

Um quebra-mar forma uma piscina em Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Um quebra-mar forma uma piscina em Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Deixamos Kauai em direção à Oahu, nossa última parada nessa temporada havaiana dos 1000dias. Oahu é a ilha mais urbanizada do arquipélago, onde estão 70% dos cerca de um milhão e quatrocentos mil habitantes do Havaí. Boa parte deles na maior cidade da ilha e capital desde os tempos imperiais, Honolulu.

Oahu é a mais urbanizada das ilhas havaianas

Oahu é a mais urbanizada das ilhas havaianas


Pois é, o Havaí já foi uma monarquia, com rei, rainha e tudo isso. Como já relatei em outro post, foi o grande Kamehameha, em 1810, que unificou pela primeira vez o arquipélago sob uma única liderança. Estava estabelecido o “Império do Havaí”, que sobreviveu como país independente durante boa parte de um século que viu o neocolonialismo europeu ocupar a África, o sul da Ásia e boa parte das ilhas do Pacífico.

Fim de tarde em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Fim de tarde em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


O Havaí, sob a liderança de Kamehameha e seus descendentes, com uma política de alianças e acordos comerciais com as grandes potências da época, conseguiu manter-se fora desse movimento o quanto pôde. A ilhas se tornaram a mais importante base para a poderosa indústria baleeira do Pacífico, ponto de parada obrigatório dos barcos que transitavam entre América e Ásia. Ao mesmo tempo, comerciantes e missionários foram se instalando no país, ganhando cada vez mais poder econômico e influência política.

Waikiki Beach, com a cratera de Diamond Head ao fundo, em Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Waikiki Beach, com a cratera de Diamond Head ao fundo, em Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Aos poucos, essas novas forças econômicas conseguiram mudar a constituição do reino, possibilitando que estrangeiros se tornassem donos de terra. Com mais força econômica, os novos agentes econômicos agora ambicionavam o poder político sem intermediários. Sob grande pressão, uma nova constituição foi praticamente imposta a um novo rei, fundador de uma nova dinastia e sem a força que tinham os descendentes de Kamehameha. O rei, agora, tinha um poder quase decorativo. Quando o rei morreu, em 1891, e foi substituído por sua irmã, ela passou a fazer campanha para reformar a constituição, devolvendo ao monarca várias de suas antigas atribuições.

Descansando na sombra de um coqueiro em Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Descansando na sombra de um coqueiro em Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Uma das árvores gigantes e centenárias na orla de Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Uma das árvores gigantes e centenárias na orla de Waikiki, praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Foi o gatilho para que um movimento formado majoritariamente por homens de negócio de origem americana e europeia organizassem um golpe e depusessem de vez a monarquia. Não só isso, pediram a anexação do Havaí aos Estados Unidos. Foi a amizade da rainha deposta com o então presidente americano que conseguiu adiar esse processo, pelo menos até que um novo presidente fosse eleito nos Estados Unidos. Mckinley, aquele mesmo que deu nome à maior montanha da América do Norte, vendo a importância estratégica do país possuir aquelas ilhas a meio caminho entre o ocidente e o oriente, aceitou a anexação em 1898 e o Havaí passou a ser um território americano, com uma espécie de autogoverno liderado exatamente por aquela mesma elite econômica que havia derrubado a rainha. E foi esse o status do Havaí até o ataque japonês à Pearl Harbor, já quase na metade do século XX. Foi só com a 2ª Guerra e a importância estratégica que ganhou o arquipélago que o Havaí passou á condição de estado, o de número 50 nos Estados Unidos.

Um belo pôr-do-sol em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Um belo pôr-do-sol em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Foi no aeroporto da antiga capital imperial e maior cidade do Havaí que pousamos em Oahu. Foi o único lugar do Havaí que chegamos sem reservas em hotéis. Mas com a ajuda da internet móvel e do GPS (e do nosso carro alugado, claro!), fomos diretamente para Waikiki, a praia mais famosa da cidade e encontramos um hotel a dois quarteirões do mar. Nossa primeira ideia era ficar na North Shore, perto de onde estão as maiores atrações da ilha, mas por lá as coisas estavam muito caras. Afinal, estamos em plena temporada de ondas grandes e é exatamente na costa norte que elas “batem”.

Passeio em Waikiki durante o pôr-do-sol (em Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu)

Passeio em Waikiki durante o pôr-do-sol (em Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu)


Honolulu e Waikiki ficam na costa sul. São dezenas de hotéis por ali e não foi difícil achar um com preço razoável. Instalados, saímos para conhecer essa praia de fama mundial, justamente durante um memorável entardecer. Andamos pelo calçadão, colocamos o pé na areia e na água, observamos o movimento, fotografamos o entardecer espetacular, sensação de estar na orla de Pitangueiras, no Guarujá.

Admirando um belo pôr-do-sol em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Admirando um belo pôr-do-sol em Waikiki, a praia mais famosa de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu


Depois, outra vez com a ajuda da internet, descobrimos um bom restaurante ali em Waikiki e para lá fomos. Honolulu tem a fama de ter ótimos restaurantes e nós pudemos confirmar isso. Entre tantas possíveis escolhas, acabamos ficando com uma que fazia uma espécie de fusão moderna nipo-havaiana. Caro, mas muito bom! Foi nosso investimento na celebração de estarmos lá, em Honolulu, uma cidade que há cerca de dois séculos vem inspirando os sonhos tropicais de milhões de pessoas ao redor do mundo. Estar lá é especial e merece ser comemorado em grande estilo!

Fim de tarde, início de noite em Waikiki, a principal praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Fim de tarde, início de noite em Waikiki, a principal praia de Honolulu, a capital do Havaí, na ilha de Oahu

Hawaii, Oahu-Honolulu, história, Honolulu, Oahu

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Civilização Pré-Estadunidense

Estados Unidos, Colorado, Mesa Verde National Park

As ruínas conhecidas como Cliff Palace, uma cidade inteira sob a rocha, no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

As ruínas conhecidas como Cliff Palace, uma cidade inteira sob a rocha, no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Sempre gostei muito de história das civilizações. Egípcios, assírios, hititas, persas, gregos, romanos e todos esses que contribuíram com a nossa civilização ocidental. Mas, por um motivo misterioso, talvez pelo “exotismo” das dita cujas, eram as civilizações pré-colombianas que me fascinavam. Devorei, ainda no início da adolescência, um livro que havia lá em casa, coleção da Life, que tratava de incas, astecas e maias, além de outras menos conhecidas, como toltecas ou olmecas. Quantas vezes já não perdi horas imaginando sobre como seria a nossa América se os europeus não tivessem desembarcado por aqui...

O belo Centro de Visitantes do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

O belo Centro de Visitantes do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Muito frio do lado de fora do centro de Visitantes do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Muito frio do lado de fora do centro de Visitantes do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Sempre me marcou o fato de que essas civilizações se concentraram nos Andes e na faixa que vai de Honduras à região central do México. Em todo o resto do continente, índios vivendo em ritmo semi-nomádico, no doce estado da selvageria. Dos nossos tupis aos esquimós, passando por apaches e comanches, a vida dependia do arco, da flecha e da vara, da choupana, da tenda e do iglu. Saber onde estavam as frutas, raízes, peixes ou capivaras. No que é hoje os Estados Unidos, teria sido apenas a “conquista do oeste”, já em pleno século XIX, que teria trazido luz à escuridão naquelas imensas vastidões das planícies centrais.

Enfrentando a neve e o frio no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Enfrentando a neve e o frio no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Fiona nas estradas congeladas do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Fiona nas estradas congeladas do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


O único “porém” nesse meu tosco entendimento era uma foto meio borrada num obscuro livro de história da 7ª série, mostrando algumas construções em adobe e cuja legenda afirmava ser dos “pueblos”, no sudoeste dos Estados Unidos. Pueblos? Isso era nome de uma cidade, de uma tribo, de um povo ou o quê? Quem eram e o que fizeram? O sudoeste americano é enorme, onde exatamente viviam? Pois é, o tal livro obscuro não falava nada disso. Era apenas aquela foto borrada, a legenda incompleta e nada mais...

As surpreendentes ruínas pueblas no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

As surpreendentes ruínas pueblas no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Tanto tempo mais tarde, depois de passar pelas gloriosas ruínas de incas, maias e astecas, eis que me deparei novamente com os misteriosos “pueblos”. Para me mostrar de uma vez por todas que, mesmo antes de Colombo, existia muito mais entre a Terra do Fogo e o Alasca que minha vã filosofia podia imaginar. Se o que vimos hoje não pode ser classificado como “civilização”, já não saberia mais definir essa palavra pomposa.

Visitando ruínas pueblas no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Visitando ruínas pueblas no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Ruínas pueblas no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Ruínas pueblas no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Pelo menos, a surpresa não foi só minha. Também os exploradores espanhóis se surpreenderam. Logo depois de dar cabo e conquistar as civilizações mais famosas do novo mundo, eles continuaram seu caminho para o norte, sempre à procura do bendito vil metal. Mas aqui, nas regiões semidesérticas onde se encontram o Novo México, Arizona, Utah e Colorado, eles não encontraram ouro. Ao invés disso, se depararam com cidades-fantasma feitas de adobe, centenas de casas geminadas que muito lhe lembravam seus antigos povoados na Espanha. Por isso, não hesitaram em batizar essas cidades, e o povo que ainda vivia em algumas delas, de “pueblos” (povoado, em espanhol).

Ruínas de uma pequena cidade puebla numa toca natural na rocha do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Ruínas de uma pequena cidade puebla numa toca natural na rocha do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


O nome pegou e assim ficou batizado essa civilização que, um dia, apareceria de relance no meu livro de história. Hoje, aqui no Mesa Verde National Park, foi o dia de iluminar um pouco da minha infinita ignorância e aprender um pouco sobre esse povo. “Mesa Verde” é o nome desse grande platô no sudoeste do Colorado, bem próximo da famosa e única fronteira quádrupla dos Estados Unidos, onde esse estado se encontra com os outros três já citados acima. Essa foi a região focal dos pueblos e algumas de suas ruínas mais fascinantes e bem preservadas estão nesse parque nacional criado exatamente para ajudar a preservá-las.

Interior de habitação puebla no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Interior de habitação puebla no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Ontem já tínhamos entrado no estado, vindos do Monument Valley, no Arizona. Dormimos em Cortez, quase na entrada do parque e hoje, enfrentando muito frio e neve, já estávamos cedinho no novíssimo Centro de Visitantes, na portaria do parque, aprendendo sobre os pueblos. Como sempre, boas exibições, muita informação e guarda-parques atenciosos. Mas queríamos mesmo era “botar a mão na massa”, ver com os próprios olhos as famosas cidades construídas dentro de reentrâncias na rocha ou cavernas rasas. Com muito cuidado, a Fiona nos levou pelas estradas congeladas até o alto do planalto, da Mesa Verde, onde há 800 anos florescia uma civilização em pleno coração dos Estados Unidos, muito antes de Lincoln, Washington ou Colombo. Uma legítima civilização pré-estadunidense (para usar um termo tão querido das nossas esquerdas...)

Painel informativo sobre os pueblos e sua prática de morar em tocas na rocha do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Painel informativo sobre os pueblos e sua prática de morar em tocas na rocha do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Como todas as civilizações que se prezem, os pueblos começaram a sua história como um povo nômade, vindos provavelmente da região do Alaska. Depois do frio do norte, o clima do sudoeste americano lhes pareceu bem ameno e por aqui se assentaram. O contato com povos mais ao sul trouxe avanços tecnológicos, da tecelagem à cerâmica. Trouxe também o know-how do cultivo do feijão e, principalmente, do milho, a santa planta do novo mundo. Agora, já não mais dependiam da caça e da coleta para sobreviver, a colheita de cada ano lhes garantia suprimentos para os meses de inverno. Mais do que isso, anos bons lhe garantiam alimentos para anos ruins. Enfim, com a agricultura, podiam se estabelecer de vez, concentrar-se em outras atividades e empreendimentos que definem aquilo que chamamos de civilização.

Ruínas pueblas nas encostas de pedra do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Ruínas pueblas nas encostas de pedra do Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Por volta do ano 600 os pueblos já eram completamente sedentários. Suas rotas de comércio se espalhavam para o México, atingindo até Teotihuacan. Suas moradias, para se protegerem do frio no inverno e do calor no verão, além do vento quase constante naquelas alturas, eram subterrâneas. A porta vinha pelo teto, uma escada dando acesso ao interior da residência. A população crescia e as casas foram se aglomerando, grudadas umas às outras, como colmeias. Para alimentar tanta gente, a agricultura também se desenvolveu. As plantações eram em encostas viradas para o sol, para aproveitar ao máximo a luz e o calor. Mesa Verde era apenas um dos polos de uma civilização que se expandia por uma região muito mais ampla.

Escavação arqueológica no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Escavação arqueológica no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Mas o clima mudou. Mais frio no inverno, menos chuva no verão. O sol parecia mais fraco. A população de Mesa Verde tentou se adaptar aos novos tempos. Menos colheitas, menos comida, mais guerras pelos recursos escassos. Contra a insegurança e o frio, as cidades se mudaram para as cavernas nas encostas, voltadas para o sol, de difícil acesso e fácil defesa contra possíveis inimigos. Construções com mais de 100 cômodos foram feitas nessas reentrâncias nas rochas. As maiores construções feitas no território atual dos estados Unidos até o século XIX. Isso mesmo! Foi apenas no início da era dos arranha-céus, no tempo de nossos bisavós, que as construções de nossa civilização ocidental superaram em tamanho as construções dessa outra civilização perdida no tempo e em fotografias borradas de livros de história.

Antiga habitação puebla no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Antiga habitação puebla no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Mas a mudança no clima foi mais persistente do que puderam aguentar ou se adaptar esse antigo povo das américas. O sol que os alimentara por séculos, agora os penalizava por décadas. Nem mesmo um templo construído em sua homenagem e fervor pôde mudar o destino. Os pueblos tiveram de abandonar suas magníficas cidades e migrar novamente. Foram mais para o sul, se espalharam e, nessa nova migração, boa parte de sua cultura e tradição se perderam. Mesmo assim, hoje em dia são diversos povos americanos que alegam ser seus descendentes diretos. Lendas e tradições orais parecem confirmar isso. Para o índios atuais, eles são os “anasazi”, os antigos, os anciões. Vieram das terras altas em tempos imemoriais, cheios de sabedoria e experiência em tratar com a natureza.

Uma cidade inteira sob a rocha no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Uma cidade inteira sob a rocha no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Ruínas de um antigo templo no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Ruínas de um antigo templo no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Já as suas cidades e templos, ficaram perdidos e escondidos dos olhos humanos por quase 600 anos até que, no início do século XX, foram redescobertas por vaqueiros. Os mais belos exemplares daqueles pueblos que já haviam sido vistos por desbravadores espanhóis no século XVI. Mas, sem dúvida nenhuma, são essas ruínas da Mesa Verde, cidades encrustadas nas rochas, penduradas sobre abismos, as mais impressionantes. Seja para cawboys do do início do século XX ou turistas do século XXI, a primeira vez que as vemos é emocionante. Um cenário saído de algum filme de ficção científica, alguma civilização de outro planeta. Mas não, são daqui mesmo, da nossa América.

Encontro com brasileiros no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Encontro com brasileiros no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos


Mesmo com o frio de hoje, foi um prazer ter estado lá hoje. Iluminados pelo sol, pudemos sentir o mesmo calor aconchegante que eles sentiam há séculos atrás. Visitamos as primeiras habitações, ainda subterrâneas, no alto do platô. Visitamos o misterioso templo do sol, aparentemente inacabado, fruto do trabalho conjunto das diversas comunidades que se uniram para tentar apaziguar o deus que, aos poucos, parecia lhes abandonar. Visitamos as mágicas e inacreditáveis cidades nas encostas de pedra onde, para nossa grata surpresa, encontramos um simpático casal de brasileiros, paranaenses de coração, mas moradores do Texas. Mais no final da tarde, foi o sol se esconder e tivemos a real dimensão do desafio que era viver por ali naquelas condições, frio de rachar, mesmo no conforto do mundo moderno. Pois é, para ter vivido e prosperado por tantos séculos num ambiente como esse, não tenho dúvida, os pueblos eram mesmo... civilizados. Para mim, agora, são muito mais do que aquela antiga e surrada fotografia. Maias, astecas e incas estão em boa companhia...

As surpreendentes ruínas pueblas no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

As surpreendentes ruínas pueblas no Mesa Verde National Park, no Colorado, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Colorado, Mesa Verde National Park, Cortez, história, Parque, trilha

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Caribe com Chuva

Barbados, Dover, Speightstown

Conhecendo River Bay, na costa nordeste de Barbados

Conhecendo River Bay, na costa nordeste de Barbados


Barbados é a única ilha do arquipélago caribenho que nunca “trocou de mãos” no período colonial. Portugueses e espanhóis passaram por aqui no séc XVI, mas nenhum deles se animou a ocupar a ilha. Ao contrário, o que fizeram foi “desocupá-la”, escravizando os índios que aqui viviam e enviando-os para outros lugares. Assim, quando os ingleses chegaram no início do século seguinte, não encontraram ninguém por aqui. Talvez por ser a única ilha fora do longo eixo norte-sul do arquipélago, Barbados teve uma vida tranquila, quando comparada com os vizinhos. Sem guerras, a independência veio na segunda metade do séc XX, mas a ilha continua ligada ao Commonwealth britânico e a Rainha Elizabeth II é a chefe simbólica de Estado.

Chuva no nosso restaurante em Speightstown, no oeste de Barbados

Chuva no nosso restaurante em Speightstown, no oeste de Barbados


Também na formação a ilha difere dos vizinhos. Nada de vulcões por aqui! A ilha é feita de coral! Quer dizer, com uma ajudazinha também das placas tectônicas. Bem na fronteira das placas da América do Sul e do Caribe, a ilha se levanta 25 mm a cada 1000 anos. Parece pouco? Bom, em um milhão de anos já serão 25 metros. Em 10 milhões, 250 metros! Nesse tempo todo, incontáveis gerações de corais vão se formando e agregando mais terreno para a ilha. Os que já ficaram de fora d’água faz tempo viraram calcário que, com ajuda da chuva, forma as belas cavernas que são uma das atrações turísticas de Barbados.

Mesmo com chuva, o mar do caribe é lindo! (em Speightstown, no oeste de Barbados)

Mesmo com chuva, o mar do caribe é lindo! (em Speightstown, no oeste de Barbados)


Por fim, mais um diferencial, Barbados está fora da rota principal de furacões. Mas isso não impede que, em intervalos grandes de tempo, um furacão perdido passe por aqui e faça um estrago tremendo. Felizmente, não foi o que ocorreu hoje, quando só tivemos uma chuva fina e chata, que teimava em cair. Com poucos dias para conhecer a ilha, não podíamos nos dar o luxo de esperar a chuva passar e fomos passear assim mesmo.

Com chuva, socializando com um pescador na costa norte de Barbados

Com chuva, socializando com um pescador na costa norte de Barbados


À bordo do nosso carro, não é difícil atravessar a ilha. São pouco mais de 30 km de comprimento e uns 20 km de largura. Estradas estreitas, mas com pouco movimento, mão inglesa. Depois de atravessar a capital Bridgetown, com 90 mil habitantes (um terço da população do país), seguimos pela costa oeste, onde se concentram os hotéis de luxo espalhados pelas belas praias. A primeira parada foi em Speightstown, a segunda maior cidade da ilha, com menos de 5 mil habitantes. Aí almoçamos comida típica num restaurante que avançava sobre o mar. Mesmo com chuva, esse mar é lindo!

Floresta na região de St Nicholas Abbey, em Barbados

Floresta na região de St Nicholas Abbey, em Barbados


Alimentados de marlin, seguimos até o extremo norte da ilha, onde belas falésias se erguem sobre o mar. Ignorando a chuva e a altura de mais de 20 metros até o mar, um pescador solitário se divertia por ali. Ele nos explicou que o problema seria o vento, e não a chuva. Sem o vento, mar tranquilo, a pescaria era boa. Quanto à distância do mar, não importava! Sua linha tinha 500 pés (150 metros)!

A mais antiga Plantation da ilha, St Nicholas Abbey, em Barbados

A mais antiga Plantation da ilha, St Nicholas Abbey, em Barbados


A gente seguiu pelo litoral, no nosso sentido horário, até a bela River Bay, onde um dos maiores rio de Barbados encontra o mar. Local muito bonito, mas nossa companheira chuva só permitiu umas fotos rápidas e seguimos nosso caminho. Dessa vez, abandonamos o litoral e rumamos para o interior. No alto das montanhas, a quase 300 metros de altitude, chegamos á mais antiga e tradicional Plantation de Barbados, a St. Nicholas Abbey, com sua mansão pomposa. Como outras ilhas do caribe, Barbados foi logo tomada pela Cana-de-Açúcar, cultivada com muita mão-de-obra escrava em grandes propriedades chamadas “Plantations”. Da cana nasceu um dos mais conhecidos produtos de Barbados, o rum. O país é famoso por suas destilarias e lojas dessa bebida e nós ainda vamos visitar uma delas.

Morgan Lewis Mill, o último moinho em funcionamento em Barbados e todo o leste do Caribe

Morgan Lewis Mill, o último moinho em funcionamento em Barbados e todo o leste do Caribe


Daí voltamos para casa, ainda passando em igrejas centenárias e no último e pitoresco moinho de vento em funcionamento em todo o leste do Caribe. Finalmente, bem no final da tarde, já de volta ao nosso hotel em Dover, a chuva cedeu e tivemos um pôr-do-sol. A torcida é que ele aguente até amanhã, para podermos ver as praias um pouco mais de “perto”...

Fim de tarde visto do quarto do nosso hotel em Dover, praia na costa sul de Barbados

Fim de tarde visto do quarto do nosso hotel em Dover, praia na costa sul de Barbados

Barbados, Dover, Speightstown, história, Praia

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Cachoeira do Frade

Brasil, Ceará, Ubajara (P.N de Ubajara)

Reverenciando a Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Reverenciando a Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Pela primeira vez nessa viagem, a Fiona andava em "comboio". Comboio de dois carros, hehehe. Estávamos indo para a Cachoeira do Frade, passando pela Cachoeira do Boi Morto (que nome!) no caminho, o casal do America Sin Fronteras atrás da gente.

Fiona ultrapassa pampa carregando um enorme porco, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)

Fiona ultrapassa pampa carregando um enorme porco, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)


Fiona atravessando a Cachoeira do Boi Morto, em Ubajara - CE

Fiona atravessando a Cachoeira do Boi Morto, em Ubajara - CE


A Cachoeira do Boi Morto, na verdade, é uma represa onde a água quase sempre está "sangrando". É possível passar de carro bem por onde a água sangra. Assim, quem foi à cachoeira foi a própria Fiona! Bom para dar uma lavadinha nela...

Pequena cachoeira à caminho da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Pequena cachoeira à caminho da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Com a Andrea, descendo o rio à caminho da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Com a Andrea, descendo o rio à caminho da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


De lá para nosso objetivo principal. Quem tinha dado as cordenadas era o Herbert. Morando há tanto tempo por aqui, ele já explorou toda a região e descobriu a tal Cachoeira do Frade logo depois da outra vez que passei por aqui. Deixamos os carros numa propriedade rural a 23 km de Ubajara e caminhamos mais um quilômetro morro abaixo, até um rio. Aí, é só descê-lo até as cachoeiras. São várias menores até a maior delas, no meio do canyon, a Cachoeira do Frade. Resolvemos descer diretamente pela trilha, para chegar lá rapidamente, e depois voltar pelo leito do rio, conhecendo as cachoeiras menores.

Escalada para chegar à Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)

Escalada para chegar à Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)


Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Com uma escalada aqui, outra ali, chegamos até ela. Primeiro até a parte de cima. Depois, a gente desce um paredão e chegamos em baixo. Fomos tomar uma ducha deliciosa quando descobrimos que era possível entrar atrás da cachoeira. Não só entrar como levar a máquina fotográfica também! Deste modo, além do banho delicioso, pudemos tirar fotos maravilhosas! A visão lá de trás, luz de fim de tarde filtrada pela água que caía, estava absolutamente mágica!

Tomando banho na Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Tomando banho na Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Fotografando por detrás da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)

Fotografando por detrás da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)


Difícil foi ir embora. Mas o dia estava no fim e precisávamos de luz para subir o leito do rio. Apesar de um pequeno tombo do Pablo, que tentava carregar a Andrea de um lado do rio para o outro para que ela não molhasse o tenis, chegamos lá em cima são e salvos.

Cachoeira do Frade vista por trás, em Ubajara - CE

Cachoeira do Frade vista por trás, em Ubajara - CE


Explorando a Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Explorando a Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Depois, por mais de uma hora, ficamos trocando fotos e mapas. Eles nos passaram os mapas de GPS de vários países da América do Sul por onde já passaram. Viva o mundo moderno! Agora a Fiona já sabe andar por quase todo o continente!

Feliz da vida na Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Feliz da vida na Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Finalmente, já escuro, nos despedimos. Eles dormiriam ali perto mesmo, já que têm por regra não dirigir de noite. Seguem amanhã para Canoa Quebrada. Nós, em direção oposta. Viemos dormir em Piripri, já no estado do Piauí, que tantas boas recordações nos traz. Ao lado desta cidade está o Parque Nacional de Sete Cidades, que visitaremos amanhã.

Bem feliz após a visita à Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Bem feliz após a visita à Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Cachoeira acima da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE

Cachoeira acima da Cachoeira do Frade, em Ubajara - CE


Ao Pablo e Andrea, uma boa viagem, cheia de aventuras e momentos memoráveis. O mesmo que esperamos para nós! Graças à internet, vamos sempre poder nos acompanhar. Como disse acima, viva a tecnologia!

Com a Andrea, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)

Com a Andrea, em Ubajara - CE (foto de America Sin Fronteras)

Brasil, Ceará, Ubajara (P.N de Ubajara), cachoeira, Cachoeira do Frade, Serra do Ibiapaba, trilha

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Separação, Puebla, Alinhamento e o Orizaba

México, Amecameca, Puebla, Pico Orizaba

A catedral de Puebla, no México

A catedral de Puebla, no México


Levantamos cedo ontem e, depois de um saudável suco de laranja natural na feira que toma conta da praça principal de Amecameca todos os dias, fui acompanhar a Ana, Val e Gera até a rodoviária. Eles pegaram o ônibus para a Cidade do México. As meninas seguem para dois dias intensos de turismo na capital federal enquanto o Gera foi cuidar de burocracias e responsabilidades, além de rever a esposa. O plano era que ele fosse me reencontrar no dia seguinte (hoje!) em Puebla para, juntos, irmos ao refúgio de montanhistas no Orizaba.

Suco de laranja natural de café da manhã em Amecameca, no México

Suco de laranja natural de café da manhã em Amecameca, no México


Quanto a mim, fui cuidar da Fiona, enquanto descanso um pouco para ganhar energias para a escalada que me espera. Essas próximas 60 horas seriam a minha mais longa separação da Ana nesses 1000dias de viagem. Será que eu saberia viver sozinho, hehehe.

Pegando ônibus de Amecameca para Cidade do México

Pegando ônibus de Amecameca para Cidade do México


Confesso que a viagem para Puebla foi bem esquisita, um enorme vazio no banco ao lado na Fiona. Entrando na cidade, também senti muita falta de alguém me ensinado as ruas a seguir e me ajudando a encontrar um hotel. Enfim, a sorte estava do meu lado e, no caminho para o centro, já passei em um quarteirão cheio de lojas que fazem alinhamento de automóveis. Seria o meu compromisso para hoje cedinho! Depois, carro estacionado, não demorei a encontrar um ótimo hotel, num prédio histórico e charmoso, a menos de duas quadras da praça central da cidade.

A catedral de Puebla, no México

A catedral de Puebla, no México


Puebla é uma das mais tradicionais cidades mexicanas e foi, até o final do século XIX, a segunda maior cidade do país. Foi fundada pelos primeiros colonizadores espanhóis, ainda em 1520, com o objetivo de suplantar em tamanho e poder a vizinha Cholula, um centro nativo de grande importância religiosa. Toda a região já tinha tradição em produção de cerâmica, mesmo antes da chegada dos europeus. Com a introdução de novas ferramentas e materiais pelos espanhóis, a tradição continuou e se incrementou e Puebla manteve uma grande importância econômica na época colonial e início da vida republicana.

Interior de igreja em Puebla, no México

Interior de igreja em Puebla, no México


Também foi aqui o local de importantes batalhas durante a invasão francesa para instaurar uma monarquia no país, durante a década de 60 do século XIX. O exército de Napoleão III, considerado então o mais forte do mundo, atacou frontalmente a cidade em 5 de Maio de 1862. O exército republicano mexicano, contando com apenas um terço das forças atacantes, resistiu bravamente, num dos raros exemplos de vitórias nacionais contra forças estrangeiras. Até hoje a data é celebrada pelo exército e pela nação. Mas um dos fatores que explicam a derrota francesa na batalha foi que boa parte dos soldados estava atacada com uma forte disenteria. Aparentemente, a comida picante do país não havia lhes caído bem... De qualquer maneira, um ano mais tarde os franceses voltaram, agora sem dor de barriga, e conquistaram a cidade, que permaneceu sobre o controle das forças monarquistas de Maximiliano até quase o fim da guerra, em 1867.

Apresentação de palhaços reúne muita gente na praça central de Puebla, no México

Apresentação de palhaços reúne muita gente na praça central de Puebla, no México


Fim de tarde em Puebla, no México

Fim de tarde em Puebla, no México


Desde então, a vida se acalmou bastante em Puebla. Hoje, o movimento maior vem dos turistas e dos artistas locais que disputam um lugar no Zocalo para sua apresentações sempre concorridas, principalmente nos finais de tarde. A praça é muito agradável, cheia de árvores e ladeada por grandes prédios. O mais belo deles é a vistosa catedral, uma das maiores do país.

Caminhando pela praça central de Puebla, no México

Caminhando pela praça central de Puebla, no México


Minha tarde de ontem foi toda de passeios e caminhadas pelo charmoso centro histórico e pelo movimentado centro comercial. O jantar foi mesmo no hotel que, com seu pé direito alto e murais pintados no teto, já merece ser visitado mesmo que não se hospede por lá. Gostei tanto de lá que já deixei quartos reservados para nós quando me reencontrar com a Ana e Valéria, após a subida ao Pico Orizaba.

Chegando ao Pìco Orizaba, montanha mais alta do México

Chegando ao Pìco Orizaba, montanha mais alta do México


O Pico Orizaba visto do refúgio de montanhistas, no México

O Pico Orizaba visto do refúgio de montanhistas, no México


Hoje cedo, foi a hora de finalmente alinhar a Fiona. Por aqui, o alinhamento é feito da mesma maneira que no Brasil, sem a frescura de computadores pré-programados como nos Estados Unidos. Enfim, pode ser feito, mesmo com um carro que não existe no mercado local. O que o mecânico descobriu, também, foi que um dos suportes da suspensão da Fiona estava em estado precário. Depois de 125 mil km, muitos dos quais em estradas bem esburacadas, não posso reclamar. Para meu alívio e felicidade, essa peça havia por aqui e pôde ser trocada. Nossa Fiona está pronta para enfrentar a América Central novamente!

Refúgio de montanhistas no Pico Orizaba, no México

Refúgio de montanhistas no Pico Orizaba, no México


De volta ao hotel, lá estava o Gera, recém-chegado da capital. Juntos, numa Fiona redondinha, fomos para Tiachichuca, uma pequena cidade quase aos pés do Pico Orizaba. Daí partem as expedições para conquistar a maior montanha mexicana. Nós fomos diretamente ao ponto de encontro marcado com o Piotr, um polonês radicado no México e que será nosso guia para a empreitada de amanhã. O Piotr é o dono da empresa Mexico Extreme e leva clientes a qualquer montanha no México. Ele estava em um dos centros de apoio à alpinistas que existe na cidade e aí checamos os equipamentos e alugamos o que faltava. Ainda descolei um delicioso almoço mexicano, com muito feijão e abacate, deixamos a Fiona guardada e, num carro alugado, seguimos para a montanha.

Fim de tarde no refúgio do Pico Orizaba, a maior montanha mexicana (foto de Geraldo Ozorio)

Fim de tarde no refúgio do Pico Orizaba, a maior montanha mexicana (foto de Geraldo Ozorio)


Até poderíamos ir de Fiona mesmo, mas agora que ela acabou de ser alinhada, resolvi poupá-la dessa. A gente segue por uma estrada bem rústica montanha cima, ziguezagueando pelas encostas mais baixas do Pico Orizaba até os 4.200 metros de altitude, onde está o refúgio. Vai ser o lugar da nossa curta noite, já que por volta da uma da madrugada vamos nos levantar para o ataque ao cume.

Refúgio de montanhistas no Pico Orizaba, no México

Refúgio de montanhistas no Pico Orizaba, no México


A gente chegou lá no final da tarde e finalmente pudemos ver o Orizaba que, até então, se escondia atrás das nuvens. Imponente e glorioso, por baixo de uma vasta capa de gelo, seu cume cerca de 1.400 metros acima de nós. Só deu tempo de eu dar uma pequena caminhada para tirar umas fotos e logo escureceu. Em seguida, o Piotr preparou um lanche reforçado para começarmos a acumular energia para o esforço que nos espera.

Prontos para dormir no refúgio de montanhistas, na véspera da tentativa de subir o Pico Orizaba, no México

Prontos para dormir no refúgio de montanhistas, na véspera da tentativa de subir o Pico Orizaba, no México


O refúgio não é grande, mas bem maior que aquele lá do Izta. Além de nós, apenas outros 3 alpinistas para dividir conosco enormes triliches. O frio começou a apertar e logo estávamos dentro dos nossos sacos de dormir, tentando aproveitar ao máximo das poucas horas de descanso. Mas nossa tranquilidade não demorou muito, pois duas horas mais tarde chegou ali uma tropa de elite do exército mexicano, cerca de quarenta soldados em seus exercícios cotidianos. Armados até os dentes, mas muito simpáticos, ocuparam o resto dos triliches e todo o assoalho do refúgio. Meia hora de balbúrdia total. Se nós já ficamos impressionados com aquilo tudo, imagina os três jovens montanhistas americanos que ali estavam, em sua primeira viagem internacional. Não entenderam nada, hehehe. Bom, se os soldados nos acordaram agora, já deixamos avisados para eles que em poucas horas será a nossa vez de despertá-los. Com o maior cuidado, claro! Afinal, estamos em minoria! Em compensação, perdidos no meio de uma montanha no México, nunca dormimos uma noite tão segura em nossas vidas! Tinha até sentinelas, um do lado de dentro e outro no frio lá fora. O mesmo frio que vamos encarar daqui a três horas!

Soldados dormem no refúgio do Pico orizaba, a maior montanha mexicana (foto de Geraldo Ozorio)

Soldados dormem no refúgio do Pico orizaba, a maior montanha mexicana (foto de Geraldo Ozorio)

México, Amecameca, Puebla, Pico Orizaba, história

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Depois do Mergulho, Praias da Infância!

Brasil, Espírito Santo, Guarapari

Onde as águas se encontram, na praia de Setiba, em Guarapari - ES

Onde as águas se encontram, na praia de Setiba, em Guarapari - ES


Depois de um mergulho mais complicado, nada melhor que aproveitar o sol que brilhava em praias que marcaram nossas infâncias! Ainda mais que elas estavam ali, tão pertinho uma da outra e também do ponto onde mergulhamos.

A praia de Setiba, em Guarapari - ES

A praia de Setiba, em Guarapari - ES


Primeiro, foi a vez de Setiba. Faz tempo que a Ana fala dessa praia. Quando ela tinha uns 10-11 anos, os pais da Ana se encheram de coragem, botaram as três filhas num carro e saíram para uma longa viagem desde o Paraná até Minas, Rio e Espírito Santo. Foi cerca de um mês na estrada e eu vivo ouvindo histórias da Ana sobre trechos e fatos dessa longa viagem. Um dos trechos preferidos foi o litoral capixaba e foi exatamente dessa praia, Setiba, que as meninas mais gostaram. Só que todas elas guardam o trauma de não ter podido nadar aqui porque eles estavam com uma programação mais apurada e tinham se programado para ir a outro lugar. Por mais que insistissem, os pais resolveram continuar. Setiba acabou virando sinônimo de uma praia linda que não pôde ser desfrutada. Quase que a Terra Prometida de Moisés, que nunca chegou lá.

A Ana na praia de Setiba, em Guarapari - ES

A Ana na praia de Setiba, em Guarapari - ES


Vinte anos mais tarde, chegamos à Terra Prometida da Ana, a praia de Setiba. E ela continua uma gracinha mesmo! Do modo que ela tinha descrito, embora com "umas" casas a mais. Em um lado da praia há uma pequena ilha, bem próxima da areia. Tão próxima que acaba virando uma península, unida à praia por uma pequena língua de areia. Este ponto é o mais bonito. As ondas vêm dos dois lados e passam por cima da língua de areia, se encontrando. Muito jóia mesmo. Adoramos! Tanto que ficamos lá o resto do dia. Corremos, nadamos nos dois lados da ponte de areia, exploramos a península/ilha, tomamos uma cerveja pra celebrar. Vidinha bem difícil...

Praia de Setiba, em Guarapari - ES. A Ana é o pontinho ao fundo, nadando.

Praia de Setiba, em Guarapari - ES. A Ana é o pontinho ao fundo, nadando.


Bem no final da tarde, já a caminho de Iriri, no sul, paramos em Guarapari, na famosa, bela e em processo de reurbanização Praia do Morro. Fim de tarde bem bonito, céu meio avermelhado e nós, na praia, nos deliciamos com uma maravilhosa empadinha.

Comendo uma empadinha na Praia do Morro, em Guarapari - ES

Comendo uma empadinha na Praia do Morro, em Guarapari - ES


Eu tinha estado em Guarapari há quase 40 anos!!! É claro que eu não me lembro, pois tinha só um ano de idade. Mas me lembro muito bem das fotos tiradas dessa temporada, do lindo nenê que eu era, disputado pelas irmãs. Fotos em preto e branco emoldurando porta-retratos e álbuns espalhados pela minha casa. Isso acabou tornando a cidade, pelo menos na minha cabeça em formação, uma coisa meio mítica. Seis anos mais tarde, passando uma temporada na pequena Carapebus, um pouco ao norte, eu já era um "adulto", seis anos de idade. Daí sim, tenho muitas lembranças. Inclusive de um passeio que fizemos à Guarapari, para revisitar os lugares que tínhamos frequentado anos antes. Engraçado... quando lembro disso, lembro de já me achar um cara mais velho, experiente. Com seis anos! Hoje, dou risada... Estranho também é pensar que, naquela época, achava os 5 anos que me separavam da outra vez uma eternidade. Nossa, hoje, cinco anos são ontem...

Praia do Morro, em Guarapari - ES

Praia do Morro, em Guarapari - ES


O tempo vai passando e nossas referências, tanto espaciais como temporais, vão mudando. O que era enorme, ficou pequeno. O que era uma eternidade, virou um lapso. Que saudade da minha infância, que lembro tão bem e que saudade da infância da Ana, apesar de não tê-la vivido. Deve ser o sangue português em minhas veias...

Observando os prédios de Guarapari, na praia de Setiba, em Guarapari - ES

Observando os prédios de Guarapari, na praia de Setiba, em Guarapari - ES

Brasil, Espírito Santo, Guarapari, Praia do Morro, Setiba

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A Incrível Deception Island

Antártida, Deception Island

No alto das escarpas vulcânicas de Deception Island, na Antártida

No alto das escarpas vulcânicas de Deception Island, na Antártida


Depois da nossa tentativa frustrada de fazer caiaque em Neptune’s Bellows, recompensada por mais de uma hora de remadas nas águas tranquilas de Whaler’s Bay, era a hora de começarmos a explorar Deception Island por terra. Essa pequena ilha é simplesmente o ponto turístico mais popular da Antártida e certamente tem razões para isso. Nós já tínhamos visto isso de dentro d’água e agora veríamos de fora d’água.

Mapa de Deception Island, uma aniga caldeira vulcânica na Antártida. Nosso caiaque e caminhada foram na pequena baía de Whaler's Bay. Depois, já a bordo do Sea Spirit, demos toda a volta na grande baía interna

Mapa de Deception Island, uma aniga caldeira vulcânica na Antártida. Nosso caiaque e caminhada foram na pequena baía de Whaler's Bay. Depois, já a bordo do Sea Spirit, demos toda a volta na grande baía interna


Enormes rochedos marcam a entrada da baía de Deception Island, na Antártida

Enormes rochedos marcam a entrada da baía de Deception Island, na Antártida


Deception Island tem origem vulcânica e basta ver seu mapa ou uma foto de grande altitude para não se ter dúvida sobre isso. A ilha, e seu formato nos mostra, foi uma grande caldeira vulcânica que, após uma erupção colossal, entrou em colapso. A água do mar invadiu a antiga cratera formando um grande lago interior, ligado ao oceano gelado por apenas uma estreita passagem, a tal de Neptune’s Bellows.

Paredes, escarpas e encostas que formavam o contorno da aniga caldeira vulcâncica que é hoje a baía de Deception Island, na Antártida

Paredes, escarpas e encostas que formavam o contorno da aniga caldeira vulcâncica que é hoje a baía de Deception Island, na Antártida


Paredes, escarpas e encostas que formavam o contorno da aniga caldeira vulcâncica que é hoje a baía de Deception Island, na Antártida

Paredes, escarpas e encostas que formavam o contorno da aniga caldeira vulcâncica que é hoje a baía de Deception Island, na Antártida


Paredes, escarpas e encostas que formavam o contorno da aniga caldeira vulcâncica que é hoje a baía de Deception Island, na Antártida

Paredes, escarpas e encostas que formavam o contorno da aniga caldeira vulcâncica que é hoje a baía de Deception Island, na Antártida


Logo após ultrapassarmos esse canal rumo ao interior da ilha aparece uma pequena baía ao nosso lado, a Whaler’s Bay. Por aí remamos pela manhã e aí desembarcamos numa grande praia de areias negras. O nome da baía vem de seus primeiros ocupantes, os baleeiros que construíram aqui uma estação de processamento de baleia. Foi nessa praia e pelas escarpas vizinhas que caminhamos hoje, emocionados com a beleza grandiosa da paisagem e incrédulos com a água quente que brota de suas areias, prova de que o antigo vulcão continua ainda muito vivo sob nossos pés. Ao final de nossa caminhada em terra firme voltamos para o Sea Spirit e, já no navio, demos uma volta por toda a baía em que se transformou a antiga cratera vulcânica. Essa volta com o Sea Spirit em torno da antiga cratera vou tratar no post seguinte.

Caminhando na praia de Deception Island, na Antártida

Caminhando na praia de Deception Island, na Antártida


A praia termina nas escarpas rochosas que formavam a parede da caldeira vulcânica que hoje é Deception Island, na Antártida

A praia termina nas escarpas rochosas que formavam a parede da caldeira vulcânica que hoje é Deception Island, na Antártida


Foi exatamente essa forma peculiar da ilha com o porto natural mais seguro da Antártida, região famosa por seus mares bravios, que atraiu a ocupação humana no início do séc. XIX. Em 1820 os primeiros caçadores de focas (os lobos marinhos) começaram a chegar no arquipélago de South Shetland, ao qual Deception Island faz parte. O que eram apenas alguns navios no início logo se tornou quase cem deles já na temporada 1821-22, e todos eles vinham buscar abrigo e os lobos marinhos aqui na baía de Deception Island. Dessa maneira, não demorou muito para os pobres lobos serem extintos da região e a nova indústria logo desapareceu.

Restos bem conservados de antigo barco na praia de Deception Island, na Antártida

Restos bem conservados de antigo barco na praia de Deception Island, na Antártida


Restos bem conservados de antigo barco na praia de Deception Island, na Antártida

Restos bem conservados de antigo barco na praia de Deception Island, na Antártida


A calma em Deception Island duraria cerca de 80 anos, período que viu apenas umas poucas visitas de caçadores de elefantes marinhos, navios pesquisadores e alguma eventual pequena erupção vulcânica. Em 1904 a indústria baleeira começava a explodir na Geórgia do Sul e eles logo chegaram aqui, para tristeza das baleias. Como não havia estações de processamento em terra aqui nas Shetland do Sul, as baleias eram processadas em navios-fábrica. Para isso, são necessárias águas calmas e protegidas. Deception Island foi a óbvia escolha. O primeiro navio-fábrica (tinha de ser norueguês!) chegou em 1906 e logo outros o seguiram, todos atrás do lucro rápido e certo. Centenas de homens viviam na ilha durante o verão. Em 1908 a Inglaterra, que se achava a detentora da ilha e do arquipélago, resolveu botar ordem no pedaço e instalou na ilha um comissário para recolher os impostos devidos além de regular as cotas da matança. Deception Island passou a contar até com um serviço de correio, estação de rádio e com um cemitério, o mais “movimentado” da Antártida. Ainda hoje se pode visitar e render homenagens às mais de 30 pessoas enterradas ali.

Estação de pesquisa abandonada em Deception Island, na Antártida

Estação de pesquisa abandonada em Deception Island, na Antártida


A neve invadiu antiga estação de pesquisa em Deception Island, na Antártida

A neve invadiu antiga estação de pesquisa em Deception Island, na Antártida


Cemitério em Deception Island, o maior da Antártida

Cemitério em Deception Island, o maior da Antártida


O processamento das baleias em navios não era eficiente naquela época e boa parte dos “lucros” era simplesmente jogada fora. Segundo estimativas da época, cerca de 40% do potencial óleo das baleias era perdido. Então, em 1912, a primeira e única estação de processamento de baleias em terra firme na Antártida foi instalada na ilha (claro, noruegueses...). Os lucros foram tantos que até uma pequena pista de pouso foi instalada na ilha. Daí partiram os primeiros voos de reconhecimento da Antártida, no final da década de 20.

Antigo hangar de Deception Island, na Antártida

Antigo hangar de Deception Island, na Antártida


A neve tomou conta do antigo hangar de Deception Island, na Antártida

A neve tomou conta do antigo hangar de Deception Island, na Antártida


Mas foi também nessa época que as técnicas de processamento eficiente de baleia em alto mar se desenvolveram. A grande vantagem disso, além da agilidade, era poder fugir dos olhos controladores do comissário. Em alto mar, ninguém precisava se importar com impostos ou cotas de caça. Diante de uma concorrência assim, a estação baleeira em terra não tinha chances de sobreviver. Em 1931 ela encerrou suas atividades e, uma vez mais, a paz voltou à ilha.

Vapor formado pelo encontro da água quente vulcânica com o ar gelado polar na praia de Deception Island, na Antártida

Vapor formado pelo encontro da água quente vulcânica com o ar gelado polar na praia de Deception Island, na Antártida


Antigas estações baleeiras na praia de Deception Island, na Antártida

Antigas estações baleeiras na praia de Deception Island, na Antártida


O movimento retornaria após a 2ª Guerra mundial, com a instalação de bases científicas por países que buscavam garantir a posse territorial do arquipélago, notadamente a Inglaterra, Chile e Argentina. Várias edificações foram construídas próximas do antigo entreposto baleeiro. Vinte anos mais tarde, foi a vez da ilha reagir a esta nova onda de ocupação. Uma forte erupção vulcânica, a maior do séc. XX nessa região, tratou de afugentar cientistas e militares. As bases foram abandonas e, desde então, a neve e o gelo vem reconquistando seus espaços. As construções continuam ali, deteriorando-se aos poucos: o cemitério, o hangar, grandes tonéis para armazenar óleo de baleia, casas de pesquisadores, uma espécie de cidade fantasma nos confins da Terra.

Nossa trilha rumo aos penhascos em Deception Island, na Antártida

Nossa trilha rumo aos penhascos em Deception Island, na Antártida


Trilha atravessa vasta planície gelada em Deception Island, na Antártida

Trilha atravessa vasta planície gelada em Deception Island, na Antártida


Trilha nos leva ao alto das escarpas vulcânicas de Deception Island, na Antártida

Trilha nos leva ao alto das escarpas vulcânicas de Deception Island, na Antártida


Tudo isso pode ser visitado pelos turistas. Ver um hangar em plena Antártida com montanhas de neve em seu interior é uma visão surreal. Mas esse não é o principal atrativo para os milhares de turistas que visitam a ilha anualmente. Não, há outros ainda bem mais interessantes.

Escarpas vulcânicas de Deception Island, na Antártida

Escarpas vulcânicas de Deception Island, na Antártida


Escarpas vulcânicas de Deception Island, na Antártida

Escarpas vulcânicas de Deception Island, na Antártida


O primeiro deles é a beleza grandiosa da paisagem. As escarpas vulcânicas, cobertas ou não de neve, formam um cenário de beleza indiscutível, a rocha mergulhando abruptamente no mar azul cercada de pequenas geleiras que cobrem mais da metade da ilha. É possível caminhar até o alto delas e, de lá, ter uma visão ainda mais abrangente desse antigo lago vulcânico hoje transformado em baía. A vastidão branca vista lá de cima é de tirar o fôlego, assim como a visão do alto da Neptune’s Bellows, que já havíamos visto lá de baixo, tanto do zodiac que levava nossos caiaques como do convés do Sea Spirit, quando entramos na baía.

Admirando a vista da baía de Deception Island, na Antártida

Admirando a vista da baía de Deception Island, na Antártida


No alto das escarpas vulcânicas de Deception Island, na Antártida

No alto das escarpas vulcânicas de Deception Island, na Antártida


A outra atração, essa a mais inusitada de todas, tem a ver com o passado vulcânico da ilha. Até hoje, água quente brota das areias da praia de Whaler’s Bay. Água quente natural na Antártida é obviamente uma raridade e ninguém quer perder a oportunidade de ver e sentir isso. Por isso, turistas são trazidos para cá, para poder tomar um banho em pequenas piscinas feitas na praia cercados por uma paisagem polar.

Um imperial shag na praia de Deception Island, na Antártida

Um imperial shag na praia de Deception Island, na Antártida


Esquentando as mãos nas águas quentes que brotam nas areias da praia de Deception Island, na Antártida

Esquentando as mãos nas águas quentes que brotam nas areias da praia de Deception Island, na Antártida


Felizmente, nós somos o primeiro barco da temporada e, com isso, não há concorrência para nós. Chegar até aqui ao fim do mundo e encontrar mais gente teria sido desapontador. A prática de se fazer essas piscinas na praia também tem sido desestimulada pelas companhias de turismo, pelos danos ecológicos que estavam causando. Assim, o que fizemos foi apenas pisar sobre o terreno envolvido em vapor e, claro, esquentar nossas mãos e rostos com a água mágica que nasce do solo.

Um pinguim gentoo na praia de Deception Island, na Antártida

Um pinguim gentoo na praia de Deception Island, na Antártida


Um pinguim gentoo na praia de Deception Island, na Antártida

Um pinguim gentoo na praia de Deception Island, na Antártida


Pinguins gentoo na praia de Deception Island, na Antártida

Pinguins gentoo na praia de Deception Island, na Antártida


Quem também parece se divertir com isso são os pinguins gentoo que encontramos na praia. A impressão é que eles estão fazendo uma sauna a vapor. O cenário é realmente incrível, quase dantesco: uma praia negra e envolta em fumaça. Se isso parece pouco, acrescente alguns pinguins. Nosso cérebro demora a entender cena tão pouco usual.

Passageiros voltam para o Sea Spirit em meio ao vapor de água quente na praia de Deception Island, na Antártida

Passageiros voltam para o Sea Spirit em meio ao vapor de água quente na praia de Deception Island, na Antártida


Pinguins parecem se esquentar no vapor da água vulcânica na praia de Deception Island, na Antártida

Pinguins parecem se esquentar no vapor da água vulcânica na praia de Deception Island, na Antártida


Fotografando pinguins em meio à névoa da praia de Deception Island, na Antártida

Fotografando pinguins em meio à névoa da praia de Deception Island, na Antártida


Falando em pinguins, outra cena marcante ocorreu com eles logo pela manhã, quando atravessávamos o Neptune’s Bellows a bordo do Sea Spirit. Ainda bem cedo, chegamos junto com grandes grupos dessas simpáticas aves que voltavam do mar aberto depois de uma noite de caça. Ver dezenas delas nadando e pulando sobre a água foi emocionante, elas tão excitadas como nós de entrar nessa baía de águas protegidas. Deception Island não poderia ter nos dado melhores boas vindas!

Pinguins entram nadando na baía de Deception Island, na Antártida (foto de Senteney)

Pinguins entram nadando na baía de Deception Island, na Antártida (foto de Senteney)


Pinguins entram nadando na baía de Deception Island, na Antártida

Pinguins entram nadando na baía de Deception Island, na Antártida


Eu e a Ana fomos os últimos a chegar à praia, por causa do caiaque. Assim, quando subimos a trilha que leva até o alto das escarpas e quando fomos visitar os prédios parcialmente cobertos pela neve, estávamos praticamente sós. Mais uma benção de termos contratado essa atividade do caiaque no primeiro navio da temporada: ter Deception Island, a ilha mais popular da Antártida, só para nós. Foi absolutamente inesquecível!

Com o Bart, o artista do Sea Spirit, voltando para o navio em Deception Island, na Antártida

Com o Bart, o artista do Sea Spirit, voltando para o navio em Deception Island, na Antártida


O Sea Spirit no visual majestoso da baía de Deception Island, na Antártida

O Sea Spirit no visual majestoso da baía de Deception Island, na Antártida

Antártida, Deception Island, Bichos, história, Pinguim, trilha

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Belezas e Tragédias

Peru, Huaraz

A linda paisagem da região de Huaraz, no Peru

A linda paisagem da região de Huaraz, no Peru


Deixamos Lima rumo à Huaraz, a "capital" da Cordillera Blanca, no norte do Peru. Essa região, ainda bem pouco frequentada por brasileiros, é considerada a mais bela do país e uma das mais bonitas do mundo. Certamente, não tem o apelo histórico da região de Cusco, mas as suas montanhas e vales atraem alpinistas e andarilhos de todo o mundo em busca dos trekkings que são realizados na região.

Encostas de montanhas inteiramente cultivadas na região de Huaraz, no Peru

Encostas de montanhas inteiramente cultivadas na região de Huaraz, no Peru


A cidade de Huaraz fica no vale que separa a Cordillera Blanca da Cordillera Negra. Como os próprios nomes parecem indicar, a diferença é que na primeira há muita neve enquanto na outra quase não há, apesar de também ter grandes alturas. Ocorre que a Cordillera Negra recebe diretamente os ventos salgados que vem do Pacífico, protegendo sua irmã branquinha desses mesmos ventos. O sal, que perto da costa é o responsável pela formação dos grandes desertos, aqui é o responsável pela falta de neve. E assim temos montanhas tão próximas umas das outras, algumas nevadas e outras onde só se vê rochas.

A estrada que leva à Huaraz, no Peru

A estrada que leva à Huaraz, no Peru


Outra característica da região, essa bem mais triste, é a constância de grandes catástrofes. Além de grandes terremotos, a região ainda sofre com avalanches e enchentes causadas pelo transbordamento de lagos glaciares. Em 1942, um desses lagos, localizado bem alto nas montanhas, aos pés de um glaciar, recebeu uma grande avalanche e acabou rompendo seu dique natural. Uma enorme quantidade de água veio descendo vale abaixo até chegar em outro lago, destruindo com sua força também o dique natural deste outro lago. Os dez milhões de metros cúbicos de água dos dois lagos combinados desceu ainda mais rapidamente o vale abaixo destruindo tudo à sua frente, inclusive uma boa parte de Huaraz. Quem estava no lugar errado na hora errada não teve chances...

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru


Mas essa tragédia nem chegou aos pés do grande terremoto do início da década de 70, que matou quase 80 mil pessoas e quase não deixou pedra sobre pedra em Huaraz. Mas boa parte dos mortos veio da pequena Yungay, que naquele dia recebia gente de todas as vilas vizinhas para a sua tradicional feira. Yungay se localiza bem em frente ao Huscarán, a mais alta montanha da Cordillera Blanca, com 6.700 metros de altura. O grande terremoto teve a força de soltar muitas milhões de toneladas de granito e gelo combinado da montanha que despencaram para o chão e encosta abaixo com uma força avassaladora. Os quinze quilômetros que separavam a montanha da cidade foram percorridos em meros quatro minutos, debaixo de um som absolutamente ensurdecedor. As pessoas em Yungay tiveram pouco tempo para reagir. A maioria ficou estatelada, esperando a morte certa chegar. Algumas centenas ainda tiveram o ímpeto de correr para o prédio da igreja, o mais forte da cidade. Mas nem a igreja poderia resistir à força do que vinha da montanha. Foi varrida do mapa, assim como quem ali estava. Na verdade, o prédio acabou protegendo as palmeiras da Plaza de Armas que estavam à sua frente. Ainda hoje, enterradas praticamente até as copas, as árvores são as testemunhas mudas dessa tragédia que, em questão de minutos, matou 20 mil pessoas. Os poucos sobreviventes, menos de duas dezenas, foram os que correram e tiveram tempo de subir no morro do cemitério. Que ironia, foi justo no terreno dos mortos que restaram os últimos vivos...

Laguna altiplânica na estrada que vai à Huaraz, no Peru

Laguna altiplânica na estrada que vai à Huaraz, no Peru


Bom, chega de tragédias. Da outra vez que estive em Huaraz, só pude fazer dois tours, um para as geleiras do Pastoruri, hoje fechadas ao turismo e o outro para a bela lagoa Llanganuco, incluindo uma visita a Yungay. Dessa vez, o nosso objetivo era fazer algum dos trekkings. Tem para todo o gosto, de diários até aqueles que duram mais de 10 dias. Optamos pelo mais famoso, o trekking de Santa Cruz, que dura de três a quatro dias. Resolvemos fazer com mordomia, isso é, com burros carregando o peso maior e com cozinheiro para não nos preocuparmos com comida. Além disso, montam e desmontam nossas barracas. A nossa única preocupação é caminhar com um pouco de água e tirar belas fotos. Nada mal, né? Já está tudo acertado para amanhã de manhã, num grupo que inclue mais quatro pessoas que ainda vamos conhecer. Então, é isso aí, amanhã começamos a andar por uma das mais belas regiões do mundo!

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru

As primeiras neves da Cordillera Blanca, chegando em Huaraz, no Peru

Peru, Huaraz,

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