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Paisagens Patagônicas e Fly Fishing

Argentina, Trevelín

Admirando a beleza do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Admirando a beleza do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Deixamos El Bolsón no meio da manhã. A partir de agora, o sul é nosso norte! Por enquanto, o recorde de latitude sul da Fiona ainda é na pequena Los Altares, bem no centro da patagônia, a meio caminho entre a Península Valdés e El Bolsón, duas semanas atrás (veja esse post com o mapa aqui). Mas agora, com o nariz apontado para o sul, logo vamos pulverizar essa marca. Não vai demorar muito e chegaremos à Punta Arenas e Ushuaia, no extremo sul do continente. Mas antes, passaremos pelos principais atrativos da Patagônia andina argentina, como aparece no roteiro abaixo. Ele mostra nosso caminho até El Calafate, onde está a famosa geleira de Perito Moreno. De lá, seguiremos ao Chile antes de viajarmos à Terra do Fogo



Toda grande jornada começa com um primeiro passo! E o nosso primeiro passo foi dado hoje, num pequeno roteiro de menos de 200 quilômetros até a pequena cidade de Trevelin. Essa é uma daquelas cidades de origem galesa, mas nós estávamos interessados mesmo era no caminho até lá. Afinal, boa parte dele foi feito dentro do Parque Nacional Los Alerces, numa sequência linda de lagos e florestas. O caminho mais rápido teria sido pelo asfalto da famosa Ruta 40. Mas nós preferimos o rípio da estrada provincial 71, exatamente porque é ela que nos leva para o parque.

Estrada de rípio em direção ao Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Estrada de rípio em direção ao Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina




O parque que atravessamos hoje e onde fizemos uma deliciosa caminhada foi criado para justamente proteger a espécie de árvore que dá nome à reserva, os Alerces. Sem dúvida, seus bosques formam uma das grandes atrações do parque, mas há também muitas outras plantas, além de uma rica fauna a ser vista e admirada. Tanto que vou falar disso, flora e fauna, em um post separado. Nesse, vou falar apenas da caminhada que ali fizemos, das pessoas que conhecemos e do esporte mais admirado por essas bandas: a pesca de mosca. Além disso, claro, ainda mais em se tratando de um parque na patagônia andina, há sempre a beleza natural da região com seus lagos, rios, glaciares e montanhas.

Chegando ao Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Chegando ao Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Placa mostra o mapa do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Placa mostra o mapa do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Basicamente, a estrada nos leva através de uma sequência de lagos, como o Rivadavia, o Menéndez, o Verde e o Futalaufquen, cada um mais belo do que o outro. Assim como a maioria dos lagos andinos, todos esses têm origem glacial. Há 15 mil anos gigantescas geleiras desciam das montanhas ao redor abrindo seu caminho no relevo. Com o fim da era glacial as geleiras retrocederam, deixando em seu lugar diversos lagos que continuam a ser alimentados pela água que desce das montanhas, gelo e neve invernal derretidos com o calor da primavera e verão. O que sobrou de uma dessas antigas geleiras ainda pode ser admirado no parque: o glaciar de Torrecilhas, pendurado nas encostas da montanha de mesmo nome, a mais alta da região com 2.253 metros de altitude.

Praia do Lago Menendez, observando o glaciar Torrecillas, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Praia do Lago Menendez, observando o glaciar Torrecillas, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


O majestoso glaciar Torrecillas, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

O majestoso glaciar Torrecillas, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Essa sequência de lagos é toda ligada por rios cristalinos e gelados, alguns mais tranquilos, outros cheios de corredeiras. Salmões e trutas abundam por ali e fazem a festa dos pescadores, principalmente nos lagos e nos remansos de rio. Esse espetáculo das águas, que variam sua cor de um verde esmeralda até um azul profundo, mas sempre transparentes, é também um prazer para os olhos de quem passa por perto, seja de algum mirante na estrada, seja de alguma praia de lago, seja em alguma curva nas poucas trilhas que cortam a região.

A paisagem grandiosa do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

A paisagem grandiosa do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Belíssimo rio de águas geladas e transparentes no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Belíssimo rio de águas geladas e transparentes no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Um rio cheio de corredeiras que une os lagos no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Um rio cheio de corredeiras que une os lagos no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Vindos do norte, o primeiro lago no nosso caminho, após termos entrado no parque, foi o Rivadavia. Quando chegamos lá perto, a surpresa: seu acesso estava fechado por um “surto de ratos”! Ratos??? Isso mesmo! E olha que, dessa vez, a culpa não é nossa, dos humanos. Não, trata-se de um fenômeno natural, que ocorre a cada poucas décadas e se repete ao longo de toda a patagônia andina por onde cresce uma espécie de bambu. Vou falar disso no próximo post, mas os ratos tem a ver com o ciclo de vida dessa planta.

Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Típica paisagem patagônica no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Típica paisagem patagônica no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Bom, já que os ratos não deixavam, seguimos até o próximo lago, agora já atravessando as belas florestas de pinheiros que caracterizam grande parte do parque. Finalmente, chegamos a um estacionamento de acesso ao Lago Verde onde pudemos deixar a Fiona e esticar as pernas. Ainda ali no alto, uma das mais belas vistas do parque, a região entre os lagos Verde e Menéndes, os rios quase mágicos de tão belos que ligam esses dois lagos e as montanhas do parque parcialmente cobertas por florestas. É hora de respirar fundo e de ter certeza: “Sim, estamos mesmo na patagônia!”.

Chegando ao Lago Verde, um dos muitos existentes no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Chegando ao Lago Verde, um dos muitos existentes no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Ponte que cruza o rio que une o Lago Verde ao Lago Futlaufquen, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Ponte que cruza o rio que une o Lago Verde ao Lago Futlaufquen, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Uma ponte de madeira para pedestres cruza o rio e dá acesso a uma espécie de ilha entre os dois lagos. É aí que fazemos uma caminhada de poucos quilômetros que nos leva de um lago a outro, de um rio a outro e através da rica vegetação. Placas explicativas vão nos ensinando sobre os animais que aí vivem e, principalmente, sobre as diversas espécies de árvores encontradas na reserva, o principal tesouro do parque.

Belíssimo rio de águas geladas e transparentes no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Belíssimo rio de águas geladas e transparentes no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


As águas esverdeadas de remanso de rio no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

As águas esverdeadas de remanso de rio no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Antes da metade do caminho da trilha, encontramos e conhecemos três outros caminhantes, um pai e suas duas filhas também explorando o parque. Eram o Jeffrey, a Benna e a Miriam, que trabalha no Wall Street Journal. São americanos de Oregon, na costa oeste, e o Jeffrey trabalha como guia de natureza por lá. Juntos, caminhamos o resto da trilha, companhia muito agradável e ótima oportunidade para desenferrujar o inglês a aprender um pouco sobre um dos hobbies preferidos do Jeffrey: a pesca de mosca.

A Benna, o Jeffrey e a Miriam (a direita), pai e filhas, nossos amigos americanos durante caminhada pelo Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

A Benna, o Jeffrey e a Miriam (a direita), pai e filhas, nossos amigos americanos durante caminhada pelo Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Jeffery Gottfried, americano guia no Oregon e amante da pesca de mosca, maravilhado com as belezas do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Jeffery Gottfried, americano guia no Oregon e amante da pesca de mosca, maravilhado com as belezas do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Aliás, estávamos juntos com eles quando encontramos um segundo grupo de pessoas, argentinos dessa vez. Eram pescadores de mosca e se preparavam para partir em um passeio de barco no lago Menéndez, justamente para fazer o que mais gostam: pescar! Apesar das dificuldades da língua, foi uma ótima oportunidade para o Jeffrey trocar informações sobre técnicas e tipos de mosca utilizados aqui no patagônia. Afinal, ele só é um especialista nos peixes lá do hemisfério norte.

Encontro com pescadores de mosca (fly fish) no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Encontro com pescadores de mosca (fly fish) no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Pescadores partem para a pesca no lago Menendez, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Pescadores partem para a pesca no lago Menendez, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Enquanto os pescadores argentinos saíam para seu passeio e posavam alegres para fotos, o Jeffrey nos mostrou orgulhoso sua coleção de moscas, as iscas utilizadas nesse tipo de pesca. Ao contrário da pesca tradicional, em que espetamos uma minhoca no anzol, jogamos na água e ficamos tranquilamente esperando que algum peixe venha morder a isca, a pesca de mosca, ou “fly fishing” em inglês, é muito mais dinâmica. Os peixes pescados nesse tipo de pescaria tem suas preferências, cada espécie gosta mais de um tipo de mosca. Então, a primeira coisa a fazer é descobrir a preferência dos peixes e depois, manufaturar, fazer moscas de mentira que enganem e atraiam os peixes para a “armadilha”.

Pescaria de Mosca no lago Menendez no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Pescaria de Mosca no lago Menendez no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Orgulhoso, um pescador nos mostra suas iscas de mosca no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Orgulhoso, um pescador nos mostra suas iscas de mosca no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Além disso, não basta jogar a isca e ficar lá, esperando. Os peixes atacam as moscas assim que elas caem na água. É muito rápido. Se nenhum peixe morder a isca logo que ela caia na água, não adiante deixar ela ali, boiando ou mergulhando. Não é esse o instinto do peixe. Seus reflexos o atraem para moscas entrando na água e não para moscas paradas dentro d’água. Se não deu certo logo de início, o pescador recolhe a isca e a atira novamente. Por isso é importante jogar a isca bem próxima do peixe, para que ele já possa atacá-la logo que ela cai na água. Essa é a razão dos pescadores de mosca terem varas com longas linhas que eles rodopiam para poder atirar mais longe, bem para o meio do remanso onde devem estar os peixes. Não devem caminhar até lá, para não assustá-los e, ao mesmo tempo, é justo ali que devem atirar a isca. Vimos muito isso no Alaska e agora aqui, na patagônia. São dois dos melhores lugares do mundo para esse tipo de pesca.

Para a alegria dos fotógrafos, cores fortes e vivas no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Para a alegria dos fotógrafos, cores fortes e vivas no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Um rio cheio de corredeiras que une os lagos no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Um rio cheio de corredeiras que une os lagos no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Sem dúvida, é bonito de se ver. Não somos muito fãs de pescaria (e muito menos de caça!), mas quem gosta, gosta mesmo! Tanto que chegam a competir com ursos (!!!) por espaço nos rios do Alaska (veja nosso post quando estivemos por lá) ou então, investem alguns milhares de dólares em viagens para lugares propícios à prática, mesmo que seja em outros continentes, como é o caso da patagônia para os americanos ou canadenses, origem de boa parte dos turistas não nacionais que frequentam o Parque Nacional Los Alerces. Por falar nisso, apesar de ser uma área protegida, o parque permite sim esse tipo de pesca. Mas apenas essa, durante a temporada e com a obrigação de conseguir uma permissão especial da sede do parque.

Rio de águas verdes e transparentes no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Rio de águas verdes e transparentes no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Placa de aviso de que apenas a pescaria de mosca é permitida (é preciso uma licença!) no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Placa de aviso de que apenas a pescaria de mosca é permitida (é preciso uma licença!) no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Bom, quase ao final da caminhada, chegamos à praia do lago Menéndes de onde se pode admirar o glaciar Torrecillas e de onde partem os barcos que levam turistas à floresta de Alerces nas encostas daquela montanha. Boa parte da área do parque está inacessível para quem apenas caminha. Por razões de segurança (evitar incêndios!), somente poucas trilhas foram criadas e são mesmo os barcos que cruzam os lagos que são o principal, senão o único meio de acesso à várias das atrações turísticas da reserva. E dentre os diversos passeios de barco, esse que cruza o lago Menéndes rumo ao bosque de Alerces é o mais popular. Mas para nós, isso não era uma opção. O longo passeio parte apenas pela manhã e nós tínhamos de seguir viagem. É o sul que nos chama, hehehe!

Estrutura para barcos e pesca no lago Menendez, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Estrutura para barcos e pesca no lago Menendez, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Caminhando no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Caminhando no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Chegamos de volta à ponte de onde iniciamos a trilha, não sem antes passar em outros mirantes para aproveitar a belíssima paisagem. Despedimo-nos de nossos novos amigos e seguimos viagem, agora de carro, pelas estradas do parque. Os americanos tinham vindo do sul e já nos deram as dicas do que ver pela frente. Passamos pelo lago Azul e pela pequena vila de Futalaufquen, local idílico e muito procurado pelos frequentadores do parque. Mas não tínhamos mais tempo para percorrer mais trilhas e decidimos seguir viagem até Trevelin, deixando esse belo parque para trás. Amanhã será um dia de estradas, perto de 600 km entre asfalto e muito rípio e precisamos sair cedo. Seguimos felizes pelo que nos espera, mas ficou mesmo faltando o passeio de barco até o bosque dos Alerces. Vamos deixando, espalhados pelas Américas, ótimos motivos para novas viagens!

Fim de tarde belíssimo no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Fim de tarde belíssimo no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

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Elefantes Tranquilos, Lobos Bravios e Pinguins Sem Frio

Geórgia Do Sul, Stromness, Grytviken

Uma enorme fêmea de elefante-marinho descansa em Grytviken, na Geórgia do Sul

Uma enorme fêmea de elefante-marinho descansa em Grytviken, na Geórgia do Sul


No post anterior, tratei da triste história da caça e quase extinção das baleias aqui nos mares do sul. Caminhar pelas ruínas de Stromness e Grytviken nos fez pensar muito sobre isso. Mas nem só do passado vivem essas ruínas de antigos postos baleeiros. De maneira nenhuma! No presente, elas se tronaram verdadeiros playgrounds da vida animal que, de alguma forma, já incorporaram esse estranho cenário às suas vidas cotidianas. Sorte de quem passa por lá e pode observar esse espetáculo.

Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Um ´pinguim gentoo nos observa enquanto caminhamos para Stromness, na Geórgia do Sul

Um ´pinguim gentoo nos observa enquanto caminhamos para Stromness, na Geórgia do Sul


Já um pouco antes de terminarmos nossa caminhada até Stromness, começamos a nos deparar com pinguins. Pela primeira vez, víamos pinguins na neve. Agora sim, aquela imagem de cartão postal que todos temos no nosso inconsciente sobre a Antártida se completava: pinguins se divertindo em um cenário todo branco de neve. A gente com nossas jaquetas, luvas e gorros e eles ali, se divertindo no solo branco de neve fresca. Acho que estavam matando a saudade!

Um pequeno grupo de poinguins rei no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Um pequeno grupo de poinguins rei no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Um pequeno grupo de poinguins rei no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Um pequeno grupo de poinguins rei no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Pela primeira vez também vimos as duas espécies quase juntas, gentoo e rei, os brancos e os amarelos. Definitivamente, os reis são maiores. Os branquinhos pareciam muito mais à vontade com a neve do que os amarelos. E eles estavam próximos, mas não se misturavam. Será que falam línguas diferentes?

Elefantes e lobos-marinho ocupam as ruínas de Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul

Elefantes e lobos-marinho ocupam as ruínas de Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul


Um lobo-marinho se ergue nas quatro patas, quase como um mamífero terrestre, em Stromness, na Geórgia do Sul

Um lobo-marinho se ergue nas quatro patas, quase como um mamífero terrestre, em Stromness, na Geórgia do Sul


Passados os pinguins, ficamos realmente impressionados com a quantidade de lobos-marinhos na praia de Stromness e também entre as ruínas. Eram dezenas e dezenas. Acho que preferem praias urbanizadas do que selvagens...

Na praia da antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul

Na praia da antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul


Um altivo lobo-marinho na praia de Stromness, na Geórgia do Sul

Um altivo lobo-marinho na praia de Stromness, na Geórgia do Sul


Eles realmente parecem não se incomodar com a presença dos pinguins e mesmo dos elefantes. Mas simplesmente não suportam outro da sua espécie por perto. A essa altura da viagem, já aprendemos que são todos machos e que estão aqui para garantir um território amplo nas praias para atrair mais fêmeas. Essas, ainda não chegaram. Esperam que os machos “gastem” este excesso de testosterona entre eles para depois, com a praia já dividida, chegarem a se aboletarem num bom lugar.

Momento tenso entre dois lobos-marinhos na praia de Stromness, na Geórgia do Sul

Momento tenso entre dois lobos-marinhos na praia de Stromness, na Geórgia do Sul


Dois lobos-marinhos se enfrentam na praia de Stromness, na Geórgia do Sul

Dois lobos-marinhos se enfrentam na praia de Stromness, na Geórgia do Sul


Hoje assistimos a várias brigas entre eles. Existe todo um ritual que antecede as vias de fato e muitas vezes um dos lobos, o menor, logo percebe que não tem chances e nem entra no combate. Mas quando dois do mesmo tamanho se encontram, ou um deles é um baixinho invocado, aí não tem remédio: vai ser mordida para os dois lados. Tudo começa com olhares atravessados, avança para a gritaria, chega ao auge com as mordidas e se acalma com um dos lobos, com o rabo entre as pernas, batendo em retirada.

Dois lobos-marinhos se enfrentam na praia de Stromness, na Geórgia do Sul

Dois lobos-marinhos se enfrentam na praia de Stromness, na Geórgia do Sul


Lobos-marinhos se mordem durante uma briga na praia de Stromness, na Geórgia do Sul

Lobos-marinhos se mordem durante uma briga na praia de Stromness, na Geórgia do Sul


Assistimos também um lobo que nadava para lá e para cá, a agua gelada perecendo uma banheira tépida para ele. Procurava um lugar na praia, mas estavam todos ocupados. Ele parecia querer se encher de coragem para poder conquistar seu pedaço também. Seria por bem ou por mal. Mas antes disso, um delicioso e refrescante mergulho.

Um lobo marinho nada nas águas geladas de Stromness, na Geórgia do Sul

Um lobo marinho nada nas águas geladas de Stromness, na Geórgia do Sul


Um lobo marinho nada nas águas geladas de Stromness, na Geórgia do Sul

Um lobo marinho nada nas águas geladas de Stromness, na Geórgia do Sul


Um lobo marinho nada nas águas geladas de Stromness, na Geórgia do Sul

Um lobo marinho nada nas águas geladas de Stromness, na Geórgia do Sul


Já os elefantes, agora que a estação já está terminando, estão muito mais tranquilos. Dormem, descansam, bocejam, dormem. Algumas vezes, a barulheira de dois lobos os faz abrir os olhos. Aproveitam para dar mais um bocejo, espreguiçam, dão uma coçadinha na barriga, jogam areia sobre si mesmos e fecham os olhos novamente. Os sonhos devem ser mais interessantes do que a realidade.

Um elefante-marinho descansa em meio às ruínas de Stromness, na Geórgia do Sul

Um elefante-marinho descansa em meio às ruínas de Stromness, na Geórgia do Sul


Elefante-marinho descansa em Grytviken, na Geórgia do Sul

Elefante-marinho descansa em Grytviken, na Geórgia do Sul


Elefante-marinho descansa em Grytviken, na Geórgia do Sul (foto de Marla Barker)

Elefante-marinho descansa em Grytviken, na Geórgia do Sul (foto de Marla Barker)


Ali em Stromness o movimento era tanto que acho que até eles estavam um pouco incomodados, para padrões “elefantinos”. Mas quando chegamos a Grytviken, aí o encontramos em todo o seu “esplendor dorminhoco”. Ainda mais que havia um pouco de sol para esquentá-los e uma graminha para fazer a cama mais confortável. E, para melhorar, não havia lobos barulhentos ao redor. Apenas esses estranhos humanos para tirar uma foto aqui e outra ali. Mas eles vão embora rápido e o sono voltará a ser tranquilo.

Elefante-marinho descansa em Grytviken, na Geórgia do Sul (foto de Fance Dionne)

Elefante-marinho descansa em Grytviken, na Geórgia do Sul (foto de Fance Dionne)

Geórgia Do Sul, Stromness, Grytviken, Bichos, Pinguim

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A Guerra das Malvinas e as Falkland de Hoje

Falkland, Port Stanley

Propaganda pró-britânica em Port Stanley, a capital de Falkland

Propaganda pró-britânica em Port Stanley, a capital de Falkland


Passeando por Port Stanley, é fácil perceber que ocorreu algo muito grave por ali, poucas décadas atrás. Seja pelos avisos sobre minas, seja pelas mensagens nem sempre muito delicadas aos argentinos, a guerra de 82 ainda está muito viva na memória dos habitantes do arquipélago.

Representação de trincheira argentina em museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland

Representação de trincheira argentina em museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland


Para quem já tinha perto dos 10 anos em 1982, há de se lembrar de um assunto que ocupou todo o noticiário da TV e jornais entre os meses de Abril e Junho daquele ano: a crise das Malvinas, que terminou como a Guerra das Malvinas. Nomes como “Port Stanley”, “fragata”, “porta-aviões”, “Sea Harrier”, “Sheffield”, “Belgrano” e o famoso “Exocet” passaram a fazer parte do nosso vocabulário e imaginário.

Propaganda argentina durante a ocupação da ilha em museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland

Propaganda argentina durante a ocupação da ilha em museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland


Recapitulando rapidamente a história: Espanha e Inglaterra reclamavam soberania sobre esse arquipélago no Atlântico Sul, mas os ingleses abandonaram as ilhas ao final do séc. XVIII, mesmo ainda dizendo que elas pertenciam a Sua Majestade. A Argentina, depois de se tornar independente, se julgou herdeira da soberania e mantinha uma esparsa e confusa ocupação do arquipélago. Naquela época, nem a Patagônia era ocupada, território livre dos indígenas. Os ingleses voltaram em 1833 e expatriaram uma pequena guarnição argentina que lá estava. Desde então, foram os senhores de Falkland, apesar das contínuas reclamações hermanas. Durante o governo nacionalista de Perón, na década de 50, as reclamações de soberania aumentaram. Foi aí que começaram a surgir em todas as cidades e estradas argentinas ruas, praças e monumentos com o nome ou mensagem “Las Malvinas son Argentinas!”.

Memorial aos mortos da guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland

Memorial aos mortos da guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland


Memorial aos mortos da guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland

Memorial aos mortos da guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland


Na segunda metade do séc. XX o arquipélago já tinha perdido boa parte de seu valor estratégico-militar. Numa época em que porta-aviões e mísseis podem levar destruição e poder de fogo a qualquer parte do mundo, a ocupação de Falkland havia se tornado um grande peso para o Tesouro Britânico. Afinal, manter a infra-estrutura e enviar alimentos para tão longe custava caro e a lã das ovelhas não estava pagando a conta. Fazia muito mais sentido aumentar os laços econômicos e até políticos das ilhas com a Argentina, muito mais perto dali. Foi quando as discussões para uma transferência de soberania evoluíram bastante e é muito capaz que, seguindo os caminhos “normais”, tivessem o mesmo resultado do que ocorreu em Hong Kong, que voltou a ser chinês depois de mais de um século de soberania britânica.

Monumentos a ingleses mortos na guerra em Port Stanley, capital de Falkland

Monumentos a ingleses mortos na guerra em Port Stanley, capital de Falkland


No início da década de 70 o velho populista voltou ao poder na Argentina, depois de longo exílio na Espanha. Tudo indicava que as negociações evoluiriam ainda mais. A Argentina até foi a responsável pela construção do aeroporto do arquipélago, ganhando a simpatia dos habitantes locais. O problema é que, no continente, Perón faleceu em meio a uma crise política cada vez maior, extrema esquerda e direita se enfrentando nas ruas das grandes cidades. Sua 3ª esposa e vice-presidente assumiu, mas era completamente inapta. As tensões políticas se exacerbaram e os militares deram um golpe, instaurando a mais feroz ditadura militar que essa parte do mundo já viu. Em poucos anos, foram 30 mil mortos e outros milhares presos e torturados. Corpos apareciam boiando nas praias do Uruguai. Haviam sido atirados de helicópteros e aviões militares sobre o Rio da Prata. É claro que um governo assim desestimulou os britânicos a uma transferência de soberania. As negociações empacaram.

Mensagem pró-britânica em Port Stanley, capital de Falkland (foto do Peter)

Mensagem pró-britânica em Port Stanley, capital de Falkland (foto do Peter)


Na Argentina, a eficiência repressiva só era comparável a ineficiência administrativa e econômica. O país estava em grave crise social e o governo, mais impopular do que nunca. Grandes manifestações pediam mudança da política econômica e o fim da ditadura corrupta e sangrenta. Numa última cartada para se manter no poder, o General Galtieri sacou seu az da manga: invadiu e ocupou as Malvinas. De um dia para o outro, de grande vilão passou a grande herói no país, sendo aclamado entusiasticamente nas ruas. Por toda a América Latina, até mesmo as forças de esquerda passaram a apoiar o ditador de direita. Nada como o patriotismo cego!

Foto de soldados ingleses durante a guerra, em museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland

Foto de soldados ingleses durante a guerra, em museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland


O cálculo dos militares argentinos era o seguinte: primeiro, ganhariam grande apoio interno, o que realmente aconteceu. Segundo, o fraco governo inglês da Primeira-ministra Margaret Tatcher não se daria ao trabalho de vir reconquistar essas pequenas ilhas no sul do planeta. Terceiro, o governo militar da Argentina sempre fora o mais incondicional aliado dos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria, o que garantiria, no mínimo, a neutralidade da grande super potência do hemisfério. O problema é que as duas últimas premissas estavam profundamente erradas. Tatcher viu aí uma grande possibilidade de unir os britânicos e fortalecer seu governo. E os Estados Unidos, depois de tentar mediar a paz com uma retirada argentina, acabaram apoiando com informação e logística um aliado que sempre consideraram muito mais importante do que a própria Argentina. Rapidamente, o velho Império acordou, organizou uma poderosa força-tarefa capitaneada pelos porta-aviões Hermes e Invincible e a enviou ao Atlântico Sul. Os dados estavam lançados...

Interior do museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland

Interior do museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland


Tudo foi muito rápido. A Argentina ocupou as ilhas no dia 2 de Abril. No dia 12 de Abril os britânicos já declaram uma área de exclusão naval e aérea de 200 milhas náuticas ao redor do arquipélago. Qualquer navio ou avião por ali poderia ser derrubado ou afundado. Até mesmo um Boeing da Varig fazendo a linha para a África do Sul e voando fora desse limite foi abordado por aviões ingleses. Enquanto isso, a força naval britânica se aproximava, frenéticas negociações se desenrolavam, a Europa se unia em torno da Inglaterra enquanto países latinos, de forma geral, apoiavam a Argentina, exceção ao Chile, que ao longo da crise deu apoio operacional aos ingleses. As negociações não tiveram sucesso e no dia 24 de Abril os ingleses retomaram a posse da Geórgia do Sul, além de danificarem e tomarem o submarino argentino Santa Fé. Era a guerra que parecia começar, ainda diante de um mundo atônito com a velocidade dos acontecimentos.

Destroço de avião argentino em museu de Port Stanley, a capital de Falkland

Destroço de avião argentino em museu de Port Stanley, a capital de Falkland


A certeza da guerra só veio alguns dias depois, com o início da batalha pelo controle aéreo sobre o arquipélago. Foi quando, no dia 2 de maio, um submarino inglês afundou o cruzador argentino General Belgrano fora dos limites da zona de exclusão. No evento mais mortífero dessa guerra, morreram 323 marinheiros argentinos, com outros 700 sendo recolhidos do mar e transformados em prisioneiros. Agora, não tinha mais volta. Dois dias depois veio o troco, quando a fragata inglesa Sheffield foi afundada por um míssil de fabricação francesa, o Exocet, disparado por um avião argentino, matando 20 marinheiros britânicos. Ao todo, foi um mês de renhidas batalhas navais e aéreas até que, em 21 de Maio, forças inglesas desembarcaram na baía de San Carlos, em West Falkland. Foram precisos mais 24 dias de batalhas terrestres para que, em 14 de Junho, as forças argentinas em Port Stanley se rendessem. O saldo final foi de 907 mortos, sendo 649 argentinos, 255 ingleses e 3 civis.

Adesivos pró-Inglaterra em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Brian Myers)

Adesivos pró-Inglaterra em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Brian Myers)


A derrota argentina foi fatal para a ditadura militar, que teve de ceder o poder político em seu país. Durante a guerra, os argentinos acreditavam estar vencendo as batalhas, enganados por uma imprensa controlada e ufanista. A descoberta da dura realidade foi um golpe para o orgulho nacional, algo que ainda tentam lidar até os dias de hoje, 30 anos depois. Mas o sentimento das “Malvinas Argentinas” não mais se arrefeceu, fazendo parte da psique nacional, a nova geração aprendendo isso desde cedo, a única ideia a unir os mais variados espectros políticos da vida nacional. O problema é que a guerra também teve o efeito de fortalecer o espírito inglês de soberania das ilhas, mesmo que isso custe caro. E o pior, a invasão e a possibilidade de viver sob o jugo de uma sangrenta ditadura militar causou um forte ressentimento entre os Kelpers, os habitantes de Falkland, que passaram a abominar qualquer união com o país vizinho.

Mensagem política em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Mitch Jasechko)

Mensagem política em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Mitch Jasechko)


A Argentina segue hoje na sua luta pela soberania do arquipélago. O problema é que segue pelo caminho errado. É contra qualquer participação dos Kelpers nas negociações, conversando diretamente com os ingleses. Em um plebiscito recente nas ilhas, a opção de permanecer unido à Grâ-Bretanha venceu com avassaladores 98% dos votos. A economia das ilhas continua bastante dependente do Tesouro Inglês, apesar dos ganhos com o turismo estarem cada vez maiores. Essa ainda é a principal força argentina nas negociações, o prejuízo que Falkland continua representando para os contribuintes ingleses. Por isso, e não pela alegada “preocupação ecológica”, o governo argentino faz de tudo para que não prospere a possibilidade de exploração de petróleo em Falkland. Tudo indica que há sim muito óleo sobre a terra por ali, o que traria a independência econômica do arquipélago se fosse explorado. A Argentina ameaça de todas as maneiras retaliar as empresas envolvidas nessa possível exploração.

Mensagem contra argentinos em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Mitch Jasechko)

Mensagem contra argentinos em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Mitch Jasechko)


Para mim, está claro que o caminho deveria ser outro. Mas com um governo populista como o atual, acho meio difícil. Teria de ser um caminho de longo prazo. Argentinos deveriam trabalhar para ganhar os corações e mentes dos Kelpers através de ajuda e cooperação, e não de ameaças. É claro que todos sairiam ganhando, as ilhas tão próximas do continente, o que facilitaria e muito o comércio e o turismo. Construir o aeroporto foi uma ótima ideia, Invadir a ilha, foi péssima. Tentar bloquear a ilha economicamente também é uma péssima ideia. Oferecer ajuda na área médica e educacional seria uma ótima ideia. Demoraria uma geração para baixar os ânimos. Mas uma geração, para quem tem visão de longo prazo, passa rápido.

Aviso sobre o cuidado a ser tomado com as minas ao redor de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Mitch Jasechko)

Aviso sobre o cuidado a ser tomado com as minas ao redor de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Mitch Jasechko)


Por fim, um último aspecto. Os argentinos deixaram atrás de si, principalmente ao redor de Port Stanley, uma miríade de campos minados. Era uma tentativa de defesa contra uma força militarmente superior. Essas minas são de difícil detecção e já houve acidentes ao se tentar encontrá-las e desarmá-las. A solução encontrada foi cercar vários terrenos com arame farpado, uma terra que se tornou inacessível. Uma lembrança constante da lambança de se fez ali. Nada que contribua para aquietar os ânimos, não poder caminhar em sua própria ilha com medo de voar pelos ares. Aqueles arames farpados e os avisos ali pendurados são mesmo um péssimo sinal. Entre as áreas permanentemente interditadas, nada mais, nada menos que a mais bela e frequentada (antes da guerra, claro!) praia do arquipélago, Gipsy Cove. Quase como se Maresias e Ipanema fossem, hoje, lugares proibidos, apenas observáveis de uma distância “segura”.

Aviso muito comum ao redor de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Jeff Orlowski)

Aviso muito comum ao redor de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Jeff Orlowski)


Um dos muitos campos minados pelos argentinos ao redor de Port Stanley, capital de Falkland (foto do Bart)

Um dos muitos campos minados pelos argentinos ao redor de Port Stanley, capital de Falkland (foto do Bart)


Pois é, mas como toda moeda tem duas faces, essa também tem seu lado bom. Gipsy Cove voltou a pertencer exclusivamente a seus primeiros donos, os pinguins de Magalhães. Muito leves para detonar as minas, eles continuam a frequentar o local, agora sem ter de dividir o espaço com banhistas durante o verão. Quando muito, tem de lidar com turistas a centenas de metros de distância com seus binóculos e máquinas fotográficas. Melhor para eles, pior para os Kelpers. Kelpers que ainda chamam seu pequeno arquipélago de Falkland e não de Malvinas. Que sua vontade seja respeitada. Em tempo, há uma resolução da ONU que diz que “Falkland” é o nome a ser usado em todos os seus documentos oficiais em todas as línguas, exceto em espanhol. Aí sim, o nome oficial é “Malvinas”. Solução salomônica! No nosso português, então, é mesmo Falkland...

Praia próxima a Port Stanley, capital de Falkland (foto de Dave)

Praia próxima a Port Stanley, capital de Falkland (foto de Dave)

Falkland, Port Stanley, história

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Atravessando a Terra do Fogo

Argentina, Ushuaia, Chile, Porvenir

Chegando a Ushuaia, agora com a Fiona!!! (sul da Terra do Fogo, Argentina)

Chegando a Ushuaia, agora com a Fiona!!! (sul da Terra do Fogo, Argentina)


Foi só hoje cedo quando acordamos, agora com a ajuda da luz do dia, que pudemos dar uma boa olhada no local onde passamos a noite aqui no coração do lado chileno da Terra do Fogo. A hospedaria Russfin também é uma tradicional madeireira da região. A maioria de seus hóspedes são pescadores de mosca, ou “fly fishers”. Não muito longe daqui há vários rios ideais para essa atividade e nossos amigos de ontem à noite partiram mais cedo do que nós em busca de sua diversão predileta.

Russfin, a nossa pousada e madeirera na Terra do Fogo chilena

Russfin, a nossa pousada e madeirera na Terra do Fogo chilena


Uma fazenda na Terra do Fogo chilena

Uma fazenda na Terra do Fogo chilena


Nós, depois da corrida e sufoco de ontem, tomamos nosso café com mais tranquilidade. Mas também chegou nossa hora e tínhamos um caminho desconhecido pela frente. A Russfin fica em uma área isolada da Terra do Fogo onde apenas estradas secundárias, todas de rípio, alcançam. São estradas que dão acesso às fazendas e estâncias da região. Estamos bem próximos da linha divisória que corta a ilha de norte a sul e marca a fronteira entre Chile e Argentina. Várias estâncias dessa região central da Terra do Fogo são “multinacionais”, ou seja, atravessam a fronteira. Para quem vive e trabalha nelas, passar de um país ao outro é uma coisa quase diária, sem burocracia ou imigração. Algumas dessas passagens até aparecem no mapa que temos e ficamos imaginando se, nós também, conseguiríamos passar pela fronteira sem dificuldades. O gerente da nossa pousada até nos apontou em qual dessas fronteiras “não-oficiais” teríamos mais chances de passar e para lá seguimos. Tínhamos também todas as suas indicações, pois há um emaranhado de pequenas estradas, quase todas levando a lugar algum e nenhuma placa com informações precisas.



O mapa que ele nos fez funcionou, mas para nossa decepção, a fronteira indicada estava fechada. Teríamos mesmo de dar uma longa volta em direção ao norte para entrar na Argentina pela fronteira oficial. O que não tem remédio, remediado está e, resolutos, para lá seguimos.

Flamingos em um lago na Terra do Fogo chilena

Flamingos em um lago na Terra do Fogo chilena


Flamingos em um lago na Terra do Fogo chilena

Flamingos em um lago na Terra do Fogo chilena


O lado bom dessa volta maior é que conhecemos muito mais dessa Terra do Fogo selvagem e deserta. As regiões centrais e do norte da ilha são dominadas por longas planícies, enquanto o sul, onde está Ushuaia, é montanhosa. É aí que fica a belíssima Cordilheira Darwin que atinge quase 2.500 metros de altitude. Mas só veríamos essas montanhas no final da tarde. Ao longo do dia, nossos horizontes foram só vastas, quase intermináveis planícies.

Flamingos em um lago na Terra do Fogo chilena

Flamingos em um lago na Terra do Fogo chilena


Revoada de pássaros nos céus da Terra do Fogo chilena

Revoada de pássaros nos céus da Terra do Fogo chilena


No lado chileno da ilha, quase não vimos pessoas. Em compensação, o que não faltou foi vida selvagem, ou nem tão selvagem assim. O primeiro lugar onde nos detivemos foi uma pequena lagoa repleta de flamingos. Esses pássaros avermelhados adoram lagoas rasas onde podem caminhar e se alimentar. Infelizmente, são meio tímidos e não deixam que nos aproximemos muito. Enfim, achamos o nosso limite e tiramos nossas fotos.

Carneiros em uma fazenda na Terra do Fogo chilena

Carneiros em uma fazenda na Terra do Fogo chilena


Estrada bloqueada por centenas de carneiros na Terra do Fogo chilena

Estrada bloqueada por centenas de carneiros na Terra do Fogo chilena


Outros pássaros, muitos deles, passavam mesmo era voando sobre nossas cabeças. Grandes revoadas. São eles que dão vida a estas planícies. Pelo menos no ar. Por que em terra, aí o animal mais comum, de longe, são as ovelhas. Elas já não são tão numerosas como no auge da produção de lá, um século atrás, mas continuam sendo a principal atividade economia de boa parte da área central da Terra do Fogo. As poucas construções que vimos nesse nosso périplo por essa parte da ilha foram justamente as fazendas centenárias desse tipo de criação.

Estrada bloqueada por centenas de carneiros na Terra do Fogo chilena

Estrada bloqueada por centenas de carneiros na Terra do Fogo chilena


Cruzando com carneiros em estrada da Terra do Fogo chilena

Cruzando com carneiros em estrada da Terra do Fogo chilena


O ponto alto da nossa experiência com as ovelhas “fueguinas” (nome dos habitantes daTerra do Fogo) foi quando cruzamos com um enorme rebanho que se locomovia das pastagens de inverno para as pastagens de verão. Centenas e centenas delas, interrompendo completamente a estrada. Alguns vaqueiros (ou “ovelheiros”?) as conduziam, liderados por um rapaz visivelmente melhor vestido. Foi com ele que conversamos um pouco, todos nós mutuamente curiosos. Ele, obviamente desacostumado com camionetes brasileiras nessas paragens do fim do mundo. E nós, com tantas ovelhas na estrada. Enfim, ele nos contou que a fazenda já é de sua família há várias gerações. Mora em Punta Arenas, mas faz questão de vir para cá nessas ocasiões especiais seguir o mesmo ritual criado pelo avô e seguido pelo pai. Muito legal!

carneiros nos observam em estrada na Terra do Fogo chilena

carneiros nos observam em estrada na Terra do Fogo chilena


Cruzando a fronteira entre Chile e Argentina na Terra do Fogo

Cruzando a fronteira entre Chile e Argentina na Terra do Fogo


Bom, depois das ovelhas, finalmente chegamos na estrada principal que corta a ilha de leste a oeste. Aí sim, virando a direita, logo chegamos a uma fronteira oficial e pudemos entrar novamente na Argentina. Mais uma vez no país dos hermanos. Já estamos nos sentindo em casa, hehehe. Logo depois da fronteira, o primeiro sinal de desenvolvimento apareceu, o asfalto. Nosso ritmo de viagem poderia aumentar. Agora viajávamos perto da costa, mas ainda nas mesmas e intermináveis planícies. O sul era nosso objetivo, a cidade mais austral do mundo, Ushuaia.

As imensas planícies da Terra do Fogo argentina

As imensas planícies da Terra do Fogo argentina


As imensas planícies da Terra do Fogo argentina

As imensas planícies da Terra do Fogo argentina


Mas muito antes de chegarmos lá, passamos na cidade de Rio Grande. Para nossa surpresa, uma cidade maior do que Ushuaia, mas nem de longe com o mesmo apelo político. É um centro manufatureiro com 70 mil habitantes. Cresceu bastante devido às isenções fiscais do governo federal, como estratégia de desenvolver economicamente a região. Milhares de imigrantes chegaram de lugares tão longe como a Bolívia. Mão-de-obra para as muitas indústrias instaladas na cidade.

A famosa padaria de Tolhuin, parada 'obrigatória' entre Rio Grande e Ushuaia, na Terra do Fogo do lado argentino

A famosa padaria de Tolhuin, parada "obrigatória" entre Rio Grande e Ushuaia, na Terra do Fogo do lado argentino


Viajantes deixam seus adesivos na famosa padaria de Tolhuin, parada 'obrigatória' entre Rio Grande e Ushuaia, na Terra do Fogo do lado argentino

Viajantes deixam seus adesivos na famosa padaria de Tolhuin, parada "obrigatória" entre Rio Grande e Ushuaia, na Terra do Fogo do lado argentino


O movimento na estrada aumentou, afinal trafegávamos entre as duas metrópoles da Terra do Fogo. Perto da metade do caminho, uma parada obrigatória, uma pequena e simpática cidade chamada Tolhuin. Fica às margens do lago Fagnano, uma das principais e mais belas atrações naturais do sul da Terra do Fogo. Mas o que os motoristas de ônibus e viajantes em geral procuram mesmo é a tradicional padaria que existe n centro da pequena vila. Repleta de guloseimas em geral famosas por sua qualidade, a quantidade de adesivos de expedicionários nos vidros da porta da padaria são testemunho que sua fama atravessou fronteiras! A gente, claro, também se esbaldou por lá.

O lago Fagnano, uma das atrações no caminho para Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, lado argentino

O lago Fagnano, uma das atrações no caminho para Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, lado argentino


O Canal de Beagle, perto de Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, na Argentina

O Canal de Beagle, perto de Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, na Argentina


Daí em diante, a paisagem já é totalmente outra. Agora estamos em território montanhoso com visual alpino. O belo lago Fagnano cercado por montanhas cada vez mais altas. O sentido da estrada passa a ser leste-oeste ao longo de todo o comprimento do lago. Finalmente, a estrada se torna um caracol para vencer as montanhas e chegar ao outro lado. Lá do alto, pela primeira vez, enxergamos as águas do canal de Beagle por onde navegaram Darwin e Fitz Roy há mais de 180 anos. Estamos quase no nosso destino.

De volta a Ushuaia, agora com a Fiona (sul da Terra do Fogo, na Argentina)

De volta a Ushuaia, agora com a Fiona (sul da Terra do Fogo, na Argentina)


Ushuaia, cercada por montanhas e na beira do Canal de Beagle, no sul da Terra do Fogo, Argentina

Ushuaia, cercada por montanhas e na beira do Canal de Beagle, no sul da Terra do Fogo, Argentina


Finalmente, muitas e muitas horas depois de deixarmos Russfin e 35 dias após deixarmos a própria Ushuaia de avião quando terminamos nossa viagem à Antártida, voltávamos à cidade. Dessa vez, com a querida e fiel Fiona. Ela, que nos levou em segurança até o norte do Alaska, agora nos trazia até o extremo sul do continente. É ou não é para comemorar? Claro que sim! E nada melhor do que uma boa churrascaria argentina para isso. Felizmente, o que não falta em Ushuaia são churrascarias...

Chegando a Ushuaia, agora com a Fiona!!! (sul da Terra do Fogo, Argentina)

Chegando a Ushuaia, agora com a Fiona!!! (sul da Terra do Fogo, Argentina)

Argentina, Ushuaia, Chile, Porvenir, Bichos, Canal de Beagle, Fagnano, Rio Grande, Terra do Fogo, Tolhuin

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Bék t'Néssa

Bahamas, New Providence - Nassau

Straw Market - Nassau - Bahamas

Straw Market - Nassau - Bahamas


Voltamos mais uma vez para Nassau. Já nos sentimos locais, he he he. Caminhamos pelas ruas de forma malandra, sabemos onde estão as lojas, bares, praias. No aeroporto, acho que devido às nossas caixas pretas de mergulho, o pessoal já nos reconhece. Ao invés do "Welcome to Nassau", ouvimos "Welcome back!".

Aqui no hotel, também já nos sentimos em casa e somos tratados como tal. Até a arara acho que nos reconheceu. Hoje, ela veio andando para perto de mim e, bem baixinho, de forma respeitosa, disse o seu conhecido "Hello". Quase um cochicho. Cochichei de volta. Já somos amigos!

Aproveitamos o dia para descançar na praia, lavar roupa, pegar dinheiro no banco, colocar a internet em dia, rever "antigos" amigos, tirar algumas fotos. Bem tranquilo.

Straw Market - Nassau - Bahamas

Straw Market - Nassau - Bahamas


Amanhã, um novo país. Ou quase. Turks e Caicos ainda é parte do Reino Unido. Vamos ficar lá 5-6 dias. Aos poucos, vou dando informações do país.

Deixamos as Bahamas já com saudades. Poderíamos ter passado um mês por aqui, facilmente. Ilhas e lugares paradisíacos não faltam. Talvez a gente volte, quando chegarmos à Flórida, com a Fiona. Para ir à outras ilhas. Bimini, Ábacos, Exumas... opções não faltam. Mas, ao voltarmos, certamente este é um lugar que devemos passar novamente, centro do país. Back to Nassau ou, como eles falam, "Bék t'Néssa".

Cervejas das Bahamas

Cervejas das Bahamas


Cartaz no bar do Fred

Cartaz no bar do Fred

Bahamas, New Providence - Nassau,

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Encontros e Despedidas

Brasil, Rio Grande Do Norte, Praia da Pipa

Praia da Cacimbinha, em Praia da Pipa - RN

Praia da Cacimbinha, em Praia da Pipa - RN


Hoje foi dia de deixarmos Pipa e nos despedirmos do Renato, que nos recebeu tão bem na sua pousada, a Zia Tereza. Ele é mais um dos estrangeiros que se apaixonou por Pipa e se mudou para lá. Assim como a chilena que vendeu peças de roupa para a Ana. Ou como a Álem, natural da Eritréia, naturalizada alemã, que passou por vários países latino-americanos antes de se fixar em Pipa. É essa gente que mudou a cara de Pipa, emprestando ares cosmopolitas à antes pacata vila de pescadores.

Despedida do Renato, da pousada Zia Tereza, na Praia da Pipa - RN

Despedida do Renato, da pousada Zia Tereza, na Praia da Pipa - RN


Voltando a Zia Tereza, saímos de lá com as roupas limpas! Oba!!! O Renato "emprestou" a máquina de lavar e nem deixou que pagássemos por isso. Roupas limpas, é como se estivéssemos zeradinhos, prontos para mais mil quilômetros por aí.

Com a Vanessa e o Ronaldo na Praia da Pipa - RN

Com a Vanessa e o Ronaldo na Praia da Pipa - RN


Mas, além de despedidas, também tivemos encontros! Recebemos um email da Vanessa, que não conhecíamos ainda, querendo nos conhecer. Ela é seguidora do site, viu que estávamos em Pipa também e não perdeu a chance! Assim, de manhã, recebemos ela e o marido, o Ronaldo, na pousada. Foi muito jóia! Eles também adoram viajar e se sentem inspirados por nós. Perguntaram bastante e contaram também a história deles. Moram em Natal e talvez, possamos encontrá-los novamente.

Praia da Cacimbinha, em Praia da Pipa - RN

Praia da Cacimbinha, em Praia da Pipa - RN


Foi nesse clima (e depois de muita chuva!) que deixamos Pipa em direção à Tibau do Sul, passando pelas belíssimas praias de Cacimbinha e Madero, e depois pala lagoa Guaraíras. Aí, deixamos o litoral para trás e, de volta ao interior!

Lagoa Guaraíras, em Tibau do Sul, próximo à Praia de Pipa - RN

Lagoa Guaraíras, em Tibau do Sul, próximo à Praia de Pipa - RN

Brasil, Rio Grande Do Norte, Praia da Pipa, Tibau do Sul

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Embarcando Para a Antártida

Argentina, Buenos Aires

Hora de embarcar no barco que nos levará à Antártida, no porto de Buenos Aires, na Argentina

Hora de embarcar no barco que nos levará à Antártida, no porto de Buenos Aires, na Argentina


Finalmente, era chegada a hora. O último atraso foi o desaparecimento em La Boca de uma australiana do nosso grupo, a Pam. Procura daqui, procura dali e nada. Até que alguém liga do navio e diz que ela já chegou lá. Perdeu-se do grupo, pegou um táxi e foi direto. Enfim, resolvido isso, era a nossa vez de ir para o cais, bem pertinho. Alguns minutos mais e já estávamos fazendo a imigração portuária, a última burocracia entre nós e o alto-mar.

Fazendo a imigração no porto de Buenos Aires, na Argentina

Fazendo a imigração no porto de Buenos Aires, na Argentina


O porto de Buenos Aires, na Argentina

O porto de Buenos Aires, na Argentina


Nosso barco segue primeiro para Falkland, ou Ilhas Malvinas, como preferem os argentinos. Aliás, se assim fosse, nem necessitaríamos carimbar o passaporte, pois ainda estaríamos dentro do país. Mas a Tatcher não quis assim. Então, carimbo de saída no passaporte. Nosso barco é um dos primeiros a fazer essa rota, saindo de Buenos Aires diretamente para as Ilhas Malvinas. Só podemos fazer isso porque o barco é canadense. Barcos argentinos, infelizmente, ainda não são benvindos por lá. Cidadãos argentinos talvez, mas precisam de visto. Certamente, ainda vou voltar a este assunto quando chegarmos lá.

Primeira visão do Sea Spirit, o navio que nos levará para a Antártida, ainda ancorado no porto de Buenos Aires, na Argentina

Primeira visão do Sea Spirit, o navio que nos levará para a Antártida, ainda ancorado no porto de Buenos Aires, na Argentina


Nossa casa pelas próximas 3 semanas, no porto de Buenos Aires, na Argentina

Nossa casa pelas próximas 3 semanas, no porto de Buenos Aires, na Argentina


Como disse, essa não é uma rota habitual. Quase sempre, barcos que seguem para a Antártida saem de Ushuaia ou Punta Arenas. Os poucos que incluem as Malvinas e Geórgia do Sul também saem de lá. Este ano, a Quark resolveu inovar e sair daqui, o que para nós foi uma mão na roda. Quark é o nome da empresa que está nos levando nessa expedição. Esse é o seu negócio: cruzeiros de expedição nas regiões polares da Terra, a Antártida e o Ártico.

O grupo chega de ônibus ao ancoradouro do Sea Spirit, no porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)

O grupo chega de ônibus ao ancoradouro do Sea Spirit, no porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)


A equipe de guias da Quark expeditions nos espera na entrada do Sea Spirit, no porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)

A equipe de guias da Quark expeditions nos espera na entrada do Sea Spirit, no porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)


Bom, nós passamos rapidamente pela imigração e seguimos de ônibus, por dentro do porto, até o atracadouro onde está o nosso navio. Minhas outras experiências com portos nesses 1000dias tinham sido bem mais complicadas e burocráticas. Foi quando tivemos de embarcar a Fiona em Cartagena, para a América Central, e na volta de lá, em Colón, para a América do Sul. Confesso que hoje foi muito mais agradável e leve. Pude até relaxar e apenas observar os grandes guindastes e contêineres sabendo que nossa Fiona não estava em nenhum deles.

O único outro brasileiro da expedição, o simpático Gunnar, chega com sua esposa ao porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)

O único outro brasileiro da expedição, o simpático Gunnar, chega com sua esposa ao porto de Buenos Aires, na Argentina (foto de Vladimir Seliverstov)


Pronto para entrar no Sea Spirit, o navio que nos levará para os mares do sul, ainda no porto de  Buenos Aires, na Argentina

Pronto para entrar no Sea Spirit, o navio que nos levará para os mares do sul, ainda no porto de Buenos Aires, na Argentina


Enfim, chegamos perto do nosso atracadouro e o ônibus parou para que descêssemos. Lá estava o Sea Spirit, a nossa casa pelas próximas 3 semanas. É um barco com cerca de 100 metros de comprimento, o que não é considerado grande para barcos antárticos, Tem capacidade para 120 passageiros e um número equivalente de tripulantes, mas nessa primeira viagem da temporada, vai bem mais vazio. Seremos pouco mais de 70 passageiros, o que é uma grande vantagem para nós, pois acelera muito as operações de embarque e desembarque nas ilhas e praias que vamos conhecer ao longo do roteiro.

Deixando o porto de Buenos AIres rumo à Antártida!

Deixando o porto de Buenos AIres rumo à Antártida!


Passageiros do Sea spirit observam a cidade de Buenos Aires ficando para trás...

Passageiros do Sea spirit observam a cidade de Buenos Aires ficando para trás...


Na entrada do barco, lá estavam todos os integrantes da Quark para nos dar as boas vindas. Os guias, cada um com sua especialidade, e a líder da expedição, uma neozelandesa chama Cheli. Entre os guias, há um historiador, um geólogo, um médico, um glaciologista e biólogos especializados em aves, cetáceos, mamíferos, e todos os ramos da ciência que interessam em uma viagem como essa. Enfim, vamos estar muito bem acompanhados e “guiados”.

O Sea Spirit vai deixando Buenos Aires para trás

O Sea Spirit vai deixando Buenos Aires para trás


Saindo de Buenos Aires, um brinde ao início da nossa viagem à Antártida

Saindo de Buenos Aires, um brinde ao início da nossa viagem à Antártida


A equipe da Quark no barco não é grande. Umas dez pessoas, mais ou menos. A Quark aluga o navio por algumas temporadas e eles já vem com uma tripulação própria. No caso do Sea Spirit, vários são do leste europeu, Ucrânia principalmente. Já os serviços de hotel, lavanderia e limpeza dentro do barco, isso também é contratado de outra empresa. Nessa equipe, predominam filipinos e centro-americanos, como nicaraguenses e salvadorenhos. Muito mais sociáveis e também por causa da língua, são com eles que teremos mais contato direto, garçons barman e responsáveis pela limpeza de nossos quartos.

O barco dos práticos do porto de Buenos Aires nos deixa depois de realizar seu trabalho

O barco dos práticos do porto de Buenos Aires nos deixa depois de realizar seu trabalho


O barco dos práticos do porto de Buenos Aires nos deixa depois de realizar seu trabalho

O barco dos práticos do porto de Buenos Aires nos deixa depois de realizar seu trabalho


Fomos recepcionados no barco já com o farto almoço a mesa. Foi só o tempo conhecermos nossas cabines, verificar que as bagagens estavam mesmo lá e já fomos para o restaurante. Ótima surpresa, a comida é de alto nível, acompanhada de vinho branco e tinto. Já deu logo para perceber que a tendência vai ser engordarmos bastante nessas semanas a bordo, hehehe.

Palestra de apresentação no Sea Spirit

Palestra de apresentação no Sea Spirit


Apresentação da tripulação do navio

Apresentação da tripulação do navio


Assim que terminou o almoço o barco começou a se mover. Deixávamos Buenos Aires para trás e seguíamos pelo rio da Prata em direção a alto mar, um longo caminho que duraria muitas horas, pelo menos até o meio da noite. Com uma taça de vinho na mão, eu e a Ana subimos alguns dos andares do Sea Spirit e fomos ao convés observar a paisagem que ficava para trás e brindar o que nos esperava pela frente. Estávamos deixando Buenos Aires em alto estilo e isso merecia sim, um brinde. Foi muito legal e emocionante. Oportunidade única para fotos. Para nós e para todos do grupo, todo mundo se despedindo da terra firme.

Damien, o especialista em história, um dos muitos cientistas que vão nos acompanhar e guiar na viagem à Antártida

Damien, o especialista em história, um dos muitos cientistas que vão nos acompanhar e guiar na viagem à Antártida


Apresentação dos sitemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit

Apresentação dos sitemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit


Em seguida foi a hora de nos reunirmos todos no auditório do navio para as devidas apresentações. Cada um dos guias da Quark falou de suas credenciais e campos de estudo e a Cheli nos explicou como seria a nossa rotina no barco. Depois, foi a vez da tripulação se apresentar, ênfase e interesse maior no cozinheiro e no barman, duas peças fundamentais durante as próximas semanas.

Hora de testar os sistemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit

Hora de testar os sistemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit


Hora de testar os sistemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit

Hora de testar os sistemas e procedimentos de segurança do Sea Spirit


Por fim, foi a hora de falar de segurança no barco, equipamentos e procedimentos. Depois de tudo explicadinho, fizemos até um ensaio simulando uma emergência. Todo mundo com seu colete, com muita ordem, prontos para evacuar o navio. A gente espera que fique só nisso, mas nunca é demais ensaiar para já saber, na prática, como devemos proceder.

Barcos a vela no Rio da Prata, ainda perto de Buenos Aires

Barcos a vela no Rio da Prata, ainda perto de Buenos Aires


Ao final, todos de volta aos quartos já levando uma parka, que é o nome dado para a espessa jaqueta que usamos nas regiões polares e que nos foi presenteado e com as botas de borracha que devemos usar sempre que formos desembarcar. Essas são só emprestadas e deverão ser devolvidas ao final, devidamente limpas!

Navegando pelo Rio da Prata, início do longo caminho até a Antártida

Navegando pelo Rio da Prata, início do longo caminho até a Antártida


Luz do final de tarde no convés do Sea Spirit, ainda no Rio da Prata, saindo de Buenos Aires, na Argentina

Luz do final de tarde no convés do Sea Spirit, ainda no Rio da Prata, saindo de Buenos Aires, na Argentina


E aí, depois de tanto trabalho, era hora de relaxar e curtir o final da tarde e o pôr-do-sol explorando o navio, seus cinco andares, seus diversos decks, biblioteca, bar, sala de estar e até uma jacuzzi ao ar livre, ainda vazia nesse primeiro dia de navegação. Temos agora 3 dias inteiros de navegação sem nenhum avistamento de terra pela frente. Só muita água, vida marinha e tempo para realmente conhecer tudo o que existe no Sea Spirit e nos acostumar com a nova rotina. Nem é preciso dizer que estamos todos ANIMADÍSSIMOS!!!

Nosso primeiro pôr-do-sol a bordo do Sea Spirit, saindo de Buenos Aires, na Argentina

Nosso primeiro pôr-do-sol a bordo do Sea Spirit, saindo de Buenos Aires, na Argentina

Argentina, Buenos Aires, Antartida, Sea Spirit

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De Huaraz à Trujillo

Peru, Huaraz, Trujillo

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra


Depois de muito repouso, remédios, canja de galinha, amor e carinho e Ana melhorou. A febre passou e a barriga está bem melhor, para alívio dela. Assim, tomamos coragem, empacotamos nossas coisas e partimos de Huaraz. Mas antes, no café da manhã, a nossa amiga dona do Churup ainda fez outra canja, fresquinha, para a Ana tomar. Assim, partimos os dois de barriga cheia!

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra


A rota escolhida para nos levar de volta ao litoral e à cidade de Trujillo foi através da Cordillera Negra. Assim, já saindo de Huaraz, vamos serpenteando montanha acima, de novo para cima dos 4 mil metros. Do alto da Cordillera Negra temos uma visão privilegiada da cidade lá embaixo e da magnífica Cordillera Blanca à nossa frente. E, destacando-se entre as dezenas de picos nevados dessa cordilheira, lá está o imponente Huscarán, com mais de 6.700 metros de altitude. O tempo estava meio nublado, mas mesmo assim a montanha exibia toda a sua beleza. Na próxima vez que voltar à Huaraz, venho para subir o Huscarán! Não poderia haver estímulo maior!

O monte Huscarán, o mais alto da Cordillera Blanca, visto do alto da Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru

O monte Huscarán, o mais alto da Cordillera Blanca, visto do alto da Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru


Do lado de lá da Cordillera Negra, iniciamos a longa descida de 4 mil metros até o litoral, atravessando desertos e chegando a rodovia Panamericana. Aí, embicamos para o norte. Agora, cada vez que faço isso, dirigindo rumo ao norte, penso com os meus botões: "O Alaska está ficando mais perto!". Nossa, vai ser mesmo um sonho chegar lá...

Mas, antes disso, tem muita coisa para ver e conhecer. E a primeira delas é a cidade de Trujillo, a terceira maior do Peru. Estive aqui em 1990 na minha saudosa primeira mochilada pela América do Sul. Na época, conhecemos as ruínas de Chan Chan e demos um mergulho no Pacífico, praia de pedras e dia nublado. Vamos ver o que a cidade nos reserva dessa vez...

A Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru

A Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru


A gente se instalou no centro e, já de noite, demos um pulo na simpática Plaza de Armas da cidade. Foi entrar ali as as antigas memórias voltaram à cabeça, os prédios coloridos, a estátua meio estranha no centro. Depois jantar gostoso, a Ana ainda no franguinho. Amanhã, vamos na Huaca de La Luna, sítio arqueológico que nem existia quando estive aqui da outra vez. Como já disse outras vezes, o passado desse país incrível está sempre mudando...

Região desértica na viagem entre Huaraz, na cordilheira, e Trujillo, no litoral norte do Peru

Região desértica na viagem entre Huaraz, na cordilheira, e Trujillo, no litoral norte do Peru

Peru, Huaraz, Trujillo, Cordillera Blanca, Cordillera Negra, Huscarán

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Celebrando!

Estados Unidos, Flórida, Miami

Marcelo e Su, que nos receberam tão bem em Miami

Marcelo e Su, que nos receberam tão bem em Miami


Na noite do dia 08 fomos eu, a Ana, o Marcelo e a Su para um belo restaurante de comida chinesa, o Mister Chow, em South Beach, para a celebração dupla: aniversário da Su e um ano de casamento nosso. Foi uma ótima idéia do Marcelo e a comida estava ótima. Além disso, o preço também foi muito bom, já que ele se recusou a dividir a conta. Aproveito para prestar aqui minha homenagem a esse casal jóia que nos recebeu tão bem em Miami, aturando nossa bagunça no apartamento deles e nos fazendo sentir em casa. Muito obrigado, Su e Marcelo!!! Da próxima vez, além de espaço para nós, também terão de acomodar a Fiona!

Depois do restaurante caminhamos para a balada a um quarteirão dali. O Marcelo e a Su logo voltaram para casa pois os filhos pequenos costumam madrugar, principalmente no domingo. Mas nós não ficamos sozinhos. Por uma feliz coincidência quem está em Miami nesses dias é o Aymoré, antigo chefe da Ana e muito amigo nosso e sua esposa, a Sandra. A gente combinou de se encontrar na balada e foram horas de conversa e agitação muito agradável. Embalados com generosas doses de Black Label pois o Aymoré sempre é o maior parceiro de whisky.

A balada foi até às 04:30 da madrugada. Afinal, não é todo dia que se comemora um ano de casamento. E também não é todo dia que se encontra amigos em Miami. Voltamos dormindo no táxi e continuamos dormindo no apartamento. Depois de tanto tempo de correria, pela primeira vez em quase dois meses resolvemos ficar na cama até tarde. O resto do dia foi bem relaxado, na beira da piscina do condomínio, com direito à partida de tênis no final da tarde. Pena que não deu para cruzar com a Gabriela Sabatini numa das quadras. Ela também é moradora do mesmo condomínio.

Estados Unidos, Flórida, Miami,

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Férias em Isla Mujeres - O Mar

México, Isla Mujeres

Muitas cores em praia de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Muitas cores em praia de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


A grande atração de Isla Mujeres é, sem dúvida, o mar que a cerca. A gente já pôde conferir isso antes mesmo de chegar lá, no ferry que nos leva de Cancún até lá.

Ferry para Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Ferry para Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


Os barcos para a ilha partem de quatro lugares diferentes, com preços e horários distintos, dependendo do conforto e velocidade que se queira, além da praticidade do ancoradouro estar mais perto ou mais longe da região hoteleira.

Admirando a beleza do mar no caminho para Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Admirando a beleza do mar no caminho para Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


No ferry a caminho de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

No ferry a caminho de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


Para nós, que queríamos ir de Fiona, não havia escolha. O ferry para carros só sai de um lugar, quatro vezes ao dia. É justamente no porto mais longe da cidade. Então, apesar de ser o mais barato para quem atravessa sem carro, quase ninguém se dá ao trabalho de ir até lá. São poucas pessoas também que se dispõe a atravessar o próprio carro e, portanto, o ferry estava bem tranquilo.

Chegando à paradisíaca Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Chegando à paradisíaca Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


Barco lotado em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Barco lotado em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


Isso nos deu a falsa ilusão de que o movimento na ilha seria pequeno. Até parecia que estávamos indo para a Ilha do Mel, mas com um mar cem vezes mais bonito. Para manter o ritual que temos quando vamos à ilha paranaense, até compramos uma latinha de cerveja para nos acompanhar enquanto observávamos aquele cenário paradisíaco à nossa volta.

A caminho de um mergulho num mar com cara de piscina, na Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México

A caminho de um mergulho num mar com cara de piscina, na Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México


A ilusão de uma ilha vazia acabou assim que nos aproximamos dela. Na verdade, até antes, já que começamos a ver, de longe, a quantidade de construções na ilha (algumas altas!). Mas foi lá perto, ao ver o tanto de gente nas praias de areias brancas e as pessoas apinhadas em catamarãs sobre o mar com cor de piscina, aí tive certeza que aquela não era a nossa Ilha do Mel. Talvez, trinta anos atrás...

Voltando do mergulho em um mar que mais parece uma piscina, na Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México

Voltando do mergulho em um mar que mais parece uma piscina, na Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México


Satisfeita com a vida, voltando de um magnífico mergulho na Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México

Satisfeita com a vida, voltando de um magnífico mergulho na Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México


Enfim, é movimentada mesmo, mas também tem seus encantos. Afinal, não é a toa que tem tanta gente querendo passar uns dias por lá. O mar é simplesmente maravilhoso, um azul que nossos olhos não querem acreditar.

Cenário perfeito para massagens em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Cenário perfeito para massagens em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


As melhores praias estão no lado norte da ilha. Águas bem tranquilas, areias branquinhas, muitas infraestrutura de bares e restaurantes, comida para todos os gostos e bolsos, cadeiras para lugar ou bastante espaço para colocarmos nossas cangas.

Aproveitando o delicioso mar de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Aproveitando o delicioso mar de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


Observando wind surf wm Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Observando wind surf wm Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


No lado sul e no leste da ilha, voltados para mar aberto, a costa é mais rochosa e o mar, agitado. Barcos e pessoas preferem mesmo o norte e a face voltada ao continente. Lá moram a maioria das pessoas e é onde está a cidade de verdade. É onde a maioria das pessoas se hospeda (inclusive nós) e estamos a poucos quarteirões do mar.

Delicioso fim de tarde em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Delicioso fim de tarde em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


Chegamos à ilha no dia 6 e saímos no dia 11. Todos os dias, a melhor parte do dia era exatamente quando estávamos perto do mar, seja na praia, mergulhando, andando ou caminhando pela orla, nadando em suas águas cintilantes.

Última visão das praias paradisíacas da Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Última visão das praias paradisíacas da Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe


Enfim, do momento que chegamos até a hora de partida, o mar foi a primeira razão de estarmos aqui e, basta ver as fotos, motivos tínhamos para isso.

Mar totalmente caribenho ao redor da Isla Mujeres, no litoral sul do México

Mar totalmente caribenho ao redor da Isla Mujeres, no litoral sul do México


Não tivemos a tranquilidade que queríamos, mas a beleza do que nos rodeava certamente compensou isso. Após quatro dias de nos esbaldarmos por aqui, agora sim vamos achar um lugar tranquilo para ficar.

Vida tranquila em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

Vida tranquila em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe

México, Isla Mujeres, mar, Yucatán

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