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Fim da caminhada, chegando em Moreré, na ilha de Boipeba - BA
Meu primeiro programa de hoje, antes mesmo do café, foi uma caminhada do hotel até a rodoviária. Fui em busca de um Banco 24 horas, mercadoria raríssima por onde temos passado. Nesses lugares pequenos é quase tudo em dinheiro ou cheque. Cheque, quase já não temos e dinheiro, só quando achamos banco. Tem sido uma difuculdade recorrente, aqui no litoral baiano.
Igreja em Valença - BA
A caminhada serviu para dar uma olhada em Valença, tão simpática antigamente. Esse porto fluvial vem ganhando fama de violenta. Para variar, consequência do crack que se espalhou pelo Brasil, infelizmente. Justiça seja feita, caminhamos ontem de noite por aqui, em busca de restaurantes e hoje também e não tivemos problema nenhum. Só ouvimos as histórias.
O porto de Valença - BA
Às 10 horas estávamos no movimentado porto onde se concentra o movimento da cidade. Fomos pegar nossa lancha rápida, depois de guardar a Fiona num dos estacionamentos formados para atender os turistas que vão à Boipeba e, principalmente, à Morro. Para Boipeba, o barco normal demora umas 3 horas. Melhor embarcar da pequena Cairu, mais ao sul. Mas como nós queremos passar por Morro também, pareceu mais inteligente já deixar o carro por aqui mesmo. Com a lancha rápida, são 50 minutos por entre os canais de mangue, mar com cara de rio. É preciso muita experiência e prática do piloto, principalmente na maré baixa, para "negociar" com os bancos de areia. Felizmente, estávamos em boas mãos...
Visual na viagem entre Valença e Boipeba - BA
Aproveitei para ler um pouco sobre Boipeba. Foi aí que surgiu o nome de Moreré, pequena vila no lado atlântico da Ilha de Boipeba. Fui lendo e as lembranças de 11 anos atrás foram avivando de algum lugar perdido lá do cérebro. Nossa... como foi que eu fui esquecer da inesquecível Moreré? Que pecado!!! Um pequeno paraíso, protegido da civilização pela dificuldade de se chegar lá e pelo desconhecimento da sua existência. Pronto! De repente, já tínhamos programa para os próximos dias! Eu sabia que tínhamos de ir para Boipeba (tanto que estávamos já a caminho), mas não tinha claro o que faríamos por lá. Que mané!
Lancha entre Valença e Boipeba - BA
Chegamos na já não tão pequena Velha Boipeba, "capital" da ilha, e seguimos direto para o "ponto do trator". No caminho, a pracinha do campo de futebol, que tinha reaparecido na minha memória, e muitas das mais de uma centena de pousadas que hoje existem na vila. Estava tudo bem vazio e tranquilo mas imagino e concluo que na temporada deve ferver. Não há carros na ilha e o transporte é feito à pé, com animais ou de trator, além de barco, claro. Mas o modo mais comum de ir de Velha Boipeba para Moreré é de trator, pelo caminho de areia fofa que corta a ilha.
Almoçando no Daniel, na ilha de Boipeba - BA
O problema é que, estando só nós por ali, o trator sairia muito caro. Quarenta reais para vencer os pouco mais de quatro quilômetros. Para caminhar, teoricamente nem é tão longe. O problema era o sol, a areia fofa e as duas mochilas de cada um. Já estava me rendendo ao trator quando a Ana animou a caminhar! Já que ela insiste... O dinheiro economizado serviu para um belo almoço no restaurante do Daniel, ali mesmo. O único porém foi que usei a pimenta achando que era o molho de salada e só descobri quando já tnha virado um tanto. Aí, foi uma luta ir até o fim, tentando diluir a pimenta com mais feijão, mais salada, mais feijão de novo, etc. Parecia um caminhoneiro!
Caminhando entre Boipeba e Moreré, na ilha de Boipeba - BA
Carregado de pimenta, partimos para enfrentar a caminhada. Devagarzinho e sempre, vencemos o sol, a areia e a ladeira e chegamos à maravilhosa Moreré, com sua meia dúzia de pousadas. Exatamente o que procurávamos!
Caminhando na praia de Bainema, próximo à Moreré, na Ilha de Boipeba - BA
Aqui nos instalamos na pousada do Tony e da Suzane, um casal de ingleses que largou tudo na Inglaterra para comprar uma pousada no Moreré. Que coragem! O lugar é uma delícia, desses que dá vontade de ficar uma semana. Bem instalados, já saímos para pegar o fim de tarde na vizinha praia de Bainema. Apenas coqueiros, areia branca, um mar quente e verde, o sol se pondo atrás de nós, um único corredor solitário indo e voltando.
Sol entre coqueiros na praia de Bainema, próximo à Moreré, na Ilha de Boipeba - BA
É a inesquecível Moreré que eu tinha esquecido...
Campo de futebol alagado na maré cheia, na praia de Moreré, na ilha de Boipeba - BA
Pôr-do-sol em Harbour Island
Aproveitamos ao máximo nosso último dia por aqui. Praia com vento, cooper nas areias rosas, natação nas águas transparentes, frango com curry e conch apimentada regadas com Kalik com vista para o mar dos sonhos.
Pequena casa de praia,na Pink Sand Beach
Depois, sessão de fotos pela cidade e um pôr-do-sol inesquecível, com som ao vivo da melhor qualidade (reggae), mais Kalik e um curioso e simpático casal de Michigan, que decidiu se casar aqui amanhã. Simples assim!
Condução. em Harbour Island
Esquina típica de Harbour Island
Essa ilha, essa pousada, esse quarto da pousada e essa eficiente conexão de internet vão deixar saudades. Amanhã, partimos rumo a mais uma ilha desse país formado por ilhas. Long Island, via Nassau, onde passamos algumas horas. Saímos de uma pousada acolhedora e seguimos rumo a um resort.
Pôr-do-sol em Harbour Island
Músicos se apresentando no pôr-do-sol em Harbour Island
Músicos se apresentando no pôr-do-sol em Harbour Island
Pôr-do-sol em Harbour Island
Ficamos na torcida para que Long Island nos receba tão bem como Eleuthera...
Sol nascendo em Key Biscayne
Dia de trabalho. Posts e fotos praticamente em dia. O que falta mexer agora são nos vídeos e nas páginas de conteúdo, que ainda estão na estaca zero. Paciência... Além disso, muita pesquisa na internet.
O que fizemos de interessante hoje foi sair e dirigir pela primeira vez por aqui. O Marcelo e família nos "abandonaram" no apartamento maravilhoso com vista para o mar, mas em "compensação" deixaram um belo Volvo à nossa disposição. Estreamos indo para Pompano Beach, uns 60 km ao norte, em busca de uma loja que havia nos vendido mas entreguado apenas parte dos produtos. O carro é ótimo mas não tem GPS. Incrível como somos dependentes dessa porcaria hoje em dia, em países desconhecidos. Antigamente, antes de existir, não fazia a menor falta! Há 15 anos atrás cruzei esse país num Pontiac, de NY a San Diego, sem problema algum. Agora, para ir de Key Biscayne para Pompano (basicamente, cruzar Miami de sul a norte), sinto falta do aparelho... É a idade, imagino. Bom, dei uma boa olhada no mapa pela internet e fomos sem problema nenhum. Acho que é tudo psicológico.
Tudo na base das autoestradas. Sempre com muito movimento, mas sempre fluindo. É o país do automóvel, também tinha de ser o país das estradas. Todo mundo andando 10 milhas acima do limite, esse parece ser o padrão. Aliás, precisamos logo nos acostumar com milhas, pés (feet), farenheit, libras (pounds), etc... Parece que vivem em outro planeta. Aliás, na visão deles, é o resto do mundo que vive em outro planeta. Nas estradas, não há problema de se ultrapassar pela direita. Mas precisamos estar atentos ao mudar de faixa. Quase todo mundo tem carrão por aqui. Carrão no sentido de tamanho. São enormes. Gasolina bem mais barata que no Brasil. Quanto ao preço dos carros, além de serem bem mais baratos que no Brasil, ainda são financiados em trocentos anos, com taxas de juro civilizadas. Assim, todo mundo pode ter o seu. E, muitas vezes, carros que no Brasil seriam absolutamente impensáveis. Estão dezenas de anos à nossa frente, capitalisticamente pensando.
E, falando na eficiência capitalista deles, fomos muito bem atendidos na loja que, rapidamente, na base da confiança no consumidor, nos providenciou os equipamentos que alegamos não ter recebido. Feito isso, a pedido da Ana fomos dar uma volta na pouco charmosa Pompano Beach. Depois, de volta a Key Biscayne. Quando resolvemos sair para jantar, um pouco depois das 10 da noite, demos com os burros n'água. A eficiência capitalista, no caso, fecha todos os restaurantes às 10. Tínhamos, como alternativas, ir para South Beach ou para o Seven Eleven aqui do lado. Para tristeza da Ana, venceu a segunda opção.
E ainda deu tempo dela filosofar, pensativa: "Nossa, que sorte a deles, não se chamar Nine Eleven, ao invés de Seven Eleven". É, teria sido um "colateral damage" publicitário jamais imaginado pelo Bin Laden...
A Fiona enfrenta a lama nos piores trechos da BR-319, logo após a cidade de Realidade, já não muito distante do asfalto e da cidade de Humaitá, no Amazonas
Ao primeiro raio de sol, acampados lá na torre da Embratel do km 500, eu e a Ana despertamos. Eu tinha dormido muito bem na minha rede, mas a Ana reclamou ter ficado meio preocupada com os bichos, afinal, estávamos em plena Floresta Amazônica. A área da torre é cercada, mas nada que impeça a entrada de cobras ou aranhas. Mas, enfim, nada aconteceu e nem tenho notícia de que tenha passado algo com os outros aventureiros que passam por aqui.
A torre da Embratel no km 500, onde montamos acampamento, na BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
Recolhemos nossas coisas, fizemos um rápido café da manhã e pé na estrada outra vez. Hoje era o último, cerca de 100 km de terra até chegarmos ao asfalto, que começa um pouco antes de Humaitá, Depois, mais duas confortáveis horas até Porto Velho. Estávamos perto!
A bela paisasem da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
A bela paisasem da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
Nesse trecho final de terra, as fazendas já são cada vez mais comuns, pastos e gado no lugar da floresta, que fica bem mais afastada. Exceto nos pontos onde cruzamos igarapés, onde a mata aparece linda e exuberante. Algumas dessas fazendas são pontos de referência, como a dos “Catarinos” (adivinha de onde vieram...), que passamos ontem no final de tarde, e a dos “goianos”. É... essa é uma terra de imigrantes. De imigrantes teimosos!
Logo depois da cidade de Realidade, a Fiona enfrenta os piores trechos da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
Enfrentamos nossos primeiros trechos de barro ainda antes de chegarmos ao próximo e importante ponto de referência: a cidade de Realidade. Pequena, mas depois de dois dias sem ver quase ninguém, parece uma metrópole. Aí, encontramos um recém aberto posto de combustível. A Fiona já estava no osso, mas conseguiu cruzar toda a estrada sem usarmos o galão extra! Que carro valente que ela é!
Logo depois da cidade de Realidade, a Fiona enfrenta os piores trechos da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
Logo depois da cidade de Realidade, a Fiona enfrenta os piores trechos da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
Pois foi exatamente depois de Realidade que ela teria de provar mesmo sua valentia. Os trechos mais escabrosos da BR-319 são justamente entre Realidade e o asfalto que não está longe. Talvez pelo maior movimento desse trecho da estrada, é aqui que ela se acaba em barro e lama. Os trechos que tinha visto na internet, com vários carros e caminhões atolados em um mar de lama eram todos aqui. Caminhões cavam valas gigantes, formando o famoso “facão”. Tão alto que fica impossível para carros menores. Botar uma roda em cima do facão também não adianta, pois logo escorrega e cai nas valas. O negócio é inventar novos caminhos, alargando a estrada. Mas os caminhões começam a passar por lá também e o lamaçal só aumenta. É o caos, em trechos com mais de cem metros de comprimento. Na época da chuva, chegam a ter centenas de metros...
Logo depois da cidade de Realidade, a Fiona enfrenta os piores trechos da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
Bom, felizmente a época das chuvas terminou há alguns meses e a coisa não está tão feia assim. Mas bastou uma chuva forte dois dias atrás para ele se complicar um pouco. Tração acionada, mão firme na direção, fomos vencendo esses trechos. Na verdade, parecem mais feios do que são, pelo menos a bordo da nossa Fiona. Tudo parecia ir bem até que vimos uma confusão mais à frente: um caminhão atolado, vindo em sentido contrário e obstruindo totalmente a passagem. Muita gente na caçamba e mais um tanto tentando empurrar, cavando e se sujando no barro.
Muito barro, mas nada segura a Fiona na travessia da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
A Fiona enfrenta a lama nos piores trechos da BR-319, logo após a cidade de Realidade, já não muito distante do asfalto e da cidade de Humaitá, no Amazonas
Esperamos um pouco, mais de longe, mas percebemos que de lá ele não sairia. Aproximamo-nos e logo pediram nossa ajuda. Primeiro com uma corda, mas nossa força não fez nem cócegas. Teria de ser no guincho mesmo. O caminhão até começou a se mover um pouco, mas era a Fiona que era puxada, deslizando sobre a lama. Botamos pedras enormes para calçá-la, guincho a força máxima, muita gente empurrando e ajudando e, enfim, tiramos o caminhão de lá. Uma hora de trabalho, suor e sujeira. Mas saiu de lá. Tão entretidos que estávamos que nem tiramos fotos, infelizmente. Mas filmamos! Um dia, com calma, a Ana vai editar o vídeo e vamos postar. Aí sim, vai dar para se ter uma noção do “tamanho” do problema, hehehe...
caminhão atolado bloqueia a estrada, logo depois da cidade de Humaitá. Uma hora de trabalho e muita força da Fiona para tirá-lo de lá (BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia)
Mas, enfim, para alegria nossa e das dezenas de passageiros, o caminhão seguiu viagem. Mal sabiam que encontrariam trechos ainda piores mais à frente. Nós, ao contrário, já tínhamos passado pelo pior. Uma hora mais tarde e chegávamos ao asfalto. A viagem começou a render mais, até chegarmos a outro trecho de terra, esse, em construção. Novamente, é o Exército construindo, asfaltando a ponta de cá da estrada, assim como os vimos do lado de lá. Será que um dia vão se encontrar?
Chegando á Humaitá, no Amazonas
A praça central de Humaitá, no Amazonas
Asfalto novamente e chegamos à Humaitá, a maior cidade ao sul do estado do Amazonas. Pelas dificuldades de comunicação, são muito mais ligados à Rondônia, claro! A cidade fica na beira do rio Madeira, um dos mais caudalosos afluentes do rio Amazonas. É aqui também que a BR-319 encontra outra rodovia famosa, a Transamazônica. Se quiséssemos seguir para Santarém, era só atravessar o rio de balsa e pegar a estrada do lado de lá. Aparentemente, ela está em melhores condições que a BR-319. Nos nossos 1000dias, nós até fizemos a Transamazônica, mas foi de Santarém para lá. Com certeza, foi muito mais tranquilo que esses últimos três dias.
Crianças brincam na orla do Rio Madeira, em Humaitá, no Amazonas
O caudaloso Rio Madeira, em Humaitá, no Amazonas
Nós fomos conhecer Humaitá, achamos um restaurante na orla do rio e almoçamos. Dali, deu bem para observar porque o Madeira tem o nome que tem. São centenas de toras e troncos descendo o rio, trazidos pela corrente. Quando chove, o Madeira invade a floresta e traz com ele muitas árvores. Por isso as balsas não gostam muito de subir o rio na época das cheias. Fica meio perigoso, muito “trânsito” no rio.
Almoço na beira do Rio Madeira, em Humaitá, no Amazonas
fazendo jus ao nome, muitas toras de madeira no Rio Madeira, em Humaitá, no Amazonas
Alimentados, voltamos à estrada, agora para percorrer 200 km em ótimo estado. Não demorou muito e entramos em Rondônia, mais um estado na nossa coleção. Agora, só faltam o Acre e os Mato Grossos. Estamos quase lá!. Por fim, chegamos à capital, Porto Velho, mas uma última barreia nos esperava: o mesmo Rio Madeira.
Fila da balsa para atravessar o Rio Madeira e chegar à Porto Velho, a capital de Rondônia
Estão construindo uma ponte sobre ele, que já está quase pronta. Falta apenas a saída dela do lado norte do rio. Então, temos de usar a velha e confiável balsa. Aproveitamos o percurso para admirar e fotografar a ponte nova e também para perguntar aos outros motoristas o melhor caminho para chegarmos ao endereço do meu xará Rodrigo. Isso mesmo, teremos um lar aqui em Porto Velho, sempre muito melhor do que um hotel. Chegar a um lar depois de três dias na selva e de uma epopeia de 800 km, não tem preço!
Na balsa sobre o Rio Madeira, chegando à Porto Velho, em Rondônia, e admirando a ponte quase pronta que vai atravessar o enorme rio
Visitando as ruínas mayas de Copán, em Honduras
Finalmente, depois de tantas ruínas mayas espalhadas por El Salvador, México, Belize e Guatemala, chegava a hora de conhecer a última delas no nosso roteiro centro-americano: Copán, em Honduras. Confesso que já estava meio enfadado de tantos templos e pirâmides no meio da selva e não esperava muito de Copán. Estava indo para lá mais pela obrigação de não deixar para trás um dos pontos turísticos mais conhecidos do país. Além disso, depois de conversar com algumas pessoas que já haviam estado por aqui, a impressão era de que, depois de Tikal, Caracol ou Palenque, seria difícil me impressionar com alguma outra coisa maya.
Admirado com as estelas e esculturas nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Conjunto de hieroglifos mayas em estela no sítio arqueológico de Copán, em Honduras
Pois é... nada como estar completamente errado nas expectativas. Copán foi uma das maiores surpresas que tivemos nesses últimos tempos, o sítio maya que, de longe, tem as esculturas mais bem elaboradas dessa civilização, além de uma quantidade enorme de hieróglifos em seus monumentos, estelas e templos. Com toda essa riqueza de dados e informações, a história de Copán é uma das mais bem estudadas dentre as antigas cidades mayas.
Ruínas mayas de Copán, em Honduras
Escultura decorativa do campo de juego de pelotas nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Nós chegamos aqui no meio da tarde de ontem e, antes mesmo de irmos à cidade buscar algum hotel, resolvemos explorar as ruínas. Ainda havia tempo hábil para isso e deixamos a manhã de hoje para conhecer o Museu de Esculturas, com várias das peças encontradas durante as escavações e trabalhos arqueológicos. A cidade ao lado do sítio arqueológico tem o sugestivo nome de “Copán Ruinas” e é uma das mais charmosas do país, cheia de restaurantes e pousadas atraentes. Se estivéssemos no México, certamente ela seria um dos “Pueblos Magicos”.
Araras coloridas voam entre turistas nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Arara e esquilo dividem o mesmo puleiro nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
As primeiras surpresas agradáveis foram ainda antes de entrar no sítio. Quase não havia turistas, que costumam visitar a cidade pela manhã, e guias e vendedores ambulantes não nos assediam por aqui, esperando que nós os abordemos. Soma-se a isso a sombra das frondosas árvores da entrada e tínhamos um clima bucólico e tranquilo, apenas o barulho dos pássaros ao longe. Por falar em pássaros, as araras vermelhas e multicoloridas foram muito comuns por aqui na época dos mayas e, depois de passar por perigo de extinção nas últimas décadas, estão sendo reintroduzidas no local. Com isso, é bem comum ouvi-las e vê-las voando por perto. Parecem arco-íris ambulantes, saídas de algum anúncio da Suvinil. Não é difícil entender porque faziam parte do panteão maya.
Diversas estelas e esculturas em grande praça nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
O maio dos juegos de pelota nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Depois de caminhar por uma longa alameda cercados por essas araras, chegamos diretamente á grande praça do sítio arqueológico, cercada por templos e palácios e preenchida por incríveis estelas e esculturas. “Estelas” são blocos de pedra marcados por hieróglifos com datas e relatos de eventos importantes, como batalhas, coroações de monarcas, nascimento e morte de grandes reis. São uma fonte inesgotável de informações para os historiadores de hoje. Em Copán, são dezenas de estelas, o mais rico acervo do mundo maya, com a história dos dezoito monarcas da dinastia que comandou Copán durante seus tempos de glória, entre os séculos V e IX da nossa era.
Representação realista de uma cerimônia maya em Copán, em Honduras
Árvores crescem sobre as ruínas mayas de Copán, em Honduras
Copán estava localizada no extremo sul do mundo maya, um polo irradiador da cultura na fronteira da civilização. A ocupação do local já vem do primeiro milênio antes de Cristo, mas foi a chegada de um nobre do norte, provavelmente de Tikal, que deu origem a umas das mais bem sucedidas dinastias mayas. K’inich Yax K’uk’ Mo’ começou a reinar em 426 d.C. e ele e seus descendentes jamais esqueceram suas origens, mantendo sempre firme sua aliança com Tikal. Mas, ao longo do tempo, Copán foi ganhando luz própria, tendo sua própria área de influência, seu estilo arquitetônico e as mais avançadas técnicas na arte da escultura.
Pose de rainha maya nas ruínas de Copán, em Honduras
As incríveis estelas e esculturas mayas nas ruínas de Copán, em Honduras
Templos foram sendo erigidos e a população foi crescendo ao longo do tempo, chegando a superar os 20 mil habitantes. A eterna aliança com Tikal representava também uma permanente inimizade com Calakmul, que disputava com a primeira o título de mais poderosa cidade maya. Com isso, Calakmul tratou de armar cidades próximas à Copán, para lhe fazer concorrência. Uma delas, Quirigua, uma antiga cidade vassala, se sublevou em 738 d.C., capturando o grande rei 18 Rabbit de Copán que, seguindo o costume da época, foi sacrificado na cidade vizinha, no mais duro golpe sofrido por Copán na sua história. Mas ela se recuperaria, com novos monarcas e, menos de 20 anos mais tarde, novos templos já estavam sendo erigidos novamente. O fim veio, assim como em outras cidades do Período Clássico, em meados do século IX, quando a escassez de alimentos e a superpopulação formaram uma mistura explosiva que destruiu monarquias, nobreza e enviou a população de volta ao campo e às matas.
Algumas esculturas ainda mantêm parte da cor avermelhada original nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Escultura maya nas ruínas de Copán, em Honduras
A Copán abandonada passou a ser reocupada pela floresta e destruída pelo rio que mudava seu curso, até que, no séc XIX, foi redescoberta por exploradores e estudiosos. O curso do rio foi alterado artificialmente para que cessasse a destruição, enquanto a mata foi cortada e templos reparados. Escavações vem sendo feitas desde então, revelando incríveis segredos arqueológicos, como templos mais antigos escondidos sobre templos mais novos. Um desses, o templo de Rosalila, ainda com as cores originais, foi descoberto sob uma enorme pirâmide e uma réplica sua construída no Museu de Esculturas. Poder observar esse templo com sua cor vermelho-viva nos ajuda a imaginar como eram as cidades naquele tempo, cheio de cores que hoje, já quase não se vê. De uma hora para outra, o “nosso mundo maya” ficou muito mais colorido. E real! Graças à Copán!
A incrível réplica do Templo de Rosalila, no Museu de Esculturas, nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
A incrível réplica do Templo de Rosalila, no Museu de Esculturas, nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Ontem, nós percorremos as ruínas, seus palácios, templos, pirâmides e juegos de pelota. Duas coisas se sobressaem: as esculturas e a famosa “escalinata hieroglifa”. Essa última é o maior painel de hieróglifos da civilização maya, uma escadaria com cerca de 30 degraus completamente coberta de hieróglifos que contam toda a história da cidade e de seus governantes. Há pouco mais de uma década, a escadaria foi coberta por um enorme toldo, para protegê-la da chuva e do sol, que vinham danificando-a. Além disso, já há um bom tempo, não se pode caminhar sobre ela. O que podemos fazer é ficar ali, de frente, na sombra, venerando aquele verdadeiro tesouro, imaginando quanta coisa aqueles degraus já viram, certamente muito mais do que está escrito ali. Impossível não viajar no tempo e dar asas á imaginação, tentando ver aquele mundo diferente de 1.500 anos atrás, a escada um caminho entre hoje e essa época perdida.
Placa mostra como seria a escalinata hieroglifa na época de ouro de Copán, em Honduras
A famosa "escalinata hieroglifa", protegida por um grande toldo, nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
A outra coisa são as esculturas, muito mais elaboradas que as que tínhamos visto em outras ruínas. São deuses e monarcas representados em pedra, cheio de detalhes e expressões, algumas delas ainda com o resto das cores originais. Um espetáculo! Tão distintas são as esculturas de Copán que foi criado um museu apenas para elas, que vistamos na manhã de hoje. Mas acho que são as esculturas deixadas nos jardins e praças da cidade, ou encrustadas nas paredes de edifícios, no seu lugar original e perto dele, as que mais chamam a atenção, exatamente por parecerem ainda mais verdadeiras, no ambiente para o qual foram desenhadas e esculpidas.
Peças do Museu de Esculturas, nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Uma das esculturas nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Realmente, foi uma surpresa e tanto para nós. Ainda bem que nos demos ao trabalho de cruzar o país para aqui chegar. Para qualquer pessoa que queira, minimamente, conhecer o mundo maya, uma visita à Copán é obrigatória. Mas, além de obrigatória, é muito prazerosa. Não apenas pelas próprias ruínas e suas inesquecíveis esculturas, mas pela charmosa cidade de Copán Ruínas. Parece uma cidade histórica mineira, ruas de pedra, vida que passa bem devagar, pousadas charmosas e restaurantes saborosos, com mesas nas varandas e vista para a pequena cidade cercada de montanhas. Um colírio para os olhos e para o espírito.
A charmosa cidade de Copán Ruinas, em Honduras
Praça central da cidade de Copán Ruinas, em Honduras
Na pressa que estamos, não tivemos tempo para explorar as outras atrações da região, como rios encachoeirados e fontes de água quente que formam piscinas termais. Tudo a menos de uma hora da cidade, uma excelente base para explorações mais detalhadas. Nós tivemos de seguir em frente, deixar a Honduras mais visitada pelos turistas para trás e tentar conhecer um pouco daquilo que se esconde por trás das atrações mais conhecidas. Nosso próximo destino é a pacata cidade de Gracias, também no meio de montanhas e que já foi, nos seus primórdios, a primeira capital de toda a América Central. No próximo post, um pouco de sua história e também desse simpático país que começamos a conhecer...
Uma das faces da réplica em tamaho natural do Templo Rosalila, no Museu de Esculturas, nas ruínas mayas de Copán, em Honduras
Na praia do fim do fim do fim da estrada, região de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Mesmo sem muitas esperanças do tempo melhorar, partimos para nossas explorações da Península do Kenai, a região à sudoeste de Anchorage que é um verdadeiro playground dos habitantes da maior cidade do Alaska. Na verdade, havia uma luz no final do túnel, ou pelo menos no meio dele, pois os sites de previsão (que costumam acertar tudo por aqui) diziam que no dia 17 não choveria, inclusive com alguns períodos de céu claro. Para o dia 16 e dia 18 em diante, os prognósticos eram desanimadores...
A bela paisagem no caminho para Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Ontem, dia 16, eles acertaram direitinho. Tempo nublado e frio entremeado de chuvas. Mesmo assim, a estrada é muito bonita, passando ao largo de fiordes, cruzando montanhas nevadas e passando por um vale que costuma registrar ventos fortíssimos. Na época certa, que não é agora, pode-se até ver baleias beluga nadando nos fiordes. Mas com esse frio e chuva, nem elas se animam muito.
Dia nublado, especial para fotos em PB, em Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Bom, o tempo podia estar ruim do lado de fora da Fiona, mas do lado de dentro estava muito confortável. Ela deslizou através dos ventos fortes e nos levou são e salvos até a cidade de Homer, no extremo sul da península. Ali, com a fome apertando, deixamos o hotel para depois e seguimos até a pontinha de uma longa ponta de areia e pedras que se estende fiorde adentro por quase cinco quilômetros (uma antiga “moraine” de uma geleira desaparecida faz 10 mil anos), onde encontramos um delicioso restaurante, com vista para o mar e para as montanhas escondidas atrás das nuvens.
Dia nublado, especial para fotos em PB, em Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Sabemos disso porque, no decorrer do almoço, as nuvens se afastaram um pouco e as tais montanhas e suas geleiras apareceram, mostrando o quão grandiosa era a paisagem. Aproveitamos a melhora no tempo para caminhar um pouco pela praia de pedras da “spit”, que é o nome em inglês dessa ponta que entra mar adentro. Com o tempo tão nublado, tudo ganhava tons acinzentados, paisagem e luz ideais para uma sessão de fotos em preto e branco, bem com a cara do dia!
Maré baixa em praia de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Voltamos para o centro, achamos um hotel ao lado do hidroporto de onde saem os hidroaviões em direção a Katmai e aí ficamos até o dia seguinte. Katmai, do outro lado do fiorde, é o Parque Nacional onde se tiram aquelas fotos mais famosas de ursos, quase o símbolo do Alaska. Estou falando daquele rio em que os grizzlies se posicionam ao lado das cachoeiras e corredeiras de um rio e abocanham em pleno ar os salmões que tentam seguir rio acima, para seu local de desova. O único meio de acesso é por hidroaviões e na temporada, centenas de turistas desembolsam algumas centenas de dólares para assistir a este espetáculo, no conforto e segurança de um mirante ao lado do rio. Ali, passam horas se maravilhando com as dezenas de ursos em raro momento de convivência pacífica, pois tem salmão para todo mundo.
O belo fiorde onde está Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Vimos essas fotos em diversos cartazes espalhados pelas Oficinas de Turismo de todo o Alaska. Além disso, dez entre dez documentários sobre ursos ou sobre o Alaska também mostram essa cena. Infelizmente, são somente essas ”lembranças” que levaremos para casa, já que o mau tempo e o alto preço do passeio nos desestimularam a fazer o investimento. Além disso, ainda vamos passar em outros rios com ursos, aqui no Alaska. Sem a famosa cachoeira, mas com algumas corredeiras também.
A belíssima região de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Hoje o dia amanheceu mais promissor, conforme a previsão. Como já havíamos desistido de Katmai, o programa foi dirigir pelas estradas cênicas aqui da região. E começamos justamente pela que mais me interessava, a estrada do fim do mundo. Como todo mundo já sabe (pelo menos, quem lê o 1000dias.com sabe, hehehe), a maior estrada do mundo é a Rodovia Panamericana, que liga a Patagônia ao Alaska. Mas, e aqui no Alaska, para onde ela vai? A resposta é discutível. A Rodovia Panamericana, desde a Columbia Britânica, no Canadá, se confunde com a Alaska Highway. Pouco depois de entrar no Alaska, em Delta Junction, a Alaska Highway termina oficialmente, bifurcando-se: um lado para Fairbanks e o outro para Anchorage. Quando nós viemos para o Alaska, seguimos para Fairbanks. A partir dessa cidade, a rodovia muda de nome e segue para o norte, até Prudhoe Bay, já na costa do Oceano Ártico. Nós seguimos até a metade desse caminho e, para muitos, esse seria o final da Rodovia Panamericana.
Uma das muitas geleiras na região de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Mas existe também outra opinião. Como na bifurcação em Delta Junction, o ramo principal da estrada segue para Anchorage, esse sim seria a continuação da Rodovia Panamericana. Aliás, é a mesma estrada (mesmo número, a 1) que entra no Alaska e vem para Anchorage. Seria aí o fim? Não! A rodovia 1 segue em frente, entra na Península do Kenai e chega até Homer, onde estamos! A 1 acaba na cidade, mas a estrada continua, com o nome de “East End Road”. Foi por aí que seguimos, contornando o fiorde e nos maravilhando com as montanhas e geleiras ao seu redor. O asfalto terminou, mas uma estrada de terra seguia em frente. Finalmente, chegamos a uma placa que dizia: “Não continue! Daqui para frente, a estrada não tem manutenção!” Nós seguimos em frente. A estrada descia uma enorme ribanceira, própria para carros tracionados e chega a uma praia. Pronto, este é o fim do fim do fim da estrada! Chegamos ao final da Rodovia Panamericana!
A fiona chega ao fim do fim do fim da estrada, na região de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Passeio na região de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
O cenário não poderia ser mais propício. Uma praia de pedras ao lado de um fiorde maravilhoso. Ao fundo, picos nevados separados por geleiras titânicas. Típica paisagem do limite da civilização. Para o lado de lá, a natureza bela e selvagem. Para o lado de cá, quase 50 mil km de estradas até a Terra do Fogo. Foi emocionante ter estado aí, com a nossa Fiona linda ao nosso lado, um ar meio blazè diante da importância daquele momento.
Admirando o mar de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Delicioso entardecer em praia de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Sem dúvida, esse foi o ponto alto da nossa visita a Homer, mas ouve outros também. Percorremos várias estradas cênicas por ali, sempre em meio a nomes russos que batizam praias, estradas e estabelecimentos. Lembrança constante que esse pedaço da América quase já foi Ásia e que, se não fosse pelo excelente negócio realizado pelos EUA em 1867, hoje, ao invés de dizer “Good morning”, “Thank you”, “Please” ou “Beer” (as principais expressões de qualquer língua!), teria de apender a falar “Dobroye utro”, “Spasibo”, “Pajalusta” e “Piva”.
Influência russa nos nomes dessa região do Alaska (em Homer, na Península do Kenai)
A cidade de Homer e sya londa "spit", na Península do Kenai, no sul do Alaska, vistos do alto do mirante
Subimos no alto do morro nas costas da cidade e daí pudemos admirar a “spit” entrando pelo fiorde. Magnífica! Lá de cima, parece tão pequena, principalmente quando comparada com a paisagem infinita ao seu redor. Mas quando descemos lá outra vez e voltamos à mesma praia de pedras de ontem, agora com o tempo bem melhor, não tem nada de pequeno não! Outra vez, caminhamos pela praia, sentimos o cheiro delicioso do mar e revimos o Oceano Pacífico, tão gelado aqui em cima. A última vez tinha sido na Baja California, onde a água já era fria, mas permitia um banho. Aqui, nem pensar! Mas as gaivotas, essas eram as mesmas. Seja no Pacífico, seja no Atlântico, seja no sul, seja no norte, elas estão sempre na praia. “Êta passarinho encardido, sô!”, como diriam lá na minha terra, que nem mar tem.
As gaivotas estão em toda a América. Até em Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Perseguindo gaivotas em praia de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Não foi só o tempo que mudou com relação a ontem. A maré também. E as marés do Alaska estão entre as maiores do mundo. A prova viva estava ali na nossa frente. Os mesmos locais fotografados pareciam de planetas diferentes. É por isso que esses fiordes sustentam uma vida tão variada, tanto de água doce como de água salgada. Na maré baixa, prevalece a influência dos rios que descem continuamente das geleiras, trazendo água limpa, nutritiva e gelada. Na maré alta, é o mar que domina. Um encontro de ecossistemas que atrai a migração de peixes, pássaros e mamíferos aquáticos de todas as partes.
Maré baixa na praia do Farol em Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Maré baixa na praia do Farol em Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
É, o Alaska é mesmo especial e a Península do Kenai, mesmo para padrões “alaskianos”, se destaca. Hoje, pudemos ver e entender um pouquinho disso tudo, com a ajuda de São Pedro. Aproveitamos ao máximo, pois amanhã o dia será feio. Mesmo assim, vamos para o outro lado do Kenai, para a cidade de Seward. Vamos ver...
Barco navega pelo fiorde de Homer, na Península do Kenai, no sul do Alaska
Rearrumação da bagagem antes da viagem para o Havaí (no estacionamento do nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos)
Chegou finalmente o dia de viajarmos ao Havaí, ou Hawaii, ou Hawai’i, ou Rau-ai, ou Ra-uai, Não importa como se escreva ou se fale (a 3ª grafia é a mais correta), faz tempo que esse arquipélago localizado no meio do Oceano Pacífico está nos meus planos, sonhos e imaginação.
Eu tinha uns cinco anos de idade quando começou, lá em casa, uma misteriosa ideia de que a família iria se mudar para o Havaí, daí a dois anos. Não sei de onde nasceu essa ideia, só sei que ela era apropriadamente usada na hora das refeições, como uma espécie de “estímulo” para que as crianças (eu e meus irmãos) terminassem seus pratos: “Se não comer direito, não vai para o Havaí”. O nome evocava uma terra mágica, vida boa, ondas grandes e verão sem fim.
O Havaí fica, literalmente, no meio do Oceano Pacífico
Essa atmosfera de uma terra misteriosa era alimentada também por um seriado americano que fazia sucesso na época. Os mais velhos se lembrarão. Chamava-se “Havaí 5-Zero” e tratava da rotina policial da ilha. Passava de noite, hora em que eu já deveria estar na cama. Nunca assisti a nenhum episódio, mas a música da abertura e as imagens das grandes ondas, nunca mais iria esquecer. Hoje, graças ao YouTube, é fácil matar as saudades! Para quem quiser ouvir a música ou ver as imagens do Havaí na década de 70, segue o vídeo abaixo:
O tempo passou e a infância virou adolescência. Agora, aquela história de e mudar para o Havaí em dois anos já não me pegava. Em compensação, meu interesse por astronomia e coisas ligadas ao espaço, alimentados pela premiada série de TV e livro Cosmos, de Carl Sagan, me levaram de volta ao Havaí. Tanto por causa das incríveis imagens de erupções vulcânicas como pelo observatório astronômico de Mauna Kea, a maior montanha do mundo, bem no coração da Big island, a maior ilha do arquipélago. A minha noção do Havaí se ampliava. Além de ondas, também tinham vulcões! Na TV, já não mais passava o antigo seriado policial. Em compensação, chegava às telas outro enlatado americano, que também era ambientado nas ilhas do Pacífico. Já mais velho, agora eu podia assistir os episódios também, além da abertura. Estou falando do Magnun, do Tom Sellek.
Por fim, cheguei à vida adulta e os interesses continuaram a mudar. Agora, eu gostava de Triatlo e me impressionava com os atletas que encaravam um Iron Man. Pois essa prova nasceu justamente no Havaí, mais precisamente na Big island. Kona continua sendo a referência do esporte e eu passei a sonhar em, um dia, quem sabe, me classificar para fazer essa prova. O sonho teve de ser adiado por causa dos 1000dias, mas nunca é tarde para tentar!
Mas antes de chegar lá por causa do triatlo, chegamos ao Havaí por causa da nossa viagem mesmo! Nossos planos originais eram ter viajado para as ilhas logo que chegamos aos EUA, em Março passado. Mas acabamos mudando de ideia e o sonho teve de esperar mais alguns meses. Foi difícil esperar, mas o dia chegou. Passagens compradas, era a hora de planejar o circuito por lá.
O arquipélago do Hawaii e suas principais ilhas
Quem fez isso foi a Ana. Laboriosamente, ela passou a ler os posts da Lucia Malla (brasileira que mora por lá e tem um estilo delicioso de se ler!), que foram a base para nosso roteiro. Optamos por conhecer as quatro ilhas principais e tínhamos de encaixar isso em 17 dias. Obviamente, não daria para conhecer tudo, mas daríamos uma boa pincelada nas maravilhas do arquipélago, sua história e geologia, suas praias e montanhas, vulcões e cachoeiras, abaixo e acima d’água. Melhor, vamos ter a companhia de nossos infalíveis amigos e padrinhos, o Rafa e a Laura, os mesmos que vieram nos encontrar em Galápagos e em Cuba. Vão estar conosco em três das quatro ilhas visitadas.
Localizado literalmente no meio do Oceano Pacífico, longe de tudo e de todos, o Havaí é uma verdadeira “fábrica de ilhas”. Ele está bem acima de um chamado “hot spot”, local onde o magma do centro da Terra escapa para a superfície, furando a crosta terrestre e cuspindo fogo e lava para aliviar a pressão. Ocorre que, bem nesse ponto, acima da crosta terrestre, estão seis quilômetros de água, que é a profundidade do Oceano Pacífico naquele ponto. Não tem problema! Milhares e milhares de anos de erupções subaquáticas vão criando uma montanha submarina que, eventualmente, chega à superfície. Chega e continua crescendo, outros quatro mil metros. Está formado uma ilha! Enquanto isso, a placa tectônica do Pacífico vai se movendo lentamente, poucos centímetros ao ano, em direção noroeste. Depois que algumas dezenas de milhares de anos nesse ritmo, a nova ilha, que se move junto com a placa, já está longe da Hot Spot que a criou, que ficou paradinha lá trás. A ilha, então, para de crescer. Pior, passa a ser consumida pela erosão do ar e do mar. Literalmente, se desmancha. Do pó viemos, ao pó retornaremos. Essa máxima vale até para as montanhas! Mas, enquanto uma ilha se desmancha lentamente, ao mesmo tempo em que se move para o noroeste, uma outra, novinha em folha, está sendo formada alguns quilômetros para trás, lá encima daquela nervosa Hot Spot.
O processo de formação vulcânica das ilhas havaianas
Isso é o Havaí: uma sequência de ilhas no sentido sudeste-noroeste, algumas se formando, outras se acabando. As mais antigas já não são mais ilhas, descansando em paz abaixo do nível do mar. Outra, já está quase chegando à superfície, faltando “apenas” mil metros para chegar lá. No meio delas, as ilhas atuais. As principais,por faixa etária crescente, são a Big Island, Maui, Oahu e Kauai. Quanto mais nova (Big island), mais ativo o vulcanismo. Quanto mais velha (Kauai), mais tempo teve a vegetação de tomar conta da ilha. Por isso, Kauai é conhecida como a “Green Island”, tomada por florestas.
Nosso circuito aéreo entre as ilhas do Havaí, chegando na Big island, voano para Maui, Kauai, Oahu e daí, de volta à Los Angeles
Nós seguiremos primeiro para a Big Island, também conhecida como Hawaii. Loucos para ver vulcões em atividade! Daí seguimos para Maui, a ilha mais chique. Será onde encontraremos o Rafa e a Laura. Daí, voaremos para Kauai, onde as mais belas paisagens do arquipélago nos esperam. Por fim, Oahu, onde está a capital Honolulu, a famosa praia de Waikiki e as ondas gigantes de Waimea e Pipeline. Entre as ilhas, o caminho é sempre voar, pois não há barcos que fazem o trajeto (estranho! Será que têm medos das ondas?). Dentro de cada ilha, vamos alugar carros para nos ajudar a chegar nos lugares mais interessantes. Transporte público, com raras exceções, não é o forte da pátria do automóvel.
A famosa rodovia One, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
Enfim, é isso aí. Hawaii, aí vamos nós! Na verdade, já viemos! Saímos hoje cedo do nosso simpático hotel dos Yurts no Big Sur, dirigimos até Los Angeles, deixamos a Fiona num estacionamento ao lado do aeroporto (por menos de 10 dólares por dia!) e enfrentamos as 5 horas até Hilo, na Big island. O relógio se atrasou duas horas e agora já estamos oito horas atrás do Brasil! Chegamos de noite, então ainda não deu para ver nada! Já estamos de posse do nosso jipão vermelho (amanhã tem fotos dele!) e agora, dormiremos mais ansiosos do que nunca para começar a ver e conhecer esse paraíso que frequenta minha imaginação há tanto tempo. Ainda bem que comia tudo direitinho, na minha tenra infância. Mas que esses “dois anos” demoraram para passar, isso demoraram!
Momento de descanso e admiração da paisagem do parque Provincial Aconcagua, na nossa caminhada de saída do parque, na região de Mendoza, oeste da Argentina
Depois de nossa caminhada até Plaza Francia no dia de ontem, voltamos para o acampamento em Confluencia. Tínhamos ficado amigos de dois poloneses que também foram à Plaza Francia, mais ou menos no mesmo tempo que nós. Só que hoje, ao invés de retornarem à laguna Horcones e à saída do parque, eles seguiriam adiante, até Plaza de Mulas. Iriam tentar fazer o cume do Aconcágua e a caminhada até Plaza Francia foi apenas para ajudar no processo de aclimatação. Ficamos com uma baita inveja, mas não tínhamos tempo nem estávamos preparados para isso.
Hora de desmontar a barraca no acampamento de Confluencia e deixar o Parque provincial Aconcagua, na região de Mendoza, oeste da Argentina
Em Confluencia, despedida dos amigos poloneses Michel e Swanknel. Nós sairíamos do parque e eles iam para Plaza de Mulas, para tentar o cume do Aconcágua (na região de Mendoza, oeste da Argentina)
Ainda em Confluencia, também conversamos bastante com os guarda-parques, que nos deram uma boa ideia dos números dessa temporada no Parque Provincial Aconcagua. Foram cerca de 5.400 visitantes que vieram além da laguna de Horcones. Pouco mais de 1.000 para trekkings como o nosso, mas a grande maioria para tentar o cume da montanha mais alta das Américas. O aumento de tarifas vem surtindo efeito, pois o número de visitantes quase chegava a 10 mil pessoas no final da década passada. Preços mais baixos para latino-americanos também tem estimulado um aumento de visitas desses países. Mesmo assim, após os argentinos, o maior número de visitantes continua sendo dos EUA, seguido de Alemanha e Canada. O Brasil ocupa o quinto lugar, com cerca de 200 visitantes. Os homens correspondem a 80% dos visitantes e 70% entra por Horcones, enquanto o restante entra pelo norte e tenta a rota do glaciar dos polacos. O número de visitantes que caminha apenas até o mirante da Laguna Horcones é de 30 mil. O número triste é que já são mais de 150 mortos na montanha desde a primeira vítima fatal, em 1926.
Caminhando de Confluencia para Laguna Horcones, na saída do Parque Provincial Aconcagua, na região de Mendoza, oeste da Argentina
O vale do rio Horcones, nosso caminho para sair do Parque Provincial Aconcágua, na região de Mendoza, oeste da Argentina
Hoje de manhã, sem muita pressa e aproveitando o dia lindo que fazia, desarmamos nossa barraca e iniciamos o caminho de volta. O parque estava lindo e nessa parte mais baixa há muito mais verde. Seguimos sempre ao lado do rio Horcones e, de novo, encontramos bem pouca gente por aqui. O pico da temporada já passou há algumas semanas. Não demorou muito e já estávamos de volta ás belas paisagens ao redor da Laguna Horcones e do mirante de onde vimos o Aconcágua pela última vez. Que montanha mais linda, especialmente em um dia de céu azul como hoje.
O vale do rio Horcones com o Aconcágua ao fundo, na nossa caminhada de despedida no parque, na região de Mendoza, oeste da Argentina
O vale do rio Horcones com o Aconcágua ao fundo, na nossa caminhada de despedida no parque, na região de Mendoza, oeste da Argentina
A Fiona nos esperava no estacionamento e estávamos bem felizes com o horário, pois chegaríamos ainda cedo em Mendoza, a tempo de procurar a concessionária para trocar o vidro da frente do carro. A rachadura no para-brisa causada por uma pedra já há quase dois meses vem crescendo e a troca aqui vai sair bem mais barata que no Brasil. Afinal, a Fiona é uma Hilux e as Hilux são feitas aqui na Argentina, assim como suas peças de reposição. Então, partimos pela estrada que desce os Andes e logo passamos pela aduana, uns poucos quilômetros abaixo da entrada do parque. Como da outra vez, foi uma passagem rápida e eficiente. Outros poucos quilômetros e chegávamos a Puente del Inca, onde resolvemos parar rapidamente para aproveitar o belo dia e tirar mais umas fotos da ponte natural sobre as águas termais que dá nome ao povoado.
O rio Horcones, no Parque Provincial Aconcagua, na região de Mendoza, na Argentina
Atravessando a ponte sobre o rio Horcones na nossa caminhada para deixar o Parque Provincial Aconcagua, na região de Mendoza, na Argentina
Foi quando percebemos um problema. Simplesmente não achamos o ipad. Começamos a puxar pela memória e o local mais provável do esquecimento era o hotel em que passamos nossa última noite no Chile, em Los Andes. Mas não tínhamos certeza e queríamos ligar para lá. Achar o número na internet não foi difícil, mas fazer a ligação, isso foi. Tentávamos, tentávamos e nada. Não funcionava o interurbano. Teríamos de voltar, pelo menos até o lado chileno da fronteira, onde conseguiríamos um telefone de lá e a ligação não seria mais internacional. Então, de volta para os Andes e o Paso Cristo Redentor.
Chegando de volta à Laguna Horcones, na entrada do Parque Provincial Aconcagua, na região de Mendoza, oeste da Argentina
Chegando de volta à Laguna Horcones, na entrada do Parque Provincial Aconcagua, na região de Mendoza, oeste da Argentina
Para quem segue para o Chile, toda a aduna é feita do lado chileno da fronteira. Fomos até lá e conseguimos que o rapaz do câmbio fizesse a ligação para nós. O ipad estava lá, o que foi um enorme alívio. Mas teríamos de descer toda a cordilheira e voltar para Los Andes. Não tinha remédio. Respiramos fundo e seguimos. Uma hora mais tarde, a simpática dona do hotel nos recebia com nosso querido computador. Ela havia tentado nos avisar antes, mas isolados no Aconcágua, não houve chance de receber suas mensagens.
A laguna Horcones com o Aconcágua ao fundo, na entrada do Parque Provincial Aconcagua, na região de Mendoza, oeste da Argentina
A laguna Horcones com o Aconcágua ao fundo, na entrada do Parque Provincial Aconcagua, na região de Mendoza, oeste da Argentina
Respiramos fundo e pegamos estrada novamente. Uma última passagem pela fronteira entre esses dois países nos esperava. Agora sim, a última das últimas. Durante os 1000dias, foram 13 vezes no total, incluindo as duas de hoje. O Zagalo adoraria! Nós não! Mas, vamos em frente. A estrada do lado chileno está em obras, mas com muita paciência, chegamos ao túnel e à Argentina. Só faltava aquela nossa conhecida e eficiente aduana, a mesma que já tínhamos passado algumas horas antes, depois de sairmos do parque.
De volta à Puente del Inca, famosa por suas águas e banhos termais, hoje desativados, na região de Mendoza, oeste da Argentina
Nossa longa viagem de hoje. Saímos do parque do Aconcágua e seguimos até Puente del Inca, poucos quilômetros abaixo. Aí, descobrimos que nosso ipad tinha ficado no hotel em Los Andes, no Chile, três dias atrás. Cruzamos a fronteira e fomos resgatá-lo. Depois, de volta à Argentina, com muitas chateações na aduana. Finalmente, já depois da meia-noite, chegamos a Mendoza
Começava a escurecer quando chegamos lá. Havia mais trânsito dessa vez. Quando chegou a nossa vez, a velha Lei de Murphy resolveu aparecer. Das outras vezes, nem precisamos sair do carro. Agora, fomos escolhidos para Cristo. Mandaram estacionar a Fiona de lado, nos deram um chá de cadeira e, finalmente, foram fazer a revista. Usei todo o restinho de paciência que ainda tinha para não criar caso. Numa hora dessas, é a pior coisa. Eles têm todo o poder e nós, nenhum. Revista minuciosa, tentaram encrencar com uma coisa ou outra, mas ao final, nos liberaram. Já passava das nove da noite. E pensar que teríamos uma bela tarde em Mendoza...
Mais uma despedida do Chile, região de Portillo, aproximando-se da sequência de curvas que nos leva ao túnel El Libertador, fronteira com a Argentina
Mais uma despedida do Chile, região de Portillo, aproximando-se da sequência de curvas que nos leva ao túnel El Libertador, fronteira com a Argentina
Bom, agora, toda a concentração para vencer o sono, o cansaço e o mau humor para conseguirmos chegar à Mendoza. Nosso hotel da outra vez estava lotado, mas não demorou muito e achamos outro por ali. Finalmente, um chuveiro quente e uma cama com lençóis limpos. Depois de tantas voltas por aí, nós merecíamos. Amanhã será um dia para passearmos e descansarmos enquanto a Fiona recebe uma cara nova. Mendoza é uma cidade bem gostosa e arborizada. Vai ser gostoso. Depois, vamos cruzar a Argentina mais uma vez, também a última nesses 1000dias. Vou postar um mapa com todos os caminhos que fizemos nesse país. Mas antes disso, vou aproveitar que não teremos muito para contar desses próximos 3 dias e postar mais histórias do passado. Ao pesquisar as fotos para os posts sobre a subida ao cume do Aconcágua em 1999, também achei fotos mais antigas, de lugares da América que não passamos nesses 1000dias. Acho que vai ser interessante, relembrar velhas aventuras. Um post sobre o Trem da Morte, quando ainda se podia viajar de trem de Bauru a Corumbá, outro sobre a subida do verdadeiro Chacaltaya, perto de La Paz, quando ainda era possível esquiar por lá, um outro sobre a Trilha Inca, quando não era obrigatório ir com guias e um último sobre Iquitos, no meio da Amazônia peruana, e a viagem de barco de lá até o Brasil. Todas histórias do meu primeiro mochilão pela América Latina, lá no distante ano de 1990. Outra vez, o companheiro de viagem era o Haroldo, o mesmo que subiu o Aconcágua comigo. Depois deles, retomo os 1000dias, agora em direção ao Uruguai, o último país que nos resta para conhecer nesse vasto continente!
Contagem de curvas na parte final da estrada que nos leva à fronteira com a Argentina, Paso Cristo Redentor, entre santiago e Mendoza. No total, são mais de 20 curvas!
Nosso casamento, há um ano.
Um ano! Não, ainda não é de viagem. A viagem tem pouco menos de um mês e meio. Estou falando do nosso casamento. Foi exatamente há um ano, na Ilha do Mel. Para quem não foi e mesmo para quem foi e quer relembrar e ver muitas fotos, o site ainda está no ar: www.icasei.com.br/roana.
Incrível como passou rápido. Será que vai ser assim com a viagem? Não sei. Só sei que eu e a Ana estamos cada vez mais apaixonados e que essa nossa convivência de 24 horas por dia, sete dias por semana, só tem nos fortalecido ainda mais. Brigas, nenhuma. Discussões, poucas. Temos muitos gostos parecidos e outros que são complementares. Os poucos que não combinamos, a gente administra bem. E assim segue muito bem a viagem através das nossas vidas, um ano para trás, quarenta e nove até as Bodas de Ouro. Falta pouco!
A cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Já há algum tempo, temos fechada a nossa programação dos últimos dias na República Dominicana: um hotel all-inclusive em Punta Cana. Afinal, esse é o destino mais conhecido do país (em todo o Caribe, só Cancún é mais disputa esse título) e se queremos mesmo ter uma visão completa da ilha, tínhamos de passar por lá. Para ter uma ideia de como funciona essa verdadeira máquina de turismo, decidimos passar três noites em um desses hotéis, fechar na boa vida nossa passagem por Hispaniola e pelo Caribe.
AInda com o carro alugado, de Samaná (A) até Jarabacoa (C), passando pelo ponto errado (B). Depois, de ônibus para a capital (D). Amanhã cedinho, de ônibus também, finalmente vamos conhecer Punta Cana (E)!!!
Pensamos primeiro em adquirir um pacote que já incluísse a parte aérea e o hotel. Mas não demorou muito tempo em pesquisas na internet para descobrirmos que poderíamos nós mesmos comprar as passagens e a temporada nos hotéis por um bom preço. Hoje em dia, com esses sites de pesquisa de preço, ficou tudo muito mais fácil e com um mínimo de esforço já não se precisa mais de uma agência de viagens. Assim, compramos nossas passagens do Panamá para Santo Domingo e também nossa estadia em Punta Cana. Optamos não pelo hotel mais barato, mas por um dos mais populares, recentemente remodelado. Do dia 04 ao dia 07, três dias com as nove refeições incluídas e quantas cervejas conseguirmos tomar, hehehe.
Reencontro com o nosso amigo Monche, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Pois bem, definido isso, era só fazer a conta de trás para frente para definir nossa programação. Dia 8 cedinho, voamos de volta ao Panamá. Significa que na noite anterior, tínhamos de dormir na capital, de onde sai o voo. Então, se queríamos passar três noites no all-inclusive, tínhamos de chegar lá no dia 4. Para chegar lá com tempo de aproveitar esse dia, vindo de ônibus de Santo Domingo, significa que tínhamos de sair da capital bem cedo, ou seja, dormir ali na noite do dia 3. Pronto! Tudo definido: devolvemos o carro em Jarabacoa na tarde do dia 3 e pegamos o último ônibus do dia para Santo Domingo, às 4 da tarde. Por fim, para conhecer um pouco das belas redondezas dessa cidade de montanha, temos de começar cedinho, o que significa que já teríamos de dormir lá na noite do dia 2!
A caminho da cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Uffff... tudo isso para explicar porque saímos de Samaná ontem, depois de nos esbaldarmos na Playa Frontón, rumo à Jarabacoa. Era fim de tarde e o céu anunciava uma tempestade. Aceleramos para aproveitar as últimas luzes do dia e tentarmos escapar da chuva. Fomos com tanto ímpeto que erramos o caminho, perdendo a saída da estrada, pagando um pedágio desnecessário e atravessando a parte montanhosa do Parque Nacional Los Haitises. Percebido o erro, aproveitamos a bela vista do parque, achamos o primeiro retorno e respiramos fundo pela água e pela escuridão que viriam. Dito e feito, vieram! E com força!
A cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Bem, o que não tem remédio, remediado está. Devagarzinho e com cuidado, atravessamos boa parte do país e chegamos de volta à Jarabacoa. Voltamos ao nosso hotel velho conhecido, no centro da cidade e, quase desmaiando de sono, ainda fomos comer no charmoso café que tínhamos virado fregueses contumazes. Por fim, uma boa noite de sono para nos preparar para o longo dia seguinte.
As pontes suspensas que formam o caminho para a cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Começamos com um reencontro com nosso amigo Monche. Ele também é guia de saltos de paraglider e tínhamos pensado anteriormente em fazer um salto com ele. Mas acabamos deixando para a próxima, despedimo-nos do amigo e seguimos de carro para as cachoeiras que queríamos conhecer. A primeira delas era a Jimenoa, justamente aquela que tem mais água. Tanta água que, logo após a cachoeira, há até uma pequena hidroelétrica. Antes, podia-se nadar no lago abaixo da queda d’água, mas um acidente com um turista acabou com a festa. Hoje, é um lugar apenas para fotografias.
As pontes suspensas que formam o caminho para a cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Fotografias da cachoeira, da linda paisagem montanhosa ao redor e do longo caminho de pontes suspensas para se chegar até a queda d’água. Com a chuva da noite anterior, a água estava mais turva, diminuindo bastante a vontade de nadar naquele lugar proibido. Contentamo-nos com as fotos e seguimos adiante, para a próxima cachoeira, no mesmo rio, mas bem mais acima.
Lagartixa se esgueira no solo perto da cachoeira Jimenoa, em Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Foi seguindo para lá, já bem perto, que o carro deu aquela falhada suspeita na estrada. Eu tinha alugado nosso carro com o tanque vazio e assim deveria devolvê-lo. Estava tentando fazer o cálculo certinho, devolvê-lo no osso e economizar alguns trocados. Mas o medidor do combustível e os quilômetros a mais no erro na estrada no dia anterior! me trairam! Tratei de virar o carro e retornar à cidade, mas um quilômetro antes do centro, ele apagou de vez. Aproveitamos para andar de moto em três pessoas pela última vez (nossa despedida!), a Ana ficou no hotel e eu fui para a loja do aluguel. Aí, com um pequeno galão de gasolina, fomos resgatar o carro. Tudo resolvido rapidamente, mas a segunda cachoeira também ficou para a próxima. Afinal, já estávamos encima da hora para pegar o ônibus para Santo Domingo.
A bela região de Jarabacoa, nas montanhas da República Dominicana
Chegamos à capital já nos sentindo em casa. Afinal, era nossa terceira vez por lá! A ponto de já falar ao taxista qual caminho seguir. Passamos pela Plaza Colón, nossa vizinha, mais uma vez e prestamos as homenagens de sempre ao descobridor do continente em que temos viajado nesses últimos 3 anos. Com a iluminação noturna e sem as pombas na cabeça, ele parecia bem mais imponente. E feliz também, talvez por nos rever, hehehe. Como em Jarabacoa, também na Zona Colonial de Santo Domingo temos nossa café preferido, comida de primeira. Pensamos em tentar em outro, mas em time que está ganhando, não se mexe! Jantamos muito bem e fomos dormir no hotel que guardou boa parte da nossa equipagem nesses duas últimas semanas e que a continuará guardando pelos próximos quatro dias. Ela aqui e a gente no bem bom de um all-inclusive. Depois de 1.100 dias de estrada, merecemos!
Iluminação noturna na Plaza Colón, em Santo Domingo, na República Dominicana
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