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Marcelo Carneiro (07/04)
Muito bom esse planejamento de vocês de viajarem até o fim do mundo! ha...
Tigana abre suas asas para assustar um rival no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Mesmo antes de nos conhecermos, eu e a Ana já éramos mergulhadores e amantes de peixes e paisagens subaquáticas. Depois, juntos, “mergulhamos de cabeça” no mergulho, ganhando profundidades, cavernas e tendo a chance de ver de perto tubarões e baleias. Nessa viagem dos 1000dias, a atividade de mergulho esteve sempre presente, pois não perdemos uma chance de estar perto dos peixes. Somos “fishers”, não no sentido da pesca, mas no da sua observação.
Uma Garça Morena, no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Uma Garça Paleta, no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Em contraposição, sempre fazemos piadas com os “birders”, aqueles que preferem a observação de pássaros. Com seu binóculos, lunetas e lentes de zoom super potentes, passam horas na natureza tentando vislumbrar aquele pontinho colorido lá longe, muitas vezes a dezenas e dezenas de metros. Por isso necessitam do auxílio de lentes poderosas. Essa é a grande vantagem dos peixes: quando mergulhamos, eles passam, literalmente, na frente do nosso nariz. São ainda mais curiosos conosco do que nós com eles. Mergulhar é a atividade que nos coloca mais próximo de animais (no caso, peixes). Já os pobres “birders”, haja lente de aumento...
Um belo Tordo Maizero, no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Um Churrinche, no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Bom, é claro que estou exagerando e essa atividade tem muito charme e encanto também! Aprendemos isso na prática, pois passamos em vários dos melhores lugares do continente para admirar essas belas criaturas. Muitas vezes, a tal lente de aumento fez falta, mas em outros, pudemos aproveitar bastante, sim. Enfim, brincadeiras à parte, nós também fomos descobrindo nosso lado “birder”. Trinidad e Tobago, Guiana, Costa Rica, entre outros, tivemos a chance de ver e fotografar umas cem espécies ao menos, embora não sejamos muito bons com o nome dessas criaturas aladas, fora os mais conhecidos, claro!
Uma dupla de Caricaris no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Fotografando os pássaros no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Pois bem, aqui no Hato El Cedral, tornamo-nos mais “birders” do que nunca! O Vitor levava a tiracolo um livro com o nome e as fotos das centenas de espécies que aqui vivem e foi tentando nos mostrar o máximo possível. Vimos as principais, um pouco mais de vinte espécies, das mais variadas formas, cores e tamanhos. Não temos aqueles “contatos imediatos do 3º grau”, como temos com peixes, mas eles estão ali, prontos para serem vistos e admirados.
Um grupo de Volmorans, no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Um pouso de Garça Real no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Numa área aberta como essa, fica bem mais fácil observá-los. Nas florestas, muitas vezes conseguimos escutá-los, mas distingui-los na densa vegetação é sempre mais difícil. Aqui, com a ajuda dos olhos atentos do Vitor, ficou uma moleza!
Um Gavião protege sua comida de outro gavião no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Um Caricari no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
O Vitor nos disse que gringos vèm para cá e passam dias procurando seus passarinhos prediletos, aqueles que faltam no seu “álbum”. Certa vez, ele acompanhou um ex-astronauta, birder fanático, por uma semana pelos cantos mais inacessíveis do hato até que, finalmente, a mais de cem metros, lá estava o minúsculo e colorido passarinho. O ex-astronauta o fotografou com sua lente potente, “tickou” sua lista e voltou satisfeito aos EUA.
Paticos Brasileiros no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Martin Pescador no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Nós não ficamos fanáticos assim, mas o espetáculo da revoada de pássaros na noite de ontem foi um dos momentos mais mágicos que tivemos nesses 1000dias! E hoje, observar tantas espécies foi também uma enorme diversão. O destaque foi a “tigana”, um pássaro relativamente pequeno, mas muito invocado! Para assustar seus adversários, ele abre suas asas como um pavão e faz um barulho estridente. A cada vez que fazia isso, quando disputava um pedacinho de carne com outras tiganas, tartarugas e mesmo jacarés, o Vitor chorava de rir. Foi muito legal mesmo!
Uma tigana na margem de um rio no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Tigana abre suas asas para assustar um rival no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Tigana abre suas asas para assustar um rival no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Ao final do passeio de hoje, voltamos à sede bem no horário da revoada de ontem. Ansiávamos por um novo espetáculo. Mas faltou a tempestade de ontem e, com ela, a ventania que atrai os pássaros. Assim, para nossa tristeza, ao invés do mar de pássaros que tivemos ontem, o que houve foi um oceano de insetos. Tratamos de nos refugiar em nossos quartos!
Um belo gavião no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Pássaro passeia pelas margens de um rio no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Aliás, quartos esses que nos foram presenteados pelo gerente daquela empresa que administra o Hato e que está com os planos de fazer o mesmo com todos os outros que estão fechados ao turismo. Conhecemos ele ontem e ele foi muitíssimo simpático conosco, convencendo-nos a ficar por uma noite a mais e partir para nossa longa viagem amanhã bem cedo. E assim fizemos, escondidos dos insetos e sonhando com pássaros, os mais novos “birders” do pedaço!
Uma Garça Morena alça voo no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Admirando a lua quase cheia do final de tarde no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
O dia chega cedo aqui na Costa Rica. Cinco e meia e o céu já está claro. Foi nessa hora que acordei, no nosso quarto na pousada Descanso. Aí, no friozinho das primeiras luzes, fiquei esperando o Francisco vir me chamar conforme tínhamos combinado. Seis horas e ele, depois de já ter corrido seus 40 minutos diários, bateu na porta. Vinte minutos mais tarde e eu já estava na administração do parque para pagar os extorsivos 40 dólares por pessoa. São 15 por dia, mais 10 para dormir no refúgio.
Início da caminhada de 20 km ao pico Chirripó, o mais alto da Costa Rica
Depois, foi o tempo de fazermos algumas compras de comida e tomar um saboroso café da manhã na pousada, com direiro a frutas e granola. Finalmente, o Francisco nos levou de carro até o início da trilha, 2 quilômetros acima por estrada, a pouco mais de 1.500 metros de altitude. À partir daí, ficava tudo por conta de nossas pernas. Eram 9 horas da manhã quando demos nossos primeiros passos.
Muito barro no início da trilha no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Eu carregava uma mochila maior, com os sleepings, material de cozinha e comida, além de roupas. A Ana, com uma mochila menor, levava roupas e a máquina fotográfica. Apesar do pouco peso, a manhã nunca é a praia da Ana e o início foi bem sofrido para ela. Principalmente porque, apesar dos 40 dólares, a trilha estava, neste ponto, em péssimas condições. Muito escorregadia pela quantidade de barro. Ladeiras que ficam eternamente na sombra de árvores se transformam em verdadeiros tobogãs depois da época das chuvas. Aí ficou bem claro porque a corrida de ida e volta ao refúgio é feita em Fevereiro.
Trekking no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Mas, aos poucos, a gente foi esquentando os músculos, a trilha foi melhorando e tudo ficou muito mais agradável. Uma longa subida através da mata, aqui e ali com pontos mais abertos onde podíamos admirar a bela paisagem tropical ao nosso lado. A cada quilômetro uma placa nos avisava do nosso avanço, na distância e na altitude. Assim, em cada curva tínhamos a esperança de ver a placa lá na frente. Quando aparecia, era um alívio, um sinal concreto do nosso avanço.
Trekking no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Assim fomos seguindo, protegidos primeiro pela sombra e depois pela quase eterna neblina que cobre um longo trecho da mata, dando à floresta um aspecto fantasmagórico. Passamos a barreira dos 2 mil metros, motivo de celebração. Cruzamos com gente descendo, nos dando dicas valiosas sobre a trilha à frente. Finalmente, chegamos na metade do caminho, quilômetro 7, perto dos 2.500 metros de altitude. Aí há um pequeno refúgio com portas trancadas, mas com uma gostosa varanda com uma mesa para fazermos o nosso lanche. É também o primeiro ponto com água potável.
Após 4 km de subida e barro, chegamos à entrada do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Revigorados, seguimos em frente. Chegamos à temida subida do km 8 onde a inclinação da subida aumenta bastante. Depois, alguns quilômetros quase planos, já acima dos 3 mil metros, onde a vegetação se abre bastante e podemos admirar as montanhas à nossa volta. Mais uma subida rápida e árdua e chegamos ao Monte Sin Fé, 3.200 metros. Puxa... ainda falta 4 quilômetros para o refúgio e já estamos quase na altitude dele? A explicação está logo à frente. Temos de descer um vale e é aflitivo ver a trilha serpenteando morro acima lá do outro lado. Não é à tôa que, quando chegamos ao fundo desse vale, onde está o último e precioso ponto de água potável, a próxima encosta se chama "Cuesta de los Arrependitos". Aqui, não tem mais volta, não adianta se arrepender!
Lanche na metade do caminho para o campo base do pico Chirripó, na Costa Rica
Incrível como a altitude e ar mais rarefeito se fazem sentir para quem não está aclimatado (como é o nosso caso!). Os passos cansam muito mais do que cansavam poucas horas atrás. Caminhar a 3 mil metros de altitude é três vezes mais pesado do que a 1.500 metros. Ter essa experiência no mesmo dia deixa tudo muito claro! E pensar que há poucos meses, no Equador, eu estava tirando de letra os 5 mil metros. Mas essa temporada ao nível do mar acabou com a nossa aclimatação...
Placa de auto-ajuda colocada bem no meio da última grande subida (a "Encosta dos Arrependidos") para o refúgio no campo-base do Chirripó, na Costa Rica
Bom, enfim vencemos a Encosta dos Arrependidos e, daí para frente, foi um passeio até o refúgio, onde chegamos pouco depois das quatro da tarde. Visual magnífico de montanhas à nossa volta, principalmente o Pico Crestones, bem em frente ao refúgio. Bem parecido com as Prateleiras, lá no Itatiaia. Fomos recebidos por um guarda-parque que nos apresentou o enorme refúgio, a cozinha e área de convivência e o nosso quarto com dois beliches, mas apenas para nós.
Pausa para descanso depois de 10 km de subidas, no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Não demorou muito para escurecer e esfriar. Doze graus do lado de dentro, seis graus do lado de fora. Afinal, estávamos a 3.400 metros de altitude, muito mais altos do que qualquer montanha no Brasil. A Ana cozinhou um delicioso macarrão para nós, com a ajuda do fogareiro de outras pessoas, já que o nosso teima em não funcionar em lugares mais altos. Enquanto ela cozinhava e socializava com as outras quinze pessoas no local, praticando o seu espanhol e seu inglês, eu utilizei a internet do refúgio (que chique!) escrevendo o texto que segue abaixo e que esteve postado esses dias como um post separado:
"Estamos agora a 3.400 metros. Caminhada de 15 km, saindo de 1500 metros. Nao foi facil!!!
Amanha, as 3 da madrugada, vamos ao pico ver o nascer do sol
Atualizacoes do site, talvez amanha de noite...
Brrrrrrrr, ta um gelo aqui em cima, no Parque Nacional Chirripo
Abs"
A lua paira sobre o Pico Crestones, no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Nada como a tecnologia! Tive de escrever rápido porque já eram seis da noite, hora de fechar os computadores. As luzes (geração solar!) são apagadas às oito e, à essa hora, já estamos todos jantados e devidamente acomodados em nossas camas. Afinal, o dia amanhã vai começar cedo. Bem cedo! Para chegar ao pico em tempo de ver o nascer-do-sol, temos de começar a caminhar às três da madrugada! Para isso, temos de acordar uma meia hora antes...
Preparando o jantar no refúgio do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
O nosso problema é que não temos relógio e muito menos despertador. Os nossos vizinhos de quarto não irão partir de madrugada, então não adianta contar com o barulho deles para acordar. O único meio de saber as horas é ligar a câmera fotográfica... Bom, vou fazer a programação mental e ver o que acontece. Já funcionou outras vezes, mas apenas para horas mais "civilizadas", à partir das seis da manhã. Veremos...
Lavando a louça no refúgio do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Visitando a Mammoth Cave, a maior caverna do mundo, em Kentucky, nos Estados Unidos
Quando criança e adolescente, fiz algumas excursões para as cavernas de Minas Gerais, há muito iluminadas e voltadas para a exploração turística. Mas o real gosto pelo mundo subterrâneo só veio bem mais tarde, já nos tempos universitários. Junto com amigos da UNICAMP, um deles já profundo conhecedor da área, passamos quatro dias inesquecíveis explorando as magníficas cavernas do Vale do Ribeira, no sul de São Paulo.
Visitando a Mammoth Cave, a maior caverna do mundo, em Kentucky, nos Estados Unidos
Desde então, sempre que tenho a chance, passo algumas horas explorando esse mundo diferente e interessante, onde a escuridão e o silêncio se combinam de forma tão onipotente. O Brasil é um país riquíssimo em cavernas e as áreas do Vale do Ribeira e também Terra Ronca, em Goiás, tem algumas das mais belas cavernas do mundo. Vale do Peruaçu, em Minas e a região da Chapada Diamantina também tem cavernas espetaculares. Não é à toa que passamos por todos esses lugares nessa nossa viagem dos 1000dias.
Entrada artificial da Mammoth Cave, Parque Nacional no Kentucky, Estados Unidos
Mas, por mais belas que sejam as nossas cavernas, elas estão longe de ser as mais extensas do mundo. Neste quesito, ninguém chega nem perto das americanas. Especialmente uma delas, com o singelo nome de Mammoth Cave (Caverna Mamute), com inacreditáveis 620 km de extensão, e crescendo! Desde que comecei a me interessar por listas de maiores do mundo (maiores rios, maiores montanhas, maiores lagos, maiores cachoeiras, etc...) que tenho esse nome gravado na cabeça. Agora aqui nos Estados Unidos, mais especificamente no estado do Kentucky, finalmente chegou o dia de conhecer essa verdadeira maravilha da natureza.
Formações minerais na região de Snowball, na Mammoth Cave, Parque Nacional no Kentucky, Estados Unidos
Chegamos no início da tarde de ontem no Parque Nacional criado em 1941 para preservar esse gigante subterrâneo, no estado de Kentucky. Mesmo antes de encontramos acomodação, fomos ao centro de visitantes para ver se ainda teríamos chance de fazer algo no mesmo dia. Sim, teríamos!
Atravessando canyons subterrâneoas na Mammoth Cave, Parque Nacional no Kentucky, Estados Unidos
Hoje em dia, só se entra na caverna em tours guiados. São várias as opções, alguns mais curtos, outros mais longos. Era justamente atrás desses que estávamos, possivelmente o mais longo de todos. Pois bem, esse, o “Gran Avenue”, só sai uma vez por dia, logo pela manhã. Deixamos ele para o dia de hoje. Para ontem, ainda haveria tempo de fazer um outro tour, bem mais curto, mas muito interessante também. É o chamado “tour histórico”. O melhor de tudo é que esses dois tours percorrem trechos distintos da Mammoth Cave, portanto não estaríamos repetindo caminhos.
Espécie de grilo parecido com aranha que vive perto da saída de Mammoth Cave, Parque Nacional no Kentucky, Estados Unidos
A Mammoth Cave já é frequentada há milhares de anos. Pois é, índios americanos já se aventuravam centenas de metros escuridão adentro, com a ajuda de suas tochas, em busca de um mineral que usavam, provavelmente, na manufatura de seus pigmentos. Além disso, ela também deveria ser considerada um local sagrado, pois várias múmias milenares foram descobertas ali. Por milhares de anos os índios americanos “frequentaram” a Mammoth Cave, mas misteriosamente, há cerca de dois mil anos, a abandonaram para não mais voltar.
Salão todo decorado na Mammoth Cave, Parque Nacional no Kentucky, Estados Unidos
O homem só “redescobriu” a maior caverna do planeta no finalzinho do século XVIII. Logo descobriram e desenvolveram uma função econômica para ela: a produção de pólvora! Os sais encontrados no solo da caverna eram um dos ingredientes na produção do pó explosivo. Na Guerra de 1812, quando os ingleses bloquearam os portos americanos, essa matéria-prima caseira passou a valer mais do que nunca (especialmente num período de guerra!) e eram centenas de escravos trabalhando diariamente na caverna, recolhendo o tal sal. Mas a tal guerra passou e a matéria-prima mais barata chegava novamente nos portos, inviabilizando economicamente a produção da caverna. Foi quando os donos do terreno tiveram uma nova e revolucionária ideia: o turismo!
Salão todo decorado na Mammoth Cave, Parque Nacional no Kentucky, Estados Unidos
E foi o maior sucesso! Vinha até gente da Europa, já na década de 30 (estamos falando do século XIX!!!). O principal guia e conhecedor da caverna nessa época era um escravo chamado Sthephen Bishop. Foi ele que fez os melhores mapas da Mammoth Cave durante todo o século e foi também seu principal explorador, sempre descobrindo novos tuneis e passagens. Uma personagem e tanto! Vários relatos de visitantes da época fazem citações muito honrosas a sua inteligência e humor. Enfim, até hoje, é o nome mais importante da história da caverna. É incrível pensar que por aqueles mesmos tuneis que caminhamos hoje, um escravo levava turistas há mais de 150 anos. Dois mundos e duas realidades completamente diferentes, congeladas lado a lado dentro da mesma caverna, um ambiente em que nada muda durante séculos...
Nossos companheiros de tour à Mammoth Cave, a maior caverna do mundo, em Kentucky, nos Estados Unidos
Enfim, hoje fizemos o tour histórico, que leva pouco mais de uma hora. Percorremos cerca de duas milhas dentro da caverna, num grupo de mais de 20 pessoas que incluía uma enorme família Amish, todos vestidos a caráter (roupas que nada mudaram desde a época do Stephen Bishop!). O grupo vai caminhando entre as duas guias (park rangers). A que segue na frente vai acendendo as luzes e a de trás vai apagando. Assim, caminhamos sempre na luz, com uma clara visão de da caverna e seus túneis.
Nossa guia mostra como eram os tours nos primórdios do turismo na Mammoth Cave, há quase 200 anos, em Kentucky, nos Estados Unidos
Nosso grupo ouve as informações da guia durante visita à Mammoth Cave, a maior caverna do mundo, em Kentucky, nos Estados Unidos
No caminho, a guia vai nos contando sobre os índios, sobre a mineração, sobre os primeiros turistas e sobre a vida e as explorações de Bishop. Elas nos mostra também como era naquela época, com apenas uma lanterna e quase sem conseguir ver ao redor. O senso de aventura e exploração era bem maior, certamente! Uma passagem bem interessante é quando passamos em um lugar onde há diversas assinaturas dos anos 1800, de turistas que passaram por aqui. O que hoje seria considerado um vandalismo, naquela época era um procedimento normal (o Bishop até faturava uns trocados vendendo espaços “premium” para assinaturas). Pois é, esses “vandalismos” centenários agora são considerados pinturas históricas!
Assinaturas de turistas qie visitaram a caverna há mais de 150 anos na Mammoth Cave, em Kentucky, nos Estados Unidos
Outro ponto interessante é a passagem que era famosa naquela época e tinha o nome de “poço sem fundo”. Com as luzes da época, realmente não se podia ver o fundo. Mas o Bishop, em suas explorações, acabou chegando do lado de baixo por outro caminho. Hoje, chegamos lá por baixo e subimos uma longa escada em caracol para chegar lá encima. O “poço sem fundo” perdeu sua magia, mas está carregado em história. Muito legal!
Enorme escadaria dentro da Mammoth Cave, a maior caverna do mundo, em Kentucky, nos Estados Unidos
Caminhada pelo bosque no Mammoth Cave National Park, em Kentucky, nos Estados Unidos
Ontem de tarde, depois do passeio, ainda tivemos tempo de caminhar pela floresta do parque, que se estende ao logo do Green River. Foi a água desse rio e de seus afluentes que, ao longo de centenas de milhares de anos, transformou o calcário da região num verdadeiro queijo suíço, criando a maior caverna do mundo.
Vista do Green River durante caminhada no Mammoth Cave National park, em Kentucky, nos Estados Unidos
Restaurante em Snowball, dentro da Mammoth Cave, Parque Nacional no Kentucky, Estados Unidos
Hoje, logo cedo, lá estávamos novamente para o tour mais comprido. Dessa vez foram mais de 6 milhas dentro da caverna, em quase 6 horas de passeio. Novamente, tudo iluminado para nós, muitas histórias e causos e até um restaurante dentro da caverna. Esses americanos... A Mammoth Cave não é particularmente bonita e o que mais impressiona são mesmo suas dimensões. Se bem que, no final desse tour de hoje, passamos sim no trecho bem bonito, um enorme canyon dentro da montanha, paredes de quase 10 metros de altura e com um estreito vão entre elas, justo por onde caminhamos. Esse incrível canyon nos leva para uma sala cheia de formações e até um pequeno lago artificial.
Pequeno lago criado artificialmente dentro da Mammoth Cave, Parque Nacional no Kentucky, Estados Unidos
Pois é, um antigo proprietário dessa área da caverna criou esse lago para atrair mais turistas, Isso se passou no início do séc XX, um período conhecido como “Cave Wars”. É o nome que se dá a luta nem sempre leal entre os diversos proprietários da região para tentar abocanhar parte dos turistas que vinham para cá atrás da Mammoth Cave, a caverna mais famosa daqui. Nessa luta desesperada, um dos proprietários tentava achar novas passagens na caverna da sua fazenda, a Crystal Cave, quando ficou preso por uma rocha que se deslocou sobre sua perna. A tentativa de resgatá-lo atraiu milhares de pessoas para cá, assim como a atenção da mídia nacional. Foram mais de dez dias de luta que pararam uma nação, um dos maiores eventos daquela época, só comparável ao sequestro da filha do aviador Charles Lindenberg. Ao final, a tragédia, o pobre homem (Floyd Collins) faleceu antes de ser resgatado...
A trágica história de Floyd Collins na Cvaerna de Cristal, no Mammoth Cave National Park, em Kentucky, nos Estados Unidos
Essa triste história fortaleceu a ideia de se criar um parque por aqui e acabar com a tal guerra, além de fazer a Mammoth Cave ainda mais conhecida. Hoje, são dezenas de milhares de visitantes anuais. Para quem está acostumado com as belezas e aventuras das cavernas do Brasil, pode ficar meio decepcionado de andar sempre num ambiente iluminado e num caminho que só falta ser pavimentado. Mas, como disse, as histórias e a dimensão desse lugar muito mais do que compensam a falta de estalactites e o excesso de luzes. Nós simplesmente adoramos ter conhecido a caverna de Stephen Bishop!
Visita ao Mammoth Cave National Park, em Kentucky, nos Estados Unidos
Embarcando no ônibus que nos leva a outra entrada da Mammoth Cave, caverna num Parque Nacional no Kentucky, Estados Unidos
Cruzando a Jamaica de carro
Deixamos Treasure Beach logo cedo, dispostos a atravessar a ilha da Jamaica, saindo da sua costa sudoeste para chegar ao seu litoral nordeste, passando pela capital Kingston no caminho. A primeira parte do trajeto seria por um emaranhado de estradas secundárias, passando por pequenas vilas, trechos montanhosos e asfalto de qualidade duvidosa. Depois de alguns dias, já estou “quase” craque de dirigir na mão inglesa. O “quase” é porque ainda tenho uma certa dificuldade de desviar dos buracos no caminho, acertando “quase” todos, hehehe.
Antes de partir, olhamdo no mapa o longo caminho entre Treasure Beach e Port Antonio, na Jamaica
E assim, mapa na mão e algumas paradas para pedir informações e conseguimos chegar na estrada principal, aquela que dá a volta em toda a ilha. Aqui passamos numa Jamaica menos turística, mais autêntica, todos vivendo suas vidas independente de visitantes estrangeiros. Enfim, começávamos a ver uma Jamaica mais “jamaicana”...
Estrada secundária na região de Treasure Beach, no sul da Jamaica
A tal estrada principal também tem seus buracos e a situação só melhorou mesmo quando chegamos à autopista, uns 40 km antes da capital. Pois é, autopista mesmo, muitos carros, pista dupla, pedágio, mais uma peça para nos ajudar a montar esse quebra-cabeça chamado Jamaica.
Escolares caminham em rua de pequena cidade na Jamaica
Passagem tranquila pela capital Kingston e logo estávamos cruzando as Blue Mountains, rumo ao norte da ilha. Estrada bem estreita, cheia de curvas, daquela que temos de buzinar antes de cada virada. Com paciência (e fome!), chegamos ao litoral onde encontramos novamente uma estrada mais larga. Aí, tapetão até a pacata Port Antonio, local onde nasceu o turismo no país, já há muitas décadas.
Prédio da prefeitura de Port Antonio, no nordeste da Jamaica
Felizmente, o tal turismo logo migrou para Montego Bay, Ocho Rios e Negril, deixando Port Antonio relativamente à salvo dos grandes resorts e da descaracterização que eles trazem. Estamos agora na Portland Parish, considerada a mais bonita do país e, mesmo assim, uma das mais bem preservadas!
A movimentada praça central de Port Antonio, no nordeste da Jamaica
Aqui chegando, fomos direto nos alimentar, de frente a uma das muitas belas baías da região. Aí sim, de estômagos forrados, fomos procurar algum lugar para ficar. Finalmente, pudemos nos livrar dos hotéis mais caros e achamos uma Guest House super simpática, na península de Titchfield, a mais agradável vizinhança de Port Antonio. Ainda tivemos tempo de, caminhando, conhecer o centro da cidade, sua bela igreja anglicana, a movimentada praça e a marina que recebe veleiros do mundo inteiro. Depois de tantas praias e hotéis, foi uma delícia estarmos novamente em uma cidade normal, com gente normal.
A bela igreja anglicana Port Antonio, no nordeste da Jamaica
A ideia, amanhã, é ir logo conhecer a famosa Blue Lagoon e depois, dar uma passada rápida em alguma praia. Afinal, ainda queremos pegar estrada para ir dormir no alto das Blue Mountains, com vista para Kingston!
Céu de fim de tarde sobre o Mercado de Port Antonio, no nordeste da Jamaica
Piscina movimentada do Hot Park, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Faz quase 30 anos que eu já ouço falar deste lugar. Algumas vezes minha família até pensou em vir para cá mas nunca fomos além dos planos. Depois, mais velho, cheguei a passar em Caldas Novas. Mas sempre tendo como objetivos outros lugares menos... hmmmm... turísticos.
Bom, de lá para cá, o turismo por aqui só aumentou. Assim como a invejável estrutura do local. Foi só chegando por aqui que entendi que a "Pousada do Rio Quente" na verdade é um conjunto de grandes hotéis, tipo um mega resort. E que esse mega resort é o mais visitado do Brasil. No mês de Julho, a taxa de ocupação beira os 100%, não só do mega resort como dos outros hoteis que gravitam em torno dele. Haviam me recomendado muito que eu ficasse no resort. A grande vantagem é que, para os que ficam "lá dentro", o parque funciona 24 horas. E a melhor hora para ir nas águas quentes é de madrugada, quando o ar está um pouco mais fresco e as piscinas e fontes bem mais vazias. Como não conseguimos ficar no resort, tivemos mesmo de enfrentar as massas e o calor do dia...
Logo de manhã, ainda no café da manhã, uma grande surpresa: encontramos o Besouro, amigo da Unicamp, também à caminho do casamento em Goiânia. Ele estava com a esposa Sandreli e os filhinhos Caique e Lucca. Foi muito legal encontrá-los e isso tornou nosso dia bem mais interessante.
Encontro com o Márcio Besouro na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Fomos todos para o hot park, dentro do resort (aberto de 9:30 às 17:00). A maior atração é uma enorme piscina com ondas, conhecida como "Praia do Cerrado". Como era de se esperar, ela e as outras atrações do parque estavam muito cheias. Se bem que me disseram que nos fins de semana ficaria muito mais. Mas, pelo menos para nós, acostumados com as cachoeiras completamente vazias, estava lotado mesmo.
Momento de sossego na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Assim, para conviver com a lotação, não pensamos duas vezes: entramos na cerveja. Logo, tudo pareceu bem mais simpático! He he he. Deu até para se divertir nas ondas da piscina, tentando se esquivar das dezenas de pessoas. Eu e o Besouro colocamos o papo em dia e foi muito jóia estar com a Sandreli, Caique e Lucca.
Com a Sandreli (esposa do Besouro), o Caique e o Lucca, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
No fim de tarde, depois que as pessoas foram retiradas da piscina, a Ana usou o seu charme e deixaram ela dar um último mergulho. A piscina ficou com uma cara bem diferente!
Fim de tarde, aproveitando a piscina vazia do Hot Park, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
De volta para o hotel, fiquei imaginando como seria aquela região há 50-100 anos atrás. Mais "roots" (palavra que a Ana adora usar!), certamente. Mas, para quem não conhecia, como eu, valeu ter vindo sim. É bom conhecer os outros "turismos" também. Nem que, para isso, tenha de ouvir gozações dos amigos dizendo que nosso site deveria mudar de nome de www.1000dias.com para www.1000dias.cvc. Com um bom patrocínio, quem sabe?
Pôr-do-sol na Praia do Forte - BA
Demorou um pouco mais para conseguirmos partir hoje já que toda a bagagem estava fora do Fiona. Com paciência e muito jeitinho arrumamos toda a nossa casa, bem mais limpa depois do banho, e partimos de Salvador depois de nos despedirmos mais uma vez da Mônica. Afinal, já tínhamos nos despedido na hora do café da manhã e só partimos quando ela já estava em casa para o almoço.
Praia de Itapoã, em Salvador - BA
Rumo ao litoral norte, deixando Salvador para trás. Antes disso, uma paradinha em Itapoã para fotos, já que no dia de Arembepe nossos planos de passar a tarde em Itapoã tinham ido por água abaixo.
Praia de Itapoã, em Salvador - BA
Depois, rápida viagem até a Praia do Forte, a uns 50 km de Salvador. Eu tinha estado com a Ana lá (aqui) há pouco mais de um ano. Na época, ainda trabalhava e tive um congresso no Iberostar, um dos grandes resorts da região. Esquemão diretoria, tudo pago, só mordomia. Mal saímos do hotel e só viemos um dia até a vila, caminhando, bem rapidinho.
Igreja da Praia do Forte - BA
Desta vez, estamos mais simplezinhos e viemos para uma pousada simpática, chamada Pousada dos Artistas. A vila, que estamos conhecendo de verdade só agora, parece um shopping a céu aberto. Lembra-me a Disneylandia, apesar de nunca ter estado lá, juro! Cheio de lojinhas, restaurantes e pousadinhas, tudo muito arrumadinho. Turismo bem família, todo mundo andando naqueles mistos de quadriciclos e bicicletas nas ruas por onde carros são proibidos. Bem diferente de onde temos passado...
Maré baixa na Praia do Forte - BA
A praia é cheia de pedras mas o visual é bem bonito. A principal atração do local são o Projeto Tamar e as piscinas naturais, que vamos visitar amanhã. Hoje, só deu tempo de caminhar pela praia até um ponto onde não há pedras e podemos nadar. Água bem gostosa, praia com temperatura agradável, sem vento. E um pôr-do-sol magnífico que valeu a caminhada.
Saindo do mar na Praia do Forte - BA
Amanhã, depois das piscinas e o Tamar, partimos rumo ao Mangue Seco, fronteira de Bahia e Sergipe. Terra de Tieta do Agreste...
Caminhada até os Chutes du Carbet, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Nosso dia começou de maneira meio estranha. Eram duas da manhã, a Ana já no sétimo sonho na cama ao meu lado, eu trabalhando um pouco no computador com as fotos dos últimos dias quando tive a nítida impressão de alguém abrir a porta dos fundos do nosso chalé. Levantei-me na hora para ir averiguar e aporta estava fechada. Mas não trancada! Sai do lado de fora, olhei e nada. “Deve ter sido o vento”, imaginei. Pois logo pela manhã haviam carros de polícia na porta do gite em que estávamos. Durante a madrugada, alguém entro no chalé ao lado do nosso e, enquanto a moça lá dormia, o invasor pegou seu lap top e carteira. Ela acordou com ele lá dentro ainda, mas rapidamente o gatuno se mandou. Essa é a vantagem de trabalhar até tarde! A simpaticíssima proprietária do gite, uma belga que falava muito bem espanhol, estava consternada. Enfim...
O oceano visto do alto do Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Agora, com ela de olho em sua propriedade, voltamos para a praia para mais uma caminhada e mergulho saudáveis, sensação de estar na nossa querida Praia Vermelha, lá em Ubatuba. Sempre com a ressalva de que aqui, a água é muito mais transparente! Foram quarenta minutos de máximo aproveitamento, mas tínhamos de seguir viagem, pois ainda havia muito por ver em Basse Terre.
A primeira visão da majestosa 2a Queda dos Chutes du Carbet, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Queríamos seguir para a ponta sul da ilha e, aconselhados pela nossa amiga belga, fomos seguindo no sentido horário, dando a volta em Basse Terre. Logo estávamos na costa ocidental dessa “asa” esquerda da ilha, Grande Terre do outro lado do braço de mar.
Mapa em 3-D do arquipélago de Guadalupe
Na verdade, Guadalupe não é apenas uma ilha, mas um arquipélago. A ilha principal é dividida em duas “asas”, Basse Terre, montanhosa, do lado oeste, e Grande Terre, plana, do lado leste. À sudeste está Marie Galante (que nome lindo!), bem grandinha também. Ao sul de Basse Terre estão as Les Saintes, muito populares entre turistas, e do lado leste esta La Désirade, a menos visitada de todas. Nosso plano é dar um pulinho em Marie Galante, um bate e volta de um dia. O que mais me atraiu foi o fato de que a ilha só recebe turistas que falam francês, pois ninguém fala inglês por lá. Mas ainda não sabemos que vamos ter tempo...
Local perfeiro para descanso e reflexão no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Apesar de formarem uma mesma ilha atualmente, Basse Terre e Grande Terre tem histórias completamente distintas. Elas se encontram em arcos ou fissuras diferentes, no encontro de placas tectônicas que formaram quase todas as ilhas caribenhas. O arco externo, onde está Grande Terre, foi muito ativo antigamente e a ilha foi formada há muito mais tempo que Basse Terre. Tanto que houve tempo da erosão acabar com suas montanhas a ponto da ilha ficar submersa e servir de base para uma enorme formação coralínea. Depois, com o recuo do nível dos mares, ela emergiu novamente. Enquanto isso, Basse Terre foi formada muito mais recentemente (em tempos geológicos!) e por isso é cheia de altas montanhas, ainda sujeita a grandes terremotos e erupções vulcânicas que continuam transformando sua paisagem. Quis o destino que essas duas ilhas se unissem por um istmo, formando a tal “borboleta”. Os nomes é que parecem trocados, afinal Grande Terre é baixa e Basse Terre é alta... Mas é que a origem dos nomes está ligada à existência de ventos (muito fortes em Grande Terre a baixos em Basse Terre) e não às montanhas. Logo se vê que quem as nomeou eram marujos e não alpinistas!
Visita ao Parque Nacional em Basse Terre,região dos Chutes du Carbet, em Guadalupe, no Caribe
Nós percorremos toda a costa ocidental de Basse Terre até o sul, quando entramos, por uma pequena estrada, no Parc National de Gaudeloupe uma outra vez. Fomos em direção aos famosos Chutes du Carbet, nome dado a três enormes cachoeiras que despencam quase cem metros no caminho das montanhas para o mar. Paisagem digna das nossas Chapadas, só que em plena mata tropical. De um mirante se pode observar duas dessas cachoeiras (estão no mesmo rio!). Só que o tempo nublado tampou a mais alta delas, e só pudemos ver o 2º salto. Uma agradável caminhada de 30 minutos pela mata, subindo e descendo escadas nos leva até a base dela, de onde ela fica ainda mais impressionante.
Grand Etáng, um grande lago no meio da mata do Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Existe uma caminhada mais longa, que dura todo o dia, partindo do outro lado da montanha. A trilha leva ao alto do vulcão La Soufrière, que domina o sul da ilha e, na descida, passa por dois dos saltos dos Chutes du Carbet. Infelizmente, na nossa programação, não cabia essa caminhada. Uma tristeza! Vimos um grande grupo, já no final de tarde, todos com suas mochilas, entre os 50 e 60 anos, terminando essa caminhada. Os rostos indicavam uma sensação de conquista e o prazer de um dia duro na natureza. Todos, assim como a grande maioria dos turistas que vemos por aqui, franceses. É realmente um mundo completamente diferente das outras ilhas caribenhas que conhecemos, dominadas por turistas americanos e ingleses. Quanto à caminhada, um excelente motivo para programarmos outra viagem para Guadalupe...
Nadando em deliciosa piscina natural no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Depois de voltarmos para a entrada do parque, ainda tivemos tempo e disposição para descer 400 metros de pirambeira pela mata para chegarmos á Basin Paradise, uma belíssima piscina natural alimentada por uma cachoeira, cenário idílico no meio da mata tropical. Meia hora de prazer na água refrescante olhando aquela floresta ao nosso redor e tentando nos convencer que estávamos em pleno Caribe, numa pequena ilha perdida no meio do oceano. Nessa nossa vida de constante movimentação, temos que, de tempos em tempos, fazer uma “zoom out” virtual e nos olhar lá de cima, do espaço, para realmente entendermos aonde estamos. Uma espécie de contextualização geográfica, para valorizarmos ainda mais cada momento que estamos vivendo!
Banho refrescante na Basin Paradise, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Voltamos pirambeira acima até o carro e voltamos para a estrada principal, na costa. De lá para a ponta sul de Basse Terre, para a pequena cidade de Tròis Rivières, de onde saem os barcos para as ilhas de Les Saintes. Elas estavam ali, ao nosso alcance. Mas foi o mais perto que pudemos chegar delas. Outro motivo para voltar à Guadalupe...
Preparando uma macarronada em Tròis Rivières, no sul de Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Dessa vez, tivemos mais trabalho para arrumar algum gite para dormir. Não temos mapas dessas cidades, nem GPS, nem endereços. São poucas as placas de propaganda, então não é fácil chegar até eles. Enfim, achamos e nos instalamos. Depois, corremos no mercado antes que fechasse. O menu de hoje foi uma bela macarronada, a Ana matando sua saudade de um fogão. Uma delícia o nosso lanchinho por aqui! Agora, uma boa noite de sono para, amanhã, visitarmos rapidamente a praia de areias negras aqui do lado e seguirmos viagem para o outro lado da “borboleta”, onde não há montanhas, mas venta bastante...
Deliciosa macarronada preparada pela Ana em Tròis Rivières, no sul de Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Desfile de "carnaval" nas festas de independência de Cartagena, na Colômbia
Por uma grande coincidência, chegamos à Cartagena justo nos dias da maior festa anual da cidade. É a celebração da independência (data diferente do resto do país), época em que se faz um verdadeiro carnaval em Cartagena. São cinco dias de festas, de quinta à segunda, quando tudo para e há desfiles carnavalescos por toda a cidade, principamente na região do centro histórico, dentro e ao redor das centenárias muralhas que antes defendiam Cartagena de piratas e hoje atraem milhares de turistas anualmente à cidade.
Na muralha de Cartagena, na Colômbia
Durante esses dias não há muito o que possamos fazer em relação à nossa viagem ao Panamá. Aqui e ali, procuramos notícias de veleiros que possam nos levar para lá, mas ainda não fechamos nada. Na verdade, estamos é aproveitando para colocar os posts dos nossos blogs em dia, coisa que que acontece há alguns meses. Mas vamos sair da América do Sul zeradinhos, prontos para nova etapa da viagem.
A famosa "Plaza del Reloj", em Cartagena, na Colômbia
Nossa rotina tem sido acordar mais tarde, trabalhar no hotel e depois, no início da tarde, enquanto a cidade começa a esquentar os tamborins para as festas do dia, sairmos por aí, para ver desfiles e caminhar pelas charmosas ruas do centro histórico. O problema é que quase todos aqui, nesta época, andam com sprays de espuma e ficam se atacando mutuamente e também aos passantes incautos. A Ana é alvo preferencial deles e eu, se estiver por perto, sempre pego uma rebarba. Assim, não temos saído com a Nikon, para não arriscar. A Intova, nossa máquina mais "popular", não faz jus à beleza da cidade. Ou seja, até agora, não temos boas fotos da cidade ´para mostrar. Quem sabe, depois das festas e dos sprays de espuma...
Desfile entre os muros de Cartagena e o mar, na Colômbia
Fora essa questão das fotos, não podemos reclamar. Passeamos bastante nas ruas centrais admirando a bela arquitetura que ainda vamos fotografar... Assistimos à magníficos finais de tarde sobre os muros da cidade, bem em frente ao mar do Caribe, enquanto os desfiles transcorriam logo abaixo, na avenida entre a muralha e o mar.
Fogos de artifício na PLaza del reloj, na entrada da cidade murada de Cartagena, na Colômbia
Com nossos amigos colombianos no bar Esquina Sandiegana, na cidade murada de Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)
Mas, melhor de tudo, passamos noites memoráveis num boteco chamado Esquina Sandiegana, frequentado apenas por locais, onde pudemos danças muita salsa. A Ana, obviamente, muito mais do que eu! Ficamos muito amigos do Chistian e do Elith, este último um verdadeiro maestro da salsa. Ensinou muitos passos à Ana e era um prazer vê-los bailar. Até eu me soltei um pouco, mas não com aquela desenvoltura da minha cara-metade. Mas, enfim, foram noites que não esqueceremos, excelente trilha músical, ambiente alegre e caliente e a tradicional simpatia colombiana. Exatamente da maneira que idealizamos uma noite em Cartagena! Muito jóia mesmo!
Arriscando passos de salsa no bar Esquina Sandiegana, na cidade murada de Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)
Bailando salsa com o Elith no bar Esquina Sandiegana, na cidade murada de Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)
Também estivemos no muito mais famoso Cafe Habana, que nos tinha sido bastante recomendado pelo Douglas e a Clara. Um espetáculo, música ao vivo de excelente qualidade e muita gente bonita. Espero ainda ter a chance de voltar lá alguma vez.
Desfile de "carnaval" nas festas de independência de Cartagena, na Colômbia
Desfile de "carnaval" nas festas de independência de Cartagena, na Colômbia
Por fim, tivemos a sorte de ver um dos desfiles bem em frente ao nosso hotel, na Calle Larga. Aí sim estávamos com a máquina e pudemos registrar um pouco da beleza dos grupos fansasiados e das pessoas. Muito parecido com alguns desfiles do Brasil. Não tenho dúvida que, entre prós e contras, valeu muito passarmos por aqui justamente nessa época!
Felicidade pura em noite de salsa no bar Esquina Sandiegana, na cidade murada de Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)
No topo do vulcão Villarrica, a 2.850 metros de altitude, na região de Pucón, no sul do Chile
Então, foi com esse espírito que todo o nosso grupo assistiu atentamente às instruções que o guia nos dá antes de começarmos a caminhada. O mais importante de tudo é saber usar o piolet (a pequena picareta) que todos carregamos. Deve estar sempre no braço voltado para a montanha enquanto ziguezagueamos encosta acima e, se cairmos, deve ser fincado firmemente na neve para evitar que escorreguemos e ganhemos velocidade. No caso de uma queda, o procedimento é ficar de bruços e fincar o piolet na neve. Enquanto estivermos lentos, isso certamente evitará problemas maiores. Quase sempre, cair e escorregar não são uma grande preocupação, pois se a neve estiver mole, vamos simplesmente afundar no chão. Mas se ela tiver se transformado em gelo, é o uso correto do piolet que vai nos salvar. Melhor ainda é não cair! Portanto, atenção! Como diz o ditado, “prevenir é melhor que remediar”!
1000dias no topo do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
A magnífica visão da região de Pucón, no sul do Chile, visto do alto do vulcão Villarrica
Bom, instruções dadas, lá fomos nós. Nós e as outras centenas de pessoas que subiam hoje, divididas em dezenas de grupos. Pucón está a 250 metros de altitude. O van da agência nos leva mil metros acima disso, até uma pequena estação de esqui nas encostas do vulcão e já dentro da área do parque nacional, a menos de 20 km do centro da cidade. Aí há um teleférico daqueles de cadeirinha que pode nos levar por outros 400 metros verticais, já nos 1.600 metros de altitude. A maioria dos turistas opta por isso, mas nem todos...
Turistas caminham pela crista do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
No topo do vulcão Villarrica, a 2.850 m de altitude, na região de Pucón, no sul do Chile
Quando estivemos aqui em 1992, estudantes com pouco dinheiro no bolso, qualquer economia que fizéssemos já estava valendo. Então, nós optamos por caminhar esse trecho também, todo ele em pedras soltas, nada muito interessante para se ver. Dessa vez, a tradição tinha de ser mantida. Então, lá fomos nós caminhando novamente, eu, o Haroldo e mais um punhado de valentes. A Ana queria vir conosco, mas eu a convenci dizendo que ela levaria a mochila com nosso lanche e máquina fotográfica na cadeirinha. Além disso, teria um ângulo muito melhor para fotografar. Meio a contragosto, ela seguiu no teleférico e, 40 minutos mais tarde, todos nos reunimos lá encima.
Observando a enorme cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile
A amedrontadora cratera do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
Agora sim começava a caminhada de verdade. Bastou uns poucos minutos de caminhada para o nosso guia, o simpático Hector, perceber os diferentes ritmos de caminhada. Aí, procedimento comum de várias agências, ele nos dividiu em dois grupos, o lento e o mais lento, cada um com seu guia, e assim seguimos separados, nos reunindo apenas nos pontos de parada de descanso e de lanche. O Hector é um biólogo especializado em extremófilos (pequenos organismos que vivem em condições extremas de temperatura, pressão ou acidez) e conversar com ele durante a subida foi muito interessante.
O Rodrigo, no canto direito da foto, fica minúsculo perto da enorme cratera do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
Na beira da cratera do vulcão Villarrica, a região de Pucón, no sul do Chile, a 2.850 metros de altitude
Para nossa felicidade, a neve estava bem tranquila e nem precisamos colocar nossos grampões. A bota já nos dava segurança o suficiente. Seguimos em interminável ziguezague, muitos grupos acima de nós e outros tantos abaixo. Tem uma passagem da montanha que se chama “pinguinera”, exatamente porque de lá podemos ver essas dezenas de grupos de pessoas, todos andando em fila indiana. De longe, pequeninos contra a imensidão branca da montanha, parecem mesmo grupos de pinguins. Basta olhar algumas fotos nossas da viagem à Antártida para comparar!
Vinte e dois anos mais velhos, o Rodrigo e o Haroldo retornam ao cume do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
Em foto da viagem de 1992, com o Haroldo e o Pfeifer na subida do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
Pouco depois da metade do caminho, paramos em um promontório que forma um verdadeiro mirante natural. Vista magnífica do lago Villarrica, de Pucón e das outras montanhas e vulcões da região. Um dos pontos preferidos no caminho para se tirar fotos. Aí paramos em 92, aí paramos em 2014. Fotos que, quando comparadas, servem para ver os efeitos do tempo. O cabelo está mais branco, mas a saúde continua boa o suficiente para se chegar aqui em cima, hehehe! Vamos ver daqui a 22 anos...
região de Pucón, no sul do Chile
A cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile. Dessa vez, não conseguimos ver, apenas ouvimos o lago de lava escondido nas profundezas do vulcão
Mais uma longa sessão de ziguezague e chegamos finalmente ao cume. Ele é grande o suficiente para que os diversos grupos que lá chegaram se dispersem. O cheiro dos gases vulcânicos é forte e assim que chegamos mais perto da cratera, o barulho do lago de lava lá embaixo também. Uma paisagem lunar, solo cheio de cores devido aos diferentes minerais expelidos pelo vulcão: amarelo, vermelho, marrom e todas as tonalidades possíveis entre essas cores. A lava está bem baixa e não conseguimos vê-la dessa vez. O que se vê é apenas a boca no fundo da cratera, como se fosse a boca de um grande gigante. Um gigante adormecido, mas que ronca bem alto. Em 92, a lava estava mais alta e podíamos vê-la com facilidade. O lago borbulhava e, em pequenas explosões, esguichos de lava subiam 10 metros de altura. Hoje, tivemos de nos satisfazer com aquele buraco escuro e amedrontador e o bafo quente que emana de lá.
A cratera esfumaçada do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)
O impressionante lago de lava na cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile. Foto de 1992
No nosso grupo, havia um casal de mineiros de Belo Horizonte. Chegando lá encima, ele tirou uma bandeira do Cruzeiro (meu time de coração!) da mochila e, orgulhoso, a estendeu para tirar fotos. Não pude resistir e fui tirar fotos também. Por essa, realmente eu não esperava... uma grande bandeira do Cruzeiro no alto do Villarrica. Espetacular!
Os mineiros e cruzeirenses (viva!!!) André e Fabíola subiram conosco o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
O tempo esteve firme e pudemos ficar por ali sem preocupações, tirando nossas fotos, lanchando e admirando a paisagem, para dentro e para fora. Mas chegou a hora de descer. Normalmente, esse é um momento bem chato, quando deixamos para trás o cume de uma montanha. Mas aqui no Villarrica essa história é diferente. Afinal, descer esse vulcão é ainda mais divertido do que subi-lo. Isso porque fazemos skibunda uma boa parte do caminho. Trechos que nos tomaram uma hora para subir, descemos em cinco minutos. É simplesmente sensacional!
Fazendo skibunda, a veloz descida das encostas geladas do vulcçao Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)
Há duas décadas, essa técnica de descida foi uma completa surpresa para mim. Escorregávamos com a calça diretamente na neve. Uma calça que a própria agência fornecia, impermeável. Agora, as coisas evoluíram, a gente leva uma espécie de tapete de borracha para sentar em cima. Como eu já sabia dessa vez a diversão que nos esperava na descida, foi ficando cada vez mais difícil segurar a ansiedade. Mas, a hora chegou e lá estávamos nós, prontos para escorregar trechos de cem ou duzentos metros ladeira abaixo.
Descendo o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
A melhor parte do dia, a descida de "ski-bunda" pelas encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
Com centenas de pessoas escorregando todos os dias, os trilhos na neve já estão prontos. É só a gente se encaixar neles e deixar a gravidade fazer a sua parte. Com o piolet e os pés, vamos tentando controlar a velocidade de descida. Aos poucos, ganhando mais segurança e aprimorando as técnicas, ficamos mais corajosos e descemos mais e mais velozes. Um show! É como se fosse uma longa, quase interminável sequência de grandes escorregadores. Todo mundo virando criança novamente.
Pura diversão na descida das encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
Pura diversão na descida das encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
Por fim, chegamos ao final da neve e nas pedras já não é mais possível escorregar. Sem alternativas, temos mesmo é de nos levantar e voltar a caminhar. Para baixo, ninguém mais vai de teleférico e, no meio de tanta conversa, nem notamos que já estamos chegando ao estacionamento. Ali nos espera a van da agência para nos levar de volta à cidade. Olho para trás e fito o Villarrica. Mais uma vez, a montanha foi maravilhosa comigo, mais memórias para o resto da vida. Será que voltarei outra vez? Como será que o mundo vai ser em 2036? Alguém tem alguma ideia? Não sei aonde eu vou estar, mas o Villarrica, certamente estará aqui!
A Ana perto da boca do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile
Partindo de Chapada Gaúcha, penso em políticos e escorpiões. Qualquer semelhança foi mera coincidência, hehehe.
É incrível a moral que nosso "grande líder" tem por aqui. Tudo devido ao programa Luz Para Todos. Beneficiou muita gente na região. O único que faz frente a ele é o Aécio. Esse, devido às estradas asfaltadas. Dilma, Anastasia, Serra, estes não são muito conhecidos não. Têm uma certa simpatia pela Marina, principalmente as pessoas envolvidas com o parque. Disseram-me que se o candidato do PSDB fosse o Aécio, ganharia de lavada. E se fosse o Lula, ganhava também. E um contra o outro? Cara de interrogação. Bom, deixando o terreno do "se" e voltando ao mundo real, só sabem que votarão no Aécio para senador e não votarão no Hélio Costa para governador. O resto está em aberto...
Quanto aos escorpiões, a Ana achou um hoje, no nosso quarto, andando tranquilamente entre nossas mochilas, roupas e livros. Sua tranquilidade contrastava com a "pouca tranquilidade" da Ana, ao avistá-lo. Bom, a tranquilidade dele não durou muito, pelo menos até descobrir o peso do meu chinelo. Aí, ele ficou tranquilo para sempre. Mas não nós. Fizemos um pente fino na nossa bagagem mas estamos meio cabreiros de colocar nossas mãos dentro das mochilas ou dos sapatos.
Políticos e escorpiões. Sempre nos surpreendendo...
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