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Veronica (04/05)
Adorei ler sobre sua experiência em LOS Angeles. Obrigada por compartil...
Veronica (04/05)
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Tiago (02/05)
Tchê, muito obrigado por compartilhar as informações sobre o local. H...
fabio (02/05)
ola talvez possam me ajudar, estou com bolivares venezuelanos precisando...
ROSELI BORIN (28/04)
sou bisneta de Felicio Borin,imigrante italiano,chegou no Brasil,e morou ...
Caminhando em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe
Bem próximo de Aracaju estão duas pequenas belas cidades históricas, cheia de construções do período colonial. São Laranjeiras e São Cristóvão. São passeios agradáveis, de poucas horas, a partir da capital sergipana.
Restaurante em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe
Por falar em capital, São Cristóvão tinha este posto até a metade do séc XIX. Foi para lá que fomos, em busca de conhecimento e de comida. O primeiro objetivo foi o almoço, antes de fechar o restaurante. O Sobrado funciona num prédio bem antigo e conservado. Um charme! Ao nosso lado um grupo de senhoras comemorava alguma data. Para isso, tinham até contratado um seresteiro das antigas. Foi bem legal vê-lo tocar naquele ambiente, aquelas letras de canções antigas, aquela platéia... tudo se encaixava como uma luva!
Restaurante tradicional "O Sobrado" em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe
Depois, fizemos um tour pelas igrejas da cidade, como a do Carmo, a Matriz e a do Amparo. Por fora, lembram muito as mineiras. Mas por dentro, não tem aquela riqueza, Afinal, o ouro e os diamantes estavam um pouco mais ao sul...
Igreja em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe
Ao ver todas essas igrejas em pé hoje é difícil imaginar que algumas delas levaram dezenas, as vezes mais de uma centena de anos para serem construídas. Trabalho de gerações! Já pensou... seu avô iniciou uma obra que só vai ser completada pelo seu neto... Bom, o que nós aqui do séc XXI vemos é o resultado. Que vem sendo restaurado ao longo do tempo. Se não, o tempo (nos dois sentidos) seria inclemente. Isso fica claro quando vemos alguma construção que ainda não foi restaurada.
Igreja em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe
Fim de passeio, voltamos para Aracaju. Laranjeiras ficou para amanhã cedo, antes de viajarmos para Piranhas, no rio São Francisco, perto da Usina de Xingó e do local onde morreram Lampião e Maria Bonita.
Igreja Matriz em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe
A equipe completa dos 1000dias chega à Villa o'Higgins, no final da Carretera Austral, no sul do Chile. Eram 9:20 da noite!
Com cerca de 4.300 quilômetros de extensão de norte a sul e não mais de 350 quilômetros de leste a oeste, o Chile se espreme entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. É um território de grande diversidade climática e geográfica, desde os desertos do norte até as geleiras e fiordes no sul, do clima seco e árido do Atacama ao verde e úmido Aysén, na patagônia. Unir todos esses territórios distintos através de uma rede de caminhos e estradas nunca foi uma tarefa fácil.
Carretera Austral, ligando Puerto Montt a Villa O'Higgins num percurso de cerca de 1.250 km. O objetivo é, um dia, chegar a Punta Arenas
Carretera Austral atravessa mais um vale no sul do Chile
A área ao redor de Santiago, Valparaíso e Concepción, que juntas delimitam a região central do país e são as três maiores cidades do Chile, já estavam desenvolvidas e ocupadas desde tempos coloniais. A ocupação do norte veio com o desenvolvimento da mineração do cobre na segunda metade do séc. XIX e se consolidou com a vitória chilena na Guerra do Pacífico em 1883. Desde então, estradas e caminhos já ligam Santiago com Iquique e Arica, na fronteira com o Perú.
Carretera Austral, entre Cochrane e Puerto Yungay, no sul do Chile
Trafegando na Carretera Austral, entre Cochrane e Puerto Yungay, no sul do Chile
Na direção sul, a ocupação se acelerou com a derrota dos índios mapuches e a ocupação da Araucania (quando chegarmos lá, vou fazer um post sobre mais essa triste história de espoliação indígena), quase ao mesmo tempo da Guerra do Pacífico e que abriu o país até a região dos lagos, em Puerto Montt. Centenas de milhares de imigrantes europeus, principalmente alemães, vieram colonizar essas novas terras no final do séc. XIX. Também aí, já no início do séc. XX, caminhos e estradas ligavam a região à capital federal.
Chegando ao lago O'Higgins, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile
O sol de fim de tarde nos recebe no lago e região de Villa O'Higgins, no sul do Chile
Preocupado em garantir sua soberania até o extremo sul do continente, o governo chileno fundou Punta Arenas em meados do séc. XIX e a cidade logo se tornou o único centro urbano naquela região. A ligação com o resto do país sempre foi marítima, já que havia um enorme território praticamente desocupado entre a cidade e Puerto Montt e Chiloé, dois mil quilômetros ao norte. Essa região, o norte patagônico chileno, é conhecida como Aysén. Também ela foi ocupada por um número diminuto de pioneiros que fundaram alguns poucos povoados. Mas eles nunca se desenvolveram muito, principalmente pelas dificuldades de comunicação com o resto do país. Inúmeros lagos, fiordes, rios caudalosos, montanhas, vulcões e geleiras impediam a construção de caminhos e a ligação marítima também era dificultada pelos rigores do inverno nos estreitos canais que separavam um verdadeiro labirinto de ilhas ao longo da costa.
Criação de ovelhas, muito comum ao longo da Carretera Austral, no sul do Chile
Encontrando trânsito na Carretera Austral, no sul do Chile
Criação de ovelhas, muito comum ao longo de toda a Carretera Austral, no sul do Chile
A solução para aquelas poucas comunidades que se desenvolveram em Aysén eram os caminhos através da vizinha Argentina. O problema, nesse caso, é que a relação entre os dois países nem sempre foi muito pacífica. Disputas sobre limites fronteiriços sempre dificultaram a vida dos dois vizinhos, desde meados do séc. XIX até tão recentemente como 1978, quando Argentina e Chile quase entraram em guerra total. Aliás, foi essa quase guerra, cujo motivo foi a disputa sobre umas poucas ilhotas na saída do Canal de Beagle, que finalmente tiraram do papel um plano de construção de uma estrada ligando Puerto Montt à Punta Arenas, totalmente dentro do território chileno. O país não queria mais depender da boa vontade do vizinho para abastecer suas próprias cidades do sul.
Vista frequente na Carretera Austral: valentes ciclistas trafegando pelo caminho, no sul do Chile
Vista frequente na Carretera Austral: valentes ciclistas trafegando pelo caminho, no sul do Chile
O Chile vivia sob a feroz ditadura do general Pinochet. Sem ter de dar satisfação para ninguém, ele decidiu que já era hora de construir a estrada que ele mesmo imaginara vinte anos antes, quando ainda era um oficial de pequena patente no Clube Militar. Com a ajuda de 10 mil soldados do exército, pôs em marcha os trabalhos da maior obra de engenharia do país, abrindo selvas, construindo pontes sobre rios, escavando montanhas e dando a volta em lagos e geleiras. A ferro e fogo (muitos soldados e operários morreriam nas obras), a estrada foi abrindo caminho no difícil terreno e, pela primeira vez, uma região de natureza exuberante e cenários grandiosos se abriu para viajantes e turistas, além dos próprios moradores locais, claro.
Informação importante: horário de funcionamento e localização dos postos de combustível ao longo da Carretera Austral, no sul do Chile
Na encruzilhada para Caleta Tortel, a importante informação com o horário das barcas em Puerto Yungay, no sul do Chile
As obras se iniciaram em 1976 e em 1982 foram entregues os primeiros trechos. Até 1989, a estrada se estendia quase 1.200 km ao sul de Puerto Montt, passando pelos principais povoados de Aysén, como Coyhaique e Cochrane. Os últimos 100 km até Villa O’Higgins foram entregues no início da década de 90. Além disso, toda uma rede de estradas vicinais também foi construída, totalizando outros 1.200 km. A última dessas estradas vicinais a serem entregues foi aquela que dá acesso a Caleta Tortel, um dos povoados mais pitorescos do país e também uma das principais atrações turísticas ao longo da Carretera Austral.
Trecho final da Carretera Austral, entre Cochrane e Villa O'Higgins. Note que Caleta Tortel fica justamente entre os Campos de Gelo Sul e Norte, na patagônia chilena
Essas estradas foram todas construídas em rípio, mas agora elas vêm sendo asfaltadas lentamente. Hoje, a extensão do asfalto chega a 350 km, quase todo ele nas vizinhanças da cidade de Coyhaique, a grande metrópole regional, com 50 mil habitantes em sua área urbana. O restante continua em rípio que, dependendo da época do ano ou condições meteorológicas, pode estar bem deteriorado. A manutenção tem de ser quase constante, pois o que não falta na região é chuva e neve. Isso quando não há erupções vulcânicas... Outro obstáculo formidável são os grandes lagos e fiordes. Quando não é possível contorná-los e são largos demais para se construir uma ponte, a solução é o uso de balsas. São quatro delas ao longo da Carretera: três para contornar o parque de Pumalin, no norte, e uma para se chegar a Villa O’Higgins, no sul.
Ciclistas enfrentam a chuva ba Carretera Austral, no sul do Chile
Muitas bicicletas na balsa de Puerto Yungay em direção a Villa O'Higgins, no sul do Chile
A beleza da região de Aysén tem atraído cada vez mais turistas à região. A própria Carretera Austral se tornou uma atração turística e milhares de ciclistas vêm pedalar por aqui todos os anos. Mesmo com esse fluxo crescente de pessoas, ainda é muito comum dirigirmos por muito tempo sem ver mais ninguém na estrada, especialmente longe das cidades. Por isso, para quem vem percorrê-la, é importante estar com o carro (ou bicicleta!) em ordem, tanques cheios e pneu sobressalente. Uma comidinha reserva também não faz mal a ninguém. Outra informação fundamental é saber os locais onde há postos de combustível e seu horário de funcionamento. E para quem vai se aventurar pelos trechos de balsa, em algumas se pode fazer reserva e em outras, deve-se chegar com antecedência. São poucos horários diários e as balsas não são grandes.
Plano futuro (2040) para a Carretera Austral, contornando o Campo de Gelo Sul pelo oeste e chegando à Puerto Natales e Punta Arenas. Para atravessar o labirinto de fiordes, seriam necessários 9 trechos de balsa
A segunda parte da estrada, aquela que chegaria até o extremo sul do país, à Puerto Natales e Punta Arenas, por enquanto, só está nos planos. A ideia é construí-la até 2040, mas muitos duvidam que os planos sairão do papel. Para que a estrada esteja plenamente em território chileno, ela teria de contornar o enorme Campo de Gelo Sul pelo oeste. O terreno é formado por dezenas de ilhas e está repleto de lagos e fiordes. Além disso, não há nenhum povoado no caminho. Calcula-se que seriam necessários nove “transbordos” (trechos de balsa) e mais 1.000 km de estradas. A alternativa, muito mais viável, é terminar a ligação de Villa O’Higgins com El Chaltén, já na Argentina, e por aí seguir até Puerto Natales pelo caminho que nós já fizemos nessa viagem. Felizmente, as relações diplomáticas entre Argentina e Chile parecem estar bem melhores ultimamente, tornando esse caminho o mais “inteligente”.
A balsa em Puerto Yungay, que nos leva ao último trecho da Carretera Austral, em direção a Villa O'Higgins, no sul do Chile
Na travessia de balsa, o arcoíris aponta a direção de Villa O'Higgins, no final da Carretera Austral, no sul do Chile
A Fiona se aperta na balsa de Puerto Yungay em direção ao final da Carretera Austral, em Villa O'Higgins, no sul do Chile
Com isso, uma região de natureza ainda quase virgem assim continuaria. Aliás, essa é a principal briga na região de Aysén ultimamente. Não contra a segunda parte da estrada, que ainda está no campo dos sonhos, mas contra a construção de um megaprojeto hidroelétrico, conhecido como Hidroaysén. Ele prevê a construção de 5 barragens ao longo do belíssimo rio Baker, aquele por onde passamos ontem. A energia elétrica produzida seria levada através de milhares de quilômetros de linhas de alta tensão para o norte do Chile, onde seria usada pelas grandes mineradoras. Obviamente esse projeto é muito polêmico e há diversos interesses envolvidos. Felizmente, é uma briga de cachorro grande, pois do lado daqueles que querem preservar, há também muita gente rica. Entre eles, o multi-milionário americano Douglas Tompkins, dono de fazendas e do maior parque de preservação privado do mundo na região. Ele não quer nem estradas e nem linhas de força em suas propriedades. Certamente, ainda vou falar dele nos próximos posts...
Carretera Austral na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile
Carretera Austral na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile
Enfim, esse megaprojeto começou a andar ainda no governo socialista de Bachelet, mas foi apenas no governo conservador de Piñera que se conseguiu a licença ambiental das obras da hidrelétrica. Enquanto passamos por aqui, o principal front da briga se dá no processo de obtenção da licença ambiental para as linhas de alta tensão. É comum vermos, ao longo da estrada, enormes cartazes de propaganda pró e contra o projeto e todos aqui tem uma opinião. Pelo menos com quem temos conversado, há mais gente contra do que a favor. Não só pela mudança na paisagem e nos ecossistemas, mas também pelos milhares de trabalhadores que virão para cá. E tudo isso para levar energia para o outro extremo do país e, ainda mais, para uma atividade tão agressiva com a natureza como é a mineração. Nós, obviamente, já tomamos o nosso lado! (veja o P.S no final desse post!).
A Carretera Austral serpenteia oela orla do lago O'Higgins, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile
Pois é, falando na gente, hoje fizemos nosso primeiro trecho por essa estrada tão famosa. Saímos de Cochrane e seguimos até Villa O’Higgins, passando por Caleta Tortel (assunto do próximo post!) e pela balsa sobre o fiorde Mitchell.
Geleira iluminada pela luz de fim de tarde na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile
Uma geleira bem próxima à Carretara Austral, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile
A natureza é mesmo deslumbrante, muito verde e também o branco no alto das montanhas. As condições da estrada estavam bem melhores do que no pequeno trecho que fizemos ainda ontem, antes de Cochrane. Quase não havia as temíveis “calaminas” (o nome que se dá por aqui às costelas de vaca) e muito pouco trânsito também. De tanques cheios e já sabendo o horário da balsa em Puerto Yungay (que leva à Villa O’Higgins), pudemos nos planejar perfeitamente para passar um bom tempo em Tortel.
Chegando a Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile
Chegando a Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile
Na estrada, era mais comum cruzarmos com vacas e ovelhas do que com motoristas. Outra “espécie” bem comum foi a dos ciclistas que, carregando suas mochilas, percorrem os 1.250 km da Carretera Austral entre duas e quatro semanas. São valentes, enfrentam as calaminas, a poeira, subidas e descidas e os rigores do tempo. Muitos europeus, mas há também americanos, canadenses, chilenos, argentinos e até brasileiros. Na balsa para Villa O’Higgins, havia mais bicicletas do que carros!
Fim de tarde ao sul de Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile
A última ponte da CArretera Austral, já ao sul de Villa O'Higgins, no sul do Chile
Aliás, um dos trechos mais bonitos da estrada foi justamente o que liga a balsa à Villa O’Higgins. É o trecho mais novo e selvagem da Carretera Austral e a estrada passa, literalmente, entre diversas geleiras. Isso sem falar dos lagos e florestas. Quando chegamos á cidade, lá está a placa marcando o final da Carretera Austral. É um nome muito mais simpático que o nome original, que fazia homenagem ao ditador que a idealizou e construiu, Augusto Pinochet. Ainda é bem comum encontrarmos placas com o seu nome na estrada. Mas a placa final, essa que todos tiramos fotos, felizmente tem o nome novo e famoso: Carretera Austral.
Homenagem a Pinochet na estrada que foi construída durante seu governo, em Puerto Yungay, no sul do Chile
Chegando a Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile
Porém, mesmo com a placa marcando o fim da estrada, ela continua por alguns quilômetros, indo ainda mais ao sul do que Villa O’Higgins. Na verdade, ela termina mesmo em um lago onde, duas vezes por semana, uma balsa faz a travessia. Normalmente, só para ciclistas e andarilhos, mas até cabe um carro ali dentro. Só para moradores locais, nos informaram. Esse é o início do caminho para El Chaltén, na Argentina. É por aqui que, num futuro próximo, quem sabe, carros também poderão seguir. Mas não hoje. Aqui foi o fim de nossa jornada para o sul. A partir de agora, começamos a percorrer toda a extensão da Carretera Austral de sul a norte, os 1.250 km entre Villa O’Higgins e Puerto Montt. Mas não começamos amanhã. Nada disso! Reservamos um dia inteiro para explorar essa pequena vila e, principalmente, o cenário grandioso que a cerca. Amanhã, descanso para as rodas da Fiona e muito trabalho para nossas pernas!
P.S Sete meses depois de passarmos pela Carretera Austral, veio a boa notícia: o conselho de ministros chilenos cancelou a licença ambiental para a construção das barragens da Hidroaysen. A empresa ainda recorre à justiça, mas no início de 2015 admitia em relatórios internos a seus acionistas que todo o investimento já realizado na região deve ser perdido. Pelo menos por hora, a maravilhosa região de Aysén está livre dessa barbaridade.
Placa de protesto contra a construção de hidroeléticas no rio Baker, na Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile
Cachoeira do Buracão vista de cima, próxima à Ibicoara, na Chapada Diamantina - BA
Partimos à toda, no início da tarde, de Mucugê para Ibicoara, bem no sul da Chapada Diamantina. Comparada com cidades como Lençóis, Mucugê ou Igatu, Ibicoara é bem sem graça e sem presonalidade. Não tem aquela alma do século XIX. Mas ela é a melhor base para quem quer conhecer duas das mais belas cachoeiras de toda a região, recentemente descobertas para o turismo: o Buracão e a Fumacinha
Rio da Cachoeira do Buracão, próxima à Ibicoara, na Chapada Diamantina - BA
O acesso à Fumacinha é bem complicado, uma longa caminhada de dia inteiro, se o tempo (chuva) permitir. Já o Buracão, depois de vencidos pouco mais de 30 km de estrada de terra, é atingido por uma rápida trilha de dois quilômetros. Era essa a pressa minha e da Ana: chegar no início da tarde ainda em tempo de visitar essa cachoeira cada vez mais famosa.
Parte de cima da Cachoeira do Buracão, próxima à Ibicoara, na Chapada Diamantina - BA
Nem procuramos hotel. Fomos direto na associação de guias e, por sorte, encontramos o último que ainda estava lá. Mais sorte ainda, não era um guia qualquer mas aquele que descobiu as duas cachoeiras, que abriu as trilhas para se chegar a elas e o que mais esteve em ambas. O Janu, para nossa felicidade, aceitou o desafio de nos levar até o Buracão, mesmo com o adiantado da hora. Compramos um lanche rápido, ele disse que nos indicaria algum hotel quando voltássemos e lá fomos nós!
Canyon da Cachoeira do Buracão, próxima à Ibicoara, na Chapada Diamantina - BA
Vencidos os 30 km de terra, logo estamos caminhando na beira do rio, descendo-o em direção ao canyon. Algumas cachoeiras pequenas aparecem mas estamos interessados mesmo é no Buracão. Finalmente, lá está ele, a água se jogando de 80 metros num enorme lago negro lá embaixo, enclausurado num canyon estreito.
Pequena ponte no canyon da Cachoeira do Buracão, próxima à Ibicoara, na Chapada Diamantina - BA
Ficamos embasbacados com o visual, mas isso é só o começo. Mais belo ainda é a visão por baixo. Descemos através de uma fenda, passamos por outra bonita cachoeira, do Recanto Verde e chegamos à maravilha do canyon. Para se chegar até o lago negro que vimos lá de cima, ou se caminha pelas paredes do canyon numa trilha digna de filmes de Indiana jones ou segue-se nadando. Foi a nossa opção!
O estreito canyon com paredes de 80 metros que leva à Cachoeira do Buracão, região de Ibicoara, na Chapada Diamantina - BA
Visual incrível, paredes de 80 metros de altura, distantes cerca de 10 metros uma da outra. No fundo, um rio de águas negras. Após duas curvas, lá está, majestosa, a cachoeira e o lago negro. Neste ponto, o canyon se abre em forma quase circular. Por mais que tentasse, não consegui atingir o fundo do lago. Mais de 15 metros com certeza! Lá embaixo, breu total. Não se vê absolutamente nada, nem olhando para cima. Impossível não sentir um certo medo e acelerar para a superfície. Quase lá, a claridade aparece e a água torna-se vermelho escura.
Primeira visão da Cachoeira do Buracão no fim do canyon, região de Ibicoara, na Chapada Diamantina - BA
O dia terminava e foi aproveitado ao máximo! Voltamos os 30 km de terra por não ter tido tempo de nos organizar melhor. Amanhã cedinho, voltamos para a região mais uma vez (de novo, os mesmos 30 km de terra...). O Janu nos indicou uma pousada simples, honesta e com uma ótima comida. Ficou de nos encontrar às cinco da manhã! A Fumacinha nos aguarda...
Cor avermelhada, quase preta, da Cachoeira do Buracão, região de Ibicoara, na Chapada Diamantina - BA
Fronteira entre Maranhão e Pará. Estamos longe!
Conforme o combinado, quatro e meia já estávamos no barco do simpático Seu Mário, o responsável pelo único transporte mais ou menos regular entre a ilha e o continente. Ele é dono de um comécio em Lençóis e umas duas vezes por semana vai a Apicum Açu. O barco estava bem cheio, todo mundo querendo aproveitar a rara chance de "carona". Mesmo cedo assim, a Marluce, esposa do Helio acordou para nos servir café enquanto o marido, de lanterna, nos levou até o barco. Gente simples, honesta e muito simpática. Foi um prazer ter estado na pousada deles.
Nascer-do-sol na viagem de volta da Ilha de Lençóis para Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
O tempo estava aberto e nos proporcionou um belo nascer-do-sol, despedida da ilha que tanto gostamos. Depois do espetáculo, tivemos tempo para uma soneca no teto da embarcação, acordando já perto de Apicum Açu. O barco do Seu Mário é mais rápido que dos pescadores e a viagem dura pouco mais de três horas.
Barco lotado na viagem de volta da Ilha de Lençóis para Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Já em frente ao porto de Apicum Açu, uma última e grata surpresa. Como chegamos na época "errada", não tínhamos visto uma das principais atrações da Ilha de Lençóis, que são as revoadas do Guará Vermelho. Estamos na época de reprodução dessa ave, e ela muda seus horários e itinerários. Todos os dias, do alto da duna, tínhamos esperança de algum milagre, mas ele não ocorreu. Não, até agora... Não é que ali, de manhã cedo, do outro lado do rio, elas resolveram dar o ar de sua graça? E que graça! Um espetáculo! Parecem até pintados! Mais sorte ainda, a Ana estava com a máquina na mão e conseguiu tirar boas fotos. Foi jóia!
Chegando em Apicum Açu, da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
A Fiona nos esperava sã e salva ali na frente, também. Rapidamente, já estávamos na estrada rumo ao Pará e à Belém, a mais de 650 km de distância. Mas já demos logo uma paradinha em Cururupu, a maior cidade das reentrâncias, para acessar a internet que há muito não víamos.
Revoada de guarás-vermelhos em Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Depois, já na estrada novamente, examinando mapas e fazendo contas, resolvemos mudar o itinerário e seguir diretamente para Algodoal, ilha com as mais belas praias do Pará. Belém ficou para depois. No sentido em que seguimos, faz muito mais sentido. GPS reprogramado, lá fomos nós rumo a um novo estado, o décimo sétimo no Brasil e a uma nova região, a Norte, única em que ainda não havíamos estado. De pouco em pouco, vamos vendo esse país inteiro!
Revoada de guarás-vermelhos em Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Para trás ficou a região Nordeste, por onde temos viajado desde a metade de outubro. Mais de quatro meses viajando por seus estados, pelo litoral e sertão. Paisagens inesquecíveis, histórias e personagens para lembramos o resto de nossas vidas. Faltou somente o sul do Maranhão, região que ainda passaremos em dois ou três meses.
Maré seca entre Marudá e Algodoal - PA
Bom, já no Pará, seguimos até a cidade de Castanhal, bem perto da grande Belém. Aí, mudamos de estrada, rumando para o litoral, até a pequena cidade de Marudá. De lá saem os barcos para a bela Algodoal. Ao chegarmos no pier, já 17:30, tivemos duas ótimas surpresas. Primeiro, o último barco programado para o dia, que deveria ter saído meia hora antes, ainda estava lá, aguardando que a maré enchesse para poder zarpar. Ou seja, já poderíamos dormir na ilha. Segundo, o visual nos lembrou incrivelmente da nossa querida e saudosa Ilha do Mel, no litoral paranaense. Nada poderia deixar a gente mais bem humorado do que isso!
Pôr-do-sol em Marudá, na travessia de barco para Algodoal - PA
Subimos no barco e fomos direto para o teto, de onde assistimos a um maravilhoso pôr-do-sol. Nos 30 minutos da travessia (mais uma semelhança com a Ilha do Mel!) ainda tivemos outra surpresa! Viajavam conosco duas francesas que moram na Guiana Francesa! Aproveitamos para trocar várias informações e estamos mais animados do que nunca para começar nossa fase internacional da viagem por lá. Agora, já temos até dois endereços!
Tentando praticar o francês com a Marjolie, que vive na Guiana Francesa (na travessia para Algodoal - PA)
Finalmente, botamos o pé na famosa Algodoal. Eu, com mais de 20 anos de atraso! Afinal, foi em Julho de 90, na única vez em que estive em Belém, voltando do Peru pelo rio Amazonas, que ouvi falar deste lugar. Infelizmente, na época, não tínhamos tempo para viajar até aqui. Desde então, Algodoal está na minha lista de lugares para conhecer. Certamente, não é mais a Algodoal de 20 anos atrás. Esta, infelizmente, nunca vou poder ver. Mas tenho certeza que ela ainda guarda muitas belezas e surpresas, que começamos a explorar amanhã. Depois da longa viagem de barco-carro-barco, estamos loucos para poder esticar as pernas...
A magnífica região dos Pontôes Capixabas, em Pancas, noroeste do Espírito Santo (foto da internet)
Dia de seguir viagem rumo à Itaúnas, no litoral norte capixaba. Muito relutamos, mas acabamos por desistir de voltar à região de Pancas e dos Pontões Capixabas, no noroeste do estado. Tínhamos passado por ali ainda antes dos 1000dias, no reveillon de 2008. A região nos impressionou tanto que juramos um dia voltar. A promessa continua de pé!
A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Tempo nublado na grandiosa paisagem da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Caminhando sobre uma das grandes rochas na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Mas, infelizmente, não será dessa vez. Com todas as “visitas” ao nosso redor e o relógio do 1000dias fazendo um contínuo tic-tac, esse longo desvio na rota para o norte tornou-se muito difícil. Porém, as memórias e as fotos da viagem anterior ainda estão frescas. Frescas o bastante para escrever um post sobre uma das regiões mais belas desse nosso imenso país. E olha que quem disse isso não fui eu, mas “um tal” de Burle Marx, o paisagista mais afamado do Brasil.
Caminhando na pacata cidade de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Quem viajou pelo leste de Minas Gerais e pelo interior do Espírito Santo certamente já se impressionou com a principal característica geológica dessa área: gigantescos rochedos que parecem brotar do solo e querer atingir os céus. Alguns com centenas de metros de altura, formam imensos paredões de pedra exposta, paraíso de alpinistas, fotógrafos e amantes da natureza.
Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Tecnicamente, esse tipo de montanha é conhecido como “Inselberg”, uma palavra de origem alemã que significa, literalmente, “monte-ilha”. Têm origem pré-cambriana, ou seja, têm mais de 600 milhões de anos! São monolitos (uma “única peça”) de gnaisse e granito, materiais extremamente duros e que, por sua resistência, continuam de pé enquanto todo o material que os cercavam foi erodido pelas intempéries do tempo através das eras geológicas. O resultado, então, lembra mesmo um ilha, esse enorme bloco de pedra circundado por uma vasta planíce muito abaixo de si.
A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Os enormes rochedos que caracterizam a região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
No Brasil, o mais conhecido inselberg é o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Por isso, pelo menos entre nós, esse tipo de formação geológica é conhecida como da “classe Pão de Açúcar”. Eles se espalham pelo leste do país, do Rio ao semi-árido nordestino, mas é justamente nessa região noroeste do Espírito Santo onde são mais abundantes. Tanto que aí até receberam uma designação regional. São os “pontões”! No estado, o pontão mais conhecido, e nós passamos por lá poucos posts atrás, é a Pedra Azul. Essa enorme e proeminente rocha faz a alegria visual de quem viaja pela rodovia que liga Belo Horizonte à Vitória, mas não pertence à área dos chamados pontões capixabas. Pouco mais de 100 quilômetros ao norte, eles se concentram ao redor da pequena cidade de Pancas, praticamente desconhecida da grande maioria dos brasileiros, mesmo aqueles mais viajados.
A proeminente e belíssima Pedra da Agulha, em Pancas, na região dos Pontôes Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto da internet)
Tempo nublado na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Mas não de nós! Quase dois anos atrás, planejamos passar nosso reveillon na cidade de Itaúnas, última localidade capixaba antes de se atingir o litoral baiano. Era uma longa viagem para fazermos em poucos dias de férias, saindo lá de Curitiba. Então, esquadrinhando o mapa para descobrir a roa mais interessante, eis que me deparei com o Parque Nacional dos Pontões Capixabas, uma pequena mancha verde no meu atlas e que se colocava justamente no nosso caminho. Lendo mais a respeito, logo mudamos os nossos planos e resolvemos passar alguns dias por lá antes de chegarmos ao litoral, motivo primeiro da nossa viagem. Interior do estado e em meio às montanhas, seria o contraponto perfeito para quem passaria outros tantos dias na praia. Aliás, é uma rota e combinação perfeita que recomendo a todos os que viajam por essas paragens: Pancas e Itaúnas!
Atravessando rio durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Pausa para foto durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Pois bem, foram dois dias de explorações dos vales entre os pontões, mas São pedro não quis cooperar conosco. O tempo esteve quase sempre nublado e não tivemos as melhores vistas dessa paisagem quase jurássica. Mesmo assim, foi possível perceber a incrível beleza da região e assinar embaixo da declaração de Burle Marx. O mais incrível é pensar em como, até hoje, esse pedaço de paraíso ainda seja tão pouco explorado para o turismo. Brasileiros viajam longe para conhecer paisagens distantes na Argentina e no Colorado e desconhecem que, aqui no seu quintal, paisagens igualmente grandiosas aguardam para serem exploradas e admiradas.
Corredeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Uma das muitas cachoeiras da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Delicioso banho de cachoeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Nós contratamos um guia que nos levou por diversas trilhas por entre as monumentais montanhas de pedra. Exploramos rios e vales e nos deliciamos em algumas de suas diversas cachoeiras. Chegamos à mirantes de onde se pode melhor observar os inselbergs mais famosos da região, como a Pedra do Camelo e a pedra da Agulha. esses são apenas dois exemplos mais conhecidos das quase duas dezenas de “montes-ilhas” que se espremem em uma área tão pequena. O visual enche os olhos de qualquer turista que aí chegue, mas quem se esbalda mesmo são os alpinistas e amantes do voo livre, asa delta ou paraglider. Pelo menos nesse meio a fama da região já chegou, talvez a melhor do país para essas duas atividades radicais. São dezenas e dezenas de vias de escalada já conhecidas e outras centenas para serem estabelecidas. Para quem voa, essa profusão de rochas aquecidas pelo sol e que se colocam no meio do caminho do vento criam as condições ideais para as famosas térmicas que levam pássaros e os humanos mais intrépidos para as alturas. E lá de cima, que ninguém duvide, é de onde se tem a melhor visão dessa paisagem de beleza crua e quase inacreditável.
Mais um delicioso banho de cachoeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Banheira de hidromassagem natural na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Delicioso banho de cachoeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Nós acabamos ficando mais embaixo, com as trilhas e as cachoeiras, e apenas com um gostinho das visões mais amplas, quando São Pedro nos dava uma folga. Mas também tivemos a chance de aprender um pouco sobre a interessante história da região e da complicada problemática que atingia os moradores locais justamente naquele época.
Região rural de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Pequena propriedade rural em meio à grandiosidade da paisagem na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
No meio da caminhada, pausa para uma legítima cachaça da terra na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Quem colonizou a região de Pancas, ainda em meados do século XIX, foram os pomeranos. Era uma época em que ainda não existia a Alemanha como país, antes de sua unificação planejada e brilhantemente executada por Otto von Bismark. A nação se dividia em dezenas e dezenas de pequenos estados. Todos falantes da língua germânica, cada um com seu diferente sotaque. Um deles era a Pomerânia e foi ainda como pomeranos que muitos migraram para o Brasil. Por isso o orgulho da antiga e extinta nacionalidade ainda sobrevive por aqui. Pois bem, os pomeranos se espalharam por esses vales e por quase um século mantiveram firme sua cultura. Mas a chegada da 2a Guerra Mundial fez com que essa cultura germânica fosse perseguida em diversos países e regiões do mundo, inclusive na distante e pequena Pancas. Falar em “pomerano” em público passou a ser “desestimulado” e as novas gerações perderam boa parte do vínculo que as unia ao passado. Hoje, meio século após esses tempos difíceis para a comunidade, tenta-se recobrar os elos quase perdidos com essa cultura deixada para trás, no tempo e no espaço.
Criação de gado na área do parque na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Criação de gado na área do parque na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Os enormes rochedos que caracterizam a região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Enfim, é uma luta valorosa, mas não é a principal preocupação atual dos habitantes de Pancas. Algo muito mais terreno os aflige. Por incrível que pareça, tem a ver com a criação do Parque Nacional que pretende, justamente proteger o meio ambiente e a linda região que seus antepassados desbravaram. Para nós, viajantes e amantes da natureza, sempre vemos Parques Nacionais como soluções e jamais como problemas. mas um pouco de contato com o lado prático da vida nos fez ver como a teoria é sempre muito mais simples e bonita do que a prática das coisas. Aquela rápida passagem por Pancas foi como um tapa, com luvas de película, em nossas faces ingênuas.
Mesmo com tempo nublado, a incrível beleza da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Vamos nos alimentando com frutas silvestres durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Muitas flores na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
A criação do parque se deu por uma canetada já nos estertores do governo FHC, em 2002. Provavelmente por gente muito bem intencionada, mas que, muitos deles, nunca estiveram por aqui. Sem uma ampla discussão local, a notícia simplesmente chegou de que aquela terra em que suas famílias trabalhavam e da qual tiravam seus sustento há gerações deveria, num futuro próximo, ser abandonada. Isso porque o conceito de “Parque Nacional” não combina com o de exploração da terra, nem que seja de maneira tradicional ou de subsistência. Parque Nacionais são criados para proteger fauna, flora e paisagens originais e não hortas, pequenas plantações de mandioca ou criação de porcos e galinhas. Indenizações são pagas na desocupação de terras, mas os valores pagos são sempre muito discutíveis e, muitas vezes, irrisórios. Isso quando o pagamento não atrasa e acaba ficando para os netos.
Pausa para foto durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Uma das muitas cachoeiras da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Uma das muitas cachoeiras da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Enfim, a notícia caiu como uma bomba para os habitantes locais. O clima de confusão foi muito bem manipulado por políticos locais e a opinião pública dali, justamente a que mais interessa, se colocou totalmente contra a criação do parque. Como diz tão bem o ditado, “de boas intenções o inferno está cheio”. O que veio como uma boa ideia tornou-se uma fonte de problemas. No meio da confusão, os maiores resquícios de Mata Atlântica do estado, além de uma rica fauna, ficaram numa espécie de vácuo jurídico.
A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Caminhando sobre uma das grandes rochas na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Os enormes paredões de pedra que fazem a alegria de alpinistas na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)
Esse ainda é um problema atual. Uma região tão linda e com um potencial turístico tão grande perdida em discussões teóricas e juridiquês da pior qualidade.. Enquanto isso, iniciativas privadas de turismo parecem começar a funcionar, embora ainda haja um longo caminho a ser percorrido, uma solução que englobe a proteção ás belezas naturais da região, assim como os legítimos interesses da gente simples que aí vive há tanto tempo, um verdadeiro patrimônio cultural e desconhecido do nosso país. De lá para cá, a denominação de Parque Nacional mudou para a de “Monumento Nacional”, não tão rígido como o anterior. É claro que não é apenas a classificação que deve mudar, mas tudo aquilo que afeta a vida prática que quem vive e de quem visita a região. Experiências no mundo inteiro mostram que preservação, herança cultural e exploração responsável podem coexistir e gerar frutos para todos. É o que se espera para uma região tão magnífica como essa, um dos tesouros desconhecidos desse nosso Brasil que estamos explorando nessa longa viagem pelas Américas.
Prática de paragliding em Pancas, na região dos Pontôes Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto da internet)
A magnífica paisagem polar da tundra, na Dalton Highway, no norte do Alaska
Nosso plano original era simplesmente chegar até o “Alaska” e daqui começar a nossa volta. Tratávamos essa gigantesca região como se fosse um ponto, o que está bem longe da realidade. Como já disse, o Alaska é o maior estado dos Estados Unidos, com atrações suficientes para podermos viajar por meses por aqui. Então, quando fomos chegando mais perto daqui, precisamos ser mais específicos e acabamos decidindo que chegaríamos em Anchorage, a maior cidade do estado.
Antigo posto de correios da simpática Wiseman, cidade 100 milhas ao norte do Círculo Polar Ártico, no Alaska
Mas logo a coceira de seguir mais para o norte começou a bater. Depois da história da Aurora Boreal e das “reclamações” da Fiona, decidimos que tínhamos de chegar, pelo menos, até o Círculo Polar Ártico. Será que faríamos um bate-volta até lá, saindo de Fairbanks? Hmmm... se queríamos ver a Aurora, tínhamos de dormir por lá e o hotel mais próximo estava em Coldfoot, 90 milhas adiante. Ok, Coldfoot passou a ser nosso destino final.
A árvore mais ao norte na Dalton Highway, a caminho do Oceano Ártco, no Alaska
Mas, ao chegarmos em Coldfoot, uma rápida visita ao Centro Turístico nos fez mudar de ideia rapidamente. Dez milhas mais ao norte estava a cidade de Wiseman, um interessante e centenário assentamento mineiro. Outras dez milhas, e lá estava uma bela montanha com um lago espelhado logo abaixo. E mais um pouquinho, a última árvore, aquela que nasceu mais ao norte no continente. Tínhamos de ver essa heroína!
Chegando na Brooks range, no norte do Alaska
Na noite de ontem, ao comentar nossos plano com um camioneiro que conhece toda a estrada, ele exclamou, incrédulo: “mas vocês não vão conhecer o Atigun Pass??? É o lugar mais bonito da estrada!!!”. Bom, diante disso, tínhamos de ir lá. O tal “pass” é o trecho em que a rodovia ultrapassa a Brooks Range, a cadeia de montanhas que funciona como uma “Continental Divide”. Do lado de cá, a água corre para o Pacífico, do lado de lá, corre para o Ártico. Então, se fôssemos até lá, estaríamos definitivamente no Ártico!!! Não dava para resistir a tentação, né?
Depois de tanto tempo, de volta às montanhas nevadas, dessa vez na Brooks Range, no norte do Alaska
Depois de tanto tempo, de volta às montanhas nevadas, dessa vez na Brooks Range, no norte do Alaska
O que começa do lado de lá também é a tundra, essa vegetação que tanto estudei nas minhas aulas de geografia, lá na 7ª série. Típica da Sibéria e do norte do norte do Canadá. Tínhamos de ver isso também! Então, ficou assim: vamos até o Atigun Pass, descemos do lado de lá e damos uma olhada na tundra.
Aproximando-se do Atigun Pass, na Dalton Highway, Brooks Range, no norte do Alaska
Muita neve no Atigun Pass, ponto mais alto da Dalton Highway, com 1450 metros, na Brooks range, no norte do Alaska
Só faltou o esforço de seguir até o final da estrada, em Prudhoe Bay. O grande atrativo de chegar até lá seria ver o Oceano Ártico (quem sabe, dar um tchibum, hehehe). Mas, infelizmente, não se chega até lá. A estrada é fechada à particulares 15 milhas antes do Oceano. Toda a área pertence a uma grande empresa petrolífera. Temos de deixar o carro num estacionamento e pagar 50 dólares por cabeça para fazer um passeio de ônibus pelas instalações e até o mar. E o passeio tem de ser reservado com antecedência. Chateação! Além disso, segundo disseram, os últimos 200 km de estrada atravessando a tundra são, basicamente, iguais. Então, o Oceano Ártico ficou para uma outra vez e nós economizamos 400 km de estradas encascalhadas, além dos 100 dólares.
Brincando com a neve no Atigun Pass, 1.450 metros de altitude, 8 graus negativos de temperatura e 68 graus de latitude norte, na Dalton Highway, no norte do Alaska
Brincando com a neve no Atigun Pass, 1.450 metros de altitude, 8 graus negativos de temperatura e 68 graus de latitude norte, na Dalton Highway, no norte do Alaska
Partimos pela manhã e logo estávamos na charmosa Wiseman. Casinhas de madeira, muita vegetação, visual bucólico, tudo atraente. Tem até uma pousadinha. Nessa época do ano, parece ser uma delícia. O duro deve ser os três meses no escuro, a menos 30 graus. Que dureza! Bem que a maioria das suas poucas dezenas de habitantes só fique por lá três ou quatro meses por ano.
Muita neve no Atigun Pass, ponto mais alto da Dalton Highway, com 1450 metros, na Brooks range, no norte do Alaska
Área segura contra as constantes avalanches no Atigun Pass, 1.450 metros de altitude, 8 graus negativos de temperatura e 68 graus de latitude norte, na Dalton Highway, no norte do Alaska
Pouco depois, já passávamos pela montanha com o lago e, mais um pouco, pela última árvore. Daqui para frente, são tão poucas horas de luz por ano que nem uma árvore consegue crescer. Frio, pouca água, vento, com isso elas conseguem lidar. Mas ausência de luz, aí já é demais... Apenas gramíneas e arbustos conseguem sobreviver a estas condições extremas.
dirigindo em plena tundra, na Dalton Highway, no norte do Alaska
Chegamos então à cadeia de montanhas conhecida como Brooks range, já coberta de neve. A estrada sobre a quase 1.450 metros para atravessá-la, na tal Atigun Pass. Como disse o camioneiro, com certeza esse foi o ponto alto da rodovia, nos dois sentidos!. Uma beleza e grandiosidade de perder o fôlego.
A Ana preparando o nosso almoço na Dalton Highway, no norte do Alaska
Nós enfrentamos o frio de 8 graus negativos e saímos para brincar com a neve. Apesar de já estramos viajando a mais de 800 dias, não é muito comum para nós cruzarmos montanhas nevadas. Então, quando nos deparamos com uma, é sempre a maior alegria e farra. Acho que visual parecido com esse, com a Fiona, a última vez foi lá nos Andes, fronteira de Argentina e Chile, há mais de um ano.
Latitude 68,5 graus, o ponto mais ao norte atingido pela Fiona nos 1000dias (na Dalton Highway, no norte do Alaska)
Chegamos pertinho da Ásia e da Rússia na Dalton Highway, no norte do Alaska. Que vontade de continuar...
Descemos então na famosa tundra. Finalmente, a imagem que eu sempre tive do Alaska, dos documentários que via na TV. Um enorme espaço vazio, cercado por montanhas ao longe. Visual magnífico! Vegetação meio avermelhada, em forte e belo contraste com o branco das montanhas nevadas. Aqui e ali, um lago para adicionar ainda mais beleza naquela paisagem inóspita e selvagem. Aqui é o Alaska do Alaska!
Deixando a nossa marca na latitude 68,5, na Dalton Highway, no norte do Alaska
A magnífica paisagem polar da tundra, na Dalton Highway, no norte do Alaska
Não sabíamos até onde ir e de onde voltar. Qual seria o “turning ponit” da viagem? Foi dando um nó na garganta, vontade de seguir, seguir, seguir. Por fim, decidimos que o limite seria a marca dos 68,5 graus de latitude norte, quase a mesma em que estivemos na Groelândia. A Fiona queria, a todo custo, seguir adiante, quem sabe até os 70 graus (a Ana diz que a Fiona é meu alter ego, hehehe). Mas, não, estava na hora de voltar. Chega de norte, daqui para frente, nosso rumo é o sul e o objetivo é a Terra do Fogo. Brincando com as palavras, o sul passa a ser o nosso norte.
Muito feliz dentro do ar quente da Fiona, depois de atingirmos o ponto mais ao norte da expedição 1000dias no Alaska
Muito feliz dentro do ar quente da Fiona, depois de atingirmos o ponto mais ao norte da expedição 1000dias no Alaska
Bem na hora da virada, um pequeno zoom out no nosso GPS e a gente tem a clara visão de até onde chegamos. A Rússia está logo ali, muito perto de nós! Se houvesse uma ponte, um jeito de passar, acho que naquele momento, nós teríamos continuado. O nome do projeto teria de mudar, pois voltaríamos para casa pela Ásia, Europa e África. Putz... Confesso a vocês, foi triste fazer a volta e voltar...
O Polo Norte fica para trás. Agora, rumo ao Polo Sul! (na dalton Highway, no norte do Alaska)
Enfim, a vida e a viagem continuam! O caminho de volta até Coldfoot foi tão belo como o de ida. Na restaurante onde nos esbaldamos no jantar de ontem, hoje foi a vez do almoço. Pratos de camioneiro novamente. Uma delícia! Um banquete!
A deliciosa e revigorante "comida de camioneiro", em Coldfoot, na Dalton Highway, no norte do Alaska
Depois, seguimos até Yukon Crossing, passando pela “pedra do mamute” que tinha me emocionado ontem. Estava linda como nunca, soberana como sempre, senhora absoluta daquela vastidão desde a época em que os gigantescos primos peludos dos elefantes ainda frequentavam a área. Hoje de noite, no nosso alojamento aqui do lado do maior rio do Alaska, não vai faltar assunto para meus sonhos. Aurora, mamute, Rússia, tundra, Polo Norte, neve, vai ser uma confusão...
De volta à "pedra dos mamutes", na dalton Highway, norte do Alaska
Remando ao lado de uma grande geleira em Brown Bluff, na Antártida
Em 1520 o navegador português Fernão de Magalhães cruzou o estreito que hoje leva seu nome e que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, no extremo sul da América do Sul. Essa passagem fica entre o continente e a Terra do Fogo, uma grande ilha ao sul da América. Por quase um século ninguém sabia o que havia ao sul da Terra do Fogo e nem mesmo se ela era apenas uma ilha ou se o continente continuava mais abaixo. Até que, em 1616, o navegador holandês Willem Schouten liderou uma expedição ao sul da Terra do Fogo, o primeiro a passar pelo famoso Cabo Horn, ponto extremo das Américas. Daí para a Antártida eram apenas outros meros 800 km. Para quem já circunavegava o mundo naquela época, não parece muito. Mas foram precisos ainda outros 2 séculos até que alguém chegasse ao último continente.
Pinguins sobre um iceberg em Brown Bluff, na Antártida
Remando em frente ao cenário imponente de Brown Bluff, na Antártida continental
Quem chegou mais perto de descobrir a Antártida antes disso foi um dos maiores navegadores de todos os tempos, o inglês James Cook. Em 1773, com dois navios, ele deu toda a volta na Antártida, chegando a cruzar por três vezes o Círculo Polar e a se aproximar a menos de 120 km do continente. Mas o tempo rigoroso e os icebergs no mar o impediram de ir mais ao sul e ele não chegou a ver a Antártida. O continente polar continuaria a ser apenas uma lenda até o séc. XIX.
A Ana rema em Brown Bluff, na Antártida
Caiaque em Brown Bluff, na Antártida
Foi em 1819 que as ilhas do arquipélago de South Shetland, já ao lado da península antártica, foram descobertas. Finalmente, um ano mais tarde, em um intervalo de poucos dias, navegantes de duas nações, Rússia e Inglaterra, avistaram as terras do próprio continente. Estava descoberta a Antártida! O primeiro teria sido o capitão russo Von Bellingshausen, em Fevereiro de 1820, 300 anos depois da histórica viagem de Fernão de Magalhães.
O cenário imponente de Brown Bluff, na Antártida continental
Gelo e pedra se misturam em Brown Bluff, na Antártida
Remando ao lado de uma grande geleira em Brown Bluff, na Antártida
E hoje, outros 193 anos mais tarde, foi a nossa vez de avistar as terras do continente antártico pela primeira vez. Depois de muito navegar e desembarcar pelas ilhas de South Shetland, após uma maravilhoso e inesquecível caiaque em Kinnes Cove, finalmente ali estava, diante dos nossos olhos, os penhascos gelados que marcam a ponta da península antártica. Bastou ver o porte dessas enormes falésias e também das geleiras ao seu redor para termos certeza: aquilo não era mais uma ilha, estávamos diante de um continente!
Nosso roteiro e pontos de parada na região da Península Antártica
Nosso grupo faz caiaque ao lado de uma grande parede de gelo em Brown Bluff, na Antártida
A emoção tomou conta dos passageiros do Sea Spirit, mas nós, do pequeno grupo do caiaque, não iríamos diretamente para o tão sonhado desembarque em terras antárticas. Não! Iríamos aproveitar a oportunidade para mais uma sessão de caiaque, a última dessa nossa viagem pelos mares e terras do sul. Tínhamos de segurar nossas ansiedade por mais uma hora ou duas.
Fazendo caiaque ao lado de uma imponente parede de gelo em Brown Bluff, na Antártida
Caiaque em Brown Bluff, na Antártida continental
Remando ao lado das peredes monumentais de gelo de uma geleira em Brown Bluff, na Antártida
Há poucas centenas de metros da terra firme, fomos remar ao lado das imponentes paredes de gelo de uma gigantesca geleira que nasce nas terras altas da península antártica. A visão era de perder o fôlego. O poder que emana dessas paredes de gelo nos faz sentir minúsculas formigas em um universo infinito. Ainda mais impressionante que sua altura era sua extensão: literalmente a perder de vista!
Fazendo caiaque ao lado de uma imponente parede de gelo em Brown Bluff, na Antártida
Caverna de gelo em geleira em Brown Bluff, na Antártida
Nós remamos ao longo da parede, por quase uma hora. Testando os limites dados pela nossa guia, a gente se aproximava mais ou menos da massa de gelo. Quanto mais perto, mais noção tínhamos de sua imponência ou altura. Talvez 40, 50 metros de altura, em média, com algumas pontas indo bem além disso. Em alguns lugares, cavernas de gelo se formavam em sua base e a vontade era se aproximar ainda mais. Acho que era o espírito explorador de Magalhães, Drake e Cook que ainda corre em nossas veias...
Remando ao lado das peredes monumentais de gelo de uma geleira em Brown Bluff, na Antártida
Caverna de gelo em geleira em Brown Bluff, na Antártida
Uma dessas cavernas era tão perfeita e tão ampla que exalava um falso senso de segurança. Eu quase conseguia ver uma placa ali com os dizeres: “Seja bem vindo!”. Eu até brinquei com a Val sobre a tal placa. Ela riu, quase se convenceu, mas a responsabilidade falou mais alto e nós não fomos lá dentro. Mas a imagem das ondas batendo em seu interior todo de gelo, quase uma caverna de cristal, não sairão mais da minha mente.
Uma foca tenta localizar pinguins na região de Brown Bluff, na Antártida
Com muito estilo, pinguins adelie se atiram no mar na região de Brown Bluff, na Antártida
E assim foi nosso último caiaque aqui no sul, dessa vez no próprio continente. Certamente, o mais imponente de todos. Dessa vez, a beleza e a emoção estavam apenas no gelo e não nos animais que vivem por aqui. Em compensação, para os outros passageiros que seguiram diretamente para terra firme nos zodiacs, a história foi outra. Passaram longe dessa parede gigantesca de gelo, mas ao lado de pequenos icebergs e blocos de gelo. E ali testemunharam parte do drama diário de focas e pinguins. Uma grande foca caçava as pequenas aves e, com sua cabeça fora da água, tentava localizá-los encima do gelo flutuante. Já os pinguins, precavidos, pensavam duas vezes antes de se atirar no mar. E quando o faziam, era em grande estilo: pulos de ponta, ao estilo dos campeões olímpicos! Ou então, como flechas, voam para fora d’água aproveitando a grande velocidade com que conseguem nadar e, assim atingir os andares mais altos do pequeno iceberg onde já descansam, seguros, seus companheiros. Este show, perdemos. Mas as fotos contam bem a história.
Com muito estilo, pinguins adelie se atiram no mar na região de Brown Bluff, na Antártida (foto de Steve Denver)
Pinguins adelie saltam da água para o alto de icebergs na região de Brown Bluff, na Antártida
A maior colônia de albatrozes-de-sobrancelha do mundo, em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Enfim, tiramos nossas fotos de todas essas aves, divertimo-nos com os sempre engraçados pinguins, principalmente quando caminham, e seguimos para nosso principal objetivo nesse desembarque: a gigantesca colônia de albatrozes. Mas para chegar até lá, tínhamos uma caminhada pela frente. Caminhada toda já marcada com as tais bandeirinhas sinalizadoras para evitarmos pisar fora da trilha.
Caminhada rumo à colônia de albatrozes em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Chegando à colônia de albatrozes em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
A vegetação de Steeple Jason, e de forma geral de todo o arquipélago, é muito frágil, já tendo que aguentar condições extremas de temperatura ao longo de todo o ano. Muito vento, chuva e neve e temperaturas que oscilam tremendamente ao longo do mesmo dia criaram um ambiente sem árvores, apenas fungos, liquens, gramíneas e arbustos. Aí vivem e dele dependem vários tipos de aves, como os gansos que não voam. Destruir a vegetação, mesmo que seja apenas caminhando sobre ela, vai afetar muito mais do que simplesmente aquela grama ou arbusto que você danificou. Temos de lembrar que não são apenas os passageiros do Sea Spirit a passar por lá, mas de dezenas de outros navios. A vantagem que temos é que somos o primeiro barco da temporada e todos os lugares que passamos ou vamos passar estão com essa aparência quase virgem, pois desde a última temporada que não passam turistas por aqui. De qualquer maneira, temos de cuidar para que o ecossistema se afete ao mínimo com nossa passagem por aqui.
O Brian e sua pequena máquina fotográfica em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Visita à maior colônia de albatrozes-de-sobrancelha do mundo, em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Hoje são muito mais pessoas a visitar essas ilhas isoladas do que éramos há um século. Mas, seguindo os cuidados e regras, temos sido bem menos danosos também. Há 150 anos, por exemplo, houve uma “exploração” dos pinguins das Jason islands. Em apenas dois anos, mais de 2 milhões deles foram mortos e cozinhados, para extração de óleo. Felizmente, essa prática semibárbara ficou para trás. Já faz mais de uma década que toda a ilha de Steeple Jason foi comprada por um milionário americano que a doou para um instituto de defesa da vida animal. Por isso vemos as aves tão tranquilas por aqui. A única coisa que causa um certo distúrbio no seu ecossistema são esses estranhos seres amarelos que vem aos milhares durante o verão para chegar perto deles par observar e tirar fotos. Somos quase todos “amarelos” pois essa é a cor da nossa “parka”, nome dado a espessa jaqueta que nos é presenteada no navio. Além de servir para nos proteger do frio, com essa cor “forte”, ajuda também os guias a nos vigiar de longe. Mas há espaço também para aqueles que gostam de se sentir diferentes. Eu, por exemplo, sempre que posso, prefiro minha jaqueta azul. Primeiro, pela história e conforto dela. Segundo, exatamente para não ser igual a todo mundo. Sou a ovelha azul no rebanho amarelo, hehehe. Freud explica...
Os passageiros do Sea Spirit observam a maior colonia mundial de albatrz-de-sobrancelha, em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Seliverstov)
Com tantos pássaros a sua volta, o Jim, ornitologista do Sea Spirit, só poderia estar sorrindo! (em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas)
Visita à maior colônia de albatrozes-de-sobrancelha do mundo, em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Enfim, tivemos a chance de caminhar um pouco, com o devido cuidado, por essa paisagem magnífica da ilha, exatamente como eu imaginava que seria as ilhas Malvinas. Vento, muitas colinas, algumas escarpas e sensação de isolamento, A falta de árvores nos ajuda a ver longe e, para onde olhamos, não há sinal de civilização. Apenas a natureza. A natureza e as “ovelhas amarelas”, ou pinguins amarelos, como é o jeito que nos denominamos, andando sempre em fila, como eles. Para fugir disso, basta andar na frente ou olhar para o outro lado, hehehe. Mas a preocupação com os pinguins amarelos acaba quando viramos a curva e damos de frente com um verdadeiro mar de albatrozes, nossos olhos e ouvidos tomados pela visão e audição de uma cena quase bíblica.
A Ana fotografa a maior colônia do mundo de albatroz-de-sobrancelha em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas (foto de Jeff Orlowski)
A maior colônia de albatrozes-de-sobrancelha do mundo, em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
São mais de 200 mil deles, até onde a vista alcança. Os albatrozes-de sobrancelha são a espécie mais comum desse tipo de ave e aqui é seu principal lar. O nome da espécie certamente vem dos olhos marcados, quase como se tivessem feiro uma maquiagem “matadora” para sair de noite e achar um parceiro. Chegam a ter cara de mal. Mas não são. Ao contrário, são extremamente graciosos no ar, sua envergadura uma das maiores do mundo, perdendo apenas para outras espécies de albatrozes. E em terra, nos poucos meses que moram por aqui, estão apenas preocupados em defender seus ovos e seus espaço.
Um albatroz-de-sobrancelha toma conta de seu ovo em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas (foto de Melissa Bartlett)
Um albatroz-de-sobrancelha choca seu ovo em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
O engraçado é que, entre eles, numa mostra clara de cooperação, vive um outro tipo de pinguim, bem menor que os gentoo. São os “Rockhoppers”, ou “saltadores de pedras”. O nome vem justamente daí. Enquanto outras espécies de pinguins preferem dar a volta em obstáculos como pequenas pedras e buracos, os rockhoppers não se intimidam e logo arriscam seu saltos. Se já são desajeitados caminhando, imagina pulando! Enfim, eles não parecem ter esse inútil senso de ridículo que nós temos, e pulam mesmo. Umas fofuras, na falta de melhor palavra!
Pinguins rockhopper caminham tranquilamente em meio à colônia de albatrozes em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Pinguins rockhopper em meio à colônia de albatrozes em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Pois bem, medindo apenas 50 cm e pesando 3 kg, eles são muito mais vulneráveis aos ataques de aves de rapina. Mas não aqui, no meio dos barulhentos, mas pacíficos albatrozes. E estes parecem apreciar sua companhia também, mais um par de olhos para proteger seu espaço e ovos. Os rockhoppers se caracterizam por umas penas, ou penacho amarelo na altura da sobrancelha. Também ficam com uma cara de mal, assim como os albatrozes. As vezes, é até por isso que combinam, hehehe. Numa primeira olhada, parece que as penas amarelas são seus olhos. Mas, na verdade, os olhos estão um pouco abaixo e tem coloração avermelhada. Quando fitamos os olhos de verdade, eles até parecem mais simpáticos. Quando fitamos as penas amarelas, aí parecem vilões. Ou que fazem parte de alguma banda de rock heavymetal!
Um dos pássaros com maior envergadura de asas do mundo, um albatroz-de-sobrancelha voa sobre sua colônia, em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Um dos pássaros com maior envergadura de asas do mundo, um albatroz-de-sobrancelha voa sobre sua colônia, em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
O “black-browed albatroz” (nome em inglês) mede cerca de 90 cm de altura, mas tem uma envergadura de asas que chega aos 2,4 metros. Seu peso não chega aos 5 kg e ele vive quase 70 anos. Eles vivem em várias ilhas ao redor da Antártida, nos três oceanos, mas a maioria está aqui, nas Malvinas, em Steeple Island. Pelo menos na estação da reprodução. Senão, o seu ambiente é mesmo o mar aberto, onde acham a sua comida, frutos do mar em geral. Voltam à terra firme para se reproduzir e o casal se reveza para chocar o ovo da família. Serão 70 dias de encubação e depois, mais quatro meses até que o filhote aprenda a voar e tomar conta de si. Essa filhote retornará a colônia onde nasceu depois de dois ou três anos, para começar a praticar o namoro. Mas só estará realmente apto ao acasalamento depois de 10 anos.
Casal de albatrozes-de-sobrancelha em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Um casal de albatrozes troca carinhos em sua colônia em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Bom, aí ficamos, ao lado desse gigantesca colônia, observando, aprendendo e nos divertindo com os hábitos dessa lindas aves. O Jim respondia nossas perguntas e nos apontava coisas interessantes, ele mesmo felicíssimo de estar ali e podendo observar essa verdadeira maravilha da natureza. A soma dos barulhos é incrível, uma intensa comunicação entre eles, sempre dizendo: “Ei, chega para lá! Esse lugar é meu! Você viu minha esposa por aí? Não vem que não tem!”. Enfim, ao mesmo tempo que percebemos a tensão entre vizinhos, o carinho e confiança entre o casal também é explícito. E a fila de pinguins rockhoppers andando no meio essa confusão geral é hilária!
Albatrozes-de-sobrancelha descansam em sua colônia em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Um albatroz-de-sobrancelha emite um som estridente em sua colônia em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Por fim, era hora de partirmos, muita coisa nos esperando pela frente, Isso foi apenas o começo. Um começo com chave de ouro, com tantos pinguins, caracarás e, principalmente, albatrozes. Todo mundo de volta para o barco onde um reconfortante chá quente nos espera. Depois, temos o almoço enquanto navegamos para a próxima ilha, Carcass Island.
Depois do passeio no frio da ilha de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas, um chá quente a bordo do Sea Spirit
Praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia
Hoje, foi só o tempo de nos despedirmos da Tuquinha e do Klayvan, tirarmos algumas fotos de Itaúnas e já estávamos na estrada rumo à Bahia! Finalmente, o Sudeste ficou para trás e entramos na região Nordeste. Exatamente no dia 200 da nossa jornada.
O enorme tronco na praça central de Itaúnas - ES
Primeira parada: a praia de Costa Dourada, uma das primeiras do estado. Mesmo num dia como hoje, totalmente nublado, a praia é linda. Enormes falésias coloridas, mas aonde predomina o tom alaranjado, dão nome à esta praia. Uma verdadeira muralha que chega aos 10 metros em alguns pontos, vista do mar quando o sol ainda está baixo e incidindo quase que frontalmente parece dourada aos olhos dos marinheiros distantes. Na maré alta, o mar chega até as falésias, mas na maré baixa uma faixa de areia aparece, cor amarelada. O visual é mesmo lindo.
Falésias coloridas na praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia
Havia muito tempo que não vinha aqui. Antes, era uma praia bem isolada. Hoje, são mais de dez pousadas e muitas casas em volta. Uma vila, praticamente. Ouço que, no verão, são centenas de pessoas na praia. Difícil imaginar... Hoje, além de mim e da Ana, apenas três meninas se banhavam no mar.
No alto das falésias na praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia
De lá para o asfalto da BR-101. No caminho, uma parada nas plantações de eucaliptos. Algumas em fase de colheita, outras ainda inteiras, emprestando um certo clima da Bruxa de Blair ao sul da Bahia. É incrível como a monocultura do eucalipto está cada vez mais dominante por aqui. Quando vemos um coqueiral, é até emocionante! Também seria injusto em não reconhecer que há trechos de mata nativa protegidos, aqui e ali. Fazem um bem danado aos olhos e aos pulmões...
Clima de Bruxa de Blair em plantação de Eucaliptos próximo à Costa Dourada, extremo sul da Bahia
Chegando ao asfalto, empinamos o nariz rumo ao norte. Próxima parada: a cidade de Caravelas, principal ponto de partida para o arquipélago de Abrolhos. É para lá que nós vamos, amanhã, em busca de baleias, naufrágios e muitos peixes e corais. Esta época do ano não é a de melhor visibilidade embaixo d'água, mas é a melhor em cima, para se avistar nossos amigos cetáceos. Nossa ansiedade é enorme!
Colheita de eucaliptos, próximo à Costa Dourada - BA
O tempo parece que vai ser bom. Pelo menos, melhor do que tem sido. Vamos num barco grande, que acomoda umas 15 pessoas. Saímos amanhã bem cedo com retorno previsto para domingo de tarde. Aparentemente, sem muita chance de nos comunicar pela internet. Portanto, não estranhem um silêncio dos blogs nos próximos dias. Certamente, voltaremos com muitas histórias e fotos, de cima e de baixo da água (serão 11 mergulhos!). Todos ao mar!
Praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia
Show da orca
Após acordarmos mais tarde que o usual, voltamos à tarefa de colocar todas as coisas em dia. De pouco em pouco, chegamos lá. Depois, fomos relaxar na piscina do condomínio, aproveitando a bela vista da praia e do mar esmeralda. Aproveitamos para lanchar por lá e nos divertir com uma piscina tão gostosa, cheia de regras e informações. Faça isso, não faça aquilo, proibido isso e aquilo, cuidado com aquilo e isso. Rules, rules, rules. Por isso que o país é tão bem organizado. Mas também é por isso que eles não tem o jogo de cintura dos brasileiros, principalmente para situações imprevistas. Rules, rules, rules... tem suas vantagens e suas desvantagens...
De tarde, no carro do Marcelo, fomos ao Seaquarium, aqui pertinho. Assistimos a shows de golfinhos, leões marinhos e de uma Orca. Típíco programa americano, que eu só conhecia por TV. Foi legal rever o Flipper, aquele golfinho da série de TV dos anos 60-70. Será que é ele mesmo? Quantos anos vive um golfinho? Mesmo na dúvida, prestei minhas reverências.
Show de golfinhos
Não sei quanto vive um golfinho, mas um manatee (parente do peixe-boi) vive bastante. Tem um no aquário desde 1959!!! Ô lôco! É bem interessante ver todos esses bichos, mas dá uma pena danada de ver eles presos. principalmente por tanto tempo. Por maiores que sejam as piscinas e os tanques, para eles é muito pequeno, com certeza. Principalmente por tanto tempo.
A última atração foi o show da Orca. Que animal maravilhoso! Depois da tragédia em Orlando, quando uma delas liquidou com sua treinadora, tenho certeza que a popularidade desses shows aumentou bastante. Mas, incrível, pelo menos para mim esses animais continuam sem meter medo. Não pensaria duas vezes em pular no tanque, se deixassem. Parecem tão inteligentes e pacíficos. Bom, nem tanto...
É muito interessante ver as performances dos animais mas, ao mesmo tempo, vê-los sendo alimentados a cada truque me parece bem estranho. Eles estão sendo nitidamente comprados, ou subornados. Ou pior, chantegeados. Algo aí fere a minha dignidade. Mas não a dos animais. Exceto, talvez, daquela Orca de Orlando. Por falar na Orca, haja peixe para recompensá-la. Parece que ela ouvia esses meus pensamentos profundos, durante o seu show. E assim, talvez para me acordar dos meus devaneios, bem no finalzinho, ela deu uma salto estratégico que deixou eu e a Ana encharcados em água gelada e salgada, para alegria do resto da plateia. E da Orca também, que ainda deu um sorriso maroto para nós. Isso, ninguém viu, só eu, ainda num instante final antes de despertar de forma tão abrupta pela água gelada.
Show dos leões marinhos
Faço uma homenagem ainda às treinadoras que tão diligentemente interagem com esses gigantes, ao mesmo tempo aproveitando a sua sorte e arriscando suas vidas. Parece que fazem aquilo que mais gostam: curtir esse animais incríveis e inteligentes.
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