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Juliana (04/01)
Bom dia! Meu nome é Juliana, vi todas as fotos de Ilha Grande RJ, no di...
Lurdes (03/01)
Jan Pierre Martins (03/01)
Muito fascinante a matéria, parabéns! Fiquei boquiaberto com as histór...
joselito (03/01)
da inveja as vezes ver tanta coisas maravilhosas... boa sorte pra voces.....
Marcelo Caitano (03/01)
Rodrigo e Ana, Muuuito bacana seus comentários e fotos> Sou de São Pau...
Mergulhando nas piscinas naturais da Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA
Em muitas das infindáveis listas de praias mais bonitas do Brasil que vivem saindo nas revistas e guias de turismo aparece o nome de Taipus de Fora. Essa praia, cinco quilômetros ao sul de Barra Grande, é realmente muito linda. Uma longa faixa de areias brancas, ladeadas de centenas de coqueiros e o mar esmeralda logo em frente. O arquétipo de praia tropical. Como ela, há dezenas por aqui. Algo mais a diferencia das outras...
Piscina natural na Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA
O que a torna especial é o que ocorre na maré baixa. Um recife a cem metros da praia represa a água do mar formando uma longa piscina de quase um quilômetro de comprimento, cem metros de largura e uma profundidade que chega aos quato metros. A piscina fica repleta de peixes e outras criaturas marinhas, como peixes e crustáceos. E fazem a festa dos turistas que, ao contrário de outros lugares do nosso litoral, só tem de dar alguns passos para entrar no aquário, ao invés de ter de pegar uma jangada mar adentro por alguns quilômetros.
Admirando a piscina natural em Taipus de Fora, Barra Grande - BA
Nas marés grandes (lua nova e lua cheia), os turistas vem de longe, chegando bem na hora da maré mais baixa. No nosso caso, foi às 8 da manhã. A lua não estava tão favorável, mas mesmo assim estava muito jóia. Passamos uma hora mergulhando por entre os corais, nos divertindo com peixes, lagartas e passagens estreitas. A temperatura da água ajuda muito e não sentimos nenhum frio, vestindo apenas roupa de banho. Já levamos nossas máscaras e nadadeiras, mas é possível alugar isso tudo bem em frente à piscina, onde há bares e ambulantes. Até mesmo material para mergulhos autônomos e noturnos.
Mergulhando nas piscinas naturais da Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA
Como estamos num dia de semana e fora das férias, não havia muito movimento. Quem estava lá era os nossos amigos do passeio de barco, os mineiros cantores e o simpático casal baiano. Depois do mergulho, uma confraternização ao redor de uma mesa com cerveja e mais uma despedida. Foi ótimo ter estado com todos eles e talvez ainda encontremos os mineiros em Morro. Tomara!
Nossos amigos mineiros e baianos na Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA
Já tínhamos ido para lá com mala e cuia e seguimos a península para o sul, em direção às lagoas. Apesar de bem estreita a Península do Maraú tem várias lagoas de água doce e lanolina, que lhe conferem uma cor bem escura, quase negra. O contraste com o mar esverdeado é evidente. Vendo de cima, as duas águas tão próximas e tão diferentes, fica muito lindo!
A lagoa Casange, na Península do Maraú - BA
As duas lagoas principais são a Lagoa Azul (que de azul não tem nada!) e a Cassange, muito maior. Através de trilhas entre coqueirais e sobre bastante areia fofa, a Fiona nos levou até ela. Na Cassange, aproveitamos para tomar um belo banho de água doce e tratar os cabelos. Afinal, lanolina é matéria-prima de shampoos! Nossos cabelos saíram soltinhos lá de dentro.
A lagoa Casange, na Península do Maraú - BA
Frescos de água doce, seguimos em frente pois o dia estava apenas começando...
Explorando a Península do Maraú - BA
A Ana e seus sogros, o Joca e a Ixa, chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai
Enquanto eu crescia, nas décadas de 70 e início dos 80, o nome “Punta” só podia significar uma coisa: o sofisticado balneário uruguaio de Punta del Este. Nas enormes fotos da revista Manchete, lá estavam chiques e famosos se divertindo em festas ou iates na concorrida cidade uruguaia. Isso foi muito tempo antes da Ilha de Caras ou da outra “Punta” famosa que apareceu nos anos 90 e que hoje atrai muito mais turistas que sua homônima, Punta Cana, na República Dominicana (estivemos lá também nesses 1000dias. Veja o post aqui).
A Ana e seus sogros, o Joca e a Ixa, chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai
Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Mas a concorrência internacional não tirou o Ímpeto dos turistas em viajar para lá. Punta del Este pode já não ter o mesmo glamour de outrora, mas a cada verão, suas praias e discotecas se enchem novamente. A população que realmente vive em Punta o ano todo é de 10 mil pessoas, mas o número de casas e apartamentos na cidade é quase três vezes maior. São das pessoas que moram em Montevideo e, principalmente, na Argentina, e voltam a cada temporada. No auge do verão, são cerca de 400 mil pessoas na cidade, não só naquelas casas de veraneio, mas também na extensa rede hoteleira e, claro, aqueles tantos que vêm apenas para passar o dia e retornar às suas cidades de origem ou gigantescos navios-cruzeiro.
Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Navio-cruzeiro ancorado nas águas tranquilas de Punta del Este, no litoral do Uruguai
A nacionalidade da maioria dos turistas é argentina. Na temporada de 2011, por exemplo, foram 1,25 milhões de hermanos. Em segundo lugar estamos nós, brasileiros. Naquele mesmo ano, foram pouco mais de 300 mil brazucas, à frente dos 60 mil americanos e 100 mil europeus. Esse número representa apenas aqueles que, de alguma maneira, passaram pelos registros da cidade, como hotéis, aeroporto, rodoviária e marina. Nós, por exemplo, vindos de Fiona e apenas de passagem, não estaríamos nessas estatísticas.
Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai
A famosa Punta del Este, no litoral do Uruguai, é uma pequena península de menos de 4 km que se projeta para o sul sobre o Oceano Atlântico. Nós demos a volta na península, entrando pela Playa Mansa e saindo pela Playa Brava
Punta del este é uma pequena e estreita península que se projeta para o sul, sobre o Oceano Atlântico. Tem um pouco menos de quatro quilômetros de extensão e apenas alguns quarteirões de largura. De um lado, onde está a concorrida Playa Brava, o mar aberto, o Oceano Atlântico. Para o outro lado, na tranquila Playa Mansa, está o estuário do Rio da Prata e o continente. Aliás, na opinião de uruguaios e argentinos, Punta del Leste marca o fim do rio e o início do mar. Mas as fotos de satélite e as medições de salinidade da água não parecem concordar com isso. Na verdade, já seria na altura de Montevideo essa transição entre rio e oceano.
Foto de satélite do estuário do Rio da Prata, desde seu início, no delta do rio Paraná, até sua foz. Para alguns, ele termina na altura de Montevideo. Para outros o final do rio é mais adiante, em Punta del este
Foto de satélite mostra bem a diferença da cor da água na altura de Buenos Aires (Rio da Prata), Montevideo (transição) e Punta del Este (oceano)
O turismo nesse lugar idílico, uma península de areias brancas entre o rio e o mar, já é centenário. O primeiro hotel é de 1889 e os primeiros veranistas chegaram de barco em 1907, vindos de Montevideo, mas cheio de... argentinos! Já naquela época, a aspiração era fazer de Punta uma espécie de Biarritz, o famoso balneário francês. Desde então, afama e a popularidade não pararam mais de aumentar. A luz elétrica chegou em 1916 e o hotel mais tradicional da península, o San Rafael, ficou pronto em 1948.
Parte da skyline de Punta del Este, no litoral do Uruguai
A movimentada marina de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Para o lado do rio e do continente, as águas são calmas e as praias são as preferidas das famílias. Aí também estão a movimentada marina do balneário e a ilha Gorriti, a preferida dos iates. Do outro lado, o do oceano, a Playa Brava, com muitas ondas e a preferida de jovens e surfistas. É aí que foi inaugurada, em 1981, a escultura que se tornou o cartão postal mais famoso da cidade e do país. Foi durante um concurso promovido pela prefeitura que o chileno Mario Irarrázabal idealizou e construiu uma mão gigantesca, parcialmente coberta pela areia da praia, onde apenas os dedos aparecem. Parece até o último suspiro de alguém que se afoga no mar. Pois essa era mesmo a sua intenção, alertar os banhistas dos perigos da Playa Brava. A escultura caiu nos amores da cidade e nunca mais foi desmontada, a imagem mais conhecida de Punta del Este pelos quatro cantos do mundo, sendo fotografada, literalmente, milhões de vezes a cada verão.
Caminhando na orla de Punta del Este, no litoral do Uruguai, próximo à área de sua marina
Programação de shows em Punta del Este, no litoral do Uruguai. Quem diria, hein Ricky? Do lado do Michel Teló...
Punta del Este não é o tipo de cidade que mais nos atrai. Talvez há 100 anos, mas não como é hoje. Praia por praia, há outras bem mais interessantes na costa leste do país. Baladas caras não são o nosso forte, ainda mais acompanhados de meus pais. Lojas de marca, e elas não faltam na cidade, nunca foram meu estilo, ainda mais durante os 1000dias, onde temos tão poucos compromissos sociais. Shows de Ricky Martin e Michel Teló, definitivamente, não nos atraem. De qualquer maneira, com a fama que tem e a beleza inegável de sua natureza, ela não poderia estar de fora do nosso roteiro. Então, programamos uma rápida passagem por aqui, um almoço para aproveitar os excelentes restaurantes disponíveis e uma tarde para ver de perto suas praias e avenidas.
Viajantes overlanders alemães acampados na proximidade de Punta del Este, no litoral do Uruguai
A movimentada marina de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Como disse, a cidade é bem pequena e, de carro, podemos dar a volta nela, com paradas para fotos, em menos de uma hora. Nós chegamos do lado oeste, aquele das águas mais tranquilas, e logo paramos nas praias mais afastadas. Dali se podia ver a península com perfeição, além da ilha Gorriti. Na baía plácida descansava um dos enormes navios-cruzeiro que chegam à cidade diariamente. Na praia, acampados e tranquilos, jogando baralho, uma família de alemães e seu enorme carro, quase um caminhão, com que viajam pelo mundo. Muito bem instalados, bela vista e sem ter de pagar nada. Nessa época do ano, a acomodação na cidade é bem cara e uma opção mais em conta é hospedar-se na cidade de Maldonado, bem maior e com mais infraestrutura. Mas quem ficar aí vai estar meio longe do agito.
Playa Brava, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
Surfistas pegam suas ondas na PLaya Brava, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
Em Punta del Este, no litoral do Uruguai, homenagem aos 60 anos da Batalha de Punta del Este (ou do Rio da Prata), o primeiro grande enfrentamento de navios de guerra alemães e britânicos, que terminou com o afundamento do famoso Graf Spee
Depois dessa primeira parada estratégica, fomos para a península propriamente dita. Entramos pela tranquila Playa Mansa e chegamos até a marina repleta de iates. Aí, mais um tempo para caminhada e fotos. Depois, no carro outra vez, para dar a volta na península e chegar ao lado do oceano. Realmente, a diferença na agitação da água é gritante. Antes de chegarmos à Playa Brava, anda demos uma parada em um monumento que marca uma passagem no mínimo inusitada da história da cidade.
O cruzador alemão Graf Spee, orgulho da marinha nazista, antes do início da 2a Guerra Mundial
Após a Batalha de Punta del Este, o cruzador alemão Graf Spee chega avariado ao porto de Montevideo, no Uruguai
Ante a perspectiva de ser capturado pela marinha inglesa, o comandante do cruzador alemão Graf Spee prefere destruir e afundar seu navio, em frente ao porto de Montevideo, em 1939
Esse ano marca 65 anos da famosa Batalha de Punta del Este, também conhecida como Batalha do Rio da Prata. O ano era 1939, início da 2ª Guerra Mundial. As águas de Punta del Este foram o cenário do primeiro grande embate naval desse conflito, entre um navio de guerra alemão, o Graf Spee, e três navios britânicos. Pelas regulações impostas à Alemanha após sua derrota na 1ª Guerra Mundial, o país não poderia construir grandes navios de guerra. Ela se concentrou, então, em fazer barcos menores e mais bem armados, mas bem rápidos. A estrela dessa frota era justamente o Graf Spee e, desde o início da guerra, três meses antes, o cruzador alemão vinha fazendo um verdadeiro estrago na marinha mercante inglesa aqui no Atlântico Sul, inclusive na costa brasileira. Foram diversos navios afundados, sempre com o devido cuidado de se salvar seus tripulantes e passageiros. Virou questão de honra para britânicos, que dominavam os mares há mais de três séculos, capturar e afundar o Graf Spee. Jornais do mundo inteiro cobriam a caçada e milhões de pessoas acompanhavam e esperavam, ansiosas, os próximos capítulos do drama.
Pequena capela na costa leste de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Cartão postal nacional, a famosa escultura da mão enterrada na areia da praia de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Praia nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai
Pois foi aqui em águas uruguaias que, finalmente, o Graf Spee se encontrou com navios de guerra ingleses. Ele não fugiu do combate e, ao contrário, atacou furiosamente os três barcos, infringindo pesadas perdas. Mas ele também saiu danificado do combate e, impossibilitado de voltar a alto mar, buscou refúgio no porto de Montevideo, capital de um país neutro na guerra. Mas os consertos necessários demorariam semanas e, até lá, mais navios ingleses chegariam para esperá-lo em águas internacionais, na foz do Rio da Prata. Além disso, pelas leis da guerra, se ficasse no porto por mais de quatro dias, o navio deveria ser “internalizado” no Uruguai até o final do conflito e os alemães não tinham dúvidas que os uruguaios dariam acesso ao navio para seus amigos ingleses. Após dias tensos acompanhados pela imprensa mundial, o comandante do Graf Spee ordenou que a maioria da tripulação deixasse o navio e, com um punhado de homens, levou o barco para longe do porto e o explodiu. Afundava assim o orgulho da marinha nazista. O comandante e seus auxiliares seguiram para a Argentina, nação simpática aos alemães. Mas poucos dias mais tarde, em um hotel de Buenos Aires, vestido com sua farda militar, o comandante alemão se suicidou. Por sua honra e também para não ter de voltar para Hitler de mãos abanando. Enquanto essa terrível batalha pode ser vista e ouvida aqui de Punta del Este, os momentos finais do Graf Spee foram acompanhados de perto pelas lentes da imprensa e dos olhos de mais de cem mil pessoas que o viram zarpar do porto de Montevideo.
O delicioso restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
Parte da horta do restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
Dentro do restaurante, tem até espaço para uma árvore crescer! (em Punta del Este, no litoral do Uruguai)
Bom, voltando do nosso passeio na história, seguimos para a Playa Brava, cheia de surfistas. Ainda paramos um pouco do lado da famosa mão enterrada, mas a quantidade de turistas e fotografias era tão grande que desistimos de fazer uma selfie por lá. A cada vez que ela ameaçava se esvaziar, um novo ônibus repleto de turistas estacionava ao lado e a confusão aumentava novamente. Tiramos nossa foto de longe mesmo, só pelo registro, e seguimos para o ponto alto de nossa passagem pela cidade: o almoço.
Almoço no restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
O estado dos nossos pratos mostra o sucesso da comida do restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai
Nossa deliciosa sobremesa no restaurante La Huerta, Punta del Este, no litoral do Uruguai
Já fora da península, seguindo em direção ao litoral leste do país, encontramos o restaurante La Huerta. Como o próprio nome indica, muito do que é servido por ali é produzido nos próprios jardins do restaurante. Fresco, orgânico e delicioso. Para completar, uma arquitetura bem aconchegante, mistura de madeira e vidro, muita luz entrando e espaço para se ver longe. Nós nos banqueteamos felizes e o estado dos nossos pratos ao final da refeição é reflexo não só da nossa fome pelo avançado das horas, mas da qualidade da comida servida. Nem deu tempo de fotografar! Quando vimos e pensamos na foto, já era! Pelo menos a sobremesa, tão boa quanto, ainda conseguimos registrar. E assim, estômago cheio, seguimos viagem. Punta ficou para trás, junto com a mais fotografada das mãos e a heroica batalha naval, mas as saborosas lembranças viajarão sempre conosco!
Chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai, uma selfie do 1000dias e seus hóspedes, o Joca e a Ixa, pais do Rodrigo
Puxando uma sucuri pelo rabo no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Bem cedo, logo após o café da manhã reforçado, já estávamos prontos para sair no caminhão pelos caminhos do Hato El Cedral, nos llanos venezuelanos. Um grande veículo, com a carroceria toda aberta para facilitar a observação da vida animal e com capacidade de levar umas vinte pessoas.
Com nosso guia Vitor, pronto para nosso passeio pelo Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Estrada que corta o Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Mas éramos apenas três. Eu, a Ana e o Vitor, nosso guia e motorista. Ele já trabalha no El Cedral há mais de 30 anos, muito antes que a fazenda começasse também a explorar o turismo. Acompanhou toda a evolução da fazenda, a época dos primeiros turistas, o momento em que a fazenda foi vendida para um consórcio de bancos e a fase de parceria entre o governo e uma empresa local, com participação dos funcionários. No momento em que Chávez nacionalizava os outros hatos, esse aqui já funcionava com a participação governamental. Por isso, teve um destino diferente dos outros e continua funcionando.
A paisagem grandiosa do Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Terrenos alagados no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Na verdade, sua gestão até está servindo de modelo para reabrir os outros. O grupo que está gerindo o El Cedral está em conversações com o estado para passar gerir os outros hatos. Pelo menos no papel, tudo parece estar se organizando e a gente só pode torcer pois, de uma maneira ou de outra, esses hatos devem funcionar, não só para o bem dos que aqui visitam, mas também dos que aqui trabalham.
São milhares de jacarés no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Bem, começamos nosso passeio e não tardou nem um minuto para começarmos a avistar pássaros, mamíferos e répteis. A maior variedade está nos pássaros e são tantas espécies e tantos indivíduos que ficamos até tontos. Vou fazer um post só para eles, depois.
Capivara se refresca no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Quanto aos mamíferos, há veados, tamanduás e até onças, embora essas sejam bem raras por aqui. Mas o que mais se vê, aos milhares, são as capivaras. Na estrada, na sombra das árvores, pastando nos campos e nadando nos rios e lagos. Solitárias, em famílias ou em grandes grupos, completamente à vontade num ecossistema que parece ter sido feita para elas.
Filhotes de capivara no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Uma creche de capivaras no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Interessante também foi ver os filhotes. Ficam organizados numa espécie de “creche”, com dois ou três adultos tomando conta de mais de uma dezena de pequenos. Mesmo na hora de atravessar um rio, estão sempre todos juntos, uma ordem quase militar.
Jacarés e tartarugas convivem pacificamente no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Um veado adulto no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Já os répteis, a supremacia em número fica dividida entre os jacarés, as tartarugas e as iguanas. Interessante foi ver como as pequenas tartarugas convivem bem com os ameaçadores jacarés, muitas vezes tomando sol lado a lado nas bordas de lago. Pelo visto, existe um acordo tácito de não agressão entre eles, hehehe.
Um lagarto cruza a estrada no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Lagarto se esconde em folhagem de árvore no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Pode existir entre eles, mas não entre jacarés e pessoas! Eu não me arriscaria a nadar nem em uma poça por aqui. Literalmente! Vi jacarés de mais de dois metros escondidos em poças d’água que eu julgaria pequenas até mesmo para lagartixas! Para onde quer que se olhe (menos para o alto das árvores, claro!), lá estão eles, nadando ou se esquentando ao sol. Dos mais pequenos a alguns com mais de quatro metros, bem gordos.
Capivara no fim de tarde no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Nosso veículo de observação no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Pela manhã, nosso passeio foi só de caminhão e nós só os vimos de longe, distâncias de 5 a 50 metros. Mas no passeio da tarde, fizemos também uma saída de barco. Aí, eles estavam ali do lado. Felizmente, muito mais interessados nos nacos de carne que o Vitor arremessava para eles do que em nós.
Filmando Mimujer, a obesa jacaré no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Mimujer, uma enorme e obesa jacaré no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
No final do passeio de barco, ele até “pescou” um filhote de jacaré, que no começo resistiu bastante, mas que depois acabou se aquietando. O Vitor o trouxe à bordo e pudemos fazer aquelas fotos clássicas segurando um filhote de jacaré. Mesmo nessa idade, eles já são bem valentes, mas segurando no lugar certo, logo abaixo da garganta, ficam um pouco mais sossegados.
Um grande jacaré no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Jacaré erra o alvo no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Fazer isso com um pequeno é fácil. Difícil seria pegar os maiores. Tem um, na verdade “uma”, que já é bem conhecida do Vitor. Um verdadeiro monstro de gorda. Peixes a capivaras não devem ter vida fácil perto dela. Se chama “Mimujer” e quando a encontramos, estava na siesta da tarde, ignorando a carne que lhe oferecemos. De uma distância segura, fizemos nossas imagens e filmagens. Difícil imaginar um bicho desse saindo correndo atrás de mim, mas pelo sim, pelo não, melhor não arriscar muito...
O Vitor "pesca" um pequeno jacaré para nós no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
A Ana segura um filhote de jacaré no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
De todos esses 1000dias de viagem, e mais outros tantos por aí, inclusive no Pantanal brasileiro, nunca tinha visto tantos bichos na minha vida. Um espetáculo! Desculpe-me o Alaska, a Amazônia, a Costa Rica e outros, mas até agora, o título de “Animal Planet” é aqui dos llanos da Venezuela!
Tartarugas rse reúnem na margem de um lago no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Filhote de veado no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Uma iguana no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
E entre tantos pássaros e jacarés, tartarugas e iguanas, capivaras e veados, o grande momento do dia ficou com um encontro muito especial, com um outro animal: uma enorme sucuri vagando livre pela planície alagada!
Entrando no pântano a procura de uma sucuri, no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Uma enorme sucuri em meio ao terreno pantanoso do Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Desde cedo estávamos de olho nesse animal fabuloso, atormentando o Vitor para encontrar uma. Seus olhos treinados não falharam e, no meio da manhã, lá estava uma, tranquila entre o capim e a água. Já estávamos felizes em vê-la de longe, mas o Vitor propôs que nos aproximássemos. Fomos até o lado dela, mas a cobra não se mexia, ignorando nossa presença ou nosso perigo. Muitas fotos e filmagens, mas queríamos mais...
Com todo cuidado, filmando uma sucuri no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
O Vitor nos mostra como pegar uma sucuri pelo rabo no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Pedi ao Vitor para cutucá-la e ela finalmente se mexeu. Estava indo se esconder no rio, mas o Vitor a agarrou pela cauda e a puxou para terreno aberto. Ela não gostou muito disso, mas quando se virava para enfrentá-lo, o Vitoa a puxava para o lado oposto. Aí, olhou para nós e perguntou, como se fosse a coisa mais normal do mundo: “Querem tentar?”.
A Ana mostra que não tem medo de sucuri no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
A sucuri se afasta de nós no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
“Siiiiimmmm!!!!”. E ele nos ensinou a tática e tratamos de tentar, a valente da Ana primeiro e eu logo depois. Só esse momenro já valeu nossa vinda aos llanos e todos os quilômetros a mais no nosso caminho. Como diz aquele anúncio: “Segurar uma sucuri de 4,5 metros pelo rabo, não tem preço!!!
Capivara solitária parece assistir o entardecer no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Para finalizar o dia e tantas emoções, nada melhor que um relaxante e maravilhoso pôr-do-sol refletindo nas águas prateadas das lagoas e campos alagados. De tão bonito, até uma capivara solitária pareceu ter parado para poder admirar o espetáculo à nossa frente. Foram minutos valiosos e, finalmente, voltamos para a sede da fazenda, ainda imaginando poder assistir a outro show de revoada de pássaros, como o de ontem. Mas, como disse, pássaros é o assunto do próximo post...
O fantástico entardecer no Hato El Cedral, na região dos llanos venezuelanos, perto da cidade de Mantecal
Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage
Engana-se que achou que nossa última grande emoção programada para essa viagem à Antártida tenha sido o “polar plunge”, o salto nas águas geladas descrito no último post. Não, esse não foi o último desafio. Ainda restava um, bem à nossa frente. Estou falando da famosa Drake Passage, nome dado ao trecho de oceano que separa a península antártica da América do Sul. Para chegar a Ushuaia, na Terra do Fogo, local do nosso desembarque final, temos de cruzar essa temida região de mares bravios.
Navegando nas tranquilas águas da Drake Passage, entre a Antártida e a América do Sul
O roteiro mais comum dos barcos que levam turistas à Antártida parte de Ushuaia e segue diretamente para a península antártica. Neste caso, os passageiros enfrentam a Drake Passage duas vezes, uma na ida e outra na volta. Muitas vezes, a experiência da ida e tão ruim que alguns passageiros resolvem pagar um pouco mais e retornam da Antártida de avião. Nosso caso foi diferente. Ao invés de embarcarmos em Ushuaia, começamos nossa viagem de Buenos Aires e seguimos diretamente para as Malvinas, Geórgia e Antártida. Em outras palavras, demos a volta na Drake Passage. Mas agora na volta, não tinha remédio: tínhamos mesmo de cruzar bem pelo meio da famosa passagem.
Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage
Não há navegador no mundo que não conheça esse lugar ou, ao menos, sua má fama. É muito provavelmente o trecho mais perigoso de todos os oceanos da Terra. Uma procura rápida no YouTube vai mostrar diversos vídeos de navios grandes e pequenos sendo castigados por ondas enormes. Tudo dentro dos barcos deve ser amarrado e os passageiros passam um dia inteiro trancados em seus quartos, boa parte deles passando muito mal. Pode parecer ruim, mas para mim era uma das atrações dessa viagem e eu torcia para ter uma verdadeira experiência por aqui, na Drake Passage. A não ser que esteja de ressaca, não costumo passar mal em alto-mar e ansiava para passar por esse “teste”. A coisa mais parecida que já tinha vivenciado tinha sido a travessia de barco entre as duas ilhas que formam a Nova Zelândia, num distante ano de 1998. Bem no dia da nossa travessia (viajava com um primo pelo país, de carro), o mar tinha virado e nenhum barco se atrevia a fazer a travessia. Apenas um, o maior deles, com capacidade para centenas de passageiros e carros, se aventurou. Dois terços dos passageiros passaram mal e por onde andávamos dentro do navio havia gente vomitando. Jamais esquecerei da cena de uma família toda, pais e dois filhos, vomitando juntos. “Família que vomita junto permanece junta”, já diz o velho ditado. Enfim, estava imaginando algo parecido para essa nossa travessia pelo Drake...
Novamente em alto-mar, descansando no salão do Sea Spirit
Tudo tranquilo na ponte de comando do Sea Spirit, já ao final da Drake Passage, chegando à América do Sul
São pouco mais de 800 km entre a Antártida e a Terra do Fogo. É onde se dá o encontro dos dois maiores oceanos da Terra, o Atlântico e o Pacífico. Por aí circula a corrente marinha circumpolar antártica. Esse verdadeiro “rio marinho” tem a força de 600 rios Amazonas. É isso mesmo, SEISCENTAS vezes mais água se movimentando que no rio mais caudaloso do mundo. Não foi sempre assim, claro. Antártida e América do Sul se acomodavam juntas no grande continente austral de Gondwana. Quando ele começou a se partir, há pouco mais de 100 milhões de anos, esses dois continentes se separaram, mas a península antártica sempre esteve muito próxima do sul da América do Sul, separados apenas por um mar raso. Flora e fauna se comunicavam entre os dois vizinhos próximos. Até que, 40 milhões de anos atrás, a geologia do local mudou. A passagem se aprofundou bastante possibilitando que enormes correntes marinhas fluíssem por aí desimpedidas. Era o nascimento da tal corrente gelada circumpolar que praticamente aprisionou o frio polar sobre a Antártida. Até então, esse frio seguia para o norte e de lá retornava com o calor dos trópicos. A Antártida ainda vivia sob um clima subtropical. Mas a criação da Passagem de Drake e da corrente circumpolar selou seu futuro gelado. Situação que segue inalterada até hoje.
Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul
Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul
Talvez por isso que foram precisos outros 300 anos desde que Magalhães descobriu o Oceano Pacífico através do estreito que leva seu nome (entre a Terra do Fogo e o continente americano) para que os navegadores se aventurassem ainda mais ao sul, explorando as águas turbulentas que marcam o encontro do Atlântico com o Pacífico. O primeiro a ir parar lá, levado pelos ventos, foi um dos maiores navegantes de todos os tempos, o pirata-corsário inglês Francis Drake, ainda no séc. XVI. Por isso o nome Drake Passage. Mas ele tratou de sair de lá rapidinho. Exploradores mesmo, só muito mais tarde...
Nossa posição atravessando a Drake Passage, já a meio caminho entre a Antártida e a América do Sul
A cada seis horas, um novo boletim sobre as condições do tempo, mar e ventos
Pois bem, e agora era a nossa vez! Todo mundo com um olho no mar e outro na previsão de tempo. O Sea Spirit recebe previsões atualizadas e detalhadas a cada 6 horas e disponibiliza esses dados, na forma de mapas e gráficos, para os passageiros. Foi quando, para alívio geral e tristeza minha, configurou-se a notícia. Justo o nosso dia de travessia caiu naqueles menos de 5% de dias em que o mar se acalma por lá. Mais do que isso, ele se acalmou de verdade, de um modo que tripulantes que já passaram por ali dezenas de vezes nunca haviam visto.
Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage
A temível e terrível Drake Passage mais parecia um lago. A Drake Passage virou o Drake Lake. Isso nos deu tempo para curtir a viagem, fazer festas, passear pelo navio, ler livros e jornais, beber e se divertir e até admirar um esplendoroso pôr-do-sol. Mas não posso negar que fiquei meio decepcionado. Ao reclamar com um dos guias dizendo que eu preferiria um mar bravio, ele me lançou um olhar que misturava surpresa, indignação e desprezo e respondeu: “Você não tem ideia do que está falando!”. É... fiquei mesmo sem a ideia da verdadeira Drake Passage. Motivo para voltar?
Aproveitando o conforto e tranquilidade do quarto para ler um livro, no Sea Spirit, a caminho de Ushuaia
Explorando a Garganta del Diablo, em Tilcara - Argentina
Nosso segundo dia em Tilcara começou com a díficil saída do delicioso hotel. O "Con Los Angeles" é desses que dá vontade de ficar uma semana, lendo um bom livro de tarde no banco do jardim interno, com vista para as montanhas, e tomando um delicioso vinho ao lado da lareira, para enfrentar as noites frias.
Vista do quintal do nosso hotel, em Tilcara - Argentina
Mas nosso destino é seguir em frente! Empacotamos tudo na nossa fiel Fiona e seguimos para as ruínas de Pucara, ao lado de Tilcara. São ruínas de uma antiga cidade indígena pré-incaica que chegou a ter 1.500 habitantes. Ela foi construída em cima de um morro estratégico, de onde se podia controlar todo o fluxo de pessoas que passavam pela Quebrada de Humahuaca. A cidade continuou a florescer mesmo depois da conquista pelos Incas, no século XIV. Mas não resistiu à bárbara ocupação espanhola dois séculos mais tarde. Mortos, escravizados ou "realocados", os habitantes da cidade se perderam no tempo e para trás só ficaram as ruínas de uma cidade que, durante quinhentos anos, havia brilhado em Huamhuaca.
Vista da Quebrada Humahuaca, do alto do El Pucará, em Tilcara - Argentina
Caminhando pelo El Pucará, em Tilcara, na Quebrada Humahuaca - Argentina
Caminhar por entre antigas ruas estreitas é uma viagem no tempo e na imaginação. O local vem sendo escavado por arqueólogos há um século e algumas casas e armazéns foram reconstruídos para que tenhamos uma idéia de como era a cidade. Mas a grande maioria do terreno está como o tempo o deixou, apenas a base das paredes em pé. A visão do vale abaixo é absolutamente magnífica, a mesma visão que tinham seus antigos moradores. No ponto mais alto foi construída uma pequena pirâmide que nada tem a ver com a antiga cidade, uma homenagem aos primeiros arqueólogos que exploraram o local. De lá temos a noção exata de Pucara, sua arquitetura, suas antigas ruas, os currais onde guardavam suas lhamas, as montanhas que os cercavam, a natureza de que viviam. Um passeio que vale muito à pena!
Explorando El Pucará, em Tilcara, na Quebrada Humahuaca - Argentina
Visitando El Pucará, em Tilcara, na Quebrada Humahuaca - Argentina
De Pucara seguimos para outra atração, oito quilômetros montanha acima por uma apertada estrada de terra, a Garganta del Diablo. É um estreito cayon, uma verdadeira garganta, como bem diz o nome, profunda e sombria, por onde corre um riacho que abastece a cidade abaixo. Uma trilha foi criada para se visitar esse canyon e é, ela mesmo, uma atração. Não só pelas vistas que proporciona mas também pela aventura de se percorrê-la. Afinal, quase todo o tempo estamos beirando precipícios de um lado e uma íngreme encosta do outro. Essa encosta é recoberta por um terreno sem nenhuma firmeza e também por uma vegetação totalmente espinhenta. Até a grama é cheia de espinhos! Como diria um querido irmão, território completamente hostil à presença humana.
No alto do canyon Garganta del Diablo, em Tilcara - Argentina
Bom... hostil mas muito belo! Eu e a Ana seguimos por ele, fotografando e admirando a incrível paisagem. Buscando os melhores pontos para fotos eu seguia aqui e ali algumas trilhas "alternativas", sempre com o devido cuidado. Pois não é que, numa delas, ao resvalar meu pé na grama que normalmente é mole, levei um belo de um tropeção. Se fosse em outro lugar qualquer, simplesmente daria outro passo para frente, em tempo para não cair. Mas, nesse caso, uma passo para frente significaria 30 metros para baixo. Nesse meio segundo que durou algumas horas na minha mente, as opções eram bem claras: um salto no vazio ou me estatelar nos espinhos logo abaixo, os mesmos que me derrubaram. Não foi uma escolha difícil, né? E assim, enchi minhas mãos de espinhos...
Um minuto depois dessa foto na Garganta del Diablo, em Tilcara - Argentina, quase rolei desfiladeiro abaixo
Alguns, consegui tirar ali mesmo. Outros, uma esbaforida, assustada e irritada Ana, que assistiu o tombo de camarote, me ajudou a tirar. Mas a maioria ficou ali mesmo, bem alojados na minha pele, meus novos companheiros de viagem, lembranças de uma inesquecível trilha na Garganta del Diablo. O tempo e minha pele se encarregarão de expulsá-los, com ou sem a ajuda de uma boa pinça e agulha...
Voltando da Garganta del Diablo, em Tilcara - Argentina
De volta ao carro, viagem para Salta. Primeiro, o belo trecho até Jujuy, que na vinda tínhamos feito de noite e com neve. Depois, caminho alternativo para Salta, por uma curvilínea estrada que mais parecia um caminho de bicicletas. Mas a paisagem era linda, cortando parques, matas e uma região totalmente bucólica e campestre. Um bom trecho nos lembrou bastante a Estrada das Paineiras, no Rio. Sem o mar ao longe, claro!
Chegando pela Corniza em Salta - Argentina
Já era de noite quando chegamos à Salta, nossa primeira metrópole no país dos hermanos. Com a ajuda do nosso GPS e de um trânsito bem organizado, chegamos logo à Plaza 9 de Julio, no centro. Ali nos instalamos no Victoria Plaza, nossa casa nos próximos dias. Programas não faltam por aqui e nas redondezas. Programas e obrigações! A Fiona está fazendo 50 mil km e vai fazer aqui sua primeira revisão no estrangeiro!
Chegando em Salta - Argentina
Mesmo em dia nublado, as paisagens grandiosas do parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Em 1878 chegava ao sul da Patagônia o primeiro grupo de turistas de que se tem notícia. Entre os integrantes, a famosa escritora, jornalista e feminista inglesa Florence Dixie. Naquela época, Dixie já dizia que homens e mulheres deveriam ter os mesmos direitos, de votar, de estudar, de trabalhar, de como se vestir e até de viajar. Seus livros, mesmo os de viagens, faziam muito sucesso na época. Sua descrição sobre as belezas da patagônia, especialmente sobre a região de Torres del Paine, cativaram e interessaram muitos leitores e incentivaram a vinda para cá de inúmeros cientistas, como geólogos e glaciologistas. As enormes torres de granito que fazem a fama do parque foram chamadas por ela de “As Agulhas de Cleópatra”.
Foto clássica do parque Torres del Paine, tirada em dia de sol e do lago Pehoe (foto da internet)
Foto clássica do parque Torres del Paine, tirada em dia de sol e do lago Nordenskjold (foto da internet)
Esse era o nome que se dava (e continua assim!) aos obeliscos egípcios que foram enviados a Paris, Londres e Nova York poucos anos antes da viagem de Dixie à patagônia. Na verdade, eles são muito anteriores à Cleópatra e quando a famosa rainha egípcia nasceu eles já tinham quase 1.500 anos. Mas no final do séc. XIX, tudo que vinha do Egito era associado à sua mais conhecida rainha e assim foi com os obeliscos também. As enormes montanhas em forma de torres no sul do Chile realmente se parecem com os obeliscos, mas o nome sugerido por Dixie não pegou e eles ficaram mesmo conhecidos como Torres del Paine. “Paine” é uma forma antiga de dizer “azul” e se refere á cor do granito em dias nublados, coisa muito comum por aqui.
Estrada interna do parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Estrada que corta o parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Mesmo com a chegada de cada vez mais visitantes para conhecer essas formações tão belas, a área não era protegida até 1959. Ao contrário, várias fazendas de pastoreio ocupavam a região, a mata nativa sendo destruída para dar lugar para comida de ovelha. Finalmente, com a criação do parque de 2.500 km2, a situação começou a se reverter. A flora e a fauna local se recuperaram e o número de turistas não parou mais de crescer, algum número perto de 170 mil pessoas por ano, mais de 60% delas estrangeiros. A absoluta maioria desses visitantes vem durante os meses de verão, de Dezembro a Março, quando o clima é mais ameno e o dia tem muito mais horas de luz. O resultado é um certo congestionamento no parque, principalmente ao longo das atrações, trilhas e refúgios mais conhecidos.
Lagoas e montanhas do parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Lago Sarmiento, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
O parque protege uma área de lagos, rios, geleiras e estepes, mas a grande estrela é, sem dúvida o maciço Paine. Suas torres de pedra atraem alpinistas do mundo inteiro enquanto a chance de vê-las mais de baixo atrai pessoas do mundo inteiro. Uma rede de trilhas foi criada para dar acesso a todos os ângulos possíveis de observação dessas montanhas, enquanto refúgios e campings atendem a todos os caminhantes. A organização é quase americana, com opções para todos os bolsos. A única necessidade é fazer a reserva com bastante antecedência, principalmente nos meses de verão.
Pousadas mais chiques dentro do parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Pousada com direito a hidromassagem na beira do lago no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Há também uma rede de estradas, para aqueles que não querem fazer muito exercício. Elas levam a lagos, cachoeiras, mirantes de observação e aos hotéis mais caros. Sim, exatamente como nos EUA e diferentemente do que ocorre no Brasil, há hotéis chiques dentro da área do parque nacional para aqueles que querem conhecer um dos lugares mais belos do mundo em alto estilo. Mas para quem quiser ver essa maravilha de perto mesmo, aí não tem jeito: vai ter de botar o pé na trilha e suar um pouco (ou, muitas vezes, passar frio!).
Mesmo em dia nublado, as paisagens grandiosas do parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Parada em mirante ao lado da estrada no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Geleira desce montanha no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Já faz alguns anos que esse parque passou a ser o queridinho dos gringos que visitam a nossa América do Sul. Tanto por suas belezas naturais como pela infraestrutura e organização criada para desfrutá-la. O Torres del Paine virou um símbolo e motivo de orgulho para o Chile. Mas com tanta gente entrando no parque e caminhando livremente por suas trilhas, a chance de acontecer algo errado não é pequena. Por duas vezes em anos recentes, turistas que acampavam não cuidaram bem de seus fogareiros e inadvertidamente botaram fogo no parque, queimando mais de 150 km2 de vegetação e, inclusive, matas nativas. Em 2005 foi um turista tcheco e em 2011, um viajante de Israel. A repercussão foi tão grande que, nos dois casos, seus países de origem arcaram com os custos e enviaram especialistas para ajudar na recuperação da vegetação destruída. Hoje, fogueiras são proibidas em qualquer lugar de Torres del Paine e fogareiros só podem ser acesos em locais de camping. Turistas são terminantemente proibidos de caminhar fora das trilhas designadas e o acesso a algumas regiões mais sensíveis do parque só pode ser feita acompanhada de guias credenciados.
Mesmo queimada, a bela vegetação do parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Nosso roteiro (de carro e pequenas trilhas) no primeiro dia no Parque Torres del Paine: Portaria Sarmiento - Mirante - Salto Chico - Praia do Lago Grey - Salto Grande - Refúgio Las Torres. Amanhã, começamos o famoso trekking do W, também mostrado no mapa
Eu já tinha estado aqui uma vez, há pouco mais de 20 anos. Foi durante uma viagem de um mês por Argentina e Chile e as memórias das andanças no Torres del Paine ainda estão vivas, um dos pontos altos daquela jornada. Ainda não havia tantos turistas naquela época e os refúgios eram bem mais rústicos que os de hoje. Mas sempre sonhava em voltar. Aquela história de que figurinha repetida não preenche álbum não vale para esse lugar especial. Enfim, agora tão bem acompanhado da Ana, finalmente o sonho se realizou.
Passarela de madeira que leva ao Salto Chico, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Salto Chico (nem tão "chico" assim!) no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Mesmo com chuva e frio, visita ao Salto Chico, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Como chegamos bem na semana do natal, o parque não está assim, tão lotado. Nós viemos para percorrer o famoso circuito do W, o trekking mais conhecido e disputado do Torres del Paine. O circuito tem esse nome, “W”, exatamente porque o caminho se parece com essa letra do alfabeto, contornando a parte sul do maciço de montanhas e entrando no centro delas, justamente a perna do meio do W. Ainda vou falar disso nos próximos posts, mas decidimos pelo W pelo tempo que dispúnhamos, não mais do que quatro dias.
Praia do lago Grey, sempre com muitos icebergs, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
A Ana atravessa praia do lago Grey rumo a um iceberg, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Pois bem, a gente chegou hoje aqui no meio da tarde e não poderíamos começar a caminhar ainda hoje. Ao mesmo tempo, nessa época do ano a tarde vai longe por aqui e resolvemos aproveitar essas horas extras. Hoje foi o dia de percorrermos as estradas do parque no conforto da nossa Fiona, parar em locais estratégicos e percorrer pequenas trilhas. Ficamos longe das montanhas, mas elas estão sempre ali, no nosso horizonte. E estariam gloriosas, se o tempo não estivesse tão fechado, muitas vezes até chovendo. Então, o maciço e suas torres estavam sempre entre nuvens, mostrando parcialmente sua cara uma vez ou outra.
A Ana fica pequena perto de um iceberg em praia do lago Grey, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Um enorme iceberg flutua no lago Grey, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
O parque tem muitos lagos, mas são quatro os principais: Sarmiento, Nordenskjold, Pehoe e Grey. As estradas circulam entre eles e as atrações tem sempre relação com esses lagos. Nós entramos no Torres del Paine pela portaria Sarmiento e logo paramos em um belo mirante com vista para pequenas lagos e para o Nordenskjold, com as montanhas ao fundo. Aliás, esse nome esquisito é uma homenagem ao jovem cientista sueco que veio no início do séc. XX na esteira do livro da Florence Dixie e passou um bom tempo por aqui estudando a região. Daqui ele partiu para uma viagem ainda mais ao sul e vários acidentes geográficos na Geórgia do Sul e Antártida também o homenageiam.
Debaixo de chuva, caminhando em praia do lago Grey, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Observando icebergs no lago Grey, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Daí seguimos para o Salto Chico, uma poderosa cachoeira que de pequena não tem nada. É ela que traz as águas do lago Pehoe para o rio Pehoe. Uma rápida caminhada na chuva em uma passarela de madeira nos levou até lá. Tiramos nossas fotos molhadas e voltamos para a Fiona, agora para passar pela administração do parque e seguir até o fim da estrada. É daí que sai uma trilha de uns três quilômetros que atravessa uma praia do lago Grey e dá visão para a geleira Grey, lá no fundo, a maior da região. Quando fizermos o W, vamos chegar lá perto! Hoje, por causa chuva, mal deu para ver ela direito.
Icebergs parecem formar uma frota de navios-fantasma em praia do lago Grey, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Um turista se aproxima de iceberg em praia do lago Grey, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
De qualquer maneira, o ponto alto dessa trilha não era ver a geleira de longe, mas sim a praia e os diversos e grandes icebergs que boiam por ali. Esses enormes pedaços de gelo vieram justamente da geleira alguns quilômetros adiante e ficam ali perto da praia, encalhados, pelo menos até derreterem, ficarem menores e seguirem rio abaixo. São de gelo azul e num dia acinzentado como hoje, estavam lindos e elegantes, uma cena quase surreal diante da lente de nossa câmera, uma pintura no lugar de uma fotografia.
Iceberg e seu reflexo nas águas do lago Grey, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Icebergs que parecem pinturas flutuam no lago Grey, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Como havíamos chegado ao final da estrada, só nos restava voltar. Já passava das 19:00 e ainda nem tínhamos lugar para dormir. Mas isso não nos impediu de fazer uma última parada, dessa vez no Salto Grande, o estreito canyon que faz a ligação entre as águas do Nordenskjold e do Pehoe. Já o tínhamos fotografado de longe, mas agora eu queria chegar lá pertinho. A Ana se rendeu ao cansaço do dia longo e à chuva e decidiu esperar na Fiona. Uma rápida corrida em meio a chuva, várias fotografias e outra corrida, agora na descida, encerraram rapidamente essa última etapa do passeio pelo parque.
Icebergs que parecem pinturas flutuam no lago Grey, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
Faltava só o lugar para dormir. Como pretendemos começar o W logo pela manhã, tínhamos de dormir em alguma de suas extremidades. Logisticamente, é muito mais fácil ir até o lado leste da trilha, pois o carro chega até aí. Para chegar ao lado oeste, só de barco e, a esta hora, é claro que não havia mais barcos. Então, ficou fácil: rumo à Hosteria Las Torres, no extremo leste do circuito.
Visto de longe, o Salto Grande, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
O salto Grande, onde as águas do lago Nordenskjold caem no lago Pehoe, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
O salto Grande, onde as águas do lago Nordenskjold caem no lago Pehoe, no parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
A hosteria é, na verdade, um complexo. Há um hotel mais caro, um refúgio com quartos coletivos e um camping. Tudo para atender a demanda que não para de crescer. A chuva e o frio nos desestimularam a buscar o camping (montar barraca naquele estado de cansaço, frio, chuva e escuridão, ninguém merece!) e o hotel, mesmo com preços salgados, estava lotado. Já os refúgios, só por que era a semana de natal e estava chovendo, havia umas últimas vagas para nós. O preço? O roubo de 50 dólares por pessoa, sem direito a cobertor! Realmente, a barraca teria saído muito mais em conta, mas nossa falta de ânimo valeu esses 100 dólares. Àquela hora, o restaurante tipo bandejão já tinha fechado e a gente se virou com um lanche mesmo. Depois, fomos achar nosso beliche em um quarto cheio de gringos, alguns começando a caminhada, outros terminando. Dormindo em nossos sleepings, buscamos descansar porque, a partir de amanhã, não tem mais moleza não. Uma longa trilha de 3 dias em meio às Agulhas de Cleópatra, uma das mais cênicas do mundo, nos aguarda...
Atrás de uma colina, as famosas montanhas de granito do parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile
As casas coloridas da cidade de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Para nós que somos tão acostumados com a geografia paranaense, o reflexo e a tentação de dizer “Paranaguá” era grande, mas era mesmo para “Paraguaná” que estávamos indo, uma pequena península com forma de cabeça humana que fica no extremo norte da Venezuela. Há poucas dezenas de milhares de anos, era mais uma das ilhas que pontuam a costa nesse ponto, como Aruba ou Curaçao, mas a combinação de correntes marítimas e ventos tratou de construir, ao longo do tempo, uma estreita ponte que a liga ao continente. A ilha virou península!
Península de Paranaguá, extremidade norte da Venezuela, quase encostando em Aruba! Nós passamos pelas cidades históricas no centro da península, pelo balneário de Adicora e nas lagoas coloridas do norte
Falando em Aruba, do alto da maior montanha de Paraguaná, em dias de céu limpo, se pode ver muito bem a ilha holandesa. Até parece que foi ontem que estivemos por lá, e não há 17 meses. A tentação de revê-la, mesmo que de longe, foi grande, mas o dia não estava tão claro assim e a caminhada até o alto da bela montanha iria requerer umas cinco horas, tempo que não tínhamos, infelizmente. Sem essa alternativa, poderíamos nos concentrar nas outras tantas atrações que Paraguaná oferece, como as vilas históricas, as lagoas coloridas repletas de pássaros avermelhados e o litoral dos sonhos para quem gosta de kite e wind surf.
O Cerro de Santa Ana, maior montanha da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela. Lá do alto, pode-se ver Aruba!
Foi a proximidade com as Antilhas Holandesas que marcou a história de Paraguaná. Por aqui passava o comércio, legal e ilegal, entre as ilhas e a Venezuela, desde os tempos de colônia até os de república. Ricas comunidades de comerciantes se estabeleceram e ainda hoje se pode admirar as pequenas vilas onde eles moravam. Esse foi o caminho que decidimos seguir, dando a volta pelo interior da península, passando ao lado do morro Santa Ana, o mais alto de Paraguaná e, finalmente, seguindo para o litoral e as lagoas coloridas.
Observando a igreja de Santa Ana, cidade histórica na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
A igreja de Moruy, pequena cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Cada uma das vilas tinha sua pracinha central e a charmosa igreja, entre elas algumas das mais antigas ainda de pé no país. Nós fomos fazendo nosso tour, tirando nossas fotos e fazendo as contas para controlar o combustível do carro. Principalmente agora que tínhamos decidido pelo caminho mais longo, para poder passar nas pequenas vilas. Estávamos bem no limite para podermos voltar até Coro quando descobrimos um pequeno posto ali mesmo. Melhor... com diesel! Finalmente, poderíamos abastecer pela primeira vez no país e ver com os próprios olhos como é encher o tanque gastando apenas 15 centavos de dólar. Atenção! Não estou falando do preço de um litro, mas de todos os litros necessários para encher o tanque da nossa Fiona.
Enchendo o tanque com 2,80 bolívares, ou 12 centavos de dólar, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Praça central da pequena Santa Ana, cidade histórica na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
O preço do combustível é uma das facetas do chavismo, bolivarianismo ou socialismo do século XXI, alguns dos termos usados para descrever o sistema político e econômico implantado no país por Hugo Rafael Chávez, o carismático e polêmico líder que governou a Venezuela por quase quinze anos, desde 1998 até sucumbir frente ao câncer no final do ano passado.
A igreja de Buena Vista, cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Após uma pujante década de 70, alavancada pelos altos preços do petróleo, a Venezuela enfrentava uma grave crise econômica na década de 80, depois da derrocada dos preços do barril de óleo enquanto os gastos internos continuavam os mesmos. A Venezuela se endividou e não tinha como pagar seus débitos. Na campanha presidencial do final da década, o tradicional político Carlos Andrés Perez prometeu repelir políticas neoliberais de corte de gastos, mas assim que venceu e assumiu o governo, parece ter mudado de ideia e recorreu ao FMI. O trágico resultado foi um aumento da pobreza e descontentamento social que culminou com manifestações em Caracas, reprimidas com violência e que resultaram em mais de cem mortos.
Propaganda nos muros de Moruy, pequena cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Foi nesse clima cada vez mais tenso que um até então desconhecido militar, o Coronel Chávez, tentou um golpe militar no início de 1992. Várias instalações militares foram tomadas no interior do país, mas o objetivo de capturar o presidente Andres Peres e tomar as principais bases da capital falharam. Chávez acabou desistindo do golpe, ordenando a rendição dos revoltosos e evitando um banho de sangue. Mas negociou em troca um pronunciamento na TV quando, enfim, tornou-se conhecido na nação e conseguindo a simpatia de amplos setores da sociedade, decepcionados com os níveis de corrupção e ineficiência então vigentes no governo.
Flamingos e culhereiros na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Culhereiros na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Mesmo preso, Chávez ajudou na organização de uma nova tentativa de golpe, no final daquele ano. Dessa vez, os revoltosos foram mais aguerridos e o número de mortes aumentou bastante. O governo conseguiu controlar a situação, mas o desgaste político era cada vez maior. Com forte pressão da sociedade, Carlos Andres Perez sofreu um processo de impeachment dois anos mais tarde.
Um culhereiro na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Nas eleições seguintes, foi eleito outro político tradicional, Rafael Caldeira. Entre as promessas de campanha, uma ampla anistia aos revoltosos de 1992. Promessa cumprida, Chávez e outros líderes foram postos em liberdade, mas impedidos de voltar ao exército. O governo de Caldeira também fracassou em melhorar a situação econômico-social da Venezuela e, nas próximas eleições, o agora político Chávez foi o grande vencedor. Agora de forma legal, chegava ao poder, com amplo apoio das classes menos abastadas, inclusive da classe média.
Culhereiro sobrevoa a Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Chávez não perdeu tempo. Convocou eleições para uma assembleia constituinte e obteve uma grande vitória eleitoral para composição dessa assembleia. Em pouco tempo, o país tinha uma nova constituição, o primeiro passo rumo ao “bolivarianismo”. Ao mesmo tempo, preços internacionais favoráveis para o petróleo possibilitaram ao governo multiplicar os gastos sociais, melhorando a vida das camadas mais pobres e, ao mesmo tempo, consolidando seu apoio. Ao mesmo tempo, as enormes receitas de exportação de petróleo lhe permitiram praticamente zerar o preço do combustível no mercado interno, aumentando ainda mais sua popularidade. O chavismo que se iniciava agradava a muita gente. Mas também incomodava, produção de alimentos em plena derrocada...
A colorida Laguna Cumaraguas, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Enfim, assunto para um próximo post. O fato é que, apesar dos inúmeros problemas derivados do tal socialismo do século XXI, encher o tanque com apenas 15 centavos nos faz bem felizes. E foi com o tanque cheio que seguimos para o litoral, para a cidade de Adicora. Antes de descermos por lá, seguimos mais ao norte, para lagoas famosas por suas cores e pelas cores dos pássaros que neles vivem. A alimentação rica em camarões pinta as penas dos flamingos e colhereiros de vermelho. É nessa hora que sentimos mais falta de um bom zoom na nossa máquina fotográfica, mas, enfim, “fazemos o que podemos”!
A colorida Laguna Cumaraguas, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Além dos pássaros, também a água ganha cores, dependendo do ângulo de incidência da luz do sol. Um espetáculo, quase um arco-íris avermelhado nas águas salgadas da lagoa que também é uma salina.
Chegando à Adícora, cidade no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Agora sim, de volta à Adicora, a praia onde o vento nunca para. Para aqueles que sabem ler o vento, difícil imaginar lugar melhor. A cidade está em uma pequena península e, embora o vento esteja dos dois lados, as ondas ficam apenas do lado sul. Nesse lado ficam os praticantes de kite surf, enquanto os amantes do Wind surf preferem as águas mais calmas da parte norte.
O farol de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Depois de passearmos um pouco pelas areias e admirar os esportes náuticos e a arquitetura da pequena vila, acabamos tomando a decisão de continuar a viagem. A ideia original era dormir por ali mesmo, mas resolvemos voltar para Coro e seguir para o sul, para a Serra de San Luis, região que exploraremos amanhã. Do mar para a montanha, do calor para o frescor, ainda conseguimos chegar a tempo de observar o pôr-do-sol lá de cima, numa paisagem e ambiente completamente diversos daqueles onde tínhamos passado todo o dia de hoje. E olha que são apenas 100 quilômetros entre um lugar e outro, dois mundos completamente diferentes.
As casas coloridas da cidade de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Há apenas três dias no país e já andamos por metrópoles e cidades históricas, o maior lago do continente e um autêntico deserto, uma praia onde o vento nunca para e montanhas úmidas onde cresce vegetação tropical e precisamos de casacos. A viagem na Venezuela, onde encher o tanque do carro não custa nada, está mais intensa do que nunca!
O belíssimo entardecer na Sierra de San Luis, ao sul de Coro, no noroeste da Venezuela
Congresso Nacional visto da torre de TV em Brasília - DF
Tivemos uma segunda-feira bem tranquila em Goiânia. Muito bem tratados que fomos na casa da Mariângela e Nando, acabamos por dormir lá mais um dia, deixando nossa partida para Brasília para o dia seguinte. Na cidade, aos poucos, fomos pegando a lógica do trânsito e das direções. Deu até para pegarmos um cineminha no shopping Flamboyant. De noite, jantar de despedidas, deliciosa comida árabe no Toshka (será que é assim que se escreve?).
Com o Joaquim, Mariângela e Gabriela no apartamento em Goiãnia - GO
Aí, hoje cedo, pé na tábua para Brasília. Estrada toda duplicada, embora com muitos quebra-molas. Não faz muito tempo, as únicas estradas duplicadas no país eram em São Paulo, além da Dutra, da Curitiba-Paranaguá e uma lá no RS. Hoje, cada vez mais elas se espalham pelo país. Só falta pequenos trechos para ser possível viajar, em estradas duplicadas, desde Porto Alegre até Brasília (via Floripa, Curitiba, São Paulo, Uberlândia e Goiânia). Aí, só vai faltar ligar o sudeste com o nordeste. Impossível negar que o país se desenvolveu bastante nos últimos 20 anos... Pena que não aconteceu a mesma coisa com o transporte ferroviário!
Bom, estradona para chegar em Brasília, difícil mesmo foi encontrar um hotel livre. Primeira terça-feira de Agosto, os políticos todos de volta, a cidade renascendo da apatia de Julho, hotéis com 100% de ocupação. Quem nos salvou foi a Betty, lá de Curitiba. Conseguiu uma reserva para nós no Garvey Park, no SHN (Setor Hoteleiro Norte).
Falando em SHN, tudo aqui é em siglas e números, quadras e blocos. Não há ruas (???) e muito menos nomes de ruas. Vai explicar isso para o GPS! É difícil mudar nossa cabeça para trabalhar com esse novo sistema. Mas para quem nasceu aqui, parece que fica bem mais fácil se movimentar que em uma cidade convencional.
Congresso Nacional visto da torre de TV em Brasília - DF
Eu, a Ana e o GPS conseguimos achar o hotel, depois de umas voltas a mais. Depois, deixamos a Fiona estacionada aqui e fomos à pé mesmo para a Torre de TV, de onde se tem uma bela vista da cidade, do alto do seu mirante de 75 metros. Lei fde Murphy, estava fechada!!! Mesmo assim, pudemos ter uma bela vista do Eixo Monumental, da Explanada dos Ministérios e do Congresso ao fundo.
A Flávia e a Bia, em Brasília - DF
Um pouco mais tarde, seguimos de taxi para o Congresso, onde fomos recebidos pela minha ámiga da época da UNICAMP, a Flávia. Ela disse que estávamos com muita sorte, que aquele dia o plenário do senado estava lotado dos figurões e/ou picaretas que costumamos ver pela TV. Fomos lá conferir e realmente, estavam todos lá, desfilando.
D. Pedro II no fim do 2o Reinado, em foto exposta no Congresso em Brasília - DF
Entre outros, o Collor, Sarney, Renan, Arthur Virgílio, Marco Maciel, Pedro Simon, Tasso Jereissati, Suplicy, Mercadante, Jarbas Vasconcelos, Álvaro Dias e até a Marina Silva. Assistimos de camarote a sessão em que, por unanimidade, foi aprovada a PEC que aumenta a licença-maternidade para 6 meses. Que beleza para as mamães e bebês! E todos os políticos aproveitando para discursar e capitalizar um pouco também. Enfim, cumprindo seu papel.
A Lei Áurea, exposta no Congresso em Brasília - DF
Pena que não pudemos entrar com a máquina fotográfica nas galerias do senado. Assim, só pudemos fotografar uma exposição interessante sobre a história do senado.
Observando exposição em galeria do Congresso em Brasília - DF
De noite, saímos com a Flávia e fomos a um boteco jóia, bem tradicional aqui na cidade. É o Beirute, por onde transitam todas as tribos e raças. Bem democrático e interessante mesmo! Fiocamos lá saboreando a cerveja local e observando a fauna interessante.
Com a Flávia no Beirute, em Brasília - DF
Amanhã, a idéia é dar uma camelada pelos prédios interessantes da cidade. Na quinta, vamos ao Parque Nacional daqui, mais conhecido pelo simpático nome de Água Mineral. Por aqui, céu azul e muito calor. Pela TV, vejo que o sul e sudeste sofrem com o frio e a chuva. Desta vez, estamos no lugar certo!
Nossos últimos dias em Mauá e em Itatiaia tiveram duas coisas em comum: foram muito interessantes e sem possibilidade de acesso á internet
No dia 20 passeamos com o Pedro, ìris, Bebel e Haroldo no Vale do Alcantilado em Mauá. Percorremos uma trilha com nove cachoeiras. Depois, juntos, assistimos ao jogo do Brasil.
No dia 21 viajamos para o Parque de Itatiaia mas não pudemos entrar no Parque pois já estava tarde. A gente se hospedou na deliciosa Pousada dos Lobos.
No dia 22 subimos o Pico das Agulhas Negras e viemos para Passa Quatro, onde já agendamos uma longa caminhada amanhã bem cedo até a Pedra da Mina, onde devemos acampar e dormir na noite do dia 23, a quase 2.800 metros de altitude.
No dia 24 voltamos para cá e finalmente teremos internet e tempo para postar textos e fotos. Muitas fotos legais que já temos e outras que vamos fazer nessa linda caminhada
Abs a todos
Rodrigo
Artista de rua tenta faturar seu ganha-pão em Montreal, no Canadá
Não demorou muito, hoje pela manhã, a chegarmos à fronteira dos Estados Unidos e Canadá. Afinal, tínhamos dormido pertinho dali, já pensando em poder chegar cedo à Montreal e ainda aproveitar o dia. Quando apareceu a placa dos 5 km, deu até um friozinho na barriga. O Canadá foi o último país que eu consegui o visto (para a Ana, italiana, é muito mais fácil...). Já sem emprego, sem passagens aéreas, sem reservas de hotel ou cursos de língua, tive de fazer um verdadeiro dossiê da viagem e do projeto para eles. Acho que gostaram, pois ganhei um visto de múltiplas entradas. Melhor, impossível, pois vamos entrar e sair do país algumas vezes mesmo!
Aproximando-se da fronteira. O Canadá é logo ali!
Mesmo com o visto em mãos, o friozinho na barriga veio. Era a ansiedade de passar numa fronteira terrestre depois de tanto tempo. A última vez foi há pouco mais de 4 meses, passando do México para os EUA (aquele bendito dia em que cruzamos a fronteira 5 vezes!). Desde a nossa primeira fronteira terrestre, do Brasil para a Guiana Francesa, em Março de 2011, a Fiona não ficava tanto tempo no mesmo país.
Chegando à Montreal, no Canadá
Bom, na verdade, acabou sendo a fronteira mais rápida e eficiente de todas as que cruzamos. Nenhuma burocracia, ninguém enchendo o saco querendo vender algum produto ou “facilidade”, nem um papelzinho para preenchermos. A oficial, de dentro de seu guichê, olhou os passaportes, mostrou-se surpresa com a procedência do carro e nos deu os parabéns e as boas-vindas. Muito legal! Civilizado como deveria ser em todas as fronteiras. Viva o Canadá!
Canadá e suas províncias
Pois é, chegamos ao Canadá, o país mais ao norte da América continental. Difícil de acreditar até onde a nossa Fiona nos trouxe. Parabéns para ela também! Além de ser o mais setentrional do continente, o país também é o maior das Américas, com quase 10 milhões de quilômetros quadrados. Com esse espaço todo e uma população de apenas 30 milhões de habitantes, um sexto da população brasileira. Quase toda ela está na parte sul do país, nas grandes cidades próximas à fronteira americana. Quase metade da população vive nas cinco maiores cidades, principalmente em Toronto e Montreal.
Caminhando pelas charmosas ruas centrais de Montreal, no Canadá
Meu conhecimento de geografia e história canadense tem aumentado de maneira exponencial nesses últimos dias. Por exemplo, finalmente ficou claro para mim que Quebec, além de uma cidade, é um estado também (na verdade, província, que é como chamam os estados aqui). E uma estado bem grande, quase do tamanho do nosso Amazonas. A capital é Montreal que, com quase 4 milhões de habitantes, é a segunda maior cidade do país.
Rua da Old Montreal, no Canadá
Esse era o nosso destino hoje: Montreal, capital de Quebec. Ontem de noite, através do milagroso PriceLine, já tínhamos reservado um hotel na cidade para nós, pelas próximas três noites. Assim, depois de deixarmos a fronteira para trás, rapidamente a Fiona já nos levou pelos 40 km restantes de viagem, pelas estradas e depois ruas da grande cidade. Mas chegamos cedo demais para o check-in. Então, deixamos o carro com malas na garagem e partimos para o centro, agora já com mapas da cidade e do eficiente sistema de metrô.
Fachada do Mercado Central de Montreal, no Canadá
A primeira providência foi desenferrujar o meu francês, já que essa é a língua mais falada por aqui. A região de Quebec foi colonizada por franceses e, embora tenha passado para o domínio inglês em 1764, a cultura francófila, incluindo a língua, permaneceu muito forte. Certamente ainda vou falar sobre isso nos próximos posts, mas o Canadá é um país “binacional”, com duas línguas oficiais. E aqui na região de Quebec, o francês é o predominante.
Fim de tarde na orla fluvial de Montreal, no Canadá
Nós seguimos de metrô até o centro histórico e aí passamos o dia. Caminhamos pelas ruas cheias de restaurantes charmosos, pelos parques onde os canadenses celebram continuamente o verão (outro assunto para algum post, com certeza!), pelos monumentos e prédios importantes como igrejas, o mercado e a prefeitura.
Basílica de Notre-Dame, na Place d'Armes, em Montreal, no Canadá
É na Place d’Armes onde estão os mais belos prédios, como o centenário Banco de Montreal e, principalmente, a basílica de Notre-Dame. Ela já é imponente por fora, mas é seu interior que mais impressiona. O altar muito bem cuidado e cheio de cores prende os nossos olhos assim que entramos pela igreja. De tão belo, não parece real. Fico só imaginando como deve ter sido o concerto que Pavarotti deu em seu interior. Deve ter sido memorável!
O esplendoroso interior da Basílica de Notre-Dame, em Montreal, no Canadá
O fabuloso altar da Basílica de Notre-Dame, em Montreal, no Canadá
O almoço já foi saboreando queijos e vinhos. Pois é, não é só a língua que ficou francesa não! A comida também lembra muito a da velha Gália. Uma delícia! Nessa época do ano, com temperaturas agradáveis, todos os restaurantes tem varandas e terraços e eles ficam sempre lotados. Com a decoração florida, o clima é totalmente parisiense!
O charme da cidade antiga no centro de Montreal, no Canadá
Depois de batermos muita perna, ao final do dia (o que é bem tarde por aqui!) voltamos ao nosso hotel para, finalmente, nos instalarmos. Começamos apenas a arranhar esse gigantesco país, começando por esse enorme estado, talvez o mais interessante do Canadá, no aspecto cultural. Nessa nossa primeira passagem pelo país, vamos nos concentrar em Quebeq e Ontário. Mesmo nesses dois estados, veremos apenas a parte sul, mas é onde está concentrada boa parte da população e infraestrutura existentes. No próximo post falo um pouco mais do nosso roteiro pelas cidades, interior e parques nacionais dessa região que já estamos aprendendo a amar: Quebec.
Descansando e namorando em parque em frente ao Mercado Central de Montreal, no Canadá
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