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Itaipu

Brasil, Paraná, Foz do Iguaçu

Visitando a Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Visitando a Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


Saímos correndo do Parque Nacional do Iguaçu para chegar à tempo em Itaipu, onde tínhamos reservas para a visita especial à usina, visitando sua parte externa e também o interior de parte de suas instalações. Depois das cataratas essa é, sem dúvida, a maior atração turística de Foz do Iguaçu. E não é para menos, pois estamos falando da maior usina hidroelétrica do mundo em geração de energia, um verdadeiro símbolo da engenhosidade humana na sua luta em controlar as forças da natureza em benefício próprio.

Painel informativo sobre as maiores usinas do mundo, na Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Painel informativo sobre as maiores usinas do mundo, na Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


A usina foi projetada e construída nas décadas de 70 e 80, portanto há mais de 30 anos. Desde então, ela vem fornecendo uma enorme parte da energia que o Brasil precisa para funcionar e crescer. Mas, se sua construção fosse hoje, tenho sérias dúvidas se ela seria mesmo construída, pelo menos com o porte que tem. Naquela época, os ambientalistas não tinham a força que tem hoje e a balança sempre pendia mais para o desenvolvimentismo do que para o preservacionismo. Hoje parece ser o contrário e projetos como o de Belo Monte, no rio Xingu, que já foi bastante diminuído desde sua concepção original, ainda enfrentam enormes dificuldades para sair do papel.

A represa vista do alto da barragem da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

A represa vista do alto da barragem da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


É uma discussão com muitos bons argumentos dos dois lados, sem que haja um lado "certo". O fato é que, apesar da energia hidroelétrica ser a mais limpa de todas, a construção de uma grande usina e de sua represa tem grandes consequências ambientais. Um antigo ecossistema é destruído, mas será substutído por outro, que pode ser igualmente sadio. Ao mesmo tempo, o país cresce, a população cresce, e mais energia é necessária. Se vier da queima de carvão, os efeitos serão ainda mais danosos. Qual caminho seguir?

Torres levam a energia produzida pela Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Torres levam a energia produzida pela Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


Enfim, a discussão é boa mas Itaipu está aí, um verdadeiro colosso que domou as águas do rio Paraná e produz, sozinha, 95% da energia que o Paraguai consome e 16% da energia que o Brasil necessita. Tudo ali é enorme, mega, gigantesco. Por cada uma de suas turbinas passa metade da água de todas as cataratas do rio Iguaçu, em sua vazão média. E são vinte dessas turbinas! A quantidade de concreto usado em sua construção também impressiona: um sem número de Maracanãs jogados ali, alturas equivalentes à Torre Eiffel, material equivalente a uma estrada de muitas pistas entre Moscou e Lisboa, são várias as formas de tentar mostrar como tudo é gigantesco.

Entrando nas instalações da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Entrando nas instalações da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


E realmente é. Quando conseguimos chegar perto das estruturas, damos conta de como somos minúsculos, parecemos perdidos naquele mundo de uma antiga série americana, Terra de Gigantes. Para quem faz a visita especial, como nós fizemos, o interior da usina também é mostrado, as gigantescas galerias e corredores por onde passaram milhares de trabalhadores e máquinas gigantescas As menores peças do maquinário de cada turbina pesam dezenas de toneladas, como o eixo que nos mostraram rodando, gerando energia ali, nos nossos olhos, capaz de iluminar uma cidade com 2 milhões de habitantes. Impressionante!

Passando por cima das gigantescas turbinas da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Passando por cima das gigantescas turbinas da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai


Enfim, é uma visita que vale muito à pena, não só pela grandiosidade a que ficamos expostos, mas também pela discussão que levanta, fazendo-nos pensar sobre os prós e contras das grandes obras que estão umbilicalmente ligadas ao desenvolvimento da humanidade.

Grande explosão para a construção da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Grande explosão para a construção da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai

Brasil, Paraná, Foz do Iguaçu, Itaipu

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As Minas de Potosí

Bolívia, Potosí

Atravessando parte mais estreita da Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Atravessando parte mais estreita da Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


As minas de prata de Potosí sustentaram o vasto império espanhol por séculos . Por volta de 1560 o metal foi descoberto no Cerro Rico, uma montanha que chega aos 4.500 metros de altitude. Quase que instantaneamente a população da então pacata e isolada vila começou a se multiplicar, transformando-a numa das maiores cidades das américas, chegando a ter, naquela época, quase 200 mil habitantes.

Entrada da Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Entrada da Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


Os espanhóis transformaram a descoberta numa verdadeira indústria. Fala-se que, naquela época, a quantidade de prata era tão grande que ela chegava a aflorar na superfície. Utilizando-se do trabalho forçado dos indígenas, que chegavam a trabalhar dezoito horas por dia nas piores condições, toneladas e toneladas do metal eram retiradas e enviadas para a Espanha, via Argentina. Em Potosí se diz que a quantidade de prata retirada seria o bastante para pavimentar uma estrada de ida entre a cidade e a Espanha. A estrada de volta seria pavimentada com o suor e sangue dos que aqui morreram para escavar esse metal.

Pronta para entrar na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Pronta para entrar na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


O consequência de toda essa mineração foi transformar Potosí na mais rica cidade do continente. Dezenas de igrejas e palacetes foram construídos. Mas, finalmente, a prata se acabou e a cidade entrou m franca decadência. Afinal, se não for pela prata, de que adiantaria se viver numa cidade a 4 mil metros de altitude? Pois é, esse foi o dilema de Potosí até que, em meados do século passado, outro metal ganhou importância no mercado mundial: o estanho.

Com nossa guia Roberta, na mina em Potosí - Bolívia

Com nossa guia Roberta, na mina em Potosí - Bolívia


Com isso, a cidade ganhou renovada importância e a população voltou a crescer, chegando novamente aos 200 mil habitantes. As condições de trabalho continuam terríveis, mas o uso do mercúrio, que tantos índios matou, acabou. Mesmo assim, a expectativa de vida de um minerador continua muito baixa, principalmente pelo pó que se respira dentro das minas, que destrói pouco à pouco os pulmões.

Explorando a Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Explorando a Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


As minas são uma das grandes atrações turísticas de Potosí e todos os dias dezenas de turistas entram montanha adentro para ver de perto como as pessoas ainda hoje trabalham. Agências organizam grupos, advertem sobre as condições claustrofóbicas, ajudam na compra de presentes para os mineiros e levam curiosos turistas para o Cerro Rico.

Com o protetor espiritual da Mina Rosário, o diabo 'Tio Jorge', em Potosí - Bolívia

Com o protetor espiritual da Mina Rosário, o diabo "Tio Jorge", em Potosí - Bolívia


E assim fomos nós, guiados pela Roberta, apenas nós três. Ela nos levou à uma venda onde compramos folhas de coca, para nós e para os mineiros e também refrigerantes. Ali ela também nos mostrou explosivos, detonadores e álcool, todos ítens de primeira necessidade para esses trabalhadores. De lá seguimos para um depósito onde nos vestimos apropriadamente para entrar nas minas, botas, macacão e capacete com lanterna.

Afloração de estanho na mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Afloração de estanho na mina Rosário, em Potosí - Bolívia


Subimos então até os 4.300 metros, onde está a entrada da Mina Rosário, uma das muitas dentro do Cerro Rico. Um dos primeiros grupos à chegar, fomos logo entrando naqueles túneis escuros e apertados. No início, ainda há paredes de pedra do tempo dos espanhóis. Impossível não imaginar as milhares de pessoas que já passaram por ali nesses quase 450 anos de funcionamento da mina. Quantos não morreram lá dentro? Como era a vida e os sonhos dessas pessoas? Que realidade viviam? Os pensamentos e sentimentos parecem ecoar pelas paredes. Ahhnnn se elas falassem...

Junto aos mineiros na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Junto aos mineiros na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


Caminhamos mais de um quilômetro pelos túneis da mina. Alguns mais largos, outros mais estreitos. Quanto mais para dentro, mais quente fica. Nos pontos onde estão os trabalhadores, o calor chega a 40 graus! os turistas não chegam até lá. Cruzamos com mineiros descansando um pouco em áreas menos quentes. Ou então, andando apressados para seus postos de trabalho ou conduzindo carros lotados de minério pelos trilhos que seguem pelos túneis. Quando se ouve o barulho deles chegando o negócio é pular logo para o lado, se encostar nas paredes e esperá-los passar. Se não, passam por cima mesmo! Tem mais o que fazer do que ficar pajeando turistas...

Junto aos mineiros na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Junto aos mineiros na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


Conversamos com alguns deles. Parecem resignados ao seu trabalho. Alguns já estão lá há vinte anos, São os mais experientes, responsáveis pelos trabalhos de maior responsabilidade e técnica, como a detonação de explosivos. Outros são bem jovens, às vezes adolescentes. Fazem o trabalho mais pesado, carregando peso para lá e para cá. Todos mascam coca continuamente. Nos intervalos, bebem bebidas fortes. Até mesmo álcool puro.

Sulfato de cobre na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Sulfato de cobre na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


Quem os protege é o Diablo. Cada parte da mina tem o seu. São os chamados "tios". Na parte que visitamos, quem reina é o "Tio Jorge". Para ele se fazem oferendas e pedidos. Uma estátua o simboliza e nós também o homenageamos. Com várias fotos!

Potosí - Bolívia, vista do Cerro Rico

Potosí - Bolívia, vista do Cerro Rico


Três horas de mina foram o suficiente para nós. Saindo, cruzamos com grupos grandes de turistas, de até 15 pessoas. A visita deve ficar bem mais difícil, assim. Mas o resultado é o mesmo, para nós e para eles. Quem entra naquela mina pela primeira vez certamente sai diferente. É um tapa na cara, bem dado, sobre um modo de vida bem mais duro do que possamos imaginar, sem ter estado lá. É incrível cmo o ser humano se adapta. Quatrocentos anos de história de muito sofrimento para muitos e riqueza para poucos. mas as minas continuam lá, atraindo trabalhadores jovens de toda a Bolívia. A produção precisa continuar. Prata ou estanho, alguém tem de fazer o serviço...

Trabalhador de 16 anos na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Trabalhador de 16 anos na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Bolívia, Potosí,

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Coro e um Pouco de História

Venezuela, Coro

Uma das muitas igrejas de Coro, cidade histórica no noroeste da Venezuela

Uma das muitas igrejas de Coro, cidade histórica no noroeste da Venezuela


Como em quase todos os países do nosso continente, a história moderna da Venezuela começa com a chegada dos espanhóis, no início do século XVI, e o morticínio das populações locais, pela espada ou micróbios trazidos do velho continente. Essas populações já se encontravam por aqui há pelo menos 15 mil anos, de onde ocuparam toda a cadeia de ilhas que forma o Caribe, em sucessivas ondas migratórias.

A simpática Coro, cidade histórica na Venezuela

A simpática Coro, cidade histórica na Venezuela


“Venezuela”, ou “pequena Veneza”, foi como os espanhóis chamaram essas novas terras que, por seu litoral entrecortado e cheio de canais, tanto lhes lembrava a cidade italiana. Eles vieram atrás de ouro e outros metais preciosos, mas esses metais só seriam encontrados séculos mais tarde, depois da independência do país. Assim, o principal motor da economia colonial sempre foi a agricultura, organizada na forma de grandes fazendas. Foi em torno dessas riquezas agrícolas que surgiu uma rica elite local, de sangue criollo, uma mistura de linhagens europeias e indígenas. Essa elite local buscava uma maior autonomia política e econômica, mas importações e exportações, por força das leis coloniais, eram taxadas e amarradas à metrópole.

A simpática Coro, cidade histórica na Venezuela

A simpática Coro, cidade histórica na Venezuela


Quando as forças napoleônicas ocuparam a Espanha, no início do século XIX, foi a chance que, não só Venezuela, mas boa parte das regiões hispano-americanas, esperavam. Movimentos de independência surgiram quase ao mesmo tempo em todo o continente e, quando a Espanha finalmente conseguiu se recuperar na Europa, por aqui já era tarde demais. Certamente, espanhóis e parte da elite local, ainda fortemente ligada à metrópole, não aceitaram essa separação e guerras sangrentas de libertação se espalharam pela América do Sul. E foi na Venezuela, talvez por ser o país mais próximo da antiga metrópole, onde as lutas foram mais encarniçadas. Ao longo de mais de uma década de conflitos, metade da população de origem europeia morreu nas guerras e caos social e econômico criado por elas.

rua emsombreada de Coro, cidade histórica na Venezuela

rua emsombreada de Coro, cidade histórica na Venezuela


Foi nesse período conturbado que surgiu aquele que seria conhecido como o grande libertador do continente, Simon Bolívar. Ele foi um dos principais generais, mas não o líder, da “Primeira República”, proclamada em 1811 por Francisco de Miranda. Mas um terremoto devastador na capital Caracas, no ano seguinte, e a reação organizada por forças realistas baseadas na região de Coro conseguiram colocar fim ao movimento. Em 1813, agora já com a liderança de Bolívar, uma “Segunda República” foi lançada. Dessa vez, a reação veio de um local inesperado: nos Llanos, se levantou um exército formado por mestiços e gente simples. Seu carismático líder afirmava que o movimento de independência, criado pela elite local, nada traria de bom à população mais pobre. As forças republicanas foram derrotadas em seguidas batalhas e, enfraquecidas, não puderam resistir aos novos exércitos que chegavam da Espanha.

Carro 'novinho' nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela

Carro "novinho" nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela


Bolívar partiu para o exílio, primeiro em Curaçao e depois no Haiti, a jovem república negra formada uma década antes e que agora estava dividida em dois países. Depois de buscar ajuda na Jamaica britânica e nos Estados Unidos, foi no Haiti do Sul, governado pelo idealista Pétion, que obteve decisivo apoio para reorganizar seu exército e tentar a sorte novamente. A única exigência de Pétion para apoiar Bolívar foi a promessa de acabar com a escravidão na América do Sul. E foi assim, com a valiosa ajuda haitiana, que Bolívar voltou a desembarcar na América do Sul, já perto de 1820.

Arte nas ruas de Coro, cidade histórica no noroeste da Venezuela

Arte nas ruas de Coro, cidade histórica no noroeste da Venezuela


Dessa vez, Bolívar focou seu movimento de libertação primeiro na Colômbia, para depois expandi-lo rumo à Venezuela, a leste, e Equador e Peru, a oeste. Foi nesse último país que se encontrou com o outro grande libertador da América do Sul, o general San Martin, que depois de liberar a Argentina e Chile, veio derrotar os espanhóis perto de Lima. Foi um encontro tenso, mas cordial. Duas visões de mundo e governo que não muito combinavam. San Martín acreditava em governos monárquicos, como os que existiam na Europa de então. Bolívar era um republicano e tinha os Estados Unidos como modelo. Ao brindarem ao final do encontro, Bolívar fez uma homenagem aos “dois maiores homens do continente” enquanto San Martín preferiu homenagear as novas nações que nasciam. Por fim, San Martin voltou para o sul enquanto Bolívar, com a decisiva ajuda do general Sucre, acabou de expulsar os espanhóis do Equador.

Arte nas ruas de Coro, cidade histórica no noroeste da Venezuela

Arte nas ruas de Coro, cidade histórica no noroeste da Venezuela


O sonho de Bolívar era formar uma grande nação sul-americana. Pelo menos no papel, ele chegou perto disso. A “Gran Colômbia” era uma nação formada pelos atuais Venezuela, Colômbia, Panamá, Equador, Peru e Bolívia, tendo Bolívar como líder. Sua ideia era a de uma grande federação, com governo central relativamente fraco frente à autonomia de seus estados. Infelizmente, nunca funcionou e bastaram alguns anos para a nova nação se esfacelar nos países que conhecemos hoje. Bolívar tentou segurar o quanto pôde, inclusive assumindo papel ditatorial no final de seu governo. Mas ao final, desgostoso e doente, acabou morrendo prematuramente, não sem antes afirmar que “lutar pela união sul-americana era o mesmo que arar na águas do oceano”.

Pichações nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela

Pichações nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela


A separação dos países e a morte do antigo líder não trouxeram a estabilidade institucional desejada. Ao contrário, na Venezuela, uma interminável sequência de golpes militares e governos de caudillos trouxeram mais morte e caos e, novamente, uma grande parcela da população morreu nesse período turbulento. Foram as riquezas trazidas com a exploração do ouro descoberto no leste do Venezuela, na região da Guyana, que finalmente começou a mudar a sorte do país. Em uma das mais intensas “corridas do ouro” da história da humanidade, o país passou as ser o maior produtor mundial desse metal, só perdendo esse posto para a África do Sul, muitas décadas mais tarde. Mas, mesmo com toda essa riqueza, a incompetência política levou o país a declarar moratória no final do século, causando a ira dos credores internacionais e o bloqueio naval de sua costa, numa situação que causou muita tensão entre Inglaterra e Alemanha (os credores) e Estados Unidos, meio indeciso sobre se a famosa Doutrina Monroe valia ou não para bloqueios navais.

Pichações nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela

Pichações nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela


Finalmente, no início do século XX, foi descoberto petróleo na região do lago Maracaibo, fato que mudaria para sempre a história do país. Com a crescente dependência de nossa civilização dessa riqueza natural, a Venezuela soube se aproveitar disso e tornou-se o mais rico país da América Latina, principalmente depois dos choques no preço do petróleo na década de 70. Com a sobra de dinheiro, programas sociais e de infraestrutura mudaram a cara do país, um oásis em meio à crise que assolava o continente. Mas a bonança não durou muito e a queda dos preços do petróleo pegaram o país na contramão na década seguinte. Extremamente dependente desse único produto de exportação, as receitas da Venezuela entraram em queda livre, enquanto os gastos em programa social continuaram os mesmos. O país se endividou e, como seus vizinhos, acabou caindo no colo do FMI, que receitou o programa de sempre: corte de gastos e ajuste fiscal. O resultado foi uma enorme convulsão social, terreno fértil para todo tipo de revolução. Nascia o chavismo...

Rua no centro histórico de Coro usada como cenário de filme de época (noroeste da Venezuela)

Rua no centro histórico de Coro usada como cenário de filme de época (noroeste da Venezuela)


No dia de hoje, nosso primeiro aqui no país, passamos explorando a maior joia arquitetônica da Venezuela, a cidade de Coro. Um dos bastiões das forças leais à Espanha e do conservadorismo no século XIX, Coro perdeu importância política e econômica com o tempo, ficando muito para trás de Caracas e Maracaibo. O lado bom disso é que sua arquitetura foi conservada e hoje é possível passear pelas mesmas ruas e por entre as mesmas casas de 200 anos atrás. Na Venezuela de hoje, injustamente relegada ao 3º plano no mapa do turismo mundial, éramos praticamente os únicos visitantes em uma cidade com potencial de receber centenas de turistas todos os dias. Para nós, uma oportunidade única de começar a conhecer e entender esse país tão incrível, de natureza exuberante e história intensa. Falando nisso, bem ali, pichada nos muros, em frente aos nossos olhos, a história continua a acontecer, um país que ainda não sabe para onde vai, saído de uma tensa eleição, sem mais o polêmico líder, o tal bolivarianismo numa encruzilhada.

Rua no centro histórico de Coro usada como cenário de filme de época (noroeste da Venezuela)

Rua no centro histórico de Coro usada como cenário de filme de época (noroeste da Venezuela)


Bom, pelo menos nós sabemos para onde vamos. Coro está estrategicamente colocada entre a Península de Paraguaná e a Serra de San Luís, entre a praia e a montanha, entre o deserto e a floresta. Enquanto nos esbaldamos com a geografia, vamos tratar de entender a história, principalmente a desses últimos 15 anos...

Turma animada de adolescentes nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela

Turma animada de adolescentes nas ruas de Coro, cidade histórica na Venezuela

Venezuela, Coro, Bolívar, história

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...e a Mais Bela Aurora!

Alaska, Tok

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska


Foi com dor no coração que deixamos a saída para Valdez à nossa direita e seguimos viagem para Tok. Seria um “pequeno” desvio , ida e volta, de algumas centenas de quilômetros para a cidade que todos recomendaram de que não deixássemos de ir. Estrada bonita, geleiras, possibilidade de avistamento de vida selvagem e por aí vai. A cidade ganhou fama mundial depois do maior desastre ecológico da história, quando o Exxon Valdez derramou sua gigantesca carga de óleo, arruinando um meio ambiente quase virgem e paradisíaco, matando milhões de peixes, aves e mamíferos e causando a fúria de ecologistas por todo o mundo. Esses mesmos ecologistas previram que a região demoraria décadas para se recuperar, mas a Natureza surpreendeu a todos com a rápida renovação do ecossistema e da vida marinha. Ao mesmo tempo, o desastre dificultou em muito a vida dessas empresas petrolíferas, que tiveram que passar a lidar com leis muito mais rígidas em seus novos projetos de investimento. Há males que vem para bem...


Nosso novo roteiro até Haines, de onde pegamos o ferry. Agora, vamos passar pela lendária Dawson City!

Mas a previsão de tempo para os próximos dias estava muito ruim e seguir até lá para tomar mais chuva na cabeça nos pareceu mais teimosia do que inteligência. Assim, tratamos de armar um plano B que não fica muito a dever ao plano A, não. Nosso ferry sai de Haines no dia 25 e queremos chegar lá um pouco antes, para poder aproveitar também as belezas da cidade. Ao não irmos para Valdez, ganhamos uns dias extras para conhecer outros lugares e a decisão óbvia era seguir para longe da chuva. Nossa melhor chance era para o norte e para o interior do continente. E não é que, justamente lá, perdido nesse verdadeiro fim de mundo quase polar, está a cidade quase lendária de Dawson, uma vila saída dos tempos do faroeste, criada em apenas 2 anos, na época da corrida do ouro de 1898? Seria um desvio de pouco mais de 500 km na nossa rota original. Mas conheceríamos novas estradas, novas paisagens e, acima de tudo, a cidade mais interessante dessa parte do continente. Enfim, um bom negócio!

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska


Para chegar lá, tínhamos de ir por partes. Dawson fica no Yukon Territory, no Canadá. Está ligado à cidade de Tok, no Alaska, através da famosa rodovia “Top of The World Road”, que fica ao norte da Alaska Highway. Ao norte da Alaska Highway? Pois é, só isso já dá uma ideia de onde estávamos nos metendo. A estrada só funciona na temporada e, descobrimos hoje, que ela vai fechar amanhã, dia 21. Ou seja, acertamos na mosca!

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska


Pois bem, a primeira parte da nossa jornada, depois de passarmos por Anchorage, terminava na pequena Tok. Essa foi a primeira cidade que passamos no Alaska, no nosso caminho para Fairbanks e para o extremo norte. Tínhamos dado uma parada rápida na Oficina de Turismo, onde a simpática atendente nos deu várias dicas valiosas sobre o Estado. Passamos por lá justamente na véspera do escritório fechar, pelo menos até Maio de 2013. Outra vez, na mosca!

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska


Bom, dessa vez, já experientes em Alaska, não precisávamos mais da Oficina de Turismo. Mesmo que ela ainda estivesse aberta, não teríamos pressa. Com isso, pudemos curtir bastante a estrada da bifurcação de Valdez até lá. A parte mais impressionante é quando passamos ao lado de uma titânica geleira que parece invadir um vale muito abaixo da estrada. Lugar lindo! Como muitos outros lugares do Alaska, os principais frequentadores são os caçadores. Essa atividade está muito mais entranhada na cultura local do que havíamos imaginado. Aos poucos, vamos nos acostumando com pessoas vestidas em suas roupas camufladas, veículos off-road que carregam equipamentos e as vítimas abatidas e caminhões repletos de carcaças e chifres de alces, elks, caribous e veados. Acho que quem não se acostuma nunca são os pobres cervídeos. Afinal, seu genoma nunca os preparou a se esquivar de balas disparadas a mais de 200 metros de distância por rifles com mira telescópica. Não me parece muito justo, mas... assim é por aqui.

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska


Bom, voltando à viagem, chegamos já no escuro a Tok, arrumamos um pequeno hotel e fomos logo checar a previsão. Noite clara, sem lua e boas chances de aurora. Viva!!! Ainda não tinha falado, mas esse foi também um dos grandes motivos para voltarmos a essas bandas. Assim, começamos a checar os céus com os nossos olhos, de tempos em tempos. Um pouco depois da meia noite e, bingo! Lá estavam elas, as norhern lights, a Aurora Boreal, o aviso de que o show cósmico estava para começar!

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok


Não perdemos muito tempo! Entramos na Fiona e nos afastamos das poucas luzes de Tok e chegamos a um ponto onde só estávamos nós quatro: eu, a Ana, a Fiona e o Universo. Tinha as estrelas também, mas nem a lua convidamos!

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok


Bom, até hoje pela tarde, eu achei qu já tinha visto a Aurora. Ledo engano. Aquilo era outra coisa. A verdadeira Aurora, essa conhecemos hoje. Até então, tinha sido sempre muito lindo, especialmente para um habitante dos trópicos, completamente virgem nesse assunto. Mas confesso que as fotos ficavam mais bonitas que a realidade. Com um tempo de exposição mais longo nas fotos, o verde ficava mais forte do que era na realidade. Ficava uma falsa impressão que o céu ficava mesmo com aquelas cores fortes. Na verdade, era sempre mais tênue.

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok


Bom, isso foi até essa noite. Agora, a Natureza resolveu nos mostrar com quantos paus se faz uma canoa. Dessa vez, o que se vê nas fotos não chega a metade do que vimos com os olhos. Um verdadeiro balé de cores e formas, (nada de tênue não!) sobre nossas cabeças. Uma mágica que nos fez chorar de emoção, tamanha era a nossa incredulidade em ver tudo aquilo. Pela primeira vez, vimos outras cores com clareza. Vermelho, roxo, um azul meio esbranquiçado e, claro, muito verde.

Um verdadeiro show cósmico, na Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Um verdadeiro show cósmico, na Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska


Ficamos ali extasiados, sem fôlego, sem palavras, diante do espetáculo absolutamente indescritível se desenrolando ao nosso redor. Gente...sabe tudo aqui que sempre falaram da Aurora? Pois é... é muito melhor! Nosso desvio, o tempo ruim no sul, tudo isso já valeu a pena. E ainda temos Dawson pela frente. Com mais promessa de Aurora. Não dá para reclamar...

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Alaska, Tok, Aurora Boreal

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Chegando à Nova Inglaterrra

Estados Unidos, Pennsylvania, Lower Mt. Bethel, Connecticut, Hartford, Massachusetts, Northampton, Vermont, West Dover

Nosso charmoso Inn em West Dover, pequena cidade em Vermont, nos Estados Unidos

Nosso charmoso Inn em West Dover, pequena cidade em Vermont, nos Estados Unidos


Hoje foi o dia de deixarmos o conforto da casa da Amy na Pennsylvania e iniciarmos nossa jornada pela Nova Inglaterra acompanhados da nova tripulante da Fiona, a Bebel. Acordamos sem pressa pela manhã, tomamos nosso café com tranquilidade e nos despedimos da Amy e de seus poodles. O Joe já tinha saído bem mais cedo para trabalhar em Nova York, mas tinha deixado conosco a rota a ser seguida até Vermont, estado onde moram seus pais. A Fiona já não se aguentava mais: finalmente, de volta à estrada!

Despedida do trio de poodles da Amy e do Joe, na Pennsylvania, nos Estados Unidos

Despedida do trio de poodles da Amy e do Joe, na Pennsylvania, nos Estados Unidos


Despedida da Amy, na sua casa na Pennsylvania, nos Estados Unidos

Despedida da Amy, na sua casa na Pennsylvania, nos Estados Unidos


Pelos próximos dez dias, a ideia é viajar pela região da Nova Inglaterra, os estados mais à nordeste dos Estados Unidos. Connecticut, Massachusetts, Vermont, New Hampshire e Maine são famosos por suas cores no outono, suas montanhas no inverno e seu litoral no verão. Nós vamos tentar ver de tudo um pouco, mesmo estando fora da estação ideal: praias, montanhas, parques e cidades grandes e pequenas, todas conhecidas pelo seu charme e hospitalidade. A Nova Inglaterra é conhecida como uma das mais belas regiões do país.


Nossa Rota para chegar à Nova inglaterra

Começamos a viagem por estradas menores, atravessando o belo vale do rio Delaware, que divide a Pennsylvania de New Jersey e Nova York. Uma hora mais tarde, chegamos às auto-estradas, primeiro à 84 e depois à 91. A ideia era cruzar o mais rapidamente possível os estados de Nova York e Connecticut (que nos foi definido como “um grande subúrbio de New York City”). Na cidade de Hartford, nesss estado, mudamos de auto-estrada e, meia hora mais tarde já estávamos entrando em Massachusetts.

Almoçando em Northampton, em Massachusetts, nos Estados Unidos

Almoçando em Northampton, em Massachusetts, nos Estados Unidos


A bela Northampton, em Massachusetts, nos Estados Unidos

A bela Northampton, em Massachusetts, nos Estados Unidos


A fome começava a apertar e seguimos o conselho do Joe e paramos na pequena e charmosa cidade de Northampton para comer. Uma cidade estudantil, conhecida como centro da “contra-cultura” e movimentos GLS. Além disso, ou talvez por causa disso, são várias opções de bons restaurantes e não demorou muito para encontrarmos o nosso. Depois, uma rápida olhada nas lojas da cidade e já estávamos na estrada novamente.

A bela Northampton, em Massachusetts, nos Estados Unidos

A bela Northampton, em Massachusetts, nos Estados Unidos


Seguimos diretamente para Vermont, nosso objetivo do dia. Vamos dedicar mais tempo à Massachusetts na volta, quando passarmos pelo litoral e pela capital Boston. Em Vermont, logo deixamos a autoestrada de lado e seguimos para a Rota 100, uma conhecida estrada cênica que atravessa a bela região das Green Mountains. Foi nessa hora que tivemos certeza que não chegaríamos até a fazenda dos pais do Joe, mais ao norte. Ligamos para a Liz, a mãe dele, para dizer que só chegaríamos na manhã seguinte. Agora, precisávamos achar um lugar para dormir...

Viajando pela belíssima Rota 100, através das Green Mountains, no sul de Vermont, nos Estados Unidos

Viajando pela belíssima Rota 100, através das Green Mountains, no sul de Vermont, nos Estados Unidos


Viajando pela belíssima Rota 100, através das Green Mountains, no sul de Vermont, nos Estados Unidos

Viajando pela belíssima Rota 100, através das Green Mountains, no sul de Vermont, nos Estados Unidos


Não foi difícil! A Rota 100 passa bem no meio da região de ski do estado. As tais “Green Mountains”, bem verdes agora, aparentemente ficam brancas no inverno, pela quantidade de Resorts e Inns voltados para esse “filão” que vimos por ali. Agora, sem neve, o que há são muitas opções de hospedagem e poucos hóspedes. Melhor para nós! AO invés de ficar num desses motéis de rede, pudemos escolher um charmoso Inn, praticamente pelo mesmo preço e infinitamente mais aconchegante.

Nosso charmoso Inn em West Dover, pequena cidade em Vermont, nos Estados Unidos

Nosso charmoso Inn em West Dover, pequena cidade em Vermont, nos Estados Unidos


Nosso charmoso Inn em West Dover, pequena cidade em Vermont, nos Estados Unidos

Nosso charmoso Inn em West Dover, pequena cidade em Vermont, nos Estados Unidos


Ficamos na pequena cidade de Dover, bem no começo das Green Mountains. Amanhã, com toda a calma, percorreremos a Rota 100 e chegaremos até Woodstock. Não aquela famosa, do festival, mas sua homônima, aqui no estado. Aparentemente, tem umas 30 pelos Estados Unidos... A daqui é famosa pelo seu charme e história. De lá seguiremos para a vizinha Norwich, onde está a fazenda dos pais do Joe, para almoçar com eles. E aí, dependendo do horário, vamos ver até onde chegamos, já em New Hampshire. Isso é o melhor de tudo: saímos com uma rota e um sentido definidos, mas sem um destino final. Veremos até onde o vento nos leva...

Bebel se diverte na internet no nosso Inn em West Dover, em Vermont, nos Estados Unidos

Bebel se diverte na internet no nosso Inn em West Dover, em Vermont, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Pennsylvania, Lower Mt. Bethel, Connecticut, Hartford, Massachusetts, Northampton, Vermont, West Dover,

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Botos Cor de Rosa

Brasil, Amazonas, Novo Airão

Boto Cor de Rosa, no Rio Negro em Novo Airão - AM

Boto Cor de Rosa, no Rio Negro em Novo Airão - AM


Ainda me lembro muito bem quando, no início da década de 80, foi anunciado que o famoso oceanólogo francês Jacques Cousteau viria ao Brasil, para uma grande viagem à bacia amazônica. Eu já era fã do velho lobo do mar desde que seus documentários começaram a passar na TV brasileira. Passaram-se mais alguns anos até que os documentários feitos em terras tupiniquins chegassem à nossa TV. A Globo os exibiu em horário nobre, em quatro grandes capítulos. Um dos pontos altos do belo documentário foi o encontro de Cousteau com um estranho golfinho de água doce, o elusivo Boto Cor de Rosa.

Boto Cor de Rosa submerso, no Rio Negro em Novo Airão - AM

Boto Cor de Rosa submerso, no Rio Negro em Novo Airão - AM


Foi a primeira vez que ouvi falar desse mamífero. Desde então, ele tem um lugar cativo na minha imaginação. De lá para cá, quase 30 anos se passaram. Já viajei muito desde então. Mas só tinha conseguido ver de perto o Boto Cinza, um primo menorzinho e mais comum do Boto Cor de Rosa. Este, só pela TV ou revistas. Até hoje...

Filmando o Boto Cor de Rosa, no Rio Negro em Novo Airão - AM

Filmando o Boto Cor de Rosa, no Rio Negro em Novo Airão - AM


A fantástica coincidência que nos fez encontrar o casal brasileiro do Bordas do Brasil bem no meio da Guiana rendeu à todos nós uma rica troca de informações. Entre elas, a existência do município de Novo Airão, que ignorávamos por completo. Além da proximidade do arquipélago de Anavilhanas e do Parque Nacional do Jaú, a grande atração da cidade é a possibilidade de interagir de perto com Botos Cor de Rosa. Na hora, não dei o devido valor, mas assim que cheguei a um lugar com internet e acessei o site deles e as fotos dos botos, mudamos o nosso roteiro. Novo Airão passou a ser prioridade.

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


E assim, hoje cedo, estávamos cruzando, sob muita chuva, o Rio Negro de balsa, bem ao lado da ponte quase pronta que vai facilitar a vida de muita gente. Quarenta minutos navegando nos levaram à margem sul do Rio negro, numa estreita língua de terra que separa este rio do Solimões, um pouco mais para baixo. Aí, cerca de 170 km de estrada bem conservada e vazia nos levaram até a simpática e tranquila Nova Airão. A velha e original Airão foi o primeiro povoamento português na região, mais antiga ainda que Manaus. Dela só sobraram ruínas e é mais uma das atrações turísticas para quem visita a Nova, onde acabávamos de chegar.

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


Ainda antes de irmos para nossa pretendida pousada, já paramos no Centro de Informações Turísticas para perguntar sobre os botos e também sobre Anavilhanas, o maior arquipélago fluvial do mundo. Decidimos que vamos visitá-lo amanhã. Hoje, era dia de botos! Com trinta anos de atraso, mas antes tarde do que nunca.

Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


A gente se instalou na simpática pousada Bela Vista e seguimos à pé para o restaurante flutuante onde se pode alimentar botos que já estão acostumados com todo o ritual. Os turistas compram uns pedaços de peixe, aproximam-se mais ou menos da água, dependendo da coragem de cada um, a passam a alimentá-los. Antes que os puristas reclamem, por mais que sejam alimentados por turistas, que fora de fins de semana e feriados, mal aparecem, a maior parte da alimetação ainda vem da caça, e eles não estão esquecendo de como fazer isso por conta própria. Ao mesmo tempo, por causa dessa prática em Novo Airão, os botos, antes perseguidos pelos pescadores, por rasgarem suas redes, passaram a ser admirados no município, e protegidos por todos. A famosa win-win situation.

Brincando com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Brincando com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


Bem, eu e a Ana passamos um bom tempo, só nos dois, ali com os botos. Felicidade pura! Muita admiração por esse animal tão gracioso e belo. Eles ganharam um belo lanche! Nós, inesquecíveis momentos e muitas fotos legais. Uma bela troca!

Admirando o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Admirando o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM




P.S Além dos botos, outro fato digno de nota foi nosso almoço. Ficamos quase até cinco da tarde no bar flutuante dos botos, conversando com pessoas e bebericando cerveja. Aí, neste horário, numa cidade deste tamanho, ficamos sem esperança de achar muita coisa para comer. A esperança é a última que morre e fomos caminhar no centro. Eis que encontramos o restaurante Leão da Amazônia, onde um grande evento acabava de terminar. Entre os presentes, os cônsuls do Japão e da Suiça, que vieram para a inauguração de uma associação de artesanato. Foi servido um belo banquete para esse pessoal. Quando chegamos, o buffet estava sendo retirado. O menu havia sido metade japonês e metade suiço. Mas o cônsul suiço tinha atacado a metade japonesa também, de modo que muito queijo tinha sobrado por lá. Enfim, quem diria, conseguimos uma bela entrada de queijos suiços com pães, seguido dos pratos principais, contra filet ou peixe. Tudo muito bem temperado pelo chef francês que há alguns anos se mudou para a cidade. Hmmmm! Que delícia! E que surpresa!!!

Pousada Bela Vista, em Novo Airão - AM

Pousada Bela Vista, em Novo Airão - AM

Brasil, Amazonas, Novo Airão, Boto, Boto Cor de Rosa, Nova Airão

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Diz aí se você gostou, diz!

Rainhas do Mar

Brasil, Bahia, Abrolhos

Calda de baleia vista do barco em direção à Abrolhos - BA

Calda de baleia vista do barco em direção à Abrolhos - BA


Faz muito tempo que eu e a Ana queremos visitar Abrolhos. Na verdade, eu estive aqui há pouco mais de dez anos. Só que o tempo virou inesperadamente, o mar ficou agitado e meu barco, de menor porte, teve de voltar na manhã seguinte. Foram poucas horas de bom tempo, uma noite agitada, uma volta às pressas e aquele gostinho na boca de ter feito algo pela metade. Na verdade, metade da metade da metade... Já a Ana, teve de cancelar uma vinda sua para cá que já estava até paga...

Baleias avistadas do barco em direção à Abrolhos - BA

Baleias avistadas do barco em direção à Abrolhos - BA


Desta vez, nosso "inimigo" era o tempo. As frentes frias vem nos acompanhando desde a última vez que saímos de Curitiba. Mas a sorte sorriu para nós! Uma janela de bom tempo, exatos quatros dias, exatamente a partir de uma quinta-feira. Mais sorte, impossível, pois era justo quando uma das melhores operadoras daqui tinha programado uma viagem, com exatamente uma suíte do barco vaga para nós. Mais coincidência, impossível!

Baleias avistadas do barco em direção à Abrolhos - BA

Baleias avistadas do barco em direção à Abrolhos - BA


Bom, nada está tão bom que não possa ser melhorado. Estamos na época das baleias jubarte! Elas vem aqui para ter seus filhos e nós e outros turistas vem aqui para observá-las. Então, era esse o grande mote da viagem: ter a chance de observar esses animais magníficos, que vivem cantando e saltando sobre as águas entre o continente e o arquipélago.

Avistando baleias do barco em direção à Abrolhos - BA

Avistando baleias do barco em direção à Abrolhos - BA


Tanto a viagem de ida como de volta são as melhores oportunidades de avistar esses cetáceos. Ficamos no deck do navio à postos para os melhores ângulos e melhores fotos. As baleias não decepcionaram e apareceram aos montes, para felicidade dos viajantes. Felicidade e muita emoção de ver esses animais enormes, cheios de vida e graça. É incrível que ainda haja pessoas e nações que defendam a sua caça, mesmo com o ridículo propósito de "pesquisa científica".

Baleias desfrutam do lindo e calmo mar em Abrolhos - BA

Baleias desfrutam do lindo e calmo mar em Abrolhos - BA


Bom, aqui na Bahia isso não ocorre e as baleias podem nadar sem preocupações. Para nossa felicidade, o número delas vem aumentando ano a ano. Vê-las por cima d'água já vale a viagem. Ouvi-las por baixo d'água é de uma emoção indescritível. Serve para nos lembrar da nossa arrogância em crer que somos os donos do planeta ou as únicas criaturas inteligentes da Terra. Não, a natureza é muito maior do que nós e infinitamente mais bela e complexa que nossas vãs crenças e filosofias querem acreditar.

Filmando baleias do barco em direção à Abrolhos - BA

Filmando baleias do barco em direção à Abrolhos - BA

Brasil, Bahia, Abrolhos, Baleia, jubarte

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Mancora

Peru, Mancora

Praia em Mancora, no litoral norte do Peru

Praia em Mancora, no litoral norte do Peru


Dia de sol na praia, bem tranquilo. Estávamos completamente desacostumados com essa combinação perfeita, hehehe. Ficamos bem folgados no nosso hotel, demos uma caminhada na praia, compramos uma canga tamanho casal, tomei cerveja na beira da piscina (A Ana ainda está de molho!), enfim, tudo o que pessoas normais fazem nessa situação.

Nosso hotel em Mancora, no litoral norte do Peru

Nosso hotel em Mancora, no litoral norte do Peru


A praia foi, até agora, a melhor em que já estivemos aqui no Oceano Pacífico. Praia de areia, boa para caminhar, água fria mas bem suportável. Até que enfim um Oceano Pacífico mais "amigável". Mas, para quem está acostumado com as maravilhosas praias brasileiras, a beleza dessa aqui é bem mais ou menos. Tudo questão de referência, claro.

Dia de sol em Mancora, no litoral norte do Peru

Dia de sol em Mancora, no litoral norte do Peru


Bonito mesmo foi o fim de tarde e o pôr-do-sol. Uma festa para quem estava com máquina fotográfica, caso da Ana. Difícil é escolher as melhores

Caminhando na praia em Mancora, no litoral norte do Peru

Caminhando na praia em Mancora, no litoral norte do Peru


De noite, fomos dar uma volta no centrinho. Bem movimentado, afinal, hoje é sábado. Muito parecido com o centrinho de praias badaladas do Brasil, cheio de barzinhos com música alta, gente com pinta de surfista, cabelo desarrumado, pouca roupa, cara de malandro. Achamos um restaurante gostoso longe da balbúrdia e comemos uma comida gostosa. A Ana segue melhorando e já pode comer coisas além do frango...

Inca Cola, o famoso refrigerante nacional do Peru, com gosto de Tutti-Frutti (em Mancora, no litoral norte do país)

Inca Cola, o famoso refrigerante nacional do Peru, com gosto de Tutti-Frutti (em Mancora, no litoral norte do país)


Hoje foi nossa última noite no Peru por um bom tempo. Agora, só quando chegarmos em Cusco, vindos do Acre, daqui a um ano. Muita água para rolar embaixo da ponte, muito asfalto para passar embaixo da Fiona.

Belo pôr-do-sol no Oceano Pacífico, em Mancora, no litoral norte do Peru

Belo pôr-do-sol no Oceano Pacífico, em Mancora, no litoral norte do Peru


Amanhã, vamos para o Equador, nosso vigésimo-quarto país e o décimo da Fiona. O plano é chegar até Guayaquil, a maior cidade do país. Para mim, território completamente novo, pois só tinha chegado até o Peru anteriormente. Aos poucos a ansiedade, típica de quem parte para o desconhecido, toma conta de mim. Sensação ótima, diga-se!

Nosso 'escritório' em Mancora, no litoral norte do Peru

Nosso "escritório" em Mancora, no litoral norte do Peru


Aliás, não tinha dito ainda mas conseguimos re-acertar nossa viagem para Galápagos. Viva! Agora será no dia 25 de Setembro, voando de Quito, e embarcando num barco diferente do original, que não ficou pronto. Mesmo esquema: live aboard de 8 dias/7 noites, mergulhando sem parar. Depois, mais dois dias em terra, tentando ver o que for possível dessas ilhas maravilhosas. Nossos padrinhos Rafa e Laura estarão conosco, os mesmos que nos encontraram em Itaúnas, ano passado, no meu aniversário. Dessa vez, vão passar o aniversário da Ana conosco, dia 20 desse mês. Isso porque estão chegando 10 dias antes do live aboard para viajarem conosco pelo Equador. Vamos encontrá-los em Quito no dia 15. O que sobrou de chato dessa mudança de barco e de datas é que o primo Haroldo, o mesmo que esteve conosco em Fernando de Noronha não virá mais nos encontrar. Para ele, a mudança de datas foi fatal. Uma pena! Bem, se não foi por aqui, certamente será em outro lugar especial desse nosso continente. É esperar para ver...

O céu colorido do final de tarde em Mancora, no litoral norte do Peru

O céu colorido do final de tarde em Mancora, no litoral norte do Peru

Peru, Mancora,

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Viagem à Tijuana

México, Sierra de San Francisco, Ensenada, Tijuana

Chegando em Tijuana e na fronteira com os Estados Unidos!!!

Chegando em Tijuana e na fronteira com os Estados Unidos!!!


Ontem, dia 24, ainda no alto da maravilhosa Sierra de San Francisco e em pleno Deserto Vizcaino, iniciamos nossa longa viagem para Tijuana, já na fronteira entre México e Estados Unidos. E a primeira etapa dessa longa viagem só durou cinco minutos! É o tempo que leva para dirigir os 3 km entre nosso hostal, onde tínhamos nos despedido da simpática Jadira, até a Cueva del Ratón, onde já nos aguardava o nosso guia, que tem o sugestivo nome de Refugio.

Com a simpática Jadira, gerente do nosso hostal na Sierra de San Francisco, na Baja California - México

Com a simpática Jadira, gerente do nosso hostal na Sierra de San Francisco, na Baja California - México


Refugio, nosso guia na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México

Refugio, nosso guia na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México


A tal cueva tem esse nome porque quando foi redescoberta, em finais do século XIX, pensou-se que uma das figuras ali pintadas parecia um rato. Ledo engano, que deve ter feito o milenar artista tremer em sua cova. Não, não era um rato, mas um puma! Esse e outros animais estão ali, magistralmente desenhados por artistas de muitos milhares de anos atrás que deixaram para nós marcas de sua cultura e sociedade há tanto desaparecidas.

Incríveis pinturas rupestres na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México

Incríveis pinturas rupestres na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México


De novo, foi emocionante ter estado lá, diante dessa arte que ainda parece tão presente, ao mesmo tempo que evoca um passado tão distante. Outra vez, o mistério das pinturas estarem em paredes e tetos altos, inacessíveis sem uma boa plataforma. E, outra vez também, a figura do misterioso feiticeiro, túnica metade negra, metade vermelha e um capuz que faz seu rosto ficar escuro. Deve ter sido uma pessoa importante e poderosa, esse cara.

Admirado com a altura das pinturas rupestres na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México

Admirado com a altura das pinturas rupestres na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México


O mesmo misterioso feiticero está na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México

O mesmo misterioso feiticero está na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México


Meia hora de visita e reverência e estávamos prontos para os próximos 800 km de estradas. A parte norte da península da Baja California é menos interessante que a parte sul e resolvemos atravessá-la rapidamente, depois de termos ficado quase 10 dias na parte meridional. Alguns quilômetros de estrada de terra precária nos levaram até o asfalto e daí para a estrada principal, que nos levaria até a fronteira. Nesse trecho, mesmo apesar do longo caminho à frente, impossível não parar para tirar mais umas fotos do cenário maravilhoso. As montanhas e canyons da Sierra de San Francisco e a vastidão da planície desértica à nossa frente, lá embaixo. Uma pintura!

O magnífico visual da Sierra de San Francisco, na Baja California - México

O magnífico visual da Sierra de San Francisco, na Baja California - México


A enorme planície desértica de Vizcaino vista do alto da Sierra de San Francisco, na Baja California - México

A enorme planície desértica de Vizcaino vista do alto da Sierra de San Francisco, na Baja California - México


Bom, descemos para a planície e seguimos em direção à costa do Pacífico. Nesse trecho, aí sim vimos aquele deserto que todos temos em nossas mentes, cheio de areia e quase sem vegetação. Mas não demorou muito e chegamos à Guerreiro Negro, já na orla do mar e cidade que marca a fronteira dos estados de Baja California (onde está Tijuana) e Baja California Sur, onde tínhamos ficado todo esse tempo. A placa animadora no final da cidade marcava 699 quilômetros para Tijuana e 407 km para San Quintin, onde pretendíamos passar a noite.

Atravessando o deserto Vizcaino a caminho de Guerrero Negro, na Baja California - México

Atravessando o deserto Vizcaino a caminho de Guerrero Negro, na Baja California - México


Em Guerrero Negro, já mais 'perto' de Tijuana, na Baja California - México

Em Guerrero Negro, já mais "perto" de Tijuana, na Baja California - México


Dois desafios nos esperavam até lá. O primeiro, as constantes barreiras do exército para revistar os carros. Passamos por umas cinco, entre ontem e hoje. Algumas mais rápidas, outras demoradas, mas sempre muito simpáticos e curiosos conosco. O segundo, a total ausência de postos de combustível. Depois de uns 30km de Guerreiro Negro, lá veio a placa: “Próximo posto – 217 km”! Ô loco! Ainda bem que o tanque da Fiona é grande! Assim que vimos a placa, comecei a controlar, pelo computado de bordo, o cálculo de autonomia do carro. No início, era um número parecido com a distância do posto. Mas foi só tirar o pé do acelerador que a autonomia foi aumentando e, quando enfim chegamos ao posto, o computador ainda marcava uns 60km!

Um dos muitos postos de vistoria do exército na Baja California - México

Um dos muitos postos de vistoria do exército na Baja California - México


No trecho final da estrada de ontem, o deserto ficou para trás e a paisagem foi sendo tomada pelo verde. Finalmente, depois de tanto tempo sem ver cidades, elas apareceram, uma grudada na outra, crescendo na beirada da estrada, já com cara de cidades americanas. Até aqui, a menos de 300 km da fronteira, eles chegam aos montes em busca de praias e “exotismo”. Parte da cultura já foi adotada, inclusive a dos eficientes motéis de beira de estrada. Num deles, em San Quintin, a gente se instalou para um respiro depois de tanto asfalto.

Região de San Tomás, área de produção dos melhores vinhos do México (próximo à Enseñada, na Baja California)

Região de San Tomás, área de produção dos melhores vinhos do México (próximo à Enseñada, na Baja California)


Hoje saímos para uma etapa mais curta, depois de ficar até tarde no nosso quarto. Pouco mais de duas horas de estrada e chegamos à Enseñada, uma cidade que só cresceu de verdade quando aí foi instalado um hotel-cassino construído para os americanos na década de 30, época da famosa Lei Seca. Oitenta anos antes a pequena cidade havia sido ocupada pelo flibusteiro americano William Walker, que a declarou capital da República da Baja California. Esse louco foi expulso pelos mexicanos e tentou de novo criar sua república escravocrata na América Central. Chegou a conquistar e governar a Nicarágua, mas acabou sendo capturado pela marinha inglesa e entregue aos hondurenhos, que o fuzilaram.

Tomando um bom vinho mexicano em Enseñada, na Baja California, no México

Tomando um bom vinho mexicano em Enseñada, na Baja California, no México


Enseñada hoje recebe milhares de americanos, muitos dos quais chegam em cruzeiros. Um aspecto bem mais interessante da cidade é que ela fica no centro da principal região vinícola do país. Ou seja, é fácil encontrar um bom vinho nos diversos cafés e restaurantes da cidade. Nós prestamos nossa homenagem a isso, parando para almoçar e bebericar um pouco, vinho nacional, é claro!

Delicioso almoço e ótimo vinho em Enseñada, na Baja California, no México

Delicioso almoço e ótimo vinho em Enseñada, na Baja California, no México


De volta ao asfalto, seguimos pela famosa autoestrada que liga Enseñada à Tijuana. É uma belíssima estrada costeira, mas o tempo não ajudou. Depois de tatos dias de sol, chovia hoje. Brincamos que era o México triste com a nossa partida. Hmmmmm...

Chegando com chuva em Tijuana, na fronteira do México com os Estados Unidos

Chegando com chuva em Tijuana, na fronteira do México com os Estados Unidos


Bom, entramos na mais famosa cidade fronteiriça do continente embaixo de muita água. Tanto ouvimos falar dessa cidade e de seus perigos que a chegada foi uma surpresa. Afinal, é uma cidade grande e organizada, avenidas largas e trânsito tranquilo. Chato mesmo, só a chuva.

Dirigindo no centtro de Tijuana, na fronteira do México com os Estados Unidos

Dirigindo no centtro de Tijuana, na fronteira do México com os Estados Unidos


A gente se instalou num hotel recomendado pelo guia e, já de noite, saímos para jantar. Mas acabamos saindo depois da hora e foi uma luta achar restaurante aberto. De qualquer maneira, dirigimos por quase uma hora pela cidade, entre as 10 e as 11 da noite, sem nenhum problema. Qualquer resquício de temor desapareceu de vez. Pelo menos para nós, Tijuana foi uma cidade tão tranquila como qualquer outra. Bom, vamos ver amanhã, quando passaremos pela fronteira. Parece que é ali perto que as coisa “rolam”...

Campo florido próximo à Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México

Campo florido próximo à Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México

México, Sierra de San Francisco, Ensenada, Tijuana, Baja California, Cueva El Ratón, deserto, Guerreiro Negro, pinturas rupestres, San Quintin, Vizcaino

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Enfim, as Baleias!

Canadá, Port Hardy, Telegraph Cove

Baleia experimenta novas técnicas de pescaria com sua enorme boca aberta, durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Baleia experimenta novas técnicas de pescaria com sua enorme boca aberta, durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


O dia começou esplendoroso hoje. Pelo menos, para a Ana, que se levantou antes de mim e foi assistir, de camarote, o nascer-do-sol. E nem era tão cedo assim. Nós estamos impressionados como o “tamanho do dia” está diminuindo rapidamente por aqui. Parece que foi ontem que, lá no norte do Alaska, ainda tínhamos luz até quase onze da noite. Agora, a manhã só começa a aparecer depois das sete. Bem preguiçosa. Assim como eu, que aproveitei a tarde e noite de ontem no nosso ferry para tirar o atraso do site, fui dormir bem tarde e só levantei depois do espetáculo matinal. Mas a Ana não, e tirou fotografias espetaculares do sol nascendo na Inside Passage.

Nascer-do-sol esplendoroso na Inside Passage, chegando à Port Hardy, na Vancouver Island, no Canadá

Nascer-do-sol esplendoroso na Inside Passage, chegando à Port Hardy, na Vancouver Island, no Canadá


Estávamos no finalzinho do nosso último trecho nessa etapa de barco da nossa viagem. Já bem no sul do Canadá, céu azul e paisagens lindíssimas ao nosso redor. Mais umas poucas horas e chegamos à Port Hardy, no norte da Ilha de Vancouver. Ilha comprida, com cerca de 500 quilômetros de extensão. Lá na ponta sul está Victoria, a capital do estado de British Columbia. Ainda vamos chegar lá, de onde pegamos um ferry curtinho para o continente, onde está Vancouver, a maior cidade desse lado do Canadá. Mas antes, temos de explorar essa bela ilha, cheia de atrações naturais, de praias à montanhas, de geleiras à cachoeiras, de parques à cidades históricas.

Nascer-do-sol esplendoroso na Inside Passage, chegando à Port Hardy, na Vancouver Island, no Canadá

Nascer-do-sol esplendoroso na Inside Passage, chegando à Port Hardy, na Vancouver Island, no Canadá


Mas a primeira atração para nós não era nada disso. Na verdade, queríamos era continuar no mar, ainda na Inside Passage. Afinal, é aí que se pode encontrar os maiores animais do continente, as baleias! Faz tempo que estamos atrás delas, quase numa brincadeira de esconde-esconde. Ao longo de toda a nossa viagem pela Inside Passage, de Haines, no Alaska, à Port Hardy, no sul do Canadá, só vimos duas, bem de longe. Além disso, os tours para ver baleias já tinham deixado de funcionar em todas as cidades que paramos. Não por falta de cetáceos, mas por falta de turistas, por causa do fim da temporada.

O dia começa maravilhoso na Inside Passage, chegando à Port Hardy, na Vancouver Island, no Canadá

O dia começa maravilhoso na Inside Passage, chegando à Port Hardy, na Vancouver Island, no Canadá


Mas a esperança é a última que morre e descobrimos essa companhia, a Stubbs, muito bem recomendada, que faz tours a partir de Telegraph Cove, aqui na Ilha de Vancouver. Quis o destino que o último tour da temporada fosse hoje, saindo a uma da tarde! Nosso ferry, mesmo com o atraso na saída, que nos deixou de cabelo em pé, chegou em Port Hardy às onze da manhã. A Fiona já saiu acelerada da garagem do ferry, mapas do GPS funcionando, rumo ao sul. Uma hora de viagem e chegávamos à pequena Telegraph Cove, mais um pequeno resort que uma cidade. Todo o comércio fechado para a temporada, em Maio do ano que vem, com exceção de um restaurante e da Stubbs. Amanhã, serão todos! Enfim, conseguimos comer meio almoço (a outra metade devidamente embalada para de noite) e ainda entrar no barco de volta ao mar e rumo às baleias. Viva!

Telegraph Cove, em Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Telegraph Cove, em Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


O barco estava com apenas um terço da lotação máxima. Melhor assim! Além do capitão e um ajudante, uma inteligente, apaixonada e simpática bióloga, não só para nos ensinar muita coisa e responder todas as nossas perguntas, mas também para nos levar até as baleias, antecipar seus movimentos e até nos dizer a melhor hora de fotografar. Enfim, uma verdadeira cientista que ama seu trabalho e que enriqueceu demais o nosso passeio!

As magníficas paisagens de Telegraph Cove, em Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

As magníficas paisagens de Telegraph Cove, em Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


Essa região é muito conhecida pela presença de baleias Humpback (as nossas Jubartes), Orcas e os maiores leões-marinhos do planeta, chamados de Steller. Ocasionalmente, algum outro tipo de baleia. A nossa bióloga, depois do passeio da manhã, estava muito otimista com nossas chances de ver as Humpbacks e os Stellar Sea Lions, mas as Orcas estavam meio sumidas. Ela não parecia ligar muito para isso, muito mais interessada em um novo comportamento que ela tinha acabado de observar pela primeira vez na sua vida, de uma baleia Humpback. Uma nova maneira de se alimentar, sem igual na literatura científica. Enfim, estava louca para voltar para lá, filmar e fotografar, caso ocorresse novamente.

As magníficas paisagens de Telegraph Cove, em Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

As magníficas paisagens de Telegraph Cove, em Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


Bom, assim foi. Depois de navegarmos cerca de vinte minutos por aquela região maravilhosa, o dia absolutamente lindo, o mais bonito da temporada segundo nos disseram, encontramos as baleias. Delírio geral! Todos com binóculos ou máquinas fotográficas, o barco se aproxima até cerca de 100 metros de distância, quando desliga os motores. Aí observamos duas delas, afundando nas águas e voltando a superfície, mostrando as nadadeiras e a calda e dando aqueles seus sopros característicos. Nossa guia vai nos mostrando como reconhecer cada baleia (pelas marcas na calda e nadadeiras) e como saber se ela vai ou não mostrar a calda, para podermos tirar melhores fotos.

Primeira baleia avistada no passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Primeira baleia avistada no passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


Eis que vemos uma grande agitação de pássaros mais adiante. A bióloga logo adverte que uma baleia vai aparecer por lá. E aparece! Para sua alegria, é o “Conger”, o mesmo que estava se alimentando da forma inovadora, pela manhã. Não demora muito e ele coloca em prática novamente sua tática. Cabeça para fora, mandíbulas abertas, uma boca enorme, parada, tempo suficiente para dezenas de fotografias. Com as nadadeiras frontais, ele parece empurrar a água do mar para dentro da boca. Junto com a água, dezenas de pequenos peixes, filtrados por uma estrutura especial que a baleia tem na cavidade bucal. Um espetáculo se desenrolando bem em frente dos nossos olhos e lentes. Emocionante!

Movimentação de baleia atrai muitos pássaros durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Movimentação de baleia atrai muitos pássaros durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


Ficamos por aí uns vinte minutos, nos deliciando com o almoço do Conger. Foi quando um barco de pescadores avisa, por rádio, que baleias estariam caçando leões-marinhos logo à frente. A nossa bióloga sorri diante de uma afirmativa tão impossível. “Baleias não caçam leões-marinho! Deve ser o contrário...”. Seguimos para lá, pois já estava na hora d deixar o Conger em paz.

Enorme 'sopro' de baleia quase acerta pássaro, em passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Enorme "sopro" de baleia quase acerta pássaro, em passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


Quando ao conflito um pouco mais à frente, ela explica: ”Baleias não caçam animais maiores do que quinze centímetros. Nada maior do que isso passa pela sua garganta, cuja entrada é muito estreita”. Mas, naquela boca enorme que tínhamos acabado de ver, caberia um homem inteiro, com certeza. E se ela abocanhasse algo grande e o mastigasse até que ficasse pequeno o suficiente pela entrar na garganta? “Baleias não tem dentes e não mastigam!”. Não tem dentes? Mas as Orcas tem! E muitos! Pois é, a temida “Killer Whale”, ou Baleia Assassina, tem mesmo muitos dentes. Mas não é uma baleia e sim um golfinho!

Uma baleia adolescente durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Uma baleia adolescente durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


Mas, e os leões-marinhos, o que faziam com as baleias? Obviamente que eles também não as caçam. São dezenas de vezes menores do que elas. Na verdade, eles apenas as chateiam. Faz parte de seu aprendizado. As baleias se incomodam com aquela chateação e se afastam, sendo perseguidas por algum tempo. Mas tudo não passa de um treino para as duas espécies. Esses leões-marinhos são enormes, chegando a pesar mais de 1.ooo kg. O barco nos levou até a sua colônia, onde enormes machos tomam conta de seus haréns com dezenas de fêmeas. O barulho dos rugidos faz parecer que estamos em um curral. Assim como o cheiro, hehehe.

Uma baleia Humpback, durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Uma baleia Humpback, durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


No caminho de volta, vemos mais baleias. E outros leões-marinhos de uma espécie menor, com um tamanho mais parecido com aqueles que já conhecíamos (e até mergulhamos, no México). O seu tamanho nos faz perceber melhor ainda como os outros são gigantescos mesmo!

Baleia usa nadadeiras para empurrar peixes para a sua boca aberta, durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Baleia usa nadadeiras para empurrar peixes para a sua boca aberta, durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


Ficou só faltando o encontro com as maravilhosas Orcas. Ao menos, aprendemos bastante sobre elas. Por exemplo, elas se dividem em famílias que permanecem unidas a vida toda. Sociedades matriarcais, regidas pelas avós, que chegam a viver mais de 80 anos. As Orcas, junto com humanos e elefantes, são as únicas espécies onde os indivíduos vivem bem além da idade reprodutiva. O sentido? Passar para frente a valiosa experiência que certamente ajudará a perpetuar a espécie.

No barco durante passeio de em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

No barco durante passeio de em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


As famílias não se misturam, exceto para reprodução. Falam línguas distintas e tem cardápios diferentes. Umas comem peixes, outras comem mamíferos (os leões-marinhos, por exemplo). Mesmo os peixes preferidos variam. Enfim, é uma espécie incrível, com uma sociedade complexa que apenas agora começamos a entender...

Grupo de baleias Humpback nadam em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Grupo de baleias Humpback nadam em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


A enorme calda de uma baleia Humpback durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

A enorme calda de uma baleia Humpback durante passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


No final do passeio, o barco parou em um lindo lugar, no meio dos canais, e lá a bióloga nos deu uma palestra. Foi muito legal! Mostrou como toda a porcariada química produzida pela humanidade vai para no mar, daí para o plâncton, peixes, peixes maiores e, enfim, nas Orcas, o topo da cadeia. Se acumulam na gordura desses animais e, aparentemente, os está matando. Quanto mais perto da civilização, menos Orcas. É uma situação que vem piorando, infelizmente. Mas não chega a ser tão trágico como há apenas quatro décadas, quando Orcas eram metralhadas por aqui para que não rivalizassem com humanos na pescaria do salmão.

Steller Sea Lions, a maior espécie de leões-marinhos do mundopasseio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Steller Sea Lions, a maior espécie de leões-marinhos do mundopasseio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


Leões-marinhos nadam sob o nosso barco durante passeio em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Leões-marinhos nadam sob o nosso barco durante passeio em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá


Bem, voltamos à terra firme muito mais sabidos que antes. Além disso, com dezenas de fotos desses fantásticos animais e a experiência inesquecível de ter estado bem próximo deles. Ficamos sem as Orcas, mas testemunhamos o show do Conger, além de assistirmos ao corre-corre entre baleias e leões-marinhos gigantes. Realmente, nossa estadia por Vancouver Island começou bem. Muito bem!

Nossa bióloga dá uma pequena palestra ao final do passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

Nossa bióloga dá uma pequena palestra ao final do passeio de barco em Telegraph Cove, na Vancouver Island, na Columbia Britânica, costa oeste do Canadá

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