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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Argentina Há 2 anos: Argentina

Pedalando Pela Orla de Maceió

Brasil, Alagoas, Maceió

Mar da praia de Pajuçara, em Maceió - AL

Mar da praia de Pajuçara, em Maceió - AL


Chegando em Maceió e lendo sobre a cidade no Guia Quatro Rodas, descubro que há uma ciclovia recém inaugurada entre Pajuçara e Jatiuca, duas das principais praias da cidade. Chegando ao Íbis, nosso hotel na cidade, descubro que ele oferece bicicletas aos hóspedes, para alugar. O Íbis fica no comecinho de Pajuçara. No fim de Jatiuca, está o Hotel Jatiuca, palco da minha primeira grande viagem, há 30 anos!

Passeando de bicicleta pela orla de Maceió - AL

Passeando de bicicleta pela orla de Maceió - AL


Pronto! Juntando uma coisa com outra com a outra, tínhamos o programa perfeito para hoje: pedalar pela linda orla da cidade. E assim o fizemos!

Já disse isso em outro post, mas não custa repetir. A cor verde do mar daqui é absolutamente impressionante. Inacreditável aos olhos de um mineiro ou uma paranaense, acostumados com os mares do sul e sudeste. Acho que, em termos de cor de mar, é o que temos de mais próximo das ilhas do caribe. A água não é transparente, como em Noronha, Abrolhos ou o mar próximo ao Recife. Mas a cor é demais da conta. As fotos do post mostram um pouco disso.

Jangadas em Maceió - AL

Jangadas em Maceió - AL


A gente passou ao lado das jangadas que levam turistas às piscinas naturais, bem mais próximas da costa do que as Galés em Maragogi. No verão de 1981, lá se vão 30 anos, meu pai trouxe toda a família para uma temporada no então novinho em folha Hotel Jatiuca. Minha primeira vez fora da região sudeste. Minha primeira viagem de avião com mais de uma hora de duração. Minha primeira vez num grande hotel com a família. Minha primeira visão de uma mar dessa cor. Enfim, guardo essa viagem num lugar especial do coração e da memória. Entre elas, o passeio de jangada até às piscinas.

Hotel Jatiuca em Maceió - AL

Hotel Jatiuca em Maceió - AL


Por isso, fiz questão de pedalar até esse hotel. Na época, lembro que era meio afastado da cidade. Hoje não, é praticamente no centro. Foi ótimo revê-lo, memórias voltaram, pude contar bastante coisa para a Ana que, nessa época, ainda crescia no ventre materno, pouco maior do que um feijão.

Admirando o mar de Ponta Verde em Maceió - AL

Admirando o mar de Ponta Verde em Maceió - AL


Na volta, paramos num lounge bar bem agitado, DJ mandando bem na beira da praia. Ali ficamos, nadamos, assistimos ao pôr-do-sol. No mar de águas mornas fiz até uma mini-travessia, empolgado com a visão de grandes bóias no mar.

Saindo do mar depois de uma 'travessia' em Ponta Verde, em Maceió - AL

Saindo do mar depois de uma "travessia" em Ponta Verde, em Maceió - AL


Resumindo, um belo dia que nos abasteceu de boas memórias para nunca mais esquecermos essa bela cidade. E ainda tem a noite...

Sol se pondo em Pajuçara, em Maceió - AL

Sol se pondo em Pajuçara, em Maceió - AL

Brasil, Alagoas, Maceió,

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Passeando e Planejando

Brasil, Pará, Belém

A Praça da República e o Teatro da Paz, em Belém - PA

A Praça da República e o Teatro da Paz, em Belém - PA


Nosso dia hoje em Belém foi dividido entre passeios para ver um pouco dessa metrópole, o planejamento dos nossos próximos dias por aqui, em Marajó e no Amapá e tentar colocar tudo isso em prática.

Mercadorias no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Mercadorias no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


As balsas com carros entre Belém e Macapá saem às sextas e sábados, então não poderíamos perder essa chance, pois esperar mais uma semana iria nos atrasar muito. Mas nós não poderíamos ir tão rápido, pois não teríamos chance nem de ver Belém nem a Ilha de Marajó. Por isso resolvemos despachar a Fiona e seguir alguns dias depois, para já encontrá-la lá. Isso nos daria o tempo necessário para viajar por dois dias à Marajó. Aliás, como o nosso tempo é exíguo, resolvemos pagar uns reais a mais (não muitos) para voar para Macapá, na madrugada de segunda para terça, ao invés de ficar 24 horas num barco. Para completar, a Fiona já está com sua revisão dos 30 mil km agendada para terça cedo, em Macapá. Na quarta, devemos seguir para Oiapoque, e de lá para as Guianas.

Tudo se vende no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Tudo se vende no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


Para colocar tudo isso em prática, então, a primeira tarefa era despachar a Fiona. Passei a manhã toda tentando efetivar isso, mas a cegonheira em que eu iria "encaixar" a Fiona não chegava à Belém, e o tempo ía passando. Acabei desistindo e optando por um lugar na balsa diretamente. Por 800 reais, a Fiona foi embarcada, numa viagem de 30 horas, para Macapá. Na terça, saberemos se deu tudo certo. Até lá, dedos cruzados Quanto à nós, amanhã de madrugada seguimos para Marajó, de onde retornamos na segunda pela manhã para mais um dia em Belém, até embarcarmos de noite para Macapá. Segunda também será o dia de comprar euros e dólares para a temporada guianesa.

Em frente ao 'Mercado de Ferro', no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Em frente ao "Mercado de Ferro", no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


Planejamento relatado, falta a parte do turismo! Como eu já sabia que passaria boa parte da manhã no quarto do hotel, por conta da balsa da Fiona, resolvemos ir mais cedo ainda visitar o principal símbolo turístico de Belém, o Mercado Ver-o-Peso. Eram 07:30 da manhã quando lá chegamos, ainda em tempo de ver o mercado ser abastecido com levas e levas de peixes recém chegados dos rios da região. As bancas de peixe ocupam o Mercado de Ferro, área nobre do Ver-o-Peso importada em partes da Inglaterra há mais de cem anos. São as suas torres o símbolo do mercado. À sua volta o mercado se estende em barracas onde se pode ver de tudo, desde frutas, vegetais e artesanato até animais engaiolados e elixires que prometem remediar tudo. Passamos mais de uma hora por ali, fotografando e observando as mercadorias e, principalmente, as pessoas que fazem desse lugar um dos mais vivos do país.

Venda de pescada-amarela no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Venda de pescada-amarela no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


Na volta para o hotel, ainda passamos na Igreja das Mercês, uma das mais famosas e antigas da capital. A sessão de turismo só pode ser retomada no intervalo do almoço, quando fomos à Praça da República ver o Teatro da Paz, imponente prédio da época de ouro do ciclo da borracha e que contribuiu para que se apelidasse Belém, com uma certa dose de exagero, de "a Paris dos trópicos".

Igreja das Mercês, em Belém - PA

Igreja das Mercês, em Belém - PA


Eu ainda tive a chance de passar novamente a Estação das Docas, agora de dia, quando voltei do embarque da Fiona. Cada vez mais acho parecido com Puerto Madero e cada vez mais fico admirado com o trabalho realizado. Uma área da cidade que estava jogada às traças revitalizada e transformada em centro comercial, gastronômico e turístico.

Estação das Docas, em Belém - PA

Estação das Docas, em Belém - PA


De noite, de táxi, fomos comer numa área cheia de restaurantes, bem movimentada. Escolhemos o Xícara da Silva, lugar bastante agradável onde jantamos muito bem. Até gostaríamos de esticar a noite, mas o barco para Marajó vai sair às 06:30. Além disso, alguma virose me atacava e não seria muito inteligente eu abusar...

Cupuaçu fresco e de verdade no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Cupuaçu fresco e de verdade no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Brasil, Pará, Belém, Ver o Peso

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Tobago Cays, Franceses e a Espaçonave Russa

São Vicente E Granadinas, Union Island, Tobago Cays

Admirando praia de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Admirando praia de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Logo cedo, estávamos embarcando na voadeira do “Tiger” para um dia de explorações pelo parque marítimo de Tobago Cays e outras pequenas ilhas próximas. Outra opção teria sido pegar um dos barcos grandes que fazem um day-tour parecido, mais esquematizado. No preço da passagem já estaria incluído comida e bebida também. Mas, fazendo as contas, principalmente a viagem para Granada amanhã (o mesmo Tiger vai nos levar), ficou melhor irmos no nosso “pequeno” grupo, composto por nós mesmos, hehehe. Além disso, o Tiger combinou um esquema de comermos e bebermos com outro grupo maior, todos de franceses, que seguiam em outro barco.

Saindo de voadeira de Union Island para Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Saindo de voadeira de Union Island para Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


O mar não estava para peixe, e foram uns 40 minutos de muito sacolejo para chegarmos à ilha onde foi filmado uma das cenas de “Piratas no Caribe”. Um pequeno paraíso cercado por areias brancas, mar caribenho e habitado apenas por coqueiros e caranguejos. Mas havia lá também uma outra coisa, que parecia meio fora do lugar. O Tiger logo disse: “São destroços de uma espaçonave russa”. Bem incrédulo, me aproximei. E não é que era mesmo! Claramente se via os escritos naquele estranho alfabeto cirílico, assim como as várias camadas de insulação que protegem a nave contra o choque de partículas no espaço, a velocidades muito maiores que da bala de um revólver.

Restos de nave russa em tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Restos de nave russa em tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Estava ali tentando imaginar como aquela estrovenga tinha chegado naquela ilha perdida no meio do Caribe quando nossa atenção teve de se concentrar em algo muito mais premente: o céu ameaçador anunciava a chegada de uma forte tormenta tropical. Foi só o tempo do Tiger levantar parte dos destroços da nave e encostá-los num coqueiro, fazendo um pequeno abrigo, que os fortes ventos e intensa chuva começaram. Ainda bem que não tinha sido quinze minutos antes, quando ainda estávamos em alto mar!

Protegendo-se de tormenta em abrigo improvisado com restos de nave russa em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Protegendo-se de tormenta em abrigo improvisado com restos de nave russa em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Pois bem, lá ficamos os três nessa situação realmente inusitada. Em uma ilha supostamente paradisíaca em pleno Caribe, cercados por uma forte tempestade e tendo como único abrigo os destroços de uma nave espacial! Difícil de acreditar... Ainda não sabia como a nave havia chegado aqui (de certo, o mar a trouxe de longe...), mas já sabia o porquê! Era para proteger dois manés brasileiros perdidos no meio de uma tormenta, hehehe!

Praia paradisíaca em manhã nublada em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Praia paradisíaca em manhã nublada em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


A tempestade demorou um pouco mais para ir embora do que tinha demorado para chegar. Mas, enfim, se foi... E nós pudemos caminhar um pouco pela pequena ilha, já não tão bela sob aquele céu cinzento. Começamos a conhecer também o grupo de franceses, que tinha se abrigado sob folhagens de coqueiros. Os franceses, pelo menos na nossa experiência, formam a maioria dos turistas por aqui. Talvez pela proximidade de Martinica e Guadalupe, talvez porque toda essas ilhas fizeram parte da história do país, nas suas guerras com a Inglaterra, o fato é que vimos dezenas deles, nesse último mês pelo Caribe.

Snorkel com tartarugas em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Snorkel com tartarugas em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Não demorou muito para vermos toda a ilha e logo o Tiger já estava nos levando para as próximas ilhas, bem ali do lado. Agora estávamos no coração das Tobago Cays, dezenas de iates e veleiros ancorados em suas baías protegidas. O mar estava com aquela cor verde esmeralda e, dessa vez, ao invés de nos deixar na praia, o Tiger nos deixou no meio da baía. É o melhor local possível para quem quer mergulhar com tartarugas. Nunca vimos tantas num mesmo lugar. Cheguei a enquadrar quatro na mesma foto, embora fique meio difícil de discernir todas elas na fotografia. Mas foram dezenas desses simpáticos animais. Essa espécie se alimenta de “sea grass”, e isso não falta naquela baía rasa de águas claras e tranquilas.

Snorkel com tartarugas (tem 4 delas na foto!) em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Snorkel com tartarugas (tem 4 delas na foto!) em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Depois de muita natação e perseguição às ariscas cascudas, nadamos para uma pequena ilha ali pertinho. Novo período de socialização com os franceses e tive de desenferrujar a língua novamente. Justo agora que já pensava que inglês e espanhol seriam suficientes para o resto da viagem, hehehe. Todos muito curiosos sobre a nossa viagem, explicaram que vinha numa viagem de grupo, organizada pela internet, onde se conheceram apenas no aeroporto, para um tour de duas semanas pelas ilhas do sudeste do Caribe.

Local do nosso almço em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Local do nosso almço em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


A próxima parada foi em uma ilha onde já estava preparado nosso banquete. Muito peixe, rum, batatas, saladas, arroz, frutas e o que eles chamam aqui de “lamby”. Apenas outro nome para “conch” (muito popular nas Bahamas), um tipo de marisco que vive dentro de conchas. Uma delícia! Mais uma oportunidade para socializar não só com os franceses, mas também com os rastas que organizavam o day-tour deles. Umas figuras!

Chegando à minúscula Happy Island, em frente à Union island, em São Vicente e Granadinas, no Caribe

Chegando à minúscula Happy Island, em frente à Union island, em São Vicente e Granadinas, no Caribe


Mais tempo para snorkel com peixes a arraias e seguimos para a pequena Happy Island, já bem perto de Union Island e do fim do passeio. Na verdade, a pequena ilha foi feita artificialmente, com conchas, areia e um pouco de cimento. É exatamente do tamanho de um bar e, na verdade, é um bar. Aí ficamos amigos de um simpático casal de canadenses que, além de nos pagar de surpresa nossos rum punches, ainda nos ofereceram estadia em sua cada, no Nappa Valley, a região produtora de vinhos na Califórnia, onde moram atualmente. Muito legal!

Novos amigos em Happy Island, em frente à Union Island, no sul São Vicente e Granadinas, no Caribe

Novos amigos em Happy Island, em frente à Union Island, no sul São Vicente e Granadinas, no Caribe


De volta à Union Island e á simpática e agitada Clifton, onde tivemos mais uma noite gostosa no bar da Niki (onde tínhamos conhecido a Eugenia), depois de comer outra pizza deliciosa na francesa, em companhia de uma dominicana que fazia aniversário e de um casal de franceses que estava no day-tour e que está de mudança para San Francisco. Ótima companhia, mas fomos todos dormir cedo. Amanhã é dia de viajarmos, de voadeira, para o último país desse nosso giro pelo Caribe, Granada. Serão dois dias em Carriacou e outros dois na própria Granada, de onde voamos no dia 1º para Barbados e Nova York. A tristeza de deixar o Caribe começa a bater...

Visitando loja de duas super figuras em Clifton, na Union Island, sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Visitando loja de duas super figuras em Clifton, na Union Island, sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

São Vicente E Granadinas, Union Island, Tobago Cays, Clifton, Happy Island, Praia

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Dia Cinzento, Dia de Eleições

Brasil, Espírito Santo, Iriri, Guarapari, Anchieta

Linda amendoeira em frente à igreja de Anchieta - ES

Linda amendoeira em frente à igreja de Anchieta - ES


Coincidência ou não, hoje foi dia de eleições e também o dia mais cinzento e chuvoso que tivemos por um bom tempo. Espero que não tenha nada a ver com o que está por vir ao Brasil...

Justificando o voto na eleição 1o turno, em Iriri - ES

Justificando o voto na eleição 1o turno, em Iriri - ES


Tempo frio e chuvoso, nada de roupas de banho na nossa programação. Depois de um magnífico café da manhã, nossa primeira parada foi a escola Tom e Jerry, em Iriri, para justificar o nosso voto. Foi gostoso ir lá, ver as filas para votação e entrar um pouco no clima de eleição. Para justificar, não havia filas. Afinal, quem é que justifica voto em Iriri, Espírito Santo?

Mar revolto num dia de chuva e eleição, em Iriri - ES

Mar revolto num dia de chuva e eleição, em Iriri - ES


Depois, fomos dar uma volta na orla da praia Costa Azul, admirar o mar bravio e barrento e compará-lo com o de dois dias antes. Que diferença!

Visitando a igreja de Anchieta - ES

Visitando a igreja de Anchieta - ES


Voltamos para o hotel, empacotamos tudo, despedimo-nos do simpático staff e partimos para a vizinha Anchieta. Lá, visitamos o complexo onde viveu o famoso jesuíta, além de aprender um pouco de sua história. Veio para o Espírito Santo depois de viver no sul do país, sendo um dos fundadores de São Paulo. Passou um bom tempo nas praias de Ubatuba onde escrevia seus poemas na areia das praias. Aqui no Espírito Santo, duas vezes por mês caminhava de Anchieta até Vitória, caminho de mais de 100 km. Gostou tanto daqui que foi o lugar que escolheu para passar seus últimos dias. Vida interessante deve ter tido esse senhor, protetor dos índios contra os escravizadores portugueses.

Fiona vai a praia em Ubu - ES

Fiona vai a praia em Ubu - ES


De Anchieta, uma rápida passagem por Ubu, praia recomendada pelos amigos de Delfinópolis, Mariangela e Help. O tempo do jeito que estava, só deu para ver de longe. De lá para Meaípe, onde fica um dos restaurantes mais famosos do Brasil, o Curuca, especializado em cozinha capixaba. Lá, eu e a Ana nos refestelamos numa deliciosa muqueca. O frio fez a muqueca quentinha ficar ainda mais saborosa, principalmente acompanhada de uma "muqueca de banana".

A famosa muqueca do Curuca, em Meaípe - ES

A famosa muqueca do Curuca, em Meaípe - ES


Por fim, foi pegar a estrada e atravessar o estado em direção à Minas. Viemos até Ibitirama, em plena Serra do Caparaó, a quase 1.500 metros de altitude. Aqui perto fica o Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça e também o Pico da Bandeira. Estamos prontos para alguns programas de serra antes de voltar à praia por um bom tempo. Aliás, o tempo é que não está ajudando muito... Vamos ver se melhora.

Os urubus parecem não se importar muito com a placa, em Ubu - ES

Os urubus parecem não se importar muito com a placa, em Ubu - ES

Brasil, Espírito Santo, Iriri, Guarapari, Anchieta, Meaípe, Ubu

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Minas de Novo

Brasil, Minas Gerais, Chapada Gaúcha

Dia de viagem, sem fotos! Atravessando belas estradas, no DF, GO e MG. Até chegarmos à Arinos, bem no noroeste de Minas. Aí, 95 km de estradas de terra até Chapada Gaúcha. Quem diria, um cantinho gaúcho aqui no norte de Minas...

Já acertamos nossa visita ao Parque Nacional Grande Sertão Veredas para amanhã. Estamos ansiosos. Quem vai nos levar é o José, funcionário do Ibama. E, para passar o tempo mais rápido, eu e a Ana estamos indo a um rodeio aqui na cidade. Seguido de um forrozão...

Brasil, Minas Gerais, Chapada Gaúcha,

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Chuva no Sertão!

Brasil, Piauí, Oeiras

A chuva chega no sertão! (na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI)

A chuva chega no sertão! (na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI)


Há doze mil anos, a Serra da Capivara era um lugar muito diferente do que é hoje. Uma floresta viçosa e tropical ocupava o espaço onde está a caatinga. Por onde hoje andam calangos e mocós, podia se ver preguiças com quatro metros de altura e tatus do tamanho de fuscas. Ambos atentos para não serem atacados por tigres dente de sabre. A razão dessa enorme alteração foi a mudança do clima na região e a consequente diminuição da quantidade de água. Com menos água, menos vida. Simples assim.

A grande planície de caatinga no pé da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

A grande planície de caatinga no pé da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Ainda hoje é fácil perceber por onde corriam os rios. Há canyons e vales por todos os lados e é fácil notar sua ação nos paredões de pedra. Sim, os mesmos paredões de pedra erodidos e esculpidos pela ação dos antigos rios continuam por aqui, como que para nos lembrar que o tempo passa, que as coisas mudam.

Subindo a longa escada que nos leva ao alto de um dos rochedos da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Subindo a longa escada que nos leva ao alto de um dos rochedos da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Pois não é que hoje a chuva veio e encheu o sertão de sons e cheiros? Veio em quantidade suficiente para dar vida aos pequenos riachos que hoje correm onde antes havia rios "eternos". Veio para nos lembrar que a Capivara já teve seus dias de Diamantina.

A chuva faz a alegria das crianças na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

A chuva faz a alegria das crianças na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Veio para a nossa alegria e para a alegria dos sertanejos. Afinal, não são apenas os rochedos que estão aqui desde o tempo em que a Capivara era úmida. Os homens também, seja com suas pinturas rupestres, seja com sua dura vida na atual caatinga. Foi muito legal ter estado aqui hoje, ser testemunho da chuva e da alegria das pessoas com a água que caía do céu.

Bromélia cresce na caatinga, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Bromélia cresce na caatinga, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Para nós, não poderia ter sido melhor. Primeiro, subimos um mirante numa quase imterminável "escada de marinheiro". Lá de cima, foi impressionante ver a chuva que caía ao longe no sertão. Parecia que a caatinga ficava mais verde a cada minuto.

Com a chuva, um riacho ganha vida na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Com a chuva, um riacho ganha vida na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Depois, fomos caminhar com o Rafael em uma parte mais ao norte do parque. Ele nos levou para uma trilha, no canyon do Inferno, que para nós foi o paraíso. Havia um riacho correndo pelas pedras! No fundo do canyon, música para nossos ouvidos: o mágico som de uma cachoeira!

Pequeba e mágica cachoeira no fundo de canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Pequeba e mágica cachoeira no fundo de canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Pois é, durante milênios essa cachoeira nunca secava. Agora, ela corre apenas alguns dias do ano. E nós estávamos lá para testemunhar isso! A visão da pequena cachoeira no fundo de uma gruta iluminada por uma clarabóia foi uma das cenas mais bonitas e emocionantes que vimos por aqui!

Caminhando na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Caminhando na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


A chuva e a umidade encheu a mata de borboletas, brancas e amarelas. Mocós e catitus também apareceram. Foi uma festa!

Caminhando com as borboletas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Caminhando com as borboletas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Além disso, fomos ver também mais tocas e suas pinturas. As priemiras a serem estudadas pela Niède Guidon. Todas elas na beirada de antigos rios, cenários que deveriam ser parecidos com o que vimos tantas vezes nos rios da Chapada Diamantina. Hoje, o vale está lá embaixo, sem água. Quer dizer, hoje, bem hoje, até ouvimos um pouco da água que passa lá embaixo. Um tênue fantasma de outrora. Mas que, de alguma forma, acaba dando mais vida às pinturas que temos à nossa frente. Tudo ficou mais real. Para completar, só faltou cruzarmos com uma preguiça gigante...

Painel de pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Painel de pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Visitar a Serra da Capivara foi uma experiência e tanto. Valeu cada minuto. Era três da tarde quando partimos rumo à Oeiras, antiga capital do estado. Mas nossas mentes ficariam naquela serra mágica ainda por um bom tempo...

Pequena gruta no fundo do canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Pequena gruta no fundo do canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Brasil, Piauí, Oeiras, Parque, trilha

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Dia de Folga, Noite nem Tanto

Suriname, Paramaribo

Com o Scott, a Ellen e Donovan (casal que conhecemos em Belém!), em Paramaribo - Suriname

Com o Scott, a Ellen e Donovan (casal que conhecemos em Belém!), em Paramaribo - Suriname


Ontem, depois da chegada de madrugada no hotel, ainda ficamos de internet um tempo e só fomos dormir depois das três. Resultado: já começamos nosso dia de folga perdendo o horário do café da manhã incluído na diária. Mas nem deu para ficar com consciência pesada, pois a maravilhosa cama do Eco Resort Inn dá de 10 x 0 no café da manhã fraquinho do Eco Resort Inn.

Já o horário do almoço, não queríamos perder não! Domingão, tudo fecha na cidade e, se deixássemos para muito tarde, não iríamos achar comida para nós. Mas, bem no horário de sair, eis que achamos meu irmão e minha mãe no Skype, na cidade maravilhosa. Aliás, além da cidade, viva a tecnologia maravilhosa do Skype!

Depois de rápida e animada conversa com direito à vídeo, cada um foi atrás do seu almoço em sua respectiva cidade. Para eles, certamente não faltavam opções, um pouco depois das duas da tarde. Para nós, fomos direto no bairro brasileiro atrás de uma churrascaria, para matar a saudade do tempero. Comemos no "Petisco", restaurante famoso por aqui. Falando português com o garçon e com a caixa. Seviço completo!

Churrascaria brasileira em Paramaribo - Suriname

Churrascaria brasileira em Paramaribo - Suriname


A tarde foi preguiçosa no hotel mesmo, pesquisando coisas na internet. Por exemplo, decidimos comprar o seguro da Fiona para a Guiana aqui mesmo, em Paramaribo. Parece que é a melhor opção. Vamos ver isso amanhã pela manhã.

No início da noite, recebemos a grata surpresa de uma visita de nossos amigos surinameses que conhecemos em Belém, no hotel. Foram eles que nos trocaram nossa primeira moeda daqui, já há bem mais de um mês. Agora, por e-mail, descobriram onde estávamos e vieram nos visitar. Gente boníssima, a Ellen e o Donovan. Quem também veio nos ver foi o Scott, americano que conhecemos aqui mesmo, antes de irmos ao Caribe. Com ele fomos jantar aqui por perto.

Ao final do jantar, ele chamou um amigo seu, aqui do Suriname, com sua namorada brasileira. Aí, os cinco juntos, resolvemos esticar a noite em Paramaribo, nossa despedida da cidade. Domingão, fomos no club mais agitado da cidade, uma balada de garimpeiros brasileiros. Literalmente! Como disse a Ana, uma bela experiência sociológica. Sociológica e musical, eu diria, ouvindo todos os grandes hits dos bailes funks dos últimos anos, desde o Bonde do Tigrão até a Eguinha Pocotó.

Comida brasileira em Paramaribo - Suriname

Comida brasileira em Paramaribo - Suriname


Foi legal ver como se diverte a comunidade brasileira na cidade, quase toda formada por garimpeiros nos seus dias de descanço e toda aquela "mini-sociedade" que gravita em torno deles. Ao final da balada, já depois das três, deixaram-nos em casa. Imagino que a comunidade tenha ficado bem curiosa sobre a presença daqueles forasteiros (nós), principalmente da loira alta de quase 1,80m rebolando em suas pistas de dança, hehehe

No hotel, fiz o porteiro jurar que nos acordaria às 8:00. Perder o café uma vez, tudo bem, mas duas seguidas, não dá. Além disso, precisamos resolver a questão do seguro e viajar os pouco mais de 200 km até Nickerie, cidade na fronteira com a Guiana.

Suriname, Paramaribo,

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De Volta ao Brasil e à Boa Vista

Brasil, Roraima, Boa Vista

Chegando na fronteira Guiana-Brasil, em Lethem (Guiana)

Chegando na fronteira Guiana-Brasil, em Lethem (Guiana)


Ontem de noite eu desmoronei na cama. A Ana ainda foi dar um rolé no próprio bar do nosso hotel, um dos pontos de agito da cidade. Mas a festança mesmo iria começar hoje, com a chegada da maioria das pessoas. O aeroporto iria estar movimentado! Bom, muitos chegando, alguns partindo...

Fronteira Brasil-Guiana, bem no meio da ponte

Fronteira Brasil-Guiana, bem no meio da ponte


Depois da preguiça de levantar, partimos para os últimos quilômetros até a fronteira. Burocracia rápida no lado da Guiana, burocracia rápida do lado do Brasil. Mas no lado brasileiro ficamos mais tempo, conversando com os simpáticos policiais federais e também com os agentes da receita federal, todos muito curiosos sobre a nossa travessia das Guianas, sobre como são as estradas por lá e sobre como são os procedimentos de fronteira entre os diversos países. Também eles confirmaram que é evento raríssimo algum brasileiro fazer esse circuito, a "Travessia do Arco Norte", como é conhecida. Imagino que, com a contrução da ponte entre Oiapoque e a Guiana Francesa isso comece a ficar mais comum... Espero que sim, pois há muita coisa para ser explorada lá encima e, com certeza, esses nossos países vizinhos merecem ser visitados.

Atravessando a ponte sobre o Rio Branco para chegar em Boa Vista, capital de Roraima

Atravessando a ponte sobre o Rio Branco para chegar em Boa Vista, capital de Roraima


Atravessada a fronteira, seguimos de "tapete" pelos próximos 130 km até Boa Vista. Depois da terra de ontem, o asfalto da fronteira até a capital de Roraima foi mesmo uma delícia! E aí, quatro anos mais tarde, voltamos à Boa Vista. Estivemos aqui em 2007, a caminho do Monte Roraima. "Nossa..." - eu pensei - "quando se visita Boa Vista duas vezes num período tão pequeno, é porque realmente nós viramos viajantes!" - hehehehe

Admirando o Rio Branco e sua praia sazonal, em Boa Vista - RR

Admirando o Rio Branco e sua praia sazonal, em Boa Vista - RR


Seguimos diretamente para o "nosso" hotel, o Barrudada, que continuava na mesma esquina de quatro anos atrás. Instalados no antigo lar, fomos em busca de almoço e de um passeio pela cidade. Sexta-feira de páscoa, tudo fechado. E chovia. Fomos comer no famoso restaurante local, a Peixada Ver o Rio, bem na orla do Rio Branco, o grande rio ao lado de Boa Vista.

Orla do Rio Branco, em Boa Vista - RR

Orla do Rio Branco, em Boa Vista - RR


Depois, de carro, passeamos um pouco pela cidade vazia, passando pelos prédios públicos e monumentos. A construção da cidade foi planejada e é muito fácil se orientar por lá, ruas largas e retas. Encontramos um supermercado aberto e até compramos ovos de páscoa, para não deixar a data passar em braco...

Monumento aos garimpeiros, em Boa Vista - RR

Monumento aos garimpeiros, em Boa Vista - RR


Por fim, voltamos ao hotel e, com calma, estudamos os atrativos do estado na internet. Muita coisa para ver e fazer, principalmente no norte do estado, próximo à fronteira com a Venezuela. Vamos passar por lá mais à frente na viagem, daqui a mais de um ano, quando estivermos voltando da América do Norte. Então, resolvemos partir amanhã logo cedo em direção ao estado do Amazonas. É um longo caminho até Presidente Figueiredo, terra de cachoeiras e grutas, 100 km ao norte de Manaus.

Belo 'arco retangular', em Boa Vista - RR

Belo "arco retangular", em Boa Vista - RR


De noite, ainda fomos tomar uma cerveja na orla e brindar esta cidade que sempre nos acolhe tão bem. Não foi uma despedida, mas um "até logo!". Três visitas à Boa Vista num espaço de 5 anos. Não dá para reclamar, né?

Ovos de páscoa em Boa Vista - RR

Ovos de páscoa em Boa Vista - RR

Brasil, Roraima, Boa Vista, Lethem

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Paraíso do Kite Surf

Brasil, Ceará, Lagoinha, Cumbuco

Condições ideais para a prática de kitesurf em Cumbuco - CE

Condições ideais para a prática de kitesurf em Cumbuco - CE


Deixamos Fortaleza rumo ao oeste. Já passava do meio dia e, portanto, bastava seguir o sol, que foi nos mostrando praias cada vez mais belas, paisagens típicas desse pedaço do Ceará. A primeira, ainda dentro da grande Fortaleza, foi a Barra do Ceará. Mesmo vista apenas da estrada, pareceu paradisíaca, bem no encontro do rio com o mar. Fiquei impressionando dela não ter aparecido como indicação em nenhum dos nossos guias.

Aliás, esses guias muitas vezes ajudam. Mas, outras vezes, comem bolas incríveis! No Rio Grande do Norte, por exemplo, nem uma palavra sobre a região de Martins, a área de serra do estado. Lá está uma das maiores cavernas brasileiras, a Casas de Pedra. A gente só foi descobrir quando já tínhamos passado da região. Ficamos com uma raiva! Ficamos vendo aquela serra lá longe, no horizonte, e eu pensava: "Pô, tem de ter muita coisa por lá..." Quando descobrimos, já era tarde demais. Metade da droga do Guia Brasil fala de Rio e de São Paulo. Aí, não sobra muita coisa para o resto. Quem quer saber tanta coisa do Rio e Sâo Paulo não vai comprar o Guia Brasil; compra logo o Guia Rio ou Guia SP. O outro guia que temos, Lonely Planet, é muito bem escrito, em inglês. Mas só fala dos lugares mais conhecidos. Enfim, vamos falar de coisas boas...

Muito sol e vento em Cumbuco - CE

Muito sol e vento em Cumbuco - CE


Da linda Barra do Ceará, seguimos para Cumbuco. A única chateação é despistar os rapazes que ficam na entrada da cidade tentando, à todo custo, nos fisgar e nos levar para suas barracas. Depois que passamos por eles, temos aquela linda praia para curtir. O local não poderia ser mais perfeito para a prática de Kite Surf, principalmente nesta época do ano. Muito sol, vento constante, lagoas com águas tranquilas para os iniciantes e o mar ondulado para quem já sabe surfar. São várias escolas e hoje, dezenas de praticantes. Alguns, muito bons mesmo. Fazem parecer fácil! Deslizam para lá e para cá, fazem manobras, voam, passam pertinho uns dos outros, vem até a praia no meio de banhistas, tudo isso como se estivessem atravessando uma rua.

Condições ideais para a prática de kitesurf em Cumbuco - CE

Condições ideais para a prática de kitesurf em Cumbuco - CE


A gente até animou de fazer o curso. A Ana foi checar os preços, para ter uma idéia. Quem sabe em Jeri, onde vamos passar alguns dias? Seria tão bom já nascer sabendo! Vendo os caras bons, parece que é só montar e sair deslizando. Ouço que é bem mais complicado que isso. Vamos ver...

Jangada disputa espaço com kitesurf em Cumbuco - CE

Jangada disputa espaço com kitesurf em Cumbuco - CE


Almoçamos por lá, dividindo nosso tempo entre nos defender das moscas e admirando os kite surfistas. Aliás, de longe, indo para lá e para cá, eles até me lembraram as moscas que teimavam em atacar o nosso peixe. Pelo menos, não fazem o barulho dos jet skies, esses sim, insuportáveis. Difícil foi ver algum wind surf. Com o aparecimento do kite, o wind praticamente acabou. Até vimos um, mas ao compará-lo com a performance do kite, realmente parecia algo do século passado. Outra coisa perdida no meio do enxame de kite surfistas era uma jangada. Ela, que já foi a rainha soberana desses mares, hoje parece um peixe fora d'água. Uma pena...

Fim de tarde na praia da Lagoinha - CE

Fim de tarde na praia da Lagoinha - CE


Deixamos Cumbuco para trás e viemos para a Lagoinha. Nossa... que praia! Absolutamente magnífica! Aqui não venta tanto, tornando a praia muito mais agradável para banhistas. Além disso, é ótima para se caminhar. Chegamos no final da tarde e tivemos um dos mais belos fins de tarde da viagem. Cores incríveis no céu, praia quase deserta. Pena que estávamos sem a máquina, pois tínhamos ido correr pela praia. Amanhã tiramos fotos, mas não sairão belas como hoje, infelizmente. A única coisa triste é o enorme hotel que estão construindo, praticamente na beira do mar. Um monstro. Não tem absolutamente nada a ver com a paisagem. Mas, como dizem por aí, "money talks"... Vai trazer muitos turistas para cá, gente com dinheiro. Vai gerar empregos, criar serviços, trazer desenvolvimento. Adeus, Lagoinha de antigamente. Veremos como fica a nova...

Fim de tarde na praia da Lagoinha - CE

Fim de tarde na praia da Lagoinha - CE

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A Minas do Uruguai e os Campos de Sarandi

Uruguai, Minas

A praça central de Minas, no Uruguai

A praça central de Minas, no Uruguai


Aproveitamos nossa última manhã em Colonia del Sacramento para, pela internet, pesquisar, escolher e reservar um hotel na pequena e isolada Cabo Polonio, uma praia no Uruguai onde não se pode chegar de carro. Marcamos para a próxima quinta e sexta, portanto temos outros três dias para chegar até lá. Essa era nossa última preocupação para reservar hotéis aqui no país, já que nas outras cidades, teremos tempo e tranquilidade para definir nossa estadia no momento em que chegarmos. O pagamento, fizemos por um sistema que existe no Uruguai chamado Rede Pago, presente em todas as cidades. Pagamos aqui, em alguma casa comercial associada ao sistema e o dinheiro chega lá. Com esse assunto resolvido, hora de pegarmos estrada!



Antes de seguirmos para a praia, ainda queríamos passar no interior do país, em uma das poucas regiões de serra do Uruguai. Quando estamos explorando um país, é claro que gostamos de conhecer suas atrações mais conhecidas. Mas sempre procuramos também alguma região ou cidade desconhecida dos turistas. Quase sempre, é aí que chegamos mais perto da alma do país e de seus habitantes. Para descobri-lo, alguma pesquisa na internet, livros-guia e, principalmente, conversas com os habitantes locais. Normalmente, é daí que saem as melhores ideias. E foi assim que surgiu o nome de Minas. Mineiro que sou, já simpatizei logo de cara. Depois, ao descobrir que se tratava de uma região de serra, aí me decidi de vez! É para lá que vamos! Quem sabe, achamos até uma cachoeira e uma goiabada?

Chegando à fábrica da Patricia, a mais popular cervejaria do uruguai, na região de Minas, no sul do país

Chegando à fábrica da Patricia, a mais popular cervejaria do uruguai, na região de Minas, no sul do país


Cervejaria Patricia, estrategicamente construída ao lado do parque Salus, fonte da melhor água mineral do país, na região de Minas, no Uruguai

Cervejaria Patricia, estrategicamente construída ao lado do parque Salus, fonte da melhor água mineral do país, na região de Minas, no Uruguai


Minas fica a nordeste de Montevideo, na direção do interior. Nosso caminho de Colonia até lá não passa pela capital, desviando-se um pouco antes. São quase 300 quilômetros, ou cerca de três horas nas sempre tranquilas estradas uruguaias. Mas não fomos diretamente. Um pouco antes, paramos no parque Salus, onde está a principal fonte de água mineral do país. Aliás, é esta a água que bebemos em todo o Uruguai, a marca Salus, tão comum em restaurantes e supermercados. Uma boa maneira de começar a compreender um país é exatamente em seus supermercados, observando quais as marcas mais populares, de água a chocolate, de sabão em pó a cerveja. Aqui no Uruguai, a água é Salus e Salus é aqui de Minas. Aliás, o próprio nome da região e da cidade, Minas, refere-se às minas de água presentes nessa região serrana.

Chegando ao parque Salus, de onde vem a famosa água do país, na região de Minas, no Uruguai

Chegando ao parque Salus, de onde vem a famosa água do país, na região de Minas, no Uruguai


Nós chegamos ao parque esperando encontrar uma das “instituições” uruguaias, mas, ao invés disso, encontramos duas delas! Isso porque, além da engarrafadora de água mineral, ali também está instalada a fábrica da Patrícia, a cerveja mais popular do Uruguai. Como todos sabemos, o principal ingrediente de uma cerveja é a água e a Patricia foi esperta o suficiente para fazer sua fábrica justamente ao lado da fonte mais saudável de seu principal ingrediente! Realmente, esse parque vale ouro para o país, hehehe!

A fonte de água mineral Salus, na região de Minas, no Uruguai

A fonte de água mineral Salus, na região de Minas, no Uruguai


bebendo a água direto da fonte! No parque salus, região de Minas, no Uruguai

bebendo a água direto da fonte! No parque salus, região de Minas, no Uruguai


Nós não entramos na fábrica da Patricia e nos contentamos em fotografá-la de fora. Depois, fomos até a engarrafadora Salus. Com nossas garrafas em mãos, seguimos até a fonte pública e ali nos abastecemos da mais pura água uruguaia. Aproveitamos também para dar um bom passeio nos bosques e jardins do parque, repleto de flores. Não sei o quão popular é o parque entre os habitantes locais, mas hoje, uma segunda-feira, éramos só nós por ali, aproveitando o ar puro, água fresca, sombra e visual florido.

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai


Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai


Depois do parque, rumo a Minas. É uma cidade pequena, cercada por serras e centrada em uma grande praça. Mais ou menos como o livro guia havia dito, “o principal charme dessa cidade pequena é exatamente ser uma cidade pequena”. Não sei se influenciado pelo nome, mas a minha sensação era a de estar em alguma cidade no interior da minha Minas Gerais. A praça, bem arborizada, está em frente à maior igreja da cidade. Ali do lado também está o principal hotel, o banco (no caso, não é o banco do Brasil, como seria, se estivéssemos mesmo em Minas Gerais), algumas lojas e restaurantes. Entre eles, o mais famoso de Minas. Na verdade, uma confeitaria, a Irisarri. Puro charme e tradição, foi aí que nos refestelamos em suas guloseimas, quando passamos pela cidade no dia seguinte. Não tinha a minha goiabada, mas o que não faltava em seus balcões eram doces. Respeitando as devidas proporções, vir a Minas e não parar na Irisarri é como ir ao Vaticano e não ver o papa!

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai


Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai


Por fim, como não poderia deixar de ser, uma estátua adorna o centro da praça. Ela faz uma homenagem a uma batalha ocorrida a quase 190 anos, nos campos de Sarandi, não muito longe daqui. Outra vez, precisamos nos acostumar com a ideia de que, aqui no Uruguai, pelo menos na história, nós brasileiros somos os vilões. A batalha de Sarandi foi o primeiro grande combate entre os valentes uruguaios que buscavam sua independência e o exército imperial opressor dos brasileiros. O ano era 1825 e o resultado da batalha foi uma vitória acachapante uruguaia.

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai

Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai


O Uruguai havia sido ocupado por tropas luso-brasileiras oito anos antes e seu herói nacional, o general Artigas, vencido e expulso para o Paraguai. A jovem nação tinha sido rebaixada e rebatizada como Província Cisplatina. Com a independência brasileira em 1822, o vasto Império do Brasil ia do Oiapoque ao Rio da Prata, uma promissora nação destinada a se tornar potência mundial. Mas sua fronteira sul enfrentava problemas e a também nascente nação argentina não se conformava com a perda dos territórios da Banda Oriental, como era conhecido Uruguai entre eles. O nome vinha do fato de se referir às terras situadas na margem oriental do rio Uruguay.

Estátua homenagenado a batalha de Sarandi, primeira grande vitória uruguaia na guerra de libertação contra as forças imperiais brasileiras, em 1825 (na praça central de Minas, no Uruguai)

Estátua homenagenado a batalha de Sarandi, primeira grande vitória uruguaia na guerra de libertação contra as forças imperiais brasileiras, em 1825 (na praça central de Minas, no Uruguai)


Em 1825, um grupo de homens conhecido como os “Treinta y Tres Orientales” atravessaram o rio Uruguay, vindos de Buenos Aires e liderados por Lavalleja, e desembarcaram na Província Cisplatina. O intuito era iniciar a guerra de liberação do país. Rapidamente, as vilas do interior do Uruguai foram liberadas e as duas principais cidades do país, Montevideo e Colonia del Sacramento, cercadas. As tropas imperiais reagiram, uma coluna de 1.000 homens entrando na província rebelde vindos do Rio Grande do Sul e outra coluna de mesmo tamanho partindo da capital uruguaia rumo ao norte, para se juntar a seus compatriotas. Por mais que as tropas rebeldes de Lavalleja fustigassem as duas colunas, não conseguiram impedir que elas se encontrassem nas proximidades de Sarandi. Os revoltosos decidiram então, num ato de grande valentia, dar cabo desse grande exército reunido, num só golpe.

Estátua homenagenado a batalha de Sarandi, primeira grande vitória uruguaia na guerra de libertação contra as forças imperiais brasileiras, em 1825 (na praça central de Minas, no Uruguai)

Estátua homenagenado a batalha de Sarandi, primeira grande vitória uruguaia na guerra de libertação contra as forças imperiais brasileiras, em 1825 (na praça central de Minas, no Uruguai)


Foi exatamente o que ocorreu em 12 de Outubro de 1825. Forças de tamanho similares se enfrentaram nos campos de Sarandi e, talvez pegos de surpresa pelo ataque impetuoso e inesperado, o exército brasileiro foi fragorosamente derrotado. Entre os dois mil combatentes imperiais, houve 400 mortes e outros 400 feitos prisioneiros, enquanto as baixas uruguaias ficaram em apenas 10% dessas cifras. A vitória catapultou a rebelião e, em breve, quase todo o território uruguaio estava em suas mãos. A última região a cair foi o nordeste do país, restando apenas as cidades de Montevideo e Colonia, que permaneceram sob cerco terrestre, mas sob domínio brasileiro, até o final da guerra, três anos mais tarde.

Gravura sobre a batalha de Sarandi, a primeira grande vitória dos uruguaios contra as tropas imperiais brasileiras, em 1825

Gravura sobre a batalha de Sarandi, a primeira grande vitória dos uruguaios contra as tropas imperiais brasileiras, em 1825


As derrotas terrestres eram contrabalançadas pela superioridade naval do Império do Brasil. A ajuda escancarada dos argentinos na guerra fizeram com que o Brasil declarasse guerra àquele país e fizesse um bloqueio naval de sua principal cidade e porto, Buenos Aires. O cerco estrangulou a economia do país e, após três anos de hostilidades, o país vizinho estava pedindo água. Foi nesse impasse que a Inglaterra fez uso de sua poderosa diplomacia e “convenceu” os países beligerantes que a solução seria a criação de um terceiro país, o Uruguai. Nâo era esse o intuito inicial daqueles “33 orientales”, que sonhavam com uma república federalista e não centralizada, mas unida, de todas as províncias de língua espanhola na Bacia do Prata. Por fim, brasileiros ficaram felizes que o Uruguai não pertenceria à Argentina; argentinos ficaram felizes de ter seu porto liberado e que o Uruguai não pertenceria ao Brasil; uruguaios ficaram felizes de ter sua própria nação, livres do Império do Brasil e da Argentina de governo centralizado fortemente em Buenos Aires; e a Inglaterra ficou feliz de criar uma nação livre entre as duas maiores potências do continente e de mostrar ao mundo que ela ainda tinha força de exercitar sua diplomacia dentro do “quintal” da mais nova e emergente potência imperialista do mundo, os Estados Unidos e sua recém-criada doutrina Monroe (América para americanos).

Gravura sobre a batalha de Sarandi, a primeira grande vitória dos uruguaios contra as tropas imperiais brasileiras, em 1825. Eram 2 mil homens de cada lado e as tropas brasileiras sofreram mais de 400 mortes

Gravura sobre a batalha de Sarandi, a primeira grande vitória dos uruguaios contra as tropas imperiais brasileiras, em 1825. Eram 2 mil homens de cada lado e as tropas brasileiras sofreram mais de 400 mortes


Depois da aula de história, seguimos adiante. Minas não era nosso destino final hoje. Queríamos chegar verdadeiramente à região serrana do país e, para isso, precisávamos seguir mais alguns quilômetros. A pequena Villa Serrana e o Parque Salto del Penitente não estavam longe.

Almoçamos na Irisarri, a mais tradicional confeitaria de Minas, no Uruguai, uma verdadeira institução local

Almoçamos na Irisarri, a mais tradicional confeitaria de Minas, no Uruguai, uma verdadeira institução local

Uruguai, Minas, flor, história, Parque

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