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Rubens Werdesheim (09/09)
futuro biologo (03/09)
. Nossa que lindoo tudo isso parabéns , muito dez ... amo essa magníf...
Dumas Motta Marchi (03/09)
Ana e Rodrigo: Antes de qualquer coisa quero lhes parabenizar pela grande...
Rubens Werdesheim (03/09)
Super aula de história e pela riqueza de detalhes percebemos o quanto vc...
Ana Luísa (01/09)
Olá. Fazem dois dias que estou lendo os blogs de vcs .....é muito inter...
Embarque no aeroporto de Baltra, em Galápagos, de volta ao continente
Depois de sete dias de barco mergulhando e navegando em Galápagos, chegamos de volta à ilha de Santa Cruz. Aí, desembarcamos nós, o Friso e o Henning, enquanto os russos e a Maria seguima para San Cristóbal, onde pegariam seu vôo para o continente. Fomos todos para Puerto Ayora, do outra lado da ilha e maior cidade do arquipélago para nos instalar.
Uma das mais belas paisagens de Galápagos, a Ilha de San Bartolomeu (próxima a Isla de Santiago)
No dia seguinte, fizemos um day-tour para a ilha de San Bartolomeu, um dos cartões-postais de Galápagos, já relatado em posts anteriores. Foi nesse dia que conhecemos a simpática Annete, uma dinamarquesa que viveu no Irã, Venezuela (fala espanhol muito melhor do que nós), EUA e Canadá. Adora caiaque e já fez "passeios" de 200 km remando pela costa do Alaska, entre orcas e ursos. Que saúde! Está se mudando de volta ao país natal e foi uma bela companhia para nós.
Jantar de despedida de Galápagos, em Puerto Ayora, na Ilha de Santa Cruz.
Ontem foi o dia de ficarmos em Santa Cruz mesmo. Passamos o dia na magnífica Tortuga Bay, nadando em sua linda Playa Brava, observando as iguanas marinhas e fazendo snorkel com arraias na Playa Mansa. Depois, de noite, um delicioso jantar no tradicional restaurante "The Rock", em Puerto Ayora, quase em frente ao movimentado pier.
Transporte público concorrido, entre as ilhas de Santa Cruz e Baltra, onde está o aeroporto (Galápagos)
E hoje foi o dia de voltarmos para o continente. Quase que não deu! Já chegando no porto para passar para a ilha de Baltra, onde está o aeroporto, demos pela falta do celular. O nosso tempo já estava meio apertado e não teríamos tempo de voltar para Puert Aypora, a mais de 40 min dali. Com muito trabalho, conseguimos telefonar para o hotel e localizar o aparelho, que foi enviado num outro taxi. Enquanto a Ana, Rafa e LAura atravessavam para Baltra para fazer o check-in, eu fiquei aguardando o celular, que finalmente chegou. Quando cheguei ao aeroporto, já estava tudo okay.
O simpático pier de Puerto Ayora, a principal cidade da Ilha de Santa Cruz, em Galápagos
Deixamos Galápagos muito felizes com o que vimos, mas já saudosos das ilhas, do nosso barco e dos amigos que aqui fizemos. Enfim, bola frente que tem muita coisa linda que nos espera pela américa ainda.
O longo caminho para Tortuga Bay, na Ilha de Santa Cruz, em Galápagos
Chegando em Quito, voltamos ao nosso hotel Eugênia. A tarde foi chuvosa, muito propícia a um merecido descanso. De noite, fomos jantar no mesmo café em que nos encontramos com o Rafa e a Laura quando eles chegaram. Jantar de despedidas, já que eles partem amanhã de tarde. Antes disso, ainda teremos tempo para um passeio por aqui: vamos ao teleférico de Quito, que nos leva para mais de 4 mil metros de altura, de onde se tem uma bela vista da cidade. Outro "programa" é levar a Fiona para a revisãodos 60 mil km. Pois é, lá se vão 60 mil km de estradas pelo continente. O tempo (e o espaço!) está voando! Socoooooorrooooooo!!!
Entrando na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)
No início da década de 90, um explorador resolveu entrar em uma caverna misteriosa na região de San Ignacio, conhecida localmente como Xibalba. A boca da caverna já era conhecida há muito tempo, mas ninguém se animava a entrar naquele buraco nadando pelo rio que saía dele. Apesar de suas águas limpas, era muito escuro lá dentro. Mal sabia o tal explorador que ele estava para fazer uma das maiores descobertas arqueológicas recentes na América Central.
Espeleotemas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)
Depois de uns 300 metros caminhando pelo rio, já na escuridão total, passando por passagens estreitas por entre enormes rochas e lindas formações de espeleotemas, uma passagem levava a uma parte mais alta da caverna, longe do rio. Ali, a passagem se abria em um grande salão, intensamente decorado e, para surpresa do explorador, algumas dessas formações pareciam moldadas por algum escultor, formando imagens de animais e figuras humanas. A sua dúvida sobre se aquilo era mesmo natural ou não terminou quando ele começou a ver, no chão, centenas de resquícios arqueológicos, como cerâmicas e potes de aparência maya. E isso não era tudo! Um pouco mais adiante, começaram a aparecer ossos e esqueletos inteiros, calcificados pela ação do tempo. Eram claramente vítimas de antigos sacrifícios realizados ali mesmo. Os ossos pareciam de cristal!
Uma das caveiras de pessoas sacrificadas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)
Após essa maravilhosa descoberta, a caverna ganhou um novo nome: “Cave of Crystal Sepulchre”, ou “Actun Tunichil Muknal”, no dialeto maya falado na região. As iniciais formam o nome mais conhecido atualmente, simplesmente ATM Cave.
Potes e vasilhas mayas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)
Os arqueólogos resolveram manter todos os artefatos e ossos no exato lugar em que foram encontrados e o governo de Belize decidiu abrir a caverna ao turismo, como forma de arrecadar dinheiro para sua melhor conservação. Hoje, a ATM Cave é uma das grandes atrações da região e do país, atraindo centenas de turistas que se maravilham com o que veem lá dentro. Além da incrível beleza cênica da caverna e da sensação de aventura de se caminhar e nadar por um rio embaixo da terra, ainda temos essa chance maravilhosa de ver esse verdadeiro tesouro arqueológico em seu local de origem, e não no ar condicionado de algum museu. É impressionante!
Câmeras fotográficas só seguem até aqui, no início da trilha para a ATM Cave, região de San Ignacio, em Belize
Mas, nem tudo é perfeito. Apesar do número controlado de pessoas que podem entrar lá diariamente, sempre acompanhados por guias, alguns turistas, no afã de conseguir os melhores ângulos e fotos, derrubaram suas máquinas fotográficas sobre os achados arqueológicos, inclusive encima de um crâneo, quebrando-o. Como medida de segurança, desde o meio de 2012, máquinas fotográficas são proibidas por lá e nós não pudemos tirar fotos do que vimos. Algumas teriam sido fantásticas... Enfim, tudo o que se pode fazer é buscar fotos na internet, de quando era permitido levar câmeras para lá. São algumas dessas fotos que ilustram esse post.
No final da trilha da ATM Cave, região de San Ignacio, em Belize, com nosso guia e o casal de um indiano e uma chinesa, nossos companheiros de tour
Nós fomos de carro até o início da trilha de uma hora pela mata que leva á boca da caverna. No início da trilha, nos reunimos com o resto do grupo, entre eles um simpático e interessante casal formado por um indiano e uma chinesa, que vivem hoje nos Estados Unidos, Naquele casal, 2,5 bilhões de pessoas representadas, mais de um terço da população mundial, hehehe. Esses dois povos geralmente não se batem, mas o casal se dava muito bem, apesar do indiano ficar sempre chateando sua esposa chinesa. Foi muito legal a companhia!
Observando antigos potes mayas, no mesmo local onde foram encontrados, na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)
Enfim, o guia nos levou através da selva e atravessando três vezes o mesmo rio com água na cintura até chegarmos á entrada da ATM. Ali, luzes na cabeça, entramos todos com água no pescoço. Quase uma hora seguindo rio acima entre passagens apertadas ou mais largas, cruzando os diversos outros grupos que encontrávamos e chegamos á parte seca da caverna, onde todos tiram seus sapatos e caminham apenas com meias e em trechos marcados por fitas. Tudo para proteger esse tesouro arqueológico que agora, víamos com os próprios olhos.
Esqueleto de mulher sacrificada na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)
O guia nos explicou que cavernas eram um local sagrado para os mayas, entradas para o Inframundo, onde viviam vários de seus deuses, inclusive um dos mais importantes, Chac, o deus da chuva. Com suas tochas, os sacerdotes mayas se aventuravam até aqui, para prestar suas homenagens e render seus sacrifícios, sempre para tentar conquistar a boa sorte dos deuses. Cerâmicas eram deixadas como presentes e sacrifícios eram feitos para apaziguar a sua ira.
Ponte que dá acesso à San Ignacio, em Belize
O belo rio que divide San Ignacio em duas, em Belize
Aparentemente, o ritmo desses sacrifícios veio aumentando em meados do século X, quando grandes secas se abateram sobre essa região do mundo. Eram os estertores do período Clássico da civilização maya e os sacerdotes tentavam, desesperadamente, reconquistar a confiança do deus da chuva, irritado por algum motivo. Sacrifícios de mulheres e crianças, aquilo que havia de mais sagrado entre os mayas, foram oferecidos aos deuses. Bebês eram deixados ali para que chorassem até a morte. O som de puras crianças era a melhor maneira de sensibilizar os deuses, mas nada pareceu funcionar. Pobres vítimas, felizes de nós que tempos a chance de ver e conhecer um pouco mais dessa incrível civilização e do desespero por que passaram. Aquelas cerâmicas e, mais ainda, aqueles esqueletos em perfeitas condições (fora aquele que o desastrado turista avariou...), parecem mais vivos do que nunca e quase podemos ver o momento em que foram deixados ali por sacerdotes em suas roupas pomposas e soldados iluminando tudo com suas tochas. É emocionante!
Meninas se divertem no rio de San Ignacio, em Belize
O belo rio que divide San Ignacio em duas, em Belize
Depois dessa inesquecível experiência, dirigimos e volta à San Ignacio, a movimentada cidade que é a porta de entrada para quem chega da Guatemala. A cidade é dividida em duas por um belo rio e uma das metades é, na verdade, uma outra cidade, chamada Santa Helena. É no rio que se congregam os locais, seja para as crianças brincarem em suas águas, seja para as mulheres lavarem suas roupas. É uma visão bucólica e pitoresca.
O movimentado mercado de San Ignacio, em Belize
Mercado de San Ignacio, em Belize
O único ponto mais movimentado é o mercado, principalmente na manhã de sábado. É quando mais facilmente percebemos o verdadeiro caldeirão de culturas que forma a sociedade desse país, diversas etnias do povo maya, imigrantes recentes chineses, imigrantes quase centenários americanos, guatemaltecos, garifunas (negros) e todas as misturas possíveis entre esses diversos povos. Certamente, é o programa mais interessante a se fazer dentro da cidade.
Rose Apple, um tipo de maçã aguada no mercado de San Ignacio, em Belize
Mercado de San Ignacio, em Belize
Foi uma ótima despedida para nós, que partimos amanhã para a Guatemala, entrando de vez na América Latina, para nos fazer sentir ainda mais perto do Brasil. Mas ainda tem muita coisa para se ver e fazer antes de chegarmos até lá... Um passo de cada vez e o próximo se chama Flores, uma cidade em uma ilha lacustre, principal base para se visitar a mais famosa cidade maya de todos os tempos, a gloriosa Tikal.
Han-nah, nosso restaurante preferido em San Ignacio, em Belize
O lago Titicaca, visto de Copacabana, na Bolívia
Poucos caminhos e fronteiras são tão bem conhecidos dos viajantes da América do Sul como o trecho entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia. São dezenas de milhares de viajantes todos os anos, na rota La Paz- Cusco, ou vice-versa, quase sempre na orla do lago Titicaca, cruzando o altiplano andino a quase 4 mil metros de altitude. As fotos no arco de pedra que marca a passagem entre os dois países já se tornou uma tradição entre viajantes de todo o mundo.
Viajando do Peru para a Bolívia, de Puno (A) para Copacabana (B), já bem próxima da Isla del Sol
Foi assim comigo em 1990 e com a Ana em 2006. E hoje, seria a vez da Fiona! Para tanto, saímos pela manhã de Puno e logo estávamos margeando o Titicaca para o sul. Agora sim, dirigindo mais de cem quilômetros nesse sentido é que temos uma noção do tamanho desse imenso lago. Tamanho e beleza! Dos pontos mais altos, espécies de mirantes naturais, podemos sempre observar as montanhas nevadas dos andes bolivianos, lá do outro lado do lago e sua principal fonte de água.
Viagem entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia, sempre ao lado do lago Titicaca
Viagem entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia, sempre ao lado do lago Titicaca
Nem tão longe assim, aliás, bem pertinho, patos e flamingos se alimentam na parte rasa do lago. São o prenúncio que estamos perto da fronteira, de Copacabana e da parte mais estreita do lago, por onde passaremos com a Fiona para o lado de lá do lago após deixarmos Copacabana em alguns dias, rumo à La Paz.
Flamingos e patos se alimentam no lago Titicaca, na estrada entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia
Chegando à movimentada fronteira Peru-Bolívia, já bem perto de Copacabana
Na famosa fronteira, tiramos as fotos tradicionais e tivemos um rápido processo. Pelo menos, do lado peruano. Já no lado da Bolívia, tivemos que esperar que a Aduana abrisse depois do almoço para, finalmente, continuarmos nossa viagem. Seriam apenas mais uns 15 quilômetros até Copacabana. Estávamos, definitivamente, de volta à Bolívia!
Fronteira Peru-Bolívia, região de Copacabana. Mais uma para a lista da Fiona
Atravessando a fronteira Peru-Bolívia na região de Copacabana
Para mim, Copacabana foi uma surpresa. Está muito maior que a pequena cidade que eu conheci há duas décadas e muito mais movimentada também. Principalmente nessa época do ano, festa da padroeira local e de toda a Bolívia, Nossa Senhora de Copacabana. São muitos peregrinos e festividades e, entre elas, destaca-se a “benção” de carros, uma cerimônia em que um sacerdote faz votos para que o carro fique protegido de acidentes e roubos. Enquanto o carro é abençoado, ele é todo coberto por flores e assim fica por algumas semanas. Lá em Puno, vimos dezenas desses carros abençoados. Os peruanos que vivem na região do Titicaca são muito devotos da Virgem de Copacabana e acorrem em massa para cá, nesses primeiros dias de Agosto. O resultado é uma fronteira movimentada e vagarosa. Felizmente para nós, o maior da festa já tinha passado. Mesmo assim, ainda vimos vários carros sendo abençoados por aqui.
Em busca da imigração boliviana na fronteira Peru-Bolívia, para carimbarmos nossos passaportes
A orla de Copacabana, na Bolívia, na orla do lago Titicaca
Esfomeados, a primeira coisa que fizemos ao chegar na cidade foi achar um bom restaurante. Não é uma tarefa difícil, pois Copacabana vem se tornando uma cidade cada vez mais internacional, muitos gringos vindo morar à beira do Titicaca. Com exceção dessas duas semanas de festa, a cidade continua muito tranquila. Encontramos um italiano, de uma boliviana descendente de italianos casada com um brasileiro de Curitiba. Uma delícia, com direito à uma sobremesa de salame de chocolate, para alegria da Ana
Nosso primeiro e delicioso restaurante em Copacabana, na Bolívia
Salame de chocolate, sobremesa especial em restaurante de Copacabana, na Bolívia
Depois, aí sim, fomos encontrar um hotel com vista para o lago, de onde assistimos um belo entardecer, assim como a lua, estrelas e planetas que vinham atrás do sol. Aproveitamos também para conseguir informações e decidir sobre nosso programa de amanhã. Vamos para a famosa e sagrada Isla del Sol, a maior do Titicaca. Também por ela eu passei batido da outra vez que aqui estive. Mas não a Ana, que fez um belo trekking pela ilha e, pelas suas descrições, já me deixou bastante ansioso para conhecer. Passaremos o dia por lá e voltamos à simpática Copacabana para dormir. No dia seguinte, seguimos viagem, rumo à Tiahuanaco e La Paz.
Carros "batizados" em Copacabana, na Bolívia
Um belo fim de tarde na orla do Titicaca, em Copacabana, na Bolívia
Mesa em laje alagada nas Cachoeiras Gêmeas, região de Carolina, na Chapada das Mesas - MA
Depois de um café da manhã sortido e profissional como há muito não víamos, cruzamos todo o movimentado centro de Araguarina para pegar a estrada em direção à Carolina, já no Maranhão. Araguaína, hoje a segunda maior cidade de Tocantins, começou a se desenvolver após a construção da estrada Belém-Brasília. Outra cidade que também se beneficiou com esta estrada foi a maranhense Imperatriz. Antes disso, era Carolina a grande metrópole da região. Hoje, ela é de 5 a 10 vezes menor que suas duas grandes "vizinhas".
Igreja em Araguaína - TO
São pouco mais de 100 km entre Araguaína e Filadelfia, a cidade em Tocantins de onde se pega a balsa para cruzar o rio e chegar ao Maranhão e à Carolina. Nós ficamos impressionados com a paisagem na estrada. Acabou a amazônia e começou o cerrado e a gente nem tinha percebido! Acho que foi porque os últimos 150 quilômetros, ontem, foram no escuro. E, antes disso, já não havia mas a amazônia. Mas ali a causa era outra: desmatamento. Enfim, agora estávamos em pleno cerradão! Vai ser a paisagem que nos acompanhará nas próximas semanas, com certeza.
Represa transbordando em Filadelfia - TO
Para chegar ao atracadouro da balsa em Filadelfia, demos de cara com outro problema que aflige a região. O rio está muito mais alto, alagando o porto e as ruas próximas e não é culpa da chuva. Não, a culpa é da barragem e hidrelétrica de Estreito, algumas dezenas de quilômetros rio acima. Agora, não haverá mais épocas de rio baixo e rio alto por aqui, conforme as estações e as chuvas. Vai estar sempre alto. E, com isso, acabaram-se as praias fluviais da região. Pior para os banhistas, pior ainda para os barqueiros, que viviam da renda de trazerem pessoas do outro lado do rio para as praias. Sem praias, sem clientes. Sem clientes, sem renda. Pois é, quando se faz uma barragem, mexe-se na vida de muita gente...
Carolina - MA e a Chapada das Mesas ao fundo, visto de Filadelfia - TO
Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
Quanto à nós, instalamo-nos na Pousada das Lajes e, querendo aproveitar a tarde ensolarada, fomos para as cachoeiras Gêmeas, distantes 30 km de Carolina. Em grandes feriados, o local pode receber quase mil pessoas, que chegam em caravanas de ônibus. Mas hoje, erámos nós e mais quatro pessoas. Uma delícia!
Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
Aqui também o rio estava mais cheio e a água passava sobre uma laje onde há várias mesas chumbadas. Ali ficamos, os pés dentro d'água, comendo tiragostos e admirando aquelas duas cachoeiras lindas. A temperatura não poderia ser mais agradável e foi uma tarde maravilhosa para comemorar nosso retorno à região nordeste, por onde tanto viajamos há alguns meses. Será um retorno rápido, para conhecer a região do Parque Nacional da Chapada das Mesas, localizado no sul do Maranhão e ainda tão pouco conhecido dos brasileiros. Amanhã, devidamente acompanhados de um guia, vamos explorar o coração do parque, mais de 100 km de estradas de terra e muitas cachoeiras e rios no caminho!
Nadando no lago abaixo das Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
A bela Catedral Luterana de Nuuk, capital da Groelândia
O dia começou bem cedo hoje e, claro, já estava claro fazia tempo! Nosso voo para Nuuk saía às 7 da manhã, mas pudemos fazer o check-in e despachar as bagagens no próprio hotel! Êta, mordomia boa! Além disso, providenciaram um café da manhã antes do horário para nós. Pão integral da melhor qualidade, queijo camembert e geleia de framboesa. Suco, iogurte e frutas. Viva a influência dinamarquesa, hehehe! Todos os dias, pela manhã, sentia-me um príncipe, ainda mais com a vista do mar gelado à nossa frente. Mal acostumados assim, vamos ficar com saudades!
Suco e pão integral com geleia e queijo camembert, o nosso delicioso café da manhã no hotel de Ilulissat
No aeroporto, ainda tivemos tempo de ler e ver quadros informativos e fotos de satélite sobre a maior geleira do hemisfério norte, justo aqui do lado de ilulissat. As mudanças climáticas das últimas décadas vêm afetando visivelmente a geleira de Jakobshavn (também conhecida como “Geleira de Ilulissat”), que está recuando dezenas de metros anualmente. Mesmo assim, a foto do satélite ainda impressiona, o enorme “Fiorde de Gelo”, com cerca de 80 km de extensão, local onde deságua a Jakobshavn, completamente tomado pelos icebergs da geleira.
Painel com informações sobre o que vem acontecendo com a geleira de Ilulissat, na Groelândia
Logo no início do nosso voo, tivemos a chance de ver com os próprios olhos o tal fiorde. A escala da paisagem é impressionante. É muito gelo! Alguns icebergs tem vários quilômetros de extensão e centenas de metros de altura. A impressão que dá é que o mar vai “encher” rapidinho! Felizmente, nos últimos anos a tendência tem desacelerado bastante. Aguardemos todos, ansiosos, os próximos anos...
Foto a[erea da gigantesca geleira de Ilulissat e do Fiorde de Gelo, na Groelândia
Logo estávamos em Nuuk novamente. Dessa vez, com um clima muito melhor do que quando passamos aqui na vinda. Ótimo, pois tínhamos o dia inteiro para explorações. Passamos logo por uma agência, onde vimos que não havia chance de fazer um passeio de barco para avistamento de baleias. O mesmo problema de sempre: falta de turistas nesse mês entre temporadas. Teríamos de ficar em terra mesmo.
Sobrevoando o Fiorde de Gelo, onde deságua a geleira de Ilulissat, na Groelândia
Fomos logo para um café quentinho, tomar um chá e acessar a internet. O acesso estava meio prejudicado, então eu aproveitei para ler mais um pouco sobre a história do país. Uma geração após chegarem aqui na Groelândia, os vikings já estavam inquietos novamente. Necessitavam novas explorações! E foi justamente o filho de Erik, o Vermelho (o primeiro a se estabelecer por aqui), que partiu rumo ao oeste. Uma queda de cavalo nas vésperas da viagem impediram que seu famoso pai o acompanhasse. Leif Erikson, seu nome, chegou até o Canadá e daí seguiu a costa para o sul, chegando ao atual Labrador e New Foundland, que chamou de Vinland. No caminho, foi criando entrepostos e pontos de abastecimento. Por três vezes esteve nas novas terras mas, por algum estranho motivo, não seguiu mais ao sul. Imagino que se tivesse ido até a Flórida, teria gostado bastante do clima...
Obra de arte na orla de Nuuk, capital da Groelândia
Sabe-se muito poucos detalhes dessa aventura, infelizmente. Mas durante as poucas décadas em que estiveram na América continental (aparentemente, eram apenas visitas e não estabelecimentos duradouros), os vikings se relacionaram com os nativos. Alguns foram até parar nas cortes dos países nórdicos. Mas uma perda no afã de explorar, ou uma mudança climática que tornou os mares mais perigosos impediram que essa exploração persistisse. Fica apenas para o campo das hipóteses e das imaginações mais férteis tentar supor como teria sido a história da humanidade se os vikings tivessem se estabelecido na América. Será que falaríamos todos norueguês?
Nuuk, capital da Groelândia, em um dia frio e ensolarado de primavera
Bom, o fato é que eles não se estabeleceram na América continental. É a mesma mudança climática que pode explicar isso também começou a dificultar avida deles na própria Groelândia. A comunidade que se expandia, agora lutava por sua própria sobrevivência. O clima já não mais permitia colheitas e nem a criação de animais que eram a base da sua alimentação. O número de habitantes foi minguando. O contato com a terra natal se perdeu. O final da história está contado nos registros da igreja local. Os “norsemans” (vikings convertidos ao cristianismo) fizeram seu último registro na primeira década de 1400. Foi um casamento. Depois disso, nada mais, nem um batismo, nem um óbito. Sumiram do mapa.
Aproveitando a bela tarde de Nuuk, capital da Groelândia, para caminhar pela cidade
Alguns séculos mais tarde, chegaram os dinamarqueses novamente. Vinham em busca de seus antigos parentes. Mas ao chegarem nas comunidades, as encontraram ocupadas pelos Inuits. Daí pensarem que esse povo teria conquistado e eliminado os antigos norsemans. Mas não é isso que contam os registros arqueológicos. Pesquisas nos cemitérios locais indicam que a comunidade aqui simplesmente morreu de fomes e doenças. Os Inuits teriam chegado logo em seguida, migrando do norte da Groelândia, provavelmente fugindo dos rigores do clima mais frio eles também. Mas, melhores adaptados ao frio, dieta baseada em peixes, focas e baleias, conseguiram sobreviver.
Com muito vento, junto à estátua de Hans Egede, fundador de Nuuk, capital da Groelândia, em 1728
Enquanto passeávamos na cidade de Nuuk durante a tarde, não conseguia parar de pensar em como devem ter sido esses últimos anos dos norseman por aqui. Um a um morrendo, e ninguém conseguindo reagir. Deve ter sido dramático. Mas as antigas ruínas dessa última comunidade não estão aqui em Nuuk, mas mais ao sul.
Arte e arquiteura modernas no centro de Nuuk, capital da Groelândia
Aqui em Nuuk, andamos pelo centro antigo e até a catedral luterana, a construção mais famosa da cidade. Ao lado, no alto de uma colina, a estátua do fundador da cidade, um religioso dinamarquês que veio para cá já nos anos 1700, mais de 300 anos após os norsemans terem desaparecido. O dia estava lindo, mas com muito vento, especialmente no alto da tal colina.
Bonequinhos brancos, conhecido artesanato groelandes em loja de Nuuk, capital da Groelândia
Resolvemos então mudar para um turismo “indoor”. Ficamos impressionados com uma padaria e um supermercado, pela quantidade e variedade de queijos e pães vendidos. É de dar água na boca! Certamente, é uma das vantagens de ser colonizado pela Dinamarca, hehehe!
Balcão bem sortido em padaria de Nuuk, capital da Groelândia
Outra coisa que nos chama a atenção é ver todas essas pessoas com cara de esquimó levar uma vida “normal”. Vão a cafés, fazem compras, dirigem carros, levam os filhos nas escolas, caminham nas ruas asfaltadas da cidade, etc... Normalmente, quando pensamos em esquimós, a gente logo imagina um cara com roupa de foca, dentro de um iglu e com um arpão para pescar baleias. É a imagem clichê, que deve até existir (se não, não seria clichê!). Mas aqui em Nuuk, onde mora quase um terço da população do país, as pessoas vivem como nós. Mais agasalhadas, claro! Parece uma coisa óbvia, mas que é engraçado aos olhos ver essas pessoas todas com cara de esquimó andando num shopping, isso é!
Cartaz de filme dinamarquês nas ruas de Nuuk, capital da Groelândia
E uma das coisas “normais” que eles adoram fazer (como em qualquer cidade do mundo) é ir ao cinema. E nós também! Fomos assistir à estreia dos Vingadores por aqui. Falado em inglês com legendas em dinamarquês. Mas, para quem já viu o filme, sabe que há partes dele que se passam na Rússia e na Índia. Eu e a Ana só olhávamos um para o outro e ríamos quando o filme era falado em russo ou em hindi com legendas em dinamarquês, enquanto nossos cérebros entravam em parafuso. Uma experiência para não mais esquecer...
Tomando um chá quente e se esquentando em um café de Nuuk, capital da Groelândia
Fomos para o aeroporto para deixar o país, rumo à ilha “tropical” da Islândia (depois da Groelândia, até Islândia parece o Caribe!). O avião levantou voo e eu olhava para baixo já com saudades, mesmo da época que eu não conheci, como quando os vikings aqui chegaram, antes do ano 1000. Influenciado pelo filme, só consigo imaginar um barco cheio de gente parecida com o Thor. Difícil acreditar que um monte de “Thors” morreria de fome e frio, quatro séculos depois...
No aeroporto de Ilulissat, na Groelândia
Despedida da Laura, Rafa e Ana, em Itaúnas - ES
O dia amanheceu mais feio do que nunca, nuvens pesadíssimas para todos os lados. Realmente, São Pedro tem pego nos nossos pés nessas últimas semanas. A previsão de tempo do JN dizia que o tempo só estaria chuvoso, dentre todas as regiões do país, no norte do Espírito Santo e sul da Bahia. Bingo!
Leo e Karen pegando o busão de Conceição para Vitória - ES
Bom para ficar na cama, mas não era o caso. Antes das seis da manhã já estava levando o Leo e a Karen para pegarem o ônibus em Conceição da Barra. Chegamos bem na hora do embarque e, após despachá-los, ainda fui dar uma olhada na tal barra que dá nome à cidade. Enorme, todos os barcos bem amarrados já que a boca do rio, reflexo do mar e do vento, estava bem agitada.
De volta à Itaúnas e também para a cama. Como disse, o clima pedia isso. Quando acordei, também meio dasanimados com o frio e nuvens, Rafa, Laura e Ana tinham decidido ir embora mais cedo. Mais uma sessão de despedidas e de fotos. O tempo nublado até que combinava com o clima de fim de temporada.
Com a Tuquinha e o Klaivan, da Pousada Arco-íris, em Itaúnas - ES
Todo mundo já a caminho de casa, era a nossa vez agora. Mas resolvemos aproveitar o tempo e ficar trabalhando indoors mesmo. Muita coisa para botar em ordem. Fomos empolgando, empolgando e acabamos decidindo por só partir amanhã.
Afinal, aqui temos conforto, internet e a amizade da nossa querida Tuquinha. Descobrimos a pousada Arco-íris no reveillon de 2008/2009 e ficamos muito amigos da gerente, a Tuquinha e do seu filhinho, o Klayvan. Tanto que resolvemos nos hospedar aqui novamente e conferir o Klayvan quase dois anos mais velho. Enfim, aqui nos sentimos em casa.
Com a Tuquinha e o Klaivan, da Pousada Arco-íris, em Itaúnas - ES
A grande notícia do dia, ou da noite, foi que fechamos uma viagem para Abrolhos, saindo depois de amanhã, de Caravelas. Timing perfeito nosso, da operadora e, principalmente, de São Pedro, que está prometendo uma janela de bom tempo entre duas frentes frias. Vamos ver...
Catedral de Petrolina - PE
A viagem de Feira até Juazeiro, no norte da Bahia, fronteira com Pernambuco, transcorreu sem problemas. Atravessamos um mar de sertão durante toda à tarde e uns 50 km antes da cidade cantada em prosa verso por Gonzagão, a noite caiu. Aí, o cuidado se redobrou para não passarmos em cima de algum jegue ou cabra que vivem cruzando as estradas do sertão. Com uma freada ou outra, chegamos incólumes.
O rio São Francisco, com Juazeiro ao fundo, visto do apartamento da Iolanda, em Petrolina - PE
Mas chegamos na hora errada. A ponte que cruza o São Francisco e liga a Bahia à Pernambuco, Juazeiro à Petrolina, estava engarrafada. Depois de cruzarmos a vazio do sertão durante horas e horas, passamos uma hora para andar alguns poucos quilômetros. A ponte está em reforma e o acesso à ela está muito complicado. As duas cidades estão muito próximas e são de grande porte e esta é a única ligação rodoviária entre elas. O resultado na hora do rush é esse.
O rio São Francisco, com Juazeiro ao fundo, visto do apartamento da Iolanda, em Petrolina - PE
Em Petrolina, fomos para o apartamento da Iolanda, mãe do Ênio, nosso amigo de Curitiba. O apartamento fica na orla do São Francisco, no décimo andar, e tem uma vista magnífica do rio, da ponte e também de Juazeiro, lá do outro lado. Ela nos recebeu de braços abertos e com um aperitivo e cerveja gelada na varanda. Uma delícia!
Com a Iolanda no Bodódramo, em Petrolina - PE
De lá, ainda de noite, seguimos para o "bodódramo", região de restaurantes da cidade que servem a especialidade da região: carne de carneiro. Como nos explicou a Iolanda, o carneiro é o único animal que, quando morre, muda de espécie; vira bode! Até é possível comer carne de bode mesmo por lá, mas o que todos comem é carneiro. Mesmo assim, é o bode que está em todos os lugares, decorando o restaurante. Enfim, a carne de carneiro-bode estava deliciosa!!!
Parreiral da FruttiHall, em Petrolina - PE
Com a Iolanda e os últimos cachos de uva da temporada, na fazenda FruttiHall, em Petrolina - PE
No dia seguinte, fomos visitar a fazenda da família, a FruttiHall. É uma fazenda premiadíssima, de produção de uvas. Por poucos dias perdemos a colheita do final da safra. Uma pena! Mesmo assim, foi super interessante caminhar por entre os parreirais com a Iolanda e ouvir explanações sobre os tipos de uvas, técnicas de enxerto, como tratar as parreiras e como e quando devem ser colhidas as frutas. Além disso, ainda achamos vários cachos retardatários e deu para me entupir de uva. Doce como mel e sem caroços!
Caatinga vista do alto do Serrote do Urubu, próximo à Petrolina - PE
Depois de tanta uva, fomos até a beirada do Velho Chico, ainda dentro da fazenda. Um rio daquele tamanho verde! É uma beleza! Molhamos os pés, garantia que um dia voltaremos. De lá, já no caminho de casa, passamos no Serrote do Urubu. Uma pequena montanha de pedra que se ergue sobre a caatinga e nos proporciona uma bela vista da própria caatinga e do rio São Francisco. O sol é inclemente e uma caminhada por aqui equivale a três ou quatro na Chapada!
Rio São Francisco visto do alto do Serrote do Urubu, próximo à Petrolina - PE
Ainda no caminho para casa, passamos por uma verdadeira salada de frutas, o que me fez ficar fã da região! À base de muita irrigação, o solo de Petrolina produz todos os tipos de frutas, quase. Vimos uvas, mamão, manga, abacaxi, acerola, goiaba, coco, cana, melão e muitas outras. Um colírio para os olhos. Tudo por conta das águas do velho Chico!
Observando o pôr-do-sol em Petrolina - PE, no apartamento da Iolanda
Chegamos em casa à tempo de assistir a um belíssimo pôr-do-sol da varanda do apartamento. Espetacular o céu aqui no sertão. De alguma maneira, ele parece maior do que o normal. Não sei explicar...
Pôr-do-sol no Velho Chico, em Petrolina - PE
Tivemos uma ótima estadia em Petrolina graças à Iolanda que nos recebeu como filhos e nos fez sentir em casa. Além disso, foi nossa guia pelo dia e noite na cidade. E para melhorar mais ainda, ainda saímos de lá com as malas renovadas, todas as roupas limpinhas! Que bom seria se tivéssemos pit-stops como esse uma vez por mês...
Na beira do rio São Francisco, em Petrolina - PE
Artista de rua tenta faturar seu ganha-pão em Montreal, no Canadá
Não demorou muito, hoje pela manhã, a chegarmos à fronteira dos Estados Unidos e Canadá. Afinal, tínhamos dormido pertinho dali, já pensando em poder chegar cedo à Montreal e ainda aproveitar o dia. Quando apareceu a placa dos 5 km, deu até um friozinho na barriga. O Canadá foi o último país que eu consegui o visto (para a Ana, italiana, é muito mais fácil...). Já sem emprego, sem passagens aéreas, sem reservas de hotel ou cursos de língua, tive de fazer um verdadeiro dossiê da viagem e do projeto para eles. Acho que gostaram, pois ganhei um visto de múltiplas entradas. Melhor, impossível, pois vamos entrar e sair do país algumas vezes mesmo!
Aproximando-se da fronteira. O Canadá é logo ali!
Mesmo com o visto em mãos, o friozinho na barriga veio. Era a ansiedade de passar numa fronteira terrestre depois de tanto tempo. A última vez foi há pouco mais de 4 meses, passando do México para os EUA (aquele bendito dia em que cruzamos a fronteira 5 vezes!). Desde a nossa primeira fronteira terrestre, do Brasil para a Guiana Francesa, em Março de 2011, a Fiona não ficava tanto tempo no mesmo país.
Chegando à Montreal, no Canadá
Bom, na verdade, acabou sendo a fronteira mais rápida e eficiente de todas as que cruzamos. Nenhuma burocracia, ninguém enchendo o saco querendo vender algum produto ou “facilidade”, nem um papelzinho para preenchermos. A oficial, de dentro de seu guichê, olhou os passaportes, mostrou-se surpresa com a procedência do carro e nos deu os parabéns e as boas-vindas. Muito legal! Civilizado como deveria ser em todas as fronteiras. Viva o Canadá!
Canadá e suas províncias
Pois é, chegamos ao Canadá, o país mais ao norte da América continental. Difícil de acreditar até onde a nossa Fiona nos trouxe. Parabéns para ela também! Além de ser o mais setentrional do continente, o país também é o maior das Américas, com quase 10 milhões de quilômetros quadrados. Com esse espaço todo e uma população de apenas 30 milhões de habitantes, um sexto da população brasileira. Quase toda ela está na parte sul do país, nas grandes cidades próximas à fronteira americana. Quase metade da população vive nas cinco maiores cidades, principalmente em Toronto e Montreal.
Caminhando pelas charmosas ruas centrais de Montreal, no Canadá
Meu conhecimento de geografia e história canadense tem aumentado de maneira exponencial nesses últimos dias. Por exemplo, finalmente ficou claro para mim que Quebec, além de uma cidade, é um estado também (na verdade, província, que é como chamam os estados aqui). E uma estado bem grande, quase do tamanho do nosso Amazonas. A capital é Montreal que, com quase 4 milhões de habitantes, é a segunda maior cidade do país.
Rua da Old Montreal, no Canadá
Esse era o nosso destino hoje: Montreal, capital de Quebec. Ontem de noite, através do milagroso PriceLine, já tínhamos reservado um hotel na cidade para nós, pelas próximas três noites. Assim, depois de deixarmos a fronteira para trás, rapidamente a Fiona já nos levou pelos 40 km restantes de viagem, pelas estradas e depois ruas da grande cidade. Mas chegamos cedo demais para o check-in. Então, deixamos o carro com malas na garagem e partimos para o centro, agora já com mapas da cidade e do eficiente sistema de metrô.
Fachada do Mercado Central de Montreal, no Canadá
A primeira providência foi desenferrujar o meu francês, já que essa é a língua mais falada por aqui. A região de Quebec foi colonizada por franceses e, embora tenha passado para o domínio inglês em 1764, a cultura francófila, incluindo a língua, permaneceu muito forte. Certamente ainda vou falar sobre isso nos próximos posts, mas o Canadá é um país “binacional”, com duas línguas oficiais. E aqui na região de Quebec, o francês é o predominante.
Fim de tarde na orla fluvial de Montreal, no Canadá
Nós seguimos de metrô até o centro histórico e aí passamos o dia. Caminhamos pelas ruas cheias de restaurantes charmosos, pelos parques onde os canadenses celebram continuamente o verão (outro assunto para algum post, com certeza!), pelos monumentos e prédios importantes como igrejas, o mercado e a prefeitura.
Basílica de Notre-Dame, na Place d'Armes, em Montreal, no Canadá
É na Place d’Armes onde estão os mais belos prédios, como o centenário Banco de Montreal e, principalmente, a basílica de Notre-Dame. Ela já é imponente por fora, mas é seu interior que mais impressiona. O altar muito bem cuidado e cheio de cores prende os nossos olhos assim que entramos pela igreja. De tão belo, não parece real. Fico só imaginando como deve ter sido o concerto que Pavarotti deu em seu interior. Deve ter sido memorável!
O esplendoroso interior da Basílica de Notre-Dame, em Montreal, no Canadá
O fabuloso altar da Basílica de Notre-Dame, em Montreal, no Canadá
O almoço já foi saboreando queijos e vinhos. Pois é, não é só a língua que ficou francesa não! A comida também lembra muito a da velha Gália. Uma delícia! Nessa época do ano, com temperaturas agradáveis, todos os restaurantes tem varandas e terraços e eles ficam sempre lotados. Com a decoração florida, o clima é totalmente parisiense!
O charme da cidade antiga no centro de Montreal, no Canadá
Depois de batermos muita perna, ao final do dia (o que é bem tarde por aqui!) voltamos ao nosso hotel para, finalmente, nos instalarmos. Começamos apenas a arranhar esse gigantesco país, começando por esse enorme estado, talvez o mais interessante do Canadá, no aspecto cultural. Nessa nossa primeira passagem pelo país, vamos nos concentrar em Quebeq e Ontário. Mesmo nesses dois estados, veremos apenas a parte sul, mas é onde está concentrada boa parte da população e infraestrutura existentes. No próximo post falo um pouco mais do nosso roteiro pelas cidades, interior e parques nacionais dessa região que já estamos aprendendo a amar: Quebec.
Descansando e namorando em parque em frente ao Mercado Central de Montreal, no Canadá
Admirados com a beleza hipnótica da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
A humanidade está há muito pouco tempo sobre a Terra. A nossa espécie tem uns 250 mil anos de idade. Comparando com a idade geológica do planeta, isso é o mesmo que nada, cerca de 0,06% do tempo total. Se pensarmos, então, apenas no período em que conhecemos a nossa história, cerca de 5 mil anos, aí é que percebemos o quanto somos novos por aqui.
Grand Prismatic Pool escondida por seus próprios vapores, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Isso quer dizer que, enquanto espécie, não vivenciamos quase nada do que pode se passar no nosso planeta. A criação de grandes cadeias de montanhas, a separação e colisão de continentes, mudanças radicais climáticas, colisões com outros corpos celestes, tudo isso só conhecemos por registros geológicos e teorias criadas por cientistas, e não como testemunhas.
A fabulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Pois bem, um dos principais eventos geológicos na Terra são as erupções vulcânicas. Ao mesmo tempo em que destroem tudo por perto, são elas também que constroem novas ilhas, novas planícies, novas penínsulas. É a maneira do planeta se renovar. Esse é um evento bem normal na história do planeta, ocorre o tempo todo e até nós, humanos, presenciamos isso no decorrer de nossas ínfimas vidas.
A fabulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Mas existem as erupções e as “super erupções”. Essas sim são raras, porém colossais e devastadoras. Nada que tenhamos visto por aqui nos últimos 50 mil anos chegou perto do que poderíamos classificar como uma super erupção. Pinatubo, Krakatoa, Santa Helena, Vesúvio, todos eles tiveram suas erupções, mas as proporções são realmente outras. Para se ter uma ideia, a força de um super vulcão é mais de 1000 (Mil!) vezes maior do que a desses vulcões que conhecemos.
Enorme piscina de água azul e fervente, na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
A única vez que a humanidade viu algo próximo foi há 70 mil anos, quando o vulcão do Lake Toba, em Sumatra, explodiu. O resultado foi a quase extinção total da espécie humana. Das muitas dezenas de milhares de indivíduos que existiam então, na África e talvez Ásia, sobraram apenas poucas dezenas de pessoas. Provavelmente, em apenas um grupo, que durante anos sobreviveu a invernos mais fortes, luminosidade solar prejudicada por espessas nuvens e escassez de alimentos. Esse é o evento conhecido como “gargalho genético” e o anônimo líder desse grupo, que conseguiu evitar a extinção da nossa raça, é a pessoa mais importante que já existiu na nossa história pois, sem ele, não teríamos sequer existido, gregos, romanos, egípcios, judeus, índios, chineses ou quem quer que seja...
Terraços de calcita na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Toda essa história para contar que o parque de Yellowstone está localizado sobre o mais bem estudado super vulcão do planeta. Registros nas rochas mostram que ele entrou em (super) erupção, pela primeira vez, há 2,1 milhões de anos. Desde então, outras duas mega erupções, a intervalos mais ou menos regulares de 650 mil anos. Não demora muito para fazermos a conta e percebermos que está na hora de mais uma. Mas, será que vai mesmo? A quantidade de gêiseres e fontes termais por aqui nos indica que há algo muito vivo abaixo de nós. Cientistas afirmam que sim, que ele explodirá novamente. Pode ser daqui a seis meses, 60 anos ou 60 mil anos. É tudo uma questão de “quando”, e não de “se”.
Visitando a Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
A explosão mandaria um bom pedaço dos Estados Unidos pelos ares. O que sobrasse, ficaria um bom tempo sem ver a luz do sol. O evento não seria catastrófico, mas cataclísmico. Tudo para, umas poucas centenas de anos depois (uma piscada geológica), a natureza “reconstruir” paisagens tão maravilhosas como as que vimos hoje, aqui no parque. Se, para essa renovação, tiverem de morrer algumas centenas de milhares de pessoas, o vulcão não dá, sinceramente, a menor bola.
As cores sempre vivas da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Bom, a gente tratou de aproveitar esse breve período em que ele cochila para conhecer o cenário maravilhoso que ele possibilitou que exista, exatamente sobre suas ventas. Começamos pela incrível e hipnótica Grand Prismatic Pool. Tínhamos estado lá ontem de tarde, mas hoje subimos um morro vizinho, de onde se tem a melhor vista do lago mágico. Lá de baixo, os vapores que ela mesmo emite praticamente a cobrem. Mas de cima, podemos ver sobre eles. O cenário é espetacular! Não parece real, mas algo saído do cinema para mostrar uma paisagem alienígena. Mas, ela é tão real como eu e você. Que coisa incrível!
Sapphire Pool, na área da Grand Prismatic, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Descemos e fomos vê-la de perto novamente. Apesar do lago ficar mesmo escondido entre os vapores, tudo o que está a sua volta não fica. Os líquidos que vazam da Prismatic Pool criam grandes terraços de calcita e alimentam um sem números de seres microscópicos, que se alimentam das substâncias químicas trazidas das entranhas da terra. São esses pequenos micróbios que pintam a paisagem com cores fortes e vivas, amarelo, laranja, vermelho, marrom, verde, azul, um verdadeiro arco-íris.
Mais uma cachoeira de águas geladas no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Além disso, outras piscinas, menores mas não menos bonitas, pontuam a área. Passarelas nos levam através de todo esse cenário e painéis explicativos nos ensinam o que se passa por lá. Uma verdadeira aula prática de geologia e biologia.
Fontes de águas termais se encontram com o enorme Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Maravilhosa piscina transparente e azulada, de água fervente, ao lado do Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Partimos então para explorar outras áreas do parque, que ainda não havíamos visto ontem. No caminho, pelas estradas, basta ver carros parados e já sabemos do que se trata: grandes animais na pista ou perto dela. Hoje tivemos a oportunidade de ver veados, elks, bisões, águias e até um coiote, bem de longe.
Maravilhosa piscina transparente e esverdeada, de água fervente, ao lado do Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Tão próximas e tão distintas (as duas fervem!), próximas oa Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
A vegetação do parque se divide entre florestas de pinheiros e savanas, grandes campos abertos. Tudo entrecortado por rios, formam um cartão postal a cada curva. As florestas são a melhor pista de como o ecossistema daqui é dinâmico. Várias delas foram queimadas por incêndios, dentro do processo natural de renovação, e novas árvores, ainda pequenas, crescem por entre os troncos mortos da antiga geração.
A águia reina soberana nos céus do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Um furtivo coiote no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
É nas savanas que se pode ver com mais facilidade a fauna do parque. O mais incrível são as grandes manadas de bisões. Vê-los ali nos ajuda a imaginar como eram as grandes planícies americanas antes da chegada do homem branco. Era a visão que tinham os antigos “moradores”, os índios, que por 100 séculos conviveram em equilíbrio com os bisões, lobos e ursos.
Um veado passeia tranquilamente pelas estradas movimentadas do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Por falar nesses grandes predadores, ainda não foi hoje o “grande encontro”. Mas a esperança é a última que morre! Os lobos, por sinal, haviam sido extintos por aqui, devido à incansável caça dos rancheiros, preocupados com seus rebanhos. O animal foi reintroduzido há pouco mais de uma década e, rapidamente, se adaptou ao seu antigo ambiente, para alegria de turistas e ecologistas e tristeza de rancheiros, veados, bisões e elks, que achavam que tinham se livrado de seus inimigos para sempre. Que nada! Em Yellowstone, o “para sempre” nunca é para sempre!
O bisão selvagem, um dos símbolos do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Passamos também por outras cachoeiras, fontes termais, um dos maiores lagos de altitude do mundo, o Lake Yellowstone e vários conjuntos de piscinas coloridas e termais. Ao final, já estão até virando corriqueiras para nós: “Olha! Uma piscina verde transparente maravilhosa ali!” – um de nós exclama. “Outra? Que preguiça...” – o outro responde. Hehehe
Manada de bisões no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Até a relva, com suas cores fortes, é linda no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Já era o final da tarde quando chegamos a outro dos cenários que faz de Yellowstone um lugar tão conhecido no mundo: o fantástico “Grand Canyon of Yellowstone”. Foi aí que aprendi a razão do nome da região. O nome do parque vem do rio, esse que forma o Grand Canyon (não confundir com aquele do rio Colorado!!!). E o nome do rio vem exatamente desse trecho, onde o canyon foi cavado sobre um solo amarelo. Não é “amarelado”, é amarelo mesmo!
Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Os americanos fizeram estradas e trilhas que nos levam a diversos mirantes sobre o canyon. Sem dúvida, foi um dos mais belos cenários que já vi na minha vida. O canyon é bem fundo, mas de 300 metros de profundidade, inteiramente cavado desde a última era glacial, há 15 mil anos. É incrível imaginar que tudo tenha sido feito em tão pouco tempo, mas o solo vulcânico, rico em sulfatos (por isso é amarelo), não resistiu à força das águas. Duas enormes cachoeiras, a Lower Falls e a Upper Falls complementam o cenário perfeito.
Parece um quadro, mas é o inacreditável Grand Canyon de Yellowstone, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Ao mesmo tempo em que aproveitávamos o horário com a luz mais bonita do dia, corríamos contra o tempo para ver o máximo possível, antes que escurecesse. Foi assim que descemos em disparada as dezenas de degraus até o ponto onde a Lower Falls desaba no vazio, e aceleramos a Fiona até o mirante que tem inspirado pintores e fotógrafos por várias gerações.
As impressionantes Lower Falls do Grand Canyon de Yellowstone, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
O nosso dia de hoje foi simplesmente fantástico. Chegamos a ficar até sem fôlego, tanto o corpo como a alma. A natureza realmente caprichou por aqui. E pensar que tudo isso, algum dia, vai se evaporar na explosão de uma super vulcão. O mesmo que destruiu o que havia aqui antes, mas lançou as bases para a nova paisagem que hoje vemos por aqui. Como será que era antes? Como será que ficará depois? Quem pode dizer, com tantas erupções e glaciações nos separando do passado e do futuro... Na dúvida, o melhor mesmo é aproveitar o presente. E que presente!
As impressionantes Lower Falls do Grand Canyon de Yellowstone, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Gelo na estrada da Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC
Frio lá fora, tempo nublado, quarto quentinho, já viu a vontade que dá de sair da cama, né? O estímulo maior é o café da manhã, que se encerra às 09:30. Diante desse imperativo, não tem remédio. Mas logo já estávamos de volta ao quarto para trabalhar um pouco, dando um tempo para o tempo melhorar.
Estrada bucólica na região de Urubici - SC
Mas as nuvens eram insistentes e resolvemos sair assim mesmo. Resolvemos fazer um circuito pela região, dando uma volta na serra e no Parque Nacional de São Joaquim. É no ponto mais alto desse parque (e de toda a região sul do país), o Morro da Igreja, que foi medida a temperatura mais baixa do Brasil. Algo próximo de 17 graus NEGATIVOS! Isso mesmo, coisa de primeiro mundo, hehehe.
A gelada Cachoeira do Avencal, em Urubici - SC. Nadar, nem pensar!
Bem, hoje estava frio, mas nem tanto assim! Fomos primeiro na mais bela cachoeira da região, bem pertinho de Urubici, chamada Avencal. Cachoeira mais para ser vista do que para ser nadada. Principalmente no inverno. A parte de baixo é atingida por uma trilha de pouco menos de um quilômetro que nos leva à garganta onde chega a cachoeira depois de uma queda de mais de 100 metros. Paisagem cinematográfica! E a água é geladíssima. Com o céu nublado e a temperatura de 10 graus do lado de fora, não sobrou estímulo nenhum para entrar na água... Na parte de cima da cachoeira, de onde temos uma visão magnífica do canyon por onde corre a água, pode-se chegar de carro. O máximo que temos de andar é uns 100 metros, até os dois mirantes de observação.
Pinturas rupestres e a Cachoeira do Avencal ao fundo, em Urubici - SC
No caminho para a parte alta da cachoeira, ainda passamos numa parede cheia de pinturas rupestres. Na verdade, pintura não, arte rupestre, já que eles não usavam tinta, era tudo técnica de baixo relevo. A mais bela delas é uma espécie de máscara, que já está ali há uns 3 mil anos, a admirar e guardar aquela linda paisagem à sua frente. Como sempre acontece quando vejo arte rupestre, fico imaginando o momento em que foram feitas, quem eram e como viviam aqueles artistas. Esse elo direto entre nós e eles, a arte na minha frente, ganha contornos quase mágicos, um tipo de máquina do tempo.
A majestosa Cachoeira do Avencal, em Urubici - SC
Dali seguimos para Bom Jardim da Serra, onde está a famosa Serra do Rio do Rastro. No caminho, chuva, placas pedindo cuidado com o gelo na pista (muito estranho ver placas assim no Brasil!) e caminhões transpotando enormes peças na carroceria, o que atravancou o trânsito e nos fez perder uns 40 minutos preciosos na estrada. Enfim, chegamos ao mirante de onde se pode observar os paredões da serra despencando abruptamente até a planície lá embaixo, já quase no nível do mar. É uma visão magnífica que fica ainda mais linda com a estrada serpenteando por entre os paredões para vencer a montanha. Essa estrada é uma das grandes obras de engenharia rodoviária do país, certamente uma das mais belas do Brasil.
A famosa estrada da Serra do Rio do Rastro, na região de Urubici - SC
Enfrentando o frio no mirante da Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC
Apertados pelo tempo, ficamos lá em cima bem menos do que gostaríamos e fomos logo descendo a estrada. Mas não demorou muito e já estávamos parados novamente. Desta vez, embasbacados diante de uma cascata de gelo enorme que se formou em uma das encostas. Afinal, não é todo dia que temos esse tipo de visão no Brasil, um país que era para ser tropical. Nova sessão de fotos e já fomos acelerando novamente, afinal ainda tínhamos de completar a nossa volta do parque, subindo por outra serra igualmente famosa, a Serra do Corvo Branco.
Cascata de gelo na Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC
Fiona na Serra do Rio do Rastro, região de Urubici - SC
Atravessamos rapidamente a planície lá em baixo em direção ao norte, até a tal serra. A Corvo Branco é bem menos utilizada que a Rio do Rastro, pois não é asfaltada. Muitos dizem ser até mais bonita. À bordo da nossa Fiona, certamente a terra não seria problema. E não foi mesmo, perto do que já passamos antes. A paisagem é realmente belíssima, mesmo em um fim de tarde ainda mais escuro pela falta de sol. Foi o tempo de completarmos a subida, com uma ou outra parada para tentativas de fotos, que a noite tomou conta do céu. Lá no alto, a subida termina de forma apoteótica, no maior corte em rocha já feito no Brasil, com quase cem metros de altura. Ficamos só imaginando a beleza daquilo tudo num dia de céu azul. Não tivemos essa sorte, mas o que vimos, na penumbra da quase-noite já foi incrível!
Chegando num fim de tarde nublado na Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC
De lá, já no rumo de Urubici, passamos na entrada da estrada para o Morro da Igreja. Era sete da noite, estávamos a 1.100 metros de altura e a temperatura era de 8 graus. Quem sabe, por um milagre, não estaria nevando lá encima? Fomos subindo acompanhando atentamente os marcadores de nosso GPS e da Fiona. Uma marcava a altitude e o outro, a temperatura. 1300, 1400, 1500; 7 graus, 6 graus, 5 graus. E nós na maior torcida! Enfim, chegamos aos 1.800 metros com 2 graus de temperatura. Mas, ao invés de neve, tinha era muita névoa e vento. Vento forte e frio!!! Brrrrrrr A temperatura aparente deveria ser quase uns 10 graus abaixo de zero! Minhas orelhas congelaram rapidinho! Felizmente, o conforto da Fiona estava ali do lado...
Trecho final e asfaltado da subida da Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC
Depois desse frio todo, do longo percurso ao redor do parque e para seu ponto mais alto e das lindas paisagens do dia, só nos restava voltar para Urubici. Um chuveiro quente delicioso nos aguardava. E uma cama quentinha também. Amanhã, com pilhas novas, vamos atrás do frio novamente...
O maior corte feito em rocha no Brasil, com quase 100 metros, no alto da Serra do Corvo Branco, região de Urubici - SC
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