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SHUFFLE Há 1 ano: Rio De Janeiro Há 2 anos: Rio De Janeiro

Curtindo Cape Wireless Cod

Estados Unidos, Massachusetts, Cape Cod

Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Com apenas um dia para explorar a península de Cape Cod, já que amanhã iremos para a ilha de Marta´s Vineyard, não tínhamos tempo a perder. Por falar em tempo, ele amanheceu lindo, céu azul e ensolarado. Era a dica: tínhamos de ir para a praia!

Estudando o mapa da península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Estudando o mapa da península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


As mais belas praias da região estão na costa leste da península, onde um reserva criada por John Kennedy ajudou a preservar as belíssimas paisagens da especulação imobiliária que já ameaçava a península na década de 60. O famoso ex-presidente não era bobo, e o fato de sua família possuir uma casa em Cape Cod, região que já frequentavam fazia tempo deve tê-lo ajudado na decisão pela preservação desse belo litoral!


Nosso roteiro por Cape Cod

A história de Cape Cod começa muitos milhares de anos antes disso, durante as grandes glaciações. Há 20 mil anos atrás, enormes geleiras vindas do norte chegavam até aqui. O nível do mar era muito mais baixo (já que muita água estava na forma de gelo!), e as geleiras carregavam milhares de toneladas de rochas e detritos para o que é hoje mar aberto, mas na época ainda era terra firme.

Uma das muitas mansões na península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Uma das muitas mansões na península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


O clima esquentou, as geleiras se retraíram, o gelo derreteu, mas as rochas que elas trouxeram serviram de “base” para essa estranha península que parece avançar mar adentro nos dias de hoje. Aos poucos, o mar está reconquistando seu espaço e, cientistas dizem, Cape Cod estará desaparecida em poucos milhares de anos. Mas, enquanto isso, o mesmo mar que destrói trouxe também muita areia, formando as belas praias que vemos hoje.

Magnífica paisagem do Salt Pond, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Magnífica paisagem do Salt Pond, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Outra característica interessante de “Cape”, como a região é conhecida para os íntimos, são os lagos de água doce, de forma circular, que pontilham pela região. Sua origem também vem da era glacial! Enormes blocos de gelo, alguns com o tamanho de bairros de uma cidade, foram deixados para trás pelas geleiras que retrocediam. Aos poucos, derreteram também, não sem antes afundar o solo com o seu enorme peso e formar enormes buracos, que encheram com sua própria água. Por aqui, são chamados de “ponds”.

Um dos muitos faróis espalhados pela península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Um dos muitos faróis espalhados pela península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Nós atravessamos a parte sul da península, em busca das praias que estão na costa leste. No caminho, além desses “ponds” reminiscentes das glaciações, muitas mansões dos milionários que tem aqui sua casa de praia. Estradas bem feitas, jardins bem cuidados, campos de golfe, tudo bem combinado numa paisagem elegante e bem conservada!

A praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

A praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Antes das praias, ainda passamos no centro de visitantes do parque, onde aprendemos muito da história, geologia e geografia desse lugar especial. Escolhemos também quais praias visitar, e aonde passaríamos boa parte do nosso dia. Antes disso, ainda deu tempo de fotografar outra das marcas de Cape Cod, alguns dos muitos faróis que ajudam a orientar os navios que há séculos navegam pela região.

Painel informativo sobre Marconi e a primeira comunicação wireless entre continentes, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Painel informativo sobre Marconi e a primeira comunicação wireless entre continentes, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Passamos rapidamente pela Costal Guard Beach, mas decidimos que seria na Marconi Beach que faríamos acampamento. A praia tem esse nome em homenagem ao eminente cientista italiano. Com apenas 20 anos de idade, nos últimos anos do séc XIX, ele já fazia os primeiros experimentos na garagem da sua casa, na Itália, com comunicação sem fio. Sem nenhum apoio ou estímulo em seu país, mudou-se para a Inglaterra e, em 1899, conseguiu mandar um sinal através do canal da Mancha!

Com a Bebel, no alto de praia em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Com a Bebel, no alto de praia em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Único trecho movimentado da praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Único trecho movimentado da praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Mas a grande conquista veio dois anos mais tarde, quando venceu o Atlântico, mandando uma mensagem de Labrador (Canadá) para a Inglaterra, ainda em fase experimental. O local escolhido para tentar fazer algo em escala comercial foi a península de Cape Cod. Aqui montou seu enorme aparato e, em 1903, conseguiu transmitir um longo telegrama de saudações do presidente Roosevelt para o Rei George, na Inglaterra. A breve, a nova e incrível tecnologia wireless transformou em obsoleta os cabos de telégrafo que saíam da mesma Cape Cod em direção ao outro lado do Atlântico. Hoje, acostumados que estamos com internet, Skype e Facebook, é difícil imaginar o valor dessa conquista tecnológica. Mas, para a época, certamente deve ter parecido a mais incrível, maravilhosa e inacreditável invenção: poder escrever algo nos EUA e ser lido, um segundo mais tarde, na Europa, que coisa mais assombrosa!

A belíssima paisagem de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

A belíssima paisagem de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Banho de mar em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Banho de mar em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Depois dessa visita e de prestarmos nossas sinceras homenagens a essa conquista, finalmente era a hora da praia. Pra chegar lá, é preciso descer uma longa escadaria de madeira, que vence o barranco de areia que é protegido por lei, mas comido inexoravelmente pelo mar. Lá embaixo, uma multidão de americanos, felizes com seus poucos meses de sol e mar de água quente o suficiente para se nadar. A partir do início do Outono, só com muita roupa para entrar nas águas geladas!

Curtindo o lindo dia em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Curtindo o lindo dia em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Como multidões não são a nossa praia, bastou andarmos uns poucos minutos para acharmos o nosso espaço na areia. A partir daí, foi diversão pura! Mar delicioso, com água bem limpa! Sol quente, vento refrescante, areia excelente para uma boa caminhada ou corrida.

caminhando pela belíssima Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

caminhando pela belíssima Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Relaxando em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Relaxando em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Melhor de tudo, a maré baixa forma várias piscinas, verdadeiros lagos no meio da praia. Misteriosamente, a multidão prefere ficar aglomerada lá embaixo da escada (acho que multidão é igual em todos os lugares do mundo!), enquanto essas piscinas maravilhosas, a dez minutos de distância, ficam praticamente vazias. Aí a Bebel se esbaldou, amante que é dos corpos líquidos. Não só ela, mas todos nós, que voltamos a ser crianças a aí brincamos sem parar.

Brincando com a afilhada em piscina natural na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Brincando com a afilhada em piscina natural na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Brincando com a afilhada em piscina natural na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Brincando com a afilhada em piscina natural na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Enfim, foi uma tarde maravilhosa em Marconi Beach, quase no mesmo lugar de onde partiram as primeiras mensagens wireless dos EUA à Europa, há 110 anos. Muitas fotos para imortalizar os momentos inesquecíveis que ai passamos.

Refrescando-se em piscina natural na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Refrescando-se em piscina natural na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Por fim, com o sol já perto do horizonte, era hora de voltar. Mas fizemos um pequeno detour, em direção à Chatham, outro dos centros turísticos da península. Chegamos bem em tempo de ver um enorme bando de leões-marinhos cruzar o canal em busca do jantar. E nós também, em busca do nosso, achamos um belo restaurante por ali, indicados para nós por uma simpática ciclista que também assistia à passagem dos leões-marinhos.

Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Agora sim, de barriga cheia, de volta ao nosso hotel em Falmouth. Aliás, ontem jantamos aqui mesmo, uma deliciosa lasanha servida por uma simpaticíssima garçonete brasileira, muito feliz por nos encontrar ali. Hoje, seguimos direto para o quarto. Amanhã cedo, A Fiona fica por aqui enquanto, de barco, seguimos para outra das maravilhas da região, a ilha de Marta´s Vineyard.

1000dias na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

1000dias na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Massachusetts, Cape Cod, história, Marconi Beach, Praia

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Caminhada no Parque

Equador, Cuenca

Caminhada no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Caminhada no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


O dia dos nossos trekkings ao topo dos vulcões Cotopaxi e Chimborazo está chegando e nossa prioridade é fazer algum tipo de aclimatação à altitude. Como ficamos mais do que o planejado em Baños, cuja altitude não é lá essas coisas, nossa única chance era fazer algo aqui em Cuenca. E teria de ser hoje, já que amanhã devemos viajar em direção aos vulcões. A subida esta marcada para os dias 23 e 24. Ou seja, começa depois de amanhã!

Início do dia no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Início do dia no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Uma enorme bromélia no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Uma enorme bromélia no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


A Laura, por razões óbvias, não tentará mais subir. Assim, seguirei eu para o Chimborazo e a Ana e o Rafa para o Cotopaxi. Nós já estamos mais aclimatados, embora a temporada na praia certamente nos tirou boa parte da forma. O problema maior é para o Rafa, que tem no currículo alguns dias em Quito, um bate e volta no refúgio do Cotopaxi e nada mais. Deste modo, foi ele o maior incentivador do programa de hoje: um trekking no Parque Nacional Cajas, aqui ao lado de Cuenca.

Com a Laura no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Com a Laura no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Explorando o magnífico Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Explorando o magnífico Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


A altitude do parque chega aos 4.300 metros. É uma área de beleza extraordinária. Dezenas de montanhas e centenas de lagoas, vegetação de altitude e muitos quilômetros de trilhas para percorrer essa paisagem exuberante. Com alguns telefonemas logo pela manhã, o Rafa nos conseguiu um guia, o simpático Gustavo, que se dispôs a nos acompanhar de Fiona até lá e nos levar até o alto da segunda montanha mais alta do parque.

Fotografando num bosque aos 4 mil metros de altitude, no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Fotografando num bosque aos 4 mil metros de altitude, no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Bosque de Quinuas no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Bosque de Quinuas no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Meia hora de estrada e já estávamos dentro das nuvens, na entrada do parque, a 4 mil metros de altura. O Gustavo logo começou a nos ensinar sobre a natureza da região, animais, plantas, geologia e solo. A principal característica da região são os humedais, um solo esponjoso que absorve e retém a água da estação chuvosa e, pelo resto do ano, mantém um fluxo constante de água que alimenta as centenas (milhares, se consideramos as menores) de lagoas que embelezam o parque.

Caminhando no belo Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Caminhando no belo Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Forte neblina no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Forte neblina no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Depois do verde exuberante e das florestas de Baños, essa paisagem de vegetação baixa de altitude nos chamava ainda mais a atenção. Parecia que estávamos nas highlands escocesas. O tempo nublado escondia boa parte da paisagem, mas só aquilo que víamos já nos deixava impressionados. Demos a volta em uma das lagoas, observamos as gigantescas bromélias que abundam por ali e visitamos um bosque de Quinuas, as únicas árvores que crescem nessa altitude. São as mesmas árvores papillon que vinos na Cordillera Blanca, no Peru, mas que aqui tem esse outro nome.

As flores azuis de uma bromélia no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

As flores azuis de uma bromélia no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Flores no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Flores no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Por fim, com muita paciência, subimos até o alto da montanha para lá sermos presenteados por São Pedro. Assim que chegamos no cume, o tempo se abriu e pudemos nos deleitar com aquela paisagem magnífica, dezenas de montanhas e centenas de lagoas aos nossos pés. Difícil foi ir embora dali, tanto para admirar e fotografar.

Caminhando no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Caminhando no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Uma das belíssimas lagoas do Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Uma das belíssimas lagoas do Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Por fim, seguimos morro abaixo, passamos por mais lagoas, mais um lindo bosque de Quinuas, campos floridos e muitas oportunidades de fotos. Caminhamos sobre o solo fofo coberto de um tapete verde super confortável aos pés. Tanto que a Ana se animou e caminhou os últimos duzentos metros descalça, para sentir melhor as "energias" que vem dessa terra maravilhosa.

Com nosso simpático guia Gustavo no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Com nosso simpático guia Gustavo no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


Com nosso simpático guia Gustavo no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

Com nosso simpático guia Gustavo no Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador


E assim foi o nosso dia de "aclimatação". Tivemos a sorte de combinar uma paisagem incrível, um guia inteligente e informativo e uma janela de tempo presente de São Pedro. Tudo isso na altitude desejada, não poderíamos querer mais nada. Na verdade, eu e a Ana sim, queríamos. Voltamos de noite para o Tiesto, para mais um banquete de deliciosas comidas. Afinal, o jantar de amanhã já será ao pé dos vulcões, certamente sem o mesmo charme de hoje! Mas, antes disso, ainda temos um belo passeio pelo centro de Cuenca, uma das mais belas cidades do Equador.

Esbaldando-se no Tiesto, delicioso restaurante de Cuenca, no Equador

Esbaldando-se no Tiesto, delicioso restaurante de Cuenca, no Equador

Equador, Cuenca, Cajas, Parque, trilha

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Diz aí se você gostou, diz!

Trinidad e a Internet

Cuba, Trinidad de Cuba

Prédio no Parque Céspedes, em Trinidad, em Cuba

Prédio no Parque Céspedes, em Trinidad, em Cuba


A cidade de Trinidad foi o terceiro povoamento espanhol em Cuba, ainda na segunda década do séc XVI. Apesar disso, continuou um lugar bem pacato pelos próximos 300 anos. Foi quando um evento numa ilha vizinha à Cuba mudou para sempre a sua história. Violentas rebeliões de escravos estavam ocorrendo no Haiti e os senhores brancos com juízo saíram correndo (ou nadando!) de lá. Apesar de franceses (o Haiti era colônia francesa), foram muito bem recebidos em Cuba, principalmente na região de Trinidad. Foi aí que fundaram diversos engenhos, transformando a região na principal área produtora de açúcar do país.

Vida tranquila na cidade histórica de Trinidad, em Cuba

Vida tranquila na cidade histórica de Trinidad, em Cuba


Parque Céspedes em Trinidad - Cuba

Parque Céspedes em Trinidad - Cuba


Exatamente nessa época um enorme mercado consumidor desse produto se abria ao norte. Eram os EUA, que até pouco tempo antes compravam seu açúcar da Jamaica, colônia inglesa. Mas a guerra com a antiga metrópole em 1811 os fez mudar de mercado, buscando ao açúcar cubano. Tudo isso trouxe muita riqueza à Trinidad, que acabou se traduzindo em grandes obras na cidade, igrejas, teatros, palácios, casarões, ruas bem calçadas, sempre com um toque de influência francesa.

Rua em Trinidad, em Cuba

Rua em Trinidad, em Cuba


Vida tranquila na cidade histórica de Trinidad, em Cuba

Vida tranquila na cidade histórica de Trinidad, em Cuba


A “festa” durou apenas meio século, o bastante para mudar a cara da cidade para sempre. Mas nas guerras de independência a partir de 1860 acabaram destruindo as plantações e engenhos da cidade. Quando a paz voltou, o cultivo de cana havia se mudado para outras províncias e a região de Trinidad nunca mais recuperou sua antiga posição econômica. A cidade novamente parou no tempo. Um verdadeiro golpe de sorte para nós, turistas! Foi por causa disso que Trinidad não se modernizou, permanecendo seu centro histórico muito parecido com o que era há quase 200 anos. Não é à toa que foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco! Tudo por causa dos escravos haitianos, migrantes franceses, mercado americano e guerras de independência!

Morador de Trinidad, em Cuba

Morador de Trinidad, em Cuba


Antigo morador de Trinidad, em Cuba

Antigo morador de Trinidad, em Cuba


Para aí seguimos hoje, nos instalando em mais uma Casa de Hóspedes já agendada antes da partida de Havana. A primeira coisa que fiz foi tentar usar a internet. O Rafa já havia tentado em Havana, reclamando muito do preço e da qualidade. Agora, era a nossa vez. Fomos ao prédio da companhia de telecomunicações, que tem a internet mais rápida. O serviço era bom e nem era tão caro assim, mas descobrimos um grande “porém”. Impossível, tanto ali como nos poucos internet cafés da cidade, fazer upload de qualquer coisa. Assim, nada de postagem de fotos. E posts, só o que escrevêssemos ali mesmo, diretamente no site, já que não podíamos colocar nosso pen drive no computador deles (wifi, para usar nossos próprios computadores, como fazemos em todos os lugares, nem pensar!). Foi quando fizemos o nosso único post diretamente de Cuba:

“Oi gente
A viagem segue maravilhosa. Passamos dias incríveis no paraíso de Little Cayman e depois viemos para Cuba, onde encontramos os padrinhos Rafa e Laura.
Aqui ja passamos por Havana, Isla de Juventud, Cienfuegos e chegamos agora à histórica Trinidad. Estamos de carro e seguiremos ate Santiago de Cuba, de onde retornamos à Havana para mais dois dias pelo oeste da ilha, voltando para o México no dia 27
O único porem daqui e o acesso a internet. Difícil e caro! Só conseguimos agora e não podemos fazer upload de posts (já temos uns 5-6 prontos) e fotos (umas duzentas!). Paciência, algum dia faremos. Nada se perdera!
Um grande abraço a todos e feliz carnaval”

Arte com a figura de Che Guevara em galeria de Trinidad, em Cuba

Arte com a figura de Che Guevara em galeria de Trinidad, em Cuba


Arte em galeria de Trinidad, em Cuba

Arte em galeria de Trinidad, em Cuba


Passada a obrigação, passamos à exploração. Caminhar pelas ruas de paralelepípedo da antiga cidade é uma delícia. Muitas vezes, parecia que eu estava numa das cidades históricas de Minas, pessoas sentadas nas calçadas e praças vendo a vida passar, casas e ruas com aparência centenária, aquela sensação de que o tempo, aqui, passa mais devagar.

Ensaio de música cubana para o show da noite na Casa de La Trova em Trinidad - Cuba

Ensaio de música cubana para o show da noite na Casa de La Trova em Trinidad - Cuba


O simpático e culto poeta de rua em Trinidad,- Cuba

O simpático e culto poeta de rua em Trinidad,- Cuba


Visitamos galerias de arte, feirinhas, casas de música e torres de construções, com direiro a vista privilegiada da charmosa cidade colonial e dos telhados de suas casas. Interagimos e fotografamos pessoas, sempre muito amáveis e curiosas sobre nós, brasileiros. A Ana e a Laura ficaram amigas de um poeta de rua que prontamente declamou seus conhecimentos sobre o nosso país. A Ana até fez um vídeo com ele para a seção do “Soy Loco”. Muito legal!

A charmosa cidade vista do alto do Museu Nacional de La lucha Contra Bandidos, em Trinidad - Cuba

A charmosa cidade vista do alto do Museu Nacional de La lucha Contra Bandidos, em Trinidad - Cuba


Esperando as esposas na calçada em frente ao museu em Trinidad, em Cuba

Esperando as esposas na calçada em frente ao museu em Trinidad, em Cuba


No fim de tarde, eu e a Ana subimos um morro ao lado da cidade, onde pudemos assistir a um belíssimo pôr-do-sol, o mar lá no fundo e a cidade abaixo de nós. Depois, já de noite, passamos ótimos momentos na Casa de La Trova, onde diariamente pode-se ouvir a excelente música cubana.

Jogo de dominó nas ruas de Trinidad, em Cuba

Jogo de dominó nas ruas de Trinidad, em Cuba


A charmosa cidade vista do alto do Museu Nacional de La lucha Contra Bandidos, em Trinidad - Cuba

A charmosa cidade vista do alto do Museu Nacional de La lucha Contra Bandidos, em Trinidad - Cuba


Para fechar o dia e a noite com chave de ouro, fomos a uma discoteca que foi feita dentro de uma caverna de verdade. A paisagem é surreal, bem “cavernosa” mesmo. Eles aproveitaram um grande salão da caverna, com estalactites pendurados no teto e aí fizeram a boate. As luzes coloridas se perdem nos recantos da caverna e a música ecoa em todas as suas reentrâncias. Aliás, adivinha qual a música que começou a tocar exatamente quando entrávamos na caverna? Para quem pensou em Michel Teló, acertou. Pois é, até em Cuba esse cara chegou... É, a gente pode não ser muito fã da música, mas ouvi-la ali, bem naquela hora, foi uma “experiência”. Já os gringos, boa parte dos frequentadores, e os cubanos, adoraram!

Trinidad vista do alto do Cerro de La Vigia (Cuba)

Trinidad vista do alto do Cerro de La Vigia (Cuba)


Magnífico pôr-do-sol visto do alto do cerro de La Vigia, em Trinidad - Cuba

Magnífico pôr-do-sol visto do alto do cerro de La Vigia, em Trinidad - Cuba


E nós, adoramos essa cidade e o dia de hoje! Amanhã, vamos para uma praia aqui perto para passar o dia e voltamos para Trinidad para mais uma tarde e noite memoráveis. Numa cidade com tanta história e cultura pelas ruas, não tem jeito de não ser...

Balada em uma disco dentro de uma caverna em Trinidad, - Cuba

Balada em uma disco dentro de uma caverna em Trinidad, - Cuba

Cuba, Trinidad de Cuba,

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Afinal, Quem Descobriu o Brasil?

Brasil, Ceará, Canoa Quebrada, Fortim

Chegando a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Chegando a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Depois de fazer o programa do Beach Park ontem, com os dois sobrinhos mais novos, foi a vez de, hoje, fazer algo com os dois sobrinhos mais velhos. Esse “algo” era uma caminhada de cerca de 18 quilômetros pela praia entre o Pontal do Maceió, em Fortim, e a conhecida cidade de Canoa Quebrada. Além de mim e dos sobrinhos Leo e João Pedro, é claro que iriam conosco a Ana e o Guto, meu irmão, outro notório amante de desafios e proezas na família.

Com o irmão Guto e os sobrinhos Leo e João Pedro, início da caminhada de Fortim a Canoa Quebrada através do litoral do Ceará

Com o irmão Guto e os sobrinhos Leo e João Pedro, início da caminhada de Fortim a Canoa Quebrada através do litoral do Ceará


Guto e Leo, pai e filho, no início da caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Guto e Leo, pai e filho, no início da caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


No meio do caminho, um grande rio para atravessar. É o Jaguaribe, o maior do Ceará, que atravessa o sertão e abastece dois dos mais conhecidos açudes de combate à seca, o Orós e o Castanhão. Saímos sem saber direito como seria essa travessia, uma vaga ideia de passar nadando ou então, encontrar um barco que nos levasse para o lado de lá. Fomos também com a maré baixa, para poder caminhar melhor na longa praia que se forma, piso duro e plano. A ideia era encontrar outras pessoas da família que fossem nos esperar já em Canoa Quebrada, de carro. Lá, comeríamos algo na praia e voltaríamos todos de carro.

Barco espera sua hora de navegar em praia de Fortim, no litoral do Ceará

Barco espera sua hora de navegar em praia de Fortim, no litoral do Ceará


Com o sobrinho João Pedro, caminhando de Fortim a Canoa Quebrada, nolitoral do Ceará

Com o sobrinho João Pedro, caminhando de Fortim a Canoa Quebrada, nolitoral do Ceará


Caminhada longa, mas agradável. Apesar do sol, a brisa constante mantém a temperatura sempre agradável. Só não podemos esquecer o protetor solar, pois o vento pode até disfarçar o calor do sol, mas ele continua queimando bastante. Seis pessoas, ritmos diferentes. Nós vamos nos dividindo em duplas, alguns mais à frente, outros para trás, eu e a Ana nos revezando com as fotos. Vamos revezando as duplas também, às vezes conversando com um sobrinho, outras vezes com o irmão, outras ainda com a esposa. Assim, não enjoa.

No caminho entre Fortim e Canoa Quebrada, dezenas de moinhos de vento de um grande parque eólico, no litoral do Ceará

No caminho entre Fortim e Canoa Quebrada, dezenas de moinhos de vento de um grande parque eólico, no litoral do Ceará


Um pequeno e vistoso farol na região de Fortim, no litoral do Ceará

Um pequeno e vistoso farol na região de Fortim, no litoral do Ceará


O estranho é pensar que essas praias por onde caminhamos são as mais “velhas” do Brasil. Ainda mais antigas que as praias de Cabrália e Porto Seguro, quase aos pés do Monte Pascoal. É claro que estou falando do Brasil dos europeus e não do Brasil dos índios, pois esse é muito mais antigo ainda. Que o diga os potiguaras, umas das diversas tribos da etnia tupi que se espalhavam pelo litoral brasileiro quando os europeus começaram a chegar por aqui, lá pelos idos de 1500.

A Ana faz novos amigos antes da travessia do rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

A Ana faz novos amigos antes da travessia do rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Um barco navega pelo rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Um barco navega pelo rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Foram os potiguaras os primeiros a observar e travar contato com europeus que chegaram a esta região do Brasil alguns meses antes que Cabral “descobrisse” a Terra de Santa Cruz. Essa tribo vivia desde o litoral da Paraíba até o do Maranhão e era conhecida por sua índole guerreira. É por causa deles que hoje conhecemos os habitantes do Rio Grande do Norte como “potiguaras”.

Depois de atravessar o rio a nado, o Rodrigo corre na praia já do lado de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Depois de atravessar o rio a nado, o Rodrigo corre na praia já do lado de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


De barco, fazendo a travessia pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

De barco, fazendo a travessia pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Eles foram testemunhas oculares da chegada, em algum ponto não estabelecido desse litoral, da expedição comandada pelo espanhol Vicente Pinzón, em 26 de janeiro de 1500. Nesta mesma data, Cabral ainda participava de intrincados jogos políticos em Lisboa para ser apontado como comandante da frota que chegaria ao Brasil quase três meses depois de Pinzón, em 22 de Abril daquele mesmo ano.

De barco, fazendo a travessia pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

De barco, fazendo a travessia pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


O barco que fez a travessia do grupo pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

O barco que fez a travessia do grupo pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Pinzón não era qualquer um e já tinha muita história quando chegou às costas brasileiras naquele janeiro de 1500. Ele havia sido o capitão da caravela Niña, um dos três barcos sob comando geral de Cristóvão Colombo que haviam descoberto a América em 1492. Essa histórica viagem lhe trouxe fama e dinheiro e, quase oito anos mais tarde, conseguiu financiar do seu próprio bolso mais uma expedição ao Novo Mundo. A esta altura, os reis espanhóis já tinham fortes indícios de que as terras descobertas por Colombo não eram parte da Ásia, mas sim de um novo continente. Eles não só liberaram, mas também estimularam que expedições particulares partissem em direção às novas terras. Os prêmios de novas descobertas seriam divididos entre a coroa e os intrépidos exploradores.

Refrescando-se no rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Refrescando-se no rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Refrescando-se no rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Refrescando-se no rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Foi nesse contexto que partiu Pinzón, antes do natal de 1499. Sua última escala foi em Cabo Verde, então um arquipélago já bastante conhecido dos marinheiros europeus. Aí ele reabasteceu seus navios uma última vez e partiu rumo ao oeste. Assim que cruzou a Linha do Equador, foi atingido por uma violenta tempestade. Apesar dos enormes perigos, os ventos fortes acabaram por acelerar sua viagem e ele chegou à costa brasileira em apenas 13 dias, num percurso que os navegantes da época, inclusive Cabral, demoravam um mês para realizar.

Chegando perto dos moinhos do parque eólico na região de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Chegando perto dos moinhos do parque eólico na região de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Aos pés dos enormes moinhos de vento do parque eólico na região de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Aos pés dos enormes moinhos de vento do parque eólico na região de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Apesar da curiosidade natural, os índios potiguares não foram hospitaleiros. Ao contrário, entraram em violento combate com os homens de Pinzón. Armamento e técnicas militares superiores deram vitória aos espanhóis, que partiram da costa nordestina levando vários indígenas capturados. Ele seguiu explorando a costa até o rio Amazonas, que batizou com muita propriedade de “Mar Dulce”. Continuou pela costa até as Guianas, descobrindo muitos rios. Um deles, o Oiapoque, ganhou o seu nome e, até o século XIX, era conhecido como rio Vicente Pinzón. Das Guianas ele seguiu para as ilhas caribenhas e daí para a Europa. Apesar de tantas descobertas, a viagem foi um fracasso financeiro.

A Ana e o Guto, durante a caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

A Ana e o Guto, durante a caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


A Ana e o sobrinho Leo, durante a caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

A Ana e o sobrinho Leo, durante a caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Pinzón só retornaria à América mais uma vez, em 1508. Navegou ao longo da América Central e sua expedição foi a primeira a travar contatos com a civilização asteca, quase uma década antes das conquistas de Cortez. Mesmo com mais essa façanha em seu currículo, seu nome nunca foi muito conhecido. O patriotismo português, que acabou gerando o patriotismo brasileiro, jamais admitiria que nossas terras tivessem sido descobertas por um espanhol e não por um marinheiro lusitano. Ainda mais que o local onde teria desembarcado Pinzón estava a leste da Linha de Tordesilhas e que, portanto, pertencia legalmente a Portugal, pelo menos na jurisdição ibérica (jamais aceita por Inglaterra, Holanda e França, que não assinaram esse tratado).

Os sobrinhos Leo e João Pedro, durante a caminhada entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Os sobrinhos Leo e João Pedro, durante a caminhada entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Com o Guto, cada vez mais pertos de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Com o Guto, cada vez mais pertos de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Podemos ter esquecido Pinzón com relação ao descobrimento, mas não esquecemos do rio descoberto por ele e que levava seu nome. Foi com base nas descrições feitas pelo navegante espanhol que, ao final do século XIX, o Brasil venceu a França em uma disputa diplomática arbitrada pela Suíça e garantiu a posse do Território do Amapá até o rio Oiapoque. Franceses argumentavam que o rio de Pinzón era outro, o rio Araguari, muito mais ao sul. Foi por pouco que as fronteiras da Guiana Francesa não chegaram quase até a foz do rio Amazonas. O tal rio Araguari está um pouco mais ao norte e é famoso pelo fenômeno da pororoca, atraindo surfistas de todo o mundo interessados em surfar nessas ondas de água doce em plena floresta.

Perto de Canoa Quebrada, com movimento cada vez mais intenso de turistas, no litoral do Ceará

Perto de Canoa Quebrada, com movimento cada vez mais intenso de turistas, no litoral do Ceará


Perto de Canoa Quebrada, com movimento cada vez mais intenso de turistas, no litoral do Ceará

Perto de Canoa Quebrada, com movimento cada vez mais intenso de turistas, no litoral do Ceará


Bom, voltando à nossa caminhada, ele seguiu bem tranquila até o rio Jaguaribe. Apenas nós na praia, nenhum encontro com índios potiguaras hostis. O único sinal de civilização era o vasto parque eólico do outro lado do rio, dezenas de moinhos de vento girando ao sabor da brisa cearense. Muita energia sendo gerada e, infelizmente, desperdiçada. Posso estar enganado, mas acho que esse é mais um caso de obra pela metade, os moinhos todos funcionando, mas ainda não ligados às linhas de transmissão. Por enquanto, só servem de poluição visual.

Mapa da nossa caminhada pela praia, do hotel em Pontal do Maceió, em Fortim, até Canoa Quebrada, passando pelo rio Jaguaribe. O percurso tem metade da distância de quem vai de carro

Mapa da nossa caminhada pela praia, do hotel em Pontal do Maceió, em Fortim, até Canoa Quebrada, passando pelo rio Jaguaribe. O percurso tem metade da distância de quem vai de carro


Às margens desse rio acamparam as forças de Pero Coelho de Souza, em 1603. Ele vinha de Pernambuco e se encaminhava para o Maranhão, disposto a expulsar de lá os colonos franceses que tentavam se estabelecer nos trópicos. Ao lado do rio ele fundou um pequeno forte, ou fortim. Essa é a origem do nome da cidade onde está o nosso hotel. Atualmente, há umas poucas casas por aqui e a Ana foi inquirir sobre algum barco para nos levar para o lado de lá. Quanto a mim, depois de ficar observando a corrente, resolvi arriscar a passar nadando. A maré estava enchendo e a água, portanto, estava entrando dentro do rio. A largura era de uns 200-300 metros e o Guto e o Leo resolveram vir comigo. Qualquer coisa, o barco da Ana iria nos buscar.

Depois de uma longa caminhada, o grupo chega a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Depois de uma longa caminhada, o grupo chega a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Depois de uma longa caminhada, o grupo chega a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Depois de uma longa caminhada, o grupo chega a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


A corrente realmente nos levou para dentro do rio, mas a travessia foi mais fácil do que imaginamos. Logo estávamos nas areias do outro lado observando o barco que trazia a Ana e o João Pedro e também nossas mochilas, tudo pela bagatela de 20 reais. Do lado de cá, todos aproveitaram para tomar um bom banho de água quase doce. Estávamos na metade do caminho, mas o maior desafio tinha ficado para trás.

Chegando a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Chegando a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Depois da caminhada, cervejas e caipinhas nos esperam em um dos bares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Depois da caminhada, cervejas e caipinhas nos esperam em um dos bares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Agora já estávamos bem próximos dos gigantescos moinhos de vento e não resistimos à tentação de passar bem embaixo deles. São realmente enormes e estão ali para aproveitar uma força gratuita da natureza que nunca se cansa: os ventos. São bastante feios também, mas quando estiverem produzindo energia, acho que uma coisa compensa a outra.

Depois da caminhada, cervejas e caipinhas nos esperam em um dos bares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Depois da caminhada, cervejas e caipinhas nos esperam em um dos bares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Observando os paragliders de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Observando os paragliders de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Depois da visita aos moinhos, toda a tranquilidade do mundo para caminhar os últimos quilômetros. Aos poucos, começamos a reconhecer as falésias cor de tijolo de Canoa Quebrada. O movimento na praia também começou a aumentar, não só de banhistas, mas de gente passeando de jipe e voando em seus parapentes. A tranquilidade de Fortim tinha mesmo ficado para trás e estávamos no meio da muvuca de alta temporada da famosa Canoa Quebrada. Por fim, chegamos ao símbolo da cidade, a lua crescente e a estrela brancas pintadas sobre a falésia.

O pai e o sobrinho do Rodrigo em Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

O pai e o sobrinho do Rodrigo em Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Foto do grupo de caminhou de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Foto do grupo de caminhou de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


As memórias minhas e da Ana de nossa passagem por aqui há três anos estavam frescas (veja o post aqui). Assim, dirigimos o grupo para um dos nossos bares preferidos na praia, na beira do mar. Aí sentamos e tomamos nossa merecida cerveja enquanto, por telefone, orientamos a outra turma que vinha nos buscar de carro. Entre eles, meu pai e minha irmã, que também já haviam estado aqui, mas há muito mais tempo, no início da década de 80. Imagina só como era Canoa Quebrada há quase 30 anos! Estava começando a ser descoberta para o turismo. Minha irmã, a Lalau, ficou descrevendo-a para nós e ficamos todos querendo conhecer essa cidade que já não mais existe. Eu tinha 13 anos de idade quando meu pai me mostrou as fotos daqui, quando ele e minha mãe trouxeram um casal de alemães para cá. Aliás, vieram dirigindo um Passat TS desde o Rio até aqui, numa viagem de 2 meses. De onde vocês acham que nasceu o 1000dias, hein?

1000dias de volta a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

1000dias de volta a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Paraglider, muito popular em Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Paraglider, muito popular em Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Depois das bebidas e do lanche, subimos para cima das falésias e aí ficamos observando a classe do pessoal do paraglider. Fazem voos duplos e levam turistas para um passeio. Dominam completamente o vento e conseguem ficar parados a nossa frente, sobre a falésia. Um show! Quem foi que disse que o homem não nasceu para voar? Acho que nunca veio à Canoa Quebrada. Todos deveriam vir, pelo menos uma vez na vida! O Pinzón veio em 1500, o Pero Coelho em 1603, meus pais e minha irmã em 1982, o 1000dias em 2011 e a família Junqueira em 2014. E você, quando virá?

Turista se diverte nos ares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Turista se diverte nos ares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

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Chegando à Groelândia

Groelândia, Nuuk

Pronta para viajar para a Groelândia!

Pronta para viajar para a Groelândia!


Ao contrário do que muita gente pensa, a data de descoberta do nosso continente americano é matéria bem controversa. Antes de Colombo, que chegou ao Caribe em 1492, muitos outros exploradores e colonizadores já haviam estado por aqui. Mesmo os antecessores dos nossos atuais índios, quando aqui chegaram há uns 17 mil anos, aparentemente já encontraram um continente ocupado há muito mais tempo, embora não haja provas definitivas sobre isso. Aliás, o destino desse misterioso povo que habitava as Américas nesses tempos remotos é completamente obscuro.

Mapa da costa oeste da Groelândia, onde estão a capital Nuuk e Ilulissat, mais ao norte, nossos destinos no país

Mapa da costa oeste da Groelândia, onde estão a capital Nuuk e Ilulissat, mais ao norte, nossos destinos no país


Em tempos modernos, o primeiro europeu a chegar à América continental, quase 500 anos antes de Colombo, foi o viking Leif Erikson. Só que a América tem também suas ilhas. E se consideramos que Colombo chegou à América em 1492, e nesse ano ele só chegou até as ilhas do Caribe, e não ao continente, então temos de considerar que o primeiro europeu a chegar na América foi aquele que chegou à Groelândia, que também é uma ilha americana, embora com um clima menos “ameno” que as ilhas caribenhas.

Vista aérea das gigantescas geleiras que cobrem o país, no voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia

Vista aérea das gigantescas geleiras que cobrem o país, no voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia


E o primeiro europeu a ir morar na Groelândia foi justamente o pai de Leif Erikson, conhecido como “Erik, o Vermelho”, no ano de 983. Mas não foi ele que descobriu a ilha não. A Groelândia já era conhecida há quase um século. Aparentemente, seu descobridor foi um tal de Gunnbjorn Ulfson. Esse sim é o verdadeiro Cristóvão Colombo. Mas ele não achou muita graça nessa ilha congelada e logo voltou para casa.

Sobrevoando a pequena Nuuk, capital da Groelândia

Sobrevoando a pequena Nuuk, capital da Groelândia


Foi mesmo o ruivíssimo Erik o primeiro colonizador da ilha. Olha só como eram esses vikings: o pai de Erik já havia sido exilado da Noruega por ter cometido um punhado de assassinatos por lá. Mesmo para padrões vikings, ele era meio violento. Foi morar na Islândia. Ali, quem arrumou confusão, para manter a tradição da família, foi o filho Erik, o Vermelho. Depois de alguns assassinatos, também foi exilado da Islândia. Com a barra da família meio suja na Noruega e Dinamarca, resolveu navegar para o outro lado e acabou chegando na Groelândia.

Chegando no aeroporto de Nuuk, a capital da Groelândia

Chegando no aeroporto de Nuuk, a capital da Groelândia


Acabou passando três anos por lá e, quando o seu período de exílio acabou, voltou para a Islândia para levar mais gente para a Groelândia. Como convencer as pessoas a mudar de ilha? Uma boa publicidade! Erik batizou a sua ilha de “Greenland”, ou “ilha verde”. O marketing deve ter feito sucesso na gelada Islândia e logo uma grande migração se formou em direção à nova terra prometida.

Passeando em dia nublado e gelado em Nuuk, capital da Groelândia

Passeando em dia nublado e gelado em Nuuk, capital da Groelândia


O fato é que, naqueles tempos, o mundo vivia um período mais quente e a Groelândia era sim, mas verde do que hoje. Pero no mucho! Os vikings, ou “norseman” (vikings convertidos ao cristianismo), conseguiram se estabelecer nas únicas terras "ligeiramente" verdes da ilha gigantesca, que ficam na costa sudoeste da Groelândia. Aí fundaram três vilas que chegaram a ter, juntas, cerca de 5 mil habitantes. Essa colônia prosperou por quase 400 anos e depois, sumiu misteriosamente. É uma história para outro post...

A mais bela igreja de Nuuk, capital da Groelândia

A mais bela igreja de Nuuk, capital da Groelândia


Uma dessas vilas ficava próxima de onde hoje está a capital do país, Nuuk, considerada a menor capital do mundo. São cerca de 15 mil habitantes, quase um terço da população do país. Aqui chegamos ontem de noite. “Noite” é só jeito de falar, porque nessa época do ano, já quase não fica escuro por aqui. Eram 22:00 quando chegamos ao aeroporto e, de lá, de táxi, para o nosso hotel, e parecia que estávamos no final de tarde.

Arte nas ruas de Nuuk, capital da Groelândia

Arte nas ruas de Nuuk, capital da Groelândia


Quando chegamos à Islândia, ontem de manhã, percebemos que era um lugar bem “diferente”. Mesmo assim, ainda parecia no planeta Terra. Já a Groelândia... essa sim parece outro mundo. Do avião, só se vê o branco até o horizonte. Nuuk é um amontoado de casinhas coloridas no meio de uma vasto lençol branco, parte terra, parte mar. Como é tudo da mesma cor (ou sem cor!), muitas vezes, é difícil distinguir terra firme de mar congelado.

O moderno cinema de Nuuk, capital da Groelândia

O moderno cinema de Nuuk, capital da Groelândia


Tentamos dormir naquele ambiente pouco escuro e, hoje cedo, enfrentamos o frio de 0 graus e o tempo chuvoso para dar uma rápida volta pela cidade. Não tínhamos muito tempo para isso, pois o avião para Ilulissat saía logo depois do almoço. Daqui a alguns dias, voltaremos para passar um dia inteiro por aqui e, aí sim, ver direito a capital do país.

Bandeiras da Groelândia e da Dinamarca tremulam em Nuuk, capital da Groelândia

Bandeiras da Groelândia e da Dinamarca tremulam em Nuuk, capital da Groelândia


Caminhamos entre nuvens e até um pouco de neve, congelamos nossas mãos ao vento, cruzamos o centro da cidade carregando nossas mochilas e observamos os groenlandeses aproveitarem um “ameno” dia de primavera. Tiramos algumas fotos da bela igreja e da arquitetura da cidade e seguimos para o aeroporto de táxi, uma das maiores estradas do país, com cerca de 5 km. Mais do que isso, só de helicóptero, hehehe! Agora, rumo ao Círculo Polar Ártico!

O avião que nos levou de Nuuk para Ilulissat, cidade ao norte do Cículo Polar Ártico, na Groelândia

O avião que nos levou de Nuuk para Ilulissat, cidade ao norte do Cículo Polar Ártico, na Groelândia

Groelândia, Nuuk, história

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Diz aí se você gostou, diz!

Viajando para as Bermudas

Estados Unidos, New Jersey, Princeton Junction, Bermuda, Hamilton

Chegando á Bermuda, em pleno Oceano Atlântico

Chegando á Bermuda, em pleno Oceano Atlântico


Quase todo mundo já ouviu falar das Bermudas, principalmente por causa do famoso “Triângulo”, mas poucos saberiam apontá-la no mapa. Eu, por exemplo, não sabia, pelo menos até iniciarmos nossa jornada pela América. E olha que fui um leitor inveterado dos livros sobre o misterioso e fatal Triângulo, quando estava entrando na adolescência.

Mapa mostrando o famoso 'Triângulo das Bermudas', onde navios e aviões somem sem deixar pistas, segundo a lenda...

Mapa mostrando o famoso "Triângulo das Bermudas", onde navios e aviões somem sem deixar pistas, segundo a lenda...


Bermuda (ou “Bermudas”, no plural, em português) deve seu nome ao seu descobridor, o espanhol Juan de Bermudez, que aportou na ilha em 1505. Os espanhóis não deram muita bola para a ilha e foram os ingleses, um século mais tarde, que a ocuparam e colonizaram. Desde então a ilha manteve-se unida à Grã-Bretanha e à Rainha e hoje continua sendo território britânico, embora goze de grande autonomia. Ao longo do tempo, os ingleses aprenderam a lidar com o calor, reduzindo o tamanho de suas calças, para que ficassem mais ventiladas, Nascia aí o short conhecido como “Bermuda”, vestimenta preferida de dez entre dez surfistas.

Mapa de Bermuda, uma ilha no meio do Atlântico, em forma de camarão

Mapa de Bermuda, uma ilha no meio do Atlântico, em forma de camarão


Ao contrário do que muita gente pensa, Bermuda não faz parte do Caribe, estando muito mais ao norte, na altura do estado americano da Carolina do Norte, do qual dista cerca de 1.000 km. É a terra firme mais próxima da ilha. Geograficamente, então, pertence à América do Norte. E se está na América do Norte (ou mesmo se estivesse no Caribe...), está no nosso roteiro.

Em meio à névoa e ao Oceano Atlântico, aparecem as misteriosas Bermudas!

Em meio à névoa e ao Oceano Atlântico, aparecem as misteriosas Bermudas!


Não é caro voar para lá, saindo de Nova York. O problema maior é arrumar algum lugar para ficar, principalmente nessa época do ano, considerada a alta estação. Nós compramos nossas passagens há poucos dias, saindo hoje e voltando dia 28. Mas não conseguimos vaga em nenhum dos hotéis que tentamos, via internet. Então, a solução era conseguir por lá mesmo.

Navio-cruzeiro ancorado em Hamilton, capital de Bermuda

Navio-cruzeiro ancorado em Hamilton, capital de Bermuda


A Anita nos deixou na estação de trem de Princeton Junction pela manhã, antes de levar as crianças para o summer camp. Mais uma vez, dissemos apenas um “Até logo!”, ao invés do “Adeus!”. Muito mais fácil assim! Foram 50 minutos até Newark, onde quase perdemos a estação. Teria sido um vexame, passar reto por lá e só descobrir depois, mais para frente. O trem para só por uns 30 segundos e nós saímos esbaforidos pela porta, carregando nossas mochilas, com 35 segundos, apenas porque o cobrador percebeu nossa corrida e segurou as portas. Uffff, foi por pouco!

Uma das tranquilas ruas centrais de Hamilton, capital de Bermuda

Uma das tranquilas ruas centrais de Hamilton, capital de Bermuda


Enfim, o trecho de aero-trem foi muito mais tranquilo e logo já estávamos fazendo check-in e esperando o nosso voo. Ainda estava difícil acreditar que realmente viajaríamos para as enigmáticas Bermudas. Na minha fase crédula, aos 12 anos, não conseguia entender como alguém poderia viver em Bermuda. Afinal, chegar lá de avião ou de barco era tarefa perigosíssima, arriscando-se a ser abduzido por extraterrestres ou simplesmente desaparecer em algum buraco do espaço-tempo. Achava essas hipóteses mais críveis do que as que diziam que algum antigo cristal da civilização perdida da Atlântida estava destruindo os barcos.

Front Street, a principal avenida de Hamilton, capital de Bermuda

Front Street, a principal avenida de Hamilton, capital de Bermuda


Já um pouco mais velho, o ceticismo foi tomando conta da minha personalidade. O mundo ficou mais em graça. Mas ficou mais seguro também. Comecei a duvidar do que lia em livros ou jornais (ainda era uma época pré-internet, então, quando apareceu a wikipedia, eu já não acreditava em nada mesmo, hehehe) e o bom senso passou a ser meu guia maior. No caso do triângulo das Bermudas, por exemplo, essa é uma das áreas com tráfego mais movimentado de barcos e aviões do mundo. Ou seja, seria até normal o número de acidentes ser maior por aqui do que em outra parte. Não é porque há mais atropelamentos na Av. Paulista do que em uma rua de uma pequena vila no interior do Piauí que poderemos dizer que exista uma maldição na movimentada avenida de São Paulo, certo? Pior, boa parte dos misteriosos acidentes no Triângulo não passavam de invenções ou “romantizações” de fatos que não ocorreram, ou ocorreram sim, em outra parte do globo.

Palácio do Governo em Hamilton, capital de Bermuda

Palácio do Governo em Hamilton, capital de Bermuda


Enfim, voamos tranquilamente sobre o tal triângulo e, duas horas mais tarde, em meio à névoa e ao oceano, lá apareceram as pequenas ilhas que formam as Bermudas. Lá de cima, apesar do céu encoberto, já deu para ver a beleza do mar que cerca uma pequena ilha completamente urbanizada.

Catedral Anglicana em Hamilton, capital de Bermuda

Catedral Anglicana em Hamilton, capital de Bermuda


Passamos pelo alfândega sem problemas, apesar da oficial ter feito questão de verificar nossas passagens aéreas saindo do país. No campo “endereço”, simplesmente colocamos o nome de um hotel qualquer, da lista que tínhamos pesquisado. Já no saguão do aeroporto, como não havia nenhum quiosque de informações turísticas para nos ajudar a achar um hotel de verdade, apelamos para o motorista de taxi. Ele ficou estupefato de termos entrado no país sem uma reserva de hotel. Disse que já tinha visto vários turistas sendo mandados de volta para casa, por causa disso. Quando soube do nosso “artifício” de ter colocado um hotel qualquer, aí disse que foi isso que nos salvou...

Marina em Hamilton, capital de Bermuda

Marina em Hamilton, capital de Bermuda


Bom, passado o susto e três ligações telefônicas mais tarde, enquanto já estávamos a caminho de Hamilton, a capital de Bermuda, encontramos o nosso Inn. Finalmente, estava tudo certo para nossa temporada “bermudesa”.

Um dos parques de Hamilton, capital de Bermuda

Um dos parques de Hamilton, capital de Bermuda


Hoje, pelo adiantado da hora, tudo o que pudemos fazer foi caminhar pela simpática capital, que se pode conhecer em menos de uma hora caminhando. A organização e limpeza da cidade, o modo como as pessoas se vestem e se portam e outros detalhes, tudo mostra que realmente não estamos no Caribe. Em compensação, o enorme cruzeiro ali aportado mostra que pode não ser o Caribe, mas que se parece, parece!

Escultura em meio a jardim de parque em Hamilton, capital de Bermuda

Escultura em meio a jardim de parque em Hamilton, capital de Bermuda


Além do passeio pelas ruas da cidade, seus parques, monumentos e igrejas, a gente também definiu nossa programação por aqui. Bermuda é o único país do nosso roteiro, além de Groelândia, que não era coberto por nenhum dos livros-guia que tínhamos. Então, foi só aqui que começamos a conhecer mais profundamente o país e o que ele oferece. Como era de se esperar, muitas praias e oportunidades de mergulho! E se gostássemos de golfe, as opções também seriam muitas. Mas, não é o caso, hehehe. Amanhã, de ônibus, vamos para as praias mais bonitas daqui. No dia seguinte, mergulho, de ônibus também. Isso porque, uma das coisas interessantes que acabamos de descobrir, não existe aluguel de carros por aqui. Acho que tem medo que estrangeiros não saberiam dirigir, na mão contrária, pelas estradas estreitas da ilha. Para quem quiser alugar seu próprio transporte, ou é um carro com motorista ou uma scooter. Quem sabe não alugamos uma?

Estátua pensativa, em parque de Hamilton, capital de Bermuda

Estátua pensativa, em parque de Hamilton, capital de Bermuda

Estados Unidos, New Jersey, Princeton Junction, Bermuda, Hamilton, Bermudas, história, ilha, Triângulo das Bermudas

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Gracias é uma Graça!

Honduras, Gracias

Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras

Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras


O ano era 1543 e a América Central já era território do Rei de Espanha. Milhares de colonizadores se dirigiam ao novo continente, em busca de novas oportunidades de enriquecimento rápido. Era preciso colocar uma ordem nesse processo de colonização que se iniciava de maneira caótica. O primeiro passo: escolher uma capital para esse novo território de além-mar.

A região rural e montanhosa de Gracias, em Honduras

A região rural e montanhosa de Gracias, em Honduras


A escolha recaiu sobre a pequena cidade de Gracias. Localizada em meio às montanhas da região central de Honduras, o simpático nome vem da expressão usada pelos primeiros colonizadores que lá chegaram. Depois de intermináveis dias caminhando sobre montanhas, sobe e desce sem parar, ao finalmente chegarem ao vale onde se encontra Gracias, exclamaram: “Gracias a Dios!”. O agradecimento virou nome e pegou!

O prédio da prefeitura de Gracias, em Honduras

O prédio da prefeitura de Gracias, em Honduras


Mas a primazia de Gracias como capital centro-americana não durou muito. Regiões que naquela época já eram muito mais populosas reclamaram por ter de prestar contas a uma pequena vila perdida no meio das montanhas hondurenhas. Em 1549, o governo espanhol cedeu às pressões e a capital foi transferida para Antigua, na Guatemala, principal polo colonizador na América Central do século XVI. Muitos argumentam hoje que esse foi um dos fatores que contribuiu para que a América Central nunca fosse unida como um só país. Com sua capital localizada no extremo norte do território, as outras regiões nunca se sentiram realmente ligadas a ela. A pequena Gracias, realmente, era muito mais central.

Igreja matriz de Gracias, em Honduras

Igreja matriz de Gracias, em Honduras


Bom, isso fez com que Gracias permanecesse pacata ao longo de todos esses séculos, depois do inicio promissor. Perdeu o posto de capital continental, nunca se firmou como capital nacional, mas ao menos se manteve como capital regional, da província chamada Lempira. Esse também é o nome da moeda de Honduras, homenagem ao líder indígena que resistiu bravamente aos espanhóis, quase expulsando-os do país e só sendo morto através da mais vil das traições.

Praça central da pacata Gracias, em Honduras

Praça central da pacata Gracias, em Honduras


Honduras era ocupada, na época da chegada dos europeus, por centenas de tribos indígenas. Os mayas só haviam estado no norte do país, mas nessa época já quase não tinham importância. Entre as tribos mais conhecidas estava a do povo Lenca. Seu líder era Lempira e, ao conseguir unir várias outras tribos contra o inimigo comum, chegou a juntar 30 mil guerreiros. Após várias derrotas militares, os espanhóis levantaram a bandeira branca e pediram negociações. Quando Lempira se apresentou, foi prontamente esfaqueado pelas costas por um soldado espanhol. Sem seu carismático líder, rapidamente a rebelião foi desbaratada e a região se abriu para os colonizadores, pouco antes da fundação de Gracias.


Nosso caminho entre Copán e Gracias, já no interior de Honduras

Ontem de tarde, depois da visita ao Museu das Esculturas em Copán, cruzamos as mesmas montanhas que tanto cansavam os primeiros colonizadores e chegamos à Gracias. Para minha surpresa, descobri um pedacinho de Minas Gerias encravado em pleno coração de Honduras. Uma pequena cidade com ruas de pedra e casas com aspecto colonial, pessoas nas portas de suas casas olhando a vida passar, uma simpática praça central onde está a igreja matriz. A sensação é de um ritmo diferente, bem distante do frenesi das cidades grandes. Até os relógios parecem andar mais devagar, principalmente nos dias mais quentes, como nessa época do ano.

Uma típica rua de Gracias, em Honduras, a antiga capital da América Central

Uma típica rua de Gracias, em Honduras, a antiga capital da América Central


Nós ficamos hospedados em um hotel no alto de uma colina e , da nossa varanda, podíamos observar toda a cidade, seus telhados vermelhos, a torre da igreja ao longe, as montanhas verdejantes ao redor. Nostálgico mineiro que sou, a sensação era de estar de volta à terra amada. Foi joia! Nossa tarde foi passada ali, sossego total, só curtindo aquela vista. Pela manhã, enfrentando o calor, até fui caminhar pelas ruas tranquilas em busca de um barbeiro. Fazer a barba por aqui foi uma espécie de homenagem á minha terra natal e sua representante aqui na América Central. De cara limpa e coração batendo mais forte, estava pronto para seguir viagem. Próxima parada, o lago de Yojoa...

Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras

Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras

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Um Mês!

Porto Rico, La Parguera, Ponce

Visão do Farol em Cabo Rojo - Porto Rico

Visão do Farol em Cabo Rojo - Porto Rico


Hoje completamos um mês de viagem! Um Mês! Como passa rápido! Daqui a pouco, lá se foram os mil dias... Nossa... Bom, pensando bem, ainda tem chão. Nem começamos a dirigir ainda. Quer dizer, não a Fiona. Por aqui, vamos dirigindo sim.

Nosso carro em Porto Rico e as caixas de mergulho

Nosso carro em Porto Rico e as caixas de mergulho


Olhando para trás, já se foram o litoral do Paraná, um pouco da Flórida, Bahamas, Turks e Caicos e um tanto de Porto Rico. Mais um pouco, e lá se vão também as Ilhas Virgens, Americanas e Britânicas. Depois, vamos nos embrenhar nesse Brasilsão. Aí é que eu quero ver...

Se preparando para o mergulho em La Parguera

Se preparando para o mergulho em La Parguera


Por aqui, para celebrar o "aniversário", tivemos um dia ótimo. O mergulho, apesar da visibilidade ser bem menor que em Provo, foi muito bom. Duas moréias enormes, bem verdes, entocadas e outra, vista de cima, nadando entre corais. Ver moréia nadando não é muito comum e é sempre um deleite visual, a graça com que se movem. Deleite visual também foi ver o maior nurse shark (como se fala em português?) que já vi. Mais de dois metros! Um bichão! É a raça de tubarão com a cara mais boazinha que conheço. Mas ele logo se encheu de nós e foi nadando lá para o fundo, se perdendo no azul. Sabe que nós, manés humanos,não podemos segui-lo!

Visão do Farol em Cabo Rojo - Porto Rico

Visão do Farol em Cabo Rojo - Porto Rico


Depois, seguimos para a Playa del Faro, no extremo sudoeste de Porto Rico, à meia hora de La Parguera. Já sabíamos que era bonita mas ficamos agradavelmente surpresos. É uma região cheia de salinas e mangues onde o mar forma uma baía bem fechada, águas calmas e quentes, verde-esmeralda. Um primor da natureza. Lembrei da baía do Sueste, em Noronha. Ma a praia aqui é mais gostosa. Além disso, o morro do Farol oferece lindas visões de toda a região. Tiramos fotos muito legais.

Restaurante de hotel em Cabo Rojo - Porto Rico

Restaurante de hotel em Cabo Rojo - Porto Rico


De lá, viemos para Ponce, onde vamos dormir hoje. Ponce é uma das maiores cidades de Porto Rico, com umas 300 mil pessoas. É uma cidade histórica, a mais velha do país, e seu centro histórico é uma gracinha. A praça central se chama Delícia, assim como o nosso hotel. Uma praça com esse nome só poderia ser especial. E é, tirando o pastor evangélico que ficou lá gritando durante um tempo. Fora isso, muito legal, toda rodeada de fachadas antigas, com fontes luminosas, igreja centenária e até um museu dos bombeiros. Amanhã cedo vamos tirar umas fotos.

Para celebrar a data, comemos muito bem num restaurante argentino. Carne, por supuesto! E um bom vinho tinto californiano para acompanhar.

E, para eu deixar escrito para nunca mais esquecer. Achar o estacionamento do hotel, a duas quadras daqui, foi um parto. Fui e voltei várias vezes. Até fui abordado pela polícia, tentando abrir o cadeado de um terreno. Foi uma luta. No fim, depois de uma meia hora e muito treino de castelhano, me entendi com os atendentes do hotel e achei o tal terreno. Quem tem boca, chega a Roma. Mas custa.

Porto Rico, La Parguera, Ponce, Mergulho, Praia

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Praias e Charutos

Cuba, Playa Santa Lucia, Santiago de Cuba

Fumando um legítimo charuto cubano na Casa de La Trova, em Santiago de Cuba

Fumando um legítimo charuto cubano na Casa de La Trova, em Santiago de Cuba


Depois de termos estado em várias praias da costa sul de Cuba, como na Isla de La Juventud, na Playa Girón e na Playa Ancón, chegou a vez de conhecer a costa norte. Assim, saímos cedo de Camaguey em direção ao norte, para a Playa Santa Lucía

A bela e tranquila Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba

A bela e tranquila Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba


Apesar de um erro no caminho, onde acabamos dirigindo uns 30 km a mais, chegamos ansiosos à praia tão recomendada por alguns dos nossos conhecidos cubanos. A expectativa era grande, do mesma maneira que foi a decepção. Realmente, àquela primeira vista, as praias do sul estavam melhores. Faixa de areia muito estreita e vegetação na água.

Admirando o visual da Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba

Admirando o visual da Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba


Resolvemos explorar mais a costa, indo até onde estão os resorts. A praia melhorou um pouco, mas ainda não valeria o esforço de ter dirigido até lá. Em regiões como essa, considerada de grande valor turístico, o governo cubano ainda não permite que cidadãos recebam os turistas em casa. Não querem concorrência para seus hotéis e resorts estatais de preço bem inflado.

Visual paradisíaco na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba

Visual paradisíaco na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba


Nossa última esperança era seguir por uma estrada de terra mais alguns quilômetros, até a chamada Praia da Boca, onde a água do mar se encontra com as salinas que existem na região. Para minha surpresa, ultrapassamos nesta estrada de terra várias charretes carregadas de turistas. “Hmmmm... se essas pessoas saem do conforto de seus resorts para enfrentar alguns quilômetros de estrada poeirenta embaixo de sol forte, quem sabe o que há do lado de lá?

Tomando sol na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba

Tomando sol na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba


Pois é! A tal Praia da Boca é linda!!! Areia branquinha, coqueiros e água transparente. E sem resorts!!! Uma delícia, caribe cubano da melhor qualidade. Enfim, a viagem tinha valido à pena!

Mar transparente na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba

Mar transparente na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba


Aí passamos algumas horas, nos refestelando na paisagem, na água e no bar ali do lado. Depois, antes de encarar as quase quatro horas até Santiago, só faltava cuidar do estômago. Mas já tínhamos tudo esquematizado! Um simpático casal nos receberia em casa, em frente à praia, com uma generosa porção de lagosta e peixe, acompanhado de salada, feijão, arroz e plátano. Um banquete! Tudo por uns 15-20% do preço que teríamos no Brasil, por pratos semelhantes. E com direito à longa conversa sobre as dificuldades das regras do governo e como dar um “jeitinho” para sobreviver.

Aproveitando o mar e o sol da Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba

Aproveitando o mar e o sol da Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba


Combinação perfeita: praia, sol, mar e mojito na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba

Combinação perfeita: praia, sol, mar e mojito na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba


Nos contaram, por exemplo, que é daquela região que saem quase todos os barcos carregados de imigrantes ilegais para a Flórida (aqui estamos no ponto mais próximo dos EUA!). Aliás, ter barco por aqui é um perigo, pois a chance de ele ser roubado por gente querendo atravessar o canal é grande!

Sombra estratégica para estacionar na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba

Sombra estratégica para estacionar na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba


Depois do banquete e da aula, seguimos em viagem para Santiago. O final de tarde foi justo quando a famosa Sierra Maestra passou a dominar a paisagem, ao longe. Majestosa, foi aí que Fidel e seus companheiros passaram quase dois anos de penosa luta, até que o movimento se consolidou e colunas foram enviadas à outras regiões do país, na ofensiva que derrubou o tirano Batista. Histórias para um próximo post...

Casa onde almoçamos na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba

Casa onde almoçamos na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba


Chegamos à cidade já de noite. O instinto nos levou praticamente à porta da casa de Hóspedes agendada desde Havana. Só pare descobrir que nosso “amigo” lá de Trinidad havia cancelado a reserva e os quartos já estavam ocupados. Mas nossa amiga arquiteta dona da Casa de Hóspedes de Camaguey já tinha falado para eles que íamos sim para lá. Então, com os quartos já ocupados, já tinham providenciado outro lugar para ficarmos, ali perto. Menos mal!

Sorriso depois do delicioso almoço na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba

Sorriso depois do delicioso almoço na Playa de La Boca, ao final da Playa Santa Lucía, no costa nordeste de Cuba


Instalados, fomos passear no Parque Céspedes, coração da cidade. Muitos monumentos e prédios históricos iluminados, bastante movimento nas ruas. O Rafa e a Laura voltaram para casa depois do nosso jantar, mas eu e a Ana resolvemos esticar um pouco, passear pelas ruas do centro histórico. Não demorou muito e encontramos a Casa de La Trova de Santiago e, diante da animação do lugar, resolvemos entrar.

Restaurante de hotel tradicional em Santiago de Cuba

Restaurante de hotel tradicional em Santiago de Cuba


Show de música em hotel de Santiago de Cuba

Show de música em hotel de Santiago de Cuba


Casa bem mais charmosa que sua similar em Trinidad. Mais turística também. Depois de um pouco de música e de cervejas, resolvemos que era hora de provar outro produto cubano que é famoso pelo mundo: um “puro”, popularmente conhecido como “charuto”.

A Catedral no Parque Céspedes, coração de Santiago de Cuba

A Catedral no Parque Céspedes, coração de Santiago de Cuba


Os melhores charutos cubanos são produzidos no oeste da ilha, na região de Pinar del Rio (ainda vamos passar lá!). São esses que são exportados. Em outras partes da ilha são produzidos charutos para consumo nacional. De qualquer maneira, muito bons por qualquer padrão. É muito fácil encontrá-los nas ruas. A história é sempre a mesma: “São legítimos! Trabalho na fábrica e tirei eu mesmo de lá. Charutos de exportação!”. O preço: uma pechincha! Quatro, cinco vezes mais barato que na loja oficial. Sei... Mas, mesmo esses, ruins não são. A não ser que você seja muito exigente e profundo conhecedor. No caso de consumidores amadores como nós, tudo é lucro.

Fachada da Casa de La Trova em Santiago de Cuba

Fachada da Casa de La Trova em Santiago de Cuba


Bom, compramos ali no bar mesmo. Um Cohiba. Legítimo, disseram. Hmmm... Bom, para nós, uma delícia! Fumamos ali mesmo, no maior estilo, tentando fazer pose. Agora sim, sentíamo-nos em Cuba: numa Casa de La Trova, ouvindo boa salsa, copo de mojito numa mão e Cohiba na outra. Que beleza!

Fumando um legítimo charuto cubano na Casa de La Trova, em Santiago de Cuba

Fumando um legítimo charuto cubano na Casa de La Trova, em Santiago de Cuba

Cuba, Playa Santa Lucia, Santiago de Cuba, Praia

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Nossos Companheiros de Expedição

Falkland, Atlântico Sul Falkland

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Ao todo, somos pouco mais de 70 “hóspedes” no Sea Spirit, um grupo pequeno de viajantes compartilhando um mesmo sonho: conhecer o sétimo continente. Além do sonho, compartilhamos outras coisa também, pelo menos pelas próximas 3 semanas: a mesma casa, o mesmo espaço, o mesmo navio. Almoçamos e jantamos juntos todos os dias, participamos das mesmas palestras, dividiremos os mesmos zodiacs nos pontos de descida do barco. Um grupo de pessoas de diversas partes do mundo e diferentes idades, cultura e gostos distintos, mas irremediavelmente unidos aqui, no meio do oceano, a milhares de quilômetros da próxima cidade.

O holandês Sail fotografa pássaros um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

O holandês Sail fotografa pássaros um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


Começamos a nos conhecer ainda em Buenos Aires, na noite do tango e no city tour pela cidade. Mas foi rápido e superficial, muitas outras coisas para nos distrair a atenção, as pessoas mais se estudando do que falando, geralmente ainda se mantendo entre os conhecidos. Isso porque boa parte dos viajantes veio em casais, em família ou em grupos de amigos e apenas uma minoria de forma solitária.

O brasileiro Gunnar relaxa com um drinque no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)

O brasileiro Gunnar relaxa com um drinque no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)


Aqui no navio isso começa a mudar. A convivência é intensa e diária, 16 horas por dia, tirando apenas a noite de sono. Os guias, que já sabem lidar com isso, pois viajam várias vezes por temporada há vários anos, tratam de ajudar a quebrar o gelo. Organizam eventos sociais, como coquetéis e festas. Puxam assunto, perguntam, interagem. Os mais sociais entre nós logo entram no jogo. Rapidamente, já fazem amigos. Os mais tímidos acabam indo na onda. Num espaço tão pequeno, o melhor logo é conhecer as pessoas.

A Val, nossa guia de caiaques, e a escocesa Rowan se confraternizam no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

A Val, nossa guia de caiaques, e a escocesa Rowan se confraternizam no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


A simpática Rukimini, representante da Índia na nossa viagem, fotografa o fim de tarde no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Jeff Orlowski)

A simpática Rukimini, representante da Índia na nossa viagem, fotografa o fim de tarde no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Jeff Orlowski)


A grande maioria dos viajantes é mais velha, entre 50 e 65 anos. O próprio preço de uma viagem como essa serve como filtro. Tem de ser gente já “estabelecida” na vida. Mas o nosso barco veio vazio, talvez por ter sido o primeiro da temporada e também, o primeiro a sair de Buenos Aires. O normal para esse tipo de expedição é zarpar de Ushuaia. A Quark resolveu fazer essa experiência esse ano e não sei se ficaram muito felizes com o resultado...

A Cheli, líder da expedição, apresenta o capitão do nosso barco durante evento no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)

A Cheli, líder da expedição, apresenta o capitão do nosso barco durante evento no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)


Durante coquetel, conhecendo o 1o e o 2o capitão do navio, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Durante coquetel, conhecendo o 1o e o 2o capitão do navio, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Enfim, nós ficamos. De qualquer maneira, pelo pequeno número de passageiros, a empresa baixou os preços pela metade poucas semanas antes do início da viagem. Com isso, mais gente apareceu. Agora sim, um pessoal mais jovem. Ao todo, uns vinte de nós. Digo “nós”, mas na verdade, com meus 44 recém feitos, estou a meio caminho dessas duas gerações que se encontram aqui no Sea Spirit. Além disso, eu e a Ana já tínhamos garantido nossos lugares antes que o desconto fosse oferecido. Isso por causa do caiaque, que queríamos fazer de qualquer maneira. Vou falar disso no próximo post.

Fazendo amizades no navio. Essa é a sul-africana Kim, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Fazendo amizades no navio. Essa é a sul-africana Kim, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Conversando com o Gunnar, o outro brasileiro que participa da expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)

Conversando com o Gunnar, o outro brasileiro que participa da expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)


Bem, rapidamente, esses jovens trataram de se enturmar. Não só os jovens, mas também alguns representantes da 3ª idade que são muito mais sociais e animados do que eu, que sempre joguei no time dos tímidos. Para compensar isso, a minha amada esposa joga no time dos super sociais. Então, basta eu grudar nela que me arranjo também. Assim tem sido nesses 1000dias por toda a América e não seria diferente por aqui.

Nossos guias preparados para uma 'Festa da Fantasia' no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

Nossos guias preparados para uma "Festa da Fantasia" no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


Nossos guias demonstram que também tem outras habilidades, durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Nossos guias demonstram que também tem outras habilidades, durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


As refeições no navio são sempre uma boa oportunidade de conhecer os outros viajantes. Os guias tem como norma tentar variar de mesas todos os dias, de novo com o intuito de ajudar nessa interação. Mas nós, passageiros, sentamos onde quisermos (desde que haja espaço, claro!). São diversos tamanhos de mesa no restaurante e podemos ficar a sós, num grupo pequeno de 4-5 pessoas ou num grupo maior, de até 8 pessoas. De refeição em refeição, vamos conhecendo mais gente e um padrão vai se estabelecendo: todo mundo aqui é muito viajado. Até por isso é que estão aqui. Depois de tantos lugares, falta a Antártida!

Todo mundo se divertindo na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Todo mundo se divertindo na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Como já falei em outro post, americanos, britânicos e australianos são as nacionalidades mais comuns. Fatores variados explicam isso. A própria empresa “fala” inglês, o que atrai os anglófilos e afasta os francófonos, por exemplo. O preço da viagem também acaba filtrando, atraindo mais gente de países desenvolvidos. E o fato do nosso percurso passar pelas Malvinas, ou melhor, Falkland nesse caso, é um grande atrativo para os britânicos.

Confraternizando durante nossa primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Confraternizando durante nossa primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


A Ana, feliz da vida, na nossa primeira festa da viagem, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

A Ana, feliz da vida, na nossa primeira festa da viagem, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Mas outras nacionalidades estão representadas também. Holandeses, como nosso amigo Sail, que veio sozinho e se encaixa naquela categoria de 3ª idade bastante animada, finlandeses, japoneses, um simpático casal indiano, uma falante sul-africana e um único representante da América Latina além de nós, o Gunnar, brasileiro também. Muito simpático, descendente de suecos e viajante inveterado, já esteve no dobro de países que eu estive (e eu conheço quase 100!) e só na Antártida já esteve mais de 10 vezes. Com tanta bagagem, não vai faltar assunto pelas próximas 3 semanas, seja com ele, seja com tantos outros viajantes profissionais a bordo!

A Ana durante a primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

A Ana durante a primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


Além das refeições a equipe da Quark trata de nos animar com eventos sociais. Na nossa segunda noite a bordo, houve um coquetel de boas-vindas, chance de conhecermos o nosso capitão ucraniano, o Oleg. Muito simpático, ele e a Cheli, a líder da nossa expedição, já se conhecem de outras viagens e fizeram várias piadas e gozações entre si, ajudando a descontrair o ambiente. Foi joia e também a nossa chance de fazer aquela clássica foto com o capitão do navio.

Noite de festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Noite de festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Com a Kim, Greg e Anna durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Kim, Greg e Anna durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Já na terceira noite no navio, fomos surpreendidos com uma grande festa da fantasia. Todos os nossos guias vestiam suas perucas e óculos ridículos que haviam trazido para esse fim e foi engraçado vê-los assim, depois da sobriedade das palestras pela manhã. Muita música, muita dança, muitas fotos, muita cerveja e outras bebidas, logo todo mundo estava no clima. Não só no clima, mas também nas fantasias, as perucas circulando a ajudando a animar e descontrair as pessoas.

Com a Rowan e o Dave durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Rowan e o Dave durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Com a Anna e o Greg, casal americano, durante uma Festa da Fantasia no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Anna e o Greg, casal americano, durante uma Festa da Fantasia no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Esses três dias no navio, incluindo os dois eventos sociais, já nos ajudaram a ver quem é quem. Grupos mais animados começam a se formar, aqueles que sempre vão se encontrar depois do jantar para dar uma esticada no bar. Entre eles, claro, minha querida esposa, a sul-africana Kim, a escocesa Rowan, os americanos Brian e Sara, o holandês Sail, entre outros. De modo geral, é uma turma ótima e a convivência com tanta gente interessante assim deve tornar essa viagem ainda mais especial, tenho certeza!

No sentido horário, a Kim (sul-africana), Rowan (escocesa), Sara (americana) e a Ana (brasileira) na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

No sentido horário, a Kim (sul-africana), Rowan (escocesa), Sara (americana) e a Ana (brasileira) na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Falkland, Atlântico Sul Falkland, Sea Spirit

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