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Ilulissat IceFjörd

Groelândia, Ilulissat

Um verdadeiro rio de gelo na costa de Ilulissat, na Groelândia

Um verdadeiro rio de gelo na costa de Ilulissat, na Groelândia


Ilulissat, em kalaallisut (groelandês) significa “Icebergs”, isso por que está localizada na boca de um fiorde de gelo com mais de 60 km de extensão! Este Icefjörd dá vazão a mais de 35 bilhões de toneladas de icebergs por ano, produzidas pelo Sermeq Kujalleq, o maior glaciar do mundo fora do continente Antártico.

O que é um glaciar?
Uma imensa massa de gelo formada ao longo de anos por camadas de neve compactada e recristalizada. Os glaciares são o maior reservatório de água doce da Terra, só perdendo em volume para os oceanos! Os gigantes blocos de gelo estão sempre em movimento, se deslocam lentamente montanha abaixo e são os responsáveis pela produção dos famosos Icebergs!

Icebergs passeiam ao largo de Ilulissat, na Groelândia

Icebergs passeiam ao largo de Ilulissat, na Groelândia


Alguns desses icebergs são tão enormes que podem chegar a mais de 1.000m de altura e tão pesados que não conseguem navegar, ficando presos no fundo do fiorde por anos. A força do glaciar, porém, é muito maior e aos poucos vence o obstáculo e os empurra para o mar. O Sermeq Kujalleq Glacier possui mais de 110.000 km2 e produz 10% de todos os icebergs da Groelândia!

Zion Church, verdadeiro cartão postal de Ilulissat, na Groelândia. Ao fundo, icebergs passam pela costa.

Zion Church, verdadeiro cartão postal de Ilulissat, na Groelândia. Ao fundo, icebergs passam pela costa.


Pesquisado há mais de 250 anos, o glaciar de Ilulissat é um dos principais responsáveis pelo conhecimento que temos hoje sobre glaciologia, as capotas polares e as alterações de clima. Ele é um dos glaciares mais rápidos do mundo, se movendo em média 20 metros por dia. A posição do glaciar não mudou muito de 1950 até 1990, quando ele começou a acelerar, ficar menos espesso e iniciando o processo de retração, perdendo a sua língua flutuante.

Foto a[erea da gigantesca geleira de Ilulissat e do Fiorde de Gelo, na Groelândia

Foto a[erea da gigantesca geleira de Ilulissat e do Fiorde de Gelo, na Groelândia


Os dados de 2007 são ainda mais preocupantes: a frente do glaciar retraiu 10km, a sua velocidade dobrou, passando de 20metros/dia para 40metro/dia e está 100m mais baixo (ou fino). A retração dos glaciares é uma das maiores preocupações com o aquecimento global, pois eles podem ser os responsáveis pela elevação do nível dos oceanos.

Barco abre seu caminho pelo gelo na costa de Ilulissat, na Groelândia

Barco abre seu caminho pelo gelo na costa de Ilulissat, na Groelândia



Sobrevoando o Glaciar

Vista de longe, Ilulissat, na Groelândia

Vista de longe, Ilulissat, na Groelândia


A melhor forma de chegar perto do glaciar é sobrevoando de helicóptero. O passeio custa em torno de 500 dólares por pessoa e só sai com o mínimo de 9 pessoas. Outro fator crítico é a condição climática, se houver previsão de vento, neve ou tempestade o passeio pode ser cancelado. Foi o que aconteceu conosco, tínhamos agendado o tour com uma super antecedência, mas o tempo fechou e o número de pessoas não, cancelando o nosso passeio. Depois, conversando com um amigo que esteve aqui e fez o sobrevoo, ele me tranquilizou dizendo que está mais para uma “turistada” que para uma aventura do Ártico: “muito dinheiro para pouca coisa”.

Um cemitério perdido no silêncio do gelo na periferia de Ilulissat, na Groelândia

Um cemitério perdido no silêncio do gelo na periferia de Ilulissat, na Groelândia


Detalhe: agendamos tudo com a agência World of Greenland, que é super organizada, porém sem muito tino para os negócios. Assim que cancelaram não se preocuparam em tentar vender nenhum outro tour para substituir o valor que seria devolvido. As opções seriam um passeio de barco ou substituir o dog sledge programado por outro mais longo. Era domingo e a pessoa que estava trabalhando lá devia estar mais preocupada com o seu dia de folga. A dica é ficar atento e não desistir, porque se depender deles você não sairá do hotel!

Huskies, totalmente adaptados ao frio de Ilulissat, na Groelândia

Huskies, totalmente adaptados ao frio de Ilulissat, na Groelândia


Eu não descansei enquanto não encontramos uma opção de passeio. Enfim, agendamos o passeio de barco entre os icebergs para amanhã cedo e o dog sledging para a tarde. Ainda assim não desistiríamos tão fácil de dar pelo menos uma espiadela no maior glaciar do mundo, ou pelo menos uma parte dele.

Trekking Gelado!

Placas informativas sobre trilhas ao redor de Ilulissat, na Groelândia

Placas informativas sobre trilhas ao redor de Ilulissat, na Groelândia


O início da trilha para o mirante do Icejörd de Ilulissat está a menos de 30 minutos do centro da cidade. São 3 diferentes trilhas que podem ser acessadas no verão ou quando a neve permite. Nós chegamos ao começo da primavera, quando os dias estão começando a se alongar e a neve ainda não deixou de cair, cobrindo praticamente todo o caminho.

Caminhando nos arredores gelados de Ilulissat, na Groelândia

Caminhando nos arredores gelados de Ilulissat, na Groelândia


Chegamos ao início das trilhas, estudamos os mapas e mesmo com vento e neve decidimos seguir. A caminhada pode se alongar dependendo da sua disposição e preparação para o frio. Caminhamos entre vales de gelo e picos rochosos encontrando traços de trilha e áreas de piquenique soterradas pela neve.

Maravilhada com a vastidão branca ao redor de Ilulissat, na Groelândia

Maravilhada com a vastidão branca ao redor de Ilulissat, na Groelândia


Chegando ao ponto mais alto a vista foi se abrindo e a paisagem é sensacional! Observamos congelados por alguns minutos aquele mundo branco apenas imaginando, que vida será que há ali? Quantas baleias, focas, leões marinhos, cardumes de peixe ou bois almiscarados estariam passando por aquelas bandas? Tudo isso ficará na nossa imaginação, uma terra totalmente selvagem para a qual nós não fomos criados, um mundo congelado.

Icebergs passeiam ao largo de Ilulissat, na Groelândia

Icebergs passeiam ao largo de Ilulissat, na Groelândia


Alguns quilômetros à frente a vista fica ainda mais ampla, porém sem conhecer a trilha original e com a neve que estava caindo, o loop de 8 km não era indicado. Retornamos um pouco contrariados, queríamos continuar, mas os dedos e os pés já estavam sem sensibilidade. Um passeio rápido pela praia congelada e a igreja e logo entramos no Icy Café. Ao lado do aquecedor, tomamos uma Tuborg com vista para as montanhas.

Bar movimentado em Ilulissat, na Groelândia

Bar movimentado em Ilulissat, na Groelândia


Mais tarde saímos para conferir os embalos de sábado a noite em Nuuk. O bar fecha as cortinas perto das 23h para dar o clima de noite, já que o sol já nem pensa em se pôr. Os jovens passeiam pela rua principal entre os dois bares mais movimentados da cidade. Meu vizinho de mesa gritava para mim animado “Yeah! Greenlandic Blues!”, enquanto a banda arrasava nas notas de clássicos como Susie Kill, Mustang Sally e suas letras próprias, incompreensíveis para reles mortais, mas com ótima sonoridade! Retornamos caminhando do centro para o hotel com o dia amanhecendo, era apenas uma da manhã.

Caminhando de volta para o hotel, na madrugada de Ilulissat, na Groelândia

Caminhando de volta para o hotel, na madrugada de Ilulissat, na Groelândia

Groelândia, Ilulissat, Ártico, Glaciar, Ice Fiorde, Iceberg

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Diz aí se você gostou, diz!

Mergulho em Caverna

Estados Unidos, Flórida, Peacock, Ginnie Springs

Chegando à saída da caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Chegando à saída da caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Mergulho em caverna é um dos esportes mais perigosos do mundo. Os motivos são simples: mergulhamos em uma caverna inundada, nadamos centenas de metros adentro e qualquer problema que tivermos com o equipamento, não existe como subir e respirar. O nosso único suprimento de ar está nas garrafas duplas que levamos nas costas, não temos margem para qualquer falha, seja no equipamento ou no treinamento.

Tanques duplos prontos para o mergulho em Peacock, na Flórida, nos Estados Unidos

Tanques duplos prontos para o mergulho em Peacock, na Flórida, nos Estados Unidos


O treinamento para mergulho em caverna é uma certificação de mergulho técnico, que possui como pré-requisito os cursos de rescue diver e primeiros socorros. São 4 níveis de treinamento dentro da certificação da IANTD – Cavern, Intro to Cave, Cave e Technical Cave (ou Full Cave). Nós estamos apenas começando neste mundo, até por que no Brasil é uma atividade difícil de ser realizada, já que as nossas cavernas inundadas são fechadas para esta atividade.

A tradicional placa de advertência na caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

A tradicional placa de advertência na caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Na configuração técnica do equipamento seguimos sempre a regra de ouro deste esporte: redundância. O planejamento de cada mergulho trabalha com a regra do terço: 1/3 utilizamos para entrar na caverna, 1/3 para retornar à entrada da caverna e o outro 1/3 só será utilizado para alguma emergência. Temos 3 lanternas, sendo a principal uma lanterna de led com grande luminosidade e bateria de longa duração. A segunda e a terceira lanterna só deverão ser usadas em caso de emergência. Levamos conosco máscara extra, uma spool (carretel) utilizado para procedimentos de busca caso você se perder, além do carretel que deve ser colocado na área de luz da caverna até a golden line, linha que marca o túnel principal por onde iremos navegar dentro do sistema inundado.

Pronto para entrar na água em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Pronto para entrar na água em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Se perder em uma caverna seca ou alagada é muito fácil! Por isso estamos sempre antenadíssimos na linha que protege a nossa vida, que mesmo sem luz ou sem visibilidade, irá nos levar para fora da caverna, a Golden Line! As cavernas têm diferentes origens, formações e características. Sua origem irá determinar o seu relevo e geografia, sendo difícil encontrar algum padrão para a navegação dentro destes sistemas.

Junto ao cabo guia na caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Junto ao cabo guia na caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Apenas se você é um mergulhador muito experiente e com o treinamento adequado é que poderá sair da Golden Line e explorar outros túneis, passagens e restrições fora da linha principal. Nós por enquanto ficamos apenas na Golden Line e se mergulhamos em dupla, sem um instrutor de caverna conosco, temos que fazer a regra do 1/6! Dividimos o suprimento de ar em 6 partes e utilizamos apenas duas, 1/6 para ir e 1/6 para voltar, todo o restante é reserva de emergência.

Começo de mergulho em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Começo de mergulho em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Achei interessante fazer essa breve explicação para vocês entenderem um pouco como funciona o mergulho em caverna. As regras e equipamentos foram criados por algum motivo e a maioria deles com base em falhas reais que muitas vezes custaram a vida de algum mergulhador. Às vezes tendemos a pensar que estes acidentes estão distantes da nossa realidade, porém esta semana em uma das cavernas mais visitadas do México houve um incidente fatal envolvendo dois mergulhadores brasileiros e inclusive o guia que os acompanhava. Soubemos muito tempo depois e não temos detalhes sobre o treinamento, experiência ou como imaginam ter acontecido o acidente... Independente disso, mais uma vez fica claro que neste esporte qualquer deslize pode ser fatal.

Estados Unidos, Flórida, Peacock, Ginnie Springs, Caverna, dive, Mergulho, Peacock Springs

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Viajando no Solimões

Brasil, Amazonas, Tefé, Coari

O barco que nos levará até Manaus se enche de redes, ainda em Tefé, no Amazonas

O barco que nos levará até Manaus se enche de redes, ainda em Tefé, no Amazonas


Tefé, a “Princesinha do Solimões”, está no coração da Amazônia há 575 km de Manaus e possui uma população de aproximados 62 mil habitantes. A 6ª maior cidade do estado está localizada em uma das principais regiões pesqueiras do Amazonas e por isso tem como ponto forte em sua economia a pesca. Um passeio pelo mercado público é uma ótima forma de conhecer as espécies amazônicas preferidas dos teefenses, principalmente tambaquis e pirarucus.

Bem cedo e os pescadores começam a chegar a Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Bem cedo e os pescadores começam a chegar a Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Ao lado do rio, o mercado de Tefé, no Amazonas

Ao lado do rio, o mercado de Tefé, no Amazonas


Sua história remonta ao período colonial e às missões jesuíticas de evangelização das tribos tupebas que já habitavam a região. As missões foram fundadas por espanhóis, mas os portugueses descumpriram o Tratado de Tordesilhas e disputaram a região. A vitória portuguesa em 1709, fez com que os índios se refugiassem nas matas e a cabeceira do Rio Tefé, área onde hoje está o município.

De barco, chegando de volta à Tefé, no Amazonas

De barco, chegando de volta à Tefé, no Amazonas


A praça central, o mercadão e o movimentado porto confirmam a importância econômica regional desta cidade, que além de ter lojas de comércio de bens de consumo, também é a sede de instituições financeiras da região, além de quartel militar das Forças Armadas, Polícia Federal e outras entidades governamentais e não governamentais, como o Instituto Mamirauá. Porta de entrada para a Reserva Sustentável do Mamirauá, Tefé possui vôos diretos de Manaus pela TRIP e pela TAM.

Igreja matriz de Tefé, no Amazonas

Igreja matriz de Tefé, no Amazonas


Outra forma de chegar e sair de Tefé é pelos barcos regionais que percorrem o Rio Amazonas parando de porto em porto no maior rio do mundo! Mais do que encontros com a vida selvagem ou a pesca da piranha, amarrar a sua rede em um dos andares do barco, deitar e ver o rio passar sem dúvida é uma das experiências mais autênticas no Amazonas.

Nosso barco para descer o Rio Solimões, ainda em Tefé, no Amazonas

Nosso barco para descer o Rio Solimões, ainda em Tefé, no Amazonas


As cidades ficam de 3 a 5 horas de navegação distantes umas das outras em um lugar onde os rios são as estradas e os barcos o único meio de transporte. Assim o povo daqui não tem outra opção senão ser paciente, amarrar sua redinha, deitar e se acostumar com um outro ritmo de vida.

Entre muitas redes, diversão ao celular, no barco em Tefé, no Amazonas

Entre muitas redes, diversão ao celular, no barco em Tefé, no Amazonas


Imaginem se alguém está doente? Pois este foi o caso da Elaine, enfermeira de 35 anos, que viajava com a sua filha Luiza de 12 anos. Elaine foi minha vizinha de rede e comentava sobre a dificuldade de conseguir um horário com o médico especialista. Na cidade em que mora e trabalha só tem atendimento de clínico geral, para fazer o exame e consultar um especialista é uma dificuldade não só para conseguir marcar um horário (dali um mês), como para chegar até lá. Imaginem se o médico não aparece? Aí ela já passou 3 dias pendurada no barco para ir, mais 4 dias para voltar, afinal rio acima é sempre mais demorado.

Trânsito intenso de motocicletas na cidade de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Trânsito intenso de motocicletas na cidade de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Logo atrás de nós estava uma outra moça grávida do seu quinto filho! Um baita barrigão de 8 meses, dois filhos pequenos viajando com ela e os outros dois com os avós. Os filhos são de 2 maridos diferentes, um que não prestava nada, o segundo é militar, então não pôde acompanhá-la por tanto tempo. Ela já estava se mudando para Manaus, onde dará a luz, já que na sua cidade as condições do hospital eram muito ruins e ela não confiaria em fazer a laqueadura com o médico de lá. Ela deverá ficar em Manaus por pelo menos um mês já que a gravidez dela estava complicando por problema de pressão. Já imaginaram se essa criança resolve nascer agora, ali?

Menina se despede de Tefé, antes da partida para Manaus, no Amazonas

Menina se despede de Tefé, antes da partida para Manaus, no Amazonas


Já havíamos percorrido o percurso entre Manaus e Santarém, barcos maiores e lotados, fizemos amizades, mas dormirmos dentro do carro que também estava sendo transportado no mesmo barco. Dessa vez nós chegamos cedo para garantir um bom lugar, com espaço e uma vista bonita. A primeira noite até que conseguimos nos esticar, mas no caminho o barco foi lotando e fomos sendo obrigados a nos apertar cada vez mais, quando vimos já tínhamos redes do lado, embaixo e em cima de nós! Cada um dos novos vizinhos vai te ajudando, dando uma dica de como fazer o melhor nó para prender a rede, qual é o melhor banheiro ou a hora de comer. Todos se ajudam para olhar as malas e pertences de cada um, nós deixamos a mala com um cadeado, já que estávamos carregando computador e toda a nossa tralharada.

Ainda em Tefé, pronto para a viagem de barco até Manaus, no Amazonas

Ainda em Tefé, pronto para a viagem de barco até Manaus, no Amazonas


Em cada porto é aquele entra e sai e são também as horas mais divertidas quando ambulantes entram vendendo bombons, doces de frutas regionais, salgados, tapioca, pão de queijo e tudo o que você imaginar. Elaine me dava as dicas, “compre este que é bom”, já conhecia até os vendedores certos com os produtos mais gostosos, tipo a nossa banca ali da esquina, só que a dela era flutuante e ficava a 200, 300 quilômetros de distância de casa.

A labuta nossa de cada dia, em Tefé, no Amazonas

A labuta nossa de cada dia, em Tefé, no Amazonas


Nosso barco partiu perto das seis da tarde, Rio Solimões abaixo. Mal partimos e o jantar já foi servido, o valor da passagem não inclui a rede, mas inclui todas as refeições. As comidas desses barcos geralmente são as principais causadoras de piriris destrutivos para gringos e sulistas, lembrando que sulista aqui são todos de Minas Gerais para baixo. Mas acho que demos muita sorte e pegamos um barco bem limpinho. Era só tentarmos fugir dos horários de pico e encontrávamos os banheiros sempre limpos e a comida deixávamos para o final, depois que a imensa fila havia diminuído. Levamos algumas bolachinhas também e o Ro adorava atacar um misto quente do bar lá de cima, custo extra que na opinião dele valia para fugir da fila.

Barco cheio no trecho entre Coari e Codajás, no Baixo Solimões, a caminho de Manaus, no Amazonas

Barco cheio no trecho entre Coari e Codajás, no Baixo Solimões, a caminho de Manaus, no Amazonas


Um belíssimo fim de tarde sobre o Rio Solimões, em Tefé, no Amazonas

Um belíssimo fim de tarde sobre o Rio Solimões, em Tefé, no Amazonas


Eram pouco mais de 5 horas da manhã e acordamos com o barco parando. O sol ainda nem havia nascido, a pouca luz que começava a surgir no horizonte prateava as águas do rio, em contraste com as luzes amarelas da cidade. Subi até o deck e não entendi que cidade era aquela, com tantos canos, dutos e tanques. Sozinha decidi alongar, aproveitar aquele ar fresco da manhã para fazer uma ioga e meditar... incrível como viajamos, viajamos e ainda assim não conhecemos nada. Que cidade será esta? Coari - logo alguém me respondeu – A terra do gás na Amazônia.

O sol nasce com o barco já em Coari, no nosso caminho para Manaus, no Amazonas

O sol nasce com o barco já em Coari, no nosso caminho para Manaus, no Amazonas


A plataforma de Urucu da Petrobrás, em Coari, tem uma produção de petróleo que gira em torno de 53.500 bbl/d (2007) e de gás natural chega a 10 milhões de m³/d, enviados por um gasoduto até Manaus. Junto com todo o gás encontrado aqui vem a esperança de desenvolvimento em toda a região. A 5ª maior cidade do Amazonas tem uma população de aproximadamente 77 mil habitantes, embora tenha apresentado um grande crescimento demográfico nos últimos anos, quase 35% da sua população vive na área rural do município.

Porto de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Porto de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


O sol nasceu lindo iluminando a capital amazonense do gás e nós resolvemos sair do barco para um passeio. Deixamos as coisas aos cuidados da minha nova amiga e vizinha e fomos esticar as pernas depois de quase 12 horas dentro do barco.

Mercado de frutas e verduras em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Mercado de frutas e verduras em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Igreja matriz de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Igreja matriz de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Caminhamos do porto até a praça principal, igreja matriz e ao mercadão, que se espalhava pela rua vendendo as mais diferentes frutas amazônicas, inclusive a mamona e o noni, famoso por suas propriedades medicinais. Povo simpático e batalhador não perdia a oportunidade de conversar e vender!

Frutas típicas vendidas no mercado de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Frutas típicas vendidas no mercado de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Venda de Noni em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Venda de Noni em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Ainda no mercado, já a beira do rio, encontramos os primeiros barcos voltando da pescaria lotados de peixes de todos os tipos. Os vendedores também foram muito simpáticos e nos atenderam em meio à venda para explicar cada um dos peixes que vimos ali, da piranha ao estranho peixe com essa cabeça de mamão... como será o nome dele?!

Examinando a pescaria da noite em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Examinando a pescaria da noite em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Nem piranha escapa dos pescadores em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Nem piranha escapa dos pescadores em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


É, Coari é mais um lugar com muita vida e energia incrível que nem sabíamos que existia no meio da Amazônia! Voltamos ao barco quase 9h da manhã e descendo o rio vamos cantando músicas evangélicas, conversando com os novos amigos e passando o tempo. A Eliane está com febre e desconfiando que está com dengue... nada legal, ainda bem que não é contagiosa!

O majestoso rio Solimões, no trecho entre Coari e Codajás, a caminho de Manaus, no Amazonas

O majestoso rio Solimões, no trecho entre Coari e Codajás, a caminho de Manaus, no Amazonas


Hora do café da manhã em nosso barco, ancorado em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Hora do café da manhã em nosso barco, ancorado em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


No almoço convenci o Rodrigo a entrar no refeitório. O cardápio servido foi frango ao molho, batata, inhame e uma batata azul diferente que eu nunca tinha ouvido falar, mas muito gostosa. As meninas viram a minha cara e não só ofereceram como me ensinaram como era mais gostoso prova-la. Quando me perguntaram de onde era e eu respondi que era brasileira elas não acreditavam, pela cara e pelo sotaque. Por mais que eu seja muito brasileira, confesso que foi difícil não me sentir uma estrangeira nesse lugar. Comida nova, jeito novo, cara diferente, curiosidades que os que aqui vivem não conseguem compreender e te olham com aquele sorriso maroto, curiosos de ver alguém que não sabe o que é aquela batata ou aquela expressão que eles estão usando. Somos de outro mundo mesmo.

Relachando no teto do barco, no trecho entre Coari e Codajás, no Baixo Solimões, a caminho de Manaus, no Amazonas

Relachando no teto do barco, no trecho entre Coari e Codajás, no Baixo Solimões, a caminho de Manaus, no Amazonas


A tarde no deck foi tomando um solzinho, uma cervejinha, com mais uma parada em Codajás. Passamos por alguns encontros de rios brancos com rios negros, como o famoso encontro dos rios lá de Manaus que formam o Rio Amazonas. Enquanto víamos ao longe as margens do rio passar, voltamos à nossa rede para mais uma noite embalados pelo sacudir da rede, navegando o Solimões.

Aproveitando o amanhecer para fazer ioga, em Coari, cidade no Rio Solimões, nosso caminho para Manaus, no Amazonas

Aproveitando o amanhecer para fazer ioga, em Coari, cidade no Rio Solimões, nosso caminho para Manaus, no Amazonas

Brasil, Amazonas, Tefé, Coari, Amazônia, barco, Rio Amazonas, Rio Solimões

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Serra do Tepequém

Brasil, Roraima, Serra_do_Tepequem

Vista do alto da Serra do Tepequem, no norte de Roraima

Vista do alto da Serra do Tepequem, no norte de Roraima


Chegamos ao Brasil! Cruzamos a fronteira para a cidade de Pacaraima, no norte de Roraima, sem precisar parar na fronteira mostrar documentos, fazer imigração ou aduana. Ahhh, lar doce lar! Fomos até o centro tomar a primeira providência necessária, sacar dinheiro no banco. Paramos no primeiro banco que vimos um Banco do Brasil e, OPA! Não podemos sacar dinheiro! Como assim? Pois é, o caixa automático não é do 24 horas e brasileiros só sacam dinheiro no caixa do seu banco, certo? Pois é, tanto tempo fora do Brasil e ficamos meio esquecidos... aí nos perguntamos, será que aqui tem HSBC, Santander ou Itaú? É claro que não! Em Pacaraima encontramos Banco do Brasil, Caixa Econômica ou Bradesco! Nenhum comerciante pode nos ajudar com os cartões de crédito, nos resta o que? Trocar nossos poucos dólares por reais! Quem diria, nunca imaginamos que justo no Brasil teríamos que trocar dólares! De repente pensamos... Sim, chegamos ao Brasil.

Fronteira de Venezuela e Brasil, em Santa Elena

Fronteira de Venezuela e Brasil, em Santa Elena


Bom, não bastasse isso também descobrimos que em Pacaraima não existe posto de gasolina, pois o vizinho ali do norte quebra qualquer dono de posto aqui. Assim, tivemos que voltar à Venezuela e entrar na fila do posto de brasileiros que havíamos acabado de rejeitar. Sorte que na volta pelo menos a fila de diesel estava bem menor e conseguimos acelerar. O posto para brasileiros foi criado pelo governo venezuelano com um preço bem maior e que ainda assim é menos da metade do que pagamos no Brasil.

Posto para brasileiros lotado em Santa Elena, na Venezuela

Posto para brasileiros lotado em Santa Elena, na Venezuela


Resolvidos estes “pequenos detalhes” operacionais, finalmente estamos prontos para adentrar em terras brasileiras e começar as nossas explorações nestes territórios tão distantes para a maioria dos brasileiros. Queríamos conhecer a região de Uiratumã, na terra indígena da Raposa Serra do Sol, que por tanto tempo estrelou nos noticiários nacionais. Nos informamos no caminho e... pois é, a situação aqui continua incerta e nem sempre os turistas tem autorização para visitar as terras indígenas. Além disso teríamos problemas com combustível, já que daqui à Uiramutã não existem mais postos de gasolina. Temos que estar em Boa Vista para pegar um avião no dia 19 cedo, assim sendo revolvemos facilitar as coisas e fomos direto para a Serra do Tepequém.

Buscando informações sobre a estrada para Uiramutã, em Roraima

Buscando informações sobre a estrada para Uiramutã, em Roraima


As belezas do caminho para a Serra do Tepequem, no norte de Roraima

As belezas do caminho para a Serra do Tepequem, no norte de Roraima


A Serra do Tepequém é aquele lugar que você vê e pensa: nunca imaginei que algo assim existisse aqui no norte do Brasil! Em meio aos sertões e veredas da savana brasileira, emerge uma pequena serra que traz diamante em seus veios. Muitos maranhenses e cearenses vieram para cá em busca de uma oportunidade de enriquecimento e uma vida melhor. Seu Marcos, o dono da venda na Vila de Tepequém, nos conta que o começo foi bem difícil, não existia nada aqui. Quando as grandes mineradoras chegaram com máquinas ficou ainda mais difícil encontrar as pedras precisosas e os garimpeiros chegaram a passar fome.

Chegando à Serra do Tepequem, no norte de Roraima

Chegando à Serra do Tepequem, no norte de Roraima


Parte da gente que veio, foi embora, mas alguns poucos ficaram e começaram a encontrar alternativas para viver. A criação de peixes nos lagos foi uma delas e o turismo logo apareceu como uma boa alternativa. A serra possui várias cachoeiras e está próxima o suficiente para ser uma alternativa de final de semana para o pessoal de Boa Vista. Hoje o Tepequém recebe muitos turistas da região em busca de um lugar tranquilo, mais fresco e cheio de trilhas e cachoeiras, um ótimo lugar para entrar em contato com a natureza.

Passeando na Serra do Tepequem, no norte de Roraima

Passeando na Serra do Tepequem, no norte de Roraima


São várias pousadinhas e campings na vila e pelo menos 3 opções de restaurantes. Há quase um mês a cidade não recebia turistas, pois a ponte de acesso estava quebrada e deixou a vila isolada. Ontem a ponte reabriu e nós fomos os primeiros turistas a reiniciar as atividades. Depois de todos os estresses de fronteira, não teve melhor “tira zica” do que um banho de cachoeira no Salto do Paiva!

A bela cachoeira do Paiva, na Serra do Tepequem, no norte de Roraima

A bela cachoeira do Paiva, na Serra do Tepequem, no norte de Roraima


Descansando em um dos rios da Serra do Tepequem, no norte de Roraima

Descansando em um dos rios da Serra do Tepequem, no norte de Roraima


Há apenas 15 minutos e 120 degraus da cidade, o salto tem vistas lindas e as águas mais deliciosas da região! Rsrs! De volta à vila, sentamos na vendinha de frente para a praça/ pista de pouso da cidade e vimos o entardecer olhando para o platô, loucos para subir lá e fuçar cada trilha.

O Platô, ponto mais alto da Serra do Tepequem, no norte de Roraima

O Platô, ponto mais alto da Serra do Tepequem, no norte de Roraima


A pacata vila da Serra do Tepequem, no norte de Roraima

A pacata vila da Serra do Tepequem, no norte de Roraima


Adendo importante! Que saudades da comidinha brasileira! Hummm! O jantar na casa da Dona Luzia, arroz com feijão, carninha e salada, definitivamente comprovam: estamos de volta ao Brasil!

Depois de tanto tempo, comendo uma legítima comidinha brasileira, na Serra do Tepequem, no norte de Roraima

Depois de tanto tempo, comendo uma legítima comidinha brasileira, na Serra do Tepequem, no norte de Roraima


Com a Dona Luzia, na Serra do Tepequem, no norte de Roraima

Com a Dona Luzia, na Serra do Tepequem, no norte de Roraima


Papo vai, papo vem, acabamos entrando no clima tranquilo da vila. Faremos apenas o que o nosso tempo nos permitir. Relaxamos e decidimos aproveitar bem a manhã seguinte para uma caminhada até a Cachoeira do Barata. Águas verdinhas e geladas em uma trilha que desce o próprio leito do rio, de poço em poço, até a cachoeira principal. Linda!

Cachoeira do Barata, na Serra do Tepequem, no norte de Roraima

Cachoeira do Barata, na Serra do Tepequem, no norte de Roraima


Ficaram ainda na grande lista de cachoeiras, a Cachoeira do Funil, o Platô e suas araras azuis e o Cabo Sobral. Nos despedimos do Tepequém agradecendo por ele nos mostrar como o nosso Brasil pode ser diverso, de norte a sul! E você, já imaginou pegar um friozinho de serra aqui no norte do Brasil?

Cachoeira do Barata, na Serra do Tepequem, no norte de Roraima

Cachoeira do Barata, na Serra do Tepequem, no norte de Roraima

Brasil, Roraima, Serra_do_Tepequem, Cachoeira do Paiva, Cachoeiras, Serra do Tepequem, Vila do Tepequém

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Abraão, um passeio na história.

Brasil, Rio De Janeiro, Angra dos Reis, Ilha Grande

As magníficas ruínas do Aqueduto da Ilha Grande - RJ

As magníficas ruínas do Aqueduto da Ilha Grande - RJ


Mais um dia de chuva... Nossa primeira intenção era subirmos o Pico do Papagaio hoje, mas ninguém merece subir quase 1000m de altura para não enxergar nada, ainda mais em um lugar lindo como este. Amanhã a previsão é de sol, então deixamos para o dia do meu aniversário este presente. Com chuva e um pouco de frio, hoje resolvemos fazer uma parte mais histórica da Ilha que ainda não conhecíamos.

Molhando os pés na Cachoeira do Poção, na Ilha Grande - RJ

Molhando os pés na Cachoeira do Poção, na Ilha Grande - RJ


Andamos pela vila e fomos direto ao Centro de Visitantes, que fica na Sede do Parque Nacional da Ilha Grande. O centro é muito bacana, tem várias informações muito interessantes sobre a história da ilha, trilhas e fica instalado onde foi um dia a lavanderia do Lazareto.

Visitando o Centro de Visitantes do INEA em Abraão, na Ilha Grande - RJ

Visitando o Centro de Visitantes do INEA em Abraão, na Ilha Grande - RJ


De lá seguimos para o Circuito do Abraão, que passa pelo Mirante da Praia Preta, Mirante do Aqueduto, Poção, Aqueduto, Praia Preta, Lazareto e finalmente o Mirante do Pescador. Ilha Grande faz parte da história do Brasil desde 1700, quando fazendeiros de café e cana começaram a explorar a ilha para agricultura. Grande parte da ilha é recoberta pela Mata Atlântica, porém boa parte dela já é uma mata secundária que se refez sobre esta área de cultivo. Mais tarde D. Pedro II comprou a fazenda do Holandês para instalar o Lazareto, instalação da vigilância sanitária que funcionava como um hospital de quarentena dos imigrantes e visitantes do Brasil. Lá era feito o controle de entrada de pestes e doenças contagiosas que se alastravam pelo mundo naquela época. Todos os navios que chegavam ao Brasil aportavam no Lazareto da Ilha Grande e todos os passageiros eram examinados. Caso algum deles apresentasse alguma suspeita, era retirado para observação e instalado conforme a sua classe em um dos prédios do Lazareto. Foi no prédio de passageiros de 1ª classe também, que o próprio D. Pedro II ficou hospedado com sua família antes de ser exilado em Portugal, logo após a Proclamação da República. O Lazareto posteriormente se tornou uma prisão, conhecida como a Alcatraz Brasileira, fazendo parte do Complexo Prisional de Ilha Grande, juntamente com a C.C.D.R. de Dois Rios. Para atender a demanda de água da Vila de Abraão e do Lazareto foi construído o belíssimo Aqueduto, com rochas e óleo de baleia, e ele mesmo até hoje faz parte do sistema de abastecimento de água supre a vila.

As magníficas ruínas do Aqueduto da Ilha Grande - RJ

As magníficas ruínas do Aqueduto da Ilha Grande - RJ


Dia relax, trabalhando bastante! Quero colocar uns vídeos novos, mas editar esse negócio dá trabalho! Uma amiga minha é entusiasta dos vídeos mais roots, sem edição mesmo, quem sabe começo a me desapegar desses preciosismos e começamos a postar uns vídeos brutos para vocês! Por enquanto o dia trabalhando em condições precárias, sem mesa e internet ¼ de meia boca, me renderam um vídeo quase pronto e um belo torcicolo!

O rio da Praia Preta, na Ilha Grande - RJ

O rio da Praia Preta, na Ilha Grande - RJ


No final do dia fiquei meio deprê, em outros anos essa hora eu estaria ligando para todos os meus amigos para combinar o festerê de aniversário em um bar em Curitiba. É o meu primeiro aniversário na estrada, amanhã temos a programação de subir o Pico do Papagaio, segundo ponto mais alto da Ilha Grande e depois seguir para o Rio de Janeiro. Já que estamos aqui pertinho, escolhi passar o aniversário na cidade maravilhosa, com meus queridos cunhados e sobrinha, afinal, aniversário com a família é muito mais gostoso.

Brasil, Rio De Janeiro, Angra dos Reis, Ilha Grande, Abraão, Praia, trilha

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On the move...

Brasil, Minas Gerais, São João Batista (P.N. Serra da Canastra), Araxá, Goiás, Rio Quente

Parafraseando o maridão, hoje foi um dia “on the move”. Acordamos cedo e para ficarmos bem espertos e sacudirmos a poeira antes de pegarmos estrada, fomos até a Cachoeira da Gurita. Fica a apenas 1km de caminhada do arraial de São João. A cachoeira é uma belezinha, formada próxima à nascente do Rio Araguari.

Cachoeira da Gurita, nascente do Rio Araguari, em São João Batista, na região da Serra da Canastra - MG

Cachoeira da Gurita, nascente do Rio Araguari, em São João Batista, na região da Serra da Canastra - MG


Estrada em São João Batista, na região da Serra da Canastra - MG

Estrada em São João Batista, na região da Serra da Canastra - MG


Nos despedimos do Ricardo, torcendo para nos encontrarmos brevemente!

Pousada da Serra, do Ricardo, em São João Batista, na região da Serra da Canastra - MG

Pousada da Serra, do Ricardo, em São João Batista, na região da Serra da Canastra - MG


Na saída ainda paramos para dar um abraço no Seu Vicente, além de umas boas risadas com suas histórias.

O simpático Bar do Vicente, em São João Batista, na região da Serra da Canastra - MG

O simpático Bar do Vicente, em São João Batista, na região da Serra da Canastra - MG


O destino hoje era Rio Quente, Goiás. Passamos por Araxá, onde o Ro fez questão de me apresentar o Grande Hotel, empreendimento monumental de 1942, com colunas de mármore e banheiras da época, possui uma fonte de águas termais que brotam a 37°C.

O Grande Hotel em Araxá - MG

O Grande Hotel em Araxá - MG


As flores do Grande Hotel em Araxá - MG

As flores do Grande Hotel em Araxá - MG


Continuando o caminho passamos pelo famoso triângulo mineiro, em Uberlândia e depois Araguari, com um belo pôr-do-sol. Atravessamos a fronteira sobre o Rio Paranaíba e já estava escuro, uma pena, pois o rio neste ponto tem mais de 1km de largura! Deve ser a coisa mais linda de dia. Chegamos a Rio Quente já eram 21h30, cansados e sedentos por um bom banho e uma bela cama, certos de que conseguiríamos um quarto ou chalé na Pousada do Rio Quente. Bobinhos... Todo o complexo estava lotado! Complexo este que mais recebe turistas em números absolutos no Brasil! Também, muita inocência a nossa, achar que em plena quinta-feira, em alta temporada, acharíamos alguma disponibilidade. Fiquei passada... Estava torcendo por um banho nas águas quentes da nascente hoje a noite. É, esta vai ficar para uma próxima vez, já que só liberam o Parque das Fontes para os hóspedes do Resort. Com muita sorte encontramos vaga no Hotel Di Roma, muito confortável e já inclui o ingresso para o Hot Park, dentro do Resort, será o programa de amanhã. Não sei por que, estou com um pressentimento que será bem diferente da tranqüilidade de São João e do boteco do Seu Vicente.

O simpático Bar do Vicente, em São João Batista, na região da Serra da Canastra - MG

O simpático Bar do Vicente, em São João Batista, na região da Serra da Canastra - MG

Brasil, Minas Gerais, São João Batista (P.N. Serra da Canastra), Araxá, Goiás, Rio Quente, cachoeira

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Canyoning em Somoto

Nicarágua, Somoto

A bela paisagem ao final do Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras

A bela paisagem ao final do Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras


Viagem de León para Somoto, passamos ao redor do símbolo nacional, o Vulcão Momotombo, um dos cones mais perfeitos do mundo. Existem trekkings para escalar o Momotombo, são dois dias e dizem que a vista do alto é magnífica, podendo enxergar até a Ilha de Ometepe e seus dois vulcões no lado da Nicarágua, ao sul do país. Nós infelizmente passamos reto, por falta de tempo, e no meu caso, por falta de joelho também. Seguimos ao norte em direção à pacata cidade de Somoto.

O vulcão Momotombo, o mais famoso do país, visto de perto de León, na Nicarágua

O vulcão Momotombo, o mais famoso do país, visto de perto de León, na Nicarágua


O Cânion que existe já milhões de anos, foi “descoberto” há pouco tempo por um casal de pesquisadores tchecos, que explorou todo o cânion e espalhou a notícia. Notícia esta que mudou a vida dessa cidade, que cada vez mais recebe turistas de todos os cantos do mundo para conhecer as belezas do Cânion de Somoto.

Entrada do Canyon de Somoto, na Nicarágua

Entrada do Canyon de Somoto, na Nicarágua


São 6 quilômetros de ponta a ponta e três roteiros turísticos que são oferecidos. O mais simples deles tem a primeira parte do passeio de barco até o estreitamento do cânion, são 4 horas de passeio indo e retornando pelo mesmo caminho.

Vacas atravessam o rio Coco, no Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras

Vacas atravessam o rio Coco, no Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras


O segundo roteiro começa por uma entrada no meio do cânion, desce o rio, atravessando o cânion desde a parte mais estreita até o final e também tem a duração de 4 horas. O terceiro roteiro, mais longo, mas o que mais recomendamos, inicia no começo do cânion, segue o leito do rio, caminhando e nadando alguns trechos, passando por cavernas lindas e até o encontro dos rios Comalí e Tapacalí, quando formam o Rio Coco.

Explorando o espetacular Canyon de Somoto, na Nicarágua

Explorando o espetacular Canyon de Somoto, na Nicarágua


Com o Roibin, nosso guia, no início da travessia do Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras

Com o Roibin, nosso guia, no início da travessia do Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras


São duas horas de caminhada tranquila, com alguns trechos de natação até chegarmos ao estreito, próximo do ponto de início do segundo tour. Aí começam os saltos, uma das diversões preferidas da dupla aqui. São poços profundos e plataformas de pedra que convidam para saltos de 6, 8 10, 13 e 23m de altura! Os guias sempre recomendam que os turistas saltem no máximo dos 10m, o que eu acho que está bom demais.

Saltando de 10 metros de altura em piscina natural no Canyon de Somoto, na Nicarágua

Saltando de 10 metros de altura em piscina natural no Canyon de Somoto, na Nicarágua


O Rodrigo, porém ficou ensaiando um salto dos 23m, mas acabou convencido por mim e por Roibin a play safe e diminuiu para outro de 13m. Eu, tranquila fui saltar dos 10m e levei o maior escorregão da minha vida! Meu pé escorregou na pedra e eu caí toda torta, com a lateral do corpo na água. AI! Não foi nada prazeroso, mas graças a Deus nada sério aconteceu!

A Ana salta no Canyon de Somoto, na Nicarágua

A Ana salta no Canyon de Somoto, na Nicarágua


Seguimos pelo rio onde conhecemos umas figuras engraçadíssimas! Breen e John são canadenses. Breen já nos convidou para ficar em sua casa em Jones Falls, na região dos lagos no Canadá. John vive 6 meses no Canadá, na Alaska Highway, e os 6 meses de inverno lá, no verão delicioso da Nicarágua.

Nosso guia salta de mais de 15 metros de altura no Canyon de Somoto, na Nicarágua

Nosso guia salta de mais de 15 metros de altura no Canyon de Somoto, na Nicarágua


Ele nos contou que recebeu em sua casa um dos maiores aventureiros dos tempos modernos que eu já ouvi falar, o inglês que está circunavegando a terra a pé em 13 anos! Ele começou o périplo em 2001 e terminará em 2013, sem utilizar nenhum outro tipo de transporte a não ser seus pés. Damphir é um nicaragüense da costa caribenha, divertido e super simpático, ele estava fazendo um vídeo de todo o passeio deles, que vocês podem conferir abaixo.



O final da caminhada incluiu uns quase 500m de natação, já que o barqueiro não estava lá e uma bela Toña na casa da família de Roibin, onde estava estacionada a Fiona, ponto onde começou toda a aventura.

Com a família do Roibin, nosso guia, ao final da travessia do Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras

Com a família do Roibin, nosso guia, ao final da travessia do Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras


Um dia delicioso em contato com a natureza e com um pouco da cultura nicaragüense. De quebra, deixo aqui um vídeo da série “Soy loco por ti América”, onde Roibin nos conta onde estamos e por que ele gosta de viver aqui.

Nicarágua, Somoto, cânion, Cañon, Canyon, Somoto, Trekking

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Serra Verde - Off Road

Brasil, Rio De Janeiro, Visconde de Mauá

Já na estrada, preocupados com o Simba e o Sombra, ainda impressionados e emocionados pela briga e pela canção que a Araceli cantou, nós seguimos para Visconde de Mauá pela Serra Verde. São 85km de estrada de terra passando por povoados minúsculos e vales belíssimos, repletos de araucárias, o que nos faz sentir em casa já que é a árvore símbolo do Paraná.

Cruzando a Serra da Mantiqueira entre o Matutu (MG) e Mauá (RJ)

Cruzando a Serra da Mantiqueira entre o Matutu (MG) e Mauá (RJ)


Nos dias que temos deslocamento entre uma cidade e outra escolhemos os caminhos mais bonitos, pois aproveitamos também a paisagem. São estradas de terra que passam entre montanhas, fazendas, pequenos povoados e cidades como Mirantão e Santo Antônio. Estes caminhos geralmente são mais curtos em distância e, no entanto, mais demorados, mesmo com um carro 4 x 4. A Fiona é muito confortável, mas é inevitável lembrar uma dica que a Tia Wilma e a Grazi me deram: “use um top ou sutiã mais reforçado e passe uma faixa para segurar bem, por que dói!”. E dói mesmo! Sem contar a ajuda que isso dá para a força da gravidade... hahaha! Além disso, se você acabou de comer... aiaiai, enjoa mesmo! Uma coisa que funciona bem para mim é ir dirigindo nestas estradas, por que além de mais focada eu tenho o apoio do volante. Por isso neste trecho o Ro foi curtindo a paisagem e eu a boléia.

Cruzando a Serra da Mantiqueira entre o Matutu (MG) e Mauá (RJ)

Cruzando a Serra da Mantiqueira entre o Matutu (MG) e Mauá (RJ)


Chegamos em Maringá, uma vila ao lado de Visconde de Mauá, e logo encontramos o Haroldo, primo do Rodrigo, que já tinha chegado no dia anterior. Além do Haroldo já havíamos combinado de encontrar também o irmão do Ro e família, Pedro, Íris e Bebel. Enquanto esperávamos o Pedro chegar demos uma volta em Maringá e, atravessando uma pinguelinha, tomamos uma cervejinha em Maringá de Minas.

Primeira cerveja em Mauá - RJ

Primeira cerveja em Mauá - RJ


Voltando para Maringá do Rio, encontramos Pedro, Íris, Bebel e Mel, fizemos um lanche rápido em Minas e fomos para a Cachoeira do Escorrega em Maromba – RJ. É, parece meio confuso, mas é tudo ali, pertinho. Minas e Rio se mesclam de forma inusitada. A alegria e o jeito espalhafatoso do carioca, com o temperinho e a graça do mineiro.

Com o Pedro, Íris, Bebel e a Mel em Mauá - RJ

Com o Pedro, Íris, Bebel e a Mel em Mauá - RJ


Na Cachoeira do Escorrega nos divertimos! O Haroldo e a Íris foram os primeiros corajosos, eu fui logo depois sem nem pensar. Aí o Ro, que não ia entrar, acabou sendo obrigado. “Imagina a Ana entrar numa água gelada dessas e eu não?”.

Íris na Cachoeira do Escorrega em Mauá - RJ

Íris na Cachoeira do Escorrega em Mauá - RJ


Com a Íris e o Haroldo após todos terem escorregado na cachoeira gelada em Mauá - RJ

Com a Íris e o Haroldo após todos terem escorregado na cachoeira gelada em Mauá - RJ


Dali, seguimos direto para a sauna, piscina e hidromassagem na nossa pousada, a Casa Alpina. Fizemos essa sessão relax, quente e frio, à luz das estrelas e com ótimas companhias. Na água quentinha o Pedro e a Bebel até tiveram coragem de entrar!

Se esquentando na Jacuzzi na noite fria de Mauá - RJ

Se esquentando na Jacuzzi na noite fria de Mauá - RJ


A noite um jantar delicioso no Paladar da Montanha, foundue de queijo e chocolate, truta, sopas... hummmmmmmmmmmm! Para fechar a noite eu e o Haroldo ainda fomos até a pastelaria, o point da cidade! Tomamos uma cervejinha ao som de Cazuza, Legião Urbana e até rolou um forrózinho! O Ro? Ficou dormindo na pousada...

Brasil, Rio De Janeiro, Visconde de Mauá, cachoeira

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Alcântara

Brasil, Maranhão, Alcântara

Ruínas da igreja de São Matias, em Alcântara - MA

Ruínas da igreja de São Matias, em Alcântara - MA


Alcântara é aclamada pelos historiadores e pesquisadores por possuir o conjunto arquitetônico mais homogêneo de construções do século XVIII e XVX, ainda mais que sua vizinha São Luis, uma vez que as construções não foram modificadas. Sede da Secretaria de Cultura do Estado, possui suas construções bem preservadas ou em vias de restauração. A cidade hoje possui 7 mil habitantes, incluindo a zona rural.

Rua da nossa pousada em Alcântara - MA

Rua da nossa pousada em Alcântara - MA


Antigamente esta região era habitada pelos índios Tupinambás e recebeu as primeiras missões jesuítas a partir de 1614. Sua primeira igreja foi construída pelos índios e missionários em 1622, a Igreja de São Matias.

Ruínas da igreja de São Matias, em Alcântara - MA

Ruínas da igreja de São Matias, em Alcântara - MA


Sua fundação ocorreu no ano de 1648, quando os portugueses aproveitaram sua localização estratégica na baia de São Marcos para construir um forte para defesa do território contra os franceses. Na praça principal ficam as ruínas da Igreja de São Matias, atingida por um raio em 1875 e por isso teve grande parte de sua estrutura condenada. Temendo que desabasse sobre sua casa, o poeta que habitava na casa verde aos fundos da igreja, derrubou a parte danificada da estrutura, restando apenas as ruínas que podem hoje ser visitadas.

Vista para a baía, em Alcântara - MA

Vista para a baía, em Alcântara - MA


Diante da Igreja de São Matias fica o pelourinho original da fundação da cidade, ali colocado apenas como símbolo da Coroa Portuguesa, sem nunca ter sido usado para o açoitamento de escravos. Do outro lado, às margens da baia, fica a Câmara de Vereadores da cidade onde conseguimos acompanhar parte das deliberações mesmo do pátio à frente.

Na bela praça central de Alcântara - MA

Na bela praça central de Alcântara - MA


Cruzamos a praça e chegamos à Casa Histórica, residência e comércio de 3 famílias importantes no final do século XVIII e início do XIX. Pertencente à aristocracia rural, a família Viveiros foi a primeira a residir nesta morada, seguida pelos Ramalho. Com a decadência desta atividade, venderam a casa para a família Guimarães, comerciantes que mantinham o principal abastecimento da cidade com base no escambo com produtores rurais, que lotavam a frente da loja trazendo jussara, algodão e outras culturas em troca de tecidos e outros produtos manufaturados.

Casa Histórica de Alcântara, antigo sobrado da família Viveiro, transformado em museu. (em Alcântara - MA)

Casa Histórica de Alcântara, antigo sobrado da família Viveiro, transformado em museu. (em Alcântara - MA)


A casa também abrigou uma botica que produzia essências perfumadas e remédios à base de plantas medicinais. Os herdeiros desta família abandonaram o edifício, que ficou durante anos fechado e sem manutenção. No início da década de 80 foram desapropriados pelo governo, que entregou a casa ao IPHAN para o trabalho de restauro e recuperação da memória e cultura da época. Tudo isso pode ser visto na exposição permanente que hoje se encontra neste local, peças de mobiliários, louça, lampiões, máquinas de costura e objetos da antiga botica.

Varanda da nossa pousada em Alcântara - MA

Varanda da nossa pousada em Alcântara - MA


Caminhando durante o dia no centro histórico de Alcântara já não temos a mesma sensação de transporte no tempo de ontem à noite, pois os veículos motorizados nos recordam o século em que vivemos. Temos, porém, a vantagem de enxergar toda a paisagem em que está situado, a baia de São Marcos e a cidade de São Luis ao fundo, assim como as coloridas fachadas das casas bem conservadas.

Praça central e o Pelourinho, em Alcântara - MA

Praça central e o Pelourinho, em Alcântara - MA


Parte desta história nos foi contada pela ligeira e esperta Liz, moradora da cidade que trabalha como guia nas horas vagas da escola.

Com a pequena e esperta Lisandra, em Alcântara - MA

Com a pequena e esperta Lisandra, em Alcântara - MA


O título de Patrimônio Histórico da Humanidade nunca foi tão bem empregado, mesmo se comparado à outras cidades históricas de Minas Gerais, já muito tomadas pelo turismo e modificadas pela modernidade. Aqui temos a real sensação de estar adentrando a história, vivenciando a cidade como no século passado. Apenas um passeio a noite na praça central já faz valer toda a viagem à Alcântara.

Brasil, Maranhão, Alcântara, centro histórico, Patrimônio Histórico da Humanidade

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Caracol e ATM Cave

Belize, Caracol, San Ignacio-BEL

Contemplando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Contemplando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


San Ignácio é um dos destinos turísticos mais populares de Belize, logo depois das praias de águas azuis de areias branquinhas de Ambergris e San Pedro. Um roteiro pelo país não estará completo se não incluir explorações pelas matas, cavernas e rios de Cayo, tudo isso com uma boa dose da Cultura Maya!

Detalhe de esculturas em alto relevo nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Detalhe de esculturas em alto relevo nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


O estado de Cayo é a casa da maior Cidade Maya de Belize, a impressionante e imponente Caracol. San Ignacio é a melhor base para explorações desta e de outras ruínas menores nas vizinhanças como Cahal Pech e Xunantunich, além de cavernas e rios que foram frequentados pelos povos mais antigos que aqui viviam.

A mata densa que cerca as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

A mata densa que cerca as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Nossas explorações nesta região começaram pelo Blue Hole National Park, uma piscina de águas azuis que dá acesso a um pequeno sistema de caverna. Quando vimos o nome “Blue Hole”, e sabendo do seu famoso homônimo belizenho, achamos que seria algo mais impressionante, mas é uma boa parada para refrescar.

Mergulhando no pequeno cenote Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize

Mergulhando no pequeno cenote Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize


O parque também possui uma rede de trilhas pela floresta tropical com cavernas e mirantes que dão uma boa visão do interior de Belize.

A boca da caverna St Herman's Cave, ao sul de Belmopan, capital de Belize

A boca da caverna St Herman's Cave, ao sul de Belmopan, capital de Belize


Subindo em mirante no alto de uma colina no parque do Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize

Subindo em mirante no alto de uma colina no parque do Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize


Ele está localizado na Hummingbird Highway que conecta o sul à capital Belmopan, que passamos rapidamente de carro no caminho para San Ignacio. Belmopan, uma das menores capitais do mundo, foi construída em 1970 para sediar a capital do país após a destruição de Belize City e vários arquivos públicos pelos ventos de 300km/h do furacão Hattie.

Caracol


As majestosas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

As majestosas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Uma das principais cidades do Período Clássico Maya possui vestígios arqueológicos que datam até 1200 a.C. Sua fundação porém se deu no ano de 331 d.C, com influências Teotihuacanas, do México Central. Durante muito tempo a cidade era tida como um centro de menor importância no mundo maya, até a descoberta de sua relação com as mais poderosas Calakmul e Tikal.

As ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

As ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Foi no ano de 556 d.C que Tikal declarou guerra à Caracol e a derrotou. 6 anos mais tarde o Senhor das Águas de Caracol foi em busca de vingança e derrotou Tikal em uma guerra que foi responsável pelo período de declínio da poderosa cidade maya. Durante este período de quase 120 anos Tikal passou por uma diminuição populacional e teve um grande hiato na construção de novos monumentos.

Visitando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Visitando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


A pirâmide principal de Caracol conhecida como Caana é grandiosa! No topo dela se encontram os aposentos da família real e dos sacerdotes mayas, diferentemente de outros sítios onde as pirâmides eram usadas apenas para motivos cerimoniais. A cidade é uma das maiores em extensão, com aproximadamente 200km2. São em torno de 267 estruturas por quilômetro quadrado e entre elas 25 estelas, 28 altares, 250 enterros e 200 caches.

Detalhe das intrincadas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Detalhe das intrincadas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Um dos muitos altares nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Um dos muitos altares nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Como o sítio é mais retirado ele é também um dos menos visitados em Belize, o que faz a experiência ainda melhor. Entre árvores e pirâmides de pedras encontramos um campo de futebol da pequena vila montada dentro do sitio arqueológico. Uma grande árvore no A Group Plaza estava repleta de ninhos de um curioso pássaro, o montezuma oropendula, que para cantar quase dá uma cambalhota com seus pés presos ao galho! Seus ninhos têm mais de um metro de comprimento pendurados na árvore.

Ninhos de montezuma, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Ninhos de montezuma, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


No alto da árvore, um pássaro montezuma, com sua característica cauda amarela, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

No alto da árvore, um pássaro montezuma, com sua característica cauda amarela, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Enquanto observávamos os montezumas começamos a escutar os gritos dos bugios gritadores (howler monkeys). Seguimos seus gritos passando por uma alameda de arvores e estelas, e junto a outros turistas sortudos, ficamos observando os macacos por mais de 30 minutos, gritando sem descanso! Demais!

Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Localizada a 40 km de San Ignacio, a viagem para Caracol por si só já é uma aventura! O acesso é por uma estrada que corre paralela a fronteira com a Guatemala e por incidentes que ocorreram no passado com turistas, o governo oferece uma escolta militar de ida as 9h da manhã e no retorno as 14h.

A caminho das ruínas mayas de  Caracol, a famosa placa de lombada em forma de gente! (em Belize, quase na fronteira com a Guatemala)

A caminho das ruínas mayas de Caracol, a famosa placa de lombada em forma de gente! (em Belize, quase na fronteira com a Guatemala)


Escolta militar patrulha as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Escolta militar patrulha as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


A simpática escolta militar nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

A simpática escolta militar nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Nós fomos no nosso ritmo, encontramos a escolta já nas ruínas e retornamos pouco antes dela sair, sem problema algum. Na volta ainda paramos nos poços do Río On Pool, delicia para relaxar e se refrescar depois do dia de estrada e caminhada.

Delicioso banho de cachoeira em rio no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Delicioso banho de cachoeira em rio no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala



ATM Cave


Uma das caveiras de pessoas sacrificadas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Uma das caveiras de pessoas sacrificadas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


A ATM, sigla para Actun Tunichil Muknal, significa a caverna do sepulcro de pedra. A caverna é um lugar sagrado para os mayas, que buscavam no inframundo o auxilio dos seus deuses durante os períodos mais difíceis de secas. Além das belíssimas formações e espeleotemas, encontramos reminiscências destes rituais feitos em honra ao Chaac, deus das águas, incluindo sacrifícios humanos! Um lugar único no mundo maya!

Espeleotemas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Espeleotemas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


A visita dura em torno de 5 horas, pouco mais de 40 minutos de caminhada pela mata, cruzando rios e matas até a entrada da caverna. Entramos nela nadando em um pequeno poço do mesmo rio por onde iremos seguir caverna adentro. Lá, seus labirintos guardam imagens e formas impressionantes! Aos poucos os resquícios arqueológicos começam a aparecer, ferramentas de corte utilizadas para auto-mutilação pelos sacerdotes foram encontradas junto de vasos na sala do maiz. Feitas de obsidiana e jade, uma delas tem a forma de milho e pode ser vista ao longe.

Entrando na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Entrando na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


Quanto mais entramos na caverna, mais complexos vão ficando os cerimoniais, inúmeros potes e jarros de cerâmica que carregavam alimentos, recolhiam a água e eram quebrados para espantar os maus espíritos. O preto da fumaça no teto, tanto dos incensos, quanto das áreas de cozinha indicam que os mayas ficavam ali por dias.

Potes e vasilhas mayas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Potes e vasilhas mayas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


Nós vimos pelo menos 5 esqueletos no nosso caminho, mas já foram contados 14 pelos arqueólogos. Os mais impressionantes deles são o do bebê de 12 meses e o de sua mãe, que descansa inteirinho em um dos pontos mais distantes da caverna. Com a ajuda do guia entramos na realidade, entendemos o desespero pelo qual passava aquele povo, e como suas técnicas iam evoluindo conforme a seca se prolongava. Assim foi o final de várias das poderosas cidades-estado do Período Clássico, um momento de mudanças profundas para a Civilização Maya.

Esqueleto de mulher sacrificada na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Esqueleto de mulher sacrificada na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


A visita a esta caverna só pode ser feita através de operadoras de ecoturismo que possuem o treinamento e a permissão para entrar na gruta. Entramos em um grupo com uma chinesa e um indiano que vivem nos Estados Unidos e um grupo de amigos belgas, que ao que tudo indica, foram os culpados por atrasar a saída do tour em mais de 2 horas. Nosso guia Francisco foi super atencioso e fez todas as explicações e suspenses dentro da caverna para entrarmos no clima.

Observando antigos potes mayas, no mesmo local onde foram encontrados, na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Observando antigos potes mayas, no mesmo local onde foram encontrados, na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


Detalhe: Não é permitido o uso de câmera neste tour, pois alguns outros turistas descuidados acabaram quebrando (com suas câmeras) 2 dos crânios centenários dos pobres coitados que foram sacrificados ali. Ainda assim, são imagens inesquecíveis mesmo para os mais desmemoriados. A ATM Cave é imperdível para os apaixonados pela cultura Maya.

San Ignacio


Meninas se divertem no rio de San Ignacio, em Belize

Meninas se divertem no rio de San Ignacio, em Belize


A cidade de San Ignacio é uma das mais organizadas e orientadas ao turismo no país, mas ainda assim não possui muitos atrativos por si só, sendo somente uma boa base para explorar a região. Apenas andar pelas ruas bagunçadas, fazer um passeio pelo mercado popular no sábado e provar a culinária belizenha no favorito Hannah Restaurant já é suficiente.

Han-nah, nosso restaurante preferido em San Ignacio, em Belize

Han-nah, nosso restaurante preferido em San Ignacio, em Belize


Se você não está no clima de cidade de terceiro mundo como experiência antropológica e social, uma forma de se isolar um pouco da loucura urbana é hospedar-se em um dos vários hotéis e eco-resorts (caros) ou campings (baratos) nos arredores da cidade, às margens do rio.

O belo rio que divide San Ignacio em duas, em Belize

O belo rio que divide San Ignacio em duas, em Belize


Nós ficamos hospedados no centro, já que não queríamos gastar muito e precisávamos de internet. No hotel conhecemos Lili, John e seu pai, viajando de carro desde Washington DC ao Alaska e agora estão cruzando rumo ao Sul e eventualmente chegarão a Patagônia. Ele é fotógrafo, ela professora e participa da viagem nas suas férias e o pai aposentado é uma ótima companhia, bem falante e curioso. Sempre bacana encontrar outros viajantes expedicionários, jantamos juntos uma noite e trocamos muitas historias e experiências.

Mercado de San Ignacio, em Belize

Mercado de San Ignacio, em Belize


Rose Apple, um tipo de maçã aguada no mercado de San Ignacio, em Belize

Rose Apple, um tipo de maçã aguada no mercado de San Ignacio, em Belize


O movimentado mercado de San Ignacio, em Belize

O movimentado mercado de San Ignacio, em Belize


Fechamos aqui na região de Cayo a nossa viagem por Belize, um país muito rico e diverso culturalmente! Tivemos ótimas surpresas e muitos encontros especiais durante as nossas andanças: garifunas, velejadores, expats e locais que fizeram uma nova imagem de Belize em nossas mentes. Quando olharmos o mapa da América Central este cantinho meio britânico, meio caribenho, meio maya e meio garifuna nunca mais será o mesmo!

Entrando novamente na Guatemala, agora vindos de Belize

Entrando novamente na Guatemala, agora vindos de Belize

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