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Hoje acordei curiosamente animada. Dormi pouco e mal, mas tive um sonho impressionante! Estes sonhos, que mais parecem filmes, acontecem com alguma frequência e o Rodrigo é o único que os escuta, logo cedo, se divertindo com a minha criatividade noturna. Já venho pensando em postá-los no blog, afinal, fazem parte das minhas viagens nestes 1000dias. Já digo antecipadamente que se alguém um dia se interessar em produzir um curta ou longa metragem, poderemos fazer uma ótima parceria, mas vou querer os direitos autorais! Rsrsrs.
Esta noite o sonho começou com um casamento super alternativo. A parte do casamento ficou meio confusa e logo foi seguido por um episódio surreal em que eu conversava com tubarões-baleia, tentando entender porque um deles havia encalhado em uma praia. Enquanto eu batia papo com o tubarão-baleia o Ro estava se divertindo preso nas patas de um caranguejo gigante. Eis que um filhote de tubarão-baleira aparece na praia, perdido, coitado, mas não demorou muito para uma onda de uns 20m de altura feita pela furiosa mãe tubarão-baleia acabar com a nossa brincadeira.
Eu já ia embora quando de repente uma pedra mega repelente começou a fazer um imenso buraco no fundo do mar e formou um redemoinho de água. A água estava sendo sugada pela terra, como num ralo de pia e não tínhamos o que fazer. Tudo culpa dos japoneses que criaram esta pedra em uma experiência nuclear, sem saber as conseqüências. Preocupada eu corri até a cidade para avisar as pessoas do desastre natural que iria acontecer, aí encontrei Dilma Roussef iniciando uma caminhada pela cidade. Ela estava com uma criança no colo e uma assessora ao seu lado. Comecei a conversar com ela, perguntando sobre seus planos de governo, etc. Queria entender se ela realmente achava que algum dos canditatos iria fazer algo diferente pelo país, afinal todos devem ter o mesmo objetivo ao governar o país. Foi aí que falei: “eu não estava lá vivenciando a situação, pode até ser que na época isso fizesse algum sentido, mas todos sabem do seu radicalismo, a ponto de ter empunhado armas para defender seus ideais durante a ditadura militar. Como podemos ter certeza de que você não terá este mesmo radicalismo no governo do Brasil? Agora você demonstra outra postura, será apenas uma máscara ou você conseguirá manter este seu discurso e diplomacia durante o governo? Ela logo se defendeu, dizendo que o Serra posa de santinho, mas que também tem um histórico que o condena. Ela ainda completou: “sim, precisei vestir esta máscara para governar o Brasil, pois é assim que as coisas funcionam hoje.” Ela foi muito atenciosa e sincera na conversa comigo, fiquei até bem impressionada! Porém ficou claro que ela irá usar do seu pulso firme para fazer o quiser e bem entender. Logo depois tive que sair, o Serra me viu falando com a Dilma e não gostou nada, uma vez que eu estava trabalhando no comitê dele. O segui e fomos conversando sobre agenda e logo ele parou para conversar sobre educação com jovens darks. Minutos depois ele já estava em sua sala conversando com o seu consultor e assessor para o assunto educação. Eu a esta altura já estava procurando a Marina para conversar, afinal era uma ótima oportunidade para ter informação e contato com os nossos presidenciáveis.
De repente, vejo a luz entrar pela janela e o despertador toca. Eu não queria acordar! Queria continuar sonhando, ainda não terminei de falar com a Marina e preciso destruir a pedra repelente! O mais maluco é que neste momento, antes de acordar, eu realizei que era tudo um sonho e que o mais importante seria lembrá-lo para depois contar a vocês.
Cachoeira do Rio Seco, no Parque Nacional de Matura, em Trinidad
Dia de trilha e adivinhem? Dia de chuva, é claro! Planejamos sair de Maraval as 6:30am, tentando evitar o trânsito, mas desde cedo o engarrafamento pegou Emile no seu caminho de San Juán até a nossa pousada. O número de carros em Trinidad está absurdo, efeito colateral do tão bem quisto desenvolvimento. Vemos que algumas obras estão em andamento para tentar desafogar um pouco o trânsito, mas até agora nada resolvido. No caminho demos uma paradinha no mirante, onde tivemos uma bela vista da cidade. Levamos pouco mais de uma hora até o início da nossa trilha, na costa Atlântica da ilha.
Port of Spain, capital de Trinidad, vista do alto de um morro
Uma vilazinha às margens do rio e do mar marca a paisagem da praia de Salybia, mais uma das praias escolhidas pelas tartarugas para desova. Começamos a nossa caminhada por uma estrada de asfalto a caminho da Cachoeira do Rio Seco e dentre a floresta aqui conhecida como Ever Green. É muito parecida com a Mata Atlântica, não tão úmida quanto sua prima do El Tucuche e tem como característica se manter verde durante todo o ano. Esta floresta especificamente é formada por moran trees, árvore de madeira forte e duradoura utilizada há séculos pelos colonizadores para construção de casas.
Praia na costa atlântica de Trinidad, local de desova de tartarugas.
A trilha dura aproximadamente uma hora, pelo tempo chuvoso acaba sendo um pouco mais demorada, escorregadia e enlameada. Após cruzarmos dois riachos, chegamos à famosa cachoeira do Rio Seco, que na estação seca chega a ficar com a água praticamente azul! Pelo menos é o que mostrava a foto de Emile, que jurou não usar photoshop. Bem, eu consigo imaginar, pois mesmo depois de toda essa chuva ela ainda estava verde e quase transparente!
Trilha tomada por raízes no Parque Nacional de Matura, em Trinidad
Uma delícia de piscina se formava sob a queda, escalamos, pulamos, brincamos, parecíamos duas crianças, matando as saudades de um belo banho de cachoeira. Não tínhamos muito tempo, pois hoje precisávamos pegar o ferry boat para Tobago. No caminho de volta, mais transito... Enquanto o Ro tirava uma soneca no carro eu e Emile viemos cantando sucessos internacionais, de Michel Jackson aos clássicos da Diana Ross, divertido! Uma pena termos que nos despedir de nosso novo amigo Emile, foram dois dias intensos de trilhas e muita natureza.
Saltando no poço da Cachoeira do Rio Seco, no Parque Nacional de Matura, em Trinidad
O Ferry Boat pede duas horas de antecedência para o chek in, mas Emile nos garantiu que uma hora seria mais do que suficiente. Assim ainda demos um pulo rápido na pousada para banho a jato, ninguém merece viajar sujo e suado de trilha, nem nós, nem que vai viajar ao nosso lado! Rsrs!
Rio no Parque Nacional de Matura, em Trinidad
O esquema do ferry é profissional, embarque igual de aeroporto, com check in, conferencia de documentos e até raio x! A embarcação é imensa com motores super potentes, um estacionamento gigante e uma bela área de passageiros. Poltronas confortáveis, mesas de apoio, lanchonete, telão com filme, banheiros limpos e toda a infra-estrutura digna de um Shopping Center flutuante. Realmente foi um belo investimento do governo para unir o país de uma forma mais rápida e barata, pois tudo isso está disponível por apenas TT$ 50,00, pouco menos de US$ 8,00. Em duas horas e meia chegamos à Scaborough, capital da ilha de Tobago. Cidade grande, acaba sendo apenas um ponto de embarque e desembarque para os turistas, que preferem logo ir à cidadezinha de Crown Point, ao sul da ilha.
O moderno Ferry que faz a ligação entre Trinidad e Tobago, partindo de Port of Spain
Scaborough e Crown Point já fazem parte praticamente da mesma mancha urbana, há apenas 20 minutos de carro. Brian, nosso amigo taxista, foi super prestativo, a primeira pousada que paramos era uma das mais indicadas no nosso guia, talvez por isso tenha subido os preços e empinado o nariz. Brian logo nos indicou uma segunda pousada, a Golden Thristle com preço bem mais aprazível e atendimento de primeira! Alojados, ainda pensamos em sair dar uma caminhada pela vila, mas terça-feira tudo parece estar muito quieto, já é tarde da noite, hora de ir para a cama. Boa noite!
Port of Spain, em Trinidad, fica para trás na nossa viagem para Tobago
A famosa rodovia One, entre San Francisco e Santa Cruz, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A US 1 é considerada uma das rodovias mais bonitas dos Estados Unidos. Nós rodamos bem este país e confesso que é difícil comparar paisagens de montanha ou desertos, mas sem dúvida é uma das road trips costeiras mais lindas e de fácil acesso aqui na costa oeste americana.
Um dos muitos viadutos que cruzam os desfiladeiros do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
Embora existam vias mais curtas e rápidas, a US 1 é o caminho mais bonito de uma viagem entre San Francisco e Los Angeles. A sinuosa via costeira é recheada de mirantes, parques, praias e paisagens que deixam até os mais viajados impressionados. No caminho ainda encontramos pequenas cidades de praia como Monterey e Carmel by the Sea, que são por si só uma atração turística.
O magnífico visual da rodovia One, entre San Francisco e Santa Cruz, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
1° Dia – Half Moon Bay a Santa Cruz
No sentido SFO – LA a viagem começa pela Half Moon Bay, uma pequena cidade praiana que nesta época além de árvores de natal e abóboras, produz também ondas acima de 15m para o famoso campeonato de surf Mavericks. Nós pegamos a cidadezinha cheia no feriado estendido de Thanksgiving e um dos seus restaurantes mais famosos, o Sam´s Chowder House estava lotadíssimo. (Tudo bem, nem gostamos de chowders mesmo, hunf!). Seguimos a rodovia beirando o oceano, com o sol dourando o Pacífico e vistas maravilhosas das falésias à beira mar. Uma parada rápida na Pescadero Beach para colocar os pés na areia, e sentir a brisa fria que anuncia que o inverno vem chegando.
Um banho de luz no fim de tarde na Pescadero Beach, na rodovia One, entre San Francisco e Santa Cruz, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Aproveitando o fim de tarde na Pescadero Beach, na rodovia One, entre San Francisco e Santa Cruz, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Adiante uma parada obrigatória é o Pigeon Point Lighthouse, um farol antigo localizado em uma ponta de terra, um setting cinematográfico. By the way, alguém conhece algum farol mal localizado?
Pigeon Point Light House, na rodovia One, entre San Francisco e Santa Cruz, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
O nosso plano era dormir lá mesmo, no farol! O Pigeon Point Lighthouse é um hostel, um albergue da juventude com quartos e dormitórios a partir de 60 dólares. Infelizmente, em função do feriado ele estava lotado, então acabamos estendendo um pouco mais a viagem e dormimos em Santa Cruz.
O belo farol no Pigeon Point, na rodovia One, entre San Francisco e Santa Cruz, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
2° Dia – Monterey e Carmel by the Sea
No outro dia cedinho já estávamos na estrada a caminho de Monterrey. Foi colocarmos os pés lá e já percebemos que um dia seria pouco. A charmosa cidade tem suas raízes na colonização espanhola e foi o centro administrativo da Alta Califórnia Mexicana até a região ser incorporada pelos Estados Unidos em 1846. Seus prédios antigos, ruas estreitas do centro e do Fisherman´s Wharf são uma delícia para um passeio no final de tarde, entre uma galeria de arte e o jantar em um bistrô. Se você é fã de música, programe-se para conhecer a região no terceiro final de semana de setembro, quando acontece o Monterey Jazz Festval, um dos festivais mais tradicionais do mundo, que acontece sem interrupção desde 1958!
Litoral de Monterey, na Califórnia, nos Estados Unidos
O belo parque na faixa costeira de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Ainda que o centro seja convidativo, a parte mais apaixonante do Pacific Grove foi o calçadão à beira-mar ao longo da Sunset Drive, que liga o centro até a Spanish Bay. Clima de praia, casinhas no estilo vitoriano, sem cercas, todas pintadinhas e bem preservadas desde 1875, quando foram construídas para retiros religiosos da Igreja Metodista Episcopal.
Litoral de Monterey, na Califórnia, nos Estados Unidos
Ali, a poucos metros da praia, encontramos o Beachcombers Inn, um motelzinho americano com um preço ótimo para a região, quarto simples (mas limpinho) e até um café da manhã! Foi um achado! À noite pudemos passear na praia a luz da lua e no dia seguinte saímos para uma corrida de 6km neste calçadão, animados pelo sol e pela brisa fresca do mar.
Correndo pela orla de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Correndo pela orla de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Coincidência, ou não, foi aqui que reencontramos Tim, um amigo americano que viveu em Curitiba e que nós conhecemos no Death Valley! Mantivemos contato pelo facebook, mas não voltamos a nos encontrar. Neste dia ele nos reconheceu correndo, parou o carro e nos chamou pelo nome, out of nowhere!!! Pode? Este mundo é muito pequeno mesmo!
Pegando onda em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
No final da Sunset Drive está o início da 17 Mile Drive, uma das mais famosas atrações deste trecho da costa californiana. Lodges e mansões milionárias, restaurantes e campos de golfe 6 estrelas são apenas algumas das surpresas que você terá pelo caminho.
Muitos campos de golfe na 17 Mile Drive, em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Estes 27 km de curvas e belas paisagens estão dentro de um condomínio fechado, você paga US$ 9,50, que são reembolsados se você almoçar em um dos dois restaurantes no caminho. Na entrada você recebe um mapa com todos os pontos de interesse.
A bela paisagem da 17 Mile Drive, em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
O meu trecho preferido foi a floresta de Cypress, um tipo de árvore que quase foi extinta aqui na região e foi reintroduzida nas últimas décadas. O Lonely Cypress é uma das últimas paradas, seguido pela Ghost Tree, onde estão vários troncos de árvores mortas com aparência meio fantasmagórica.
Os elegantes ciprestes ao longo da 17 Mile Drive, em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Este post da Cláudia, do Aprendiz de Viajante tem todo o roteiro da 17 Mile Drive bem bacana e detalhado. Aos que gostam de Golf, encontrei aqui uma descrição ótima feita do ponto de vista de um jogador, ex-morador e frequentador destes que são alguns dos mais badalados campos de golfe do mundo.
Os elegantes ciprestes ao longo da 17 Mile Drive, em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Dali, já podemos ver ao longe a baía de Carmel by the Sea, uma pérola na costa da Califórnia. Carmel é a cidade dos artistas, poetas, escritores, onde atores como Clint Eastwood são prefeitos, cachorros são bem vindos em todos os estabelecimentos e saltos altos são proibidos por lei!
Fim de tarde em praia de Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A charmosa cidade está incrustada entre uma suave encosta e uma das praias mais bonitas de toda a região. Nós chegamos no final da tarde, a tempo de assistirmos tranquilamente o sol se por, enquanto fazíamos um lanchinho com queijos e pães deliciosos. Aos poucos assistimos o dia se despedir e as dezenas de fogueiras se acenderem para aquecer as famílias no piquenique praiano do feriado de Thanksgiving. Final de tarde inesquecível!
Celebrando os últimos momentos do dia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
No final da tarde, muitas fogueiras na praia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Sob a luz da lua caminhamos pelo centro e encontramos um restaurante delicioso para um jantarzinho romântico, difícil foi escolher dentre as várias opções que a cidade oferece.
Iluminação natalina nas ruas de Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
3° Dia – O Aquário de Monterey
No terceiro dia, após a nossa corrida matinal, fomos ao Aquário de Monterrey. A princípio estávamos na dúvida se valeria a pena, mas várias pessoas haviam indicado, dizendo ser um dos melhores aquários do país. Difícil bater o aquário de Atlanta, pensamos, mas ainda bem que seguimos as indicações!
Observando tubarões no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
O Aquário de Monterey tem uma fantástica exposição de águas-vivas (no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos)
O Aquário de Monterey tem uma exposição maravilhosa da diversa flora e fauna do Oceano Pacífico. Das florestas de kelps, tubarões martelo, arraias mantas e tartarugas-verdes, até os minúsculos cavalos-marinhos, os frondosos dragon-fishes e as psicodélicas águas-vivas!
Isso aí é um cavalo-marinho muito bem fantasiado de planta, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Tanque com cavalos-marinhos no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
O mais incrível é a forma como eles apresentam toda esta vida, de uma forma divertida, interativa e cheia de humor! O aquário principal, por exemplo, tem um jogo de lentes fazendo o aquário parecer muito maior do que realmente é. Já a piscina de anêmonas possui umas lentes de aumento que nos ajudam a enxergar detalhes que nunca perceberíamos ao olho nu.
Tanque com lentes de aumento para observar as coloridas e pequenas criaturas marinhas, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Amplificadas pela lente de aumento, belas e minúsculas criaturas marinhas no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
The Jellies Experience é uma discoteca dos anos 70, com luzes coloridas, luz negra e uma iluminação especial que realça a beleza e a transparência das águas vivas, que parecem interagir e dançar ao som da música!
O Aquário de Monterey tem uma fantástica exposição de águas-vivas (no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos)
Nas áreas externas rangers fazem tours guiados para avistamento de lontras, golfinhos, baleias e pássaros que rondam a Baía de Monterey. A visita foi uma experiência fantástica, super indicamos!
Chegando ao famoso Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
4° Dia – Carmel a Big Sur
O trecho entre Carmel e Big Sur foi, na nossa humilde opinião, o trecho mais bonito da US 1. A estrada está o tempo todo contornando as altas encostas de pedra, com vistas lindíssimas para o Pacífico e mirantes de tirar o fôlego! Nós tivemos um certo azar, pois justo neste dia o tempo ficou nublado, mas ao invés do dourado tivemos o prateado e ao longe ainda podíamos nos divertir vendo as nuvens de chuva passar pelo oceano.
O belo e dramático litoral do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
É neste trecho que estão os parques estaduais mais procurados pelos californianos. Acampar em qualquer um deles, só com reserva antecipada, principalmente em um final de semana ou feriado. Nosso plano inicial era acampar no Point Lobos, mas já em Monterey o simpático e assertivo senhor do centro de informações nos alertou, “só se for na segunda-feira!”
O belo e dramático litoral do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
Hoje, segunda-feira, ainda tínhamos a esperança de encontrar um bom camping, mas teria que ser mais ao sul, já que amanhã teremos que estar antes do meio-dia em Los Angeles. Assim seguimos US 1 abaixo, ziguezagueando por suas curvas, pontes e mirantes.
Paisagem do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
O mirante da Bixby Creek Bridge é um dos mais famosos e com tempo nós adoraríamos parar em todos os parques, principalmente o Point Sur Lightstation State Historic Park, para explorar melhor. Sem tempo, decidimos seguir e priorizamos o Julia Pfiffer Burns State Park, onde fizemos algumas trilhas, incluindo a mais conhecida delas, que vai até o mirante da McWay Falls.
Paisagem do Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
A belíssima praia de McWay Falls, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
Este é um dos principais cartões postais da região de Big Sur, com a conhecida cena da cachoeira caindo nas areias de uma pequena praia. Há quase 30 anos a McWay Falls caía direto no mar, mas um desabamento de terra gigantesco fechou a estrada e criou novas praias com a ajuda das correntes e do mar.
Fotos mostram que, antes do deslizamento, as águas de McWay Falls caíam diretamente no mar, em parque na Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
Seguimos em direção a San Simeon procurando por um camping. No jornal de informações da rodovia eu havia encontrado um mais ao sul, junto do Treebones Resort. Chegando lá nos deparamos com um resort diferente, um hotel onde os quartos são na realidade Yurts, cabanas mongóis, e os banheiros são grandes vestiários compartilhados. Informando-nos sobre o camping acabamos descobrindo que o valor seria de 80 dólares, já que incluiria acesso a todas as amenidades do resort, banheiros, piscina, jacuzzi, etc.
O espaçoso interior do nosso Yurt, no nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
Eis que, para a nossa surpresa, a gerente do resort nos avisa que dali algumas horas entraria em vigor uma promoção para “walk-ins”, hóspedes que chegam sem reserva. O yurt que custaria normalmente 180 dólares custaria naquela noite apenas 85! É, acho que a nossa vontade de acampar pode esperar! rsrs! Esperamos até as 17h preparando as nossas bagagens para a viagem ao Hawaii e logo estávamos em nosso super-hiper-ultra aconchegante e eco-friendly yurt!
A aconchegante arquitetura mongol do nosso Yurt no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
Fechamos com chave de ouro a nossa viagem pela US 1, com direito à queijos e vinhos sob a luz da lua no nosso teto solar (ou seria lunar?) na noite fria de Big Sur.
Veja o mapa do nosso roteiro pela US 1
Anse de Colombier, em St. Bath - Caribe
Dia de explorer o litoral norte da ilha. As vilas no caminho são uma gracinha, todas com belíssimas casas, escolas, academia de tênis, praticamente todas as placas da prefeitura são em azulejo pintado, enfim... Coisa fina da melhor qualidade. O que mais os franceses poderiam querer? Unir o charme das casas nas montanhas com a vista do mar do Caribe e uma temperatura média de 28°C?
Placa em azulejos, típico de St. Bath - Caribe
Aqui as cidades não têm pobreza alguma, se o crack chegou aqui só se foram os ricos que trouxeram, portanto a ilha é segura. Você pode deixar o carro aberto, alguns deixam até a casa sem trancas, não há problema algum. Você pode até esquecer o seu par de hawaianas na praia que depois irá encontrá-lo! Experiência própria! Isso é realmente o que dá mais ainda a sensação de paraíso, mais do que as praias maravilhosas... É difícil imaginar um mundo perfeito sem montanhas ou praias, mas impossível imaginar o mundo perfeito com pessoas passando fome ou mendigando nas ruas.
O Grand Cul-de-Sac, em St. Barth - Caribe
Além disso, a consciência ecológica da população é sensacional. Carros elétricos já são numerosos, é feita a coleta seletiva de lixo e aqui foi testado pela primeira vez no mundo um incinerador de lixo que queima o lixo, cria energia e produz água potável e ainda menos poluente que outros incineradores! É gente, tudo isso se materializa aqui.
Carro elétrico, muito comum em St. Bath - Caribe
Passadinha rápida pela brasserie, (hummm, pães e sanduíches deliciosos!) e logo estávamos no Mirante de Colombier. Dia limpo, do mirante conseguimos visualizar até Anguila (a ilha paraíso do Keanu Reves).
Mirante da Anse de Colombier, em St. Bath - Caribe
Colombier é uma praia freqüentada principalmente pelas velas e iates, pessoal que chega de barco, ancora e usa esta baía como base para pernoitar e a praia para passar o dia. São vários veleiros ancorados e alguns barcos que chegam durante o dia para conhecer esta piscina.
Anse de Colombier, praia de areias brancas e águas azuis, em St. Bath - Caribe
Nós, os “terráqueos”, temos que vir por uma trilha que nem todos encaram. Uma descidona tranquila, mas na volta lembrem-se, tudo que desce, tem que subir! A praia é dentro de uma reserva natural, portanto não possui nenhuma infra-estrutura de bar, restaurante, etc. Nós levamos nossa baguete e o litro de água e não queríamos mais nada! As pessoas foram e voltaram e nós estávamos lá. Chegamos a ficar com a praia vazia, só para nós! Lembrando que os barcos estão estacionados à frente, é claro.
Anse de Colombier, praia de areias brancas e águas azuis, em St. Bath - Caribe
Fizemos uma incursão submarina pela piscina de Colombier, completamente transparente, completamente maravilhoso. Não deu nem vontade de ir até as pedras para ver os peixinhos, a própria visão da água, areia, barcos e do azul já bastava para a nossa diversão. Esta nadada rendeu até um papo com Bruno, um algeriano radicado em NY que deu um mergulho do seu barco só para socializar com a gente. Acho que ficou curioso que tanto fazíamos ali, nadando, nadando, nadando. Hahaha!
Mergulhando nas águas claras e azuis da praia de Columbier, em St. Barth - Caribe
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas já era hora de partirmos. Nossas malas estavam prontas nos aguardando no nosso mini-carro para irmos à Gustavia, encher o tanque, devolver o carro e pegar o ferry para St. Martin. Ainda demos um passeio na cidade, aproveitamos para comprar insumos franceses baratos, queijos e um vinho (mais baratos aqui que em St. Martin) para o nosso jantar de hoje.
O aeroporto de St. Jean, em St. Bath, termina numa bela baía de águas azuis
O ferry atrasou uma hora, ótimo, pois pudemos aproveitar o wi-fi gratuito na “praçinha de embarque” do terminal hidroviário. A viagem de volta foi tranquilíssima, o mar estava mais calmo, vento a favor e o principal, remédio para enjôo tomado. O pôr-do-sol foi aquele clássico, difícil de ver nos dias de hoje. O sol se foi direto ao mar, cheguei a ouvir aquele barulhinho, tssss!
Pôr-do-sol perfeito em St. Bath. Não é à tôa que é considerado um dos mais bonitos do Caribe!
St Martin, dessa vez será só um pit stop, pois amanhã voaremos as 7h30 para St Kitts e Nevis, nosso próximo pico vulcânico na cadeia montanhosa do Caribe.
Mapa de St. Barth
Navegando no rio São Francisco, próximo à Piranhas - AL
Partiu de Piranhas o barco que nos levou conhecer a Rota do Cangaço, chamada assim por fazer parte de um dos momentos mais importantes na história deste movimento. Foi logo aqui em frente à antiga Piranhas que lampião e mais 38 cangaceiros desceram o rio em canoas até um novo esconderijo, a Grota do Angico.
Grota do Angico, local onde Lampião e Maria Bonita foram mortos, em Canindé do São Francisco - SE
Foi a primeira vez que ficaram neste esconderijo, segundo o guia turístico do local. Lampião liberou os vigílias, já que os macacos pensavam que ele estava em outro esconderijo. O coitero de Lampião foi comprar alimentos na vila para todo o bando e despertou desconfiança entre os moradores da vila que avisaram a volante da cidade. Esta por sua vez reuniu três grupos de volantes das cidades vizinhas e imediatamente foram para o local.
Casa do coitero de Lampião, perto da Grota do Angico, região de Canindé do São Francisco - SE
As volantes subiram com metralhadoras das mais modernas, doadas pelos EUA para combate de guerrilhas ao Brasil. Lampião morreu com rajadas de metralhadoras e foi decapitado, Maria Bonita não teve a mesma sorte, pois morreu durante a decapitação. Suas cabeças foram expostas em Tapera e diversas cidades da região, como exemplo e represália aos cangaceiros que restaram. Ali não morreram apenas Virgulino e seus comparsas, morreu também o cangaço.
Foto de Lampião e seu bando exposta em restaurante próximo a Grota do Angico, em Canindé do São Francisco - SE
Eram 45 homens, que por mais cuidadosos e silenciosos que fossem, estavam na caatinga, pisando em folhas secas e carregando armamentos, perguntamos: como Lampião e seus homens não ouviram e perceberam a chegada dos policiais?
Navegando no rio São Francisco, próximo à Piranhas - AL
Alguns dizem que foi a cachaça que apagou o bando, o que eu duvido já que eram acostumados a beber todos os dias. Outros acham que armaram para eles, colocando alguma droga ou sonífero nas bebidas. O que aconteceu lá ninguém sabe ao certo e sem dúvida alguma esta é uma das faíscas que mantém acesa a chama da curiosidade e paixão pela história deste personagem tão controverso do nordeste e do Brasil.
Com os especialistas em cangaço, na Grota do Angico, região do Canindé do São Francisco - SE
Este mergulho na história foi entremeado por conversas divertidíssimas com os nossos amigos historiadores do cangaço, uma dose de pinga com caju e um tucunaré frito às margens do SanFran.
Nadando no São Francisco depois do passeio à Grota do Angico - SE
Depois de um mergulho e despedidas de tal local histórico foi que demos falta de um dos personagens mais importantes do 1000dias, o nosso querido celular! Voltamos, procuramos no restaurante e não encontramos. Ele só pode ter ficado ali, na mesa, no balcão ou então na trilha. Será este mais um dos mistérios que rondam a Grota do Angico? Lampião decidiu ficar com ele para fazer contatos imediatos de terceiro grau? Nosso amigo Nokia saiu dos 1000dias, mas entrou para a história do cangaço!
As belas árvores que guardam a entrada da fazenda Serra das Bicas em Carrancas - MG
Depois da carninha e aula de ontem estou me sentindo cada vez mais da aqui da roça! Sempre adorei, mas convivi pouquíssimo com fazendas. O Ro me passa um bom conhecimento e ontem a noite aprendi mais um bocado, mas sempre fico com a impressão de ser menina da cidade quando me meto nesse assunto. Ontem, combinamos com o Rodrigo de ir hoje lá visitar a fazenda que ele administra. Que fazendão lindo! A fazenda fica no pé da Serra das Bicas, coisa que ontem à noite não conseguimos ter a mínima noção. Mais de 1800 hectares com criação de gado, plantação de milho e soja, fora a estrutura antiga da fazenda e as águas que cortam toda essa terra.
Varanda do antigo casarão da Fazenda Serra das Bicas em Carrancas - MG
A antiga fazenda era um grande engenho de açúcar, aquele que vimos muito nos livros de história. A Casa Grande com mais de 15 cômodos entre quartos, salas, cozinhas e apenas um banheiro! Todos os cômodos têm suas paredes pintadas à mão com cenas cotidianas, paisagens e lembranças de Portugal. Hoje a casa está em reforma e o novo dono pretende restaurá-la, mantendo as pinturas originais.
Bela decoração em uma sala do casarão da fazenda Serra das Bicas em Carrancas - MG
Antiga sede da Fazenda Serra das Bicas em Carrancas - MG
É impressionante a estrutura e o tamanho da casa, pé direito alto, cozinha com forno à lenha como os que vimos na casa do Aroldo e do Rodrigo, e até um forno à lenha daquele redondo de pizza. Alguns quartos passam por dentro de outros quartos, dizem que era a forma que os pais tinham de controlar as filhas para não pularem a janela à noite para se engraçar com “qualquer um” por aí.
Antiga sede da Fazenda Serra das Bicas em Carrancas - MG
Ali, logo em frente da casa fica o antigo engenho com uma roda d´água de mais de 5m, que rodava com a água da cachoeira. Hoje ela tem sua vertente controlada por um sistema simples de ladrão, pra não enlamear todo o estábulo. Parte da água da cachoeirinha ainda corre ali, ao lado de onde era a senzala. O grande engenho produzia açúcar e aguardente, tonéis de 10 mil litros de pinga ainda estão lá guardados. Além do cultivo da cana, a fazenda tinha uma imensa plantação de café, devia ser a coisa mais linda! E eu, até consegui dar uma mini-voltinha no Coronel, cavalo lindo e super bem treinado, ao mínimo movimento da rédea mesmo eu, uma total inexperiente, consegui “dirigir” ele direitinho! Hahaha!
Ana treinando sua montaria na fazenda Serra das Bicas em Carrancas - MG
O Rodrigo nos levou dar uma volta, mostrou as plantações e pastos e nos levou até um cantinho da fazenda onde conseguimos ver a Cachoeira da Serra das Bicas. Já tínhamos visto foto, mas sabíamos que era difícil a dona da terra liberar a entrada. Bem, pelo menos já é lindo vermos de longe. Ainda aproveitamos o cenário para gravar um depoimento do Rodrigo para o “Soy loco por ti América”, o vídeo já está pronto! Assistam! http://youtu.be/nhXh6vX7XPE
Cachoeira Serra das Bicas em Carrancas - MG
Para fechar a visita com chave de ouro, fomos até a casa do Rodrigo e ele nos ofereceu um almoço de dar água na boca! Comida caseira, feita no fogão à lenha e com aquele temperinho... hummmm... delícia! Ele nos convidou para uma feijoada hoje a noite e se deixarmos vamos ficando mesmo! Já vou me sentindo cada vez mais em casa aqui em Carrancas, mas o Ro quer ir para São Tomé de qualquer jeito! Vamos ver como vai ficar.
Ana e Rodrigo na fazenda São Francisco, bem pé-de-serra, em Carrancas - MG
Obrigada Rodrigo!
Centro da cúpula da Capilla del Rosário. Puebla, México
Puebla, depois da Cidade do México, Guadalajara e Monterrey, é a quarta maior cidade do país, com aproximadamente 2,1 milhões de habitantes somando a sua área metropolitana. Puebla de Los Angeles foi fundada em 1531 para sobrepor a vizinha Cholula, um grande centro administrativo e cerimonial dos nativos americanos ainda ativo na época em que os espanhóis chegaram à região.
Ruas de Puebla, no México
Puebla deixou de ser “La Angelópolis” e ganhou seu novo nome e sobrenome em 1862, quando um grupo de 2 mil soltados liderados pelo General Ignacio Zaragoza lutaram heroicamente contra 6 mil soldados franceses, meio debilitados por um surto de diarreia, adiando em pelo menos um ano a ocupação francesa da cidade.
Iglesia de la Compañía em Puebla, no México
Eu diria, porém, que o heroísmo de Puebla está mais presente nas suas ruas, cultura e tradição que em sua história. Uma cidade que mantém um centro histórico preservado com mais de 70 igrejas, uma arquitetura colonial reconhecida por seus coloridos azulejos e uma gastronomia que se tornou sinônimo de excelência em todo o país. O mole pueblano é sua marca registrada, encontrado nos melhores restaurantes de comida tradicional mexicana. Sua receita é quase impossível de ser reproduzida por nós, meros mortais, com mais de 20 ingredientes que vão de chocolate à pimenta e outros diversos condimentos bem mexicanos.
Iglesia de la Compañía em Puebla, no México
Nossa passagem por Puebla infelizmente foi mais rápida do que gostaríamos, mas com um roteiro espremido tratamos de sentir a cidade mais do que ticar pontos no nosso mapa turístico. Um passeio pelo Zócalo e a Casa de Cultura, seguidos por uma visita a uma das principais igrejas da cidade, o Templo de Santo Domingo.
Zócalo, praça principal na cidade de Puebla, no México
A igreja dominicana já impressiona por seu tamanho e imponente altar, mas a grande atração é mesmo a Capilla del Rosario, à esquerda do altar principal, completamente adornada em ouro. A capela foi construída entre 1550 e 1690 em devoção à Virgen del Rosario e é considerada por muitos a oitava maravilha do mundo.
Templo de Santo Domingo. Puebla, no México
Capilla del Rosário coberta em ouro. Puebla, México
Altar em ouro na Capilla del Rosário. Puebla, México
O estilo barroco traz referências dos navegantes do além-mar, como as sereias quase impossíveis de serem encontradas em meio às milhares de figuras. A cultura indígena também está presente não apenas nos traços mas também nas técnicas empregadas pelos artistas locais. O estuco (argamassa de cal fino), para os adornos em alto relevo e o sangue bovino para impermeabilizar e proteger as camadas folheadas à ouro da oxidação.
Teto adornado em ouro na Capilla del Rosário. Puebla, México
Detalhes em ouro da decoração barroca na Capilla del Rosário. Puebla, México
Foram usados dois tipos diferente de ouro, 18 e 21 quilates, doados por um rico minerador devoto da Virgen del Rosário. Nota-se que os adornos de 18 quilates já estão um pouco mais escuros que os de 21, pelo tipo de liga utilizado, mas não menos brilhante e dourado. Hoje, 323 anos depois, podemos confirmar a efetividade da técnica, já que a capela nunca precisou ser restaurada.
Detalhes barrocos em estudo e ouro na Capilla del Rosário. Puebla, México
Detalhes barrocos em estudo e ouro na Capilla del Rosário. Puebla, México
Como não poderia deixar de ser, nosso próximo passo foram as experiências gastronômicas pueblanas. Chile relleno, mole e várias botanas (aperitivos) em um dos restaurantes ao redor do Zócalo, vendo a vida passar embaladas por uma boa chelada!
Templo de Santo Domingo em Puebla, México
O final da tarde foi um tanto quanto ansioso, pois depois de dois dias separada do marido a saudade apertava e eu já estava inquieta para saber do paradeiro do meu herói das montanhas. Hoje, enquanto eu e a Val acordamos no DF e viajamos à Puebla, meu amado marido e nosso amigo Gera chegavam ao topo do vulcão conhecido como Pico de Orizaba!
A maior montanha do país, o majestoso Pico Orizaba, no México (foto de Geraldo Ozorio)
Eles começaram a caminhada ainda na madrugada e sob temperaturas negativas encararam a imensa rampa de gelo, com seus crampons e piolets até o cume da maior montanha do país!
Subindo a longa geleira do Pico Orizaba, no México (foto de Geraldo Ozorio)
Cruz mara o alto do Pico Orizaba, a montanha mais alta do México (foto de Geraldo Ozorio)
Uma homenagem à distância à sua mãe que comemora, lá no Brasil, mais um lindo ano de vida! Parabéns aos aventureiros e montanhistas que realizaram mais um sonho e chegaram em casa são e salvos!
Com o Gera e o Piotr no cume do Pico Orizaba, no México
* Informação útil: a viagem da Cidade do México à Puebla é rápida e indolor. Pegamos o ônibus da companhia Estrella Roja no TAPO - Terminal de Autobuses de Pasajeros Oriental, bem confortável e dura em torno de 2 horas. Em Puebla o ônibus chega em um terminal a uns 20 minutos de táxi do centro da cidade. Nós nos hospedamos no Hotel Colonial, bem no centro da cidade. Top pick indicado pelo Lonely Planet, não era dos mais baratos, mas depois de uma noite na montanha o Rodrigo resolveu se esbaldar em um bom chuveiro e cama quentinhos.
Já estamos na Venezuela!
Chegamos à Venezuela! Um país de tantas paisagens e tantas agruras, onde os Andes quase tocam o Mar do Caribe, subindo abruptamente entre amazônias e pantanais e se derramam no Delta do Orinoco. Onde encontramos um povo dividido entre suas riquezas e suas maiores fraquezas, onde o orgulho de se sentir no poder ao lado do Eterno Comandante cega o discernimento do que é certo e errado e os leva à miséria e ao caos econômico. Um país que está no rumo socialista e que metade de sua população apoia e pensa estar no caminho correto, mesmo quando tem que brigar por uma pasta de dente, implorar por um rolo de papel higiênico e matar por um saco de farinha. Enquanto a outra metade da população assiste à toda esta desgraça ciente de tudo que está acontecendo, também sofre indignada, mas mantém a fé de que tudo irá melhorar.
Muita propaganda do socialismo bolivariano nas ruas da Venezuela
Preparando carne, plátano e queijo na chapa quente, na fronteira da Venezuela
Entramos no país ansiosos não apenas para ver, com nossos próprios olhos o que está acontecendo, mas para sentir na própria pele as idiossincrasias deste sistema. Queríamos ver o que não vimos em 2007 e saber se aqueles mesmos amigos que antes apoiavam o Chavez, continuariam apoiando hoje. Queríamos também poder mostrar aos vizinhos brasileiros as belezas naturais que estão ao nosso alcance e poder dizer-lhes que sim, é possível viajar na Venezuela nos dias de hoje. A crise cambial que sofre o país é terrivelmente prejudicial para a economia venezuelana, mas é incrivelmente atrativa para nós turistas brasileiros. Ao irmos para lá não estaremos apenas aproveitando uma oportunidade, estaremos ajudando também a manter a economia girando, injetando nossos ricos reaizinhos em troca de momentos inesquecíveis em algumas das praias, montanhas e rios mais lindos da América do Sul.
Bolívar, herói máximo da Venezuela
Quando estivemos aqui em 2007 viajamos de Boa Vista por terra até a fronteira com a Venezuela, subimos o Monte Roraima, voamos para o Salto Angel, caminhamos pelas ruas de Caracas e descobrimos o significado da expressão “Paraíso Caribenho” no Arquipélago de Los Roques. Fomos colocados à todas as provas, cansaço e hipotermia no Roraima, teimosas caminhadas por autoestradas de Caracas e até fomos roubados, ficando sem dinheiro e cartões de crédito, ilhados em Los Roques. Mas a parceria, paciência, tolerância e criatividade do casal se mostraram melhores e nos provaram que juntos éramos melhores! Foi a nossa primeira viagem internacional juntos, viagem que cunhou profundamente o nosso companheirismo, nos revelou os medos, fraquezas e fortalezas de cada um e, sem grandes pretensões nos mostrou que seríamos capazes de um dia realizar uma grande viagem como a que estamos fazendo hoje.
O preço quase gratuito do combustível permite que as antigas banheiras ainda ocupem as ruas e estradas da Venezuela
Chegamos à Venezuela vindos da pequena cidade fronteiriça de Maicao, no lado colombiano. Almoçamos platanos assados na brasa com queijo branco, enquanto esperávamos mais de uma hora a abertura da Aduana Boliviariana del Pueblo de Venezuela! para tirarmos a documentação da Fiona.
Entrando na Venezuela, recião de Maracaibo, vindos da Colômbia
Banheiras velhas caindo aos pedaços lotavam as estradas, fazendo pensarmos que estávamos em Cuba, na década de 70. Uma reta interminável com escolas Simón Bolívar em cada povoado, acompanhadas de placas de propaganda do Governo Socialista da República Boliviariana de Venezuela.
Cartaz da última eleição que Chavez participou
Prédios caindo aos pedaços, lixo espalhado pela estrada e pelas ruas, comércios irregulares e quase nenhuma marca do dito capitalismo imperialista. Cruzando o lago Maracaibo, a galinha dos ovos de ouro, ainda encontram-se alguns resquícios, avenidas largas, algumas redes de fast foods e supermercados. Dirigimos por mais de 6 horas entre a fronteira e Coro, uma das mais conservadas cidades coloniais do país. O retrocesso econômico é claro, veremos o social nestas próximas semanas.
Lago de Maracibo, o maior do continente, importante região produtora de petróleo na Venezuela
Saímos hoje cedo de Chapada Gaúcha em direção do nosso próximo Parque Nacional, o Peruaçú. Sabemos que ele está fechado à visitação, mas está no nosso caminho, não custa tentarmos. Um dia de muita estrada, portanto um dia perdido para trilhas e explorações. Assim sendo resolvemos aproveitar para conhecer duas comunidades em veredas que ficavam no caminho, o Vão do Buraco e Buraquinho.
Observando o Buraquinho, próximo à Chapada Gaúcha - MG
Paisagens sensacionais que lembram um pouco os tepuis venezuelanos, formações de chapadas com rios entrecortando, formando um vale muito peculiar, porém em tamanho miniatura. As montanhas não são altas e o rio entre as veredas está praticamente seco, principalmente nessa época do ano.
Atravessando a Vereda "Buraco" próximo à Chapada Gaúcha - MG
Seriam 160 km de terra e cascalho direto entre Chapada e Januária, então buscamos uma alternativa por Bonito de Minas, 10km mais longa, porém mais rápida, pois eram 22km de areia, muito mais confortável de andar e logo chegávamos em um belo e novo asfalto que interliga Bonito de Minas a Januária.
Estrada de areia em Bonito de Minas, entre Chapada Gaúcha e Januária - MG
Chegamos, nos alojamos em um hotel muito confortável com vista para o Velho Chico. O Rodrigo já esteve aqui há 15 anos e ficou decepcionado com o assoreamento do São Francisco, infelizmente fica claro que o rio está decadente e junto dele as comunidades e cidades ribeirinhas.
Praia do Rio São Francisco em Januária - MG
A praia do rio estava lotada, mas não conseguimos atravessar antes do sol se pôr, então nos restou trabalhar. Conversamos com o Rosivaldo, guia de ecoturismo indicado pelo hotel e já montamos para amanhã duas possibilidades:
Plano A – vamos até o ICMBio tentar encontrar o Evandro, Chefe do Parque Nacional Peruaçú. Com o nosso projeto podemos tentar uma liberação especial para entrada no parque. Vamos torcer para que ele esteja lá!
Plano B – vamos conhecer a Gruta dos Anjos, em Brejo do Amparo e o Pantanal formado pelo Rio Pandeiros, em pleno norte de Minas Gerais.
Projeto pronto, fotos e posts no ar, agora é só cruzar os dedos!
Rio logo abaixo do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
Acordei hoje com muito frio. Não foi à toa, a temperatura realmente baixou de ontem para hoje, o dia amanheceu nublado e com muito vento. Nossa programação era novamente conhecer outros dois complexos de cachoeiras. Quem já conviveu mais comigo sabe que sou um horror de manhã... Estava totalmente preguiçosa! Frio, sono, imagina se eu queria entrar na água gelada? Há, há. Olha só o sorriso amarelo...
Cachoeira da Fumaça em Carrancas - MG. Não é aconselhável nadar...
Bem, temos que andar e conhecer, então fomos primeiro ao Complexo da Fumaça. Uma cachoeira lindíssima, com um volume imenso de água e poluída. Parte do esgoto da cidade de Carrancas ainda é despejado neste rio. Todo o Complexo da Cachoeira da Fumaça já se tornou um Parque Municipal e está em processo para se tornar uma área de preservação. Na Prefeitura de Carrancas já existem verbas destinadas ao tratamento da água e esgoto. Para variar uma solução tardia, mas antes tarde do que nunca. Sendo assim, escapei de entrar na água! Uuuufa!
Cachoeira da Fumaça em Carrancas - MG. Não é aconselhável nadar...
Partimos para o segundo complexo de cachoeiras, o Complexo Esmeralda. Uma pérola a apenas 10 minutos de Carrancas, é sem dúvida um dos lugares de rios e cachoeiras mais bonitos que já fui.
Rio do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
Rio do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
Talvez por isso o Rodrigo não parasse de confundir o nome dela “Esmeralda” com “Pérola”, está ficando velho mesmo! A água, verdinha e transparente, desce em uma laje imensa lindíssima, formando diversas cachoeiras e poços esmeralda.
Poço Esmeralda em Carrancas - MG
Rio logo abaixo do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
A cachoeira principal e que dá o nome ao complexo tem o poço mais bonito e gostoso de nadar. Ui! Me entreguei! Eu que tinha certeza que não conseguiria nadar naquela água gelada, depois de umas 2 horas de trilhas explorando a laje, acabei me rendendo e pulando na água, até porque à tarde o sol resolveu dar o ar da graça. A água estava geladíssima, mas deliciosa, eu que tanto fiz doce acabei sendo a que mais acostumei e aproveitei a água.
Enfrentando as águas geladas e maravilhosas do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
Enfrentando as águas geladas e maravilhosas do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
Eu sou parceira e companheira de aventuras, mesmo no frio! Esquentando no sol e esfriando na cachoeira!
Rio logo abaixo do Poço Esmeralda em Carrancas - MG
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