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Valéria (16/09)
Adoraria saber o roteiro completo que vcs planejaram para esta grande emp...
Valéria (16/09)
Vcs tiveram muita sorte em não se meterem numa enrascada subindo um mont...
mario sergio silveira (15/09)
Olá filha, e quais foram suas associações? Este sonha dá margem a mui...
lalau (15/09)
com esses sonhos você nem precisa viajar Ana. Fui lendo ao som do Antoni...
André Kina (15/09)
Caramba Ana Carol...vcs devem ter tomado algo bem forte, hein? rs bj Kina...
A bela igreja metodista de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos
Apelidada “Land of the sky” ou “Terra do céu”, Asheville é uma cidade de pouco mais de 80 mil habitantes no estado americano de North Carolina. Situada estrategicamente entre o famoso Great Smoky Mountains National Park e o Shennandoah National Park, seus arredores já foram cenário para filmes como “O Último dos Moicanos” e até hoje atrai artistas, músicos e pessoas apaixonadas pela natureza, o que a torna um lugar alternativo e bem cosmopolita.
A pomposa arquitetura do centro histórico de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos
Asheville figura em uma ampla lista de rankings, citando apenas alguns deles como uma das "25 Melhores Destinos de Artes da América" (Revista AmericanStyle), "A nova “freak capital”dos EUA" pela revista Rolling Stone, "Nova Meca New Age" (CBS News) e em 2007, Asheville foi nomeada uma das sete principais lugares para se viver nos EUA pelo Ranking de cidades da Frommer.
Caminhando pelo centro histórico de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos
Nós chegamos em um dia de chuva e cinzento, mas as suas ruas, bares e restaurantes estão sempre cheios e divertidos com pessoas de todas as tribos e idades. Paramos no delicioso Salsa´s Mexican Caribbean Restaurant, restaurante que mistura o melhor das duas cozinhas, mexicana e caribenha, sempre com uma exposição interessante de artistas contemporâneos da região e um público bem antenado.
Restaurante em Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos
A comida é divina e muito criativa, além de ter uma boa relação custo x benefício. Nada melhor que uma boa cerveja artesanal para acompanhar uma delícia apimentada dessas. Eu provei a Pale Ale da High Lander Brewing Company, saborosa e no ponto certo para não brigar com o sabor da comida. Ótima sugestão do nosso simpático garçom.
Deliciosa e apimentada comida mexicana requintada, em Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos
Uma das milhares de cervejas artesanais americanas, em Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos
A arquitetura da cidade vai do art decó ao neogótico em seus edifícios históricos, igrejas e monumentos. A chuva deu um intervalo e conseguimos andar nas ruas arborizadas, sempre cruzando um músico mambembe tocando sob uma marquise na sua viagem particular.
A pomposa arquitetura do centro histórico de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos
À noite, não poderíamos perder a chance de ouvir uma legítima Jam Section de cordas, em uma das principais representantes da Folk Music Americana. Fomos ao mais indicado bar em Downtonw Asheville, o Jacskon Pub. Cada músico traz o seu instrumento de corda como o violino, violão, contrabaixo e o indispensável banjo! Os músicos estavam se divertindo aos montes, solos alucinados cada vez mais acelerados faziam o público ir ao delírio! Mais tarde uma banda de jovens tomou o palco e fez uma apresentação maravilhosa, essa sim era profissional! É sempre bacana ver jovens se interessando, revivendo e aprimorando tradições.
Balada com jam session com muita música Folk, em Asheville, na Carolina do Norte - EUA
Asheville é o nosso ponto de partida para conhecermos a região dos Apalaches e da Blue Ridge Parkway, a road trip mais famosa no leste dos Estados Unidos.
Bonecos gigantes em Olinda - PE
Embora vocês não acreditem, nós trabalhamos sim, e muito, para colocar este site em dia. Passamos a manhã e a tarde toda escrevendo e atualizando os nossos posts, fotos e redes sociais. No café da manhã da pousada já havíamos conhecido um casal europeu muito bacana, Francesca, italiana e Thomas, suíço. Eles acabaram de chegar ao Brasil, saindo de -7°C direto para os 30°C de Olinda, e ainda tiveram a maior sorte, pois chegaram em um domingo de carnaval! Desde já em Olinda começam as festividades, todos os domingos os blocos de maracatu, samba e reggae começam a esquentar os tambores, agitando as ruas da cidade. São milhares de pessoas, animadas, lavando a alma depois de uma semana de trabalho suado. Nós também, depois de um dia todo enfurnados na pousada, queríamos mais era cair na gandaia!
Pré-carnaval em Olinda - PE
O Carnaval de Olinda é um dos mais famosos do Brasil, depois do Rio de Janeiro e Salvador. Vários dos famosos Bonecos Gigantes de Olinda já estão prontos, mas estes irão para as ruas apenas no sábado de carnaval. Final de tarde e aos poucos as ruas começam a ficar tomadas por pessoas animadas de todos os tipos, classes, idades e intenções. Tem uma música do carnaval baiano que fala sobre isso, o que é mais mágico é ao mesmo tempo o mais intrigante:
“Como esse povo que sofre
Com fome, que passa mal
Vai batucar na panela vazia
E fazer carnaval...
Ôoo ai meu Deus, eu só quero entender...”
Pré-carnaval em Olinda - PE
Assistimos ao bloco de maracatu em frente ao presépio de Natal da Igreja São Pedro, seguimos o bloco de carnaval até a Igreja do Amparo e depois subimos a Ladeira da Misericórdia até a Sé. Lá entramos na Escola de Samba do Preto Velho, onde estava rolando uma verdadeira roda de samba, com um show a parte dos passistas da escola de lambuja. Se para nós tudo isso já é maravilhoso e diferente em uma véspera de natal, imaginem como deve ser para Francesca e Thomas! Ainda demos sorte de pegar uma roda de capoeira bem roots na saída do samba, para fechar a noite com chave de ouro.
Casa de samba "Preto Véio" em Olinda - PE
Voltamos para a pousada procurando algum lugar para comer. Ali logo em frente era um dos maiores agitos, carros com brega no último volume e tudo o que vocês podem imaginar. Eu estava até preocupada se conseguiríamos dormir, mas 22h30 em ponto a polícia turística passou solicitando aos festeiros que baixassem o som e tudo começou a se aquietar, “Parece até a Suíça”, comentou Thomas. Demais! Que lindo, que orgulho de fazer parte dessa festa e saber que de alguma forma somos todos parte desta cultura.
Com o Tomas e a Francesca no pré-carnaval em Olinda - PE
As ruínas da antiga fortaleza de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Saksawaman, mais conhecido pelos turistas gringos como “Sexy Woman” pela difícil pronúncia e similaridade fônica, é um dos principais sítios arqueológicos incas próximos à cidade de Cusco. Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco, está localizado a 3.700m de altitude no alto das montanhas que rodeiam a antiga capital inca.
A bela vista que se tem de Cusco do alto das ruínas de Saqsaywamán, no Peru
Sua localização não é apenas estratégica para rituais e cerimônias religiosas, como já haviam pensado os Incas, mas também como ponto de defesa das invasões espanholas em meados do século XV. Pedro Pizarro relatou nos idos de 1500 que suas numerosas salas estariam repletas de armamentos militares para combate e defesa da cidade.
As imponentes ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Na atualidade além de um interessantíssimo sítio arqueológico, Saksawaman também é um dos mais lindos mirantes da cidade de Cusco, com vista para todo o vale e montanhas ao seu redor. Jovens cusquenhos também frequentam o local como ponto de encontro para fazer todas aquelas coisas que jovens gostam de fazer... Humm, você sabe.
A bela vista que se tem de Cusco do alto das ruínas de Saqsaywamán, no Peru
A nós, turistas não andinos, nos é cobrada uma taxa de entrada no sítio arqueológico e ali mesmo, na porta, vários guias locais oferecem seus serviços. Com a chegada do mais novo tripulante para o nosso tour pelo mundo andino, meu amigo e irmão Gustavo, decidimos que seria bacana ter uma explicação geral sobre a cultura inca antes de chegarmos ao Vale Sagrado.
Com o Gustavo, visitando as ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Dentre muitas informações, Julieta, nossa guia, comentou que o formato da fortaleza vista de cima é parecido com o símbolo de um raio, e que existe uma possível relação com o Deus Trovão dos Incas, Chiqui-Illapa – Deus das tempestades que norteia a cadência das secas e das chuvas. Ainda assim, ao que tudo indica, o local foi construído com finalidades militares e era utilizado como academia de treinamento para as tropas de defesa e conquista dos grandes Incas.
O incrível encaixe das construções incas nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Caminhamos pela Gran Plaza entre as ruínas da antiga fortaleza que não hesita em nos apequenar diante dos seus imensos muros de pedra. Estes muros são sua principal atração, construídos com blocos de pedra gigantescos que guardam um dos maiores mistérios desta construção. Sabe-se que as pedras não são originárias daqui e sim de uma montanha a pelo menos 3 quilômetros de distância em linha reta. Como os antigos incas teriam conseguido cortar, polir e transportar estas pedras até aqui?
Os enormes monolitos das ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Outra coisa que chama a atenção dos arqueólogos é a perfeição do encaixe de cada um desses blocos, que estão aí, perfeitos, sem precisar de nenhum tipo de cimento, por centenas e centenas de anos. Nas paredes encontramos a pata do jaguar e outros formatos curiosos.
A "Pegada do Jaguar", nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
A grandeza da praça, contudo, não está apenas no tamanho de suas pedras e muros, mas também no espaço aberto dos seus pátios internos, que devem ter recebido milhares de pessoas para grandes rituais e cerimônias.
Turistas visitam, no fim da tarde, as ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Caminhamos até o mirador da cidade, passando pelo Portal del Inca, porta mais fotografada de Saksawaman e depois cruzamos para o lado esquerdo do sítio onde se encontram um teatro que lembra os teatros do estilo romano, com uma ótima acústica, além das áreas cerimoniais.
O casal 1000dias assediado por fotógrafos durante visita às ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
As salas de rituais eram utilizadas para cerimônias religiosas pelos antigos incas. Mesas cerimoniais de sacrifícios de animais, nichos mortuários e até uma poltrona real pomposa e imponente, de pedra, é claro. Fico imaginando como ela seria adornada... Ouro? Jade? Plumas? Peles de Jaguar? Provavelmente tudo junto e misturado. Nós esquecemos de olhar estes lugares como casas, palácios vivos e com cores, mas essas pedras frias e escuras nem sempre foram assim. Quando visitamos ruínas e templos antigos temos que treinar a nossa mente e deixar a imaginação se levar pela energia do lugar, enxergando as cores e a vida que um dia existiram ali.
Descansando em um dos muitos tronos reais nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Já no final do dia o Gustavo não resistiu e até encarou o escorregador natural esculpido na rocha, lisinho e rápido perfeito para uma corrida entre o Gustavo e o Paolo, filho da nossa guia Julieta. Finalizamos a visita e ainda demos carona para mãe e filho que nos acompanharam e dividiram tantas experiências e conhecimentos conosco, um jeito gostoso e prático de entrar mais em contato com a cultura local.
O Gustavo aproveita um escorregador natural nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
De volta à Cusco jantamos em um restaurante fora do percurso mais turístico, em frente à Plaza San Francisco. Carne de llama, papas horneadas e risoto de quinoa, hummm, como é bom poder voltar a comer normalmente! Uma bisbilhotada noturna na Plaza Mayor, só para deixar o Gustavo ainda mais animado para as nossas explorações andinas.
Fim de tarde glorioso nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Passando por trás da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
Hoje partimos para mais uma aventura arqueológica, desbravar um dos mais famosas ruínas maias, a cidade de Palenque. São em torno de 2 horas de Ocosingo para Palenque, dependendo da pressa e agilidade do motorista na estrada cheia de curvas e topes, as malditas lombadinhas mal feitas, são umas 5 em cada povoadinho que passamos.
A gruta ao lado da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
O caminho já é uma atração por si só, a primeira delas é a Cascata de Águas Azules, que deixamos para a volta e perdemos por falta de luz e tempo. Paramos sim na cascata mais próxima a cidade de Palenque conhecida como Misol-ha, uma cachoeira de uns 30m, com um imenso lago de águas verdes super convidativas para um banho.
Mergulho na bela cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
Uma trilha passa por trás da cortina de água levando à entrada de uma gruta, onde se pode contratar um guia e lanternas para ir até uma próxima cascata dentro da caverna. Sem muito tempo, deixamos a caverna para lá e aproveitei para garantir um tchibum delicioso antes de começarmos o dia de explorações. Foi um dia longo e cansativo e que mereceu um post a parte.
A gruta ao lado da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
A volta de Palenque à Ocosingo já foi durante a noite, contra a nossa regra de não dirigir a noite, principalmente no México. Exceção aberta já que conhecemos a estrada durante o dia e ao que tudo indicava nos parecia uma vizinhança segura.
Passando por trás da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
A cada cidade vamos nos sentindo mais íntimos da cultura mexicana, vamos aos poucos nos acostumando com as novas palavras e a deliciosa e criativa culinária mexicana. O coreto da praça de Ocosingo é super vivo, tem sempre uma atração durante as noites. Hoje uma banda de marimba animava a noite, vendedores de balões, famílias reunidas e jovens andando de skate, clima festivo delicioso que apenas nos relembra, estamos no México!
Mergulho na bela cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
Montanhas do Banff National Park, em Alberta, no Canadá
Outono de 1883, dois trabalhadores da Canadian Pacific Railway faziam prospecção de terras e se depararam com uma caverna onde corriam rios de águas quentes. Visionários, construíram um pequeno hotel para receber turistas cruzando as Rochosas Canadenses, rumo ao Pacífico. Numa longa viagem de trem, nada mal uma parada de descanso em águas termais!
O belo lago de Minnewanka, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá
Dois anos de desavenças sobre a legitimidade da propriedade destas terras fizeram o Primeiro Ministro canadense declarar os 26 km2 ao redor das termas, uma Reserva Nacional. Em 1887 o Rocky Mountains Park Act expandiu a área para 674 km2 e estabeleceu o Rocky Mountains National Park, primeiro parque nacional no Canadá e terceiro do mundo, apenas atrás do Yellowstone nos EUA e o Royal National Park, na Austrália.
Água azul e cachoeiras no Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá
Admirando o Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá
Assim surgiu um dos maiores destinos turísticos do mundo, as Rockies Canadenses, que recebiam turistas vindos da Europa depois de uma longa viagem em luxuosos transatlânticos e sobre os trilhos da Canadian Pacific até chegar à região. Para aumentar o seu fluxo de passageiros a empresa ferroviária construiu o Banff Springs Hotel e o Chateau Lake Louise e só em 1911 Banff poderia ser acessada de carro, via Calgary.
Esquilo nos observa atentamente no Banff National Park, em Alberta, no Canadá
Este foi o nosso caminho, percorrido por tantos nos tempos áureos das verdadeiras explorações turísticas do final do século XIX. Partimos de Calgary em direção à Canmore, cidade vizinha ao Banff National Park. A principal cidade turística é a própria cidade de Banff, localizada dentro dos limites do parque, inclusive, uma peculiaridade dos parques nacionais canadenses desta região.
A cidade de Banff, em Alberta, no Canadá
As cidades se desenvolveram e chegaram a ameaçar a preservação do ecossistema, pelo boom turístico que enfrentavam. Durante a década de 90 foi feito um estudo profundo e novas medidas foram tomadas para que ambos, parque e cidade, pudessem viver em harmonia. Hoje Banff se orgulha em ser uma cidade verde e trabalha para manter o status, já que as suas paisagens são sua maior fonte econômica.
Artista de rua na cidade de Banff, em Alberta, no Canadá
Banff nos lembrou muito as cidades da Serra Gaúcha, muito organizada, toda florida, com casas de foundue, racletes, churrascarias (à moda norte-americana, não se animem tanto!) e cheia de lojinhas convidativas com os temas preferidos das rochosas: o frio, os ursos, alces, vinhos e chocolates, enfim, tudo o que combina com inverno.
Charmoso restaurante na cidade de Banff, em Alberta, no Canadá
No verão o parque é um grande playground para entusiastas dos outdoors: caminhadas, montanhismo, escalada técnica em rocha, canoismo, pedal, mergulho, pesca e o que mais você imaginar! Até esqui em rodas encontramos! Já aos adeptos aos esportes de inverno, chegando na estação certa, estarão entre as melhores montanhas para esqui, snowboard e um dos maiores centros de treinamento em escalada no gelo e cachoeiras congeladas. Dica: para explorar tudo isso a fundo, seja no verão ou no inverno, venham com tempo, são centenas de quilômetros de trilhas.
Caminhada na orla do lago Minnewanka, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá
Nós chegamos em meio a um feriado nacional, quando os preços vão às alturas! Enfim, conseguimos um super negócio no priceline na área de Canmore, apenas 20km de Banff e acabamos descobrindo ser não apenas mais econômico, como o destino alternativo preferido do pessoal de Calgary à disputada e turística Banff. Sem muito tempo para explorar a região fechamos a nossa programação nos principais atrativos e uma grande caminhada na área do Lake Louise, história que merece outro post.
Comendo delicioso fondue na cidade de Banff, em Alberta, no Canadá
Almoçamos um foundue de queijo divino no Grizzly House e bem alimentados fomos conhecer os arredores do Lago Minnewanka. Uma caminhada de 3km até a entrada do cânion, respirando ar puro às margens do lago, cruzando com cabras montanhesas em meio aos pinheiros. Fomos até a entrada do Stewart Canyon, adiante só são permitidos grupos acima de 4 pessoas portando bear spray. Aqui neste lago de águas verdes cristalinas está uma vila fundada em 1912 e vários sítios arqueológicos submersos! Os mergulhos são super técnicos, pois estamos falando de mergulhos em altitude (1.450m), que variam entre 14 e 100m de profundidade e pouca visibilidade. Mais informações no site do parque, aqui.
Rio engolido pela represa do lago Minnewanka, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá
O plano da tarde era subir a gondola (bondinho) da Sulphur Mountain. O tempo nublado, a pouca visibilidade e o preço (39 dólares por pessoa) nos desanimaram. A melhor opção para os hikers de plantão é subir a montanha a pé em um trekking de menos de 2 horas e voltar antes das 11h da manhã ou depois das 17h de graça! É claro que decidimos subir a pé no dia seguinte, má sorte a nossa foi que o tempo fechou e caiu um pé d´água totalmente desanimador.
Bondinho para o alto da Sulphur Mountain, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá
No segundo dia, já a caminho de Lake Louise e enfrentando o tempo incerto de chuva fizemos uma caminhada de 5km no Johnston Canyon. Foram construídas passarelas e pontes que nos levam até uma caverna e lindas cachoeiras dentro do gorge. A trilha é linda, porém estreita e em dia de feriado pode engarrafar. Parafraseando uma senhora bem humorada que conhecemos no caminho parecia que toda a Central Station havia resolvido descer aqui hoje!
Caminhando pelas passarelas através do belíssimo Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá
Lá encontramos um casal de gaúchos queridíssimos que também lembraram muito de Gramado e estavam saudosos do Caracol. Realmente temos paisagens belíssimas no nosso Brasil. Talvez as paisagens brancas e nevadas do inverno os surpreendesse mais.
Encontro com um casal de gaúchos no Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá
Água azul e cachoeiras no Johnston Canyon, no Banff National Park, em Alberta, no Canadá
Mais tarde chegamos ao Lake Louise e Lake Moraine e aguentamos apenas alguns minutos sob o frio e a chuva ao redor dos principais cartões postais das Rochosas Canadenses. Torcendo para o tempo melhorar amanhã, nos instalamos no nosso hotel, um dos mais simples e ainda assim salgadíssimo para o casal aqui. Depois do jantar nos aquecemos na banheira de hidromassagem, afinal, não é sempre que temos essa mordomia! Hehehe! Amanhã nos aventuramos pelas trilhas do Banff National Park, alguns quilômetros entre coníferas, lagos e montanhas.
Mesmo com o dia nublado, a incrível beleza do Lake Moraine, perto de Lake Louise, em Alberta, no Canadá
Bebê tartaruga no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
O longo litoral baiano tem trechos batizados de diferentes nomes, como forma de organizar e facilitar a divulgação turística. A Costa do Descobrimento, a Costa do Dendê, a Costa do Cacau e agora eu resolvi apelidar o litoral norte utilizando uma de suas maiores belezas naturais, a Costa das Tartarugas.
Vista do Bar do Souza, na Praia do Forte - BA
Não foi a toa que o litoral norte é o local onde se instalou a primeira base do Projeto TAMAR – Projeto TArtarugas MARinhas - na Praia do Forte. De Arembepe até Mangue Seco, nos meses de setembro à março 5 espécies de tartarugas marinhas desovam nas praias deste litoral.
Chegamos na divisa Bahia-Sergipe!
As tartarugas sempre fizeram parte do cardápio dos índios brasileiros, porém com o aumento da população a extinção se tornou um fato. No século XVIII a carne da tartaruga foi muito utilizada pelos portugueses para salvá-los do escorbuto, uma vez que as levavam vivas nos navios para o velho mundo. Pratos requintados foram criados com a sua carne, jóias e adereços refinados se tornaram moda. O trabalho de educação ambiental continua até hoje com as populações caiçaras e indígenas que já tinham a tartaruga no seu hábito de consumo, utilizando inclusive sua carapaça como berço para os seus bebês.
Tubarões Lixa interagindo no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
As tartarugas cabeçuda, oliva, verde, pente e couro são as espécies encontradas no litoral brasileiro. Estas espécies ainda se encontram em extinção, porém o trabalho realizado pelo TAMAR já avançou muito no conhecimento sobre os hábitos destas espécies e o esforço para a mudança cultural dos pescadores e caiçaras estão ajudando a mudar este cenário.
Representação de tartarugas em tamanho natural, no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
Nesta época as tartarugas buscam sempre as praias mais largas e cavam de 30 a 60cm de profundidade na areia mais distante da água para deixar seus ninhos bem protegidos. Assim que a tartaruga coloca seus ovos, o ninho é encontrado pela comunidade local, ou mesmo por um dos Tartarugueiros do TAMAR, os ninhos são identificados pela equipe do projeto ganhando uma marcação especial e é feita toda a coleta de dados para pesquisa e acompanhamento até a eclosão dos ovos. O período de encubação dos ovos é de 50 a 55 dias para os ovos eclodirem e durante este período é a temperatura pivotal que irá determinar o sexo das tartaruguinhas. Quanto mais quente, mais fêmeas nascerão, quanto mais frio, mais machos. O TAMAR desenvolveu uma pesquisa junto com uma universidade do Canadá para determinar a equação que determinaria a temperatura média para se ter 50% da ninhada fêmea e 50% da ninhada macho.
Tocando uma arraia, no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
Quando as tartaruguinhas nascem demoram em torno de 2 dias para conseguir sair do ninho e aí começa a jornada pela sobrevivência, a corrida para o mar. Elas buscam sempre o ponto mais iluminado, que normalmente seria o horizonte oceânico, porém as praias iluminadas artificialmente ou até mesmo as luzes de casas próximas podem alterar a direção de um filhote, que ao não chegar ao mar tem suas chances de sobrevivência próximas de zero.
Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA
Nestes 30 anos de Projeto TAMAR a população de tartarugas marinhas está em franca recuperação e as comunidades do seu entorno tiveram suas vidas alteradas. Hoje muitos pescadores e suas famílias trabalham nas bases do TAMAR como tartarugueiros, costureiras, educadores ambientais e até as crianças como guias-mirins. O trabalho desenvolvido é maravilhoso e se tornou uma potência.
Rua na Praia do Forte - BA
Mesmo eu que não sou das mais consumistas, quando cheguei à loja do projeto não aguentei. São produtos lindos produzidos pela comunidade local e que ajudam a manter este belíssimo trabalho, é claro que compro e seu culpa nenhuma! Ainda aproveitamos para parar um minutinho no Bar do Souza e provamos seu famoso bolinho de peixe e uma caipiroska de umbu deliciosa!
Vista do Bar do Souza, na Praia do Forte - BA
Continuando pela Costa das Tartarugas, seguimos viagem para Mangue Seco, atravessamos fronteira com Sergipe e chegamos a Pontal. Mangue Seco fica na Bahia, porém o acesso mais fácil é pelo vizinho, atravessando de barco o Rio Real até a vila.
A única passageira da travessia Pontal (SE) - Mangue Seco (BA)
Nos instalamos na pousada e caminhamos até a praia no final da tarde, com a esperança de vivenciar mais uma vez uma das melhores lembranças que o Rodrigo tem da vez que esteve aqui, a corrida das tartaruguinhas para o mar. Encontramos os ninhos e sabemos que eles estão prestes a eclodir, mas ainda não foi hoje. Quem sabe amanhã teremos mais sorte de vivenciar o mais belo espetáculo da natureza nesta Costa das Tartarugas.
Marcação de ninho de tartaruga em Mangue Seco (BA)
Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
Depois de uma pneumonia amazonense, emendada por uma infecção alimentar peruana e muitas aventuras mato-grossenses, numa correria danada, a desintoxicação digital foi quase compulsória, por mais que eu tentasse, a correria do roteiro, horas de estrada ou mesmo de cama nas recuperações, me incapacitaram de escrever e colocar em dia o meu blog. São 2 meses de atraso com uma grande dor no coração, mas todas as memórias intactas e um novo fôlego para retomar o blog, recuperando as histórias atrasadas e contando todas as novas aventuras que vem por aí.
A caminho de Porto Velho, no início da BR-319, ainda bem perto de Manaus, mas já do outro lado do rio Amazonas
Nestes dois meses passamos pela Amazônia, visitamos a Reserva do Mamirauá, cruzamos a pior BR do Brasil, a BR-319 de Manaus à Porto Velho. Nessa estrada encontramos uma preguiça atravessando a estrada, reencontramos os amigos overlanders do Lost World Expedition, dos Estados Unidos, e conhecemos o pessoal do “Vuelta al mundo em N Días” da Costa Rica, além do encontro com os motociclistas que cruzaram toda a Transamazônica, do Atlântico à Manaus, voltando ao Piauí, Maranhão, Sorocaba e Ceará. Um deles, Verô, conhece até o nosso amigo Joca Oeiras, lá em Oeiras no interiorzão do Piauí! Eita mundo pequeno!
O bicho-preguiça parece nos pedir ajuda para cruzar a estrada, no trecho inicial da BR-319, rodovia que liga Manaus à Porto Velho
Reencontrando o Luis e a Lancy, do Lost World Expedition, e o casal costarriqueno do Vuelta al Mundo en N Dias na BR-319, que liga Manaus à Porto Velho, nos seus trechos iniciais
Os motociclistas que, de uma só vez, fizeram a transamazônica e a BR-319, em Igapó-Açu, já a poucas horas de Manaus, no Amazonas
Chegando à Rondônia fomos muito bem recebidos por um antigo amigo que eu não via há anos, Rodrigo, que foi escoteiro comigo no Grupo Escoteiro Paraná Clube! Bons tempos... Rodrigo e sua esposa Rosana hoje vivem em Porto Velho e garantiram nunca terem recebido visitas curitibanas de carro, muito menos vindo do norte! Rsrs!
Logo depois da cidade de Realidade, a Fiona enfrenta os piores trechos da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
Despedida do Rodrigo e da Rosana, que nos deram um lar em Porto Velho, capital de Rondônia
Deixamos Rondônia rumo ao Acre, visitamos a cidade de Rio Branco e sua gameleira, mas a grande atração foi mesmo a Casa de Chico Mendes na cidade de Xapuri. Lá visitamos a casa, o museu e até a Reserva do Seringal Cachoeira onde aconteceu o maior empate de terras liderado por Chico Mendes! Seu primo nos guiou pela floresta do seringal que hoje recebe turistas de todo o mundo.
A casa de Chico Mendes, em Xapuri, no estado do Acre
O Nilson nos mostra como se extrai o látex de uma seringeira, no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre
Nenhum lugar compete, porém, com o Peru. Um país incrível e preparadíssimo para o turismo, que se deixou colonizar pelos turistas estrangeiros pero sin perder la ternura jamás! A cultura do povo andino, sua gastronomia exótica que vai dos melhor ceviche vindo lá da costa pacífica, aos cuys, porquinhos da índia assados e crocantes, bem acompanhados por um pisco sour.
Delicioso prato típico (quase um ensopado) no restaurante Chicha, em Cusco, no Peru
Porta de igreja em Cusco, no Peru
Reencontro com a Karin e o Coen, os holandeses do Lanncruising Adventure que viajam há mais de dez anos, em Cusco, no Peru
No Perú recebemos a visita de um grande amigo de faculdade, Gustavo é cinegrafista, diretor e editor de vídeos e nos acompanhou no nosso tour pelas ruas da histórica Cusco, o mágico Vale Sagrado e as ruínas incas de Machu Picchu e Choquequirao! Este último em uma aventura de 63 quilômetros de trekking pesado que renderam um super vídeo que você pode assistir aqui.
Com o Gustavo, nas ruínas incas de Machu Picchu, no Peru
Junto com o Jimmy Hendrix, na despedida do Gustavo em um delicioso bar no bairro de San Blas, em Cusco, no Peru
Nos despedimos do Gustavo e partimos para o Lago Titicaca, onde viajamos pela cultura dos Uros e suas ilhas flutuantes de totora, as ilhas de Amantani, Taquiles e é claro, muita cultura e novos amigos!
Fazendo compras e vestida a carater na Ilha San Miguel, uma das mais de cem Islas Flotantes do lago Titicaca, perto de Puno, no Peru
Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru
Chegando à Bolívia continuamos revisitando lugares já vistos por mim em 2005 e por Rodrigo em 1990, porém agora juntos e com novas emoções. Tive o prazer de apresentar ao Rodrigo a Isla del Sol e ele me levou ao topo de uma das montanhas do Conjunto Chacaltaya, na Cordillera Real.
O incrível cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia
Descemos sob neblina e chuva a Carretera de la Muerte e finalmente, depois de muita poeira, chegamos ao famoso estado dos Yungas. Coroico é charmosa e teria muito mais a ser explorada, mas a nossa vontade de continuar rumo ao Brasil era grande e após um dia de descanso colocamos novamente o pé na estrada para mais 800km de muita terra, buraqueira e paisagens incríveis desta região que faz a transição entre os Andes e a Amazônia boliviana. Ufa! Foi um perrengue! Haja paciência para tanta estrada ruim!
Saindo de Xapuri, no estado do Acre, a caminho da fronteira com o Peru
Chegando em La Paz, capital da Bolívia
Saímos da Bolívia por Guayaramirim e de volta à terras brasileiras voltamos à casa do nosso amigo Rodrigo, lá em Porto Velho. Desta vez a passagem foi ainda mais rápida para seguirmos logo ao sul, mais de 1000 quilômetros passando por Vilhena e finalmente chegando ao Mato Grosso.
A Fiona entra na pequena balsa para atravessar o lago Titicaca, entre Copacabana e La Paz, na Bolívia
Nobres e Bom Jardim, Chapada dos Guimarães, Pantanal Norte lá em Porto Jofre e muitas onças pintadas, antas e tuiuiús! A natureza do pantanal norte é realmente incomparável, incrível e absurdamente especial. Nem adiantarei muitos detalhes por aqui, logo contaremos mais nos posts. Visto o norte, cruzamos ao sul, indo novamente até a fronteira com a Bolívia, mas agora no lado das planícies alagadas pelo Rio Paraguai na cidade de Corumbá. Bonito? Sim, bonito, mas a Transpantaneira vale muito mais e se quer ver Bonito no sul vai logo na original! A cidade de Bonito também não era novidade para nós, mas escolhemos os passeios à dedo e nós e nosso primo Chico curtimos muito a natureza exuberante da Serra da Bodoquena. Bem... já estamos pertinho de casa, André Iki nem acreditou quando nos viu em Maringá e nem nós quando passamos por Londrina. O destino é a Patagônia, mas como passar a 350km de casa, depois de 1000 dias e não desviar para ver a família?! Finalmente chegamos à Curitiba, para recarregar as energias e alimentar a alma com tudo aquilo que mais amamos.
1000dias em visita às incríveis ruínas incas de Pisac, no Valle Sagrado, nas proximidades de Cusco, no Peru
A incrível cor da Laguna Verde, no lado chileno do Paso San Francisco, passagem andina entre Argentina e Chile
O San Francisco é um dos pasos mais ao norte na Cordilheira dos Andes, entre a Argentina e o Chile e é também um dos mais altos. Famoso não apenas pela beleza cênica de seus campos de altitude, o Paso San Francisco se fez conhecido entre os montanhistas e aventureiros também por abrigar algumas das montanhas mais altas da cordilheira, dentre elas o Ojos del Salado (6.896m), a segunda montanha mais alta da América.
A magnífica paisagem do lado argentino do Paso San Francisco, na região de Fiambala, a caminho do Chile
Há muito vínhamos namorando este cruze dos Andes, inclusive com uma tentativa frustrada no início do mês de agosto de 2011. O lado chileno do passo estava coberto de neve e totalmente intransitável. Nós conseguimos chegar aos 4 mil metros em Las Grutas, onde está localizada a imigração e a aduana argentinas. Andamos mais 15 km e topamos com neve por todos os lados, uma paisagem branca maravilhosa e a impossibilidade de continuarmos.
A magnífica paisagem do lado argentino do Paso San Francisco, na região de Fiambala, a caminho do Chile
Desta vez foi diferente, chegamos quase dois meses mais tarde e a primavera já derreteu boa parte da neve que caiu neste inverno, um dos mais fortes dos últimos anos nesta região. Saímos cedo de Fiambalá e depois de cruzarmos campos dourados, salares, lagos congelados e hordas de vicuñas selvagens, finalmente estávamos de volta à mesma Gendarmeria de Las Grutas.
Encontrando vicunhas ao longo da estrada que leva ao Paso San Francisco, entre Fiambalá, na Argentina, e Copiapo, no Chile
Encontrando vicunhas ao longo da estrada que leva ao Paso San Francisco, entre Fiambalá, na Argentina, e Copiapo, no Chile
Os oficiais demoraram mais que o normal para a revisão dos documentos e do veículo, pois estavam treinando o novo batalhão que vem substituí-los nos próximos meses. A nós a demora não foi incômoda, pois pudemos aproveitar para trazer à memória como foi aquele dia em que passamos aqui há mais de dois anos. Lá estava o nosso adesivo colado na janela (em meio à tantos outros) para comprovar isso.
Chegando à fronteira entre Argentina e Chile, no Paso San Francisco, a mais de 4.700 metros de altitude
De volta ao Paso San Francisco, entre Argentina e Chile, lá está o adesivo do 1000dias, deixado ali há mais de dois anos!
Passadas as burocracias, o caminho daqui em diante desta vez seria diferente. Uma imensa planície sobre os 4.000 metros, negra e acinzentada do lado chileno. Subimos lentamente até os 4.700m cercados de antigos vulcões e montanhas negras pintadas com neve, escovadas pelo vento forte em contraste com um belo céu azul. Ali, há uns 15 km da fronteira chegamos a um dos pontos altos dessa estrada, a Laguna Verde! Um mar de cor caribenha, temperaturas polares e ondas insistentes, rodeado por dunas de areia, penhascos de pedras multicoloridas em plena Cordilheira dos Andes.
A fantástica paisagem da Laguna Verde, no lado chileno do Paso San Francisco, passagem andina entre Argentina e Chile
Aí mesmo, com essa paisagem de outro mundo nós almoçamos protegidos e aquecidos pela nossa Fiona. Seguimos pela estrada de rípio, longa e incansável entre as curvas, subidas e descidas, blocos de neve talhadas pelas máquinas que, sem dúvida, trabalharam muito para mantê-la assim. O lado chileno sofre mais com as intempéries do clima, a paisagem árida, as pesadas nuvens no céu e a quantidade de neve que encontramos no caminho corroboram com a teoria dos observadores.
Há dois anos, a neve não nos deixou passar desse ponto, no nosso caminho para o Paso San Francisco, entre Argentina e Chile
Estrada de rípio no lado chileno do Paso San Francisco, ligação entre o país e a Argentina
Esperávamos baixar mais rápido, sentíamos a altitude, a pressão na cabeça, repentinas faltas de ar que passavam rapidamente, assim como a fadiga dos poucos metros que arriscávamos andar naquele vento e naquela altitude. Ventos de muitos quilômetros por hora que faziam difícil o simples ato de abrir e fechar a porta do carro. “Sorte dos que estão de carro”, deviam pensar os bravos motociclistas que passaram por nós.
Coordenadas do Paso San Francisco, entre Argentina e Chile, uma das mais belas passagens sobre a cordileira dos Andes
Muitos quilômetros depois, finalmente chegamos à uma placa que nos indicava o principal motivo de estarmos aqui, o vulcão Ojos del Salado. Há muito tempo o Rodrigo vem namorando essa montanha, um sonho que um dia ainda irá realizar. Chegamos a imaginar que conseguiríamos subi-la neste regresso ao Paso San Francisco, mas o timing não bateu, a temporada abre apenas em janeiro e fevereiro, quando o clima é mais propício para a ascensão.
Chegando perto da segunda maior montanha das Américas, na fronteira entre Chile e Argentina
Ao longe vimos o imponente vulcão, a segunda maior montanha da América e o vulcão ativo mais alto do mundo! Passamos pelo Refúgio Claudio Lucero a 4.530m, andamos por sua sala e vimos os restos de comida e suprimentos deixados pelos montanhistas que passaram por ali. A mesma casa hoje quase fantasma que assoviava com o vento inclemente, recebe todos os anos dezenas de montanhistas com o único objetivo de chegar ao cume do Ojos del Salado.
Um dos refúgios de apoio aos alpimistas que tentam subir o Ojos del Salado (ao fundo, na foto), na região do Paso san Francisco, entre Chile e Argentina
Nossa primeira visão do majestoso Ojos del Salado, a segunda maior montanha das Américas, na fronteira entre Chile e Argentina, região do Paso San Francisco
Um dos refúgios de apoio aos alpimistas que tentam subir o Ojos del Salado, na região do Paso san Francisco, entre Chile e Argentina
Seguindo os rastros antigos e ainda mais desgastados vamos em sua direção, como em um intento de nos sentirmos mais próximos, mais íntimos, tentando refazer os passos do Guto e do Haroldo, cunhado e primo que há alguns anos estiveram lá em cima. São 20km até o Atacama, último refúgio antes do ataque ao cume, mas o Rio Salado estava congelado e a neve travava o nosso caminho. As nuvens sobre o Ojos trovejavam e relampejavam como se quisessem nos avisar, não... esta não é a hora. Voltamos e chegamos a pensar em dormir ali no refúgio, mas o frio e a altitude me assustavam, dormir a esta altitude sem estarmos aclimatados seria muito arriscado, então seguimos adiante mais 30, 50km, não sei... perdemos a noção. A esta altura só queríamos encontrar algum lugar para nos abrigar e de preferência abaixo dos 4.000m de altitude.
Trilha de aproxima~]ao do Ojos del Salado, na fronteira entre Argentina e Chile
Chegamos à Gendarmeria chilena com grandes esperanças que encontraríamos um refúgio, como existe do lado argentino. Os escritórios todos estavam abertos, mas desertos, ninguém na imigração, ninguém na aduana e depois de muito procurar Rodrigo encontrou um simpático carabinero (policial) que nos ofereceu um quarto dentro do edifício da imigração. Perfeito! Melhor impossível, o plano era dormirmos em uma barraca, com grandes chances de pegarmos -15, -18°C e muito vento! Enquanto carimbávamos os passaportes, Juan Carlos, o funcionário responsável pela organização do local, nos conseguiu colchões, aquecedor, chaleira elétrica para um chá, leite, chocolate em pó, bananas e quilos de cobertores. Era um quarto 5 estrelas! Mais engraçado ainda era sair dali e dar de cara com uma máquina de raio X da aduana e toda a infra da imigração.
Confortavelmente instalado no prédio da aduana chilena, no Paso San Francisco, a caminho de Copiapo
Nosso delicioso jantar no prédio da aduana chilena, no Paso San Francisco, a caminho de Copiapo
Bem abrigados ainda cozinhamos um macarrão delicioso, acompanhados de um bom vinho argentino. Copiapó estava a 180 km dali, mas as nossas aventuras pelo altiplano chileno ainda não haviam terminado.
Passando pela imigração argentina, a caminho da fronteira com o Chile, no Paso San Francisco
Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Chicago é a principal cidade americana na região dos Grandes Lagos. Os lagos interliga o Rio St. Lawrence desde a costa do Atlântico Norte, ao Rio Mississipi, que despeja suas águas no Golfo do México. Os primeiros europeus a utilizarem esta rota foram exploradores franceses guiados por indígenas que conheciam os lagos como a palma de sua mão. Inclusive acredita-se que seu nome tenha origem na palavra Ojibwa “mishigami”, que significa “grandes águas”. Pudera! Eles se referiam a um dos maiores lagos do mundo e nem precisavam de GPS para saber disso.
Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
A temperatura do lago que chega a proibitivos 13°C durante o inverno, no verão gira em torno dos 27°C, transformando o gélido Lake Michigan em um sonho de uma tarde de verão. Sua costa repleta de praias, dunas, marinas e parques é um convite para conhecer o lado quente do norte dos Estados Unidos.
Lago Michigan e salvavida em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Nossa primeira parada foi na North Avenue Beach. As águas do lago estavam esverdeadas e mais quentes do que os mares cariocas. Até uma barraquinha das Hawaianas encontramos lá, o dono aposta no look fashion, moderno e divertido dos modelos personalizados de sandálias pelo segundo verão.
As havaianas chegaram até Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Praia lotada, vendedores ambulantes de sorvete e meninas trabalhando duro para ganhar um bronzeado natural, exibindo seus biquínis nos mais diversos modelitos. Vimos inclusive o biquinão retrô, no melhor estilo anos 80 que está fazendo a cabeça (e o bumbum) de muitas famosas. Eu com o biquíni brasileiro me sinto meio peixe fora d´água, quem sabe encontro um modelo que combine comigo?
Curtindo praia no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Praia de lago também tem vendedor de sorvete, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Caminhamos pela ciclovia a caminho da Oak Street Beach e cruzamos uma estranhíssima área de concreto na beira do lago, construída pra conter a erosão das margens. Era difícil acreditar que alguém escolheria ficar ali, mas logo entendemos. Nesta área é permitido saltar, pular e nadar sem medo de ser feliz! Nas praias cheias de regras não podemos ir longe, ficamos a pouco mais de um metro de profundidade com um salva-vidas de olho! Nos unimos aos vários banhistas, colocamos a canga no concreto quente e nos jogamos novamente no Lago Michigan! E pensar que ali, à nossa frente, estavam 21% da reserva de água doce do mundo!
Caminhando pela orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...
O clima de verão ficou ainda melhor no final da tarde, quando o pessoal saiu dos escritórios e fez o calçadão da Oak Street Beach nos lembrar a orla de Ipanema. Sol quente, voleizinho de praia, ciclistas, homens e mulheres sarados dando uma corridinha na beira da praia, enquanto famílias passeiam com seus cachorros. Sinceramente, esta não era a Chicago que eu imaginava... E querem saber? Adoro ser surpreendida!
Um pulo para o Lake Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Um dia de praia e muita água e só poderíamos estar morrendo de fome! Caminhamos algumas quadras pela Magnificent Mile da Michigan Avenue, que é a 5º Avenida de Chicago. Lá está o metro quadrado mais caro da cidade e as lojas das principais marcas da moda mundial. No John Hancock Center fizemos a nossa estreia na Cheesecake Factory! Adorei o cardápio light da rede, principalmente porque depois atacamos o tradicional cheesecake com morangos! É mesmo de babar...
John Hancock Tower, terceiro prédio mais alto de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
O plano para o fim de tarde era o mais despretensioso possível. Um drink com uma vista privilegiada do lago e dos arranha-céus de Chicago.
Vista da cidade do alto da John Hancock Tower, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
A Willis Tower é a mais famosa vista, pois estamos falando do edifício mais alto dos Estados Unidos, com 443m de altura. Se você se lembra dele com outro nome, não está enganado, a Sears Tower mudou de nome. A empresa de seguros Willis Group Holdings, comprou o direito de uso do nome do prédio em 2009, coisas de marqueteiros.
As luzes da cidade se acendem, vistas do alto da John Hancock Tower, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
A dica, porém, é escapar do óbvio, se aproximar do lago e ter uma vista ainda mais inesquecível da cidade do alto do John Hancock Center. Você pode pagar 15 dólares para ir ao observatório, ou os mesmos 15 dólares em um whisky 12 anos na The Signature Room e ter a mesma vista fantástica, muito melhor acompanhado. No último mês o bar e restaurante no 95° andar recebeu visitantes ilustres como John Travolta e a cantora pop Lady Gaga. O clima lounge faz deste o ambiente perfeito para um fim de tarde na metrópole de Al Capone.
A idade iluminada, vista do alto da John Hancock Tower, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos
Pátio em frente à igreja de Anchieta - ES
Estamos acompanhando de perto a corrida eleitoral, todas as notícias, dia a dia dos presidenciáveis, discursos, debates e escândalos. Lembro que logo que completei 16 anos a primeira coisa que quis fazer foi ir até o TRE tirar o meu título de eleitor. Votar sempre fez parte da minha noção de exercício de cidadania. Na escola em que eu estudava, adorava quando faziam simulações de eleições e plebiscitos, como em 1993, quando houve o plebiscito sobre a forma e o sistema de governo no Brasil, eu votei para o parlamentarismo! Em 1989 na eleição que elegeu o Collor, eu fazia campanha contra o Collor entre os meus amigos, mas não a favor do Lula... ali estava difícil achar em quem votar. Participar das decisões do país pelo menos faz eu me sentir no direito de reclamar e me indignar com as coisas que acontecem. Enfim, por que tudo isso no post de hoje? Confesso que fiquei meio cabisbaixa por hoje não poder participar desta decisão, ainda mais com um segundo turno tão apertado. Pesquisamos o voto em trânsito, mas tínhamos que, 1 mês antes, definir qual seria a capital onde iríamos votar. Aí ficou difícil, como o nosso cronograma varia de acordo com as previsões de tempo não tínhamos como prever exatamente onde estaríamos ou até fazer um “pequeno” detour para votar. Vamos combinar que não deveria ser complicado um sistema eletrônico receber votos por seção em qualquer lugar do país. Mas o sistema ainda não está tão evoluído para acompanhar o ritmo dos 1000dias. Fomos à Escola Tom e Jerry em Iriri para justificar o voto.
Justificando o voto na eleição 1o turno, em Iriri - ES
Uma pena, mais tarde acompanhando a apuração das urnas eu sempre me sentia ali um nada dentro daquelas abstenções tão importantes para virar o jogo! Foram 24.607.504 de abstenções, mais de 18% dos eleitores brasileiros que justificaram ou simplesmente não compareceram às urnas. Qual será o percentual destas abstenções que justificaram? O percentual de justificativas vem apenas crescendo e preocupa o TSE, pois vem crescendo gradativamente a cada eleição. Hoje com a tecnologia que temos este cenário pode e deve mudar, só falta saber quando!
A famosa muqueca do Curuca, em Meaípe - ES
Enfim, sem poder exercer os meus direitos e deveres civis, fomos afogar as mágoas em uma moqueca de peixe no Curuca, em Meaípe. Antes disso passamos pelo Santuário Anchieta, onde nasceu e morreu o famoso Padre Anchieta, um dos fundadores da cidade de São Paulo. Pedi perdão pela minha abstenção e para que ajudasse o Brasil a conseguir um segundo turno. Dali, seguimos para Ubú, praia tranqüila e muito bonita que fica no caminho de Meaípe.
Praia deserta, em Ubu - ES
Afogadas as mágoas, sem nem poder tomar uma caipirinha para esquecer, (droga de lei seca) nós pegamos estrada para o interior do estado. Esta noite dormimos em Ibitirama, portal de entrada para o Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça e um dos acessos ao Pico da Bandeira, nosso próximo desafio.
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![Trilha de aproxima~]ao do Ojos del Salado, na fronteira entre Argentina e Chile Trilha de aproxima~]ao do Ojos del Salado, na fronteira entre Argentina e Chile](../../fototmp/574-trilha-de-aproximaao-do-ojos-del-salado,-na-fronteira-entre-argentina-e-chile-nikon (87657).jpg)
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