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Blog da Ana - 1000 dias

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Vídeo: Rota BR-174!

Brasil, Amazonas, Manaus

Maravilhoso pôr-do-sol nos alagados entre Roraima e Amazonas

Maravilhoso pôr-do-sol nos alagados entre Roraima e Amazonas



Rota BR-174 de BoaVista à Manaus - esta estrada é longa e cheia de histórias. São mais de 600km entre as cidades de Boa Vista à Manaus, passando pela Reserva Indígena Waimiri Atroari e a cidade de Presidente Figueiredo, até chegar ao Amazonas. Confira um pouco desta história!

Brasil, Amazonas, Manaus, BR 174, Estrada, ópera, Road Trip, Teatro Amazonas

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Tia (boneteira) desnaturada!

Brasil, São Paulo, Ilha Bela

Se refrescando na cachoeira da Laje na volta do Bonete em Ilha Bela - SP

Se refrescando na cachoeira da Laje na volta do Bonete em Ilha Bela - SP


De hoje não passa! Temos que voltar, até por que amanhã cedo vamos para Curitiba, a Luiza está chegando. Acordamos bem cedinho, demos uma caminhada na praia, eu alonguei enquanto o Ro corria e aqueeeele mergulho bem gelado para acordar! Que dia saudável! Café da manhã gostoso e super natural e vestimos nosso uniforme de trilha, afinal temos 12km pela frente!

Com o André na Pousada Canto Bravo na Praia do Bonete em Ilha Bela - SP

Com o André na Pousada Canto Bravo na Praia do Bonete em Ilha Bela - SP


Na trilha de volta logo começamos a ver o movimento. Três amigos estavam chegando cedinho ao Bonete, devem ter começado a caminhar as 6h30am, pois nos cruzamos no nosso início da trilha. De 5 em 5 minutos encontrávamos casais ou amigos amalucados carregando suas mochilas, barracas ou apenas água para a trilha. A pergunta mais comum era, “Vocês estão vindo do Bonete? Quanto tempo falta?”. Seguimos, passamos direto pelo Rio Areado e continuamos com o objetivo de parar apenas na Cachoeira da Lage, tomar um banho gostoso e seguir caminhada.

Caminhando pela Praia do Bonete em Ilha Bela - SP

Caminhando pela Praia do Bonete em Ilha Bela - SP


Ali encontramos um grupo muito bacana! Um tio com seus vários sobrinhos e 2 filhos que estavam fazendo o programa de passar o dia na trilha e tomando um banho de cachoeira. As crianças estavam empolgadíssimas e na volta 3 delas dispararam na frente. Imagina se o Ro ia deixar elas ultrapassarem ele? Nunca! Flávia, logo olhou para ele e perguntou se ele era atleta, por estar acompanhando o ritmo dela. Bem, eu até tentei no começo, mas eles me passaram correndo e num pique, que eu nem pude me culpar.

Caminhando pela Mata Atlântica voltando do Bonete em Ilha Bela - SP

Caminhando pela Mata Atlântica voltando do Bonete em Ilha Bela - SP


Resolvi andar no meu ritmo acelerado, mas não enlouquecido como o deles. Caminhar sozinha numa trilha dessas as vezes é gostoso, mas hoje me deu uma sensação de que o tempo não passava! Quando cheguei o Ro falou que fiquei uns 5 minutos atrás deles apenas... mas para mim parecia uma eternidade! Nem pude achar ruim que ele me abandonou na trilha, pois além de estar cuidando das crianças que deram “um perdido” no tio, eu conheço o meu marido! Uma criança de 40 anos e que não gosta de perder nunca! Muito menos para uma menina de 10 anos, né Flávia!?

Final da trilha, voltando do Bonete, em Ilha Bela - SP. O grupo voltou conosco desde a cachoeira do Lajeado

Final da trilha, voltando do Bonete, em Ilha Bela - SP. O grupo voltou conosco desde a cachoeira do Lajeado


Conversamos, tiramos fotos e nos inteiramos das notícias do Bruno com o Seu Zé no estacionamento. As crianças adoraram a nossa história e nos bombardearam de perguntas! Cada um tinha a sua especialidade, matemática, geografia, línguas e esportes. Foi um sufoco conseguir responder a todas elas! Mas adorei os nossos novos amigos, espero que nos encontrem logo no Facebook, MSN e Orkut!

No caminho de volta para o norte da ilha, almoçamos no All Mirante, restaurante indicado pela nossa amiga, madrinha e fiel leitora Paulinha! Além de ser gostoso tem uma super vista panorâmica!

Celebrando a Trilha do Bonete no restaurante All Mirante, em Ilha Bela - SP

Celebrando a Trilha do Bonete no restaurante All Mirante, em Ilha Bela - SP


Minutos depois, já na estrada para o norte, passando por Perequê o celular finalmente deu sinal de vida e de repente comecei recebi o recado: 9 ligações da minha mãe! Pensei “Caraca, Nasceu a Luiza!”, comecei a tentar ligar para eles e nada! Ninguém atendia! Eu tinha certeza que era isso, comecei a chorar na mesma hora. Um misto de alegria e tristeza que eu nunca tinha sentido, eu chorava copiosamente emocionada por que sabia que ela tinha nascido e triste por não estar lá, no hospital! De repente chega uma mensagem do Dudu, pai coruja, com a foto da Luiza, LINDAAAAAAAAAAA! Aí eu chorei mais ainda! O Ro ficou até preocupado “você só pode estar chorando de alegria, né linda?”, ele perguntou. Sim, eu estava alegre, muito alegre, mas eu queria tanto estar lá ao lado deles! Ver a Luiza dentro da maternidade, aquele vidro onde ficam todos os bebês... ver a cara do Dudu de assustado e da Dani de cansada e MÃE.

Trocando a frauda da Luiza, que não gosta nada dessa função! (Curitiba - PR)

Trocando a frauda da Luiza, que não gosta nada dessa função! (Curitiba - PR)


Eu havia ligado para ela na noite anterior à trilha do Bonete e ela disse que achava que seria mesmo no final de semana, estava super tranqüila. Que nada! Enquanto estávamos caminhando pela trilha ainda a caminho do Bonete, a Luiza nasceu. No dia 07/07/2010, às 13h50, com 50cm e 3,450kg e não tinha cara de joelho! Não é demais essa minha sobrinha? Foi muito bem feita pelos pais mesmo... tudo o que eu queria era tomar uma pílula e voltar no tempo para estar lá...

Bem, não existe pílula nenhuma... Então começamos a arrumar as coisas para sair cedo amanhã e no final da tarde recebemos um belo convite do nosso anfitrião em Ilha Bela para comer uma deliciosa moqueca de peixe na casa de seus amigos. Lá fomos nós! Conhecemos o Fernando, Robert, Ricardo, Cris e filhos. O Dudu e o Ique estão treinando com Fernando e Ricardo para uma competição de vela que vai começar no próximo sábado, dia 17/07. A semana mais agitada de Ilha Bela, a Capital de Vela. Eu não entendo nada do mundo náutico, li alguns livros, mas sou só mais uma curiosa insaciável! Por falar em insaciável, foi difícil parar de comer a deliciosa moqueca e pirão de peixe e aquela pimentinha especial! De sobremesa para arrematar uma torta de abacaxi com coco que eu nunca havia provado igual.

Vista da casa do Dudu e Celina em Ilha Bela - SP

Vista da casa do Dudu e Celina em Ilha Bela - SP


Mais uma vez fechamos em alto estilo a nossa estadia em um lugar tão especial quanto este. Casa e anfitriões espetaculares, trilha maravilhosa, novos ótimos amigos e assim a Ilha Bela ficará na nossa lembrança, com o gostinho de quero mais.

Brasil, São Paulo, Ilha Bela, Praia, trilha

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Diz aí se você gostou, diz!

A Magia dos Mayas

Guatemala, Semuc Champey

Entrada da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

Entrada da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala


O jovem Jairo nos recebeu na pousada El Zapote, super curioso sobre a viagem. Para a nossa surpresa, foi a primeira pessoa que não apenas reconheceu “Curitiba”, quando falamos de onde vínhamos, como falou de todo o seu conhecimento sobre a cidade. Cidade modelo, ambientalmente correta, ele sabia até das estações tubo! Fiquei passada!

Parada para lanche na simpática pousada El Zapote, próxima à Semuc Champey, na Guatemala

Parada para lanche na simpática pousada El Zapote, próxima à Semuc Champey, na Guatemala


Sua família é toda dessa região, aqui seu pai nasceu, foi criado e vive até hoje, criando gado. Ele cresceu falando prioritariamente a linguagem maya, embora na sua época a escola ensinasse apenas o espanhol. A empatia foi tão boa que ele nos pediu uma carona para Lanquín e decidiu nos acompanhar no tour pela gruta. No caminho ele foi nos contando as histórias de seus antepassados.

Pausa para cervejinha na Pousada El Zapote, próxima à Semuc Champey, na Guatemala

Pausa para cervejinha na Pousada El Zapote, próxima à Semuc Champey, na Guatemala


É curioso o imaginário do antigo povo maya, que segundo ele ainda pode ser encontrado nas montanhas. Eles curam, fazem as pedras flutuares para a construção de suas casas, se transformam em tigres para caçar e viajam em uma velocidade absurda sem cansar! Como conta a história dos dois campesinos que começavam a viagem de 3 dias de caminhada com uma carga pesada. No caminho, ajudaram uma senhora maya, que em sinal de agradecimento lhes disse para seguirem seus passos, pisando em suas pegadas. Os dois chegaram ao destino em apenas um dia e sem sentir o peso que levavam! O que diferencia os povos indígenas dos “verdadeiros mayas” é que eles foram batizados e por isso teriam perdido os seus poderes. Hoje a valorização da identidade indígena parece ter retornado, as escolas são bilíngües e o muitas mães já não batizam os seus filhos nas igrejas, preferem levá-los às montanhas para que os mayas o batizem na sua crença.

Caminhando com o Jairo na Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

Caminhando com o Jairo na Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala


Visitamos a caverna no final do dia, com milhares de formações e espeleotemas magníficos! Alguns já foram batizados, outros, basta deixar a sua imaginação te levar. Segundo Jairo a gruta possui quilômetros e quilômetros e ainda não foi encontrado o seu fim.

Formações na Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

Formações na Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala


A caverna tem os seus primeiros 400m iluminados e com uma trilha bem marcada. As pedras são escorregadias, mas até corrimãos foram colocados para facilitar o acesso. O melhor horário para fazer este passeio é no final da tarde, começando até as 17h, o recorrido leva uma hora e as luzes são apagadas às 18h.

Impressionados com a amplitude e formações dos salões da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

Impressionados com a amplitude e formações dos salões da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala


Quando pensamos que o show acabou, é na verdade quando começa um novo espetáculo: sem luz, milhões de morcegos deixam a caverna para se alimentar. São todos frutívoros, completamente silenciosos e possuem um mega radar! Nós ficamos na entrada da caverna, com as luzes apagadas para não intimidá-los e eles passam bem próximos a nós sem resvalar uma asinha!

Posando na escuridão entre centenas de morcegos que saem da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala, para se alimentar durante a noite

Posando na escuridão entre centenas de morcegos que saem da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala, para se alimentar durante a noite


Dia repleto de aprendizados, lugares mágicos, habitados por um povo maravilhoso, que não perdeu seu encanto ou sua magia, apenas a guardou para aqueles que aqui chegam com seus olhos atentos e seu coração aberto.

A gigantesca Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

A gigantesca Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

Guatemala, Semuc Champey, Caverna, espeleologia, Gruta de Lanquín, Lanquin, Maia, maya

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St Barths, yes we can!

Saint Martin, Marigot, Saint Barth, Gustavia, Anse du Gouverneur, Grande Saline

Chegando à pequena praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe

Chegando à pequena praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe


St Barth é provavelmente um dos mais glamorosos lugares do jet-set internacional. Uma das ilhas preferidas das celebridades holliwodianas, este pedacinho da França no Caribe reúne tudo o que há de mais luxuoso e caro nas West Indies.

Chegando à praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe

Chegando à praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe


Sua geografia e sua história nos ajudam a entender por que. Uma ilha vulcânica com apenas 21km2 formada por um relevo montanhoso, vegetação seca, como cactos e outras plantas rasteiras e não possui fonte natural de água doce. Desta forma nenhuma plantação poderia ter sucesso. As tentativas de colonização iniciaram em 1648, os primeiros franceses logo foram massacrados pelos índios Caribs, alguns anos mais tarde franceses huguenotes se estabeleceram na região com uma atividade que não dependeria dos recursos naturais: tornaram-se um ponto de apoio aos piratas franceses que agiam na região pilhando os Galeões Espanhóis.

Marca da colonização sueca de St. Bath

Marca da colonização sueca de St. Bath


No final do século XVIII os suecos passaram a ser donos de St Bartholomeu, após uma negociação entre o Rei Luis XVI e o Rei Gustaf III. Isso explica o nome da capital, Gustavia e algumas outras marcas deixadas pelos quase 100 anos de ocupação nórdica. Mais tarde a ilha foi vendida novamente para os franceses. Em meados do século XIX, quando a escravidão foi abolida, a maioria dos habitantes africanos se mudou para outras ilhas em busca de trabalho, tornando St. Barth uma das únicas ilhas no Caribe quase sem negros na composição populacional.

O farol de Gustavia, capital de St. Barth - Caribe

O farol de Gustavia, capital de St. Barth - Caribe


Foi só no início da década de 50 que começaram a chegar os primeiros turistas e alguns habitantes mais espertos trataram de fixar algumas leis que protegesse o seu paraíso de grandes cadeias de hotéis e cassinos. Ainda assim o turismo se tornou o maior e melhor negócio nesta pequena ilha, justamente por ser exclusiva (principalmente nos preços) e por oferecer pequenos paraísos muito bem preservados.

Maravilhosa praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe

Maravilhosa praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe


Nós fomos para lá de ferry boat, que parte de St. Martin por preços mais amigos que os vôos, mas vale checar as tarifas aéreas na baixa temporada, principalmente se você sofre em dias de mar mais agitado. Vento contra e sem remédio para enjôo, minha ida foi sofrida. No ferry conhecemos Koy, um brasileiro de Floripa que mora em St Martin desde 1985, quando veio em busca de novas ondas e começou a trabalhar em uma embarcação. Ele estava guiando um grupo de 10 brasileiros para conhecer a ilha e nos deu boas dicas, algumas que seguem abaixo.

Nosso hotel em Gustava, capital de St. Bath - Caribe

Nosso hotel em Gustava, capital de St. Bath - Caribe


Uma vez em St Barth o primeiro que se deve fazer é alugar um carro. O ferry estava com uma promoção, tarifa de 30 euros/dia, se já alugássemos junto com a passagem. Ainda conseguimos negociar o segundo dia por 25 quando chegamos lá. Na hospedagem arriscamos e conseguimos pegar o último quarto no Sunset Hotel, um dos mais baratos da ilha (103 euros s/ café da manhã + impostos). Bem localizado, fica logo em frente à estação do ferry, com uma vista linda para a marina.

A marina de Gustavia, vista do nosso hotel (St. Barth - Caribe)

A marina de Gustavia, vista do nosso hotel (St. Barth - Caribe)


Carro alugado, demos a volta no litoral sul do pequeno país. Vistas espetaculares das estradas tortuosas, cada enseada um azul. Fomos à Anse de Grande Saline, uma enseada belíssima, hoje com bastante vento e, portanto com muitas ondas. Esta é a praia preferida dos naturalistas, que ficam totalmente à vontade no canto esquerdo da praia. Não se espante se vir um peladão andando na sua frente, ou tantas mulheres de top less, ao final do dia você é que estará se sentindo um ET. Como é uma área de preservação existem algumas lanchonetes e restaurantes na estrada, mas não na praia. No calor e sol caribenhos, uma água na mochila é item obrigatório.

Nosso cafofo na praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe

Nosso cafofo na praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe


Pouco depois mudamos para a Gouverneur Beach, outra praia tranquila. Achei que ia ser mais difícil encontrar nudistas aqui, mas eles também existem. O mais engraçado foi uma família que estava fazendo um book fotográfico, pai, mãe e três filhas posando para um fotógrafo, todos vestidos de branco, há 10 passos do peladão.

'Tomando sombra' na praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe

"Tomando sombra" na praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe


Aproveitamos o pôr-do-sol no Do Brazil, bar de preços astronômicos na Shell Beach. Eu ia pedir uma caipirinha, para matar as saudades, mas custaria algo em torno de 30 reais, então acabamos ficando com a boa e velha taça de vinho francês, a módicos 6 euros. Alguns iates estavam ancorados em frente à praia, iates de aproximadamente 50 milhões de dólares. Impossível não perder alguns minutos tentando imaginar como é a vida desses milionários que freqüentam St. Barth.

Belo fim de tarde na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe

Belo fim de tarde na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe


O almoço do grupo de um iate destes deve ter custado pelo menos 1500 euros no mesmo bar. Ok, isso não é nada perto do Abramovitch, bilionário russo que está ancorado aqui com seu iate de 1 bilhão e 200 milhões de dólares. Pouco excêntrico, o seu iate possui submarino, sistema antimísseis, anti-paparazzis, heliporto e tudo o que você conseguir imaginar dentro.

No bar 'Do Brazil' na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe

No bar "Do Brazil" na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe


Chega de “sofrer” pensando nos milhões alheios, resolvemos pegar nosso rumo e ver um finalzinho do pôr-do-sol no Fort Gustave. Da construção em si não sobrou muita coisa, dois canhões e um farol, mas de lá temos uma vista privilegiada da cidade de Gustavia e desta imensidão azul, dourada no fim de tarde.

Vista de Gustavia, capital de St. Barth - Caribe

Vista de Gustavia, capital de St. Barth - Caribe


A noite não podíamos deixar de conhecer o tradicional Le Select Bar. Com mais de 60 anos de história, o Le Select faz parte da vida e da tradição de muitos marinheiros e velejadores do Caribe. Seu fundador, Marius já recebeu inclusive a família real sueca como embaixador honorário da Suécia aqui. Um clima de bar de marinheiros, bandeiras e adesivos de todos os cantos do mundo trazidos por seus freqüentadores, é também um dos lugares mais baratos para um lanche e uma cervejinha a noite. Imagina se eu não ia colocar um adesivo do 1000dias ali?

O adesivo dos 1000dias no famoso  bar Le Select, em Gustava, St. Bath - Caribe

O adesivo dos 1000dias no famoso bar Le Select, em Gustava, St. Bath - Caribe


Pra variar o Ro estava caindo de sono e eu mega agitada, querendo ver a balada de St Barth. Tudo bem que temos que nos policiar com os preços, mas olhar não custa nada! RS! Rodamos a marina e chegamos ao outro lado do U, onde eu via luzes piscando, sinal de pista de dança! Chegando lá, era uma festa particular. (Fooom! Que mais eu podia esperar?! rsrs!). Logo ao lado outro bar com clima bacana, DJ muito bom e finalmente onde encontramos a pequena parte da população negra que ainda restou no país! =) Um deles é Laurent, natural de St Barth, que trabalhou para o embaixador da Angola em Paris. Adorou treinar seu português (de “Portgal”) com os dois brazucas aqui.

Magnífico pôr-do-sol em St. Barth - Caribe

Magnífico pôr-do-sol em St. Barth - Caribe


Moral da história: existem preços proibitivos sim, inclusive são eles que fazem deste lugar ainda mais um paraíso. Mas temos que lembrar que nem todo mundo que vive aqui é bilionário, então se eles conseguem viver aqui, nós também conseguimos! Pelo menos por uns dois ou três dias!

Por que será que a Shell Beach em Gustavia, tem esse nome? (St. Barth - Caribe)

Por que será que a Shell Beach em Gustavia, tem esse nome? (St. Barth - Caribe)

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1º dia - Llamacorral

Peru, Huaraz

Área do primeiro acampamento, já se aproximando da neve, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Área do primeiro acampamento, já se aproximando da neve, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


No primeiro dia de caminhada saímos do vilarejo de Cashapampa em direção ao Acampamento em Llamacorral. É um dia mais puxado de caminhada, pois subimos dos 2.900m aos 3.800m nos primeiros quilômetros. Acompanhamos um rio límpido, sempre com muito verde nos arredores.

Início do trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Início do trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Confesso que eu achava que por estar adentrando a Cordillera Blanca, terímos mais pedras, muita neve e pouco verde. Estava completamente enganada, estes vales possuem um micro-clima, perfeito para produção de hortaliças e grãos. Quase todo o vale é plantado e não foi à toa que depois de viajar meio mundo, Oscar escolheu viver aqui. engenheiro agrônomo, comprou uma terrinha e trabalha com plantio de alcachofra e outras culturas e quando sente falta de viajar e encontrar outras culturas, faz uns bicos como guia e encontra pessoas do mundo inteiro que vem conhecer a sua terra. Sensacional!

Muita água no 1o dia do trekking de Santa Cruz, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Muita água no 1o dia do trekking de Santa Cruz, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Durante a caminhada já não conseguimos quase ver o Nevado Santa Cruz (6.250m) que fica no início da quebrada. Subimos e aos poucos a inclinação vai diminuindo e vamos chegando à parte plana do vale, onde podemos avistar ao fundo o Pico Quitaraju, com 6.036m.

Região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


A segunda parte da caminhada é toda plana, seguindo o leito do rio e muitos currais de pedra, muitos construídos ainda na época dos incas. Chegamos em torno das 16h no acampamento e Tibúrcio já havia preparado um chá e pipocas para nos recepcionar. Ainda aproveitando a luz do dia, eu, Rodrigo e Jacob, o austríaco, fomos aos nossos vizinhos tomar uma cervejinha. Este é o único acampamento que possui uma venda à disposição. Júlia e sua família vivem ali, há 13km em trilha da primeira casinha em Cashapampa... por que será que resolveram morar lá, tão isolados!? Não sei como depois de tanto ver isso nessa viagem eu ainda me espanto!

Cervejinha no final da tarde com o austíaco Jacob, área do acampamento do 1o dia no trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Cervejinha no final da tarde com o austíaco Jacob, área do acampamento do 1o dia no trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Nossos novos amigos europeus também são ótimos! Elisa, de Luxemburgo, veio fazer um estágio de um mês em um hospital em Lima e aproveitou para conhecer e viajar um pouco antes de voltar para casa. Jacob acabou de se formar em geografia e tirou 3 meses de férias antes de começar a trabalhar.

Conversa no nosso acampamento (com a Elise, de Luxemburgo, e Jacob, da Áustria) na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Conversa no nosso acampamento (com a Elise, de Luxemburgo, e Jacob, da Áustria) na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Ele é casado com uma Nicaraguense e nos deu boas dicas sobre a América Central. Vânia, húngara e Andreas, alemão, estão casados há 2 meses e saíram para uma lua de mel prolongada em 6 meses sabáticos de viagem pela América Espanhola. Trabalham em uma empresa de transportes e logística e quando voltarem à Alemanha terão seus empregos garantidos. Imaginem se um grupo desses não tinha muito para conversar e contar durante o jantar! Tibúrcio nos preparou uma sopa de verduras como entrada e trutas com batatas e arroz como prato principal. Não sei como pudemos pensar em vir sozinhos para esse trekking!

Hora do lanche na nossa barraca-restaurante na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Hora do lanche na nossa barraca-restaurante na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Peru, Huaraz, Cashapampa, Llamacorral, Trekking, Trekking Santa Cruz

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Ubatuba do norte

Brasil, São Paulo, Ubatuba

Se divertindo com as conchas na Praia Brava da Almada em Ubatuba - SP

Se divertindo com as conchas na Praia Brava da Almada em Ubatuba - SP


Um dia de sol e céu azul, perfeito para explorar novas praias do litoral norte de Ubatuba! Saímos logo cedo com o plano de passar por pelo menos 5 praias, Itamambuca, Prumirim, Puruba, Almada e a Brava da Almada. Praias muito bem indicadas pelo 4 Rodas e que o Ro, em anos de veraneio por aqui, ainda não conhecia.

Dia ensolarado na Praia da Almada em Ubatuba - SP

Dia ensolarado na Praia da Almada em Ubatuba - SP


Fomos logo para a praia mais distante, Almada, uma praia de águas tranqüilas e com uma infra-estrutura completa para receber milhares de turistas na temporada e feriados. Barzinhos especializados em caipirinhas e restaurantes oferecem petiscos e peixe na telha ali, na beira da praia. A apenas meia hora de caminhada fica a sua irmã mais selvagem, a Brava da Almada. Praia de surfistas tem uma bela vista para a Ilha dos Porcos. Eu estava meio com preguiça de ficar rodando de praia em praia, parar em um lugar as vezes também é bom, né? Então o Ro se rendeu e preferiu ficar ali, na Almada mesmo durante quase todo o dia.

Feliz da vida na Praia Brava da Almada em Ubatuba - SP

Feliz da vida na Praia Brava da Almada em Ubatuba - SP


De lá fizemos um lanchinho rápido em um bar com uma vista fenomenal para a praia do Estaleiro e fomos em direção ao sul bisbilhotando as outras praias que deixamos de aproveitar.

Final de tarde visto sob a lente do óculos na estrada da Almada em Ubatuba - SP

Final de tarde visto sob a lente do óculos na estrada da Almada em Ubatuba - SP


Vou dizer que é quase uma tortura... uma praia mais linda que a outra! A praia do Puruba fica logo após o encontro de dois rios, que você pode atravessar com um canoeiro pago ou de graça pelo serviço de barco da prefeitura. Lembrou um pouco a praia da Guarda do Embaú e a música “Lugar melhor pra um vagabuuundo, que um rio à beira mar! Odoiá odofiaba, salve minha mãe Iemanjá!” rsrs.

Praia de Puruba em Ubatuba - SP. Para se chegar ao mar é preciso atravessar um rio

Praia de Puruba em Ubatuba - SP. Para se chegar ao mar é preciso atravessar um rio


Mais adiante entramos no condomínio que guarda a Praia do Prumirim. Praia de tombo com uma lagoa linda e um barzinho em cima das pedras, pena que já estava fechado.

Bar sobre uma rocha, entre o rio e o mar na Praia de Prumirim em Ubatuba - SP

Bar sobre uma rocha, entre o rio e o mar na Praia de Prumirim em Ubatuba - SP


A praia é muito bem conservada, o condomínio preservou os 100m de mata à beira da praia, então caminhamos 2 minutos por uma trilha que lembra a Ilha do Mel, no fim fica uma mistura de Atami (pelo condomínio) com Ilha do Mel, pela trilhazinha. Outra praia que teremos que voltar após os 1000dias. Já estou vendo tudo! Serão mais 1000dias depois destes 1000!

Sentindo o sol no Bar da Dona Xica na estrada da Almada em Ubatuba - SP

Sentindo o sol no Bar da Dona Xica na estrada da Almada em Ubatuba - SP

Brasil, São Paulo, Ubatuba, Praia

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A costa das tartarugas

Brasil, Bahia, Praia do Forte, Mangue Seco, Sergipe, Pontal

Bebê tartaruga no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA

Bebê tartaruga no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA


O longo litoral baiano tem trechos batizados de diferentes nomes, como forma de organizar e facilitar a divulgação turística. A Costa do Descobrimento, a Costa do Dendê, a Costa do Cacau e agora eu resolvi apelidar o litoral norte utilizando uma de suas maiores belezas naturais, a Costa das Tartarugas.

Vista do Bar do Souza, na Praia do Forte - BA

Vista do Bar do Souza, na Praia do Forte - BA


Não foi a toa que o litoral norte é o local onde se instalou a primeira base do Projeto TAMAR – Projeto TArtarugas MARinhas - na Praia do Forte. De Arembepe até Mangue Seco, nos meses de setembro à março 5 espécies de tartarugas marinhas desovam nas praias deste litoral.

Chegamos na divisa Bahia-Sergipe!

Chegamos na divisa Bahia-Sergipe!


As tartarugas sempre fizeram parte do cardápio dos índios brasileiros, porém com o aumento da população a extinção se tornou um fato. No século XVIII a carne da tartaruga foi muito utilizada pelos portugueses para salvá-los do escorbuto, uma vez que as levavam vivas nos navios para o velho mundo. Pratos requintados foram criados com a sua carne, jóias e adereços refinados se tornaram moda. O trabalho de educação ambiental continua até hoje com as populações caiçaras e indígenas que já tinham a tartaruga no seu hábito de consumo, utilizando inclusive sua carapaça como berço para os seus bebês.

Tubarões Lixa interagindo no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA

Tubarões Lixa interagindo no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA


As tartarugas cabeçuda, oliva, verde, pente e couro são as espécies encontradas no litoral brasileiro. Estas espécies ainda se encontram em extinção, porém o trabalho realizado pelo TAMAR já avançou muito no conhecimento sobre os hábitos destas espécies e o esforço para a mudança cultural dos pescadores e caiçaras estão ajudando a mudar este cenário.

Representação de tartarugas em tamanho natural, no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA

Representação de tartarugas em tamanho natural, no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA


Nesta época as tartarugas buscam sempre as praias mais largas e cavam de 30 a 60cm de profundidade na areia mais distante da água para deixar seus ninhos bem protegidos. Assim que a tartaruga coloca seus ovos, o ninho é encontrado pela comunidade local, ou mesmo por um dos Tartarugueiros do TAMAR, os ninhos são identificados pela equipe do projeto ganhando uma marcação especial e é feita toda a coleta de dados para pesquisa e acompanhamento até a eclosão dos ovos. O período de encubação dos ovos é de 50 a 55 dias para os ovos eclodirem e durante este período é a temperatura pivotal que irá determinar o sexo das tartaruguinhas. Quanto mais quente, mais fêmeas nascerão, quanto mais frio, mais machos. O TAMAR desenvolveu uma pesquisa junto com uma universidade do Canadá para determinar a equação que determinaria a temperatura média para se ter 50% da ninhada fêmea e 50% da ninhada macho.

Tocando uma arraia, no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA

Tocando uma arraia, no Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA


Quando as tartaruguinhas nascem demoram em torno de 2 dias para conseguir sair do ninho e aí começa a jornada pela sobrevivência, a corrida para o mar. Elas buscam sempre o ponto mais iluminado, que normalmente seria o horizonte oceânico, porém as praias iluminadas artificialmente ou até mesmo as luzes de casas próximas podem alterar a direção de um filhote, que ao não chegar ao mar tem suas chances de sobrevivência próximas de zero.

Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA

Projeto Tamar, na Praia do Forte - BA


Nestes 30 anos de Projeto TAMAR a população de tartarugas marinhas está em franca recuperação e as comunidades do seu entorno tiveram suas vidas alteradas. Hoje muitos pescadores e suas famílias trabalham nas bases do TAMAR como tartarugueiros, costureiras, educadores ambientais e até as crianças como guias-mirins. O trabalho desenvolvido é maravilhoso e se tornou uma potência.

Rua na Praia do Forte - BA

Rua na Praia do Forte - BA


Mesmo eu que não sou das mais consumistas, quando cheguei à loja do projeto não aguentei. São produtos lindos produzidos pela comunidade local e que ajudam a manter este belíssimo trabalho, é claro que compro e seu culpa nenhuma! Ainda aproveitamos para parar um minutinho no Bar do Souza e provamos seu famoso bolinho de peixe e uma caipiroska de umbu deliciosa!

Vista do Bar do Souza, na Praia do Forte - BA

Vista do Bar do Souza, na Praia do Forte - BA


Continuando pela Costa das Tartarugas, seguimos viagem para Mangue Seco, atravessamos fronteira com Sergipe e chegamos a Pontal. Mangue Seco fica na Bahia, porém o acesso mais fácil é pelo vizinho, atravessando de barco o Rio Real até a vila.

A única passageira da travessia Pontal (SE) - Mangue Seco (BA)

A única passageira da travessia Pontal (SE) - Mangue Seco (BA)


Nos instalamos na pousada e caminhamos até a praia no final da tarde, com a esperança de vivenciar mais uma vez uma das melhores lembranças que o Rodrigo tem da vez que esteve aqui, a corrida das tartaruguinhas para o mar. Encontramos os ninhos e sabemos que eles estão prestes a eclodir, mas ainda não foi hoje. Quem sabe amanhã teremos mais sorte de vivenciar o mais belo espetáculo da natureza nesta Costa das Tartarugas.

Marcação de ninho de tartaruga em Mangue Seco (BA)

Marcação de ninho de tartaruga em Mangue Seco (BA)

Brasil, Bahia, Praia do Forte, Mangue Seco, Sergipe, Pontal, Praia, Rio Real, Tamar, tartarugas marinhas

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DC: Um dia de chuva no Mall

Estados Unidos, District of Columbia, Washington

Lendo o discurso de Lincoln no início de seu 2o mandato, em plena guerra civil americana (em Washington DC, capital dos Estados Unidos)

Lendo o discurso de Lincoln no início de seu 2o mandato, em plena guerra civil americana (em Washington DC, capital dos Estados Unidos)


Mesmo com obras e chuva a cidade de Washington continua linda. O dia começou quente e todo aquele calor só poderia mesmo terminar em uma tarde de nuvens negras e tempestades esparsas.

O prédio dos arquivos nacionais, em Washington DC, capital dos Estados Unidos

O prédio dos arquivos nacionais, em Washington DC, capital dos Estados Unidos


Há várias formas de conhecer DC, bicicleta, segway (aquele carrinho motorizado de duas rodas) ou até com as lindas bicicletas coletivas que estão espalhadas por todo o centro da cidade, mas a nossa preferida é a mais tradicional: a pé!

O Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, em Washington DC

O Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, em Washington DC


Bicicleta para alugar e conhecer Washington DC, capital dos Estados Unidos

Bicicleta para alugar e conhecer Washington DC, capital dos Estados Unidos


Descemos na estação de metro e cruzamos a Constitution Avenue, onde começamos a nossa caminhada em direção ao Capitólio. Revimos muitos lugares já visitados na nossa primeira visita à cidade: National Gallery of America, o Archives of the USA e logo ali do outro lado, o Space and Science Museum. Um mundo imenso de informações, imagens, cores, sentimentos, história e arte que eu adoraria, mas não poderia rever.

O prédio do Congresso, em Washington DC, capital dos Estados Unidos

O prédio do Congresso, em Washington DC, capital dos Estados Unidos


Chegando ao Capitólio, em frente à Reflectin Poll encontramos um grupo imenso de ciclistas que acabava de chegar à cidade depois de pedalar mais de 365km de Nova Iorque até Washington! Uma explosão de alegria e emoções, amigos, familiares e completos desconhecidos, todos pararam para aplaudir os heróis do dia!

Celebrando a façanha de pedalar de NY à Washington DC, capital dos Estados Unidos

Celebrando a façanha de pedalar de NY à Washington DC, capital dos Estados Unidos


Grupo de ciclistas descansa após padalar de Nova iorque à Washington DC, capital dos Estados Unidos

Grupo de ciclistas descansa após padalar de Nova iorque à Washington DC, capital dos Estados Unidos


Continuamos pela Jefferson Drive, agora em direção ao Washington Monument, o imenso obelisco construído em 1848 em tributo a George Washington, circundado por bandeiras americanas. Antes mesmo de chegarmos lá as nuvens negras desabaram e as cores do verão foram sendo substituídas pelo prateado, cinza, preto e branco.

O Washington Monument numa tarde chuvosa em Washington DC, capital dos Estados Unidos

O Washington Monument numa tarde chuvosa em Washington DC, capital dos Estados Unidos


Chuva em Washington DC, capital dos Estados Unidos

Chuva em Washington DC, capital dos Estados Unidos


Passamos o World War II Veterans Memorial e chegamos ao famoso Lincoln Memorial, onde Marthir Luther King fez seu famoso discurso “I have a dream”.

Chegando ao Lincoln Memorial, em Washington, capital dos Estados Unidos

Chegando ao Lincoln Memorial, em Washington, capital dos Estados Unidos


Onde nunca cansaremos de ler as palavras nos imensos pergaminhos de mármore deste grande libertário da história americana. Se você ainda não teve a oportunidade de conhecer, ou se já foi mas quer rever, o site deste Parque Nacional tem um tour virtual pelas salas, entre as colunas e as palavras de Abraham Lincoln.

Lincoln Monument, em Washington DC, capital dos Estados Unidos

Lincoln Monument, em Washington DC, capital dos Estados Unidos


“For score and seven years ago, our fathers brought forth on this continent, a new nation conceived in liberty and dedicated to the proposition that all men are created equal.
(…)
That we here highly resolve that these dead shall not have died in vain. That this nation, under God, shall have a new birth of freedom, and that government of the people, by the people, for the people shall not perish from the earth.”

Lendo o discurso de Lincoln no início de seu 2o mandato, em plena guerra civil americana (em Washington DC, capital dos Estados Unidos)

Lendo o discurso de Lincoln no início de seu 2o mandato, em plena guerra civil americana (em Washington DC, capital dos Estados Unidos)


Traduzindo...

"Oitenta e sete anos atrás, nossos pais trouxeram a este continente, uma nova nação concebida em liberdade e dedicada à ideia de que todos os homens foram criados iguais.
(...)
Que nós aqui definimos que estes mortos não terão morrido em vão. Que esta nação, sob os olhos de Deus, terá um novo nascimento da liberdade, e que o governo do povo, pelo povo, para o povo não perecerá da terra."
(* free translation)

Trecho do seu discurso proferido para novos soldados americanos em 1863, no estado da Pensylvania.

O belo Jefferson Memorial, à beira do Potomac, em Washington DC, capital dos Estados Unidos

O belo Jefferson Memorial, à beira do Potomac, em Washington DC, capital dos Estados Unidos


Terminamos a nossa caminhada pelo Mall passando nos arredores do lago do Thomas Jefferson Memorial. Um dia lindo em preto e branco, cores que não ficariam tão bem em qualquer outra cidade.

Turistas observam a vista desde o Lincoln Memorial, em Washington, capital dos Estados Unidos

Turistas observam a vista desde o Lincoln Memorial, em Washington, capital dos Estados Unidos

Estados Unidos, District of Columbia, Washington, Mall, walking tour

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La Guajira e os Wayuus

Colômbia, La Guajira

As paisagens grandiosas da península La Guajira, na Colômbia, no extremo norte da América do Sul

As paisagens grandiosas da península La Guajira, na Colômbia, no extremo norte da América do Sul


La Guajira, departamento colombiano que faz fronteira com a Venezuela, nunca esteve nos nossos planos de viagem. Passaríamos por ela a caminho de Maracaibo sem nem saber direito o que deixaríamos para traz não fosse uma conversa com os nossos amigos expedicionários suíços Tina e Marcos. Seu primeiro destino na América do Sul seria justamente Punta Gallinas, a ponta mais ao norte da América do Sul, na península de La Guajira. Ficamos curiosos, mas como teríamos pouco tempo não criamos esperanças.

Mapa da península La Guajira, extremo noirte da América do Sul, em agência de viagem em Riochacha, maior cidade da região, na Colômbia

Mapa da península La Guajira, extremo noirte da América do Sul, em agência de viagem em Riochacha, maior cidade da região, na Colômbia


Dias mais tarde, ainda antes de chegarmos à Colômbia continental, encontramos um grupo de mergulhadores na ilha de Providência e dois deles me falaram novamente sobre La Guajira. “Vocês irão passar por lá, tem que fazer um tour para conhecer o povo indígena wayuu e os desertos coloridos de La Guajira!”, ficamos novamente tentados a conhecer, afinal eram mais duas pessoas falando do mesmo lugar. Já em San Andrés, na recepção de um hostal encontramos uma revista cuja a reportagem de capa eram os desertos da península mais ao norte da América do Sul. Era um sinal, impressionante como em uma mesma semana este lugar se tornara um assunto recorrente.

Cruzando o deserto da península de La Guajira, na Colômbia, extremo norte da América do Sul

Cruzando o deserto da península de La Guajira, na Colômbia, extremo norte da América do Sul


Assim que tiramos a Fiona do porto de Cartagena fizemos o nosso caminho em direção à Venezuela, paramos em Taganga e Tayrona com uma pressa maior do que a normal, era o nosso inconsciente trabalhando para incluirmos esse destino no roteiro. Retornamos das trilhas no Parque Nacional Tayrona e dirigimos até a cidade de Riohacha, capital de La Guajira.

Praia em Riochacha, cidade na entrada da península de La Guajira, no norte da Colômbia

Praia em Riochacha, cidade na entrada da península de La Guajira, no norte da Colômbia


Todas as informações que tínhamos nos diziam que a península era um lugar inóspito e fácil de se perder. Desertos, lagos de sal e centenas de caminhos que podem te deixar andando em círculos. Além disso esta mesma semana foi encontrado o carro de um casal de expedicionários espanhóis que teriam sido sequestrados na região e ainda não tinham notícias do seu paradeiro. Seria uma grande aventura ir até lá sem um guia, mas nós não tínhamos tempo para nos perder, atolarmos e nos encontrarmos. Decidimos contratar um guia local que além de nos ensinar os caminhos, nos ajudaria a mergulhar na cultura wayuu nestes 2 dias que teríamos por ali.

O belíssimo deserto na parte norte da península de La Guajira, na Colômbia

O belíssimo deserto na parte norte da península de La Guajira, na Colômbia


Os wayuus são 45% da população de todo o departamento e apenas 30% deles fala espanhol. Eles são de origem arawak, o mesmo povo que desceu para popular a Amazônia e que subiu em canoas para colonizar as ilhas do Mar do Caribe. Vivendo em um ambiente árido e hostil eles conseguiram se isolar e resistir à colonização europeia por muito mais tempo que as outras populações indígenas da Colômbia e da Venezuela. Não é à toa que são conhecidos como uma tribo guerreira e arredia aos arijunas, nós brancos, pessoas estranhas e que não conhecem e seguem a cultura wayuu. Seu território não tem limites políticos, ele é mais antigo do que qualquer definição colonial e até hoje os clãs transitam livres entre os países sul-americanos.

O pouco trânsito que encontrávamos nas estradas da península La Guajira, na Colômbia

O pouco trânsito que encontrávamos nas estradas da península La Guajira, na Colômbia


Os wayuus que vivem à beira do mar tem sua economia baseada na pesca, extração de sal e recentemente do turismo que está começando a descobrir a região. No interior o clima desértico e a falta de chuva tornam difíceis os cultivos, sendo a criação de gado e chivos (cabras), a principal atividade. Quando encontram solo apropriado e água, as culturas mais comuns são o milho, o feijão, a mandioca, o pepino, melão e melancia.

Ovelhas pastam no deserto da península de La Guajira, na Colômbia

Ovelhas pastam no deserto da península de La Guajira, na Colômbia


Um rancho no deserto da península La Guajira, na Colômbia

Um rancho no deserto da península La Guajira, na Colômbia


Contratamos nosso guia por uma agência local a Wayuu Tours. Claudia e Shirley são wayuus modernas que nasceram e viveram na cidade de Riohacha, mas mantém suas raízes, usando os vestidos tradicionais, passando a língua e os conhecimentos para seus filhos e tratam de ajudar a sua comunidade organizando tours pela península, levando trabalho e fazendo girar a economia na região. Assim além de Alex, ganhamos a companhia também de Edwin, sobrinho de Alex e filho de Shirley, que está aprendendo com o tio os caminhos de La Guajira. Há alguns meses ele guiava um grupo de turistas, perdeu a entrada da estrada para Punta Gallinas e foi parar lá em Nazareth, povoado no outro lado da península.

o Edwin e seu sobrinho Alex, nossos guias na península La Guajira, na Colômbia

o Edwin e seu sobrinho Alex, nossos guias na península La Guajira, na Colômbia


“É muito fácil se perder”, diz Alex, que vive há 43 anos na região e conhece a península como a palma de sua mão. “Estes espanhóis devem ter entrado aqui sozinhos e aqueles que vivem nas montanhas os sequestraram”, completa. Ele se referia às montanhas da Sierra Nevada, reduto das FARCs nesta região do país. As FARCs logo negaram a autoria do sequestro e dias mais tarde finalmente os espanhóis fizeram contato com a sua família esclarecendo a questão. Eles teriam sido sequestrados nas proximidades do Tayrona e seu carro abandonado lá no deserto para confundir a investigação.

Um dos muitos pequenos cemitérios espalhados pelo deserto da península La Guajira, na Colômbia

Um dos muitos pequenos cemitérios espalhados pelo deserto da península La Guajira, na Colômbia


Nós estávamos seguros e tranquilos, saímos de Riohacha com tudo organizado por eles, dormiríamos em chinchorros, redes grandes e de puro algodão feitas pelos wayuus, e provaríamos da culinária regional. Entramos na península pela cidade de Uribia, a capital indígena de La Guajira. Uribia irá receber o encontro de culturas indígenas de vários cantos da América do Sul no final do mês de junho, quando a cidade vira um grande acampamento de várias etnias, idiomas e culturas. Fomos até o centro da cidade apenas para cumprir um pedido da polícia local, que devido aos últimos acontecimentos quer saber quem entra e quem sai da península, com quem estão acompanhados e muito atenciosos deixam até os seus celulares em caso de qualquer emergência.

O trecho asfaltado da longa estrada que nos leva para a península La GUajira, no norte da Colômbia

O trecho asfaltado da longa estrada que nos leva para a península La GUajira, no norte da Colômbia


A estrada de terra que segue ao lado do caminho de trem para o norte da península La Guajira, na Colômbia

A estrada de terra que segue ao lado do caminho de trem para o norte da península La Guajira, na Colômbia


Início do labirinto de pequenas estradas que nos leva ao deserto no norte de La Guajira, na Colômbia

Início do labirinto de pequenas estradas que nos leva ao deserto no norte de La Guajira, na Colômbia


O asfalto chega até Uribia e daqui em diante seguimos pouco menos de 30km por estrada de terra paralela à linha férrea que faz o transporte de carvão mineral extraído nas minas de Cerrejón, 150 km ao sul, até o Puerto Bolívar na baía de Portete. Foi lá pelo km 24 que entramos no emaranhado de caminhos de areia, estradas rurais e o grande deserto de La Guajira. O cenário semiárido nos lembra muito o sertão nordestino, mas mais deserto e mais pobre. De tempos em tempos éramos parados por pedágios das famílias que vivem nestas terras. Uma cordinha e uma mulher ou uma criança sentados à beira da estrada. Às vezes duas mulheres e 8 crianças, as meninas sempre vestidas com o vestidinho wayuu e os meninos com a camiseta e um shorts.

Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia

Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia


Quase todos eles falavam apenas o wayuunaiki, dávamos 100 ou 200 pesos colombianos, Alex trocava cumprimentos e passávamos. A alegria deles com as poucas moedas era clara, estavam vendo que aquela tática funcionava. Alex chegou a dar uma dura em alguns marmanjos preguiçosos, que preferiam ficar ali com uma corda e suas mochilas na sombra ao invés de estudar ou trabalhar. Todos aqui se conhecem, são pouco mais de 26 clãs em toda a Guajira, todos são primos, irmãos ou tios de alguém. Demos a volta na baía de Portete, passando por um terreno enganoso que do alto parecia um deserto seco e firme, mas por baixo era puro sal e lama!

Trilhas de carro cortam o deserto de La Guajira, no extremo norte da Colômbia e da América do Sul

Trilhas de carro cortam o deserto de La Guajira, no extremo norte da Colômbia e da América do Sul


Já quase chegando na Baía Honda eis que vemos um carro que nos parecia familiar, uma Landcruiser marrom parada em um dos “pedágios”. Era Bode, o namorado suíço da Fiona! Marcos e Tina se aventuraram pela península sozinhos, estavam cobertos de lama de atoleiros salgados e rios que tentaram cruzar. Eles entraram na península pelo litoral, passaram por Cabo de La Vela e estavam buscando o caminho para Punta Gallinas.

O incrível reencontro com os suiços Marco e Tina, em pleno deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia

O incrível reencontro com os suiços Marco e Tina, em pleno deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia


Cruzando o deserto da península La Guajira, na Colômbia

Cruzando o deserto da península La Guajira, na Colômbia


No mesmo dia em que nos separamos na estrada para Taganga Tina teve um acidente, descendo da sua barraca no teto do carro ela caiu e ficou pendurada pelo dedo, preso em um anel no carro. Imaginem o estrago! Depois de uma noite com cuidados do “Dr. Marcos” decidiram procurar ajuda profissional e ela foi ao hospital para um curativo descente. Pobre Tina! Ainda assim, experimentando pela primeira vez os ventos sul americanos, estava estampado em suas caras a alegria de estarem livres por este mundão!

Nossos amigos, Marco e Tina, a bordo do Boudi, na península La Guajira, na Colômbia

Nossos amigos, Marco e Tina, a bordo do Boudi, na península La Guajira, na Colômbia


Daqui em diante Marcos e Tina nos acompanharam, ganharam tempo e perderam algumas aventuras nessa terra distante. Tudo bem, o plano deles será continuar por pelo menos mais uma semana perdidos por aqui, entre dunas e praias, wayuus e chivos. By the way, o espanhol deles já melhorou muito, pois aqui mal encontram quem fale espanhol, quem dirá inglês! Paramos para almoçar em um lugar que de fora não daríamos nada, mas dentro era uma simpática casa, com sombra e água fresca, um peixe delicioso, arroz e patacones.

A simpática índia gaiju que nos serviu o almoço na durante a jornada pela península La Guajira, na Colômbia

A simpática índia gaiju que nos serviu o almoço na durante a jornada pela península La Guajira, na Colômbia


Dirigimos por mais 3 horas passando por paisagens maravilhosas, cemitérios e mais cemitérios e inclusive caixões abertos à beira da estrada! Eu hein!? Vimos coelhos, flamingos, patos rosados e até zorros, as raposinhas do deserto. Passamos pelas dunas, belíssimas e finalmente chegamos à praia de Baía Hondita nos últimos minutos do dia, a tempo de ver o sol se pôr no mar.

As incríveis dunas na parte norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia

As incríveis dunas na parte norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia


Encontro do deserto com o mar, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia

Encontro do deserto com o mar, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia


Encontro de viajantes, brasileiros e suiços, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia

Encontro de viajantes, brasileiros e suiços, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia


O sol se põe na praia mais ao norte da América do Sul, na península La Guajira, na Colômbia

O sol se põe na praia mais ao norte da América do Sul, na península La Guajira, na Colômbia


Demos um mergulho merecido depois de tanto pó e buraqueira! Enquanto Tina e Marcos montavam seu acampamento e o azul da noite chegava, mais um espetáculo se desenhava à nossa frente, o alinhamento de Júpiter, Marte e Vênus! Aquelas três estrelas mais brilhantes no céu ainda iluminado pelo astro-rei à distância. Incrível!

Um raro alinhamento de Jupiter, Venus e Mercurio nos sauda no extremo norte da América do Sul, a península La Guajira, na Colômbia

Um raro alinhamento de Jupiter, Venus e Mercurio nos sauda no extremo norte da América do Sul, a península La Guajira, na Colômbia


Nosso acampamento na Baía Hondita não poderia ser mais confortável. O Rancho de Chander tem uma infraestrutura simples, mas quase luxuosa para os padrões locais. Enquanto o jantar era preparado conhecemos o simpaticíssimo casal italiano Elisiana e Marcos. Eles chegaram aqui de barco, vindos de Riohacha até Cabo de la Vela de carro e daí seguiram por mar, caminho que chegamos a pensar em fazer. As duas horas de lancha com vento contra foram impiedosas e finalmente eles podiam sentar tranquilos e tomar uma polar para relaxar. Polar, sim! Aqui os produtos venezuelanos são mais baratos e fáceis que os colombianos, assim já vamos entrando no clima.

Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia

Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia


Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia

Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia


O casal que vive em Luxemburgo e trabalha no mercado financeiro aproveitou a oportunidade de viagem para o casamento de um amigo, para conhecer um pouco mais do litoral caribenho da Colômbia. O sangue latino e a alegria contagiante nos fez melhores amigos em poucas horas de conversa. Encontrando nossas afinidades culturais, aproveitamos as férias para lavar a alma das quadradices germânicas ou implicâncias francônicas, dos apaixonados pelo jeitinho latino de ser! Uma lua cheia e muchas polarcitas después, Elisiana e Marcos foram para seu confortável quarto, enquanto eu e o Ro experimentamos os deliciosos e espaçosos chinchorros, nunca dormi tão bem em uma rede na minha vida! Melhor assim, pois a manhã seguinte nos reserva muitas outras aventuras!

A Ana ainda dorme no nosso quarto na península de La Guajira, na Colômbia

A Ana ainda dorme no nosso quarto na península de La Guajira, na Colômbia

Colômbia, La Guajira, Baía Hondita, Estrada, off road, Punta Gallinas, Riohacha, Uribia, Wayuus

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Caracol e ATM Cave

Belize, Caracol, San Ignacio-BEL

Contemplando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Contemplando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


San Ignácio é um dos destinos turísticos mais populares de Belize, logo depois das praias de águas azuis de areias branquinhas de Ambergris e San Pedro. Um roteiro pelo país não estará completo se não incluir explorações pelas matas, cavernas e rios de Cayo, tudo isso com uma boa dose da Cultura Maya!

Detalhe de esculturas em alto relevo nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Detalhe de esculturas em alto relevo nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


O estado de Cayo é a casa da maior Cidade Maya de Belize, a impressionante e imponente Caracol. San Ignacio é a melhor base para explorações desta e de outras ruínas menores nas vizinhanças como Cahal Pech e Xunantunich, além de cavernas e rios que foram frequentados pelos povos mais antigos que aqui viviam.

A mata densa que cerca as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

A mata densa que cerca as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Nossas explorações nesta região começaram pelo Blue Hole National Park, uma piscina de águas azuis que dá acesso a um pequeno sistema de caverna. Quando vimos o nome “Blue Hole”, e sabendo do seu famoso homônimo belizenho, achamos que seria algo mais impressionante, mas é uma boa parada para refrescar.

Mergulhando no pequeno cenote Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize

Mergulhando no pequeno cenote Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize


O parque também possui uma rede de trilhas pela floresta tropical com cavernas e mirantes que dão uma boa visão do interior de Belize.

A boca da caverna St Herman's Cave, ao sul de Belmopan, capital de Belize

A boca da caverna St Herman's Cave, ao sul de Belmopan, capital de Belize


Subindo em mirante no alto de uma colina no parque do Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize

Subindo em mirante no alto de uma colina no parque do Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize


Ele está localizado na Hummingbird Highway que conecta o sul à capital Belmopan, que passamos rapidamente de carro no caminho para San Ignacio. Belmopan, uma das menores capitais do mundo, foi construída em 1970 para sediar a capital do país após a destruição de Belize City e vários arquivos públicos pelos ventos de 300km/h do furacão Hattie.

Caracol


As majestosas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

As majestosas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Uma das principais cidades do Período Clássico Maya possui vestígios arqueológicos que datam até 1200 a.C. Sua fundação porém se deu no ano de 331 d.C, com influências Teotihuacanas, do México Central. Durante muito tempo a cidade era tida como um centro de menor importância no mundo maya, até a descoberta de sua relação com as mais poderosas Calakmul e Tikal.

As ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

As ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Foi no ano de 556 d.C que Tikal declarou guerra à Caracol e a derrotou. 6 anos mais tarde o Senhor das Águas de Caracol foi em busca de vingança e derrotou Tikal em uma guerra que foi responsável pelo período de declínio da poderosa cidade maya. Durante este período de quase 120 anos Tikal passou por uma diminuição populacional e teve um grande hiato na construção de novos monumentos.

Visitando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Visitando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


A pirâmide principal de Caracol conhecida como Caana é grandiosa! No topo dela se encontram os aposentos da família real e dos sacerdotes mayas, diferentemente de outros sítios onde as pirâmides eram usadas apenas para motivos cerimoniais. A cidade é uma das maiores em extensão, com aproximadamente 200km2. São em torno de 267 estruturas por quilômetro quadrado e entre elas 25 estelas, 28 altares, 250 enterros e 200 caches.

Detalhe das intrincadas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Detalhe das intrincadas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Um dos muitos altares nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Um dos muitos altares nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Como o sítio é mais retirado ele é também um dos menos visitados em Belize, o que faz a experiência ainda melhor. Entre árvores e pirâmides de pedras encontramos um campo de futebol da pequena vila montada dentro do sitio arqueológico. Uma grande árvore no A Group Plaza estava repleta de ninhos de um curioso pássaro, o montezuma oropendula, que para cantar quase dá uma cambalhota com seus pés presos ao galho! Seus ninhos têm mais de um metro de comprimento pendurados na árvore.

Ninhos de montezuma, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Ninhos de montezuma, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


No alto da árvore, um pássaro montezuma, com sua característica cauda amarela, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

No alto da árvore, um pássaro montezuma, com sua característica cauda amarela, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Enquanto observávamos os montezumas começamos a escutar os gritos dos bugios gritadores (howler monkeys). Seguimos seus gritos passando por uma alameda de arvores e estelas, e junto a outros turistas sortudos, ficamos observando os macacos por mais de 30 minutos, gritando sem descanso! Demais!

Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Localizada a 40 km de San Ignacio, a viagem para Caracol por si só já é uma aventura! O acesso é por uma estrada que corre paralela a fronteira com a Guatemala e por incidentes que ocorreram no passado com turistas, o governo oferece uma escolta militar de ida as 9h da manhã e no retorno as 14h.

A caminho das ruínas mayas de  Caracol, a famosa placa de lombada em forma de gente! (em Belize, quase na fronteira com a Guatemala)

A caminho das ruínas mayas de Caracol, a famosa placa de lombada em forma de gente! (em Belize, quase na fronteira com a Guatemala)


Escolta militar patrulha as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Escolta militar patrulha as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


A simpática escolta militar nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

A simpática escolta militar nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Nós fomos no nosso ritmo, encontramos a escolta já nas ruínas e retornamos pouco antes dela sair, sem problema algum. Na volta ainda paramos nos poços do Río On Pool, delicia para relaxar e se refrescar depois do dia de estrada e caminhada.

Delicioso banho de cachoeira em rio no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Delicioso banho de cachoeira em rio no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala



ATM Cave


Uma das caveiras de pessoas sacrificadas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Uma das caveiras de pessoas sacrificadas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


A ATM, sigla para Actun Tunichil Muknal, significa a caverna do sepulcro de pedra. A caverna é um lugar sagrado para os mayas, que buscavam no inframundo o auxilio dos seus deuses durante os períodos mais difíceis de secas. Além das belíssimas formações e espeleotemas, encontramos reminiscências destes rituais feitos em honra ao Chaac, deus das águas, incluindo sacrifícios humanos! Um lugar único no mundo maya!

Espeleotemas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Espeleotemas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


A visita dura em torno de 5 horas, pouco mais de 40 minutos de caminhada pela mata, cruzando rios e matas até a entrada da caverna. Entramos nela nadando em um pequeno poço do mesmo rio por onde iremos seguir caverna adentro. Lá, seus labirintos guardam imagens e formas impressionantes! Aos poucos os resquícios arqueológicos começam a aparecer, ferramentas de corte utilizadas para auto-mutilação pelos sacerdotes foram encontradas junto de vasos na sala do maiz. Feitas de obsidiana e jade, uma delas tem a forma de milho e pode ser vista ao longe.

Entrando na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Entrando na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


Quanto mais entramos na caverna, mais complexos vão ficando os cerimoniais, inúmeros potes e jarros de cerâmica que carregavam alimentos, recolhiam a água e eram quebrados para espantar os maus espíritos. O preto da fumaça no teto, tanto dos incensos, quanto das áreas de cozinha indicam que os mayas ficavam ali por dias.

Potes e vasilhas mayas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Potes e vasilhas mayas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


Nós vimos pelo menos 5 esqueletos no nosso caminho, mas já foram contados 14 pelos arqueólogos. Os mais impressionantes deles são o do bebê de 12 meses e o de sua mãe, que descansa inteirinho em um dos pontos mais distantes da caverna. Com a ajuda do guia entramos na realidade, entendemos o desespero pelo qual passava aquele povo, e como suas técnicas iam evoluindo conforme a seca se prolongava. Assim foi o final de várias das poderosas cidades-estado do Período Clássico, um momento de mudanças profundas para a Civilização Maya.

Esqueleto de mulher sacrificada na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Esqueleto de mulher sacrificada na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


A visita a esta caverna só pode ser feita através de operadoras de ecoturismo que possuem o treinamento e a permissão para entrar na gruta. Entramos em um grupo com uma chinesa e um indiano que vivem nos Estados Unidos e um grupo de amigos belgas, que ao que tudo indica, foram os culpados por atrasar a saída do tour em mais de 2 horas. Nosso guia Francisco foi super atencioso e fez todas as explicações e suspenses dentro da caverna para entrarmos no clima.

Observando antigos potes mayas, no mesmo local onde foram encontrados, na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Observando antigos potes mayas, no mesmo local onde foram encontrados, na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


Detalhe: Não é permitido o uso de câmera neste tour, pois alguns outros turistas descuidados acabaram quebrando (com suas câmeras) 2 dos crânios centenários dos pobres coitados que foram sacrificados ali. Ainda assim, são imagens inesquecíveis mesmo para os mais desmemoriados. A ATM Cave é imperdível para os apaixonados pela cultura Maya.

San Ignacio


Meninas se divertem no rio de San Ignacio, em Belize

Meninas se divertem no rio de San Ignacio, em Belize


A cidade de San Ignacio é uma das mais organizadas e orientadas ao turismo no país, mas ainda assim não possui muitos atrativos por si só, sendo somente uma boa base para explorar a região. Apenas andar pelas ruas bagunçadas, fazer um passeio pelo mercado popular no sábado e provar a culinária belizenha no favorito Hannah Restaurant já é suficiente.

Han-nah, nosso restaurante preferido em San Ignacio, em Belize

Han-nah, nosso restaurante preferido em San Ignacio, em Belize


Se você não está no clima de cidade de terceiro mundo como experiência antropológica e social, uma forma de se isolar um pouco da loucura urbana é hospedar-se em um dos vários hotéis e eco-resorts (caros) ou campings (baratos) nos arredores da cidade, às margens do rio.

O belo rio que divide San Ignacio em duas, em Belize

O belo rio que divide San Ignacio em duas, em Belize


Nós ficamos hospedados no centro, já que não queríamos gastar muito e precisávamos de internet. No hotel conhecemos Lili, John e seu pai, viajando de carro desde Washington DC ao Alaska e agora estão cruzando rumo ao Sul e eventualmente chegarão a Patagônia. Ele é fotógrafo, ela professora e participa da viagem nas suas férias e o pai aposentado é uma ótima companhia, bem falante e curioso. Sempre bacana encontrar outros viajantes expedicionários, jantamos juntos uma noite e trocamos muitas historias e experiências.

Mercado de San Ignacio, em Belize

Mercado de San Ignacio, em Belize


Rose Apple, um tipo de maçã aguada no mercado de San Ignacio, em Belize

Rose Apple, um tipo de maçã aguada no mercado de San Ignacio, em Belize


O movimentado mercado de San Ignacio, em Belize

O movimentado mercado de San Ignacio, em Belize


Fechamos aqui na região de Cayo a nossa viagem por Belize, um país muito rico e diverso culturalmente! Tivemos ótimas surpresas e muitos encontros especiais durante as nossas andanças: garifunas, velejadores, expats e locais que fizeram uma nova imagem de Belize em nossas mentes. Quando olharmos o mapa da América Central este cantinho meio britânico, meio caribenho, meio maya e meio garifuna nunca mais será o mesmo!

Entrando novamente na Guatemala, agora vindos de Belize

Entrando novamente na Guatemala, agora vindos de Belize

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