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ilacir (22/02)
Ana você agora entrou para a lista das grandes aventureiras... eu nem i...
Px (21/02)
Holas!, ocmo estan!, se nos había olvidado contarles que al final los ch...
Joca oeiras (19/02)
Passsei uma noite muito agradável no Matriz e Filia na companhoia de sua...
Joca oeiras (18/02)
Querida Ana: Se tudo der certo, encontro sua mãe ainda hoje à noite. M...
Eduardo (18/02)
oi Ana, se deu aquele ar de despedida e meio vazio q pegou vcs, imagina a...
Máximas de bar, em pub irlandes no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai
Como toda cidade grande Asunción possui dois (ou mais) grandes centros: o centro histórico, onde está localizado o centro político e o comércio popular de rua e a região de classe média-alta, que compreende a os bairros de Villa Morra, Carmelitas, San Jorge e Ycua Sati. Esta é uma área mais residencial cortada por largas avenidas que facilitam o trânsito e entremeada de ruas charmosas, mais estreitas e bem arborizadas. Nas avenidas principais se instalaram lojas de marcas internacionais, shoppings de alto nível, bares e restaurantes de todos os tipos. Já nas ruas menores podem-se encontrar alguns bistrôs, boutiques, etc. A região de Ycua, no cruzamento das avenidas España e Santa Teresa estão o Sheraton e o Ibis e à direita hotéis menores, mais aconchegantes como o Pelican, Los Alpes ou Portal do Sol, onde ficamos hospedados. O bairro nos lembrou o Jardim Europa em São Paulo, casas imensas, poucos prédios e muito verde.
Depois de um dia cheio de história, conhecendo o centro antigo, decidimos conhecer a noite de Asunción. Pesquisei na internet, conversei com alguns amigos e até me cadastrei no Couch Surfing procurando por paraguaios animados para nos apresentar as baladas da capital. Entretanto o contato que consegui foi através dos nossos amigos viajantes chilenos do América Sin Fronteras (http://amsinfronteras.blogspot.com/ ). Ela os hospedou quando passaram aqui em Asunción e nos deu ótimas dicas. Pena que não pôde nos acompanhar, mas foi por uma causa nobre, viajou hoje a noite para Buenos Aires para ver a final da Copa América – Paraguay x Uruguay.
Banda cover do The Cure, em pub irlandes no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai
Fomos ao Paseo Carmelita, notadamente o shopping mais badalado da cidade. Além de ter tudo o que um shopping normal teria, possui também uma área de restaurantes e bares voltados para a rua. Só ali tínhamos duas opções de balada, um Tributo aos The Cramberies, no Flow Bar e outro era um Tributo ao The Cure, no Kilkenny Pub. Ficamos com a segunda opção, já que a primeira estava com uma faixa etária incompatível e umas meninas meio histéricas na platéia. Um pub irlandês não era exatamente o que imaginávamos de uma night paraguaia, mas foi muito bacana para desmistificar a imagem que, sem querer, fazemos deste povo. Sim, ali há todos os tipos que encontramos em todas as cidades grandes, roqueiros cabeludos ou na linha inglês fashion e “despretencioso”, as patricinhas, a namorada do tecladista e os apaixonados pela banda inglesa que acompanhavam o show como se fora um concerto da banda original.
Banda cover do The Cure, em pub irlandes no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai
Com tantas figurinhas carimbadas, faltava apenas encontrarmos brasileiros no bar, outra raça que está em todo lugar e... bingo! Sentou em nossa mesa um casal, ele mineiro e ela gaúcha, se conheceram aqui no primeiro ano de mestrado. Este é um mercado que eu desconhecia, mestrado intensivo de férias para brasileiros. As grades dos cursos são feitas dentro do currículo brasileiro e alguns cursos chegam a ser lecionados em português. São professores de universidades brasileiras contratados pelas hermanas paraguaias. Renata, psicóloga, já defendeu sua tese e veio apenas buscar sua documentação. Hugo, educador físico e professor universitário, irá defender na semana que vem, boa sorte!
O Kilkenny, pub irlandes, estava lotado! (no Paseo Carmelita, em Asunción - Paraguai)
Assim nos despedimos da capital e amanhã seguiremos viagem para Filadélfia. Que venga el Chaco Paraguayo!
A Cachoeira do Caracol, em Canela - RS
A cidade de Canela, na Serra Gaúcha, possui atrativos diversos, dos mais criativos parques e museus temáticos, passando por uma ampla rede de restaurantes e lojas. Entretanto o que nos traz a Canela não é o Mundo a Vapor e as fantásticas fábricas de chocolate, mas sim o espetáculo que a natureza dos seus arredores forma nos nos Parques do Caracol e da Ferradura.
As corredeiras no parque do Caracol, em Canela - RS
Um dos mais conhecidos atrativos turísticos da cidade, a Cascata do Caracol é formada pelo arroio de mesmo nome, que despenca de 131m de altura de um paredão basáltico. Recebe milhares de visitantes durante o ano todo, o que fez a sua estrutura estar cada vez mais preparada para todos os tipos de turistas. O passeio inclui trilhas ecológicas, mirantes, trenzinhos, elevador panorâmico e toda aquela infra adjacente, lojinhas de couros, casacos de lã, artesanato, etc. Uma das trilhas mais conhecidas é a escadaria de 927 degraus que nos leva à base da cachoeira. Infelizmente estava fechada para manutenção, ficamos sem nosso workout diário.
Visitando o parque do Caracol, em Canela - RS
A próxima parada foi o Parque da Ferradura, onde o rio em curva forma um maravilhoso cânion. Os três mirantes estrategicamente colocados no mais alto dos paredões, com 400m de altura de modo que um não veja o outro. Para as mais dispostos, há uma caminhada longa até a cachoeira do Arroio do Caçador, descida íngreme seguido de uma subida “agradável” pela mesma ladeira. Avistamos a cachoeira do alto e acabamos deixando esta para depois.
O belo canyon da Ferradura, em Canela - RS
A fome já estava batendo e aproveitamos para conhecer o famoso apfelstrudel do Castelinho Caracol, museu que remonta uma casa de imigrantes do início do século e possui como diferencial essa torta de maçã à moda alemã. O strudel é tão famoso que você não precisa pagar os 8 reais de entrada no museu se sua intenção é provar a torta. Eles a embalam para viagem e entregam ali mesmo, na porta do castelinho.
O Castelinho, em Canela - RS
Nunca fui muito fã de tortas de maçã (prefiro bananas), portanto o meu almoço ainda teria que se resolver depois em um delicioso café e livraria, o Empório. Canela cresceu muito, diversas lojas de artigos de inverno, lãs, queijos e vinhos. Ainda assim a sua famosa Igreja de Pedra está lá, linda e formosa, decorando a praça principal.
A famosa Catedral de Pedra, em Canela - RS
O final da tarde foi na vizinha Gramado, com um passeio pelo Lago Negro que marcou a minha primeira viagem à Gramado. Eu era pequena, tinha apenas um ano de idade e fui engatinhando direto para o lago. Salva pela mamãe que me segurou pelo pé e teve o momento registrado na foto! Rsrs!
O Lago Negro, em Gramado - RS
Fico impressionada como a cidade cresceu! Quando estive aqui há 6 anos ainda não existiam parquímetros e zona azul (ou Estar para os curitibanos), a cidade está maior e mais organizada. O frio e vento gelado estavam impossíveis, precisei de meias e complementos para agüentar andar na cidade durante a noite. Caminhamos pela avenida principal, visitamos a Feira do Livro na rua coberta. Fechamos a noite com o imperdível jantar no Chalet de Foudue, com um foundue especial de queijos maasdam e gorgonzola, hummm, espetacular! Não importa em que restaurante, mas aqui na serra este é um prato obrigatório!
Delicioso fondue de queijo na noite fria de Gramado - RS
Gramado e Canela são sinônimos de Serra Gaúcha e embora exista muito mais na região, continuam sendo destinos obrigatórios com direito a repeteco! Tanto pelas novidades que aparecem todos os anos, quanto pelas mesmas belezas que estão lá desde que o mundo é mundo.
A incrível cor da Laguna Verde, no lado chileno do Paso San Francisco, passagem andina entre Argentina e Chile
O San Francisco é um dos pasos mais ao norte na Cordilheira dos Andes, entre a Argentina e o Chile e é também um dos mais altos. Famoso não apenas pela beleza cênica de seus campos de altitude, o Paso San Francisco se fez conhecido entre os montanhistas e aventureiros também por abrigar algumas das montanhas mais altas da cordilheira, dentre elas o Ojos del Salado (6.896m), a segunda montanha mais alta da América.
A magnífica paisagem do lado argentino do Paso San Francisco, na região de Fiambala, a caminho do Chile
Há muito vínhamos namorando este cruze dos Andes, inclusive com uma tentativa frustrada no início do mês de agosto de 2011. O lado chileno do passo estava coberto de neve e totalmente intransitável. Nós conseguimos chegar aos 4 mil metros em Las Grutas, onde está localizada a imigração e a aduana argentinas. Andamos mais 15 km e topamos com neve por todos os lados, uma paisagem branca maravilhosa e a impossibilidade de continuarmos.
A magnífica paisagem do lado argentino do Paso San Francisco, na região de Fiambala, a caminho do Chile
Desta vez foi diferente, chegamos quase dois meses mais tarde e a primavera já derreteu boa parte da neve que caiu neste inverno, um dos mais fortes dos últimos anos nesta região. Saímos cedo de Fiambalá e depois de cruzarmos campos dourados, salares, lagos congelados e hordas de vicuñas selvagens, finalmente estávamos de volta à mesma Gendarmeria de Las Grutas.
Encontrando vicunhas ao longo da estrada que leva ao Paso San Francisco, entre Fiambalá, na Argentina, e Copiapo, no Chile
Encontrando vicunhas ao longo da estrada que leva ao Paso San Francisco, entre Fiambalá, na Argentina, e Copiapo, no Chile
Os oficiais demoraram mais que o normal para a revisão dos documentos e do veículo, pois estavam treinando o novo batalhão que vem substituí-los nos próximos meses. A nós a demora não foi incômoda, pois pudemos aproveitar para trazer à memória como foi aquele dia em que passamos aqui há mais de dois anos. Lá estava o nosso adesivo colado na janela (em meio à tantos outros) para comprovar isso.
Chegando à fronteira entre Argentina e Chile, no Paso San Francisco, a mais de 4.700 metros de altitude
De volta ao Paso San Francisco, entre Argentina e Chile, lá está o adesivo do 1000dias, deixado ali há mais de dois anos!
Passadas as burocracias, o caminho daqui em diante desta vez seria diferente. Uma imensa planície sobre os 4.000 metros, negra e acinzentada do lado chileno. Subimos lentamente até os 4.700m cercados de antigos vulcões e montanhas negras pintadas com neve, escovadas pelo vento forte em contraste com um belo céu azul. Ali, há uns 15 km da fronteira chegamos a um dos pontos altos dessa estrada, a Laguna Verde! Um mar de cor caribenha, temperaturas polares e ondas insistentes, rodeado por dunas de areia, penhascos de pedras multicoloridas em plena Cordilheira dos Andes.
A fantástica paisagem da Laguna Verde, no lado chileno do Paso San Francisco, passagem andina entre Argentina e Chile
Aí mesmo, com essa paisagem de outro mundo nós almoçamos protegidos e aquecidos pela nossa Fiona. Seguimos pela estrada de rípio, longa e incansável entre as curvas, subidas e descidas, blocos de neve talhadas pelas máquinas que, sem dúvida, trabalharam muito para mantê-la assim. O lado chileno sofre mais com as intempéries do clima, a paisagem árida, as pesadas nuvens no céu e a quantidade de neve que encontramos no caminho corroboram com a teoria dos observadores.
Há dois anos, a neve não nos deixou passar desse ponto, no nosso caminho para o Paso San Francisco, entre Argentina e Chile
Estrada de rípio no lado chileno do Paso San Francisco, ligação entre o país e a Argentina
Esperávamos baixar mais rápido, sentíamos a altitude, a pressão na cabeça, repentinas faltas de ar que passavam rapidamente, assim como a fadiga dos poucos metros que arriscávamos andar naquele vento e naquela altitude. Ventos de muitos quilômetros por hora que faziam difícil o simples ato de abrir e fechar a porta do carro. “Sorte dos que estão de carro”, deviam pensar os bravos motociclistas que passaram por nós.
Coordenadas do Paso San Francisco, entre Argentina e Chile, uma das mais belas passagens sobre a cordileira dos Andes
Muitos quilômetros depois, finalmente chegamos à uma placa que nos indicava o principal motivo de estarmos aqui, o vulcão Ojos del Salado. Há muito tempo o Rodrigo vem namorando essa montanha, um sonho que um dia ainda irá realizar. Chegamos a imaginar que conseguiríamos subi-la neste regresso ao Paso San Francisco, mas o timing não bateu, a temporada abre apenas em janeiro e fevereiro, quando o clima é mais propício para a ascensão.
Chegando perto da segunda maior montanha das Américas, na fronteira entre Chile e Argentina
Ao longe vimos o imponente vulcão, a segunda maior montanha da América e o vulcão ativo mais alto do mundo! Passamos pelo Refúgio Claudio Lucero a 4.530m, andamos por sua sala e vimos os restos de comida e suprimentos deixados pelos montanhistas que passaram por ali. A mesma casa hoje quase fantasma que assoviava com o vento inclemente, recebe todos os anos dezenas de montanhistas com o único objetivo de chegar ao cume do Ojos del Salado.
Um dos refúgios de apoio aos alpimistas que tentam subir o Ojos del Salado (ao fundo, na foto), na região do Paso san Francisco, entre Chile e Argentina
Nossa primeira visão do majestoso Ojos del Salado, a segunda maior montanha das Américas, na fronteira entre Chile e Argentina, região do Paso San Francisco
Um dos refúgios de apoio aos alpimistas que tentam subir o Ojos del Salado, na região do Paso san Francisco, entre Chile e Argentina
Seguindo os rastros antigos e ainda mais desgastados vamos em sua direção, como em um intento de nos sentirmos mais próximos, mais íntimos, tentando refazer os passos do Guto e do Haroldo, cunhado e primo que há alguns anos estiveram lá em cima. São 20km até o Atacama, último refúgio antes do ataque ao cume, mas o Rio Salado estava congelado e a neve travava o nosso caminho. As nuvens sobre o Ojos trovejavam e relampejavam como se quisessem nos avisar, não... esta não é a hora. Voltamos e chegamos a pensar em dormir ali no refúgio, mas o frio e a altitude me assustavam, dormir a esta altitude sem estarmos aclimatados seria muito arriscado, então seguimos adiante mais 30, 50km, não sei... perdemos a noção. A esta altura só queríamos encontrar algum lugar para nos abrigar e de preferência abaixo dos 4.000m de altitude.
Trilha de aproxima~]ao do Ojos del Salado, na fronteira entre Argentina e Chile
Chegamos à Gendarmeria chilena com grandes esperanças que encontraríamos um refúgio, como existe do lado argentino. Os escritórios todos estavam abertos, mas desertos, ninguém na imigração, ninguém na aduana e depois de muito procurar Rodrigo encontrou um simpático carabinero (policial) que nos ofereceu um quarto dentro do edifício da imigração. Perfeito! Melhor impossível, o plano era dormirmos em uma barraca, com grandes chances de pegarmos -15, -18°C e muito vento! Enquanto carimbávamos os passaportes, Juan Carlos, o funcionário responsável pela organização do local, nos conseguiu colchões, aquecedor, chaleira elétrica para um chá, leite, chocolate em pó, bananas e quilos de cobertores. Era um quarto 5 estrelas! Mais engraçado ainda era sair dali e dar de cara com uma máquina de raio X da aduana e toda a infra da imigração.
Confortavelmente instalado no prédio da aduana chilena, no Paso San Francisco, a caminho de Copiapo
Nosso delicioso jantar no prédio da aduana chilena, no Paso San Francisco, a caminho de Copiapo
Bem abrigados ainda cozinhamos um macarrão delicioso, acompanhados de um bom vinho argentino. Copiapó estava a 180 km dali, mas as nossas aventuras pelo altiplano chileno ainda não haviam terminado.
Passando pela imigração argentina, a caminho da fronteira com o Chile, no Paso San Francisco
A Lan House de Iporanga
Hoje foi o dia de atualizarmos os nossos blogs e pegarmos estrada para Cananéia. Escrevemos diariamente, mas nem sempre conseguimos acesso a internet. Aqui no Petar o único meio de acessarmos a internet é através de sinal 3G, e a operadora que funciona mal e mal é a Vivo. Resultado: ficarmos quase três dias offline, sem conseguirmos enviar os posts e as fotos. Ah! Vale falar, quando postamos só texto, sem fotos, é por que não conseguimos enviá-las naquela banda, mas no máximo 2 dias depois confiram os posts novamente, pois as fotos estarão lá!
Seguimos viagem rumo ao centro de Iporanga e encontramos uma única lan house na cidade, sorte que estava aberta! Uma hora e 7 reais depois, blogs atualizados! Resolvidos os detalhes técnicos, continuamos viagem. O plano inicial era conhecermos uma cachoeira no Parque Estadual Carlos Botelho, mas o dia amanheceu frio e chuvoso novamente, acabamos desistindo e seguimos direto para Cananéia.
Passeando de tarde em Cananéia
Chegamos e logo deixamos nossas coisas no Hotel Golfinho Plaza, indicado pela 4 Rodas e pelo Lonely Planet como um bom custo benefício. Cananéia para mim sempre foi uma cidade de passagem. Uma das mais antigas do Brasil, foi fundada pelos portugueses em 1531. Sua fachada de cidade colonial permanece e embora alguns prédios estejam em estado de abandono, a energia é de uma cidade jovem e muito ligada ao meio-ambiente. Talvez por que seja o principal acesso para o Parque Estadual da Ilha do Cardoso, lugar especial para quem gosta de cachoeiras, praias e um público alternativo, mas este vai ficar para a nossa próxima passagem por aqui.
Passeando de tarde em Cananéia
Ingredientes da Pizzaria Antica, em Atlanta, na Georgia - EUA
Depois de alimentar a alma na nossa viagem submarina no Geórgia Aquarium, fomos alimentar o corpo antes de pegar a estrada. A pedida foi uma deliciosa pizza italiana em um lugar que só quem mora no local poderia conhecer. Dica da Anathalia via Cláudia do Aprendiz de Viajante.
Pizzaiolo do Pizzaria Antica, em Atlanta, na Georgia - EUA
Já eram quase quatro horas da tarde, receamos que estivesse fechado, mas como um vizinho do local nos disse: “Não importa a hora, a Antico está sempre aberta.” Não que seja uma pizzaria 24 horas, mas eles sabem que depois do meio dia é sempre hora para uma boa pizza!
Pizza saindo do forno na Pizzaria Antica, em Atlanta, na Georgia - EUA
Você pode até fazer pedidos online ou pelo telefone, mas ir até o local e ter a experiência de sentar em uma das mesas comunitárias enquanto assiste a sua pizza entrar no forno à lenha. O ambiente despojado de antigo armazém italiano faz a experiência ainda mais original!
Cozinha aberta da Pizzaria Antica, em Atlanta, na Georgia - EUA
A pizza é deliciosa, massa fina, ingredientes frescos e combinações criativas fazem desta uma parada obrigatória, ainda mais para os amantes de pizza.
Pronto para devorar uma pizza na Pizzaria Antica, em Atlanta, na Georgia - EUA
Antico Pizza Napoletana
Endereço: 1093 Hemphill Ave – Atlanta, Georgia. Zip Code: 30318
Telefone: 404-724-2333
Parte final do vôo da Ana, chegando em São Conrado, no Rio de Janeiro - RJ
Nos meus sonhos voar é o tema mais freqüente. Desde criança sonho que estou voando. Eu voava como Peter Pan sobre a floresta Amazônica, sobre a rua onde eu morava, sobre os Andes... Já voei em um bocado de lugares. Ultimamente, nos meus sonhos, os meus vôos têm sido mais dificultosos, mas não menos prazerosos. Para começar a voar eu preciso correr e começar a dar saltos, como os que atletas de salto em distância dão logo antes do salto final. A cada passo, mais alto eu ficava pisando nos ares, tomando impulso para alcançar a altitude ideal para o meu vôo. Sei que este é um desejo antigo para todos os humanos, um feito perseguido por muitos e por isso hoje temos várias formas de simular esta façanha. Eu já saltei de pára-quedas e paraglider, vôos deliciosos, mas em momento algum a sensação é a mesma do Peter Pan.
Após o salto de asa delta, no Rio de Janeiro - RJ
Depois de tanto procurar a melhor forma de materializar este sonho já tão familiar a mim, hoje decidi voar de asa delta. O Rio de Janeiro sem dúvida é um dos cenários ideais para se realizar este sonho. Depois de um passeio pelas montanhas, Corcovado e Paineiras, chegamos à praia de São Conrado, na praia do Pepino. Estava ansiosa, pois o vento não estava muito católico e obviamente dependia dele para ter sucesso nesta incursão. Agendamos com o piloto, Rodrigo decidiu não saltar, pois já havia saltado tempos atrás. Encontramos o Ricardo e seguimos para o alto da Pedra Bonita, onde se encontra a rampa de decolagem. Assisti a um casal decolar antes de mim, com o mesmo piloto, treinaram a corrida pela rampa e pegaram todas as instruções, prontos para saltar tiveram que esperar uma janela de vento para saltar. Quase 30 minutos depois retorna à rampa a asa delta e o piloto, chegou a minha vez.
Vista da Pedra Bonita, na rampa para saltos de Asa Delta, no Rio de Janeiro - RJ
Preparando-se para o salto de asa delta no Rio de Janeiro - RJ
O tempo estava nublando, o vento piorando, mas não queria desistir. A previsão de tempo para os próximos dias era ainda pior, chuva. Equipada e pronta, eram 17h21, tínhamos que saltar no máximo até as 17h49, horário em que a rampa fecha para decolagens. Foram quase 30 minutos de espera, o vento a favor não estava virando, para a decolagem precisávamos dele justamente no sentido oposto, ou pelo menos que ele parasse. Tínhamos que correr muito. “Posso confiar em você?” perguntou o piloto, “pode!” respondi. Pernas pra que te quero, foi uma janelinha minúscula de vento e nós corremos, corremos para voar. Até que meus sonhos mais recentes não estavam tão distantes da realidade, só faltava a asa-delta, mas a corrida eu já vinha treinando. Quando damos o primeiro passo no ar, a asa perde altitude até estabilizar e acelerar, uhhhhh, que friozinho na barriga! Parece aquela descida de montanha-russa, já saí gritando, “Wohoooooo! \o/ Delícia!”, enquanto Ricardo dizia, “Não quero nunca mais ter uma decolagem assim! Obrigado meu Deus!” Aí que eu vi que o negócio tinha sido estranho, empolgada nem percebi que passamos raspando no morrinho abaixo da rampa... já pensaram!?!
Voando e "pilotando" asa delta no Rio de Janeiro - RJ
Bem, nem eu! Eu só quis curtir a vista e pela primeira vez a real sensação de estar voando. Abrir os braços e sentir o vento contra o meu rosto! A praia abaixo, o Corcovado à esquerda e a Pedra da Gávea à direita... INDESCRITÍVEL! Foi uma das melhores sensações que já tive na vida! Curti cada minuto e logo estava eu com frio na barriga novamente, enquanto o Ricardo começava a preparar o pouso.
Celebrando o salto de asa delta, no Rio de Janeiro - RJ
Foram 7 minutos que pareceram o dobro, mas que ainda assim foram poucos. Quero mais, mais e mais! Se eu estivesse morando no Rio, com certeza iria começar um curso de piloto de asa-delta. Finalmente um esporte aéreo que me tocou tanto quanto o mergulho. Ao mesmo tempo que senti toda a adrenalina, senti uma paz tão grande...
Voando de asa delta no Rio de Janeiro - RJ
Mais tarde fomos comemorar o salto, o dia, a vida, no Rio Scenarium, famoso bar na Lapa. Samba, Forró, Samba Rock e tudo o que se tem direito. Todos misturados, cariocas de todas as classes, cores e credos, gringos, ticanos e portugueses, todos na mesma vibração, na mesma energia.
Balada na Lapa, no Rio Scenarium, no Rio de Janeiro - RJ
Foram algumas boas horas dançando e cantando, espantando todos os males, espalhando alegria. Finalizamos com o tradicional sanduíche do Cervantes! Dia perfeito para sonhar, sempre nos dizem para sonharmos alto e eu sonhei mais especificamente a 525m de altitude!
Night no Rio Scenarium, na Lapa, no Rio de Janeiro - RJ
Muita arte nas ruas de Valparaiso, no Chile
Valparaíso é a cidade boêmia, adorada por artistas e poetas talvez, justamente, pela idiossincrasia de sua arquitetura, sua beleza e sua arte. O ar decadente de zona portuária somado ao encanto dos seus 42 cerros, suas ladeiras e vistas panorâmicas faz dela uma cidade cheia de personalidade. Muros pintados de todas as cores, com todos os estilos de street art contrastando com os bondes antigos que ainda circulam levando e trazendo cidadãos e turistas entre as vielas e prédios antigos do centro.
Os antigos trólebus ainda andam nas ruas de Valparaiso, no Chile
Desde 1990 a cidade é a sede do Congresso Nacional Chileno. Sua história sempre esteve relacionada ao mar, sendo um importante porto de passagem dos navios que se aventuravam à Costa Pacífica dando a volta no sul do continente a caminho do Perú, nos tempos da Colônia Espanhola, e mais tarde como parada e abastecimento para os que seguiam à costa californiana durante a corrida do ouro. No início do século XX dois acontecimentos balançaram a economia da cidade, o primeiro literalmente, um terremoto que acabou com Valparaíso. O segundo a inauguração do Canal do Panamá. Assim Valpo seguiu aos trancos e barrancos, como importante capital política, crescendo recentemente como porto de exportação de frutas.
Valparaiso, no Chile, vista do alto do cerro Artilleria
Nós chegamos à Valparaíso em um domingo à noite e esperando que os bares e a boemia estariam a todo vapor nos cerros subimos o Cerro Artilleria atrás das charmosas guest houses que encontramos em nosso guia. Foi uma forma curiosa de conhecer a cidade: noite escura, becos e ruas vazias, rodando e buscando nas paredes dos edifícios caindo aos pedaços e casas antigas a numeração dos hostels indicados. Na maioria deles, nem luz, nem campainha atendiam e dados os últimos acontecimentos, era essencial um lugar com estacionamento.
Um dos muitos cerros de Valparaiso, no Chile
Mesmo sendo tarde e cansados não nos demos por vencidos, o agito deve estar no Cerro Alegre, pensei, lá é o lugar boêmio da cidade. Subimos então o Cerro Alegre e nada, ninguém, uma cidade fantasma e abandonada. O único hostel que achamos aberto não tinha garagem e estacionamento próximo, além de um preço nada amigável, foi aí que decidimos nos entregar ao bom e velho Ibis, que aqui na verdade era novinho e muito bem localizado. Nada melhor do que chegar em casa, cama confortável, banho quentinho e decoração idêntica, aqui ou em Maringá e o melhor de tudo, com estacionamento seguro para a Fiona.
São vários cerros na cidade de Valparaiso, no Chile
A nossa primeira impressão da cidade poderia ter sido das piores, mas ao revés, os ares misteriosos dos cerros e a quietude da cidade nos surpreendeu de tal forma que não víamos a hora de sair para explorá-la. Saímos sem expectativas, sem planos e sem guias, nos deixando levar pelas aparências, curiosidades e cores que víamos em cada esquina. Começamos pela Plaza Sotomayor, praça central da parte baixa da cidade rodeada por antigos prédios imponentes.
Plaza Sotomayor, no centro de Valparaiso, no Chile
Demos um pulo no Muelle Prat onde barcos saíam lotados de turistas para passeios pelo porto prometendo belas vistas de Valparaíso desde o mar. Andamos, subimos o Cerro Concepción, nos enfiamos em um beco com escadarias e caímos dentro do Paseo Iugoslavo, já no Cerro Alegre, onde está o Palácio Baburizza, que com sua arquitetura art nouveau, abriga o Museu de Belas Artes. Segunda feira e, é claro, o museu estava fechado.
Subindo escadaria para um dos cerros de Valparaiso, no Chile
Muita arte nas ruas de Valparaiso, no Chile
Continuamos nos perdendo pelas ruas entre o Cerro Alegre e o Concepción, que durante o dia parecem muito mais receptivas e amigáveis, com belas vistas para o mar afunilando em suas ladeiras. Convites para conhecer La Sebastiana, uma das casas onde viveu Pablo Neruda, não faltavam espalhados por pinturas nos postes do cerro. Ela fica no cerro vizinho o Bellavista, mas não quis ter que lidar com a frustração de chegar lá e dar de cara com a porta, no dia internacional dos museus fechados.
O nome do grande poeta Neruda está por toda parte em Valparaiso, no Chile
No meio da tarde relaxamos e almoçamos em um restaurante no alto do Paseo Iugoslavo com belas vistas para os cerros, o porto e a cidade baixa. Mal sabíamos que estávamos escolhendo um dos preferidos da área, o Norma´s, também pudera, seu charmoso deck de madeira e as amplas vistas não poderiam ser mais convidativas.
Restaurante com uma bela vista de Valparaiso, no Chile
Queijo camembert derretido co geleia de framboesa, em Valparaiso, no Chile
Descemos o cerro novamente nos perdendo entre suas galerias de escadas, de arte e de fotografia. Os antigos elevadores (funiculares) que nos desculpem, mas não troco andar por estas ruas por uma carona corta-caminhos. Resolvemos sair correndo para o Cerro Artillería, estrategicamente localizado para a proteção da cidade e para um belíssimo pôr do sol no Paseo 21 de Mayo.
Um dos muitos funiculares que dão acesso aos cerros de Valparaiso, no Chile
Cruzamos a zona comercial próxima ao porto e subimos a mesma ladeira que nos levou ao topo na noite de ontem. Com pressa para não perder o pôr-do-sol um funicular até que ia bem, mas este fechava às 18h e tivemos que ir a pé mesmo. Do alto uma das vistas mais lindas de Valparaíso e sua vizinha mais jovem e moderna, Viña del Mar.
Valparaiso, no Chile, vista do alto do cerro Artilleria
Viña del Mar é o balneário preferido dos santiaguinos mais descolados. A Cidade Jardim é totalmente o oposto de Valparaíso. O charme caótico desta é substituído pela impecável organização, limpeza e jardinagem da primeira. Palmeiras e flores na orla, intercalados por fontes de água, esculturas, restaurantes, sorveterias e áreas de exercício, delineados pelo mar e por longas pistas de corridas e bicicleta. Atravessando a movimentada avenida beira mar, a Avenida Peru, estão os condomínios mais caros de Viña.
A praia de Viña del Mar, no Chile
O sempre tradicional futebol de praia, em Viña del Mar, no Chile
A orla muito bem cuidade de Viña del Mar, no Chile
O vento frio ainda soprava e as águas geladas do Pacífico não estavam muito amigáveis para um mergulho. Assim a nossa passagem por lá foi rápida e indolor! Uma manhã passeando na orla, um almoço à beira mar e logo pegávamos a estrada para Santiago, a apenas 160km dali.
Voltando para a parte baixa de Valparaiso, no Chile
Muitos tubarões durante mergulho em Felipe's Point, em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Providencia está localizada à beira de um abismo submarino, situação ideal para encontrar uma grande biodiversidade marinha. Encontros com tubarões e peixes de grande porte são certos e fazem desta pequena ilha um dos paraísos dos mergulhadores aqui na Colômbia.
Encontro com tubarões durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Com a ajuda de Betito eu agendei um mergulho com o pessoal da Felipe Diving, baseados na Fresh Water Bay. Com um pouco de dor de ouvido o Rodrigo preferiu não arriscar e trocou os mares pelas montanhas, visitando o ponto mais alto da ilha, “O Pico”. Enquanto ele conferia a natureza exuberante, lagartixas azuis e os morros escarpados de Providência, eu desci às águas profundas no ponto conhecido como Felipe´s Point com a promessa de encontrar alguns tubarões.
Muitos tubarões durante mergulho em Felipe's Point, em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Um tubarão se aproxima durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Gata escaldada, nunca alimento esperanças concretas de encontrar esses animais, afinal eles exercem o seu direito de ir e vir nesse imenso mar azul. Mas aqui foi diferente, eles moram nos arredores deste arrecife à beira de um paredão de 500m de profundidade e não tem medo dos mergulhadores que volta e meia vêm os visitar. Black tip sharks e Gray Reef Sharks são os mais comuns nessas águas, eles variam de 1,5m a 3m e são super curiosos, indo e vindo ao redor dos mergulhadores.
Muitos tubarões durante mergulho em Felipe's Point, em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Chegamos a quase 40m de profundidade e ficamos cercados por mais de 10 tubarões, lindos, majestosos e imponentes. Aos poucos percebo que eles estão ficando mais agitados e demorei a entender o motivo. Felipe e seu irmão, que nos guiavam no mergulho, estavam caçando lion fishes (peixes-leão), que são uma praga invasora aqui no Caribe.
Mergulhando junto com tubarões em Providencia, ilha colombiana no Caribe
A memória dos tubarões nem depende do seu aguçado olfato, pois já registrou que esses mergulhadores são fonte de alimento, e sabem disso antes mesmo de eles começarem a caçar. Em poucos minutos o show começa e Felipe, sem roupas especiais de proteção e sem medo algum, começa a provocar os tubarões com um lion fish em seu arpão. Os tubarões ficam bem atiçados e chegam cada vez mais próximos do grupo, que extasiado assistia à cena, impressionados com o que estávamos presenciando.
Alimentando tubarões com lion fish durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Alimentando tubarões com lion fish durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Um dos mergulhadores usava um bastão com uma Go Pro acoplada na ponta, semelhante ao arpão que alimentava os tubarões. Um deles se confundiu e quase levou a Go Pro pensando que era um peixe. Todos os mergulhadores do grupo eram muito experientes, o que garantiu a segurança de todos, mas essa prática é muito delicada e muda o hábito alimentar do animal, que passa a ver nós, humanos/mergulhadores como fonte de alimento. Por isso eu sou contra o shark feeding, embora, de um jeito meio torto, ele cumpra o seu papel de educar e mostrar ao ser humano que os tubarões são animais que merecem ser respeitados e preservados. É importante saber que um mergulho com shark feeding deve ser feito com muita cautela, cumprindo normas de segurança e principalmente com o conhecimento prévio de todos os envolvidos e um briefing detalhado para garantir a segurança.
Fotografando tubarões durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
No nosso segundo mergulho também encontramos tubarões, arraias, barracudas, muitos lion fishes, lagostas e um cenário espetacular com cavernas e cânions, entre o azul e uma colorida barreira de corais.
Encontro com barracuda durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Tive uma sorte imensa de cair em um grupo especial de mergulhadores convidados pelo Ministério do Turismo Colombiano para divulgar o turismo de mergulho no país. A viagem de familiarização trouxe representantes de operadoras de turismo brasileiras, francesas, americanas e espanholas especializadas em mergulho, para conhecer alguns dos melhores pontos dos mares da Colômbia em San Andres e Providencia, Cartagena, Islas Rosário e Santa Marta. O pessoal da FAM Trip me acolheu e garantiu que nós tivéssemos também a melhor experiência nas ilhas, provando o melhor da culinária e dos mares do Caribe. Após o mergulho fomos até a praia de Suroeste e almoçamos no Divino Niño, restaurante de frutos do mar preparados na brasa à beira da praia. Esta dica valiosa da nossa amiga Fabiola Sad já estava no nosso roteiro e ficou ainda melhor na companhia dessa galera animada!
Celebrando o incrível mergulho com tubarões em Providencia, ilha colombiana no Caribe
À tarde o grupo todo saiu mergulhar enquanto eu aproveitei para fazer um rápido tour de volta à ilha na garupa do Betito. Segundo eles o mergulho foi lindo, viram mais tubarões, tartarugas e ainda tiveram a sorte de cruzar com um cardume de golfinhos! Mergulho excepcionais que sem dúvida estão entre os melhores do Caribe!
Um Cristo submarino em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Procissão pela Plaza de Armas, em Lima, capital do Peru
Fundada em 1535 pelos espanhóis como a capital do Vice-Reino de Perú. Às margens do Oceano Pacífico, Lima possui uma aura de cidade praiana, porém com muita história gravada em cada rua e cada edifício. Um rápido passeio pelo centro histórico da cidade nos remete aos tempos de glória da colônia espanhola, em sua espetaculosa Plaza de Armas.
Comemorações do Dia da Polícia, na Plaza de Armas, em Lima, capital do Peru
Tivemos a sorte, ou o azar, de chegarmos justamente em um domingo comemorativo do Dia da Polícia Nacional, quando também se comemora a padroeira da cidade, Nossa Senhora de Lima. Uma procissão e um grande festejo com pompas e circunstâncias lotavam as ruas ao redor da praça. A solenidade foi completa, com direito a desfile especial da Polícia Nacional, artilharias e uma multidão de fiéis acompanhando a imagem da santa.
A "Troca da Guarda", na Plaza de Armas, em Lima, capital do Peru
Há apenas duas quadras dali fica a Igreja de São Francisco, com uma belíssima arquitetura, uma das mais antigas bibliotecas no país e um acervo de pinturas impressionante. Ainda assim a principal atração desta igreja não está nas coleções de peças religiosas ou imagens, mas sim nos seus labirintos subterrâneos.
Ossos nas catacumbas do Mosteiro de São Francisco, em Lima - Peru
As catacumbas da Igreja São Francisco foram abertas a visitação há 30 anos, depois de longa pesquisa realizada por arqueólogos que encontraram mais de 25 mil ossadas de antigos moradores de Lima. Cidadãos comuns eram enterrados aqui, assim como os religiosos e pessoas da elite, que possuíam espaços especiais e de destaque mais próximos à nave principal da igreja. Infelizmente as fotos dentro das catacumbas são proibidas, mas algumas podem ser encontradas na internet e estão aí para ilustrar.
Ossos nas catacumbas do Mosteiro de São Francisco, em Lima - Peru
Depois desta parte mais fúnebre do tour histórico, seguimos para a Plaza San Martin, outra pérola da arquitetura colonial, com lindos edifícios antigos e um dos mais antigos e tradicionais hotéis da cidade, o Gran Hotel Bolívar, famoso por seu pisco sour.
O melhor Pisco Sauer do mundo, no Gran Hotel Bolivar, na Plaza San Martin, em Lima, capital do Peru
Aproveitei para tentar recuperar das cinzas a minha bota de couro preta e ajudar a um engraxate que estava por ali sem trabalho. Batemos um bom papo, outro amigo engraxate também se interessou e se uniu à conversa. Desde o início perguntei quanto custaria, mas ele falou meio pra dentro, embolado... eu acabei deixando por isso. Ao final, queria me cobrar 26 soles, um roubo! Fiquei na dúvida, demos o dinheiro e ficamos aguardando o troco... enquanto isso um guarda se aproximou e começou a inquiri-lo. “Cuanto estás cobrando?”, perguntava. E o rapaz não respondia, até que eu disse o valor. O guarda fez ele baixar o preço a todo custo, foram uns 10 minutos tensos entre eles e nós ali observando. O guarda comentou que eles estariam nos roubando se cobrassem aquilo e fica sempre atento ao serviço destes engraxates. Nós saímso dali nos sentindo os turistas manés, mas que foram bem cuidados e protegidos pela guarda turística, hehehe! Bacán*!
Dando uma geral nas botas, na Plaza San Martin, em Lima, capital do Peru
Um dia é pouco para conhecer tantos lugares e museus na grande cidade de Lima. O Museu dos Arcos é uma outra fica interessante, infelizmente não pudemos visitá-lo, mas é o mais indicado por todos que já á tiveram a oportunidade, com uma larga coleção de artesanatos pré-colombianos e até uma sala com objetos um tatno quanto “tântricos” utilizados pelos antigos.
Fim de tarde em avenida movimentada e prédios pomposos do centro de Lima, capital do Peru
* Bacán – gíria utilizada em vários países latinos que significam o mesmo que bacana!
A Fiona e seu companheiro de conteiner na viagem para a Colômbia (no porto de Colón, no Panamá)
Hoje terminamos uma grande etapa da viagem, deixamos o Caribe para trás depois de ter passado por todas os seus 31 países e territórios, em 168 dias em 6 diferentes etapas de viagem. Fechamos com chave-de-ouro conhecendo o mais pobre e intrigante país caribenho, o Haiti, e um dos mais turísticos República Dominicana. Ao mesmo tempo estamos prestes a despedir-nos de outra etapa dos 1000dias, quando deixaremos esse pedacinho sul da América do Norte conhecido como América Central, depois de 1 ano e 6 meses por essas terras ao norte do equador. Mas antes precisamos passar pelas burocracias que nos deixaram chegar até aqui e fazer a travessia da Fiona entre Panamá e Colômbia, desviando por mar o Tapón de Darién, o único trecho em que a Carretera Panamericana não pôde ser construída.
Skyline da Cidade do Panamá, a capital do país
Há mais de um mês estamos em contato com Tea, a agente aduaneira panamenha que tem orientado viajantes nestes trâmites há anos. E você sabe como é, um indica para outro, que indica para outro e no buzz a Tea acaba tendo quase um monopólio deste interessante nicho de mercado. O que é ainda mais interessante é que por alguns motivos práticos, o envio do carro por Ro-Ro (carga solta) aqui do Panamá para Colômbia é mais complicado que de lá para cá. São menos navios disponíveis e, se entendi bem, menos interesse dos agentes portuários e das navieras de abrir este mercado. Isso é um problema se você está sozinho, pois o custo do envio em Ro-Ro (US$ 900,00*) é menor que o envio de um carro sozinho em um container pequeno (US$1.400,00*). Enfim, envio por Ro-Ro (sigla para Roll-in, Roll-out) é possível, mas você precisará de mais tempo, paciência e uma dose de sorte para conseguir.
Entrando no contéiner em direção à Colômbia! (no porto de Colón, no Panamá)
A outra saída, procurada pela maioria dos viajantes, é compartilhar um container com outro viajante no mesmo trajeto. O valor total é de US$ 1.800,00*, que viram 900,00 por carro, como o Ro-Ro e muito mais seguro, pois uma vez dentro do container, ninguém toca no carro até você retirá-lo em Cartagena. Aí vem a pergunta, como vamos descobrir um viajante que esteja precisando enviar o carro na mesma data que você? Existem algumas formas, uma delas é via comunidades na internet, como a Red de Viajeros no facebook ou o site Africa Overland. Mas o jeito mais fácil mesmo é direto na fonte, no gargalo, com o agente aduaneiro. São poucas companhias que fazem este trâmite e as mais conhecidas pelos viajantes são a Evergreen e a Sea World.
O companheiro de viagem da Fiona, no porto de Colón, no Panamá
A Tea opera pela Evergreen e por já ter trabalhado com muitos overlanders é um dos melhores gargalos. Nas últimas três semanas estávamos achando que não teríamos outra forma de enviar o carro, senão sozinhos, eis que na última semana nos veio a grande notícia, vamos compartir um container!
Os casais se despedem de seus carros embarcados no contéiner, no porto de Colón, no Panamá
Tina e Marco são um casal de suíços que está viajando há 6 meses pela América Latina. Eles saíram da Califórnia, onde compraram Bode, sua Toyota Land Cruiser 1986 e estão descendo pela Panamericana até o Ushuaia. Eles ainda não decidiram o que farão depois, estão viajando com tempo livre e ao sabor do vento. Insistimos para que cheguem até o Brasil, está na hora de sermos incluídos nos roteiros dos overlanders! São raros os viajantes que incluem o Brasil na rota, seja pelo preço, língua, violência ou simplesmente por que nem pensam na hipótese, já que a Estrada Pan-americana faz apenas a rota do Pacífico. E quem diria que a bichinha foi desenhada, aberta e percorrida pela primeira vez por um grupo de brasileiros?
A POnte das Americas, sobre o Canal do Panamá, na Cidade do Panamá, a capital do país
A aventura de Tina e Marco pode não parar por aí, dependendo de como estiverem suas economias eles ainda planejam cruzar o carro para a África do Sul e continuar a aventura pelo continente africano. Que maravilha!
Vamos à sequência de fatos e burocracias que se seguiu:
Quarta-feira, 08 de Maio de 2013
Recuperando a Fiona no Bond (Porto Seco) na Cidade do Panamá, a capital do país
Retornamos de Santo Domingo para começar os trâmites de envio do carro. Nós, porém, tínhamos ainda outras burocracias para lidar. Enquanto fomos para a República Dominicana e o Haiti, a Fiona ficou estacionada em um porto seco, o Bond Kinte. Retiramos o carro pela manhã, após idas e vindas com papéis, pagamentos e liberações aduaneiras tínhamos a Fiona nas nossas mãos e estávamos prontos para os próximos passos rumo ao Puerto de Manzanillo.
Depois de 3 semanas, lá está a Fiona, no Bond (Porto Seco) na Cidade do Panamá, a capital do país
As burocracias do carro devem começar amanhã, então tivemos a tarde livre para ir almoçar no AllBrook Mall e ainda pegamos um cineminha, coisa rara nesses 1000dias. O filme foi o Mentes Poderosas com o Robert De Niro e a Sigourney Weaver, eu adorei! Sem contar que nas quartas-feiras a sessão sai por 2 dólares por pessoa, maravilha.
Quinta-feira, 09 de Maio de 2013
O Casco Antiguo na Cidade do Panamá, a capital do país
Esta seria a data para a inspeção veicular na DIJ, que é tipo um departamento de trânsito e inspeções dentro da Polícia Nacional. Um dia antes recebemos a informação de que o DIJ estaria fechado para inspeções na quinta-feira por motivo de um treinamento. Só poderíamos fazer a inspeção no dia seguinte, o que atrasaria uma semana o envio do carro. Porquê? O papel da inspeção sai apenas na tarde do mesmo dia, depois das 15h, e aí já não há tempo hábil para ir até Colón antes da Aduana fechar. (O horário de fechamento da aduana em Colón é as 16h, segundo nos informaram.)
Ruínas de igreja no Casco Antiguo, na Cidade do Panamá, a capital do país
Sem inspeção, não nos restou opção senão trabalhar nos nossos amados blogs pela manhã, resolver a problemática da nossa ida à Cartagena e pegar um final de tarde com bastante vento caminhando do centro até o Casco Antíguo pela Costeira.
De volta à Cidade do Panamá, a capital do país
O Casco Antíguo está passando por uma imensa reforma e restauração das casas antigas. Ao redor dele está sendo construída mais uma via, em uma causeway sobre o mar. As reformas tiram um pouco do charme e da vida do lugar, mas ainda conseguimos encontrar as feirinhas dos Kunas Awala cheias de mola-molas e um restaurante bem gostoso em frente à praça central para tomar uma taça de vinho e jantarmos bien rico!
Venda de Molamola no Casco Antiguo, na Cidade do Panamá, a capital do país
Degustando um vinho em frente à Catedral, na principal praça do Casco Antiguo, na Cidade do Panamá, a capital do país
A nossa viagem de Ciudad do Panamá para Cartagena estava planejada via Puerto Obaldía (vôo pela Panamá Air) e depois de barco até Sapzurro, já na Colômbia, engatando uma sequência de barcos para Capurganá e Turbo de onde poderíamos pegar um ônibus público ou uma van contratada para nos levar até Cartagena. Este litoral é belíssimo e muito isolado, por isso estava como nossa prioridade de roteiro. Porém com as incertezas do embarque da Fiona no porto não compramos antes a passagem de avião pela Panamá Air e acabamos ficando sem passagem. O avião é pequeno e as passagens se esgotam muito rápido. Tina e Marco compraram uma semana antes e com a mudança de data acabaram perdendo e pagaram uma multa pelo reembolso. Assim eles decidiram fazer a travessia de barco por San Blás, enquanto nós, que tínhamos sido obrigados a comprar uma passagem e avião Ciudad do Panamá/Cartagena para embarcar em Santo Domingo, agora decidimos ao invés de ressarci-la, trocá-la para uma passagem a Cartagena via San Andres, no caribe colombiano. Como diriam minhas ex-chefes na Dez: “Vamos fazer deste limão uma limonada!” =)
Sexta-feira, 10 de Maio de 2013
Às 8h da manhã finalmente conhecemos pessoalmente Tina e Marco no estacionamento da Marina Balboa. A Marina é um ótimo camping para os overlanders na cidade, tem um grande estacionamento, oferece as instalações de banho e internet gratuitamente. Acabamos tendo a má notícia que há duas noites eles foram assaltados. A sorte é que não teve arma nem nada, foi na malandragem mesmo. Enquanto dois chegaram para conversar com eles, muito simpáticos, o terceiro malaco estava roubando a câmera e todo o dinheiro que eles tinham acabado de sacar. Sacanagem!
Encontro com os suiços Tina e Marco, que vão dividir o conteiner para a Colômbia conosco (na Cidade do Panamá, a capital do país)
Lá na marina encontramos a Amy, filha de Tea, que nos acompanhou no processo do DIJ, no centro da cidade. Depois de esperarmos quase uma hora para os motores esfriarem, o inspetor do DIJ veio, olhou o carro, conferiu o VIN e em 10 minutos nos liberou. As 14h voltamos para buscar o papel no mesmo local e ajudamos Tina e Marco a começar o processo do boletim de ocorrência na Polícia Nacional. A propósito, eles tem até tradutor oficial lá para este tipo de caso, tiraram as digitais do carro e tudo, profissional a coisa.
Com os suiços Tina e Marco, na Aduana em Colón, no Panamá
Enquanto eles ficaram 4 horas fazendo o B.O., nós fomos ao aeroporto nacional garantir se não havia mesmo chance de voarmos para Puerto Obaldia e com a negativa, seguimos para o Albrook Mall, onde há uma loja da Copa Airlines, para trocar as passagens e fazer o caminho a Cartagena via San Andres. E já que estamos aqui, por que não nos rendermos a mais um cineminha? A sessão de hoje foi “Homem de Ferro III”, ação e fantasia do Universo Marvel, muito bom!
Sábado e Domingo, 11 e 12 de Maio de 2013
Nas ruas da Cidade do Panamá, ensaio para a festa da independência do país
Dois dias de descanso e trabalho nos blogs. Ficamos no hotel, tomamos um banho de piscina com vista para a cidade e o Pacífico e jantamos em um boteco “copo sujo” da nossa vizinhança do centro panamenho. No domingo aproveitamos o final de tarde para arrumar a nossa bagunça na Fiona, reorganizamos tudo dentro dela e ainda pegamos uma batucada à noite. O pessoal vinha à toda descendo a Avenida Peru, treinando para a marcha de independência que acontece todo setembro. Um show!
Nas ruas da Cidade do Panamá, ensaio para a festa da independência do país
Segunda-feira, 13 de Maio de 2013
Chegando ao porto de Colón, no Panamá
Finalmente chegou o grande dia: o dia de embarcarmos a Fiona! Viajamos logo cedo para Colón, encontramos Tina e Marco escovando os dentes, como sempre, com seu carro Bode (leia-se Boudi), no estacionamento da Plaza Millenium e logo chegou Luis. Luis nos acompanhou em todo o procedimento, revisando as cópias de documentação necessárias, indo até a aduana para dar saída nos veículos e depois, na entrada ao Terminal de Cargas de Colón – TCC, para colocarmos Fiona e Bode dentro do container da Evergreen. Foi perfeito, demora um pouco, mas com paciência tudo dá certo.
Entrando no contéiner em direção à Colômbia! (no porto de Colón, no Panamá)
Eu estava tentada a ir à Zona Livre em Colón, para achar uns eletrônicos, mas as burocracias de enviar o material ao aeroporto internacional, etc, nos fizeram desistir e resolvemos ir logo embora dessa cidade feiosa. Do TCC pegamos um táxi ao terminal de ônibus de Colón, onde subimos em um ônibus com ar condicionado e até um filminho sobre a vida dos chimpanzés, bem interessante. 1 hora depois estávamos na Ciudad de Panamá no terminal de ônibus que é aonde? No Albrook Mall! Sim, tudo gira em torno deste shopping. Procuramos as coisas que eu queria comprar na Zona Livre, acessórios da Go Pro e para a Nikon e não encontramos. O shopping é super completo, mas a parte de eletrônicos é básica e tem apenas o equipamento principal, não seus acessórios.
O companheiro de viagem da Fiona, no porto de Colón, no Panamá
Uau, fim da nossa jornada épica na Cidade do Panamá! Dias tão temidos e tão esperados pelo casal aqui que sabia as burocracias que iria encontrar e por isso mesmo já soube tirar de letra o estresse dessa travessia do carro entre Colômbia e Panamá. Adiós Centro-América!
O lacre do contéiner da Fiona, no porto de Colón, no Panamá
*Valores não incluem as taxas portuárias colombianas, em torno de US$ 300,00.
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