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Blog da Ana - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Rio De Janeiro Há 2 anos: Rio De Janeiro

Nova Etapa!

Brasil, Paraná, Curitiba

Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Depois de um rápido pit stop em Curitiba para rever a família, amigos, alimentar a alma e resolver questões burocráticas da viagem estamos novamente na estrada! A Fiona fez uma das revisões mais importantes do seu ciclo de vida, depois de rodar 150 mil quilômetros até o Alasca, por mais de 700 cidades e todos os países do continente americano. O único país onde ela não colocou suas 4 patas tracionadas foi o Uruguai, que estará fechando o tour americano do 1000dias, depois da nossa passagem pela Patagônia Argentina e Chilena.

Começamos o nosso roteiro rasgando o oeste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul com uma rápida parada na cidade de imigrantes austríacos de Treze Tílias, o Salto Yucumã e nos 7 Povos das Missões, algumas das ruínas mais antigas no Brasil. Daí cruzaremos à Argentina em busca das incríveis paisagens da Cordilheira dos Andes, de Copiapó à Santiago e a região dos lagos. Da capital chilena deixaremos a Fiona por alguns dias para desbravar a porção insular do Chile no meio do Pacífico: a Ilha de Páscoa! Um sonho antigo que só cresceu ainda mais depois da nossa passagem pelo Hawaii. Vamos ver se encontramos as similaridades destes povos, que dizem terem chegado à América antes mesmo dos nossos índios. Será mesmo?!


Roteiro Base - Chile, Argentina e Uruguai

Na volta à Santiago o caminho óbvio seria seguirmos em um grande zigzag entre a Carretera Austral, no Chile, e a Ruta 40, na Argentina até a Patagônia, porém esta etapa da viagem, nos reserva uma grande surpresa! Esta surpresa tem dimensões continentais, temperaturas que variam de 10°C na costa durante o verão e o recorde de temperatura negativa de -89,2°C no interior, durante o inverno. Lá os ventos podem chegar a 320km/h nas regiões costeiras e a sua altitude média é a maior do mundo, 2.000m, sendo o ponto mais alto 5.140m! 98% deste território está coberto por gelo, incluindo mais de 145 lagos e imensos rios subterrâneos que somam 70% de toda a água doce do planeta! OK, chega, já foram dicas demais... E aí, já conseguiu descobrir aonde vamos?!

O roteiro do nosso barco, saindo de Buenos Aires, passando pelas Malvinas, Geórgia do Sul e Antártida e chegando em Ushuaia

O roteiro do nosso barco, saindo de Buenos Aires, passando pelas Malvinas, Geórgia do Sul e Antártida e chegando em Ushuaia


Serão 22 dias de expedição, passando pelas Ilhas Falklands (ou Malvinas, se você está do lados dos nossos hermanos argentinos), South Georgia e Península Antártica! Embarcamos em Buenos Aires e desembarcamos em Ushuaia! Já deu para imaginar a mecânica e o trabalho que estamos tendo para encaixar tudo isso no roteiro, não é mesmo?! O carro estará em Buenos Aires e nós lá na Terra do Fogo! Porém não existe chance alguma de não levarmos a Fiona com as próprias rodas até o ponto mais ao sul do Continente Americano, então voltaremos a Buenos Aires e seguiremos para a nossa “Expedição Patagônia”. Se vocês tiverem dicas de roteiros e lugares alternativos e/ou obrigatórios nessa viagem, por favor, nos enviem para incluirmos no roteiro!

E então?! Prontos para mais 150 dias de aventuras e viagens pelo continente americano? Pé na estrada e vamos que vamos!

Brasil, Paraná, Curitiba, Estrada, Patagônia, roteiro

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Caracol e ATM Cave

Belize, Caracol, San Ignacio-BEL

Contemplando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Contemplando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


San Ignácio é um dos destinos turísticos mais populares de Belize, logo depois das praias de águas azuis de areias branquinhas de Ambergris e San Pedro. Um roteiro pelo país não estará completo se não incluir explorações pelas matas, cavernas e rios de Cayo, tudo isso com uma boa dose da Cultura Maya!

Detalhe de esculturas em alto relevo nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Detalhe de esculturas em alto relevo nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


O estado de Cayo é a casa da maior Cidade Maya de Belize, a impressionante e imponente Caracol. San Ignacio é a melhor base para explorações desta e de outras ruínas menores nas vizinhanças como Cahal Pech e Xunantunich, além de cavernas e rios que foram frequentados pelos povos mais antigos que aqui viviam.

A mata densa que cerca as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

A mata densa que cerca as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Nossas explorações nesta região começaram pelo Blue Hole National Park, uma piscina de águas azuis que dá acesso a um pequeno sistema de caverna. Quando vimos o nome “Blue Hole”, e sabendo do seu famoso homônimo belizenho, achamos que seria algo mais impressionante, mas é uma boa parada para refrescar.

Mergulhando no pequeno cenote Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize

Mergulhando no pequeno cenote Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize


O parque também possui uma rede de trilhas pela floresta tropical com cavernas e mirantes que dão uma boa visão do interior de Belize.

A boca da caverna St Herman's Cave, ao sul de Belmopan, capital de Belize

A boca da caverna St Herman's Cave, ao sul de Belmopan, capital de Belize


Subindo em mirante no alto de uma colina no parque do Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize

Subindo em mirante no alto de uma colina no parque do Blue Hole, ao sul de Belmopan, capital de Belize


Ele está localizado na Hummingbird Highway que conecta o sul à capital Belmopan, que passamos rapidamente de carro no caminho para San Ignacio. Belmopan, uma das menores capitais do mundo, foi construída em 1970 para sediar a capital do país após a destruição de Belize City e vários arquivos públicos pelos ventos de 300km/h do furacão Hattie.

Caracol


As majestosas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

As majestosas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Uma das principais cidades do Período Clássico Maya possui vestígios arqueológicos que datam até 1200 a.C. Sua fundação porém se deu no ano de 331 d.C, com influências Teotihuacanas, do México Central. Durante muito tempo a cidade era tida como um centro de menor importância no mundo maya, até a descoberta de sua relação com as mais poderosas Calakmul e Tikal.

As ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

As ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Foi no ano de 556 d.C que Tikal declarou guerra à Caracol e a derrotou. 6 anos mais tarde o Senhor das Águas de Caracol foi em busca de vingança e derrotou Tikal em uma guerra que foi responsável pelo período de declínio da poderosa cidade maya. Durante este período de quase 120 anos Tikal passou por uma diminuição populacional e teve um grande hiato na construção de novos monumentos.

Visitando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Visitando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


A pirâmide principal de Caracol conhecida como Caana é grandiosa! No topo dela se encontram os aposentos da família real e dos sacerdotes mayas, diferentemente de outros sítios onde as pirâmides eram usadas apenas para motivos cerimoniais. A cidade é uma das maiores em extensão, com aproximadamente 200km2. São em torno de 267 estruturas por quilômetro quadrado e entre elas 25 estelas, 28 altares, 250 enterros e 200 caches.

Detalhe das intrincadas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Detalhe das intrincadas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Um dos muitos altares nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Um dos muitos altares nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Como o sítio é mais retirado ele é também um dos menos visitados em Belize, o que faz a experiência ainda melhor. Entre árvores e pirâmides de pedras encontramos um campo de futebol da pequena vila montada dentro do sitio arqueológico. Uma grande árvore no A Group Plaza estava repleta de ninhos de um curioso pássaro, o montezuma oropendula, que para cantar quase dá uma cambalhota com seus pés presos ao galho! Seus ninhos têm mais de um metro de comprimento pendurados na árvore.

Ninhos de montezuma, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Ninhos de montezuma, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


No alto da árvore, um pássaro montezuma, com sua característica cauda amarela, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

No alto da árvore, um pássaro montezuma, com sua característica cauda amarela, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Enquanto observávamos os montezumas começamos a escutar os gritos dos bugios gritadores (howler monkeys). Seguimos seus gritos passando por uma alameda de arvores e estelas, e junto a outros turistas sortudos, ficamos observando os macacos por mais de 30 minutos, gritando sem descanso! Demais!

Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Localizada a 40 km de San Ignacio, a viagem para Caracol por si só já é uma aventura! O acesso é por uma estrada que corre paralela a fronteira com a Guatemala e por incidentes que ocorreram no passado com turistas, o governo oferece uma escolta militar de ida as 9h da manhã e no retorno as 14h.

A caminho das ruínas mayas de  Caracol, a famosa placa de lombada em forma de gente! (em Belize, quase na fronteira com a Guatemala)

A caminho das ruínas mayas de Caracol, a famosa placa de lombada em forma de gente! (em Belize, quase na fronteira com a Guatemala)


Escolta militar patrulha as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Escolta militar patrulha as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


A simpática escolta militar nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

A simpática escolta militar nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala


Nós fomos no nosso ritmo, encontramos a escolta já nas ruínas e retornamos pouco antes dela sair, sem problema algum. Na volta ainda paramos nos poços do Río On Pool, delicia para relaxar e se refrescar depois do dia de estrada e caminhada.

Delicioso banho de cachoeira em rio no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala

Delicioso banho de cachoeira em rio no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala



ATM Cave


Uma das caveiras de pessoas sacrificadas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Uma das caveiras de pessoas sacrificadas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


A ATM, sigla para Actun Tunichil Muknal, significa a caverna do sepulcro de pedra. A caverna é um lugar sagrado para os mayas, que buscavam no inframundo o auxilio dos seus deuses durante os períodos mais difíceis de secas. Além das belíssimas formações e espeleotemas, encontramos reminiscências destes rituais feitos em honra ao Chaac, deus das águas, incluindo sacrifícios humanos! Um lugar único no mundo maya!

Espeleotemas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Espeleotemas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


A visita dura em torno de 5 horas, pouco mais de 40 minutos de caminhada pela mata, cruzando rios e matas até a entrada da caverna. Entramos nela nadando em um pequeno poço do mesmo rio por onde iremos seguir caverna adentro. Lá, seus labirintos guardam imagens e formas impressionantes! Aos poucos os resquícios arqueológicos começam a aparecer, ferramentas de corte utilizadas para auto-mutilação pelos sacerdotes foram encontradas junto de vasos na sala do maiz. Feitas de obsidiana e jade, uma delas tem a forma de milho e pode ser vista ao longe.

Entrando na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Entrando na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


Quanto mais entramos na caverna, mais complexos vão ficando os cerimoniais, inúmeros potes e jarros de cerâmica que carregavam alimentos, recolhiam a água e eram quebrados para espantar os maus espíritos. O preto da fumaça no teto, tanto dos incensos, quanto das áreas de cozinha indicam que os mayas ficavam ali por dias.

Potes e vasilhas mayas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Potes e vasilhas mayas na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


Nós vimos pelo menos 5 esqueletos no nosso caminho, mas já foram contados 14 pelos arqueólogos. Os mais impressionantes deles são o do bebê de 12 meses e o de sua mãe, que descansa inteirinho em um dos pontos mais distantes da caverna. Com a ajuda do guia entramos na realidade, entendemos o desespero pelo qual passava aquele povo, e como suas técnicas iam evoluindo conforme a seca se prolongava. Assim foi o final de várias das poderosas cidades-estado do Período Clássico, um momento de mudanças profundas para a Civilização Maya.

Esqueleto de mulher sacrificada na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Esqueleto de mulher sacrificada na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


A visita a esta caverna só pode ser feita através de operadoras de ecoturismo que possuem o treinamento e a permissão para entrar na gruta. Entramos em um grupo com uma chinesa e um indiano que vivem nos Estados Unidos e um grupo de amigos belgas, que ao que tudo indica, foram os culpados por atrasar a saída do tour em mais de 2 horas. Nosso guia Francisco foi super atencioso e fez todas as explicações e suspenses dentro da caverna para entrarmos no clima.

Observando antigos potes mayas, no mesmo local onde foram encontrados, na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)

Observando antigos potes mayas, no mesmo local onde foram encontrados, na ATM Cave, na região de San Ignacio, em Belize (foto da internet)


Detalhe: Não é permitido o uso de câmera neste tour, pois alguns outros turistas descuidados acabaram quebrando (com suas câmeras) 2 dos crânios centenários dos pobres coitados que foram sacrificados ali. Ainda assim, são imagens inesquecíveis mesmo para os mais desmemoriados. A ATM Cave é imperdível para os apaixonados pela cultura Maya.

San Ignacio


Meninas se divertem no rio de San Ignacio, em Belize

Meninas se divertem no rio de San Ignacio, em Belize


A cidade de San Ignacio é uma das mais organizadas e orientadas ao turismo no país, mas ainda assim não possui muitos atrativos por si só, sendo somente uma boa base para explorar a região. Apenas andar pelas ruas bagunçadas, fazer um passeio pelo mercado popular no sábado e provar a culinária belizenha no favorito Hannah Restaurant já é suficiente.

Han-nah, nosso restaurante preferido em San Ignacio, em Belize

Han-nah, nosso restaurante preferido em San Ignacio, em Belize


Se você não está no clima de cidade de terceiro mundo como experiência antropológica e social, uma forma de se isolar um pouco da loucura urbana é hospedar-se em um dos vários hotéis e eco-resorts (caros) ou campings (baratos) nos arredores da cidade, às margens do rio.

O belo rio que divide San Ignacio em duas, em Belize

O belo rio que divide San Ignacio em duas, em Belize


Nós ficamos hospedados no centro, já que não queríamos gastar muito e precisávamos de internet. No hotel conhecemos Lili, John e seu pai, viajando de carro desde Washington DC ao Alaska e agora estão cruzando rumo ao Sul e eventualmente chegarão a Patagônia. Ele é fotógrafo, ela professora e participa da viagem nas suas férias e o pai aposentado é uma ótima companhia, bem falante e curioso. Sempre bacana encontrar outros viajantes expedicionários, jantamos juntos uma noite e trocamos muitas historias e experiências.

Mercado de San Ignacio, em Belize

Mercado de San Ignacio, em Belize


Rose Apple, um tipo de maçã aguada no mercado de San Ignacio, em Belize

Rose Apple, um tipo de maçã aguada no mercado de San Ignacio, em Belize


O movimentado mercado de San Ignacio, em Belize

O movimentado mercado de San Ignacio, em Belize


Fechamos aqui na região de Cayo a nossa viagem por Belize, um país muito rico e diverso culturalmente! Tivemos ótimas surpresas e muitos encontros especiais durante as nossas andanças: garifunas, velejadores, expats e locais que fizeram uma nova imagem de Belize em nossas mentes. Quando olharmos o mapa da América Central este cantinho meio britânico, meio caribenho, meio maya e meio garifuna nunca mais será o mesmo!

Entrando novamente na Guatemala, agora vindos de Belize

Entrando novamente na Guatemala, agora vindos de Belize

Belize, Caracol, San Ignacio-BEL, arqueologia, ATM Cave, Caracol, espeleologia, maya

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Além do Alasca!

Alaska, Coldfoot

Bela paisagem na Dalton Highway, no norte do Alaska

Bela paisagem na Dalton Highway, no norte do Alaska


Ontem cruzamos a linha do Círculo Polar Ártico e aí poderíamos fazer aquela linha, “Chegamos ao objetivo norte da expedição”. O problema é que chegando lá descobrimos que existia um mundo inteiro pela frente! Primeiro este mundo continuava até Coldfoot, o melhor lugar para ver a aurora boreal e único lugar para pernoitarmos. Lá em Coldfoot, conversando com os Caminhoneiros do Gelo descobrimos que as paisagens mais ao norte eram ainda mais bonitas e que a Brooks Range, o Atigun Pass e a “real tundra” estava a apenas 200km ao norte dali!

Antigo posto de correios da simpática Wiseman, cidade 100 milhas ao norte do Círculo Polar Ártico, no Alaska

Antigo posto de correios da simpática Wiseman, cidade 100 milhas ao norte do Círculo Polar Ártico, no Alaska


Como viremos tão longe e não iremos até lá? Pois é, assim é que você entende como os caras dão a volta ao mundo! Daqui estamos também a apenas alguns passos da Ásia e da Rússia! Por que não colocar o barco em um navio e ir ao Japão, Rússia, Mongólia e adiante? Já viemos tão longe!!! Pois é, meus amigos, familiares, irmãs, pai e mãe... Confesso a vocês que tive esta vontade! Mas, sabem como é, dinheiro não cresce em árvore e filhos também não... Então seguiremos nossos planos, com uma esticadinha até o Galbraith Lake e lá daremos a tão esperada meia volta.

Chegamos pertinho da Ásia e da Rússia na Dalton Highway, no norte do Alaska. Que vontade de continuar...

Chegamos pertinho da Ásia e da Rússia na Dalton Highway, no norte do Alaska. Que vontade de continuar...


Depois de tanto tempo, de volta às montanhas nevadas, dessa vez na Brooks Range, no norte do Alaska

Depois de tanto tempo, de volta às montanhas nevadas, dessa vez na Brooks Range, no norte do Alaska


Ouvimos falar que aqui para o norte encontraríamos a tundra, que logo as árvores sumiriam e tudo o que veríamos seria uma terra imensa, montanhas ao fundo, alguns lagos e o oleoduto acompanhando a Dalton Highway. Subimos, subimos, subimos e subimos mais um pouquinho e ainda víamos árvores... Como assim? A tal da “spruce” um tipo de conífera das florestas boreais que tem entre 20 e 60m e vive em condições extremas de até - 60°C, vento e pouca água. Poucos quilômetros antes

Alaska, Coldfoot, Atigun Pass, Brooks Range, Circulo Polar Ártico, Dalton Highway, Galbraith Lake, Prudhoe Bay, Road Trip, roteiro

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Mt Rainier National Park

Estados Unidos, Washington State, Mount Rainier National Park

Chegando ao Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Chegando ao Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


O Mount Rainier é uma das montanhas mais famosas dos Estados Unidos. O vulcão de 4.392m foi formado há apenas 550 mil anos, é ativo e pode entrar em erupção a qualquer momento. Hoje o imenso nevado reúne o maior número de glaciares em uma única montanha em toda a América do Norte. Encontrá-la em um dia ensolarado é uma sorte para poucos, já que ela serve como barreira para as nuvens carregadas do Pacífico e recebe por ano até 3,2 m de neve por ano, todos os anos. A umidade e a neve definem o rico ecossistema do parque, com lindas florestas de Douglas Firs e os mais de 126 glaciares localizados nas porções mais elevadas da montanha.

Entre nuvens, lá está o gigante Mount Rainier, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Entre nuvens, lá está o gigante Mount Rainier, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


A base desta montanha foi habitada por populações indígenas e a região já é visitada por curiosos e turistas desde o final do século XIX. Na época o Hotel de Águas Medicinais da família Longmire era uma das principais atrações, entre os anos de 1888 e 1889. O Parque Nacional foi estabelecido em 1899 e hoje recebe mais de 2 milhões de visitantes por ano. Escalar a montanha requer experiência, o caminho inclui escalada técnica em gelo e equipamento apropriado. Existem várias empresas e guias autorizados pelo parque nacional que podem ser contratados.

No centro de visitantes, mapa do Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

No centro de visitantes, mapa do Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


O parque está próximo a Seattle e a Nisqually Entrance, sua entrada principal, tem acesso pela rodovia 706, que sai da I-5. Nós, como sempre, escolhemos as rotas mais alternativas. Saímos tarde de Seattle, pegamos a estrada e dormimos em Enumclaw uma cidade insossa pouco antes da fronteira noroeste do parque. O dia amanheceu mais seco e promissor e nós seguimos viagem pela Mather Memorial Parkway, uma estrada cênica que acompanha o White River com mirantes lindos para a montanha.

A bela estrada que atravessa o Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

A bela estrada que atravessa o Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Lago congelado no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Lago congelado no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Antes de continuar a contornar o parque, fizemos um detour para a Sunrise Ridge, brincamos na neve e até construímos um boneco de neve para dar boa sorte neste início de temporada fria.

Nosso mais novo amigo e entusiasta da viagem dos 1000dias, no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Nosso mais novo amigo e entusiasta da viagem dos 1000dias, no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Tomado pela neve, um dos mirantes na estrada que atravessa o Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Tomado pela neve, um dos mirantes na estrada que atravessa o Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Retornamos à estrada principal e logo depois do Cayuse Pass (1.431m), confirmamos o que temíamos, a Paradise Meadows Road estava fechada para a temporada. Causa: muita neve. Cruzamos o Ohanapecosh River ao lado das imensas Douglas Firs e seguimos agora por uma estrada fora do parque. Demos toda a volta e chegamos finalmente à entrada principal, que daria acesso ao centro de visitantes, com sorte, uma bela vista para o Mt Rainier e a outra ponta da Paradise Meadows Road. O lugar deve ser mesmo lindo, mas com este tempo, frio, chuvoso e nebuloso, deve ser o paraíso mesmo apenas para ursos polares.

Lago congelado no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Lago congelado no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Trilha tomada pela neve no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Trilha tomada pela neve no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


O Henry M. Jackson Memorial Visitor Center estava no meio das nuvens em meros 1.647m de altitude. É, o inverno já chegou! Estava tudo branco, as trilhas cobertas de neve e o dia nada convidativo para explorações. Conseguimos dar uma olhada rápida no museu antes de ele fechar (às 17h) e na descida da estrada resolvemos enfrentar o frio e descemos a molhada trilha da Naramata Falls.

A bela Narada Falls, no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

A bela Narada Falls, no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Atravessando rio encachoeirado no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Atravessando rio encachoeirado no Mount Rainier National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Eu fiquei com vontade voltar ao parque não apenas para ver este poderoso e dormente vulcão em um dia de céu azul, mas também para fazer as diversas trilhas ao seu redor. Uma delas me chamou especial atenção: a Wonderland Trail, que circunda todo o vulcão em 150km de caminhada. Entrou para a nossa lista do “fomos até lá e não fizemos.”

Um dos antigos caminhos de lava provenientes do Mount Rainier, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Um dos antigos caminhos de lava provenientes do Mount Rainier, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Quando já não tínhamos muita esperança em ver a montanha, ela resolveu se abrir para nós, por alguns segundos, dizendo “Hey, viram só? Eu existo! Voltem no verão!”.

No final da tarde, o colossal Mount Rainier dá o ar de sua graça, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

No final da tarde, o colossal Mount Rainier dá o ar de sua graça, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

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Mergulho e Cultura baianos

Brasil, Bahia, Salvador

Mergulho no naufrágio Artemides, em Salvador - BA

Mergulho no naufrágio Artemides, em Salvador - BA


Hoje era um dia em que estaríamos indo embora de Salvador, o Rodrigo que é o cara do cronograma havia programado que hoje iríamos passar o dia em alguma cidadezinha do Recôncavo e já emendaríamos para a Praia do Forte. Porém eu ainda tenho poder de voto nessa casal e de Salvador eu entendo um pouco mais que ele! Há 10 anos atrás quando estive aqui tive a grandessíssima sorte de conhecer o Ho-Mei, um naufrágio chinês na Baia de Todos os Santos.

Embarcada para mergulho em Salvador - BA

Embarcada para mergulho em Salvador - BA


Eu tinha acabado de fazer o curso de mergulho, mas não tinha o check out no mar ainda, não tinha a certificação, então procurei uma operadora que pudesse me levar para um batismo. Não lembro o nome da escola, só sei que fui em uma lancha rápida até o local do primeiro mergulho, onde fiquei esperando os mergulhadores avançados mergulharem e voltarem. Eu estava maravilhada, tudo era lindo, água quente, mar azul transparente! Eu e o dive master ficamos no barco enquanto todos desceram conhecer o naufrágio que estava ali, aos 36m de profundidade há apenas 12 anos. Eu queria muito conhecê-lo também, mas estava conformada que eu não podia, fazer o que? Eis que o instrutor de mergulho do barco, dono da escola retornou, olhou para os meus olhos extasiados e me perguntou “você quer muito ir, não é?” e eu respondi “é claro, muito!”. Ele deve ter avaliado bem e visto que as condições estavam ideais, não tinha corrente, a água estava a 29°C e com uma visibilidade de uns 30m!

Mergulho no naufrágio Artemides, em Salvador - BA

Mergulho no naufrágio Artemides, em Salvador - BA


“Você sabe que não pode ir, você se responsabiliza?”, e eu do alto dos meus 17 anos respondi com toda a firmeza “SIM, me responsabilizo, assino o que precisar!” E assim fomos eu e o dive master para a água no primeiro mergulho da minha vida, direto para os 36m de profundidade! O naufrágio estava lá maravilhoso, eu senti uma paz tão grande, aquela imensidão azul, azul azul mesmo! Não foi a toa que eu me apaixonei pelo mergulho, o que parece, ou até pode ter sido um ato de irresponsabilidade, foi também o que me apresentou da melhor forma possível uma das minhas maiores paixões.

Mergulho em banco de corais ao lado do Farol da Barra, em Salvador - BA

Mergulho em banco de corais ao lado do Farol da Barra, em Salvador - BA


Com uma história como esta não foi tão difícil convencer o Rodrigo a mergulhar. Postergamos a viagem e agendamos uma saída com a Dive Bahia, operadora de mergulho que conhecemos pela revista da secretaria de turismo que ganhamos no pedágio. Salvador não possui uma tradição muito grande como ponto de mergulho, mas já possui diversas operadoras e escolas, sendo a Dive Bahia uma das melhores opções! Logo em frente ao Porto da Barra encontramos Gian, dono e instrutor da escola e a equipe que iria nos acompanhar.

Praia do Porto da Barra lotada num Domingo em Salvador - BA

Praia do Porto da Barra lotada num Domingo em Salvador - BA


A Baía de Todos os Santos possui mais de 70 naufrágios, destes mergulha-se em apenas 20, sendo o Cavo Artemidis, com 180m de comprimento, considerado o maior de todos os naufrágios da costa brasileira. Um cargueiro grego que afundou em 1980 há apenas 40 minutos da costa. Navegamos e quando chegamos no ponto, havia uma outra embarcação de mergulho e os dive masters malucos que se conheciam começaram a gritar “A água está roxa! A água está roxa! Água mineral!!!” A manha deste mergulho é chegar na parada da maré, logo que pára de vazar, pois as correntes se acalmam e a água tem mais chances de ficar com melhor visibilidade. Dito e feito, meu santo aqui na Bahia é forte mesmo, caímos na água a 26°C com 30m de visibilidade!

Naufrágio Artemides, em Salvador - BA

Naufrágio Artemides, em Salvador - BA


Já da superfície conseguíamos avistar o Cavo, lindíssimo, deitado na areia. Descemos, passamos embaixo do casco, entre a hélice e uma duna de areia e ali próximo eu já avistei um badejo de um metro e meio nadando ao lado do navio, gigantesco! Exploramos o navio, que já formou uma colônia imensa de corais e esponjas e por isso tem muita vida ao seu redor. Procurando por um polvo dos grandes que vive por ali encontramos um senhor mero entocado, segundo Gian, com Mero o mergulho é mais caro! O polvo não deu o ar da graça, vai ter que ficar para a próxima.

Pequena moréia em mergulho em banco de corais ao lado do Farol da Barra, em Salvador - BA

Pequena moréia em mergulho em banco de corais ao lado do Farol da Barra, em Salvador - BA


O segundo mergulho foi no Remanso, mais próximo da costa, com a maré subindo a água ficou um pouco mais fria e um pouco mais turva, mas ainda vimos algumas moréias e uns peixinhos bacanas.

Pronta para cair na água, em Salvador - BA

Pronta para cair na água, em Salvador - BA


Que bom que convenci o Rodrigo, o mergulho foi maravilhoso, o grupo que mergulhou conosco era muito divertido, foi uma bela manhã de domingo!

Foto da turma após mergulho em Salvador - BA

Foto da turma após mergulho em Salvador - BA


Na sequência fomos para a Marina Bahia onde encontramos Monica, Lívia e Wilson no restaurante Lafayette, um dos mais bacanas da cidade. Pudera, com aquela localização e aquele cardápio não poderia ser melhor. Almoçamos uma bela salada de folhas verdes, figos e queijo de cabra e um filé de linguado ao molho de camarão divino! Isso sem falar no melhor, que é a companhia dessa família tão especial que me recebeu novamente aqui na Bahia, 10 anos depois, como se fosse ontem.

Com a Mônica e a Livia em Salvador - BA

Com a Mônica e a Livia em Salvador - BA


Depois do delicioso almoço fizemos um tour pelo Centro Histórico dentro da Fiona junto com Mônica, é outra história termos uma guia turística como ela dentro do carro. Conhecemos o Largo e a Igreja da Piedade, logo em frente à Rua da Forca, onde antigamente eram enforcados os infratores, passamos pela Igreja de São Bento, com seu imenso e belíssimo domo e finalizamos o passeio na Praça Castro Alves, um dos pontos mais conhecidos para o carnaval baiano.

Igreja São Bento, em Salvador - BA

Igreja São Bento, em Salvador - BA


Em frente à Praça Castro Alves se encontra o Espaço Unibando de Cinemas, construído em um prédio histórico ao lado do antigo prédio do jornal “A Tarde”, mais importante periódico da Bahia. Tomamos um café e descemos para a Igreja da Barroquinha, onde iria acontecer a nossa programação cultural do dia.

Igreja da Barroquinha, em Salvador - BA

Igreja da Barroquinha, em Salvador - BA


A peça “Quem é ela?”, encenada por 3 atrizes baianas, sendo uma delas Edvana, amiga de Mônica que já participou do Bando de Teatro do Olodum e até de séries como “Ó pai ó”, fala de uma forma bem humorada sobre a Violência Contra a Mulher. Logo na entrada já observamos uma exposição fotográfica sobre o tema e no teatro, uma antiga igreja reformada e transformada em espaço cultural, assistimos à peça que apresenta cenas comuns sofridas pelas mulheres na sociedade, falando da lei Maria da Penha, sancionada pelo Governo Federal que torna a violência contra a mulher um crime e não apenas injúria que antes era perdoado em troca de uma cesta básica. Uma peça deliciosa, divertida e muito instrutiva, vale muito a pena!

Peça de teatro em Salvador - BA

Peça de teatro em Salvador - BA


Fechamos o dia com um lanche super gostoso em família na casa de Mônica, nos divertindo com as histórias de Yasmin e as recordações de viagens e passagens desesperadoras como assaltos na última viagem na Europa e etc, que depois se tornam hilárias. Afinal, se nada acontecer que histórias teríamos para contar, não é mesmo Monica?

Com a Mônica na Praça Castro Alves, em Salvador - BA

Com a Mônica na Praça Castro Alves, em Salvador - BA

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Blanca, Tambores e Garifunas

Guatemala, Livingston

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala


Os garifunas chegaram neste litoral vindos da ilha de St. Vicent. Africanos fugidos dos navios negreiros que se mesclaram com os Caribs e Arawaks e formaram nova etnia, uma misturança entre africanos, indígenas e até os olhos verdes de alguns náufragos europeus. A mistura que forma este povo não se vê apenas nos traços dos garifunas, mas também nas suas tradições, na sua arte e na sua língua, que possui elementos de todas estas culturas. O som africano da sua fala também se entranha nos seus cânticos e nos seus tambores, passados de mãe para filho, como conta Blanca, mãe de 5 (4 adotivos), e avó de 8 até o momento.

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


Blanca é a herdeira do Ubafu - Centro Cultural Garifuna da cidade de Livingston. Sua a mãe lhe passou a urgência de trabalhar para manter e disseminar a cultura garifuna pela cidade e pelo país. Apresentações de músicas, danças e histórias garifunas reúnem os jovens da cidade e os poucos viajantes que chegam até aqui. Ela mantém o centro com doações dos turistas em suas apresentações. Nas duas noites que estivemos lá não havia ninguém além de nós... Desde nosso rápido encontro com os garifunas em Belize, eu estava decidida a entrar um pouco mais nesta cultura. Sou apaixonada por música e por tambores, embora nunca tenha aprendido a tocar achei que fazer uma aula de tambor seria uma boa forma de entrar, conviver e ajudar na manutenção do centro cultural garifuna.

As aulas de tambor com a Blanca foram mais do que batucadas, foram um mergulho na vida da comunidade que gira em torno do Ubafu, que entrava e saía entre as histórias de sua infância, contos e pontos garifunas. Sua didática é simples, a da cópia e reprodução, assim como ela aprendeu. Suas músicas falam do mar, de chegadas e despedidas, sempre muito alegres e melódicas.

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala


Eu me entreti com as crianças, enquanto esperava Blanca receber o vendedor de sapatos, jogar água no chão de terra batida para refrescar o calor abafado do Ubafu e prosear com suas vizinhas que vieram assuntar sobre a comunidade.

Garoto garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala

Garoto garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala


Dario, de 11 anos, cuidava da bebê, colocava ordem entre as primas e irmãs e ainda nos acompanhava na aula de tambor, fazendo a base e me ajudando com o tempo e o contratempo de cada batida. Greicen de 8 anos estava encantada com a câmera e suas tranças bem aprumadas, gravou vídeos, tirou fotos e ainda me ensinou a dançar os ritmos garifunas, com movimentos bem africanos como do nosso afoxé baiano. Liritcha de 4 anos me fez prometer que o nome da minha filha será Liritcha e se for menino? Liritcho! É claro!

Interagindo com crianças em centro cultural garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

Interagindo com crianças em centro cultural garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


De noite voltamos lá para nos despedirmos de Blanca e ainda ganhamos um toque de despedida. Dizer adeus é difícil, ainda mais quando entramos para a família. Tive uma conversa profunda com Blanca que me contou da sua briga com um fantasma que tinha ao não ter completado os 7 anos como angelita durante as missas da Semana Santa. No seu sétimo ano ficou com vergonha de entoar um poema, que sabia décor, o qual a perseguiu em seus pesadelos por mais de 40 anos! Semana passada, suando de nervoso, Blanca colocou sua roupa mais linda, branca e toda rendada e esperou na porta do Ubafu a procissão passar. Passou o padre, a imagem, os coroinhas e o povo, e ela se enfiou no meio buscando um lugar mais alto para que pudesse ser ouvida. Eis que com um nó na garganta e muita coragem no peito Blanca começa a recitar o poema, com lágrima nos olhos percebe que todos estão a lhe olhar, parados, estupefatos. Sua voz trêmula é contrabalançada por sua forte presença e quando termina recebe aplausos de toda a procissão, que segue cantando feliz, sem ter noção do que acabara de acontecer ali. Blanca havia tirado das costas uma culpa e um peso imenso que a acompanhou durante toda sua vida.

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


Nesta noite ela me contou também que sua primeira filha foi um milagre divino, pois sem namorado algum ela engravidou. Fiquei curiosa sobre a sua visão espiritual, comum às crenças africanas e a mim. Sua religiosidade não permitiu que me contasse que é uma médium poderosa, Rodrigo descobriu conversando com seu amigo. Ainda assim sua fala um pouco confusa tentava me dizer que eles (os espíritos) sabem muito sobre nós e que às vezes estão aqui ao nosso lado, em uma mensagem direta sobre uma pessoa muito especial da minha família que estava ao meu lado. Demorei a me dar conta do recado tão direto que acabara de receber e quando me dei já era tarde para voltar e perguntar mais.

Praticando com tambores garifunas em Livingston, no litoral da Guatemala

Praticando com tambores garifunas em Livingston, no litoral da Guatemala


Blanca sabe o seu valor na comunidade e de certa forma espera este reconhecimento em forma de um prêmio, uma homenagem, uma honraria enquanto ainda estiver viva. Mal sabe ela que este prêmio já lhe é conferido todos os dias, a cada criança que escuta suas histórias, a cada jovem que aprende o seu tambor, a cada garifuna que valoriza a sua cultura e a passa para frente, orgulhosos de sua origem e da sua história.

Guatemala, Livingston, Antropologia, Caribe, Garifuna, Personagens

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São Chico, Santa Praia!

Brasil, Minas Gerais, Januária (P.N Cavernas do Peruaçu)

A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG

A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG


Hoje íamos seguir viagem para o Parque Nacional das Sempre Vivas, mas resolvemos ficar Januária para fazer uma força-tarefa para o site e aproveitar a bela praia formada pelo rio São Francisco em frente ao nosso hotel.

A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG

A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG


A praia desaparece durante os meses de chuva, de setembro a fevereiro chega a subir em torno de 4 metros e toda a mata alta que vemos à sua margem fica inundada. O Primo é barraqueiro há 37 anos e nos contou que a geografia do rio em frente ao cais aqui em Januária já mudou muito.

Barracas na praia do Rio São Francisco, em Januária - MG

Barracas na praia do Rio São Francisco, em Januária - MG


Ele já teve a sua barraca em 3 lugares diferentes e atribui estas mudanças à natureza mesmo. A principal mudança durante todos estes anos foi a diminuição do rio, que hoje, comparado com o que já foi, é apenas um pequeno córrego. Além do desmatamento da mata ciliar, que levou o rio ao assoreamento, isso se deve também à Represa de Três Marias, próxima à cidade de mesmo nome.

A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG

A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG


Umas belas braçadas no rio São Francisco para refrescar e voltamos para o nosso hotel trabalhar. O Rodrigo voltou nadando, saiu 5 minutos antes de mim, que atravessei de barco e chegou juntinho! O Ro está super em forma, mas não encarou levar a esposa a nado também. Sobrou para mim a canoa do Primo, que pelo menos me rendeu uma boa prosa.

Atravessando o Rio São Francisco de voadeira em Januária - MG

Atravessando o Rio São Francisco de voadeira em Januária - MG

Brasil, Minas Gerais, Januária (P.N Cavernas do Peruaçu), Praia, Rio, Rio São Francisco

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Natural

Brasil, Paraíba, Jacumã (Tambaba)

Praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB

Praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB


O que é natural? Frutas, plantas, flores, animais, alimentos, tecidos, água, suco, dar a luz, chorar, sofrer, rir, até maquiagem quer ter este rótulo “bem natural”. Usar roupas já se tornou natural também, mas há um grupo de pessoas que é mais purista, ou melhor, naturista. Eles acreditam no desenvolvimento e evolução do indivíduo através da prática do naturismo, mas qual é a relação entre nudez coletiva e desenvolvimento do indivíduo?

“A resposta dos naturistas está no conceito de "aceitação do corpo", ou seja, na descoberta de que o corpo humano é um todo não havendo partes honrosas e partes indecorosas. Os naturistas, ao conviverem com a nudez do próximo não são chocados nem agredidos pelo corpo e sentem que o respeito é possível mesmo sem artifícios. Entrando em contato com a própria essência e deixando para trás o que é acessório. Para os naturistas somos todos iguais, apesar das diferenças.”*

Nudismo na praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB

Nudismo na praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB


Além da prática do nudismo, os naturalistas possuem como princípios a prática de exercícios ao ar livre, contato com a natureza e uma alimentação mais saudável, sendo preferivelmente vegetarianos.

“Um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o ambiente.”*

Placa na praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB

Placa na praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB


O naturismo foi criado na década de 20 na Alemanha pelo professor de Educação Física Adolf Koch, que inicialmente propôs aos seus alunos que praticassem esportes sem roupas. Os jovens ficaram mais corados, saudáveis, alegres e bem humorados e a partir daí suas famílias aderiram também à esta prática, até então chamada de nudismo. Após a Segunda Grande Guerra o naturismo começou a se difundir e hoje são poucos os países que não possuem adeptos.

O Brasil possui várias praias de nudismo ou naturismo e uma das mais famosas é a Praia de Tambaba, no litoral sul paraibano. Eu confesso que até simpatizo com toda a teoria do naturismo, mas aí a me tornar uma adepta são outros 500. A princípio nós não pensávamos em visitá-la, mas quanto mais perguntávamos aos paraibanos qual era a praia mais bonita aqui a resposta era apenas uma: Tambaba.

O trecho 'vestido' da praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB

O trecho "vestido" da praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB


A curiosidade foi crescendo, nos informamos e vimos que o código de ética e as regras como não permitirem a entrada de homens sozinhos/solteiros e a proibição de fotos, entre outras, mantinham um ambiente mais seguro e saudável. Além disso, lembrei que meus pais vieram a Tambaba em alguma de suas viagens há muitos anos atrás... Se até meus pais foram, eu também vou! Rsrsrs! Só depois é que me dei conta que na época o naturismo não devia ser obrigatório ainda... Será que eles também entraram no clima? Enfim, eu e Rodrigo tomamos coragem e resolvemos conhecer a tal praia, afinal tudo tem uma primeira vez! Estacionamento cheio e os 200m de praia antes da escada lotada, ainda fora da área de naturismo. Na escada que dá acesso uma moça dá as últimas instruções “passando para “o lado de lá” só é permitida a passagem de quem realmente for tirar a roupa!”

De volta à parte 'vestida' da praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB

De volta à parte "vestida" da praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB


Entramos. A praia estava praticamente vazia, muito diferente da sua vizinha. Lá fica claro que a maldade está nos olhos e mente de quem fica no lado “vestido” da praia. Lá do outro lado a maioria dos freqüentadores são senhores e senhoras acima dos 60 anos, que aderiram ao movimento no seu auge e até hoje mantém a prática. Alguns casais mais jovens se arriscam, claramente curiosos e corajosos de plantão, como nós. Os primeiros 20 minutos foram estranhos, afinal não estamos acostumados, eu fingi para mim mesma “que não era comigo”, como se eu estivesse ainda vestida.

Visão do mirante da praia de Tambaba em Jacumã, distrito de Conde - PB

Visão do mirante da praia de Tambaba em Jacumã, distrito de Conde - PB


Encontramos um cantinho próximo às pedras e árvores onde nos sentíamos mais protegidos. Estendemos nossa canga, lemos nossos livros, “pegamos uma prainha”, normal. O único momento mais estranho foi quando fomos ao bar comprar uma cerveja, os garçons vestidos e totalmente acostumados, nós é que não.

Praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB

Praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB


O banho de mar é ótimo, a praia é realmente a mais bonita! Ver dois caras surfando foi algo inusitado, bem “natural”! Se sentir a vontade e em total comunhão com a natureza também é uma sensação diferente de liberdade que todos vocês já devem ter sentido um dia, só que com uma diferença, quando e onde fizeram era proibido e geralmente o que é proibido é mais gostoso, não é? Bem, aqui não é proibido, aqui quem se tolhe (ou não), se permite (ou não), se sente livre (ou não) é você. Você decide, e sem aquela sensação de estar fazendo algo errado, é só esquecer que tem mais gente em volta!

*Fonte: Wikipedia.

Brasil, Paraíba, Jacumã (Tambaba), Conde, naturismo, nudismo, Praia, Tabatinga, Tambaba

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Início do Inverno

Brasil, Maranhão, São Luís

Praia com muita chuva em São Luís - MA

Praia com muita chuva em São Luís - MA


O início do inverno aqui no Maranhão atrasou um pouco, por isso não pegamos as lagoas nos Lençóis cheias. Já estamos em uma área de transição para o clima amazônico, onde o inverno é a estação chuvosa, período de alta precipitação durante 6 meses do ano. Azar por um lado (lagoas vazias), sorte por outro, não precisamos ficar embaixo de chuva o dia inteiro, certo? Errado. Nós pegamos uma das primeiras grandes chuvas da estação! Começou ontem à tarde, quando ainda estávamos na estrada, e ainda não acabou, durando algo em torno de 36 horas! Segundo o Jornal Nacional, choveu em um dia o equivalente à chuva de 10 dias!

Aproveitando a chuva para trabalhar no hotel em São Luís - MA

Aproveitando a chuva para trabalhar no hotel em São Luís - MA


Não há situação mais convidativa do que esta para nos mantermos secos, dentro do hotel, colocando o nosso trabalho em dia. Passamos a manhã e o início da tarde esperando uma trégua, até que o estômago falou mais alto e decidimos sair assim mesmo para explorar um pouco da cidade.

Monumento em praia de São Luís - MA

Monumento em praia de São Luís - MA


São Luis possui uma extensa faixa litorânea que segue da Praia da Ponta d´Areia, região com muitos hotéis, restaurantes e bares, pela Praia São Marcos, a preferida por jovens e surfistas e a popular Praia de Calhau, que possui diversas barracas e restaurantes à beira mar e lota aos finais de semana. Sabemos disso apenas por que somos bem informados, pois com a chuva a praia estava completamente vazia! Encontramos alguns poucos corajosos que enfrentavam a aguaceira para um joguinho de futebol, outros correndo e ou apenas passeando na praia, tomando banho de mar e aproveitando cada milímetro de água que caía. Eu entendo, depois de passar 6 meses num calor absurdo deve ser uma delícia poder se esbaldar em um belo banho de chuva.

Carros enfrentam ruas alagadas em São Luís - MA

Carros enfrentam ruas alagadas em São Luís - MA


No caminho de volta as ruas estavam completamente alagadas e a tempestade só aumentava. Sem muita opção, resolvemos pegar um cineminha no Shopping São Luis. Assistimos o Santuário, de James Cameron. O filme é um conjunto de clichês e situações inverossímeis que chega a ser engraçado, ainda mais para nós que gostamos de escaladas e mergulho em cavernas. Imagino os nossos instrutores de cave como devem ter se retorcido na cadeira ao assisti-lo. Se abstrairmos tudo isso, restam algumas cenas bonitas em 3D.

Almoçando em barraca coberta e confortável na praia em São Luís - MA

Almoçando em barraca coberta e confortável na praia em São Luís - MA


Retornamos ao hotel com a esperança de sair para conhecer um bar do centro antigo, mas a chuva não nos deu um minuto de trégua. As ruas estavam ainda mais cheias de água e acabamos ficando por ali mesmo, rendidos ao room service e rezando para que o tempo melhore.

Cruzamento alagado em São Luís - MA

Cruzamento alagado em São Luís - MA

Brasil, Maranhão, São Luís, chuva, Praia de Calhau, Santuário

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Interoceânica Sur, da Amazônia aos Andes

Peru, Puerto Maldonado, Cusco

Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Um dos trechos mais impressionantes da Estrada do Pacífico, a rota entre Puerto Maldonado e os Andes, nos leva do epicentro das atividades turísticas da Amazônia Peruana até uma das cidades mais cosmopolitas da América do Sul, Cusco!



São 462 km feitos em pouco mais de 8 horas, todos asfaltados e, aos bons observadores, o direito à uma aula de biomas e biomas de transição, entre a maior floresta tropical do mundo a 100m de altitude, a zona de pré-cordilheira com lagos de degelo e os secos campos de altitude, chegando a 4.725m sobre o nível do mar. Não apenas o ar se torna rarefeito como a agradável temperatura de 25°C do inverno amazônico cai para gelados 4°C, frio que, junto ao sol das montanhas queima de forma permanente as bochechas dos moradores de algumas das vilas mais altas do mundo.

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Horas de estrada em uma reta sem fim, cruzando rios amazônicos e passando por povoados paupérrimos como Mazuco e Quincemil, até começarmos a subida dos Andes. No alto quando menos esperávamos encontramos alpacas e llamas e logo depois deles, vilarejos indígenas minúsculos esquecidos do mundo, sem estrutura, sem água, sem nome.

Encontrando as primeiras lhamas! Realmente, já estamos altos, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontrando as primeiras lhamas! Realmente, já estamos altos, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


As crianças correm atrás do carro que deve ser raridade por ali. Extraterrestres? Não, turistas. E junto dos turistas elas sabem “caramelos, galletas y monedas”. Eu que há dias só podia comer galletas (bolachas) de água e sal, maisena e olhe lá, tinha todo um estoque que ficou nas mãos dessas bochechas moradas, de olhos sofridos e curiosos.

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Essas famílias vivem lá há centenas de anos, criam suas llamas e alpacas, plantam diferentes variedades de batata e cultivam sua quinoa, enquanto as mulheres mais jovens descem até Cusco para vender os tecidos feitos em teares rudimentares, como aprenderam com suas mães, avós e bisavós. Outro trabalho comum para as mulheres mais jovens que descem das suas vilas no alto dos Andes para Cusco é vestirem-se com os trajes tradicionais completos, incluindo os chapéus, que indicam a que aldeia pertencem, e lá cobram 10 ou 15 pesos para tirarem fotos com suas baby llamas e os turistas. Fazem turnos de 14 dias, em geral, quando trocam com suas irmãs, primas ou vizinhas, trazendo dinheiro para toda a família.

As lhamas, perfeitamente adaptadas às grandes altitudes andinas do altiplano peruanos na Carretera Transoceanica,viajando à Cusco, no Peru

As lhamas, perfeitamente adaptadas às grandes altitudes andinas do altiplano peruanos na Carretera Transoceanica,viajando à Cusco, no Peru


Confesso que nunca gostei dessa história de pagar para tirar foto, mas se pararmos para pensar, esses 10 pesos irão levar comida para o prato de seus filhos e pais, além de incentivar que mantenham o costume de vestir-se desta forma, dando valor à sua tradição. Então, por que não?

Porta de igreja em Cusco, no Peru

Porta de igreja em Cusco, no Peru


Nosso plano inicial era dormir no caminho em uma área conhecida como Mirador, em torno dos aos 3.400m de altitude, mas não encontramos a pousada que deveria estar funcionando. Assim continuamos na estrada noite adentro, impressionados com as luzes que surgiam em diferentes altitudes, sinalizando os povoados e iluminando as montanhas ao nosso redor.

As magníficas paisagens andinas na subida da cordilheira na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

As magníficas paisagens andinas na subida da cordilheira na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Chegamos à Cusco já era tarde, quase 21h da noite, a tempo de encontrar um bom estacionamento para a Fiona e carregarmos toda a nossa mudança para uma pousada em frente à Plaza San Francisco. Depois de dias de cama e um dia no hospital até que eu me sentia forte e disposta, mas mal sabia eu que a altitude baixaria a minha imunidade novamente e que os próximos 5 dias seriam de repouso, cama e canja de galinha. Nesta semana saí da pousada poucas vezes, apenas para ir até o laboratório clínico, o restaurante ao lado e, já perto da chegada do Gustavo, arrisquei um dia de passeio nos arredores da Plaza Mayor. Hora de melhorar e voltar à labuta viajera, Vale Sagrado aí vamos nós.

As magníficas paisagens andinas na subida da cordilheira na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

As magníficas paisagens andinas na subida da cordilheira na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Peru, Puerto Maldonado, Cusco, Amazônia Peruana, Andes, Estrada, Estrada do Pacífico, Interoceanica Sur, Povo Andino

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