1
arqueologia cachoeira Caribe cidade histórica Estrada mar Mergulho Montanha parque nacional Praia Rio roteiro Trekking trilha
Alaska Anguila Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Galápagos Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Venezuela
Rodrigo (11/04)
almir amorim junior (11/04)
clenilça alves da silva(cleo) (10/04)
Oi Ana, tudo bem com vocês? que maravilha fico babando a cada vez que ve...
mario sergio silveira (10/04)
Querida filha, de tudo o que eu vi, vc é a mais linda!!! Bjs, te amo....
Px (10/04)
Hola viajeros!, como están!, nosotros estamos estacionados en asunción,...
Catedral de Brasília - DF
Brasília é linda durante o dia, mas, na minha humilde opinião, é ainda mais bonita à noite. Não porque ontem à noite foi a minha última (e única) chance de conhecer Brasília nessa passagem. Sim porque os prédios monumentais criados pelo arquiteto Oscar Niemeyer ficam ainda mais bonitos iluminados, além da cidade ficar mais tranqüila e o clima muito mais agradável.
O Itamaraty, em Brasília - DF
Eu ainda estava com dores e meio fraca, mas não ia embora de Brasília sem andar pela Praça dos 3 Poderes, fotografar e colocar tudo aqui no post para vocês. Todos temos um lado muito patriótico que sempre aflora em momentos especiais como os jogos de futebol, basquete, vôlei, só não imaginei que conhecer a nossa jovem capital também me faria ficar emocionada.
O Congresso visto da Praça dos Três Poderes, em Brasília - DF
O STF, na Praça dos Três Poderes, em Brasília - DF
Outra emoção é voltar a viajar e conhecer com o meu amor, que já estava se acostumando a ficar longe de mim nas suas andanças por Brasília.
>>> Ver post “Água Mineral” no blog do Ro.
Palácio da Alvorada, em Brasília - DF
Mais uma noite de descanso e seguimos hoje para a cidade de Chapada Gaúcha, no norte de Minas Gerais. Atravessamos o Distrito Federal e Goiás até o norte de Minas para conhecer o Parque Nacional Grande Sertão Veredas. Já entramos em contato com o José, do ICMBio que faz a administração do parque e conseguimos a autorização para entrar no parque. Amanhã será um dia de muitas andanças para explorar estas veredas, fotografar os buritis e quem sabe dar sorte de ver uma sucuri, emas e outras espécies selvagens.
A Ana se esgueira nas estreitas passagens da caverna La Taina, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Desde que entramos neste universo dos mergulhos em cavernas estamos aprendendo uma nova geografia do mundo. Afinal, onde podemos encontrar cavernas inundas? Elas se espalham no mundo, na Europa estão no Reino Unido, Itália, Alemanha, Áustria, Portugal, Espanha, Suíça, além da Austrália, Nova Zelândia, Tailândia, Timor Oeste e aqui na América estão localizadas na Flórida, na Península do Yucatán no México e inclusive no Brasil, embora estas não estejam liberadas para mergulhadores. Acontece que nas nossas andanças pelo Caribe, assuntamos daqui, perguntamos de lá e descobrimos que também existem algumas ilhas de formação calcária que desenvolveram sistemas de cavernas. Nas glaciações elas secavam e formavam belos espeleotemas e quando o clima aquecia, voltavam a ficar inundadas. A Ilha de Grand Bahama e Andros, nas Bahamas é uma delas e a segunda ilha que já começou a ser explorada é Hispaniola, mais precisamente dentro da República Dominicana!
Formações submersas na bela caverna La Taina, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Não são muitas as operadoras de mergulho que são especializadas em mergulho técnico de cavernas, portanto foi fácil chegarmos ao Denis, um francês que é um dos pioneiros nas explorações dos sistemas inundados do país. A Golden Arrow está baseada em Santo Domingo e além de levar mergulhadores para os parques nacionais marinhos em toda a costa, do sul até Boca Chica, próximo à Punta Cana, ele tem ao seu alcance algumas das mais lindas cavernas do país.
Mergulhando na caverna La Taina, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
A região mais rica em cavernas decoradas é a distante Pedernales, quase na fronteira com o Haiti. Há tempos eu tinha este nome na cabeça, mas para ir até lá precisaríamos de muito tempo e um planejamento específico, já que a infraestrutura é quase nula. Não tínhamos muito tempo e decidimos explorar, então, uma das cavernas mais conhecidas a apenas 45 minutos do centro de Santo Domingo, a Cueva La Taina!
Início de mergulho, com tanques duplos e stage para descompressão, na caverna La Taina, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
A La Taina é uma caverna bem completa, com uma linda área de cavern bem decorada e dois túneis principais. O túnel da esquerda é curto, mais raso, porém mais decorado. O túnel à direita segue em uma sucessão de salões e restrições, com algumas partes decoradas no início até os 12m, cruzando haloclinas alucinantes e finalmente despencando em profundidade até os 42m!
O tradicional sinal de aviso no início de todas as cavernas, em La Taina, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
As haloclinas são, na minha opinião, a parte mais incrível deste mergulho! Ela está entre os 12 e 16m e como cruzamos esta profundidade pelo menos 4 vezes durante o mergulho, subindo e descendo nos túneis da La Taina, temos uma experiência incrível com este fenômeno natural. Uma haloclina ocorre quando se dá o encontro de água salgada e água doce, assim que descemos abaixo do nível do mar a água salgada passa a ser dominante dentro da caverna e o encontro com a água doce as deixa em um equilíbrio sensível, com linhas bem tênues marcadas nesta profundidade. Uma vez que atravessamos essa camada, as águas tentam se misturar e como água e óleo turvam a água, nos deixando com a visibilidade próxima a zero. Quando chegamos ao ponto da haloclina e a vemos de longe, sem movimentá-la, com a ajuda de nossas lanternas conseguimos ver a água listrada, separada em várias camadas que refletem a luz de um jeito tão mágico, quase comparável com o acender das luzes da aurora boreal no horizonte! Espetacular!!!
A Ana se esgueira nas estreitas passagens da caverna La Taina, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Programamos um mergulho técnico descompressivo, o nosso primeiro deste tipo dentro de uma caverna. Por isso resolvemos ir acompanhados de um instrutor, Ramón, um dominicano apaixonado pelas cavernas subaquáticas. Tanque duplo nas costas e um cilindro de Nitrox 75 mistura rica em oxigênio, para acelerar a nossa parada de descompressão no final do mergulho.
Com o nosso guia, mergulhando na caverna La Taina, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
A caverna está localizada em uma propriedade particular nos arredores da cidade e possui uma escada de acesso e um assistente para ajudar a descer os equipamentos. O Ramón foi liderando o mergulho e o Rodrigo foi fechando o grupo, enquanto eu filmava com a Go Pro, ele podia contar com a nossa iluminação à frente para tentar tirar algumas fotos com nossa maquininha sub.
Preparando-se para mergulhar na caverna La Taina, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
O plano inicial seria ir até o final da linha principal e fazer o loop que nos levaria aos 42m, porém no ponto do loop, aos 35m, Ramón alcançou o terço de consumo de ar e como manda o regulamento, chamou o mergulho. Demos meia volta e retornamos, novamente passando pelas haloclinas, paramos aos 12m para recolher nossas garrafas de deco e subimos lentamente até os 8m para descompressão. Terminamos o mergulho com 73 minutos dentro d´água, em um mergulho lindo, tranquilo e muito especial! Só me deixou com mais vontade de explorar as outras cavernas da região! Teremos que voltar com planos para Pedernales e aqui mesmo na La Taina, para fazer o segundo túnel mais decorado. Enquanto isso vamos torcendo para as nossas cavernas abrirem lá no Brasil!
Formações submersas na bela caverna La Taina, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
As famosas construções Incas, com encaixe perfeito de pedras, em Cusco, no Peru
Demos uma volta na praça principal e almoçamos em uma das mais concorridas padarias e lanchonetes da cidade. Se passaram umas duas horas e minha sorte mudou. Comecei a passar mau e é claro que o Ro já culpou a garrafada da Dona Elsa. Eu só pensava na maionese do almoço de ontem. Fato é que a minha imunidade estava baixa e o meu sistema digestivo super frágil depois de 4 dias tomando amoxicilina para a pneumonia. Se foi a maionese ou a garrafada já não importava, logo percebi que nada que eu comesse iria parar no meu estômago, nem água! Fiquei algumas horas entre o banheiro e a cama passando muito mau, vomitando e num piriri danado. Foi quando vi que só iria piorar... Logo tive que tomar a decisão: vamos para o hospital.
O hospital que atendeu a Ana em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
Eram perto das 23h quando chegamos à emergência do Hospital Santa Rosa. O hospital estava em greve e apenas um médico e duas enfermeiras atendiam as emergências que chegavam. Esperei quase uma hora, consultei, mediram febre, anotaram o meu histórico e sem melhora resolveram logo me colocar no soro. O primeiro soro na veia a gente nunca esquece, não é mesmo? O que eu não imaginava é que iria ficar ali por 24 horas! Dormi no hospital... mas tão entregue que nem vi o tempo passar naquela maca dura e gelada.
A Ana descansa em leito de hospital em Puerto Maldonado, no Peru
A cada turno mudava o médico e mudavam as informações que davam ao Rodrigo. Mudaram a minha medicação, retiraram a amoxicilina e sabe Deus o que me deram. O Rodrigo, coitado, fez um tour por todas as farmácias da cidade, pois tudo o que é usado no paciente, como tubos, agulhas, micropore e o próprio soro, devem ser comprados e fornecidos pelos pacientes. Depois da alta também é cobrado um valor pela consulta médica, exames e internação. Tudo num preço super acessível, bem coerente com a estrutura precária e o serviço prestado. Sorte que não tive que usar muito o banheiro que nem assento não tinha no vaso, ah, e detalhe, eles não forneciam nem o papel higiênico. Mas quando estamos mal nem é isso que interessa... só queremos melhorar.
Uma das muitas farmácias visitadas pelo Rodrigo em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
Fato foi que mesmo sem comer nada eu fui reidratando e depois das 24 horas o Rodrigo fez questão de me tirar dali. Negociou com a médica que ele mais confiou, que me indicou tomar pedialite (soro oral) e alguns lactobacilos para reconstituir a flora do sistema digestivo.
Um dos muitos exames feitos pela Ana durante sua estadia no hospital de Puerto Maldonado, no Peru
O Ro já queria ir embora, não aguentava mais ficar em Puerto Maldonado, mas eu ainda não poderia viajar, principalmente considerando que a nossa próxima parada seria Cuzco, lugar com melhor infraestrutura, mas que está a 3.600m de altitude! A médica proibiu que pegássemos estrada ainda hoje... e nem precisava dizer, eu estava muito fraca, sem condições. Ficamos mais um dia no Wasaí Lodge, eu a base de bactrin, tomando muito soro, bolachinhas água e sal e até uma canja de galinha, aqui chamada de dieta de pollo.
Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
Fizemos uma tentativa de viagem para Cuzco no dia seguinte, eu me sentia um pouco melhor, o Ro precisava sair dali e ainda por cima o lodge já não teria vaga para nós. Andamos uns 20km e não rolou, comecei a enjoar, passar mal e voltamos. Tentativa abortada. Tivemos que nos hospedar em um outro hotel por mais uma noite. Passamos o dia lá, descansando, trabalhando nos posts e a noite ainda arrisquei uma saída para tomar uma sopinha de aspargos em um dos restaurantes bacanas da cidade, o Burgo´s Restaurante.
O rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
A noite seguinte já foi em Cuzco, depois de uma viagem incrível da Amazônia aos Andes que conto aqui. Na chegada um parto para achar uma pousada com estacionamento. Na falta de uma paramos perto da Plaza San Francisco, pousada de um lado, estacionamento de outro. Ainda tive forças para carregar mala e cuia para a pousada, tomar uma sopa de verduras e cama! Acordei bem no dia seguinte, mas não demorou para logo passar mal e cair de febre novamente, 38 a 39 graus de febre o dia todo de cama. Voltou o piriri e a fraqueza. Não sabemos se foi pela sopa, o mais provável é que tenha sido a reação do organismo pela mudança de altitude, menos oxigênio e maior necessidade de adaptação e produção de glóbulos vermelhos para o corpo.
A noite cai na Plaza de Armas, em Cusco, no Peru
A partir daqui parei com todos os remédios halopáticos e segui apenas com a medicação homeopática que já estava tomando com a orientação da minha médica particular preferida, mamãe! Segui tomando o Rhus Tox e soro oral, mais os cuidados do Ro, dieta de pollo no jantar e até que enfim a febre baixou.
Mais um exame da Ana, dessa vez em Cusco, no Peru
O dia seguinte passei sem febre, até saímos no final do dia para dar uma caminhada rápida, fomos à Plaza de Armas e jantamos na Cantina Italiana, brochetas de pollo y papas cocidas. Finalmente sinto que estou melhorando! Resolvi fazer exames no Laboratório El Sol no dia seguinte, precisava descobrir que praga era essa que não me deixava! Fiz uma massagem inca com a Jesica em um dos mercadinhos ali do lado. Em Cusco você encontra dezenas de meninas oferecendo massagem, algumas delas tem até “serviço especial” depois das 23h. O Ro conseguiu agilizar a compra dos nossos tickets para Machu Picchu no Ministério da Cultura e cortou o cabelo. Sara, a farmacêutica lá do laboratório conseguiu agilizar o resultado dos exames, que infelizmente se mostraram meio ruins, ainda tenho a infecção, só estou melhorando por que depois de uma semana, com a ajuda da homeopatia, meu corpo começou a reagir sozinho! Tanto estou reagindo que hoje resolvi testar meus limites e comi um bife de alpaca, com zero de gordura e colesterol, e batatas cozidas. Hummm! Preciso ficar forte, logo logo o Gustavo chega e teremos muitas aventuras por aí!
A noite cai na Plaza de Armas, em Cusco, no Peru
Bem, agora já é o dia 25, há 9 dias estou lutando contra essa porcaria de doença e parece que finalmente vou ganhar! Saímos para uma caminhada no centro histórico, trocamos alguns tickets para Machu Picchu no Ministério da Cultura, e conseguimos já comprar as passagens de trem na Peru Rail. Tudo pronto para Machu Picchu! Almoçamos em um restaurante thai na Plaza de Armas, sem temperos, comi sanduíche de frango e passei bem! Saiu o resultado do anti-biograma e consegui logo descobrir qual seria o medicamento que mataria de vez a bactéria. E adivinhem se não era o bom e velho ciprofloxacino? Mesmo amigo que me salvou de uma bactéria peruana em Huaráz a mais de um ano atrás. Mesmo bem, minha homeopata mamãe me indicou tomar o remédio, já que vou abusar nas montanhas incas daqui pra frente. Amanhã o Gustavo chega e começam as nossas explorações pela região de Cuzco e o Vale Sagrado. É a minha prova de fogo! E depois dessa tenho certeza que essas bactérias peruanas não me pegam mais!
Centro de Tradição e Cultura Indígena, em Sitka, no sudeste do Alaska
Sitka foi a primeira cidade da era colonial no sudeste do Alasca. Quando o homem branco aportou nestas águas nem imaginava que iriam encontrar um povo bravo e guerreiro, soberano e orgulhoso de sua cultura e origem. O Kiksadi Clan, pertencente à etinia Tinglít, batizou a cidade Sheet´ka, que significa “a terra por detrás das pequenas ilhas”.
A tranquila baía em frente ao local da batalha entre russos e Tinglits, em parque de Sitka, no sudeste do Alaska
Centro de Tradição e Cultura Indígena, em Sitka, no sudeste do Alaska
Alexander Baranov, gerente da Russian-American Company, foi o primeiro a ter este encontro surreal com os nativos que há muito chamavam Sheet´ka de lar. Vocês conseguem se colocar no lugar dele? O ano era 1799, e o objetivo posto pela grande companhia, aumentar “a produção” de pele de lontras, uma das mais isolantes e quentes de qualquer mamífero marinho.
As tradicionais Babuskas russas, em loja de Sitka, no sudeste do Alaska
Ele construiu um forte ao norte da atual cidade e os Tinglíts logo perceberam que não seria um bom negócio para eles, pois entenderam que se submeter aos russos significaria trabalho escravo caçando os pobres animais. Em 1802 os Tinglíts destruíram o forte e em 1804 sofreram uma forte retaliação dos russos. Mesmo preparados com um grande forte e boas estratégias de guerrilha, os nativos foram obrigados a bater em retirada. Desde então Sitka prosperou e se tornou uma das principais cidades da costa oeste, recebendo o apelido de Paris do Pacífico. A propósito, várias cidades deste continente adoram este apelido... A Paris do Caribe, a Paris do Norte... já vimos umas 4 ou 5 “ex-parises” pela América.
A famosa Igreja Ortodoxa Russa, em Sitka, no sudeste do Alaska
Quando os russos quase extinguiram as lontras-marinhas perderam o interesse pela região (no caso o Alasca) e decidiram vendê-la aos Estados Unidos. A população americana achou um péssimo negócio, um monte de terras que não serviriam para nada, compradas por 7,2 milhões de dólares! Enfim, a negociação seguiu e em 18 de outubro de 1867, no Castle Hill aqui em Sitka, foi feita a cerimônia de transferência de terras da Rússia para os Estados Unidos. Não demorou muito e os americanos já descobriram a maior riqueza da região, o salmão! Novamente, onde há salmão há também ursos, águias, leões marinhos, lontras-marinhas e baleias em um cenário de vulcões e ilhas em pleno Pacífico.
Paisagens magníficas, apesar do tempo nublado na Inside Passage, entre Junau e Sitka, no sudeste do Alaska
Embora seja um pequeno desvio no roteiro da Inside Passage, Sitka é uma das cidades chaves para entendermos como tudo começou. Os ferries para Sitka não são muito frequentes e no trânsito entre Juneau e Ketchikan conseguimos programar apenas um dia para a cidade.
Chuva na Inside Passage, entre Junau e Sitka, no sudeste do Alaska
A temporada está no fim, então avistar algum desses animais é um golpe de sorte. Nós chegamos no ferry às 12h e seguimos direto para o sul da ilha direto para o Whale Park. Localizado em uma baía o parque promete ser um dos melhores pontos para visualização de baleias e outros animais marinhos, mas o mau tempo não colaborou.
Todos os mamíferos que costumam frequentar os mares de Sitka, no sudeste do Alaska
Continuamos na estrada em direção ao Green Lake e descobrimos a Herring Cove Trail. Uma trilha de pouco mais de 2 km em meio a floresta úmida que cobre todo o sudeste do Alasca. Nós brasileiros, tão orgulhosos da nossa imensa Amazônia, não pensamos que possa existir outra floresta úmida pelo mundo. Obviamente esta floresta não é nem um pouco parecida com a Floresta Amazônica, o clima temperado faz predominar espécies como a spruce tree, o cedro e outras variedades de coníferas.
Caminhada em floresta de Sitka, no sudeste do Alaska
Não podemos comparar a diversidade da floresta tropical, porém a sua beleza e riqueza está em outros detalhes que muitas vezes passariam despercebidos por olhos menos treinados. Cedros de 200, 300 ou até 500 anos crescem nestas florestas em um solo rico em nutrientes, mas raso o suficiente para árvores de grande porte simplesmente não suportarem o próprio peso e despencarem. Árvores caídas se tornam casas para os animais, ninhos para outras espécies de árvores, fungos, cogumelos e um ecossistema totalmente diferente, mas ainda assim impressionantemente diverso.
A verdejante rain forest de Sitka, no sudeste do Alaska
Subimos a trilha maravilhados com o tamanho das árvores que nos rodeavam, o vermelho, terracota verdejantes gritavam aos nossos olhos dizendo: “aqui no Alasca também existe floresta!” Que valente e colorida pode ser esta floresta úmida que luta para sobreviver ao frio, fortes tempestades da costa pacífica e ainda cresce forte como esta. Impressionante!
Atravessando riacho em rain forest de Sitka, no sudeste do Alaska
Riacho de águas geladas em floresta de Sitka, no sudeste do Alaska
Ainda na esperança da chuva parar seguimos em busca de outras trilhas e descobrimos o grande Lago Azul, reserva de água de toda a cidade, em uma paisagem montanhosa perfeita para vários trekkings, em dias mais secos.
Blue Lake, reservatório de água de Sitka, no sudeste do Alaska
De volta à cidade, gaiolas de pesca do gigante King Crab, piers das grandes empresas de pesca de Halibut, o enorme linguado das águas geladas do Alasca e barcos pesqueiros aportados reafirmam a tradição e a forma da economia da pesca que sustenta toda a região.
Armadilhas para carngueijos, em Sitka, no sudeste do Alaska
A movimentada marina de Sitka, no sudeste do Alaska
Ainda chovendo, saímos caminhando pela cidade em busca das heranças russas das mais originais e pristinas em toda América. St Michaels, a primeira Igreja Ortodoxa Russa, réplica da original destruída por incêndio em 1966, com seu peculiar cruz e teto abobadado. Em frente a primeira igreja protestante e uma das primeiras moradias e comércios russos na cidade. O Castle Hill sinais do primeiro palácio construído pela Companhia Russa-Americana para o gerente e sua esposa, que guardava uma coleção de arte e roupas tinglíts para apresentar aos seus convidados, aculturando os forasteiros à cultura nativa.
A famosa Igreja Ortodoxa Russa, em Sitka, no sudeste do Alaska
Ainda cruzamos o cemitério russo e a Sheet´ka Kwaán Naa Kahídi, sala de reuniões dos povos tinglíts construída no estilo tradicional, em madeira e com totens e painéis esculpidos em madeira.
Centro de Tradição e Cultura Indígena, em Sitka, no sudeste do Alaska
Perdemos o horário para o Sitka Historical Museum, mas chegamos a tempo de contemplar a paz do antigo e sangrento campo de batalha dos tinglíts e russos no Sitka National Historical Park. A cada 100m encontramos um totem contando uma história ou uma lenda, como a do menino que nasceu com duas flechas em sua cabeça.
Observando de perto um dos muitos totens em parque de Sitka, no sudeste do Alaska
“Um dia sua mãe o enfrentou e ele disparou as flechas e a matou, fugindo para a floresta. A criança sobreviveu matando animais e outros homens de aldeias vizinhas, até que foi capturado por seu tio, que o matou e queimou. As cinzas deste garoto tão perverso, porém, não iriam descansar. Elas foram a origem dos pernilongos que até hoje perturbam a todos!”
Totem marca o local onde estava a fortaleza Tinglit em parque de Sitka, no sudeste do Alaska
Hahaha! Adorei a lenda! Terminamos a caminhada já na penumbra, às margens do mar e do rio, águias, gaivotas e um cheiro de peixe podre. Pobres salmões, nadaram tanto e morreram na praia.
Águias e gaivotas compartem os salmões que sobem por riacho em parque de Sitka, no sudeste do Alaska
Um dia intenso e difícil de ser traduzido em algumas poucas palavras. Russos, tinglíts, americanos e quem mais quiser participar desta grande miscelânea cultural que forma a sempre capital histórica do Alasca.
Totem em meio a mata de parque de Sitka, no sudeste do Alaska
A praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Puerto Escondido está localizado na costa do Pacífico, no estado mexicano de Oaxaca. Chegamos no início da tarde e nos hospedamos na Playa Zicatela, onde está a maior parte do agito, hotéis e restaurantes. Encontramos muitos italianos morando por aqui, abrindo seus negócios, como em todo este trecho da costa mexicana.
Cactus no mirante da praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Seu nome origina de uma antiga história de piratas. Andrés Drake, irmão do famoso pirata Francis Drake, aportou nesta baía deserta para um período de descanso longe das autoridades. Sem mais nada de interessante para fazer na vida e se aproveitando do seu status de pirata, algumas semanas antes, ele e sua tripulação raptaram uma índia mixteca de uma vila próxima.
Almoço de peixe e camarão em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Foi ali, nesta baía deserta, que a índia conseguiu escapar do navio e nadar até a costa, escondendo-se na densa floresta ao longo da praia. Os piratas a procuraram diversas vezes, porém nunca puderam encontrá-la, passando a chamar o local de “Baía de La Escondida”. Com o passar dos anos o nome foi mudando, passando por Puerto La Escondida e finalmente Puerto Escondido.
A famosa "mão na rocha", na praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Durante muito tempo a baía foi inabitada, por dificuldades como água potável, etc. Uma vila começou a se desenvolver formalmente apenas nos anos 30 do século passado e nos anos 70 possuía apenas 400 habitantes. Hoje a cidade já possui em torno de 20 mil habitantes e se tornou o principal destino turístico na costa de Oaxaca.
Fim de tarde bem gostoso na praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Calçadão, estacionamentos e palmeiras ao longo da avenida principal mostram que o desenvolvimento chegou para ficar. Restaurantes imensos na beira da praia oferecem cadeiras e guarda-sóis e alguns bares noturnos que garantem uma boa salsa. O centro da cidade fica há uns 20 ou 30 minutos de caminhada, ocupando o morro que está no canto direito da praia. A praia do centro é exatamente o pequeno porto natural que era utilizado pelos piratas, dividido por uma bela formação rochosa da praia de Zicatela.
A concorrida praia central de Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Na nossa corrida habitual, infelizmente não tivemos muito tempo para explorar seus arredores. Caminhamos ao longo da praia até o mirante entre a Zicatela e a Praia do Centro e aproveitamos para dar um clássico tchibum de final de tarde. Uma amiga de uma amiga de uma amiga que já morou aqui e conheci pelo facebook (só podia ser coisa de internet!) já tinha nos dado a dica: o pôr-do-sol de Puerto é maravilhoso, não percam! Quem nos acompanha aqui sempre sabe, este é um dos espetáculos naturais mais bacanas e já vimos muuuuitos pores-do-sol, mas este é realmente magnífico! Pudemos ver até a última unha de sol baixar direto na água, em um vermelho intenso radiante e sem uma nuvem no horizonte para atrapalhar. Valeu a dica Chiara!
Visitando Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Outra dica da Chiara foi o almoço na Cantina Vasco, com um saudável prato de dourado “a la plancha” com esses pequenos camarões aí, óh. Um deleite!
Almoço de peixe e camarão em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Fechamos a noite com uma boa salsa com o pé na areia e várias caipirinhas a “la mexicana”, com rum no lugar da cachaça. Não é aquela Brastemp, mas já ajuda a matar um pouco as saudades de casa.
Foto clássica de Canaima, no sul da Venezuela, com as palmeiras alagadas e as cachoeiras ao fundo
Um dos momentos mais emocionantes da viagem ao Salto Angel é logo no início, o vôo de Ciudad Bolívar para o Parque Nacional Canaima. O vôo em um Cesna de 5 lugares começa com uma vista aérea linda do Rio Orinoco em Ciudad Bolívar e depois de um trecho de campos começa a sobrevoar uma represa rasa, uma longa área alagada e tepuis maravilhosos! A chegada ao Parque Nacional é o ponto alto, quando avistamos todas as cachoeiras, a praia e o Salto El Sapo.
Sobrevoando o Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela
Voando de Ciudad Bolívar para Canaima, no sul da Venezuela
Somos recebidos no aeroporto pelo nosso guia local e após quase meia hora de espera pelos outros integrantes da nossa excursão, seguimos caminhando para a pousada, conhecendo a vila e vendo as crianças pemóns na hora do recreio da escola.
Chegando à Canaima, no sul da Venezuela
Venda de aertesanato no aeroporto de Canaima, no sul da Venezuela
Aproveitamos essa hora que tínhamos antes do almoço para andar pela vila e ir até a praia para ter uma das vistas mais famosas do parque nacional. A lagoa de águas vermelhas rodeadas por cachoeiras e com os três coqueiros semi-inundados. Sim, eles continuam lá! Do outro lado do lago a ilha onde está o acampamento El Sapito, onde dormimos da última vez.
Final de tarde em Canaima, no sul da Venezuela
Almoçamos na pousada e encontramos com o pessoal do Bode´s Well, o casal norte-americano Angela e Jason que viajam com seu filho Bode (fala-se Boudi) e receberam a visita super especial da avó de Bode, Susan, mãe de Angela. Há dias tentávamos marcar via internet um encontro na nossa rota pela Venezuela, mas havíamos perdido contato. Eis que os encontramos, por acaso, sentados na mesma mesa e no mesmo grupo de excursão que nós para o Salto Angel! Se tivéssemos marcado não teria dado tão certo!
Caminhando na praia fluvial de Canaima, no sul da Venezuela
Entrando na canoa que nos levará ao Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
Após o almoço a chuva nos pega de surpresa e atrasa a ida ao Salto El Sapo. Afinal nos encorajamos e saímos para o passeio, que mesmo com uma chuva fina vale cada minuto! Atravessamos a lagoa de barco e caminhamos em torno de 30 minutos, cruzando a floresta molhada, seus sapos coloridos até chegar ao corredor de pedra que nos leva ao mirante do salto. Essa travessia é uma das mais emocionantes da trilha!
Caminhando por baixo do Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
Pequenos sapos coloridos são muito comuns na área de Canaima, no sul da Venezuela
Caminhamos entre a forte cortina de água do Salto El Sapo e um corredor de pedras, que aos poucos vai se estreitando até o momento em que quase não podemos enxergar! Água por todos os lados, um banho de vapor de água nos encharca antes mesmo de podermos pensar! A cachoeira é maravilhosa, cenário perfeito para fotos aventurescas e românticas! Susan está comemorando seu 70º aniversário, muito esportiva e corajosa fez a travessia e também se rebatizou nas águas de Canaima!
A cortina de água do Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
1000dias no Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
Voltamos ainda com a adrenalina da travessia, mas, em tempo, havíamos guardado do outro lado a roupa sequinha para garantir algo quentinho no retorno. Foi um ótimo começo para a nossa aventura do Salto Angel, agora estamos prontos para enfrentar as surpresas que nos esperam no caminho da maior cachoeira do mundo!
Confira a série completa de posts!
• Aauyantepui e o Salto Angel
• 2º Dia - De Canaima ao Salto Angel
• 3º Dia - Sobrevoando o Salto Angel
Cachoeiras no rio Caroni, na região de Canaima, no sul da Venezuela
Museus de Lendas e Tradições, em antiga prisão somozista em León, na Nicarágua.
Hoje cedo fomos ao Museu de Histórias y Leyendas. Dona Carmen, a idealizadora, artista e executora de quase todas as peças em exposição. Ela faleceu há apenas 1 mês e seus filhos herdaram o museu e a tarefa de manter o seu sonho, de manter a história e crenças do seu povo e de construir um espaço de atividades para pessoas da terceira idade. Há pouco tempo o museu saiu de sua casa para o local atual, antiga prisão, construída em 1921. Por esta prisão passaram centenas de presos políticos que foram torturados e mortos durante a Era Somoza.
O museu reúne em cada uma das antigas celas, estátuas e imagens que representam lendas nicaragüenses. A história como a de La Llorona, que suas lágrimas teriam formado o Lago de Manágua, a lenda da bruxa que transformava as pessoas mal quistas em porcos ou da índia que se apaixonou por um espanhol e foi separada de seu amor.
Visita à antiga prisão somozista em León, na Nicarágua.
Conhecemos também La Gigantona, representação de uma mulher espanhola, e o boneco que representa o nicaragüense, pequeno e cabeçudo, sinal de inteligência dos nativos. Nos meses de dezembro os nicas e as gigantonas saem às ruas bailando ao som de tambores e no dia 7 de dezembro é quando acontece a grande reunião de Las Gigantonas, quando um júri elege a mais bonita e hermosa de todas elas.
Personagens legendárias em museu de León, na Nicarágua.
Uma cena que está terminando de ser montada, super curiosa, é a de um índio que teria morrido lutando por sua liberdade contra os espanhóis, porém sua alma ficou vagando em uma carroça pelas ruas de León como “um espanto”. Depois da meia-noite se alguém estivesse na rua e visse a sua carruagem, teria sua alma levada, virando um fantasma também.
Dona Carmen fez um trabalho muito bonito e que ficou ainda mais especial sendo abrigado em, um lugar histórico que estava abandonado e retornou à vida, guardando a memória dos tempos de luta contra a ditadura.
Passeando na orla de Fortaleza - CE
Fortaleza é conhecida por ser das capitais mais ensolaradas do ano, “aqui mesmo quando chove faz sol”, diz um guia da cidade. Mentira! Estamos há quase 2 dias sob chuvas e nuvens negras que não víamos há muito tempo. Aquecimento global? Inverno nordestino ou apenas uma água abençoada para esta terra que (quase) nunca chove? Prefiro a última opção.
Orla de Fortaleza - CE
Ontem até fez um solzinho, mas depois dos últimos dias, repletos de atividades e shows, precisávamos parar um pouco e coloca o site em dia. Foi um dia inteiro enfurnados no hotel escrevendo, pesquisando, tuitando, etc. Saímos apenas para um almoço rápido na orla aqui na praia de Iracema, demos uma olhadinha no píer da Ideal e voltamos à nossa caverna.
Praia de Iracema, em Fortaleza - CE
Hoje a chuva foi incansável, incessante e impiedosa com os pobres turistas da capital cearense. Nós, como também temos nossos dias de Maria, aproveitamos para resolver pendências como levar mochilas e sapatos ao sapateiro, comprar um celular pré-pago para emergências, almoçar uma trashfood no Shopping Aldeota e tomar a vacina contra febre-amarela.
Conseguindo a Carteira Internacional de Vacinação, em Fortaleza - CE. Pronta para sair do país!
Esta última já uma providência de olho na travessia da nossa primeira fronteira internacional, Guiana Francesa, que deve ocorrer em menos de um mês! Fui ao Posto de Saúde Meirelles, vacinei rapidinho, sem fila nem nada e depois fomos à Anvisa no centro para fazer a transcrição da vacina para a carteira internacional. Francisca, funcionária da Anvisa com quem eu já tinha falado por telefone foi simpaticíssima e o atendimento foi super rápido. Só demorei mais ali por que ficamos batendo papo. Nessas voltas conhecemos o centro, mas sabem como é, centro é centro, lojinhas de artigos paraguaios, camelôs, ruas estreitas e lotadas. Passamos também pelo Banco Central, aquele que foi alvo de um dos maiores assaltos a banco do Brasil, coisa cinematográfica.
Night no Pirata, em Fortaleza - CE
Voltamos ao hotel, mas hoje determinados a conhecer pelo menos uma das atrações obrigatórias da cidade, o Bar do Pirata. Caminhamos sob uma garoa fina que tratou de deixar o calçadão vazio, mas quando chegamos ao bar lá estava ele, cheio de turistas animados de todas as partes do Brasil. O Pirata é um dos responsáveis pela fama que Fortaleza tem de possuir a segunda-feira mais animada do país, pois ele só abre na segunda-feira. Primeira pergunta que nos passou pela cabeça, como ele se sustenta? A resposta veio fácil e mais rápido do que imaginamos, 35 reais de entrada por pessoa.
Mesmo com chuva, show no bar Pirata, em Fortaleza - CE
A casa lotada deve acomodar umas 1000 pessoas facilmente, além dos 5 reais por cerveja, e a linha de montagem para petiscos e caipirinhas. A banda toca um pouco de tudo, desde que seja música nordestina ou sertaneja. Forró, axé, brega e as mais famosas do chapéu, Luan Santana, Vitor e Léo, essas coisas. Os bailarinos da banda são uns piratas gostosões (alguns meio fora de forma), que ficam passando aquelas coreografias pra galera, que animadíssima repetia tudo atentamente embaixo da chuva. Só uma coisa a dizer, “a nível de balada” foi um ótimo estudo antropológico.
Night com chuva no Pirata, em Fortaleza - CE
Amanhã, “time is over”, chova ou faça sol vamos ter que sair da toca e explorar a cidade.
Logo depois da cidade de Realidade, a Fiona enfrenta os piores trechos da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
3º Dia - KM 500 a Humaitá. 100km de lama e 200km de asfalto até Porto Velho.
Acantonados sob o teto sem paredes da torre da Embratel, despertamos com os primeiros raios de sol e ao som da Floresta Amazônica. Engraçado que sempre que escrevo o seu nome automaticamente utilizo as primeiras letras maiúsculas, como pessoas, como entidades, como algo muito maior do que um simples objeto ou subjuntivo. Talvez por sua grandeza, com certeza pela importância intrínseca que possui na nossa vida, no conjunto da nossa mãe Terra.
A bela paisasem da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
Acho impossível acreditar que pessoas, por mais simples que sejam, não consigam entender e respeitar a sua conservação. É impensável um mundo sem ela. É inacreditável ter que acordar em meio da floresta e alguns poucos quilômetros a frente deparar-nos com tamanha destruição. Pastos, fazendas, áreas de floresta que deram espaço à necessidade urgente do ser humano, à miopia daqueles que seguem seu instinto de sobrevivência e destroem a base que lhes garante um futuro. Que o universo nos guie, para o bem e para o mal, em um caminho de equilíbrio entre o homem e a natureza.
A bela paisasem da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
O trecho entre o km 500 e Humaitá é o pior da BR-319. O tipo de solo argiloso, a perda da drenagem natural da floresta e a maior quantidade de tráfego entre fazendas e vilas fez com que a estrada se transformasse em uma lamaceira geral. Caminhões que carregam 50, 80 pessoas empoleiradas indo e vindo da pequena cidade de Realidade já não conseguem mais passar. Crianças, senhoras, homens e mulheres sem condições básicas de saneamento e saúde vão e voltam do único lugar que hoje podem chamar de lar. Será lá mesmo o lugar a que pertencem? Por que os levamos para lá? Os isolamos em prol de uma ocupação de um território que nem de nós, seres humanos, pode ser chamado.
Crianças brincam na orla do Rio Madeira, em Humaitá, no Amazonas
O pior trecho de lama ficou entre a Fazenda dos Goianos e Humaitá. Tratores vão e vem, aumentando os sulcos da estrada e eventualmente ajudam a desatolar os caminhões empacados a horas ou dias em alguns trechos. A cidade Realidade neste ambiente já parece uma megalópole. Depois de tantos quilômetros sem encontrar nada e nem ninguém é até desconcertante ver um aglomerado urbano claramente esquecido pelo poder público.
Logo depois da cidade de Realidade, a Fiona enfrenta os piores trechos da BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia
A 100 km de Humaitá, um distrito com 1000 habitantes apenas na área urbana, Realidade é fruto da explosão populacional ocorrida em diversos povoados amazônicos e traz consigo uma realidade desoladora. Nem quero saber de onde viria a sua prosperidade: extração de madeira? Pecuária? Soja? Um lugar que há pouco perfurou seu primeiro poço artesiano, abriu ruas de terra e as portas de sua primeira escola pública, estende as fronteiras da destruição na Amazônia. Seu povo luta pela emancipação, mais cargos públicos, mais dinheiro desviado, mais problemas de saúde publica, abastecimento e infra-estrutura básica. Realidade não poderia ter nome mais coerente.
Almoço na beira do Rio Madeira, em Humaitá, no Amazonas
Nossa passagem por aí teria sido mais rápida não fora o bloqueio na estrada de lama, se é que isso se pode chamar de estrada. As fendas de lama quase seca são tão fundas que só o carro do “Dick o Vigarista” poderia passar. A Fiona tem seus truques, mas aquele pau de arara não. Ele ficou ali (desam)parado por algumas horas, até que chegamos com nosso guincho e não tivemos nem opção, senão arregaçar as mangas e ajudar a tirá-lo dali.
caminhão atolado bloqueia a estrada, logo depois da cidade de Humaitá. Uma hora de trabalho e muita força da Fiona para tirá-lo de lá (BR-319, estrada que liga Manaus à Porto Velho, em Rondônia)
Foram umas duas horas, das 7h30 as 9h30 da manhã desatolando, calçando a Fiona que patinava na lama, para puxar o caminhão lotado. Conseguimos tirar parte dos passageiros, mas senhorinhas e algumas crianças continuaram lá em cima, sem condições físicas de descer. O povo estava feliz com a nossa chegada e muito disposto a ajudar, conversar e ultrapassar qualquer barreira para poder chegar em casa e ver a família depois de 1 ou 6 meses de viagem, buscando trabalho ou tratamentos de saúde na capital do estado vizinho.
A Fiona enfrenta a lama nos piores trechos da BR-319, logo após a cidade de Realidade, já não muito distante do asfalto e da cidade de Humaitá, no Amazonas
É para lá que nos dirigimos, mas antes passamos pela sede do município, a cidade de Humaitá, ainda no estado do Amazonas. Humaitá marca o início, ou o fim, da aventura off-road da BR-319 e para muitos, o começo (ou fim) de uma nova aventura, a travessia da Rodovia Transamazônica.
Chegando á Humaitá, no Amazonas
Passamos pelo portal que marca o início da Transamazônica, mas desta vez seguimos em frente rumo à Rondônia. Fizemos uma parada para abastecimento e um almoço às margens do Rio Madeira, o mais veloz dos rios amazônicos. Centenas de troncos descem o rio, que ainda está cheio, a caminho de Manaus. Subindo o rio, está capital de Rondônia, mais um estado para a nossa coleção dos 1000dias.
O caudaloso Rio Madeira, em Humaitá, no Amazonas
A partir de Humaitá a BR-319 já segue asfaltada e uma viagem mais tranquila e rápida até Porto Velho. Cruzamos mais uma vez um rio amazônico, agora de balsa, ao lado da ponte que está sendo construída sobre o Rio Madeira. Ao longe já podemos avistar a barragem da Hidrelétrica de Santo Antônio e conversamos com um engenheiro que trabalha na sua planta.
Na balsa sobre o Rio Madeira, chegando à Porto Velho, em Rondônia, e admirando a ponte quase pronta que vai atravessar o enorme rio
Em Porto Velho fomos recebidos por um velho amigo do grupo escoteiro que eu participava. O Rodrigo realizou o seu sonho de ser piloto de helicópteros, trabalha para a Força Aérea Brasileira e atualmente mora aqui na capital rondonense. Quem diria que num lugar tão distante encontraríamos um lar tão aconchegante para nos receber!? Agora temos que nos preparar para a próxima etapa da viagem que inclui o Acre e mais um longo trecho por uma das mais novas rodovias transnacionais brasileiras, a Rodovia Transoceânica que liga a nossa malha rodoviária do Atlântico ao Pacífico, cruzando o Perú!
Chegando à região de 1000 Islands, na fronteira de Canadá e Esatados Unidos
Mil e oitocentas e sessenta e quatro ilhas (sim, 1.864!!!!) para ser mais exata. Parece mentira, mas não é. Esta constelação de ilhas se formou ao longo de 80km do St Lawrence River depois da última glaciação. Há 12 mil anos a retração dos glaciares foi depositando aqui toneladas e mais toneladas de pedras e sedimentos que formaram as atuais ilhas.
Veleiro na região de 1000 Islands, na fronteira de Canadá e Esatdos Unidos
Elas têm todos os tamanhos, podem ser particulares ou até abrigar pequenas vilas, mas para serem consideradas ilhas elas devem se encaixar nos seguintes critérios:
1) Estar acima d´água durante todo o ano.
2) Ter uma área maior que 1 square-foot ou, traduzindo para o mundo, 0,093m2 = 929,03cm2!!!
3) Comportar pelo menos uma árvore, viva, é claro.
A menor ponte internacional do mundo, ligando uma ilha canadense à outra americana, na região de 1000 Islands
Elas estão localizadas na fronteira dos estados de Nova Iorque, EUA e de Ontario, Canadá. Uma longa fronteira que se tornou refúgio de milionários de Nova Iorque, Chicago e outras grandes cidades dos EUA e do Canadá. A região nos fez lembrar Angra dos Reis, lugar de ricos e famosos reunidos em casas milionárias e com seus pequenos iates estacionados em suas garagens.
Pequena casa com seu "carrinho" na garagem, na região de 1000 Islands, na fronteira de Canadá e Esatdos Unidos
As águas são verdes e transparentes, só diferem mesmo o sal do mar e as árvores tropicais que temos no lugar das coníferas. Um dos pontos altos do passeio é o Boldt Castle, construído por George Boldt, gerente geral dos hotéis Waldorf-Astoria em Nova Iorque nos idos de 1900.
Construções excêntricas na região de 1000 Islands, na fronteira de Canadá e Esatdos Unidos
Curiosidade: o famoso molho de saladas Thousand Islands foi criado em um cruzeiro ao redor destas ilhas e batizado em sua homenagem. Sua notoriedade se deu justamente através de Boldt e seu chefe de cozinha, que o adotaram no badaladíssimo Waldorf-Astoria.
Uma das pequenas ilhas entre as mais de mil da região de 1000 Islands, na fronteira de Canadá e Estados Unidos
A navegação ao redor das Thousand Islands é bastante dificultada pela quantidade de pedras, baixios e bancos de areia. Vários acidentes já aconteceram, barcos foram à pique e o que ficou por lá hoje é a alegria de mergulhadores, um grande parque de naufrágios. Este “museu naval submarino” possui embarcações do final do século XIX praticamente intactos, pois a água doce é menos corrosiva à estrutura do navio. Até onde conseguimos pesquisar existem duas operadoras de mergulho, ambas em Rockport há uns 25km de Gananoque. Faltou dizer que a primeira vez que ouvimos falar de Thousand Islands foi através do nosso amigo Tony Flaris, guia e instrutor de mergulho em cavernas na Flórida. O verão é a temporada de mergulho aqui, com a temperatura da água entre 21 e 24°C, já que no inverno ela pode chegar a até 10°C!
Passeio de barco pelas 1000 Islands, fronteira de Canadá e Estados Unidos
Uma das melhores formas de conhecer a região é em um tour de barco. O sobrevoo também deve valer muito à pena, mas é ainda mais dependente das condições climáticas e, em minha opinião, não substituiria o barco. As outras opções seriam um passeio de caiaque, mais jovem, esportivo e ecológico, mas menos abrangente. Outro “truque” é organizar uma saída de mergulho, pois além de mergulhar, já ganhamos uma carona para vermos a paisagem também acima da água.
Passagem estreita entre ilhas das região de 1000 Islands, na fronteira de Canadá e Estados Unidos
Aqui do lado canadense também vale dirigir pela Thousand Islands Parkway, estrada que margeia o Rio St. Lawrence entre Elizabethtown e Gananoque. Nós saímos de Ottawa em torno das 17h e fizemos em menos de duas horas todo o trajeto, com uma parada rápida em Brockville e um final de tarde prateado sobre as águas do rio. Em Gananoque ficamos hospedados na pousada Turtle Island Inn, um bed and breakfast super charmoso com um café da manhã delicioso! Tive que quebrar a dieta e comer as exclusivas panquecas de blueberry, divinas!
Máscaras indígenas que enfeitam e protegem dos maus espíritos a nossa pousada em Gananoque, na região das 1000 Islands, na fronteira do Canadá e Estados Unidos
Gananoque é uma cidadezinha tranquila às margens do rio e uma ótima base para explorar a região. No dia seguinte, mesmo com chuva, saímos cedo e nos unimos a uma excursão de duas horas com a Gananoque Boat Line, para conhecer a região. O tour é guiado automaticamente, ou seja, com uma gravação que repete o mesmo conteúdo em todas as saídas. Ficamos com aquela sensação de termos caído em uma emboscada turística, mas barcos particulares não existem e as outras opções ficaram prejudicadas pela chuva. Detalhe, choveu quase o passeio inteiro, a sorte foi que o tour não estava cheio e pudemos nos proteger na parte interna da embarcação.
Nosso meio de transporte na região de 1000 Islands, na fronteira de Canadá e Esatdos Unidos
Durante o nosso tour, eram intercaladas imagens dos mergulhos em cada um desses naufrágios, contando um pouco da história de cada um. Isso só nos deixou ainda mais loucos para mergulhar ali, mas sem saídas programadas e nem mais mergulhadores interessados, a contratação para a saída de um barco ficou inviável. Quem sabe voltaremos um dia para explorar as águas das mil ilhas com mais calma, mais sol e mais profundidade, literalmente!
Passeio de barco na região de 1000 Islands, na fronteira de Canadá e Esatdos Unidos
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet





.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)



.jpg)
.jpg)
.jpg)




.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)