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Uma Aula de História

Nicarágua, León

Mural nas ruas de León, na Nicarágua

Mural nas ruas de León, na Nicarágua


Fundada em 1524 aos pés do vulcão Momotombo, à beira do Lago de Manágua, a cidade de León não demorou muito a mudar de "endereço", devido às seguidas tragédias naturais que a afligiram nas suas primeiras décadas de vida, de terremotos à erupções vulcânicas. Na sua nova posição mais segura e estável, a cidade foi elevada à capital provincial pelos espanhóis, logo se tornando um importante centro político, religioso e cultural. Enquanto o dinheiro e a "nobreza" estavam em Granada, os ideais estavam na fervilhante León. Não por acaso, enquanto a primeira era o berço do conservadorismo no país, León era o foco de ideias liberais e progressistas.

A bela cidade de León vista do alto do Museu dos Revolucionários, na Nicarágua

A bela cidade de León vista do alto do Museu dos Revolucionários, na Nicarágua


Essa tradição seguiu até o século XX, tanto no lado cultural, com o maior dos poetas nicaraguenses, Rubén Dario, até o político, com alguns dos acontecimentos mais importantes da história recente do país. Talvez o mais emblemático deles tenha sido perpetrado pelo jovem poeta e jornalista Rigoberto Pérez. Cansado da ditadura de vinte anos de Somoza, que tinha esmagado toda a oposição com sua mão de ferro, decidiu que era a hora de mudar. Numa festa para dignatários na cidade, o jovem Rigoberto se fantasiou de garçon e, num ataque suicida, acertou vários tiros com balas envenenadas no ditador. Somoza sobreviveu alguns dias, levado a um hospital na Cidade do Panamá, mas os médicos não puderam conter os efeitos do veneno e ele morreu em agonia. Já Rigoberto, foi morto ali mesmo, o corpo perfurado com mais de 50 balas. Hoje é um herói reverenciado no país, principalmente em León. Infelizmente, a ditadura somozista duraria outros 20 anos, agora nas mãos dos filhos do patriarca.

Ruínas de igreja em León, na Nicarágua

Ruínas de igreja em León, na Nicarágua


Quem ajudou a acabar de vez com a terrível dinastia foi novamente a cidade de León, uma das mais aguerridas durante a Revolução Sandinista no final dos anos 70. Ainda hoje a cidade guarda as memórias dessa luta, na forma de ruínas, museus e murais espalhados por toda a León. Nós fomos conhecer algumas dessas "memórias", culminando com uma visita no final da tarde ao Museu dos Revolucionários, com a chane de ser guiado por um ex-combatente das forças sandinistas.

A Fiona passa por uma 'obturação', na verdade uma soldagem do suporte do controle do guincho (em León, na Nicarágua)

A Fiona passa por uma "obturação", na verdade uma soldagem do suporte do controle do guincho (em León, na Nicarágua)


Mas antes disso fomos primeiro cuidar da nossa Fiona. Já há algum tempo que o suporte para o controle do guincho estava solto e só hoje tivemos tempo de ir atrás de alguém para fazer a solda necessária. Após rodar um pouco pela periferia da cidade encontramos o lugar. Agora, só está faltando um chaveiro para consertar a fechadura da capota! Outra coisa no conserto é o meu computador, que já não se comunica com discos externos ou modens, o que tem complicado bastante minha rotina de trabalho.

A Catedral de León, a maior da Nicarágua e de toda a América Central

A Catedral de León, a maior da Nicarágua e de toda a América Central


Interior da Catedral de León, na Nicarágua

Interior da Catedral de León, na Nicarágua


Cumprida a obrigação, passamos à diversão. Um passeio na praça e ruas do centro nos deu a chance de observar as construções históricas pouco conservadas, mas em charmosa decadência. Destaque para a enorme Catedral, bem no meio do "parque" central, que é como os nicaraguenses chamam as praças por aqui.

Mural no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua

Mural no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua


Finalmente, fomos ao Museu dos Revolucionários. Ali sempre estão antigos guerrilheiros ou combatente das forças sandinistas, hoje já beirando os sessenta anos. São eles que nos acompanham na visita ao museu, nos contando histórias, explicando fotografias e recortes de jornal e nos dando uma visão de quem não só viveu aquela época, mas ajudou a mudar aquela dura realidade. É estranho ver e conversar com esses simpáticos velhinhos que, não faz muito tempo, com armas em mão ajudaram a derrubar uma das mais violentas ditaduras do continente. Nessa luta, mataram, perderam amigos, foram torturados e baleados. Um mundo que nos parece tão distante mas que, conversando com eles, está ali, do outro lado dos olhos que nos olham.

Mural de fotos no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua

Mural de fotos no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua


Amanhã, ainda empolgados com essa atmosfera revolucionária, vamos visitar uma terrível prisão da época somozista que foi um dos últimos bastiões da Guarda Nacional a cair na cidade. Hoje virou museu. Em seguida, vamos ao vulcão Cerro Negro, o mais ativo do país e um dos mais novos das américas, com apenas 150 anos de idade. Um verdadeiro bebê-vulcão! Com o problema no computador, a ida para Somoto e de lá para Honduras e El salvador ficou adiada em um dia.

Conversando com o ex-guerrilheiro Frank no telhado no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua

Conversando com o ex-guerrilheiro Frank no telhado no Museu dos Revolucionários, em León, na Nicarágua

Nicarágua, León,

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Um Dia Na Ilha de Lençóis

Brasil, Maranhão, Ilha de Lençóis

Fim de tarde. no alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Fim de tarde. no alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Muitas coisas concorrem para fazer dessa ilha um lugar tão especial. Em primeiro, aquilo que está mais aparente: suas belezas naturais. Uma pequena ilha no meio de um arquipélago formado por manguezais, quase toda tomada por dunas de areia. Mas suas dunas são diferentes daquelas dos Lençóis Maranhenses, ou da região de Jericoacoara. Ao invés de grandes dunas, todas "correndo" na mesma direção, aqui elas estão amontoadas, uma por cima da outra, cada uma se deslocando num sentido. Nessa confusão de dunas, várias pequenas lagoas se formam, algumas do tamanho de banheiras. Para quem vinha acostumado com as dunas grandes e compactas, é uma visão inusitada!

Entardecer visto do alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Entardecer visto do alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Além disso, o contraste de dunas de areias amareladas crescendo (e soterrando!) manguezais também é muito bonito. Na borda dessa luta entre forças naturais, grandes praias se estendem, dependendo da maré, por quilômetros à fio. Aliás, na maré baixa, tenho a impressão que a ilha triplica de tamanho. O mar vai lá para trás, a praia fica absolutamente imensa, lagoas se formam. Um cenário grandioso.

Caminhando nas dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Caminhando nas dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


O segundo motivo é científico. Por algum mistério, a maior concentração de pessoas albinas por habitante no mundo está aqui. São os chamados "filhos da lua". Lembro de criança ver programas na TV sobre isso. É um fato que jamais foi verdadeiramente compreendido, mas o fato é que ocorre. Ainda hoje, visitando a ilha, podemos vê-los, tentando se adaptar a um lugar onde, por seis meses durante o ano, o sol é inclemente. Os adultos, já cientes das dificildades, só saem nos dias nublados. A pesca, principal fonte do sustento, só de noite. Já as crianças, driblando a preocupação de seus pais, querem fazer o mesmo que seus colegas: correr ao ar livre durante todo o dia. O tempo lhes ensinará...

Dunas e pequenas lagoas na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Dunas e pequenas lagoas na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


O terceiro motivo são as lendas que sobrevivem por aqui há gerações. É um dos últimos lugares no Brasil aonde sobrevive o "sebastianismo", algo surgido em Portugal há quase quinhentos anos. Vou falar disso num outro post, depois de visitar um centro local onde isso é explicado com mais detalhes.

Seu Domingos e sua pescaria, na praia da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Seu Domingos e sua pescaria, na praia da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Eu e a Ana saímos logo cedo, depois da nossa "soneca", para explorar a ilha e o que a faz famosa. Juntos com os filhos do Hélio, fomos explorar as belezas da ilha, suas dunas, lagoas e praias. As lagoas ainda estão enchendo, mas do jeito que está chovendo, não vai demorar muito... As poucas lagoas mais cheias atraem muitas crianças, que são a maioria da população da ilha. É engraçado ver suas mães preocupadas, brigando com elas. Afinal, hoje é sexta-feia, dia de escola e não de lagoa. Mas vai explicar isso para as crianças... Tudo o que posso dizer é que, num ambiente desse, combina muito mais ver uma criança de sunga ou bermuda se atirando numa lagoa do que de uniforme e livros indo para uma escola...

Fim de tarde. no alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Fim de tarde. no alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Como as lagoas não estavam tão cheias, fomos para a imensa praia nos esbaldar em suas ondas. O mar é acizentado. Mas suas ondas garantem boa diversão. Praia quase totalmente deserta. Só um pescador por ali. É o Seu Domingos, que vem nos mostrar o prêmio de seu dia: um enorme xaréu de dez quilos!

Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Depois do longo passeio e do almoço na pousada, tiramos mais uma bela soneca. Mas acordamos em tempo de subir as dunas mais altas da ilha, para assistir o belo entardecer. Lá de cima, pode-se observar a pequena vila, as praias ao fundo, o mangue sendo lentamente engolido pelas dunas, os braços de mar que separam a ilha de suas vizinhas e que mais parecem rios, e o verde do mangue que domina as outras ilhas. É uma linda visão! Só está faltando a revoada dos guarás vermelhos. Infelizmente, não é a época certa do ano. Agora em fevereiro, eles estão mais preocupados em se reproduzir do que fazer show para visitantes que escolheram o mês errado para observá-los.

Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Por fim, chega a noite e muita chuva. Já estamos abrigados no Bar do Martins, o mais animado da comunidade. Lá, entre cervejas geladas e com muito samba, socializamos com crianças da ilha. Eles nos adoram, principalmente a Ana. Disputam a nossa atenção com um senhor idoso, o Zé Maria, que gasta sua aposentadoria em cervejas. Momentos de pura felicidade, crianças pulando e sorrindo, cada um mais fotogênico do que o outro. É o prazer de se estar numa ilha tão isolada, perdida no meio desse Brasilzão, mas ao mesmo tempo tão bela e, acima de tudo, com tanto calor humano. Calor humano disfarçado de lindas crianças de cinco à dez anos. Ah... e também de um senhor com seus sessenta e poucos...

Com o Zé Maria, no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Com o Zé Maria, no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Brasil, Maranhão, Ilha de Lençóis, Dunas, Praia, Reentrâncias Maranhenses, trilha

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Curtindo St. Pierre

Martinica, Saint-Pierre

Prédio histórico de St. Pierre, antiga capital de Martinica

Prédio histórico de St. Pierre, antiga capital de Martinica


Impossível não pensar no Mount Pelée e na tragédia de 1902 aqui em St. Pierre. Mas nem só disso vive a cidade! Lá se vão 110 anos daquele fatídico 08 de Maio, a cidade foi reconstruída e seus habitantes levam uma vida muito normal!

Com o nosso carro nas estradas de St. Pierre, antiga capital de Martinica

Com o nosso carro nas estradas de St. Pierre, antiga capital de Martinica


Caminhando em rua de St. Pierre, antiga capital de Martinica

Caminhando em rua de St. Pierre, antiga capital de Martinica


A população de hoje é apenas 1/6 do que era ao final do século XIX, quando St. Pierre era a orgulhosa capital da Martinica, com 30 mil habitantes. Hoje, é uma tranquila cidade do interior, com belas praias de águas transparentes e calmas, excelentes para um banho ou para fazer snorkel.

Mercado de St. Pierre, antiga capital de Martinica

Mercado de St. Pierre, antiga capital de Martinica


Nas ruas do centro, um movimentado mercado, alguns restaurantes e bares de frente à orla e ao porto. Bastam uns 15 minutos de caminhada para percorrer as duas ruas principais, onde estão a igreja, o antigo teatro, o museu e alguns prédios históricos.

Cardápio de restaurante em St. Pierre, antiga capital de Martinica

Cardápio de restaurante em St. Pierre, antiga capital de Martinica


Nosso lanche predileto na Martinica: saunduíche na baguete!

Nosso lanche predileto na Martinica: saunduíche na baguete!


Depois do mergulho pela manhã, nós estivemos um pouco por ali. O almoço foi o tradicional e delicioso sanduíche na baguete. Afinal, estamos na França! Depois, uma cerveja gelada no boteco copo sujo na orla.

Nosso hotel em St. Pierre, no norte de Martinica

Nosso hotel em St. Pierre, no norte de Martinica


De volta o nosso hotel, no sul da cidade, uma deliciosa tarde na praia de areias escuras. Tínhamos de repartir toda aquela praia com no máximo outras 4-5 pessoas. Cenário ideal para relaxar e não pensar em nada.

Tranquila praia de areias escuras ao sul de St. Pierre, no norte de Martinica

Tranquila praia de areias escuras ao sul de St. Pierre, no norte de Martinica


Banho de mar no fim de tarde em praia no sul de St. Pierre, no norte de Martinica

Banho de mar no fim de tarde em praia no sul de St. Pierre, no norte de Martinica


Melhor ainda foi ir nadar no mar, levando nossas máscaras e câmera fotográfica. Enquanto o sol se punha, a gente perseguia linguados e caranguejos ou simplesmente se deliciava naquela água quase morna com visibilidade de mais de 15 metros. Uma enorme piscina.

Fazendo snorkel nas águas azul-transparentes de St. Pierre, no norte de Martinica

Fazendo snorkel nas águas azul-transparentes de St. Pierre, no norte de Martinica


Fazendo snorkel nas águas azul-transparentes de St. Pierre, no norte de Martinica

Fazendo snorkel nas águas azul-transparentes de St. Pierre, no norte de Martinica


Foi nossa última tarde em St. Pierre e na Martinica. Não poderia ter sido mais gostoso! Amanhã, nosso barco para Sta. Lúcia só sai de tarde, então ainda vamos poder pegar uma prainha pela manhã! Depois, algum tempo para ver a capital Fort-de-France e para o sul seguimos, a última perna de barco nessa etapa da viagem. De volta à fala inglesa e ao lado esquerdo da estrada...

Fazendo snorkel no fim de tarde em praia ao sul de St. Pierre, no norte de Martinica

Fazendo snorkel no fim de tarde em praia ao sul de St. Pierre, no norte de Martinica

Martinica, Saint-Pierre, cidade, Praia

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Uma Volta em West Maui

Hawaii, Maui-Kihei, Maui-Lahaina

Chegando à Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

Chegando à Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Hoje, passamos boa parte da nossa primeira manhã em Maui tentando decidir nossa programação na ilha. Sabíamos todos os lugares que queríamos ir e tínhamos de encaixá-los em três dias. Além disso, como a Laura e o Rafa só chegariam de noite e teriam um dia a menos que nós, precisávamos deixar os programas mais imperdíveis para quando eles já estivessem conosco. Para dificultar ainda mais um pouco nosso quebra-cabeça, tínhamos de considerar que, após realizar um mergulho (um dos programas que queríamos fazer), não se pode voar nas próximas 24 horas. E nem ir a grandes altitudes, o que era outro dos programas, ir no alto de um antigo vulcão assistir o nascer-do-sol.


Nosso roteiro em Maui. Hoje, demos a volta na costa oeste, saindo de Kihei (D), passando por Lahaina (B) e Kahului (C). Amanhã, já com a Laura e o Rafa, após o mergulho, vamos explorar a costa sul (E). Finalmente, no último dia, vamos subir o vulcão (F) e percorrer a costa leste, até Hana (G)

Tudo pensado e repensado, decidimos hoje explorar a parte oeste da ilha, onde está a histórica cidade de Lahaina. Amanhã bem cedo, vamos mergulhar na cratera submersa de Molokini. O Rafa e a Laura que vão ter de aguentar o tranco: após uma viagem de mais de 24 horas entre vários voos, chegarão perto das nove da noite e, na madrugada de amanhã, antes das cinco, já deverão estar de pé para o mergulho. Descanso, só de tarde! A subida ao cume do vulcão fica para a madrugada seguinte e, logo depois, teremos o resto do dia para explorar a costa leste da ilha, percorrendo a estrada considerada a mais bonita do Havaí. Tudo programado e mergulhos reservados, pudemos sair mais tranquilos para a jornada de hoje, nosso primeiro dia inteiro na ilha de Maui.

A praia em frente ao nosso hotel, em South Kihei, em Maui, no Havaí

A praia em frente ao nosso hotel, em South Kihei, em Maui, no Havaí


Após um café da manhã em frente à praia do nosso hotel, enfrentamos um irritante congestionamento até a cidade histórica de Lahaina. Capital imperial no início do século XIX e depois, principal centro da indústria baleeira mundial, a cidade é a que atrai mais turistas na ilha, principalmente em seu belo e charmoso centro histórico. A gente, já meio irritado com o atraso causado pelo trânsito, só passamos rapidamente pela rua costeira e seguimos viagem. Nosso destino principal, hoje, eram as praias ao norte da cidade.

A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Foi nessa região que se instalaram os primeiros resorts da ilha, aproveitando a beleza de seu litoral. Mais recentemente, o boom hoteleiro se moveu mais para o sul, para a região de Waimea, perto de Kihei, onde estamos hospedados. Mas são mesmo as praias próximas de Lahaina as mais bonitas de Maui, na nossa opinião.

O belo mar de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

O belo mar de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Entre as várias opções, acabamos escolhendo estacionar perto de Napili Bay, fazendo uma agradável caminhada pela costa até a paradisíaca praia de Oneloa Bay. Àguas azuis transparentes e areias brancas nos convenceram a ficar por ali mesmo, algumas horas entre mergulhos, fotos e simplesmente debruçados sob o sol. Uma delícia!

Mar tranquilo em Honolua Bay, em West Maui, no Havaí

Mar tranquilo em Honolua Bay, em West Maui, no Havaí


As ondas estavam com tamanho ideal para a prática do bom e velho jacaré. Mas nada que se assemelhasse às imagens que vemos dos campeonatos de surfe aqui no Havaí. Apesar de estarmos na temporada das ondas grandes, isso depende muito do dia e, aparentemente, hoje não era um desses dias. Mesmo assim, ainda fomos dar uma olhada, já de carro, na baía de Honolua. Pelo menos em teoria, é um ótimo lugar para se admirar os surfistas enfrentando as ondas grandes. Pois é, para se ter uma ideia, hoje, ao invés de surfistas, as águas estavam cheias de praticantes de snorkel, o que dá uma boa ideia do quão calma estava a baía.

Surfistas em ação em baía de West Maui, no Havaí

Surfistas em ação em baía de West Maui, no Havaí


A esperança é a última que morre e continuamos nossa volta pelo oeste de Maui. Um pouco depois de Honolua, a estrada se estreita bastante e passa a seguir pelo alto da encosta. Lá embaixo, nada de praias, apenas pedras e rochedos. É justamente aí que o mar fica mais violento, local preferido dos surfistas que vem de todas as partes do mundo para surfar em Maui. Sinceramente, eu não sei como eles conseguem chegar lá embaixo. Mas o fato é que chegam e lá passam o dia inteiro surfando e tomando cuidado para não se esborrachar nas rochas e corais, isso sim que é amor ao esporte!

Mar violento na costa noroeste de Maui, no Havaí

Mar violento na costa noroeste de Maui, no Havaí


A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí

A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí


Seguimos de mirante em mirante, ora observando surfistas, ora nos maravilhando com a paisagem grandiosa e selvagem que nos cercava. Aqui não há congestionamentos e é raro cruzar com algum outro carro. Ainda bem, pois em muitos trechos da estrada, só há espaço para um carro mesmo! Estamos na área mais isolada da ilha, completamente o oposto da urbanizada Kihei. Essa sim era a Maui que eu procurava!

Passeando com nosso jipe em West Maui, no Havaí

Passeando com nosso jipe em West Maui, no Havaí


Aproveitando o teto solar do nosso jipe em Maui, no Havaí

Aproveitando o teto solar do nosso jipe em Maui, no Havaí


Para aumentar ainda mais o clima bucólico, de tempos em tempos cruzávamos com alguma banca de comidas locais, bem “roots”. Vendiam desde caldo de cana até um delicioso bolo de banana. Aliás, desde que chegamos ao Havaí, lá na Big Island, estamos ficando viciados nesse quitute. Aqui em West Maui, paramos numa barraquinha no meio do nada que anunciava, orgulhosa, o fato de ter o melhor bolo de banana do mundo! Uma delícia, mesmo.

Barraca de beira de estada vendendo delicioso bolo de banana, muito comum emt Maui, no Havaí

Barraca de beira de estada vendendo delicioso bolo de banana, muito comum emt Maui, no Havaí


Parando em tradicional banca de estrada na isolada costa noroeste de Maui, no Havaí

Parando em tradicional banca de estrada na isolada costa noroeste de Maui, no Havaí


A pequenas estrada continuou a nos levar por vales e desfiladeiros até um pouco antes de Kahului, onde virou uma rodovia novamente. Daí seguimos de volta para nosso hotel em Kihei. Poucas horas mais tarde, voltávamos à Kahului, onde está o aeroporto da ilha. Viemos pegar nossos mais fiéis companheiros de viagem, o Rafa e a Laura, que chegavam depois de uma verdadeira epopeia pelos ares, de Curitiba para cá, via São Paulo, Cidade do México e Los Angeles. Parece que foi ontem que nos despedimos, lá em Santiago de Cuba. A Ana presenteou a Laura com um “lei”, o tradicional colar de flores havaianos. Depois, seguimos diretamente para um rápido jantar e de lá para a cama. Serão apenas poucas horas de sono até acordarmos ainda no escuro, prontos para mergulhar. Assim tem sido nossa rotina no Havaí: intensa!

Reencontro com a Laura, no aeroporto de Kahului, em Maui, no Havaí

Reencontro com a Laura, no aeroporto de Kahului, em Maui, no Havaí

Hawaii, Maui-Kihei, Maui-Lahaina, Maui, Praia

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De Cama em Marajó

Brasil, Pará, Belém, Soure (Ilha de Marajó)

ferry entre Belém e Marajó - PA

ferry entre Belém e Marajó - PA


Não sei se pela virose que me pegou ou por medo de perder o horário da barca, acordei de hora em hora esta madrugada até que, às 05:30, levantei de vez. A tal virose pegou meio mundo aqui no norte e nordeste, pegou a Ana em Jericoacoara e agora foi a minha vez.

Embarcando às seis da manhã no ferry entre Belém e Marajó - PA

Embarcando às seis da manhã no ferry entre Belém e Marajó - PA


Já tínhamos deixado tudo arrumado e não demorou muito para que um gerente do hotel, saindo do trabalho da madrugada, nos desse carona até o porto. Ali embarcamos num dos enormes ferries que fazem a linha Belém-Camará, que é o porto da Ilha de Marajó.

Treino solitário de remo, visto do ferry entre Belém e Marajó - PA

Treino solitário de remo, visto do ferry entre Belém e Marajó - PA


Legal, para mim, foi que ao entrar no Terminal Hidroviário revi perfeitamente a cena de quase vinte e um anos atrás quando um amigo que estava viajando comigo e com meu primo, o Marcelo, adormeceu dentro de uma cabine telefônica, neste mesmo terminal. A gente esperava a hora de embarcar e ele, que era craque em dormir em qualquer lugar, não pensou duas vezes: se aboletou na cabine e desmaiou. A cabine telefônica não está mais lá, mas minhas lembranças sim!

Belém fica para trás, no ferry para Marajó - PA

Belém fica para trás, no ferry para Marajó - PA


Outra coisa que mudou, infelizmente, foi o destino do ferry. Naquela época, a gente chegava diretamente em Soure, a principal cidade de Marajó. Agora, chegamos em Camará e lá temos de pegar um ônibus para mais uns 30 km até Salvaterra e lá, cruzar mais um rio de balsa para finalmente chegar em Soure. Para quem acordou 05:30, navegou pouco mais de três horas em bancos pouco confortáveis, esses últimos 30 km parecem 300...

ferry entre Belém e Marajó - PA

ferry entre Belém e Marajó - PA


Bom, depois deste esforço todo, quando chegamos em Soure resolvemos pagar um pouco mais para ter um acréscimo de conforto. Excelente idéia, já que a virose estava cada vez mais forte. O aconchegante quarto do hotel Casarão da Amazônia foi o meu ninho pelas próximas oito horas. Lutando contra uma febre e sob os cuidados da Ana, tratei de descansar e deixar que meu corpo lutasse em paz contra o vírus que me atacava. Foi só de noite que a Ana conseguiu me tirar do quarto para jantar um delicioso filé de búfalo com queijo de búfala derretido encima.

Paisagem de muita mata, água e ilhas no ferry entre Belém e Marajó - PA

Paisagem de muita mata, água e ilhas no ferry entre Belém e Marajó - PA


Perdemos um dia de tempo bom por aqui, pois a Ana também não arredou o pé de perto de mim, aproveitando para trabalhar bastante na internet. Mas vamos recuperar o tempo perdido amanhã, com a ajuda de duas bicicletas. Com elas, poderemos ver as três praias da cidade. Com ou sem vírus!

Paisagem de muita mata, água e ilhas no ferry entre Belém e Marajó - PA

Paisagem de muita mata, água e ilhas no ferry entre Belém e Marajó - PA

Brasil, Pará, Belém, Soure (Ilha de Marajó), Marajó

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Machu Picchu

Peru, Machu Picchu, Aguas Calientes

A incrível Machu Picchu, no Peru

A incrível Machu Picchu, no Peru


Na segunda metade do século XV, o império inca vivia seu apogeu, nos reinados de Pachacutec e de seu filho Yupanqui. Segundo os arqueólogos, foi nessa época que foi construída a cidade que hoje conhecemos como Machu Picchu. No início, seria uma espécie de fazenda, ou propriedade de campo, do grande Pachacutec, desenvolvendo-se mais tarde como uma vila. Estava localizada numa espécie de platô natural em meio às montanhas do vale do rio Urubamba, a 80 quilômetros da capital Cusco e a 2.400 metros de altitude.

De manhã bem cedo, ainda vazia, as ruínas de Machu Picchu, no Peru

De manhã bem cedo, ainda vazia, as ruínas de Machu Picchu, no Peru


Lhamas caminham tranquilamente pelas ruínas Machu Picchu, no Peru

Lhamas caminham tranquilamente pelas ruínas Machu Picchu, no Peru


Não teve uma vida longa. Menos de 100 anos após sua criação, um evento catastrófico para a civilização inca significaria também o fim da cidade: a chegada dos espanhóis e, com eles, da varíola. Na verdade, os espanhóis nunca chegaram à cidade e nem ouviram falar dela, pois Machu Picchu não era muito importante no mundo inca. Mas a doença sim, chegou lá, matando e expulsando todos os habitantes da pequena cidade. Machu Picchu ficou deserta, entregue a natureza e à vegetação que reconquistaram seu espaço.

De manhã bem cedo, ainda vazia, as ruínas de Machu Picchu, no Peru

De manhã bem cedo, ainda vazia, as ruínas de Machu Picchu, no Peru


Cruzando com lhamas nas ruínas de Machu Picchu, no Peru

Cruzando com lhamas nas ruínas de Machu Picchu, no Peru


Enquanto isso ocorria, os incas lutavam pela sobrevivência de sua civilização. Sua capital foi conquistada e eles foram expulsos da região andina em 1539, refugiando-se na região amazônica, onde fundaram uma nova capital, Vilcabamba. Aí permaneceram como nação livre por mais três décadas, até a conquista total por parte dos espanhóis, em 1572. Mas antes de perderem sua nova capital, resolveram destruí-la por completo, numa espécie de tática da terra arrasada, para que os espanhóis não se estabelecessem por ali. A tática funcionou, mas os espanhóis capturaram o líder inca e o executaram. Com ele, morreu também toda uma civilização. E Vilcabamba perdeu-se na história e na selva, tornando-se quase uma lenda, a cidade perdida dos incas, onde estariam escondidos seus tesouros.

Bem cedo, explorando uma ainda vazia Machu Picchu, no Peru

Bem cedo, explorando uma ainda vazia Machu Picchu, no Peru


Lhamas caminham tranquilamente pelas ruínas Machu Picchu, no Peru

Lhamas caminham tranquilamente pelas ruínas Machu Picchu, no Peru


A partir de meados do século XIX, arqueólogos e caçadores de tesouros passaram a buscar Vilcabamba, a cidade que aparecia em diversas crônicas espanholas, mas que nunca havia sido redescoberta. Da pequena Machu Picchu, ninguém tinha ouvido falar. Pois bem, finalmente, em 1911, o historiador americano Hiram Bingham voltava ao Peru. Ele já havia estado por aqui várias vezes, disposto a encontrar a mitológica “lost city”. Tinha agora uma nova pista, boatos sobre essas ruínas quase no topo de uma montanha. Conhecida dos habitantes locais há várias gerações, foi um menino de apenas onze anos que guiou o historiador vale adentro e montanha acima até as ruínas de Machu Picchu. O local era habitado por uma família nativa que usava os terraços para agricultura de subsistência, além da criação de lhamas. Bingham não teve dúvidas: tinha encontrado a antiga capital do império e Machu Picchu “apoderou-se” do apelido que não lhe pertencia de direito – a cidade perdida dos incas. Por uma grande ironia, o próprio Bingham já havia estado nas ruínas da verdadeira capital, Vilcabamba, mas não havia reconhecido sua importância. Ao contrário, ficou hipnotizado pela imponência de Machu Picchu e seus arredores. Vilcabamba teria de esperar outras seis décadas para ter seu valor reconhecido.

Explorando as ruínas de Machu Picchu, no Peru

Explorando as ruínas de Machu Picchu, no Peru


Um lindo dia em Machu Picchu, no Peru

Um lindo dia em Machu Picchu, no Peru


Já Machu Picchu, nunca mais perdeu a fama. Ao contrário, desde que a National Geographic deu-lhe publicidade, dois anos após sua descoberta para o mundo exterior, a cidade tornou-se um ícone da arqueologia, da civilização inca e da América do Sul, atraindo cada vez mais turistas. O mato foi cortado, a grama aparada, as construções restauradas ou refeitas e sua visão passou a ser um verdadeiro colírio para aqueles que tem a sorte de aqui chegar, uma verdadeira pintura no meio de tantas montanhas, picos, vales e florestas.

Terraços e plataformas em Machu Picchu, no Peru

Terraços e plataformas em Machu Picchu, no Peru


Céu azul em Machu Picchu, no Peru

Céu azul em Machu Picchu, no Peru


Mas, além da beleza hipnotizante, Machu Picchu tem outra singularidade que a torna muito especial. Justamente por ter tido menos importância naquela época, os espanhóis nunca chegaram até ela. E isso fez com que ficasse muito melhor conservada que as outras cidades incas, pois além de pilharem tesouros e palácios, os espanhóis costumavam destruir tudo o que considerassem símbolos de religiões pagãs. Assim, eram poucas as estátuas e altares que resistiam á fúria “civilizatória” dos europeus. Como não chegaram à Machu Picchu, a cidade manteve-se como um verdadeiro museu para os estudiosos, talvez o melhor centro de estudos da civilização inca.

Machu Picchu, no Peru

Machu Picchu, no Peru


Bem, a destruição que não veio com os espanhóis, acabaria vindo com a quantidade interminável de turistas que querem visitar essa maravilha. Assim, medidas restritivas de visitação vem sendo impostas nos últimos anos, uma tentativa de conciliação entre a preservação e a visitação. Por exemplo, o número de visitantes, agora, é restrito a 2.500 por dia. Além disso, os caminhos pela cidade agora são restritos. Praças e áreas mais amplas, agora, são território exclusivo de lhamas que vivem por ali.

A fila para entrar em Wayna Pichu, em Machu Picchu, no Peru

A fila para entrar em Wayna Pichu, em Machu Picchu, no Peru


As ruínas de Wayna Pichu, em Machu Picchu, no Peru

As ruínas de Wayna Pichu, em Machu Picchu, no Peru


Uma total evolução da Machu Picchu que conheci há 23 anos. Naquela época, não havia restrições de número. De qualquer maneira, não chegavam tantos assim por lá. As praças eram abertas (eu até tirei uma soneca em uma delas!) e alguns turistas até subiam nas ruínas, para um melhor ângulo para fotografar ou ser fotografado. Hoje, são dezenas de guardas por ali, para impedir uma barbaridade dessas. Pode-se escutar seus apitos restritivos o tempo todo! Outras mudança foi levar o comércio todo para fora da área das ruínas. Não se pode entrar com comida em Machu Picchu. Em 1990, havia até um MacDonalds lá encima!

Espelhos d'água em Machu Picchu, no Peru

Espelhos d'água em Machu Picchu, no Peru


Para quem gosta de tranquilidade, o negócio é chegar cedo. A partir das 10 da manhã, quando começam a chegar os grupos vindos diretamente de Cusco, são centenas e centenas de pessoas perambulando em fila indiana pelo caminho que dá a volta na cidade. Apenas um sentido é permitido, para facilitar o “escoamento”. Para quem chega cedinho, os guardas permitem que se ande para lá e para cá. Mais tarde, impossível!

Às seis da manhã, chegando à Machu Picchu, no Peru

Às seis da manhã, chegando à Machu Picchu, no Peru


1000dias em Machu Picchu, no Peru

1000dias em Machu Picchu, no Peru


Nós, como disse no post anterior, chegamos bem cedo. Praticamente, abrimos a cidade. demos nossas voltas, assistimos a um inesquecível nascer-do-sol e tiramos nossas fotos. Verificamos a possibilidade de subir Wayna Picchu, mas nessa época doa no, é completamente impossível conseguir um ingresso. As entradas para essa mágica montanha ao lado da cidadela estavam esgotados até o final de Agosto! São permitidas apenas 400 pessoas por dia, em duas turmas de 200. A Ana já havia subido em 2006, mas eu fiquei só na vontade. Quem mandou eu ter preguiça em 1990?

Com o Gustavo, nas ruínas incas de Machu Picchu, no Peru

Com o Gustavo, nas ruínas incas de Machu Picchu, no Peru


Machu Picchu, no Peru

Machu Picchu, no Peru


Bem, ruínas visitadas, multidão chegando, tratamos de seguir na programação. Primeiro, fomos até uma incrível ponte inca, construída em um paredão de pedra com mais de cem metros de altura. Era uma das vias de acesso à cidade, a mais incrível delas, coisa de cinema, que pensamos existir só nos filmes de Indiana Jones. Que nada! Existe aqui! A via só está aberta até a ponte, mas podemos vê-la serpenteando pelo precipício. Imaginar os incas correndo por ali, carregando lenha e filhos nas costas, é uma viagem. O Gustavo não resistiu e foi até a ponte para tirar umas fotos. Felizmente, os guardas não vão até ali...

Caminhando na trilha da ponte em Machu Picchu, no Peru

Caminhando na trilha da ponte em Machu Picchu, no Peru


A bela paisagem ao redor de Machu Picchu, no Peru

A bela paisagem ao redor de Machu Picchu, no Peru


Depois, hora de subir a montanha. A mais alta ao lado de Machu Picchu tem 3 mil metros de altura, quase 500 mais alto que a própria cidade. Também é preciso fazer reserva para ir lá, mas ela é bem menos disputada que Wayna Picchu. Tínhamos feiro reserva para a Ana e para o Gustavo (e pago por isso!), mas não para mim. Lá em Cusco, eu ainda tinha esperança de, no último momento, conseguir entrar em Wayna. Não consegui. Pior, também não consegui para a montanha. Assim, tivemos de nos separar novamente, o Gustavo e a Ana subindo e eu procurando outra coisa para fazer...

Observando uma antiga trilha inca que leva à Machu Picchu, no Peru

Observando uma antiga trilha inca que leva à Machu Picchu, no Peru


No final, não foi tão mal assim. Resolvi seguir para Inti Punku, o “portal do sol”, o local de onde chegam os primeiros raios a iluminar a cidade pela manhã e também o ponto de acesso de quem vem pela trilha inca, o caminho que fiz há mais de duas décadas. É uma boa subida para lá também, mas não tão alto como a montanha que subiam a Ana e o Gusrtavo. Mas, dos dois lugares, tem-se uma vista privilegiada da cidade e até de Wayba Picchu, que fica bem abaixo de nós. De Inti Punku pode-se ver também a estrada que sobe de Aguas Calientes enquanto que, do alto da montanha, tem-se uma visão ampla de todo o vale, Machu Picchu ficando bem pequenina lá de cima.

O Gustavo caminha para uma antiga e incrível ponte inca em Machu Picchu, no Peru

O Gustavo caminha para uma antiga e incrível ponte inca em Machu Picchu, no Peru


O Gustavo foi ver de perto essa incrível ponte inca construída em um penhasco próximo de Machu Picchu, no Peru

O Gustavo foi ver de perto essa incrível ponte inca construída em um penhasco próximo de Machu Picchu, no Peru


Para mim, foi emocionante voltar lá. Da outra vez, só estávamos eu e meu primo, impressionados e emocionados com a primeira visão da famosa cidade. Hoje, éramos algumas dezenas, mas Machu Picchu continua bela como sempre.

Em Inti Punku, com Machu Picchu e a estrada de acesso às ruínas, no Peru

Em Inti Punku, com Machu Picchu e a estrada de acesso às ruínas, no Peru


Com o Gustavo, no topo da montanha de Machu Picchu, no Peru

Com o Gustavo, no topo da montanha de Machu Picchu, no Peru


Voltei à cidade, dei uma última volta pelas ruínas (agora na fila indiana) e decidi descer à Aguas Calientes. A trilha estava bem menos movimentada e, para baixo, é sempre muito mais fácil. De volta à rua principal de Aguas Calientes, encontrei um bar bem confortável e esperei pela Ana e Gustavo, que chegaram bem mais cansados do que eu, depois da subida á montanha dos 3 mil metros. Mas o esforço foi recompensado pela vista maravilhosa que tiveram lá de cima, com direito à muitas e muitas fotos.

No topo das ruínas de Machu Picchu, no Peru, com as ruínas lá embaixo

No topo das ruínas de Machu Picchu, no Peru, com as ruínas lá embaixo


No topo das ruínas de Machu Picchu, no Peru, com as ruínas lá embaixo

No topo das ruínas de Machu Picchu, no Peru, com as ruínas lá embaixo


Depois, todos juntos, fomos às piscinas de águas quentes que deram nome a este lugar. É claro que, movimentada como está Aguas Calientes, as piscinas também estão. Principalmente por aqueles que caminharam tanto hoje ou nos últimos dias, todo mundo merecendo uma sessão de relaxamento. Encontramos um lugar na piscina mais quente e dali não saímos nas próximas horas. O máximo de esforço que fazíamos era levantar o braço para chamar o garçom. Afinal, o calor daquelas águas combinava com uma Cusqueña gelada.

Relaxando os músculos na concorrida piscina de águas termais de Aguas Calientes, no Peru

Relaxando os músculos na concorrida piscina de águas termais de Aguas Calientes, no Peru


Depois da caminhada à Machu Picchu, hora de relaxar em Aguas Calientes, no Peru

Depois da caminhada à Machu Picchu, hora de relaxar em Aguas Calientes, no Peru


Do banho para o jantar e do jantar para o trem. Tivemos uma viagem noturna para Ollantaytambo, onde nos esperava uma noite de poucas horas. Afinal, ainda no escuro, partiríamos, já de Fiona, para algumas horas de estrada até a pequena cidade de onde se inicia a caminhada para Choquequirao. Aí sim, uma longa e penosa caminhada nos espera. Machu Picchu foi só aquecimento, hehehe. Além disso, o prêmio do esforço será algo que, nos dizem, é comparável á Machu Picchu, mas com 100 vezes menos turistas. Vamos conferir!

A gloriosa Machu Picchu, no Peru

A gloriosa Machu Picchu, no Peru

Peru, Machu Picchu, Aguas Calientes, história, Inca, Parque, trilha

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Na Cratera do Meteoro

Estados Unidos, Arizona, Flagstaff, Meteor Crater

A impressionante cratera do meteoro, ou 'Meteor Crater', no Arizona - Estados Unidos

A impressionante cratera do meteoro, ou "Meteor Crater", no Arizona - Estados Unidos


Algo sempre me atraiu nas coisas do espaço, desde criança. Talvez porque tenha nascido no ano em que o homem chegou à lua, talvez porque o céu estrelado me fascinava, talvez pela série de TV Perdidos no Espaço. Esse interesse se tornou algo mais científico quando os programas da excelente série “Cosmos”, apresentados pelo astrônomo Carl Sagan, chegaram ao Brasil, no início da década de 80. Assisti maravilhado cada um dos episódios e, um ano mais tarde, como presente de natal, ganhei o livro que deu origem à série, o qual ainda guardo com muito carinho.

Representação da grande explosão que criou a Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Representação da grande explosão que criou a Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


Entre o muito que aprendi no livro e na série, desde a história da Biblioteca de Alexandria e a descoberta do DNA até o processo de formação de galáxias e uma maneira mais intuitiva de se entender a quarta dimensão, lá estava a foto da grande Cratera do Meteoro, em meio ao deserto do Arizona.

Foto aérea da Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Foto aérea da Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


Para mim, que achava que essas coisas só tinham na Lua ou em Marte, foi uma surpresa. Sempre achei que essas crateras eram antiquíssimas e que não resistiriam a um bom milhão de anos de erosão na Terra. Pois é, minha ideia só estava metade certa (ou metade errada!). O tal milhão de anos realmente acaba com qualquer cratera, mas essa do Arizona só tinha 50 mil anos, um mísero piscar de olhos no tempo geológico. Pois é, essas coisas continuam acontecendo, como bem demonstra o catastrófico evento em Tugunska, na Sibéria, há apenas um século!

No museu, cenário simula o fundo da Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

No museu, cenário simula o fundo da Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


Enfim, desde então uma visita à “Meteor Crater” está na minha lista de coisas a se ver antes de morrer. E hoje foi o dia de riscá-la da lista, hehehe! Saímos de Flagstaff cedinho em direção ao leste, sempre seguindo pela I-40, junto à Rota 66. Sessenta quilômetros depois, lá estava o desvio para a mais perfeita cratera de meteoro na Terra. Há muitas outras, claro, mas nenhuma está tão bem conservada como esta, primeiro por ser tão recente e segundo por estar numa área desértica, onde não há uma vegetação densa para encobri-la.

A impressionante cratera do meteoro, ou 'Meteor Crater', no Arizona - Estados Unidos

A impressionante cratera do meteoro, ou "Meteor Crater", no Arizona - Estados Unidos


Quando o meteoro caiu, há cerca de 50 mil anos, essas planícies desérticas eram bem mais úmidas, uma enorme pradaria que abrigava hordas de mamutes e preguiças gigantes. Mas, até que se prove o contrário, sem seres humanos. Era uma enorme rocha composta de ferro e níquel com cerca de 50 metros de diâmetro que entrou na nossa atmosfera a mais de 10 km por segundo. Cerca de 10 segundos mais tarde, depois de queimar sua capa exterior, o meteoro chocou-se com a Terra com uma força de 10 megatons, o equivalente a quase 1.000 bombas de Hiroshima.

Lunetas ajudam a visualizar a Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Lunetas ajudam a visualizar a Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


A força do impacto foi tão grande que praticamente toda a rocha se evaporou, pelo calor extremo. Na Terra, o resultado foi uma cratera com mais de um quilômetro de diâmetro e duzentos metros de profundidade. Deve ter sido colossal! A gente só pode tentar imaginar a cena, olhando a cratera do alto de suas bordas.

Observando a enorme Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Observando a enorme Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


A visita ao interior não é permitida, para ajudar na conservação. Um museu ao lado da cratera tem um filme que tenta mostrar como foi o impacto e também a história do estudo da cratera. Por muito tempo pensou-se que a sua origem era vulcânica e a controvérsia existiu até a década de 50. Muito do que se sabe sobre crateras e impactos de meteoro foi aprendido aqui e após a solução do seu “enigma”, várias outras crateras foram descobertas ao redor do globo.

Visita à Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Visita à Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos


Também aqui foi feito o treinamento dos astronautas que um dia pisariam na Lua. Acharam por bem treiná-los em uma cratera, já que era isso que os esperava no nosso satélite. Nós ficamos ali por pouco mais de uma hora, divididos entre o cinema, o museu e os mirantes para se ver a cratera. Com um item a menos na nossa lista da viagem e da vida, seguimos em frente, dessa vez para um encontro com um passado quase 5 mil vezes mais remoto: a mais bem conservada floresta petrificada do mundo, no “Petrified Forest National Park”, quase já na fronteira com o Texas.

A NASA fez vários de seus treinamentos na Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

A NASA fez vários de seus treinamentos na Meteor Crater, no Arizona - Estados Unidos

Estados Unidos, Arizona, Flagstaff, Meteor Crater,

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Aniversário

Brasil, Paraná, Curitiba

Luiza, igual a uma bonequinha, em Curitiba - PR

Luiza, igual a uma bonequinha, em Curitiba - PR


Hoje foi o dia da festa de aniversário da nossa querida sobrinha, a Luiza. Este lindo serzinho que nasceu enquanto já viajávamos é, para nós, o melhor modo de acompanhar como o tempo está passando rápido. Parece que foi ontem que viemos rapidamente para Curitiba para ver a recém nascida, há um ano.

Com a mamãe, festejando um ano de idade, em Curitiba - PR

Com a mamãe, festejando um ano de idade, em Curitiba - PR


De lá para cá subimos todo o litoral brasileiro, demos uma enorme volta em Minas Gerais, exploramos muitos dos recantos do incrível sertão nordestino, iniciamos nossas andanças pelo vasto norte brasileiro, cruzamos as três Guianas, passamos por 8 pequenos países no Caribe e atravessamos todo o Planalto Central.

A Ju manda um beijo lá de Londres para a sobrinha, em Curitiba - PR

A Ju manda um beijo lá de Londres para a sobrinha, em Curitiba - PR


Todo esse tour parece comprimido dentro de um dia, dentro de um segundo quando damos de cara com aquela garotinha recém nascida que hoje já é mocinha de um ano. À frente de nós, enquanto a Luiza fizer dois e três anos, daqui a 80 mil quilômetros e um sem número de países, mais alguns dias ou segundos de aventuras e andanças comprimidas nos esperam.

Luiza com a mamãe, titia e vovô, em Curitiba - PR

Luiza com a mamãe, titia e vovô, em Curitiba - PR


Tenho certeza que assim será. Em breve estaremos aqui comemorando os três anos da nossa linda sobrinha e apenas memórias compactadas, muitas fotografias e posts para nos provar que, realmente, andamos por todo esse continente e que não foram 3 segundos, mas 1000 dias que se passaram. É esperar para ver...

Festejando 1 ano de idade, em Curitiba - PR

Festejando 1 ano de idade, em Curitiba - PR

Brasil, Paraná, Curitiba,

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Vila Rica

Brasil, Minas Gerais, Ouro Preto

Visão do centro histórico de Ouro Preto - MG

Visão do centro histórico de Ouro Preto - MG


Deixamos a Pousada da Serrinha depois de sermos muito bem tratados pela Cris e seguimos para a vizinha Ouro Preto, a cidade mais rica e movimentada do Brasil e do continente durante todo o séc. XVIII. Não é à tôa que tinha o nome de Vila Rica.

Pousada da Serrinha, em Mariana - MG, com a Cris

Pousada da Serrinha, em Mariana - MG, com a Cris


No finalzinho do século anterior, por volta de 1695, foi descoberto ouro em grandes quantidades em um dos rios da região. Era a tão esperada notícia por Portugal por quase 200 anos! Antes tarde do que nunca. Em pouquíssimo tempo a notícia se espalhou pelo reino, pela colônia e até para outros países, atraindo aventureiros em busca de riqueza rápida de todos os cantos. A situação foi tal que a colônia ficou despovoada em outros lugares e superpovoada na região de Vila Rica. Também de Portugal vieram dezenas de milhares de pessoas. Esse rápido e forte fluxo migratório para uma região sem a menor infraestrutura fez com que pessoas com bolsos abarrotados de ouro morressem de fome, já que simplesmente não havia alimentos para todos. Causou também a Guerra dos Emboabas, entre paulistas e portuguêses, todos disputando os melhores pontos de lavras e garimpos. Minas virou uma terra sem lei onde valia a lei do mais forte. Muito pior que o faroeste americano de cem anos mais tarde.

Uma das igrejas em Ouro Preto - MG, com o Pico do Itacolomi ao fundo

Uma das igrejas em Ouro Preto - MG, com o Pico do Itacolomi ao fundo


Aos poucos, o Estado foi ocupando seus espaços, organizando a produção e, principamente, coletando seus impostos. O ouro extraído de Minas sustentou Portugal pelo século seguinte, causou uma inflação mundial e foi parar no bolso da burquesia inglêsa, abrindo caminho para a revolução industrial.

A famosa igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto - MG

A famosa igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto - MG


Aqui no Brasil, e principalmente nas cidades da região, toda essa riqueza ajudou a construir belas igrejas e criar e fortalecer uma classe média ávida por cultura e liberdade. Escolas foram criadas, assim como teatros e obras de infraestrutura.

Detalhe da fachada da igraja de S. Francisco de Assis, obra de Aleijadinho, em Ouro Preto - MG

Detalhe da fachada da igraja de S. Francisco de Assis, obra de Aleijadinho, em Ouro Preto - MG


O ouro acabou, o Brasil ganhou sua independência e Ouro Preto entrou em lento processo de decadência. Uma decadência meio charmosa, eu diria, Continuou a atrair escritores, estudantes, poetas e outros boêmios. Tinha uma vida vibrante cem anos após o fim do ciclo do ouro e ainda hoje é conhecida pelas suas festas e repúblicas de estudantes. E, claro, pelo patrimônio cultural e arquitetônico que abriga.

As famosas 'repúblicas' de Ouro Preto - MG

As famosas "repúblicas" de Ouro Preto - MG


Foi essa Ouro Preto que eu fui passear com a Ana. Igrejas, ladeiras, largos e o delicioso restaurante do Passo onde almoçamos como reis, atrasando nossa saída para Tiradentes. A viagem que era para ser feita de dia, foi quase toda de noite mesmo.

Cerveja Teresópolis, em Ouro Preto - MG

Cerveja Teresópolis, em Ouro Preto - MG


Sempre que visito Ouro Preto, ou a saudosa Vila Rica, desde os tempos em que lá estive numa festa do Doze (festa anual realizada em 12 de Outubro), presto homenagem a um parente longíncuo. Acho que seu nome era Pedro. Era o irmão mais velho do meu bisavô e primogênito do meu abastado trisavô. Foi para Ouro Preto em fins do séc XIX, estudar. Época áurea da terceira fase do romantismo, quando a boemia era valorizada ao máximo. A cidade era um celeiro de poetas. Imagino a vida que teve por ali. Deve ter sido intensa. Terminou como a maioria dos poetas daquela época, pego pela combinação fatal da tuberculose com a boemia. Fico só imaginando a Vila Rica daqueles dias...

Admirando Ouro Preto - MG

Admirando Ouro Preto - MG

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O Incrível Banho de Vapor

Brasil, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas)

Entrada do P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Entrada do P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Nem tudo são flores nesta viagem. Muitas vezes, nos posts, só falamos das coisas boas, o que faz parecer que tudo vai às mil maravilhas. Realmente, tudo de bom relatado ocorreu, não inventamos nada. Mas temos nossas dificuldades também. Nesses pouco mais de 400 dias de viagem, eu fiquei doente duas vezes (notadamente aquela dos 42 graus de febre) e a Ana umas três ou quatro. Tivemos nossas pancadas, nossas dores, nossas luxações. Normal, para quem está na natureza quase o tempo todo.

A Pedra do ET, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

A Pedra do ET, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


A Ana, já há 4-5 dias, vem enfrentando uma forte crise alérgica. Muita tosse, muitos espirros, olhos lacrimejando, sinos entupidos, dor de cabeça. A crise tem resistido à medicação. Com isso, ela dorme mal. Mais uma vez, hoje, foi assim que ela acordou. Só que, dessa vez, ela não era a única a estar gemendo. Eu também, acometido de uma dor nas costas. Algum mal jeito. Parecíamos dois velhos, hehehe. Difícil estava conciliar a nossa condição com a programação de hoje, que era acordar bem cedo e seguir para um longo passeio no parque.

Estrada corta o cerrado no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Estrada corta o cerrado no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Eu tomei um coquetel de dorflex e tandrilax e melhorei. A Ana tomou seu coquetel também, um antiestamínico e um resfenol, e melhorou também. E assim, juntos com nosso guia Zezinho, seguimos para o parque. Vinte quilômetros de asfalto e depois, uns 110 de terra e areia, até voltar ao asfalto novamente. O conforto do amortecimento da Fiona ajudou bastante. Mas sem ar condicionado, proibido para a Ana!

Cachoeira São Romão vista por cima, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Cachoeira São Romão vista por cima, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Cruzamos uma vegetação totalmente de cerrado, cheio de formações rochosas ao fundo. Pedras como da Galinha ou do ET. Locais sem acesso, mas que tem um vasto potencial turístico, com certeza. Fico só imaginando quantas cavernas, quantos poços cristalinos, quantos segredos essa região ainda esconde... Nós seguimos para as que já são conhecidas, grandes cachoeiras no meio do parque.

Cachoeira São Romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Cachoeira São Romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Primeiro, a São Romão. Muita água caindo de uma altura de 25 metros. Admira-se a cachoeira de cima e depois, numa pequena trilha, vai-se até a parte de baixo, onde se pode nadar no rio, não muito próximo da queda d'água, que é muito forte. Mas, a grande atração, aquilo que valeu todo o passeio, os 110 km de areia e terra, as mais de 4 horas no carro entre ida e volta, é a visita à parte detrás da cachoeira. Infelizmente, o burrão aqui não levou a nossa máquina à prova d'água, então as lembranças desse local magnífico ficarão, para sempre, apenas em nossa memória. Mas, se alguém de vocês um dia for lá, não esqueçam da máquina!!!

Descansando na sombra, na praia da Cachoeira São romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Descansando na sombra, na praia da Cachoeira São romão, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


A gente entra atrás de uma cortina de água poderosa. Cortina não, parede! Esta água bate com força nas pedras abaixo e uma quantidade enorme de vapor é espirrada para trás, para dentro dessa pequena gruta por onde passamos. A água, ou vapor em alta velocidade nos deixa ensopados, invade nossos ouvidos e olhos. Cuidadosamenta vamos avançando até chegarmos numa parte mais profunda da gruta, onde o vapor não chega. Ali, podemos admirar, ficar embasbacados, de queixo caído, com a beleza da paisagem. Já tínhamos entrado num lugar assim perto de Ubajara - CE (ver post!), onde tiramos belas fotos. Mas lá, a escala era outra! Aqui, a quantidade de água era dez vez maior. Que visual incrível!

Uma das três quedas da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Uma das três quedas da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Foi tão incrível que, eu que tinha entrado lá com o Zezinho, voltei para a praia onde a Ana estava descansando e disse que ela deveria ir também, mesmo estando fragilizada pela crise alérgica. Aquela maravilha valia o risco! E para lá voltamos, ela com uma canga enrolada na cabeça para proteger os ouvidos. Lá embaixo, na gruta, ensopada, ela confirmou que valeu à pena. Um lugar absolutamete mágico!

O Zezinho, nosso guia, traz o Titanic, a balsa para atravessar o rio da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

O Zezinho, nosso guia, traz o Titanic, a balsa para atravessar o rio da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


De lá, ainda extasiados, seguimos para a Cachoeira da Prata, que na verdade são três quedas. Mesmo rio da São Romão, mesma quantidade de água. Belo visual, pode-se nadar no rio acima e abaixo da queda. O legal também é cruzar o rio à bordo do "Titanic", uma pequena balsa para pessoas e motos, puxada à mão através de uma corda. Do outro lado do rio, temos acesso à trilha que leva à parte de baixo das cachoeiras e a um refrescante banho de rio.

Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Depois, hora de enfrentar mais terra e areia de volta ao asfalto, onde chegamos já no escuro. Na chegada à pousada, pudemos fazer uma rápida consulta médica para a Ana com um xará meu, o Dr. Rodrigo, que se hospeda todas as quintas-feiras aqui, vindo de São Paulo, para medicar em Carolina. Foi muito atencioso conosco e, vamos ver se agora a Ana melhora...

Vegetação próxima à Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Vegetação próxima à Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Amanhã, é dia da Pedra Caída, a mais famosa atração da região. Fica num complexo turístico onde há outras cachoeiras, grandes tirolesas e se paga por tudo. Vamos ver...

Nadando no rio acima da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Nadando no rio acima da Cachoeira da Prata, no P.N da Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Brasil, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas), cachoeira, Cachoeira da Prata, Chapada das Mesas, Parque, São Romão

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