0 Blog do Rodrigo - 1000 dias

Blog do Rodrigo - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Ubersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jido)

lugares

tags

Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão

paises

Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela

mais vistos

mais comentados

novos comentários

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: Guadalupe Há 2 anos: Guadalupe

Aurora Boreal!

Alaska, Coldfoot

Expedição 1000dias e a Aurora Boreal, em Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska

Expedição 1000dias e a Aurora Boreal, em Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska


Coldfoot não é propriamente uma cidade e sim um posto de combustível com um restaurante e um alojamento. Na verdade, aqui já foi uma pequena cidade, há um século, um assentamento de mineiros em busca de ouro. Mas, pouco tempo depois de fundada, os mineiros se realocaram um pouco mais ao norte, para a cidade de Wiseman, ao lado do rio. Essa sim, continua existindo hoje, com ruas e casas. Mas é ocupada basicamente no verão ártico, fechando as portas no inverno.

Aqui chegamos por volta das oito da noite (ou da tarde?) ontem, depois de ainda passar pelo Centro de Visitantes do ártico, na mesma altura da Dalton Highway. Ficamos impressionados com a qualidade e estrutura desse centro, aqui tão perto do fim do mundo. A gente se armou de mais mapas e informações, o que acabou nos convencendo a seguir mais para o norte, no dia de hoje. Mas, antes disso, ainda precisávamos comer, dormir e torcer para ver a famosa Aurora Boreal. Quanto a isso, nos asseguraram: “Fica tranquilo! Com céu aberto, você vai ver! Mesmo em dias fracos, quando as luzes não chegam até Fairbanks, aqui eles sempre aparecem!”.

A fantástica Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska

A fantástica Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska


Beleza! Fomos então para o restaurante que administra o alojamento também e conseguimos um quarto para nós. Uma pessoa que havíamos conhecido em Fairbanks tinha nos dito que esses alojamentos eram bem simples, coisa feita para camioneiros. Imaginamos algo rústico, igual seria no Brasil. Que nada! Camioneiro aqui no Alaska é chique! Lugar bem aconchegante, viu! Aliás, falando neles, ontem eu tomei um “vareio” de um verdadeiro “Camioneiro do Gelo”, aqui na Dalton Highway. Eu tinha ultrapassado ele e vários outros camioneiros numa fila formada em uma obra da estrada. Quando o trânsito liberou e ele se desvencilhou dos outros caminhões, veio babando para cima da Fiona. Eu acelerei e, quando vi uma subida em curva lá na frente, pensei: “É lá que esse cara fica para trás!”. Nada disso!!! Eu estava nessa subida a mais de 120 km/h e o cara me passou!!! Com seu caminhão igual àqueles do famoso seriado do Discovery Channel, com chaminés duplas, ele estava a mais de 130 km/h. Na subida! Na curva! Aliás, um quilômetro à frente, ele até ameaçou rodar, as rodas da carroceria indo parar no acostamento. Mas o piloto segurou a onda legal, continuou acelerando e eu não o vi mais. Impressionante!

A Aurora Boreal faz desenhos nos céus de em Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska

A Aurora Boreal faz desenhos nos céus de em Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska


Esse foi nosso principal assunto no delicioso jantar que tivemos em Coldfoot. Esquema de preço fixo e come-se o que quiser. Uma delícia!!! Tinha até feijão! Nossa, tiramos a barriga da miséria, pratos de camioneiro mesmo. Comida da melhor qualidade, com direito à sobremesa. Realmente, fazia tempo que não nos esbaldávamos assim. Depois da comida, ainda deu tempo de socializarmos com vários frequentadores daquele lugar, gente acostumada com meses sem luz do sol, frio de 30 graus negativos! Sem dúvida, pessoas que vivem num mundo diferente do nosso, hehehe! E foi assim, por uma hora, a gente interessadíssimo na vida deles e eles interessadíssimos na nossa viagem. Tudo acompanhado de boa cerveja do Alaska. Uma noite para não esquecer mais...

A Aurora Boreal faz desenhos nos céus de em Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska

A Aurora Boreal faz desenhos nos céus de em Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska


Mas o mais memorável ainda estava por vir, durante a madrugada. Nós fomos para o nosso quarto e, de tempos em tempos, saíamos para checar os céus. A temperatura estava por volta de 4 ou 5 graus negativos e não havia nuvens. A gente todo empacotado de casacos e luvas, máquina fotográfica no tripé e dedos cruzados.

Foi quando as luzes verdes começaram a aparecer no horizonte. No começo, parece que é o sol que vai nascer ali, naquele lugar estranho, no norte. Mas depois, olhos acostumados com a escuridão, começamos a perceber a tonalidade de verde. De repente, enormes colunas esverdeadas começam a subir do horizonte em direção ao centro do céu. Elas vem dançando, como que sopradas por um vento cósmico, num verdadeiro balé espacial. É a Aurora Boreal!

A fantástica Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska

A fantástica Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska


A origem dessas luzes mágicas já foi decifrada há bastante tempo. Partículas carregadas viajam com o vento solar até a Terra e aqui são capturadas pelo nosso campo magnético. Essa campo concentra essas partículas e as envia para os polos magnéticos, ligeiramente deslocados dos polos geográficos. Chegando aos polos, a cerca de 80 km de altura, essas partículas altamente ionizadas literalmente trombam com as moléculas de nossa atmosfera, principalmente os moléculas de oxigênio e nitrogênio. O choque “empresta” energia ás moléculas, que ficam mais excitadas, o que não é um estado estável. Então, para voltar á estabilidade, elas tem de perder essa energia ganha. Fazem isso emitindo um fóton, ou seja, luz. Bingo, é a luz das auroras! Normalmente, esse fóton é verde. Mas se o choque com a partícula solar tiver sido muito forte e o ganho de energia também, aí esse fóton será mais energético e sua cor será mais avermelhada. Enfim, a fonte de tudo está nas partículas solares e é por isso que, quando há tempestades solares, momentos em que o número e a força das partículas no vento solar aumentam muito, as auroras ficam ainda mais espetaculares.

um inesquecível show de luzes da Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska

um inesquecível show de luzes da Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska


Nessas ocasiões especiais, as auroras ficam mais intensas e aumentam sua área de abrangência. A maior de todas, em tempos registrados, foi em 1859. Foram vistas até em latitudes bem baixas, como a região central dos Estados Unidos. Na cidade de Boston, era possível ler um jornal de madrugada, apenas com a luz da aurora. Deve ter sido espetacular...

um inesquecível show de luzes da Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska

um inesquecível show de luzes da Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska


Mas hoje, aqui em Coldfoot, também foi espetacular. Enfrentamos o frio por mais de uma hora, tirando fotos e nos maravilhando com aquilo que víamos nos céus. Apesar de conhecer a teoria por trás do fenômeno, impossível não se deixar levar pela magia do que vemos. Essa verdadeira nuvem de partículas cósmicas dança sobre as nossas cabeças, formando desenhos coloridos e luminosos. Para olhos “tropicais” como os nossos, tudo aquilo é inacreditável. Será um filme? Algum efeito especial hollywoodiano? Não, é apenas o mesmo show que ocorre aqui noturnamente, há bilhões de anos. Aqui e nos outros planetas do Sistema Solar, como a NASA já demonstrou. Um fenômeno cotidiano que não faz parte do “nosso” cotidiano. Mas para quem mora em Coldfoot, o melhor lugar para se observar Auroras no Alaska, é como se fosse um pôr-do-sol. Lindo, mas acontece todos os dias. Para eles. Mas para dois loucos brasileiros que chegaram até aqui de carro, isso não acontece todos os dias e portanto, além de lindo, é mágico. Ficamos os três (é claro que a Fiona também estava!!!), ali, embasbacados. A natureza é mesmo incrível, não é?

Até a Fiona ficou impressionada com o show da Aurora Boreal em Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska

Até a Fiona ficou impressionada com o show da Aurora Boreal em Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska

Alaska, Coldfoot, Ártico, Aurora Boreal, Camioneiros do Gelo, Círculo Polar, Dalton Highway

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Peixes Amazônicos

Brasil, Amazonas, Manaus

Hipnotizado pelo aquário de um restaurante em Manaus - AM

Hipnotizado pelo aquário de um restaurante em Manaus - AM


Uma das razões para voltarmos para Manaus ainda no sábado era poder aproveitar a noite por aqui. Conversando com as pessoas daqui, bem que procuramos saber onde seria a "Vila Madalena" da cidade mas, ao que tudo indica, não há. Então, resolvemos ir num bar-restaurante indicado pelo Cristophe, o chef de Novo Airão, que nos disse que hoje seria o dia da música ao vivo. É uma lugar famoso menos por sua comida e mais por um enorme aquário que existe no fundo do restaurante.

Tambaqui no aquário de um restaurante em Manaus - AM

Tambaqui no aquário de um restaurante em Manaus - AM


E para lá fomos. Realmente, havia música ao vivo e a banda se desdobrava em todos os tipos de música, do pop internacional ao rock nacional, do forró ao pagode, do sertanejo ao tecno-brega. O bar foi enchendo aos poucos, atingindo o ápice depois da uma da madrugada. Música meio alta, no salão da frente, mas bem mais tranquilo no salão do fundo, onde está a grande atração: o aquário.

Observando o enorme Pirarucu no aquário de um restaurante em Manaus - AM

Observando o enorme Pirarucu no aquário de um restaurante em Manaus - AM


E a principal atração do aquário são as duas pirarucus de 8 anos de idade e dois metros de comprimento cada uma. Assim, apesar do aquário ser bem grande, para elas, infelizmente, é bem pequeno. Nadam com grande graciosidade, as majestades do pedaço. Tartarugas e tambaquis abrem espaço para elas. Também, se não abrissem, seriam atropelados por essas verdadeiras carretas. Já tínhamos visto um menor, empalhado, no mercado, mas nada que nos preparasse para sua beleza. As escamas de sua longa cauda são roseadas, ou alaranjadas, dependendo do ângulo.

Enorme bocejo de Pirarucu no aquário de um restaurante em Manaus - AM

Enorme bocejo de Pirarucu no aquário de um restaurante em Manaus - AM


Ficamos ali, um tempão, admirando-as e nos culpando de não ter trazido a máquina fotográfica. Depois de comermos, fomos ao salão da frente por um tempo mas, antes de irmos embora, voltamos lá atrás para dar uma última olhada. Aí, decidimos ir ao hotel, que não estava longe, pegar a máquina e voltar ao restaurante, para tirar as benditas fotos. Era a nossa única chance, já que o restaurante só vai abrir novamente na próxima sexta.

Pirarucu nada em aquário de um restaurante em Manaus - AM

Pirarucu nada em aquário de um restaurante em Manaus - AM


Valeu à pena o esforço! Afinal, não é todo dia que se pode admirar esses belos peixes. Mesmo no seu ambiente natural, a bacia amazônica, as águas não são transparentes e não se pode vê-los nadar. Realmente, a única tristeza é vê-las presas. Quem sabe, algum dia, não ganham um aquário ainda maior?

Tentando medir o Pirarucu em aquário de um restaurante em Manaus - AM

Tentando medir o Pirarucu em aquário de um restaurante em Manaus - AM

Brasil, Amazonas, Manaus,

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Para Búzios via MAC (Niterói)

Brasil, Rio De Janeiro, Niterói, Búzios

O MAC, arquitetura de Niemeyer, em Niterói - RJ

O MAC, arquitetura de Niemeyer, em Niterói - RJ


Depois de quase uma semana no Rio, chegou a hora de partir. Nos planos originais já deveríamos ter ido antes, mas a chuva nos fez ficar na cidade ao invés de seguir para a Serra dos Órgãos. Mesmo com esses dois dias a mais, ficou muito por ver e fazer lá na Cidade Maravilhosa. Não poderia ser diferente, num local onde quinhentos anos de ocupação urbana se encontram com uma das naturezas mais exuberantes do mundo. Quem sabe, depois dos 1000dias, voltamos para uma estadia mais esticada?

Bebel, Mel e Íris, na despedida do Rio de Janeiro - RJ

Bebel, Mel e Íris, na despedida do Rio de Janeiro - RJ


Depois de nos despedirmos da Íris, Bebel e Mel (o Pedro já tinha saído) seguimos para a Ponte Rio-Niterói, a mesma que tanto me impressionava quando era criança. Continua sendo um prazer cruzar essa ponte, viajando na linda paisagem da Guanabara e nas lembranças da criança que imaginava se era possível pular do vão central da então 3a maior ponte do mundo. Eu cruzava essa ponte em direção à casa dos primos e tios que moravam em Niterói, ou então à casa de Araruama, também da família. Sweet old memories...

Atravessando a ponte Rio-Niterói - RJ

Atravessando a ponte Rio-Niterói - RJ


Hoje, nosso objetivo era visitar o MAC, Museu de Arte Contemporânea, mais uma obra com os traços inconfundíveis de Niemeyer. Nossa viagem tem cruzado bastante com as obras desse senhor, de Curitiba à BH, de Brasília à São Vicente, e agora em Niterói. Aqui, o local da construção faz a obra mais imponente ainda. Mesmo o museu estando fechado (segunda, dia internacional do museu fechado...), só o prédio já vale a visita. Um espetáculo.

Admirando o MAC com o Pão de Açúcar ao fundo, em Niterói - RJ

Admirando o MAC com o Pão de Açúcar ao fundo, em Niterói - RJ


A visão das montanhas ao redor da Guanabara, do Pão de Açúcar e do Corcovado lá do promotório onde fica o MAC é de encher os olhos. A orla da antiga capital do estado também é bem legal, vista lá de cima. O programa só não foi perfeito porque não conseguimos nos comunicar com os primos Maurício, Mequinho e Dadinho. Mas as orelhas deles devem ter esquentado...

A orla em frente à Armação de Búzios - RJ

A orla em frente à Armação de Búzios - RJ


De Niterói para Búzios. Que gostoso que é entrar na cidade fora de temporada e sem transatlânticos ancorados ao lado. Só faltou o sol brilhando, mas tenho fé que ele virá. Eu e a Ana nos instalamos na charmosa e pitoresca Praia dos Ossos e já fomos logo caminhando até a Armação e a Rua das Pedras. No caminho, alguns poucos turistas e estátuas de gente famosa que frequentava a cidade nos áureos tempos, gente como JK e Brigitte Bardot. Como será que era a Búzios de 50 anos atrás? Nossa, devia ser muito jóia...

Que Brigitte Bardot, que nada! (em Búzios - RJ)

Que Brigitte Bardot, que nada! (em Búzios - RJ)


Já quase no fim da tarde, ainda deu tempo de caminharmos para o outro lado, na direção da Praia Azeda e da Azedinha. Para chegar lá, cruzamos a Praia dos Ossos. Que delícia de praia e de vizinhança. Já deu vontade de ficar por um bom tempo. Lá na Azedinha, conhecemos o Idanir, um pescador que nos deu uma verdadeira aula sobre a pesca da Sardinha, suas técnicas e regulamentações. Enquanto ele falava, até um pinguim apareceu, se fartando nas sardinhas encurraladas entre a praia e a rede. Toneladas desses pequenos peixes saíram daqui nos últimos dias. Um quilo ou dois, roubados pelo pinguim, não vão fazer falta...

Esperando a hora de puxar a rede, na Azeinha, em Búzios - RJ

Esperando a hora de puxar a rede, na Azeinha, em Búzios - RJ


Amanhã, já acordando por aqui, vamos poder passear e explorar mais. Essa península merece.

Passeando em Búzios - RJ

Passeando em Búzios - RJ

Brasil, Rio De Janeiro, Niterói, Búzios, MAC

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

Botos Cor de Rosa

Brasil, Amazonas, Novo Airão

Boto Cor de Rosa, no Rio Negro em Novo Airão - AM

Boto Cor de Rosa, no Rio Negro em Novo Airão - AM


Ainda me lembro muito bem quando, no início da década de 80, foi anunciado que o famoso oceanólogo francês Jacques Cousteau viria ao Brasil, para uma grande viagem à bacia amazônica. Eu já era fã do velho lobo do mar desde que seus documentários começaram a passar na TV brasileira. Passaram-se mais alguns anos até que os documentários feitos em terras tupiniquins chegassem à nossa TV. A Globo os exibiu em horário nobre, em quatro grandes capítulos. Um dos pontos altos do belo documentário foi o encontro de Cousteau com um estranho golfinho de água doce, o elusivo Boto Cor de Rosa.

Boto Cor de Rosa submerso, no Rio Negro em Novo Airão - AM

Boto Cor de Rosa submerso, no Rio Negro em Novo Airão - AM


Foi a primeira vez que ouvi falar desse mamífero. Desde então, ele tem um lugar cativo na minha imaginação. De lá para cá, quase 30 anos se passaram. Já viajei muito desde então. Mas só tinha conseguido ver de perto o Boto Cinza, um primo menorzinho e mais comum do Boto Cor de Rosa. Este, só pela TV ou revistas. Até hoje...

Filmando o Boto Cor de Rosa, no Rio Negro em Novo Airão - AM

Filmando o Boto Cor de Rosa, no Rio Negro em Novo Airão - AM


A fantástica coincidência que nos fez encontrar o casal brasileiro do Bordas do Brasil bem no meio da Guiana rendeu à todos nós uma rica troca de informações. Entre elas, a existência do município de Novo Airão, que ignorávamos por completo. Além da proximidade do arquipélago de Anavilhanas e do Parque Nacional do Jaú, a grande atração da cidade é a possibilidade de interagir de perto com Botos Cor de Rosa. Na hora, não dei o devido valor, mas assim que cheguei a um lugar com internet e acessei o site deles e as fotos dos botos, mudamos o nosso roteiro. Novo Airão passou a ser prioridade.

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


E assim, hoje cedo, estávamos cruzando, sob muita chuva, o Rio Negro de balsa, bem ao lado da ponte quase pronta que vai facilitar a vida de muita gente. Quarenta minutos navegando nos levaram à margem sul do Rio negro, numa estreita língua de terra que separa este rio do Solimões, um pouco mais para baixo. Aí, cerca de 170 km de estrada bem conservada e vazia nos levaram até a simpática e tranquila Nova Airão. A velha e original Airão foi o primeiro povoamento português na região, mais antiga ainda que Manaus. Dela só sobraram ruínas e é mais uma das atrações turísticas para quem visita a Nova, onde acabávamos de chegar.

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


Ainda antes de irmos para nossa pretendida pousada, já paramos no Centro de Informações Turísticas para perguntar sobre os botos e também sobre Anavilhanas, o maior arquipélago fluvial do mundo. Decidimos que vamos visitá-lo amanhã. Hoje, era dia de botos! Com trinta anos de atraso, mas antes tarde do que nunca.

Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


A gente se instalou na simpática pousada Bela Vista e seguimos à pé para o restaurante flutuante onde se pode alimentar botos que já estão acostumados com todo o ritual. Os turistas compram uns pedaços de peixe, aproximam-se mais ou menos da água, dependendo da coragem de cada um, a passam a alimentá-los. Antes que os puristas reclamem, por mais que sejam alimentados por turistas, que fora de fins de semana e feriados, mal aparecem, a maior parte da alimetação ainda vem da caça, e eles não estão esquecendo de como fazer isso por conta própria. Ao mesmo tempo, por causa dessa prática em Novo Airão, os botos, antes perseguidos pelos pescadores, por rasgarem suas redes, passaram a ser admirados no município, e protegidos por todos. A famosa win-win situation.

Brincando com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Brincando com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


Bem, eu e a Ana passamos um bom tempo, só nos dois, ali com os botos. Felicidade pura! Muita admiração por esse animal tão gracioso e belo. Eles ganharam um belo lanche! Nós, inesquecíveis momentos e muitas fotos legais. Uma bela troca!

Admirando o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Admirando o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM




P.S Além dos botos, outro fato digno de nota foi nosso almoço. Ficamos quase até cinco da tarde no bar flutuante dos botos, conversando com pessoas e bebericando cerveja. Aí, neste horário, numa cidade deste tamanho, ficamos sem esperança de achar muita coisa para comer. A esperança é a última que morre e fomos caminhar no centro. Eis que encontramos o restaurante Leão da Amazônia, onde um grande evento acabava de terminar. Entre os presentes, os cônsuls do Japão e da Suiça, que vieram para a inauguração de uma associação de artesanato. Foi servido um belo banquete para esse pessoal. Quando chegamos, o buffet estava sendo retirado. O menu havia sido metade japonês e metade suiço. Mas o cônsul suiço tinha atacado a metade japonesa também, de modo que muito queijo tinha sobrado por lá. Enfim, quem diria, conseguimos uma bela entrada de queijos suiços com pães, seguido dos pratos principais, contra filet ou peixe. Tudo muito bem temperado pelo chef francês que há alguns anos se mudou para a cidade. Hmmmm! Que delícia! E que surpresa!!!

Pousada Bela Vista, em Novo Airão - AM

Pousada Bela Vista, em Novo Airão - AM

Brasil, Amazonas, Novo Airão, Boto, Boto Cor de Rosa, Nova Airão

Veja todas as fotos do dia!

Gostou? Comente! Não gostou? Critique!

Um Dia Mais Mundano

Brasil, Bahia, Caravelas, Abrolhos

Bico de proa do barco em direção à Abrolhos - BA

Bico de proa do barco em direção à Abrolhos - BA


Hoje foi dia de chuva. Bastante chuva. Conforme a previsão. Além disso, o ouvido da Ana não melhorou. Passamos o dia na pousada. Rearrumamos a Fiona. Sempre que encerramos uma temporada de mergulhos é tempo de rearrumação da Fiona.

Chegando em Abrolhos - BA

Chegando em Abrolhos - BA


Ficamos aproveitando a internet para botar coisas em dia e planejar os próximos. Há muita coisa para fazer na região, mas a maioria pede dias de sol. Amanhã, a previsão é de mais chuva. Depois melhora. Se rumarmos para o norte agora, muita coisa fica para trás e não poderemos voltar. Se ficarmos aqui esperando, o tempo vai passando. Esse é o nosso dilema.

Pronta para o mergulho noturno em Abrolhos - BA

Pronta para o mergulho noturno em Abrolhos - BA


Início de mergulho noturno em Abrolhos - BA

Início de mergulho noturno em Abrolhos - BA


Por fim, resolvemos avançar um pouco. Até Itamaraju. Fica perto o suficiente de atrações como o Corumbau e o Parque do Monte Pascoal, já significa um avanço rumo ao norte e, se decidirmos voltar para Curumuxatiba, nem é tão fora de mão, só um pouco.

Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA

Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA


Itamaraju é daquelas cidades maiores que ficam na BR-101 nas quais eu jamais imaginei parar na minha vida. Cidades como Teixera de Freitas, Eunápolis ou Itabuna. São cidades de passagem cujo único significado para mim é que estou chegando perto da praia, de Porto Seguro, de Ilhéus, de Caravelas, etc...

Mergulhando no mar em Abrolhos - BA

Mergulhando no mar em Abrolhos - BA


Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA

Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA


Pois bem, paguei minha língua e viemos dormir em Itamaraju. Encontramos uma cidade simpática com um povo amável que quer sempre ajudar e um hotel jóia, bem profissional. Um belo lugar para se pernoitar a caminho de algum lugar mais longe e evitar de se dirigir de noite por essas estradas.

Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA

Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA


Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA

Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA


O chato é que, de noite, o ouvido da Ana piorou. Ela falou com a Patrícia, sua mãe e médica também e juntas, descobriram que o médico de Caravelas fez o diagnóstico correto mas receitou o remédio errado. Amanhã cedinho, vamos à uma farmácia e tudo vai se resolver!

Veleiro em baía de Abrolhos - BA

Veleiro em baía de Abrolhos - BA


O belo e forte luar refletido no mar em Abrolhos - BA

O belo e forte luar refletido no mar em Abrolhos - BA


Não podemos controlar o tempo (tarefa de São Pedro), mas posso controlar as fotos que coloco no meu post. Assim, resolvi ilustrar esse com belas fotos ainda não usadas de nossa estadia em Abrolhos. Para amanhã, fotos fresquinhas!

O João fotografando, em Abrolhos - BA

O João fotografando, em Abrolhos - BA


João tirando fotos em Caravelas - BA

João tirando fotos em Caravelas - BA

Brasil, Bahia, Caravelas, Abrolhos,

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

Mérida, a Festa e o Museu

México, Mérida

Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México

Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México


Quinze dias depois, eis que estamos de volta à nossa querida Mérida, a mais bela cidade do Yucatán. Eu tinha feito um exame médico por aqui e precisava voltar para pegar os resultados. Uma ótima desculpa para voltar a esta encantadora cidade colonial cheia de construções centenárias e uma rica vida cultural.

Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México

Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México


Resolvemos ficar em outro hotel dessa vez, um pouco mais perto do Paseo Montejo e um pouco mais longe do centro histórico, mas, ao final, tudo a menos de 10 minutos de caminhada. O gerente do novo hotel logo se interessou por nós e pela nossa viagem e foi nos dando várias dicas valiosas. Entre elas, a notícia de uma festa típica, ontem de noite mesmo, numa praça próxima, justamete onde começa o Paseo Montejo.

Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México

Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México


Assim, nossa programação nessa primeira noite foi, depois de um bom e merecido jantar, ir para a praça assistir a apresentação de danças e músicas típicas, todas com o devido figurino. Jovens de várias regiões da península se apresentando, para o deleite dos turistas e espectadores que lotavam a tal praça. Foi muito joia, as boas-vindas que a cidade nos deu no nosso retorno.

Caminhada pelo centro histórico de Mérida, a capital do Yucatán, no México

Caminhada pelo centro histórico de Mérida, a capital do Yucatán, no México


Mercado popular na principal praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México

Mercado popular na principal praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México


Hoje cedo, foi dia de caminharmos novamente pelas ruas centrais, dessa vez com céu azul. Da outra vez que estivemos aqui, o tempo era chuvoso e acinzentado, um clima meio pesado sobre a cidade. Com o sol, tudo muda, ruas cheias, pessoas risonhas, movimento nas praças e igrejas.

Vendedor de chapéus descansa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México

Vendedor de chapéus descansa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México


Tirando o fato que meus dois cartões pararam de funcionar e a chateação de tentar resolver isso, todo o resto foi alegria: um passeio pelo mercado lotado na praça central, um almoço ao ar livre no Café do Teatro, visitas à igrejas e livrarias.

A imponente fachada do Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México

A imponente fachada do Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México


De tarde, foi a vez de visitarmos o mais novo museu da cidade, o moderno Museu da Cultura Maya. Construído num terreno mais distante do centro, um prédio de arquiteura vistosa e exibições que, com a ajuda da tecnologia, tentam envolver os visitantes, aplicando um verdadeiro banho de cultura maya em quem ali entra.

Caminhando sobre o mapa do mundo maya, no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México

Caminhando sobre o mapa do mundo maya, no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México


Mapa do mundo maya, do Yucatán à Honduras, passando por Guatemala e Belize, no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México

Mapa do mundo maya, do Yucatán à Honduras, passando por Guatemala e Belize, no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México


A proposta é mostrar que a cultura maya não acabou. Ao contrário, ainda são mais de dois milhões de nativos vivendo nos dias de hoje e mantendo a língua maya como a terceira mais falada no país, A ideia é tentar valorizar ao máximo essa cultura, não só para nós, visitantes de fora, mas principalmente para as novas gerações de mayas que devem crescer tendo orgulho do que são.

Peças mayas expostas no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México

Peças mayas expostas no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México


É claro que o passado também é valorizado. Mergulhamos na história, na cultura, nos costumes, na religião, enfim, no mundo maya. Pequenos filmes tornam tudo ainda mais vivo e envolvente, a gente acaba se perdendo em meio a tanta informação, sempre com a impressão de não ter visto ou lido tudo o que devíamos. Mas, ao final, quase sem percebermos, a mensagem foi passada e o mundo maya, de alguma maneira, passou a fazer parte de nós. Achei muito eficiente!

Uma das muitas divindades mayas, em exposição no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México

Uma das muitas divindades mayas, em exposição no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México


Do lado de fora do prédio, uma das exposições que mais gostei: uma sequência de fotos comparativas, mostrando as ruínas mayas mais importantes da península em fotos atuais e outras, tiradas há mais de 70 anos. Hoje, quando visitamos locais como a famosa Chichen-Itza, tudo parece muito certinho, grama cortada e pedras encaixadas. Fica meio irreal, sem ter cara de ruína, como se o tempo não tivesse tido nenhum efeito nas construções. Sempre fui curioso sobre como eram essas ruínas antes do processo de restauração. Aí estava a resposta, em enormes fotos tiradas de um mesmo ângulo. Muito joia!

Foto atual do Templo do Adivinho, nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México

Foto atual do Templo do Adivinho, nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México


Foto do templo do Adivinho tirada na década de 30, bem antes da restauração (ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México)

Foto do templo do Adivinho tirada na década de 30, bem antes da restauração (ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México)


Para nós, foi melhor ainda, porque amanhã nossa programação será visitar Uxmal, uma das mais belas ruínas mayas do Yucatán. Havia várias fotos de seus templos nessa exposição e nossa vontade de ver tudo ao vivo só aumentou. Deixaremos Mérida em definitivo, mas as boas lembranças daqui nos acompanharão. Adeus, mundo colonial, de volta ao mundo clássico dos mayas!

Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México

Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México

México, Mérida, mayas, Yucatán

Veja todas as fotos do dia!

Quer saber mais? Clique aqui e pergunte!

A Magnífica Isla del Sol

Bolívia, Copacabana, Isla del Sol

O incrível cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

O incrível cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


A Isla del Sol, ou Ilha do Sol, ao norte da cidade boliviana de Copacabana, na Bolívia, é a maior ilha do lago Titicaca e, provavelmente, a mais famosa. Com quase 15 quilômetros quadrados e mais de 9 quilômetros de comprimento, a ilha tem atraído as pessoas há mais de 3 mil anos, como demonstram as recentes pesquisas arqueológicas. Aliás, pesquisas acima e abaixo d’água, pois com a variação do nível do Titicaca ao longo do tempo, muitas edificações e artefatos que ficavam em alguma antiga linha da orla hoje estão muitos metros abaixo da superfície. O primeiro grande explorador do fundo do lago nas imediações da ilha foi ninguém mais do que o famoso oceanógrafo francês Jacques Cousteau.

Porto de Copacabana, prontos para ir à Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Porto de Copacabana, prontos para ir à Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


A caminho para a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

A caminho para a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Mas foi mesmo no período incaico que a ilha ganhou grande relevância. Os incas acreditavam que ali havia nascido sua mais importante divindade, Inti, o deus associado ao sol. Por isso, aí construíram templos e altares, principalmente ao redor de uma rocha considerada sagrada, no norte da ilha. Para aí afluíam milhares de peregrinos na época do império, o lugar mais santo da América do Sul daquela época, uma espécie de Jerusalém ou Meca dos incas.

No barco, a caminho da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

No barco, a caminho da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


A caminho para a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

A caminho para a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Desde aquela época, a localidade de Copacabana já era o principal acesso à ilha. Assim, pelo mesmo caminho que usavam os incas, viemos nós! Saímos cedinho do porto da cidade em um dos muitos barcos que fazem o passeio diariamente. São três as possibilidades possíveis: ficar na costa sul da ilha, onde há um grupo importante de ruínas, para retornar no barco da tarde; seguir para as ruínas da costa norte, fazer um passeio por lá e voltar com o barco para a costa sul, conhecer as ruínas dessa região e, no final da tarde, voltar com o barco para Copacabana; finalmente, pode-se também seguir para as ruínas da costa norte e depois, ao invés de navegar, fazer uma trilha de oito quilômetros atravessando quase toda a ilha, para encontrar o barco novamente na costa sul e retornar com ele para Copacabana.

Chegando à Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Chegando à Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Mapa de trilhas e atrações da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Mapa de trilhas e atrações da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Para quem tem um pouco mais de tempo, pode-se também dormir na ilha e conhecer com mais calma as ruínas do sul e do norte, além de percorrer a belíssima trilha que une as duas partes da ilha. Nós, na nossa pressa constante, mas cheios de energia, resolvemos fazer a programação completa, mas tudo no mesmo dia. Seguimos para a costa norte e aí desembarcamos com a maioria do grupo. Junto com um guia, percorremos as ruínas principais desse lado da Isla del Sol e depois, pé na trilha para o sul, aí já de forma independente, no nosso próprio ritmo.

A incrível cor do lago Titicaca, na Isla del Sol, na Bolívia

A incrível cor do lago Titicaca, na Isla del Sol, na Bolívia


O magnífico cenário do início da nossa caminhada através da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

O magnífico cenário do início da nossa caminhada através da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Lá no norte, ainda antes de chegarmos às ruínas, passamos por um pequeno museu com várias das peças resgatadas, da terra e de baixo d’água. Depois, uma curta caminhada para as trilhas, passando por praias que mais pareciam o Caribe do que um lago a 4 mil metros de altitude no meio dos Andes. Água azul-esverdeada e cristalina, areias brancas no fundo. A única coisa que não deixava enganar era a temperatura da água, perto dos 15 graus. É, no Caribe não é assim, hehehe. Mesmo assim, vimos alguns turistas mais corajosos, desses que dormiram na ilha e tinham mais tempo para isso, se arriscar a um banho. A vontade nossa foi grande também, mas tínhamos um dia longo pela frente. Mesmo sem ter feito, não há como negar: nadar nesse pedacinho do Caribe, com vista para as montanhas nevadas da Bolívia, deve ser muito especial!

O lago Titicaca e os Andes ao fundo, vistos da Isla del Sol, na Bolívia

O lago Titicaca e os Andes ao fundo, vistos da Isla del Sol, na Bolívia


Uma linda praia do lago Titicaca, na Isla del Sol, na Bolívia

Uma linda praia do lago Titicaca, na Isla del Sol, na Bolívia


Nós seguimos até as ruínas, estrategicamente colocadas no alto do morro, em um promontório. A vista aqui de cima ainda é mais espetacular! Os Incas tinham muito bom gosto e sabiam onde construir seus templos!

O incrível cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

O incrível cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Ruínas incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Ruínas incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Fonte de água que nunca seca em antigas ruínas incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Fonte de água que nunca seca em antigas ruínas incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Um conjunto de construções chamado de “labirinto”, pela grande quantidade de corredores e cômodos, esconde um grande segredo: uma fonte de água doce e potável que nunca seca. É, não foi só pela vista que fizeram o templo por ali...

Antigo altar inca na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Antigo altar inca na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Território sagrado dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Território sagrado dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Logo ali do lado está o tal rochedo sagrado. Parado em frente à ele, fiquei imaginando quantas gerações de pessoas não passaram por ali, fazendo seus pedidos, preces e agradecimentos, fé total naquele local sagrado. Com um pouco de boa vontade e dando asas à imaginação, ainda é possível sentir a energia no ar.

A Ana faz suas preces no Wiracocha, a pedra sagrada dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

A Ana faz suas preces no Wiracocha, a pedra sagrada dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Depois das preces, a Ana volta mais leve do Wiracocha, a pedra sagrada dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Depois das preces, a Ana volta mais leve do Wiracocha, a pedra sagrada dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Hoje, turistas e locais ainda prestam sua reverência, alguns mais do que os outros. Deixam suas pedras sobre os muros e totens e olham com devoção para a grande pedra. Ela deve sentir um pouco de saudades dos seus tempos de glória, mas não pode reclamar da atenção que ainda recebe.

Caminhando na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Caminhando na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


A trilha que atravessa toda a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

A trilha que atravessa toda a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Bom, depois de também nós deixarmos por lá nossas homenagens e pensamentos, começamos a longa trilha para o sul. Dos que se dispuseram a fazer isso, éramos os últimos a sair, querendo aproveitar cada momento naquele lugar lindo. A trilha percorre a ilha pela crista de suas montanhas, então, temos sempre uma vista , magnífica da paisagem, o lago azul lá embaixo, o enorme céu que nos envolve e as montanhas ao fundo.

Construindo nosso totem de pedra no alto da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Construindo nosso totem de pedra no alto da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


No topo da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

No topo da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Em um pequeno desvio, subimos até o alto de uma das maiores montanhas da Isla del Sol, pouco acima dos 4 mil metros. Não há trilha para lá, temos de andar sobre o terreno. Lá chegando, um pequeno altar e a mais bela vista do dia. Alguns totens mostram que não somos os únicos a chagar lá, mas certamente são poucos. Pouco e felizardos! Os barcos parecem flutuar sobre as águas transparentes da baía abaixo de nós. A neve das montanhas ao fundo parecem acesas e a atmosfera, nessa altitude, é completamente limpa. Admiramos também os infindáveis terraços agrícolas, principal fonte econômica das comunidades da ilha.

Terraços agrícolas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Terraços agrícolas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Os Andes, a Isla del Sol e o lago Titicaca, na Bolívia

Os Andes, a Isla del Sol e o lago Titicaca, na Bolívia


Além da agricultura (e da pesca), a outra fonte é o turismo. Seja na venda de artesanato, na entrada do museu ou nos pedágios cobrados ao longo da trilha. Isso mesmo, pedágios! A cada nova comunidade que passamos, ali está alguma velhinha ou velhinho a cobrar alguns bolivianos. “Costo de mantenimiento”, dizem. Bem, não tem remédio, temos de pagar mesmo.

caminhando na belíssima Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

caminhando na belíssima Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Passando por 'pedágio' na trilha que atravessa a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Passando por "pedágio" na trilha que atravessa a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Mas a incrível beleza que nos envolve faz valer a pena, com certeza! Por fim, chegamos à última comunidade na parte alta da ilha, de onde teríamos de descer para o porto. Mas ainda temos um tempinho. Serão dois barcos a voltar e escolhemos pegar aquele que segue mais tarde. Com isso, ganhamos minutos preciosos para achar um restaurante com uma vista magnífica para o lago. Hora de celebrar a caminhada e a ilha com uma deliciosa Paceña gelada.

Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Ao final da trilha, uma deliciosa cerveja gelada no belíssimo cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Ao final da trilha, uma deliciosa cerveja gelada no belíssimo cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Um pouco mais adiante, outro restaurante com vista de perder o fôlego. A Ana o reconhece! É o lugar onde almoçou com o amigo, quando fizeram essa mesma caminhada há sete anos. Naquele tempo, havia menos coisas aqui em cima, ela me diz. Hoje, além de restaurantes, são muitas pousadas. Certamente, seria o lugar que eu escolheria ficar em uma próxima vez por aqui. Sinceramente, após o dia de explorações, conclui que uma noite por aqui vale muito a pena. Infelizmente, não programamos isso.

O restaurante que a Ana havia almoçado há sete anos, na isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

O restaurante que a Ana havia almoçado há sete anos, na isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


A mesa parece nos chamar para uma refeição, na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

A mesa parece nos chamar para uma refeição, na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Com nosso tempo se esgotando, restou-nos correr lá para baixo, em busca do último barco. No caminho, encontramos vários viajantes que chegavam agora, para passar a noite. Ponto para eles! Nós, bem, voltamos para a simpática Copacabana, onde já tínhamos hotel pago para a noite. Chegamos em tempo para uma rápida visita à gigantesca basílica da cidade e um jantar quentinho e apetitoso. Amanhã cedo, seguimos para Tiahuanaco e La Paz. Mais ainda tem um postzinho de Copacabana pela frente...

Um cartão postal na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Um cartão postal na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


No topo da Isla del Sol, no lago Titicaca, observando a cordilheira dos Andes, na Bolívia

No topo da Isla del Sol, no lago Titicaca, observando a cordilheira dos Andes, na Bolívia

Bolívia, Copacabana, Isla del Sol, Inca, Titicaca, trilha

Veja todas as fotos do dia!

Quer saber mais? Clique aqui e pergunte!

Um Dia em Port Stanley

Falkland, Port Stanley

Chegando a Port Stanley, a capital de Falkland

Chegando a Port Stanley, a capital de Falkland


Os habitantes de Falkland são chamados de “kelpers”. O nome vem de um tipo de alga, “kelp”, que é muito abundante ao redor da ilha. Uma boa parte dos moradores da ilha está envolvida com a principal atividade econômica de Falkland, que é a criação de ovelhas. São quase 700 mil delas em um arquipélago onde vivem menos de 3 mil pessoas. E uma parte importante da alimentação desse enorme rebanho é justamente o kelp, que os poucos humanos disponíveis vão coletar no mar. Daí a denominação, kelpers!

Chegando a Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)

Chegando a Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)


O Sea Spirit ancorado em Port Stanley, a capital de Falkland

O Sea Spirit ancorado em Port Stanley, a capital de Falkland


Pois bem, para os kelpers, o arquipélago está dividido em duas partes. E eles não estão se referindo às ilhas East e West Falkland. Não! Para eles, existe o “town” e o “camp”. “Town” é a capital, e única cidade de verdade em Falkland, Port Stanley. E “camp” é o resto. Todo o resto. Então, até agora, nós conhecemos o “camp”. Carcass Island e Steeple Jason fazem parte do “camp”. As outras pequenas ilhas, toda a West Falkland e boa parte da East Falkland, dos quais não vimos nada, também são o “camp”. Quando muito, vimos de longe, das janelas e do convés do Sea Spirit. Mas agora, o que queríamos mesmo era ver a outra metade do país, o “town”.

Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland

Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland


Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland

Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland


E assim foi. Nosso dia de hoje foi devotado à exploração da capital, do “town”, de Port Stanley, com seus pouco mais de 2 mil habitantes. Logo de manhã nosso barco já estava ancorado lá, nossa única chance nessas três semanas de poder sair do Sea Spirit sem estar vestindo as botas de borracha ou nossa roupa de caiaque. Tiramos nossos tênis do fundo da mala, bem felizes e estávamos prontos. Hoje, nem de guia precisaríamos. Nossa liberdade de volta, desde que respeitássemos os horários, claro!

Memorial Wood  (Bosque da Memória), em Port Stanley, a capital de Falkland

Memorial Wood (Bosque da Memória), em Port Stanley, a capital de Falkland


Caminhando no Memorial Wood  (Bosque da Memória), em honra oas mortos na guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland

Caminhando no Memorial Wood (Bosque da Memória), em honra oas mortos na guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland


Na verdade, três de nossos simpáticos guias estariam sim, a nossa disposição, liderando grupos “temáticos” pela cidade. Um para falar de história, outro dos pássaros e a terceira das baleias. Eram tours facultativos e nós, eu e a Ana, optamos pela exploração seguindo nosso próprio nariz. Como disse, era nossa única chance nessas 3 semanas.

Ave se esquenta ao sol em pier em Port Stanley, a capital de Falkland

Ave se esquenta ao sol em pier em Port Stanley, a capital de Falkland


Pássaros Rock Shags em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Ken Haley)

Pássaros Rock Shags em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Ken Haley)


O porto está a pouco mais de 2 km do centro da cidade. Microônibus poderiam nos levar e trazer de volta, a cada meia hora. Para quem quisesse, podia seguir a pé. Umas dez pessoas optaram pelo exercício, assim como nós. Alguns, com o espírito ainda mais livre, ao chegar à estrada, viraram para o outro lado. Preferiram ir até uma península, uma baía e à famosa praia de “Gipsy Cove” do que seguir para “town”. Nós não, queríamos era um pouco de urbanidade mesmo.

Cemitério em Port Stanley, a capital de Falkland

Cemitério em Port Stanley, a capital de Falkland


Braço de mar em frente a Port Stanley, a capital de Falkland

Braço de mar em frente a Port Stanley, a capital de Falkland


Port Stanley virou a capital de Falkland em 1845, principalmente pelo fato de ser um bom porto. Afinal, a principal atividade econômica de Falkland naquele tempo era a reparação de navios. Para chegar à costa oeste dos Estados Unidos, a principal rota passava pelo sul da América e não eram poucos os navios que necessitavam de reparos após a passagem pela perigosa “Passagem de Drake”. Falkland, estando “logo ali”, soube aproveitar-se desse mercado, facilitado pelas excelentes condições de Port Stanley, de calado mais profundo.

A arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)

A arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)


Arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Susan Pairaudeau)

Arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Susan Pairaudeau)


A bonança continuou até que os navios a vapor, muito mais resistentes, se popularizassem. O golpe final nessa indústria veio no início do séc. XX, com a abertura do Canal do Panamá. Agora, os navios não necessitavam mais enfrentar os rigores da Drake Passage e Port Stanley ficou a “ver navios”. Isso abriu espaço para o crescimento de outra indústria nas ilhas, a criação de ovelhas, principal força econômica do arquipélago até hoje.

Depois da caminhada, quase chegando ao centro de Port Stanley, a capital de Falkland

Depois da caminhada, quase chegando ao centro de Port Stanley, a capital de Falkland


Arquitetura britânica em Port Stanley, a capital de Falkland

Arquitetura britânica em Port Stanley, a capital de Falkland


A cidade, como sua própria população indica, é bem pequena e pode ser percorrida a pé em poucas horas. Entre as principais atrações, alguns poucos museus, igrejas, o belo visual da rua em frente ao mar, os vários monumentos que relembram a guerra de 82, naufrágios de antigos barcos que podem ser avistados no mar e os quatro pubs que existem no centro da cidade.

O efeito do vento no crscimento de uma árvore, em Port Stanley, a capital de Falkland

O efeito do vento no crscimento de uma árvore, em Port Stanley, a capital de Falkland


O belo visual da rua costeira de Port Stanley, a capital de Falkland

O belo visual da rua costeira de Port Stanley, a capital de Falkland


Nós começamos nossa visita por alguns dos memoriais de guerra, como uma floresta que foi plantada onde cada árvore homenageia um dos mortos britânicos naquele conflito. Vou falar desse assunto no próximo post, mas vistamos também o cemitério que tem uma linda vista para o braço de mar em frente à cidade.

Catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland

Catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland


Interior da catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland

Interior da catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland


Os ossos de baleia azul e a catedral anglicana, uma das cenas clássicas de Port Stanley, a capital de Falkland

Os ossos de baleia azul e a catedral anglicana, uma das cenas clássicas de Port Stanley, a capital de Falkland


Em seguida, fomos a um dos mais vistosos prédios de Port Stanley, a Catedral Anglicana. Com mais de 130 anos de existência, ela é a catedral mais ao sul do mundo, elegante por fora e com uma tranquilidade inspiradora em seu interior. Bem em frente a ela, um dos principais cartões postais da cidade: um monumento feito apenas com os ossos de mandíbula do maior animal que já existiu em nosso planeta, a baleia azul. Usando 4 desses ossos, foi feito um grande arco, convite irresistível à fotografias de turistas. Esse maravilhoso animal era abundante na região, mas foi caçado quase até a extinção nos séc. XIX e XX. Os ossos ali dispostos, em frente a uma igreja, servem para nos lembrar da estupidez de nossa raça que levou tantas outras espécies a extinção total. Quando chegarmos à Geórgia do Sul, certamente vou falar mais dessa perseguição implacável feita às baleias aqui nos mares do sul...

Cartão postal de Port Stanley, a capital de Falkland, os enormes ossos de maxilar de baleias azul, a maior criatura do planeta

Cartão postal de Port Stanley, a capital de Falkland, os enormes ossos de maxilar de baleias azul, a maior criatura do planeta


A Kim salta entre ossos de maxilar de uma baleia azul, em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Jeff Orlowski)

A Kim salta entre ossos de maxilar de uma baleia azul, em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Jeff Orlowski)


Mas, falando em baleias, há um pequeno museu em homenagem a elas. Antes de chegar lá, ainda passamos no correio da cidade para enviar alguns postais para casa, uma espécie de prova definitiva que passamos nesse lugar tão isolado do mundo. Acho que já fazia alguns anos que eu não enviava postais, prática tão comum entre os viajantes de até pouco tempo atrás. A internet, facebook e Skype mudaram nossos hábitos, mas achamos que, aqui de Port Stanley, no meio do oceano, a ocasião valia a pena!

A prova de que Port Stanley, a capital de Falkland, ainda é inglesa

A prova de que Port Stanley, a capital de Falkland, ainda é inglesa


Visita ao correio de Port Stanley, a capital de Falkland, para enviar alguns postais como prova de que lá estivemos!

Visita ao correio de Port Stanley, a capital de Falkland, para enviar alguns postais como prova de que lá estivemos!


O pequeno museu mostra o esqueleto de algumas espécies de baleias, mas o que mais chama a atenção na exposição é um canhão que lançava arpões. Apenas aquele canhão teria matado mais de 20 mil baleias! Hoje, a máquina de matar serve a melhores propósitos. Ao seu lado, um cartaz pede que se proíba a caça às baleias. Deveria vir com tradução em japonês.

Visita a um pequeno museu de baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland

Visita a um pequeno museu de baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland


Um arpão assassino, exposto em museu de baleias em Port Stanley, a capital de Falkland

Um arpão assassino, exposto em museu de baleias em Port Stanley, a capital de Falkland


Pequeno museu sobre baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland

Pequeno museu sobre baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland


Nesse ponto da nossa visita encontramos o Jeff e passamos a caminhar juntos. O Jeff trabalha com cinema e um dos filmes que ajudou a filmar, o espetacular “Chasing Ice”, é parte do Festival de Cinema que está ocorrendo a bordo do Sea Spirit. É mais um assunto a que preciso dedicar um post, mas como trata de aquecimento global, acho que vou esperar chegarmos à Antártida. Enfim, caminhávamos juntos quando ocorreu o fenômeno mais natural possível para os kelpers, mas que chama bastante a atenção de visitantes como nós!

Junto com o Jeff, protegendo-se da neve repentina em Port Stanley, a capital de Falkland

Junto com o Jeff, protegendo-se da neve repentina em Port Stanley, a capital de Falkland


De repente, uma forte nevasca em Port Stanley, a capital de Falkland

De repente, uma forte nevasca em Port Stanley, a capital de Falkland


O clima da ilha e especialmente aqui em Port Stanley muda rapidamente, várias vezes ao dia. Mesmo para padrões britânicos, que moram naquela ilha conhecida pelo seu clima instável, as Falkland assustam. Do sol à chuva ao frio ao fim do vento à neve ao céu azul, tudo assim, sem vírgulas e em poucos minutos. Assim, caminhávamos tranquilamente num fim de manhã onde o azul do céu parecia que iria vencer as nuvens quando, de repente, estávamos procurando abrigo atrás de um carro contra o vento e a forte neve que caía. Nossa primeira neve nessa viagem. Mesmo o Jeff, que acabou de passar por lugares como Islândia, Groelândia e Alaska (trabalhando naquele filme que citei acima), se impressionou. Quem não pareceu dar muita bola foram uns cavalos que assistiram toda a cena, eles mesmos pouco se importando com a neve que caía. Afinal, já sabiam que algum tempo depois viria o sol. Cavalos kelpers!

Com o Jeff, caminhando em terreno nevado em Port Stanley, a capital de Falkland

Com o Jeff, caminhando em terreno nevado em Port Stanley, a capital de Falkland


Cavalos parecem estar acostumados à subita queda de neve em Port Stanley, a capital de Falkland

Cavalos parecem estar acostumados à subita queda de neve em Port Stanley, a capital de Falkland


Pois é, o tempo melhorou mesmo e pudemos continuar nossa caminhada. Primeiro, de volta à rua litorânea, um dos visuais mais belos da cidade. E depois para o museu histórico, que eu queria muito visitar. Aí passei mais de hora, primeiro lendo tudo o que havia sobre os warrahs, os lobos extintos de Falkland, assunto sobre o qual tenho estranha obsessão. E depois, sobre a guerra de 82 que, como disse, tratarei no próximo post.

O Museu Histórico de Port Stanley, a capital de Falkland

O Museu Histórico de Port Stanley, a capital de Falkland


Representação do extinto Warrah, ou Falkland Wolv, no museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland

Representação do extinto Warrah, ou Falkland Wolv, no museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland


Depois do museu, só nos faltava fazer uma coisa que já vínhamos sonhando faz tempo, antes mesmo de entrarmos nesse navio em Buenos Aires. Queríamos passar algum tempo num legítimo pub inglês aqui em Port Stanley, cidade de coração e alma britânica. Então, de volta ao centro e para dentro do pub. Lá já estavam outros passageiros, todos preferindo o conforto do bar que o ar frio lá de fora. Tratamos logo de pedir uma legítima Guinness para brindarmos nossa passagem por lugar tão distante. Uma verdadeira benção, poder estar no meio do Atlântico Sul e, ao mesmo tempo, tomar uma Guinness. Muito joia mesmo! Agora, mais do que nunca, estamos certos de que vamos conhecer e viajar por todos os países das Américas. Até mesmo pelas isoladas, praticamente perdidas e esquecidas Falkland e Geórgia do Sul. Merece até outra Guinness!!!

Um dos pubs de Port Stanley, a capital de Falkland

Um dos pubs de Port Stanley, a capital de Falkland


Interior de um pub em Port Stanley, a capital de Falkland

Interior de um pub em Port Stanley, a capital de Falkland


Celebrando com uma Guinness em um pub a nossa visita a Port Stanley, a capital de Falkland

Celebrando com uma Guinness em um pub a nossa visita a Port Stanley, a capital de Falkland


E assim, de Guinness em Guinness, já era hora do último micro-ônibus de volta ao porto e ao Sea Spirit. Fomos os últimos a chegar, já no segundo tempo da prorrogação. Mas valeu muita a pena a correria e as cervejas. Que ótimo foi ter estado na instável Port Stanley, um pedacinho da Inglaterra aqui nos mares do sul. Saímos ao convés para um último adeus à cidade e a este arquipélago. Pela primeira vez nessa viagem, pisamos em gelo no convés, uma rápida chuva de granizo. Pois é, não poderia faltar em um típico dia nessa cidade. Depois das despedidas formais, de volta ao calor do nosso navio e ao conforto do nosso bar. Mais uma cerveja para comemorar, agora ao início da nossa viagem à Geórgia do Sul e a mais dois dias em alto mar!

Zarpando de Port Stanley, a capital de Falkland

Zarpando de Port Stanley, a capital de Falkland


Neve no convés do Sea Spirit em Port Stanley, capital de Falkland

Neve no convés do Sea Spirit em Port Stanley, capital de Falkland

Falkland, Port Stanley, cidade

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

Honduras e a Semana Santa

Honduras, Fronteiras, Utila

Meio de transporte em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Meio de transporte em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Durante essa viagem, pudemos comprovar na pele um dos mitos preferidos dos viajantes brasileiros: a história de que somos queridos e bem quistos em todos os lugares. Podemos afirmar, em primeira mão, que isso é verdade! Do Alaska à Argentina, passando pelas ilhas do Caribe ou países da América Central, brasileiros fazem o maior sucesso. Não sei se devemos agradecer ao Pelé, ao Romário ou ao Ronaldo, mas o fato é que todos gostam de nós, dos policiais aos frentistas, dos garçons aos hoteleiros. Estando com Ana ali do lado, então, o sucesso ainda fica maior!

Passando pela fronteira entre Guatemala e Honduras, perto de Puerto Cortés

Passando pela fronteira entre Guatemala e Honduras, perto de Puerto Cortés


Faltava passar pelo último teste: Honduras! Esse é o país com a pior fama na América Central com relação à violência e chateação de autoridades. Tanto que, na vinda, quando ainda subíamos para o Alaska, resolvemos fazer uma passagem relâmpago, de apenas 3 horas cruzando o país. Não tivemos absolutamente nenhum problema, mas saímos aliviados quando cruzamos a fronteira para El Salvador. Agora, mais de um ano depois, chegou a hora de cruzar o país novamente. Só que, dessa vez, nossa ideia não é passar rapidamente, não. Ao contrário! Chegou a hora de conhecer o país de verdade!

Chegando à Puerto Cortés, no norte de Honduras

Chegando à Puerto Cortés, no norte de Honduras


Tanto tempo de estrada nos fez aprender que as histórias e famas que chegam até nós, seja pela imprensa, seja por relatos de conhecidos de conhecidos, quase sempre são exageradas. Apenas as notícias ruins viajam, enquanto as boas, ou as “normais”, simplesmente não são notícias e não ficamos sabendo. Enfim, depois da nossa ótima estadia no “perigoso” México, e mesmo em países como Guatemala e El salvador (que também não tem boa fama de segurança), estávamos loucos para verificar que com Honduras seria igual! Basta não ter o azar de estar no lugar errado, na hora errada. Para isso, coisas simples como não dirigir de noite e nem ficar de bobeira perto da fronteira ajudam bastante.

Praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras

Praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras


Mas, voltando ao primeiro tópico do post, aquele de que somos sempre bem recebidos por sermos brasileiros, minha curiosidade com Honduras vem do fato de que o Brasil, na gestão do nosso querido ex-presidente, cometeu aqui uma de suas maiores patuscadas de sua política externa (que não foram poucas...), possivelmente queimando o nosso filme. Em 2009, seguindo exatamente o que manda a constituição do país, Manuel Zelaya, o então presidente, foi deposto. Ele insistia em organizar um plebiscito para aprovar a possibilidade de reeleição de presidente, algo que era terminantemente proibido pela constituição. Mais: a carta magna do país dizia que quem quer que defendesse essa ideia perderia seu cargo, seja o gari, seja o próprio presidente. Enfim, com o apoio dos poderes legislativo e judiciário, do Ministério Público e de ampla maioria da população, o presidente foi deposto. Mas aí, liderados pelo finado Chavez e pelo Brasil, os países da América Latina acusaram o “golpe” e quiseram, a todo o custo, impor ao país que aceitasse o tal Zelaya de volta. Honduras resistiu, agarrada a sua constituição e, de novo seguindo sua lei, organizou novas eleições. Mas o Brasil insistiu, contrabandeando o Zelaya para dentro de sua embaixada em Tegucigalpa, de onde ele fez de tudo para atrapalhar o processo que aqui ocorria. A situação chegou ao auge do ridículo quando ele cobriu as janelas da embaixada brasileira com papel alumínio para, segundo ele, se defender dos “raios mentais” (???) que um aparelho trazido por uma equipe do serviço secreto israelense estava disparando sobre ele.

varanda do nosso restaurante, com bela vista para praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras

varanda do nosso restaurante, com bela vista para praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras


Enfim, novas eleições foram organizadas, o candidato do partido de Zelaya foi derrotado fragorosamente, a guerra civil antecipada por Chavez e pelo Brasil não ocorreu (já que ele mal tinha partidários, além de barulhentas minorias organizadas) e o presidente eleito assumiu, sendo reconhecido por boa parte do mundo civilizado. Quem não reconheceu foi a Venezuela e... o Brasil! Sem reconhecer o novo governo, nosso país impôs a exigência de visto de viagem para os hondurenhos. Por reciprocidade, brasileiros passaram a necessitar, também, de visto para entrar em Honduras. E nós, já com o pé na estrada, passamos a ter uma nova preocupação na cabeça. Felizmente, o tempo passou e, na surdina, o novo governo brasileiro voltou atrás e as relações se normalizaram, caindo a exigência de visto. Mas, teria ficado alguma cicatriz?

Estudando o mapa do país em restaurante na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras

Estudando o mapa do país em restaurante na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras


O sorriso sincero do guarda que nos recebeu nos mostrou que não! E meia hora dirigindo no país nos mostrou que, também aqui, brasileiros são bem recebidos! Quanto à segurança, difícil imaginar estradas mais seguras como nessa época do ano. Em plena Semana Santa, o feriado mais movimentado do país, centenas de bloqueios policiais e militares são colocados em todas as estradas. A Fiona, como sempre, fazendo o maior sucesso entre eles. A maioria das vezes, só precisávamos abaixar os vidros para continuar. Ou, quando havia alguma conversa, a simpatia era total! A imagem daquela tal “má fama” acabou completamente.

Cruzando pequena cidade no norte de Honduras

Cruzando pequena cidade no norte de Honduras


Falando em Semana Santa, foi ela que acabou definindo nosso roteiro pelo país. Noventa e nove por cento dos turistas estrangeiros que vêm à Honduras querem visitar as Bay Islands e/ou as ruínas de Copán. A grande maioria fica só nisso. Nós também queremos ir a esses dois lugares, mas também acrescentamos no nosso roteiro o lago Yojoa, a capital Tegucigalpa e a cidade histórica de Gracias. Assim, acreditamos, vamos conseguir formar uma ideia bem mais completa do país. Vai faltar uma visita à parte leste de Honduras, uma região de difícil acesso e que iria requerer mais tempo, coisa que anda em falta ultimamente. Então, essa parte vai ficar para a próxima...


Nossos destinos em Honduras: A ilha de Utila (A), as ruínas de Copán (B), a cidade histórica de Gracias (C), o lago Yojoa (D) e a capital Tegucigalpa (E)

Resolvido aonde íamos, faltava decidir a ordem a ser seguida. Geograficamente, faria até mais sentido começarmos pelas ruínas mayas de Copán, mas a questão da Semana santa nos fez decidir pelas Bay Islands, primeiro. Isso porque, no litoral, elas estariam lotadas. Mas se lá chegássemos ainda no início da semana (agora!), ainda teríamos alguma chance de achar hotel. Se ficasse para depois, já nem haveria essa chance. As outras cidades do nosso roteiro, todas no interior, não são tão disputadas assim, na Semana Santa.

Então, rumo à La Ceiba, cidade de onde partem os barcos para Roatán, Utila e Cayo Cocinos, as tais “Bay Islands”. Saímos de Rio Dulce, onde havíamos reencontrado a Fiona ontem de tarde, atravessamos a fronteira sem problemas e seguimos para Puerto Cortés e depois, para a “famosa” San Pedro Sula, considerada a cidade mais violenta do continente! Como nas cidades mexicanas, aqui também quase todas as mortes estão ligadas à guerra de gangues e tráfico de drogas. Raramente a violência atinge os turistas. Mas a fama, tenho de reconhecer, é péssima. De dentro da Fiona, passamos curiosos pela periferia da cidade, um marco na nossa travessia pelo continente. Com a luz do dia, tudo pareceu uma aventura inocente e, com a mesma segurança que entramos, saímos. Inteiros!


Nosso caminho de Rio Dulce, na Guatemala (A) até La Ceiba, em Honduras (D), passando ao lado de Puerto Cortés (C) e dentro de San Pedro Sula (D). De La Ceiba saem os barcos para as “Bay islands”, como a famosa Roatán e Utila, nosso próximo destino

Depois, mais umas poucas horas de estradas, muitos bloqueios policiais e chegamos à La Ceiba. Instalamo-nos em um hotel na praça principal da cidade e fomos buscar informações sobre as Bay Islands. Já faz tempo que tínhamos decidido não seguir para Roatán, a mais turística e cara das ilhas, mas nossa primeira opção as pequenas Cayos Cocinos, aparentemente, estavam lotadas. Só há um hotel por lá, completamente cheio e as casas particulares estavam sendo disputadas a ferro e fogo. Teríamos mais chances mesmo em Utila, com muito mais opções de hospedagem. O negócio era chegar lá e tentar, de porta em porta. Na pior das hipóteses, temos nossa barraca. E na pior da pior das hipóteses, voltamos no barco da tarde. Então, é isso aí, amanhã cedinho, barco para Utila! A Fiona fica nos esperando no porto, do lado de cá. Dando tudo certo, vai ganhar novo descanso...

Honduras, Fronteiras, Utila, história

Veja todas as fotos do dia!

Faz um bem danado receber seus comentários!

Pelas Montanhas e Ares do Rio de Janeiro - 1a parte

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro

Tradicional foto com o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro - RJ

Tradicional foto com o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro - RJ


A previsão dizia que hoje seria o último dia de sol por muito tempo aqui no Rio, mas não foi assim que amanheceu não. Estava acizentado, com cara de cama até tarde. Mas não era o caso. Tinha compromisso às 07:30 na Lagoa, encontro com o Pfeifer, um grande amigo do primo Haroldo que acabou se tornando amigo meu também , principalmente depois de viajarmos os três para Argentina e Chile, há mais de 18 anos. No meio da viagem o Haroldo teve de voltar e continuamos, eu e o Pfeifer, até Punta Arenas, lá no fim da América e do mundo. Depois disso ele se formou, mudou de país, voltou para o Brasil, casou-se e tem dois filhos. Já é carioca há um bom tempo e não nos víamos há uns 15 anos, pelo menos...

Encontro com o Pfeifer na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro - RJ

Encontro com o Pfeifer na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro - RJ


A Ana venceu seu sono também (para ela, o esforço é sempre maior!) e fomos para a Lagoa, eu correndo e ela de bicicleta. Com algum trabalho, finalmente encontramos o Pfeifer. Ela mora no Corte de Cantagalo e a Lagoa é seu quintal. Que chato... Foi jóia revê-lo e ver também a sua esposa e os flhos, esses por fotos.

Correndo na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro - RJ

Correndo na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro - RJ


Feito a social, terminamos a volta na Lagoa. Adoro dar essa volta e faço sempre que posso. Muito bem marcada, a pista, e a vista, nem se fala. Nesse meio tempo, o céu azul apareceu, voltamos para casa, pegamos a Fiona e partimos para ver o Rio das alturas.

O Pão de Açúcar, visto do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ

O Pão de Açúcar, visto do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ


Primeira parada, nada mais nada menos que o Corcovado e o Cristo Redentor. Foi-se o tempo que podíamos seguir de carro até lá em cima. Agora, paramos antes e o último trecho é feito de van. A entrada, um verdadeiro assalto, é 16 reais em dias de semana e quase 25 nos finais de semana e feriados. Imagina o quanto que não estão faturando... Deste modo, infelizmente, a pobre Fiona não pode conhecer o Cristo Redentor. Só por fotos...

Ipanema, Leblon e Gávea vistos do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ

Ipanema, Leblon e Gávea vistos do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ


Lá em cima, vista absolutamente espetacular para todos os lados. Realmente, é a cidade mais bonita do mundo, pelo menos das que eu conheço. A Lagoa, a Floresta da Tijuca, a Pedra da Gávea, os Dois Irmãos, o Pão de Açúcar, a Baía da Guanabara, todos juntos formando uma verdadeira pintura. É de cair o queixo. O meu e das centenas de turistas, brasileiros e gringos, que visitam o monumento todos os dias. Para nós, que temos andado pela cidade nesses últimos dias, é uma delícia vê-la de cima, tentar reconhecer prédios, bairros, morros e praias que temos estado e visitado. Melhor aula de geografia não há.

Fiona atravessando a Floresta da Tijuca pela Estrada das Paineras, no Rio de Janeiro - RJ

Fiona atravessando a Floresta da Tijuca pela Estrada das Paineras, no Rio de Janeiro - RJ


De lá seguimos para a Estrada das Paineras, que corta o Parque Nacional da Floresta da Tijuca, maior parque urbano do mundo. Nos fins de semana, essa estrada é fechada para pedestres, que fazem a festa lá em cima, ar mais puro e fresco que ao nível do mar, várias bicas de água doce para se refrescar e banhar-se. Numa sexta os carros podem passar. Ela é bem vazia e é difícil imaginar que estamos no coração (ou nos pulmões?) da segunda maior metrópole brasileira.

Pedra da Gávea vista do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ

Pedra da Gávea vista do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro - RJ


A Floresta da Tijuca na verdade é um reflorestamento. Toda a área já foi uma gigantesca plantação de café. Mas quando as fontes de água da capital imperial começaram a secar, D. Pedro II teve o discernimento de ordenar o reflorestamento. Isso há mais de 140 anos atrás! Para quem acha que o movimento ecológico é coisa recente... O imperador teve o cuidado de usar botânicos e estudiosos para fazer o reflorestamento. O resultado é essa maravilha que vemos hoje, talvez o maior ativo da cidade do Rio de Janeiro.

Vista Chinesa, no P.N da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro - RJ

Vista Chinesa, no P.N da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro - RJ


Seguimos até a Vista Chinesa e a Mesa do Imperador, dois pontos na floresta que possibilitam vistas maravilhosas da cidade. Da Vista Chinesa e do seu pagode típico da Ásia é possível observar, num mesmo "quadro", o Corcovado e o Pão de Açúcar, com a Baía da Guanabara ao fundo. Que colírio para os olhos!

Corcovado e Pão de Açúcar vistos da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro - RJ

Corcovado e Pão de Açúcar vistos da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro - RJ


Por fim, seguimos para São Conrado, encontrar o instrutor que levaria a Ana para mais alto ainda, para um salto de asa delta. Mas isso fica para depois...

Belo visual da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro - RJ

Belo visual da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro - RJ

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro, Corcovado, Floresta da Tijuca, Lagoa

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

Página 715 de 161
Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet