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Balsa leva veículos através da baía de Guaratuba, no litoral do Paraná
Nós resolvemos passar os últimos dias dos nossos 1000dias na costa paranaense e nas cidades históricas da região. Por isso, ao pegarmos a estrada desde Joinville, em Santa Catarina, não viemos para o Paraná pela rodovia principal, a BR-376, que sobe a serra e segue diretamente para Curitiba. Em seu lugar, optamos pela pequena estrada de Garuva, que permanece na planície litorânea e segue para a cidade de Guaratuba, o maior balneário praiano do Paraná.
Nosso roteiro entre Joinville (SC) e Antonina, passando de balsa pela Baía de Guaratuba, no Paraná
Foto de satélite da Baía de Guaratuba, a segunda maior do Paraná, entre os municípios de Guaratuba e Matinhos. Como ainda não há ponte, o remédio é fazer a travessia de balsa
Depois de tantos dias explorando o maravilhoso litoral catarinense, as cidades praianas do nosso Paraná não são assim, atrativas. Na verdade, boa parte do litoral do estado é ocupado por duas grandes baías. Paranaguá, mais ao norte (a chamada “Baía de Antonina” está dentro da Baía de Paranaguá) e a Baía de Guaratuba, ao sul. As duas baías são lindas, bastante entrecortadas e de natureza exuberante, mas praticamente sem praias. Para quem procura essas extensões de areia, elas se encontram exatamente entre as duas baías, divididas nas cidades de Matinhos e Pontal do Paraná. Na verdade, é tudo praticamente uma praia só, litoral parecido com aquele do Rio Grande do Sul. Essa longa praia é dividida entre os chamados “balneários”, bairros que se desenvolveram em frente à praia.
Chegando a Guaratuba, no litoral do Paraná
Chegando a Guaratuba, no litoral do Paraná
Pescador em praia de Guaratuba, no litoral do Paraná
Vendedor de coco em praia de Guaratuba, no litoral do Paraná
Quem foge á regra é exatamente Guaratuba, localizada ao sul da baía de mesmo nome. Para quem quer chegar aí usando apenas estradas, só se for por Santa Catarina. Exatamente pelo caminho que viemos, a estrada de Garuva. A ligação de Guaratuba com o resto do litoral paranaense (e do estado!) é através de uma balsa que leva os carros sobre as águas da baía. É uma travessia bem agradável e cênica. O problema maior não está na balsa, mas na espera da longa fila que se forma para acessá-la nos meses de verão. Por isso, a construção de uma ponte é uma demanda antiga dos paranaenses, mas nenhum governo foi ainda capaz ou teve vontade política para realizá-la.
Balsa entre Guaratuba e Matinhos, no litoral do Paraná
Balsa entre Guaratuba e Matinhos, no litoral do Paraná
A última balsa da Fiona durante a expedição 1000dias, atravessando a baía de Guaratuba em direção a Matinhos, no litoral do Paraná
Para nós que estamos viajando por aqui fora da temporada, foi tudo muito tranquilo. Passamos rapidamente por Guaratuba e suas praias e fizemos nossos registros fotográficos. Depois, diretamente para a balsa. Uns quinze minutos de espera e já estávamos navegando em direção a Matinhos. A Ana já tinha estado nessa balsa outras vezes, mas para mim foi a primeira vez. Confesso ter ficado impressionado com a beleza da natureza ao redor, as montanhas verdes e inclinadas da Serra do Mar cobertas pela Mata Atlântica delineando o contorno da baía. Pois é, não ficamos impressionados com as praias, mas a beleza natural mais do que compensou!
Um belo pier na baía de Guaratuba, litoral do Paraná
A natureza exuberante da Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná
Atravessando, de balsa, a bela Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná
Do lado de lá, em Matinhos, já pegamos a estrada rapidamente. Nosso objetivo era chegar a dois tesouros históricos dessa região, as cidades de Morretes e Antonina. Depois dessas cidades, em uns poucos dias, aí sim seguiremos para a joia da rainha dessa parte do litoral brasileiro, a Ilha do Mel. Para quem acha que o litoral paranaense não vale a pena, certamente não conhece esse pedaço de paraíso. Localizada bem na boca da Baía de Paranaguá, não deve nada para as praias mais bonitas do litoral catarinense, paulista, carioca ou nordestino. Tudo bem que minha opinião pode ser meio enviesada, afinal foi lá que escolhemos casar e foi também de onde começamos nossos 1000dias. Enfim, volto a falar de lá quando chegarmos (regressarmos) à ilha em poucos dias. Nesse post, quero mesmo é falar das balsas!
Atravessando, de balsa, a bela Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná
Atravessando de balsa a baía de Guaratuba e chegando a Matinhos, no litoral do Paraná
Atravessando de balsa a baía de Guaratuba e chegando a Matinhos, no litoral do Paraná
Pois é, estando tão próximos do final dos 1000dias, tudo é motivo para nos emocionar. Hoje, por exemplo, para cruzar essa bela baía de Guaratuba, pegamos a última balsa dessa nossa jornada pelas Américas. Do Alaska à Patagônia, essas travessias de barco sobre rios, lagos e mares sempre foram momentos marcantes da nossa viagem. Na maioria das vezes, essas balsas eram a única opção que tínhamos para continuar viagem, o único caminho para seguir em frente, a única maneira de se chegar a algum lugar que, sem elas, seriam inatingíveis para quem viaja de e com o carro.
A primeira balsa da Fiona: Cananéia-Ilha Comprida
Atravessando de balsa para Ilha Bela - SP
Fiona apertada entre outros carros no ferry-boat para Salvador - BA
A Fiona aguarda a balsa chegar, em Porto de Pedras - AL
Mas, além de caminho, elas eram um atrativo em si. É um momento para respirarmos, descermos da Fiona e socializarmos com outras pessoas, com outros viajantes. Na maioria das vezes, em meio a um cenário deslumbrante e grandioso, em algum rio amazônico, algum lago chileno ou praia nordestina. Foi assim que passamos pelo Amazonas três vezes, além de outros rios emblemáticos como o Xingu ou o São Francisco. Foi assim que atravessamos fiordes no Alaska e no Chile. Foi assim que navegamos no Titicaca ou no lago Nicarágua.
Atravessando o Velho Chico de balsa, em Penedo - AL
Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa
Balsa entre Suriname e Guiana, cruzando o rio Correntyne
Estou falando aqui das balsas, os barcos em que a Fiona viajava embarcada também, e não das nossas viagens “solitárias” no mar, como quando fomos à Antártida ou viajamos em Galápagos, ou ainda entre diversas das ilhas caribenhas. Nessas oportunidades, a Fiona nos esperava em algum estacionamento do continente, temporariamente abandonada. Não, estou falando de quando ela também estava no barco, fazia parte da nossa aventura.
Embarcando a Fiona para a travessia do rio Essequibo, na Guiana
De manhã, com as "cortinas" abertas, no barco Manaus-Santarém
Balsa sobre o Rio Xingu, na Transamazônica - PA
Quer dizer, na verdade, houve três ocasiões em que ela viajou de barco sem a nossa companhia. Duas vezes quando cruzamos de Américas, do Sul para a Central e no caminho de volta. Nesses casos, a Fiona embarcava não em uma balsa, mas num verdadeiro navio transatlântico, desses que carregam centenas de contêineres Mesmo que quiséssemos, não éramos admitidos nesse barco. Então, o máximo que podíamos fazer era levá-la até o porto e buscá-la do lado de lá. A outra vez foi na nossa primeira travessia do rio Amazonas, indo de Belém para Macapá. Três dias de viagem contornando a Ilha do Marajó em uma balsa sem cobertura, optamos pelo conforto de voar.
Travessia entre Filadelfia - TO e Carolina - MA
Embarcados no ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia
Finalmente, prontos para embarcar em Cartagena, na Colômbia
Fiona abordando o ferry Che Guevara, à caminho da Isla Ometepe, no lago Nicarágua
Mas todas as outras dezenas de vezes, estávamos os três juntos, sim. A mais longa dessas travessias foi quando viemos do Alaska para a Colúmbia Britânica, no Canadá, pela Inside Passage. Visual grandioso, a gente passando frio e se embasbacando lá no convés e a Fiona protegida no porão do navio. Na outra grande travessia, já foi diferente. Estávamos todos no convés do barco amazônico que nos levou de Manaus a Santarém, entre redes amarradas no convés e a brisa fresca que entrava pela proa.
Fiona e companheiros aguardam para embarcar no ferry-boat entre Mazatlán e La Paz, na Baja California - México
Fiona pronta para a viagem pela Inside Passage, entre Juneau e Sitka, no sudeste do Alaska
Embarcando no ferry de Victoria para Vancouver, na British Columbia, no Canadá
A Fiona é o último carro a conseguir entrar no ferry da Isla Mujeres para Cancún, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Outras passagens também foram memoráveis, como aquelas da Carretera Austral, no Chile, cruzar duas vezes o Estreito de Magalhães no extremo sul do continente, navegar no mais alto lago navegável do mundo entre Peru e Bolívia ou enfrentar os lagos formados pelo rio Magdalena, no interior da Colômbia na terra que inspirou Gabriel Garcia Marques. Como esquecer também as pequenas balsas em praias do Nordeste que mal acomodavam a Fiona sobre elas? Era quase preciso se equilibrar sobre a pequena jangada!
A Fiona e seu companheiro de conteiner na viagem para a Colômbia (no porto de Colón, no Panamá)
Embarcando a Fiona para cruzar o rio Amazonas, em Manaus. Do outro lado está a estrada para Porto Velho
De balsa, cruzando o rio que separa Rondônia do Acre, a caminho de Rio Branco
A Fiona entra na pequena balsa para atravessar o lago Titicaca, entre Copacabana e La Paz, na Bolívia
Enfim... são muitas histórias e momentos marcantes para nós. E hoje, passamos pela nossa última balsa. De agora em diante, pelo menos para a Fiona (nós ainda vamos para a Ilha do Mel!), é só terra firme! Mas eu aproveito a oportunidade para publicar, ao longo desse post, uma coleção de fotos com diversas dessas passagens sobre rios, lagos e baías nesses quatro anos de viagem. As legendas das fotos são as originais e relê-las nos faz viajar pela América novamente, nos relembra do quão longe chegamos e do tanto de coisas que vimos e experimentamos.
A Fiona preparada para fazer a travessia de rio entre Bolívia e Brasil, em Guayaramerin, no lado boliviano
Travessia de balsa sobre o rio Paraguai, na estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
A Fiona no ferry que nos leva de Punta Arenas à Terra do Fogo, no sul do Chile
A Fiona se aperta na balsa de Puerto Yungay em direção ao final da Carretera Austral, em Villa O'Higgins, no sul do Chile
As fotos estão em ordem cronológica, exceto pelas primeiras, que são as fotos do dia de hoje, quando cruzamos a Baía de Guaratuba. Então, viaje conosco também pelos confins do continente…
Preparando-se para embarcar em balsa para cruzar a Caleta Gonzalo, no parque Pumalín, trecho da Carretera Austral no sul do Chile
Entrando na balsa entre o Farol de Santa Marta e Laguna, no sul de Santa Catarina
A aniversariante curtindo a vista maravilhosa do alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ
Aniversário da Ana! Resolvemos comemorar em alto estilo. Ou, mesmo sem muito estilo, pelo menos no alto, lá no alto. A segunda maior montanha da Ilha Grande é o Pico do Papagaio, com quase mil metros de altura. Há uma trilha bem sinalizada que sai da estrada que liga Abraão a Dois Rios e que leva ao pico. Foi para lá que eu e a Ana rumamos, logo cedinho.
O Pico do Papagaio, visto do catamaran de Ilha Grande para Angra dos Reis - RJ
Faz tempo que queria ir lá com a Ana. Mas, da outra vez que estivemos na Ilha, ficamos hospedados do outro lado da Ilha, na Praia Vermelha. Muito longe para este passeio. Desta vez, ficamos esperando o bom tempo. E a previsão já dizia que seria hoje. Por increça que parível, ela acertou! A noite estava encoberta e o dia nasceu ensolarado! Viva, foi o presente de S. Pedro!
Energia para a subida do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ
Só tínhamos um pequeno problema: queríamos pegar o catamaran das 12:30, para podermos viajar para o Rio e chegarmos em boa hora. O próximo barco era só às 17:00. Então, saímos cedinho, já desocupando o quarto da pousada. Caminhada morro acima pela estrada até o início da trilha. Até ali já conhecíamos e passou rapidinho.
Início da trilha do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ
Depois, pé na trilha, subindo pirambeiras e descansando nos trechos planos. Apesar de muito nos recomendarem irmos acompanhados de um guia, ele realmente não é necessário. A trilha está muito bem marcada. Mas, pensando bem, tivemos um guia sim. Um guia quadrúpede! Um simpático vira-lata que nos viu comprando água na padaria e dispensando o conselho de levar um guia resolveu nos levar. Eu que no início não dava nada por ele foi me surpreendendo, me surpreendendo e, lá pelas tantas, dei o braço a torcer: realmente, ele iria conosco até lá em cima! Na falta de melhor nome, apelidamos ele de “Dog”. Não só foi até lá em cima como, em vários trechos da mata, ele se embrenhava no mato para fuçar bastante e depois reaparecia, todo lampeiro. Uma graça!
O Dog, nosso companheiro de caminhada, no alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ
Buenas, seguimos a trilha sem sobressaltos exceto um. Um sobressalto beeeeeem sonoro. Começamos a ouvir um barulho de motosserra lá na frente. Motosserra? Ali, em pleno parque? Muito estranho. Fomos nos aproximando e o barulho aumentava. Por trás da motosserra, ouvia algumas vozes. Cada vez mais estranho. Olhei para trás, procurando a Ana e vi que ela carregava um galho grande.”Hmmmm... defesa pessoal”, imaginei. Realmente, não estava gostando da idéia de encontrar madeireiros ilegais ali, só eu e o Dog para proteger a loira linda atrás de mim. Bom, cada vez mais atentos, fomos seguindo. Até que percebemos que o barulho, na verdade, eram de um gripo enorme de macacos. Bugios Gritadores, é o nome. O líder grita muuuito alto. Chega a ser amedrontador. Só não ficamos com medo porque, no dia anterior lá no Centro de Visitantes, conversamos muito sobre ele e seu instinto gritador. Foi uma experiência incrível, no meo daquela mata, ouvir aquela gritaria toda, tão perto de nós.
Com o Dog, no alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ
Após os macacos, seguimos até o cume. Saímos às 07:30 e chegamos à 10:15 lá em cima. Vista impressionante do mar, da baía e da própria Ilha Grande, com suas praias como a Lopes Mendes e a enseada do Abraão. Ficamos uns 15 min lá em cima, só nos três (não esqueçam do Dog!), admirando a vista.
No cume do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ
Depois, tempo de voltar em disparada. Só tínhamos duas horas. Viemos acelerados pela trilha e depois pela estrada. Até que, já perto de Abraão e também do prazo fatal, a gente se separou. Eu fui correndo para a pousada pegar nossa bagagem onde fui recebeido em grande festa pelas atendentes, que não tinham acreditado que conseguiríamos. Consegui até uma chuverada rápida no chuveirão do jardim. A Ana foi comprar as passagens e a gente se encontrou no píer. Cinco minutos depois, zarpava o catamaran. Foi em cima!!!
No alto do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ
Relaxamos no teto durante a volta e, chegando em Angra, descolamos um banho de chuveiro no Hotel Kuxixo, onde tínhamos ficado hospedados. O pessoal foi muito amável conosco. Gente boníssima. O dono do hotel até nos fez prometer que, após ficar admirado e emocionado com nossa viagem, passássemos em Aparecida para agradecer Nossa Senhora, depois dos 1000dias. Promessa feita, será cumprida! Mas ela vai ter de nos proteger!
Descendo a trilha do Pico do Papagaio, na Ilha Grande - RJ
Depois, direto para o Rio, para o alto Leblon, no apartamento do Pedro, Íris e Bebel. Tivemos tempo de ir comprar vinhos, uma torta, a Íris fez uma deliciosa pasta e celebramos juntos, em família, a aniversário da minha lindona.
Aproveitando o dia de sol no teto do catamaran de Ilha Grande para Angra dos Reis - RJ
E agora, temos alguns dias pela frente para explorar essa cidade que adoramos tanto...
Celebrando o aniversário da Ana no apartamento do Pedro e da Íris, no Rio de Janeiro - RJ
Café da manhã à beira da piscina no hotel Passion Fruit em Fajardo - Porto Rico
Passion Fruit. Esse é o nome da nossa simpática pousada em Fajardo. Na verdade, é um Bed & Breakfast, ou seja, ao contrário dos outros hotéis que ficamos em Porto Rico, oferece café da manhã incluso na diária de 100 dólares.
Ficamos aqui por 3 noites, já que Fajardo é uma ótima base para ir ao El Yunque, ilhas de Culebra e Vieques (que não fomos), praia de Luquillo e à baía luminescente. Todos os dias, tivemos um agradável café da manhã servido na beira da piscina. E nas madrugadas, corro perto da área de recepção onde funciona o wi-fi para conexão com a internet.
Enfim, a pousada faz jus ao belo nome que tem, vai deixar saudades e mereceu um post só para ela. Nossa preferida aqui em Porto Rico, só perde para o hotel do John, lá em Harbour Island, nas Bahamas, campeão absoluto até agora.
Praia e quiosques inundados pelo rio Tapajós, em Alter do Chão - PA
A pequena Alter do Chão é quase tão antiga como Santarém. Seu nome é uma homenagem à Alter do Chão portuguesa, pequena cidade em terras lusas. Região de rara beleza, já era destino preferido dos abonados de Santarém nos séculos XVIII e XIX. Na verdade, mesmo antes dos europeus, eram os índios que tinham boa vida por aqui, numa grande baía formada pelas águas limpas e tranquilas do rio Tapajós.
O rio Tapajós, em Alter do Chão - PA
Durante os meses de seca do rio, entre Julho e Dezembro, dezenas de praias de areias claras aparecem ao longo da região, atraindo cada vez mais turistas brasileiros e estrangeiros. Aliás, Alter do Chão, ainda hoje, é mais conhecida lá fora do que no nosso país. Com suas areias brancas e uma água que chega a ficar azul nos dias de sol, é conhecida como o "Caribe Brasileiro", em evidente exagero.
A caminho da praia, nadando, em Alter do Chão - PA
O exagero pode estar no apelido, mas não na beleza! As fotos são verdadeiros cartões postais. Bem na frente da pequena cidade está a Ilha do Amor, um grande banco de areia e vegetação cheio de quiosques que ficam abarrotados no verão. A temperatura do rio é muito agradável e o único perigo são as arraias, que não gostam muito de serem pisadas e reagem com uma forte ferroada. Felizmente, elas preferem terrenos mais pantanosos do que arenosos. De qualquer maneira, é sempre bom aproveitar a transparência da água para tomar cuidado e não pisar em alguma delas.
A caminho da praia, remando, em Alter do Chão - PA
No inverno, o visual muda bastante. Aliás, só um pequeno esclarecimento: aqui na região Norte, verão e inverno tem uma definição diferente da que temos no sul e no resto do mundo. "Verão" é simplesmente a estação seca, que vai de Julho à Dezembro. "Inverno" é a estação das águas, e vai de Janeiro à Junho. Ninguém se importa com a inclinação da Terra e outros conceitos astronômicos, essa "bobagem". Primavera e Outono também são conceitos desconhecidos por aqui...
O rio Tapajós no período de cheia, em Alter do Chão - PA
Bem, voltando ao visual do inverno, as águas sobem e as praias vão quase todas para baixo d´'agua. Junto com elas vão os quiosques e a vegetação da Ilha do Amor. Sobra só um punhadinho de areia aqui e ali, que já são o bastante para a gente se divertir.
Nadando no fim de tarde no rio Tapajós, em Alter do Chão - PA
Nós chegamos na cidade num fim de tarde muito bonito, com sol. Instalamo-nos numa pousada de frente ao rio e à Ilha do Amor. Nossa varanda tem um visual maravilhoso! No verão, então, seria mágico! Aproveitamos o tempo bom para ir à praia, lá na pontinha do lado de lá da Ilha do Amor, ou do que restou dela. Eu fui nadando, atravessando os quiosques submersos. A Ana foi de canoa, levando dinheiro e máquina fotográfica.
Confortavelmente instalada em praia do rio Tapajós, em Alter do Chão - PA
Na pequena praia, tivemos um fim de tarde memorável, visual inesquecível, tudo regado à cerpa gelada. Cerpa da garrafa grande, que a gente só encontra no Pará. Uma delícia! Na pequena praia, conhecemos um simpático casal de mineiros, donos de restaurante conhecido na região da Serra da Canastra e da represa de Rifânia. Estão aqui à negócios e turismo. O papo se estendeu pela noite, ainda dentro das águas mornas do Tapajós, em frente à nossa pousada.
Fim de tarde no rio Tapajós, em Alter do Chão - PA
Enfim, que excelente idéia da Ana de já virmos para cá hoje! Que lugar agradável que é Alter do Chão! Amanhã, o tempo não atrapalhando, vamos passear um pouco pela região...
Voltando da praia de canoa, já de noite, em Alter do Chão - PA
Pneu destruído entre as cidades de Amaicha e Santa Maria, na Argentina
Bem cedo saímos de Belén, pois tínhamos um longo caminho pela frente. Nossa idéia era seguir até Cafayate, de lá para Salta, Jujuy, Purmamarca, já na Quebrada Humahuaca e, finalmente, ir até Susques, a última cidade argentina antes do Paso de Jama, fronteira com o Chile. Muitas e muitas horas de estrada.
Batizando o triângulo da Fiona entre as cidades de Amaicha e Santa Maria, na Argentina
Tudo começou bem. Rapidamente deixamos para trás os únicos 40 km de estrada de terra de todo o trajeto. Passamos por Santa Maria e Cafayate era o próximo "objetivo". Foi quando ouvimos um barulho estranho. Seria o pneu ou apenas ranhuras no asfalto? Foi o tempo de eu indagar a Ana e o barulho multiplicou-se por dez, além do carro puxar forte para a direita. Encostamos, descemos do carro e vimos o tamanho do "desastre": não era um pneu furado, era um pneu destruído.
Tentando de todos os jeitos tirar a trava do estepe, entre as cidades de Amaicha e Santa Maria, na Argentina
Bem, nada está tão ruim que não possa ser piorado. O estepe da Fiona fica embaixo do carro e é protegido por uma trava que compramos. A trava é tão boa que nem nós conseguíamos abri-la. Muita sujeira entrou dentro dela que a chave não mais funcionava. De tanto tentarmos, quebrou. Que beleza!
Na estrada, passava um carro a cada dez minutos. Paramos um deles, que seguia para Santa Maria. Em seguida parou outro, que ía em direção contrária, para a pequena cidade de Amaicha. Era um mecânico que nos garantiu que, na sua oficina, conseguiria tirar aquela trava. O homem que seguia para Santa Maria estava com muita pressa e eu fui com ele até lá, atrás de uma "gomeria" (borracharia). A Ana ficou na estrada, depois de me assegurarem que era seguro ela ficar. Voltei com o borracheiro que levou o pneu arrebentado embora enquanto eu, dessa vez, ficava com a Ana. Mais um tempo se passou e o borracheiro voltou, agora com um pneu bem menor que os da Fiona, pelo menos para podermos rodar um pouco. E assim conseguimos seguir para Amaicha, para a oficina daquele mecânico que tínhamos conversado.
Na oficina em que serramos a trava do estepe da Fiona, para finalmente podermos utilizá-lo! (em Amaicha - Argentina)
Assim, num bairro da periferia dessa pequena cidade da Argentina, com uma serra elétrica, tiramos a maldita trava para sempre. Ai colocamos o estepe, que também é menor que os pneus que usamos no carro, mas muito maior que o pequeno pneu careca que estávamos usando até lá. Desta maneira, depois de uma 3 horas desde o início dos nossos problemas, retomamos a viagem, dessa vez para ir até Salta, onde tínhamos de chegar antes das oito da noite, quando as lojas fecham.
Finalmente, a Fiona está na estrada novamente, chegando em Salta - Argentina
Chegamos 15 minutos antes do prazo numa grande loja de pneus. Ali compramos dois pneus novos, para serem colocados na traseira. O nosso estepe, com 150 km de vida, entrou na transação. O outro, careca, que nos salvou na estrada, foi deixado de presente. E o pneu ainda bom, retirado da traseira esquerda, virou nosso estepe. Assim, agora temos 5 pneus do mesmo tamanho, os dois de trás, novos, de uma marca diferente. Feita a compra e as devidas trocas, seguimos viagem para Jujuy e Purmamarca, onde chegamos perto das onze da noite.
Loja de pneus em Salta - Argentina
Ali achamos um hotel bem gostoso, para que pudéssemos ter uma noite mais tranquila do que o dia que tínhamos tido. Na cama, antes de dormir, ao invés de reclamar do pneu destruído, meu pensamento era mais de agradecimento. Afinal, se a mesma coisa tivesse acontecido um dia antes, aí sim estaríamos encrencados. Afinal, estávamos numa estrada onde não passava absolutamente ninguém, a 4 mil metros de altitude, a quase cem quilômetros de distância de qualquer pessoa, onde as temperaturas baixam a dez graus negativos durante a noite. É, aí sim poderia reclamar...
O pneu novo da Fiona, comprado em Salta - Argentina
Feliz da vida, com o sol, o mar, a vida...
Acordamos cedo hoje, dessa vez para ver outra das atrações turísticas de North caicos: Flamingos! Até onde sei, o único lugar em que vivem naturalmente, fora da África. Para vê-los, só mais cedo, quando o sol ainda não está tão forte e eles vem se refrescar e pescar numa das lagoas daqui. Mas, acabamos descobrindo, para vê-los realmente, só com potentes binóculos. A olho nu, não passam de pequenos pontos rosas no meio do lago. E não dá para chegar mais perto. Por isso é mais fácil ser um fish watcher que um bird watcher.
Flamingos vistos bem de longe, em North Caicos
Feito isso e após um reforçado café da manhã no hotel, na conta do cartão de crédito, rumamos para Middle Caicos, no nosso carrinho japonês e direção inglêsa. Uma pequena ponte e uma longa causeway ligam as duas ilhas. Se North já é despovoada (só umas 5 mil pessoas), imagina a Middle, que é maior e tem 10 vezes menos pessoas. Isso mesmo, moram lá umas 400 pessoas! O número de turistas também é pequeno. Acho que 1% das pessoas que vem a Provo seguem para lá. Com isso, ailha se mantém bem intocada, sua natureza e suas poucas vilas.
Vista de Dragon Cay, em Middle Caicos
Água transparente em Middle Caicos
E, falando em natureza, que natureza!!! Que água de mar! Que praias! Uma delas, onde está a Dragon Cay, me lembrou muito Fernando de Noronha. Só que com a água ainda mais bonita, se é que isso é possível. E é, acreditem! Well, como já dizia o Friedman, there's no free lunch e zilhões de pernilongos nos azucrinaram em boa parte do tempo. Não fosse a insistência da Ana em comprar um Off logo de manhã e estaríamos fritos! Armados do Off, até que nos viramos bem. Nas praias, com o vento, até que eles ficavam mais longes, mas um pouco mais para dentro, só com Off mesmo.
Caminhada entre várias praias, em Middle Caicos
Começamos com uma caminhada pelas colinas e falésias ao lado das praias. Vistas sublimes! Ótima temperatura. Até mesmo um outro lago com flamingos. E pernilongos enchendo o saco. Depois, um bom tempo se refrescando em Dragon Cay, talvez o ponto mais bonito do país (acima d'água!). Depois, uma passada rápida na Indian Cave, local de achados arqueológicos dos Tainos, a pobre tribo pacífica completamente extinta pelos espanhóis em apenas uma geração, através da escravidão e doenças. A Ana nem consegiu descer, por causa dos pernilongos. Eu os enfrentei, matei algumas dezenas (número completamente irrelevante perto do exército que me atacava) e tirei fotos do belo e fedegoso lugar. Fiquei imaginando como os Tainos lidavam com os pernilongos. Teriam algum Off natural? Ou, na verdade, teriam eles se transformados nesses mortíferos pernilongos, atacando inclementemente todos os forasteiros? Eram as minhas dúvidas enquanto fotografava o local, bêbado de Off (aqui, ele tem um cheiro bom!).
Pequeno istmo de areia que serve de ponte até Dragon Cay
Pequeno istmo de areia que serve de ponte até Dragon Cay
Indian Cave, em Middle Caicos. Milhões de mosquitos!!!
Seguimos então para Banbarra Beach, uma praia com um quilômetro de largura e que se mantém rasa, entre o joelho e a cintura, mar adentro, por mais de 500 metros, até se encontrar com uma ilha. Não aceitamos o desafio de caminhar até a ilha e ficamos ali, de barriga para cima, aproveitando a brisa e a água mais quentinha.
Nosso carro alugado nas Caicos
Na volta, ainda em Middle Caicos, paramos no Daniel's, um café que pertence a um casal que é uma lenda na ilha. Ela, canadense e ele, local. Organizam a comunidade em cooperativa para produzir artesanato tradicional (que de outra forma, se extinguiria), só produzem alimentos orgânicos e são ótimas pessoas. Conversamos longamente, regados a Presidente, uma popular cerveja dominicana por aqui. Falamos dos projetos deles na ilha e dos nossos, dos 1000 dias. Adoraram! Ela, nos anos 70 e 80, viajou muito pelo mundo, mochila nas costas. Foi ótimo ter estado com eles (foto jóia no blog da Ana)! Tão legal quanto conhecer essas paisagens lindas que temos conhecido, é poder conversar e interagir com esses personagens interessantíssimos que temos conhecido!
Barco que faz a ligação entre Provo e North Caico
Depois, aceleramos na volta, para não perder nosso barco, o último do dia. Nos despedimos do Cliff e da Suzan, sua esposa e das funcionárias dominicanas, Maqui e Jaqueline, todos tão simpáticos e interessados nos 100dias. Depois, de volta ao rápido barco e a um táxi de haitianos e já estávamos no nosso hotel em Provo. Aqui chegando, fomos recebidos e batemos um longo papo com uma das funcionárias, também do Haiti. Ela adorou quando lhe disse que íamos ao seu país. Foi muito simpática conosco e até nos deu seu e-mail e contato por lá para, eventualmente, nos comunicarmos.
De noite, já readaptados à Disneylândia, fomos aproveitar o que ela nos oferece de bom: um belo jantar com música ao vivo da melhor qualidade: jazz. Conforto, classe, estilo. Que diferença da noite anterior. Cada uma com seus encantos, mas tão distintas entre si, ambas num mesmo país, menor que muitos municípios brasileiros. São as ambiguidades de um páís que tem a sua disneylandia, mas que também tem a sua alma. É o que o faz ficar mais interessante. E olha que só estou falando da parte em cima d'água porque se falar da parte embaixo d'água, aí vira uma covardia! By the way, amanhã é dia de mergulho!!!
Toda a família sai de bicicleta pela orla do lago Michigan, em Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
Pouco menos de duas horas separam as cidades de Chicago e Milwaukee, ambas na orla do Lago Michigan. Foi a viagem que fizemos hoje pela manhã, rumo à casa da prima da Ana, a Silvia, e seu marido, o Marcelo. O casal já mora nos Estados Unidos há quase 14 anos, primeiro em Miami, depois em Salt Lake e há 7 anos, em Milwaukee. Aqui tiveram dois filhos, a Larissa e o André. Vieram para um período menor, 3 anos, mas foram esticando, esticando, boas oportunidades profissionais aparecendo e hoje já nem tem mais planos de voltar. Quer dizer, voltam sempre, de férias. Mas esse ano não puderam ir e foram os pais da Silvia que vieram para cá, de visita, o Tio Célio e a Tia Clari. Feliz coincidência, justo quando estávamos passando por aqui também.
A Silvia e família nos recebe em casa, em Brookfield, periferia de Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
A gente se encontrou em Chicago, anteontem, e marcamos um reencontro para hoje, na casa deles em Brookfield, cidadezinha na periferia de Milwaukee. Oportunidade de conhecer um novo estado, Wisconsin, e assim ir preenchendo nossa lista. Para mim, mais do que isso. Desde os 10 anos de idade que conheço o estado pelo nome. Isso porque era fã dos livros da Laura Ingalls, escritora americana que, com seus livros autobiográficos do final do século XIX, tão bem retratou o estilo de vida dos pioneiros. O primeiro livro da série, “Uma Casa na Floresta”, se passava nas florestas de Wisconsin e, desde então, eu queria conhecer esse lugar. Não vamos poder ir na cidade onde estava a tal casa e a tal floresta mas, só de botar o pé em Wisconsin, já sinto que estou fazendo minha homenagem!
O belo Museu de Artes de Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
Exposição de posters do Toulouse-Lautrec, no Museu de Artes de Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
O GPS nos levou direitinho até a casa deles e aí fomos muito bem recepcionados. Depois de um almoço bem brasileiro, a Silvia nos levou para passear na cidade. A primeira parada foi no Museu de Artes de Milwaukee. Impressionante a categoria do prédio e das exposições! Arquitetura arrojada, enormes espaços e até uma mostra de pôsteres de Paris do Toulouse-Lautrec. Foi de tirar o chapéu! Para mim, o mais incrível é pensar num museu dessa classe numa cidade que nem é tão grande ou famosa assim. Quero dizer, esperaria encontrar algo desse nível e, Nova York, Chicago ou Washington, mas o fato de estar em Milwaukee mostra como o país é desenvolvido como um todo. Muito legal!
Toda a família sai de bicicleta pela orla do lago Michigan, em Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
O segundo programa foi igualmente interessante, mas bem diferente. A silvia alugou uma bicicleta em que cabia toda a família, os cinco adultos e as duas crianças. Estávamos eu e a Ana, a Silvia e os filhos e o Tio Célio e a Tia Clari. O Marcelo, a esta hora, estava dando duro no hospital (ele é médico). Muito legal a vitalidade dos tios, fazendo tanta força no pedal como nós. Passeamos por um parque na orla do lago, aproveitando o dia lindo que fazia. A tal bicicleta é confortável, mas não muito eficiente. Temos de fazer muito mais força que numa bicicleta comum, mas a farra conjunta fez valer o passeio.
Passeando em família po Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
O belo lago Michigan, em Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
Depois disso, a Silvia ainda nos mostrou algumas vizinhanças da cidade, algumas com mansões gigantescas viradas para o lago. Finalmente, uma parada em outro parque, também de frente ao Lago Michigan e até com umas praias lá embaixo. Pelo menos nessa época do ano, lugar agradabilíssimo. Já no inverno... Parece que nos dias mais frios, a temperatura pode ficar abaixo do 30 graus negativos. Aí, ninguém merece.
Feliz da vida, com cerveja e comendo pão de queijo! (na casa da Silvia e Marcelo, em Brookfield, subúrbio de Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos)
Voltamos para casa e, ainda antes do jantar, a Silvia preparou uma bela surpresa para o mineiro que aqui escreve: uma cesta cheinha de pão de queijo! Hmmm, que delícia! Fazia muito tempo que eu não comia um e o desejo estava cada vez maior. Já fazia algum tempo que eu, meio sem esperanças, procurava esse quitute pelas padarias do caminho. A Silvia leu meu pensamento e eu me esbaldei!
Conhecendo o Marcelo, marido da Silvia, em sua casa em Brookfield, periferia de Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
Bem nessa hora chegava o Marcelo. Pois é, não há nada que esteja tão bom que não possa ser melhorado! O Marcelo preparou um churrasco da melhor qualidade, com picanha legítima e linguiça dessas que só achamos no Brasil. Eles tem um fornecedor lá de Miami e o cara está aprovado! Assim como as habilidades de churrasqueiro do Marcelo!
Marcelo prepara delicioso churrasco em Brookfield, subúrbio de Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
A Lari e o Andre em visita ao Museu de Artes de Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
Enfim, tivemos um dia ótimo, para o estômago e para a alma. O André e a Lari são duas figuraças, o Marcelo é muito boa-praça, o Tio Célio e a Tia Clari, dois amores e a Silvia, uma ótima companhia. Ao longo do dia, me deu uma verdadeira aula sobre o sistema educacional americano e sobre como funcionam as escolas públicas por aqui, o envolvimento dos pais e da comunidade. Ela está vivendo bem isso, já que os filhos estão na idade escolar, um entrando na escola agora e a outra, indo para a 5ª série. Para mim, que adoro saber de tudo um pouco, foi uma aula e tanto!
Reencontro com a Tia Clari em Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
Já bem de noite, voltamos para Chicago, apesar dos convites para dormirmos em Milwaukee mesmo. Mas já estávamos com o hotel pago e queríamos já acordar na cidade, para aproveitar melhor o dia de explorações amanhã. E assim foi, viagem de volta ainda mais tranquila que a de ida e nós de baterias recarregadas para tudo o que nos espera no futuro, o que não é pouca coisa...
Jantar em família em Brookfield, perto de Milwaukee, em Wisconsin, nos Estados Unidos
Visitando a Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
Saímos correndo do Parque Nacional do Iguaçu para chegar à tempo em Itaipu, onde tínhamos reservas para a visita especial à usina, visitando sua parte externa e também o interior de parte de suas instalações. Depois das cataratas essa é, sem dúvida, a maior atração turística de Foz do Iguaçu. E não é para menos, pois estamos falando da maior usina hidroelétrica do mundo em geração de energia, um verdadeiro símbolo da engenhosidade humana na sua luta em controlar as forças da natureza em benefício próprio.
Painel informativo sobre as maiores usinas do mundo, na Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
A usina foi projetada e construída nas décadas de 70 e 80, portanto há mais de 30 anos. Desde então, ela vem fornecendo uma enorme parte da energia que o Brasil precisa para funcionar e crescer. Mas, se sua construção fosse hoje, tenho sérias dúvidas se ela seria mesmo construída, pelo menos com o porte que tem. Naquela época, os ambientalistas não tinham a força que tem hoje e a balança sempre pendia mais para o desenvolvimentismo do que para o preservacionismo. Hoje parece ser o contrário e projetos como o de Belo Monte, no rio Xingu, que já foi bastante diminuído desde sua concepção original, ainda enfrentam enormes dificuldades para sair do papel.
A represa vista do alto da barragem da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
É uma discussão com muitos bons argumentos dos dois lados, sem que haja um lado "certo". O fato é que, apesar da energia hidroelétrica ser a mais limpa de todas, a construção de uma grande usina e de sua represa tem grandes consequências ambientais. Um antigo ecossistema é destruído, mas será substutído por outro, que pode ser igualmente sadio. Ao mesmo tempo, o país cresce, a população cresce, e mais energia é necessária. Se vier da queima de carvão, os efeitos serão ainda mais danosos. Qual caminho seguir?
Torres levam a energia produzida pela Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
Enfim, a discussão é boa mas Itaipu está aí, um verdadeiro colosso que domou as águas do rio Paraná e produz, sozinha, 95% da energia que o Paraguai consome e 16% da energia que o Brasil necessita. Tudo ali é enorme, mega, gigantesco. Por cada uma de suas turbinas passa metade da água de todas as cataratas do rio Iguaçu, em sua vazão média. E são vinte dessas turbinas! A quantidade de concreto usado em sua construção também impressiona: um sem número de Maracanãs jogados ali, alturas equivalentes à Torre Eiffel, material equivalente a uma estrada de muitas pistas entre Moscou e Lisboa, são várias as formas de tentar mostrar como tudo é gigantesco.
Entrando nas instalações da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
E realmente é. Quando conseguimos chegar perto das estruturas, damos conta de como somos minúsculos, parecemos perdidos naquele mundo de uma antiga série americana, Terra de Gigantes. Para quem faz a visita especial, como nós fizemos, o interior da usina também é mostrado, as gigantescas galerias e corredores por onde passaram milhares de trabalhadores e máquinas gigantescas As menores peças do maquinário de cada turbina pesam dezenas de toneladas, como o eixo que nos mostraram rodando, gerando energia ali, nos nossos olhos, capaz de iluminar uma cidade com 2 milhões de habitantes. Impressionante!
Passando por cima das gigantescas turbinas da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
Enfim, é uma visita que vale muito à pena, não só pela grandiosidade a que ficamos expostos, mas também pela discussão que levanta, fazendo-nos pensar sobre os prós e contras das grandes obras que estão umbilicalmente ligadas ao desenvolvimento da humanidade.
Grande explosão para a construção da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, fronteira de Brasil e Paraguai
Mapa de Sint Eustatius
Pequena em tamanho (aproximadamente a mesma área de Fernando de Noronha), mas com uma importante participação na história! Esta é Sint Eustatius, mais uma ilha vulcânica com poucas praias e de colonização majoritariamente holandesa. Digo isso porque, ao longo dos séc XVII e XVIII, a posse da ilha trocou de mãos mais de 20 vezes, deixando de ser espanhola para passar por franceses, ingleses e holandeses alternadamente. Mas os longos períodos eram mesmo holandeses e, até hoje, a ilha continua ligada à sua antiga metrópole, sob a condição de "municipalidade especial".
Descansando, duranre passeio na tranquila Oranjestad, única cidade de Sint Eustatius - Caribe
A paisagem da ilha é dominada por um grande vulcão dormente, o The Quill, com aquela forma cônica clássica. Fica na parte sul e tem cerca de 600 metros de altura. É possível subir até o alto e descer até a cratera, algo que devemos fazer. O norte da ilha é todo montanhoso, mas com altitudes de até 300 metros, formando belas paisagens escarpadas. Finalmente, a parte central é uma planície onde está a única cidade da ilha, Oranjestad, com seu aeroporto, hoteis, restaurantes, área rural e seus 3 mil habitantes. Assim, ao contrário de Saba, onde não há planícies e a vida acontece no alto das montanhas, aqui tudo acontece abaixo delas. Fica infinitamente mais fácil andar de um lugar para o outro.
Igreja católica (pintada apropriadamente)em Oranjestad, Sint Eustatius - Caribe
Voltando à história, no séc XVIII existia um intenso comércio entre Europa (produtos manufaturados), Caribe (matéria-prima) e África (escravos), disputado entre as várias potências da época, as principais sendo Espanha, França, Inglaterra e Holanda. Os três primeiros, típica mentalidade de governos centralizados e que muito lembra os de hoje, queriam taxar tudo. Esse rico comércio, então, era taxado ao extremo. Não é à tôa que essa sanha por impostos tenha deflagrado a guerra de independência americana. Já a Holanda, com seu governo de comerciantes, muito mais "neoliberal", resolveu transformar sua pequena ilha numa área livre de impostos, "dutyfree", o primeiro paraíso fiscal do Caribe.
Vista do alto do Fort Oranje, em Sint Eustatius - Caribe
O resultado é que uma parte significativa do comércio entre os dois continentes passou a ser feito via Sint Eustatius, ou carinhosamente "Statia", para a fúria dos outros governos europeus, mas a alegria dos seus respectivos comerciantes. Oranjestad era um porto movimentadíssimo e a população local e flutuante chegava às 40 mil pessoas (dez vezes mais do que hoje!)! Obviamente, num regime onde o comércio reinava e um dos poucos onde se havia tolerância religiosa, quem controlava boa parte do comécio era uma punjante comunidade judia. As ruínas da segunda mais antiga sinagoga das américas está em Oranjestad.
Homenagem ao grande feito histórico de Sint Eustatius - Caribe (o que lhe custou muito caro!)
Foi esse ambiente que propiciou à Statia ter um papel decisivo na guerra de independência americana. Era aqui que os americanos vinham comprar suas armas e munições, vindas da Europa, e vender suas mercadorias, e com isso escapar do bloqueio da marinha real britânica. Fato reconhecido pelos dois lados da guerra, se não fosse pela existência de Statia, o resultado teria sido outro. Mas isso não é tudo. Ainda em 1776, poucos meses após a declaração de independência, um navio americano navegando ao largo da ilha disparou seus canhões de forma simbólica e foi retribuído pelos canhões do Fort Oranje, o guardião da ilha. Na linguagem naval, isso significava o reconhecimento por Statia do país independente, fazendo da pequena ilha o primeiro representante de um país estrangeiro (Holanda) a reconhecer a independência americana. Esse gesto trouxe a gratidão eterna dos EUA e o ódio da Inglaterra, o que custaria caro à Statia e à Holanda.
Antiga igreja holandesa que perdeu seu teto num furacão em 1792 e assim permaneceu! (em Oranjestad, Sint Eustatius - Caribe)
Assim, em 1781, logo após declarar guerra à Holanda, a inglattera mandou uma poderosa esquadra à ilha e tomou-a sem derramamento de sangue, já que o governador holandes percebeu que seria inútil resistir. Todas as riquezas e mercadorias da ilha foram confiscadas. Todos os comerciantes, incluindo aí 100% da população adulta masculina judia da ilha foram informados que seriam deportados em 24 horas. E assim foi. Em três ou quatros dias, toda a riqueza e boa parte da população da ilha simplesmente deixou de existir. Não muito tempo depois, os franceses, aliados dos holandeses, num ataque surpresa, retomaram a ilha e, alguns anos depois, devolveram-na aos holandeses. Mas a glória passada nunca mais foi recuperada.
Oranje Beach, uma das duas praias de Sint Eustatius - Caribe
Hoje, eu ainda convalescente, sem febre mas ainda cansado, e a Ana passamos boa parte do dia caminhando por Oranjestad, admirando antigos prédios, o forte, ruínas de igreja e de sinagoga, a orla da parte baixa da cidade, onde há uma "ridícula" praia quando comparada com suas congêneres nas ilhas próximas. A cidade é super pacata e simpática, assim como seus habitantes. Quase não se vê outros turistas, exceto perto dos centros de mergulho, uma das principais razões para se visitar Statia hoje em dia. Além disso, passamos um tempo caminhando entre as poucas lojas de materiais elétrico, à procura de um adaptador para conseguir ligar nossos computadores na tomada. O nosso foi esquecido em Saba, na correria e confusão da partida, a Ana tendo de tomar conta de tudo. Quando já tínhamos desistido, o que significaria três ou quatro dias sem trabalho no computador (e sem posts online!), acabamos encontrando. Ufa.....
Ruínas da segunda mais antiga sinagoga do hemisfério ocidental (em Oranjestad, Sint Eustatius - Caribe)
Para mim, foi um bom teste, uma primeira caminhada. Se anteontem, ir até o banheiro tomar banho já era uma vitória e ontem minha maratona foi andar 400 metros com minha mochila, hoje o teste foi caminhar tranquilamente, por algumas horas, pelas ruas pacatas de Oranjestad. É claro que quem carregava o peso era a Ana! Cansei, mas passei no teste!
De resto, a febre realmente se foi. Apareceram umas pontadas no ouvido. O corpo meio duro depois de tanto tempo de cama. E o estômago reclama de tanta medicação. Conserto aqui, estrago ali. É a idade... Tem de levar na esportiva.
Para amanhã, mergulho para a Ana, caminhada para mim. Novo teste. Caminhada light, não se preocupem...
Almoçando na orla do mar do Caribe, em Oranjestad, capital e única cidade de Sint Eustatius
Hotel Glória em Caxambu - MG
Houve um tempo, na primeira metade do século passado, em que era um programa muito comum nas classes mais abastadas se passar parte do ano em alguma das estâncias hidrominerais do sul de Minas. Era a "estação de águas". Cariocas e paulistas fugiam do calor em suas cidades natais e passavam temporadas em cidades como Poços de Caldas, Caxambu, Araxá, São Lourenço entre outras. Em várias delas foram construídos grandes hoteis que prosperaram por décadas, atendendo essa fiel clientela. Enquanto se curavam nas águas milagrosas de dia, se divertiam nos cassinos durante a noite. Foi uma época de ouro para essas cidades. De presidentes a artistas, o glamour cercava essas cidades durante a "temporada".
Aqui em Caxambu o hotel que atendia essa chique clientela era o Glória. O seu mais famoso cliente assíduo: Getúlio Vargas. Mas a proibição dos cassinos no Brasil e o avanço da medicina dos remédios tirou da moda as águas medicinais e todas essas cidades. Os hotéis decaíram, alguns chegaram a fechar.
Esse quase foi o destino do Glória. Ele veio se aguentando nas últimas décadas, com um ar meio decadente meio charmoso. Esteve a ponto de fechar as portas ano passado, afundado em dívidas e questões societárias. Mas um novo dono trouxe esperanças. O hotel está em processo de revitalização para alegria dos funcionários e da cidade.
E também de antigos hóspedes! Estive aqui acompanhado dos pais e do querido e saudoso irmão em 1983. Jamais me esqueci da mais limpa piscina em que havia nadado nem da saborosa água mineral servida nas refeições, mais gostosa que sucos de frutas.
Tanto tempo depois, cá estou com minha esposa querida para prestigiar esse patrimônio das Minas Gerais. Pena que por tão pouco tempo. Em plena segunda-feira, como dois dos poucos hóspedes presentes, somos tratados como reis!
Interior do Hotel Glória em Caxambu - MG
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