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Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro

Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro - RJ

Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro - RJ


Hoje cedo fomos ao supermercado. Ir em mercados, feiras e mesmo supermercados é sempre uma ótima maneira de se conhecer uma cidade, seus habitantes, hábitos, sua alma. Eu já conhecia esse supermercado de outras vezes, mas fico sempre impressionado com a qualidade dos seus produtos e de como está sempre cheio. Junto com a qualidade vem o preço, claro. Ainda mais naquele lugar, coração do Leblon. Estou falando do Hortifruti. É um dos motivos que me faz ter vontade de, um dia, morar aqui. Além dos produtos, é sempre divertido observar as pessoas locais comprando. Isso nos traz mais perto do seu dia a dia, do seu cotidiano. Consequentemente, da cultura local.

Cinelândia, no Rio de Janeiro - RJ

Cinelândia, no Rio de Janeiro - RJ


Outra coisa interessante de ir ao supermercado aqui, assim como passear com a Mel, é ter um pouco aquel sentimento de lar, de casa. Nessa viagem tão longa, faz uma falta danada. Não é possível ter essa sensação nos hoteis e pousadas que vamos ficando pelo caminho. Aqui no Rio vai ser a última chance de termos esse gostinho por um bom tempo.

Mosteiro de Santo Antônio, no centro do Rio de Janeiro - RJ

Mosteiro de Santo Antônio, no centro do Rio de Janeiro - RJ


Depois do supermercado, fomos ao principal programa do dia: um passeio no centro da cidade. Começamos com uma longa caminhada atravessando o Leblon e boa parte de Ipanema até a estação de metrô. Já estava na hora dessa linha de metrô ter avançado mais. Acho que para a Copa e Olimpíada, deve estar pronto. Enquanto isso não acontece, ela continua bem tranquila, nada lembrando o corre-corre do metrô de São Paulo. Nove estações depois estávamos no centro do Rio, em plena Cinelândia.

Azulejos portugueses do Mosteiro de Santo Antonio, no Rio de Janeiro - RJ

Azulejos portugueses do Mosteiro de Santo Antonio, no Rio de Janeiro - RJ


Aí, começou nosso tour com os pés. Teatro Municipal, Biblioteca Municipal, Museu de Belas Artes e uma curta caminhada até o Mosteiro de Santo Antônio, uma das mais antigas edificações da cidade, com seus famosos azulejos portugueses. Lá do alto, vista das proximidades e do horroroso prédio da Petrobrás. Ao lado, dentro do complexo, a bela, trabalhada e dourada igreja de São Francisco.

O belo interior da Igreja de São Francisco, no Rio de Janeiro - RJ

O belo interior da Igreja de São Francisco, no Rio de Janeiro - RJ


A fome apertava e a caminhada seguiu para a Confeitaria Colombo. Um gostoso kirche e uma saudável salada, complementado com uma deliciosa e exagerada goiabada com sorvete, provolone a outras delícias. Um pecado. Também exagerada e "saborosa" é a arquitetura do local, mais que centenária. A mais tradicional confeitaria da cidade e do país me fez sentir estar em plena Buenos Aires. Ou então, em outro século. Fazia muito tempo que queria conhecer a famosa Confeitaria Colombo e hoje foi o dia!

Interior da Confeitaria Colombo, no centro Rio de Janeiro - RJ

Interior da Confeitaria Colombo, no centro Rio de Janeiro - RJ


Saciados, seguimos para um local de nome pomposo: "Real Gabinete Portugues de Leitura". Com esse nome, só poderia ficar na rua Luis de Camões! Um bonito e clássico prédio por fora, mas o mais interessante é por dentro! Uma enorme biiblioteca de três andares, com estantes bem altas, apinhadas de livros antigos. Daquelas que só vemos em filmes. Muito legal!Tinha também uma exposição sobre a primeira travessia aérea de Lisboa ao Rio, feita em 1922 para celebrar os 100 anos da independência. Feita por pilotos luzitanos! E um deles tinha por sobrenome Cabral! O antepassado longíncuo deve ter ficado com orgulho!

Rua da Alfândega, no Rio de Janeiro - RJ

Rua da Alfândega, no Rio de Janeiro - RJ


Em seguida, um programa mais popular. Fomos ao Saara, tradicional centro de compras populares, principalmente na rua Alfândega. Depois do "banho de povo", seguimos para a Catedral, que disputa com a Petrobrás o prêmio de prédio mais feio. Por fora, porque por dentro é muito interessante, vasto e cavernoso. De lá para a Lapa, que eu só conhecia de noite. Fachadas coloridas, bares tradicionais e ruas de paralelepípedo tornam esse trecho bem interessante. Ao final da Lapa, os famosos Arcos, que traziam água do morro da Carioca para abastecer a cidade, no séc XIX. Estão em pleno processo de reforma e pintura. Bem brancos. Para mim, perderam boa parte do charme. Vai ficar bonito de novo daqui a uns quarenta anos...

Fachadas coloridas da Lapa, no Rio de Janeiro - RJ

Fachadas coloridas da Lapa, no Rio de Janeiro - RJ


Metrô de volta para Ipanema, choppes no bar da Devassa, caminhada pela praia e lar, doce lar. Um belo dia sem praias, cachoeiras e montanhas, curtindo outra face das tantas que o Rio tem a oferecer: o mundo urbano.

Dois dos mais estranhos prédios do Rio, a catedral e a sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro - RJ

Dois dos mais estranhos prédios do Rio, a catedral e a sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro - RJ


Amanhã, será dia de montanhas... Aqui no Rio mesmo.

Arcos da Lapa em reforma, no Rio de Janeiro - RJ

Arcos da Lapa em reforma, no Rio de Janeiro - RJ

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro, Cinelândia, Ipanema, Leblon, Saara

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Viajando para as Bermudas

Estados Unidos, New Jersey, Princeton Junction, Bermuda, Hamilton

Chegando á Bermuda, em pleno Oceano Atlântico

Chegando á Bermuda, em pleno Oceano Atlântico


Quase todo mundo já ouviu falar das Bermudas, principalmente por causa do famoso “Triângulo”, mas poucos saberiam apontá-la no mapa. Eu, por exemplo, não sabia, pelo menos até iniciarmos nossa jornada pela América. E olha que fui um leitor inveterado dos livros sobre o misterioso e fatal Triângulo, quando estava entrando na adolescência.

Mapa mostrando o famoso 'Triângulo das Bermudas', onde navios e aviões somem sem deixar pistas, segundo a lenda...

Mapa mostrando o famoso "Triângulo das Bermudas", onde navios e aviões somem sem deixar pistas, segundo a lenda...


Bermuda (ou “Bermudas”, no plural, em português) deve seu nome ao seu descobridor, o espanhol Juan de Bermudez, que aportou na ilha em 1505. Os espanhóis não deram muita bola para a ilha e foram os ingleses, um século mais tarde, que a ocuparam e colonizaram. Desde então a ilha manteve-se unida à Grã-Bretanha e à Rainha e hoje continua sendo território britânico, embora goze de grande autonomia. Ao longo do tempo, os ingleses aprenderam a lidar com o calor, reduzindo o tamanho de suas calças, para que ficassem mais ventiladas, Nascia aí o short conhecido como “Bermuda”, vestimenta preferida de dez entre dez surfistas.

Mapa de Bermuda, uma ilha no meio do Atlântico, em forma de camarão

Mapa de Bermuda, uma ilha no meio do Atlântico, em forma de camarão


Ao contrário do que muita gente pensa, Bermuda não faz parte do Caribe, estando muito mais ao norte, na altura do estado americano da Carolina do Norte, do qual dista cerca de 1.000 km. É a terra firme mais próxima da ilha. Geograficamente, então, pertence à América do Norte. E se está na América do Norte (ou mesmo se estivesse no Caribe...), está no nosso roteiro.

Em meio à névoa e ao Oceano Atlântico, aparecem as misteriosas Bermudas!

Em meio à névoa e ao Oceano Atlântico, aparecem as misteriosas Bermudas!


Não é caro voar para lá, saindo de Nova York. O problema maior é arrumar algum lugar para ficar, principalmente nessa época do ano, considerada a alta estação. Nós compramos nossas passagens há poucos dias, saindo hoje e voltando dia 28. Mas não conseguimos vaga em nenhum dos hotéis que tentamos, via internet. Então, a solução era conseguir por lá mesmo.

Navio-cruzeiro ancorado em Hamilton, capital de Bermuda

Navio-cruzeiro ancorado em Hamilton, capital de Bermuda


A Anita nos deixou na estação de trem de Princeton Junction pela manhã, antes de levar as crianças para o summer camp. Mais uma vez, dissemos apenas um “Até logo!”, ao invés do “Adeus!”. Muito mais fácil assim! Foram 50 minutos até Newark, onde quase perdemos a estação. Teria sido um vexame, passar reto por lá e só descobrir depois, mais para frente. O trem para só por uns 30 segundos e nós saímos esbaforidos pela porta, carregando nossas mochilas, com 35 segundos, apenas porque o cobrador percebeu nossa corrida e segurou as portas. Uffff, foi por pouco!

Uma das tranquilas ruas centrais de Hamilton, capital de Bermuda

Uma das tranquilas ruas centrais de Hamilton, capital de Bermuda


Enfim, o trecho de aero-trem foi muito mais tranquilo e logo já estávamos fazendo check-in e esperando o nosso voo. Ainda estava difícil acreditar que realmente viajaríamos para as enigmáticas Bermudas. Na minha fase crédula, aos 12 anos, não conseguia entender como alguém poderia viver em Bermuda. Afinal, chegar lá de avião ou de barco era tarefa perigosíssima, arriscando-se a ser abduzido por extraterrestres ou simplesmente desaparecer em algum buraco do espaço-tempo. Achava essas hipóteses mais críveis do que as que diziam que algum antigo cristal da civilização perdida da Atlântida estava destruindo os barcos.

Front Street, a principal avenida de Hamilton, capital de Bermuda

Front Street, a principal avenida de Hamilton, capital de Bermuda


Já um pouco mais velho, o ceticismo foi tomando conta da minha personalidade. O mundo ficou mais em graça. Mas ficou mais seguro também. Comecei a duvidar do que lia em livros ou jornais (ainda era uma época pré-internet, então, quando apareceu a wikipedia, eu já não acreditava em nada mesmo, hehehe) e o bom senso passou a ser meu guia maior. No caso do triângulo das Bermudas, por exemplo, essa é uma das áreas com tráfego mais movimentado de barcos e aviões do mundo. Ou seja, seria até normal o número de acidentes ser maior por aqui do que em outra parte. Não é porque há mais atropelamentos na Av. Paulista do que em uma rua de uma pequena vila no interior do Piauí que poderemos dizer que exista uma maldição na movimentada avenida de São Paulo, certo? Pior, boa parte dos misteriosos acidentes no Triângulo não passavam de invenções ou “romantizações” de fatos que não ocorreram, ou ocorreram sim, em outra parte do globo.

Palácio do Governo em Hamilton, capital de Bermuda

Palácio do Governo em Hamilton, capital de Bermuda


Enfim, voamos tranquilamente sobre o tal triângulo e, duas horas mais tarde, em meio à névoa e ao oceano, lá apareceram as pequenas ilhas que formam as Bermudas. Lá de cima, apesar do céu encoberto, já deu para ver a beleza do mar que cerca uma pequena ilha completamente urbanizada.

Catedral Anglicana em Hamilton, capital de Bermuda

Catedral Anglicana em Hamilton, capital de Bermuda


Passamos pelo alfândega sem problemas, apesar da oficial ter feito questão de verificar nossas passagens aéreas saindo do país. No campo “endereço”, simplesmente colocamos o nome de um hotel qualquer, da lista que tínhamos pesquisado. Já no saguão do aeroporto, como não havia nenhum quiosque de informações turísticas para nos ajudar a achar um hotel de verdade, apelamos para o motorista de taxi. Ele ficou estupefato de termos entrado no país sem uma reserva de hotel. Disse que já tinha visto vários turistas sendo mandados de volta para casa, por causa disso. Quando soube do nosso “artifício” de ter colocado um hotel qualquer, aí disse que foi isso que nos salvou...

Marina em Hamilton, capital de Bermuda

Marina em Hamilton, capital de Bermuda


Bom, passado o susto e três ligações telefônicas mais tarde, enquanto já estávamos a caminho de Hamilton, a capital de Bermuda, encontramos o nosso Inn. Finalmente, estava tudo certo para nossa temporada “bermudesa”.

Um dos parques de Hamilton, capital de Bermuda

Um dos parques de Hamilton, capital de Bermuda


Hoje, pelo adiantado da hora, tudo o que pudemos fazer foi caminhar pela simpática capital, que se pode conhecer em menos de uma hora caminhando. A organização e limpeza da cidade, o modo como as pessoas se vestem e se portam e outros detalhes, tudo mostra que realmente não estamos no Caribe. Em compensação, o enorme cruzeiro ali aportado mostra que pode não ser o Caribe, mas que se parece, parece!

Escultura em meio a jardim de parque em Hamilton, capital de Bermuda

Escultura em meio a jardim de parque em Hamilton, capital de Bermuda


Além do passeio pelas ruas da cidade, seus parques, monumentos e igrejas, a gente também definiu nossa programação por aqui. Bermuda é o único país do nosso roteiro, além de Groelândia, que não era coberto por nenhum dos livros-guia que tínhamos. Então, foi só aqui que começamos a conhecer mais profundamente o país e o que ele oferece. Como era de se esperar, muitas praias e oportunidades de mergulho! E se gostássemos de golfe, as opções também seriam muitas. Mas, não é o caso, hehehe. Amanhã, de ônibus, vamos para as praias mais bonitas daqui. No dia seguinte, mergulho, de ônibus também. Isso porque, uma das coisas interessantes que acabamos de descobrir, não existe aluguel de carros por aqui. Acho que tem medo que estrangeiros não saberiam dirigir, na mão contrária, pelas estradas estreitas da ilha. Para quem quiser alugar seu próprio transporte, ou é um carro com motorista ou uma scooter. Quem sabe não alugamos uma?

Estátua pensativa, em parque de Hamilton, capital de Bermuda

Estátua pensativa, em parque de Hamilton, capital de Bermuda

Estados Unidos, New Jersey, Princeton Junction, Bermuda, Hamilton, Bermudas, história, ilha, Triângulo das Bermudas

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Santa Helena

Estados Unidos, Washington State, Saint Helens

As encostas do Mt. St. Helens, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

As encostas do Mt. St. Helens, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Colombo ainda tentava convencer os reis espanhóis a financiar seu “estranho projeto” de chegar às Índias pelo lado leste quando, em 1480, um vulcão ainda sem nome (pelo menos, para o mundo ocidental), no lado oeste de um continente desconhecido, explode com fúria incomum. Haviam sido 700 anos de descanso e apenas antigas lendas indígenas alertavam sobre o perigo da montanha. Do outro lado do mundo, a rainha Izabel e o navegante genovês perceberam que o pôr-do-sol ficou mais avermelhado e bonito pelos próximos meses, mas aceitaram aquilo como um fenômeno natural, sem necessidade de maiores explicações.

Chegando ao Mt. St. Helens, a estrada cruza as árvores mortas pela erupção de 1980, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Chegando ao Mt. St. Helens, a estrada cruza as árvores mortas pela erupção de 1980, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Trezentos anos mais tarde, a América já está descoberta, colonizada e começa a se libertar do antigo continente. A mais nova nação do mundo, os Estados Unidos, começa a se expandir para o oeste, rumo ao Pacífico. Essa região do continente havia escapado dos impulsos exploratórios e colonizadores dos últimos séculos, mas chegava agora a sua vez. Os americanos disputavam a região com espanhóis, russos e, principalmente, ingleses. Foram esses que enviaram àquela costa ainda desconhecida do mundo o grande explorador George Vancouver. Foi ele o primeiro europeu a reconhecer as grandes montanhas da região (na verdade, vulcões!) e a batizá-las com o sobrenome de amigos seus. Foi assim que o Rainier ganhou o seu nome. E também aquele desconhecido vulcão que explodira em 1480. Vancouver chamou a “mais bela” das montanhas de Saint Helens, ou Santa Helena, em português.

As árvores mortas pela erupção do Santa Helena, em 1980 (estado de Washington, oeste dos Estados Unidos)

As árvores mortas pela erupção do Santa Helena, em 1980 (estado de Washington, oeste dos Estados Unidos)


Foi um curto intervalo de apenas 10 anos entre a passagem de Vancouver e a chegada ali, por terra, dos grandes exploradores americanos, Lewis e Clark. Eles lideravam uma expedição comissionada pelo presidente iluminista Thomas Jefferson e tinham a missão de mapear todo o oeste americano, para a futura expansão territorial do país. Ingleses e americanos viviam uma corrida para a ocupação do vasto território conhecido como Oregon, onde hoje estão os estados do noroeste dos EUA e sudoeste do Canadá. Ao chegarem aos pés do Saint Helens, Lewis e Clark não tiveram dúvidas em afirmar que aquela era a mais bela e, provavelmente, a mais alta montanha da América. A primeira parte da afirmação era, provavelmente, correta, mas a segunda, pura empolgação diante daquela montanha em forma de cone perfeito, refletida no lindo lago aos seus pés, o Lake Spirit. Com seu cume permanentemente nevado, não demorou muito para que ela fosse apelidada de “o Monte Fuji das Américas”.

O famoso quadro pintado pelo canadense Paul Kane, em 1847, retratando uma erupção noturna do Santa Helena (no estado de Washingtob, nos EUA)

O famoso quadro pintado pelo canadense Paul Kane, em 1847, retratando uma erupção noturna do Santa Helena (no estado de Washingtob, nos EUA)


Lewis e Clark não tinham ideia de que, apenas dois anos antes, aquela montanha paradisíaca explodira com força. Não tanto como em 1480, mas ainda forte o suficiente para relembrar aos índios da região o quão violenta ela poderia ser. Pela próxima metade de século, o Saint Helens fumegaria e, vez ou outra, derramaria fogo e lava pelas suas encostas, em pequenas erupções. Agora, o homem branco já habitava a região e um deles, um canadense, fez uma pintura de uma erupção noturna que ganhou notoriedade pela sua beleza e realismo. Poucos anos mais tarde, o vulcão se acalmaria de vez, EUA e Inglaterra assinariam o tratado de dizia ser aquela região um território americano e o pintor retornaria ao seu país, levando consigo a pintura famosa.

A paisagem idílica do Lake Spirit e vulcão Santa Helena, antes da erupção de 1980, no estado de Washington, nos EUA

A paisagem idílica do Lake Spirit e vulcão Santa Helena, antes da erupção de 1980, no estado de Washington, nos EUA


Gerações foram se passando e a memória sobre uma montanha viva foi se perdendo. Setenta anos depois da última erupção, no final da década de 20, chegava aos pés da montanha o jovem Harry Trumann. Diante daquele cenário idílico e do turismo que começava a aumentar por ali, viu uma oportunidade de negócios: abrir um lodge na beira daquele lago maravilhoso para receber as pessoas que vinham de longe para conhecer a montanha mais bela do continente. De nada adiantou os avisos de um velho senhor que dizia que seu falecido avô sempre o alertara sobre os perigos daquela montanha. Trumann olhou para o cone nevado a sua frente, refletido com perfeição no lago e apenas calma e serenidade emanavam daquela linda paisagem.

Harry Truman poucas semanas antes da grande erupçãao do Santa Helena, em seu lodge aos pés da montanha, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Harry Truman poucas semanas antes da grande erupçãao do Santa Helena, em seu lodge aos pés da montanha, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Outros cinquenta anos se passaram e Trumann era a figura mais popular da região. Junto com sua esposa, administraram um lodge que, por décadas, recebeu e acomodou dezenas de milhares de pessoas, gerações de americanos que iam ali se esquecer das dificuldades da vida nas cidades e viver a beleza da natureza no seu estado mais puro. Trumann alugava botes para que as pessoas remassem pelas águas plácidas do Lake Spirit, ou cavalos, para passear pelas trilhas ao redor da montanha. Os mais aventureiros podiam até subir ao seu cume, um antigo vulcão, provavelmente adormecido por muitos séculos vindouros.

O vulcão Santa Helena, antes de sua erupção em Maio de 1980, no estado de Washington, nos EUA

O vulcão Santa Helena, antes de sua erupção em Maio de 1980, no estado de Washington, nos EUA


Não era o que dizia um relatório assinado por alguns dos mais importantes geólogos americanos, naquele ano de 1978. Ali se dizia que a montanha estava bem viva e que uma grande erupção era muito provável nos próximos 100 anos. Na verdade, poderia ser muito antes disso, talvez até mesmo antes que terminasse o século XX. Não sabiam o quanto estavam certos... Mas o relatório foi recebido com grande ceticismo pela comunidade frequentadora do popular Spirit Lake, entre eles o agora viúvo Harry Trumann. Como aqueles cientistas poderiam saber mais do que ele, que ali viveu os últimos 50 anos, em perfeita harmonia com a mais bela e calma montanha do continente?

O vulcão Santa Helena, depois de sua erupção em Maio de 1980, no estado de Washington, nos EUA

O vulcão Santa Helena, depois de sua erupção em Maio de 1980, no estado de Washington, nos EUA


Cinco de Março de 1980. Diversos pequenos tremores são sentidos na região. Podem ter passado desapercebidos para muitas pessoas, mas não aos sismógrafos ali instalados. O que era mais preocupante é que a origem deles estava bem abaixo da montanha. Aparentemente, após 150 anos, o Santa Helena parecia acordar. A notícia se espalha como um pavio entre a comunidade científica. Para lá correm especialistas de todo o país. Novos sismógrafos são instalados. Um dos primeiros a chegar é o jovem vulcanologista David Johnston, um cientista brilhante de apenas 30 anos de idade. De postura bastante proativa, ele logo passa a chefiar a equipe do departamento de geologia americano na área.

O vulcanologista Dave Johnston na véspera da erupção do Santa Helena, em posto de observação em frente à montanha, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

O vulcanologista Dave Johnston na véspera da erupção do Santa Helena, em posto de observação em frente à montanha, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


A quantidade de tremores aumenta e uma pequena coluna de fumaça começa a aparecer no topo da montanha. Os cientistas são unânimes em recomendar evacuação geral, pelo menos para fora de um limite de segurança. O governador do estado resiste, afinal, são muitos interesses econômicos em jogo. A região tem forte apelo turístico, além de ser importante polo de exploração de madeira. Mas os tremores aumentam, a fumaça no topo fica mais espessa e o governador é obrigado a ceder. Quem não cede é o simpático e teimoso Harry Trumann. Ele se recusa terminantemente a ser “evacuado”. “Aqui vivi, aqui está minha esposa, esse é o meu mundo. Daqui não saio, daqui ninguém me tira!”. Ele, que já era a figura mais popular entre os frequentadores da região, agora ganha fama nacional. Figura constante nos noticiários televisivos cobrindo a história que se desenrolava.

O vulcão Santa Helena, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

O vulcão Santa Helena, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos



Os meses passam e os tremores continuam. Mas, o mais alarmante é um “caroço” que apareceu no lado norte da montanha. Ele cresce a uma razão de um metro e meio por dia. Para termos geológicos, isso é impressionante. Razão mais do que suficiente para manter a ordem de evacuação. Mas a opinião pública esta ansiosa e insatisfeita. De certa maneira, já se acostumaram com os tremores e acham que não vai passar disso. Além disso, milhares de moradores evacuados querem voltar, ou pelo menos ter a chance de recuperar bens em suas propriedades. Isso sem falar das dezenas de milhares de turistas que querem a chance de chegar um pouco mais perto para ver o vulcão de verdade. Aqueles mais ricos fretam pequenos aviões para sobrevoar a montanha. Uma companhia de cervejas chega a pousar um helicóptero no cume para filmar um comercial de TV.

Spirit Lake e a planície formada pela erupção de 1980 do vulcão Santa Helena, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Spirit Lake e a planície formada pela erupção de 1980 do vulcão Santa Helena, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Contra a opinião dos cientistas, o governador cede. No dia 17 de Maio, uma grande caravana de antigos moradores entra na zona de exclusão. Por algumas horas, elas podem ir até suas casas recuperar o que pudessem. Voltam desalentados. A cinza acumulada nos telhados está quase derrubando as casas. O que era verde, nos jardins e terrenos, está tudo cinza. Enfim, até eles começam a acreditar que algo vai mal. Enquanto isso, Harry Trumann recebe milhares de cartas de crianças de todo o país, pedindo que saia de lá. Mas continua irredutível. Ele e seus dezessete gatos ficariam no lodge que construiu com sua esposa.

As árvores mortas na erupção de 1980 formam um tapete macabro no Spirit lake, aos pés da montanha, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

As árvores mortas na erupção de 1980 formam um tapete macabro no Spirit lake, aos pés da montanha, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Os cientistas, meio irritados com a liberação para a entrada da caravana, continuam seu trabalho. Johnston é levado até o alto da montanha onde arrisca sua vida para coletar gases expelidos pelo vulcão. Ele é de uma geração de cientistas que acha que seu trabalho deve ser no campo, às vezes se arriscando, com o objetivo maior de salvar vidas dos civis. Ele sabe que hoje terá uma dupla jornada. Além da arriscada coleta dos gases, terá que substituir um aluno seu, Harry Glicken, no posto de observação montado em Coldwater, dez quilômetros ao norte do vulcão. Glicken permaneceu por lá por duas semanas e agora precisaria se ausentar por um período. Seu substituto imediato tinha um compromisso inadiável para esse domingo e pediu que Johnston o substituísse. O energético vulcanologista aceitou de bom grado. No final da tarde do dia 17, um colega de trabalho se despede dele, risonho, em seu trailer em Coldwater. Tira uma fotografia daquele momento e parte, deixando Johnston sozinho no posto de observação.

Uma névoa entre as árvores mortas torna o cenário ainda mais mágico, no caminho para o Mt. St. Helens, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Uma névoa entre as árvores mortas torna o cenário ainda mais mágico, no caminho para o Mt. St. Helens, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


O domingo amanhece esplendoroso. Uma nova caravana se forma numa pequena cidade ao norte do Santa Helena. Se não houver uma surpresa, às 10 da manhã mais algumas centenas de pessoas serão liberadas para entrar na zona de exclusão e recuperar seus pertences. Em Coldwater, Johnston já está de pé e reporta suas primeiras observações do dia ao escritório central, na cidade de Vancouver (não no Canadá, mas na fronteira entre Washington e Oregon!). Tudo estava bem e, melhor ainda, o tal gigantesco caroço que crescia na montanha parecia estar diminuindo seu ritmo de crescimento.

Algumas das fotos tiradas por Gary Rosenquist da erupção do Santa Helena, em 1980 (estado de Washington, oeste dos Estados Unidos)

Algumas das fotos tiradas por Gary Rosenquist da erupção do Santa Helena, em 1980 (estado de Washington, oeste dos Estados Unidos)


São 8:32. No lado sul da montanha, uma equipe de park rangers sente um forte tremor. Com o rádio na mão e olhando para a coluna de fumaça no alto da montanha, o líder exclama: “This is a big one! We are evacuating, NOW!”. Eles estavam do lado certo da montanha. No lado leste do Santa Helena, a 30 milhas de distância, no cume do Mount Adams, dois alpinistas que escalaram a tempo de ver o nascer-do-sol assistem, estatelados, ao Santa Helena se desfazer numa grande nuvem de fumaça. Eles estavam na distância certa da montanha.

Alpinista assiste, estatelado e incrédulo, a erupção do vulcão Santa Hehena, no estado de Washington, nos EUA

Alpinista assiste, estatelado e incrédulo, a erupção do vulcão Santa Hehena, no estado de Washington, nos EUA


Na mesma direção, mas muito mais perto do vulcão, quase no limite da zona de exclusão, estavam Gary Rosenquist e dois amigos. Tinham chegado até ali de carro e acampado pela noite. Pela manhã, esperavam ver o Santa Helena e a pequena coluna de fumaça que saía dele. Num dia de sol como aquele domingo, certamente teriam boas fotos. Rosenquist aponta a máquina e tira uma foto. Algo parece estranho, a imagem treme um pouco, parece sem foco. Ele olha para baixo e tentar mudar as regulagens. É quando ouve o grito do amigo. Olha para frente e começa a fotografar aquilo que vê, mas que não acreditar estar vendo. Um desabamento de proporções colossais. Metade da montanha parece deslizar sobre si mesma. Em seguida, uma gigantesca explosão por detrás do desabamento e uma espessa coluna de fumaça avança rapidamente para o norte. Em menos de quarenta segundos, ele tira vinte fotografias. Até perceberem que estavam, eles mesmos, em perigo. Correm para o carro a fogem em disparada. Não demora muito e o céu fica negro. Pedras começam a cair no capô e, em seguida, cinzas cobrem o parabrisas. Com muito cuidado, chegam à cidade mais próxima. Suas fotos, reveladas no dia seguinte, ajudarão os cientistas a entender melhor a tragédia.

Sequência de fotos da erupção do vulcão Santa Hehena, em Maio de 1980, no estado de Washington, nos EUA

Sequência de fotos da erupção do vulcão Santa Hehena, em Maio de 1980, no estado de Washington, nos EUA


E no lado norte da montanha? Ali, Johnston, a dez quilômetros da montanha, pode ver com os próprios olhos o gigantesco caroço desabar e iniciar um desabamento ainda maior, levando toda a face norte do Santa Helena. A caldeira de lavas, logo abaixo, entra em contato com o mundo exterior e explode instantaneamente. O processo é o mesmo de uma garrafa de champagne ou coca-cola. Quando tiramos a tampa, a diferença de pressão tira do equilíbrio os gases que estavam dissolvidos no líquido e eles se expandem rapidamente, de forma explosiva. A mais de 300 km/h, rochas e gases incandescentes chegam ao Spirit Lake. Harry Trumann e seus dezessete gatos morrem incinerados, antes de serem soterrados por milhões de toneladas de material. Hoje, jazem sob uma camada de 100 metros de terra, abaixo de outros 40 metros de água do Spirit Lake, que mudou de configuração após a erupção. O lago, assim que foi atingido pelo colossal desabamento, formou uma onda com 150 metros de altura que varreu todas as encostas ao seu redor, destruindo as florestas que já haviam sido atingidas pelos gases ferventes. Quando a água retornou ao lago, trouxe consigo dezenas de milhares de troncos que até hoje continuam por lá, testemunhas da tragédia de três décadas atrás.

Placa mostra como o vulcão Santa Helena perdeu mais de 400 metros de altura na grande erupção de 1980, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Placa mostra como o vulcão Santa Helena perdeu mais de 400 metros de altura na grande erupção de 1980, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Tudo isso assistiu Johnston, nos poucos segundos mais fascinantes de sua vida. Sua mente treinada e científica observava os rápidos acontecimentos tentando entender tudo o que via. Após o susto inicial, correu para o rádio para dizer suas últimas célebres palavras: “Vancouver! Vancouver! This is it!” Já não tinha dúvidas que sua morte era iminente. Os dez quilômetros que o separavam da montanha foram cobertos pelas nuvens destruidoras em menos de dois minutos. Elas não tiveram nenhuma dificuldade em vencer o lago, os vales e a densa floresta de pinheiros para chegar em Coldwater.

A floresta de árvores mortas, chegando ao Mt. St. Helens, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

A floresta de árvores mortas, chegando ao Mt. St. Helens, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Duas milhas adiante, no limite da zona de exclusão, o fotógrafo Reid Blackburn, da National Geographic, tirou as melhores fotos de sua vida. Profundo conhecedor daquela montanha que já havia subido várias vezes, ele havia se voluntariado para cobrir aquela história. Com terror, ele observou as nuvens assassinas engolfarem Coldwater. Correu para o seu carro e observou que a nuvem já quase o alcançava. Era inútil tentar ligar o veículo. Ele certificou-se que as janelas estavam bem fechadas. Ganhou com isso mais uns poucos segundos de vida. Tudo ficou escuro. Os vidros se estilhaçaram. Ele, sua máquina e suas fotos se perderam para sempre.

As árvores mortas na erupção de 1980 formam um tapete macabro no Spirit lake, aos pés da montanha, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

As árvores mortas na erupção de 1980 formam um tapete macabro no Spirit lake, aos pés da montanha, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Quem viu isso tudo foi o operador de rádio-amador Gerry Martin. Trabalhando como voluntário para o Serviço Nacional de Emergências, ele tinha seu posto cerca de 3 milhas ao norte de Coldwater. Conforme a tragédia foi se desenrolando em frente à seus olhos atentos, ele foi descrevendo o que via pelo rádio. Era esse o seu trabalho. Suas últimas palavras: “Gentleman, the camper and the car sitting over to the South of me is covered. It´s gonna get me too. I can´t get out of here”.

Por essas encostas, uma onda de 150 metros avançou, destruindo todas as árvores que aí existiam (estado de Washington, oeste dos Estados Unidos)

Por essas encostas, uma onda de 150 metros avançou, destruindo todas as árvores que aí existiam (estado de Washington, oeste dos Estados Unidos)


Prontamente, as equipes de socorro começam a trabalhar. Graças ao trabalho dos cientistas liderados por Johnston, poucas pessoas se encontravam perto da montanha. Pouco mais de cinquenta morrem. Poderiam ter sido milhares. Os pilotos de helicóptero que vinham voando sobre a região há semanas se impressionam com o tamanho da destruição. Eles simplesmente não reconhecem mais a paisagem abaixo. A montanha estava quatrocentos metros mais baixa. Spirit Lake tinha mudado de lugar, seu azul profundo substituído por um marrom acinzentado com cheiro de morte. Florestas desapareceram. Assim como vales e colinas. No seu lugar, uma paisagem lunar, sem vida. Seus pontos de referência simplesmente não mais existiam. A bordo dos helicópteros, o estudante Harry Glicken, aquele que havia ocupado Coldwater por duas semanas e saído na véspera, tomado de injusto sentimento de culpa, procurava desesperadamente seu antigo mestre. Johnston foi o primeiro dos dois únicos vulcanologistas americanos a morrer no cumprimento da profissão. O segundo, por ironia macabra do destino, seria exatamente o próprio Glicken, numa erupção vulcânica no Japão, onze anos mais tarde.

Floresta de milhares de árvores derrubada pela erupção do vulcão Santa Helena, no estado de Washington, nos EUA

Floresta de milhares de árvores derrubada pela erupção do vulcão Santa Helena, no estado de Washington, nos EUA


Alheio a todos esses dramas pessoais, a quinze mil quilômetros de distância, um jovem garoto assistia ao noticiário pela TV, em Belo Horizonte, no Brasil. Com pouco mais de 10 anos de idade, o menino começava a se interessar pelos acontecimentos mundiais. A história do vulcão antes da erupção tinha perdido espaço no noticiário para a morte do Marechal Tito, na Iugoslávia e, principalmente, para a invasão da embaixada americana em Teerã, por estudantes radicais. Mas hoje, dia da erupção, foi o Santa Helena a principal notícia e assunto do Jornal Nacional, com suas grossas e espessas colunas de fumaça atingindo mais de vinte quilômetros de altura. As imagens de florestas inteiras derrubadas e rios carregando árvores e casas destruindo pontes pelo seu caminho também eram impressionantes. No dia seguinte, na escola, ele não teve dúvidas em dar um novo apelido ao menino mais forte da sala, dono de um incrível petardo de direita na hora de bater o tiro de meta, no futebol do recreio. O nome dele era Marcelo Vulcano. O novo apelido: Santa Helena. Felizmente, ele gostou da nova alcunha, senão “alguém” certamente teria sofrido as consequências por tal impertinência...

Mais de 30 anos depois, as árvores mortas pela erupção do Santa Helena continuam de pé (estado de Washington, oeste dos Estados Unidos)!

Mais de 30 anos depois, as árvores mortas pela erupção do Santa Helena continuam de pé (estado de Washington, oeste dos Estados Unidos)!


Trinta e dois anos mais tarde, chegou a hora daquele jovem garoto conhecer a área do vulcão que tinha visto pela TV, tanto tempo atrás e pelo qual arriscou levar um corretivo. Essa emocionante visita é assunto do próximo post...

Admirando o vulcão Santa Helena, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Admirando o vulcão Santa Helena, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Estados Unidos, Washington State, Saint Helens, história, Parque, Santa Helena, vulcão

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Chegando ao Death Valley

Estados Unidos, Califórnia, Death Valley

O GPS mostra nossa localização na América: Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

O GPS mostra nossa localização na América: Death Valley National Park, na Califórinia - EUA


Depois da rápida visita ao Red Rock Canyon Sate Park, continuamos seguindo por belíssimas paisagens desérticas no caminho até o Death Valley. Sempre aquelas planícies infinitas com cadeias montanhosas ao fundo, enormes espaços vazios e uma sensação de amplitude que preenche o espaço e a mente. Inspirador!

A paisagem desértica antes de chegar ao Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

A paisagem desértica antes de chegar ao Death Valley National Park, na Califórinia - EUA


Finalmente chegamos à entrada oeste do parque, num mirante maravilhoso de onde se pode descortinar boa parte da região. O Death Valley é o maior parque nacional dos Estados Unidos, se não contarmos os parques do Alaska. As distâncias são enormes e um carro é essencial para conhecer as principais atrações que ficam nos extremos do parque. Não só um carro, mas também um bom ar condicionado! Afinal, aqui foram medidas as maiores temperaturas da história dos Estados Unidos e de todo o hemisfério ocidental. Nada menos do que 56,7 graus!

Chegando ao Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

Chegando ao Death Valley National Park, na Califórinia - EUA


O recorde é de 1913, mas duas vezes nos últimos dez anos quase que ele foi alcançado novamente. Ou seja, o lugar é quente mesmo! Uma das razões para isso tem a ver com um outro recorde. Está aqui o ponto mais baixo das Américas, o leito de um antigo lago que está a – 86 metros de altitude, ou seja, quase 100 metros ABAIXO do nível do mar. Esse vale profundo está cercado por duas altas cordilheiras de montanhas que não deixam a umidade e os ventos frescos do mar entrarem. Numa dessas cordilheiras, a pouco mais de 130 km do ponto mais baixo do continente, está a maior montanha do país (excetuando o Alaska), o Mount Whitney, com 4.421 metros. Enfim, o calor fica preso dentro do vale, sendo alimentado por um sol escaldante num céu sem nuvens. Sem ar fresco entrando, a temperatura sobe sem parar, especialmente no mês de julho, auge do verão.

Estrada através do Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

Estrada através do Death Valley National Park, na Califórinia - EUA


Esse calor todo resulta num clima desértico, com fauna e flora típicas, que conseguem aguentar altas temperaturas. Mas mesmo elas sofrem nos meses de verão. Quem sofreu bastante também foram os imigrantes americanos, que vinham para a California em busca de ouro e tinham de passar por aqui. Alguns chegaram a morrer na travessia e o vale logo ganhou o nome que ainda tem até hoje: o Vale da Morte.

Solo desértico do Death Valley National Park, na Califórinia - EUA. É o lugar mais seco do país.

Solo desértico do Death Valley National Park, na Califórinia - EUA. É o lugar mais seco do país.


A gente chegou hoje de tarde e, por enquanto, apenas começamos a conhecer a região. Mas, pelo menos até agora, num ainda fresco mês de Abril, não temos reclamações. A região é absolutamente deslumbrante, linda mesmo! Tudo bem que o conforto da Fiona e a cerveja gelada do bar ajudam mas, mesmo assim, achamos que o nome não faz jus ao local!

Acampamento de traillers no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

Acampamento de traillers no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA


Depois das fotos no mirante, descemos até a altura do nível do mar, onde encontramos os primeiros sinais da civilização, um lugar chamado Panamint Springs. Pausa para fotos, bebidas e informações. Entre elas, descobrimos que os hotéis estavam todos ocupados há semanas e nossa única chance de dormir no parque seria acampando. Essa é a alta temporada por aqui pois, logo após o inverno, as flores aparecem no parque, atraindo milhares de turistas. A quantidade de flores depende da quantidade de neve nas montanhas ao lado do parque. Há poucos anos houve uma florada recorde, mas esse ano não foi bom. Mesmo assim, habitações lotadas!

Caminhada noturna no campo de dunas 'Mesquite Dunes', no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

Caminhada noturna no campo de dunas "Mesquite Dunes", no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA


Nós seguimos adiante, até Stovepipe Wells, já quase no meio do parque e com várias atrações próximas. O local já foi uma pequena cidade, na época em que houve mineração de borax no parque, mas hoje só tem um pequeno e simpático hotel, uma loja bem sortida e um enorme campground. Foi onde decidimos passar nossa primeira noite no Death Valley, ao lado das dezenas de traillers bem equipados, enquanto nós dormiríamos na nossa Fiona mesmo. Por 12 dólares, é uma boa economia em relação aos 60 dólares médios que temos pago pelos motéis. Para a comparação ser mais justa, temos de somar os 5 dólares por cabeça que eu e a Ana pagamos para tomar um delicioso banho nos chuveiros do hotel.

Admirando as luzes do pôr-do-sol sobre as dunas de 'Mesquite Dunes', no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

Admirando as luzes do pôr-do-sol sobre as dunas de "Mesquite Dunes", no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA


Bom, depois de termos certeza que tínhamos onde dormir, ainda seguimos de Fiona para uma atração vizinha, um enorme campo de dunas chamado “Mesquite Flat Sand Dunes”. Enquanto entrávamos caminhando por elas, já no final do pôr-do-sol, saíam os últimos turistas do dia. Mais uma vez, tínhamos uma enorme vastidão apenas para nós, cercados pelas areias de dunas que lembram o Saara e com enormes montanhas ao fundo. Nossa altitude naquela hora: menos cinco metros!

Belíssimo luar sobre as dunas de 'Mesquite Dunes', no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

Belíssimo luar sobre as dunas de "Mesquite Dunes", no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA


Neste local foram feitas as cenas de deserto nos últimos filmes de Guerra nas Estrelas. O sol tinha se posto, mas logo foi substituído por uma magnífica lua cheia. Assim, sob a luz do luar, eu e a Ana caminhamos pelas dunas. Era difícil aceitar que estávamos em pleno Estados Unidos e não na África ou nos Lençóis Maranhenses. A diversidade de paisagens nesse país (e olha que só andamos pela California!) realmente impressiona. Das sequoias para as dunas, parece que mudamos de planeta, e não apenas de parques nacionais...

Com Júpiter e Vênus sobre uma das dunas de 'Mesquite Dunes', no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

Com Júpiter e Vênus sobre uma das dunas de "Mesquite Dunes", no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA


Bom, vamos ver como vai ser a noite no carro (ficou meio tarde para armarmos nossa tenda). Amanhã, e provavelmente o dia seguinte, teremos bastante tempo para andar por esse vale. Canyons, montanhas, mirantes, um vulcão e muito deserto nos esperam...

Admirando o belíssimo luar sobre as dunas de 'Mesquite Dunes', no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

Admirando o belíssimo luar sobre as dunas de "Mesquite Dunes", no Death Valley National Park, na Califórinia - EUA

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Los Roques 2007

Venezuela, Los Roques

Não é difícil encontrar estrelas-do-mar nas águas transparentes de Los Roques, no litoral venezuelano

Não é difícil encontrar estrelas-do-mar nas águas transparentes de Los Roques, no litoral venezuelano


Quando se pensa em caribe venezuelano, o primeiro nome que vem à cabeça é Isla Margarita, famosa mundialmente por suas praias e agitação noturna. Mas há no país um pequeno arquipélago um pouco mais afastado da costa, formado por ilhas bem menores, que merece muito mais a alcunha de “paraíso”. Esse conjunto de areias brancas, águas caribenhas, e praias desertas formando aquele cenário idílico típico de comercial de TV tem o nome de Los Roques.

Chegando ao arquipélago de Los Roques, no litoral venezuelano

Chegando ao arquipélago de Los Roques, no litoral venezuelano


Avião chega à Grand Roque, a maior ilha de Los Roques, no litoral venezuelano

Avião chega à Grand Roque, a maior ilha de Los Roques, no litoral venezuelano


O arquipélago está a cerca de 130 quilômetros da costa, bem na longitude de Caracas. São mais de 300 pequenas ilhas com uma população fixa de 2 mil pessoas, sem contar os quase 70 mil turistas anuais, boa parte deles vindos apenas para passar o dia, diretamente de capital. Certamente, quando chega a hora de partir, no final da tarde, arrependem-se de não ter programado mais tempo por aqui.


Los Roques (B) é um pequeno e paradisíaco arquipélago venezuelano, bem mais tranquilo que Isla Margarita (C), quase na mesma longitude da capital Caracas (A) e latitude de Aruba, Curaçao e Bonaire (D)

As ilhas já eram conhecidas no final do século XVI e pelos próximos 300 anos sua posse foi disputada entre espanhóis, holandeses e venezuelanos. Los Roques estão bem próximas das Antilhas Holandesas, principalmente de Bonaire, e de lá vieram vários de seus habitantes no séc XIX. Dessa época vem o nome de várias das pequenas ilhas, como Francisqui, Nordisqui ou Madrisqui, o “qui” do final vindo do inglês “Cay” ou “Key”, que significam “Cayo” (pequena ilha). Mas a posse acabou ficando mesmo com a Venezuela e a população atual, fora os estrangeiros radicados recentemente, são descendentes de imigrantes vindos de Isla Margarita no início do séc. XX.

Caminhando nas pacatas ruas de Grand Roque, a 'capital' de Los Roques, no litoral venezuelano

Caminhando nas pacatas ruas de Grand Roque, a "capital" de Los Roques, no litoral venezuelano


Grand Roque, a principal ilha de Los Roques, no litoral venezuelano

Grand Roque, a principal ilha de Los Roques, no litoral venezuelano


Por muito tempo, a economia local era baseada na pesca e exploração de sal e guano, mas isso mudou bastante nas últimas décadas, quando o turismo se tornou a principal força. Praticantes de mergulho, amantes de windsurfe ou kitesurf, ou aqueles apenas apaixonados por praias desertas e encantadoras, todos encontram em Los Roques o local perfeito para uma temporada longe dos agitos do continente. Em Los Roques, há apenas uma vila, na ilha Gran Roque, e todos os outros cayos são, basicamente, praias desertas e paradisíacas esperando por algum “explorador”.

Pelicanos são muito comuns em Los Roques, no litoral venezuelano

Pelicanos são muito comuns em Los Roques, no litoral venezuelano


Turistas se encantam com a quantidade de pássaros em Los Roques, no litoral venezuelano

Turistas se encantam com a quantidade de pássaros em Los Roques, no litoral venezuelano


O acesso ao arquipélago, pelo menos para os simples mortais que não possuem seu próprio iate, é de avião, num voo de cerca de uma hora numa aeronave pequena. Boa parte dos hotéis e pousadas na ilha de Gran Roque pertence a europeus, principalmente italianos. Preços são todos dolarizados e Los Roques é, provavelmente, o local mais caro do país. Pouco antes de ser diagnosticado com câncer, o presidente Chávez disse que iria “nacionalizar” a ilha e boa parte dos proprietários de pousada devem ter tremido nas bases. Mas a doença veio e o status quo foi mantido, Los Roques mais italiana do que nunca.

O aeroporto e o farol de Gran Roque, a principal ilha de Los Roques, no litoral venezuelano

O aeroporto e o farol de Gran Roque, a principal ilha de Los Roques, no litoral venezuelano


Observando o mar e o aeroporto de Gran Roque, a maior ilha de Los Roques, no litoral venezuelano

Observando o mar e o aeroporto de Gran Roque, a maior ilha de Los Roques, no litoral venezuelano


Nós chegamos a esse paraíso com uma mão na frente e outra atrás, quase sem dinheiro depois do roubo no metrô de Caracas. Nossa primeira hora na vila foi percorrendo as caras e charmosas pousadas, tentando encontrar alguma que coubesse no nosso pequeno orçamento restante, o dinheiro que a Ana tinha sacado no caixa eletrônico na capital. Por fim, encontramos uma das mais simples e conseguimos pagar pelos nossos dias por lá, com direito à café da manhã. Com isso, teto e alimentação matinal garantida, ficamos literalmente zerados. Se quiséssemos fazer algum passeio para conhecer as pequenas ilhas vizinhas ou comer e beber algo nas tardes e noites, precisávamos arrumar algum dinheiro.

Visão da única vila em Los Roques, arquipélago no litoral venezuelano

Visão da única vila em Los Roques, arquipélago no litoral venezuelano


Pôr-do-sol no ponto mais alto do arquipélago de Los Roques, no litoral venezuelano

Pôr-do-sol no ponto mais alto do arquipélago de Los Roques, no litoral venezuelano


Sem cartões, era uma tarefa difícil. A VISA reconheceu que não conseguiria entregar um cartão emergencial por aqui, mas a Amex teimou que faria isso em dois dias. Acho que eles não tinham a menor ideia de onde era Los Roques, o que acabou mesmo se confirmando, já que nunca vi a cara desse cartão de emergência. Ainda bem que não acreditamos nisso e continuamos a procurar outra maneira de conseguir dinheiro. Tenta daqui, procura dali, chagamos ao único salvador da pátria de Los Roques. Dono de um dos bons hotéis da ilha, ele trabalhava com o sistema Pay Pal. Com a internet capenga da ilha, eu não iria conseguir fazer nenhuma transferência, mas minha irmã salvadora, lá de Nova York, enviou dinheiro para a conta dele e ele nos repassou. Estávamos salvos! Melhor ainda, estávamos salvos e no paraíso!

Fim de tarde em Grand Roque, principal ilha do arquipélago de Los Roques, no litoral venezuelano

Fim de tarde em Grand Roque, principal ilha do arquipélago de Los Roques, no litoral venezuelano


Hora do descanso em Los Roques, no litoral venezuelano

Hora do descanso em Los Roques, no litoral venezuelano


Enquanto o dinheiro não chagava, contentamo-nos com Gran Roque mesmo. As melhores praias do arquipélago estão nas outras ilhas, apenas acessíveis de barco. Em Gran Roque, além das ruas de casas coloridas e dos ótimos restaurantes, podemos ir na praia do aeroporto, nos encantar com a cor da água que nos cerca, nos divertir com as centenas de gaivotas e pelicanos ao redor do porto e subir até o ponto mais alto do arquipélago, onde há um farol e um ponto maravilhoso para se admirar o pôr-do-sol.

Kite surfing é muito popular em Los Roques, no litoral venezuelano

Kite surfing é muito popular em Los Roques, no litoral venezuelano


Por fim, o dinheiro chegou e passamos a conhecer os cayos ao redor. Cada praia mais linda que a outra. A nossa primeira experiência caribenha, aquela que nunca iremos esquecer. Assunto para o próximo post...

Feliz da vida, a caminho de mais um cayo paradisíaco em Los Roques, no litoral venezuelano

Feliz da vida, a caminho de mais um cayo paradisíaco em Los Roques, no litoral venezuelano

Venezuela, Los Roques, Praia, ViagemAntiga

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Trinidad e a Internet

Cuba, Trinidad de Cuba

Prédio no Parque Céspedes, em Trinidad, em Cuba

Prédio no Parque Céspedes, em Trinidad, em Cuba


A cidade de Trinidad foi o terceiro povoamento espanhol em Cuba, ainda na segunda década do séc XVI. Apesar disso, continuou um lugar bem pacato pelos próximos 300 anos. Foi quando um evento numa ilha vizinha à Cuba mudou para sempre a sua história. Violentas rebeliões de escravos estavam ocorrendo no Haiti e os senhores brancos com juízo saíram correndo (ou nadando!) de lá. Apesar de franceses (o Haiti era colônia francesa), foram muito bem recebidos em Cuba, principalmente na região de Trinidad. Foi aí que fundaram diversos engenhos, transformando a região na principal área produtora de açúcar do país.

Vida tranquila na cidade histórica de Trinidad, em Cuba

Vida tranquila na cidade histórica de Trinidad, em Cuba


Parque Céspedes em Trinidad - Cuba

Parque Céspedes em Trinidad - Cuba


Exatamente nessa época um enorme mercado consumidor desse produto se abria ao norte. Eram os EUA, que até pouco tempo antes compravam seu açúcar da Jamaica, colônia inglesa. Mas a guerra com a antiga metrópole em 1811 os fez mudar de mercado, buscando ao açúcar cubano. Tudo isso trouxe muita riqueza à Trinidad, que acabou se traduzindo em grandes obras na cidade, igrejas, teatros, palácios, casarões, ruas bem calçadas, sempre com um toque de influência francesa.

Rua em Trinidad, em Cuba

Rua em Trinidad, em Cuba


Vida tranquila na cidade histórica de Trinidad, em Cuba

Vida tranquila na cidade histórica de Trinidad, em Cuba


A “festa” durou apenas meio século, o bastante para mudar a cara da cidade para sempre. Mas nas guerras de independência a partir de 1860 acabaram destruindo as plantações e engenhos da cidade. Quando a paz voltou, o cultivo de cana havia se mudado para outras províncias e a região de Trinidad nunca mais recuperou sua antiga posição econômica. A cidade novamente parou no tempo. Um verdadeiro golpe de sorte para nós, turistas! Foi por causa disso que Trinidad não se modernizou, permanecendo seu centro histórico muito parecido com o que era há quase 200 anos. Não é à toa que foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco! Tudo por causa dos escravos haitianos, migrantes franceses, mercado americano e guerras de independência!

Morador de Trinidad, em Cuba

Morador de Trinidad, em Cuba


Antigo morador de Trinidad, em Cuba

Antigo morador de Trinidad, em Cuba


Para aí seguimos hoje, nos instalando em mais uma Casa de Hóspedes já agendada antes da partida de Havana. A primeira coisa que fiz foi tentar usar a internet. O Rafa já havia tentado em Havana, reclamando muito do preço e da qualidade. Agora, era a nossa vez. Fomos ao prédio da companhia de telecomunicações, que tem a internet mais rápida. O serviço era bom e nem era tão caro assim, mas descobrimos um grande “porém”. Impossível, tanto ali como nos poucos internet cafés da cidade, fazer upload de qualquer coisa. Assim, nada de postagem de fotos. E posts, só o que escrevêssemos ali mesmo, diretamente no site, já que não podíamos colocar nosso pen drive no computador deles (wifi, para usar nossos próprios computadores, como fazemos em todos os lugares, nem pensar!). Foi quando fizemos o nosso único post diretamente de Cuba:

“Oi gente
A viagem segue maravilhosa. Passamos dias incríveis no paraíso de Little Cayman e depois viemos para Cuba, onde encontramos os padrinhos Rafa e Laura.
Aqui ja passamos por Havana, Isla de Juventud, Cienfuegos e chegamos agora à histórica Trinidad. Estamos de carro e seguiremos ate Santiago de Cuba, de onde retornamos à Havana para mais dois dias pelo oeste da ilha, voltando para o México no dia 27
O único porem daqui e o acesso a internet. Difícil e caro! Só conseguimos agora e não podemos fazer upload de posts (já temos uns 5-6 prontos) e fotos (umas duzentas!). Paciência, algum dia faremos. Nada se perdera!
Um grande abraço a todos e feliz carnaval”

Arte com a figura de Che Guevara em galeria de Trinidad, em Cuba

Arte com a figura de Che Guevara em galeria de Trinidad, em Cuba


Arte em galeria de Trinidad, em Cuba

Arte em galeria de Trinidad, em Cuba


Passada a obrigação, passamos à exploração. Caminhar pelas ruas de paralelepípedo da antiga cidade é uma delícia. Muitas vezes, parecia que eu estava numa das cidades históricas de Minas, pessoas sentadas nas calçadas e praças vendo a vida passar, casas e ruas com aparência centenária, aquela sensação de que o tempo, aqui, passa mais devagar.

Ensaio de música cubana para o show da noite na Casa de La Trova em Trinidad - Cuba

Ensaio de música cubana para o show da noite na Casa de La Trova em Trinidad - Cuba


O simpático e culto poeta de rua em Trinidad,- Cuba

O simpático e culto poeta de rua em Trinidad,- Cuba


Visitamos galerias de arte, feirinhas, casas de música e torres de construções, com direiro a vista privilegiada da charmosa cidade colonial e dos telhados de suas casas. Interagimos e fotografamos pessoas, sempre muito amáveis e curiosas sobre nós, brasileiros. A Ana e a Laura ficaram amigas de um poeta de rua que prontamente declamou seus conhecimentos sobre o nosso país. A Ana até fez um vídeo com ele para a seção do “Soy Loco”. Muito legal!

A charmosa cidade vista do alto do Museu Nacional de La lucha Contra Bandidos, em Trinidad - Cuba

A charmosa cidade vista do alto do Museu Nacional de La lucha Contra Bandidos, em Trinidad - Cuba


Esperando as esposas na calçada em frente ao museu em Trinidad, em Cuba

Esperando as esposas na calçada em frente ao museu em Trinidad, em Cuba


No fim de tarde, eu e a Ana subimos um morro ao lado da cidade, onde pudemos assistir a um belíssimo pôr-do-sol, o mar lá no fundo e a cidade abaixo de nós. Depois, já de noite, passamos ótimos momentos na Casa de La Trova, onde diariamente pode-se ouvir a excelente música cubana.

Jogo de dominó nas ruas de Trinidad, em Cuba

Jogo de dominó nas ruas de Trinidad, em Cuba


A charmosa cidade vista do alto do Museu Nacional de La lucha Contra Bandidos, em Trinidad - Cuba

A charmosa cidade vista do alto do Museu Nacional de La lucha Contra Bandidos, em Trinidad - Cuba


Para fechar o dia e a noite com chave de ouro, fomos a uma discoteca que foi feita dentro de uma caverna de verdade. A paisagem é surreal, bem “cavernosa” mesmo. Eles aproveitaram um grande salão da caverna, com estalactites pendurados no teto e aí fizeram a boate. As luzes coloridas se perdem nos recantos da caverna e a música ecoa em todas as suas reentrâncias. Aliás, adivinha qual a música que começou a tocar exatamente quando entrávamos na caverna? Para quem pensou em Michel Teló, acertou. Pois é, até em Cuba esse cara chegou... É, a gente pode não ser muito fã da música, mas ouvi-la ali, bem naquela hora, foi uma “experiência”. Já os gringos, boa parte dos frequentadores, e os cubanos, adoraram!

Trinidad vista do alto do Cerro de La Vigia (Cuba)

Trinidad vista do alto do Cerro de La Vigia (Cuba)


Magnífico pôr-do-sol visto do alto do cerro de La Vigia, em Trinidad - Cuba

Magnífico pôr-do-sol visto do alto do cerro de La Vigia, em Trinidad - Cuba


E nós, adoramos essa cidade e o dia de hoje! Amanhã, vamos para uma praia aqui perto para passar o dia e voltamos para Trinidad para mais uma tarde e noite memoráveis. Numa cidade com tanta história e cultura pelas ruas, não tem jeito de não ser...

Balada em uma disco dentro de uma caverna em Trinidad, - Cuba

Balada em uma disco dentro de uma caverna em Trinidad, - Cuba

Cuba, Trinidad de Cuba,

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Rhone

Ilhas Virgens Britânicas, Tortola - Road Town

Barco a caminho do naufrágio do Rhone

Barco a caminho do naufrágio do Rhone


Outubro de 1867. Um dos principais navios da marinha mercante inglesa é o Rhone. Com poucos anos de idade, é um dos mais modernos do mundo. Usando as últimas tecnologias, navio à vapor, caldeira de bronze, velocidade de 14 nós! E ainda dois grandes mastros, para navegação à vela, complementar ao vapor. Os passageiros disputavam suas cabines de primeira classe.

Suas primeiras viagens foram para um exótico país chamado Brasil. Após provar seu valor nas 5 viagens iniciais para este país, passou a servir o Caribe, uma linha considerada mais nobre. Um dos dois navios da época considerados inafundáveis, sua velocidade atraía os donos das plantations caribenhas e suas famílias, em trânsito entre Inglaterra e o Caribe. Era a jóia da corôa.

Pois bem, em Outubro de 1867 o Rhone estava programado para aportar numa estação carvoeira nas antigas Ilhas Virgens Dinamarquesas. Mas, um surto de febre amarela em St. Thomas o impediu de aportar na ilha. Seguiu então para a vizinha Tortola, nas BVI. Uma estranha tempestade no final de Outubo, com ventos vindos do norte atingiram o navio, que procurou refúgio, então, na parte sul da ilha. Um outro navio inglês, menos seguro, também estava ali. Os passageiros desse navio foram transferidos para o Rhone, inafundável. O tempo melhorou mas, cabreiros, os capitães dos navios resolveram seguir para alto mar, já que a tempestade tinha arrebentado suas âncoras. Apesar da desconfiança, nesta época do ano não poderia ser um furacão. Mas era. Após a calmaria (era apenas o olho do furacão), a segunda parte da tempestade chegou, dessa vez com ventos vindos do sul, bem aonde o Rhone tinha ido se proteger. E os ventos chegaram bem no momento em que o navio estava passando ao largo de uma pequena ilha, a Salt Cay. Chegaram com força, rapidamente. A primeira vítima foi o próprio capitão, levado por uma onda do convés, para nunca mais ser visto. Apesar da luta desesperada, as caldeiras funcionando à todo vapor, o Rhone foi lançado contra uma pedra. A água fria invadiu o navio, entrou em contato com as caldeiras ferventes e o resultado foi uma grande expolsão. O navio, inafundável, foi à pique.

Salt Cay, onde afundou o Rhone

Salt Cay, onde afundou o Rhone


Naquela época, durante tempestades, por motivo de segurança, os passageiros de 1a, 2a ou 3a classe, eram todos amarrados às suas camas. Não tiveram muita chance, amarrados. Mais de 150 almas se perderam, a maioria gente da elite colonial caribenha. O único passageiro que conseguiu se desamarrar e sair pela janela foi um italiano. Ele e mais 22 membros da tripulação se salvaram. O acidente foi manchete dos jornais do mundo inteiro. Uma verdadeira tragédia na Inglaterra.

Três anos mais tarde, dois irmãos, especialistas na sua arte, foram contratados para mergulhar no local e recuperar tudo o que fosse possível. O naufrágio foi numa área rasa, variando entre 5 e 25 metros. Imaginem! Mergulhar no séc. XIX. Que equipamento usavam? Algum tipo de escafandro, imagino. O fato é que eles recuperaram muita coisa, inclusive vinho e champagne que serviram para uma festa memorável, em 1870, nas praias de Salt Cay. Queria voltar no tempo e ir nessa festa...

Tripulação do barco de Mergulho no Rhone

Tripulação do barco de Mergulho no Rhone


Bom, não posso. Mas posso mergulhar nesse naufrágio, hoje um parque nacional e um dos mergulhos mais conhecidos do Caribe. E não é por menos: é espetacular mergulhar num naufrágio de quase 150 anos. Um mergulho nas águas claras e na história. E que história. Foi emocionante.

Tripulação do barco de Mergulho no Rhone

Tripulação do barco de Mergulho no Rhone


Eu e a Ana tivemos um mergulho super VIP. Apenas nós e um casal no barco. Guiados por duas belas loiras, uma alemã e outra inglesa. Quando as vi no barco, a Ana entre elas, achei que eram todas dinamarquesas, relembrando o tempo em que reinavam sobre as ilhas do outro lado do canal. Só faltaram alguns escravos para completar a imagem.

Fizemos dois mergulhos no naufrágio, o primeiro na parte mais profunda e o outro na parte mais rasa (o navio se partiu, com a explosão). Até a colher de chá do desaparecido capitão, deu para ver. Os mastros caídos, a caldeira, ferramentas, tudo está muito vivo ali. Água transparente, é impossível para nós imaginar um furacão e um mar bravio. Mas o Rhone está lá para mostrar que isso acontece.

Ana no barco que nos levou ao naufrágio do Rhone

Ana no barco que nos levou ao naufrágio do Rhone


De lambuja, ainda tivemos um terceiro mergulho num local com paredes incrustadas de corais coloridos, "Painted Walls", é nome desse local mágico. Mergulho maravilhoso. Na verdade, mergulhos maravilhosos. Os últimos dessa temporada caribenha. O próximo?Hmmm, acho que na Laje de Santos. Veremos.

Ilhas Virgens Britânicas, Tortola - Road Town, Mergulho

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Perdões

Brasil, Minas Gerais, Perdões

Fazenda do Aroldo e Ana Elisa em Perdões - MG

Fazenda do Aroldo e Ana Elisa em Perdões - MG


Ontem, dia 5, o dia amanheceu bem chuvoso. Perfeito para ficar em casa, lendo um jornal ou livro. Ou então para viajar e não perder um dia de sol dentro do carro. A Lalau e filhos já tinham partido no dia anterior e o Guto e família logo cedo. Restava a Gogóia, Tio Carlos, Chico e Luisa para nos desejar boa viagem quando apareceram o Betinho e a Cláudia para nos dar um alô e conhecer a Fiona. Desse modo, a despedida ficou ainda mais calorosa.

Despedida de Poços de Caldas (Gogóia, Cláudia, Betinho, Chico e Luisa

Despedida de Poços de Caldas (Gogóia, Cláudia, Betinho, Chico e Luisa


O destino da viagem de ontem era Perdões, pequena cidade no sul de Minas, à beira da rodovia Fernão Dias. A prima Ana Elisa e seu marido, o Aroldo, têm uma fazenda lá (ou aqui!). Faz tempo que a gente queria conhecer e não poderia haver melhor hora. A chuva nos acompanhou durante toda o trajeto mas a Fiona manda bem na água, dando muita segurança. Enquanto a Ana dormia (seu passatempo predileto durante as viagens de carro) eu relembrava com carinho aquele trajeto tão conhecido da infância. Durante os primeiros treze anos da minha vida, umas quatro vezes por ano, junto com pais e irmãos, viajávamos os 450 km de Belo Horizonte à Poços de Caldas. Uma longa viagem para um criança que, junto com os irmãos, inventava os mais diversos passatempos para, justamente, passar o tempo da viagem. À bordo de um possante Dodge e dos braços firmes do meu pai, eram cerca de 5 horas de viagem. Isso quando o carro não quebrava no meio do caminho, especialmente quando, por a família ser tão grande, trocávamos o Dodge por uma C-14. Pois bem, ontem refizemos parte desse trajeto tão conhecido na distante década de 70. A enorme torre da igreja de Elói Mendes continua lá, como que para dizer que o tempo não passa!

Aqui chegando fomos recebidos pela Ana Elisa. O Aroldo, por coincidência, estava terminando uma cavalgada até Carrancas, para onde devemos seguir amanhã. Fomos logo na casa da Tia Marlúcia, mãe da Nê (Ana Elisa). Ela acabou de se mudar para uma casa antiga, pé direito alto, muito legal. Ver essa minha tia sempre reaviva, de novo, as memórias da infância. Para quem me conhece e sabe o quão nostálgico eu sou vai saber que isso sempre me faz muito bem, reviver memórias...

Fazenda do Aroldo e Ana Elisa em Perdões - MG

Fazenda do Aroldo e Ana Elisa em Perdões - MG


Avestruz e Mula dividindo o mesmo pasto na fazenda em Perdões - MG

Avestruz e Mula dividindo o mesmo pasto na fazenda em Perdões - MG


De lá seguimos para a fazenda da Nê, pertinho de Perdões. O ar não poderia ser mais campestre: vacas, cavalos, mulas, galinhas, casas de fazenda. O toque mineiro é o relevo, morros para todos os lados. E, além do toque mineiro, há também um toque africano: um casal de avestruzes num pasto bem em frente à sede da fazenda. A gente ficou se escondendo do frio na aconchegante cozinha com seu forno à lenha, bebericando uma cerveja. Vidinha bem difícil, principalmente o almoço de comida mineira feito nesse fogão tradicional.

Fogão de lenha na cozinha da fazenda em Perdões - MG

Fogão de lenha na cozinha da fazenda em Perdões - MG


Mais tarde o Aroldo chegou e nos encontramos todos na cidade, para uma visita à casa de festas que eles possuem no centro (que bela estrutura!). Além de poder usar a internet de lá (na fazenda não há), ainda nos divertimos na boate, totalmente VIP para nós, o Aroldo de DJ.

Finalmente, o jantar foi uma das especialidades da região: Traíra sem espinhos. Acompanhada de feijão tropeiro e outras mineirices, uma delícia! Restou desabar na cama, dormir e acordar com barulho de fazenda. Coisa melhor não há.

Hoje cedo, enquanto o Aroldo e a Nê foram a um batizado eu e a Ana aproveitamos o dia ensolarado para tirar fotos da fazenda. Além de trabalhar um pouco. De tarde, vamos passear. Carrancas ficou para amanhã cedinho.

Avestruz na fazenda do Aroldo e Ana Elisa, em Perdões - MG

Avestruz na fazenda do Aroldo e Ana Elisa, em Perdões - MG


Rodrigo fotografando o avestruz na fazenda em Perdões - MG

Rodrigo fotografando o avestruz na fazenda em Perdões - MG


Casal de avestruzes na fazenda do Aroldo e Ana Elisa, em Perdões - MG

Casal de avestruzes na fazenda do Aroldo e Ana Elisa, em Perdões - MG

Brasil, Minas Gerais, Perdões,

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De Volta às Estradas, Rotas e Compromissos

Argentina, Las Grutas

De volta às estradas argentinas, agora cruzando as infinitas planícies da região dos Pampas, entre Tandil e Bahia Blanca

De volta às estradas argentinas, agora cruzando as infinitas planícies da região dos Pampas, entre Tandil e Bahia Blanca


Mais uma vez estamos com o pé na estrada aqui na Argentina a bordo na nossa querida Fiona. E mais uma vez também, estamos correndo atrás do relógio, pois estamos com um compromisso com data e hora marcadas lá na Ilha do Mel, litoral do nosso Paraná. Temos um casamento no dia 7 de Dezembro, portanto daqui a 12 dias. Ilha do Mel está completamente fora da nossa rota atual, fica a nordeste daqui e nós estamos rumando para sudoeste. Para nos arrancar daqui, no meio da nossa viagem, só se fosse o casamento de pessoas muito especiais. E no caso, são! A Laura e o Rafa, nossos padrinhos de casamento, vieram nos “visitar” várias vezes durante esses 1000dias. Caminharam conosco nas dunas de Itaúnas, no Espírito Santo, mergulharam em Galápagos, desbravaram Cuba e até no distante Havaí foram nos encontrar. E agora decidiram se casar lá na Ilha do Mel, exatamente na mesma praia e pousada que nós casamos também, há 55 meses. E para garantir mesmo que nós não faltássemos ao evento, eles nos convidaram para ser padrinhos. Então, assim será.

Em laranja, as três rotais pelas quais já cruzamos a Argentina nesses 1000dias. Em azul, a rota que inciamos agora, rumo a Bariloche e passando pela Península Valdez

Em laranja, as três rotais pelas quais já cruzamos a Argentina nesses 1000dias. Em azul, a rota que inciamos agora, rumo a Bariloche e passando pela Península Valdez


Debruçados sobre mapas, tentando otimizar ao máximo nosso roteiro, viagem e compromissos sociais, decidimos que o melhor seria voar para Curitiba lá de Bariloche. Deixamos a Fiona por alguns dias no aeroporto e fazemos um rápido e intenso bate-volta. Compramos a passagem para o dia 5, o que nos dará tempo para seguir até a Ilha do Mel, e voamos de volta no dia 9. Vai ser corrido, mas vai valer a pena! Enfim, temos que chegar a Bariloche antes disso. Na verdade, alguns dias antes disso, pois agora combinamos de encontrar a Rowan por lá para viajar alguns dias pela região com ela. Assim, quando retornarmos de Curitiba, já podemos seguir diretamente para o sul, rumo à Terra do Fogo. Então, essa é a ideia: seguir correndo para Bariloche. Mas no caminho, ainda queremos passar pela fantástica Península Valdez. Um roteiro de mais de 2 mil quilômetros em poucos dias e muita coisa para se ver e fazer. Só para não “perdermos a prática”, hehehe.


Infelizmente, o Google Maps não consegue mostrar a rota mais curta e inteligente, mas enfim, foi por essas cidades que passamos, num roteiro 100 km mais curto que o mostrado acima

Por isso a pressa ontem em deixar Pilar e seguirmos para o sul, apesar já ser final de tarde e de já termos viajado lá de Ushuaia de avião no mesmo dia. Estávamos prontos para cruzar esse país de lado a lado mais uma vez. Será nossa quarta vez nesses 1000dias a fazer isso. Na primeira vez entramos vindos lá da Bolívia, no norte. Exploramos a região de Salta e seguimos para o deserto do Atacama, no Chile. Na segunda vez entramos vindos do Rio Grande do Sul, na região das Missões, passamos por grandes cidades como Corrientes e Santiago del Estero e cruzamos para o Chile pelo maravilhoso Paso San Francisco. Finalmente, entramos na última vez por Mendoza, vindos do Chile. Conhecemos parques nacionais e metrópoles como Córdoba e Rosário e finalmente chegamos a Buenos Aires. Agora, nessa quarta travessia, primeiro seguiremos para o sul, cruzando a região dos Pampas e chegando a uma cidade praiana. Daí para a Península Valdez, paraíso de baleias, focas e guanacos. Por fim, daí vamos cruzar o país de leste a oeste até Bariloche.

A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina

A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina


Planos feitos, mãos a obra e pé na tábua. Ontem dirigimos quase 400 km até a cidade de Tandil. Infelizmente, nessa nossa agenda apertada tivemos de desistir mais uma vez de Mar del Plata. Seria um desvio muito grande para podermos passar muito pouco tempo por lá. Faz tempo que quero conhecer o mais famoso balneário argentino, mas outra vez teremos de deixar para a próxima. O pior é que dessa vez tínhamos até sido convidados a passar por lá por um simpático casal que conhecemos lá na pequena ilha de Providencia, no caribe colombiano. Enfim, não deu dessa vez... Já a cidade de Tandil, confesso minha ignorância e admito que nunca tinha ouvido falar. Apenas parecia um bom lugar para dormirmos no caminho. Eis que a cidade é a mais bela e interessante da região dos Pampas. Localizada ente colinas e rochedos, é um paraíso para quem gosta de escalar em rocha. Assim como para mountain bikers. E também para os amantes de queijo, pois a região é umas das principais produtoras de derivados de leite no país. Enfim, merecia alguns dias de exploração e deleite. Mas nós chegamos lá a meia noite e, para nossa surpresa, foi um parto achar lugar em hotéis. Todos lotados. Já estava a ponto de desistir e dormir na Fiona mesmo. Mas a Ana insistiu e, numa última tentativa, já duas horas da manhã, encontrou um lugar joia. Nós dormimos o sono dos justos e hoje, logo cedo, já estávamos na estrada. Seriam mais 750 km até a pequena Las Grutas, pequena cidade praiana já ao sul de Bahia Blanca muito recomendada pelo nosso amigo Chetoba. Mas antes de deixarmos a surpreendente Tandil, ainda paramos numa loja para comprar um bom queijo. Era o mínimo que poderíamos fazer para “saborear” um pouco as atrações dessa cidade! Chegamos a Las grutas no final da tarde e logo nos encantamos. Tanto que decidimos ficar aqui todo o dia de amanhã também. Um merecido descanso depois dessa correria toda que começou lá em Ushuaia e um lugar perfeito para recarregarmos as baterias antes de chegarmos a uma das principais atrações turísticas do país: a Península Valdez.

Curtindo o fim de tarde em Las Grutas, na Argentina

Curtindo o fim de tarde em Las Grutas, na Argentina

Argentina, Las Grutas, Estrada, Tandil

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Conhecendo o Cotopaxi

Equador, Quito, Baños, Cotopaxi

O vulcão Cotopaxi, o mais alto do mundo em atividade, no Equador

O vulcão Cotopaxi, o mais alto do mundo em atividade, no Equador


A manhã de hoje foi dedicada às burocracias finais do nosso live aboard em Galápagos e à definição das nossas "escaladas" nos vulcões Cotopaxi e Chimborazo. Preenchemos e entregamos a papelada do live aboard, que começa dia 25 e se estenderá por oito dias e sete noites. Depois, teremos mais dois dias em Galápagos e retornamos para Quito no dia 04 de Outubro. O Rafa e a Laura voltam para o Brasil no dia seguinte e nós, depois de fazermos a revisão da Fiona dos 60 mil km, partimos para a Colômbia.

Carregando a Fiona com a bagagem de quatro pessoas, em Quito - Equador

Carregando a Fiona com a bagagem de quatro pessoas, em Quito - Equador


Quanto às escaladas, vamos fazer os vulcões devidamente acompanhados de guias. Escolhemos uma das mais conhecidas agências de Quito, a Gulliver, e hoje passei uma hora por lá definindo como e quando serão as escaladas. O Equador possui o mais alto vulcão em atividade do mundo, o Cotopaxi, com 5.890 metros e também o mais alto já extinto, o Chimborazo, com pouco mais de 6.300 metros. Nos dois casos, a escalada dura dois dias. Como não temos tempo para fazer os dois, resolvemos nos dividir! A Ana, a Laura e o Rafa vão tentar o Cotopaxi enquanto eu vou me arriscar no Chimborazo. Nos dois casos, a escalada envolve um bom trecho de subida em neve e gelo e é preciso usar grampões, roupas adequadas e até uma picareta. A Gulliver fornece tudo isso para nós. Ela possui uma mesma base de operações para as duas montanhas e dormiremos todos lá no dia 22. No dia 23, cada grupo seguirá para o seu vulcão, indo dormir em refúgios na montanha em altitudes próximas dos 5 mil metros. Na madrugada seguinte, do dia 24, partimos cada qual para o seu cume, que devem ser atingidos quando o sol estiver nascendo. Aí descemos, reencontramo-nos todos na base de operações e voltamos para Quito.

Estrada coberta de granizo no parque Cotopaxi, no Equador

Estrada coberta de granizo no parque Cotopaxi, no Equador


Enfrentando o granizo na estrada de acesso ao Cotopaxi, o Equador

Enfrentando o granizo na estrada de acesso ao Cotopaxi, o Equador


Definidos os vulcões, agora precisávamos de um plano de aclimatação à altitude para o Rafa e para a Laura. Eu e a Ana já nos consideramos aclimatados, apesar da semana passada ao nível do mar desde Trujillo, no Peru. Assim, resolvemos seguir diretamente para o vulcão Cotopaxi, no nosso caminho para o sul do Equador. Ali é possível chegar de carro até os 4.550 metros e, de lá, caminhar até o refúgio construído um pouco acima dos 4.800 metros de altitude.

Laguna no Parque Cotopaxi, no Equador

Laguna no Parque Cotopaxi, no Equador


A Ana, a Laura e o Rafa subindo para o refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador

A Ana, a Laura e o Rafa subindo para o refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador


Nosso único problema era chegar até lá antes que o parque fechasse para entradas, às três da tarde. Nem é tão longe, mas o difícil é conseguir sair da capital, Quito, com seu trânsito super amarrado. Com paciência, enfrentando todos os desvios, já que a Panamericana está em obras de ampliação, conseguimos sair da grande cidade e chegamos finalmente à estrada. De lá para o Cotopaxi foi rapidinho e chegamos à portaria do parque 15 minutos antes do prazo. O tempo tem estado meio chuvoso nesses dias e hoje não foi diferente. Não só o vulcão estava escondido como, naquela altitude, ao invés de água, tivemos gelo caindo do céu. A primeira chuva de granizo da Fiona, bem na entrada do parque nacional! Foi lindo!

O refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador

O refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador


Refúgio do Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador

Refúgio do Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador


O granizo passou e pudemos seguir até o estacionamento, passando antes por uma bela laguna ainda abaixo dos 4 mil metros. Lá no estacionamento, devidamente vestidos para enfrentar o frio e a neve fina que caía (já estamos ficando acostumados com a neve, hehehe), iniciamos nossa ascensão de 300 metros até o refúgio. A trilha é sobre terra solta, bem mais cansativo que no El istí, em Arequipa, mas devagarzinho eu cheguei lá encima. Tirei fotos dos companheiros que subiam atrás e aí, por alguns momentos, as nuvens abriram e o majestoso vulcão deu o ar da sua graça. Lindo e imponente! O Rafa chegou um pouco depois e, mais abaixo, a Ana e a Laura.

Dentro do confortável refúgio do vulcão Cotopaxi, no Equador

Dentro do confortável refúgio do vulcão Cotopaxi, no Equador


No refúgio do vulcão Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador

No refúgio do vulcão Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador


Passamos um tempo no refúgio, o mesmo que eles vão passar a noite antes do ataque final ao cume. Umas vinte pessoas estavam ali, se preparando para a escalada na madrugada de amanhã. Mas a gente não. Só tomamos um chá e começamos a descer, antes que o parque fechasse suas portas também para saída. Para baixo todo santo ajuda e rapidamente estávamos de volta à Fiona. Um lobo nos espreitava, enfrentando o frio e a altitude em busca de comida. Ao invés disso, ganhou algumas fotos!

Descendo o vulcão Cotopaxi sob forte neblina, no Equador

Descendo o vulcão Cotopaxi sob forte neblina, no Equador


Descendo o refúgio do Cotopaxi, no Equador

Descendo o refúgio do Cotopaxi, no Equador


Completada a tarefa de aclimatação, seguimos para a cidade de Baños, aos pés do mais ativo vulcão do Equador, o Tungurahua. Várias pequenas erupções nos últimos anos, incluindo algumas maiores de 2006 e 2007. Mas tem estado meio calmo ultimamente. Chegamos aqui já no escuro, intalamo-nos no Hostal Santa Cruz e fomos jantar. A cidade é uma meca do eco-turismo aqui no Equador, oferecendo programas de trekking, rafting, canyoning e por aí vai. Muitas cachoeiras, a proximidade da floresta amazônica e de um vulcão ativo possibilita os mais variados programas. Mas, como o próprio nome diz, o mais tradicional são os banhos em águas termais e terapêuticas.

Um lobo nos observa, a 4.500 metros de altitude, no Cotopaxi, no Equador

Um lobo nos observa, a 4.500 metros de altitude, no Cotopaxi, no Equador


Isso tudo fica para amanhã, quando teremos de fazer nossas escolhas. Não temos muito tempo, já que ainda queremos seguir até Cuenca, bem mais ao sul. Agora de noite a Laura começou a se sentir mal. Esperamos que ela melhore para que amanhã tenhamos um dia intenso por aqui. Precisamos estar todos em forma até o dia 23!

Observando as nuvens do estacionamento do Cotopaxi, no Equador

Observando as nuvens do estacionamento do Cotopaxi, no Equador

Equador, Quito, Baños, Cotopaxi, trilha, vulcão

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