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SHUFFLE Há 1 ano: Alaska Há 2 anos: Alaska

Dirigindo em Tobago

Trinidad e Tobago, Crown Point, Speyside, Englishman Bay

Partida de Speyside em direção à Crownpoint. Mão inglesa em  Tobago

Partida de Speyside em direção à Crownpoint. Mão inglesa em Tobago


Conforme combinado, "nosso" carro chegou ao hotel logo cedo. Dois dias antes, após árdua negociação ao telefone, consegui alugar um carro por um dia, pegá-lo em Speyside e, o melhor, devolvê-lo no aeroporto de Crown Point, no outro dia cedinho. Assim, a economia do táxi para nos levar através da ilha, mais a diferença de preços entre nossos hotéis em Speyside e Crown Point foi mais do que o suficiente para pagar a diária do carro mais o combustível. Um bom negócio!

Dirigindo de Speyside à Crownpoint, em Tobago

Dirigindo de Speyside à Crownpoint, em Tobago


Fui com o rapaz da empresa até seu escritório preencher a papelada e, na volta, já ao volante, vim me acostumando à mão inglesa e ao volante do lado direito do carro. Para mim, o mais difícil é não confundir o limpador de parabrisas com o pisca-pisca. Sempre ligo o errado! Fora isso, o resto é tranquilo, principalmente nas estradas pouco movimentadas de Tobago.

Na bela praia de Parlatuvier Bay, durante a viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago

Na bela praia de Parlatuvier Bay, durante a viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago


Nós seguimos para o outro lado da ilha pela costa norte, voltada para o mar do Caribe. É uma estrada muito parecida com a Rio-Santos, subindo e descendo morros, só que bem mais estreita. Entre cada morro, uma baía com uma praia linda, água verdinha, areia amarelada, as montanhas mergulhando no mar. Muito parecido mesmo com aquele litoral de Ubatuba à Angra dos Reis.

A bela praia de Parlatuvier, durante viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago

A bela praia de Parlatuvier, durante viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago


Passamos e fomos tirando fotos de Charlotteville, Bloody Bay (linda baía palco de uma sangrenta batalha entre holandeses e franceses), Parlatuvier, Castara e Englishman's Bay. Sempre com uma vista magnífica do mar do Caribe, principalmente quando estávamos no alto dos morros.

Restaurante em Castara Bay, onde almoçamos durante a viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago

Restaurante em Castara Bay, onde almoçamos durante a viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago


Restaurante em Castara Bay, onde almoçamos durante a viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago

Restaurante em Castara Bay, onde almoçamos durante a viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago


Em Castara, almoçamos num restaurante transado, na pontinha da praia. Era como se estivéssemos em alguma praia de Ubatuba. Muito legal! Mas, mais parecido ainda foi em Englishman's Bay, onde fomos curtir a praia e nadar um pouco. Ela fica um pouco afastada da estrada principal, o que lhe empresta um ar mais isolado. Igualzinha à Praia vermelha do Sul (dos Arquitetos), em Ubatuba. Mesma água, mesma areia, orla sem casas aparentes e algumas casas no alto do morro. Eu e a Ana até fomos nadando até uma bóia mais distante, exatamente como fizemos nesta praia em Ubatuba. Não sei se, ao fazer isso, matamos a nossa saudade ou se a aumentamos mais ainda... De qualquer maneira, foi ótimo!

Praia de Englishman'´s Bay, na costa norte de Tobago

Praia de Englishman'´s Bay, na costa norte de Tobago


Praia de Englishman'´s Bay, na costa norte de Tobago

Praia de Englishman'´s Bay, na costa norte de Tobago


Também ficamos amigos de dois casais de americanos, todos da melhor idade, que ficaram muito interessados em nossa viagem. Até ofereceram guarida para nós, quando passarmos por Milwalkee. Será que chegaremos lá?

Encontro com os casais americanos de Miwaukee, na praia de Englishman'Bay, em Tobago

Encontro com os casais americanos de Miwaukee, na praia de Englishman'Bay, em Tobago


Ainda deu tempo de pegar um lindo pôr-do-sol na Great Courland Bay, local onde há um monumento à esta antiga nação desaparecida no tempo. De lá para o nosso hotel em Crown Point. Foi um dia bem gostoso, o último desse nosso primeiro ano de viagem!

Magnífico pôr-do-dol em Great Courland Bay, região de Crownpoint, em Tobago

Magnífico pôr-do-dol em Great Courland Bay, região de Crownpoint, em Tobago

Trinidad e Tobago, Crown Point, Speyside, Englishman Bay, Castara, Charlotteville, Tobago

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Chegando aos Llanos

Venezuela, Los Llanos

Capivaras vivem às milhares no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Capivaras vivem às milhares no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Os “llanos” são uma grande planície no sudoeste da Venezuela que é alagada sazonalmente durante as cheias do rio Orinoco e de seus principais afluentes. É uma área de fauna abundante, com centenas de espécies de pássaros, répteis e mamíferos que se aproveitam da rica vegetação que se renova a cada ano. Qualquer semelhança com o nosso Pantanal não é mera coincidência, já que os ecossistemas são extremamente parecidos.

Chegando às planícies alagadas da região dos llanos, na Venezuela

Chegando às planícies alagadas da região dos llanos, na Venezuela


A criação de gado é muito comum na região dos llanos, na Venezuela

A criação de gado é muito comum na região dos llanos, na Venezuela


Aliás, exatamente como o nosso Pantanal, a região se especializou na criação de gado, que também se adapta bem a esse tipo de terreno. Mas o potencial dessa incrível beleza da paisagem e, principalmente da fauna, não passaram desapercebidas dos fazendeiros locais e, na década de 90, popularizou-se o turismo em fazendas para se vivenciar um pouco dessa natureza exuberante.

Época de florada na região dos llanos, na Venezuela

Época de florada na região dos llanos, na Venezuela


Uma infinidade de espécies de aves vive na região dos llanos, na Venezuela

Uma infinidade de espécies de aves vive na região dos llanos, na Venezuela


As grandes fazendas na região são conhecidas por “Hatos” e vários desses hatos se transformaram em destinos turísticos procurados por viajantes de todo o mundo que vinham para cá para passar vários dias. Pagavam em dólares por pacotes completos que incluíam todas as refeições, a estadia e os passeios em jipes e barcos. A mais famosa e tradicional dessas fazendas era o Hato Piñero e nós, viajando ainda com o livro-guia que tínhamos comprado para nossa viagem de 2007, tínhamos escolhido ela para conhecer os llanos. Mas o livro estava desatualizado...

Época de florada na região dos llanos, na Venezuela

Época de florada na região dos llanos, na Venezuela


Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Além de empreendimentos turísticos, esses hatos também eram grandes fazendas produtoras. Todo o setor passou por uma profunda crise nesses últimos cinco anos de regime chavista. Seja por oposição ao governo, seja pela dificuldade em produzir em um país com regras, preços e câmbio instáveis e desfavoráveis, principalmente porque todos os insumos são importados, a produção de alimentos declinou bastante. O setor passou a ser o novo alvo do presidente, que ameaçou com a nacionalização das terras, promessa que realmente cumpriu. Uma a um, todos os hatos foram expropriados. A consequência: fim da atividade turística e um declínio ainda maior da produção de alimentos.

Um vistoso lagarto logo na entrada do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Um vistoso lagarto logo na entrada do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Um enorme jacaré no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Um enorme jacaré no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Foi dessa situação que começamos a nos inteirar, ainda em Mérida. Felizmente, não chegamos a viajar as centenas de quilômetros até o Hato Piñero para dar de cara com uma porta fechada. O estranho é que seu site de internet continua a funcionar, com seus preços em dólares e tudo. Mas, como a própria fazenda, aparentemente está inativo já há alguns anos.


O google não sabe traçar a rota, mas na foto por satélite, podemos observar o Hato El Cedral (C). Saímos de Barinas (A) e depois seguiremos por San Fernado de Apure (D), a capital dos llanos

O que descobrimos também foi que um último Hato ainda estava funcionando, o El Cedral, o que acabou por definir nosso caminho para cruzar o país pela rota sul, onde está a fazenda. Normalmente, esses hatos requerem reserva antecipada, feita e paga em Caracas, mas como estamos em um período de vacas magras para o turismo em geral no país, fomos aconselhados a seguir diretamente para lá.

Um jacaré muito bem alimentado no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Um jacaré muito bem alimentado no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Cegonha no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Cegonha no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Assim fizemos. Dormimos ontem em Barinas, já na metade do caminho, e hoje seguimos diretamente para a fazenda, onde chegamos no meio da tarde. Na entrada, demos de cara com soldados da Guarda Nacional, a mesma situação de todos os outros hatos “nacionalizados”. Mas esse aqui, como haviam nos dito, está mesmo funcionando. Porém, rnão estão mesmo acostumados com turistas chegando sem avisar. Telefona daqui, telefona dali e fomos autorizados a entrar. Viva, teríamos nossa chance de conhecer os llanos!

Criação de jacarés no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Criação de jacarés no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Criação de jacarés no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Criação de jacarés no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Os poucos quilômetros de estrada de terra que levam do portão da fazenda até a sede do Hato já foram uma bela amostra do que iríamos encontrar por ali, em termos de paisagem e vida animal. Capivaras, jacarés, iguanas, tartarugas e várias espécies de pássaros. Um verdadeiro show de natureza!

Uma pequena tartaruga no criadouro do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Uma pequena tartaruga no criadouro do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Uma serpente no criadouro do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Uma serpente no criadouro do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Chegando à sede, fomos acomodados e nos explicaram como funciona o turismo por ali. Toda manhã e toda a tarde um caminhão sai com os turistas presentes para poder ver os animais. Um guia acompanha e vai explicando tudo. Como nós chegamos no final da tarde, teríamos de esperar até o passeio de amanhã de manhã. A vantagem é que, para o passeio de amanhã, só estamos nós dois, enquanto que no passeio de hoje havia um grupo de venezuelanos.

Uma enorme sucuri no serpentário do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Uma enorme sucuri no serpentário do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


A Ana tenta socializar com uma sucuri no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

A Ana tenta socializar com uma sucuri no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Já que não podíamos mais fazer um passeio hoje, o gerente do hato nos levou até o criadouro de animais, logo atrás da sede da fazenda. Lá, encontramos filhotes de tartarugas e jacarés que, quando mais velhos, serão soltos nos rios e lagos do hato El Cedral. Mas o que mais nos chamou a atenção, sem dúvida, foram as sucuris do serpentário. Uma delas, com mais de cinco metros, repousava tranquilamente perto da grade, permitindo até mesmo que a tocássemos, ela dentro e nós do lado de fora, claro! Deu até um arrepio de pensar em encontrar um animal desses, solto, nos terrenos alagadiços dos llanos.

O nosso jantar na primeira noite no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

O nosso jantar na primeira noite no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Preparando nosso jantar no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Preparando nosso jantar no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Depois da visita, fomos descansar na piscina da sede enquanto que, ali do lado, preparavam um churrasco que seria o nosso jantar de hoje. Foi quando aconteceu a coisa mais incrível do dia. Uma grande tempestade se aproximava, pintando o céu com um lindo tom de cinza. Antes da chuva, chegou uma forte ventania. Foi quando centenas de pássaros, grandes e pequenos, brancos e negros, das mais variadas espécies, aproveitaram para fazer suas revoadas e “brincar” com vento.

Uma tempestade se aproxima do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Uma tempestade se aproxima do Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Centenas de pássaros de variadas espécies aproveitam a ventania trazida por uma tempestade para fazer suas revoadas, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Centenas de pássaros de variadas espécies aproveitam a ventania trazida por uma tempestade para fazer suas revoadas, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Que coisa mais incrível! Jamais nos esqueceremos dessa cena. Ficamos ali, dentro da piscina, maravilhados com o show que acontecia sobre nossas cabeças. Aquela mescla de cores e sons em meio às acrobacias aéreas. As árvores ao redor da piscina também se encheram de aves que se empoleiravam para passar a noite, muitas vezes várias espécies em uma mesma árvore e até, em um mesmo galho. Que abundância de vida e de energia!

Da piscina, maravilhada, a Ana acompanha as revoadas de pássaros sobre nossas cabeças, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Da piscina, maravilhada, a Ana acompanha as revoadas de pássaros sobre nossas cabeças, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Centenas de pássaros de variadas espécies aproveitam a ventania trazida por uma tempestade para fazer suas revoadas, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Centenas de pássaros de variadas espécies aproveitam a ventania trazida por uma tempestade para fazer suas revoadas, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela


Amanhã, então, já temos compromisso: bem cedinho, sol raiando, um passeio particular de caminhão pelas maravilhas do Hato El Cedral

Centenas de pássaros de variadas espécies aproveitam a ventania trazida por uma tempestade para fazer suas revoadas, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Centenas de pássaros de variadas espécies aproveitam a ventania trazida por uma tempestade para fazer suas revoadas, no Hato El Cedral, na região dos llanos, na Venezuela

Venezuela, Los Llanos, Bichos, Hato El Cedral

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Pelas Praças de Guadalajara

México, Guadalajara

Plaza de La Liberación em  Guadalajara, no México

Plaza de La Liberación em Guadalajara, no México


Hoje, após o refresco de Tlaquepaque, estávamos prontos para enfrentar um dia de andanças pelo centro de Guadalajara. Optamos por deixar a Fiona seguramente guardada num estacionamento e seguir de táxi ao centro histórico, para não termos de nos preocupar com caminho, trânsito e estacionamento da nossa companheira. Guadalajara é a segunda maior cidade mexicana e a região metropolitana tem mais de 4 milhões de habitantes. Trânsito pesado, imaginei.

A bela Catedral de Guadalajara, no México

A bela Catedral de Guadalajara, no México


Que nada! Para começar, nem sinal daquelas gigantescas freeways da Cidade do México. Apenas avenidas “normais”, com canteiros, cruzamentos, sinais, etc... Prefiro assim! Segundo, o trânsito estava uma beleza. Talvez por ser sábado. Ou ainda, pela enorme confusão de ontem, que deixou toda a cidade assustada.

Interior da Catedral de Guadalajara, no México

Interior da Catedral de Guadalajara, no México


Confusão? Pois é, eu também não sabia de nada, pelo menos até tomarmos nosso delicioso desayuno no hotel, devidamente acompanhado do jornal do dia, cortesia da casa. Ontem de manhã, numa operação especial, o exército mexicano prendeu em Guadalajara o chefe do cartel mais poderoso do estado de Jalisco. A vingança dos traficantes veio logo. Numa operação que muito lembra o Comando Vermelho ou o PCC dos “bons tempos”, vários ônibus foram incendiados na cidade e nas estradas da região. Guadalajara praticamente parou às 15:00 de ontem, ninguém mais querendo sair de casa ou andar pelas ruas.

Ônibus turístico no centro de Guadalajara, no México

Ônibus turístico no centro de Guadalajara, no México


E nós, que chegávamos à cidade nessa mesma hora, nem percebemos nada. Rumamos diretamente à tranquila Tlaquepaque e nada vimos ou sentimos. Enfim, hoje a imprensa estava em polvorosa. Jamais havia acontecido nada parecido aqui em Guadalajara. O cartel parece ter ficado satisfeito com o que conseguiu e hoje não chateou mais. A cidade e o trânsito estavam serenos como nunca.

Palacio del Gobierno, em Guadalajara, no México

Palacio del Gobierno, em Guadalajara, no México


A gente seguiu diretamente para a majestosa Catedral da cidade. Normalmente, a catedral fica na praça central de uma cidade. Mas aqui em Guadalajara, não é bem assim. Não que não fique no centro, mas é que a Catedral não tem “apenas” uma praça, mas quatro! Uma em cada lado, cada uma com seus próprios prédios públicos, jardins e atrações, conferindo personalidades distintas para cada praça. Muito legal!

Um anjo pousa na Plaza Tapatía, em Guadalajara, no México

Um anjo pousa na Plaza Tapatía, em Guadalajara, no México


A Catedral em si, além de majestosa por fora, é deslumbrante por dentro. Muito bonita mesmo. Depois de passarmos um tempo dentro dela, passamos a percorrer as quatro praças, todas cheias de vida como todas as praças mexicanas. Foi quando a fome bateu e fomos procurar um bom restaurante. Não demorou muito e achamos um muito charmoso, construído numa antiga mansão colonial. Soma-se a fome, a vontade de comer e a qualidade da comida e o resultado foi um excelente almoço.

Formatura com pompa e cisrcunstância em Guadalajara, no México (Instituto Cabañas))

Formatura com pompa e cisrcunstância em Guadalajara, no México (Instituto Cabañas))


Voltamos então às praças! Dessa vez àquela que fica atrás da Catedral, a Plaza de La Liberación. Foi onde nasceu a cidade, por volta de 1540, o evento imortalizado num grande escultura na praça. No lado oposto está o pomposo prédio que abriga o principal teatro de Guadalajara. E atrás dele, a Plaza vira um calçadão que se estende até a próxima praça, a Tapatía. Essa é a mais movimentada de todas, artistas de rua com suas performances, muitas famílias passeando juntas e até um pessoal tirando a tradicional foto de formatura num dos prédios públicos da praça.

Mercado San Juan de Diós, em Guadalajara, no México

Mercado San Juan de Diós, em Guadalajara, no México


Bem ali do lado está um dos mercados mais conhecidos do México, o San Juan de Diós. Dois grandes quarteirões cobertos e um labirinto de corredores e passarelas cercados por lojas e vendas de produtos de todo o tipo. Desde as tradicionais frutas e hortaliças passando por artesanato e produtos para simpatia, chegando aos tradicionais sombreros e artigos de couro. Examinando as botas e cintas, sentimos aquele patriotismo chinfrim: são produtos brasileiros!

Venda de botas no Mercado San Juan de Diós, em Guadalajara, no México

Venda de botas no Mercado San Juan de Diós, em Guadalajara, no México


No meio do mercado, uma grande praça aberta, mais uma na nossa lista de hoje. Ali, um show de música típica animava o público, gente só de passagem ou os poucos turistas que chegaram até lá. A música da praça nos animou a seguir até uma outra, a poucos quarteirões dali. A famosa Plaza de Los Mariachis, onde nasceu esse movimento, muitas décadas atrás. Daí se espalhou pelo país, principalmente para o sul, tornando-se um dos símbolos mais conhecidos do México.

A famosa Plaza de los Mariachis, no centro de Guadalajara, no México

A famosa Plaza de los Mariachis, no centro de Guadalajara, no México


Mariachi descansa pela ausência de clientes, em Guadalajara, no México

Mariachi descansa pela ausência de clientes, em Guadalajara, no México


Então, fomos lá prestar uma reverência e brindar uma cerveja a eles. Infelizmente, a praça já não é mais aquela, quase sem turistas e com os mariachis sentados em suas cadeiras, esperando clientes. Hoje, segundo dizem, o melhor lugar para observá-los é mesmo na praça de Tlaquepaque, onde estivemos ontem. Realmente, lá é mais animado...

A Ana pratica sapateado no tradicional clube La Fuente, no centro de Guadalajara, no México

A Ana pratica sapateado no tradicional clube La Fuente, no centro de Guadalajara, no México


Mas nós continuávamos animados. Voltamos pelas mesmas praças que já tínhamos passado até a Plaza La Libertad, atrás da Catedral. Ali pertinho está um dos botecões mais tradicionais de Guadalajara, o La Fuente. Um salão sem janelas, pé direito alto, cheio de bebedores profissionais e muito boa música, ao vivo. Melhor que isso, uma simpática moça fazendo sapateado num tablado em frente à banda de música. Não demorou muito e ela levou a Ana para lá, para alegria dos clientes do bar. Minha querida esposa não fez feio e sapateou à vontade!

Famosa Birrieria no centro de Guadalajara, no México

Famosa Birrieria no centro de Guadalajara, no México


Depois de tanto esforço, a fome apertou novamente. Fomos então para a última praça da noite, a Plaza de Las Nueve Esquinas, alguns poucos quarteirões ao sul da Catedral. Ali é o melhor lugar para encontrar Birrierias, que vendem carne de bode e de carneiro em pratos típicos. Entre uma birria (carne de bode) e uma barbacoa (carne de carneiro), ficamos com a segunda. Uma delícia! Principalmente com um pouco de chilli. Aliás, de pouco em pouco vou me acostumando com o ardido da pimenta e ficando mais fã dela. Mas, para chegar ao nível mexicano, ainda tenho de comer muito feijão! Ou frijoles, como dizem aqui.

Tradicionalíssimo jantar na Birrieria 9 Esquinas, no centro de Guadalajara, no México

Tradicionalíssimo jantar na Birrieria 9 Esquinas, no centro de Guadalajara, no México


E assim terminamos o dia, de estômagos cheios e felizes. Rapidinho o táxi nos levou de volta à tranquilidade de Tlaquepaque, onde devemos passar um sai tranquilo amanhã, antes de continuarmos nossa jornada rumo ao norte do país.

Frase universal! (Guadalajara, no México)

Frase universal! (Guadalajara, no México)

México, Guadalajara,

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Caminhando por San Francisco

Estados Unidos, Califórnia, San Francisco

Caminhando na deliciosa Alamo Square, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Caminhando na deliciosa Alamo Square, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


San Francisco é mesmo uma cidade diferente do padrão americano. A começar pelo relevo. Construída sobre dezenas de colinas, mas com ruas sempre retas, não é de se estranhar que haja tantas ladeiras. No topo de quase todas elas, um parque com uma bela vista dos arredores. Entre as colinas, as diversas vizinhanças que, apesar de uma origem étnica diferente, como italiana ou chinesa, acabaram por se misturar ao longo do tempo.

Andando nos famosos bondinhos de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Andando nos famosos bondinhos de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Outra coisa interessante é que várias dessas vizinhanças tem vida própria, uma arquitetura distinta e suas próprias atrações e restaurantes. Enfim, é quase como se fossem várias cidades dentro de uma só cidade. E cada uma dessas “pequenas cidades” merece ser visitada e bisbilhotada. Algumas tem como ponto forte seus museus, como a região do SOMA (SOuth ou MArket St.), outras o burburinho, como North Beach, outras a vista, como Fisherman’s Wharf, e algumas por sua história, como Chinatown e a região da Haight Street.

Andando nos famosos bondinhos de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Andando nos famosos bondinhos de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Para ir de um bairro a outro, é preciso enfrentar as ladeiras ou dar uma longa volta pela orla. Pode-se, também, usar o eficiente e charmoso sistema de transporte público da cidade. O mais famoso (e caro!) deles é o Cable Car, ou bonde, que leva do Fisherman’s Wharf ao centro, ladeira acima, local de tantas cenas de filmes de cinema ou de seriados de TV. Quantas vezes já não vi carros de polícia em perseguição a bandidos (ou mocinhos!) por essas mesmas ladeiras...

Eu amo San Francisco! (Califórnia, nos Estados Unidos)

Eu amo San Francisco! (Califórnia, nos Estados Unidos)


Outra opção é o trólebus (custa um terço dos seis dólares do bonde), que segue por toda a orla e nos deixa na Market Street, a principal rua do centro. Tem sempre também a opção dos táxis, de uma bicicleta alugada e, claro, das boas e velhas pernas. Com tantos bairros a serem explorados, muitas deles vizinhos entre si, a melhor opção é uma mescla de todos esses meios de transporte.

Ringue de patinação no gelo na Union Square, centro de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Ringue de patinação no gelo na Union Square, centro de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Por exemplo, é quase obrigatório pegar o bonde pelo menos uma vez. Afinal, só andar nele já é a própria atração turística. E foi assim que começamos nosso dia de ontem. Como já havíamos caminhado por North Beach e Chinatown no dia anterior, ontem foi a vez de pegar o bonde diretamente para o centro e, a partir de lá, botar as pernas para trabalhar. Pegamos o bonde a dois quarteirões do nosso hotel, subimos até o alto da Lombard Street, com direito a vistas magníficas da baía e da Golden Gate, muitas poses para fotos e seguimos até o centro, mais precisamente até a Union Square (o bonde nos deixou a duas quadras de lá).

O pomposo City Hall de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O pomposo City Hall de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


A praça é cercada de grandes magazines e, nessa época do ano, tem uma concorrida pista de patinação no gelo. Depois das fotos de praxe e admirando a decoração natalina das vitrines de lojas de marca, seguimos caminhando para a Market Street, uma verdadeira avenida e, no seu lado sul, ao SOMA. Aí estão dezenas de museus e galerias de arte, concentrados principalmente ao redor da simpática praça de Yerba Buena. O sol que batia em seus jardins era irresistível e nós compramos um lanche numa saborosa boulangerie ali do lado e fizemos nosso piquenique observando o movimento da cidade, a torre da igreja de St. Patrick e as linhas modernas do MOMA (Museum of Modern Art), todos ali do lado. Alimentados, deixamos a visita aos museus para o dia seguinte e seguimos caminhando para a região do City Hall.

Casas vitorianas na Alamo Square, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Casas vitorianas na Alamo Square, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


A prefeitura é o prédio mais vistoso da cidade, reconstruído logo depois do grande terremoto do início do século XX. Arquitetura clássica, colunas e cúpula em forma de abóboda, bem no meio de uma enorme praça. Muito fotogênico, mas a região é meio estranha, muitos mendigos e um clima meio pesado no ar.

Admirando arte de rua na mítica Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Admirando arte de rua na mítica Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Continuamos no mesmo sentido, deixando o City Hall para trás e entrando em um bairro bem mais amigável, casas no estilo vitoriano. Subindo a ladeira, chegamos à Alamo Square, uma das mais belas praças da cidade. A luz do fim de tarde batia na fileira de casas ao seu redor, toda a cidade espalhada em volta da praça, lá embaixo. Foi joia! “Um bom lugar para morar!” - logo imaginamos.

Mercado orgânico sob as imagens dos famosos roqueiros dos anos 60, na Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Mercado orgânico sob as imagens dos famosos roqueiros dos anos 60, na Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Daí, seguindo para o sul e ladeira abaixo novamente, fomos para a rua mais famosa da cidade, a Haight. Essa foi a meca hippie dos anos 60 e 70, um ícone do movimento da paz e amor. Os hippies envelheceram, abriram seu próprio comércio, ficaram um pouco mais responsáveis, mas o espírito do movimento continua por lá. Desde simpáticos mercados de comida orgânica até lojas de discos de vinil com clássicos da década de 70, passando pelas lojas de marijuana e todos os seus derivados possíveis, a Haight ainda é um lugar muito especial, principalmente no seu cruzamento com a Ashbury, local tão frequentado por gente como Janis Joplin e Jimmy Hendrix.

Uma das mais famosas esquinas do mundo, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Uma das mais famosas esquinas do mundo, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


A famosa Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

A famosa Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


As tais lojas de marijuana são uma atração à parte. Aqui na Califórnia, com a devida receita médica, pode-se comprar e consumir a maconha. E ela é vendida em todas essas lojas da Haight. Para quem não tem a receita, pode-se comprar camisetas que fazem apologia das benesses da planta, granola que a usa como um dos ingredientes e até linha para costura, feita com a fibra da marijuana. Têm também dezenas de cremes, cachimbos e tudo o que possa se relacionar com ela.

Na Haight St. pode-se encontrar várias lojas como essa! (em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos)

Na Haight St. pode-se encontrar várias lojas como essa! (em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos)


Marijuana, só com prescrição médica! (na Haight St., em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos)

Marijuana, só com prescrição médica! (na Haight St., em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos)


Para quem quiser algo menos controverso, vários bares se espalham pelo quarteirão, com boa cerveja e boa comida. Nós ficamos tentados, mas ainda resolvemos dar uma corrida até o parque ali do lado, o maior da cidade, o Central Park de San Francisco, o Golden Gate Park (apesar da ponte não estar ali!). Já era bem tarde quando chegamos lá, pois nessa época do ano, aqui em San Francisco, o sol está se pondo antes das cinco da tarde (que saudade dos dias longos, com luz até as 10 da noite...). Então, só caminhamos por uma parte desse imenso parque. Atrações como o Jardim Botânico e o Japonese Tea Garden já estavam fechadas. Mas nossos quarenta minutos por lá foram mais do que o suficiente para se ter uma ideia da imensa e agradável área verde que é essa, quase na região central da cidade. A comparação com o Central Park de Nova Iorque é bem justa!

Um dos muitos produtos feitos com a Cannabis, vendidos em lojas na Haight St., em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Um dos muitos produtos feitos com a Cannabis, vendidos em lojas na Haight St., em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Japonese Tea Garden no Golden Gate Park, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Japonese Tea Garden no Golden Gate Park, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Já estava escuro quando saímos do parque. Engraçado como nesse país, mesmo em áreas ermas, temos a sensação de segurança. Se estivéssemos na nossa querida América Latina, em algum lugar parecido, certamente estaria mais preocupado. Mas, enfim, 10 minutos mais tarde e já estávamos de volta às luzes e movimento da Haight. Aí, instalamo-nos em um dos movimentados bares, lubrificamos as gargantas e comemos um delicioso prato de salsicha feita na casa. Falamos ao telefone com o Sidney também e ele estava animado para uma nova noitada.

O lindo céu de fim de tarde em caminhada no Golden Gate Park, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O lindo céu de fim de tarde em caminhada no Golden Gate Park, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Então, resolvemos nos dividir. A Ana seguiria com o Sidney e eu, fiquei com uma vontade louca de voltar ao nosso hotel caminhando, cruzando toda a cidade. Pouco mais de 5 quilômetros através de vários bairros, subindo e descendo ladeiras. Foi uma delícia! Passei por ruas desertas e outras bem movimentadas, pela Alamo Square novamente e até lá no alto da Lombard Street, de onde tive magnífica vista da baía. Àquela hora, praticamente sem turistas, desci calmamente a rua mais torta do mundo. Só está faltando voltarmos aqui de dia, com a Fiona, para o devido registro! Dali para o hotel foram mais quinze minutos (a caminha toda deve ter durado 90 minutos). Foi só o tempo para tomar um banho e me acomodar na cama que minha esposa chegava também...

Do alto de Twin Peaks, a bela visão noturna de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Do alto de Twin Peaks, a bela visão noturna de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


O conhecida região de Castro, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O conhecida região de Castro, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Eles estiveram na famosa região do Castro, o bairro que virou o quartel general do movimento gay nos anos 70. Com os preços de casas na área da Haight muito altos e com problemas de segurança, os gays que se mudavam para San Francisco naquela época descobriram essa nova região, com preços em baixa, antigas casas vitorianas, charmosas e com muito espaço. Foi aqui também que apareceu a figura de Harvey Milk, o maior símbolo do movimento civil de direitos dos gays. Teve uma história de vida impressionante e que, infelizmente, terminou em tragédia. Foi assassinado em 78, junto o com o próprio prefeito da cidade, por outro funcionário da prefeitura, num crime que comoveu San Francisco e todo o país. Figura emblemática, era muito querido, não só na comunidade, mas também por vários outros setores. Combateu com sucesso uma ridícula proposta de lei que obrigaria a demissão sumária de todos os professores do país que fossem ou defendessem os direitos dos gays. Um bom exemplo de como sua atuação não se restringia a esse setor, foi de sua autoria a lei que obrigava as pessoas limparem as fezes de seus próprios cachorros, quando os levassem para passear. Portanto, é a ele que devemos agradecer quando podemos caminhar despreocupados pelas trilhas dos diversos parques e praças da cidade por onde tantos cães também passam.

Harvey Milk, um dos grandes heróis de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Harvey Milk, um dos grandes heróis de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


O Financial District de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O Financial District de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


O dia de hoje também foi de caminhadas, embora não tão longas. Dessa vez, fomos até o centro de Street Car (trólebus) e descemos no Financial Districit. Pois é, San Francisco também tem seus prédios altos e executivos engravatados. Caminhamos daí até a Yerba Buena pela movimentada Market Street. Voltamos à nossa boulangerie preferida para nosso almoço tardio e, em seguida, para os museus. Tentamos primeiro o interessante museu sobre a diáspora africana, mas para nossa decepção, estava fechado em plena terça-feira. Então, nova divisão de forças: a Ana, para o excelente e caro MOMA e eu para o barato e sem graça museu de cartoons. Ainda bem que a máquina fotográfica ficou com ela, hehehe.

O MOMA, Museu de Arte Moderna, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O MOMA, Museu de Arte Moderna, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


O MOMA, Museu de Arte Moderna, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O MOMA, Museu de Arte Moderna, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Reunidos de novo, nova caminhada até o bar onde seria comemorado o aniversário do Sidney. Muita gente interessante, de todas as cores, credos, idades e sexos. Ficamos muito amigos de um simpático senhor de 65 anos de idade, para quem o Sidney trabalha de vez em quando. Ele e várias outras pessoas com histórias de vida tão distintas e interessantes fizeram dessa nossa noite uma verdadeira aula. Foi muito legal e ainda teve bolo de aniversário com velas e tudo, ao final.

Conversando com o simpático 'Bongo', no aniversário do Sidney em bar de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Conversando com o simpático "Bongo", no aniversário do Sidney em bar de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Quer dizer, não foi bem o final, pois daí ainda seguimos para outro bar, onde havia uma apresentação de legítimo forró brasileiro. Na verdade, mais legítimo ainda, forró pé de serra nordestino! Muito bem cantado e “sanfonado” pelo Seu Francelino, com seu baião e trajes do sertão. Difícil acreditar que estávamos em San Francisco e não em Campina Grande, Paraíba. Para completar a noite brasileira, ainda voltamos de táxi para nosso hotel com um motorista brasileiro. Ele é goiano, como a grande maioria dos brasileiros que vivem em San Francisco. Só na empresa que ele trabalha, são 400 (isso mesmo, quatrocentos!) motoristas goianos. Veio um primeiro, que chamou um amigo, que chamou um parente, que chamou outro amigo e hoje, San Francisco é praticamente a capital de Goiás. Vivendo e aprendendo, não tinha a menor noção disso!

A hora do bolo no aniversário do Sidney, em bar de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

A hora do bolo no aniversário do Sidney, em bar de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Amanhã, é dia de despedida da cidade. Nos planos, uma visita à Alcatraz e, depois, já de Fiona, um pulinho na Lombard e outro na Golden Gate. Nossa querida companheira merece conhecer esses lugares também! Depois, já de tarde, Berkeley! E a vida não para...

Autêntico forró na noite de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Autêntico forró na noite de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, San Francisco, Haight Street, Harvey Milk, história

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Natal Longe de Casa

Brasil, Alagoas, Penedo

Celebrando o natal em Penedo - AL, ao lado do São Francisco

Celebrando o natal em Penedo - AL, ao lado do São Francisco


Chegamos já de noite na nossa Pousada Colonial, em Penedo, toda decorada para o natal. Do nosso quarto no segundo andar, piso de madeira e pé direito bem alto tínhamos uma bela visão do Velho Chico, poucos metros à nossa frente.

Missa do Galo em Penedo - AL

Missa do Galo em Penedo - AL


Eu e a Ana fomos "ceiar" num dos restaurantes mais tradicionais da cidade, com o apropriado nome para uma data como hoje de Oratório. No caminho, passamos por uma das muitas, belas e históricas igrejas dessa cidade colonial, onde se realizava a Missa do Galo, o que nos fez entrar ainda mais no clima natalino.

Missa do Galo em Penedo - AL

Missa do Galo em Penedo - AL


Apesar de longe das nossas famílias, a tecnologia do mundo atual ajuda bastante a encurtar essas distâncias. Sentados no restaurante, nos refestelando com uma deliciosa Tilápia, o simpático e amigo Velho Chico ali do lado, falamos com nossos pais e irmãos. Ali, soubemos que as flores que mandamos entregar (via internet e telefone) em suas casas haviam chegado em seus destinos. Com a ajuda da interent a Ana rapidamente achou floriculturas em Ribeirão e em Curitiba. Com a ajuda do celular, ela fez as encomendas. Com a ajuda do cartão de crédito e do doc eletrônico, ela pagou. E assim, a mais de 3 mil quilômetros de distância, conseguimos presentear nossos entes queridos.

Ceia natalina: Tilápia! (em Penedo - AL)

Ceia natalina: Tilápia! (em Penedo - AL)


Falar com eles nos fez sentir mais próximos. Mesmo que tão distantes. É... viajar esses 1000dias há cem, cinquenta, mesmo dez anos atrás seria bem mais difícil!

Falando com os pais no natal, em Penedo - AL

Falando com os pais no natal, em Penedo - AL

Brasil, Alagoas, Penedo,

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Parque Nacional Tayrona

Colômbia, Tayrona

Pela primeira vez, observando o mar na trilha no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Pela primeira vez, observando o mar na trilha no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Saímos diretamente de Taganga para um supermercado em um centro comercial de Santa Marta. Estávamos atrás de duas coisas: comida para nosso acampamento em Tayrona e um seguro para a Fiona rodar na Colômbia, algo que é obrigatório aqui no país. Ele se chama SOAT e cobre despesas médicas de todos os feridos em um acidente. Saímos do porto sem ele e, logo na primeira vez que a polícia nos parou, ontem no fim de tarde, ficamos sabendo que estava faltando algo. O policial foi bem simpático e disse para comprarmos no dia de hoje.

Mapa do Parque Nacional de Tayrona. Nós entramos por El Zaino, no leste, e deixamos o carro em Cañaveral. Caminhamos até El Cabo (onde acampamos), passando por Arrecifes e Piscinas

Mapa do Parque Nacional de Tayrona. Nós entramos por El Zaino, no leste, e deixamos o carro em Cañaveral. Caminhamos até El Cabo (onde acampamos), passando por Arrecifes e Piscinas


Dito e feito. Apesar de termos apenas mais uns dias no país, o período mínimo de cobertura do tal SOAT é de um mês e nos custou perto de 25 dólares. Agora, estamos cobertos. Já a Fiona... Mas ela pode ficar tranquila que nós não vamos bater, não!

Início de caminhada no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Início de caminhada no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Bom, comprado o seguro e a comida, seguimos direto para uma das entradas do parque, aquela que dá acesso às trilhas e pontos mais famosos. Fica no povoado de El Zaino, já quase no extremo leste de Tayrona. É aí, na portaria, que pagamos nossas entradas, a da Fiona e a permissão para acamparmos. Preço bem salgado, para falar a verdade.

Caminhando em trilha no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Caminhando em trilha no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Chegando às praias ao mesmo tempo em que o sol se punha, na trilha através do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Chegando às praias ao mesmo tempo em que o sol se punha, na trilha através do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


O Parque Nacional Tayrona é um dos mais populares do país, com mais de 200 mil visitantes por ano. Só perde para o parque Isla Rosario, aquela que visitamos perto da Playa Blanca e Cartagena. Ele cobre uma área do litoral e outra de montanha, já aos pés da Sierra Nevada. Tem uma rica fauna e flora, tanto terrestre como marinha, abrigando várias espécies endêmicas únicas e em risco de extinção. Mas o maior atrativo para os milhares de turistas é mesmo a beleza das paisagens e de suas praias.

Arrecifes, a metade do caminho na nossa trilha no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Arrecifes, a metade do caminho na nossa trilha no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Caminhando em praia do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Caminhando em praia do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Boa parte desses turistas chega de barco, a maioria vinda de Taganga para day-tours. Outros tantos entram em suas outras entradas, com estradas que acessam pequenas praias e baías. Apenas uma pequena porcentagem se dispõe a fazer a trilha que decidimos fazer, de cerca de 8 quilômetros, e que leva até o Cabo San Juan, uma das mais belas paisagens de Tayrona. De qualquer maneira, uma pequena porcentagem de um grande número, como 200 mil pessoas, continua a ser um número relevante. Isso quer dizer que a trilha é bastante movimentada.

Metade da trilha e o céu já ficava escuro durante caminhada no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Metade da trilha e o céu já ficava escuro durante caminhada no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Lua cheia ilumina o mar em Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Lua cheia ilumina o mar em Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Fazendo nosso jantar no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Fazendo nosso jantar no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Com tanta procura assim, eles podem se dar ao luxo de enfiar a faca. Nós pagamos cerca de 65 dólares, que cobria o estacionamento da Fiona por dois dias, nossas entradas e o direito de acampar por lá. Além disso, já no acampamento, pagamos pouco menos de 10 dólares por pessoa. Se ficássemos mais noites, só teríamos de pagar esses 10 dólares novamente, por cada dia, além do estacionamento da Fiona. Enfim, bem caro! Ficaria mais barato, na média, se ficássemos mais dias...

Bem cedinho, nosso acampamento no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Bem cedinho, nosso acampamento no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Nossa barraca em cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Nossa barraca em cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Enfim, passamos pela portaria, dirigimos mais cinco quilômetros e deixamos a Fiona no estacionamento. A partir daí, era com as nossas pernas. Mas antes da caminhada, ainda demoramos uma meia hora em preparações, de roupas à comida, barraca e mochilas. Uma maior para mim e uma pequena para a Ana. Era o final de tarde quando botamos o pé na trilha.

Acampamento no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Acampamento no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


A linda praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

A linda praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Para os preguiçosos, há a opção de alugar um cavalo para levar a bagagem. Quando passamos pelas pessoas que vendem esse serviço, até estranharam que alguém começasse a trilha a esta hora, o sol já se aproximando do horizonte. Afinal, pelo menos em teoria, seria uma hora até a praia de Arrecifes, a metade do nosso caminho planejado e primeiro ponto onde se pode acampar. Mal sabiam eles que éramos mais ambiciosos e que queríamos ir até o Cabo San Juan, a duas horas de caminhada.

A praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia. À direira, o quiosque em posição privilegiada onde se armam redes para dormir

A praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia. À direira, o quiosque em posição privilegiada onde se armam redes para dormir


A praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia. À direira, o quiosque em posição privilegiada onde se armam redes para dormir

A praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia. À direira, o quiosque em posição privilegiada onde se armam redes para dormir


A vantagem de se caminhar a esta hora é que não havia mais ninguém na trilha, exceto umas poucas pessoas que chegavam de volta ao estacionamento, e também para fugir do forte calor que faz durante o dia. Saímos animados e dispostos a aproveitar cada segundo do pouco de luz do sol que restava. Há algumas poucas subidas e descidas no trecho de mata da trilha, mas nada que assuste. Em ritmo acelerado, chegamos ao trecho de mar, a parte mais bonita da trilha. As praias são convidativas, mas o banho é proibido. O mar é traiçoeiro e, dizem as placas, já matou mais de cem incautos. Sem acreditar muito nos números e fã de mar que sou, a tentação de entrar foi grande. Mas a falta de juízo foi substituída pela pressa em continuar, dado o adiantado da hora. Mas, foi de partir o coração, aquele marzão lindo nos chamando...

O mar revolto do Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

O mar revolto do Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Chegamos à praia de Arrecifes (a tal metade do caminho) com quarenta minutos de caminhada e muitas paradas para fotos. Agora já não havia mais sol, restando um céu colorido de vermelho para iluminar nosso caminho. Muita gente acampada por lá, mas nós queríamos continuar. Pelo menos no Cabo, o banho de mar é permitido! Mantivemos o passo forte até que, já no escuro, tivemos de recorrer às nossas lanternas. Um pouco depois, chegamos ao destino final, o Cabo San Juan.

A tranquila e bela baía do Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

A tranquila e bela baía do Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Redes armadas no quiosque sobre a península, em Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Redes armadas no quiosque sobre a península, em Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Ali, achamos um bom lugar para armar nossa barraca, em meio a outras cinquenta que já estavam por ali. Depois, banho noturno de mar, iluminados por uma linda lua cheia. Finalmente, hora de fazer o jantar (macarrão, claro!), aproveitando a estrutura que já existe por ali, mas com o nosso fogareiro. Até encontramos outro brasileiro, que está viajando com um amigo sul-africano. Sinal de que estamos cada vez mais pertos da terrinha!

Uma bonita lagoa no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Uma bonita lagoa no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Atravessando lago em Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Atravessando lago em Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


A noite foi dureza. Nossa barraca americana foi feita para climas mais amenos. Aqui nos trópicos, passamos um calor danado! Eram pouco depois das seis da manhã e já estávamos de pé, fora da barraca e em busca de um pouco de vento!

A linda praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

A linda praia no Cabo San Juan, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Foi só aí que pudemos começar a admirar a beleza do lugar. Uma pequena baía se forma ali, o mar revolto ficando do lado de fora. É por isso que o banho é permitido por lá. Na verdade, são duas pequenas baías, separadas por uma estreita península. No topo do rochedo que há na península, um quiosque em lugar privilegiado, tanto pela vista como pelo frescor constante trazido pela brisa que não para. Ali se armam as redes da “diretoria”, quem quer pagar uns dólares a mais para ter uma noite mais agradável. Do lado de baixo, na área de acampamento, também há galpões para se armar uma rede, por um preço mais econômico. A julgar por essa única noite que passamos, passa melhor quem está dormindo em rede do que em barraca.

A paisagem grandiosa do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

A paisagem grandiosa do Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Passamos o resto da manhã e início da tarde por ali, ora nadando, ora caminhando e explorando. Além das duas pequenas praias, pode-se caminhar até outra, um pouco mais distante. É a praia dos nudistas, embora quase não houvesse pessoas por lá. Linda e de aspecto selvagem, toda cercada de matas e montanhas.

Caminho de volta no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Caminho de volta no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


De volta à área de acampamento, encontramos mais brasileiros, dessa vez jovens irmãos curitibanos. Viajando com os pais para Cartagena, eles conseguiram um tempinho e correram para cá. Por coincidência, armaram sua barraca ao lado da nossa! Mundinho pequeno, hein!

Caminhando na praia de Arrecifes, metade daminho para o início da trilha, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Caminhando na praia de Arrecifes, metade daminho para o início da trilha, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Mas nós já estávamos de saída. Dessa vez, com ajuda da luz do dia, pudemos aproveitar toda a paisagem da volta, matas, lagos, pequenos rios, grandes rochedos, praias selvagens, enfim, uma natureza exuberante e que atrai tantos visitantes.

Caminhando na praia de Arrecifes, metade daminho para o início da trilha, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Caminhando na praia de Arrecifes, metade daminho para o início da trilha, no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia


Com paciência, chegamos de volta à Fiona e pegamos estrada novamente. Outra vez, no escuro (estamos ficando craques nisso, aqui na Colômbia), fomos até Riochacha, na entrada da Península La Guajira, nossa última parada aqui no país, um lugar de que nunca tínhamos ouvido falar até bem pouco tempo, mas que promete paisagens sensacionais. Mas isso já é outra história...

Belas paisagens no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Belas paisagens no Parque Nacional Tayrona, no litoral norte da Colômbia

Colômbia, Tayrona, Parque, Praia, trilha

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O Último Dia

Hawaii, Oahu-Honolulu, Oahu-North Shore

Surfistas aproveitam as ondas ainda pequenas da North Shore de Oahu, no Havaí

Surfistas aproveitam as ondas ainda pequenas da North Shore de Oahu, no Havaí


Hoje foi nosso último dia inteiro aqui em Oahu e, consequentemente, no Havaí. É impressionante como passou rápido. Parece que foi ontem que chegamos à Hilo, lá na Big Island. Talvez o fato de ter sido tão intenso, entre praias, cachoeiras, vulcões, mergulhos e trekkings, tenha feito o tempo passar mais rápido. A gente praticamente não parou. Enfim, ainda tínhamos o dia de hoje. Amanhã cedo, embarcamos para Los Angeles, onde a Fiona, a Califórnia, o frio e um punhado de parques nacionais no meio oeste americano nos esperam.

Chegando ao alto da cratera de Diamond Head, em Honolulu, na ilha de Oahu, no Havaí

Chegando ao alto da cratera de Diamond Head, em Honolulu, na ilha de Oahu, no Havaí


Vista da cratera de Diamond Head, em Honolulu, na ilha de Oahu, no Havaí

Vista da cratera de Diamond Head, em Honolulu, na ilha de Oahu, no Havaí


Mas antes de amanhã, ainda tinha hoje! Dessa vez, começamos aqui perto mesmo, explorando uma enorme cratera dentro da cidade de Honolulu. Diamond Head é o nome dessa enorme cratera de origem vulcânica com cerca de 150 mil anos de idade. Toda a área foi transformada em um parque e visitá-lo é um dos mais populares passeios turísticos de quem vem à ilha.

Honolulu vista do alto da cratera de Diamond Head, na ilha de Oahu, no Havaí

Honolulu vista do alto da cratera de Diamond Head, na ilha de Oahu, no Havaí


Escadaria em caracol que leva ao alto da cratera de Diamond Head, em Honolulu, na ilha de Oahu, no Havaí

Escadaria em caracol que leva ao alto da cratera de Diamond Head, em Honolulu, na ilha de Oahu, no Havaí


Através de um túnel na parede da cratera uma estrada asfaltada chega até o meio do parque, onde há um estacionamento e um centro de visitantes. Daí começa uma trilha que leva até o alto da crista da cratera, uma caminhada de pouco menos de meia hora. Lá do alto, a pouco mais de 230 metros de altura, temos uma bela vista da própria cratera, do mar e da cidade de Honolulu, principalmente dos prédios da vizinha Waikiki. Um programa bem light e sadio para começar o dia!


Nosso looping em Oahu, saindo e chegando em Waikiki, praia de Honolulu, no sul da ilha

Feito isso, começamos nosso looping de carro ao redor da Oahu. Ontem, tínhamos pego o caminho mais curto até a North Shore, seguindo para lá diretamente pela estrada que corta o interior da ilha. Nossa curiosidade em conhecer Waimea e Pipeline era muito grande para ficarmos nos enrolando para chegar lá. Mas hoje, ao contrário, como já tínhamos estado lá ontem, resolvemos seguir mais tranquilamente. O caminho escolhido foi aquele que segue pela costa leste de Oahu, passando por praias e por um litoral cênico e bem rochoso. Depois, no fim de tarde, após aproveitarmos os últimos raios de sol na North Shore, voltaríamos pelo mesmo caminho de ontem, completando o circuito da ilha.

Stairway to Heavens, ou 'escada para o céu', na costa leste de Oahu, no Havaí

Stairway to Heavens, ou "escada para o céu", na costa leste de Oahu, no Havaí


Começamos passando ao lado da chamada “Stairway do Heavens”, ou “escadaria para o céu”, uma trilha que sobe em forma de degraus uma montanha bem mais alta qu o Diamond Head. Dizem que a vista lá de cima é linda e eu fiquei com uma coceira danada. Mas já tínhamos feito a nossa caminhada do dia e o objetivo agora eram as praias e o mar.

A belíssima e concorrida Hanauma  Bay, na costa leste de Oahu, no Havaí

A belíssima e concorrida Hanauma Bay, na costa leste de Oahu, no Havaí


Ali do lado está um complexo turístico ao redor da baía de Hanauma. A estrada chega pelo alto e a vista do mar lá embaixo é mesmo linda. Águas azuis bem transparentes numa baía protegida e cheia de corais, local ideal para fazer snorkel. Lá embaixo, centenas de pessoas aproveitando a infraestrutura do complexo turístico, pequenos pontos marrons em meio às areias brancas da baía. Nós resolvemos ficar só com a vista lá de cima mesmo, sem pagar o preço salgado para entrar e nos juntar a multidão lá embaixo. Tínhamos em mente algo menos “esquematizado”.

A bela costa leste de Oahu, no Havaí

A bela costa leste de Oahu, no Havaí


Com nosso carro, percorrendo a costa leste de Oahu, no Havaí

Com nosso carro, percorrendo a costa leste de Oahu, no Havaí


Seguimos de carro par o norte, parando aqui e ali para fotografar e belíssima costa. Como já haviam nos dito, esse é o litoral mais bonito da ilha, seja pelas praias, seja pelo mar batendo nos rochedos. Por fim, acabamos chegando à praia de Lanikai, cenário totalmente caribenho em pleno Oceano Pacífico.

Chegando à Lanikai Beach, na costa leste de Oahu, no Havaí

Chegando à Lanikai Beach, na costa leste de Oahu, no Havaí


Aqui estacionamos e fomos caminhar por suas areias brancas e molhar os pés no mar. O vento incessante fazia a alegria dos praticantes de esportes como Kite surf e Wind surf. Suas velas disputavam o mar, mas tinha espaço para todo mundo. A gente, da areia, só aproveitando a beleza plástica desses esportes, velas bem coloridas cruzando rapidamente o céu azul. Deu uma vontade louca de fazer umas aulas ali mesmo. Vendo, parece tão fácil...

Aproveitando o vento para praticar windsurf e kitesurf em Lanikai Beach, na costa leste de Oahu, no Havaí

Aproveitando o vento para praticar windsurf e kitesurf em Lanikai Beach, na costa leste de Oahu, no Havaí


Caminhando pela bela Lanikai Beach, na costa leste de Oahu, no Havaí

Caminhando pela bela Lanikai Beach, na costa leste de Oahu, no Havaí


Pode até parecer, mas sabemos que não é. Algum dia, quem sabe, quando tivermos ao menos uma semana inteira só para isso. Hoje, seguimos em frente. Nossos estômagos roncavam e todo aquele vento nos dava uma certa esperança de que haveria ondas lá na North Shore. Depois de nos esbaldarmos em um restaurante japonês pelo caminho, aceleramos para lá para conferir...

Papai Noel e seu cão se preparando para entrar no mar, na costa norte de Oahu, no Havaí

Papai Noel e seu cão se preparando para entrar no mar, na costa norte de Oahu, no Havaí


Pois é, ondas haviam mesmo. Mas ainda eram ondas pequenas, civilizadas, dessas que vemos em nossas praias brasileiras. Os surfistas davam seu show de manobras, esquentando os motores para o dia seguinte, quando a promessa era de que chegariam as ondas gigantes e o campeonato de Pipeline recomeçaria. Conversamos com duas ou três pessoas e todas confirmaram: a previsão era firme, faltavam poucas horas para ondas de 4-5 metros estarem batendo ali na costa.

Surfistas aproveitam as ondas ainda pequenas da North Shore de Oahu, no Havaí

Surfistas aproveitam as ondas ainda pequenas da North Shore de Oahu, no Havaí


Puxa vida! E o nosso avião sairia logo pela manhã! Que raiva misturada com tristeza! Ligamos para a companhia para ver a possibilidade de trocar as passagens. Pagando algumas centenas de dólares, conseguiríamos. Ó, dúvida cruel! Se ainda fossem apenas algumas dezenas, mas “centenas” era muito. Infelizmente, não se pode ter tudo e nós ficaríamos sem ver o campeonato de surfe mais famoso do mundo...

Surfistas aproveitam as ondas ainda pequenas da North Shore de Oahu, no Havaí

Surfistas aproveitam as ondas ainda pequenas da North Shore de Oahu, no Havaí


Quer dizer, nem todos nós. O Rafa e a Laura, amanhã, se separam de nós. Eles ainda vão viajar pela Big Island e o voo deles é só de tarde. Assim, ao menos durante a manhã, poderão acompanhar o campeonato, a performance dos brasileiros e do Kevin Slater. Ao menos, vamos poder ver as suas fotos... Amanhã bem cedinho eles vão nos deixar no aeroporto e correr para cá, antes que o congestionamento feche todas as estradas. Enquanto isso, estaremos atravessando o Oceano Pacífico, nossas mentes e espíritos por aqui...

Fim de tarde tranquilo na North Shore de Oahu, no Havaí

Fim de tarde tranquilo na North Shore de Oahu, no Havaí


Bom, como disse, ficamos nas praias da North Shore até o sol se pôr. Admirando o mar, as ondas que ali estavam, as que ainda iriam chegar e os surfistas, meninos e meninas que desafiam o perigo continuamente com suas belas manobras, todos sonhando em ser, algum dia, o novo Kelly Slater ou Andy Irons. Com um mar desse no quintal, não deve ser difícil...

Concentração antes de enfrentar as ondas de North Shore, em Oahu, no Havaí

Concentração antes de enfrentar as ondas de North Shore, em Oahu, no Havaí

Hawaii, Oahu-Honolulu, Oahu-North Shore, Diamond Head, Honolulu, Oahu

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A Fábrica da Boeing

Estados Unidos, Washington State, Seattle

Pilotando o nosso Boeing, em visita à fábrica da companhia, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Pilotando o nosso Boeing, em visita à fábrica da companhia, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


No começo do século passado, logo após a invenção dos aviões, vários empreendedores americanos mergulharam de cabeça na nova indústria que nascia. O sobrenome de cada um deles se confunde com a própria história da aviação, pois passaram a ser o nome das empresas que, ao longo dos últimos 100 anos, revolucionaram a lógica do transporte pelo nosso planeta.

A tradicional foto com o fundador da companhia, na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

A tradicional foto com o fundador da companhia, na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Entre esses pioneiros, destacam-se William Boeing, James McDonnell e Donald Douglas. De suas empresas sairiam os aviões civis que transportaram gerações de pessoas em voos transoceânicos e transcontinentais. Os períodos mais lucrativos dessas empresas sempre vieram em tempos de guerra, quando o governo americano fazia enormes encomendas, mas eram as dificuldades dos tempos de paz que faziam as empresas, no seus esforços pela sobrevivência financeira, mais inovarem e avançarem na tecnologia do transporte civil. Daí vieram as famílias de aviões MD, DC-x e 7x7.

Diversos aviões novos, esperando pela pintura na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Diversos aviões novos, esperando pela pintura na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


A nova concorrência vinda da Europa (Airbus) tornou o mercado ainda mais competitivo e as empresas americanas passaram por um processo de fusões, primeiro entre a Douglas e a McDonnell, ainda no final da década de 60 e depois, essa empresa sendo adquirida pela Boeing, na década de 90. Hoje, o espírito dessas três empresas sobrevive justamente naquela de maior sucesso, a Boeing, cuja sede é aqui em Seattle.

Bandeiras de todos os países que já compraram aviões da Boeing, expostas no salão de visitantes da empresa, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Bandeiras de todos os países que já compraram aviões da Boeing, expostas no salão de visitantes da empresa, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Seu fundador, William Boeing, já vinha de uma família rica. Seu pai, imigrante alemão, havia feito fortuna na indústria da madeira, e assim começou também o filho. Mas ao participar de uma feira em 1909, conheceu e se fascinou prontamente por uma estranha máquina que podia voar, o aeroplano. Ele rapidamente comprou uma daquelas máquinas da primeira empresa de sucesso do setor, a Glenn Martin (que hoje é parte da gigante aeroespacial Locheed-Martin), e teve aulas de pilotagem com seu fundador, Martin. Coincidência ou não, foi justamente trabalhando para Martin, em sua companhia, que os engenheiros McDonnell e Douglas se conheceram. Todos esses pioneiros muito se respeitavam, mas suas respectivas companhias foram concorrentes atrozes enquanto seus fundadores estiveram vivos.

Hall de exposições na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Hall de exposições na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Boeing gostou tanto dos aeroplanos e, ao mesmo tempo, viu tantos problemas no avião que comprara, que decidiu abrir sua própria companhia. Estava nascendo um dos maiores gigantes econômicos do capitalismo. A Boeing nasceu como uma empresa que fabricava e voava com seus próprios aviões, Mas o governo americano, acusando uma prática monopolista, obrigou a empresa a se dividir, na década de 30. A parte de fabricação de aviões seguiu chamando Boeing enquanto a empresa de transporte é a que hoje conhecemos como United Airlines.

A poderosa e moderna turbina Rolls Royce, exposta na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

A poderosa e moderna turbina Rolls Royce, exposta na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Tão grande e poderosa se tornou a Boeing, especialmente após a 2ª Guerra, que sua performance influenciava toda a economia de Seattle. Essa dependência já não é tão marcante hoje, embora a companhia ainda represente parcela significativa do PIB e empregos na cidade e região. Na verdade, virou até atração turística e milhares de pessoas visitam suas instalações todos os meses.

A poderosa e moderna turbina Rolls Royce, exposta na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

A poderosa e moderna turbina Rolls Royce, exposta na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Hoje foi a nossa vez! Cerca de 30 quilômetros ao norte da cidade está a principal fábrica da Boeing, onde se encontram as linhas de montagem de vários de seus aviões. Todos eles feitos no maior prédio do mundo, muito maior, em termos de volume, que a pirâmide de Queops ou o Burj Khalifa, em Dubai. Cada uma de suas várias portas tem quase o tamanho de um campo de futebol, pois por aí passam aviões com mais de 70 metros de envergadura.

O gigantesco prédio da fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos. Cada porta é do tamanho de um campo de futebol!

O gigantesco prédio da fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos. Cada porta é do tamanho de um campo de futebol!


A visita é feita de forma guiada e não se pode levar máquinas fotográficas nem telefones celulares. Temos de guardar tudo é na memória mesmo, as informações e as imagens fantásticas de uma linha de produção de aviões gigantes. Ver quatros deles em fila, em diferentes estágios de construção, sempre com dezenas de trabalhadores no seu interior ou ao redor, é uma imagem inesquecível! Mais impressionante é ver, em um mesmo prédio, várias dessas linhas de produção, uma para cada modelo produzido pela Boeing.

A estrela atual da companhia, exposto na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

A estrela atual da companhia, exposto na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Maquete do avião da concorrente, exposto na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Maquete do avião da concorrente, exposto na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


O atual xodó da companhia é o novíssimo jato 787, mais moderno e bem mais econômico que os antecessores. É em seu sucesso comercial que a Boeing joga todas as suas fichas e parece que as vendas vão muito bem. A fabricação desse modelo está completamente globalizada e aqui em Seattle é feita apenas a montagem final das partes, que vem da Europa, Ásia e de outros estados americanos. Avião bonito e elegante, a vontade que dá é pegar aquele lá no finalzinho da linha de montagem, quando só está faltando a pintura final da companhia que o comprou, e já sair voando.

Avião exposto na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Avião exposto na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Além da visita à fábrica, também podemos visitar um pequeno museu, ali no prédio de visitantes. Muitas informações históricas da companhia e de todo o setor. Podemos ver as potentes turbinas Rolls-Royce (imagina a Fiona com uma dessas, hehehe!), entrar na cabine de um jato e fingir pilotar um avião e até mesmo admirar os produtos da principal concorrente da Boeing na atualidade, a europeia Airbus. Aí deu para ver também como a indústria está constantemente evoluindo, embora pareça que o transporte pouco evoluiu nas últimas décadas. Um gráfico ali exposto me mostrou que isso não é verdade e o exemplo dado não poderia ter sido melhor para minha própria experiência. O gráfico mostrava os voos da longa rota entre Londres e Sydney e o número de escalas necessárias para se ir de uma cidade à outra ao longo dos últimos 60 anos. Obviamente, o número de escalas foi diminuindo. Quando eu fiz esse voo, em 1998, era necessário apenas uma escala. Pois bem, hoje já não mais! Voa-se da Inglaterra à Austrália em um voo direto, cortando o tempo total em algumas horas.

Evolução dos voos e diminuição das escalas, no longo trajeto entre Londres e Sydney, em painel na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Evolução dos voos e diminuição das escalas, no longo trajeto entre Londres e Sydney, em painel na fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Enfim, mesmo para aqueles que não entendem muito de aviões, o programa é muito interessante. Caminhar por aquele prédio que tem o tamanho de uma cidade, ver tantos boeings emparelhados (na fábrica) ou desmontados (no museu) e aprender um pouco da história desses incríveis empreendedores que ajudaram a moldar a sociedade em que vivemos é uma chance que não se pode perder. Minha esperança, depois de ver de perto toda essa história e evolução é que o mesmo aconteça com a indústria espacial privada, que dá agora seus primeiros passos. Se evoluir como evoluiu a aviação, acho que não vou ter de esperar minha próxima encarnação para dar um pulinho do lado de fora da atmosfera e ver, lá de cima, todo o nosso continente de uma vez só. Será?

A Ana se fazendo de pilota de jatos, em visita à fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

A Ana se fazendo de pilota de jatos, em visita à fábrica da Boeing, 30 km ao norte de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Washington State, Seattle, Boeing

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O Vermelho e o Negro

Trinidad e Tobago, Port of Spain, San Fernando (Pitch Lake e Pointe-à-Pierre), Caroni

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Logo cedinho, enquanto ainda comíamos nosso café da manhã, chegou o Carlos, um sujeito com mais de 1,95 metros de altura que seria o nosso guia e motorista de hoje. Resolvemos montar um passeio por algumas das principais atrações da ilha, incluindo transporte e guia. Com a ajuda da nossa guest house, contatamos o Carlos, muito bem recomendado. Foi, por assim dizer, um gol de placa.

Com nosso guia Carlos na reserva em Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago

Com nosso guia Carlos na reserva em Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago


Das três atrações a serem visitadas, duas envolviam pássaros. E o Carlos é um legítimo amante e conhecedor dos pássaros, um "birder", como ele se definiu. O que lhe dá mais prazer é andar pela natureza, armado de um bom binóculo e câmera fotográfica, ouvidos atentos, procurando essas criaturas aladas, de todas as cores, formas e tamanhos. Das quase quinhentas espécies do país, ele conhece quase todas pelo nome e muitas pelo canto.

Superfície argilosa do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago

Superfície argilosa do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago


Mas a primeira visita de hoje nada tinha a ver com pássaros. Fomos até quase o sul da ilha, abaixo da segunda maior cidade do país, San Fernando, para ver o Pitch Lake, um dos poucos lagos naturais de piche do mundo. Uma espécie de vulcão que não deu certo, a natureza fica empurrando lá de baixo toneladas e toneladas desse material negro e viscoso todos os dias. O resultado é esse lago que vem sendo explorado pelos humanos há centenas de anos. Primeiro pelos nativos de Trinidad para selar suas cabanas, depois pelos espanhóis para selar seus navios e, em tempos modernos, na fabricação de asfalto. Boa parte do piche usado pelos chineses na construção da infraestrutura das Olimpíadas de Pequim veio daqui. Hoje em dia, o consumo mais ou menos equivale ao que a natureza jorra. Cálculos feitos indicam que, a se manter o ritmo da exploração, serão precisos 400 anos para esgotar o lago. É... sendo assim, nem dá para se preocupar muito.

Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago

Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago


O lago é duro e podemos caminhar sobre ele. Quer dizer, duro, pero no mucho. Tem uma consistência meio argilosa, bem distinto de terra firme. Uma atração completamete diferente das que temos visitado por este continente afora.

Brincando com o piche do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago

Brincando com o piche do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago


Antes da segunda atração, não tão grotesca, ainda tivemos tempo de entrar rapidamente em San Fernando e ir naquele que já foi o maior shopping do país. Shopping, desnecessário dizer, é igual em qualquer lugar do mundo. O mesmo por aqui. Foi só um pit-stop rápido para almoçarmos, já que não teríamos outro horário. De lá seguimos para a primeira refinaria de petróleo e gás do país. Visita a uma refinaria? Pois é!

Refinaria de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago

Refinaria de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago


O que a torna tão especial é que no final da década de 60 eles resolveram criar, dentro da área da refinaria, uma área para preservação e criação de pássaros em perigo de extinção. Se isso fosse hoje, já seria de bater palmas. Mas eles terem feito isso há mais de 40 anos, quando quase não se falava de meio ambiente, realmente é de tirar o chapéu. Estavam bem à frente do seu tempo! O nome da iluminada refinaria: Pointe-à-Pierre.

Guará na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago

Guará na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago


Patos na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago

Patos na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago


Lá dentro fazemos uma pequena trilha guiada onde se pode ver dezenas de espécies de pássaros, a maioria livre mas também alguns engaiolados, principalmente para facilitar sua reprodução. Também há uma flora variada, um lago muito agradável e até jacarés. Sem esquecer do concorrente dos ares dos pássaros, os morcegos.

Jacaré na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago

Jacaré na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago


Barcos nos levam no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Barcos nos levam no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Daí voltamos para perto de Port of Spain, para uma mistura de pântano e mangue formado pelo rio Caroni no seu encontro com o mar. Ali, num barco repleto de turistas, mas eu e a Ana na posição de diretoria, sós no banco da frente, fomos para um lago no meio do mangue para assistir ao maior espetáculo da vida selvagem desse ano de viagem. O local deve ser o melhor lugar do mundo para se observar um pássaro nosso velho conhecido: o guará vermelho. Desde o Maranhão que temos cruzado com ele, mas absolutamente nada parecido com o que vimos hoje. Foram centenas e centenas deles, misturados com as garças brancas, em revoadas espetaculares em direção às árvores-dormitório. Algo emocionante de se ver!

Chegando a um lago no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Chegando a um lago no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Três barcos lotados de turistas embasbacados e aquelas aves de um vermelho vivíssimo cortando o céu azul ou o verde das árvores, revoada atrás de revoada, todas terminando naquela árvore que foi se enchendo de manchas vermelhas. De longe, pousados, pareciam flores. Apesar da distância, podia-se ouvir a gritaria deles. Imagino que, mais tarde, se calariam, pois daquele jeito nenhuma criatura poderia dormir e a árvore não poderia ser chamada de dormitório - hehehe.

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Árvore dormitório dos guarás no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Árvore dormitório dos guarás no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago


E de lá voltamos para casa, ainda emocionados com o espetáculo, felizes com o passeio triplo e com nosso novo amigo, o Carlos, que com sua pronúncia ao mesmo tempo clara e engraçada de inglês, nos encheu de conhecimentos, não só de pássaros mas também do país, de suas cidades, do seu povo e sua cultura. Muito legal mesmo! Tivemos nosso dia de Stendhal, do negro do piche ao vermelho dos guarás, Le Rouge et le Noir.

Nossa pousada em Port of Spain, após um longo dia de passeios em Trinidad e Tobago

Nossa pousada em Port of Spain, após um longo dia de passeios em Trinidad e Tobago

Trinidad e Tobago, Port of Spain, San Fernando (Pitch Lake e Pointe-à-Pierre), Caroni, Caroni, Trinidad

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Aviso aos Navegantes

Equador, Quito, Cuenca, Chimborazo

(Post escrito dia 25/09)

Oi gente

Estamos saindo neste momento para Galápagos onde passaremos 8 dias incomunicáveis, sem internet
Os posts serão TODOS atualizados na volta, contando nossas aventuras e desventuras por lá.

Faltam também os posts dos dias 19 até ontem, com muita história para contar
Estivemos na mais bela cidade equatoriana, Cuenca e no magnífico Parque Nacional Caja, próximo à cidade
Depois, consegui terminar a duríssima subida da montanha e ex-vulcão Chimborazo. Assim, enquanto ontem estava aos 6.300 metros de altitude, hoje, se tudo der certo, estarei trinta metros abaixo do nível do mar, em Galápagos. São esses "contrastes" que fazem essa viagem tão incrível!

Abs a todos e não percam o Globo Reporter da próxima sexta, dia 30. Tem uma boa chance de aparecermos por lá!

Equador, Quito, Cuenca, Chimborazo,

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