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Chegando ao Peru!
Dia de longa viagem rumo a mais um país, saímos bem cedo. Mas a primeira parada ainda foi em Iquique, encima da encosta que margeia a cidade. De lá, além da magnífica vista da cidade, do litoral e da gigantesca duna, ainda podemos observar as pessoas se atirarem no vazio com um paraquedas nas costas. Paraquedas não, parapente! A cidade é uma meca dos amantes desse esporte, dos profissionais aos que ainda querem apenas aprender. Saímos daqui com uma tristeza danada de, nós também, não termos experimentado essa sensação de voar pelos ares. Infelizmente, a nossa lista do que não fizemos e gostaríamos de ter feito cresce a cada dia e já está ficando maior do que a lista do que fizemos. Como já disse outras vezes, os 1000dias são muito poucos para um continente do tamanho do nosso...
Parapente nos céus de Iquique, no norte do Chile
Enfim, coisas ficam para trás, mas muito nos espera pela frente. A começar pelo longo deserto nessa região entre Chile e Peru. A cor verde é uma raridade e só aparece em pequenos oásis, geralmente no fundo das Cuestas que cruzamos. São assim que chamam os vales que, de tempos em tempos aparecem cortando a monotonia do deserto plano sem fim. Assim é a estrada: dezenas de quilômetros de retas em terrenos planos e aí desce algumas centenas de metros por encostas íngrimes até o fundo dessas "cuestas" para subir de novo do lado de lá e seguir por mais dezenas de quilômetros pelo deserto. No fundo dos vales, terrenos irrigados, plantações e muito verde, um colírio para os olhos.
Paisagem desértica e oásis no norte do Chile, póximo à Arica
Assim seguimos até Arica, na fronteira com o Peru. Outra cidade suscetível a megaterremotos, mas também não foi dessa vez. Alguns quilômetros à frente e enfrentamos a burocracia de saída do Chile e depois a de entrada no Peru. País que eu visitei há longos 21 anos, tempos de estudante, mochila nas costas e quase nenhum dinheiro o bolso. A minha curiosidade para ver como o país tinha mudado era grande!
A cidade de Tacna, no sul do Peru
E a primeira impressão foi ótima! Muito bem tratados pelos oficiais da alfândega, inclusive por uma que já nos deu as primeiras lições sobre a atual situação política do país, primeiros meses de governo do ex-chavista Ollanta Humala. Por enquanto, tudo segue bem num governo que tem de governar junto com a oposição conservadora que também recebeu metade dos votos do país.
A linda imagem do deserto florido, entre Tacna e Arequipa, no Peru
A segunda impressão foi melhor ainda! Tivemos a sorte de observar as flores do deserto, fenômeno bem raro por aqui. Assim, ao invés da monotonia do marrom amarelado, tínhamos vastas planícies floridas, um verdadeiro show da natureza e sinal de boasvindas desse país maravilhoso que é o Peru. Deixamos Tacna, a cidade fronteiriça para trás e seguimos para a gloriosa Arequipa, bem à frente. Aí chegamos já de noite e, após um certo trabalho em achar acomodação, nos instalamos no excelente Torres de Ugarte, do lado do Convento de Santa Catalina e a duas quadras da mais bonita Plaza de Armas do país. Só não conseguimos ver o vulcão El Mistí, o gigantesco guardião da cidade. Mas logo será amanhã, e a luz do dia vai nos mostrar as belezas dessa região.
A linda imagem do deserto florido, entre Tacna e Arequipa, no Peru
Com nossa guia eslovaca na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Com uma superfície de mais de 8 mil quilômetros quadrados, a geleira de Vatnajokull é a maior da Europa. São 100 km de largura por 80 km de lado, um verdadeiro mar de gelo com espessura média de 500 metros, mas que chega, em alguns pontos, a 900 metros! Escondida sobre ela, vales, platôs, montanhas, vulcões e até uma fenda que chega a 300 metros abaixo do nível do mar!
A geleita de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, a maior da Europa
Aproximando-se da geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, para fazer um trekking no gelo
Despontando para fora do gelo, de tão altos, estão a maior montanha da ilha e aquele vulcão que entrou em erupção alguns anos atrás fechando todos os aeroportos da Europa, numa luta espetacular entre as lavas ferventes e uma quantidade colossal de gelo ao seu redor.
Aproximando-se da geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, para fazer um trekking no gelo
Animada no início da caminhada sobre a geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Tanta água doce há estocada aí, sob a forma de gelo e neve que, se toda a geleira fosse drenada pelo rio mais caudaloso da Islândia (que é grande! Nós ainda vamos conhece-lo, no norte do país), seriam precisos 200 anos para acabar a água! Okay, se pensarmos no rio Amazonas, o maior do planeta, seriam necessários “apenas” 5 meses...
Subindo um trecho inclinado da geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Uma das muitas "ladeiras" da geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Pois bem, foi esse colosso que fomos conhecer hoje. Agências de turismo oferecem aos turistas mais energéticos a possibilidade de uma caminhada sobre o gelo, as fendas e as belezas de Vatnajokull. Fornecem todo o equipamento necessário, exceto as roupas, e o guia para nos levar lá. No nosso caso, era uma guia, uma simpática moça lá da Eslováquia que já anda sobre o gelo e a neve desde pequenininha.
A geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia, corre em direção ao mar
As enormes montanhas que alimentam a geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Vamos de carro até uma das línguas que saem da geleira e vem até a planície litorânea e caminhamos até o gelo propriamente dito. Aí, com piquetas na mão, cordas na cintura e grampões nas botas, sempre em fila indiana seguindo nossa experiente guia, adentramos esse inverso branco, frio e escorregadio.
Pausa para descanso durante trekking na geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Pequena piscina de água gelada na geleira de Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Observando fissura no gelo da geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Aos poucos, vamos subindo, superando obstáculos, passando sobre fendas profundas e pequenos lagos de cor azul transparente, a mais pura água que se possa imaginar. Vamos também nos acostumando com a técnica de caminhar sobre o gelo. Eu e a Ana não somos experientes nesse tipo de atividade, caminhar sobre uma geleira, certamente nunca em uma desse tamanho. É preciso firmar bem o pé, ou os grampões, que evitam que a gente escorregue. Em trechos mais planos, não é difícil. Nas subidas sim, mas aí a piqueta e os conselhos da nossa guia ajudam bastante. Joelhos dobrados, corpo inclinado para frente! Na descida, claro, é o contrário!
Pose para foto durante caminhada na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Enormes blocos de gelo em movimento na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Quase cinco horas de caminhada na geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Após quase duas horas, atingimos um trecho mais plano. Para todos os lados, há apenas gelo e a vastidão do horizonte, o mar de um lado e as montanhas nevadas do outro. Sentimento total de insignificância perto da grandiosidade, da magnitude da paisagem que nos cerca. Aì nos sentamos para alguns minutos de admiração e respeito. E também para nos alimentar, pois ninguém é de ferro!
Muitas horas de caminhada na monumental geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Caminhando sobre a maior geleira da Europa, a Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Caminhando sobre a geleira Vatnajokull, no parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Hora de voltar. Ainda bem que a guia está lá, para descobrir os melhores caminho no meio daquele labirinto de gelo. Passamos por mais fendas, por mais poças de gelo derretido, uma beleza difícil dos olhos acreditarem. Sempre um convite para mais fotografias. Quase sem percebermos, já se foram cinco horas no total. Além de termos ficado perdidos no espaço, também ficamos perdidos no tempo. Naquela paisagem maravilhosa, perdemos todas as referências. Ficamos desnorteados. Perdemos a noção de escala. Assim, livre de todos esses pré-conceitos, fica muito mais fácil “sentir” a natureza que nos cerca. Uma experiência inesquecível!
Uma das línguas da maior geleira da Europa, a Vatnajökull, no Parque de Skaftafell, no sul da Islândia
Chegando ao famoso Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
O percurso da Route One entre Santa Cruz e Monterey não é grande coisa e, sem paradas para fotografias ou caminhadas, não demorou muito para que chegássemos à antiga capital da Califórnia, desde a época do controle espanhol e mais tarde, mexicano.
Chegando à Montery, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A cidade se iniciou como uma missão franciscana, mas logo foi fortificada, já nas últimas décadas do séc. XVIII, para se defender de uma possível invasão russa, que nunca aconteceu. Pois é, naqueles tempos, quem disputava a supremacia da costa oeste americana eram os espanhóis e os russos, já instalados no Alaska e com pretensões de se estabelecerem mais ao sul.
Chegando à Montery, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Parque em Monterey, na Califórnia, nos Estados Unidos
Mas, o mundo dá voltas. Os russos ficaram mesmo lá pelo norte enquanto os espanhóis perderam todo o território mexicano na luta daquele país por sua independência. Expulsaram os ibéricos, mas não mantiveram o poder da Califórnia e sua capital, Monterey, por muito tempo. Um dos resultados da guerra entre americanos e mexicanos na metade do séc. XIX foi que o estado passou ao controle dos americanos. Já sob domínio ianque, Monterey continuou com sua longa lista de “primeiros” da costa oeste: primeiro teatro, primeiro prédio público, primeira biblioteca publica, primeira casa de tijolos, primeiro jornal e por aí vai.
Muitos campos de golfe na 17 Mile Drive, em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Nesta tradicional cidade chegamos perto da hora do almoço de ontem, já impressionados com a beleza de suas praias ao norte. Seguimos diretamente para o centro de visitantes, bem no meio de um lindo parque e lá fomos recebidos por um senhor que nos deu uma verdadeira aula, não só sobre as atrações da cidade, mas também sobre como receber turistas. Respondia todas as perguntas sem titubear, inclusive sobre o que era mais ou menos interessante. Nada de enrolação!
Os elegantes ciprestes ao longo da 17 Mile Drive, em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Ele também nos falou sobre as partes mais bonitas da rodovia, entre Monterey e Los Angeles. Acabou por nos convencer a ficar mais um dia na cidade (nosso plano inicial era seguir viagem já hoje de manhã!). As principais atrações são a estrada-parque que liga Monterey à vizinha Carmel e o aquário da cidade, um dos melhores do mundo. Por fim, ele também nos deu as dicas de regiões de hotéis para ficar, tanto em Monterey como na estrada pelo Big Sur.
Fim de tarde em praia de Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Celebrando os últimos momentos do dia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Resolvemos aproveitar o resto da tarde para já percorrer a “17 Mile Road”. Ele vai serpenteando a encosta, espremida entre campos de golfe de um lado e o glorioso Oceano Pacífico do outro. No caminho, muitos mirantes para admirar a paisagem e também a vegetação da região, principalmente os belos ciprestes, típicos dali. A única preocupação era driblar o trânsito concorrente, já que em pleno feriado, tinha muita gente fazendo o mesmo percurso.
No final da tarde, muitas fogueiras na praia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
No final da tarde, muitas fogueiras na praia em Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Chegamos à charmosa Carmel bem no finzinho da tarde, ainda em tempo de estacionar a Fiona, encontrar um lugar na praia e assistir de camarote ao pôr-do-sol. Clima de total descontração na praia repleta de cães. A cidade é uma das mais “dog-friendly” do país. Vários restaurantes, lojas e hotéis não fazem restrição aos nossos amigos de quatro patas. Andam felizes e soltos pela praia, socializando com seus pares. Quem socializa também são as pessoas, fazendo seus piqueniques e montando suas fogueiras. Depois do espetáculo do sol se pondo atrás do mar, eram dezenas de fogueiras espalhadas pela praia. Sem dúvida, de todas as praias americanas que estivemos nessa viagem, essa de Carmel, principalmente pelo clima descontraído, foi uma das que mais gostamos.
Iluminação natalina nas ruas de Carmel, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Já no escuro e com muita fome, fomos andar um pouco pela cidade para encontrar um bom restaurante. Carmel também nasceu como uma missão franciscana em tempos espanhóis. No início do séc XX, principalmente após o terremoto que abalou San Francisco em 1906, virou reduto de artistas, poetas, pintores e músicos. Já em 1910 os jornais de San Francisco anunciavam que em Carmel se respirava cultura. Esses mesmos artistas foram construindo suas casas e até se metendo na política local. Um bom exemplo é o ator Clint Eastwood, que foi prefeito da pequena cidade na década de 80. Como artistas gostam de boa comida, a cidade também virou um celeiro de bons restaurantes e o único trabalho que tivemos por lá foi escolher algum entre tantos deles. Foi delicioso caminhar pela cidade enfeitada para o natal, entre pequenos e concorridos restaurantes. Ficou aquela vontade de passar uma longa temporada por lá. Já está na nossa lista de “cidades que um dia voltaremos!”...
Litoral de Monterey, na Califórnia, nos Estados Unidos
Correndo pela orla de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Já bem de noite, voltamos para Monterey, agora pela estrada rápida. Tínhamos achado um hotel bem legal, longe do centro, mas bem perto da praia. Pura inspiração para começarmos o dia de hoje de maneira bem saldável! Pois é, logo cedo já estávamos correndo por uma simpática trilha ao longo da orla da cidade, uma região cheia de parques e casas bacanas.
O belo parque na faixa costeira de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Manhã saldável de corrida na costa de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Corremos mais de três quilômetros, admirando o mar forte que batia nas pedras e os corajosos surfistas que enfrentavam não só as ondas, mas o frio da água. Junto com eles, as simpáticas e raras lontras de água salgada, o animal que foi quase extinto pela caça comercial ao longo do séc. XIX, por causa da sua pele. Parada para fotos e admiração da baía de Monterey e, depois, volta correndo para o hotel. Mas antes de chegar lá, um desvio para a praia, para mais uma corridinha. Sem as roupas de borracha dos surfistas, só animamos de molhar os pés e canelas. Doía até os ossos, mas valeu a pena!
Correndo em praia de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Mar gelado em Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A tarde de hoje foi dedicada à exploração do famoso aquário da cidade. Depois de termos conhecido o fabuloso aquário de Atlanta, achei que nunca mais me impressionaria com outro e, até por isso, estava com uma certa preguiça de entrar em um. Mas o senhor do escritório de turismo me convenceu que deveríamos ir lá. E ele estava certíssimo!
Observando a floresta de Kelps no enorme aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A sensação de estar abaixo de uma onda, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Certamente, o aquário não é tão impressionante como o de Atlanta, com seus enormes tubarões-baleia. No seu tanque principal, uma pitoresca floresta de Kelps, as gigantescas algas que crescem nessa parte do Pacífico, alimentando um complexo ecossistema que começa com peixes pequenos e chega até os tubarões-martelo. Todos eles representados no aquário, nadando naquela floresta subaquática. Muito legal!
Observando tubarões no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Coleção de moréias coloridas no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Mas, para mim, o que mais impressionou foi a exposição das águas-vivas. Dezenas de espécies, de todos os tamanhos e cores, desde as minúsculas e inofensivas até as gigantes e venenosas, passando pelas incríveis luminescentes, habitantes das profundezas. Um verdadeiro show! Foi mesmo emocionante ver de perto esses verdadeiros alienígenas. Como bem disse um cientista, “o mundo extraterrestre mais perto nós está bem aqui, no nosso quintal, embaixo de nossos narizes. O mar!”. Basta ver esses seres sem braços ou pernas, olhos ou ouvidos, mas tão graciosos e cientes do que se passa a sua volta para concordamos com ele.
Isso aí é um cavalo-marinho muito bem fantasiado de planta, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
O Aquário de Monterey tem uma fantástica exposição de águas-vivas (no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos)
Amanhã, pegamos estrada novamente. Será o dia de conhecer a parte mais bonita da One, justamente aquela que atravessa a região conhecida como Big Sur. Nossa ideia é passar o dia explorando esse trecho de cerca de 100 quilômetros e dormir por ali mesmo. No dia seguinte, dia 27, acordamos cedinho e seguimos diretamente para o aeroporto de Los Angeles. Nossas explorações dessa cidade ficam para quando voltarmos do Havaí...
Incríveis águas-vivas luminescentes, no Aquário de Monterey, no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Misturando-se com os locais, no centro de Cuenca, no Equador
Cuenca é a terceira maior cidade do Equador, atrás de Guayaquil e de Quito. Mas, com seus 400 mil habitantes, é muito mais tranquila que as outras duas, quase cinco vezes mais populosas. Com seu centro histórico muito bem preservado e as belezas naturais em seu entorno, é um dos principais polos turísticos do país.
Passeio ciclístico pelo centro de Cuenca, no Equador
Sua história é milenar, mas foi o povo Cañari que a transformou numa grande cidade. Resistiram bravamente à conquista inca, que também caíram de amores pela região e resolveram transformar a cidade, que chamavam de Tomebamba, numa segunda Cusco. Conta-se que, no seu auge, antes da chegada dos espanhóis, havia vários templos repletos de ouro. A cidade teria, então, sido queimada para evitar que os Conquistadores tomassem posse daquele tesouro. Os espanhóis podem ter chegado tarde, mas ouviram muito bem os relatos da glória anterior. Tanto que Cuenca é uma das principais candidatas à origem da famosa lenda do "El Dorado", a cidade perdida tão procurada pelos ibéricos.
O interior da gigantesca catedral de Cuenca, no Equador
Dessa época pré-hispânica pouco sobrou. Um pequeno terreno ao lado do rio guarda os restos de antigas construções incas. A maioria do material que lá havia foi usada para construções de casas e edifícios da época espanhola, para tristeza dos arqueólogos modernos.
Teatro de rua em Cuenca, no Equador
Em compensação, a arquitetura espanhola dos séculos seguintes está muito bem preservada em seu centro histórico. Prédios pomposos, igrejas e ruas guardam o charme dos séculos passados. O maior deles é a gigantesca catedral, construída já em tempos de república, no séc XIX. Seu tamanho impressiona, tanto do lado de fora como na parte interna. Foi construída para substituir a antiga catedral, do séc XVI, que já não comportava tantos fiéis. Hoje foi transformada em museu, na mesma praça onde está sua substituta.
Homem flutua em rua de Cuenca, no Equador
Nós caminhamos tranquilamente pelo centro, visitamos as igrejas, fotografamos suas praças e prédios, acompanhamos uma passeata, um teatro de rua e um mágico que flutuava sobre a rua. Visitamos o mercado de flores e fizemos uma longa caminhada ao longo do rio Tomebamba, que divide a cidade em duas.
Comprando luvas e gorro de lã em lojinha de Cuenca, no Equador
Visitamos também o principal museu da cidade, ao lado da sede regional do Banco Central do país. O principal atrativo do museu ou, pelo menos o que atrai mais turistas, é a exposição de "cabeças encolhidas", uma técnica milenar de uma tribo amazônica que encolhia a cabeça de inimigos capturados e mortos, para depois preservá-las para a eternidade. Macabro! Pena que fotos não são admitidas por lá...
Ruínas incas no centro de Cuenca, no Equador
Depois do museu, era hora de botar o pé na estrada novamente. Foram várias horas de viagem rumo ao norte, pela nossa velha conhecida Panamericana. Mais uma vez, ao passar pela "avenida dos vulcões", o tempo estava fechado e mal pudemos ver o Chimborazo, do lado esquerdo e, mais à frente, do lado direito, o Cotopaxi. Não faz mal, vamos vê-los de perto, muto em breve! Seguimos até a pousada Papagayo, de onde partem os grupos da Gulliver para subir os dois vulcões. Ela fica bem mais próxima do Cotopaxi e amanhã eu tenho mais uma longa viagem de carro pela frente, voltando para o sul, até o refúgio na base do Chimborazo. Então, é isso, dormimos todos pensando em nossos respectivos vulcões, foco total para a aventura que começa amanhã. Aliás, a Laura arrumou um vulcão para ir também, num day-tour. É o Quilotoa, famoso pelo lago em sua antiga caldeira. Amanhã, portanto, sai cada um para o seu lado!
Caminhando ao longo do rio Tomebamba, em Cuenca, no Equador
Paisagem florida da Ruta de Los 7 Lagos no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
A Patagônia é uma região magnífica durante todo o ano, mas cada estação tem suas belezas próprias. A primavera, tempo de renascimento como em todas as partes do mundo, traz um verdadeiro festival de cores para as paisagens locas: verdadeiros tapetes de flores espalhados pelos campos e florestas.
Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
Quando o homem branco chegou, já perto do final do séc. XIX, ele se surpreendeu com a quantidade e diversidade de flores nessa época do ano, muitas das quais ele não conhecia, flora autócne da patagônia. Mas ele vinha de mudança do continente europeu, muitos dos países centrais daquele continente, como Alemanha, Suíça ou Áustria, e trazia consigo flores de sua terra natal, talvez até para aliviar a saudade de sua terra natal.
Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
Muitas dessas flores “invasoras” se adaptaram muito bem ao terreno e clima locais. Elas se misturaram com a flora nativa, passaram a disputar o mesmo espaço, se espalharam por essa região selvagem. Algumas, pela desleal concorrência com a flora local, fazem a tristeza de biólogos e ecologistas de hoje. Outras, pela sua beleza e plasticidade, fazem a alegria de turistas e viajantes que tem a sorte de passar por aqui na primavera.
Flores embelezam a cabeceira de estrada na Ruta de Los 7 Lagos, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
Nesta época do ano, não é apenas a beleza de lagos e rios, de vales e montanha, do céu e do ar que chamam a nossa atenção enquanto dirigimos pelas pequenas estradas que cortam a região. Especialmente aqui, quase na sombra dos Andes, é também a quantidade de cores que se espalha por qualquer cantinho onde bata o sol, da orla de lagos à cabeceira de estradas. As diversas flores dão um colorido especial à patagônia e a transformam, talvez, no maior jardim em extensão do mundo.
Um verdaddeiro show de cores na Ruta de Los 7 Lagos, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina
Assim foi nesses últimos dias aqui na região de Bariloche. Não apenas o azul de do céu ou dos lagos, não apenas o verde dos rios e das árvores, não apenas o branco da neve e das nuvens, mas também o amarelo, o vermelho, o roxo e tantas outras cores vivas das flores que atraíram nossos olhares e cliques. Melhor ainda era quando todas essas cores se misturavam dentro da mesma moldura, dento do mesmo olhar. Pura patagônia!
As cores das águas e das flores se combinam no lago Nahuel Huapi, próximo à Villa La Angostura, na Argentina
A bela cor avermelhada dos arrayanes, árvore muito comum no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
O próprio nome não deixa dúvidas: Parque Nacional Los Alerces. “Alerce” é o nome de uma espécie de pinheiro e um parque com esse nome só pode indicar a presença desse tipo de árvore por lá! E o que é que ela tem de tão especial? Certamente o fato de serem as árvores mais velhas da América do Sul, além de sua tendência a um certo “gigantismo”. Um alerce milenar pode ultrapassar os 60 metros de altura e quatro metros de diâmetro. Algumas delas tem mais de 3 mil anos de idade e não é toa que muitas vezes são comparadas às sequoias norte-americanas. O problema é que, assim como suas “primas” do norte, foram exploradas em demasia ao longo do século passado por ter uma lenha de alta qualidade e quase foram extintas. Então, nada mais lógico do que transformar essa grande área entre El Bolsón e Trevelin, aonde se encontra o maior bosque remanescente de alerces, em uma grande reserva, um parque nacional para proteger esse verdadeiro tesouro biológico e natural.
Placa nos ensina sobre os Alerces, uma das árvores mais longevas do mundo (Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina)
Além dos alerces, muitas outras espécies vegetais são protegidas na área do parque como arrayanes, a chusquea (um tipo de bambu bem denso), ciprestes, maites, lauras e diversas espécies com flores, muitas delas espécies invasoras trazidas por imigrantes europeus e que hoje são um perigo às espécies nativas, apesar de sua beleza. Mas são mesmo os alerces a grande estrela do parque. Esta é uma região em que os Andes são relativamente baixos e não conseguem impedir a passagem dos ventos úmidos vindos do Oceano Pacífico. Com isso a chuva chega aos 4 mil milímetros anuais, um dos maiores índices da patagônia argentina, possibilitando o crescimento do chamado “bosque valdiviano”, muito mais rico que seus congêneres ao longo da cordilheira. São essas condições especiais que permitiram o desenvolvimento desses gigantes milenares.
Estrada no interior do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Uma das árvores gigantes do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Nós entramos no parque ávidos para ver essas árvores e ao dirigir em meio às florestas de pinheiros, já as imaginávamos estar vendo, principalmente quando notávamos exemplares maiores. Mas eram apenas grandes ciprestes. Os alerces se “escondem” em locais mais inacessíveis do parque. Quem sabe os encontraríamos na nossa primeira caminhada ao longo do lago Rivadavia? A esperança logo se arrefeceu quando demos de cara com a porteira fechada. O acesso ao lago estava fechado devido a um surto de ratos! Pois é, surto de ratos no meio de um parque natural no coração da patagônia? Nesse caso, a culpa não era nem de nós, humanos, e nem dos alerces! Na verdade, é culpa de outro vegetal, o tal bambu chusquea.
Caminhando no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Caña Colihue, uma espécie de bambu que flosece a cada 20 ou 30 anos, muito comum nessa área da patagônia onde está Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na Argentina
Nós já o tínhamos visto na trilha para o refúgio San Martín, em Bariloche, onde haviam nos ensinado sobre seu longo ciclo biológico. Ele cresce vigorosamente depois de incêndios, mas só floresce a cada 20 ou 30 anos, morrendo em seguida. É quando servem de alimento aos ratos, que multiplicam-se como coelhos nesses eventos raros. Era o que estava acontecendo no lago Rivadavia e o que vai acontecer, algum dia, no caminho para o San Martín. Mais adiante, quando caminhávamos na trilha entre o lago Verde e o lago Menéndes, vimos vários exemplares desse bambu. Acho que a solução seria importar uns ursos pandas para cá, notórios apreciadores de brotos de bambu, para concorrerem com os ratos, hehehe. No quesito simpatia, vencem de longe os roedores! É claro que só estou brincando! Chega de espécies invasoras e desequilíbrios ecológicos, muitas vezes causados por gente até bem intencionada!
Em plena primavera, muitas flores no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Em plena primavera, muitas flores no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Em plena primavera, muitas flores no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Pois é, para nós que caminhamos nas trilhas desse parque (e em outros lugares da Patagônia também!), confesso que é bem bonito ver flores espalhadas pelos cantos. Não sei identificar quais são naturais daqui, quais são alienígenas. Sei que são todas lindas e embelezam nosso caminho e nossa vida. Mas sei também que elas causam um estrago danado na flora local, concorrência desleal por espaço e suprimentos finitos. Enfim, sinceramente, procuramos não pensar nisso e apenas admirar o verdadeiro jardim em que se transforma a paisagem nessa época do ano, plena primavera.
A bela cor avermelhada dos arrayanes, árvore muito comum no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
A bela cor avermelhada dos arrayanes, árvore muito comum no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Outra espécie muito bela, e essa totalmente natural daqui, são os arrayanes. Nós os notamos de longe, seus galhos e troncos avermelhados chamando a atenção entre o resto da vegetação. A trilha que percorremos era interpretativa, cheia de painéis explicativos. Para cada tipo de árvore, informações sobre sua biologia e utilidades. Os arrayanes, por exemplo, são antissépticos, adstringentes e antidiarreicos. Além disso, ajudam a combater herpes e úlceras. Essas qualidades, e muitas outras das demais espécies, foram descobertas por gerações e gerações de indígenas que viveram por aqui. Faziam remédios e venenos, tintas e alimentos com essa gigantesca farmácia natural. Conhecimento milenar, passado e desenvolvido ao longo de incontáveis gerações e que, infelizmente, se perdeu em boa parte quando foram abruptamente extintos no final do séc. XIX. Um processo semelhante com o que ocorreu e ocorre em tantas áreas do Brasil, da amazônia à caatinga, passando pelo cerrado.
Um carpintero Negro Patagonico, uma das muitas espécies de aves encontradas no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Um carpintero Negro Patagonico, uma das muitas espécies de aves encontradas no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Mas nem só de flora vive este parque. Pelo contrário, a fauna também é um dos pontos altos no P.N Los Alerces. Além dos ratos que comem brotos de bambu e das trutas e salmões que fazem a festa dos amantes de fly fishing (veja post anterior), também há pássaros o bastante para satisfazer os “birders”. Desde os pássaros grandes e de rapina, como condores, corujas e caburés até os pequenos, como chucaos, cotorras (uma espécie de papagaio) e pombas araucanas. Nós vimos muitos pica-paus, ou carpinteiros, como são chamados por aqui.
Ave de rapina nos sobrevoa no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Um pequeno pássaro descansa na sombra de um pier no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Entre os mamíferos, nós queríamos muito ver um puma, também presente por aqui. Infelizmente (ou felizmente?), só vimos as placas pedindo cuidado e com explicações sobre como proceder caso encontrássemos algum. Procuramos esse felino por toda a América, dos Estados Unidos ao Brasil, passando por Costa Rica, México e Colòmbia. O mais perto que chegamos foram pegadas frescas no Vale do Ribeira e um quase-encontro em um parque na América Central. Por aqui, ainda não foi dessa vez. Ainda bem que tivemos aqueles nossos encontros no Pantanal (veja o post aqui), mas aí eram onças pintadas, e não a parda. Não encontramos o puma, mas não ficamos sem um felino. Ao final da caminhada, eis que apareceu um gato, doméstico mesmo. Pelo menos, não causava perigo. Não sei o que fazia ali, no meio do nada. Talvez fosse de algum guarda-parque e só estivesse interessado nos peixes do rio ou em visitantes que lhe fizessem algum cafuné. Além do gato, outro animal não selvagem que vimos por ali foram vacas. Não poderiam ter escolhido lugar mais idílico para pastar no fnal tarde, um belo gramado ao lado de um rio transparente.
Aviso para presença de pumas em trilha no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Um gato, o único "puma" que encontramos no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
O que vimos também, e esse sim era selvagem, foi uma nutria patagônica (parente da nossa lontra). De início, imaginamos ser um castor. Esses animais são nativos da América do Norte, mas foram introduzidos no sul da patagônia, causando mais um desses inúmeros desastres ecológicos. Sem predadores naturais, espalhou-se como praga alterando o sempre delicado equilíbrio ecológico. Por fim, os pumas aprenderam que a carne deles era boa. Além disso, há campanhas governamentais para sua erradicação. Enfim, eles estão mais ao sul do continente e ainda não chegaram por aqui. O que vimos era sim uma inocente nutria.
Uma nutria patagônica (lontra) no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Remanso de rio no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Quem estava conosco na hora desse encontro foi o nossa migo americano, o Jeffrey. Guia de natureza no Oregon, ele é bem ligado nesses assuntos e foi ele que pensou estar vendo um castor. Ele disse que odeia esse animal aqui na América do Sul, mas o adora na América do norte. Lá, apesar de ter sido quase extinta nos finais do séc. XIX, quando se tornou foco de um ciclo econômico que movimentava milhões (em dinheiro e pessoas!) por sua pele, a espécie vive melhores dias e está perfeitamente inserida em seu ecossistema natural. Aqui, como coelhos e sapos na Austrália e lion fishes no Caribe, é um pesadelo ecológico.
De cima da ponte, gato observa os peixes que passam no rio transparente logo abaixo, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Vacas pastam tranquilamente ao lado de rio no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Bom, tanta flora e tanta fauna e nada de alerces. Bem, foi com tristeza que descobrimos que o bosque famoso de alerces só é acessível por barco, do outro lado do lago Menéndes. Um passeio pago e longo que só parte pelas manhãs. Ficamos sem chance de ir lá conferir essa maravilha. É ali que estão as árvores de quase 70 metros e 3 mil anos de idade. Mas não foi tão mal assim. Ainda pudemos ter um gostinho e caminhar até o único alerce do lado de cá do lago, o chamado “lahuan solitário”. Lahuan é um outro nome para alerce, vem da língua mapuche e quer dizer “avô”. Sim, os índios sabiam que essa respeitável árvore vivia por séculos e milênios. O tal bosque lá do outro lado é território sagrado para eles. O lahuan que conhecemos por aqui ainda é uma criança, pelo menos nos termos da espécie. Tem apenas 3 séculos de idade e um diâmetro de 62 cm. Daqui a mil anos, quem sabe... Enfim, serviu para dar um gostinho. E já que não vimos o bosque sagrado, podemos imaginá-lo como algo parecido com outro bosque sagrado, pelo menos para nós. Fica a mais de 10 mil km daqui, no norte, interior da Califórnia. Para quem quiser ver as imagens desse outro bosque sagrado, uma mistura de alerces (pelo porte e idade) com Arrayanes (pela cor) é só clicar aqui! Quanto a nós, seguimos para o sul!
Finalmente, o encontro com um alerce, ou "lahuan", árvore milenar que dá nome ao Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina
Com o Tomas e a Francesca no pré-carnaval em Olinda - PE
Hoje foi dia de carnaval em Olinda. Em pleno Dezembro, uma semana antes do natal, as ruas da cidade histórica se encheram de pessoas celebrando a vida ao som de maracatu e samba. Entre os felizardos, eu e a Ana, acompanhados de nossos novos amigos, o casal formado pelo suiço Tomas e a romana Francesca.
Presépio com bonecos gigantes em Olinda - PE
Passamos uma manhã tranquila na pousada São Pedro e finalmente colocamos em dia nossos blogs. Durante o café conhecemos o casal, chegado ao Brasil ontem de noite. Escolheram apenas lugares feios para visitar no Brasil: Olinda, Fernando de Noronha, Jericoacoara, Belém e Chapada Diamantina.
Pré-carnaval em Olinda - PE
E ainda deram a sorte de estar no dia certo aqui em Olinda. Eles e nós, claro! Por volta das 18:00 saímos todos juntos para acompanhar as vibrantes rodas de batucada. Meninas, senhores, gordos, negros, brancos, todo tipo de gente manobrando seus instrumentos de percussão com maestria. Emocionante assistir e ouvir o resultado.
Seguindo o mini trio elétrico pelas ruas de Olinda - PE
Em seguida, pasamos a seguir um "mini trio elétrico" (uma Kombi!) pelas ruas de Olinda. Nós e as torcidas do Sport, Náutico e Santa Cruz. Cem por cento de pessoas felizes. Após chegarmos no alto da cidade, entramos no bar "Preto Véio" para assistir a uma apresentação de samba. Samba raiz! Nossos novos amigos estavam impressionados.
Bonecos gigantes em Olinda - PE
Na saída do bar, uma roda de capoeira. Realmente, num espaço de poucas horas, pudemos assistir a toda sorte de manifestações culturais. Então, eles nos ofereceram um jantar no único restaurante que encontramos aberto no meio daquela celebração. Foi o tempo de jantarmos e a festa acabou. Perto da meia noite, já estávamos todos na pousada dormindo e sonhando tranquilamente. Felizes por já termos tido o nosso carnaval!
Fiona no meio do pré-carnaval de Olinda - PE
E aquela história de que o carnaval em Olinda e em Salvador começa três meses antes e termina três meses depois... sim, é verdade!
Brincando com a sobrinha, em Curitiba - PR
Por fim, deixamos Curitiba. Não por muito tempo, já que temos compromisso para o dia 9. Aniversário da sobrinha! Lá se vai um ano!!! Bem, teríamos de voltar mesmo, para pegar o passaporte com o visto (ou não...) do Canadá. Temos então uns 10 dias para aproveitar o frio das serras catarinense e gaúcha.
Recepção dos amigos da Positivo em Curitiba - PR
Nessas duas semanas en Curitiba, socializamos bastante, com a família e com os amigos. São as fotos que ilustram este post. Amigos da Ana, amigos meus, amigos nossos. Família da Ana, agora família minha também. Em especial, a pequena e linda sobrinha, orgulho de todos por aqui.
Encontro com os amigos na casa do Gusta, em Curitiba - PR
Ficamos muito bem hospedados na casa da Patrícia, mãe da Ana. Mordomia total, com direito a muito conforto, refeições e um chuveiro maravilhoso, especialmente neste frio que está fazendo aqui no sul. Duas semanas para recarregar as baterias, prontos para colocar o pé na estrada novamente.
Encontro de casais no apartamento do Pasini e Fernanda, em Curitiba - PR
Agora, já com cinco anos de namoro e três de noivado. Os dois de casamento já foram celebrados há um mês e meio. Soma-se a isso os 450 dias de viagem 24 horas por dia juntos e podemos concluir que a coisa está ficando séria, hehehe
Celebrando 5 anos de namoro e três de noivado, em Curitiba - PR
Bom, para quem queria ter saído ontem de madrugada, sair hoje às duas da tarde já foi uma vitória! O destino era Urubici, a mais fria cidade do Brasil. Queremos ver gelo e neve, aqui no nosso país! Iria ser demais! Perdemos a primeira nevada do ano mas, quem sabe, pegamos a segunda?
Quatro gerações das mulheres Biselli, em Curitiba - PR
Viemos por Floripa para aproveitar a pista dupla e, de lá, para a serra e interior do estado. Deste modo, adentramos nosso vigésimo segundo estado nessa viagem. Nós, que achávamos que a Santa e Bela Catarina só viria em 2013, "quebramos a cara", no bom sentido!. Ficamos felizes também em rever o Oceano Atlântico. A última vez tinha sido na Guiana. A próxima, pelos nossos planos, seria na Patagônia, daqui a mais de um ano. Mas, para que existem planos se não forem para serem mudados?
Tios orgulhosos, em Curitiba - PR
Ficamos impressionados (negativamente) com o trânsito na estrada. Para uma terça-feira normal, nossa... que movimento! Ali na parte continental de Floripa, ficamos quase uma hora. Mas, não tem problema, quando passarmos aqui de volta, apagaremos essa má impressão de uma das mais belas capitais brasileiras, tenho certeza. Nossa... quanta coisa ainda tem de acontecer para chegarmos lá... Mas, sonhar não custa!
Titio coruja, em Curitiba - PR
Em Urubici, chegamos já depois das oito da noite. Temperatura de 3-4 graus. Brrrr!!! Celebramos a volta à viagem com vinho e fondue de queijo. Com um frio desse, não poderia ser outra coisa, né? Amanhã, vamos dar uma boa volta pela região, enfrentar o frio a as serras do Rio do Rastro e do Corvo Branco. E vamos tirar fotos. As primeiras fotos do retorno à viagem!
Com a Pietra, em Curitiba - PR
Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
No nosso planejamento da viagem pelo nordeste, além das óbvias atrações no litoral, sempre procuramos saber e conhecer regiões do interior, do sertão. Afinal, tínhamos uma "forte desconfiança" que o nordeste era muito mais do que um punhado de praias bonitas.
A Pedra da Boca, na fronteira do Rio Grande do Norte com Paraíba, próximo à Passa e Fica
Lugares como a Chapada Diamantina e a Serra da Capivara já tem luz própria, até internacionalmente. Mas outros lugares, como a Serra do Catimbau e o Lajeado do Pai Mateus não são assim tão conhecidos e precisamos fazer uma certa pesquisa para chegar até eles. E assim fomos fazendo, descobrindo lugares interessantes no interior de todos os estados nordestinos. Na verdade, todos não. Faltava o Rio Grande do Norte.
Pronta para a caminhada até a boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Foi quando começamos a receber dicas de outros viajantes pelo caminho. Falavam de uma tal de "Passa e Fica". Eu entendia "Pacifica", procurava no mapa, e nada. Depois da terceira vez que me indicaram, decidi achar de qualquer maneira. Google, internet, mapas, até que a ficha caiu. Pronto, achei a famosa Passa e Fica, fronteira de Rio Grande do Norte e Paraíba, do lado potiguar.
Subindo a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
E aqui chegamos hoje. Passamos diretamente pela cidade e fomos direto ao Parque Estadual, pertinho do centro. Mas, ironia, esse "pertinho" foi o bastante para cruzarmos a fronteira. O belo Parque da Pedra da Boca fica na Paraíba, apesar de estar colado em Passa e Fica. "Paci e Ência"...
Pedra da Caveira, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Lá chegando, fomos recebidos pelo Seu Tico, que vai nos guiar amanhã por uma trilha cheia de grutas e tocas, cenário incrível, dizem. Hoje, ele mandou que o filho nos levasse até a enorme boca na rocha que dá nome ao parque. A gente já vê ela bem de longe, afastando qualquer dúvida sobre o porquê do nome da pedra e do parque. Só falta um batonzinho.
Vista do caminho para a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Em meia hora subimos os quase 200 metros de desnível que nos separavam da boca. Ela, que parecia pequenina lá de longe, é gigantesca lá de perto. Uns 80 metros de largura, 30 m de altura e uns 20 m de profundidade. Outra formação geológica incrível da mamãe natureza. Quando achamos que já vimos de tudo, ficamos de boca caída com o tamanho da boca da pedra.
Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Lá ficamos por uma boa meia hora, tirando fotos, venerando a paisagem, tentando entender aquela coisa. Até o teto do lugar lembra, adivinhem... o céu da boca! Pois bem, lá de dentro da boca ficamos admirando o parque, que tem várias outras pedras mais baixas, inclusive uma com a cara de uma caveira. Observamos também o Rio Grande do Norte, ali do lado, literalmente a "um tirinho de espingarda" de distância.
Dentro da enorme "boca", no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Que belo dia foi esse, amanhecer vendo as praionas da Pipa e entardecer vendo essas pedras gigantes em Passa e Fica. Amanhã, será o contrário: vamos amanhecer com as pedras e cavernas daqui e entardecer com as praias de Natal. E assim seguimos até onde o fôlego aguentar...
Descendo da Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
A Lan House de Iporanga
Estamos sendo obrigados a nos readaptar à algumas realidades do Brasil e provavelmente de toda América Latina: a internet ou, mais precisamente, a falta dela. No nosso primeiro giro pelo Caribe, coincidência ou não, tivemos acesso gratuito à internet de qualidade em todos os lugares que ficamos. Exceto em St. Thomas, onde quiseram nos cobrar. Aqui, por enquanto, é o contrário. Ou não há ou, quando há, é de uma velocidade sofrível, enervante, desesperante. Quando muito, é possível transmitir os posts, mas as fotos, nem pensar. Foi o que ocorreu aqui no hotel ontem de noite: eu e a Ana transmitimos os posts sem fotos.
Hoje cedo, fui em busca de uma Lan House. Foi gostoso passear pela vila cedinho. É de uma tranquilidade reconfortante. Incrível como, na cidade grande, a gente perde a noção de como a vida pode ser muito mais simples, mais lenta e mais saborosa. Para aqueles que já andaram por esse Brasil, a vila aqui é daquele tipo que a praça central é um campo de futebol. Logo em frente, a tradicional igreja. Na esquina, um Banco do Brasil. E aqui e acolá, uma lojinha, um mercadinho familiar, um pequeno e simples restaurante. Cedo há uma pequena feira onde todo mundo se conhece. E atrás da feira, um rio passa preguiçosamente, o que empresta ainda mais tranquilidade à vila. Em quanto tempo será que passa um dia por aqui, me indago. "Acho que demora uma semana!". Bom, quanto à Lan House, só abre de tarde. É quando seguem as fotos dos posts. Imagino que lá a internet seja mais rápida. Na verdade, torço!
Ana fotogrando a praia da Juréia
E é justo agora que mais precisamos de internet. A Ana está com vários vídeos prontos para serem despachados. Além disso, nos últimos dois dias a quantidade de fotos aumentou muito. Não que estejamos em lugares mais bonitos que os anteriores. Mas é que finalmente botamos a Nikon para trabalhar. A Ana com ela e eu com a Sony. E a Nikon é fogo: se um chimpanzé tirar uma foto, já vai ficar boa; na mão da Ana, então, várias obras de arte. E depois, cabe a mim, não só a tarefa de decidir quais fotos ficam e quais vão, mas também organizá-las (nomes, tags, legendas). Fico sempre naquela dúvida cruel: mais fotos e mais trabalho (e raiva, nos lugares com internet precária) ou menos fotos e mais tranquilidade?
Fotografando Cananéia
Andando de carro na praia da Juréia
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