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Mais San Diego e Dificuldades com o (in)Seguro

Estados Unidos, Califórnia, San Diego

Skyline de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos

Skyline de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos


Para dirigir nos EUA é obrigatório se ter um seguro para terceiros. Melhor mesmo é ter seguro completo, do carro também, mas o seguro para terceiros, se a polícia te parar e verificar que não tem, é multa na certa, além do carro ficar preso. Enfim, é sujeira. O problema é que a grande maioria das seguradoras não quer nem saber de carros estrangeiros. Quando muito, gostam de carros canadenses e, talvez, mexicanos. Mas brasileiros, nunca ouviram falar...

Marina em San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos

Marina em San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos


O número de chassi da Fiona não entra no sistema deles, o modelo da Fiona não existe por aqui, o jogo de cintura das seguradoras americanas é zero. A nossa esperança, a Progressive, que já chegou a segurar outros carros de viajantes, mesmo depois de muitas tentativas, não conseguiu nos ajudar.

Um dos muitos parques da cidade de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos

Um dos muitos parques da cidade de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos


A nossa esperança se voltou então para as seguradoras mexicanas, que seguram os carros de seu país quando viajam para cá. Estamos em tratativas com uma delas e talvez consigamos um seguro só para terceiros, válido por seis meses. Meio caro, mas pelo menos ficamos mais tranquilos. De qualquer maneira, no fim do dia, conseguimos um seguro provisório e amanhã cedo vamos botar o pé na estrada.

Gaslamp Quarter, o coração de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos

Gaslamp Quarter, o coração de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos


Enquanto isso, continuamos passeando na simpática San Diego. Hoje fomos para o sul da cidade, no monumento de Cabrillo, de onde se tem uma vista magnífica da baía e da skyline da cidade.

Gaslamp Quarter, o coração de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos

Gaslamp Quarter, o coração de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos


Depois, seguimos para o Gaslamp Quarter, o centro nervoso da cidade. Na verdade, San Diego começou em outro lugar, mais afastado do mar, região hoje conhecida como downtown. Mas no final do século XIX, um empreendedor de visão resolveu desenvolver uma área mais próxima da costa. Não demorou muito para que a nova área, o Gaslamp Quarters, se tornasse o coração da cidade. Passou por um período de decadência, mas renovou-se nos últimos tempos, cheio de restaurantes, bares, lojas e galerias.

Gaslamp Quarter, o coração de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos

Gaslamp Quarter, o coração de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos


Enfim, um lugar bem gostoso para passear. Caminhamos por suas ruas principais, tiramos fotos e resolvemos esticar para um happy hour. Bem na frente do agitado bar que escolhemos entrar, conhecemos um simpático brasileiro, o Paulo. Vive nos EUA e em San Diego há muito tempo e hoje organiza um site bem legal para brasileiros nos EUA. É o www.brasil-Sandiego.com

Noite agitada no Gaslamp Quarter, centro de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos

Noite agitada no Gaslamp Quarter, centro de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos


Passamos umas horas bem legais no tal bar, um dos que está na moda atualmente. Além do Paulo e de seu amigo mexicano, ficamos amigos também de uma americana do Texas que disse que não podemos perder de jeito nenhum o seu estado. Segundo ela, todos os texanos gostam de sair do estado para morar em outro lugar, mas sempre acharam o seu estado o mais bonito de todos, hehehe.

Com o Paulo em bar agitado de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos

Com o Paulo em bar agitado de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos


Bom, amanhã não vamos ao Texas, mas sairemos de San Diego. No nosso roteiro, uma sequência de espetaculares parques nacionais: Joshua Tree, Sequoia e Death Valley. Vamos começar a ver o país!

Um dos bares da moda de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos

Um dos bares da moda de San Diego, no sul da Califórnia - Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, San Diego, cidade

Veja todas as fotos do dia!

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Os Grandes Lagos e o Dilúvio

Canadá, Toronto, Niagara Falls, Estados Unidos, Indiana, Gary, Illinois, Chicago

Admirando orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Admirando orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Nos últimos dias estivemos viajando por entre os maiores lagos de água doce do mundo, na fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos. Uma região conhecida como “The Great Lakes”, verdadeiros oceanos no coração da América do Norte.

O enorme Lake Ontario, em Niagara-on-the-Lake, no Canadá

O enorme Lake Ontario, em Niagara-on-the-Lake, no Canadá


Ainda me lembro das aulas de geografia de 6ª série. Antes da prova, precisamos decorar o nome dos cinco lagos (que, a rigor, são quatro!). De nada adiantou a decoreba, pois essa questão nem caiu no exame.


Nosso caminho através dos Grands Lagos

O primeiro dos lagos que conhecemos foi justamente o menor deles, o Ontario. Tem “apenas” 19 mil quilômetros quadrados. O equivalente a um quadrado com 140 km de lado! Ou seja, caberiam muitas e muitas São Paulos e Rio de Janeiros aí dentro. É neste lago que está Toronto e foi do alto da CN Tower, a 350 metros de altura, que pudemos ter uma ideia da extensão do menorzinho dos Great Lakes. Mesmo lá do alto, não dá para ver o outro lado.

O lago Ontario em Niagara-on-the-Lake, no Canadá

O lago Ontario em Niagara-on-the-Lake, no Canadá


E é do outo lado que está Niagara-on-The Lake. Foi aí que pudemos nos aproximar do lago e testar sua temperatura. Para nossa surpresa, estava fria, mas não gelada. Completamente “nadável”. Há tanta água nos lagos que a temperatura deles não varia tanto como a de lagos menores. Mesmo no auge do inverno polar que se faz por aqui, o gelo que se forma na superfície não é espesso o suficiente para que uma pessoa patine sobre ele com segurança.

Testando a água do lago Ontario, em Niagara-on-the-Lake, no Canadá

Testando a água do lago Ontario, em Niagara-on-the-Lake, no Canadá


Ainda com uma longa viagem pela frente, tudo o que fizemos no Lago Ontario foi molhar as mãos e admirar sua magnitude. Depois, foi pé na estrada rumo aos Estados Unidos. Os lagos estão bem na fronteira desse país com o Canadá, o limite internacional passando no meio de quatro deles. Apenas o lago Michigan fica completamente em terras americanas.

Praia no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Praia no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Nosso caminho nos levou, ainda dentro do Canadá, ao longo da costa norte do Lago Erie (o segundo menor, com 25 mil quilômetros quadrados) até a fronteira entre os dois países, na estreita passagem de terra entre o Erie e o Lago Huron. Esse último, com 60 mil quilômetros quadrados (quadrado com 240 km de lado!), na verdade está unido com o lago Michigan, por um canal. Em tese, formam um só lago, o maior do mundo de água doce.

As havaianas chegaram até Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

As havaianas chegaram até Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


No dia seguinte, após uma passagem relâmpago pelo ponta norte do estado de Indiana (mais um para nossa lista!), chegamos à Chicago, na orla do Lake Michigan, praticamente do mesmo tamanho que seu irmão gêmeo, Huron. Foi aí que pudemos “aproveitar” mais dos lagos. Nessa época do ano, com as altas temperaturas, as praias ficam cheias de banhistas e nós fomos lá conferir.

Praia de lago também tem vendedor de sorvete, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Praia de lago também tem vendedor de sorvete, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Com a água bem verde e com temperatura parecida com as praias do Rio, passamos uma boa hora por lá, estendidos na areia e dando mergulhos. A nossa volta, uma loja de havaianas (como se estivéssemos em uma praia tropical!) e tiozinhos empurrando seus carrinhos de sorvete. “Nossa, será mesmo que estamos em Chicago?”, era o que a gente se perguntava! No mar (quer dizer, lago) em frente, salva-vidas em barcos a remo impediam que banhistas se aventurassem a mais de 20 metros da orla. Foi a parte chata do programa.

Lago Michigan e salvavida em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Lago Michigan e salvavida em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Banho de chuveiro para afastar o calor em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Banho de chuveiro para afastar o calor em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Mas foi fácil resolver isso. Seguimos caminhando em direção ao centro da cidade, a skyline de Chicago crescendo até o céu sobre a orla do lago e atravessamos uma longa baía, toda de concreto. Aí as pessoas anda de bicicleta, caminham, correm e tomam sol. Aliás, com o sol que estava fazendo, não havia melhor lugar na cidade para se estar. Principalmente porque, do alto da “praia de concreto”, podíamos nos atirar no lago e nadar sem que nenhum salva-vidas viesse nos encher o saco.

Caminhando pela orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Caminhando pela orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Vão ser as melhores memórias dos Grandes Lagos que vamos guardar. Ainda conhecemos a orla do Lake Michigan mais ao norte, na cidade de Milwaukee. Mas ali, a água não é tão verde como em Chicago. Vai ser engraçado acompanhar (de longe!) as imagens do próximo inverno na cidade e imaginar que nós nadamos tranquilamente nas praias do lago...

Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Faltou conhecer apenas o Lake Superior, o maior dos grandes lagos, com 82 mil quilômetros quadrados. Fica mais ao norte e, como todos os outros, também foi formado na última era glacial. Quando as geleiras foram retrocedendo, há 15 mil anos atrás, deixaram no seu rastro esses “pequenos” lagos, prova inconteste da enormidade daqueles titânicos lençóis de gelo que cobriam metade do continente.

Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...

Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...


Só por curiosidade, não foi apenas esses lagos que as geleiras deixaram para trás. Não. Na verdade, ocupando boa parte da região central do Canadá, além da parte norte das Great Plains americanas, ficou um lago ainda maior. Maior que todos os grandes lagos somados. Maior até que o Mar Cáspio, na Ásia. Estou falando do lago Agassiz, que hoje já não existe. Toda a sua água “vazou” para o oceano, no mar de Labrador, costa norte do Canadá.

Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Foi um evento titânico! As geleiras que retrocediam ainda formavam uma espécie de dique, represando as águas do gigantesco lago. Quando o dique natural se rompeu, o lago se esvaziou rapidamente, num evento que pode ter durado poucos anos. O resultado foi uma mudança gigantesca para todo o planeta. Toda aquela quantidade de água doce jogada no mar de uma só vez acabou “desligando” a Corrente do Golfo, mudando os padrões de chuva por todo o mundo, além de aumentar o nível do mar em cerca de dois metros. O curioso é que isso levou a um resfriamento global, há cerca de 12 mil anos, e o dique natural de gelo se refez, possibilitando que o lago se enchesse outra vez. Quando novamente o dique se rompeu e o lago “esvaziou”, nova mudança radical no nível dos oceanos e padrão de chuvas global. Esse segundo evento foi há cerca de 9 mil anos e, muitos cientistas creem, pode estar ligado à criação do mito do dilúvio em diversas culturas humanas espalhadas pelo planeta, desde a Suméria (de onde a Bíblia copiou a história do dilúvio a da arca de Noé) até tribos isoladas na Amazônia.

Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...

Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...


Aahnnnnn, como seria bom poder viajar no tempo, e não apenas pelas Américas...

Um pulo para o Lake Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Um pulo para o Lake Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Canadá, Toronto, Niagara Falls, Estados Unidos, Indiana, Gary, Illinois, Chicago, Great Lakes, história, Lake Michigan, Lake Ontario, Niagara on the Lake

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Diz aí se você gostou, diz!

Em Terras Bolivarianas

Venezuela, Maracaibo

Presença quase onipresente nas ruas do país (em Coro, cidade histórica na Venezuela)

Presença quase onipresente nas ruas do país (em Coro, cidade histórica na Venezuela)


Depois de dois dias intensos na península de La Guajira, chegamos na noite de ontem à Maicao, última cidade colombiana antes da fronteira com a Venezuela. Preferimos dormir por aí para enfrentar essa complicada passagem fronteiriça na manhã de hoje. Conhecemos vários casos de viajantes que passaram horas e horas tentando passar de um país para o outro, filas enormes e burocracia ineficiente. A Venezuela compra quase tudo no exterior e boa parte das mercadorias vêm por essa fronteira. A relação dos dois países tem sido marcada pela instabilidade nesses últimos anos, ambos acusando o outro de interferência em sua política interna. Como consequência, existe um certo clima de tensão no ar e a fronteira até já foi fechada algumas vezes. Mas não por muito tempo, já que o intenso comércio não pode parar.

Fiona! (em Maicao, na Colômbia)

Fiona! (em Maicao, na Colômbia)


Hoje cedo, aproveitamos para já fazer câmbio na cidade e comprar bolívares, a moeda da Venezuela. Nesses mais de 1000dias de viagem, é a primeira vez que fizemos isso! Hoje em dia, nesses tempos modernos, “cambista” é uma profissão quase inexistente. Afinal, basta irmos a um caixa eletrônico e retirarmos o dinheiro em moeda local. Já não corremos o risco de sermos enganados por alguém nas ruas e praças de um país estranho, com suas calculadoras viciadas. É simplesmente muito mais seguro passarmos o cartão e pronto. Mas, ainda há exceções! E a Venezuela é o melhor exemplo disso! Tudo porque, aqui nesse país, funcionam aqueles dois tipos de câmbio que há muito já não via: o “oficial” e o “negro”. Além disso, a diferença entre eles é absurda. Não é de 20 ou 30%, o que já seria muito, mas de 300 ou 400%! Isso mesmo! Enquanto o câmbio oficial, que é o que eu conseguiria em um caixa eletrônico, é de 1 US$ para B$ 6,30, no negro trocamos o mesmo dólar por 25 ou até 30 bolívares!

Entrando na Venezuela, recião de Maracaibo,  vindos da Colômbia

Entrando na Venezuela, recião de Maracaibo, vindos da Colômbia


Essa diferença abismal faz com que a Venezuela passe de um país um pouco caro, para quem use o câmbio oficial, para um país extremamente barato, para quem use o câmbio negro. É claro que a gente quis se enquadrar na segunda categoria! Então, tratamos de retirar dinheiro nos caixas da Colômbia mesmo e trocá-los por bolívares, ainda em Maicao. Feito isso, e depois de encontrar e fotografar uma loja com o mesmo nome da Fiona (para nunca mais nos esquecermos dessa feia cidade fronteiriça), estávamos prontos para entrar em terras bolivarianas, o penúltimo país que faltava nesse nossa jornada pelas Américas (agora, só falta o Uruguai!).

Bolívar, herói máximo da Venezuela

Bolívar, herói máximo da Venezuela


A ansiedade da passagem pela fronteira não durou muito. Não havia fila nenhuma e passamos pelo lado colombiano rapidamente. O único incidente foi quando tentei trocar os pesos colombianos que ainda restavam na minha carteira. Eu já estava craque na taxa de câmbio entre dólares e bolívares e entre dólares e pesos colombianos, mas entre as duas moedas sul-americanas, a conta era mais complicada. E não é que o cambista tentou me passar a perna e me empurrar os bolívares pela taxa oficial? Eu achei o valor final meio baixo e titubeei um pouco. O cambista dizia que era isso mesmo, que eram “bolívares fuertes”. O nome vem de quando o Chavez cortou três zeros da moeda antiga e tentou acabar com a inflação com uma canetada. É claro que não deu certo e os bolívares só são “fuertes” no nome. Enfim, depois de eu reclamar e ameaçar ir embora, ele me deu a quantia certa, na maior cara de pau.

Já estamos na Venezuela!

Já estamos na Venezuela!


Bem, passamos ao lado venezuelano e ganhamos rapidamente os stamps nos nossos passaportes. Mas na hora de conseguirmos os papeis da Fiona, aí tivemos de esperar. A repartição responsável estava no horário de almoço e nós aproveitamos para lanchar também. Sentamos em uma das lanchonetes de rua e comemos um prato de bananas e queijo esquentados na chapa. Uma delícia!

Venda de queijo artesanal na fronteira da Venezuela

Venda de queijo artesanal na fronteira da Venezuela


A repartição de abriu e lá fomos nós. Acabou demorando um pouco mais porque dois funcionários estavam doentes e um terceiro fazia o trabalho dos três. Na hora de preencher os dados e requisitos, eis que nosso seguro da Fiona, comprado lá na Colômbia (e para a Colômbia!) valeu por aqui! Que beleza! Estávamos liberados para entrar pelo país adentro!

Preparando carne, plátano e queijo na chapa quente, na fronteira da Venezuela

Preparando carne, plátano e queijo na chapa quente, na fronteira da Venezuela


A Venezuela é um enorme país, cheio de paisagens belíssimas e variadas. Poderíamos passar, tranquilamente, dois meses por aqui, para poder ver um pouco de tudo. Mas não temos todo esse tempo, infelizmente. Vamos entrar no Brasil, lá em Roraima, no dia 17, já que voamos de Boa Vista para o sul do país no dia 19. Isso nos dá cerca de 20 dias por aqui, que vamos tentar espremer da melhor maneira.

O preço quase gratuito do combustível permite que as antigas banheiras ainda ocupem as ruas e estradas da Venezuela

O preço quase gratuito do combustível permite que as antigas banheiras ainda ocupem as ruas e estradas da Venezuela


O que nos ajudou nesse sentido foi que estivemos viajando na Venezuela em 2007, ainda antes de casarmos. Viagem memorável, diga-se de passagem! Naquela ocasião, subimos o maravilhoso Monte Roraima, na fronteira com o Brasil, conhecemos o Salto Angel, a mais alta cachoeira do mundo, estivemos na capital Caracas e nos esbaldamos no arquipélago de Los Roques, ilhas que não ficam nada a dever à qualquer paraíso caribenho. Então, pela falta de tempo, a decisão natural foi nos concentrarmos em outros lugares dessa vez. A exceção foi o Salto Angel, para o qual decidimos voltar, já que não nos tomaria muito tempo, estava em nosso caminho e nos daria a chance de ver a cachoeira por inteiro, o que não conseguimos da outra vez. De qualquer maneira, pretendo fazer posts sobre o Monte Roraima e Los Roques também, já que as memórias ainda estão frescas, assim como as fotografias desses dois lugares absolutamente especiais.


Nosso roteiro pela Venezuela: Começamos pela região de Coro (A), incluindo a península de Paraguaná e a Serra de San Luis. Daí para Morrocoy (B), o caribe venezuelano e Mérida (C), nos Andes. Depois, a região dos Llanos (D), uma espécie de Pantanal e Ciudad Bolivar (E), de onde voamos para a maior cachoeira do mundo, o Salto Angel (F). Finalmente, passando pela Gran Sabana (G), chegamos à Santa Elena (H), na fronteira com o Brasil. Não vamos ao Monte Roraima (I), Caracas (J) e o arquipélago paradisíaco de Los Roques (K), onde estivemos recentemente, em outra viagem e que merecerão posts especiais também!

Bom, decidido aonde não iríamos, tudo ficou mais fácil. Vamos começar por Coro, a mais bem preservada cidade histórica do país e que nos servirá de base para conhecer a península de Paraguaná (a “La Guajira” daqui) e a Serra de San Luis. Depois, vamos para o Parque Nacional de Morrocoy, as praias mais caribenhas da América do Sul. Das praias para as montanhas, e que montanhas! Mérida fica no coração dos Andes venezuelanos, com altitudes que chegam aos 5 mil metros! Depois das alturas, voltamos aos baixios, aos Llanos, a versão venezuelana do nosso Pantanal. Daí para Ciudad Bolivar, para voarmos à Canaima, pertinho do famoso Salto Angel. Finalmente, vamos atravessar a Gran Sabana em direção ao Brasil.

Muita propaganda do socialismo bolivariano nas ruas da Venezuela

Muita propaganda do socialismo bolivariano nas ruas da Venezuela


Um ambicioso roteiro atravessando um enorme país! E tudo tem de começar com um pequeno passo. Foi o que fizemos hoje, viajando da fronteira para Maracaibo, a segunda maior cidade do país e, daí, para a histórica Coro, onde chegamos de noite. Mas ainda estava bem claro quando atravessamos Maracaibo e o maior lago do continente, que tem esse mesmo nome. É justamente aí que se concentra a maior produção de petróleo do país, a grande riqueza venezuelana. Atravessamos a enorme ponte sobre a boca do lago e olhamos, no horizonte, os navios petroleiros e as torres das plataformas de estação de petróleo.


De Maicao (Colômbia) para Coro (Venezuela), passando por Maracaibo e pelo maior lago da América do Sul

Os olhos miravam aquela vastidão infinita de água doce, mas a mente mirava o passado. Dois importantes momentos da história venezuelana aconteceram por ali, bem embaixo da ponte que passávamos. Em 1823, em uma épica batalha naval, a Venezuela venceu uma frota espanhola na última tentativa daquele país de recuperar o poder na antiga colônia, pondo fim a uma guerra de mais de 12 anos, talvez a mais violenta de todas as lutas de independência na América do Sul. Nada menos que metade da população de origem europeia morreu durante esses anos sangrentos de lutas e batalhas.

Na Venezuela, região de Maracaibo, reencontro com os rios amazônicos

Na Venezuela, região de Maracaibo, reencontro com os rios amazônicos


O outro momento, bem mais inesperado para nós que nada sabemos da história de nossos vizinhos, foi uma batalha entre alemães e venezuelanos. Isso mesmo: alemães! Estávamos no início do século XX e o ditador de plantão aqui no país resolveu dar o calote nos credores internacionais. Alemanha e Inglaterra não gostaram nada disso e resolveram fazer um bloqueio naval do país. Apesar da tensão com os Estados Unidos, que já se achavam os donos do continente, o bloqueio foi imposto e justamente essa batalha para controlar o lago foi a mais mortal de todas. A marinha alemã destruiu um forte venezuelano e dezenas de soldados morreram. Ao final, com intermediação do Tio Sam, tudo se resolveu, exceto para aqueles que morreram durante o conflito. O lago voltou a ser venezuelano e, alguns anos depois, o petróleo foi descoberto por aqui, mudando para sempre a história da Venezuela.

Cruzando a enorme ponte sobre o lago Maracaibo, na Venezuela

Cruzando a enorme ponte sobre o lago Maracaibo, na Venezuela


Pois é, começamos hoje a viajar na geografia e história desse país. Do Caribe aos Andes, de Bolívar a Chavez, dos Llanos à Gran Sabana, gastando apenas alguns centavos para encher o tanque do carro, vai ser uma viagem e tanto! E está apenas começando...

Lago de Maracibo, o maior do continente,  importante região produtora de petróleo na Venezuela

Lago de Maracibo, o maior do continente, importante região produtora de petróleo na Venezuela

Venezuela, Maracaibo, história, Maicao

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Honey Moon

Ilhas Virgens Americanas, St John - Cruz Bay

Caneel Bay, USVI

Caneel Bay, USVI


Após toda a chateação da mudança, chegamos ao nosso hotel em St john, a ilha mais tranquila das USVI. Resolvemos aproveitar a nossa tarde e seguimos à pé em uma das muitas trilhas da região. Foi jóia, trilha muito bem marcada, visual lindo. Chegamos até Honey Moon Beach, a menos de uma milha da cidade.. Ainda estava claro e aproveitamos para fazer snorkel.

Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI

Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI


Água limpíssima, visibilidade de mais de 30 m, temperatura super agradável. Pedir o quê? Muita vida! Isso nós tínhamos: linguados, arraias, peixes variados, corais de muitos tipos, tudo no raso, com o ar do pulmão.

Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI

Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI


Depois. continuamos nossa caminhada até um resort, onde tomamos uma cerveja local. Sabor manga! Que beleza! A propaganda não dizia nada sobre isso e, logo depois do primeiro gole, a Ana não se conteve: "Manga?" O barman se compadeceu e deu uma cerveja normal, de homem, para gente. Talvez para mostrar que nem todas as cervejas daqui são com sabor. Bem melhor, mesmo. Depois das cervejas, voltamos para um pôr-do-sol maravilhoso na Honey Moon Beach e, de lá, para o hotel.

Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI

Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI


Ainda pegamos uma noitada por aqui, a Ana entrando nos bares e incomodando as americanas que, ao vê-la entrando na pista de dança, vinham logo marcar seu espaço. Impressionante, acompanhar de camarote essa guerra de "fêmeas". Na verdade, a Ana se divertindo também. Foi bem legal!

Amanhã vamos alugar um carro e virar essa ilha de cabeça para baixo!

Ilhas Virgens Americanas, St John - Cruz Bay, Praia, trilha

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A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Atravessando o Salar de Uyuni

Bolívia, Salar de Uyuni

A Fiona em pleno Salar de Uyuni, na Bolívia

A Fiona em pleno Salar de Uyuni, na Bolívia


Finalmente, chegou o dia de cruzar o mítico Salar de Uyuni. Essa gigantesca planície de sal a 3.600 metros de altitude tem a superfície tão lisa que podemos dirigir sobre ela em todas as direções de olhos fechados por vários minutos e o único perigo é bater o carro em outro carro cujo motorista também esteja com os olhos fechados! Hehehe, seria como ganhar na loteria, mas já aconteceu!

Primeiras horas da manhã no infinito Salar de Uyuni, na Bolívia

Primeiras horas da manhã no infinito Salar de Uyuni, na Bolívia


Saímos de Puerto Chuvica em direção norte. O caminho? Simplesmente miramos no vulcão Tunupa, do outro lado do salar, e fomos para lá. "Mas não vamos para a ilha Incahuasi?" - perguntei ao Cristobal. "Vamos!" - respondeu - " Daqui a pouco ela aparece aí na frente."

Mildias no Salar de Uyuni, na Bolívia

Mildias no Salar de Uyuni, na Bolívia


Salar de Uyuni, na Bolívia

Salar de Uyuni, na Bolívia


E assim fomos seguindo, algumas vezes parando para tirar fotos da imensidão branca, outras vezes dirigindo com os olhos fechados e sem as mãos no volante, outras vezes acelerando para ultrapassar os 100 km/h. O Tunupa ía crescendo preguiçosamente no horizonte quando, de repente, uma pequena mancha apareceu na mesma direção. A mancha também foi crescendo e agora parecia uma minúscula montanha. Mais alguns minutos e podíamos finalmente distingui-la: era uma ilha! Uma ilha perdida no meio do oceano branco, a ilha de Incahuasi, nosso primeiro destino.

Chegando à ilha Incahuasi, no Salar de Uyuni, na Bolívia

Chegando à ilha Incahuasi, no Salar de Uyuni, na Bolívia


Ao contrário do Tunupa, Incahuasi cresceu rapidamente no nosso horizonte e logo estávamos lá. Ela é um dos principais pontos turísticos do Salar e quando lá chegamos já haviam mais alguns jipes com seus turistas. Advinha quem? Da excursão dos brasileiros que conhecemos na primeira noite! Hehehe, o salar pode ser grande mas o mundo é pequeno!

A Isla Incahuasi, no Salar de Uyuni, na Bolívia

A Isla Incahuasi, no Salar de Uyuni, na Bolívia


No alto da Isla Incahuasi, no Salar de Uyuni, na Bolívia. Atrás não é neve nem nuvens, é sal!

No alto da Isla Incahuasi, no Salar de Uyuni, na Bolívia. Atrás não é neve nem nuvens, é sal!


Deixamos a Fiona estacionada em frente à ilha e fomos fazer a trilha que nos leva até o topo de Icahuasi, a uns 50 metros de altura. A vista lá de cima é magnífica, 360 graus de oceano branco à nossa volta. Além disso, a paisagem da própria ilha também é interessante, repleta de cactus por todos os lados, alguns deles milenares. Mas, mais interessante que os cactus são as formações rochosas, claramente coralíneas. Isso mesmo, antigos corais! Tem até um enorme arco que podemos caminhar por baixo e por cima. Prova que o altiplano boliviano, antes dos Andes, já foi bem mais baixo e de que o mar já andou por lá, conforme tínhamos visto nos cartazes do Parque Cretáceo lá de Sucre. Incahuasi já foi uma grande formação de corais no meio do mar. O tal arco teria sido um excelente ponto de mergulho!

Admirando o salar do alto da Isla Incahuasi, no Salar de Uyuni, na Bolívia

Admirando o salar do alto da Isla Incahuasi, no Salar de Uyuni, na Bolívia


Um grande arco de coral na Isla Incahuasi, no Salar de Uyuni, na Bolívia. Prova de que tudo isso já foi mar!!!

Um grande arco de coral na Isla Incahuasi, no Salar de Uyuni, na Bolívia. Prova de que tudo isso já foi mar!!!


Feita a visita e tiradas as fotos, voltamos para a Fiona e seguimos agora em direção leste, para a cidade de Uyuni, aonde deixaríamos a Krasna e o Cristobal. Mais uma vez, para seguir o caminho a chave era marcar um ponto no horizonte e seguir para lá. Quase uma hora mais tarde cruzando as vastidões brancas chegamos perto do fim (ou começo?) do salar. Alí está o mais tradicional Hotel de Sal e, em seguida, uma parte mais molhada do salar, com pequenas poças d'água que o fazem ainda mais bonito. O pequeno povoado de Colchani marca o início de "terra firme" e de lá são mais uns 20 km para Uyuni. Ali deixamos nossos companheiros, almoçamos e buscamos informações que nos ajudem a chegar até o Chile.

Em verde a nossa rota desde a Laguna Colorada até as travessias pelo Salar de Uyuni

Em verde a nossa rota desde a Laguna Colorada até as travessias pelo Salar de Uyuni


Pois é, ainda queríamos chegar até o Chile, mas logo percebemos que já tinha ficado tarde demais para se chegar lá hoje. Assim, o nosso destino passou a ser o pequeno povoado de Llica, na extremidade oeste do salar. Seriam mais 150 km de travessia pelas vastidões brancas, dessa vez só nós dois a bordo da Fiona. É uma rota muito menos usada do salar, já que bem poucos turistas seguem para lá, e portanto quase sem marcas de pneu.

Adesivo do 1000dias no Salar de Uyuni, na Bolívia

Adesivo do 1000dias no Salar de Uyuni, na Bolívia


Mesmo assim, seguimos em frente. Sabíamos mais ou menos o rumo. O Tunupa ficaria à nossa direita, lá pela metade do caminho. Primeiro, seguimos até o Hotel de Sal tradicional. Compramos umas cervejas para comemorar (ainda não tem bafômetro no salar!), apontamos o nariz para frente e seguimos. Num ambiente desse, onde as referências são montanhas a centenas de quilômetros de distância e todo o resto é uma planície branca e sem formas, tempo e distância enganam bem. Cinquenta minutos numa direção e topamos um jipe. O gentil motorista corrigiu um pouco nossa rota e apontou umas montanhas no horizonte: "É para lá!". E para lá seguimos. Outros 50 minutos no meio do nada, sem viva alma pela frente (nem por trás, nem para os lados!), já perto de umas ilhas bem próximas da borda do salar e cruzamos mineradores de sal. Mais informação, mais uma correção de prumo e, dessa vez, apontamos para o lugar certo. Finalmente, encontramos rastros que aos poucos se tranformavam em estrada e, mais alguns minutos, chegamos à Llica. Tínhamos atravessado o salar de ponta à ponta! Experiência absolutamente inesquecível!

Parte molhada do Salar de Uyuni, na Bolívia

Parte molhada do Salar de Uyuni, na Bolívia


Em Llica, instalamo-nos na simples e única hospedaria aberta da cidade e descolamos os últimos pollos con papas fritas do restaurante local. Só dançamos com o chuveiro do hotel, que estava queimado. Só água fria (gelada!). Mais um dia sem banho... Ainda bem que no frio a gente não sua, hehehe. Estamos quase no fim da nossa jornada. Falta, amanhã, conseguir seguir a confusa rota que leva à fronteira com o Chile, cruzando mais um salar, o Coipasa, bem menor que o gigantesco Uyuni, mas ainda de tamanho de meter respeito. Vamos ver como nos saímos...

Exploração de sal no Salar de Uyuni, na Bolívia

Exploração de sal no Salar de Uyuni, na Bolívia

Bolívia, Salar de Uyuni, Incahuasi, Llica, Uyuni

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O Fantástico Delta do Parnaíba

Brasil, Piauí, Parnaíba (Delta)

Admirando as dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Admirando as dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Há onze anos atrás passei por Parnaíba num grande périplo pelo litoral do nordeste que fiz com minha saudosa Maria (uma pampa 4x4). É claro que queria conhecer o Delta e, aqui chegando, entrei num desses grandes barcos que fazem peasseios pelo rio. Lembro-me de ter ficado meio decepcionado com o passeio e com o próprio delta. O sentimento foi o de de ter "cumprido uma obrigação".

Passeio de barco no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Passeio de barco no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Pois bem, cá estou novamente para mudar esse sentimento tão afastado da realidade. Como a Ana ainda não conhecia o Delta, não dava para "pular" essa atração. Mas eu queria fazer algo difente daquele passeio mais ou menos de anos atrás. Primeiro, pensamos num sobrevôo, mas o preço se mostrou absolutamente proibitivo. Não oferecem esse serviço por aqui e o avião teria de vir de longe. Mais caro do que viajar para a Europa. A segunda opção foi fazer um passeio de lancha.

Praia na Ilha Canárias, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Praia na Ilha Canárias, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


E foi isso que fizemos. Decisão mais acertada, impossível. Valeu cada centavo investido. Muito mais ágil e menor que o barco grande, consegue passar pelos pequenos igarapés e visitar muito mais lugares, nos dando uma ampla visão do rio, das dunas e mangues que o cercam, da foz e da fauna exuberante que vive nesse ecossistema.

Canoas na Ilha Canárias, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Canoas na Ilha Canárias, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Pegamos a lancha no porto dos Tatus e seguimos por igarapés até o braço principal do rio. O Parnaíba deságua no Atlântico em forma de delta, isto é, se divide em diversos rios menores para chegar ao oceano. A maior parte do delta se encontra no estado do Maranhão, apesar do rio Parnaíba ser conhecido como piauiense. Na verdade, o rio marca boa parte da fronteira dos dois estados. Isso acabou gerando uma certa confusão. Enquanto os piauienses chamam a região de Delta do Parnaíba, os maranhenses preferem chamá-lo de Delta das Américas, para lhe dar um carácter mais nacional, e mesmo, internacional. Com efeito, o rio Parnaíba forma o maior delta das américas. Uma expedição pelo continente não poderia ser completa sem uma bela visita ao "delta das américas", certo?

Paisagem da Ilha Canárias, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Paisagem da Ilha Canárias, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Cruzamos o rio em direção à Ilha Canárias, já do lado maranhense. Ali almoçamos, passeamos na praia de rio e desfrutamos de uma rede que mais era um convite à preguiça, com vista para o rio e para os alagados que compõem a ilha.

Caminhando na lama de mangue no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Caminhando na lama de mangue no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Carangueijos do mangue do Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Carangueijos do mangue do Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


De lá, já com uma luz mais adequada para fotografias, seguimos por pequenos igarapés até a foz. No caminho, muita observação de pássaros e uma parada para capturar carangueijos em pleno mangue. Nesta parte, a Ana preferiu observar do barco, para não pisar na lama que afunda até a cintura. Rapidamente, nosso excelente e simpático guia, o Estácio, capturou dois carangueijos, um macho e uma fêmea. Meio a contragosto, eles posaram para fotos conosco e foram devolvidos ao seu "confortável" mangue.

Floresta de mangue no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Floresta de mangue no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Falando em mangue, esse do delta foi o que mais gostei dentre todos os que já vi. Para começar, não fede. Além disso, tem árvores tão altas que mais parecem eucaliptos do que mangue. Mas o entrelaçado de raízes embaixo não nos engana: é mesmo mangue! Não sabia que poderiam crescer tanto, ficando tão imponentes.

Pica-pau no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Pica-pau no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Caminhando nas dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Caminhando nas dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Seguimos até uma região conhecida como Feijão Bravo. Paisagem de cinema! Um campo de dunas com areia bem branquinha, espremido entre o mar e o mangue, com lagoas de água doce no seu interior. Um espetáculo! Pedaço de paraíso encravado na fronteira dos dois estados (tecnicamente, fica no Maranhão!). Ali, ficamos passeando nas dunas e nos refrescando na lagoa por um bom tempo. Outras pessoas, apenas ao longe, pescando no braço do rio favorecidos pela maré seca.

Lagoa de água doce em meio às dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Lagoa de água doce em meio às dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Muito sol nas dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Muito sol nas dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Na volta, a luz ainda estava mais bonita. Além dos elegantes sobrevôos de garças e outros pássaros, pudemos admirar também dezenas de iguanas. Na hora do pôr-do-sol, estávamos em outro campo de dunas, desta vez no Piauí. Pôr-do-sol refletido nas águas do delta, ninguém esquece!

Lagoa de água doce e o mar ao fundo, nas dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Lagoa de água doce e o mar ao fundo, nas dunas do Feijão Bravo, no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Fim de tarde sobre as dunas no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Fim de tarde sobre as dunas no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão


Resumindo: passeio maravilhoso! O delta do Parnaíba, ou das Américas, é uma região ímpar, que merece ser preservada e estudada. Para nós, viajantes e amantes da natureza, é um lugar para se admirar e curtir; sentir-se tão próximo da natureza quanto possível. Para quem tiver a chance, venha! E, se tiver alguns reais a mais, faça o passeio com um barco menor e não deixe de ir ao Feijão Bravo. Vale muito à pena!

Fim de tarde sobre as dunas no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Fim de tarde sobre as dunas no Delta do Parnaíba, na fronteira dos estados do Piauí e Maranhão

Brasil, Piauí, Parnaíba (Delta), Delta do Parnaíba, Dunas, Feijão Bravo, Ilha Canárias, Praia, Rio

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No Vale da Morte

Chile, San Pedro de Atacama

Observando as diversas camadas geológicas à mostra em paredes do Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

Observando as diversas camadas geológicas à mostra em paredes do Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


Depois da caminhada acima dos 5 mil metros pela manhã e de um almoço tardio nós seguimos para mais um dos pontos famosos do Atacama, o Valle de La Muerte. Este é outro dos programas que pode ser feito de bicicleta a partir de San Pedro, já que está a 4 km do centro e possui um circuito de outros 5 km. A dificuldade é que boa parte do circuito é de areia fofa, própria para carros tracionados.

Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


O vale é um antigo fundo de lago onde a água, o vento e os movimentos tectônicos moldaram um verdadeiro labirinto de colunas, paredes, canyons e outras formas mais bizarras de areia e argila. Vegetação, nenhuma! Daí o nome do vale.

Fotografando a própria sombra, em mirante no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

Fotografando a própria sombra, em mirante no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


Do mirante se tem vistas maravilhosas de todo o lugar. Aliás, no caminho para a Cordilheira de Sal, onde se localiza o Vale da Morte, há mirantes de onde se pode observar também o Vale da Lua, seu vizinho. A cena, parodiando a descrição da superfície da lua por um astronauta que esteve por lá, é de "magnífica desolação", talvez pela vastidão e ausência de cores, todas as formas ficando entre um amarelo bem desbotado e o marrom.

Visitando o Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

Visitando o Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


Voltando ao Vale da Morte, aí sim temos um pouco mais de cores, percebidas nas várias camadas geológicas que podem ser observadas nos enormes paredões. Um verdadeiro livro aberto da história do planeta para quem saber lê-lo. É nessas horas que sinto pena de não ter feito geologia. Sou um completo analfabeto nessa área.

Fim de tarde no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

Fim de tarde no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


A outra grande atração do Vale da Morte são suas dunas de areia onde é praticado o Sandboarding. Para quem se arrisca, o maior problema não é a descida mas sim a difícil subida pelas areias. Será que não vão fazer uma cadeirinha como sempre existe nos resorts de skie?

A paisagem desértica do Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

A paisagem desértica do Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


Nós, meio sem querer dessa vez, acabamos chegando bem no "final do expediente", quando vans e ônibus já tinham levado seus clientes embora. Tivemos um fim de tarde espetacular no mirante do Vale, praticamente sós, pudemos observar os últimos praticantes de Sandboarding se esforçando duna acima e se divertindo duna abaixo e percorremos as trilhas de areia no labirinto do vale admirados por aquele mundo extraterreste, cenário perfeito para a nova versão de Indiana Jones. A cada dia que passa, mais entendemos porque o Atacama é um lugar tão especial nesse nosso continente.

A paisagem desértica do Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

A paisagem desértica do Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

Chile, San Pedro de Atacama,

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Nossos Companheiros de Expedição

Falkland, Atlântico Sul Falkland

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Ao todo, somos pouco mais de 70 “hóspedes” no Sea Spirit, um grupo pequeno de viajantes compartilhando um mesmo sonho: conhecer o sétimo continente. Além do sonho, compartilhamos outras coisa também, pelo menos pelas próximas 3 semanas: a mesma casa, o mesmo espaço, o mesmo navio. Almoçamos e jantamos juntos todos os dias, participamos das mesmas palestras, dividiremos os mesmos zodiacs nos pontos de descida do barco. Um grupo de pessoas de diversas partes do mundo e diferentes idades, cultura e gostos distintos, mas irremediavelmente unidos aqui, no meio do oceano, a milhares de quilômetros da próxima cidade.

O holandês Sail fotografa pássaros um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

O holandês Sail fotografa pássaros um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


Começamos a nos conhecer ainda em Buenos Aires, na noite do tango e no city tour pela cidade. Mas foi rápido e superficial, muitas outras coisas para nos distrair a atenção, as pessoas mais se estudando do que falando, geralmente ainda se mantendo entre os conhecidos. Isso porque boa parte dos viajantes veio em casais, em família ou em grupos de amigos e apenas uma minoria de forma solitária.

O brasileiro Gunnar relaxa com um drinque no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)

O brasileiro Gunnar relaxa com um drinque no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)


Aqui no navio isso começa a mudar. A convivência é intensa e diária, 16 horas por dia, tirando apenas a noite de sono. Os guias, que já sabem lidar com isso, pois viajam várias vezes por temporada há vários anos, tratam de ajudar a quebrar o gelo. Organizam eventos sociais, como coquetéis e festas. Puxam assunto, perguntam, interagem. Os mais sociais entre nós logo entram no jogo. Rapidamente, já fazem amigos. Os mais tímidos acabam indo na onda. Num espaço tão pequeno, o melhor logo é conhecer as pessoas.

A Val, nossa guia de caiaques, e a escocesa Rowan se confraternizam no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

A Val, nossa guia de caiaques, e a escocesa Rowan se confraternizam no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


A simpática Rukimini, representante da Índia na nossa viagem, fotografa o fim de tarde no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Jeff Orlowski)

A simpática Rukimini, representante da Índia na nossa viagem, fotografa o fim de tarde no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Jeff Orlowski)


A grande maioria dos viajantes é mais velha, entre 50 e 65 anos. O próprio preço de uma viagem como essa serve como filtro. Tem de ser gente já “estabelecida” na vida. Mas o nosso barco veio vazio, talvez por ter sido o primeiro da temporada e também, o primeiro a sair de Buenos Aires. O normal para esse tipo de expedição é zarpar de Ushuaia. A Quark resolveu fazer essa experiência esse ano e não sei se ficaram muito felizes com o resultado...

A Cheli, líder da expedição, apresenta o capitão do nosso barco durante evento no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)

A Cheli, líder da expedição, apresenta o capitão do nosso barco durante evento no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)


Durante coquetel, conhecendo o 1o e o 2o capitão do navio, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Durante coquetel, conhecendo o 1o e o 2o capitão do navio, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Enfim, nós ficamos. De qualquer maneira, pelo pequeno número de passageiros, a empresa baixou os preços pela metade poucas semanas antes do início da viagem. Com isso, mais gente apareceu. Agora sim, um pessoal mais jovem. Ao todo, uns vinte de nós. Digo “nós”, mas na verdade, com meus 44 recém feitos, estou a meio caminho dessas duas gerações que se encontram aqui no Sea Spirit. Além disso, eu e a Ana já tínhamos garantido nossos lugares antes que o desconto fosse oferecido. Isso por causa do caiaque, que queríamos fazer de qualquer maneira. Vou falar disso no próximo post.

Fazendo amizades no navio. Essa é a sul-africana Kim, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Fazendo amizades no navio. Essa é a sul-africana Kim, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Conversando com o Gunnar, o outro brasileiro que participa da expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)

Conversando com o Gunnar, o outro brasileiro que participa da expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)


Bem, rapidamente, esses jovens trataram de se enturmar. Não só os jovens, mas também alguns representantes da 3ª idade que são muito mais sociais e animados do que eu, que sempre joguei no time dos tímidos. Para compensar isso, a minha amada esposa joga no time dos super sociais. Então, basta eu grudar nela que me arranjo também. Assim tem sido nesses 1000dias por toda a América e não seria diferente por aqui.

Nossos guias preparados para uma 'Festa da Fantasia' no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

Nossos guias preparados para uma "Festa da Fantasia" no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


Nossos guias demonstram que também tem outras habilidades, durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Nossos guias demonstram que também tem outras habilidades, durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


As refeições no navio são sempre uma boa oportunidade de conhecer os outros viajantes. Os guias tem como norma tentar variar de mesas todos os dias, de novo com o intuito de ajudar nessa interação. Mas nós, passageiros, sentamos onde quisermos (desde que haja espaço, claro!). São diversos tamanhos de mesa no restaurante e podemos ficar a sós, num grupo pequeno de 4-5 pessoas ou num grupo maior, de até 8 pessoas. De refeição em refeição, vamos conhecendo mais gente e um padrão vai se estabelecendo: todo mundo aqui é muito viajado. Até por isso é que estão aqui. Depois de tantos lugares, falta a Antártida!

Todo mundo se divertindo na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Todo mundo se divertindo na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Como já falei em outro post, americanos, britânicos e australianos são as nacionalidades mais comuns. Fatores variados explicam isso. A própria empresa “fala” inglês, o que atrai os anglófilos e afasta os francófonos, por exemplo. O preço da viagem também acaba filtrando, atraindo mais gente de países desenvolvidos. E o fato do nosso percurso passar pelas Malvinas, ou melhor, Falkland nesse caso, é um grande atrativo para os britânicos.

Confraternizando durante nossa primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Confraternizando durante nossa primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


A Ana, feliz da vida, na nossa primeira festa da viagem, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

A Ana, feliz da vida, na nossa primeira festa da viagem, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Mas outras nacionalidades estão representadas também. Holandeses, como nosso amigo Sail, que veio sozinho e se encaixa naquela categoria de 3ª idade bastante animada, finlandeses, japoneses, um simpático casal indiano, uma falante sul-africana e um único representante da América Latina além de nós, o Gunnar, brasileiro também. Muito simpático, descendente de suecos e viajante inveterado, já esteve no dobro de países que eu estive (e eu conheço quase 100!) e só na Antártida já esteve mais de 10 vezes. Com tanta bagagem, não vai faltar assunto pelas próximas 3 semanas, seja com ele, seja com tantos outros viajantes profissionais a bordo!

A Ana durante a primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

A Ana durante a primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


Além das refeições a equipe da Quark trata de nos animar com eventos sociais. Na nossa segunda noite a bordo, houve um coquetel de boas-vindas, chance de conhecermos o nosso capitão ucraniano, o Oleg. Muito simpático, ele e a Cheli, a líder da nossa expedição, já se conhecem de outras viagens e fizeram várias piadas e gozações entre si, ajudando a descontrair o ambiente. Foi joia e também a nossa chance de fazer aquela clássica foto com o capitão do navio.

Noite de festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Noite de festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Com a Kim, Greg e Anna durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Kim, Greg e Anna durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Já na terceira noite no navio, fomos surpreendidos com uma grande festa da fantasia. Todos os nossos guias vestiam suas perucas e óculos ridículos que haviam trazido para esse fim e foi engraçado vê-los assim, depois da sobriedade das palestras pela manhã. Muita música, muita dança, muitas fotos, muita cerveja e outras bebidas, logo todo mundo estava no clima. Não só no clima, mas também nas fantasias, as perucas circulando a ajudando a animar e descontrair as pessoas.

Com a Rowan e o Dave durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Rowan e o Dave durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Com a Anna e o Greg, casal americano, durante uma Festa da Fantasia no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Anna e o Greg, casal americano, durante uma Festa da Fantasia no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Esses três dias no navio, incluindo os dois eventos sociais, já nos ajudaram a ver quem é quem. Grupos mais animados começam a se formar, aqueles que sempre vão se encontrar depois do jantar para dar uma esticada no bar. Entre eles, claro, minha querida esposa, a sul-africana Kim, a escocesa Rowan, os americanos Brian e Sara, o holandês Sail, entre outros. De modo geral, é uma turma ótima e a convivência com tanta gente interessante assim deve tornar essa viagem ainda mais especial, tenho certeza!

No sentido horário, a Kim (sul-africana), Rowan (escocesa), Sara (americana) e a Ana (brasileira) na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

No sentido horário, a Kim (sul-africana), Rowan (escocesa), Sara (americana) e a Ana (brasileira) na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Falkland, Atlântico Sul Falkland, Sea Spirit

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Da América para o Espaço

Estados Unidos, Flórida, Cape Canaveral

Representação do espaço sideral (Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA)

Representação do espaço sideral (Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA)


Hoje começou mais uma etapa da nossa volta pelos Estados Unidos. Temos até o dia 28 deste mês para chegar à Nova Iorque, de onde embarcamos para o Caribe mais uma vez. Da mesma maneira que quando cruzamos o país de oeste à leste, foi a Ana que montou nosso roteiro até a Big Apple. Passamos por Parques Nacionais, cidades históricas, a mais famosa estrada cênica do país, a capital dos Estados Unidos e pela maior caverna do mundo. Um roteiro bem diversificado, do jeito que gostamos! Como sempre, o roteiro é bem maleável também e temos bastante espaço para mudar de ideia e de caminho, hehehe! Só não podemos mudar o dia 28, pois já estamos de passagens compradas para Barbados.


Nosso roteiro planejado, de Miami à Nova Iorque

Pois bem, essa regra de que podemos sempre mudar de ideia já foi posta em prática hoje mesmo! A nossa ideia original era a de fazer uma longa viagem hoje e já chegar até Savannah, deixando a Flórida para trás. Mas tínhamos o plano B de parar antes, em St. Augustine, se ficássemos cansados ou saíssemos muito tarde.

Chegando ao Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA

Chegando ao Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA


Pois bem, não saímos tarde e nem estávamos particularmente cansados mas, quando passamos ao lado do Cabo Canaveral e do Kennedy Space Center, a vontade foi crescendo, crescendo e não resistimos. A Ana sabe que eu adoro essas coisas do espaço e começou a ler no guia tudo o que havia lá. Não demorou para me convencer...

Réplica de um ônibus espacial, no Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA

Réplica de um ônibus espacial, no Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA


Logo que chegamos, já pegamos um tour de ônibus pelo complexo que leva quase duas horas. Com isso, já selamos nosso destino de hoje: Savannah dançou e ganhamos mais um dia na Flórida, em St. Augustine. O ônibus nos leva primeiro ao redor do gigantesco hangar onde se montavam os foguetes Apolo e, mais recentemente, os Ônibus Espaciais, que acabaram de ser aposentados. As dimensões ali impressionam. Para mim, que já tinha acompanhado tantas vezes o processo de montagem dessas naves através de sites especializados, desde o prédio até o gigantesco veículo que leva os foguetes já montados até as bases de lançamento, a poucos quilômetros de distância, foi emocionante ver tudo de novo, só que ao vivo!

Gigantesco prédio de montagem de foguetes no Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA. Apenas o quadrado azul da bandeira é do tamanho de uma quadra de basquete!

Gigantesco prédio de montagem de foguetes no Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA. Apenas o quadrado azul da bandeira é do tamanho de uma quadra de basquete!


Depois, seguimos para uma das torres de observação. Dali se pode observar a vizinha Cabo Canaveral, a base da força aérea de onde também partem muitos foguetes. Entre eles o Falcon 9, que está para fazer história nas próximas semanas. Vai ser o primeiro foguete privado (se não explodir no caminho, claro!) a ir até a Estação Espacial e depois voltar uma cápsula para a Terra. Não é um voo tripulado ainda, mas será um passo gigantesco de tirar das mãos do Estado o monopólio tecnológico de ir e voltar do espaço. O passo seguinte será baratear custos para, em seguida, começar a tornar o acesso ao espaço algo menos impossível para pessoas normais. É o fiozinho de esperança que ainda tenho de, ainda durante a minha vida, ter a chance de ver a nossa linda Terra lá de cima. Conseguir enquadrar todo o continente americano, que estamos levando 1000dias para conhecer, em uma única foto, deve ser emocionante! Tenho certeza que esse é o destino da humanidade. Só não sei se terei tempo de fazer parte desse “destino”...

Sala de controle das Missões Apolo, que levaram o homem à Lua (no Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA)

Sala de controle das Missões Apolo, que levaram o homem à Lua (no Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA)


A parada seguinte do ônibus é a mais interessante: vamos até outro prédio onde há uma réplica do foguete Apolo, que levou o homem à Lua por várias vezes, há quarenta anos. Mas antes de ver o foguete, fomos levados a sala de controle real do voo da Apolo. Daí foi controlado o voo da Apolo 8, o primeiro voo tripulado a deixar a órbita terrestre e viajar até a Lua. Um filme ali mesmo na sala repassa todos os tensos momentos do lançamento, sons e vozes originais, assim como os mesmos computadores pré-históricos. Muito legal! Em seguida, quando já estamos bem no “clima”, abrem-se as portas e lá está a réplica do foguete Apollo, em tamanho real. Sabem fazer as coisas, esses americanos!

Motor de um foguete Apolo, em exposição no Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA

Motor de um foguete Apolo, em exposição no Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA


Interessante também e ver a coleção de primeiras-páginas de jornais do mundo inteiro do dia seguinte da chegada do homem à Lua. Deve ter sido um evento e tanto! Imagina se fosse hoje, com CNN, internet, Facebook, Twitter, etc...

Jornais noticiam a chegada do homem à Lua! (Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA)

Jornais noticiam a chegada do homem à Lua! (Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA)


Outras exposições mostram os motores do ônibus espacial, as cápsulas lunares e até a réplica dos jipes que andaram na Lua. Para mim, que sempre adorei isso, foi magnífico ter estado lá. Sou um entusiasta da exploração espacial e não pensaria duas vezes se quisessem me lançar num foguete amanhã, desde que tivesse a passagem de volta também. O mais perto que posso fazer disso hoje é visitar um lugar como esse, onde objetos tão reais que podemos tocá-los (como uma pedra trazida da Lua) nos mostram que já estivemos lá. Um feito inigualável da engenhosidade humana.

As várias roupas de astronautas, em exposição no Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA

As várias roupas de astronautas, em exposição no Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA


Outro ponto alto dessa visita foi assistir ao filme em 3D do telescópio espacial Hubble. Acho que mesmo quem não é muito entusiasta dessas coisas não conseguiria deixar de se emocionar vendo o filme onde astronautas voam no espaço para consertar uma das mais perfeitas máquinas já criadas pelo homem. O resultado são imagens belíssimas da nossa galáxia e das outras, uma escala cósmica que faz a Terra parecer completamente insignificante, o que de fato ela é, no infinito do cosmo. A imagem 3D de um “berçário” de estrelas, rodeado por canyons de gases com dezenas de trilhões de quilômetros de extensão é particularmente impressionante e avassaladora.

Visita ao Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA

Visita ao Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral, na Flórida - EUA


Bom, de volta ao nosso insignificante, mas maravilhoso planeta, ao incrível continente americano, à pequena península da Flórida, ainda sem ar depois de ver tudo o que já conseguimos fazer e ver pelo espaço, voltamos para nosso querido “foguete” particular, a Fiona, e seguimos caminho para St. Augustine. Ao deixar olhar para trás e ver Kennedy Space Center, tudo o que conseguia pensar era como deveria ser emocionante ver o lançamento de um foguete dali. Afinal, se quando estávamos a mais de 500 km de distância, em Turks e Caicos, conseguimos ver as luzes de um foguete que subia daqui, imagina aqui de perto. Um dia, um dia...

A Lua também faz parte da América! Pelo menos até os chineses chegarem lá...

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Estados Unidos, Flórida, Cape Canaveral, espaço, lua

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San Blás

Panamá, San Blás

Muito sol e mar esverdeado no nosso segundo dia no arquipélago de San Blás, na costa do Panamá

Muito sol e mar esverdeado no nosso segundo dia no arquipélago de San Blás, na costa do Panamá


O arquipélago de San Blás é formado por quase 400 pequenas ilhas, pouco mais de 10% delas habitadas por indígenas da etnia Kuna. Está localizado na costa norte (caribenha) do Panamá, a cerca de 100 km à leste de Colón, a cidade que fica na saída do Canal do Panamá. Ou seja, fica na parte do istmo entre Colón e a Colômbia.

Acordando no paraíso de San Blás, na costa do Panamá

Acordando no paraíso de San Blás, na costa do Panamá


As ilhas são realmente pequenas e, na maioria delas, pode-se dar a volta à pé em poucos minutos. Seus habitantes, os Kunas, não chegaram lá há muito tempo, em termos históricos. Espremidos entre os invasores espanhóis vindos do oriente e tribos rivais armadas com venenos mortais vindas da Colômbia, preferiram se refugiar neste arquipélago. Desde então, adaptaram-se a uma vida simples, mas orgulhosa de sua cultura, preservando seu modo de viver através dos séculos, mesmo com o contato cada vez mais frequente com a cultura ocidental. Hoje, formam uma comunidade semi-autônoma, senhores de suas ilhas e da sua sociedade.

Índias Kuna se aproximam do nosso veleiro para vender artesanato, em San Blás, na costa do Panamá

Índias Kuna se aproximam do nosso veleiro para vender artesanato, em San Blás, na costa do Panamá


Índia Kuna, representante da tribo que há séculos habita San Blás, na costa do Panamá

Índia Kuna, representante da tribo que há séculos habita San Blás, na costa do Panamá


As ilhas são sempre repletas de coqueiros e cercadas por águas tranquilas, esverdeadas e transparentes. As praias são de areia branca e fina. O cenário é absolutamente paradisíaco, aquela imagem clichê que temos todos em nossas mentes de como seria a ilha perfeita. Pois é, afinal, quem aqui chega descobre que a tal imagem clichê existe de verdade!

Muito sol e mar esverdeado no nosso segundo dia no arquipélago de San Blás, na costa do Panamá

Muito sol e mar esverdeado no nosso segundo dia no arquipélago de San Blás, na costa do Panamá


Uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá

Uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá


Neste paraíso passamos esses últimos dois dias, navegando entre as pequenas ilhas. Navegações curtas e muitos mergulhos nas águas tépidas para nos referscar do sol que São Pedro nos enviou. A nossa principal diversão era fazer snorkel pelas "redondezas", descobrir a vida marinha e bater recordes de profundidade (estava sempre com meu computador de mergulho!). Consegui chegar aos 18 metros sem pé de pato e só não fui mais fundo porque essa foi a maior profundidade que encontramos. A Ana também estava indo fundo, mas uma inflamação no ouvido não deixou que ela praticasse tanto, infelizmente.

Explorando barco afundado em uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá

Explorando barco afundado em uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá


Explorando barco afundado em uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá

Explorando barco afundado em uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá


Pelo menos nos locais onde estivemos ancorados, não havia muita riqueza de corais. Apenas no naufrágio, nossa última parada em San Blás. Um grande barco afundado em profundidades de no máximo 5 metros, o sonho dos praticantes de snorkel. É possível passar por seus corredores, examinar antigas estantes, portas e janelas e, aí sim, observar a abundância de corais de diversas cores, formas e consistências.

Uma arraia durante snorkel em San Blás, na costa do Panamá

Uma arraia durante snorkel em San Blás, na costa do Panamá


O coral cérebro, durante snorkel em barco afundado em San Blás, na costa do Panamá

O coral cérebro, durante snorkel em barco afundado em San Blás, na costa do Panamá


Foi também aí por perto que mais vimos vida animal. Um cardume de lulas do tamanho de camarões grandes, muitos peixes coloridos, uma arraia dorminhoca e até uma cobra marinha, algo que eu nem sabia que existia por aqui.

Explorando barco afundado em uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá

Explorando barco afundado em uma das ilhas de San Blás, na costa do Panamá


Encontro fortuito com a brasileira Dana, que está morando e trabalhando em San Blás, na costa do Panamá

Encontro fortuito com a brasileira Dana, que está morando e trabalhando em San Blás, na costa do Panamá


Outro fato curioso (êta mundo pequeno!) foi termos encontrado, no nosso segundo ponto de ancoragem, uma amiga da Ana via internet e facebook. Foi a Dana, uma brasileira casada com um espanhol que há dois anos mora e trabalha por aqui, no barco do casal. Eles fazem charter pelo arquipélago. Um motorista traz o casal afortunado diretamente da Cidade do Panamá para um porto aqui perto e, por alguns dias, velejam por essas ilhas paradisíacas. Já não bastasse todo esse mimo, a Dana ainda é cozinheira profissional. Enfim, é uma semana de rei para os clientes, que chegam à san Blás sem a parte "chata" da navegação de 40 horas em mar aberto desde Cartagena.

O 'ritual' de entrada no mar durante nossa estadia nas ilhas de San Blás, na costa do Panamá

O "ritual" de entrada no mar durante nossa estadia nas ilhas de San Blás, na costa do Panamá


Nosso cotidiano era nadar e mergulhar bastante e voltar para o barco para as refeições ou em busca de um pouco de sombra. Nadar até as ilhas, caminhar um pouco e tentar encontrar algum coco. No final da tarde, banho de shampoo e água do mar. Dormir cedo e acordar cedo.

Tomando banho de shampoo no fim de tarde em San Blás, na costa do Panamá

Tomando banho de shampoo no fim de tarde em San Blás, na costa do Panamá


Bom, aí está chegando a hora de seguir em frente. Vamos navegar por toda essa noite para chegar em Portobelo, já no continente, pela manhã. Ao final, terão sido quase 450 km de navegação. É lá que faremos a imigração e seguiremos diretamente para Colón para tentar desembaraçar a Fiona antes do fim de semana. Depois de tanta vida boa, um pouco de stress para variar...

Belo fim de tarde em San Blás, na costa do Panamá

Belo fim de tarde em San Blás, na costa do Panamá

Panamá, San Blás, barco, ilha, Mergulho

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