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Glória

Brasil, Minas Gerais, Caxambu

Hotel Glória em Caxambu - MG

Hotel Glória em Caxambu - MG


Houve um tempo, na primeira metade do século passado, em que era um programa muito comum nas classes mais abastadas se passar parte do ano em alguma das estâncias hidrominerais do sul de Minas. Era a "estação de águas". Cariocas e paulistas fugiam do calor em suas cidades natais e passavam temporadas em cidades como Poços de Caldas, Caxambu, Araxá, São Lourenço entre outras. Em várias delas foram construídos grandes hoteis que prosperaram por décadas, atendendo essa fiel clientela. Enquanto se curavam nas águas milagrosas de dia, se divertiam nos cassinos durante a noite. Foi uma época de ouro para essas cidades. De presidentes a artistas, o glamour cercava essas cidades durante a "temporada".

Aqui em Caxambu o hotel que atendia essa chique clientela era o Glória. O seu mais famoso cliente assíduo: Getúlio Vargas. Mas a proibição dos cassinos no Brasil e o avanço da medicina dos remédios tirou da moda as águas medicinais e todas essas cidades. Os hotéis decaíram, alguns chegaram a fechar.

Esse quase foi o destino do Glória. Ele veio se aguentando nas últimas décadas, com um ar meio decadente meio charmoso. Esteve a ponto de fechar as portas ano passado, afundado em dívidas e questões societárias. Mas um novo dono trouxe esperanças. O hotel está em processo de revitalização para alegria dos funcionários e da cidade.

E também de antigos hóspedes! Estive aqui acompanhado dos pais e do querido e saudoso irmão em 1983. Jamais me esqueci da mais limpa piscina em que havia nadado nem da saborosa água mineral servida nas refeições, mais gostosa que sucos de frutas.

Tanto tempo depois, cá estou com minha esposa querida para prestigiar esse patrimônio das Minas Gerais. Pena que por tão pouco tempo. Em plena segunda-feira, como dois dos poucos hóspedes presentes, somos tratados como reis!

Interior do Hotel Glória em Caxambu - MG

Interior do Hotel Glória em Caxambu - MG

Brasil, Minas Gerais, Caxambu,

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Tramandaí e a Despedida dos Pais

Brasil, Rio Grande Do Sul, Tramandaí, Porto Alegre

Depois de 15 dias viajando juntos pelo Uruguai e Rio Grande do Sul, despedida do Joca e da Ixa, os pais do Rodrigo, no aeroporto de Porto Alegre, capital do estado

Depois de 15 dias viajando juntos pelo Uruguai e Rio Grande do Sul, despedida do Joca e da Ixa, os pais do Rodrigo, no aeroporto de Porto Alegre, capital do estado


Depois da visita ao Parque Nacional da Lagoa do Peixe e do almoço, já no final da tarde, no Balneário Mostardense, seguimos viagem para o norte rumo aos balneários mais conhecidos e frequentados do litoral gaúcho. Já não tínhamos mais esperanças de chegar antes de escurecer. O belo entardecer foi quando passamos na Lagoa dos Barros, pouco antes de Osorio e, logo depois, as luzes de Tramandaí já estavam acesas e nos mostrando o caminho a seguir.



Para nós, que moramos no Paraná e em São Paulo, as praias do Rio Grande do Sul são apenas uma referência de nome. Dificilmente alguém sai desses estados mais ao norte para vir visitar o litoral gaúcho, a não ser que tenha parentes ou amigos daqui. Além da distância, se o que queremos é praia, estamos muito bem servidos no litoral de São Paulo ou Rio. Se temos animação para ir mais longe, aí o destino serão as praias de Santa Catarina, Bahia ou algum outro estado nordestino. Pelo que ouvimos falar, elas (praias do sul) simplesmente não valem o esforço, considerando a longa distância e que há praias muito mais bonitas no litoral catarinense, bem mais próximo de nós. Se a questão for conviver com gaúchas (tão famosas por sua beleza), aí mesmo é que ficamos em Santa Catarina, pois é justamente a juventude gaúcha a que mais frequenta o litoral do estado vizinho.

Alguns dos balneários mais conhecidos e disputados da costa do Rio Grande do Sul

Alguns dos balneários mais conhecidos e disputados da costa do Rio Grande do Sul


Mas conhecemos os nomes. Tramandaí, Xangri-Lá, Atlântida, Capão da Canoa, etc... Agora que viemos ainda mais do sul e elas não estão tão longe, seria uma ótima oportunidade de dar uma olhada. Como meus pais tinham passagem marcada para o dia 27 (hoje!), tínhamos apenas um dia para nossas explorações desses famosos balneários. Sem tempo para ver tudo, a solução era escolher um deles, quase como uma amostra. Depois, quando passarmos pela capital e retomarmos nosso caminho para o norte, vamos reservar também um tempo para conhecer Torres, a única praia diferente do estado, fugindo daquele estilo “praião infinito”, com falésias e outras formações rochosas perto do mar. Confesso que essa é a única que sempre quis conhecer, aconselhado por amigos gaúchos. Daqui a alguns dias... Agora, tínhamos mesmo de escolher algum dos balneários mais próximos.

O movimentado Balneário de Tramandaí visto de cima, entre o mar e a lagoa e rio de mesmo nome, no litoral do Rio Grande do Sul (foto da internet)

O movimentado Balneário de Tramandaí visto de cima, entre o mar e a lagoa e rio de mesmo nome, no litoral do Rio Grande do Sul (foto da internet)


Pois bem, pelo avançado da hora, ficamos justo no primeiro deles, Tramandaí. Apesar do escuro, a primeira impressão foi boa, as luzes da cidade refletidas nas águas da lagoa formada pelo rio Tramandaí. Depois, caímos dentro da cidade e sua avenida principal. Tentamos achar algum hotel em frente à praia e nada. Acabamos por nos render e voltamos àquela avenida movimentada e cheia de hotéis e nos instalamos. Cansados, foi só o tempo de jantarmos e fomos dormir.

O Balneário de Tramandaí num dia ensolarado da temporada, no litoral do Rio Grande do Sul (foto da internet)

O Balneário de Tramandaí num dia ensolarado da temporada, no litoral do Rio Grande do Sul (foto da internet)


Tramandaí é uma cidade grande. No inverno, sua população é de pouco mais de 40 mil habitantes, mas esse número chega a 250 mil na temporada, quando os porto-alegrenses vêm ocupar seus apartamentos na cidade. Basta dar uma olhada nas fotos da praia durante os dias de sol do verão. Mas não há prédios altos na orla. Ficam mais atrás, na avenida onde nos hospedamos e na ponta da península formada no encontro de mar, rio e lagoa. Aliás, há um fato histórico muito importante nessa lagoa. Foi aqui que chegaram os barcos trazidos por Giuseppe Garibaldi na Guerra dos Farrapos. A curiosidade é que eles não chegaram pela água, mas por terra! As tropas republicanas dominavam todo o interior do estado, mas as forças imperiais controlavam o litoral e cidades como Porto Alegre e Rio Grande. Para que a revolução triunfasse, era muito importante desenvolver uma marinha. Garibaldi ficou a cargo disso e um estaleiro começou a construir barcos na Lagoa dos Patos. O problema é que o governo de Dom Pedro II controlava a saída dessa lagoa para o mar. A engenhosa solução encontrada, destinada a tomar de surpresa o exército e marinha imperial, foi trazer por terra os barcos, um percurso de 100 km da Lagoa dos Patos até o rio Tramandaí. Foram usados centenas de bois e a jornada foi épica, atrapalhada pelo mal tempo. Mas o esforço quase heroico dos revolucionários teve sucesso e dois lanchões, o Seival e o Farroupilha, chegaram até aqui. Já no mar, a nascente marinha gaúcha ajudou no cerco e tomada de Laguna, a cidade de maior importância histórica no sul do país naqueles tempos, localizada na vizinha Santa Catarina. Foi o auge da Revolução Farroupilha. As forças imperiais contra-atacaram, retomaram Laguna e, por fim, a província rebelde também se rendeu. Mas esse episódio da viagem por terra dos barcos nunca mais foi esquecido, um dos grandes feitos militares daquele início conturbado da nossa história como nação independente.

O tradicional condomínio Quebra-mar, na orla de Tramandaí, com 268 apartamentos e mais de 1.000 veranistas. Arquitetura (???) dos anos 60 (foto da internet)

O tradicional condomínio Quebra-mar, na orla de Tramandaí, com 268 apartamentos e mais de 1.000 veranistas. Arquitetura (???) dos anos 60 (foto da internet)


Ontem, o dia amanheceu chuvoso. Desistimos de ir caminhar na praia e decidimos passear de carro mesmo. A praia é exatamente do estilo dessa outras que temos conhecido no estado. Bem longa e ampla, mar aberto. A diferença é que esta está totalmente urbanizada, ao contrário daquelas vastas extensões entre a Lagoa Mirim e o mar e entre a Lagoa dos Patos e o mar. Mas se esquecermos dos prédios e construções, é muito parecido sim. Pode ser gostoso, mas não dá para comparar coma beleza das praias catarinenses ou do litoral norte de São Paulo, com a Serra do Mar praticamente entrando no oceano. Enfim, o tempo também não ajudava. Ficamos impressionados com o tamanho e esquisitice de um prédio em frente ao mar, arquitetura típica dos antigos países comunistas. Um prédio com três andares, 268 apartamentos, mais de 500 janelas e que ocupa todo um quarteirão. No verão, tem uma população superior a 1.000 habitantes! Prontamente, ficamos com saudade do vazio da Praia do Forte, em frente à Lagoa do Peixe, que percorremos ontem.

Em dia chuvoso, a cidade de TRamandaí vista de Imbé, do outro lado do canal, no litoral do Rio Grande do Sul

Em dia chuvoso, a cidade de TRamandaí vista de Imbé, do outro lado do canal, no litoral do Rio Grande do Sul


Em dia chuvoso, a cidade de TRamandaí vista de Imbé, do outro lado do canal, no litoral do Rio Grande do Sul

Em dia chuvoso, a cidade de TRamandaí vista de Imbé, do outro lado do canal, no litoral do Rio Grande do Sul


Enfim, já com a bagagem no carro, resolvemos dar uma olhada nos outros balneários. Cruzamos o canal e chegamos a Imbé. Aliás, ótimo ângulo para fotografar Tramandaí. Fugimos da avenida movimentada e fomos para a orla. Uma barraca de cerveja com o meu nome foi motivo de parada para fotos, mesmo com chuva. É sempre gostoso e massageia o ego ver nosso nome em letras garrafais, hehehe. Seguimos vagarosamente pela orla, cheia de quebra-molas. Nossa ideia era ir até Xangri-Lá. Mas uns poucos quilômetros por ali e decidimos que estávamos vendo mais do mesmo. Se ainda estivesse fazendo sol, vá lá. Mas naquele clima, concordamos que o melhor seria seguir mesmo para a capital. Já tinha dado para perceber porque as praias de Santa Catarina fazem tanto sucesso entre os gaúchos.

Que belo nome de barraca! (em Imbé, próximo a TRamandaí, no litoral do Rio Grande do Sul)

Que belo nome de barraca! (em Imbé, próximo a TRamandaí, no litoral do Rio Grande do Sul)


O caminho para Porto Alegre é rápido, a pista dupla da famosa “free-way”. Quando eu olhava os mapas rodoviários do Brasil no início da década de 80, eram muito poucas as estradas de pista dupla no país. Quase todas em São Paulo. Imigrantes, Anchieta, Anhanguera, Bandeirantes, Castelo Branco e Trabalhadores, eu me orgulhava de conhecer todas! A única rodovia interestadual de pista dupla era a Dutra, entre Rio e São Paulo. E, fora essas, as únicas que apareciam no meu mapa e que não estavam em São Paulo eram a rodovia Curitiba-Paranaguá e a Free-way, aqui no sul. Eram as que faltavam na minha “coleção” de adolescente. A de Curitiba, conheci em 1989. Faltava só mesmo a free-way e tiveram de passar outros longos 25 anos para eu finalmente completar a lista. Só que, felizmente para o Brasil, a lista hoje de estradas duplas é muito maior e, esperamos todos, cresça muito mais!

Deixando os pais no aeroporto de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul

Deixando os pais no aeroporto de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul


Depois de 15 dias viajando juntos pelo Uruguai e Rio Grande do Sul, a Ana se despede de seus sogros,o Joca e a Ixa, no aeroporto de Porto Alegre, capital do estado

Depois de 15 dias viajando juntos pelo Uruguai e Rio Grande do Sul, a Ana se despede de seus sogros,o Joca e a Ixa, no aeroporto de Porto Alegre, capital do estado


Em Porto Alegre, resolvemos nos instalar em um hotel perto do aeroporto. Minha mãe não gosta de “aventura” na hora de embarcar e o voo sairia logo pela manhã. Assim, nada como já estar pertinho. Como todos já conhecemos de outras viagens a capital do Rio Grande do Sul, resolvemos tirar a tarde de folga. Depois deles partirem, aí sim vamos, eu e a Ana, procurar nossos amigos na cidade e rodar um pouco por Porto Alegre, revendo, relembrando, fotografando e, certamente, conhecendo novos lugares. Mas ontem, fomos simplesmente ao shopping. Queríamos um bom cinema para descansarmos das viagens reais e mergulharmos nas viagens virtuais, no tempo e no espaço. Fomos para a 2ª Guerra Mundial, na Alemanha, ajudar militares americanos a encontrar obras de arte roubadas e escondidas pelos nazistas. Delícia de filme. Como também foi delicioso o jantar, um autêntico churrasco gaúcho, a melhor carne do Brasil.

Depois de 15 dias viajando juntos pelo Uruguai e Rio Grande do Sul, despedida do Joca e da Ixa, os pais do Rodrigo, no aeroporto de Porto Alegre, capital do estado

Depois de 15 dias viajando juntos pelo Uruguai e Rio Grande do Sul, despedida do Joca e da Ixa, os pais do Rodrigo, no aeroporto de Porto Alegre, capital do estado


Depois de 15 dias viajando juntos pelo Uruguai e Rio Grande do Sul, despedida do Joca e da Ixa, os pais do Rodrigo, no aeroporto de Porto Alegre, capital do estado

Depois de 15 dias viajando juntos pelo Uruguai e Rio Grande do Sul, despedida do Joca e da Ixa, os pais do Rodrigo, no aeroporto de Porto Alegre, capital do estado


Finalmente, hoje pela manhã, chegou a hora da despedida. Depois de mais de 1.500 km de estrada e quinze dias viajando juntos na Fiona, meus queridos pais retornam para casa. Estiveram conosco por boa parte do Uruguai e também por todo o litoral gaúcho, do Chuí a Tramandaí. Experiência enriquecedora, para o filho e para a nora. Já fazia anos que eles nos “deviam” essa visita. Antes tarde do que nunca, hehehe! Convivência deliciosa e harmoniosa, conversas e rizadas compartidas, cumplicidade crescente, intimidade. Vão deixar saudades, esses dois, o Seu Gustavo e a Dona Nilza ou, mais popularmente, o Joca e a Ixa.


Percurso aproximado dos últimos 15 dias de viagem, entre Uruguai e Rio Grande do Sul, muito bem acompanhados de meus queridos pais. Todos confortavelmente acomodados na Fiona. Infelizmente o GoogleMaps não sabe que é possível viajar pela Praia do Cassino/Hermenegildo. Além disso, só podemos marcar 10 pontos, e foram mais do que isso. Enfim, faltam os detalhes, mas a rota é aproximadamente esta

Brasil, Rio Grande Do Sul, Tramandaí, Porto Alegre, Arquitetura, Estrada, história, Praia

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O Famoso Grand Canyon

Estados Unidos, Arizona, Grand Canyon

Grand Canyon: grandiosidade de tirar o fôlego! (no Arizona, nos Estados Unidos)

Grand Canyon: grandiosidade de tirar o fôlego! (no Arizona, nos Estados Unidos)


O Grand Canyon não é nem o maior nem o mais profundo canyon do mundo, mas certamente é o mais famoso. Com mais de 400 quilômetros de comprimento e até 29 de largura, suas dimensões colossais impressionam qualquer pessoa que se aproxime de suas bordas. Por mais de 15 milhões de anos, o rio Colorado vem escavando através de diversas camadas de solo, desnudando cerca de dois bilhões de anos de história geológica da América do Norte, fazendo a alegria dos geólogos que tem ali o seu melhor laboratório de estudos do planeta. O clima do deserto não só preservou em perfeitas condições essas diversas camadas que agora podemos ver como também dá as cores amareladas e avermelhadas tão características do Grand canyon, algo que faz dele uma das mais belas e impressionantes paisagens da Terra.

A vista majestosa do Grand Canyon, no estado do Arizona, nos Estados Unidos

A vista majestosa do Grand Canyon, no estado do Arizona, nos Estados Unidos


A vista majestosa do Grand Canyon, no estado do Arizona, nos Estados Unidos

A vista majestosa do Grand Canyon, no estado do Arizona, nos Estados Unidos


Ao longo de milhões de anos, camada sobre camada de terreno foi se formando. Ao mesmo tempo, placas tectônicas se movimentavam e se chocavam, levantando montanhas e afundando continentes. O mar avançava e retrocedia até que, mais recentemente, um encontro de placas levantou toda essa área a mais de dois quilômetros de altitude, formando o Kaibab Plateau. Desde então, com uma paciência milenar, o rio Colorado e seus tributários vem escavando esse platô em seu caminho para o mar. Dependendo da época, se é mais úmida ou seca, do degelo de antigas geleiras ou de secas que podem durar décadas, o rio aumenta ou diminui de tamanho. Quanto mais água, mais rápida a erosão. Outro fator que determina essa velocidade é a camada de solo em que o rio se encontra. As rochas podem ser mais resistentes ou não, dependendo do processo de formação daquela camada específica. O rio Colorado já atravessou várias delas, deixando seu rastro de erosão nas paredes coloridas do canyon, cada cor ou tom representando uma camada e alguns milhões de anos de história.

Visitando a borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Visitando a borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Visitando a borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Visitando a borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Apenas no último piscar de olhos da história geológica chegou o ser humano por aqui. Isso representa alguns milhares de anos, que é o tempo em que nativos americanos aprenderam a viver nas condições nada fáceis do interior e arredores do canyon. Mais recente ainda é a “descoberta” do canyon para o mundo ocidental, o que aconteceu em meados do séc XVI por uma expedição espanhola. Mas, como não havia ouro por aqui, o canyon foi deixado para trás e, apenas duzentos anos mais tarde, passou a ser explorado novamente.

Muita neve na parte alta do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Muita neve na parte alta do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Foi apenas em 1869 que um grupo liderado pelo major John Powell conseguiu atravessar todo o canyon pelo leito do rio Colorado, numa épica expedição que durou quase dez meses. Novos aventureiros se seguiram e, atrás deles, começaram a chegar os turistas. Um deles, o presidente americano Theodore Roosevelt, passou a lutar por sua preservação. Uma reserva foi criada em 1906, tornando-se parque nacional em 1919. Infelizmente, a proteção não veio a tempo de impedir que animais como lobos, águias e leões da montanha fossem exterminados dali. Ruim para eles, bom para veados, cervos e cabras montesas e coelhos, que perderam seus implacáveis inimigos.

Muita neve na parte alta do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Muita neve na parte alta do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Ao menos, atividades como criação de animais e mineração foram proibidas e a beleza cênica do canyon continua indiscutível. Como estamos nos Estados Unidos, a infraestrutura para se conhecer e admirar essas belezas é invejável, assim como as possibilidades de fazê-lo. Pode ser no conforto do seu carro, num espetacular voo de helicóptero, caminhando sobre uma ponte de vidro que avança sobre o canyon ou fazendo um trekking até o interior do mesmo. Tudo depende do seu bolso e curiosidade.

Grand Canyon: grandiosidade de tirar o fôlego! (no Arizona, nos Estados Unidos)

Grand Canyon: grandiosidade de tirar o fôlego! (no Arizona, nos Estados Unidos)


O parque engloba os dois lados do canyon, mas é na parte sul, o South Rim, que está a melhor infraestrutura. Para lá vão a grande maioria dos milhões de turistas que visitam uma das sete maravilhas do mundo natural anualmente. São vários lodges quase na beirada do precipício, assim como restaurantes com uma vista de perder o fôlego. Uma trilha asfaltada também acompanha a borda do canyon por quilômetros, dando acesso a diversos mirantes com visões privilegiadas. Para quem quiser gastar um pouco menos, uma cidade perto da entrada do parque se desenvolveu, com várias opções de hospedagem e alimentação. Foi aí que nos hospedamos, ontem de noite, num concorrido hotel de rede. Dez minutos de Fiona e já estávamos na boca do canyon.

Grand Canyon: grandiosidade de tirar o fôlego! (no Arizona, nos Estados Unidos)

Grand Canyon: grandiosidade de tirar o fôlego! (no Arizona, nos Estados Unidos)


Hoje, tiramos o dia para percorrer as trilhas e a estrada que dão acesso aos mirantes do South Rim. Cada um mais belo e impressionante do que o outro. O inverno chegou com força aqui nesses últimos dias e nós tivemos uma bela amostra disso ontem de noite, com aqueles 17 graus negativos. Uma das consequências disso foi a neve que caiu na parte alta do canyon, pintando tudo de branco. Foi o bastante para fecharem o North Rim até a próxima primavera, mas aqui, do lado sul, tudo é mantido aberto o ano todo.

Turistas se aglomeram em um dos mirantes do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Turistas se aglomeram em um dos mirantes do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


A neve branca misturada com o terreno e as paredes vermelhas e amarelas conseguiu fazer uma paisagem já maravilhosa ficar ainda mais bonita. De mirante em mirante seguimos, nunca nos cansando de admirar e tirar fotos. A vontade que dá é sair voando por aquele infinito espaço vazio, como faziam as águias de antigamente. A opção para isso é fazer um dos voos de helicóptero, por pouco mais de 200 dólares.

Visita ao Parque Nacional do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Visita ao Parque Nacional do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Vista do rio Colorado, no mirante conhecido como Desert View, na borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Vista do rio Colorado, no mirante conhecido como Desert View, na borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Mas a nossa vontade era mais conhecer por baixo, pelo interior do que pelo ar. Para isso, a opção é botar o pé na trilha para enfrentar os cerca de mil metros de desnível entre a borda sul e o rio Colorado. Nosso medo era o frio, pois acampar a menos 17, ninguém merece. Mesmo querendo tanto usar nossa barraca nova, desse jeito estávamos quase desistindo dela e encarando o lodge que existe lá embaixo, opção bem mais cara. Outro medo era enfrentar o gelo e a neve da parte alta da trilha. Felizmente, uma conversa com o park ranger resolveu os dois problemas. Primeiro, a temperatura estava esquentando desde ontem e, embora ainda fosse negativa, não chegaria mais ao exagero de ontem. Segundo, lá embaixo é bem menos frio do que aqui e a previsão para a noite seguinte, perto do rio, era de apenas poucos graus negativos. Finalmente, o gelo do início da trilha poderia ser enfrentado com umas correntes com pregos que colocamos nos calçados. Poderíamos comprar isso no supermercado e, caso não as usássemos, poderíamos até devolvê-las e receber o dinheiro de volta. Coisa de país de 1º mundo...

Vista do rio Colorado, no mirante conhecido como Desert View, na borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Vista do rio Colorado, no mirante conhecido como Desert View, na borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


O sol ilumina as paredes do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

O sol ilumina as paredes do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Então, estava resolvido! Amanhã, caminharíamos até o rio para acampar lá embaixo! Passamos num supermercado para comprar a comida e estávamos prontos para a aventura. Mas antes disso, ainda hoje, ainda fechamos o dia no mais belo mirante do lado sul do canyon, o Desert View. De lá, podemos até ver o rio lá embaixo, pois dos outros mirantes o Rio Colorado está escondido dentro do canyon interior. A luz do fim de tarde tornava as cores ainda mais belas, o vermelho e amarelo das enormes paredes mais vermelhos e mais amarelos. Uma visão absolutamente mágica, anda mais com a neve na parte alta e o grande deserto ao fundo, que é o que dá nome a este mirante.

A incrível paisagem do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

A incrível paisagem do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


No mirante Desert View, é possível observar o rio Colorado no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

No mirante Desert View, é possível observar o rio Colorado no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Amanhã cedo, então, pé na trilha. Logo cedo vamos passar no escritório que emite as permissões para se acampar, deixar a Fiona por lá e seguir de ônibus para o ponto inicial da trilha. Depois, para baixo todo santo ajuda, serão horas de caminhada tranquila e muitas fotografias. O tempo vai estar aberto e mal podemos esperar! Dezoito anos mais tarde e vou poder voltar ao fundo do Grand Canyon, dessa vez com tempo para desfrutar e na melhor companhia do mundo! Ahn... amanhã é 21 de Dezembro, dia do fim do mundo. Tem lugar mais especial para se estar num evento dessa envergadura? Aliás, também é o aniversário de 1000 dias da nossa viagem, Assunto para amanhã...

1000dias no Grand Canyon! (no Arizona, nos Estados Unidos)

1000dias no Grand Canyon! (no Arizona, nos Estados Unidos)

Estados Unidos, Arizona, Grand Canyon,

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Sol em Iquique

Chile, Iquique

Manhã de sol em Iquique, no norte do Chile

Manhã de sol em Iquique, no norte do Chile


Nesta época do ano a cidade de Iquique, assim como várias cidades na costa chilena e peruana, passa meses sem ver a cara do sol. Uma forte neblina, fruto da interação do Oceano Pacífico com o relevo litorâneo, cobre constantemente o local. Mas, há exceções! E hoje, para a nossa sorte, foi uma delas. A manhã começou como todas as outras, céu cinza e pesado. Mas aos poucos o azul foi aparecendo aqui e ali e, uma hora depois, o sol reinava glorioso num céu limpo e azul.

A enorme duna em Iquique, no norte do Chile

A enorme duna em Iquique, no norte do Chile


Isso fez com que eu e a Ana mudássemos nossos planos. Inicialmente, imáginávamos um passeio na praia no fim da tarde, apenas para cumprir tabela. Mas agora, com o sol brilhando, fomos correndo para lá, aproveitar a oportunidade rara. Fizemos um cooper pela orla e seguimos para a areia, para nosso primeiro banho de mar no Oceano Pacífico. Água gelada, mas muito limpa. A Ana ficou só na beirada, mas eu não resisti a um bom mergulho. O Pacífico me fascina faz tempo. Há algo de misterioso nele que me atrai. Bom, temos muitos meses pela frente para "nos conhecermos" melhor, hehehe

Enfrentando as águas frias do Oceano Pacífico em Iquique, no norte do Chile

Enfrentando as águas frias do Oceano Pacífico em Iquique, no norte do Chile


Depois do mar, seguimos de carro para um passeio no centro da cidade. Iquique nasceu espanhola, virou peruana e tornou-se chilena, mas com forte influência inglesa. Terra natal de vários heróis peruanos desde a guerra de independência, foi conquista pelos chilenos na Guerra do Pacífico, em 1879. Desde então, sofreu um forte processo de "chilenização", com imigrantes chegando do sul do país para trabalhar na indústria salitreira que teve seu auge no início de séc. XX.

Passeando pelo centro de Iquique - Chile

Passeando pelo centro de Iquique - Chile


A indústria salitreira era dominada pelo capital inglês e Iquique era a principal cidade da região. Então, para cá convergiam os chamados "barões do salitre" que construíam suas mansões e clubes no estilo da terra natal. O resultado ainda se percebe hoje no bem conservado centro histórico da cidade. Muito gostoso passear por suas ruas e na praça principal, testemunhos de uma época gloriosa que já ficou para trás.

Passeando no centro de Iquique - Chile

Passeando no centro de Iquique - Chile


Nem só de rosas vivia essa época, infelizmente. As condições atrozes a que eram submetidos os milhares de trabalhadores das oficinas salitreiras hoje nos chocam, mas naquela época eram consideradas justas o bastante por seus patrões. Pudemos observar bem isso na nossa visita a Humberstone, uma das maiores oficinas daquela época, hoje cidade fantasma patrimõnio da Unesco. Essa forte tensão social culminou com uma greve geral no final de 1907. O resultado foi um dos maiores banhos de sangue que se tem notícia na história das lutas de classe. Reunidos em uma escola em Iquique, para onde haviam convergido trabalhadores em greve em toda a província, juntos com suas esposas e filhos, os trabalhadores se mantiam irredutíveis em suas demandas que hoje nos parecem tão óbvias. Mas o governo também foi irredutível em suas ordens para que o local fosse evacuado e a greve terminada. Exatamente na hora do ultimato, os primeiros a serem metralhados foram os líderes e negociadores do movimento. Na sequência, outras duas mil pessoas, não importa sexo ou idade, também foram massacrados. A greve terminou por falta de grevistas e tudo voltou à antiga paz, o governo escondendo, falseando e censurando dados do massacre por décadas. Enfim, em 2007, no governo Bachelet, uma justa homenagem foi feita aos milhares que tombaram naquele fatídico 21 de Dezembro de 1907.

A Torre do Relógio, no centro de Iquique - Chile

A Torre do Relógio, no centro de Iquique - Chile


Bem, a cidade está mais calma hoje. O perigo maior são os terremotos e tsunamis, já que Iquique está bem próxima de uma importante falha geológica. Sinais de fuga em caso de tsunami estão espalhados por toda a cidade. Mas não foi dessa vez ainda que experimentamos algum desses fenômenos naturais, algo que, infantil e inocentemente, muito anseio, na minha curiosa curiosidade por mega catástrofes. Mas teremos outras chances, já que nesses 1000dias passaremos por muitos lugares acostumados não só com terremotos e tsunamis, mas com furacões e erupções vulcânicas. É só questão de estar no lugar errado, na hora errada. Vamos ver...

A praça central de Iquique - Chile

A praça central de Iquique - Chile


Voltando a um mundo mais "normal", seguimos para a ZOFRI, uma das mais movimentadas zonas francas do continente, que fica em Iquique. É para cá que convergem, por exemplo, centenas de caminhões paraguaios em busca de carros usados do mundo inteiro, importados pelo porto da cidade e levados diretamente para Assunción, via Atacama e Paso de Jama, por onde cruzamos com vários deles. O local é gigantesco e tem também um mega shopping, talvez o maior que eu já tenha visitado. Ali passamos algumas horas, buscando artefatos eletrônicos e lentes para a nossa Nikon. A tentação foi grande, mas ficamos apenas com uns poucos acessórios.

Visitando a Zona Franca de Iquique, ou ZOFRI (Chile)

Visitando a Zona Franca de Iquique, ou ZOFRI (Chile)


Depois desse dia movimentado, amanhã é dia de pegarmos estrada novamente. O caminho será longo até a charmosa Arequipa, no sul do Peru. Mais um país na nossa jornada!

Correndo na praia depois do banho gelado na Playa Brava em Iquique, no norte do Chile

Correndo na praia depois do banho gelado na Playa Brava em Iquique, no norte do Chile

Chile, Iquique,

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O Mais Saudável dos Dias

Brasil, São Paulo, Ilha Bela

Se refrescando na cachoeira da Laje na volta do Bonete em Ilha Bela - SP

Se refrescando na cachoeira da Laje na volta do Bonete em Ilha Bela - SP


Acordo com a luz do sol entrando no quarto através das persianas e filtrada por cortinas que balançam sob o efeito de uma leve e doce brisa. Muito mais doce é o espetáculo que começo a observar logo ao meu lado: a minha linda, bronzeada e loiríssima esposa, também recém-desperta, passa os próximos minutos algo se espreguiçando, algo se alongando.

Caminhando pela Praia do Bonete em Ilha Bela - SP

Caminhando pela Praia do Bonete em Ilha Bela - SP


Bem acordados agora, seguimos direto para a praia, já em trajes de banho. São pouco mais de 20 metros do nosso quarto até a areia do mar. A praia, ainda quase deserta, é o cenário ideal para uma rápida corrida, ida e volta, de ponta a ponta da praia. Agora com o corpo quente, o mergulho nas águas do mar é mais um grande prazer no dia que mal está começando. O toque da água fria que envolve todo o corpo é o golpe final nas últimas células que teimavam em dormir.

As coloridas canoas da Praia do Bonete em Ilha Bela - SP

As coloridas canoas da Praia do Bonete em Ilha Bela - SP


Das braçadas no mar para o chuveiro de água doce, água fria também, já dentro da pousada. A troca da sunga molhada pela bermuda seca serve para completar a sensação de conforto que chega ao ápice após a proteção do repelente que afasta os poucos borrachudos que querem atrapalhar o meu dia ideal.

O café da manhã já está pronto. Com vista para o mar, refestelo-me na coalhada caseira, adoçada com mel local, enriquecida com granola da melhor qualidade e acompanhada de um melão suculento, tudo junto na cumbuca formando uma saudável gororoba. Pão de centeio feito na noite anterior, pão de queijo quentinho e suco de maracujá natural completam o banquete.

Caminhando pela Mata Atlântica voltando do Bonete em Ilha Bela - SP

Caminhando pela Mata Atlântica voltando do Bonete em Ilha Bela - SP


Cheios literalmente de saúde, partimos para a caminhada de retorno. São 12 km de caminhada agradável, quase sempre à sombra, entre subidas, descidas e trechos planos, muita água pelo caminho, tanto para beber como para se refrescar e mergulhar.

Se refrescando na cachoeira da Laje na volta do Bonete em Ilha Bela - SP

Se refrescando na cachoeira da Laje na volta do Bonete em Ilha Bela - SP


Os últimos três quilômetros, desde a última cachoeira, são feitos à todo o vapor, em saudável corrida com um simpático bando de crianças ente oito e doze anos, todos primos e irmãos entre si. Entre eles, é a pequena e valente Flávia, jogadora de handbol que lidera a corrida. Só consigo alcançá-la por que nas subidas ela se cansa um pouco.

Final da trilha, voltando do Bonete, em Ilha Bela - SP. O grupo voltou conosco desde a cachoeira do Lajeado

Final da trilha, voltando do Bonete, em Ilha Bela - SP. O grupo voltou conosco desde a cachoeira do Lajeado


Trocados Orkuts e Facebooks, seguimos para um almoço de comemoração num restaurante de vista e comida esplêndidas, o All Mirante. De lá de volta para a casa do Dudu e Celina. O quarto, os terraços, o deck, as varandas, a sala, tudo é um convite à contemplação, visão de mais de 180 graus do oceano que nos cerca, a exatos 84 metros abaixo de nós.

Vista da casa do Dudu e Celina em Ilha Bela - SP

Vista da casa do Dudu e Celina em Ilha Bela - SP


O fim de tarde se torna noite e recebemos um telefonema do Dudu e do Leslen, seu filho. Após o dia treinando no mar, nos chamam para comer uma deliciosa moqueca na casa de um amigo, em casa ainda mais perto do mar. Lá somos muito bem recebidos. De bônus, além da moqueca, a sobremesa também é uma obra-de-arte. Uma não, duas: torta de coco com abacaxi e merengue de morango.

Celebrando a Trilha do Bonete no restaurante All Mirante, em Ilha Bela - SP

Celebrando a Trilha do Bonete no restaurante All Mirante, em Ilha Bela - SP


Para finalizar o dia em grande estilo, uma atividade intelectual: seguimos para o café-livraria Ponto das Letras, lotado pelos paulistanos em pleno feriado. Mas lá havia uma mesinha para nós, grande o bastante para folhearmos revistas, jogarmos conversa fora, observarmos pessoas e saborear alguma guloseima.

Ahhhh...se todos os dias fossem assim.

Brasil, São Paulo, Ilha Bela,

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A Explosão de Vida

Nicarágua, San Juan Del Sur

Tartarugas recém nascidas caminham para o mar na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Tartarugas recém nascidas caminham para o mar na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


A praia La Flor localiza-se a vinte quilômetros ao sul de San Juan del Sur, na costa pacífica da Nicarágua. Lá ocorre um dos mais incríveis fenômenos naturais do país: a chegada de tartarugas para colocarem seus ovos e, dois meses depois, o nascimento de milhares de tartaruguinhas. Esse fenômeno ocorre também em muitas outras praias do mundo, mas o que impressiona aqui são os números. Em três ou quatro ocasiões, durante os meses de Outubro à Janeiro, logo após a mudança da lua, ocorre o que eles chamam de "arribada". São literalmente milhares (o recorde é oito mil!) de tartarugas que vem à praia em um único dia para colocarem seus ovos. Testemunhas do evento dizem que não se vê areia, apenas cascos de tartarugas. Deve ser impressionante!

Registro com contagem de tartarugas na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Registro com contagem de tartarugas na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Bom, além dessas "arribadas", nos dias "normais", dez ou vinte vem à praia cumprir seu papel de mãe. E como outras já vieram dois meses antes, enquanto elas vêm, centenas de tartaruguinhas estão correndo no outro sentido, em direção ao mar. Quase toda a ação ocorre de noite, maneira encontrada pela sábia natureza para tentar proteger os filhotes dos predadores e do sol escaldante, enfim, aumentar um pouco sua chance de sobrevivência. As poucas que chegam à vida adulta, depois de viajarem até ao Alaska ou ao Chile, retornarão à mesma praia em que nasceram para colocarem seus ovos também. O GPS delas funciona direitinho!

Tartaruguas recém-nascidas e recolhidas na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Tartaruguas recém-nascidas e recolhidas na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Por falar em GPS, o nosso nos ajudou a chegar até a praia. Mas, mais do que GPS, precisamos também foi de coragem para enfrentar os 20 km por estrada de terra no escuro num país distante sem saber precisar a segurança na região. Quase todos os turistas vão em camionetes das pousadas que organizam tours. Parece que há duas semanas uma dessas camionetes foi assaltada, mas nunca dá para saber se é boato ou não. O fato é que lá fomos os dois, dinheiro e documentos escondidos no compartimento secreto da Fiona, enfrentar a estrada no escuro mesmo. Fomos um pouco mais tarde que as camionetes das pousadas para estarmos sozinhos na praia La Flor, uma Reserva de proteção ambiental.

Tartaruga em pleno 'trabalho de parto', na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Tartaruga em pleno "trabalho de parto", na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Os 20 km demoraram a passar, mas passaram. Sem nenhum problema, diga-se! Lá na reserva fomos recebidos pels guarda-parques que já foram logo nos mostrando um balde de recém-nascidas e depois nos encaminharam à praia. Ali já estavam os 10 ou 15 turistas que tinham ido em tours. Acompanhamos todos uma tartaruga colocando seus ovos pacientemente, sob a luz de lanternas avermelhadas que não as incomodam.

Ovos de tartaruga na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Ovos de tartaruga na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Logo ali do lado a areia começava a se mover e uma penca de tartaruguinhas começou a despontar. Com a ajuda dos turistas, foram logo se encaminhando para o mar protetor. Nessa hora, os guias dos tours anunciaram que era hora de voltar e ali ficamos, eu e a Ana, sós, acompanhando o espetáculo da vida.

Tartaruga recém nascida caminha para o mar na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Tartaruga recém nascida caminha para o mar na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


A mamãe tartaruga, depois de feito seu trabalho, voltou feliz e aliviada para o mar. Mal entrou e lá vinha outra mamãe cumprir com suas obrigações maternas. Ao caminhar entre elas, tomávamos cuidado para não massacrar alguma tartaruguinha perdida por ali, no meio do caminho. A luz das lnternas as desorientam e elas correm para o lado errado!

Acompanhando tartaruga que, logo após colocar seus ovos, volta para o mar, na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Acompanhando tartaruga que, logo após colocar seus ovos, volta para o mar, na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Enfim, foi um programa muito jóia. Um ritual que se repete desde o tempo dos dinossauros, mas que parece tão especial a cada vez que acontece. Principalmente quando somos nós que testemunhamos! A cada tartaruguinha que ajudávamos a chegar ao mar, parecia que estávamos dando um empurrão na natureza e na vida. Sentimo-nos mais leves, mais puros, mais justos. Tanto que, no nosso caminho de volta, já depois da meia-noite, mais sós do que nunca naquela estrada escura, sentíamo-nos inatingíveis por qualquer tipo de ameaça ou maldade. Flutuamos de volta para o nosso hotel.

Tartaruga volta ao mar após colocar seus ovos na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Tartaruga volta ao mar após colocar seus ovos na Reserva del Flor, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Nicarágua, San Juan Del Sur, Praia, tartaruga

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Na Baía de Todos os Santos

Brasil, Bahia, Salvador

Água limpa e cheia de vida no naufrágio Artemides, em Salvador - BA

Água limpa e cheia de vida no naufrágio Artemides, em Salvador - BA


Hoje fomos ver Salvador de outro ângulo: de dentro da baía, acima e abaixo d'água. Salvador é a capital dos naufrágios no Brasil, a visibilidade pode chegar a mais de trinta metros e as oportunidades de mergulho por aqui são infindáveis! Além disso, aqui foi o local do primeiro mergulho da Ana, do seu batismo, então tínhamos de ir para a água.

Mergulho no naufrágio Artemides, em Salvador - BA

Mergulho no naufrágio Artemides, em Salvador - BA


Mergulhamos com a Dive Bahia, estrategicamente instalada no Porto da Barra, já ao lado de vários dos naufrágios. São quase oitenta deles catalogados por aqui, vinte bastante "frequentados". Aparentemente, é só a ponta do iceberg. Afinal, há relatos de que, durante a guerra entre portugueses e holandeses, houve dias mais "acalorados" em que mais de cinquenta navios foram afundados em apenas uma batalha!

Parada de segurança, ao final do mergulho no Artemides, em Salvador - BA

Parada de segurança, ao final do mergulho no Artemides, em Salvador - BA


Fomos guiados pelo simpático e eficiente Gianpaolo, dono da Dive Bahia, por um cargueiro grego afundado no início dos anos 80. Com seus mais de 150 metros, é o maior naufrágio mergulhável descoberto nas águas brasileiras. Visibildade fantástica e uma vida riquíssima, além do visual daquele enorme navio afundado fizeram desse mergulho um dos melhores que tivemos aqui no Brasil. A profundidade varia dos 26 aos 10 metros, fazendo desse um mergulho bem tranquilo. Principalmente com uma visibilidade beirando os 30 metros. Como se diz entre mergulhadores, a água estava roxa!

Final de mergulho, ao lado do Farol da Barra, em Salvador - BA

Final de mergulho, ao lado do Farol da Barra, em Salvador - BA


O Gianpaolo nos explicou que Salvador está muito próximo da beirada da plataforma continental, algumas poucas milhas apenas, com suas águas oceânicas e correntes marítmas cheias de vida. O movimento das marés faz com que, todos os dias, essa água "lave" a Baía de Todos os Santos, trilhões de litros de água entrando e sando, renovando e almentando a vida local e mantendo a água muito limpa, principalmente no verão, fazendo a alegria dos mergulhadores.

Foto da turma após mergulho em Salvador - BA

Foto da turma após mergulho em Salvador - BA


Campo de Polo Aquático armado em praia em Salvador - BA

Campo de Polo Aquático armado em praia em Salvador - BA


A água é tão lmpa que, na volta, chegando à Praia do Porto da Barra, lotada num domingão, a água continuava cristalina, um convite ao mergulho. Ao mergulho e ao polo aquático também! Pois é, pela primeira vez uma partida de polo aquático do campeonato nacional estava sendo realizado no mar. Muito legal! Quem sabe, uma maneira de popularizar este esporte no Brasil?

Com a Mônica, Wilson e Livia em Salvador - BA

Com a Mônica, Wilson e Livia em Salvador - BA


Depois do maravilhoso mergulho, deixamos nossas coisas secando na Dive Bahia e fomos encontrar a Mônica, a Lívia e o Wilson (namorado da Livia) na marina, para almoçar com vista para a baía. Num calor como o de hoje, não poderia haver melhor lugar para almoçar...

Fiona no Terreiro de Jesus, em Salvador - BA

Fiona no Terreiro de Jesus, em Salvador - BA


Depois do almoço e após pegarmos nosso material de mergulho, fomos passear no centro de carro, com a Mônica. Foi ótimo! Ela foi nos dando uma aula sobre as construções a praças que passávamos. Completamente diferente do dia em que eu e a Ana fizemos tudo à pé, mas sem ela como guia. Terminamos o tour na Praça Castro Alves, admirando o pôr-do-sol na baía. Na minha memória, só aquela confusão que vejo pela TV do carnaval nesta praça. Hoje, ao contrário, a paz reinava absoluta, magnífico fim de tarde.

Com a Mônica na Praça Castro Alves, em Salvador - BA

Com a Mônica na Praça Castro Alves, em Salvador - BA


Dali seguimos para ver uma peça de teatro numa antiga igreja, a Barroquinha, bem ao lado da praça. Três atrizes, duas delas reconhecemos da série e filme "Ó pai, ó!". Muito boa mesmo. Quase fui levado para o meio do palco no meio da peça, mas percebendo meu olhar desesperado, a atriz que veio me puxar resolveu levar outro. Ufa! hehehe. A peça era sobre a lei Maria da Penha, que trata da violência contra a mulher.

Peça de teatro em Salvador - BA

Peça de teatro em Salvador - BA


Amanhã, é dia de banho na Fiona e de darmos uma volta pelo Recôncavo Baiano.

Praça Castro Alves, em Salvador - BA

Praça Castro Alves, em Salvador - BA

Brasil, Bahia, Salvador, Mergulho

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A Patagônia e a Conquista do Deserto

Argentina, El Bolsón

Tropas argentinas se preparam para mais uma batalha na Conquista do Deserto, nome dado à guerra conttra os indígenas pelo controle da Patagônia (imagem da Internet)

Tropas argentinas se preparam para mais uma batalha na Conquista do Deserto, nome dado à guerra conttra os indígenas pelo controle da Patagônia (imagem da Internet)


Deixando El Bolsón para trás e rumando para o sul, estamos mergulhando de vez na Patagônia. Na verdade, essa região geográfica de nome tão famoso se estende muito mais para o norte (veja no mapa abaixo!), ocupando praticamente metade do território argentino e uma boa parte do sul do Chile. Mas é apenas ao sul de El Bolsón e de uma linha imaginária que liga essa cidade à Península Valdés, na costa atlântica, que o governo oferece subsídios para empreendedores e habitantes. Uma espécie de estímulo para que a região se desenvolva economicamente e seja ocupada por mais pessoas. Entre esses subsídios, até o combustível é mais barato. Bom para nós, turistas motorizados! Principalmente agora que os trechos de estrada serão muito mais longos cortando essa vasta região quase desabitada.

Mapa da Patagônia, ocupando boa parte da Argentina e do Chile. Mas é apenas ao sul da linha vermelha onde está El Bolsón que o combustível passa a ser subsidiado pelo governo

Mapa da Patagônia, ocupando boa parte da Argentina e do Chile. Mas é apenas ao sul da linha vermelha onde está El Bolsón que o combustível passa a ser subsidiado pelo governo


Para nós que nascemos no final do séc. XX, estamos acostumados com o mapa da Argentina mostrando esse grande país, o segundo maior da América do Sul e um dos maiores do mundo em extensão geográfica. Até imaginamos que foi sempre assim. Intuitivamente, pensamos que desde tempos coloniais, ainda sob domínio espanhol, os países que hoje conhecemos já existissem ali, pelo menos em seus contornos geográficos. Mas a intuição está errada. A América espanhola tinha outras divisões: Colômbia e Venezuela de um lado e todo o resto de outro, formando o vice-reinado do Perú. Foi apenas na segunda metade do séc. XVIII que foi criado o vice-reinado do Prata, embrião não só de Argentina, mas também de Uruguay e Paraguay, além de partes da Bolívia e Chile.

Mapa francês de 1862 mostra a Patagônia como terra de ninguém, apesar de reinvidicada pela Argentina. A Terra do fogo e extremo sul tem a mesma cor das Falkland e parecem pertencer à inglaterra (imagem da Internet)

Mapa francês de 1862 mostra a Patagônia como terra de ninguém, apesar de reinvidicada pela Argentina. A Terra do fogo e extremo sul tem a mesma cor das Falkland e parecem pertencer à inglaterra (imagem da Internet)


Quando veio o processo de independência no início do séc. XIX, os países, ao menos em teoria, tomaram suas formas mais ou menos parecidas com o que vemos hoje. Mas na prática, não era assim. Toda a região patagônica, tanto no lado argentino como chileno, nunca havia sido ocupada de fato pelos espanhóis. Pela pouca atratividade econômica dessas terras, assim como por uma resistência ferrenha dos povos nativos, eles permaneceram virtualmente independentes ao longo de todo o período colonial. E assim continuaram também por boa parte do séc. XIX. Nosso “enorme” país vizinho, a Argentina, se compunha apenas das regiões vizinhas a Buenos Aires e do norte do país, região que se desenvolveu em épocas coloniais para fornecer alimentos à Potosí, na Bolívia, principal centro econômico da América espanhola ao longo de séculos. Toda a metade sul do país era território desconhecido e habitado por indígenas gigantes (os “patagones”) e hostis.

Antes do tratado de 1881 o Chile ainda reinvidicava o controle de boa parte da Patagônia, incluindo todo o cone sul do continente (imagem da Internet)

Antes do tratado de 1881 o Chile ainda reinvidicava o controle de boa parte da Patagônia, incluindo todo o cone sul do continente (imagem da Internet)


No papel, eram terras argentinas. Pelo menos, nos “papéis argentinos”. Para os chilenos, era território chileno, como mostram mapas históricos daquele país. O Chile se imaginava dono de toda a “patagônia oriental”, correspondente ao sul argentino de hoje, do Atlântico ao Pacífico. Só faltava combinar isso também com os europeus. Um mapa francês de 1862 mostra toda a Patagônia como terra de ninguém, embora o próprio mapa admita que a área fosse reivindicada pelos argentinos. A Terra do Fogo, nesse mesmo mapa, parece pertencer à Inglaterra ou ao Chile, talvez. Sinal claro de que, assim como temiam argentinos e chilenos naquela época, as potências europeias estavam sim interessadas no sul do nosso continente.

Vestido com roupas mapuches, o advogado e auto-proclamado imperador do Reino da Araucania e Patagônia, o francês Orélie Antoine de Tounens (imagem da Internet)

Vestido com roupas mapuches, o advogado e auto-proclamado imperador do Reino da Araucania e Patagônia, o francês Orélie Antoine de Tounens (imagem da Internet)


Tanto é assim que, em 1860, um advogado (e aparentemente louco) francês, Orélie Antoine de Tounens, já há alguns anos radicado no Chile, decidiu declarar o “Reino da Araucania e Patagonia” tendo ele como rei, claro! Ele se entendeu com alguns índios mapuches, vestiu-se como eles e se imaginou imperador. O seu país nunca foi reconhecido por nenhum outro, mas ele fez tanto barulho que acabou incomodando as autoridades chilenas que acabaram por prendê-lo, dois anos mais tarde, e um manicômio. Solto com a ajuda do cônsul francês, voltou a seu país para procurar apoio. Por duas vezes voltou a seu reino, tentando ressuscitá-lo. Acabou morrendo e deixou o trono para um amigo. Por mais incrível que possa parecer, até hoje os descendentes desse amigo, que montaram um “governo de exílio na França”, reivindicam o trono perdido.

Território do 'Reino da Araucania e Patagônia', proclamado pelo francês Orélie de Tounens em 1860 (imagem da Internet)

Território do "Reino da Araucania e Patagônia", proclamado pelo francês Orélie de Tounens em 1860 (imagem da Internet)


Por mais pitoresca que possa parecer essa história, ela ajudava a assustar os governos chileno e argentino da época. Daí a estratégia chilena de criar a cidade de Punta Arenas no sul do continente, a fim de consolidar suas pretensões territoriais. Foi o único povoamento que realmente se desenvolveu naquela parte remota do mundo naqueles tempos. Outra ideia chilena foi a de estimular a ocupação patagônica pelos índios mapuche, da Araucania (região no sul do Chile). Notavelmente guerreiros, eles foram o único povo capaz de resistir ao avanço do império inca a também aos colonizadores espanhóis. Agora seriam usados para legitimar as pretensões territoriais do Chile sobre a tal “patagônia oriental”.

Um grupo de índios mapuche posa para foto ao final do século XIX (imagem da Internet)

Um grupo de índios mapuche posa para foto ao final do século XIX (imagem da Internet)


Desde tempos imemoriais, essa região já era ocupada pelos índios tehuelches, um povo nômade e de grande estatura (o que levou a criação da lenda dos patagones, os “gigantes” avistados pelos primeiros exploradores europeus). Povo pacífico e que vivia da caça de guanacos e emas, não foram páreo para os aguerridos mapuches. Na primeira metade do séc. XIX, a patagônia central sofreu um rápido e muitas vezes violento processo de “araucanização”, enquanto os tehuelches que não eram assimilados eram empurrados mais para o sul. Mas os tehuelches não eram as únicas vítimas do avanço mapuche.

Bando de mapuches ataca povoado argentino na fronteira dos Pampas e da Patagônia (imagem da Internet)

Bando de mapuches ataca povoado argentino na fronteira dos Pampas e da Patagônia (imagem da Internet)


Nos pampas orientais, fronteira de ocupação argentina de então, criollos (miscigenação de espanhóis e indígenas) e os primeiros imigrantes europeus estabeleciam seus ranchos e povoados. Estes eram continuamente atacados por guerreiros mapuches em busca de gado e cavalos que eram revendidos no Chile. Aí, os mapuches adquiriam de comerciantes chilenos e ingleses armas para continuar sua guerra no leste. Muito comum também nesses ataques era a captura de crianças e mulheres que serviriam de esposas ou escravos dos guerreiros mapuches. São inúmeros os relatos escritos dessa época de europeus escravizados nas planícies patagônicas. Esses ataques indígenas na fronteira aumentaram muito de escala durante a Guerra do Paraguay, entre 1864 e 1870, o maior conflito armado já ocorrido nesse continente e que manteve as tropas argentinas ocupadas no norte do país.

Julio Roca, comandante das tropas argentinas na conquista da Patagônia. Mais tarde, seria duas vezes presidente do país (imagem da Internet)

Julio Roca, comandante das tropas argentinas na conquista da Patagônia. Mais tarde, seria duas vezes presidente do país (imagem da Internet)


Com o fim da guerra, políticos argentinos pressionavam para resolver de uma vez por todas os problemas na fronteira sul do país. Aos poucos e depois de muitos debates parlamentares, foi organizada uma expedição militar liderada pelo general Julio Rocca, futuro presidente do país por duas vezes. O primeiro alvo foi a região dos pampas orientais, rico em pastagens e ainda bem próximo do centro de poder. Na época, a campanha foi vista como uma batalha entre a civilização e a barbárie e o objetivo era a total submissão dos índios, senão a sua aniquilação. Afinal, diziam os políticos e jornais da época, a tentativa de assimilação feita durante décadas não dera nenhum resultado. Com mais armamentos e estratégia militar muito superior, as forças indígenas pouco puderam resistir, centenas de guerreiros mortos e milhares de mulheres e crianças capturadas. Sem os pampas, os indígenas perderam o seu melhor território, o único mais propício para a criação de gado e cavalos.

O cacique Pincén, conhecido como o ''terror dos fortes militares' (imagem da Internet)

O cacique Pincén, conhecido como o ""terror dos fortes militares" (imagem da Internet)


O passo seguinte seria a conquista de toda a Patagônia. Mas aí a dificuldade seria maior, pois o Chile também reivindicava aquela área. Mas uma excelente oportunidade histórica foi muito bem aproveitada pelos argentinos. O Chile se envolvia no final da década de 70 em outra guerra, a segunda mais sangrenta do continente. De um lado, os chilenos, do outro a aliança de peruanos e bolivianos. A chamada Guerra do Pacífico, entre 1879 e 1883 tinha por maior objetivo as quase inesgotáveis minas de cobre no norte do Atacama. O Chile venceu a guerra e, de quebra, privou a Bolívia de seu litoral e chegou a ocupar Lima, a capital peruana, por alguns anos. Mas enquanto a guerra corria na sua fronteira norte, sua fronteira leste, com a Argentina, ficou desguarnecida. Os chilenos temiam que os argentinos se juntassem à aliança de Perú e Bolívia e quiseram negociar com o vizinho antecipadamente. Os argentinos souberam aproveitar o momento e negociaram um tratado que fixava a fronteira entre os dois países ao longo da cordilheira dos Andes. Sem saída no momento, o Chile aceitou e a Argentina garantiu para si a posse da “patagônia oriental” chilena.

Expansão territorial argentina após a Guerra do Paraguay. Até então, o governo central controlava apenas a área em azul claro. A 'Conquista do Deserto' expandiu as fronteiras do país rumo ao sul do continente (imagem da Internet)

Expansão territorial argentina após a Guerra do Paraguay. Até então, o governo central controlava apenas a área em azul claro. A "Conquista do Deserto" expandiu as fronteiras do país rumo ao sul do continente (imagem da Internet)


Livres do Chile, nossos vizinhos partiram para a ocupação do território na campanha chamada de “Conquista do Deserto”. Os índios resistiram o quanto puderam, mas ao final da campanha boa parte tinha sido morta ou capturada. Poucas décadas depois, os tehuelches estavam extintos e os mapuches sobreviveram apenas no Chile. Ao mesmo tempo, em menos de uma década, a Argentina tinha praticamente duplicado seu território de fato. E assim chegamos, finalmente, ao final do séc. XIX, nas fronteiras dos países como conhecemos hoje, a Bolívia sem mar, o Chile uma longa e estreita faixa de terra entre os Andes e o Pacífico e a Argentina como segundo mais extenso país da América do Sul, um dos maiores do mundo. A Patagônia na qual mergulhamos a partir de hoje praticamente toda “hermana” e seus antigos habitantes, apenas fantasmas do passado.

Pequeno grupo de índios tehuelches em fotografia de 1897, depois da conquista do deserto. Algumas décadas mais tarde e eles estariam extintos. (imagem da Internet)

Pequeno grupo de índios tehuelches em fotografia de 1897, depois da conquista do deserto. Algumas décadas mais tarde e eles estariam extintos. (imagem da Internet)


Realmente, é difícil imaginar um fim tão triste para uma raça que por milhares de anos vagou livre e orgulhosa pelas infinitas planícies patagônicas. Os mais de dez mil prisioneiros foram forçados a caminhar até Buenos Aires, muitos morrendo na dura marcha. Na capital, homens e mulheres foram imediatamente separados. Não deveriam ter mais a chance de “se reproduzir”. Os pouco menos de dois mil guerreiros ainda vivos foram enviados para uma prisão em uma ilha no Rio da Prata de onde pouquíssimos conseguiriam sair vivos. As mulheres também foram separadas de seus filhos e enviadas para trabalharem como servas nas casas de famílias mais abastadas e de classe média da capital. As crianças aprenderam um novo idioma e esqueceram o antigo. Na sua maioria, também viveriam como servos. Alguns poucos grupos restantes ainda vagaram livres, por poucas décadas, no extremo sul do continente. Eram uma curiosidade histórica perseguida por estudiosos e sociólogos do início do séc. XX. Poucas vezes na história a civilização havia se imposto de forma tão rápida e efetiva sobre a barbárie...

Argentina, El Bolsón, história

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Conhecendo o Cotopaxi

Equador, Quito, Baños, Cotopaxi

O vulcão Cotopaxi, o mais alto do mundo em atividade, no Equador

O vulcão Cotopaxi, o mais alto do mundo em atividade, no Equador


A manhã de hoje foi dedicada às burocracias finais do nosso live aboard em Galápagos e à definição das nossas "escaladas" nos vulcões Cotopaxi e Chimborazo. Preenchemos e entregamos a papelada do live aboard, que começa dia 25 e se estenderá por oito dias e sete noites. Depois, teremos mais dois dias em Galápagos e retornamos para Quito no dia 04 de Outubro. O Rafa e a Laura voltam para o Brasil no dia seguinte e nós, depois de fazermos a revisão da Fiona dos 60 mil km, partimos para a Colômbia.

Carregando a Fiona com a bagagem de quatro pessoas, em Quito - Equador

Carregando a Fiona com a bagagem de quatro pessoas, em Quito - Equador


Quanto às escaladas, vamos fazer os vulcões devidamente acompanhados de guias. Escolhemos uma das mais conhecidas agências de Quito, a Gulliver, e hoje passei uma hora por lá definindo como e quando serão as escaladas. O Equador possui o mais alto vulcão em atividade do mundo, o Cotopaxi, com 5.890 metros e também o mais alto já extinto, o Chimborazo, com pouco mais de 6.300 metros. Nos dois casos, a escalada dura dois dias. Como não temos tempo para fazer os dois, resolvemos nos dividir! A Ana, a Laura e o Rafa vão tentar o Cotopaxi enquanto eu vou me arriscar no Chimborazo. Nos dois casos, a escalada envolve um bom trecho de subida em neve e gelo e é preciso usar grampões, roupas adequadas e até uma picareta. A Gulliver fornece tudo isso para nós. Ela possui uma mesma base de operações para as duas montanhas e dormiremos todos lá no dia 22. No dia 23, cada grupo seguirá para o seu vulcão, indo dormir em refúgios na montanha em altitudes próximas dos 5 mil metros. Na madrugada seguinte, do dia 24, partimos cada qual para o seu cume, que devem ser atingidos quando o sol estiver nascendo. Aí descemos, reencontramo-nos todos na base de operações e voltamos para Quito.

Estrada coberta de granizo no parque Cotopaxi, no Equador

Estrada coberta de granizo no parque Cotopaxi, no Equador


Enfrentando o granizo na estrada de acesso ao Cotopaxi, o Equador

Enfrentando o granizo na estrada de acesso ao Cotopaxi, o Equador


Definidos os vulcões, agora precisávamos de um plano de aclimatação à altitude para o Rafa e para a Laura. Eu e a Ana já nos consideramos aclimatados, apesar da semana passada ao nível do mar desde Trujillo, no Peru. Assim, resolvemos seguir diretamente para o vulcão Cotopaxi, no nosso caminho para o sul do Equador. Ali é possível chegar de carro até os 4.550 metros e, de lá, caminhar até o refúgio construído um pouco acima dos 4.800 metros de altitude.

Laguna no Parque Cotopaxi, no Equador

Laguna no Parque Cotopaxi, no Equador


A Ana, a Laura e o Rafa subindo para o refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador

A Ana, a Laura e o Rafa subindo para o refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador


Nosso único problema era chegar até lá antes que o parque fechasse para entradas, às três da tarde. Nem é tão longe, mas o difícil é conseguir sair da capital, Quito, com seu trânsito super amarrado. Com paciência, enfrentando todos os desvios, já que a Panamericana está em obras de ampliação, conseguimos sair da grande cidade e chegamos finalmente à estrada. De lá para o Cotopaxi foi rapidinho e chegamos à portaria do parque 15 minutos antes do prazo. O tempo tem estado meio chuvoso nesses dias e hoje não foi diferente. Não só o vulcão estava escondido como, naquela altitude, ao invés de água, tivemos gelo caindo do céu. A primeira chuva de granizo da Fiona, bem na entrada do parque nacional! Foi lindo!

O refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador

O refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador


Refúgio do Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador

Refúgio do Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador


O granizo passou e pudemos seguir até o estacionamento, passando antes por uma bela laguna ainda abaixo dos 4 mil metros. Lá no estacionamento, devidamente vestidos para enfrentar o frio e a neve fina que caía (já estamos ficando acostumados com a neve, hehehe), iniciamos nossa ascensão de 300 metros até o refúgio. A trilha é sobre terra solta, bem mais cansativo que no El istí, em Arequipa, mas devagarzinho eu cheguei lá encima. Tirei fotos dos companheiros que subiam atrás e aí, por alguns momentos, as nuvens abriram e o majestoso vulcão deu o ar da sua graça. Lindo e imponente! O Rafa chegou um pouco depois e, mais abaixo, a Ana e a Laura.

Dentro do confortável refúgio do vulcão Cotopaxi, no Equador

Dentro do confortável refúgio do vulcão Cotopaxi, no Equador


No refúgio do vulcão Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador

No refúgio do vulcão Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador


Passamos um tempo no refúgio, o mesmo que eles vão passar a noite antes do ataque final ao cume. Umas vinte pessoas estavam ali, se preparando para a escalada na madrugada de amanhã. Mas a gente não. Só tomamos um chá e começamos a descer, antes que o parque fechasse suas portas também para saída. Para baixo todo santo ajuda e rapidamente estávamos de volta à Fiona. Um lobo nos espreitava, enfrentando o frio e a altitude em busca de comida. Ao invés disso, ganhou algumas fotos!

Descendo o vulcão Cotopaxi sob forte neblina, no Equador

Descendo o vulcão Cotopaxi sob forte neblina, no Equador


Descendo o refúgio do Cotopaxi, no Equador

Descendo o refúgio do Cotopaxi, no Equador


Completada a tarefa de aclimatação, seguimos para a cidade de Baños, aos pés do mais ativo vulcão do Equador, o Tungurahua. Várias pequenas erupções nos últimos anos, incluindo algumas maiores de 2006 e 2007. Mas tem estado meio calmo ultimamente. Chegamos aqui já no escuro, intalamo-nos no Hostal Santa Cruz e fomos jantar. A cidade é uma meca do eco-turismo aqui no Equador, oferecendo programas de trekking, rafting, canyoning e por aí vai. Muitas cachoeiras, a proximidade da floresta amazônica e de um vulcão ativo possibilita os mais variados programas. Mas, como o próprio nome diz, o mais tradicional são os banhos em águas termais e terapêuticas.

Um lobo nos observa, a 4.500 metros de altitude, no Cotopaxi, no Equador

Um lobo nos observa, a 4.500 metros de altitude, no Cotopaxi, no Equador


Isso tudo fica para amanhã, quando teremos de fazer nossas escolhas. Não temos muito tempo, já que ainda queremos seguir até Cuenca, bem mais ao sul. Agora de noite a Laura começou a se sentir mal. Esperamos que ela melhore para que amanhã tenhamos um dia intenso por aqui. Precisamos estar todos em forma até o dia 23!

Observando as nuvens do estacionamento do Cotopaxi, no Equador

Observando as nuvens do estacionamento do Cotopaxi, no Equador

Equador, Quito, Baños, Cotopaxi, trilha, vulcão

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Pike Market e a Despedida de Seattle

Estados Unidos, Washington State, Seattle

Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos

Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos


Como show nos EUA é comportado e acaba na hora certa, nem fomos dormir muito tarde nessa madrugada. Além do mais, para poder aproveitar o café da manhã no hotel, tínhamos de estar lá embaixo até 09:15. Logo depois, malas arrumadas e deixadas na Fiona, devidamente estacionada no subterrâneo do Hyatt, seguimos de van para o famoso Pike Public Market, para fechar com chave de ouro nossa estadia na cidade de Seattle.

Músico se apresenta na entrada do Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos

Músico se apresenta na entrada do Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos


Arte no Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos

Arte no Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos


Já tínhamos estado rapidamente no mercado na nossa passagem anterior por Seattle, cinco dias atrás. Estávamos com pressa por causa do horário marcado para encontrar nossos amigos viajantes aqui da cidade e passamos por tudo correndo, prometendo voltar com mais calma. Tínhamos ficado com a impressão de não ter visto tudo.

O famoso teatro da parede de chicletes, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

O famoso teatro da parede de chicletes, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Apenas fingindo que vai colocar mais um chiclete nessa parede nojenta, em teatro de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Apenas fingindo que vai colocar mais um chiclete nessa parede nojenta, em teatro de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Um dos lugares que passamos daquela vez não é bem no mercado, mas ali do lado. Trata-se de um teatro. Prédio simples, igual a outros milhares por aí. O diferencial está na parede externa do prédio ou, na verdade, na “decoração” dessa parede. Tudo começou há alguns anos quando um cliente, insatisfeito com a peça que assistira, pregou um chiclete na parede. Num protesto contra o protesto, o teatro e os atores pregaram os seus chicletes na parede também. A moda pegou e milhares de chicletes foram pregados ali. A coisa acabou virando programa e atração turística. O resultado é algo bem repugnante, mas que fez a fama do teatro. Nós fomos lá conferir, claro. Não pregamos nossos chicletes, mas tiramos nossas fotografias!

Banca de frutos do mar, no Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos

Banca de frutos do mar, no Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos


Setor de verduras no Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos

Setor de verduras no Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos


Enfim, como já tínhamos feito isso da outra vez, hoje pudemos nos concentrar no mercado mesmo. Depois de uma boa volta por lá, verificamos que tínhamos sim, da outra vez, passado pelo prédio todo. Com certeza, é interessante, mas como tínhamos criado uma expectativa grande, confesso ter ficado meio decepcionado. O fato é que estamos com saudades dos mercados latinos, com aquela gritaria e desorganização características.

Pike Public Market, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Pike Public Market, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


A Ana com uma 'pequena' pata de caranguejo, no Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos

A Ana com uma "pequena" pata de caranguejo, no Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos


Aqui, tudo muito organizado. Os vendedores de frutos do mar, os mais famosos do mercado, até tentam alguns gritos. Mas precisam fazer um estágio nas feiras brasileiras. Esquecendo dos gritos, o que impressiona mesmo é o tamanho dos caranguejos, a variedade dos salmões e a beleza das lagostas. Outra grande atração são os diversos restaurantes, vários com uma bela vista para o canal de mar em frente à cidade.

Venda de flores no Pike Public Market, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Venda de flores no Pike Public Market, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Suculentas alcachofras no Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos

Suculentas alcachofras no Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos


Ao redor do mercado, outros mercados e lojas. Entre elas, se destaca o primeiro Starbucks, aquele que deu origem à famosa cadeia. Ali, sempre se encontra turistas tirando suas fotografias. Também tiramos a nossa e seguimos em frente. Tínhamos ficado mau acostumados com o mercado de Vancouver, que adoramos, e imaginamos que ficaríamos nesse por mais tempo. A vantagem é que, com o tempo economizado, tivemos a chance de mais um programa: o Museu de Artes.

Para quem gosta de pimentas! (Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos)

Para quem gosta de pimentas! (Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos)


O primeiro Starbucks, em frente ao Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos

O primeiro Starbucks, em frente ao Pike Public Market, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos


Quem nos deu a dica foi nossa amiga motorista da van, fã de música brasileira. Aliás, com tantas idas e vindas nas vans do hotel, ficamos amigos de todos os motoristas. Quase todos mexicanos, com exceção dessa que trabalha pelo dia. Bem americana e amante das artes em geral. Ao nos deixar no mercado, no fim da manhã, nos lembrou que hoje era dia de visita gratuita ao museu, primeira quinta-feira do mês.

Arte no Museu de Artes de Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos

Arte no Museu de Artes de Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos


Então, tínhamos de aproveitar! Passamos umas boas duas horas por lá, nos distraindo, divagando e admirando pinturas, esculturas e artefatos dos quatro cantos do planeta, de várias épocas da história, das mais distintas escolas, dos povos mais exóticos aos mais tradicionais. Enfim, saladona geral. Perfeito para purificar a alma, limpar a mente e levitar o espírito!

Arte indígena no Museu de Artes de Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos

Arte indígena no Museu de Artes de Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos


Foi nesse estado que chamamos nossa amiga das artes para nos buscar e levar de volta ao hotel, onde nos esperava a Fiona, que nos transportaria para o próximo estado desse enorme país, o Oregon, onde nos espera a vanguardista Portland. Para o sul e avante, o Brasil vai ficando mais perto!

Arte em árvores no centro de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Arte em árvores no centro de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Washington State, Seattle, Pike Public Market

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