1 Blog do Rodrigo - 1000 dias

Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Amazonas Há 2 anos: Amazonas

Sossego e Escorregador

Brasil, Bahia, Lençóis (P.N. Chapada Diamantina)

Saltando de cerca de 9 metros de altura na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Saltando de cerca de 9 metros de altura na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Temos uma intensa programação para os próximos dez dias aqui na Chapada. No primeiro dia, hoje, nada de carro nem de guias, apenas caminhadas aqui perto da cidade mesmo. Saímos cedo, depois de farto café da manhã, em direção à Cachoeira do Sossego e ao Ribeirão do Meio, duas das mais populares atrações aqui de Lençóis.

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Como fui capaz de encontrar o caminho para lá há vinte anos atrás (e há dez também), imaginei que conseguiria novamente. O caminho continua o mesmo, assim como o rio. O que mudou foi que a cidade cresceu e agora, onde antes era o início da trilha, agora há casas e mais casas. Lençóis cresceu para todos os lados. E o centro mudou também. Para melhor, diga-se de passagem. O casario está muito mais bem conservado e charmoso.

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Bom, de volta à trilha, após uns 40 min de caminhada chegamos ao rio. Aí, é só seguir o leito para cima. Às vezes pelas pedras, que é muito mais interessante e bonito, às vezes por uma trilha lateral. Não fosse o calor e a humidade, não seria uma trilha árdua. Mas, com sol na cabeça, cansa sim. Pelo menos, quando chegamos no rio, podemos sempre nos refrescar.

Nadando no poço da Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Nadando no poço da Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Bom, vamos subindo o rio e o canyon vai se formando, primeiro mais largo e depois vai se afunilando. A cada curva lá na frente, a expectativa que a cachoeira vai aparecer aumenta. Enquanto não aparece, vamos passando por paisagens pitorescas, água cor de coca-cola escorrendo por entre enormes pedras coloridas, esbranquiçadas e avermelhadas. A cada ponto, cenário ideal para fotos, recantos deliciosos para se refrescar. Realmente, é uma caminhada linda!

Refrescando-se na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Refrescando-se na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Por fim, a bela cachoeira aparece, no fundo do canyon. Magnífica! Eu vou envelhecendo, dez, vinte anos, e ela continua lá, no auge da sua glória. Tempos humanos são ridiculamente curtos quando comparados à tempos da natureza. Tempos de rios, de cavernas, de montanhas. Resta à nós tentar aproveitar ao máximo esses ridículos 60-70 anos que temos para conhecer e desfrutar as belezas do nosso mundo.

Pulando de 'paraquedas' na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Pulando de "paraquedas" na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Bem, com esse pensamento em mente, nadamos e mergulhamos na cachoeira de águas vermelhas e quase mornas. Por um momento fugaz de adrenalina, fizemos nossos saltos das grandes alturas. Mergulhei também até o fundo do poço. Fica escuro lá embaixo e quando olhamos para o alto, uma luz meio mágica, avermelhada. É lá que está a vida!

Foto subaquática no poço da Cachoeira do Sossego, para mostrar a cor de Coca-cola da água, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Foto subaquática no poço da Cachoeira do Sossego, para mostrar a cor de Coca-cola da água, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Finalmente, alguns minutos de contemplação daquela maravilha. O que me vem à cabeça é quantas pessoas já não passaram por lá, cada uma com seus pensamentos, suas histórias. Será que os paleoíndios de 10 mil anos atrás já íam lá? E os escravos de 150 anos atrás? Os garimpeiros de 80 anos atrás? Será que eles tinham seus momentos de Sossego também? E os Rodrigos de vinte e dez anos atrás, que legal seria encontrá-los ali, agora...

Seguindo, pelo rio, da Cachoeira do Sossego para o Ribeirão de Cima, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Seguindo, pelo rio, da Cachoeira do Sossego para o Ribeirão de Cima, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Seguindo, pelo rio, da Cachoeira do Sossego para o Ribeirão de Cima, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Seguindo, pelo rio, da Cachoeira do Sossego para o Ribeirão de Cima, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Depois dessas contemplações, viemos descendo o rio, passamos pelo Ribeirão de Cima e chegamos ao Ribeirão do Meio, aonde está o famoso Escorregador. A primeira vez que vi esse lugar incrível foi numa reportagem da eternamente jovem Glória Maria, então jovem mesmo, numa reportagem do Fantástico em 1984! Desde então, fiquei vidrado. Hoje, fo a quarta vez que visitei e me diverti por lá, obra-prima da natureza! Eu e a Ana escorregamos algumas vezes e nos divertimos com alguns gringos mais velhos se comportarem como crianças no escorregador. Por falar em gringos, eles estão dominando por aqui, nessa época. Alemães, franceses, holandeses, etc. Ficam absolutamente embasbacados com a Chapada. Das crianças aos idosos.

Descendo o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Descendo o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Descendo o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Descendo o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Para fechar a tarde, ficamos assistindo a um dos rapazes locais demonstrar suas habilidades no escorregador. Descia de pé, às vezes com pinta de esquiador, às vezes com pinta de surfista. Impressionante a classe e a marra dele. Com certeza, deve fazer bastante sucesso com as gringas solteiras que vem à Chapada... E nós, felizes da vida do nosso primeiro dia na Chapada Diamantina! Amanhã tem mais...

Descendo de pé o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Descendo de pé o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

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Fim de Tarde Cinematográfico

Chile, San Pedro de Atacama

Maravilhoso pôr-do-sol na Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile

Maravilhoso pôr-do-sol na Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile


Começamos o dia em ritmo lento. A primeira tarefa foi mudar de pousada. Uma de nossas mais tediosas rotinas desses 1000dias é exatamente isso, desarrumar e arrumar mochilas, carregá-las e descarregá-las da Fiona, ocupar e desocupar quartos. Quando chegamos em algum lugar onde pretendemos ficar mais tempo é um paraíso. O nosso quarto passa a ser o nosso lar. Infelizmente, aqui em San Pedro, onde pretendemos ficar por uns 4-5 dias, isso não ocorreu, já que tivemos de mudar de pousada pela dificuldade de encontrar vagas, ocupadas por chilenos gozando de seu fim de semana esticado pelo feriado. Bom, paciência...

Ruínas Tulor, no deserto do Atacama - Chile

Ruínas Tulor, no deserto do Atacama - Chile


Mudamos para nossa pousada mais simples, de banheiro coletivo e sem garagem e fomos passear mais um pouco na movimentada San Pedro, depois de trabalhar um pouco na internet. Pelas ruas ouve-se de todas as línguas, especialmente nos horários entre-tours, no meio do dia ou de noite. Durante as manhãs e as tardes, San Pedro fica vazia, ao contrário das vans que partem lotadas em todas as direções. Os franceses dominam (depois dos chilenos, claro!), mas também é bem fácil encontrar brasileiros. A maioria vem de avião, mas tem também aqueles que vem de moto ou de carro.

Reconstrução de moradia Tulor, no deserto do Atacama - Chile

Reconstrução de moradia Tulor, no deserto do Atacama - Chile


Reconstrução de moradia Tulor, no deserto do Atacama - Chile

Reconstrução de moradia Tulor, no deserto do Atacama - Chile


O Atacama, junto com a Patagônia, é o principal destino dos raros brasileiros que viajam para o exterior em seus próprios veículos. Com uma boa esticada, são cerca de três dias de viagem até aqui. Não é tão longe e, se o caminho for bem escolhido, as paisagens são altamente recompensadoras. É uma coisa que todos deveriam pensar em fazer. Mas, por algum motivo misterioso para mim, brasileiros não gostam de viajar de carro mais de 500 km. Principalmente para o "perigoso" mundo das estradas fora de nossas fronteiras. Enfim, dos poucos que saem, muitos vem para cá. Pudemos comprovar isso pela quantidade de adesivos de expedições brasieliras que encontramos nas cidades entre o Brasil e Atacama e também nos Pasos de Jama e San Francisco.

Vulcões vistos pela janela e pelo retrovisor da Fiona no deserto do Atacama - Chile

Vulcões vistos pela janela e pelo retrovisor da Fiona no deserto do Atacama - Chile


Depois do café da manhã misturado com almoço partimos para as atrações do dia. A primeira foram as ruínas de Tulor, bem próximas da cidade. Como quase todas as atrações famosas do Atacama, tem de se pagar ingresso. Essa é especialmente cara pelo que oferece, mas não deixa de ser interessante. Antigas casas geminadas, há muito tomadas pelo deserto. Seu povo as abandonou há séculos, junto com o rio que tomou outro curso. As condições quase estéreis do deserto contribuíram para a sua conservação e hoje só podemos tentar imaginar como era a vida neste local quando havia um rio ali por perto. Hoje, cercadas por quilômetros de areia por todos os lados, elas parecem não fazer muito sentido. Na verdade, o sentido começa a aparecer quando entramos numa das duas casas reconstruídas no mesmo adobe original. O frescor interno contrasta com o calor do deserto e nos mostra que não seria impossível morar por lá. Resta saber de onde viria a comida...

O salar do Atacama, no deserto do Atacama - Chile

O salar do Atacama, no deserto do Atacama - Chile


A próxima atração foi a lagoa Chaxa, em pleno Salar do Atacama, a pouco mais de 40 km de San Pedro. O salar é bem diferente daqueles que vimos na puna Argentina. Aqui, ele é bem rugoso, terreno nada apropriado para veículos, a não ser que você tenha um tanque de guerra que se movimente sobre esteiras. Através da rápida evaporação, a água que aflora do solo, vinda por canais subterrâneos diretamente das montanhas dos Andes, forma cristais e colunas de sais com até 70 cm de altura. Mas a água também forma grandes e rasas lagoas, verdadeiros oásis dentro do deserto. Uma dessas lagoas é a Chaxa, atração obrigatória para quem visita a região.

Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile

Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile


Flamingos na Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile

Flamingos na Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile


Nas lágoas há um pequeno crustáceo, um tipo de camarão, que faz a alegria de várias espécies de pássaros. Os mais belos entre eles são os flamingos que, de tanto comer camarão, acabam ficando rosas. Na Chaxa podemos ver centenas deles, aparentemente indiferentes à presença humana, mantida à boa distância por força de lei. Todos ficamos ali, a mais de cem metros dos principais grupos de flamingos, torcendo para que os mais corajosos se aproximem um pouco mais. E isso acontece, claro, para delírio dos turistas, todos com suas câmeras fotográficas mais ou menos potentes esperando capturar aquele momento especial, de um sobrevôo ou de um mergulho.

Vulcões refletidos na Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile

Vulcões refletidos na Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile


Flamingo sobrevoa a Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile

Flamingo sobrevoa a Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile


Por si só, esse cenário já seria inesquecível. Mas é muito mais do que isso. No horizonte, uma sequência interminável de vulcões e montanhas nevadas nos observam. A escala de tempo e de espaço dessas "criaturas" nos lembram da nossa pequeneza e insignificância. Estão ali há dezenas de milhões de anos. Seu tamanho descomunal engana completamente nossas impressões de distância. Parecem estar a 20 minutos de carro, mas alguns chegam a estar a 400 km de distância em linha reta! Parecem que podem ser escalados numa subida de final de tarde, mas muitos deles estão 4 km acima de nós, que já nos encontramos acima dos 2 mil metros. Realmente, é um horizonte alucinante, inesquecível para quem teve a chance de observá-lo.

Turistas observam pôr-do-sol na Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile

Turistas observam pôr-do-sol na Laguna Chaxa, no deserto do Atacama - Chile


Por fim, para quem vai na hora certa (é claro que as vans chegam neste horário!), ainda tem o impressionante e magnífico pôr-do-sol. Com o reflexo na lagoa, as luzes do final de tarde são maravilhosas. Coisa para nunca mais se esquecer! Gostei mais do que o pôr-do-sol visto da duna, ontem. Milhares de fotos tiradas pelas centenas de máquinas presentes. Cada "click" mais do que merecido! Fizemos os nossos também, claro! E aí, na hora de ir embora, dirigindo de volta à estrada principal, seguindo em direção aos Andes e àquele horizonte que relatei um pouco antes, eis que uma bola prateada parece nascer por detrás dos vulcões e montanhas. É a lua cheia, esplendorosa. Agora, é a vez dela lembrar aos mesmos vulcões e montanhas que são eles os insignificantes na escala de tempo e espaço. Nós, então... Mas, é a nós que cabe a honra de admirar esse espetáculo inesquecível: a lua nascendo por detrás de um vulcão nevado que desponta quilômetros acima de um dos mais belos desertos da Terra, um deserto que, entre outras coisas, possui lagoas habitadas por multidões de flamingos. Que mundo mágico vivemos...

Lua cheia nasce no deserto do Atacama - Chile

Lua cheia nasce no deserto do Atacama - Chile

Chile, San Pedro de Atacama,

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Austin, a Capital e a Ilha do Texas

Estados Unidos, Texas, Austin

Com a Lu Misura, depois de mais uma revisão internacional da Fiona, agora com 120 mil Km (em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos)

Com a Lu Misura, depois de mais uma revisão internacional da Fiona, agora com 120 mil Km (em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos)


O Texas já foi um país autônomo, com reconhecimento e embaixadores de todos as grandes potências da época. Desgarrou-se do México em meados do século XIX, após uma guerra de libertação que incluiu a famosa batalha do Álamo. Ainda vou falar mais disso quando chegarmos à San Antonio, onde essa batalha aconteceu. Depois da independência, a guerra foi contra os índios da nação Comanche. Cheia de episódios sangrentos. Afundado em dívidas com os Estados Unidos, achou melhor ser incorporado a este país, o que lhe garantiria segurança e recursos. Mas vem dessa época turbulenta o amor pela liberdade, inclusive a liberdade de carregar suas próprias armas e pelos direitos do indivíduo contra um estado opressor (México) ou que não pudesse garantir sua própria segurança (contra os índios).

Um legítimo e suculento Bar-b-que americano, na Salt Lick, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos

Um legítimo e suculento Bar-b-que americano, na Salt Lick, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos


Ao longo dos anos, transformou-se em uma potência agrária dentro dos Estados Unidos, enormes fazendas e ranchos preenchendo seu território. Mais tarde, já no século XX, foi a vez da exploração do petróleo se tornar a maior força econômica. Os mais velhos se lembrarão do famoso seriado do início da década de 80, “Dallas”, mostrando a vida da família Ewing, milionários do petróleo e grandes rancheiros do estado. O malvado JR, o principal protagonista, (o ator morreu recentemente), nada tinha a ver com o simpático astronauta dono da “Jeanne é um Gênio” (seriado dos anos 60). Enfim, o retrato de uma sociedade conservadora nos costumes e liberal economicamente.

Almoçando na Salt Lick, uma típica churrascaria à moda texana, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos

Almoçando na Salt Lick, uma típica churrascaria à moda texana, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos


Imaginar-se-ia que a capital de um estado assim seria o principal exemplo dessa sociedade. Mas é exatamente ao contrário! Austin é uma ilha dentro do Texas, muito mais combinada com a California ou Oregon do que com o estado de que é capital. Os próprios texanos acham ela e quem lá mora bem “esquisitos”. A razão para isso vem do fato de que milhares de expatriados moram ali, gente de todos os Estados Unidos e também de outros países. A cidade é um enorme polo estudantil, com enormes universidades atraindo estudantes de todos os lados. Apenas a Universidade do Texas tem 50 mil estudantes em seu campus. Além disso, transformou-se também num polo de tecnologia e empresas como a IBM, Dell, Google e Facebook tem sua sede ou grandes escritórios na cidade. Todo esse universo criou uma cultura própria, distinta, bem diferente do resto do estado que a rodeia.

Um legítimo e suculento Bar-b-que americano, na Salt Lick, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos

Um legítimo e suculento Bar-b-que americano, na Salt Lick, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos


Ao longo de nossa viagem pelos Estados Unidos, conhecendo e conversando com outras pessoas e viajantes, recebemos diversos conselhos para visitar a cidade. “Texas? Não deixem de ir à Austin!”. Então, não poderíamos deixar o país sem antes passar por aqui. O PriceLine nos colocou em um hotel bem central, pertinho dos locais da balada e ao lado do rio Colorado, que corta a cidade (não confundir com aquele outro rio Colorado, construtor de canyons!) e nós agendamos também uma concessionária para a Fiona poder fazer sua revisão dos 120 mil km. Chegamos no dia 9 de noite e nos preparamos para o longo dia que nos esperava.

O famoso molho para barbecue feito na própria salt Lick, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos

O famoso molho para barbecue feito na própria salt Lick, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos


Quem nos esperava também era a simpática blogueira Lu Misura (http://luciana.misura.org/), uma brasileira radicada nos EUA há muito tempo, casada com americano e com dois lindos filhos. Eles já moraram nos estados de Washington e Michigan, mas cansados do frio, resolveram encontrar um lugar com clima mais amigável. Como os dois trabalham de casa, podem se dar ao luxo de escolher a cidade em que querem morar. Um dia, cansados definitivamente do frio, abriram um grande mapa do país e começaram a pensar nas possibilidades. O calor texano, as empresas de tecnologia e o fato de Austin figurar em todas as listas de melhores cidades para se morar os fez escolher viver aqui, algo de que não se arrependem. Desde então, o blog da Lu Misura passou a ser a melhor fonte de informações para quem quer saber mais da cidade, dos costumes à comida, da programação às atrações turísticas. Muito amiga e sócia da Claudia (AprendizdeViajante), desde que passamos lá em Washington que temos também um olho aqui em Austin.

Com a Lu Misura, visitando a Hamilton Pool, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos

Com a Lu Misura, visitando a Hamilton Pool, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos


Então, hoje bem cedo, já deixamos a Fiona na concessionária e, de volta ao nosso hotel, encontramos a nossa nova amiga e cicerone ideal para esta cidade. Para começarmos bem, fomos diretamente ao Salt Lick, um restaurante típico do Texas, uma espécie de churrascaria americana onde fazem o típico e suculento barbecue. Ali, nos refestelamos com a carne preaparada ao modo americano e com um molho especial produzido ali mesmo. Esquema parecido com o nosso, pagamos um valor e comemos tudo aquilo que pudermos. Um pecado!

A bela Hamilton Pool, uma piscina natural entre um grande rochedo, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos

A bela Hamilton Pool, uma piscina natural entre um grande rochedo, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos


A conversa (e a comida) estava boa, mas tínhamos de seguir em frente. A Lu nos levou então à Hamilton Pool, uma das famosas piscinas naturais que se espalham por essa região do estado. Um lago pitoresco no meio de um enorme buraco na rocha, lugar ideal para um bom mergulho durante o calor do verão. Não era o caso agora e nós ficamos apenas do lado de fora, vendo a pequena cachoeira, observando a bela paisagem e a luz do sol refletida nas águas. Muito legal!

A Hamilton Pool, já no final da tarde, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos

A Hamilton Pool, já no final da tarde, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos


Os deveres de mãe a chamavam de volta ao lar, mas ela ainda nos deixou na concessionária, onde pegamos a Fiona novinha em folha, pronta para os próximos 120 mil km. Quer dizer, quase. Ainda faltava comprar “calçados” novos para ela. Pneus são muito baratos aqui no Tio Sam e não poderíamos perder essa oportunidade, os nossos já vindo lá do Equador, prontos para serem aposentados. Seguimos para uma loja ali do lado e trocamos os pneus. Mas aí, veio a s surpresa. A loja (e nem a concessionária, para quem ligamos dali mesmo) não conseguiria fazer o alinhamento. Aqui, é tudo feito por computador e os softwares daqui não têm os parâmetros da Fiona, essa estranha camionete a díesel. Vamos ter de esperar para fazer isso no México, onde o alinhamento ainda é feito à moda antiga, no braço e no olho mesmo.

A bela Hamilton Pool, uma piscina natural entre um grande rochedo, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos

A bela Hamilton Pool, uma piscina natural entre um grande rochedo, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos


Por fim, de noite, saímos para conhecer a night da cidade. Rodamos por duas das áreas mais famosas e movimentadas, ouvimos boa música, conhecemos gente e resolvemos tentar uma terceira área, bem recomendada por esses novos conhecidos. Eis que, para a nossa surpresa, ela estava a poucos blocos do nosso hotel. Assim, deixamos a Fiona muito bem guardada e pudemos tomar aquelas cervejas à mais, coisa complicada quando temos de dirigir depois. Uma rua com dezenas de bares construídos em antigas residências, todas com grandes quintais que hoje atraem centenas de estudantes. Muito legal, mudar de bar em bar e ir sacando a “fauna” de cada um deles. É quando percebemos que, não importa o país, no fundo, somos todos bastante parecidos...

Fiona novinha em folha, depois da revisão dos 120 mil km em concessionária de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos

Fiona novinha em folha, depois da revisão dos 120 mil km em concessionária de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos


Amanhã, é dia de darmos uma olhada no centro da cidade, nos seus parques e na loja original da Whole Foods, a famosa cadeia de supermercados, da qual já viramos fãs, de comida orgânica e que nasceu aqui em Austin e hoje está presente em todo o pais. Falando em comida saudável, depois da churrascaria americana, amanhã é dia de irmos numa bem brasileira mesmo. Com direito a bufê de saladas e pão de queijo de entrada! Hmmm.... já estou até aguando...

Camiseta vendida em Austin, no Texas, nos Estados Unidos

Camiseta vendida em Austin, no Texas, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Texas, Austin,

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Viagem no Tempo

Estados Unidos, Arizona, Petrified Forest

Enorme árvore petrificada no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Enorme árvore petrificada no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Durante a tarde de hoje visitamos um mundo bem antigo, muito diferente do nosso. Geralmente, quando pensamos num mundo antigo, mas antigo mesmo, nossa mente logo nos remete aos dinossauros. Essas feras dominaram o mundo por quase 150 milhões de anos, numa época em que os mamíferos viviam apenas nas sombras, sempre tentando se esconder dos seus “primos” maiores. Mas um meteoro, bem maior do que aquele que visitamos a cratera na manhã de hoje, ajudou a por fim nesse longo reinado, há pouco mais de 60 milhões de anos. Seu cataclísmico impacto na península do Yucatán foi particularmente devastador para os dinossauros e os mamíferos souberam aproveitar a oportunidade.

Madeira petrificada há mais de 200 milhões de anos, no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Madeira petrificada há mais de 200 milhões de anos, no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Mas o mundo que visitamos hoje é ainda mais antigo que essa história toda. Estou falando da época que os cientistas chamam de “triássico tardio”, há cerca de 225 milhões de anos. Nesses tempos, os dinossauros ainda “engatinhavam” e eram eles que viviam nas sombras, se escondendo dos verdadeiros senhores daquela época, enormes anfíbios e phytossauros, répteis da mesma família dos crocodilos. Esses monstros comiam dinossauros no café da manhã e mamíferos na sobremesa.

Observando troncos petrificados no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Observando troncos petrificados no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Naquela época, essa área que hoje é um deserto colorido no leste do Arizona fazia parte do sudoeste do supercontinente Pangeia e estava localizada muito mais próxima do equador. Seu clima era semi-tropical e muito mais úmido do que é hoje. Densas florestas de coníferas, árvores primas nas nossas araucárias paranaenses, cobriam a região pantanosa e cheia de rios. Foi exatamente esse terreno pantanoso que ajudou a preservar toda essa história que hoje conhecemos através dos fósseis.

Observando troncos petrificados no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Observando troncos petrificados no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Normalmente, quando um ser vivo morre, sua matéria orgânica é logo decomposta e não sobra nada para contar a história. Mas, em raros casos, há um processo de fossilização, e os restos podem durar centenas de milhões de anos. O segredo está em proteger o corpo rapidamente, após a morte, da ação de bactérias, fungos e outros agentes decompositores.

Caminhando no surpreendente Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Caminhando no surpreendente Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Era exatamente o que acontecia por aqui, há 225 milhões de anos! Grandes troncos e corpos de animais mortos eram trazidos pelos rios até os pântanos, onde muitos deles afundavam na lama pegajosa e anaeróbica do fundo, onde nem bactérias sobrevivem. Aí, a água subterrânea circulava lentamente pela porosa matéria orgânica dos troncos ou ossos, levando consigo minerais dissolvidos de origem vulcânica. Lá dentro, já sob a forma de cristais, eles iam se “encaixando” exatamente nos locais em que a matéria orgânica se “dissolvia”. Resumindo, com o passar dos tempos, a antiga madeira, ou o cálcio, era substituído por pedra, mantendo o formato original. Estava feita a mágica, após algumas centenas de anos: uma árvore ou osso de pedra! Com a mesma aparência da forma criadoura!

Gigantesco tronco petrificado, picotado por caçadores de cristais no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Gigantesco tronco petrificado, picotado por caçadores de cristais no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Milhões e milhões de anos de depósitos de material depois, todos esses fósseis estavam enterrados a quilômetros de profundidade. Aí, aconteceu o outro fator que nos permite admirar a maravilha que é esse parque nacional hoje: forças tectônicas passaram a levantar toda essa região, trazendo de volta à superfície material que foi enterrado há mais de 200 milhões de anos. Na verdade, o que veio à tona foi um grande planalto, mas algumas centenas de milhares de anos de erosão pela água e pelo vento foi limpando o terreno, derretendo a terra mais mole e deixando apenas as pedras mais duras (os fósseis!) inteiros.

Admirando a belíssima paisagem do Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Admirando a belíssima paisagem do Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Fim da mágica, temos uma floresta inteira de árvores petrificadas e, entre elas, ossos dos monstros que reinavam por aqui, além das pequenas criaturas que comiam (os dinossauros!). Esse foi o parque que visitamos hoje, o “Petrified Forest National Park”, criado na década de 60, mas que já fazia a festa dos turistas há mais de um século! Pois é, aqui do lado passava uma das mais antigas ferrovias transcontinentais do país e muitos passageiros, já no início do século passado, paravam por aqui um dia e faziam um day-tour oferecido pela própria companhia ferroviária para admirar as estranhas e coloridas árvores petrificadas.

O deserto colorido do Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

O deserto colorido do Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Coloridas porque os minerais de origem vulcânica que ocuparam o lugar da matéria orgânica nos fósseis são avermelhados ou amarelados e formam lindos cristais coloridos dentro dos troncos. O problema é que isso sempre atraiu (e continua atraindo) colecionadores que vem saqueando a área desde então. Afinal, ter uma mesinha de café na sua casa, feita de madeira colorida petrificada há 225 milhões de anos é muito chique! Ainda hoje, mesmo com toda a proteção, cerca de 12 toneladas de madeira petrificada são roubadas anualmente do parque, infelizmente.

Fiona nos leva através do magnífico Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Fiona nos leva através do magnífico Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Se hoje já ficamos impressionados com a quantidade de árvores petrificadas que se pode ver em certas áreas do parque, imagine como era quando os primeiros europeus chegaram por aqui. Os antigos relatos são sempre de pessoas extremamente impressionadas com a riqueza arqueológica que se via na região. Hoje está mais difícil saquear o parque, mas no início do século passado, as pessoas não se acanhavam em dinamitar os troncos para picotá-los e extrair suas partes mais coloridas. É por isso que boa parte dos troncos que vemos está todo repartido, como se tivessem sido picotados à machado ontem, para fazer lenha. Mas a aparência engana! A madeira, na verdade, é pedra, o machado é dinamite e o ontem faz 100 anos! Incrível!

Admirando a belíssima paisagem do Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Admirando a belíssima paisagem do Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Além da floresta petrificada e do mundo triássico que ela retrata, há duas outras grandes atrações no parque. Primeiro, sua impressionante beleza cênica. O mesmo processo tectônico e de erosão que trouxe de volta “à vida” as árvores de 225 milhões de anos atrás, criou também um cenário de canyons e montanhas coloridas, com diversas camadas geológicas com características distintas à vista. Observá-las e caminhar entre elas é o mesmo que caminhar pelo tempo, além de ser um colírio para os olhos.

Ruínas de antiga cidade dos Pueblos, povo misterioso do sudoeste americano (no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos)

Ruínas de antiga cidade dos Pueblos, povo misterioso do sudoeste americano (no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos)


A outra atração é a história da ocupação humana. Por aqui viveu passou a mais adiantada civilização pré-colombiana em território americano, os Pueblos. Tanto falamos e pensamos em mayas, astecas e incas que pouca gente sabe que aqui no Arizona havia um povo que construía pequenas cidades de pedra, cultivava o milho e deixou para a posterioridade algumas das mais belas pinturas rupestres dos Estados Unidos. Aliás, isso é até engraçado... justo no mais belo painel de pinturas, o acesso é proibido. No lugar do acesso, temos uma luneta para ver o painel bem de longe. Ver pinturas rupestres de luneta é fogo!

A mais famosa pintura rupestre americana, no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

A mais famosa pintura rupestre americana, no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Outro aspecto histórico são as ferrovias e a famosa Rota 66 que passava por aqui. A ferrovia ainda está em uso e são mais de 20 enormes comboios que passam pelo parque diariamente. A Rota 66 já foi desativada faz tempo no seu trecho pelo parque e a vegetação está retomando seu lugar.

Uma luneta para observar pinturas rupestres inacessíveis à turistas, no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Uma luneta para observar pinturas rupestres inacessíveis à turistas, no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Foi uma tarde incrível nesse parque maravilhoso. O interessante foi ver que, por mais que estejamos falando de períodos tão grandes de tempo, é fácil ver que as coisas continuam “acontecendo”. O melhor exemplo é uma ponte natural criada pela erosão. A água e o vento escavaram um desfiladeiro, levando a terra mole embora. Mas lá ficou um tronco petrificado unido os dois lados do pequeno canyon. Uma ponte natural que apareceu apenas há um século, mas com um tronco de mais de 200 milhões de anos!!!

Tronco petrificado forma ponte natural no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Tronco petrificado forma ponte natural no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos


Mas nem tudo muda, pelo menos no período da nossa ridícula vida de 70-80 anos. Num dos mirantes do parque, lá está um painel com duas fotos tiradas com um intervalo de sessenta anos. O garoto virou um senhor respeitável. A mesma posição, o mesmo ângulo, o mesmo sorriso na boca. A primeira foto foi tirada pelos seus avós, a segunda por seus netos. No fundo da foto, exatamente a mesma encosta, com as mesmas camadas geológicas expostas. Pelo menos pelos próximos milhares de anos...

A mesma pessoa e a mesma paisagem do Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos, em fotos com60 anos de intervalo

A mesma pessoa e a mesma paisagem do Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos, em fotos com60 anos de intervalo


Bom, enquanto esses milhares de anos não passam, eu e a Ana seguimos viagem, entramos no Novo México, jantamos comida australiana em Albuquerque e chegamos à Santa Fé. Infelizmente, todos os hotelzinhos charmosos já estavam fechados às 11 da noite e a gente teve de apelar para os sempre confiáveis e sempre abertos hotéis de rede. Amanhã, chega de estrada, é dia de cidade!

Fim de tarde no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

Fim de tarde no Petrified Forest National Park, no Arizona - Estados Unidos

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No Centro de Port-au-Prince

Haiti, Port-au-Prince

Praça central de Port-au-Prince, capital do Haiti

Praça central de Port-au-Prince, capital do Haiti


Nossa ideia original era ter ficado hospedado no centro de Port-au-Prince, mas quis o destino que ficássemos no Le Perroquet, em Pétion-Ville (ainda bem!); era ter ido para o sul do país, para conhecer Jacmel, mas acabamos indo passar o dia na praia de Obama (ainda bem!); e era irmos passar um dia no centro, para verdadeiramente conhecer a capital do país, mas outra vez tínhamos uma oferta tentadora de mudar de programação.

Nossa moto-taxi furou o pneu no caminho para o centro de Port-au-Prince, capital do Haiti

Nossa moto-taxi furou o pneu no caminho para o centro de Port-au-Prince, capital do Haiti


O Eric e a Lana nos convidaram para ir passar o dia nas montanhas ao redor de Port-au Prince, mas teríamos de voltar à tempo de visitar a base brasileira da ONU no dia de hoje, já que amanhã cedo voaremos para o norte do país. Com isso, não sobraria tempo para vermos de perto o centro da cidade. Pensamos, pensamos e, pelo menos dessa vez, resolvemos manter nossos planos. Deixamos para ver as montanhas lá perto de Cap-Haitien e reservamos a manhã de hoje para uma volta em Port-au-Prince.

Solenemente ignorado, cartaz recomenda o uso de capacetes para motociclistas em Port-au-Prince, capital do Haiti

Solenemente ignorado, cartaz recomenda o uso de capacetes para motociclistas em Port-au-Prince, capital do Haiti


Para chegar até lá, a pé nem pensar. Muito longe! Alugar um carro com motorista, ou simplesmente um carro, fica muito caro. O aluguel de carros aqui no Haiti custa mais de 100 dólares ao dia! Fora que achar os caminhos na cidade não é fácil. Trânsito caótico e sem regras e um verdadeiro labirinto, com metade das ruas em reconstrução, de terra ou interrompidas. Um táxi normal também seria caro e o táxi coletivo, os chamados “taptap”, onde as pessoas se amontoam na carroceria, seria muito demorado. Restava, então, a opção dos mototáxis.

Comida preparada e vendida nas ruas centrais de Port-au-Prince, capital do Haiti

Comida preparada e vendida nas ruas centrais de Port-au-Prince, capital do Haiti


Comida preparada e vendida nas ruas centrais de Port-au-Prince, capital do Haiti

Comida preparada e vendida nas ruas centrais de Port-au-Prince, capital do Haiti


Quase em frente ao Le Perroquet tem um ponto de mototáxis. A cada vez que passávamos por lá, olhavam para nós esperançosos. Hoje, era a chance deles! Cheguei a pensar em pegarmos uma moto cada um. Mas além do preço em dobro, meu maior temor era perder a Ana nas ruas da cidade e nunca mais encontrá-la. Assim, se for para nos “perdermos” por aqui, que seja juntos! Decidido então, os dois na mesma moto! Na verdade, é a cena comum por aqui, duas, três e até quatro pessoas na mesma moto. Capacete, claro!, ninguém usa! Só nos outdoors da campanha de segurança, mas parece que ela não tem tido muito sucesso.

Praça central de Port-au-Prince, capital do Haiti

Praça central de Port-au-Prince, capital do Haiti


E assim foi, lá fomos eu e o motorista fazendo sanduíche da Ana no meio, ninguém de capacete, driblando o trânsito e os buracos nas ruas em direção ao centro da cidade. O negócio é confiar na habilidade e na buzina do motorista e na moto também! Aliás, a nossa logo furou o pneu e passamos um tempo até achar um borracheiro e depois, esperar o conserto. Depois do pit-stop, à toda velocidade até o Champs de Mars, praça central de Port-au-Prince.

Monumento ao heroi da independência na praça central de Port-au-Prince, capital do Haiti

Monumento ao heroi da independência na praça central de Port-au-Prince, capital do Haiti


Aí estão o principal museu da cidade, o monumento a Jean-Jacques Dessalines, herói da independência e o local onde era o Palácio Nacional, a antiga sede de governo que foi completamente destruída pelo terremoto de 2010. Tiramos nossas fotos, observamos o intenso movimento de pessoas e seguimos para a próxima parada: o tradicional Hotel Oloffson, aquele mesmo que tínhamos pensado em nos hospedar.

Estudantes caminham no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti

Estudantes caminham no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti


O hotel teve seus anos de ouro nas décadas de 50 e 60, quando recebeu gente como Jacqueline Kennedy, Mick Jagger e Graham Greene, autor do famoso livro “The Comedians”, que se passa no Oloffson. Desde então, foi testemunha de incontáveis golpes de estado e tragédias naturais, culminando com o grande terremoto de 2010 que destruiu tudo ao redor do Oloffson, mas deixou o hotel em pé. Nessa última década, vive um período de decadência, por estar em uma região considerada insegura por e para estrangeiros. Mas, sem dúvida, é uma decadência com muito charme e elegância!

Monumento no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti

Monumento no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti


Nós fomos lá almoçar, para conhecer e prestar nossas homenagens. Muito interessante, mas sem dúvida, hoje, o Le Perroquet é uma melhor opção.

O tradicional hotel Oloffson, no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti

O tradicional hotel Oloffson, no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti


Depois do almoço, de novo os três encima da moto, rumo à base brasileira da ONU, perto do aeroporto da cidade. Dessa vez, foi um trecho com emoção, já que passamos ao lado da segunda maior e mais perigosa favela da capital. Nosso motorista foi acelerado, sem cansar de nos dizer sobre o perigo da área. As multidões mal-encaradas com quem cruzávamos não tinham tempo de reação: olhavam aquela cena insólita com curiosidade, algo inesperado, o sanduíche de Ana na moto em velocidade. Quando finalmente pensavam, já estávamos longe. Enfim, não seria o melhor lugar para o pneu furar, hehehe. Ao final, entre mortos e feridos, passamos todos incólumes e chegamos à muito mais segura Minustah. Assunto para o próximo post...

Almoçando no hotel Oloffson, no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti

Almoçando no hotel Oloffson, no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti

Haiti, Port-au-Prince,

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Na Carretera de la Muerte

Bolívia, Coroico

São inúmeros precipícios ao longo da Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

São inúmeros precipícios ao longo da Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


Depois do nosso passeio na região de Pampalarama, ainda bem cedo partimos em direção à estrada que liga La Paz à região dos Yungas, no norte da Bolívia. Essa é a famosa Carretera de la Muerte, o início do nosso longo caminho de volta ao Brasil, cruzando todo o norte boliviano.

Rebanho de lhamas parece admirar o lago no Parque de Catapata, onde se inicia a Carretera de la Muerte, que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Rebanho de lhamas parece admirar o lago no Parque de Catapata, onde se inicia a Carretera de la Muerte, que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


Outra vez, um enorme rebanho de lhamas e ovelhas interrompe nosso caminho, no Parque de Catapata, onde se inicia a Carretera de la Muerte, que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Outra vez, um enorme rebanho de lhamas e ovelhas interrompe nosso caminho, no Parque de Catapata, onde se inicia a Carretera de la Muerte, que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


Mas, para chegar até lá, ainda tivemos de cruzar um longo trecho pelas montanhas, sempre em estradas de terra. Um caminho lindo, ladeado de montanhas nevadas e que culminou pela passagem pelo Parque Nacional de Cotopata. O parque protege antigos caminhos pré-colombianos e uma natureza belíssima, sempre acima dos 4 mil metros. Aí, uma vez mais, cruzamos com um enorme rebanho de lhamas fechando a estrada. Elas pareciam entretidas com a beleza de um lago andino ali do lado, água verde e gelada, típico das grandes altitudes.

Parque Nacional de Cotapata, no início da descida dos Andes, na Bolívia

Parque Nacional de Cotapata, no início da descida dos Andes, na Bolívia


Ainda no alto, observando a estrada que desce a cordilheira dos Andes, na Bolívia

Ainda no alto, observando a estrada que desce a cordilheira dos Andes, na Bolívia


Depois de conseguirmos passar pelas lhamas, chegamos ao ponto conhecido como La Cumbre, com 4.650 metros. É justamente aí que começa a descida dos Andes para quem vem de La Paz e se dirige à Coroico, a principal cidade na região dos Yungas. Tínhamos chegado à Carretera de la Muerte.


Saímos de Pampalarama (A), em meio às montanhas e seguimos por uma estrada de terra até Cotapata, onde está La Cumbre (E), a 4.650 metros de altitude. É aí onde se inicia a descida dos Andes e onde encontramos a estrada principal, que vem de La Paz (F). Esta estrada se bifurca mais à frente. Boa parte do trânsito segue por uma estrada moderna (D) até Coroico (C), na região dos yungas. Mas os mais aventureiros preferem a famosa Carretera de La Muerte (B) para chegar até Coroico, a 1.700 metros de altitude. Esta foi a nossa rota!

Essa estrada foi construída na década de 30 utilizando a mão-de-obra de prisioneiros paraguaios da Guerra del Chaco, travada pelos dois países naqueles anos. A ideia era finalmente ligar a capital do país, na região andina, à região amazônica, no norte do país. A parte mais difícil dessa ligação era justamente a descida dos Andes, saindo de altitudes superiores aos 4 mil metros e descendo mais de 3 mil metros para a planície amazônica, tudo isso em um trecho relativamente curto de 60 quilômetros.

Ciclistas se reúnem no Parque de Cotapata para descer a Carretera de la Muerte, em direção à Coroico, na Bolívia

Ciclistas se reúnem no Parque de Cotapata para descer a Carretera de la Muerte, em direção à Coroico, na Bolívia


Cartaz com propaganda da famosa Carretera de la Muerte, que deesce os Andes em direção à cidade de Coroico, na Bolívia

Cartaz com propaganda da famosa Carretera de la Muerte, que deesce os Andes em direção à cidade de Coroico, na Bolívia


Bom, não é de se estranhar que, ao utilizar mão-de-obra escrava num terreno em tão difíceis condições, o resultado fosse esse: a mais perigosa estrada do mundo. Sem pavimento ou guard-rails, ziguezagueando entre precipícios de mais de 200 metros de altura e larga o suficiente apenas para a passagem de um veículo por vez, em boa parte dos trechos mais perigosos. Não é só isso: uma densa neblina costuma cobrir as partes mais altas da estrada durante vários meses do ano, reduzindo a visibilidade à poucos metros. A chuva transforma a terra em lama, tornando-a escorregadia em pontos onde um escorregão será certamente fatal. E não é só com a chuva que os motoristas devem se preocupar com o que vem de cima, pois há constante queda de pedras, das encostas e paredões ao lado da estrada.

Descendo os Andes em direção ao início da Carretera de la Muerte, na Bolívia

Descendo os Andes em direção ao início da Carretera de la Muerte, na Bolívia


Em meio à forte neblina, a Fiona percorre a famosa e temida Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Em meio à forte neblina, a Fiona percorre a famosa e temida Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


Essas condições ajudam a explicar porque mais de cem pessoas costumavam morrer anualmente nesse pequeno trecho de estrada. Entre os acidentes mais notórios, a maior da história da Bolívia: na década de 80, um ônibus lotado despencou centenas de metros, matando mais de 100 pessoas!

Em meio às nuvens, a Fiona enfrenta a Carretera de la Muerte, que deesce os Andes em direção à cidade de Coroico, na Bolívia

Em meio às nuvens, a Fiona enfrenta a Carretera de la Muerte, que deesce os Andes em direção à cidade de Coroico, na Bolívia


Para tentar diminuir o número de acidentes e mortes, a estrada tem até regras especiais. Por exemplo, funciona em mâo inglesa, isto é, dirigimos do lado esquerdo da estrada. A razão para isso é simples: os precipícios estão do lado esquerdo de quem desce e a preferência é sempre de quem está subindo a estrada. Como o motorista do carro que desce é que deverá dar passagem a quem sobe, estando mais perto do precipício ele pode controlar melhor, com os olhos, o quão próximo do abismo pode chegar. Tem lógica, mas dá arrepios! Na prática, então, é assim que funciona: vamos descendo de olho se vem algum carro em sentido contrário. Se virmos algum, achamos algum lugar mais largo da estrada, encostamos no precipício e deixamos o carro passar, para depois retomarmos nosso caminho.

Em meio à forte neblina, a Fiona percorre a famosa e temida Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Em meio à forte neblina, a Fiona percorre a famosa e temida Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


Em meio à forte neblina e muitos precipícios, a Fiona percorre a famosa e temida Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Em meio à forte neblina e muitos precipícios, a Fiona percorre a famosa e temida Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


Com esses números e condições aterradoras, aconteceu o inverso do que se esperaria: a estrada virou uma atração turística internacional! Milhares de aventureiros de todas as partes do mundo querem conhecê-la para exercitar sua adrenalina. Acontece que o governo boliviano também percebeu que algo deveria ser feito. E assim, depois de 20 anos de trabalho, construíram uma rodovia muito mais segura para Coroico, devidamente asfaltada e ampla para a passagem simultânea de dois veículos. Desde então, a grande maioria do tráfego se transferiu para essa estrada e a famosa Carretera de la Muerte ficou relegada às traças e aos turistas.

Cortando toda a encosta, a Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Cortando toda a encosta, a Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


Carretera de la Muerte, que deesce os Andes em direção à cidade de Coroico, na Bolívia

Carretera de la Muerte, que deesce os Andes em direção à cidade de Coroico, na Bolívia


Sem o trânsito de caminhões e ônibus, ela ficou infinitamente menos perigosa, já que o maior problema estava em cruzar com esses veículos mais largos. Hoje, só se vê ali alguns poucos carros de turistas (afinal, quantas pessoas viajam à Bolívia de carro?), centenas de ciclistas e seus veículos de apoio. Ciclistas? Pois é, é esta a maneira mais comum que os turistas conhecem a estrada: pedalando!

Carros de apoio à ciclistas descem a Carretera de la Muerte, estrada que liga La Paz  à Coroico, na Bolívia

Carros de apoio à ciclistas descem a Carretera de la Muerte, estrada que liga La Paz à Coroico, na Bolívia


Ciclistas descem a Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Ciclistas descem a Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


São dezenas de agências que oferecem esse passeio. Trazem os turistas até La Cumbre e, daí, para baixo, todo santo ajuda. O primeiro trecho é de asfalto, pista ampla e segura, mas bastante movimentada. Até o ponto onde a estrada se bifurca: a moderna para um lado e a Carretera de la Muerte para o outro. O grosso do tráfego segue o asfalto e os ciclistas e equipes de apoio seguem pela terra. Serão mais de 50 quilômetros downhill, a paisagem se transformando da andina para a amazônica, muita mata e umidade no caminho.

São inúmeros precipícios ao longo da Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

São inúmeros precipícios ao longo da Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


Então, esse foi nosso programa do dia. Chegamos à La Cumbre e já vimos três ou quatro vans lotadas de ciclistas. Ao longo da estrada, veríamos várias outras. Lá de cima, fotografamos a descida que nos aguardava e seguimos até a bifurcação da estrada. Pagamos o pedágio para poder circular nela e enfrentamos vários quilômetros de neblina, tomado o devido cuidado para não despencar por um lado ou atropelar turistas do outro. Raramente cruzávamos com carros subindo, mas sempre encontramos lugares seguros nesses momentos, deixando que passassem.

Armando nossa gol-pró para filmar a Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Armando nossa gol-pró para filmar a Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


Aos poucos, a neblina se dissipou e pudemos admirar melhor a paisagem que nos rodeava e os abismos que nos cercavam. São mesmo impressionantes, um convite à fotografias. Mas o perigo, como já disse acima, ficou mesmo minimizado com a construção da nova estrada. Cruzar com ônibus por ali seria terrível, mas eles já não estão mais na estrada. A Carretera de la Muerte acabou virando uma Disneylândia de ciclistas gringos.

Ciclistas descansam na Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Ciclistas descansam na Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia


Chegamos à Coroico sãos e salvos, prontos para sentir um gostinho da região dos Yungas e dispostos a retomar o caminho no dia seguinte. Ainda falta muito para chegarmos ao Brasil...

Pausa para fotos na Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Pausa para fotos na Carretera de la Muerte, estrada que desce os Andes em direção à Coroico, na Bolívia

Bolívia, Coroico, Estrada

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Neve. Muita Neve!

Estados Unidos, Washington State, Winthrop

A valente Fiona enfrenta a neve do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

A valente Fiona enfrenta a neve do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Acordei cedo hoje na pequena Winthrop e, conforme tinha prometido para a Ana na noite anterior, fui comprar nosso café da manhã. A cidade fica perto do limite do North Cascades National Park. Quem nos deu a dica de dormir ali foi um dos oficiais da fronteira ontem, depois do imbróglio que nos custou mais de uma hora por lá. Queríamos fazer a estrada que cruza o parque durante o dia, para poder admirar a paisagem, e ele falou que essa seria a melhor cidade. Acertou na mosca! Cidade com cara de faroeste, muito popular no inverno com os esquiadores, ou no verão com os trekkers. Agora, fora de estações, hotéis baratos, mas igualmente simpáticos. O gerente do nosso, muito interessado na nossa jornada, nos indicou uma deliciosa pizzaria para o jantar. Pizza gostosa como eu já não comia há meses!

Chegando ao North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Chegando ao North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Pois é, esse mesmo gerente me recebeu quando eu voltava do mercado com o nosso café da manhã. Dizia que neve nos esperava nas montanhas a frente. Pela conversa da noite anterior, já sabia que nós, brasileiros, adoramos neve. Checou a previsão do tempo e veio correndo me dizer que estava nevando no Washington Pass, pouco mais de 1.500 metros de altura, cerca de 30 quilômetros à frente na nossa rota para o oeste.

Começa a nevar na estrada que atravessa o North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Começa a nevar na estrada que atravessa o North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Aceleramos nosso café (iogurte grego, granola, pão, Philadelphia e geleia) e botamos o pé na estrada, loucos de curiosidade para encontrar a sempre mágica neve. Ali onde estávamos não tinha nem cheiro de neve, céu claro e poucas nuvens. Difícil acreditar que ela estava poucas milhas adiante. Mas umas nuvens densas, quase uma neblina, cobriam as montanhas. “Deve ser ali”, imaginamos.

Vegetação coberta pela neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Vegetação coberta pela neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Bingo! Começamos a subir e o tempo foi fechando. Nada mais de céu azul. Algo estranho começou a preencher o ar. Quase um fantasma. O “fantasma” foi ficando mais denso. Já não tínhamos dúvidas: eram flocos de neve! Subimos um pouco mais e a neve começou a aparecer, acumulada na mata que nos rodeava. Pequenas manchas brancas aqui e ali. Não demorou muito e, sempre subindo, as árvores começaram a ficar brancas por inteiro. Igualzinho àqueles pinheiros de natal que vemos nos filmes. Só que aqui não era uma árvore, mas a floresta inteira! Lindo! Ao mesmo tempo, as manchas de branco ao no acostamento se tornaram morros de neve. E a estrada, limpa até então, também foi ficando branca, restando dois trilhos de asfalto no meio dela.

Dirigindo em estrada cheia de neve, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Dirigindo em estrada cheia de neve, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Máquina para limpar neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Máquina para limpar neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Para nós, desacostumados com isso, parecia um sonho. Ou um cenário de filme. A neve continuava caindo, em flocos cada vez mais grossos. A estrada estava cada vez mais alta, assim como a neve ao seu redor. E os trilhos de asfalto sumiram, ficando apenas uma camada mais fina de branco por onde deveríamos seguir. No sentido oposto, aquelas máquinas de limpar neve, jogando o gelo branco para o acostamento. O nosso freio já não mais funcionava, o gelo sobre o asfalto demasiadamente escorregadio para o sistema ABS.

A valente Fiona enfrenta a neve do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

A valente Fiona enfrenta a neve do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Fiona em meio à neve do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Fiona em meio à neve do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Começamos a torcer para o tal do Washington Pass chegar logo. Dali em diante a estrada baixaria de novo, certamente com menos neve. Nosso medo era que fechassem a estrada. Pior ainda, era que a Fiona desse uma derrapada em algum barranco ou precipício. Eu dirigia devagar, freando apenas no motor. Mas, a preocupação era apenas uma parte pequena dos nossos sentimentos. A grande parte estava era emocionada com aquele cenário todo, algo que ainda não havíamos experimentado de verdade nesses 1000dias.

Brincando com a neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Brincando com a neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Muita neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Muita neve no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Tínhamos pego neve na Argentina e no Sequoia National Park, na California. No Alaska também, lá no norte, acima do Círculo Polar Ártico. Mas nada como agora, pintando toda uma floresta de branco, neve grossa caindo, estrada branquinha por quilômetros a fio. Um cenário absolutamente encantador! Nem eu nem a Fiona acostumados com isso, mas vamos nos acostumando. Enquanto isso, muitas fotos e muitos “Ooohhh!!!”.

Em dia de muita neve, visitando o maravilhoso North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Em dia de muita neve, visitando o maravilhoso North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Pelo menos em teoria, lá do alto do Washington Pass teríamos uma bela vista das montanhas do North Cascades. Uma trila de pouco mais de um quilômetro nos levaria para um mirante. Mas, quando chegamos lá, era tanta neve que o estacionamento e a tal trilha estavam cobertos de neve. Assim como as montanhas e a nossa vista. Mas, sinceramente, quem se importava? Tudo já estava tão lindo, tão magnífico para dois brasileiros acostumados com praias e não com neve. Só o caminho até lá já tinha valido a pena, toda a pena! E com aquela neve toda caindo, o sensato mesmo era continuar e não deixar a Fiona ficar como outros carros por ali, cobertos de neve!

Pequena trilha na mata do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Pequena trilha na mata do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Assim, começamos a descer. A neve começou a diminuir, mas logo começamos a subir novamente, até outro pass. Mais baixo que o anterior, mas com muita neve também. Depois, voltamos abaixo dos 500 metros e a neve ficou lá no alto das montanhas. Pela próxima hora ou um pouco mais, só ficamos admirando os picos nevados longe de nós. Perto, o que víamos eram matas, lagos, cascatas e cachoeiras. Não é a toa que toda a região foi transformada num parque nacional.

Grande cachoeira no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Grande cachoeira no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Linda natureza, mas era mesmo a neve que mais nos impressionava. Fico imaginando que os gringos devem achar curiosa essa nossa atração pela neve, algo que para eles é tão normal. Mais ou menos como praias ensolaradas com águas quentes e mulheres lindas são para nós, enquanto, para eles, é algo de outro mundo. Tudo uma questão de costumes...

Dirigindo por uma floresta congelada no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Dirigindo por uma floresta congelada no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Nós seguimos por toda a extensão da estrada, até chegar na grande rodovia que liga Seattle à Vancouver. Nosso sentido era continuar adiante, chegando ao litoral e pegando um ferry para a península de Olympia. Mas queríamos mais neve! Para isso, bastava seguir para uma estrada que entrava na parte norte do parque. Um detour de algumas dezenas de quilômetros que certamente valeria a pena.

Dia de muita neve na área do Mt Baker, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Dia de muita neve na área do Mt Baker, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


E valeu. Muito! Seguimos para a região do Mt Baker. O mapa está no post anterior. Lá está uma das poucas estações de esqui operando dentro de um Parque Nacional nos Estados Unidos. Mas, acho que a neve chegou antes do que eles estavam prevendo e a estação estava fechada, ainda. Para nós que não esquiamos, não fazia a menor diferença. O que queríamos ver era neve, e isso tinha lá de monte. Mais chance para brincarmos, tiramos fotos ou simplesmente curtirmos aquele momento. Ver neve caindo do céu é uma coisa mágica.

Está na hora de abrir a área de ski do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Está na hora de abrir a área de ski do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Muita neve na área do abrigo do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Muita neve na área do abrigo do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Ao final, já esteou até ficando craque em levar a Fiona através de uma estrada branquinha. As tais correntes fazem falta, mas com cuidado dá para se divertir. Acho que tivemos bastante sorte de poder dirigir por ali, nesse época e com tanta neve. Normalmente, e as placas indicam isso, só com correntes mesmo. Mas a neve veio tão de surpresa que não deu tempo deles fecharem a estrada, hehehe. Melhor para nós!

Lago na área do Mt Baker, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Lago na área do Mt Baker, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Dia de muita neve na área do Mt Baker, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Dia de muita neve na área do Mt Baker, no North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos


Já nas últimas horas do dia, depois de muita diversão, resolvemos que era hora de voltarmos. A fome apertava e paramos num delicioso e animado restaurante bem na entrada do North Cascades, nesse lado noroeste do parque. Muito bem alimentados, seguimos em frente, até a última cidade mais importante antes do ferry para Port Townsend, a cidade mais interessante da Olympia Peninsula, para onde seguimos amanhã. Quem diria... depois do ferry para Vancouver, achei que o próximo seria apenas sobre o rio Amazonas. Nada disso! Já temos um amanhã mesmo, e certamente outro, quando formos para Seattle. Da neve para um ferry, a Fiona está cada vez mais eclética e adaptável. E eu, nada como errar minhas previsões diariamente. São as surpresas e o inesperado que fazem a viagem uma verdadeira... viagem!

Decoração de Halloween em restaurante na saída do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos  Estados Unidos

Decoração de Halloween em restaurante na saída do North Cascades National Park, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos

Estados Unidos, Washington State, Winthrop, North Cascades National Park, Parque

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Fim de Uma Etapa...

Brasil, Paraná, Curitiba

Celebrando o aniversário do Mário na casa da Dani e Dudu

Celebrando o aniversário do Mário na casa da Dani e Dudu


Nossa chegada à Curitiba marcou o fim de mais uma etapa da viagem, a segunda. A primeira etapa tinha sido nossa ida ao Caribe, nos meses de Abril e Maio.

Jantar na casa da Karina e do Ricardo com Pasini e Fernanda

Jantar na casa da Karina e do Ricardo com Pasini e Fernanda


Essa segunda etapa foi de carro, aqui por perto mesmo. Sabíamos que não poderíamos ir longe já que tínhamos compromissos aqui em Curitiba, na terceira semana de Julho. O principal desses compromissos era conhecer a nossa sobrinha, a Luiza, que nasceu por esses dias. Mas tínhamos outros compromissos também, desde fazer o modem da Vivo funcionar e fazer alguns retoques na vedação da Fiona, até comparecer numa audiência judicial, sem esquecer da operação da Diana.

Diana pós-operatória

Diana pós-operatória


Essa semana por aqui foi bem produtiva e conseguimos resolver quase tudo, além de rever familiares e amigos. Em compensação, a viagem ficou meio parada. Ainda estamos na dúvida se esses dias aqui em Curitiba, tanto entre a 1a e a 2a etapa como esses agora devem ou não ser descontados da viagem, da contagem oficial dos dias. Vamos deixar para resolver mais à frente mas tenho a impressão que sim, que faltarão dias lá no final e vamos compensar com esses dias parados aqui.

Cassoulet na casa da Patrícia

Cassoulet na casa da Patrícia


Afinal, agora que já temos esses cento e poucos dias de viagem, ficou bem claro para nós que, por mais incrível que possa parecer, esses 1000 dias planejados são poucos para se conhecer um continente tão lindo e diverso como o nosso, principalmente pelo fato que nosso objetivo não é simplesmente conhecer ou passar pelas cidades grandes, as capitais. A gente gosta também, e principalmente, é do interior, das cidades pequenas, onde se pode ver a natureza intocada e as pessoas mais autênticas, que tanto tem para nos ensinar. Enfim, foram poucos os lugares que já estivemos nessa viagem nos quais não gostaríamos de ter ficados mais tempo, para ver e curtir outras coisas. Facilmente, esses cem dias poderiam ter sido duzentos e, portanto, os 1000 dias poderiam ser 2 mil. Assim, se esses dias curitibanos correndo atrá de compromissos faltarem lá na frente, vamos recuperá-los! É a vantagem de se estar fazendo uma viagem livre como a nossa...

Amigos celebrando chá de cozinha da Paula e do Gusta

Amigos celebrando chá de cozinha da Paula e do Gusta


Tivemos a sorte de pegar essa semana de tempo ruim justamente aqui (da outra vez também foi assim!). E agora que o tempo ameaça melhorar, estamos prontos para iniciar nova etapa. Ainda bem, já que eu, a Ana e a Fiona estamos loucos para por o pé na estrada de novo. É uma nova etapa se iniciando, Viva! Falo dela no próximo post...

Com o Gusta e Paula, que se casam em Setembro

Com o Gusta e Paula, que se casam em Setembro

Brasil, Paraná, Curitiba,

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Amantani e o Titicaca

Peru, Amantani

Ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Ao visitarmos as Islas Flotantes ontem, tivemos nosso primeiro contato com o lago Titicaca. Mas foi só um pequeno aperitivo. As ilhas dos Uros estão localizadas logo no início da baía de Puno, bem próximas da costa. É apenas o início do Titicaca, essa enorme massa d’água localizada em pleno altiplano, a mais de 3.800 metros de altitude, na fronteira entre Peru e Bolívia.

O lago Titicaca, visto da ilha de Amantani, no Peru

O lago Titicaca, visto da ilha de Amantani, no Peru


O lago Titicaca tem quase 15 milhões de anos e muitos o consideram o maior lago da América do Sul. Na verdade, esse posto pertence ao lago Maracaibo, na Venezuela, mas como este está no mesmo nível do mar e é separado do oceano apenas por um canal, muitos argumentam que ele não passa de uma grande baía. Já o Titicaca, no alto dos Andes, sua condição de lago é indiscutível. Na verdade, ele nem tem ligação com o oceano. Alimentado por cerca de 40 rios, suas águas desaguam por apenas um, exatamente o Rio Desaguadero. As águas correm para outro lago mais ao sul, na Bolívia, chamado Poopo, e aí permanecem até evaporarem. Apenas em anos de chuva excepcional, as águas podem chegar até o Salar de Coipasa e de Uyuni.

Montanhas nevadas no lado boliviano do lago Titicaca, vistas da ilha de Amantani, no Peru

Montanhas nevadas no lado boliviano do lago Titicaca, vistas da ilha de Amantani, no Peru


Com apenas um rio para vazar suas águas enquanto é alimentado por mais de quarenta, o equilíbrio do Titicaca é mantido pela altíssima taxa de evaporação. Pela grande altitude e alta taxa de sol incidente, essa evaporação é enorme e corresponde a 90% da água perdida pelo lago. Já a água que entra, boa parte dela vem do derretimento de geleiras de montanhas vizinhas. Com a mudança do clima nas últimas décadas, essas geleiras vem diminuindo e, como consequência, o nível de águas no Titicaca também, baixando a níveis nunca vistos no último século. Estudos feitos nos sedimentos do lago e também em suas margens mostra que o nível sempre variou ao longo dos séculos e milênios, sempre acompanhando o tamanho das geleiras e as eras glaciais do planeta.

Mapa do Titicaca mostrando as principais ilhas e características do lago que faz fronteira entre Peru e Bolívia (Islas Flotantes, perto de Puno, no Peru)

Mapa do Titicaca mostrando as principais ilhas e características do lago que faz fronteira entre Peru e Bolívia (Islas Flotantes, perto de Puno, no Peru)


Atravessando o lago Titicaca, a caminho da ilha de Amantani, no Peru

Atravessando o lago Titicaca, a caminho da ilha de Amantani, no Peru


Bem, mesmo com a recente diminuição, o lago continua enorme, chegando a 190 km de comprimento e 80 km de largura, no seu ponto mais largo. A profundidade máxima chega quase aos 300 metros, o que garante uma temperatura relativamente constante ao longo do ano, perto dos 12 graus. Com tanta água assim, vinda principalmente das geleiras, a água é doce, ao contrário do que ocorre com o Poopo que, mesmo alimentado pelas águas do Titicaca, devido a altíssima taxa de evaporação e profundidade de poucos metros, tem uma grande salinidade.

Placa informativa na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Placa informativa na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Chegando à ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Chegando à ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Além das muitas espécies de pássaros, três ou quatro espécies de peixes tinham uma boa vida no lago até que, há pouco menos de 100 anos, as trutas foram introduzidas pelo homem. O resultado foi catastrófico para as espécies nativas, já que as trutas, sem inimigos naturais, as devoraram. A única sobrevivente foi uma espécie com muitos espinhos, indigesta até para as trutas. Essas se tornaram o prato principal das pessoas que viviam no lago, mas o excesso de pesca também dizimou a população de trutas nas áreas próximas às grandes cidades, como Puno e Copacabana. Além disso, com a introdução de outro peixe, o king fish, as trutas também se tronaram presas, tornando a sua vida ainda mais difícil.

Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


O Titicaca pode ser dividido em três partes: a pequena baía de Puno, onde estão as Islas Flotantes, o grande lago do norte e o pequeno lago do sul. Esses dois últimos são ligados por um canal mais estreito, de apenas 800 metros. Por aí vamos passar de Fiona, em poucos dias, no nosso caminho entre Peru e Bolívia, entre Puno e Copacabana. Nessa viagem, vamos margear boa parte do lago e ter algumas das mais belas vistas que se pode ter do Titicaca desde terra firme, principalmente na área de Copacabana, já na Bolívia.

Nossa simpática hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Nossa simpática hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Outros turistas observam nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Outros turistas observam nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


A outra maneira de ver esse magnífico lago é de suas ilhas. As principais são Amantani e Taquile, no lado peruano, e a maior de todas, Isla del Sol, no lado boliviano. Nossa ideia é visitar as três, começando por Amantani. Esse foi exatamente nosso passeio de hoje, quando deixamos nosso hotel de Puno para ir dormir na própria ilha, na casa dos moradores. Amantani é a menos turísticas das ilhas e quem a visita, geralmente dorme por lá.

Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


O passeio pode ser através das agências, normalmente mais caros, ou com o barco da comunidade, que foi a maneira que escolhemos. O barco sai bem cedo de Puno, faz uma parada nas Islas Flotantes (como disse no post anterior) e segue para fora da Baía de Puno, para a parte principal do Titicaca, onde estão Amantani e Taquile. Como todos os barcos no lago são muito lentos, é uma viagem longa, mais de três horas de navegação, fora o tempo que ficamos parados nas Islas Flotantes. Tempo mais do que suficiente para admirar o belo lago à nossa volta.

Ervas para o nosso chá na hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ervas para o nosso chá na hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Nosso delicioso e sadio almoço na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Nosso delicioso e sadio almoço na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Ainda no barco, o capitão divide os passageiros em pequenos grupos, para poder acomodá-los em diversas casas em uma das dez comunidades existentes em Amantani. Assim como nas Islas Flotantes, as famílias se revezam para receber os visitantes, para que todos possam se beneficiar do turismo. Quando chegamos na ilha, essas famílias vem nos receber e nos levar para suas casas, onde teremos abrigo e refeições.

A ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

A ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Pequena plantação na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Pequena plantação na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


A ocupação de Amantani é pré-incaica e seus habitantes falam quéchua. Com a conquista espanhola, a ilha passou a ser do rei de Espanha que, em 1580, a vendeu a um nobre espanhol que se estabeleceu na América. Foram estabelecidas fazendas e estas foram herdadas por seus descendentes. Mas uma forte seca no início do século passado começou a afastar os grandes proprietários que passaram a vender suas propriedades aos habitantes originais, que nunca haviam saído da ilha, formando sempre a sua classe trabalhadora. Aos poucos, toda a ilha foi vendida e hoje ela está dividida em muitas pequenas propriedades desses habitantes originais. O problema é que não há mais terras para serem vendidas ou cultivadas e as famílias continuam a crescer. As propriedades ficam cada vez menores, mas muitos dos descendentes, ao final, tem de deixar a ilha.

Loja na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Loja na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Na divisão de grupos, acabamos ficando no maior deles, o que ficaria hospedado na casa do capitão do barco. Conosco, uma família de espanhóis (mãe, filha, filho e nora) e dois amigos, também espanhóis, o Alvaro e o Valentin. Os dois tornaram-se nossos companheiros de exploração, não só de Amantani, mas também Taquile, a outra ilha que visitaríamos no dia seguinte.

Caminhando nas ruas de comunidade da ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Caminhando nas ruas de comunidade da ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Nossa casa era uma delícia, combinando charme e simplicidade. Vista maravilhosa para o lago lá embaixo, em meio à pequenas plantações e ruas de pedra. Fomos recebidos com um almoço bem sadio, produtos da própria ilha, desde o queijo e chá até as batatas e o milho. Tudo servido no pátio interno da casa, numa grande mesa comunal. Foi muito joia!

Caminhando na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Caminhando na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Praia na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Praia na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Depois do almoço, um tempo para passear ao redor, sentir um pouco do clima campestre e rural de Amantani, o relevo todo aproveitado na forma de terraços agrícolas, pequenas trilhas ligando as diversas comunidades da ilha, algumas poucas lojas e centros comunais, mulheres, homens e crianças em seus trajes típicos e ovelhas pastando tranquilamente. Aqui, não há dúvida, tudo é mais autêntico que nas Islas Flotantes, onde a economia gira completamente em torno do turismo. Em Amantani não, os visitantes ainda são incipientes e as pessoas estão mais preocupadas com sua própria vida e afazeres do que conosco. Aqui, podemos ser mais observadores do que clientes. Uma delícia!

Praia de pedras na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Praia de pedras na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


No final da tarde, todos nos reunimos novamente, os visitantes que vieram no barco. Juntos, seguiríamos com o capitão para as duas montanhas da ilha, com cerca de 4.100 metros de altura, mais de 300 metros acima do nível do lago. Além dos santuários que lá existem, é um lugar estratégico para se observar o fim de tarde sobre o lago. Tão espetacular foi essa experiência que vou dedicar o próximo post apenas a ela.

Despedindo-se da filha do dono de nossa hospedaria na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Despedindo-se da filha do dono de nossa hospedaria na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


No dia seguinte, após um simples, mas delicioso café da manhã, foi hora de nos despedirmos de Amantani. Ainda tivemos tempo para umas fotografias e uma rápida caminhada em uma das praias de pedra da ilha. Depois, voltamos todos ao nosso barco, para seguirmos à ilha vizinha de Taquile, para uma visita de algumas horas. Foi com dor no coração que deixamos Amantani. Com sua paz, tranquilidade e beleza inspiradoras, é o típico do lugar que eu gostaria de me refugiar para escrever um livro, passar uma temporada de alguns meses de vida bem simples, comida saudável, caminhadas pela manhã e no final da tarde, pores-do-sol inesquecíveis e muitas garrafas de vinho (essas, eu teria de levar, hehehe). Quem sabe, um dia...

Curtindo o incrível entardecer do alto do santuário Pachatata, na ilha Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Curtindo o incrível entardecer do alto do santuário Pachatata, na ilha Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Peru, Amantani, Lago, Titicaca

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A Trilha do Rio do Boi

Brasil, Santa Catarina, Praia Grande

1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Uma das regiões mais belas do Brasil se encontra na fronteira entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a poucos quilômetros do Oceano Atlântico. Aí estão os maiores cânions do país, escarpas rochosas com centenas de metros de altura que fazem a transição entre o planalto gaúcho e a Serra Geral e a planície litorânea. Nomes como “Itaimbezinho”, “Malakara” e “Fortaleza”, alguns dos cânions mais conhecidos dessa região, enchem os olhos de turistas e visitantes e frequentam o imaginário de aventureiros já há dezenas de anos.

Mapa do Parque Nacional Aparados da Serra, cercado por trechos do Parque Nacional da Serra Geral, nos dois lados da fronteira entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os principais canyons dos dois parques estão apontados no mapa

Mapa do Parque Nacional Aparados da Serra, cercado por trechos do Parque Nacional da Serra Geral, nos dois lados da fronteira entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os principais canyons dos dois parques estão apontados no mapa


Região dos parques Aparados da Serra e Serra Geral. A parte alta fica no Rio Grande do Sul e a parte baixa, onde está Praia Grande, em Santa Catarina. A trilha do Rio do Boi percorre o interior do canion Itaimbezinho

Região dos parques Aparados da Serra e Serra Geral. A parte alta fica no Rio Grande do Sul e a parte baixa, onde está Praia Grande, em Santa Catarina. A trilha do Rio do Boi percorre o interior do canion Itaimbezinho


Para proteger esse incrível patrimônio natural do país foi criado, já no final da década de 50, o Parque Nacional Aparados da Serra, hoje com cerca de 13 mil hectares. Em 1992, foi a vez do Parque Nacional da Serra Geral, com porções separadas ao norte e ao sul do Parque Aparados da Serra. Tomado em conjunto os dois parques, a área protegida chega aos 30 mil hectares, ou 300 km2 de campos, matas, florestas, rios, planaltos, planícies e claro, as grandes estrelas dos parques, cânions majestosos resguardados da exploração humana (exceto pelo turismo!).


Nosso guia dá as últimas instruções antes de iniciarmos a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Nosso guia dá as últimas instruções antes de iniciarmos a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


Ambos os parques se estendem pelos dois estados, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. De modo geral, podemos dizer que a parte alta, de planalto, se encontra em terras gaúchas, enquanto que a parte baixa, o fundo dos cânions, se encontra em terras catarinenses. Para visitar o trecho de planalto e se embasbacar com a vista lá de cima, a melhor cidade de apoio é Cambará do Sul, norte do rio Grande do Sul. Para quem quer se aventurar por dentro dos cânions, a cidade base é Praia Grande, sul de Santa Catarina. Apesar do nome, nada de praias por aqui. O mar está a cerca de 30 quilômetros de distância.

Colocando as caneleiras para se proteger de picadas de cobra, no início da trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Colocando as caneleiras para se proteger de picadas de cobra, no início da trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


Entrada do canyon do Itaimbezinho, trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Entrada do canyon do Itaimbezinho, trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


Para quem acompanha os 1000dias faz tempo, sabe que nós já visitamos os cânions na sua parte gaúcha, lá no alto. Foi em Julho de 2011, em pleno inverno. Temperatura gelada e paisagens deslumbrantes. Para quem quiser rever a história e as fotos, o post está aqui. Tem até uma foto em que aparece a cidade de Torres, ao fundo, bem distante. Naquela oportunidade, nós concentramos nossa visita no cânion Fortaleza, que fica dentro dos limites do parque da Serra Geral. Apesar de ser uma escolha difícil, esse é provavelmente o mais bonito dos cânions, quando vistos de cima. O Itaimbezinho, o mais famoso e turístico de todos eles, estava fechado naquele dia. Nós nos prometemos naquela época que, ainda durante os 1000dias, nós voltaríamos à região, agora para ver e caminhar pela base dos cânions.

A primeira de muitas travessias de rio na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

A primeira de muitas travessias de rio na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


Subindo a trilha ao longo do Rio do Boi, na parte baixa do canyon do Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Subindo a trilha ao longo do Rio do Boi, na parte baixa do canyon do Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Pode ter demorado, mas promessa feita é promessa cumprida! Agora, com a companhia do sobrinho João Pedro e sua namorada Bruna, finalmente voltamos para cá, do outro lado da fronteira, muitas centenas de metros abaixo de onde havíamos estado quase três anos antes. Já havíamos reservado, três dias atrás, um passeio para entrar no parque, pois para fazer a trilha mais famosa da região, a chamada Trilha do Rio do Boi, que entra dentro do cânion Itaimbezinho, é obrigatório a companhia de um guia credenciado. Saímos pela manhã de Torres, no litoral gaúcho, e menos de quarenta quilômetros de estradas já nos trouxeram para o município de Praia Grande, em Santa Catarina.

Divertindo-se no rio durante a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Divertindo-se no rio durante a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


A Bruna se refresca no rio durante a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

A Bruna se refresca no rio durante a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


Aqui chegando, fomos diretamente à agência que havíamos contratado para encontrar nossos guias e companheiros de caminhada. Ainda estamos no verão e esta é uma época concorrida por aqui. São várias agências na cidade e mais de cem turistas por dia dispostos a percorrer os quase 15 quilômetros da trilha. Ainda em pleno carnaval, fizemos muito bem em fazer a reserva com antecedência. Os grupos não podem ser muito grandes e, conforme o número de pessoas, seguem um ou dois guias conosco. Nosso grupo tinha cerca de 10 pessoas e por isso seguimos com dois guias, os simpáticos Fred e Aline, todos levando seu lanche, prontos para seis ou sete horas de caminhada.

Subindo a trilha ao longo do Rio do Boi, na parte baixa do canyon do Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Subindo a trilha ao longo do Rio do Boi, na parte baixa do canyon do Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Com o sobrinho João Pedro e a Bruna na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Com o sobrinho João Pedro e a Bruna na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


São 12 quilômetros de estrada de terra da cidade até a entrada do parque, já bem próxima da boca do cânion Itaimbezinho. Aí os guias nos dão as últimas orientações e todos vestimos nossas polainas, ou caneleiras. É uma medida de segurança para nos proteger de picadas de cobra. Até onde soube, é uma ocorrência extremamente rara por aqui, mas vale o ditado: muito melhor prevenir do que remediar. Outro ponto importante é estar usando calçados resistentes e que possam se molhar. Boa parte da trilha é sobre pedras e o tempo todo cruzamos o rio que corre no fundo do cânion (o “Rio do Boi”!), para lá e para cá. Totalmente impensável tirar e recolocar o tênis (ou botas) a cada travessia. O rio não é fundo, mas em algumas travessias, chega à altura da cintura. Ou seja, calças e bermudas também vão se molhar!

Todo cuidado é pouco em mais uma travessia do rio na Trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, na Praia Grande, em Santa Catarina

Todo cuidado é pouco em mais uma travessia do rio na Trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, na Praia Grande, em Santa Catarina


Uma das cachoeiras ao longo da trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Uma das cachoeiras ao longo da trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


O início da trilha é em uma mata fechada. Um pouco de barro aqui e ali, mas nada difícil de ser vencido. Caminhamos todos juntos, fila indiana, uma guia na frente e outra atrás. Por enquanto, só estamos esquentando. Até que, pouco mais de um quilômetro adiante, chegamos à primeira travessia. É onde começa toda a graça e beleza da caminhada. A mata se abre, passamos a caminhar sempre ao lado ou dentro do rio e as paredes cada vez mais altas do cânion Itaimbezinho se tornam visíveis. Um cenário para nenhum filme tipo “O Senhor dos Anéis” botar defeito!

O belo cenário da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em ]Praia Grande, em Santa Catarina

O belo cenário da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em ]Praia Grande, em Santa Catarina


Banho de cachoeira na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Banho de cachoeira na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


A cada travessia do rio, nova diversão. O leito do rio é cheio de pedras e a corrente é forte. Para não cairmos, a melhor tática é nos darmos a mão formando uma grande corrente humana. Mas nada impede que sigamos solitários, em busca de mais emoção. Já molhados, cair na água não é mais um problema. Talvez a melhor solução, apenas para variar, seja intercalar travessias de mãos dadas com outras solitárias.

O belo cenário da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em ]Praia Grande, em Santa Catarina

O belo cenário da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em ]Praia Grande, em Santa Catarina


Todos de mãos dadas, travessia de rio na trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Todos de mãos dadas, travessia de rio na trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


O banho no rio é sempre uma opção, mas o guia sabe onde estão os melhores lugares ao longo da caminhada. Nessa época do ano, a água não é fria, mas imagino que no inverno seja dureza. O melhor lugar para o banho é num trecho onde a correnteza nos leva através de uma rampa até uma piscina um pouco mais funda. Uma delícia!

Mais uma travessia de rio na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Mais uma travessia de rio na trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


A Ana, o João e a Bruna na trilha do Rio do Boi, dentro do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

A Ana, o João e a Bruna na trilha do Rio do Boi, dentro do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Outros bons trechos, tanto para se refrescar como para admirara, são os pontos onde há cachoeiras. São várias delas, escorrendo pelas paredes do cânion. Quando chove, estão por toda parte. Nas épocas secas, restam apenas algumas. São os pontos de referência que temos, quanto já andamos e o quanto nos resta.

Trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


O belíssimo visual da trilha do Rio do Boi, dentro do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

O belíssimo visual da trilha do Rio do Boi, dentro do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


A partir da metade do caminho, começamos a cruzar com grupos que partiram mais cedo e já estão retornando. Mas, de maneira geral, estamos sós dentro daquela paisagem deslumbrante. O único “congestionamento” foi já perto do final da trilha, onde muitos grupos param para descansar, lanchar ou simplesmente admirar a paisagem.

O João e a Bruna em um dos trechos mais belos da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

O João e a Bruna em um dos trechos mais belos da trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Caminhando entre os gigantescos paredões, aguns com centenas de metros de altura, na trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Caminhando entre os gigantescos paredões, aguns com centenas de metros de altura, na trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Na verdade, o caminho continua cânion adentro, mas os turistas desses passeios “normais” não são levados até lá. O cânion fica cada vez mais estreito e grandioso, seus paredões ultrapassando incríveis 700 metros de altura. Em tese, é possível ir até quase o fim e seguir a trilha parede acima, até a parte alta do cânion, já dentro do Rio Grande do Sul. Mas pouca gente faz isso. Na verdade, um pouco mais normal seria descer lá de cima, sentindo inverso. Mas é necessária uma autorização especial do parque, algo que precisa ser organizado com antecedência. Ainda não foi dessa vez, mas quem sabe na próxima vez que voltarmos aqui...

Entre os altos paredões do canyon Itaimbezinho, a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina

Entre os altos paredões do canyon Itaimbezinho, a trilha do Rio do Boi, em Praia Grande, em Santa Catarina


A majestosa paisagem do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

A majestosa paisagem do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Temos, então, o longo caminho de volta, pouco mais de 7 quilômetros. Passamos a reconhecer as cachoeiras e curvas de rio que havíamos passado. Mas a vista é bem diferente da vinda. Ao invés do fundo do cânion, agora caminhamos olhando para a sua boca. As imensas paredes e escarpas e a mata que se agarra a elas se tornam ainda mais impressionantes.

Momento de descanso ao longo da maravilhosa trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Momento de descanso ao longo da maravilhosa trilha do Rio do Boi, no canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina


Seis horas depois de começarmos a caminhar, estamos de volta ao nosso carro deixado na portaria do parque. Trilha fantástica, diversão garantida! Nem uma cobra no caminho, mas muitas cachoeiras e piscinas para nos banhar. Depois de tanto esforço e de um lanche pequeno, estamos com fome. Voltamos para a cidade e, antes de seguirmos viagem de volta ao litoral, encontramos uma boa lanchonete para recobramos a energia. Fome saciada, a Fiona nos leva novamente para a praia. Praia de verdade e não “Praia Grande”. Vamos iniciar nossas explorações do tão famoso e belo litoral de Santa Catarina. Primeira parada: Farol de Santa Marta!

1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

1000dias na trilha do Rio do Boi, ao longo do canyon Itaimbezinho, em Praia Grande, em Santa Catarina

Brasil, Santa Catarina, Praia Grande, cachoeira, cânion, Itaimbezinho, Parque, Rio, trilha

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