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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Amazonas Há 2 anos: Amazonas

De Terra Ronca para a Chapada dos Veadeiros

Brasil, Goiás, São Domingos (P.E Terra Ronca), Cavalcante

Paisagem bucólica na viagem por estradas de terra entre Terra Ronca e a Chapada dos Veadeiros - GO

Paisagem bucólica na viagem por estradas de terra entre Terra Ronca e a Chapada dos Veadeiros - GO


Hoje foi dia de viagem. São vários os caminhos de Terra Ronca para a Chapada dos Veadeiros, todos dando voltas para atravessar o rio, vale e serra do Paranã, através de asfalto e terra, estradas bucólicas ou mais movimentadas, caminho mais curto ou mais longo. Depende também se o destino final, na Chapada, é o sul ou o norte, Alto Paraíso/São Jorge ou Cavalcante.

Despedida do Ramiro e de Terra Ronca, região de São Domingos - GO

Despedida do Ramiro e de Terra Ronca, região de São Domingos - GO


O nosso destino era o lado norte. Eu já estive duas vezes em São Jorge e conheço várias das atrações do lado do sul da Chapada, então estava mais interessado em seguir para Cavalcante, destino menos procurado na Chapada dos Veadeiros. Passamos mais uma vez camping do Ramiro, para nos despedir do nosso venerado mestre e deixar com ele o CD das fotos feitas na São Mateus. Aproveitamos também para pegar a Flávia, nossa companheira de caverna ontem e de viagem hoje, que estava hospedada por lá.

Com a Flávia, que pegou uma carona conosco na viagem para a Chapada dos Veadeiros - GO

Com a Flávia, que pegou uma carona conosco na viagem para a Chapada dos Veadeiros - GO


A viagem fo alternando asfalto com terra (será que, no futuro, haverá uma via direta entre esses dois parques, essas duas maravilhas da natureza?), dando voltas em vales e passando por pequenas comunidades. Nas estradas de terra, clima bucólico total e belas paisagens do Vale do Paranã, esse caudaloso rio amazônico, principal afluente do rio Tocantins.

Parada em boteco em Orominas, pequeno povoado na região de Nova Roma - GO

Parada em boteco em Orominas, pequeno povoado na região de Nova Roma - GO


Já nas comunidades, resolvemos dar uma paradinha estratégica na pequena Orominas, um conjunto de umas vinte casas onde devem morar menos de 60 pessoas. Ali, num clima bem roots, paramos num boteco e socializamos com os frequentadores. Foi muito jóia!

Socializando em boteco em Orominas, pequeno povoado na região de Nova Roma - GO

Socializando em boteco em Orominas, pequeno povoado na região de Nova Roma - GO


Depois, mais estradas de terra e clima bucólico até chegarmos à Teresina de Goiás, onde nos despedimos da nossa amiga Flávia. De lá sai a estrada para Cavalcante, cidade histórica de origem mineira (tinha de ser!) no norte da Chapada dos Veadeiros. A Flávia logo conseguiu uma carona para Alto Paraíso, na direção sul. A gente espera poder se reencontrar quando passarmos por lá, após a estadia em Cavalcante.

Sabedoria popular em placa na saída do povoado de Orominas, região de Nova Roma - GO

Sabedoria popular em placa na saída do povoado de Orominas, região de Nova Roma - GO


Por sinal, aqui em Cavalcante encontramos meu primo Chico, morador de Rio Verde, no sul de Goiás. Não foi coincidência, mas um encontro marcado. Teremos o prazer de sua companhia na próxima semana, explorando algumas das mais belas atrações do estado. Já tínhamos estado com ele nesse viagem, quando estivemos em Goiânia, há quase um ano. É sempre muito bom reencontrar alguém da família!

Atravessando ponte em estrada de terra na região da Serra do Paranã - GO

Atravessando ponte em estrada de terra na região da Serra do Paranã - GO


Enfim, amanhã começamos nossas andanças por essa região, uma das mais belas do Brasil: a Chapada dos Veadeiros.

Despedida da Flávia, que pegou uma carona conosco na viagem para a Chapada dos Veadeiros - GO

Despedida da Flávia, que pegou uma carona conosco na viagem para a Chapada dos Veadeiros - GO

Brasil, Goiás, São Domingos (P.E Terra Ronca), Cavalcante,

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Um Dia em Cozumel

México, Playa del Carmen, Cozumel

Um maravilhoso pôr-do-sol na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Um maravilhoso pôr-do-sol na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


A beleza de Cozumel e a tranquilidade que ela inspira tem atraído pessoas por milênios. Na época dos mayas, a ilha era um importante centro de peregrinação, principalmente de mulheres adultas. Ali estava localizado o templo da deusa da fertilidade e as mulheres mayas vinham de longe prestar suas homenagens e fazer seus pedidos. Gerar filhos no mundo maya era de suma importância, principalmente para garantir seu lugar em um dos nove céus que imaginavam existir. Uma mulher que morresse no parto dando a luz a uma criança sadia era considerada uma grande guerreira e enterrada com honras e glórias.

Caminhando pela praia até o porto de Playa del Carmen, para pegar o ferry para Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Caminhando pela praia até o porto de Playa del Carmen, para pegar o ferry para Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Fila do ferry de Playa del Carmen à Cozumel, no sul do México

Fila do ferry de Playa del Carmen à Cozumel, no sul do México


Eles viviam ali em paz, cerca de 20 mil pessoas, cultuando seus deuses e pescando o peixe de cada dia, recebendo de braços abertos os visitantes que vinham do continente. Até que, um dia, num enorme barco como nunca haviam visto, vindos da direção oposta, apareceram os espanhóis comandados por Cortes. Apesar das roupas estranhas, da fala incompreensível e da atitude arrogante, os habitantes de Cozumel, seguindo a tradição, os receberam muito bem. Estranharam um pouco quando o líder daquela gente mandou destruir vários de seus ídolos e colocar no lugar a estátua de uma mulher vestida de azul com uma cara de piedade. Mesmo assim, não reclamaram. Deixaram que ele partisse e refizeram as estátuas destruídas. Mal sabiam que aquilo era o começo do rápido fim de sua civilização.

Caminhando pelo centrinho de Cozumel, no sul do México

Caminhando pelo centrinho de Cozumel, no sul do México


Preparando-se para fazer snorkel na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Preparando-se para fazer snorkel na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


A próxima expedição espanhola trouxe na bagagem a varíola. Os efeitos na população local foram devastadores. Duas gerações mais tarde, ao final do século XVI, quando os poucos sobreviventes foram realocados à força para o continente, não passavam de duzentos. A ilha só ganhou uma população relevante novamente em meados do séc XIX, quando, fugidos da confusão da Guerra das Castas que assolava o Yucatán, chegaram várias famílias de indígenas. Apenas 15 anos mais tarde, o presidente Lincoln fez uma oferta de compra da ilha, solenemente ignorada pelo governo nacionalista de Benito Juarez. Lincoln queria mandar para lá os negros americanos, que ele não queria como escravos, mas também fora do seu país.

Começando bem o dia na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Começando bem o dia na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Para dar água na boca! (em Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México)

Para dar água na boca! (em Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México)


A ilha continuou em relativa paz até o final da década de 50 do séc XX. Foi quando um filme de cinema mostrou ao mundo, pela primeira vez, as belezas subaquáticas que cercavam Cozumel. Desde então, o turismo só vem crescendo, mergulhadores, praticantes de snorkel ou simplesmente que busca uma praia de águas-esmeralda e areias brancas. O turismo em Cozumel cresceu junto com Cancun, muito antes de Playa del Carmen existir de verdade.

Aproveitando a vida em praia da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Aproveitando a vida em praia da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Hoje foi a nossa vez de ir conhecer essa ilha tão importante para o turismo do México. Em Playa, caminhamos tranquilamente pelas areia da praia até o porto e pegamos o movimentado e moderno ferry que liga as duas localidades. Quarenta e cinco minutos mais tarde e aportávamos em San Miguel, a maior cidade da ilha, sempre movimentada pelos navios-cruzeiro que não param de chegar. A cidade foi construída justamente onde estavam as principais ruínas mayas, que foram todas usadas para as novas construções. Daí, alugamos um carro (e que carro! Veja no próximo post) e partimos para o tradicional circuito de volta à ilha.

Mapa da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México, mostrando o circuito que fizemos

Mapa da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México, mostrando o circuito que fizemos


O movimento fica para trás assim que deixamos San Miguel, indo para o sul. Começam a aparecer os resorts, as boas áreas para snorkel e os restaurantes. Na primeira chance, paramos em um deles e a Ana e a Val foram conhecer um pouco das belezas que tornaram a ilha tão famosa. Muitos peixes e uma arraia mais tarde, voltaram para seguirmos nosso caminho.

Dando a volta na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Dando a volta na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


A parada seguinte foi em um restaurante com sua própria praia, convite para um rum punch e deliciosos camarões. Para quem gosta de caranguejo ou lagosta, também seria o lugar certo. Estranho era estar naquele lugar delicioso, numa das mais famosas ilhas do mundo e estarmos praticamente a sós. Pelo visto, não são muitos que se aventuram fora dos resorts e barcos de mergulho por aqui. Bom, melhor para quem se “arrisca”...

Um brinde à ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Um brinde à ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Estrada novamente e nova parada em um restaurante famoso, o Bar do Rasta, no extremo sul da ilha. Agora, já tínhamos um mar com ondas e as mesas com o pé na areia foram um novo convite irrecusável para nos “reabastecermos” novamente. Com uma paisagem assim, dá para entender porque os mayas daqui eram tão pacíficos.

Deliciosa praia na costa leste da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Deliciosa praia na costa leste da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Nossa volta no sentido anti-horário, agora na costa leste da ilha, continuou. Aí estão as praias mais lindas de Cozumel e, outra vez mais, absolutamente desertas. Começo a pensar que 99% das pessoas que dizem conhecer Cozumel nunca saíram de seus cruzeiros ou das lojas nos arredores do porto de atracamento.

Deliciosa praia na costa leste da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Deliciosa praia na costa leste da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


A gente não ficou muito nessas lindas praias, pois estávamos com pressa para chegar à San Gervasio, as ruínas mais bem preservadas da ilha, justamente o centro de peregrinação das mulheres mayas em busca de fertilidade. Para nossa decepção, quando lá chegamos já estava fechado. Tivemos de prestar nossas homenagens e fazer nossos pedidos de longe mesmo. Se há mesmo uma deusa por ali, ela há de ter ouvido, hehehe.

Um maravilhoso pôr-do-sol na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Um maravilhoso pôr-do-sol na ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Restou-nos então terminar nosso circuito, devolver o carro e assistir, de camarote, um pôr-do-sol verdadeiramente espetacular. Desses de tirar o fôlego, quando a cada segundo fica tudo ainda mais bonito, apesar de parecer impossível que possa melhorar. Ao longe, zarpava um navio-cruzeiro, com todas as suas luzes já acesas. Até ele combinava com o cenário. Só espero que as pessoas que estavam lá dentro, as mesmas que não encontramos nas praias e restaurantes deliciosos da ilha, tenham acompanhado de suas janelas esse show de degardes avermelhados no céu ocidental.

Fim de tarde, hora da partida do navio-cruzeiro da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Fim de tarde, hora da partida do navio-cruzeiro da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México


Bom, a gente aproveitou. Foi o último dia da nossa querida Val conosco. Voltamos para Playa e ela e a Ana ainda experimentaram um pouco da noite da cidade, a sua despedida do país. Amanhã cedinho, vamos direto para o aeroporto em Cancun. Ela voa para o Brasil e nós vamos dar uma olhada na mais famosa cidade dessa parte do mundo, antes de seguirmos para a paradisíaca Isla Mujeres. O Yucatán ainda tem muito a nos mostrar...

Deliciosa praia na costa leste da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

Deliciosa praia na costa leste da ilha de Cozumel, no litotal de Yucatán, no sul do México

México, Playa del Carmen, Cozumel, história, Yucatán

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Chegamos ao Espírito Santo!

Brasil, Espírito Santo, Iriri

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo


Enfim, um novo estado na jornada, o sétimo dos 1000dias! É o Espírito Santo, tão pertinho de Rio e Minas, mas já com uma certa cara de nordeste. Finalmente, a sensação é de estarmos longe de casa e de que a viagem está engrenando.

Águas esverdeadas e areias avermelhadas na praia Areia Preta, em Iriri - ES

Águas esverdeadas e areias avermelhadas na praia Areia Preta, em Iriri - ES


Saímos bem cedinho de Búzios e seguimos pela rodovia próxima ao litoral até Macaé. Foi bom para dar uma olhada em Rio das Ostras e em Macaé, capital do petróleo brasileiro. Mas a estrada é terrível, mais parecendo uma interminável e congestionada avenida, cheia de semáforos, trânsito e quebra-molas. É praticamente toda urbanizada, longas periferias criadas pelo boom do petróleo. E, a essa hora da manhã, está todo mundo indo para o trabalho em Macaé. Sorte que o tempo estava bem nublado e nós não tínhamos a sensação de estar perdendo um valioso tempo de sol.

Depois de Macaé a estrada melhorou, com exceção das cercanias de Campos onde novamente a estrada vira urbana. Dois motivos me fazem ter um carinho especial por Campos. Primeiro, é o último ponto onde vimos o rio Paraíba do Sul, que vem cruzando nosso caminho faz tempo. Adoro água, adoro rios. Esse, já chamava de companheiro. O segundo é que minha mãe viveu nessa cidade há mais de meio século e tem boas lembranças dessa época. Passando pelo engarrafado trânsito da cidade, fico imaginando o quanto ela mudou neste tempo todo. É quando me lembro que minha família tem um elo ainda mais antigo com Campos. O orgulhoso e digno pai da minha avó paterna, antes de se mudar para Poços de Caldas, no início do século passado, viveu em Campos. Nossa... aí sim a cidade deveria ser bem diferente!

Praia Areia Preta, em Iriri - ES

Praia Areia Preta, em Iriri - ES


Depois, estrada tranquila até o Espírito Santo, que nos recebeu com sol!!! Nosso primeiro destino no estado foi a pequena Iriri, um distrito de Piúma, cerca de 30 km ao sul de Guarapari. Ontem em Búzios, a Carol, da Pousada das Amendoeiras, quis saber como era Iriri porque nós éramos os segundos viajantes a falar para ela dessa cidade que nunca tinha ouvido falar. Eu lhe disse que só tinha estado em Iriri há mais de 20 anos, mas que na minha lembrança, Iriri era um chuchuzinho. Sobre a Iriri atual, não poderia falar. E não é que, depois de tanto tempo, a cidade continua um chuchuzinho?!? Muito jóia mesmo, pequenininha, em volta de quatro pequenas praias. A mais bonita delas é a Costa Azul, uma pequena baía de areias vermelho-amarronzadas, gostosas de pisar e águas esverdeadas, deliciosas de nadar. Fora feriados e as férias de verão, quando a pequena cidade se enche de famílias mineiras, é muito pacata.

Nossa pousada Recanto da Pedra, na praia Costa Azul, em Iriri - ES

Nossa pousada Recanto da Pedra, na praia Costa Azul, em Iriri - ES


Nós chegamos na hora do almoço. Ficamos numa pousada jóia, Recanto das Pedras, na ponta da praia Costa Azul, literalmente em cima da pedra da praia. Nossa varanda está sobre as ondas e esse barulho vai embalar nosso sono. Diretoria total! O almoço, um peixe bem saudável, também foi ao lado do mar. E a digestão foi caminhando nas praias da pequena Iriri. No fim da tarde, corrida na areia, ida e volta algumas vezes pela praia de quase 500 metros. Depois, uma saudável natação pelas águas da baía. Nossa, que ótimo e saudável primeiro dia no Espírito Santo!

Para completar, conseguimos marcar o mergulho para amanhã de manhã. Tanto atazanei a operadora pelo telefone que vamos sair. Obaaa!!!! Amanhã. às 08:00, lá de Guarapari. Visibilidade meio prejudicada mas vamos no mais famoso naufrágio do Espírito Santo. Amahã, conto os detalhes. E que São Pedro nem Netuno estraguem nossos sonhos...

Olha a cor dos olhos desse cachorro! Em Iriri - ES

Olha a cor dos olhos desse cachorro! Em Iriri - ES

Brasil, Espírito Santo, Iriri, Campos de Goitacazes, Macaé

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Jantar Caseiro

Equador, Quito

Jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador

Jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador


Depois da visita à Mitad del Mundo, conseguimos finalmente nos comunicar com nosso amigo Christian, que nos convidou para jantar na casa dele hoje de noite, a nossa última no país. Ele passou no nosso hotel no começo da noite e, junto com uma de suas filhas, nos guiou para a sua casa. Ainda fez questão de, em nossa homenagem, nos levar pelo mesmo caminho em que uma expedição de conquistadores chegou, pela primeira vez, à parte alta do Rio Amazonas para, de lá, navegar até o Atlântico. Lá se vão quase 480 anos dessa épica expedição.
Na sua casa, fomos muitíssimo bem recebidos por toda a família, as outras duas filhas e um filho, a esposa, um irmão e também os pais. Foram horas de conversa muito agradável, boa comida e vinho num gostoso clima familiar e de "doce lar" que há muito não tínhamos.

A 'ala jovem' do jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador

A "ala jovem" do jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador


Na conversa, adorei conversar com o pai de Christan, um senhor de 90 anos contemporâneo do Guyasamin. Aliás, ele não gostava nada do pintor, localizado no extremo oposto do espectro político. Contou também sobre uma viagem de carro há mais de 50 anos desde Quito até La Paz, em um fusca. Muito jóia!

A ala idosa do jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador

A ala idosa do jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador


Christian, muito obrigado pelos conselhos sobre o que fazer em Quito e, mais ainda por nos receber de forma tão calorosa em sua casa. Sempre será uma das nossas mais emocionantes memórias desse lindo país que é o Equador, que nos tratou e recebeu de forma tão hospitaleira.

Equador, Quito,

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Golfinhos Pintados e o Gelo Que Some

Geórgia Do Sul, Atlântico Sul Geórgia do Sul

Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Outra vez estamos em alto mar. Dessa vez, navegando pelos quase 1.300 km de mar aberto entre o arquipélago de Falkland e a ilha da Geórgia do Sul. Pouco mais de dos dias para digerirmos tudo o que vimos nas ilhas que ficaram para trás e nos prepararmos para as maravilhas que nos esperam na chamada “Galápagos do Atlântico Sul”, alusão à quantidade impressionante de vida animal que se encontra nessa pequena ilha isolada nos mares gelados do sul.

A clara silhueta de golfinhos abaixo d'-agua em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

A clara silhueta de golfinhos abaixo d'-agua em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


De volta, então, à rotina de alto mar, com as palestras pela manhã, algum filme durante a tarde e muito tempo livre para socializar no navio, seja na piscina, seja no bar, seja nos eventos organizados pelos nossos guias. Isso sem esquecer de manter os olhos bem abertos para a vida marinha e aérea que sempre está a nos acompanhar. Não apenas os olhos, mas os ouvidos também, já que qualquer avistamento mais interessante será logo comunicado pelo sistema de som do navio, para que todos possam ter a chance de ver também, mesmo aqueles que se escondem em seus quartos ou na biblioteca do Sea Spirit.

Parece um torpedo, mas é um golfinho dusky em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Parece um torpedo, mas é um golfinho dusky em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


E assim foi no nosso primeiro dia em alto mar a caminho da Geórgia do Sul. Os microfones avisaram que tínhamos companheiros nadando ao lado do Sea Spirit. Eram vistosos, agitados e belíssimos “dusky dolphins”, ou “golfinhos do crepúsculo”, em português. Nós já o tínhamos visto muito rapidamente uma vez, na primeira manhã depois de sairmos de Buenos Aires, mas foi hoje que pudemos observá-los com mais atenção e por mais tempo, com muitas chances de fotografá-los.

Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


É uma espécie realmente linda, manchada de branco e preto. A primeira vez que os vi, até achei que fossem orcas. Mas o tamanho não deixa dúvidas, eram mesmo dusky dolphins. Para nós, acostumados com os golfinhos roteadores de Fernando de Noronha, com o famoso Flipper da série de TV e com outros bem parecidos que andamos vendo pelo nosso continente, todos eles cinzas, é mesmo bem estranho ver golfinhos malhados. Um verdadeiro prazer para os olhos, vê-los saltando entre as ondas e nadando tão rápido como o Sea Spirit.

Encontro com golfinhos dusky em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)

Encontro com golfinhos dusky em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)


Animados golfinhos dusky nadam ao lado do Sea Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Animados golfinhos dusky nadam ao lado do Sea Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Eles vivem em grandes grupos em alto mar ou grupos menores em águas mais rasas. São encontrados em todas as águas do sul do planeta, mas principalmente na Nova Zelândia e América do Sul. Caçam em grupo, cercando os peixes e os encurralando na superfície. Quando fazem isso, quem se aproveita são os tubarões, as orcas e os pássaros, que também se refestelam no banquete. Falando em tubarões, pelo menos nos maiores, são os predadores dos dusky dolphins, além de suas primas maiores, as orcas.

Ao lado do Sea Spirit, um dusky dolphin salta sobre as ondas em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Ao lado do Sea Spirit, um dusky dolphin salta sobre as ondas em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Ao lado do Sea Spirit, um dusky dolphin salta sobre as ondas em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Ao lado do Sea Spirit, um dusky dolphin salta sobre as ondas em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Como a maioria dos golfinhos, são bem promíscuos sexualmente, machos e fêmeas com múltiplos parceiros. Assim, os filhotes têm “vários pais” e todo mundo se defende, fortalecendo a união do grupo. As fêmeas não preferem os machos mais fortes e agressivos, como em outras espécies de mamíferos, mas os mais rápidos. No ritual de acasalamento, uma fêmea é perseguida em alta velocidade por vários machos. Ela os está testando, numa espécie de jogo. Ganha aquele que finalmente a alcançar, deixando os outros para trás. Talvez tenha sido isso que observamos hoje. Ou, imagino, nós os distraímos durante algum tempo, fazendo-os esquecer do jogo sexual para nos acompanhar, curiosos, durante algum tempo. Para quem achava que apenas os golfinhos roteadores faziam malabarismos, foi uma grande surpresa!

Água quente no ar gelado do alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Água quente no ar gelado do alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Aproveitando o tempo em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul, para um bom banho de piscina

Aproveitando o tempo em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul, para um bom banho de piscina


Depois de todas essas perseguições, o remédio foi relaxar e descansar nas águas quentes da nossa jacuzzi enquanto outros passageiros enfrentavam o frio do lado de fora com suas parkas, as jaquetas amarelas que já viraram nossa marca característica. Eles procuravam algum albatroz ou petrel gigante perdido pelos ares e nós nos divertíamos com uma champagne dentro d’água.

Quente dentro da piscina, frio fora dela, em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Quente dentro da piscina, frio fora dela, em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Um giant petrel nos acompanha em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Um giant petrel nos acompanha em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


As palestras estão falando da geologia e da fauna que vamos encontrar na Geórgia do Sul. Pinguins, lobos e elefantes marinhos, quiçá algumas baleias e muitas montanhas nos aguardam nos próximos dias. Além disso, temos falado bastante de frio e de gelo. Entre hoje e amanhã devemos cruzar a linha de “convergência antártica”, uma espécie de fronteira entre as águas frias do Atlântico Sul e as águas polares que circundam a Antártida. Num espaço de poucos quilômetros, a água do oceano cai quase 3 graus em temperatura, com profundas consequências no ecossistema e na vida animal e vegetal.

Palestra sobre a Antásrtida no trecho entre Falkland e Geórgia do Sul

Palestra sobre a Antásrtida no trecho entre Falkland e Geórgia do Sul


Palestra sobre aquecimento global entre Falkland e Geórgia do Sul

Palestra sobre aquecimento global entre Falkland e Geórgia do Sul


Para entrar ainda mais no clima, assistimos recentemente o filme “Chasing Ice”, durante o festival de Cinema que está ocorrendo no Sea Spirit. O filme é absolutamente espetacular e recomendo a todos assistir. É um documentário que mostra a história de um fotógrafo famoso que decidiu fotografar e documentar o recuo das geleiras mundo afora. Para isso, instalou câmeras automáticas que, ao longo de 2-3 anos, fotografou mais de 20 geleiras do hemisfério norte a cada hora, todos os dias. O resultado é impressionante e alarmante. Podemos ver, com nossos próprios olhos, esses gigantes de gelo retrocedendo, prova incontestável de que algo diferente está ocorrendo com o clima de nosso planeta.



No ápice do filme, é mostrando uma cena captada em vídeo, quando em duas horas, um pedaço de geleira na Groelândia muito maior do que Manhattan simplesmente se desmancha. O evento, o maior já captado por câmeras, tem uma escala inimaginável. O melhor de tudo, para nós, é que o Jeff Orlowski, um dos fotógrafos que auxiliou na produção desse documentário, está aqui conosco. Não só isso, era justamente ele, junto com mais um cinegrafista, que estava lá na Groelândia filmando a cena grandiosa da geleira desmontando. A mesma geleira, a maior do hemisfério norte e de onde partiu o iceberg que afundou o Titanic, que eu e a Ana visitamos quando estivemos naquele país. Ver esse documentário enquanto navegamos para a Antártida foi realmente especial. Aliás, o sucesso do documentário e do projeto foi tão grande que ele foi ampliado e agora, numa segunda etapa, as câmeras vão passar a registrar as geleiras do hemisfério sul do planeta também. Abaixo, a cena final do filme, o da enorme geleira se despedaçando. Parte da narração é do nosso amigo Jeff

Geórgia Do Sul, Atlântico Sul Geórgia do Sul, Bichos, dusky dolphins, golfinho, Sea Spirit

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Estradas

Brasil, Minas Gerais, Tabuleiro (P.E. Serra do Intendente), Milho Verde (P.E. Pico do Itambé)

Estrada sendo construída, entre Serro e Milho Verde - MG

Estrada sendo construída, entre Serro e Milho Verde - MG


Nossa manhã foi de trabalho em Milho Verde. Muito texto, fotos e briga com a internet. O plano inicial de partir logo cedo acabou mudando para depois do almoço, na própria Pousada do Moraes, a mais tradicional da cidade. Partimos sem visitar nenhuma das muitas cachoeiras da cidade. Foi de cortar o coração, ver as fotos e placas indicativas, algumas a poucos minutos de caminhada. É fogo! Cada buraco desse estado merece alguns dias de exploração. Estamos quase querendo lançar o "10mildias.com" ou então o "1000dias por toda as Minas Gerais".

Falando em buraco, isso foi o que não faltou hoje, na estrada. Quase 20 km até Serro, mais outros 60 km até Conceição do Mato Dentro e outros 20 km até o distrito do Tabuleiro, já na beira da Serra do Cipó e da mais alta cachoeira de Minas Gerais. Todas as estradas de terra, mas por parte delas em via de serem asfaltadas.

Muita gente trabalhando, quebrando pedras, rasgando morros, aplainando estradas. É a natureza sendo domada aos nossos olhos. Em alguns pontos, ela parece estar sendo violentada. Largas estradas passando por onde apenas trilhas serpenteavam entre as rochas. A cena de um trabalhador destruindo as pedras com uma britadeira chocou meus olhos. Pedras que ali estavam a milhões de anos, sendo erodidades pela água e vento numa escala geológica sendo obliteradas em minutos pela máquina. Foi triste de ver.

Ao mesmo tempo, quando vemos a alegria das pessoas do asfalto estar chegando perto de casa, ficamos com o coração dividido. Não é fácil ter de levar o filho doente nas costas através de trilhas e carrapatos ou enfrentar horas de estrada de terra poeirenta todos os dias para se ir à escola. O progresso urge e o passado fica para trás, como não poderia deixar de ser...

Igreja em Serro - MG

Igreja em Serro - MG


Em breve o asfalto vai ligar Conceição até Serro, e Serro até Diamantina. Quero só ver o que vai acontecer com Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras com a chegada do asfalto... As mudanças vão se acelerar, com certeza. As décadas de 70 e 80, ainda próximas hoje, vão ser coisa do século passado. E quem passar daqui a um ano ou dois não vai precisar de uma Fiona para transitar com conforto e nem encher seu carro com camadas e camadas e camadas de poeira.

Igreja em Serro - MG

Igreja em Serro - MG


Bem, nós viemos com toda a paciência, enfrentando os buracos e observando as máquinas aplainarem as montanhas de Minas. Passamos pela simpáticas Serro e Conceição, cidades históricas cheias de belas igrejas e viemos até o distrito de Tabuleiro, nos hospedar em um Hostel, bem perto do parque estadual que abriga a mais nalta cachoeira de Minas, com mais de 250 metros de altura. Depois do descanço de três dias, já estamos com saudade de nos banhar em cachoeiras. E vamos matar essa saudade com estilo!

Ana com os Gustavos, no Hostel de Tabuleiro - MG

Ana com os Gustavos, no Hostel de Tabuleiro - MG


No hostel, de noite, tomando um vinhozinho para ajudar a enfrentar o frio e comendo um queijinho que trouxemos de Serro, considerado o melhor de Minas Gerais, conhecemos dois Gustavos. Um é o dono do hostel. O outro trabalha na ONG da Estrada Real. Juntos, nos deram uma aula sobre a Serra do Cipó e seus atrativos. Durante a conversa, planejamos um roteiro puxadíssimo para os próximos dias, uma verdadeira maratona para conhecer o "máximo do mínimo" da região. Vamos ver o quanto dá certo...

Brasil, Minas Gerais, Tabuleiro (P.E. Serra do Intendente), Milho Verde (P.E. Pico do Itambé), Estrada, Parque, Serro

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Caminhando por Havana e Pela História

Cuba, Havana

Chegando à Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba

Chegando à Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba


Depois do café da manhã na deliciosa casa com pé direito alto da Margarita e de descobrirmos a dificuldade do uso da internet no país (só em grandes hotéis e na empresa estatal de comunicação), saímos dispostos a uma boa caminhada aqui em Vedado e depois, para o centro.

Visitando a Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba

Visitando a Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba


A primeira parada foi quase do lado de onde estamos, na Necrópolis Cristóval Colón, o maior e mais tradicional cemitério de Havana. Entre os mais de um milhão de túmulos, muitos dos quais ornados com esculturas clássicas e mausoléus, alguns nos interessavam mais. O cemitério já tem mais de 150 anos de uso, uma verdadeira cidade dentro de Havana. Logo na entrada, o imponente túmulo do General Máximo Gomez, um dos heróis da guerra de independência, no final do séc XIX. Ali perto também, o túmulo de Amélia Goyri, uma moça que morreu junto com seu bebê na hora do parto. Foram enterrados juntos e, alguns anos depois, quando o túmulo foi exumado, o bebê foi encontrado em seus braços. O marido ficou meio doido com isso, mas o fato é que ela acabou se tornando uma fonte de milagres e seu túmulo é o mais visitado pelos cubanos em busca de alguma dádiva.

Agradecimentos aos milagres de Amelia Goyri, na Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba

Agradecimentos aos milagres de Amelia Goyri, na Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba


Túmulo de Eduardo Chibas, o fundador do Partido Ortodoxo e onde Fidel fez seu primeiro grande discurso, na Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba

Túmulo de Eduardo Chibas, o fundador do Partido Ortodoxo e onde Fidel fez seu primeiro grande discurso, na Necrópolis Cristóbal Colón, em Havana - Cuba


Mas o túmulo que mais me interessava, curioso que sou sobre os anos que antecederam à revolução, era o de Eduardo Chibás. Ele foi o fundador do Partido Ortodoxo, onde militava um jovem e idealista advogado, Fidel Castro. Chibás fazia uma incansável campanha contra a corrupção que assolava o país, mas mesmo ele acabou perdendo suas esperanças. Num derradeiro golpe em sua cruzada, ele se suicidou ao vivo, durante um popular programa radiofônico. Seu enterro mobilizou multidões e foi sobre a sua lápide, logo após abaixarem o caixão, que o jovem advogado fez o primeiro de seus inflamados discursos que se tornariam sua marca pessoal ao longo das décadas seguintes. Estávamos em 1951 e, não tivessem sido as próximas eleições canceladas pelo golpe militar dado por Fulgêncio batista, certamente teria sido Fidel um dos mais votados deputados. Dois anos mais tarde viria o famoso e fracassado ataque ao quartel de Moncada, liderado pelo já rebelde Fidel, a prisão, o exílio no México e o retorno com mais tropas para formar a guerrilha que, após anos de luta, chegou ao poder no início de 59. Histórias que pretendo contar ao longo da estadia aqui em Cuba...

Propagandas do socialismo, muito comum nas ruas de Havana - Cuba

Propagandas do socialismo, muito comum nas ruas de Havana - Cuba


Monumento ao heroi da independência josé Martí, na Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba

Monumento ao heroi da independência josé Martí, na Plaza de la Revolución, em Havana - Cuba


Bom, após prestar minhas homenagens a Chibás, deixamos a Necrópolis e seguimos caminhando até a mais emblemática praça da capital cubana, a Plaza de La Revolución. É um enorme espaço vazio para acomodar as milhares de pessoas que ali se reuniam para os grandes eventos comemorativos do sucesso da revolução cubana, que invariavelmente contavam com um dos longos discursos de Fidel, pelo menos até ele adoecer. No entorno da praça, o monumental obelisco em honra a José Martí, poeta, intelectual e herói da guerra de independência no final do séc XIX. Do outro lado, as enormes figuras de dois outros heróis, mais recentes: Che Guevara e Camilo Cienfuegos, os principais comandantes de Fidel durante a revolução e que acabaram ficando ainda mais populares que seu chefe, pelo menos entre os cubanos. Ambos mortos prematuramente, tornaram-se ícones pelo mundo e peça de propaganda constante dentro do país.

Plaza de la Revolución, com os herois Che Guevara e Camilo Cienfuegos, em Havana - Cuba

Plaza de la Revolución, com os herois Che Guevara e Camilo Cienfuegos, em Havana - Cuba


Entrada do famoso hotel Habana Libre, em Havana - Cuba

Entrada do famoso hotel Habana Libre, em Havana - Cuba


Continuamos nossa longa caminhada por Havana seguindo em direção ao centro. No caminho, alguns dos ícones dessa incrível cidade: os hotéis Habana Libre e Nacional, o incomparável Malecón e a mais incrível coleção de carros antigos ainda em atividade, digna de emocionar nossos pais e avós.

Fotos históricas da chegada dos guerrilheiros ao saguão do Hotel Habana Libre, em Havana - Cuba

Fotos históricas da chegada dos guerrilheiros ao saguão do Hotel Habana Libre, em Havana - Cuba


O famoso Hotel Nacional, em Havana - Cuba

O famoso Hotel Nacional, em Havana - Cuba


O Hotel Habana Libre era o mais novo e elegante hotel nos anos finais do regime de Batista. Com o ditador da fora do país e a revolução triunfantes, os guerrilheiros foram recebidos em festa nas ruas da cidade e se acomodaram neste hotel onde, por um bom tempo, funcionou a sede do novo governo. Nacionalizado, o hotel foi rebatizado com o nome que ainda tem hoje, reconhecido de longe pelo enorme mural que tem em sua parte exterior. Ali perto, já na beira do mar e do Malecón, está o imponente Hotel Nacional. Endereço mais chique da cidade na década de 30, passou por um longo período de decadência após a revolução, mas foi renovado recentemente. Além da vista magnífica para o mar em seus jardins, lá estão também os canhões espanhóis que lutaram contra os americanos durante a guerra hispano-americana do final do séc XIX. Tomar um morrito em seus jardins com essa vista é programa obrigatório para quem vem à Cuba!

Os famosos carros antigos de Cuba (em Havana)

Os famosos carros antigos de Cuba (em Havana)


Os incríveis carros antigos em Havana - Cuba

Os incríveis carros antigos em Havana - Cuba


Assim que os revolucionários chegaram ao poder começaram as medidas de reforma agrária e nacionalização de empresas. Os grandes afetados por essas medidas foram exatamente as empresas americanas, então donas da maior parcela de terras do país e também das empresas dos setores de energia, telecomunicação, petróleo, entre outros. As relações com os Estados Unidos se deterioraram rapidamente, onde os poderosos lobbies logo começaram a atuar para desestabilizar o novo regime. Novas exportações para Cuba foram proibidas e é por isso que, ainda hoje, boa parte dos carros que rodam pelo país ainda são os carros que rodavam naquela época. Para quem gosta de carros, andar por Cuba e principalmente pelas ruas de Havana é uma verdadeira visita ao passado, às décadas de 50 e 40. Como o país passou mais de 20 anos sem importar novos carros, os cubanos tiveram que se virar com os que já tinham, tratando de conservá-los e mantê-los andando da maneira que tinham, improvisando peças de reposição. Na década de 80, uma nova onda de carros chegou, vindos da antiga União Soviética. Assim, Fords 48 e Chevrolets 56 dividem as ruas com Ladas 81 e Nivas 85. Uma paisagem surreal! Agora, nos últimos anos, chegaram alguns carros europeus e também os chineses, que ninguém sabe o nome, mas com uma aparência moderna. O cenário nas ruas ficou ainda mais variado. Mas, uma coisa é certa: os que melhor combinam com a arquitetura do centro da cidade são as banheiras americanas de 60 anos atrás. Para a gente se achar em um antigo filme de Hollywood, só faltava ser tudo em preto e branco!

Trânsito na famosa avenida Malecón, em Havana - Cuba

Trânsito na famosa avenida Malecón, em Havana - Cuba


Observando a orla ao longo do Malecón em Havana - Cuba

Observando a orla ao longo do Malecón em Havana - Cuba


Esse cenário dos carros e prédios antigos só perde para o do Malecón, ali em frente ao Hotel Nacional. Os carros antigos ainda estão lá, mas o fundo dos prédios antigos é substituído pela orla marítima com a imponente Fortaleza de San Carlos bem ao fundo, no alto de um promontório. Também chama a atenção a torre do Capitólio, réplica do congresso americano em pleno coração de Havana. Caminhar pelo longo calçadão do Malecón é um dos programas prediletos de cubanos e estrangeiros em Havana. O espaço também é disputado por pescadores e artistas solitários, que buscam no belo e tradicional cenário inspiração para a sua arte, ao mesmo tempo que servem de motivo para fotografias. A melhor hora para essa caminhada é no final de tarde, quando a avenida está mais cheia e a luz mais bonita.

Tarde ensolarada no Malecón, em Havana - Cuba

Tarde ensolarada no Malecón, em Havana - Cuba


Inspirando-se no Malecón para fazer música (em Havana - Cuba)

Inspirando-se no Malecón para fazer música (em Havana - Cuba)


Aproveitamos esses belos momentos e, depois de tanto caminhar, nos rendemos a um táxi para chegar mais rápido ao centro, na região do Capitólio, onde não havíamos estado ontem. Nova oportunidade de caminhar pelas ruas charmosas e decadentes do centro da capital e conhecer todos os tipos de pessoas, dos simpáticos e interessantes aos chatos e exploradores. Havana é um prato cheio para fotógrafos, oportunidades para todos os lados e todos os assuntos: arquitetura, pessoas, cores, sombras, detalhes, etc... Difícil mesmo é escolher as fotos depois, entre tantas boas imagens.

Moradias no centro de Havana - Cuba

Moradias no centro de Havana - Cuba


Rua movimentada no centro de Havana - Cuba

Rua movimentada no centro de Havana - Cuba


A noite caiu e nós seguimos para a Fortaleza de San Carlos para ter a visão noturna da cidade, assistir à cerimônia do canhonaço e aprender um pouco mais de história. Aí contratamos uma amável e curiosa guia que nos levou rapidamente pela fortaleza, contando rapidamente trechos da história cubana pré-independência, as guerras de independência e todo o processo da revolução. A pressa era porque queríamos estar a postos na hora da cerimônia do tiro de canhão, ou canhonaço, uma réplica do que se fazia na época dos espanhóis, em finais do séc XVIII, quando o tiro de canhãp significava o fechamento das portas da cidade. Hoje a cerimônia é feita diariamente, com soldados vestidos a caráter (caráter de 200 anos atrás!), para a alegria dos turistas, sempre às nove da noite. Para quem vai, o bônus é a visão noturna de Havana logo ali em frente. E para quem paga um dólar a mais para ficar no “camarote” (nosso caso!), ainda ganha outro bônus: um morrito para assistir à cerimônia e ao canhonaço em grande estilo.

Chegando à Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba

Chegando à Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba


Nossa guia na Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba

Nossa guia na Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba


Essa gigantesca fortaleza, uma das maiores construídas pela Espanha no novo mundo, custou tanto aos cofres reais que o rei espanhol da época tentou vê-la com uma luneta desde Madrid. Disse que, para ter custado tanto, deveria ser muito alta! Ela ficou pronta um pouco tarde. Poucos anos antes a Inglaterra havia atacado e conquistado a cidade, onde permaneceram por vários meses. Só saíram depois de muitas negociações, o que incluiu, entre outras coisas, a barganha pelo estado americano da Flórida, que até então era espanhol. Vem daí o envolvimento histórico entre EUA e Cuba, quase sempre tão danoso ao país caribenho. Com a consolidação da independência americana duas décadas mais tarde, todo o comércio que se fazia com a Jamaica (açúcar!), então colônia britânica, foi suspenso. Foi o açúcar cubano que substituiu o jamaicano e já na primeira metade do séc XIX a cotrrente de comércio entre Cuba e EUA já era maior até que com a metrópole Espanha.

Visão noturna de Havana - Cuba, do alto da Fortaleza de San Carlos

Visão noturna de Havana - Cuba, do alto da Fortaleza de San Carlos


Guarda vestido para a cerimônia do 'canhonaço', na Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba

Guarda vestido para a cerimônia do "canhonaço", na Fortaleza de San Carlos, em Havana - Cuba


Isso explica o fato de que, quando o grande general da independência latino-americana Simón Bolívar quis liberar Cuba também, os EUA disseram que “ali não!”. Tinham outros planos para a ilha... Por duas vezes tentaram comprá-la dos espanhóis, mas a decadente ex-potência europeia se negou a fazer negócio. Bom, se não fosse por bem, seria por mal, mas isso já é uma outra história. Vem no próximo post...

Interagindo com os cidadãos de Havana - Cuba

Interagindo com os cidadãos de Havana - Cuba

Cuba, Havana,

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Adeus Galápagos, de Volta à Quito

Equador, Quito, Galápagos, Santa Cruz, Baltra

Embarque no aeroporto de Baltra, em Galápagos, de volta ao continente

Embarque no aeroporto de Baltra, em Galápagos, de volta ao continente


Depois de sete dias de barco mergulhando e navegando em Galápagos, chegamos de volta à ilha de Santa Cruz. Aí, desembarcamos nós, o Friso e o Henning, enquanto os russos e a Maria seguima para San Cristóbal, onde pegariam seu vôo para o continente. Fomos todos para Puerto Ayora, do outra lado da ilha e maior cidade do arquipélago para nos instalar.

Uma das mais belas paisagens de Galápagos, a Ilha de San Bartolomeu (próxima a Isla de Santiago)

Uma das mais belas paisagens de Galápagos, a Ilha de San Bartolomeu (próxima a Isla de Santiago)


No dia seguinte, fizemos um day-tour para a ilha de San Bartolomeu, um dos cartões-postais de Galápagos, já relatado em posts anteriores. Foi nesse dia que conhecemos a simpática Annete, uma dinamarquesa que viveu no Irã, Venezuela (fala espanhol muito melhor do que nós), EUA e Canadá. Adora caiaque e já fez "passeios" de 200 km remando pela costa do Alaska, entre orcas e ursos. Que saúde! Está se mudando de volta ao país natal e foi uma bela companhia para nós.

Jantar de despedida de Galápagos, em Puerto Ayora, na Ilha de Santa Cruz.

Jantar de despedida de Galápagos, em Puerto Ayora, na Ilha de Santa Cruz.


Ontem foi o dia de ficarmos em Santa Cruz mesmo. Passamos o dia na magnífica Tortuga Bay, nadando em sua linda Playa Brava, observando as iguanas marinhas e fazendo snorkel com arraias na Playa Mansa. Depois, de noite, um delicioso jantar no tradicional restaurante "The Rock", em Puerto Ayora, quase em frente ao movimentado pier.

Transporte público concorrido, entre as ilhas de Santa Cruz e Baltra, onde está o aeroporto (Galápagos)

Transporte público concorrido, entre as ilhas de Santa Cruz e Baltra, onde está o aeroporto (Galápagos)


E hoje foi o dia de voltarmos para o continente. Quase que não deu! Já chegando no porto para passar para a ilha de Baltra, onde está o aeroporto, demos pela falta do celular. O nosso tempo já estava meio apertado e não teríamos tempo de voltar para Puert Aypora, a mais de 40 min dali. Com muito trabalho, conseguimos telefonar para o hotel e localizar o aparelho, que foi enviado num outro taxi. Enquanto a Ana, Rafa e LAura atravessavam para Baltra para fazer o check-in, eu fiquei aguardando o celular, que finalmente chegou. Quando cheguei ao aeroporto, já estava tudo okay.

O simpático pier de Puerto Ayora, a principal cidade da Ilha de Santa Cruz, em Galápagos

O simpático pier de Puerto Ayora, a principal cidade da Ilha de Santa Cruz, em Galápagos


Deixamos Galápagos muito felizes com o que vimos, mas já saudosos das ilhas, do nosso barco e dos amigos que aqui fizemos. Enfim, bola frente que tem muita coisa linda que nos espera pela américa ainda.

O longo caminho para Tortuga Bay, na Ilha de Santa Cruz, em Galápagos

O longo caminho para Tortuga Bay, na Ilha de Santa Cruz, em Galápagos


Chegando em Quito, voltamos ao nosso hotel Eugênia. A tarde foi chuvosa, muito propícia a um merecido descanso. De noite, fomos jantar no mesmo café em que nos encontramos com o Rafa e a Laura quando eles chegaram. Jantar de despedidas, já que eles partem amanhã de tarde. Antes disso, ainda teremos tempo para um passeio por aqui: vamos ao teleférico de Quito, que nos leva para mais de 4 mil metros de altura, de onde se tem uma bela vista da cidade. Outro "programa" é levar a Fiona para a revisãodos 60 mil km. Pois é, lá se vão 60 mil km de estradas pelo continente. O tempo (e o espaço!) está voando! Socoooooorrooooooo!!!

Equador, Quito, Galápagos, Santa Cruz, Baltra,

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Um Dia em Jampa

Brasil, Paraíba, João Pessoa

Água de coco depois do cooper, na praia de Cabo Branco, em João Pessoa - PB

Água de coco depois do cooper, na praia de Cabo Branco, em João Pessoa - PB


João Pessoa é a terceira mais antiga capital do Brasil, tendo "nascido" em finais do séc XVI. Mas o seu nome é bem mais recente, homenagem a um famoso político local, presidente (governador) do estado, assassinado em 1930. Embora essa morte tenha sido muito bem usada politicamente pelo grupo de Vargas para se iniciar a revolução de 30, afinal João Pessoa era o candidato à vice em sua chapa, o asassinato do político paraibano estava muito mais ligado à questões de honra do que propriamente políticas. Essa história está muito bem retratada no famoso filme de Tisuka Yamasaki, "Paraíba Mulher Macho", do início da década de 80. João Pessoa era retratado por Walmor Chagas, sempre com seus eternos cabelos brancos.

Praia de Manaíra, em João Pessoa - PB

Praia de Manaíra, em João Pessoa - PB


João Pessoa havia mandado a polícia invadir escritórios de vários adversários políticos, teoricamente a procura de armas que seriam usadas num golpe de estado. No escritório de um advogado, ao invés de armas a polícia encontrou a correspondência íntima e amorosa do advogado e sua "namorada", uma poetisa famosa da época, que com suas idéias de "vanguarda" (até o voto feminino, ela defendia!), já escandalizava a conservadora sociedade paraibana. João Pessoa mandou publicar essas cartas na imprensa, o que deixou os amantes meio "expostos" em suas intimidades. Pouco depois, o advogado acertou suas contas com João Pessoa em uma confeitaria em Recife: dois tiros à queima roupa. A trágica história não acaba aí, claro. Ele foi preso e, poucos meses depois, assassinado junto com um parente seu, que nada tinha a ver com a história, na prisão. A polícia alegou que fora suicídio. Quem se suicidou de verdade, alguns dias depois, foi a poetisa, que havia se mudado para Recife para poder estar sempre visitando o seu amor. E toda essa trágica história acabou por ajudar bastante a levar Vargas para o poder. Mas o destino também acabaria por levar esse. Suicídio também. Shakespeare deveria ter nascido na Paraíba...

Belo visual da piscina de nosso hotel em João Pessoa - PB

Belo visual da piscina de nosso hotel em João Pessoa - PB


Pois bem, no calor do assassinato, a cidade de Parahyba mudou seu nome para João Pessoa. Ela já tinha uma longa tradição de homenagear pessoas com seus nomes. Chamou-se Felipeia, em homenagem ao rei espanhol (pois é, pouca gente se lembra, mas o Brasil já foi espanhol, na época que Portugal e Espanha eram um só reino) e chamou-se Frederikstadt, em homenagem ao manda-chuva holandês, na época de domínio deste país. Hoje, há movimentos na capital para se mudar novamente o seu nome, por meio de plebiscito. Não faltam nomes candidatos...

O famoso hotel Tropical Tambaú, em João Pessoa - PB

O famoso hotel Tropical Tambaú, em João Pessoa - PB


Apesar se hoje a cidade estar voltada para o mar, isso é fato recente. Ela nasceu na beira do rio, subiu o morro e lá ficou, quase a 8 km das praias. Ainda na década de 70, terrenos nas praias de Cabo Branco e Tambaú eram uma pechincha. Morar na praia era "pobre". Para os visionários da época que resolveram fazer um pequeno investimento, o futuro (hoje) lhes sorriu. De qualquer maneira, toda a parte histórica da cidade encontra-se no centro, bem distante da orla.

A belíssima Igreja de São Francisco, em João Pessoa - PB

A belíssima Igreja de São Francisco, em João Pessoa - PB


Foram "essas João Pessoas" que eu e a Ana conhecemos hoje. Primeiro, a da orla. Sol de rachar, caminhamos e corremos por Manaíra, Tambaú e Cabo Branco, três das principais praias da cidade, onde estão a maioria dos hotéis, inclusive o nosso, que fica bem em frente ao mais tradicional hotel da cidade, o Tropical Tambaú, que esse ano faz 40 anos de idade! Apesar disso, sua arquitetura continua impressionando, uma espécie de disco voador gigante, camuflado por grama, pousado bem na ponta de Tambaú. Ainda na orla, observamos atentos o local do show da noite, de Margareth Menezes.

Igreja São José, em João Pessoa - PB

Igreja São José, em João Pessoa - PB


De tarde fomos ao centro dar uma olhada na "lagoa" e nos prédios históricos. O mais belo deles é a Igreja de São Francisco, parte integrante do Convento de Santo Antônio. Um show de arquitetura barroca, patrimônio cultural brasileiro. A Igreja, hoje, é muito concorrida para casamentos mais chiques, enquanto boa parte do convento foi transformada em espaço cultural.

Um raro Cristo barroco com os pés separados, na Igreja São Francisco, em João Pessoa - PB

Um raro Cristo barroco com os pés separados, na Igreja São Francisco, em João Pessoa - PB


Por falar em cultura, de noite fomos ao movimentado show. Praia cheia e animada. O show faz parte de uma rica programação para o mês de Janeiro. Amanhã, por exemplo, lá estará Gabriel, o Pensador. Mas nós ficamos mesmo interessados é no show de fechamento, em fins de Janeiro: Mano Chao. Infelizmente, estaremos longe. Quem estava bem por perto era o secretário de cultura da cidade, que até deu uma canja no show de sua amiga. É o também cantor Chico Cezar. Foi jóia vê-los cantar, juntos, "Mama África".

Show da Margareth Menezes em João Pessoa - PB

Show da Margareth Menezes em João Pessoa - PB


No show da Margareth Menezes em João Pessoa - PB

No show da Margareth Menezes em João Pessoa - PB


Enfim, foi um dia cheio em Felipéia, Parahyba ou João Pessoa. Ou John People, como nós gostamos de falar (tem até um bar com esse nome!). Ou, melhor ainda, em "Jampa", que é o apelido usado por seus prórpios moradores. Se temos "Sampa" no sudeste, temos "Jampa" no nordeste.

Chapéu típico de festas maranhenses exposto em galeria do convento São Francisco, em João Pessoa - PB

Chapéu típico de festas maranhenses exposto em galeria do convento São Francisco, em João Pessoa - PB

Brasil, Paraíba, João Pessoa,

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Chavin

Peru, Huaraz

Relato espanhol do início do séc XVII sobre as ruínas de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Relato espanhol do início do séc XVII sobre as ruínas de Chavin, na região de Huaraz, no Peru


Ainda tristes com o imbroglio do mergulho em Galápagos, mas felizes de poder ter dormido até mais tarde, partimos de Fiona rumo ao povoado de Chavin, onde estão as ruínas da civilização de mesmo nome. A quantidade de povos que deixaram suas marcas aqui no Peru é impressionante! A história dessa terra nos últimos 4 mil anos é de uma riqueza inesgotável e eu fica cada vez mais indignado que, nas nossas aulas de história, depois de tanto estudar gregos, romanos e egípcios, toda a américa pré-colombiana é estudada em metade de uma aula, e olhe lá... Essa é a terra preferida dos "Indiana Jones" de verdade e há muitas descobertas ainda por serem feitas, tesouros para serem encontrados, mistérios para serem resolvidos. É como se lê em placas daqui: "Nuestro pasado tiene futuro!"

Atravessando belas paisagens a caminho das ruínas de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Atravessando belas paisagens a caminho das ruínas de Chavin, na região de Huaraz, no Peru


São duas horas e meia de viagem numa estrada asfaltada e esburacada que nos leva através de paisagens fascinates até um túnel escavado na rocha a mais de 4.500 metros de altitude. Ali estamos chegando no alto de um vale onde se localiza Chavin. Logo após o túnel, somos recebidos por uma estátua gigante de Cristo e de lá é uma longa descida de mais de 2 km de altitude até o fundo do vale.

O incrível templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

O incrível templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru


A cultura Chavin era uma sociedade de cunho teocrático onde uma casta sacerdotal comandava tudo diretamente de seu templo subterrâneo. São dezenas de galerias escavadas no solo, um verdadeiro labirinto sob a terra, uma construção digna dos filmes hollywoodianos de aventura arqueológica. Os deuses eram animais como o jaguar, o condor e o cayman e representações desses animais foram feitas em pedra com uma perícia impressionante. Esse povo, há milhares de anos, trabalhava em granito com a mesma facilidade com que se trabalha em madeira.

Caminhando pelo templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Caminhando pelo templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru


Os sacerdotes viviam em transe causado pelo consumo do cactus alucinógeno conhecido como San Pedro. Por centenas de anos assim foi, o povo sustentando os sacerdotes enquanto esses, com suas mentes devidamente "expandidas", interpretavam os desígnios dos deuses. No seu auge, a cultura Chavin, que nunca foi militarizada, influenciava todo o norte do Peru. Por fim, entrou em decadência, mas as culturas posteriores sempre respeitaram aquele templo sagrado que continuou atraindo peregrinos de muito longe até o início da colonização espanhola

A incrível escultura 'El Lanzón', no templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru

A incrível escultura "El Lanzón", no templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru


Placa explicativa sobre a escultura 'El Lanzon', em Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Placa explicativa sobre a escultura "El Lanzon", em Chavin, na região de Huaraz, no Peru


Depois de mais essa aula de história, fomos almoçar por ali mesmo (uma truta saborosa!) para depois voltar. Foi quando a Ana começou a se sentir mal, febre aumentando e muitas dores abdominais. O caminho de volta foi dureza para ela, cada buraco no asfalto um sofrimento. Quando nos aproximávamos da estrada principal fomos parados por guardas que, pela primeira vez, perguntaram-me do seguro do carro. Mas ao ver o estado da Ana, deixaram a gente passar rapidinho! Achamos melhor parar logo num hospital numa cidade antes de Huaraz e lá a Ana foi medicada e até tomou uma injeção, já que a febre teimava em ficar perto do 39 graus, mesmo depois de tomar antitérmicos.

Ruínas da cultura Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Ruínas da cultura Chavin, na região de Huaraz, no Peru


Finalmente chegamos ao conforto do nosso quarto de hotel, mas a Ana ainda não estava vem. Ela já está tomando os remédios indicados pelo médico de plantão no hospital e a nossa esperança é que ela melhore pela noite, para podermos seguir viagem para Trujillo. Vamos ver...

Ruínas da cultura Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Ruínas da cultura Chavin, na região de Huaraz, no Peru

Peru, Huaraz, Chavin

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