1
Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão
Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela
Meia noite. Este foi o horário que minha prima Anita nos deixou na esta...
Deixamos Natal definitivamente para trás e começamos a seguir na direç...
St. Kitts, assim como as outras ilhas da região, como Nevis, Sint Eustat...
ANDRÉ LUIZ G. DA COSTA (04/02)
Parabéns ao casal viajante, obrigado pelas fotos, elas são bárbaras, s...
Juliano (04/02)
Estarei indo em setembro, mas os ônibus já terão encerrado o serviço....
Alice (31/01)
Adorei as fotos. Parabéns! Estivemos no National Grand Cannyon Park - So...
naturistagoiano (31/01)
Goiânia sem sombra de duvidas é a cidade mais bonita do brasil, apesar ...
willian (30/01)
Estive em muitos lugares como os que vocês foram,Porém com uma leve dif...
Praça central de Port-au-Prince, capital do Haiti
Nossa ideia original era ter ficado hospedado no centro de Port-au-Prince, mas quis o destino que ficássemos no Le Perroquet, em Pétion-Ville (ainda bem!); era ter ido para o sul do país, para conhecer Jacmel, mas acabamos indo passar o dia na praia de Obama (ainda bem!); e era irmos passar um dia no centro, para verdadeiramente conhecer a capital do país, mas outra vez tínhamos uma oferta tentadora de mudar de programação.
Nossa moto-taxi furou o pneu no caminho para o centro de Port-au-Prince, capital do Haiti
O Eric e a Lana nos convidaram para ir passar o dia nas montanhas ao redor de Port-au Prince, mas teríamos de voltar à tempo de visitar a base brasileira da ONU no dia de hoje, já que amanhã cedo voaremos para o norte do país. Com isso, não sobraria tempo para vermos de perto o centro da cidade. Pensamos, pensamos e, pelo menos dessa vez, resolvemos manter nossos planos. Deixamos para ver as montanhas lá perto de Cap-Haitien e reservamos a manhã de hoje para uma volta em Port-au-Prince.
Solenemente ignorado, cartaz recomenda o uso de capacetes para motociclistas em Port-au-Prince, capital do Haiti
Para chegar até lá, a pé nem pensar. Muito longe! Alugar um carro com motorista, ou simplesmente um carro, fica muito caro. O aluguel de carros aqui no Haiti custa mais de 100 dólares ao dia! Fora que achar os caminhos na cidade não é fácil. Trânsito caótico e sem regras e um verdadeiro labirinto, com metade das ruas em reconstrução, de terra ou interrompidas. Um táxi normal também seria caro e o táxi coletivo, os chamados “taptap”, onde as pessoas se amontoam na carroceria, seria muito demorado. Restava, então, a opção dos mototáxis.
Comida preparada e vendida nas ruas centrais de Port-au-Prince, capital do Haiti
Comida preparada e vendida nas ruas centrais de Port-au-Prince, capital do Haiti
Quase em frente ao Le Perroquet tem um ponto de mototáxis. A cada vez que passávamos por lá, olhavam para nós esperançosos. Hoje, era a chance deles! Cheguei a pensar em pegarmos uma moto cada um. Mas além do preço em dobro, meu maior temor era perder a Ana nas ruas da cidade e nunca mais encontrá-la. Assim, se for para nos “perdermos” por aqui, que seja juntos! Decidido então, os dois na mesma moto! Na verdade, é a cena comum por aqui, duas, três e até quatro pessoas na mesma moto. Capacete, claro!, ninguém usa! Só nos outdoors da campanha de segurança, mas parece que ela não tem tido muito sucesso.
Praça central de Port-au-Prince, capital do Haiti
E assim foi, lá fomos eu e o motorista fazendo sanduíche da Ana no meio, ninguém de capacete, driblando o trânsito e os buracos nas ruas em direção ao centro da cidade. O negócio é confiar na habilidade e na buzina do motorista e na moto também! Aliás, a nossa logo furou o pneu e passamos um tempo até achar um borracheiro e depois, esperar o conserto. Depois do pit-stop, à toda velocidade até o Champs de Mars, praça central de Port-au-Prince.
Monumento ao heroi da independência na praça central de Port-au-Prince, capital do Haiti
Aí estão o principal museu da cidade, o monumento a Jean-Jacques Dessalines, herói da independência e o local onde era o Palácio Nacional, a antiga sede de governo que foi completamente destruída pelo terremoto de 2010. Tiramos nossas fotos, observamos o intenso movimento de pessoas e seguimos para a próxima parada: o tradicional Hotel Oloffson, aquele mesmo que tínhamos pensado em nos hospedar.
Estudantes caminham no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti
O hotel teve seus anos de ouro nas décadas de 50 e 60, quando recebeu gente como Jacqueline Kennedy, Mick Jagger e Graham Greene, autor do famoso livro “The Comedians”, que se passa no Oloffson. Desde então, foi testemunha de incontáveis golpes de estado e tragédias naturais, culminando com o grande terremoto de 2010 que destruiu tudo ao redor do Oloffson, mas deixou o hotel em pé. Nessa última década, vive um período de decadência, por estar em uma região considerada insegura por e para estrangeiros. Mas, sem dúvida, é uma decadência com muito charme e elegância!
Monumento no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti
Nós fomos lá almoçar, para conhecer e prestar nossas homenagens. Muito interessante, mas sem dúvida, hoje, o Le Perroquet é uma melhor opção.
O tradicional hotel Oloffson, no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti
Depois do almoço, de novo os três encima da moto, rumo à base brasileira da ONU, perto do aeroporto da cidade. Dessa vez, foi um trecho com emoção, já que passamos ao lado da segunda maior e mais perigosa favela da capital. Nosso motorista foi acelerado, sem cansar de nos dizer sobre o perigo da área. As multidões mal-encaradas com quem cruzávamos não tinham tempo de reação: olhavam aquela cena insólita com curiosidade, algo inesperado, o sanduíche de Ana na moto em velocidade. Quando finalmente pensavam, já estávamos longe. Enfim, não seria o melhor lugar para o pneu furar, hehehe. Ao final, entre mortos e feridos, passamos todos incólumes e chegamos à muito mais segura Minustah. Assunto para o próximo post...
Almoçando no hotel Oloffson, no centro de Port-au-Prince, capital do Haiti
Igreja matriz em Natividade - TO
A ocupação de Tocantins iniciou-se, assim como várias outras regiões do país, com a busca pelo ouro. Na segunda metade do séc. XVIII, o vil metal foi descoberto nas serras no entorno do que é hoje a cidade de Natividade. Uma "corrida" se seguiu e, ao longo das próximas décadas, cerca de 40 mil escravos foram levados para lá, para trabalhar nas atividades de mineração. Foi um ciclo relativamente rápido, mas que deixou para trás a mais antiga cidade do estado que, ainda hoje, no seu centro histórico, preserva uma belo casario antigo, ainda com ar colonial.
A tranquila praça central de Natividade - TO
Nós chegamos na cidade no final da tarde, vindos de Taquaruçu. Instalamo-nos no hotel Serra Geral e corremos para passear no centro ainda com luz natural. A sensação foi a de se estar numa das antigas cidades mineiras ou baianas, exceto por uma tranquilidade ainda maior. Nas ruas centrais, o casario ainda está bem conservado (pelo menos nas fachadas!). Construída no pé da serra, o visual das casas antigas com as montanhas ao fundo é muito cativante.
Passeando em Natividade - TO
Uma das mais antigas construções é a igreja inacabada de Nossa Senhora dos Pretos. É aquela que existe em quase todas as cidades coloniais brasileiras, uma igreja construída por escravos e negros libertos para poderem, eles também, realizarem seus cultos, já que não eram aceitos em outras igrejas, as dos "brancos". Confesso que isso sempre me intriga: como é que eles tão devotamente abraçaram uma fé que, de maneira geral, os relegava? Aparentemente, a resposta é que era somente ali que tinham espaço para escapar, por alguns momentos que fossem, da dura e cruel vida que levavam. Pelo menos no mundo espiritual poderiam ter esperanças... E a única saída para o mundo espiritual que lhes era permitido professar era a fé católica.
A igreja incompleta de Nossa Senhora dos Pretos, em Natividade - TO
Hoje, felizmente, o mundo não é tão cruel. Para escapar um pouco das agruras diárias, as pessoas podem, por exemplo, tomar um refrescante banho de rio. Em Natividade, as pessoas vão para os "poções", piscinas naturais a um quilômetro do centro. Foi nossa última atividade do dia, admirar esses recantos verdes tão próximos da vida urbana. Amanhã, a viagem continua, para o "menor rio do mundo", ainda em Tocantins, e para o norte de Goiás, parque estadual da Terra Ronca.
Os "poções", piscinas naturais em Natividade - TO
Criança faz malabarismo com fogo durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí
O voo entre as vizinhas Big Island e Maui, no pequeno bimotor da empresa regional, dura cerca de meia hora. Foi com tristeza que vimos a Big Island ficar para trás, tantas coisas ainda por ver e fazer, mas com felicidade sobrevoamos Maui, nossa segunda ilha nesse tour pelo Havaí. Aqui, amanhã de noite, se juntarão a nós a Laura e o Rafa, nossos queridos padrinhos e companheiros de viagem em ilhas no meio dos oceanos.
Maui e as ilhas adjacentes, no Havaí
Maui é a segunda ilha mais nova do Havaí, após a caçula Big Island. Já se afastou do hotspot que cria as ilhas do arquipélago, mas não ainda a uma distância suficiente para garantir que seus vulcões estejam extintos. Pelo menos, não tecnicamente, mas que já estão bem preguiçosos, isso estão. Tanto que a taxa com que a ilha é “derretida” pelo mar já é bem mais alta do que a taxa de criação de novas terras por seus combalidos vulcões. Tanto é assim que a erosão causada pelo oceano já dividiu a ilha original em quatro ilhas menores. Maui é o nome da maior ilha desse grupo, ainda formada por dois grandes vulcões e uma extensa planície que une esses dois gigantes. Mais algumas dezenas de milhares de anos e o mar tomará isso de volta também e a atual Maui será novamente dividida. Lá do alto, chegando de avião, dá para perceber bem essa geografia. E olhando o mapa do Hawaii, é quase possível ouvir Maui dizer para a Big island: “Você se acha grande? Aproveite o vigor da juventude, pois eu sou você amanhã...”
Um dos vulcões que formou a ilha de Maui, no Havaí
Maui pode não ser mais a maior ilha do arquipélago, mas certamente é a mais chique. A quantidade de campos de golfe que se vê lá de cima é um bom indicativo disso. Uma das consequências (ou causas?) disso é que tudo aqui é mais caro. Dos hotéis aos restaurantes, da gasolina ao entretenimento. É a ilha dos ricos e famosos e a quantidade de ferraris que se vê nas ruas impressiona. Com muito custo, achamos um hotel um pouco mais em conta, desses das grandes cadeias americanas, localizado na cidade de Kihei, na costa oeste da ilha. Vamos usá-la como base para todas as nossas explorações de Maui, já que as distâncias aqui não são tão longas como na Big Island.
Chegando à ilha de Maui, no Havaí
Nosso avião pousou no aeroporto de Kahului, do outro lado da planície que liga (ou separa?) os dois antigos vulcões e ali mesmo pegamos o nosso carro. É um jipão do mesmo modelo do que tínhamos em Big Island, só que agora é branco. Na verdade, era um jipe menor, mas tanto choramos que eles fizeram um upgrade para nós, sem aumentar o preço. Por aqui, não precisaremos da tração, mas do tamanho sim. Afinal, a partir de amanhã à noite, seremos quatro. Quanto ao nosso roteiro na ilha, uma conversa com o rapaz da companhia de carros confirmou o que já havíamos pensado: com apenas quatro dias, nem vale a pena dar um pulo nas ilhas vizinhas de Molokai ou Lanai; Maui já tem atrações suficientes.
Chegando à Maui, no Havaí
Mal chegamos ao nosso hotel e o telefone tocou. Era o Sidney, nosso grande amigo que nos recebeu tão bem em San Francisco. Quis o destino que, mesmo sem saber, marcássemos uma viagem para o Havaí exatamente na mesma época. Ele está viajando para cá com a Ane, sua irmã com quem também estivemos em San Francisco, com o Marco, um amigo que também conhece a Ana, lá do Brasil, além de outro pessoal, americanos mesmo. Mas ao invés de viajarem pelas quatro ilhas, como nós, vão se concentrar apenas na Big island e no Kauai. A gente quase se encontrou no aeroporto de Kona, mas lá no Kauai esse reencontro não vai escapar!
Tarde movimentada na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí
Pois é, o Sidney ligava para perguntar aonde estávamos. Eles tinham acabado de chegar à Kona. Outra coincidência deliciosa, vamos chegar praticamente no mesmo horário em Kauai e o encontro já está marcado, no aeroporto mesmo. Vai ser joia! Antes de desligar, o Sidney ainda nos deu uma bela dica: ele já esteve aqui em Maui, em outra viagem, e se lembrou que todos os domingos rola uma festa noturna bem legal, numa praia chamada Little Beach. Outra vez a sorte, ela fica pertinho do nosso hotel!
Maravilhoso fim de tarde com p céu avermelhado, na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí
Assim, já tínhamos programa para hoje! Chegamos ao hotel, instalamo-nos no nosso quarto cavernoso (o preço em conta tem seu “preço”!) e fomos aproveitar um happy hour no restaurante do hotel vizinho, bem em frente à praia. Sushis pela metade do preço e cervejas com preços abaixo do extorsivo, o que não é coisa fácil por aqui. Muito bem alimentados, seguimos então para a praia da festa.
Maravilhoso fim de tarde com p céu avermelhado, na Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí
A Little Beach fica no meio de um parque estadual. O carro chega até um estacionamento de onde caminhamos uns 300 metros até Big Beach, uma longa praia de areias amareladas. Já final de dia, as pessoas estavam saindo da praia, mas estranhamente, o estacionamento ainda estava bem cheio. Sinal de que os donos dos carros estavam em outro lugar! É, a tal festa faz sucesso mesmo!
Criança faz malabarismo com fogo durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí
A Little Beach fica ao lado da Big Beach. Para chegar até lá, caminhamos até o fim da praia, subimos um barranco e descemos do lado de lá. É uma praia para os amantes do nudismo, mas nesse dia de festa, é invadida também por aqueles que usam sunga, bermuda ou um biquíni. Fica todo mundo ali, peladões e os vestidos, socializando como se fosse a coisa mais normal do mundo. E ali naquele ambiente, para falar a verdade, parece normal mesmo! O sol se pondo de um lado, pintando o céu com cores espetaculares, e um pessoal fazendo uma batucada bem gostosa do outro, clima totalmente Hawaii.
Garota mostra suas habilidades pirotécnicas durante festa na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí
O sol de pôs e sua luz foi substituída pela luz das tochas de fogo. Homens, mulheres e até um menino se revezaram, por mais de uma hora, em malabarismos com fogo, um verdadeiro show de luzes e perícia que emprestava um tom ainda mais tropical e praiano à festa. Foi muito joia! Maui não poderia ter nos recebido de maneira mais simpática. A tal ilha mais chique do Havaí também tem o seu lado relax. Só precisamos achá-lo! E hoje, graças ao Sidney, nós achamos!
Rapaz se apresenta durante festa noturna na praia de Little Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí
Salinas e região de flamingos no litoral norte do Yucatán, no México
Após um último e sadio café da manhã nas nossas amigas argentinas, ainda em Holbox, seguimos a todo o vapor para o píer da ilha de onde partem os barcos para o continente. Se perdêssemos o barco das dez, só daí a duas horas. Como tantas outras vezes nessa viagem, chegamos no minuto certo, embarcamos e deixamos o paraíso para trás. Foi só colocar o pé no barco que começamos a sentir saudades dessa linda ilha onde passamos quatro memoráveis dias. Teremos de voltar algum dia, dessa vez na temporada dos tubarões-baleia, para ter a chance de nadar com esses gigantes gentis.
Em Chiquila, taxistas em seus triciclos aguardam os turistas que retornam da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Chegamos ao porto de Chiquila, onde uma fila de táxis triciclos aguardava, ansiosamente, o barco com seus fregueses potenciais. Não era o nosso caso, já que nossa fiel Fiona nos esperava a apenas um quarteirão dali. Já a bordo da nossa querida amiga, começamos o trecho rodoviário da nossa viagem de hoje, atravessando boa parte do norte do Yucatán, em direção ao oeste, à cidade de Mérida. Pois é, voltamos ao ponto inicial da nossa viagem por essa península, para fazer tudo aquilo que deixamos para trás, na pressa de chegar logo ao litoral.
Indo conhecer a "árvore sagrada dos mayas", em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
A primeira parada foi a poucos quilômetros ao sul de Chiquila, em um local com árvores centenárias, que já faziam sombra no tempo em que a civilização maya florescia na região, antes da chegada dos espanhóis. Tínhamos visto o cartaz anunciando a “Arbol Sagrada de Los Mayas” ainda antes de embarcarmos para Holbox, há 5 dias, o que tinha atiçado nossa curiosidade. Aí, por coincidência, na nossa primeira noite na ilha, aquela do carnaval agitado, a Ana fez amizade com uma artista plástica da Croácia, que viajou pelo mundo inteiro e veio construir seu estúdio e casa justamente aqui, embaixo dessa árvore. Ela nos convidou para passar por lá e assim estávamos fazendo.
Venerável árvore que já era grande des a época em que a civilização maya floescia na península do yucatán (em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México)
As árvores são ceibas, de troncos bem largos, a mais velha com cerca de 800 anos de idade. Lindas! Estão na propriedade de um simpático senhor que, além dessas árvores, ainda possui várias outras, como a “seringueira” do Yucatán, além de uma bela coleção de orquídeas e bromélias. Enfim, um verdadeiro jardim botânico. Tudo muito simples, mas as flores são lindas e a tal “seringueira”, na verdade o sapote, já procurávamos faz tempo. Mas, ao contrário de sua prima brasileira, cujo “suco” era usado como matéria-prima para a borracha, o suco da árvore mexicana tinha fins mais “doces”. Era usado para fazer chiclete! No final do século XIX e início do XX, foram feitas fortunas por aqui, tudo por causa da popular goma de mascar. A maior produtora era a gigante Adams!
Venerável árvore que já era grande des a época em que a civilização maya floescia na península do yucatán (em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México)
Mas, o que mais chama a atenção mesmo são as árvores gigantes. Só de pensar que naquela mesma sobra descansavam guerreiros e sacerdotes mayas, já é emocionante! Essas árvores centenárias e milenares tem o poder de atravessar gerações e mesmo, civilizações. São um elo direto entre nós e nossos bisavós, entre nós e povos que nem mais existem. Algumas, já estavam aqui quando os egípcios construíam suas pirâmides. Outras, as oliveiras naquela colina em Jerusalém, testemunharam a última ceia de Jesus. E essas aqui, bem na nossa frente, davam guarida para os mayas. Lindas!!!
Coleção de flores no terreno da árvore sagrada dos mayas, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
Coleção de flores no terreno da árvore sagrada dos mayas, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
É claro que, depois da nossa visita e homenagem às árvores, fomos ver nossa amiga croata. Cheia de histórias de suas viagens pelo mundo. Conversa interessantíssima. Sempre viaja à Europa, mas seu lar é aqui, quase embaixo das sagradas e inspiradoras árvores centenárias. Muito joia. Aproveitamos para ouvir cuidadosamente suas indicações sobre o caminho a seguir até Mérida. Nada de autoestrada! Deveríamos seguir pelo litoral, numa rota muito mais bonita.
Casa e ateliê da artista plástica europeia que veio morar embaixo da árvore sagrada dos mayas, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
Pois assim fizemos! Cruzando pequenas vilas e regiões raramente visitadas no Yucatán, chegamos ao litoral banhado pelas agitadas e escuras águas do Golfo do México. Um vento que quase não para, um visual completamente diferente do que temos visto ultimamente. Muito interessante.
O agitado mar do Golfo do México, no litoral norte do Yucatán, no México
Mais para frente, região de salinas e flamingos. Lagos avermelhados pelo mineral, pássaros avermelhados pela dieta. Região bonita e selvagem. Mas os flamingos, não vimos, nem do alto da torre de observação, construída exatamente para encontrá-los. Mas não era a hora certa. Eles se reúnem por ali no fim de tarde, estávamos cedo demais para eles... Tivemos de nos contentar com as salinas e lagos, sem os pássaros. Pelo menos, sem os flamingos, pois garças haviam de monte.
Salinas e região de flamingos no litoral norte do Yucatán, no México
Mas havia uma outra coisa por ali que não víamos também, infinitamente maior que os formosos flamingos. Falo de uma cratera, a mais importante delas para a história da humanidade e de todo o planeta, pelo menos nós últimos 100 milhões de anos. O nome dela? Chicxulub.
Salinas e região de flamingos no litoral norte do Yucatán, no México
Há 65,5 milhões de anos, um meteoro com cerda de 10 km de diâmetro chocou-se violentamente com a Terra, justamente aqui, no norte do Yucatán. O resultado “geográfico” da colisão foi uma cratera com cerca de 180 km de diâmetro. Após tantos milhões de anos, a cratera foi totalmente coberta por sedimentos, pela vegetação e pela água do mar, na sua porção norte. E como sabemos que está aqui, então? Elementar, meu caro Watson! Pela anomalia gravitacional que ela ainda gera! O enorme impacto compactou o solo da região, fazendo que toda a área seja mais “pesada”. Até nós pesamos mais por aqui, pois a gravidade é mais forte nessa região. Não temos sensibilidade para sentir essa diferença, pois ela é extremamente sutil para nós. Mas não para os satélites que passam por aqui, com seus instrumentos super calibrados. Sentem na hora e conseguem apontar toda a extensão da cratera. E para confirmar isso, cientistas encontraram por aqui um elemento químico, o iridium, que quase não é encontrado na Terra, mas é bem comum em meteoros. Quando são encontrados em maiores quantidades, é um forte indicativo de “trombada” cósmica.
Nosso caminho pelo norte do Yucatán, onde caiu o meteoro que extinguiu os dinossauros
Bom, só falei do efeito “geográfico”, mas tem outro muito mais importante para nós, seres humanos, pertencentes da classe dos mamíferos. Quando o meteoro caiu, quem dominava o planeta há 150 milhões de anos eram os dinossauros. E não é porque os mamíferos não fizessem concorrência. Pelo contrário! Nós já estávamos aqui há 100 milhões de anos! E nesse tempo todo, nunca tínhamos deixado de ser pequenos roedores. Ratos! Comedores de insetos e carniça deixada para trás pelos dinossauros. Nada parecia indicar que a situação fosse mudar. Até que essa pedra caiu dos céus, causando um cataclisma global e intensas mudanças climáticas que, ao final, parecem ter sido a principal causa da extinção dos dinossauros. Sem eles, ficou mais fácil. Alguns poucos milhões de anos depois e os ratos já tinham se diversificado: mamutes, baleias, tigres, lobos e macacos perambulavam pelo planeta. Mais um pulinho e éramos nós. Graças à Chicxulub!
A cratera de Chicxulub, no norte do Yucatán, no México. Este impacto teria sido a principal causa da extinção dos dinossauros
Então, hoje, viemos prestar nossa singela homenagem a essa cratera que não se vê e mal se sente, mas que está aqui. A prova disso é simplesmente o fato de existirmos, de sermos nós a viajar pelo Yucatán, hoje, e não um simpático casal de triceratóps. Há maus que vem para bem. Pior para os dinossauros...
O agitado mar do Golfo do México, no litoral norte do Yucatán, no México
caminhando em bela alamenda na Pionner Square, no centro de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Os primeiros brancos se estabeleceram na área onde hoje fica a cidade de Seattle por volta de 1850, pouco mais de meio século após o explorador George Vancouver passar por lá. Quem viu o grande explorador e seus estranhos barcos navegarem pelo Puget Sound (um braço do Oceano Pacífico) foi um jovem menino índio, ainda na sua terna infância. Apesar da pouca idade, nunca mais o pequeno Si’ahl esqueceu daquela imagem.
A única foto existente de Chief Seattle, um ano antes de sua morte, durante visita à cidade que já tinha o seu nome (no estado de Washington, nos EUA)
Agora, 50 anos mais tarde, Si’ahl era um dos principais chefes indígenas daquela região cheia de tribos e etnias distintas. Os colonizadores brancos ocidentalizaram seu nome para “Seattle” e mantinham com ele relações de amizade. Foi isso que fez com que “Chief Seattle” não aliasse seu povo às outras tribos indígenas (muitas delas, inimigas por várias gerações) na sua luta contra os invasores cara-pálidas. A aliança indígena perdeu a guerra e foram todos enviados às “reservations” criadas pelo governo branco para os índios. Para lá também seria enviado o povo de Chief Seattle, para compartir a mesma terra com seus inimigos milenares. Afinal, na mentalidade branca, os índios eram um povo só, e eles que se entendessem dentro das reservas. Novamente, os amigos brancos de Chief Seattle conseguiram impedir uma barbaridade dessas, mas de qualquer maneira, o seu povo também foi confinado em uma outa reserva. Já nessa época, em 1860, a região passou a ser chamada de Seattle, justa homenagem ao chefe índio que sempre procurou uma política de apaziguamento com os brancos. Em 1869 a cidade foi, enfim, reconhecida como tal. Manteve o nome, três anos após a morte do velho líder.
Pronta para abraçar um totem na Pinner Square, centro de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Artista de rua no centro de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
A partir daí, começou a crescer e viver num sistema de ciclos, grandes booms seguidos de crises agudas. O primeiro boom veio da exploração da madeira. A mesma madeira usada para construir toda a cidade, que ardeu em chamas num grande incêndio em 1889. A cidade já vinha de uma crise, onde a minoria asiática (chineses) sofria com o forte racismo provocado pelos trabalhadores brancos desempregados. Mas a tragédia resultou em novo boom de construções, uma nova cidade refeita sobre os escombros da antiga. Aliás, uma das maiores atrações turísticas da Seattle de hoje é um tour subterrâneo pela cidade antiga, literalmente sob as praças e prédios da cidade nova. Esse novo boom não durou muito, pois a grande depressão de 1893 quase levou todo o país à bancarrota, a jovem cidade entre as mais atingidas pela crise econômica.
Capa de jornal com a histórica manchete da descoberta de ouro no Yukon (Museu da Klondike Gold Rush, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos)
Foi quando uma descoberta mais de mil quilômetros ao norte mudou para sempre a história de Seattle. Estou falando do ouro de Klondike, lá no Yukon, que gerou a mais famosa corrida do ouro da história. Já tratei da Klondike Gold Rush em outros posts, quando passamos por Dawson e pelo litoral sul do Alaska. Mas aqui, em visita ao museu, vimos a mesma história de um ângulo diferente.
A cidade soube se aproveitar da corrida do ouro! (Museu da Klondike Gold Rush, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos)
A cidade vivia em plena crise econômica. Boatos esparsos de uma grande descoberta de ouro circulavam. Foi quando um navio vindo do Alaska anunciou sua chegada. Um repórter mais proativo pagou um barco mais rápido para levá-lo até o navio antes que ele aportasse. Ali, ele entrevistou mineiros, constatou a veracidade da descoberta e, na manhã seguinte, seu jornal estampava, em letras garrafais: “GOLD! GOLD! GOLD!”. No dia seguinte, eram os jornais de todo o país. Foi o bastante para que se esgotassem todas as passagens possíveis em barcos seguindo para o norte. Foi, literalmente, uma questão de horas.
Mantimentos obrigatórios para quem quisesse entrar no Canadá durante a corrida do ouro (Museu da Klondike Gold Rush, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos)
O resultado dessa corrida, já falei em outros posts. Apenas uma minoria da minoria conseguiu fazer dinheiro com ouro. Mas vários o fizeram prestando serviços ou vendendo mercadorias para aqueles que buscavam o metal dourado. E quem mais capitalizou com essa febre foi a própria cidade de Seattle, propagandeando país afora a cidade como o destino inicial para o Alaska, o ponto onde se comprariam mantimentos e se fariam os preparativos. Foi o início de um novo boom econômico.
Poucos garimpeiros se deram bem na corrida do ouro (Museu da Klondike Gold Rush, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos)
A febre passou, mas a cidade já estava revitalizada, pronta para os novos ciclos que viriam. Por exemplo, uma longa greve nos portos tiraram de Seattle boa parte do fluxo comercial que passava por ali, levando para o rival porto de Los Angeles. Nova crise! Do mar para o ar, foi aqui que nasceu e cresceu a maior empresa de aviação do país e do mundo, a Boeing. Tão grande e tão forte que passou a influenciar a economia da cidade. Quando estava bem, toda a cidade ia bem, quando estava mal, toda a cidade estava mal. Nós ainda vamos lá na fábrica da Boeing para aprender e contar um pouco dessa história...
A roda gigante na orla de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Foi para fugir um pouco dessa dependência de uma só indústria que a cidade tudo investiu numa grande feira no início da década de 60. A Space Needle foi construída justamente aí, atraindo milhões de visitantes apenas no seu primeiro ano de existência. Desde então, a indústria do turismo não parou mais de crescer...
Museu de Artes de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Quem, aos onze anos, como prêmio de um concurso de ciências, pôde almoçar no restaurante giratório no alto da Space Needle foi um promissor garoto da cidade. Seu nome, Bill Gates, e a empresa que fundaria mais tarde, a Microsoft, ajudaria também a ampliar o espectro econômico da cidade, da aviação para o software.
REI, quase uma instituição em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Compras na REI, loja de Outdoors em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Não com a mesma força econômica, mas certamente com influência para mudar a imagem que se tem de Seattle, é a indústria e as atividades relacionadas à aventura, ou outdoors. Localizada próxima à diversos parques nacionais e regiões selvagens, Seattle é uma meca das pessoas que gostam de montanhismo, cross-country e outras aventuras. Não é a toa que também nasceu na cidade uma das melhores cadeias de lojas nesse setor, a REI. Foi uma de suas lojas que nos fez sair do hotel em dia de intensa chuva. Não só para comprar uma barraca nova, mas para conhecer essa verdadeira instituição. A loja tem até cachoeira e guarda-florestal. Um show!
Propaganda no Duke Restaurant, na orla do Lake Union, um dos lagos de Seattle, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
Show também foi o nosso jantar celebrando nossa vinda à terra natal do Nirvana e do Pearl Jam, bandas que simbolizam a cultura jovial e independente da cidade. Na beira do Lake Union, no Duke Restaurant, especializado em salmões pescados pelo próprio dono no Alaska, comemos uma de suas criações: salmão ao molho de blackberries e queijo de cabra. Foi de dar água na boca! E isso foi apenas o início de nossas andanças pela cidade...
Delicioso salmão ao molho de black berries e queijo de cabra, no Duke Restaurant, na orla do Lake Union, um dos lagos de Seattle, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos
A incrível Catedral de Sal em Zipaquirá, próximo à Bogotá, na Colômbia
Nossa intenção hoje era sair cedinho para poder passar pela Catedral de Sal e ainda chegar em Villa de Leyva em tempo de aproveitar o dia. Antes disso, só precisava resolver uma "pequena" burocracia: o seguro da Fiona.
Entrada da mina onde está a Catedral de Sal, em Zipaquirá, próximo à Bogotá, na Colômbia. Apesar do capacete, o guia não é brasileiro!
Antes de sairmos do Brasil a gente comprou uma "extensão de perímetro" do nosso seguro brasileiro, da Mapfre. Ele só é válido para países sulamericanos onde a Mapfre esteja presente. Assim, por exemplo, nas Guianas ele não é válido. Mas aqui na américa espanhola a Mapfre está presente em todos os países. Nós fizemos um cálculo e imaginhamos que um seguro até o meio de Outubro seria o bastante. Não foi! Não deu tempo de sairmos da Colômbia e acabamos ficando sem seguro, o que pode ser um grande problema se a polícia nos parar.
Um dos altares à caminho da Catedral de Sal, em Zipaquirá, próximo à Bogotá, na Colômbia
Assim, essa foi a minha função hoje de manhã: comprar um "SOAT", o seguro obrigatório colombiano. E isso tomou tempo! O problema é que as seguradoras só querem vendê-lo pelo prazo de um ano, o que ficaria muito caro. Achei que na Mapfre conseguiria, mas eles nem trabalham com o SOAT. Caminhei uns dois quilômetros até a Suramericana e eles só vendem por um ano. Finalmente, na "Seguros del Estado" consegui o bendito seguro por um mês, por 40 reais. Tá valendo! O problema é que isso nos custou umas boas horas...
A caminho da Catedral de Sal, na mina em Zipaquirá, próximo à Bogotá, na Colômbia
Bem, com seguro na mão, pudemos finalmente seguir para Zipaquirá, a uns 30 minutos ao norte de Bogotá. Aí está a famosa "Catedral de Sal", uma das mais famosas atrações turísticas do país. Ela está localizada dentro de uma gigantesca mina de sal, uma das maiores do mundo, ainda em plena atividade.
Chegando à majestosa Catedral de Sal em Zipaquirá, próximo à Bogotá, na Colômbia
A mina começou a ser explorada em tempos pré-colombianos mas foi na época de colônia que essa exploração se acelerou. As características geológicas do local, de rochas bem sólidas, permite que grandes galerias sejam abertas sem risco de desmoronamento. Desta maneira, enormes espaços vazios foram criados através do tempo dentro da montanha e em alguns desses espaços, na década de 50, foi construída uma catedral para fazer jus à devoção dos mineiros que, diariamente, antes da jornada de trabalho, procuravam um lugar para suas orações.
Altar feito em sal, na entrada da Catedral de Sal em Zipaquirá, próximo à Bogotá, na Colômbia
O tempo foi passando, a exploração da mina aumentou e novos níveis da mina passaram a ser explorados. A antiga catedral foi ficando mais e mais conhecida, atraindo cada vez mais gente, não só mineiros mas turistas também. Até que, na década de 90, depois de uma série de estudos, verificou-se que ela não era mais segura. Séculos de exploração não científica deixaram aquele espaço instável. Decidiu-se então fazer uma nova catedral, dessa vez no terceiro nível da mina, muito mais seguro. Arquitetos do mundo inteiro disputaram a primazia de executar a obra e, finalmente, em 1994, uma nova e imponente catedral estava pronta.
A Cascata de Sal, ao lado da Catedral de Sal, em Zipaquirá, próximo à Bogotá, na Colômbia
E foi nesta maravilha que estivemos hoje. A mais de 150 metros de profundidade, num conjunto de gigantescas cavernas feitas pelo homem, uma catedral de verdade, com cúpola, naves, esculturas e tudo mais que faz uma catedral ser considerada "uma catedral". Uma obra monumental, considerada uma das sete maravilhas da Colômbia e na briga para entrar na lista das sete maravilhas modernas da humanidade.
O "espelho", ao lado da Catedral de Sal, em Zipaquirá, próximo à Bogotá, na Colômbia
Uma visita de pouco mais de uma hora onde aprendemos sobre a mineração de sal, sobre as técnicas empregadas nessa mina e sobre as características da catedral em si. Um espetáculo, com direito a show de luzes e filme em 3-D. A gente caminha uns dois quilômetros mina adentro, observa dezenas de galerias com mais de 100 metros de comprimento por 20 de altura até que, lá no fundo, chegamos à Catedral. Difícil acreditar que, acima de nós, está uma montanha. Tudo cavado com muita dinamite e retirado com caminhões. Difícil acreditar também que rochas tão sólidas sejam 80% feitas de sal. Por fim, difícil acreditar que a mineração de sal, que compramos tão barato no supermercado, faça valer um investimento dessa magnitude. Mas, não dá para brigar com a realidade dos fatos, né? A mina e a Catedral estão ali, na frente dos nossos olhos. Graças ao sal que compramos baratinho no supermercado...
O bom café colombiano sendo vendido 180 metros abaixo da terra! (em Zipaquirá, próximo à Bogotá, na Colômbia)
Bom, de Zipaquirá seguimos para Villa de Leyva, onde chegamos já de noite. Muito bem instalados num dos charmosos hotéis localizados em antigas casas coloniais,e depois de jantar num restaurante também muito charmoso localizado em outra mansão dos tempos coloniais, a gente pôde se preparar para uma merecida noite de sono. Tínhamos de estar prontos para o dia de explorações de amanhã nessa linda cidade e seus arredores...
A Catedral de Sal, em Zipaquirá, próximo à Bogotá, na Colômbia
Pine Tree Arch, mais um arco de pedra no nosso segundo dia de explorações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Ontem de noite fomos jantar em um simpático restaurante no topo de uma colina com visão privilegiada sobre toda Moab. Acho que é a única construção que fica acima do vale onde a cidade inteira se assenta. O restaurante funciona naquela que foi a casa de Charlie Steen, o homem que mudou a história de Moab.
Trilha tomada pela neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Trilha tomada pela neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
No início da década de 50 o mundo vivia sob plena Guerra Fria e Estados Unidos e União Soviêtica se apressavam em construir seus arsenais nucleares, capazes de destruir o planeta várias vezes. A matéria-prima para esse arsenal era o urânio e o governo americano pagaria fortunas a quem lhe fornecesse esse metal. Diversas “interessados” nesse novo ouro cruzavam o país a sua procura e o geólogo Charlie Steen era um deles. Ele apostou todas as suas fichas aqui na região de Moab e, após dois anos de infrutíferas pesquisas, se afundava em dívidas na sua cara pesquisa. Estava a ponto de desistir quando, finalmente, seu contador Geiger apitou alto na rústica mina “Mi Vida”. Pois é, com um nome desse, a mina acabou sendo um bilhete de loteria premiado e, da noite para o dia, Steen se tornou um milionário.
A grandiosa paisagem do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
A notícia se espalhou e a outrora desconhecida Moab multiplicou sua população por cinco em poucos anos. Muitos fizeram fortuna rapidamente e, em 1956, Moab foi apelidada de “a cidade mais rica dos estados Unidos”. E não era por menos: com 6 mil habitantes, contavam-se duas dúzias de milionários. Mas a maioria perdeu seu status rapidamente, assim que o boom do urânio terminou. Com exceção do primeiro deles, o simpático e excêntrico Charlie Steen.
Pine Tree Arch, mais um arco de pedra no nosso segundo dia de explorações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
A sua casa, a mesma em que jantamos, era frequentada por empresários, políticos e estrelas de Hollywood. Dizem que ele costumava levar sua esposa e numerosos filhos para passear de avião todas as noites, simplesmente porque era apenas lá em cima que as antenas de sua TV podia captar os sinais das novelas e séries preferidas da família.
Observando o colossal Landscape Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Enfim, o tempo passou, Steen faleceu na última década e sua casa virou restaurante, onde ontem brindamos a sua interessante e glamorosa história de vida. O urânio se foi e os arcos de pedra ficaram. Hoje, foi mais um dia para irmos nos maravilhar com essas incríveis e fotogênicas formações.
Landscape Arch, o maior arco de pedra no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Dessa vez, seguimos diretamente até o fim da estrada dentro do parque, onde não havíamos chegado ontem. Desse ponto parte uma longa trilha que passa por vários atrativos, entre eles a “mãe de todos os arcos”, o monumental Landscape Arch. Até lá a trilha é mantida limpa da neve que se transforma em gelo. Afinal, é um dos pontos mais procurados no parque. Daí para frente, para quem não tem grampões ou algo parecido, é uma aventura.
Trecho extremamente escorregadio de trilha no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Nós passamos pelo belo Pine Tree Arch, tiramos nossas fotos, curtimos um pouco a solidão que se acentua ainda mais pela neve que abafa os sons e seguimos para o Landscape Arch. Ao contrário do Delicate Arch, que parece ter sido colocado propositalmente sobre um pedestal no alto de uma colina, ideal para ser fotografado, o maior arco de pedra do mundo não se encontra em local tão privilegiado, o que dificulta as fotografias.
Turistas descansam sob o Navajo Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Antes, uma trilha passava por baixo dele, levando à locais que possibilitavam uma melhor “enquadramento”. Mas na década de 90, grandes pedaços do arco desabaram, algumas toneladas de pedra se espatifando no chão. Felizmente, não havia ninguém embaixo, mas alguns turistas conseguiram fotografar o evento. Depois disso, a direção do parque achou, por bem, fechar essa trilha. O desabamento, que tornou ainda mais delgado esse belo arco, foi a prova viva de que a erosão continua seu lento e contínuo trabalho. Um dia, todo o arco virá abaixo. Pode ser hoje ou daqui a 1.000 anos. Mas vai acontecer! O mesmo destino espera o Delicate, o Double ou o Pine Tree. Ao mesmo tempo, outros arcos se criarão. Volte daqui a 10 mil anos e a paisagem do Arches National Park será outra!
O Partition Arch forma uma incrível janela para a fabulosa paisagem do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Enfim, tiramos nossas fotos e seguimos adiante, enfrentando o gelo escorregadio. Mas uma passagem mais difícil fez com que a Ana, com calçados inapropriados, tivesse que voltar. A duras penas, eu segui. Fui até o Navajo Arch e, ainda mais belo, o Partition Arch. Também no alto de uma colina, forma uma janela para a paisagem deslumbrante abaixo, esse belo parque nacional coberto de neve. Valeu a pena o esforço de chegar lá!
A bela paisagem do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Voltei para reencontrar a Ana, despedimo-nos do Arches e pegamos estrada novamente. Ainda tínhamos de ver mais um parque nacional no dia de hoje: Canyonlands National Park e o famosa Mesa Arch, o sonho de todos os fotógrafos.
Landscape Arch, o maior arco de pedra no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
O cenário grandioso de Elephant Island, na Antártida (foto de Steve Denver)
Pouco mais de 1.300 quilômetros de alto mar e de deixarmos a Geórgia do Sul para trás, a primeira terra firme apareceu no nosso horizonte. Nosso sentido era o sudoeste e o rumo era o continente antártico e aquelas primeiras montanhas no horizonte indicavam que estávamos cada vez mais perto do nosso objetivo. Ainda não era a própria Antártida, mas um arquipélago de ilhas conhecido como South Shetland Islands. As tais montanhas que víamos pertenciam à ilha mais ao norte desse arquipélago, com o sugestivo nome de “Ilha Elefante”, ou “Elephant Island” em inglês.
Nosso roteiro pelos mares do sul entre Falkland, Geórgia do Sul, Península Antártica e Ushuaia
Nosso roteiro e pontos de parada na região da Península Antártica
É claro que o nome da ilha não tem nada a ver com os simpáticos paquidermes africanos e indianos. Na verdade, é uma referência aos gigantescos pinípedes (as populares focas) que costumam aparecer nas poucas praias de pedra da ilha, os mesmos elefantes marinhos que tanto vimos na Geórgia do Sul. Eles não são tão comuns por aqui, mas chamaram a atenção dos primeiros exploradores há cerca de 200 anos. Esses intrépidos aventureiros não pararam por aqui, mas o apelido que deram para a ilha pegou e assim ela ficou conhecida.
A paisagem escarpada de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida
A costa gelada de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
O panorama de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Desde então, Inglaterra, Chile e Argentina têm reclamado soberania sobre ela e todo o arquipélago, mas o Tratado Antártico definiu que este é um território internacional, próprio a pesquisas científicas e livre de exploração comercial. Aqui tivemos nosso primeiro contato com ares e mares antárticos, a emocionante sensação de estar a menos de 250 km da ponta norte da Península Antártica. Ainda faltam esses quilômetros para chegar lá, mas a sensação já é a de estar no continente branco, uma paisagem dominada por montanhas nevadas, enormes geleiras, animais típicos da Antártida e a certeza de estar muito longe da civilização.
Guias prontos para os passeios de zodiacs, em Point Wild, Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)
A escocesa Rowan e a americana Sara, felizes de estarem de volta ao mar, em Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)
Um zodiac e seus passageiros quase desaparecem perto da imensidão gelada de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Ao longo do dia fomos conhecer dois pontos da ilha. De manhã, uma passeio de zodiac ao redor das encostas rochosas e dos icebergs que flutuam por aqui num local chamado “Point Wild”. De tarde, outro passeio de zodiac, mas agora com direito a desembarque numa praia rochosa de Cape Lookout, já na costa oeste da ilha. Nas duas oportunidades, muita chance de ver de perto parte da rica fauna antártica, como pinguins, focas e até um emocionante encontro com baleias. Vou falar desses encontros nos próximos posts (teve até nossa primeira foca leopardo!!!) porque agora quero falar de história e de gelo.
de zodiac, dando a volta em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida
observando a beleza selvagem de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida
Caminhando na praia rochosa de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida
Foi em Point Wild que ocorreu um fato jamais esquecido na história das grandes aventuras de exploração do mundo e que tornou a isolada Elephant Island para sempre celebrada nos anais das grandes proezas humanas. Foi aqui que, após meses vagando sobre uma enorme plataforma de gelo flutuante, a tripulação do Endurance pode, pela primeira vez em mais de um ano, pisar em terra firme. Mas a aventura ainda estava muito longe de terminar...
Shackleton e sua tripulação presos em Elephant Island
Saída para a longa viagem entre Elephant Island, na Antártida, para a Geórgia do Sul
Eu já contei essa história em outro post, quando visitamos o túmulo de Shackleton na Geórgia do Sul. Sir Ernest Shackleton era o líder da expedição exploratória inglesa que pretendia, entre 1915 e 1916, realizar a primeira travessia transantártica da história. O objetivo nunca foi atingido e, na verdade, a grande aventura (e o grande feito!) foi conseguir sobreviver durante tanto tempo neste ambiente inóspito que são as regiões polares do sul do planeta. Resumindo a história, o Endurance, o navio da expedição, ficou preso no gelo antártico muito antes de chegar ao continente e ficou ao sabor das correntes marinhas que carregavam a plataforma de gelo. Após algum tempo o movimento do gelo acabou destruindo e engolindo o Endurance e, muito tempo depois, acabou por trazer toda a tripulação do barco afundado até aqui, a Elephant Island.
O Sea Spirit ancora na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
A mar semi-congelado da baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Blocos de gelo são deixados pelo mar em pequena praia de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Naquela época, há quase cem anos, as chances de resgate nessa ilha eram nulas. Em plena 1ª Guerra Mundial, o tráfego de navios por esta região era inexistente. Shackleton resolveu partir para o tudo ou nada e, junto com outros cinco tripulantes, a bordo de um pequeno bote salva-vidas, o James Caird, partiu em 24 de Abril de 1916 numa tentativa quase suicida de chegar até a Geórgia do Sul. Lá ele sabia que existia estações baleeiras que poderiam ajudar a organizar um resgate. Milagrosamente, duas semanas mais tarde e depois de cruzar mais de 1.200 km de mar aberto, além da épica travessia caminhando pelas montanhas da Geórgia do Sul, ele chegou à civilização. Mas seria apenas no dia 30 de Agosto de 1916 que ele conseguiria chegar de volta à Elephant Island com um barco de resgate para salvar sua tripulação.
Uma geleira encontra o mar em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
A água do mar escorre de rochedo em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida
Portanto, seus homens tiveram de sobreviver por aqui por mais de 4 meses! Só podemos dar o real valor à façanha conhecendo de perto o local onde eles sobreviveram. Difícil imaginar local mais inóspito. Era inverno e, por aqui, nessa época do ano, quase não há luz do sol, uma espécie de noite interminável. A temperatura está sempre muito abaixo de zero e os ventos não param. Obviamente, não há madeira na ilha para se construir um refúgio e tudo o que aqueles homens tinham eram o pouco que tinham salvo do Endurance além de dois outros botes salva-vidas que foram desmontados para se montar um abrigo mais rústico. A praia de pedra onde ficaram é minúscula e constantemente fustigada pela maré de águas geladas. É inacreditável que tenham sobrevivido por tanto tempo...
Nosso zodiac enfrenta um mar semi-congelado na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Início do desembarque nas águas geladas de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
A comida vinha da caça dos poucos pinguins e focas que encontravam por aqui. Nessa época do ano, não são muitos os animais que dão a cara por essas bandas. A gordura das focas também servia de combustível para as poucas lamparinas que tinham para conviver com a escuridão interminável. O líder dos homens, muito bem escolhido por Shackleton, era Frank Wild. Por sua incrível competência e liderança (ninguém morreu e nunca houve brigas!), o local está batizado com o seu nome: Point Wild
Estátua que homenageia a tripulação do Endurance que sobreviveu alguns meses na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Estátua em homenagem aos tripulantes do Endurance que passaram vários meses em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
Nós não desembarcamos ali, apenas demos a volta de zodiac. Do barco, além das pedras, pinguins, gelo e o pequeno espaço onde viveram esses valentes, também avistamos uma estátua, uma marca humana algo destoante em meio àquela natureza selvagem. Logo imaginei que o busto, hoje cercado apenas de pinguins chinstrap, era uma homenagem a Wild ou ao próprio Shackleton. Que nada! O homenageado é Luis Pardo, um capitão da marinha chilena. Foi ele que, enfim, conseguiu resgatar os náufragos em Elephant island. Shackleton já havia tentado 3 vezes com barcos da Geórgia do Sul, mas as condições do inverno dificultavam o resgate. Enfim, já em Punta Arenas, conseguiu apoio da marinha chilena. A bordo do Yelcho, ele guiou Pardo através do mar gelado e conseguiu salvar todos os homens de sua tripulação. O capitão chileno recusou um prêmio em dinheiro oferecido pela Inglaterra, dizendo que apenas cumprira uma tarefa designada pela marinha de seu país.
Um pequeno pedaçõ da geleira desaba nas águas da baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida, causando muito barulho, nuvens e ondas,
Nosso guia nos ensina os segredos contados pelo gelo que flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Examinando um bloco de gelo que flutuava nas águas de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
O mar continua muito gelado ao redor de Point Wild. Mas agora, já em Novembro, as condições são muito melhores do que no auge do inverno, em Agosto. Mesmo assim, nossos zodiacs têm de driblar os blocos de gelo que flutuam pela baía. Quase todos eles são provenientes das enormes geleiras que escorrem das altas montanhas de Elephant island. Vimos e ouvimos vários “desabamentos” de gelo sobre o mar, algo que sempre nos causa calafrios na espinha. Nosso guia, um glaciologista, aproveitou a oportunidade para nos ensinar mais sobre o gelo, a história que ele conta, sua origem no alto das montanhas, processo de formação e final de vida no mar. Alguns pedaços são do tamanho de bolas de futebol enquanto outros, os maiores, chegam ao tamanho de pequenas casas.
Sol ilumina um enorme iceberg tabular nas costas de Elephant Island, na Antártida (foto de Melissa Bartlett)
Um belo e majestoso iceberg flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Um belo e majestoso iceberg flutua na baía de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
Grandes? Não, grande é outra coisa, é aquilo que flutua na entrada da baía, um autêntico e gigantesco iceberg tabular, vindo diretamente das plataformas de gelo da Antártida. Com dezenas de metros de altura e centenas de metros de lado, isso é apenas a parte visível, já que a grande maioria de sua massa, cerca de 8/9 dela, está escondida abaixo da superfície do mar. Até o nosso Sea Spirit fica pequeno perto deles.
Um enorme iceberg tabular pouco antes de afundar na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
De volta ao Sea Spirit após passeio de zodiac em Point wild, Elephant Island, na Antártida
Iceberg tabular se vira, afunda e deixa apenas uma pequena parte de seu corpo fora da água na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
Passageiros observam incrédulos a iceberg que afundou na baía de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida
Pois bem, com nossos zodiacs, a gente chegou mais perto desses magníficos e belos gigantes. Não tanto como gostaríamos, mas perto o suficiente para admirar e fotografar a sua beleza. Não chegamos mais perto pelo risco que há deles se virarem e causarem grandes ondas. Pelo menos, foi o que disse nosso guia, embora não acreditássemos muito nesse perigo. Bem, nossa incredulidade não durou muito. Meia hora mais tarde, todo mundo já a bordo do Sea Spirit, eis que o gigantesco iceberg realmente se virou. Parece que de propósito, diante dos olhos atônitos de dezenas de turistas e tripulantes. Um verdadeiro espetáculo de proporções titânicas. Felizmente, nenhum zodiac por perto. Teria sido difícil escapar de um banho gelado, bem gelado! A visão desse enorme iceberg se virando foi apenas uma das muitas e incríveis surpresas que tivemos nesse dia. Houve muitas outras, devidamente relatadas nos posts seguintes...
O Sea Spirit fica pequeno quando comparado às encostas geladas de Point Wild, em Elephant island, na Antártida
O Sea Spirit fica pequeno perto dos enormes blocos de gelo na região de Point Wild, Elephant Island, na Antártida (foto de Jeff orlowski)
Rua movimentada no centro histórico de Quebec, no Canadá
Geralmente, imaginamos o nosso continente americano colonizado por portugueses (Brasil), ingleses (EUA e Canadá) e espanhóis (os outros países, da Argentina até o México). Franceses e holandeses seriam apenas “curiosidades históricas”. Na verdade, essa denominação deveria ser dada a suecos e dinamarqueses, que também estiveram por aqui (quem acompanhou nossa passagem por St. Barth e Ilhas Viirgens Americanas sabe disso!), enquanto holandeses e franceses, esses sim, tiveram uma participação bem importante na formação do nosso continente. Os primeiros, em várias ilhas do Caribe, além de uma importante passagem pelo Nordeste do Brasil e na criação da cidade de Nova York, e os últimos, também no Caribe e em boa parte da América do Norte.
Pessoas fantasiadas passeiam pelo centro histórico de Quebec, no Canadá
Pois é, os gauleses tem uma rica participação na história, não só do Canadá, mas também dos Estados Unidos. Foram os seus exploradores os primeiros a se aventurar pelo interior do continente, chegando aos Grandes Lagos, navegando pelo Mississipi e cruzando as Montanhas Rochosas. Fundaram importantes cidades como Quebec e Montreal, no Canadá, Chicago e New Orleans, nos Estados Unidos e até hoje o francês é a língua falada por milhões de habitantes da América do Norte, especialmente no leste do Canadá.
Pessoas fantasiadas passeiam pelo centro histórico de Quebec, no Canadá
Depois do primeiro ímpeto exploratório no início do séc XVI, o que trouxe os franceses ao Canadá 100 anos mais tarde foi o lucrativo comércio de peles, principalmente de castor A demanda europeia por chapéus gerava tanta riqueza que foi capaz de sustentar a vinda de milhares de famílias para o novo continente., estabelecidas na região ao sul da província de Quebec, principalmente na cidade de mesmo nome.
Pessoas fantasiadas passeiam pelo centro histórico de Quebec, no Canadá
Mas o comércio de peles era tão lucrativo que atraiu as ambições de outra nação: a Inglaterra. Um pouco depois dos franceses, eram os ingleses que chegavam, proclamando-se também senhores daquelas novas terras. Enquanto a rivalidade e disputa entre as duas nações europeias aumentavam, os franceses foram fazendo uma rede de alianças com as populações indígenas locais. E foram esses índios que ensinaram a seus aliados os caminhos e rotas do novo continente. Não demorou muito para que os franceses chegassem aos Grandes Lagos, quase um oceano de água doce em pleno coração do continente. Dos lagos, chegaram ao Mississipi e, descendo o rio, atravessaram a região central dos Estados Unidos, chegando ao Golfo do México. No caminho, foram fundando entrepostos comerciais e fortes que deram origem às cidades de Detroit, Chicago, St. Louis e New Orleans.
Pessoas fantasiadas passeiam pelo centro histórico de Quebec, no Canadá
Mais ao norte, as disputas com os ingleses culminaram com a Guerra dos 7 Anos, vencida pela Inglaterra em 1763. A batalha lutada ao lado dos muros da cidade de Quebec, nas “Plains of Abraham”, em 1759, definiu os rumos da guerra, do continente e, quiçá, do mundo. Foi tão sangrenta e decisiva que os comandantes dos dois exércitos morreram na luta. A suada vitória inglesa, consolidada no Tratado de Paris em 1764, fez com que a França reconhecesse a soberania inglesa em todo o Canadá. Em troca, pôde manter a posse de Guadalupe, no Caribe. Na época, a ilha era mais importante para os planos coloniais franceses do que o Canadá...
A guarda da Citadela de Quebec, no Canadá
Os ingleses colocaram em prática, então, o seu plano de suprimir a cultura francesa da região. Católicos (franceses eram católicos e ingleses, anglicanos) eram proibidos de ocupar cargos públicos, a imigração de franceses para fora do Canadá era incentivada (e às vezes, forçada) e o uso da língua, reprimido. Essas medidas tiveram o efeito contrário ao desejado, a comunidade francófona se unindo ainda mais na defesa de sua cultura e modo de vida. Foi nessa hora que acontecimentos mais ao sul do continente fizeram os ingleses mudar sua política.
Pessoas fantasiadas caminham pelo centro de Quebeq, no Canadá
Era a Guerra de Independência das 13 colônias. Cientes de que a confusão chegaria até lá, os ingleses trataram de ganhar a simpatia dos habitantes franceses, revogando a política de supressão da sua cultura. Estavam certos! Não demorou muito para que revolucionários americanos ocupassem Montreal e tentassem o mesmo em Quebec. Mas, para sua surpresa, os franceses ainda se sentiam menos simpáticos a eles do que aos ingleses. Nem a lábia de Benjamim Franklin, nem o fato dos exércitos da própria França lutarem ao lado dos revolucionários americanos comoveram os franco-canadenses. Eles não se juntaram à revolução, repeliram os americanos em Quebec e os expulsaram de Montreal, com a ajuda dos exércitos ingleses que chegaram à região.
O interessante Museu da América Francesa, num seminário em Quebeq, no Canadá
Bom, ao final da guerra, os Estados Unidos eram um país livre e o Canadá permanecia inglês, agora com a população reforçada por milhares de realistas (fiéis ao rei) que emigraram das colônias rebeldes. Enquanto isso, ao oeste do Mississipi, a região conhecida como Louisiana permanecia uma colônia francesa. Essa região era muito maior que o atual estado da Louisiana, no sul dos Estados Unidos. Ela se estendia do Mississipi até as Montanhas Rochosas, e da fronteira do Canadá até o golfo do México. Com exceção das cidades ao longo do rio e na costa do Golfo, era povoada basicamente por povos indígenas, que desconheciam seu status de “súditos do rei da França”. Na verdade, de Napoleão, que era quem mandava na França naquela época.
O interessante Museu da América Francesa, num seminário em Quebeq, no Canadá
Mas Napoleão, após ter seu exército derrotado pela febre amarela no Haiti e, com isso, ver cair por terra seus sonhos de um império colonial na América, achou por bem vender suas posses da Louisiana para os Estados Unidos. Além de precisar de dinheiro para sustentar suas guerras contra os ingleses, ele não via possibilidade de defender suas vastas e despopuladas terras na América do Norte contra as futuras ameaças. Foi assim que cidades francesas como New Orleans e St. Louis passaram a ser americanas.
O muro que cerca o centro histórico de Quebec, no Canadá
Uma outra guerra, que este ano completa 200 anos, ainda marcaria a relação de americanos e canadenses. Vou falar mais sobre ela quando passar em Toronto, mas o fato é que ela serviu de vez para criar um sentido de “identidade canadense”, ajudando a cimentar os laços entre dois povos para a criação de uma só nação. Enquanto isso, na poderosa nação que se formava no sul, foram “guias franceses” que ensinaram aos americanos os tortuosos caminhos que levavam do Mississipi à Califórnia e ao Pacífico, principalmente as secretas passagens pelas Montanhas Rochosas. A ligação com o oeste da América continuava forte entre os franco-canadenses até a época da grande corrida do ouro, na metade do século XIX. Entre os primeiros imigrantes, estavam aqueles de língua francesa e, no auge do boom, Los Angeles e San Francisco tinham 20% de sua população falando francês, além de prefeitos oriundos da província de Quebec. Também para a região da Nova Inglaterra eles migraram (o nome Vermont vem do francês “Verdes Montes”) e apenas no estado do Maine, na virada dos séc XIX para o XX, mais de 100 jornais e revistas eram editados na língua francesa.
Altar da Catedarl Holy Trinity, em Quebec, no Canadá
Já no Canadá, a relação entre os habitantes de língua inglesa e francesa sempre teve seus altos e baixos. A política atual, de valorização de culturas diferentes, é relativamente recente e os francófonos sempre reclamaram de uma certa perseguição. Mesmo bem recentemente, falava-se e defendia-se abertamente a separação da província e a criação de um novo país. Por duas vezes foram realizados referendos, o último deles em 1995, perguntando à população sobre o desejo de um país independente. Uma diferença menor que 1% manteve o país unido. Felizmente, desde então as novas gerações tem tido outras preocupações enquanto o país se preocupa cada vez mais em valorizar suas diferenças culturais. Aprendeu que, com isso, só tem a ganhar, a começar pelo turismo, nacional e internacional.
O famoso Chateau Frontenac, um dos mais fotografados hoteis do mundo, em Quebec, no Canadá
Nós, por exemplo, estamos maravilhados com a cultura que encontramos por aqui, desde estilos arquitetônicos até a culinária saborosa, passando pela música, vestuário e, enfim, todo um modo de vida característico. E a cidade de Quebec, ou Ville de Quebec, é o melhor exemplo disso, o centro irradiador da cultura francesa na América, a prova viva de que nós, americanos, também sabemos fazer queijo e vinho, falar francês e fazer biquinho. É uma delícia se sentir em Paris estando no nosso continente. Depois da verdadeira aula que tivemos no Museu da América Francesa e das refeições deliciosas que estamos tendo na cidade, só podemos dizer, am alto e bom francês: “Vivre L’Amérique Française!”
Show de fogos animam mais uma noite de verão em Quebec, no Canadá
Fiona enfrenta estradas de rípio e lindas paisagens na viagem entre Potosí e Tarija - Boívia
Dia de viagem na Bolívia. Só pode significar uma coisa: paisagens magníficas! Da outra vez que viajei por aqui, já há 20 anos, as paisagens também eram belíssimas, mas viajava de busão. Apertado, desconfortável, barulhento, pinga-pinga, era mais uma experiência sociológica. A beleza estava lá, com certeza, mas se disfarçava atrás das "dificuldades". Mas agora, no conforto da Fiona, devidamente aquecido e parando aonde e por quanto tempo quiser para tirar fotos ou simplesmente admirar e contemplar, a história é outra! Um bem para os olhos, para a mente e para a alma...
Rebanho de lhamas wm meio à montanhas na viagem entre Potosí e Tarija - Boívia
Saímos cedo de Potosí, enfrentamos a confusão habitual do centro e logo já estávamos no nosso recorde de altitude, nosso e da Fiona, perto dos 4.300 metros de altura. Vista ampla, dezenas e dezenas de quilômetros. Montanhas, pastagens, lagoas e lhamas pastando. É... estamos na Bolívia!
Feira movimentada em pequena cidade na viagem entre Potosí e Tarija - Boívia
Só para ter certeza, alguns quilômetros adiante, já em estrada de rípio, passamos por uma pequena vila totalmente abarrotada de pessoas das outras vilas da região. É a feira de sábado, com milhares de crianças, pastores e cholas, com suas vestimentas peculiares. É... é mesmo a Bolívia! Naquele lugar perdido do mundo, todas aquelas pessoas seguindo suas vidas, fazendo suas compras da semana, um sábado normal, enquanto dois turistas vindos de outro mundo, com um carro meio esdrúxulo, atravessava as suas vidas naquele breve momento de contato de realidades tão distintas. Momentos que fazem valer uma viagem, choque de culturas e conhecimentos que nos mostram que o mundo é muito maior que nossa vã filosofia nos faz acreditar!
Cactus, planta comum na paisagem entre Potosí e Tarija - Boívia
Falando em estrada de rípio, ela está sendo asfaltada, pelo menos em alguns trechos. Aliás, estradas em toda a Bolívia estão sendo asfaltadas. Uma das empreiteras fazendo o trabalho é a OAS. Engraçado ... no Brasil, associo logo empreiteras à sujeirada e corrupção. Aqui na Bolívia, o primeiro sentimento que veio ao ver o nome da OAS foi o de patriotismo. Concordo... sentimento meio infantil mas, enfim...
Paisagem magnífica na viagem entre Potosí e Tarija - Boívia
Legal foi algum tempo depois, quando discutíamos quem eram os brasileiros que trabalhavam naquela obra: provavelmente alguns gerentes e chefes de obra, mas a peaozada não, mão-de-obra barata é o que não falta no país. Foi falarmos isso e chegamos a um ponto em obras, estrada meio interrompida. Avançávamos com cuidado e os trabalhadores estavam em dúvida se deixariam nos passar. Foi quando um deles olhou a nossa placa e gritou: "Se for brasileiro, pode passar!" Hehehe, os brazucas estão por lá também, colocando a mão na massa!
Paisagem magnífica na viagem entre Potosí e Tarija - Boívia
E assim seguimos, sempre embasbacados com as paisagens maravilhosas que passavam pelos nossos olhos. De maneira geral, a altitude seguia baixando mas, quando chegou aos 2.300 metros, já bem mais perto de Tarija que de Potosí, eis que voltou a subir novamente. A cada dia me reconheço como mais e mais ignorante da geografia do nosso vizinho. Isso é bom, pois nada melhor do que aprender! Bem, subimos, subimos e chegamos aos 3.800m. Mais uma vez, paisagens de encher os olhos. Mas dessa vez tinha algo diferente! Lá estava Tarija, exatos dois quilômetros abaixo de nós. Pois é, mesmo estando na mesma altura do Morro da Igreja, ponto mais alto da região sul do Brasil, onde estivemos há três semanas, a cidade ainda estava DOIS MIL METROS abaixo do ponto em que estávamos. Entre nós, uma imenso vazio, dois quilômetros de atmosfera. Que coisa mais linda!!!
Fiona enfrenta estradas de rípio e lindas paisagens na viagem entre Potosí e Tarija - Boívia
Vagarosamente descemos, curva após curva. Não chegava nunca! Descíamos, descíamos, e ainda estávamos muuuuito altos. Enfim, chegamos à cidade dos vinhos da Bolívia. Ruas largas, trânsito ordenado, quase um outro país. Confesso minha total ignorância ao reconhecer que nunca tinha ouvido falar de Tarija até um mês atrás. Mas o fato é que a cidade é um destino turístico internacionalmente reconhecido, merecidamente! Tem dezenas de opções de hospedagem e logo encontramos a nossa, o Hotel Luz, bem perto do centro. Achamos também um estacionamento para a Fiona e saímos para jantar num dos muitos bons restaurantes da cidade. Bebemos um delicioso vinho, nosso "prato" principal (hehehe) e pedimos um fondue de queijo para acompanhar. Fondue gostoso por pouco mais de 10 reais, não dá para recusar, né? Viva os preços da Bolívia!
Mirante a 3.800 metros de altitude na viagem entre Potosí e Tarija - Boívia. Ao fundo, estrada inicia descida para Tarija, 2 quilômetros abaixo
Mañana, é dia de seguir viagem e voltar à Argentina, dessa vez de verdade e não só por algumas horas! Hermanos queridos, aí vamos nós!
Vinho e fondue em Tarija - Bolívia
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)

.jpg)
.jpg)

.jpg)

.jpg)
.jpg)

.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
