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Cícero Tomaz (27/09)
Olá Rodrigo, acabamos de chegar no Acadia National Park, amanhã será u...
Rondoniense (27/09)
Olá! Inacreditável ver seu post e comparar com o relato de um motorista...
Sheila Moralles (26/09)
Além do livro de vocês, agora espero um filme sobre esse vulcão, alguÃ...
Tereza Ferreirab da Silva (26/09)
Nasci nesta cidade, morei aí estudei até os meus 09 anos e fui com minh...
Lucas (21/09)
Olá Rodrigo, td bem? Nossa dúvida é parecida com a do Samuri. Estávam...
Gravação no deserto de Atacama, próximo à San Pedro de Atacama, no Chile
Hoje foi um dia sossegado aqui em San Pedro. Nossa idéia original era partir logo pela manhã para o Salar de Uyuni, via Laguna Colorada. Vamo com o Cristóbal, o mesmo que nos guiou até o Cerro Toco. Mas o tempo deu uma virada ontem e andou nevando nas terras altas. Assim, ficamos com medo que as trilhas e precárias estradas do altiplano tivessem sido bloqueadas pela neve. Achamos melhor esperar mais um dia e obter informações das agências que tentaram fazer o percurso hoje.
Galeria em San Pedro de Atacama, no Chile
Pois bem, elas não só tentaram como fizeram! Assim, nossa partida para a Bolívia e seu maravilhoso Salar está confirmadíssima para amanhã. Além do Cristóbal, vai com a gente também a Krasna, uma amiga chilena dele de origem croata. Conhecemos ela rapidamente hoje de noite e acho que serão ótimas companhias. Partimos todos bem cedinho e a primeira noite será num refúgio na Laguna Colorada.
Filmando no deserto de Atacama, próximo à San Pedro de Atacama, no Chile
Aqui, aproveitamos para passear mais um pouco pela cidade e, principalmente, para tentar diminuir o enorme atraso que temos no site. A quantoidade de fotos e informações, além da intensa programação tem sido demais para nós e não temos dado conta das atualizações. Mas, um dia a gente chega lá!
Gravação no deserto de Atacama, próximo à San Pedro de Atacama, no Chile
O que aconteceu também foi aquela gravação/entrevista de que falei outro dia, para uma TV brasileira. Ficou bem legal, mas se vai entrar na edição final do programa, isso são outros quinhentos... Vamos ficar na torcida, mas a concorrência com a quantidade de belíssimas imagens que eles vem acumulando aqui no Atacama vai ser fogo. Será?
Gravação no deserto de Atacama, próximo à San Pedro de Atacama, no Chile
No topo da Pedra do Baú, na região de Campos do Jordão - SP
Tão interessante como viajar no espaço é viajar no tempo. Viajar no espaço é o que temos feito nesses pouco mais de 3 meses e o que continuaremos a fazer pelos próximos 900 dias. Viajar no tempo é o que tenho feito nos últimos 35 anos e o que continuarei a fazer nos próximos 50 anos. É o karma de pessoas nostálgicas como eu.
No meu caso, uma viagem puxa a outra e vice-versa. Para viajar para meus tempos de adolescência, vim à Campos de Jordão. Por vir à Campos de Jordão, viajei nos meus tempos de infância.
No Bauzinho com a Pedra do Baú ao fundo, na região de Campos do Jordão - SP
Na verdade, refiro-me mais à Pedra do Baú do que à Campos propriamente dita. Mesmo depois de tantas montanhas e trekkings, o calcanhar da Ana ainda em carne viva, eu quis levá-la para o Baú. Por quê? Bom, pelas razões óbvias da beleza e aventura do lugar. Mas, mais do que isso. Bem mais do que isso. No aniversário de 80 anos da minha finada avó, em 1986 (lá se vão 24 anos!), bem na época da decretação do também finado Plano Cruzado, minha família se reuniu num hotel de Campos do Jordão para as devidas comemorações. Entre as atividades, fomos vários netos em "excursão" familiar ao topo da Pedra do Baú. Para mim, foi muito excitante ver a família reunida fora dos lugares comuns (para nós!) de Poços de Caldas, Ribeirão Preto ou Guarujá. Ainda mais em uma atividade esportiva na natureza, como é a subida pelos frágeis degraus que nos levam ao topo do Baú. Alguns dos primos menores não se arriscaram. Muito menos tios e tias. Mas a maioria dos primos lá chegou. Fotos foram tiradas e ainda hoje enfeitam paredes e a imaginação dos que lá estiveram naquele dia distante ou dos que nem haviam nascido e hoje tem idade próxima à dos pais naquela época.
Caminhando sobre o Bauzinho em Campos do Jordão - SP
Pois bem, eu sou um daqueles que aparecem nessas fotos na parede e quis levar a Ana lá, para tirar fotos no mesmo lugar e também para saciar meu saudosismo egoísta. Enfim, tentar torná-lo menos egoísta e reparti-lo com minha amada. Lá estivemos e lá tiramos as fotos. Na verdade, quase não tiramos já que acabou a bateria da máquina. Mas a Ana salvou o dia e minha viagem espaço-temporal ao lembrar-se que o celular também tira boas fotos!
Na ponta da Pedra do Baú na região de Campos do Jordão - SP
E não é que, ao passear pelo topo do Baú, não foram essas reminiscências que povoaram minha mente mas outras mais antigas ainda? De forma totalmente inesperada, passei a ver e sentir o pequeno moleque de apenas 9 anos que, em dezembro de 1978 escalou o Baú pela primeira vez, em excurção promovida pelo Paiol Grande, colônia de férias famosa que marcou gerações de paulistanos (e uns poucos mineiros como eu). Subimos pelo lado de São Bento, muito mais amedrontador que as escadas do lado de Campos. Principalmente para um menino de 9 anos. Ao ver hoje como a Ana enfrentou e venceu seus medos e os degraus que sobem a pedra, lembrei-me perfeitamente da minha própria briga, não com o medo mas com o pavor daqueles degraus subindo verticalmente aquelas paredes ameaçadoras, quase infinitas. Diferentemente daquela criança, a Ana não chorou. Mas os dois chegaram lá em cima.
Descendo a Pedra do Baú na região de Campos do Jordão - SP
Como homenagem à essas memórias tão antigas que invadiram minha mente, não pude deixar de ir ao Paiol Grande depois de descermos do Baú. Lá chegando, já no fim de tarde, um descuido da segurança nos deixou entrar, já que o acampamento estava fechado para as filmagens de um filme do Didi (Renato Aragão). Para tristeza de um dos diretores do setting, mas para minha alegria indiscutivelmente maior e mais sincera, pude mostrar à Ana os chalés e campos esportivos que marcaram minha infância e adolescência, já que lá estive por seis temporadas. As lembranças se encheram de cenas de pessoas que já não vejo há décadas e que provavelmente nunca mais verei. Pessoas que passaram pela minha vida, tiveram seu papel e continuaram seus próprios caminhos. Mas também revivi cenas de pessoas que ainda hoje me são muito presentes. O irmão Guto, os primos Haroldo, Jorge e Chico e, especialmente, o irmão Paulinho, que nesse dia 29 celebraria 38 anos mas que para sempre terá 17 anos.
Na colônia de férias Paiol Grande em São Bento do Sapucaí
Na colônia de férias Paiol Grande em São Bento do Sapucaí
E meu coração se encheu de uma alegre tristeza. Afinal, é dessa tristeza alegre que vivem os nostálgicos. É o nosso karma.
Observando pessoas escalando a Pedra do Baú
Em meio às águas rasas do mar da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Na manhã seguinte depois da nossa chegada à Holbox e da noite agitada de carnaval, era chegada a hora de conhecer as praias da ilha. Só tínhamos visto a costa voltada ao continente, tomada de mangues e águas escuras. Exatamente como o livro-guia havia nos prevenido. Então, sem muitas expectativas, caminhamos os pouco mais de 100 metros até lá, para dar uma olhada.
A incrível beleza das praias da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Que lugar para armar a rede! (ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México)
Na verdade, não foi preciso andar tudo isso para que o queixo caísse, a respiração parasse e os olhos se arregalassem. De longe mesmo, o incrível tom de verde já saltou aos olhos. Não era aquele azul-piscina de Isla Mujeres, mas um verde esmeralda para ninguém botar defeito! Simplesmente, maravilhoso!
Descansando no paraíso! (ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México)
A diferença aqui é que as praias são infinitamente mais vazias e tranquilas que em Isla Mujeres. Fora da temporada dos tubarões-baleia, que começa em Abril, não são muitos os que vem para cá. Não sabem o que estão perdendo!
Combinação perfeita! (ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México)
Relaxando, depois do almoço (ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México)
O mar é bem raso na primeira centena de metros, formando piscinas naturais de águas bem calmas e faixas de areia em meio ao verde, ilhas que são a imagem perfeita daquele paraíso idealizado por todos nós.
Hoteis na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Pois foi nesse paraíso que viemos parar, dispostos a passar alguns dias descansando e trabalhando nos blogs. As únicas preocupações eram escolher o restaurante onde iríamos comer, o bar na beira da praia para tomarmos a cervejinha de lei e o horário da nossa caminhada na praia com direito a mergulho.
Caminhando nas águas rasas da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
No primeiro dia, resolvemos caminhar para o lado direito, para longe da cidade. Não conseguimos ir muito longe. Logo depois de um quilômetro, encontramos um restaurante-hotel estrategicamente colocado na ponta de uma baía. Local ideal para fotos, para comer, para um rum punch, para um mergulho, para um descanso, para ficar de barriga para o ar. Com tudo isso ali, para nós, para quê seguir mais longe?
Uma turma da pesada toma conta de um pier na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Ancoradouro em praia da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
No dia seguinte, a caminhada foi em direção à cidade. Passamos pelo pitoresco ancoradouro, pelos pelicanos que dominam o pedaço e pelas gaivotas que azucrinam os pelicanos. A Ana encontrou uma linda menininha local e não resistiu ao seu instinto socializatório. Foi meia hora de conversa tentando entender o mundo visto por uma garotinha de 5 anos. Não um mundo qualquer, mas um mundo de areias brancas cercadas por um verde-esmeralda. Pois é, mesmo num mundo assim, também se encontram problemas e chateações. No caso da amiguinha da Ana, eles vinham na forma de um irmão mais velho, que sempre dava um caldo na jovem irmã quando ela se arriscava mais ao fundo. Irmãos...
A mais nova amiguinha da Ana na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Finalmente, seguimos em frente, passando pela cidade e chegando à área de um parque. Aí, junto com uma garça solitária, nossa única companhia, assistimos mais um daqueles poentes cinematográficos. Depois do show cósmico, a chateação terrena: tivemos de voltar acelerados para nos livrar dos pernilongos.
Garça solitária em praia da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Belo entardecer na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
No nosso último dia inteiro na ilha, tentamos novamente seguir para o lado direito, dessa vez sem parar naquele restaurante “estratégico”. Meia hora de caminhada mais além nos leva até a boca de um rio. Não um rio qualquer, mas um rio que também tem águas de cor verde-esmeralda. Outro espetáculo! Para atravessá-lo, só a nado. De qualquer maneira, do lado de lá a trilha acaba e a praia fica estreita demais entre o mar e a vegetação nativa. É, temos de fazer o sacrifício de ficar por ali mesmo, naquela praia de rio ao lado do mar...
Um magnífico rio de águas verdes se encontra com o mar na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Um magnífico rio de águas verdes se encontra com o mar na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Além de nossa caminhadas pela praia, sempre íamos para a cidade, de noite. O carnaval de terça-feira já foi bem mais tranquilo que o de segunda, quando chegamos. O de quarta, então, já praticamente não houve. Mas os restaurantes estavam lá, cada um com sua especialidade.
Caminhada antes da chuva na iilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Mas, numa dessa noite, ao invés de caminhar até a cidade, resolvemos tentar um café ali do lado mesmo, numa rua lateral. Que ótima pedida! Quem toma conta são duas argentinas, amigas de outras várias, que também frequentam o lugar. Como nós também gostamos e passamos a frequentar o café, acabamos falando mais “argentino” do que “mexicano” esses dias.
Nossas amigas argentinas em seu restaurante onde tomávamos nosso saudável café da manhã, na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Logo nessa primeira noite, além do jantar, ainda ganhamos uma sessão de cinema, ai mesmo. O filme, um que fazia muito tempo que eu queria (re)ver: “Vicky Cristina Barcelona”. Uma delícia! Depois dessa noite, todos os nossos cafés da manhã passaram a ser aí, frutas com granola e iogurte, saúde pura, para combinar com Holbox.
Comprando côco de um vendedor e seu simpático veículo, na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Caminhando para a praia nas ruas de areia da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Enfim, essa foi nossa difícil rotina em Holbox, por cinco noites e quatro dias inteiros. Mente, corpo e alma descansados e preparados para seguir viagem. Pois é, só mesmo o longo caminho que nos resta para nos dar forças de sair desse pequeno paraíso escondido no norte do Yucatán. Não são bobos nem nada os tubarões-baleia, que voltam para cá todos os anos, não para uma temporada rápida como a nossa, mas para uns bons dois ou três meses de vida mansa em águas cálidas...
Bizarras carapaças que se encontram nas praias da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
As belas e grandiosas paisagens nas estradas do interior americano (sul da Califórnia - EUA)
Hoje tivemos um dia na estrada, como serão muitos em nossa passagem por esse país de dimensões continentais. E olha que só estamos rodando na parte sul de um dos cinquenta estados do país, a Califórnia. Tudo bem que começamos meio tarde, mas foram várias horas de estrada.
Atravessando cidade durante viagem no sul da Califórnia, nos EUA
Saímos das cercanias do Joshua Tree National Park e rumamos para noroeste, até a pequena cidade de Three Rivers, ao lado do Sequoia National Park. Pelo caminho e pelas estradas, várias das características que fazem dos EUA um lugar especial para uma road trip.
As belas e grandiosas paisagens nas estradas do interior americano (sul da Califórnia - EUA)
Para começar, estradas muito bem cuidadas. Asfalto em boa condições, sinalização perfeita, principalmente para quem vem acostumado com algumas dezenas de milhares de quilômetros cruzando a América Latina. A gente só tem de se acostumar com as unidades de distância meio esdrúxulas, milhas, jardas e pés (miles, yards and feet), mas o resto é ótimo. Por exemplo, sempre que estamos chegando a uma nova cidade ou intersecção, lá estão as placas informando os hotéis, restaurantes e postos de gasolina que existem por ali. Já dá para escolher antes onde vamos dormir, o que vamos comer e onde iremos abastecer a Fiona.
As belas e grandiosas paisagens nas estradas do interior americano (sul da Califórnia - EUA)
Opções não faltam. Quer dizer, não faltam se você gosta de fast food, burgers e essas porcarias. Que saudades de uma comida caseira... Quando aos hotéis, são todos de grandes cadeias também. Muito eficientes, mas sem personalidade. Mas não podemos reclamar da limpeza e nem dos chuveiros, sempre com muita água quente!
As belas e grandiosas paisagens nas estradas do interior americano (sul da Califórnia - EUA)
Mas, voltando às estradas, o que mais impressiona são as paisagens grandiosas. Desertos e planícies de se perder de vista, montanhas nevadas ou enormes desfiladeiros, um horizonte e um céu infinitos. É sempre um prazer olhar pela janela, para qualquer lado que seja. Tudo vai passando devagar diante dos nossos olhos (nada de ultrapassar as 70 milhas por hora!), como num bom filme de Hollywood.
As belas e grandiosas paisagens nas estradas do interior americano (sul da Califórnia - EUA)
Enfim, assim foi nosso dia de hoje, culminando com uma passagem ao lado de um lago magnífico, já quase nas portas de Three Rivers. Foi um dia interparques, mas nem por isso longe das belas paisagens. Ao contrário, foi através delas!
Um belo lago pouco antes de chegar à Three Rivers, no Sequoia National Park, na Califórnia - EUA
Igreja em Sucre - Bolívia
Aqui em Sucre que nasceu o "país" Bolívia. Foi onde os notáveis da época se reuniram em 1816, num congresso, para proclamar a independência do país, a antiga região do Alto Peru, e criar a República da Bolívia. Já há vários anos as colônias espanholas lutavam uma guerra sangrenta pela sua independência, da Colômbia à Argentina. Nomes como Simon Bolivar, mais ao norte, e San Martin, mais ao sul, lutavam grandes batalhas contra os exércitos da metrópole, enquanto na atual Bolívia se lutava uma guerra de guerrilhas, sem maiores enfrentamentos.
Homenagem ao grande nome da independência da américa espanhola, em Sucre - Bolívia
Finalmente, em 1816, os bolivianos estavam prontos para, formalmente, declarar sua independência. Como presidente vitalício do novo país foi apontado Simon Bolívar. Mas este estava mais preocupado com outro país que também lutava pela independência, a Gran-Colômbia (união das atuais Venezuela, Colômbia, Equador e Panamá), e não pode assumir. Foi eleito então um dos grandes generais da época, Sucre, que depois foi homenageado com o nome dessa cidade. Mas, muito antes da homenagem, tentaram foi assassinar Sucre, dando origem a um péssimo histórico de expectativa de vida para presidentes do país. Desde a criação do país, 20% deles foram assassinados. Sucre escapou, mas deixou logo o país para poder viver por mais tempo. Não teve a mesma sorte o próximo presidente eleito, assassinado uma semana depois de tomar posse...
Porta de igreja em Sucre - Bolívia
Bom, além dessa contínua briga entre grupos políticos rivais, que resultaram em dezenas de golpes e assassinatos, houve outra, agora entre cidades, para decidir qual seria a capital do país. La Paz foi ganhando força econômica aos poucos, principalmente por ter mais fácil acesso ao oceano. Assim, as sedes dos poderes executivo e legislativo se mudaram para lá antes do final do século XIX. Tornou-se a capital de fato do país enquanto Sucre, ainda hoje, é considerada a capital constitucional. É o simbolismo que resiste, mas não passa disso.
Palácio em Sucre - Bolívia
A cidade é belíssima e se eu tivesse de morar na Bolívia, aqui seria a minha escolha. A minha e de muitos gringos, que vem para cá para estudar espanhol. Sucre tem muitas igrejas da época colonial, com rica ornamentação interna e bela arquitetura externa. Há muitos palácios também, restaurantes gostosos e pousadas charmosas, que funcionam em antigas mansões.
Abundância de frutas no mercado em Sucre - Bolívia
Cholas descansam no mercado em Sucre - Bolívia
Nós passamos o dia caminhando em suas ruas do casco histórico, a cor branca predominante, vinda da cal que ajudava a proteger de antigas pestes e que hoje viraram marca registrada da cidade. O movimento de pessoas é intenso, principalmente de estudantes. Sucre é uma cidade universitária hoje, atraindo muitos bolivianos e mesmo estrangeiros. Isso traz um clima bastante relaxado à Sucre, além da vida cultural e noturna intensas. Eu a e Ana, por exemplo, até tivemos tempo para assistir dois curtas de um festival de cinema que está ocorrendo na cidade.
Cerveja de frente para a praça 25 de Maio, em Sucre - Bolívia
No meio da tarde, lanchamos de frente à praça central, numa sacada bem charmosa. Antes, tínhamos visitado o movimentado Mercado Municipal, onde se vê as pessoas da cidade comprando e vendendo, de frutas e verduras à artesanato e refeições. Muito legal! De noite, jantamos num restaurante de um brasileiro, o "Vieja Bodega", cheio de turistas europeus e estrangeiros que moram na cidade. Realmente, gostamos muito da cidade. Pode-se fazer e ver tudo à pé e a Fiona ficou devidamente guardada num estacionamento que custa menos de 5 reais por dia. Ainda bem porque as ruas estreitas dessas cidades históricas e o trânsito intenso e meio desordenado não foram feitos para carros do tamanho da nossa Fiona.
A "Casa da Liberdade", local da ploclamação da independência boliviana, em Sucre - Bolívia
Amanhã, passamos a manhã por aqui ainda, visitando atrações que ainda não fomos e seguimos para Potosi, a cidade grande mais alta do mundo, acima dos 4 mil metros de altitude!
Iluminação noturna da bela igreja de São Francisco, em Sucre - Bolívia
Passeando em Abraão, na Ilha Grande - RJ
Depois do dia puxado de ontem, aproveitamos o tempo ainda nublado de hoje para ficar aqui por perto, passear na vila e nas redondezas, ver o tempo passar. Estávamos precisando. O Pico do Papagaio, se o tempo colaborar, ficou para amanhã, antes de pegarmos a balsa para Angra e de lá para a cidade maravilhosa.
Visitando o Centro de Visitantes do INEA em Abraão, na Ilha Grande - RJ
Depois de uma saudável enrolação durante a manhã, fomos ao Centro de Visitantes do INEA, o órgão estadual que cuida dos parques, reservas, APAs e assemelhados aqui no estado. Há vários painéis explicativos sobre a geologia, história, fauna e flora da ilha. Ali, aprendi que os jacarés realmente existem aqui, mas não são naturais da ilha. Aparentemente, um alemão com cabeça de jerico os introduziu na ilha, na década de 70, juntamente com outras espécies exóticas, como alguns tipos de mico. Um macaco que é natural da ilha é o bugio, o mesmo que gritava bastante ontem, enquanto eu corria para a Parnaioca. Aparentemente, ele não gostou muito de mim, não.
O Poção, na Ilha Grande - RJ
Lemos bastante também sobre as primeiras fazendas da ilha, o cultivo da cana e depois do café, sempre com uso da mão de obra escrava. As diversas prisões da ilha, que já abrigaram presos ilustres como Graciliano Ramos e outros nem tanto, como o Escadinha, que fugiu daqui de helicóptero. Finalmente, lemos sobre o Lazareto, uma enorme construção de D. Pedro II, já nos anos finais da monarquia. Ela servia para hospedar todos os viajantes que viessem de países com doenças infecciosas e que tivessem alguma suspeita de carregar a doença. Uma megaconstrução que tinha até um aqueduto que mais parece do tempo dos romanos. Hoje, está completamente tomada pela mata, o que mostra bem o poder de recuperação da natureza da ilha, se lhe derem chance...
As magníficas ruínas do Aqueduto da Ilha Grande - RJ
Bem, depois dessa visita, fomos fazer uma caminhada light aqui por perto, passando por mirantes, por uma bonita piscina natural apelidada de Poção, pelas incríveis ruínas do aqueduto e pelas ruínas tomadas pela mata do Lazareto, onde nosso ilustrado último imperador passou seus últimos dias no Brasil antes de ser enviado ao exílio, na Europa.
Ruínas do Lazareto, totalmente tomadas pela vegetação, na Ilha Grande - RJ
Amanhã, como já disse, partimos da ilha depois de uma última caminhada, seja para o Papagaio, seja para a cachoeira da Feiticeira. Vai depender do tempo. Seguimos para o Rio. O que não disse ainda é que amanhã é aniversário da minha linda esposa. Nosso primeiro aniversário na estrada tem de ser muito especial!
Caminhada próxima à Abraão, na Ilha Grande - RJ
Pôr-do-sol visto do alto da ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA
Já estou com meus óculos novos (que delícia!!!) e também com os velhos, agora consertados. Também estamos com as mochilas devidamente consertadas, assim como tênis e sandálias. Aos poucos, estamos reunindo tudo o que deixamos por aí, para reparações. Ficando prontos para colocar o pé na estrada novamente! Também voltei à dentista hoje e agora estou pronto para passar um bom tempo longe daquela cadeira!!!
Véspera de feriado e, como não poderia deixar de ser, o tempo começa a virar aqui em Curitiba. O frio e as nuvens se aproximam, prometendo um feriadão daqueles... Olhando para o céu acizentado, senti saudade do sol e, mais ainda dos fantásticos finais de tarde com o astro-rei pintando o céu com todos os tons do amarelo ao vermelho.
Início da viagem, nas Ilhas Virgens Americanas, no Caribe
Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI
Pertinho de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, esse é um dos mais belos e inspiradores pontos para se saltar de asa delta no país
Biruta do Pico do Gavião em Andradas - MG
Evento mais raro na nossa viagem, assistimos a um gelado e magnífico nascer-do-sol do alto de uma das mais altas montanhas do sul do país, na Serra da Mantiqueira
Nascer-do-sol no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG
Praia e sol no fim de tarde, combinação perfeita na Praia do Forte, na Bahia
Pôr-do-sol na Praia do Forte - BA
Pôr-do-sol cinematográfico, uma das características do sertão nordestino
Pôr-do-sol na caatinga, região de Cabaceiras - PB
Um dos mais famosos do Brasil, o pôr-do-sol do alto da duna de Jericoacoara, no Ceará.
Família assiste ao pôr-do-sol em Jericoacoara - CE
O pôr-do-sol é uma beleza universal. Tanto faz se for no Brasil ou no Caribe...
Admirando o pôr-do-sol em Marigot - St. Martin (Caribe)
Céu amarelo, barquinho flutuando nas águas calmas, sem tempo para preocupações. É o Caribe de St. Kitts e Nevis
Belo pôr-do-sol em Pinney's Beach, na ilha de Nevis
Pôr-do-sol a quase 8 mil metros de altura...
Vôo no pôr-do-sol sobre o mar do Caribe, em direção ao Suriname. Fim da temporada caribenha...
Pôr-do-sol inesquecível em plena amazônia, na estrada que liga Roraima ao Amazonas
Maravilhoso pôr-do-sol nos alagados entre Roraima e Amazonas
Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Com apenas um dia para explorar a península de Cape Cod, já que amanhã iremos para a ilha de Marta´s Vineyard, não tínhamos tempo a perder. Por falar em tempo, ele amanheceu lindo, céu azul e ensolarado. Era a dica: tínhamos de ir para a praia!
Estudando o mapa da península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
As mais belas praias da região estão na costa leste da península, onde um reserva criada por John Kennedy ajudou a preservar as belíssimas paisagens da especulação imobiliária que já ameaçava a península na década de 60. O famoso ex-presidente não era bobo, e o fato de sua família possuir uma casa em Cape Cod, região que já frequentavam fazia tempo deve tê-lo ajudado na decisão pela preservação desse belo litoral!
Nosso roteiro por Cape Cod
A história de Cape Cod começa muitos milhares de anos antes disso, durante as grandes glaciações. Há 20 mil anos atrás, enormes geleiras vindas do norte chegavam até aqui. O nível do mar era muito mais baixo (já que muita água estava na forma de gelo!), e as geleiras carregavam milhares de toneladas de rochas e detritos para o que é hoje mar aberto, mas na época ainda era terra firme.
Uma das muitas mansões na península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
O clima esquentou, as geleiras se retraíram, o gelo derreteu, mas as rochas que elas trouxeram serviram de “base” para essa estranha península que parece avançar mar adentro nos dias de hoje. Aos poucos, o mar está reconquistando seu espaço e, cientistas dizem, Cape Cod estará desaparecida em poucos milhares de anos. Mas, enquanto isso, o mesmo mar que destrói trouxe também muita areia, formando as belas praias que vemos hoje.
Magnífica paisagem do Salt Pond, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Outra característica interessante de “Cape”, como a região é conhecida para os íntimos, são os lagos de água doce, de forma circular, que pontilham pela região. Sua origem também vem da era glacial! Enormes blocos de gelo, alguns com o tamanho de bairros de uma cidade, foram deixados para trás pelas geleiras que retrocediam. Aos poucos, derreteram também, não sem antes afundar o solo com o seu enorme peso e formar enormes buracos, que encheram com sua própria água. Por aqui, são chamados de “ponds”.
Um dos muitos faróis espalhados pela península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Nós atravessamos a parte sul da península, em busca das praias que estão na costa leste. No caminho, além desses “ponds” reminiscentes das glaciações, muitas mansões dos milionários que tem aqui sua casa de praia. Estradas bem feitas, jardins bem cuidados, campos de golfe, tudo bem combinado numa paisagem elegante e bem conservada!
A praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Antes das praias, ainda passamos no centro de visitantes do parque, onde aprendemos muito da história, geologia e geografia desse lugar especial. Escolhemos também quais praias visitar, e aonde passaríamos boa parte do nosso dia. Antes disso, ainda deu tempo de fotografar outra das marcas de Cape Cod, alguns dos muitos faróis que ajudam a orientar os navios que há séculos navegam pela região.
Painel informativo sobre Marconi e a primeira comunicação wireless entre continentes, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Passamos rapidamente pela Costal Guard Beach, mas decidimos que seria na Marconi Beach que faríamos acampamento. A praia tem esse nome em homenagem ao eminente cientista italiano. Com apenas 20 anos de idade, nos últimos anos do séc XIX, ele já fazia os primeiros experimentos na garagem da sua casa, na Itália, com comunicação sem fio. Sem nenhum apoio ou estímulo em seu país, mudou-se para a Inglaterra e, em 1899, conseguiu mandar um sinal através do canal da Mancha!
Com a Bebel, no alto de praia em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Único trecho movimentado da praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Mas a grande conquista veio dois anos mais tarde, quando venceu o Atlântico, mandando uma mensagem de Labrador (Canadá) para a Inglaterra, ainda em fase experimental. O local escolhido para tentar fazer algo em escala comercial foi a península de Cape Cod. Aqui montou seu enorme aparato e, em 1903, conseguiu transmitir um longo telegrama de saudações do presidente Roosevelt para o Rei George, na Inglaterra. A breve, a nova e incrível tecnologia wireless transformou em obsoleta os cabos de telégrafo que saíam da mesma Cape Cod em direção ao outro lado do Atlântico. Hoje, acostumados que estamos com internet, Skype e Facebook, é difícil imaginar o valor dessa conquista tecnológica. Mas, para a época, certamente deve ter parecido a mais incrível, maravilhosa e inacreditável invenção: poder escrever algo nos EUA e ser lido, um segundo mais tarde, na Europa, que coisa mais assombrosa!
A belíssima paisagem de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Banho de mar em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Depois dessa visita e de prestarmos nossas sinceras homenagens a essa conquista, finalmente era a hora da praia. Pra chegar lá, é preciso descer uma longa escadaria de madeira, que vence o barranco de areia que é protegido por lei, mas comido inexoravelmente pelo mar. Lá embaixo, uma multidão de americanos, felizes com seus poucos meses de sol e mar de água quente o suficiente para se nadar. A partir do início do Outono, só com muita roupa para entrar nas águas geladas!
Curtindo o lindo dia em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Como multidões não são a nossa praia, bastou andarmos uns poucos minutos para acharmos o nosso espaço na areia. A partir daí, foi diversão pura! Mar delicioso, com água bem limpa! Sol quente, vento refrescante, areia excelente para uma boa caminhada ou corrida.
caminhando pela belíssima Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Relaxando em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Melhor de tudo, a maré baixa forma várias piscinas, verdadeiros lagos no meio da praia. Misteriosamente, a multidão prefere ficar aglomerada lá embaixo da escada (acho que multidão é igual em todos os lugares do mundo!), enquanto essas piscinas maravilhosas, a dez minutos de distância, ficam praticamente vazias. Aí a Bebel se esbaldou, amante que é dos corpos líquidos. Não só ela, mas todos nós, que voltamos a ser crianças a aí brincamos sem parar.
Brincando com a afilhada em piscina natural na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Brincando com a afilhada em piscina natural na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Enfim, foi uma tarde maravilhosa em Marconi Beach, quase no mesmo lugar de onde partiram as primeiras mensagens wireless dos EUA à Europa, há 110 anos. Muitas fotos para imortalizar os momentos inesquecíveis que ai passamos.
Refrescando-se em piscina natural na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Por fim, com o sol já perto do horizonte, era hora de voltar. Mas fizemos um pequeno detour, em direção à Chatham, outro dos centros turísticos da península. Chegamos bem em tempo de ver um enorme bando de leões-marinhos cruzar o canal em busca do jantar. E nós também, em busca do nosso, achamos um belo restaurante por ali, indicados para nós por uma simpática ciclista que também assistia à passagem dos leões-marinhos.
Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Agora sim, de barriga cheia, de volta ao nosso hotel em Falmouth. Aliás, ontem jantamos aqui mesmo, uma deliciosa lasanha servida por uma simpaticíssima garçonete brasileira, muito feliz por nos encontrar ali. Hoje, seguimos direto para o quarto. Amanhã cedo, A Fiona fica por aqui enquanto, de barco, seguimos para outra das maravilhas da região, a ilha de Marta´s Vineyard.
1000dias na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Essa foto clássica não poderia faltar numa volta pela América! (em Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos)
Nenhuma visita à Los Angeles é completa sem ir a alguns de seus mais importantes símbolos e referências. Entre esses, destacam-se o famoso letreiro gigante com a palavra “Hollywood”, encravado nas colinas da cidade e que tanto já apareceu em filmes e séries de TV, e a Rodeo Drive, rua com as mais caras lojas de grife do mundo, frequentada pelas grandes estrelas do cinema.
Uma das mais famosas ruas do mundo, em Beverly Hills, Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
A gente também tinha de ir lá. Não por obrigação, mas por vontade sim! Era nosso último dia na cidade e, ao contrário dos dias anteriores, ele nasceu esplendoroso, céu azul e sol radiante. Desde que me lembro por gente, vejo na TV aquele enorme letreiro na TV e a criança dentro de mim queria vê-los de perto de qualquer maneira. Principalmente depois que eles voaram pelos ares, na memorável cena do filme “O Dia Depois de Amanhã”, em que vários tornados arrasam a cidade de Los Angeles.
O tranquilo trecho residencial da famosa Rodeo Drive, em Beverly Hills, Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Mas antes dos letreiros, queríamos ir à Beverly Hills, o bairro onde ficam as mansões das grandes estrelas de Hollywood. A rua mais famosa de lá é a Rodeo Drive, que também já apareceu em vários filmes. É lá que a Julia Roberts tira a barriga da miséria, no filme “Pretty Woman”. Como ela estava no nosso caminho para o Hollywood Sign, para lá fomos primeiro.
Só há lojas de marca bem "baratinha" na Rodeo Drive, em Beverly Hills, bairro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Só que a Rodeo Drive é uma rua comprida e não sabíamos qual endereço colocar no nosso GPS. Fomos até o cruzamento dela com uma outra rua e viramos para o lado “errado”. Quer dizer, “errado” dependendo do que se está procurando. Em princípio, queríamos as lojas, mas acabamos virando em direção ao trecho residencial. O “errado” acabou virando o “certo”, pois simplesmente adoramos conhecer aquele lado da Rodeo também. Rua super pacata, cheia de casas simpáticas, nem uma pista de que, a poucos quarteirões dali, ela se transforma em um dos metros quadrados mais caros do mundo! Não que ali também não fosse caro. Aposto que é, e bastante! Mas não há nenhuma ostentação, apenas bom gosto. Um outro lugar de Los Angeles que eu moraria tranquilamente, hehehe!
Só há lojas de marca bem "baratinha" na Rodeo Drive, em Beverly Hills, bairro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Bom, tiramos umas fotos, viramos o carro e seguimos agora para os quarteirões que fazem a fama da rua. Uma loja famosa atrás da outra, todas as grifes mais chiques representadas. Mas, de novo, muito bom gosto na decoração, tanto das lojas como na própria rua. Chique no úrtimo!
Um dos carrinhos circulando na Rodeo Drive, em Beverly Hills, bairro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Mas, chegamos meio tarde para ter a chance de ver qualquer um dos famosos por ali, fazendo suas “comprinhas” de Natal. No nosso hotel, já haviam nos dito que eles chegam lá bem cedo, para tentar escapar um pouco dos paparazzi e turistas curiosos. Ao invés deles, pudemos ver carros caros e coloridos circulando por lá, disputando espaço com limusines brancas que traziam clientes para passear na rua mais cara do mundo, tudo parte de algum pacote turístico meio cafona. Nem a Fiona se sentiu bem em tal companhia e tratamos de encontrar logo um lugar para estacionar ali perto para podermos caminhar pela rua.
Passeando na exclusiva Rodeo Drive, em Beverly Hills, bairro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
São três quarteirões de lojas em “liquidação de Natal”. Numa vitrine, uma dessas lojas anunciava um colar pela barganha de 15 mil dólares. Sei... A gente se divertiu um pouco com as vitrines e com a frequência e seguimos para uma pequena rua transversal, onde haviam alguns restaurantes. Se não podíamos nos dar ao luxo de tomar um banho de loja por ali, pelo menos um lanche poderíamos fazer. Em grande estilo, claro! Ao menos, para fazer jus ao lugar em que estávamos! Um sanduíche gourmet e um drinque de champagne não fazem mal a ninguém e a conta ficou muito mais barata que o tal colar em promoção, hehehe!
Lanchinho básico na Rodeo Drive, em Beverly Hills, bairro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Chegando ao Hollywood Sign, em Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Já mais animados, seguimos para a próxima parada do dia, o letreiro de Hollywood. Esse gigantesco outdoor está fazendo 90 anos de idade em 2013 e, com 14 metros de altura e 110 metros de largura, pode ser visto de quase toda a cidade. Na verdade, com a ajuda do cinema e da TV, pode ser visto de qualquer lugar do mundo! Ou seja, a gente já o tinha visto antes, mas bem de longe... Agora, queríamos aquela visão clássica, mais de perto.
Essa foto clássica não poderia faltar numa volta pela América! (em Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos)
O letreiro foi construído em 1923 como parte de uma campanha para promover uma empresa que vendia terrenos no novo bairro. Era para ficar por lá apenas 18 meses, o tempo da campanha publicitária. Mas rapidamente a propaganda virou um símbolo, um ícone da cidade e do país. Virou parte da paisagem e não saiu mais de lá. Mas o vandalismo e o tempo trataram de deteriorar cada vez mais o símbolo e, na década de 70, o primeiro “O” tinha virado um “u” enquanto o último tinha simplesmente desaparecido. Lia-se “HuLLYWO D”. Felizmente, desde então, o símbolo foi restaurado e passou a ser protegido da ação dos vândalos.
A clássica foto com o Hollywood Sign ao fundo, em Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
O GPS nos levou até um ponto de onde todos os turistas tiram suas fotos, bem perto do pé da colina onde está o letreiro. Nós tiramos as nossas também, mas queríamos chegar mais perto. Fomos fuçando pelas ruelas estreitas e cheias de curvas que sobem a colina num verdadeiro labirinto. É uma área residencial, outro bom lugar para morar na cidade. Aparentemente, não são muitos os turistas que se arriscam por lá.
A cidade de Los Angeles vista do Hollywood Sign (na Califórnia - Estados Unidos)
A cidade de Los Angeles vista do Hollywood Sign (na Califórnia - Estados Unidos)
Mas nós fomos. Tenta daqui, tenta dali e acabamos chegando cada vez mais perto. Por fim, chegamos a um parque municipal lá no alto e, além da bela visão do letreiro, também tivemos uma vista espetacular da cidade. Pudemos tirar nossas fotos tranquilamente, ora comigo, ora com a Ana, ora com a Fiona e até com nós três! Foi joia. O que nos tirou dali foi que ainda tínhamos novas etapas a cumprir no longo dia de hoje: uma visita ao Griffith Observatory e um jogo de basquete para assistirmos. Assunto do próximo post...
Hollywood tem uma nova estrela! (em Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos)
Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Logo cedinho, enquanto ainda comíamos nosso café da manhã, chegou o Carlos, um sujeito com mais de 1,95 metros de altura que seria o nosso guia e motorista de hoje. Resolvemos montar um passeio por algumas das principais atrações da ilha, incluindo transporte e guia. Com a ajuda da nossa guest house, contatamos o Carlos, muito bem recomendado. Foi, por assim dizer, um gol de placa.
Com nosso guia Carlos na reserva em Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago
Das três atrações a serem visitadas, duas envolviam pássaros. E o Carlos é um legítimo amante e conhecedor dos pássaros, um "birder", como ele se definiu. O que lhe dá mais prazer é andar pela natureza, armado de um bom binóculo e câmera fotográfica, ouvidos atentos, procurando essas criaturas aladas, de todas as cores, formas e tamanhos. Das quase quinhentas espécies do país, ele conhece quase todas pelo nome e muitas pelo canto.
Superfície argilosa do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago
Mas a primeira visita de hoje nada tinha a ver com pássaros. Fomos até quase o sul da ilha, abaixo da segunda maior cidade do país, San Fernando, para ver o Pitch Lake, um dos poucos lagos naturais de piche do mundo. Uma espécie de vulcão que não deu certo, a natureza fica empurrando lá de baixo toneladas e toneladas desse material negro e viscoso todos os dias. O resultado é esse lago que vem sendo explorado pelos humanos há centenas de anos. Primeiro pelos nativos de Trinidad para selar suas cabanas, depois pelos espanhóis para selar seus navios e, em tempos modernos, na fabricação de asfalto. Boa parte do piche usado pelos chineses na construção da infraestrutura das Olimpíadas de Pequim veio daqui. Hoje em dia, o consumo mais ou menos equivale ao que a natureza jorra. Cálculos feitos indicam que, a se manter o ritmo da exploração, serão precisos 400 anos para esgotar o lago. É... sendo assim, nem dá para se preocupar muito.
Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago
O lago é duro e podemos caminhar sobre ele. Quer dizer, duro, pero no mucho. Tem uma consistência meio argilosa, bem distinto de terra firme. Uma atração completamete diferente das que temos visitado por este continente afora.
Brincando com o piche do Pitch Lake, região de San Fernado, em Trinidad e Tobago
Antes da segunda atração, não tão grotesca, ainda tivemos tempo de entrar rapidamente em San Fernando e ir naquele que já foi o maior shopping do país. Shopping, desnecessário dizer, é igual em qualquer lugar do mundo. O mesmo por aqui. Foi só um pit-stop rápido para almoçarmos, já que não teríamos outro horário. De lá seguimos para a primeira refinaria de petróleo e gás do país. Visita a uma refinaria? Pois é!
Refinaria de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago
O que a torna tão especial é que no final da década de 60 eles resolveram criar, dentro da área da refinaria, uma área para preservação e criação de pássaros em perigo de extinção. Se isso fosse hoje, já seria de bater palmas. Mas eles terem feito isso há mais de 40 anos, quando quase não se falava de meio ambiente, realmente é de tirar o chapéu. Estavam bem à frente do seu tempo! O nome da iluminada refinaria: Pointe-à-Pierre.
Guará na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago
Patos na reserva de Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago
Lá dentro fazemos uma pequena trilha guiada onde se pode ver dezenas de espécies de pássaros, a maioria livre mas também alguns engaiolados, principalmente para facilitar sua reprodução. Também há uma flora variada, um lago muito agradável e até jacarés. Sem esquecer do concorrente dos ares dos pássaros, os morcegos.
Jacaré na reserva Pointe-à-Pierre, próximo à San Fernando, em Trinidad e Tobago
Barcos nos levam no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Daí voltamos para perto de Port of Spain, para uma mistura de pântano e mangue formado pelo rio Caroni no seu encontro com o mar. Ali, num barco repleto de turistas, mas eu e a Ana na posição de diretoria, sós no banco da frente, fomos para um lago no meio do mangue para assistir ao maior espetáculo da vida selvagem desse ano de viagem. O local deve ser o melhor lugar do mundo para se observar um pássaro nosso velho conhecido: o guará vermelho. Desde o Maranhão que temos cruzado com ele, mas absolutamente nada parecido com o que vimos hoje. Foram centenas e centenas deles, misturados com as garças brancas, em revoadas espetaculares em direção às árvores-dormitório. Algo emocionante de se ver!
Chegando a um lago no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Três barcos lotados de turistas embasbacados e aquelas aves de um vermelho vivíssimo cortando o céu azul ou o verde das árvores, revoada atrás de revoada, todas terminando naquela árvore que foi se enchendo de manchas vermelhas. De longe, pousados, pareciam flores. Apesar da distância, podia-se ouvir a gritaria deles. Imagino que, mais tarde, se calariam, pois daquele jeito nenhuma criatura poderia dormir e a árvore não poderia ser chamada de dormitório - hehehe.
Guarás chegam às centenas, no fim da tarde, ao dormitório no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Árvore dormitório dos guarás no pântano/mangue de Caroni, próximo à Port of Spain, em Trinidad e Tobago
E de lá voltamos para casa, ainda emocionados com o espetáculo, felizes com o passeio triplo e com nosso novo amigo, o Carlos, que com sua pronúncia ao mesmo tempo clara e engraçada de inglês, nos encheu de conhecimentos, não só de pássaros mas também do país, de suas cidades, do seu povo e sua cultura. Muito legal mesmo! Tivemos nosso dia de Stendhal, do negro do piche ao vermelho dos guarás, Le Rouge et le Noir.
Nossa pousada em Port of Spain, após um longo dia de passeios em Trinidad e Tobago
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