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Arte nas ruas de Santiago, capital do Chile
Uma cidade circundada por montanhas e no meio dela prédios, rios, história, poluição, cultura, pobreza, música e injustiças, todos os contrastes de uma típica capital latino americana. A leste está a Cordilheira dos Andes, na divisa com a Argentina, à oeste a Cordilheira Costanera, ambas fazem de Santiago um caldeirão de asfalto estampado no coração do Chile.
Santiago, capital do Chile, em frente ao Museu de Bellas Artes
Vista de Santiago, capital do Chile, na subida do Cerro San Cristobal
São 5,5 milhões de habitantes divididos basicamente em dois “Chiles”, “o Chile dos que vivem pra lá da Plaza Itália e o dos que vivem para cá”. Isso me disse uma amiga que nasceu, cresceu e ainda vive em Santiago. Ao norte estão os bairros mais ricos, edifícios comerciais modernos, grandes shoppings, restaurantes bacanas e boutiques. Ao sul os bairros de classe média com toda a infraestrutura, problemas e o dia a dia normal de uma grande cidade.
Passeio no centro financeiro de Santiago, capital do Chile
Com a dica do nosso amigo viajante e local, Pablo, elegemos a região de Lastarria como base. Ao lado do Parque Forestal, Lastarria é um bairro super central localizado entre o Bellas Artes, o centro, arredores da Plaza de Armas e Bella Vista. Ficamos hospedados no Hostal Forestal onde encontramos o primeiro brazuca dos muitos que ainda estavam por vir. Impressionante como vemos turistas brasileiros em Santiago! E a temporada de esqui nem está aberta. Naquela tarde caminhamos descompromissadamente até a Plaza de Armas vendo o agito dos ambulantes, evangélicos fervorosos pregando para alguns curiosos, casais de namorados sentados no banco da praça e uma senhora simpática, que nos olhou encantada num momento romântico do casal aqui.
Caminhando pelo Parque Forestal, em Santiago, capital do Chile
É claro que essa primeira andadinha ajudou a nos familiarizarmos com a cidade, mas o roteiro de visita mesmo, teve um pique um pouquinho diferente. Decidimos andar por Santiago e conhecer os pontos mais importantes da cidade em um dia! A cidade é bem plana e super fácil de andar, bicicletas podem ser uma opção, embora dificulte a entrada em alguns lugares. Nosso tour em Santiago foi todo pensado por um casal de amigos, Pablo que nasceu e viveu quase toda a sua vida na capital, e Andrea, que nasceu em Rengo, mas fez a faculdade em Santiago. Começamos o dia perto das 10h da manhã (por que também ninguém é de ferro), cruzando o bairro de Bellas Artes, região repleta de restaurantes e museus, alamedas e passeios, duas Faculdades de Direito e uma vida noturna bem agitada.
Prédio do Museu de Bellas Artes, em Santiago, capital do Chile
O Pablo e a Andrea no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile
Nosso destino, La Chascona, nada mais nada menos do que a casa do mais famoso escritor e poeta chileno, Prêmio Nobel de Literatura, Pablo Neruda. A casa em que Neruda viveu de 1955 até 1973, o ano de sua morte.
La Chascona, a casa de Neruda no bairro de Bella Vista, em Santiago, capital do Chile
La Chascona foi uma das três casas de Neruda e está localizada aos pés do Cerro San Cristóbal, no Barrio Bellavista. Em 1953 o poeta comprou o terreno e iniciou a construção da casa com projeto de um arquiteto catalão Germán Rodriguez Ariaz. O nome La Chascona foi dado em homenagem à sua então amante Matilde Urrutia, uma bela mulher de cabelos rebeldes e avermelhados. Matilde era estudante de música, ela e Pablo se conheceram em 1946, mas o romance começou apenas 3 anos mais tarde em terras mexicanas. A casa foi o esconderijo amoroso do casal e em 1955 se tornou a vivenda oficial do poeta, após a separação de sua então esposa Delia del Carril. Lá Neruda viveu até a sua morte, 12 dias depois do Golpe Militar Chileno.
La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile
A versão oficial da sua morte foi um câncer com o qual ele lutava há alguns anos. Porém existem fortes evidências de que sua morte foi acelerada, o motivo seria a sua ligação ao Partido Comunista. Às vésperas de sua morte a La Chascona foi invadida pelos militares e destruída, moveis, vidros e tudo o que viram pela frente. Matilde decidiu então, fazer o seu velório ali mesmo em meio ao vandalismo militar, como primeiro ato de protesto ao governo golpista.
La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile
Agora, anos mais tarde e longe das garras de Pinochet e seus comparsas, este assunto já poderia ter sido esclarecido, porém a família preferia não revolver esta história. Entretanto soubemos recentemente que independente disso o povo e a história devem saber a verdade e então será feita a exumação do corpo para estudo e fechamento do caso.
Visitando La Chascona, a casa de Neruda em Santiago, capital do Chile
A casa é uma obra de arte, um museu com coleções de peças de arte de todos os cantos do mundo por onde viajou o diplomata e poeta. A sala em forma de barco demonstra a paixão de Neruda pelo mar e pelo bar, com um balcão de cobre vindo de um antigo barco francês. As peças coloridas demonstram a alegria e a visão positiva da vida que Neruda compartilhava com amigos e mulheres. Bem humorado ele inventou uma porta falsa de acesso direto do seu quarto para a sala para poder surpreender seus convidados, que se serviam de sal e pimenta em saleiros que diziam “marijuana” e “morfina”. Sua sala com pinturas de amigos modernistas como Diego Rivera tem uma linda vista para o bairro, enquanto o bar, na parte alta do terreno presta homenagem aos seus poetas preferidos. No seu escritório de trabalho e sala de leitura vemos parte da sua coleção de livros, prêmios e fotos com alguns dos seus amigos como Vinícius de Morais e Jorge Amado. É, ele soube viver.
Descansando na estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile
A visita dura em torno de 40 minutos e é feita com um áudio-guia que conta tudo sobre a casa, a vida e a história de Neruda. Detalhe, não é permitido tirar fotos dentro da casa... então vocês terão que ir até lá para conferir.
A bela fachada do Museu de Bellas Artes, em Santiago, capital do Chile
Próxima parada: Cerro San Cristóbal! A maior montanha no centro de Santiago é também um dos seus principais parques, com zoológico e tudo. Do alto, uma bela vista de toda a região e a Virgen de la Inmaculada Concepción, um símbolo da cidade. Subimos o cerro em um funicular e atravessamos o foggy espesso que paira pela cidade.
Em dia de muito fog e poluição, quase não se vê as montanhas andinas que circundam Santiago, capital do Chile, do topo do Cerro San Cristobal
Essa mistura de poeira e poluição fica presa pelos ares frios trazidos pelos Andes. Lá do alto podemos ver a zona central e uma sombra dos Andes detrás da cortina de fumaça. Os ventos são importantíssimos para a cidade de Santiago, ainda mais em um dia como hoje, quem está lá embaixo mal pode se dar conta da qualidade do ar que está respirando. A tarde, porém, a camada de ar mais próxima ao chão se aqueceu, subiu e a inversão térmica limpou o céu da cidade, liberando vistas maravilhosas das montanhas ao nosso redor.
A famosa estátua de Nossa senhora no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile
Descemos o Cerro San Cristóbal a pé em uma deliciosa caminhada, com novos ângulos e novas vistas da cidade a cada curva. Demoramos quase uma hora na descida e, com ajuda de Pablo e Andrea, aos poucos fomos entendendo melhor sobre a cidade e suas peculiaridades.
Com os amigos chilenos Pablo e Andrea no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile
O almoço foi em um restaurante tradicional a duas quadras do funicular, o Venezia. Este restaurante de comida típica chilena tem pratos como la Cazuela de Pollo e o Charquicán, uma sopa de lentilhas com charqui ou algum tipo de linguiça, muito saboroso! Eu ainda provei um clássico encontrado em vários países latinos, a Palta a la Reina, abacate recheado com frango temperado. O Venezia é tão antigo e tradicional, que era frequentado pelo mais ilustre morador do bairro, que tem seu lugar preferido marcado em uma placa de honra.
Visita ao tradicional restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile
A mesa preferida de Pablo Neruda no restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile
Para fazer a digestão continuamos a caminhada, agora ao longo do Parque Forestal, com uma parada rápida no Museu de Belas Artes e seguindo até o antigo Mercado Central. Um dos melhores lugares da cidade para comer marisco fresco em um ambiente descontraído e muito charmoso.
Venda de patas de caranguejo no Mercado Central de Santiago, capital do Chile
O imponente saguão do Mercado Central, em Santiago, capital do Chile
Despedida da Andrea, em Santiago, capital do Chile
Lá nos despedimos de Andrea, que seguia para uma consulta médica, e nós continuamos para o mais autêntico e real La Vega Central, um mercadão com centenas de bancas de frutas, verduras e legumes, cereais, queijos e artesanatos. Chama a atenção a quantidade e variedade de azeitonas, além das lindas alcachofras e das frutas secas como o huesillo (pêssego seco), que é parte integrante de uma das sobremesas mais queridas por aqui, o mote com huesillo. Mote é a versão cozida de diversos grãos, neste caso o grão de trigo. Eu não gosto desse tipo de fruta em calda, mas o Rodrigo provou e adorou.
Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile
Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile
Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile
Voltamos pelo mercado das flores, visitamos a Estación Mapocho, uma antiga estação ferroviária super fotogênica que foi fechada após danos feitos por terremotos e o abandono da linha férrea. Hoje ela é um espaço de eventos bacaníssimo.
caminhando na estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile
Dali ao La Piojera, um dos bares mais tradicionais da cidade, em funcionamento há mais de 70 anos! Um beco que acaba em um galpão de cadeiras simples, paredes desenhadas e balcão de madeira é popular por seu drink super alcoólico, o terremoto. Assim batizado após o terremoto que abalou a cidade em 1985, o coquetel leva vinho pipeño (ou vinho branco), sorvete de abacaxi, Fernet, Granadina, Rum e Conhac! A terra tremeu, mas nem tanto, pois dividimos um copão desses para nós três! Kkk!
O tradicional bar La Piojera, em Santiago, capital do Chile
Produção em série de "Terremotos", no balcão do La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile
Servindo o famoso "Terremoto", drinque típico do La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile
Achando que a tarde acabava em um bar, é? Ainda não! Continuamos a nossa caminhada até a Plaza de Armas, visitamos rapidinho a Catedral e descemos pelo Paseo Ahumada, um calçadão comercial cheio de lojas e vendedores, festas, artistas de rua e muita gente.
Caminhando pela Calle Ahumada, no centro de Santiago, capital do Chile
Demos a sorte de encontrar ali duas das principais expressões culturais populares desta região no Chile: la cueca, a dança nacional que imita o cortejo de um galo à uma galinha, e os chinchineros que são praticamente uma orquestra de tambores ambulante! Além de tocar o tambor com pés e mãos, eles dançam e giram enlouquecidamente no meio da gente impressionada com as suas peripécias. Um show à parte.
Show de cueca, dança típica, na calle Ahumada, no centro de Santiago, capital do Chile
Os famosos músicos que cantam e dançam ao mesmo tempo, típicos de Santiago, capital do Chile
Aqui para estes lados do continente o sol se põe mais tarde, já eram mais de 19h e o sol estava se pondo naquele dia perfeito em terras santiaguinas. Do alto do Cerro Santa Lucia vimos o pôr do sol sobre os arranha-céus da capital chilena, luz linda, ao fundo o cerro San Cristóbal e agora totalmente visíveis, a incrível e nevada Cordilheira dos Andes.
Subindo o Cerro Santa Lucia, em Santiago, capital do Chile
Vista de Santiago, capital do Chile, do alto do Cerro Santa Lucia
Depois de um banho rápido e uma descansadinha no hotel, se você ainda tiver pique a noite pode continuar nos bares de Bellas Artes, que mesmo em uma quarta-feira estavam bem movimentados e cheio de jovens descolados! Nós fomos direto ao Galindo, um dos clássicos santiaguinos. Provamos a chorrillana, prato local de batata frita com carne desfiada, cebola e ovos, para acompanhar uma cerveja stout encorpada e cheia de personalidade.
Muito romantismo no alto do Cerro Santa Lucia, em Santiago, capital do Chile
Uau! Achou que Santiago não teria nada para conhecer?! Aí está a sugestão de um dia explorando a cidade de Santiago. Tudo isso ainda sem contar com a infinidade de museus que você pode visitar, restaurantes para descobrir e wine tastings para se embebedar. Mas se você é dos nossos e gosta de caminhar, anota esse roteiro aí que não irá se arrepender!
Vista de Santiago, capital do Chile, do alto do Cerro Santa Lucia
Visual totalmente caribenho em Philipsburg, capital de Sint Maarten - Caribe
Philipsburg é a capital de Sint Maarten, país holandês que dividi a pequena ilha com o território francês de Saint Martin. Como já havíamos explorado bem St. Martin, (pronuncia-se Sãn Martãn) resolvemos aproveitar o nosso último dia para conhecer este lado da ilha.
Marina de Philipsburg, capital de Sint Maarten - Caribe
Conhecida como a única verdadeira cidade da “friendly island”, Phlipsburg é um imenso aglomerado urbano. Podemos dizer que pelo seu tamanho e estrutura ela é a capital não apenas de St. Maarten (pronuncia-se Saint Mártin), mas a capital econômica de todas as suas minúsculas vizinhas.
A ilha de Saba vista de Philipsburg, capital de Sint Maarten - Caribe
Ontem chegamos já era noite, mas não nos rendemos aos 30 dólares de táxi. Como experiência e economia preferimos pegar um ônibus que nos levou do aeroporto até a cidade por 10 dólares. Normalmente custariam 2 dólares por pessoa, porém com bagagem nos saiu um pouco mais caro. No ponto de ônibus conhecemos uma moça totalmente atenciosa que sabia onde ficava a nossa guesthouse. Ela não só nos avisou, como desceu conosco, andou até a guesthouse e nos deu todas as orientações para conhecer a região. O calçadão da beira mar, com restaurantes e barzinhos, a rua das compras, etc.
Rua em Philipsburg, capital de Sint Maarten - Caribe
No caminho passamos pelo Salty Pond era uma das fontes econômicas de St Maarten, que fazia extração de sal deste lago. Há anos a atividade foi abandonada e também o lago. Hoje é um esgoto a céu aberto. No último ano, depois de um grande temporal e inundação, descobriram que ainda assim o lago possui algumas espécies “mutantes” de peixe. São peixes imensos que se alimentam de todo o tipo de lixo jogado ali. Depois da inundação eles apareceram nas avenidas, para a surpresa dos moradores.
Nossa última tarde no Caribe, em Philipsburg, capital de Sint Maarten - Caribe
Maho e Simpson Bay são as mais badaladas durante a noite. Cassinos e bares animados seguem madrugada adentro! Ontem à noite, nós, mais velinhos, saímos comer algo no calçadão de Philipsburg mesmo e quase não encontramos restaurante aberto. Praticamente todos fecham a cozinha às 22h.
Despedida do Caribe em pier da praia de Philipsburg, capital de Sint Maarten - Caribe
Hoje saímos para tomar um café da manhã e encontramos um lugar de uma dominicana que servia sucos frescos, exprimidos na hora, coisa raríssima aqui! Depois na dúvida se alugávamos um carro ou ficávamos pela cidade mesmo, saindo andando e explorando a região do porto, lojas e porto. Eu estava precisando de um óculos de sol, já que o meu além de velho, podre e riscado eu havia esquecido em Saba. Em uma hora de caminhada pelo calçadão já tínhamos tudo resolvido, óculos novos, pomada, soro fisiológico e pilhas recarregáveis compradas. Cidade duty free, acaba sendo uma boa oportunidade para resolver este tipo de pendências de uma forma mais barata.
Visual totalmente caribenho em Philipsburg, capital de Sint Maarten - Caribe
Acabamos decidindo ficar por ali mesmo, aproveitar uma prainha rápida para depois pegarmos o nosso vôo. Aqui qualquer praia é paradisíaca, mesmo ao lado do porto e marina, a água azul e as areias brancas fazem sempre parte do pacote. No caminho para a praia encontramos um grupo de crianças tocando seus bumbos, tambores, caixas e repiliques. Uma versão local do “Projeto Olodum”. A batida é de arrepiar! Impressionante como percussão mexe comigo, emociono, danço, choro, rio, é uma delícia!
Bateria formada apenas por crianças, em rua de Philipsburg, capital de Sint Maarten - Caribe
Ali mesmo, enquanto assistíamos às crianças tocando, tivemos uma outra boa surpresa: trombamos na rua com Andries, nosso anfritrião em Saba! Andries estava resolvendo algumas coisas aqui na “capital”, já deveria ter voado ontem para Saba, mas seu vôo foi postergado para hoje devido aos fortes ventos. Bem que vimos, por pouco o nosso vôo de Statia também não foi pego nessa. Fizemos festa, batemos papo e acabamos mais uma vez nos despedindo deste mais um novo amigo que fica. A despedida do Caribe acabou nos reservando boas surpresas! Trâmites no aeroporto, vôo de 1h30 até Port of Spain em Trinidad, escala de aproximadas 2 horas dentro do avião, e já seguíamos para Paramaribo. Nosso vôo chegou antes do esperado, 23h já estávamos no solo. Uma hora e pouco de estrada e transfer entre o aeroporto e a cidade e finalmente chegamos ao hotel!
Vôo no pôr-do-sol sobre o mar do Caribe, em direção ao Suriname. Fim da temporada caribenha...
Hoje acostumados a estar sempre em novos lugares, acaba sendo uma sensação diferente chegar novamente ao mesmo ponto. Um misto de alegria, pois sabemos que foi mais uma etapa cumprida, com retrocesso, pois parece que nem saímos do lugar! Fora que já estamos nos sentindo em casa, o Wendell, garçom que ficou nosso amigo, abriu uma exceção e preparou um sanduíche de queijo para nós. Mas o principal mesmo, a primeira coisa que eu quis fazer, (com mochila e tudo) foi reencontrar a Fiona! Lindona, ficou um mês estacionada aqui se perguntando: “Onde será que esses dois malucos foram parar? Por que me abandonaram? Pais mais desavergonhados!” Mas vai ficar tudo bem, vamos mostrar as fotos para ela, contar tudinho e ela logo irá entender! Rsrsrs! De Philipsburg a Paramaribo em um dia... e os 1000dias continuam nas estradas na América do Sul!
O feliz reencontro com a Fiona no nosso hotel em Paramaribo - Suriname
Hoje foi um dia importantíssimo e muito simbólico para a viagem, afinal nós finalmente chegamos à América do Norte!
Fronteira da Guatemala com o México, chegando à América do Norte! (em La Mesilla)
A viagem de Quetzaltenango para a fronteira de La Mesilla passa por lindas paisagens de montanha e campos, estrada curva e muitos túmulos (lombadas). Durante um longo trecho, a estrada acompanha o cânion de um rio de águas verdes e convidativas, já que descemos e o clima fica mais quente. A fronteira entre Guatemala e o México tem sido bem citada como uma das mais violentas, rota de tráfico de drogas, além de ser bem cuidada pelos oficiais que estão de olhos nos imigrantes ilegais. A fronteira mais utilizada por ônibus e caminhões é Tapachula, mais próxima do Pacífico. Escolhemos um passo fronteiriço mais tranquilo e por isso também mais ágil.
Exibir mapa ampliado
Nos preparamos sempre com toda a documentação, fotocópias, informações de seguro, valores e tudo o que pode dar errado, mas quando menos imaginávamos um novo tópico veio a tona. Eu estou passando toda a América Central utilizando o meu passaporte italiano, pois México, EUA e Canadá solicitam visto aos brasileiros. Rodrigo possui todos os vistos, por isso estava tranquilo. Bem, o meu passaporte demorou uns 2 minutos para ser carimbado, já o do Rodrigo... 3 horas! O problema foi uma inconsistência entre o nome do novo passaporte azul e o nome emitido no visto mexicano, no antigo passaporte verde.
Passaporte Azul
Nome: RODRIGO AFONSO Sobrenome: BRIZA JUNQUERA (correto)
Passaporte Verde
Nome: RODRIGO AFONSO BRIZA JUNQUEIRA (não há distinção entre nome e sobrenome)
Visto Mexicano
Nome: RODRIGO Sobrenome: AFONSO BRIZA JUNQUERA (hein?)
Juridicamente o Rodrigo Afonso do passaporte azul, não é o mesmo Rodrigo do visto mexicano. Acreditam numa coisa dessas? Pois é, principalmente quando existe uma coisa chamada sistema, um programa de computador que não pensa, apenas compara dados... chip do novo passaporte versus código de barras do visto são incompatíveis. Depois que as oficiais de fronteira compreenderam a confusão, passamos 3 horas esperando que elas fizessem um double (ou triple) check para garantir que esta seria a única inconsistência e que o Rodrigo não era um homem perigoso procurado pelo FBI ou coisas do gênero.
Sem a boa vontade das oficiais teríamos que voltar à Ciudad de Guatemala para tentar corrigir o visto, isso se ele não precisasse voltar ao Brasil, já que muitas vezes esse tipo de correção só se faz no país de origem! Surreal!
Fronteira da Guatemala com o México, chegando à América do Norte! (em La Mesilla)
Fronteira já é um trâmite chato, filas, imigração, licença especial para o veículo e mais filas, taxas e tempo de espera. Mas ao final, foi maravilhoso ouvir um “Bienvenido ao México”, que nos liberou da cidade fronteiriça em direção ao nosso 36° país.
A propósito, a entrada do México “ganhou” em taxas de Honduras e Guatemala, que são os mais caros para turismo. Bem não é segredo algum que o turismo é uma das grandes fontes de renda do México, com esses números isso fica ainda mais claro.
- Taxa de circulação de veículos estrangeiros (calcomania) – US$ 48,80
- Taxa de Turismo (acima de 7 dias no país) – US$ - 23,00 (por pessoa)
TOTAL: US$ 94,80
Ainda existe o depósito para o veículo, uma garantia que o carro irá sair do país – US$ 400,00*
* Este valor varia conforme o modelo e ano do veículo e será reembolsado em dinheiro, caso pago em dinheiro ou com o cancelamento do cartão de crédito (modalidade executada na entrada pelo turista), quando sair do país. Só será debitado caso o turista exceda o tempo de permanência de 180 dias.
Assim, depois das 3 horas e do “bienvenido”, não nos sobrava muito tempo de luz para viajarmos. Além da questão da segurança, fronteira suspeita, etc, ainda que os oficiais tenham nos dito que é muito segura, sabíamos também que a estrada para San Cristóbal de las Casas é muito bonita, por isso não fazia sentido algum fazê-la à noite. Mais algumas olhadas no guia e não restou dúvidas que deveríamos ficar em Comitán, cidade histórica e colonial mais próxima do Parque Nacional do Lago de Montebello, uma das grandes atrações do sul mexicano.
Fronteira da Guatemala com o México, chegando à América do Norte! (em La Mesilla)
A cidade é realmente uma gracinha, pracinha linda durante a noite, várias opções de pousadas, restaurantes animados e com uma culinária típica aqui do estado de Chiapas. Comemos um restaurante fusion, que mistura os sabores e receitas da terra com um cardápio mais internacional, uma delícia! O México nos surpreendeu na fronteira, mas menos de 100km depois já começa a nos surpresar, agora positivamente!
A bela igreja de San Pedro de Atacama - Chile
São Pedro do Atacama é um dos destinos mais caros do Chile. Entrando na cidade a impressão que temos é de uma cidade muito pobre e feia. As ruas são de terra e meio bagunçadas, As casas são todas de adobe, telhado de palha, pequenas por fora, mas grandes por dentro. As cores que faltam do lado de fora, saltam aos olhos dentro das pousadas, restaurantes e nos artesanatos. A praça central é super convidativa, uma igreja toca branca e de arquitetura rústica, com detalhes em madeira de cardón e a uma simplicidade perfeita.
Rua em San Pedro de Atacama - Chile
A moeda aqui ainda possui muitos zeros, então 10.000 pesos chilenos correspondem a 20 dólares. O cálculo mais fácil que encontramos foi dividir por 1000 e multiplicar por 2. Os restaurantes mais gostosos acabam custando em torno de 20 a 25.000 pesos, para duas pessoas, incluindo 2 pratos e duas bebidas. Procurando bem também existem os restaurantes mais usados pelos moradores da cidade que se pode comer uma comidinha caseira por algo em torno de 5 mil pesos e a maioria dos hostals disponibiliza uma cozinha comunitária. As pousadas variam de 8 mil pesos p/ pessoa para quartos coletivos com banheiro compartilhados. Um quarto de casal com banheiro privado já vai para os 35 mil pesos, sem café da manhã. Além das diversas opções de hostals a cidade possui uns 5 hotéis resorts, 4 ou 5 estrelas e suas diárias variam de 400 a 800 dólares com permanência mínima de 3 noites.
Loja em San Pedro de Atacama - Chile
Logo vamos começando a entrar no clima do deserto e passamos a entender melhor a dinâmica da cidade. Durante o dia um sol muito quente, portanto a cidade tem um certo movimento entre 12h e 15h, no intervalo dos tours. Estes aproveitam os horários de clima ameno e menor calor. Pela manhã alguns grupos já saíram para as lagunas altiplanicas ou os geisers e a partir das 15h saem os outros tours para o Vale da Lua, Salar do Atacama, Laguna Chaxa, etc, quando o pôr-do-sol é o principal espetáculo.
Uma das dezenas de agências de turismo em San Pedro de Atacama - Chile
Este pequeno oásis no meio do deserto recebe ao ano mais de 100 mil turistas! Não é a toa, os cenários espetaculares entre um imensa planície seca e marrom, cercada de montanhas andinas e vulcões nevados, salinas e lagoas salpicadas de flamingos cor-de-rosa, são sem dúvida alguma, diferentes de tudo que estamos acostumados.
Caminhando na praça de San Pedro de Atacama - Chile
Caminhando na neve ao lado de desfiladeiro no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Visitar um parque nacional sem por o pé na trilha, na minha humilde opinião, é uma falta pior do que ir ao Rio de Janeiro e não visitar Ipanema, Copacabana ou o Cristo Redentor. Chova ou faça sol, ou no caso aqui, neve ou faça sol, nós estamos sempre encarando uma aventura para conhecer mais de perto a natureza e as paisagens incríveis que a mãe terra nos reserva. O Yosemite National Park possui mais de 1.300km de trilhas, se o que você busca é aventura, sem dúvida aqui não irá se decepcionar!
O majestoso El Capitán, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
A área mais selvagem do parque, segundo vários amigos que já exploraram o Yosemite de cabo a rabo, é a parte mais elevada nos arredores da Tioga Road e Tuolomne Meadows. O acesso a esta região está fechado pela quantidade de neve que caiu nos últimos dias, assim como a estrada que segue ao alto do Glacier Point. Assuntando por aqui, porém, descobrimos que há uma trilha que sobe 975m em mais de 7km de zigue-zagues e chega ao mirante com uma das vistas mais bonitas do Yosemite Valley.
O magnífico vale do Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
A Four Mile Trail é um day hike de 15,5km (ida e volta) que a cada curva revela novas faces e vistas do vale e da belíssima Yosemite Falls. Nesta estação as cachoeiras estão secas, para encontrá-las com água a primavera e o verão são as melhores épocas do ano. Saímos cedo com sanduíches, alguns snacks e um plano maior para o dia: conectar a Four Mile Trail com a Panorama Trail e fazer um circuito completo no vale, terminando o trekking com o cenário da Nevada e da Vernal Falls. Basicamente o que fizemos foi somar 3 day hikes em um mesmo dia.
Início de caminhada no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
- Four Mile Trail – 7,7 km (ida) com ganho de altitude de 975m. O objetivo deste trecho é chegar ao Glacier Point, ponto mais alto de todo o circuito. O início da trilha está na Southside Drive, como o shuttle do parque não vai até lá, fomos de Fiona e a deixamos estacionada em frente a entrada da trilha.
No alto do vale do Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
- Panorama Trail – 13,7 km do Glacier Point até a base do vale, descendo pela Mist Trail. Como subimos 975m, nesta trilha temos que descer! Passamos pela Illilouette Fall, bosques e vistas maravilhosas para o Half Dome depois da inesperada subida do Panorama Cliff. O mais impressionante é que lá no alto desta trilha ainda encontramos rotas alternativas que adicionam 20, 30 e até 60 km para outros cantos do parque nacional.
O famoso Half Dome, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Nevada Fall Trail* – 4,3km (ida) com 610m de ganho de altitude. Esta trilha pode ser acessada direto pela parada #16 do shuttle e é uma boa opção para um day hike mais tranquilo, somando 8,6km para ver uma das mais bonitas cachoeiras, ainda com água no início do inverno.
Nevada Falls, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Vernal Fall Trail*– 1,3km (ida) e 122m de ganho de altitude. Este é um dos trekkings mais populares no vale, o início da trilha também está na parada #16 do shuttle e é acessível via Mist trail ou John Muir Trail.
* Na nossa conta estes trecho de trilha já estão somados aos 13,7km da Panorama Trail, com a possibilidade de um detour pela John Muir Trail, que é um pouco mais longa (mais de 1km), mas mais fácil já que está toda pavimentada até o topo. Quando estivemos lá a John Muir estava fechada pelos pesquisadores do parque. A nossa opção seria a Mist Trail de qualquer forma, já que tem as melhores vistas para ambas as cachoeiras.
Observando a bela paisagem do Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
A Nevada e a Vernon Falls, muitas milhas à frente, vistas do Glacier Point, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Durante toda a trilha encontramos trechos nevados e bem escorregadios. A neve pisada e derretida que se transforma em gelo vira um sabão para qualquer bota de caminhada. Isso só adiciona uma certa adrenalina e triplica o cuidado que os hikers devem ter na trilha, já que uma queda em qualquer um dos penhascos que a acompanham pode ser fatal.
Caminhando na neve em trilha no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Chegar ao topo do Glacier Point é uma sensação maravilhosa, a vista lindíssima do vale ainda mais em um dia em que os poucos que estão lá trabalharam duro para isso. A vista da Sentinel Rock, El Capitan, Yosemite Falls (mesmo que seca), dos Arcos do Yosemite e do majestoso Half Dome é priceless! Lá do alto ainda conseguimos ter uma noção do que encontraríamos no alto das montanhas do outro lado do vale, totalmente cobertas de neve.
A incrível visão no Glacier Point, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Confesso a vocês que se a estrada estivesse aberta eu teria a maior preguiça, é muito chato fazer um esforço desses, chegar lá em cima e encontrar centenas de pessoas que subiram de carro, seria totalmente frustrante. Lá no alto conhecemos ainda o Jared, um funcionário do parque super bacana casado com uma brasileira que é a gerente ambiental do Yosemite! Ele nos deu informações sobre a trilha e incentivo para continuarmos no nosso plano inicial, fechar o circuito completo.
Algumas distâncias (em milhas!) de trilhas no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos. A trilha para o Mt Whitney está a mais de 340 quilômetros!
Sabíamos que estávamos com o cronograma apertado para chegarmos ao final ainda com luz, mas o que é uma trilha sem emoção!?! Kkk! Seguimos firmes e acelerados, correndo um grande trecho da Panorama Trail para ganhar preciosos minutos de luz na descida da Nevada Falls. Este trecho é mesmo pesado, pedras empilhadas e muitas vezes escorregadias pela areia e pedrinhas, eu, que raramente caio, dei um escorregão e quase levei um tombo daqueles!
Glacier Point, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Chegamos à Vernon Falls já quase sem luz... ouvimos mais do que vimos a sua queda, sem tripé, tiramos apenas essa foto trêmula para registrar a passagem e continuamos acelerados até encontrarmos o trecho mais “civilizado” da trilha. Dali em diante foi apenas acostumar os olhos com a escuridão, torcendo para a lua nascer e fazendo barulhos para os ursos pretos não se aproximarem. A esta altura o meu joelho podre já estava pedindo água, desci um pouco mais lenta até que encontramos um casal munido de lanternas e colamos neles.
Vernon Falls, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Helen e Greg são paramédicos de Santa Cruz, cidade ao sul de San Francisco, e sempre que podem dão uma escapada aqui para o Yosemite. Nos guiaram pela escuridão da trilha até a parada do ônibus, onde esperamos longos 30 minutos até a nossa carona chegar. Eu desci do shuttle no lodge onde consegui um quarto por razoáveis 120 dólares, a esta altura tudo o que queríamos era comida, um banho e uma boa cama para dormir! O Rodrigo ainda enfrentou mais de um quilômetro por uma escuridão total e desta vez sozinho, para chegar à Fiona lá no início da Four Mile Trail! Meu herói! =)
Mirante do Glacier Point, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
O final da noite não poderia ser melhor, reencontramos os nossos novos amigos no restaurante do lodge, repondo as energias com uma boa cervejinha e ótimas histórias.
Com o Greg e a Ellen, que nos salvaram com suas lanternas na noite anterior, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Foram 20km de trilha em pouco menos de 8 horas com vistas sensacionais de um dos mais fantásticos parques nacionais americanos. E pensar que ainda não vimos nada! As trilhas da parte alta do parque e a subida ao Half Dome, também fechada pelo gelo e condições climáticas, ficaram engasgadas na garganta! Sem dúvida voltaremos ao Yosemite, provavelmente com os filhos, para mais aventuras.
As largas avenidas de Miramar, bairro chique de Havana - Cuba
Bueno! Nossas últimas impressões do país não poderiam ser em melhor lugar: na estrada. O dia começou com a viagem de carro de Viñales para Havana, direto ao aeroporto. Depois de um mês viajando pela Jamaica de Bob Marley, Cayman Islands, as ilhas paraíso, não apenas fiscais, fechamos com chave de outro esta empreitada caribenha em um dos melhores destinos de viagem do mundo, a ilha de Cuba. Mundos completamente diferentes, o que faz a viagem ficar ainda mais intensa e interessante, indicamos o roteiro!
Transporte por caminhão, o mais popular em Cuba (estrada entre Pinar del Rio e Havana)
Pegamos um vôo direto de Havana para a Cidade do México e um trânsito de 2 horas no emaranhado de avenidas, túneis e elevados, do aeroporto para a nossa casa na megalópole em Santa Fé. Nossa “vírgula”, a casa de nosso grande amigo Rodrigo, que além de viajante e explorador incansável de destinos inusitados, é também um grande chef de cozinha. Descobrimos esse seu lado há pouco tempo, mas o fato é que quando alguém mora sozinho e longe de casa, precisa aprender a cozinhar se quer ter aquele temperinho gostoso do nosso país. Além de pão de queijo congelado, até os temperos ele traz de casa para poder matar a saudade de vez em quando. Sensacional!
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Nós chegamos junto com o Rodrigo na casa dele e nos encontramos em frente à sua vaga no estacionamento, olhando desconsolados para o pneu furado da Fiona. Estava totalmente arreado, não temos ideia de como isso aconteceu, mas o adiantado da hora nos obrigou a deixá-la mais um dia assim, amanhã resolveremos. Não conseguimos parar de falar um minuto com o Rodrigo, que decidiu fazer um jantar para nós, “chique no úrtimo”!
Chegando de volta no apartamento do curitibano Rodrigo, na Cidade do México, capital do país
O dia seguinte foi de organização, reposição de energias e trabalho. A péssima notícia é que um vírus contaminou o meu computador e o travou completamente. O nome do bicho é “Security Shield” e na verdade não é exatamente um vírus e sim um malware, um software “mal” que se instala no computador e começa a bloquear todas as ações do Windows e principais programas. Eu não consegui encontrá-lo no meu computador para excluí-lo, nem manualmente, nem com o meu anti-vírus gratuito. Assim sendo, tivemos que sair em busca de um técnico para fazer uma faxina geral no meu computador e por isso ficarei sem trabalhar pelos próximos 3 ou 4 dias. A sorte é que eu nem estou atrasada uns 20 dias nos updates do blog, né? Tudo bem, um dia eu recupero.
Caronistas, muito comum nas estradas cubanas (estrada entre Pinar del Rio e Havana)
Chuva, chuva, chuva e muuuuuuuuuito frio. O dia mais frio e úmido do ano foi nesta semana, segundo meteorologistas se caíssem mais 2 graus, teríamos neve em Curitiba. Foi o clima perfeito para colocarmos o site em dia, revermos a família e amigos, bajularmos a Luiza e resolvermos algumas pendências importantes.
Luiza com papai, mamãe e titias, em Curitiba - PR
Foi impressionante como tudo se encaixou! Assim que chegamos a Curitiba, ainda retirando as malas do porta-malas da Fiona, quebrou a fechadura da porta da capota. A mesma que já ia para uma manutenção descobrir por que tínhamos tanto pó entrando nas suas frestas. Segunda-feira logo cedo o Ro foi lá na Casa das Capotas e rapidamente conseguiu resolver! Enquanto isso eu agendava médicos, solicitava um par extra de lentes de contato, procurava um bom veterinário para operar a Diana e também marcava um salãozinho básico, afinal também sou filha de Deus (rsrsrs). Aos poucos conseguimos resolver tudo, até o conserto da nossa lente da Nikon que havia travado na volta do Agulhas Negras. Já havíamos conseguido uma super carona para ela de Maresias para a assistência técnica em SP, com o Rafa e a Laura. Por módicos 400 reais eles arrumaram e nos enviaram para Ribeirão Preto, próxima parada.
Levando a Tamara e Paulinho para passear de Fiona
A cirurgia da Diana que foi meio chata, tadinha. Retirou três cistos, dois da mama e um da bochecha, porém ainda não sabemos se são cancerígenos ou não, o resultado do exame histopatológico sairá apenas semana que vem. Ela ficou toda zureta depois da anestesia e ainda colocamos uma camiseta e o colar vitoriano, vulgo balde, para proteger os pontos. Ficou engraçadíssima, mas ela nos olhava com uma carinha como quem diz “o que vocês fizeram comigo?”. Tivemos que fazer... ela tinha apenas um cisto e em pouco tempo apareceram mais dois e eu, a mãe, tinha que tomar alguma atitude! Por isso aconteceu esta semana, aproveitando não só a nossa passagem por Curitiba, mas também que a Ju, madrinha, está lá para terminar de cuidar no pós-operatório.
Diana pós-operatória
Outras coisas também se encaixaram na mesma semana. Uma audiência que eu e o Rodrigo tínhamos que participar estava agendada para o dia 15/07, quinta-feira. Quarta-feira rolou um encontro com os amigos Aymoré, Jus, Vanessa, Ricardo e Karina no Bar Baronesa, e os mais guerreiros estenderam para uma baladinha no Wonka. Comemoramos antecipadamente o aniversário do meu pai na quinta-feira na casa da Dani e do Dudu, onde preparei a minha especialidade, mignon ao forno e macarrão ao molho gorgonzola!
Celebrando o aniversário do Mário na casa da Dani e Dudu
Na sexta-feira fomos ao aniversário de 60 anos da minha Tia Clarisse e fizemos um churrasquinho com Ricardo e Karina, com Pasini e Fernanda.
Jantar na casa da Karina e do Ricardo com Pasini e Fernanda
No sábado fomos ao chá de panela da Paula, amiga linda que casará em setembro com o Gusta, grande amigo meu dos tempos de Expoente.
Amigos celebrando chá de cozinha da Paula e do Gusta
Ufa... semaninha agitada. Ah! E tudo isso com muitas visitas à estrela principal da semana, do mês, do ano e do mundo, a pequena Luiza.
Luiza com mamãe e titias, em Curitiba - PR
Aproveitando ainda mais que o universo estava conspirando para resolvermos todas as pendengas, ainda consegui fazer uma bela limpa em todos os materiais escolares, agendas e diários antigos que eu tinha guardados na casa da minha mãe.
Cassoulet na casa da Patrícia
Joguei fora dois sacos de lixo daqueles imensos de 100 litros e restaram quatro caixinhas de arquivo com fotos, cartas, postais e algumas das memórias mais gostosas. Até a minha pasta com a coleção de papel de cartas eu encontrei. Estava prestes a doá-la quando fui convencida pela Ju a guardar para a minha filha... tempo demais né? Acho que quem vai acabar se dando bem será a Lulu!
Luiza enfrentando o frio em Curitiba - PR
Este tempo em Curitiba foi quase como uma catarse, revendo memórias antigas, guardando as boas e jogando fora aquelas que não faziam mais parte de quem me tornei. Liberando espaço no meu HD Energético, dando espaço para boas memórias, sonhos e também para uma nova energia, limpa e renovada! Ou seria renovável?
Resposta: acho que está mais para a segunda opção, ainda mais que o Rodrigo começa a querer excluir da contagem dos 1000 os dias que passamos em Curitiba. Isso é que é semana renovável!
Local do Acampamento Base para o trekking do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Trekkings e escaladas sempre foram paixões, mas como boa brasileira que sou nunca estive habituada à altitude. Durante as últimas semanas de viagem temos cruzado as regiões da cordilheira andinas, altiplanos, seus lagos, salares e vulcões. Descobri que meu corpo se adapta bem à altitude, não sinto dores de cabeça e nenhum outro sintoma do famoso “mal de puna” ou “sorotchi”, o mal da altitude.
Subindo o vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
A minha primeira investida à uma montanha acima dos 5.000m foi apenas 12 dias atrás, quando fizemos um trekking até os 5.300m no Cerro Toco (5.600m), que estava com sua trilha principal inacessível pelo acúmulo de neve. Hoje nos preparamos para um desafio maior: vamos ao cume do El Místi a 5.830m!
O belo vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Um dos principais cartões postais de Arequipa, o El Místi é um vulcão ativo adormecido e possui aquele formato cônico mais tradicional, dos vulcões que vemos em desenhos animados. Sua última erupção foi nos idos de 1400, quando os Incas ainda dominavam a região, antes da dominação espanhola.
Inicio de caminhada rumo ao topo do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
O nosso grupo é formado por 11 pessoas, sendo 2 guias, José e Júlio e 9 turistas. Destes, 5 canadenses, 2 peruanas limeñas, eu e o Rodrigo. 3 canadenses são jovens estudantes de farmácia, tipos atléticos e bem esportistas que estão empolgadíssimos para sua primeira grande montanha. Os outros 2 canadenses e suas companheiras peruanas tampouco possuem experiência, uma delas inclusive já tentou subir a montanha no ano passado mas não chegou ao cume.
Subindo o vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Júlio é um guia experiente, já possui 25 anos de montanhismo aqui no Perú, entre os vulcões de Arequipa e as montanhas nevadas da Cordillera Blanca em Huaráz. Ele será o chefe da expedição, contando com toda a experiência de Julio, segundo guia, que virá fechando o grupo.
Entrando na reserva do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
A caminhada começou em torno das 10h da manhã, aos 3.400m, cada um de nós carregando suas mochilas com sacos de dormir, isolantes térmicos, roupas, lanches e 5 litros de água. Durante a caminhada dois grupos se formaram naturalmente, o mais rápido formado pelos 3 canadenses, eu e Rodrigo, à frente com José e o segundo mais lento, com os dois canadenses e as peruanas que ficaram com Júlio para trás.
Inicio de caminhada rumo ao topo do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Dois canadenses estavam bem, aclimatados e resolveram acelerar. Eu mantive meu ritmo, quase sempre junto do José e o Rodrigo adotou a tática de ficar por último sempre e dar tiros para chegar junto com os dois canadenses, assim passava um tempo comigo e seguia o seu ritmo acelerado preferido. Ótimo também para as fotos e filmagens, pois sempre tinha todos os ângulos! Rsrsrs!
As paradas para descanso, água e um lanche rápido eram de uma em uma hora até os 4.000m, quando o terreno ficou bem mais inclinado e a altitude começa a pegar mais e então as paradas passaram a ser de 30 em 30 minutos, porém mais rápidas. Vistas lindas e até um beija-flor com suas asas aceleradas nos acompanharam até o campo base, a 4.600m de altitude. Dia tranquilo de caminhada e logo estávamos com o nosso acampamento montado e, do nosso quintal, a vista da cidade de Arequipa e do Pichu Pichu, montanha com 5.571m.
Visão do nosso acampamento no vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Um final de tarde inacreditável e o ascender das luzes de Arequipa nos acompanharam no jantar. O sol baixou e sem ele a temperatura despencou, havia pouco vento, mas as 2 camadas de calça e 5 de casacos e blusas não foram suficientes para agüentarmos todo o jantar do lado de fora da barraca.
Incrível pôr-do-sol visto do acampamento nas encostas do El Mistí, em Arequipa - Peru
Sopinha, macarrão, ao final quase congelado, e um chá quentinho fecharam cedo as atividades do nosso primeiro dia no El Místi. Até logo Arequipa iluminada, nos vemos à 1h da manhã.
As luzes da cidade de Arequipa vistas do nosso acampamento no vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Comida brasileira em Paramaribo - Suriname
Paramaribo é uma cidade multifacetada, vai depender de você e das amizades que fizer lá para saber qual das facetas irá conhecer e explorar. Na nossa primeira passagem pela capital surinamesa exploramos todo o seu lado histórico, a cidade antiga de construções coloniais holandesas, igreja e prédios governamentais (fácil de achar os posts pelo menu geográfico).
Conhecemos também o dia a dia da agitada cidade de trânsito caótico, de mesquitas vizinhas a sinagogas, tak-tak, inglês e holandês, falados todos em uma mesma mesa. Naquela ocasião tivemos tempo de dar só uma passada muito rápida pelo bairro brasileiro, em busca de uma medicação na farmácia que não pede receitas, só podia ser brasileira mesmo. RS! Portanto hoje, com saudades da comidinha brasileira, resolvemos voltar àquelas redondezas para comer em uma churrascaria, a famosa “Petisco”. Um buffet com arroz, feijão (amooo!), farofa, saladas, legumes e outros acompanhamentos, completam a carne assada na churrasqueira e passada na chapa. Não é nenhum Fogo de Chão, mas a fome e as saudades fizeram parecer! Hahaha!
Churrascaria brasileira em Paramaribo - Suriname
Domingão, a cidade fica praticamente toda fechada, então aproveitamos para colocar nossas coisas em dia, arrumar a Fiona e reencontrar amigos. Já havíamos combinado de rever Scott, um americano que conhecemos aqui no hotel. Enquanto o esperávamos para sair, dois amigos nos fizeram uma bela surpresa! Donovan e Elen, amigos surinameses que conhecemos em Belém, vieram nos encontrar aqui no hotel!!! Eu havia comentado com eles por email que estaríamos aqui no dia 17, e não foi que eles apareceram?! Foi sensacional! Eles estão de mudança para Belém ainda este ano, Elen é de origem javanesa, nascida no Suriname (Nieuw Nickerie, que vamos conhecer amanhã) e já foi casada com um brasileiro, com quem tem duas filhas. Por isso fala português, holandês, tak-tak e ainda um pouco de inglês! Eles irão se mudar com os filhos e abrir um restaurante de comida surinamesa em Belém. Será parada obrigatória, pois além de um cardápio super exótico que tem referências javanesas, indianas, africanas e holandesas, ela irá manter o tempero original, renovando seu estoque trimestralmente com fornecedores daqui! Sensacional, estamos torcendo por eles!
Com o Scott, a Ellen e Donovan (casal que conhecemos em Belém!), em Paramaribo - Suriname
Logo Scott chegou e eles nos deram uma carona até o nosso bar, aqui perto do hotel. Scott está no Suriname há pouco mais de um mês, trabalhando em um projeto na área de TI. Um job que deveria durar 15 dias acabaram se tornando quase 2 meses e ele teve que se adaptar. O papo foi super divertido, falamos de tudo, desde a política e economia americana, às revoluções no Oriente Médio, a situação entre os palestinos e israelenses, até o sub-mundo de Parbo (Paramaribo, para os menos íntimos).
Já nos despedindo, ele chamou um táxi para levá-lo para casa, e quando menos esperávamos estávamos no maior papo com o taxista. Ele tem uma namorada brasileira, Nayra, 17 anos, nascida em Boa Vista. Sua mãe, que trabalha vendendo roupas lá e cá, a princípio foi contra o relacionamento, mas depois que conheceu o moço, surinamês de origem indiana, viu que era sério, acabou topando. Hoje eles moram juntos há 1 ano, ela está estudando holandês e inglês e já está acostumando a viver no Suriname. Eles nos convenceram a dar uma passadinha no Bigode, bar brasileiro, uma das facetas da cidade que não conhecíamos.
Pense em uma boate da periferia de Belém, repleta de garimpeiros brasileiros, guianeses e surinameses. Todos esses embalados e animados por mulheres (a maioria também brasileiras) assanhadíssimas dançando os hits do Furacão 2000! Eguinha Pocotó, Bonde do Tigrão, Calcinha Preta, Calipso e suas cópias baratas. Foi uma incursão noturna de fundo cultural com um único objetivo, a experiência antropológica em um meio tão sortido e agressivo.
Não, não vimos nenhuma briga lá não, mas sabemos que elas são comuns, principalmente entre mulheres defendendo seus homens, ou mesmo suas mulheres. As “brutas”, como são conhecidas as “mulheres que gostam de mulheres” aqui, são numerosas e a maioria trabalha nos bares destas boates. Mas eu me referia à agressividade na dança, na paquera, na sexualidade, nos gostos, nas músicas, como diria meu amigo mineiro, brutaaal. Ah, esqueci de mencionar que as “primas”, como chamam os paulistas, também são da terrinha.
Segundo nossos novos amigos, isso aqui é o brasileiro, esta é a referência do Brasil para eles, pois é a única cultura que eles têm acesso. Descobrimos que existe uma vizinhança chamada Belenzinho. Eu não fui tão a fundo na periferia de Belém durante nesta viagem, mas sei que encontraria coisas parecidas. Ainda assim a impressão que fiquei é que aqui as coisas estão ainda mais exageradas. Milhares de brasileiros (hoje em torno de 60 mil), que estão aqui batalhando uma vida melhor e que longe de casa acabam se liberando para tudo e todos.
Como explicar a eles que o Brasil não é inteiro assim? Ou ainda pior, como explicar aos garimpeiros que eu sou brasileira? Hahaha! Sim, é impressionante como tão diferente o Brasil ainda consegue ter uma unidade, língua e o mesmo orgulho de ser brasileiro, de São Bento do Sul à Marabá. Aos antropólogos de plantão pergunto se há algum estudo ou definição antropológica deste ser tão controverso e ao mesmo tempo amado em todo o lugar. Meu chute? Alegria. É essa a nossa principal característica, mesmo com toda a miséria e corrupção, pobre e ferrado, rico ou letrado, o brasileiro é feliz.
Muitos tubarões durante mergulho em Felipe's Point, em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Providencia está localizada à beira de um abismo submarino, situação ideal para encontrar uma grande biodiversidade marinha. Encontros com tubarões e peixes de grande porte são certos e fazem desta pequena ilha um dos paraísos dos mergulhadores aqui na Colômbia.
Encontro com tubarões durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Com a ajuda de Betito eu agendei um mergulho com o pessoal da Felipe Diving, baseados na Fresh Water Bay. Com um pouco de dor de ouvido o Rodrigo preferiu não arriscar e trocou os mares pelas montanhas, visitando o ponto mais alto da ilha, “O Pico”. Enquanto ele conferia a natureza exuberante, lagartixas azuis e os morros escarpados de Providência, eu desci às águas profundas no ponto conhecido como Felipe´s Point com a promessa de encontrar alguns tubarões.
Muitos tubarões durante mergulho em Felipe's Point, em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Um tubarão se aproxima durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Gata escaldada, nunca alimento esperanças concretas de encontrar esses animais, afinal eles exercem o seu direito de ir e vir nesse imenso mar azul. Mas aqui foi diferente, eles moram nos arredores deste arrecife à beira de um paredão de 500m de profundidade e não tem medo dos mergulhadores que volta e meia vêm os visitar. Black tip sharks e Gray Reef Sharks são os mais comuns nessas águas, eles variam de 1,5m a 3m e são super curiosos, indo e vindo ao redor dos mergulhadores.
Muitos tubarões durante mergulho em Felipe's Point, em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Chegamos a quase 40m de profundidade e ficamos cercados por mais de 10 tubarões, lindos, majestosos e imponentes. Aos poucos percebo que eles estão ficando mais agitados e demorei a entender o motivo. Felipe e seu irmão, que nos guiavam no mergulho, estavam caçando lion fishes (peixes-leão), que são uma praga invasora aqui no Caribe.
Mergulhando junto com tubarões em Providencia, ilha colombiana no Caribe
A memória dos tubarões nem depende do seu aguçado olfato, pois já registrou que esses mergulhadores são fonte de alimento, e sabem disso antes mesmo de eles começarem a caçar. Em poucos minutos o show começa e Felipe, sem roupas especiais de proteção e sem medo algum, começa a provocar os tubarões com um lion fish em seu arpão. Os tubarões ficam bem atiçados e chegam cada vez mais próximos do grupo, que extasiado assistia à cena, impressionados com o que estávamos presenciando.
Alimentando tubarões com lion fish durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Alimentando tubarões com lion fish durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Um dos mergulhadores usava um bastão com uma Go Pro acoplada na ponta, semelhante ao arpão que alimentava os tubarões. Um deles se confundiu e quase levou a Go Pro pensando que era um peixe. Todos os mergulhadores do grupo eram muito experientes, o que garantiu a segurança de todos, mas essa prática é muito delicada e muda o hábito alimentar do animal, que passa a ver nós, humanos/mergulhadores como fonte de alimento. Por isso eu sou contra o shark feeding, embora, de um jeito meio torto, ele cumpra o seu papel de educar e mostrar ao ser humano que os tubarões são animais que merecem ser respeitados e preservados. É importante saber que um mergulho com shark feeding deve ser feito com muita cautela, cumprindo normas de segurança e principalmente com o conhecimento prévio de todos os envolvidos e um briefing detalhado para garantir a segurança.
Fotografando tubarões durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
No nosso segundo mergulho também encontramos tubarões, arraias, barracudas, muitos lion fishes, lagostas e um cenário espetacular com cavernas e cânions, entre o azul e uma colorida barreira de corais.
Encontro com barracuda durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Tive uma sorte imensa de cair em um grupo especial de mergulhadores convidados pelo Ministério do Turismo Colombiano para divulgar o turismo de mergulho no país. A viagem de familiarização trouxe representantes de operadoras de turismo brasileiras, francesas, americanas e espanholas especializadas em mergulho, para conhecer alguns dos melhores pontos dos mares da Colômbia em San Andres e Providencia, Cartagena, Islas Rosário e Santa Marta. O pessoal da FAM Trip me acolheu e garantiu que nós tivéssemos também a melhor experiência nas ilhas, provando o melhor da culinária e dos mares do Caribe. Após o mergulho fomos até a praia de Suroeste e almoçamos no Divino Niño, restaurante de frutos do mar preparados na brasa à beira da praia. Esta dica valiosa da nossa amiga Fabiola Sad já estava no nosso roteiro e ficou ainda melhor na companhia dessa galera animada!
Celebrando o incrível mergulho com tubarões em Providencia, ilha colombiana no Caribe
À tarde o grupo todo saiu mergulhar enquanto eu aproveitei para fazer um rápido tour de volta à ilha na garupa do Betito. Segundo eles o mergulho foi lindo, viram mais tubarões, tartarugas e ainda tiveram a sorte de cruzar com um cardume de golfinhos! Mergulho excepcionais que sem dúvida estão entre os melhores do Caribe!
Um Cristo submarino em Providencia, ilha colombiana no Caribe
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