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Luis (18/09)
Então aquele ratinho visitou a barraca de vcs? E eu que tive que enrolar...
Luis (18/09)
Olá! Que pena,cheguei atrasado.Tem uma trilha de 2 dias que sai de Carra...
MAURO JOSE DA SILVA (18/09)
ANA , SEM DUVIDA, EU ACHO Q ESTA PASSAGEM PELO PICO E TODA ESSA CONPLICA...
MAURO JOSE DA SILVA (18/09)
vc poderia me explicar melhor sobre esta pedra repelente!!!! boa sorte no...
Luís (18/09)
Ana, vc sabia que os vitrais do Caraça são franceses e foram doados por...
Foto clássica de Canaima, no sul da Venezuela, com as palmeiras alagadas e as cachoeiras ao fundo
Um dos momentos mais emocionantes da viagem ao Salto Angel é logo no início, o vôo de Ciudad Bolívar para o Parque Nacional Canaima. O vôo em um Cesna de 5 lugares começa com uma vista aérea linda do Rio Orinoco em Ciudad Bolívar e depois de um trecho de campos começa a sobrevoar uma represa rasa, uma longa área alagada e tepuis maravilhosos! A chegada ao Parque Nacional é o ponto alto, quando avistamos todas as cachoeiras, a praia e o Salto El Sapo.
Sobrevoando o Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela
Voando de Ciudad Bolívar para Canaima, no sul da Venezuela
Somos recebidos no aeroporto pelo nosso guia local e após quase meia hora de espera pelos outros integrantes da nossa excursão, seguimos caminhando para a pousada, conhecendo a vila e vendo as crianças pemóns na hora do recreio da escola.
Chegando à Canaima, no sul da Venezuela
Venda de aertesanato no aeroporto de Canaima, no sul da Venezuela
Aproveitamos essa hora que tínhamos antes do almoço para andar pela vila e ir até a praia para ter uma das vistas mais famosas do parque nacional. A lagoa de águas vermelhas rodeadas por cachoeiras e com os três coqueiros semi-inundados. Sim, eles continuam lá! Do outro lado do lago a ilha onde está o acampamento El Sapito, onde dormimos da última vez.
Final de tarde em Canaima, no sul da Venezuela
Almoçamos na pousada e encontramos com o pessoal do Bode´s Well, o casal norte-americano Angela e Jason que viajam com seu filho Bode (fala-se Boudi) e receberam a visita super especial da avó de Bode, Susan, mãe de Angela. Há dias tentávamos marcar via internet um encontro na nossa rota pela Venezuela, mas havíamos perdido contato. Eis que os encontramos, por acaso, sentados na mesma mesa e no mesmo grupo de excursão que nós para o Salto Angel! Se tivéssemos marcado não teria dado tão certo!
Caminhando na praia fluvial de Canaima, no sul da Venezuela
Entrando na canoa que nos levará ao Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
Após o almoço a chuva nos pega de surpresa e atrasa a ida ao Salto El Sapo. Afinal nos encorajamos e saímos para o passeio, que mesmo com uma chuva fina vale cada minuto! Atravessamos a lagoa de barco e caminhamos em torno de 30 minutos, cruzando a floresta molhada, seus sapos coloridos até chegar ao corredor de pedra que nos leva ao mirante do salto. Essa travessia é uma das mais emocionantes da trilha!
Caminhando por baixo do Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
Pequenos sapos coloridos são muito comuns na área de Canaima, no sul da Venezuela
Caminhamos entre a forte cortina de água do Salto El Sapo e um corredor de pedras, que aos poucos vai se estreitando até o momento em que quase não podemos enxergar! Água por todos os lados, um banho de vapor de água nos encharca antes mesmo de podermos pensar! A cachoeira é maravilhosa, cenário perfeito para fotos aventurescas e românticas! Susan está comemorando seu 70º aniversário, muito esportiva e corajosa fez a travessia e também se rebatizou nas águas de Canaima!
A cortina de água do Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
1000dias no Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
Voltamos ainda com a adrenalina da travessia, mas, em tempo, havíamos guardado do outro lado a roupa sequinha para garantir algo quentinho no retorno. Foi um ótimo começo para a nossa aventura do Salto Angel, agora estamos prontos para enfrentar as surpresas que nos esperam no caminho da maior cachoeira do mundo!
Confira a série completa de posts!
• Aauyantepui e o Salto Angel
• 2º Dia - De Canaima ao Salto Angel
• 3º Dia - Sobrevoando o Salto Angel
Cachoeiras no rio Caroni, na região de Canaima, no sul da Venezuela
Assunto recorrente e pergunta freqüente: ahhh, mas então vocês voltam para casa?!?
Bela araucária no Vale do Matutu - MG
Alguns retornos estavam no nosso roteiro sim, o primeiro foi para ver a minha sobrinha linda que nasceu durante a viagem. O segundo foi para o casamento de amigos de infância que eu havia prometido que iria antes mesmo que começar a viagem. A terceira vez é um pouco diferente. O nosso roteiro já passaria pelo Paraná para entrarmos no Paraguai, de onde continuaremos para o sul da Bolívia, Argentina e Chile.
Dani e a filhota em Curitiba - PR
Agora, imaginem vocês, estamos a quase um ano longe da família e dos amigos e a apenas 2 ou 3 horas de viagem. É claaaro que vamos dar uma passadinha em casa para vê-los e ainda resolveremos algumas pendências burocráticas da viagem. É, não pensem que viajar 1000dias é fácil, além das saudades, aparecem questões como: renovação de passaportes, regularização de títulos de eleitor, seguro do carro, seguro de saúde, médicos, etc.
Conseguindo a Carteira Internacional de Vacinação, em Fortaleza - CE. Pronta para sair do país!
São coisas que podem ser resolvidas em outros lugares, mas com maior dificuldade. Afinal, teríamos que ficar parados 8 dias até receber o novo passaporte em outra cidade qualquer, então por que não em Curitiba?
O Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba - PR
Entretanto, isso não atrasou a viagem. Diante de tantos questionamentos acabamos fazendo uma votação com os amigos que acompanham o projeto e conhecem bem os meandros de cada pit stop em Curitiba e decidimos: o tempo em Curitiba não será contabilizado. Além disso, estamos reorganizando todo o nosso cronograma de viagem em função dos passaportes e visto do Canadá para o Rodrigo. Iremos antecipar a viagem pelas Serras Catarinenses e Gaúchas enquanto o passaporte está no processo de visto, afinal não temos como sair do Brasil sem ele.
Andando de carro na praia da Juréia
Quando entramos em Curitiba a nossa sensação foi a mais estranha possível. Parecia que nem havíamos saído daqui, é como se a viagem nem tivesse começado! Não é nem aquele sentimento de retrocesso, que muitos (e nós mesmos) se perguntam se teremos quando a viagem acabar. Será que vocês irão agüentar? Ao mesmo tempo em que é uma delícia pararmos um pouco, aproveitarmos as coisas de casa, comidinhas da mãe, reencontro com os amigos...
Conversando com o pai pelo Skype, em Fortaleza - CE. Viva a internet!
Nós também ficamos com a sensação de que algo está errado, de que temos que ir embora! Nosso modus operandi já mudou, já nos acostumamos a ser ciganos, a não ter casa e não dormir em um mesmo lugar por mais de 3 dias. É confuso realmente. Isso só nos reforça a certeza de que estamos no caminho certo e que terminaremos este projeto daqui 600 dias com a mesma alegria, pique e força com a que começamos.
Andando de carro na praia da Juréia
Visual caribenho em Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
Grande Terre, o centro comercial e turístico de Guadalupe, não é tão grande quanto parece. Seu nome, se comparado com sua ilha irmã, Basse Terre, parece não fazer sentido. Explico por quê: Basse Terre é a ilha com grandes montanhas e um vulcão ativo, alta no sentido literal da palavra. Por sua vez Grande Terre é baixa, quase plana e de formação coralínea. Então por que trocaram os nomes? A lógica dos antigos navegadores era outra e deriva dos ventos. O vento nordeste sopra grande sobre a ilha plana e são enfraquecidos quando se deparam com a montanhosa Basse Terre.
Exibir mapa ampliado
A formação de ambas é resultado da atividade de vulcões submarinos. O La Soufriere, em Basse Terre, ainda está ativo, enquanto o vulcão que formou Grande Terre se extinguiu. O nível dos mares subiu e seus milhares de anos como “ilha submersa” lhe renderam uma cobertura de calcário, formado pelos corais e depósito de matéria orgânica em sua superfície.
Areia branca, coqueiros e mar azul: estamos perto do paraíso em Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
Essa história geológica criou paisagens naturais especialmente ricas e diversas, das altas montanhas e vulcões, passando por largos rios e manguezais até as praias de areias brancas que refletem o mar azul turquesa. Outras ilhas fazem parte deste arquipélago, tornando a diversidade ainda maior, Marie Galante, Désirade, Iles des Saintes e Iles de Petit Terre. Ferries partem dos diferentes portos da ilha principal para as suas irmãs menores. Nós infelizmente não teremos tempo de explorar todas elas, o que pode ser uma boa notícia, pois teremos motivos para voltar!
Criança se diverte no fim de tarde em Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
Nossa excursão pela Grande-Terre começou no centro comercial da ilha, Poite à Pitre, cidade que abriga o aeroporto e o principal porto de embarque dos ferries do Express des Iles, que faz a conexão do departamento francês com as ilhas próximas de Dominica, Martinica e Santa Lúcia.
Orla marítima na Place de La Victoire, no centro de Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
Igreja em Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
Chegamos à Pointe-à-Pitre à tarde e pegamos todas as lojas fechadas. Não me perguntem por que, ainda era horário comercial, mas esses franceses das West Indies têm horários um tanto quanto estranhos para o comércio. Um passeio pelo centro, igreja e La Place de la Victoire e encontramos provas de que estamos mesmo em um estado francês do além-mar. Arquitetura da igreja e o antigo prédio do cinema, ao lado de uma delicatéssen fechada, saborosa só na nossa imaginação.
Arquitetura da Place de La Victoire, no centro de Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
Arquitetura da Place de La Victoire, no centro de Pointe-à-Pitre, capital de Guadalupe
O principal polo turístico de Guadalupe é a praia de La Gosier e fica a apenas 5 km de Pointe-à-Pitre. Fugimos dos grandes hotéis, resorts e das hordas de turistas indo direto para a pequena vila de Sainte Anne, uma das praias mais tranquilas e ainda com boa infra-estrutura. Novamente foi um parto encontrar uma pousada, a que havíamos escolhido no nosso guia é muito bacana, mas só aluga quartos por semana. Eles mesmos nos ajudaram a encontrar um hotel na praia vizinha, há 5 km dali.
Dia de sol e de praia em Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
O dia seguinte foi um dia preguiçoso em uma praia entre Sainte-Anne e St François, praia paradisíaca de águas rasas e protegidas por uma longa barreira de corais. Sábado de sol e praia para os locais que se reuniam em grandes piqueniques na praia selvagem, sem bares, sem hotéis, apenas a natureza e sua farofa particular.
Praia em Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
Fim de tarde movimentado em praia de Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
A próxima parada foi em Sainte François, que ocupa o posto de segunda maior cidade turística de Guadalupe. Baixa temporada, somado ao horário, ainda perfeito para praia, pegamos quase tudo fechado. Encontramos algum movimento na marina com deliciosas sorveterias e creperias abertas para a sobremesa de final de tarde.
A movimentada e charmosa marina de Sainte-François, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
O pôr-do-sol foi na praia de Sainte-Anne, recepcionados por um rasta-franco-jamaicano cantando coisas inteligíveis mesmo para quem entende francês, imaginem para mim! Sei que ele colocou meu nome na letra e tirou uma sonzeira do seu violão! Olha só!
Como era o nosso último dia em Guadalupe aproveitei para provar a bebida local chamada ti-punch. Eu imaginava ser algo parecido com os rum-punches de frutas que vemos por todo o Caribe, mas estava completamente enganada.
Coleção de punches em bar na praia de Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
Experimentando o Ti-punch em Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
O ti-punch é uma bebida à base de rum preparada com suco de limão e um caldo açucarado, detalhe, servido à temperatura ambiente (o que aqui é quente!). Foi demais para o meu estômago, tive que fazer umas modificações básicas para conseguir saborear a xiboquinha francesa enquanto engolia amargamente o 4 x 3 da Argentina sobre o Brasil no amistoso de NY. Nos despedimos de Guadalupe deixando muitos motivos para voltar, um dia quem sabe.
Banho noturno de piscina em nosso hotel em Sainte-Anne, no litoral sul de Grande Terre, em Guadalupe
Conforme esperado, o Old Faithful faz sua "apresentação" no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
O Old Faithful é um dos geysers mais famosos do mundo. Ele não é o mais alto, mas é o mais previsível dos geysers, explodindo em média a cada 91 minutos. Cada explosão lança água fervente e vapor a mais de 30m de altura. Nós já havíamos visto geysers no Chile e na Islândia, mas o que mais me impressionou no Old Faithful foi realmente a duração, que pode chegar a mais de 5 minutos! O centro de visitantes tem um quadro de horários com os intervalos do geyser, que já possui uma bela infraestrutura para os turistas sentarem e esperarem pelo próximo espetáculo. Enquanto esperávamos as crianças em volta ansiosas gritavam “Go Old Faithful! Go High!” - “Vai, Old Faithful, Vai bem alto!”. O show é sempre impressionante e a diversão garantida.
O público aguarda, ansioso, a erupção do mais famoso geiser do mundo, o Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Conforme esperado, o Old Faithful faz sua "apresentação", para a alegria do público, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
A partir do Old Faithfull começa uma trilha que cruza o Geyser Hill e segue ao longo do Firehole River. São dezenas de pequenos geysers, fumarolas, piscinas de água fervente das mais diferentes cores, do alaranjado, passando pelo amarelo gema, verde até o azul! É incrível como as minúsculas criaturas como fungos e bactérias conseguem se adaptar e sobrevivem em águas com acidez e temperaturas são altas! São esses serzinhos que colorem as piscinas térmicas e dão vida à um ambiente tão hostil a outras formas de fauna e flora.
Grand Prismatic Pool escondida por seus próprios vapores, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
As cores sempre vivas da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Se o seu dia começou cedo você ainda conseguirá visitar a Blacksand Basin, Biscuit Basin e a Midway Geyser Basin. Cada uma dessas “basins” tem grupos de geysers e piscinas cromáticas lindas e merecem ser visitadas, como nós chegamos já no meio da tarde acabamos deixando para o dia seguinte a principal delas que é a Midway Basin. Uma das imagens mais famosas do parque, a Grand Prismatic Spring é uma piscina de água fervente imensa e multicolorida.
A fabulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Suas cores intensas a tornam uma fonte muito especial! Por isso, além de andar ao redor da piscina pelas passarelas, é obrigatório fazer a trilha que te leva a um mirante para vê-la de cima! Existem duas opções, uma trilha mais longa que sai da Biscuit Basin, é a mais conhecida, ou uma trilha mais íngreme, mas também mais curta. Quando estiver voltando das passarelas da Grand Prismatic, siga à direita observando o morro à frente. Você verá umas paredes de pedra no alto deste morro, cruze a estrada e logo abaixo deles você encontrará uma trilha pisada sobre o terreno arenoso. É aí mesmo! Suba mirando chegar nas pedras, leva uns 20 ou 30 minutos e lá do alto você terá uma das melhores vistas da Grand Prismatic!
Vista de cima, a impressionante Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Ao sul do Old Faithful está a estrada que liga o Yellowstone ao Grand Teton National Park, foi por ela que nós entramos no parque. A estrada acompanha o Lewis River e é belíssima, cânions e cachoeiras, sem contar um lindo Bull Elk que encontramos no caminho.
Encontro com uma rena no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Ah, essa é outra dica importante: dirija devagar e preste atenção nos arredores das estradas, pode sempre encontrar um elk, bisão ou se der sorte até um urso! Fique de olho nos outros carros, principalmente se eles tiverem grandes câmeras fotográficas, se estiverem parados olhando para o lado, com certeza tem algum animal por lá!
Maravilhoso entardecer na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos
Veja também os posts:
- Yellowstone em 3 dias
- Yellowstone Lake e West Thumb
- Grand Canyon e Mamooth Springs
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Monumento representando a bandeira do estado, em Rio Branco, no Acre
Antigo território boliviano, o Acre foi conquistado para o Brasil pela luta dos seringueiros brasileiros que já ocupavam informalmente aquela área. Lá pelos idos de 1902 a Bolívia resolveu retomar as suas terras e assegurar a sua soberania sobre a região, porém não esperava que iria encontrar resistência destes guerreiros seringueiros. A Revolução Acreana chegou a proclamar o Estado Independente do Acre, que posteriormente foi ocupado militarmente pelo Brasil e mais tarde adquirido da Bolívia pelo governo brasileiro por 2 milhões de libras esterlinas e a garantia da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Essa luta liderada pelo gaúcho Plácido de Castro colocou o primeiro Território Federal no mapa brasileiro.
Orgulho do passado histórico! (em Rio Branco, no Acre)
Mas alguém aí se perguntou por que aquele lugar esquecido por todos logo passava a ser o foco das tensões a atenções de ambos países? A resposta é simples, o Ciclo da Borracha. No início do século XX o Acre era uma potência econômica e representava 1/3 do PIB brasileiro!
Museu da Borracha, um dos mais famosos de Rio Branco, no Acre
Aí percebemos que o sangue quente da luta pelos seus direitos, suas terras e seus seringais já vinha de longe! Foi essa cultura e história que forjou o mártir da luta pela preservação das florestas nativas e direitos dos seringueiros, o memorável Chico Mendes.
A ecologia tem muita força no estado (em Rio Branco, no Acre)
Os 500 km de estrada entre Porto Velho e Rio Branco são relativamente tranquilos. Todo o trecho de Rondônia tem um asfalto praticamente novo e curiosamente faz parte ainda de um dos mais extensos municípios que já vimos. Sim, a área urbana de Porto Velho é pequena, mas o município se estende praticamente até a fronteira com o Acre! Vários distritos distantes da capital estão lutando por uma maior autonomia e até a emancipação, já que obviamente os planos e verbas municipais tardam em chegar até lá. Assim que cruzamos a fronteira do estado o asfalto fica completamente esburacado, deixando a viagem mais lenta e demorada.
Entrando no estado do Acre
Nossa passagem por lá incluiu uma visita à capital Rio Branco e à cidade onde nasceu o mestre Chico Mendes, a cidade de Xapuri. Rio Branco foi fundada em 1882 pelos seringueiros às margens do Rio Acre. Uma capital tranquila e bem organizada, Rio Branco pode ser bem explorada em um dia de caminhadas pelo centro e uma esticada de carro, ônibus ou táxi até o Parque Chico Mendes.
O simpático passeio em frente ao rio, em Rio Branco, no Acre
Domingo quente e ensolarado nos levou pelas ruas da Cidade-Natureza, passando pelo Palácio Rio Branco e a Praça Eurico Dutra, que oferece cursos e oficinas ambientais no coreto central. O Palácio estava fechado para visitação, mas em dias de semana as exposições sobre a história do estado dos tempos pré-colombianos até os dias de hoje, com artefatos das comunidades indígenas e informações sobre a Revolução Acreana e Chico Mendes.
O Palácio do Governo em Rio Branco, no Acre
Logo ao lado está a Catedral da cidade e nos arredores a Praça Plácido de Castro e a Praça da Bandeira, onde está localizado o Mercado Velho. O mercado tem lojinhas de artesanato, lanchonetes e alguns bares no casario colonial às margens do Rio Acre, no passeio conhecido como a Gameleira. Ali o povo se reúne para aquela cervejinha de final de tarde com bolinhos e pastéis. Até encontramos ali um grupo de jovens universitários americanos e europeus que está morando em Rio Branco desenvolvendo pesquisas na área ambiental. Muito bacana!
Antigo mercado em Rio Branco, no Acre
Venda de vários tipos de cipós em Rio Branco, no Acre
Pelas praças, parques e placas comemorativas espalhadas pela cidade logo percebemos o orgulho do povo acreano pela luta em defesa do meio ambiente, legado do seu filho Chico Mendes. “Lá no Brasil”, como dizem aqui, nós não temos tanta preocupação em lembrar dessa história tão recente que forjou a luta pelo Meio Ambiente no país.
Adendo, "Lá no Brasil" são duas horas de diferença aqui do Acre, 2 horas a menos do horário de Brasília, 1 hora a menos que o horário de Porto Velho. "Lá no Brasil" o povo acha que o Acre não existe, afinal "lá no Brasil" o povo nem faz questão de lembrar que o Acre existe. Mas vocês imaginam como e porquê esse povo se sente, além das razões geográficas óbvias, tão distantes de nós? Como você se sentiria?
Visita ao Parque Chico Mendes, em Rio Branco, no Acre
No nosso caminho à Biblioteca da Floresta conhecemos o centro comercial da cidade, próximo à Estação Central. Na volta tentamos, sem muitas esperanças, o Museu da Borracha que estava fechado para reforma. Um simpático morador viu os dois sulistas andando pela rua e puxou conversa para nos dar dicas do que conhecer na cidade, dentre elas o Parque Chico Mendes.
Uma linda onça no pequeno zoológico no Parque Chico Mendes, em Rio Branco, no Acre
Lá fomos nós para o programa dominical preferido dos rio-branquenses. O parque estava lotado, uma espécie de zoológico que expõe animais da fauna nativa como onças-pintadas, cobras, porco do mato, antas e pacas entre trilhas ecológicas em um bosque bem bacana. Na entrada está o memorial com informações sobre a vida e a trajetória do ambientalista.
Onça parda no pequeno zoológico do Parque Chico Mendes, em Rio Branco, no Acre
Pois é minha gente, o Acre existe e tem muito mais personalidade do que muitos brasileiros por aí. Esse estado que lutou para fazer parte do Brasil e conquistar o seu lugar é também uma terra cheia de belezas e história.
Relaxando na praias de areias rosa
Tenho hoje que fazer uma homenagem a uma ilustre desconhecida. Ontem estávamos no Blue Bar e um casal apaixonado chegou no final da tarde e nos pediu para tirar uma foto deles, respondemos “of course!”. Assim começamos a conversar, ela americana descendente de porto-riquenhos trabalha em Miami em uma agência de modelos e ele sueco muito simpático, mas mais discreto. Muito curiosa ela nos perguntou de onde éramos e o que fazíamos aqui, tão longe do Brasil. Acabamos contanto a eles a nossa história, como começamos a sonhar com a viagem e como os 30 se tornaram 1000dias. Eles ficaram muito interessados, fizeram diversas perguntas e o Rodrigo, que sempre reclama de não ter espaço para falar, se esbaldou em explicar tudo para eles de uma forma bem divertida. Até aí estava tudo muito bom, tudo muito bem... Eis que, na despedida a americana, que até agora não sei o nome, voltou à nossa mesa e falou “Do you mind if I say a little pray for you?” e novamente dissemos “of course! (we don´t mind)”. E aí nós ouvimos a reza mais forte que eu já vi na minha vida 100% direcionada a nós e a viagem. Nem sei transcrevê-la aqui, eu queria ter gravado! Esta ilustre desconhecida conseguiu me deixar 100% arrepiada! Ela pediu a Deus que nos protegesse na estrada e em todo o nosso caminho e até que o site tivesse muito sucesso e prosperity! A prece foi muito completa! Foram quase 5 minutos em que demos as mãos e de olhos fechados ela nos fez esta bela surpresa, com muita fé. Sempre soubemos que estaríamos bem protegidos e acompanhados, mas depois dessa eu tenho certeza!
A incrível beleza das praias da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Na quina entre o Mar do Caribe e o Golfo do México, a Isla Holbox se tornou famosa por ser o endereço onde centenas (senão milhares) de tubarões baleia se congregam para procriar entre os meses de maio e julho, nas águas quentes do Caribe.
Ainda em Chiquila, onde pegamos o barco para a ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México, as informações sobre os tubarões-baleia
Os guias de turismo quase desencorajam os viajantes de conhecê-la, a comparando com os outros destinos turísticos da Península do Yucatán. Afinal, quem gostaria de trocar as águas azuis turquesas e cristalinas do Mar do Caribe por uma água já misturada com a mais escura e 'barrenta' água do Golfo do México?
As águas mais escuras do Golfo do México, a caminho da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Além disso, a ilha é conhecida pela falta de infraestrutura, uma cidade pequena, onde as ruas ainda são de areia e você parece estar longe do mundo civilizado. (Tudo o que eu mais quero!) Por outro lado também é sabido que aqui os preços para o turismo são altíssimos, hotéis e alimentação com preços proibitivos.
Caminhando para a praia nas ruas de areia da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Chega a ser quase um paradoxo, como um lugar sem estrutura e pouco desenvolvido turisticamente pode ser tão caro? O que os livros esqueceram de explicar é que Holbox é o novo esconderijo de muitos estrangeiros, a maioria italianos, que trouxeram junto deles sua gastronomia e bom gosto. A magia da ilha está justamente nesta mistura, um lugar que prima por manter suas tradições e simplicidade, mas que possui infraestrutura para receber até o turista mais exigente.
Em meio às águas rasas do mar da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Nós mesmos, quando estávamos fechando o roteiro tivemos nossas duvidas, mas eu queria ir de qualquer forma, algo me atraia nesta ilha... Acho que justamente o fato de ser menos visitada por humanos e massivamente visitada por tubarões baleia. Mesmo adiantados na temporada, me parecia um ótimo motivo!
Que lugar para armar a rede! (ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México)
Assim, este foi o meu destino escolhido para as nossas "férias das férias", um lugar para ficarmos parados por alguns dias trabalhando nos blogs, aproveitando a praia e relaxando de tantos quilômetros rodados. E, depois de passar 4 dias na mais agitada Isla Mujeres, entre motos, carros, ruas já asfaltadas e o barulho da semana de carnaval, o Rodrigo acabou topando.
Bizarras carapaças que se encontram nas praias da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Cruzamos do porto de Chiquila, uma pequena cidade no extremo nordeste da Península do Yucatán. Chegamos lá no final da tarde, ainda durante a semana das festas pagãs. Não tivemos tempo e nem luz para ver a praia, então fomos direto a praça principal, onde topamos com bandinhas embalando as apresentações das estudantinas, jovens e senhores empenhados em alegrar o público local, tocando seus tambores, baterias, violinos, trompetes e violões, enquanto as mulheres dançavam e cantavam temas originais, em suas adornadas fantasias representando lendas mayas e yucatecas lindíssimas!
Animação de carnaval em Holbox, pequena ilha ao norte de Yucatán, no México
Apresentação de carnaval na praça central em Holbox, a pequena ilha ao norte de Yucatán, no México
Um carnaval genuíno, feito pela comunidade, para a comunidade, mantendo as tradições, a musica instrumental, a criatividade e a dedicação da própria população, e não um punhado de caixas de som sobre uma caminhonete fazendo barulho pela cidade. Aquilo me comoveu de tal maneira, não sei se por me lembrar dos melhores carnavais brasileiros (repito, os melhores, não os maiores) ou simplesmente por que vi que eles estavam genuinamente felizes e orgulhosos por fazê-lo assim! Foi a melhor das surpresas que Holbox nos guardava.
Uma das animadas bandas que tocou no carnaval da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
No dia seguinte, depois de horas trabalhando no quarto, saímos para a praia com poucas expectativas, pois as águas escuras não poderiam ser mais bonitas que as do mar do Caribe, certo? Errado! A primeira visão que tivemos enquanto caminhávamos uma quadra do nosso hotel para o mar foi esta.
A incrível beleza das praias da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Daí em diante, sem fôlego e impressionada pelo tom verde esmeralda das águas, começaríamos a nossa rotina de caminhadas e explorações pela ilha.
Caminhada antes da chuva na iilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Neste primeiro dia seguimos para o lado direito, caminhando pela praia cruzando iguanas, caranguejos e quase nenhum turista. Paramos para um banho de mar e um rum punch no Restaurante Arena, um dos mais bacanas da ilha.
Caminhando nas águas rasas da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Relaxando, depois do almoço (ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México)
No outro dia saímos a explorar o lado esquerdo da praia, passamos pela vila de pescadores, onde cruzamos mais o pessoal local, pescadores e mulheres trabalhando e crianças brincando na areia. Uma delas, a menina Perla que queria ir para o fundo, mas sabia que seus irmãos iriam afogá-la, essas brincadeiras que irmãos fazem.
Ancoradouro em praia da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Menina se diverte em praia da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Conversadeira, ela me contou sobre a sua família inteira, seus amiguinhos e até seu novo bebê, o priminho que nasceu há apenas 6 meses. Ela se mudou do lado oeste da ilha para cá há pouco tempo e ainda está começando a fazer novas amizades.
A mais nova amiguinha da Ana na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Andamos mais de 4 km até a área de reserva, na ponta esquerda da ilha, onde os principais moradores são as garças, pelicanos e as pequenas golondrinas, que todos os anos vem até as areias brancas de Holbox para procriar, uma das raras espécies de aves que prefere a areia às árvores para seus ninhos.
Garça solitária em praia da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Belo entardecer na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
No nosso terceiro e último dia saímos caminhando para o canto direito da praia com o objetivo de ir até a Punta Mosquito, uma das praias mais bonitas da ilha e apenas acessível de barco. Havíamos conversado com algumas pessoas que nos disseram que com disposição para uma longa caminhada seria possível chegar até lá a pé. Andamos, passamos o restaurante onde havíamos parado no primeiro dia e continuamos. Andamos, andamos e andamos e logo chegamos a um rio de águas verdes transparentes. O Rodrigo passou nadando e logo vimos que não teríamos como atravessar com câmeras e mochilas sem molhá-las. Tivemos que sacrificar a Punta Mosquito e ficar por ali mesmo... Vida dura esta! Rsrsrs!
Um magnífico rio de águas verdes se encontra com o mar na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Todas as noites nós encontrávamos um restaurantinho novo para comer, mas foi em uma noite chuvosa que decidimos conhecer o restaurante vizinho ao nosso hotel, que anunciava em um quadro negro o seu jantar do dia: um prato especial + uma taça de vinho = 180 pesos mexicanos (ou algo bem próximo a isso). Descobrimos um ótimo negócio, pois além de boa musica, tempero e vinho deliciosos, encontramos um ambiente super descolado! Noite chuvosa, nada melhor que um bom filme para passar a noite, lá mesmo no restaurante as meninas projetaram Vicky, Cristina, Barcelona. Amo os filmes de Wood Allen, posso revê-los dezenas de vezes.
Nossas amigas argentinas em seu restaurante onde tomávamos nosso saudável café da manhã, na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Paola e Loana são argentinas, estão viajando pela América Latina e resolveram parar um tempo em Holbox para trabalhar. Estão gerenciando este pequeno restaurante dentro de um hostel há três meses e já receberam até visitas! Sol, Maria e Alfonsina vieram de Buenos Aires para visitá-las e fecharam o grupo animado que nos fez companhia nas nossas últimas noites em Holbox.
Comprando côco de um vendedor e seu simpático veículo, na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Várias pessoas já me perguntaram se durante a viagem encontramos algum lugar que eu pensasse, 'este é o meu lugar!' A minha resposta sempre foi vaga, encontramos vários lugares lindos, mas nenhum que houvesse me tocado. Isla Holbox é aquele pedaço esquecido de paraíso que sempre esperamos encontrar. Foi um dos primeiros lugares que eu senti que poderia viver e um dos mais difíceis de dizer adeus... Então será, quem sabe, apenas um até logo.
Alvoroço de gaivotas em praia da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Como chegar?
Em Chiquila, taxistas em seus triciclos aguardam os turistas que retornam da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Existem ônibus que saem de Playa del Carmen até Chiquila, melhor opção que alugar um carro, já que este não pode atravessar. Se mesmo assim você for de carro, existem estacionamentos que cobram em torno de 100 pesos por dia para o carro, bem perto do píer. Existem duas companhias de barco que fazem a travessia, geralmente de hora em hora. As duas cobram o mesmo valor, 80 pesos mexicanos. Nós pagamos 60 na ida, quando ainda é fácil barganhar, já que os dois barcos estão saindo no mesmo minuto e as vendedoras estão ávidas para te ganhar. O retorno já tem horários diferentes, às vezes de 2 em 2 horas e intercalados pelas duas empresas, então é melhor deixar para comprar a volta na hora do embarque, para não ficar amarrado.
A caminho da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Onde ficar?
Hoteis na ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Hospedagem na ilha realmente vai depender do seu gosto e bolso. Existem hotéis, pousadas e pequenos resorts de todos os tipos, alguns dos mais caros da região! Nós chegamos lá com a indicação do Hostal Ida e Vuelta, que oferece cabanas rústicas em um ambiente descontraído por preços bem razoáveis, mas eles já estavam lotados. Assim acabamos ficando no hotel vizinho, nada charmoso, mas com preços ótimos (300 pesos por quarto, metade do preço do anterior) e com tudo o que precisávamos: wifi, banho quente, ar-condicionado e uma boa cama. Na beira da praia estão os hotéis boutique deliciosos, com restaurante, bar, piscina, decoração super charmosa e ambiente perfeito, mas aí as tarifas e os cardápios já são em dólares e começam em no mínimo 190 dólares, podendo chegar a mais de 400 fácil, fácil.
Combinação perfeita! (ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México)
Alimentação na ilha também pode ser cara, mas existem restaurantes baratos ao redor da praça e algumas boas opções como o das argentinas que comentei acima. Os locais sempre têm boas dicas, a maioria é de comida mexicana, simples, mas gostosos. Nós economizamos na hospedagem e nos demos ao luxo de aproveitar o bar e o restaurante de um destes hotéis, o Restaurante Arena, na ponta direita da praia. Lá tomei um rum punch com vista para o mar e provamos um dos melhores ceviches de pescado da vida!
A primeira visão da Angel Falls, em Canaima, no sul da Venezueka
Começamos o dia cedo, café da manhã as 8h e temos um tempo para visitar a vila ou apenas descansar. Esperamos por mais dois passageiros que irão fechar nosso grupo que subirá o Rio Caroni em uma viagem de barco de 4 horas, atravessando corredeiras entre tepuis e florestas para chegar ao Salto Angel.
Início da jornada de barco para o Salto Angel, região de Canaima, no sul da Venezueka
Trilha para ultrapassar as corredeiras do rio Caroni, a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Uma hora de barco e logo desembarcamos para caminhar aproximadamente 45 minutos por uma linda savana, enquanto o barco dá a volta pelo rio atravessando as corredeiras mais perigosas. Do outro lado desta ilha voltamos ao barco e ganhamos nossos almoços, sanduíches de presunto e queijo, frutas e bolachas. Seguimos com sol, entre florestas e imponentes tepuis, ziguezagueando no rio, que a cada curva nos desvenda novas cachoeiras e as imensas paredes do Auyantepui.
A caminho do Salto Angel, o magnífico visual dos tepuis, na região de Canaima, no sul da Venezueka
A caminho do Salto Angel, o magnífico visual dos tepuis, na região de Canaima, no sul da Venezueka
Logo as nuvens começam a anunciar o temporal que está por vir: ficaremos encharcados! Sabíamos que não havia o que fazer senão entrar no clima e relaxar! Adiante voltamos a encontrar corredeiras, para dar mais adrenalina ao passeio! Elas ficam mais fortes nos trechos de pedras, mesmo trechos que em 2007 fizeram todos os homens descerem do barco e ajudarem a empurrar, já que o rio estava totalmente seco.
A maravilhosa paisagem no caminho para o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Desembarcando, para fazer a trilha até o mirante do Salto Angel, região de Canaima, no sul da Venezueka
O tempo abriu e logo chegávamos ao início da trilha do Salto Angel. Do rio já tivemos o primeiro gostinho, vimos o salto ao longe, imenso, caindo 979 metros do alto do Auyantepui. Era perto das 14h e decidimos entrar na trilha para garantir que desta vez o gigante não nos escaparia! Foram quase 50 minutos de trilha, caminhando rapidamente entre pedras, raízes, cogumelos e árvores, além de uma subida íngreme no final para chegar até o mirante.
Atravessando o rio rumo ao mirante do Salto Angel, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka
Finalmente, aos pés da maior cachoeira do mundo, o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Incrível vê-lo caindo de baixo, completo de água da cabeça aos pés! Um pouco mais de água fecharia a nossa visão, com a própria nuvem de água formada pela queda. Foi isso que aconteceu na última vez que estivemos aqui. Chegamos no final do dia e dormimos para na manhã seguinte fazermos a trilha. Naquela noite choveu tanto que o salto ficou não apenas imenso, mas volumoso formando uma grande nuvem de vapor de água. Do mirante nada se via, apenas sentíamos o poder da sua queda d´água! Lembro que começou a chover a meio caminho do mirante, e na trilha o guia me disse: “Você acha que isso é chuva? Não, é a água do Salto Angel!” Sua força vinha refletida no vento do vapor de água que nos encharcava, mesmo vapor que cegava toda e qualquer visão da cachoeira, era tudo branco.
Impressionado com a imponência do Salto Angel, a mais alta cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka
Hoje pudemos vê-lo por completo, majestoso e senti-lo mais suave. Ele ainda molhava a nós e às lentes de nossas câmeras, mas era apenas para lembrar-nos que estávamos perante a maior cachoeira do mundo! Para chegar aos pés da sua queda d´água são mais 45 minutos de boa subida em pedras escorregadias, percurso com autorização extra e raramente oferecido nos pacotes turísticos.
A pequena cachoeira aos pés do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
O jason, a Angela e o Bode, no mirante do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
1000dias chega ao Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka
Voltamos extasiados ao começo da trilha e cruzamos de barco para o nosso acampamento, alguns metros rio abaixo. Escolhemos nossas redes, tomamos um banho frio delicioso e nos reunimos ao redor das xícaras de chá enquanto esperávamos o nosso jantar quentinho ser servido.
1000dias e Bodeswell, encontro de expedições no Salto Angel, Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka
Jantando no refúgio em frente ao Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Agora sim tivemos mais tempo para conversar com a família Bode´s Well, que está a 3 anos e 9 meses na estrada e planeja um período de descanso nos Estados Unidos antes de partir para o seu próximo continente. O gerador de luz nos acompanhou até as 20h e continuamos o chá e a conversa à luz de velas, com todos os ruídos da selva venezuelana, em um momento muito especial dessa nossa aventura no Canaima.
Confira a série completa de posts!
• Aauyantepui e o Salto Angel
• 1º Dia - Chegando ao Parque Nacional Canaima
• 3º Dia - Sobrevoando o Salto Angel
Nossa cama no refúgio em frente ao Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Canoas no rio Caraíva - BA
Chegamos à Caraíva! O Rodrigo tentou me convencer a passar reto, conhecer apenas Cumuruxatiba e seguir direto para Trancoso e Itacaré. Porém, há muito tempo, eu havia me prometido que conheceria a Praia do Espelho, vizinha daqui. O Rodrigo também tem um carinho grande pela região, pois saudoso como sempre, gosta de lembrar as suas antigas viagens. A primeira para Caraíva foi com sua irmã, mãe e primo. Uma bela aventura, pois há 21 anos atrás não havia praticamente nada por aqui, apenas a casa deste amigo da família, o Zé Rubens, onde ficaram hospedados. Outra vez o Rodrigo saiu de Arraial D´Ajuda e foi a pé até Prado, parando e conhecendo cada prainha. Sendo assim não foi tão difícil convencê-lo de pararmos em Caraíva.
A barra do rio Caraíva - BA
Chegamos à tarde no portinho que atravessa o rio da cidade de Caraíva Nova para a original, também conhecida como a Velha Caraíva. Lá mesmo o Rodrigo encontrou o Suco, antigo morador que soube lhe dar todas as coordenadas históricas da vila para que ele recordasse como, quando e onde havia ficado, para poder rever os lugares por onde já havia passado. Ele nos indicou a única pousada que teria internet, Bar da Praia, que coincidentemente foi um dia a casa do Zé Rubens! O Rodrigo ficou maravilhado, estamos hospedados hoje no mesmo lugar que ele esteve há 21 anos! Boas lembranças, do banho de cacimba, de quando ele e o Haroldo enchiam a caixa d´água da casa no braço, pois não havia energia elétrica, do passeio de barco até a Ponta do Corumbau e da maravilhosa comida da Duca.
O rio de Caraíva - BA
As ruas de Caraíva me lembram muito a Ilha do Mel, ruas de areia, onde é proibido qualquer veículo motorizado, postes de luz e iluminação sem uma cobertura orgânica, tecido ou palha. A comunidade se organiza para que a vila mantenha suas características. Hoje a velha Caraíva não tem mais para onde crescer, uma vez que suas fronteiras estão delimitadas pelo mar, rio e pela área do Parque Nacional do Monte Pascoal. A única internet que existe é via rádio no internet café e está com problema há uma semana, portanto estamos ilhados. O modem da vivo até funciona, mas em uma velocidade 1G, impossível postar, checar emails, etc.
Cruzando o rio Caraíva - BA
Depois de nos instalarmos no único quarto livre da pousada, fomos ver o encontro do rio com o mar. Uma caminhadinha de 10 minutos e chegamos a este lugar maravilhoso, onde as águas verdes do mar dominam a água ferruginosa do rio e muda completamente a paisagem durante a alta. Refrescamos-nos e vamos para a Duca, provar a famosa culinária vegetariana.
A Pousada da Praia, antiga casa de Zé Rubens, em Caraíva - BA
Duca é uma gaúcha que se mudou para Caraíva há 31 anos. Primeiro morou do outro lado do rio, até que conseguiu alugar uma casa e montar a escolinha, onde dava aula para as crianças da comunidade. Mais tarde conseguiu juntar um dinheirinho e comprar um terreno da marinha para construir sua casa e o seu restaurante vegetariano na beira da praia, local onde não havia ainda nenhuma construção. Mais tarde chegou o Zé Rubens e mais outro que começaram a construir suas casas em áreas próximas. Hoje a Duca está em outra sede, mas seu tempero continua maravilhoso! Salada, arroz integral, feijão e um estrogonofe de carne de soja e legumes indescritível! Se eu tivesse a Duca cozinhando para mim todos os dias com certeza não teria problema algum em virar vegetariana.
O rio de Caraíva - BA
À noite saímos em busca de um forrózinho, afinal, sábado é dia de festa! O Forró do Pelé estava fechado, ele está reformando o cafofo. Acabamos encontrando uma festa em um restaurante próximo da igreja, onde estava rolando o aniversário do André. Não conheci o Andre não, mas dançamos um forrozinho e conhecemos três cariocas viajantes muito bacanas! Graci, Ana e Luciana estavam ali, meio deslocadas do ambiente, e resolveram puxar assunto imaginando que eu era gringa, coisa comum ultimamente, rsrsrs. Foi ótimo, além de todos os interesses, encontramos até conhecidos em comum. Depois dizem que Caraíva que é pequena!
Cruzando o rio Caraíva - BA
Passeio à cavalo vestida à carater! (região do Cotopaxi - Equador)
Chegamos ao Hostal Papa Gayo as 5 horas da manhã, o Rafa se recuperava da dor, que diminuiu drasticamente assim que baixamos dos 4.000m. Enquanto Stálin dirigiu durante mais de uma hora na madrugada e eu, preocupada que ele dormisse no volante, não parei um segundo de tagarelar. O assunto principal foram as montanhas, paixão de Stálin, experiente em escalada técnica em rocha, gelo, paredes e o que aparecer na sua frente. Ele e sua esposa subiram o Alpamayo, ela foi até o campo alto e o acompanhou por rádio no ataque final, em uma parede de 400 ou 500m até o cume. Histórias emocionantes!
O vulcão Cotopaxi visto do alto de Ventemilla, o segundo ponto mais alto do Chimborazo (Equador)
Eu perguntava muito sobre o Chimborazo, pois sabia que naquele momento, enquanto voltávamos para a pousada, Rodrigo estava acima dos 5000m, enfrentando o frio e a altitude para chegar aos 6.300m. Nenhum dos guias entendia por que Rodrigo tinha se separado de nós e ido ao Chimborazo, e eu explicava paciente que ele era mais forte, mais experiente e contava algumas de suas peripécias no mundo das montanhas. Aconcágua, Island Peak, Campo Base do Everest...
Celebrando a chegada ao alto de Ventemilla, o segundo ponto mais alto do Chimborazo, com 6.280 m (Equador)
O seu currículo, porém, não era o mais importante. A sua resistência, determinação e teimosia é que o levariam indubitavelmente para o cume. Algumas pessoas morreram lá em cima e vários já relataram que viram, sentiram ou escutaram estes espíritos da montanha os ajudando em momentos de dúvida ou perigo. Eu adoro estas histórias e Stálin contou várias delas, tanto no Cotopaxi quanto no Chimborazo. Boa conversa para uma madrugada voltando da montanha! Rsrs!
No cume do Chimborazo, com o Cotopaxi ao fundo (Equador)
Na Papa Gayo conseguimos as últimas 3 camas que estavam disponíveis para finalmente dormir e descansar. Acordei as 9 horas, ainda com um pouco de sono, mas com toda a energia acumulada para a caminhada. Precisava fazer alguma coisa até o Rodrigo voltar. Ficar ali, sem notícias dele e esperando até as 15h seria tortura.
Paisagem na "Avenida dos Vulcões", região do Cotopaxi, durante passeio à cavalo (Equador)
Foi aí que surgiu a cavalgada pela Avenida dos Vulcões. Xavier arreou os cavalos e as 11h partimos em direção ao Corazón, vulcão de 4.800m de altitude próximo à pousada. No caminho as vistas são magníficas, subimos dos 3.000m até aproximados 4.000m e vemos do alto o Illiniza Norte e o Illiniza Sul, vulcões adormecidos.
Paisagem na "Avenida dos Vulcões", região do Cotopaxi, durante passeio à cavalo (Equador)
Foi um ótimo passeio, Xavier é uma ótima companhia e conseguimos conversar bastante sobre as coisas aqui da região, como costumes e tradições são vistas pelas novas gerações. Me ensinou várias coisas, desde o que é uma aba (uma vagem com feijões tamanho família), até algumas “palabras malas” no espanhol equatoriano.
Com o guia Xavier, durante passeio à cavalo na "Avenida dos Vulcões", no Equador
O Cotopaxi estava escondido pelas nuvens, assim como o Chimborazo. Eu queria tanto avistá-lo, o tempo todo imaginava o Rodrigo lá, feliz no cume pensando que nós estaríamos no cume do Cotopaxi. A esta altura ele já está a caminho do hostal. O Rafa ficou na pousada descansando e perto das 13h me mandou uma mensagem com a boa notícia: “O Rodrigo fez o cume! Chegará na pousada daqui uma hora.”
Piquenique durante passeio à cavalo na região do Cotopaxi (Equador)
Assim tivemos que acelerar o nosso passeio, o que não foi problema algum para o meu cavalo, que sem dó disparou umas duas ou três vezes com a inexperiente amazona aqui em cima dele! Rsrs! Quanto mais eu tentava me encaixar no galope, mais ele disparava. Quanto mais eu tentava freá-lo, mais ele corria. Foi um sufoco! Adentrei a pousada Papa Gayo quase caindo do cavalo, literalmente! Cena hilária para o Rafa e linda para o Ro, que com seus olhos apaixonados achou que eu estava dominando a situação. Hahaha!
Junto com o guia Xavier, depois de um passeio à cavalo pela região do Cotopaxi (Equador)
Meu lindo estava lá, aparentemente inteiro depois da longa empreitada. Ele chegou ao cume da maior montanha do país, a 6.300m! Que orgulho! O pico do Chimborazo é o ponto da Terra mais afastado do seu centro, pois ela é mais larga na altura do equador. No início das nossas conversas, Rodrigo queria que eu tentasse o Chimborazo com ele, mas eu não cedi, sei dos meus limites. Hoje, uma das primeiras coisas que ele falou foi: “Amor, ainda bem que você não foi... A subida é longa e muito pesada... não sei se você ia conseguir. E se conseguisse, seu joelho (que é podre por natureza) não ia aguentar a descida.” Ainda bem que eu tenho juízo!
Paisagem na "Avenida dos Vulcões", região do Cotopaxi, durante passeio à cavalo (Equador)
Reunidos novamente, voltamos a Quito, loucos para encontrar Laura e suas novidades do Quilotoa. Ela nos contou que seu tour foi lindo e após a viagem ficou de fazer uma descrição para colocarmos aqui no site, vamos ver se vai sair!
Especial Gastronomia
Delicioso ceviche no restaurante Zazu, em quito, no Equador
Hoje o casal de amigos, padrinhos e chefs nas horas vagas, nos convidou para uma experiência gastronômica especial. Para comemorar as montanhas, lagoas e salmonelas que ficaram para trás e celebrar a semana em Galápagos, que está por vir, fomos conhecer o Zazu. Restaurante, lounge e bar super premiado, Zazu é especializado na culinária fusion japonesa e peruana, com pratos de frutos do mar fantásticos. Ceviches, pratos variados de peixe e carnes de comer ajoelhado! Quando estiver em Quito e quiser uma experiência gastronômica exclusiva, este é o lugar!
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