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Blog da Ana - 1000 dias

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Dive in Montserrat

Montserrat, Little Bay

Gigantescas esponjas negras são muito comuns em Pot of Gold, em Montserrat, no Caribe

Gigantescas esponjas negras são muito comuns em Pot of Gold, em Montserrat, no Caribe


O turismo na ilha caribenha de Montserrat simplesmente acabou depois da destruição da cidade de Plymouth. Era lá que estavam os principais hotéis e toda a vida cultural e turística da ilha. Agora para aqueles que procuram uma experiência mais real e próxima do povo caribenho, Montserrat não irá decepcionar. Aos poucos o povo aprendeu a trabalhar e lidar com a nova situação econômica da ilha e você vai encontrar um Caribe mais autêntico.

Dia de sol e cores vivas em Montserrat, no Caribe

Dia de sol e cores vivas em Montserrat, no Caribe


Em Montserrat a natureza é o centro das atenções e é ela que vamos explorar. Além de trilhas no meio da mata, morros e mirantes maravilhosos de um lado para o Mar do Caribe, de outro para o gigante Soufriere. As praias de areias negras são prova da história geológica da ilha e logo ali, sob as águas verde-esmeralda, continua intacto um dos maiores tesouros de Montserrat.

Navegando ao redor de Montserrat, no Caribe, em direção ao ponto de mergulho

Navegando ao redor de Montserrat, no Caribe, em direção ao ponto de mergulho


As águas mornas do Mar do Caribe abrigam milhares de espécies marinhas e os arrecifes de corais dessa ilha vulcânica são um show de cores e vida. Um dos principais motivos para estes corais estarem tão saudáveis e reluzentes é justamente o mesmo do desastre acima d´água. Depois que o Soufriere entrou em atividade a ilha quase não recebe navios, o que se traduz em menos poluição e menor entrada de espécies invasoras, como turistas estabanados ou gramíneas e outros pequenos animais que matam os corais.

Navegando ao redor de Montserrat, no Caribe, em direção ao ponto de mergulho

Navegando ao redor de Montserrat, no Caribe, em direção ao ponto de mergulho


Tivemos dois dias e meio na ilha, que intercalamos entre atividades embaixo e acima d´água. No post anterior falei sobre o vulcão e sua história, a melhor forma de ver o vulcão é indo até o Mirante de Plymouth, depois de uma passada rápida pelo Observatório do Vulcão, que possui um filme e informações sobre o Soufriere. Um passeio pela nova praia formada pelo vulcão também é obrigatório para sentir na pele como a natureza se transforma.

Nosso jipinho em Montserrat, no Caribe, nos leva para perto do vulcão

Nosso jipinho em Montserrat, no Caribe, nos leva para perto do vulcão


As atividades submersas tiveram um destaque especial na nossa passagem por Montserrat. As saídas operadas pela Green Monkey Dive foram feitas sob-medida já que estamos em baixa temporada em uma ilha que o turismo já é devagar-quase-parando. Troy armou rapidamente todo o esquema quando dissemos que estávamos aqui para mergulhar, pelo menos dois dias.

Entrando em uma esponja gigante em Yellow Monkey, na costa de Montserrat, no Caribe

Entrando em uma esponja gigante em Yellow Monkey, na costa de Montserrat, no Caribe


Os pontos selecionados foram o Pot of Gold, recifes coralíneos a 27m de profundidade com uma quantidade imensa de esponjas, vermelhas em formato de vasos ou potes de ouro. Vimos uma raia pequena, várias barracudas, moréia pintada, hermitão e peixeinhos coloridos típicos do mar caribenho. Estas esponjas são imensas e servem de proteção e esconderijo para vários animais, como esse “pequeno” carangueijo que encontramos, com pelo menos uns 40cm de pata a pata!

Um gigantesco carangueijo se esconde dentro de esponja em Pot of Gold, em Montserrat, no Caribe

Um gigantesco carangueijo se esconde dentro de esponja em Pot of Gold, em Montserrat, no Caribe


O segundo mergulho foi mais raso, em outro arrecife chamado Rendezvous Bay, profundidade máxima de 11m. Lindos corais rasos e por isso com mais luz e mais cores. Muita vida, uma linda tartaruga, moréias pintadas e peixinhos de todos os tipos, inclusive os intrusos e maléficos lion fishes, uma peste aqui no Caribe. Eles podem comer um peixinho de coral por minuto, se reproduzem como coelhos e não possuem predadores, além dos mergulhadores, que possuem permissão para matá-los numa tentativa de controlar a praga.

Pequena moréia pintada em Pot of Gold, em Montserrat, no Caribe

Pequena moréia pintada em Pot of Gold, em Montserrat, no Caribe


Os mergulhos do dia seguinte foram em um pináculo, ponto conhecido como Yellow Monkey, a 26m de profundidade e o Three Anchors, 15m de profundidade, onde encontramos ambientes parecidos com os de ontem, barracudas e muita vida! Neste último há um lindo jardim de corais moles, vimos uma moréia verde, muitos lion fishes, um belo spotted drum fish e uma arraia pequena. Encontramos também duas das três ancoras de navios antigos que dizem existir no local.

Drum Fish em Three Anchors, em Montserrat, no Caribe

Drum Fish em Three Anchors, em Montserrat, no Caribe


Uma das âncoras de Three Anchors, em Montserrat, no Caribe

Uma das âncoras de Three Anchors, em Montserrat, no Caribe


Os mergulhos foram ótimos, um literal quebra gelo para os dois aqui que andaram se aventurando nos mergulhos técnicos nas cavernas da Flórida e nas águas glaciais da Islândia. Cair em um mar com boa visibilidade e temperatuda de 29°C é brincadeira de criança! Perfeito para relaxar e entrar em contato com a intensa natureza de Montserrat.

Caminhando na praia de woodland, em Montserrat, no Caribe

Caminhando na praia de woodland, em Montserrat, no Caribe



DICAS PRÁTICAS

Conhecendo mais uma ilha do Caribe!

Conhecendo mais uma ilha do Caribe!


A dica de ouro para quem quer ir e aproveitar ao máximo Montserrat é planejamento, principalmente na baixa temporada. Não se espante se uma pousada disser que está fechadapor que estão cansados ou se o barco da operadora de mergulho for uma voadeira de alumínio. Lembrem-se as pessoas que ficaram na ilha estão aprendendo e reconstruindo o turismo aos poucos, aprendendo na prática.

Belo entardecer na praia de Woodland, em Montserrat, no Caribe

Belo entardecer na praia de Woodland, em Montserrat, no Caribe


Hospedagem: existem algumas pousadas mas o esquema mais comum é o aluguel de vilas. Dependendo de quanto tempo ficar vale muito mais a pena. A melhor fonte de informações é o site da Green Monkey Dive Shop, que além de quartos para alugar, possui dicas de onde ficar e contato das melhores pousadas. Lembrando, reserve com antecedência, pois assim não terá a surpresa que nós tivemos da pousada que escolhemos no nosso guia de viagens estar tirando uns dias de folga.

Café da manhã na nossa varanda em Baker Hill, em Montserrat, no Caribe

Café da manhã na nossa varanda em Baker Hill, em Montserrat, no Caribe


Transporte: se você quer um táxi é bom tentar agendar antes, eles não estarão no ferry ou no aeroporto te esperando, afinal eles tem mais o que fazer. A dica é alugar um carro para poder rodar a ilha, fica muito mais barato que táxi e como a ilha é montanhosa a pé não vai rolar. Não existe nenhuma Hertz ou Budget, são locadoras locais e pequenas, eles sabem os melhores preços e conhecem como funciona o pessoal da ilha. A melhor forma de fazer a reserva é com a ajuda da pousada ou da operadora de mergulho.

Num belo dia de sol, saindo de  carro do nossa hotel em Montserrat, no Caribe

Num belo dia de sol, saindo de carro do nossa hotel em Montserrat, no Caribe


Mergulho: A Green Monkey Dive Shop é a melhor operadora da ilha, os donos são um casal de americanos, Troy e Melody, que se mudaram para a ilha logo após a erupção do Soufriere em 2003. A infra-estrutura é enxuta, mas eles possuem o melhor barco e o profissionalismo e agilidade comum aos seus conterrâneos. Eles também têm um bar bem aconchegante que reúne o expats e locais mais descolados.

Pura alegria na noite do jubileu da rainha no bar Green Monkey, em Little Bay, em Montserrat, no Caribe

Pura alegria na noite do jubileu da rainha no bar Green Monkey, em Little Bay, em Montserrat, no Caribe

Montserrat, Little Bay, Caribbean, dicas, dive, Mergulho

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As Baías de Tobago

Trinidad e Tobago, Speyside, Englishman Bay

A bela praia de Parlatuvier, durante viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago

A bela praia de Parlatuvier, durante viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago


Estamos longe da Fiona, mas não conseguimos ficar longe de uma boa estrada. Hoje decidimos conhecer todo o litoral norte da ilha de Tobago, explorando a maravilhosa Northside Road.

Northside Road, de Speyside à Crown Point, em Tobago

Northside Road, de Speyside à Crown Point, em Tobago


Esta estrada liga Speyside, no extremo leste da ilha, à Crown Point, no extremo oeste, passando por charmosas vilas, belas praias e magníficas baías. O histórico de colonização da ilha torna ainda mais interessante este passeio, pois passamos por vilas de diferentes origens, como a inglesa Charlotteville e a francesa Parlatuvier. Todas entretanto são muito bem temperadas pelos habitantes tobagonians, a grande maioria de origem africana, além de muito calypso e soca music!

Dirigindo de Speyside à Crownpoint, em Tobago

Dirigindo de Speyside à Crownpoint, em Tobago


A estrada sobe e desce as encostas montanhosas, encontrando a cada 10km um povoado diferente, passamos L´Anse Fourmi e logo avistamos a famosa Bloody Bay, palco de alguma batalha sangrenta entre holandeses, franceses e ingleses pela posse da ilha. Hoje fica até difícil imaginar este povo guerreando em suas tranqüilas águas. Ao longe avistamos dois barcos de mergulho nas Sister Rocks, nossos amigos alemães estavam todos lá e nós estaríamos também se não tivéssemos que voar amanhã.

Vista do restaurante em Castara Bay, durante viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago

Vista do restaurante em Castara Bay, durante viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago


Fizemos um pequeno detour até a entrada da Gilpin Trail, uma trilha entre a mais antiga Reserva de Floresta Tropical (Rain Forest) do Ocidente, pelo menos é assim que ela se apresenta. O tempo mudou e nós também decidimos continuar no litoral ao invés de entrarmos na floresta. Retornamos à Northside Road passando por Parlatuvier, passamos reto pela Englishman´s Bay e fomos direto à Castara.

Chegando à Englishman's Bay, durante viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago

Chegando à Englishman's Bay, durante viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago


Castara Bay é um dos novos hot spots para viajantes que procuram algo alternativo e querem ficar longe dos resorts. Encontramos um restaurante super convidativo à beira da praia, mesmo sendo o menu do dia apenas pizza, não resistimos em parar ali e aproveitar a aprazível atmosfera à beira mar.

Restaurante em Castara Bay, onde almoçamos durante a viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago

Restaurante em Castara Bay, onde almoçamos durante a viagem de Speyside à Crownpoint, em Tobago


As distâncias do mapa que temos são um pouco fora de proporção, quando paramos em Castara achamos que estávamos chegando na Englishman´s Bay, então retornamos um pouco e encontramos a pequena estrada que dá acesso a esta praia. Sem dúvida uma das praias mais virgens deste litoral, possui apenas um pequeno restaurante com cardápio crioulo e um bom abrigo para a hora da chuva. Enquanto esperávamos a chuva passar acabamos conhecendo dois casais norte americanos, de Milwauakee. Divertidíssimos e super viajados, Trip, Barbie, Bob e Debbie são parceiros de várias aventuras pelas águas do Caribe e América Central, tentando escapar um pouco do frio de 20°F, algo próximo à - 8°C com muuuita neve.

Encontro com os casais americanos de Miwaukee, na praia de Englishman'Bay, em Tobago

Encontro com os casais americanos de Miwaukee, na praia de Englishman'Bay, em Tobago


Quando a chuva parou e o sol ameaçava sair novamente, caminhamos nesta praia de areias grossas e douradas, entre o verde das montanhas e do mar. Aqui a nostalgia tomou conta, pois em um piscar de olhos nós podíamos imaginar nossos sobrinhos correndo na praia, meus sogros caminhando e o Rodrigo, Guto e Pedro nadando na raia da Praia Vermelha. Este litoral aqui é realmente muito parecido com o litoral norte paulista, porém com água de verde ainda mais radiante.

Praia de Englishman'´s Bay, na costa norte de Tobago

Praia de Englishman'´s Bay, na costa norte de Tobago


Great Courland Bay, região de Crownpoint, em Tobago

Great Courland Bay, região de Crownpoint, em Tobago


Voltamos à estrada, descemos o Arnos Vale e chegamos à Great Courland Bay onde fica o Turtle Beach Resort, por isso é também conhecida como Turtle Beach. Uma praia imensa com um pôr-do-sol fantástico para brindar o final do nosso dia em Tobago. Passamos ainda ao largo de Plymouth e Bucoo Bay em direção à Crown Point, já em clima de despedida. Amanhã seguimos para St. Maarten e St Martin logo cedo, onde iremos comemorar o primeiro aniversário dos 1000dias!

Magnífico pôr-do-dol em Great Courland Bay, região de Crownpoint, em Tobago

Magnífico pôr-do-dol em Great Courland Bay, região de Crownpoint, em Tobago

Trinidad e Tobago, Speyside, Englishman Bay, baías, bays, beach, Praia, Speyside Inn, Tobago

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Furo Velho e Fortalezinha

Brasil, Pará, Algodoal

A bela Praia da Princesa na maré baixa, na região de Algodoal - PA

A bela Praia da Princesa na maré baixa, na região de Algodoal - PA


Estamos na Ilha de Maiandeua, localizada no litoral paraense ela possui quatro comunidades, sendo a principal delas a de Algodoal. Ela tem um “q” de Ilha do Mel, lá no litoral do Paraná, onde eu e Rodrigo casamos e por isso temos grande carinho. Não possui carros, apenas ruas de areia para as bicicletas e carroças. Faz parte de uma reserva ambiental formada para preservar seus quilômetros de praia deserta, dunas, mangues e lagoas.

Atravessando igarapé de canoa em direção ao Furo Velho, na região de Algodoal - PA

Atravessando igarapé de canoa em direção ao Furo Velho, na região de Algodoal - PA


Para explorar um pouco mais a ilha decidimos que hoje iríamos conhecer outra comunidade, conhecida como Fortalezinha. Lá quase não há estrutura turística e a população vive basicamente da pesca. Ela fica há 12 km de Camboinha, vila vizinha à Algodoal, com acesso pela trilha dos postes de luz ou pelos 15km pela Praia da Princesa. Nosso plano inicial era cruzarmos de barco o trecho de mangue para Camboinha, andar os 12km até Fortalezinha e voltar pela praia. Pesquisamos e descobrimos que não haviam tantas atrações neste caminho, além de ser um dos lugares que nos disseram ser perigoso, pois outro casal de turistas estrangeiros foi assaltado por três moleques há algum tempo atrás. Decidimos então fazer um passeio diferente, seguir de barco pelo igarapé ao lado da pousada até o famoso Furo Velho.

Revoada de pássaros no nosso caminho para a vila da Fortalezinha, na região de Algodoal - PA

Revoada de pássaros no nosso caminho para a vila da Fortalezinha, na região de Algodoal - PA


O mesmo igarapé encontra outro rio um pouco maior e forma o Furo Velho, grande barra de rio que deságua a mais ou menos 5km de Fortalezinha. Dali seguimos caminhando até a comunidade. Pouco antes de sairmos encontramos a Marjorie, nossa amiga francesa do barco, que decidiu ir conosco.

A Marjorie e sua sombrinha da Guiana, na canoa no Furo Velho, na região de Algodoal - PA

A Marjorie e sua sombrinha da Guiana, na canoa no Furo Velho, na região de Algodoal - PA


No passeio pelo mangue vimos alguns caranguejos, gaviões, cruzamos um barco lotado de canoeiros que haviam saído em uma incursão para buscar madeira para construir a Associação de Canoeiros de Algodoal. Infelizmente os macacos prego e os guarás não quiseram dar o ar da graça. O Roberto, canoeiro que nos guiou pelo igarapé, foi nos contado histórias da vila e curiosidades regionais. Uma delas foi sobre o consumo do turú, minhoca (ou larva?) que vive nos troncos das árvores do mangue, tem a cabeça dura como pedra e vive dentro da madeira, se alimentando dessa matéria orgânica. Perguntamos o gosto e ele disse que parece gosto de água mesmo, a água do mangue onde ela vive. Muito rica em proteínas, tem a grossura de um dedo e pode ser comida crua, mas fica boa mesmo quando frita. Umas dez unidades podem ser uma boa porção para uma pessoa. Não vimos nenhuma para fotografá-la, mas eu imagino bem como é e não tenho muita curiosidade em prová-la não.

Com nossos remadores e a Marjorie, na boca do Furo Velho, na região de Algodoal - PA

Com nossos remadores e a Marjorie, na boca do Furo Velho, na região de Algodoal - PA


Chegamos ao Furo Velho, imensa barra de rio, quase impossível acreditar que conseguiremos passar por ali a pé na maré baixa. 5km depois estávamos na Fortalezinha. Mais um rio para cruzar, com a maré cheia o seu Eusébio nos buscou de canoa e paramos logo ali mesmo, no restaurante à beira da barra. O simpático Jonas nos preparou um peixe fresquinho, arroz e vinagrete. Algumas cerpas geladas e já estávamos prontos para o retorno.

A Cerpa grandona. Essa, só se acha aqui, no Pará! (na região de Algodoal - PA)

A Cerpa grandona. Essa, só se acha aqui, no Pará! (na região de Algodoal - PA)


Pouco antes de partirmos chegou um capa ali, brindando sua neta que havia nascido há 6 meses (ham?) e contando que sua esposa estava doente, ele suspeitava de malária. O Rodrigo logo falou, “não, malária não pega por aqui”, eu acho que no fundo ele pensa que essas coisas não existem, pelo menos não onde ele estiver. Mas Jonas logo o surpreendeu, contando que há 9 anos a Vila da Fortalezinha foi tomada por um surto de malária, 600 das 800 pessoas que viviam ali pegaram a doença, ele próprio diz que já pegou 3 vezes! Milagre estar vivo! Ele nos contou também uma receita para imunizar o corpo contra aquele peixinho de esporão venenoso que falei ontem, esqueci o nome do bicho. Quando ele era criança pisou num desses e gritando de dor, foi parado por um senhor pescador que disse que para ele nunca mais sentir dor desse bicho, ele tinha que comer ele cru, ali mesmo! Garoto, não pensou duas vezes, limpou o peixe e fincou o dente na carne dura do peixinho. Dali em diante nunca mais sentiu a dor desta espora! Conhecimentos práticos de uma vida ribeirinha não têm preço.

Com a Marjorie, no igarapé da Fortalezinha, já na maré seca (região de Algodoal - PA)

Com a Marjorie, no igarapé da Fortalezinha, já na maré seca (região de Algodoal - PA)


Demorada a despedida, estava difícil ir embora daquela simpática comunidade, mas ainda tínhamos 15km pela frente, já eram 16h da tarde. Cruzamos o riacho e quem encontramos!? Os guarás! Finalmente vimos esse lindo animal mais de perto. Eles são de uma cor vermelho sangue inacreditável, culpa do crustáceo do qual eles se alimentam.

O incrível guará-vermelho, na Fortalezinha, na região de Algodoal - PA

O incrível guará-vermelho, na Fortalezinha, na região de Algodoal - PA


Voltamos na caminhada em ritmo forte e descobrindo uma nova praia. A maré baixa quase 1km e desvenda toda uma nova paisagem. Encontramos vários caranguejos no caminho, valentes e brigões eles nos enfrentam até cair de costas, com o peso suas patolas imensas!

Um dos muitos carangueijos corajosos que nos enfrentaram no nosso caminho pela praia até Fortalezinha, na região de Algodoal - PA

Um dos muitos carangueijos corajosos que nos enfrentaram no nosso caminho pela praia até Fortalezinha, na região de Algodoal - PA


Mal reconhecemos o Furo Velho na maré baixa, passamos com água nas canelas no mesmo rio que nos trouxe até aqui. Seguimos caminhando, conversando, treinando o meu ouvido para o francês da Guiana com Marjorie, revisando roteiro de viagem por lá e torcendo para a noite não cair.

A bela Praia da Princesa na maré baixa, na região de Algodoal - PA

A bela Praia da Princesa na maré baixa, na região de Algodoal - PA


De repente avistamos uma casa, ela parece familiar, mas ainda estaríamos na metade do caminho, não é possível. Vi um pescador, perguntei e sim, era ela, o Bar das Pedras! Os nossos 15km de praia não passavam de 10km, o pessoal daqui tem realmente um problema com as distâncias. Chegamos na barraca do Seu José Cristo ainda com luz, tomamos um banho de mar, nos despedimos dele prosseguimos, felizes pelo encurtamento da andança, até a nossa pousada.

Caminhando pela Praia da Princesa, durante a maré baixa, entre Fortalezinha e Algodoal - PA

Caminhando pela Praia da Princesa, durante a maré baixa, entre Fortalezinha e Algodoal - PA


Nós perdemos a noção do que é andar muito ou pouco, coitada da Marjorie, já estava podre, nem imaginava a pernada que ia ser. Trocamos emails, telefones, contatos, pois tentaremos nos encontrar na Guiana Francesa semana que vem. Mais um dia “daqueles”, caminhadas por cenários maravilhosos, experiências e aprendizados.

Aproveitando a maré baixa para cuidar do barco, em Algodoal - PA

Aproveitando a maré baixa para cuidar do barco, em Algodoal - PA

Brasil, Pará, Algodoal, Dunas, Fortalezinha, Ilha de Algodoal, mangues, Marudá, Praia

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Haines: entre Tinglíts, Ursos e Águias

Alaska, Haines

Um grande urso nada nas águas do rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Um grande urso nada nas águas do rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska


Haines é uma pacata vila de pescadores no sudeste do Alasca, com um rico movimento cultural em torno do resgate da arte e das tradições das primeiras nações que ocupavam a região. Os Tinglíts na época dominavam todas as rotas comerciais entre o interior e o litoral e sem nunca relevar suas trilhas e passos, eram eles que ditavam as regras da troca de mercadorias com os povos que viviam atrás desta cordilheira nevada. Óleo de baleia, salmão, pele de foca ou leão marinho eram trocados por carne de caça, pele de caribou e outros itens só encontrados no interior.

Totem indígena na região do lago Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska

Totem indígena na região do lago Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska


Eles tiveram seu primeiro contato com o homem branco quando um navio russo aportou na região, em 1741 em busca de pele de animais. Também passaram por aqui padres missionários e mineradores que buscavam rotas alternativas para cruzar as montanhas rumo a Dawson City, no Canadá. Foi apenas em 1902, durante a disputa do território entre os EUA e o Canadá, que o exército americano construiu o Fort William H. Seward, primeira vila ocidental nas cercanias.

A pequena e simpática Haines, no sudeste do Alaska

A pequena e simpática Haines, no sudeste do Alaska


Grande painel com motivos indígenas em Haines, no sudeste do Alaska

Grande painel com motivos indígenas em Haines, no sudeste do Alaska


O Fort Seward hoje é parte do centro histórico da cidade de apenas 2.400 habitantes. Galerias e centros culturais de arte Tinglít, seus totens, esculturas, pinturas e música tentam resgatar a cultura que foi perdida, criando uma interessante comunidade artística, que luta para preservar este ambiente longe das hordas de turistas que desembarcam dos cruzeiros neste litoral.

Cão enfrenta as águas geladas de praia no fiorde de Haines, no sudeste do Alaska

Cão enfrenta as águas geladas de praia no fiorde de Haines, no sudeste do Alaska


Centro Cultural em Haines, no sudeste do Alaska

Centro Cultural em Haines, no sudeste do Alaska


Não apenas de arte vive a cidade, que tem ao seu redor mais de 20 milhões de acres protegidos entre baías, fiordes e montanhas nevadas. Um cenário espetacular com ótimas oportunidades para atividades ao ar livre, se a chuva permitir. A chuva vem nos acompanhando durante este final de temporada no Alasca, mas aos poucos começamos a perceber que ela faz parte do dia a dia deste povo.

Ferramentas para trabalhar em madeira, em Centro Cultural em Haines, no sudeste do Alaska

Ferramentas para trabalhar em madeira, em Centro Cultural em Haines, no sudeste do Alaska


Atravessamos as montanhas de Haines Juntion e chegamos a Haines, cruzando a fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos. No caminho passamos pelo Santuário das Bald Eagles, a águia símbolo americano que só pode ser encontrada aqui na América do Norte.

Encontro com as incríveis Bald Eagles,pássaro-símbolo dos EUA,  em Haines, no sudeste do Alaska

Encontro com as incríveis Bald Eagles,pássaro-símbolo dos EUA, em Haines, no sudeste do Alaska


Rara, ela pode avistada às centenas nessa época, quando se reúne em imensos grupos às margens dos rios aguardando os cardumes que sobem os cursos d água. As águias são imponentes e majestosas, é um espetáculo sentar à beira do rio e ficar apenas observando elas caçarem! A toda hora somos surpreendidos com duas, três, cinco bald eagles voando sobre as nossas cabeças. Apenas no inverno Haines chega a receber mais de 4 mil bald eagles!

Uma Bald Eagle voa sobre nossas cabeças, em Haines, no sudeste do Alaska

Uma Bald Eagle voa sobre nossas cabeças, em Haines, no sudeste do Alaska


Nosso primeiro encontro com as majestosas 'Bald Eagles', em rio próximo à Haines, no sudeste do Alaska

Nosso primeiro encontro com as majestosas "Bald Eagles", em rio próximo à Haines, no sudeste do Alaska


A temporada de salmão começa em abril, quando a primeira das 5 diferentes espécies (king, sockeye, coho, pink e silver salmon) sobem as correntezas geladas dos rios para procriar na água doce. Cada espécie tem um período e o final da corrida acontece entre os meses de setembro e outubro, quando o outono chega, as folhas caem e os animais ainda aproveitam para aumentar suas reservas energéticas para o duro inverno que se aproxima.

Cartaz informativo sobre as diferentes espécies de salmão que frequenatm a área de Haines, no sudeste do Alaska

Cartaz informativo sobre as diferentes espécies de salmão que frequenatm a área de Haines, no sudeste do Alaska


Uma Bald Eagle voa sobre nossas cabeças, em Haines, no sudeste do Alaska

Uma Bald Eagle voa sobre nossas cabeças, em Haines, no sudeste do Alaska


Além de águias e gaivotas, onde há salmão há ursos! Os grizzlies que vivem no litoral tem uma dieta especial, baseada principalmente nos pobres coitados dos salmões que além de lutar contra a correnteza gelada, pássaros e predadores marinhos, passam agora pelas patas ágeis destes exímios pescadores. No comecinho do dia e no final da tarde os ursos se reúnem em torno do Chilkat River Valley e do Chilkat Lake para se refestelar nos salmões saltitantes.

Observando salmões no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Observando salmões no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska


Nadando tranquilamente no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Nadando tranquilamente no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska


Às margens dos rios centenas de salmões mortos, um fedor horrível! Estes nem conseguiram chegar ao lago e viraram comida de gaivota, corvo e águia. Os que sobrevivem passam pelos ursos e pescadores e ainda tem uma longa jornada pela frente. Alguns chegam a nadar mais de 1.400km rio acima e ganham mais de 2.100m de altitude! A maioria destes salmões irá morrer após procriar, cada um deles deixando em torno de 5 mil ovos para trás, dos quais apenas 2 ou 3% sobreviverão e regressarão ao mar.

Totem indígena na região do lago Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska

Totem indígena na região do lago Chilkat, próximo à Haines, no sudeste do Alaska


O tempo chuvoso não nos permitiu muitas atividades mais aventurescas, então de carro aproveitamos para conhecer os arredores, ao longo da Mud Bay Road, chegando ao mirante de glaciares de gelos azuis e cristalinos, logo ali, do outro lado da baía! Um passeio de barco ou caiaque nos levaria ainda mais próximos a eles, mas com este tempo, nada feito.

Enorme geleira na região de Haines, no sudeste do Alaska

Enorme geleira na região de Haines, no sudeste do Alaska


Com tanta vida selvagem tão perto de nós, chuva ou sol, o nosso roteiro não seria muito diferente. Caiaques, bicicletas ou trekking seriam a opção ao invés do carro nas estradas costeiras, avistando as majestosas Bald Eagles. No final da tarde nos uníamos aos pescadores esperando a hora do jantar dos nossos amigos grizzlies. Quando o primeiro urso entrava na água, todos os pescadores sabiam que a pescaria tinha acabado! Afinal, eles não querem roubar um peixe de um grizzlie. Nem são necessárias muitas regras de segurança para a pesca do salmão, apenas o bom senso! Hehehe!

Pescadores aproveitam o rio Chilkat ainda sem ursos, em Haines, no sudeste do Alaska

Pescadores aproveitam o rio Chilkat ainda sem ursos, em Haines, no sudeste do Alaska


Passeio turístico ao lago Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Passeio turístico ao lago Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska


No primeiro dia vimos do outro lado do rio duas mães e quatro filhotes pescando do outro lado do rio, um urso grande cruzando a rua, além de um jovem urso pescando há apenas 5m de distância! Essa hora é bem difícil para fotografar, pois eles aparecem quando quase não há luz, não sei como eles conseguem enxergar o peixe!

Um urso a procura de salmões no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Um urso a procura de salmões no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska


No segundo dia chegamos mais cedo para tentar encontrar os ursos mais apressadinhos e eles apareceram! O primeiro estava bem no começo do rio que liga o lago ao mar. Lindo e entretido com a sua pescaria nem se importou conosco, que chegamos a meros 5 m de distância. Dentro do carro ficamos ainda mais “corajosos” e paramos a 3 metros para tirar mais algumas fotos, ele nos encarou e continuou mastigando seu salmão traquilamente. Lindo! A agilidade destes animais na água é incrível! Realmente é difícil imaginar alguma forma de escapar de um urso, eles correm e nadam super bem! Por isso respeitar o seu espaço e ficar parado, no caso de uma aproximação, é a melhor chance que temos de passar ilesos.

Um urso limpa os olhos com a pata dianteira no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Um urso limpa os olhos com a pata dianteira no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska


Coçando o rosto com a pata trazeira no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Coçando o rosto com a pata trazeira no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska


Perseguindo salmões no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Perseguindo salmões no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska


Continuamos indo e vindo na estrada ao longo do Chilkat River e ainda encontramos um deles subindo toda a margem esquerda do rio. Nós o víamos da ponte quando ele resolveu subir o morro e atravessá-la! Imenso ele dominava totalmente o território, cruzou a estrada olhando para nós nos carros, e chegou ao outro lado do rio por sua trilha “alternativa”. Mal nos despedimos deste, já encontramos outro na margem direita, este mais preguiçoso parecia procurar pelos salmões cansados na beira do rio.

Um grande e obeso urso atravessa a estrada bem em frente à Fiona, em Haines, no sudeste do Alaska

Um grande e obeso urso atravessa a estrada bem em frente à Fiona, em Haines, no sudeste do Alaska


O urso não parece se importar muito com a placa em Haines, no sudeste do Alaska

O urso não parece se importar muito com a placa em Haines, no sudeste do Alaska


Urso adolescente abocanha um salmão no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Urso adolescente abocanha um salmão no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska


Haines é o nosso porto de entrada para a Alaska Marine Highway, daqui seguiremos a Juneau e outras cidades do sudeste do Alasca. O próximo post vai dar umas dicas e mais informações sobre este roteiro. Nossa despedida de Haines, minutos antes de entrarmos no ferry, ainda foi um belo grizzlie pescando no entre o rio e o lago, provavelmente o mesmo que vimos ontem. Difícil se cansar de encontrar com esses animais, tão lindos, apaixonantes e tão imprevisíveis!

Urso dscansa no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Urso dscansa no rio Chilkat, em Haines, no sudeste do Alaska

Alaska, Haines, Bald Eagle, história, Tinglits, urso

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Descongelante

Brasil, Rio Grande Do Sul, Cambará do Sul (P.N Serra Geral)

Igreja em em Cambará do Sul - RS

Igreja em em Cambará do Sul - RS


Cambará do Sul é a cidade de acesso para os cânions gaúchos. Mais baixa que São José dos Ausentes e ainda assim muito fria! Com a entrada desta nova frente fria, esta noite os termômetros da cidade marcaram a temperatura de -5,5°C! Nós estávamos bem quentinhos embaixo das cobertas, mas a Fiona... coitada. Ficou passando frio na garagem a noite toda, seu diesel empedrou e logo cedo quando saímos para as atividades do dia ela não tinha forças para se mexer! Andamos uma quadra com o motor penando para acelerar e chegamos à uma mecânica.

Gelo no alto do mirante do canyon da Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Gelo no alto do mirante do canyon da Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Eles logo diagnosticaram, combustível empedrado, o diesel congelou! Deixamos o carro funcionando por quase 20 minutos, mas não foi suficiente. A luz do filtro de combustível já havia acendido e já estávamos nos programando para passar em Caxias na concessionária. Mas assim, não conseguimos nem chegar até lá! Bom, passamos no posto de gasolina, com esperança que adicionando o combustível com anti-congelante a coisa funcionasse. Já eram 10h30 da manhã e o termômetro ainda marcava -1°C. O frentista foi taxativo, vocês têm que colocar querosene. Coisa estranha, querosene? Será que não estraga o motor? Dizem que não, que só limpa e ajuda a descongelar o combustível que está no tanque. Não tínhamos outra opção.

Gelo deixado pela forte geada em Cambará do Sul - RS

Gelo deixado pela forte geada em Cambará do Sul - RS


No caminho para os cânions a Fiona foi recuperando as suas forças e nos campos ao lado a geada e o gelo deixavam ainda mais claro o frio que havia feito durante a noite. Depois dos passeios pelo parque nacional, pegamos estrada em direção à Caxias do Sul e amanhã cedo levaremos a Fiona na concessionária.

Pôr-do-sol e céu com cara de muito frio na região de Cambará do Sul - RS

Pôr-do-sol e céu com cara de muito frio na região de Cambará do Sul - RS


Caxias é a segunda maior cidade do estado, cidade grande, acabamos nos hospedando no Ibis, em frente ao Iguatemi. Queríamos conhecer o Gran Piaccere, restaurante de alguns amigos que fizemos lá em São José dos Ausentes, uma família que estava na pousada Potreirinhos. Paula e Felipe nos receberam com festa, pois a Dona Cerli da Pousada Refúgio da Gralhas lá em Cambará já havia avisado que chegaríamos. É, cidade grande, mas no final todo mundo se conhece! Rsrs! Pegamos boas dicas para a nossa próxima parada: seguimos o frio pelas serras do Vale dos Vinhedos e Nova Petrópolis!

Brasil, Rio Grande Do Sul, Cambará do Sul (P.N Serra Geral), Caixas do Sul

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Okanagan Valley

Canadá, Penticton

Os parreirais estão carregados nessa época do ano no Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Os parreirais estão carregados nessa época do ano no Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


O vale dos vinhedos da Columbia Britânica, Okanagan Valley, está localizado em uma das áreas mais secas e ensolaradas do leste canadense, clima perfeito para uma variedade de árvores frutíferas. A região é conhecida por ser um paraíso para aposentados que buscam um lugar distante da correria da cidade grande, com um clima agradável e belas paisagens.

As pitorescas paisagens dos vinhedos do Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

As pitorescas paisagens dos vinhedos do Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


A principal cidade do vale é Kelowna, com boa infraestrutura, mas segundo os guias e algumas pessoas com quem conversamos ela é grande demais e não aproveita sua vantajosa localização às margens do Okanagan Lake. Assim optamos por ficar hospedados em Penticton, uma cidadezinha simpática com clima praiano em uma faixa de terra entre o Okanagan e o Skaha Lake.

A praia de Petincton, no Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

A praia de Petincton, no Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


Os lagos de águas cristalinas e suas praias de areias claras recebem turistas de todos os cantos durante o verão. Os bons ventos atraem wind e kite surfers e no inverno, quando a temperatura do lago se torna proibitiva, as montanhas nos arredores do vale se tornam áreas de esqui e snowboard.

Admirando a bela praia lacustre em Petincton, no Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Admirando a bela praia lacustre em Petincton, no Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


Região de clima seco em Petincton, no Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Região de clima seco em Petincton, no Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


No total passamos um dia explorando os recantos campestres das cidades ao redor do Okanagan Lake. Em várias propriedades ainda encontramos as frutas no pé, aproveitando os últimos raios de sol antes da colheita. Maçãs de todas as raças, pomegranites, pêssegos e as grandes estrelas do vale, as uvas.

As pitorescas paisagens dos vinhedos do Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

As pitorescas paisagens dos vinhedos do Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


Maçãs! Além das uvas, outras frutas também são cultivadas no Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Maçãs! Além das uvas, outras frutas também são cultivadas no Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


Maçãs! Além das uvas, outras frutas também são cultivadas no Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Maçãs! Além das uvas, outras frutas também são cultivadas no Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


Chegamos no final da temporada de um ano especialmente bom para as parreiras de uva. As primeiras chuvas do outono demoraram a cair e o mês de setembro foi inusitadamente ensolarado na região. O sol é o fator chave para a produção dos açúcares nas uvas, que por sua vez resultarão em vinhos com teor alcoólico mais elevado.

Saborosa degustação de vinho tinto no Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Saborosa degustação de vinho tinto no Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


Bucólico passeio de bicicletas pelos vinhedos do Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Bucólico passeio de bicicletas pelos vinhedos do Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


São dezenas de vinícolas que se espalham ao longo do lago, tantas e de tão boa qualidade, que fica difícil escolher quais visitar. Escolhemos a região de Naramata, próxima a Pentiction e com uma grande concentração de pequenos produtores. A Moraine Winery foi a primeira a ser visitada, seus donos são um casal de russos que emigrou para o Canadá há mais de 15 anos. O casal resolveu dar uma guinada na vida, saiu de Alberta e veio para o Okanagan Valley fazer algo muito mais prazeroso, vinho! Provamos os seus vinhos brancos e tintos e adoramos o seu Meritage 2008, um blend das 5 variedades clássicas de Bordeaux: Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon,Malbec e Petit Verdot. Este vinho foi vencedor da medalha de bronze no All Canadian Wine Championship Fall 2012.

Os parreirais estão carregados nessa época do ano no Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Os parreirais estão carregados nessa época do ano no Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


A segunda vinícola foi a tradicional Hillside, que além da produção de vinhos possui também um famoso bistrô. Um dos seus vinhos mais famosos é o branco, Muscat Ottonel, mas também produz varietais como o Pinot Gris, Viognier, Gewürztraminer, Cabernet Franc, Syrah, Merlot, e Mosaic, a marca da vinícola para o seu blend no estilo Bordeaux. Se for até esta vinícola não deixe de subir na torre ao lado do bistrô, com ótimas vistas para o vale e o lago.

São dezenas e dezenas de vinículas al longo do Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

São dezenas e dezenas de vinículas al longo do Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


As pitorescas paisagens dos vinhedos do Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

As pitorescas paisagens dos vinhedos do Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


A maioria das vinícolas já encerrou ou está encerrando a temporada de visitas e degustações. Pode parecer chato por um lado, mas por outro foi um alívio, pois dizem que esta região fica lotada de turistas, impossível durante a alta temporada. As que encontramos abertas, pelo adiantado da temporada, nem estavam cobrando as taxa de degustação (em média 5 dólares por pessoa).

Degustação de vinhos em vinícula do Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Degustação de vinhos em vinícula do Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


Em Penticton aceitamos a sugestão do nosso motel à beira lago e fomos jantar em um restaurante italiano. Massas deliciosas acompanhadas de um vinho local, é claro, e com direito até a um brinde em homenagem ao aniversário do nosso primo Haroldo. Não chegamos à Seattle a tempo de comemorar onde havíamos combinado, mas fizemos um brinde especial aqui! Cheers!

Pronto e ansioso para mais uma degustação de vinhos no Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Pronto e ansioso para mais uma degustação de vinhos no Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá


Hoje encontramos bons vinhos sendo produzidos em quase todos os países que visitamos. Da Bolívia ao Canadá tivemos a sorte de provar que esta arte, que sempre foi muito europeia, está cada vez mais disseminada na nossa América. Agora os motores estão bem aquecidos para o próximo vale famoso do enoturismo, O Nappa Valley! Mal posso esperar!

Degustação de vinho tinto no Okanagan Valley, no  sul da British Columbia, no Canadá

Degustação de vinho tinto no Okanagan Valley, no sul da British Columbia, no Canadá

Canadá, Penticton, Enoturismo, Okanagan Valley, Vinho, Vinícolas

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Mantas e Seres Pelágicos

Hawaii, Big Island-Kona

O maravilhoso mergulho noturno com arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí

O maravilhoso mergulho noturno com arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí


Quem nos acompanha aqui há algum tempo sabe, eu sou fanática pelo mundo sub. Se eu fosse um animal, sem dúvida seria um animal marinho. Peixe, mamífero, crustáceo, não importa, desde que viva em grupo e seja comunicativo, está valendo. A água tem um poder forte sobre mim, no mar eu me sinto em paz, eu me sinto em casa.

Examinando uma toca durante mergulho em Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Examinando uma toca durante mergulho em Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


Desde que comecei as pesquisas para o nosso roteiro no Hawaii estava de olho no que acontecia também embaixo d´água. Novamente o blog da brasileira radicada no Hawaii, Uma Malla pelo Mundo, foi uma ótima base de consultas, pois ela não apenas mora no Hawaii, como é bióloga marinha, especializada em tubarões, mergulhadora e ainda é casada com um baita fotógrafo sub. Enfim, não existe na blogosfera melhor fonte de informação sobre mergulhos no Hawaii do que a Lucia! Pelo twitter ela me passou todas as dicas, nomes de pontos de mergulho e snorkel em cada ilha. Neste dia eu confesso, não sabia se ria ou chorava, pois já sabia que não iria conseguir conhecer todos eles. Dois mergulhos aqui na Big Island, porém, já estavam no meu radar há muito tempo e a Lucia confirmou, são imperdíveis!

Peixes nadam por entre os corais de Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Peixes nadam por entre os corais de Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


O Manta Ray Dive, mergulho com arraias jamantas, o maior tipo de raia que zanza pelos nossos mares, e o Black Water Dive, um mergulho com seres abissais, único e no mínimo super curioso! O que os faz especiais não é apenas o fato de estarem no Hawaii, mas as condições que a ilha reúne para que eles possam acontecer. Curiosamente ambos são noturnos, portanto você tem que ser certificado para tal e deve estar confortável o suficiente para mergulhar durante a noite.

Mergulhando na Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Mergulhando na Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


Estes dois mergulhos são tão procurados que já são vendidos em pacotes combo, já que ambos são mergulhos noturnos rasos e podem ser combinados em uma mesma noite. Várias operadoras de mergulho vendem o snorkel e o mergulho com as arraias mantas, mas apenas duas operadoras trabalham com o Black Water Dive, a Big Island Divers e a Jack´s Diving Locker que o batizou de Pelagic Magic Dive. Elas possuem datas fixas de saída, uma ou duas vezes na semana, dependendo da temporada e a que melhor se encaixou no nosso roteiro foi a data da Big Island Divers, que mandou muito bem na organização, foi muito atenciosa e flexível em agendar e nos ajudar a viabilizar o nosso mergulho na data em que precisávamos. Normalmente eles pedem no mínimo 3 mergulhadores para o Black Water, a terceira pessoa não apareceu e ao invés de cancelarem nos deram um super desconto para pagarmos pela terceira pessoa e fazermos uma saída exclusiva, afinal não é sempre que estamos no Hawaii com uma oportunidade como estas. Vamos ao que interessa, aos mergulhos!

Águas claras e muitos corais em Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Águas claras e muitos corais em Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí



Manta Ray Dive
O mergulho com as arraias mantas, ou jamantas, é um dos mais famosos mergulhos de Kona. As suas águas são ricas em plânctons e larvas de peixes, base alimentar de vários cetáceos e inclusive das mantas, a maior espécie de arraias nos oceanos.

O mergulho acontece de noite, quando as mantas estão em busca dos plânctons e se concentram principalmente no ponto conhecido como “campfire”, local onde as várias operadoras de mergulho montaram a base que dá um empurrãozinho na alimentação noturna das mantas. A 10m de profundidade em uma base de areia e pedras roliças lanternas estão colocadas no centro, formando a fogueira do “campfire” marcando a posição onde a festa vai rolar. Aos poucos o local começa a ser invadido por snorkelers e mergulhadores e aquilo que promete ser um pesadelo para qualquer mergulhador, logo se revela uma linda festa de luzes, que não aconteceria se todos não estivessem lá.

Aos poucos as arraias começam a chegar, uma a uma em seu balé gracioso, colando barriga com barriga com os snorkelers que boiam acima de nós e tirando finas dos mergulhadores enquanto buscam o plâncton atraído pela luz das nossas lanternas. Aos poucos nós vamos aprendendo a lidar com o movimento e a proximidade delas, manejando as lanternas para que elas passem cada vez mais perto de nós, com as suas imensas bocas abertas, filtrando todo o alimento que nós mal conseguimos enxergar.



O movimento padrão de alimentação é circular, elas abrem suas bocas enormes, passam sobre a lanterna onde está o plâncton e logo sobem, dando duas piruetas, voltando ao mesmo ponto para buscar o restante. Na noite que estivemos lá conseguimos contar 7 diferentes arraias que pareciam onipresentes, nadando e bailando por tudo, iluminadas no grande palco formado, com a plateia de mergulhadores sentados a sua volta. Uma cena fantástica e inesquecível!

Black Water Dive
O Hawaii é pioneiro neste mergulho conhecido como Black Water Dive, assim chamado, pois ele acontece em mar aberto e durante a noite. Um maluco um dia pensou, o que será que existe no mar aberto durante a noite? Ele se afastou em torno de 5 km da costa, aonde a profundidade chega a 2, 3 mil metros e ligado por uma corda a um barco saltou na água negra para descobrir. O que ele descobriu foi um mundo de criaturas luminescentes que sobem durante a noite a uma profundidade de 10 a 30 m para se alimentar, parear, passear, enfim, dar um rolé.

A caminho do nosso mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí

A caminho do nosso mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí


Essas criaturas vivem na zona pelágica, onde não há luz e por isso não necessitam de cor, são quase todos transparentes e vários deles produzem pulsos elétricos e a sua própria luz. São diversos tipos de águas vivas, pequenos crustáceos, mini-lagostas, filhotes quase invisíveis de cavalos marinhos e seres microscópicos que formam colônias imensas que podem chegar a 4m de comprimento!

Então, lá fomos nós fazer o mesmo que este maluco. Nos plugamos em uma corda que está presa ao barco. O barco está com motor desligado, deslizando com a correnteza no mar aberto a 3 mil metros de profundidade! E pensamos, o que acontece durante a noite no mar aberto? A noite é o horário preferido de vários seres com hábitos noturnos de caça, golfinhos e tubarões, por exemplo. Por isso uma das orientações é que não se pode fazer xixi durante o mergulho, pois ele atrairia peixes menores, caçados por peixes maiores, que por sua vez atraem outros maiores ainda em busca de comida. Nosso dive master nos conta que já encontrou com tubarões durante este mergulho, normalmente eles vêm, curiosos, circundam o barco e vão embora. Quando nós chegamos ao ponto de mergulho havia um grupo de golfinhos, provavelmente caçando um cardume de lulas. Mas não deu tempo de entrarmos na água enquanto eles ainda estavam ali.
Atados à corda nosso limite de profundidade é marcado pela linha, esticada por um peso aos 12m de produndidade. A nossa corda nos dá todo o movimento, vamos para cima e para baixo, rodamos e só precisamos tomar cuidado para não nos enroscarmos. As lanternas super poderosas não valem praticamente de nada enquanto os seres não estão presentes na água. Pintamos a água escura, negra, com a lanterna e não vemos nada. Mas aos poucos as pequenas criaturas começam a aparecer, heteropods, salps, pyrosomos, comb jelly, box jelly, Siphonophores, camarões minúsculos... só Deus sabe o que pode aparecer na sua frente!

Mergulhando com seres luminescentes abissais, em Kona, na Big Island, no Havaí

Mergulhando com seres luminescentes abissais, em Kona, na Big Island, no Havaí


Eles são muitos difícies de fotografar e filmar, ainda mais para principantes como nós. Mas dá uma olhadinha neste link que eu encontrei, o cara tem fotos sensacionais!

Alguém nos descreveu antes de mergulharmos que este seria, provavelmente, um dos mergulhos mais estranhos que iríamos fazer. Foi estranho sim, mas foi muito mais do que isso, foi mágico! Ali temos total noção de que o mar é ainda completamente inexplorado pelo seres humanos, alguns dos seres que vimos hoje podem nem estar catalogados ainda! É uma sensação nova de desbravarmos o desconhecido, como um dia os navegadores e grandes pioneiros fizeram com a terra. Indescritível!



Aos mergulhadores, conversando com o pessoal das operadoras de mergulho lá do Hawaii, que já mergulharam por todas as ilhas, mais de uma pessoa nos afirmou: a Big Island é a melhor ilha para mergulho autônomo (leia-se a costa de Kona), seguido pelo Kauai, pouco popular para mergulho, mas com muita vida. Segundo eles Oahu e Maui possuem toda a infraestrutura, visibilidades ótimas, mas menos vida se comparadas às duas primeiras. Enfim, mesmo depois disso, nós fomos à Maui, mergulhamos e adoramos! Afinal sou da opinião que não existe mergulho ruim.

Corais em forma de prateleiras nas águas mais fundas de Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Corais em forma de prateleiras nas águas mais fundas de Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí



Honaunau Bay
No dia seguinte nós ainda conseguimos conferir durante o dia, um dos pontos de mergulho que a Lucia tinha nos indicado, a Honaunau Bay, ao lado do Pu´uhonua o Honaunau National Historical Park. Alugamos os equipamentos que não tínhamos, garrafas de ar e fomos até lá para um shore dive.

Mergulhando na Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Mergulhando na Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


Uma baía tranquila ótima para snorkel, mas ainda melhor se você pode ir mais fundo e ficar mais tempo na água. Os jardins de corais formam imensos cânions e descem, no canto direto da baía, até 30 m de profundidade, terminando em uma rampa de areia onde encontramos um alô bem havaiano lá em baixo: Aloha! Peixes super coloridos, moreias e um cenário submarino dos mares selvagens do Hawaii.

Aos 30 metros de profundidade, uma mensagem para os mergulhadores, em Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí

Aos 30 metros de profundidade, uma mensagem para os mergulhadores, em Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí


Todas as ilhas do arquipélago tem muitas coisas bacanas para vermos em cima e embaixo d´água, nós tivemos que priorizar e aqui em Kona conseguimos nos organizar para fazer estes 3 mergulhos, mas ainda existem outras paisagens vulcânicas, arcos e tubos de lava, enfim... este foi apenas o aperitivo.

Lindo entardecer no barco a caminho do mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí

Lindo entardecer no barco a caminho do mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí

Hawaii, Big Island-Kona, Big Island, black water dive, dive, Kona, manta ray dive, Mergulho

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White Mountains National Forest

Estados Unidos, New Hampshire, Lincoln

Delicioso mergulho no Mirror Lake, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Delicioso mergulho no Mirror Lake, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


O nordeste dos Estados Unidos, região conhecida como Nova Inglaterra, é mais famosa por sua costa histórica, belas praias e deliciosas lagostas. Durante o verão as Green Mountains e sua irmã do leste, as White Mountains, ficam meio de escanteio, quando as estações de esqui fecham por falta do elemento fundamental para sua atividade: a neve.

Passeio nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Passeio nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


O que muitos esquecem é que quando a neve vai embora, ela deixa para trás uma nova Nova Inglaterra, tão bonita e especial quanto a sua branca e gelada paisagem. Montanhas verdes, rios cristalinos formados pelo degelo e alimentados por fontes de águas minerais, trilhas sequinhas e a oportunidade de encontrar a vida selvagem que não precisa mais se esconder do frio.

Trilha para a cachoeira Sabbaday, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Trilha para a cachoeira Sabbaday, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


A área oferece oportunidades para montanhismo, escalada em rocha, caminhadas, caiaque, rafting e uma infinidade de atividades para os amantes da natureza. Tudo isso, é claro, com a praticidade e a infraestrutura peculiar aos parques e florestas nacionais americanas: estacionamentos, mirantes, trilhas sinalizadas com vários níveis de dificuldade e acessibilidade garantida para todos.

Viajando pelas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Viajando pelas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Trilha para a cachoeira Sabbaday, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Trilha para a cachoeira Sabbaday, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Nós utilizamos como base a pequena vila de Woodstock, vizinha à cidade de Lincoln, já no estado de New Hampshire. Ficamos hospedados no Wilderness Inn, que além de muito confortável e um café da manhã divino, tem como principal diferencial o atendimento personalizado dos donos, viajantes inveterados! Rosana nos ajudou a montar um roteiro, forneceu mapas e deu as melhores dicas de toda a área e acabamos decidindo estender a nossa estadia por mais uma noite para poder explorar melhor a região.


Nosso roteiro nas White Mountains

O dia começa com um pit stop no posto mais próximo para abastecer o carro e preparar a nossa cesta de piquenique, já que dentro da floresta não se encontram postos e restaurantes. Entramos na floresta nacional pela Kancamagus Highway, uma estrada cênica com vários mirantes, vistas fantásticas das montanhas e informações interessantes sobre a história geológica destas terras.

Rio de águas claras e geladas nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Rio de águas claras e geladas nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Estes montes já foram cobertos por mais de 1 km de gelo, há mais de 15 mil anos, na última glaciação. O degelo formou os “notchs”, vales estreitos que hoje concentram as principais atrações da Floresta Nacional das Montanhas Brancas. Antes de nos embrenharmos nos vales queríamos ter uma visão mais ampla da região e fizemos um pequeno detour para o famoso Mount Washington, o ponto mais alto do nordeste dos Estados Unidos, com 1.917m de altitude.

A bela paisagem durante a subida do Mount Washington, ponto mais alto das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

A bela paisagem durante a subida do Mount Washington, ponto mais alto das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Há várias formas de chegar ao topo do Mount Washington, trem é a mais cara e talvez a mais divertida delas. A nossa escolha normalmente seria a forma mais tradicional, a pé. Há várias rotas e geralmente a mais bonita é a mais difícil. Hoje, porém, acabamos optando por conhecer outra das atrações do parque: a Mt. Washington Drive Road. Um parque privado, criado em 1861 pelo visionário proprietário dessas terras, é a atração turística (construída pelo homem) mais antiga dos Estados Unidos.

Fiona nos leva pelas estradas das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Fiona nos leva pelas estradas das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Trem leva turistas ao topo do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Trem leva turistas ao topo do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


O Mt. Washington possui um observatório climático completo e se orgulha de quebrar os records de piores condições climáticas do mundo! No seu cume já foram registrados ventos de 372km/h, em uma tempestade em abril de 1934. Para ler os relatos completos da aventura do homem que viu, mediu e sobreviveu a esta tempestade para contar a história, é só clicar aqui.

A caminho do topo do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

A caminho do topo do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Muito vento, gift shops e fotos depois, seguimos em direção ao Crawford Notch, lugar que poderíamos ficar pelo menos uns 2 dias explorando suas trilhas e diferentes paisagens. O plano inicial era fazer uma trilha de 4 km, mas para isso o dia precisaria ter começado 3 horas mais cedo.

Experimentando fantasia de alce na lojinha do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Experimentando fantasia de alce na lojinha do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


No topo do Mount Washington e das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

No topo do Mount Washington e das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Fizemos uma rápida parada em Bretton Woods, local onde foi assinado o histórico acordo que remodelou toda a economia mundial, criando o FMI, o Banco Mundial e estabelecendo o dólar como a moeda mundial de comércio.

Hotel onde se realizou a famosa conferência de Bretton Woods, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Hotel onde se realizou a famosa conferência de Bretton Woods, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Local onde foram definidas as novas diretrizes do mundo capitalista, um marco importantíssimo e bem lembrado pelo meu amado marido economista. Detalhe: o Acordo de Bretton-Woods foi assinado em julho de 1944, no mês seguinte da Invasão da Normandia, o famoso “Dia D”, já no final da Segunda Guerra Mundial.

Visitando Bretton Woods, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Visitando Bretton Woods, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Terminamos a loop road passando pelo Franconia Notch, onde fizemos uma trilha rápida pelo Basin, para começar a acostumar nossa sobrinha linda às atividades esportivas na natureza. Ela é meio preguiçosa, mas com jeitinho conseguimos tirá-la do conforto da Fiona e colocá-la em movimento.

The Basin, lembrança da última era glacial nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

The Basin, lembrança da última era glacial nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


No caminho para casa ainda faríamos uma última parada, a mais esperada do dia para nossa querida sobrinha, o Mirror Lake! Toda a preguiça que a Bebel tem para caminhar simplesmente desaparece quando o assunto é água! Nossa linda sereia não demorou um segundo para entrar na água do Mirror Lake, parada obrigatória para fechar o dia de viagem em New Hampshire.

Mirror Lake, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Mirror Lake, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Vamos embora sem ter encontrado nenhum alce, animal comum nessa região, mas difícil de ser avistado durante os dias quentes. Ficamos sem o alce, mas tivemos a sorte de ver um urso preto, lindo! A sorte foi apenas a de estarmos passando em frente ao pequeno circo da cidade na hora de descanso do pobre coitado. Ele estava fora de sua jaula, na área de playground, mas com uma cara meio aburrida.

Um urso negro usado em apresentações em Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Um urso negro usado em apresentações em Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Um urso negro usado em apresentações em Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Um urso negro usado em apresentações em Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos


Um dia é pouco para explorar tudo o que a White Mountains National Forest têm a oferecer. Em um dia completo conseguimos ter um bom overview, mas se você tiver um final de semana ou até um feriado prolongado de 4 ou 5 dias, sem dúvida não faltarão atividades. Seja no verão ou no inverno, trekking ou skiing, a beleza natural da região não irá decepcionar.

Ponte refletida em lago cristalino, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Ponte refletida em lago cristalino, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos

Estados Unidos, New Hampshire, Lincoln, Bretton Woods, Mount Washington, parque nacional, Road Trip, Trekking, trilha, White Mountains

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Entre presidenciáveis e tubarões

Brasil, São Paulo, São Sebastião

Hoje acordei curiosamente animada. Dormi pouco e mal, mas tive um sonho impressionante! Estes sonhos, que mais parecem filmes, acontecem com alguma frequência e o Rodrigo é o único que os escuta, logo cedo, se divertindo com a minha criatividade noturna. Já venho pensando em postá-los no blog, afinal, fazem parte das minhas viagens nestes 1000dias. Já digo antecipadamente que se alguém um dia se interessar em produzir um curta ou longa metragem, poderemos fazer uma ótima parceria, mas vou querer os direitos autorais! Rsrsrs.

Esta noite o sonho começou com um casamento super alternativo. A parte do casamento ficou meio confusa e logo foi seguido por um episódio surreal em que eu conversava com tubarões-baleia, tentando entender porque um deles havia encalhado em uma praia. Enquanto eu batia papo com o tubarão-baleia o Ro estava se divertindo preso nas patas de um caranguejo gigante. Eis que um filhote de tubarão-baleira aparece na praia, perdido, coitado, mas não demorou muito para uma onda de uns 20m de altura feita pela furiosa mãe tubarão-baleia acabar com a nossa brincadeira.

Eu já ia embora quando de repente uma pedra mega repelente começou a fazer um imenso buraco no fundo do mar e formou um redemoinho de água. A água estava sendo sugada pela terra, como num ralo de pia e não tínhamos o que fazer. Tudo culpa dos japoneses que criaram esta pedra em uma experiência nuclear, sem saber as conseqüências. Preocupada eu corri até a cidade para avisar as pessoas do desastre natural que iria acontecer, aí encontrei Dilma Roussef iniciando uma caminhada pela cidade. Ela estava com uma criança no colo e uma assessora ao seu lado. Comecei a conversar com ela, perguntando sobre seus planos de governo, etc. Queria entender se ela realmente achava que algum dos canditatos iria fazer algo diferente pelo país, afinal todos devem ter o mesmo objetivo ao governar o país. Foi aí que falei: “eu não estava lá vivenciando a situação, pode até ser que na época isso fizesse algum sentido, mas todos sabem do seu radicalismo, a ponto de ter empunhado armas para defender seus ideais durante a ditadura militar. Como podemos ter certeza de que você não terá este mesmo radicalismo no governo do Brasil? Agora você demonstra outra postura, será apenas uma máscara ou você conseguirá manter este seu discurso e diplomacia durante o governo? Ela logo se defendeu, dizendo que o Serra posa de santinho, mas que também tem um histórico que o condena. Ela ainda completou: “sim, precisei vestir esta máscara para governar o Brasil, pois é assim que as coisas funcionam hoje.” Ela foi muito atenciosa e sincera na conversa comigo, fiquei até bem impressionada! Porém ficou claro que ela irá usar do seu pulso firme para fazer o quiser e bem entender. Logo depois tive que sair, o Serra me viu falando com a Dilma e não gostou nada, uma vez que eu estava trabalhando no comitê dele. O segui e fomos conversando sobre agenda e logo ele parou para conversar sobre educação com jovens darks. Minutos depois ele já estava em sua sala conversando com o seu consultor e assessor para o assunto educação. Eu a esta altura já estava procurando a Marina para conversar, afinal era uma ótima oportunidade para ter informação e contato com os nossos presidenciáveis.

De repente, vejo a luz entrar pela janela e o despertador toca. Eu não queria acordar! Queria continuar sonhando, ainda não terminei de falar com a Marina e preciso destruir a pedra repelente! O mais maluco é que neste momento, antes de acordar, eu realizei que era tudo um sonho e que o mais importante seria lembrá-lo para depois contar a vocês.

Brasil, São Paulo, São Sebastião, sonho

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Kalalau Trail

Hawaii, Kauai-Kalalau

Fim de tarde glorioso na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Fim de tarde glorioso na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Você consegue imaginar um lugar de natureza pristina, imensas cachoeiras em meio a cânions inexplorados, praias desertas e encostas vulcânicas escarpadas no centro do Oceano Pacífico? Esta é a Na Pali Coast no litoral norte da ilha de Kauai, no Hawaii.

A maravilhosa Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

A maravilhosa Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Depois de sobrevoarmos a ilha dos dinossauros, chegou a hora de explorarmos suas entranhas, irmos fundo em suas matas para descobrir o que esconde a intocada Na Pali Coast. O único jeito de chegar até lá nesta época do ano é através de uma trilha de 36 km (ida e volta), a Kalalau Trail.

Paisagens cinematográficas da Na'Pali Coast, no caminho para o Kalalao, em Kauai, no Havaí

Paisagens cinematográficas da Na'Pali Coast, no caminho para o Kalalao, em Kauai, no Havaí


Não é por acaso que a Kalalau Trail é considerada pela National Geographic o melhor trekking litorâneo do mundo. São 18 km ziguezagueando pelas encostas da Na Pali Coast, seus rochedos, praias, florestas e riachos para chegar ao paraíso perdido dos antigos havaianos: o Kalalau Valley.

Praia no início da trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Praia no início da trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


O trekking começa no final da Kuhio Highway, às margens da Ke´e Beach. Os primeiros 3km de trilha levam até a Hanakapi´ai Beach, uma boa opção para um day hike na famosa Na Pali Coast. No ponto mais alto deste trecho, além de vistas lindas dos “palis”, palavra havaiana para penhascos, nesta época também é fácil avistar baleias jubarte, na sua migração anual pelas águas do arquipélago. Vários trekkers já acabam parando por ali mesmo, acampam de frente para a praia e aproveitam para conhecer a cachoeira que está 2 km vale acima.

Centenas de totens de pedras na tHanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Centenas de totens de pedras na tHanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


A vida 'selvagem' na Hanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

A vida "selvagem" na Hanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Hora do lanche e do descanso, depois de 2 milhas de trilhas, na Hanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Hora do lanche e do descanso, depois de 2 milhas de trilhas, na Hanakap'ai, a única praia no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Viemos hoje cedo de Kihei até Hanaley Bay, tomamos um último café da manhã bem reforçado e colocamos o pé na trilha. Já eram quase 10 horas da manhã, mas o nosso objetivo era chegar hoje mesmo ao Kalalau Valley. A Laura e o Rafa, super companheiros, toparam a empreitada e lá fomos nós, carregados de equipamento e comida para a tão esperada aventura.

Percorrendo a magnífica trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Percorrendo a magnífica trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


O Rodrigo, meu forte e cavalheiro marido estava mais carregado e acelerou o passo. Eu, Laura e Rafa seguimos firmes, mas no nosso ritmo, parando para tirar fotos e aproveitar as paisagens. O tempo não estava o melhor para as fotos, mas foi perfeito para nós, que não precisamos lidar com o calor insuportável e o sol escaldante durante a trilha. Subimos e descemos encostas em um infindável zigue-zague, contornando os vales e os penhascos da Na Pali Coast.

Momento de relaxamento depois de grande subida na trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Momento de relaxamento depois de grande subida na trilha para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Depois que passamos a Hanakapi´ai Beach a trilha fica menor, menos sinalizada, menos movimentada e mais atrativa aos meus olhos aventureiros. Caminhamos, caminhamos e caminhamos e perdemos a noção de quanto já foi ou quanto ainda faltava. Olhamos para um lado e já não podemos mais ver a Ke´e Beach. Olhamos para o outro lado e ainda não avistamos a Kalalau. Estamos deliciosamente perdidos em meio aos palis e às bailarinas de hula-hula que descem lentamente para o seu encontro com o mar.

Árvores que inspiraram as fantasias de Hula Hula, ao longo do caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Árvores que inspiraram as fantasias de Hula Hula, ao longo do caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Eis que avistamos a marca das 6 milhas, estamos na metade do caminho! O Hanakoa Valley é um vale suspenso, que não tem acesso à praia. Recentemente o parque liberou esta área para camping e é um dos melhores pontos para os hikers mais tranquilos e com mais tempo montarem acampamento e recuperarem as energias. Além de vistas lindas da costa, daqui também sai uma trilha de menos de 1km para a Hanakoa Falls, que dizem ser ainda maior e mais bonita que a de Hanakapi´ai. Já se foram 10km! Logo adiante encontramos o Rodrigo, descansando à beira do rio e após um lanche rápido voltamos à trilha ainda mais animados, agora só faltam 8km!

O Rodrigo já está no alto do próximo morro, no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

O Rodrigo já está no alto do próximo morro, no caminho para o Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Na segunda parte da trilha chegamos à sessão mais seca da ilha, as paisagens ficam ainda mais fortes, cores mais intensas e a trilha mais perigosa. O caminho corta um penhasco alto e sem proteção. Um tropeço ou uma pisada em falso pode te levar direto ao mar, 200 metros falésia abaixo.

O cenário maravilhoso na trilha do Kalalao, ao longo da Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

O cenário maravilhoso na trilha do Kalalao, ao longo da Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Este é o único trecho que exige nervos de ferro mesmo para os menos encanados com altura. Cruzamos outros mochileiros no caminho, uns indo, outros voltando e todos se apertando contra a parede de pedra para que o outro possa passar. Se você tem vertigem ou não é muito tolerante para alturas é neste trecho que a coisa pode complicar.

A Ana, Laura e Rafa caminham por trilha na beira de um penhasco, a caminho da Kalalao Beach, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

A Ana, Laura e Rafa caminham por trilha na beira de um penhasco, a caminho da Kalalao Beach, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Depois de cruzarmos os estreitos penhascos, temos a primeira visão do nosso tão almejado objetivo, a Kalalau Beach. Para não nos deixar duvidar, ali estava uma placa que dizia em havaiano e inglês:

Finalmente, depois de 10 milhas percorridas, a praia do Kalalao está próxima! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)

Finalmente, depois de 10 milhas percorridas, a praia do Kalalao está próxima! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)


“Kalalau. Esta é uma terra sagrada. Dê a ela o seu maior cuidado, respeite e vá sabendo que você a preservou para as futuras gerações.”

Marcação de 10 milhas na trilha do Kalalao. Só falta uma! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)

Marcação de 10 milhas na trilha do Kalalao. Só falta uma! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)


Como em um passe de mágica todo o nosso cansaço daqueles 16 km desapareceram e novamente ganhamos novas energias para continuar morro abaixo e finalmente chegarmos à terra prometida.

Finalmente, depois de 10 milhas percorridas, a praia do Kalalao está próxima! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)

Finalmente, depois de 10 milhas percorridas, a praia do Kalalao está próxima! (na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí)


O sol já coloria o céu em tons de rosa e alaranjado, mal conseguíamos enxergar a cor do mar que refletia o prateado do final do dia, se escondendo atrás das montanhas escarpadas da Na Pali Coast.

Um inesquecível pôr-do-sol nos recebe na praia de Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí

Um inesquecível pôr-do-sol nos recebe na praia de Kalalao, na Na'Pali Coast, em Kauai, no Havaí


Com o restinho de luz ainda tivemos tempo de encontrar um lugar no movimentado camping e montar as nossas barracas. A Laura e o Rafa logo conheceram um local, que lhes recebeu com as boas vindas da comunidade clandestina que vive nesta praia. Clandestina? Pois é, como o vale e a praia estão em um parque estadual, a estadia máxima permitida é de uma semana, mas chegando aqui entendemos que estes “locais” simplesmente não consigam mais ir embora.

estréia da nossa barraca nova em kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

estréia da nossa barraca nova em kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Voando sobre a magnífica Lalalao Beach, em Kauai, no Havaí

Voando sobre a magnífica Lalalao Beach, em Kauai, no Havaí


A cachoeira que escorre nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

A cachoeira que escorre nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Aqui encontramos a natureza pura no seu esplendor, intocada e vibrante, entramos em contato com a energia primordial que alimenta o nosso planeta. Em uma ilha como o Kauai, tão jovem e tão distante, acredito mesmo que deve ser mais fácil de nos conectarmos com outros níveis energéticos, como se o Kalalau fora um portal para uma nova e mais elevada dimensão.

Enormes ondas estouram nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Enormes ondas estouram nos rochedos da Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Pela manhã, caminhando pela praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Pela manhã, caminhando pela praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Nós logo entramos em ressonância com esta boa vibração. Não demorou nenhum minuto para todos do grupo se colocarem em acordo de que não poderíamos voltar amanhã. Um dia inteiro naquele paraíso era o mínimo (e o máximo) que podíamos nos permitir. Fiquemos então, faremos racionamento de comida, viveremos de prana, felizes na Kalalau.

Não é a toa que os barcos não chegam até a praia nessa época do ano, na kalalau beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Não é a toa que os barcos não chegam até a praia nessa época do ano, na kalalau beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Aos poucos vamos entendendo como esta comunidade funciona para se esquivar das rondas do parque e se manter viva. São homens e mulheres que vivem em total comunhão com a natureza, o vale lhes fornece água, frutas e raízes e eles só o deixam para comprar suprimentos uma vez ao mês e olhe lá. A paz de espírito que encontraram aqui é mais do que suficiente para alimentá-los.

Arte nas árvores da trilha para a cachoeira, em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí. Coitada da árvore...

Arte nas árvores da trilha para a cachoeira, em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí. Coitada da árvore...


Alguns deles vivem aqui há 6 meses, um ano, diz a lenda que o mais antigo vive no fundo do vale, distante de todos, como um ermitão, por quase 20 anos! A procura deste Shangrilá começou na década de 60, quando os hippies paz e amor buscavam lugares como este para viverem seus tempos de libertação. Foi a própria National Geographic que lançou os primeiros olhares neste canto do planeta, publicando uma foto da praia de Kalalau e a colocou na berlinda, criando a primeira migração dos mais aventureiros daquela época.

Luz do sol filtrada pelas nuvens e montanhas, na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Luz do sol filtrada pelas nuvens e montanhas, na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Triste é saber que tudo isso ocorre de forma clandestina, pois o parque não está preparado para lidar com os impactos ambientais que uma comunidade pode representar. O gerenciamento do lixo é dificultado pelo acesso ser apenas por esta trilha, durante os meses de verão a praia fica mais tranquila e alguns barcos conseguem aportar. Helicópteros acabam sendo a melhor saída para a retirada do lixo, a mais prática e mais cara também, o que diminui os recursos destinados a outros melhoramentos necessários como a instalação e manutenção dos banheiros ecológicos e melhoramentos na trilha. Enfim, é difícil acreditar no paraíso idealizado se ali está o homem.

Acampando de frente ao mar, na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Acampando de frente ao mar, na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Nas nossas andanças por lá vimos pouco ou quase nada de lixo, então eu prefiro acreditar que a consciência ambiental e o amor que esta comunidade nutre por esta terra, seja maior e esteja levando-os a cuidar dela da forma correta.

A 'cachoeira do banho', em Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

A "cachoeira do banho", em Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Durante um dia aproveitamos a praia dentre os naturistas, vimos uma bailarina de hula-hula dançar ao natural pelas areias de Kalalau. Apreciamos as ondas gigantes que proibiam a entrada até dos mais ousados nas suas águas e nos encantamos com as catedrais de pedra que envolvem as paisagens verdejantes do Kalalau Valley.

O grandioso background da praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

O grandioso background da praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Enormes torres de pedra se erguem para o céu, na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Enormes torres de pedra se erguem para o céu, na Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


À tarde os casais se dividiram, eu e o Rodrigo aceleramos pelas trilhas vale acima, em busca das cachoeiras e poços de água doce. Lá descobrimos novas comunidades ribeirinhas, que preferem o rio ao mar, o verde e o isolamento, aos turistas que mal sabem chegar até aqui.

Caminhando na mata em direção a uma cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Caminhando na mata em direção a uma cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Cachoeira próxima à Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Nas trilhas cruzamos parte do patrimônio histórico do vale, ruínas da antiga comunidade tradicional havaiana que viveu por aqui. Quantos anos será que elas possuem? Quem será que as construiu? Sabe-se que até uma comunidade de leprosos foi exilada no começo do século passado, destinada a viver nesta terra distante e abençoada.

Ruínas de antigas habitações na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Ruínas de antigas habitações na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


De volta à praia encontramos Laura e Rafael que nos aguardavam com uma boa notícia, o Rafa havia saído para pescar e voltou com dois peixes para aumentar o nosso jantar.

O Rafa grelha um peixe que ele mesmo pescou durante a tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí. Que luxo!!!

O Rafa grelha um peixe que ele mesmo pescou durante a tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí. Que luxo!!!


Fogueira para o peixe e fogareiro para o macarrão no nosso banquete na segunda noite em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

Fogueira para o peixe e fogareiro para o macarrão no nosso banquete na segunda noite em Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


Aqui, ao menos, a comunidade tem esse espírito cooperativo, logo que souberam que ampliamos a nossa estadia e racionávamos a comida, alguns vieram oferecer ajuda, a vara de pesca, frutas, o que fora. Sentimos-nos acolhidos, não fosse o nosso voo de volta, sem dúvida ficaríamos por mais tempo, aprenderíamos a viver de luz e amor... Pelo menos por mais alguns dias, porque não?

delicioso fim de tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí

delicioso fim de tarde na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte de Kauai, no Havaí


No nosso terceiro dia perdidos na costa norte do Kauai, infelizmente já era hora de voltarmos a nos encontrar. Um banho de mar no reino de Namaka, que hoje nos recebeu de braços abertos, como quem diz, “estarei por aqui aguardando o seu retorno”. O sol quente nos acompanhou durante toda a caminhada de volta e a marca de 6 milhas novamente apareceu como uma nova dose de energia. Um banho nos poços de água fresca nos deixaram prontos para os 10km que faltavam.

Diversão com um cipó em piscina natural na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Diversão com um cipó em piscina natural na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Terminamos a trilha cansados, mas felizes. Sabíamos que este esforço para cruzar os palis da Na Pali Coast e chegar à Kalalau seria apenas o primeiro das nossas vidas, pois sem dúvida voltaremos.

Chegando à praia das duas milhas, na trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Chegando à praia das duas milhas, na trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

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