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Padin Padre Cícero

Brasil, Ceará, Juazeiro do Norte

A famosa estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

A famosa estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE


Impressionante a fé do povo brasileiro. Constatamos isso na cidade de Juazeiro do Norte, berço de um dos mais importantes santos brasileiros, Padre Cícero. A cidade de Juazeiro do Norte possui em torno de 300mil habitantes, porém na semana de festividades e homenagens ao Padre Cícero chega a triplicar a sua população. Na cidade tudo tem seu nome, mecânica, panificadora, loja de carro e o que você imaginar!

Devoção ao Padre Cícero em Juazeiro do Norte - CE

Devoção ao Padre Cícero em Juazeiro do Norte - CE


Um padre de uma cidade do interior do Ceará que não teve seus milagres comprovados e aceitos pelo Vaticano, portanto não foi canonizado, faz milhares de brasileiros seguirem em romaria à Juazeiro do Norte. Os romeiros pagam promessas, fazem seus pedidos, agradecem pelas glórias recebidas e, principalmente, homenageiam este homem tão importante para a história desta região. Além de religioso, Padre Cícero também entrou para a vida política, se tornando prefeito da cidade de Juazeiro do Norte e posteriormente vice-presidente (equivalente a vice-governador) do Estado do Ceará.

Memorial do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

Memorial do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE


Padre Cícero foi perseguido politicamente, justamente por unir política e religião, união poderosa e que recebeu represalhas. Em 1914 aconteceu a Guerra da Sedição, onde o Governo do Estado do Ceará cercou Juazeiro com o intuito de retirá-lo do poder e naquela época, sem crise de consciência, o matariam para retirá-lo do seu caminho. Felizmente eles fracassaram na sua missão e Padre Cícero morreu já idoso, com 90 anos, no final da década de 30.

Padre Cícero já tinha consciência ecológica! (em Juazeiro do Norte - CE)

Padre Cícero já tinha consciência ecológica! (em Juazeiro do Norte - CE)


Uma figura forte e muito influente, Padre Cícero foi eleito pelo povo, conseguiu reunir o respeito e admiração não só do povo cearenses, mas de milhares de brasileiros. Em sua homenagem foi construída uma estátua de 28m de altura na colina mais alta da cidade, quase como um santo protetor de Juazeiro. Conhecemos também a Igreja construída pelo Padre Cícero onde hoje estão seus restos mortais, enterrados em seu altar.

Igreja do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

Igreja do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE


No Memorial Padre Cícero pudemos ver fotos da época e conversar com Amanda, que nos deu informações sobre a historia da cidade e do religioso, além de nos ajudar a encontrar um hotel na cidade. Uma tarde e uma manhã na cidade foram suficientes para conhecer um dos maiores pontos de peregrinação brasileiros e é claro, fazer também a nossa fezinha!

A famosa estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

A famosa estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

Brasil, Ceará, Juazeiro do Norte, Padre Cícero

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O Encontro

Brasil, Alagoas, Piaçabuçu (Foz do São Francisco)

Dunas de areia na Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Dunas de areia na Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)


O Rio São Francisco tem a sua nascente, na Serra da Canastra. Ela parece uma poça de água com 2 x 2m, se muito. Há menos de um quilômetro dali, ainda na parte alta do parque já o reencontramos mais largo e bonito, pois recebe águas de afluentes também formados na mesma bacia.

Nascente do Rio São Francisco, no Parque da Serra da Canastra - MG

Nascente do Rio São Francisco, no Parque da Serra da Canastra - MG


Ali mesmo, no Parque Nacional da Serra da Canastra todas as suas moléculas de água passam pela sua primeira grande emoção, a Casca D´Anta. Uma queda d´água imponente, possui 186m de altura e um poço que chega a ter mais de 30m de profundidade! Ali já podemos ver todo o potencial deste rio, que mesmo tão jovem já nos dá este belíssimo espetáculo.

Enfrentando as águas geladas do poço da Casca d'Anta, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG

Enfrentando as águas geladas do poço da Casca d'Anta, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG


Adiante encontramos novamente o SanFran, como gostamos de apelidá-lo, na cidade de Januária. Ficamos hospedados às margens do rio, conhecemos suas praias e mesmo possuindo quase um quilômetro entre suas margens, os moradores antigos nos contam que infelizmente, ele já não tem a mesma navegabilidade de antes. A principal mudança durante todos estes anos foi a diminuição do rio, que comparado com o que já foi, hoje é apenas um pequeno córrego. Além do desmatamento da mata ciliar, que levou o rio ao assoreamento, isso se deve também à Represa de Três Marias, próxima à cidade de mesmo nome.

A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG

A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG


Seguimos viagem e chegamos à Petrolina, onde o Velho Chico está forte, caudaloso, impressionante com suas águas verdes e infelizmente impróprias para banho em alguns pontos. Conhecemos os projetos de irrigação que utilizam suas águas e que fizeram da região um caso de sucesso na fruticultura brasileira. Vendo tudo isso chegamos a pensar que o projeto de transposição do rio pode ser uma ótima saída para o sertão nordestino.

O rio São Francisco, com Juazeiro ao fundo, visto do apartamento da Iolanda, em Petrolina - PE

O rio São Francisco, com Juazeiro ao fundo, visto do apartamento da Iolanda, em Petrolina - PE


Eis que nesta retrospectiva chegamos ao presente. Estamos novamente às margens do Rio São Francisco, agora na cidade de Piaçabuçu, Alagoas. Entramos em um tour que deve nos levar conhecer um momento mágico para qualquer rio e ainda mais emocionante em se tratando de um rio como o São Chico. Vamos vê-lo morrer, não uma morte simples e inglória, pois depois de todos estes quilômetros percorridos, formando cachoeiras, praias, canais de irrigação, represas, trazendo alimento, transporte e vida por onde passa, ele finalmente irá encontrar-se com o mar.

Margem do São Francisco pouco antes da sua foz, na divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Margem do São Francisco pouco antes da sua foz, na divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)


O rio da unidade nacional, como também é chamado, por ser o único rio 100% brasileiro, nasce e morre dentro do nosso território. O local de sua morte é também conhecido como “O Encontro”. Um cenário magnífico, formado por mangues, coqueiros, dunas, lagoas, o rio e o mar. A sensação é indescritível, saber que agora SanFran ganhou o Atlântico e através dele o mundo! Ali fica clara a nossa pequeneza perante a mãe natureza. Nós, meros mortais, ficamos comovidos, embalados pela trilha sonora épica providenciada pelo pessoal da embarcação.

Lagoa e duna próxima à Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Lagoa e duna próxima à Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)


O barco só consegue chegar há 2km do encontro, por isso depois de um passeio pelas dunas para ver a paisagem do alto, eu e o Rodrigo corremos pela margem do rio até a sua efetiva foz. Ali se forma um mini-delta, se é que podemos chamá-lo assim, encontramos mais lagoas e uma energia ainda mais vibrante.

Nadando numa pequena lagoa bem na Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Nadando numa pequena lagoa bem na Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)


O retorno foi outra aventura, embarcação com a caixa de marcha quebrada. 45 pessoas dentro de um mesmo barco, sol a pino e a correnteza nos levando aos poucos para os bancos de areia do Sergipe.

Nosso barco de resgate trazendo-nos de volta da Foz do São Francisco (Piaçabuçu - AL)

Nosso barco de resgate trazendo-nos de volta da Foz do São Francisco (Piaçabuçu - AL)


Foi uma hora de espera pelo resgate, enquanto alguns se indignavam, outros aproveitavam para curtir um pouco mais deste visual maravilhoso, afinal pessoal, é Natal! Chegamos à Piaçabuçu são e salvos e reenergizados com este encontro.

Último mergulho no Rio São Francisco após visita à foz do rio, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Último mergulho no Rio São Francisco após visita à foz do rio, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Brasil, Alagoas, Piaçabuçu (Foz do São Francisco), foz, Praia, Rio, Rio São Francisco, São Chico

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Carnaval em Olinda!

Brasil, Pernambuco, Olinda

Bonecos gigantes em Olinda - PE

Bonecos gigantes em Olinda - PE


Embora vocês não acreditem, nós trabalhamos sim, e muito, para colocar este site em dia. Passamos a manhã e a tarde toda escrevendo e atualizando os nossos posts, fotos e redes sociais. No café da manhã da pousada já havíamos conhecido um casal europeu muito bacana, Francesca, italiana e Thomas, suíço. Eles acabaram de chegar ao Brasil, saindo de -7°C direto para os 30°C de Olinda, e ainda tiveram a maior sorte, pois chegaram em um domingo de carnaval! Desde já em Olinda começam as festividades, todos os domingos os blocos de maracatu, samba e reggae começam a esquentar os tambores, agitando as ruas da cidade. São milhares de pessoas, animadas, lavando a alma depois de uma semana de trabalho suado. Nós também, depois de um dia todo enfurnados na pousada, queríamos mais era cair na gandaia!

Pré-carnaval em Olinda - PE

Pré-carnaval em Olinda - PE


O Carnaval de Olinda é um dos mais famosos do Brasil, depois do Rio de Janeiro e Salvador. Vários dos famosos Bonecos Gigantes de Olinda já estão prontos, mas estes irão para as ruas apenas no sábado de carnaval. Final de tarde e aos poucos as ruas começam a ficar tomadas por pessoas animadas de todos os tipos, classes, idades e intenções. Tem uma música do carnaval baiano que fala sobre isso, o que é mais mágico é ao mesmo tempo o mais intrigante:

“Como esse povo que sofre
Com fome, que passa mal
Vai batucar na panela vazia
E fazer carnaval...

Ôoo ai meu Deus, eu só quero entender...”


Pré-carnaval em Olinda - PE

Pré-carnaval em Olinda - PE


Assistimos ao bloco de maracatu em frente ao presépio de Natal da Igreja São Pedro, seguimos o bloco de carnaval até a Igreja do Amparo e depois subimos a Ladeira da Misericórdia até a Sé. Lá entramos na Escola de Samba do Preto Velho, onde estava rolando uma verdadeira roda de samba, com um show a parte dos passistas da escola de lambuja. Se para nós tudo isso já é maravilhoso e diferente em uma véspera de natal, imaginem como deve ser para Francesca e Thomas! Ainda demos sorte de pegar uma roda de capoeira bem roots na saída do samba, para fechar a noite com chave de ouro.

Casa de samba 'Preto Véio' em Olinda - PE

Casa de samba "Preto Véio" em Olinda - PE


Voltamos para a pousada procurando algum lugar para comer. Ali logo em frente era um dos maiores agitos, carros com brega no último volume e tudo o que vocês podem imaginar. Eu estava até preocupada se conseguiríamos dormir, mas 22h30 em ponto a polícia turística passou solicitando aos festeiros que baixassem o som e tudo começou a se aquietar, “Parece até a Suíça”, comentou Thomas. Demais! Que lindo, que orgulho de fazer parte dessa festa e saber que de alguma forma somos todos parte desta cultura.

Com o Tomas e a Francesca no pré-carnaval em Olinda - PE

Com o Tomas e a Francesca no pré-carnaval em Olinda - PE

Brasil, Pernambuco, Olinda, Carnaval

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Búzios – Iriri

Brasil, Espírito Santo, Iriri

Praia Areia Preta, em Iriri - ES

Praia Areia Preta, em Iriri - ES


Um dia de trânsito pela BR 101 entre Búzios e Iriri, trânsito mais lento do que imaginávamos. Pouco menos de 360km e 5 horas nos separavam do nosso sétimo estado brasileiro. Aos poucos vamos ficando mais distantes de casa e nos sentindo cada vez mais livres. Este nosso período na região sudeste foi e ainda está sendo ótimo, mas é também um pouco angustiante. Quando planejamos a viagem de 1000dias por toda América, pensamos em cada passo, cada país, cada cultura e criamos a expectativa de estarmos à frente sempre, mais longe, mais distantes, mais embrenhados nas veias do continente americano.

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo


Chegando a Iriri já começamos a sentir o calor do nordeste. Nos instalamos na Pousada Recanto da Pedra, na praia da Costa Azul e almoçamos à beira mar. Mesmo com o tempo um pouco nublado o mormaço nos animou a dar uma bela caminhada pela praia da Areia Preta, Costa Azul e a Praia dos Namorados, todas muito próximas umas às outras, com areias avermelhadas e águas tranqüilas.

A pequena praia Costa Azul, em Iriri - ES

A pequena praia Costa Azul, em Iriri - ES


Trabalhamos no site e na nossa programação da semana. Entramos novamente em contato com a operadora de mergulho em Guarapari, ansiosos para saber se conseguiremos mergulhar amanhã. O mar estava muito agitado e a visibilidade esta semana estava horrorosa, mas o vento está começando a diminuir e a água está começando a limpar, amanhã vamos mergulhar!

Falando no telefone na praia Areia Preta, em Iriri - ES

Falando no telefone na praia Areia Preta, em Iriri - ES


Um final de tarde super gostoso na Praia da Costa Azul, uma corridinha na praia e um banho de mar já no escuro nos lembram como é bom nos sentirmos livres. Estamos nos aproximando do final desta etapa, finalizando a região sudeste e em algumas semanas iniciaremos uma das regiões mais belas do Brasil, o nordeste! Antes disso ainda temos Dunas de Itaúnas e o aniversário de um certo companheiro de viagem.

Brasil, Espírito Santo, Iriri, Praia

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Próxima Parada: Morélia

México, Cidade do México, Morelia

Uma das grandes atrações de Morelia, no México: o centenário Aqueduto

Uma das grandes atrações de Morelia, no México: o centenário Aqueduto


Dizem que no domingo Deus descansou, não é verdade? Então nós também temos direito! Ontem ficamos o dia inteiro em casa para descansar, trabalhar nos blogs, organizar as coisas para botar o pé na estrada. Nosso amigo e chef de cozinha (que achou que se veria livre de nós ontem), nos preparou um almoço delicioso e preparou uma seleção com dezenas de músicas novas para a nossa biblioteca “on the road”. À noite nos fizemos companhia na sala vip de cinema onde fomos assistir “A Dama de Ferro” com a Merl Stryp. Ela arrasa e o roteiro me fez sair de lá fã da pessoa Margaret Thatcher, da pessoa, não da política.

Um belo lago na viagem entre Cidade do México e Morelia, no México

Um belo lago na viagem entre Cidade do México e Morelia, no México


Saímos do DF com aquela sensação de que voltaremos. Agora nesta viagem é pouco provável, mas quem sabe... ainda temos muita estrada pela frente. Próxima parada: Morélia.

Caminhando na praça da Catedral de Morelia, no México

Caminhando na praça da Catedral de Morelia, no México


Morélia é uma cidade histórica, fundada em 1541 que se tornou Patrimônio Histórico da Humanidade em 450 anos mais tarde. Sua arquitetura espanhola e a imponente Catedral ladeada por uma praça com coreto, a Plaza de Armas, são algumas de suas principais atrações. O Palácio de Governo e uma grande fachada de arcos e prédios históricos ao seu lado, hoje abrigam lojas, restaurantes e charmosos hotéis.

Restaurantes com mesas na calçada em praça de Morelia, no México

Restaurantes com mesas na calçada em praça de Morelia, no México


O Jardín de Rosas, a duas quadras da Plaza de Armas, é um dos lugares mais agradáveis para sentar, tomar uma cervejinha e apenas deixar o tempo passar. Almoçamos tardiamente observando os jovens universitários e artistas que rodavam por ali.

Artista de rua em Morelia, no México

Artista de rua em Morelia, no México


As arcadas da vizinha Casa del Clavijero servem se sala de aula para os alunos da escola de artes e marcam o caminho para o indulgente Mercado de Dulces da cidade: um corredor com bugigangas, catrinas e doces de todos os tipos, cores e tamanhos.

Visita ao famoso Mercado de Doces e Artesanatos de Morelia, no México

Visita ao famoso Mercado de Doces e Artesanatos de Morelia, no México


Segunda-feira, então todos os museus estavam fechados, o que ajudou a me sentir menos culpada pela falta de disposição para me encerrar em seus museus em um dia de céu tão azul. Uma rápida passada pelo verde Bosque Cuauhtemóc é obrigatória para ver de perto a construção do magnífico Aqueducto, construído entre 1785 a 1788 para melhorar o abastecimento de água da cidade. São 253 arcos que beiram o parque na avenida de mesmo nome.

Uma das grandes atrações de Morelia, no México: o centenário Aqueduto

Uma das grandes atrações de Morelia, no México: o centenário Aqueduto


A noite fria não nos impediu de caminhar pelo centro histórico para vermos a cidade de um novo ângulo. A iluminação noturna da catedral é belíssima e o Jardim de Rosas igualmente agradável, ainda que encerre suas atividades cedo no primeiro dia da semana. Uma parada estratégica no estado de Michoacán para começarmos a entrar no ritmo de estrada novamente. Amanhã já seguimos viagem para outra jóia colonial mexicana, a cidade de Guanajuato.

Pausa para descanço em praça de Morelia, no México

Pausa para descanço em praça de Morelia, no México

México, Cidade do México, Morelia, cidade histórica

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A Magia dos Mayas

Guatemala, Semuc Champey

Entrada da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

Entrada da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala


O jovem Jairo nos recebeu na pousada El Zapote, super curioso sobre a viagem. Para a nossa surpresa, foi a primeira pessoa que não apenas reconheceu “Curitiba”, quando falamos de onde vínhamos, como falou de todo o seu conhecimento sobre a cidade. Cidade modelo, ambientalmente correta, ele sabia até das estações tubo! Fiquei passada!

Parada para lanche na simpática pousada El Zapote, próxima à Semuc Champey, na Guatemala

Parada para lanche na simpática pousada El Zapote, próxima à Semuc Champey, na Guatemala


Sua família é toda dessa região, aqui seu pai nasceu, foi criado e vive até hoje, criando gado. Ele cresceu falando prioritariamente a linguagem maya, embora na sua época a escola ensinasse apenas o espanhol. A empatia foi tão boa que ele nos pediu uma carona para Lanquín e decidiu nos acompanhar no tour pela gruta. No caminho ele foi nos contando as histórias de seus antepassados.

Pausa para cervejinha na Pousada El Zapote, próxima à Semuc Champey, na Guatemala

Pausa para cervejinha na Pousada El Zapote, próxima à Semuc Champey, na Guatemala


É curioso o imaginário do antigo povo maya, que segundo ele ainda pode ser encontrado nas montanhas. Eles curam, fazem as pedras flutuares para a construção de suas casas, se transformam em tigres para caçar e viajam em uma velocidade absurda sem cansar! Como conta a história dos dois campesinos que começavam a viagem de 3 dias de caminhada com uma carga pesada. No caminho, ajudaram uma senhora maya, que em sinal de agradecimento lhes disse para seguirem seus passos, pisando em suas pegadas. Os dois chegaram ao destino em apenas um dia e sem sentir o peso que levavam! O que diferencia os povos indígenas dos “verdadeiros mayas” é que eles foram batizados e por isso teriam perdido os seus poderes. Hoje a valorização da identidade indígena parece ter retornado, as escolas são bilíngües e o muitas mães já não batizam os seus filhos nas igrejas, preferem levá-los às montanhas para que os mayas o batizem na sua crença.

Caminhando com o Jairo na Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

Caminhando com o Jairo na Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala


Visitamos a caverna no final do dia, com milhares de formações e espeleotemas magníficos! Alguns já foram batizados, outros, basta deixar a sua imaginação te levar. Segundo Jairo a gruta possui quilômetros e quilômetros e ainda não foi encontrado o seu fim.

Formações na Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

Formações na Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala


A caverna tem os seus primeiros 400m iluminados e com uma trilha bem marcada. As pedras são escorregadias, mas até corrimãos foram colocados para facilitar o acesso. O melhor horário para fazer este passeio é no final da tarde, começando até as 17h, o recorrido leva uma hora e as luzes são apagadas às 18h.

Impressionados com a amplitude e formações dos salões da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

Impressionados com a amplitude e formações dos salões da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala


Quando pensamos que o show acabou, é na verdade quando começa um novo espetáculo: sem luz, milhões de morcegos deixam a caverna para se alimentar. São todos frutívoros, completamente silenciosos e possuem um mega radar! Nós ficamos na entrada da caverna, com as luzes apagadas para não intimidá-los e eles passam bem próximos a nós sem resvalar uma asinha!

Posando na escuridão entre centenas de morcegos que saem da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala, para se alimentar durante a noite

Posando na escuridão entre centenas de morcegos que saem da Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala, para se alimentar durante a noite


Dia repleto de aprendizados, lugares mágicos, habitados por um povo maravilhoso, que não perdeu seu encanto ou sua magia, apenas a guardou para aqueles que aqui chegam com seus olhos atentos e seu coração aberto.

A gigantesca Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

A gigantesca Caverna de Lanquin, na região de Semuc Champey, na Guatemala

Guatemala, Semuc Champey, Caverna, espeleologia, Gruta de Lanquín, Lanquin, Maia, maya

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De Ponce a Fajardo

Porto Rico, Ponce, Fajardo

Praça Delícia, em Ponce - Porto Rico

Praça Delícia, em Ponce - Porto Rico


A programação de hoje era intensa: dirigir 150km de Ponce até as Cavernas do Rio Camuy e o Observatório de Arecibo e depois dirigir até Fajardo mais 200km. Começamos o dia cedo, conhecendo a Praça das Delícias em Ponce e sua famosa Casa de Bombas, antes sede dos bombeiros da cidade, hoje é um pequeno museu em sua homenagem. Ao lado fica a Catedral de Nossa Senhora de Guadalupe, construída em 1931 onde ficava a primeira capela construída pelos espanhóis nos idos de 1660. Tomamos um gostoso café da manhã na padoca ali perto e pegamos estrada.

Museu dos bombeiros, na praça  central de Ponce - Porto Rico

Museu dos bombeiros, na praça central de Ponce - Porto Rico


Eu estava empolgada com as trilhas, algo diferente no meio do Caribe. Nos preparamos para a caminhada, chegamos ao parque e seguimos comprar os tickets de entrada, 12 dólares cada um! Foi aí que começamos a nos dar conta da estrutura que os caras montaram. Eu e o Ro loucos para andar até lá, mas tínhamos que esperar chamarem a nossa senha. Já achei estranho, mas ok, estão preservando a caverna. Chamaram a nossa senha e primeiro passamos por uma sala de cinema com todas as instruções de segurança e depois de pegarmos os nossos capacetes entramos em um trenzinho que desceu uma rua toda pavimentada até a boca da caverna. Vimos por dentro e por fora a sua entrada natural, mas entramos por um bunker, escadas, luzes e até anúncio do restaurante mais próximo tinha lá... fiquei chocada. O choque só passou depois que vi a beleza do lugar. A Cueva Clara é magnífica, foi construída pelas águas do Rio Camuy, o terceiro rio subterrâneo mais longo do mundo. A guia deu informações bacanas sobre a caverna, no final acabei achando que valeu a pena. É um jeito totalmente exagerado de preservar um meio natural, mas aos poucos vou acostumar com o american way.

Cueva Clara, no parque Cuevas Del Rio Camuy, em Porto Rico

Cueva Clara, no parque Cuevas Del Rio Camuy, em Porto Rico


A próxima atração foi completamente diferente, o Observatório de Arecibo, que possui o maior rádio-telescópio do mundo. Mais uma sala de cinema para um filme explicativo do observatório, feito por engenheiros, com certeza. Me senti no filme do James Bond, mas no filme a antena era muito mais poderosa, estava muito mais maquiada e produzida, como podem ver na foto faltou uma faxina geral.

Rádio telescópio de Arecibo, em Porto Rico. O maior do mundo.

Rádio telescópio de Arecibo, em Porto Rico. O maior do mundo.


Depois de mais 200km de estrada chegamos em Fajardo, procuramos os hotéis mais próximos mas acabamos vendo que a região portuária fica abandonada durante a noite. Encontramos uma pousadinha chamada Passion Fruit em Las Croabas e é daqui que estou escrevendo mais este post, podre de cansada deste dia cheio de atividades, estradas e novidades. Nos restam apenas 3 dias em Porto Rico e muito para conhecermos... fica sempre aquela sensação de que poderíamos ficar mais.

Porto Rico, Ponce, Fajardo, Arecibo, Caverna, Observatório de Arecibo, Parque, Rio Camuy, trilha

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Urubici

Brasil, Santa Catarina, Urubici

Urubici - SC, no fundo de um vale

Urubici - SC, no fundo de um vale


De volta à estrada, hoje levamos perto de 6 horas entre Curitiba e a cidade de Urubici, na Serra Catarinense. Os primeiros trezentos quilômetros até Florianópolis levaram pouco mais de 4 horas, pois chegamos exatamente no horário do rush. Eram seis horas da tarde e o trânsito estava parado desde a entrada de Governador Celso Ramos até Palhoça, onde começa a estrada da serra. Fiquei impressionada com o crescimento das cidades de Palhoça, São José e mesmo Floripa, que hoje já transformaram a BR-101 em uma avenida central da metrópole que formam juntas. Enfim, chegamos a Urubici perto das 20h e decidimos ficar hospedados no centro mesmo.


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Urubici é um dos municípios mais frios do Brasil, não só na sua área urbana, mas principalmente na sua parte alta. O ponto mais alto do sul do país, o Morro da Igreja, está dentro de seus limites. A cidade possui em torno de 10 mil habitantes possui uma avenida principal onde se encontram as pousadas, hotéis, dois ou três restaurantes, o centro de informações turísticas e a maior parte do comércio local. A maioria dos estabelecimentos só aceita dinheiro ou cheque, cartão de crédito apenas na farmácia, posto e na pizzaria.

Urubici (SC) antes da neblina

Urubici (SC) antes da neblina


A cidade em si não possui muitos atrativos, mas é a principal base para os turistas de todos os cantos que vem em busca das belezas naturais dos seus arredores, cânions, montanhas, serras e cachoeiras. As Serras do Rio do Rastro e a estrada do Morro da Igreja atraem centenas de motociclistas e bikers em busca de aventura e muitas curvas.

A bela igreja de Urubici - SC

A bela igreja de Urubici - SC


Jantamos em um restaurante delicioso chamado “A Taverna”, um foundue de queijo à beira da lareira, acompanhados de uma bela garrafa de vinho. Hoje a temperatura está perto dos 3°C, clima bem úmido, mas não está prevista a precipitação de neve. Tudo bem, nós temos muitos agasalhos e paciência, ainda iremos encontrá-la.

Brasil, Santa Catarina, Urubici, BR 101, Morro da Igreja

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Volcán Cerro Negro

Nicarágua, León

A Ana deslizando à toda as encostas do Cerro Negro,  próximo à León, na Nicarágua.

A Ana deslizando à toda as encostas do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Cerro Negro é o segundo vulcão mais jovem da América, perdendo apenas para um Hermano volcano mexicano. Sua primeira erupção foi em 1.850, espalhando cinzas por toda a cidade de León. Desde então o Cerro Negro é um dos vulcões mais ativos do mundo, marcando sua presença em intervalos de aproximadamente 10 anos. Sua última erupção foi em 1999, e acredita-se que como já passou o intervalo médio esperado a próxima poderá ter maiores proporções.

Vários vulcões vistos do alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Vários vulcões vistos do alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Localizado há 21km do centro de León, o caminho para chegar lá passar por uma zona rural, ligada por uma estrada de terra, porém alguns trechos exigem carros altos, tamanha a buraqueira que se pode encontrar. Dentro do Parque Nacional que protege uma cordilheira vulcânica de Los Maribios com outros 5 ou 6 vulcões, dentre eles o Hoyos, que dá nome ao parque.

Vários vulcões vistos do alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Vários vulcões vistos do alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Conversamos com alguns dos funcionários do parque que nos contaram que no país, infelizmente a maioria dos parques nacionais existem apenas no papel, porém não possuem nenhuma organização, preservação ou planejamento turístico. Coube à própria população da região a organização da infra-estrutura com banheiros, a venda de bebidas, toda a recepção turística, guias e aluguel de tábuas para o “volcano boarding”.

No cume do Cerro Negro, pronto para a descida de prancha! (próximo à León, na Nicarágua)

No cume do Cerro Negro, pronto para a descida de prancha! (próximo à León, na Nicarágua)


Eles também fazem um trabalho de conscientização com os agricultores locais para preservar as espécies de cobras e iguanas que estavam praticamente desaparecendo do parque. “Uma pessoa antes via uma cobra e a matava, nós oferecemos dinheiro pela captura de cobras, devolvendo-as à seu habitat natural na área do parque”, nos contou um dos guias locais.

Vistosa iguana da região do parque do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Vistosa iguana da região do parque do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Foi organizado também um, viveiro de iguanas, onde eles reproduzem as bichinhas, que agora estão em época de acasalamento. A chefe do parque estava dando uma entrevista para o Canal 8, televisão nicaragüense, onde ela comentava que “Esta terra estava dada como perdida pelo povo da região, porém com o turismo nós descobrimos um pote de ouro.”

No cume do Cerro Negro, pronto para a descida de prancha! (próximo à León, na Nicarágua)

No cume do Cerro Negro, pronto para a descida de prancha! (próximo à León, na Nicarágua)


Também pudera, a beleza cênica deste monte negro em meio à mata verde e florida é fantástica! Uma trilha de 40 minutos nos leva até o topo do vulcão, onde podemos observar as duas crateras e algumas fumaças saindo da sua cratera principal.

Observando a emissão de gases dentros da cratera do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Observando a emissão de gases dentros da cratera do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


A sua última erupção foi tão forte que desabou uma das laterais da cratera principal, facilitando o acesso dos turistas para a parte central da cratera. Muita fumaça e vapor quente saem de alguns pontos da cratera, o cheiro de enxofre é forte. No fundo, o Monstro de Pedra, cuja cabeça e mãos, parecem estar querendo presos, querendo se desenterrar da cratera.

Dentro da cratera do vulcão Cerro Negro, com a imagem do monstro enterrado, ao fundo (próximo à León, na Nicarágua)

Dentro da cratera do vulcão Cerro Negro, com a imagem do monstro enterrado, ao fundo (próximo à León, na Nicarágua)


Continuamos subindo até o topo, onde conseguimos ver do alto a segunda cratera e toda a cordilheira vulcânica do parque. As marcas de suas últimas erupções, a lava escorrida e os areais negros contrastando com o verde da mata vizinha. Uma paisagem sensacional!

Admirando a grandiosa paisagem do alto do Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Admirando a grandiosa paisagem do alto do Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.


Depois de conhecer e explorar, é chegada a hora da tão esperada descida radical nas tábuas. É um tipo de esqui, que pode ser feito como sandboarding (ou snowboarding), para os mais experientes, ou sentado para os iniciantes. Mesmo a segunda opção pode ser super radical, hoje um dos turistas chegou a 68km/h sentados na pranchinha! O record é de 89km/h e as turmas que vem com algumas operadoras turísticas tem prancha especial, mais rápida e um radar que mede a velocidade de cada um.

No cume do Cerro Negro, pronto para a descida de prancha! (próximo à León, na Nicarágua)

No cume do Cerro Negro, pronto para a descida de prancha! (próximo à León, na Nicarágua)


A inclinação da rampa de descida é de quase 45 graus! O que dá um certo medo quando estamos lá em cima. Eu comecei bem comedida, freando com os pés, até ter certeza que estava no controle da prancha e da situação. Aí é só relaxar e acelerar, a diversão é garantida!

1000dias no Cerro Negro próximo, à León, na Nicarágua.

1000dias no Cerro Negro próximo, à León, na Nicarágua.



DICAS
Para os mochileiros se faz necessário contratar uma agência de turismo. Quase todos os hostals oferecem o pacote com transporte, comida, cerveja e pranchas para a descida (em pé ou sentado) pela bagatela de 15 dólares. Outra opção é pagar um pouco mais (20 dólares) e incluir o passeio a uma laguna e a León Viejo, as ruínas da antiga cidade de León detonada pelo mega-terremoto causado pelo Vulcão Momotombo.

Nicarágua, León, Cerro Negro, vulcão

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Raso da Catarina

Brasil, Bahia, Paulo Afonso (Raso da Catarina)

O canyon do Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

O canyon do Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Ontem à noite saímos de Piranhas em direção a Paulo Afonso, na Bahia. Nosso objetivo, visitar o Raso da Catarina. Reserva natural em meio ao sertão e à caatinga baianos. Entrar no Raso não é fácil, depende de várias burocracias e principalmente de informações corretas e bons contatos. Primeiro entramos falamos com o Centro de Informações Turísticas, fomos muito bem atendidos, entretanto logo recebemos a notícia que custaria em torno de 800 reais para conseguirmos entrar. Como já estamos com um carro 4 x 4 este custo cairia uns 250 reais, ainda assim 650 reais é um valor muito alto para a entrada em uma reserva. Comentamos com os nossos amigos em Piranhas e eles confirmaram que provavelmente teríamos o custo do guia, além de 11 cestas básicas para as famílias indígenas que vivem na reserva, mas nos deram contatos de pessoas que conheciam bem o Raso e poderiam nos ajudar.

A Fiona nos leva através da caatinga para o Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

A Fiona nos leva através da caatinga para o Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Chegamos à noite e sem o nosso celular, portanto sem o contato direto do centro de informações turísticas. Conseguimos contatar o pessoal que nos foi indicado. Binho, presidente do Jeep Clube de Paulo Afonso foi o nosso canal de entrada, ele é uma das pessoas que mais conhece e freqüenta o Raso, ao lado de pesquisadores e alguns turistas, além da própria administração da reserva e da FUNAI. Ele não pôde nos acompanhar, mas nos indicou a pessoa certa para nos acompanhar.

Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Encontramos Naldo, guia local, na comunidade do Joá há 20km de Paulo Afonso. Naldo nos levou para conhecer a Baixa do Chico, local mais conhecido e visitado na região. A visita só pode ser realizada com a autorização de Lino, cacique da tribo residente da reserva. Naldo nos contou que antigamente as visitas eram liberadas e a cobrança de doações à tribo começou quando eles e a FUNAI perceberam que fotógrafos e jornalistas visitavam o Raso com fins lucrativos, aí acharam justo dividir este “lucro” com os “proprietários” da terra. Naldo é morador da região, os ajuda sempre em tudo o que precisam, transporte de alimentos, água, além de ser parente de alguns deles, por isso tem sua entrada permitida pelo Chefe Lino.

Com o Naldo, nosso guia no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Com o Naldo, nosso guia no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Afinal, o que é o Raso da Catarina? O Raso é uma área reserva biológica de aproximadamente 56 mil hectares de pura caatinga onde vivem hoje as 13 famílias da tribo Pancararé. A tribo está dividida em 3 aldeias dentro da área de reserva. Catarina teria sido proprietária depois de Chico e algumas fontes contam a lenda de que ela teria desaparecido neste vale procurando ervas medicinais para seu marido.

No topo de formação rochosa no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

No topo de formação rochosa no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Chico batizou a baixa, cânion seco ou área menos elevada, localizada dentro do raso. Tudo indica que ali um dia correu um grande rio que formou o atual cânion. Outra teoria diz que a paisagem pode ter sido resultante de uma falha geológica. Um imenso cânion seco, com formações areníticas belíssimas, o baixo possui em torno de 5km de comprimento e grande parte da extensão de seu leito é utilizado pelos índios para plantação de culturas como feijão de corda, melancia, milho, entre outras.

Caminhando no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Caminhando no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


O local também é marcado pela passagem do lendário Lampião. Uma toca sobre as rochas seria seu esconderijo, um local estratégico, pois do alto se tem uma boa visualização de todo o cânion. Seu Lino nos contou várias histórias de Lampião e Gato, seu cangaceiro mais perverso e atrevido, que teria desafiado Lampião para assumir o posto de capitão do bando. Tamanha foi sua coragem e destreza no embate com seu comandante que este acabou cedendo ao homem de corpo fechado, tal posto almejado. O pai de Lino, já falecido, foi volante federal, pois “era um homem de benfeitorias”, conclui.

Formações rochosas no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Formações rochosas no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Lino tem hoje 80 anos, impressionou o Brasil em reportagem no Fantástico onde dizia que estava há 3 anos sem tomar banho. Segundo Naldo o próprio Lino afirma já ter ficado 6 anos sem banho, “água enfraquece a pele”, defende. Há apenas 2 anos o FUNAI conseguiu realizar a perfuração do primeiro poço artesiano para a tribo que até então trazia água de trator de Joá três vezes por semana.

Formação rochosa no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Formação rochosa no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


As estradas de areia que existem hoje no parque foram construídas pela Petrobrás, quando fazia pesquisa para exploração de Petróleo. Hoje as casas possuem luz elétrica de geradores solares implementados na comunidade há pouco tempo, embora não seja suficiente para manter geladeiras ligadas, já foi um avanço. Se a FUNAI tem planos para desenvolver a reserva, dando mais infra-estrutura aos seus moradores, não sabemos, mas percebe-se que o local ainda é pouco desenvolvido para o turismo, que deve ser uma das últimas prioridades de sua administração. O que não é de todo ruim, assim garantimos que o boom turístico não acabará com o lugar, sua beleza e seu charme sertanejo. Só assim alguns lugares poderão ser conhecidos, vistos e sentidos como eles são.

Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

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