0 Blog da Ana - 1000 dias

Blog da Ana - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Ubersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jido)

lugares

tags

arqueologia cachoeira Caribe cidade histórica Estrada mar Mergulho Montanha parque nacional Praia Rio roteiro Trekking trilha

paises

Alaska Anguila Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Galápagos Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Venezuela

mais vistos

mais comentados

novos comentários

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: Peru Há 2 anos: Peru

De Ilha em Ilha

Brasil, Pará, Algodoal

Nascer-do-sol na viagem de volta da Ilha de Lençóis para Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Nascer-do-sol na viagem de volta da Ilha de Lençóis para Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Às quatro e meia da manhã todos deviam estar no barco, a maré estava começando a subir e vamos junto com ela até Apicum Açu. Demorou um pouco mais do que o previsto, pois com a maré baixa o barco ainda estava deitado sobre a areia. Enquanto as pessoas chegavam e iam se acomodando, íamos acompanhando a água subir na expectativa de quando ela conseguiria ser mais forte do que todo aquele peso que estava sobre ela. Eram famílias inteiras, avós, mães, bebês, jovens meninas a caminho de mais uma semana de aula em Apicum, já que aqui na ilha a escola vai até o ensino fundamental.

Barco lotado na viagem de volta da Ilha de Lençóis para Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Barco lotado na viagem de volta da Ilha de Lençóis para Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Conhecemos no barco também o pessoal do ICM Bio que faz a gestão da Reserva e discute algumas soluções junto da comunidade para que o principal objetivo da Reserva Natural Extrativista seja cumprido, manter a cultura e o modo de vida desta vila de pescadores. A discussão passa desde a definição se deve ou não haver o uso do som na comunidade, às vezes feito de forma exagerada, até a avaliação de como será a exploração turística na ilha. O turismo é sempre uma faca de dois gumes, ele pode ser uma boa fonte de renda para os ilhéus, mas pode também distanciá-los dos seus antigos costumes e atividades. A Reserva é recente, está em processo de estruturação, plano de manejo, etc. Assim o que está se desenhando para o seu desenvolvimento é o turismo de base comunitária, onde as pousadas devem ser apenas de nativos da ilha, em forma de pousadas familiares, como a Pousada do Hélio, onde ficamos.

Arco-íris na viagem de volta da Ilha de Lençóis para Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Arco-íris na viagem de volta da Ilha de Lençóis para Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


É muito bom encontrar ainda lugares como Lençóis, onde podemos aproveitar as coisas simples da vida da forma mais intensa e verdadeira possível, mas para isso ele tem que ser mantido assim, exatamente como está.

As nossas conhecidas casas de pescador, na viagem de volta da Ilha de Lençóis para Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

As nossas conhecidas casas de pescador, na viagem de volta da Ilha de Lençóis para Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Foram 4 horas no barco, acompanhando o nascer do sol e aproveitando cada minuto para se despedir desse lugar mágico. Passamos pelos ranchos de pescadores no meio da baia, ilhas, mangues e quando a realidade de Apicum Açu estava começando a bater na porta, os guarás deram o ar da graça, apenas para nos lembrar que eles existem sim!

Revoada de guarás-vermelhos em Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Revoada de guarás-vermelhos em Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Revoada de guarás-vermelhos em Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Revoada de guarás-vermelhos em Apicum Açu, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Fizemos uma longa viagem de carro durante o dia de hoje, em torno de 600km entre as Reentrâncias Maranhenses e a cidade de Marudá, no litoral do Pará. De um porto para outro, pois hoje estamos de ilha em ilha, de Lençóis para Algodoal.

Fronteira entre Maranhão e Pará. Estamos longe!

Fronteira entre Maranhão e Pará. Estamos longe!


Deu tudo muito certo, chegamos lá as 17h20 e descobrimos que a última barca sairia para Algodoal dali 10 minutos. Chegamos a tempo no trapiche e ainda tivemos tempo de tomar a nossa primeira Cerpa, já que tínhamos que esperar a maré subir para o barco sair. Conhecemos duas francesas, Elza e Marjorie, elas moram na Guiana Francesa, parece que as coisas estão confluindo para que a nossa entrada lá dê certo.

Pôr-do-sol em Marudá, na travessia de barco para Algodoal - PA

Pôr-do-sol em Marudá, na travessia de barco para Algodoal - PA


A travessia foi tranquila, mais uma vez o barco demorou a sair esperando a maré subir para tirá-lo do chão. Estamos começando a nos acostumar com o tempo das coisas por aqui, no final tudo se encaixa. Chegamos lá no início da noite e com a ajuda do Neguinho, paraense que mora em Algodoal há 25 anos, decidimos ficar na pousada Marhesias. Estávamos devidamente instalados e mortos de fome, pois passamos o dia na estrada e não almoçamos. Foi o peixinho delicioso da Dona Ilza e agora uma boa noite de sono para voltarmos às explorações, mas agora no Pará!

Maré seca entre Marudá e Algodoal - PA

Maré seca entre Marudá e Algodoal - PA

Brasil, Pará, Algodoal, Marudá

Veja todas as fotos do dia!

Não nos deixe falando sozinhos, comente!

Os 7 Povos das Missões

Brasil, Rio Grande Do Sul, São Miguel das Missões

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Os 7 Povos das Missões são algumas das ruínas mais antigas existentes no Brasil. Construídas por jesuítas enviados pela Coroa Espanhola para amansar os nativos, facilitando a entrada dos exploradores e colonizadores, além de arrebanhar novas ovelhas para a Igreja Católica.

Estátuas da antiga Missão no Museu em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Estátuas da antiga Missão no Museu em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Os jesuítas foram fortes e suportaram longos períodos em uma selva distante, sem suprimentos e com pouco (quase nenhum) suporte de seu rei, porém gozavam de autonomia religiosa, respondendo diretamente ao Papa. Muito cultos, letrados e astutos utilizaram a música como instrumento de aproximação e evangelização dos Guaranis, povo com uma musicalidade impressionante, segundo relatos dos evangelizadores.

A cruz dupla nos jardins da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

A cruz dupla nos jardins da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


O cenário também foi muito propício à redução dos indígenas em missões jesuíticas, pois tanto espanhóis, quanto portugueses avançavam selva adentro buscando matéria prima e escravos de pele vermelha. Os bandeirantes paulistas unidos aos eternos inimigos dos guaranis, os tupis, tinham ainda mais vantagem e eram os mais temidos. Assim, para alguns caciques, as reduções se tornaram lugares atraentes tanto pela segurança que proporcionavam às tribos, quanto por prepararem estes indígenas para o convívio com o homem branco.

Interior da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Interior da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


O processo de formação destas missões foi lento, os jesuítas conseguiram, pouco a pouco, convencer os caciques guaranis dos benefícios de estarem reunidos, trabalhando em grupo para a produção de alimentos, educação e ao mesmo tempo garantindo a segurança de toda a tribo que, convertida ao cristianismo, tinha privilégios que os outros nativos não tinham.

Caminhando pelas ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Caminhando pelas ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Fundada em 1632 pelo padre Cristóvão de Mendonça, a Missão de São Miguel Arcanjo logo foi abandonada, em decorrência dos ataques de bandeirantes. O padre e mais de 4 mil indígenas retornaram do Paraguai e retomaram a missão em 1687.

A imponente porta da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

A imponente porta da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


São Miguel Arcanjo chegou a abrigar mais de 4 mil indígenas e apenas dois padres jesuítas eram os responsáveis pela missão. A língua falada dentro das reduções era o guarani, aprendido pelos padres, repassado pelas famílias às crianças que pouco à pouco iam aprendendo também o espanhol. Os costumes guaranis foram sendo modificados paulatinamente, inclusive a poligamia, que era privilégio do cacique. Dentro das missões os caciques mantinham a sua posição de comando, sendo o responsável por sua tribo e fazendo parte de um conselho de caciques que decidia e organizava a missão junto dos dois jesuítas.

Turistas visitam a Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Turistas visitam a Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


As economia nas missões girava à base de trocas, algumas produzindo mais algodão, milho, mate e outros insumos agrícolas, enquanto outras tinham a criação de gado como principal atividade. Além das trocas entre as missões, algumas provisões eram compradas de mercadores que vinham de fora ou mesmo nas cidades mais próximas que já se formavam às margens dos principais rios da região. Ferro, vidros e outros bens que não eram encontrados por ali eram trocados pelos bens produzidos dentro das reduções. Além disso as missões eram isentas de pagar tributos à Coroa Espanhola por 10 anos.

Ruínas da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Ruínas da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Todo o trabalho na construção destas verdadeiras cidades foram perdidos quando foi assinado o Tratado de Madrid, onde Portugal e Espanha trocavam as terras a leste do Rio Uruguai pela região de Colônia de Sacramento. Ao menos 5 gerações de indígenas já viviam ali, mais de um século de história, vivência, aprendizados e evangelização, sendo vassalos exemplares da coroa espanhola e era assim que o Rei lhes correspondia?

Visita às ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Visita às ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Foi quando os guaranis decidiram defender o seu lar, território reduzido dos indígenas (daí o nome reduções) e que ainda assim teimavam em roubar-lhes. Uma guerra terrível e sangrenta entre os indígenas e os europeus, espanhóis aliados aos portugueses, exterminou e dispersou a população indígena. Nesta mesma época a perseguição aos jesuítas já havia expulsado os primeiros missionários das missões, desmantelando toda a estrutura que existia e facilitando a derrubada das mesmas.

Ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Abandonada depois da Guerra Guaranítica, hoje São Miguel é Patrimônio Mundial pela UNESCO, assim como suas vizinhas argentinas Santa Ana, San Ignácio Miní e Nossa Senhora de Loreto, que pretendemos visitar. Nossa visita à São Miguel foi em um final de tarde nublado, com um sol tímido tentando iluminar as paredes vermelhas da antiga igreja, oficinas e das poucas estruturas que restaram em pé.

Uma figueira cresce sobre as ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Uma figueira cresce sobre as ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


À noite ainda assisti ao Show de Luzes e Som, atividade desenvolvida para atender às obrigatoriedades e padrões dos Patrimônios da Humanidade pela Unesco. Luzes piscam e iluminam a catedral, as oficinas e as árvores, enquanto elas ganham voz e personalidade, contando a história da missão com uma entonação bem dramática e teatral. Já conhecendo outros espetáculos como este eu achei a concepção artística do show um pouco simplista, mas ainda assim bem instrutiva para os que conseguem acompanhar os diálogos entre uma ruína e outra.

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Dos nossos 7 Povos das Missões, São Miguel é o mais preservado e conta com o Museu das Missões, onde pudemos observar peças trabalhadas pelos escultores indígenas com a orientação dos jesuítas. A Rota das Missões conta ainda com mais 3 sítios arqueológicos, as ruínas de São João, São Lourenço e São Nicolau, além de 3 Santuários católicos modernos e o Salto Pirapó.

O mapa das Missões no território brasileiro

O mapa das Missões no território brasileiro


Nossa viagem continua, mas agora do outro lado do Rio Uruguai, onde iremos conhecer as famosas Missões Argentinas!

Brasil, Rio Grande Do Sul, São Miguel das Missões, arqueologia, história, Jesuítas, Missões

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

A Majestosa Palenque

México, Ocosingo, Palenque

Máscara maya no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Máscara maya no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Situada em meio à floresta das montanhas úmidas de Chiapas, Palenque é a perfeita cidade perdida para arqueólogos profissionais, amadores ou simples turistas como nós. Uma das principais cidades da civilização Maya no sul do México, calcula-se que Palenque tenha chegado a abrigar 15 mil habitantes. As cores predominantes nas construções eram o vermelho sangue, com detalhes em azul e amarelo. O primeiro agrupamento data de 100a.C e a cidade teve seu apogeu durante o reinado de Pakal, em 615 a 683d.C, seguindo até aproximadamente 900d.C, período em que todas as cidades Mayas foram abandonadas.

Mapa mostrando a região da civilização maya, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Mapa mostrando a região da civilização maya, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


A maior parte das construções abertas a visitação, agora restauradas, são um conjunto de monumentos funerários dos antigos governantes da cidade. O primeiro é tumba da caveira, assim apelidada pela caveira esculpida na base de uma coluna no alto das suas dezenas de degraus.

A caveira que dá nome ao Templo de La Calavera, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

A caveira que dá nome ao Templo de La Calavera, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Ao lado está o templo da tumba da Reina Roja, onde foram encontrados os restos mortais em tons avermelhados de uma mulher importante na sociedade. A coloração é resultado de um tratamento feito com cinnabar, ela estava coberta de jóias e uma máscara de malachita lindíssima que está em exposição no museu. Não se sabe ao certo se esta mulher seria esposa ou mãe de Pakal, o governante enterrado no edifício ao lado.

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


O Monumento das Inscrições é um dos mais importantes e famosos dos edifícios, já que aí foram encontradas diversas informações sobre a história de Palenque e a tumba de Pakal, impecavelmente preservada. Infelizmente está fechada à visitação, pois a umidade exalada pelos turistas acabava acelerando o processo de deterioração das pinturas no local. A máscara funerária de Pakal, de valor inestimável, foi roubada em 1985. Existe uma réplica da tumba no Museu Nacional na Cidade do México, é claro que vamos até lá conferir.

O famoso Templo das Inscrições, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

O famoso Templo das Inscrições, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


O mais impressionante dos edifícios abertos a visitação é o Palácio de Palenque, onde viviam a corte e por onde passaram diversos governantes. As diversas fases da construção marcam as mudanças na estrutura da corte, quantidade de pessoas que cercavam o Ajaw (imperador) e sua família. Além dos nobres da corte e da família real, no palácio viviam também artesãos e escribas reais, que tinham um papel importante no registro das atividades de cada governante.

As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México

As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México


No lixeiro do Palácio foram encontrados muitos indícios da vida palaciana, oferendas, objetos utilizados na cozinha e restos de alimentos que deram uma boa pista sobre a diversificada dieta dos nobres. A alimentação tinha como base o milho e o feijão, peixes, moluscos, aves (pavões, faisões e outros) e alguns animais como macacos, tatus e cachorros, que foram domesticados para este fim.

Visão geral das ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Visão geral das ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Além da área de vivenda, encontra-se também no palácio a sala de cerimônias onde eram passados os comandos entre governantes. O registro era feito em pedras esculpidas mostrando o antigo e o novo soberano, ladeados pelas divindades que regiam os seus mandatos, e um personagem central que comandava a cerimônia e passava o bastão do poder.

Placa maya com desenhos e hieroglifos, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Placa maya com desenhos e hieroglifos, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Outra sala curiosa é o Pátio dos Cautivos (prisioneiros), onde eram recebidas as visitas de outras cidades mayas. Este espaço estava decorado com as imagens de todos os governantes de outros povos que teriam sido capturados e mortos em rituais de sacrifício. Sem dúvida uma forma bem convincente de deixar claro quem mandava por ali.

Escultura maya num dos pátios do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México

Escultura maya num dos pátios do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México


Continuando o tour chegamos ao conjunto de edifícios datados de 692d.C, construídos pelo filho de Pakal, Kan B´alam II, que ascendeu ao poder em 684d.C. Os monumentos com fins religiosos são uma homenagem às divindades de Palenque. Batizamos de Templo del Sol, Templo de La Cruz Foliada e o Templo de las Cruz, que possuem registros da história de Kan B´alan II e uma das melhores vistas de todo o complexo.

Ruínas mayas do Grupo das Cruzes, em Palenque, Chiapas, no sul do México

Ruínas mayas do Grupo das Cruzes, em Palenque, Chiapas, no sul do México


O lugar é imenso, passamos ainda pela Acrópole Sul e Norte, com outra infinidade de edifícios, todos restaurados e um deles que chegou a servir de casa para o excêntrico Conde de Waldeck, que viveu sobre um dos templos na sua passagem pela região.

O templo do Conde em Palenque, Chiapas, no sul do México

O templo do Conde em Palenque, Chiapas, no sul do México


As principais peças cerimoniais encontradas nas tumbas e no palácio são incensários de cerâmica com um trabalho requintado em alto relevo com imagens de seus deuses que faziam a interlocução entre os mayas e o inframundo, ou o mundo espiritual. Figuras de serpentes, jaguares e morcegos representam seus deuses para diferentes esferas e níveis de cada integrante da comunidade.

Estátuas mayas no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Estátuas mayas no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Os antepassados tinham um importante significado, sempre sendo enterrados sob as casas onde vivia a família, junto com diferentes oferendas, que variavam de tamanho e valor conforme a condição da família. O povo pagava tributos aos governantes sacerdotes, que se exerciam o poder com base no conhecimento da astrologia, sendo os mais próximos representantes das divindades neste mundo material. O poder era mantido em uma mesma família e a linhagem real passada de pai para filho, aparentemente não excluía as filhas, já que foram encontrados registros de governantes do sexo feminino em Palenque.

Quem consegue entender essa escrita? (placa no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México)

Quem consegue entender essa escrita? (placa no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México)


Os glifos mayas foram decodificados em meados dos anos 80 e a partir deste códice os especialistas encontraram várias referencias de datas e nomes dos governantes, seus feitos e suas ligações com cada uma das divindades. Terminamos o recorrido passando pelos Baños de La Reina, uma cascata de águas transparentes que escorrem em formações rochosas belíssimas, travertinos e lindos poços de água, próximos a ruínas de casas menores conhecidas como Grupo de los Murciélagos (morcegos).

Os belíssimos e cristalinos Banhos da Rainha, em Palenque, Chiapas, no sul do México

Os belíssimos e cristalinos Banhos da Rainha, em Palenque, Chiapas, no sul do México


Alguns dizem que apenas 5% de todos os edifícios de Palenque foram escavados até agora. Guias locais oferecem caminhadas por trilhas na mata para encontrar ruínas ainda intocadas, que estão como estas foram encontradas pelos arqueólogos. Montes de terra e pedra, em formato piramidal, cobertas por vegetação e árvores frondosas. Além das ruínas, com sorte se vêem e escutam macacos, bugios gritadores, aves e outros pequenos animais. Nós não contratamos guia, mas demos uma escapadinha em uma área supostamente “proibida”, para dar uma olhada nas ruínas que estão sendo escavadas. Ali conseguimos ter uma ideia da emoção que deve ter um arqueólogo ao encontrar um lugar como este pela primeira vez... Fantástico!

Explorando ruínas mayas tomadas pela vegetação em Palenque, Chiapas, no sul do México

Explorando ruínas mayas tomadas pela vegetação em Palenque, Chiapas, no sul do México


Diferente do Rodrigo, eu sempre prefiro ter um guia nos acompanhando e contando a história e detalhes de sítios, acho que aproveitamos muito mais as visitas ao invés de apenas olhar as construções contando com a nossa imaginação e a escassa informação das placas informativas. Aqui, porém, não achei viável pagar 80 dólares por um guia, valor oferecido pela associação local. Talvez barganhando com guias independentes deva ser possível achar algo mais barato.

Ruínas mayas do Grupo das Cruzes, em Palenque, Chiapas, no sul do México

Ruínas mayas do Grupo das Cruzes, em Palenque, Chiapas, no sul do México


Terminamos o dia de caminhadas e escaladas por tantas escadarias com a impressão que de que não vimos nada e aprendemos menos ainda. Entramos buscando respostas e saímos de lá com ainda mais perguntas, tamanha a riqueza de histórias que estão gravadas em estas paredes e construções. Imaginamos toda a sociedade de Palenque em plena atividade e deixamos a imaginação voar, nos transportando por alguns segundos aos momentos de glória dessa civilização, hoje em ruínas.

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

México, Ocosingo, Palenque, arqueologia, Maia, maya, Ruínas

Veja todas as fotos do dia!

Não nos deixe falando sozinhos, comente!

Amigos!

Canadá, Toronto

Despedida do Alê, Dani e Lucas, na casa deles em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

Despedida do Alê, Dani e Lucas, na casa deles em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá


Duas coisas parecem incabíveis durante uma viagem como a nossa: reclamar e parar. Reclamar do que? Estamos realizando todos os nossos sonhos como nunca imaginamos que poderíamos fazer. Pois é galera, mas vocês já devem ter ouvido falar que viajar cansa. Manja aqueles viajantes que voltam das férias mais cansados do que saíram? Aí dizem, “cansados no corpo, mas renovados na mente”. É por aí, nós estamos vendo muita coisa nova, aprendendo sobre o mundo, culturas, natureza e pessoas. A mente está renovadíssima, até demais eu diria, quase em curto com tanta informação nova. O corpo... este já se acostumou com uma cama diferente a cada dia, mas anda cansado desta vida cigana que arranjamos para ele. Eis que em meio aos cansaços e reclamações surge a oportunidade ideal para fazermos um dos pecados capitais dos viajantes: parar.

O queridíssimo Lucas, filho da Dan e do Alê, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

O queridíssimo Lucas, filho da Dan e do Alê, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá


Sim, nós paramos. Por dois dias, nós paramos. Paramos de correr, dirigir, conhecer, viajar, paramos de nos cobrar em fazer tudo e conhecer tudo ao mesmo tempo agora. Paramos para dormir descentemente, comer saudavelmente e principalmente, paramos para curtir algo que sentimos muita falta, os amigos!

Recebidos pelo Alê e pela Dani com delicioso jantar em sua casa em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

Recebidos pelo Alê e pela Dani com delicioso jantar em sua casa em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá


Quando começamos a planejar esta viagem comentamos com o Alê e a Dani que iríamos nos encontrar na Costa Rica, país que os dois já moraram e onde nasceu o filho Lucas. Eles tinham acabado de voltar para o Brasil e nos deram várias dicas do país centro-americano da ondas, vulcões e praias paradisíacas. O que não imaginávamos, e nem eles, é que quando chegássemos ao Canadá iríamos encontrá-los morando aqui, em Toronto!

Os amigos que nos receberam tão bem em sua casa em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

Os amigos que nos receberam tão bem em sua casa em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá


O casal trabalha em uma multinacional, vivem viajando e têm oportunidades como esta, de serem transferidos para outros países. A Dani já viveu na Suíça, junto com o Alê na Costa Rica e há 6 meses eles foram transferidos para cá. Moram hoje em Markham, um subúrbio bacana nos arredores da metrópole.

Reencontro com o Alê, antigo amigo, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

Reencontro com o Alê, antigo amigo, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá


Passamos um final de semana maravilhoso na casa do casal que já conheço há quase 10 anos. 10 anos de muitas festas, churrascos, shows, viagens e histórias juntos. Chegamos na quinta-feira a noite e junto conosco chegou a chuva. Na sexta-feira aproveitamos o dia útil e fizemos o tínhamos que fazer: revisão dos 90 mil km da Fiona, cortamos os cabelos, lavamos roupas, etc.

Adeus, barba e cabelo, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

Adeus, barba e cabelo, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá


A noite, um jantar especial em uma pizzaria em Toronto e um passeio pela rua mais longa do mundo, a Young Street. 1.800 milhas de rua, que vira estrada e volta a ser rua atravessando toda a província de Ontário. Não sei qual foi o critério para definir que ela é uma rua e não uma estrada, mas a fama de rua mais longa do mundo está garantida anyway.

Assistindo à derrota brasileira na final olímpica, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

Assistindo à derrota brasileira na final olímpica, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá


A parada foi providencial, tempo chuvoso, olimpíadas e amigos reunidos, quer situação mais perfeita? O sábado foi de muitas emoções acompanhando os jogos brasileiros nas Olimpíadas. O Brasil perdeu no futebol masculino e levou a prata. As meninas do vôlei deram um show e levaram o ouro, o coraçãozinho brazuca aqui vibrou a cada ponto!

Alegria delas e nossa nas Olimpiadas (em Toronto, no Canadá)

Alegria delas e nossa nas Olimpiadas (em Toronto, no Canadá)


À tarde enquanto as meninas foram ao shopping, os meninos ainda assistiram a final do Boxe, onde o brasileiro levou prata. Final do dia com churrasquinho, cervejinha, lutas de espadas e um super encontro com o Homem Aranha! O Lucas está lindo e esperto demais! O time dele do Summer Camp ganhou no futebol, ele nos ensina a pronúncia das palavras em inglês, dá as dicas sobre o ipad e é ligeiro demais na espada! Amigos, obrigada por tudo, foi demais reencontrar vocês!!!

O Lucas na sua roupa predileta, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

O Lucas na sua roupa predileta, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá


Reencontro de amigas na casa da Dani, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

Reencontro de amigas na casa da Dani, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá


Amanhã o dia será de explorações em Toronto e tristes despedidas dos amigos. Que seja só um até logo, esperaremos vocês na nossa casa de rodas lá na Costa Oeste! Vancouver, Califórnia ou onde vocês escolherem, estaremos esperando com a Fiona de portas abertas!

O queridíssimo Lucas, filho da Dan e do Alê, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

O queridíssimo Lucas, filho da Dan e do Alê, em Markham, subúrbio de Toronto, no Canadá

Canadá, Toronto, Amigos, Markham, Olimpíadas

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Casco Viejo

Panamá, Cidade do Panamá

Ruínas de antiga igreja no Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país

Ruínas de antiga igreja no Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país


Dia de explorar o centro histórico da Cidade do Panamá, a cidade colonial construída pelos espanhóis três anos após a destruição total da primeira vila fundada pelos espanhóis em 1519. O primeiro vilarejo, conhecido hoje como Panamá Viejo, foi destruído pelo pirata Sir Henry Morgan em 1671. A visita às suas ruínas ficou no nosso roteiro para a volta.

Catedral no Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país

Catedral no Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país


Casco Viejo, um dia um bairro esquecido pela população e pelo governo, começou a ser revitalizado quando notaram o seu potencial turístico. Também conhecida como San Felipe ou Casco Antiguo possui diversos hostals e restaurantes para diferentes gostos e bolsos.

Roupas dependuradas nas sacadas para secar, cena típica do Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país

Roupas dependuradas nas sacadas para secar, cena típica do Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país


Encontramos nossos amigos Ben, Alex, Andy, Marc e Johan no Luna´s Castle, hostal mais famoso dentre os mochileiros e almoçamos no famoso Café Coca Cola. Comida típica panamenha, belos pratos de arroz, feijão, batata frita e a carne da sua preferência por menos de 5 dólares. Agora sim, nossa despedida dos amigos aussies, já que eles seguem viagem para a praia de Santa Catalina.

Com o Johan, Marc, Alex, Andy e Ben (os companheiros de veleiro) no Casco Viejo da Cidade do Panamá

Com o Johan, Marc, Alex, Andy e Ben (os companheiros de veleiro) no Casco Viejo da Cidade do Panamá


Andy seguiu conosco no tour pelo Casco Viejo, Plaza de La Independencia, Iglesia San José e San Francisco. Feriado da Independência do Panamá, quase todo o comercio estava fechado e as ruas estavam tranquilas para uma caminhada despretensiosa.

Com o alemão Andy em frente à catedral do Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país

Com o alemão Andy em frente à catedral do Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país


A Plaza de Francia possui uma linda vista para a baía e o skyline da moderna área do El Cangrejo , o centro financeiro e comercial, desenhado por modernos edifícios na parte moderna da metrópole. Turistas, hippies e kunas interagiam na venda de artesanatos, enquanto um cantante panamenho animava a tarde no Paseo Las Bovedas.

O centro financeiro visto do Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país

O centro financeiro visto do Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país


Artesanato Kuna vendido no Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país

Artesanato Kuna vendido no Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país


O passeio terminou com uma chuva refrescante e uma breve despedida do Andreas, que termina sua volta ao mundo passando o réveillon em Nova Iorque!

Pose para fotos no Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país

Pose para fotos no Casco Viejo da Cidade do Panamá, capital do país


- Táxi! Vamos para Marina La Playita!

Panamá, Cidade do Panamá, Casco Antiguo, Casco Viejo, Ciudad de Panamá, Panamá City

Veja todas as fotos do dia!

Faz um bem danado receber seus comentários!

Tajumulco, o topo da Centroamerica!

Guatemala, Quetzaltenango

Admirando a paisagem montanhosa na subida ao cume do Tajumulco, na Guatemala

Admirando a paisagem montanhosa na subida ao cume do Tajumulco, na Guatemala


A maior montanha da América Central está localizada há 2 horas de carro de Xela, há uns 20km em linha reta da fronteira entre o México e a Guatemala. Uma região montanhosa belíssima, cortada por uma estrada asfaltada, curva e desgraçada, pois é cheia de “túmulos”, aquelas lombadinhas mal feitas e sofridas até para a Fiona.

O vulcão Tajumulco, ponto mais alto da América central, na Guatemala

O vulcão Tajumulco, ponto mais alto da América central, na Guatemala


Saímos dos pouco mais de 2.300m de Xela, subimos e descemos morros até chegar aos 3.000m, já próximos à cidade de San Marcos. Vimos do alto as luzes da cidade, ainda de noite. As nuvens estavam baixas e o clima bem frio, nada animador para a subida de uma montanha. Os vilarejos indígenas aos poucos começavam a acordar, enquanto conversávamos com Carlos sobre temas como o universo, o céu e suas maravilhas. “Já estamos no céu, a terra está no céu!”, disse o Carlos a um padre ou pastor, emendando, “vocês não acham impressionante isso? Olha o tamanho da terra e ela flutua!”. Eu também sempre achei impressionante! Rs! Pensamentos tão simples e tão sábios. Com a mesma sabedoria, ele nos acalmava em relação às nuvens e dizia para não nos preocuparmos, pois logo estaremos acima delas.

O vulcão Tacaná, na fronteira de Guatemala e México, visto do vulcão Tajumulco, ponto mais alto da Guatemala

O vulcão Tacaná, na fronteira de Guatemala e México, visto do vulcão Tajumulco, ponto mais alto da Guatemala


Baixamos e cruzamos os 3.000m novamente, finalmente acima das nuvens com um belo céu azul e um sol maravilhoso! Chegamos aos pés da montanha, aos 3.300m, tomamos nosso café da manhã gentilmente embalado pela Lucia, na pousada e começamos a caminhar. O dia estava perfeito, céu azul, sol quente, pouco vento. A caminhada foi super agradável e o bom papo de Carlos fizeram o tempo passar tranquilamente. No caminho escutamos um coiote próximo a nós, dando um uivado de bom dia.

Subindo o Tajumulco com o nosso ótimo guia, o Carlos (na Guatemala)

Subindo o Tajumulco com o nosso ótimo guia, o Carlos (na Guatemala)


Esta belíssima região montanhosa tem como uma das principais atividades agrícolas e econômicas a plantação de papoula e de maconha. Cada território é bem delimitado, pois por ano um campesino chega a receber em torno de 120 mil quetzales do chefe narcotraficante, o equivalente a uns 2.300 reais por mês. O “Seu Campesino” não está fazendo nada de mal, só o que ele sabe fazer, plantar. Que outra atividade poderia dar-lhe um salário desses? Acaba que para defender o seu ganha-pão os tiozinhos campesinos se armam e defendem os seus chefes da polícia. Gente simples tentando sobreviver, tudo muito compreensível. Afinal, é isso ou plantar para uma subsistência triste nos campos montanhosos distantes e esquecidos no norte do país. Parece que já andaram tentando semear folha de coca por aqui também, sementes importadas da Colômbia, alta qualidade, mas pelo jeito a planta não gostou da terra. Olhávamos do alto a linda paisagem e Carlos apontava, “para lá é tudo plantação”. Até no alto do vulcão eu vi alguns cercados, que segundo ele, delimitam áreas dos campesinos, deixando claro o que é de cada um ali.

O belo visual durante a subida do vulcão Tajumulco, região de Quetzaltenango, na Guatemala

O belo visual durante a subida do vulcão Tajumulco, região de Quetzaltenango, na Guatemala


A trilha é lindíssima! Desde o ponto onde iniciamos até o topo temos vistas maravilhosas para todos os lados, bosques naturais de pinos, alternando trechos planos e subidas, enquanto vamos nos aclimatando e acostumando com a altitude. O nosso corpo que já esteve super aclimatado durante a passagem pelo Atacama, Bolívia e Perú, agora já sente a falta de oxigênio.

Cumprimentando o nosso guia Carlos no ponto mais alto da América Central, o cume do vulcão Tajumulco, a mais de 4.200 metros de altitude, na Guatemala

Cumprimentando o nosso guia Carlos no ponto mais alto da América Central, o cume do vulcão Tajumulco, a mais de 4.200 metros de altitude, na Guatemala


O último trecho é um pouco mais inclinado, subimos alguns degraus de pedra até chegar a um trecho de areias e finalmente no topo da América Central a 4.222m de altitude! Do alto podemos ver o Vulcão Santa Maria, e o Tacaná, já na fronteira com o México.

Com o nosso guia Carlos no ponto mais alto da América Central, o cume do vulcão Tajumulco, a mais de 4.200 metros de altitude, na Guatemala

Com o nosso guia Carlos no ponto mais alto da América Central, o cume do vulcão Tajumulco, a mais de 4.200 metros de altitude, na Guatemala


Lá estavam também uma família maia em um ritual de agradecimentos, soltando rojões, acendendo velas e incensos e fazendo suas preces para o ano que se inicia, além de um grupo de 3 jovens locais que subiam pela primeira vez. Também gravamos uma entrevista do Soy loco por ti América com um depoimento ótimo do Carlos, falando da sua paixão pelas montanhas e pela natureza, lindo!

Entrevistando o nosso guia Carlos no ponto mais alto da América Central, o cume do vulcão Tajumulco, a mais de 4.200 metros de altitude, na Guatemala

Entrevistando o nosso guia Carlos no ponto mais alto da América Central, o cume do vulcão Tajumulco, a mais de 4.200 metros de altitude, na Guatemala


Contornamos a cratera do vulcão e descemos até o meio da “caldeira”, onde o povo costuma escrever seus nomes com pedras, registrando sua passagem por ali. Descemos por um caminho diferente, passando ao lado do Monte Esperança e pelo novo local de acampamento, infelizmente emporcalhado pelos locais que vieram passar as festas de natal e ano novo na montanha. O Carlos começou uma limpeza, nós o ajudamos com o que pudemos, mas só um mutirão gigante poderá limpar completamente a trilha.

Caminhando na crista do vulcão Tajumulco, a mais de 4.200 metros de altitude, na Guatemala

Caminhando na crista do vulcão Tajumulco, a mais de 4.200 metros de altitude, na Guatemala


O antigo refúgio foi destruído por uma tormenta que passou por aqui em 2005 e destruiu muitas plantações e casas. Em um dia como hoje ficaria difícil imaginar essa montanha em um dia de tormentas, mas o final da caminhada nos premiou com uma mudança radical no clima, as nuvens que estavam abaixo de nós subiram e tomaram conta da montanha. As vistas maravilhosas ficaram na memória e na máquina fotográfica e as 14h da tarde parecia que o sol já estava se pondo.

Neblina na descida do vulcão Tajumulco, na Guatemala. Cadê o caminho?

Neblina na descida do vulcão Tajumulco, na Guatemala. Cadê o caminho?


Dois turistas doidos começavam a subida sem um guia e sem idéia do que encontrariam pela frente. Além de ficar difícil enxergar a trilha quando as nuvens baixam, a montanha tem mais de uma opção de trilha, “e vai chover”, completou Carlos. É, será uma noite de bastante aventura para esses dois.

Descendo do cume do Tajumulco, na Guatemala

Descendo do cume do Tajumulco, na Guatemala


Nós retornamos à cidade, entre túmulos e curvas e uma mega dor de cabeça que me fez lembrar do Rafael no episódio do Cotopaxi, dor de cabeça infernal! É um dos efeitos colaterais da falta de oxigênio no mal da altitude, ou sorotchi. Uma neosaldina, um bom banho e um jantar no restaurante francês da cidade e já estávamos prontos para outra!

Início da caminhada ao cume do vulcão Tajumulco, ponto mais alto da Guatemala e de toda a América Central

Início da caminhada ao cume do vulcão Tajumulco, ponto mais alto da Guatemala e de toda a América Central

Guatemala, Quetzaltenango, América Central, Centroamerica, Montanha, Trekking, vulcão, Xela

Veja mais posts sobre América Central

Veja todas as fotos do dia!

Quer saber mais? Clique aqui e pergunte!

Pé na estrada!

Brasil, Bahia, Mangue Seco, Sergipe, Pontal

Cruzando pequena cidade no interior da Bahia

Cruzando pequena cidade no interior da Bahia


Dia de botar o pé na estrada, ou melhor, pé na areia, depois no barco e depois na Fiona para pegar estrada. Embora cansativos, gosto muito destes dias de road trip, principalmente em uma viagem em que o mar vira sertão!

Mapa da nossa viagem entre Mangue Seco e Lençóis (BA)

Mapa da nossa viagem entre Mangue Seco e Lençóis (BA)


A viagem de Mangue Seco até Lençóis é sensacional, para os que curtem uma estrada. São mais de 500km entre mar, rio, coqueiros, pequenos povoados, caatinga, cactos e, de repente, não mais que de repente: Chapada Diamantina!

Primeira visão da Chapada Diamantina, em Lençóis - BA

Primeira visão da Chapada Diamantina, em Lençóis - BA


A paisagem foi mudando e junto com ela a minha alma foi se adaptando, tantos dias de litoral, mar, praia e mergulhos, que agora tenho que virar o botão e ativar o modo montanhas, caminhadas, cachoeiras e trilhas.

Os cactus aparecem com frequência na vegetação de caatinga (Bahia)

Os cactus aparecem com frequência na vegetação de caatinga (Bahia)


Minha expectativa foi crescendo a cada quilômetro rodado. Estive na Chapada Diamantina há 10 anos, será que lembro? Será que está igual? Bem, a pracinha central, com as tapiocarias e mesinhas na calçada sim!

Casario da principal praça de Lençóis (BA)

Casario da principal praça de Lençóis (BA)


Ainda chegamos à tempo de dar uma volta na cidade, nos localizarmos e escolhermos um restaurante para a refeição do dia. Escolhemos o Maria Bonita, restaurante italiano que homenageia a mulher forte do sertão, esposa do cangaceiro Lampião.

Balcão de bar em Lençóis - BA

Balcão de bar em Lençóis - BA


Jantarzinho delicioso, ambiente agradabilíssimo. Até aproveitamos esse clima de serra mais ameno (24°C + ou - ), para tomar um vinhozinho e ver a vida de Lençóis passar.

Rua em Lençóis - BA

Rua em Lençóis - BA


Depois uma roda de capoeira para alegrar a alma e uma caminhadinha às margens do rio até a nossa pousada. Bom início de temporada na Chapada. Amanhã começa a nossa Chapada Diamantina Adventure, 10 dias explorando os rincões da chapada!

Ilumnação noturna em Lençóis - BA

Ilumnação noturna em Lençóis - BA

Brasil, Bahia, Mangue Seco, Sergipe, Pontal, cidade histórica

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

West Maui

Hawaii, Maui-Lahaina

Chegando à Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

Chegando à Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Dia de conhecer o lado oeste da ilha. A urbanização de Maui começou por esta península, região conhecida como West Maui. Vista do alto e sabendo do movimento de descenção e erosão das ilhas, logo percebe-se que West Maui será a próxima ilha a se separar da ilha principal, assim como Molokai e Lanai já se separaram.


Exibir mapa ampliado

É lá que estão alguns dos hotéis mais bacanas, como o Ritz-Carlton e vários resorts tradicionais e mais antigos. É lá também que estão algumas das praias mais bonitas da ilha, dentro da propriedade destes hotéis. Nenhuma delas, porém, é privativa e para acessá-las temos que entrar na área do hotel.

O belo mar de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

O belo mar de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Saímos de Kihei em direção a Lahaina, a cidade histórica e mais charmosa da ilha. Ao longo da Honoapiilani Hwy vamos margeando belas praias e alguns parques estaduais como o Papalaua e o Ukumehame, super convidativos para um mergulho, ainda mais com o longo engarrafamento que encontramos no caminho. Mas o objetivo era chegarmos logo à Kapalua, aproveitarmos a praia e ainda dar a volta em toda a península, portanto acabamos nem parando em Lahaina, ainda tínhamos um longo caminho pela frente. Mas se você conseguir começar cedo o dia, dá tempo de parar e conhecer.

A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí

A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí


Chegando à Kapalua Bay conseguimos com algum custo um lugar para estacionar e saímos para uma caminhada. Cruzamos a primeira praia do resort e pela trilha interna passamos pela Namalu Bay e uma área de rochedos com vistas lindas para o mar. Seguimos pela mesma trilha até chegar à Oneloa Bay, a maior praia de Kapalua dentro da propriedade do Ritz-Carlton e em frente a um campo de golfe. O mar estava tranquilo e com jeitinho conseguimos passar as primeiras ondas para uma longa nadada e snorkel, antes de seguirmos estrada.

A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


A próxima parada foi na Honolua Bay, lugar onde, nesta época do ano normalmente só encontraríamos surfistas, mas sem vento algum, o lugar estava cheio de snorkelers e veranistas. Honokohay Bay já estava mais agitada, vimos alguns bravos surfistas tentando pegar umas ondas contra os imensos paredões de pedra.

Mar tranquilo em Honolua Bay, em West Maui, no Havaí

Mar tranquilo em Honolua Bay, em West Maui, no Havaí


Surfistas em ação em baía de West Maui, no Havaí

Surfistas em ação em baía de West Maui, no Havaí


Ah! Detalhe, nós achamos que encontraríamos algum restaurante no caminho, ledo engano, depois de Kapalua não encontramos nenhum e o que nos salvou foi o bolo de banana (Banana Bread) quentinho que encontramos na barraquinha de um louco no caminho.

Barraca de beira de estada vendendo delicioso bolo de banana, muito comum emt Maui, no Havaí

Barraca de beira de estada vendendo delicioso bolo de banana, muito comum emt Maui, no Havaí


A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí

A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí


Seguimos pela Kahekili Road parando nos mirantes da desenhada costa e conhecendo um pouco do lado rural da ilha. Pequenos sítios produtores de banana e taro (inhame), criação de gado e logo chegamos à pequena vila de Poelua.

Passeando com nosso jipe em West Maui, no Havaí

Passeando com nosso jipe em West Maui, no Havaí


Lá, ainda com fome, fomos seguindo as placas que nos diziam “Julia´s - The Best Banana Bread in the planet!” A Julia estava lá e o tal bolo de banana era mesmo um dos melhores do planeta! Compramos dois e um deles já foi sendo devorado no caminho. Foram no total 110km de paisagens maravilhosas e muito bolo de banana! Rs!

Parando em tradicional banca de estrada na isolada costa noroeste de Maui, no Havaí

Parando em tradicional banca de estrada na isolada costa noroeste de Maui, no Havaí


Chegando a Kahului ainda tivemos tempo para ir à Kihei para depois voltarmos para o aeroporto. Hoje recebemos os nossos amigos Rafael e Laura, que vieram direto do Brasil para nos acompanhar nos próximos 12 dias de viagem! Aloha Laura e Rafael!

Reencontro com a Laura, no aeroporto de Kahului, em Maui, no Havaí

Reencontro com a Laura, no aeroporto de Kahului, em Maui, no Havaí



Expressões e Palavras Havaianas

Olha só o nome de rua em Kahului, em Maui, no Havaí

Olha só o nome de rua em Kahului, em Maui, no Havaí


A cada dia de viagem vamos nos sentindo mais íntimos do Hawaii. Uma coisa que é muito bacana por aqui é encontrar uma cultura tão forte e viva no dia-a-dia da ilha. Embora todo o estado americano e seus habitantes falem inglês, nós convivemos diariamente com algumas expressões da língua dos seus primeiros habitantes e eu resolvi colocar algumas delas aqui para vocês.

A primeira e principal delas é o Aloha! Esta é uma das expressões havaianas mais famosas e que mais transmite a energia do povo havaiano. Aloha é utilizada em vários momentos, como quando você chega em um lugar (Bem vindo! Oi!) ou quando você está indo embora. Mas eu estava curiosa com o significado da palavra e um dos nossos novos amigos, antigo morador da ilha, nos ensinou que ela significa “A breath of life” ou algo como “Um sopro de vida”, então quando alguém te diz “aloha” ela está não apenas te desejando, mas te transmitindo a sua energia vital. Muito Lindo!

Abaixo segue uma listinha rápida com algumas das palavras que você pode ouvir durante a viagem pelo Hawaii.

• Mahalo nui loa - Muito obrigado!
• 'Olu'olu' ou 'ho'olu'* - por favor
• Ohana - Família, a base da cultura havaiana.
• Kamaaina - pessoa que vive no Hawaii, um local.
• Kane - homem, comum nas placas dos banheiros ;-)
• Wahine - mulher, idem acima.
• Ono - muito bom. Vários restaurantes tem “Ono” no nome ou no slogan, me parece um bom sinal! Rs!
• Taro - Inhame, base do cardápio havaiano, presente em vários pratos e receitas típicas.
• Ahi - Atum, peixe muito comum na ilha e em todos os cardápios.
• Lilikoi - maracujá. Além de suco natural e sorvete, eles fazem molhos e uma manteiga ótima!
• Lei - colar, o famoso colar havaiano, que pode ser de flores, sementes ou folhas, cada lei é feito para uma ocasião específica e especial.
• Luau - festa havaiana. Achei curioso (sempre pensei que vinha de lua! Rsrsrs!) e descobri que na realidade a origem da palavra luau seria de uma comida típica havaiana que mistura inhame verde, leite de coco, polvo e/ou frango.
• Haloe - estrangeiro. Ou “Haule” como falamos, virou gíria comum no meio do surfe para o cara que surfa mal. Dá para desconfiar o porque, né?
• Hula - vermelho, também é o nome da dança tradicional havaiana. Quando eles querem dizer que é algo “muito” e intensificar a palavra eles a repetem: Hula Hula, por exemplo, uma semente havaiana "muito vermelha".
• Mauna - montanha
• Mauna Loa - grande montanha
• Mauna Kea - montanha branca
• Moana - mar
• Oluolu* - felicidade
• Aloha Au Ia 'Oe* - Eu te amo
• Ko`u Aloha* - Meu amor

* Fonte

Hawaii, Maui-Lahaina, Havaí, Kapalua Bay, Lahaina, Maui, Vocabulario Havaiano, West Maui

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Maratona Serra do Cipó III

Brasil, Minas Gerais, Serra do Cipó (P.N da Serra do Cipó)

Vale no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Vale no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Amanhece o dia na nossa próxima cidade base, Serra do Cipó, que fica a apenas 100km de Belo Horizonte no Distrito de Santana do Riacho. Hoje nossa programação era intensa, tivemos que sair logo cedo para não voltarmos no escuro. Segundo o nosso amigo e consultor Gustavo este é o dia mais pesado da nossa Maratona. Um trekking de 20km que desce do Alto Palácio, na parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó, até a portaria do meio, passando por um cânion e diversas cachoeiras.

Com o Pretinho, nosso guia, cruzando a parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Com o Pretinho, nosso guia, cruzando a parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


As 8h, Daniel, o nosso guia da região chega à Pousada Vila das Pedras onde estamos hospedados. Como é uma pequena travessia, o Rodrigo sai com a Fiona para deixá-la no nosso ponto de chegada e o Thiago, diretor da Pousada, o seguiu de moto para trazê-lo de volta. Vamos Alto Palácio, região onde antes ficavam as fazendas do Sr. Palácio, daí o nome. Chegamos lá com o ônibus que faz a linha Belo Horizonte – Serro, por apenas R$3,75 por pessoa, ótima saída para não precisar pagar um transfer especial, que custaria pelo menos R$60,00.

Sagui em plena cidade da Serra do Cipó - MG

Sagui em plena cidade da Serra do Cipó - MG


Daniel, também conhecido como Pretinho, já foi Chefe dos Brigadistas do Parque Nacional, além de brincar desde criança na região onde ficava a casa de seu avô. Ele conhece cada pedacinho do parque e disse que levaríamos o dia todo para conseguirmos chegar à portaria. Eu estava preocupada, pois a caminhada era composta principalmente por decidas em pedras soltas, o que iria exigir muito dos meus joelhos. Já me preparei com um antiinflamatório poderoso receitado pelo ortopedista para casos como este e me sentia nova em folha, faltava apenas colocar em prova.

Caminhando no leito do rio, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Caminhando no leito do rio, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Começamos a caminhada, tranquilos, como uma vista maravilhosa de toda a Serra do Cipó. De lá conseguimos avistar parte do caminho da famosa Travessia Lapinha – Tabuleiro, que já ficou no nosso “to do list” pós-1000dias. Quando menos esperamos já chegamos a algumas pinturas rupestres vizinhas da primeira cachoeira, Congonhas de Cima, também conhecida pelos mais antigos como Cachoeira dos Guedes, sobrenome da Família do Pretinho. O Rodrigo não agüentou e se rendeu às suas águas esverdeadas. Eu e o Pretinho dessa vez ficamos só olhando, além de muito gelada ainda teremos outros pontos de banho no caminho.

Cachoeira Congonhas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Cachoeira Congonhas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Andamos mais um pouquinho e logo avistamos a Cachoeira de Congonhas de Baixo, outra maravilha, com seu poço ainda mais bonito! Mas nosso guia ainda continuou afirmando que o melhor está por vir. Lá de longe já conseguimos avistar a cachoeira das Andorinhas e uma linda cena do encontro de dois vales.

Cachoeira Andorinhas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Cachoeira Andorinhas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Descemos o cânion e finalmente chega a maldita pirambeira de pedras soltas e roladas, daquelas que qualquer descuido fará chegarmos ao chão e fazer um “skybunda” de pelo menos uns 10 metros. O antiinflamatório funcionou muito bem, me senti muito mais segura para descer sem as dores terríveis que venho sentindo. As botas que me criaram as mega bolhas na Pedra da Mina também, estão cada vez mais macias e eu cada vez mais acostumada com o passo dentro delas.

Orquídeas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Orquídeas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Chegamos à Cachoeira do Gavião às 13h, com tempo suficiente para recarregar as energias e dar um belo mergulho. A água está muuuuuito fria, daquelas de doer a nuca! Estamos aqui para que afinal?

Cachoeira do Gavião, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Cachoeira do Gavião, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Um belo mergulho, alongamento e pé na trilha para conhecermos a Cachoeira das Andorinhas, mas como estamos adiantados no nosso cronograma vamos incluir a parte alta das Andorinhas, um dos lugares mais mágicos deste roteiro.

Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


Vista maravilhosa do vale, belo poço para nadar e uma tranqüilidade impagável, com direito até a assistir uma escalada free stile - escalada sem equipamento de segurança - do Pretinho no paredão desta cachoeira. Tem doido pra tudo mesmo!

Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG


O final do dia se aproximava e tínhamos que caminhar. Foram quase 2 horas de caminhada até a portaria do meio. Caminhada fácil, totalmente plana, mas acelerada. Nos metros finais pegamos um belíssimo pôr do sol dentre as palmeiras de macaúba, comuns na região. Para finalizarmos o nosso terceiro dia da Maratona do Cipó falta ainda chegarmos até a Lapinha, 50km de estrada de terra para o norte de Serra do Cipó, ainda dentro do município de Santana do Riacho. Amanhã será o último dia e já estou sentindo saudades! Este lugar é mesmo especial.

Bosque de Macaúbas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Bosque de Macaúbas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG

Brasil, Minas Gerais, Serra do Cipó (P.N da Serra do Cipó), cachoeira, Parque Nacional Serra do Cipó

Veja todas as fotos do dia!

Quer saber mais? Clique aqui e pergunte!

Arembepe e Carnaval!

Brasil, Bahia, Salvador, Arembepe

Caminhando para a Vila Hippie em Arembepe - BA

Caminhando para a Vila Hippie em Arembepe - BA


Arembepe, localizada no litoral norte baiano, é uma praia cercada por arrecifes que formam uma paisagem especial, junto ao mar verde e quente tão peculiar à região. A cidadezinha guarda também um dos únicos remansos hippies que permanece até hoje com as características originais do movimento. Casas de taipa e sítios à beira mar e à beira do rio, a Vila Hippie de Arembepe possui um restaurante e um centro de cultura hippie para os visitantes, com muitos artesanatos desenvolvidos pela comunidade. Um lugar que ficou parado no tempo, onde aquela vida idílica ainda parece possível.

Choupana na Vila Hippie em Arembepe - BA

Choupana na Vila Hippie em Arembepe - BA


A vila hippie é vizinha de uma base do Projeto TAMAR, já que a praia foi escolhida pelas tartarugas como ponto de desova e reprodução. Agora estamos na época de desova, contamos pelo menos uns 20 ninhos sinalizados pelo Tamar para proteção e pesquisa.

Ponto de desova de Tartarugas em Arembepe - BA

Ponto de desova de Tartarugas em Arembepe - BA


A vila de pescadores de Arembepe já possui uma vida mais movimentada, fica 1 km antes de chegar ao Tamar e oferece restaurantes deliciosos de frutos do mar, dentre eles o Mar Aberto, considerado por muitos o melhor restaurante de frutos do mar de Salvador.

Piscina natural em Arembepe - BA

Piscina natural em Arembepe - BA


Saímos cedo de Salvador, passamos pela praia de Itapoã e seguimos direto para Arembepe, conhecendo também um outro lado da cidade de Salvador, que não pára de crescer. Chegamos na hora do almoço, hora certa para provar o delicioso Bobó de Camarão do Mar Aberto. Em poucos minutos o restaurante estava lotado de pessoas, principalmente executivos das indústrias próximas que levam seus parceiros e clientes para impressionar e melhorar as relações comerciais à base da bela culinária baiana e algumas caipirinhas à beira mar.

Maravilhoso Bobó de Camarão no restaurante Mar Aberto, em Arembepe - BA

Maravilhoso Bobó de Camarão no restaurante Mar Aberto, em Arembepe - BA


Uma caminhada até a vila hippie, que até então tínhamos a informação que seria há 3km da vila de pescadores. Eu estava preguiçosa que só, depois de um bobó de camarão daqueles, mas Rodrigo me convenceu a caminhar para fazer a digestão, e eu pensei, ok, são só uns 6 km. Nós caminhamos, caminhamos, caminhamos e caminhamos mais um pouco pela praia, na areia fofa e praia inclinada, deliciosa para andar. Passamos pelo Projeto Tamar e Rodrigo não quis entrar, já que iremos até a Praia do Forte. Passamos também por umas casas de taipa, sinalizei ao Rodrigo que deveria ser a vila hippie, mas ele que supostamente já conhecia disse que não era lá. Acreditei e seguimos andando até encontrarmos um grupo de pessoas que nos sinalizou que a vila seria ainda mais a frente, próximo a um trapiche. Eu já não agüentava mais andar, quando chegamos lá e descobrimos que estávamos em Emissário, há 6km da vila de Arembepe! Eu queria matar o Rodrigo, teimoso, que não acreditou em mim! Andamos 12km para chegar a um lugar que estava a apenas 1km! Ok, caminhar faz bem, é só o que quero pensar...

Explorando a Vila Hippe em Arembepe - BA

Explorando a Vila Hippe em Arembepe - BA


Chegando à vila tivemos o privilégio de ver uma roda de capoeira com batismos de vários alunos, cada um recebendo seu cordão azul e amarelo. O professor era exigente, para entregar o cordão ele derrubou umas 2 meninas acelerando o passo, sem esquivar as duas levaram um belo pé na orelha, literalmente! Mas logo depois levantaram e estavam lá na roda, jogando novamente. Bravíssimas!

Roda de Capoeira em Arembepe - BA

Roda de Capoeira em Arembepe - BA


Acabamos chegando a Salvador mais tarde do que planejamos e não conseguimos ver o final da tarde em Itapoã e nem comer o acarajé dito o melhor da cidade. Corremos para casa tomar banho para encontrarmos Monica e Yasmin. Fomos conhecer a Marina Bahia, um lugar delicioso que possui vários restaurantes à beira da baía. Jantamos na pizzaria Fiona, em homenagem à nossa princesa ogra companheira de estrada. Tivemos uma noite deliciosa e super agradável com nossas anfitriãs e ainda esticamos para um bailinho de carnaval no Tom do Sabor, onde encontramos Lívia e seus amigos. Marchinhas antigas de carnaval embalaram a noite, divertidíssima, enquanto trocávamos experiências de viagem com Lívia e Luana, duas viajantes apaixonadas. Voltamos para casa 4h30 da manhã já com o sol nascendo, valeu a pena e o Ro acompanhou firme e forte, afinal vir à Salvador e não pular “carnaval” é quase como se não tivéssemos passado por aqui.

Night no Tom do Sabor, em Rio Vermelho, Salvador - BA

Night no Tom do Sabor, em Rio Vermelho, Salvador - BA

Brasil, Bahia, Salvador, Arembepe, hippie

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Página 573 de 113
Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet