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cristiane (28/10)
Adorei seu blog, muito lindo os mergulhos que vocês fizeram.Parabéns te...
João Marcos Durski Silva (27/10)
O bisavô de meu pai, Coronel José Durski, foi o primeiro prefeito de Pr...
João Marcos Durski Silva (27/10)
O bisavô de meu pai, Coronel José Durski, foi o primeiro prefeito de Pr...
elizabeth duarte (26/10)
Olá, Ana! Quem me dera fazer como vocês... Estou indo para o Suriname. ...
Giselle (24/10)
Ola por favor me tire uma duvida... voces viajaram dos EUA para o mexico ...
Arte nas ruas de Santiago, capital do Chile
Uma cidade circundada por montanhas e no meio dela prédios, rios, história, poluição, cultura, pobreza, música e injustiças, todos os contrastes de uma típica capital latino americana. A leste está a Cordilheira dos Andes, na divisa com a Argentina, à oeste a Cordilheira Costanera, ambas fazem de Santiago um caldeirão de asfalto estampado no coração do Chile.
Santiago, capital do Chile, em frente ao Museu de Bellas Artes
Vista de Santiago, capital do Chile, na subida do Cerro San Cristobal
São 5,5 milhões de habitantes divididos basicamente em dois “Chiles”, “o Chile dos que vivem pra lá da Plaza Itália e o dos que vivem para cá”. Isso me disse uma amiga que nasceu, cresceu e ainda vive em Santiago. Ao norte estão os bairros mais ricos, edifícios comerciais modernos, grandes shoppings, restaurantes bacanas e boutiques. Ao sul os bairros de classe média com toda a infraestrutura, problemas e o dia a dia normal de uma grande cidade.
Passeio no centro financeiro de Santiago, capital do Chile
Com a dica do nosso amigo viajante e local, Pablo, elegemos a região de Lastarria como base. Ao lado do Parque Forestal, Lastarria é um bairro super central localizado entre o Bellas Artes, o centro, arredores da Plaza de Armas e Bella Vista. Ficamos hospedados no Hostal Forestal onde encontramos o primeiro brazuca dos muitos que ainda estavam por vir. Impressionante como vemos turistas brasileiros em Santiago! E a temporada de esqui nem está aberta. Naquela tarde caminhamos descompromissadamente até a Plaza de Armas vendo o agito dos ambulantes, evangélicos fervorosos pregando para alguns curiosos, casais de namorados sentados no banco da praça e uma senhora simpática, que nos olhou encantada num momento romântico do casal aqui.
Caminhando pelo Parque Forestal, em Santiago, capital do Chile
É claro que essa primeira andadinha ajudou a nos familiarizarmos com a cidade, mas o roteiro de visita mesmo, teve um pique um pouquinho diferente. Decidimos andar por Santiago e conhecer os pontos mais importantes da cidade em um dia! A cidade é bem plana e super fácil de andar, bicicletas podem ser uma opção, embora dificulte a entrada em alguns lugares. Nosso tour em Santiago foi todo pensado por um casal de amigos, Pablo que nasceu e viveu quase toda a sua vida na capital, e Andrea, que nasceu em Rengo, mas fez a faculdade em Santiago. Começamos o dia perto das 10h da manhã (por que também ninguém é de ferro), cruzando o bairro de Bellas Artes, região repleta de restaurantes e museus, alamedas e passeios, duas Faculdades de Direito e uma vida noturna bem agitada.
Prédio do Museu de Bellas Artes, em Santiago, capital do Chile
O Pablo e a Andrea no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile
Nosso destino, La Chascona, nada mais nada menos do que a casa do mais famoso escritor e poeta chileno, Prêmio Nobel de Literatura, Pablo Neruda. A casa em que Neruda viveu de 1955 até 1973, o ano de sua morte.
La Chascona, a casa de Neruda no bairro de Bella Vista, em Santiago, capital do Chile
La Chascona foi uma das três casas de Neruda e está localizada aos pés do Cerro San Cristóbal, no Barrio Bellavista. Em 1953 o poeta comprou o terreno e iniciou a construção da casa com projeto de um arquiteto catalão Germán Rodriguez Ariaz. O nome La Chascona foi dado em homenagem à sua então amante Matilde Urrutia, uma bela mulher de cabelos rebeldes e avermelhados. Matilde era estudante de música, ela e Pablo se conheceram em 1946, mas o romance começou apenas 3 anos mais tarde em terras mexicanas. A casa foi o esconderijo amoroso do casal e em 1955 se tornou a vivenda oficial do poeta, após a separação de sua então esposa Delia del Carril. Lá Neruda viveu até a sua morte, 12 dias depois do Golpe Militar Chileno.
La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile
A versão oficial da sua morte foi um câncer com o qual ele lutava há alguns anos. Porém existem fortes evidências de que sua morte foi acelerada, o motivo seria a sua ligação ao Partido Comunista. Às vésperas de sua morte a La Chascona foi invadida pelos militares e destruída, moveis, vidros e tudo o que viram pela frente. Matilde decidiu então, fazer o seu velório ali mesmo em meio ao vandalismo militar, como primeiro ato de protesto ao governo golpista.
La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile
Agora, anos mais tarde e longe das garras de Pinochet e seus comparsas, este assunto já poderia ter sido esclarecido, porém a família preferia não revolver esta história. Entretanto soubemos recentemente que independente disso o povo e a história devem saber a verdade e então será feita a exumação do corpo para estudo e fechamento do caso.
Visitando La Chascona, a casa de Neruda em Santiago, capital do Chile
A casa é uma obra de arte, um museu com coleções de peças de arte de todos os cantos do mundo por onde viajou o diplomata e poeta. A sala em forma de barco demonstra a paixão de Neruda pelo mar e pelo bar, com um balcão de cobre vindo de um antigo barco francês. As peças coloridas demonstram a alegria e a visão positiva da vida que Neruda compartilhava com amigos e mulheres. Bem humorado ele inventou uma porta falsa de acesso direto do seu quarto para a sala para poder surpreender seus convidados, que se serviam de sal e pimenta em saleiros que diziam “marijuana” e “morfina”. Sua sala com pinturas de amigos modernistas como Diego Rivera tem uma linda vista para o bairro, enquanto o bar, na parte alta do terreno presta homenagem aos seus poetas preferidos. No seu escritório de trabalho e sala de leitura vemos parte da sua coleção de livros, prêmios e fotos com alguns dos seus amigos como Vinícius de Morais e Jorge Amado. É, ele soube viver.
Descansando na estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile
A visita dura em torno de 40 minutos e é feita com um áudio-guia que conta tudo sobre a casa, a vida e a história de Neruda. Detalhe, não é permitido tirar fotos dentro da casa... então vocês terão que ir até lá para conferir.
A bela fachada do Museu de Bellas Artes, em Santiago, capital do Chile
Próxima parada: Cerro San Cristóbal! A maior montanha no centro de Santiago é também um dos seus principais parques, com zoológico e tudo. Do alto, uma bela vista de toda a região e a Virgen de la Inmaculada Concepción, um símbolo da cidade. Subimos o cerro em um funicular e atravessamos o foggy espesso que paira pela cidade.
Em dia de muito fog e poluição, quase não se vê as montanhas andinas que circundam Santiago, capital do Chile, do topo do Cerro San Cristobal
Essa mistura de poeira e poluição fica presa pelos ares frios trazidos pelos Andes. Lá do alto podemos ver a zona central e uma sombra dos Andes detrás da cortina de fumaça. Os ventos são importantíssimos para a cidade de Santiago, ainda mais em um dia como hoje, quem está lá embaixo mal pode se dar conta da qualidade do ar que está respirando. A tarde, porém, a camada de ar mais próxima ao chão se aqueceu, subiu e a inversão térmica limpou o céu da cidade, liberando vistas maravilhosas das montanhas ao nosso redor.
A famosa estátua de Nossa senhora no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile
Descemos o Cerro San Cristóbal a pé em uma deliciosa caminhada, com novos ângulos e novas vistas da cidade a cada curva. Demoramos quase uma hora na descida e, com ajuda de Pablo e Andrea, aos poucos fomos entendendo melhor sobre a cidade e suas peculiaridades.
Com os amigos chilenos Pablo e Andrea no topo do Cerro San Cristobal, em Santiago, capital do Chile
O almoço foi em um restaurante tradicional a duas quadras do funicular, o Venezia. Este restaurante de comida típica chilena tem pratos como la Cazuela de Pollo e o Charquicán, uma sopa de lentilhas com charqui ou algum tipo de linguiça, muito saboroso! Eu ainda provei um clássico encontrado em vários países latinos, a Palta a la Reina, abacate recheado com frango temperado. O Venezia é tão antigo e tradicional, que era frequentado pelo mais ilustre morador do bairro, que tem seu lugar preferido marcado em uma placa de honra.
Visita ao tradicional restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile
A mesa preferida de Pablo Neruda no restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile
Para fazer a digestão continuamos a caminhada, agora ao longo do Parque Forestal, com uma parada rápida no Museu de Belas Artes e seguindo até o antigo Mercado Central. Um dos melhores lugares da cidade para comer marisco fresco em um ambiente descontraído e muito charmoso.
Venda de patas de caranguejo no Mercado Central de Santiago, capital do Chile
O imponente saguão do Mercado Central, em Santiago, capital do Chile
Despedida da Andrea, em Santiago, capital do Chile
Lá nos despedimos de Andrea, que seguia para uma consulta médica, e nós continuamos para o mais autêntico e real La Vega Central, um mercadão com centenas de bancas de frutas, verduras e legumes, cereais, queijos e artesanatos. Chama a atenção a quantidade e variedade de azeitonas, além das lindas alcachofras e das frutas secas como o huesillo (pêssego seco), que é parte integrante de uma das sobremesas mais queridas por aqui, o mote com huesillo. Mote é a versão cozida de diversos grãos, neste caso o grão de trigo. Eu não gosto desse tipo de fruta em calda, mas o Rodrigo provou e adorou.
Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile
Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile
Passeio no mercado La Vega, em Santiago, capital do Chile
Voltamos pelo mercado das flores, visitamos a Estación Mapocho, uma antiga estação ferroviária super fotogênica que foi fechada após danos feitos por terremotos e o abandono da linha férrea. Hoje ela é um espaço de eventos bacaníssimo.
caminhando na estação Mapocho, antiga estação de trens de Santiago, hoje transformada em grande espaço de eventos, no Chile
Dali ao La Piojera, um dos bares mais tradicionais da cidade, em funcionamento há mais de 70 anos! Um beco que acaba em um galpão de cadeiras simples, paredes desenhadas e balcão de madeira é popular por seu drink super alcoólico, o terremoto. Assim batizado após o terremoto que abalou a cidade em 1985, o coquetel leva vinho pipeño (ou vinho branco), sorvete de abacaxi, Fernet, Granadina, Rum e Conhac! A terra tremeu, mas nem tanto, pois dividimos um copão desses para nós três! Kkk!
O tradicional bar La Piojera, em Santiago, capital do Chile
Produção em série de "Terremotos", no balcão do La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile
Servindo o famoso "Terremoto", drinque típico do La Piojera, bar tradicional de Santiago, capital do Chile
Achando que a tarde acabava em um bar, é? Ainda não! Continuamos a nossa caminhada até a Plaza de Armas, visitamos rapidinho a Catedral e descemos pelo Paseo Ahumada, um calçadão comercial cheio de lojas e vendedores, festas, artistas de rua e muita gente.
Caminhando pela Calle Ahumada, no centro de Santiago, capital do Chile
Demos a sorte de encontrar ali duas das principais expressões culturais populares desta região no Chile: la cueca, a dança nacional que imita o cortejo de um galo à uma galinha, e os chinchineros que são praticamente uma orquestra de tambores ambulante! Além de tocar o tambor com pés e mãos, eles dançam e giram enlouquecidamente no meio da gente impressionada com as suas peripécias. Um show à parte.
Show de cueca, dança típica, na calle Ahumada, no centro de Santiago, capital do Chile
Os famosos músicos que cantam e dançam ao mesmo tempo, típicos de Santiago, capital do Chile
Aqui para estes lados do continente o sol se põe mais tarde, já eram mais de 19h e o sol estava se pondo naquele dia perfeito em terras santiaguinas. Do alto do Cerro Santa Lucia vimos o pôr do sol sobre os arranha-céus da capital chilena, luz linda, ao fundo o cerro San Cristóbal e agora totalmente visíveis, a incrível e nevada Cordilheira dos Andes.
Subindo o Cerro Santa Lucia, em Santiago, capital do Chile
Vista de Santiago, capital do Chile, do alto do Cerro Santa Lucia
Depois de um banho rápido e uma descansadinha no hotel, se você ainda tiver pique a noite pode continuar nos bares de Bellas Artes, que mesmo em uma quarta-feira estavam bem movimentados e cheio de jovens descolados! Nós fomos direto ao Galindo, um dos clássicos santiaguinos. Provamos a chorrillana, prato local de batata frita com carne desfiada, cebola e ovos, para acompanhar uma cerveja stout encorpada e cheia de personalidade.
Muito romantismo no alto do Cerro Santa Lucia, em Santiago, capital do Chile
Uau! Achou que Santiago não teria nada para conhecer?! Aí está a sugestão de um dia explorando a cidade de Santiago. Tudo isso ainda sem contar com a infinidade de museus que você pode visitar, restaurantes para descobrir e wine tastings para se embebedar. Mas se você é dos nossos e gosta de caminhar, anota esse roteiro aí que não irá se arrepender!
Vista de Santiago, capital do Chile, do alto do Cerro Santa Lucia
Visão da praia do Arpoador,vista através de uma janela na vegetação densa da Mata Atlântica
Hoje é o dia da Mata Atlântica, e estamos comemorando dentro dela! Triste pensar que de toda esta riqueza natural que vemos, sobraram apenas 6 ou 7%. A biodiversidade da Mata Atlântica é muito maior que a encontrada na Amazônia. São milhares de tipos de plantas, fungos, insetos, pássaros, animais silvestres e todos aqui, debaixo do nosso nariz.
Cogumelo em árvore caída na Juréia - SP
Vegetação na Juréia - SP
Vegetação na Juréia - SP
A diversidade de espécies que vivem neste bioma é tão grande que nós, meros mortais, não temos a mínima noção. Fica ainda mais clara a nossa ignorância quando conhecemos alguém que nasceu dentro dela, como o nosso guia, o Amilton. Um caiçara, surfista que com 30 anos resolveu estudar biologia. Ele teve um empurrãozinho especial, uma bióloga que conheceu enquanto guiava pelas trilhas aqui do Parque Estadual da Juréia pagou a sua inscrição no vestibular. Aí não tinha mais desculpa, passou e estudou biologia marinha em Santos. Hoje o Tom une este conhecimento teórico com toda a cultura local que foi passada em sua família de geração em geração. Em resumo, quando se trata de Mata Atlântica o homem é uma biblioteca ambulante.
Canoa a caminho da Juréia - SP. O Amilton, nosso guia, está no leme
Na trilha logo percebemos que a sua preferência é a botânica, cada espécie de árvore ele tinha prazer em parar e nos explicar por que tem aquela morfologia, se é uma erva ou planta medicinal utilizada pelos nativos, seu nome comum e até seu nome científico. O nosso plano era seguir até a praia do Juquiá, passando pelas praias de Guarauzinho, Arpoador, Parnapoa e Brava. Cumprimos o plano sem nem sentir o tempo passar, as praias são maravilhosas, algumas delas com rios e cachoeiras a apenas 5 minutos da praia, mas desta vez o mais marcante foi o caminho. A trilha por si só já era um atrativo, que nós geralmente passamos reto, por não conhecermos e não termos os olhos treinados. A partir do momento que temos um professor de biologia nativo, a mata ganha outro significado.
Figueira na Mata Atlântica, Juréia - SP
Flor na Juréia - SP
Cogumelo em árvore caída na Juréia - SP
Eu adoro a natureza, desde que me conheço por gente meus pais já me levavam para trilhas, acampamentos, aos poucos fui aprendendo um pouco sobre a mata e sempre fui defensora do meio ambiente. Mesmo assim, hoje aprendi a dar ainda mais valor a esta riqueza imensurável que o Brasil possui e está perdendo. Lembro que aprendi na escola que tínhamos em torno de 8% de Mata Atlântica. Hoje, mesmo com toda a luta que diversas ONGs encamparam pela preservação, restam apenas 6%. Dizem que não damos valor àquilo que não conhecemos, e por isso pergunto, será que não é hora de conhecermos melhor o nosso patrimônio para aprendermos a dar valor e a preservá-lo? Ainda vemos lixo jogado nas praias, ainda vemos pessoas jogando lixo pela janela do carro em plena área de conservação! Situações indignantes e tão absurdas que só devem acontecer por pura ignorância. Conheça o seu país, conheça as suas riquezas naturais e preserve. Salve a Mata Atlântica!
Piscina natural em pequeno rio na praia do Arpoador, na Juréia - SP
Praia do Arpoador, já no fim do nosso passeio pelas praias da Juréia - SP
Morrito Royale, na praia de Grand Case, em Saint Martin, no Caribe
Quando contamos para qualquer pessoa sobre a nossa viagem, seja um hippie, seja um americano super saudável financeiramente tirando férias no Caribe, nós ouvimos a seguinte pergunta: “Vocês são ricos?” Nós adoraríamos (ser ricos), mas (infelizmente) não é o caso. Simplesmente temos outras prioridades. Alguns querem ter um bom apartamento todo equipado, dois bons carros, uma viagem de 30 dias por ano para algum lugar no mundo e o principal, segurança. Nós optamos por ter apenas a parte da viagem (estendida, ok!), o resto iremos nos preocupar depois.
Feliz da vida em Orient Beach, em Saint Martin, no Caribe
O Caribe é um destino caro, sem dúvida, mas existem diferentes maneiras de se explorar um lugar como este. Os que chegam aqui com seus magníficos veleiros e iates não tem com o que se preocupar, dormem no barco, muitas vezes cozinham no barco e acabam gastando menos do que imaginamos. Os europeus e americanos que chegam nos vôos diários da Europa e Estados Unidos normalmente já estão com seus hotéis “all inclusive” pagos, carros alugados e o que menos se preocupam é com dinheiro. Sejam euros ou dólares, a cada praia que passam estão comendo do bom e do melhor e se esbaldando em suas champagnes.
Orient Beach, em Saint Martin, no Caribe
Viajantes como nós são raros por aqui, mas os roots também têm espaço. Encontrar restaurantes mais baratos não é uma missão impossível. Movimentar-se pela ilha sem ter que alugar um carro, moto ou táxi, muito menos. Saint Martin possui um sistema de transporte parecido com o que encontramos em Tobago, vans que percorrem as principais rotas e funcionam como lotações. Elas podem ser paradas a qualquer momento, tanto para subir, quanto para descer e irão custar de 1 a 2 dólares dependendo da distância percorrida. Decidimos que não iríamos gastar com aluguel de carro enquanto pudéssemos usar o transporte coletivo. Assim ajudamos o meio ambiente, o nosso bolso e a nossa saúde. Andamos alguns quarteirões até o ponto de ônibus e subimos na nossa condução.
Totalmente Caribe! (praia de Grand Case, em Saint Martin)
Grand Case foi a nossa primeira parada. Conhecida por ser a capital gastronômica do Caribe, esta praia oferece milhares de opções de restaurantes, bares e cafés à beira mar. Alguns hotéis e guest houses também estão disponíveis, uma boa opção para quem quer ter a praia à apenas 2 minutos do hotel. Águas calmas e transparentes, praia vazia, clima perfeito neste finalzinho da alta temporada.
Praia de Grand Case, em Saint Martin, no Caribe
Não foi a toa que escolhemos esta praia, hora do almoço, queríamos provar da sua afamada cozinha. Rodrigo foi logo nos nachos calientes, ousado para o calor que estava fazendo. Eu fui no básico, assortment de fromage com salada verde e para beber um suco de maçã. Depois do almoço não resisti ao drink especial da casa, Mojito Royale, que é preparado como o mojito, porém com champagne. Hummm! Très Bon!
Almoço em Grand Case, em Saint Martin, no Caribe
Orient Beach é considerada uma das mais belas praias do lado francês, com suas areias brancas e águas azuis. Foi justamente isso que a tornou uma das praias mais badaladas de Saint Martin. Beach clubs, hotéis e grandes restaurantes à beira mar agitam a praia, oferecendo passeios aquáticos, para-sailing e toda a infra-estrutura necessária. Caminhamos apenas 5 minutos da rodovia até a praia. É uma vizinhança bacana, como um condomínio fechado, porém com acesso liberado a qualquer transeunte. Suas areias brancas e águas azuis realmente impressionam, mas a praia lotada infelizmente perde um pouco do seu encanto. Ah, um detalhe interessante, o top less ainda anda em alta dentre os franceses, é super comum por estas bandas.
Orient Beach movimentada, em Saint Martin, no Caribe
O final do dia foi no mínimo refrescante, uma bela chuva nos pegou no caminho para o busão e como não existe ponto, ficamos encharcados até ele aparecer. 2 dólares depois estávamos em Marigot, caminhando (na chuva) novamente para a nossa pousada. Outra boa dica para quem não quer gastar em restaurantes caros todas as noites: no caminho pra o hotel paramos no mini-mercado para comprar nosso jantar, um sanduíche integral com queijo, suco e barra de cereal. Ideal para mantemos o corpo e o bolso saudáveis.
Esquema diretoria, na praia de Grand Case, em Saint Martin, no Caribe
A charmosa arquitetura do nosso hotel em Popayan, na Colômbia
Entramos na Colômbia e finalmente vamos explorar as suas estradas tão temidas e esperadas. Em Ipiales todos diziam que a estrada era segura e que iríamos encontrar vários reténs do exército pela frente. A dona da pizzaria nos falou, apontando para um dos seus clientes uniformizados de militar "a estrada tá cheia deles, eles cuidam da nossa segurança".
Primeira estrada colombiana, entre Ipiales e Pasto
Eu sabia que ela falava a verdade, mas não imaginava que era assim, tão ao pé da letra! A cada 50km (ou menos!) passávamos por postos militares mais simples ou avançados. Todos os garotos de 18 a 20 anos, uniformizados, com suas metralhadoras em um punho e com o polegar levantado na outra. Todos fazem questão de mostrar que está tudo "jóia", nos liberando a passagem sem precisar nem parar o carro.
A charmosa arquitetura do nosso hotel em Popayan, na Colômbia
Esta é uma das estradas mais bonitas no sul da Colômbia e sim, este território foi ocupado pelas FARCs, segundo meu marido "historiador" teria sido por estas bandas que o governo negociou com a guerrilha uma trégua, liberando este território durante um período para o seu novo país comunista. Durante um período é como seu houvesse um outro país dentro da Colômbia. Tempos depois o governo quebrou o acordo e invadiu novamente este território.
Praça central de Popayan, na Colômbia, de noite
Chegamos a Popayán 4 horas depois de muitas curvas e vistas lindas e um pouco encobertas. Além de saber que esta é uma cidade histórica lindíssima no sul da Colômbia, a única referência que eu tinha é que foi aqui que uma amiga colombiana que vive em Curitiba, nasceu. Ela viveu nesta cidade até sofrer uma tentativa de assassinato quase bem sucedida. Se refugiou no Brasil com as suas feridas de bala no rosto e uma ainda alojada no crânio, deixando sua família para trás para reconstruir sua vida em um lugar onde se sentisse mais segura.
Praça central de Popayan, na Colômbia, de noite
Nos hospedamos no Hostal La Plazuelano centro histórico, um dos mais baratos que encontramos e mais caros que já pagamos, quem diria. Já estava anoitecendo e esperamos a noite baixar para conhecer as luzes da cidade branca. A praça estava com pouco movimento, mas os poucos que encontramos continuavam sempre fazendo questão de nos dizer que o centro era seguro, mas que não andássemos para fora dos seus limites. Enfim, até agora estamos sãos e salvos, afinal estamos em casa na nossa América Latina.
Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI
United States Virgin Islands, ou como os americanos adoram fazer siglas de tudo, USVI. Essas ilhas foram descobertas também por Cristóvão Colombo (ele fez a limpa aqui no Caribe), e batizadas por ele Santa Úrsula e as 11 mil virgens. Durante poucos anos ficou sobre os auspícios dos espanhóis até que a grande guerra entre Inglaterra e Espanha no século XVI enfraqueceu o império espanhol fazendo com que abrissem a guarda de alguns territórios. A partir daí este território começou a ser ocupado por diversas nacionalidades, aqui, principalmente os dinamarqueses. As USVIs pertenceram à Dinamarca até a 1ª Guerra Mundial, quando os Estados Unidos, preocupados com o avanço das tropas alemãs sobre a Dinamarca, acabaram comprando estas terras por 25 milhões de dólares em ouro.
Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI
Hoje saímos cedo de Fajardo a caminho de San Juan para pegar o vôo para USVI. No aeroporto fiquei feliz quando vi que estávamos na fila dos vôos internacionais, pois uma preocupação constante é o nosso peso extra para todo esse equipamento de mergulho que estamos carregando. Mas não teve jeito, como falamos Porto Rico não é exatamente um território americano, mas também não é um país completamente independente. USVI passa por uma situação parecida, como pertence ao commonwealth americano estávamos em um vôo nacional e tivemos que pagar US$ 120,00 para a bagagem, 25 para cada bagagem e mais 35 para a segunda peça. Nunca vi incluírem apenas a bagagem de mão no custo da passagem... coisa de americanos. Aposto que alguém reclamou na justiça o direito de pagar menos se nunca levava bagagem alguma, e a companhia aérea nunca deve ter repassado este “desconto” para o consumidor. Capitalismo podre.
Caneel Bay, USVI
Chegando à Saint Thomas já pegamos um táxi comunitário em direção à Red Hook, porto mais próximo de Cruz Bay, em St John, onde estamos hospedados. Fomos tentar aproveitar o pouco tempo que havia nos restado, explorando a vila de Cruz Bay e algumas praias dentro do Parque Nacional das Ilhas Virgens. Pegamos uma trilha deliciosa, cheia e cactos, pássaros e ermitões. Apara chegarmos às praias caminhamos em torno de 30 minutos (1,6km) por uma trilha que nos levou direto para as praias conhecidas como Solomon Beach, Honey Moon Beach e Caneel Bay. As duas primeiras maravilhosas, super preservadas, árvores nativas, água transparente, ótima para snorkeling. A terceira, Caneel Bay é uma pequena baía ocupada por um resort, pequeno se comparado com os que vimos nas Bahamas e TCIs, mas grande o suficiente para ter um pequeno campo de golf, praia e marina próprias. Experimentamos uma cerveja local, Virgin Island Pale Ale, escolhida no cardápio pelo Rodrigo, quando provei foi que vimos que ela era “mango natural flavored”! Pô, cerveja com gosto de manga? Essa eu nunca tinha visto! Quando provei o garçom percebeu a surpresa/decepção e acabou nos servindo “na faixa” a versão summer da mesma marca, mostrando que os virgin islanders também sabem fazer cerveja de verdade.
Cerveja com Gosto de Manga - USVI
A recente colonização americana já tem suas marcas, mas percebemos a cultura da ilha completamente misturada. Muitos negros trazidos pelos dinamarqueses para o plantio de cana e imigrantes das ilhas próximas de origem espanhola. Contudo não encontramos ainda nenhuma marca dos quase quatro séculos de influência dinamarquesa, mas ainda temos mais dois dias para descobrir!
Caneel Bay, USVI
Mergulho no naufrágio Artemides, em Salvador - BA
Hoje era um dia em que estaríamos indo embora de Salvador, o Rodrigo que é o cara do cronograma havia programado que hoje iríamos passar o dia em alguma cidadezinha do Recôncavo e já emendaríamos para a Praia do Forte. Porém eu ainda tenho poder de voto nessa casal e de Salvador eu entendo um pouco mais que ele! Há 10 anos atrás quando estive aqui tive a grandessíssima sorte de conhecer o Ho-Mei, um naufrágio chinês na Baia de Todos os Santos.
Embarcada para mergulho em Salvador - BA
Eu tinha acabado de fazer o curso de mergulho, mas não tinha o check out no mar ainda, não tinha a certificação, então procurei uma operadora que pudesse me levar para um batismo. Não lembro o nome da escola, só sei que fui em uma lancha rápida até o local do primeiro mergulho, onde fiquei esperando os mergulhadores avançados mergulharem e voltarem. Eu estava maravilhada, tudo era lindo, água quente, mar azul transparente! Eu e o dive master ficamos no barco enquanto todos desceram conhecer o naufrágio que estava ali, aos 36m de profundidade há apenas 12 anos. Eu queria muito conhecê-lo também, mas estava conformada que eu não podia, fazer o que? Eis que o instrutor de mergulho do barco, dono da escola retornou, olhou para os meus olhos extasiados e me perguntou “você quer muito ir, não é?” e eu respondi “é claro, muito!”. Ele deve ter avaliado bem e visto que as condições estavam ideais, não tinha corrente, a água estava a 29°C e com uma visibilidade de uns 30m!
Mergulho no naufrágio Artemides, em Salvador - BA
“Você sabe que não pode ir, você se responsabiliza?”, e eu do alto dos meus 17 anos respondi com toda a firmeza “SIM, me responsabilizo, assino o que precisar!” E assim fomos eu e o dive master para a água no primeiro mergulho da minha vida, direto para os 36m de profundidade! O naufrágio estava lá maravilhoso, eu senti uma paz tão grande, aquela imensidão azul, azul azul mesmo! Não foi a toa que eu me apaixonei pelo mergulho, o que parece, ou até pode ter sido um ato de irresponsabilidade, foi também o que me apresentou da melhor forma possível uma das minhas maiores paixões.
Mergulho em banco de corais ao lado do Farol da Barra, em Salvador - BA
Com uma história como esta não foi tão difícil convencer o Rodrigo a mergulhar. Postergamos a viagem e agendamos uma saída com a Dive Bahia, operadora de mergulho que conhecemos pela revista da secretaria de turismo que ganhamos no pedágio. Salvador não possui uma tradição muito grande como ponto de mergulho, mas já possui diversas operadoras e escolas, sendo a Dive Bahia uma das melhores opções! Logo em frente ao Porto da Barra encontramos Gian, dono e instrutor da escola e a equipe que iria nos acompanhar.
Praia do Porto da Barra lotada num Domingo em Salvador - BA
A Baía de Todos os Santos possui mais de 70 naufrágios, destes mergulha-se em apenas 20, sendo o Cavo Artemidis, com 180m de comprimento, considerado o maior de todos os naufrágios da costa brasileira. Um cargueiro grego que afundou em 1980 há apenas 40 minutos da costa. Navegamos e quando chegamos no ponto, havia uma outra embarcação de mergulho e os dive masters malucos que se conheciam começaram a gritar “A água está roxa! A água está roxa! Água mineral!!!” A manha deste mergulho é chegar na parada da maré, logo que pára de vazar, pois as correntes se acalmam e a água tem mais chances de ficar com melhor visibilidade. Dito e feito, meu santo aqui na Bahia é forte mesmo, caímos na água a 26°C com 30m de visibilidade!
Naufrágio Artemides, em Salvador - BA
Já da superfície conseguíamos avistar o Cavo, lindíssimo, deitado na areia. Descemos, passamos embaixo do casco, entre a hélice e uma duna de areia e ali próximo eu já avistei um badejo de um metro e meio nadando ao lado do navio, gigantesco! Exploramos o navio, que já formou uma colônia imensa de corais e esponjas e por isso tem muita vida ao seu redor. Procurando por um polvo dos grandes que vive por ali encontramos um senhor mero entocado, segundo Gian, com Mero o mergulho é mais caro! O polvo não deu o ar da graça, vai ter que ficar para a próxima.
Pequena moréia em mergulho em banco de corais ao lado do Farol da Barra, em Salvador - BA
O segundo mergulho foi no Remanso, mais próximo da costa, com a maré subindo a água ficou um pouco mais fria e um pouco mais turva, mas ainda vimos algumas moréias e uns peixinhos bacanas.
Pronta para cair na água, em Salvador - BA
Que bom que convenci o Rodrigo, o mergulho foi maravilhoso, o grupo que mergulhou conosco era muito divertido, foi uma bela manhã de domingo!
Foto da turma após mergulho em Salvador - BA
Na sequência fomos para a Marina Bahia onde encontramos Monica, Lívia e Wilson no restaurante Lafayette, um dos mais bacanas da cidade. Pudera, com aquela localização e aquele cardápio não poderia ser melhor. Almoçamos uma bela salada de folhas verdes, figos e queijo de cabra e um filé de linguado ao molho de camarão divino! Isso sem falar no melhor, que é a companhia dessa família tão especial que me recebeu novamente aqui na Bahia, 10 anos depois, como se fosse ontem.
Com a Mônica e a Livia em Salvador - BA
Depois do delicioso almoço fizemos um tour pelo Centro Histórico dentro da Fiona junto com Mônica, é outra história termos uma guia turística como ela dentro do carro. Conhecemos o Largo e a Igreja da Piedade, logo em frente à Rua da Forca, onde antigamente eram enforcados os infratores, passamos pela Igreja de São Bento, com seu imenso e belíssimo domo e finalizamos o passeio na Praça Castro Alves, um dos pontos mais conhecidos para o carnaval baiano.
Igreja São Bento, em Salvador - BA
Em frente à Praça Castro Alves se encontra o Espaço Unibando de Cinemas, construído em um prédio histórico ao lado do antigo prédio do jornal “A Tarde”, mais importante periódico da Bahia. Tomamos um café e descemos para a Igreja da Barroquinha, onde iria acontecer a nossa programação cultural do dia.
Igreja da Barroquinha, em Salvador - BA
A peça “Quem é ela?”, encenada por 3 atrizes baianas, sendo uma delas Edvana, amiga de Mônica que já participou do Bando de Teatro do Olodum e até de séries como “Ó pai ó”, fala de uma forma bem humorada sobre a Violência Contra a Mulher. Logo na entrada já observamos uma exposição fotográfica sobre o tema e no teatro, uma antiga igreja reformada e transformada em espaço cultural, assistimos à peça que apresenta cenas comuns sofridas pelas mulheres na sociedade, falando da lei Maria da Penha, sancionada pelo Governo Federal que torna a violência contra a mulher um crime e não apenas injúria que antes era perdoado em troca de uma cesta básica. Uma peça deliciosa, divertida e muito instrutiva, vale muito a pena!
Peça de teatro em Salvador - BA
Fechamos o dia com um lanche super gostoso em família na casa de Mônica, nos divertindo com as histórias de Yasmin e as recordações de viagens e passagens desesperadoras como assaltos na última viagem na Europa e etc, que depois se tornam hilárias. Afinal, se nada acontecer que histórias teríamos para contar, não é mesmo Monica?
Com a Mônica na Praça Castro Alves, em Salvador - BA
Com a Ofelia, a dona de casa que nos acolheu em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Toledo é o distrito mais ao sul de Belize, um lugar distante e fora do roteiro da maioria dos viajantes que passa pelo país. Sua capital Punta Gorda, uma cidade garifuna, é o ponto de partida da maioria dos viajantes que vão para a região de Rio Dulce e o Lago de Izabal, na Guatemala.
O simpático papagaio da casa em que ficamos em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Lá o clima úmido dá lugar a uma floresta tropical chuvosa e suas terras férteis foram as escolhidas pelos Mayas Q’eqchi’, Mopans, Creoles e Menonitas, que preferem manter sua vida no campo, a agricultura de subsistência e suas tradições (quase) intactas. Assim o charme de Toledo é apenas viajar por suas pequenas vilas, ver a vida como ela é, sem firulas e maquiagens turísticas e descobrindo o que a região tem a oferecer: sítios arqueológicos mayas, rios e cachoeiras, praias e a autenticidade do seu povo.
A simpática equipe de garis de Placencia, no litoral sul de Belize
Rumo às Vilas de Toledo passamos por Placência “o cayo que você pode chegar de carro”, segundo o Lonely Planet. É o mais alternativo para os turistas que querem praia, sombra e água fresca sem cair na turística Ambergris. Abastecemos o carro, tiramos algumas fotos, compramos umas bananas e seguimos rumo ao sul.
Rua de pedestres em Placencia, no litoral sul de Belize
Placa bilingue emPlacencia, no litoral sul de Belize. Inglês e creolle
A primeira parada foi nas ruínas de Lubaantum, o "lugar das pedras caídas". Pouco se sabe sobre esta cidade-estado maya, os resquícios arqueológicos datam entre os anos de 730 e 890 d.C. Além da imensa coleção de esculturas em miniaturas encontradas nas escavações, a cidade é famosa por ser o local onde teria sido encontrada a belíssima Caveira de Cristal. Há controvérsias, mas o seu atual guardião nos garante que ela foi encontrada lá.
Pequenos artefatos encontrados em Lubantun, ruínas mayas no sul de Belize
O caso da misteriosa caveira de cristal, possivelmente encontrada em Lubantun, ruínas mayas no sul de Belize
As ruínas não são grandes, mas são lindas e foram pouco reconstruídas. Árvores imensas estão sobre os templos e se não fosse o gramado bem cortadinho poderíamos sentir como se a estivéssemos acabando de descobri-las.
Lubantun, ruínas mayas no sul de Belize
Visitando as ruínas mayas de Lubantun, no sul de Belize
Depois da visita escaldante à Lubaantum, poucos quilômetros da Vila San Pedro, fomos nos refrescar nas águas do Rio Blanco National Park, com um rio que forma poços e cachoeiras deliciosas!
Chegando ao Rio Blanco National Park, no sul de Belize
Refrescando-se em piscina natural do Rio Blanco National Park, no sul de Belize
Ele está nos arredores de Santa Helena, a vila mais bonitinha, com casinhas de madeira e palha bem construídas e que mantém a arquitetura tradicional, sem concretos e grades feiosas. Ali estão construindo a nova estrada de acesso à Guatemala, ótima opção para quem daqui se dirige a Rio Dulce, a estrada deve estar pronta até o final do próximo ano.
A pitoresca vila de Santa Helena, perto do Rio Blanco National Park, no sul de Belize
É justamente essa combinação de atividades que está fazendo o turismo se desenvolver na região como nova alternativa econômica para estas comunidades. As opções de hospedagens ainda são escassas fora da capital, mas uma boa alternativa é organizar tours com a TEA – Toledo Ecotourism Association, que além de programações ecológicas e culturais está organizando a hospedagem nas casas de família, como mais uma fonte de renda para as famílias que querem se inscrever no programa.
Espécie de bananeira ornamental, em Lubantun, ruínas mayas no sul de Belize
As vilas parecem ser divididas pelos seus grupos étnicos e/ou famílias, Santo Antonio tem maioria Mopan, já Blue Creek uma concentração maior de Q’eqchi’, enquanto a distante Barranco é uma vilazinha Garifuna. Essa diversidade convive muito bem e aos poucos também começa a se mesclar, como a nossa anfitriã Ofélia, que é creole (mistura de negros com europeus) que se casou com Rosálio, da etnia mopan.
Descansando na varanda da casa que ficamos em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Nós decidimos dormir em Blue Creek, fomos sem agendar nada e penamos um pouquinho para encontrar uma hospedagem, mas aí é que está a graça. Falamos com um, falamos com outro, paramos na venda, até chegar à casa da Dona Ofélia, e assim fomos conhecendo a comunidade. Ela ficou até curiosa de saber como havíamos chegado lá e foi atrás de um restaurante que nos indicaram ela. Fato é que ela tem uma venda, disposição e um grande coração, além de nos preparar a comida ela também ofereceu o quarto de sua filha para dormirmos. A casa era simples, banheiro na casinha, banho de caneca e um sitiozinho nos fundos com galinhas, uma arara e 3 cachorros. Dividimos a casa com os pais e os 3 filhos mais novos, Telma de 24 anos, Rodney de 21 e Adélia de 19, que resolveu voltar aos estudos este ano para terminar o ensino médio.
Árvores crescem sobre as asntigas pirâmides de Lubantun, ruínas mayas no sul de Belize
Enquanto Dona Ofélia preparava o nosso jantar conversamos sobre a igreja menonita que seu Rosálio frequentava e a evangélica que o recebeu de braços abertos quando resolveu casar-se com uma mulher que não pertencia à igreja. Assim que tive chance fui ajudá-la na cozinha e tive uma aula de como fazer tortillas de milho branco. A massa já estava pronta, mas ela é basicamente milho descascado, cozido e moído com um pouquinho de água. Me restou amassar e modelar as tortillas, que ainda assim demandam uma certa desenvoltura com a massa para ficarem na espessura certa! Rsrs! Uma delícia!
Nossa simpática casa em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Depois do banho de caneca eu e Adélia ficamos esperando a carreata passar. Hoje foi o dia de abertura da Semana Maya, que comemora o 24 de Março “The Maya Day”. Um grupo de jovens corredores veio correndo desde as ruínas de Nim Li Punit até Blue Creek, passando por diversas vilas, sendo acompanhados por uma carreata e carregando a tocha dos jogos.
Em dia de festa, chegamos à Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
A semana na realidade terá 10 dias de jogos e atividades da cultura maya, com competições como quem faz mais e as melhores tortillas ou artesanatos e tecidos (para as mulheres) e jogos esportivos para os homens. Enquanto o Rodrigo dormia, eu tive que ir lá conferir! Na companhia de Adélia fui até o centro cultural, assistimos a apresentação de marimba, a cerimônia de abertura falada em Mopan e Q´eqchi´, além da gloriosa chegada da tocha olímpica.
Comemoração em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Ainda assistimos ao empolgante e divertido Juego de Pelota de Fuego! Eles incendeiam uma bola de borracha e com tacos de madeira (paus de árvore com um formato parecido com o taco de hóquei) eles têm que acertar a bola e colocá-la no gol. Acaba sendo quase como uma batata quente! Eles acertam o taco na bola, e a cada “ai” depois de se queimarem, a torcida caía na gargalhada.
O incrível jogo de "fireball", em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
A noite estrelada ainda terminou em um show de fogos de artifício e um jantar repleto de tamales, um tipo de pamonha, feito principalmente para os heróis esfomeados que correram de Nim Li Punit até aqui.
O incrível jogo de "fireball", em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Não irei esquecer a imagem daqueles rapazes correndo atrás da bola de fogo, rodeados por mayas, mopáns e creoles e uma “gringa” maravilhada, fotografando tudo no meio deles. São experiências como esta que nos ensinam a entender, apreciar e compartilhar as histórias de vida de diferentes culturas. Nos lembram que o melhor da vida é o simples que nos faz feliz.
Admirando as belezas naturais do Rio Blanco National Park, no sul de Belize
Peixe se esconde no coral em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
O Parque Nacional Cabo Pulmo é uma das principais Reservas Marinha do Mar de Cortês. Localizado no estado mexicano da Baja Califórnia Sur, está em torno de duas horas e meia de carro ao sul da cidade de La Paz, na região de Los Cabos.
Praia em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, no México
Batizado por Jacques Cousteau como “O Aquário do Mundo”, o Mar de Cortês (ou Cortez em espanhol), é uma parte do Oceano Pacífico separada pela Baja Califórnia, formando o Golfo da Califórnia. Esta região é riquíssima em vida marinha e abriga mais de 40% das espécies de mamíferos marinhos existentes em todo o planeta.
Arraia durante mergulho em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
A área do parque é pouco habitada e esperemos que continue assim. Porém um mega-empreendimento hoteleiro de um grupo espanhol está prometendo mudar essa realidade. Eles querem construir um total de 30 mil quartos exatamente aqui, ao lado do parque nacional. Grupos ativistas levantaram a bandeira da preservação e, unidos à comunidade local, estão lutando para frear a construção deste empreendimento. A construção por si só já traz um grande impacto ambiental em um ecossistema tão frágil como este, em uma área semi-árida onde a água doce é um recurso escasso. Imaginem então as hordas de turistas que irão lotar as praias e as toneladas de lixo e esgoto gerados por eles? Alguns lugares no mundo tem que ficar de fora da onda do desenvolvimento econômico e esta sem dúvida é uma delas. Por quê?
Muitos peixes em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
Dentre vários motivos ilustres, aqui está o maior deles: o Cabo Pulmo abriga o último arrecife vivo do Mar de Cortês. O parque marinho é habitat para centenas de espécies marinhas como golfinhos, baleias, arraias e peixes como o marlín, o peixe galo, dourado, mero, a garoupa, a cabrilla, o pargo, entre outros. São mais de 226 espécies de peixes de recife, além das 11 espécies coralíneas, dentre as 14 encontradas no golfo.
Praia em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
Nós viemos até aqui para conferir e colocar no nosso currículo o nosso primeiro mergulho no Mar de Cortês! Esta é uma das melhores épocas para mergulhar se você quer ter contato com todas estas espécies marinhas, porém a visibilidade é baixa e a temperatura da água nada convidativa.
Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
Os nossos pontos de mergulho foram selecionados a dedo pelo Isac, nosso dive master californiano que quer se naturalizar mexicano. Abrindo um parênteses: ele foi o primeiro caso que conheci de um americano que quer se naturalizar mexicano, normalmente é o inverso! Não apenas com mexicanos, mas com todos os países latinos, inclusive o Brasil. Segundo ele não existe melhor país para viver do que o México, bons preços, ótima qualidade de vida, comida deliciosa e o principal: cervejas boas e baratas!
A lancha que vai nos levar para mergulhar no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
Ele nos levou primeiro para o El Bajo, um ponto com profundidade máxima em torno de 18m e muita vida! Caímos na água ao lado de um cardume de arraias, mas ainda me acostumando com o frio e a baixa visibilidade, confesso que não as vi.
Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
Fizemos um perfil multinível que nos levava dentro e fora de termoclinas, dos gelados 17 aos 20°C, com visibilidade também variando entre 6 e 10m. Fico impressionada como os peixes não sentem frio! Muitas moreias verdes, nadando tranquilos fora dos seus buracos e um mundo de peixe gigante, principalmente comparados com os nossos últimos mergulhos no Caribe. Ao final do mergulho ainda encontramos duas stingrays lindas.
Arraia durante mergulho em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
O nosso intervalo de superfície foi fazendo snorkeling com um cardume imeeenso de xaréus! Eram centenas deles se movendo em bloco e tão raso que podíamos ver as barbatanas fora d´água! Sensacional!
Cardume de jacks em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
O segundo mergulho foi em um ponto chamado El Cantil, com profundidade máxima de 10m, muita vida nas geladas águas verdes e vários túneis apertados para nos divertirmos, treinando nossas técnicas de mergulho em caverna.
Moreia nos acompanha durante mergulho em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
No verão a água limpa, fica azul e transparente com grande visibilidade e temperatura em torno de 17 a 30°C! Mas (sempre tem um “mas”), curiosamente todos os peixes desaparecem! Por isso o período indicado para os mergulhadores curiosos é agora! Ficando mais tempo com certeza teríamos tempo de ver mais diversidade de espécies, infelizmente não conseguimos agendar o encontro com as mantas e as baleias, fica para a próxima vez.
Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
ONDE FICAR?
Flores e palmeiras em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, no México
A vila possui poucas casas e uma infra-estrutura turística pequena, dimensionada para receber os aventureiros interessados principalmente em mergulho. Também são oferecidas algumas atividades aquáticas adjacentes como snorkel, avistamento de baleias, caiaque, etc.
Preparando-se para mergulhar no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México
Menos de 10 km da estrada de acesso são de terra, um carro grande é bem vindo, mas todos os carros devem conseguir chegar sem problemas. Na única rua que cruza a vila vocês podem encontrar 3 operadoras/escolas de mergulho e diversas pousadinhas. Nós ficamos hospedados nos bungalos de uma família mexicana, ao lado do único mercadinho da vila. Próximo à praia, ele é bem confortável, com estacionamento e água quente. Quem quer mais conforto e está disposto a pagar mais o Cabo Pulmo Beach Resort oferece cabanas de ótima qualidade, junto ao Cabo Pulmo Dive Center. (http://www.cabopulmo.com/)
Uma das marcas da cidade, a abóboda da Feira Internacional de 67, em Montreal, no Canadá
Montreal é a segunda maior cidade do Canadá e a maior da Província de Quebéc, o estado mais francês do Canadá. Digo “mais”, pois por todo país existem cidades francófonas, mas é em Quebéc que a identidade franco-canadense floresceu e se manteve desde os tempos da colônia. Os ingleses bem que tentaram impor sua língua, costumes e religião após o Tratado de Paris de 1763, mas não conseguiram.
O charme da cidade antiga no centro de Montreal, no Canadá
Se eles não podiam impor uma nova cultura, então decidiram sancionar a liberdade de idioma e religião, além da manutenção do seu código civil, através do Quebec Act, em 1774. Este ato foi o principal responsável pela sobrevivência da língua francesa e do catolicismo no novo país inglês presbiteriano. A única língua oficial em todo o estado de Quebec é o francês, mas algumas das principais placas e regiões turísticas o inglês também pode ajudar.
O centenário Bank of Montreal, na Place d'armes, em Montreal, no Canadá
Fundada em 1642 em uma ilha no Rio St Lawrence, Montreal recebeu o seu nome em referência ao Mont-Royal, onde encontramos uma das melhores vistas da cidade. Plana e organizada, uma boa forma de explorar a cidade é de bicicleta ou a pé e utilizando o metro entre as vizinhanças mais distantes. Nosso roteiro de três dias incluiu o centro antigo, Quartier Latin, The Village, o obrigatório Mont-Royal e ainda uma passadinha pelo Estádio Olímpico de 1976.
Basílica de Notre-Dame, na Place d'Armes, em Montreal, no Canadá
A nossa primeira tarde no Canadá começou em Vieux-Montreal (Old Montreal ou Montreal Antiga). O melhor lugar para iniciar as explorações é a Place d´Armes, antigo centro econômico e religioso, tem nos seus arredores o prédio do Banco de Montreal, com um pequeno museu da moeda e a imponente Basílica de Notre-Dame. A basílica construída entre 1824 e 1829 em estilo neogótico é (quase) um exagero de cores e adornos e folheados a ouro. Lotada de turistas, a igreja ficou famosa por ter sido escolhida pela cantora Celine Dion para o seu casamento. Se você quer um cantinho um pouco mais discreto para fazer as suas preces ou apenas contemplar e respirar, siga até os fundos da igreja até a moderna Capela de Sacré-Coeur. O imenso altar feito em uma única peça de bronze é lindo e melhor compreendido quando sabemos que a antiga capela de madeira foi totalmente destruída pelo fogo.
O esplendoroso interior da Basílica de Notre-Dame, em Montreal, no Canadá
O fabuloso altar da Basílica de Notre-Dame, em Montreal, no Canadá
Você pode visitar diversas igrejas e museus, mas no verão apenas caminhar pelas ruas da antiga Montreal já basta como programa turístico. Galerias de arte, restaurantes, bares e uma aura alegre e festiva parecem tomar conta dos montréalaises quando o calor chega. Também pudera! Eles chegam a enfrentar temperaturas entre -10 e -40°C no inverno!
Caminhando pelas charmosas ruas centrais de Montreal, no Canadá
Chegamos à Praça Jacques Cartier, onde restaurantes bem turísticos ficam lotados e artistas de rua animavam a tarde ensolarada. Pelo clima e pela fome acabamos comendo em um destes restaurantes mesmo. Mesmo não sendo nada especial na qualidade e muito menos no preço, eles têm a melhor vista para a praça, para o Hôtel de Ville e o todo o agito, além de uma televisão ligada com as provas de natação nas Olimpíadas de Londres.
Hotel de Ville, em Montreal, no Canadá
Descansando e namorando em parque em frente ao Mercado Central de Montreal, no Canadá
Caminhamos pelo passeio do porto antigo em frente ao St Lauwrence River, passamos pela Torre do Relógio e o Parc du Bassin-Bonsécours com belas vistas para o rio e a Île Ste Hélène. Se você não estiver cansado, fica a dica de um jantar ou noite mais agitada nos bares da Rue St Paul, seja no Irish Pub ou nos bares mais autênticos quebecoises. Nós, depois de tanta estrada, acabamos entregando os pontos e nos rendemos à uma boa noite de sono.
Artista de rua tenta faturar seu ganha-pão em Montreal, no Canadá
O Portal da Chapada, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
Pedra Caída, uma das principais atrações turísticas da Chapada das Mesas. Fora da área do Parque Nacional, na estrada de Estreito e Imperatriz, há aproximadamente 30km de Carolina. O Rodrigo já conhecia de uma viagem feita há 10 anos. De lá para cá soubemos que a área foi vendida para um novo dono, também proprietário da empresa de balsas Pipes, que domina o mercado aqui nos Rios Tocantins e Araguaia. Empreendedor, o novo proprietário esta montando uma nova infra-estrutura, inaugurou 3 tirolesas e mudou também os valores para visitar o local, cada atração dentro da propriedade tem um valor, 20, 30 reais por pessoa, com acompanhamento de guias locais. Já fomos para lá com medo do esquemão em que íamos nos meter, mas o Rodrigo era taxativo, Pedra Caída é obrigatória.
Paredões do canyon da Pedra Caída, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
Chegamos lá e a infra já impressiona, o receptivo é feito por um rapaz que explica todas as atrações, preços e horários de saída dos passeios. O guia do Santuário da Pedra Caída sai de hora em hora, para a Caverna e o Capelão as 10h e as 14h. Além destes queríamos ainda tentar fazer a tirolesa, mas estava meio corrido, saindo as 14h não teríamos tempo hábil até as 17h, hora em que fecha o parque. Não é por nada, mas nós gostamos de eco-turismo, dentre outros motivos óbvios, pela liberdade que temos de ir e vir dentro das nossas aptidões e disposição, não conseguir fazer por causa de agenda é muito chato. Eis que surge uma solução! Tino, guia experiente da Pedra Caída, propôs um esquema especial já que estávamos com o nosso carro, eles rearranjaram os horários dos guias na agenda e tudo certo para começarmos o dia!
Caminho pelo rio até a Cachoeira do Capelão, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
As atrações aqui da Pedra Caída têm um acesso muito fácil, estradas de terra para carros 4x4 e trilhas de 5, 10 minutos que qualquer pessoa consegue fazer. Antigamente o lugar era uma farofa, só o Santurário era explorado, ingresso mais barato e 500 pessoas lá dentro, comendo, bebendo e lotando o local. Visando um público diferenciado e a preservação do meio natural foi que o novo proprietário mudou a tabela de preços. Hoje com os preços mais salgados o povo pensa duas vezes em vir até aqui. Além da estrutura que já existia, piscinas (artificiais) de água natural, mesas e bares na área mais próxima à entrada, foram montadas passarelas de madeira, áreas de descanso, uma ponte pencil, as rampas de acesso e plataformas das tirolesas de 400, 600 e 1200m, a segunda maior do Brasil. Antenado nas tendências do eco-turismo e do turismo de aventura, a empresa investe em treinamento dos profissionais, é associada da Abeta e está de olho em novos projetos como, por exemplo, o acesso de PPNEs (Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais), como a pioneira cidade de Socorro, no interior de SP.
Passarela para a Cachoeira da Caverna, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
Depois de toda essa explicação a nossa disposição até começou a mudar, assim até pagamos mais felizes! Começamos o tour pela Cachoeira do Capelão, nome dado na região para o macaco bugio gritador, que costuma aparecer nesse pequeno éden. A cachoeira é uma pintura, um pequeno lago de areias vermelhas, águas transparentes e uma queda desenhada na ferradura formada pela rocha. Tudo isso a apenas 5 minutos do estacionamento.
A belíssima Cachoeira do Capelão, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
A segunda parada é a Cachoeira da Caverna, 10 minutos de caminhada pelo leito do rio e chegamos à uma gruta linda e infestada de morcegos. Tudo bem, eles não gostam de turistas não, estes só gostam de frutas. Esta trilha nos lembrou muito os cânions secos dos parques nacionais vizinhos, Confusões e Serra da Capivara, porém aqui tem água o tempo todo. Lá estas trilhas por cânions e leitos de rios são comuns, mas os rios só aparecem no período de chuvas.
Saindo da Cachoeira da Caverna, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
O encanto desta cachoeira está na sua localização, cercada por paredões de pedra, com acesso apenas por dentro do rio. A temperatura da água é perfeita, nem quente, nem fria, podemos ficar horas ali que não sentíamos frio. Há uma pequena gruta atrás da cortina d´água e um lugar perfeito para você se instalar na hidromassagem da cachoeira. Foi difícil do Tino nos arrancar dali, mas o tempo estava correndo e precisávamos seguir para a o Santuário.
Cachoeira da Caverna, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
O Santuário da Pedra Caída é assim chamado por ser um lugar muito especial para a tribo indígena que habita a região há muitos anos, a tribo Krikati ou Crêcateh, como se escreve na sua língua. “O criador se manifesta para as criaturas através da sua criação” e este é sem dúvida um dos lugares para nos lembrarmos que a Mãe-Natureza existe.
Aproveitando ao máximo a Cachoeira da Pedra Caída, em Carolina, região da Chapada das Mesas - MA
Caminhamos pela passarela de madeira, atravessamos a ponte pêncil sobre um estreito cânion de onde conseguimos ter uma noção do que está por vir. Descemos uma rampa de madeira, ziguezagueando defronte ao imenso paredão. A passarela continua margeando o rio, de um lado ela segue para a plataforma onde é feito o rapel e do outro para o nosso objetivo, a Cachoeira da Pedra Caída.
Ponte sobre o canyon da Pedra Caída, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
É nesta hora que Tino nos faz o convite “Mac’me cuh tohr toc cym xwa?”, (Mac’me = vamos, cuh tohr toc = cachoeira, cỹm xwa = banhar) ou “vamos tomar um banho de cachoeira?”, entrando em um território sagrado para os Crêcateh. Entramos no rio e continuamos subindo, conforme o cânion ia se afunilando. Parecemos estar entrando em um cenário de filme do Indiana Jones, todas as paredes possuem escritos cavados no arenito. Alguns datam da década de 40 e 50, são tantos, tão apinhados e com limo por cima, que parecem hieróglifos! O meu espanto e indignação, do início, tiveram que dar espaço para a imaginação e deixar as antigas pichações virarem escritas sagradas dos antigos povos que ali viveram.
Quase chegando à Cachoeira da Pedra Caída, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
Ao final do cânion chegamos ao último salão, de onde cai a imensa cachoeira da Pedra Caída. São uns 40m de queda, muita água, muito vapor e um salão circular e particular. Estávamos apenas nós, no útero, no santuário da mãe natureza, experiência inesquecível!
A clarabóia da Cachoeira da Pedra Caída, em Carolina, região da Chapada das Mesas - MA
Fizemos todo o caminho de volta maravilhados e no meio do caminho os gritos emocionados de uma moça não nos deixaram ter dúvida, vamos à tirolesa! A segunda maior tirolesa do Brasil, com 1200m, a tirolesa da Pedra Caída foi inaugurada há uns 3 meses pelo Sabiá. O doido cortou o seu cabo na parte mais alta, enquanto a tirolesa estava em movimento e chegou ao chão com o seu pára-quedas depois do base-jump básico.
A famosa tirolesa dos 1.200 metros, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
A subida é desleal, mesmo no final da tarde o sol ainda estava quente, pouco vento e quase quarenta minutos de rampa pela frente. É claro que o caminho de volta é muito mais rápido, prazeroso e o principal, com uma vista linda de toda a chapada!
Descendo a tirolesa dos 1.200 metros, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
Fomos embora da Pedra Caída felizes e muito mais do que satisfeitos. Tino foi perfeito, atencioso, nos deu boas explicações sobre a flora, fauna e história do local, além da ótima companhia.
Junto com o Tino, nosso guia no Complexo da Pedra Furada, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
Tenho um único adendo. É bom lembrar aos desbravadores e eco-turistas mochileiros que toda essa estrutura que está aqui é linda e ajuda a preservar o local, mas ela não foi feita pelo que já foi, mas sim pelo que está por vir! Agências de turismo (do tipo CVC) estão estudando o local e incluindo nos seus roteiros, com toda a razão, já que a empresa tem a estrutura perfeita para todas as idades e perfis de público. Então, venham logo!
Fim de tarde na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
Sol se pondo, mas ainda tínhamos tempo de dar uma última esticada para conhecer o Portal da Chapada. Uma formação rochosa em forma de portal (ou janela?) em meio a um imenso paredão de arenito.
O Portal da Chapada, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
A luz avermelhada do sol deixou o espetáculo ainda mais bonito! Do alto pudemos ver o Morro do Chapéu e suas montanhas irmãs em formato de mesa.
Magnífico visual de final de tarde na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA
Amanhã saímos de Carolina, mas continuamos nossas explorações pela Chapada das Mesas, agora no município de Riachão. Veremos que outras surpresas nos aguardam.
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